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Deu nos Blogs


Os negócios suspeitos de Palocci, que recebeu dinheiro por contratos feitos de boca
Ricardo Noblat

Em três de dezembro de 2010, dia em que foi anunciado como o chefe da Casa Civil da recém-eleita presidente da República Dilma Rousseff, Antonio Palocci, ex-prefeito de Ribeirão Preto (SP), ex-ministro da Fazenda do primeiro governo Lula, recebeu R$ 1 milhão do escritório de Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça nos dois mandatos de Lula. O dinheiro foi depositado na conta da Projeto, sua empresa de consultoria.

Duas semanas depois, recebeu mais R$ 1 milhão. Aos R$ 2 milhões somaram-se R$ 3,5 milhões recebidos por Palocci durante a campanha e a pré-campanha de Dilma. No total foram 11 pagamentos. Com um detalhe que nada tem de insignificante: todos os pagamentos foram feitos sem contratos que os justificassem. Contratos feitos de boca. É o que conta reportagem de capa da revista ÉPOCA, que chegará às bancas neste sábado.

Qual a origem do dinheiro repassado a Palocci pelo escritório de Thomaz Bastos, que morreu no ano passado? O grupo Pão de Açúcar, dizem os advogados de Palocci e os que trabalhavam com Thomaz Bastos. Médico sanitarista, ocupado na época com as tarefas de campanha de Dilma, Palocci teria assessorado o grupo do empresário Abílio Diniz a se fundir com as Casas Bahia. Mas ele fez exatamente o quê? Durante quanto tempo?

A consultoria Estáter, contratada de forma exclusiva pelo Pão de Açúcar para tocar a fusão, informou ao Ministério Público Federal (MPF) que Palocci não prestou qualquer serviço. Em ofício ao MPF, o Pão de Açúcar disse que “em função da relação de confiança desenvolvida” é comum que os “serviços de assessoria jurídica sejam contratados de modo mais informal”. Procurado por ÉPOCA, o Pão de Açúcar informou que não vai se pronunciar.

Em 2010, segundo a revista, Palocci recebeu, ao menos, R$ 12 milhões em pagamentos considerados suspeitos pelo MPF. Além dos pagamentos do escritório de Thomaz Bastos, supostamente em nome do Pão de Açúcar, os procuradores avaliaram como suspeitos os pagamentos do frigorífico JBS e da concessionária Caoa. Eles somam R$ 6,5 milhões. São suspeitos porque Palocci também não conseguiu comprovar que prestou serviços às duas empresas.

Palocci disse ter recebido dinheiro do grupo JBS para ajudar a buscar negócios no mercado de frango, nos Estados Unidos. O grupo nega que tenha pagado qualquer soma a ele. O JBS, em 2010, foi o campeão em doações para a campanha de Dilma – R$ 13 milhões. No ano passado, doou R$ 70 milhões. Palocci disse que foi pago pela Caoa para lhe arranjar um sócio na China. A Canoa também nega. Todo esse dinheiro recebido pelo ex-ministro foi parar aonde?

Não é fora de propósito, como desconfia o MPF, que todo ou parte do dinheiro tenha sido injetado na campanha de Dilma via Caixa 2.

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Lula: ‘Se tem corrupção na Petrobras, prendam’

Em Pernambuco, Lula fez uma palestra para os funcionários da cervejaria Itaipava. A alturas tantas, saiu-se com essa: “Se tem problema de corrupção na Petrobras, então prendam quem roubou. Prendam! É pra isso que tem Justiça, é pra isso que tem polícia. Mas não vamos confundir o que está acontecendo com algumas pessoas com o destino desse país.”

Graças a esse comentário, descobriu-se que Lula, político de notória perspicácia, é o único brasileiro que ainda fala da corrupção na Petrobas no condicional —“se teve problema…”. De resto, o orador passou, meio sem querer, a impressão de que avaliza a cana do companheiro João Vaccari Neto. Decerto foi ato falho.

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Camargo Corrêa pagou R$ 110 mi em propinas

Eduardo Leite, vice-presidente da Camargo Corrêa, afirmou em depoimento a membros da força-tarefa da operação Lava Jato que pagou R$ 110 milhões em propinas para obter contratos na Petrobas. Os valores começaram a ser desembolsados em 2007, sob Lula. E fluíram até 2012, já sob Dilma Rousseff.

O depoimento do executivo foi divulgado na noite desta sexta-feira. Ele falou aos inquiridores na condição de delator premiado. Os repórteres Renato Onofre e Germano Oliveira contam que Eduardo Leite dividiu assim as propinas: R$ 63 milhões foram para o ex-diretor de Serviços Renato Duque, homem do PT. Os restantes R$ 47 milhões molharam a mão do então diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, apadrinhado do PP.

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PF, MPF e Judiciário violam direitos, acusa o PT

Na propaganda acima, exibida em rede nacional pelo PT no início do mês, o partido alardeou que, sob Lula e Dilma Rousseff, o Brasil “colocou mais gente importante na cadeia por corrupção do que nos outros governos”. Fez isso sem mencionar a passagem de seus ex-dirigentes pela penitenciária da Papuda. O objetivo da peça era o de reforçar o discurso segundo o qual a corrupção só aparece em escala amazônica porque o poder petista deu independência à Polícia Federal e autonomia ao Ministério Público Federal.

Nesta sexta-feira, o PT promoveu uma guinada na sua estratégia. Em vez de louvar os órgãos investigativos, passou a esculhambá-los. A legenda agora acusa a PF e a Procuradoria de se juntar ao Judiciário (leia-se juiz Sérgio Moro) para perseguir a legenda, transformando a investigação na Petrobras “em espetáculo de atropelos legais politicamente manipulado a serviço das forças antipetistas.” Em texto aprovado por sua Executiva e avalizado pelo diretório nacional (disponível aqui), o PT chega mesmo a dizer que setores dos órgãos de controle e da Justiça flertam com práticas típicas da ditadura.

“A prisão do companheiro João Vaccari, nas condições em que ocorreu, demonstra que o clima de ódio e revanche envolve também fatias da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário”, anota o documento do PT. “[…] Mais que tudo, conforma-se um embrião de Estado de exceção, violador dos mais elementares direitos fundamentais, cuja existência indigna, enoja e ofende a consciência democrática do país. E, por isso mesmo, antes que prospere, exige resposta corajosa da nossa militância.”

Repetindo: sem contestar os indícios de crime colecionados contra Vaccari, até ontem seu tesoureiro, o PT sustenta o seguinte: um pedaço da PF, força policial subordinada ao ministro petista José Eduardo Cardoso, viola a Constituição e as leis com o deliberado propósito de perseguir o partido. E a Procuradoria, comandada pelo doutor Rodrigo Janot, pessoa que a petista Dilma Rousseff se orgulha de ter indicado, estaria ajudando a perpetrar o ultraje. Mais: o juiz Sérgio Moro, cuja seriedade é atestada pelos fatos, sacramentaria com suas decisões a “ofensa à consciência democrática do país.”

Divulgado na internet na noite desta sexta-feira, a resolução do PT é reveladora da dificuldade do partido em lidar com a crise que o engolfa. Abstendo-se de prover explicações sobre a roubalheira na Petrobras e sobre a crise econômica que Dilma Rousseff legou a si mesma, o partido acomodou todas as encrencas sob um guardachuva ideológico: “o país assiste há semanas a uma escalada das forças conservadoras”, escreveu.

Nessa versão, o conservadorismo contamina as instituições, passa pelas ruas e é potencializado pelos meios de comunicação. Tudo com três finalidades: “derrotar a administração da presidente Dilma Rousseff, revogar conquistas históricas do povo brasileiro e destruir o Partido dos Trabalhadores.”

A certa altura, o documento do PT ganha contornos humorísticos: “Esta ofensiva [conservadora] engloba os interesses políticos e de classe dos setores que perderam o comando do Estado em sucessivas batalhas eleitorais desde 2002, mas agora rearticulados para interromper o processo de mudanças iniciado pelo ex-presidente Lula. Para tanto, tentam impor seu programa ao governo e ao país, banir a esquerda como alternativa de poder e criminalizar os movimentos sociais.”

Como se sabe, foi Dilma quem impôs parte do programa do tucanato a si mesma ao importar do Bradesco para o Ministério da Fazenda Joaquim Levy, um eleitor de Aécio Neves e ex-colaborador do comitê econômico da campanha presidencial do PSDB. Quanto à esquerda, não parece adequado afirmar que esteja sob ameaça de banimento. Se existiu um dia, o socialismo petista se autobaniu ao associar-se no poder a todas as forças que sempre combateu. Na Petrobras, por exemplo, cedeu posições para Renan Calheiros e até para apaniguados do neocompanheiro Fernando Collor de Mello.

Segundo o diagnóstico exposto na resolução do PT, “a oposição de direita, liderada pelo PSDB, busca fundir sua tática à ação dos grupos reacionários de caráter extraparlamentar, responsáveis pela convocação das camadas mais abonadas à mobilização contra o mandato constitucional da presidenta Dilma Rousseff. Cada dia fica mais clara a intenção golpista dessa política, encarnada por políticos aventureiros e bacharéis de plantão, que ensaiam processo de impeachment sem qualquer base jurídica ou legal.”

Nesse trecho, o PT repete um erro e confunde o foco. O partido erra pela segunda vez ao ecoar o raciocínio do ministro petista Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência). Em entrevista concedida nas pegadas do ‘asfaltaço’ de 15 de marco, Rossetto dissera que foram às ruas basicamente os eleitores que não votaram em Dilma —agora rebatizados de “camadas mais abonadas” da sociedade. O PT perde o foco ao concentrar-se no PSDB e nos seus “bachareis de plantão”. A última pesquisa do instituto Datafolha, divulgada há uma semana, revelou que 63% dos brasileiros defendem o impeachment da presidente recém-eleita. É com esse fenômeno que o petismo deveria se preocupar. Do contrário, depois de perder o discurso e as ruas, o PT perderá também a noção do ridículo.

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Achados e perdidos!



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O HOSPÍCIO PETISTA – UMA RESOLUÇÃO ALOPRADA

Voltarei ao tema mais tarde. O PT divulgou uma resolução absolutamente aloprada nesta sexta. Leiam abaixo a íntegra do documento. Voltarei a ela mais tarde. Aí está a evidência de por que não existe, para Dilma, saída virtuosa para a crise.

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RESOLUÇÃO POLÍTICA

O País assiste há semanas uma escalada das forças conservadoras. Esse movimento, de profundo caráter reacionário, se estende das instituições à disputa das ruas, da batalha de ideias e informações à manipulação de investigações policiais, da agenda econômica aos direitos civis. Seu propósito é indisfarçavel: derrotar a administração da presidenta Dilma Rousseff, revogar conquistas históricas do povo brasileiro e destruir o Partido dos Trabalhadores.

Esta ofensiva engloba os interesses políticos e de classe dos setores que perderam o comando do Estado em sucessivas batalhas eleitorais desde 2002, mas agora rearticulados para interromper o processo de mudanças iniciado pelo ex presidente Lula. Para tanto, tentam impor seu programa ao governo e ao país, banir a esquerda como alternativa de poder e criminalizar os movimentos sociais.

A oposição de direita, liderada pelo PSDB, busca fundir sua tática à ação dos grupos reacionários de caráter extraparlamentar, responsáveis pela convocação das camadas mais abonadas à mobilização contra o mandato constitucional da presidenta Dilma Rousseff. Cada dia fica mais clara a intenção golpista dessa política, encarnada por politicos aventureiros e bacharéis de plantão, que ensaiam processo de impeachment sem qualquer base jurídica ou legal.

A maioria conservadora no parlamento empenha-se na aprovação de contra-reformas que retiram direitos dos trabalhadores, preservam mazelas do atual sistema político e impõem retrocesso a avanços com relação a direitos civis, políticos e sociais. Além do caráter regressivo dessas medidas, revela-se a intenção de emparedar o governo e deixá-lo de mãos atadas em momento de gravidade da situação nacional.

Importantes empresas de comunicação, que efetivamente exercem o monopólio da produção e veiculação de informações, ocupam a linha de frente da empreitada restauradora. Abertamente, comandam a onda reacionária, estimulam o terrorismo econômico, convocam a ocupação das ruas contra o governo e procuram criar clima de condenação moral contra o PT a partir de notícias distorcidas sobre investigações de corrupção na Petrobrás. Corrupção nunca dantes combatida como nos governos do PT, que deve ser enfrentada implacavelmente nos marcos do Estado de Direito, mas não de forma seletiva, facciosa e espetaculosa. Por isso é que também exigimos a mais ampla e transparente investigação dos episódios envolvendo o HSBC e a chamada Operação Zelotes, de combate à corrupção e à sonegação fiscal.

Não faz parte da nossa história, da nossa tradição democrática, de nossa ética pública e de nossa prática na democracia brasileira a convivência e a conivência com a corrupção. Se algum dirigente ou filiado praticou corrupção não foi em nome dos petistas. E, se comprovadamente algum filiado incorreu em corrupção será expulso.

O PT liderou entre 2003 e 2014 as maiores e mais importantes iniciativas no combate à corrupção na história brasileira mais recentemente a Presidenta Dilma sintetizou e propôs ao parlamento cinco novas propostas que buscam cercar a impunidade dos corruptos no Brasil. Daí porque o PT luta pelo fim do financiamento empresarial das eleições, que renova na base os circuitos da corrupção no Brasil.

Ao mesmo tempo que lutamos pelo fim do financiamento empresarial decidimos que os Diretórios Nacional, estaduais e municipais não mais receberão doações de empresas privadas, devendo essa decisão ser detalhada, regulamentada e referendada pelos delegados(as) ao 5º. Congresso Nacional do PT.

O Partido revitalizará a contribuição voluntária, individual dos filiados, filiadas, simpatizantes e amigos. Tais definições são coerentes com nosso Estatuto, segundo o qual “arrecadação básica e permanente do Partido é oriunda de seus próprios filiados”. Ao mesmo tempo, condizem também coerentemente com a nossa defesa de uma reforma política democrática que ponha fim à interferência do poder econômico nas decisões políticas.

A prisão do companheiro João Vaccari, nas condições em que ocorreu, demonstra que o clima de ódio e revanche envolve também fatias da Polícia Federal, do Ministério Público e do Judiciário. Vamos assistindo, aos poucos, a transformação de indispensável processo de apuração e punição, relativo a desvios na principal estatal brasileira, em espetáculo de atropelos legais, politicamente manipulado a serviço das forças antipetistas. Mais que tudo, conforma-se um embrião de estado de exceção, violador dos mais elementares direitos fundamentais, cuja existência indigna, enoja e ofende a consciência democrática do País. E, por isso mesmo, antes que prospere, exige resposta corajosa da nossa militância.

O Partido dos Trabalhadores, diante deste cenário, concentrará o melhor de suas energias para construir, ao lado de outras correntes progressistas, junto com movimentos do campo e da cidade, uma frente político-social para a defesa da democracia, das pautas dos trabalhadores e das reformas estruturais.

Um novo pacto do campo democrático-popular é indispensável para disputar as ruas e as instituições contra o bloco conservador.

O Partido dos Trabalhadores reafirma que o programa para a unidade popular deve ter como eixos básicos a reforma política, com proibição do financiamento empresarial de campanhas; com a firme defesa dos direitos humanos com a criminalização da homofobia e a rejeição da PEC 215, que versa sobre a transferência da FUNAI para o Legislativo da responsabilidade pela demarcação das terras indígenas, quilombolas e unidades de conservação; bem como da PEC 371, que pretende reduzir a maioridade penal; a defesa da Petrobrás e do regime de partilha e de conteúdo nacional; a reforma tributária de caráter progressivo, com adoção de impostos crescentes sobre renda, patrimônio e
ganhos financeiros; a democratização dos meios de comunicação, com o restrição dos monopólios de mídia; a expansão da reforma agrária; uma reforma urbana, com investimentos em mobilidade, moradia e saneamento; a adoção de um amplo programa de ampliação e melhoria dos serviços públicos.

Diante da tramitação da contra-reforma política (PEC 352), o PT reafirma sua posição congressual – em defesa de uma Assembléia Constituinte Exclusiva e Soberana, do financiamento público exclusivo, do voto em lista com paridade de gênero e da participação popular – e de sua objeção à constitucionalização do financiamento empresarial.

O Partido dos Trabalhadores apoia o empenho da presidenta Dilma Rousseff para enfrentar os problemas fiscais do Estado brasileiro, mas considera vital que a política econômica esteja voltada para impedir que os efeitos desse ajuste recaiam sobre as costas dos trabalhadores e tenham caráter recessivo. O Diretório Nacional, nesse sentido, considera fundamental o mais amplo diálogo do governo com a sociedade (sobretudo com os movimentos sociais e centrais sindicais).

O DN também orienta nossas bancadas no Congresso Nacional, que já vêm trabalhando nessa direção, a ajudar no aprimoramento das medidas propostas pelo Ministério da Fazenda, a partir do princípio de que o custo de retificação das contas públicas deve ser assumido pelos mais ricos. A este respeito orientamos todas nossas bancadas nos estados e municípios a serem porta-vozes desta política.

O Partido dos Trabalhadores considera que a principal batalha da conjuntura é a que está sendo travada contra o Projeto de Lei nº 4330, que expande a terceirização do trabalho para todas atividades econômicas, e se constituiu em um dos principais núcleos da política neoliberal. Sua aprovação definitiva representaria o mais rude golpe contra a classe trabalhadora desde a consolidação dos direitos trabalhistas em 1943. O Diretório Nacional recomenda, assim, que os parlamentares petistas continuem seu trabalho de resistência contra essa medida, buscando unidade com representantes de outros partidos, para impedir a aprovação deste projeto de lei.

O Diretório Nacional também considera fundamental a ampliação da mobilização sindical e popular contra a terceirização, nas ruas e nas redes, até que a pressão seja suficiente para estabelecer nova relação de forças nas duas casas legislativas.

A militância petista, em suas entidades ou através dos diretórios partidários, nos locais de estudo e trabalho, deve participar ativamente da organização e realização de todas as jornadas de luta convocadas pela CUT e demais organizações sindicais. Sobretudo, o engajamento e participação no 1o. de Maio unificado em todo o País, em defesa dos direitos da classe trabalhadora e da democracia. É um momento de cada diretório e núcleo do PT se organizarem para realizar discussões sobre a conjuntura e preparar cada militante para o debate e ação política.

É também o momento da militância participar das conferencias nacionais convocadas pelo nosso governo.

O Diretório Nacional conclama a presidenta Dilma Rousseff a assumir o papel de liderança na campanha contra a terceirização, como já tem agido na disputa contra a redução da maioridade penal, ao mesmo tempo que recomenda o veto presidencial caso o projeto de lei 4330 venha a ser acolhido pelo parlamento.

O Partido dos Trabalhadores reafirma apoio firme e decidido ao governo da companheira Dilma Rousseff, ressaltando que continuará, dentro do gabinete de coalizão, a representar os interesses das camadas populares e suas aspirações por mudanças. O Diretório Nacional convoca todos os companheiros à enérgica mobilização contra os agrupamentos empenhados em virar a mesa do jogo democrático e regredir ao modelo neoliberal.

O Diretório Nacional, ciente da necessidade de uma profunda avaliação sobre a orientação política praticada desde o governo Lula e da urgência de uma ampla reflexão sobre os desafios para a continuidade das reformas, conclama todos os militantes e amigos do PT ao máximo empenho nos debates do 5º Congresso Nacional e a transformá-lo em um grande momento de reafirmação da identidade e do vigor do principal partido da esquerda brasileira.

São Paulo, 17 de abril de 2015
Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores”

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PIADA: PT DECIDE NÃO MAIS ACEITAR DOAÇÕES DE EMPRESAS. EM PRINCÍPIO, ATÉ JUNHO!!! AGORA FALTA CONTAR A DO PAPAGAIO…

O PT quer me matar de rir. Mas não vai conseguir. O partido cansou de suas relações com o mundo das empresas privadas e decidiu: não aceita mais doações legais desses entes. Que bom! Espero que não aceite também as ilegais. Porque, até onde sei, a lambança não se deu com as doações legais, né? Aliás, ao tomar a sua decisão, o próprio partido assegura não ter feito nada fora da lei. Entendi. O PT, então, ficou nos estritos limites do que permite a legislação, mas considera que a doação de empresas privadas está na raiz das suas atuais dificuldades. Mas por que estaria se tudo foi feito dentro da lei? Vai saber.

É claro que a decisão, à esteira do afastamento de João Vaccari Neto, o tesoureiro, que está preso, é puro golpe de marketing. Os jornalistas têm a obrigação de falar a verdade e de tornar público o que qualquer grande empresário conta, em off: faria ao partido a doação possível, dentro ou fora da lei, desde que não fosse prejudicado nos negócios.

Agora, então, eu passo a bola aos digníssimos da OAB. É isso o que vocês queriam, doutores? Vocês acham que é a legislação que torna canalha um… canalha? Quando é que a OAB vai cobrar o fim de toda legalidade para combater as ilegalidades? É ridículo!

Indução ao erro
O PT quer, com a sua “resolução”, induzir os demais partidos ao erro. Se o PT não mais aceitar doações de empresas — AS LEGAIS —, quem sabe os outros partidos sejam compelidos a fazer o mesmo… Assim, todos optariam pela clandestinidade, não é? E, sabem como é, na ilegalidade, quem pode mais chora menos.

É uma piada grotesca! Quando é que o PT vai declarar que não aceita mais a colaboração de sindicatos, por exemplo? Quando é que o partido deixará de aparelhar as Apeoesps da vida e assemelhados, que, na prática, fazem doações indiretas ao partido ao promover suas políticas?

A quem o PT acha que engana? Já foi o tempo em que uma patacoada como essa faria algum efeito. É bem verdade que a decisão, em princípio, só vale até junho, quando o partido faz o seu congresso. Se perceberem, até lá, que não emplacam a tese da proibição da doação de empresas, aí, sabem como é, eles podem mudar de ideia… Que preguiça provoca em mim essa velharia!


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Blog do Noblat

O que fazer para, dentro da lei, derrubar Dilma
Ricardo Noblat

Por onde acossar Dilma Rousseff de modo a que se torne viável o pedido de impeachment dela?

A oposição está à procura de uma resposta à pergunta. Não será fácil encontrá-la.

Impeachment é um processo político. Só pode ser instalado com base em alguma denúncia de crime de responsabilidade cometido pelo presidente da República.

Mas isso não basta. Para prosseguir e ter êxito, o processo haverá de contar com a maioria dos votos de deputados federais e senadores.

Essa gente não derruba um presidente se não for fortemente pressionada por multidões que saíam às ruas.

João Vaccari Neto, o ex-tesoureiro do PT preso, anteontem, como suspeito de envolvimento na roubalheira da Petrobras, recolheu de 21 empresas cerca de R$ 31 milhões doados à campanha de reeleição de Dilma, segundo Bruno Góes, repórter e O Globo.

Parte do dinheiro – R$ 5,7 milhões - saiu dos cofres de três empreiteiras investigadas pela Operação Lava-Jato. A saber: Andrade Gutierrez; Odebrecht e Braskem.

Problema: como conseguir separar o dinheiro de corrupção que entrou na campanha de Dilma do dinheiro doado legalmente?

O ex-gerente de serviços da Petrobras Pedro Barusco afirmou em sua delação premiada que Vaccari recebeu cerca de US$ 200 milhões em nome do PT do esquema de propina das empreiteiras.

Problema: como identificar o dinheiro sujo que entrou na campanha do PT?

Existe outro flanco a ser explorado por quem se interessa em depor Dilma: a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que considerou que as manobras fiscais feitas em 2013 e 2014 pela equipe econômica do governo, destinadas a melhorar as contas públicas, feriram a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

Se isso de fato ocorreu configura crime de responsabilidade. Restará ver se o crime foi cometido com ou sem o conhecimento de Dilma.

Isso levaria tempo. Muito tempo. E ao fim e ao cabo, o sucesso do impeachment dependeria da popularidade de Dilma à época.

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Pedalada fiscal para maquiar as contas pode levar ao impeachment de Dilma.

(Folha) A decisão do Tribunal de Contas da União de considerar irregulares manobras fiscais feitas pelo governo para arrumar suas contas no ano passado criou novos riscos para a presidente Dilma Rousseff e animou os defensores da abertura de um processo de impeachment contra ela. Segundo a Folha apurou, há no tribunal disposição da área técnica e também de alguns ministros de recomendar ao Congresso a rejeição das contas de Dilma em razão do descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, fato que seria inédito no TCU.

No Congresso, líderes da oposição apontaram a decisão do TCU como novo elemento para justificar a abertura de um processo de impeachment, que provocaria o afastamento de Dilma do cargo para ser processada por crime de responsabilidade.

O senador Aécio Neves (PSDB-MG), que perdeu para Dilma a eleição de 2014, disse que seu partido vai pedir o impeachment da presidente se for comprovada sua participação nas manobras fiscais. "Precisamos averiguar agora quais foram os responsáveis por essa fraude", afirmou. "Temos que ver se esse crime se limita à equipe econômica ou vai além dela."

Na quarta-feira (15), o TCU concluiu que o governo desrespeitou a Lei de Responsabilidade Fiscal ao usar bancos públicos para cobrir despesas que deveriam ter sido pagas com recursos do Tesouro. O tribunal cobrou explicações de 17 autoridades, sem incluir a presidente entre elas.

Com as manobras, que ficaram conhecidas como "pedaladas" fiscais, o Tesouro segurou repasses de R$ 40 bilhões devidos a bancos oficiais que executam programas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida e pagam benefícios sociais como o seguro-desemprego.

O ministro Luís Inácio Adams, chefe da Advocacia-Geral da União, disse que recorrerá contra a decisão do TCU nesta sexta (17) e criticou os que falam em possibilidade de impeachment em razão da decisão do tribunal. "Vamos devagar", afirmou o ministro. "É muito estranho. Afinal, desde 2001, quando foi criada a Lei de Responsabilidade Fiscal, esta sistemática de pagamentos acontece. Por que só agora estão questionando isto?"

O descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal prevê punição ao gestor público por crime de responsabilidade. A abertura de processo criminal contra o gestor depende do Ministério Público Federal, porque o TCU não tem essa competência. O papel do TCU é analisar as contas do governo e verificar o respeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. Se houver descumprimento, os ministros podem apresentar parecer recomendando ao Congresso a rejeição das contas.

O relator das contas de 2014 é o ministro Augusto Nardes, ex-deputado do PP que chegou ao tribunal por indicação da Câmara em 2005. "Vamos esperar a defesa do governo para fazer considerações", afirmou Nardes.

As contas de 2014 de Dilma têm que ser votadas neste semestre. Antes, o governo espera derrubar a decisão do TCU contra as "pedaladas" fiscais, evitando que ela seja usada na análise das contas. O Congresso nunca rejeitou as contas de um presidente. Nem mesmo o ex-presidente Fernando Collor, afastado do cargo por corrupção. O Congresso não tem prazo para analisar as contas dos governos. Se as contas de Dilma forem rejeitadas durante seu mandato, qualquer cidadão poderá pedir à Câmara dos Deputados a abertura de um processo de impeachment.

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PT não tem o que dizer a respeito de sua crise

O PT reúne seu diretório nacional nesta sexta-feira. Há sobre a mesa três problemas: um governo na UTI do PMDB, um coletor de verbas na carceragem da Polícia Federal e um partido a caminho da cova. Os dirigentes petistas estão tontos. Não têm nada razoável a dizer a respeito de nenhum desses temas. Não dispondo de uma solução, convivem com a meia-sola.

Num momento em que a palavra impeachment caiu no gosto de 63% dos brasileiros, convém tourear os humores de Eduardo Cunha e Renan Calheiros, os peemedebistas que presidem a Câmara e o Senado. E Michel Temer revelou-se um interlocutor mais promissor do que o ministro petista Aloizio Mercadante, detestado por ambos. De resto, é melhor ter o vice como coordenador do que como conspirador político.

Num instante em que a delação premiada virou ferramenta trivial de investigação, resta ao petismo encarar a cadeia como um puxadinho do próprio PT. O partido está preso junto com o companheiro João Vaccari Neto. O coletor de verbas passou o chapéu munido de procuração da estrela vermelha. Ainda integra a coordenação nacional da corrente majoritária do PT, Construindo um Brasil Novo, a mesma que abriga Lula. Para o PT, um cúmplice parece a essa altura menos danoso do que como delator.

Numa hora em que a conjuntura começa a roer até o prestígio de Lula, o cinismo é o mais próximo que o PT consegue chegar da honestidade. Um líder honrado que comanda uma ilicitocracia há 12 anos e continua enrolado na bandeira da moralidade já não consegue retirar o partido do rumo do cemitério. Mas pelo menos concede ao PT o último privilégio de poder escolher o seu próprio caminho para o inferno.

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Salto sem rede!



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PSDB diz que pedirá impeachment de Dilma se ficar provada sua atuação na pedalada fiscal. Ou: Vamos botar ordem no debate

Vamos botar um pouco de ordem no raciocínio. O PSDB diz que entrará, sim, com uma denúncia de crime de responsabilidade contra a presidente Dilma Rousseff se ficar provado que ela participou do que tem sido chamado de “pedalada fiscal”.  Ora, que ela tenha atuado na manobra, convenham, não há dúvida. Ou será que o Ministério da Fazenda tinha autonomia para retardar repasses a bancos públicos para maquiar as contas? Se prevalecer a interpretação do TCU, é evidente que a presidente tem de ser denunciada. Dilma só ficaria livre da acusação caso se provasse que a manobra fiscal foi regulamentar

É, por exemplo, o ponto de vista de Adams, da Família Luís Inácio, advogado-geral da União (ver post). Ele acha que não houve nada de anormal, ou quase. Se o crime aconteceu, então é evidente que ele é de responsabilidade da mandatária também.

Disse o senador Aécio Neves, que preside o PSDB: “Precisamos averiguar agora quais foram os responsáveis por essa fraude. O TCU afirma que houve crime pela equipe econômica. Temos de ver se esse crime se limita à equipe econômica ou vai além dela. Vamos ter a responsabilidade e a prudência para tomar qualquer decisão, mas vamos ter a coragem. Se considerarmos que houve cometimento de crime de responsabilidade, nós vamos agir como determina a Constituição“. Bem, então pode começar. Reitero: a saída seria provar que o que se fez não é crime.

E não é só a Lei 1.079 que foi agredida. Também a de Improbidade Administrativa (8.429) foi violada.

Insisto, ademais, que vocês prestem atenção ao debate, que está aberto, sobre o crime de responsabilidade. A interpretação obtusa que Rodrigo Janot, procurador-geral da República, faz do Parágrafo 4º do Artigo 86 da Constituição é insustentável. O mandato de Dilma foi renovado na eleição de outubro, mas não houve interrupção. Logo, é evidente que ela tem de responder no segundo por crimes eventualmente cometidos no primeiro. Não fosse assim, teríamos de admitir que um presidente poderia cometer crimes de responsabilidade para se reeleger, na certeza de que não arcaria tão cedo com o peso da transgressão. Mais: eleito em outubro, esse presidente teria dois meses para barbarizar, já que, a partir de janeiro seguinte, estaria protegido por um segundo quadriênio.

Tanto o mandato é um só, convenham, que a própria Dilma, ao citar seus feitos, elenca suas ações a partir de 1º de janeiro de 2011, não a partir de 1º de janeiro de 2015.  A pedalada fiscal, que o TCU considera crime, foi cometida por Dilma nos estertores dos primeiros quatro anos e colaborou para que ela ganhasse mais quatro. Ela tem de resp0nder por seus atos. E de ser denunciada.

Para encerrar: os partidos de oposição têm, adicionalmente, de recorrer ao Supremo contra a decisão de Rodrigo Janot com uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental. A sua interpretação do Artigo 86 da Constituição viola, obviamente, o espírito da lei. Ou o constituinte meteria na Carta Magna uma autorização para que o presidente de turno pudesse delinquir?

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Confronto entre PF e Ministério Público paralisa Lava Jato. A quem interessa a briga entre corporações?

Sabe, leitor, quem sai ganhando, numa sociedade, com a luta entre as corporações? As corporações. A sociedade só perde. É o caso da disputa entre o Ministério Público e a Polícia Federal para saber quem é mais protagonista na Operação Lava Jato. É preciso que a gente se pergunte se esses dois entes estão ocupados em fazer o seu trabalho em benefício da população ou em ganhar mais espaço, dedicados, então, mais a fortalecer a posição do próprio grupo do que a chegar à verdade. Os crimes e os réus não são presas disputadas por carnívoros famintos. Resultado, até agora, do quiproquó entre o MP e a PF: o Supremo cancelou diligências em inquéritos que ouviriam políticos.

O que se deu nos bastidores? Procuradores telefonaram a parlamentares para informar que eles não precisariam depor na sede da Polícia Federal. Tudo poderia se resolver com uma oitiva na própria Procuradoria-Geral. Ao tomar ciência do fato, o comando da PF foi apurar o que tinha acontecido e descobriu que os próprios procuradores estavam passando aos investigados essa orientação. Rodrigo Janot, procurador-geral, e Leandro Daiello, superintendente da PF, falaram-se ao telefone. A conversa não foi proveitosa.

O MP, por sua vez, se abespinhou porque a PF pediu ao STF novas diligências, a partir de documentos até então inéditos, sem consulta prévia aos procuradores, que lembram que o ministro Teori Zavascki, relator do mensalão no Supremo, decidiu que é o MP o autor da investigação. Os delegados sugerem que os procuradores estão tentando estreitar o campo de apuração.

Para o MP, na base da divergência, está a PEC 412, que transforma a PF numa agência autônoma, e os policias estariam agindo como se ela já estivesse em vigor. O ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça. entrou em cena e conseguiu evitar ao menos que a polícia emitisse uma nota, o que poderia elevar a tensão. Mas a Associação dos Delegados da Polícia Federal, redigiu a sua. Escreveu: “O que a entidade rejeita é a intenção de um controle exclusivo do Ministério Público Federal sobre a PF. Tendência essa cada vez mais evidenciada na postura institucional do Ministério Público Federal de promover o esvaziamento e o enfraquecimento da Polícia Federal com o nítido objetivo de transformá-la de uma polícia judiciária da União em uma verdadeira polícia ministerial, sob o comando de [Rodrigo] Janot”.

Muito bem, leitores! Quem está certo? Os dois! Quem está errado? Os dois. A titularidade da investigação está mesmo com o Ministério Público, mas isso não implica que a PF — que é uma policia judiciária — seja sua subordinada. Ela não atua como mero contínuo do MP, que faz o controle externo da atividade policial, sem que isso implique relação de subordinação.

Esse confronto é uma desnecessidade e um desserviço ao país. Nessa história, Polícia Federal, Ministério Público e, sim, Justiça não podem e não devem se engalfinhar para ver quem fica com o maior naco dos despojos. Basta que sirvam ao país. Todos ganhariam se essa gente trabalhasse com mais afinco, mais discrição e mais apego às regras.


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Blog do Coronel

TCU avisa que "pedalada fiscal" é crime de responsabilidade fiscal. Surge um motivo técnico e não político para o impeachment de Dilma.

(Estadão)  O Tribunal de Contas da União (TCU) declarou não haver mais nenhuma dúvida de que o governo Dilma Rousseff incorreu, de fato, em crime de responsabilidade fiscal, ao utilizar recursos de bancos públicos para inflar artificialmente seus resultados e melhorar as contas da União. As operações, que contrariam frontalmente a Lei de Responsabilidade Fiscal, passaram a ser conhecidas como "pedaladas fiscais".

"Não tenha dúvida. Há um descumprimento de lei. Um banco público não pode emprestar dinheiro para o governo. É como se você estivesse devendo no seu cheque especial, e o governo não pode ter esse cheque especial", disse o relator do processo do TCU, José Múcio. "Faltou dinheiro e a conta foi paga por terceiros". Nos cálculos do TCU, mais de R$ 40 bilhões foram sacados pelo governo das contas do Banco do Brasil, Caixa e BNDES, para engordar a contabilidade fiscal e se aproximar da meta de superávit primário, a economia feita para o pagamento dos juros da dívida pública.

Na prática, a decisão do plenário do TCU sobre as "pedaladas fiscais" pode fortalecer a intenção da oposição, que analisa um possível pedido de impeachment de Dilma por "crime de responsabilidade". Após as manifestações do dia 12, o PSDB pediu ao ex-ministro da Justiça Miguel Reale Júnior que avaliasse a possibilidade. Ao Estado, Reale Júnior disse que o seu parecer não se refere, na prática, ao impeachment, mas sim à avaliação se houve um crime comum para a solicitação de uma eventual ação penal. "O ponto nuclear é a análise das 'pedaladas fiscais' detectadas no TCU", disse.

O tema impeachment foi levantado em uma reunião da bancada de deputados com o presidente nacional da sigla, senador Aécio Neves (MG). No final do encontro, Aécio pediu para que deputados que defendiam a proposta se manifestassem. Praticamente todos os presentes levantaram a mão a favor. O principal defensor da ideia na Câmara é o líder da minoria, Bruno Araújo (PE), que conta com o apoio do líder da bancada, Carlos Sampaio (SP).

Explicações. Em decisão tomada nesta quarta-feira, 15, pelo plenário do TCU, 17 autoridades do governo Dilma Rousseff terão de explicar essas operações. O ministro José Múcio Monteiro deu 30 dias de prazo improrrogável, para que todos prestem informações sobre as irregularidades nas contas. Caso sejam condenadas, as autoridades podem ser alvos de multas e processos por crime de responsabilidade. O TCU tenta identificar quem deu a ordem para as "pedaladas". Perguntado se a presidente Dilma poderia ser chamada a dar explicações, Múcio disse que essa possibilidade "não é avaliada".

Mas o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, entrou para a lista de convocados para prestar esclarecimentos sobre a utilização de dinheiro de bancos públicos pelo governo. Além de Tombini, a corte de contas quer ouvir explicações do atual presidente da Petrobrás e ex-presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine.
Também estão listados o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega; o ex-secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin; o atual ministro do Planejamento, Nelson Barbosa; o ministro do Trabalho, Manoel Dias; o ex-presidente da Caixa Jorge Hereda, e o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. As 'pedaladas' no Banco do Brasil envolveriam, por exemplo, recursos para subsidiar juros baixos em financiamentos de produtores rurais e incentivos a exportadores. A situação motivou representação de acionistas minoritários do banco ao TCU para que a situação fosse apurada.

Banco Central. Presente na sessão plenária do TCU, o procurador-geral do Banco Central, Isaac Ferreira, disse que o BC não tem, por competência, a tarefa de detectar as irregularidades fiscais que foram cometidas pelo governo. Ferreira também fez questão de frisar que Alexandre Tombini não é alvo de investigações ou acusações de irregularidades, mas foi chamado apenas para prestar esclarecimentos. "O Banco Central não tem competência para captar irregularidades fiscais, nem para punir bancos que porventura foram acusados de cometer irregularidades fiscais", disse Ferreira.

Segundo o procurador, o BC não é órgão de execução da política fiscal, não ordena despesa nem arrecada receita orçamentária, cabendo-lhe apenas elaborar estatísticas fiscais, "o que é bem distinto da execução ou contabilidade orçamentária".

"Quanto ao mérito, tenho a convicção jurídica pessoal de que, do ponto de vista da regulação bancária, sequer enxergo elementos que caracterizem operação de crédito vedada. De todo modo, os trabalhos do TCU ainda estão em sua fase inicial e tudo se submeterá ao crivo do contraditório", afirmou Ferreira.

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Dilma agora vive uma grave crise de identidade

Obrigada pela impopularidade a colocar seu temperamento imperial de molho, Dilma enfrenta uma quarta crise além das crises econômica, política e ética. Depois de perder a aura de gestora eficiente, de entregar os anéis ao Joaquim Levy e os dedos ao Michel Temer, Dilma vive uma crise de identidade. Tornou-se uma personagem à procura de um estilo. O que antes era visto como preparo técnico, firmeza e retidão virou inépcia, fraqueza e laxismo.

Hoje, a gestão Dilma aproxima-se da fase despersonalizada e sem carisma de Sarney, que foi mais uma transição do que um governo. Com uma diferença: a tutela que o PMDB exercia sobre Sarney tinha a grife de Ulysses Guimarães. A submissão de Dilma é ao PMDB dos investigados Renan Calheiros e Eduardo Cunha. Sem contar, obviamente, sua permanente lulodependência. É como se o governo de madame fosse um latifúndio improdutivo que todos querem se acham no direito de invadir.

No primeiro mandato, o jeitão franco e desengonçado de Dilma caiu no gosto do brasileiro. Mesmo quem não morria de amores via nela uma mulher decente. Não apenas no sentido de honesta, mas em todos os sentidos que a palavra engloba. A popularidade alta indicava que, para a maioria dos brasileiros, aquele era um governo com uma boa cara.

O diabo é que foram aparecendo os dramas ideológicos, os erros políticos, as burradas econômicas, as perversões morais… E as pessoas começaram a interrogar os seus botões: até que ponto a boa cara assegura um bom governo? Iniciado o segundo reinado, sobreveio a revelação de que aquele jeitão era apenas um disfarce que levaria o país ao estágio de ceticismo terminal em que se encontra no momento.

No atacado, os críticos de Dilma a acusam de ter incorporado sem ressalvas o pedaço mais impopular do programa econômico do tucanato. No varejo, até os companheiros petistas reclamam que os primeiros ajustes enviados ao Congresso tornam mais vulneráveis os grupos sociais mais frágeis justamente num instante em que a inflação foge ao controle e o desemprego faz careta.

Imaginou-se que Dilma elevaria a estatura do seu gabinete. Ela preferiu rebaixar o pé-direito. Os otimistas dizem que a equipe de ministros é um saco de gatos. Os pessimistas enxergaram vários ratos no saco. A primeira meia-sola ministerial veio com menos de cem dias de governo. Um recorde. Foi seguida da reativação do balcão do fisiologismo —o ponto de partida da maioria dos escândalos.

Tudo isso ocorre contra um pano de fundo manchado com o óleo queimado do petrolão. Nesta quarta, em reação ao encarceramento de João Vaccari Neto, o tesoureiro do seu partido, Dilma levou sua abulia às últimas (in)consequências. Divulgou uma nota. Nela, informou que não tem nada a dizer. Quando ainda dispunha de personalidade, Dilma sabia que, por vezes, nada é uma palavra que ultrapassa tudo.

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Ao ‘afastar’ Vaccari, PT quase pede desculpas

Todo o dinheiro roubado da Petrobras não daria para vestir 5% das desculpas esfarrapadas que o PT utiliza para justificar seu apreço por João Vaccari Neto. Depois de uma conversa com Lula, Rui Falcão, suposto presidente da legenda, divulgou nota para informar que Vaccari não é mais o tesoureiro do PT. O texto é quase um pedido de desculpas do partido ao companheiro preso.

O documento de Falcão tem cinco itens. No primeiro, o PT tacha de “injustificada” a prisão de Vaccari. No segundo, diz manter a “confiança na inocência” do preso. No terceiro, anuncia um “pedido de habeas corpus” para abrir a cela “no prazo mais curto possível”. Só no quarto e penúltimo parágrafo o PT trata da saída de Vaccari de sua tesouraria.

Não foi expurgado, “solicitou seu afastamento”, o texto apressou-se em esclarecer. Não saiu por suspeição, mas “por questões de ordem práticas e legais”. No quinto e derradeiro item de sua nota, o PT “expressa sua solidariedade a João Vaccari Neto e sua família.”

Até aqui, o PT se referia aos avanços na investigação Lava Jato como um grande mérito dos governos Lula e Dilma Rousseff. Dizia que ambos equiparam a Polícia Federal e acomodaram procuradores independentes na chefia do Ministério Público Federal. Dizia-se que o juiz Sérgio Moro, por criterioso, não mandara prender o tesoureiro porque não havia provas que justificassem a providência.

Súbito, a alegada competência da PF, a celebrada valentia da Procuradoria e o reconhecido rigor técnico do juiz Moro, tudo isso resultou na “injustificada” prisão de um inocente. De duas, uma: ou tudo o que está na cara não é o que parece ou o PT cerca seu homem-bomba de mimos para evitar que ele exploda atrás das grades.

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Imagem!



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Concordo com a maioria das reivindicações feitas pela Aliança Nacional de Movimentos; discordo de algumas

A Aliança Nacional de Movimentos fez uma leitura pública da “Carta do Povo Brasileiro”, apresentada em Brasília nesta quarta, que contém as ruas suas reivindicações. A íntegra do documento está aqui. Muitos poderão até dizer que há coisas demais no texto e de naturezas por demais distintas. Pode ser. Mas que fique claro: trata-se de um apanhado que expressa essa urgência das ruas, para o qual colaboraram vários grupos.

No geral, o documento faz o registro de um país indignado, que não aguenta mais conviver com a corrupção e que despertou para uma realidade: as práticas ilícitas minam o futuro do Brasil. A “Carta” faz um diagnóstico muito duro dos descalabros existentes no país e deixa claro que eles se exacerbaram no governo petista.

Concordo com a maioria das reivindicações que estão do documento, com destaque para as que seguem, de naturezas bem distintas:
a- que a Procuradoria-Geral da República envie ao Supremo pedido para que a presidente Dilma seja investigada;
b- abertura dos contratos de todos os empréstimos feitos pelo BNDES;
c- exigência do “Revalida” para todos os médicos estrangeiros que atuam no Brasil;
d- fim da doutrinação ideológica nas escolas;
e- não ao financiamento público de campanhas eleitorais.

Leiam a íntegra para ter acesso à demais. Discordo, no entanto, de algumas propostas. Nota: as que não forem citadas aqui  contam com o endosso deste cidadão.

a – A Carta pede, por exemplo, que se indiquem para cargos nos tribunais superiores e no Ministério Público Federal “servidores concursados, de carreira”. Creio que estejam o documento se refira, no caso dos tribunais, a ministros. Eu realmente não creio que só servidores possam exercer com eficiência tal papel. A tese me parece discriminatória.

b – O texto cobra que o Senado proceda à efetiva sabatina dos indicados para tribunais superiores. E isso é bom. Mas sugere a participação de técnicos da OAB, do CNJ e do Ministério Público. Sou contra. Esses órgãos não podem se colocar como juízes do Judiciário. Falta-lhes a legitimidade democrática que tem o Senado, eleito pelo povo.

c – A carta defende “eleições diretas, por entidades representativas, para a escolha dos Procuradores-Gerais, com o fim de listas tríplices e escolhas arbitrárias pelo chefe do Executivo.” Será preciso mudar o Artigo 128 da Constituição, atentando para algumas coisas. O Procurador-Geral da República é chefe do Ministério Público da União — que compreende o Ministério Público Federal, o Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Militar e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. Ocorre que já se faz uma eleição para indicar o procurador-geral, que passou, na prática, a ser escolhido pelo colégio eleitoral de uma entidade de caráter sindical: a ANPR (Associação Nacional do Procuradores da República). Ora, os procuradores da República compõem apenas o Ministério Público Federal, entenderam? Por que os membros dos demais entes do MPU não votam? Mas que se note: o Ministério Público já não pertence a nenhum dos Poderes da República. Faz sentido que ele próprio defina os seus destinos, sem qualquer outra interferência, como se fosse um autocracia? Acho que não. E que se destaque: a eleição feita pela ANPR não está na Constituição.

d- Obviamente, não posso concordar com esta reivindicação: “Afastar o ministro Dias Toffoli do STF e TSE por não atender ao critério de imparcialidade”. Cabe a pergunta óbvia: sob qual argumento? Qual é a acusação? Alguém seria capaz de demonstrar que ele é menos independente do que Ricardo Lewandowski, Roberto Barroso ou Teori Zavascki, por exemplo? Acho que não… Não me parece um bom caminho.

Para a reflexão de todos: muito se tem criticado a transferência de Toffoli para a Segunda Turma, que vai julgar o petrolão, o que ele fez, diga-se, a pedido de Gilmar Mendes e Celso de Mello. Pergunta: se o petista-cutista-emessetista Luiz Edson Fachin estivesse no lugar dele (iria para segunda turma), haveria maiores garantias de isenção? Fui, sim, muito crítico da indicção de Toffoli. O arquivo está aí. E já discordei radicalmente de votos seus (e de outros tantos). Já concordei com outros também. Acho a reivindicação despropositada.

Leiam a íntegra do documento. Há lá muitas outras reivindicações. Aquelas a que não fiz restrições — a larga maioria — me parecem essencialmente corretas.

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E os tucanos continuam a fazer e a dizer besteiras no caso da terceirização. Ou: Entre o mundo moderno e o jurássico, PSDB abraça os dinossauros

Volto ao tema da terceirização e ao comportamento lamentável do PSDB nesse episódio. Se o partido até está fazendo um esforço para dar combate ao governo quando discorda dele, nesse outro particular, o que se tem é uma crônica lamentável de erros.

Começa que a proposta que excluiu as empresas públicas e mistas da possibilidade de terceirizar também a atividade-fim é dos tucanos. Nesta quarta, o PSDB se uniu aos petistas para adiar a votação do Projeto de Lei 4.330. O pretexto é que é preciso haver mais tempo para entender o conteúdo de pelo menos 30 destaques. A votação ficou para a semana que vem.

Os tucanos, tocados sabe-se lá por quais maus ventos, decidiram dar um cavalo de pau. Antes apoiadores do projeto, passaram, na prática, com algumas exceções, a combatê-lo.

Nada é mais emblemático da perdição em que se meteu o partido nessa questão do que a fala de Carlos Sampaio (SP), líder na Câmara: “Eu revi minha posição. Enquanto o STF não decidir, prefiro ficar do lado dos trabalhadores. (…) Na guerra da comunicação, perdemos. O PT e o governo viram esse tema como a tábua de salvação deles. Se apegaram nessa posição para dizer que estão do lado dos trabalhadores”.

Ele disse isso mesmo? Quer dizer que ele admite, então, que o seu primeiro voto tinha sido contra os trabalhadores? Ele muda de ideia no meio do caminho e decide atribuir a responsabilidade ao adversário? No momento em que o PT perde tudo, até o juízo, Sampaio diz que o partido ganhou a “guerra de propaganda”? Junto a quem? Junto aos sindicatos. Mas essa está ganha desde sempre. O PT só pauta o Brasil, hoje, na cabeça do deputado Carlos Sampaio.

Eis aí um dos exemplos de como não se deve fazer oposição. Não estou demonizando o deputado em particular. Trato da postura. Esse é o PSDB de sempre; esse é o PSDB que perdeu quatro eleições consecutivas; esse é o PSDB que admite ter medo da máquina de desqualificação do PT; esse é o PSDB que quer disputar uma agenda com o PT; esse é o PSDB que tem medo de ir à tribuna e denunciar que só a máquina sindical lucra com o atual estado de coisas; esse é o PSDB que quer ser admirado pelo PT; esse é o PSDB que se nega a construir valores.

Muitas pessoas se perguntam de onde vem tanto poder de Eduardo Cunha. Ainda que seus adversários queiram atribuí-lo a práticas, digamos, extracurriculares, convém considerar: fosse assim, outros poderiam disputar o lugar com ele, até em melhores condições. Eu diria que, em boa parte, o seu protagonismo deriva de ter a coragem de dizer o que pensa e de defender o que defende.

Na hora em que dois valores entraram em confronto numa votação na Câmara — de um lado, uma visão populista, corporativista e atrasada, que só serve a dinossauros sindicais; de outro, uma atualização das relações do mercado de trabalho, mais afinada com o capitalismo moderno —, o PSDB fez o quê? Se abraçou com o PT em defesa do atraso.

É imperdoável e injustificável sob qualquer argumento. Os tucanos, assim, ajudam o PT a pautar a sociedade quando, na verdade, mal se aguenta nas pernas. Até José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, parecia Shopenhauer ontem. O próximo passo do PSDB na Casa será transformar o inefável Sibá Machado (PT-AC) num gênio.

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Pedalada fiscal pode enquadrar Dilma na Lei da Improbidade Administrativa, com perda de mandato. Dessa, a Constituição não a protege

A coisa não está fácil ali no universo Dilma Rousseff. Vamos ver. No ano passado, o governo deu o que se chama “pedaladas fiscais”. O que é isso? O Tesouro tinha de fazer desembolsos para a CEF, o Banco do Brasil e o BNDES. E por quê? Porque são os repassadores ou os gestores de programas federais que integram políticas públicas. Ocorre que, para fazer caixa e maquiar o desequilíbrio fiscal, a equipe econômica anterior resolveu atrasar esse dinheiro, e os bancos tiveram de apelar ao próprio caixa para arcar com as despesas.

Sim, na pratica, esses entes emprestaram dinheiro ao Tesouro, o que é proibido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.  O relator do caso no Tribunal de Contas da União é o ministro José Múcio. Ele decidiu acatar parecer da área técnica do TCU e cobrar uma investigação do caso, com que concordaram os demais ministros.

Muito bem! Digamos que o TCU conclua que a operação foi irregular — e, acreditem, foi! Todas as pessoas responsáveis podem ser acusadas de crime de responsabilidade. Não! Dilma não poderá ser denunciada, no curso deste mandato, por decisões tomadas no mandato anterior — investigada ela pode ser, sim. Acontece que a Lei 1.079 — a que define tal crime — não é a única a espreitar a presidente. Há outra, a 8.429, que é a Lei da Improbidade Administrativa.

Define o Artigo 11 dessa lei, prestem atenção!
“Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e lealdade às instituições, e notadamente:
I – praticar ato visando fim proibido em lei ou regulamento ou diverso daquele previsto, na regra de competência;

Pimba! Foi o que o que se deu.

E o Inciso III do Artigo 12 diz o que acontece com quem incide no Artigo 11:
“III – na hipótese do art. 11, ressarcimento integral do dano, se houver, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos, pagamento de multa civil (…) “ e outras penalidades que não vêm ao caso.

E que se note: ainda que Dilma não possa, agora, ser denunciada por atos do primeiro mandato com base na outra lei, a 1.079, ela pode, sim, ser investigada, respondendo pelo crime, se crime houve, ao termino do quadriênio presidencial.

Tão logo o tribunal decidiu que era preciso investigar as pedaladas, o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, afirmou: “Neste instante, o plenário do TCU aprovou por unanimidade o relatório que considera as manobras fiscais realizadas pelo Tesouro com o dinheiro dos bancos públicos federais como crime de responsabilidade. Vejam bem: não é decisão da oposição. Na verdade corroborando, vindo na direção daquilo que nós já apontávamos desde o ano passado. E obviamente isso terá consequências.”

Em nome da precisão, destaque-se que os ministros do TCU aprovaram o pedido de investigação e cobraram explicações do governo. Ainda não há a condenação. Mas será muito difícil os mágicos escaparem de uma censura do tribunal. E aí a coisa pode ficar feia para Dilma.

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Os Vaccari, uma família em pânico!
Ricardo Noblat

Essa gente não parece ter receio de envolver a própria família em suas trapaças.

Não foi assim com Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras e delator número 1 da Operação Lava-Jato?

Meteu as duas filhas e os genros na corrupção da Petrobras. Foi por causa deles que delatou.

A Polícia Federal e o Ministério Público investigam se o dinheiro usado pela filha de João Vaccari Neto na compra de uma casa veio do esquema de pagamento de propinas pelas empreiteiras.

Nayara de Lima Vaccari comprou a casa por R$ 800 mil na Zona Sul de São Paulo. Na época, outubro de 2013, fazia residência em medicina.

Usou seis cheques administrativos para pagar a casa. No mesmo dia em que a comprou, a tia Marice Corrêa de Lima, que recebia propina em nome de Vaccari, transferiu R$ 345 mil para a sobrinha.

A empresa Arena de Indaiatuba Incoporadora, investigada pela Lava-Jato, depositou mais R$ 280 mil na conta de Nayara.

Tem mais: alguns dias antes de emprestar dinheiro para Nayara, Marice faturou R$ 430 mil da empreiteira OAS, recebidos pela revenda de um apartamento para a construtora no Guarujá.

Ocorre que Marice não desembolsou um único centavo pelo imóvel nem tinha escritura de posse dele.

A família Vaccari está em pânico! Por causa dela, se concluir que irá pelo buraco como foi Marcos Valério, o operador do mensalão, Vaccari poderá contar parte do que sabe. Só parte.


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Blog do Coronel

Dilma engavetou denúncia de propina de U$ 31 milhões até depois da eleição. Valor total pode ter chegado a U$ 139 milhões.

(Folha) A CGU (Controladoria-Geral da União) recebeu durante a campanha eleitoral do ano passado informações detalhadas sobre o repasse de US$ 31 milhões em propinas pagas pela empresa holandesa SBM Offshore para fazer negócios com a Petrobras.

O ex-diretor da SBM Jonathan Taylor disse à Folha que entregou à CGU dados sobre depósitos feitos entre 2008 e 2011 numa conta da Bienfaire, empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas e controlada pelo lobista brasileiro Júlio Faerman, apontado como o operador encarregado de distribuir o suborno no país.

A Folha teve acesso ao documento, uma tabela com os valores, as datas dos depósitos e os projetos da Petrobras a que se referem. A SBM aluga para a estatal plataformas de exploração de petróleo.Segundo o documento, três transferências para o lobista, no total de US$ 4,6 milhões, foram feitas por causa da plataforma P-57, inaugurada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010, quando ele estava em campanha para eleger Dilma Rousseff.

As informações fazem parte de um dossiê entregue por Taylor à CGU no dia 27 de agosto do ano passado por e-mail. O recebimento do material foi confirmado pelo órgão, que mandou três funcionários até o Reino Unido para tomar o depoimento de Taylor no dia 3 de outubro.

Apesar da riqueza de detalhes do material entregue por Taylor, a CGU só decidiu abrir um processo contra a SBM no dia 12 de novembro, após a reeleição da presidente Dilma Rousseff e o anúncio de um acordo da SBM com o Ministério Público da Holanda.

À Folha Taylor acusou a controladoria de esperar a eleição para processar a empresa, que pagou pelo menos US$ 139 milhões ao lobista Júlio Faerman entre 2007 e 2011.

Ao justificar a decisão tomada em novembro, a CGU afirmou que demorou porque somente naquele momento identificou elementos de "autoria e materialidade" suficientes para abrir processo.O ex-funcionário da empresa holandesa também entregou à CGU uma gravação de uma reunião em que um executivo diz que a propina paga pela empresa pode ter atingido 5% em alguns casos.

Participaram da conversa, que ocorreu em março de 2012, o próprio Taylor, o principal executivo da SBM, Bruno Chabbas, e o ex-diretor Hanny Tagher, então agente da empresa em vários países. Tagher afirmou que Júlio Faerman cobrava comissões equivalentes a 3% dos pagamentos que a SBM recebia da Petrobras. Segundo ele, o lobista dizia que ficava com 1% e distribuia os 2% restantes. Em alguns casos, de acordo com Tagher, as comissões podiam chegar a 4% ou 5%.

Taylor então perguntou: "Isso ia para as pessoas da Petrobras?". Tagher respondeu: "Sim". O diretor jurídico da SBM, Alessandro Riguto, confirmou que a reunião ocorreu, mas afirmou não ter detalhes sobre ela. A empresa acusa Taylor de chantageá-la e diz que as gravações foram tiradas de contexto.

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Dilma indica o preferido do MST para o STF. Se a lei não mudar, ela ainda poderá escolher o preferido do MTST, o da CUT, o do Jean Wyllys, o das abortistas, o da esquadrilha da fumaça… Aí é só importar o Nicolás Maduro!

Vamos dizer tudo para aborrecer um monte de gente? Vamos. O Brasil cobra de nós essa clareza.

A presidente Dilma Rousseff indicou mesmo o nome do jurista Luiz Edson Fachin para a vaga aberta no Supremo. Ele tem de ser agora sabatinado pelo Senado. Se acontecer, e deve acontecer, o que se deu das outras vezes, trata-se de mera formalidade, e um Poder da República deixa de exercer a sua prerrogativa, alheio aos destinos do Judiciário e aos interesses do país.

Só para que vocês saibam: o Planalto usou táticas de despiste. Dilma fez essa escolha há mais de um mês. Outros nomes que andaram frequentando a lista eram puro jogo de cena. Nem os candidatos sabiam que estavam sendo enganados. E isso é uma informação, não um chute.

Fachin pode chegar lá e fazer um belo trabalho? Até pode. Se acontecer, farei o óbvio: vou elogiá-lo aqui. Militância política, contexto e circunstâncias, no entanto, nos levam a ficar com um pé atrás. Vamos ver.

Fachin é o candidato de João Pedro Stedile — sim, eu estou me referindo ao chefão do MST. O próprio Lula pensou em indicar o professor paranaense em 2010, com a vaga aberta com a aposentadoria de Eros Grau. Desistiu depois de uma conversa com ele. Considerou-o, na linguagem sindical, “basista demais”. Traduzo: deixava-se levar excessivamente pelo alarido dos movimentos de esquerda.

Há uma semana, escrevi aqui que o coração de Dilma pulsava por Fachin. Destaquei naquele texto um artigo pavoroso que ele escreveu para o site Consultor Jurídico.

Num dado momento, afirma ele: “Se o conselho que se dava aos juízes antigos da Itália era ‘não use a testa, use o texto’, hoje a máxima pode ser reinventada para ‘use a testa, não esquecendo do texto e seu contexto’”. É ruim. Se alguém invade a minha propriedade, por exemplo, da qual sou dono legítimo, o texto — que ou está em primeiro lugar ou se abre a chance para o arbítrio — diz que o invasor tem de sair. Segundo Fachin, um juiz deve, claro, levar isso em conta, mas, em primeiro lugar, ele tem de usar a “testa” — isto é, a opinião idiossincrática que, originalmente, independe do texto — para, só então, voltar-se ao que está escrito. E isso ainda não será o bastante. Haverá de se ver também o contexto. Mais: Fachin se mostra excessivamente preocupado em criticar o juiz do “Estado Liberal” — sim, ele fala do liberalismo propriamente, com o sotaque de quem considera tratar-se de uma etapa superada da história da humanidade.

De resto, como lembrei num post de ontem, Fachin se transformou também no candidato de Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo, mas enfrentava a resistência do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que agora se comprometeu a trabalhar em favor do seu nome no Senado. Cumpre-me, então, lembrar:

1. Renan foi denunciado ao Supremo por Roberto Gurgel, então procurador-geral da República, em 2013, por peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso. A investigação deriva de 2007. Ele é acusado de ter comprado notas frias para provar que tinha renda para arcar com a pensão de um filho que teve fora do casamento.

2. O relator do caso no Supremo é o ministro Lewandowski, que, até agora, não se pronunciou sobre o caso.  Nem aceitou nem rejeitou a denúncia. E Lewandowski é aquele que passou a fazer lobby escancarado em favor de Fachin.

3. Quando ministros chegam à presidência do Supremo, costumam deixar casos dessa natureza. Lewandowski manteve com ele o de Renan.

4. O que estou inferindo? Estou apenas dizendo que assim são as coisas.

Caso o indicado de Dilma seja aprovado pelo Senado e se torne ministro do Supremo, a ponta esquerda do tribunal deixa de ser ocupada por Roberto Barroso. A toga rubra passa para os ombros de Fachin. Se a lei não mudar, Dilma tem mais cinco indicações para fazer até o fim de seu mandato, se ela chegar lá. Huuummm… Ainda falta indicar o preferido de Guilherme Boulos, do MTST; o de Vagner de Freitas, presidente da CUT; o de Jean Wyllys, do movimento LGBTXYZ,  o de alguma líder aborteira ensandecida e o dos “coletivos”, como eles se denominam, em favor da descriminação das drogas.

Aí é só importar o Nicolás Maduro…

Pode ser inútil, mas digo mesmo assim: que os senadores tenham juízo. Depois não adiante ficar choramingando quando o Supremo decidir legislar. Sabem como é…O ativismo judicial costuma ser fruto do passivismo legislativo, entendem? É aquele papo de côncavo e convexo…

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PSDB fica com peninha de sindicatos da CUT e da extrema esquerda e livra estatais e empresas mistas de terceirização. É o samba-do-tucano-doido

O PT, definitivamente, não está entendendo uma vírgula do que está nas ruas. Mas o PSDB também não. Arrisco-me a dizer que pode estar entendendo ainda menos. Como diria o poeta, que saiba morrer o que viver não soube. É espantoso! Na votação do PL 4.330, das terceirizações, uma emenda do PSDB — sim, do PSDB!!! — excluiu as estatais e as empresas de economia mista da terceirização das chamadas atividades-fim. Ou por outra: ela só valerá para as empresas privadas.

Os sindicatos da CUT — e alguns de extrema esquerda — que aparelham as empresas públicas agradecem. Os cutistas estão pensando em esculpir um tucano de ouro e plantar na porta da entidade. Aquilo que nem os petistas propuseram saiu da cachola de seus companheiros de bico e pluma. Tenham a santa paciência! É o fim da picada!

O que os tucanos pretendem? Ganhar os votos das esquerdas e fazer embaixadinha para os sindicatos? Não conseguirão. Estima-se que a Petrobras tenha hoje até 300 mil terceirizados em áreas que poderiam ser consideradas atividades-fim. Serão todos demitidos? Qual é o propósito dessa emenda? Atende a que pressão? A que necessidade? A roubalheira da estatal, por acaso, foi obra da terceirização ou algo assim? Que interesse e de quem está sendo protegido?

Os tucanos dão mostras, assim, de não estar entendendo nada. A pressão de fundo das ruas, a nova pressão, é por um estado menor, não maior: e por mais espaço à iniciativa privada e menos ao estatismo mastodôntico. Eis que, na hora h, o que não é de estranhar, petistas e tucanos se estreitam num abraço insano. A petezada e as esquerdas, claro!, adoraram a emenda tucana e aderiam a ela em massa. A proposta de excluir as empresas públicas foi aprovada por 360 votos a 47.

Sabem por que o PSDB faz isso? Falta de eixo, falta de clareza, falta de propósito, falta de norte, falta de princípio. É a hipótese benevolente. Então, senhores tucanos, as empresas estatais são nobres demais para passar por um processo de terceirização? Ora, tenham a santa paciência!

Os tucanos já davam mostras de voar baixo e pesado nessa história quando praticamente ignoraram a pressão de Joaquim Levy, que pretende usar o PL 4.330 para promover uma espécie de reforma tributária e aumentar a cobrança de impostos, numa proposta que,. adicionalmente, transforma as empresas contratantes em fiscais e arrecadadoras da Receita Federal. Se o principal partido de oposição estivesse afinado com o novo espírito das ruas, estaria é fazendo dessa questão um cavalo-de-batalha, contra o aumento de impostos. Mas estava ocupado demais tentando proteger o mastodonte estatal e os interesses da CUT.

Esse projeto 4.330 está virando uma estrovenga. O que poderia servir para modernizar as relações trabalhistas está virando uma colcha de retalhos pior do que a legislação original. Por quê? Em primeiro lugar, porque não existe governo, fraturado, dividido, sem saber o que quer, obrigado a acender velas para todos os capetas, tanto aos do esquerdismo bronco como aos do fiscalismo brucutu. E também não existe oposição organizada. Eu duvido que algum princípio, algum fundamento de economia política ou algum vetor ideológico tenham orientado o PSDB.

De resto, para suprema ironia, a tucanada livra a cara das bases da CUT para que elas possam, depois, votar no PT. Sabem como é… Afinal, esse tem sido o dualismo do Brasil, não é isso? E essa também tem sido a cara da nossa inviabilidade. Essa porcaria toda ainda pode, em tese, ser arrumada no Senado. Duvido que vá acontecer.

Vale a máxima: se cobrir, vira circo; se trancar a porta, vira hospício.

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Nesta terça, a Aliança Nacional de Movimentos expõe, às portas do Congresso, as suas reivindicações. Ou: O dever da política

A Aliança Nacional de Movimentos, integrada, entre outros grupos, pelo Vem Pra Rua, está em Brasília. Ela torna pública nesta quarta-feira uma carta aberta, especialmente dirigida ao Congresso Nacional, com uma pauta de reivindicações ligada ao combate à impunidade e ao aprimoramento da democracia. A Procuradoria-Geral da República também é chamada à interlocução. A Aliança deve reivindicar que Rodrigo Janot, procurador-geral, solicite ao Supremo a abertura de inquérito para investigar a atuação da presidente Dilma Rousseff no petrolão.

Vamos corrigir algumas coisas. O movimento Vem Pra Rua não foi recebido em audiência por parlamentares do PSDB e do DEM. O que se deu foi outra coisa. Representantes da Aliança estiveram com tucanos e democratas — e com parlamentares de outros partidos, inclusive do PSOL — para convidá-los para a leitura da carta, que se dará na Praça dos Três Poderes, do lado de fora do Congresso. A turma já encaminhou um pedido de audiência a Janot, mas, até agora, não obteve resposta.

Olhem aqui: esses movimentos que estão em Brasília integram o grupo que colocou nas ruas, em duas manifestações, uns três milhões de pessoas. Suas reivindicações são justas, são legítimas, são honestas, são legais. Mais: eles se expressam segundo os melhores padrões de uma sociedade civilizada: em paz, sem agressões, sem ameaças, sem agressão ao patrimônio público e privado.

As autoridades da República têm o dever moral e político de recebê-los e de prestigiar a sua pauta, o que não implica concordar com tudo. Estamos falando de política maiúscula, que passa pela interlocução, sem cooptação.

A Aliança Nacional de Movimentos, que reúne vários grupos, o Movimento Brasil Livre, o Revoltados Online e outros tantos não são franjas de partidos políticos, não são meras extensões da política formal, não estão atrelados a estruturas do poder. Aí está a sua força — vocalizam reivindicações e angústias da sociedade civil —, mas pode estar aí também a sua fraqueza caso não consiga estabelecer canais de conversação.

O Brasil é uma democracia — ainda é ao menos. Não vive, ademais, um período de conflagração revolucionária. Assim, é preciso que as forças se organizem para reivindicar, não para eliminar ou subjugar o outro. Isso é prova de força, de altivez, não de fraqueza.  Digamos que os canais institucionais se fechem a seus reclamos: eis um bom motivo para organizar a batalha com ainda mais afinco; digamos que esses movimentos consigam fazer triunfar ao menos parte de sua pauta, eis um bom motivo para organizar a batalha com ainda mais afinco. Entenderam o ponto?

Esses grupos não estão acostumados à militância profissional, a exemplo das esquerdas, e, por isso,  têm algo a aprender com elas:  planejar a próxima, qualquer que seja o resultado da batalha em curso. O nome disso é política, que não se dá apenas no Parlamento e nos partidos. Tampouco é, ou deve ser, monopólio das esquerdas.

Que as portas das instituições se abram para ouvir a voz da maioria silenciosa.

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Luiz Fachin apoiou candidatura Dilma em 2010

Indicado para ocupar a poltrona que foi de Joaquim Barbosa no STF, o advogado Luiz Edson Fachin manifestou publicamente o apoio à candidatura presidencial de Dilma Rousseff em 2010. Ele foi o porta-voz de um manifesto de eleitores petistas. Leu o documento num evento partidário. A coisa foi filmada e veiculada na página da então candidata.

“Tenho em minhas mãos manifesto de centenas de juristas brasileiros que tomaram lado”, anunciou Fachin. “Apoiamos Dilma para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento apra todos…” Segue-se a leitura de um texto que empilha louvores ao governo Lula e prega a continuidade com Dilma, que media forças no segundo turno com o turcano José Serra.

A leitura de Fachin incluiu um trecho que deve render-lhe perguntas incômodas na sabatina a que terá de se submeter na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Sem citar o nome de Fernando Henrique Cardoso, o texto subscrito pelo agora ministro critica o fato de o ex-presidente tucano ter pegado em lanças pela emenda da reeleição e ter nomeado para a chefia do Ministério Público Federal Geraldo Brindeiro, eternizado pelo apelido de “engavetador-geral da República.”

Disse Luiz Fachin: “O governo que queremos é o governo que preservou as instituições democráticas e jamais transigiu com o autoritarismo. Um governo que não tentou alterar casuisticamente a Constituição para buscar um novo mandato. Governo que sempre escolheu para chefe do Ministério Público Federal o primeiro de uma lista tríplice elaborada pela categoria e não alguém de seu convívio ou conveniência…”

A bancada tucana no Senado já afia o bico. Em 2010, Fachin “tomou lado”. Agora, será indagado por senadores tucanos sobre o lado que pretende tomar depois que a toga pesar-lhe sobre os ombros: o petismo ou a lei? O governo Dilma ou a Constituição?

A despeito do provável mal-estar, o nome de Luiz Fachin deve ser aprovado no Senado com certa facilidade. Primeiro porque possui reconhecida formação técnica. Segundo porque uma Casa que já digeriu Dias Toffoli —ex-assessor da liderança do PT, ex-advogado do PT, ex-subordinado do petista José Dirceu na Casa Civil e ex-advogado da União do governo do PT —não pode engasgar com Luiz Fachin.

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PT discute abrir mão das doações de empresas

Em mensagem veiculada nas redes sociais, o presidente do PT federal, Rui Falcão, convidou os internautas a participarem de uma enquete. Ele anotou que o partido “defende o fim do financiamento empresarial de campanha.” Revelou que sua opinião sobre o tema é mais radical. “Eu defendo que nosso partido precisa abrir mão, voluntariamente, desse tipo de contribuição.” Indagou: “E você? Concorda comigo?”

Reproduzido nas páginas de Falcão e do PT no Facebook, o texto contém um link que conduz o internauta ao espaço de votação. Ali, lê-se uma pergunta plebiscitária, do tipo sim ou não. “Você acha que o PT deve, voluntariamente, abrir mão de doações empresariais para financiar campanhas políticas?”

Com a reputação carbonizada pelo escândalo do petrolão, que faz do mensalão um caso digno dos juizados de pequenas causas, o PT vem discutindo internamente o tema proposto por Falcão na enquete. A ideia é que o partido mantenha sua cruzada em favor do financiamento público das campanhas. Algo que depende de uma improvável decisão do Congresso. Simultaneamente, para “constranger” os rivais e não ser acusado de hipócrita, o PT vetaria desde logo a entrada de verbas empresariais na sua caixa registradora.

Falcão defendeu sua tese no final de março, em reunião da Executiva do PT, com a presença de Lula. Não há um consenso entre os petistas. Analisa-se a hipótese de votar o fim das contribuições privadas num encontro do diretório nacional do PT, marcado para esta sexta-feira (17). O financiamento eleitoral deve ser incluído também na pauta do Congresso partidário que o PT prepara para 11 de junho, em Salvador (BA).

O debate ganha o noticiário uma semana depois de o tesoureiro do PT ter reafirmado na CPI da Petrobras que não manuseou propinas. Nessa versão, ele teria recebido das empreiteiras encrencadas na Operação Lava Jato apenas doações legais, devidamente reportadas ao Tribunal Superior Eleitoral. No enredo da força-tarefa que esquadrinha a Petrobras, a Justiça Eleitoral foi usada pelo PT para lavar dinheiro.

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Fora PT!




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Blog do Coronel

CGU blindou Dilma contra acusações da SBM. "Todos esperaram cinicamente o fim das eleições", denuncia ex-diretor. PT recebeu U$ 225 milhões de propina.

(Folha) O principal órgão de controle interno do governo federal recebeu durante a campanha eleitoral do ano passado provas de que a empresa holandesa SBM Offshore pagou propina para fazer negócios com a Petrobras, mas só abriu processo contra a empresa em novembro, após a reeleição da presidente Dilma Rousseff. Em entrevista à Folha, o ex-diretor da SBM Jonathan David Taylor disse que prestou depoimento e entregou mil páginas de documentos internos da empresa à CGU (Controladoria-Geral da União) entre agosto e outubro de 2014. O órgão só anunciou a abertura de processo contra a SBM em 12 de novembro, 17 dias após o segundo turno da eleição presidencial.

Taylor trabalhou durante oito anos e meio para a SBM na Europa e é apontado pela empresa como responsável pelo vazamento de documentos e informações sobre o caso publicadas na Wikipedia em outubro de 2013. O vazamento levou a investigações sobre a SBM no Brasil e na África. Os documentos indicam que ela pagou US$ 139 milhões ao lobista brasileiro Julio Faerman para obter contratos na Petrobras. Entre abril e junho do ano passado, Taylor depôs e entregou documentos ao Ministério Público da Holanda. Segundo a própria SBM, ele participara de um grupo que conduzira uma investigação interna sobre o caso em 2012.

Na entrevista à Folha, a primeira a um veículo brasileiro, o delator disse que foi sua a iniciativa de procurar a CGU, que abrira uma sindicância para apurar o caso no Brasil. Em 27 de agosto, ele repassou ao órgão o relatório de uma auditoria interna da SBM, mensagens eletrônicas, contratos com o lobista, extratos de depósitos em paraísos fiscais, a gravação de uma reunião da empresa e uma lista com nomes da Petrobras. O material foi enviado por email ao diretor de Acordos e Cooperação Internacional da CGU, Hamilton Cruz, que no dia seguinte atestou o recebimento e informou que passaria as informações para o chefe da investigação.

No dia 3 de outubro, dois dias antes do primeiro turno, Taylor recebeu no Reino Unido a visita de três funcionários da controladoria, entre eles Hamilton Cruz. "Contei tudo o que sabia", afirma o delator. A CGU nunca divulgou dados sobre a viagem e o depoimento. Para Taylor, a demora do órgão em anunciar o processo contra a empresa holandesa teve motivação política. "A única conclusão que posso tirar é que queriam proteger o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma ao atrasar o anúncio dessas investigações para evitar impacto negativo nas eleições", diz.

Os valores pagos ao lobista Julio Faerman, segundo Taylor, são bem maiores do que os divulgados até aqui: "Era muito mais. O comprometimento [da SBM] era de pelo menos US$ 225 milhões". Em 12 de novembro, a SBM fechou acordo com as autoridades holandesas e aceitou pagar US$ 240 milhões para se livrar de punições na Holanda. Na tarde do mesmo dia, a CGU anunciou a abertura de processo contra a empresa no Brasil. "Todas as partes esperaram cinicamente até o fim das eleições", afirma Taylor.

No momento, a SBM negocia com a Controladoria um acordo de leniência, em que poderá colaborar com as investigações sobre corrupção na Petrobras para se livrar de punições e continuar fazendo negócios com o setor público. O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, um dos delatores da Operação Lava Jato, disse que a SBM doou US$ 300 mil à campanha de Dilma nas eleições de 2010 e apontou Faerman como o operador que fez o dinheiro chegar ao PT.

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Força-tarefa da Lava Jato pega fio da meada e quer delação premiada de produtoras usadas por agências de publicidade do Governo e estatais.


O que ficou restrito apenas à agência de Marcos Valério no escândalo do Mensalão agora será aberto para cerca de vinte agências de publicidade que atendem contas de governo e estatais. E a força-tarefa da Lava Jato achou o ninho de ratos: o uso de empresas-laranja que faturam notas frias contra as produtoras de filmes que cobram verdadeiras fortunas, muito acima da média internacional, para produzir mensagens publicitárias. Alerta para o MPF! Estendam a investigação para as produtoras de eventos! A matéria a seguir é do Estadão.

Os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato vão estender a todos os órgãos públicos federais as investigações sobre o pagamento de propinas para políticos e agentes públicos na área de publicidade. Para isso, produtoras de áudio e vídeo do País terceirizadas pelas agências de propaganda detentoras das contas governamentais serão incentivadas a fazer delação premiada.

Os procuradores da República acreditam que produtoras de conteúdo possam ser a peça-chave para desmontar a engrenagem de um sistêmico modelo de desvios em contratos milionários de propaganda do governo federal, via pagamentos de comissão para firmas de fachada ligadas a políticos.
Para isso, querem a colaboração espontânea das empresas, com a entrega de provas de pagamentos e nomes envolvidos, para possível negociação de redução de pena quanto as implicações criminais e cíveis dessas produtoras.

Pelo menos cinco produtoras são investigadas no esquema descoberto pelos investigadores da Lava Jato que levou o ex-deputado petista André Vargas (sem partido-PR), seu irmão Leon Vargas e o publicitário Ricardo Hoffmann, da agência Borghi Lowe, para a cadeia na sexta-feira – alvos da Operação A Origem, 11ª fase das apurações.

As produtoras de áudio e vídeo Enoise Estúdios, Luiz Portella Produções, Conspiração Filmes, Sagaz Digital e Zulu Fillmes e a agência de publicidade Borghi Lowe – que mantém contratos com a Caixa Econômica Federal e com o Ministério da Saúde – foram alvo de quebra de sigilos bancário e fiscal decretada pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato.

As produtoras foram flagradas fazendo pagamentos de comissão para duas firmas de fachada controladas por Vargas e seu irmão (LSI Solução e Serviços Empresariais e Limiar Consultoria e Assessoria em Comunicação) por serviços prestados à Borghi e Lowe – nas campanhas publicitários da Caixa e da Saúde.

Por direito, essas comissões (chamadas de bônus de volume no mercado publicitário) deveriam ter como destino a própria Borghi Lowe, por fazer a subcontratação dessas produtoras – algo permitido legalmente.

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DEM usa propaganda para pregar ‘fim’ de Dilma


Em inserções publicitárias que começa a exibir nesta terça-feira no rádio e na tevê, o DEM utiliza como matéria-prima a “voz das ruas”. Preparou três peças de 30 segundos. Numa delas, o partido cavalga a impopularidade de Dilma Rousseff terceirizando as menções ao nome da presidente a uma multidão que entoa num protesto de rua o coro de “Fora Dilma.”

Nos três comerciais, o DEM apresenta “o governo do PT” como descumpridor de promessas, exterminador de benefícios sociais, conivente com a corrupção e responsável pela ruína econômica: “a inflação voltando, os juros subindo e o fantasma do desemprego assustando as famílias.”

As peças terminam com um bordão que acomoda o DEM na antessala da defesa do impeachment da presidente petista: “Está na hora de o Brasil seguir por outro caminho, porque esse já chegou ao fim.” A frase é repetida pelos três congressistas que estrelam os comerciais: o deputado Mendonça Filho, líder do DEM na Câmara, e os senadores José Agripino Maia e Ronaldo Caiado, respectivamente presidente e líder do partido no Senado.

Esses comerciais de 30 segundos serão levados ao ar 40 vezes, em rede nacional. Entrarão nos lares ao longo da programação, em meio a propagandas de margarina e de produtos de beleza. Em maio, o DEM exibirá em horário nobre, antes do Jornal Nacional, um programa de dez minutos, que ainda não foi gravado. Com o linguajar adotado em suas propagandas, o DEM revela-se um oposicionista mais cáustico com o governo do que o PSDB, partido do ex-presidenciável Aécio Neves.

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Renan não tem pressa para votar terceirização

O presidente do Senado, Renan Calheiros, enxergou no projeto que regulamenta a terceirização de mão de obra uma oportunidade a ser aproveitada. No esforço que empreende para associar sua investigada figura às mais nobres causas populares, Renan não cogita incluir a proposta na pauta de votações no mesmo ritmo de toque de caixa adotado por seu colega da Câmara, Eduardo Cunha.

Nesta terça-feira, Cunha se empenhará para concluir a votação da encrenca. Na semana passada, os deputados aprovaram o texto-base. Para fechar a conta, precisam votar os destaques, como são chamadas as emendas que visam modificar o projeto. Concluído o processo, a matéria seguirá para o Senado.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim (PT-RS) foi surpreendido com um telefonema de Renan nesta segunda-feira. Deu-se durante uma audiência pública em que se debatia justamente a proposta de terceirização. A pedido de Renan, Paim contou à plateia o que acabara de ouvir.

“Ele está acompanhando nossa sessão e pediu que eu anunciasse. E eu senti na voz dele que, como está, não dá, não. Lá na Câmara foi atropelado, aqui não será atropelado.” A CUT, braço sindical do PT, marcou para quarta um “dia nacional de paralisação” contra o projeto. Do modo como a coisa caminha, Renan, o investigado, ainda ainda vai virar o heroi da resistência da classe trabalhadora.

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Autocontrole!



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Deram para roubar até o dinheiro da merenda de crianças matriculadas em creches
Ricardo Noblat

Deveria existir ética para tudo, até mesmo para o roubo.

Na cadeia não existe uma ética particular quando ali os presos se recusam a conviver com estupradores?

A mesma coisa não se passa também em áreas pobres das grandes cidades dominadas pelo tráfico de drogas? Estuprador não tem vez.

E então?

É condenável, mas quase não choca ninguém, a prática do pagamento contra a lei de altos salários no serviço público.

Em Niterói, por exemplo, descobriu-se que cinco funcionários da prefeitura, somente em novembro último, receberam R$ 307.04,00.

Revoltante? É. Mas no país onde um presidente já se elegeu combatendo os salários escandalosos dos marajás, acaba saindo na urina.

Esse presidente – você sabe de quem falo – depois foi deposto acusado de corrupção.

O que dá vontade de pegar em armas é quando vem à luz episódios como o que acaba de acontecer em São Gonçalo, interior do Rio.

Foi desarticulada uma quadrilha suspeita de desviar recursos públicos destinados à alimentação de crianças matriculadas em oito creches conveniadas com a prefeitura

Cerca de R$ 5,2 milhões foram desviados do município e mais de 700 crianças saíram prejudicadas.

Quer dizer: estão roubando até merenda escolar. E não de escolas, mas de creches.

Ouso imaginar que nem traficante do Morro do Alemão seria capaz de fazer uma coisa dessas.

Roubalheira existe por toda parte. Mas se o mau exemplo vem de cima e a impunidade quase sempre vence, ela se alastra e se enraíza fortemente.

Pelo que se anda vendo nos protestos de ruas, os brasileiros, afinal, parecem ter despertado para isso.

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Incrível! Petista que sucedeu Padilha na Saúde diz que, se houve fraude envolvendo publicidade, foi coisa entre empresas privadas. Ou: Como deve ser aborrecida a vida de suecos e dinamarqueses!

Coitado do leitor brasileiro, seja ele de jornal, revista, internauta, pouco importa! Não é fácil acompanhar a pauleira, né? Imaginem como deve ser na Suécia ou na Dinamarca. Os caras acordam, tomam ciência do noticiário — alguma questiúncula envolvendo um benefício do estado de bem-estar social, ou, sei lá, ações humanitárias em lugares remotos do planeta — e vão cuidar de suas  vidas. Uma boa ocupação é reclamar da qualidade do arenque. Sobrando um tempinho, leiam “A Morte de um Apicultor”, do sueco Lars Gustafsson. Alguns podem ser tentados a ver na obra certo mal-estar da abastança. Ainda acho que é melhor morrer de tédio do que de susto, de bala ou vício. Adiante. Por que eu me compadecia do leitor? A quantidade de escândalos que é obrigado a acompanhar chega a ser cruel. Pior: as autoridades já não temem mais o cinismo.

O ex-deputado André Vargas foi preso. O motivo desta feita foi a descoberta de que empresas ligadas a ele recebiam uma parcela dos contratos que a agência de publicidade Borghi/Lowe mantinha com a Caixa Econômica Federal e com o Ministério da Saúde. Os descontos oferecidos pelos órgãos de comunicação para veicular as propagandas — bonificação por volume — não eram revertidos nem em benefício dos entes estatais (uma possibilidade) nem da própria agência — que é a prática corriqueira no mercado. Iam parar, segundo a Polícia Federal, nas tais empresas ligadas a André Vargas e a seu irmão, Leon.

A CEF anunciou que suspendeu os contratos e disse ter aberto uma sindicância interna. Já o Ministério da Saúde… Bem, o ministro Arthur Chioro, o petista que sucedeu Alexandre Padilha no cargo, limitou-se a dizer que a Borghi/Lowe foi contratada segundo procedimento regular, porque ofereceu o menor preço. Entre 2011 e 2014, a agência recebeu do ministério R$ 123,7 milhões. Parte desse dinheiro — R$ 2,6 milhões — foi parar em quatro empresas (Zulu, Sagaz, Luiz Portela e E-noise) e, de lá, migrou para os irmãos Vargas.

Sabem o que disse o ministro? Que a sua pasta não tem nada com isso. “Se houve irregularidades, ele disse, foi de privado para privado.” Entenderam? Para o titular da Saúde, o contrato com a sua pasta é regular, e os serviços foram prestados. Mas por que diabos, afinal, uma agência como a Borghi/Lowe subcontrataria produtoras que repassariam grana a Vargas, que publicitário não é? Chioro dá de ombros, como se o pulo do gato não estivesse justamente em mascarar o pagamento de propina por meio de um serviço aparentemente legal.

O ministro estava num dia realmente inspirado. Segundo o doleiro Alberto Youssef, ele próprio manteve um encontro com Alexandre Padilha e André Vargas para tratar da contratação do laboratório Labogen pelo Ministério da Saúde. O Labogen, vocês devem se lembrar, era uma das lavanderias a que recorria Youssef. Quem intermediou o negócio com a empresa de fachada foi Vargas, o mesmo que recebia uma porcentagem dos contratos de publicidade da pasta, durante a gestão… Padilha!

O que tem Chioro com isso? Segundo ele, nada também. Limitou-se a dizer que não há registro do encontro no ministério e decretou que o Labogen é uma página virada. Disse ainda que não há o que investigar no âmbito de sua pasta. Entenderam?

Pois é… Como são infelizes os suecos e dinamarqueses, que não contam com a criatividade, o desassombro e o cinismo de homens públicos como André Vargas, Alexandre Padilha e Arthur Chioro. Houvesse por lá políticos dessa qualidade, nunca mais reclamariam do preço do arenque. Nem escreveriam um livro como “A Morte de um Apicultor”. 

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CGU esperou eleição de Dilma para abrir processo mesmo tendo em mãos provas de corrupção, diz delator; escândalo volta a bater à porta da presidente

Atenção! Surgiu aquela que é, entendo, a denúncia mais grave desde que o escândalo do petrolão começou a vir à luz. E, desta vez, pega em cheio a Controladoria-Geral da União (CGU), órgão subordinado à Presidência da República. Mais uma vez, o descalabro se aproxima perigosamente da presidente Dilma Rousseff. Mas, suponho, Rodrigo Janot, procurador-geral da República, não vai pedir ao Supremo Tribunal Federal nem mesmo a abertura de um inquérito. A que me refiro?

Em entrevista a Leandro Colon, da Folha, Jonathan David Taylor, ex-diretor da SBM Offshore, afirmou que entregou à CGU, durante a campanha eleitoral do ano passado, provas de que a empresa holandesa havia pagado propina a agentes da Petrobras. O órgão, no entanto, só abriu sindicância em novembro, depois da eleição. Segundo Taylor, ele entregou à CGU mil páginas de documentos entre agosto e outubro de 2014.

O ex-diretor diz que foi ele quem teve a iniciativa de procurar a CGU. No dia 27 de agosto, afirma, entregou ao órgão o relatório de uma auditoria interna da SBM, mensagens eletrônicas, contratos com o lobista Júlio Faerman — a quem ele pagou US$ 139 milhões para obter contratos com a Petrobras —, extratos de depósitos em paraísos fiscais, a gravação de uma reunião da empresa e uma lista com nomes da Petrobras…

Mesmo assim, a CGU foi abrir sindicância só em novembro, 17 dias depois de realizado o segundo turno. Para lembrar. A VEJA publicou reportagem em fevereiro do ano passado informando que auditoria interna da SBM havia encontrado indícios de pagamento de propina a funcionários da Petrobras. Lá já se podia ler:
“O esquema de corrupção no Brasil, de acordo com a investigação interna, era comandado pelo empresário Julio Faerman, um dos mais influentes lobistas do setor e dono das empresas Faercom e Oildrive. Ele assinava contratos de consultoria com a SBM que serviam para repassar o dinheiro de propina para diretores da Petrobras. Essas consultorias previam o pagamento de uma ‘comissão’ de 3% do valor dos contratos celebrados entre a SBM e a Petrobras – 1% era destinado a Faerman e 2% a diretores da petrolífera brasileira.”

Em março do ano passado, um mês depois da reportagem, a então presidente da Petrobras Graça Foster anunciou que uma auditoria interna não encontrara nada de errado. Nesse mês, foi deflagrada a Operação Lava Jato. No começo de novembro, o Ministério Público da Holanda anunciou que a SBM havia sido multada naquele país em US$ 240 milhões em razão de propinas pagas mundo afora, INCLUSIVE NA PETROBRAS.

Só no dia 17 de novembro Graça Foster veio a público para admitir que, de fato, havia indícios de corrupção. Segundo ela, estava com essa informação desde meados do ano… E não falou pra ninguém. Agora se descobre que a CGU também amoitou a informação. A mesma CGU que negocia com a SBM um acordo de leniência…

Prestem atenção a este trecho da entrevista (em azul).

O sr. esteve com Faerman?
Várias vezes. Julio Faerman não era um agente independente. Ninguém da Petrobras falava com a SBM sem ele. Era altamente íntimo do esquema no Brasil, e atuava com seu filho Marcello e o sócio Luiz Eduardo Barbosa.

CGU, SBM e Petrobras admitiram irregularidades somente em 12 de novembro.
A única conclusão que posso tirar disso é que essas partes queriam proteger o Partido dos Trabalhadores e a presidente Dilma ao atrasar o anúncio dessas investigações para evitar um impacto negativo nas eleições. Para a SBM, era importante ter uma sobrevida com os contratos no Brasil. É minha opinião.

O sr. aceitaria colaborar com a CPI no Congresso?
Claro. Provavelmente, se tudo isso tivesse sido descoberto mais cedo, Dilma Roussef não seria presidente.

Que tipo de documentos o sr. tem e entregou?
Tenho, por exemplo, uma gravação de Hanny Tagher (ex-dretor da SBM) de uma reunião de 27 de março de 2012. Quando perguntado por Bruno Chabas (CEO) sobre Julio Faerman, Tagher explica quem é e o que fazia. Disse que, dos pagamentos feitos pela SBM para comissões, 1% ficava com o Faerman, e a outra parte, 2%, iria para a Petrobras. E eu perguntei então para ele, na gravação: “Petrobras?”. Ele responde “Sim”.

Volto
Para encerrar: segundo Pedro Barusco, a SBM doou US$ 300 mil para a campanha de Dilma, em 2010, de forma irregular. Faerman teria sido o intermediário. O mais impressionante é que a CGU confirma a versão de Taylor, inclusive a data da entrega dos documentos. Para ela, no entanto, aqueles ainda não constituíam os “indícios mínimos”. Reitero: a Controladoria-Geral da União é um órgão subordinado à Presidência da República. Dilma tenta se afastar da crise, mas a crise não se afasta dela porque é perseguida pelos métodos a que seu partido recorreu, inclusive para elegê-la e reelegê-la.


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Blog do Josias

Eduardo Cunha: ‘Sociedade tem repulsa do PT’

As relações de Eduardo Cunha com o petismo azedaram de vez. O presidente da Câmara atribuiu ao PT e à CUT o protesto que o impediu de discursar na Assembleia Legislativa da Paraíba, na sexta-feira. Neste sábado, Cunha reproduziu nas redes sociais entrevista que havia concedido na saída do legislativo paraibano. Nela, foi ao ataque.

Disse, por exemplo, que o PT desperta “repulsa” na sociedade. E chamou a CUT de “braço sindical pelego”. Acusou a central sindical de remunerar manifestantes. “O PT não vai constranger o PMDB pelo país”, disse o deputado a certa altura. “O PMDB não vai aceitar ser constrangido pelo PT. Esse é o recado que nós estamos dando.”

Um repórter quis saber se o vice-presidente Michel Temer, novo coordenador político do governo, respalda as posições de Cunha. E o deputado: “Vossa Excelência pergunte a ele.”

A viagem de Cunha à Paraíba integrou um programa batizado de “Câmara Itinerante”. A pretexto de debater temas como a reforma política, o deputado voará para todos os Estados. Já havia sido hostilizado em São Paulo e Porto Alegre. Em João Pessoa, manifestantes vaiavam, sopravam apitos e brandiam cartazes com a expressão ‘Fora Cunha’. E ele: “O PT mostra sua intolerância em todos os locais.”

Cunha acrescentou: “O PT faz movimentações orquestradas, utilizando seu braço sindical, que deveria estar quinta-feira na CPI, onde estava o tesoureiro do PT [João Vaccari Neto] prestando esclarecimentos sobre corrupção na Petrobras. Esses movimentos deveriam estar lá, contestando e cobrando a apuração da corrupção, e não estar tentando impedir o debate da reforma política.”

O presidente da Câmara vinculou a manifestação da Paraíba ao projeto sobre trabalho terceirizado, cujo texto-base acaba de ser votado e aprovado pela grossa maioria dos deputados, mesmo sob o cerco da CUT. “Esse braço sindical pelego que está aqui, movimento pago, orquestrado, como foi em Brasília. Pessoas recrutadas nas periferias de Brasília a R$ 45 por pessoa”, disse.

Prosseguiu: “Nesse projeto que foi aprovado, que os destaques [emendas] vão ser aprovados na terça-feira, que o PT e a CUT se opõem com radicalização, os trabalhadores têm 80% dos artigos reconhecendo os seus direitos. Então, quem diz que o projeto de terceirização é contra o trabalhador quer enganar o trabalhador, quer usar uma bandeira política para desvirtuar o verdadeiro sentimento que a sociedade está tendo de repulsa com o PT. Essa é que é a verdade.”

Cunha mencionou propostas que pretende aprovar contra a vontade do petismo. Além da terceirização, citou redução da maioridade e uma reforma política dos sonhos do seu PMDB, não do PT. Insinuou que o partido de Dilma Rousseff recebeu dinheiro por baixo da mesa no escândalo da Petrobras.

“O PT defende financiamento público de campanha, mas no ano em que não teve eleição, arrecadou R$ 83 milhões. O tesoureiro do PT nao pôde responder a perguntas sobre acusações de que o PT recebeu oficialmente qualquer tipo de contribuição indevida. Então, se o PT defende financiamento público, não deveria ter recebido privado.” Como se vê, será espinhosa a missão atribuída por Dilma a Michel Temer de pacificar o condomínio.

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Ratocracia!



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Os brasileiros começaram a cortar gastos com comida
Ricardo Noblat

Deixar de comprar o carro que tanto ambicionava, dói. Mas passa. Deixar de comprar eletrônicos, como um novo modelo de celular, por exemplo, também dói. Ainda assim passa. O duro é cortar no que se come.

Isso já começou a acontecer com os brasileiros, segundo pesquisa de mercado feita pelo consultoria Nielsen, especializada em consumo.

Come-se menos pão, macarrão, peixe enlatado e açúcar. Até o iogurte, símbolo da prosperidade da classe C, come-se menos.

Na média, noticia O Estado de S. Paulo, as compras de alimentos ficaram praticamente estáveis nos três primeiros meses deste ano, registrando-se uma queda de apenas 0,1% se comparado ao mesmo período do ano passado.

Ocorre que o mercado estava costumado a fortes altas nos últimos 12 anos de governos do PT. Nos primeiros três meses de 2004, as vendas cresciam nessa época do ano 5,9%.

Causas do aperto do cinto? Inflação e medo do desemprego.

No país da propaganda de Dilma durante a campanha eleitoral, nada disso aconteceria. Nada.


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Blog do Noblat

O governo apodreceu. Cheira mal!
Ricardo Noblat

Astuciosos, esses procuradores da República que investigam corrupção no governo. E gozadores.

Quando os políticos em geral, e alguns em particular, pensavam que haviam sido deixados em paz, uma nova fase da Operação Lava-Jato, com o nome de “Origem”, resulta na prisão de três ex-deputados.

Um deles, Pedro Corrêa (PP-PE), já cumpria prisão domiciliar por ter sido condenado como mensaleiro.

A prisão de Pedro reforça o que a Lava-Jato deixa transparecer desde o seu início: o que muitos preferem chamar de “petrolão” é filho legítimo do mensalão.

O parentesco resta provado porque a origem dos dois escândalos é a mesma – o pagamento de propinas para políticos e o financiamento de campanhas eleitorais. Ou o Caixa 2 dos partidos.

Há muito mar ainda a ser navegado, segundo um dos procuradores. A Lava-Jato está mal começando.

A presidente Dilma, como de hábito, precipitou-se e, anteontem, em visita a Duque de Caxias, no Rio, anunciou que acabara a limpeza na Petrobras. Que a empresa havia se livrado dos que a assaltaram.

Pois sim. Só quem pode dizer que acabou a sujeira na Petrobras é quem a investiga. Dilma não manda no Ministério Público.

Curioso é que ela tenta vender a ideia de que só aparece corrupção porque seu governo se dedica a combatê-la. Mas logo que pode, tenta abortar investigações que lhe são incômodas.

Somente nesta semana, o governo conseguiu abortar a instalação de duas CPIs no Congresso destinadas a apurar suspeitas de corrupção em fundos de pensão e no BNDES.

Ora, porque o governo agiu assim? Por que sabota a CPI da Petrobras? Por que sabotou no ano passado duas CPIs da Petrobras?

Roubalheira na Petrobras. Na Receita Federal. No Ministério da Saúde, Na Caixa Econômica Federal.

O governo apodreceu. Cheira mal.

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Para Marco Aurélio, ‘não tem cabimento’ consultar Renan sobre a vaga no STF

O ministro Joaquim Barbosa pendurou a toga há oito meses e 11 dias. E Dilma Rousseff ainda não indicou um substituto. É o prazo mais longo de todos os tempos. Nenhum outro presidente havia demorado tanto para exercer o seu poder de escolha. “Essa demora é uma extravagância ímpar”, criticou o ministro Marco Aurélio Mello, vice-decano do STF. “Para mim, como cidadão e integrante do Supremo, é algo injustificável. Vejo isso como um menoscabo [desprezo] institucional do Executivo em relação ao Supremo.”

Entre as pessoas que Dilma consulta antes de tomar sua decisão está o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Ele responde a inquérito no STF por suspeita de envolvimento no escândalo da Petrobras. “Um presidente da República tem uma enorme liberdade de escolha. Não tem cabimento consultar e ficar querendo atender ao presidente do Senado”, disse Marco Aurélio, sem entrar no mérito dos indícios que pesam contra Renan. O ministro considera incabíveis também consultas ao presidente do Supremo.

Entre os nomes cogitados por Dilma, há pelo menos três ministros do Superior Tribunal de Justiça: Benedito Gonçalves, Luis Felipe Salomão e Mauro Campbell. Em conversa com o blog, Marco Aurélio informou que a demora de Dilma fez surgir “uma disputa interna” entre os cotados do STJ. Algo que já virou “uma verdadeira autofagia''. No dizer do ministro, “pipocam notícias ruins contra um, contra outro. São pessoas ligadas querendo minar a caminhada uns dos outros.”

Afora os ministros do STJ, o cardápio de opções de Dilma inclui o advogado paranaense Luiz Edson Fachin. De acordo com auxiliares da presidente, seria o nome da sua predileção. “É muito preparado, da área acadêmica”, avaliou Marco Aurélio. Mas Renan parece preferir o atual presidente da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coêlho. Seja quem for, será necessário aprovar o nome no Senado —primeiro na Comissão Constituição e Justiça. Depois, no plenário. Daí a preocupação em sondar os humores do investigado Renan.

O pedaço do PMDB que faz cara feia para Dilma ameaça apresentar uma proposta de emenda à Constituição fixando prazo de 90 dias para que os presidentes da República preencham as vagas abertas no Judiciário, no Ministério Público e nas agências reguladoras. Sob pena de responder por crime de resposabilidade e transferir para o Senado a prerrogativa da escolha.

Marco Aurélio discorda dessa proposta. “Seria a certidão de desprezo do Executivo para com o Judiciário”, ele disse. “O que tem que haver é uma compenetração do Executivo para indicar os nomes num período razoável. Devemos manter o sistema como está. Mas que cada qual atue observando o figurino. E o figurino direciona a decisão para uma indicação em período razoável. Considero bastante razoável o prazo de 30 dias.”

Para Marco Aurélio, “o que está acontecendo hoje é impensável.” Segundo ele, a demora de Dilma “acaba sobrecarregando os ministros.” Quando o Supremo está com sua composição completa, os processos que ingressam no tribunal são divididos entre dez ministros (o presidente não entra no rateio). “Com um número menor de integrantes, vai uma quantidade maior de processos par cada qual. Estamos recebendo os processos que o colega não-nomeado poderia estar recebendo”, lamentou o ministro.

De resto, o STF foi concebido para funcionar com um número ímpar de magistrados, de modo a evitar o empate. Em julgamento recente sobre a constitucionalidade de uma lei de Minas Gerais registrou-se o empate: quatro votos a favor, quatro contra. Dois ministros estavam ausentes. Marco Aurélio criticou Dilma diante das cameras da TV Justiça: “Vejam como é nefasto atrasar-se a indicação de quem deve ocupar a cadeira”. O decano Celso de Mello ecoou-o: “Essa omissão irrazoável e abusiva da presidente da República já está interferindo no resultado dos julgamentos.”

Dilma acenara com a hipótese de fazer a indicação do novo ministro do STF na semana passada. E nada. Dias atrás, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) deu de ombros para as críticas. “Há uma demora, mas uma demora que eu diria boa, porque é uma demora para uma boa escolha.'' Marco Aurélio pensa de outro modo. “Se para escolher um integrante do Supremo demora tanto, o que o cidadão imagina quanto aos outros atos que compõem a administração pública?”.

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Faltou à prisão de André Vargas o braço erguido

O ex-deputado federal petista André Vargas foi preso em Curitiba. A imagem de sua chegada à carceragem da Polícia Federal, prostrado no banco traseiro do carro, contrasta com uma outra cena, captada no plenário do Congresso em fevereiro de 2014. Numa sessão de início de legislatura, Vargas ergueu o braço, com o punho cerrado, numa provocação ao então presidente do STF, Joaquim Barbosa, acomodado do seu lado. A comparação das duas cenas diz muito sobre o Brasil —ex-país do futuro, atual país do faturo.

“A gente tem se cumprimentado assim”, dissera aquele André Vargas de um ano atrás. “Foi o símbolo de reação dos nossos companheiros que foram injustamente condenados. O ministro [Barbosa] está na nossa Casa. Ele é um visitante, tem nosso respeito. Mas estamos bastante à vontade para cumprimentar do jeito que a gente achar que deve.''

Nessa época, André Vargas era do PT, ocupava a vice-presidência da Câmara, destacava-se como fervoroso defensor da bancada dos mensaleiros da Papuda e discursava a favor controle da imprensa. Hoje, sem partido, ele é deputado cassado, acaba de virar detento, terá de defender a si próprio e está de ponta-cabeça nas manchetes da imprensa que desejava manietar. O que deu errado? Simples: o PT não aprendeu a lição. E estimulou a desfaçatez de gente como o companheiro Vargas.

Para Lula o mensalão não passou de “uma farsa”. Para Rui Falcão, presidente do PT, o STF rendeu-se a pressão da mídia golpista. Condenados, Dirceu, Genoino, João Paulo e Delúbio viraram “guerreiros do povo brasileiro.” Submetido a essa atmosfera de glorificação do crime, o companheiro André Vargas sentiu-se à vontade para estreitar relaçõe$ com pessoas como o doleiro Alberto Youssef.

Numa troca de mensagens capturada pela Polícia Federal, Youssef soou asfixiado: “Tô no limite. Preciso captar.” O amigo André Vargas respondeu, solícito: “Vou atuar.” Atuou tanto que se tornou merecedor de mimos como o jatinho que Youssef alugou para que o amigo voasse com a família para um passeio em João Pessoa. E prosperou.

O petrolão mostra que muitos outros atuaram. E André Vargas não quis ficar para trás. Diversificou as atividades de sua mão. Fechada, a mão arrematava o punho cerrado que ofendia Joaquim Barbosa e a lógica. Aberta, enfiava-se no bolso dos brasileiros. A julgar pela forma como a corrupção se generalizou, ainda tem muito revolucionário atuando. Assim, quando alguém do teu lado cerrar o punho em defesa do interesse nacional e dos injustiçados, cuidado com a carteira.

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Ratos!



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FHC: “Saída para o Brasil passa por protestos”

No Estadão:
Ao fazer um diagnóstico sobre o atual momento político brasileiro, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso criticou a capacidade de liderança de Dilma Rousseff. A escolha do vice-presidente Michel Temer (PMDB) para comandar a articulação política do governo é um sinal, segundo o tucano, de que a presidente está com a capacidade de liderança “muito abalada”.

“Nós estamos, por circunstâncias, em um momento em que capacidade de liderança da pessoa que ocupa a Presidência está muito abalada.”, criticou. “Tanto que entregou a chave do cofre para alguém que pensa o oposto (Joaquim Levy). E entregou para ele fechar o cofre, ela não pode mexer mais no cofre. E agora entregou o comando político a outro que também pensa diferente, para outro partido”, completou, falando de Michel Temer.

Em palestra na manhã desta sexta-feira, 10, para uma plateia formada por empresários e trabalhadores do setor de tecnologia, FHC foi aplaudido diversas vezes quando criticava o governo. O tucano classificou a situação atual do Brasil como “delicada”. “Neste momento a saída passa pelos protestos de rua, pela justiça funcionar e a mídia dizer o que está acontecendo. Ampliar a informação, não fazer conchavo, não fazer conciliação”, disse o ex-presidente, amenizando, em seguida, a afirmação. “Mas em algum momento sempre tem de haver algum acordo. A sociedade não funciona em pé de guerra o tempo todo”, disse, emendando que tal acordo “não pode ser embaixo do pano”.

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Segundo Youssef, Padilha foi à casa de Vargas, o preso desta sexta, para negociar acordo de laboratório de fachada com Ministério da Saúde

Então… É claro que Alberto Youssef, o doleiro que era um dos donos do Labogen, o laboratório de fachada que lavava dinheiro, pode estar mentindo. Mas vamos pensar: por que ele o faria? Com que propósito?

Em depoimento à Polícia Federal, no fim de março, Youssef afirmou que Alexandre Padilha, à época ministro da Saúde, encontrou-se com o então deputado André Vargas (PT-PR), em 2013, para tratar do acordo do Labogen com o ministério. O doleiro afirmou que ele próprio esteve presente à reunião, ocorrida no apartamento funcional de Vargas, em Brasília. Pedro Argese, diretor do Labogen, também estava lá. Relembro: Padilha assinou o contrato firmado com o “laboratório” como… testemunha!

Indagado pela Folha a respeito da afirmação de Youssef, o ex-ministro da Saúde, hoje secretário de Relações Governamentais da Prefeitura de São Paulo, disse não ter registro de encontro nenhum. O modo como os petistas se safam de questões assim dá o que pensar. Observem que Padilha não nega, de forma peremptória, que o encontro tenha existido. Ele apenas não tem registro… Ah, bom!

Sabem o que é mais curioso? Quando o Labogen assinou o contrato com o Ministério da Saúde, com Padilha como testemunha, a “empresa” já tinha a ficha suja na pasta. A Anvisa já havia determinado duas multas ao laboratório-lavanderia de Youssef. Mas não havia conseguido aplicar a punição porque não encontrou a empresa no local informado à Receita. Nem poderia, não é mesmo?

Ademais, como esquecer este vídeo gravado em 2010?  Sabem como é… Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito.

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É preciso que a gente se lembre quem era Vargas no PT e seus outros vínculos com o Ministério da Saúde. Ou: A cada enxadada, uma minhoca

Que coisa!

As investigações ainda estão em curso, claro! Não se vai aqui condenar ninguém porque imprensa não é tribunal. Mas, ora vejam, as peças se encaixam. E o que se dizia à boca miúda agora ganha concretude. Vamos lá.

A Agência de publicidade Borghi/Lowe mantinha contratos com a Caixa Econômica Federal, cujo presidente era o petista Jorge Hereda, e com o Ministério da Saúde, cujo titular era o também petista Alexandre Padilha, hoje secretário de Relações Governamentais de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo.

Atenção para uma informação relevante para entender o imbróglio. Existe uma prática no mercado publicitário chamada “bonificação por volume” ou “bônus por volume”. Em que consiste? Os meios de comunicação oferecem descontos para as agências, e estes se transformam numa fonte adicional de ganhos para elas. Não é uma prática regulamentada — e, por isso mesmo, é passível de fraude quando se juntam empresas públicas e pessoas desonestas.

O que o Ministério Público e a Polícia Federal descobriram? Que a agência Borghi/Lowe repassava a empresas de fachada de André Vargas, ex-deputado do PT, 10% do valor dos contratos de publicidade que mantinha com a CEF e com o Ministério da Saúde. Tudo a título de bonificação de volume. Ou por outra: o suposto desconto dado pelos meios de comunicação para veicular a propaganda nem era revertido em benefício dos dois entes estatais nem ficava com a agência, como é o corriqueiro. Ia parar, segundo a investigação, no bolso de André Vargas e de seu sócio e irmão, Leon Vargas. Ou por outra: não era bonificação coisa nenhuma, mas simples intermediação ilegal. Desde 2011, a Borghi/Lowe recebeu só do Ministério da Saúde R$ 112,8 milhões.

Muito bem! Agora nós temos de lembrar quem é André Vargas. O homem era nada menos do que vice-presidente da Câmara — e, pois, do Congresso Nacional — até ser colhido numa conversa mais do que suspeita justamente com o doleiro Alberto Youssef, que lhe havia fretado um jatinho para passar as férias com a família. E ali estava apenas o fio da meada. Vargas era um figurão do PT. Nos planos do partido, seria ele agora o presidente da Câmara.

Não só! Foi o secretário de Comunicação do PT no auge da guerra que o partido declarou contra o que chamava, então, de imprensa golpista, que vem a ser a imprensa independente. Em 2010, para vocês terem uma ideia, lançou um grito de guerra contra uma peça publicitária em que a Globo comemorava seus 45 anos. Segundo o homem, tratava-se de propaganda subliminar em favor do PSDB. Vargas era o grande maestro das baixarias veiculadas pelos blogs sujos.

Vargas sempre teve muita intimidade com o Ministério da Saúde. O Labogen, laboratório de fachada que pertencia a Alberto Youssef e que nunca havia produzido um comprimido, conseguira fechar um contrato com o Ministério da Saúde no valor de R$ 31 milhões para o fornecimento de citrato de sildenafila, o princípio ativo do Viagra, substância também indicada para combater a pressão alta pulmonar. Havia entendimentos para a produção de outros medicamentos que chegavam a R$ 150 milhões. Tão logo Youssef foi preso e o caso veio à luz, o Ministério da Saúde anunciou a suspensão do contrato e uma sindicância. Nota: Alexandre Padilha, então ministro, assinou o acordo como testemunha.

Descobriu-se depois que Vargas havia sido o lobista do Labogen nesse contrato. Youssef chegou a dizer ao então deputado que aquele acordo representava a sua, de Vargas, independência financeira. Ah, sim: gravações da Polícia Federal que vieram a público evidenciaram que foi Padilha quem indicou um certo Marcus Cezar Ferreira da Silva para diretor do Labogen — que, ficou provado, só servia para a lavagem e remessa de dinheiro ao exterior.

Encerro com uma expressão lá da minha terra, a gloriosa Dois Córregos, no interior de São Paulo: a cada enxadada, uma minhoca. Onde quer que o PT atue, onde quer que o partido tenha fincado raízes, onde quer que tenha implementado seus métodos, não há possibilidade de errar: basta fincar a enxada e se acha o que a gente sabe estar lá, com absoluta certeza.

Os brasileiros já não aguentam mais!


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Blog do Reinaldo Azevedo

Delator muda a versão e agora diz que não houve superfaturamento nas obras da Petrobras. E agora?

Xiii… E agora, hein? Reportagem na Folha desta sexta informa que Paulo Roberto Costa mudou a versão que apresentou em seu acordo de delação premiada e agora nega que as obras da Petrobras tenham sido superfaturadas. A novidade está na petição apresentada à Justiça nesta quinta pelo advogado João Mestieri, segundo quem se está apenas corrigindo um equívoco.

Calma lá! Em depoimento do dia 2 de setembro, Costa foi taxativo: acusou as empresas de impor um sobrepreço às obras da ordem de 3% para convertê-los em propina. Costa nega também que ele e o doleiro Alberto Youssef recebessem uma lista com as obras e as empresas que as tocariam. “Isso nunca aconteceu”, afirma Mestieri.

O advogado tenta jogar tudo nas costas de um mal-entendido. Segundo ele, seu cliente sempre quis dizer que, se uma empreiteira cobrava por uma obra 15% acima do preço básico, ela podia repassar ao esquema 3%, baixando, então, seu lucro para 12%. Como é que a coisa vai ficar? Vamos ver. A delação de Costa já foi homologada pelo STF.

Vejam só: essa versão, se verdadeira, desmonta a tese do cartel de empreiteiras, na qual se assenta a apuração do Ministério Público. Eu não sei se ele está mentindo antes ou agora. Se a coisa se deu como ele diz, ganha força a versão de que havia um esquema mais parecido com achaque.

O que acontece com um acordo de delação premiada caso se constate que o beneficiário mentiu? Ele perde o tal benefício. Depois de tanto crime admitido, Costa deve ficar uns dois ou três anos em regime semiaberto e pronto! Será um homem livre.

O que teria levado o ex-dretor de Abastecimento a mudar a versão? Está aberta a temporada de hipóteses e suposições conspiratórias. Como a nova narrativa é obviamente mais favorável às empreiteiras, não faltará quem veja aí o dedo das ditas-cujas. Bem, meus caros, vocês sabem muito bem que sempre contestei a tese do cartel por uma razão técnica: quando se tem uma única fonte contratadora e pagadora, falar em cartelização é forçar demais o terreno dos conceitos, não é? E ISSO NÃO QUER DIZER — NEM NUNCA QUIS DIZER — QUE AS EMPREITEIRAS NÃO POSSAM TER COMETIDO OUTROS CRIMES. E os cometeram. Afinal, a dinheirama devolvida por Costa e Pedro Barusco, por exemplo, saiu de algum lugar: e a gente sabe de onde.

De novo: não sei qual Paulo Roberto está mentindo, se o de agora ou o de antes. Considerando a sua trajetória e a sua desenvoltura no mundo do crime, é possível que nenhum dos dois diga a verdade inteira. Essa nova versão, no entanto, me parece mais compatível com a ordem dos fatos.

“Ah, mas então as empreiteiras não embutiam o custo-propina na obra?” É muito provável que sim, mas não, creio, numa espécie de grande concertação. O mais provável é que, na estrutura que unia achaque, compadrio e colaboração mutuamente criminosa, cada uma delas fizesse com os operadores seus próprios e respectivos negócios.

A tese central do Ministério Público tem como seu principal pilar a formação de cartel, o que está sendo negado por um dos dois principais delatores. O outro, Alberto Youssef, já o havia feito na prática. Na defesa que apresentou de seu cliente no dia 28 de janeiro, o advogado Antonio Figueiredo Basto escreveu que “agentes políticos das mais variadas cataduras racionalizaram os delitos para permanecer no poder, pois sabiam que, enquanto triunfassem, podiam permitir e realizar qualquer ilicitude, na certeza de que a opinião pública os absolveria nas urnas”. Em suma: Youssef foi um serviçal de um projeto de poder. Não era o líder de nada. O texto prossegue: “Não é preciso grandes malabarismos intelectuais para reconhecer que o domínio da organização criminosa estava nas mãos de agentes políticos que não se contentavam em obter riqueza material, ambicionavam poder ilimitado com total desprezo pela ordem legal e democrática, ao ponto de o dinheiro subtraído dos cofres da Petrobras ter sido usado para financiar campanhas políticas no Legislativo e Executivo”.

Para quem ainda não entendeu: quando Costa, na prática, nega a formação de cartel, sai reforçada a tese de que a ladroagem que operou na Petrobras tinha como epicentro a questão política, que era a fonte de onde emanava, então, a demanda pela esbórnia. Assim, agora, as versões de Costa e de Youssef são mais compatíveis.

Estamos diante de um caso interessante: ou o MP renuncia à tese do cartel e mantém a delação premiada de Costa, ou conserva a sua versão da cartelização, mas suspende o benefício concedido ao ex-diretor da Petrobras. Ele não pode ser beneficiado negando aquela que o MP considera ser a essência do crime: o cartel. Ou estaria mentindo.

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Temer se reúne com o decadente coronel do PT

É claro que parece piada, mas é verdade. A primeira tarefa do vice-presidente da República, Michel Temer, na coordenação política do governo foi falar com o maior coronel do Brasil: Luiz Inácio Lula da Silva. Sabem o que ele foi fazer? Discutir com o decadente chefão petista a distribuição de cargos de segundo escalão. Que Temer debatesse o assunto com Rui Falcão, presidente do PT, vá lá… Mas com Lula? Por quê?

Ora vejam, senhores! Se o Babalorixá de Banânia cuida até disso, como aceitar aquelas versões fantasiosas de que nunca sabe de nada quando o partido é flagrado operando pesadas ilegalidades? Sim, eu sei, quase ninguém acredita nessa patacoada. Apenas apresento mais um elemento para que não se acredite mesmo.

É bom que não se perca de visto um dado importante nessa história. A presidente Dilma já anda a precisar de um intermediário para conversar com seu antecessor e, até outro dia, mentor político. O mesmo se diga na relação com o PT, que não vive o seu melhor momento. Não deixa de ser uma discreta boa notícia. Sempre que petistas de desentendem, aumenta a chance de se produzir algum esclarecimento.

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Petrobras estima propina de até R$ 6 bilhões

Por Natuza Nery, na Folha:
A Petrobras estima que o cálculo de perdas com o esquema de corrupção na estatal ficará entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões. A conta atinge todos os contratos e aditivos firmados com as empresas citadas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, e deve constar do balanço de 2014.

Conforme a Folha apurou, o valor próximo a R$ 6 bilhões corresponde a 3% dos ativos suspeitos de algum tipo de desvio. Trata-se do percentual mais alto relatado nas delações premiadas feitas por ex-executivos e empresários suspeitos de envolvimento em irregularidades.

Segundo pessoas que atuaram na revisão dos contratos, a conta de “pagamentos indevidos” é conservadora justamente para mostrar aos investidores que a Petrobras não está disposta a esconder prejuízos e, portanto, merece ter seu balanço auditado e aprovado pela PwC.

A empresa quer apresentar seus demonstrativos financeiros até o dia 20 e, assim, colocar um ponto final na novela que se arrasta desde 31 de outubro de 2014, quando a PwC se recusou a assinar o resultado do terceiro trimestre de 2014, porque altos executivos que assinariam a prestação de informações ficaram sob suspeita.

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Dilma chega aos 100 dias sofrendo de ‘Levydependência’ e rendida ao PMDB

No dialeto dos economistas, a palavra meltdown é usada para descrever a situação terminal de economias que fogem ao controle e derretem. O termo foi adaptado. Na versão original, serve para designar usinas nucleares que se autodestroem quando seus reatores entram em combustão. Na noite passada, um ministro readaptou a expressão para traduzir o estágio atual do segundo governo de Dilma Rousseff. A presidente chega à marca dos cem dias em meio a um processo de meltdown. Impotente, ela assiste ao derretimento do seu poder.

Na economia, Dilma já havia acomodado o futuro de sua gestão nas mãos de tesoura de Joaquim Levy, que se dedica na Fazenda a desfazer a ilusão de estabilidade vendida pelo petismo na campanha presidencial do ano passado. Na política, a semana terminou com Dilma jogando tudo para o alto e se entregando a Michel Temer. A articulação com o Congresso migrou da Casa Civil de Aloisio Mercadante para o gabinete do vice-presidente da República. A plateia ficou com a impressão de que caberá ao PMDB decidir se Dilma vai derreter ou não.

Ao empossar-se no segundo mandato, em janeiro, a presidente reeleita ainda alimentava a ilusão de que presidiria. Na economia, demorou a expressar em público o apoio às medidas amargas do ajuste fiscal de Joaquim Levy. Na política, cercou-se de conselheiros petistas, desprezou Temer e adotou um plano para minar o poderio dos peemedebistas. Terminou sitiada pelo PMDB, que acomodou Renan Calheiros e Eduardo Cunha nas presidências do Senado e da Câmara. Encrencada na Operação Lava Jato, essa dupla se dedica a emboscar o governo e a empinar projetos com algum apelo popular.

Cavalgando a insatisfação dos partidos governistas com a autossuficiência de Dilma, Renan e Cunha tornaram, por assim dizer, irrelevantes os partidos de oposição. Que se desdobram para retomar o protagonismo. Nesta quinta-feira, os líderes oposicionistas na Câmara recorreram à ironia para demarcar a ultrapassagem da data mágica dos cem dias. Os deputados Mendonça Filho (DEM), Carlos Sampaio (PSDB) e Rubens Bueno (PPS) divertiram-se ao redor de um bolo preto com inscrições cáusticas em vermelho: “Sem Dias de Dilma 2”.

Responsável pela encomenda do bolo, Mendonça Filho elevara o tom desde a véspera. “A presidente abriu mão de governar”, dissera o líder do DEM, no calor do anúncio de que Dilma terceirizara a articulação política do Planalto a Temer. “É preciso que alguém avise que, constitucionalmente, ela ainda está na chefia do governo. Dilma terceirizou tudo, a economia e a política.”

O senador Aécio Neves, presidente do PSDB, adotou o mesmo tom: “A presidente fez uma renúncia branca. Ela não renunciou ao cargo, mas renunciou ao governo. Esse é o fato concreto. Nós vamos ter que viver a partir de agora essa nova experiência do presidencialismo sem presidente.”

Sob denúncias de corrupção e com a gestão tisnada pelo envelhecimento precoce, Dilma não usufruiu da trégua que costuma ser concedida a todo governante em início de mandato. Foi bombardeada até por Lula que, em privado, desanca sua administração e se queixa de não ser ouvido. As críticas aumentaram na proporção direta da queda da popularidade de Dilma, hoje uma presidente minoritária, aprovada por apenas 13% dos brasileiros, segundo o Datafolha.

Nunca um governo começara assim, tão por baixo. No alto mesmo, apenas os juros, a inflação e a temperatura do asfalto. A exemplo do que sucedera às vésperas dos protestos de 15 de março, Dilma atravessa uma fase de TPM —tensão pré-manifestação. As redes sociais convocam um novo ronco para este domingo (12). Mãos postas, a presidente e seus auxiliares rezam para que menos gente desça ao meio-fio. Sob pena de apressar o meltdown.

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Dilmalabares!



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Temer é a última bala de Dilma para evitar o fim antecipado do seu governo
Ricardo Noblat

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP), está feliz. E não é para menos.

Passou os últimos quatro anos sem que a presidente Dilma Rousseff lhe desse a menor importância.

Em pelo menos duas ocasiões, teve que invocar sua condição de vice-presidente para exigir respeito de chefes da Casa Civil.

E de uma hora para a outra, como o seu colega de partido Eliseu Padilha (PMDB-RS) recusou convite de Dilma para assumir a articulação política do governo, sobrou para Temer assumir.

Assumiu porque Dilma lhe fez um apelo desesperado, e porque terá autonomia para exercer o cargo.

Temer é um político experiente. Presidiu a Câmara dos Deputados por três vezes. É também muito hábil e paciente. Sabe ser rápido quando preciso.

Em menos de 72 horas, por exemplo, conseguiu desmontar duas CPIs que não interessava ao governo que funcionassem – a destinada a investigar empréstimos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e a dos Fundos de Pensão.

Reuniu-se com os líderes de todos os partidos, arrancando deles apoio ao ajuste fiscal. Começou a discutir o preenchimento dos cargos do segundo e terceiro escalões do governo. E visitou Lula em São Paulo. Visitará também o ex-presidente Fernando Henrique.

- Delicadamente, Lula disse que talvez eu me saia bem – comentou Temer à saída do encontro.

Talvez?

Lula anda descrente de Dilma. Acusa-a de ser teimosa. E de só seguir seus conselhos quando não tem outro jeito.

No caso da escolha de Temer para a articulação política, de fato Dilma só a consumou porque não teve outro jeito.

- Quando a presidente me pediu (para assumir a articulação), ela disse 'nós somos parceiros, você vai me ajudar a governar' – contou o vice-presidente.

Não deve ter sido fácil para Dilma mostrar-se humilde. É tudo o que ela não é.

A parceria com Temer foi a jogada mais arriscada de Dilma até aqui. Por mais que se desgastasse, ela sempre poderia demitir Joaquim Levy, ministro da Fazenda, arranjando outro para substitui-lo.

Demitir Temer, ela não pode. Poderia tomar-lhe a articulação política. Mas a que preço?

Em 1990, no início do seu governo, o presidente Fernando Collor afirmou que só tinha uma bala para disparar contra a inflação alta – o plano econômico que congelou a poupança dos brasileiros.

Não deu certo. A corrupção no governo encarregou-se de derrubar Collor.

Temer como articulador político do governo significa a última bala disparada por Dilma na esperança de evitar o término precoce do seu governo.

A conferir se dará certo.


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Blog do Coronel

PMDB pedalando e andando para Temer.

(Folha) Um dia após a presidente Dilma Rousseff transferir a articulação política do governo para o vice Michel Temer, a bancada do PMDB na Câmara começou a se movimentar por uma norma que, aprovada, representaria uma nova derrota ao governo: a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que limita a 20 o número de ministérios.

De autoria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o texto começou a ser discutido na manhã desta quarta (8) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Peemedebistas e aliados de Cunha, como o presidente da CCJ, Arthur Lira (PP-AL), ignoraram os apelos de petistas e do líder do governo, José Guimarães (PT-CE), para o adiamento da votação. O escrutínio só foi suspenso porque o plenário começou a discutir o projeto sobre terceirização --comissões não podem deliberar quando há votações no plenário da Casa.

Protagonista de disputas por espaço nos ministérios, o PMDB passou a bancar a proposta em meio a crise com o Planalto. Dos 38 ministérios, o partido controla sete: Agricultura, Minas e Energia, Aviação, Turismo, Pesca, Portos e Assuntos Estratégicos.

Cunha e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não quiseram um peemedebista no comando da articulação política para seguirem atuando com autonomia em relação a Dilma. Eles não foram consultados sobre o papel de Temer. A mudança, avaliam alguns, leva o partido para dentro da crise e ainda coloca em risco o mote da independência, bandeira de Cunha na Câmara.

CPI DO BNDES
No primeiro dia de Temer na articulação política, o Palácio do Planalto conseguiu impedir a criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) no Senado para investigar empréstimos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Após intervenção de membros do governo, seis senadores retiraram suas assinaturas do pedido de CPI, o que inviabilizou a comissão. Todos de partidos aliados do Planalto: Rose de Freitas (PMDB-ES), Ivo Cassol (PP-RO), Otto Alencar (PSD-BA), Omar Aziz (PSD-AM), Zezé Perrella (PDT-MG) e Fernando Ribeiro (PMDB-PA).

Autor do pedido da CPI, Ronaldo Caiado (DEM-GO) promete fazer uma nova ofensiva em busca de assinaturas, especialmente junto aos colegas do PSB, que ainda não decidiram sobre o tema. Entre os empréstimos que seriam investigados pela CPI, está o revelado pela Folha do repasse de US$ 5,2 bilhões para a exportação de bens e serviços para Angola.

A oposição também quer apurar o que chama de "endividamento" do BNDES frente ao Tesouro Nacional. Caiado afirma que, de 2006 a 2014, o saldo da dívida do banco com o Tesouro subiu mais de 4.800%.

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País avança com ampliação da terceirização aprovada pela Câmara.

Enquanto o PT tentava de todas as formas impedir a votação, Dilma negociou vários pontos por intermédio de Joaquim Levy. O PT não manda mais nada e só faz papel de bobo neste governo. Quem comanda a Dilma e, por conseguinte, o país, é o PMDB.
(Estadão) Depois de longas negociações que envolveram o ministro da Fazenda, o secretário da Receita Federal e o presidente da Câmara dos Deputados, o texto base do projeto que regulamenta e estende a terceirização no mercado de trabalho brasileiro foi aprovado na noite desta quarta-feira.

O texto contempla importantes pedidos da equipe econômica do governo Dilma Rousseff, que temia perda de arrecadação, e também pedidos do movimento sindical, que vão na direção contrária dos desejos dos empresários. Mas mantém intacto o grande objetivo do projeto, que é defendido por praticamente todas as associações empresariais do País: com sua aprovação, a lei permitirá a contratação de trabalhadores terceirizados para "atividades-fim" e não mais somente para "atividades-meio", como ocorre hoje.

O texto institui a cobrança de impostos e contribuições federais para empresas contratantes. Hoje apenas as empresas intermediadoras de mão de obra terceirizada é que sofrem essa cobrança. Segundo o projeto, haverá cobrança de 1,5% do Imposto de Renda (IR), de 1% da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), de 3,65% de PIS/Cofins e de 11% do INSS.

Esses impostos e contribuições deverão ser retidos pelas empresas contratantes, exatamente como queria o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid. Também nesta quarta-feira, Rachid almoçou com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e Maia, na residência oficial de Cunha em Brasília, para fechar os últimos pontos. Apesar da vitória da Fazenda, preocupada com a melhora das contas fiscais, a cobrança de FGTS ficou de fora do projeto final. As empresas contratantes devem apenas "fiscalizar" que o FGTS será recolhido pela empresa contratada, isto é, a intermediadora da mão de obra terceirizada.

O projeto final também contempla uma importante medida para os sindicatos, conforme antecipou o Broadcast, serviço de tempo real da Agência Estado, nesta quarta-feira. O artigo 8 do projeto prevê que os trabalhadores terceirizados que passem a atuar na atividade-fim sejam representados pelo sindicato da categoria. Essa alteração não agrada empresários, que desejavam a formatação anterior.

Pelo projeto original, se um terceirizado fosse contratado para exercer a função de metalúrgico numa fábrica de carros, isto é, a "atividade-fim" nesta empresa, ele seria ligado a um sindicato dos terceirizados, que tem menos força e influência do que os sindicatos dos metalúrgicos. Agora, não: se o trabalhador terceirizado exercer a função de metalúrgico, ele será representado por este sindicato; isso valerá para todas as categorias profissionais.

O projeto também prevê a manutenção do salário aos trabalhadores que sejam contratados para a "prestação dos mesmos serviços terceirizados, com admissão de empregados da antiga contratada". O texto começou a ser votado ontem, sob pressão do presidente da Câmara, o principal defensor da medida. Cunha informou que emendas dos parlamentares somente serão discutidas na semana que vem.

Houve grande crítica dos parlamentares contrários ao texto por conta da conduta de Cunha. As galerias da Câmara estavam vazias e nenhum representante da CUT conseguiu entrar no plenário. "Essa Casa fechada é uma vergonha, uma indecência", criticou o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), que teve imediatamente seu microfone cortado por Cunha, que tinha chamado de "vândalos" os militantes da CUT que, na terça-feira, entraram em choque com a polícia em frente ao Congresso.

Subcontratação. O texto final do projeto prevê também que uma empresa contratada como terceirizada pode subcontratar uma outra companhia. O artigo terceiro define a subcontratação como "parcela específica da execução" do que a empresa contratante definiu como função da empresa terceirizada.

O relator determina que essa subcontratação pode ocorrer quando se tratar de "serviços técnicos especializados". O relatório de Maia também determina que no contrato de terceirização deve constar que a empresa contratada deve recolher 4% do valor do contrato como garantia ao pagamento de obrigações previdenciárias e trabalhistas. A garantia, contudo, só deverá ser retida pela empresa terceirizada sobre contratos cujo valor final seja para cobrir no mínimo 50% de gastos com mão-de-obra.

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Dilma diz que propinas da Petrobras não irrigaram as contas de sua campanha

Em entrevista à repórter Patricia Janiot, do canal em espanhol da tevê norte-americana CNN, Dilma Rousseff disse ter “certeza” de que o dinheiro desviado da Petrobras não chegou ao caixa do seu comitê de campanha. A emissora divulgou em seu site um trecho da conversa. Eis o que declarou Dilma ao ser indagada sobre a hipótese de uso de dinheiro sujo no financiamento das despesas do seu comitê:

“Se dinheiro de suborno chegar a alguém, essa pessoa tem que ser responsabilizada. É assim que tem que ser. Eu tenho absoluta certeza que a minha campanha não tem dinheiro de suborno. Isso não significa que eu me coloque acima de qualquer brasileiro, cidadão ou cidadã. Eles têm que prestar contas do que fazem. E eu prestei. Para quem? Para o Tribunal Superior Eleitoral. Entreguei todas as minhas contas de campanha. Elas foram auditadas e foram aprovadas.”

Dilma foi citada em depoimentos de dois delatores da Lava Jato: o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleito Alberto Youssef. Mas o ministro Teori Zavascki, do STF, avalizou o entendimento do procurador-geral Rodrigo Janot, para quem não é possível abrir investigação contra a presidente. Primeiro porque não haveria indícios que justificassem o inquérito. Segundo porque as menções referem-se a fatos da campanha eleitoral de 2010, antes de Dilma ser empossada no primeiro mandato, em janeiro de 2011.

Segundo Janot, a Constituicão, no parágrafo 4º do artigo 86, anota que um presidente da República, no curso do mandato, não pode ser processado por atos não relacionados ao exercício das suas funções. O procurador-geral realçou que essa proibição para a abertura de investigação é uma imunidade temporária. Prevalece enquanto durar o mandato.

O delator Paulo Roberto contou que, em 2010, o doleiro Alberto Youssef lhe trouxe um pedido do petista Antonio Palocci, então coordenador da campanha presidencial de Dilma. Queria que fossem cedidos do caixa de petropropinas do PP, o Partido Progressista, R$ 2 milhões para a camanha de Dilma. Youssef foi autorizado a realizar o repasse. Ouvido, o doleiro negou que tivesse transferido o dinheiro.

Janot requereu ao ministro Teori que devolvesse à primeira instância do Judiciário esse pedaço do processo, para que seja apurada a conduta de Palocci. Foi atendido. Caberá ao juiz Sérgio Moro, que cuida da Lava Jato em Curitiba, perscrutar o suposto elo entre a roubalheira e a caixa registradora do comitê de Dilma-2010.

Dilma foi citada também em depoimento do doleiro Youssef. Ele afirmou que a presidência da Petrobras e o Palácio do Planalto sabiam do propinoduto que drenava verbas da estatal. Seus inquiridores perguntaram a quem se referia quando citava o Planalto. E o doleiro: Presidência da República, Casa Civil e Minas e Energia. Youssef foi aos nomes: Lula, Gilberto Carvalho, Ideli Salvatti, Gleisi Hoffman, Dilma Rousseff, Antonio Palocci, José Dirceu e Edison Lobão.

O procurador Rodrigo Janot avaliou que não há nessa declaração do delator Youssef indícios mínimos de que as autoridades citadas soubessem dos fatos. Na falta de evidências mais explícitas, achou que não seria o caso investigar.

De resto, a Operação Lava Jato alcançou tambem o atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção e lavagem de dinheiro, Vaccari foi convertido em réu pelo juiz paranaense Sérgio Moro, que converteu a denúncia dos procuradores em ação penal. O gestor das arcas do PT terá de responder à acusação de que recebeu propinas provenientes da Petrobras em nome do PT.

Vaccari e o partido não negam o recebimento de verbas de empresas pilhadas no cartel que fraudou licitações na Petrobras. Alegam, porém, que foram doações legais, devidamente informadas à Justiça Eleitoral. A Procuradoria sustenta que parte do dinheiro surrupiado da estatal petroleira foi lavado por meio de supostas doações de campanha. A despeito de tudo isso, Dilma disse à CNN ter “certeza” de que não passaram verbas de má origem pela caixa registradora do seu comitê.

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Escudo do STF vale por strep-tease de Vaccari

Réu num dos processos judiciais sobre a pilhagem detectada na Petrobras, João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT, será inquirido nesta quinta-feira na CPI da Petrobras. Ele se apresentará aos deputados escondido atrás de uma liminar do STF que o autoriza a silenciar e até a mentir para não se autoincriminar. Em termos judiciais, o habeas corpus do Supremo funciona como um escudo para Vaccari. Do ponto de vista político, tem o efeito de um strep-tease.

Arrastado para o banco da CPI por uma manobra que uniu PSDB e PMDB, Vaccari desperdiçou parte de sua agenda nos últimos dias enviando recados. Aos defensores de sua renúncia à tesouraria do PT, respondeu com uma interrogação irônica: se Renan Calheiros e Eduardo Cunha não se afastaram das presidências das duas Casas do Legislativo, por que eu deveria me afastar de um órgão partidário? Aos inquisidores da CPI, mandou dizer que não tem nada a temer. Por isso, não fugiria das perguntas.

Súbito, numa evidência de que a coragem é uma qualidade que escasseia exatamente nos momentos de maior apavoramento, Vaccari achou melhor pedir ao STF que lhe assegurasse o direito constitucional de ser espremido na CPI como réu, não como testemunha. Foi atendido pelo ministro Teori Zavascki. Além de permanecer mudo, se quiser, o gestor das arcas do PT foi dispensado de assinar o termo de compromisso que o obrigaria a dizer apenas a verdade.

O eventual silêncio de Vaccari ecoará na sala da CPI com toda a eloquência do não dito, que por vezes fala mais alto do que a superficialidade do transmitido expressamente. Quanto às meias verdades, o perigo de lançar mão delas é Vaccari dizer exatamente a metade que é mentira. Livra-se da autoincrimanação. Mas arrisca-se a ficar nu diante das lentes da TV Câmera. E nada é mais patético num suspeito do que a nudez que já não espanta ninguém.

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Até aqui tudo bem!



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Michel Temer virou o maior fiador do governo
Ricardo Noblat

Foi dramático o apelo feito pela presidente Dilma Rousseff ao vice-presidente Michel Temer para que ele assumisse a coordenação política do governo. Ela deixou sua natural arrogância de lado.

Os dois estavam no gabinete presidencial do terceiro andar do Palácio do Planalto. Eliseu Padilha, ministro da Aviação Civil, acabara de recusar o convite de Dilma para ser o coordenador.

Na presença de Temer, ela insistiu para que Padilha concordasse em substituir Pepe Vargas (PT-RS), até então o coordenador político. Padilha não quis. Foi embora deixando os dois sozinhos.

Então Dilma olhou para Temer sem disfarçar sua aflição, e disse:

- Só me resta você. Você terá de aceitar a coordenação. Do contrário, o governo poderá não se manter.

Temer perguntou se teria autonomia para exercer a função. “É claro”, respondeu Dilma. Em seguida, ele abordou o preenchimento de cargos do segundo escalão do governo, boa parte deles vazia.

Dilma surpreendeu Temer com a resposta:

- Você cuidará disso. Vamos dividir o governo. Não haverá problemas.

Desse momento em diante, Temer se comportou como se já tivesse no exercício da função de coordenador político. Tudo o mais que propôs, como a extinção da Secretaria que fora de Pepe, Dilma concordou sem oferecer resistência.

Ontem mesmo, Temer começou a tratar do preenchimento dos cargos com os diversos partidos que apoiam o governo.

Garantiu com Dilma a nomeação do ex-deputado Henrique Eduardo Alves para ministro, o que agradará Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.

E a permanência no Ministério do Turismo do afilhado de Renan Calheiros.

Como vice-presidente e, agora, coordenador político do governo, Temer ganhará um protagonismo como nunca teve nos últimos quatro anos.

Resta saber se Dilma saberá conviver com isso.

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Dilma diz ter a certeza de que sua campanha não teve dinheiro de suborno. Sei. Ou: Uma história de lobos maus culpados e de uma Chapeuzinho Vermelho inocente. Ou ainda: Retórica incendiária para embalar trouxas e oportunistas

 A presidente Dilma Rousseff concedeu uma entrevista ao canal CNN em Español e afirmou: “Se dinheiro de suborno chegou a alguém, essa pessoa será responsável. Eu tenho certeza de que minha campanha não teve dinheiro de subornos”. É mesmo? Trata-se de uma entrevista ou de uma corda no pescoço?

E se a evidência aparecer? Ao fazer uma declaração como essa, entendo que Dilma afirma ter ciência de todo o mecanismo que regula o financiamento de sua campanha. Só assim se pode ter “certeza”, né? Caso se demonstre o contrário, só se pode concluir que ela mentiu. Não restará nem o espaço de manobra para dizer “eu não sabia”.

O petrolão é mais um dos escândalos que têm a sua cota de surrealismo. Então se descobre que uma verdadeira organização criminosa operava na Petrobras — e onde mais? —, atrelada, segundo seus próprios operadores e alguns empreiteiros, a financiamento de campanhas eleitorais, muito especialmente as do PT, mas devemos acreditar que a campanha presidencial, justamente a mais importante e dispendiosa, passou incólume pelo esquema de roubalheira e financiamento ilegal.

Por incrível que pareça, quando se coloca tudo na ponta do lápis, o mais perto que a apuração do Ministério Público chegou de Dilma foi por intermédio de Antonio Palocci. Segundo Paulo Roberto Costa, o ex-ministro, um dos coordenadores da primeira campanha eleitoral da agora presidente, lhe pediu R$ 2 milhões, dinheiro que teria sido liberado por Alberto Youssef, que, no entanto, nega o pagamento.

Segundo apuração da revista VEJA, Ricardo Pessoa, dono da UTC, estaria disposto a contar em delação premiada que teria doado R$ 30 milhões, por fora, ao PT em 2014 — R$ 10 milhões desse total teriam ido para a campanha de Dilma. Mas, até agora, o empresário não firmou acordo nenhum com o Ministério Público.

Desde o começo desse troço tenho alertado para o risco — a cada dia mais presente — de que o petrolão seja mesmo tratado como um grande complô de empreiteiras, que decidiram se unir em cartel, para assaltar a Petrobras, com o concurso de um político bandido ou outro.  A demonização dos empresários, que santos não são, segue a todo vapor.

Nesta quarta, ao negar um habeas corpus para José Ricardo Nogueira Breghirolli, um funcionário da OAS, o ministro Teori Zavascki afirmou: “Se este [o delito] for grave, de particular repercussão, com reflexos negativos e traumáticos na vida de muitos, propiciando àqueles que tomam conhecimento da sua realização um forte sentimento de impunidade e de insegurança, cabe ao Judiciário determinar o recolhimento do agente’”.

Pois é…  Aos empresários e associados que financiavam campanhas, nem o habeas corpus. Tudo em nove do sentimento de justiça da sociedade! Aos políticos financiados, até agora, nada! No caso de Dilma, Rodrigo Janot acha que ela não tem nem de ser investigada. Afinal, como ela mesma diz, tem “certeza” de que sua campanha não teve dinheiro de subornos.

É verdade! Essa é uma história de lobos maus culpados e de uma Chapeuzinho Vermelho inocente. Até agora, infelizmente, a narrativa construída se presta a isso, apesar da retórica incendiária de alguns, que serve para embalar trouxas e oportunistas.

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Dilma, o governo terceirizado e a necessidade de os atores políticos buscarem um novo texto e um novo lugar

Afirmei num post desta madrugada que, com a ida de Michel Temer, vice-presidente da República, para a coordenação política, realizava-se, em parte ao menos, o impeachment de Dilma. Afinal, não custa lembrar, é ele o primeiro na linha sucessória caso ela seja impedida. A presidente, assim, terceiriza aquele que é um dos pilares de qualquer governo, mesmo nas democracias mais estáveis: a coordenação política.

Dilma já havia terceirizado a economia, hoje a cargo de Joaquim Levy. É bem verdade que ele está se saindo um liberal ao gosto dos confiscadores de esquerda. Basta ver as mudanças absurdas que propôs no Projeto de Lei das Terceirizações. Uma coisa, no entanto, é fato: Dilma tem hoje na articulação política e na economia duas pessoas que não podem ser demitidas. Sei que parece estranho dizer, mas é fato: no terreno das possibilidades, eles têm o cargo mais garantido do que ela — ainda que se mostre remota a chance de um impeachment.

O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, não exagera quando diz que, ao escolher Temer para a coordenação política e tendo já aberto mão da condução da economia, Dilma executa uma espécie de renúncia branca. E, convenham, não restou mesmo outro caminho à presidente que, há cinco meses, anunciava na campanha eleitoral os novos umbrais do desenvolvimento e da reparação social.

Aquilo que parece ser uma solução engenhosa é, na verdade, a única saída. Ou Temer, o agora todo-poderoso articulador político, não estava alijado das decisões do governo até a semana retrasada? Consequência ou não de sua nomeação, a CPI do BNDES no Senado — com um potencial explosivo, já subiu no telhado. Seis senadores retiraram as assinaturas do requerimento.

Temer dará, e isto é certo, mais estabilidade política ao governo Dilma, o que não quer dizer que o país viverá, na economia, dias melhores — não no curto ou no médio prazos. As tensões decorrentes desse mau momento econômico continuarão, mas talvez tendam a ser algo mais surdo, que vão continuar a corroer o prestígio do governo, de Dilma e do PT.

E será justamente nessa fase que a oposição terá de buscar o seu lugar no jogo político. Por enquanto, a contestação mais evidente e estridente ao governo se dá nas ruas. Até onde ela pode chegar? Ainda voltarei a esse assunto. Uma coisa é certa: esse passivo que o governo Dilma e o petismo estão produzindo terá de virar propostas políticas — e propostas que levem os eleitores a fazer escolhas.

O PMDB está na condução, agora, da articulação política, mas está claro que enxerga uma trilha para tentar ser um protagonista, não mais mero coadjuvante do petismo. A derrocada do PT, por óbvio, rompe também com a lógica da polarização e força o PSDB a se reinventar.

Todos os atores terão de buscar um novo texto e um novo lugar.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Fachin, o favorito do MST, estaria de novo entre os mais cotados para o STF…

E prossegue a novela para a indicação de um nome para o Supremo Tribunal Federal. Alguns figurões já lideraram a lista de favoritos e depois sumiram do noticiário. Até a semana passada, Mauro Campbell, hoje ministro do STJ, aparecia à frente. Seria uma solução tecnicamente satisfatória. Consta que essa possibilidade também esfriou. Segundo a imprensa parananese, o jurista Luiz Edson Fachin voltou a tomar a dianteira. Contaria com a simpatia de uma parcela expressiva dos senadores. Os parlamentares federais do Estado assinaram um manifesto suprapartidário em defesa do seu nome. A presidente Dilma Rousseff também gosta dele. Ocorre que mais gente gosta. Acima de todos eles, está João Pedro Stedile, o chefão do MST

Pois é… Acho curioso esse negócio de parlamentares de um Estado lutarem para ter um membro na corte suprema. Vamos fazer um tribunal constitucional, então, com 27 titulares, ora… Sou paulista, como sabem. Devo ficar feliz porque Ricardo Lewandowski nasceu no Rio ou triste porque fez carreira em São Paulo? Não sei se fui muito sutil… Desde quando a escolha dos 11 nomes máximos do Judiciário deve obedecer a qualquer outro critério que não seja o notório saber jurídico e a independência?

Fachin, advogado e professor titular de direito civil da Faculdade de Direito do Paraná e da PUC-PR, é um amigão do casal Gleisi Hoffmann-Paulo Bernardo, ex-ministros, respectivamente, da Casa Civil e das Comunicações. Até aí, vá lá… Ocorre que ele é também um amigão do MST. Desde a vaga aberta com a aposentadoria de Eros Grau, em agosto de 2010, ele frequenta as listas. Lula — sim, o Babalorixá — desistiu de indicá-lo depois de uma conversa em que o advogado fez uma defesa tão entusiasmada do movimento liderado por Setedile que até o chefão petista se assustou. Deu o seguinte diagnóstico: “É basista demais!”

Tudo conversa mole para minar um favorito? Não mesmo! Fachin deu mostras de seu pensamento jurídico num artigo pavoroso escrito no mês passado no site Consultor Jurídico. Eliminado o glacê do juridfiquês, descontadas algumas obscuridades sem remédio decorrentes do fácil falar difícil e ignorada a tentação da periodização da história da humanidade, resta uma conclusão: segundo o artigo, lei é aquilo que um juiz diz ser lei, desde que ele esteja afinado com os bons propósitos — como os de Stedile, por exemplo?, pergunto eu.

Num dado momento, escreve Fachin: “Se o conselho que se dava aos juízes antigos da Itália era ‘não use a testa, use o texto’, hoje a máxima pode ser reinventada para ‘use a testa, não esquecendo do texto e seu contexto’.” É ruim. Se alguém invade a minha propriedade, por exemplo, da qual sou dono legítimo, o texto — que ou está em primeiro lugar ou se abre a chance para o arbítrio — diz que o invasor tem de sair. Segundo Fachin, um juiz deve, claro, levar isso em conta, mas, em primeiro lugar, ele deve usar a “testa” — isto é, a opinião idiossincrática que, originalmente, independe do texto — para, só então, voltar-se ao que está escrito. E isso ainda não será o bastante. Haverá de se ver também o contexto.

Mais: Fachin se mostra excessivamente preocupado em criticar o juiz do “Estado Liberal” — sim, ele fala do liberalismo propriamente, com o sotaque de quem considera tratar-se de uma etapa superada da história da humanidade.

Se querem saber, o coração de Dilma pulsa mesmo por Fachin. E essa, lamento, dado o que pensa o doutor, é uma péssima notícia. A propósito: leiam o seu texto. Logo no primeiro parágrafo, há uma distinção que me parece um tanto capciosa, dado o artigo, entre “direito” e “justiça” — palavra escrita em minúscula mesmo. Sim, meus caros, sei que se trata de coisas distintas. A depender, no entanto, do que se pretenda ao se dar ênfase a essa diferença, a suposta luta por “justiça” mata o Estado de Direito. E esse é sempre o caminho mais curto para as mais clamorosas injustiças.

Eu quero o juiz do texto. É o texto que pode nos proteger das testas de ocasião.

PS —  Ah, sim: Ricardo Lewandowski, agora com a ambição de fazedor de ministros, assumiu também a candidatura de Fachin…

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Levy entra em campo, e Lei das Terceirizações vira uma estrovenga; governo quer transformar empresas em extensão da Receita. Ou: Abaixo as “levyandades”! Ou ainda: Levy, o “neoliberal” amado pela CUT!

O Brasil não se deu conta do que aconteceu ao longo desta terça-feira feira, dia 7 de abril, do que pode ser perpetrado nesta quarta, dia 8, e do que pode ser consumado na terça próxima, dia 14. Refiro-me às negociações e votação do texto e dos destaques do Projeto de Lei 4330/2004, que trata das terceirizações. Como o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, vai ter de fazer concessões — e diminuir os cortes — ao negociar com o lulo-petismo-cutismo as Medidas Provisórias que tratam do seguro-desemprego, abono, pensões e auxílio doença, resolveu fazer o quê? Com a autorização de Dilma Rousseff, a presidente-camarada, partiu pra cima do PL da terceirização com a determinação de um esfomeado aos se deparar com um banquete.

Se o poderoso presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não se der conta do que está em curso, acabará, desta feita, levando um fabuloso olé de Levy e atuando como um seu laranja. Vamos ver.

Depois de dez anos de enrolação à sombra de uma ladainha sindical cutista sem conexão nenhuma com a vida real do trabalho, o único que enxergou uma raia limpa para o nado livre, o borboleta, o de peito, o de costas e o de ladinho foi mesmo o ministro. Por quê?

O PL 4.330/2004, de autoria do então deputado Sandro Mabel (PMDB-GO) e relatoria de Arthur Maia (SD-BA), estava prontinho para ser votado. O texto, depois de algumas correções, estava redondo e entregava o que prometia: regulamentava a terceirização, tirando milhões de trabalhadores de uma espécie de semiclandestinidade. Define-se com clareza que as empresas — públicas, privadas ou mistas —podem recorrer a serviços de terceirizados tanto para atividades-meio como atividades-fim, o que é, aliás, uma garantia constitucional.

O PL entrou na pauta de votação da Câmara nesta semana cometendo a proeza de atender, pois, a empresários e trabalhadores. Passava a proteger, pela primeira vez, os terceirizados, oferecendo garantias jurídicas ao contratante. Sem o texto, trabalhadores e empresas ficavam à mercê de um troço famigerado chamado Súmula 331 do TST, que, na prática, proíbe a terceirização, cassando de uns e outros direitos constitucionais.

Ao fim desta terça, o PL da terceirização conservava, sim, a quase totalidade do conteúdo de seus 20 artigos originais. Depois que Levy entrou em campo para “negociar”, no entanto, o texto passou a contar com 27 e se transformou numa estrovenga, num monstrengo.

O governo federal meteu a sua mão peluda no projeto e o transformou numa espécie de reforma tributária, micro no tamanho, mas ambiciosa na arrecadação. Tornado o czar da economia, o ministro evoluiu, perdoem o trocadilho, para “levyandades” legais. Queria aproveitar o PL 4.330 para rasgar a Lei de Dividendos, de 1995, e tungar 15%, a título de IRFF (Imposto de Renda Retido na Fonte), de pessoa jurídica submetida ao regime de lucro presumido. Maia diz que isso não passa. Mas é o resto? Levy quer ainda usar o PL 4.330 para alterar a Lei Complementar 123/2006, que vem a ser a que define o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. O homem está fora do controle. Um PL, que é uma lei ordinária, não pode mudar uma Lei Complementar, hierarquicamente superior.

Só isso? Tem mais.  Está escrito no rascunho fechado nesta terça a seguinte maravilha, com a qual o relator concordou:

“- A empresa contratante deverá reter, a título de contribuição previdenciária, 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, que poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa contratada, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Previdência Social. No caso de empresa sujeita à contribuição previdenciária substitutiva, a retenção será de 3,5% (art. 16).
- A empresa contratante deverá reter, sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, a título de (art. 17):
- Imposto de renda na fonte, a alíquota de 1,5%;
- Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), a alíquota de 1%;
- Contribuição para o PIS/PASEP, a alíquota de 0,65%; e
- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), a alíquota de 3%

Entenderam? A empresa contratante se transforma num braço operacional da Receita Federal e recolhe em lugar do Fisco o que é devido pela contratada. Maia confessa: “Acatei a maioria das emendas para fazer a retenção na fonte pagadora de todas as contribuições previdenciárias, PIS/Cofins, CLSS, FGTS e INSS”.

Traduzindo: o governo bota as empresas para recolher impostos pra ele. É como se dissesse: “Paga pra mim, vigia pra mim, entrega pra mim… E não bufa!”. Ora, leitor amigo, você conhece, e já deve ter acionado, algum call center para reclamar de serviços prestados por uma empresa privada. Mas já conseguiu, por acaso, reclamar do péssimo atendimento dos serviços públicos nas áreas de saúde, educação, previdência, segurança, Fisco etc.? O governo gosta de ser xerife dos negócios e serviços alheios, mas, paradoxalmente, é ele o mais incompetente.

Escrevi ontem à noite que, de “neoliberais” como Levy, assim o chamam as esquerdas, o inferno está cheio. Suas intervenções podem provocar o que nem a CUT conseguiu: inibir as terceirizações. Cuidado, Levy! A alternativa pode ser o desemprego, o que não é bom o seu caixa.

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Temer na coordenação política é um impeachment parcial de Dilma. Ou: o ministério mais importante está com Levy; o segundo mais importante, com o PMDB

A presidente Dilma Rousseff escolheu para a coordenação política um nome que não pode ser demitido: Michel Temer, vice-presidente da República. Ele vai incorporar as funções da pasta denominada “Relações Institucionais”, ministério que havia se tornado meramente decorativo na gestão da sucessora de Lula. Afinal, já foi ocupado pelo deputado Luiz Sérgio — que saiu de lá para assumir a Pesca — e por Ideli Salvatti, que saiu da Pesca para assumir o cargo. No novo mandato, a presidente inventou Pepe Vargas, que não transita nem no PT. Vejam que curioso: se Dilma for impichada, seu substituto é Temer — na hipótese de a aluvião não alcançá-lo. A possibilidade do impedimento, hoje, é remota, sabe-se. Mas, em certa medida, com a ida de Temer para a coordenação política, dá-se o impeachment parcial da presidente e do petismo: a segunda área mais sensível do governo também sai das mãos da mandatária e do PT. A primeira, a economia, já saiu — ou Joaquim Levy representa o sonho de consumo dos companheiros?

A escolha de Temer é, dado o contexto recentíssimo, uma boa saída do ponto de vista da presidente. Afinal, o dia político raiou com uma humilhação e tanto para Dilma: Eliseu Padilha, ministro da Avião Civil, recusou o convite para assumir as Relações Institucionais. Os motivos? Percebeu que não contaria com o apoio efetivo dos principais líderes do PMDB. Dilma havia costurado o seu nome com o próprio Temer, mas Eduardo Cunha (RJ), presidente da Câmara, e Renan Calheiros (AL), presidente do Senado, não demonstraram nenhum entusiasmo. O primeiro afirmou que nada mudaria na relação do partido com o governo. Padilha sentiu cheiro de carne queimada de um lado e de outro: na pasta, sua autonomia seria relativa, em meio a tantos “coordenadores políticos”; no PMDB, sua voz não seria mais influente do que é hoje.

Vamos ver: que Dilma precise fazer alguma coisa, ah, isso precisa, não é? A patetice com a história de Padilha é um emblema disso. Como é que uma presidente da República permite que um ministro seu recuse publicamente uma mudança de pasta? Antes que a alternativa viesse a público, alguém deveria ter feito as devidas consultas prévias. Não aconteceu. Deu no que deu.

Procurem o noticiário de há uns 15 dias para trás. Ele informa, e com correção — porque assim era —, que Temer estava alijado das decisões. Dilma mantinha o seu vice a uma prudente distância por razões que a razão desconhece. E os trapalhões ficavam lá, tomando olé ora de Cunha (no mais das vezes), ora de Renan (às vezes). Temer tem esse poder todo no PMDB? A resposta, como todo mundo sabe, é “não”. Ele endossava o nome de Padilha, por exemplo; foi consultado. Também deu no que deu. Em passado não muito distante, chegou a ser acionado para tentar impedir a candidatura de Cunha à presidência da Câmara. O resultado também é conhecido. Não é, e todo mundo sabe, o nome com mais influência no PMDB.

Mas é claro que a relação de Dilma com o PMDB passará por uma acomodação. Mas não contem com a possibilidade de Cunha perder seu protagonismo. Não vai acontecer, a menos que colhido por fatores outros. Não contem com a possibilidade de Renan desistir de ter uma agenda com a sua marca, a menos que… Nem partam do princípio de que, assim, se realiza o sonho de Lula: entregar o Planalto ao PMDB, que garantiria a governabilidade, enquanto ele cuidaria da própria candidatura à Presidência em 2018.

Anotem aí: uma coisa hoje une todos os peemedebistas, de qualquer quadrante, de qualquer corrente, de qualquer vertente — e isso inclui Temer e até o veteraníssimo José Sarney: o partido já decidiu que não vai preparar a cama de Lula para a próxima disputa presidencial. Todas as prefigurações caminham para uma candidatura própria à Presidência. Ou, na expressão de Cunha, “time que não joga não tem torcida”.

Com Temer na coordenação política, o número de vexames do governo Dilma no Congresso tende a ser menor. Mas pensem num PMDB, reitero, que não quer ser mais um mero mordomo ou um eunuco da corte persa do petismo.

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Manifestação convocada por Lula dá com os burros n’água. Faltou gente, e sobrou truculência. É a morte do demiurgo; é a morte do partido que se queria hegemônico

Lula deu com os burros n’água. De novo! Lula se tornou o anti-Midas do PT e da política. A maldição do lendário rei era transformar em ouro tudo aquilo em que tocava. O mau augúrio que acompanha o companheiro-chefe hoje é outro:  tudo aquilo em que ele se mete dá errado, vira zerda. Na minha coluna da Folha de sexta, afirmei que o quase mítico chefe petista está morto. Eu me referia, obviamente, à morte não do homem, mas do demiurgo; não do político, mas daquele chefe que era capaz de encantar e de mesmerizar as multidões.

Um ex-presidente da República, comportando-se de forma notavelmente irresponsável, convocou seu partido a engrossar as manifestações desta terça, lideradas pela CUT, pelo MST e pelos ditos movimentos sociais, contra o Projeto de Lei 4.330, que regulamenta as terceirizações. Lula chamou, Lula convocou, Lula se esgoelou, mas as ruas não compareceram. Em São Paulo, o protesto reuniu, segundo a Polícia Militar, 400 pessoas.

Em Brasília, os truculentos convocados pelo ex-poderoso chefão decidiram fazer um cerco ao Congresso e intimidar a democracia. Entraram em confronto com a Polícia Militar. Um dos manifestantes exibe, quem sabe com o orgulho, o rosto sujo de sangue. Eis Lula na parada.

Escrevi a respeito de sua tática ontem e hoje. O Babalorixá de Banânia quer que Dilma arrende seu governo para o PMDB — ao menos o PMDB que ele tem em mente —, que sele uma espécie de “pax” com o Congresso, e ele,  Lula, quer se encarregar de criar uma suposta nova agenda que chama “progressista”, com os sindicatos, outros partidos de esquerda e movimentos sociais.

Deu errado! Ninguém ouviu o chamado. Como de hábito, o que se viu foi um espetáculo de truculência em Brasília, que só reforça a necessidade de aprovar o Projeto de Lei 4.330. Os únicos que não gostam do seu conteúdo são os sindicalistas, muito especialmente aqueles ligados à CUT, que é, como todo mundo sabe, um dos braços operativos do PT.

Lula, é preciso deixar claro de novo, convocou uma manifestação que hostiliza o próprio governo Dilma. O homem chegou à conclusão de que a única saída para seu partido é se descolar das medidas do Planalto — especialmente as de caráter recessivo —, manter o clima da constante mobilização, mas sem derrubar a presidente. E, para tanto, ele contava com o PMDB: o aliado garantiria a estabilidade política, no limite do possível, para que ele, Lula, liderasse a instabilidade social e preparasse a sua candidatura a 2018.

Naufragou espetacularmente. Para o bem do Brasil. O Projeto de Lei 4.330, na forma original ao menos, é um avanço e moderniza relações trabalhistas que hoje engessam a economia e suprimem empregos, em vez de garanti-los.

Lula, o demiurgo, o mito, reitero, está morto. Da mesma sorte, é defunto o partido que ousou um dia sonhar coma hegemonia política, de sorte que todas as outras legendas fossem seus satélites.

Há um Brasil novo surgindo. Lula e o PT não perceberam. Lula e o PT perderam o bonde. Lula e o PT foram superados pela história. Felizmente!

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Em três meses, Dilma mudou a cara do governo

Os 62% de brasileiros que disseram ao Datafolha considerar Dilma 2ª ruim ou péssima podem estar sendo injustos com a presidente. Talvez ela visse a redução no pagamento de benefícios sociais como um dos principais problemas do país desde seus tempos de “Mãe do PAC”. A providência fazia parte da sua agenda secreta. Daí a escolha do tucano Joaquim Levy para chefiar a Fazenda. Por isso as regras que reduzem o pagamento da pensão por morte, do auxílio-doença, do abono salarial e do seguro-desemprego entraram nas primeiras medidas provisórias que o segundo governo Dilma mandou para o Congresso. São medidas típicas de início de governo, quando presidentes recém-eleitos aproveitam a euforia para alardear suas prioridades.

Depois de um discurso de posse em que anunciou o novo lema do governo —‘Pátria Educadora’ —,quando se esperava que viessem à luz boas notícias na área educacional, coerentes com o pronunciamento reinaugural— Dilma nomeou Cid Gomes para o Ministério da Educação. Como uma coisa não combinava com a outra, deduz-se que o ex-governador cearense virou ministro apenas para disfarçar o verdadeiro intento de Dilma, que era o de desfrutar do prazer de demitir Cid Gomes e nomear para o lugar dele um acadêmico respeitado: Renato Janine Ribeiro.

Revendo-se discursos e entrevistas antigas de Dilma só de raro em raro encontram-se referências elogiosas ao PMDB —ainda assim, é preciso procurar um pouco. Portanto, são grandes as probabilidades de que o desejo de dividir o poder com o PMDB fosse um dos principais itens da agenda secreta de Dilma. Ela só entregou a coordenação política para Pepe Vargas, petista inexpressivo, para não vitaminar a tese segundo a qual tornara-se uma escrava das vontades de Lula. No fundo, não via a hora de confiar a um Eliseu Padilha ou, melhor ainda, ao próprio vice Michel Temer a articulação política do seu governo. Mesmo que jamais tenha mencionado o plano nem para o espelho.

Aos pouquinhos, Dilma vai remodelando a cara ao seu governo. Decorridos três meses do início do segundo mandato, verifica-se que a nova gestão se parece com muita coisa, menos com aquela Dilma autossuficiente do primeiro reinado. O próximo passo da presidente talvez seja mostrar para Renan Calheiros e Eduardo Cunha que a pose de oposicionista que ambos fazem é desnecessária. Primeiro porque não faz nexo exigir a redução do número de ministérios em público e brigar pela pasta do Turismo à sombra. Segundo porque Renan e Cunha logo perceberão que, na agenda secreta de Dilma, a presidência da República é da cota do PMDB.

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Filha de Jefferson presidirá agremiação resultante da fusão do PTB com DEM

Decididos a se fundir, PTB e DEM reuniram suas cúpulas e definiram os detalhes da parceria. A legenda resultante da junção vai se chamar PTB-25, a logomarca de um e o número do outro. Será presidida pela filha do delator do mensalão Roberto Jefferson, a deputada federal Cristiane Brasil (RJ), hoje no comando do PTB. Às voltas com um inquérito no STF, o senador José Agripino Maia, atual presidente do DEM, abrirá mão do posto.

Formalmente, a nova legenda se autodefinirá como “independente” em relação ao governo. Na prática, adotará um discurso de oposição. Responderão pela liderança do partido os atuais líderes do DEM —deputado Mendonça Filho (PE) e senador Ronaldo Caiado (GO), duas das vozes mais antigovernistas do Congresso. Algo que deve empurrar para fora do PTB Armando Monteiro, atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Ele já foi inclusive sondado apra ingressar no PDT.

Estima-se que a fusão será sacramentada em cerca de seis meses. Medido pela bancada na Câmara, que serve de parâmetro para o rateio do tempo de televisão e do fundo partidário, o novo partido terá 46 deputados. Será a quarta maior bancada, atrás apenas de PT, PMDB e PSDB. À frente do PSD, legenda criada por Gilberto Kassab a partir de uma costela do DEM.

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TPM – Tensão Pré-Manifestação!



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O governo provisório de uma presidente sem talento
Ricardo Noblat

Na Casa Branca, ontem, faltou energia. No Palácio do Planalto faltou juízo. O mínimo de juízo.

Seria imprudente dizer que foi o mais atrapalhado dos dias do governo Dilma. Afinal, o segundo governo dela está mal começando. E começando mal.

Em menos de 100 dias, Dilma trocou três vezes de ministro e extinguiu uma Secretaria com status de ministério.

O governo parece mais uma biruta de aeroporto que muda de direção ao sabor da força dos ventos.

Na última segunda-feira, o dia anoiteceu com a notícia de que Eliseu Padilha (PMDB-RS), ministro da Aviação Civil, havia sido convidado por Dilma para substituir Pepe Vargas (PT-RS) no ministério encarregado da articulação política do governo.

De fato, ao esbarrar em Padilha durante o almoço, Dilma o convidou para o lugar de Pepe. Padilha levou um susto.

Presidente não costuma convidar ninguém para o governo. Manda um emissário sondar a pessoa. Assim evita ouvir um não.

Padilha pediu tempo para pensar. Depois consultou Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e Temer.

Foi dormir decidido a recusar o convite.

O Palácio do Planalto é um ninho de cobras venenosas, todas elas do PT. Por que se arriscar a ser picado por elas?

Quem convive de perto com Dilma sabe como é difícil lidar com seu temperamento explosivo. Ela confia em poucos. Centraliza o poder. E detesta a política e os políticos.

O ministério da coordenação política é o que registra o maior número de óbitos desde o início do governo Dilma.

Ontem, pela manhã, Padilha disse não a presidente. Alegou que é pai de um filho de poucos meses de vida. E que sua mulher vetara sua saída de um ministério para o outro.

Acostumada a humilhar seus subordinados, Dilma acabou humilhada por um deles.

Para que o estrago em sua imagem não fosse maior, só lhe restou improvisar outra vez: convidou Temer para assumir a articulação política do governo.

Joaquim Levy, ministro da Fazenda, é quem manda na Economia. Tenta corrigir os erros cometidos por seu antecessor no cargo, Guido Mantega, e por Dilma, que pensa que entende de Economia.

Caberá a Temer mandar na Política. Sobrará o quê para Dilma? Pouco sobraria se essa divisão de fato funcionasse. Mas, não.

Dilma fiscaliza de perto até o que Levy diz em palestras. Só faltaria agora ela armar o palanque para que Temer desse um show de habilidade política.

Se tal ocorresse, o presidencialismo como regime de governo daria ensejo na prática a um tipo de parlamentarismo à moda brasileira. Como peru.

A tese de que Dilma fez uma jogada de mestre jogando Temer, presidente do PMDB, contra Eduardo e Renan, pode interessar aos porta-vozes informais dela, mas não se sustenta na vida real.

Sozinho, Temer não manda no PMDB. Entre virar um pau mandado de Dilma e continuar influente no seu partido, preferirá o segundo caminho. Logo...

É só dar tempo ao tempo para conferir que foi mais uma jogada desastrada de uma presidente famosa por sua incompetência.

A culpa é de Lula que a inventou.

Desde que se convenceu do seu erro, Lula tenta sem sucesso reassumir o controle do avião.


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Blog do Josias

Dilma dá ao PMDB balcão sem verbas e cargos

Em conversas que entraram pela madrugada desta terça-feira (7), o PMDB revelou-se dividido em relação à sondagem de Dilma Rousseff para que o partido assuma a pasta das Relações Institucionais, que cuida da coordenação política do governo. Ficou claro que a eventual transferência do peemedebista Eliseu Padilha do Ministério da Aviação Civil para o coração do Palácio do Planalto não fará do PMDB um aliado fiel ao governo. Muito longe disso.

No modelo de coalizão partidária que vigora no Brasil, articulação política virou um eufemismo para a troca de cargos e verbas por votos no Congresso. Aí começa o problema. Na expressão de um membro da Executiva do PMDB, a pasta das Relações Institucionais é, hoje, um “balcão vazio”. Num governo de continuidade, não tem cargos a oferecer. Submetida aos rigores orçamentários impostos pelo ajuste fiscal, faltam-lhe também as verbas.

Sem essas duas matérias-primas, avaliam caciques do PMDB, ainda que fosse um gênio da articulação, Padilha não conseguiria pacificar o condomínio governista, que impõe sucessivas derrotas a Dilma no Congresso. Um correligionário aconselhou Padilha a refletir sobre sua própria experiência no governo antes de responder positivamente à sondagem de Dilma.

No comando do Ministério da Aviação Civil há três meses, Padilha não conseguiu nomear gestores de sua confiança para a Infraero, estatal que pende do organograma de sua pasta. Pois a mesma Dilma que o impediu de realizar as nomeações convida-o agora para gerenciar o balcão vazio, atrás do qual o petista Pepe Vargas, no momento um quase ex-ministro, virou a personificação do nada.

Presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, no momento os principais algozes de Dilma no Legislativo, trataram de tomar distância da articulação. Se a presidente quiser levar adiante a ideia de transferir Padilha para o Planalto, diz a dupla, não deve contar com retribuições do PMDB.

A debilidade de Dilma no Congresso interessa a Renan e a Cunha. Donos da agenda do Legislativo, os dois servem rações semanais de constrangimento ao governo. Com isso, as crises política e econômica monopolizam as manchetes, sobrando menos espaço para o noticiário sobre os inquéritos abertos contra ambos no STF por suspeita de envolvimento no escândalo das propinas na Petrobras.

Noutro paradoxo que marca as relações do PMDB com o governo, os presidentes da Câmara e do Senado defendem a redução do número de ministérios de 39 para 20 e, simultaneamente, apadrinham nomes distintos para uma mesma pasta, a do Turismo. Cunha defende a nomeação de Henrique Eduardo Alves, ex-presidente da Câmara. Renan prefere manter o atual ministro Vinicius Lage, seu apadrinhado. E Dilma sujeita-se ao contrassenso.

A transferência de Eliseu Padilha para o Planalto poderia facilitar a resolução desse impasse. Henrique Alves poderia substitui-lo na pasta da Aviação Civil. Ou poderia ser efetivado no Turismo se Vinicius, o chegado de Renan, não se importasse de trocar de ministério.

A principal conversa da noite ocorreu no Jaburu, o palácio que serve de residência para o vice-presidente Michel Temer. Amigo de Padilha, Temer gostaria de vê-lo à frente da articulação política. Mas ouve opiniões contrárias de outros amigos, que têm o mesmo apreço por Padilha. É o caso de Moreira Franco, ex-titular da Aviação. Ou de Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula e ex-vice-presidente da Caixa.

Moreira preside no momento a Fundação Ulysses Guimarães, braço acadêmico do PMDB. Dedica-se a organizar o partido para as eleições municipais de 2016, um pleito que é tratado pelo PMDB como antessala do lançamento de uma candidatura partidária às eleições presidenciais de 2018, longe do PT. Para uma legenda que rumina tais planos, a proximidade com Dilma, presidente aprovada por apenas 13% dos entrevistados do Datafolha, pode ser letal.

Outro amigo de Temer, Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal na primeira gestão de Dilma, vai direto ao ponto ao expor sua aversão à hipótese de transferência do amigo Padilha para o Planalto. Em conversa com um amigo, Geddel disse na noite passada que “chegou a hora de as máscaras caírem”.

Geddel foi ao ponto: o PMDB tem de dizer quem está indicando quem. Se o partido estiver interessado em cargos a essa altura, deve parar de fazer “marola” no Congresso e arquivar o projeto presidencial de 2018. Sob pena de dar razão a Cid Gomes, que criticara os governistas que armam emboscadas para o governo sem “largar o osso”. As conversas sobre a sondagem de Dilma prosseguem nesta terça-feira. A presidente conta com uma resposta rápida.

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PPS tenta barrar no Supremo acordos de construtoras da Lava Jato com União

Em petição que irá protocolar nesta terça-feira no STF em nome do PPS, seu partido, o deputado Raul Jungmann pede que seja declarada inconstitucional a resolução 74/2015 do Tribunal de Contas da União. Trata-se daquele documento editado em fevereiro, a toque de caixa, para regulamentar a participação do TCU na negociação e celebração de acordos de leniência entre empresas acusadas de corrupção e a União.

A ação do PPS inclui um pedido de liminar. Deseja-se sustar imediatamente a vigência da resolução, para brecar os acordos de leniência (delação premiada de pessoas jurídicas) que a Controladoria-Geral da União está prestes a firmar com empreiteiras enroladas na Operação Lava Jato. Tudo com o prévio aval do TCU, a ser formalizado em “sessão plenária extraordinária e reservada”.

Em sua ação, o PPS sustenta que a CGU e o TCU têm atribuições distintas. A primeira, vinculada ao Executivo, é responsável pelo controle interno do governo. O segundo, ligado ao Legislativo, responde pelo controle externo, feito a posteriori.

A lei que autorizou a realização dos acordos de leniência (12.846/13) atribui à CGU a tarefa de costurá-los. Mas não faz menção ao controle prévio do TCU. Por esse raciocínio, a resolução 74/2015 não teria amparo legal, violando a Constituição. De resto, ao criar regras com força de lei, os redatores do TCU teriam invadido uma competência que é exclusiva do Congresso.

A petição do PPS anota: “É importante frisar, para que não paire dúvidas a respeito, que não se objetiva retirar do Tribunal de Contas da União a importante função de controle externo. Muito ao contrário, pretende-se fortalecê-la, ao não maculá-la com pretensões casuísticas de celebração de eventual acordo no âmbito de uma prévia ‘Sessão Plenária Extraordinária Reservada’.”

Noutro trecho, a ação acrescenta que a resolução do TCU “foi editada exatamente no contexto da ‘operação Lava Jato', cujas consequências ao erário certamente – como é público e notório – serão suscitadas no âmbito de discussões de acordos de leniência a serem firmados com a Controladoria-Geral da União.”

Assim, realça o PPS, “o risco de dano é iminente, haja vista que o TCU prestes está a, nesse contexto, aplicar a sua inconstitucional instrução normativa, no âmbito da celebração de acordos de leniência, assim violando todo o sistema de controles internos e externos da administração pública federal.”

Elaborado num intervalo de apenas quatro horas, o texto da resolução questionada pelo PPS  foi negociado com o governo. Na prática, transformou o TCU em avalista de acordos que ele deveria fiscalizar. Contra a vontade do Ministério Público Federal, a CGU se move para livrar as empreiteiras da Lava Jato da inscrição no cadastro de empresas inidôneas. Com isso, as construtoras que corromperam na Petrobras poderiam continuar celebrando contratos com o governo e suas empresas estatais. Como se nada tivesse acontecido.

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Creche de segurança máxima!



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É Lula quem quer Dilma sangrando no poder. Assim, ele pode tocar a sua campanha para 2018, que começa hoje. Ou: O golpe do PT institucional e do não-institucional

Luiz Inácio Lula da Silva, o Nosferatu que vampiriza a política brasileira há muitos anos, convocou os petistas e cutistas a se mobilizar contra o Projeto de Lei 4.330, que regulamenta a terceirização em empresas privadas, mistas e públicas. O texto permite que elas recorram a serviços de terceiros também nas chamadas atividades-fim. Boa parte dos sindicatos é contra porque vê nisso a chamada precarização da mão de obra. É conversa afiada, papo para boi dormir. O que as máquinas sindicais querem manter é o mercado cativo do Imposto Sindical. O texto pode ser votado na Câmara nesta terça-feira. Os companheiros de Lula estarão lá para fazer pressão e tentar derrubá-lo.

Lula convocou os petistas, cutistas, esquerdistas no geral e os ditos movimentos sociais a se manifestar no país inteiro. Além de se mobilizar contra o PL 4.330, está na pauta a defesa da Petrobras — quem, senão os ladrões, a ameaça? — e da democracia, que, até onde sei, não está em perigo.

Escrevi na tarde de ontem a respeito e volto ao assunto. Há quem não tenha entendido a natureza do jogo.

O Babalorixá de Banânia está empenhado hoje em duas operações políticas para tentar salvar seu partido do desastre eleitoral — e, quem diria?, salvar a si mesmo. Quer que Dilma entregue metade ou mais do governo ao PMDB, de porteira fechada. E pronto. Isso asseguraria à presidente, em meio à crise econômica, a estabilidade congressual para governar. No Parlamento, o PT institucional continuaria a compor essa maioria.

Lula, pessoalmente, quer se encarregar do “PT não-institucional”. Ele julga ter encontrado a fórmula ideal: o Congresso deixa de criar dificuldades para a presidente, o pacote fiscal será aprovado sem grandes alterações, o mercado se acalma — como vem se acalmando, basta olhar os números — com o fortalecimento de Joaquim Levy, e o PT volta a liderar as pressões de rua, mas pela esquerda.

Qual é a diagnóstico — em parte sensato — de Lula? A economia vai demorar a reagir. Levará tempo até que os mais pobres voltem a sentir os efeitos da retomada do crescimento, sem prazo para começar. Os descontentes de todas as classes, mas muito especialmente os mais pobres — que o PT pretendia que fosse seu mercado cativo —, continuarão a sacar contra o patrimônio do… petismo! Afinal, essa é a força que está no governo.

Ora, indaga Lula, o que o PT fará enquanto isso? Vai se limitar a defender o necessário ajuste recessivo e se enterrar ainda mais? Vai ficar na defensiva, tomando pancada de todo lado? Caminhará para as eleições do ano que vem — SIM, HAVERÁ ELEIÇÕES NO ANO QUE VEM — com a reputação na lona? Até Marco Aurélio Garcia, assessor de Dilma, admitiu que está sendo hostilizado na rua.

Um eventual desastre eleitoral em 2016 será prenúncio de dias ainda mais difíceis em 2018, quando Lula pretende se recandidatar à Presidência da República. Hoje, não tenho dúvida, seria derrotado por um nome da oposição. E ele é esperto demais para não saber disso.

Hoje, quem, de verdade, quer que Dilma sangre no poder, mas não caia, é Lula. Ele está numa operação muito sutil para articular dois movimentos em si opostos, mas que se combinam:
a: garantir no Parlamento o apoio institucional a Dilma — e, por isso, quer dividir, de verdade, o poder com o PMDB, de olho, inclusive, nos palanques do ano que vem;
b: descolar o PT do governo recessivo de Dilma, propondo uma agenda que sabe que este não pode adotar. Logo, essa nova agenda pede um novo — e velho! — demiurgo: ele próprio.

E esse salvador, que viria, então, para coroar a obra petista já não pretende mais falar em nome de um partido — o PT — mas de um “frente”, que reunificaria as esquerdas e os movimentos sociais, numa espécie de réquiem virtuoso de sua carreira, que seria marcado com uma espécie de luta final do “Bem” (ele e sua turma) contra o “Mal” (todos os outros que estarão contra ele).

É por isso que o chefão decadente do PT convocou a sua tropa contra o PL 4.330, que conta com o apoio do governo federal. Ele só pensa em 2018 e está empenhado, hoje, em salvar o partido de uma crise sem precedentes. Uma pergunta óbvia: “Esse movimento é combinado com Dilma?” Resposta: não! Não é! Até porque é muito arriscado. Mas ela não tem o que fazer para conter os seus apetites.

Outra eventual questão: “E por que Lula ainda quer salvar Dilma e não a deixa de vez para cuidar de seu projeto salvacionista?” Porque isso poderia implicar a entrega do poder para o PMDB, de Michel Temer, que não encontraria dificuldades para governar sem o PT. De resto, os companheiros não vão abrir mão de 25 mil cargos federais de confiança, mais o estupefaciente aparelhamento de todas as esferas do Estado brasileiro.

Lula precisa de Dilma na Presidência para poder pôr o seu partido na rua — inclusive contra Dilma se necessário. Se ela sangra no cargo, o vampiro se alimenta. Nesta terça, ele deu início à sua campanha a 2018. Eis a natureza do jogo. Podem escrever aí.

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A “treta” performática do coroa Pedro Paulo, o tal “Mano Brown”, com a Polícia. E, mais uma vez, Eduardo Suplicy, o pateta patético

Santo Deus! Que preguiça me dá! O sr. Pedro Paulo Soares Pereira, de 44 anos, foi preso nesta segunda pela PM por desobediência, desacato e resistência à prisão. O coroa Pedro Paulo é Mano Brown, o líder da tal banda Racionais MCs. Os policiais afirmam que ele tentou escapar de uma blitz, e ele diz que foi abordado de forma violenta. O que é fato? Sua Carteira Nacional de Habilitação está com o exame médico vencido, e o carro, em nome da mãe, está com o licenciamento atrasado.

Basta ler, como acabo de fazer, o que este coroa disfarçado de eterno adolescente rebelde pensa sobre a Polícia em suas letras para constatar que é impossível demonstrar que os policiais tenham prevenção contra Pedro Paulo, mas que é muito fácil demonstrar que Pedro Paulo tem prevenção contra policiais. O episódio certamente servirá para ele voltar ao noticiário. Acho que isso garantirá shows mais lotados, mais venda de CDs e downloads na Internet. Arrumar “treta” com a polícia, no ramo de entretenimento em que ele atua, é um ativo. Nem por isso os policias devem deixar de cumprir a sua função.

Ele diz ter sido abordado com violência, e seu advogado alega ter um vídeo em que isso fica demonstrado. Os policiais negam. Que se apure tudo. Que carro e documentos estivessem irregulares, isso parece fora de dúvida.

Pedro Paulo ganha a vida como Mano Brown, e isso é parte do seu show. Posso achar de mau gosto, mas fazer o quê? Ele que arque com as consequências de suas escolhas. Fiquei de estômago embrulhado não com ele, mas com o amostrado Eduardo Suplicy, o secretário de Direitos Humanos da Prefeitura, um ser patético, com ar de inimputável, mas nunca inocente.

Esse rabeira de celebridade acompanhou o performático senhor à delegacia. Afinal, como esquecer aquele espetáculo no Senado em que ele interpreta uma das, digamos, “canções” de Brown? Suplicy deu a seguinte declaração: “Imagino que, se houvesse civilidade por parte da PM, não precisaria disso tudo”. Sobre os documentos irregulares, afirmou: “Isso é normal. Eu mesmo já dirigi com a carteira vencida. Eu me pergunto por que tanta brutalidade contra o rapper de maior audiência no Brasil”.

O sr. Fernando Haddad mantém como secretário dos Direitos Humanos um cara que não apenas confessa ter praticado uma ilegalidade como faz a apologia dela, afirmando ser isso muito “normal”. Mais: sem nenhuma apuração, sem investigação, sem nada, comporta-se como juiz e decreta a culpa da Polícia — como faz de hábito. Achando que isso é pouco, sugere que, por ser o rapper de maior audiência do Brasil, Mano Brown mereceria um tratamento diferenciado. Por quê? Se ninguém o conhecesse, a suposta brutalidade seria justificada?

Imaginem, meus caros, numa cidade do tamanho de São Paulo, quantas são as vezes em que os direitos humanos são agredidos. Suplicy não pode estar em todos os lugares. Mas encontra tempo para acompanhar Mano Brown. É bem verdade que ele já fez coisa pior: na última vez em que foi visto ao lado de uma celebridade, estava ao lado do assassino condenado Cesare Battisti.

A propósito: o Ministério Público não vai fazer nada diante da confissão de Suplicy e do estímulo objetivo de uma autoridade à prática de ilegalidade? Mano Brown fez da cara de mau uma profissão. Suplicy transformou em profissão aquele seu ar meio aparvalhado, mas que pode ser, como a gente vê, moralmente doloso.

Mano Brown precisaria ter, parodiando Antero de Quental, 25 anos a menos de idade ou 25 a mais de reflexão. Suplicy, nos dois casos, uns 50.

PS – E para que não reste a menor dúvida: se o caso é brincar de luta do oprimido contra o opressor, a gente precisa ser claro, né? Os únicos pobres e oprimidos da história são os policiais.

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Um peemedebista na coordenação política e as ilusões mortas do PT

A presidente Dilma convocou o peemedebista Eliseu Padilha, hoje ministro da Aviação Civil, para uma posição central no seu governo: Relações Institucionais, ora a cargo do inexistente Pepe Vargas, um petista de sua cota pessoal, que não conta com o apoio nem do… PT! Sim, essa é uma das sugestões de Lula para amenizar a crise com o Congresso. Na verdade, o chefão petista (leiam post a respeito) defende que Dilma, se preciso, terceirize o governo para o partido aliado. O que ele quer é garantir a estabilidade da presidente no cargo para poder se dedicar à agitação política e à construção de sua candidatura em 2018.

É por isso que Dilma quer Eliseu Padilha na articulação política? Não exatamente! Hoje, ela precisa de alguém que articule alguma coisa, seja lá o que for. A presidente conta com um incrível exército de nove pessoas para cuidar desse assunto — entre eles, o impressionante Aloizio Mercadante. Sabem o que acontece? Nada! Ou melhor: tudo! Os desastres vão se sucedendo e se multiplicando.

O peemedebista Padilha conta com as bênçãos do vice-presidente, Michel Temer, mas não se terá a garantia de que o PMDB fará tudo o que seu mestre mandar. O esforço de Lula, diga-se, de terceirizar o governo para o partido aliado, pensando exclusivamente na sua própria candidatura, já traduz uma leitura tosca da realidade. Por quê?

Esses poucos meses de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à frente da Presidência da Câmara lembraram ao partido o gosto que tem o poder de verdade. Até havia pouco, o PMDB parecia contente em ser apenas uma espécie de mordomo muito poderoso, amigo do proprietário. Ou, então, se via bem como um chefe dos eunucos da corte persa.

Parece que fatia substancial do peemedebismo começa a alimentar ambições maiores do que servir apenas de esbirro do petismo ou de projetos alheios. O esforço de Lula já está claro: ele quer, desde já, recuperar o PMDB como sócio preferencial do poder de agora e do vindouro, que, na sua prepotência sem limites, imagina que cairá em seu colo. Gente como este senhor acha que não precisa combinar as coisas nem com os eleitores.

Padilha deve aceitar o cargo, com as bênçãos das principais lideranças do partido — Cunha inclusive. Aliás, o presidente da Câmara já veio a público para dizer que nada muda na relação do PMDB com o governo. Vamos ver.

Tudo indica que o PT perdeu o seu poder encantatório mesmo quando acena com cargos em troca de apoio. Há, para arremate dos males, uma coisa chamada “fadiga de material”. Os hoje aliados do partido também acham que chegou a hora de ele largar o osso.

Se Padilha for para a coordenação política, pode melhorar alguma coisa para Dilma na relação com o Congresso e com os partidos? Pode, sim, por dois motivos: a) ele é um político hábil e com bom trânsito na oposição — foi ministro de FHC, é bom lembrar; b) não é possível piorar.

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Discurso de Dilma sobre a Petrobras oscila entre o nacionalismo tosco e o delírio conspiratório. E traz uma mentira escandalosa

A presidente Dilma Rousseff aproveitou a posse de Renato Janine Ribeiro no Ministério da Educação para dizer algumas sandices. Afirmou, por exemplo:
“Eu tenho a certeza de que a luta pela recuperação da Petrobras, que está em curso — a luta e a recuperação —, é minha, é do meu governo, e eu tenho a certeza de que interessa a todo o povo brasileiro. O que está em jogo é a nossa soberania, o futuro do nosso país e da educação”.

E seguiu adiante:
“A fonte das riquezas que planejamos para sustentar a educação, essa fonte já está em atividade. Mais do que isso, ela vai garantir uma renda sistemática para os próximos anos”. Achando que bobagem pouca bobagem não é, complementou: “Não é coincidência que, à medida que cresce a produção do pré-sal, ressurjam ainda algumas vozes que defendem a modificação do marco regulatório que assegura ao povo brasileiro a posse de uma parte das riquezas. Nós não podemos nos iludir. O que está em disputa é a forma de exploração desse patrimônio e quem fica com a maior parte. Se é de concessão, todos os benefícios de quem extrai o petróleo ficam para quem extrai. Se é de partilha, são divididos com o Estado. Daí provêm o fundo social e os royalties”.

É tal a quantidade de tolices que é preciso ir por partes. Vamos ver. Em primeiro lugar, que história é essa de que a luta pela recuperação da Petrobras é dela e de seu governo? Não! O que pertence ao legado do PT — e também de seu governo — é a maior crise da história da empresa. Dilma foi, aliás, a chefona da área nos oito anos da gestão Lula, como ministra das Minas e Energia e chefe da Casa Civil, e, por óbvio, está na ponta do processo desde 2011, quando assumiu a Presidência.

O senador Aécio Neves (MG), que preside o PSDB, divulgou uma nota sobre a fala. Afirmou: “Chega a ser patético que a presidente da República, responsável pelas maiores perdas da Petrobras em seus 60 anos, diga que seu governo vai recuperar a empresa. A Petrobras será recuperada pela indignação dos brasileiros, que não aceitam o criminoso aparelhamento  da empresa, e pelas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público. A presidente perdeu mais uma oportunidade de pedir desculpas pelo que aconteceu à Petrobras sob seus olhos.”

Mas pensemos no resto do discurso de Dilma. Lembram-se daquela conversa mole sobre ser o pré-sal o bilhete premiado? Ela recuperou esse papo furado com a história dos recursos milagrosos para a educação.

Pior: voltou a sugerir que há uma grande conspiração contra a Petrobras e que interesses escusos estariam se mobilizando para mudar o sistema de exploração do pré-sal — que, atenção!, teria mesmo de ser mudado. Dilma falta miseravelmente com a verdade ao afirmar que o país não se beneficia do modelo de concessão, vigente na exploração do petróleo nas áreas que não são do pré-sal. Sustentar que, nesse regime, “todos os benefícios ficam para quem extrai o petróleo” é nada menos do que uma mentira estúpida.

O que hoje impõe uma pesada carga à Petrobras, isto sim, é o obtuso regime de partilha imposto pelo governo Lula, mantido por Dilma. O modelo obriga a Petrobras a um desembolso de dinheiro que não tem. Na verdade, a presidente omite dos brasileiros um fato: a exploração do petróleo do pré-sal atrasou em pelo menos dois anos por causa da imposição do regime de partilha. E isso não tem mais como ser recuperado.

É muita cara de pau querer resgatar o discurso nacionalista nessa área, com a Petrobras ainda na lona, impossibilitada até de publicar o seu balanço. A quem Dilma acha que engana com essa conversa?

A presidente perdeu uma enorme chance de ficar calada. E isso prova que ela continua a não entender o sentimento que vai nas ruas.

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Foi-se o tempo em que o PMDB assediava Dilma por cargos. Agora é ela quem assedia o PMDB
Ricardo Noblat

A presidente Dilma Rousseff deu numa bandeja a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, a cabeça de Pepe Vargas (PT-RS), ministro das Relações Institucionais e encarregado da coordenação política do governo.

A mando da própria Dilma, Pepe havia se empenhado em derrotar Eduardo quando em fevereiro último ele se candidatou a presidente da Câmara. Eduardo o pôs de castigo desde então.

Bateu em Pepe repetidas vezes. E anunciou que jamais o receberia para conversar. Prometeu e cumpriu. Como Pepe ou qualquer outro poderia se manter no cargo nessas condições?

Se tivesse dependido de Lula, o mentor de Dilma a quem nem sempre ela obedece, o governo teria aderido à candidatura de Eduardo. Como não o fez, já deveria ter mandado Pepe embora.

Além de teimosa, Dilma é lenta quando se trata de fazer política. Somente ontem convidou Eliseu Padilha (PMDB-RS), atual ministro da Viação Civil, para o lugar de Pepe, demitido pela imprensa.

Eliseu ficou de conversar com os principais líderes do seu partido antes de responder se aceitará ou não o convite. Deverá aceitar. Mas a falta de uma resposta imediata mostra o quanto Dilma está fraca.

Foi-se o tempo em que o PMDB implorava por cargos no governo. O que ele teria a ganhar se exibindo por aí na companhia de uma presidente aprovada por apenas 12% dos brasileiros?

A reação de Eduardo ao convite feito por Dilma a Eliseu dá uma medida da insatisfação do PMDB com o governo:

- Isso é escolha dela. A articulação política pode ser bem feita com qualquer partido, não necessariamente o PMDB. Não estamos pleiteando a colocação de nenhum ministro. Se ela colocou da parte dela, parabéns, mas da nossa parte não há qualquer indicação.

Um ministério, mesmo sem dinheiro para gastar, não deixa de ter lá seus encantos. Eliseu sabe disso. Ocupou esse mesmo ministério no governo Fernando Henrique Cardoso.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Janine não sabe história. Janine não sabe fazer conta. Janine é professor de ética. Janine é ministro da Educação. Janine é petista. Ponto

O mais, digamos, encantador em Renato Janine Ribeiro, novo ministro da educação, é a pomposa solidez de suas tolices. O, a seu modo, famoso professor de “ética” da USP costuma fazer digressões muito eloquentes sobre o nada para chegar a lugar nenhum. Não foi diferente na entrevista que concedeu à Folha desta segunda. Ora, considerando o caos em que se transformaram o Fies e o Pronatec, certamente o jornal esperava, assim, alguma resposta substanciosa do novo titular da pasta; contava ter ao menos um título forte para a primeira página. Em vão. O máximo que se conseguiu foi isto: “Universidade federal deve atuar mais no ensino básico”. O que quer dizer de prático? Lhufas!

Aliás, chega a ser vergonhoso que um ministro conceda uma entrevista sem ter nada a dizer e ainda dê reiteradas e eloquentes provas de ignorância — ou de má-fé. E, para ser franco, quando se é ministro da Educação, a ignorância é uma forma de má-fé, e a má-fé, uma forma de ignorância.

A vigarice intelectual adora criar categorias conceituais novas como se isso mudasse a realidade. Janine, por exemplo, diz que a melhoria dos serviços públicos é a quarta agenda democrática. A terceira, afirma, é a inclusão social, que ainda não está concluída e que, segundo ele, encontraria resistência nas ruas. É mesmo? Qual resistência? Os que protestam contra o governo petista marcham contra a inclusão social ou contra os ladrões? Janine dá mostras de não gostar do que chama de “classe média” na rua. Diz ele: “Em vez de ver politicamente como uma reivindicação global para melhorar, veem como uma coisa imediatista, e atribuem tudo à corrupção. Não chega a ser uma agenda política, ainda”. É? Por que o ministro não vai ao Capão Redondo dar essa explicação? Por que os petistas devotam tanto ódio à luta contra a corrupção?

O repórter da Folha, coitado!, não consegue tirar do Rolando Lero da academia uma única resposta objetiva, nada! E olhem que não falta boa vontade na condução da entrevista. Se Janine tivesse o que dizer, poderia ter cortado todas as bolas na rede e correr para o abraço. Indagado sobre as seis mil creches prometidas no primeiro mandato e nunca construídas, deu esta resposta estupefaciente:

“O que aconteceu no caso das creches foi uma licitação em escala nacional, que acabou tornando difícil a entrega dos produtos. É uma das prioridades que a gente quer resolver o mais rápido possível”. Nos próximos quatro anos?, quis saber a Folha. E ele: “Acredito que sim. Nosso problema hoje é a situação orçamentária deste ano. Uma vez a economia recuperando o seu ritmo de expansão, o Estado continuará capaz de gerar recursos que permitam cumprir nos outros três anos”.

Santo Deus! Nunca houve licitação nenhuma em escala nacional. É besteira. Mais: quer dizer que as seis mil creches serão entregues quando a economia recuperar o seu ritmo de expansão? É mesmo? Qual ritmo? Qual é a velocidade necessária do crescimento para que a promessa se cumpra? Pergunta básica: como teremos uma recessão, neste 2015, da ordem de 1,7%, não se vai, então, fazer creche nenhuma?

Entre bobagens e irrelevâncias, o ministro disse só uma coisa sensata, mas como autodiagnóstico: “Na saúde, você sabe se está doente e precisa de ajuda; na educação, você não sabe se é ignorante e precisa de conhecimento”… É verdade. Alguém que não fosse supinamente ignorante em economia não teria dado aquela resposta sobre as creches. Mas Janine ignora que é um ignorante.

A Folha quis saber se o inchaço do Fies e do Pronatec era, na educação, o correlato do modelo petista de incentivo ao consumo. A ignorância falastrona de Janine produziu a seguinte pérola: “Não vejo um paralelo, porque justamente a crítica principal à inclusão social pelo consumo é que ela não seria sustentável por faltar a base da educação. Eu acho injusta, porque a expansão foi de bens de primeira necessidade, represado, não um consumo de produtos suntuários. Você não pode ter pessoas que não têm produtos da linha branca em casa”.

Em primeiro lugar, a crítica principal ao modelo petista ancorado no consumo era outra, sem prejuízo de apontar a educação precária: o país deixava de fazer reformas que tornassem sustentáveis aqueles ganhos. Os petistas e os acadêmicos perturbados como Janine é que inventaram que havia quem se opusesse a que pobres comprassem geladeira e fogão e frequentassem os aeroportos.

Num outro momento da entrevista, este senhor dispara a seguinte mentira: “A gente pode dizer que o governo Lula, num primeiro momento, constituiu o Bolsa Família, um programa premiado internacionalmente e que deu grandes resultados (…). Num segundo momento, houve a valorização real do salário mínimo, em que a pessoa recebe mais pelo trabalho dela”.

Dispenso-me de lembrar que o Bolsa Família foi criado por FHC. Lula apenas o expandiu. Afirmar que a valorização do salário mínimo começou com o governo petista é mais do que uma mentira: é uma farsa política a que se dedica este sedizente professor de ética. Mas eu refresco a memória dele: FHC assumiu o poder em janeiro de 1995 com o salário mínimo em R$ 70 (veja o site site do Dieese); quando saiu, estavam em R$ 200 — aumento nominal de 185,71% para um IPCA acumulado de 100,67% — logo, o aumento real foi de 85,71%. Nos oito anos de Lula, foi um pouco maior: 98,32%; nos primeiros quatro anos de Dilma, de 15,44%.

Janine não sabe história.
Janine não sabe fazer conta.
Janine é professor de ética.
Janine é ministro da educação.
Janine é petista.

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Marco Aurélio “Top Top” Garcia, assessor especial de Dilma, diz não entender como o escândalo da Petrobras pode ser jogado no colo do PT. Ah, sim: ele defende que o PT vá para a clandestinidade!

O petista Marco Aurélio “Top Top” Garcia, assessor especial da presidente Dilma, só não é o mesmo porque faz a trajetória contrária à dos bons vinhos, não é? O tempo passa, e ele azeda. Este senhor deveria ter se retirado da vida pública em 2007. Para sempre. Para nunca mais. Digo adiante por quê — caso alguém tenha esquecido. O homem concede uma entrevista à Folha desta segunda. O jornal deu destaque a uma opinião sua: segundo ele, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, deveria deixar o cargo. Isso é lá com eles. Eu, por exemplo, acho que Vaccari está no lugar certo, se é que é vocês me entendem…

O meu destaque é outro. Para espanto da lógica e do bom senso, o figurão petista lasca esta pérola na cara dos brasileiros: “Não consigo entender como deixamos que se jogue em cima de nós o episódio da Petrobras. Outros episódios tão graves [quanto este] não têm a mesma incidência ou não recaem sobre aquelas pessoas que têm a autoria. O que é toda a questão do Metrô de São Paulo?”.

Marco Aurélio não é um gênio, é sabido — não escreveu até hoje um único texto de referência sobre qualquer assunto —, mas a sua afirmação não nasce da estupidez, e sim da cara de pau. Então o PT está no comando da Petrobras pelo 13º ano; a estatal, no momento, beija a lona; depoimentos em penca apontam que a empresa se transformou num covil, e o homem diz não entender como é que a coisa caiu no colo do partido?! Deveria cair no colo de quem? No meu? No seu, leitor amigo? No colo do Zé Bedeu?

A comparação com o Metrô de São Paulo é de uma má-fé escandalosa. Que se prendam todos os gatunos, ora! Estejam eles onde estiverem, pouco importando a quem sirvam. Mas são esquemas parecidos? Cadê os dutos que ligam o escândalo a um partido? Onde estão os arrecadadores de dinheiro? Cadê a estrutura de uma organização criminosa continuada? Os desvios do Metrô de São Paulo são investigados em várias esferas: Ministério Público, Polícia Federal e Cade — nesse caso, com interferência política do governo federal. Qual é a suposição de Marco Aurélio? Que todos esses organismos estão a serviço do PSDB, inclusive o Cade, que se comporta como sucursal do PT?

Mas calma, gente! O homem tem uma saída. Segundo ele, a resposta é a proibição da doação de empresas a campanhas. Marco Aurélio é mais um que acredita que, quando todas as doações de empresas forem clandestinas, não apenas parte delas, como hoje, então o Brasil será um país decente. Seria de uma cristalina estupidez se não fosse, como é evidente, mais um truque dos companheiros.

Na entrevista, fica claro que ele é um dos defensores da tal “Frente Ampla”. Para quem não se lembra: os petistas querem uma reforma política que permita que “frentes” — não apenas partidos — disputem a eleição. É uma forma de o PT se mascarar e tentar se passar por outra coisa, agora que está sendo abandonado pelos eleitores. O partido descobriu que a marca está desgastada e pretende se tornar uma legenda clandestina, mas num período de normalidade democrática.

Para não esquecer
No dia 17 de julho de 2007, um Airbus A320-233, da TAM, ultrapassou o limite da pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e se chocou contra um depósito da própria empresa, matando as 187 pessoas que estavam no avião e mais 12 em solo. O país vivia, então, o chamado caos aéreo, e a pista de Congonhas estava passando por reparos. Especulava-se em que medida a tragédia se inseria no descontrole geral, de responsabilidade, sim, do Planalto.

No dia 19 de julho, o Jornal Nacional noticiou que o avião voava com um dos reversores desligado — o que nada teve a ver com o acidente, diga-se. Uma câmera flagrou Garcia no Palácio do Planalto, sorrindo, e fazendo o sinal de “f_ _ _u.” É aquele, sabem?, em que o sujeito fecha uma das mãos e bate contra a palma da outra. A seu lado, um assessor faz outro gesto, também bastante conhecido: com as duas mãos, puxa uma pessoa imaginária contra a pélvis. A alegria dos dois era incontida. Para eles, a reportagem demonstrava que o governo não tinha culpa nenhuma no acidente. Cento e noventa e nove pessoas haviam morrido tragicamente, e aquela era a preocupação principal de Garcia e do governo Lula.

Quase oito anos depois, este senhor segue dando palpites. Vai ver isso explica muita coisa.

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Contra a corrupção, a alternância no poder
Ricardo Noblat

Em setembro de 2012, um mês e pouco depois do início do julgamento do mensalão, até então o maior escândalo de corrupção da história do país, o ex-ministro da Justiça dos governos Lula, Márcio Thomaz Bastos, advogado de um dos 38 réus, comia uma banana em uma dependência reservada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, quando ouviu a pergunta de um amigo: “O que houve para chegarmos até aqui?”

Thomaz Bastos parou de comer, temperou a garganta e respondeu em voz baixa sem olhar diretamente para o amigo: “Perdemos o controle da situação”.

Seguiu-se um longo silêncio antes que completasse: “Agora, só a alternância no poder poderá acabar com tudo isso”.

O amigo nada mais lhe perguntou. Ele voltou a comer a banana, uma fruta rica em potássio e que faz bem ao coração.

Saudades do mensalão! Movimentou uma ninharia se comparada com os valores desviados dos cofres da Petrobras. De resto, foi um escândalo que se limitou às fronteiras do Congresso e dos partidos.

É verdade que a “sofisticada organização criminosa” que operou o mensalão ambicionava controlar o aparelho de Estado. Foi descoberta a tempo. Dos 38 réus, 24 foram condenados.

O número de envolvidos com a roubalheira da Petrobras chega a 50. Gira em torno de R$ 2 bilhões o dinheiro que serviu para financiar partidos e enriquecer políticos e diretores da Petrobras.

O avanço das investigações da Operação Lava-Jatos reforça a cada dia que passa o sentimento de que a corrupção disseminou-se por toda parte com a cumplicidade dos governantes. E também com a decisiva ajuda de bancos e de empresas que sonegam impostos.

O PT dirá junto com a presidente Dilma Rousseff que a corrupção é uma velha senhora que nunca vai embora.

Ocorre que nos últimos 12 anos, ela foi uma senhora que engordou alimentada pelo projeto do partido de não se afastar do poder. De evitar por todos os meios legítimos ou não a alternância no poder, única saída sugerida por Thomaz Bastos para a situação que atravessamos.

Dalton Avancini, presidente da Camargo Corrêa, uma das 14 empreiteiras que pagaram propinas para fechar negócios com a Petrobras, confessou à Justiça que sua empresa fez a mesma coisa para executar obras na Ferrovia Norte-Sul, iniciada em 1987 ainda durante o governo José Sarney. Quando concluída, ela terá 4.155 km e cortará 10 Estados. Um banquete para apetites insaciáveis.

As principais empreiteiras do país formaram um cartel para operar trechos da ferrovia. Houve também superfaturamento de contratos com a doação legal e ilegal de dinheiro a partidos e políticos.

Petrobras, Ferrovia Norte-Sul... O que mais? Ah, sim, a Usina de Belo Monte, no Sul do Pará, uma obra orçada em R$ 19 bilhões. Ali funcionou o mesmo modelo nefasto de atuação das empreiteiras.

Thomaz Bastos não era inocente a ponto de pensar que a alternância no poder fosse capaz por si só de pôr um fim à corrupção.

O que ele quis dizer, segundo o amigo que o interrogou, foi que a alternância desmonta ou enfraquece esquemas de corrupção em pleno funcionamento. Até que outros venham a substitui-los, se vierem, levará muito tempo.

Nunca antes na história do país, os brasileiros deram tantos sinais de indignação com a roubalheira generalizada.

Quem sabe não estamos às vésperas de mudanças de comportamento que afetarão certamente o que hoje se pratica à luz do dia, sem a mínima inibição, pudor ou receio, amparado na certeza de que ao fim e ao cabo a impunidade prevalecerá?

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PT posa de exterminador do PT em texto oficial

Sendo o mais narcisista, o PT tornou-se o mais pretensioso dos partidos pretensiosos. E o mais cômico. O narcisismo petista dispensa a autoanálise. Contenta-se com as avaliações do espelho, que reflete suas perversões com cândida cumplicidade. A comédia nem precisaria da verbalização da piada para se realizar. Mas às vezes o PT faz questão de enfatizar suas características até o limite do ridículo. Num texto veiculado em seu portal na internet, o partido evoluiu do engraçado para o hilário.

Começa assim: “Desde que assumiu o governo, em 2003, o Partido dos Trabalhadores tem investido fortemente no combate à corrupção. Entre as medidas adotadas estão o crescente fortalecimento e autonomia do Ministério Público e da Polícia Federal.” Esse suposto esforço revelou-se premonitório. Resultou na passagem da cúpula mensaleira do PT pela penitenciária da Papuda.

O miolo do texto do PT traz considerações como essa: “Operação Lava Jato expõe números impressionantes da atuação dos órgãos competentes. Em um ano de apuração, 103 pessoas foram denunciadas pelo MPF; 485 pessoas e empresas estão sendo investigadas; R$ 182 milhões de reais já foram repatriados; e R$ 500 milhões de reais devem ser devolvidos aos cofres públicos.”

Na avaliação do PT, a petrorroubalheira aparece graças às providências que o partido adotou nos governos Lula e Dilma. O orçamento da PF “passou de R$ 1,8 bilhão, no primeiro ano do mandato do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, para R$ 4,7 bilhões, em 2013”, anota o texto do PT, citando dados colecionados pelo Instituto Lula.

“Com intuito de acabar com o engavetamento desenfreado de processos, o Ministério Público também ganhou autonomia do governo federal”, escreveu o partido noutro trecho. Como se sabe, a Procuradoria da República extrai seus poderes das páginas da Constituição de 88, não da generosidade do governo. Mas, tomado ao pé da letra, o PT considera-se responsável pela ruína moral do PT.

Elevada à última potência do risível, essa insuspeitada cruzada moralizadora do PT fez do tesoureiro petista João Vaccari Neto réu na Operação Lava Jato. Devolveu José Dirceu e Antonio Palocci à condição de investigados. Dizimou as pretensões do aliado PP. Enrolou caciques do sócio PMDB. E levou à alça de mira dos investigadores o próprio PT, suspeito de ter lavado propinas na Justiça Eleitoral.

Assim, a leitura convencional da estratégia do PT é que o partido vem se esforçando com extraordinário afinco para livrar o país dele mesmo. E está obtendo um êxito fabuloso. Aos pouquinhos, a plateia compreende por que o PT só faz autocrítica a favor. O partido se deu conta de que um minuto longe do espelho arruinaria sua imagem. Por isso, vive o seu drama numa sucessão de poses. Afinal, a pose é o ofício do narcisista.

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O que era doce...!




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Blog do Josias

Petrobras foi a Santos para evitar que megaincêndio atinja produtos tóxicos

As autoridades que integram o gabinete de crise composto para lidar com o megaincêndio nos tanques de combustíveis da empresa Ultracargo, em Santos (SP), tiveram um motivo forte para requisitar ao governo federal o auxílio federal da Petrobras. Trabalha-se para evitar que as chamas atinjam tanques que armazenam produtos químicos cuja combustão liberaria na atmosfera gases tóxicos, prejudiciais à saúde. Se inalados, podem provocar, por exemplo, náuseas, tontura e dor de cabeça.

O socorro foi obtido depois de um par de ligações. O prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), telefonou para o vice-presidente Michel Temer (PMDB). E o vice-governador de São Paulo, o ex-deputado federal Márcio França (PSB), tocou o telefone para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB). Contactado por Temer, o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, não tardou a responder.

Solícito, Bendine autorizou o envio a Santos de sete caminhões equipados para lançar espuma na área afetada pelo fogo, dos quais quatro já operavam neste sábado; dois navios-plataforma; bombas de sucção; e mão de obra especializada. A Petrobras entrou em cena três dias depois do início do incêndio, às 10h da última quinta-feira.

Há na área administrada pela Ultracargo, uma empresa privada do grupo Ultra, cerca de cinco dezenas de tanques. Dois arderam até que o combustível fosse integralmente queimado. Outros quatro eram consumidos pelas chamas neste sábado. No início da tarde, explodiu um quinto. Por ora, todos os tanques alcançados pelo fogo armazenavam gasolina ou etanol.

Existem, porém, quatro tanques que inspiram maior preocupação. Três guardam um tipo de resina que, além de tóxica, possui alto grau de combustão. Os técnicos conseguiram injetar nesses tanques um produto que elimina o risco de explosão. Em linguagem técnica, o produto químico foi “inertizado”. Ainda assim, conforme relato ouvido pelo blog, pode liberar gases tóxicos se pegar fogo.

O quarto tanque contém substância que inclui cloro em sua composição. Em contato com o fogo, exala um cheiro forte e sufocante. Nesse caso, planejava-se na noite passada esvaziar o tanque por meio de um duto subterrâneo e injetar água dentro dele. A operação entraria pela madrugada. As autoridades estavam confiantes. A ponto de a prefeitura descartar a hipótese de retirar os moradores de comunidades localizadas próximas à área do incêndio.

O gabinete de crise marcou para o final da manhã deste domingo uma segunda reunião para avaliar a efetividade das últimas decisões. Além do prefeito Paulo Barbosa e do vice-governador Márcio França, integram o grupo os secretários de Estado Saulo de Castro (Governo), José Roberto Rodrigues de Oliveira (Casa Militar), Alexandre de Moraes (Segurança Pública) e Patrícia Iglecias (Meio Ambiente); o comandante do Corpo de Bombeiros Marco Aurélio Alves Pinto; e o subsecretário de Comunicação do Palácio dos Bandeirantes, Marcio Aith.

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Escola em tempo integral!



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Do governo Dilma há pouco a esperar

Nas últimas semanas tenho dado entrevistas aos jornais e às TVs, talvez mais do que devesse ou a prudência indicasse. Por quê? A mídia anda à busca de quem diga o que pensa sobre o “caos” (a qualificação é oficiosa, vem da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) em que estaríamos mergulhados e é necessário que vozes da oposição sejam ouvidas.

A crise atual marca o fim de um período, embora ainda não haja percepção clara sobre o que virá. Em crises anteriores, as forças opostas ao governo estavam organizadas, tinham objetivos definidos.

Foi assim com a queda de Getúlio em 1945, quando a vitória dos Aliados impunha a democracia; idem na segunda queda de Getúlio, quando seus opositores temiam a instauração da “República sindicalista”; o parlamentarismo, igualmente, serviu de esparadrapo para que Jango pudesse tomar posse; em 1964 as “marchas das famílias pela liberdade” aglutinaram as forças políticas aos militares contra o populismo presidencial e, posteriormente, se entregaram a práticas autoritárias; deu-se o mesmo, por fim, quando a frente de oposição, liderada pelo PMDB, em aliança com dissidentes da antiga Arena, pôs fim ao regime criado em 1964.

Em todos esses casos, previamente ao desenlace, houve o enfraquecimento da capacidade de governar e os opositores tinham uma visão política alternativa com implicações econômicas e sociais, embora se tratasse fundamentalmente de crises políticas.

Mesmo no impeachment de Collor, a crise era política e a solução idem. Naturalmente, ajustes econômicos foram feitos em seguimento às soluções políticas, basta lembrar a dupla Campos/Bulhões nos anos 1960. Ou ainda, os planos Cruzado e Real, que se seguiram à Constituinte e à derrocada de Collor.

No que se distingue o “caos” atual? Em que ele é mais diretamente a expressão do esgotamento de um modelo de crescimento da economia (como também em 1964 e nas Diretas Já), embora ainda não se veja de onde virá o novo impulso econômico.

Mais do que de uma crise passageira, o “caos” atual revela um esgotamento econômico e a exaustão das formas político-institucionais vigentes. Será necessário, portanto, agir e ter propostas em vários níveis.

Embora haja alguma similitude com a situação enfrentada na crise de Jango Goulart, nem por isso a “saída” desejada é golpista e muito menos militar. Não há pressões institucionais para derrubar o governo e todos queremos manter a democracia.

Explico-me: a pretensão hegemônica do lulo-petismo assentou-se até a crise mundial de 2008, na coincidência entre a enorme expansão do comércio mundial e a alta do preço das commodities, com a continuidade das boas práticas econômicas e sociais dos governos Itamar/Fernando Henrique Cardoso.

Essas práticas foram expandidas no primeiro mandato de Lula, ao que se somou a reação positiva à crise financeira mundial. Ao longo do seu segundo mandato, o lulo-petismo assumiu ares hegemônicos e obteve, ao mesmo tempo, a aceitação do povo (emprego elevado, bolsa-família, salário mínimo real aumentado) e o consentimento das camadas econômicas dominantes (bolsa BNDES para os empresários, Tesouro em comunicação indireta com o financiamento das empresas, Caixa Econômica ajudando quem precisasse).

Só que o boom externo acabou, os cofres do governo secaram e a galinha de ovos de ouro da “nova matriz econômica” — crédito amplo e barato e consumo elevado — perdeu condições de sustentabilidade.

Isso no exato momento em que o governo Dilma pôs o pé no acelerador em vez de navegar com prudência. Daí que o discurso de campanha tenha sido um e a prática atual de governo, outra. Some-se a isso a crise moral, na qual o Petrolão não é caso único.

As oposições devem começar a desenhar outro percurso na economia e na política. Como a crise, além de econômica e social, é de confiabilidade (o governo perdeu popularidade e credibilidade), começam a surgir vozes por “um diálogo” entre oposições e governo.

Problema: qual o limite entre diálogo político e “conchavo”, ou seja, a busca de uma tábua de salvação para o governo e para os que são acusados de corrupção?

A reconstrução de uma vida democrática saudável e uma saída econômica viável requerem “passar a limpo” o país: que prossigam as investigações e que a Justiça se cumpra. Ao mesmo tempo há que construir novos modos de funcionamento das instituições políticas e das práticas econômicas.

As oposições devem iniciar no Congresso o diálogo sobre a reforma política. Em artigo luminoso do senador Serra, publicado no “Estadão” de 26 passado, estão alinhadas medidas positivas, tanto para a reforma eleitoral como para práticas de governo.

Iniciar a proposta de voto distrital misto nas eleições para vereador em municípios com mais de 200 mil eleitores é algo inovador (o senador Aloysio Nunes fez proposta semelhante). Há sugestões de igual mérito na área administrativa, como a criação da Nota Fiscal Brasileira, e ainda a corajosa e correta crítica ao regime de partilha que levou a Petrobras a se superendividar.

De igual modo, o senador Tasso Jereissati apresentou emenda moralizadora sobre o financiamento das eleições, impondo tetos de doação de até 800 mil reais para os conglomerados empresariais e restrições de acesso ao financiamento público às empresas doadoras. Partidos que até agora apoiam o governo, como o PMDB, também têm propostas a serem consideradas.

Sei que não basta reformar os partidos e o código eleitoral. Mas é um bom começo para a oposição que, além de ir às ruas para apoiar os movimentos populares moralizadores e reformistas, deve assumir sua parte de responsabilidade na condução do país para dias melhores.

Deste governo há pouco a esperar, mesmo quando, movido pelas circunstâncias, tenta corrigir os rumos. Tanto quanto popularidade, falta-lhe credibilidade.


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Blog do Josias

Renan quer Esplanada menor só para os outros

Renan Calheiros tornou-se um personagem paradoxal. Sob refletores, o presidente do Senado defende obstinadamente o enxugamento da Esplanada. Longe dos holofotes, guerreia vigorosamente para manter sob seus domínios o Ministério do Turismo, impedindo que o correligionário Henrique Eduardo Alves seja acomodado na pasta. E o que parecia solução virou mais um problema para Dilma Rousseff nas suas já conturbadas relações com o PMDB.

Renan entusiasmou uma plateia de empresários ao discursar na CNI, a Confederação Nacional da Indústria: “Se aplaudimos recentemente o Mais Médicos, está na hora do programa 'Menos Ministérios', 20 no máximo.” Três dias depois desse discurso, o Planalto informou que Dilma decidira nomear Henrique Alves para o Turismo, desalojando o atual titular da pasta, Vinicius Lage, um afilhado político de Renan.

A troca já estava combinada com a caciquia do PMDB desde o início do ano. Mas Renan levou o pé à porta. A novela arrasta-se por oito dias. Dilma gostaria de ter formalizado a escolha de Henrique Alves junto com as indicações do petista Edinho Silva (Comunicação Social da Presidência) e do acadêmico Renato Janine Ribeiro (Eduacação). Enfraquecida, avaliou que uma briga com Renan não convém ao governo. Achou melhor tomar distância.

Dilma delegou a resolução da encrenca interna do PMDB ao vice-presidente Michel Temer, que ainda não conseguiu dissolver o impasse. No início do ano, ao partilhar os ministérios entre seus aliados, Dilma combinara que o PMDB teria seis pastas —três para a bancada do Senado e três para a da Câmara.

Na cota dos senadores, entraram Eduardo Braga (Minas e Energia), Kátia Abreu (Agricultura) e Helder Barbalho (Pesca), filho de Jader Barbalho. Na cota da Câmara, subiram Edinho Araújo (Portos) e Eliseu Padilha (Aviação Civil). Combinara-se que Henrique Alves iria ao Turismo tão logo seu nome fosse excluído pela Procuradoria da República do rol de investigados da Operação Lava Jato.

Nesse arranjo, o afilhado de Renan permaneceria no Turismo apenas até que Henrique Alves tivesse condições de assumir. A meia-volta deixa desbalanceada a distribuição de poltronas. Mantida a composição atual, o PMDB de Renan tem quatro pastas. E o de Eduardo Cunha, presidente da Câmara, tem apenas duas. Significa dizer que, para fugir de um confronto com Renan, Dilma se arrisca a desagradar o pedaço da bancada de deputados que ainda valoriza a ocupação de ministérios.

No discurso da CNI, feito há 12 dias, Renan dissera que, além de enxugar a Esplanada, o governo deveria funcionar com “menos cargos comissionados, menos desperdício e menos aparelhamento.” Hoje, ele diz, em privado, que trocaria o Turismo pelo ministério da Integração Nacional, ocupado pelo PP. Fica entendido que, para Renan, o desaparelhamento no fisiologismo dos outros é refresco.

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Queda livre!




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Blog do Coronel

Velho truque: PT quer ser oposição ao PT.

(Folha) Em documento divulgado nesta quarta-feira (1º), a chapa PMB (Partido que Muda o Brasil), maior força interna do PT, fez críticas ao modelo de ajuste fiscal proposto pela gestão Dilma Rousseff (PT). O grupo majoritário --formado pelas correntes CNB (Construindo um Novo Brasil), Novo Rumo e PTLM-- lamentou que o peso das medidas econômicas tenha "recaído mais sobre os trabalhadores do que sobre outros setores das classes dominantes".

Elaborado para o 5º Congresso do PT, que será realizado em junho, o manifesto questiona ainda por que a sociedade não foi previamente consultada sobre o ajuste fiscal do governo petista. "Essas práticas foram em grande parte responsáveis pelo mal-estar de muitos movimentos sociais que lutaram pela eleição da presidente e que, hoje, se encontram perplexos e frustrados com as primeiras medidas", avalia.

O texto, no entanto, defende a presidente ao negar que Dilma, ao propor mudanças econômicas, tenha cometido "estelionato eleitoral", e garante que ela não renunciou às promessas feitas na campanha eleitoral. "Faltou explicar, contudo, e no momento adequado (talvez antes mesmo do 1º de janeiro), que não era mais possível continuar aplicando, da mesma forma, as políticas contra cíclicas adotadas no primeiro mandato", pondera.

A maior chapa do partido admite que as recentes denúncias de corrupção "acabaram por golpear duramente a imagem da legenda" e defende que a sigla "não pode cair nessa vala comum". "É imprescindível que a continuada ação dos poderes da República e a própria vigilância do partido cortem a corrupção na sua raiz, se necessário na própria carne. O PT necessita sair das páginas policiais do noticiário e ficar apenas naquelas dedicadas à política", ressalta. Na avaliação do grupo majoritário, o "fenômeno da corrupção" poderia ter sido enfrentado de maneira distinta caso fosse realizada uma reforma política no país.

O texto coloca ainda como um desafio para o partido entender como a mobilização que garantiu a reeleição da presidente foi revertida em "tão curto prazo". "Parte da maioria que elegeu a presidente está perplexa e desmobilizada", admite.

As críticas ao governo federal também foram vocalizadas em documento divulgado pela tendência Mensagem ao Partido, a segunda maior força interna da sigla. Segundo o texto, o segundo governo da presidente teve início com uma "clara inflexão conservadora" que, na avaliação da corrente interna, é "contraditória" ao programa eleitoral apresentado pela então candidata petista.

"É preciso superar esse impasse ou o segundo governo trabalhará, na melhor das hipóteses, com um cenário de baixo crescimento [da economia] e eventual crescimento do desemprego", ressalta. Para a tendência petista,"os maiores erros" nos últimos anos, e que "podem se repetir agora", foram cometidos pela gestão do Banco Central. "Desestabilizou tentativas de retomada econômica, onerando a carga fiscal."

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CNI-Ibope: 3 em cada 4 brasileiros não confiam em Dilma.

 (Estadão) A presidente Dilma Rousseff atingiu em março o pior nível de popularidade desde o início do seu governo, em 2011, segundo pesquisa realizada pelo Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A confiança na presidente caiu para 24%. Outros 74% dos entrevistados disseram que não confiam em Dilma e 3% não quiseram ou não souberam responder.
Segundo a pesquisa, o governo Dilma é avaliado como ótimo ou bom por 12% dos brasileiros. É o pior desempenho de um presidente em início de mandato desde o primeiro ano do segundo governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1999.

Os que consideram o governo regular atingiram 23% e os que o avaliam como ruim ou péssimo são 64%. Em dezembro, a primeira pesquisa CNI/Ibope após a reeleição de Dilma, a avaliação do governo como ótimo ou bom era de 40%. No fim do ano, 32% apontavam o governo como regular e 27%, como ruim e péssimo. Já aprovação ao governo atingiu 19% em março, contra 52% em dezembro. A desaprovação ao governo subiu para 78% no mês passado, ante 41% registrado em dezembro.

O Ibope ouviu 2.002 pessoas em 142 cidades entre 21 e 25 de março, com margem de erro de dois pontos porcentuais e nível de confiança no resultado de 95%. Na última pesquisa, realizada em dezembro, a presidente Dilma tinha a confiança de 51% dos brasileiros. Não confiavam na presidente 44% dos entrevistados, naquele levantamento CNI/Ibope. O pico de popularidade de Dilma ocorreu em março de 2013, quando atingiu 75% de confiança. Logo em seguida, em julho daquele ano, após as manifestações de junho, a confiança na presidente caiu para 45%.

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Pesquisa Ibope sobre o governo Dilma acendeu a luz vermelha no Instituto Lula
Ricardo Noblat

O que mais deve preocupar a presidente Dilma Rousseff em meio ao tsunami de más notícias trazidas pela mais recente pesquisa do Ibope que ouviu 2.002 pessoas em todo o país entre os últimos dias 21 e 25: a queda na aprovação dela não se dá apenas entre os que votaram em Aécio Neves (PSDB) para presidente da República. Não.

Entre os que dizem ter votado em Dilma no segundo turno da eleição de 2014, a aprovação do seu governo caiu de 80% em dezembro último para 34% agora. Entre os partidários de Aécio caiu de 16% para 3%. Para 69% dos entrevistados, Dilma é culpada pelo esquema de corrupção na Petrobras. Para 60% deveria ser deposta.

A gestão de Dilma é considerada ruim ou péssima por 64% dos brasileiros, índice igual ao obtido pelo então presidente José Sarney em julho de 1989. O percentual dos que não confiam em Dilma saltou de 14% para 74%. O segundo mandato dela está sendo pior do que o primeiro (76%). Apenas 14% acreditam que o resto do mandato será ótimo ou bom.

Nada do que Dilma está fazendo é aprovado pela maioria da população. As políticas de taxa de juros e impostos são reprovadas por 89% e 90%, respectivamente. E o combate à inflação por 84%. As ações na área da saúde? Quase 85% reprovam.

Anteontem, reunido em São Paulo com um grupo de políticos do PT, Lula disse que seu futuro está ligado ao de Dilma para o bem ou para o mal. Se ele estiver certo, a pesquisa Ibope, que só veio confirmar o que a pesquisa do instituto Datafolha antecipara, acendeu a luz vermelha no Instituto Lula.

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Dilma diz que Brasil exportará petróleo em 2020

Há na praça duas estatais chamadas Petrobras. A mais conhecida encontra-se pendurada de ponta-cabeça nas manchetes policiais. Com os cofres profanados no maior caso de corrupção já visto no país, tem dificuldades até para fechar um reles balanço.

A outra Petrobras é uma companhia de fábula. Surgiu do gogó de Dilma Rousseff, numa entrevista à Bloomberg, agência de notícias americana. Essa nova Petrobras está na bica de tornar-se autossuficiente na produção de óleo. Em cinco anos, passsará da condição de importadora para a de exportadora de petróleo.

Gravada na terça-feira, a entrevista de Dilma, disponível acima, veio à luz nesta quarta. Uma data sintomática: 1º de abril, o Dia da Mentira. “A Petrobras, hoje, ultrapassou as suas dificuldades técnicas”, disse a presidente a certa altura. “As dificuldades técnicas diziam respeito ao aumento na produção de petróleo.”

Retomando um discurso do tipo ‘Brasil grande’, muito comum nas gestões do padrinho e antecessor Lula, a presidente anunciou: “Estamos, progressivamente, voltando à condição de, primeiro, autossuficiente. E, depois, nós viraremos exportadores.” Noutro ponto da conversa, Dilma soltou uma frase a esmo: “Nós acreditamos que o Brasil será um exportador de petróleo até 2020.”

Depois de amargar quedas na produção em 2011 e 2012, a Petrobras teve de “reaglutinar alguns empreendimentos e refazer a curva de produção”, afirmou Dilma. Mas os problemas da estatal acabaram. “Estamos produzindo 2,1 milhões de barris/dia”, ela comemorou. “Só a Petrobras, sem contar as demais empresas que produzem no Brasil.”

Dilma soltou mais fogos: “A boa notícia nisso tudo é que no pré-sal, que era um desafio, nós já passamos de uma produção média de 300 mil barris para uma de 660 mil barris.” Não é só: o óleo extraído das profundezas exibe uma qualidade “melhor do que a gente esperava.”

Enquanto a autossuficiência não chega, “uma parte dessa produção vai significar uma redução bastante grande das nosssas importações de petróleo”, acrescentou Dilma. Nesse ponto, ela fez uma rara concessão à realidade: “Não acredito que isso se dê de forma súbita. Mas vai ser sistemática, ao longo do tempo.”

A Operação Lava Jato ainda não concluiu a lavagem. Mas Dilma já começa a enxergar a petrorroubalheira pelo retrovisor. “No que se refere à governança, eu acho que nós estamos ultrapassando os desafios da nossa gestão através de várias medidas de compliance [respeito às leis e aos regulamentos]”, declarou, antes de assegurar que o balanço da Petrobras sairá “até o final de abril”.

Desde o último trimestre de 2014 que a estatal petroleira não consegue exibir uma escrituração, um demonstrativo financeiro. Tem dificuldades para estimar quanto foi surrupiado dos seus cofres. Coisa superada, assegurou Dilma: “Tenho certeza que a Petrobras conseguirá resolver todos os seus problemas até o final de abril. A nova direção da Petrobras e o novo conselho estão caminhando para construir essa solução. Isso eu posso te assegurar.”

Embora presidisse o Conselho de Administração da Petrobras no auge da pilhagem, Dilma sempre tangenciou o escândalo à moda Lula, escapando pela porta do “eu não sabia”. Na conversa com a Bloomberg, ela foi instada a explicar-se.

Embromou: “Nós tivemos uma investigação que está envolvendo toda a Polícia Federal do país, o Ministério Público Federal, todo o Judiciário para descobrir até o fundo o que ocorreu dentro da Petrobras. Não era pura e simplesmente uma questão de gestão.” Suspeita-se que Dilma tenha desejado declarar que o roubo foi tramado de fora para dentro da estatal, não o contrário.

Ela tomou distância: “Você veja que os dois presidentes [José Sérgio Gabrielle e Graça Foster] não tem nenhuma evidência do envolvimento deles. O Conselho [de Administração] era integrado por empresários bastante qualificados, não era só por mim. Eu era presidente junto com vários grandes empresários brasileiros.”

Mas não viu nem um sinal de que algo desandava? “Nenhum de nós sequer viu um sinal. E quem descobre os sinais foi uma investigação de crime de lavagem de dinheiro, de manipulaçao de reservas. É assim que começa a história. E se descobre por essa questão, não investigando a Petrobras.”

Dilma reiterou: “Não se trata de uma prática de gestão pura e simplesmente dentro da Petrobras.” Nesse ponto, ela se animou a dizer o que se passava na estatal que sempre esteve sob seus cuidados, desde que foi nomeada ministra de Minas e Energia no primeiro reinado de Lula.

“Tudo indica que envolve formação de cartel, envolve corrupção de funcionários…” Como se sabe, envolve muito mais coisa. Dilma, porém, se absteve de dizer que envolve também a decisão, tomada sob Lula, de mercadejar diretorias da Petrobras no balcão das baixas negociações políticas, entregando-as ao PT, ao PMDB e ao PP. Envolve a permanência no comando da Transpetro, por 12 anos, de um apaniguado de Renan Calheiros. Envolve a cegueira cúmplice dos que nunca souberam de nada.

Nesse ponto da entrevista, após sonegar aos entrevistadores a maior parte dos elementos que compõem o escândalo, Dilma pronunciou uma as frases mais desconexas de toda sua presidência. Repare:

“E esta é uma questão que, necessariamente, pra essa dimensão, nao é, vamos dizer…, uma questão que, ahhhh.. impedir a corporaaa…, ahhh… impedir que a corporação cometa, éééé, irregularidades, você segura.”

Dilma foi se reconciliando com sua língua os poucos: “Essa é uma questão que envolve também, no Brasil, a construção de um ambiente de não-impunidade”, ela disse. Jactou-se: “Pela primeira vez foi aprovada uma lei que pune o corruptor e o corrupto. Pela primeria vez no Brasil nós vamos também, agora, por iniciativa do governo, criminalizar o caixa dois de campanha.”

Quem ouve Dilma fica tentado a perguntar aos seus botões: 1) Se a impunidade imperava no país e não havia nem mesmo uma lei que alcançasse corruptos e corruptores, como conseguiu o STF enviar para a Papuda a bandidagem do mensalão, incluindo a cúpula do PT. 2) Se a ideia é criminalizar o caixa dois, como enquadrar as propinas auferidas pelo PT no petrolão depois que o partido lavou-as na Justiça Eleitoral com o sabão das “doações legais”?

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Jardim de Segurança Máxima!



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A fúria de Lula tem um motivo: acha que Dilma vai inviabilizar a sua candidatura em 2018. Ele não aceita a evidência: seu tempo acabou!

A Folha informa na edição desta quinta que o ex-presidente voltou a reclamar de Dilma Rousseff em conversa com sindicalistas no encontro de terça-feira. Já havia feito o mesmo com dirigentes petistas na segunda. Ele estrila para que ela saiba, não para que não saiba.

O chefão decadente criticou a coordenação política do governo, a cargo de Aloizio Mercadante, no que está certo (é ruim de doer mesmo), mas o fez, não duvidem nunca, por motivos errados. Os sindicalistas, por sua vez, se queixaram da falta de diálogo com o governo, e o Babalorixá de Banânia não se fez de rogado: tornou-se o porta-voz da chiadeira no discurso que fez:
“Dilma, se estiver ouvindo, gostaria de dizer o seguinte. Você precisa lembrar sempre que quem está aqui é o seu parceiro, nos bons e nos maus momentos. A gente não quer ser convidado só para festa, não. A gente quer ser convidado para discutir coisas sérias, para fazer boas lutas e boas brigas.”

As palavras fazem sentido. Prestem atenção ao “se estiver ouvindo”. Poderia ser substituído por sua “teimosa”, “cabeça dura”, “desobediente”. Lula tem dito por aí que Dilma está isolada no Palácio, que tem de andar mais e se aproximar dos movimentos sociais. Ou por outra: ele quer que ela cole justamente nos setores que pretendem mandar às favas o ajuste fiscal.

Isso é o que Lula diz. E o que ele não diz? O homem quer voltar, sim, e acha que a ainda aliada está obstruindo o seu caminho. Não é só ele. Boa parte da máquina petista e da máquina sindical pensa a mesma coisa. Ou, na expressão de um petista graúdo, conversando com um de seus pares: “Ela [muitos “companheiros” só se referem a Dilma por “ela”] vai conseguir o que a direita não conseguiu; vai quebrar as pernas do PT”.

Lula diz por aí que, no primeiro ano de seu primeiro mandato, viveu circunstâncias até piores do que as de Dilma, mas as venceu “conversando com a sociedade”. É claro que se trata de uma mentira. Entre outras delicadezas, o chefão se esquece de que ele e o PT não tinham a memória de 12 anos de poder, com todos os seus descalabros.

Um dos luminares petistas lembra que o partido não dispõe hoje, e não disporá nos próximos três anos e pouco,  de uma alternativa a Lula para disputar a sucessão de Dilma e que ouvi-lo antes de tomar decisões seria uma espécie de obrigação da presidente. Com ironia, comentou com um interlocutor: “Só faltava agora ela estar preocupada com a própria biografia. Há outras prioridades”.

Dilma tem, sim, de se preocupar com as ruas. Mas quem mais a ameaça hoje é Lula, que não aceita o óbvio: seu tempo acabou!

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VERGONHA: Governo Dilma dá calote na OEA para transferir para a Unasur, dos bolivarianos…

Por Leonardo Courinho, na VEJA.com:
No governo petista, a diplomacia brasileira perdeu a sua relevância na defesa dos interesses nacionais e se transformou em uma peça de defesa da ideologia do partido que está no poder. Ano após ano, o Brasil foi ampliando o seu alinhamento com o chamado “bolivarianismo”, o populismo de esquerda inaugurado pelo falecido presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e imitado em maior ou menor grau na Argentina, na Bolívia, no Equador e na Nicarágua. Esse alinhamento exige o gradual afastamento dos Estados Unidos, país que no discurso bolivariano é apontado como a causa de todos os males da região.

No ano passado, o Brasil deu um passo drástico no esfriamento das relações com os Estados Unidos, ao se recusar a pagar a sua contribuição obrigatória à Organização dos Estados Americanos (OEA), entidade que reúne as nações das Américas do Sul, Central e do Norte. Dos 8,1 milhões de dólares esperados, o Brasil depositou apenas 1 dólar, conforme revelou o jornal Folha de S.Paulo em janeiro passado. Para este ano, são previstas contribuições de 10 milhões de dólares, mas até o momento o Brasil não realizou nenhum repasse para organização.

Acreditava-se que o calote era resultado de um contingenciamento do orçamento do Itamaraty. No entanto, a reportagem de VEJA fez uma análise das transferências internacionais realizadas nos últimos anos e descobriu um curiosa coincidência: no ano passado, o Brasil transferiu para União das Nações Latino Americanas (Unasul) 16,24 milhões de reais – o equivalente a mais de 6 milhões de dólares, considerando a cotação nas datas dos pagamentos. O repasse para a Unasul foi mais que o dobro do previsto no Orçamento da União aprovado pelo Congresso: 7,2 milhões de reais. Em 2013, a contribuição brasileira para a Unasul, entidade multilateral criada por Hugo Chávez, foi de apenas 344.000 reais. O calote na OEA, portanto, é intencional. Não faltou dinheiro. Simplesmente, a diplomacia petista optou por privilegiar a Unasul e negligenciar a OEA.

Esse processo começou em 2011, quando a Unasul foi criada com o intuito de excluir os Estados Unidos, o Canadá e o México das discussões regionais. Em abril daquele ano, a presidente Dilma Rousseff determinou que Ruy Casaes, embaixador brasileiro na OEA, fosse chamado de volta a Brasília em protesto contra a manifestação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pedindo asuspensão das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Desde então, o Brasil tem apenas um representante interino na organização, Breno Dias Costa. Para o ex-embaixador do Panamá na OEA, Guillermo Cochez, a entidade é vítima de um processo de esvaziamento liderado pela Venezuela e do qual o Brasil faz parte. “É triste ver uma potência regional como o Brasil deixar-se guiar por uma política externa contrária aos valores democráticos”, diz Cochez.

No ano passado, quando a então deputada Maria Corina Machado tentou levar para o âmbito da OEA o debate sobre a violência contra manifestantes que invadiram as ruas da Venezuela contra o regime chavista, o representante brasileiro se uniu ao coro dos chavistas para desqualificar o depoimento da venezuelana e para impedir que ele acontecesse em reunião aberta. Breno Dias da Costa disse, na ocasião: “O objetivo desta reunião não é transformá-la em um circo para o público externo, como alguns representantes mostraram que querem fazer.” O episódio demonstrou que o governo brasileiro não apenas não aceita ser criticado em questões de direitos humanos, como toma as dores quando o mesmo acontece com a Venezuela.

Para governos que não gostam de críticas, a Unasul é o clube perfeito. Toda vez que é chamada para “mediar” a crise política na Venezuela, a organização dedica-se basicamente a endossar as acusações feitas pelo presidente Nicolás Maduro à oposição e silencia sobre o fato de que há presos políticos no país.

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Dilma pode ou não ser investigada? A fala de Marco Aurélio, a questão jurídica e a questão política

A oposição quer que o plenário do Supremo diga se a presidente Dilma pode ou não ser investigada enquanto estiver no mandato. A jurisprudência do tribunal diz que sim — ela não pode é ser processada por atos considerados anteriores a seu mandato. Escrevi ontem à noite a respeito.

Os partidos de oposição entraram com um Agravo Regimental no Supremo lembrando essa possibilidade. Teori Zavascki enviou a questão para um parecer de Rodrigo Janot, procurador-geral da República, que já anunciou que dirá “não”. Segundo ele,
a: Dilma não pode ser investigada por atos anteriores ao mandato;
b: não haveria elementos fáticos contra ela.

Para as oposições, há aí uma questão de ordem a ser definida, e o plenário da Casa tem de se manifestar. Bem, antes mesmo que seja chamado a tanto, o ministro Marco Aurélio se manifestou. Afirmou o seguinte:
“De início a Constituição veda a responsabilização. O que se quer com essa cláusula é proteger em si o cargo. Já está tão difícil governar o país. Imagine então se nós tivermos um inquérito aberto contra a presidente da República”.

Bem, vamos, então, botar um pouco de ordem nas coisas. A jurisprudência do Supremo é clara: processar não pode, mas investigar pode. Essa é a questão jurídica. Se será mais fácil ou mais difícil governar o país, bem, meus caros, aí já estamos fora do terreno jurídico. Aí já se trata de uma questão política, que, em princípio, não cabe aos juízes.


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Blog do Reinaldo Azevedo

NÃO É SÓ O PT, NÃO! LULA TAMBÉM ESTÁ MORTO! NOME DO FILME: “ADEUS, LULA!”

É uma delícia ser lido por uma esmagadora maioria de sabidos, mas vocês entendem, não é? Blogs ainda não contam com mata-burro. Quando escrevo que o PT está morto, alguns quadrúpedes acham que estou prevendo o fim do partido para amanhã. Não! O que estou dizendo é que o projeto hegemônico da legenda foi por água abaixo. Acabou! Não haverá a ditadura do astro-rei, em torno do qual orbitariam não mais do que satélites. Chegamos a correr, sim, esse risco. Da mesma sorte, quando afirmo que Lula está acabado, não estou antevendo para breve a sua passagem — sim, todos passaremos, não é?, eu também… O chefão do PT vive, mas o demiurgo está morto. Não tem mais como se apresentar como a voz de Deus ou como um seu intermediário. Em quatro meses, o discurso do Babolorixá de Banânia envelheceu 40 anos.

Nesta terça, Lula reuniu sindicalistas e ditos líderes de autoproclamados “movimentos sociais” no Sindicato dos Bancários de São Paulo num ato, quem diria?, em defesa da Petrobras e contra a corrupção. Que coisa! Vejam trecho de seu discurso, que está no Youtube. Volto em seguida.



Como se nota, para o petista, a corrupção na Petrobras é obra de uma pessoa ou outra, o objetivo era só enriquecer alguns larápios, o dinheiro não foi enviado para os partidos políticos, e ele próprio, Lula, é o brasileiro mais indignado com a roubalheira.

O poderoso chefão fez esse discurso no dia em que ficamos sabendo que Alberto Youssef disse ter entregado, pessoalmente, grana para a cunhada de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. Mais: um funcionário seu, afirmou o doleiro, deixou uma mala de dinheiro na sede do PT nacional, em São Paulo.

No evento, José Sérgio Gabrielli, o petista que presidiu a Petrobras durante a lambança, foi saudado como herói. E Lula desafiou qualquer pessoa a provar que o aliado cometeu alguma irregularidade.

É uma pena que seja tão preguiçoso para ler. Já confessou que até Chico Buarque lhe dá sono (não há como censurá-lo por este particular…). Oscar Wilde, então, nem pensar. Não fosse esse preguiça, o ex-presidente deveria se dedicar ao romance “O Retrato de Dorian Gray”, que recomendo vivamente a todos os leitores.

Dorian é um rapaz notavelmente bonito, que tem sua figura estampada num retrato. Por circunstâncias várias, leiam lá, consegue a eterna juventude, e quem envelhece em seu lugar é o retrato. Leva uma vida dissoluta e sem limites, provoca uma série de desastres à sua volta, mas não perde a juventude. A imagem do retrato, no entanto, vai envelhecendo e estampando os horrores de sua alma. Quem leu sabe como termina. Quem não leu deve fazê-lo.

Lula era o Dorian Gray da política — não pelos dotes físicos, claro!, mas, como diria Camões, pelos transes da ventura, da sorte. As barbaridades perpetradas pelo PT e pelos governos petistas nunca haviam vincado a sua imagem. Permanecia, aos olhos de milhões, o líder popular impoluto, em quem nada colava. Escândalo do mensalão? Ele proclamava: “É golpe!” E a farsa prosperava, com a colaboração da máquina maligna do petismo, infiltrada em todas as esferas do estado brasileiro, na imprensa, nas ONGs, nos tais movimentos sociais. Um bando de larápios foi flagrado comprando um dossiê para incriminar adversários? Lula mandava ver: “São aloprados! Nada têm a ver com o PT”. Dorian desfrutava o mundo e destruía pessoas com seu hedonismo irresponsável; Lula, com a sua tagarelice agressiva, compulsiva e rasa.

Mas o retrato do chefão — e o do PT — iam envelhecendo no porão da história. As marcas iam ficando. E finalmente se quebrou o encanto. Não! Essa narrativa não terá, como a outra, um momento de arrependimento e contrição para pôr fim à monstruosidade moral. Não há, no companheiro, resquício de consciência culpada. É a população que, finalmente, colou o retrato de Lula — aquele líder inventado pelas esquerdas universitárias e pela imprensa — ao Lula que realmente existe.

Assistam ao vídeo de Lula na reunião desta terça com os petistas. O líder está velho. Está acabado. Está passado. Não me refiro à decadência física, de que todos somos vítimas. Falo é da decadência moral mesmo, ética, espiritual se quiserem.

Num dado momento, diz o mito decadente: “Porque hoje, se tem um brasileiro indignado sou eu. Indignado com a corrupção”. Que patético! Não! Há muitos milhões de brasileiros muito mais indignados. Há muitos milhões de brasileiros que já não caem mais nessa conversa. Há muitos milhões de brasileiros que enxergam na cara do próprio Lula as marcas dos governos petistas.

O PT está morto.

Lula está morto.

Mas o Brasil vive nas ruas, nas pessoas que trabalham, que estudam, que trabalham e estudam. E Lula e o PT não as representam.

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Eis que surge o verdadeiro coordenador político de Dilma: Joaquim Levy!

Eita! Eis que, não mais que de repente, surge um coordenador político no governo. É o mais improvável de todos eles: Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Aquele que estreou no comando da economia classificando de tosca a forma como o governo Dilma desonerou a folha de pagamentos; aquele que disse num seminário fechado que é genuína a vontade da presidente de endireitar o Brasil, embora ela seja pouco efetiva; aquele que previu recessão, quando, na sua posição, esperavam que se calasse; que tem um ar, assim, meio “nerd”, com uma aparência algo alienada dos problemas mundanos; que é chamado pelos petistas e pelas esquerdas de “neoliberal”; que parece preferir se esconder em olhos miúdos, tornados ainda menores pelas lentes da miopia; que semelha ter uma certa obstinação alheia às vicissitudes do mundo real… Eis que este senhor foi o único capaz de dar ao menos uma freada na máquina de moer Dilma em que se transformou o Congresso.

Atenção! A presidente da República tem nada menos do que nove coordenadores políticos. Por isso mesmo, o que ela mais colhe são desastres. Lembram aquela piada de quantos petistas são necessários para trocar uma lâmpada? Resposta: nove! Um para segurar a dita-cuja e oito para girar a escada.

Levy falou neste terça na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Convenceu os parlamentares a adiar para a próxima terça-feira a votação que obriga o governo a renegociar a dívida dos Estados e municípios, conforme lei já aprovada pelo Congresso e sancionada por Dilma.

O ministro propôs que o novo índice de correção da dívida só comece a ser aplicado a partir de 1º de fevereiro do ano que vem, quando, então, se saberá se o governo terá ou não cumprido a meta fiscal. O que, a partir de agora, for pago segundo a lei anterior seria posteriormente ressarcido. Rio e São Paulo, as duas cidades mais interessadas nas novas regras, concordaram com o adiamento.

Levy falou longamente sobre a necessidade de “endireitar” a economia, para usar palavra sua, e fez ver aos senadores que o eventual malogro do ajuste fiscal levará as agências de classificação de risco a rebaixar o país, o que seria catastrófico. Sua intervenção foi bem recebida por governistas e oposicionistas.

O ministro obteve numa conversa o êxito que os nove trapalhões de Dilma não obtiveram, a despeito de sua frenética movimentação. Isso demonstra que o Congresso pode, sim, ser suscetível a um bom argumento e à honestidade de propósitos. Ninguém precisa gostar de Levy ou de suas medidas. Mas ele é um homem correto.

Dilma mãos de tesoura
Em entrevista à Agência Bloomberg, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo “prepara um grande corte” de gastos. Estima-se que o Orçamento possa ficar entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões menor.

Dados divulgados nesta terça-feira mostraram que o Governo Central, no mês, teve um déficit de R$ 7,357 bilhões, com um acumulado negativo de R$ 24,9 bilhões em 12 meses.

Se esse ritmo não mudar, o país não conseguirá cumprir a meta de superávit primário de 2015: 1,2% do PIB — ou R$ 66 bilhões. O que fará Dilma Mãos de Tesoura? Bem, agora ela tem um coordenador político, não é? Coloque Levy para negociar. Se ele não conseguir, melhor dizer adeus às armas…

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Janot dirá a Zavascki, de novo!, que Dilma não tem de ser investigada; plenário do Supremo deve se manifestar

Ai, ai, leitor! O cipoal jurídico é intrincado, mas a gente vai separando os fios. Vamos botar as coisas na ordem cronológica.

1: Rodrigo Janot, procurador-geral da República, decidiu não pedir a abertura de um inquérito para investigar a presidente Dilma Rousseff alegando que ela não pode ser investigada por atos anteriores ao exercício de seu mandato;

2: Teori Zavascki, relator do petrolão no Supremo, concordou com a tese.

3: Os partidos de oposição entraram com um Agravo Regimental pedindo que o ministro revisse a sua posição. Fizeram isso ancorados em sólida jurisprudência do Supremo que estabelece que o chefe do Executivo, nessas circunstâncias, não pode ser PROCESSADO, mas pode, sim, ser INVESTIGADO.

4: Zavascki decidiu, então, enviar a questão para Janot, cobrando-lhe um parecer.

5: Nesta terça, Janot informou a um grupo de deputados de oposição que vai enviar a Zavascki o seu parecer: além de manter o argumento de que a presidente não pode ser investigada, dirá que não encontrou elementos fáticos que justifiquem essa investigação.

6: Caso encerrado? Eis o busílis. Acho que não. Vamos ver:
a: ao manter o ponto de vista, também esposado por Zavascki, de que Dilma não pode ser investigada por atos anteriores a seu mandato, Janot se posiciona, claramente, contra a jurisprudência do Supremo;
b: é evidente que isso enseja, então, uma QUESTÃO DE ORDEM. O plenário do tribunal terá de ser chamado a se manifestar:
c: note-se, ademais, que, embora os dois argumentos não sejam paradoxais, um exclui o outro: se Dilma não pudesse ser investigada (e tal argumentação está mantida), que diferença faria, então, haver ou não elementos fáticos, não é mesmo? É como se alguém dissesse que acabou a ração do gato, para acrescentar, em seguida, que o gato fugiu. A ausência de ração e a ausência do gato não são paradoxais entre si, mas, se não há gato, que relevância tem a falta de ração?

7: Aí vem a pergunta: mas há ou não elementos para, ao menos, investigar Dilma Rousseff? A resposta, analisando os demais pedidos de inquérito de Janot, é “sim”. São anteriores ao mandato, como quer o procurador? Que sejam! Ela não pode ser processada por isso, mas investigada, ah, isso ela pode. Até porque, no curso dessa eventual investigação, podem surgir elementos que digam respeito a seu mandato. E aí cabem a investigação e, a depender do caso, a denúncia e o processo.

8: Por que é importante que o plenário do Supremo se manifeste? Ora, se, provocados por uma Questão de Ordem, os senhores ministros decidirem que Dilma pode ser, sim, investigada, o procurador-geral não poderá deixar de pedir a abertura do inquérito se os elementos fáticos se tornarem ainda mais evidentes.

Ou, como disse o deputado Raúl Jungmann (PPS-PE) nesta terça: “Se o STF retirar esse óbice [colocado por Janot], fica aberta a possibilidade. O procurador não tem elementos hoje, mas pode vir a ter num segundo momento e poderá investigar. Para nós a fase de instrução, de inquérito, a investigação inicial, deve acontecer. Tudo antes da apresentação da denúncia é válido”.

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Lula “indignado com corrupção” é como comandante de navio revoltado com mar

“Hoje, se tem um brasileiro indignado sou eu, indignado com a corrupção.” Com essa frase, dita por Lula num ato público na noite desta terça-feira, o Brasil escalou uma espécie de cume do cinismo. Pior do que a presunção de Lula de que ninguém se lembraria da sua própria cumplicidade com os escândalos é a conclusão de que a presunção é desnecessária.

Mesmo sabendo que ninguém desconhece que os dois maiores escândalos da República —o mensalão e o petrolão— têm origem no seu reinado, Lula acredita piamente que ainda pode dizer o que bem entender. E no vácuo moral em que se encontra mergulhado o país talvez possa mesmo. Tudo pode ser dito e feito quando nada tem consequência.

Tanto que a “indignação” de Lula tem dois gumes. Serve para manifestar sua repulsa à corrupção e também para realçar sua aversão às delações que desnudaram a petrorroubalheira. Com a delação, “bandido vira herói”, resmungou o morubixaba do PT, antes de sapatear sobre o trabalho criterioso da Procuradoria e do juiz Sérgio Moro.

O delator “não precisa nem delatar”, prosseguiu Lula. “Vai lá e fala eu acho, eu penso, eu ouvi dizer que fulano de tal fez tal coisa. E já vira manchete. Não precisa mais de juiz, a imprensa já condenou, a manchete já condenou, as pessoas estão perdendo o direito de andar na rua, as pessoas estão sendo agredidas nos aviões, nos restaurantes, sem prova nenhuma —apenas porque alguém que foi acusado disse: ‘olha, eu fiz isso mas eu era tão bonzinho. Eu virei ruim depois.”

Num timbre antiatopeótico, Lula bradou: “Canalha já nasce canalha. Bandido já nasce bandido.” Chama-se Paulo Roberto Costa o primeiro “canalha” a celebrar com a força-tarefa da Lava Jato um acordo de delação premiada. Foi nomeado diretor de Abastecimento da Petrobras no primeiro reinado de Lula, que chamava o “bandido” de Paulinho. Só deixou o posto, sob elogios escritos, em 2012, já sob Dilma.

Lula lamentou “o que estão fazendo com a Petrobras”. Tentam “mostrar que é uma empresa corrupta”. Errou o tempo do verbo. O lamentável é o que fizeram com a estatal. O dinheiro dos cofres da empresa só saiu pelo ladrão porque os ladrões foram empurrados por partidos da coligação oficial dentro do cofres. Tudo com as bênçãos de Lula, o indignado.

“Se teve corrupção lá dentro não foi corrupção de uma totalidade”, constatou Lula, num flerte com o óbvio. “Foi corrupção de uma ou outra pessoa, que terá que pagar o preço por ter enganado o povo brasileiro.” Enganar o povo não foi nada. O inacreditável é que autoridades como Lula e Dilma fujam de suas responsabilidades, refugiando-se atrás da lorota do “eu não sabia”.

Sem mencionar-lhe o nome, Lula evocou a delação do ex-gerente Pedro Barusco. Referiu-se a ele como o “cidadão que vai fazer delação premiada e diz que tem não sei quantos milhões lá fora”. A Justiça não só quantificou o desvio (US$ 97 milhões) como já está repatriando a grana, que estava entesourada na Suíça.

“Esse cidadão repartiu com vocês?”, perguntou Lula aos militantes que o ouviam. “Ele repartiu com algum partido político ou ele repartiu com a conta bancária dele?” Lula deveria desperdiçar um naco do seu tempo lendo os depoimentos prestados por Barusco. São peças públicas. Nelas, lê-se que, na diretoria que abrigava Barusco, a de Engenharia e Serviços, cabia ao diretor Renato Duque, seu chefe, cuidar do repasse da parte da propina que cabia ao PT.

Para desassossego de Lula, Duque não era o único provedor do PT. A propósito, em depoimento prestado horas antes de Lula despejar sua “indignação” sobre o microfone, o doleiro Alberto Youssef contou que mandou entregar prtropropinas ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, na porta do diretório nacional da legenda.

Lula nunca viu governos tão maravilhosos quanto os governos do PT. “Ninguém em sã consciência deve deixar de agradecer aos nossos 12 nos de governo, por ter tirado o tapete que escondia a corrupção da sala e escancarar a investigação nesse país. Fomos nós que escancaramos. Fomos nós que indicamos por quatro vezes representantes do Ministério Público indicados pela categoria, sem interferência do governo. Fomos nós que mais do que dobramos o número de agentes da Polícia Federal, mais que dobramos o investimento em inteligência, fomos nós…”

A lista de Lula ficaria mais completa se o orador emendasse: fomos nós que levamos a Petrobras ao balcão da baixa política; fomos nós que entregamos diretorias da estatal a apaniguados do PT, do PMDB e do PP; fomos nós que entregamos o comando da Transpetro a um apaniguado de Renan Calheiros por 12 anos, fomos nós que permitimos que o melado do petrolão continuasse escorrendo mesmo depois do envio da bancada do mensalão para a Papuda, fomos nós…

“Só tem um jeito de um homem e uma mulher não ser molestado nesse país governado pelo PT: é ser honesto e não praticar nenhum desvio”, afirmou Lula, desobrigando o país de fazer sentido. Lula indignado com corrupção é algo tão inusitado quanto um comandante de navio rebelando-se contra o mar. O enredo atingiu o ápice. A partir de agora tudo é epílogo.

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Cortando o mal pela raiz!



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Em cena, o velho Lula de sempre
Ricardo Noblat

Com um intervalo de poucas horas entre uma ocasião e outra, Lula, ontem, falou bem e falou mal de Dilma.

Falou bem no discurso que fez para sindicalistas e militantes do PT no Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Falou mal no mesmo lugar ao se reunir um pouco antes com um grupo pequeno de seguidores mais ou menos fiéis.

Foi um deles, autorizado pelo próprio Lula, quem saiu dizendo que ele falara mal de Dilma.

Ingrato, esse Lula!

Falar mal de Dilma logo agora que ela cedeu aos seus apelos e nomeou para o Ministério da Educação e para a Secretaria de Comunicação nomes indicados por ele...

Lula envelheceu. E junto com ele seu discurso e seus truques. Aparentemente, ele não se dá conta disso.

Um truque: defendeu a Petrobras, que está sendo atacada por seus inimigos, inimigos do Brasil.

Ora, foi ele que nomeou diretores da empresa que passaram a roubar tão logo assumiram seus cargos. Nos 12 anos de governos do PT, a Petrobras foi dilapidada e perdeu valor de mercado.

Outro truque: Lula se disse “indignado” com a corrupção. Mas se alguém pensou que ele aproveitaria o momento para admitir erros, quebrou a cara.

Corruptos são os outros. Corruptos são “bandidos que passaram a virar heróis” por terem negociado a delação premiada.

O ataque aos “corruptos” mascara a defesa que ele faz dos seus companheiros suspeitos de envolvimento com a roubalheira na Petrobras.

Lula defendeu a reputação de José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras nomeado por ele. Foi cínico para variar:

- Se tem um brasileiro indignado, este sou eu. Quero saber se alguém vai ter coragem de dizer que esse moço esteve envolvido com corrupção. Mas ele conquistou o direito de andar de cabeça erguida – disse, referindo-se a Gabrielli. "Já o bandido pega 40 anos de prisão, vai fazer delação premiada e vira herói. Diz 'ouvi falar', 'eu acho que...' e nem precisa de juiz, a imprensa já condenou."

Mais um truque: creditou em sua própria conta, e também na de Dilma, o esforço de investigação da Polícia Federal, capaz de ir fundo no combate à corrupção.

Ora, a Polícia Federal é um órgão do Estado. Assim como o Ministério Público. Não obedece às ordens do presidente da República. Atua com independência.

Lula sabe disso. Mas não resiste à tentação de manipular os fatos. É de sua natureza.


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Blog do Josias

Falido como partido, PT tenta sorte como piada

Após reunião com Lula e o presidente do PT, Rui Falcão, dirigentes do partido nos Estados divulgaram um manifesto revelador. O texto indica que o PT não só acredita em vida depois da morte como crê piamente que é esta que está vivendo. Após fenecer como partido, o PT tenta a sorte como piada.

O manifesto do PT anota a certa altura: “Como já reiteramos em outras ocasiões, somos a favor de investigar os fatos com o maior rigor e de punir corruptos e corruptores. […] E, caso qualquer filiado do PT seja condenado em virtude de eventuais falcatruas, será excluído de nossas fileiras.”

É como se o partido desejasse dar um banho de gargalhada no país. A última vez que o PT declarou-se a favor de apurações rigorosas foi antes do julgamento do mensalão. Sentenciada, sua cúpula passou uma temporada enjaulada na Papuda. E não há vestígio de expulsão. Ao contrário.

Vítima de um expurgo cenográfico na época da explosão do escândalo, Delúbio foi readmitido nos quadros da legenda. Com as bênçãos de Lula. Dirceu e Genoino são cultuados nos encontros partidários como “guerreiros do povo brasileiro”.

Noutra evidência de que o cotidiano do petismo é uma tragédia que os petistas vivem como comédia, o manifesto aponta a existência de “uma campanha de cerco e aniquilamento”, na qual vale tudo para acabar com o PT, “inclusive criminalizar” a legenda. A cruzada antipetista é realmente implacável.

Deve-se a criminalização do PT aos petistas que, ocupados em salvar o país, não tiveram tempo de ser honestos. A Procuradoria da República e o juiz Sérgio Moro elegeram como inimigo número 1 da honra petista o tesoureiro João Vaccari Neto. José Dirceu, reincidente, está na bica de ser convertido em inimigo número 2.

Noutro trecho, o manifesto sustenta: “Perseguem-nos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades.” Trata-se de uma reedição do velho discurso do “rouba mais faz”. Só que num formato bem mais divertido.

“Não toleram que, pela quarta vez consecutiva, nosso projeto de país tenha sido vitorioso nas urnas”, acrescenta o texto, numa cômica injustiça com os 13% de brasileiros que, segundo o Datafolha, ainda consideram Dilma Rousseff ótima ou boa três meses depois da segunda posse.

O 5º Congresso do PT, marcado para junho, deve “sacudir” a legenda, antevê o manifesto. Anuncia-se a retomada da “radicalidade política” e o desmanche da “teia burocrática” que imobiliza a direção partidária “em todos os níveis”, levando o partido a habituar-se com o “status quo”.

Suspeita-se que os redatores do manifesto tenham desejado dizer o seguinte: o PT vai se auto-sacudir radicalmente, para combater seu próprio status quo. De preferência, destruindo o status sem mexer no quo.

Uma coisa é preciso reconhecer: o ex-PT cada vez mais se dá bem consigo mesmo. O que é tragicamente cômico.

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Até aqui, tudo bem!



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PETISTAS COMETEM SUICÍDIO COLETIVO – Diretórios estaduais redigem um documento aloprado, com a anuência de Lula e Falcão, em que insistem em hostilizar os brasileiros. Presidente do PT diz ser “impensável” acusar partido de corrupção!

Caramba! Chega a dar medo! O maior fator de risco hoje no país é o grau de alienação dos petistas. Os companheiros estão vivendo numa realidade paralela.  Perderam o bonde! Nesta segunda, dirigentes dos 27 diretórios estaduais do PT se reuniram e lançaram um manifesto, com o aval de Lula e de Rui Falcão, presidente do partido, que discursaram. A íntegra do texto está aqui, no site do partido. Seria cômico se aquilo não fosse uma tentativa de falar a sério.

Esses caras ainda acabarão fazendo uma grande bobagem. Eles estão doidinhos para ver cumpridas as suas piores — ou seriam as melhores para eles? — expectativas. Há momentos notavelmente aloprados no texto, mas, a meu juízo, o ápice está aqui, prestem atenção, quando tentam identificar por que os adversários não gostam do partido:
“Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades.”

Entenderam?

Os brasileiros não estão enojados com a corrupção na Petrobras.

Os brasileiros não estão descontentes com a inflação acima de 8%.

Os brasileiros não estão insatisfeitos com juros de 12,75% ao ano.

Os brasileiros não estão inconformados com uma recessão que pode chegar perto de 2%.

Os brasileiros não estão furiosos com a penca de estelionatos eleitorais.

Os brasileiros não estão cansados de uma Saúde capenga.

Os brasileiros não estão furiosos com uma educação medíocre.

Os brasileiros não estão fartos da incompetência arrogante.

Os brasileiros não estão estupefatos ao ver a Petrobras na lona.

Nada disso! Por que, afinal, a população iria se zangar com essas bobagens? Por que, afinal, esse povo bom e generoso iria reagir mal ao fato de um simples gerente da Petrobras aceitar devolver US$ 97 milhões que ele confessa oriundos da propina? Por que, afinal, a nossa brava gente se espantaria que José Dirceu tenha faturado quase R$ 2 milhões em consultorias só no período em que estava em cana? Nada disso é motivo!

Segundo o partido, seus adversários não suportam mesmo é ver supostos 36 milhões de pessoas saindo da miséria. A afirmação é de uma estupidez ímpar. Houve um tempo em que essa ladainha colava. Eis aí, leitor, revelado o verdadeiro espírito “petralha”. Quando criei a palavra, referia-me exatamente a isto: à justificação da roubalheira, do assalto aos cofres públicos, da ladroagem mais descarada, em nome da igualdade social.

O manifesto aloprado segue adiante:
“O PT precisa identificar melhor e enfrentar a maré conservadora em marcha. Combater, com argumentos e mobilização, a direita e a extrema-direita minoritárias que buscam converter-se em maioria todas as vezes que as mudanças aparecem no horizonte. Para isso, para sair da defensiva e retomar a iniciativa política, devemos assumir responsabilidades e corrigir rumos. Com transparência e coragem. Com a retomada de valores de nossas origens, entre as quais a ideia fundadora da construção de uma nova sociedade.”

Uau! Então os milhões que saíram às ruas são “de direita e extrema direita” e estão se opondo “às mudanças”, não à “sem-vergonhice”? Querem saber! Estou aqui vibrando com essa análise. Ela conduz o partido à extinção. Ninguém precisará, como diz o texto, “acabar com essa raça”. Essa raça está cometendo suicídio. A propósito: o texto diz que é preciso enfrentar os adversários com “argumento e mobilização”. Tá. Sei o que é “argumento”. Mas o que vem a ser “mobilização” nesse contexto?

O texto, na sua burrice teórica, abriga este notável momento:
“Ao nosso 5º Congresso, já em andamento, caberá promover um reencontro com o PT dos anos 80, quando nos constituímos num partido com vocação democrática e transformação da sociedade – e não num partido do ‘melhorismo’. Quando lutávamos por formas de democracia participativa no Brasil, cuja ausência, entre nós também, é causa direta de alguns desvios que abalaram a confiança no PT.”

O partido gigante, que se apoderou de todas as estruturas do Estado, que aparelha estatais, fundos de pensão, autarquias e universidades; que se imiscuir até em fundações de direito privado para impor a linha justa, essa máquina gigante deveria, na visão dos valentes, se comportar como um partido pequeno, em formação, capaz de falar em nome da pureza, mesmo tendo nas costas o mensalão e o petrolão, entre outras barbaridades.

O documento lista ainda dez medidas a serem defendidas pelo partido. Entre elas, estão: campanha de agitação e defesa do PT; controle da mídia e imposto sobre grandes fortunas. E, claro!, a formação da tal frente ampla, formada por “partidos e setores partidários progressistas, centrais sindicais, movimentos sociais da cidade e do campo”. Entendi! O PT está com o saco cheio da sociedade brasileira. Acha que é hora de substituí-la.

Na minha coluna de sexta, na Folha, afirmei, apelando ironicamente a Karl Marx — que as esquerdas citam sem ler — que o PT hoje é “vítima de sua própria concepção de mundo”. Eis aí. Ah, sim: Lula também discursou e disse que seus sequazes têm de levantar a cabeça. De que adianta se eles se negam a abrir os olhos?

Numa entrevista depois do evento, Falcão teve a coragem de dizer: “É impensável que a gente possa ser acusado de corrupção”. Dizer o quê? Vai ver corrupção praticada por petista deva ser chamada de obra humanitária. A única chance de Dilma, se é que lhe resta alguma, é se afastar desse hospício.

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ENFIM, A LIBERDADE! Escrava cubana do “Mais Médicos” consegue fugir com a família para os EUA e se livrar dos senhores cubanos e dos feitores brasileiros

Ao menos uma família de escravos cubanos conseguiu se libertar do jugo da ditadura exercida pelo regime dos irmãos Castro, mesmo no Brasil. Sim, caros leitores! Contrariando a Constituição e as noções mais comezinhas dos direitos humanos, os médicos oriundos de Cuba que atuam no programa “Mais Médicos” ficam submetidos às leis da ditadura daquele país, não às garantias da democracia ainda vigente no Brasil.

O caso é o seguinte. A médica Dianelys San Roman Parrado atuava na cidade de Jandira, no interior de São Paulo. Seu marido e seu filho haviam conseguido viajar para o Brasil. O governo cubano os pressionava a voltar para a ilha, sob pena de retirar Dianelys do programa — e, para escândalo dos escândalos, o governo brasileiro não interfere nessa relação. Gravações que vieram a público demonstram que manter os médicos sob o jugo da ditadura é uma ação deliberada. Cuba não aceita que os doutores tragam seus familiares porque teme justamente a deserção.

Segundo informa a Folha, Dianelys confirmou a fuga neste domingo (29) em mensagem enviada a seu supervisor, o médico Gustavo Gusso, professor da USP. Disse não ter aguentado a pressão para o regresso do marido e do filho. Contou que havia chegado a Miami em segurança e que estava com amigos.

Em dezembro, informa o jornal, havia 14.462 médicos de outros países atuando no Brasil, 11.429 dos quais eram cubanos. Ao todo, 40 desertaram. Segundo os profissionais, quando o programa foi lançado, eles foram informados de que poderiam trazer seus familiares. Já os emissários da ditadura cubana dizem que há autorização para visita, mas não para moradia.

As tais gravações revelaram ainda que o programa “Mais Médicos”, desde o princípio, foi concebido como uma forma de repassar dinheiro para Cuba. O governo brasileiro paga R$ 10 mil por profissional à ditadura Cubana. Como os médicos são, na verdade, contratados pela tal Opas (Organização Pan-Americana de Saúde), essa entidade repassa a cada um algo em torno de R$ 2,5 mil. Vale dizer: cada escravo cubano rende aos irmãos Castro, os senhores da senzala, R$ 7,5 mil. É asqueroso.

A boa notícia do dia é que mais uma família conseguiu se livrar dos tiranos cubanos e dos seus feitores do petismo.

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Levy sinaliza entendimento com Renan sobre indexador de dívida

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sinalizou nesta segunda-feira que o governo pode chegar a um entendimento sobre a lei de renegociação das dívidas de Estados e municípios com a União. O ministro se reuniu com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e aguarda para saber se o senador colocará ou não em votação, nesta terça-feira, a proposta que define um novo índice de correção para as dívidas estaduais e municipais, aliviando o pagamento de juros e, por consequência, diminuindo receitas do governo. O chefe da Fazenda disse que “todo mundo” deve contribuir para o ajuste fiscal.

“Eu estou muito confiante de um encaminhamento positivo. Há um entendimento generalizado no Rio de Janeiro e em outros lugares, dos entes subnacionais, da importância de todo mundo contribuir para o ajuste”, afirmou o ministro após se reunir com Renan. De acordo com Levy, o realinhamento da economia no segundo governo da presidente Dilma Rousseff permitirá reverter o cenário de estagnação da economia e gerar novos empregos. “Hoje a gente tem que vencer essa etapa [de ajuste] para já criar as bases para a retomada do crescimento, retomada do emprego. Há cada vez mais convergência nesse entendimento”, disse.

Segundo Calheiros, é possível que um acordo de líderes retire a urgência constitucional da proposta de renegociação das dívidas e, com isso, a votação seja adiada – o que daria alívio a Levy. O adiamento garantiria maior margem para que o governo possa procurar individualmente os entes federados e propor alternativas ao projeto. Uma das hipóteses seria replicar para outros Estados a recente proposta apresentada pela equipe econômica ao prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes – pela proposta, Estados e municípios se comprometeriam com o pagamento da parcela cheia até o final deste ano e a partir de 2016 receberiam uma devolução do governo federal. Essa proposta será discutida amanhã com os parlamentares em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

“Ele está construindo individualmente – governo e prefeitura do Rio – um acordo que levaria ao pagamento da parcela cheia até o final do ano e no final do ano haveria uma devolução do governo federal. É uma proposta que vai ser colocada amanhã”, relatou o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que participou da reunião com Levy. “O ministro Levy está sinalizando na busca de um entendimento. Nós achamos de fundamental importância votar essa convalidação e vamos verificar amanhã na CAE qual a proposta efetiva que o governo coloca. É muito importante que a gente possa retomar a segurança jurídica, retomar os investimentos, e a convalidação tem um papel muito importante nesse modelo”, completou.

A lei, que alivia as dívidas de prefeituras e governos estaduais fazendo com que eles retomem gradualmente a capacidade de investimentos, foi sancionada pela presidente em novembro do ano passado. No entanto, a medida ainda não entrou em vigor porque o Planalto adiou a sua regulamentação.

Em vez do Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) somado aos juros de até 9% ao ano, o cálculo da dívida passa a ser feito pelo Índice Geral de Preços ao Consumidor (IPCA), com juros de até 4% ao ano, limitados pela taxa Selic. Serão 180 municípios e sete Estados diretamente beneficiados pela medida. A previsão é de que Estados e municípios zerem seus débitos até 2030.

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O PT perdeu o controle sobre a corrupção e não sabe o que fazer
Ricardo Noblat

No auge do escândalo do mensalão em 2005, tendo assumido temporariamente a presidência do PT, Tarso Genro, atual ex-governador do Rio Grande do Sul, propôs a refundação do partido.

Isso passaria, entre outras coisas, pelo reconhecimento dos erros do PT, o afastamento de militantes suspeitos de envolvimento com corrupção e a escalação de novos nomes para comandar o partido.

A proposta de Tarso esbarrou na força da corrente majoritária no PT, aquela liderada, na época, pelo ex-ministro José Dirceu. Lula também não se empenhou para que a proposta de Tarso vingasse.

O mundo gira, a Lusitana roda, e o PT se vê metido outra vez em crise semelhante, mas muitas vezes superior à do mensalão. Saiu o pagamento de propinas a deputados. Entrou o Petrolão.

As diferenças: o escândalo de agora movimentou muito mais dinheiro. E não serviu apenas para financiar campanhas. Serviu também para enriquecer muita gente.

À falta de novas ideias, Tarso voltou a propor uma limpeza em regra no partido. A começar pelo afastamento de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT e réu no processo da Lava-Jato.

Tudo indica que sairá derrotado novamente. Ontem, os 27 diretórios estaduais do PT se reuniram em São Paulo com a presença de Lula. E nada se falou sobre Vaccari. Pelo contrário.

É tal o desligamento do PT da realidade em sua volta que foi aprovado um manifesto onde o partido afirma que vem sofrendo não por seus erros, mas “por suas virtudes”. Pode crer. Foi isso mesmo.

Como resposta à crise, o PT sugere o aprofundamento da reforma agrária, o apoio à criação de um imposto obre grandes fortunas e aprovação do projeto de lei que estabelece o direto de resposta nos meios de comunicação. Tudo ideia velha. Sem apelo nas ruas.

Pelo seu absurdo, o trecho do manifesto destinado a mais repercutir é aquele onde o PT se diz vítima de uma campanha que almeja o seu aniquilamento.

- Condenam-nos não por nossos erros, que certamente ocorrem numa organização que reúne milhares de filiados. Perseguem-nos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e de brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades.

Até hoje, o PT, Lula à frente, não admite que o mensalão existiu. Não é de duvidar que possa dizer o mesmo quando chegar ao fim o caso da roubalheira na Petrobras.

A verdade é que o PT perdeu o controle do esquema de corrupção que ele mesmo montou nos últimos 12 anos. E a essa altura não sabe mais o que fazer.


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Blog do Reinaldo Azevedo

O PARTIDO QUE JÁ NÃO OUSA DIZER SEU NOME – PT planeja se esconder nas próximas eleições e criar uma tal “Frente Ampla” para enganar o eleitor

Informei aqui no dia 11 de fevereiro que o ex-presidente Lula andava pensando na criação de um novo partido. Alguns acharam que eu estava ficando doido. Não! Era só uma informação. Não que Lula pense em criar uma nova agremiação, com outro nome. A coisa é um pouco diferente, segundo reportagem de Catia Seabra na Folha deste domingo. O Babalorixá de Banânina teria decidido importar do Uruguai o modelo da Frente Ampla. Assim, para disputar o poder, o PT comporia uma grande frente envolvendo partidos, sindicatos, ONGs e movimentos sociais.

Ah, bom… A ideia, parece evidente, é disputar a eleição dando destaque ao nome-fantasia da coalizão. Vamos ver. Em 2014, a coligação liderada por Dilma se chamou “Com a Força do Povo”; a comandada por Aécio, “Muda Brasil”, e a estrelada por Marina Silva, “Unidos Pelo Brasil”. Tais nomes apareciam no horário eleitoral em letras minúsculas, apenas para justificar a soma dos tempos de cada partido. As respectivas campanhas, no entanto, davam relevo às legendas. Mas nada impedia os postulantes que fizessem praça da coligação.

Lula, pelo visto, quer algo um pouco diferente. Ele pensa mesmo, vejam que esperto!, é em mudanças da legislação eleitoral para que a eleição seja disputada por aglomerados que não são partidos, entenderam? Assim, ora vejam!, sindicatos, ONGs e movimentos sociais poderiam ir para as urnas. É uma piada. E o homem propõe esse troço porque é um democrata? Não! O que ele pretende é esconder o nome do PT, do qual as ruas, hoje, não podem nem ouvir falar. Ou posto de outro modo: sua intenção é arrumar uns “laranjas” para atuar em nome do seu partido.

Incrível! Os companheiros chegaram à fase em que buscam desesperadamente mecanismos para tirar a população da jogada. O partido, como é sabido, luta pelo financiamento público de campanha e pela aprovação do voto em lista — aquele em que o eleitor escolheria apenas uma legenda, sem nem saber direito quais deputados estariam indo para a Câmara. Agora, os valentes querem esconder até mesmo a… legenda!

Segundo informa a Folha, Rui Falcão, presidente do PT, vê a tese com simpatia e quer que ela seja debatida no 5º Congresso do partido, que acontece em junho, na Bahia: “Vejo com simpatia a ideia de que, no bojo da reforma política, se abra espaço para a criação de um movimento que leve à experiência como a da Frente Ampla, no Uruguai, e a da Concertação, no Chile”.
Ou por outra: o PT chegou ao poder brandindo a sua bandeira em todo canto. No quarto mandato presidencial, o partido concluiu que, para continuar no poder, precisa desesperadamente se esconder do povo.

Combinar com os adversários
Como se nota, Lula almeja mais do que simplesmente dar destaque ao nome fantasia de uma coligação. Agora ele propõe que “não-partidos” — desde que comandados pelo “partido” — disputem a eleição. A lei vigente não permite essa excrescência, e o ex-presidente terá de convencer as demais legendas, especialmente o PMDB, de que isso é uma boa ideia. Ao longo da vida, este senhor tem razões de sobra para achar que tanto seus adversários como seus aliados são trouxas. Não creio que vá prosperar desta vez.

Que coisa, né? O partido está mais sujo do que pau de galinheiro e acha que o Brasil precisa fazer uma reforma política que sirva para disfarçar essa sujeira. Não passará.

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Um péssimo artigo do juiz Sérgio Moro. Ou: O mal do Brasil não está no cumprimento da lei, mas no descumprimento

Sei que vou tomar algumas porradas, mas me resta dizer o quê? É do jogo! Quem está em busca só de aplauso não deve ter esta profissão. Ou, tendo-a, dirá o que querem ouvir os mais exaltados. Sempre preferi, e não me arrependo disto, dizer o que penso, pouco me importando o aplauso ou a vaia.

Já critiquei aqui, como sabem todos, a decisão de manter agora réus da Lava Jato em prisão preventiva. Qualquer leitura, ainda que elementar, do Artigo 312 do Código de Processo Penal indicará que já não vigoram — exceção feita a Renato Duque, reincidente — os requisitos para isso. A coisa tem cara de pena antecipada.

Pois é… O juiz Sérgio Moro, em parceria com Antônio Cesar Bochenek, presidente da Ajufe (Associação de Juízes Federais), escreveu um artigo no Estadão neste domingo em que defende a mudança na lei para que réus condenados por “crimes graves” — como lavagem e desvio de dinheiro público — aguardem na prisão o julgamento de recursos.

Pois é… Não basta a mudança da lei. Aí seria preciso mudar a Constituição. O Inciso LVII do Artigo 5º da Constituição estabelece:
“LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”

O Artigo 5º da Carta é, por excelência, o das chamadas “cláusulas pétreas”. Por ser uma espécie de pilar dos valores da Constituição, considera-se que não pode ser mudado nem por emenda. Louvo o senso de Justiça do dois juízes, mas pergunto: deve-se ignorar a Constituição para fazer justiça? Justiça assim é Justiça de quem? Hoje se viola esse princípio. E amanhã?

Uma coisa é a gente debater se há ou não um excesso de recursos no país. E eu acho que há, sim. Outra, distinta, é, em razão disso, defender que a Constituição seja ignorada ou, sei lá, lida de forma muito criativa.

Sim, os autores do texto pensam na hipótese de um inocente ser condenado em primeira instância. E comentam:
“Não se ignora, por evidente, a possibilidade de erro do judiciário e de eventual reforma do julgado, motivo pelo qual se propõe igualmente que as cortes recursais possam, como exceção, suspender a eficácia da condenação criminal quando presente, por exemplo, plausibilidade do recurso”

Com a devida vênia, há um tanto de embromação aí, não é, já que o Artigo 5º da Constituição continuaria a ser violado.

O país está espantado, ferido, humilhado, indignado. Precisamos é aprimorar a nossa democracia, torná-la mais efetiva, em fez de fazer o contrário. É claro que a Justiça e o Ministério Público prestam um grande serviço ao Brasil ao trazer à luz tanta sujeira. Exatamente porque tem sido visto como um paladino da Justiça e da moralidade, o juiz Sérgio Moro não deveria aproveitar um clima de quase comoção para defender uma tese flagrantemente inconstitucional.

No Brasil, como regra, não é o cumprimento da lei que prejudica o país, mas o descumprimento. De resto, o artigo pode dar a entender que Moro, com efeito, usa a prisão preventiva como instrumento para atender a uma convicção pessoal, não ao melhor exercício do direito.

Vou com o juiz até o fim do mundo, se preciso, para punir os larápios. Mas só vou se for com a Constituição. Se não, ele se torna a fonte de legitimidade da Carta, e não a Carta a fonte da sua legitimidade. Seu artigo foi um mau passo da soberba.

Finalmente, uma observação aos leitores: quando a gente acha razoável que se transgrida a Constituição para punir bandidos ou pessoas das quais não gostamos, estamos, na prática, oferecendo o nosso próprio pescoço. Não há salvação fora das instituições democráticas. Nem Moro pode mudar isso. O que vai aqui não é de esquerda, de direito ou de centro. É só um fundamento da civilização.

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PAÍS DE LOUCOS – A Petrobras posa de vítima e quer agora estatizar um pedaço das empreiteiras

A Folha traz nesta segunda uma reportagem que, a se confirmar, é mesmo do balacobaco. Prestem atenção! A Petrobras estuda uma maneira de tomar parte das ações ou dos ativos das empreiteiras que participaram do esquema que operava na empresa. Vocês entenderam direito. E isso nada teria a ver com as multas que ela devem pagar em razão de acordos de leniência com a Controladoria Geral da União.

O caso é o seguinte: como as empresas cobraram um sobrepreço para arcar com o custo propina, teriam de reembolsar a Petrobras. Ocorre que a maioria delas, sem receber da estatal o pagamento por obras já feitas em razão da Lava Jato, está na pindaíba e não tem caixa. Assim, teriam de doar ações ou ativos. O caminho das ações, advertem alguns, não é bom porque aí a petroleira brasileira se torna sócia de empresas enroscadas. Uma das saídas estudadas, informa a reportagem, é criar um fundo para abrigar essas ações e ativos. Seu rendimento seria revestido para a estatal.

O mecanismo também empurraria para os acordos de leniência as empresas que ainda não adotaram esse caminho. Eles permitiram à Petrobras a retomada dos pagamentos devidos, o que daria caixa às empreiteiras para seguir adiante.

Não é mesmo fabuloso? A Petrobras se revela o palco do maior escândalo de que se tem notícia no país; atua como um centro arrecadador e distribuidor de propina, posa de vítima e ainda pretende sair da história expropriando uma parte das suas parcerias de negócios.

Alguns tolinhos ainda não entenderam — e eu não posso fazer nada por eles — as minhas restrições à tese do cartel, sempre lembrando que seria o primeiro cartel da história a se formar com uma única fronte contratadora e pagadora, com poder para determina, ela própria, o preço. Eis aí. Um dos desdobramentos dessa tese exótica é a suposição de que a Petrobras, como quer Graça Foster, foi apenas a vítima nesse rolo todo. Venham cá: se EMPREITEIROS E EMPREITEIRAS — portanto, empresários e empresas — estão sendo punidos , e têm de ser punidos!, por que a Petrobras seria não apenas preservada, como ainda beneficiada pela sujeira?

A saída, de resto, me parece de um exotismo jurídico realmente ímpar. Que se queira cobrar o olho da cara das empreiteiras em acordos de leniência, vá lá… Que se queira punir, quando houver a condenação, com multas os que desviaram a grana, ou ainda cobrar devolução ou repatriamento do dinheiro em acordos de delação premiada, tudo isso me parece do jogo!

Transformar a Petrobras numa pobrezinha, vítima do cartel de homens maus, candidata a ficar com uma fatia das ações ou dos bens das empreiteiras, bem, isso é proposta que só viceja num país de aloprados. Por alguma estranha razão, avalia-se que, ao se desmantelar um acordo de corruptos, só um lado arca com o ônus; o outro, ora vejam!, ainda ficaria com parte dos bens de seus antigos parceiros de trapaça.

Sendo assim, devemos concluir, então, que a Petrobras não estava envolvida em corrupção, mas apenas fazendo um investimento por caminhos pouco ortodoxos. Que lixo! A Petrobras, que deveria ser privatizada, se organiza agora para estatizar um pedação das empreiteiras. Essa gente enlouqueceu de vez.

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Tome jeito, Joaquim Levy!
Ricardo Noblat

Não sei se Joaquim Levy gosta de filmes policiais americanos. E se lembra da advertência feita pelos policiais na hora em que prendem alguém: “Você tem o direito de permanecer calado. Tudo o que disser poderá ser usado contra você no tribunal”.

Caso a advertência não seja feita e o preso diga algo que o incrimine, o que disse não será levado em conta. É o que manda a Constituição dos Estados Unidos.

A presidente Dilma Rousseff, ou algum preposto dela, deveria ter dito a Levy antes que ele assumisse o Ministério da Fazenda: “Você tem o direito de permanecer calado. Tudo o que disser poderá ser usado contra você”.

Quem sabe assim ele não teria escapado das trapalhadas que o obrigam a se desmentir seguidamente? Foram quatro até aqui. Cada uma pior do que a outra.

Em 21 de janeiro último, na Suíça, Levy disparou: “A gente pode ter um trimestre de recessão, e isso não quer dizer nada em relação ao crescimento”.

Dilma fez cara feia. Levy deu marcha ré. Admitiu que o termo correto não era “recessão”, mas “contração”.

Para o leigo, não fez diferença. Fez para os ouvidos de Dilma. E animou os que querem ver o ministro pelas costas.

Dois dias depois, em entrevista ao jornal inglês “Financial Times”, Levy derrapou outra vez: “O programa de seguro-desemprego é completamente ultrapassado”.

Dilma rosnou de novo. Cobrou do ministro um desmentido. Por meio de sua assessoria, Levy mandou dizer aos jornalistas que o que havia dito tivera como objetivo “ampliar o debate para aperfeiçoar o programa”. Gracinha, não?

Em 28 de fevereiro, a propósito do programa de desoneração da folha de pagamento adotado por Guido Mantega, o ministro que o antecedeu, Levy comentou: “Você aplicou um negócio que era muito grosseiro. Essa brincadeira nos custa R$ 25 bilhões por ano”.

Brincadeira? Por pouco, Dilma não mordeu Levy. Que, humilde, afirmou que fora “infeliz” e “coloquial demais”. Sentiu pena dele?

A mais recente trapalhada aconteceu na semana passada. E atingiu Dilma diretamente.

Em palestra para ex-alunos da Universidade de Chicago, onde se graduou, Levi disse em inglês o que pode ser traduzido assim: “Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes não da maneira mais fácil, mas... Não da mais efetiva, mas há um desejo genuíno”.

Levy desculpou-se rapidinho:

- Aqueles que têm a honra de encontrarem-se ministros sabem que a orientação da política do governo é genuína, reconhecem que o cumprimento de seus deveres exige ações difíceis, inclusive da Exma Sra. Presidente, Dilma Rousseff, e eles têm a humildade de reconhecer que nem todas as medidas tomadas têm a efetividade esperada.

Entendeu? Eu não.

O que Dilma e Levy têm em comum? Falta-lhes jeito para manipular cristais sem destruir nenhum.

Com uma diferença: a presidente da República é Dilma, eleita e reeleita pelo voto popular. Levy nunca foi votado. É ministro porque Dilma quer. Deixará de ser quando quiser ou quando ela quiser.

A conjuntura obriga Levy a fazer política. E essa está longe de ser a praia dele. Daí as mancadas. Daí o risco de cair por ter falado demais.

No presidencialismo brasileiro, por mais fraco que esteja o presidente, ninguém manda mais do que ele. A não ser que ele abdique de mandar.

Getúlio Vargas matou-se. Mas com seu gesto, permaneceu influente por mais de uma década.

João Goulart fugiu para o exterior com medo de provocar derramamento de sangue.

À Dilma não falta a coragem dos temerários. Ela já deu provas disso.

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Mercadante transmite a Levy irritação de Dilma

Dilma Rousseff irritou-se ao saber que Joaquim Levy dissera que ela nem sempre age da forma mais simples e eficaz. Abespinhou-se tanto que determinou ao ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que transmitisse sua contrariedade ao colega. O recado da presidente foi repassado por Mercadante a Levy por telefone, no sábado —dia em que a notícia sobre o sincericídio de Levy veio à luz.

Deve-se aos repórteres Ricardo Della Coletta e Fábio Brandt a informação sobre a reação de Dilma. O comentário que desagradou a presidente escorregou dos lábios de Levy na terça-feira da semana passada. Deu-se a portas fechadas, numa conversa com ex-alunos da Universidade de Chicago.

Expressando-se em língua inglesa, Levy disse: “Acho que há um desejo genuíno da presidente de acertar as coisas, às vezes, não da maneira mais fácil… Não da maneira mais efetiva, mas há um desejo genuíno''. Para infortúnio do ministro, suas palavras foram gravadas. E a repórter Joana Cunha fez soar o áudio no site da Folha.

Após conversar com Mercadante, Levy tentou, sem muito sucesso, reposicionar-se em cena. Mandou divulgar uma nota. No miolo do texto, anotou:

“O ministro sublinha que os elementos dessa fala são os seguintes: aqueles que têm a honra de encontrarem-se ministros sabem que a orientação da política do governo é genuína, reconhecem que o cumprimento de seus deveres exige ações difíceis, inclusive da Exma Sra. Presidente, Dilma Rousseff, e eles têm a humildade de reconhecer que nem todas as medidas tomadas têm a efetividade esperada”.

O receio do governo é o de que a crítica mal explicada sirva de munição para opositores e governistas rebelados que conspiram no Congresso contra o ajuste fiscal do governo. Um risco que Dilma preferia não correr numa semana em que o Senado ameaça aprovar proposta que obriga o governo a tirar do papel, em 30 dias, a lei que renegocia as dívidas de Estados e municípios com índices menores de correção.

O ruído provocado pela revelação da frase de Levy ecoa às vésperas do comparecimento do ministro à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Conforme compromisso que assumira na semana passada, Levy vai expor aos senadores, nesta terça-feira, os planos econômicos do governo.

Levy espera que suas palavras inspirem o presidente do Senado, Renan Calheiros, e seus pares a retirar de pauta de votações do Senado a proposta que dá um refresco anual de R$ 3 bilhões a Estados e municípios endividados até a raiz dos cabelos dos contribuintes. A hipótese de isso ocorrer parece, por ora, remota.

Para complicar, argumenta-se no Planalto, os comentários de Levy levaram água para o moinho dos contrários. Ora, se nem o ministro da Fazenda considera eficazes as ações de sua chefe, por que os congressistas deveriam dar crédito ao governo?

A despeito da alegada irritação, Dilma optou por não divulgar uma reprimenda pública a Levy. Cogita tratar do assunto quando for provocada por repórteres, numa de suas aparições públicas. Mas parece ter optado pela contemporização. Natural. A eventual saída de Levy criaria dificuldades bem maiores que os sapos que Dilma vê-se obrigada a engolir. Melhor dissolver um Alkaseltzer e reduzir tudo a uma tempestade em copo d'água.

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Língua do “P”!




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Blog do Reinaldo Azevedo

PT tenta ligar coquetel molotov atirado contra prédio do partido a manifestantes que se opõem ao governo. É uma atitude irresponsável. Ah, sim, petistas: chamem a Polícia para tentar botar os vagabundos na cadeia!

O PT informa em seu site que a sede do Diretório Regional do Partido em São Paulo foi atacada por uma “bomba” — na verdade, um coquetel molotov — na madrugada desta quarta, isto é, nas primeiras horas do dia 25. Foi? Que o partido acione a Polícia Federal. Se alguém fez isso, não passa de um bandido. E tem de ser mandado para a cadeia. O xilindró é um bom lugar para intolerantes, para fascistoides, para pessoas que perseguem quem pensa de modo diferente, que estimulam o molestamento e assédio de adversários nos espaços públicos.

O partido não pode brincar com isso nem ser omisso. O PT fez muito mal, por exemplo, em ter comunicado o “atentado” quase 24 horas depois do ocorrido. A informação entrou no site do partido apenas as 22h06 desta quinta. É tempo demais, não é?

O texto (link aqui) não informa se o partido fez ao menos um Boletim de Ocorrência. Espero que não tenha demorado tanto tempo para chamar a polícia como demorou para dar publicidade a algo assim.

Paulo Fiorilo, presidente do Diretório Municipal de São Paulo, deu uma declaração complicada a respeito. No site do PT, leio isto: “Para Fiorilo, o ataque é prova contundente da ‘onda de intolerância e ódio contra o PT’ que se espalha pelo País”.

Aí, não! De que ódio Fiorilo está falando. Daquele das pessoas que saem pacificamente às ruas, protestando contra a roubalheira na Petrobras, contra o estelionato eleitoral e contra a impunidade? Das pessoas que saem às ruas manifestando seu descontentamento com Dilma e com o PT, assim como o PT, no passado, saiu às ruas para expressar sua oposição a Figueiredo, Sarney, Collor, Itamar e FHC? Dois milhões saíram às ruas sem incidentes. Cadê o ódio? Incrível: já procurei notas de repúdio do PT aos black blocs. Nunca vi. Gilberto Carvalho confessou que conversava com eles quando era ministro. Mas o partido já se manifestou mais de uma vez contra os “green and yellow blocs”, que não batem em ninguém, que não matam ninguém, que não quebram nem incendeiam nada.

Ainda no texto do PT, pode-se ler:
“No dia 15 deste mês, data em que aconteciam manifestações contra o governo em diversas partes do País, o Diretório Regional do PT em Jundiaí, no interior de São Paulo, também foi alvo de um coquetel molotov.”

A associação do episódio com as manifestações do dia 15 é uma provocação e uma irresponsabilidade. O que pretende o PT? Há gente por lá insatisfeita com as manifestações de caráter pacífico? Pois insatisfeita continuará, já que pacíficas elas serão. E sempre.

De resto, convém não ficar gerando onda com essas coisas. Até hoje não se sabe quem incendiou o Reichstag em 27 de fevereiro de 1933. Mas se sabe que os nazistas usaram o episódio para perseguir seus adversários, não é? Em menos de dois meses, com o auxilio da SA, a tropa de assalto, 25 mil pessoas foram presas e interrogadas.

Fiorilo tem tanto direito de acusar manifestantes do dia 15 pelo coquetel molotov como manifestantes do dia 15 têm o direito de desconfiar de que isso é coisa de petistas para incriminar adversários. Como nem uma coisa nem outra são prudentes, convém o PT chamar a Polícia, fazer boletim de ocorrência e ser mais rápido na divulgação de evento tão grave.

Não posso crer que os petistas só atentaram às 22h06 de ontem para algo acontecido na madrugada.

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Mal se começou a investigar o escândalo do petrolão, e outro roubo mais alto se alevanta

Que coisa, não? Daqui a pouco falta Polícia Federal para tanto crime… A Operação Lava Jato mal começou o seu trabalho de faxina, e uma outra já foi deflagrada, a tal “Zelotes”, que investiga nada menos do que lavagem de dinheiro, advocacia administrativa, corrupção, tráfico de influência, associação criminosa… E vai por aí.  E tudo acontecendo, ora vejam!, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O Carf, meus caros, é uma espécie, assim, de “Poder Judiciário” da Receita Federal. É lá que os recursos de empresas e pessoas físicas são julgados. É formado por funcionários do Ministério da Fazenda e por representantes da sociedade. A PF estima que a fraude chegue a R$ 19 bilhões em 70 processos que foram analisados, o que superaria, em volume, as safadezas do… petrolão. Em matéria de corrupção, batemos recordes com espantosa facilidade.

Segundo a PF, o esquema articula escritórios de advocacia, de assessoria e de consultoria para atuar junto a conselheiros com o objetivo de diminuir o valor das multas — algumas dessas empresas pertencem aos próprios conselheiros, que se dividem em três Câmaras de análise: a primeira se encarrega do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); a segunda, do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e contribuições previdenciárias, e a terceira, das questões relativas a PIS/Cofins, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Importação (II) e Imposto de Exportação (IE).

O que é um tanto surpreendente nesse caso? Embora em país nenhum do mundo o Fisco seja admirado — nem deve ser mesmo; quem paga imposto com prazer? —, a Receita era tida como uma área profissionalizada, moralmente respeitável. O escândalo deixa claro que não é bem assim.

A Polícia Federal recolheu, só nesta quinta, R$ 2 milhões em dinheiro. Desse total,  R$ 800 mil estavam num único cofre na casa Leonardo Manzan, genro do ex-secretário da Receita Otacílio Cartaxo e um dos ex-conselheiros do Carf investigados. Outros assessores de Cartaxo, que já presidiu o Carf, e ex-conselheiros também são suspeitos de participação no golpe.

Só para lembrar: Cartaxo substituiu, em agosto de 2009, a então secretária Lina Vieira, aquela que disse numa entrevista que Dilma, ministra da Casa Civil à época, havia lhe pedido para aliviar uma investigação que envolvia a família Sarney. Foi na gestão Cartaxo que se deu o vazamento de dados das declarações de renda de pessoas ligadas ao candidato presidencial do PSDB à época, José Serra. Um vazamento criminoso e que nunca foi esclarecido.

O então corregedor da Receita, Antônio Carlos D’Ávila, e Cartaxo vieram a público para negar o caráter político do vazamento — que era óbvio —, apontando, para espanto de todos, que “nas investigações, que poderão ser ratificadas pela Polícia Federal, há indícios de um balcão de compra e venda de dados sigilosos”. O curioso é que os dois falaram isso e não pediram demissão.

Tudo indica que a outrora nunca amada, mas respeitada, Receita Federal não resistiu à degradação dos costumes, dos valores, da ética e da moral.

Ah, sim! A operação se chama “Zelotes” para indicar o falso zelo, a falsa moralidade. Convém não fazer ilações de outra natureza, que podem remeter até à história de resistência dos judeus. Estou entre aqueles que acham que a Polícia Federal poderia escolher nomes mais simples para suas operações. Essa poderia se chamar “Caça-Safados”.

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A Petrobras merecia um gestor melhor do que Graça Foster. Ela o disse. E com toda razão.
Ricardo Noblat

Para os ingênuos em geral, aí incluídos experientes jornalistas, foi comovente o depoimento prestado, ontem, à CPI da Petrobras por Graça Foster, ex-presidente da empresa.

Ela pediu demissão no final do ano passado quando sua amiga, a presidente Dilma Rousseff, perdeu as condições políticas de mantê-la no cargo como queria.

Graça disse coisas de espantar os mais céticos. Do tipo: confessou não saber quem indicou para a diretoria da Petrobras Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque.

Os três foram diretores da empresa presidida na época por ela. E mesmo assim, apesar de estar na Petrobras há mais de 20 anos, Graça simplesmente não sabe quem os indicou.

Quer dizer: não foi ela quem escolheu os três – do contrário ela saberia, é claro. Mas ela não lembra ou não sabe quem indicou os três para dirigirem a empresa. Que tal?

Adiante.

Dizendo-se “constrangida” e “envergonhada”, Graça garantiu que a corrupção nem foi sistêmica nem foi institucionalizada na Petrobras. Ela se formou de fora para dentro. Jamais o contrário.

É também o que pensa José Sérgio Gabrielli, o presidente que antecedeu Graça no cargo. É o que o PT diz que pensa. Em um dos seus antebraços, Graça tem três estrelas tatuadas.

Confrontada com a revelação feita por Pedro Barusco, gerente da diretoria de Gás e Energia, de que recebera propina na época do gasoduto Gasene, Graça exclamou:

- Gostaria que tudo fosse mentira.

Compreensível! Afinal, Graça respondia pela diretoria de Gás e Energia.

- Tenho dificuldade de aceitar por que um gerente no meio da linha hierárquica possa receber vantagem por alguma coisa sem que outra pessoa soubesse – afirmou Graça.

Que insistiu:

- Não consigo imaginar que possa uma pessoa sozinha, no meio da estrutura, ter feito uma coisa isoladamente.

Curioso é que Graça tenha assegurado em seguida que nunca soube de roubalheira na Petrobras.

Por fim, Graça admitiu:

- Certamente, a Petrobras merecia um gestor muito melhor do que eu.

Estamos de acordo.

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Renan diz esperar por um ‘Plano Levy’ até terça

Dentro de quatro dias, Joaquim Levy falará à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. O presidente da Casa, Renan Calheiros, disse a um grupo de senadores que espera muito da participação do ministro da Fazenda. Com ironia escorrendo pela quina da boca, manifestou a certeza de que o auxiliar de Dilma Rousseff trará à luz um plano econômico. Algo com “começo, meio e fim.”

Um dos senadores presentes dobrou a taxa de ironia: “Ele certamente já tem esse plano pronto.” E Renan: “Se não estiver pronto, o ministro tem todo o final de semana para preparar o Plano Levy.” Do contrário, os senadores ameaçam aprovar duas propostas que a pasta da Fazenda considera radioativas.

Uma delas obriga o governo a aplicar em 30 dias a lei que beneficia Estados e municípios com índices mais brandos de correção de suas dívidas com a União. A outra legaliza incentivos tributários concedidos por governadores e prefeitos de todo país na chamada “guerra fiscal”.

Empenhado em evitar as duas votações, Levy obteve de Renan apenas o final de semana, para elaborar um plano em cima das pernas. Deve-se o inusitado da situação a uma anomalia: sob Dilma, o ministro da Fazenda tornou-se o principal articulador do governo no Congresso.

Na falta de mão de obra especializada, Levy faz um bico na articulação política do governo. Nos últimos dias, funcionou como um fusível que retardou o curto-circuito na ligação do governo Dilma com seus supostos aliados. O Planalto estimula a ação do ministro da Fazenda sem se dar conta dos riscos. Se der errado, Levy sairá da experiência com a autoridade e a paciência eletrocutadas. Algo que pode resultar num apagão da equipe econômica do governo.

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Anti-reforma ministerial!




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Blog do Reinaldo Azevedo

Faz sentido o Supremo legislar quando acha que o Congresso não o fez a seu gosto? Ou: O STF, os precatórios e a usurpação das prerrogativas do Legislativo pelo Judiciário. Ou ainda: se um município não tiver dinheiro para pagar, faz o quê? Vende uma praça pública?

A questão é meio cheia de tecnicalidades, bem chatinha, mas acho que consigo destrinchar aqui. O Supremo determinou, nesta quarta, que os precatórios de Estados e municípios sejam integralmente quitados até 2020. Parece bom? Com a devida vênia, trata-se de uma evidente usurpação das prerrogativas de Poder por Outro. Esses entes da Federação têm agora menos de cinco anos para resolver um espeto de R$ 94 bilhões. E se não aparecer o dinheiro? Ah, sei lá, talvez seja preciso expropriar alguma praça pública…

Vamos aos fatos. O Congresso havia aprovado em 2009 uma emenda constitucional disciplinando o pagamento dos precatórios: estabeleceu-se um prazo de 15 anos, corrigindo-se os títulos pela TR e abrindo a possibilidade do leilão inverso: o credor que aceitasse um desconto maior teria prioridade no pagamento. Em 2013, a OAB entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a emenda, que foi acatada pelo relator, Luiz Fux. O homem estabeleceu um prazo de cinco anos — até 2018! — para o pagamento e decidiu que o próprio Supremo criaria os critérios.

Deu-se, então, algo fabuloso: alguns Tribunais de Justiça pensaram o óbvio: se o texto legal que disciplina a questão é inconstitucional e se um novo será criado, suspendam-se todos os pagamentos. A gritaria foi geral. A OAB voltou à carga e arrancou do ministro Fux, pasmem!, uma liminar determinando que os pagamentos continuassem a ser feitos com base na lei que ele mesmo declarara… inconstitucional!!! Não os censuro, leitores, se vocês acharem que a coisa se parece com um hospício.

E, desde essa data, por artes do ministro Fux e da OAB, os pagamentos de precatórios eram feitos com base numa liminar de Fux que, na prática, contestava uma decisão de… Fux!

Nesta quarta, o tribunal botou um pouco de ordem na bagunça — mas, a meu ver, feriu a independência entre os Poderes. Além de decidir que tudo deve ser quitado até 2020, substituiu a TR na correção dos títulos pelo IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial). A partir de 2020, as dívidas reconhecidas até julho terão de entrar no Orçamento do ano seguinte. Os ministros decidiram ainda validar as negociações feitas até agora, para evitar futuras ações judiciais, mantendo a permissão do pagamento com desconto, mas limitado a 40% da dívida.

O ministro Marco Aurélio fez uma consideração absolutamente correta. Segundo ele, cabia ao tribunal apenas dizer que emenda de 2009 era constitucional ou não, sem estabelecer a forma como deve se dar o pagamento: “Estamos a substituir o Congresso Nacional. Estamos a reescrever a Constituição Federal (…) Quando o STF avança e extravasa limites, lança um bumerangue que pode voltar à respectiva testa”.

É evidente que não cabe a uma corte constitucional decidir se o pagamento deve ser feito assim ou assado. É um despropósito. Pensemos na questão do desconto de 40%. Ora, se um ente da federação tem uma dívida gigantesca e pode negociá-la com desconto de até 60%, 70% ou 99% — e se a parte que vai receber concorda —, com que autoridade e segundo qual princípio um tribunal constitucional vai dizer que não pode? Pergunta óbvia: há algum artigo na Constituição que proíbe descontos acima de 40%? Ou ainda: descontos acima de 40% ferem alguma cláusula pétrea da Carta?

Finalmente, uma pergunta: o tribunal estudou a economicidade da decisão? Por que é até 2020, não até 2019 ou 2025? Há de haver uma razão que não seja o puro arbítrio, uma vez que, até onde sei, a Carta também é omissa sobre o prazo do pagamento de precatórios. Tanto a decisão é arbitrária que, originalmente, Fux havia definido o ano de 2018. Nunca entendi por que a PEC de 2009 era inconstitucional. E agora não entendo por que o Supremo tem de entrar nessas minudências.

A propósito: esse foi o primeiro malefício à constitucionalidade e à independência entre os Poderes causado pela dupla Fux-OAB. O outra diz respeito à ADI que quer proibir a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais, também relatada por Fux, também por iniciativa da OAB. Se a tese prosperar e se o Congresso não a corrigir com uma emenda constitucional, a política brasileira mergulhará na clandestinidade de vez.

E volto ao ponto com uma última pergunta, que vale tanto para a questão dos precatórios como para a do financiamento de campanhas eleitorais: faz sentido o Supremo legislar quando acha que o Congresso não o fez a seu gosto?

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Thomas Traumann cai. Terá sido por bons ou por maus motivos? Tenho uma desconfiança…

Thomas Traumann não é mais ministro da Comunicação Social. Oficialmente, pediu demissão. Na verdade, foi demitido. Saiu citando Paulinho da Viola: “Vou imprimir novos rumos/ ao barco agitado que foi minha vida./ Fiz minhas velas ao mar,/ disse adeus sem chorar/ e estou de partida./ Todos os anos vividos/ são portos perdidos que eu deixo para trás. /Quero viver diferente,/ que a sorte da gente/ é a gente que faz”.

Citação razoável para uma causa ruim. Traumann foi demitido por seus próprios méritos. Poderia ser por bons motivos, mas creio que terá sido pelos maus. Isso não depõe a favor dele, mas contra o governo. Nota antes que continue: havia uma convocação para que ele falasse no Senado sobre o documento aloprado da Secom que veio a público. A convocação foi trocada por um convite. Que a demissão não o impeça de se explicar.

Agora os motivos. No tal documento, Traumann escreveu algumas irrelevâncias. Disse que há um “caos político” no país, o que é um óbvio exagero, e que o governo errou a mão na comunicação. Também reconheceu, em outras palavras, que é difícil haver bom trabalho nessa área quando o governo é ruim. Estou cantando e andando para essas coisas. Acho menos importante, embora relevante, até mesmo a admissão do uso de robôs na Internet. O que me interessa naquele documento é a admissão de que o governo comete crimes. E, claro!, não foi Traumann quem começou. Ele deu continuidade.

Lá se admite que o governo recorre à mão de obra de mercenários, os blogs sujos, para fazer seu trabalho de difamação de adversários. Ou nos termos do texto: o Planalto fornece “munição” para ser “disparada” por “soldados de fora”. Mais: propõe-se abertamente que a Constituição seja violada e que a propaganda federal em São Paulo sirva para alavancar a popularidade de Fernando Haddad. E, finalmente, prega-se que estruturas do estado — Voz do Brasil e Agência Brasil — e instrumentos partidários (o blog da Dilma) estejam submetidos a um controle único.

Trata-se de práticas criminosas. Traumann sai. Quem entra no lugar? É claro que dá para piorar. Se saiu por bons motivos, Dilma porá no cargo alguém que vai dar um fim a essas delinquências políticas. Se caiu por maus motivos, só foi demitido porque revelou o que deveria ter ficado escondido.

Vamos ficar vigilantes, não é? Cada vez mais está claro aos brasileiros que “a sorte da gente é a gente que faz”. É a novidade que está nas ruas e que o PT insiste em não enxergar. Que continue a não entender nada. É um bom caminho para a extinção.

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Juros do cheque especial sobem para 214,2% ao ano, maior taxa desde 1996

Na VEJA.com:
Uma das mais contratadas, apesar de mais cara modalidade de crédito, o cheque especial encareceu ainda mais em fevereiro. Segundo dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira, os juros desse tipo de financiamento chegaram a 214,2% ao ano em fevereiro, 5,2 pontos porcentuais acima de janeiro, e a maior taxa em quase dezenove anos. O porcentual mais alto até agora era o de abril de 1996, quando bateu 212,2% ao ano.

Em fevereiro do ano passado a taxa ficou em 156,7%, ou seja, em doze meses houve um aumento de 57,5 pontos porcentuais (p.p.). Os números são de crédito no segmento de recursos livres, que, ao contrário do direcionado, não têm destino específico, e apenas para pessoas físicas.

No período, o spread bancário ficou em 28,3 pontos porcentuais também neste segmento, acima dos 27,2 pontos percentuais vistos em janeiro. O spread é a diferença entre o custo desembolsado pelos bancos para captar dinheiro e o custo para quem o toma emprestado.

Outras modalidades
Mas não foram apenas os juros do cheque especial que subiram em janeiro. Segundo a Nota de Política Monetária do Banco Central (BC), em ambiente de maior aperto monetário para o controle da inflação, os bancos aumentaram também os juros de crédito pessoal (consignado e não consignado) de 46,6% para 47% entre janeiro e fevereiro. O não consignado saltou de 107,5% para 108,1% no mesmo período.

Em fevereiro, o spread bancário no segmento de recursos livres (pessoas físicas e jurídicas) passou de 27,2 para 28,3 pontos porcentuais. Com a inclusão do segmento direcionado, o spread total ficou em 16,6 pontos porcentuais, superior aos 16 p.p. vistos em janeiro.

Ainda de acordo com a nota de Política Monetária do BC, a inadimplência no Brasil permanece em 4,4% em fevereiro, mesmo nível de janeiro, no segmento de recursos livres. O BC informou ainda que o estoque total de crédito no Brasil subiu 0,5% em fevereiro ante janeiro, chegando a 3,026 trilhões de reais, ou 58,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Previsão
Para 2015, o BC reduziu nesta a previsão de alta do crédito no Brasil de 12% para 11%. O BC manteve em 14% a expectativa de expansão do estoque de crédito de bancos públicos em 2015. Para os bancos privados nacionais, a autoridade monetária projeta expansão de estoque de crédito de 7%, ante projeção anterior de 9%.

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Atritado com Dilma e PT, o PMDB fará Congresso partidário no mês de agosto

Às voltas com a pior fase do seu relacionamento com Dilma Rousseff e com o PT, o PMDB organiza um Congresso partidário. Reunirá em Brasília, provavelmente no mês de agosto, dirigentes e militantes do país inteiro. O pretexto inicial era a necessidade de debater a proposta de reforma política elaborada pelo partido. Mas a conjuntura conspira a favor da ampliação da pauta. “O partido está em ebulição, querendo um canal para se expressar”, diz Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal na primeira gestão de Dilma Rousseff.

“Um Congresso como esse serve para dar voz a quem faz o partido funcionar lá na ponta”, prosseguiu Geddel. “Converso com muita gente. E a impressão geral é de perplexidade com a falta de rumo do governo. As pessoas vão trazer para o encontro as impressões que recolhem nas ruas. Você pode imaginar no que vai dar. Estamos sem chefe de Estado. A presidente da República não consegue exercer suas prerrogativas constitucionais. Demora uma eternidade até para indicar um ministro do STF e os dirigentes de agências reguladoras. A inoperância já afeta o funcionamento do Estado.''

O encontro do PMDB ocorrerá nas pegadas de um Congresso do PT, programado para junho. Sócios majoritários do empreendimento governista, os dois partidos vivem às turras. Em privado, dirigentes do PT se queixam das “armadilhas” colocadas no caminho do governo pelos peemedebistas Eduardo Cunha e Renan Calheiros, presidentes da Câmara e do Senado. Sobretudo depois que o STF abriu inquérito contra ambos, para apurar se estão envolvidos no escândalo da Petrobras.

Amigo do vice-presidente Michel Temer e interlocutor frequente de Cunha e Renan, Geddel atribui a Dilma a deterioração do relacionamento. Ele mencionou dois episódios que acabam de desaguar em crises.

Um deles envolve a logomarca PL, partido que o ministro Gilberto Kassab (Cidades) tenta recriar, para atrair quadros do PMDB e de outras legendas. Aprovou-se no Congresso uma lei anti-Kassab, com regras que inibem a criação e a fusão de partidos. Mas Dilma demorou a sancionar a peça. Com isso, deu tempo para que os operadores de Kassab protocolassem no TSE o pedido de recriação do PL.

“Isso é muito grave”, queixou-se Geddel. “É quebra de confiança. Depois reclamam desse sentimento de aversão que cresce dentro do PMDB. Estão todos muito irritados”, acrescentou, ecoando o próprio Eduardo Cunha, que dissera mais cedo: “Com certeza absoluta isso [a recriação do PL] é um projeto de enfraquecimento do PMDB. Vamos combater de todas as formas, na Justiça, na política, de todas as maneiras''.

O outro episódio citado por Geddel refere-se à tentativa do governo de levar ao freezer a regulamentação da lei que trocou o indexador das dívidas dos Estados e municípios. A mudança de índice fora aprovada no ano eleitoral de 2014, sob aplausos de Dilma, que sancionou a novidade em novembro. Súbito, na virada de um mandato para o outro, o governo passou a se fingir de morto, empurrando com a barriga a implementação da regra que favorece governadores e prefeitos.

“Isso é um passa-moleque sem precedentes”, ralhou Geddel. “Se a presidente achava que não poderia cumprir os compromissos que assumiu tinha que explicar suas razões às claras. Não dá para fazer esse jogo de empurrar com a barriga. Isso representa o que eu chamo de molecagem. A presidente promove um amolecamento das relações políticas. O que leva o PMDB a ficar cada vez mais divergente.”

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Futurologia política!



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1 minuto e 40 segundos que valem o impeachment.


Assistam a este vídeo. É impressionante como uma presidente da República pode mentir tanto em tão pouco tempo. Mentira é pouco para definir. O termo certo é estelionato eleitoral. Conta de luz subiu cerca de 80%. A taxa de juros quase dobrou nos últimos três meses. A inflação já rompeu os 8%. O PIB vai crescer menos 1%. E centenas de milhares de postos já foram fechados na indústria. O Brasil está parado. Só o custo de vida sobe. O cheque especial, por exemplo, está em 214,2% ao ano... Ou o Brasil despacha a Dilma ou a Dilma destrói o Brasil.

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O novo eixo do poder em Brasília
Ricardo Noblat

Se alguém interessado em tomar o pulso da situação desembarcar por esses dias em Brasília não terá dificuldades em descobrir que mudou o eixo do poder dentro e fora do governo.

Dentro, o endereço mais privilegiado não está no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde despacha a presidente da República. Muito menos no quarto andar onde funciona a Casa Civil.

Anote: Esplanada dos Ministérios, Bloco P, 5º andar. Esse é o endereço do gabinete do ministro Joaquim Levy, da Fazenda.

O que não passar por ali dificilmente contará com o aval de Dilma e, depois, com a boa vontade do Congresso.

Fora do governo, os endereços mais quentes estão no prédio do Congresso. A saber: os gabinetes dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Onde fica o gabinete do ministro responsável pela coordenação política do governo, Pepe Vargas (PT-RS)? No Palácio do Planalto. Mas, esqueça. Ele não tem importância.

Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil, ainda guarda alguma importância. Mas ele está mais para o Dilma da Dilma do que para uma espécie de primeiro-ministro.

O primeiro-ministro é Levy. E a centralizadora e arrogante presidente parece conformada com isso. Quando nada porque se ele resolver, de repente, ir embora, o governo dela desmoronará.

Em junho de 2013, quando milhões de brasileiros saíram às ruas e derrubaram pela primeira vez a aprovação de Dilma, ela prometeu muitas coisas, sendo a reforma política uma delas. Nada fez.

No último dia 15, quando milhões de brasileiros outra vez saíram às ruas e reduziram a pó a popularidade de Dilma, ela despachou para o Congresso o pacote de medidas contra a corrupção prometido em junho de 2013.

Na luta diária pelo poder não se admite espaço vago. Levy entrou no governo como a salvação da lavoura. Para aplainar um terreno cheio de buracos e de más elevações.

A fraqueza de Pepe, a crise de identidade de Mercadante e a falta de rumo de Dilma abriram espaço para que Eduardo e Renan batessem com o pé no chão e começassem a falar grosso.

Os dois estão envolvidos com o escândalo da Petrobras. O governo de Dilma também está. A avaliação do Congresso consegue ser pior do que a avaliação de Dilma, segundo a mais recente pesquisa Datafolha.

Mas Eduardo e Renan são ousados. Sabem o que querem. E estão fazendo por onde conseguir. Querem afirmar a autoridade do Congresso – e, por tabela, a deles mesmos. E aproximá-lo do que pede a voz das ruas.

Daí a reforma política possível, que os dois já dispararam. O ajuste fiscal possível, que negociam com Levy. E o reajuste da dívida de Estados e municípios, que discutem com Levy, governadores e prefeitos.

Enquanto isso, Dilma...

Enquanto isso, Michel Temer, o vice-presidente, vive a desejável atribulação de alguém que só cresce em prestígio na República. Toca em sintonia com Eduardo e Renan.

O primeiro governo de Dilma foi dela mesma e do PT. O segundo governo está sendo do PMDB até aqui.


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Blog do Reinaldo Azevedo

As novas vozes do presente que ensurdecem o PT e as esquerdas

Brilhante a entrevista concedida nesta segunda por Rogério Chequer ao programa Roda Viva, da TV Cultura. De tal sorte é onipresente a abordagem — não exatamente “o pensamento” — das esquerdas nos movimentos de caráter reivindicatório que chega a ser espantoso quando surge alguém com um conteúdo novo, enraizado em valores democráticos e pluralistas. Chequer, para quem não sabe, é um dos coordenadores do movimento “Vem Pra Rua”, que colaborou para reunir dois milhões de pessoas país afora no dia 15 de março. Uma nova manifestação está marcada para o dia 12 de abril.

Chequer pensa de forma organizada e hierarquizada — isto é, o exemplo sempre está subordinado a uma ideia principal —, expressa-se com clareza, expõe seus pontos de vista com cordialidade, é preciso no uso das palavras e, amarrando todas essas qualidades, expõe convicções afinadas com a democracia.

Soube responder tanto às perguntas genuínas que lhe foram feitas como reagiu com elegância às provocações, especialmente as de Carla Jiménez, repórter da versão brasileira do jornal espanhol El País. Parecia mais interessada na sua própria agenda — ou na do PT, sei lá — do que em ouvir o que o entrevistado tinha a dizer.

Não sei se um dia Chequer será ou não um político. Ser um político honesto é uma virtude, não um defeito. O que me interessa em sua atuação, hoje, é o fato de ele ser um indivíduo que exerce o direito de ter uma voz e que convida outros milhares, outros milhões, a fazer o mesmo. Não em nome de um partido, não em nome de uma utopia, não em nome de um futuro distante, mas em nome de valores consolidados na Constituição e nas leis, que, se cumpridos, tornam o país melhor, tornam o mundo melhor. Rogério Chequer é uma das vozes do presente que têm de ser ouvidas.

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Chegou a hora de instalar uma CPI para investigar a participação do Brasil na Internacional das Ditaduras de Esquerda

O PSDB quer que a Procuradoria-Geral da República investigue o repasse de dinheiro do “Mais Médicos” para a ditadura cubana. O líder do partido no Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), recorreu nesta terça a Rodrigo Janot para que o Ministério Público abra investigação por suspeitas de improbidade administrativa contra Rafael Bonassa, Alberto Kleiman e Maria Alice Fortunato, todos ex-assessores do Ministério da Saúde, e contra o ex-chefe da Assessoria Jurídica da pasta Jean Uema. O grupo comandou o acordo firmado pelo Ministério com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que permitiu que recursos do programa Mais Médicos favorecessem o governo de Cuba.

A revista VEJA havia demonstrado, em 2013, que a importação de médicos cubanos era só uma maneira de ocultar a remessa de dinheiro para a ilha. Gravações que vieram a público, reveladas pela Band, registram conversas de assessores em que isso é admitido com todas as letras. Chega a ser constrangedor. Ali fica claro que a abertura do Mais Médicos a profissionais de outros países é só um truque para justificar o acordo com a tirania comandada pelos irmãos Castro.

Mais: as conversas revelam que os agentes da ditadura cubana que vêm ao Brasil para tiranizar os médicos entram como se doutores fossem. Também evidenciam que o governo se eximiu de discutir as relações de trabalho entre a ilha e os profissionais, como se a ditadura cubana pudesse impor, em nosso país, as regras — ou ausência de regras — que vigoram por lá.

O acordo fere direitos trabalhistas no Brasil e disposições constitucionais. Nesta segunda, Cunha Lima e o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) já haviam apresentado um projeto de decreto legislativo para suspender o acordo entre o governo brasileiro e o cubano. É o mínimo a ser feito. Mas ainda é pouco.

É preciso que o Congresso tenha a coragem de instalar uma CPI para apurar a participação do Brasil numa espécie de Internacional das Ditaduras de Esquerda. O país desconhece detalhes do Mais Médicos, que transfere R$ 140 milhões por mês para Cuba. O país desconhece as condições de financiamento do BNDES para, mais uma vez, Cuba, Venezuela e Angola, entre outros.

Não! Ninguém quer deixar os pobres desassistidos. De resto, o próprio programa precisa passar por uma revisão. Já está demonstrado que, em um número considerável de cidades que aderiram ao programa, houve uma diminuição do número de profissionais. Mais: esses doutores cubanos que estão no Brasil só podem atuar no âmbito do Mais Médicos, não precisam fazer exame de proficiência e estão impedidos de realizar procedimentos mais complexos. Não por acaso, Dilma deixou clara certa feita uma das funções dos cubanos: dar umas apalpadas nos pobres.

Chegou a hora de jogar luzes na participação do Brasil na Internacional das Ditaduras de Esquerda.

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PT admite erros políticos e prega ‘renascimento’

Presidente do PT federal, Rui Falcão divulgou um artigo sobre o 5º Congresso da legenda, que ocorrerá em junho. Defendeu um “reencontro” dos petistas “com o PT dos anos 80”. Manifestou o desejo de “reatar com movimentos sociais, juventude, intelectuais, organizações da sociedade”. Reconheceu que tais segmentos, antes “representados” no partido, hoje lhe são “alheios, indiferentes ou, até, hostis”. Atribuiu o fenômeno a “alguns erros políticos” cometidos pelo PT.

Isolado no Legislativo e fustigado nas praças, o PT agora considera que as alianças partidárias já não bastam para assegurar a sustentação do governo Dilma Rousseff. Falcão escreveu que “é vital ampliar a governabilidade meramente institucional e estendê-la à sociedade, levando às ruas a defesa do programa vencedor, organizando a população para defender o nosso projeto e a lutar por reformas estruturais.” Não explicou como o meio-fio irá prover os votos que os aliados sonegam a Dilma no Congresso.

A certa altura do artigo, Falcão reconheceu indiretamente que os 12 anos de poder federal levaram o PT à sepultura. Esse reconhecimento aparece no trecho em que o companheiro escreve que o retorno às ruas “vai exigir do PT um renascimento.” Só pode renascer, por óbvio, quem já morreu.

Embora reconheça que o PT cometeu “erros políticos”, Falcão se absteve de enumerá-los. Não fez menção aos crimes do mensalão, que levaram a cúpula partidária a passar uma temporada na penitenciária da Papuda. Tampouco citou as suspeitas levantadas conta o PT na Operação Lava Jato, que apura a pilhagem na Petrobras.

Falcão listou algumas tarefas que considera importantes para a fase pós-renascimento: “Dar mais organicidade ao PT, maior consistência política e ideológica às direções e militantes de base, combater os sinais de burocratização, afastar o pragmatismo exagerado, reforçar os valores da ética na política, não dar trégua ao ‘cretinismo’ parlamentar – tudo isso é condição para atingir nossos objetivos intermediários e estratégicos.” Acha necessário também atualizar o programa do PT.

A despeito do cheiro de autocrítica que exala do seu texto, Falcão não desceu completamente de sua tradicional empáfia. Anotou que a oposição, inconformada com o “quarto triunfo eleitoral consecutivo” do PT, “chega a flertar com o golpismo”. E a “mídia monopolizada” mantém o PT sob “contínuo ataque.”

Em certos trechos, Falcão soou desconexo. Como nesse: “A oposição e seus veículos de comunicação empenham-se em disputar os rumos da política econômica, tentando impor um programa alternativo ao que foi escolhido pelo povo brasileiro nas urnas.” Falcão parece não ter notado que, eleita, Dilma sequestrou a agenda de Aécio Neves, baixando as medidas impopulares que acusava o rival de tramar.

Noutra passagem, Falcão acusou os antagonistas do PT de investirem “contra a Petrobras, não com o fito de combater a corrupção – como os governos Lula e Dilma sempre fizeram.” Quem investiu contra a Petrobas foram os partidos que enfiaram diretores desonestos nos cofres da estatal. Entre eles o PT. E quem combate a corrupção é o Ministério Público Federal e a Justiça, com o auxílio institucional da Polícia Federal. Os governos petistas não combateram a corrupção. Praticaram-na.

Retomando uma antiga cantilena, Falcão acrescentou que o objetivo da oposição é “fragilizar” a Petrobras para, “em última instância, forçar a privatização da empresa, como tentaram fazer durante o governo FHC.” O companheiro ainda não notou, mas a petroleira foi privatizada no balcão da baixa política. O caso agora é de reestatização.

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Uma delação esperando para acontecer!



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Congresso aproveita a fraqueza do governo para impor sua agenda
Ricardo Noblat

O governo da presidente Dilma Rousseff enfraquece à medida em que o tempo passa – e aparentemente passa ligeiro, embora o governo sequer tenha completado três meses de vida.

Dilma defendeu outro dia a criação de 39 ministérios. Antes de Lula assumir seu primeiro mandato, eram 20.

Ontem, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, voltou a defender a redução para 20 do número de ministérios. Em breve, um projeto nesse sentido será votado no Congresso.

Não passa pela cabeça de Dilma extinguir uma parcela dos cargos em comissão – aqueles ocupados sem a necessidade de concurso público. O Congresso planeja extinguir uma parcela deles.

Dilma repetiu que o ajuste fiscal, para pôr em dia as contas públicas desarranjadas para que ela se reelegesse, não será mudado.

Renan retrucou dizendo que do jeito que está, o ajuste não será aprovado pela Congresso. Se a sociedade não quer, o Congresso também não quer.

No meio da tarde de ontem, Dilma anunciou que não será possível renegociar o índice de correção das dívidas estaduais e municipais. À noite, por 389 contra duas abstenções, a Câmara dos Deputados aprovou o que Dilma negou que fosse possível.

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, chamou o governo de “agiota”. Ninguém defendeu o governo.

Em segundo turno, o Senado atropelou o governo e aprovou a Proposta de Emenda à Constituição que a acaba com as coligações em eleições proporcionais. Ou seja: para deputados federais e estaduais, e vereadores.

A CPI da Petrobras, para desgosto do governo, convocou para depor Vaccari Neto, tesoureiro do PT, suspeito de envolvimento com a roubalheira da Petrobras, e Luciano Coutinho, presidente do BNDES.

Por último, Comissão do Senado aprovou a convocação de Thomas Traumann, Secretário de Comunicação da presidência da República, para explicar documento de sua autoria sobre os problemas que o governo enfrenta nessa área.

Chega ou quer mais?

E o mais curioso: tem aliados do governo dizendo que o pior já passou.

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A quantia arrecadada pela ‘vaquinha’ dos Amigos do Dirceu é dinheiro de troco para o traficante de influência que conseguiu ficar ainda mais rico sem sair da cadeia

Em 16 de novembro de 2013, dia do check-in na Papuda, José Dirceu de Oliveira confundiu portão de cadeia com palanque e, a caminho dos 68 anos, resolveu incorporar o líder estudantil de 68. Para delírio de meia dúzia de milicianos que saudavam aos gritos o “guerreiro do povo brasileiro”, hasteou o braço esquerdo com o punho cerrado e, caprichando na expressão feroz de quem vai dizimar sozinho um pelotão de fuzileiros navais americanos, berrou a informação: “Eu me considero um preso político”.

Como assim?, perguntou-se quem não perdeu de todo o juízo. Desde sempre, só se enquadra nessa categoria gente encarcerada ─ sem o devido processo legal, sem o exercício do direito de ampla defesa ─ para refletir numa cela sobre os perigos reservados a quem faz qualquer tipo de oposição a uma ditadura consolidada ou embrionária. O Brasil, convenhamos, ainda não é uma Venezuela que fala português, muito menos uma Cuba tamanho família. Mais: Dirceu sempre fez parte do grupo que desde janeiro de 2003 desgoverna o país.

Perdeu o emprego de ministro em 2005, mas não o status de figurão do PT, nem a cumplicidade mafiosa dos companheiros que alojou em cargos estratégicos enquanto chefiou a Casa Civil no primeiro mandato de Lula. E tampouco foi engaiolado arbitrariamente. No julgamento do processo do mensalão, que demorou quase sete anos para começar e outros dois para chegar ao desfecho, sobrou-lhe tempo para rebater acusações e contestar a solidez das provas acumuladas contra a estrela do bando.

Além de advogados que calculam honorários em dólares por minuto, Dirceu foi defendido por ministros do Supremo Tribunal Federal que estão lá para inocentar bandidos de estimação do Planalto. Acabou forçado a hospedar-se na Papuda não por crimes de pensamento, mas por corrupção ativa. Quem trocou a cama de casal por um catre não foi o revolucionário aposentado, ou o guerrilheiro de festim diplomado na ilha-presídio, ou o ex-presidente do PT, ou o ex-chefe da Casa Civil. Foi o chefe (ou subchefe?) da quadrilha do mensalão.

Diante de tantas e tão contundentes evidências, quantos brasileiros ─ além do próprio detento ─ ousariam enxergar um preso político num político preso por tratar o Código Penal a socos e pontapés? Quase 4 mil, informou em fevereiro de 2014 o balanço oficial da “vaquinha” online promovida para pagar a multa de R$ 971.128,92 imposta ao sentenciado pelo STF. As quantias doadas por 3.972 “amigos do Zé Dirceu” somaram R$ 920.700. A diferença foi coberta por R$ 163 mil extraídos das sobras das “vaquinhas” que haviam socorrido os mensaleiros José Genoíno e Delúbio Soares.

O ator José de Abreu, por exemplo, entrou com R$ 1 mil na operação concebida para livrar da falência “a grande vítima de um julgamento político”. Com a fisionomia sofrida de quem não conseguira uma vaga na lista de visitas íntimas, alegou que aquela fora “uma maneira de dividir a pena com ele”. Em 22 de fevereiro, a página eletrônica aberta para a coleta dos adjutórios comemorou o sucesso da mobilização: “Juntos, vencemos esta batalha. Ainda há outras por vir, certamente. E, juntos mais uma vez, estamos prontos para enfrentá-las”. Bingo. A batalha prevista há um ano está em curso desde quinta-feira passada.

Começou com a ruidosa chegada de José Dirceu ao front do Petrolão e ninguém sabe quando vai terminar. Mas é improvável que haja outra “vaquinha”. Os desdobramentos da Operação Lava Jato revelaram que o dono da J. D. Assessoria e Consultoria embolsou nos últimos nove anos cachês de matar de inveja canastrões de novela. Nesse período, agindo como facilitador de negócios, vários deles cobiçados por participantes do assalto à Petrobras, o consultor embolsou R$ 29 milhões. Para quem junta tal fortuna em tão pouco tempo, a multa imposta pelo Supremo é dinheiro de troco.

Os zés-de-abreu acabam de saber que, comovidos com um preso político, dispensaram do castigo financeiro o multimilionário que conseguiu uma proeza até então só alcançada por chefões do PCC: ficou mais rico sem sair de uma cela de cadeia. Entre novembro de 2013 e novembro passado, enquanto cumpria pena, JD faturou pelo menos R$ 1,2 milhão. A gigante da indústria farmacêutica EMS tornou  R$ 700 mil mais obesa a receita da consultoria. Outros R$ 500 mil vieram da construtora Consilux.

Até agora, nem os doadores tapeados pediram o dinheiro de volta nem o beneficiário do conto da vaquinha parece disposto a devolvê-lo. A façanha desempatou em favor do maior traficante de influência o duríssimo duelo com o maior traficante de drogas. Dirceu é mais que um Marcola do PT. O concorrente do guerrilheiro de festim nunca foi homenageado pela soldadesca com uma “vaquinha”. Só depois de preenchida a lacuna Marcola poderá reivindicar o título de Dirceu do PCC.


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Blog do Coronel

Vaccari, a "eminência parda" na diretoria da Petrobras. A primeira propina era dele.

(O Globo) O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, discutia pessoalmente com dirigentes da Petrobras detalhes de licitações, aditivos e até mesmo problemas técnicos em obras tocadas por fornecedoras da estatal que doavam ao partido, segundo o ex-gerente de engenharia da estatal Pedro Barusco.

Em depoimento prestado no último dia 12 e tornado público nesta segunda-feira em processo da Operação Lava-Jato, Barusco deu mais detalhes dos encontros com Vacccari, segundo ele realizados no Rio de Janeiro, em hotéis como Cesar Park, em Ipanema, Sofitel e Windsor, em Copacabana; e em São Paulo, nos hotéis Sofitel Sena Madureira, Transamérica Morumbi e Melia Alameda Santos.

Segundo Barusco, participavam dos encontros Vaccari e o então diretor de Serviços da estatal, Renato Duque. Além de tratar de “divisões de propina”, os participantes falavam sobre o "andamento de alguns projetos e contratos, em relação aos quais o Vaccari tinha interesse em ter conhecimento", segundo o depoimento.

"Nessas ocasiões, Vaccari formulava algumas reivindicações em nome de empresas, por exemplo, para ver se era possível resolver algum problema, envolvendo licitações, celebrações de aditivos, inclusão de empresas na lista de empresas cadastradas, ou mesmo problemas técnicos”, disse Barusco ao Ministério Público Federal (MPF).

No depoimento, o ex-gerente da Petrobras afirma que as reivindicações das empreiteiras “eram atendidas na medida do possível, no limite dos procedimentos e requisitos técnicos da Petrobras”.De acordo com Barusco, "quando chegava perto do hotel”, ele trocava mensagens pelo celular com Vaccari para acertar o local e o horário dos encontros. Nas próximas semanas, investigadores deverão buscar confirmar com operadoras de telefonia se as mensagens foram, de fato, trocadas entre Vaccari e o ex-gerente. Imagens do circuito interno de áreas comuns dos hotéis citados no depoimento também deverão ser buscadas pela polícia.

Barusco voltou a afirmar que não operacionalizava o pagamento de propina a Vaccari, por isso não saberia dizer em que contas ele recebeu recursos. Ainda assim, afirmou “ter certeza” de que valores destinados ao petista em contrato do Estaleiro Kepell Fels teriam sido pagos, “uma vez que somente passou a receber sua parte após o faturamento do contrato ter ultrapassado o montante de propina destinado a Vaccari”.

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Brasil pode virar uma imensa CPI.

Depois da Petrobras, os parlamentares querem investigar os empréstimos secretos do BNDES e as empresas do setor elétrico pois, ao que tudo indicado, o PT e seus sequazes espalharam corrupção e roubo por todo o setor público. É o caso dos fundos de pensão, onde propinas eram pagas para que o dinheiro dos funcionários públicos fosse aplicado em títulos podres. A matéria a seguir é do Estadão.

Em meio à relação conturbada com o Congresso Nacional, o governo vai ter de evitar outro conflito: a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fundos de pensão de estatais direcionada a apurar irregularidades na Previ, do Banco do Brasil; na Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal; na Petros, da Petrobrás; e no Postalis, dos Correios. Os três últimos somam déficits bilionários.

Até esta segunda-feira, a oposição já contava com 113 das 171 assinaturas necessárias para investigar indícios de aplicação incorreta dos recursos e manipulação na gestão de fundos de previdência complementar de funcionários de estatais e servidores públicos que provocaram “prejuízos vultosos” entre 2003 e 2015.

O Estado revelou nesta segunda-feira que somente o Postalis tem um déficit de R$ 5,6 bilhões, que será equacionado pelos participantes do fundo de pensão e pela patrocinadora. Os aposentados e pensionistas terão cortes nos contracheques de 25,98%. Por exemplo, quem recebe o benefício de R$ 10 mil, terá R$ 2.598 a menos no final do mês por causa do corte. Já os funcionários da ativa terão redução nos salários que, no limite, pode chegar a esse porcentual. Os Correios esclareceram, em nota, que 71.154 funcionários da ativa terão descontados de 1,71% a 24,28% dos proventos. Isso porque o porcentual depende do valor benefício contratado no planos.

Os cortes nos contracheques dos aposentados e do pessoal da ativa começam a valer em abril deste ano e ocorrerão por 15 anos e meio. O déficit será reavaliado a cada ano a partir do retorno dos investimentos e da expectativa de vida dos participantes. Funcionários dos Correios que terão os salários impactados tentam reverter a decisão do conselho deliberativo do Postalis na Justiça e ameaçam paralisar os trabalhos.

No Congresso, parlamentares da oposição ingressaram com requerimentos para convocar o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, para prestar esclarecimentos sobre o rombo e a divisão do prejuízo do Postalis com os trabalhadores. “É inaceitável que o funcionário dos Correios pague pela gestão fraudulenta do Postalis”, justificou o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO). “O aparelhamento político dos fundos de previdência complementar, associado aos prejuízos bilionários, deve ser investigado com a máxima urgência”, complementou o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR).

Investimentos. A nova diretoria financeira do Postalis tenta reverter o rombo bilionário da fundação adotando uma política de investimento mais conservadora, que permita maior liquidez das aplicações. No fim de 2013, as aplicações em títulos públicos eram de apenas R$ 30 milhões. Agora, o Postalis tenta aumentar a participação desses papéis, aproveitando o momento de juros básicos da economia e inflação em elevação.

Fontes do Postalis disseram que, em anos anteriores, os investimentos eram decididos sem nenhum tipo de respaldo técnico. O déficit de R$ 5,6 bilhões engloba os rombos dos anos anteriores e a dívida de R$ 1,1 bilhão dos Correios (que está sendo cobrada na Justiça). Entre as principais baixas de aplicações estão dois investimentos polêmicos.

Entre 2006 e 2009, foram direcionados R$ 422 milhões em três empresas de energia: a Raesa (Rio Amazonas Energia) e a New Energy, além da Multiner. O Postalis teve de baixar no balanço prejuízo de R$ 342 milhões com esses investimentos.

Sem cortes. Os Correios divulgaram nota nesta segunda-feira na qual esclarecem que a solução para o déficit de um dos planos do Postalis com os funcionários da ativa, aposentados e pensionistas está amparada na lei de previdência complementar. “Pela lei de previdência complementar, os fundos de pensão são obrigados a promover essa medida. Os Correios, como patrocinadores do plano, contribuirão de forma paritária, conforme previsto na legislação.”

Segundo a nota dos Correios, não procede a informação da reportagem do ‘Estado’ de que cada servidor pagará 25,9% do salário para cobrir o déficit do fundo. Os Correios informam que o impacto médio sobre os salários dos funcionários da ativa será de 3,88%. A estatal não informou na nota, mas os aposentados e pensionistas terão cortes de 25,98% nos benefícios.

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Lula dispara contra Mercadante e acerta Dilma

O PT ainda é um partido diferente dos demais. Os outros têm excesso de cabeças e carência de miolos. Nos seus 12 anos de poder federal, o PT provou que sofre da mesma carência. Mas com uma cabeça só. A palavra de Lula tem peso de sentença. E o todo-poderoso sentenciou que o governo Dilma está politicamente zonzo por culpa de Aloizio Mercadante. O veredicto é equivocado.

Nada mais injusto do que atribuir ao chefe da Casa Civil a responsabilidade pela embriaguês política do Planalto. Se 10% das ideias que atribuem a Mercadante tiverem saído mesmo da cabeça dele, pode-se afirmar que o ministro correspondeu a todas as expectativas de quem não esperava nada dele. Mas quem preside a implementação dos conselhos é madame, não o conselheiro.

Mercadante saiu-se com a ilusão de que Gilberto Kassab e Cid Gomes recrutariam uma infantaria parlamentar capaz de fazer do PMDB uma tropa de achacadores irrelevantes. Mas foi Dilma quem colocou a dupla dentro de dois dos mais cobiçados cofres da Esplanada —Cidades e Educação. Deu tudo errado. Cid já se foi. E Kassab dedica-se a jurar em entrevistas que Mercadante continua prestigiado. Lorota.

Espremida por Lula, Dilma desossa Mercadante. Suprimiu-lhe a atribuição de conselheiro aleatório para assuntos econômicos desde a chegada de Joaquim Levy à pasta da Fazenda. Desobrigou-o da articulação política depois que dois desafetos do ministro —os peemedebistas Eduardo Cunha e Renan Calheiros— passaram a rosnar para o Planalto, impondo humilhações e derrotas em série à presidente.

É forçoso reconhecer: desde que o PT chegou ao poder, a Casa Civil da Presidência da República tornou-se a morada preferida da urucubaca. As seis pessoas que passaram pela poltrona deveriam ter despachado apenas às sextas-feiras, numa encruzilhada. De preferência acompanhados por um assessor tranca-ruas. Como não fizeram isso…

José Dirceu foi parar na cadeia. Dilma tornou-se uma presidente hemorrágica. Erenice Guerra saiu pelos fundos, empurrada pela suspeição. Antonio Palocci foi implodido por um patrimônio inexplicável; Gleisi Hoffmann é perseguida por um 'youssefiana' de R$ 1 milhão. Que surpresas o azar reserva para Mercadante? Por ora, apenas a marcação cerrada de Lula.

Lula alveja Mercadante por duas razões. Uma é secundária: conhecendo-o há mais de três décadas, aprendeu não gostar dele. Outra, preponderante: convenceu-se de que o companheiro cometeu o mesmo erro de José Dirceu: enxergou a Casa Civil como trampolim para chegar à Presidência da República. E Lula, por imperial, não admite o surgimento de outra palmeira , ainda que débil, no gramado.

Dilma mantém Mercadante no cargo também por duas razões. Uma secundária: adora a fidelidade do auxiliar. Outra, primordial: tendo se livrado de Gilberto Carvalho, não gostaria de enfiar dentro do Palácio do Planalto um novo espião de Lula. É como se a criatura tentasse atenuar os efeitos da tutela do criador. Tudo isso num instante em que a autoridade da presidente se liquefaz. Haja urucubaca!

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Para FHC, Lula é mais culpado do que Dilma

Uma característica persistente da política é que os malfeitores estão sempre nos governos dos outros. Lula e Dilma dizem que todos os males da nação têm raízes no governo FHC. Longe do poder há 12 anos, FHC pode se dar ao luxo de distribuir as culpas. No escândalo do petrolão, por exemplo, o grão-tucano avalia que Lula é mais culpado do que Dilma: “Se alguém tem mais responsabilidade política por isso, é ele, não ela'', disse, antes de recordar que os ex-diretores engolfados pela Operação Lava Jato foram nomeados sob Lula. FHC lamentou que o antecessor de Dilma, sempre muito loquaz, esteja tão calado.

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A idade do roubo!





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Números são devastadores para Dilma, mas petistas continuam a escolher a saída mais burra. Se bem que cabe perguntar: eles sabem fazer diferente?

Se o Planalto havia gostado muito pouco dos números da pesquisa Datafolha, divulgados na quarta passada, apontando que apenas 13% dos entrevistados acham o governo Dilma “ótimo ou bom”, contra 62% que o têm por “ruim e péssimo”, gostou ainda menos dos dados do levantamento CNT/MDA que vieram à luz nesta segunda: são ainda piores. Apenas 10,8% dizem ser a gestão ótima ou boa. Nada menos de 64,8% a têm por ruim ou péssima. Se a eleição presidencial fosse hoje, aponta o levantamento, o tucano Aécio Neves venceria a disputa por folgados 55,7% a 16,6% — brancos e nulos somaram 22,3%, e 5,4% disseram não saber em quem votar.

O resultado é devastador. E pode piorar, querem ver? Nada menos de 59,7% se dizem favoráveis ao impeachment da presidente, contra 34,7% que se dizem contrários. Desaprovam a presidente 77,7% dos que responderam ao levantamento, contra uma aprovação de apenas 18,9%. Nem poderia ser diferente: 75,4% dizem que o segundo mandato de Dilma é pior do que o primeiro, e 68,9% acham que a presidente é culpada pelos escândalos na Petrobras.

Perceberam? Não há boa notícia possível. Não há como achar um número inspirador. Esses dados — e Isso já tinha sido captado pelo Datafolha — explicam a indisposição das ruas com a presidente. Esses percentuais demonstram por que dois milhões lotaram os espaços públicos no domingo. Viram-se na sequência um governo assustado, acuado, e um partido — no caso, o PT — desesperado, a falar qualquer coisa. Rui Falcão, presidente da legenda, chegou até a imaginar um pacote de inspiração bolivariana contra a imprensa. Que se note: em política, adversários sempre são um problema. É o esperado. Um governante está lascado mesmo é quando seus aliados fazem bobagens em penca. É o caso hoje em dia.

A população, ademais, está solidária com os protestos. Dizem apoiá-los 83,2% dos entrevistados, que não são, à diferença do que afirmaram alguns ministros aloprados, apenas eleitores de oposição. Entre os que responderam a pesquisa, 41,6% declararam ter votado em Dilma nas eleições de outubro do ano passado, contra 37,8% que votaram em Aécio. Como se vê, os próprios eleitores da petista desertaram.

Até agora, registre-se, não se ouviu uma só palavra sensata oriunda do Planalto  e do PT. Quem não está perplexo desanda a falar bobagens pelos cotovelos. Todas as formas possíveis de desqualificar os manifestantes foram tentadas. Nenhuma funcionou. Ao contrário: a agressão a quem exerce o sagrado direito democrático de dizer “não” só agrava o quadro da crise. Ora, dados os desastres econômicos em série, as lambanças na Petrobras e as evidências de uma espécie de governo paralelo que estava lotado na estatal, o razoável seria que o governo definisse um interlocutor para tentar o diálogo com os divergentes. Na democracia, isso é comum e nada tem a ver com cooptação.

Mas quê! Eles continuam a sentar o braço nos adversários, a mover a máquina suja do subjornalismo contra alvos que consideram incômodos, a provocar ainda mais repúdio em razão de sua cultura autoritária. Pior: nunca se sabe quando um novo episódio da Operação Lava-Jato explode aos olhos dos brasileiros. A situação política de Dilma continua desesperadora. Hoje, a única esperança do Planalto é que, da Caixa de Pandora da Lava-Jato, surjam evidências contundentes contra alguns “aliados inimigos” — como Eduardo Cunha — e contra oposicionistas. O diagnóstico entre os palacianos é pessimista. Até porque Dilma não tem com que acenar.

O Boletim Focus prevê uma recessão de 0,83%, com inflação de 8,12% neste 2015. A Fiesp, um estudo inédito — e, parece-me, mais realista — acha que a economia encolherá 1,7%, com uma retração de 4,5% na indústria, que já deve ter encolhido 1,8% em 2014. Não sobraram a Dilma nem mesmo alguns caraminguás com que acenar para os pobres.

Dilma poderia ter ao menos o conforto espiritual de culpar a oposição por ter inflado a crise. Mas ela sabe que isso seria falso como nota de R$ 3. A oposição com a qual o governo não consegue nem diálogo nem contato está nas ruas, com o cidadão comum, permanentemente hostilizado pela tropa de choque petista. É a coisa mais burra a se fazer. Mas parece que eles não sabem fazer de outro modo.

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A denúncia contra Vaccari e Duque. Ou: O PT quer ser, a um só tempo, o mal é o remédio. É patético!

Agora João Vaccari Neto, ainda tesoureiro do PT, e Renato Duque, o homem de José Dirceu — o mais eficiente consultor da Terra — que era diretor de Serviços da Petrobras já são réus. O juiz Sérgio Moro aceitou a denúncia contra a dupla, oferecida pelo Ministério Público. Os dois e outras 25 pessoas são acusados de corrupção e lavagem de dinheiro. Duque e outros 14 são acusados ainda de formação de quadrilha. Segundo a apuração, parte da propina foi paga a Vaccari na forma de doações legais, entre 2008 e 2010 — o que significa que a campanha de Dilma Rousseff pode ter recebido recursos da Petrobras.

Essa denúncia está centrada em irregularidades em dois gasodutos e nas obras nas refinarias de Paulínia (SP) e Araucária (PR), todas afeitas à área então comandada por Duque. A roubalheira, no caso, está estimada em R$ 136 milhões. Moro acatou a afirmação do Ministério Público segundo a qual o tesoureiro do PT sabia que a doação oficial tinha origem em propina.

Pois é… Cresce a pressão no partido para que Vaccari abandone a tesouraria da legenda, o que ele, até agora, se nega a fazer. O desconforto no Palácio do Planalto também é grande. A avaliação é que a permanência do homem no posto deixa Dilma mais perto da crise. Afinal, ela é filiada ao PT, e este é um governo principalmente do… PT! Como ter no comando de área tão sensível alguém que, agora, já é réu, contra quem existe uma penca de testemunhos? No passado, com Delúbio Soares, a coisa foi resolvida com mais celeridade. Vaccari está há um ano na mira e nada de se mover.

Água suja com a criancinha
Pois é… Aos poucos, vai se firmando uma espécie de doxa, de verdade inquestionável, que, por incrível que pareça, converge para uma tese defendida pelo PT. Explico. Vaccari, como se lê acima, recebeu, segundo o Ministério Público, doações oficiais decorrentes do pagamento de propina.

Augusto Mendonça, do grupo Setal, entregou à Justiça Federal recebos de doações feitas ao PT entre 2008 e 2012. Na aparência, tudo legal. De fato, afirma, era dinheiro decorrente de… propina. Usava-se, assim, o instrumento da doação legal para esconder o assalto aos cofres da Petrobras.

Ora, diante de um quadro como esse, é grande a tentação de concluir que a doação legal de empresas é a mãe da safadeza, certo? É o que sustenta o PT, que quer extingui-la em sua proposta de reforma política. É o que defende em entrevista à Folha nesta terça Beto Vasconcelos, novo secretário nacional de Justiça, que acena com a possibilidade da doação feita apenas por indivíduos, mas com limites.

Ah, bom! Então ficamos assim: porque o PT andou pegando doações oficiais oriundas da corrupção e como isso foi descoberto, então os companheiros agora querem mudar a lei. Em que sentido? Ora, pretendem, pelo visto, criar um sistema em que não possam ser descobertos jamais. E a melhor maneira de ver cumprido esse desiderato é proibir todas as doações legais. Assim, elas poderão ser, finalmente, ilegais, sem, deixar rastros. A política brasileira cairia na clandestinidade de vez.

Será realmente um momento notável da estupidez humana se, pego com a boca na botija, a converter propina em recibo oficial, o PT conseguir emplacar a sua tese da proibição da doação de empresas privadas a campanhas. Aí, sim, o conjunto dos brasileiros estará entregue a uma máfia.

Porque os petistas Vaccari e Duque, entre outros, cometeram, segundo a denúncia, crimes asquerosos no âmbito das doações legais de empresas, então há quem queira tornar ilegais todas as doações. Assim o petismo quer ser, a um só tempo, o mal e o remédio. É patético!

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Standard & Poor’s aposta num Brasil que não depende nem do PT nem dos petistas. Resumo da ópera: hoje, eles atrapalham o país

É claro que a notícia não é boa apenas para a presidente Dilma Rousseff. É boa para o país. A agência de classificação de risco  Standard & Poor’s manteve a nota de crédito do Brasil, com perspectiva estável. Assim, na agência, o país permanece “BBB-”, que é o último patamar do grau de investimento. Havia um medo pânico de que viesse o rebaixamento, o que seria desastroso: o país teria mais dificuldade para se financiar, pagaria juros maiores e veria fugir investimentos de grandes empresas e fundos internacionais que não podem apostar em países no grau especulativo.

Mas o “x” da questão não está aí. A Standard & Poor’s deixou claro por que manteve o rating brasileiro: confiança no ajuste fiscal que está sendo implementado pelo governo, cuja personificação é Joaquim Levy, demonizado pelas esquerdas petistas. Não só isso: a agência também elogiou o que considerou “independência” com que o Ministério Público está fazendo o seu trabalho — o mesmo MP que é alvo permanente dos companheiros. “Você também já criticou o MP, Reinaldo!” E continuarei a fazê-lo sempre que achar necessário. A questão é saber qual é a crítica dos petistas e qual é a minha. Os leitores que me interessam e que quero sabem fazer a distinção.

Assim, vejam que mimo: Dilma só não entrou numa encalacrada dos diabos — e, com ela, todo o país — porque os dois principais alvos do petismo — Levy e o MP — concorreram para que a S&P mantivesse o rating do país. E o que isso quer dizer?

Que Dilma é hoje refém de Joaquim Levy, o que, sob certo ponto de vista, não deixa de ser uma boa notícia. Pior seria se fosse refém do PT e de outras forças retrógradas, eu sei. Mas é fato: hoje, o ministro da Fazenda tem mais poder no país do que a própria presidente da República. É para ele, não para ela, que se voltam os olhares.

A rigor, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, é uma figura política hoje com mais trânsito do que a presidente da República. E, como é sabido, nessa área, trânsito é sinônimo de… poder! O mesmo se diga de Michel Temer, vice-presidente da República, que consegue dialogar com forças com as quais Dilma não conversa.

É um movimento em muitos aspectos natural. O poder rejeita o vácuo. Como a presidente, no momento, está sem iniciativa política, outras figuras ocupam o espaço.

Dilma segue presidente, mas resta evidente que a Standard & Poor’s e os que conseguem manter o otimismo apostam no num Brasil que não depende nem do PT nem dos petistas. Hoje, eles atrapalham o país.

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Complica-se a situação de Duque, ex-diretor da Petrobras ligado ao PT, e de Vaccari, tesoureiro do partido
Ricardo Noblat

Estreita-se o cerco em torno de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras ligado ao PT, e de João Vaccari Neto, tesoureiro do partido.

O juiz Sério Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, aceitou a denúncia da Procuradoria da República contra Duque e o enviou para a cadeia do Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Pesam contra Duque e Vaccari novas revelações feitas por Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, que trabalhava com Duque. Barusco está fornecendo detalhes que comprovam que doações “legais” feitas ao PT por empreiteiras nada tiveram de “legais”.

As doações funcionaram como lavagem de dinheiro desviado de negócios superfaturados entre empreiteiras e a Petrobras. As empreiteiras acertavam negócios com Duque. E parte do dinheiro que recebiam da Petrobras ia parar no caixa do PT.

Em outras palavras, isso significa que a Justiça Eleitoral, responsável por avalizar doações registradas em nome de partidos, foi usada para lavrar dinheiro da roubalheira.

Barusco entregou a Moro planilhas de distribuição de propinas com as datas em que elas foram pagas. Bem como os dias e locais de reuniões das quais participou junto com Duque e Vaccari. A quebra do sigilo telefônico dele poderá comprovar o que diz.

O juiz Moro ainda tem esperança de que Duque confesse os crimes que cometeu em troca da delação premiada, o que reduziria seu tempo de cadeia. Duque está sob pressão da família para que conte pelo menos parte do que sabe.


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Blog do Coronel

Revolta nos Correios: funcionários estão pagando 25,9% do salário para cobrir o rombo criado pelo PT no fundo Postalis.

(Estadão) Cada servidor dos Correios pagará 25,9%do salário para cobrir déficit de R$ 5,6 bi. Funcionários dos Correios tentam evitar por meio de uma batalha judicial e de greves que os participantes do Postalis, fundo de pensão da estatal, tenham redução de um quarto nos seus salários a partir de abril de 2015 pelo período de 15 anos e meio.

A conta é resultado de um déficit atuarial de R$ 5,6 bilhões no Postalis, controlado pelo PT e PMDB, provocado por investimentos suspeitos, pouco rentáveis ou que não tiveram ainda rendimento repassado ao fundo. Também sob influência dos dois partidos políticos, o Funcef, dos empregados da Caixa Econômica Federal (CEF), e a Petros, da Petrobrás, contabilizam prejuízos bilionários.

Partiu do conselho deliberativo do Postalis a decisão de impor aos funcionários a contribuição extra que terá forte impacto sobre os salários. No primeiro momento, ficou definido um corte de 25,98% nos contracheques. O déficit será reavaliado a cada ano a partir do retorno dos investimentos e da expectativa de vida dos participantes. Um funcionário que tem salário de R$ 10 mil, por exemplo, receberá R$ 2.598,00 a menos no final do mês apenas para cobrir o déficit, além o valor da contribuição definida. Vão pagar o porcentual extra os funcionários mais antigos, aqueles que entraram nos Correios até 2008. Isso equivale a 75% do pessoal da empresa.

Integrantes do fundo argumentam que o déficit bilionário é resultado da má administração dos investimentos dos últimos anos. Também acusam os Correios de não terem pago a dívida que têm com o Postalis. Por isso, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) entrará nesta segunda-feira com duas ações na Justiça Federal. A primeira contra a ECT para que a empresa reconheça que deve R$ 1,150 bilhão ao fundo e abata esse valor do cálculo do déficit que precisa ser equacionado. No outro processo, a federação quer que a estatal assuma o pagamento do déficit integralmente por entender que a responsabilidade pela má gestão dos ativos do fundo é da patrocinadora.

"Esse novo reajuste repassa para nós a culpa da má administração do fundo", afirmou José Rodrigues dos Santos Neto, presidente da Fentect. Ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), a federação diz reunir 30 sindicatos, que representam 74 mil trabalhadores dos 120 mil dos Correios.
Na semana passada, carteiros de ao menos dez Estados brasileiros fizeram paralisação para protestar contra a contribuição extra definida pelo conselho deliberativo do Postalis.

A Adcap (Associação Nacional dos Profissionais dos Correios) também irá ingressar com medida judicial. "Entendemos que os Correios deixaram de pagar essa dívida com o Postalis para maquiar o balanço e apresentar resultado positivo no ano passado", afirmou Luiz Alberto Menezes Barreto, presidente da entidade, que representa os profissionais de nível médio, técnico e superior.

Extras. Os funcionários dos Correios e a empresa já fazem contribuições extras ao plano desde 2013 para cobrir o déficit de R$ 1 bilhão dos dois anos anteriores. Nesse período, foi descontado mensalmente do contracheque 3,94% do valor da aposentadoria, da pensão ou do valor previsto para o benefício - no caso dos servidores da ativa.

As contribuições extras, que subiram de 3,94% para 25,98%, são para equacionar o plano de benefício definido do Postalis, sob o risco de o banco e os dirigentes do fundo serem punidos pelo órgão regulador. Na conta foi incluída uma dívida dos Correios com o Postalis de 2008, da época em que o plano de benefício definido foi saldado.

Os Correios fizeram o pagamento dessa dívida, em parcelas, de 2001 até março de 2014, mas interrompeu o pagamento por determinação do Ministério do Planejamento e do Tesouro Nacional. Os órgãos de controle concluíram que a estatal saldou integralmente sua parte com o término do plano definido. O R$ 1,150 bilhão restante, segundo o governo, constitui déficit atuarial e deve ser dividido a patrocinadora (Correios) e os funcionários.

Ação. O Postalis tem um entendimento diferente. O fundo entrou com ação com pedido de tutela antecipada (liminar) contra os Correios para cobrança desse montante relativo às obrigações sobre o tempo de trabalho dos participantes antes da criação do plano. Os Correios informaram, por meio de nota, que contrataram consultoria especializada para avaliar se o Postalis ou o governo tem razão.

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Lula pede a Dilma um afago em Temer e um pontapé no traseiro de Mercadante.

(Extraído do Valor) Nos dois últimos encontros que teve com a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a aconselhou a recompor a aliança com o PMDB, principal partido da base aliada ao governo depois do PT. Lula sugeriu que o vice-presidente Michel Temer, do PMDB, ocupe um "lugar especial" no governo, de preferência no "centro do poder". O ex-presidente acha também que a presidente deveria mudar a articulação política e, na economia, antecipar para este semestre os leilões de concessão de serviços públicos.

Lula acha que Dilma foi induzida a cometer dois grandes "equívocos" na relação com o PMDB. O primeiro foi ter estimulado o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, do PSD, a aglutinar em torno de seu partido as pequenas legendas que apoiam o governo para fazer um contrapeso ao PMDB. O plano, atribuído ao ministro da Casa Civil, Aloízio Mercadante, era relativizar a importância dos peemedebistas.

O segundo erro cometido pela presidente, considerado "primário" por Lula e também atribuído a Mercadante, foi fazer campanha para tentar derrotar o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na eleição para a presidência da Câmara. "Acreditar que Cunha fosse perder aquela disputa é coisa de quem não conhece o Congresso", comentou um interlocutor da presidente.

Aparentemente, a presidente ouviu seu mentor. Reconheceu, no episódio que resultou na demissão sumária do aliado Cid Gomes do Ministério da Educação, a necessidade de se recompor com o PMDB; admitiu os erros do primeiro mandato; e estaria inclinada a mexer na articulação política e em outros ministérios. "Ela vai trocar o Pepe Vargas [ministro, filiado ao PT e responsável pela articulação]", revelou uma fonte graduada. Para a função, estariam cotados o ex-deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB), que presidiu a Câmara entre 2013 e 2015, e o atual ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB). Há pressão também para que Dilma tire Aloízio Mercadante da Casa Civil.

Lula também sugeriu a Dilma que vá mais "às ruas", algo que ela começou a fazer recentemente. Embora esteja, mais uma vez, tentando ajudar a presidente, Lula tem duvidado, em conversas com alguns interlocutores, da eficácia dos contatos que tem com a presidente. Apesar disso, assegura um interlocutor dos dois, "não há hipótese de Lula brigar com ela". As conversas recentes entre os dois teriam sido "boas", na opinião do ex-presidente, porque Dilma estaria ouvindo o que ele diz, embora, na hora de tomar a decisão, faça apenas o que deseja.

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“Coxinhas de todo o mundo, uni-vos!” Ou: Depois da Guerra dos Mascates e da Revolta dos Alfaiates, o grito libertador da “Revolução dos Coxinhas”

Algumas revoltas se tornaram famosas no Brasil. Há, por exemplo, a Guerra dos Mascates, que opôs, em 1710 e 1711, senhores de engenho de Olinda e comerciantes portugueses de Recife, chamados, pelos adversários, de “mascates”. Houve a “Revolta dos Alfaiates”, ou Conjuração Baiana, de 1798, um movimento de caráter emancipatório e republicano, influenciado pela Revolução Francesa. O país assistiu, em 1835, até a uma revolta que misturava a luta contra a escravidão com questão religiosa: a Revolta dos Malês, em Salvador, liderada por escravos muçulmanos. Cito apenas três movimentos entre muitos ocorridos no Brasil colonial ou já independente. Em 2015, nem mascates, nem alfaiates, nem malês! Assistimos, nestes dias, à inédita “Revolução dos Coxinhas”.

Não há por que fugir do rótulo. Ao contrário: que seja este um traço a unir os manifestantes. “Eu sou co-xi-nha/ com mui-to or-gu-lho/ com mui-to a-mo-or.”

O coxinha trabalha? Viva o coxinha!
O coxinha estuda? Viva o coxinha!
O coxinha gera os impostos que viram caridade pública? Viva o coxinha!
O coxinha não gosta que lhe batam a carteira? Viva o coxinha!
O coxinha quer pagar menos imposto? Viva o coxinha!
O coxinha é contra a violência? Viva o coxinha!
O coxinha é contra a depredação de patrimônio público? Viva o coxinha!
O coxinha é contra o ataque à propriedade privada? Viva o coxinha!

Os coxinhas, ao longo da história, fizeram a riqueza das nações. Geraram os excedentes que permitiram à humanidade ir além do reino da necessidade. Já os utopistas deram à luz todas as ideias que matam muitos milhões — de direita ou de esquerda. E antes ainda que essa terminologia pudesse ser empregada.

Atenção, meus caros! A Revolução dos Coxinhas — uma revolução sem armas — é hoje majoritária porque expressa a vontade da esmagadora maioria dos brasileiros. Mas ela também é contramajoritária porque é alvo da fúria dos aparelhos ideológicos e de pensamento dominados pelas esquerdas.

Onde é que os manifestantes, os “coxinhas”, mais apanham hoje em dia? Na academia, especialmente nas universidades públicas, que concentram a suposta elite intelectual do país. Também é grande o rancor contra os manifestantes em setores importantes da imprensa. Hoje, até jornalistas se dedicam a uma espécie de “caça às bruxas da direita”, que estariam estimulando os protestos.

E, no entanto, pergunto: que grande ofensa à democracia está nas ruas? Grupelhos sem nenhuma importância, que defendem um governo militar, são vaiados pelos coxinhas em cena aberta. O que as esquerdas não suportam é que muitos milhares, milhões talvez, possam ocupar o espaço público e pedir democracia e moralidade vestindo as cores nacionais, sem portar as tradicionais bandeiras vermelhas das esquerdas, que democráticas nunca foram porque a esquerda, a esquerda de verdade, nunca quis democracia — a menos que alguém me exiba um texto teórico em que um esquerdista autêntico defenda o regime democrático.

É a direta que está na rua? Aqui já se disse: são as pessoas direitas, inclusive as de direita — e com todo o direito de sê-lo, a menos que alguém me cite um fundamento da Constituição e das leis que evidenciem que as ruas são um monopólio das esquerdas.

Os que trabalham cansaram de ser governados por aqueles que só pensam em distribuir o fruto do esforço alheio. Uma distribuição que não busca fazer justiça social, mas alimentar um aparelho partidário que tenta se impor na base do grito e da trapaça — inclusive a eleitoral.

Os coxinhas vão hoje às ruas contra a pregação de intelectuais, contra a pregação dos aparelhos universitários, contra a pregação esquerdista de boa parte da imprensa — que o petismo ainda tem o topete de chamar de “golpista” para justificar o financiamento da pistolagem dos blogs sujos, confessado por um documento da Secom.

Esses tais coxinhas, em suma, formam hoje a maioria do povo brasileiro, mas são tratados como seres desprezíveis, crias do reacionarismo, ignorantes rematados que estariam preocupados apenas em proteger seus privilégios — como se a defesa do mérito e do esforço significasse uma agressão aos direitos humanos.

O dia 12 de abril vem por aí. Outro domingo! É que os coxinhas trabalham e estudam nos demais dias da semana. Não recebem pensão de partido. Não estão no comando de nenhuma ONG ligada à legenda. Não ocupam cargo público por indicação política. Não compõem a diretoria de aparelhos sindicais. Não vivem do leite de pata que alimenta os ditos movimentos sociais.

Dilma pode dar um murro na mesa e ordenar que os petistas façam seus milicianos enfiar a viola no saco, deixando a democracia correr livre, leve e solta, sem hostilidades desnecessárias. Ou pode deixar que os companheiros, mais uma vez, tenham a ideia asnal de promover seu “antiato” antes do ato. Nesse caso, quem sabe estimulem a reunião não de dois milhões de coxinhas, mas de quatro milhões…

O petista André Singer vê na rua a “nova direita” e diz tratar-se de uma “reação” ao lulismo. Entendo: ele não consegue pensar fora da camisa de força da dialética, a dama de honra de todo esquerdista errado. Singer ainda não aprendeu que, para que assim fosse, os que agora se manifestam precisariam ter construído uma “contrautopia” para se opor à do petismo. Ocorre que pessoas saudavelmente conservadoras — e os coxinhas são saudavelmente conservadores — não têm utopia nenhuma que não seja um governo eficiente, honesto e que não encha o seu saco.

O diabo é que o governo do PT não é eficiente, não é honesto e enche o saco! No mundo lulocêntrico de Singer, Lula cria até a sua própria contradição. Que coisa triste!

Não sei quantas pessoas haverá nas ruas no dia 12. Não fiz previsões antes e não farei agora. Uma coisa eu sei: os coxinhas vieram para ficar. Contra a vontade da academia. Contra a vontade da imprensa esquerdizada. Contra a vontade dos que achavam que o assalto ao estado brasileiro coincidia com o fim da história e que nada mais de novo iria acontecer.

Vai acontecer. Já está acontecendo! Pra cima com a viga, coxinhas!

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Ódio à democracia: estafetas do petismo, disfarçados de imprensa, preparam nova lista negra de jornalistas e veículos que seriam “culpados” pelos protestos

O PT já convocou seus estafetas na imprensa e seus esbirros na subimprensa para satanizar jornalistas e veículos de comunicação que consideram “responsáveis” pelas manifestações de protesto contra o governo Dilma e contra o petismo. Atribuem a esses “adversários” o que chamam de estímulo à “direita raivosa”. Trata-se de uma raiva estranha:

– não tem armas;
– não agride ninguém;
– veste as cores nacionais;
– não depreda patrimônio público;
– não ataca o patrimônio privado;
– valoriza o trabalho;
– dedica-se ao estudo;
– aposta no mérito;
– opõe-se, por óbvio, à roubalheira:
- defende a Constituição e as leis.

Ainda que houvesse mesmo, o que é falso, dois ou três responsáveis por essas manifestações em defesa da democracia e do estado de direito, seria o caso, então, de perguntar se os valores que estariam sendo estimulados são ruins. Se o que vai acima é coisa da direita raivosa, cumpre indagar: qual é, então, a esquerda amorosa? A que se arma? A que agride? A que veste vermelho? A que depreda o patrimônio público? A que ataca o patrimônio privado? A que despreza o trabalho? A que faz pouco caso do estudo? A que repudia o mérito? A que defende o roubo social?

Em junho do ano passado, por ocasião das manifestações de protesto no período da Copa do Mundo, Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, incluiu meu nome numa lista negra de nove pessoas que, segundo ele, estimulavam o ódio. No link, vocês encontram os demais, se é que ainda não sabem.

Muito bem! A Copa passou. Boa parte dos brasileiros que estão nas ruas em março de 2015 — e que devem voltar no dia 12 de abril — não se manifestou em junho de 2013 (movimento majoritariamente liderado pelas esquerdas) e em junho do ano passado: com perfil mais heterogêneo, mas, ainda assim, com sotaque esquerdista. Desta vez, de fato, o público é outro. Conversei com muita gente na Paulista no dia 15 de março. Boa parte estava no seu evento inaugural. Protestos e manifestações, como sabemos, costumam ser coisas de profissionais da militância ou de mercenários pagos por esses profissionais. Gente que trabalha e estuda não têm tempo para isso — infelizmente!

Mas houve, tudo indica, o despertar da indignação. O Reinaldo, a Maria ou o J. Pinto Fernandes do poema de Drummond não respondem pelos milhões nas ruas. Reinaldo e outros tantos jornalistas que estão na mira do PT não levam 100 para a praça. Mas Dilma, Lula e José Dirceu podem levar milhões. E daí? O partido convocou seus aliados para a guerra suja. E ela já está em curso. OS MALUCOS NÃO ESTÃO ENXERGANDO DIREITO A REALIDADE. NÃO PERCEBEM QUE JÁ NÃO DITAM A PAUTA E QUE O ESFORÇO PARA DESQUALIFICAR OS “ADVERSÁRIOS” SÓ FORTALECE AQUELES CUJO TRABALHO QUEREM MACULAR.

Vamos à luta. Guerra suja se vence com informação. E a ela, então, vamos nos dedicar para botar os devidos pingos nos “is”. Mas o trabalho de intimidação será inútil. Servirá, ao contrário do que pretendem, para marcar posições. Eu acho que é mesmo chegada a hora de definir com mais clareza o papel de cada um e o lado que ocupa no polígono das ideias.

Neguei, e continuo a negar, que a manifestação do dia 15 tenha sido de direita. Não porque a designação me incomode. Basta ler o que escrevi a respeito ao longo de mais de oito anos. É que sou um democrata da direita realista, não um otimista. O “ser de direita” supõe que as pessoas já plasmaram também um universo conceitual e um conjunto de prefigurações e até de utopias que gostariam de ver realizadas — no caso, identificadas com as liberdades individuais, o livre mercado, a democracia política e a redução drástica do poder do estado.

A pauta da rua é parente desses valores, mas não é ideológica — ideológicas são, isto sim, as invectivas hidrófobas de parte considerável da esquerda contra a população que trabalha, que arrecada impostos e que faz o país funcionar.

Aguardem a nova lista negra. Afinal, como sabemos, a Secom — Secretaria de Comunicação da Presidência — admite que os companheiros fornecem “munição” ao subjornalismo para ser “disparada” pelos “soldados de fora”.

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Da Vaca Sagrada à Vaca Profanada. E com tosse. Ou: Será muito difícil Dilma mudar o ânimo das ruas

Não será fácil para a presidente Dilma Rousseff mudar o ânimo das ruas. E, a se levar em conta o que andam a sugerir alguns aloprados do PT, a coisa pode piorar. Os veículos e subveículos de comunicação que servem ao poder e ao partido decidiram que é hora de fazer novas listas negras de jornalistas. Esses caras não perceberam que esse tipo de prática milita contra a estabilidade da própria presidente. Agredir moralmente os que divergem do governo corresponde a dar um tiro no pé. Mas os valentes não abrem mão da linguagem do confronto.

A pesquisa Datafolha que captou os números desastrosos da popularidade da presidente — apenas 13% de ótimo e bom e 62% de ruim e péssimo — também quis saber se os entrevistados acham que Dilma sabia ou não das lambanças na Petrobras. Esse resultado consegue ser ainda pior do que o de sua popularidade.

Para 84%, Dilma sabia, sim, da corrupção na estatal. Desse total, 61% sustentam que ela sabia e nada fez; outros 23% avaliam que ela tinha conhecimento, mas nada poderia ter feito para impedir a sem-vergonhice. Ou por outra: 61% a veem como conivente, e 23%, como uma fraca. É difícil saber o que é pior.

Sim, entre os que votaram em Aécio, é esmagador o percentual dos que afirmam que Dilma sabia de tudo: 94%. Ocorre que é também gigantesco entre os que declararam voto na presidente: 74%. Nada menos de 88% afirmam que a Petrobras será prejudicada pelos escândalos — para 51%, um prejuízo que vai durar muito tempo. A elite petista, no entanto, insiste na tecla suicida de que tudo não passa de uma conspiração de golpistas. É também o que afirmam os colunistas da grande imprensa que servem de esbirros do partido.

Sabemos como são as coisas, não? Se a presidente tivesse à mão um conjunto de instrumentos ou de política econômica maiúscula ou mesmo de generosidades pontuais com que acenar, talvez se pudesse apostar numa mudança do quadro num tempo razoável. Mas, como indagaria Noel Rosa, “com que roupa?” A margem de manobra é nenhuma. Ao contrário: o ciclo de dificuldades decorrente do ajuste recessivo — que tem de ser aplicado — ainda nem começou a surtir efeito.

O fator Petrobras
É claro que a crise econômica e as promessas obviamente não cumpridas de Dilma levam muitos milhares às ruas. Raramente se teve com tanta clareza a evidência do estelionato eleitoral. A própria Dilma sugeriu que, em 2003, Lula mocozeou o programa do PT e governou com outro. É verdade. Mas foi bom para os brasileiros. Se o Apedeuta tivesse destruído o Plano Real, aí, sim, teria havido um desastre. Desta feita, a vida piorou.

Entendo que a coisa vai além da crise, o que as pesquisas ainda não pegaram. O PT tratou a Petrobras como a Vaca Sagrada da nacionalidade nas campanhas de 2002, 2006 e 2010. E teria feito o mesmo em 2014, não fosse a Lava Jato. Propagava aos quatro ventos que os adversários queriam privatizar a empresa, que não tinham por ela nenhum respeito, que agrediam os interesses nacionais…

E eis que os brasileiros — que aprenderam com os petistas que a Petrobras era um altar de bênçãos — descobrem que os companheiros haviam transformado a empresa num antro de safadeza, de roubalheira e de rapinagem. A Vaca Sagrada foi profanada.

Queriam o quê? A bomba explodiu no colo de Dilma. Afinal, ela está no poder há 13 anos, não é mesmo?

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Desempenho de Dirceu prova que o PT mudou o Brasil: país, agora, é assaltado também pelas novas elites, não só pelas velhas

Informação que veio a público neste fim de semana desenha de maneira clara, insofismável e sem retoques a fuça e a face do patrimonialismo à moda petista. Para conferir especial colorido ao retrato, a personagem central da tela é ninguém menos do que José Dirceu, aquele que foi apontado pelo Ministério Público Federal como chefe da quadrilha do mensalão — um crime pelo qual acabou não sendo condenado pelo Supremo, como se sabe.

Pois bem: Dirceu está de volta ao centro da narrativa. Na semana passada, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, tornou públicos os dados fornecidos pela Receita Federal sobre a JD Consultoria, a empresa do chefão petista. Sem nenhuma tradição na área, o empreendimento poderia figurar em qualquer lista de maiores e melhores, não é? O Zé conseguiu faturar R$ 29,2 milhões entre 2007 e 2013. Só em 2012, ano em que foi condenado, ganhou R$ 7 milhões; em 2013, ano em que ficou preso, R$ 4,2 milhões. Duvido que presidiário de qualquer outro ramo tenha ganhado tanto dinheiro em atividade lícita ou ilícita. Ele ainda acabará sendo acusado de concorrência desleal…

Segundo informou a Folha no domingo, o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, confessou que o pagamento que fazia à “consultoria” de José Dirceu era descontado da comissão de 2% que pagava ao esquema criminoso, decorrente de seus contratos com a Petrobras. Outro representante da Camargo Corrêa afirmou que pagava pelos “serviços” do ex-ministro com receio de ser prejudicado nos negócios.

E chego, assim, então, ao ponto que me interessa. O que é o patrimonialismo senão a apropriação ilegal, promovida por uma elite perversa, do bem público, de sorte que os interesses privados, de uma minoria espoliadora, acabam se sobrepondo aos interesses coletivos? O que é o patrimonialismo senão a recusa dos valores republicanos e a negação, na prática, da democracia política?

Não! Isso não é novo por aqui. Há uma sólida literatura política sobre o tema em nosso país e sobre as várias feições que esse patrimonialismo pode assumir: nacionalismo fascistoide, populismo de direita, populismo de esquerda etc.

Em 2003, o assalto ao bem público para privilegiar uma casta ganhou uma nova feição. O patrimonialismo então se reciclava e expropriava, vejam a ousadia, também o discurso da reparação social. Isto mesmo: o modelo petista não assaltou apenas os cofres públicos. Roubou também o discurso da justiça social.

Sim, antes da chegada do PT ao poder, havia o coronelismo nordestino, ainda que com novo verniz. E continuou a existir depois do PT. Havia alguns nababos da indústria que se beneficiavam de protecionismos ou linhas especiais de crédito. Continuaram a existir depois do PT. Havia uns tantos medalhões do mercado financeiro que sempre souberam negociar o binômio estabilidade-títulos públicos. Continuaram a existir depois do PT.

O PT dito de esquerda soube negociar e compor com o velho patrimonialismo com impressionante destreza, mas tinha a sua própria agenda. Soube ser generoso com o velho sistema, mas começou a impor o novo patrimonialismo, que consiste em aquinhoar o aparelho partidário e suas franjas com, digamos, uma “taxa de sucesso”. É assim que a corrupção se generalizou e se tornou um método. É assim que empreiteiros — de perfil político certamente conservador — se tornaram os intermediários do assalto ao estado promovido por um partido que se diz de esquerda.

E como é que Dirceu entra nessa história? Tanto no velho como no novo patrimonialismo, há espaço para esquemas individualizados, não é? Que Dirceu fosse uma potência no ramo da consultoria, isso VEJA já havia evidenciado em agosto de 2011, quando revelou que, mesmo processado pelo STF, ele mantinha em Brasília uma espécie de governo paralelo.

O centro clandestino de poder ocupava um quarto no hotel Naoum. A revista informou, então, que, em apenas três dias, entre 6 e 8 de julho de 2011, o homem  recebeu uma penca de poderosos. Prestem atenção a alguns nomes da lista de notáveis que foram beijar a mão do Zé, com os cargos que exerciam então: Fernando Pimentel, ministro da Indústria e Comércio; José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras; e os senadores Walter Pinheiro (PT-BA); Lindbergh Farias (PT-RJ); Delcídio Amaral (PT-MS) e Eduardo Braga (PMDB-AM). Naquele ano, sua consultoria lhe rendeu R$ 4,7 milhões. No ano seguinte, no seu melhor, R$ 7 milhões.

O PT não prometeu mudar o Brasil? Mudou, ora essa! Antes, só as ditas elites tradicionais assaltavam o país. Com a chegada do partido ao poder, esse assalto passou a ser dividido com as novas elites.

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PT olha para o Datafolha com lente cor de rosa

O PT dedicou quatro parágrafos do noticiário que veicula no seu portal eletrônico à reprodução dos resultados mais recentes coletados pelo Datafolha. Informou que 61% dos brasileiros querem que a Petrobras continue sendo estatal. Absteve-se de mencionar outros resultados da mesma pesquisa.

Ignorou, por exemplo, que 84% —oito em cada dez patrícios— avaliam que Dilma Rousseff sabia que a corrupção carcomia a Petrobras. Sonegou outro dado relevante: 61% acham que a presidente “deixou'' que a ladroagem ocorresse. Outros 23% acreditam que, embora soubesse da pilhagem, ela “não poderia fazer nada.”

Olhar para pesquisas com óculos de lente cor de rosa melhora muito a visão da realidade. O diabo é que é tudo ilusão de ótica.

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PSDB decide se opor ao ajuste fiscal de Levy

O PSDB decidiu se opor às propostas de ajuste fiscal enviadas pelo governo ao Congresso. Isso levará o tucanato a viver uma experiência paradoxal. Acusado por Dilma Rousseff durante a campanha presidencial de tramar medidas impopulares, o ex-presidenciável Aécio Neves comandará a resistência ao pacote indigesto embrulhado por Joaquim Levy, um ex-colaborador do time econômico do seu comitê eleitoral.

Ao nomear para o Ministério da Fazenda Joaquim Levy, egresso da diretoria do Bradesco, Dilma parecia ter sequestrado a agenda do seu ex-oponente, condenando-o ao silêncio. Mas Aécio e o tucanato refinam o discurso. Além de realçar o “estelionato eleitoral” praticado pelo petismo, sustentarão que o ajuste encampado por Dilma a contragosto é “tímido”. Limita-se a “aumentar impostos” e a “suprimir direitos” trabalhistas e previdenciários.

Para não ser acusado de repetir a oposição radical que o PT fazia ao governo Fernando Henrique Cardoso, o tucanato planeja defender a adoção de uma pauta alternativa. Nela, o ajuste fiscal é parte de um amplo programa de “reformas estruturais''. De resto, planeja-se emendar as propostas do governo. Alega-se que faltam ao embrulho de Dilma, por exemplo, medidas que imponham sacrifícios maiores à União e estimulem os investimentos, indispensáveis à retomada do crescimento da economia.

O PSDB sinalizou seus planos aos parceiros de oposição —DEM, PPS e Solidariedade. Sem prejuízo de que cada legenda formule suas emendas, espera-se que a oposição atue em conjunto, forçando o PT de Dilma a defender as medidas impopulares que ela dizia na campanha que não eram necessárias.

— Atualização feita às 3h13 desta segunda-feira (23): Em artigo veiculado na 'Folha', sob o título “Pagando a conta”, Aécio Neves anotou: “Temos hoje um governo sem qualquer diálogo com a sociedade, que faz o que quer, como quer e quando quer. Sem um plano de desenvolvimento, e eleito com base em promessas que não serão cumpridas, entrega ao país um ajuste rudimentar que terá um custo muito elevado para a sociedade, pois será baseado na redução de direitos dos trabalhadores, cortes do investimento público e aumento de carga tributária.”

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Cenas improváveis!




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Blog do Josias

‘Eu não sabia’ joga PSDB e PT no mesmo saco

Uma das visões mais partilhadas no Brasil em relação aos políticos é a de que são todos uns a cara esculpida e escarrada dos outros. Na linguagem do asfalto: farinha do mesmo saco. Em campanha, declaram-se capazes de tudo para melhorar a vida da coletividade. Eleitos, revelam-se incapazes de todo. Ao menor sinal de escândalo, recorrem a um mesmo e invariável axioma: “Eu não sabia!”

Trata-se de uma desculpa multiuso. Serve para o Lula posar de inocente no mensalão do PT. Serve para o Azeredo se fingir de morto no mensalão do PSDB mineiro. Serve para Dilma reivindicar o papel de cega no petrolão. E passou a servir para que o Alckmin tente desembarcar do escândalo do cartel dos trens e do metrô de São Paulo.

Há dois dias, ganhou as manchetes a notícia de que a Justiça de São Paulo aceitou uma denúncia do Ministério Público sobre o cartel que operava sob as plumas do tucanato paulista. A encrenca envolve 11 empresas. São acusadas de se juntar num conluio para fraudar licitações e obter contratos da CPTM, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

A promotoria pede que sejam devolvidos aos cofres públicos R$ 481 milhões —a cifra, ainda sujeita a correção monetária, corresponde ao valor dos contratos e a uma indenização por danos morais. As fraudes citadas no processo ocorreram entre 2000 e 2007. Na maior parte desse período, o governador era Alckmin. Só deixou o cargo em 2006, para ser derrotado por Lula numa peleja presidencial.

Alckmin, você sabe, já declarou que “não sabia” da tramóia. Se houve cartel, costuma dizer o governador tucano, o Estado é “vítima”. E vai buscar o ressarcimento. Levando-se em conta tudo o que já havia sido noticiado em 2008, o lero-lero do governador perde substância.

Naquele ano de 2008, autoridades francesas e suíças invadiram os porões da Alstom, outra empresa do cartel. Recolheram sólidos indícios de pagamentos de propinas pelo mundo, algumas delas no Brasil –parte em São Paulo, parte na esfera federal. Em 2009, Alckmin ocupou o cargo de secretário de Desenvolvimento de São Paulo, no governo do correligionário José Serra. Em 2010, reelegeu-se governador. E nada de varejar os contratos.

Além de ser uma impossibilidade genética, a tese segundo a qual todos os políticos são iguais é uma armadilha perigosa. Na prática, desobriga o eleitor. Se são todos iguais, para que votar? Numa democracia ideal, a chave do sucesso está na capacidade de distinguir as diferenças.

A democracia brasileira talvez comece a ser construída no dia em que a plateia se der conta do seguinte: governantes que nunca sabem de nada são tolos ou cúmplices. Em qualquer hipótese, comprar um carro usado na mão deles ou dar-lhes o voto são coisas muitos arriscadas.

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Realidade!



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Aparece a conexão de Youssef com o porto de Mariel em Cuba. Faturou os tubos! Com portas abertas por José Dirceu.

Estava na cara. Os empréstimos do BNDES para obras das empreiteiras no exterior também faziam parte do propinoduto do PT. Youssef também atuava em países da América Latina e da África, entre eles Cuba, Uruguai e Angola - regiões onde o ex-ministro José Dirceu prestava consultoria internacional para empreiteiras do cartel investigado pela Operação Lava Jato. É o que mostra a lista de cerca de 750 contratos apreendida em seu escritório, em São Paulo, em abril do ano passado. É o que informa o jornal Estado de São Paulo, na matéria abaixo.

Em Cuba, a lista de Youssef registra negócio nas obras do Porto de Mariel com a Olex Odebrecht Logística e Exportações, braço administrativo no exterior da Construtora Norberto Odebrecht - responsável pela obra e alvo das investigações da Lava Jato por cartel e corrupção. O valor do contrato negociado pelo doleiro, segundo o registro, foi de R$ 3,6 milhões, referente a cotação de tubos. O contrato data de 2010. A construtora nega irregularidades e relação com Youssef. Há ainda referências a negócios no Uruguai, Costa Rica, Argentina, Equador e Angola.

A força-tarefa da Lava Jato considera a lista o mapa dos negócios feitos por Youssef, entre 2009 e 2012, em nome da empresa de tubo Sanko Sider - alvo de ação penal -, por meio da qual o doleiro ocultava dinheiro de propina. A Sanko serviu para desvios nas obras da Refinaria Abreu e Lima, via empresas de fachada de Youssef.

O doleiro pode ter recebido, no total, R$ 11 bilhões em comissões. Na planilha, para cada projeto destacado há um cliente vinculado, geralmente uma grande construtora, e para cada cliente há um cliente final, quase sempre empresas públicas, como a Petrobrás e algumas empresas privadas. O juiz federal Sérgio Moro considerou a lista prova de que os crimes do doleiro transcenderam a estatal petrolífera.

Cruzamento. Investigadores da Lava Jato cruzam agora os negócios de Youssef nesses países da América Latina e África com os serviços de consultoria prestados pela empresa JD Assessoria, do ex-ministro José Dirceu, que passou a ser investigada no final do ano passado por suspeita de ter prestado falsas consultorias para ocultar o pagamento de propina.

A JD trabalhou para empresas do cartel que atuava na Petrobrás em países onde Youssef também buscou negócios. Cuba é um deles. A função de Dirceu seria “abrir portas”, o que incluiria a intermediação de encontros entre autoridades estrangeiras e empresas brasileiras que pretendiam fazer negócio no exterior. A JD foi contratada pela Engevix Engenharia, uma das investigadas pela Lava Jato, por exemplo, para abertura de negócios em Cuba e no Peru.


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Blog do Josias

Em crise, PT perdeu o recato, o discurso e a rua

Quando estourou o mensalão, o PT simulou desconforto. Chegou mesmo a encenar o expurgo do então tesoureiro Delúbio Soares dos seus quadros. Hoje, no auge do petrolão, o partido não consegue exibir nem mesmo um mal-estar fingido. Perdeu inteiramente o recato.

Quando a cúpula do PT foi parar na cadeia, o partido fez pose de vítima injustiçada. Hoje, com o tesoureiro João Vaccari Neto denunciado pela Procuradoria e o mito José Dirceu devolvido às manchetes policiais, a legenda finge-se de morta. O PT perdeu o discurso.

No primeiro mandato de Lula, quando a oposição ensaiou um coro de impeachment, o PT ameaçou convulsionar o asfalto. Há uma semana, o meio-fio rosnou para o petismo e pediu a saída de Dilma. O PT perdeu o monopólio da rua.

No comando do poder federal desde 2003, o PT atravessa a mais grave crise de sua curta existência de 35 anos. A legenda chega ao seu 5º Congresso, marcado para junho, de ponta-cabeça.

Considerando-se a pauta do Congresso —da “atualidade do socialismo petista” até “a economia política pós-neoliberal”— o PT está perdido. Não é que o partido não tenha farejado uma solução para o seu problema. Em verdade, o PT ainda não enxergou nem o problema.

O PT assiste à hemorragia da recém-instalada segunda administração de Dilma Rousseff com a passividade de quem se julga capaz de ressuscitar com Lula em 2018. Erro primário. Sem Dilma, pode não haver Lula daqui a três anos e nove meses.

Pregoeiro do “nós-contra-eles”, o PT testemunha o crescimento do “quase-todos-contra-nós”. Acusa os adversários de estimularem o ódio contra o PT. Mas esquece de levar em conta que o antipetismo é uma reação ao ódio destilado pelo PT.

O manual anticrise do PT está com o prazo de validade vencido. Qualquer um que não reze pelo catecismo da legenda é um lacaio da elite branca de olhos azuis. Mas a crise moral e a ruína política que fazem a caveira do PT não carregam as digitais da oposição. Com a imagem e as práticas estilhaçadas, o PT afunda sozinho.

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Reforma política sairá nem que seja ‘na marra’

Em seminário realizado na Assembléia Legislativa do Paraná, Eduardo Cunha disse que levará uma proposta de reforma política a voto no plenário da Câmara até maio. Fará isso, segundo declarou, nem que seja “na marra”.

Hoje, o tema é debatido numa comissão especial composta em fevereiro. O grupo dispõe de 40 sessões para colocar uma proposta em pé. O prazo termina em meados de maio. Eduardo Cunha avisou:

“Ao fim dessas 40 sessões, se a comissão não tiver condições ou capacidade política de entregar um projeto, nós avocaremos a reforma para o plenário e votaremos no plenário, com ou sem parecer. Nós vamos parar aquela Casa por uma semana, de segunda a sexta-feira, se precisar vamos votar dia e noite, de madrugada, até que o voto resolva todas as divergências.”

Se prevalecer a lógica do vai ou racha, será votado um projeto elaborado em 2013 por uma comissão pluripartidária de deputados e senadores. Prevê, entre outras coisas: fim da reeleição, voto facultativo e financiamento misto da eleição, na contramão do que desejam Dilma Rousseff e o PT.

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Impopularidade!



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Com amigos como esses, Dilma não irá a lugar nenhum
Ricardo Noblat

Com aliados como esses, de que maneira a presidente Dilma Rousseff poderá enfrentar os duros anos que se avizinham?

Afinal, que interesse eles têm? O de fortalecer a presidente como dizem? Ou a de enfraquecê-la como negam?

Ontem foi dia de João Pedro Stédile, coordenador nacional do Movimento dos Sem Terra, aquele cujo “exército” Lula ameaçou convocar para sair às ruas em defesa de Dilma.

No assentamento Lanceiros Negros, em Eldorado do Sul, Região Metropolitana de Porto Alegre, Sétille repreendeu Dilma sem o menor pingo de vergonha.

Primeiro atacou Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Num discurso quase do mesmo tamanho do discurso de Dilma, Stédile, recomendou humildade a Levy.

— Ser mais humilde não é para ir para o céu, é para ouvir o povo, as nossas organizações, para saber onde tem problema. Por que o seu Levy não vem discutir conosco? Não é só cortar e cortar. Podemos baixar a taxa de juros. Chame o povo para baixar a taxa de juros.

De quebra, Stédile malhou a classe média que no último domingo protestou contra Dilma, o PT e a corrupção. Tudo o que Dilma quer é se reconciliar com a classe média. Stédile atacou-a sem piedade.

- Por que querem derrubar a Dilma, que é quase uma santa? Vocês acham que a Dilma cometeu algum crime? Querem é dar um golpe nos programas sociais. A classe média não aceita assinar carteira de empregada doméstica, nem ver filho de agricultor na universidade. Não é contra o governo, é contra os pobres.

E emendou:

- Companheira Dilma, não se assuste. Deixe o (Miguel) Rossetto [ministro da Secretaria-Geral da presidência da República] cuidando do Palácio e venha para as ruas, onde vamos derrotar a direita e seu plano diabólico.

Dilma respondeu constrangida:

- — Ele tem a concepção dele, eu tenho a minha. A concepção de um movimento é uma, a de um governo é outra., É absolutamente democrática a crítica dele. Agora, entre ser democrática e a gente aceitar, há uma pequena distância.

Na quarta-feira, Cid Gomes, então ministro da Educação, resolvera peitar Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, mesmo sabendo que isso criaria problemas para Dilma.

Sugeriu que ele é achacador – um dos 300 ou 400 que existem na Câmara, e que só querem extrair vantagens do fato de apoiarem Dilma.

Eduardo antecipou que ele seria demitido. Dali a menos de 10 minutos, o governo anunciou a demissão de Cid. Que saiu de herói diante de uma parcela dos brasileiros, ávida por quem enfrente políticos picaretas. Dilma ficou mal.

Dilma está mal depois que Lula, uma vez mais, deixou vazar os conselhos que lhe deu, e que ela hesita em seguir.

Lula cobra de Dilma uma reforma ministerial ampla. Que tire Aloizio Mercadante da Casa Civil, transferindo-o para o Ministério da Educação. E que entregue a Secretaria de Comunicação do governo a um nome do PT. A Secretaria nada em dinheiro. E o PT...

Ora, o PT se sente atraído por dinheiro. Como mosquito se sente atraído pela luz.

Se depender de Dilma, ela não fará nada do que sugere Lula. O que o deixará furioso. O projeto dele de ser novamente candidato a presidente em 2018 passa por um governo bem-sucedido de Dilma. Do jeito que vai, Lula acha que Dilma vai mal, muito mal.

Lula evita entrar em bola dividida. Ele tem o pendor de entregar qualquer cabeça para salvar a sua. Não se arriscará a uma derrota depois de ter sido eleito e releito, e de ter elegido e reelegido Dilma.

Que graça haveria em ter inaugurado um novo ciclo político, o do PT, e em fechá-lo?

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PSDB entra com representação contra ministro por causa de documento aloprado

Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB na Câmara, entrou com uma representação no Ministério Público Federal contra Thomas Traumann, ministro da Comunicação Social. O partido o acusa de improbidade administrativa por usar a Secom (Secretaria de Comunicação) para a promoção pessoal e eleitoral da presidente. A confissão está num documento que traz a chancela do órgão, revelado pelo Estadão. Já escrevi a respeito.

No texto que veio a público (íntegra aqui), a Secom admite que usa blogueiros como “soldados”, que “disparam” com “munição” fornecida pelo governo. Fica a óbvia sugestão de que se trata de uma parceria comercial. É asqueroso. O documento vai além: defende que a publicidade federal se concentre em São Paulo, casada à imagem do prefeito Fernando Haddad.

Isso contribuiria para diminuir a sua rejeição, o que seria bom para Dilma. O autor do texto diz ainda que é preciso submeter a uma mesma orientação as páginas de Dilma na Internet (inclusive uma administrada pelo PT), a “Voz do Brasil” e a “Agência Brasil”, que são órgãos do Estado brasileiro, não do governo.

A representação apresentada pelo PSDB considera:
“Nesse mesmo documento, aparecem análises sobre as estratégias das campanhas da presidente Dilma de 2010 e 2014, além de propostas para ‘virar o jogo’ eleitoral, dividindo responsabilidades, exclusivas da Pasta, com pessoas alheias à administração pública, como o PT, o Instituto Lula e blogueiros”. Diz Sampaio: “Pelo que se extrai do referido documento, em nenhum momento as ações da Secom visavam beneficiar o cidadão brasileiro, mas sim fazer com que a presidente Dilma se viabilizasse politicamente e eleitoralmente”.

O texto da Secom deixou perplexos até alguns governistas. Traumann está nos EUA e não comentou o vazamento do documento. Ele é apontado como candidato à vaga do lulista Wilson Santarosa, que foi demitido da gerência de Comunicação Institucional da Petrobras. Pois é… Se o homem, naquele texto, apontou “caos político” no Brasil, a gente pode imaginar o que diria da estatal nestes dias.

Vamos ver. A questão obviamente não está neste ou naqueles nomes apenas. O que interessa é o procedimento. Se Traumann sair da Secom — e não vejo como possa ficar depois de revelar as práticas que estão em curso —, isso não quer dizer que vá necessariamente melhorar. Depende de quem será escolhido.

Enquanto a verba de publicidade for usada para beneficiar amigos e punir os indiferentes; enquanto o governo recorrer à mão de obra de aluguel para promover a baixaria nos blogs e nas redes sociais, bem, será dispensável demonstrar que crimes estarão sendo cometidos por lá.

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Dilma chama um movimento que pratica crimes de “democrático” e trata como criminosos os que saem às ruas para cobrar decência

A presidente Dilma Rousseff foi nesta sexta a um assentamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, para participar da abertura da colheita de arroz ecológico. E ouviu uma aulinha de política do professor João Pedro Stédile.

O professor João Pedro Stédile é aquele que prometeu pôr seu “exército” a serviço da preservação do mandato de Dilma. O professor João Pedro Stédile é aquele que, há poucos dias, saudou um ato de terrorismo praticado por seus soldados mulheres, que invadiram um laboratório de pesquisas e destruíram mudas de eucalipto transgênico. O professor João Pedro Stédile é aquele que promove, com alguma frequência, bloqueio de estradas e que lidera, do gabinete, a indústria de invasão de propriedades rurais.

Se alguém ainda não entendeu, escrevo de outro modo, por meio de indagações. Se Dilma pode ir a um evento de um grupo cujos membros cometem crimes em penca — e o fazem de modo que não possam ser responsabilizados por isso —, com que outras forças criminosas também poderia se encontrar para demonstrar que gosta do diálogo? Se trabalhadores ditos “sem terra” têm licença para depredar laboratórios, que tipo de crimes seriam tolerados de trabalhadores com terra, presidente?

É, senhoras e senhores! Dilma não foi ao evento apenas para prestigiar o MST. Teve de ouvir um pito de Stédile, que cobrou humildade dos ministros. Mais do que isso: reivindicou que Joaquim Levy vá discutir as medidas fiscais com o MST. Acusou ainda o ajuste em curso de prejudicar programas sociais. Falou por 19 minutos. Dilma discursou por 33. Defendeu as medidas na área econômica, afirmou que não pode governar com os olhos de um “movimento social” e negou que os mais pobres estejam sendo prejudicados. A presidente, em suma, se justificava diante de Sua Excelência João Pedro Stédile.

Retrato, até aqui, como diria a poeta Cecília Meireles, “o patético momento” de Dilma. A coisa iria piorar muito, caminhando para o grotesco. Em entrevista depois da solenidade, afirmou a presidente:
“Acho absolutamente democrática a crítica dele. Agora, entre a crítica ser democrática e a gente aceitar a crítica, tem uma pequena distância”.

A presidente já tinha percorrido uma boa parte da trilha do erro. Poderia ter parado por aí. Mas, quando se é Dilma, sempre se dá mais um passo depois de chegar ao limite. Resolveu atacar a oposição, aqueles que seriam partidários do “quanto pior, melhor”. Mandou bala: “Tem gente no Brasil que aposta no quanto pior, melhor. São os chamados pescadores de águas turvas. O que querem não me interessa. O fato é que apostam contra o Brasil. Você não pode apostar contra o seu país”.

Dilma tem, agora, a obrigação de dizer quem aposta no quanto pior, melhor. Dilma tem agora a obrigação de dizer quem aposta contra o Brasil. Dilma tem agora a obrigação de dizer quem é o pescador de águas turvas.

Eu vou dizer por que o governo está perdido. Se a presidente tivesse ido à Avenida Paulista no domingo — ou a qualquer outra das mais de 200 cidades onde houve protesto —, não teria conseguido discursar. Nesta sexta, no assentamento do MST, ela foi aplaudida. Nas ruas, estavam pessoas comuns, que trabalham, que arrecadam impostos, que não praticam crimes, que não recorrem à violência. No assentamento do MST, os invasores contumazes de propriedade alheia e defensores de atos terroristas contra laboratórios de pesquisa. Não obstante, Dilma associa os que protestam ao “quanto pior, melhor” e deixa claro que não se interessa por aquilo que querem. Mas chama Stédile e sua turma de democratas.

Em larga medida, e ainda voltarei a este ponto em outros textos, Dilma lembra certo presidente chamado João Goulart: é fraca, atrapalhada, mal cercada e permite que o baguncismo se infiltre no governo. Felizmente, é outro o espírito do tempo, sem a crispação ideológica daqueles dias. E outra também é a consciência das Forças Armadas. Não querem ser governo e, por determinação constitucional, são garantidoras últimas da legalidade e na normalidade constitucional. Mais: ainda que os companheiros tenham tentado, não conseguiram quebrar as pernas das instituições.

O Brasil seguirá na trilha democrática, qualquer que seja o desfecho da gestão Dilma. Não porque eles queiram. Mas porque nós queremos.


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Blog do Josias

Afagos de Perillo em Dilma irritam cúpula tucana

Integrantes da cúpula do PSDB ficaram aborrecidos com os rapapés que o governador tucano de Goiás Marconi Perillo dedicou a Dilma Rousseff. Ao saudar a presidente durante visita dela à cidade de Goiânia, Perillo disse coisas assim: “Sou de um outro partido, que às vezes faz oposição à senhora, mas eu não. Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência.''

Um integrante da Executiva Nacional do PSDB resumiu a sentimento do ninho: “Numa hora em que o PSDB adiciona pimenta no seu vatapá, o Marconi vem dizer que o partido ‘às vezes faz oposição’. Enquanto nos esforçamos para aproximar nosso discurso do sentimento de aversão das ruas pelo governo Dilma, nosso companheiro fala do ‘respeito e do reconhecimento ao trabalho’ dela. É demais! O Marconi escolheu uma péssima hora para corresponder aos que não têm nenhum motivo para confiar nele.”

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Cunha diz que nem mais 10 ministérios resolveriam os problemas com o PMDB

Num instante em que Dilma Rousseff afirma que não cogita fazer uma reforma ministerial, o peemedebista Eduardo Cunha desdenha: “Se der mais dez ministérios para o PMDB, o problema vai continuar igual”. Segundo o presidente da Câmara, a dificuldade de relacionamento do seu partido com o PT e o governo não decorre da distribuição de cargos, mas da ausência de compartilhamento das decisões.

“O partido gostaria de participar mais, discutindo tudo aquilo que precisa acontecer previamente”, afirmou. “O PMDB nunca participou disso. Ainda por cima teve que acompanhar um processo em que o governo ajudou a patrocinar um partido fictício [O PL, organizado por Gilberto Kassab] com o objetivo de nos enfraquecer.”

Eduardo Cunha fez essas declarações numa entrevista que concedeu ao diário paranaense ‘Gazeta do Povo’. Falou para um jornal do Paraná porque amanhecerá nesta sexta-feira em Curitiba, capital do Estado. Vai inaugurar na cidade um programa de viagens que o levará às 27 unidades da federação até 2016. Chama-se ‘Câmara Itinerante’.

No gogó, a iniciativa destina-se a aproximar a pauta do Legislativo dos interesses da sociedade. Na prática, tem potencial para nacionalizar a imagem do principal desafeto de Dilma no Parlamento. Junto com os deputados nativos, Cunha promoverá debates nos Estados. Fará isso numa hora em que Dilma é hostilizada nas ruas e tem dificuldades para colocar em pé um programa que vá além do ajuste nas contas da União.

A caravana de Eduardo Cunha resultará em imagens que serão exibidas na TV Câmara. O cheiro de segundas intenções levou o repórter que o entrevistou, André Gonçalves, a indagar: O senhor deseja ser presidente da República? E ele: “Meu candidato é o Eduardo Paes [prefeito do Rio]. Mas se você quiser que eu seja seu candidato…” Vai reproduzida abaixo a entrevista de Cunha:

— Quual é o significado da demissão de Cid Gomes? É o significado do tamanho dele. Ele veio aqui para ser demitido, não veio para se explicar. Na verdade mesmo, veio para fazer show, teatro.

— Mas a mensagem que ficou para o público em geral foi de que o sr. interferiu na demissão, que foi uma demonstração de força. Se ele veio aqui para ser demitido, como é que eu interferiria nisso? Ele que afrontou mais uma vez o Parlamento. Já tinha afrontado antes. Ao invés de se retratar, continuou insultando o Parlamento. Ou ele saía do governo ou essa Casa ia entrar em confronto com o Executivo. Então, eu não tenho dúvida de que ele veio aqui para sair. Se ele não viesse aqui com esse objetivo, não faria o show que fez.

— Mas o sr. acha que foi um show combinado com a presidente Dilma? Não. Foi combinado talvez com o irmão dele [o ex-deputado, ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes]. Ou com o Tico e o Teco, os neurônios dele. Com a presidente, eu não acredito.

— O sr. acha que a Câmara, como instituição, sai mais forte desse episódio? O fato de que o ministro que agrediu o Parlamento veio aqui se explicar torna a Câmara mais forte. Agora, o que ele falou aqui é consequência da política. Se ele optou por acusar ou afrontar, já sabia que perderia o cargo. Seria até mais forte ele se retratar.

— Não sei se o sr. viu a repercussão da demissão dele, principalmente nas redes sociais, mas se fala que o sr. é o presidente da República. Isso é bobagem, não é por aí.

— Muito se fala que a presidente vai fazer uma reforma ministerial em que daria mais espaço ao PMDB. Isso resolve a situação de afastamento em relação ao PT? Não existe isso. Porque o PMDB não está discutindo espaço no governo. Geralmente, uma parte da opinião pública só tenta fazer valer que o PMDB é um partido fisiológico, que tudo o que acontece no país é uma trama do PMDB para ter mais cargos. Isso não corresponde à realidade. Não estamos atrás de cargos. O partido gostaria de participar mais. É participar discutindo tudo aquilo que precisa acontecer previamente. O PMDB nunca participou disso. Ainda por cima teve que acompanhar um processo em que o governo ajudou a patrocinar um partido fictício [O PL, organizado pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab] com o objetivo de nos enfraquecer. Se der mais dez ministérios para o PMDB, o problema vai continuar igual.

— Mas o que é exatamente esse “participar”? Por exemplo, quando a gente vai discutir o ajuste fiscal, quer saber quais são as medidas iniciais, quer influenciar, quer concordar ou não com elas. Não simplesmente tomar conhecimento pela imprensa e sair depois tendo que falar sobre uma coisa que nem sabe do que se trata. O PMDB não aceita mais isso.

— E tem saída para isso, a presidente aceitaria uma participação assim? A questão é a seguinte: tem que parar de discutir se o PMDB vai ter este ou aquele governo, tem que discutir se o PMDB entra no governo de verdade.

— Passados quatro dias das manifestações, o sr. acha que a presidente aprendeu algo com o que aconteceu? Ela era o alvo, não há dúvida disso. Mas ainda não deu nem missa de sétimo dia dessa história. Tem que esperar um pouco para ver como vai ficar.

— Mas e a reação do governo, como a apresentação do pacote anticorrupção? Hoje o governo enviou o pedido de urgência para dois dos projetos anticorrupção apresentados. Um tramita aqui há dez anos e outro há quatro. De repente descobriu que eles eram urgentes? Isso aí foi uma maneira de dar satisfação. Acho que a tentativa de buscar essa satisfação é justa, correta, mas achar que isso resolve o problema, por que não pediu urgência antes?

— Então o sr. acha que ainda não houve resposta da presidente às manifestações? Eu acho que a resposta não se dá apenas por um gesto, um único ato. A gente está vivendo uma crise política. O que vai resolver é um conjunto de mudanças que atinja a forma geral de se fazer política. Não é mudar o nome do articulador político, é mudar a forma como ela é feita, por exemplo.

— O sr. já se posicionou diversas vezes contrário ao início de um processo de impeachment contra Dilma. O que faria o sr. mudar de ideia? Nesse momento? Só mudaria de opinião se houver um ato praticado por ela, no exercício do atual mandato e que haja uma denúncia do procurador-geral da República por crime de responsabilidade e que alguém proponha à Câmara uma denúncia sobre isso. É o que está na lei. Tem que ser uma ação decorrente do exercício do mandato. Na minha opinião, não tem o que fazer quanto a isso.

— Mas o que o sr. acha da pressão popular pelo impeachment? As pessoas estão achando que impeachment é recurso eleitoral. Não é. Impeachment é uma situação de constrangimento do país, de impedimento do presidente da República. Só aconteceu uma vez na nossa história, por outras razões. Você não pode achar que o Brasil é uma republiqueta que vai trocar presidente de uma hora para outra. O sistema presidencialista leva a isso. Quem votou e se arrependeu tem que esperar quatro anos para mudar o presidente. Assim como aquele que votou em mim e se arrependeu também tem que esperar. É bom para o aprendizado político, para que da próxima vez as pessoas prestem bem atenção em quem vão votar.

— Mudou algo internamente na Câmara depois da divulgação da lista dos políticos que serão investigados pela Lava Jato, que inclui o seu nome? Eu vejo [a pergunta] como algo contraditório. Você primeiro vem aqui e me pergunta se eu fiquei mais forte porque derrubei o ministro. Eu acho que não mudou nada. Até porque eu tive uma postura de espontaneamente apresentar a minha defesa completa. O procurador [Rodrigo Janot] escolheu a quem investigar. E ele me escolheu para investigar. A verdade nua e crua é que ele não tinha base para abrir a investigação contra mim. Eu acho que consegui mostrar à Casa que aquilo foi uma decisão política, com o objetivo de enfraquecer o Parlamento e quem está no seu comando. A mediana das pessoas aqui na Casa entendeu isso.

— Ou seja, para o sr. não houve prejuízo na relação com os deputados por ser um dos investigados? Pelo contrário, eu estou sendo tratado como vítima pelos parlamentares.

— Tem medo que o processo se estenda e que a investigação seja constrangedora para o sr.? Eu já respondi a dois inquéritos e a uma denúncia no Supremo Tribunal Federal na minha carreira. Nos dois inquéritos, um foi de pronto negada a instauração. O outro foi arquivado ao seu fim. E na denúncia, feita sem inquérito, eu fui absolvido por unanimidade. Eu estou habituado com essas coisas. Vou trabalhar e demonstrar a minha inocência. Estou absolutamente tranquilo.

— Há uma data-base para a votação da reforma política? O sr. tem acompanhado o andamento da comissão especial sobre o assunto? Sim, as 40 sessões regimentais. Se está andando direitinho na comissão, é problema deles. Passadas as 40 sessões, eu avoco o projeto para o plenário. Se não tiver uma proposta com mudanças, eu voto a original. Isso é uma decisão política.

— Amadureceu algum ponto em discussão? Eu viajo agora [ontem] para Curitiba, junto com o relator da reforma política [Marcelo Castro (PMDB-PI)] e vou ter oportunidade de saber como está. Eu estou vendo a proposta do Distritão [adoção de voto majoritário para as eleições parlamentares] crescer muito na Casa. Financiamento público não passa aqui.

— Uma última pergunta: o sr. deseja ser presidente da República? Que pergunta… Eu não sei. Não passa pela minha cabeça. Eu trato a política da forma como ela é, usando uma passagem bíblica: para cada dia, a sua agonia. Eu vivo uma agonia de cada vez. Eu sou presidente da Câmara hoje, como já fui líder do PMDB. As coisas que aconteceram para mim, foram acontecendo, com os espaços se abrindo. Eu não faço política hoje pensando no cargo que eu vou disputar amanhã.

— Só fazendo um contraponto: o PMDB já decidiu que terá candidato em 2018. Meu candidato é o Eduardo Paes [prefeito do Rio de Janeiro]. Vai ser, depois da Olimpíada de 2016, um prefeito muito bem avaliado, com um bom ativo para mostrar.

— É ele? Meu candidato é o Eduardo Paes. Mas se você quiser que eu seja seu candidato… [risos].

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Personalizado!



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Comissão quer que Lula e Stédile expliquem o que quer dizer “colocar o exército do MST nas ruas”. Eu também quero! Quem ameaça a democracia faz terrorismo

O que é exército metafórico? Não sei. Quem tem de explicar é Lula. Já um exército de metáforas, bem, aí sei o que é: trata-se de uma alegoria. Vamos ver. No dia 24 de fevereiro, Luiz Inácio Lula da Silva conspurcou a sede da Associação Brasileira de Imprensa e pregou que João Pedro Stédile, chefão do MST, coloque seu exército na rua em defesa do governo. Afirmou literalmente: “Também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas”.

Muito bem! A Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou um convite para que o sr. Lula e o sr. Stédile, então presente ao evento, expliquem o que isso quer dizer. O requerimento foi apresentado por Ezequiel Teixeira (SDD-RJ). A imprensa informa que os maiores apoiadores do convite foram os deputados evangélicos, que perderam a presidência da comissão para o PT, que indicou para a função o deputado Paulo Pimenta (RS). É assim? Então viva a bancada evangélica! Eu também quero saber o que Lula pretendeu dizer com aquilo.

Jean Wyllys (RJ), cada vez mais um deputado do PSOL a serviço do PT, fartamente elogiado pela Secom por defender o governo com mais entusiasmo do que os petistas (dê um ministério pra ele, Dilma!), acusou uma “hipervalorização” da declaração num contexto de polarização política. Ora, vejam só quem fala! Em 2012, o pastor Silas Malafaia criticou a Marcha Gay por ter levado para a avenida modelos vestidos de santos católicos em situações homoeróticas. O pastor disse então na TV: “É para a Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, sabe? Baixar o porrete em cima pra esses caras aprenderem. É uma vergonha!”

Qualquer um que atentasse para o contexto de sua fala perceberia que ele se refira a ações na Justiça. Até porque a igreja não tem porrete nem ameaça ninguém. Mesmo assim, ONGs, Ministério Público e Jean Wyllys se mobilizaram para punir Malafaia. Sabem qual era a acusação? Incitar a violência contra os gays. Perderam, é claro!

Quando Lula, no entanto, convoca o MST a pôr na rua o seu exército, Wyllys não vê nada de mais. Nem ele nem Érika Kokay (DF), uma das petistas da comissão. Segundo a deputada, tratava-se de uma metáfora.

É mesmo? No dia 5 de março, duas semanas depois da fala de Lula, um destacamento de mulheres do “exército” de Stédile invadiu uma unidade de pesquisa em Itapetininga, onde a FuturaGene e a Suzano Celulose desenvolvem uma espécie geneticamente modificada de eucalipto. Destruíram as mudas e jogaram no lixo mais de 10 anos de pesquisa. O prédio foi pichado, e os funcionários, feitos reféns. Ninguém nem sequer foi preso.

Metáforas não invadem laboratório e destroem pesquisa. Metáforas não invadem propriedade alheia. Metáforas não impedem o direito de ir e vir. Metáforas, no máximo, seduzem subintelectuais do miolo mole, que gostam de planejar a revolução no conforto de seus lares, certos de que o lombo que vai ser posto em risco é o alheio.

Não custa lembrar: naquele dia 24, à porta da ABI, uma tropa de choque de militantes da CUT e do PT — alguns com porte de milicianos — desceu porrada em pessoas comuns, que protestavam contra a roubalheira. Como se noticiou, era um grupo de 300 “soldados” de Lula e Stédile contra 15 manifestantes.

A dupla têm de se explicar, sim. Mas duvido que compareça, já que não é obrigatório. As ameaças estão no ar e se adensam. Nas redes sociais, nos “protestos a favor” do dia 13, nos bloqueios frequentemente promovidos Brasil afora por MST e MTST, fica sempre no ar a ameaça: “Se impicharem Dilma, vamos pra briga”. Ora, Dilma só será impichada se for pela lei. Logo, os soldados do senhor Stédile e assemelhados podem não gostar e protestar, mas vão ter de enfiar a viola no saco.

A menos que a opção seja a guerra civil. Como os que se opõem a essa gente não têm armas, pergunto: a) o outro lado tem?; b) vai ser um confronto da base do soco e da pernada?

Quem pede que se convoque um exército de militantes está fazendo, é evidente, uma ameaça à democracia. Para arrematar: se professores petistas do Complexo Pucusp convocarem o seu “exército” em favor do governo, sei que se trata de uma metáfora. Até porque o mal maior que essa gente pode fazer ao país será produzir algum texto ou externar algum pensamento. Já o sr. Stédile e assemelhados dispõem mesmo de soldados, a exemplo daqueles que invadiram um laboratório, produzindo violência e obscurantismo.

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Janot terá uma segunda chance de pedir que Dilma seja investigada

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem uma segunda chance de incluir a presidente Dilma Rousseff entre os investigados da Operação Lava-Jato.

Vamos lembrar. O PPS entrou no Supremo, no dia 18,  com um Agravo Regimental pedindo que Dilma seja alvo de inquérito na operação Lava-Jato. Argumento sustentado em sólida jurisprudência do Supremo: um presidente não pode, no exercício do mandato, ser processo por atos anteriores à sua posse, mas investigado pode ser, sim. A síntese desse ponto de vista foi expressa no passado por Celso de Mello no Inquérito nº 672/6:
“[...] De outro lado, impõe-se advertir que, mesmo na esfera penal, a imunidade constitucional em questão [aquela do Presidente da República] somente incide sobre os atos inerentes à persecutio criminis in judicio. Não impede, portanto, que, por iniciativa do Ministério Público, sejam ordenadas e praticadas, na fase pré-processual do procedimento investigatório, diligências de caráter instrutório destinadas a ensejar a informatio delicti e a viabilizar, no momento constitucionalmente oportuno, o ajuizamento da ação penal”.

O PPS recorreu na terça feira, dia 18. Na quarta, o ministro Teori Zavascki, relator do petrolão no Supremo, descartou a ação por erro formal: faltavam assinaturas. No mesmo dia, os partidos de oposição, aí em conjunto, reapresentaram o pedido, e seus respectivos líderes visitaram o gabinete de Zavascki.

A conversa com o ministro foi tranquila. Embora Zavascki possa discordar da opinião do Ministério Público, ficou claro aos presentes que ele considera que deve prevalecer mesmo, quando o assunto é abertura de inquérito, a posição do Ministério Público. Ele vai consultar Janot sobre o pleito apresentado pelas oposições.

Os oposicionistas entenderam que Zavascki dará curso àquilo que decidir Janot. Se o procurador-geral ceder à argumentação, baseada na jurisprudência, enviará ao Supremo um pedido para investigar Dilma, ainda que ela não possa ser processada. Mas que se reitere: essa restrição só vale para atos cometidos antes de se tornar presidente.

De resto, não vamos confundir. Isso nada tem a ver com a Lei 1.079, a do impeachment, que segue sendo, inicialmente, algo que diz respeito a quem faz a denúncia — todos brasileiros têm esse direito — e à Câmara. O fato é que  Janot terá mais uma chance de pedir que Dilma seja investigada. Ou terá de dizer por que a jurisprudência do Supremo não se aplica nesse caso.

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Enquanto PT alopra, PMDB testa caminhos da governabilidade. Ou: Temer e um certo ar presidencial…

Na quarta-feira, Michel Temer (PMDB), vice-presidente da República, concedeu uma entrevista a Roberto d’Avila, na GloboNews. Lembrava, assim, autoridade de antigamente. De quando? De antigamente! Não me refiro a um tempo histórico. Falava com cuidado, evitava inimigos, condescendia com os adversários, entendia as ruas, mantinha o tom sempre sereno. Temer, em suma, não parecia pertencer àquele suposto “país do caos”,  retratado num documento da Secom que recomenda à presidente que caia na ilegalidade.

O vice-presidente tem procurado líderes da oposição para conversar… Já falou com Aécio Neves, com José Serra, com Fernando Henrique Cardoso, com ACM Neto… Enquanto isso, Rui Falcão, presidente do PT, prefere lançar um grito de guerra contra a mídia e denuncia golpismo. Os auroproclamados “movimentos sociais” — meras franjas do próprio petismo — saem por aí a bloquear estradas e avenidas, a incitar Dilma a dar um guinada à esquerda e a pedir a cabeça de Joaquim Levy. Em sua mente perturbada, querem aproveitar a crise para radicalizar.

Vale dizer: embora a presidente legal seja Dilma; embora o PT domine a quase totalidade da máquina pública; embora os companheiros estejam maciçamente aboletados no estado, é o PMDB que está se ocupando da governabilidade — dessa precária, que está aí, ou de outra que possa sucedê-la.

Temer tem conversado ainda com empresários. Nesta sexta, almoça no Secovi, o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo.  E, obviamente, ninguém deve supor — porque seria mesmo falso — que ele conjecture sobre qualquer outra possibilidade que não seja Dilma concluir o seu mandato. Ao contrário: o vice-presidente expressa a convicção de que a crise vai arrefecer. E conversa.

Dilma, com suas escolhas incompreensíveis, presta um favor imenso a seu vice: resolveu deixar claro que ele não é governo e pronto! A esta altura, convenham, só restaria a Temer um embevecido agradecimento, não é mesmo? Embora a “Lista de Janot” inclua Eduardo Cunha (RJ) e Renan Calheiros (AL) — presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente —, o PMDB não está no olho do furacão.

É bem verdade que Cunha ocupou, na legenda, parte do espaço que antes cabia ao vice. Há, e isto é inescapável, certa tensão no ar, mas nada que não se resolva com uma boa conversa. Erra quem apostar num curto-circuito nessa relação. De resto, o presidente da Câmara também tem buscado ampliar a sua interlocução.

Assisti à entrevista de Temer em companhia da minha mulher. Depois de alguns minutos de respostas monocórdias, pautada por um rigoroso decoro institucional, ela comentou, com alguma ironia: “Não é a isso que chamavam antigamente de ‘ar presidencial?”. Respondo: é, sim!

Não custa destacar que ninguém se lembrou do PMDB nas ruas. O nome do vice não foi pronunciado. Se Temer tivesse vestido uma camiseta amarela e gritado “Fora Dilma”, poucos o reconheceriam. A crise política tem sigla. A crise política tem cara.

Não estou sendo oblíquo, não. Não estou “batendo na cangalha para o burro entender”, como se diz na minha terra. Estou sendo até bem claro: no campo governista, alguém precisa fazer alguma política que não seja só a do desespero e da porra-louquice.
Não sei se Dilma vai ou fica. Com ela ou sem ela, o tão malhado PMDB, vejam que coisa!, começa a surgir como uma garantia contra o “caos”, aquele que, segundo a Secom, já estaria por aí.

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Das aflições de uma presidente impopular. É de Dilma que falo
Ricardo Noblat

Daqui para frente, e só Deus sabe até quando, a presidente Dilma Rousseff viverá dentro de uma bolha para escapar do constrangimento de ser vaiada ou insultada pelos que a rejeitam.

E a se levar em conta a mais recente pesquisa de opinião pública do Datafolha, divulgada há dois dias, 63% dos brasileiros consideram o governo dela péssimo ou ruim. Só Collor teve rejeição maior (68%).

Dilma fez sua primeira aparição dentro da bolha, ontem, em Goiânia, onde esteve para autorizar investimentos do governo federal no BRT Norte-Sul. Viagem de propaganda, apenas.

A repórter Luiza Damé, de O Globo, anotou as principais medidas tomadas para que Dilma se imaginasse em outro mundo, aonde as pessoas só a aplaudem e querem posar ao seu lado para fotos.

Em um raio de dois quilômetros do Paço Municipal, local do evento, foram montados postos de triagem do público. No entorno do local, uma barreira com grades, depois um tapume com placas de ferro e novamente cerca de grades.

A segurança ficou por conta da Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal. Fora, naturalmente, os agentes de segurança que acompanham Dilma em viagens.

O objetivo do esquema de segurança era impedir a aproximação dos indesejados – integrantes do movimento Caras Pintadas e Brasil Livre. Por volta das 14h30, 24 deles apareceram.

Portavam três faixas com as inscrições “Fora Dilma”, “Fora PT” e “Impeachment”. Batiam panelas. E gritavam: "Dilma vá embora que o Brasil não quer você, leva com você o Lula e a quadrilha do PT".

A pedido do pessoal de Dilma, o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), havia decretado ponto facultativo para as repartições abrigadas no Paço Municipal.

A ideia era esvaziar o Paço para evitar a infiltração de manifestantes. As cerca de duas mil pessoas que festejaram Dilma foram levadas para o Paço a bordo de ônibus alugados pela prefeitura.

Mesmo assim, a revista foi rigorosa. Até mesmo para jornalistas credenciados pelo Palácio do Planalto. Dilma chegou com uma hora de atraso, acompanhada de Marconi Perillo, governador do Estado.

Perillo foi vaiado pelo público formado por simpatizantes do PT. Reagiu pedindo mais tolerância – não para ele, mas para Dilma. Que agradeceu pedindo tolerância – sem dizer para quem.

Restou provado para os que não toleram Dilma que eles não precisam atrair muita gente para constranger Dilma.

Qualquer meia dúzia de pessoas será suficiente para incomodar Dilma. E inflar a bolha que a protegerá doravante.


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Blog do Josias

Ciro: para não cair, Dilma tem de ouvir as ruas

Ex-ministro de Lula, Ciro Gomes avalia que Dilma tem de ouvir e entender o asfalto se quiser permanecer na poltrona de presidente da República. “Qualquer governo que não queira cair tem que prestar muita atenção nos recados das ruas”, disse o irmão do agora ex-ministro Cid Gomes.

Em entrevista ao blog do Eliomar, do diário cearense ‘O Povo’, Ciro avaliou o ‘asfaltaço’ de 15 de março assim: “Jamais se viu multidões deste tamanho se movimentarem se não houver uma razão real. E essas razões reais o governo precisa ter sensibilidade, modéstia, humildade, e a competência para entender.”

Para Ciro, o pacote de projetos anticorrupção, enviado por Dilma ao Congresso como resposta ao ronco das praças “passa longe do que importa” à população. O que realmente interessa, ele acrescentou, é o bolso.

“O que importa é a economia, amigo. A recessão é uma ameaça. A moeda do Brasil está derretendo diante das moedas internacionais. E isso significa que a renda média do brasileiro está sendo derretida. A recessão ameaça o empreendedor e daqui a pouco avançará sobre o nível de emprego do país. Você tem uma situação de inflação que ameaça o poder de compra das famílias dos trabalhadores. Um quadro absolutamente preocupante.”

Ciro falou ao repórter horas antes de o irmão Cid Gomes escalar a tribuna da Câmara para explicar a declaração de que há na Casa “400, 300 deputados achacadores”. Após reafirmar o que dissera e acusar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de ser um dos achacadores, Cid foi à sala de Dilma e demitiu-se da função de Ministro da Educação.

Cid parecia seguir um roteiro combinado com Ciro. “Acho que ele tem que afirmar o que ele disse, explicar por que ele disse isso, e voltar para casa serenamente”, lecionara Ciro mais cedo. Sem dar nome aos bois, chamou de “pilantras” os políticos que dominam a cena em Brasília.

“Falar a verdade nesse país, principalmente nesses tempos, custa muito caro. Mas acho que esse preço tem que ser pago, porque quem faz história não são os pilantras que hoje dominam a cena nacional e sim os homens que não se abatem diante dos constrangimentos.”

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Teori pedirá o parecer de Janot sobre investigação de Dilma na ‘Lava Jato’

O ministro do STF Teori Zavascki recebeu em seu gabinete, na noite desta quarta-feira (18), uma delegação de líderes da oposição. Informou que requisitará ao procurador-geral da República Rodrigo Janot uma manifestação sobre o pedido de reconsideração formulado pelo PPS, para que Dilma Rousseff seja incluída no rol de investigados da Operação Lava Jato.

Relator dos processos sobre corrupção na Petrobras, Zavascki havia indeferido o pedido do PPS na véspera. Como a petição não estava assinada, o ministro não chegou sequer a analisar os argumentos jurídicos expostos na peça. Daí a reiteração do pedido, agora devidamente assinado pelo presidente do PPS, deputado Roberto Freire, e referendado pelos demais partidos.

Estiveram com Teori seis deputados federais. Pelo PPS, Raul Jungmann (PE) e Rubens Bueno (PR); pelo DEM, Mendonça Filho (PE); pelo PSDB, Carlos Sampaio (SP) e Bruno Araújo (PE); e pelo Solidariedade, Arthur Maia (BA). O ministro informou que analisará o pedido rapidamente.

Teori também adiantou que remeterá os autos ao chefe do Ministério Público Federal, para que ele se manifeste sobre o recurso da oposição. Mencionada em depoimentos pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, Dilma livrou-se de um inquérito graças a Janot.

O procurador-geral pediu formalmente a Teori a exclusão de Dilma. Invocou a regra constitucional que proíbe a abertura de processos contra presidentes da República, no exercício do mandato, por fatos ocorridos antes do início da gestão. A oposição questiona esse entendimento.

Os adversários de Dilma sustentam que a Constituição veda a abertura de processos contra o chefe do Executivo. Mas não proíbe a realização de investigações. Ante a eventual obtenção de provas, o processo seria sobrestado até que o envolvido concluísse seu mandato.

Teori afirmou aos parlamentares que seu papel como magistrado, é o de julgar. Fez questão de realçar que a investigação e as eventuais denúncias competem ao Ministério Público, em conjunto com a Polícia Federal. Disse, de resto, que seu critério na fase atual da Lava Jato tem sido o de seguir o que pede o procurador-geral. Assim foi feito também no caso de Dilma.

O deputado Jungmann perguntou a Teori se ele pretende julgar o recurso da oposição solitariamente ou se levará a encrenca para o plenário do STF. O ministro respondeu que aguardará a manifestação de Janot para decidir. Os partidos oposicionistas preferem que a decisão seja colegiada.

Avalia-se que, no plenário do Supremo, as chances de êxito são maiores. Para justificar o pedido de abertura de inquérito contra a presidente, seus antagonistas citam trecho da delação premiada de Paulo Roberto Costa. Nele, o ex-diretor da Petrobras contou ter autorizado o repasse de R$ 2 milhões em verbas sujas para o caixa da campanha presidencial de Dilma em 2010.

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Panelaço companheiro!



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Os delírios ditatoriais do bolivariano Rui Falcão. Ou: Congresso vai convocar a Secom a explicar a explicitação de crimes contida em documento?

Um dia depois de ter vindo a público o documento aloprado da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), que admite usar pistoleiros da Internet, que chama “soldados”, para “disparar munição” do governo, ficamos sabendo que Rui Falcão, presidente do PT, quer que o Planalto corte verba de publicidade oficial das emissoras que “apoiaram” ou “convocaram” a manifestação de protesto do dia 15.

Nota: ninguém nem apoiou nem convocou. Veículos de comunicação noticiaram a convocação e cobriram o evento, como fizeram com o “protesto a favor” do dia 13, organizado pela CUT, pelo PT e por partidos e entidades de esquerda.

E daí? Rui Falcão não está tentando ser justo. Ele está sendo apenas petista. Isso quer dizer o seguinte: se eles estão no governo e se a verba de publicidade existe, então esse dinheiro pertence ao PT e pode ser usado para punir os que considera adversários e beneficiar os amigos.

Vejam que curioso. No fim das contas, o que é o petrolão senão rigorosamente isto: a apropriação do que é público por entes privados, em nome de uma causa? Sim, claro!, havia os que roubavam apenas em nome do próprio enriquecimento. Mas só um rematado canalha faria uma distinção moral entre os dois ladrões, não é?, o que rouba para si e o que rouba para financiar uma suposta utopia.

A propósito e antes que continue com Falcão: o Congresso Brasileiro estará se desmoralizando se não chamar o titular da Secom — Thomas Traumann ou quem estiver no seu lugar — para se explicar. Qual é a relação entre o governo federal e os ditos “blogs progressistas”, também chamados de blogs sujos? Quanto isso custa por mês? Que tipo de “munição” o governo federal fornece a eles? Os ataques sistemáticos que fazem a membros do Supremo, órgãos de imprensa, jornalistas, políticos de oposição e também da base — especialmente os do PMDB —  estão na preço? Parece que sim, não é?

Que critério o governo emprega para distribuir essa verba? Número de acessos? Alinhamento ideológico? Simpatia pessoal? Outro ainda mais inconfessável? E que se lembre: a Secom defendia no texto outros procedimentos ilegais, como usar a estrutura de comunicação estatal para o proselitismo pró-governo e empregar verba oficial para elevar a popularidade do prefeito Fernando Haddad.

Quanto a Falcão, dizer o quê? Quando esses caras são acusados de tentações bolivarianas, reclamam. E logo surge algum bobalhão da academia ou alguma Poliana lesada da imprensa para marcar as diferenças. Ora, claro que há diferenças. Mas, como fica evidente, o petismo só não involui para o bolivarianismo porque as instituições brasileiras não permitem, não porque os companheiros não queiram. Eles querem. O uso que fazem da verba pública para beneficiar apaniguados é a prova mais evidente dessa tentação.

Que fique claro! O que está no documento da Secom é, entendo, a admissão de práticas criminosas, que Rui Falcão pretende ampliar. Qualquer critério de distribuição de verba oficial de publicidade que não leve em conta a eficiência do veículo na comunicação com o público — refiro-me a número de telespectadores, leitores, internautas, ouvintes etc — é uma fraude e é pratica similar ao roubo.

O dinheiro pertence à sociedade, não aos governantes. E é essa sociedade que decide, no que respeita à publicidade, quem é e quem não é relevante. Se o PT quer pagar os blogs sujos, que o faça com o seu dinheiro, não com o da população. Se o PT quer a simpatia de emissoras de televisão, que compre lá um horário, em vez de empregar a verba de publicidade, que é disciplinada pela Constituição e pelas leis.

“Taca-le pau, Congresso!”

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Cid Gomes já vai tarde! Sai quem nunca deveria ter entrado

Um governo chega, às vezes, ao grau zero da articulação. Foi o que se viu nesta quarta-feira com o espetáculo patético protagonizado por Cid Gomes (PROS), em boa hora já ex-ministro da Educação. Numa palestra, o homem disse haver 300 achacadores no Congresso. Ainda que houvesse 400, na democracia, quando um ministro de Estado diz algo assim, está obrigado a dar os nomes. Obviamente não tenho a menor simpatia por um ataque ao Legislativo bucéfalo como esse. Ele me remete aos “300 picaretas” que Lula dizia existir no Parlamento brasileiro em 1993. Ganhou até uma música de um grupo de rock. Vinte e dois anos depois, o PT está no 13º ano de poder e já tem nas costas o mensalão e o petrolão.

Ademais, quem é Cid para falar? Não ocupava a pasta em razão de alguma especial inclinação para a área. Estava lá em razão de um acordo político. O ministério lhe foi dado para beneficiar o tal PROS, um partido surgido do nada — do troca-troca indecoroso que a legislação permite —, com o único propósito de participar dos despojos da balcanização que toma conta da política brasileira. O Cid que foi demitido nunca deveria ter sido convidado.

É evidente que o homem deveria se desculpar. Em vez disso, resolveu ter um chilique e enfiar o dedo na cara do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de quem ele tem o direito de não gostar. Mas deve respeito à função institucional do outro, ora essa! Daqui do meu conservadorismo, pouco me importam disposições subjetivas e esferas de opinião. A instituição tem de ser preservada. O fato de haver um pedido de inquérito para investigar Cunha não dá a um ministro de Estado o direito se portar como um vândalo.

E aconteceu, então, o inédito. Tão logo Cid deixou o Congresso, com uma claque importada do Ceará a acompanhá-lo, Cunha foi ao Palácio do Planalto e voltou com o anúncio: o homem tinha sido demitido. Na verdade, ele sabia que já chegara com o emprego por um fio. Mas sabem como é… Os Gomes, do Principado de Sobral, nunca se dobram nem — ou muito especialmente — às regras do decoro.

Nunca se tinha visto nada parecido. Dilma ficou, obviamente, sem opção. O PMDB avisou: se Cid Gomes ficasse no cargo, o partido abandonaria o barco do governo. É evidente que Dilma não precisava de mais essa crise. Cid sai em meio à lambança no Fies, o programa que financia o terceiro grau em instituições privadas, que alcança agora cifras estratosféricas.

Foi um espetáculo patético. Cida foi demitido, na prática, por Cunha — e muito bem demitido, diga-se. Saiu de lá em seu próprio carro, aplaudido por aqueles que havia levado para aplaudi-lo. O Brasil é um país valente. É impressionante que sobreviva.

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Sócio da Engevix admite que empresa pagou propina de R$ 10 milhões: “Foi extorsão”

Por David Friedlander, na Folha:
O empresário Cristiano Kok, presidente do conselho de administração da empreiteira Engevix, admite que pagou cerca de R$ 10 milhões em propina para o doleiro Alberto Youssef e diz ter feito isso para receber pelas obras que fazia para a Petrobras. “Os políticos aparelharam a Petrobras para arrancar dinheiro das empreiteiras. Foi extorsão”, disse Kok, 69, em entrevista à Folha. “Agora, será que alguma empresa poderia ter denunciado que estava sendo extorquida pelo Paulo Roberto [Costa, ex-diretor da Petrobras]? No mundo real não dá para fazer isso.” Acusada de participar do esquema de corrupção descoberto na Petrobras pela Operação Lava Jato, a Engevix está sendo processada por improbidade administrativa. O Ministério Público pede indenização de R$ 538 milhões pelos supostos delitos. Entre os executivos processados, está um dos sócios da empreiteira, Gerson Almada, preso há mais de 120 dias. Empreiteira de tradição no setor, a Engevix hoje corre o risco de quebrar. Com várias empresas do grupo à venda para pagar dívidas, Kok conta que passou a rezar para pedir ajuda divina. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Folha – Ao todo, quanto vocês pagaram de propina nos contratos da Petrobras?
Cristiano Kok - Foram R$ 6 milhões a R$ 7 milhões num contrato de R$ 700 milhões da refinaria Abreu e Lima, e mais uns R$ 3 milhões na refinaria de Cubatão. Pagamos em prestações mensais para três empresas do Alberto Youssef, como se fosse prestação de serviços. Quando começou a Lava Jato, ficamos sem dinheiro e paramos tudo. Só que Youssef tinha duplicatas assinadas por nós e as descontou no banco. O banco veio atrás e tivemos que pagar para não ficar com o nome sujo.

Para quem ia o dinheiro?
Não sei. José Janene [ex-deputado do PP] indicou o Youssef e ele dizia: ‘Paga isso aqui, paga aquilo ali’. Não sei para onde o dinheiro ia e só soube que as empresas eram do Youssef muito depois.

O sr. não desconfiava que o dinheiro era para políticos?
Como a indicação do Youssef foi política, evidentemente ele falava em nome do partido [PP]. Mas para quem ele mandou dinheiro eu não sei.

A propina era para ganhar contratos na Petrobras?
Era para não ser prejudicado nos pagamentos de aditivos [aos contratos] e das medições da obra. Os contratos a gente ganhou por licitação. Mas, para receber em dia, e ter as medições aprovadas, tem que pagar comissão, taxa de facilitação, propina, chame do que você quiser. Você começa a obra, monta equipe, se instala, sua um pouquinho e aí começam a aparecer as dificuldades para receber. Era chantagem mesmo. Extorsão.

E as outras empresas, pagavam para ganhar obras?
Não sei dizer a razão delas. Cada caso é um caso.

O sr. tem um sócio na cadeia há mais de 120 dias, está com o nome sujo e precisa vender quase tudo para pagar dívidas. O que passa pela sua cabeça?
Minha resposta imediata seria dizer que foi tudo um absurdo, não devia ter participado. Mas era fazer isso ou ficar sem serviço. As empresas cometeram erros e estão pagando um preço altíssimo por um processo de extorsão. Agora, será que alguma empresa poderia ter denunciado que estava sendo extorquida pelo Paulo Roberto [Costa, ex-diretor da Petrobras]? No mundo real não dá para fazer isso. Você sai do mercado, seu contrato é cancelado, vão comer teu fígado.

O governo diz que a Petrobras foi vítima de…
Foi vítima de má gestão. Os políticos aparelharam essa máquina com gestores incompetentes, para obter vantagens pessoais ou para seus partidos. A versão que tem sido divulgada é que a Petrobras foi assaltada por um bando de empreiteiras. A verdade é que os políticos aparelharam a Petrobras para arrancar dinheiro das empreiteiras.

O Ministério Público afirma que as doações de campanha também são pagamento de propina, só que disfarçado.
Nunca pagamos doação de campanha para ganhar contratos ou fazer obras. Na última semana de campanha, por exemplo, o tesoureiro da Dilma [Edinho Silva] saiu pedindo dinheiro para todos, e contribuímos com R$ 3 milhões. Tudo registrado. Agora, evidentemente, quando você apoia um partido ou um candidato, no futuro eles vão procurar ajudá-lo de alguma forma, não tenha dúvida. É política de boa vizinhança.
(…)
Vocês combinavam a divisão das obras entre as empresas?
Eu não participei disso. Mas havia, digamos assim, uma certa organização para que uma empresa que já estava trabalhando numa determinada refinaria continuasse lá, porque não tem sentido trocar por outra. A Petrobras poderia fazer isso, mas deixava para o mercado.

Isso não é cartel?
Num cartel, um grupo de empresas se organiza para combinar os preços do mercado. No caso da Petrobras, ela é a única compradora, ela estabelece preço e ela escolhe quem participa. Não há a menor chance de entrar numa obra se ela não quiser.

O contrato da Engevix com o ex-ministro José Dirceu também era para pagar propina?
Nunca foi propina. Dirceu foi contratado pelo relacionamento que tinha no Peru, em Cuba e na África. Tínhamos interesse nesses mercados, mas não houve resultados. O contrato era em torno de R$ 1 milhão, não sei exatamente. Fizemos outro contrato com o Paulo Roberto Costa depois que ele saiu da Petrobras. Eram R$ 30 mil por mês, para consultoria.

Quem é Milton Pascowitch, que seu sócio Gerson Almada citou em depoimento como uma ponte com o PT?
Milton atua conosco há mais de 15 anos. Tem um relacionamento forte com o PT e disse para o Gerson que podia ajudar no relacionamento com o partido. Foram feitos contratos com ele para fazer esse relacionamento. Era uma relação de lobby, nunca para pagamento de propina.

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Cid Gomes dá seu show, posa de herói, e perde o palanque que o Ministério da Educação lhe garantia
Ricardo Noblat

Há muito de farsa e pouco de verdade em tudo o que foi dito, ontem, por personagens de primeiro plano e de bastidores da trapalhada cometida por Cid Gomes, ex-governador do Ceará, e que lhe custou o cargo de ministro de Educação do que a presidente Dilma chama de “Pátria Educadora”, o novo slogan do seu segundo governo.

Tudo começou com uma visita de Cid, no último dia 27, a Belém do Pará. Para fazer jus à sua imagem de boquirroto, não resistiu a dizer o que pensava do Congresso durante um debate com professores e alunos. Chamou o Congresso de antro de “achacadores”. Afirmou que existem ali entre 300 e 400 achacadores.

Uma fita com as declarações de Cid bateu nas mãos de Hélder Barbalho (PMDB-PA), ministro da Pesca, filho do ex-senador Jáder Barbalho. De Hélder a fita passou para o líder do PMDB na Câmara dos Deputados. E deu origem à convocação feita pela Câmara para que Cid se explicasse.

Dilma não gostou da confusão que se armava. Ela quer tudo, menos se atritar com o PMDB. Recomendou a Cid que desse um jeito de recuar do que dissera, salvando a própria face se isso fosse possível. Primeiro Ciro inventou que estava muito doente, e se internou no Hospital Sírio Libanês para fugir à convocação.

Uma junta de três médicos, que são também deputados, visitou Cid no hospital. E constatou que ele sofria de “sinusite leve”. Cid foi então reconvocado. E, ontem, apresentou-se no plenário da Câmara para enfrentar os deputados. Dois de seus quatro irmãos, entre eles o ex-ministro Ciro Gomes, estavam em Brasília.

Os Gomes têm fama no Ceará de não levar desaforo para casa. Ciro aconselhou Cid a reafirmar tudo o que havia dito em Belém. Perderia o cargo de ministro, é fato. Mas sairia como herói por ter enfrentado os deputados. Especialmente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, a quem chamou de “achacador”.

Cid telefonou para amigos dizendo como se comportaria na Câmara. E pedindo que o assistissem pela televisão. Um dos amigos avisado por ele foi o cantor Fagner, que estará esta tarde em Brasília. O show de Cid foi ao ar exatamente como ele imaginara. Da Câmara, ele foi ao encontro de Dilma para pedir demissão.

Sabia que se não o fizesse seria demitido. Antes que ele saísse do Palácio do Planalto, Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da presidência da República, telefonou para Eduardo e informou que Dilma demitira Cid. Pouco importa se ele pediu demissão ou se ela o demitiu. Cid perdeu um palanque. Dilma ganhou uma vaga no governo para negociar com os que a apoiam.

Se dependesse de Lula, Cid seria substituído por Mercadante. E Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e atual ministro da Defesa, ocuparia a Casa Civil. O PMDB cobra um ministério de peso a Dilma, o sexto. Não quer o da Educação porque acha que ele não tem autonomia para, digamos, facilitar a vida do partido.

Um emprego com bom salário espera Cid no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).


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Blog do Reinaldo Azevedo

Lava Jato: Dirceu faturou R$ 29 milhões em consultorias

Por Daniel Haidar e Laryssa Borges, na VEJA.com:

A empresa do ex-ministro José Dirceu faturou 29,2 milhões de reais com a prestação de serviços de consultoria, de 2006, depois de deixar o governo Lula, a 2013, quando começou a cumprir pena pela condenação no julgamento do mensalão. O site de VEJA teve acesso a um documento da Receita Federal que analisou a movimentação financeira da empresa de Dirceu, a JD Assessoria. A quebra de sigilo foi determinada pela Justiça em janeiro, após indicativos de que empreiteiras citadas na Operação Lava Jato e que participaram do megaesquema de fraudes em contratos com a Petrobras repassaram dinheiro para o ex-ministro.

Só em 2013, ano em que começou a cumprir pena de prisão em regime semiaberto no Complexo Penitenciário da Papuda, a empresa de Dirceu faturou 4,159 milhões de reais. Ele foi para a cadeia em novembro daquele ano e ganhou o direito de progredir para o regime aberto cerca de um ano depois, em novembro de 2014.

De acordo com os dados apresentados pela Receita Federal e anexados ao processo que investiga o escândalo do petrolão, nenhum ano foi tão lucrativo para Dirceu quanto 2012: amealhou 7 milhões de reais. Foi neste ano que o ex-chefe da Casa Civil e homem-forte do governo Lula recebeu pena de dez anos e dez meses de prisão, depois revertida para sete anos e onze meses no mensalão. Em 2013, nova enxurrada de dinheiro para a JD Consultoria: foram 4,159 milhões de reais.

A movimentação financeira do ex-homem forte do governo Lula consta de dados requeridos pelos investigadores da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Agora, o juiz federal Sérgio Moro retirou o sigilo dos autos em que houve a quebra do sigilo fiscal e bancário de Dirceu. A decisão ocorreu depois que o empresário Gerson Almada, sócio da Engevix, prestou depoimento sobre Dirceu. Após revelar novos detalhes sobre o escândalo do petrolão, Almada pediu que Moro revogasse sua prisão.

Clientes – No rol de clientes de Dirceu há diversas empresas envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras, como as empreiteiras OAS, UTC, Engevix, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, além da Egesa e de um braço da construtora Delta, banida da administração pública após a revelação de suas atividades em parceria com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Mas também há gigantes de outros setores, como a Ambev.

Ao analisar a movimentação financeira de José Dirceu e de sua consultoria, a Receita Federal também detectou o que classificou como “possível movimentação financeira incompatível”. É o caso, por exemplo, da compra de um imóvel, em 2012, no valor de 1,6 milhão de reais em São Paulo. Dirceu informou ao Fisco ter pago 400.000 reais com recursos próprios, mas esse mesmo valor não circulou pela sua conta-corrente.

A quebra dos sigilos fiscal e bancário do ex-ministro foi autorizada pela Justiça Federal após o Ministério Público, em parceria com a Receita Federal, ter feito uma varredura nas empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato em busca de possíveis crimes tributários praticados pelos administradores da OAS, Camargo Correa, UTC/Constran, Galvão Engenharia, Mendes Junior, Engevix e Odebrecht. Os investigadores já haviam concluído que as empreiteiras, que unidas em um cartel fraudaram contratos para a obtenção de obras da Petrobras, utilizavam empresas de fachada para dar ares de veracidade à movimentação milionária de recursos ilegais. Mas foi ao se debruçar sobre os lançamentos contábeis das empreiteiras, entre 2009 e 2013, que o Fisco encontrou o nome da consultoria de José Dirceu como destinatária de “expressivos valores” das empreiteiras Galvão Engenharia, OAS e UTC.

Defesa – Em resposta à justiça o advogado Juarez Cirino dos Santos, que defende José Dirceu, apresentou notas fiscais para tentar comprovar que os serviços de consultoria foram prestados. Ele informa, por exemplo, que ao contrário do que diz a Receita, não houve contratos com a Delta Engenharia e Montagem Industrial Ltda., e sim com a empresa Sigma Engenharia S/S Ltda., que teria comprado a companhia na época.?

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E aí, esquerdista trouxa? Entrou na vaquinha para ajudar a pagar multa de Dirceu? Bem feito!

Lembram-se da famosa pergunta: “O que você quer ser quando crescer?” Toda criança, acho eu, tem de querer ser José Dirceu, o consultor. Nunca se viu homem tão inteligente. A sua consultoria é ele sozinho. O irmão é só um sócio formal. Não tem uma equipe de especialistas que cuidam de áreas específicas. Isso é coisa de empresas tradicionais. O Zé é moderno. Sozinho, ele dá conta da área de medicamentos, engenharia, bebidas, comunicação, equipamentos elétricos, direito… E o que mais pintar. É o Leonardo da Vinci da consultoria. É um homem completo.

O homem recebeu mais de R$ 29 milhões em sete anos de consultoria solitária. É de fazer inveja a qualquer um. Seus advogados dizem, claro!, que ele efetivamente prestou os serviços. Então tá bom. Eu só fico a pensar aqui nos eventuais trouxas — com a devida vênia — que resolveram entrar na “vaquinha” em favor de Dirceu para pagar a multa de R$ 971.128,92 determinada pelo STF. Coitado! O homem da saliva mais cara do Brasil alegava não dispor desse dinheiro. E teve início, então, a corrente de solidariedade.

O mais impressionante é que o melhor ano para Dirceu foi 2012, aquele em que foi condenado: recebeu R$ 7 milhões. Mas nada se compara em eficiência a 2013: mesmo ele estando na cadeia, faturou R$ 4,16 milhões. Vá ser bom assim lá na Casa do Chapéu!

Se os petistas conseguissem fazer pelo Brasil o que fazem por si mesmos, nosso PIB seria maior do que o dos EUA, e a qualidade de vida da população, superior à dos dinamarqueses. 

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Popularidade de Dilma derrete: 62% de ruim e péssimo contra apenas 13% de ótimo e bom; o Nordeste e os mais pobres desistiram da petista. Pior: há aloprados querendo piorar tudo

A Secretaria de Comunicação do governo, cujo titular é Thomas Traumann, elaborou um documento aloprado sobre a situação política do país, propondo um conjunto de ações eivado de ilegalidades. Acredita-se na possibilidade de reverter o desgaste de Dilma na base da “guerrilha” de propaganda, como está lá. Leiam post a respeito. Entre as propostas, está intensificar a relação com os chamados “blogs sujos”, que seriam os “soldados de fora” que atirariam com munição fornecida pelo governo.  Pois é…

Se a receita fosse mesmo essa, a Secom teria que, literalmente, chafurdar no mar de lama. Por quê? Dilma Rousseff derreteu. Em pouco mais de um mês, os que consideravam seu governo ótimo e bom despencaram de 44% para 13%. Os que o avaliam como ruim ou péssimo saltaram de 23% para 62%, e caíram de 35% para 24% os que o veem como regular. Os números são do Datafolha e estão na edição da Folha desta quarta. O instituto entrevistou 2.842 pessoas entre os dias 16 e 17. Pode-se argumentar que os dados estão sob o impacto dos protestos do dia 15. Mas também é possível considerar que os protestos do dia 15 só foram tão bem sucedidos porque esses sãos os números, não é mesmo?

Não há boa notícia possível para Dilma. Pela primeira vez, desde que o PT está no poder, a reprovação ao governo no Nordeste encosta nos números do Sudeste, onde a presidente conta com apenas 10% de ótimo e bom e 66% de ruim e péssimo. Entre os nordestinos, esses números são, respectivamente, 16% e 55%. A região mais severa com a presidente é o Centro-Oeste: 75% de ruim e péssimo e só 10% de ótimo e bom. No Sul, estes números são, na ordem, 64% e 13%. Só a Região Norte destoa um pouco, mas ainda com números francamente hostis à presidente: 51% de ruim e péssimo e 21% de bom e ótimo.

Dilma, como eu já havia apontado aqui na pesquisa de fevereiro, viu desabar a sua popularidade entre os pobres: acham seu governo ruim ou péssimo 60% dos que ganham até dois salários mínimos; 66% dos que recebem de dois a cinco; 65% entre os que ganham entre cinco e dez e mais de dez. O seu mais alto índice de ótimo e bom, bem mixuruca, está na faixa de até dois mínimos: 15%; o mais baixo, na de dois a cinco: 10%.

Se os números são ruins, as expectativas podem ser piores. Sessenta por cento acreditam que a situação econômica vai piorar, e só 15%, que vai melhorar. Para 77%, a inflação vai subir, e só 6% acreditam que vai cair. Creem que o desemprego vai aumentar 69% dos entrevistados, contra apenas 12% que pensam o contrário. Segundo o Datafolha, é o maior pessimismo registrado no país desde 1997.

O governo e os petistas deveriam parar com essa bobagem de que os protestos contra o governo são coisa de rico, não é mesmo? Como se nota, os pobres formam hoje um formidável público potencial para as manifestações. Ainda que não tenham aderido em massa à mobilização do dia 15, parece que podem fazê-lo a qualquer momento. Se a tática desesperada da Secom for posta em prática, aí é que o bicho pode mesmo pegar. A nota atribuída pelos entrevistados a Dilma também caiu: de 4,8 em fevereiro para 3,7 agora.

O Congresso não merece avaliação melhor em tempos de petrolão: só 9% dizem que seu trabalho é ótimo ou bom, contra 50% que o têm como ruim e péssimo. Os números são péssimos, sim, mas é evidente que a crise política não tem origem no Parlamento.

Como Dilma sai das cordas? Uma coisa é certa: não é alimentando a guerra suja, como sugere um documento da Secom. Talvez um primeiro passo fosse se cercar de gente capaz de entender a natureza da crise. Até agora, não há ninguém com esse perfil. O petismo aloprado só a aproxima ainda mais do abismo.

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Imagem de Dilma foi à UTI, informa o Datafolha

Nos seus primeiros quatro anos como presidente, Dilma Rousseff não conseguiu vincular sua sisuda figura a uma simbologia, uma marca. Iniciado o segundo reinado, ela precisou de apenas 77 dias para grudar na própria testa o signo da ruína. O Datafolha informa que a imagem da ex-supergerente foi internada pelos brasileiros na UTI. A recuperação vai requerer tratamento de choque.

Dilma já é considerada ruim ou péssima por 62% dos brasileiros. Aproxima-se perigosamente de Fernando Collor, que arrostava taxa de rejeição de 68% em setembro de 1992, às vésperas de ser escorraçado do Planalto pelo impeachment. Uma aversão desse tamanho não passa com pomadinhas anticorrupção e curativos ministeriais. Exige, de saída, a grandeza de uma autocrítica genoína.

Depois de perder a pose e o asfalto, a presidente perde o pouco que lhe restava de discurso. O lero-lero segundo o qual apenas os eleitores de Aécio Neves fazem cara de nojo para Dilma perdeu completamente o nexo. Dilma tanto fez que definha também em seus próprios redutos. Mesmo entre os beneficiários das políticas sociais, a rejeição disparou.

Dilma tornou-se uma presidente minoritária. Sua aprovação aproxima-se da casa de um dígito. Apenas 13% dos patrícios classificam-na como ótima ou boa. Nesse ponto, madame igualou-se a FHC, sua eterna e mais querida referência. Em setembro de 1999, acusado de estelionato eleitoral por ter desvalorizado o Real após reeleger-se, FHC também amargou os mesmos 13% de rejeição.

O pessimismo do eleitorado completa a atmosfera de borrasca que se acercou de Dilma. De cada dez brasileiros, seis apostam que a economia vai piorar. A grossa maioria acha que a inflação e o desemprego subirão 77% e 69%, respectivamente. Nessa seara, Dilma não tem boas notícias a fornecer neste ano de 2015, talvez nem em 2016.

Como se fosse pouco, os desdobramentos do petrolão são acompanhados com um interesse de novela: 73% tomaram conhecimento da “lista do Janot”, com os nomes de autoridades e congressistas encrencados. O escândalo é de fácil apreensão. Numa fase em que sobra mês no fim do salário, o brasileiro revolta-se com as milionárias cifras entesouradas na Suíça.

Apegada ao manual petista de administração de crises, Dilma vem reagindo à ruína de forma previsivelmente acanhada e convencional. É fácil, muito fácil prever o seu próximo erro: vai chamar João Santana para uma conversa. A crise não pede mais embromação publicitária. Em vez dar ouvidos ao marqueteiro, Dilma deveria escutar o seu instinto de sobrevivência.

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Pacote anticorrupção é alarme contra os aliados

Dilma Roussef encontrou uma boa maneira de diluir a raiva que ganhou o asfalto. Ela decidiu dar um banho de gargalhada nesse país lançando um pacote de projetos de lei anticorrupção. Se a plateia estiver entendendo bem, a presidente faz isso para garantir que seus correligionários e aliados não caiam na tentação de continuar roubando. Mal comparando, é como se um alcóolatra cercasse as garrafas de bebida com um sistema de alarmes contra ele mesmo.

Essas pessoas que sistematicamente desmoralizam o governo e atiçam as praças contra Dilma precisam mesmo ser identificadas, submetidas à execração pública e punidas. Infelizmente, os suspeitos geralmente integram a coligação da presidente. Os mais notórios escondem-se nas fileiras do PT e do PMDB, os dois sócios majoritários do empreendimento governista. Os mais ousados presidem as duas Casas do Legislativo.

Nesta terça-feira, enquanto o ministro da Justiça exibia o pacote anticorrupção aos presidentes investigados da Câmara e do Senado, a Justiça informava no Paraná que a empresa de consultoria do mensaleiro José Dirceu faturou R$ 29 milhões em oito anos —uma parte proveniente das empresas provedoras do petrolão. O PT reafirmava que seu tesoureiro João Vaccari Neto só amealhou “doações legais”. E o delator Paulo Roberto Costa declarou aos procuradores da Lava Jato que “doação legal é uma balela.”

Simultaneamente, Lula combinou com Dilma os detalhes de uma reforma da equipe ministerial que tomou posse não faz 80 dias. A ideia central é reforçar a presença do PMDB na Esplanada. O mesmo partido que sustentou na Petrobras o ex-diretor Jorge Zelada, que acaba de sofrer o bloqueio de R$ 40 milhões que entesourara em contas no principado de Mônaco.

Toda essa lama escorre contra um fundo de progressivo embrutecimento dos brasileiros saqueados. As redes sociais já anunciam para abril um novo ‘asfaltaço’. Se tudo correr como planejado pelo Planalto, dessa vez os manifestantes vão às ruas para gargalhar da penúltima da Dilma. Até lá a presidente talvez já tenha bolado um novo número —como desfritar um ovo, por exemplo.

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Ressaca!



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Pesquisa Datafolha: Reprovação de Dilma aumenta em todas as regiões e segmentos sociais do país e atinge 62%
Ricardo Noblat


Para não dizer que não, tem uma notícia boa, sim, para a presidente Dilma Rousseff na pesquisa do instituto Datafolha publicada, hoje, pelo jornal Folha de S. Paulo: a aprovação do Congresso é menor do que a dela.

Ouvidos 2.842 eleitores em todo o país nas últimas 48 horas, apenas 9% consideram ótimo ou bom o desempenho do Congresso. Para 50% deles, o desempenho é ruim e péssimo. Quanto a Dilma...

No terceiro mês do seu segundo mandato, 62% dos brasileiros classificam como ruim ou péssima a gestão de Dilma. Somente há 22 anos, quando Collor estava perto de ser deposto, houve uma desaprovação maior. A dele chegou a 68%.

A impopularidade de Dilma subiu de fevereiro para cá 18 pontos se comparada à pesquisa anterior do próprio Datafolha. Somam 13% os que consideram o governo de Dilma ótimo ou bom.

A mais baixa taxa de aprovação de Lula nos seus dois governos foi de 28% em dezembro de 2005, ainda por efeito do escândalo do mensalão – o pagamento de propina a deputados federais para que votassem como o presidente queria.

A de Itamar Franco foi de 12% antes do lançamento do Plano Real, em 1993. Em 1999, depois da desvalorização do real como moeda, a aprovação de Fernando Henrique Cardoso desabou para 13%.

A popularidade de Dilma está indo para o buraco em todas as regiões do país e em todos os segmentos sociais.

As taxas mais altas de rejeição dela estão nas regiões “Centro-oeste (75%) e Sudeste (66%), nos municípios com mais de 200 mil habitantes (66%), entre os eleitores com escolaridade média (66%) e no grupo dos que têm renda mensal familiar de 2 a 5 salários mínimos (66%)”, segundo a Folha.

A maior taxa de aprovação está na região menos populosa do país – o Norte, com 21%. No Nordeste, que ajudou a eleger e reeleger Dilma no ano passado, agora só 16% dos seus habitantes aprovam o governo de Dilma. ¨

De 0 a 10, Dilma obteve nota 3,7.

“Com exceção dos simpatizantes do PT e de seus próprios eleitores, todos os demais segmentos socioeconômicos, políticos ou demográficos reprovam majoritariamente o desempenho de Dilma. Mesmo nos estratos mais beneficiados pelas políticas sociais do governo, a rejeição disparou”, escrevem Mauro Paulino, Diretor-Geral do Datafolha, e Alessandro Janoni, Diretor de Pesquisas.

De 55% em fevereiro, passou para 60% o índice de pessimismo dos brasileiros com o futuro próximo da economia. É o índice mais alto desde 1997, no governo Fernando Henrique.

O desemprego tende a aumentar (69%). Bem como a inflação (77%).


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Blog do Coronel

Cai por terra tese do PT. Em depoimento explosivo, empreiteiro revela que Vaccari exigiu que propina de R$ 10 milhões fosse transformada em doação oficial.

Se a PGR conseguir comprovar que propinas eram transformadas em doações oficiais, como revelado pelo vice-presidente da Camargo Correa, cai o governo Dilma Rousseff.

(Folha) O vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, disse em depoimento prestado no âmbito de um acordo de delação premiada que o tesoureiro do PT, João Vaccari, pediu que a empreiteira pagasse uma propina de cerca de R$ 10 milhões em forma de doação oficial ao partido. O episódio, segundo Leite, ocorreu "por volta de 2010".

O executivo relata que Vaccari "tinha conhecimento" do esquema de suborno que existia na diretoria de Serviços, ocupada por Renato Duque, que foi indicado ao cargo pelo PT, segundo os procuradores da Operação Lava Jato –o partido e Duque negam que tenha havido a indicação. Duque foi preso nesta segunda-feira (16) novamente.

Leite relata no depoimento que Vaccari abordou-o cobrando propinas que a Camargo Corrêa atrasara o pagamento e sugeriu que a situação fosse acertada por meio de doações ao PT. A delação do vice-presidente da Camargo Corrêa ainda não foi homologada pela Justiça, mas o uso da parte referente a Vaccari foi autorizado pelo advogado dele, Marlus Arns, segundo procuradores da Lava Jato. Leite encerrou seus depoimentos na delação na última sexta-feira (13).

O presidente da empreiteira, Dalton Avancini, também fez um acordo de delação, mas continua depondo. Os procuradores da Lava Jato dizem que as doações legais eram uma das formas de pagamento de suborno e é ilegal porque se trata de uma maneira de lavagem: "Eram repasses de propina disfarçados de doações eleitorais", disse o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa do Ministério Público Federal que atua na Lava Jato.

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Oposição quer diálogo com as ruas, não com Dilma.

(Estadão) Embalada pelas manifestações contra a presidente Dilma Rousseff no domingo, a oposição rechaçou a tentativa do governo de abrir um diálogo para fazer com que as promessas de promover a reforma política, aprovar o pacote anticorrupção e realizar o ajuste fiscal saiam do papel.

Uma análise de conjuntura pós-manifestação produzida pelo Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB, afirma que a “pauta da cidadania” das ruas inclui a defesa “intransigente” dos direitos dos trabalhadores “impedindo que o arrocho proposto pela presidente avance no Congresso”. O texto diz, ainda, que não será cortando benefícios e aumentando impostos que o País sairá da crise.

O diálogo é rechaçado pelos principais líderes da oposição. “Não há clima para dialogar com o governo, especialmente do discurso da presidente em cadeia nacional. Eles estão no mundo da lua”, disse o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), candidato à vice-presidente na chapa de Aécio Neves em 2014.

“Seria ir na contramão das manifestações”, reforçou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Para o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, o governo não merece “a mínima confiança”. “Esse discurso (de diálogo) é surrado. Se a presidente quer ajuda, ela precisa dar sinais, como a redução de ministérios e cargos comissionados”, diz.

Para o presidente nacional do DEM, senador José Agripino (RN), a proposta do governo foi motivada “pelo grito das multidões”. “Fazem isso para dizer que, de repente, viraram conciliadores. A reforma não depende de entendimento com a oposição. Ela vai acontecer naturalmente”, diz o senador.

“Vale a declaração chamando ao diálogo, ou a de guerra, atribuindo as manifestações aos eleitores de Aécio”, completa o deputado Mendonça Filho (PE), líder do DEM.

Dilema.Apesar da multidão que tomou as ruas no domingo, a oposição se dividiu sobre sua participação nos próximos atos. Enquanto parte dos dirigentes partidários e parlamentares defende uma aproximação “lenta e gradual” com os organizadores, outros advogam a tese de que não há necessidade de colocar os políticos em cima do palanque. Pelo contrário: isso poderia gerar antipatia dos manifestantes.

“Na manifestação (de domingo) os organizadores estavam receosos com a participação de políticos nos carros de som. Poderia parecer oportunismo. Mas acho que, se o movimento continuar com essa força, será inevitável a nossa presença”, diz o senador Álvaro Dias.

O próximo ato contra Dilma está marcado para o dia 12, em São Paulo. Mas não há consenso entre os grupos. O maior deles, o Vem pra Rua, resiste a aceitar a data, marcada pelos grupos Revoltados On Line e Movimento Brasil Livre. “Não queremos proximidade com partidos. O PSDB não é oposição, é ocasião”, diz Marcello Reis, líder do Revoltados On Line.

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A ENTREVISTA – Dilma não precisa de confissão, mas de um ato de contrição política. E terá de apelar à tolerância da população. Se vai obtê-la, aí não sei…

Um bom governo acorda uma década antes. E, portanto, já estava claro às pessoas que lidam com critérios como qualidade, eficiência nos gastos e crescimento sustentável que o petismo não faria um… bom governo. Mas, caso se dê a esse governo um prazo de 48 horas, espera-se que acorde 24 horas antes, não 24 horas depois. Parece — mas nunca é bom apostar o mindinho — que, 24 horas depois da megamanifestação de domingo, a presidente Dilma Rousseff saiu de seu sono, despertando para o pesadelo em curso. Melhor isso do que a alienação.

Depois da desastrosa entrevista concedida por seus dois trapalhões no domingo — refiro-me a José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, e a Miguel Rossetto, secretário-geral da Presidência —, Dilma decidiu fazer o que ela própria deveria ter feito já no fim daquela tarde: reconhecer o caráter pacífico dos protestos, seu teor democrático, prometendo pôr as coisas nos eixos. Tudo em, no máximo, dois minutos. Para que não houvesse tempo de escolher que panela amaçar.

Foi o que ela procurou fazer com a sua entrevista/pronunciamento, concedida meio de surpresa nesta segunda. As palavras mais repetidas foram “diálogo” e “humildade”. Pesquisas encomendadas pelo Planalto apontam que a população considera o governo “arrogante”. Quando isso se mistura à incompetência, aos números ruins da economia — com consequência na vida das pessoas — e à percepção clara de que o país estava sob o ataque de uma quadrilha, o resultado são dois milhões de pessoas nas ruas gritando “Fora PT” e “Fora Dilma”.

É claro que  governanta não é, assim, um Cícero da retórica. Ao juntar os dois vocábulos dessa nova postura numa quase unidade semântica, espichou assim o raciocínio:

“Atitude de humildade é que você só pode abrir diálogo com quem quer diálogo. Porque quem não quer abrir diálogo com você, você não tem como abrir diálogo. Eu procurarei ter diálogo seja com quem for, é uma atitude de abertura. Agora eu não tô aqui fazendo nenhuma confissão. Não tem nenhum confessionário. Se alguém achar que eu não fui humilde em algum diálogo, me diz qual, e aí eu tomo providência para mudar. Me diz onde, aí tudo bem. Quem sabe eu não fui mesmo. Me diz aonde, eu vou avaliar. Caso contrário, seria um absoluto fingimento da minha parte.”

Como se vê, a presidente mistura certa subjetividade fora de hora — “fingimento de minha parte” — com uma óbvia dificuldade de dizer o que quer. E de assumir também os erros. No máximo, ela admitiu que, no passado, o governo pode ter errado na dose nos estímulos artificiais e destrambelhados aplicados à economia, mas garantiu, e eis o desconsolo para quem aposta numa mudança de postura, que era para o bem do Brasil.

Se, no domingo, os dois trapalhões defenderam como resposta às ruas uma reforma política à qual o PMDB se opõe, nesta segunda, na presença do condestável José Sarney, acenou para o partido e disse que a reforma é necessária, sim, mas é obra do Congresso. Se, no domingo, Rossetto deu mais ênfase ao “protesto a favor” organizado pelo PT no dia 13, nesta segunda, Dilma ao menos admitiu a legitimidade dos reclamos dos que protestaram contra.

A presidente disse ainda que a “corrupção é uma velha senhora no Brasil”, argumentando que não começou com a chegada do PT ao poder. É claro que não! Nunca li ou ouvi alguém sustentar esse ponto de vista. Mas ou se admite que só no petismo a corrupção se transformou num sistema, numa categoria política e numa categoria de pensamento, ou não se vai sair do lugar. Essa percepção chegou às ruas e é crescente.

E há, ainda, um nervo exposto que vai doer por muito tempo. E que só tende a piorar com a efetividade do ajuste fiscal: a Dilma que governa não é aquela que ganhou as eleições. Nesta segunda, ela disse que não estava num confessionário. Ninguém está interessado em suas dúvidas de consciência, matéria para confissões. Ela terá de fazer, sim, uma contrição política, pedir desculpas pelas promessas que não pode cumprir e apelar à tolerância da população. Se vai ou não obtê-la, aí não sei.

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Oposição tem de cobrar uma posição de Zavascki sobre recurso do PPS que pede que Dilma seja investigada, ao contrário do que decidiram Janot e o ministro

Não sei, não, mas tenho pra mim que a oposição está cochilando sobre a importância de um Agravo Regimental, assinado pelo PPS, que chegou ao Supremo Tribunal Federal por intermédio do deputado Raul Jungmann (PE), na sexta-feira. Tratei do assunto num post escrito no sábado. O que é um “Agravo Regimental”? É um pedido para que a corte reveja a sua própria decisão. O que se pede ali? Que a atuação de Dilma no escândalo do petrolão seja investigada, ainda que ela não possa, de fato, ser processada por atos anteriores à sua condição de presidente. Bem, a primeira falha dessa tese é supor que tudo o que diz respeito a Dilma, nesse caso, vai até 2010. Mas não vou me ater a isso agora.

O que interessa nesse agravo do PPS é outra coisa. Há uma sólida jurisprudência no Supremo — e o partido pede que Teori Zavascki se manifeste a respeito — sustentando que um presidente pode, sim, ser investigado. Nem que seja para que o processo ocorra só depois do término de seu mandato. Noto: a argumentação de Rodrigo Janot, acatada por Zavascki, para não investigar Dilma foi justamente esta: sustentar que ela não poderia ser processada por atos estranhos ao mandato. Mas quem está falando de processo?

Vamos ver o que escreveu o ministro Celso de Mello no Inquérito nº 672/6:
[...] De outro lado, impõe-se advertir que, mesmo na esfera penal, a imunidade constitucional em questão [aquela do Presidente da República] somente incide sobre os atos inerentes à persecutio criminis in judicio. Não impede, portanto, que, por iniciativa do Ministério Público, sejam ordenadas e praticadas, na fase pré-processual do procedimento investigatório, diligências de caráter instrutório destinadas a ensejar a informatio delicti e a viabilizar, no momento constitucionalmente oportuno, o ajuizamento da ação penal”

Fora do juridiquês, quer dizer o seguinte: investigar pode; não pode é processar. Até porque vamos pensar:
a: como se vai processar alguém depois de encerrado o mandato sem a investigação?;
b: é preciso que se investigue, então, agora, mesmo as questões anteriores ao mandato (como quer Janot) para saber se elas não têm desdobramentos já na fase do mandato.

Há uma possibilidade de que Zavascki considere que o PPS não tem legitimidade para entrar com Agravo Regimental porque não é uma parte no caso. O partido diz que sim. Por via das dúvidas, já se antecipou e pediu que, eventualmente negado o agravo, a solicitação seja levada ao pleno do Supremo como questão de ordem.

Embora eu entenda, e já expus aqui tantas vezes, que existem razões para a denúncia de impeachment, com base no que dispõe a Lei 1.079, sei que a tese é polêmica. Ocorre que a Lei do Impeachment é matéria a ser tratada na Câmara dos Deputados. No que respeita à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo, nada mais vai acontecer se não houver ao menos a investigação. É só questão de bom senso. Mesmo um defensor fanático do impeachment via Congresso não tem por que contestar o caminho adotado pelo PPS. Nesse caso, o que abunda não prejudica.

É chegada a hora de os oposicionistas cobrarem uma posição de Zavascki.

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Carvalho, homem de Lula, critica o governo Dilma e diz sentir “vergonha”. Ele quer ver a presidente errando ainda mais!

Gilberto Carvalho, ex-ministro da secretaria-geral da Presidência, olhos, ouvidos e braço esquerdo de Lula, resolveu sair da toca política para, ainda que com modos de sacristão, atacar o governo que ele integrava até outro dia. Agora com um empregão no Sesi — presidente do Conselho de Administração —, ele falou nesta segunda à noite, em Fortaleza, a uma plateia de 500 pessoas ligadas a sindicatos.

O chefão petista deixou clara a sua ideia de governo e a que ele resume a sociedade brasileira. Disse, segundo o Estadão: “Eu tenho vergonha de dizer: nós erramos. Nós tivemos uma eleição que só foi ganha pela luta de vocês, pela luta da nossa militância. Aqueles três milhões de votos que nos salvaram, nós sabemos que foram graças à luta da militância. E a gente, quando acabou a eleição, em vez de chamar o pessoal para discutir — ‘olha pessoal, vamos fazer um programa para valer, popular’ —, nós esquecemos”.

Um dia depois de o país ter assistido à maior manifestação de sua história, com um repúdio claro ao PT e às suas táticas, Carvalho considerou:

“Levou um mês para ser chamada a CUT lá no Palácio (do Planalto). Um mês para o MST ser chamado lá no Palácio. E viemos com um pacote que só penalizou o lado dos trabalhadores, sem nenhuma comunicação. Devo dizer que fiquei muito triste com isso. Esse foi um erro imperdoável que nós cometemos. Não tem como negar. Porque assim você não faz alianças estratégicas”.

Esse “nós” é só uma forma de esconder a esculhambada que está dando em Dilma. E, como ele é Gilberto Carvalho, está, obviamente, dizendo uma bobagem gigantesca. Por ele, a presidente erraria ainda mais do que está errando. Notem: a única pauta que interessa a este senhor é aquela levada pelos petistas no dia 13. Na fala de Carvalho, o dia 15 não existiu.

Esse foi o caminho que levou Dilma à ruína. Este senhor tentou transformar a presidente da República numa chefe de facção.

Black blocs
Uma das páginas de black blocs anunciava ontem que eles vão tentar botar pra quebrar nas próximas manifestações. Os bravos chamam pessoas que não depredam nem incendeiam nada de “golpistas”. Pois é… Acho que o assunto interessa à Polícia Federal. Sugiro à PF que fale com Gilberto Carvalho. Ele afirmou em entrevista que fez várias reuniões com aqueles patriotas. Deve conhecer seus líderes, não é mesmo?

Só para registro: Carvalho não existe. Quem existe é Lula, o principal fator de desestabilização de Dilma.

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A questão: como é que Dilma se livra de Lula para tentar salvar a própria cabeça?

Pensa que é fácil ser Dilma Rousseff? Nesta segunda, duas, digamos assim, entidades a cercaram: José Sarney, ele mesmo!!!, estava presente à solenidade em que foi sancionado o novo Código de Processo Civil. Mais tarde, a coitada teve de discutir a crise política com um chefe que anda bastante amuado: Luiz Inácio Lula da Silva.

Para todos os efeitos, Lula seria defensor de uma maior “peemedebização” do governo… Não é bem assim. Quem está buscando caminhos para se livrar da tutela do PT e de seu chefão é Dilma. É que o PMDB, até agora, não se mostra um caminho assim tão seguro. Que vai crescer a importância da legenda no governo, ah, estejam certos disso. Mas basta? Acho que não!

Lula, por sua vez, até pode achar que o entendimento com os peemedebistas se faz necessário — afinal, o governo está na pindaíba —, mas a sua luta no momento é outra: ele se mexe para sobreviver como candidato viável em 2018, o que o PMDB também já percebeu. E não está disposto a lhe rechear a empada com azeitona. Ou por outra: o partido não quer ser a garantia da estabilidade de Dilma e preparar o colchão para a volta do demiurgo. E Lula quer a garantia de que jamais será atingido por uma investigação. Mas como?

Esse não é o único descontentamento do ainda Poderoso Chefão. O lulismo teme que a o avanço da Operação Lava-Jato chegue mesmo ao topo do partido. Nos bastidores, há uma cobrança quase sanguinolenta para que Dilma faça alguma coisa. Mas, a esta altura, fazer o quê? A presidente admitiu, na entrevista desta segunda, a corrupção em sucessivos governos. Num determinado momento, com alguma irritação, disse: “O governo não sou eu”. Não ficou muito claro o sentido da frase. Ou será que ficou? Quem, então, é o governo?

O ex-presidente acha, sim, que é preciso dar mais espaço ao PMDB, mas apenas como alternativa para esfriar a crise política. Não aceita, por outro lado, a despetização. Os lulistas consideram que Dilma tem sido pouco enfática na defesa do partido. Convenham: o que ela poderia fazer?

Um dos principais problemas da governanta hoje é como tirar Lula do seu cangote. Leiam os ataques feitos ontem por Gilberto Carvalho ao governo. Acabam colocando os tais movimentos sociais em pé de guerra contra uma presidente que está sitiada em seu palácio.

É espantoso que um ex-presidente da República baixe em Brasília não para uma visita de cortesia à atual mandatária, mas com uma pauta debaixo de braço. Isso infantiliza Dilma, atinge a sua reputação e faz dela uma espécie de fantoche entre senhores da guerra.

Ou Dilma começa a se organizar para se livrar de Lula, ou será ele a inviabilizar de vez o seu governo.

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Crise expõe a inutilidade dos partidos políticos

A crise que levou centenas de milhares de brasileiros às ruas no domingo pode matar uma curiosidade que atormenta a nação desde a primeira missa: quando começa o caos? Não adianta mais tapar o sol com a peneira. Na democracia brasileira, projeto político que sai pelo ladrão, os partidos perderam a função. Costumavam representar grupos ou corporações. Hoje, representam apenas a si próprios. Compõem uma superestrutura 100% financiada pelo déficit público. Muitos tornaram-se organizações criminosas.

“A corrupção não nasceu hoje”, disse Dilma Rousseff em sua primeira manifestação pública depois do ‘asfaltaço’ de 15 de março. “Ela não só é uma senhora bastante idosa nesse país como não poupa ninguém. Pode estar em tudo quanto é área, inclusive no setor privado. O dinheiro tem esse poder corruptor… Não vamos achar que tenha qualquer segmento acima de qualquer suspeita. Isso não existe.” Dilma tem razão. Sempre houve grande confusão entre o público e o privado no Brasil. A diferença é que agora há uma radicalização.

O PT ilustra o fenômeno de forma paradigmática. Noutros tempos, a legenda de Dilma e Lula fazia pose de freira em porta de bordel. Hoje, administra uma pornocoligação. O que a presidente declarou, com outras palavras, foi que seus apoiadores roubam. Mas a oposição, que não está acima de qualquer suspeita, não é imune à sedução da 'velha senhora'. Dilma disse essas coisas em resposta a uma pergunta sobre comentário que o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, fizera horas antes.

“É bom deixar claro que a corrupção não está no Poder Legislativo”, afirmara Cunha. “A corrupção está no Executivo. Se eventualmente alguém no Poder Legislativo se aproveitou da situação para dar suporte político em troca de benefícios indevidos é porque esses benefícios existiram pela falta de governança do Poder Executivo, que permitiu que a corrupção avançasse.” Nessa surpreendente formulação, os cofres desprotegidos da República são meras oportunidades que os congressistas aproveitam.

Considerando-se que o STF abriu inquéritos contra 34 parlamentares por suspeita de recebimento de propinas na Petrobras —entre eles o próprio Eduardo Cunha— a plateia fica autorizada a perguntar para os seus botões: “O caos já começou?” O quadro é de uma simplicidade estarrecedora. O que o presidente da Câmara afirmou, à sua maneira, foi o seguinte: os parlamentares podem ter assaltado o Tesouro. Mas a culpa é do governo, que deu mole. Ou, por outra: não é que o crime não compensa. É que, quando compensa, muda de nome. Chama-se descuido do assaltado.

Suprema maldade: a perversão partidária disseminou-se de tal maneira que roubaram do brasileiro até a delicadeza da dissimulação, do cinismo. A atmosfera de beco-sem-saída sonega ao contribuinte o direito à mentira. É como se, corrupção a pino, os partidos quisessem apressar a chegada ao caos. Logo, logo, quando o último filiado do derradeiro partido roubar a luz na saída, será possível construir um Brasil inteiramente novo. Caos não vai faltar.

Dilma disse que sua geração deu a vida para que o povo pudesse manifestar suas opiniões livremente nas ruas. Verdade. Mas não precisava fornecer a matéria-prima que enche as ruas! Irado, o asfalto faz as vezes de oposição. E fica boiando na atmosfera uma pergunta: quem vai dar vazão às demandas?

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Estratofera!



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E logo Dilma, sempre atenta a tudo, não percebeu a companhia da Velha Senhora, a corrupção
Ricardo Noblat

A corrupção, esta velha senhora que circula por toda parte como disse a presidente Dilma Rousseff...

Não importa que Dilma tenha se limitado a repetir o que ouviu de um assessor inteligente – a imagem da corrupção como uma velha senhora.

Fez bem em usá-la. É uma imagem feliz.

Só não sei por que os coleguinhas não aproveitaram para perguntar a Dilma, em sua versão o mais próxima possível da humildade, se ela, desde que ligou sua vida à Petrobras, nunca se deu conta da presença por ali da velha senhora.

Sim, porque na versão “dona da verdade” ou “a última palavra é minha”, Dilma jamais deixou que alguém se aproximasse da Petrobras sem a sua licença.

Foi assim como ministra das Minas e Energia. Como chefe da Casa Civil da presidência da República. Como presidente do Conselho de Administração da Petrobras. E como presidente da República.

Dilma nomeou Graça Foster presidente da Petrobras para que nem uma folha de papel mudasse de lugar, ali, sem que ela soubesse.

A “velha senhora” fez da Petrobras a sua morada preferencial. Roubou algo como 2 bilhões de reais. E Dilma não se deu conta da presença dela em seus domínios.

É possível?

Possível, é. Mas isso caracteriza negligência, desleixo, irresponsabilidade.

Depenaram uma das maiores empresas do mundo, a maior do Brasil, e dois presidentes da República de um mesmo partido, aliados, portanto, não perceberam.

Contem-me outra!

Por que Dilma não confessa pelo menos que errou?

Está bem: ela não gosta de confissões como disse ontem. Troquemos a palavra.

Por que Dilma não admite pelo menos que errou?

Isso não lhe arrancará nenhum pedaço.

Quantos aos coleguinhas que se deslumbram com o Poder e que temem perder informações se parecerem incômodos...

Jornalista que não incomoda não é jornalista – é assessor.


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Blog do Coronel

Ontem, os políticos foram poupados pelo povo e massacrados pelo PT e por Dilma.

As manifestações de ontem, que reuniram mais de dois milhões de pessoas nas ruas de todo o Brasil, atacaram Lula, Dilma e o PT. O tema corrupção, abordado de forma ampla, não foi dirigido diretamente aos políticos, nem quando os manifestantes lotaram o gramado em frente ao Congresso Nacional. Citaram Renan Calheiros ou Eduardo Cunha? Não. Mas citaram Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, ministros do STF que, segundo os manifestantes, tem uma ligação além do desejável com o governo petista. Os políticos foram poupados pelo povo.

À noite, ao contrário, Dilma Rousseff, sitiada e assustada, mandou os seus ministros jogar a culpa de todas as mazelas para cima dos políticos. Atirou para cima de deputados e senadores a responsabilidade pela corrupção, tendo em vista o financiamento privado de campanhas. Ficou muito nítido no discurso de José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Miguel Rossetto, da Secretaria da Presidência. A culpa é dos políticos e por isso o caminho para acabar com a corrupção começa pela reforma política. Para eles, a corrupção não está dentro do Governo, mas sim no Congresso Nacional. Como se o PT não fosse o partido que instalou uma verdadeira quadrilha que extorque empresas privadas e empresas públicas há 12 anos, para sustentar os mensalões e petrolões.

A partir de hoje, o Congresso Nacional tem a obrigação de retribuir esta espécie de trégua que o povo concedeu aos políticos no dia de ontem não aceitando as artimanhas do PT, que só tem um objetivo: salvar a própria pele, dando sustentação a um governo desesperado e falido. Que as investigações na CPI da Petrobras sejam sérias. Que as reformas de qualquer natureza sejam conduzidas pelo Legislativo. Que o Congresso Nacional assuma o comando deste país desgovernado. Façam isso ou o próximo protesto, que terá proporções ainda maiores, será contra deputados e senadores, sem exceção.

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"15 do Basta!": dois milhões vão às ruas e Dilma ainda ganha panelaço durante entrevista de ministros.

(O Globo) Mais de 2 milhões de pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar (PM), participaram de protestos neste domingo contra a administração da presidente Dilma Rousseff e pelo combate à corrupção. As manifestações acontecem em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Ao todo, manifestantes foram às ruas em 147 cidades. 

Jornais e sites estrangeiros noticiaram as manifestações, que também aconteceram fora do país: em Nova York, cerca de 100 pessoas estiveram na Union Square e em Paris, 20 pessoas se encontraram na praça da Reine Astrid, a poucos metros da embaixada brasileira.

Pouco antes das 19h, os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) foram designados pela presidente Dilma Rousseff a darem uma entrevista coletiva para fazer uma avaliação das manifestações e anunciaram um pacote anticorrupção "em breve". Durante pronunciamento de ministro, moradores de várias cidades brasileiras fizeram panelaços.

O verde e amarelo deu o tom dos protestos, com manifestantes vestindo camisetas da seleção e carregando a bandeira brasileira. Por todo o país, se viu faixas pedindo o fim da corrupção, o impeachment da presidente Dilma e até mesmo a intervenção das Forças Armadas, mas de maneira geral o público gritava palavras de ordem contra a situação política e econômica do país. Em vários momentos eles cantaram o Hino Nacional.

Apenas em São Paulo, um milhão de manifestantes fecharam a Avenida Paulista, segundo números da Polícia Militar às 15h05m. Foi o maior do país. Muitos manifestantes seguraram bandeiras, vuvuzelas, cartazes e faixas de repúdio à corrupção com as palavras "Basta", "Vem pra Rua", "Fora Dilma", "Vamos dar um basta nisso". Alguns usavam nariz de palhaço. O ato seguiu pacífico, reunindo jovens, idosos e famílias com crianças. Uma manifestante chegou a fazer topless e chamou atenção no meio da multidão. A PM informou que ao menos 24 pessoas foram detidas durante o protesto na cidade.

No Rio, cerca de 25 mil pessoas, segundo a PM, e 100 mil, de acordo com os organizadores, tomaram a Praia de Copacabana, na Zona Sul, para protestar contra o governo, nesta manhã. Cerca de 800 policiais militares fizeram o policiamento da orla do bairro. Os integrantes do protesto levavam cartazes em apoio ao juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Lava-Jato.

O trânsito foi totalmente impedido na Avenida Atlântica. Algumas agências bancárias colocaram tapumes por precaução, alguns comerciantes também fecharam suas lojas. Em Niterói, um grupo de 300 manifestantes também participou de uma passeata na Praia de Icaraí. No interior do estado, a cidade de Volta Redonda também foi palco de um protesto.

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), que participou do ato no Rio, foi impedido de subir em um carro de som. O político havia sido convidado por um dos líderes do movimento a falar no microfone, mas foi vaiado pelos manifestantes. — Eu disse que não queria falar, mas eles insistiram. Não posso ser unanimidade — afirmou o deputado, que apesar da vaia, foi tietado e fez selfies com manifestantes.

Durante o protesto, um homem de 56 anos, morador de Copacabana, afirmou ter sido agredido com socos por manifestantes. Sergio Moura, que é fiscal da Fazenda, passeava com seu cachorro quando disse aos participantes do ato que fossem fazer protesto em Miami. Moura, que é filiado ao PSOL, só conseguiu sair do local após ser escoltado pela Polícia Militar.

— Na verdade, o que estão tentando fazer é criar condições para um golpe militar. Não estão defendendo a democracia coisa nenhuma— disse Moura. Um petroleiro também precisou de escolta para sair do ato, após ser hostilizado por defender a Petrobras e o Governo Federal.

Em Brasília, logo no início da manhã, as pessoas já se concentravam em frente ao Museu da República. Antes de chegarem ao local, os manifestantes eram revistados pela Polícia Militar. Às 10h30m, iniciaram uma caminhada em direção ao Congresso Nacional. De acordo a PM, cerca de 45 mil pessoas participaram do ato. Para os organizadores, esse número chegou a 150 mil. Boa parte da manifestação ocorreu em frente ao Congresso. Um grupo entrou dentro do espelho d’água e começou a balançar uma faixa verde e amarela. Outras pessoas carregavam cartazes com frases como “chega de tanto roubo” e “queremos o Brasil livre da corrupção”. A PM fez um cordão de isolamento no local e a manifestação seguiu pacífica.

Apesar de alguns dos presentes pedirem o impeachment da presidente, o coordenador do movimento “Limpa Brasil” e um dos principais organizadores da manifestação, Paulo Pagani, diz ser contra essa pauta: — Não somos a favor (do impeachment). Agora o momento é de eles reavaliem os valores que eles perderam, como ética, como respeito, e principalmente cuidar da coisa pública, que é pra isso que eles foram eleitos — afirmou.

Uma jaula foi montada durante a concentração para colocar as fotos e os nomes dos investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento nas denúncias da Operação Lava-Jato. O juiz Sérgio Moro e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foram homenageados pelos manifestantes, que afirmaram que eles mereciam ser lembrados pela coragem que tiveram de denunciar os escândalos de corrupção na Petrobras. Alguns ministros do STF, porém, não foram poupados das críticas. Do alto de um dos trios elétricos, organizadores gritaram palavras de ordem contra Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.

O trânsito na Esplanada dos Ministérios foi bloqueado, assim como as ruas laterais que dão acesso ao Palácio do Planalto. Por volta das 13h, os organizadores do evento distribuíram três mil rosas brancas, que foram deixadas no espelho d’água. Alguns manifestantes entregaram as flores para os policiais. A manifestação se dispersou e as pessoas começaram a voltar para a Rodoviária do Plano Piloto, onde cantaram mais uma vez o Hino Nacional e encerraram o protesto.

Em Belo Horizonte, a Praça da Liberdade, tradicional ponto na Zona Sul da cidade, foi tomada por milhares de manifestantes na manhã deste domingo. Segundo estimativas da PM, cerca de 24 mil pessoas estiveram no local para reivindicações, contra 40 mil segundo os organizadores. Em um movimento pacífico, com perfil familiar, o ato começou a ganhar grandes proporções a partir das 10h. Apoiados por um carro de som, além de pandeiros, apitos e buzinas, palavras de ordem foram entoadas diversas vezes, como "Fora, PT", "Fora, Dilma", e "1, 2, 3, 4, 5 mil, ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil". Também foram tocadas canções, como "Que País é Esse", do Legião Urbana, e o Hino Nacional.

— O movimento está muito bacana, quando que essas pessoas sairíam de casa no domingo de manhã para protestar por um Brasil melhor? Lutamos pelo fim da corrupção e, consequentemente, da Dilma. Se for preciso, já temos argumentos para impeachment, baseado no dolo, na responsabilidade por esses escândalos. Mesmo assim, nenhum partido nos representa, precisaríamos de uma grande reforma política, mas não neste momento — afirmou um dos líderes do ato, o empresário Paulo De Mingo.

A Polícia Militar estima em 8 mil pessoas o número de manifestantes que estiveram presentes na praia de Boa Viagem, cartão postal do Recife. O grupo caminhou por pouco mais de um quilômetro. Na manifestação em defesa de Dilma e da Petrobras, ocorrida dois dias antes, no Centro da cidade, a PM informou que foram 1.500 presentes. Os manifestantes cantaram o Hino Nacional e de Pernambuco. Três trios elétricos foram colocados na avenida, que por mais de uma década foi palco do carnaval fora de época Recifolia. Diferentemente do axé daquela época, a trilha sonora tinha “Indignação”, do Skank e “Caminhando”, de Geraldo Vandré, considerada um hino das manifestações petistas de outrora.

Em São Luís, no Maranhão, aproximadamente 3 mil pessoas, segundo estimativa da PM, participaram dos protestos. Os organizadores calcularam 4 mil pessoas no ato. A concentração começou às 9h, na praia de São Marcos, na orla da avenida Litorânea. Às 10h30m, os manifestantes começaram a passeata de 6 quilômetros em direção à lagoa da Jansen, no bairro São Francisco, ocupando apenas uma das pistas da Litorânea até chegar à praia da Ponta d’Areia e à Lagoa, onde os manifestantes se dispersaram, pouco depois das 12h.

O "Fora Dilma", em Belém, reuniu mais de 10 mil pessoas. Servidores públicos, empresários, maçons e estudantes participaram do ato. Sindicatos também aproveitaram para cobrar melhores condições de trabalho, controle da inflação e dos impostos. Tudo isso motivou mais de três horas de manifestação pelas ruas do centro da capital paraense. Panelaços, apitaços, vaias e cartazes criticavam o governo e a corrupção. davam a diversidade de ideologias e interesses. Havia apoios isolados à volta do regime militar.

Centenas de pessoas protestaram no Farol da Barra, em Salvador. A concentração no local começou por volta das 9 horas, e os manifestantes seguiram em direção à estátua do Cristo, em Ondina. A PM estima que cerca de 4 mil pessoas estejam no evento. Já os organizadores acreditam que foram 5 mil.

Em Vitória, no Espírito Santo, o protesto reuniu 100 mil pessoas, de acordo com a secretaria estadual.
de segurança pública do Estado. Já em Natal 5.500 pessoas segundo contagem da PM. Três mil e 800 pessoas, segundo os organizadores, e 3 mil, segundo a PM participaram da manifestação no Piauí. Os manifestantes fizeram o enterro de um boneco. de Dilma Rousseff.

No Rio Grande do Sul, a concentração começou no Parque Moinhos de Vento, um reduto de classe média alta da cidade, e percorreu várias ruas centrais até chegar ao Parque da Redenção. Segundo os organizadores, entre 50 mil e 60 mil pessoas marcharam contra o governo pelas ruas de Porto Alegre. O Centro de Comando Integrado (Ceic) estimou o público em 30 mil pessoas. A Brigada Militar (BM), entretanto, avaliou que o público envolvido na manifestação superou as 100 mil pessoas.
Em várias cidades do interior do Rio Grande do Sul também houve manifestações.

Em Novo Hamburgo, na região metropolitana, cerca de 10 mil pessoas segundo os organizadores e 2 mil de acordo com a BM interromperam o trânsito da BR 116 por quase uma hora no final da tarde. O congestionamento chegou a 3 quilômetros. Em Caxias do Sul, o protesto reuniu cerca de 60 mil pessoas. Em Santa Maria, 5 mil manifestantes marcharam pelas principais ruas da cidade para protestar contra o governo e pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O protesto em Campo Grande (MS) reuniu 10 mil pessoas e em foram 12 mil, segundo dados da PM.

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As lições do dia em que o PT perdeu o controle das ruas e o povo insultou Lula como jamais o fizera
Ricardo Noblat

Lição número um do domingo histórico de 15 de março de 2015, quando o Brasil celebrou com maturidade, coragem e alegria os 30 anos do fim da ditadura de 1964 e do início da redemocratização: o PT perdeu o controle das ruas.

De fato começara a perder desde que a corrupção passou a corroê-lo por dentro em 2005 – portanto, há exatos 10 anos –, tão logo o escândalo do mensalão fez o primeiro governo Lula tremer. Não caiu, é verdade. Mas perdeu a pose e nunca mais a recuperou.

Lição número 2 de um domingo histórico: Lula deixou de ser intocável. Em nenhum ato público de grande porte até aqui, manifestantes haviam ousado, em coro e por muito tempo, ofender Lula com palavras de ordem.

Os que tentaram em outras ocasiões não foram bem-sucedidos. Mas ontem foram sim. “Lula cachaceiro, devolve meu dinheiro” foi uma das agressivas palavras de ordem. Estamos longe da cultura nórdica que cobra boa educação a qualquer hora.

Infelizmente é assim e sempre será neste país abençoado por Deus e bonito por natureza. Não foi  assim quando Dilma acabou insultada no jogo de abertura da Copa do Mundo, no ano passado? Não devemos nos julgar inferiores por isso.

Quantos países, de pouca experiência democrática como o nosso, seriam capazes de pôr mais de dois milhões de pessoas nas ruas pacificamente? Isso é quase metade da população da Noruega. É sete vezes mais do que a população da Islândia.

Atravessamos apenas 30 anos ininterruptos de Estado Democrático de Direito. A democracia por aqui está mais no papel do que na realidade das pessoas. Temos liberdade. Não temos rede de esgoto. E liberdade sem rede de esgoto não melhora a vida de ninguém.

Agravou-se a situação da presidente Dilma. Ela não pode falar ao país por meio de rede nacional de rádio e de televisão porque seria recepcionada por um panelaço. Não pode circular por aí para não ser vaiada. Muito menos confraternizar com seu povo sem medo.

À crise econômica somou-se a crise política. Roguemos para que disso não resulte uma crise institucional. No momento, Dilma nada tem a dizer aos brasileiros – nada de novo, nada que mude sua situação. E os brasileiros não desejam ouvi-la. Simples.

Como restabelecer o diálogo sem o qual o país entrará em uma das fases mais delicadas de sua história recente? O governo carece de líderes. Os partidos, idem. Por espontâneas e desorganizadas, as manifestações não têm quem as guie. E não admitem ser guiadas.

A solução não está no impeachment. Presidente só pode ser deposto se cometer um dos oito crimes de responsabilidades previstos na Constituição. Dilma não cometeu nenhum deles. O que fazer então? Eu não sei. De outras vezes pensei que sabia. Desta, não.

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O 15 DE MARÇO 1 – Dois milhões saem às ruas de verde e amarelo contra a roubalheira. Em paz, manifestantes protestam contra o PT, pedem a punição dos culpados e o impeachment de Dilma. Ou: O movimento das pessoas direitas

Quem mesmo estava nas ruas? Eram as pessoas direitas
Quem mesmo estava nas ruas? Eram as pessoas direitas, o que parece insuportável aos “companheiros”
Dois milhões de pessoas foram às ruas nos 26 Estados do Brasil e no Distrito Federal — um milhão só em São Paulo. O número decorre da soma de estimativas feitas pelas PMs locais. O Datafolha, que vive sendo malhado pelos blogs sujos, agora mereceu testemunho de fé da companheirada porque assegura que 210 mil passaram pela Avenida Paulista. Considerada só a área dessa via, talvez. Fui ao topo de um prédio muito alto. Todas as perpendiculares estavam tomadas por uma massa compacta. A Rua da Consolação também. A PM diz ter levado em conta essas áreas adjacentes, considerando cinco pessoas por metro quadrado, mesmo critério empregado para chegar aos 12 mil petistas que se concentraram na região no dia 13.

Quantos estiveram nas ruas na cidade de São Paulo, afinal, neste domingo? Participei ativamente dos comícios das Diretas e estive presente a algumas manifestações pelo impeachment de Collor. É experiência pessoal e memória, sei disto, mas nunca vi nada igual a este 15 de março. Se, no lendário comício das Diretas do dia 17 de abril de 1984, no Anhangabaú, havia 400 mil pessoas, parece-me difícil supor que, neste domingo, o contingente se resumisse à metade daquele.

Mas digamos, para efeito de pensamento, que o instituto esteja certo. Ainda assim, quase um milhão de pessoas teriam marchado em protesto contra o governo Dilma. Seja um número ou outro, já é a maior manifestação política da história. Até porque os comícios das Diretas ocorriam em uma determinada capital e pronto. Desta feita, houve protesto em todas elas e em 185 outras cidades.

Uma imensidão verde e amarela
Este 15 de março marca ainda outro fato inédito. Nas campanhas das Diretas e em favor do impeachment de Collor, as esquerdas davam o tom do discurso — aliás, assim tem sido desde a redemocratização do Brasil. Nas ruas, os petistas passavam a impressão de ser a força hegemônica. O vermelho disputava o espaço com o verde e amarelo. Neste domingo, não! O PT não estava presente. Ainda que Dilma tenha mobilizado boa parte das palavras de ordem, a maioria delas, no tempo em que acompanhei a manifestação — e foi bastante — tinha o PT como alvo principal. Horas depois, ficaria claro, uma vez mais, por quê.

Ódio? Qual? Violência? Onde?
Desde que começou a ficar claro que o país poderia assistir à maior manifestação de sua história, o PT, ministros de Estado e a própria presidente evocaram a palavra “golpe”, como se o vocabulário terrorista fosse afastar as pessoas das ruas. Não funcionou. Perdidos, mudaram, então, a estratégia e passaram a fazer estranhas advertências sobre o risco de violência e a política do ódio.

Nem uma coisa nem outra. Hostilidade ao petismo? Ah, havia, sim. Ou os petistas trataram com afeto, em suas pequenas manifestações do dia 13, os que hoje se opõem ao governo Dilma? Violência? Exceção feita a algumas escaramuças aqui e ali — especialmente no Distrito Federal e depois de encerrado o protesto —, nunca se viu povo tão ordeiro. Em São Paulo, a Polícia Militar, em trabalho exemplar, prendeu um grupo de autointitulados “Carecas do Subúrbio”. Carregavam bombas caseiras e soco- inglês. Um deles conseguiu escapar e se escondeu no meio da multidão. Acompanhei o momento em que foi identificado. As pessoas se agacharam, colocaram-no em evidência e chamaram a Polícia. Funcionou.

Sem black blocs
As manifestações deste domingo provaram uma tese antiga deste blog. Os “black blocs” nunca foram um fenômeno urbano, uma estética, uma ética — ou seja lá que outro lixo subintelectual se tenha tentado inventar. Eram e são bandidos tolerados e protegidos por movimentos de ultraesquerda. Onde estavam no dia de ontem? Sabiam que não seriam nem abrigados nem protegidos. Sabiam que seriam expulsos da rua pela massa de, estes sim, trabalhadores!

Como esquecer que Gilberto Carvalho, em entrevista histórica concedida à Folha, confessou ter se reunido várias vezes com lideranças da canalha mascarada?

Eram poucas as faixas porque praticamente não havia movimento organizado. Também não se permitiu que o protesto fosse aparelhado por partidos políticos — e, com isso, não estou rejeitando a política, não! Ao contrário! Vi nas ruas um momento de tomada de consciência de pessoas que já não aguentam mais a conversa mole e vigarista, segundo a qual, na prática, uma suposta justiça social serve de compensação à roubalheira descarada.

O Brasil está mudando. Os reacionários do PT e suas franjas fascistoides na subimprensa optam, agora, por atacar a população de trabalhadores que vai às ruas. Perderam o eixo e a noção de tudo. Com satisfação, vi uma frase de um texto deste blog estendida na Paulista: “Não somos de direita. Somos brasileiros direitos”.

Atenção! A democracia nos reserva, sim, o direito de ser de direita. Mas, neste domingo, as pessoas direitas é que estavam nas ruas, de direita ou não.

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O 15 DE MARÇO 2 – A entrevista de um descontrolado e de um deprimido. E tome novo panelaço Brasil afora! PT nunca esteve tão perdido

Vejam esta foto, que me foi enviada por um amigo. Desconheço o autor. Se quiser se identificar, é só mandar uma mensagem para o blog.



Não poderia haver retrato maior da perdição em que se meteu o petismo. Desde que o partido foi criado, nunca o vi cometer tantos erros em série. Com essa tropa de trapalhões, Dilma está lascada. Mas como ignorar que é ela a chefe? Como vocês veem acima, um grupo de negros — tudo indica se tratar de uma família — faz troça da máxima veiculada nas redes sociais pelo PT e por seus asseclas no subjornalismo: só a elite branca teria disposição para ir às ruas. Bem, como eles são obviamente negros e como estão protestando contra Dilma, então passam a ser, segundo critérios petistas, elite branca.

O PT e o governo demonstraram, mais uma vez, na noite de ontem, que não estão entendendo nada. Isso, sim, é perigoso, não a população pacífica nas ruas. Mal os protestos haviam terminado, os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência, concederam uma entrevista coletiva. Não foi veiculada em rede nacional. Mesmo assim, ouviu-se um várias cidades do país um panelaço semelhante àquele do dia 8 de março, quando Dilma foi a TV sob o pretexto de homenagear as mulheres.

Com ar deprimido, visivelmente perdido, Cardozo anunciou que o governo pensa num pacote de medidas contra a corrupção. Dilma prometeu o mesmo em 2013. Mas não ficou por aí: apontou a reforma política como a cura dos males. Segundo os ministros, é preciso acabar com a doação de empresas privadas a campanhas políticas — talvez a ideia mais estúpida e malandra do petismo.

O tom de Cardozo em relação às manifestações mudou. Segundo disse, não viu golpismo, não. Aí foi a vez de Miguel Rossetto barbarizar. Para o ministro, “os protestos ocorridos hoje são de setores críticos ao governo, e seguramente essa participação parece ser de eleitores que não votaram na presidente Dilma”. É a tese cretina do terceiro turno. Rossetto, que certamente não estava nas ruas, chamou de golpista, sim, a defesa do impeachment de Dilma. Membro de uma corrente de esquerda do PT chamada “Democracia Socialista”, o ministro certamente nunca viu o povo de verdade, sem o pedigree ideológico da sua turma.

Dia desses, Renan Calheiros disse que o governo tinha envelhecido precocemente. Pode ser. Mas velho mesmo, de verdade, é o PT. Nas ruas, havia pobres, ricos, gente de classe média. Lá estavam negros, brancos, mestiços. Protestavam mulheres e homens, homo e heterossexuais, adultos, jovens e muitas crianças acompanhando os país. O repúdio ao governo petista os unia a todos.

A entrevista, que deveria servir como uma bandeira branca, uma tentativa de aproximação, teve efeito contrário: panelaço, buzinaço, gritos de “Foraaa!”. Ou por outra: Dilma ajudou a convocar a manifestação deste domingo com o seu desastrado pronunciamento do dia 8. Os dois ministros praticamente marcaram um novo protesto.

Pior: a tese da reforma que os dois abraçaram na entrevista não conta com o apoio do PMDB, seu maior aliado. Eu me pergunto que espírito soprou aos ouvidos de Dilma e de seus homens fortes que a entrevista coletiva era uma boa ideia. O bom senso estaria a indicar que o governo deveria, no máximo, ter lido uma nota curta, parabenizando os brasileiros pela manifestação ordeira e pacífica, reiterando que está empenhado em combater a corrupção e reconhecendo que existem motivos para descontentamento. E pronto.

para piorar um pouco as relações com a população e também com o PMDB. Obra de gênios. Não é fácil fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Seria um sinal de humildade no dia em que dois milhões tomaram as ruas, segundo dados das Polícias Militares. Mas não! O que se viu foi um atestado de prepotência e de hostilidade com os manifestantes — refiro-me a Rossetto nesse particular. Pior: o governo, que também é do PMDB, oferece como resposta uma saída que não conta — e ainda bem que não! — com o apoio do… PMDB!

A Folha informa que Dilma desabafou com um assessor: “Eu não contribuí para isso tudo e levo a culpa”. Pois é… Digamos que assim fosse. Quem, então, contribuiu, presidente? De quem é a culpa?

Está tudo errado! Mas é evidente que a presidente não tem motivos para seguir os meus conselhos, não é mesmo? Para piorar, a rede petralha, incluindo os blogs sujos, faz uma pregação abjeta e odienta na Internet, como se isso fosse resolver alguma coisa. Piora tudo.

O PT não entendeu nada. Perdeu o discurso. Perdeu as ruas. Perdeu a hegemonia nas redes sociais. Perdeu o rumo. Isso, sim, é um tanto perigoso. Nessas condições, tende a fazer ainda mais bobagens. A entrevista da dupla serviu para piorar um pouco mais a relação do governo com a população e com o PMDB. É obra de gênios. Não é fácil fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

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O 15 DE MARÇO 3 – “A nossa bandeira jamais será vermelha”

Na Avenida Paulista, venezuelanos seguravam uma faixa com o seguinte mensagem: “O PT apoia a ditadura na Venezuela. Sou venezuelano. Vim desfrutar da liberdade de expressão que ainda existe no Brasil. Cuidem muito das suas liberdades”.

Eis aí. A Venezuela é uma tirania, agora oficializada, já que a Assembleia, de maioria bolivariana, concedeu a Nicolás Maduro o poder de governar com o porrete na mão, sem precisar prestar contas nem ao próprio Parlamento nem à Justiça.

No protesto deste domingo, um dos refrãos mais repetidos era este: “A nossa bandeira/ jamais será vermelha”. É claro que isso deixa arrepiados de espanto alguns ideólogos de meia-tigela, que veem aí a prova definitiva de que havia dois milhões de reacionários nas ruas neste domingo.

Reacionário é justificar o mal. Reacionário é justificar a ditadura. Reacionário é apoiar um governo que assassina seu próprio povo. Reacionário é se calar, como faz Dilma, diante das barbaridades em curso na Venezuela.

E como é que aquele país chegou à ditadura? Com tanques nas ruas? Não exatamente! Foi com eleições. E isso significa que elas, por si, não asseguram a democracia. As instituições sólidas é que são a garantia da liberdade.

A população brasileira demonstrou, neste 15 de março, que está viva e pronta a defender os seus direitos, conquistados com muito esforço. É isto: a nossa bandeira jamais será vermelha.


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Blog do Josias

Cinco pecados que levam Dilma a temer as ruas

Poucos brasileiros são capazes de entender a situação político-econômica em que o país foi metido. Mas basta entrar num salão de cabeleireiro ou num boteco que ela está lá. Dilma Rousseff tem feito de tudo —de viagens a pronunciamentos— para reverter a onda de descrédito que engolfa sua gestão. Mas parece que tudo não quer nada com a presidente.

O panelaço de domingo passado e as vaias que passaram a perseguir Dilma soaram como prenúncios de uma deterioração do cenário. Um pedaço do país passou a avaliar que o desespero é uma alternativa melhor do que a esperança. Daí os protestos que se converteram na trilha sonora da presidente na semana passada.

Dilma é 100% responsável pela deterioração das expectativas. Ela usufrui do privilégio de escolher seu próprio caminho para o inferno. Vai abaixo uma lista com os cinco pecados que levaram a presidente da República até o purgatório em apenas 74 dias de existência de sua segunda gestão.

1. Diálogo: as unas de 2014 deram um aviso muito nítido. Após prevalecer sobre Aécio Neves por uma diferença de pouco mais de 3 milhões de votos, Dilma presidiria um país rachado ao meio. No discurso da vitória, a presidente reeleita soou como se tivesse captado a mensagem: “Essa presidente está disposta ao diálogo, e esse é meu primeiro compromisso no segundo mandato: o diálogo.”

Dilma acrescentara: “Em lugar de ampliar divergências, de criar um fosso, tenho forte esperança que a energia mobilizadora tenha preparado um bom terreno para a construção e pontes. O calor liberado no fragor da disputa pode e deve agora ser transformado em energia construtiva de um novo momento no Brasil.”

Isso foi há quatro meses e meio. E Dilma não conseguiu dialogar nem com as forças políticas que integram a sua coalizão, que dirá com a oposição. Na definição de um aliado, “a presidente considera que o bom diálogo é quando ela obriga o outro a calar a boca”.

2. Cavalo de pau: numa campanha baseada no marketing, é inevitável que a disputa eleitoral tenha um quê de teatro. Dilma, porém, exagerou na cenografia. Num vale-tudo que fez lembrar os golpes baixos desferidos por Fernando Collor contra Lula na sucessão de 1989, ela desconstruiu Marina Silva e Aécio Neves. E vendeu ao eleitorado o passaporte para uma Pasárgada que sabia inexistir.

Empossada, Dilma realizou manobra muito parecida com um cavalo de pau. Deu uma freada brusca na fantasia, fez uma guinada na direção do realismo fiscal e derrapou até dar meia volta e parar o seu governo em posição invertida. Tudo isso com um eleitor de Aécio ao volante: o ministro Joaquim Levy (Fazenda). Verificou-se que aquilo que Dilma vendia como o caminho certo era, na verdade, a contramão. E a presidente achou que não devia nada aos brasileiros, muito menos explicações.

Consolidou-se no imaginário da plateia a sensação de que o Brasil elegeu no ano passado a melhor encenação, não o melhor projeto para o país. O estrago foi detectado pelo Datafolha em pesquisa divulgada no início de fevereiro. A grossa maioria dos entrevistados disse acreditar na alta da inflação (81%) e do desemprego (60%). De cada dez pessoas, seis avaliam que Dilma mentiu durante a campanha eleitoral. Metade do país enxerga a presidente recém-reeleita como falsa (54%), indecisa (50%) e até desonesta (47%). A taxa de aprovacão de Dilma despencou de 42% para 23%.

3. Déficit estético: em dezembro, ao ser diplomada no Tribunal Superior Eleitoral, Dilma discusou por 16 minutos e 17 segundos. Pronunciou a palavra Petrobras oito vezes. Repetiu o vocábulo corrupção seis vezes.

Doze anos depois da chegada do PT ao poder federal, Dilma estufou o peito e bradou: “Chegou a hora de firmarmos um grande pacto nacional contra a corrupção, envolvendo todos os setores da sociedade e todas as esferas de governo. Esse pacto vai desaguar na grande reforma política que o Brasil precisa promover a partir do próximo ano.”

Dilma deixou claro que os brasileiros poderiam contar com ela: “O que mais quero oferecer ao meu país é a luta renovada…”. Reiterou seu “compromisso com a ética”. Jactou-se de ser um “exemplo de integridade e de honestidade pessoal.” E realçou sua inabalável “determinação de apurar e punir todo tipo de irregularidades e malfeitos.”

Quem tem dois neurônios ativos percebe que o discurso ético da presidente não faz nexo. Excetuando-se o tucano Antonio Anastasia, os 48 políticos engolfados pelo petrolão são governistas. Com todo o seu “compromisso com a ética” e sua “honestidade pessoal”, Dilma não farejou a petrorroubalheira nem quando foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

De duas, uma, raciocinam os brasileiros: ou Dilma é cínica ou é incompetente. Em nenhum dos casos ela é a supergerente que Lula vende desde 2010. Quando a economia vai bem, o déficit estético dos governos tende a ser ignorado. Num ambiente que combina inflação alta com estagnação econômica, sobrando mês no fim do salário, fica difícil conter a revolta das praças ao assistir um Pedro Barusco confessando diante das câmeras da CPI da Petrobras que entesourou propinas de US$ 97 milhões em bancos na Suíça.

O Datafolha verificou que a maioria dos brasileiros acredita que Dilma sabia da corrupção na Petrobras (77%). E permitiu que a roubalheira corresse solta (52%). Quer dizer: o grande problema de Dilma nessa matéria é que um pedaço do país é incapaz de reconhecer a serventia da propalada honestidade da presidente. E a madame é incapaz de demonstrá-la. O pacto nacional anticorrupção de que falava há três meses sumiu do discurso oficial.

4. Renandependência: nunca um presidente começou tão por baixo quanto Dilma nesse início de segundo mandato. Vem daí que a presidente compôs uma equipe ministerial loteada e convencional. A despeito disso, coleciona derrotas no Legislativo. Os ministros partidários não conseguem retribuir as respectivas nomeações com os votos de suas legendas no Congresso.

Para complicar, Dilma e os conselheiros petistas que a rodeiam decidiram fustigar o PMDB. Converteram o vice Michel Temer em versa. E encomendaram aos ministros Gilberto Kassab (Cidades) e Cid Gomes (Educação) a costura de uma nova maioria congressual que não fosse tão dependente do PMDB. Faltou combinar com os russos.

O PMDB reelegeu Renan Calheiros para a presidência do Senado. Na Câmara, atravessou no caminho do governo o deputado Eduardo Cunha. Abalroada pelo petrolão, a dupla tornou-se uma usina de maquinações contra o Planalto. Em condições normais, Dilma reagiria como Dilma. Enfraquecida, ela adotou como estratégia engolir todos os sapos que o PMDB lhe serve.

Dilma afaga Temer, digere Cunha e corre atrás de Renan. Sofreu um rebaixamento político. No primeiro mandato, era lulodependente. Hoje, convive também com a renandependência

5. Apagão retórico: não bastasse a sucessão de manobras desastradas, Dilma decidiu cutucar com vara curta o saco cheio nacional. No domingo passado, invadiu os lares dos brasileiros. Entrou pela porta da televisão e despejou sobre o tapete da sala-de-estar 15 minutos de empulhação. Atribuiu as “dificuldades momentâneas” impostas aos brasileiros à crise internacional e a São Pedro, que manda pouca chuva. Autocrítica? Só a favor. Resultado: o pronunciamento de madame foi esquecido. O que entrou para a história da presidência dela foi o panelaço —uma espécie de prévia para este domingo de protestos. Mesmo sem saber qual seria o tamanho do rugido, Dilma passou a semana com medo do asfalto.

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Súplica!



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Blog do Noblat

Da democracia formal à democracia com rede de esgoto
15/03/2015 - 03h00
Ricardo Noblat

Da sacada do Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, na manhã radiante de sua posse no dia 15 de março de 1983, o governador eleito Tancredo Neves (PMDB), com a voz um pouco rouca, disse para delírio da multidão que o escutava:

- O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade.

Antes do fim da leitura do discurso, insistiu:

- Liberdade é o outro nome de Minas.

Ao seu lado, Ronaldo Costa Couto, escolhido para Secretário de Planejamento do Estado, futuro ministro do Interior, disfarçou a emoção.

Em meados de abril de 1985, na condição de presidente eleito do Brasil, mas não empossado devido a uma infecção generalizada no intestino grosso, Tancredo comentou com o neto Aécio Neto, a caminho da sétima e última operação antes de morrer:

- Eu não merecia isso.

Faz 30 anos que José Sarney, o vice, assumiu a presidência da República menos de 12 horas depois de Tancredo ter sido internado às pressas no Hospital de Base, em Brasília.

Dali, depois de operado duas vezes, seria transferido para o Instituto do Coração, em São Paulo, aonde foi operado mais cinco vezes, agonizou e morreu na noite do domingo 21 de abril.

Parte da culpa pela morte de Tancredo foi dos médicos que o atenderam em Brasília – alguns da própria cidade, outros de fora, mas todos esmagados pelo peso da responsabilidade de salvar o homem que livrara o país de uma ditadura militar de 21 anos, encerrada com a eleição dele em 15 de janeiro daquele ano.

A outra parte da culpa pela morte de Tancredo foi dele próprio. Tancredo escondeu sua doença até de parentes próximos como sua mulher Risoleta, e Aécio.

Não queria abortar sua ascensão à presidência da República. De resto, e com razão, temia que os militares não devolvessem o poder aos civis se soubessem que ele estava gravemente enfermo.

João Figueiredo, o último general-presidente da ditadura, saiu pela porta lateral do Palácio do Planalto para não ter que passar a faixa presidencial a Sarney.

Presidente do partido de apoio à ditadura até o segundo semestre de 1984, Sarney trocara de lado e se tornara vice de Tancredo. Figueiredo jamais o perdoou.

A posse de Sarney e a morte de Tancredo foram os dois primeiros testes de resistência da democracia recém-restaurada no país. De lá para cá, eles se sucederam com o mesmo resultado positivo.

E não se limitaram às sete eleições presidenciais pelo voto popular - 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014. Houve testes mais duros e perigosos.

Ainda no seu governo, Sarney congelou preços e salários para manietar a inflação. Virou Deus.

Em seu nome, e eufóricas, pessoas fecharam supermercados que remarcavam preços. Vencida pelo PMDB a eleição de governadores de 1986, Sarney acabou com o congelamento.

Sentindo-se enganadas, pessoas em desespero apedrejaram Sarney no Rio.

Não por isso, mas para garantir um mandato de cinco anos, Sarney ameaçou “chamar o Pires”. O ministro do Exército dele atendia pelo nome de Leônidas Pires Gonçalves.

Durante a Assembleia Constituinte de 1988, a oposição e parte do PMDB queriam que Sarney só governasse por quatro anos. Pires fez cara de mau. Sarney governou por cinco anos.

Mesmo assim a democracia saiu mais forte. E mais forte ficou depois de atravessar sem arranhões o processo de impeachment de Fernando Collor, em 1992, acusado de corrupção.

Foi a primeira vez na história do país que um presidente acabou deposto pelo Congresso sem desrespeito à lei. O Congresso agiu empurrado pelo povo, que ocupou as ruas.

Em 1989, empresários paulistas haviam ameaçado deixar o país se o ex-líder operário Luiz Inácio Lula da Silva se elegesse presidente. Ele perdeu três eleições seguidas para finalmente ganhar a quarta e a quinta, eleger Dilma e reelegê-la.

No ano passado, os mais importantes empresários paulistas bateram à porta de Lula e lhe pediram para que fosse candidato.

O mensalão foi ou não um ponto fora da curva do regime de impunidade que ainda é uma marca indelével da democracia brasileira?

Saberemos daqui a quatro ou cinco anos quando forem julgados os envolvidos com a roubalheira da Petrobras.

A impunidade é de fato uma fraqueza de apenas 30 anos ininterruptos de experiência democrática. Não é a única.

A democracia formal avançou por aqui a uma velocidade bem mais rápida do que a democracia substantiva. Vivemos sob um indiscutível Estado Democrático de Direito.

Mas a democracia como império da lei e da ordem jurídica está longe de se realizar em sua plenitude. Há muitas e até boas leis. O problema é fazê-las funcionar e produzir resultados.

“Nossa Nação é pela democracia e rede de esgoto em condições”, escreveu o poeta e jornalista inglês John Betjeman (1906-1984), e anotou o ex-secretário da Receita Federal do governo Fernando Henrique Cardoso, Everardo Maciel, colecionador de frases instigantes.

Sem uma rede de esgoto eficiente de que serve a democracia puramente formal?

Cabe ao Estado proteger a vida das pessoas.  Pois o Brasil tem o maior número absoluto de homicídios do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Foram mais de 64 mil em 2012.

De cada 100 assassinatos no mundo, 13 são no Brasil. O total de mortos é maior do que o número de mortos em todas as guerras declaradas no planeta.

A estabilidade monetária foi conquistada em 1994, último ano do governo do presidente Itamar Franco, sucedido por Fernando Henrique um ano depois. No primeiro governo Dilma, ela foi posta em risco.

Admitiu-se um pouco mais de inflação com o objetivo de não impedir o país de crescer. A inflação quase saiu de controle. O país parou de crescer.

A generosidade com os mais pobres deu um salto expressivo nos últimos 12 anos de governos do PT. Mas generosidade não quer dizer emancipação.

Antes, no Nordeste, por exemplo, distribuía-se água em caminhões. Hoje, distribui-se dinheiro com o programa Bolsa-Família. Menos mal. Embora distante de ser uma solução.

Nos anos 50 do século passado, dois terços dos brasileiros moravam no campo. Agora, 85% moram nas cidades. O Estado não soube enfrentar a nova realidade urbana.

Falta rede de esgoto na maioria das grandes cidades. Falta planejamento – e por isso elas se expandem de forma anárquica. Falta mobilidade.

Da redemocratização do país para cá, o exercício da política perdeu qualidade se comparado com o que havia antes do período da ditadura de 64.

O loteamento de cargos públicos se expandiu em nome da governabilidade. O sistema eleitoral corrompeu-se avassaladoramente. Aumentou a justiça social, é verdade. Mas a desigualdade não diminuiu.

O desafio está posto: ou a democracia real apressa o passo para se equiparar à democracia do papel ou o Brasil ficará ainda mais para trás na competição com outros países.


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Blog do Reinaldo Azevedo

PPS recorre ao Supremo para que decisão de Janot e Zavascki seja revista e Dilma possa ser investigada. Jurisprudência do tribunal garante essa possibilidade, ao contrário do que se diz por aí. Ou: Coragem, Janot! Coragem, Zavascki! Coragem, Supremo!

Atenção, leitor, o tema pede que se preste atenção a algumas minudências jurídicas. Mas é importante o bastante para que nos dediquemos a ele. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu, como vocês sabem, NÃO PEDIR abertura de inquérito sobre a atuação da presidente Dilma Rousseff, com o que concordou o ministro do Supremo Teori Zavascki, relator do caso do petrolão no tribunal. O ministro, aliás, foi até um pouco mais entusiasmado do que o procurador-geral. Escreveu ele (em vermelho):

“Dessa narrativa fática, constata-se que o procedimento foi instaurado exclusivamente em relação a Antonio Palocci Filho, porquanto, em relação a “referência a envolvimento indireto” (fl. 68) da campanha da Presidente da República, o próprio Procurador-Geral da República já adiantava excluir, dos elementos à vista, conclusão que conduzisse a procedimento voltado à Chefe do Poder Executivo. Portanto, a rigor, nada há a arquivar em relação à Presidente da República. Aliás, ainda que assim não fosse, é certo que, nos termos da Constituição Federal, “o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções” (CF, art. 86, § 4º).  [...]”

Notei, desde o princípio, que há algo de estranho nessa decisão de Janot e Zavscki. Parte-se do princípio de que as questões que dizem respeito a Dilma nesse imbróglio se esgotam em 2010, quando ela ainda não era presidente. Mas não é disso que vou tratar agora. O PPS, por intermédio do deputado Raul Jungmann (PE), deu entrada no STF com um Agravo Regimental, ANCORADO EM SÓLIDA JURISPRUDÊNCIA, sustentando que A PRESIDENTE PODE, SIM, SER INVESTIGADA, na vigência de seu mandato, mesmo por atos anteriores à sua chegada à Presidência. ELA NÃO PODE É SER PROCESSADA POR ISSO (Íntegra do agravo aqui).

O que é um “Agravo Regimental”? É um pedido para que a corte reveja a sua própria decisão. Se for aceito como instrumento válido, o plenário do Supremo terá de se manifestar a respeito. Ocorre que Zavascki, ou a segunda turma, pode alegar, que o partido não é parte legítima para fazer essa solicitação. No Artigo 317 do Regimento Interno do Supremo está escrito:
“Ressalvadas as exceções previstas neste Regimento, caberá agravo regimental, no prazo de cinco dias de decisão do Presidente do Tribunal, de Presidente de Turma ou do Relator, que causar prejuízo ao direito da parte”

O PPS sustenta que é, sim, parte legítima, mas faz um segundo pedido caso o agravo não seja acolhido: que a questão seja examinada pelo pleno do Supremo como “questão de ordem”. Especifica o Artigo 21 do Regimento Interno da Corte:
Art. 21. São atribuições do Relator:
III – submeter ao Plenário, à Turma, ou aos Presidentes, conforme a competência, questões de ordem para o bom andamento dos processos;

E, aí, todos os ministros têm de se manifestar. A questão é pertinente, sim. Afirma Jungmann: “Investigar pode. O que não pode é processar. E é dever do Ministério Público investigar a presidente da República nesse caso de repercussão nacional. Dilma é citada 11 vezes na investigação da Operação Lava Jato, e é preciso que se apure isso, Até porque as denúncias remetem para o abastecimento de sua campanha com dinheiro desviado da Petrobras”.

Mas pode ou não pode?
Vamos ver o que disse o ministro Celso de Mello no Inquérito nº 672/6:
[...] De outro lado, impõe-se advertir que, mesmo na esfera penal, a imunidade constitucional em questão [aquela do Presidente da República] somente incide sobre os atos inerentes à persecutio criminis in judicio. Não impede, portanto, que, por iniciativa do Ministério Público, sejam ordenadas e praticadas, na fase pré-processual do procedimento investigatório, diligências de caráter instrutório destinadas a ensejar a informatio delicti e a viabilizar, no momento constitucionalmente oportuno, o ajuizamento da ação penal”

Não há, pois, nenhuma invenção. Cuida-se aqui da jurisprudência da Corte. Ora, até para que se saiba se Dilma será ou não processada depois que terminar o seu mandato, é preciso que se investigue, não é mesmo? A abertura de inquérito é, por isso, uma fase pré-processual.

Ora, se a ação de Dilma não for investigada, dada a acusação de que Antonio Palocci pediu R$ 2 milhões ao esquema corrupto da Petrobras para financiar a sua campanha, como saber se ela esteve pessoalmente envolvida na operação ou não? Como saber se práticas como aquela não se repetiram? Ricardo Pessoa, o dono da UTC, não custa lembrar, está disposto a contar em delação premiada que doou R$ 30 milhões, pelo caixa dois, ao PT em 2014 — R$ 10 milhões teriam ido para a campanha de… Dilma! Em um de seus depoimentos, Alberto Youssef expressa a convicção de que Lula e a agora presidente sempre souberam de tudo.

No agravo, o PPS nota algo importante: o procurador-geral da República não alegou que faltam provas para abrir uma investigação sobre a ação de Dilma, tanto que “agasalha sua omissão na imunidade”.  O agravo é longo. Se e quando tiverem um tempinho, vale a pena ler. A questão resta mais do que demonstrada.

Assim, meus caros, com base na jurisprudência do Supremo, ainda que os eventuais delitos de Dilma tivessem sido cometidos até 2010, quando ainda não era presidente, Janot poderia, sim, ter pedido que ela fosse investigada. A Constituição só a torna imune, enquanto for presidente, ao processo. MAS ABERTURA DE INQUÉRITO É UMA FASE PRÉ-PROCESSUAL, LEMBRAM-SE?.

Vamos lá! Coragem, Janot! Coragem, Zavascki! Coragem, Supremo!

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O LOCAL E A HORA DAS MANIFESTAÇÕES BRASIL AFORA E EM VÁRIAS CIDADES DO MUNDO

Vejam o local e a hora das manifestações país afora e no exterior O balanço me foi fornecido pelo movimento “Vem pra Rua”. Ajude a divulgar nas redes sociais e entre seus amigos.

CIDADES EM QUE HÁ REPRESENTANTES DO VEM PRA RUA
Aracaju/SE – 9h30 – Arcos da Orla

Araraquara/SP – 15h00 – Parque Infantil

Belém/PA – 9h30 – Praça da República

Belo Horizonte/MG – 9h30 – Praça da Liberdade

Botucatu/SP – 15h00 – Largo da Catedral Metropolitana de Botucatu

Bragança Paulista/SP – 16h00 – Praça Raul Leme (Praça da Igreja Matriz) – Centro

Brasília/DF – 9h30 – Museu da República

Caratinga/MG – 09h00 – Praça Getúlio Vargas (em frente ao fórum)

Curitiba/PR – 14h00 – Praça Santos Andrade

Curvelo/MG – 10h00 – Praça Central do Brasil

Florestal/MG – 09h30 – comboio de Florestal e região vira para BH – Praça da Liberdade

Florianópolis/SC – 16h00 – TICEN (Av. Paulo Fontes, 701)

Fortaleza/CE – 10h00 – Praça Portugal

Goiânia/GO – 14h00 – Praça Tamandaré

Ipatinga/MG – 09h00 – em frente a prefeitura de Ipatinga

João Pessoa/PB – 15h00 – Busto de Tamandaré

Joinville/SC – 16h00 – Praça da Bandeira

Juiz de Fora/MG – 10h00 – Parque Halfeld

Jundiaí/SP – 9h30 – Av. 9 de Julho

Natal/RN – 15h00 – Avenida Roberto Freire

Porto Alegre/RS – 14h00 – Parcão

Presidente Prudente/SP – 09h00 – Parque do Povo (Próximo ao colégio Poliedro)

Presidente Prudente/SP – 9h00 – Parque do Povo

Recife/PE – 9h30 – Av. Boa Viagem (em frente a Padaria Boa Viagem)

Ribeirão Preto/SP – 10h – Praça Carlos Gomes (Teatro Pedro II)

Salvador/BA – 16h00 – Farol da Barra

São Carlos/SP – 10h00 – Praça do Mercado (R. Comendador Alfredo Maffei, 2522)

São Luiz/MA – 15h00 – Av. Litorânea

São Paulo/SP – 14h00 – Metrô Trianon MASP (Av. Paulista, 1.370)

Sete Lagoas/MG – 16h00 – Lagoa Paulino

Teresina/PI – 16h00 – Av. Marechal Castelo Branco (em frente à Alepi)

Uberaba/MG – 16h00 – Calçadão de Uberaba

Uberlândia/MG – 9h30 – Praça Tubal Vilela

Viçosa/MG – 10h00 – 4 Pilastras

Vitória/ES – 16h00 – Praça do Papa

CIDADES EM QUE NÃO HÁ REPRESENTANTES DO VEM PRA RUA
(Estas cidades não possuem representantes do Vem Pra Rua, mas fomos informados por e-mail de que vão se manifestar nestes locais e horários)

Água Boa/MT – 15h – Bairro Universitário, próx. Caixa de Água

Águas de Lindóia/SP – 14h – Centro

Alegrete/RS – 17h – Centro Cultural com ato de abertura, caminhada e ato de encerramento na Praça dos Patinhos.

Americana/SP – 16h – Praça do Trabalhador

Anápolis/GO – 14h – Praça Dom Emanuel

Apucarana/PR – 15h – Catedral N. Sra. de Lourdes

Araçatuba/SP – 9h30 – Rotatória da Av. Brasília x Av. Pompeu de Toledo

Araguaína/TO – 9h – Praça do Galo

Arapiraca/AL – 16h – Praça Luiz Pereira Lima

Arapiraca/AL – 9h30 – Praça Marques

Arapongas/PR – 15h – Praça Mauá

Araras/SP – 15h – Defronte a Basílica N. S. do Patrocínio, Praça Central

Ariquemes/RO – 15h – Praça da Vitória (Av. Jamari)

Artur Nogueira/SP – 16h – Praça do Coreto – Av. Fernando Arena, esquina com a Rua Duque de Caxias.

Arujá/SP – 14h – Praça do Correto

Assai/PR – 16h – Av. Rio de Janeiro, em frente à Igreja Matriz São José – Centro

Assis/SP – 17h – São Francisco de Assis

Atibaia/SP – 9h30 – Igreja da Matriz

Avaré/SP – 14h – Concha Acústica

Bagé/RS – 15h – Praça da Estação

Balneário Camboriú/SC – 16h – Praça Almirante, Tamandaré

Barbacena/MG – 9h30 – Praça das Andradas, em frente à Câmara dos Vereadores

Barra dos Garças/MT – 17h – Praça dos Garimpeiros

Barreirinhas/MA – 15h – Praça do Trabalhador

Batatais/SP – 16h – Praça da Matriz

Bauru/SP – 9h30 – Praça da Copaíba (Av. Getúlio Vargas)

Bento Gonçalves/RS – 16h – Em frente à Prefeitura

Bento Gonçalves/RS – 16h – Na frente da Prefeitura

Bertioga/SP – 9h30 – Av. 19 de Maio

Betim/MG – 15h – Praça Tiradentes

Betim/MG – 9h30 – Praça Milton Campos – Centro

Birigui/SP – 9h – Praça Central Doutor Gama

Blumenau/SC – 16h – Prefeitura Municipal

Boa Vista/RR – 17h – Praça do Centro Cívico

Cáceres/MT – 15h – Serraria Cáceres até a Praça Barão do Rio Branco

Cachoeira do Sul/RS – 16h – Praça da Matriz

Caldas Novas/GO – 14h – Praça Central

Camaçari/BA – 9h30 – Praça Desembargador Monte Negro

Campina Grande/PB – 14h – Praça da Bandeira

Campinas/SP – 13h – Igreja Matriz 

Campinas/SP – 9h30 – Largo do Rosário

Campo Grande/MS – 14h – Praça do Rádio

Campos de Goytacazes/RJ – 10h – Praça São Salvador

Canoinhas/SC – 9h30 – Praça do Centenário

Capão Bonito/SP – 14h – Av. Plácido Batista da Silveira

Capão da Canoa/RS – 14h – Antigo Largo do Baronda.

Capinópolis/MG – 9h30 – João Moreira de Souza

Capivari/SP – 16h – Praça Central

Cascavel/PR – 15h – Em frente à Igreja Matriz

Castelo/ES – 16h – Praça Três Irmãos

Castro/PR – 15h – Praça Nossa Sra. do Rosário

Catanduva/SP – 9h30 – Praça Matriz

Caxias do Sul/RS – 16h – Praça Dante Alighieri

Caxias/MA – 9h – Praça da Matriz

Cianorte/PR – 15h – Prefeitura de Cianorte

Cidade de Goiás/GO – 14h – Praça dos Eventos

Concórdia/SC – 15h – Posto Lamonato, em direção à Praça

Correntina/BA – 10h – Praça Raimundo Salles

Criciúma/SC – 15h – Parque das Nações

Cruzeiro/SP – 16h – Na Praça em frente à Prefeitura Municipal

Cubatão/SP – 10h – Praça da Independência, Jd Casqueiro

Cubatão/SP – 16h – Praça da Bíblica, em frente ao Senai

Cuiabá/MT – 13h – Praça da República, Centro

Cuiabá/MT – 16h – Praça da Rádio

Curitiba/PR – 14h – Praça Santos Andrade

Curitiba/PR – 9h30 – Centro Cívico

Divinópolis/MG – 9h – Praça do Santuário

Dois Vizinhos/PR – 14h – Praça da Igreja Santo Antonio

Dourados/MS – 14h – Praça Antônio João

Dourados/MS – 14h – Praça Antônio João

Embu-Guaçu/SP – 14h – Praça do Coreto

Entre Rios do Oeste/PR – 14h – Praça João Natalio Stein

Espírito Santo do Pinhal/SP – 15h – Em frente ao Coreto (agência do Banco do Brasil)

Farroupilha/RS – 16h – Praça da Bandeira Farroupilha

Fernandópolis/SP – 9h – Praça da Matriz

Foz do Iguaçu/PR – 9h30 – Praça do Mitre

Franca/SP – 9h30 – Praça Nossa Sra. da Conceição (Concha Acústica)

Francisco Beltrão/PR – 15h – Calçadão Central

Garibaldi/RS – 9h30 – Av. Independência

Governador Valadares/MG – 16h – Praça dos Pioneiros

Gravataí/RS – 15h – Parcão

Guarapari/ES – 16h – Radium Hotel

Guarapuava/PR – 14h – Praça Cleve

Guaratinguetá/SP – 16h – Av. Presidente Getúlio Vargas, próximo à Ponte Nova

Guarulhos/SP – 11h – Bosque Maia, Avenida Paulo Faccini

Imperatriz/MA – 9h30 – Praça de Fátima

Indaiatuba/SP – 10h – Parque Ecológico, próx. Pastel de Feira

Itabuna/BA – 15h – Jardim do Ó

Itajaí/SC – 15h – Av. Beira Rio

Itajobi/SP – 15h – Praça 09 de Julho

Itatiba/SP – 14h – Praça das Bandeiras

Itú/SP – 9h30 – Praça da Matriz

Jales/SP – 9h30 – Praça João Mariano de Freitas

Jaraguá do Sul/SC – 15h – Praça Angelo Plazera

Jataí/GO – 14h – Câmara dos Vereadores

Ji-Paraná/RO – 9h – BR364 – Ponte sobre o Rio Machado

Jundiaí/SP – 16h – Em frente à Prefeitura Municipal

Lages/SC – 10h – Estatua Correia Pinto

Lagoa Vermelha/RS – 15h – Igreja Matriz São Paulo

Lajeado/RS – 15h – Parque Prof. Theobaldo Dick

Limeira/SP – 9h30 – Praça Toledo Barros (Rua Doutor Trajano Barros de Camargo, 13480)

Linhares/ES – 16h – Atrás da TV Norte

Lins/SP – 9h30 – Praça Dom Bosco

Londrina/PR – 13h – Zerão

Londrina/PR – 15h – Em frente ao colégio Vicente Rijo (Av. Jk com Av. Higienópolis)

Macaé/RJ – 16h – Paróquia Nossa Senhora da Glória, Cavaleiros

Macapá/AP – 16h – Praça da Bandeira

Maceió/AL – 9h30 – Corredor Vera Arruda

Manaus/AM – 14h – Posto 300 (Av. Djama Batista)

Manaus/AM – 9h30 – Av. Eduardo Ribeiro, em Frente à Feirinha

Marabá/PA – 16h – Praça Duque de Caxias

Maringá/PR – 14h – Catedral

Mogi das Cruzes/SP – 9h30 – Praça Oswaldo Cruz

Mogi Guaçu/SP – 15h – Campo da Brahma

Monitividiu/GO – 14h – Praça das Mães

Montes Claros/MG – 14h – Em frente ao Shoping Center Popular

Mossoró/RN – 15h – Colégio Diocesano

Niterói/RJ – 9h30 – Praia de Icaraí, em frente à Uff:

Novo Hamburgo/RS – 14h – Praça Punta Del Este, em frente ao Shopping Bourbon

Novo Hamburgo/RS – 16h – Vale dos Sinos

Ouro Fino/MG – 9h – Em frente à prefeitura municipal

Palmas/TO – 16h – Palácio Araguaia, Praça dos Girassóis

Paragominas/PA – 16h – Praça Celio Miranda

Paraíba do Sul/RJ – 14h – Praça Garcia

Paraisópolis/MG – 14h – Praça do Centro

Paranaguá/PR – 10h – Em frente à Ferroviária

Paraopeba/MG – 14h – Praça da Matriz

Paroapeba/MG – 14h – Praça da Matriz

Passo Fundo/RS – 14h – Praça da Mãe, Av. Brasil

Pato Branco/PR – 9h30 – Posto Tigrão em direção a Praça Pres. Getúlio Vargas

Patos de Minas/MG – 14h – Praça do Fórum, Centro.

Pelotas/RS – 15h – Praça Cel. Pedro Osório

Peruíbe/SP – 14h – Praça da Matriz

Peruíbe/SP – 16h – Calçadão do Centro, em frente ao prédio Redondo

Petrolina/PB – 9h – Praça Ma. Auxiliadora (Prefeitura)

Petrópolis/RJ – 16h – Praça D.Pedro II , Centro

Piracanjuba/GO – 14h – Praça do Relógio

Piracicaba/SP – 9h30 – Praça José Bonifácio

Piraju/SP – 14h – Praça Ataliba Leonel

Pitanga/PR – 9h – Praça da Pitanguinha

Poços de Caldas/MG – 10h – Praça Pedro Sanches

Poços de Caldas/MG – 15h – Praça Doutor Pedro Sanches

Ponta Grossa/PR – 9h – Praça entre as Rua Balduíno Taques e Av Vicente Machado

Porto Alegre/RS – 9h30 – Redenção

Porto Seguro/BA – 9h30 – Trevo do Cabral

Porto Velho/RO – 14h – Praça das 3 Caixas D’Água, Centro

Pouso Alegre/MG – 9h – Em frente à Catedral Metropolitana

Resende/RJ – 16h – Av. Albino de Almenida, em frente Caixa Eco. Federal

Ribeirão Preto/SP – 10h – Praça. Carlos Gomes

Rio Branco/AC – 14h – Palácio do Governo

Rio de Janeiro/RJ – 14h – Candelária

Rio do Sul/SC – 16h – Em frente ao antigo Ceola

Rio Grande/RS – 15h – Largo Dr. Pio

Rio Verde/GO – 11h – Praça Matriz

Rio Verde/GO – 14h – Praça Matriz

Rondonópolis/MT – 16h – Em frente ao Rondon Plaza Shopping

Salto/SP – 16h – Praça XV

Santa Cruz do Sul/RS – 16h – Praça da Bandeira

Santa Fé do Sul/RS – 9h30 – Praça da Matriz

Santa Fé do Sul/SP – 15h – Praça da Matriz.

Santa Maria/RS – 14h – Praça Saldanha Marinho

Santarém/PA – 16h30 – Praça São Sebastião

Santo André/sp – 10h – Paço Municipal

Santo Antônio de Jesus/BA – 9h30 – Praça Dr. Renato Machado, Centro

Santos/SP – 14h – Trajeto: Praça do Surfista / Posto 2 14h, Avenida da Praia sentido Ana Costa 15h,  Ana Costa sentido Praça da Independência 16h Praça da Independência 18h,

São Bernardo do Campo/SP – 14h – Paço Municipal

São Borja/RS – 14h – PARCÃO (Parque General Vargas)

São Caetano do Sul/SP – 15h – Câmara dos Vereadores

São João da Boa Vista/SP – 9h – Praça Coronel Joaquim José, Centro

São José do Rio Pardo/SP – 14h – Praça da Matriz

São José do Rio Preto/SP – 9h30 – Mercado Municipal

São José dos Campos/SP – 15h – Praça Afonso Pena

São José dos Pinhais/SP – 14h – Em frente à Catedral

São Leopoldo/RS – 15h – Em frente à Prefeitura

São Lourenço do Sul/RS – 14h – Prefeitura Municipal

São Sebastião/SP – 15h – Praça do Correto

Sertãozinho/SP – 9h – Praça 21 de Abril

Sorocaba/SP – 16h – Praça do Canhão

Taubaté/SP – 15h – Praça do Batalhão da PM (Av. Independência)

Teixeira de Freitas/BA – 9h – Supermercado Praia Grande

Teófilo Otoni/MG – 9h – Praça da Radio Imigrantes

Timbó/SC – 9h30 – Parque Central de Timbó

Torres/RS – 9h30 – Praça XV de Novembro, Centro

Tubarão/SC – 16h – Prefeitura Municipal

Tupã/SP – 9h30 – Praça da Bandeira

Ubá/MG – 14h – Praça São Januário

União da Vitória/PR – 14h – Praça Cel Amazonas

Umuarama/PR – 16h – Praça Miguel Rossafa

Uruguaiana/RS – 14h – Praça do Barão do Rio Branco

Viçosa/MG – 10h – 4 Pilastras

Vinhedo/SP – 15h – Portal

Vitória da Conquista/BA – 9h30 – Praça da Guadalajara (IEED)

Vitória/ES – 15h – Em frente à UFES

Vitória/ES – 16h – Sede da Petrobras

Volta Redonda/RJ – 9h – Praça Brasil

Votuporanga/SP – 9h30 – Praça da Matriz, em frente à Concha Acústica

LISTA DE CIDADES NO EXTERIOR (horário local)
Bruxelas/Bélgica – 9h – Rue du Trône n 108 Bruxelles 1050

Lisboa/Portugal – 15h – Praça Luís de Camões

Londres/Inglaterra – 12h – Trafalgar Square

Miami/Flórida, Estados Unidos – 12h – TorchofFriendship – Bayside, Downtown Miami

New York/EUA – 11AM – Union Square – SW corner

Orlando/Flórida, Estados Unidos – 13h – 5403 Internacional Dr – Banco do Brasil

Santa Cruz de la Sierra/Santa Cruz, Bolívia – 15h – Plaza del estudiante

São Francisco/Califórnia, Estados Unidos – 11h – 1 Market St, Just Herman Plaza

Sidney/Nova Gales do Sul, Austrália – 16h – Martin Place

MINHA CIDADE NÃO ESTÁ NA LISTA, E AGORA?
Se sua cidade não está na lista, entre em contato com o e-mail “vempraruabrasilorg@gmail.com” informando Cidade, Nome do Responsável, Telefone de Contato, Local e Horário. Nós entraremos em contato com você.

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Barusco para presidente da Petrobras? Acho que não iria dar certo…

 Piada excelente que está na rede e que me foi enviada pela querida jornalista Maria Helena Amaral:
“Pedro Barusco foi o melhor investimento da Petrobras nos últimos cinco anos. Roubou US$ 97 milhões a R$ 1,70 e devolveu a R$ 3,10”.

É isso aí! Se esses caras fossem tão eficientes para governar quanto eles são para roubar, o Brasil já seria uma superpotência!

Ocorre que, para que possam governar com a mesma eficiência com que roubam, a ética do partido teria de ser outra. E outra haveria de ser a moral de seus integrantes.

Daí se deduz, então, que a eficiência não é um bem em si, não é? Ela só faz sentido e se define quando aplicada.

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Fiasco em escala nacional: esquerdas reúnem, no máximo, 33 mil em todo o país. Ainda assim, com lanchinho, camiseta, bonés, ônibus, bolsa-protesto…

Um fiasco em escala nacional. O protesto organizado por entidades e partidos de esquerda “em defesa da Petrobras” e contra um golpismo que nunca existiu mobilizou, na ponta do lápis, 33 mil pessoas. Os organizadores, claro!, falam em 156 mil. Se for assim, nessa escala, a gente poderá falar em 10 milhões no domingo… Tenham paciência! E olhem que essa conta, feita pelo Globo, já está superestimada porque considera que 12 mil compareceram ao ato em São Paulo. Duvido.

Quase havia mais entidades promovendo a patuscada do que pessoas. Em Florianópolis, havia… 300. Em Salvador, entre 600 e 800. Como cara de pau é cara de pau e pronto, José Sérgio Gabrielli, que presidiu a Petrobras no período da lambança, compareceu à manifestação. E no Distrito Federal? Eram só 500!

O objetivo da turma era mesmo promover uma megamanifestação em São Paulo. Não deu certo. E olhem que houve farta distribuição de camisetas, de marmitas, de bonés e, como ninguém é de ferro, uma bolsa-protesto que variou de R$ 35 a R$ 50. Já vou avisando: quem comparecer ao protesto de domingo também vai ganhar um kit: o “Kit Vergonha na Cara”.

Leio na VEJA.com:
Há apenas três meses no Brasil, o africano Muhamed Dukurek, de 44 anos, aceitou vestir a camiseta da CUT e carregar um dos balões da central sindical pelo dinheiro. “Disseram que eu ia receber um pagamento de 40 reais a 50 reais”, afirmou ao site de VEJA. Falando poucas palavras em português, ele disse que um ônibus foi buscá-lo em sua casa no bairro do Brás, pela manhã. Foi liberado às 17 horas do trabalho na Paulista, quando a CUT recolheu os balões.

Também havia muitos haitianos engrossando, ora vejam, o coro de defesa da Petrobras e o “fica Dilma”. Nas redes sociais, os companheiros asseguram que o sucesso foi retumbante. Sabem que não enganam os outros. E, hoje em dia, já não enganam nem mais a si mesmos.

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A boa vida de João Pedro Stedile, o burguesão do capital alheio

João Pedro Stedile no "protesto a favor" do Rio: libre da maldição bíblica de suar para ganhar o pão, ele ri à-toa
João Pedro Stedile no “protesto a favor” do Rio: livre da maldição bíblica de suar  o rosto para ganhar o pão, o burguês do capital alheio ri à-toa
Eita! Sob certo ponto de vista, deve ser bom ser João Pedro Stedile — eu, com meus três empregos, não suportaria… Mas ele, visivelmente, adora. Stedile pertence àquele seleto grupo de homens que se livraram a maldição bíblica, que está no Gênesis: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar.”

Pois é… Um monte de gente não sua o rosto para comer o pão: os bandidos, os corruptos (que são bandidos), os preguiçosos (que ainda se tornarão bandidos) e os… militantes políticos de esquerda. Digam-me: qual é o trabalho de Stedile? Quando ele acorda, qual é a sua agenda? Quando ele vai dormir e faz o balanço do dia, o que produziu para o país? Que contabilidade ele faz? Quantas propriedades ele invadiu? A quantas pessoas ele causou prejuízo? Que atraso teve a ciência naquele dia em razão da ação de seus seguidores?

Por que falo dele? O rapaz discursou no ato de “protesto a favor” no Rio, que reuniu, no máximo e com boa vontade, 1.500 pessoas. Ainda assim, uma boa parcela tinha vindo de outros Estados, trazidos em ônibus do MST. Em sua fala, esse gênio da raça afirmou o seguinte, segundo a Folha:
“Já chega de infiltração de capitalista no governo. Não aceitamos a infiltração de um tal de [Joaquim] Levy. Não podemos fazer ajuste às custas do trabalhador. A crise que o Brasil vive é culpa dos capitalistas. Não aceitamos a redução do direito da classe trabalhadora. Dilma, saia do palácio e venha para rua ouvir os trabalhadores”.

Alguém que fala em nome dos trabalhadores num protesto numa sexta à tarde é certamente um cínico. Alguém que é considerado um líder nacional sem que se conheça exatamente a sua atividade é um folgazão. Alguém que é tido como uma voz influente, cujos sequazes invadiram há dias um laboratório, destruindo anos de pesquisa científica, tem absoluta confiança na impunidade.

Como? Stedile é contra o capitalismo? O que capitalismo que gera o dinheiro que irriga o MST? O capitalismo que gera as cestas básicas distribuídas ao MST? O capitalismo que permite que a este senhor transitar por aí, como líder do maior latifúndio improdutivo do mundo, que são as terras sob o controle direto ou indireto do MST?

Stedile é aquele que foi instado por Lula a botar seu “exército” na rua. Junto com a CUT, a UNE, uma penca de organizações de esquerda e movimentos sociais — todos vivendo, de algum modo, de dinheiro público, gerado por quem trabalha —, a gente viu do que são capazes. E são capazes de muito pouco. De resto, se Stedile acha mesmo que Levy é um infiltrado, e dada a centralidade do ministro no governo, qual seria a sua única atitude decente: romper com Dilma! Mas ele não vai fazer isso, é claro! Sem o capilé oficial, o MST não existe — já que, por óbvio, os sem-terra não existem. E não existem mais há muito tempo.

Para encerrar, noto: as esquerdas fizeram um belo trabalho de propaganda das manifestações de domingo.

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Asfalto se divide: chapa quente X chapa branca

Dilma Rousseff dividiu o asfalto em duas faixas. Numa, promete desfilar neste domingo a rapaziada da ala chapa quente. Noutra, trafegou nesta sexta-feira a pelegada do bloco chapa branca. É grande a diferença entre os dois grupos. Um é a sociedade civil. Outro, a sociedade organizada. Um é o público. Outro, a coisa pública. Um faz pressão popular. Outro, lobby. Um é grito. Outro, resmungo. Um é explosão. Outro, flatulência.

Custeada pelo déficit público e pelo imposto sindical, a infantaria desta sexta contou com uma rica intendência —balões e faixas profissionais, bandeiras e camisetas vermelhas, carros de som, ônibus, um kit-manifestação e até  vale-protesto. Lideradas por entidades como CUT, MST e UNE, três aparelhos capturados pelo Estado petista, essas manifestações serviram para sinalizar que Dilma ainda encontra algum apoio nas ruas. Mesmo que tenha que procurar um pouco.

Dentro de poucas horas, descerá ao meio-fio a turma do ambiente virtual das redes sociais. Nas suas últimas aparições, essa gente fez roncar as praças em junho de 2013 e crispou o cenho defronte dos estádios durante a Copa. Ninguém espera para este domingo nada tão grandioso. Mas Dilma está apreensiva. Dependendo da temperatura do asfalto, o derretimento do que lhe resta de imagem será mais rápido.

Há dois anos, Dilma e Lula esgrimiram a tese segundo a qual a onda de protestos era consequência dos êxitos do poder petista. Nessa versão, as ruas exigiam mais do Estado porque os governos do PT produziram um Brasil inteiramente novo. Atendida nas suas necessidades fundamentais, a sociedade exigia mais.

Hoje, Dilma não tem o que dizer. Com o alarme da impopularidade a lhe soar nos ouvidos, tornou-se gestora de uma agenda de tópico único: consertar os erros do primeiro mandato. Dilma é movida pelo pior tipo de ilusão que pode acometer um presidente na sua situação. A ilusão de que preside. Resta-lhe rezar para que os protestos sejam mixurucas.

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Conar manda Petrobras modificar propaganda

Se tudo continuar como está, a Petrobras vai acabar tendo que apelar para a competência. Na escala de decisões desastradas, a estatal já atingiu o ápice. A penúltima mandracaria foi desmontada pelo Conar, o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária. A entidade mandou a Petrobras alterar o conteúdo de um comercial que vem sendo exibido na tevê desde o mês passado.

Na peça, a Petrobras se vangloria de ter superado vários obstáculos ao longo de sua história de 61 anos —desde a dúvida inicial quanto à existência de petróleo no Brasil até a descoberta do pré-sal. E iguala os seus feitos históricos ao esforço atual para apagar de sua logomarca a mancha da corrupção.

“Hoje os desafios são outros e, por isso, estamos aprimorando a governança e a conformidade na gestão”, diz o locutor do comercial a certa altura. “Seja qual for o desafio, nossa resposta será aquela que nos acompanha desde sempre: superação''. O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA) achou que os idealizadores da mensagem exageraram na pantomima.

Para o deputado, a petrorroubalheira não é um desafio a ser superado, mas um crime a ser punido. “É criminoso fazer uma propaganda dessa. Em nada condiz com a verdade, ainda mais diante de um escândalo desses. É jogar dinheiro público fora'', disse Aleluia.

Em defesa da plateia, o deputado protocolou uma representação no Conselho de Ética do Conar para tirar a peça do ar. Aleluia escorou sua petição no artigo 23 do Código Brasileiro de Autorregulação Publicitária. Anota o seguinte: “Os anúncios devem ser realizados de forma a não abusar da confiança do consumidor, não explorar sua falta de experiência ou de conhecimento e não se beneficiar de sua credulidade.”

Por maioria de votos, os conselheiros do Conar entenderam que, de fato, a propaganda da Petrobras precisa ser modificada. Em decisão tomada na última quinta-feira, determinaram que a propaganda deixe de ser exibida até que seu conteúdo seja alterado. A Petrobras dispõe de dez dias para recorrer, se quiser. Mas o recurso não tem efeito suspensivo. A decisão precisa ser cumprida imediatamente.

Melhor assim. Quem assistia ao comercial ficava com a impressão de que o comando da Petrobras está dividido entre dois tipos de pessoas: os abertamente cínicos e os que não conseguem se conter.

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Riciclagem!



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Resta ao governo torcer para que chuva muito amanhã
Ricardo Noblat

O governo estava certo. Do ponto de vista dele, é claro.

Se seu objetivo inicial fosse ajudar a presidente Dilma Rousseff, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o MST, a UNE e outros movimentos sociais não deveriam ter chamado o povo para as ruas, ontem.

Primeiro porque seu apelo certamente não seria atendido – não na dimensão desejada pelos promotores do ato. Como não foi.

Segundo porque a realização do ato daria ensejo à sua comparação com o ato de amanhã, contra Dilma. E, salvo uma surpresa, o ato de amanhã atrairá muito mais gente.

O ato de ontem foi planejado para mostrar ao governo a insatisfação dos movimentos sociais com o ajuste fiscal do ministro da Fazenda Joaquim Levy – o “infiltrado no governo”, como o acusou João Pedro Stédilli, coordenador nacional do MST.

Dado que o ato contra Dilma ganhou expressão, os promotores do ato de ontem resolveram também defendê-la. Assim como à Petrobras.

Então o ato ficou com vários focos – o que na maioria das vezes significa ficar sem nenhum.

Ir às ruas contra o ajuste fiscal até poderia dar certo. Mas a favor de Dilma, aprovada por menos de 10% dos brasileiros? Nunquinha.

Resta ao governo torcer para que tenhamos amanhã um domingo de chuva. De muita chuva, de preferência. Do contrário...


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Blog do Reinaldo Azevedo

As falas irresponsáveis dos petistas e o “medo do confronto de rua”.

Leio na Folha que o governo teme que haja confrontos nas ruas nesta sexta. Entidades paragovernamentais como MST, CUT e UNE marcaram manifestações em 23 Estados em defesa do, deixem-me ver como escrever, statu quo. Elas estão no poder e enxergam nas manifestações marcadas para o dia 15 uma ameaça à sua hegemonia. E qual a razão do temor? Eventuais escaramuças serviriam como combustível adicional para o protesto do dia 15. Tomara que não aconteça nada de excepcional nesta sexta. Os petistas — incluindo o Palácio do Planalto — serão os principais responsáveis por eventuais escaramuças. Já chego lá.

Oficialmente, os manifestantes pró-governo vão marchar em defesa da Petrobras. Que pena que eles não tenham conseguido, no passado, defendê-la dos ladrões que foram postos lá pelo petismo, não é? O que querem mesmo é criar uma rede proteção para Dilma, o que se mostra a cada dia mais difícil. A presidente iria, por exemplo, nesta sexta a Belo Horizonte. Desistiu da viagem para ficar longe das vaias. Volto ao ponto.

Apostam na violência os que insistem em acusar os organizadores e apoiadores da manifestação de domingo de incitadores do ódio. Apostam na violência os que chamam de golpe uma mera petição ao poder público — impeachment ou qualquer outra coisa. Apostam na violência os que tentam deslegitimar os que protestam, pespegando-lhes a pecha de “elitistas” e de “reacionários”. Apostam na violência os que reivindicam para si o monopólio da representação popular e não reconhecem como legítimas forças que não formem com suas fileiras. A propósito: a única manifestação violenta nessa fase de declínio do PT e de Dilma foi protagonizada por brutamontes à porta da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Apostam na violência aqueles que convocam exércitos, ou que prometem botá-los na rua, para combater adversários políticos, a exemplo do que fizeram, respectivamente, Luiz Inácio Lula da Silva e João Pedro Stedile.

Pepe Vargas, este inefável ministro das Relações Institucionais, espalha por aí que sente cheiro da “elite golpista”… Ah, entendo! Elite progressista era aquela parceria entre petistas e empreiteiras, não é mesmo?, para o bem geral do… partido!

Num vídeo meio esquizofrênico, Rui Falcão, presidente do PT, defende o direito à livre manifestação (que bom que ele respeita a Constituição!), desde que, segundo diz, não se atinja a autoridade constituída. Ah…  Collor, em 1992, era autoridade constituída, pois não? E o PT foi pra rua. Parece que Rui Falcão tem a ambição de ditar a pauta da oposição. Compreendo: definir a do PT deve estar um inferno.

Ah, sim: repetindo Lula, Falcão afirmou que os petistas não devem “abaixar a cabeça”. Entendo! É preciso, no entanto, um motivo para erguê-la, não é? Qual o presidente do PT oferece? Essa gente, definitivamente, perdeu o eixo e o que lhe restava de juízo.

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AS DICAS QUE CIRCULAM NA REDE PARA O DOMINGO FELIZ. OU: SE CHOVER, VOCÊ NÃO É FEITO DE AÇÚCAR!

Caros leitores,

circula nas redes sociais um conjunto de recomendações para a grande manifestação de domingo, que pode tomar o país inteiro. Não sei exatamente quem as elaborou, mas elas me parecem de bom senso e de consenso. Por isso eu as divulgo aqui. Há dias tenho insistido que as ruas têm de abrigar a alegria de quem reivindica, não o rancor de quem briga.

Vamos a elas:
1 – Bandeiras de partidos políticos e outras organizações ligadas aos mesmos não são bem-vindas.

2 – A marcha é do povo, e ninguém a utilizará para autopromoção.

3 – Se você vir qualquer movimento ou atitude suspeitos, utilize a melhor arma que tem para isso: seu celular. Filme tudo e entregue o arquivo para a organização do ato, a fim de que providências legais sejam tomadas.

4 – Se surgir qualquer foco de violência ou vandalismo contra o patrimônio público ou privado, todos deverão sentar-se até que os policiais que farão a escolta, fardados ou à paisana, capturem o meliante.

5 – Se houver provocações oriundas de qualquer grupo estranho ao ato, apenas ignore. Eles estão desesperados, pois tudo o que construíram está ruindo. Nós somos a ameaça aos seus interesses escusos. Somos o golpe de misericórdia contra o PT.

6 – Atenção às mensagens que serão enviadas do carro de som!

7 – Evite roupas vermelhas ou pretas. Elas lembram o PT e os black blocs. Não compareça ao evento com camisetas que façam alusão a partidos políticos.

8 – Verde e amarelo são as cores ideais para o dia de indignação. Pinte o rosto!

9 – Confeccione faixas e cartazes. Leve bandeiras do Brasil, nariz de palhaço, cornetas, apitos, faça barulho! Leve também balões azuis, amarelos e verdes. Vamos chamar atenção para nossa causa.

10 – Durante a marcha, fique atento às palavras de ordem que serão estimuladas pela organização! Nada de coros que não são pertinentes ao ato. Lembre-se: você está nas ruas para reivindicar direitos.

11 – A Polícia é nossa amiga. Gente ordeira e trabalhadora não teme aqueles que nos protegem. Eles estarão presentes para garantir que tudo corra bem. Não trate esses bravos servidores públicos de forma hostil.

12 – Convide amigos e vizinhos. Vá com sua família ao ato! Ensine seus filhos desde pequenos que política é algo bom e deve ter à frente pessoas de bem. Estimule-os a fazer parte da história e não apenas a vê-la passar. Um povo que luta por seus direitos e participa é respeitado por seu governo.

13 – Respeite os veículos que se aproximarem da marcha. Não bata nos vidros, tampouco na lataria dos carros. Não jogue lixo no chão. Recolha papéis e outros objetos e deposite em lixeiras. Somos civilizados.

14 – Permaneça no roteiro da marcha. A intenção é mostrar nossa força, não travar o trânsito.

15 – Se chover, vá mesmo assim! Leve seu guarda-chuva, mas não deixe de comparecer. Não somos feitos de açúcar. Temos força e raça! Nada impedirá nossa luta pelo Brasil que queremos!

16 – Caso alguém passe mal no evento, forneça ajuda e contate a organização.

17 – Qualquer crítica ou sugestão serão bem-recebidas por aqueles que organizam o ato.

18 – Leve água para se hidratar durante o percurso. Respeite crianças e idosos.

19-  Desejamos uma ótima marcha a todos!!

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Que vocação têm os petralhas para defender ladrões e assassinos, não é mesmo? Ou: Decisão da juíza de deportar Battisti é impecável; terrorista já está solto

O texto que escrevi ontem à noite sobre a prisão de Cesare Battisti, que já está solto, tinha o seguinte título: “Decisão da juíza de deportar Battisti é impecável; a prisão imediata pode render um bom debate jurídico”. Muito bem. O desembargador Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1º região, concedeu liminar que garante a liberdade provisória ao terrorista italiano. Não conheço os termos do texto. O advogado de Battisti, Igor Sant’Anna Tamasauskas, afirmou o seguinte: “Basicamente, o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região compreendeu que a decisão da juíza de primeiro grau estava subvertendo a ordem jurídica, na medida em que ela estava passando por cima da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Presidência da República quando determinou a permanência do senhor Cesare Battisti aqui no Brasil”.

É mesmo, é? Tamasauskas não deveria tratar uma liminar como se fosse um juízo de mérito. Se o princípio que inspira o documento é mesmo esse, pior para o direito. Pela simples e óbvia razão de que a juíza Adverci Rates Mendes de Abreu não afrontou nem o Supremo nem a decisão do então presidente Lula. Vamos entender o imbróglio.

A juíza cometeu alguma arbitrariedade ao determinar a deportação do terrorista? Resposta inequívoca: não! O Inciso IV do Artigo 7º do Estatuto do Estrangeiro — lei 6.815 — é explicito a mais não poder. Reproduzo:
Art. 7º Não se concederá visto ao estrangeiro:
IV – condenado ou processado em outro país por crime doloso, passível de extradição segundo a lei brasileira.

Acabou! Cesse tudo o que as antigas musas vermelhas cantavam. A concessão de visto a Cesare Battisti pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg) foi escancaradamente ilegal. Ou alguém tente provar o contrário. Ou alguém tente demonstrar que o que está escrito na lei não está escrito na lei. Ou alguém tente demonstrar por que o CNIg tem competência para jogar no lixo a Lei 6.815.

Aí alguém pergunta: “Mas Luiz Inácio Lula da Silva não havia recusado a extradição de Battisti para a Itália?” Resposta: sim! A decisão da juíza contesta a de Lula? Resposta: não! O então presidente se recusou a devolver, como seria o decente, Battisti para a Itália — e a juíza, por óbvio, não decidiu extraditá-lo para aquele país. Nem poderia. Logo, a decisão de Lula continua a ser respeitada.

O que Adverci está dizendo é que Battisti não pode ficar no Brasil. Ela sugere que volte ou para o país de onde saiu, quando migrou para cá — no caso, a França —, ou para outro qualquer que queira recebê-lo. Nota: a França já havia decidido extraditá-lo; por isso, ele correu para Banânia. Acrescente-se a isso o fato de que o próprio STF considerou ilegal a concessão de refúgio. Mas reafirmou que cabia a Lula extraditá-lo ou não. E Lula decidiu que não, num desdobramento realmente surpreendente. O Supremo, então, na prática, deu ao presidente a licença de atuar fora da lei.

O que dava para debater?
O que não era uma decisão hígida na juíza era a prisão imediata. Ela determinou a deportação provocada por uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público. Ela argumenta que, segundo a Lei 7.347/85, os recursos contra ações civis públicas não comportam efeitos suspensivos, embora o juiz possa concedê-lo “para evitar dano irreparável à parte”.  O fato de o juiz “poder” conceder o efeito suspensivo não quer dizer que ele “deva” concedê-lo. A juíza disse não ver na prisão imediata “dano irreparável” a Battisti, e isso certamente é matéria controversa. Só para ficar claro: ela não determinou a imediata deportação até porque sabe que cabe recurso. O que ela havia decidido era a “prisão administrativa por 60 dias” ou até que se ultimasse a deportação.

Temos assim que:
1: a juíza tomou uma decisão impecável, ancorada na lei. Ilegal, isto, sim, foi a concessão de refúgio e de visto;
2: a decisão da juíza não afronta a de Lula; ele se negou a extraditar Battisti para a Itália. A magistrada decidiu apenas que o assassino não pode ficar no Brasil;
3: a juíza não determinou a deportação imediata. Tanto que, ao determinar a prisão, disse que seria por 60 dias “ou até que se ultime a deportação do requerido”.

Ah, sim: os petralhas, que andam assanhadinhos — o partido mandou! — já vieram ao blog com as delicadezas de sempre, agora que Battisti foi solto. Que vocação tem essa gente para defender ladrões e assassinos, não é mesmo?

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Gabrielli, gênio da raça petista, inventa a corrupção orgânica e a corrupção a valores de mercado. É nojento!

Estejam certos: nunca antes na história “destepaiz” se viu ou ouviu algo parecido. Não! Erro! Nunca antes na história deste mundo! José Sérgio Gabrielli, o petista que presidiu a Petrobras no período em que a empresa foi dominada por uma quadrilha, fez uma declaração que só não chega a ser surpreendente porque vem de quem vem. Segundo ele:
1: é impossível detectar corrupção na Petrobras;
2: ainda que tenha havido sobrepreço — leia-se: corrupção —, ele estava dentro dos parâmetros de mercado.

Assim, Gabrielli acaba de dar duas contribuições fundamentais à área de produção, administração e negócios. Aprendemos que:
1: existe uma corrupção que é orgânica. Se o mundo das empresas fosse um corpo, haveria o apêndice dos canalhas, que fazem parte do processo;
2: existe a corrupção de mercado.

Gabrielli é um cínico. Não é de hoje. Ele tem um profundo desprezo pela inteligência alheia e costuma argumentar com a mão no coldre, como se o fato de ser agressivo o tornasse certo ou uma pessoa séria. Foi assim que arrancou risos de escárnio quando insistiu que a compra da refinaria de Pasadena foi um bom negócio, o que já foi negado por Graça Foster, ex-presidente da estatal. Segundo o TCU, a operação rendeu um prejuízo à estatal de quase US$ 800 milhões.

Com arrogância característica, Gabrielli atribuiu a impossibilidade de detectar corrupção ao gigantismo da empresa. Assim, temos uma terceira lição: a corrupção é diretamente proporcional ao tamanho do empreendimento. Uma birosca da esquina sempre terá uma contabilidade honesta; já a Apple ou a Microsoft mereciam figurar num dos círculos do inferno.

Mas há mais: se, dado o tamanho da Petrobras, é impossível detectar corrupção, então corrupta a Petrobras era e… continua a ser. Como se trata de uma empresa pública e como não será privatizada, Gabrielli disse aos deputados que continuaremos a ser roubados.

Que grande contribuição a deste petista! É de tal sorte maldita sua herança na Petrobras que a atual direção não consegue nem fechar um balanço. Aliás, fico imaginando o que estão a pensar os investidores mundo afora depois das declarações de Gabrielli. Qual deve ser o rating de uma empresa que não tem como saber se alguns bilhões foram ou não para o ralo da corrupção?

De resto, como esquecer? Em 2009, instalou-se uma CPI para investigar irregularidades na Petrobras, inclusive na refinaria Abreu e Lima. Gabrielli e Dilma vieram a público para detonar a comissão. Diziam que nada havia a apurar. Dilma chamou a contabilidade da empresa de exemplar. Orçada originalmente em US$ 2,5 bilhões, a refinaria de Pernambuco já custou em torno de US$ 20 bilhões.

Mas sabem como é… Não dava para saber. Era a corrupção orgânica. Era, segundo Gabrielli, a corrupção de mercado.

Que nojo!

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Dinheiro que delator afirma ser propina transformou-se em doação com recibo



O recibo acima foi repassado ao blog pelo governador petista do Acre, Tião Viana. Refere-se a uma doação de R$ 300 mil da empresa Iesa Óleo e Gás à sua campanha para governador, em 2010. Contabilizada pelo comitê do então candidato e aprovada pela Justiça Eleitoral, a operação acaba de render a Viana a abertura de um inquérito no STJ. A Procuradoria da República acusa-o de receber propina proveniente de contratos ilícitos firmados pela Iesa com a Petrobras.

Dois executivos da Iesa —o diretor-presidente Valdir Lima Carreiro e o diretor de Operações Otto Garrido Sparenberg— dormem nos colchonetes da carceragem da Polícia Federal em Curitiba desde novembro do ano passado. O nome de Tião Viana foi anotado, de forma cifrada, numa agenda do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, hoje um corrupto confesso e colaborador da Justiça. Está escrito: “0,3 TVian”.

Numa batida policial no escritório de Paulo Roberto, agentes da PF recolheram a agenda. Posteriormente, ao ser inquirido, o delator decodificou seu escrito. Tratava-se, segundo disse, de uma menção ao repasse de R$ 300 mil à campanha de Tião Viana. Na sua versão, o doleiro Alberto Youssef realizara a entrega. O governador petista sustenta que a verba lhe chegou por outra via: transferência eletrônica de uma conta da Iesa no Banco de Brasília para a conta do seu comitê eleitoral no Banco do Brasil. o governdor exibiu o documento (abaixo).



Tião Viana sustenta que jamais conversou com Paulo Roberto nem com Youssef. Afirma que um representante da Iesa telefonou para o seu comitê eleitoral, em 2010, informando que tinha uma doação a fazer. Assim, do nada? “Presumi que alguém do diretório nacional do PT tinha pedido uma ajuda para minha campanha.” Por quê? “Eu tinha procurado o Rui Falcão [presidente do PT federal] para pedir que me ajudasse. Por isso imaginei que seria dele a iniciativa, nem perguntei.”

O governador acrescentou: “A Iesa nunca teve qualquer relação comercial ou institucional com o Estado do Acre. Ninguém da empresa me telefonou. Eu também não liguei para ninguém.”

O episódio dá uma ideia da complicação que está por vir no julgamento de alguns dos processos resultantes da Operação Lava Jato. Conforme já comentado aqui, o escândalo revelou uma excentricidade: a Justiça Eleitoral foi utilizada como uma espécie de lavanderia de verbas sujas.

Na época do mensalão, o então tesoureiro petista Delúbio Soares admitira o manuseio de “verbas não contabilizadas”. Hoje, o tesoureiro João Vaccari e o presidente Rui Falcão alegam que só transitam pela caixa registradora do PT verbas legalmente registradas.

O problema é que a Operação Lava Jato converte a alegação em pantomima ao revelar que parte do dinheiro foi ilegalmente obtido por meio de fraudes praticadas contra a Petrobras.

Resta saber como os magistrados responsáveis pelo julgamento dos processos no STJ e no STF irão tratar as “doações” já analisadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Nesta quinta-feira, além do pedido de inquérito contra Tião Viana, a Procuradoria pediu a abertura de investigação contra o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão e o antecessor dele, Sérgio Cabral, ambos do PMDB.

Tião Viana, que havia protocolado uma interpelação judicial contra o delator Paulo Roberto em janeiro, decidiu mover contra ele uma ação cívil por danos morais e uma ação penal por denunciação caluniosa. “Estou muito longe dessa podridão”, diz ele. “Essa podridão está muito longe de mim.”

O governo diz esperar que o inquérito aberto contra ele corra sem o manto do segredo judicial. “Prefiro a publicidade de tudo que envplva o meu nome. Para mim, quanto mais investigação, melhor”.

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Conselheiro!



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Governo teme o fracasso das manifestações em favor de Dilma marcadas para hoje
Ricardo Noblat

Para evitar vaias e xingamentos, a presidente Dilma Rousseff cancelou a visita que faria, hoje, a Belo Horizonte. Melhor ficar reclusa no Palácio do Alvorada. Não sair por aí se exibindo.

Providenciou-se um motivo mais nobre para justificar o cancelamento da viagem. A mãe de Dilma não estaria bem de saúde. Nada grave. Mas filha amorosa se comporta assim.

Em quase todos os Estados, hoje é dia de manifestações em favor de Dilma, do governo, da Petrobras e do PT, convocadas pela Central Única dos Trabalhadores.

O PT afundou a Petrobras. Agora, sai em seu socorro.

Não há previsão de conflitos de rua entre manifestantes pro e contra o governo. Quando nada porque serão no domingo as manifestações favoráveis ao impeachment de Dilma.

Mas o governo tudo fez, sem sucesso, para que a CUT suspendesse as manifestações. Teme que elas sejam comparadas com as do próximo domingo. E que percam de goleada.

De resto, manifestações expressivas, hoje, poderão estimular os promotores das manifestações do domingo a tentar fazê-las ainda mais gigantescas.

Em resumo: o governo pouco teria a lucrar com o que se passará hoje. E tudo a perder.

Mas como não faltam estrategistas políticos de primeira a serviço do governo, eles devem saber o que fazem.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Solidariedade anuncia campanha pró-impeachment de Dilma

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
A três dias da manifestação contra a presidente Dilma Rousseff, o Solidariedade vai anunciar nesta quinta-feira a criação de uma campanha pelo impeachment da petista. No ato, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, apresentará um sistema disponibilizado no site do partido para a coleta de assinaturas e argumentos que sustentem que ela perdeu as condições de governar. O Solidariedade é a primeira legenda que anuncia publicamente a campanha pelo afastamento de Dilma.

Nos últimos dias, integrantes do partido montaram uma força-tarefa para a produção de embasamentos jurídicos que justifiquem o impeachment da presidente. Foram ouvidos juristas como Cássio Mesquita Barros, Modesto Carvalhosa e Ives Gandra Martins para a elaboração de parecer que sustente a tese de que Dilma foi omissa no escândalo de corrupção que atingiu a Petrobras e, somado à irresponsabilidade na gestão das contas públicas, a deixou sem condições de governar.

“Hoje as pessoas têm ódio da Dilma. Ela foi vaiada ontem (terça-feira) não pela elite paulistana, mas sim por pessoas que trabalham em feira. Dilma perdeu a condição política de governar, amarga uma crise profunda e não tem força para resolver. Ao contrário: ela ajudou a aumentar a crise política, o que inviabiliza as chances de tirar o país dessa situação. Com a Dilma no governo, o país vai sofrer por muito tempo”, disse Paulinho, presidente do Solidariedade, ao site de VEJA.

A expectativa do partido é reunir pelo menos dez pareceres para apresentar um embasamento amplo e profundo sobre a hipótese do impeachment.

Em busca de difundir a campanha entre outros partidos, o Solidariedade vai fazer uma reunião também nesta quinta com lideranças do bloco formado para a eleição da Câmara. Fazem parte do grupo o PSB, PPS e o PV. “Todo mundo quer falar e dar ideias sobre o impeachment. Muitos acham uma boa ideia”, disse Paulo Pereira. Em outra frente para pressionar a Câmara a receber o pedido de impedimento de Dilma, o partido oposicionista vai fazer a coleta de assinaturas online e nas ruas.

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Dilma terá agora 8 ministros na desarticulação política. É o samba-da-presidenta-doida. Não há o menor perigo de dar certo!

Não! Dilma Rousseff decidiu não ouvir Reinaldo Azevedo. Mais uma vez! E vai se dar mal de novo, eu acho. E não porque não tenha me ouvido. Mas porque eu vocalizava o óbvio. A mulher resolveu meter mais três ministros na coordenação política do governo: Gilberto Kassab (Cidades), Eliseu Padilha (Aviação Civil) e Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia). E os outros continuam lá. Não há o menor perigo de isso dar certo. Vamos ver.

Quando a presidente nomeou Aloizio Mercadante para a Casa Civil, podem procurar em arquivo, alertei para o erro. Sua tarefa era a articulação política, Jesus! “Articular” é uma palavra de emprego curioso. O verbo “articulo”, em latim, quer dizer “dividir”, “separar”. O braço articulado de um robô, por exemplo, é composto de partes — dividido, pois — que, no entanto, unidas, permitem o movimento. O que são as articulações do nosso corpo senão isto: partes distintas, que ganham mobilidade com as junções? Um “articulador” reconhece as especificadas de cada parte, mas as torna, uma vez unidas, funcionais. É tudo o que Mercadante não sabe fazer. Ele é excelente para desarticular…

Formam ainda o Quarteto da Desarticulação Política os ministros Pepe Vargas (Relações Institucionais), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral) e Jaques Wagner (Defesa). Ah, sim: também Ricardo Berzoini (Comunicações) faz o meio de campo com os políticos. A turma tem feitos notáveis em sua biografia: uma derrota humilhante na disputa pela Presidência da Câmara; a devolução, pelo Senado, da MP da (re)oneração da folha de salários; a certeza da derrubada do veto da presidente à correção da tabela do IR caso não houvesse negociação; a instalação da CPI da Petrobras; a humilhação na tramitação da PEC da reforma política. E vai por aí…

Nunca se viu nada igual. É claro que era preciso mudar. E Dilma fez o quê? Meteu mais três ministros na tal coordenação: Kassab, Padilha e Rebelo. Pronto! Agora haverá nada menos do que oito para cuidar de tanta… desarticulação. Na única vez em que a tartaruga e o peixe aqui de casa passaram fome, eu e a empregada julgamos que o outro estava alimentando esses animais de sangue frio, com expressões muito econômicas de afeto e que não sabem pedir. Pois é… Tartaruga e peixe de muitos donos morrem de fome. A tarefa ficou pra mim. Eu sou o Coordenador da Ração da Fauna Pecilotérmica. E pronto! Ela cuida dos homeotérmicos. Como Scarlett O’Hara, fome nunca mais!

Dilma, está na cara, nunca cuidou de uma tartaruga. Não é possível que essa multidão de oito ministros — quase 20% de seu já gigantesco ministério — possa fazer a coordenação política. Fico cá a pensar nas diferenças de estilo e de argumentos de cada um. Como aqueles fundamentos profundos da governabilidade, que costumam embalar as preocupações de um comunista como Aldo Rebello, se coadunam com o pragmatismo sempre muito raso de Gilberto Kassab? Que bons argumentos terá um ministro da Aviação Civil, como Padilha? Como tudo isso vai se combinar com o exasperante nada de Pepe Vargas?

Dilma disse nesta quarta, depois da entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida, no Acre, com um claque organizada para aplaudi-la, que esse sistema de coordenação é “muito flexível, é um sistema de governo”.

Lamento presidente, isso não é nada! É só uma grande confusão!

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Governo consegue manter sua nova proposta de correção da tabela do Imposto de Renda, mas foi por pouco; no placar, Dilma perdeu de novo

Vou explicar. Depois de sucessivas derrotas, o governo cravou o que poderia ser um pequeno tento no Congresso. Um conjunto de vetos da presidente Dilma Rousseff foi mantido. O mais importante era o que negava a correção da tabela do Imposto de Renda em 6,5% para todas as faixas salariais. Para derrubá-lo, eram necessários 257 votos — metade mais um do total de deputados. Faltaram, no entanto, 18. Votaram para derrubar o veto, contra a presidente, 239 deputados, bem mais do que os 208 que optaram por mantê-lo, alinhando-se com Dilma. Ou seja: nos números, o Planalto perdeu de novo. É que não se atingiu a marca necessária de metade mais um. Não dá para comemorar ainda o começo do fim da crise com o Congresso.

E que se note: isso aconteceu depois de o governo ter mudado a sua proposta, que previa correção única de 4,5%. Medida Provisória enviada nesta quarta criou quatro grupos: com a mudança, a isenção do IR vale para quem ganha até R$ 1.903,98 mensais. Na faixa entre R$ 1.903,99 e R$ 2.826,65, a alíquota será de 7,5%. Quem ganha entre R$ 2.826,66 e R$ 3.751,05 pagará 22%. Para quem recebe entre R$ 3.751,06 e R$ 4.664,68, a alíquota será de 22%. A maior é a de 27,5% e será cobrada de quem ganha a partir de R$ 4.664,69.

Joaquim Levy, ministro da Fazenda, teve de ir ao Congresso para, digamos, implorar que o veto não fosse derrubado. Mas vejam como são as coisas. Parece que Renan Calheiros e Eduardo Cunha, presidentes, respectivamente, do Senado e da Câmara, têm menos influência sobre o antigovernismo da base do que eles mesmos supunham. É certo que, sem a ajuda da dupla, Dilma teria sofrido outra derrota vexaminosa. Mas, mesmo com o apoio da dupla, o resultado foi magro. Reitere-se: mais deputados votaram contra Dilma do que com ela.

A síntese, então, é a seguinte: sim, se o governo não quiser tomar uma pancada atrás da outra, terá de conversar com o comando do Congresso, que está com o PMDB. Mesmo esse comando, no entanto, hoje em dia, não garante maioria folgada para Dilma. A presidente respirou um pouquinho, mas com a ajuda de aparelho.

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Tesoureiro da campanha de Dilma que empreiteiro diz estar “preocupadíssimo” escreve carta aberta cobrando que o PT reaja à… direita golpista!!!

Ah, Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff em 2014 está inconformado com o que considera passividade de seu partido. Ele até redigiu uma carta aberta expressando esse seu inconformismo. Sim, claro, quer que os responsáveis pela roubalheira sejam punidos. Afinal, vocês sabem, ele é um homem honrado. Só não se conforma com o que considera a paralisia da legenda.

Erros? Ele até admite alguns. Mas não os que vocês possam eventualmente estar pensado. O principal, segundo diz, é este: “Nunca na nossa história assimilamos com tanta facilidade o discurso oportunista de uma direita golpista e nunca estivemos tão paralisados”. Onde estaria a direita golpista brasileira? Certamente não são os empreiteiros, por exemplo. Boa parte está na cadeia, incapaz de dar um golpe, não é mesmo?

Edinho cobra uma reação do binômio PT/governo. Faz sentido. Ao longo de sua história, essa gente nunca distinguiu o aparelho partidário da máquina do estado. Para eles, tudo é uma coisa só. Devem-se somar à equação também as entidades sindicais e os ditos movimentos sociais — aqueles que formam, em suma, a nova elite patrimonialista brasileira. Como um aprendiz de Zé Dirceu, ele conclama: “É hora de pegarmos nossa história nas mãos e irmos para a luta política”. É o mesmo vocabulário.

Que coisa! A carta de Edinho vem a público dois dias depois de Pedro Barusco ter dito na CPI que a roubalheira institucionalizada na Petrobras começou mesmo em 2003, com a chegada do PT ao poder, e que, em 2010, a campanha de Dilma recebeu R$ 300 mil do esquema.

Edinho é um homem que enxerga conspirações continentais. Ele indaga: “Achávamos que a elite brasileira, insuflada por uma retomada das mobilizações da direita no continente, iria ficar assistindo nós nos sucedermos na presidência da República? (…) Achávamos que aqueles que hoje nos acusam, que também são os mesmos que armam trincheiras contra reformas estruturais, seriam benevolentes conosco?”.

Como? Direita no continente? Edinho deve achar que, sem o concurso de reacionários, o povo venezuelano não estaria cobrando nem comida nem papel higiênico. A propósito: gostaria que este senhor enviasse uma carta ao blog — também quero divulgar no meu programa de rádio — revelando qual reforma estrutural o PT tentou fazer, malogrando em seu intento por obra de reacionários…

Edinho Silva, Edinho Silva… Ah, lembrei. Em seus manuscritos, o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, ex-amigão de Lula e que está preso na PF de Curitiba desde novembro, registra: “Edinho Silva está preocupadíssimo. Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso da Operação Lava-Jato doaram para a campanha de Dilma. Será que falarão sobre vinculação campanha x obras da Petrobras?”.

Pois é… Pessoa tentou fazer um acordo de delação premiada, que não foi adiante. Estava disposto a contar que doou R$ 30 milhões, pelo caixa dois, a campanhas eleitorais do PT, R$ 10 milhões dos quais teriam ido para a reeleição de Dilma. O tesoureiro era Edinho Silva, o homem que quer fazer a guerra do “nós” contra “eles”.

Definitivamente, Edinho é um deles, não um de nós.

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CUT pede proteção policial para ato nesta sexta

Em ofício endereçado ao secretario de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, a CUT e as outras centrais sindicais que marcaram uma manifestação para esta sexta-feira (13) pediram proteção policial. “Temos informações de que grupos conservadores decidiram confrontar nossas posições, chamando um ato para o mesmo dia, horário e local”, anota o documento, datado desta quarta-feira (11).

O ofício endereçado ao secretário pode ser lido aqui. Não menciona os nomes dos supostos grupos rivais. Limita-se a solicitar “total segurança aos participantes do ato da classe trabalhadora.” São quatro os objetivos declarados da manifestação: defender os “direitos da classe trabalhadora”, a Petrobras, a democracia e a reforma política.

O ponto de encontro será o prédio da Petrobras, na Avenida Paulista. O ato ocorre dois dias antes dos protestos contra o governo Dilma Rousseff, convocados por meio das redes sociais para domingo (15).

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Principal problema do governo tem nome: Dilma

O problema do governo tem nome e sobrenome. Alguns aliados do Planalto o chamam de Aloizio Mercadante. Outros o tratam por Pepe Vargas. Se estivessem certos, a solução seria simples. Bastariam dois golpes de esferográfica. Mas estão enganados. Chama-se Dilma Rousseff o problema do governo. Nunca um governante começara sua gestão tão por baixo. E as pessoas se perguntam sobre o que está havendo, afinal, com a Dilma, que não reage.

Hoje, a estratégia de Dilma é clara como a gema. Resume-se a três lances: 1) para não potencializar seu isolamento político, engole todos os sapos que os investigados Renan Calheiros e Eduardo Cunha conseguem lhe servir. 2) para evitar o aprofundamento da crise econômica que herdou de si mesma, tolera Joaquim Levy, o ministro da Fazenda que as circunstâncias lhe enfiaram goela abaixo. 3) para disfarçar seu déficit de iniciativa, reúne-se regularmente com Lula, o ventríloquo que regula as doses de cinismo que lhe escorrem pelos lábios.

Dilma esteve com Lula na noite de terça-feira, em Brasília. Ouviu basicamente três conselhos: faça política, faça política e faça política. Em vez de ceder às pressões pela entrega do escalpo dos “articuladores'' Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Pepe Vargas (Relações Institucionais), Dilma optou por adicionar mais três cabeças ao seu núcleo de (des)coordenação política: os ministros Gilberto Kassab (Cidades) Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia) e Eliseu Padilha (Aviação Civil).

Com esses ajustes, a coordenação política do governo Dilma ficará muito parecida com a das gestões de Lula. Com uma diferença: hoje, há um excesso de cabeças e carência de miolos. Ontem, havia a mesma carência, mas com uma cabeça só.

Nas últimas 48 horas, para livrar-se da humilhação de ver derrubado no Congresso o veto que apôs à proposta de reajustar em 6,5% a tabela do Imposto de Renda, Dilma deu ouvidos a Lula. Primeiro, peemedebizou-se, redescobrindo o vice Michel Temer, que vinha tratando como versa. Com a ajuda de Temer, Dilma promoveu uma engenharia política.

Abre parágrafo: no Brasil de hoje, “engenharia política” é eufemismo para acerto com o Renan. Fecha parênteses. Ainda assim, entregando os aneis para perder poucos dedos, o Planalto prevaleceu raspando na trave. O veto presidencial foi mantido com uma diferença de escassos 18 votos.

Doravante, será sempre assim: para aprovar o que deseja no Legislativo, essa Dilma debilitada terá de ajoelhar no milho. Ela já prepara os meniscos para a tortura que será a negociação das medidas provisórias que restringem o acesso dos trabalhadores a benefícios trabalhistas e previdenciários.

Se depender dos seus aliados, bastará a Dilma permanecer ajoelhada para ser considerada uma gestora de grande altivez. E o segundo governo da ex-supergerente, nunca é demasiado recordar, tem apenas 71 dias de vida.

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Travessia!



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