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Deu nos Blogs


O herói sem caráter
Dora Kramer

Remexendo na gaveta de recortes de jornais - valorosos e não raro mais úteis que o Google - encontro um texto escrito em 7 de setembro de 2010. Apenas coincidência a data da independência. O título, Macunaíma. O herói sem nenhum caráter de Mário de Andrade.
Faltava pouco menos de um mês para o primeiro turno da eleição em que o então presidente Luiz Inácio da Silva fazia o "diabo" e conseguiria na etapa final realizada em 31 de outubro eleger uma incógnita como sua sucessora.

Deu todas as garantias de que a chefe de sua Casa Civil, Dilma Rousseff, seria uma administradora de escol para o Brasil. Não foi, conforme comprovam os indicadores de um governo que se sustenta no índice positivo do emprego formal, cuja durabilidade depende do rumo da economia.

Como ex-presidente, Lula agora pede que se renove a aposta. Sem uma justa causa, apenas baseado na ficção por ele criada de que a alternância de poder faz mal à democracia brasileira. A propósito de reflexão a respeito da nossa história recente, convido a prezada leitora e o caro leitor ao reexame daquele texto.

"Só porque é popular uma pessoa pode escarnecer de todos, ignorar a lei, zombar da Justiça, enaltecer notórios ditadores, tomar para si a realização alheia, mentir e nunca dar um passo que não seja em proveito próprio?

Um artista não poderia fazer, sequer ousaria fazer isso, pois a condenação da sociedade seria o começo do seu fim. Um político tampouco ousaria abrir tanto a guarda. A menos que tivesse respaldo, que só revelasse sua verdadeira face lentamente e ao mesmo tempo cooptasse os que poderiam repreendê-lo tornando-os dependentes de seus projetos dos quais aos poucos se alijariam os críticos por intimidação ou cansaço.

A base de tudo seria a condescendência dos setores pensantes e falantes; oponentes tíbios, erráticos, excessivamente confiantes diante do adversário atrevido, eivado por ambições pessoais e sem direito a contar com aquele consenso benevolente que é de uso exclusivo dos representantes dos fracos, oprimidos e assim nominados ignorantes.

O ambiente em que o presidente Luiz Inácio da Silva criou o personagem sem freios que faz o que bem entende e a quem tudo é permitido - abusar do poder, usar indevidamente a máquina pública, insultar, desmoralizar - sem que ninguém consiga lhe impor paradeiro, não foi criado da noite para o dia. Não é fruto de ato discricionário, não nasceu por geração espontânea nem se desenvolveu por obra da fragilidade da oposição.

Esse ambiente é fruto de uma criação coletiva. Produto da tolerância dos informados que puseram seus atributos e respectivos instrumentos à disposição do deslumbramento, da bajulação e da opção pela indulgência. Gente que tem vergonha de tudo, até de exigir que o presidente da República fale direito o idioma do País, mas não parece se importar de lidar com quem não tem pudor algum.

Da esperteza dos arautos do atraso e dos trapaceiros da política que viram nessa aliança uma janela de oportunidade. A salvação que os tiraria do aperto em que estavam já caminhando para o ostracismo. Foram ressuscitados e por isso estão gratos.

Da ambição dos que vendem suas convicções (quando as têm) em troca de verbas do Estado.
Da covardia dos que se calam com medo das patrulhas.

Do despeito dos ressentidos.
Do complexo de culpa dos mal resolvidos.
Da torpeza dos oportunistas.
Da superioridade dos cínicos.
Da falsa isenção dos preguiçosos.
Da preguiça dos irresponsáveis.

Lula não teria ido tão longe com a construção desse personagem que hoje assombra e indigna muitos dos que lhe faziam a corte não fosse a permissividade geral. Se não conseguir eleger a sucessora não deixará o próximo governo governar. Importante pontuar que só fará isso se o País deixar que faça; assim como deixou que se tornasse esse ser que extrapola".


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Blog do Rodrigo Constantino

Em ao menos um aspecto o PT já conseguiu nos transformar na Venezuela

O sonho do PT é transformar o Brasil numa nova Venezuela. Não sou eu quem diz, tampouco se trata de alguma teoria conspiratória. É o próprio Lula, em várias ocasiões. Já afirmou, por exemplo, que ele e o então presidente Hugo Chávez caminhavam na mesma direção, mas enquanto o venezuelano ia de Ferrari a 200 km/h, o petista dirigia um fusquinha a 60 km/h. Os obstáculos ao bolivarianismo no Brasil são maiores. O destino almejado, porém, é o mesmo.

Ainda não somos a Venezuela. Nem mesmo a Argentina. Não por falta de vontade do PT, mas pela maior resistência de nossas instituições, entre elas a imprensa (não por acaso alvo de constantes ataques de ódio dos petistas, que não desistiram da obsessão de controlar os meios de comunicação independentes). O fato é que sobrevivemos ao PT, por enquanto.

Se a Venezuela tem inflação acima de 60% ao ano e a Argentina acima de 30% ao ano, nós estamos com um índice de “apenas” 6,5%, o dobro dos países mais decentes da região. Ok, levando em conta preços represados, o índice real está mais perto de uns 8%, bastante elevado. Mas ainda falta para chegar aos patamares assustadores dos nossos vizinhos. Se o PT tiver mais quatro anos no poder, podem ficar tranquilos que ele chegará lá.

O próprio controle da imprensa está em estágio bem mais avançado nesses países “camaradas”. Na Venezuela, simplesmente não há mais liberdade alguma, jornais foram fechados, jornalistas foram perseguidos, e políticos de oposição foram presos. Já é quase como Cuba, e apesar da forte rejeição a Maduro, ele continua no poder, pois asfixiou a democracia. A Argentina segue os mesmos passos, em ritmo mais lento, na toada trágica do tango.

Mas se ainda não estamos como a Venezuela e a Argentina “no que se refere” ao índice de inflação, desastre econômico, censura à imprensa e violência, em ao menos um aspecto o PT já conseguiu nos transformar na Venezuela: somos, hoje, um país dividido ao meio, completamente segregado, com um clima de antagonismo “nunca antes visto na história deste país”.

Jornalistas pedem cautela, e o próprio ministro petista Paulo Bernardo diz: “O vencedor deve adotar um discurso de conciliação. É preciso chamar os adversários para conversar. O Brasil precisa que esse clima arrefeça”. Curioso, vindo de alguém do PT e do governo Dilma. Por que não disse isso antes para seus próprios pares? Por que não tentou impedir a estratégia abjeta do marqueteiro João Santana?

A pesquisa Datafolha, um tanto suspeita, diz que a maioria condena a agressividade nas campanhas, e acha que Aécio foi mais agressivo do que Dilma. Se for verdade, em que mundo vivem essas pessoas? Não viram o que a campanha de Dilma fez com Marina Silva no primeiro turno e faz agora com o tucano? Não viram o ex-presidente Lula descer o nível e afirmar que Aécio é agressor de mulheres? Não viram o petista comparar os tucanos aos nazistas, sendo que foi o próprio Lula quem já teceu elogios a Hitler, por ser um obstinado por seus ideais?

Todos os jornalistas que adotaram a postura “neutra” de culpar igualmente ambos os lados pela agressividade prestam enorme desserviço à verdade, à justiça e ao país. Subtraem do leitor o direito de ter uma informação fiel dos fatos. Qualquer pessoa minimamente atenta e honesta percebe de onde vem o discurso de ódio, os ataques pessoais chulos, o clima de guerra. Paulo Bernardo fala em adversários, mas o PT não tem adversários; tem inimigos mortais que precisam ser eliminados.

A tática de dividir para conquistar, típica dos populistas e demagogos, foi usada e abusada pelo PT. Jogou ao longo de anos o trabalhador contra o empregado, a mulher contra o homem, o gay contra o heterossexual, o negro contra o branco, o pobre contra o rico, o “povo” contra a “elite”. Fomentou a segregação dos brasileiros. Comprou quem estava à venda. Ludibriou as massas, calou a elite corrupta.

Quem tem olhos para enxergar, cérebro para pensar e dignidade, está revoltado com tudo isso. O país rachou ao meio, e foi obra do PT. De um lado, temos alienados, ignorantes e cúmplices do butim; do outro temos os brasileiros decentes que não aguentam mais pagar a conta, serem feitos de otários, roubados à luz do dia por uma máfia incrustada no poder. Reagiram, pois para tudo há limites.

É nesse clima que o Brasil chega às eleições finais e decisivas. Seguiremos no rumo bolivariano, rachando ainda mais o país, asfixiando ainda mais nossas liberdades, afundando ainda mais a economia? Ou vamos dar uma chance à paz, à democracia, aos que pretendem colocar o interesse nacional acima dos pessoais de curto prazo? Saberemos trocar um grupo que só tem um projeto de poder por outro que tem uma agenda de reformas necessárias?

A resposta vem nas urnas, em um processo já totalmente sujo pelos golpes baixos do PT, pelo abuso da máquina estatal em prol do partido, pelo terrorismo eleitoral, pelas mentiras e campanha difamatória. Se vencer a “onda azul”, há uma boa chance de conciliação, de paz, de colocarmos todos os brasileiros acima de grupos organizados de interesse, apesar da provável reação agressiva de minorias barulhentas, como o MST de Stédile, que já fez ameaças violentas se o tucano vencer.

Mas se der Dilma, será inevitável o agravamento das fissuras. Amizades se romperão, como já se rompem, e não sem motivo: como ignorar a alienação ou a imoralidade daquele que fecha os olhos para tudo o que está acontecendo em nosso país, para todos os infindáveis escândalos de corrupção, para o autoritarismo e a indecência dos petistas? Como respeitar quem não se dá ao respeito? Como admirar pessoas que endossam tal podridão?

O PT, claro, tentará continuar comprando todos, mas faltará verba, como ocorre na Venezuela. O socialismo dura até durar o dinheiro dos outros, e sem os incentivos adequados, este acaba rapidamente, vai embora para ambientes menos hostis. E como não será mais possível abrir as torneiras estatais para todos, e a economia entrará em grave crise, restará ao PT repetir o que foi feito por seus companheiros bolivarianos: intensificar a perseguição aos “inimigos”, tentar calar o mensageiro (a imprensa), manipular os dados oficiais (o que já acontece), etc.

Que os brasileiros possam deixar essa cizânia para trás e superar o lulopetismo, pelo bem de nossos filhos e netos!


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Blog do Merval

Margem de erro

Tudo indica que a margem de erro das pesquisas eleitorais vai perseguir os cidadãos até o dia da eleição, domingo que vem. Nada está definido, a tendência de alta da presidente Dilma ainda tem que ser confirmada por novas pesquisas que serão feitas diariamente até sábado, o último dia possível de publicá-las, (hoje aliás deve estar saindo uma nova do Datafolha), e os candidatos estão lutando por territórios, especialmente dois: Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A região Sudeste, a de maior eleitorado, composta ainda de São Paulo e Espírito Santo, é onde Dilma cresce, mesmo que Aécio continue na frente. Mas os cinco pontos que a candidata do PT cresceu foram suficientes para fazê-la ultrapassar seu concorrente no cômputo geral, na explicação do diretor-geral do Datafolha Mauro Paulino.

O candidato do PSDB Aécio Neves já superou Dilma em Minas, mas não conseguiu ainda abrir uma frente suficientemente ampla para compensar perdas em outros locais. A previsão é que tire cerca de 1,8 milhão de votos de dianteira, muito menos do que os 3 a 4 milhões previstos inicialmente.

No Rio de Janeiro, Aécio andou empatado tecnicamente com a presidente Dilma, mas agora já foi superado por boa margem (48 a 37). Aqui no Rio, vigora uma situação exemplar de como a base aliada do governo é tão ampla e heterogênea: ela apóia os dois candidatos que se digladiam pelo governo do Estado, um atacando o outro impiedosamente. E os outros dois candidatos derrotados também a apóiam.

São máquinas poderosas que estão trabalhando a favor da reeleição, e a dissidência do PMDB – o Aezão, mistura de Aécio com Pezão – não parece ser forte o suficiente para manter uma votação capaz de competir com a da presidente, embora desta vez a diferença a favor de Dilma seja bem menor do que da vez anterior, em que ela abriu mais de 1,5 milhão de votos de frente no Estado.

Além do mais, há uma máquina oficial em favor de Pezão, que trabalha também a favor de Dilma, a quem o governador que tenta a reeleição se refere sempre como “presidenta”, o que demonstra uma proximidade que se choca com o movimento dissidente que ele também alimenta. Coisas do modelo de coalizão presidencial mais apropriadamente chamado de “modelo de cooptação”.

Vamos ver essa disputa voto a voto provavelmente até o final desta semana, com Aécio Neves tentando ampliar sua votação em Minas Gerais, o que seria mais natural se não tivesse cometido um dos poucos erros de sua campanha ao abandonar seu Estado no primeiro turno, como se os votos a seu favor caíssem por gravidade no seu colo.

Quando se deu conta do prejuízo, Aécio dedicou-se a Minas como deveria ter feito desde o início e conseguiu reverter a situação no segundo turno, depois de o PSDB ter perdido a eleição para o governo do Estado.

Outra preocupação, esta nova, é não perder votos em São Paulo, onde a situação de crise do abastecimento de água pode estar afetando a imagem dos tucanos, a grande máquina eleitoral do PSDB que reelegeu Geraldo Alckmin no primeiro turno e deu a Aécio uma votação de cerca de 45% dos votos.

Neste segundo turno o candidato do PSDB à presidência já estava chegando a uma votação correspondente a 60% dos votos, mesma margem por que foi eleito José Serra senador. A piora da situação hídrica do estado, no entanto, pode estar afetando a votação de Aécio, assim como afetaria a de Alckmin caso tivesse havido segundo turno em São Paulo.

A recente pesquisa do Datafolha mostra que hoje haveria segundo turno para governador, reflexo da piora da situação de escassez de água que está sendo muito explorada pela campanha de Dilma Roussef. Nesta reta final as campanhas deverão ser mais propositivas, ficando, de parte do PT, o papel sujo a cargo do ex-presidente Lula, que está se excedendo no cumprimento da função. O debate da Rede Globo na sexta-feira ganhou um relevo especial com a disputa apertada, e os indecisos, que participarão do programa com perguntas aos candidatos podem ser decisivos na definição do vencedor.  (Correção: a pesquisa Datafolha refere-se apenas à capital de São Paulo. Sendo assim, os números são praticamente os mesmos da eleição, com Alckmin recebendo 50% dos votos na capital).

Irresponsável

“Daqui para frente é a Miriam Leitão falando mal da Dilma na televisão, e a gente falando bem dela (Dilma) na periferia. É o (William) Bonner falando mal dela no “Jornal Nacional”, e a gente falando bem dela em casa. Agora somos nós contra eles. [...]”.

Essa fala irresponsável é do ex-presidente Lula no seu papel de língua de trapo da campanha petista. O PT deu agora para nomear seus “inimigos”, incentivando assim ações radicais contra jornalistas que consideram adversários do “projeto popular”.

Recentemente, um dirigente do partido havia nomeado sete jornalistas numa espécie de “lista negra”. É uma típica ação fascista, que está sendo usada já há algum tempo na Argentina de Cristina Kirchner. É neste caminho que vamos caso Dilma se reeleja.

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A radicalização

          O futuro presidente vai assumir um país conflagrado. O nível do embate deixará traumas e sequelas, diz político da oposição. E, por isso, a luta política vai se manter em alta temperatura. Está se criando ambiente de acerto de contas. O caso Petrobras ganhou pernas próprias. Seu desfecho deve afetar um Congresso marcado pela pulverização e pela divisão dos partidos, e criar obstáculos à governabilidade do país.

Os ânimos exaltados
O PSDB atacou o Instituto Datafolha por conta da pesquisa em que a presidente Dilma aparece três pontos à frente de Aécio Neves. O Instituto Teotônio Vilela, responsável pelos altos estudos dos tucanos, chega a ser insinuativo: “a pesquisa serve como luva à estratégia petista”. Embora nas duas anteriores Aécio aparecesse na frente. Não é a primeira vez que eles atacam um instituto. Em 2006, na reeleição do presidente Lula, em clima de mensalão, foram virulentos contra o Instituto Sensus. Ele foi o primeiro a mostrar a virada de Lula contra o pré-candidato José Serra. Mas são outros tempos. Hoje, o Sensus presta serviços à campanha de Aécio, e lhe dá 13 pontos de frente.

“O vencedor deve adotar um discurso de conciliação. É preciso chamar os adversários para conversar. O Brasil precisa que esse clima arrefeça”

Paulo Bernardo
Ministro das Comunicações

O impacto psicológico
Os tucanos decidiram tentar desqualificar o Instituto Datafolha devido ao baixo astral de seus quadros. Um dirigente do partido relatou que eles passaram o dia tendo que reanimar a militância. O PSDB crê que é vítima de um efeito indutor.

No caminho
O tema da falta d’água em São Paulo é a grande preocupação dos analistas políticos e marqueteiros que assessoram a campanha do PSDB. O drama, associado à gestão do governador Geraldo Alckmin, propagou-se nas redes sociais. E ameaça comprometer, na reta final, a imagem de competência que os tucanos procuram cultivar.

Pânico na CPI
Os integrantes da CPI da Petrobras desistiram de votar a prorrogação dos trabalhos. O que antes era um consenso foi deixado de lado. A CPI será finalizada dia 23 de novembro. O delator Paulo Roberto Costa mete medo em meio mundo.

Tiroteio
Candidato ao governo no RN, o presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB), denunciou, na TV, que o adversário Robinson Faria (PSD) tem 98 apartamentos do Minha Casa Minha Vida. Faria alega que os recebeu da construtora como permuta, porque ele era o dono do terreno. Faria está devendo R$ 153 mil de condomínio.

Previsão do tempo
A previsão é que o debate de sexta-feira, na TV Globo, entre a presidente Dilma e Aécio Neves será um meio-termo entre a agressividade no SBT e a moderação na Record. Não se prevê que os candidatos façam manobras arriscadas.

Terra arrasada
Os políticos do Paraná avaliam que as revelações do doleiro Alberto Youssef vão atingir em cheio muitos políticos do estado. Após as eleições, a previsão é de caos quando suas revelações forem para a vitrine. O Paraná é seu quartel general.

Os aliados de Aécio Neves no Rio estão criticando o Aezão. Avaliam que foi mais um factoide e que, em matéria de votos, não rendeu o prometido.


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Blog do Noblat

Atenção, senhores: podem roubar à vontade!
Ricardo Noblat

Dilma guardou silêncio por mais de mês sobre o escândalo de corrupção que reduziu à metade o valor da Petrobras.

O escândalo tem a ver com o desvio de recursos para enriquecer políticos que apoiam o governo e financiar campanhas. A de Dilma, inclusive.

Por que na semana passada, finalmente, Dilma avisou a jornalistas que a entrevistavam: “Houve desvio, sim!”?

Primeiro: o desgaste de continuar fingindo que desconhecia o escândalo estava pegando mal junto a formadores de opinião.

Segundo: Dilma se sentiu confortável para reconhecer o escândalo ao saber que políticos do PSDB também meteram a mão na grana da Petrobras.

Ora, se todos roubam por que não podemos roubar? Se todos são uns pilantras por que não podemos ser?

E daí?

Daí, nada.

Salvo uma parcela do eleitorado que baba de raiva quando ouve falar em roubalheira, o resto está pouco se lixando. Parte do pressuposto de que todo político é ladrão. E de que só nos resta aturá-los.

O mensalão 1, o pagamento de propina a deputados federais para que votassem como queria o governo, fez tremer o governo no segundo semestre de 2005. Lula chegou a pensar em desistir da reeleição.

O primeiro semestre do ano seguinte começou com a recuperação da popularidade de Lula. O segundo terminou com a reeleição de Lula com larga vantagem de votos sobre Geraldo Alckmin (PSDB).

João Vaccari, tesoureiro do PT e representante da campanha de Dilma junto à Justiça Eleitoral, está metido até o último fio de sua quase careca na corrupção que ameaça engolir a Petrobras.

Vaccari foi nomeado por Dilma para o Conselho Administrativo da Itaipu Binacional. Ganha R$ 20 mil para participar de duas reuniões mensais.

- A senhora confia em Vaccari? Confia? – perguntou Aécio a Dilma no debate da TV Record.

Dilma fez que não ouviu.

Desde que façam alguma coisa pelos mais pobres, os políticos poderão continuar roubando à vontade.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Nada mudou — no Datafolha ao menos: 52% a 48% para Dilma. E o papo da agressividade. Ou: Os brasileiros, os números e a realidade

O Datafolha voltou a fazer uma pesquisa eleitoral nesta terça-feira. Tudo segue como na segunda: segundo o instituto, a petista Dilma Rousseff mantém 52% dos votos válidos, e o tucano Aécio Neves, 48%. Nos votos totais, ele aparece com o mesmo número do dia anterior: 43%, e ela teria oscilado um para cima: 47%. É rigorosamente igual a nada. A margem de erro, segundo o Datafolha, e de dois pontos para mais ou para menos, Foram ouvidas 4.355 pessoas em 256 municípios.

A pesquisa traz alguns dados curiosos. Segundo se apurou, 71% dos entrevistados rejeitam a agressividade na campanha, e 27% consideram que ela faz parte do jogo. Disseram não saber 2%. Contra todas as evidências — e, certamente, os números —, 36% dizem que o mais agressivo é o tucano; 24%, que é a petista. Ora, basta ver o horário eleitoral e a quantidade de ataques desferidos pela propaganda do PT para constatar que essa percepção está obviamente errada.

O curioso é que, segundo se sabe, o PT promete continuar a desferir porradas a três por quatro e atribui a esse comportamento virulento o fato de Dilma ter passado numericamente à frente de Aécio — embora os dois, reitere-se, entejam empatados. A campanha tucana, é visível, resolveu investir mais nas propostas. Se os números do Datafolha fazem sentido, as peças publicitárias de Dilma têm de ser mais rejeitadas do que as de Aécio. Nunca nos esqueçamos de que foi o petismo que introduziu no debate o viés do ataque pessoal. Contra Dilma, até agora, Aécio nada lançou, a não ser a informação de que seu irmão era funcionário fantasma da Prefeitura de Belo Horizonte quando o prefeito era o petista Fernando Pimentel. E, ainda assim, respondia com a mesma moeda a um ataque feito a um familiar seu.

Essa conversa cria um ruído danado, não é? Afinal, entra na cota da agressividade demonstrar, por exemplo, que a Petrobras foi tomada por uma quadrilha de assaltantes e que, durante os governos petistas, a empresa serviu a interesses partidários? Entra na cota da agressividade evidenciar os desastres da dupla Dilma-Mantega na economia?

Ah, sim: a pesquisa Datafolha informa também que os brasileiros estão mais otimistas com a economia. Em menos de um mês, cresceram de 12% para 21% os que dizem que a inflação vai cair, e diminuíram de 50% para 31% os que afirmam que ela vai crescer. Nota: no período, ela aumentou. Subiram de 32% para 44% os que acham que a situação econômica vai melhorar, e foram de 25% para 15% os que avaliam que vai piorar. No período, todos os indicadores econômicos pioraram. Por que é assim? Por que o Datafolha colheu esses números? Sei lá. Perguntem aos brasileiros que responderam a pesquisa.

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PT perde para PSDB posto de partido com maior votação na legenda para Câmara

Por Beatriz Bulla e Ricardo Brito, no Estadão:
O PT perdeu nas eleições deste ano o posto de partido com maior voto na legenda para a Câmara dos Deputados. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, desde a eleição de 1990, a sigla concentrava o maior número de eleitores que preferem depositar o voto no partido e não em um candidato específico. Mas o quadro mudou em 2014. Da legislatura passada para a atual, a queda do total de votos dados ao partido chegou a quase 25%. Não bastasse, é a primeira vez na história recente que o partido ficou atrás do PSDB no total de votos em legenda recebidos.

Pela legislação, os eleitores que votam na legenda para cargos de deputados federal, estadual (ou distrital) e ainda vereador declaram uma espécie de “voto sem cabeça”. Esse tipo de voto tem o mesmo peso para o chamado quociente eleitoral daqueles que são dados pelos eleitores aos candidatos. O quociente eleitoral, por sua vez, é o número mínimo de votos que cada partido ou coligação partidária precisa ter para eleger um representante no Legislativo. Ou seja: quanto maior os votos nos candidatos e os votos na legenda, maiores as chances de eleição.

Na eleição deste ano, os petistas receberam 1,75 milhão de votos de legenda para a Câmara dos Deputados (o que representa 21,6% do total de votos válidos). Foram ultrapassados pelos tucanos, que amealharam 1,92 milhão de votos por esse formato (23,8%). A título de comparação, em 1990, o PT conquistou 1,790 milhão de votos (24,1%) e o PSDB apenas 340 mil votos (4,6%). Nesse período, os votos válidos para deputados federais pularam de 40,5 milhões para 96,8 milhões de eleitores, um aumento de 139%.

Em termos absolutos, o partido alcançou o recorde de votações na legenda para deputado federal na primeira eleição de Lula, em 2002. Naquela ocasião, o PT conquistou 2,35 milhões de votos nessa modalidade (27,13% dos votos válidos), o que fez o partido eleger 91 deputados, conquistar a maior bancada da Câmara e, de quebra, eleger o presidente da Casa. Em termos proporcionais, o maior desempenho do partido foi em 1994, quando ficou com 50,63% dos votos válidos (2.007.076 votos na legenda).

Contudo, os votos nos partidos políticos para a Câmara tiveram uma diminuição de 914 mil entre a eleição passada e a atual, de 9 milhões para 8,1 milhões no período. PSDB e PMDB também reduziram esse tipo de votação de 2010 a 2014, mas somente o PT foi responsável por uma queda de 60% dos “votos sem cabeça” em todo o País.

Histórico
Historicamente, o PT sempre defendeu o fortalecimento do partido com a votação dos eleitores na legenda. Na atual eleição, por exemplo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal líder político do partido, gravou vídeo conclamando o eleitor a votar “13″ no pleito deste ano. O secretário de Organização do PT, Florisvaldo Souza, credita a perda de apoio de simpatizantes do partido à “campanha de ódio contra o PT” feita neste ano. “Enfrentamos uma campanha que foi das mais difíceis de nossa história”, disse Souza. “É uma disputa permanente. Tem momentos em que se sofre algum revés”, admitiu o secretário.
(…)

Comento
Campanha do ódio? Voltarei ao assunto mais tarde.

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O cutista e petista que preside a ANA adere ao terrorismo eleitoral da água. Quem está no lodo é a República

O PT tentou dar o golpe eleitoral da água no primeiro turno em São Paulo, com a ajuda de setores militantes da imprensa. Falhou. Passou por uma humilhação eleitoral inédita. Agora, tenta duas coisas: disputar o segundo turno no Estado e jogar a crise hídrica nas costas de Aécio Neves — ou dos tucanos. E conta, para tanto, com o apoio asqueroso da ANA — Agência Nacional de Águas, que deveria ser isenta e apartidária. O PT age de modo coordenado com aqueles mesmos setores do jornalismo. As evidências estão em toda parte. Há dificuldades de abastecimento em São Paulo? Há, sim. Há racionamento e falta generalizada de água? A resposta é “não!” Ao contrário do que se noticia, a gestão da crise feita pelo governo e pela Sabesp, até agora, foi virtuosa: conseguiu uma economia correspondente ao racionamento sem criar as dificuldades inerentes a esse tipo de procedimento.

A crise hídrica existe, sim, e, por óbvio, não é culpa do governador. Até porque não se limita a São Paulo. Sem chuva, o Estado terá fornecimento regular de água até março. No Rio, segundo o governador Luiz Fernando Pezão, pode haver problema de abastecimento já no mês que vem. O motivo é o mesmo: falta de chuva. Aliás, se não chover o mínimo necessário, haverá também falta de energia. E aí eu quero ver o que vai dizer Dilma. Ocorre que, assim como o PT usa a doação de Bolsa Família para ganhar votos, tenta usar a falta de água com o mesmo fim. E, reitero, com o apoio quase unânime da tal “mídia”, que o partido costuma chamar de “golpista”. Se for golpista, ela o é porque majoritariamente petista. Pois é…

Nesta terça, o presidente da ANA, o petista e cutista Vicente Andreu, participou de uma audiência na Assembleia Legislativa, promovida pela bancada do PT na Casa. Raramente se viu coisa tão asquerosa. Ficou evidente, de maneira inequívoca, o mal que faz o aparelhamento do Estado. Referindo-se às dificuldades hídricas de São Paulo, Andreu resolveu fazer terrorismo e afirmou que, se não chover, a Sabesp terá de tirar água do “lodo”. Sim, ele estava em busca de uma palavra forte. E achou. No lodo, quem está é a ANA.

O cutista Andreu não parou por aí. Referindo-se à retirada de água do segundo volume estratégico, JÁ AUTORIZADA PELA AGÊNCIA QUE ELE PRÓPRIO PRESIDE, afirmou: “Eles querem tirar o segundo volume morto, ou seja, a pré-tragédia. Eu costumo dizer assim: ‘É como se cidadão fosse para o cheque especial e não avisasse a família que está com problema. Sem alternativa, ele quebra o cofrinho da filha, mas mantém a mesma condição financeira’”.

É uma fala nojenta, própria de quem está fazendo campanha. O que o senhor Andreu está querendo é criar um factoide eleitoral. Se é essa a sua opinião, por que a ANA autorizou o uso da água do segundo volume estratégico? Que recusasse! A propósito: se essa reserva não serve para momentos agudos de crise, serve pra quê?

O espantoso é que sua fala, que deveria causar repulsa em qualquer pessoa razoável, foi reproduzida como se ele fosse o portador da razão. Reitero: Andreu resolveu fazer terrorismo eleitoral com uma decisão tomada pela agência que ele próprio preside. A audiência foi marcada na Assembleia pelos petistas para virar peça de campanha. E virou. Disfarçada de jornalismo.

No lodo, quem está é a ANA!

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Esconde-esconde econômico de Dilma funciona

Dilma Rousseff atravessa a campanha eleitoral sem dizer o que fará para recolocar a economia nos trilhos. Ela nem sequer admite o descarrilamento. Os operadores do mercado fazem cara de interrogação. A Bolsa de Valores cai na proporção direta da subida da candidata do PT nas pesquisas. Dilma dá de ombros. O esconde-esconde pode ser péssimo para os negócios. Mas o Datafolha informa que é ótimo para a reeleição.

No último debate, Aécio Neves evocou uma notícia que lera no jornal sobre o renascimento do hábito de estocar alimentos. O medo da inflação está de volta, ele disse. E o Datafolha: há seis meses, 64% dos eleitores achavam que a carestia ia aumentar. Hoje, apenas 31% do eleitorado acha a mesma coisa.

O diabo é que o otimismo não encontra amparo nos fatos. Em setembro, puxada pela alta dos alimentos, a inflação bateu em 6,75%, acima da margem de tolerância do governo, que é de 6,5%.

Aécio dispõe de um porta-voz econômico: Armínio Fraga, já nomeado preventivamente ministro da Fazenda de um hipotético governo tucano. Dilma desnomeou Guido Mantega, que trabalha na Esplanada em regime de aviso prévio. Ela dispensa porta-vozes econômicos. Em matéria de economia, prefere o silêncio. Não tem muito a dizer exceto o seu mantra: vivemos em situação de pleno emprego.

Aécio diz que restabelecerá o tripé instituído sob FHC: metas para a inflação, taxa de câmbio flutuante e superávit nas contas públicas. Dilma mandou o tripé para o beleléu faz três anos. Como dizia o finado Eduardo Campos, madame entregará um Brasil pior do que o país que recebeu de Lula. Mas ela se compara a FHC.

A quatro dias da eleição, o mutismo econômico de Dilma produziu uma esfinge. Devora-me ou te decifro, diz ela aos céticos do mercado, que se dividiram. Metade está nervosa porque Dilma diz que a economia vai bem mas sabe que ela está mentindo e prepara ajustes para o caso de ser reeleita. A outra metade está nervosa porque Dilma diz que a economia vai bem e sabe que ela acredita mesmo nisso e não preparou nenhum ajuste.

Antes de obter a vantagem numérica sobre Aécio —52% a 48%, segundo a reiteração do placar no Datafolha—, Dilma também estava nervosa. Não sabia se dizia que faria ajustes que ainda não preparou ou se preparava os ajustes e não dizia. Ou vice-versa.

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Governo ainda não entrou com ações de ressarcimento dos desvios do mensalão

O julgamento do mensalão foi concluído, os condenados foram presos, alguns dos detentos progrediram do regime semiaberto para a prisão domiciliar e até já estourou um novo escândalo na praça, o petrolão. Tudo isso sucedeu em um ano e meio. E o governo não moveu até o momento nenhuma ação judicial para reaver o dinheiro roubado, devolvendo-o aos cofres públicos.

No último final de semana, Dilma Rousseff recitou para os repórteres uma posição que combinara com o marketing de sua campanha sobre o escândalo da Petrobras, espécie de mensalão 2, hipertrofiado. “Farei todo o meu possível para ressarcir o país”, disse ela, antes de admitir, pela primeira vez, a existência de crime. “Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não. Houve, viu?.''

Diante do ímpeto de Dilma, o blog decidiu verificar que providências o governo da candidata à reeleição adotou no caso do mensalão. Vai abaixo resumo da encrenca. Percorrendo-o, você perceberá que, confrontadas com um caso concreto, as palavras de Dilma perdem o sentido:

1. A nota da AGU: no dia 14 de dezembro de 2012, a Advocacia-Geral da União divulgou nota na qual prometera cobrar dos condenados do mensalão o ressarcimento das verbas que saíram pelo ladrão.

“…Os advogados públicos aguardam o acórdão do STF, fixando o ressarcimento, para iniciar a atuação”, dizia o texto. Preventivamente, a AGU cogitava requerer o bloqueio de contas, o sequestro e a penhora de bens, “para evitar o esvaziamento do patrimônio” dos condenados e “garantir que as quantias sejam restituídas à União”. E nada.

2. O acórdão: O resultado do julgamento do mensalão foi publicado pelo STF em 22 de abril de 2013. Nesta quarta-feira, a publicação completa um ano e meio. No dia seguinte, na saída de um encontro com Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara, o ministro Luís Inácio Adams, advogado-geral da União, foi espremido pelos repórteres. E o ressarcimento? “Vou ver os embargos de declaração'', disse ele, realçando a necessidade de aguardar o julgamento dos últimos recursos a que tinham direito os 25 condenados.

Isso não é um expediente protelatório?, quis saber um repórter. E Adams: “Não é protelatório porque os embargos de declaração são um instrumento de esclarecimento do acórdão. Se isso vai resultar ou não em procedência, a Corte é quem tem que decidir. As ações da AGU, nós vamos analisar em cima do que foi publicado a possibilidade de tomar alguma medida de imediato.” E nada.

3. A situação atual: procurada, a Advocacia-Geral da União informou ao blog que já decidiu buscar “o ressarcimento de recursos públicos que, segundo o STF, foram desviados da Câmara dos Deputados na gestão do ex-deputado João Paulo Cunha”, hoje um dos petistas que compõem a bancada da Papuda.

Em valores da época do escândalo, os desvios da Câmara foram orçados em R$ 1,32 milhão. A cifra foi malversada por meio de contrato de fancaria firmado com uma das agências de publicidade de Marcos Valério, a SMP&B. A Advocacia da União informa que aguarda informações requisitadas ao TCU para agir.

Obtidos os dados, a “AGU e o Ministério Público junto ao TCU atuarão em parceria para a efetiva devolução do dinheiro desviado.” Quando? Não foi informado. E quanto ao resto do dinheiro? Bem, “quanto aos recursos desviados do Visanet, a atuação caberá ao próprio Banco do Brasil e ao Ministério Público Federal.”

4. O Fundo Visanet: o repórter apurou no STF que, seis dias depois das prisões dos primeiros mensaleiros condenados, a área jurídica do Banco do Brasil requisitou ao então ministro Joaquim Barbosa cópia da íntegra do processo do mensalão. Manifestava a intenção de reaver os R$ 73,8 milhões que seu ex-diretor de Marketing, o petista Henrique Pizzolatto, desviara da cota do BB no fundo Visanet para o esquema operado por Marcos Valério.

Sem hesitações, Barbosa repassou cópia dos autos em 25 de novembro do ano passado. Mas o Banco do Brasil até hoje não moveu a ação judicial. Por quê? A casa bancária estatal informou ao blog que, de fato, “solicitou cópia da Ação Penal 470 ao STF para estudar as medidas judiciais cabíveis para a salvaguarda de seus direitos.” De posse do material há quase um ano, o ex-empregador de Pizzolatto, hoje preso na Itália, informa:

“Diante da complexidade do processo, que é um dos mais volumosos já apreciados pelo Judiciário brasileiro, o BB destacou uma equipe de advogados específica para analisar o processo e implementar a estratégia processual que confira a necessária segurança jurídica aos interesses do Banco, a partir da análise das 8.400 páginas do acórdão e das 60 mil laudas dos autos que compõem os 295 volumes e mais de 500 apensos, incluindo diversos laudos periciais de elevada complexidade.”

Quando será protocolada, afinal, a ação destinada a reaver o dinheiro? Eis a resposta oficial: “A decisão do Banco do Brasil é promover a ação ressarcitória com a brevidade possível.”

5. O montante: Ex-presidente do STF, Carlos Ayres Britto comandou a grossa maioria das sessões de julgamento do processo do mensalão. Antes de se aposentar, ele estimou em R$ 150 milhões as verbas drenadas de cofres públicos. Fez isso a partir de uma soma de cifras extraídas dos autos.

Somando-se a verba surrupiada na Câmara ao dinheiro desviado do Visanet, chega-se a R$ 75,12 milhões. Ainda que se adicione a esse valor mais R$ 2,9 milhões em verbas publicitárias do BB que, segundo o Supremo, foram apropriadas indevidamente pela DNA Propaganda de Marcos Valério, o montante fica longe dos R$ 150 milhões citados por Ayres Britto. E não há no governo quem se preocupe em refazer essas contas.

6. O petrolão: no escândalo que derrama óleo queimado sobre a logomarca da Petrobras, há duas Dilmas. Uma, a presidente, sustenta que “não sabia” da existência da quadrilha que desviava 3% dos bilionários contratos da maior estatl brasileira para os bolsos de políticos e as arcas do PT e de legendas aliadas. Outra, a candidata, faz pose de gestora rigorosa.

“Tomarei todas as medidas para ressarcir tudo e todos”, disse a Dilma-candidata na entrevista que concedeu no final de semana passado. “Mas ninguém sabe ainda o que deve ser ressarcido. A chamada delação premiada, onde tem os dados mais importantes, não foi entregue a nós.'' Verdade. Mas a papelada do mensalão está toda sobre a mesa. E nada.

A demora dos subordinados da presidente em agir no caso mensalão tornam sem nexo a pressa da candidata no escândalo do petrolão. Fica demonstrado, uma vez mais, que dinheiro público roubado do cofre é como pasta de dente que sai do tubo. Colocar de volta é tão difícil quanto desfritar um ovo.

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Dilmécio!



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Blog do Rodrigo Constantino

Vereador do PT mineiro diz: quem conhece Aécio, vota nele! Irmã de Lula concorda…

É incrível. Até alguns petistas estão debandando e declarando voto em Aécio Neves. A irmã de ninguém menos do que o ex-presidente Lula, por exemplo. Sim, Lindinalva Silva já tinha apoiado tucano antes, e agora disse que vota em Aécio Neves:



Vai dar briga em família! Outro que declarou apoio ao tucano foi um vereador do PT mineiro, Vitório Júnior, de Ribeirão das Neves, que fez uma contundente crítica ao próprio partido, e disse sem titubear: “Quem é mineiro vota Aécio”. Vejam:


Esse, pelo visto, será expulso do partido, pois não rezou de acordo com a cartilha, preferindo manter sua consciência cívica em paz.

Mas o importante é o seguinte: até mesmo aquelas pessoas bem próximas do PT estão tomando coragem para colocar os interesses nacionais acima dos próprios. É isso mesmo!


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Blog do Augusto Nunes

Terceiro boletim do DataNunes desmente o Datafolha, prova que ‘empate técnico’ quer dizer ‘em cima do muro’ e constata que Aécio continua 10 pontos acima de Dilma

Até recentemente, o Brasil esquecia a cada 15 anos o que havia acontecido nos 15 anos anteriores.O intervalo entre os surtos de amnésia foi dramaticamente reduzido. No caso das pesquisas eleitorais, por exemplo, o país agora esquece a cada 15 dias o que aconteceu faz 15 dias. O afundamento do Datafolha e do Ibope consumado em 5 de outubro mal completou duas semanas. Mas parece mais antigo que o naufrágio do Titanic, informa a credulidade de incontáveis nativos reapresentados a levantamentos estatísticos que prenunciam a reprise do desastre.

A pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta segunda-feira é apenas outro chute de longa distância que vai mandar a bola às nuvens ou fazê-la roçar o pau de escanteio. Na sopa de algarismos servida pelo instituto na semana passada, Aécio Neves tinha 51% dos votos válidos e Dilma Rousseff, 49%. Nesta tarde, ela apareceu com 52% e ele com 48%. Quer dizer que a candidata à reeleição ultrapassou o adversário tucano e lidera a corrida?

Não necessariamente, previne a margem de erro de 2% (para cima ou para baixo). O que há é um “empate técnico”, expressão que quer dizer “em cima do muro”. Tanto ela quanto ele podem ganhar, descobriram os videntes de acampamento cigano. Em números absolutos, Dilma teria subido em quatro dias 4 milhões de votos. (Ou 2 milhões, murmura a margem de erro para baixo; ou 6 milhões, grita a margem de erro para cima).

Sejam quais forem as reais dimensões da multidão, é gente que não acaba mais. De onde teria saído? Das grutas dos indecisos ou dos porões que abrigam os que pretendem votar em branco é que não foi: segundo o mesmo Datafolha, esse mundaréu de eleitores não aumentou nem encolheu. Teriam legiões de aecistas resolvido mudar de lado? Pode ser que sim, avisa a margem de erro para cima. Pode ser que não, replica a margem de erro para baixo.

A coisa fica mais confusa quando se fecha a lente sobre as cinco regiões em que se divide o mapa nacional. Os dois institutos enxergam Aécio com vantagem considerável no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. Dilma reina no Nordeste e vence no Norte. Seria esse patrimônio eleitoral suficientemente encorpado para impor-se ao restante do Brasil? Não, adverte a recontagem dos índices e eleitores de cada região. (“Nem que a vaca tussa”, diria a presidente cujo vocabulário anda tão refinado quanto o andar de John Wayne ao fim de um dia de filmagem especialmente exaustivo).

Os horizontes se turvam de vez com a contemplação isolada das unidades da federação. Sempre segundo as usinas de índices contraditórios, Aécio já superou Dilma no Rio Grande do Sul, equilibrou a disputa no Rio, assumiu a liderança em Minas Gerais, cresceu extraordinariamente em Pernambuco. Subiu em praticamente todos os Estados. Mas a soma dos levantamentos estaduais avisa que foi Dilma quem cresceu mais. As alquimias dos ibopes da vida, decididamente, não são acessíveis a cérebros normais.

Para acabar com a lengalenga, e botar ordem no bordel das porcentagens, o DataNunes acaba de divulgar o terceiro boletim sobre o segundo turno. Como se sabe, é o único instituto que, em vez de pesquisas, faz constatações, com margem de erro abaixo de zero e índice de confiança acima de 100%. Como o crescimento de Dilma no Nordeste foi neutralizado pelo avanço de Aécio nas demais regiões, os índices não mudaram: com 55%, o senador do PSDB continua 10 pontos percentuais à frente de Dilma, estacionada em 45%.

A troca de acusações intensificada nos últimos dias nada mudou. Os simpatizantes do PT não ficaram chocados com as agressões verbais de Dilma, nem estranharam o vocabulário de cabaré vagabundo usado por Lula. Sempre foi assim. Os partidários de Aécio, exaustos do bom-mocismo que contribuiu para a derrota de Serra em 2002 e 2010 e para o insucesso de Geraldo Alckmin em 2006, aplaudiram o desempenho do líder oposicionista.

Graças à altivez e à bravura de Aécio, pela primeira vez os vilões do faroeste não conseguiram roubar até a estrela do xerife. Pior: desafiados publicamente, os campeões da insolência piscaram primeiro. No debate da Record, Dilma escancarou já na entrada do saloon a decisão de fugir do tiroteio verbal que esquentou o confronto no SBT. Compreensivelmente, Aécio resolveu levar a mão ao coldre com menos frequência. Mas os fatos e a sensatez recomendam que se mantenha na ofensiva.

Foi depois do debate na Globo, o último promovido no primeiro turno, que um Aécio Neves exemplarmente combativo assumiu de vez o papel de porta-voz dos muitos milhões de indignados. A tática do coitadismo, adotada por Dilma por ordem de Lula, é mais uma prova de que a seita lulopetista está com medo. Teme que o adversário utilize toda a munição de que dispõe e faça com Dilma o que Dilma fez com Marina Silva. O clube dos cafajestes sonha com um líder oposicionista desarmado.

Sobretudo por isso, Aécio Neves tem o dever de manter engatilhado o trabuco retórico. Ele representa hoje o Brasil que resiste há 12 anos a um bando para o qual os fins justificam os meios. No domingo, o país não vai simplesmente optar entre um homem e uma mulher. A nação escolherá entre a decência e o crime, a honradez e a corrupção, o Estado de Direito e o autoritarismo bolivariano, os democratas e os liberticidas, a luz e a treva, a modernidade e a velharia.

Mais que o segundo turno da eleição presidencial, vem aí um plebiscito: o PT continua ou para? Segue colecionando delinquências impunes ou cai fora? A primeira alternativa mantém o país enfurnado na trilha do atraso. A segunda pavimenta a estrada que leva para longe do primitivismo e conduz ao mundo civilizado.

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Voto a voto

A virada na eleição presidencial constatada pelo Datafolha na pesquisa divulgada ontem ainda não é definitiva a favor da presidente Dilma, mas sinaliza uma tendência que pode ganhar velocidade até o próximo domingo, dia da eleição. Mesmo essa tendência, porém, precisa ser ainda confirmada, e as próximas pesquisas, quase diárias e de institutos diferentes, marcarão a evolução do eleitorado nesses últimos dias de campanha.

Ganha relevância maior, neste caso, o debate a ser promovido pela Rede Globo na sexta-feira, último dia da campanha eleitoral. Além desse detalhe de calendário, o debate terá a novidade em relação aos demais de colocar eleitores indecisos para fazer perguntas aos candidatos, o que pode ser fundamental na hora de definir o voto. Pesquisa recente do Datafolha mostra que parte do eleitorado decidiu no primeiro turno entre o sábado e o domingo da eleição, o que teria provocado os erros dos institutos de pesquisa.

O empate técnico ainda se mantém, mas o fato é que houve uma inversão de posições na liderança que demonstra uma alteração de quadro importante. Dilma ganhou 3 pontos percentuais nos votos válidos que, tirados do concorrente direto, podem significar um ponto de inflexão.

Mesmo que já não seja mais aquela militância aguerrida de outros tempos, a do PT tem mais história que a do PSDB, cujos eleitores serão testados nesses últimos dias de campanha. Há uma tese de que parte dos eleitores tucanos não revela seu voto nem nas pesquisas, para não sofrer pressão, e esse “voto oculto” poderia fazer a diferença na hora decisiva.

Nunca houve tanta chance de derrotar o PT quanto agora, mas a resiliência da candidatura de Dilma Rousseff, que não é a mais carismática das candidatas nem a mais amada entre seus próprios pares, mostra que ainda existe um forte sentimento petista no eleitorado, que mistura os ideológicos com os beneficiários dos programas sociais temerosos de perder as vantagens, e uma classe média que não quer arriscar o que já ganhou, os dois últimos grupos influenciados pela propaganda negativa desencadeada pela campanha petista.

Caberá à campanha de Aécio Neves tentar convencer os eleitores de que essa propaganda de boatos e ameaças do PT não corresponde à realidade, além de não deixar seus eleitores desanimarem na reta final. A propaganda petista teve sucesso em dois pontos cruciais até o momento: conseguiu reduzir a rejeição à presidente Dilma, melhorando a aceitação de seu governo, e aumentar a rejeição a seu adversário, embora isso tenha sido alcançado através da mistificação e da boataria.

A disputa, neste momento, está sendo travada em estados em que o eleitorado mostrou-se dividido no primeiro turno: Rio e Minas. A presidente conseguiu manter uma pequena diferença no Rio, crescendo nessa reta final o suficiente para não deixar que o candidato tucano a superasse, e em Minas Aécio Neves ainda não abriu uma diferença tal que compense derrotas em outros estados e a melhoria de Dilma em regiões onde o tucano vence, como no Sul.

Ganha enorme importância mais uma vez São Paulo, onde o PSDB está abrindo grande vantagem. Por isso a campanha petista nos últimos dias voltou a atacar o PSDB pela crise da água, um tema que não vingou na campanha para governador, mas que, com o agravamento da situação, pode tirar votos preciosos de Aécio Neves.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Com a arrogância e truculência características, PT já canta vitória. É cedo pra isso! Os tucanos têm um exemplo a seguir: Aécio! Ou ele não estaria no segundo turno

Com uma arrogância muito característica, os petistas já cantaram vitória num encontro havido ontem à noite no TUCA, o teatro da PUC, em São Paulo. Aproveitaram para demonizar e ironizar os adversários, tratando-os como inimigos do povo, que têm de ser eliminados da vida pública. Entendo. O Brasil tem de ficar entregue a patriotas como aqueles que cuidavam da Petrobras. Muito bem: segundo o Datafolha, se a eleição tivesse acontecido ontem, a petita Dilma Rousseff teria obtido 46% das intenções de voto, contra 43% do tucano Aécio Neves. Ocorre que as eleições não aconteceram ontem. Em cinco dias, ele teria oscilado dois pontos para baixo, e ela, três para cima. Os dois continuam empatados na margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos. Em votos válidos, o placar é 52% a 48%. Seis por cento dizem não saber em quem votar, e 5% votariam em branco ou nulo.

Aécio aparece na frente nas regiões Sudeste (49% a 40%), Sul (51% a 33%) e Centro-Oeste (48% a 39%), e Dilma, no Norte (55% a 39%) e Nordeste (64% a 27%). Segundo o Datafolha, a mudança mais significativa teria acontecido no Sudeste, onde o tucano teria oscilado de 50% para 49%, e a petista, crescido de 35% para 40%. O eleitorado do Sudeste corresponde a 43,44% do total. No Nordeste, Dilma teria avançado três pontos, de 61% para 64%, e Aécio, oscilado dois para baixo: de 29% para 27%. Vejam os dados.

[veja os dados no link acima]

É claro que é cedo para o PT comemorar. Por mais que a gente possa apostar na vontade que têm os institutos de acertar, o primeiro turno nos recomenda prudência. Até porque certos cuidados se fazem necessários quando se olham dados parciais das pesquisas. Por que digo isso?

No país, segundo o Datafolha, os que não sabem (6%) e brancos e nulos (5%) somam 11%, mesmo percentual, por exemplo, do Sudeste. No Sul, no entanto, onde Aécio está na frente, chegam a 16%; seriam de 13% no Centro-Oeste, mas de apenas 6% no Norte e de 9% no Nordeste. Vamos ver: brancos e nulos somaram 9,64% no primeiro turno, mas cinco dos sete Estados que ultrapassaram a marca de 10% estão no Nordeste: Rio Grande do Norte, com 14%; Alagoas (12,4%), Sergipe (11,67%), Bahia (10,67%), Paraíba (10,14%) e Ceará (9,73%). Rio e São Paulo também ultrapassaram a média, com 13,97% e 10,79%, respectivamente.

Essa observação não serve nem para animar nem para desanimar ninguém. Trata-se apenas de matéria de fato. Na rejeição, ambos estão empatados: não votariam nela 39% dos entrevistados; nele, 40%.

Aécio lidera também em todos os extratos de renda, exceção feita a um: dos que ganham até dois salários mínimos: nesse caso, Dilma tem 55%, e ele 34%. Entre os que recebem de dois a cinco, o tucano vence por 46% a 43%. A vantagem é de 57% a 33% entre cinco e 10 mínimos e de 65% a 29% entre os com renda acima de 10.

É evidente que a euforia truculenta demonstrada por petistas no encontro do Tuca é injustificada. A disputa está empatada. Os tucanos, estes, sim, têm de tomar cuidado. Querem um conselho? Façam como Aécio no primeiro turno, que jamais deixou de acreditar que estaria no segundo turno — e está. Quanto aos petistas, dizer o quê? Estão eufóricos com os números do Datafolha porque eles lhes dizem, por enquanto, que vale a pena investir no jogo sujo.

Vamos ver. Como diria Chacrinha, o Velho Guerreiro, uma eleição só acaba quando termina.

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PT celebra a política do ódio; em discurso, Dilma admite que degola pessoas, mas, à moda do Estado Islâmico, diz que a culpa é do adversário. Os fascistoides estão assanhados e esqueceram que, se ganharem, terão de governar — e essa será a parte mais difícil

O PT está de volta à sua natureza: a pregação do ódio. E, se é de ódio que se trata, nada melhor do que uma plateia de ditos “artistas e intelectuais” para que tal sentimento possa aflorar com toda a sua boçalidade. É bom não esquecer: os maiores massacres perpetrados até hoje, com requintes de crueldade, não foram, obviamente, nem planejados nem executados pelo povo, mas por uma suposta elite de pensantes. Já chego lá. Antes, quero lembrar uma barbaridade dita por Dilma Rousseff, que é candidata, sim, mas que já — ou ainda — é presidente da República. Nesta segunda, em discurso na Zona Leste de São Paulo, mais uma vez, ela passou das medidas. Está esquecendo de que, se ganhar, vai ter de governar depois.

Os porta-vozes do PT na imprensa e na subimprensa resolveram inventar um Aécio Neves violento, que não respeitaria nem uma mulher. O mote foi dado por Lula. Resisti a pensar na hipótese de início, mas agora começo a me perguntar se o “mal-estar” de Dilma, ao fim do debate promovido por Jovem Pan, UOL e SBT não nasceu antes na cabeça do marqueteiro João Santana, razão por que foi ele a socorrê-la, não a médica. Verdadeiro ou mentiroso aquele delíquio, o que veio depois era marketing. Procurou-se criar a imagem da mulher já idosa, atacada por um homem jovem — como se um debate não fosse um confronto de palavras e como se ela não tivesse dado início aos ataques pessoais. Mas sabem como é: a Dilma Coração Valente, a ex-militante de três grupos terroristas que matavam inocentes, posou ali de “vovozinha frágil”. Funcionou? Se lá eu.

No encontro, Luiz Inácio Lula da Silva, o Babalorixá de Banânia, falou, é claro! Vocês podem não acreditar, mas o ex-presidente disse o seguinte:
“Vejam que interessante. Vocês nunca viram eu fazer campanha agredindo o adversário. Nunca viram, porque eu sempre achei que a campanha política deve servir para elevar o nível de consciência da sociedade brasileira. Mas eles não pensam assim. Eu jamais imaginei que um pretenso candidato a presidente da República pudesse chamar a presidenta de mentirosa na frente das câmeras de televisão. Eu jamais imaginei que ele pudesse chamar a presidenta de leviana”.

Como é? Lula nunca agrediu adversários? O homem que inventou uma suposta e falsa “herança maldita” de seu antecessor, FHC; que acusa os adversários permanentemente de nada fazer pelos pobres — o que é sabidamente mentiroso — nunca agrediu adversários?

Dilma também falou. Referindo aos tucanos, afirmou: “Até nos programas sociais, eles fazem pra muito poucos, porque na origem, no meio e no fim. eles são elitistas. Eles são aqueles que não olham o povo, eles são aqueles que só olham para uma minoria”. Essa senhora estava falando do partido que criou o Plano Real, sem o qual Lula não teria conseguido governar. Esta senhora pertence ao partido que nomeou aquela quadrilha que estava na Petrobras. É asqueroso. Os monopolistas da Petrobras também se querem monopolistas do povo. Mas ainda não era a sua pior fala.

E Dilma justificou a truculência e o jogo sujo, que atingiu, nesta jornada, o paroxismo. Ao desqualificar as críticas dos adversários, afirmou: “Daí porque a conversa tem que baixar o nível; porque é o único nível que eles conseguem disputar de fato e de direito, o que eles condenam no Brasil é aquilo que fizemos no Brasil”. Não sei a que Dilma se refere. Eu, por exemplo, condeno no Brasil o mensalão e o petrolão. Sim, os companheiros fizeram isso. Mas não condeno o Bolsa Família, a menos que seja usado como instrumento de chantagem para o voto.

O sentido da fala é claro! Dilma admite, na prática, que baixou o nível contra Aécio, mas diz que a culpa é dele. Eu já escrevi que essa é a lógica essencial do terrorismo. Aqueles celerados do Estado Islâmico, que cortam cabeças, dizem que o responsável por seus atos é, para ficar nos termos de Dilma, o “baixo nível” dos países ocidentais.

E vocês podem esperar que eles tentarão promover a guerra de todos contra todos, inclusive contra o Congresso. Lula sugeriu que um eventual novo governo do PT pode querer enfrentar o Parlamento. Não se esqueçam de que Dilma já afirmou que pretende uma Constituinte exclusiva, com plebiscito, para fazer a reforma política. Disse o ex-presidente. “Você vai ver, presidenta, que o Congresso Nacional eleito agora é um pouco pior que o Congresso Nacional que termina o seu mandato. Pior do ponto de vista ideológico. Foram eleitos mais ruralistas, mais representantes dos empresários, menos gente de vocês”.

Intelectuais e artistas
Da Zona Leste, Dilma seguiu para o Tuca, o teatro da PUC, para um encontro com intelectuais e artistas do PT, onde o PSDB foi acusado de “neoliberal”, entre outras coisas. Santo Deus! Petistas de alto coturno estavam no palco, entre eles, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Ele explicou que o sorriso no rosto é porque os petistas apareciam na frente na pesquisa Datafolha, mas advertiu que os adversários não iriam jogar fácil a toalha. E terminou assim: “Não passarão!” Como se vê, o titular da Justiça no Brasil confunde uma disputa eleitoral com uma guerra.

E olhem que Dilma ainda não venceu a eleição. Se vencer, é bom não esquecer, vai ser preciso governar. Será a parte mais difícil.

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SE pune as duas campanhas com perda de tempo no horário eleitoral

No  Globo:
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a punir com a perda do tempo de televisão e rádio candidatos que usam o horário eleitoral para fazer ataques a outros candidatos, em vez de apresentarem propostas. Decisões do ministro Admar Gonzaga atingiram tanto a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, como seu adversário Aécio Neves (PSDB). A petista perdeu quatro minutos de suas inserções na TV e 72 segundos no programa de rádio. O tucano foi penalizado com a perda de dois minutos e meio de suas inserções na TV. As medidas valem até que o plenário tome uma decisão definitiva sobre o caso e seguem a nova orientação do TSE, iniciada na última quinta-feira.

No segundo turno, cada candidato dispõem de dois blocos de dez minutos no horário eleitoral, tanto no rádio (às 7h e às 12h) como na TV (às 13h e às 20h30). Além disso, para cada um dos dois meios, eles têm sete minutos e meio de inserções, que podem ser veiculadas ao longo do dia.

No caso de Aécio, a punição foi provocada pela veiculação de uma propaganda na qual é dito que Dilma não fez nada contra a corrupção da Petrobras. A peça publicitária foi transmitida em cinco inserções na TV no último sábado. A campanha de Dilma alegava que a propaganda era de caráter difamatório e calunioso e continha afirmação ofensiva e sabidamente inverídica, atingindo sua honra e dignidade. Em sua decisão, Admar Gonzaga entendeu que “a propaganda impugnada ainda não se ajustou à nova linha estabelecida por este Tribunal, circunstância que conduz à concessão da liminar”.

No caso de Dilma, ela foi punida por ter veiculado, no dia 19 de outubro, uma inserção no rádio com uma paródia da música “Oh, Minas Gerais”. Na peça publicitária, a letra era adaptada para criticar o candidato tucano, que obteve menos votos que Dilma em Minas, estado onde ele foi governador entre 2003 e 2010. “Oh, Minas Gerias, oh, Minas Gerais, quem conhece Aécio não vota jamais”, dizia a propaganda. Em decisão anterior, ele já havia determinado a suspensão da peça. “Ainda que a propaganda não utilize expressões grosseiras, foi elaborada num tom jocoso, com o claro propósito de enfuscar a imagem do primeiro representante (Aécio). Destoa ela, portanto, da novel orientação desta egrégia corte”, disse Admar em sua decisão.

Na TV, Dilma foi punida por ter levado ao ar uma propaganda em que acusa Aécio de desrespeitar as mulheres, por ter chamado a própria Dilma e a candidata Luciana Genro (PSOL) de levianas em debates na TV. Nos quatro minutos a que Dilma não terá mais direito na TV, o ministro Admar Gonzaga determinou que deve ser exibida a informação de que a não veiculação da propaganda resulta de infração da lei eleitoral. A campanha de Aécio dizia que a propaganda de Dilma ofendia a honra do tucano e reproduzia trechos de debate fora de contexto, para passar a impressão de que ele seria agressivo com as duas candidatas.

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Ultrapassagem de Dilma no Datafolha potencializa supremacia do marketing

Vivemos atrás do significado maior de qualquer coisa que resuma uma época, seja a propagação do vírus Ebola ou a conversão da água do volume morto do Cantareira em drink-ostentação. Os brasileiros do futuro talvez elejam 2014 como um ano histórico. Dirão que foi o ano em que a política ingressou de vez na Idade Mídia, tornando-se um mero ramo da publicidade.

O Datafolha mais recente, divulgado na noite desta segunda-feira (20), reforça a sensação de que o principal fenômeno político da atual sucessão presidencial tem sido, até o momento, o triunfo da ideologia da desconstrução. Depois de triturar Marina Silva, expurgando-a do segundo turno, a usina de demolição em que se converteu o comitê de Dilma Rousseff passa no moedor a imagem de Aécio Neves.

O quadro ainda é de empate estatístico. Mas inverteram-se as posições. Nas duas primeiras sondagens do segundo turno, Aécio aparecia à frente de Dilma: 51% a 49%. Agora, é a petista quem ostenta a superioridade numérica: 52% a 48%.

Aécio não desabou como Marina. Porém, a campanha de Dilma, a mais marquetada da temporada, vai transformando-o, devagarinho,  numa paçoca em que se misturam a apelação do bafômetro à merecida cobrança por atos como a construção do agora célebre aeroporto de Cláudio. Tudo isso recoberto com um creme demofóbico que gruda no candidato tucano as pechas de ameaça aos mais pobres e amigo dos muito ricos. Nessa caricatura de segundo turno, Armínio Fraga faz o papel de Neca Setúbal.

Os efeitos são eloquentes. A taxa de rejeição de Aécio ficou maior que a de Dilma: 40% a 39%. Há 12 dias, diziam que jamais votariam no tucano 34% dos eleitores. Rejeitavam a petista 43%. Há mais e pior: Aécio derrete em pedaços do mapa onde sua candidatura parecia mais sólida. Por exemplo: Em 9 de outubro, ele ostentava uma vantagem de 21 pontos sobre Dilma no Sudeste. Hoje, a diferença é de nove pontos.

Não é só: inverteram-se as curvas de preferência eleitoral no estratégico grupo da dita classe média emergente. Nesse nicho, que responde por pouco mais de um terço dos votos em disputa, Aécio prevalecia sobre Dilma na semana passada por 52% a 48%. Agora, é ela quem está na dianteira: 53% a 47%.

Esse naco naco do eleitorado é composto de gente que progrediu nos últimos anos, sobretudo na Era Lula. São pessoas que atingiram o ensino médio e embolsam até cinco salários mínimos mensais. Em tese, são suscetíveis ao discurso petista da mudança “com segurança'' não como “um tiro no escuro”.

O jogo continua aberto. Há um derradeiro debate pela frente, na tevê Globo. Mas seja qual for o resultado, 2014 consolida-se como o ano da verdadeira nova política, essa que é 100% feita de publicidade. A sucessão parece um teatro de bonecos japonês.

Chama-se bunraku. Nele, os bonecos são manipulados por pessoas vestidas de preto contra um fundo escuro. A plateia vê os manipuladores. Mas finge que eles não estão lá. No caso da eleição brasileira, o homem de preto é João Santana.

Antigamente, o candidato era um pretensioso que invadia a programação do horário nobre da tevê para fazer merchandising do próprio umbigo. Hoje, a melhor candidatura é a que se ocupa de apontar defeitos nos umbigos alheios.

Há um déficit de discussão sobre o que está por vir depois da posse. Mas quem se importa?

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Nós e Eles!




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Blog do Coronel

Turma do PT e da Dilma transportava o dinheiro vivo da propina da Petrobras em jatinhos e carros forte, denuncia doleiro.

Um parte significativa da propina paga a parlamentares com recursos desviados de contratos superfaturados de empreiteiras com a Petrobras foi transportada em jatinhos e em voos domésticos, segundo a investigação da operação Lava-Jato e informações do doleiro Alberto Youssef. Desde o dia 24 de setembro ele presta depoimentos diários de até seis horas a um delegado da Polícia Federal (PF) e a um procurador da República no âmbito da delação premiada celebrada com o Ministério Público Federal (MPF).

A Lava-Jato já tinha conhecimento de que a prática era comum e que Youssef era o responsável pela logística de distribuição da propina a agentes políticos. As interceptações telefônicas judicialmente autorizadas permitiram aos investigadores identificar os responsáveis pela entrega de malas de dinheiro. Os diálogos captados nas escutas telefônicas mostram que o doleiro preocupava-se em assegurar que as "encomendas" chegassem a seus destinatários.

Ouvido na condição de testemunha de acusação em ação penal resultante da investigação federal na Petrobras, um agente da PF detalhou como os executores do esquema Youssef transportavam o dinheiro vivo: "Ocultado no corpo ou, nós temos conhecimento, que por algumas vezes eles tinham disponibilidade de aviões particulares. Mas por algumas vezes a gente conseguiu identificar que esse dinheiro era embarcado em um voo doméstico, um voo comum, provavelmente no corpo, em alguma valise e era transportado por eles."

A testemunha também contou que parte da propina era entregue com o uso de veículos blindados."Eu ouvi relatos de que eles disponibilizavam de um veículo blindado na cidade de São Paulo e que por diversas vezes foi transportado em malas, maletas dentro do carro. Dinheiro em espécie", afirmou.

O policial disse também que a investigação indicou que os pagamentos eram feitos em dólares e reais, sempre em dinheiro vivo, para "ocultar a transferência" e dificultar o rastreamento da propina.A PF deverá cruzar dados sobre decolagens e pousos de jatos no eixo São Paulo - Brasília com informações obtidas pelos inquéritos da Lava-Jato e relatadas por Youssef em seu termo de delação premiada. O pedido sobre a frequência das operações com aviões particulares terá de ser encaminhado à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Com os detalhes esmiuçados pelos relatos de Youssef, a PF espera obter novas evidências sobre o volume de propina pago a políticos. Com o detalhamento de informações, a expectativa é que a possibilidade de identificação de políticos subornados se multiplique. No entanto, eventuais quebras de sigilos fiscais e bancários só poderão ser consideradas no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), já que senadores e deputados federais contam com privilégio de foro.

A homologação da delação premiada de Youssef, assim como a de Paulo Roberto Costa, será ser conduzida pelo ministro relator do caso no STF, Teori Zavascki. Ainda não se sabe como o relator dará prosseguimento à Lava-Jato na Corte. Em sua delação, Costa teria nominado e indicado provas do recebimento de propinas por pelo menos 32 parlamentares. (Valor Econômico)


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Blog do Reinaldo Azevedo

O debate entre Aécio e Dilma não teve pancadaria, mas isso quer dizer que a petista não tenha espancado a verdade

O debate entre os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) rendeu uma média de 13 pontos no Ibope, o que é muito bom para o horário. O encontro, desta feita, foi um pouco mais frio do que o das outras vezes, embora não tenha deixado de ser tenso. A menos que eu tenha perdido, não se ouviu a palavra “mentira”, ainda que os dois candidatos tenham concordado em discordar sobre todos os assuntos. Mais uma vez, Dilma quis falar de um Brasil que já passou, citando números conforme lhe dava na telha, e Aécio, de um país que pode ser. Assim, de novo, ela investiu na política do medo, e ele, na da esperança de dias melhores. Dilma repetiu a relação absurda estabelecida no debate da Jovem Pan-UOL-SBT: afirmou que o país só conseguiria chegar a uma inflação de 3% com um choque de juros e triplicando o desemprego. É espantoso que uma presidente da República trate de assunto tão sério com tamanha ligeireza. Dá para entender por que os mercados entram em pânico se acham que sua situação eleitoral melhora? Mais: se, no sábado, ela admitiu que houve roubalheira na Petrobras, no domingo, já ensaiou um recuo. Basta rever o embate para que se constate que essa não é uma leitura que manifesta boa vontade com ele e má vontade com ela.

Um debate, a rigor, para ser sério, tem de contar com honestidade intelectual. A fala final de Dilma foi, de fato, a síntese de suas intervenções: segundo ela, estão em confronto dois modelos: um que teria proporcionado “avanços e conquistas” (o seu), e outro que teria condenado o povo ao desemprego e ao arrocho salarial” (o da oposição). Resumir os oito anos de governo FHC a esses dois termos nem errado chega a ser; é apenas estúpido.

Pela enésima vez foi preciso ouvir Dilma a afirmar que o governo FHC proibiu a criação de escolas técnicas: falso! Que apenas 11 foram construídas na gestão tucana. Falso. Que seus adversários tentaram privatizar a Petrobras. Falso. Que eles pretendem cortar direitos trabalhistas. Falso. Que são contra a participação dos bancos públicos na economia. Falso. O problema do PT na propaganda e no debate é responder a um adversário que o partido inventou, que não existe.

Petrobras
O debate deste domingo serviu para evidenciar como é realmente sensível o caso Petrobras. Se, no sábado, ela admitiu que houve desvios na Petrobras, no debate deste domingo, já foi mais ambígua, falando que há apenas “indícios de desvios”. Uau! Só os “indícios” que foram parar no bolso de Paulo Roberto Costa somam admitidos R$ 70 milhões. João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, é apontado por Costa e Alberto Youssef como um dos chefões do esquema. O partido ficaria com 2% de todos os grandes contratos. O tucano quis saber se Dilma confia em Vaccari, já que o homem é até conselheiro de Itaipu. Ela não respondeu.

Dilma apelou, mais uma vez, ao Mapa da Violência para afirmar que, em Minas, o número de homicídios cresceu mais 50% na gestão de Aécio. E ainda pediu que ele fosse ver a tabela. Eu fui. Ele governou o Estado entre janeiro de 2003 e março de 2010 — logo, os números que lhe dizem respeito são aqueles desse período. Vejam as tabelas abaixo, que trazem os mortos por 100 mil habitantes dos Estados brasileiros e das capitais.

Mapa da Violência - Minas

Mapa da Violência - capitais

Os homicídios no Estado entre 2003 e 2009 tiveram um crescimento de 14%, não de mais de 50%, e os da capital caíram 13,7%. Agora olhem este outro quadro:

Mapa da Violência Minas - ranking

Minas tem a segunda maior população do Brasil, mas está em 23º lugar no ranking dos Estados em que há mais mortes. Vejam lá o que se deu na Bahia do petista Jaques Wagner: ele chegou ao poder com 23,5 mortos por 100 mil, e a taxa saltou para 41,9 em 2002, um crescimento de 78,2%. Que tal analisar o Piauí? Os petistas pegaram o estado com taxa de homicídios de 10,2; em 2012, era de 17,2, com aumento de 58,2%. A tragédia da incompetência petista na área se repetiu em Sergipe: os petistas assumem em 2007 com taxa de 29,7, e esta se elevou para 41,8 dez anos depois, com crescimento de 40,7%. Mas o PT se comporta como professor de segurança pública. Se deixar, eles dão aula até para São Paulo, que hoje tem a menor taxa do país.

O debate deste domingo não teve pancadaria, mas isso não quer dizer que a verdade não tenha sido sebveramente espancada.

[Para ver os Mapas da Violência clique no link acima]

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A população do Amazonas corre o risco de votar em José Melo e de eleger, sem saber, um traficante para cuidar da segurança pública. Intervenção federal já!

Os Poderes instituídos do Brasil não podem fazer de conta, nesta segunda-feira, que nada aconteceu ou está acontecendo no Amazonas. Reportagem de Leslie Leitão na VEJA.com relata um absurdo, um escândalo sem precedentes, uma disparate. Autoridades que falam em nome do governador José Melo (PROS) negociam abertamente com o maior traficante do Estado o apoio do crime organizado a Melo, que disputa o segundo turno da eleição com Eduardo Braga, do PMDB. Agora dá para entender por que um dos Estados menos habitados do país — 15º no ranking das 27 unidades da federação — é também um dos mais violentos: 11º lugar no ranking de homicídios, com 36,7 mortos por 100 mil habitantes. É mais do que o triplo de São Paulo. A presidente Dilma Rousseff fez uma longa digressão a respeito de segurança pública no debate de ontem. Melo é seu aliado. O governo ajudou a criar o tal PROS, o partido ao qual pertence o sujeito.

A transcrição dos diálogos é asquerosa. O encontro se dá nas dependências do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), a maior unidade prisional do Amazonas. De um lado, o traficante José Roberto Fernandes Barbosa, líder da “Família do Norte”, que domina a venda de droga e os presídios no Estado. Do outro lado — ou do mesmo lado? —, o subsecretário de Justiça e Direitos Humanos — órgão responsável pelo sistema penitenciário no estado —, major Carliomar Barros Brandão.

A conversa, gravada por um dos presentes à reunião, não deixa a menor dúvida sobre o que se estava fazendo lá. Diz o traficante: “Vamos apoiar o Melo, entendeu? A cadeia… Vamos votar, minha família toda, lá da rua, entendeu? Não tem nada não (…). A gente quer dar um alô, que ele não venha prejudicar nós. E nem mexer com nós”. E o subscretário promete: “Não, ele não vai, não”. E esse acordo fica explícito: “A mensagem que ele mandou para vocês, agradeceu o apoio e que ninguém vai mexer com vocês, não”.

Mais escandaloso ainda: durante a conversa, o bandido confessa à autoridade que ele manda eliminar os adversários mesmo. E deixa claro que aprova as ações do governador Melo: “Tá vendo o que está acontecendo em Santa Catarina? É o comando dos caras, que estão rodando lá por causa do governo dos caras. Tá vendo aqui, a cadeia tá tudo em paz porque o governo daqui não mexe com nós”.

VEJA ouviu o tal Carliomar: ele admite que estava no presídio em missão oficial, com conhecimento do secretário de Segurança Pública.

As conversas, ouçam lá no site de VEJA, são explícitas, são arreganhadas, são inequívocas. O poder estadual está negociando a segurança pública com o crime organizado em troca de votos. O mínimo que a Procuradoria-Geral da República tem de fazer é solicitar a intervenção federal no Estado. A população do Amazonas corre o risco de votar em José Melo e acabar elegendo, sem saber, traficante como secretário de Segurança Pública.

Este senhor não pode ser eleito. Se eleito, tem de ser deposto pela lei e pelo bom senso.

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Governo do Amazonas negocia apoio de traficantes para o 2º turno

O governador do Amazonas, José Melo de Oliveira (PROS) (Alan Marques/Folhapress)
O governador do Amazonas, José Melo de Oliveira (PROS) (Alan Marques/Folhapress)
Por Leslie Leitão, na VEJA.com:
A conversa mais parece um bate-papo informal entre amigos em uma mesa de bar. O teor, no entanto, revela uma relação promíscua entre o poder e o crime. O encontro se dá dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), a maior unidade prisional do Amazonas, e reúne na mesma sala o maior traficante do estado e um integrante da cúpula da Secretaria de Justiça. O objetivo do encontro é simples: negociar o apoio das quadrilhas ao candidato à reeleição, o atual governador José Melo (PROS), no segundo turno das eleições, no próximo domingo. São cerca de 30 minutos de uma gravação feita por um dos presentes ao encontro, a que o site de VEJA teve acesso.

“Vamos apoiar o Melo, entendeu? A cadeia…vamos votar minha família toda, lá da rua, entendeu? Não tem nada não, a gente não conhece o Melo (trecho inaudível), a gente quer dar um alô, que ele não venha prejudicar nós. E nem mexer com nós”, diz o traficante José Roberto Fernandes Barbosa, conhecido como Zé Roberto, uma das maiores lideranças da facção Família do Norte, que domina o tráfico em território amazonense.

A resposta vem do subsecretário de Justiça e Direitos Humanos (órgão responsável pelo sistema penitenciário no estado), major Carliomar Barros Brandão: “Não, ele não vai, não”. E esse acordo fica explícito: “A mensagem que ele mandou para vocês, agradeceu o apoio e que ninguém vai mexer com vocês, não”.

A promessa logo no início deixa a conversa mais informal. E durante boa parte do tempo é Zé Roberto quem fala. Em vários trechos o criminoso confessa assassinatos de inimigos ou de quem não reza pela cartilha da quadrilha que controla. Quando o assunto é política, entretanto, mostra-se receptivo e faz promessas como se fosse um cabo eleitoral.

“Tá vendo o que está acontecendo em Santa Catarina (vários ataques)? É o comando dos caras, que estão rodando lá por causa do governo dos caras. Tá vendo aqui, a cadeia tá tudo em paz porque o governo daqui não mexe com nós”, afirma o criminoso num dos trechos, no que ouve a resposta de Carliomar: “O que ele quer é isso, é a cadeia em paz”. O major, em momento algum, fala o nome do governador José Melo na gravação. Procurado por VEJA, no entanto, ele admitiu o encontro, e disse ter ido ao local em missão oficial: “Comuniquei ao secretário  porque tínhamos informações de que haveria um banho de sangue lá dentro da cadeia, e fomos tentar conversar para evitar isso”, disse, negando qualquer intenção eleitoreira.

Mas a gravação é clara em outros trechos de que, sim, trata-se de um acordo entre governo e o crime organizado amazonense. Dentro da sala, além do diretor do presídio, capitão José Amilton da Silva, do major Carliomar e de Zé Roberto, estão outros detentos. O oficial diz lembrar apenas de um, mesmo assim pelo apelido: Bicho do Mato. Ele se refere a um dos líderes do bando, Francisco Álvaro Pereira. Zé Roberto fala das condições precárias, de algumas regalias e diz que ele próprio, se quisesse, poderia fugir. “A mensagem que ele mandou para vocês, agradeceu o apoio e disse que ninguém vai mexer com vocês, não”, afirma Carliomar na conversa.

Então, em seguida, faz uma projeção sobre o número de eleitores que conseguirá angariar para José Melo no seguinte diálogo: “Eu acho que de voto ele vai ter de nós mais de cem mil votos”, diz, completando: “Você imagina cada preso que tem família lá, se a gente der uma ordem eles vão cumprir. Não é igual aqueles caras que se der 100 reais que diz que vai votar e não vota. O nosso vai votar no Melo porque nós mandemos (sic)”, afirma. A resposta do subsecretário é seca: “Certo, tô sabendo”.

No final da conversa, já com o clima bem mais ameno, vários interlocutores chegam a fazer piadas. “Não esquece, no 90″, diz o diretor da unidade, capitão Amilton, numa referência ao número eleitoral de José Melo. Outro homem, não identificado pela reportagem de VEJA, emenda: “Eu vou pra uma festa lá na casa (inaudível). Olha o nome: Festa dos anos 90. E vai acabar a festa às 5 horas, 55 minutos da manhã”, diz, para gargalhada geral, numa referência ao número 555, usado pelo ex-governador e agora eleito senador Omar Aziz, de quem José Melo foi vice nos últimos sete anos. Neste momento, então, é de Zé Roberto a promessa final: “O Melo vai ter mais votos de nós do que das outras pessoas que ele vai comprar aí…”.

O site de VEJA procurou o governo do Amazonas para falar sobre o caso. O secretário de Justiça, coronel Louismar Bonates, disse ter sido comunicado por seu subordinado (major Carliomar) do encontro após a reunião. “O objetivo era manter a paz lá dentro da cadeia”, afirmou. Bonates contou ainda um episódio ocorrido há cerca de dois meses, dentro da própria unidade prisional, durante um evento evangélico. Segundo ele, na ocasião o mesmo traficante Zé Roberto se aproximou para falar com ele: “Esse mesmo detento veio dizer que iria votar no José Melo e que era pra eu avisar isso. Eu disse para ele: “Isso aqui não é Colômbia, onde governo se vende para as drogas”. E é claro que não levei recado algum, senão eu seria demitido na hora. O governo não negocia com bandido”, disse o secretário de Justiça e Direitos Humanos.

Relações Perigosas
Trecho 1
Homem – Mano, vamos acertar isso com a direção (inaudível).
Traficante José Roberto Fernandes Barbosa – Vamos apoiar o Melo, entendeu? A cadeia…vamos votar minha família toda, lá da rua, entendeu? Não tem nada não, a gente não conhece o Melo (trecho inaudível), a gente quer dar um alô, que ele não venha prejudicar nós. E nem mexer com nós.
Subsecretário de Justiça Major Carliomar – Não, ele não vai, não.

Trecho 2
José Roberto – O que a gente quer do Melo? Que a polícia faça o trabalho dela, se prender um de nós com droga, vai prender, a gente vai respeitar. A gente não quer que fique matando, porque se matar e a gente começar a matar também. Os caras pensam que nós não tem peito. Nós tem tudo. Nós tem dinheiro, nós tem arma, tem tudo. Nós faz as coisas, se mexer com nós, se mexer com nossa família nós vai mexer, se prender lá fora, se botar na cadeia eu não tô nem vendo. Porque quem leva recado pra ele é você, ou o outro secretário lá. O recado que eu quero que o senhor leve pra ele, de nós, é que nós vamos apoiar ele.
Major Carliomar – Certo.
José Roberto – Que ele prenda nós lá fora com droga, a polícia prendeu com droga eu nô nem vendo. Mas que não venha perturbar nós
Major Carliomar – O que ele quer é sempre a paz na cadeia.
José Roberto – Tá vendo o que está acontecendo em Santa Catarina? É o comando dos caras, que estão rodando lá por causa do governo dos caras. Tá vendo aqui a cadeia tá tudo em paz porque o governo daqui não mexe com nós.
Major Carliomar – O que ele quer é isso, é a cadeia em paz

Trecho 3
Major Carliomar – A mensagem que ele mandou para vocês, agradeceu o apoio e que ninguém vai mexer com vocês, não.
José Roberto – Eu acho que de voto ele vai ter de nós mais de cem mil votos, to te falando
Marjor Carliomar – Então, pra próxima vocês vão ajudar, né?
José Roberto – Você imagina cada preso que tem família lá, se a gente der uma ordem eles vão cumprir. Não é igual aqueles caras que se der 100 reais que vai votar e não vota. O nosso vai votar no Melo porque nós mandemos.
?Major Carliomar – Certo, tô sabendo.

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Uma tremenda molecagem!
Ricardo Noblat

Qual Lula é o verdadeiro?

O bem educado que aparece no programa de propaganda eleitoral de Dilma na televisão, defende os 12 anos de governos do PT e, ao cabo, sorridente, pede votos para reeleger sua sucessora?

Ou o moleque de rua que pontifica em comícios país a fora, sugerindo, sem ter coragem de afirmar diretamente, que Aécio é capaz, sim, de dirigir embriagado, agredir mulheres e se drogar?

O segundo é o mais próximo do verdadeiro Lula. Digo por que o conheço desde quando era líder sindical. Lula é uma metamorfose ambulante. Não foi ninguém quem o disse, foi ele quem se rotulou assim.

A esquerda tudo perdoaria a Lula desde que chegasse ao poder. Chegou, cavalgando-o. Uma vez lá, se corrompeu. Quanto a ele... Não sabia de nada. Nunca soube.

Justiça seja feita a Lula: por desconhecimento de causa e preguiça, ele jamais compartilhou as ideias da esquerda. Assim como ela se aproveitou dele, Lula se aproveitou dela. Um casamento não por amor, mas por interesse.

Na primeira reunião ministerial do seu governo em 2003, Lula se irritou com um ministro e desabafou: “Toda vez que me guiei pela esquerda me dei mal”.

Retifico: ele não disse que se deu mal. Usou um palavrão. Nada demais para o sujeito desbocado que nunca pesou o que diz. Grossura nada tem a ver com infância pobre.

Lula é um sucesso do jeito que é. Mudar, por quê? Todos admiram sua astúcia. Muitos se curvam à sua sabedoria. E outros tantos temem ser apontados como desafetos do retirante nordestino que se deu bem.

Uma das chaves do sucesso de Lula é a coragem de dizer o que lhe apetece – às favas a verdade.

No último sábado, em comício em Belo Horizonte, Lula disse que nunca foi grosseiro com adversários.

Textualmente: “Não tive coragem de ser grosseiro contra Collor, Serra, Alckmin, Fernando Henrique. Pega uma palavra minha chamando candidato de mentiroso e leviano”. É fácil.

Lula chamou Sarney de ladrão. E Itamar Franco de filho da puta.

Resposta de Itamar em maio de 2003: “Gostaria de saber o que aconteceria se a situação fosse inversa, ou seja, se esse indivíduo arrogante e elitista fosse o presidente da República e alguém lhe chamasse disso. (...) Minha mãe se chamava Itália Franco. Mas fosse um filho da p., certamente teria por ela o mesmo amor filial”.

Você pensa que Lula ficou constrangido com a resposta de Itamar? Foi ao velório dele. Assim como foi ao velório de Ruth Cardoso, mulher de Fernando Henrique. Chorando, lançou-se aos braços do ex-presidente.

Pouco antes da morte de Ruth, a Casa Civil da então ministra Dilma montara um dossiê sobre despesas com cartão de crédito do casal FH. Depois, a ministra se desculpou.

Lula não é homem de se desculpar. Nem mesmo quando trata um assessor a pontapés. Como governador de Minas Gerais, no auge do escândalo do mensalão, Aécio lutou para que o PSDB não pedisse o impeachment de Lula. Conseguiu.

Mais tarde, Lula tentou convencê-lo a aderir ao PMDB para disputar a presidência com o seu apoio. Aécio não quis.

De volta ao comício de Belo Horizonte.

Antes de Lula falar, foi lida a carta de uma psicóloga acusando Aécio de espancar mulheres e de ser megalomaníaco. Ele ainda foi chamado de "coisa ruim", "cafajeste" e "playboy mimado".

Por fim, a plateia foi ao delírio ao ouvir Lula dizer sobre o comportamento de Aécio em debates: “A tática dele é a seguinte: vou partir para a agressão. Meu negócio com mulher é partir para cima agredindo”.

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Debate: sem baixarias, rivais miram os indecisos

Ninguém chamou o oponente de mentiroso ou de leviano. Algumas intervenções foram ácidas. Mas não se ouviu nenhum xingamento ou ofensa pessoal. No terceiro debate presidencial do segundo turno, Dilma e Aécio priorizaram, finalmente, as ideias. E elas se revelaram tão profundamente rasas que poderia ser atravessadas por uma formiga —com água pelas canelas.

Num confronto precedido de muito ensaio, não houve nenhum lance capaz de virar votos alheios. No fundo, as grandes poses de Aécio e Dilma não eram para os eleitores que já lhes são fieis. Eles ajeitaram seus mais belos penteados, puseram suas mais elegantes roupas e armaram-se de suas melhores virtudes para o julgamento dos indecisos —6% do eleitorado. Ou cerca de 8 milhões de pessoas.

Num contexto em que sete de cada dez brasileiros manifestam o desejo de mudança, o arsenal retórico de Aécio pode soar mais sedutor que o de Dilma. A presidente está longe de ser uma adversária negligenciável. Às voltas com indicadores econômicos esquálidos e um escândalo de corrupção portentoso, ela arrasta 49% das intenções de voto nas pesquisas. E segura um empate técnico com Aécio, com 51%.

Quer dizer: mesmo com todo o temor de que a economia exploda e os ratos assumam o comando da Petrobras, praticamente metade do eleitorado ainda se dispõe a votar em Dilma. A pergunta a ser feita é: quantos indecisos Dilma conseguirá agregar ao seu cesto?

A serviço do petismo, o marqueteiro João Santana já demonstrou que, com boa propaganda, pode-se vender até ovo sem casca. Mas esse eleitor que ainda faz cara de interrogação diante da urna talvez tenha dificuldade para comprar a tese segundo a qual Dilma será a mudança de si mesma. É nisso que se apegou Aécio ao apresentar-se no debate como o candidato capaz de “mudar de verdade o Brasil, não apenas no slogan”.

Aécio logrou levar sua rival ao córner várias vezes. Como na hora em que perguntou sobre inflação. “A inflação não está descontrolada como quer vocês”, defendeu-se Dilma, tropeçando no português. “Vocês jogam no quanto pior, melhor. Eu tenho certeza que a inflação está sob controle. Ela está inteiramente controlada. E isto é inequívoco.” A necessidade de defender o próprio governo impede a presidente de enxergar que a autocrítica pode ser menos danosa do que a falta de nexo.

Livre de amarras, Aécio sapateia: “A verdade, candidata, é que as pessoas estão apavoradas. O jornal ‘O Globo’ desse final de semana mostra as pessoas no supermercado enchendo os carrinhos, fazendo de novo a compra do mês, que existia há quinze anos atrás.”

Olhar fixo na câmera, Aécio tenta faturar com o infortúnio da inflação que teima em permanecer em nos arredores de 6,5%, teto da meta oficial do governo. “A inflação está aí, é importante que você saiba. Para a presidente da República, não existe inflação, ela está sob controle. Inequívoco, segundo ela. Para mim não está!”

Nas cordas, Dilma defende-se como pode: “Candidato, em alguns momentos você tem flutuações, mas os preços voltam para o patamar que devem ficar.” Invariavelmente, ela esfrega na cara do adversário indicadores do ciclo FHC, encerrado em 2002. “Quando vocês entregaram o governo, a inflação estava em 12,5%. No ano anterior, estava em 7,7%.”

No afã de grudar FHC em Aécio, Dilma por vezes exagera: “Vocês conseguiram um recorde nacional e internacional: 11,5 milhões de trabalhadores desempregados. O Brasil só perdia para a Índia”, disse ela, a alturas tantas. E mais adiante: “O meu governo, candidato, ao contrário do seu, criou 5,6 milhões de empregos.”

Aécio ironizou: “A candidata afirma que seu governo gerou mais emprego do que o meu. Eu não governei o país, candidata, pelo menos ainda”, afirmou, antes de enumerar os países da América Latina que registram crescimento econômico mais alto, inflação mais baixa e taxas de desemprego próximas das observadas no Brasil. Citou Peru, Chile e México.

De resto, para o bel ou para o mal, Aécio não exibe na atual disputa a mesma FHCfobia que atormentava José Serra e Geraldo Alckmin, os tucanos que o precederam no posto de adversários do PT. Ante a insistência de Dilma, que o desafiou a não “lavar as mãos” para o passado da sua tribo, o tucano declarou:

“Candidata, eu tenho um orgulho enorme de ter podido participar de um momento transformador da vida nacional, quando nós aprovamos o Plano Real, tiramos a inflação das costas dos brasileiros. Contra o voto do seu partido. E tenho certeza que a senhora assume essa responsabilidade… Votamos a Lei de Responsabilidade Fiscal, que reordenou a vida dos entes públicos brasileiros. Contra a posição do seu partido… Iniciamos os programas de transferência de renda, depois ampliados, candidata, pelo seu partido.”

Outro tema que se revelou duro de roer para Dilma foi a petroladroagem. Aécio degustou defronte das câmeras da tevê Record uma declaração que sua antagonista fizera na véspera:

“Candidata, eu cobrei durante todos esses últimos debates uma posição da senhora em relação a Petrobras. Não obtive. Mas agora eu quero aqui fazer um reconhecimento de público: a senhora ontem reconheceu que houve desvios na Petrobras. [...] Aquele que é denunciado, para recebimento dessa propina, o tesoureiro [do PT] João Vaccari Neto, continuará também como membro do Conselho de Itaipu? A senhora confia nele, candidata?”

Dilma fugiu da resposta sobre Vaccari. Ficou subentendido que manterá no Conselho da Itaipu Binacional o personagem que o delator Paulo Roberto Costa identificou como operador do PT no esquema urdido para morder propinas na Petrobras.

A presidente defendeu-se atacando: “Candidato, o senhor confia em todos aqueles que, segundo as mesmas fontes que acusam o Vaccari, dizem que o seu partido, o presidente dele [Sérgio Guerra], que lamentavelmente está morto, recebeu recursos para acabar com a CPI? O senhor acredita, candidato?”

Dilma prosseguiu: “Eu queria lembrar o senhor de uma coisa: da última vez que um delator [da empresa Siemens] denunciou pessoas do seu partido no caso do metrô e dos trens [em São Paulo], o senhor disse que não ia confiar na palavra de um delator. Eu sou diferente, candidato. Eu acredito no seguinte, eu sei que há indícios de desvio de dinheiro.”

Aécio não se deu por achado: “Senhora candidata, se eu entendi bem, houve aqui um recuo, a senhora já não acha mais, como a imprensa notificou, que houve desvios, a senhora acha que houve indícios de desvios. E não respondeu a minha pergunta. Porque, se a senhora acha que houve desvios, a senhora obviamente está acreditando na palavra do delator, que me parece consistente. E eu lhe pergunto: a senhora confia no tesoureiro do seu partido?”

Nas palavras de Dilma, Aécio deveria cumprimentá-la não por ter reconhecido os devios, mas por ter declarado que “iria investigar assim que o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal divulgassem as suas conclusões.” Ela reiterou a promessa de “divulgar, punir e procurar investigar todos os que cometeram delitos.”

Aécio foi ao ponto: “A senhora foi presidente do Conselho de Administração durante um longo tempo. Como essas coisas poderiam acontecer de uma forma tão sistêmica, candidata? Isso que é grave, e isso que precisa mudar no Brasil, nós precisamos profissionalizar as nossas empresas, tirá-las da agenda política.”

O candidato tucano afirmou também que a Petrobras migrou das páginas econômicas para o noticiário policial como “consequência da forma como as pessoas são nomeadas” para compor a diretoria da Petrobras. “As pessoas estão sendo nomeadas para prestar serviços seja para o partido da presidente, ou do presidente [Lula], ou para partidos da base. É isso que, infelizmente, vem acontecendo.”

Aécio prometeu profissionalizar a gestão de estatais como a Petrobras. Disse vai retirar do balcão também os cargos de direção nos bancos públicos. Beleza. Faltou explicar como fará para saciar a fome dos partidos por poltronas e verbas. Chama-se Benito Gama um dos aliados de Aécio. Preside o PTB federal. Acaba de ser eleito deputado federal pela Bahia. Sob Dilma, ocupou um assento na diretoria do Banco do Brasil. A despeito disso, bandeou-se para a coligação de Aécio. E não há de ter feito isso por patriotismo.

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Muito medo!



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Blog do Noblat

A coisa pública e a coisa privada
RUTH DE AQUINO

Não vale a pena ver de novo. Estou na contagem regressiva para o voto na urna. Se pudesse, não assistiria mais a debates porque, até agora, o futuro do Brasil não entrou em pauta. Comparar os últimos confrontos entre Dilma Rousseff e Aécio Neves a programas de auditório ou a reality shows é uma ofensa à televisão popular. Para quem curte linchamentos e golpes abaixo da cintura, talvez os debates dos “presidenciáveis” sejam uma boa diversão.

Uma causa do baixo nível da campanha é o medo que candidatos têm de ser entrevistados ao vivo na televisão. Campanhas em outros países também são apelativas, mas há muito mais entrevistas de candidatos na TV. São longas entrevistas, sem anúncios eleitorais, feitas por jornalistas e âncoras preparados para desafiar cada afirmação falsa ou exagerada e, assim, orientar melhor o eleitor.

Essa aposta na superficialidade, na imagem, na militância virtual e no bate-boca explica que Dilma não tenha apresentado, nem no primeiro turno nem até uma semana antes da decisão no segundo turno, um plano de governo. Não me lembro, nos países civilizados, de candidato nenhum à Presidência sem um plano de governo por escrito.

Mas não se pode exigir tanto do Brasil, não é? Um país que, após 12 anos governado por uma coligação entre o PT e oligarcas da direita, tem 13 milhões de analfabetos adultos e 35 milhões de analfabetos funcionais. Lula extinguiu a Secretaria de Erradicação do Analfabetismo. Criou o Ministério da Pesca. Os 39 ministérios e secretarias precisariam de um corte radical.

Treze milhões de brasileiros não sabem desenhar um “o” nem com a ajuda de um copo. Não sabem ler o que está escrito na bandeira do Brasil, Ordem e Progresso. Trinta e cinco milhões de brasileiros sabem, mas não entendem o significado. Mesmo diante do desastre da educação, nenhum dos candidatos explicou até agora como o Brasil erradicará o analfabetismo. Em quantos anos – 20, 30 ou 40 – o Brasil se equiparará à Coreia e será um campeão na educação?

Nenhum dos dois explicou em quantos anos os pobres não precisarão mais de Bolsa Família para não morrer de fome – como se pudéssemos nos conformar em transformar famílias de miseráveis em dependentes, enquanto a propina bilionária alimenta tantos corruptos parasitas. Em quantos anos o governo federal deixará de mentir, ao chamar de “classe média” quem ganha entre R$ 291 e R$ 1.019 por mês? Deveria ser proibido chamar de classe média baixa quem ganha menos de dois salários mínimos por mês.

Como eleitora, cito uma série de incômodos que os últimos debates me provocaram. O primeiro é a falta de propostas concretas, perdidas na troca de ofensas pessoais. O segundo é a obsessão dos dois candidatos por Minas Gerais. Que eu saiba, o Estado não é modelo de gestão nem de indigestão. Basta de discutir Minas, porque nem os mineiros aguentam mais. Comecei a enjoar de pão de queijo.

Quero saber se faltará água; se a inflação continuará a subir; se o crescimento (?) ficará abaixo de 1% ao ano; se pacientes, de bebês a idosos, continuarão a morrer em fila de cirurgia, diante dos hospitais; se as obras continuarão a ser superfaturadas; se algum dia saberemos para onde vão nossos impostos; se o Estado deixará de praticar a violência oficial contra a mulher – sem creches em tempo integral, sem igualdade em salários e oportunidades. Muitas, condenadas à gravidez precoce ou à prostituição, especialmente no Norte e no Nordeste.

Outro incômodo é a deselegância. Já seria uma boa iniciativa que os dois candidatos se tratassem de “senhor” e “senhora”, em vez de “você”. As caras e bocas de Dilma e Aécio também são bregas. Um pouco mais de cerimônia e sobriedade ajudaria a tornar o confronto mais agradável.

Se Dilma quer provocar e perguntar se Aécio dirigia o carro bêbado, por que não tem a hombridade de falar claramente? Tem vergonha de agir como Collor? Se Aécio bebeu uma gota ou uma garrafa antes de dirigir, por que não diz claramente que não soprou no bafômetro por causa disso e pede desculpas por esse lapso, em vez de falar na carteira vencida? Tem vergonha?

Ver Dilma se colocar como paladina da ética e dizer que seu papel, como presidente, é “investigar e punir”, como se as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público não ocorressem à revelia dela e do PT; como se, a cada escândalo revelado, Dilma não culpasse a imprensa; como se assessores, ministros e diretores de estatais, condenados por envolvimento em maracutaias, não fossem elogiados por Lula e por ela, aplaudidos e fotografados com punhos erguidos. Ouvir de Dilma que o governo do PT “não mexe com a coisa pública em benefício de quem quer que seja”, no meio desse escândalo abissal da Petrobras... aí, sério, é hora de trocar de canal.

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Pronatec vira Roubatec. Descontrole, desvio de bilhões e corrupção desmontam vitrina eleitoreira de Dilma.

Auditoria inédita da CGU (Controladoria-Geral da União) no Pronatec, uma das vitrines eleitorais de Dilma Rousseff (PT), afirma que não é possível precisar quantos alunos assistem de fato às aulas e como foram gastos os recursos repassados pelo governo federal às escolas. O documento, ao qual a Folha teve acesso, é resultado da primeira fiscalização focada no programa --criado há três anos para formar técnicos e exaltado pela petista.

O relatório, produzido a partir de entrevistas e análise de documentos, foi finalizado em 27 de agosto, depois de manifestação do MEC (Ministério da Educação). Ele aponta descontrole dos gastos públicos porque, diz a CGU, alunos desistentes continuam sendo contabilizados --e as instituições podem ser remuneradas por esse grupo que não frequenta mais as aulas, já que "não existe processo de prestação de contas nem análise e aprovação do cumprimento das vagas pactuadas com os ofertantes".

Os auditores analisaram a execução do principal braço do programa, chamado de Bolsa-Formação, por meio do qual a União banca aulas gratuitas de ensino técnico e de qualificação profissional. Ele representa cerca de 40% das mais de 8 milhões de matrículas no Pronatec --a maior parte das vagas é oferecida e custeada diretamente pelo Sistema S (Senai, Senac, Senat e Senar).

"O aluno desistente continua sendo contabilizado como se estivesse matriculado e a instituição recebe indevidamente o valor da Bolsa-Formação não utilizada", afirma o relatório da CGU. "Mesmo sem a cobrança, entrega e análise das prestações de contas, o FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação] continuou transferindo recursos para as redes de ensino em 2013 e 2014, que juntos somam mais de R$ 4,5 bilhões", diz a auditoria da CGU. Em 2011 e 2012, foram distribuídos R$ 1,7 bilhão em bolsas. O governo federal nega descontrole.

DADOS FIDEDIGNOS
A auditoria diz que os problemas do programa começam pelo Sistec, sistema que gerencia as matrículas. "A rede de ensino não é obrigada a corrigir os dados do Sistec, que vem apresentando falhas desde a sua implementação, nem é obrigada a apresentar dados fidedignos", diz o documento. A meta de 8 milhões de matrículas do Pronatec foi alcançada em agosto e vem sendo usada como trunfo por Dilma. Neste ano, a presidente já participou de pelo menos 11 formaturas do Pronatec -- todas em Estados diferentes.

Segundo a propaganda eleitoral da petista, trata-se do "maior programa profissionalizante do mundo".Os auditores, porém, dizem que o sistema não permite o registro dos alunos que desistiram do curso. Tal falha impossibilita precisar quantos recebem a formação. "O Sistec não permite cancelar o registro de alunos desistentes, considerados aqueles que se matricularam e não compareceram nos cinco primeiros dias letivos de curso", diz o relatório da CGU.

As instituições deveriam "reconfirmar a matrícula" após cumprimento de até 25% da carga horária dos cursos de qualificação profissional ou dos quatro primeiros meses dos cursos técnicos. Mas a função não foi criada no sistema até hoje, admite o MEC. A falta de controle criou um ambiente favorável a fraudes, que já vêm sendo identificadas pelo Ministério Público Federal e pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

No Pará, o então reitor do Instituto Federal em 2012 e outras 12 pessoas são acusadas de desvio de recursos --a denúncia foi aceita pela Justiça. No Paraná, dez servidores do Instituto Federal são investigados sob a acusação de inflar o número de aulas e receber por isso. O TCU apura se houve irregularidade em bolsas a servidores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.(Folha de São Paulo)

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A desconstrução

As críticas da campanha da presidente Dilma, nos comerciais de TV, estão colando em Aécio Neves. As pesquisas qualitativas revelam, segundo analistas políticos, que os ataques fizeram a rejeição de Aécio ficar maior que a de Dilma. Por isso, os tucanos querem paralisar essa ofensiva e estão requerendo ao TSE que tire o adversário do ar ou lhes dê direito de resposta.

Briga de galos
A campanha tucana diz que em pesquisas qualitativas o público reagiu mal aos ataques entre os candidatos no debate do SBT. Mas nos estúdios da TV, auxiliares e apoiadores reagiram exultantes aos ataques desferidos por Aécio Neves contra a presidente Dilma. Os políticos pedem bis. Profissionais do marketing avaliam que o embate foi ruim para os dois. Mas fazem uma ressalva: “Quem já tinha imagem ruim era o PT”. Esse tem sido o mote da campanha tucana, associar Dilma aos malfeitos do seu partido. Mas, como o tucano se apresenta como o bom-moço, há uma avaliação na praça de que “pancadaria desse tipo faz mais mal a ele do que a ela”.

“O país está rachado. A eleição vai ser ganha na sintonia fina. Estamos com as barbas de molho. Nos estados ocorreram mudanças na última hora”.

Marcus Pestana
Presidente do PSDB-MG e deputado federal

A reviravolta

O marketing da campanha tucana virou desde o debate no SBT. Aécio Neves vai abandonar temas do chamado “campo dela” (a presidente Dilma), como Bolsa Família; Minha Casa, Minha Vida; e geração de empregos. O centro do seu discurso agora será: corrupção; mudar o que vai mal, como a economia e os serviços; e se apresentar como o mais preparado para governar o país

Na corda bamba
Os petistas de São Paulo estão possessos porque a ministra Marta Suplicy (Cultura) não está fazendo campanha para a presidente Dilma no estado. Perguntam: “Ela é ministra de quem?”. Marta Suplicy já está no sal com Dilma, que não engole o fato de ela ter defendido o “Volta, Lula”, quando o coro de petistas pelo ex-presidente engrossou.

Aguardando o pleito
Está paralisada no Palácio do Planalto, desde março, a contratação de empresa para prestar serviço de assessoria de comunicação internacional. O valor do contrato é de R$ 30,6 milhões, e três empresas estão habilitadas.

Levantar da cadeira

A governadora Roseana Sarney planeja deixar o governo do Maranhão antes da posse do sucessor, Flávio Dino (PCdoB). Caberá ao presidente da Assembleia, Arnaldo Melo (PMDB), assumir o governo nos últimos dias e empossar Dino.

Reforma política
O Diap fez as contas, e, se estivesse em vigor a cláusula de desempenho de 5% dos votos nacionais para a Câmara, apenas sete partidos sobreviveriam: PT, PMDB, PSDB, PSD, PP, PR e PSB. Sucumbiriam as outras 19 legendas.

Escanteado
Na primeira reunião que a presidente Dilma fez com os partidos coligados, decidiu-se que Marcos Pereira (PRB) seria o responsável pelos votos evangélicos, sob a coordenação da campanha central. Ele aguarda um telefonema até hoje.

Paulo Guimarães, do Instituto GPP, virou o principal conselheiro de Aécio Neves, desde que, remando contra a maré, previu que ele superaria Marina Silva.

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João

A “baixaria” da campanha eleitoral, que tecnicamente chama-se “propaganda negativa”, tem levado o marqueteiro oficial João Santana a ser comparado com Goebbels, o ministro da propaganda nazista, a quem se atribui a tese de que uma mentira repetida acaba virando verdade. Santana diz que trabalha não com mentiras, mas “com o imaginário da população, com produções simbólicas”.

Na verdade, essa maneira agressiva de utilizar a “propaganda negativa” para desconstruir os adversários tem um pioneiro na história política contemporânea, e não poderia deixar de ser um marqueteiro americano, pois nos Estados Unidos é onde se pratica a mais violenta propaganda política.

A história de Lee Atwater" está contada num filme chamado “O Bicho-Papão” (Boogie Man), apelido por que era conhecido, de que já tratei aqui na campanha eleitoral de 2008 que levou Barck Obama à presidência. Vale a pena rememorar. Como marqueteiro político era tão ligado aos republicanos que foi nomeado pelo então presidente George Bush pai para presidir o Partido Republicano, a primeira vez que um não-parlamentar ocupou o cargo.

Atwater chamou a atenção pela primeira vez em termos nacionais quando, aos 29 anos, teve papel importante na indicação de Ronald Reagan como candidato oficial do Partido Republicano em 1980 e depois na concepção de sua campanha, que teve início propositalmente na Filadélfia, lugar onde em 1963 foram assassinados três militantes dos direitos civis.

Durante o governo Reagan, Atwater trabalhou na Casa Branca e teve papel importante no escândalo Irã-Contras, organizando as manobras de marketing para livrar o presidente das acusações. Foi nesse período que se aproximou do então vice-presidente George Bush pai, de quem depois seria o principal assessor. Lee Atwater foi o primeiro assessor político a fazer pesquisas induzidas, e instintivamente entendeu que poderia incutir medo nos eleitores, explorando seus sentimentos patrióticos e religiosos.

Na sua primeira campanha, em 1978, curiosamente no partido democrata na Carolina do Sul, ele ajudou a derrotar Max Heller, um popular prefeito de Greenville, dando a vitória a Don Sprouse — que acusava Heller de, por ser judeu, não acreditar "no nosso senhor Jesus Cristo".

Foi a campanha de George Bush pai em 1988 que trouxe de vez a fama para Lee Atwater, começando pelas primárias, onde o primeiro a ser atacado foi o senador Bob Dole, acusado em propagandas de ser "O Senador Indefinido", mostrando-o como um político inconsistente, que mudava de opinião a toda hora. A tal ponto que, em um debate, perguntado pelo moderador Tom Brokaw se tinha algo a dizer a seu adversário, respondeu rispidamente: "Pare de mentir a respeito de minha história".

A campanha negativa marcou a marcha de George Bush para a Casa Branca, e a propaganda até hoje lembrada como uma das mais sujas da história política americana foi sobre o prisioneiro Willie Horton, condenado à prisão perpétua por assassinato, que saiu da cadeia dentro de um programa social implantado em Massachusetts pelo governador Michael Dukakis, praticou um assalto e estuprou uma mulher.

O candidato democrata, que tinha uma ampla vantagem, acabou sendo batido por Bush. O programa social tão criticado por Bush havia sido implantado pela primeira vez na Califórnia pelo então governador Ronald Reagan, mas os democratas não souberam responder ao ataque.

Durante essa campanha, Atwater ficou amigo da família Bush, especialmente do filho George W. Bush, e foi dele a idéia de fazê-lo candidato ao governo do Texas. Morreu em 1991, sem ter tempo de ver sua invenção chegar à presidência dos Estados Unidos. Durante o período em que esteve doente antes de morrer Atwatter ainda teve tempo de se arrepender de seus métodos, deu entrevistas e enviou cartas a diversos políticos, cujas reputações arruinara, pedindo desculpas.


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Blog do Josias

Delator: Gleisi leva petroinjeção de R$ 1 milhão

Logo que deixou a Casa Civil da Presidência para retomar o mandato de senadora, Gleisi Hoffmann guerreou com disposição inumana contra a instalação das CPIs requeridas pela oposição para esquadrinhar os negócios da Petrobras.

Em sua delação premiada, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa revelou, por assim dizer, que a senadora petista também está sujeita à condição humana. Carrega na escrituração de sua campanha para o Senado em 2010 uma petroinjeçao de R$ 1 milhão.

Suposto portador do mimo, o marido de Gleisi, o ministro petista Paulo Bernardo (Comunicações), tomou distância: “Chance zero de Alberto Youssef pedir para fazer uma doação para Gleisi. Ele não a conhece e não me conhece. A troco de quê vai fazer isso?'' É justamente o que a Procuradoria e a Polícia Federal estão tentando responder: a troco de quê?

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Youssef: desvio ajudou a financiar Dilma-2010

A campanha presidencial de Dilma Rousseff em 2010 foi parcialmente financiada com verbas desviadas da Petrobras, disse Alberto Youssef às autoridades que conduzem a Operacão Lava Jato. Em processo de delação premiada, o doleiro vem sendo submetido a sessões diárias de interrogatórios desde 2 de outubro. Deve-se ao repórter Robson Bonin a revelação de parte do conteúdo dos depoimentos. Encontram-se na última edição de Veja.

Youssef chamou o petrolão de “mensalão dois”. Contou que a engenharia dos desvios incluiu uma inusitada novidade. Em vez de descer para o caixa dois das campanhas, o dinheiro surrupiado da Petrobras era escriturado como se fosse uma doação legal. Nessa versão, a coisa funcionava assim: as empresas doavam dinheiro legalmente às campanhas de congressistas e da própria Dilma. tudo registrado na Justiça Eleitoral. Mas os recursos vinham de contratos firmados pelas empresas com Petrobras, que carregavam um sobrepreço político.

Parceiro de crimes do também delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Youssef mencionou os nomes de 28 deputados federais que recebiam mesadas do esquema montado na Petrobras. Segundo ele, os pagamentos eram mensais e variavam conforme de R$ 100 mil a R$ 150 mil, conforme o peso político de cada um.

A delação do doleiro serve de matéria-prima para que os investigadores da Lava Jato transformem a investigação da Lava Jato. Assim como ocorre com Paulo Roberto Costa, Youssef terá ajudar o Ministério Público e a Polícia Federal a provar que diz a verdade. Sob pena de não obter os benefícios judiciais que pleiteia, gais como redução de pena e prisão domiciliar.

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Dilma já enxergou desvios, falta ver suas culpas

No caso da roubalheira na Petrobras, Dilma Rousseff mudou de fase. Evoluiu do estágio do “eu não sabia” para a etapa do reconhecimento de que os cofres da maior estatal brasileira foram arrombados. “Eu farei todo o meu possível para ressarcir o país”, disse ela. “Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não. Houve, viu?”

Bom, muito bom, ótimo! Agora só falta Dilma reconhecer que a corrupção é igual aos esportes coletivos. É como o futebol. Ou o vôlei. O sujeito pode ser supertalentoso, mas não marca gol, não faz o ponto sozinho. Tem toda uma engrenagem por trás do lance: a agremiação, o preparador físico, o massagista, o técnico e, mais importante, o time em ação, armando toda a jogada que resultará no chute ou na cortada indefensáveis.

Na corrupção é igualzinho. O governo se autodefine como “de coalizão”, reparte até as diretorias da Petrobras com os pseudoaliados, esquece as mais elementares noções de recato, confunde a atividade pública com a privada… Enfim, arma toda a jogada. O corrupto apenas pratica a corrupção.

Assim como Lula não teve culpa no mensalão que a bancada da Papuda organizou sob suas barbas, Dilma não tem nada a ver com o óleo derramado embaixo do seu nariz. Ela era ministra e presidia o Conselho de Administração da Petrobras quando o governo levou a estatal ao balcão. Mas não teve nada a ver com isso. Empossada no Planalto, manteve o hoje delator Paulo Roberto Costa no comando de bilionários contratos por mais um ano e quatro meses. Mas não tem nada a ver com os 3% de propina, dos quais 2% pingaram na caixa registradora do PT.

Se perguntarem a Dilma quem são os responsáveis pelos roubos, ela dirá: os outros. Grande time esse: os outros. Tida como durona e centralizadora, a presidenta fala do grande flagelo da política nacional como se fosse 100% feito por outros. Os responsáveis por tudo são seres impalpáveis. Podem ser os despudorados do PT, os desclassificados do PMDB, os desavergonhados do PT, até os espertalhões do PSDB talvez… Todos, menos a dona da caneta, menos a senhora do Diário Oficial. Fica boiando na atmosfera quente e seca de Brasília uma indagação intrigante: que foi feito dos espelhos do Palácio da Alvorada?

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Teste vocacional!




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Blog do Reinaldo Azevedo

Dilma superestima o número de pessoas atendidas pelo Mais Médicos em mais de 30 milhões

Por Leonardo Coutinho, na VEJA.com:
Uma das principais bandeiras da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff é o Programa Mais Médicos. A candidata já disse em debates na TV e em propagandas eleitorais que 50 milhões de pessoas passaram a ser atendidas pelos 14.462 profissionais em atuação no programa. A cifra é impressionante, mas irreal. Se fosse verdadeira, significaria que um em cada quatro brasileiros é atendido pelo Mais Médicos. Segundo o Ministério da Saúde, 80% dos beneficiados – 40 milhões de pessoas – consultam-se com equipes de Saúde da Família que foram criadas ou reforçadas após o início do Mais Médicos, em outubro de 2013. Os demais, 10 milhões, são atendidos pelos 2.947 médicos do programa que trabalham nas Unidades Básicas de Saúde.

Mas os registros oficiais do Departamento de Atenção Básica (DAB) do Ministério da Saúde(veja como acessar os dados abaixo) mostram uma contradição em relação ao que se diz na propaganda eleitoral. Segundo esses dados, de outubro de 2013 a agosto de 2014, o incremento no número de pessoas cobertas pelo programa Saúde da Família foi de 9,48 milhões. “Os números foram claramente inflados. Para atingir os 40 milhões de habitantes, seriam necessárias cerca de 12.000 novas equipes de Saúde da Família e só foram criadas 3.662 no período”, diz um funcionário do Ministério da Saúde que revelou os dados a VEJA.

Na melhor das hipóteses, partindo-se do pressuposto que o Ministério da Saúde e a campanha de Dilma Rousseff não inflaram também os dados dos atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), o total de pessoas beneficiadas pelo programa não chega a 20 milhões. Nessa conta estão os 10 milhões de cidadãos que o Ministério da Saúde afirma serem atendidas pelas UBS, mais as 9,48 milhões de pessoas que se somaram àquelas que já eram cobertas pelo Programa Saúde da Família antes da importação de médicos estrangeiros, em sua maioria cubanos.

O programa Saúde da Família foi criado em 1994, no governo de Fernando Henrique Cardoso. No seus primeiros oito anos uma média de 6,8 milhões de pessoas por ano passaram a ser atendidas pela iniciativa. Em 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a Presidência da República, estavam em funcionamento no país cerca de 17.000 equipes de Saúde de Família, que atendiam 55 milhões de pessoas. Ao final de seu mandato, o programa tinha 31.660 equipes, que cobriam 100 milhões de pessoas. O avanço foi de 5,6 milhões de famílias por ano.

O governo Dilma chega ao final de seu primeiro mandado com um incremento de apenas 18 milhões de novos atendimentos (uma média de 4,5 milhões por ano), apesar do esforço do Mais Médicos. Trata-se do pior desempenho desde a criação do programa, há duas décadas. Segundo o DAB, atualmente 118.348.067 pessoas são atendidas em todo o Brasil, por um conjunto de 38.156 equipes que são compostas por no mínimo um médico, um enfermeiro, um auxiliar ou técnico de enfermagem e um grupo de até doze agentes comunitários.

O Ministério da Saúde afirmou, por meio de nota, que dos 11 515 médicos do Programa Mais Médicos que atuam no Saúde da Família, cerca de 3 000 inauguram novas equipes, enquanto os demais passaram a integrar os grupos que estavam incompletos. A pasta afirma que cada equipe atende em média 3 450 pessoas e, portanto, seria capaz de atingir 40 milhões de pessoas.

Os registros do Departamento de Atenção Básica (DAB) mostram, entretanto, que nos dois anos que antecedem a implantação do Programa Mais Médicos o déficit de médicos nas equipes de Saúde da Família (a diferença entre as equipes cadastradas junto ao Ministério da Saúde e aquelas efetivamente em atividade) nunca chegou a 1 000 vagas, sendo portanto inferior aos cerca de 8 000 postos que teriam sido preenchidos em equipes incompletas. Por lei, as equipes de Saúde da Família que ficam por mais de dois meses sem médico deixam de ser consideradas como parte do programa. Os dados do DAB mostram que em momento algum houve um agravamento na falta de pessoal.

Os dados oficiais podem se acessados da seguinte forma:

1°) Acesse a página do Departamento de Atenção Básica (DAB)

2°) Selecione na função “Opção de consulta”: competência por unidade geográfica. Em segunda, na função “unidade geográfica”, marque Brasil

3°) Escolha o período

4°) Ao final da página clique em enviar

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Dilma só é melhor do que Aécio quando fala sozinha. Ou: Não restou ao PT nada além do ódio, do rancor, do ressentimento e da pancadaria. Se vencer a eleição, como vai governar?

Eu realmente não havia me dado conta de como Dilma Rousseff tinha ido bem no debate Jovem Pan-UOL-SBT. Só percebi isso quando ela apareceu falando sozinha no horário eleitoral do PT. Dizendo de outro modo: Dilma é realmente a melhor opção que o Brasil tem para a Presidência, desde que se ignore a alternativa, que é Aécio Neves. Na propaganda do PT, nós a vemos como atua no Palácio: sem ninguém para contestá-la. É o melhor para ela. E o pior para o Brasil. Foi certamente assim que ela interveio no setor elétrico e provocou um dos maiores desastres da história na área.

É claro que a edição do debate que está no ar é uma peça publicitária destinada a fraudar os fatos. Os petistas, sem exceção, reconhecem que Dilma foi massacrada por Aécio e acham que, mais uma esfrega daquela, e a vaca vai para o brejo. É por isso que o partido, nas redes sociais e na imprensa, com a ajuda de Lula, passou a dizer que Aécio foi violento “com uma mulher”, que o agressivo foi ele, que o tucano deveria ser mais respeitoso… Ou por outra: como é homem, deveria receber calado as ofensas planejadas por João Santana, um homem.

No PT, há quem reconheça que a violência também embute um risco considerável: nunca se sabe quando se passa do ponto. Mas essa gente considera que não há outra saída. Isso, provavelmente, é conversa de quem gosta de ver correr sangue e prefere se eximir da responsabilidade moral da escolha que fez. O fato é que o PT está levando a retórica eleitoral para um ponto de exacerbação do qual é difícil voltar. Parece que Dilma não considera que, se reeleita, terá de governar depois. O ódio que está inoculando na política gera resíduos que ficarão aí por muito tempo, quem sabe para sempre.

Mesmo o PT fazendo a campanha mais odienta e mais odiosa de sua história, os bate-paus do partido, como o tal Guilherme Boulos — cuja máscara definitivamente caiu, revelando a sua condição de militante —, têm a cara de pau de acusar os adversários de promover a violência. Pior: num artigo na Folha, o coxinha radical sugere que, se Dilma vencer, haverá vingança. Boulos está se oferecendo para ser o “califa” Abu Bakr al-Bagdhadi do PT. A ignorância e o primitivismo desse rapaz, vertidos em sua logorreia aparentemente sábia, chegam a impressionar. Se, um dia, ele resolver cortar nossa cabeça em praça pública, saberá explicar que é ele a cortar, como a mão de Deus, mas que a culpa é nossa.

Dilma e o PT introduziram o vale-tudo nessa campanha. Eles não têm limites mesmo — nunca tiveram! Muito se fala da “baixaria” que Collor levou ao ar em 1989, ao apelar a Miriam Cordeiro, a mãe de Lurian, filha de Lula. Baixaria, sim, não tenhamos dúvida! Mas poucos se esquecem de que, já naquele ano, a rede de difamação petista, inclusive a da imprensa, espalhou pelos quatro ventos que o adversário era viciado em cocaína — sim, este mesmo Collor que, hoje, é aliado do PT. É que ainda não havia as redes sociais para multiplicar o boato.

Em 1994, o PT já tinha montado o seu primeiro grande “bunker” — podem pesquisar — para difamar adversários. Isso não é novo no partido. Grupos operaram nas sombras em todas as demais campanhas. Ou não surgiu, em 2010, dentro do comitê oficial de Dilma, uma súcia clandestina, encarregada de fabricar um dossiê contra Serra? E a operação de 2006, com os aloprados?

Essa gente nunca teve limites. E não terá, dentro ou fora do poder. Essa turma se julga acima da moralidade comum e acha que tudo lhe é permitido. Não sei até onde eles vão, mas uma coisa é certa: em outubro de 2014, Aécio é o Brasil que não tem medo do PT.

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Vitimização de Dilma

O truque já foi usado uma vez, recentemente, e não funcionou, ao tentarem fazer da presidente Dilma uma coitadinha quando foi vaiada na abertura da Copa do Mundo no Itaquerão. Nada indica que funcionará desta vez. Transformar a presidente Dilma em uma senhora delicada que foi tratada com grosseria por seu adversário Aécio Neves no debate do SBT na quinta-feira, não é um relato fiel do que aconteceu, nem faz jus à história da presidente e do PT. Beira o ridículo.

O mal-estar da presidente a final do debate pode ter sido provocado pelo calor da discussão e do estúdio de televisão, e prenuncia uma fragilidade emocional dela, conhecida por seu vigor verbal, digamos assim. Ontem, Dilma, antes de adiar uma vinda ao Rio " a conselho médico" que depois foi desmentido, disse algo como “o PT não é de briga, mas sabe enfrentar desafios”. Nada menos verdadeiro.

Ao contrário, o PT só sabe fazer política na base do confronto, precisa de um inimigo para mobilizar seus militantes, que andam meio desanimados ultimamente. Esse clima de guerra permanente foi instalado pelo PT no país, que não sabe fazer política sem radicalizar. A prática do “nós contra eles”, aprofundada nesta campanha com uma tentativa de jogar o PSDB contra os nordestinos, acaba levando a exacerbações.

Na ocasião da abertura da Copa escrevi que a grosseria é um problema nosso, de uma sociedade que precisa encontrar novamente o caminho da civilidade e da convivência pacífica entre os contrários. A vaia é um problema da presidente Dilma e do PT. Naquela ocasião, a presidente Dilma passou a ser tratada como uma senhora frágil e desacostumada a essa linguagem, quando ela própria já demonstrou, em reuniões com ministros e empresários, que sabe lidar com esse tipo de problema. Que o digam os ministros que já saíram chorando de seu gabinete depois de uma boa espinafração, muitas vezes com uso de palavras nada convencionais.

O ex-presidente Lula voltou a tentar o truque depois do debate da Bandeirantes, dizendo que “quando eu vejo um homem na televisão ser ignorante com uma mulher, como ele tem sido nos debates, eu fico pensando: se esse cidadão é capaz de gritar com a presidenta, fico imaginando o dia que ele encontrar um pobre na frente: é capaz dele pisar ou não enxergar”.
Lula evidentemente está fazendo baixa política, sem muita chance de dar certo. A própria presidente Dilma não dá razão para esse tratamento condescendente com ela, pois quando soube que a ex-candidata Marina Silva havia chorado ao ser atacada pela propaganda petista, saiu-se com esse comentário: “um presidente da República tem de resistir à pressão”.

Em discurso dirigido a movimentos negros em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, Dilma afirmou que quem não quer ser criticado "não pode ser presidente".

— Um presidente da República sofre pressão 24 horas por dia. Se a pessoa não quer ser pressionada, não quer ser criticada, não quer que falem dela, não dá para ser presidente da República. Acho que, (para) ser presidente, a gente tem que aguentar a barra — disse Dilma.

Se a vitimização de Marina não teve sucesso, e ela só reagiu à altura dos ataques muito tempo depois, quando sua votação já se esvaía, agora o candidato do PSDB Aécio Neves está enfrentando de frente os mesmos ataques, o que coloca um dado novo na disputa presidencial. Na verdade, Aécio é o primeiro candidato tucano que enfrenta o PT sem receios, resgatando o legado de Fernando Henrique Cardoso e exorcizando de vez a demonização que o PT vem fazendo dos governos tucanos pelos últimos 12 anos.

Tanto Serra quanto Alckmin entraram na disputa contra o PT com receio de se indispor com Lula e seus seguidores, e tiveram dificuldades para defender as políticas do PSDB, quando não evitaram simplesmente temas polêmicos como as privatizações. A postura de Aécio Neves já mostrou que há um projeto político para enfrentar o lulismo, e defendê-lo não tira votos.

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Nuvens carregadas

                O futuro presidente deve governar com uma maioria precária. Cientistas políticos avaliam que os partidos que têm por hábito apoiar governos vão sair divididos da eleição. O PMDB, o PSD, o PP e o PR têm quadros nas duas campanhas. Mas não há ministérios nem cargos para saciar todos os apetites. O grau dessa instabilidade dependerá de uma maior ou menor pressão da crise mundial.

Não vai ter água
O comando da campanha da presidente Dilma decidiu que não vai tratar, no seu programa de TV, do pânico provocado pela falta d’água em São Paulo. Avalia que o tema pegou naturalmente e que a cobertura da “free mídia” está iluminando o drama. Referindo-se à credibilidade, um dirigente dilmista comentou: “Quanto menos explorar diretamente, melhor”. Mesmo assim, é baixa a expectativa de melhora do desempenho da presidente no estado. A crença é de que ela terá pouco mais de 30% dos votos. A aposta é que o problema d’água provoque desencanto em setores do eleitorado que optariam por anular seu voto ou pela abstenção no segundo turno.

“Os ataques são por terra (metrô de SP), mar (Petrobras) e ar (aeroporto de MG). Já auditoria da dívida, melhorar Saúde e mobilidade, coisas concretas no chão brasileiro, nada...”

Chico Alencar
Deputado federal (PSOL-RJ)

Procura-se
O ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) esteve ontem em São Luís (MA), onde promoveu um encontro de mobilização pela reeleição da presidente Dilma. O governador eleito, Flávio Dino (PCdoB), não compareceu.

Devagarinho
Na semana passada, voltou à pauta do STF processo do qual o ministro Marco Aurélio Mello era relator, e que esteve parado devido a um pedido de vista. Quando o processo começou a ser julgado, uma das advogadas estava grávida. Ela voltou ao Tribunal, e Marco Aurélio perguntou com quantos anos estava o filho. “Quinze”, respondeu.

A missão
Em busca de apoio para Aécio Neves, o senador eleito Tasso Jereissati (CE) e o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), estão percorrendo o Nordeste e o Norte para reunir dissidências dos partidos da base do governo.

Na tela da TV
O PSDB entrou com ação no TSE para evitar que a presidente Dilma use passagens do debate de quinta-feira em sua propaganda eleitoral. O coordenador jurídico da campanha de Aécio, Carlos Sampaio, diz que Dilma descumpriu acordo assinado com a emissora, que proibia o uso das imagens, e isso fere a legislação eleitoral.

Espelho, espelho meu
Os tucanos ficaram exultantes com a performance de Aécio Neves no debate do SBT. No da Band, sua atuação foi considerada apática. Sua equipe definiu que a conduta a ser adotada na Record dependerá da postura da presidente Dilma.

Acessível a todos
O TRE do Rio Grande do Sul determinou que as emissoras de TV lá utilizem intérprete da língua de surdos e mudos ou legendas nos debates que organizarem. Quem não o fizer pode ser punido com a suspensão da transmissão por até 24 horas.

Mistério. Um dos fenômenos desta eleição é a quantidade de bastidores que os tucanos e petistas dizem ter da campanha do adversário.


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Blog do Rodrigo Constantino

Os libertadores já têm música-tema para dia 26 de outubro

Um leitor encontrou a música ideal para a comemoração de todos aqueles que sonham com a libertação no dia 26 de outubro. É em samba, como deveria em nosso Brasil. É PT saudações! Adeus! Pois já durou demais, não é mesmo? Então entrem no ritmo (a letra vai abaixo para fixar):



E desabou pior que um temporal
Se desmanchou nas bodas de cristal
Rompeu-se o cordão umbilical
Do sim fez-se o não, do mel fez-se o mal
Mas cá pra nós durou demais, até
Foi só paixão sem profissão de fé
Amor pra rasgar meu coração,
não deixo sangrar, eu deixo é de mão.
Até nunca mais!Não perca o avião…
Você aliás perdeu meu perdão
Me deixa em paz, não fale em vão
As ingratidões eu entrego pra deus
Vá com seus botões, que eu fico com os meus
Pt. saudações, adeus.
Pt. saudações, adeus.


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Blog do Noblat

Cara feia é fome
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Peço desculpas ao eleitor de Dilma Rousseff por ser indelicada, mas, sinceramente, foi o que mais chamou minha atenção no debate no SBT: a cara feia de dona Dilma, assustadora. Fiquei sem saber se a cara feia era da gana que ela tem quando é contrariada ou, coitada, se estava com náuseas.

Pois não é que ela estava era com fome? Foi essa a explicação para o ligeiro mal estar que acometeu a candidata ao fim do debate.

O segundo debate entre os presidenciáveis, neste segundo turno, foi como o primeiro. O que é que nos foi informado sobre os planos dos candidatos para tirar o Brasil do atoleiro em que está? Nada.

Mas ontem, no segundo debate, no SBT, pelo menos Aécio agiu como deveria ter agido no da Band. Respondeu muito bem. Desmascarou brilhantemente a malícia de dona Dilma quando ela, em vez de ser direta, foi enviesada e sugeriu que Aécio foi detido na Lei Seca por mais do que uns copos a mais... Papel feio, dona Dilma, muito feio.

Outro ponto que, com toda a certeza, desmorona a figura de dona Dilma, foi a denúncia contra Andrea Neves. Dona Dilma pegou em armas para defender suas ideias. Já Andrea Neves luta pelo Brasil servindo nas Servas (Serviço Voluntário de Assistência Social), uma associação privada sem fins lucrativos criada em 1961 e que é muito respeitada em toda Minas.

Dona Dilma foi ridícula ao querer comparar sua mineirice com a da família de Aécio. Ela é mineira de primeira geração e Aécio é mineiro de muitas. O que não quer dizer nada sobre a capacidade deles de governar o Brasil, mas ela faz questão de se dizer mineira, assim como fez questão de, em Salvador, se dizer pardinha...

Ela adora repetir que o governo dela, ao contrário do de FHC, não esconde a sujeira em baixo do tapete. Se havia tanta sujeira, por que Lula, e depois sua excelsa herdeira, não arrancaram o tapete e mandaram lavar o chão com creolina?

O roubo escancarado na Petrobras foi tão escandaloso que nem dona Dilma teve coragem de chamar de malfeito. Ela se refere ao caso da Petrobras como um golpe contra seu governo. Antes fosse, dona Dilma, antes fosse. Mas a não ser que o Paulinho da Petrobras seja louco de pedra, por que ele vai devolver à União tanto dinheiro?

Não sei se dona Dilma curte ler Jonathan Swift. Eu sou fã desse irlandês que, entre outras coisas disse: “Quem conta uma mentira raramente se apercebe do pesado fardo que toma sobre si; é que, para manter uma mentira, tem que inventar outras vinte”.

Aguardo ansiosa o próximo debate. Quero ver que outras fábulas dona Dilma e seu marqueteiro vão fiar.

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Lula insinuou em discurso que sabia de pagamento de propinas para deter CPI

Num discurso feito no início de maio, no 14º Congresso Nacional do PT, Lula declarou o seguinte: “Eu era presidente e, muitas vezes, em época de campanha, sempre aparecia alguém com um bilhetinho dizendo que era preciso fazer uma CPI da Petrobras. Sempre em época de eleições. Eu às vezes fico nervoso, não posso falar, porque eu não tenho imunidade. Mas a impressão que eu tenho é que tem gente querendo fazer caixa de campanha ameaçando em toda época de eleições a Petrobras.”

Na ocasião, a frase de Lula, disponível no vídeo acima, soara como uma crítica desconexa à oposição, que se equipava para esquadrinhar os negócios da Petrobras numa nova CPI. Súbito, as palavras do morubixaba do PT ganharam novo significado. Descobriu-se que, nos depoimentos prestados em segredo à Procuradoria da República, o delator Paulo Roberto Costa contou que parte do dinheiro desviado da Petrobras foi usado para sufocar uma CPI aberta em 2009 para investigar a estatal no Senado.

Segundo Paulo Roberto, o ex-senador pernambucano Sérgio Guerra, então presidente do PSDB federal, cobrou R$ 10 milhões para ajudar a enterrar a investigação parlamentar. O dinheiro foi entregue a Guerra depois que a CPI assou uma pizza, em dezembro de 2009. Nessa versão, o dirigente tucano teria informado ao hoje delator da Petrobras que usaria a propina para financiar campanhas do PSDB nas eleições de 2010.

Integrantes da força-tarefa que conduz a Operação Lava Jato suspeitam que era sobre esse assunto que Lula falava quando lamentou, há cinco meses, não dispor de “imunidade parlamentar” para contar o que sabe sobre CPIs, caixas de campanha e Petrobras. Paulo Roberto virou diretor de Abastecimento da maior estatal brasileira graças ao apadrinhamento do PP, Partido Progressista. Foi nomeado em 2004, sob Lula, que o chamava de “Paulinho”. Permaneceu no cargo até 2012, segundo ano da gestão de Dilma Rousseff.

No mês passado, ao participar de um ato “em defesa da Petrobras”, na frente do prédio da estatal, no Rio, Lula voltou ao assunto. De novo, falou do pecado sem mencionar os pecadores. “Já houve três pedidos de CPI só na Petrobras”, discursou ele. “Eu tenho a impressão de que essas pessoas pedem CPI para, depois, os empresários correrem atrás delas e achacarem esses empresários para ganhar dinheiro. [...] Se alguém roubou, esse alguém tem mais é que ser investigado, ser julgado. Se for culpado, tem que ir para a cadeia.''

No seu depoimento sigiloso, Paulo Roberto contou que coube à empreiteira Queiroz Galvão desembolsar a propina entregue a Sérgio Guerra. A empresa participou das obras da superfaturada refinaria pernambucana de Abreu e Lima, um dos alvos da CPI de 2009. Ainda de acordo com o delator, acompanhou a negociação com o ex-presidente do PSDB o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), chamado por ele de “operador”.

Morto há sete meses, Sérgio Guerra frequenta o noticiário indefeso. O PSDB de Aécio Neves disse defender a apuração do caso. A construtora Queiroz Galvão negou ter bancado a propina. E o deputado Eduardo da Fonte preferiu não fazer comentários. Dilma vem dizendo que não sabia que 3% do valor dos contratos celebrados pela Petrobras com grandes empreiteiras viravam propinas, num esquema que sucedeu o mensalão.

Nesse contexto, Lula faria um bem ao país e a si mesmo se esclarecesse o que diabos quis dizer com a aquela desconversa de maio: “Eu às vezes fico nervoso, não posso falar, porque eu não tenho imunidade. Mas a impressão que eu tenho é que tem gente querendo fazer caixa de campanha ameaçando em toda época de eleições a Petrobras.” No mesmo discurso, que pode ser ouvido na íntegra aqui, Lula defendeu uma volta do PT às suas origens.

Disse coisas assim: “Nós precisamos, então, voltar a recuperar o orgulho que foi a razão da existência desse partido em momentos muito difíceis, porque a gente às vezes não tinha panfleto para divulgar uma campanha. Hoje, parece que o dinheiro resolve tudo. Os candidatos a deputado não têm mais cabo eleitoral gratuito. É tudo uma máquina de fazer dinheiro, que está fazendo o partido ser um partido convencional.”

O ex-diretor Paulinho, hoje um corrupto confesso e colaborador da Justiça, comprometeu-se a devolver os US$ 23 milhões que guardou em contas na Suíça. Envolveu pelo menos três partidos governistas na petro-roubalheira: PP, PMDB e PT. Lula está diante de uma rara oportunidade. Se explicasse como seu partido virou essa “máquina de fazer dinheiro”, ele talvez iniciasse o caminho de volta às origens.

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Órgão dos EUA investiga se denúncia sobre Petrobras prejudicou acionistas

Na VEJA.com:
O órgão que regula o mercado financeiro dos Estados Unidos está investigando se as denúncias de desvio de dinheiro da Petrobras infringiram a lei anticorrupção americana e prejudicaram os acionistas da empresa com ações em Nova York, informa relatório enviado pela consultoria brasileira Arko aos seus clientes. Segundo o relatório da Arko, a investigação está sendo conduzida pela SEC (Securities and Exchange Commission), que é o correspondente à Comissão de Valores Mobiliarios, que regula as atividades do mercado financeiro no Brasil. Vinte o oito advogados e analistas americanos estariam trabalhando no caso. Procurada pelo G1, a Petrobras informou em nota que “não foi notificada pela SEC ou pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos” sobre a investigação.

De acordo com as informações do relatório, empresas que prestam serviços à Petrobras podem ser chamadas para dar esclarecimentos às autoridades americanas. As conclusões preliminares da investigação poderão se referir não só ao mercado acionário, mas também a área criminal. Os americanos apuram as denúncias de corrupção em contratos da Petrobras porque a companhia tem ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York e precisa seguir regras de conduta, entre as quais as normas anticorrupção. Se os americamos concluírem que houve desrespeito às leis de mercado e que isso causou prejuízo aos acionistas, poderão aplicar multas às empresas e também à Petrobras. Segundo a consultoria Arko, a investigação americana está baseada nas informações de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, que, mediante acordo de delação premiada, revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal um suposto esquema para desviar dinheiro de contratos e repassar os valores a partidos políticos, doleiros e a diretores da estatal.

Propina
No acordo de delação premiada, Costa se comprometeu a colaborar com as investigações em troca da transferência da prisão onde estava, em Curitiba (PR), para a casa dele, no Rio, onde está detido em regime de prisão domiciliar. No último dia 8, o ex-diretor afirmou na quarta-feira (8), em depoimento à Justiça Federal do Paraná, que parte da propina cobrada de fornecedores da estatal era direcionada para atender a PT, PMDB e PP e foi usada na campanha eleitoral de 2010. Segundo o ex-diretor, o PT recolhia para o seu caixa 100% da propina obtida em contratos das diretorias que a sigla administrava, como, por exemplo, as de Serviços, Gás e Energia e Exploração e Produção. No depoimento, Costa contou que, se o contrato era de uma diretoria que pertencia ao PP, o PT ficava com dois terços do valor e o restante era repassado para a legenda aliada.

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Marcelo Neri, presidente do Ipea, perde mais do que o bom senso; perde também a vergonha

A desmoralização a que vem sendo submetido o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) não tem precedentes: é inédita, é escandalosa, é vexaminosa. Seu atual presidente, Marcelo Neri, foi muito depressa do patético para o ridículo. Qual é o ponto?

O Instituto decidiu adiar para depois do segundo turno a sua avaliação dos microdados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2013. A justificativa é que a publicação fere a Lei Eleitoral. Talvez seja a maior mentira jamais contada por ali. Para que serve essa avaliação? Para demonstrar se o número de pobres e miseráveis caiu, cresceu ou ficou na mesma. Pesquisadores independentes que trabalharam com os dados do IBGE constataram que a miséria parou de cair no país em 2013.

Ocorre que a erradicação da miséria é um dos bordões da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, e a divulgação dos números, certamente, não seria bom para ela. Ocorre que o Ipea é um órgão de estado: não pertence a governo ou partido. A decisão do Ipea levou Herton Araújo, diretor de Estudos e Políticas Sociais, a pedir demissão.

Lei Eleitoral?
A justificativa é escandalosamente mentirosa. A Lei Eleitoral está aqui Desafio Neri a demonstrar qual é o artigo que proíbe a divulgação do estudo. Não existe! É espantoso que ele não se envergonhe de divulgar uma mentira tão clamorosa. Para tanto, é preciso perder mais do que o bom senso; é preciso perder também a vergonha.

Leia a nota do Ipea
O Ipea, por meio de sua Diretoria Colegiada, deliberou, em reunião realizada na primeira semana do mês de agosto, sobre procedimentos referentes à publicação de estudos durante o período eleitoral.

O Instituto vem mantendo normalmente a publicação de periódicos e obras enviadas para editoração até 5 de julho –data em que passaram a valer restrições estabelecidas a agentes públicos na Lei das Eleições (9.504/1997)–, mas suspendeu até 26 de outubro a divulgação de estudos não periódicos produzidos neste ínterim. A decisão baseou-se no entendimento de que uma instituição de pesquisa de Estado não deveria, neste período, suscitar acusações de favorecimento a um ou outro candidato.

Nomeado diretor posteriormente, o Sr. Herton Ellery Araújo não havia participado da deliberação. Durante a reunião de Diretoria Colegiada realizada na última quinta-feira, 9 de outubro, o Sr. Araújo procurou convencer os demais membros do colegiado a rever a decisão, restando vencido. Por discordar desta interpretação da lei eleitoral, o Sr. Araújo colocou o cargo à disposição.

Assessoria de Imprensa e Comunicação do Ipea

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Em Curitiba, Dilma usa política do medo e esconde Gleisi

Por Jean-Philip Struck, na VEJA.com:
Em sua primeira visita ao Paraná durante a corrida eleitoral, a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) voltou a usar a tática do medo, dizendo que a vitória do seu adversário Aécio Neves (PSDB) representa riscos ao país. “Nós precisamos de vocês, de cada um de vocês. A partir de hoje nós temos que ir às ruas. Falem com os amigos, falem com os vizinhos. Nós temos que mostrar as consequências se o Brasil voltar para trás. Nós temos que mostrar o que aconteceu nesse país quando eles governaram. Mostrar o que aconteceu com os trabalhadores, com estudantes, com cada um”, disse.

A petista tentou justificar o tom agressivo de sua campanha afirmando que ela apenas responde aos ataques de seus adversários. “Nós não somos da guerra, da briga. Mas quando nos desafiam, a gente encara uma boa briga”, disse. Antes da presidente, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) disse que a vitória de Aécio e a visão econômica dos tucanos podem acabar transformando o Brasil em uma nova “Grécia ou Espanha”, dois dos países mais afetados pela crise europeia.

Depois de seu discursos, a presidente-candidata participou de uma carreata pelas ruas do centro de Curitiba. No carro, Dilma foi acompanhada pelo vice-presidente, Michel Temer (PMDB), e Requião. Juntaram-se à comitiva o prefeito de Curitiba, Gustavo Fruet (PDT), e o ex-senador Osmar Dias (PDT). Uma ausência notável foi a da senadora Gleisi, que foi ministra-chefe da Casa Civil durante o governo Dilma e deixou o cargo para concorrer ao governo do Paraná. Gleisi era uma das apostas do PT nestas eleições, mas acabou amargando um vergonhoso terceiro lugar, com apenas 14,87 % dos votos, contra 55% dos obtidos por Beto Richa (PSDB-PR), que foi reeleito governador do Estado. Gleisi chegou a receber Dilma no aeroporto, mas desistiu de acompanhar a presidente no evento público.

A carreata marcou a primeira visita de Dilma ao Paraná nesta campanha eleitoral, Estado onde enfrenta dificuldades para angariar votos. No primeiro turno, a presidente ficou com 32,54% dos votos no Estado, contra 49,79% de Aécio. Ao lado do candidato tucano ao Palácio do Planalto e de Richa, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) também teve votação expressiva, conseguindo se eleger para novo mandato no Senado Federal, com 77% dos votos, o maior porcentual para o cargo do país. 

Durante o percurso, a comitiva de Dilma optou por não passar pela rua XV de Novembro, a avenida mais famosa de Curitiba e tradicional ponto de encontro para atos políticos. Na campanha de 2010, Dilma foi hostilizada quando passou pela avenida. Desta vez, ela passou por uma via paralela. A carreata percorreu cerca de 300 metros. Milhares de militantes petistas, reforçados por sindicalistas da Força Sindical, compareceram ao centro de Curitiba.

Ao contrário de 2010, Dilma não foi hostilizada. O único incidente ocorreu antes da sua chegada. Militantes petistas agrediram um homem que levantou um exemplar do livro “Assassinato de Reputações”, do ex-secretário nacional de Justiça , Romeu Tuma Jr., que contém diversas denúncias contra o governo Lula. Policiais militares e outros militantes acabaram separando a briga e retiraram o homem, que teve um corte na cabeça. No carro de som, os organizadores pediram que os militantes se contivessem diante de “provocações”.


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Blog do Coronel

Nova pesquisa Sensus mostra Aécio à frente de Dilma, com 56,4% dos votos válidos.

Pesquisa ISTOÉ/Sensus realizada entre a terça-feira 14 e a sexta-feira 17 mostra a consolidação da liderança de Aécio Neves (PSDB) sobre a petista Dilma Rousseff no segundo turno da sucessão presidencial. De acordo com o levantamento, o tucano soma 56,4% dos votos válidos, contra 43,6% da presidenta. Uma diferença de 12,8 pontos percentuais, que representa cerca de 19,5 milhões de votos. Se fossem considerados os votos totais, Aécio teria 49,7%; Dilma, 38,4%; e 12% dos eleitores ainda se manifestam indecisos ou dispostos a votar em branco.

A pesquisa indica que nessa reta final da disputa os dois candidatos já são bastante conhecidos pelos eleitores. O índice de conhecimento de Dilma é de 94,4% e de Aécio, de 93,3%. “Com os candidatos mais conhecidos, a tendência é a de que o voto fique mais consolidado”, afirma Ricardo Guedes, diretor do Instituto Sensus. O levantamento, que ouviu 2.000 eleitores de 24 Estados, revela também a liderança de Aécio Neves quando não é apresentado ao eleitor nenhum candidato. Trata-se da chamada resposta espontânea. Nesse quesito, o tucano foi citado por 48,7% dos entrevistados e a petista, que governa o País desde janeiro de 2011, por 37,8%.

Realizada em 136 municípios, a pesquisa ISTOÉ/Sensus também constatou que a campanha petista não conseguiu reduzir o índice de rejeição à candidata Dilma Rousseff. Quase metade do eleitorado, 45,4%, afirma que não admite votar na presidenta de maneira alguma. Com relação ao tucano, segundo o levantamento, a rejeição é de 29,9%. “Isso significa que a margem de crescimento da candidata Dilma é menor do que a de Aécio”, avalia Guedes. Os números mostram, segundo a pesquisa, uma forte migração para o senador tucano dos votos que foram dados a Marina Silva (PSB) no primeiro turno. “Hoje estamos juntos em torno de um programa para mudar o Brasil”, disse Marina na sexta-feira 17, ao se encontrar com Aécio em evento público na zona oeste de São Paulo.

Desde 1989, quando o Brasil voltou a eleger diretamente o presidente da República, é a primeira vez que um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar começa a última etapa da disputa na liderança. A pesquisa Istoé/Sensus divulgada no sábado 11 já apontava esse movimento, quando revelou que Aécio estava com 52,4% das intenções de voto.

Na última semana, os levantamentos que são feitos diariamente pelo comando das duas campanhas também mostraram a liderança de Aécio. É com base nessas consultas que tanto o PT como o PSDB planejam a última semana de campanha. E tudo indica que o tom será cada vez mais quente. No PT há uma divisão. Um grupo sustenta que a campanha deve aumentar o tom dos ataques contra Aécio e outro avalia que a presidenta deva imprimir um ritmo mais propositivo à campanha.

O mais provável, no entanto, é que a campanha de Dilma continue a jogar pesado contra o tucano. Segundo Humberto Costa, líder do PT no Senado, o partido vai insistir na tese de que é necessário “desconstruir a candidatura tucana”. “Não basta ficar defendendo nosso governo”, disse o senador na sexta-feira 17. Claro, trata-se de um indicativo de que a campanha de Dilma vai continuar usando do terrorismo eleitoral. “Se deu certo contra Marina, deverá dar certo contra Aécio”, afirmou Costa.

No QG dos tucanos, a ordem é não deixar nada sem resposta e continuar mostrando ao eleitor os inúmeros casos de corrupção que marcam as gestões petistas, particularmente os quatro anos do governo de Dilma. “Não podemos nos colocar como vítimas. O que precisamos é mostrar nossas propostas, mas em nenhum momento deixar de nos defender com veemência das armações feitas pelos adversários”, disse um dos coordenadores da campanha de Aécio Neves. “Marina tentou apenas fazer a campanha propositiva e acabou atropelada pela máquina de calúnias do PT.”

Nessa última semana de campanha, Aécio vai intensificar a agenda em Minas e no Nordeste, principalmente na Bahia, em Pernambuco e no Ceará. Não está descartada a possibilidade de que os nomes de novos ministros venham a ser divulgados pelo candidato. (Isto É)


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Blog do Merval

Abaixo da cintura

Quando a presidente Dilma disse que para vencer uma eleição “faz-se o diabo”, estava antecipando a falta de limites éticos que sua campanha vem demonstrando. Ontem chegamos ao ponto máximo até agora, com a presidente da República insinuando que seu oponente é bêbado ou drogado, num golpe baixo que até mesmo no MMA é proibido.

O candidato Aécio Neves teve a única reação possível, disse que se arrependia de ter se recusado a soprar o bafômetro, e elogiou a Lei Seca. Mas encarou com altivez a adversidade, criticando sua oponente por fazer insinuações sem ter coragem de inquiri-lo diretamente. Uma tentativa de contenção dos danos por um deslize que um homem público sabe que pode ter conseqüências. Essa era uma carta previsível, diante do festival de baixarias que vem dominando esta campanha, e já fora jogada na véspera quando o ex-presidente Lula, num palanque onde estava cercado dos Barbalho – ele tem uma dívida qualquer com o chefe do clã, Jader, cuja mão beijou em outras campanhas- disse que uma pessoa que se recusa a soprar o bafômetro não pode ser presidente da República.

Logo Lula, que já foi acusado por uma reportagem do New York Times de ser um presidente bêbado, ocasião em que foi defendido por diversos políticos, e recebeu a solidariedade generalizada. Escrevi na ocasião que não havia nenhuma indicação de que o hábito de beber impedisse o presidente de governar, o que tornava leviana a reportagem cheia de insinuações.
Mesmo sem entrar no mérito de quem tem mais razão ou culpa no cartório, é espantoso que um político que já foi vítima das piores atrocidades, como a que o hoje seu aliado Fernando Collor de Mello fez na campanha de 1989, possa se utilizar de métodos semelhantes na ânsia de derrotar seu adversário.

Collor colocou no ar a mãe de Lurian, filha de Lula, para acusá-lo de tê-la obrigado a fazer aborto, uma baixaria que entrou para a história política negativa brasileira. O estrago foi grande na ocasião e desestabilizou Lula para o resto da campanha. O candidato Aécio Neves aparentemente reagiu ao ataque baixo com tranqüilidade, lembrando que Dilma usava os mesmos métodos que Collor utilizara contra a família de Lula.

O contra ataque sobre o nepotismo, apontando que Igor Rousseff, irmão da presidente, era funcionário fantasma na gestão de Fernando Pimentel na prefeitura de Belo Horizonte, num caso típico de nepotismo cruzado, foi feito pedindo desculpas por baixar o nível, querendo ressaltar que Dilma procurara atingir sua família.

Uma manobra diversionista para marcar no eleitor a idéia de que ele queria discutir programas de governo, mas Dilma levava a discussão para o embate pessoal. Aécio ressaltou isso várias vezes no debate. Explicando que sua irmã Andrea trabalhou no governo de Minas como voluntária não assalariada, no papel que poderia ser exercido pela primeira-dama, que não havia, pois era solteiro na ocasião, neutralizou um dos principais ataques de Dilma.

É claro a esta altura que a campanha, que tem tido um nível muito baixo, com acusações mútuas, não mudará de tom até as urnas a 26 de outubro. Os dois candidatos se encontram em empate técnico, e o PT demonstra, por gestos e atitudes, que não pretende abrir mão de seu projeto maior de poder assim facilmente. O desespero revelado pelo uso desmedido de ataques pessoais demonstra que a campana de Dilma tenta reverter uma derrota. Ontem, perdeu claramente a disputa. A seu desfavor, uma crise econômica que só faz se agravar, uma crise política que apenas começou, e que terá desdobramentos institucionais seriíssimos nos primeiros anos do futuro governo, e um governo precário, com resultados econômicos pífios.
Dilma agarra-se à única tábua de salvação, que é o nível baixo de desemprego, que desaparecerá brevemente com a continuidade da crise econômica. Se conseguir se reeleger em outubro, estará deixando para si uma herança maldita que fará com que os seus eleitores se decepcionem rapidamente do voto que deram.

Qualquer dos dois que se eleja, porém, terá que enfrentar uma crise econômica e política com um país literalmente dividido, especialmente depois de uma campanha devastadora como essa. Tarefa para quem tem capacidade de negociação e espírito público.

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Avaliação: debate do SBT em 16/10

O debate do SBT desta quinta-feira foi o dia em que a jurupoca piou. E com certeza será um dos eventos mais comentados desde o último debate do primeiro turno, que decididamente fez a campanha de Aécio subir como um rojão.

A verdade é que na guerra política o lado mais combativo (ou “agressivo”) geralmente prevalece. O eleitorado sabe disso, pois percebe que o seu candidato realmente combate o “mal”, que está, neste caso, na situação. Este aliás, não é nem um juízo de valor, mas uma constatação técnica.

O que podemos dizer é que foi realmente um massacre de Aécio para cima da atual presidente, que em certo momento foi avisada pelo tucano que “a partir de primeiro de janeiro terá que procurar emprego”.

Como eu havia comentado há poucos dias, a campanha de TV de Aécio não está sendo assertiva o suficiente. Nos debates, porém, Aécio tem se transformado em um leão. Se no anterior, ele ganhou por uns 7×5, hoje a coisa fica bem por uns 9×4 em favor dele.

Dilma fugia das propostas o tempo todo, enquanto Aécio definiu sua estratégia de debate de forma simples: apresentou-se para o debate limpo, para falar de propostas, mas, assim que Dilma ia para as acusações, ele rebatia a maior parte delas, e lançando bons ataques. Aí é claro que ele também passava a usar perguntas mais contundentes.

Para que você tenha uma ideia, Dilma falou de maneira indireta sobre pessoas que provocam acidentes de trânsito. Até neste ponto de vulnerabilidade, ele conseguiu se sair razoavelmente bem ao falar para a presidente parar de “rodeios” e dizer as coisas diretamente. Em seguida, ele confessou que cometeu um erro no passado a respeito da questão do bafômetro, desculpando-se. Ele poderia também ter dito que a presidente já foi pega dirigindo uma moto no Palácio da Alvorada sem habilitação, e que o presidente Lula era conhecido por gostar de uma branquinha. O repórter Larry Rother virou persona non gratta por ter apontado este fato, em um caso gravíssimo de censura. Mas não se pode ter tudo.

De resto, Dilma lançava ataques dizendo que Aécio “não estava informado” ou “não estudou o assunto”, sendo que alguns desses ataques atingiram o alvo. Mas nada de muito impactante.

Um momento grotesco foi quando Dilma disse o seguinte: “Ora, é importante que a dona de casa que está nos escutando saiba, vou falar para ela, o que acontecerá se ela for para 3%? Nós vamos ter uma taxa de desemprego de 15%. Ele está se queixando de uma taxa de desemprego de 5%”. Como lembrou Reinaldo Azevedo, é uma afirmação de estupidez galopante, que deve ser desconstruída no horário eleitoral.

Lá pelas tantas, quando Aécio se indignou com as distorções de Dilma ao tentar jogar sobre Minas Gerais uma situação muito pior do que o estado realmente tem. Ela deu uma estocada razoável ao dizer que “falar de Aécio não é falar de Minas”. Em um próximo debate, pode valer a pena citar os elogios de Dilma a Aécio feitos a algum tempo atrás.

Em outro momento, Aécio comentou sobre uma frase absurda de Dilma em outra ocasião, na qual ela disse que “corrupção pode ocorrer com todo mundo”. Aécio demonstrou que esse discurso é descabido e inaceitável, já que não podemos aceitar a ideia de que corrupção é algo comum. Dilma até que fez um discurso empolgado, mas as frases de Aécio serão poderosas se usadas na propaganda.

Mas foquemos agora em Aécio.

Ele acertadamente foi contundente ao apontar o caudal absurdo de mentiras da propaganda de Dilma. Ele citou várias mentiras da campanha da presidente, como, por exemplo, usar cenas de uma escola no fim de semana para fingir que estava inativa, ou dizer que Aécio foi contra reajustar o salário mínimo para R$ 545, quando na verdade ele queria um aumento maior, ou mesmo quando ela disse no Twitter que Minas Gerais teve a menor redução da taxa de mortalidade infantil do Brasil, quando ele mostrou que os índices foram os melhores do Sudeste. Dilma não rebateu nenhuma dessas acusações de que mentiu. Acertadamente, Aécio usou o termo “fraude”.

Quando ela levou à mesa o assunto do nepotismo, a rebatida foi um espetáculo. Veja: “Agora, candidata, a senhora conhece Igor Rousseff, seu irmão foi nomeado pelo prefeito Fernando Pimentel no dia 20 de setembro de 2003, e nunca apareceu para trabalhar, candidata. Essa é a grande verdade, lamento ter que trazer esse tema aqui, a diferença entre nós é que a minha irmã trabalha muito e não recebe nada, o seu irmão recebe e não trabalha nada, infelizmente agora nós sabemos por que a senhora disse que não nomeou parentes no seu governo. A senhora pediu que os seus aliados o fizessem.”

A grande mensagem que ficou neste debate é que Dilma é uma candidata mentirosa, desonesta e que pratica uma campanha suja. Com certeza a pior da história da política nacional. Como disse um leitor, hoje foi um dia de shaming jogado sobre Dilma. Em uma próxima ele poderia usar o termo “do nível do esgoto” para a campanha, citando as coleções de mentiras refutadas pela Internet, lembrando que isso é tática do nazismo, como ele disse em outra ocasião ainda hoje.

Nas considerações finais pós-debate ocorreu um momento até patético: Dilma passou mal enquanto falava com a repórter. Há pessoas que mencionam a tese de que foi tudo fingimento, para que ela arrume uma desculpa para fugir dos dois últimos debates. Também existe a tese de que ela tenha passado mal de verdade. Independentemente do que for, os memes já estão se multiplicando pela Internet, com um resultado péssimo para Dilma.

Mas se você quiser ter uma verdadeira noção de como Aécio goleou Dilma neste debate, basta saber que vários blogueiros da BLOSTA estão dizendo que neste debate “ambos perderam”. Ora, se quando Dilma perde por pouco eles dizem que ela trucidou o adversário. É óbvio que quando dizem que foi empate, podemos ter mais uma evidência de que Aécio se deu muito bem.

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O Brasil dividido

                O duro embate entre a presidente Dilma e o senador Aécio Neves, no debate de ontem, é indício da divisão do país. Os políticos mais experientes preveem que o eleito enfrentará feroz oposição. O resultado apertado, que se prenuncia, será insumo para a radicalização. E avaliam que os dramas econômicos, que serão enfrentados pelo vencedor,  adubarão esse confronto. A temperatura promete subir até a eleição e durante o próximo mandato.

Atirando a primeira pedra
O tom dos candidatos se elevou ontem e os dois foram muito agressivos. Os ataques de natureza pessoal predominaram. E não se deve esperar nada diferente nos próximos dois debates na TV. Um publicitário  que abandonou as campanhas eleitorais avalia que vai predominar nessa reta final o “confronto de imagens dos candidatos”. Acrescenta que um dos fatores para que isso ocorra decorre da ampla convergência programática, pelo menos retórica, entre todos os partidos e candidatos. O caldo vai engrossar também nos programas e nas inserções comerciais na TV e no rádio. Essa pancadaria não é coisa nossa, lembra esse especialista. Nos EUA, Barack Obama foi acusado até de não ser americano.

“Aécio (Neves) precisava de um embate desse para a tropa ficar aguerrida. Foi o plano. (Ele) Estava se sentindo acuado”

Assessor da candidatura do PSDB, que atua na área de Comunicação e Marketing da campanha tucana

Fechar a porta
Os grandes partidos se articulam para aprovar a cláusula de desempenho. Ela impede que as siglas funcionem sem um número mínimo de deputados. Essa regra já chegou a ser lei, mas depois foi declarada inconstitucional pelo STF.

Assombração
Os tucanos do Rio, liderados pelo deputado Otávio Leite, fizeram panfletagem ontem na sede da Petrobras. O texto diz que o PSDB tem emenda constitucional proibindo privatizar a Petrobras, o BB e a CEF. Em 2006, contra Lula, Geraldo Alckmin usou camiseta e boné com o logo das instituições para se apresentar como defensor das estatais.

Virou moda
Atrás nas pesquisas pelo governo de Goiás, Íris Rezende (PMDB), assim como Aécio Neves, está nomeando secretários. Anunciou nas redes sociais que o senador eleito Ronaldo Caiado (DEM) será seu secretário de Segurança Pública.

Atrás do palco
O PSB não tem mais projeto de poder. Os socialistas, com a morte de Eduardo Campos, ficaram sem um líder que incorpore esse papel. Mas já há um debate no partido caso o tucano Aécio Neves vença as eleições. Alguns dirigentes querem que a legenda fique independente, mas outros defendem integrar o ministério do tucano.

Em busca do voto perdido
Os petistas estão mobilizando os movimentos sociais em busca do voto nas periferias de São Paulo. Um dos alvos é o eleitor nordestino. O objetivo é encurtar a diferença do primeiro turno, que foi de quatro milhões para os tucanos.

Correndo atrás
Para tentar reduzir a diferença em favor da presidente Dilma, os aliados de Aécio Neves criaram 32 núcleos na Bahia. No primeiro turno, o tucano perdeu por oito milhões de votos. É estratégico melhorar sua votação no Nordeste.

O ministro Manoel Dias (Trabalho) está de férias, de hoje até o dia 20, para fazer campanha para a presidente Dilma em Santa Catarina.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Dilma escolheu o confronto no ringue, não na arena de debates, e mais apanhou do que bateu. Perdeu por pontos

Se o debate da Band foi equilibrado — achei que o tucano Aécio Neves se saiu melhor porque, ao menos, tentou apresentar propostas —, o embate travado nesta quinta, promovido pela Jovem Pan, pelo UOL e pelo SBT, foi bem desequilibrado: o domínio esteve com Aécio durante quase todo o tempo. É a velha história: o ouvinte/telespectador decide quem ganhou e quem perdeu. Eu me limito a falar do desempenho de cada um.

As táticas de Dilma para desestabilizar o adversário não funcionaram e, convenham, ele acabou vencendo no contra-ataque. Se será essa a avaliação majoritária do eleitorado, não sei. Dilma voltou a criticar a gestão de Aécio em Minas e a desfilar números supostamente ruins das gestões tucanas. Ele contestou, claro!, e seria infindável entrar aqui nas minudências, mas encontrou duas armas que me pareceram muito eficazes: lembrou que já está à frente dela em Minas — e as pesquisas vão demonstrá-lo — e sugeriu que a petista deixe o povo mineiro em paz, que pare de tentar degradar o Estado. A petista sentiu o golpe e tentou se explicar: estava criticando o candidato, não os mineiros. Acabou fincando na defensiva.

O debate serviu para deixar claro que o PT não terá nenhum receio em avançar para o campo pessoal. Dilma tentou ser sutil e perguntou o que o tucano pensava sobre a Lei Seca. Ele acertou ao se antecipar, desafiando Dilma a ter “coragem para a fazer pergunta direta”. E emendou: “Eu tive um episódio, sim, e reconheci. Eu tenho uma capacidade que a senhora não tem. Eu tive um episódio que parei numa [blitz da] Lei Seca porque minha carteira estava vencida e, ali naquele momento, inadvertidamente, não fiz o exame e me desculpei disso.” E afirmou que era diferente de sua oponente, que nunca reconhece os próprios erros. E concluiu: “A senhora caminha para perder essas eleições pela incapacidade que demonstrou inclusive de respeitar os seus adversários”.

No queixo
Fosse uma luta de boxe, Dilma teria levado um direto no queixo ao acusar o Aécio de empregar Andrea Neves, sua irmã, no governo — ela atuou no Fundo de Solidariedade de Minas, uma atividade não-remunerada. O tucano esperou que a adversária fizesse um belo salseiro a respeito e disparou:
“Candidata, a senhora conhece o senhor Igor Rousseff? Seu irmão, candidata! Não queria chegar a esse ponto. O seu irmão foi nomeado pelo prefeito Fernando Pimentel no dia 20 de setembro de 2003 e nunca apareceu para trabalhar. Essa é a grande verdade. Lamento ter que trazer esse tema aqui. A diferença entre nós é que minha irmã trabalha muito e não recebe nada. Seu irmão recebe e não trabalha nada. Infelizmente, agora, nós sabemos por que a senhora diz que não nomeou parentes no seu governo. A senhora pediu que seus aliados o fizessem.”

Sem resposta, Dilma tartamudeou: “A sua irmã e meu irmão, eles têm que ser regidos pela mesma lei. Eles não podem estar no governo que nós estamos. O nepotismo, eu não criei”. Acho que ela quis dizer que não é nepotismo quando um aliado contrata o parente de um político. É, sim: chama-se “nepotismo cruzado”. E, claro, entre trabalhar e não receber e receber e não trabalhar, só uma das duas práticas lesa os cofres públicos.

De resto, encerro relembrando aquela que foi a barbaridade da noite: para Dilma, uma inflação de 3% no Brasil só é possível com uma taxa de desemprego de 15%. É uma das maiorias abobrinhas ditas sobre economia nos últimos tempos. Só que é uma abobrinha brava, do tipo perigosa. Segundo a sua lógica perturbada, a inflação deve continuar alta para que não haja desemprego.

Eis aí uma derrota, antes de mais nada, intelectual. Dilma escolheu um confronto no ringue, não numa arena de debates. E perdeu. Até petistas ficaram desanimados. Se será essa a impressão do eleitor, não sei. Quem tem bola de cristal são os institutos de pesquisa. Falo do que vi e ouvi.

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Costa diz que Sérgio Guerra, que está morto, pediu propina. Que se vá até o fim, sem piscar!

A presidente Dilma Rousseff e o comando do PT criticaram a decisão do juiz Sérgio Moro, que tornou disponível um áudio com um dos depoimentos de Paulo Roberto Costa — sobre uma investigação que não estava sob sigilo de Justiça. Vale dizer: a divulgação é absolutamente regular. Mas certamente não reclamarão de um vazamento que veio a público — pinçado com lupa — de parte da delação premiada, esta, sim, protegida por sigilo de Justiça: Paulo Roberto Costa afirmou que, em 2009, o então presidente do PSDB, Sérgio Guerra, exigiu propina de R$ 10 milhões para pôr um ponto final da CPI da Petrobras, que foi encerrada, sem nenhuma conclusão, no dia 18 de dezembro de 2009. O dinheiro seria para campanhas eleitorais do partido. Guerra morreu no dia 6 de março de 2014. Pode ser? Que se investigue até o fim. Os petistas estão ouriçados. Tudo o que excita a sua imaginação e a sua fúria é a máxima de que “somos todos iguais e corruptos”.

Alguém poderia indagar: “Ah, mas agora vão acusar um morto?” Não interessa. A acusação diz respeito a quando ele estava vivo. Em nota oficial, a legenda escreveu: “O PSDB defende e quer rigor na apuração de qualquer denúncia que envolva filiados que ocupam ou ocuparam qualquer cargo do partido”. Ponto. É assim que se faz.

De todo modo, cumpre fazer algumas considerações. A CPI da Petrobras instalada em 2009 no Senado para apurar irregularidades na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, tinha 11 membros. Sabem quantos eram da oposição? Apenas três: além de Guerra, estavam lá Álvaro Dias (PSDB-PR) e ACM Jr (DEM-BA). O governo tinha uma maioria esmagadora para fazer o que bem quisesse, inclusive enterrar a investigação, como se fez. Por que o esquema pagaria R$ 10 milhões para um Sérgio Guerra que não tinha poder nenhum? Paulo Roberto teria dito que a Queiroz Galvão pagou o valor pedido. A empreiteira nega.

Mais: quando os governistas decidiram enterrar a comissão, o PSDB expressou o seu repúdio e fez um relatório paralelo com 18 representações ao procurador-geral da República. Isso não é desculpa de última hora. O partido criou, à época, o “Blog da CPI da Petrobras” para acompanhar o dia a dia da comissão — já digo em que circunstâncias. Lá está o post, com data de 24 de novembro de 2009, sobre as representações (imagem abaixo)
[ver link acima]
Arrogância
Em 2009, a empresa, presidida pelo petista-mor José Sérgio Gabrielli, criou o chamado “Blog da Petrobras”, sob o pretexto supostamente meritório da transparência. Conversa! O blog virou o canal de contado da empresa com os jornalistas. Se um repórter estivesse apurando um furo qualquer e enviasse perguntas à empresa, suas questões eram tornadas públicas, o que, obviamente, dificultava a apuração. Era parte do esforço para que não se investigasse nada. A página do PSDB foi criada como resposta a esse desvio autoritário. Era a época em que Gabrielli tinha mais poder na Petrobras do que os Irmãos Castro em Cuba. O presidente da empresa, então, costumava ser extremamente malcriado com jornalistas, certo de que não tinha contas a prestar a ninguém.

Atenção agora a estas relações intrincadas. Na suposta conversa com Paulo Roberto — que era, à época, diretor de Abastecimento da Petrobras e presidente do Conselho de Administração da refinaria Abreu e Lima —, Guerra estaria acompanhado do deputado federal Eduardo da Fonte, do PP de Pernambuco. O contato do então senador na empresa seria Armando Ramos Tripodi, que era chefe de gabinete de… Gabrielli. Nesse caso, então, uma operação suja supostamente proposta pelo presidente do PSDB passaria por um homem de confiança de Gabrielli, o petista. Não é muito verossímil. Se é ou não verdade, que se investigue. Ah, sim: Tripodi é hoje gerente-executivo de Responsabilidade Social da estatal.

Que o PSDB não pisque um só segundo e defenda uma profunda investigação. Reitero que pagar propina a membros da oposição na CPI em 2009 seria o mesmo que fazê-lo a oposicionistas da CPMI de hoje. Pergunto: pra quê? Mas não importa. Que se vá até o fim. Que não se use essa questão para igualar todo mundo e provar que, no fundo, todo mundo é ladrão. Uma ova!

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O marqueteiro, não a médica, amparou Dilma quando ela alertou que estava passando mal

Pois é… Espero, sinceramente, que nada de mal tenha acontecido com a presidente Dilma Rousseff e que o mal-estar que ela sentiu tenha sido mesmo em decorrência de uma queda de pressão, que pode acontecer. Já falo a respeito — até porque sou especialista em pressão baixa; meu médico sempre diz que o contrário é que seria ruim —, mas, antes, quero aqui tratar de uma questão de estado.

Dilma é candidata do PT à Presidência, à reeleição, mas já é presidente. Sempre tem à sua disposição médico — no caso, a presidenta tem uma médica —, equipe de paramédicos, tudo conforme manda, e deve mandar, o figurino. A doutora, no entanto, não estava por ali, e a presidente, ora vejam, foi socorrida por João Santana. Não sabia que ele também é especialista nessa área.

A gente vê que Dilma se embanana duas vezes enquanto responde a pergunta da repórter Simone Queiroz, que é quem acaba lhe dando a deixa: “A senhora está passando mal?.” E Dilma diz, então, que sua pressão deve ter caído. Restabelecida, ela tenta falar de novo, mas já tinha usado seu tempo numa resposta um tanto confusa.

Ao ser socorrida por doutor Santana, a presidente afirma: “Meu filho, eu devia ter comido antes de sair de casa. Caiu um pouquinho a minha pressão. Eu senti que ia cair, mas aí, imediatamente, eu dei uma esfregadinha nos meus pulsos. A minha sorte foi que não aconteceu nada disso [durante o debate]. Foi na hora que eu levantei, porque eu levantei subitamente”.

Então vamos lá. Eu não sei quem disse a Dilma que esfregar os pulsos faz subir a pressão. Se a senhora puser um galho de arruda atrás da orelha, o resultado é o mesmo, candidata: nenhum! Dar três pulinhos, nem que seja de ódio, pode ser mais eficaz. Esse negócio de a pessoa estar sentada, levantar, e a pressão sanguínea cair caracteriza a “hipotensão postural”. Mas não foi o que aconteceu porque, nesse caso, o mal-estar é imediato, ele se dá quando a pessoa se põe de pé, não minutos depois, como foi o caso. Se o indivíduo ficar muito tempo em pé — e isso também não aconteceu —, pode ser vítima de hipotensão. Uma situação de estresse intenso também pode levar ao mal-estar. Dilma perdeu claramente o confronto com Aécio, mas não a ponto, acho eu, de sofrer uma queda de pressão.

De todo modo, reitero: quando uma presidente da República passa mal, quem tem de socorrê-la é o medico, não o marqueteiro.

EM TEMPO: NESTE BLOG, NINGUÉM TORCE PARA A MÁ SAÚDE DE NINGUÉM. PEÇO COMEDIMENTO NOS COMENTÁRIOS, OU NÃO SERÃO PUBLICADOS.

PS – O SBT pediu a retirada dos vídeos do Youtube. (Veja aqui)

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Blog do Noblat

No debate do SBT, Aécio fez picadinho de Dilma
Se alguém quase se rendeu a baixarias foi Dilma.

17.10.2014 01:44
Ricardo Noblat

Aécio Neves deixou de ser tucano.

Na versão política, tucano é uma ave que, apesar do bico grande, bica com delicadeza. É capaz de perder a vida para não perder a elegância. Foi assim, por exemplo, com Serra no primeiro debate do 2º turno contra Dilma em 2010.

De certa forma foi assim também com Aécio no debate da última terça-feira contra Dilma na Rede Bandeirantes de Televisão.

Quem imaginou que ele, ontem, no debate do SBT, ofereceria a outra face para apanhar, enganou-se.

O instinto de sobrevivência empurrou Aécio para cima de Dilma, e dessa vez foi ela que não estava preparada para enfrentar tamanha fúria.

Marqueteiros costumam dizer que o eleitor detesta troca de ataques entre candidatos. Lorota.

O eleitor diz que detesta para aparecer bem na foto – mas ela gosta de ataques, sim.  Os ataques só não podem resultar em baixarias.

Se alguém quase se rendeu a baixarias foi Dilma quando tentou aplicar uma pegadinha em Aécio. Perguntou o que ele achava da lei que pune motoristas que dirijam bêbados ou drogados.

Uma vez, no Rio, Aécio foi surpreendido por uma blitz da Lei Seca. E se recusou a fazer o teste do bafômetro.

Se Dilma sabe que ele estava bêbado ou drogado deveria ter dito. É uma grave acusação que não pode apenas ser insinuada. Ela preferiu insinuar. Leviandade.

No debate da Band, Dilma impôs a Aécio sua agenda de discussão. Acuou-o com perguntas sobre o governo dele em Minas. Aécio saiu derrotado.

No debate do SBT, Aécio impôs sua agenda. E rebateu os ataques de Dilma com calma, lógica e argumentos bem pensados. Foi impiedoso.

Dilma voltou a perguntar pelos parentes que Aécio empregou no governo de Minas. Aécio respondeu sobre apenas um deles – sua irmã, Andrea, que trabalhou no governo sem nada ganhar.

Em seguida, Aécio perguntou a Dilma pelo irmão dela, “que ganha sem trabalhar” da prefeitura de Belo Horizonte. Dilma fugiu da resposta. E começou a falar em "dilmês"

Aécio carimbou na testa de Dilma que ela não conhece direito Minas Gerais. Dilma passou recibo da acusação.

O debate acabou com Dilma nocauteada. Não é força de expressão.

Desorientada, como se não soubesse direito onde estava e o que lhe aconteceu, Dilma perdeu a voz ao responder à pergunta de uma repórter do SBT. Esqueceu que estava ao vivo. E, aparentemente grogue, pediu para recomeçar.

Não conseguiu. Alegou então que estava passando mal. Uma queda de pressão. Foi socorrida com um copo de água. Arranjaram-lhe uma cadeira.

Quis voltar à responder à repórter. Como seu tempo acabara, se irritou com ela. Chamou-a de "minha querida".

Desfecho perfeito para uma luta que perdeu.

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Nem Dilma nem Aécio, vote em Anderson Silva

Pelo segundo debate consecutivo, Dilma Rousseff e Aécio Neves emboscaram a audiência. Quem se pendurou na tevê, na web e no rádio à procura de ideias desperdiçou tempo. No confronto eleitoral mais desqualificado desde a sucessão de 1989, os presidenciáveis exibiram apenas os punhos. Ninguém esperava por uma troca de perguntas florais. Mas se porrada resolvesse os problemas da nação, Anderson Silva seria um candidato bem mais competitivo.

O desempenho da economia é medíocre, a inflação é alta, os juros são elevados, o déficit externo bate recorde, a deterioração fiscal é alarmante, a dívida pública cresce e os investimentos definham. Sobre isso não se falou com a profundidade desejável. Mas ficou-se sabendo que Dilma, embriagada pelo marketing, acha que Aécio fugiu do bafômetro em 2011 porque estava bêbado. E Aécio revelou à nação que Dilma terceirizou o nepotismo, empregando o irmão na prefeitura companheira de Fernando Pimentel, em Belo Horizonte.

O presidencialismo de cooptação produziu na Petrobras uma roubalheira sem precedentes. Quando os depoimentos prestados em regime de delação puderem soar em público, o mensalão parecerá um desses casos que transitam pelos juizados de pequenas causas. Cutucada por Aécio, Dilma respondeu que sabe o que o PSDB fez no verão passado. E o tucano: por que, em 12 anos, não mandaram investigar?

Nesse lero-lero, nenhum dos dois abordou o essencial: o modelo político adotado por PT e PSDB faliu. O fisiologismo deixou de ser parte do sistema. Passou a ser o próprio sistema. Está tão integrado ao cenário brasiliense quanto as curvas da arquitetura de Niemeyer. O empate nas pesquisas e o nanismo dos debates impedem a antecipação do nome do próximo inquilino do Planalto. Mas já se pode assegurar, sem margem de erro: o PMDB e seus vícios serão os esteios da governabilidade.

As duas grandes encrencas nacionais —os desajustes econômicos e a hecatombe da delação— já fizeram de 2015 um ano miserável. Em relação à economia, Aécio faz o diagnóstico sem esmiuçar a terapia. E Dilma finge não enxergar nem a doença. Quanto à breca do sistema político, não se ouviu uma mísera palavra nos dois debates já realizados no segundo turno.

Já está claro que o atual modelo de debates precisa ser reformulado. O caso é de menos marketing e mais sobriedade. Se havia alguma dúvida sobre a decadência da fórmula, foi eliminada na noite desta quinta-feira, nos estúdios do SBT. Mas não há o que fazer nos dez dias que faltam para a eleição. Estão programados mais dois debates. De duas, uma: ou Dilma e Aécio levam meio quilo de ideias à bancada ou os telespectadores mais antigos terão saudades das baixarias encenadas por Fernando Collor em 1989.

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Instintos primitivos!




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Blog do Ilimar Franco

O PT pede água

          Na reta final da eleição, os petistas estão de olho no abastecimento d’água em São Paulo. A falta dela em bairros da capital é insumo para questionar a competência dos tucanos, diz um ministro. O sonho de consumo é um racionamento. Mas os analistas eleitorais são cautelosos. Dizem que o tema teria pouco impacto agora, pois o governador tucano Geraldo Alckmin já derrotou o bicho-papão.

Euforia entre os tucanos
O clima na campanha de Aécio Neves é de muita confiança. A despeito das pesquisas divulgadas ontem, seus integrantes dizem que, na Sensus e nos seus trackings, lideram no país com mais de 15 pontos. Nas suas pesquisas, Aécio também teria dez corpos de vantagem da presidente em Minas. O tom mais agressivo da candidatura Dilma, nos debates e no horário eleitoral da TV, segundo o presidente do PSDB mineiro, deputado Marcus Pestana, seria um indício de desespero dos petistas. Mesmo que o Datafolha tenha detectado aumento na rejeição de Aécio, os tucanos dizem que Dilma partiu para a apelação ao abordar questões da vida privada do candidato e de seus familiares.

“A distribuição dos eleitores de Marina não é uniforme. Nos lugares em que o ambiente é ruim para o PT, o Aécio herda mais. Mas onde somos fortes, Dilma é quem leva”

Jaques Wagner

Governador da Bahia

Animação dos petistas
O PT do Rio quer atropelar o movimento “Aezão”. O dirigente petista Alberto Cantalice diz que a presidente Dilma teria uma diferença de seis corpos de Aécio Neves hoje no estado. E conta que a meta é “ampliar a diferença para 15 pontos”.

No forno

O prefeito do Rio, Eduardo Paes (foto), está sendo preparado pelo PMDB para disputar a Presidência da República na sucessão de 2018. A realização das Olimpíadas Rio-2016 seria o carro-chefe da candidatura. “Ele é o nome viável”, resume o líder na Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Esse projeto tem o apoio da cúpula do partido.

O caminho das pedras
Líderes partidários não creem numa onda de fusões depois do pleito. Avaliam que divergências regionais são uma pedra nesse caminho. Para enxugar um Congresso com 28 partidos, apostam na formação de vários blocos parlamentares.

Correndo atrás do voto paulista
Amanhã será a vez do tucano Aécio Neves. Ele fará um ato em São Paulo ao lado de Marina Silva. Na segunda-feira, quem estará na região é a presidente Dilma. Com o ex-presidente Lula, fará um ato com artistas da periferia. Dilma (25%) e Aécio (44%) disputam os 25% de Marina Silva.

Os alvos
O senador eleito Tasso Jereissati (CE) e o prefeito Arthur Virgílio (Manaus) estiveram na mira do ex-presidente Lula em 2010. Agora, seus amigos dizem que ele quer derrotar os herdeiros de Eduardo Campos em Pernambuco.

Eterna vigilância
É grande a tensão nas direções do PT, do PMDB e da campanha de Dilma. O drama envolve o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira, candidato ao governo do Ceará. Ele teme que o ex-presidente Lula grave para a TV do petista Camilo Santana.

O novo presidente do PSB, Carlos Siqueira, recebeu relatório da tendência sindical do partido. A maioria defende o apoio à presidente Dilma.

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Nos detalhes

Inalterados os resultados tanto do Ibope quanto o do Datafolha, ambos os candidatos têm motivos para comemorar, numa eleição que será decidida, ao que tudo indica, no detalhe, que é onde mora o diabo. Aécio Neves passou incólume pela primeira semana de desconstrução desencadeada pelo marqueteiro João Santana. O tempo ficou mais curto para a tarefa de colocar o candidato tucano no microondas de destruir reputações que a campanha petista usa cada vez com menos escrúpulos.

É preciso notar, no entanto, que segundo o Datafolha a rejeição a Aécio subiu um pouco, aproximando-o da presidente Dilma: 38% a 42%, quase um empate técnico, o que pode ser já resultado da ação do marqueteiro petista. A presidente Dilma, por sua vez, também pode comemorar o fato de que a semana em que seu adversário recebeu mais adesões não produziu nenhuma mudança no eleitorado.

É certo que os eleitores de Marina já haviam se decidido em sua maioria por Aécio, mas o diretor do Datafolha chama a atenção para a migração dos marineiros no Rio de Janeiro, onde parece que eles estão indo em peso para Dilma. Esse é um movimento natural, pois a votação no Rio em Marina foi mais de esquerda do que de protesto contra o governo.

Se se confirmar que Aécio cresceu no Rio e está empatado com Dilma, pode ser sinal de que essa migração não teve grandes conseqüências.

O cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, do Iuperj, ampliando sua análise sobre os dados das pesquisas do Ibope e Datafolha, acha que Aécio surfa numa onda de "mudança com segurança" que conjuga dados aparentemente inconsistentes entre os 73% que desejam mudanças (Datafolha) e os 80% que se dizem satisfeitos ou muito satisfeitos com a vida que levam hoje (Ibope).

O fato mais paradoxal para ele é que é justamente essa nova classe média, que ascendeu nos doze anos de governo petista, embora satisfeita com a vida (+ de 5 salários = 84% de satisfação; 25-34 anos = 83%; com curso superior = 85%), está desejando mudança no modo de governar, na gestão pública e nos serviços públicos.

Geraldo Tadeu Monteiro lembra que, segundo Marx, toda necessidade suprida gera uma nova necessidade. Provavelmente, diz ele, esses setores estejam temerosos não propriamente de perder o que adquiriram nos últimos anos, mas quanto às possibilidades de manutenção desta condição com o atual modelo de crescimento econômico.

A ideia é que é preciso fazer evoluir este modelo para que ele mantenha esses setores nos patamares já atingidos. A passagem é estreita tanto para o Governo quanto para a Oposição, avalia Tadeu Monteiro. As campanhas, munidas de pesquisas quantitativas e qualitativas, naturalmente sabem disso e buscam, cada uma a seu modo, propor a mudança.
Daí a ideia de "mudança com segurança", que pode ser o fator decisivo neste segundo turno.

O candidato que encarnar esta "mudança com segurança" terá grandes chances de captar o voto da classe média intermediária que, segundo Mauro Paulino, decidirá a eleição, já que as classes médias alta e média estão com Aécio, e os de mais baixo salário e escolaridade estão com Dilma. Entre os classificados como "classe média" (Datafolha), Aécio é apontado por 50% como o mais apto a fazer as mudanças necessárias contra 39% que acreditam que Dilma é a mais preparada para isso.

Conspirações

O raio pode cair mais uma vez no mesmo lugar. O segundo turno da eleição será realizado no próximo dia 26, um domingo, e na terça-feira dia 28 é dia do funcionário público. Não é feriado nacional, mas considerado ponto facultativo. Não seria de estranhar se os governos considerassem ponto facultativo também a segunda-feira, dia 27, como aconteceu na eleição para Prefeito no Rio em 2008, também realizada num domingo dia 26 de outubro.

O governo estadual decretou ponto facultativo na segunda-feira, dia 27/10. Eduardo Paes ganhou com 50,83% dos votos contra 49,17% conferidos a Gabeira. Resta saber quem seria mais prejudicado por uma manobra dessas: Dilma, que tem o voto da maioria dos funcionários públicos, ou Aécio, cujo eleitor de renda mais elevada pode ficar tentado a curtir o feriadão.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Emissários do PT espalham boato terrorista contra Aécio. Nunca vi tanta baixaria e desespero. Será tudo medo de perder a boquinha?

Eu e todos os jornalistas que lidam com política e que são obrigados a transitar nos bastidores desta arte recebemos a informação, vinda na forma de boato, de que, na sexta-feira, uma acusação muito grave será levada ao ar contra o candidato tucano Aécio Neves. Qual acusação? Ninguém diz. Trata-se de terrorismo da pior espécie.

“Ah, mas será verdade ou mentira?” Que diferença faz? Desde quando terroristas ligam para isso? Não estão preocupados com essa bobagem. É que eles têm uma causa, não é? E, em nome dela, tudo é justificável. Vocês acham que aqueles celerados do Estado Islâmico, por exemplo, se ocupam de saber da justeza dos seus atos. Ou as pessoas estão com eles ou estão contra eles. É simples assim.

Essa máquina que está ativa no Brasil lava e suja reputações com a mesma sem-cerimônia. Se antigos inimigos se ajoelharem e reconhecerem o poder supremo do PT, prestando-lhe vassalagem, então passam a ser considerados homens de primeira linha. Não só recebem o certificado de pessoas honradas como podem ser sócios do poder, gozando de suas benesses. Perguntem a José Sarney, por exemplo, se ele, alguma vez, foi incomodado pelos “companheiros”. Nunca! Ao contrário: ele se tornou um sócio privilegiado no poder e, na sua capitania, continuou a ser rei.

Mas ai daquele, de dentro ou de fora do partido que ouse desafiar o Supremo Mandatário. Aí, meus caros, vale literalmente tudo. Não! Eles não estão preparados para deixar o poder. Pior do que isso: se o eleitorado demonstra disposição de apeá-los do trono — o que é normal na democracia, que se caracteriza, entre outros atributos, pela alternância de poder —, então eles gritam: “Sabotagem! Golpe! Crime!” E se organizam para o vale-tudo.

Sabem por que um terrorista nunca se arrepende dos atos mais detestáveis? Porque ele se considera uma vítima e acha que está apenas reagindo. Não é assim com todos os celerados do já citado Estado Islâmico? Eles não dizem abertamente que estão apenas respondendo a supostas agressões dos países ocidentais? Quando cortam uma cabeça, eles pretendem fazê-lo na condição de ofendidos.

Assim estão agindo alguns terroristas eleitorais no Brasil. Eles consideram ilegítimo que seu adversário vença a eleição e acham que isso só será possível com um… golpe. Infelizmente, até a presidente Dilma — também candidata Dilma — empregou essa palavra. Se vem ou não a tal “bomba”, não sei. O simples fato de o boato circular nos bastidores já é um troço asqueroso. Em si, já se trata de ação terrorista.

Independentemente de afinidades eletivas e de escolhas, espero que as pessoas responsáveis saibam repelir esse tipo de comportamento. E, claro!, é importante que a campanha de Aécio esteja preparada para golpes muito abaixo da linha da cintura. Que os eleitores sejam advertidos, se for o caso, para o risco de atentados terroristas, como fazem os governos diante da iminência de um ataque. Nunca vi nada parecido. Nunca vi tanto ódio sendo destilado. Nunca vi tanta gente desesperada com a possibilidade de perder uma boquinha. Sim, meus caros, algo bem mais sonante do que valores ideológicos move os terroristas.

Confrontos políticos os mais duros fazem parte do jogo; o terrorismo não!

O desespero, reitero, é inédito. Talvez haja um quê de ideologia… Mas o que apavora mesmo é o medo de perder a boquinha, não é mesmo? Vai que essa gente seja obrigada a trabalhar… Se forem obrigados a fazê-lo, ainda acabam criando um partido de trabalhadores!

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PT e seus braços na imprensa tentam fazer com o juiz Sérgio Moro o mesmo que fizeram com Joaquim Barbosa

Espero que Deus me fulmine antes com um raio, daqueles que eram muito comuns no Velho Testamento — sem chance para apelo a instância inferior (já que se tratava de uma decisão do Supremo) —, se, algum dia, eu me sentir tentado a censurar um juiz por ter cumprido a sua função só para proteger um partido da minha predileção.

A que me refiro? Leio colunistas isentos como militantes do Talibã a condenar o juiz Sérgio Moro por ter autorizado a divulgação do depoimento de Paulo Roberto Costa, que não estava protegido pelo sigilo de justiça. Um desses colunistas chega a afirmar que o Moro poderia ter esperado mais três semanas. A afirmação é explícita, é arreganhada: o sujeito acha que a ignorância do que lá foi dito faria bem ao brasileiro. Desligadas as urnas, então o eleitor ficaria sabendo: “Ah, então, dos 3% da propina, 2% iam para o PT? Que bom que ninguém me avisou antes!”

O mesmos senhor vetusto que afirma essa barbaridade babava de satisfação com os vazamentos sobre o suposto cartel de trens em São Paulo, que vinham do Cade — cuja investigação, esta sim, estava e está protegida por sigilo. Que tipo de gente é essa que cobra que se omita dos brasileiros o conteúdo de uma investigação aberta, pública, e que se regozija com a divulgação ilegal de informações? Eu respondo: é uma gente que pretende que petistas e, no geral, esquerdistas estejam acima da moralidade comum e mereçam um tipo especial de proteção.

Sempre que leio um troço asqueroso assim, como aconteceu há pouco, fico com vergonha em lugar da pessoa. Sobretudo porque o sujeito serviria para ser meu pai. Coloco-me no lugar do suposto filho e fico com vergonha. Graças a Deus, o Rubão nunca me fez passar por isso. Quem era o Rubão? Ora, o meu pai, que jamais justificaria a ação de ladravazes e vagabundos só porque fossem seus amigos ideológicos. Até porque não era amigo nem de ladravazes nem de vagabundos. Ganhava a vida trocando molas de caminhão, como operário. Em vez de culpar os outros por isso e por aquilo, ele preferiu me passar uma orientação: “Estude!”.

Daqui a pouco, tentarão mandar o juiz Sérgio Moro para a guilhotina moral, como fizeram com Joaquim Barbosa. Não que ambos sejam iguais ou operem com os mesmos critérios. Nada disso! A única coisa que os une é tomar decisões que estão em desacordo com o partido oficial e com seus porta-vozes oficiosos na imprensa. Para essa gente, uma verdadeira indústria criminosa que estava em ação tem de ser omitida para que ela não contamine a decisão do eleitor. Que caráter tem uma pessoa que defende que a ignorância faz bem à democracia?

É uma gente literalmente nojenta.

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Lula leva a campanha do pântano para a sarjeta

Na noite de terça-feira, no debate da tevê Bandeirantes, a campanha presidencial havia chegado ao pântano. Sob refletores, Dilma e Aécio dedicaram-se a jogar lama um no outro. Na noite desta quarta, num comício nos fundões do Pará, Lula arrastou a disputa para a sarjeta. Insinuou que, eleito, Aécio pode instalar em Brasília uma Presidência movida a álcool.

Num desses surtos de loquacidade que costuma acometê-lo sempre que entra em contato com um microfone e uma plateia, Lula disse o seguinte: “Vi esses dias, no debate da TV, um candidato dizendo que seu governo era da decência e da competência. Mas eu pergunto: que decência e competência se, às 3 horas da manhã, ele foi parado em uma rua no Rio de Janeiro e se recusou a soprar um bafômetro para dizer se tinha bebido ou não?''

O morubixaba petista arrematou: “Como uma pessoa se recusa a fazer um teste do bafômetro e diz que vai governar com decência e competência? Palavras são fáceis de dizer. Difícil é ter caráter. E poucas pessoas têm caráter nesse país como a Dilma Rousseff.''

Lula questionou o caráter de Aécio num palanque montado no município paraense de Ananindeua. Ele dividia a cena com um dos mais notórios prontuários da política nacional, Jáder Barbalho, e com o herdeiro político dele, o filho Helder Barbalho, candidato ao governo do Pará.

O episódio evocado por Lula ocorreu em 2011. Parado numa blitz da Lei Seca, no Rio, Aécio recusou-se a soprar o bafômetro e exibiu ao agente de trânsito uma carteira de motorista vencida. O documento foi apreendido. Na época, o hoje presidenciável travou com a repórter Adriana Vasconcelos o seguinte diálogo:

— O que aconteceu? Estava a três quadras do meu apartamento, voltando de um jantar, quando fui parado numa blitz. Uma operação corretíssima, aliás, de alto nível e que deve ser levada a todo o Brasil. Abordado por um agente, que foi muito educado, fiz o que qualquer cidadão deve fazer. Entreguei meus documentos. O policial então me alertou que minha carteira estava vencida.

— Por que não quis fazer o teste do bafômetro? Ao constatar que minha carteira estava vencida, perguntei ao agente como deveria proceder. Ele explicou que eu teria de arrumar um outro condutor para o veículo. Como estávamos perto de um ponto de táxi, imediatamente consegui um motorista para conduzir o meu carro até em casa. Como já estava no banco do passageiro, achei desnecessário fazer o teste do bafômetro.

— Se arrependeu de não ter feito o teste, diante da repercussão do episódio? Talvez sim, para evitar a exploração do episódio. Na hora, achei desnecessário. O fato é que, se eu não estivesse com a minha carteira vencida, certamente teria feito o teste para poder seguir dirigindo até em casa. De qualquer forma, espero que tudo isso seja útil para que outros cidadãos como eu fiquem mais atentos e mantenham sua documentação em dia.

O bafômetro era parte da reserva de ataques que o comitê de Dilma colecionara contra o rival. Mas vinha sendo mantido numa espécie de volume morto de baixarias, que só seria usado em caso de extrema necessidade. Ao saber que Aécio continua tecnicamente empatado com Dilma nas pesquisas após uma semana de bombardeio, Lula parece ter concluído que a hora do vale-tudo chegou.

Ironicamente, Lula usou para realçar a fama de de bon vivant de Aécio um tipo de insinuação da qual já foi vítima. Em 2004, segundo ano do seu primeiro reinado, Lula abespinhara-se com uma notícia escrita pelo repórter Larry Rother e publicada no New York Times. O texto levantara a suspeita de que Lula presidia a República em meio a garrafas e goles.

Como peça jornalística, o trabalho de Rohter era precário. Baseava-se em mexericos anônimos e em fontes temerárias. Ganhou imerecida sobrevida graças à reação tresloucada do então presidente. Embriagado pelo poder, Lula expôs seus pendores imperiais e mandou cassar o visto de trabalho de Rohter, expulsando o correspondente do território brasileiro.

A decisão ficou em pé por menos de 24 horas. Derrubou-a o Superior Tribunal de Justiça.Restou do episódio apenas a sensação de que o texto de Rohter bulira nos traumas interiores de Lula, de cuja árvore genealógica pendem um pai e um irmão mortos pelo alcoolismo.

O mais inusitado do comício paraense foi Lula ter questionado o caráter alheio num ato político em que confraternizava com Jader, um personagem que o STF acaba de converter em réu. Qualquer um pode conviver com um Barbalho por obrigação protocolar, até por uma visão caolha de esperteza política. Porém…

Porém, entregar cargos federais a apadrinhados do Barbalho, como fez Lula, ir atrás do Barbalho, cortejar o Barbalho, escorar a governabilidade na convivência com o Barbalho, pedir votos para o herdeiro do Barbalho… Fazer tudo isso num instante em que o governo arde em escândalo, francamente, não é coisa de gente sóbria.

Num depoimento à jornalista Denise Paraná, reproduzido no livro ‘Lula, o Filho do Brasil’, o cacique do PT afirmara: “A verdade é o seguinte: política é como uma boa cachaça. Você toma a primeira dose e não tem mais como parar, só quando termina a garrafa.'' É, faz sentido.

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Silêncio da Câmara grita: ‘Somos todos Vargas!’

É estridente o silêncio da Câmara diante dos expedientes adotados para protelar a chegada ao plenário do pedido de cassação de André Vargas, amigo $eleto do doleiro Alberto Youssef. Prevalece o esprit de porc, versão nacional do francês esprit de corps.

A Comissão de Ética aprovou a cassação de Cargas em 20 de agosto. O pedido iria ao plenário. Mas o companheiro recorreu. Decorridos quase dois meses, a encrenca encontra-se estacionada na Comissão de Constituição e Justiça.

Há sobre a mesa um relatório que pede o indeferimento do recurso de Vargas. Redigiu-o Sérgio Zveiter (PSD-RJ). Ele tenta levar a peça a voto desde o princípio de setembro. Dizia-se que tudo se resolveria depois das urnas do primeiro turno. Marcaram-se duas sessões. Mas a falange pró-Vargas fez minguar o quórum. A última pseudo-tentativa micou nesta quarta-feira.

O paranaense André Vargas tenta chegar ao final da legislatura com o mandato intacto. O baiano Luiz Argôlo, outro ami$$íssimo de Youssef, ambiciona a mesma sorte. As chances aumentaram depois que Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef decidiram ganhar a vida com o suor do dedo indicador.

Numa soma modesta, são contados na casa da centena os congressistas que serão pendurados de ponta-cabeça nas manchetes no dia em que os depoimentos prestados sob o sigilo da delação puderem soar em público. Daí a tática da protelação, baseada no princípio segundo o qual uma mão suja a outra.

Quer dizer: o mutismo da Câmara não é casual. Há método no silêncio dos deputados. É como se eles gritassem sem abrir a boca: “Somos todos Vargas.” Convém à opinião pública escutar esse silêncio.


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Blog do Ilimar Franco

Na direção do vento

          A fusão do PSB com o PPS só sai se Aécio Neves vencer o pleito. No caso de reeleição da presidente Dilma, o comando socialista não teria força para levar todo partido para a oposição. E o que é pior: esse movimento poderia enfraquecer a ambos porque abriria as portas para que seus políticos procurem outros partidos. O projeto de fusão entre o PSDB e o DEM vive a mesma circunstância.

O peso do argumento
A economia está no centro do debate. E a tática do medo foi adotada pelos candidatos. O senador Aécio Neves e a presidente Dilma anunciam um ao outro como o bicho papão. Na TV, o futuro do Brasil é aterrorizante. O tucano diz que Dilma é a volta da inflação. Com a ajuda do secretário de Política Econômica, Márcio Holland, que sugeriu ao consumidor substituir a carne vermelha, mais cara, pelo frango. A petista diz que Aécio vai pôr fim aos programas sociais e exibe seu voto contra o reajuste do salário mínimo. E Armínio Fraga, ministro da Fazenda do tucano, anuncia que não vai sobrar muito dos bancos federais, como a CEF, que financia o Minha Casa, Minha Vida.

“A Rede não deveria ser um partido. Mas um movimento de mobilização social. A Rede não tem coesão programática para ser um partido”

Alfredo Sirkis

Deputado federal eleito pelo PV do Rio e que ingressou no PSB porque a Rede não obteve registro no TSE

Socorro social

A Federação dos Trabalhadores Rurais de Pernambuco fechou ontem, em Carpina, apoio à presidente Dilma. No dia 21, a Contag quer reunir 30 mil num ato em Juazeiro (BA) e Petrolina (PE). Gilberto Carvalho acompanhou a decisão.

Clima de campanha
O vice de Marina Silva e líder do PSB, Beto Albuquerque (RS), está com o pé no acelerador. Ele sustenta que os socialistas deram um passo e que não podem voltar atrás e se entregar nos braços do PT. Independentemente de quem vencer agora, ele prega que o partido tem que manter a caminhada e lançar um candidato à Presidência em 2018.

Na tela da TV no meio desse povo
Desde ontem, a prioridade de Aécio Neves são os debates na TV. Depois da Band, vem o do SBT, o da Record e o da TV Globo. Os marqueteiros tucanos avaliam que a audiência deles os torna muito mais relevantes que qualquer movimento de rua.

Um lugar ao sol
A sucessão do líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), já está na rua. Cunha é candidato a presidir a Câmara. Três aecistas querem seu posto: os deputados Lúcio Vieira Lima (BA), Danilo Forte (CE) e Leonardo, filho do presidente do partido no Rio, Jorge Picciani.

A âncora no Nordeste
O governador de Pernambuco, João Lyra, esteve ontem no comando tucano, em São Paulo. Foi tratar do apoio à campanha de Aécio Neves, que será tocada pelo prefeito Geraldo Júlio (Recife) e o governador eleito, Paulo Câmara (PSB).

O troco
O PSD, de Gilberto Kassab, está na mira do DEM caso avance a fusão com o PSDB. O DEM perdeu nessa legislatura 19 deputados para o PSD. No caso de vitória de Aécio, seus líderes vão para cima dos 37 deputados eleitos pelo PSD.

O tucano Aécio Neves desembarca sexta-feira, em Salvador, para receber o apoio da ex-ministra do STJ Eliana Calmon, que concorreu ao Senado.

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Votos cristalizados

Analisando as recentes pesquisas do Datafolha e do Ibope (hoje o Ibope divulga uma nova pesquisa), o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, diretor do Iuperj, diz que do ponto de vista dos estratos sócio-econômicos, a eleição parece estar sendo jogada nos 43% de eleitores que o Datafolha classifica como de “renda média intermediaria” e “média baixa”, ou nos 51% que têm renda mensal entre dois e 10 salários mínimos.

Isto porque, salienta, os setores de renda mais baixa já estão ganhos para a candidatura de Dilma: entre os “excluídos”, ela tem 57% (contra 31% de Aécio) e entre os que ganham até 2 salários mínimos, Dilma tem 52% (contra 37% de Aécio). Nos estratos de “classe alta”, onde Aécio tem 68% das preferências contra 24% de Dilma e no que ganham mais de 10 salários mínimos, onde Aécio tem 69% contra 24% de Dilma.

Nos estratos médios, há um “empate técnico” com ligeira vantagem para Aécio (50% contra 41%). No critério PEA (População Economicamente Ativa) x Não PEA, Aécio tem ligeira vantagem entre as ocupações PEA (49% x 43% de Dilma), mas perde na população Não Economicamente Ativa (47% para Dilma x 41% de Aécio).

Pelo lado da “oferta política”, Geraldo Tadeu considera que “certamente serão os 22 milhões de eleitores de Marina Silva que decidirão as eleições”. Nas pesquisas anteriores ao primeiro turno, 59% dos marineiros declaravam voto em Aécio no segundo turno contra 24% que pretendiam votar em Dilma. Após o segundo turno, os aecistas são 66% entre os eleitores de Marina enquanto os dilmistas são 18%.

Por este cálculo, Aécio deve herdar cerca de 14,636 milhões de votos de Marina enquanto Dilma receberá perto de 3,991 milhões. O saldo líquido pró-Aécio pode ser de cerca de 10,644 milhões de votos, suficientes para compensar a vantagem de 8,341 milhões de votos que Dilma teve no primeiro turno.

Neste quadro, compute-se ainda que 28% dos eleitores que, no primeiro turno, votaram em branco ou nulo, declaram voto em Aécio ao passo que 11% destes eleitores declaram voto em Dilma. Esta conta também é favorável para Aécio em mais 1,886 milhões. Do ponto de vista regional, a eleição se decidirá nos três principais colégios eleitorais (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro). As pesquisas mais recentes indicam que Aécio Neves já ultrapassou Dilma em Minas, aumentou sua vantagem em São Paulo e está empatando com Dilma no Rio de Janeiro.

No Nordeste, Dilma tem ampla vantagem: teve 16,4 milhões de votos contra 4,22 de Aécio. A transferência de votos de Marina Silva para Aécio e para Dilma deve representar um acréscimo de 4,127 milhões de votos para Aécio, o que reduzirá a vantagem de Dilma para 9,177 milhões de votos.

Esta vantagem deverá ser compensada por Aécio no Sudeste, analisa Geraldo Tadeu, onde deverá obter uma vantagem de cerca de 10,990 milhões de votos. O Nordeste e o Norte são solidamente pró-Dilma, o Centro-Oeste solidamente pró-Aécio. Outro ponto favorável ao tucano é o fato de ele vencer nas Regiões Metropolitanas (onde tem 47% contra 39% de Dilma) e nos município de maior porte (48% para Aécio e 38% para Dilma nos municípios com mais de 200 mil eleitores). No interior, há empate (46% x 46%), Dilma vencendo nos municípios com menos de 50 mil habitantes (51 x 42%).

Em uma eleição apertada como essa, que deve ser vencida por margem bastante reduzida, é preciso analisar os detalhes das pesquisas. Ressalto que a mais recente pesquisa do Datafolha – a próxima será divulgada na quinta-feira - mostra que os eleitores estão com votos cristalizados. No caso do Aécio, há 91% dos seus eleitores que dizem que votariam de novo nele “com certeza” no segundo turno. No caso da Dilma, um número quase igual: 88% dos seus eleitores repetiriam o voto “com certeza”.

O destaque fica por conta daqueles que declararam voto em Dilma e que votariam “com certeza” ou “talvez votassem” em Aécio Neves, que são 35%. No caso contrário, os que dizem que poderiam votar na Dilma tendo votado em Aécio são apenas 17%. Dilma tem potencial bem menor de roubar votos que Aécio nessa reta final. Dentre os quer votaram na Dilma, 63% dizem que não votariam em Aécio “de jeito nenhum”, mas dentre os que votaram em Aécio, não votariam na Dilma 82%. A rejeição a Dilma entre os eleitores do Aécio é bem maior, portanto.

O potencial de eleitores do Aécio entre os que votaram na Marina é de 80%, e da Dilma, apenas 34%, mas com 65% de rejeição. Dos eleitores que optaram por voto branco, nulo ou nenhum, 55% poderiam votar em Aécio, no caso da Dilma apenas 34%, com uma rejeição de 73%, o que mostra que Dilma tem um grau de rejeição elevadíssimo entre os que não votaram nela.


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Blog do Reinaldo Azevedo

As barbaridades que Dilma disse sobre o ensino técnico, inclusive o de SP. Chamou 217 ETECs e 63 FATECs, com 288 mil estudantes, de “experimentais”. E o crime contra a educação cometido no primeiro ano do governo Lula

Já tratei deste assunto aqui na segunda-feira, ao analisar uma propaganda do PT, e terei de voltar a ele. A candidata do PT, Dilma Rousseff, disse, no debate da Band, algumas coisas cabeludas sobre o ensino técnico, inclusive o de São Paulo, o que evidencia um desconhecimento do assunto imperdoável para alguém na sua posição. Chegou a chamar as ETECs e as FATECs do estado — respectivamente, as escolas profissionalizantes dos ensinos médio e superior — de “programas experimentais”. É uma barbaridade!

Dilma voltou a veicular uma inverdade espantosa, que está em sua propaganda eleitoral, sobre o ensino técnico no Brasil. Segundo ela, o governo FHC proibiu — imaginem vocês! — a construção de novas escolas. É uma mentira que começou a ser propagada em 2006. O parágrafo 5º da Lei 9.649, do governo FHC, estabelecia apenas que as escolas técnicas deveriam ser criadas pela União, mas em pareceria com estados e municípios.

Façam uma pesquisa. Como lembrei aqui na segunda de manhã, no governo FHC, foi instituído o Programa de Expansão da Educação Profissional (Proep), com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além de criar novas escolas técnicas estaduais e comunitárias, houve recursos para modernizar as federais já existentes. As matrículas nesses estabelecimentos cresceram 41% nos dois últimos anos do governo FHC. Eu estou apenas lidando com fatos. Mais. No horário eleitoral e no site da campanha, o PT diz que as gestões petistas criaram “422 escolas técnicas”, e isso seria o triplo do que se fez em cem anos.

Pois é… Sabem quantas escolas técnicas geridas com dinheiro do estado existem só em São Paulo, que Dilma chamou no debate da Band de “experimentais”??? São 217 ETCs e 63 FATECs. Reitero: eu estou falando apenas de São Paulo. Há mais: como provou em 2010 Paulo Renato Souza, que fora ministro da Educação de FHC, entre 1998 e 2002, o governo tucano aprovou 336 projetos de escolas técnicas: 136 para o segmento estadual, 135 para o comunitário e 65 para as escolas técnicas federais. A partir de janeiro de 2003, primeiro mês do governo Lula, o Proep foi interrompido. Em 2004, o Ministério da Educação devolveu ao BID US$ 94 milhões não utilizados! Um crime!

Às vésperas da eleição de 2006, sem ter nada a oferecer na área, o governo petista retomou 32 projetos do Proep (de um total de 232 interrompidos), federalizou-os e saiu cantando vitória.

Isso que estou a afirmar aqui são apenas dados factuais. Os candidatos têm o direito de vender o seu peixe, e os leitores, o direito de saber a verdade. Atacar e se defender politicamente é do jogo. Mas mentir é falta grave.

Mais: o “Pronatec”, de Dilma, pesquisem, significou uma bela surrupiada no programa que o então candidato José Serra apresentou em 2010, que ele chamou de “Protec” — inspirado justamente nas FATECs e ETECs de São Paulo. A petista nem havia tocado nesse assunto em seu programa. Ok, antes copiar uma boa ideia do que ter um original e ruim.

O que não vale é esconder que o governo do PT jogou no lixo, em 2003, o programa de escolas técnicas que estava em curso; que o retomou a toque de caixa, de forma atrapalhada, em 2006 e que o partido só acordou para a realidade depois da eleição de 2010. Dilma chama de experimental uma rede de ETECs que conta com 221 mil alunos, distribuídos em 132 cursos e em 217 unidades, e uma rede de FATECs que soma 67 mil estudantes, com 67 cursos e 63 faculdades. Atenção! ETECs e FATECs são escolas de alta performance, não escolinhas mais-ou-menos para engordar estatísticas.

E tudo isso sem um tostão do governo federal. Só com o dinheiro dos paulistas.

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AÉCIO FOI O MELHOR NO DEBATE. E COM FOLGA. SE VENCEU, AÍ, QUEM DIZ, É O ELEITOR. OU: SOBRE A VIOLÊNCIA

Por ocasião de debates anteriores, já observei neste blog que existe uma diferença entre ser o melhor e vencer o debate. Não adianta ter tido o desempenho mais robusto se o telespectador achar o contrário. Que Aécio teve uma performance superior à de Dilma no confronto da TV Bandeirantes da noite desta terça, isso me parece evidente. Seja porque argumentou com mais clareza — Dilma não é exatamente uma grande oradora —, seja porque procurou falar do país que teremos, não daquele que tivemos. Não que o PSDB precise se envergonhar de sua história. Afinal, um partido que tem no currículo o Plano Real, a estruturação do SUS e a criação dos programas depois apelidados de “Bolsa Família” pode se orgulhar de seu passado. Ocorre que o bem e o mal que tucanos e petistas fizeram ao Brasil ficaram para trás. Servem, sim, para instruir o futuro, mas não mais do que isso. Infelizmente — e lamento pelo país —, o PT luta apenas para contar uma versão dessa história — a sua. Parece não ter mais nada a oferecer.

O embate, desta feita, foi duro. O momento mais tenso foi quando Aécio pediu que Dilma olhasse nos seus olhos e disparou: “Não seja leviana. A senhora está sendo leviana”. A petista se calou. Ela o havia acusado de construir um aeroporto em terras de familiares, o que, de fato, é falso, já que a área tinha sido desapropriada. Tanto é assim que o Ministério Público recusou a denúncia criminal, e o Tribunal Superior Eleitoral proibiu que a campanha de Dilma explorasse o assunto no horário eleitoral.

A petista sacou o aeroporto quando ficou sem resposta diante das evidências de corrupção na Petrobras. Aécio acusou a adversária de não demonstrar indignação e cobrou uma, como direi?, inverdade que ela vive repetindo: a de que demitiu Paulo Roberto Costa da Petrobras. Não! Ele é que pediu demissão, e a ata que registra a sua saída o saúda pelos serviços prestados. O tucano poderia ter lembrado, adicionalmente, que ela deu um novo emprego a Nestor Cerveró depois que ele já havia deixado a empresa: o de diretor financeiro da BR Distribuidora. Segundo Costa e Alberto Youssef, Cerveró era o operador do PMDB na estatal.

Dilma também usou o Mapa da Violência para afirmar que, na gestão Aécio, o índice de homicídios disparou em Minas. É falso. Ele governou o Estado entre 2003 e 2010. No período, segundo o Mapa, os mortos por 100 mil habitantes caíram em Belo Horizonte de 57,6 para 34,9; no Estado, de 20,6 para 18,1. Não acreditem em mim, mas no documento citado por Dilma. Eles estão aí abaixo.
[veja no link acima]
Porto em Cuba
Dilma se enrolou para explicar o financiamento, pelo BNDES, de um porto em Cuba. Não disse, afinal de contas, por que os dados dessa operação são considerados secretos. Afirmou que a ação foi benéfica para empresas brasileiras, sem conseguir explicar por que os portos aqui no nosso país estão em petição de miséria.

Mais uma vez, voltou a ser assombrada pela inflação e pela frase seu secretário de política econômica, que sugeriu que os brasileiros trocassem carne por ovo ou frango. A candidata deixou boa parte dos telespectadores boiando quando afirmou que a inflação se explica em razão de um “choque de oferta” de carne e energia. Em português, ela quis dizer que esses são produtos escassos neste momento, mas que tudo vai passar. Curioso! O governista Delfim Netto já dava essa explicação em abril deste ano. Estamos em outubro. Naquele caso, o choque de oferta era de outros produtos. Pois é… De choque de oferta em choque de oferta, a inflação vai ficando. A ser assim, alguém ainda nos sugerirá que troquemos os ovos pelas moscas.

Mas isso tudo foi fichinha perto do espetáculo de sandices “no que se refere”, como diria Dilma, ao Bolsa Família e ao ensino técnico. Vejam os outros posts.

Há eleitores que votam em quem tem o melhor desempenho? Se há, Aécio pode comemorar. Até porque pegou Dilma no contrapé quando afirmou que parecia um debate entre dois candidatos de oposição. Afinal, ali estava a petista a prometer mudanças se reeleita. O que nunca entendi é por que não começa a mudar agora. Afinal, ela já é presidente da República.

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Dilma venceu Aécio no debate da Rede Bandeirantes
Ricardo Noblat

Como conseguiu enfrentar Aécio de igual para igual, Dilma ganhou o debate de ontem à noite na Rede Bandeirantes de Televisão.

Confesse, seja você PSDB ou PT: você torcia por uma derrota de Dilma. Você temia uma derrota de Dilma.

Quem foi capaz de imaginar que Dilma atacaria com esmero e se defenderia com eficiência? Ou que deixaria Aécio, em mais de uma ocasião, acuado?

É por isso que digo que ela ganhou o primeiro dos quatro debates de televisão do segundo turno da eleição presidencial.

Onde estava a Dilma de raciocínio confuso? Apareceu – e rapidamente – duas ou três vezes, se tanto.

Onde estava a Dilma que não consegue dizer algo com começo, meio e fim? Surpreendentemente ficou em casa.

Onde estava a Dilma que aprecia citar um monte de números? Recebeu uma lavagem cerebral e esqueceu os números.

Aécio não esteve mal. Apenas foi surpreendido por uma Dilma que fez direitinho seu dever de casa com o marqueteiro João Santana.

Chamar Dilma de leviana ou de mentirosa não acrescenta votos a Aécio. Pode até soar como uma indelicadeza aos ouvidos mais sensíveis.

Dizer que Aécio empregou parentes quando governou Minas Gerais é uma coisa que todo mundo entende e pode guardar na memória.

Dizer que ele responde a processo por improbidade administrativa, também. Enumerar os escândalos do governo de Fernando Henrique que ficaram impunes, idem.

Dilma sapecou em Aécio acusações de forte apelo popular. A recíproca não foi verdadeira.

O Aécio à vontade, leve, livre e solto do debate da Rede Globo de Televisão no primeiro turno, faltou ao debate da Bandeirantes.

Nesta quinta-feira haverá outro – o do SBT. No próximo domingo, o da Rede Record. O da Globo ocorrerá na antevéspera do dia da eleição.

Para quem torce por um lado ou pelo outro, haja coração!

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Blog do Josias

Debate presidencial foi briga de pátio de escola

CONFIRA TRECHOS DO DEBATE ENTRE DILMA E AÉCIO

Não há outra definição. Foi mesmo uma briga de pátio de escola. Os contendores se ofenderam como garotos. Não eram adversários de pouca expressão. De um lado, a presidente da República. Do outro, o presidente do principal partido de oposição. Dilma Rousseff e Aécio Neves jogaram lama um no outro. Brandiram argumentos para provar que os dois são mentirosos, levianos e malfeitores. Indignos, portanto, do amor da República. Um espetáculo deprimente.

Ficou entendido que, para Aécio, os corruptos são encontrados em vários partidos, quase todos no PT. Para Dilma, os escândalos estrelados pelo PSDB são tão desavergonhados que acabaram até com o benefício da dúvida. No segundo round, quando a briga descambou para a corrupção, foi impossível mudar de assunto. Mudou-se apenas de corrupto. Ou de escândalo.

A certa altura, Aécio soltou os punhos: “Todos nós, brasileiros, acordamos a cada dia surpresos com novas denúncias. Em relação à Petrobras é algo absolutamente inacreditável. Eu vi um momento apenas de indignação da candidata ao longo de todo esse período em que essas denúncias sucessivas chegaram aos brasileiros. Foi no momento em que houve o vazamento de alguns depoimentos nesses últimos dias. Não vi a mesma indignação em relação ao conteúdo desses vazamentos.”

Dilma levantou a guarda: “A minha indignação em relação a tudo o que acontece, inclusive no caso da Petrobras, é a mesma de todos os brasileiros. A minha determinação de punir todos os investigados que sejam culpados, os corruptos e os corruptores, é total.” Empuplação! Dilma não pode punir ninguém. Isso é atribuição do Judiciário.

Chama-se Paulo Roberto Costa o principal personagem do escândalo. Ex-diretor da estatal petrolífera, ele prestou depoimento à Justiça Federal na semana passada. O conteúdo foi divulgado regularmente, não “vazado” como disse Aécio.

Indicado para a diretoria de Abastecimento da Petrobras pelo Partido Progressista, Paulo Roberto foi nomeado sob Lula, em 2004. Deixou o posto no segundo ano do mandato de Dilma, em 2011. Hoje, é um corrupto confesso. Em troca de redução da pena, ele abre o jogo para a Polícia Federal, a Procuradoria e o juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso.

Aécio socou novamente: “No momento em que o diretor nomeado por seu governo está devolvendo R$ 70 milhões aos cofres públicos, assume que roubou, que desviou dinheiro da Petrobras, quero saber: quais foram os bons serviços prestados por esse diretor, segundo atesta o seu ato de exoneração da Petrobras.”

Dilma esquivou-se: “O que eu considero é que é fundamental que nós saibamos tudo sobre esse processo da Operação Lava Jato.” Conversa mole. O pedaço da investigação que ela quer conhecer, por força da delação, corre em segredo. Envolve a nata do governismo. Só deve ganhar os refletores em 2015.

“Considero ainda que é fundamental que o país pare de ter impunidade”, partiu para o ataque Dilma. “Investiga ou finge investigar e não pune. Nós mudamos essa realidade.” Ela esfregou na face de Aécio os principais escândalos da Era FHC.

Dilma repetiu cinco vezes a mesma pergunta: “Onde estão os envolvidos…?” Nas pegadas de cada interrogação, surgia o nome do escândalo: “..Onde estão os envolvidos no caso Sivam, na compra de votos da reeleição, na pasta rosa, no mensalão tucano mineiro, no caso do cartel do metrô de São Paulo…” Para cada caso, a mesma invariável resposta: “Todos soltos!”

A adversária de Aécio passara o dia sob intenso treinamento. Sabia que, em matéria de escândalo, jamais ganharia na qualidade. Na Petrobras, as mutretas mordem percentuais de contratos bilionários. Bem marquetada, Dilma apostou na quantidade. E provocou: “Quero todos aqueles culpados presos. É essa a minha indignação, que o senhor não enxerga.”

Aécio teve a oportunidade de aplicar um nocaute verbal em sua oponente. Bastaria que tivesse dito algo assim: “Pois é, candidata, só que quem está atrás das grandes são os mensaleiros do PT.” Disse algo menos impactante, contudo. “A senhora busca comparar coisas muito diferentes. Não queira nos igualar, candidata.”

Igualar era tudo o que Dilma queria. Impossibilitada de elevar a estatura do seu governo, ela seguiu à risca a orientação de rebaixar o teto. “Candidato, gostaria muito que que o senhor explicasse aqui para o telespectador porque aquilo tudo que eu elenquei é outra coisa. É outra coisa porque não foi investigado nem punido.”

Aécio tentou elevar o pé-direito: “O que acontece na Petrobras é algo extremamente grave, que jamais ocorreu nessa República. E a senhora não responde a minha pergunta: aqui está, na minha frente, a ata em que o diretor Paulo Roberto renuncia. Ao contrário do que a senhora disse na propaganda eleitoral e em outros debates, ele não foi demitido. Eis a ata da Petrobras.”

“No final está dito o seguinte'', prosseguiu Aécio, antes de abrir aspas: “Agradecemos o senhor Paulo Roberto pelos relevantes serviços prestados à companhia. Quero saber: quais foram o relevantes serviços? Foi sua relação com o tesoureiro do partido [o petista João Vaccari Neto]…? Candidata, é preciso muito mais do que um conjunto de boas intenções em final de governo para o resgate da credibilidade na vida pública. A senhora, infelizmente, não tem tomado a atitude que o Brasil espera nesse caso.”

Dilma abespinhou-se: “Candidato, eu tenho uma vida toda de aboluto combate à corrupção e de nenhum envolvimento com malfeitos. Quero dizer ao senhor que, quando este diretor [Paulo Roberto] foi demitido, o Conselho da Petrobas …não sabia dos atos. Ele foi demitido em abril de 2012. E os fatos estão ocorrendo, graças ao meu governo e à minha investigação, em 2014.”

Nesse ponto, Dilma soou desconexa. Nos contratos da Petrobras, o dinheiro saía pelo ladrão porque ladrões entraram nos contatos da estatal. Nessa matéria, a principal contribuição do governo foi a de nomear os apadrinhados dos partidos. Quanto à investigação, ocorre à revelia de Dilma.

A presidente foi aos estúdios da Band, palco da refrega, decidida a demonstrar que, a seu juízo, Aécio frequenta o debate sobre ética na condiçãoo de afogado, não de nadador. “Seria importante também que o senhor relatasse para o telespectador o que ocorreu em Cláudio, quando o senhor construiu um aeroporto na fazenda de um familiar e entregou a chave pra ele.”

Dilma acionou os punhos contra o queixo de vidro do adversário: “Como o senhor explica ter construído um aeorporto que na época custava R$ 13,9 milhões e que agora custa R$ 18 milhões, a preços de hoje? Como explica que esse aeroporto foi construído num terreno do seu tio e a chave fica em poder dele?

O aeroporto da cidade de Cláudio foi construído na época em que Aécio era governador. Como governar é desenhar sem borracha, ele vem tentando ajeitar a moldura do quadro desde que o aeroporto virou manchete.

“Quero responder à candidata Dilma olhando nos seus olhos”, disse Aécio, fitando a contendora: “A senhora está sendo leviana, candidata. Le-vi-a-na. O Ministério Público Federal atestou a regularidade dessa obra.” Ante a meia verdade de Aécio, Dilma cuidou de difundir a metade do fato que mais lhe interessava.

“O Ministerio Público não aceitou a ação criminal”, ela rememorou. “Mas mandou investigar a obra do aeroporto de Cláudio no que se refere a improbidade administrativa.” Dilma caprichou no didatismo: “Sabem o que é improbidade administrativa? É mau uso do dinheiro público.”

Aécio tentou passar o ouvido da audiência a limpo: “Essa obra de Cláudio, que a senhora insiste em repetir de forma leviana na sua propagnada eleitoral, tanto que o TSE a retirou do ar, foi uma obra feita numa área desapropriada em desfacor de um tio-avô meu, para beneficiar uma região próspera, onde estão mais de 150 indústrias. O Estado determinou o valor da desapropriação em R$ 1 milhao. Esse senhor, de mais de 90 anos, reinvindica até hoje R$ 9 milhões por esse terreno. Não foi beneficiado. Benefiada foi a população de Minas.”

Na sua vez de atacar, Aécio tratou Dilma como alguém que não tem condições de jogar pedras. Parece considerar que no caso dela não é o queixo, mas o governo inteiro que é de vidro. “Recentemente, o TCU disse que na, Refinaria Abreu e Lima, quando a senhora era presidente do Conselho de Administração da Petrobras, não fuja dessa responsabilidade, foi feito o sobrepreço para pagar propinas. Propinas para partidos políticos que a apoiam, propinas para o seu partido político. A minhav ida publica é uma vida honrada, candidata. É uma vida digna.”

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Alto nível!




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Blog do Reinaldo Azevedo

Dilma se encontra com movimentos sociais e expõe as suas pretensões bolivarianas se for reeleita. Ela deixa claro: o Congresso só atrapalha!

O ministro-chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho, se encontrou nesta segunda com militantes dos ditos movimentos sociais em Pernambuco. A presidente-candidata Dilma Rousseff, por sua vez, fez o mesmo em Brasília. Ela falou o que se espera entre aliados: transformou o PT em monopolista de todas as coisas boas que já aconteceram no país, e o PSDB, em monopolista das ruins. Até aí, vá lá. Não se esperava o contrário. A coisa beirou o risível, embora seus convivas tenham achado o máximo, quando ela afirmou que, se vitorioso, o tucano Aécio Neves pretende acabar com o Mercosul e com os Brics, embora isso não tenha sido o mais preocupante do encontro. Já chego lá.

Deus do Céu! Que o Mercosul precise deixar de ser um fator de atraso para o Brasil, isso é evidente. Acabar com ele, ninguém pretende. Isso é só uma mentirinha. A tolice espantosa fica por conta dos Brics, que é só uma sigla criada pelo economista Jim O’Neill, em 2002, para designar países emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China, ao qual se incorporou depois a África do Sul. Não é um bloco econômico. “Ah, mas eles criaram um banco…” Lamento! Não tem a menor importância. Ainda que tivesse e mesmo que o Brasil quisesse pular fora, passariam a existir os Rics… De resto, Aécio, se eleito, não teria poder para acabar nem com o Mercosul. Imaginem, então, com os Brics. É só mais uma falinha terrorista. Sei lá qual é a satisfação de falar a um grupo que está lá só para aplaudir, não importa o quê.

Mas vamos ao que preocupa. O ato foi organizado para que se entregasse à presidente um manifesto com 8 milhões de assinaturas, colhidas por entidades petistas disfarçadas de movimentos sociais, em favor de um plebiscito pela reforma política.

Depois de elogiar o protoditador da Bolívia, Evo Morales, que se reelegeu presidente (já trato do assunto), Dilma resolveu tocar música para os ouvidos dos presentes: “Eu diria de forma radical: eu não acredito que a gente consiga aprovar as propostas mais importantes, como é o caso do fim do financiamento empresarial de campanha, sem que isso seja votado num plebiscito. Não basta convocar Assembleia Constituinte, tem que votar em plebiscito. Se não votar, não tem força suficiente para fazer.”

Entenderam? Se reeleita, Dilma deixa claro que pretende dar um golpe no Congresso: ela quer uma Constituinte exclusiva para fazer a reforma política, o que é um absurdo teórico, mas a quer embalada por plebiscito. Com a força que tem o Executivo no Brasil, com sua poderosa máquina publicitária, a presidente quer ir para a galera. Foi precisamente o que fizeram Hugo Chávez na Venezuela — vejam lá como está o país — e o que está fazendo Morales, o elogiado, na Bolívia. Os opositores tiveram de deixar os dois países, a corte suprema se transformou em braço do Executivo, e as oposições são perseguidas por milícias e forças policiais.

No encontro, os presentes também atacaram o jornalismo independente, que eles chamam “mídia”. Entre os valentes, estavam a CUT, o braço sindical do PT, e o MST, o braço dito campesino do partido. Até uma certa Paola Estrada, de quem nunca ouvi falar, presidente de um tal “Movimento Consulta Popular”, decidiu atacar a imprensa. Um dos pontos de honra dos petistas, caso Dilma vença a eleição, é o tal “controle social da mídia”.

Então está combinado. Se reeleita, Dilma prometeu à CUT, ao MST e a outros movimentos sociais recorrer às mesmas práticas de Hugo Chávez e Evo Morales para reformar a Constituição. Ou me provem que não. E já deixou claro que esse eventual futuro governo não pretende comprar fatias do Congresso que se instalará em 2015. Não! Se reeleita, Dilma vai querer um Congresso Constituinte só pra ela, inteirinho.

Não custa lembrar: o perfil do Congresso eleito deixa claro que a esquerda é minoritária no Brasil. Vai ver há petistas achando que já chegou a hora da guerra civil. Pelo visto, há gente querendo as coisas na lei ou na marra.

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Justiça e PF dão cinco dias para empreiteiras explicarem depósitos em empresas fantasmas de Youssef. O doleiro já disse para onde ia o dinheiro…

O caso é o seguinte. Quatro empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef receberam, em suas respectivas contas, depósitos totalizando R$ 33,5 milhões, feitos por empreiteiras que mantêm negócios com a Petrobras. Tanto Youssef como o engenheiro Paulo Roberto Costa explicaram à Polícia Federal, ao Ministério Público e à Justiça como funcionava o esquema de desvios: as empresas eram selecionadas para tocar obras, com direcionamento feito já no edital de licitação. Escolhidas, eram obrigadas a embutir no contrato o valor da propina — de 3%, segundo Costa; 2% dos quais iriam para o PT. As empreiteiras recebiam da Petrobras — tudo, aparentemente, conforme a lei — e depois entregavam o dinheiro aos chamados operadores de cada legenda: PT, PP e PMDB.

Esses operadores pegavam uma parte da grana para si e entregavam o resto aos respectivos partidos. Paulo Roberto confessa que era o operador do PP, em parceria com Youssef. O do PT, diz ele, era Renato Duque, diretor de Serviços — este nega a acusação e promete processá-lo. Nestor Cerveró seria o homem do PMDB.

Bem, seja como for, uma coisa é fato: um grupo de empreiteiras depositou dinheiro nas empresas de fachada de Youssef e agora terá de se explicar. Na sexta, em despacho, o juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo que resultou da Operação Lava Jato, listou 12 empreiteiras que fizeram esses depósitos, afirmou haver “indícios veementes” de que as empresas do doleiro eram fantasmas e só serviam à lavagem de dinheiro e informou que a Polícia Federal já abriu inquérito para “apurar a origem, natureza e finalidade de transferências bancárias”. Foi dado às depositantes um prazo de cinco dias para prestar esclarecimentos.

Entre as intimadas estão algumas das maiores empreiteiras do país e fornecedoras da estatal, como o Consórcio Mendes Junior/MPE; o consórcio Rnest, capitaneado pela Engevix; duas empresas do grupo OAS, a Galvão Engenharia, o consórcio Sehab e a Coesa Engenharia. Também fazem parte da lista as empresas Treviso, Piemonte e Jaraguá Equipamentos Industriais.

Vejam a lista dos depósitos:
- depósitos de R$ 8.530.918,57 na conta da GFD Investimentos por parte da empresa Piemonte Empreendimentos Ltda.;
- depósitos de R$ 4.400.000,00 na conta da GFD Investimentos por parte da empresa Treviso Empreendimentos Ltda.;
- depósitos de R$ 2.533.950,00 na conta da GFD Investimentos por parte de Consórcio Mendes Júnior MPE SE;
- depósitos de R$ 3.021.970,00 na conta da GFD Investimentos por parte de Mendes Jr. Trading E Engenharia;
- depósitos de R$ 4.317.100,00 na conta da MO Consultoria por parte de Investminas Participações S/A;
- depósitos de R$ 3.260.349,00 na conta da MO Consultoria por parte de Consórcio RNEST O. C. Edificações, capitaneado pela empresa Engevix Engenharia S/A;
- depósitos de R$ 1.941.944,24 na conta da MO Consultoria por parte de Jaraguá Equipamentos Industriais;
- depósitos de R$ 1.530.158,56 na conta da MO Consultoria por parte de Galvão Engenharia S/A;
- depósitos de R$ 619.410,00 na conta da MO Consultoria por parte de Construtora OAS Ltda.

Cade
O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), ligado ao Ministério da Justiça e conduzido por Vinicius Marques de Carvalho, um petista de coração (ele diz não ser mais de carteirinha), decidiu que era hora de mexer. Até que enfim, né?

O órgão informou que pediu acesso aos depoimentos e a documentos da Operação Lava Jato para averiguar se não há indícios de formação de cartel. Muito sagazes esses rapazes! Só resta indagar agora por que demoraram tanto.

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Procuradoria rebate governo e PT e afirma que Lava Jato é “técnica e apartidária”

Na VEJA.com:
A Procuradoria da República no Paraná reagiu às críticas do PT e do governo que atribuíram “caráter eleitoral” à divulgação dos depoimentos na Justiça Federal do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, personagens centrais da Operação Lava Jato.

“A atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário, nos procedimentos decorrentes da Operação Lava Jato que tramitam perante a 13ª Vara Federal Criminal, é estritamente técnica, imparcial e apartidária”, afirma a procuradoria. Segundo os procuradores que integram a força tarefa da Lava Jato, a meta é esclarecer todos os fatos “para, se for o caso, serem aplicadas punições a quem quer que sejam os responsáveis”.

O PT e o governo condenaram publicamente a divulgação dos depoimentos de Costa e de Youssef, realizados em uma das ações judiciais da Lava Jato na quinta feira – os depoimentos não têm relação com as delações premiadas que Costa já fez e que Youssef está fazendo. Eles foram ouvidos como réus em processo por lavagem de dinheiro e corrupção nas obras da refinaria Abreu e Lima.

Referindo-se às delações de Costa e de Youssef, perante o Supremo Tribunal Federal, os procuradores anotam. “Outras declarações prestadas pelos acusados, em procedimentos investigativos que não fazem parte deste processo, possuem regramento próprio e não podem ser confundidos com os interrogatórios da ação penal pública.”

“Os depoimentos obedeceram aos prazos fixados para procedimentos com réus presos”, destaca a procuradoria, em referência a Costa e a Youssef que estão presos por ordem judicial desde a deflagração da Lava Jato.

Sem citar o PT ou o governo, a procuradoria destaca que réus presos “possuem o direito de serem julgados no menor prazo possível, independentemente de considerações externas ao seu processo”. “Eventual adiamento de atos poderia acarretar a soltura dos réus em decorrência de excesso de prazo, quando sua prisão foi decretada por estrita necessidade cautelar”, argumenta a procuradoria.

Em nota, “com o objetivo de informar a população”, os procuradores que têm atribuição perante a 13.ª Vara Federal – onde atua o juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato -. anotam que os procedimentos adotados nas investigações em curso e nas ações penais em instrução “seguem os preceitos legais adotados em todas as situações similares na Justiça Criminal de primeiro grau em todo o país”.

Sobre a publicidade dada aos relatos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, os procuradores são categóricos. “Os depoimentos colhidos nas ações penais como regra são públicos, no propósito de assegurar ao réu julgamento justo e imparcial, não secreto, bem como de garantir à sociedade a possibilidade de fiscalização e acompanhamento da atuação do Poder Judiciário e do Ministério Público.”

Segundo os procuradores, “como expressão do direito de defesa, no caso em questão, os réus tiveram a oportunidade de esclarecer, no término da fase de instrução processual, em seus interrogatórios, os fatos pelos quais estão sendo acusados”. Eles afirmam que desde maio o procedimento é público. “Por esse motivo os depoimentos e suas gravações podem ser acessados por qualquer pessoa, sem restrição.”

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Com os aliados que tem, Dilma não precisa de adversários
Ricardo Noblat

Leiam só o que disse, ontem, no Recife, o ministro-chefe da Secretaria da Presidência da República, Gilberto Carvalho.

- Atravessamos um momento delicadíssimo da nossa campanha.

Candidato que acredita na vitória – ou mesmo aquele que não acredita – jamais admite que sua campanha atravessa um momento delicadíssimo. Isso significa que a derrota está logo ali na esquina.

Gilberto não é candidato a nada. Mas desfruta da autoridade de ministro de Estado e de secretário da presidente da República. Não é pouca coisa.

Ele não parou por aí. Afirmou:

- Plantou-se um ódio enorme em relação a nós. Eu não sei o que foi aquilo. Em São Paulo, estava muito difícil andar com o broche ou a bandeira da Dilma. Em Brasília, a cidade estava amarela, sem vermelho. O ódio tem sido construído com a gente sendo chamado de ladrão. Com frequência, a gente vem sendo chamado de um grupo de petralhas que assaltaram o governo.

Se a intenção de Gilberto foi atrair a solidariedade dos representantes de movimentos sociais que o escutavam, é possível que o efeito produzido sobre eles tenha sido outro.

Por que em São Paulo a aversão ao PT chegou ao ponto de tornar arriscada a vida de quem se exibe com o broche do partido ou a bandeira de Dilma?

Por que em Brasília, cidade de funcionários públicos, onde por duas vezes o PT governou, o vermelho simplesmente desapareceu das ruas?

Dá para pensar.

Gilberto se faz de coitadinho com o que chama de ódio contra o PT. O correto seria chamar de cansaço. Ou de decepção. Profunda.

De resto, Dilma faz um governo medíocre. A inflação voltou. E o país parou de crescer.

Quanto aos petistas serem chamados de assaltantes...

A maioria dos petistas não merece ser tratada assim. A maioria dos filiados de qualquer partido não merece ser tratada assim.

Os que roubaram e deixaram roubar, esses devem ser presos e condenados.

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Procuradores: Lava Jato é ‘técnica e apartidária’

Os procuradores da República que atuam na Operação Lava Jato divulgaram uma nota. No texto, contestam a insinuação de que estariam manipulando o caso com o objetivo de influir na eleição presidencial. Anotaram: “A atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário […] é estritamente técnica, imparcial e apartidária, buscando adequadamente elucidar todos os fatos para, se for o caso, serem aplicadas punições a quem quer que sejam os responsáveis.”

Sobre a divulgação do áudio dos interrogatórios do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, esclareceram: “Os depoimentos colhidos nas ações penais como regra são públicos…” No caso específico, “desde maio deste ano o procedimento é público, e por esse motivo os depoimentos e suas gravações podem ser acessados por qualquer pessoa, sem restrição.”

Reiteraram, de resto, algo que o juiz Sérgio Moro, responsável pelo caso, já esclarecera na semana passada. Os depoimentos públicos nada têm a ver com as inquirições feitas sob segredo judicial pela dupla de delatores. “Outras declarações prestadas pelos acusados, em procedimentos investigativos que não fazem parte deste processo, possuem regramento próprio e não podem ser confundidos com os interrogatórios da ação penal pública.”

São mesmo surreais os dias que correm. À medida que as apurações do petrolão avançam, aumenta o número de pessoas que imaginam ser possível ao rato colocar a culpa no queijo.

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Petromosca!





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Blog do Josias

Roubos na Petrobras expõem o Custo Pilhagem

Os empresários costumam gritar contra o chamado ‘Custo Brasil’. Alegam que a sobrecarga tributária e a ineficiência do Estado no provimento de infraestrutura atrapalham o empreendimento brasileiro. Verdade. Mas há outro tipo de custo travando o desenvolvimento nacional: o ‘Custo Pilhagem’. Ele não aparece na gritaria porque o silêncio desobriga o empresariado de examinar a própria culpa.

Ao interrogar Paulo Roberto Costa na semana passada, o juiz Sérgio Moro quis saber o que levara as maiores empreiteiras do país a pagar propinas de 3% sobre o valor dos contratos obtidos na Petrobras. E o delator: “Essas empresas, Excelência, tinham interesses não só dentro da Petrobras, mas em vários outros órgãos de governo. Vários órgãos de governo a nível de ministério, a nível de secretaria, etc…”

Paulo Roberto explicou ao magistrado da Operação Lava Jato que os ministérios e suas secretarias são comandados por partidos políticos. E prosseguiu: “Então, se a empresa deixasse de contribuir com determinado partido naquele momento, isso ia se refletir em outras obras… Os partidos não iam olhar isso com muito bons olhos.”

A corrupção convém a todos os atores, esclareceu o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, com naturalidade hedionda: “Seria um interesse mútuo dos partidos, dos políticos e das empresas, porque não visava apenas a Petrobras. Visava hidrovias, ferrovias, rodovias, hidrelétricas, etc. e etc…”

Houve alguma empresa que tenha se recusado a pagar a propina?, indagou o juiz a alturas tantas. “Não, nunca”, respondeu, em timbre categórico, o petrodelator. Houveram [sic] alguns atrasos. Mas nunca tive conhecimento que deixaram de pagar, devido a esses interesses maiores a nível de Brasil.”

Em temos de ditadura, quando queria subjugar o Congresso, o governo fechava-o. Desde a redemocratização, compra-o. O Legislativo foi reduzido a um templo de trambiques. Tornou-se uma Chicago entregue aos caprichos de Al Capone. Dá-se à perversão o nome de governabilidade. Que é um eufemismo para safadeza.

Sérgio Moro perguntou a Paulo Roberto o que aconteceria se uma empreiteira deixasse de pagar pedágio aos partidos que (des)mandavam nas diretorias da Petrobras. O interrogado já havia declarado que um cartel de empreiteiras controla as grandes obras no país —dentro e fora da Petrobras. Diante da curiosidade do juiz, ele trocou a roubalheira em miúdos:

“Essas empresas tinham interesses em outros ministérios, capitaneados por partidos. São as mesmas empresas que participam de várias outras obras a nível de Brasil —ferrovias, rodovias, hidrovias, portos, usinas hidrelétricas, saneamento básico, Minha Casa, Minha Vida. Ou seja: todos os programas, a nivel de governo, nos ministérios, têm políticos de partidos. Se você cria um problema de um lado, pode-se criar um problema do outro. No meu tempo lá, não lembro de nenhuma empresa que tenha deixado de pagar.”

O que impressiona no esquema de corrupção montado na Petrobras é o seu total desprezo por proporção, medida, recato, limite. Diz-se que só o doleiro Alberto Youssef, operador do pequeno PP, lavou algo como R$ 10 bilhões em verbas sujas. Difícil imaginar quanto terão desviado o PT e o PMDB, sócios majoritários da sociedade anônima governista.

No interrogatório de Youssef, o juiz perguntou se as licitações na Petrobras foram fraudadas. “Havia um acerto entre as empresas”, respondeu o doleiro. “Quando saía um pacote de obras na Petrobras as empresas, entre elas, tratavam de se relacionar e obter quem ia ser o ganhador daquela obra.” E se não pagasse a propina? “Se não pagasse, tinha a ingerência política, e do próprio diretor… Não fazia a obra se não pagasse.”

Mas isso era dito para a empresa?, indagou o magistrado. “Era bem colocado, sim, Excelência. Muito bem colocado.” E quanto ao percentual, era negociado contrato a contrato? “Sim, contrato a contrato.” Voz pausada, Youssef foi didático. “…Tinha os pacotes maiores, que eram tratados com as empresas de grande porte. E os contratos de médio porte, que eram tratados com empresas de médio porte. E os pacotes pequenos, que a gente nem tomava conhecimento.”

O brasileiro otimista costuma enxergar as costumeiras erupções de lama que engolfam a política como fenômenos benignos. O acúmulo de roubos, um se sucedendo ao outro, seria um sinal de que o Brasil apura os crimes do poder, avançando no caminho da moralidade. Tolice.

Para que essa suposição fosse levada a sério, o impeachment de Collor teria de ser retratado nos livros como um marco redentor. A nação jamais voltaria a ser a mesma. Deu-se, porém, o oposto. Desde então, o Brasil afunda-se em seus mais insanáveis vícios. Sobrevieram escândalos em série: anões do Orçamento, Sudam, mensalão do PT, mensalão do PSDB mineiro, mensalão do DEM de Brasília…

Imaginou-se que a presença da cúpula do PT atrás das grades fosse inibir novas delinquências. Qual nada! Mal secaram as delubianas fontes, chega às manchetes o petrolão. Numa ponta, os corruptos da política. Noutra, os corruptores da grande empreita. No meio, delatores desesperados.

No curso do interrogatório de Paulo Roberto Costa, o doutor Sérgio Moro pediu ao ex-diretor da Petrobras, hoje um corrupto confesso, que declinasse os nomes dos seus contatos nas empresas do “cartel”. O juiz recitava as logomarcas e o delator dava nome aos bois. Camargo Corrêa: Eduardo Leite (vice-presidente comercial); OAS: Léo Pinheiro (presidente); UTC/Constran: Ricardo Pessôa (presidente)…

Os nomes pingavam dos lábios de Paulo Roberto com fluidez inaudita. Odebrecht: Rogério Araújo (Desenvolvimento de Negócios) e Márcio Faria (executivo da Odebrecht Óleo e Gás); Queiroz Galvão: Ildefonso Colares Filho (presidente); Toyo Setal: Julio Camargo (diretor); Galvão Engenharia: Erton Medeiros Fonseca (presidente de Engenharia Industrial); Andrade Gutierez: Paulo Dalmazzo (presidente de Óleo e Gás); Engevix: Gerson Almada (presidente).

Todos os citados, naturalmente, negam o cometimento de crimes. Nem precisariam se dar ao trabalho. Ainda que admitisse a culpa, como qualquer pivete que alega roubar para sobreviver, um executivo de empreiteira poderia invocar em sua defesa as próprias circunstâncias.

A culpa é do sistema que o obriga a ser o que é, com todas as facilidades que lhe dá, a impunidade que lhe garante, a cumplicidade que lhe oferece e o sucesso com que o premia. Não fosse a fraqueza dos delatores, não haveria nem mesmo o dissabor dos 15 segundos de má-fama. E a escandalosa aliança do banditismo empresarial com o amoralismo político continuaria desobrigada de examinar suas culpas pelo ‘Custo Pilhagem’.


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Trégua!


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A Petrobras é só a ponta o iceberg, para a tristeza do estilo e a má sorte dos brasileiros. Ou: Roubalheira generalizada como nunca antes na história “destepaiz”

Todo mundo sabe que este blog manda para campos de reeducação do estilo quem emprega clichês como “corações e mentes”, “desabalada carreira” e “ponta do iceberg”, muito especialmente este último, que, depois daquele navio, vem carregado de morbidez e maus augúrios. O escândalo em curso na Petrobras, no entanto, não nos deixa outra saída. De tal sorte ele é acachapante que até o estilo tem de ser sacrificado. Sim, leitores amigos, tudo o que Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef revelam é apenas a… ponta do iceberg.

Até agora, a imprensa não deu o devido peso a um trecho do depoimento de Paulo Roberto, que remete a uma questão de que tenho tratado com frequência aqui no blog. Os descalabros que estão sendo revelados na maior estatal e na maior empresa brasileira são sintomas de uma doença profunda do país, que está na origem de boa parte da nossa desgraça, dos nossos desastres, das carências do povo brasileiro, de seu atraso, de sua miséria, de sua falta de esperanças, de sua falta de perspectivas: o tamanho do Estado.

Não se trata de firmar aqui uma posição meramente ideológica — mais ou menos Estado na economia — ou uma escolha de princípio. Estamos lidando é com matéria de fato. Num dado momento, do depoimento, o juiz Sérgio Moro pergunta a Paulo Roberto se as empresas que se encarregavam do pagamento da propina sempre cumpriam com a sua parte. E Costa diz o seguinte, leiam com atenção:

“Essas empresas, excelência, elas tinham interesses não só dentro da Petrobras, mas em vários outros órgãos de governo, não é?, vários órgãos de governo, a nível de ministérios, a nível de secretarias etc, compostas por elementos dos partidos. Então, vamos dizer: se elas deixassem de contribuir com determinado partido naquele momento, isso ia refletir em outras obras a nível de governo, que os partidos não iam olhar isso com muito bons olhos. Então, seria um interesse mútuo dos partidos, dos políticos e das empresas, porque não visava só a Petrobras, visava hidrovias, ferrovias, rodovias, hidrelétricas etc.”

Entenderam? O que Paulo Roberto está a nos dizer é que a falcatrua, nos entes do Estado, é universal. A Petrobras, então, nesse caso, era, de fato, apenas a ponta do iceberg. Esse mesmo Paulo Roberto já acusou as empreiteiras de atuar de forma cartelizada — um cartel que o Cade, comandado por um peixinho de Gilberto Carvalho, nunca se ocupou, pelo visto, de investigar. Mas isso ainda é o de menos: a ser verdade o que diz Paulo Roberto — e ele sabe muito bem como ficou multimilionário — o aparelhamento do Estado, além de conduzir à ineficiência, ao atraso, ao desastre, também serve à roubalheira mais escancarada.

A sua fala não deixa dúvida: há uma estrutura gigantesca, organizada e treinada para drenar os recursos públicos. Sendo como ele diz, as empreiteiras entram, sim, como as corruptoras, mas observem que ele também diz que não lhes restam muitas alternativas. Por que elas não denunciavam? A ver. No mais das vezes, creio, o pragmatismo lhes diz que sua tarefa é fazer obras, não arrumar processos na Justiça.

O PT está no poder há 12 anos. É impressionante que o partido que chegou como a encarnação da esperança — nunca acreditei nisso porque conhecia os valentes; mas milhões acreditaram — tenha se tornado não apenas um cultor dos vícios, mas um verdadeiro reorganizador da bandalheira.

Se o PT vencer a disputa, é evidente que as coisas ficarão como estão — afinal, os companheiros não veem motivos para mudar, orgulhosos que são de sua obra, como se nota pelo horário eleitoral. Se Aécio vencer, não tenho esperanças de que possa haver um novo ciclo de privatizações das grandes empresas. Não está no seu programa. Mas se abre a possibilidade de que se estabeleçam critérios técnicos para as nomeações, para que se reduza substancialmente o número de cargos de confiança de livre provimento para que se criem mecanismos efetivos para que o Estado deixe de ser capturado por larápios.

Para a tristeza do estilo e a má sorte dos brasileiros, a roubalheira na Petrobras é, sim, só a ponta o iceberg.

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O programa cheio de ódio do PT. Ou: desconstruindo uma mentira no detalhe sobre o ensino técnico

Não sei, não… Se o PT perder a eleição, a gente tem motivos para temer duas coisas: suicídio coletivo, o que é sempre uma coisa horripilante, ou estimulo à desordem. Por que escrevo isso? Nunca vi, já observei aqui, o partido tão desarvorado. O PT está na defensiva e, parece, perdendo a guerra de comunicação. Está mais difícil emplacar mentiras antigas e novas. As respectivas propagandas eleitorais deste domingo deram provas disso. O tucano Aécio Neves aproveitou seu tempo para agradecer o apoio de Marina: “Quero agradecer aqui hoje o apoio de Marina Silva à nossa candidatura e falar para você que, em troca do seu apoio, Marina não pediu cargos, não pediu ministérios (…). Marina pediu para que levássemos adiante propostas que temos em comum, como a escola em tempo integral, a sustentabilidade e o fim da reeleição para presidente. É esse o Brasil que nós queremos, onde pessoas com ideias em comum deixam as diferenças de lado e se unem para fazer um Brasil melhor para você. Marina, seja bem-vinda”.

Foram ao ar também as cenas da adesão da família de Eduardo Campos ao candidato tucano. Um trecho da carta de Renata, a viúva, foi lido pelo filho João, herdeiro político do clã: “O Brasil pede mudanças. O governo que está aí tornou-se incapaz de realizá-las… Aécio, acredito na sua capacidade de diálogo e gestão”, diz o jovem.

A propaganda de Dilma enveredou por outro caminho: a maior parte do tempo foi empregada para tentar desconstruir Aécio, seguindo os passos do que a legenda fez com Marina. Não foi só o tucano que apanhou; a imprensa também. Disse a presidente: “O fato é que o Brasil mudou. Todos os indicadores sociais e econômicos do País melhoraram. Mudamos a vida de quem mais precisava: as crianças, os mais pobres, os trabalhadores que viviam sob ameaça do desemprego e da recessão. Por mais que o meu adversário, com apoio de certa imprensa, tente vender uma imagem distorcida do Brasil, a verdade é que estamos enfrentando e superando enormes desafios”.

Apoio de “certa imprensa”??? Quem conta com uma “certa imprensa” a seu favor é Dilma — na verdade, trata-se de coisa parecida com jornalismo, mas que é só assessoria remunerada por estatais. A tarefa desses falsos jornalistas é falar bem de petistas, atacar oposicionistas e difamar profissionais independentes.

E lá foi o PT tentar convencer a população de que, antes de o partido chegar ao poder, só havia trevas por aqui. Num dado momento, o programa de Dilma sustenta: “Nos governos tucanos, uma lei limitou a criação de escolas técnicas”. É uma mentira que começou a ser veiculada em 2006. O parágrafo 5º da Lei 9.649 estabelecia apenas que as escolas técnicas deveriam ser criadas pela União em pareceria com estados e municípios.

Façam uma pesquisa. No governo FHC, foi instituído o Programa de Expansão da Educação Profissional (Proep), com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Além de criar novas escolas técnicas estaduais e comunitárias, houve recursos para modernizar as federais já existentes. As matrículas nesses estabelecimentos cresceram 41% nos dois últimos anos do governo FHC. Eu estou apenas lidando com fatos. Mais. O horário eleitoral do PT diz que as gestões petistas criaram “422 escolas técnicas”, e o site “Muda Mais”, aquele de Franklin Martins, afirma ser isso o triplo do que se fez em cem anos no Brasil.

Pois é… Sabem quantas escolas técnicas geridas com dinheiro do Estado existem só em São Paulo? 217 ETCs e 63 FATECs. Reitero: eu estou falando apenas de São Paulo. Há mais: como provou em 2010 Paulo Renato Souza, que fora ministro da Educação de FHC, entre 1998 e 2002, o governo tucano aprovou 336 projetos de escolas técnicas: 136 para o segmento estadual, 135 para o comunitário e 65 para as escolas técnicas federais. A partir de janeiro de 2003, primeiro mês do governo Lula, o Proep foi interrompido. Em 2004, o Ministério da Educação devolveu ao BID US$ 94 milhões não utilizados! Um crime!

Às vésperas da eleição de 2006, sem ter nada a oferecer na área, o governo petista retomou 32 projetos do Proep (de um total de 232 interrompidos), federalizou-os e saiu cantando vitória.

Isso que estou a afirmar aqui são apenas dados factuais. Os candidatos têm o direito de vender o seu peixe, e os os leitores, o direito de saber a verdade. Atacar e se defender politicamente é do jogo. Mas mentir é falta grave.

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Pronunciamento de Marina é forte e inequívoco; discurso faz do Aécio de 2014 o Lula de 2002, e isso está, obviamente, errado!

Marina Silva fez um discurso de adesão a Aécio Neves mais forte e inequívoco do que alguns poderiam apostar. Segundo o Ibope e o Datafolha, o candidato do PSDB teria hoje 51% dos votos válidos, contra 49% de Dilma Rousseff. A estarem certos esses números, comparando-os com o resultado das urnas (41,59% a 33,55% dos válidos para a petista), o peessedebista ganhou impressionantes 17,45 pontos, e a petista, apenas 7,41. Há institutos dizendo que essa vantagem é bem maior. Isso é uma indicação de que a maioria do eleitorado de Marina migrou para o tucano primeiro, e ela, só depois, mas o gesto tem um simbolismo importante, embora nem tudo em sua fala esteja correto, como deixarei claro. Tudo o mais constante e, reitero, desde que esses números façam sentido, a eventual vitória de Aécio não terá dependido da adesão pessoal de Marina. Mas é importante que ela tenha ocorrido. Por quê?

Porque a campanha do PT, até agora, não encontrou uma alternativa que não seja dividir o país e investir, pela sétima vez consecutiva, no confronto e na luta de brasileiros contra brasileiros. Deu errado três vezes (1989, 1994 e 1998) e certo outras três (2002, 2006 e 2010). O apoio de Marina a Aécio reforça a imagem — e o fato — de um candidato que fala em união, não em separação.

Em seu discurso, Marina deixa claro que a carta pública de Aécio, em que se compromete com alguns temas, serviu para definir seu apoio, embora tenha dito que o compromisso não fora firmado com ela, mas com a população. Marina destacou alguns itens: ampliação da participação popular; fim da reeleição e reforma política; desmatamento zero; metas socioambientais e economia de baixo carbono; manutenção das atuais regras para demarcação de terras indígenas etc. Algumas dessas questões dependem da vontade do Congresso. Mas é evidente que a ação do Executivo tem sempre um peso importante.

Marina se refere claramente à forma como o PT a tratou na disputa eleitoral. Afirmou: “É preciso, e faço um apelo enfático nesse sentido, que saiamos do território da política destrutiva para conseguir ver com clareza os temas estratégicos para o desenvolvimento do país e com tranquilidade para debatê-los tendo como horizonte o bem comum. Não podemos mais continuar apostando no ódio, na calúnia e na desconstrução de pessoas e propostas apenas pelas disputas de poder que dividem o Brasil”.

A tese e os erros
Embora tenha aderido à candidatura de Aécio, Marina não abandonou o discurso da terceira via, da nova política, do fim da polarização PSDB-PT. Em seu pronunciamento, submete o raciocínio a um triplo salto carpado e transforma o Aécio Neves de 2014 no Lula de 2002, e faz do texto-compromisso do tucano a “Carta ao Povo Brasileiro do PSDB”. A síntese de sua leitura é esta: a vitória do PT em 2002 representou a alternância no poder e o acréscimo do viés social à técnica, representada pelos tucanos. Quando os petistas fizeram a sua “Carta ao Povo Brasileiro”, aderiram à racionalidade econômica, mas sem abandonar seu viés social.

Agora, a alternância é Aécio, e sua carta-compromisso significaria a adesão dos tucanos ao viés social, mas sem abandonar a racionalidade econômica: um movimento espelhado. Para Marina, tudo indica, a história tem mesmo uma constante de teses e antíteses, que vão se desdobrando em sínteses, e, assim, todos avançamos.

Assim seria se assim fosse, mas não é. O PT só teve de fazer a sua “carta” em 2002 porque o partido passou mais de 20 anos pregando o calote das dívidas interna e externa e hostilizando o livre mercado. Os agentes econômicos achavam que se tratava de gente equivocada, mas séria dentro do seu erro. E foi necessário que o petismo comprovasse que a segunda parte, ao menos, não era verdadeira. O PSDB nunca foi um partido hostil à agenda social — e, portanto, não precisou nem precisa fazer carta nenhuma. O Bolsa Família é herança do governo FHC. A política de valorização real do salário mínimo teve início no governo tucano. O Plano Real significou a mais forte ferramenta — consistente, duradoura e sustentável — de inclusão dos pobres na economia.

Faço esses reparos não para diminuir ou tisnar a adesão de Marina, mas para colocá-la nos seus justos termos. Quem inventou um PSDB hostil ao povo foi Lula, foi o PT. Era só conversa para vencer a eleição. Enquanto os que tiraram o país da bancarrota eram tratados aos pontapés, os supostos salvadores da pátria estavam perpetrando aquelas sujeiras na Petrobras.

Marina fez o que seu eleitorado já havia feito. Isso não diminui o peso da sua escolha. Mas é importante contar a história direito.

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Lula está de saco cheio. Eu, também!
Ricardo Noblat

Cuidado! Nada de acreditar no que disseram à Polícia Federal e à Justiça Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e Alberto Youssef, doleiro, sobre o esquema de desvio de R$ 10 bilhões da empresa para beneficiar políticos em geral e alguns partidos em particular – PT, PMDB e PP.

Os dois podem estar mentindo.

Quando comprovada de fato, a verdade deverá ser muito pior. Duvida?

Gaba-se a presidente Dilma Rousseff – e Lula também - da liberdade com que atua a Polícia Federal.

Sempre que se descobre um novo escândalo envolvendo o PT e seus aliados mais fiéis, Dilma corre a exaltar as virtudes republicanas do seu governo e dá a entender que a Polícia Federal só procede assim porque ela deixa. Como se a Polícia Federal fosse um órgão de governo e não de Estado.

Aqui cabem pelo menos duas perguntas.

Se é marca da Era PT o empenho dos governos em colaborar nas investigações de malfeitos por que há sete meses a Polícia Federal tenta ouvir Lula em um processo sobre restos do mensalão e simplesmente não consegue?

Lula está para ser interrogado na condição de eventual testemunha – jamais de réu. Como ex-presidente, escolherá hora e local para depor. Não o faz.

A segunda pergunta: se Dilma repele com veemência a insinuação de que possa não se interessar pelo combate à roubalheira por que então barra qualquer iniciativa das duas CPIs da Petrobras de apurar o que se passou na empresa nos últimos 12 anos?

Só a Polícia Federal pode ser livre? “Eu sou a favor de, doa a quem doer, as pessoas têm que responder pelo que fazem, seja de que partido for”, prega Dilma. Não convence.

Arrisco-me a ser impiedoso com a presidente por entender que o jornalismo não cobra piedade de quem o exerce, mas senso de justiça.

Dilma posa de incorruptível, e deve ser. Nada se conhece que indique o contrário. Quanto a ser conivente com a corrupção...

Ela o é, assim como a maioria dos governantes por toda parte.

Paulo Roberto roubou desde que foi nomeado por Lula diretor da Petrobras. Lula ignorava o que Paulo Roberto fazia por lá a serviço do PP?

O que fazia meia dúzia de diretores nomeados também por ele a pedido do PP, PT e PMDB?

Dois anos antes de se eleger presidente, Dilma convidou Paulo Roberto para o casamento de sua filha. Não sabia que ele era ladrão?

Demitiu-o “a pedido” em 2012. Paulo Roberto deixou a Petrobras cercado de elogios. Dilma desconhecia seu prontuário?

Ora, faça-me o favor!

Na semana passada, Dilma cogitou demitir Sérgio Machado, um economista cearense que há mais de 10 anos preside a Transpetro, subsidiária da Petrobras. Paulo Roberto contou à Justiça que recebeu de Sérgio R$ 500 mil em espécie.

O padrinho de Sérgio é Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, citado por Paulo Roberto como envolvido com a corrupção na Petrobras. Além de cogitar, o que mais fez Dilma?

De volta de um comício em Maceió, onde ao lado do senador Fernando Collor segurou no microfone para que discursasse Renan Filho, governador de Alagoas, Dilma esbarrou na oposição de Renan, o pai, à demissão de Sérgio. E deixou de cogitá-la.

Para demitir Sérgio seria preciso que Dilma conseguisse o afastamento de João Vaccari Neto do cargo de tesoureiro do PT, argumentou Renan. Vaccari é outro emporcalhado pela lama da Petrobras.
Lula disse que está de “saco cheio” com denúncias de corrupção contra o PT feitas às vésperas de eleições.

Eu também estou.

E você?


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Blog do Noblat

Vamos mudar o disco?
Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa

Meu candidato era Eduardo Campos. Não havia, em meu amor ao Brasil, a menor dúvida que ele saberia nos tirar do enguiço em que estamos. Quando ele se uniu à Marina Silva, tive um princípio de dúvida. Que consegui ultrapassar diante da tragédia: se Eduardo Campos confiou nela para sua vice, esta eleitora também confiaria.

Fiz mais do que isso: escrevi para seu comitê para oferecer, graciosamente, meus préstimos. Podia escrever cartas, dar telefonemas, de algum modo ajudar. Isso foi em 10 de setembro. Não recebi uma palavrinha, nem de aceitação, nem de recusa. Não me aborreci, imaginei que andassem muito atarefados.

Vieram as entrevistas, as sabatinas, os debates. E as propagandas na TV... O PT exagerou, foi tão agressivo, tão grosseiro e tão mentiroso, que mais aumentava minha vontade de ver Marina Silva no Planalto.

Mas acontece que Marina começou a errar muito: dizia hoje uma coisa que amanhã desdizia. Parecia uma marionete e não uma política de ideias firmes, cujo programa fosse a última palavra.

A campanha petista foi ficando cada vez mais feia. A campanha tucana também mirava em Marina. Os marqueteiros de ambos os partidos pareciam ter uma ideia fixa: impedir que a candidata do PSB crescesse. Mas sempre com uma grande diferença entre o nível das duas.

Chega o debate da Rede Record e fui surpreendida por um Aécio Neves firme e determinado. Foi o melhor debatedor.

E no último debate, o da Globo, a melhor e mais consistente oposição ao PT foi de novo a de Aécio Neves. Sem sombra de dúvida, ele se mostrou o mais capaz para enfrentar um segundo turno e também para administrar a ‘massa falida’ que o PT nos deixará como legado.

Foi uma campanha estressante para o eleitor consciente. O medo da máquina petista me assombrava. Sofrimento tolo. Vejam a que ponto o PT minguou: a maior prova do derretimento do partido foi sua derrota em São Bernardo do Campo, já que ali ele foi sonhado e ali vive seu nome mais ilustre, fundador, criador, militante-mor e alma do PT.

Lula não disse uma palavra desde a fragorosa derrota de seu PT que perdeu muito mais que uma vitória no primeiro turno: perdeu o 'poste' com o qual sonhava iluminar São Paulo, perdeu uma cadeira cativa no Senado Federal, perdeu em seu estado natal e foi derrotado pelo PSDB no berço do sindicalismo paulista.

Mas para o PT não bastou: seu presidente Rui Falcão resolveu jogar sal na ferida do partido. Em vez de se dedicar à luta pela vitória de dona Dilma, o que faz essa figura quase inacreditável? Lança a candidatura de Lula para 2018!

Agora estamos em pleno desenrolar do segundo turno. Novas campanhas, novos debates, novas propagandas por esse Brasil afora.

Novos silêncios constrangedores e novos ataques mentirosos. Marina Silva adia definir sua posição, e isso justifica plenamente minha decepção com ela: apesar de suas palavras contra a velha política, é isso que ela está fazendo, usando o velho toma lá da cá da política do século passado.

E o PT volta às origens: ricos contra pobres, nordestinos contra sulistas. Estamos em 2014, o Lula já pode ser bisavô, dona Dilma levou uma boa lambada, mas eles não mudam o disco.

Dá uma canseira ouvi-los...

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Desconstruindo Dilma

Os tucanos vão tentar demolir a imagem da presidente Dilma. Suas pesquisas mostram que o escândalo da Petrobras colou no PT. E que há espaço para colocá-la na mesma panela. Os petistas avaliam que o caso levou à baixa votação em São Paulo. Na campanha petista, a ordem é dissociar Dilma desse processo. “A imagem dela não está colada na do PT. Ela é uma mulher austera”, explica um ministro.

O peso eleitoral do caso Petrobras
Na campanha tucana, há euforia e cautela. Há quem considere que o caso Petrobras vai liquidar a presidente Dilma. Outros, que se trata de uma janela de oportunidades. Os petistas estão sobressaltados, atentos à cobertura da “free mídia” e à exploração dos fatos nos programas e inserções de TV da candidatura Aécio Neves. A campanha de Dilma não sabe até que ponto os eleitores serão sensíveis, mas tendem a minimizar o estrago. Dizem que todos já viram isso e citam os “aloprados” e o “dinheiro na cueca”, de 2006; e o caso de Erenice Guerra, secretária-executiva da Casa Civil quando Dilma era ministra, em 2010.

“Agora é MMA. Temos que estar preparados para apanhar, mas temos que bater também. Se não, não aguenta!”

Rodrigo Maia
Deputado federal (RJ), ex-presidente e ex-líder do DEM

Arrumando a casa
Lula cobrou dos dirigentes do PT paulista que coloquem a militância na rua, pedindo voto de casa em casa. Quinta-feira, em São Paulo, ele bateu duro e quer os 68 prefeitos do PT no estado trabalhando pela reeleição da presidente Dilma.

Artilharia
A campanha do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) vai com tudo para cima do senador Marcelo Crivella (PRB). Ela pretende iluminar as relações do rival com a Igreja Universal do Reino de Deus e com seu dirigente máximo, Edir Macedo. O objetivo é convencer os eleitores de que Crivella (foto) usará o governo para fortalecer os negócios da igreja.

A luta continua
Na dissidência, o presidente do PSB, Roberto Amaral, vai participar da campanha para reeleger a presidente Dilma. Sobre o apoio a Aécio Neves, acusa o partido de “jogar no lixo da história a oposição de oito anos ao governo FHC”.

Campanha sustentável
O TRE de Minas Gerais pediu as sobras de material de campanha dos candidatos para reciclá-lo. Recebeu três toneladas. Marconi Perillo (PSDB) e Íris Rezende (PMDB), em Goiás, aceitaram fazer o mesmo ao final do segundo turno. Tarso Genro (PT) e Ivo Sartori (PMDB), no Rio Grande do Sul, acertaram não usar cavaletes.

Velha infância
Candidatos no segundo turno aderiram à onda de colocar fotos de quando eram crianças nas redes sociais, por conta do 12 de outubro. Tarso Genro (PT-RS), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Delcídio do Amaral (PT-MS) são exemplos.

O próximo capítulo
O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), registra que eventuais fusões somente serão tratadas após as eleições. E que o debate sobre a melhor forma de atuar no Congresso envolverá todos. Mas que agora “a missão do partido é eleger Aécio Neves”.

Marqueteiros que veem a campanha de fora dizem que o desafio da presidente Dilma é reduzir sua rejeição. Ela é oito pontos maior que a de Aécio Neves.

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Acordo programático

As negociações para que a candidata terceira colocada, Marina Silva, una-se à campanha de Aécio Neves neste segundo turno da eleição presidencial, chancelando uma decisão que já foi tomada pela maioria de seus eleitores, podem ter um final feliz neste fim de semana se prevalecer o entendimento em torno de pontos programáticos que estão sendo discutidos pelos dois grupos.

Ambos estão tratando o assunto com muita delicadeza, pois não querem constranger a outra parte e desejam que a união, se ocorrer, faça-se em torno de pontos de acordo que signifiquem avanços no que seria uma unidade para dar ao país um governo progressista que ressalte o melhor do espírito da social democracia encarnada pelo PSDB.

Marina tem deixado claro que não tem interesse em derrotar o PT apenas para vencer a disputa eleitoral, por vingança contra a presidente Dilma pela maneira com que foi tratada na campanha eleitoral, mas para proporcionar ao seu partido de origem condições de rever seus erros e retornar às suas raízes, que teriam, na visão dela, sido perdidas nas disputas políticas dos últimos anos.

Ela vê no momento em que o PSDB chega ao segundo turno a chance de os tucanos ressaltarem seus laços sociais, que deram origem ao Plano Real e a diversas ações para a criação do que Fernando Henrique chamava à época de “rede de proteção social”. Dentro desse espírito, foram criadas a Bolsa Escola, o Auxílio Gás, o Bolsa Alimentação e o Auxílio Alimentação, que originaram o Bolsa Família quando o governo Lula, por sugestão do governador tucano Marconi Perillo, unificou esses programas.

A preocupação dos dois lados durante as negociações foi sempre enfatizar que acordos estavam sendo negociados em torno de programas, e não de cargos ou futuras posições num eventual governo. Marina, por seu lado, tem ressaltado em conversas nos últimos dias, inclusive com membros do PSDB, que não faria nunca um acordo político que não fosse baseado em políticas públicas, e que não se coloca como dona das melhores práticas nem das melhores ideias.

Quer apenas salientar que um acordo programático como o que está sendo costurado será um avanço na negociação política no país, e que tanto ela quanto Aécio Neves têm o mesmo objetivo, que é o de unir forças para fazer as mudanças de que o país necessita. Ela sabe que o resultado das urnas deu a Aécio Neves a primazia das propostas, e apresentou sugestões que, a seu ver, ressaltarão o empenho social do PSDB.

A união nessas bases servirá também para que a campanha do tucano rebata as acusações que vêm sendo feitas pela candidata Dilma, colocando a disputa como sendo entre pobres e ricos, Norte e Nordeste contra Sul e Sudeste. O resultado das eleições desmente essa visão simplista do que saiu das urnas, como analisa o cientista político Cesar Romero Jacob, da PUC do Rio de Janeiro. Ele e sua equipe desenvolveram um trabalho de análise dos resultados eleitorais com base na divisão geográfica dos votos e têm um banco de dados das eleições presidenciais desde a redemocratização do país em 1989.

Se a geografia do voto petista se alterou radicalmente de 2002 para 2010, a da recente eleição presidencial é bastante semelhante à anterior, em que Dilma foi eleita pela primeira vez. O que difere essa das demais eleições, segundo o professor Romero Jacob, é a divisão socioeconômica do voto nas mesmas geografias. O resultado é mais complexo do que dividir a posição do eleitorado em polos opostos, pois existem na mesma região eleitores de diversos tipos e classes sociais.

Dizer que apenas os pobres votaram em Dilma no Nordeste é um engano, adverte Romero Jacob, pois as classes mais altas também se beneficiam da economia reforçada pelo programa Bolsa Família. (Amanhã, os desafios dos candidatos).

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Dilma enlouqueceu e agora chama democracia de “golpe”. Isso era pensamento da terrorista da VAR-Palmares, não de quem se fez presidente pelas urnas

“Os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem destruir.” Em latim: “Quos volunt di perdere dementant prius”. A citação no singular é mais conhecida: “Quem vult deus perdere dementat prius” — “Deus primeiro enlouquece aquele a quem quer destruir”. Prefiro a citação com “deuses”. O problema de “deus”, no singular, é que a frase parece remeter ao Deus único, este nosso (ou meu, hehe), não àqueles vários do paganismo, que viviam atazanando os homens. É o que me ocorre ao tomar conhecimento do que Dilma afirmou nesta sexta. Ela pode estar perdendo o juízo. Leiam o que afirmou:

Numa caminhada na periferia de Porto Alegre, discursando sobre uma caminhonete, ela se saiu com a seguinte estupidez:
“Eles [oposição] jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime terrível que é o crime da corrupção. Agora, na véspera eleitoral, sempre querem dar um golpe. E estão dando um golpe. Esse golpe nós não podemos concordar”.

Golpe? Que golpe? O golpe das urnas, presidente? Haver quem não vote no PT, então, agora é golpe? Uma eleição só é legítima quando vencida pelo PT? Se o seu partido perder, dona Dilma, será porque a maioria terá votado no seu adversário. Será, então, sinal, governanta, de que a maioria do eleitorado terá se transformado em golpista?

A fala é de uma estupefaciente irresponsabilidade. Até porque Dilma, que continua presidente da República, está afirmando, na prática, que, se ela perder a eleição, então o resultado não é legítimo. Se não é, então o PT poderá sair por aí botando fogo no circo. Golpista é a fala da petista!

Eles já recorreram a esse expediente em 2006. Essa tese tem “copyright”, tem autoria: Marilena Chaui, a militante do PT disfarçada de filósofa. Foi ela quem procurou dar alcance até acadêmico a essa vigarice naquele ano. Segundo essa senhora, denunciar o mensalão correspondia, imaginem vocês, a dar um golpe. Agora, para mostrar que somos legalistas, deveríamos todos nos calar diante do “petrolão”???

Sabem o que é isso? Sinal de desespero. Em dois dias, é o segundo golpe baixo — o primeiro é tentar fazer de FHC um inimigo dos nordestinos. Imaginem o que vem por aí. Dilma está se esquecendo de que ainda é presidente da República e que tal cargo lhe impõe uma especial responsabilidade.

Democracia como golpe, presidente? Esse pensamento ficava bem na terrorista da VAR-Palmares, não na pessoa que se elegeu por meio das urnas, as mesmas que, no momento, dão a vitória a seu adversário. Até que Dilma não comece a sentir vergonha do que disse, sentirei um pouquinho por ela, a tal vergonha alheia.


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Blog do Rafael Brasil

FHC APOSENTADOS E VAGABUNDOS - RAFAEL BRASIL

Quase todos os petistas são essencialmente mentirosos e canalhas. A começar por Lula e a stalinista Dilma, que mente despudorada e descaradamente. Para esta gente vale tudo, pela manutenção do poder. E é essencial que eles sejam defenestrados pelo voto.

Ontem, Dilma, que não teria condições de ser secretária municipal de qualquer grotão deste país, disse com àquela cara mais lisa deste mundo, que Fernando Henrique chamou os aposentados de vagabundos. Estes canalhas tiraram a afirmação do contexto e deturparam até hoje a fala do ex presidente, um homem polido e educado. Fernando Henrique disse , apontando as injustiças do sistema previdenciário nacional, que causa um rombo de cerca de setenta bilhões anuais aos cofres públicos, cerca de três bolsas famílias anuais, e mantém privilégios mais do que evidentes no setor público. No setor privado tem um teto quer mal chega a cerca de três mil reais. No setor público, os aposentados recebem integralmente. Não trata-se dos barnabés, mas dos marajás, principalmente do poder judiciário, aonde as mordomias abundam além da corrupção. Quando pegos em flagrante os juízes são aposentados e recebem integralmente. Fernando Henrique disse que, quem tem quarenta anos de idade e se aposenta sem ter devidamente contribuído não passa de um vagabundo. Claro ele nunca chamou os aposentados de uma maneira geral de vagabundos. Se referia a estes aposentados, sobretudo do setor público em especial. É muita mentira.

Ainda mais, insinuar que agora é que a polícia federal e o ministério público realmente investigam por orientação do PT é uma afirmação tão canalha, tão nazista, que dá vontade de vomitar. Em afronta ao judiciário no caso do mensalão, Dilma Lula e a canalha petista fizeram manifestações contra o STF e fizeram de tudo pára tirar os poderes investigativos do ministério público. Por isso eu digo só um desinformado ou um picareta vota nessa gente.

O que fizeram com Marina foi um caso de polícia. Agora, diante das investigações do grande esquema de corrupção envolvendo a própria candidata e o ex presidente, eles vem posar de combatentes da corrupção e de repositórios da ética e dos bons costumes políticos. Reafirmo: Só os desinformados e os picaretas votam nessa gente. Os desinformados ainda tem perdão pela ignorância. Os picaretas que vão para o inferno.

Está mais do que na hora do PSDB atacar esta gente sem dó nem piedade. O mal tem que ser combatido com coragem e determinação. E reafirmo: QUEM SE APOSENTA COM QUARENTA ANOS SEM TER DEVIDAMENTE CONTRIBUÍDO PARA TAL NÃO PASSA DE UM VAGABUNDO. VAGABUNDO E PICARETA PROTEGIDO POR LEIS INJUSTAS E MAIS DO QUE FAJUTAS. Estarei errado?

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Em desespero diante da comprovação que o PT roubou a Petrobras, Dilma destila ódio no Nordeste para tentar dividir o país.

Em mais um dia de campanha pelo Nordeste, a presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou nesta quinta-feira (9) que seus rivais promovem uma "oposição ridícula" entre o Sudeste e o Nordeste."É uma visão preconceituosa e elitista. [Eles estão] dizendo que meus votos são os dos ignorantes e dos letrados são os deles. Eles não andam no meio do povo, não dão importância ao povo. Querem desqualificar, destilar um ódio mal resolvido", afirmou a presidente em entrevista a rádios locais.

A presidente associou o PSDB de seu adversário Aécio Neves ao "conservadorismo" e disse que o povo "tem que lutar pelas conquistas dos últimos 12 anos". E mirou nos eleitores que ascenderam socialmente, dizendo que "criou" a classe média que cresceu nos últimos anos. "Temos de ter foco nos mais pobres. Mas também fizemos política para classe média ascendente que nós mesmos criamos", afirmou.

Em discurso em Salvador, Dilma voltou a criticar o economista Armínio Fraga, que foi presidente do Banco Central durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Aécio declarou que Armínio será seu ministro da Fazenda caso ele vença a eleição."Esse senhor [...] não gosta do salário mínimo. Eles acham que o salário mínimo é recessivo. É um escândalo", afirmou. Em nota, Armínio disse que ela "está mal informada ou distorce os fatos".

Em Sergipe, Dilma pediu que o Nordeste faça uma "onda" pela sua reeleição: "Eu já pedi uma onda na Bahia para ganhar no segundo turno. Agora, estou pedindo uma onda sergipana, uma onda forte, que nos leve a um segundo turno vitorioso". 

ONDA DE LAMA AFUNDA A CANDIDATURA DE DILMA

A divulgação das primeiras pesquisas do segundo turno e o devastador depoimento de Paulo Roberto Costa coroaram nesta quinta-feira (9) a "tempestade perfeita" que atinge a campanha de Dilma Rousseff (PT). O termo designa a convergência de fatores negativos que agudizam uma situação já difícil. No caso da campanha da presidente, a saber:

1. Seu oponente Aécio Neves (PSDB) teve um desempenho acima do previsto no primeiro turno. Ganhou fôlego.

2. O desastre eleitoral em São Paulo colocou o PT em pé de guerra. Lideranças emergentes questionam a velha guarda paulista do partido, e até Lula virou alvo de críticas.

3. Enquanto isso, Aécio amealhou apoios ao longo da semana, inclusive o do arredio PSB. A principal "noiva", Marina Silva, indicou estar à beira do "sim", embora isso ainda esteja em aberto.

4. Na quarta (8), encadearam-se diversas más notícias para Dilma. Gente ligada ao PT foi pega com malas de dinheiro, a inflação estourou o teto da meta e uma autoridade econômica sugeriu que o povo comesse frango no lugar de carne, a Procuradoria-Geral da República descartou acusação criminal petista contra Aécio no caso do aeroporto de Cláudio e, por fim, foi divulgado que o delator da Petrobras citou PT, PMDB e PP como receptores de dinheiro desviado da estatal na campanha de 2010.

5. A divulgação do depoimento de Costa, de própria voz. É peça única no anedotário da corrupção e atinge o centro do grupo no poder.

6. A perda da vantagem que Dilma manteve durante toda a campanha nas simulações de segundo turno, e ainda sem o impacto pleno do caso Petrobras, com ultrapassagem numérica de Aécio.(Folha de São Paulo)


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Blog do Reinaldo Azevedo

Lula faz um discurso indecente em plenária do PT. Diante da corrupção, quer “cabeça erguida”. Ou: Uma fala cheia de ódio, que estimula a lambança. Querem saber? Faz sentido!

Luiz Inácio Lula da Silva afirmou estar com o saco cheio. Imaginem, então, como está o nosso — nós, que somos as vítimas de um tipo de política de que ele é o grande chefe. Ontem, dados os absurdos e descalabros que emanavam dos respectivos depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, o Babalorixá de Banânia não quis falar. Deixou para vociferar na plenária do PT, a primeira depois da eleição do dia 5, realizada no Sindicato dos Bancários. E, aí sim, bufou, vociferou cheio de ódio, vermelho como um pimentão. As sobrancelhas estavam arqueadas. Havia ódio em seu rosto. Sabem o que recomendou aos militantes? “Não abaixar a cabeça”. Sim, Lula quer que eles sintam orgulhosos.

Afirmou sobre a roubalheira na Petrobras: “Todo ano é a mesma coisa. É sempre o mesmo cenário: eles começam a levantar as denúncias, que não precisam ser provadas. É só insinuar que a imprensa já dá destaque. Eu quero dizer para vocês que eu já estou de saco cheio”. Assim seria se assim fosse: a operação Lava Jato não foi deflagrada pela imprensa, senhor Lula, mas pela Polícia Federal — por aquela parte dela que investiga sem perguntar a filiação partidária do investigado. A imprensa também não atuou como Ministério Público nem como Justiça. Tampouco propôs o acordo de delação premiada.

Como? “Levantar denúncias”? Desta vez, Lula, o PT se encalacrou. Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef admitem terem cometido os crimes. Alguém acha mesmo que eles atuariam sem a proteção de um esquema político? Lula está bravo porque foi ele próprio quem nomeou Paulo Roberto. E foi adiante com a retórica elegante de sempre: “Daqui a pouco, eles estarão investigando como nós nos portávamos dentro do ventre da nossa mãe”. Deus me livre! Pouco me interessa como o homem se portava no ventre daquela senhora. Mas as sem-vergonhices havidas na Petrobras, ah, isso é assunto meu, seu, de todos nós. O poderoso chefão petista parece não se conformar com isso. Entendo. Ele se acostumou com a ideia de que é dono do Brasil.

Referindo-se ao PSDB, afirmou: “Nós não podemos admitir que um partido bicudo venha nos chamar de corruptos”. Epa! Não é um partido bicudo, Lula! Os parceiros do petismo é que decidiram confessar.

O ex-presidente, gostemos ou não, é um líder político. Essa sua fala é desastrosa para a moralidade pública. Ela serve como sinal verde para a lambança. Sua cara-de-pau não tem limites. Continua a negar que o mensalão tenha existido, apesar das provas e das confissões de Marcos Valério. Parece que decidiu, agora, fazer o mesmo no caso da Petrobras. Estranha essa reação. Estaria Lula aplicando uma espécie de vacina contra o que virá, numa reação preventiva?

Ah, sim: na plenária, ele disse não entender o resultado pífio do PT em São Paulo. Falou isso ladeado por Alexandre Padilha, Fernando Haddad e Eduardo Suplicy, entre outros… E ele ainda não entendeu? Lula já foi mais inteligente.

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O PAÍS ACOMPANHA CHEIO DE NOJO E REVOLTA A DEGRADAÇÃO A QUE OS GOVERNOS PETISTAS SUBMETERAM A PETROBRAS! E ESSA É APENAS UMA DAS ESTATAIS! IMAGINEM O QUE SE PASSA NAS OUTRAS

Nojo! Asco! Engulhos! Procurem aí as palavras todas que sintetizem o estômago revirado para resumir o que, agora sabemos (e ainda é tão pouco!), se passava, e talvez se passe ainda, na Petrobras durante os governos petistas. O presidente da empresa, no período, era o militante petista José Sérgio Gabrielli, hoje um dos braços direitos do governador Jaques Wagner (PT), da Bahia. No cargo, Gabrielli se tornou notório pela arrogância, pela rispidez e pela prepotência. Afinal, era o dono da bola! Em parte do tempo em que vigorou o esquema sujo, Dilma estava na presidência do Conselho da Petrobras; depois, na Presidência da República. A Justiça divulgou os áudios dos respectivos depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, e do doleiro Alberto Youssef. Ambos estão presos e fizeram um acordo de delação premiada. PT, PMDB e PP dividiam, segundo a duplna, o butim da corrupção, mas a parcela maior ficava com os petistas.

 Paulo Roberto e Youssef eram os principais operadores da quadrilha que passou a atuar na empresa a partir de 2006. Nota à margem: a dupla conta tudo com precisão burocrática, cartorial, como se estivessem dizendo: “Hoje é sexta-feira”. Na voz, não há tensão, constrangimento, vergonha. A maior empresa brasileira era usada como caixa de partidos políticos e como fonte de enriquecimento de larápios. É preciso ter uma boa-fé que ultrapassa a linha da estupidez para acreditar que um esquema de tal magnitude vigorasse na estatal sem que o titular do Palácio do Planalto soubesse. Até porque, segundo a dupla, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, era peça-chave do esquema.

Paulo Roberto e Youssef citam o nome de 13 empreiteiras como fontes pagadoras de propina. Entre elas, estão as gigantes Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e OAS, que negam qualquer irregularidade. Em seu depoimento, Youssef foi explícito: “Se ela [a empresa] não pagasse [a propina], tinha a ingerência política e do próprio diretor; ela não fazia a obra se ela não pagasse”. Vocês leram direito: para fazer uma obra para a Petrobras, só pagando propina, que era, segundo os depoentes, incorporada ao valor do contrato — vale dizer: as empreiteiras eram apenas usadas como repassadoras de um dinheiro que os bandidos roubavam do cofre da empresa.

E como funcionava? Simples! Paulo Roberto Costa diz que cada grande contrato com a Petrobras tinha uma propina de 3%. Nas suas palavras: “Me foi colocado lá pelas empresas, né?, e também pelo partido que, dessa média de 3%, o que fosse diretoria de Abastecimento, 1%, seria repassado para o PP. E os 2% restantes ficariam para o PT, dentro da diretoria que prestava esse tipo de serviço, que era a diretoria de Serviços.”

Assim, Paulo Roberto e Youssef, que operavam em parceria, cuidavam do 1% da propina que era paga ao PP — o engenheiro que está preso foi posto lá pelo partido. E dos 2% do PT, quem cuidava? Youssef esclarece: “O contrato é um só. Por exemplo, uma obra da Camargo Corrêa de R$ 3,48 bilhões. Ela tinha que pagar R$ 34 milhões por aquela obra para o PP. Eu era responsável por essa parte. A outra parte, eu não era responsável.” Segundo Youssef, os 2% do PT eram negociados diretamente por João Vaccari Neto, o tesoureiro do partido, por intermédio de Renato Duque, então diretor de Serviços, indicado para o cargo ,segundo Paulo Roberto, por José Dirceu. Nestor Cerveró, o principal articulador da compra da refinaria de Pasadena, era o homem do PMDB na empresa.

E os nomes dos políticos?
A Justiça Federal que apura as lambanças da dupla não pode investigar os políticos que têm foro especial por prerrogativa de função. Isso ficará a cargo do STJ ou do STF, a depender do cargo. Por isso seus respectivos nomes não podem ser citados nos depoimentos divulgados. Mas Paulo Roberto não deixa dúvida: “Na minha agenda, que foi apreendida em minha residência, tem uma tabela que foi detalhada junto ao MP, e essa tabela revela valores de agentes políticos de vários partidos que foram relativos à eleição de 2010”. Reportagem da revista VEJA informou, por exemplo, que Antônio Palocci, um dos coordenadores da campanha de Dilma naquela ano, procurou Paulo Roberto e lhe pediu R$ 2 milhões da cota que cabia ao PP.

É isso aí. Todos os acusados negam qualquer envolvimento com o esquema. O Planalto não quis se manifestar. Lula também se negou a falar com a imprensa. Preferiu vociferar contra a investigação numa plenária do PT, assunto para outro post.

Assim age aquela gente que se orgulha em palanques de ter mudado o Brasil. Lembro: a Petrobras é apenas uma das estatais. E está mais submetida a controles porque é uma empresa aberta, com ações na Bolsa. Imaginem o que se passa em empresas às quais não se presta muita atenção. É a lama. É a lama. É a lama.

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Reação de Aécio às imposições de Marina é impecável. Ou: Líder da Rede precisa tomar cuidado para que “Nova Política” não vire política velha

Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, concedeu a entrevista coletiva de todo dia, e o tema principal, como não poderia deixar de ser, foram as exigências feitas por Marina Silva, da Rede, para declarar apoio à sua candidatura. Entre outros itens, ela quer que o presidenciável retire o apoio ao projeto do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), seu vice, que permite que, em situações excepcionais, menores a partir dos 16 anos possam ser processados criminalmente, o que só seria feito depois de ouvidos o Ministério Público da Infância e da Juventude e a Justiça. Marina, tudo indica, resolveu transformar essa questão num de seus cavalos de batalha.

Ela também quer que o tucano se comprometa com o passe livre estudantil, que se comprometa com metas do MST, que se comprometa com o desenvolvimento sustentável, que… Bem, Marina quer, tudo indica, tomar o lugar de Aécio na chapa. Isso não é negociação.

Na coletiva, a fala de Aécio foi impecável do ponto de vista da lógica do processo: “O essencial hoje é a mudança. O caso não é de abrir mão de propostas. É aprimorarmos. Se formos reconstruir o projeto desde o início, não estamos fazendo uma aliança. Aliança tem que acontecer em torno do essencial. O essencial hoje é a mudança. E eu, pela vontade de grande parte dos brasileiros, tenho a responsabilidade de conduzir essa mudança”.

O candidato voltou a defender a proposta de Aloysio e lembrou que a alteração atingiria apenas 1% das infrações cometidas por jovens entre 16 e 18 anos. Mas disse ver convergências com o programa defendido por Marina nas eleições: “Nosso programa tem muita inserção social, educação e sustentabilidade. Mas, quando se busca um apoio no segundo turno, isso não pode nos levar também a abdicar daquilo que acreditamos que seja essencial para o país. Vejo muito mais convergências entre o que tenho ouvido das propostas da candidata Marina do que divergências.”

E fez uma avaliação correta e historicamente fundamentada: “As mudanças não são uniformes. As pessoas que esperam mudanças se distinguem em determinados aspectos ou temas. Na articulação em torno de Tancredo Neves, tinha desde partidos comunistas à Frente Liberal, considerados por alguns da ‘direita conservadora’. Fizeram isso porque Tancredo representava a possibilidade de reencontrarmos a democracia no Brasil. Uma aliança no segundo turno se dá em torno de objetivos maiores: um governo eficiente e ético”.

É isso! Nada a opor ou a acrescentar. Ou talvez acrescente uma coisa: só o PT, entre os oposicionistas, ficou fora daquele arco de alianças que apoiou Tancredo. E ainda expulsou três deputados que votaram no Colégio Eleitoral: José Eudes, Bete Mendes e Airton Soares. Marina Silva, em 2014, não deveria repetir o PT de janeiro de 1985, há quase 30 anos. É política velha, não nova política.

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Oposição pressiona por convocação de tesoureiro do PT à CPI da Petrobras

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
As revelações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa sobre o papel do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, no esquema de corrupção dentro da estatal fizeram ecoar entre os parlamentares de oposição a urgência de convocar o petista para prestar depoimento à CPI Mista da Petrobras, composta por deputados e senadores. O colegiado já acumula seis pedidos de audiência com Vaccari, apresentados desde o final de maio, mas a maioria governista impediu a aprovação dos requerimentos.

Em depoimento à Justiça, Costa afirmou que PT, PMDB e o PP recebiam propina e deu o nome dos operadores dos partidos que recebiam e administravam o dinheiro desviado da estatal. Ele afirma que a propina do PT era administrada pelo tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto, que tratava diretamente com o então diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque. O operador da propina que cabia ao PMDB era o lobista Fernando Soares, também conhecido como Fernando Baiano. “Dentro do PT a ligação que o diretor de serviços tinha era com o tesoureiro na época do PT, o senhor João Vaccari”, afirmou.

“Agora, mais do que nunca, é urgente que o Vaccari seja ouvido. Nós vamos pressionar”, afirmou o líder do Solidariedade, deputado Fernando Francischini (PR). O parlamentar planeja reunir os integrantes da CPI na próxima terça-feira. “Defendo que não se vote mais nada e não se ouça mais ninguém enquanto não levarmos o tesoureiro do PT à comissão”, afirmou.

Com o Congresso ainda paralisado por causa das campanhas eleitorais, o ritmo de reuniões da CPI foi diminuído. A próxima audiência está agendada somente para o dia 22 de outubro, mas os oposicionistas defendem a convocação de uma reunião de emergência. “Agora nós sabemos onde está a quadrilha e o que aconteceu. Mas precisamos descobrir o chefe dessa quadrilha. Essa operação-abafa, de blindagem na CPMI, não pode continuar, até porque não está adiantando e os que atuam nessa linha estão sendo desmoralizados com os vazamentos”, afirmou o líder do PPS, deputado Rubens Bueno (PR). Além da necessidade de convocar Vaccari, o parlamentar reforçou a importância de quebrar os sigilos fiscais e bancários das empreiteiras.

O líder do PSDB na Câmara, deputado Antônio Imbassahy (BA), apontou ainda para a necessidade de aprovar a convocação de Renato Duque, diretor de Serviços da Petrobras com quem Vaccari atuava diretamente, segundo Costa. “Nós também temos de priorizar o depoimento de Duque, já que ele foi indicado por José Dirceu. Sem dúvidas, o mensalão permaneceu ao longo de todo o governo da presidente Dilma Rousseff”, afirmou. “Pela dimensão do escândalo, é difícil encontrar um brasileiro que possa acreditar que a presidente Dilma não sabia de nada. Essa declaração dela só estimula a corrupção ao passar a sensação de que está protegendo criminosos e contribuindo para a impunidade”, continuou.

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O PT e o PSDB na televisão: virulência ou suavidade; mudancismo ou terror; união ou arranca-rabo de classes

O horário eleitoral gratuito voltou nesta quinta-feira. Comentarei o conteúdo de cada um. Mas o que interessa, de saída, é apontar as estratégias. O primeiro programa a ir ao ar foi o do PT. Dilma deixou claro que quer mesmo partir para a pancadaria. O negócio dela é dividir o Brasil entre “nós” (eles) e “eles” (nós). Para ela, não se trata de uma disputa eleitoral, mas de um confronto entre “dois modelos de país”. Um deles seria, segundo diz, de FHC, que Aécio representaria e que teria “quebrado o Brasil três vezes” — o que é uma mentira histórica, mas e daí?

Dilma voltou a fazer outra acusação falsa. Disse que o governo tucano “privatizou patrimônio público a preço de banana”. Também é mentira. A menos que as bananas valessem seu peso em ouro. Um ano depois, as ações da Telebras que foram vendidas — a privatização da telefonia — valiam em Bolsa menos do que o governo havia arrecadado com a venda. O Brasil só tem hoje muito mais celulares do que pessoas porque o setor privado entrou no negócio. De resto, tivesse havido ilegalidade, por que o PT não reverteu o processo? Daria confusão, sim, mas possível era.

Foi adiante na mistificação e afirmou que o PT chegou ao poder com 50 milhões de brasileiros “na indigência”. É mentira também. Aliás, o partido faz uma baita confusão com o que seja miséria, pobreza, fome etc. Misturou tudo. “Fome” como um problema de massas já não havia no país quando Lula chegou ao poder, em 2003. É por isso que o seu “Fome Zero” nunca saiu do papel. No lugar, o petista adotou o Bolsa Família, um programa herdado de FHC.

A propaganda investiu pesado no arranca-rabo de classes e fez uma indignidade com FHC. Numa entrevista, o ex-presidente comentou que a desinformação levava, sim, muita gente a votar em Dilma. Em que contexto? Os petistas espalham a mentira de que, se algum outro presidente se eleger, acaba o Bolsa Família. É, é evidente, só acredita nisso quem está desinformado. No horário do PT, a entrevista do ex-presidente foi transformada numa manifestação de suposto preconceito contra os pobres.

Ironia: no dia em que vieram a público as revelações de Paulo Roberto Costa e de Alberto Youssef sobre como funcionava o esquema corrupto na Petrobras, inclusive durante o processo eleitoral que fez Dilma presidente, ela prometeu, se reeleta, combater… a corrupção!!!

Aécio
O programa de Aécio deixou de lado a pancadaria e preferiu iniciar com o tom elevado do agradecimento. A peça publicitária parece especialmente voltada para Minas Gerais, onde o tucano teve menos votos do que se esperava. Nem de longe Minas seguiu, por exemplo, o padrão de São Paulo, que foi muito mais “mineiro”. Em seu estado natal, o tucano ficou com 39,75% dos votos, contra 43,48% da petista; em São Paulo, o placar foi favorável a ele, com uma vantagem estrondosa: 44,22% a 25,82%.

Foram ao ar imagens do jovem Aécio ao lado de Tancredo Neves, num momento crucial da história do país: o fim da ditadura, quando o avô do agora candidato tucano costurou a participação da oposição no Colégio Eleitoral, o que permitiu a transição pacífica para a democracia.

Aécio acenou ainda aos eleitores de Marina Silva — sem citá-los explicitamente, mas lembrando que a maioria do eleitorado pediu mudanças — e também chamou a votar os que se abstiveram no primeiro turno, uma massa gigantesca, de quase 30 milhões (19,39% do eleitorado): precisamente, 27.698.475 pessoas. Notem: as abstenções superam os votos dados a Marina — 22.176.619 — em exatos 5.521.856 indivíduos aptos a votar.

O confronto com a petista, bem leve, ficou para o fim: apresentadores opõem Aécio a Dilma, afirmando que ela é candidata que representa a continuidade do que está aí e que ele encarna a mudança.

Os dois programas refletem o momento de cada campanha. Aécio vem de uma trajetória ascendente e pode falar em nome de uma esperança que diz estar nas ruas. Dilma, ao contrário, vem de uma dita expectativa de até vencer no primeiro turno para um confronto acirrado no segundo, em que provavelmente está atrás. Isso explica a suavidade dele e a virulência dela.

Vamos ver os próximos lances. E que se note: confronto e críticas mútuas fazem parte do jogo. O que não é tolerável numa campanha é a mentira.

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Mais um escândalo abala a República e, como no caso do mensalão, Lula de nada sabia. Nem Dilma
Ricardo Noblat

No caso do mensalão, nenhum dos acusados disse à Justiça que Lula sabia da existência do esquema de pagamento de propinas a deputados federais para que votassem no Congresso como o governo mandava.

Com o processo adiantado, e tendo perdido a esperança de ser salvo pelo PT, o ex-publicitário Marcos Valério, um dos operadores do mensalão, afirmou que Lula sabia, sim, da existência do esquema.

Mas já era tarde. De resto, Valério não apresentou sequer indícios convincentes para sustentar o que dizia. A Justiça também não se mostrou interessada em investigar a participação de Lula no escândalo.

No caso da roubalheira na Petrobras para financiar políticos e partidos, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da empresa, e o doleiro Alberto Youssef revelaram indiretamente que Lula sabia de tudo. Ou de quase tudo.

Lula cedeu à pressão de políticos para entregar-lhes diretorias da Petrobras, segundo Paulo Roberto. Foi assim que ele, por indicação do PP, acabou na diretoria de Abastecimento. Lula chamava Paulo Roberto de Paulinho.

Algum ingênuo poderá alegar que Lula jamais imaginou que Paulo Roberto ou qualquer outro diretor patrocinado por partidos teria como uma de suas missões roubar e deixar que roubassem. Santa ingenuidade.

O que ambiciona um partido ao emplacar um ocupante de cargo na administração pública? Conseguir por meio de ele colaborar com o presidente da República? Provar que dispõe de bons quadrados? Empregar alguém?

Na melhor das hipóteses, na mais sadia das hipóteses, contar com alguém no governo para arrancar de fornecedores doações capazes de fazer face a despesas de campanhas. O famoso Caixa 2.

É possível que Paulo Roberto e Yousseff tenham mentido à Justiça. Provável, porém, não é. Os dois querem escapar de condenações pesadas. Sabem que se mentirem, a delação premiada irá para o buraco. Não são suicidas.

Quanto a Lula... Preferiu não comentar nada. Apenas se disse de “saco cheio” com esse tipo de denúncia. Compreensível. Entra eleição, sai eleição, e o PT permanece na berlinda mergulhado em lama.

Quanto a Dilma... Ela não sabe de nada. Ela nunca soube de nada. Como gestora, a se acreditar em Lula, sempre foi uma gestora exemplar. Nem por isso bem informada sobre o que acontecia ao seu redor.

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Desvios na Petrobras aumentaram após desmontagem do esquema do mensalão

No depoimento que prestou à Justiça Federal do Paraná na quarta-feira (8), o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa expôs uma cronologia reveladora. Segundo o delator, o balcão de negócios instalado na maior estatal brasileira passou a operar mais intensamente a partir de 2006. Pouco depois, portanto, do fechamento dos guichês do mensalão, em 2005.

Paulo Roberto assumira a diretoria de Abastecimento da Petrobras em 2004, sob Lula. O delator explicou que, no alvorecer de sua gestão, as oportunidades de negócios eram escassas: “Em 2004 e 2005, nós tivemos pouquíssimas obras, porque o orçamento era muito restrito e também não tinha projeto”, disse Paulo Roberto.

“Então, as obras na área de Abastecimento praticamente começam no ano de 2006”, ele acrescentou. No ano anterior, 2005, outro delator, o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), jogara o mensalão no ventilador. Sem vincular um escândalo ao outro, Paulo Roberto deixou transparecer que a Petrobras converteu-se numa rendosa fonte alternativa de trambiques.

Foi nessa época, segundo o delator, que ganharam impulso as obras da refinaria Abreu e Lima, hoje célebre por seus superfaturamentos. “Vai ficar pronta em novembro deste ano”, previu Paulo Roberto. “A parte de terraplanagem começou em 2007.” Antes, segundo suas palavras, “teve um período de pouquíssima realização financeira.”

A corrupção aumentou na proporção direta da elevação da “realização financeira”. De acordo com o delator, os contratos celebrados na Petrobras rendiam um pedágio político de 3%, que desciam às arcas de pelo menos três legendas: PT, PMDB e PP. A campanha eleitoral de 2002 fora irrigada com as verbas sujas do mensalão. A de 2010, informou Paulo Roberto, foi besuntada com verbas do petrolão, como vem sendo chamado o novo escândalo.

Um dos pontos áureos do depoimento de Paulo Roberto Costa foi o instante em que, autorizada pelo juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato, a defesa do doleiro Alberto Youssef formulou um lote de perguntas ao depoente. O inquisidor fez os questionamentos sabendo quais seriam as respostas do delator. Interessava-lhe deixar assentado nos autos que Youssef era um mero operador, não o mentor da petro-roubalheira.

— O senhor disse que Alberto Youssef procurava pessoas nas empreiteiras para pegar o dinheiro. É isso?, indagou o defensor do doleiro.

— Correto, respondeu Paulo Roberto, seco.

— As empresas sabiam que esse dinheiro que estava sendo pago ia para agentes públicos?

— Sim.

Na abertura do depoimento, o juiz determinara que não fossem mencionados os nomes das autoridades e dos políticos suspeitos de corrupção. Eles dispõem de prerrogativa de foro. Estão sendo investigados pelo STF. Daí o advogado ter tratado os beneficiários das propinas apenas como “agentes públicos”.

— Eles [os representantes das empresas] tinham convicção de que esse dinheiro ia financiar políticos e campanhas políticas?, prosseguiu o defensor de Youssef.

— Certamente. Sim, a resposta é sim, disse Paulo Roberto, em timbre categórico.

— Ou seja, esse esquema, me perdoe a expressão, de propina era também usado para financiar políticos brasileiros e o esquema de financiamento de campanhas políticas?, insistiu o advogado de Youssef.

— A resposta é sim.

— Em 2010, o senhor disse que esse dinheiro financiou campanhas políticas?

— Sim.

— Várias campanhas?

— Várias.

— Inclusive majoritárias?

Candidatos majoritários concorrem ao Senado, aos governos estaduais e à Presidência da República. O juiz farejou as intenções do advogado. E interveio: “Não, aí não vamos entrar nessa questão, doutor”, brecou. “Eu disse campanhas, Excelência, não disse de quem era”, tentou justificar o defensor do doleiro. E o magistrado: “Doutor, está indeferida a questão.”

“O senhor concorda que esse sistema acaba prejudicando um pouco o meu cliente?”, indagou o advogado. O juiz ironizou: “Bem, mas seu cliente é um político ou é o senhor Alberto Youssef?” O advogado tentou esticar a prosa: “A partir do momento que ele tem…” Mas não teve tempo de completar a frase: “Está indeferida a pergunta, doutor!”

Pelo PT, disseram Paulo Roberto e Alberto Youssef, operava o diretor Financeiro da legenda, João Vaccari Neto. Pelo PMDB, quem passava o chapéu era um cidadão chamado Fernando Soares. O esquema se servia de propinas pagas por pelo menos 12 empresas: Camargo Corrêa, OAS, UTC, Odebrecht, Queiroz Galvão, Toyo Setal, Galvão Engenharia, Andrade Gutierrez, Iesa, Engevix, Jaraguá Equipamentos e Mendes Junior. Todas negaram participação no esquema. Operavam sob a forma de cartel. Dentro e fora da Petrobras, disse Paulo Roberto.

Youssef prestou depoimento na sequência. Confirmou a maioria das informações de Paulo Roberto. Ecoando as preocupações de sua defesa, o doleiro qualificou-se como parte da engrenagem, não como mentor. A certa altura o juiz Sérgio Mouro pediu a Youssef que esclarecesse como funcionava o recebimento das propinas de 3% que o PP (1%) era obrigado a dividir com o PT (2%). O doleiro expressou-se com um didatismo hediondo:

“Vou explicar, para Vossa Excelência entender: o contrato é um só. Uma obra da Camargo Corrêa, de R$ 3,480 bilhões —R$ 34 milhões ela tinha que pagar para o PP. Eu era responsável por esse aporte [referente à diretoria de Abastecimento]. A outra parte eu não era responsável. A empresa tinha que pagar mais 1%, mais R$ 34 milhões, ou 2%, como o Paulo Robeto está dizendo, para outro operador, no caso o João Vaccari”, já que o PT controlava a diretoria de Serviços, responsável por orçar, licitar e fiscalizar as obras tocadas por outras diretorias.

No instante em que encerrava o interrogatório de Paulo Roberto Costa, o juiz Sérgio Moro perguntou ao delator se ele queria “dizer alguma coisa”. E o interrogado: “Queria dizer só uma coisa, Excelência. Eu trabalhei na Petrobras 35 anos. Vinte e sete anos do meu trabalho foram trabalhos técnicos, gerenciais. E eu não tive nenhuma mácula nesses 27 anos.”

Paulo Roberto prosseguiu: “Se houve erro —e houve, não é?— foi a partir da entrada minha na diretoria por envolvimento com grupos políticos, que usam a oração e São Francisco, que é dando que se recebe. Eles dizem muito isso. Então, esse envolvimento político que tem, que tinha, depois que eu saí não posso mais falar, mas que tinha em todas as diretorias da Petrobras é uma mácula dentro da companhia…”

A ser verdade o que disse Youssef em seu depoimento, o próprio Paulo Roberto é fruto de uma chantagem política dos aliados do Planalto. Ele foi alçado ao posto de diretor depois que deputados governistas ameaçaram bloquear as votações na Câmara por 90 dias. Ou seja: se a prisão dos mensaleiros ensinou alguma coisa foi que a ética não pode ser ensinada a quem não quer aprender. Quem sai aos seus não endireita.

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Processo!




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Blog do Ilimar Franco

Missão Nordeste

                A dor de cabeça de Aécio Neves é o Nordeste, onde ele fez 15% dos votos. Os aliados farão uma ofensiva para desfazer a imagem de que são um risco para o Bolsa Família. O projeto de Aécio que o transforma em política de Estado será o instrumento. O objetivo é atrair o eleitor de Marina e a meta  é chegar aos 35% dos votos. Um dos dirigentes da campanha tucana revelou que o parâmetro são os 29% de José Serra em 2010.

O poder das palavras
Enquanto isso, a campanha da presidente Dilma deflagrou uma ofensiva para ampliar seus votos no Nordeste. A intenção é justamente essa, a de mostrar que existem dois Brasis, o dos ricos e o dos pobres. A palavra de ordem é “Menos ódio, mais Nordeste”. O mote são as declarações do ex-presidente Fernando Henrique relacionadas ao apoio à petista na região e na periferia de grandes centros. Numa delas, FH diz: “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres”. Noutra, ele diz que a presidente não é pobre, porque é “gordinha”. Dilma e o ex-presidente Lula reagiram e esse debate será tema da propaganda petista na TV.

“O PT quer dividir o país entre ricos e pobres, entre o Sul/Sudeste e o Norte/Nordeste. O nosso desafio é unir o Brasil”

Antônio Carlos Magalhães Neto
Prefeito de Salvador e dirigente nacional do DEM

Em busca do voto perdido
Licenciado para ajudar no segundo turno das eleições presidenciais, o ex-ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) conversou ontem com alguns dirigentes do PMDB e lhes dizia: “Nós precisamos conquistar 34% dos votos de Marina”.

Procura-se
O PSB vive um drama. O atual presidente, Roberto Amaral, não o lidera. Ele queria neutralidade e o partido se decidiu por Aécio. Os socialistas dizem que precisam de um novo líder, como Miguel Arraes, ou de um projeto de poder, encarnado por Eduardo Campos. Encontrar um líder e definir um novo projeto será o desafio do PSB depois da eleição.

Divina ajuda
O deputado Marco Feliciano (PSC), que é contra o casamento gay, dizia ontem que Aécio Neves pediu para ele se reunir com sua equipe para ajudá-lo a conquistar o voto evangélico nas redes sociais. Feliciano tem 1,5 milhão de seguidores.

Depois da casa arrombada
A equipe da presidente Dilma está minimizando o peso de Marina Silva. Um de seus dirigentes resume: “Até hoje ela não foi boa transferidora de votos”. E citando pesquisas, diz que Marina não melhorou a vida de Eduardo Campos ao ingressar no PSB ou ao se tornar vice. No período, de junho de 2013 a maio de 2014, Eduardo foi de 7% a 11%.

‘Não brinque com o eleitor’
Muitas celebridades foram derrotadas na eleição. Ontem, no Congresso, uma roda de políticos se divertia. Lá se dizia que muitas personalidades públicas já se achavam eleitas, pois o eleitor chegava, fazia uma selfie e depois votava noutro.

Prendendo a atenção do eleitor
O deputado federal mais votado em Goiás foi o Delegado Waldir (PSDB). Ele recebeu 274 mil votos. Para que os eleitores memorizassem o seu número, 4500, ele repetia na TV: “Vote 4500, 45 do calibre do revólver e 00 das algemas”.

Vítima da renovação. O presidente do PPS, Roberto Freire (SP), depois de 36 anos no Congresso não foi reeleito. Sua primeira eleição foi em 1978.

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Pesquisa Veritá mostra Aécio com 54,8% e Dilma com 45,2%. Hoje tem Datafolha.

Mais uma pesquisa mostra Aécio Neves (PSDB) liderando a corrida presidencial no segundo turno. A vantagem é de quase dez pontos sobre Dilma Rousseff, do PT. Resultado é muito semelhante ao obtido pelo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas, publicado ontem, que colocou Aécio na frente, mas por uma margem menor: 54% a 46%.

Se as eleições fossem hoje, Aécio teria 54,2% dos votos válidos contra 45,2% de Dilma. A pesquisa foi registrada pelo Instituto Veritá, entre os dias 6 e 8 de outubro, com 5.165 eleitores de todo o País e registrada junto ao TSE sob o número BR-01067/2014.

Na contagem de votos nominais, Aécio tem 42%, contra 36,1% de Dilma, enquanto 17,4 ainda estão indecisos e 4,5% votariam branco ou nulo. Em votos válidos, isso representa 54,8% para Aécio, contra 45,2% de Dilma. Hoje a Rede Globo publica pesquisa Datafolha.

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Assessor da Dilma manda o povo parar de comer carne para baixar a inflação.

Diante da alta da inflação em setembro, pressionada pelos preços dos alimentos, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, sugeriu que a população brasileira fique atenta à possibilidade de substituir produtos à mesa. As carnes subiram 3,17% no mês passado. Holland sugeriu que o brasileiro substitua o alimento por aves e ovos, que são mais baratos.

— Há uma série de outros produtos substitutos (para a carne) como frango, ovos e aves (...) que vêm apresentando comportamento benigno neste ano.

Holland disse que a alta dos preços em setembro se deve, em parte, ao aumento sazonal de alimentos como a carne bovina em função de um período de entressafra, agravado por uma seca e pelo aumento da demanda internacional do produto.

— É importante dizer que tem outros substitutos. A população precisa ficar atenta a isso. Também é importante dizer que diversos itens do dia a dia da mesa dos brasileiros estão apresentando no mês de setembro deflação, queda significativa de preços, como é o caso que eu citei de batata inglesa, óleo, feijão. São produtos muito importantes da mesa dos consumidores brasileiros.(O Globo)

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Blogueiro petista confessa vontade de se unir com a escória bolivariana
POR LUCIANO AYAN

Depois da ida de Aécio ao segundo turno contra Dilma, a extrema-esquerda ficou muito preocupada. Mas também ficou psicologicamente fragilizada, alternando surtos de depressão, stress e psicose. Por causa disso, fomos brindados com verdadeiras celebrações da insanidade humana, especialmente em alguns textos onde eles falaram coisas pelas quais poderão ser ridicularizados por muito tempo.

Isso aconteceu em particular na noite do dia 05/10 e no decorrer do dia 06/10. Pois foi justamente em 06/10 que Eduardo Guimarães, colunista do Brasil247, escreveu o post Avanço da direita em SP ameaça nordeste e América do Sul. O conteúdo é tão tosco que nem vale a pena comentá-lo por completo.

Antes, precisamos lembrar que esse discurso dizendo que “PT é amigo dos nordestinos, e os outros partidos são contra” não passa de uma retórica de ódio de última categoria, que em muitos casos se baseia em mentiras, especialmente sobre o Bolsa Família.

A parte mais interessante (e grotesca), no entanto, surge quando ele fala da integração com outras republiquetas bolivarianas. Comecemos:

Seja como for, para o resto da América do Sul o avanço conservador no Brasil é uma péssima notícia. Pelo peso do país na região, pelo tamanho de nossa economia e por nossa influência geopolítica, países que vêm sendo atacados pela campanha tucana, tais como Bolívia e Venezuela, podem prever que um governo do PSDB trataria de romper acordos de comércio que têm sido vitais para vários de nossos vizinhos.

Simplesmente ele confessou “sem querer querendo” que o projeto de poder do PT atende a objetivos que violam o interesse nacional.

Enquanto os governos da Bolívia e Venezuela estão saqueando seu povo, ele está muito preocupado com o fim dessa festa. Ele não é uma figurinha carimbada?

O pior é vê-lo dizer que os acordos de comércio são “vitais para vários de nossos vizinhos”. Mas não deveriam ser vitais para nós? Como já disse, eles estavam estressados e/ou deprimidos após os resultados das eleições. Blogaram com pressa, desesperados e o resultado foi que deixaram escapar confissões constrangedoras, como essa de Guimarães.

Hoje, a grande maioria da América do Sul é governada pela esquerda. Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Peru, Venezuela e Uruguai têm governos que mantém relações muito próximas conosco e que, em um eventual governo do PSDB, serão literalmente lançados ao mar.

O que ele está nos dizendo é que há um grande risco de não cairmos no mesmo barranco que Argentina, Venezuela e Cuba, países saqueados por seus tiranetes.

Temos aí mais uma confissão: o PT é um partido de traidores da pátria, cujos intelectuais orgânicos confessam que fazem acordos danosos à nossa nação.

Para piorar, todos esses países citados por Guimarães não significam nada em termos internacionais. Não são respeitados, até por que falamos de nações que em muitos casos não respeitam seu povo. Mas ele também mente quanto ao Peru e Chile, que tem ótimos relacionamentos com países como México e Estados Unidos. É outro nível.

Em caso de uma vitória de Aécio, ele buscaria o fortalecimento das relações comerciais com países mais civilizados e economicamente viáveis, ao invés de financiar nações falidas em termos econômicos, morais e civilizacionais.

Um leitor escreveu, brilhantemente: “Eduardo Guimarães simplesmente quer jogar na Terceira Divisão da economia! Minha utopia é ser como os novos Primeiro Mundo, como a Austrália, a Nova Zelandia! Singapura, Hong Kong, Coréia do Sul, etc. Que projeto é esse de virar uma porcaria de uma Cuba?”

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Silas Malafaia: 5 motivos para não votar em Dilma
POR LUCIANO AYAN

Em mais um vídeo do Ficha Social, vemos que Silas Malafaia realmente tem um foco similar ao meu: tirar o PT do poder, principalmente pelo apontamento de verdades consideradas inconvenientes pelos governistas. Malafaia apresentou cinco motivos para que ensinemos à Dilma o caminho da porta de saída do Palácio do Planalto.

A alternância de poder é o primeiro motivo, considerado ““fundamental para o Estado democrático de direito”. Concordo com ele. Em nações sadias, os governantes geralmente são trocados depois de certo tempo. E isso é ainda mais relevante quanto falamos de partidos totalitários como o PT.

Os casos de corrupção perfazem o segundo motivo. Malafaia ressalta que não apenas temos os casos de corrupção, como também o apoio aos criminosos condenados, o que agrava a imoralidade do partido. O terceiro motivo fala de um caso de corrupção em específico: o Petrolão.

O quarto motivo é a falta de denúncia do governo Dilma contra o genocídio de cristãos pelo mundo, ao mesmo tempo em que ela pede “diálogo” com terroristas decapitadores de cabeças. Será que eles vão tentar censurar esse vídeo também?

A inflação é o quinto motivo. Malafaia diz: “Sabe porque tudo de bom está acontecendo no Brasil? Por uma coisa que o PT foi contra: o Plano Real. Você sabe quanto era a inflação? 980% [ao ano]. Quem se lembra aí? Os garotos novos não sabem [...] Todo dia no mercado era um preço, era uma coisa de maluco. Não tinha dinheiro pro trabalhador. Quem é que deu o Plano Real – que o Lula e o PT foram contra?”.

Enfim, eu acho que existem muito mais motivos para dar um basta no PT, mas o vídeo de Malafaia serve como um aperitivo.

Assista:



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Blog do Reinaldo Azevedo

Depoimento de Paulo Roberto atinge o coração do PT e a campanha de Dilma em 2010. Ou: A depender das urnas, titular do próximo quadriênio não chega ao fim

O PT está numa enrascada. O pior é que, a depender do resultado das urnas, o Brasil também. Vamos ver, como diria o poeta Horácio — na bela ode em que homenageia a sua Leuconoe — , que destino os deuses nos reservam. Conforme for, a pessoa que encabeçar o próximo quadriênio na Presidência da República não chegará ao fim do mandato, que pode ser abreviado ou pela Justiça ou por um processo de impeachment. Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, prestou seu primeiro depoimento à Justiça depois do acordo de delação premiada. Ele sabe que, caso comece a dizer sandices e invencionices, o pacto é desfeito, e ele arca não só com o peso inicial dos delitos cometidos como com sanções novas. Assim, deve-se, quando menos, prestar atenção ao que diz.

Paulo Roberto afirmou com todas as letras que o esquema corrupto que ele operava na Petrobras para políticos recebia 3% do valor líquido dos contratos com a estatal. A fonte principal da corrupção é a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Ela foi orçada em US% 2,5 bilhões e já está em US$ 19 bilhões e ainda não começou a funcionar. O dinheiro era dividido entre ele próprio e três partidos: PT, PMDB e PP. Segundo a PF, a quadrilha chegou a movimentar R$ 10 bilhões na estatal. Sim, dez BILHÕES! Teriam atuado no esquema Sérgio Machado, presidente da Transpetro — de quem Paulo Roberto admite ter levado uma propina de R$ 500 mil —, Nestor Cerveró, Jorge Zelada e o petista Renato Duque, todos ex-diretores da estatal.

Mas não só. José Eduardo Dutra, atual diretor Corporativo e de Serviços, também seria ligado ao grupo. Pois é… Dutra foi um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência em 2010. Pertencia ao trio que Dilma apelidou de “Os Três Porquinhos”. Os outros “porquinhos” eram José Eduardo Cardozo, atual ministro da Justiça, e Antonio Palocci, que, segundo Paulo Roberto, pediu R$ 2 milhões ao esquema em 2010 para pagar contas da campanha de Dilma.

Nestor Cerveró, um dos acusados por ele, é o homem que organizou a operação de compra da refinaria de Pasadena, que, segundo o TCU, deu um prejuízo à empresa de US$ 792 milhões. Na delação premiada, Paulo Roberto já confessou que levou propina também nessa operação. Dilma, à época, era presidente do Conselho e alegou não saber de nada. Logo depois, Cerveró deixou o cargo, mas a já presidente Dilma o nomeou para ser diretor financeiro da BR Distribuidora. Renato Duque sempre foi considerado o homem do PT na Petrobras e ocupou a poderosa Diretoria de Serviços entre 2003 e 2012. Jorge Zelada, ex-diretor da Área Internacional, foi indicação do PMDB.

Até onde vai Paulo Roberto Costa? Insisto: ele conhece os termos de uma delação premiada. Se falsear ou se tentar induzir a Justiça a erro, em vez da liberdade possível, ficará mofando na cadeia por muitos anos. Todos têm direito de se defender e certamente o farão. O fato é que Paulo Roberto Costa está dizendo que a campanha eleitoral do PP, do PMDB e do PT — inclusive da então candidata Dilma Rousseff — foi em parte financiada com dinheiro sujo, roubado da Petrobras.

E agora? Se Paulo Roberto Costa estiver certo, a Papuda será pequena para abrigar tantos tubarões.

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Quo usque tandem, Dilma Falcoque, abutemini patientia nostra?

Pois é… Uma ligeira adaptação de uma das Catilinárias do grande Cícero contra Catilina. Quem era Catilina? Uma espécie, assim, de mistura de Guilherme Boulos com João Pedro Stedile da Roma Antiga. O quê? Vocês pensam que esses tipos representam alguma novidade na história? Que nada! Mas sigamos com a tradução, né? “Até quando, Dilma e Falcão, vocês abusarão da nossa paciência?”

O busílis é o seguinte: na noite desta terça, a Polícia Federal flagrou no aeroporto de Brasília um avião que transportava R$ 116 mil em dinheiro vivo. O turboélice tinha saído de Belo Horizonte. Até agora, não se sabe a origem da grana. Mas se sabe quem estava dentro: Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, empresário de Brasília com negócios no governo federal; Marcier Trombiere Moreira, funcionário de carreira do Banco do Brasil, deslocado depois para a assessoria especial do ministro das Cidades, Gilberto Occhi, e dali guindado para a campanha eleitoral de Fernando Pimentel, governador eleito de Minas, e um certo Pedro Medeiros.

Até aí, bem. Ocorre que o tal Benê atuou na campanha eleitoral do governador eleito de Minas, o petista Fernando Pimentel. Ainda é pouco para resumir a sua biografia. Em 2010, descobriu-se que ele financiava um grupo clandestino que estava encarregado de fabricar um dossiê contra o tucano José Serra, então candidato à Presidência. Esse grupo clandestino operava dentro do comitê de campanha de Dilma, que era chefiado, então, por… Pimentel. A biografia de Benê ainda pode ser engordada. Empresário obscuro do setor gráfico, virou um potentado na era petista: nos dois mandatos de Lula, suas empresas faturaram em contratos com o governo, a maioria sem licitação, R$ 214 milhões. No governo Dilma, não ficou na chuva: já abiscoitou R$ 109,6 milhões. Ah, sim: em 2010, o tal Benê pagava o aluguel de uma casa que servia à campanha do PT e também o da moradia da então candidata Dilma Rousseff.

Rui Falcão foi indagado sobre o estranho episódio e se saiu com uma resposta do balacobaco: “Prenderam 110 e pouco mil reais em um evento ligado a campanha do deputado eleito Bruno Covas. Isso não me leva a fazer qualquer vínculo dessa apreensão de dinheiro com o deputado Bruno Covas. Então se prenderam esse dinheiro, é preciso saber que não é crime transportar dinheiro desde que se explique a origem. Não venham colocar isso na conta do PT”.

Como? Que estranho modo de raciocinar, não é? Então porque Rui Falcão não atacou Bruno Covas no caso da apreensão de um dinheiro com alguém ligado à sua campanha, nada se pode cobrar do PT a respeito desse estranho episódio, envolvendo um empresário umbilicalmente ligado ao partido e com negócios milionários com o governo? Se eu levar ao pé da letra o que ele diz, então concluo que um petista só pode ser chamado à responsabilidade se, antes, ele tiver acusado algum tucano. Tenham paciência! Não é raciocínio de um Falcão, mas de uma toupeira lógica.

Jornalistas fizeram o seu trabalho e perguntaram a Dilma se Pimentel poderia ser afastado da coordenação de sua campanha. Com a simpatia costumeira que essa gente tem com a imprensa, respondeu de forma ríspida: “É tudo o que vocês queriam, não é? Por que eu afastaria o Pimentel? Você já condenou?” Ora, por que os repórteres quereriam afastar Pimentel? Ele até é um homem educado no trato com a imprensa, que desperta simpatias. Ocorre que o assunto é enrolado, né? E a governanta foi adiante:
“Eu confio, sim, no Pimentel. Acho que o Pimentel é uma pessoa interessantíssima [para] que se pergunte se eu quero afastar ele da minha campanha. Por que? Porque ele foi o governador que derrotou o candidato do Aécio Neves?”

Não, candidata Dilma! A pergunta só lhe foi feita porque se considerou pouco convencional que um dos assessores de campanha de Pimentel desembarque em Brasília, vindo de Belo Horizonte, com R$ 116 mil em dinheiro vivo. Ainda mais quando o rapaz em questão já faturou R$ 109,6 milhões em contratos no seu governo. Mesmo que Pimentel tivesse sido derrotado pelo tucano Pimenta da Veiga, a questão existiria.

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Marina ainda não decidiu, mas está quase. Pode ser nesta quinta

E Marina Silva, da Rede? Vai ou não apoiar o tucano Aécio Neves? Já tem o preto no Branco? Vamos ver. Com ela, sempre são muitos os tons de cinza, bem mais do que os 50 daquele livro. Tudo indica que sim. Esperava-se que fosse dar uma resposta nesta quinta, depois de uma reunião com os partidos que sustentaram a sua candidatura, mas já não se tem tanta certeza de que ela vá ao encontro.

O comando da Rede tomou ontem a sua decisão: por unanimidade, recusou-se o apoio à petista Dilma Rousseff e, por ampla maioria, aprovou-se a adesão à candidatura de Aécio. Os que não se sentirem confortáveis poderão votar em branco ou nulo. É justamente o contrário do que fez o PSOL, uma costela do PT. O consenso no partido é um “não” a Aécio, mas os filiados estão liberados para votar em Dilma se quiserem. Convenham: o partido de Luciana Genro não surpreende ninguém.

Marina foi a primeira a sinalizar o apoio a Aécio, ao se pronunciar, ainda no domingo, mas o PSB foi mais rápido em se alinhar com o tucano. Nesta quarta, em Brasília, em ato político no Memorial JK, o próprio presidente do partido, Roberto Amaral, um lulista de coração, foi apertar a mão do presidenciável tucano. É que, por ampla maioria — 21 a 7 —, essa foi a decisão da Executiva Nacional do partido. E, mesmo assim, os sete votos contrários eram pela neutralidade, não em favor de Dilma.

No evento de Brasília, Aécio recebeu, então, os apoios do PSB, do PV e do PSC. O PPS já havia se juntado ao tucano. Dissidentes de partidos que estão oficialmente com Dilma Rousseff também estavam lá, como a senadora Ana Amélia (PP-RS), derrotada na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, e o senador Pedro Taques, do PDT, governador eleito em primeiro turno no Mato Grosso. Segundo Ana Amélia, José Ivo Sartori (PMDB), que disputará com o petista Tarso Genro o segundo turno do governo gaúcho, também vai dissentir da orientação do seu partido e se juntar ao candidato do PSDB.

Pesquisa do Instituto Paraná, divulgada ontem, afirma que Aécio está 8 pontos à frente de Dilma nos votos válidos: 54% a 46%. Nesta quinta, serão divulgados os números de Ibope e Datafolha. Se também eles constatarem a dianteira do senador tucano, podem ficar certos, as dissidências do campo governista tendem a aumentar.

Convenham: ninguém contava com uma reta final tão emocionante. Os petistas menos ainda.

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Aécio recebe apoio do PSB e repete lema de Eduardo Campos: “Não vamos desistir do Brasil”

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:Candidato à presidência pelo PSDB, Aécio Neves compareceu à sede do PSB na noite desta quarta-feira para sacramentar a aliança com o partido no segundo turno das eleições. Em discurso, o tucano ressaltou que a união expressa o sentimento de mudança da população brasileira e, em busca de se aproximar da nova legenda, evocou Eduardo Campos, morto em agosto em acidente aéreo: “Hoje eu me preencho com sonhos, lembranças extremamente marcantes para mim. E é por isso que eu quero encerrar essas minhas palavras dizendo: ‘Nós não vamos desistir do Brasil’”, afirmou.

“Sou, a partir desta histórica manifestação, o candidato das mudanças verdadeiras. Do ponto de vista pessoal, me sinto honrado e emocionado neste instante, porque passo a ter a responsabilidade de, no limite das minhas forças, levar pelo Brasil inteiro o legado de Eduardo Campos”, disse Aécio Neves, bastante aplaudido por socialistas. “Os seus sonhos, Eduardo, passam a ser os meus sonhos. E os seus compromissos com a diminuição das diferenças vergonhosas do Brasil passam a ser os meus compromissos. A partir deste instante caminharemos juntos num só sentimento de responsabilidade pela construção de um novo tempo pelo Brasil”, continuou.

O tucano aguardava a definição do PSB durante ato de campanha em Brasília, e compareceu à sede do partido após ser confirmado o apoio. Ele estava acompanhado de Tasso Jereissati (PSDB-CE), eleito para o Senado, e do senador Pedro Taques (PDT), que a partir janeiro vai assumir o governo de Mato Grosso. Nesta quarta-feira, mais duas legendas oficializaram a preferência pelo tucano na reta final da eleição: o PSC, do Pastor Everaldo, e o PV, de Eduardo Jorge. Ontem, o PPS adotou posição idêntica.

Com a confirmação da aliança, tucanos e socialistas vão definir um programa de governo convergente com as propostas dos dois partidos. Integrarão o time o senador e agora coordenador da campanha Tasso Jereissati, o coordenador de temas ambientais, Fábio Feldman, e a coordenadora de educação, Maria Helena Castro, ligados a Aécio. Do lado do PSB estão o senador Fernando Bezerra, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, e o secretário nacional do partido, Carlos Siqueira – este que havia abandonado a campanha socialista após desentender-se com Marina Silva.

“O meu otimismo é muito grande. Só não é maior que a minha determinação de acabar com esse ciclo que aí está. Quero um governo onde a ética e a decência possam caminhar juntos. Trabalharei no meu limite para honrar essa manifestação nos próximos dias, semanas e, se couber a mim, nos próximos cinco anos”, disse o candidato à Presidência. O apoio ao tucano foi confirmado nesta tarde por 21 votos de membros da Executiva do partido. Outros seis socialistas defenderam a liberação dos integrantes da legenda, enquanto apenas um voto foi favorável à aliança com Dilma Rousseff.

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Na abertura da campanha no segundo turno, Aécio vence Dilma por 7 x 1
Ricardo Noblat

Onde Dilma começou melhor do que Aécio a campanha do segundo turno da eleição presidencial deste ano?

Na Paraíba, talvez., com o apoio do candidato do PSB ao governo. Mesmo assim se ele derrotar Cássio Cunha Lima, candidato do PSDB ao governo.

Aécio deu uma goleada de 7 a 1 em Dilma.

Ganhou o apoio de Eduardo Jorge, candidato do PV a presidente. E do PV.

Do pastor Everaldo, e do PSC.

Do PSB de Marina. E da própria Marina que anunciará, hoje, seu apoio a Aécio.

Da parte sadia do PMDB – Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS) e o candidato do PMDB ao governo, favorito para vencer o segundo turno, José Ivo Sartori.

E da parte boa do PDT – Cristovam Buarque (DF), José Reguffe (DF) e Pedro Taques, eleito governador do Mato Grosso.

Luciana Genro imaginou levar o PSOL para o lado de Dilma. O PSOL preferiu se manter neutro.

No dia em que tudo isso aconteceu, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, contou à Justiça do Paraná que o esquema de corrupção da empresa financiou campanhas do PT, PMDB e PP.

E a ex-contadora do doleiro Alberto Yousseff, também preso, revelou à CPI da Petrobras que o PT repassou repassou dinheiro para Enivaldo Quadrado pagar a multa imposta pelo Supremo Tribunal Federal na condenação do esquema do mensalão.

Dono da corretora Bônus-Banval, Quadrado foi condenado por lavagem de dinheiro.

Está bom ou quer mais?

Dilma e Aécio baterão de frente na próxima terça-feira durante o primeiro debate entre os presidenciáveis promovido pela Rede Bandeirantes de Televisão.

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‘Daqui a pouco, Lula só será ouvido por programas humorísticos’, afirma FHC

Em nota divulgada nesta quarta-feira (8), Fernando Henrique Cardoso reagiu com ironia à maneira como Lula interpretou declarações que ele fizera numa entrevista ao UOL. “O presidente Lula não se emenda, vive de pegadinhas”, anotou o grão-tucano. “Não só atribuiu aos outros frase sua —a de que o Bolsa Escola era esmola— como quer transformar uma categoria do IBGE, nível educacional, em insulto. Daqui a pouco ele só será ouvido em programas humorísticos.''

Num texto veiculado na terça-feira (7), Lula insinuara que, na véspera, FHC destilara preconceito contra o eleitorado nordestino, que votou majoritariamente na sua pupila Dilma Rousseff. “É um absurdo que o Nordeste e os nordestinos sejam caracterizados como ignorantes ou desinformados por seus votos”, anotou. “Primeiro porque isso é fruto de preconceito lastimável, segundo porque mostra um desconhecimento profundo da atual situação do Nordeste brasileiro.”

Sem mencionar o nome de seu eterno alvo, Lula referia-se ao trecho da entrevista de FHC em que ele, instado a comentar a mudança do perfil do eleitorado do PT, que migra da classe média escolarizada para as faixas mais pobres da sociedade, afirmou: o eleitor do PT, “na verdade, está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados. Como era a Arena no tempo do regime militar.''

FHC acrescentara: “Essa caminhada do PT dos centros urbanos industriais para os grotões é um sinal preocupante do ponto de vista do PT, porque é um sinal de perda de seiva ele estar apoiado em setores da sociedade que são, sobretudo, menos informados.''

E Lula: “Quem faz afirmações deste tipo imagina o Nordeste da década de 90 ou de antes, onde reinavam a fome, o desemprego e a falta de oportunidade. Por isso muitos, como eu, tiveram que abandonar sua terra natal e migrar para outras regiões em busca de melhores condições de vida.”

Nesta quarta, enquanto FHC ironizava Lula por meio de nota, Dilma ecoava seu padrinho político numa entrevista em Brasília e, posteriormente, num ato de campanha realizado no Piauí, Estado nordestino onde ela obteve mais de 70% dos votos:

“Tem gente que olha pro Nordeste com olhar de quem governou o país só para outra região. Aqueles que dizem que aqui estão as pessoas com menos compreensão, com menos educação, que não sabem votar é porque não acompanharam tudo o que vem acontecendo aqui nesta região do Brasil.''

Na sua entrevista, como que antevendo o que estava por vir, FHC tivera o cuidado de calibrar as declarações: “Aqui em São Paulo, quando o PSDB ganha, ele ganha porque tem apoio de pobre, não por ter apoio de rico. Quando ganha na Paraíba também. O PT também, não é só… Agora, na propaganda, o PT costuma fazer uma separação entre elites e povo, ricos e pobres. Isso é mais um jogo de marketing. Nos resultados, efetivamente, o PT tem crescido nos rincões. Mas eles têm presença também em algumas áreas urbanas e industriais, não há dúvida.”

Noutro trecho, FHC dissera que “a falta de informação é uma responsabilidade do Estado, não da pessoa. […] Não tenho nenhuma visão elitista. Quando o Lula foi acusado de não poder governar porque não tinha curso superior, eu fui o primeiro a dizer que isso é uma bobagem. Governa quem tem liderança.”

Lula deu de ombros para o afago. Em seu texto, após empilhar os benefícios que os governos petistas propiciaram ao Nordeste, anotou: “Os nordestinos, hoje, não são mais personagens de tristes reportagens sobre as migrações para os grandes centros urbanos. Eles podem viver nas suas terras de origem com dignidade e oportunidade.”

Mantido esse diapasão, o eleitorado logo, logo terá saudades do baixo nível que marcou a campanha no primeiro turno da disputa presidencial.

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Rede vetou Dilma e aprovou Aécio ou voto nulo

Em reunião que durou quase quatro horas, a Rede Sustentabilidade, embrião de partido político liderado por Marina Silva, decidiu na noite desta quarta-feira (8): 1) vetar a hipótese de apoio à candidatura de Dilma Rousseff; 2) liberar o apoio a Aécio Neves ou os votos nulo e branco no segundo turno da disputa presidencial.

Na véspera, a Executiva da Rede havia tomado uma decisão mais favorável a Aécio, uma vez que não previa as hipóteses de votar em branco ou anular o voto. Mas a manutenção do nome do candidato do PSDB no rol de alternativas da Rede libera Marina Silva para seguir esse caminho –de resto já referendado por PSB e PPS, os dois principais partidos da sua derrotada coligação.

Também nesta quarta, Marina reuniu-se com o grão-tucano Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República e presidente de honra do PSDB. O teor da conversa não foi revelado. Sabe-se apenas que foi Marina quem pediu a FHC que a recebesse em seu apartamento. A iniciativa foi interpretada como indício de que a ex-candidata contempla a sério a possibilidade de declarar apoio a Aécio.

Nesta quinta-feira, os partidos que apoiaram Marina no primeiro turno se reúnem para tentar adotar uma posição conjunta. Previa-se que Marina participasse. Mas ela cancelou na última hora. Não divulgou os motivos. A Rede será representada por seu porta-voz nacional, Walter Feldeman.

Nesta quinta-feira, os partidos que apoiaram Marina no primeiro turno se reúnem para tentar adotar uma posição conjunta. Previa-se que Marina participasse. Mas ela cancelou na última hora. Não divulgou os motivos. A Rede será representada por seu porta-voz nacional, Walter Feldeman.

Em privado, Marina revela-se preocupada em assentar o eventual apoio a Aécio em bases “programáticas”, como costuma dizer. A Rede elabora um documento a ser repassado ao candidato tucano. Também o PSB, partido que “hospeda” Marina e seus correligionários, compôs uma comissão para discutir “programa” com a coordenação da campanha de Aécio.

No início da semana, Marina havia anunciado em nota que revelaria sua posição sobre o segundo turno nesta quinta. Se demorar muito, as pesquisas que virão à luz no final da tarde podem demonstrar o óbvio: mais pragmático, o grosso do eleitorado da candidata enigmática já deve ter tomado um rumo por conta própria.

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A pensadora!




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Blog do Coronel

Em busca da reeleição, Dilma jogou o país às traças. Em dois meses, só trabalhou cinco dias no Palácio do Planalto.

A inflação dispara, o PIB cai para 0,24% e o país continua largado pela Dilma, que só pensa em continuar no poder para apaniguar milhares de petistas.

Focada na campanha pela reeleição, a presidente Dilma Rousseff (PT) afastou-se do Palácio do Planalto, seu local oficial de trabalho, nos últimos dois meses. Em agosto e setembro, ela foi ao local apenas em cinco ocasiões --quatro no primeiro mês e uma no segundo--, de acordo com levantamento feito pela reportagem da Folha.

A presidente tem recebido ministros e aliados no Palácio da Alvorada, a residência oficial. Em determinados encontros, assuntos de governo até são discutidos, mas em geral eles ocorrem para tratar da campanha eleitoral. O último dia em que Dilma esteve no Planalto foi 19 de setembro, para receber 24 atletas olímpicos e 36 paraolímpicos.

Ainda no Planalto, Dilma recebeu em 1º de agosto o primeiro-ministro do Japão e, no dia 7, sancionou a lei que altera o Simples Nacional, em cerimônia que contou com vários empresários do setor.

Em 14 de agosto, a presidente se reuniu no Planalto com grandes doadores de campanha. Ela recebeu Joesley Batista, do Grupo JBS, e Lázaro Brandão e Luiz Trabuco Cappi, do Bradesco. No mesmo dia, Dilma se reuniu com Mary Teresa Barra, CEO da General Motors, que anunciou investimentos no Brasil para os próximos anos.

Em 25 de agosto, Dilma voltou ao Planalto para um encontro com dom Raymundo Damasceno Assis, presidente da CNBB. Nas próximas semanas, Dilma intensificará suas viagens pelo país devido à campanha eleitoral do segundo turno. Segundo a assessoria do Palácio do Planalto, a presidente tem trabalhado, realizado despachos internos e recebido ministros de Estado normalmente durante o período eleitoral.(Folha de São Paulo)

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Qual Dilma está mentindo sobre FHC?


Já começou o festival de mentiras e de ódio do PT, o vale-tudo e o fazer o diabo para continuar no poder. Atacar os governos de FHC é a estratégia preferida. Ontem, Dilma já começou com a velha cantilena. Aí o Coronel e o Exilado resolveram produzir este vídeo para que as pessoas decentes e honestas deste país copiem, espalhem e enviem para o maior número de pessoas. Um vídeo para passar de um milhão de views. Um vídeo para desmentir estes monstros do presente que vivem de inventar fantasmas no passado porque não tem nada a oferecer no futuro. Qual Dilma mente mais sobre FHC?


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Blog do Josias

Lula preside o apagão do petismo em São Paulo

O PT alcançou em São Paulo algo muito difícil de ser obtido em política: uma hegemonia de fracassos. Passou um vexame histórico na disputa pelo cargo de governador, perdeu a única poltrona de senador que estava em jogo e micou em 14 cadeiras de deputado —oito estaduais e seis federais.

Como se fosse pouco, o PT tomou uma coça na briga presidencial: derrotado em Minas Gerais, o mineiro Aécio Neves obteve em São Paulo quase o dobro dos votos amealhados por Dilma Rousseff—10,15 milhões (44,22%) contra 5,92 milhões (25,82%).

Em reunião prevista para esta quinta-feira (9), dirigentes do PT devem fazer um inventário do estrago. Diz-se que Lula dará as caras. Prevê-se que passará uma carraspana na companheirada. Cobrará sangue, suor, trabalho duro nas ruas e lágrimas para o segundo turno presidencial.

Antes de seguir para o encontro com os correligionários, Lula deveria fazer uma introspecção diante do espelho. Talvez enxergue o reflexo de um culpado. Levando a experiência a sério, perceberá que a pose de eletricista não lhe cai bem. Seu papel é o de presidente do apagão eleitoral.

Lula atravessou no caminho dos nomões do PT paulista o ‘poste’ Alexandre Padilha. Não conseguiu eletrificá-lo. E, na véspera da eleição, passou a conta adiante: “O partido precisa voltar a ocupar as ruas desse país como sempre fizemos. O lugar do PT não é no gabinete, é na rua, conversando com o povo…”

O morubixaba do PT bem sabe: há pouco petista sacudindo bandeira voluntariamente na rua porque aquela velha centelha do olhar dos militantes agora brilha nas ‘boquinhas’, não nas ruas —só no plano federal, há mais de 20 mil dessas 'boquinhas'. Isso sem mencionar os ‘petrobocões’.

Em maio passado, ao discursar no 14ºEncontro Nacional do PT, Lula como que desafiou o partido: “Junto com a eleição da Dilma, nós temos que fazer um processo de recuperação da imagem do PT, mas, sobretudo, precisamos fazer uma campanha para construir uma nova utopia na cabeça de milhões e milhões de jovens brasileiros”.

A certa altura, Lula estabeleceu uma comparação entre o PT que ele fundou em 10 de fevereiro de 1980, e a legenda que ocupa a Presidência da República há 12 anos:

“Nós criamos um partido político foi para ser diferente de tudo o que existia. Esse partido não nasceu para fazer tudo o que os outros fazem. Esse partido nasceu para provar que é possível fazer política de forma mais digna, fazer política com ‘P’ maiúsculo.”

Lula prosseguiu: “Nós precisamos voltar a recuperar o orgulho que foi a razão da existência desse partido em momentos muito difíceis, porque a gente às vezes não tinha panfleto para divulgar uma campanha. Hoje, parece que o dinheiro resolve tudo. Os candidatos a deputado não têm mais cabo eleitoral gratuito. É tudo uma máquina de fazer dinheiro, que está fazendo o partido ser um partido convencional.”

Bingo! Partido rico contrata militantes assalariados. Mas seus dirigentes podem acabar na penitenciária da Papuda, suas arcas um dia acabam secando e seus candidatos, conforme acaba de sinalizar o eleitor paulista, acabam sem votos.

No discurso de cinco meses atrás, Lula dedicou-se a confundir a plateia. Poucos parágrafos depois de ter reduzido o petismo a “uma máquina de fazer dinheiro” ele saiu em defesa da Petrobras:

“Não é possível aceitar gratuitamente a tentativa da elite brasileira de destruir a imagem da empresa que durante tantos anos é motivo de orgulho para o nosso povo”, disse. Hoje, as eleições gerais, inclusive a presidencial, ocorrem sobre um barril sigiloso de óleo queimado. Só vai explodir na cara do eleitor que, desavisado, tiver o azar de entregar o voto a futuros réus.

O Lula de maio também considerou inaceitável a “perseguição” que a mídia golpista faz ao PT. “Há um processo em andamento que chega a ser uma perseguição ao nosso partido”, disse ele. “Parece que é uma coisa pessoal contra o José Dirceu, contra o José Genoino, contra o João Paulo, contra o Delúbio ou contra qualquer companheiro.”

Considerando-se a (i)lógica do discurso de Lula, o PT tornou-se um fiasco em São Paulo porque perdeu a vergonha e o nexo. Ao empurrar Alexandre Padilha para a terceira colocação numa eleição vencida por um Geraldo Alckmin às voltas com um cartel de metrô e com uma crise hídrica, a plateia alerta: se não acordar, o PT será desligado da tomada e submetido a um racionamento de votos.

Aécio prevaleceu sobre Dilma em 88% municípios de São Paulo. Entre eles Santo André, São Caetano do Sul e São Bernardo do Campo, três joias do ABC paulista, berço político de Lula, do PT e da CUT. Lula ainda não se deu conta. Mas, sob o breu das urnas de 2014, seu Palácio de Inverno começou a ser invadido.

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Marinécio!



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Fora do PT não há salvação. É o que o PT imagina!
Se o PT estivesse certo, ficaria dispensada a realização de eleições com regularidade.
Ricardo Noblat

Curioso o PT. Curioso, não: esquisito. Arrogante. Dono da verdade.

No primeiro turno, patrulhou os adversários por não admitir que eles pudessem discordar de suas posições.

Bolsa Família?

Ai daquele que não se comprometesse com a continuação do programa.

Minha Casa, Minha Vida?

Como se julgar capaz de encontrar melhor solução para a falta de moradias?

Mais Médicos?

Está para ser inventado algo superior ao que o governo do PT inventou.

O país cresce pouco?

Culpa da crise da economia internacional.

A inflação aumentou?

Culpa da crise da economia internacional.

O Brasil é campeão dos juros altos?

Idem.

Em resumo: fora do ideário do PT não existe solução. Jamais existirá.

Se o PT estivesse certo, ficaria dispensada a realização de eleições com regularidade. Eleições para quê? Para o país correr o risco de ir para o brejo?

Uma vez que faliu, a proposta de ditadura do proletariado daria lugar à da ditadura partidária. Naturalmente, uma ditadura chancelada pelo voto popular limitado ao mais do mesmo.

Marina Silva pagou caro por ter tentado pensar diferente do PT. E acenado com alternativas estranhas ao catecismo do PT.

Chegou a vez de Aécio Neves pagar caro.

Que não ouse pensar diferente do PT. E se é para pensar igual, está dispensado. Basta o PT.

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Guido Mantega, o ministro defunto, faz terrorismo eleitoral e ainda corta pela metade a taxa de juros reais da era PT. É mesmo um espanto!

Guido Mantega é o primeiro caso da história de ex-ministro da Fazenda no cargo. Nunca antes na história deste mundo. Nessa condição, ele poderia ao menos ficar caladinho. Mas ele fala. Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, o narrador se diz “um defunto autor”, não um “autor defunto”. Como analista de política e de economia, Mantega é um “ministro defunto”, não um “defunto ministro”. Convenham: ninguém mais dá bola para o que diz, a não ser para escarnecer.

Nesta terça, o homem que erra previsões sobre economia mais do que institutos de pesquisa antevendo os votos de Aécio, veio a público para fazer um pouco de terrorismo eleitoral. Sabem como é… A desocupação é a morada do capeta. Eu, por exemplo, tenho três empregos. Ninguém me surpreende fazendo fofoca ou revelando nas redes sociais o que acabei de comer ou de ouvir. Não tenho tempo. Mas Mantega, sem nada para fazer, anda com tempo ocioso. Afirmou sobre Armínio Fraga, que será ministro da Fazenda de Aécio Neves se o tucano for eleito presidente:

“Me preocupa muito que o mesmo gestor da política monetária possa voltar e vá querer derrubar inflação com choque monetário, como foi feito no passado”.

Em primeiro lugar, quem disse que o Armínio, se ministro, dará um “choque monetário”? Isso é uma ilação maliciosa de um desocupado. Em segundo lugar, o ministro fala como se a taxa de juros no Brasil estivesse baixa, não é mesmo? É a maior do mundo em termos reais. A convergência maldita, senhor Mantega, é outra: os juros já estão lá na ponta do pavio, o crescimento na ponta oposta, e a inflação roçando o teto da meta. De fato, a gente não precisa de choque monetário, mas de outro governo, como até a presidente Dilma reconheceu, não é mesmo? É por isso que ela garantiu que, se reeleita, governará com ideias novas e pessoas novas. Estava, na verdade, mais uma vez, a afirmar que o senhor não fará parte da equipe. Então, ex-ministro, tenha a bondade de não fazer um papelão.

Continuando na sanha do terrorismo eleitoral, Mantega afirmou que a média das taxas de juros reais era de 15% no governo FHC, enquanto no governo petista, teria sido de 3,5%:
“Uma taxa de juros dessa magnitude acaba com o mercado de construção, o setor imobiliário, porque ninguém vai querer investir em imóveis se pode ter um lucro tranquilo em aplicações em títulos. Vai ser uma maravilha, ninguém vai precisar trabalhar — quem tem dinheiro. Você vai provocar uma recessão na economia.”

Em primeiro lugar, a taxa média de juros reais do governo petista entre 2003 e 2013 foi de 6,99%, o dobro do que disse Mantega. Com que dados trabalho? Vejam nota no pé da página (*). Em segundo lugar, é preciso saber que tipo de dificuldade viveu FHC e que tipo de dificuldade viveram os governos petistas. A tarefa de acabar com a hiperinflação ficou com o tucano. Os petistas, como sabemos, tentaram acabar com o Plano Real. Em terceiro lugar, um ministro da Fazenda deveria ter o bom senso de não se meter em terrorismo eleitoral.

Mantega, com a clareza habitual, ainda tentou fazer outra graça sobre o fato de os mercados terem reagido com euforia à notícia de que Aécio vai disputar o segundo turno: “Os mercados são muito espertos, mais do que você imagina. Eles buscam ganhar sempre, em todas as condições. Faz parte. Esse é, por definição, o objetivo. Se ele puder causar turbulência que favoreça a ele, ele vai.”

Que sutil esse Guido Mantega! Quando os mercados aplaudiam Lula, os petistas exibiam em suas páginas os elogios que lhe eram dirigidos por publicações especializadas. Que bom que o ministro reconhece que os mercados querem “ganhar sempre”. Estranho seria se quisessem perder. Ocorre, ex-ministro Mantega, que aquilo a que chamam, muitas vezes, de “especulação” é só um movimento defensivo dos agentes econômicos para se proteger de governos irresponsáveis.

Faço uma pergunta ao ex-ministro Mantega, não ao cabo eleitoral: “Por que não se cala?”
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(*) Para chegar à taxa média de juros reais dos anos petistas trabalhei com os seguintes dados: 2003 (9,4%); 2004 (11,2%); 2005 (11,4%); 2006 (7,9%); 2007 (7,7%); 2008 (6,9%); 2009 (9,8%); 2010 (6,2%); 2011 (4,5%); 2012 (1,8); 2013 (4,09%). Eles representam a taxa nominal (swap de 360 dias), deflacionada pela mediana da expectativa de inflação para os 12 meses seguintes. Período: 2003 a 2013, no dia 31 dezembro de cada ano.

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MP dá prazo para Dilma explicar suspeitas sobre Correios

Na VEJA.com:
O procurador da República Frederick Lustosa de Mello deu prazo de trinta dias para que a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) dê explicações sobre a acusação de uso político dos Correios em benefício de sua campanha à reeleição. Uma investigação preliminar foi instaurada pela Procuradoria da República no Distrito Federal, a partir de representação do PSDB.

O partido afirma que os Correios entregaram 4,8 milhões de panfletos da petista sem chancela ou estampa digital. Além disso, enviaram vídeo em que o deputado estadual Durval Ângelo (PT-MG) foi gravado em vídeo dizendo que Dilma só aumentou suas intenções de voto em Minas Gerais porque “tem dedo forte dos petistas dos Correios” atuando na campanha.

O procurador avaliará se há indícios de improbidade administrativa na conduta dos envolvidos no caso. Caso entenda que sim, abrirá inquérito para aprofundar as investigações. Além de Dilma, o procurador também pediu explicações do deputado Durval Ângelo, do presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, e dos diretores regionais José Pedro de Amengol Filho (Minas), Divinomar Oliveira da Silva (Interior de São Paulo) e Wilson Abadio de Oliveira (Grande São Paulo).

O ofício endereçado para Dilma ainda precisa ser analisado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que decidirá se vai remetê-lo ou não para a presidente. No entanto, é praxe o envio com pedido de explicações. Até esta terça-feira, o documento ainda estava na procuradoria da República do DF e não havia chegado ao gabinete de Janot.

O PSDB acusa a campanha da presidente Dilma de infringir os artigos 332 e 377 do Código Eleitoral, que caracterizam como crime impedir o exercício de propaganda política – o candidato da oposição, Aécio Neves (PSDB), acusa os Correios de não entregar panfletos de sua campanha em Minas. A legislação citada pelo partido também prevê como crime o uso de empresas públicas para beneficiar partido ou organização de caráter político. A pena é de detenção por até seis meses e pagamento de 30 a 60 dias-multa.

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PF intima empresas que abasteceram esquema de desvio na Petrobras

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
A Polícia Federal intimou empreiteiras que fizeram pagamentos ao doleiro Alberto Youssef e ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. A intimação foi divulgada nesta terça-feira. O objetivo é dar chance de “colaboração espontânea” para as empresas responsáveis por abastecer o esquema de corrupção e lavagem de dinheiro descoberto na operação Lava Jato, que movimentou mais de 10 bilhões de reais. Sócios e executivos das empreiteiras são investigados em inquéritos em andamento na Polícia Federal e terão de apresentar documentos e justificativas para os pagamentos.

De acordo com as investigações, Costa e Youssef organizaram um esquema de desvio de recursos da estatal para enriquecimento próprio e para abastecer o bolso de políticos e partidos da base aliada. Isso era feito com a assinatura de contratos fictícios, simulando a prestação de serviços entre empresas de fachada e as empreiteiras envolvidas, sempre com a finalidade de dar aparência legítima ao dinheiro desviado. Como revelou VEJA, o ex-diretor Paulo Roberto Costa apontou pelo menos três governadores, um ministro, seis senadores, 25 deputados federais e três partidos políticos (PT, PMDB e PP) como beneficiados pelas verbas desviadas. Eles recebiam 3% de comissão sobre o valor de contratos da petrolífera, de acordo com os depoimentos de Costa prestados no acordo de delação premiada.

A polícia aperta o cerco contra os corruptores. Como revelou o site de VEJA, só o grupo Mendes Júnior, por exemplo, transferiu mais de 3,8 milhões de reais, obtidos em obras da Petrobras, para contas de empresas de fachada do doleiro Youssef. A construtora Mendes Júnior foi uma das empresas intimadas a “explicitar a natureza dessas transferências e fornecer a documentação pertinente, inclusive quanto a execução do objeto do contrato, em sendo o caso”.

Também foram intimadas: OAS Engenharia, Engevix, Unipar, Galvão Engenharia, Investminas Participações, Tipuana Participações, Phisical, Projetec Projetos, Coesa Engenharia, Metasa Indústria de Metais, Construtora OAS, JSM Engenharia, Astromarítima Navegação, Hope Recursos Humanos, Constran, UTC Participações, Consórcio RNEST, Empresa Industrial Técnica e Arcoenge. Com a confissão de crimes pelo ex-diretor, fica mais complicada a tentativa de justificar os pagamentos como remuneração de serviços legítimos.


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Blog do Rodrigo Constantino

O grande derrotado nas urnas

Onde está Lula? Por onde anda o “Padim Ciço”, o Midas da política, o carismático líder capaz de acender postes Brasil afora? Sumiu! Escafedeu-se! Não aparece para entrevistas, para sorrir diante das câmeras. Não é por menos: amargou a maior derrota nas urnas nesse dia 5 de outubro. Foi o grande perdedor.

Suas duas maiores apostas pessoais, Lindbergh Farias no Rio e Alexandre Padilha em São Paulo, perderam feio, um ficando em quarto lugar e o outro em terceiro. O senador Eduardo Suplicy, após vários mandatos, ficou de fora do Senado também, sendo derrotado por José Serra, alvo de constantes ataques do PT.

Em Minas Gerais, o PT venceu, mas com Fernando Pimentel, que além de não ser do núcleo de Lula, é petista “com cara de tucano” (ainda que goste de fazer consultorias fantasmas como um típico petista). E achei uma ingratidão dele não incluir os Correios na lista de agradecimentos pela vitória.

Por outro lado, o PT foi massacrado em São Paulo, berço do PT e território tradicional de influência do próprio Lula. Como diz a reportagem do GLOBO:

O cenário do estado de São Paulo foi o pior possível: a presidente Dilma Rousseff perdeu em cidades governadas pelo PT e na própria São Bernardo do Campo, dirigida por Luiz Marinho, um dos coordenadores da campanha à reeleição.

Até para Marina Silva (PSB) Dilma perdeu em Mauá, governada pelo PT e uma das maiores cidades do ABC Paulista. Perdeu para Aécio Neves (PSDB) em Santo André, comandada pelo petista Carlos Grana, forte aliado de Lula, e nas cidades petistas de Guarulhos, Osasco e São José dos Campos, onde ela e Lula participaram de comícios, carretas e caminhadas. Na periferia da capital, onde Lula chegou a fazer três atos políticos por dia, o jogo ficou dividido entre Dilma e Aécio, que ganhou em São Miguel Paulista, Ermelino Matarazzo e Campo Limpo. A representação do PT paulista perdeu cinco deputados, fechando as contas em dez cadeiras. No plano nacional, o partido caiu de 88 vagas para 70.

O jornalista José Casado também destacou o fato em sua coluna de hoje, lembrando que o PT foi “atropelado” no estado::

O mapa de votação de Dilma Rousseff mostra que o PT acabou atropelado no seu núcleo, o “cinturão” operário. Perdeu na capital (com 20,6% dos votos), em Santo André (27,6%), São Bernardo (32,7%), São Caetano (14,9%), São José (21,4%), Santos (20,1%), Campinas (25,7%) e Ribeirão Preto (20,7%).

Lula, Dilma e o PT assustaram-se porque 57 milhões “ousaram duvidar” de suas propostas, preferindo as de Aécio e Marina. Porém, o eleitorado que dizimou a bancada petista em Pernambuco, os premiou com os governos de Minas e Bahia, maioria de até 70% no Nordeste e a liderança na chegada ao segundo turno.

Agora, na encruzilhada, precisam optar entre a reinvenção da presidente-candidata e o velho receituário, que estabelece como missão a reforma do país sob critérios exclusivos do PT, não importando os desejos do eleitorado.

Restou ao PT de Lula expandir sua influência no nordeste, nas regiões mais pobres e carentes, com menor escolaridade e IDH, onde pululam dependentes do Bolsa Família. O populismo de Lula só vinga onde há muita miséria e ignorância, eis a grande conclusão das urnas.

O Brasil está rachado ao meio. Há uma correlação enorme entre baixo IDH e voto no PT, demonstrando que o partido necessita da pobreza para sobreviver. Por isso o PT não tem interesse em realmente combater a miséria no país e melhorar a educação: quanto mais educado e rico o eleitor, mais ele foge do PT.

O historiador Marco Antonio Villa escreveu um artigo contundente hoje contra essa praga populista tão bem representada pelo próprio Lula. Diz ele:

Diferentemente de 2006 e 2010, o PT está fragilizado. Dilma é a candidata que segue para tentar a reeleição com a menor votação obtida no primeiro turno desde a eleição de 1994. Seu criador foi derrotado fragorosamente em São Paulo, principal colégio eleitoral do país. Imaginou que elegeria mais um poste. Não só o eleitorado disse não, como não reelegeu o performático e inepto senador Eduardo Suplicy, e a bancada petista na Assembleia Legislativa perdeu oito deputados e seis na Câmara dos Deputados.

[...]

O arsenal petista de dossiês contra Aécio já está pronto. Os aloprados não têm princípios, simplesmente cumprem ordens. Sabem que não sobrevivem longe da máquina de Estado. Contarão com o apoio entusiástico de artistas, intelectuais e jornalistas. Todos eles fracassados e que imputam sua insignificância a uma conspiração das elites. E são milhares espalhados por todo o Brasil.

[...]

Aécio Neves tem todas as condições para vencer a eleição mais difícil da nossa história. Se Tancredo Neves foi o instrumento para que o Brasil se livrasse de 21 anos de arbítrio, o neto poderá ser aquele que livrará o país do projeto criminoso de poder representado pelo PT. E poderemos, finalmente, virar esta triste página da nossa história.

Amém! Mas ainda não acabou. A luta será árdua, e o PT jogará muito baixo. Na verdade, já começaram os ataques mentirosos espalhados nas redes sociais pelos “jornalistas” medíocres a soldo do partido. O desespero de perder as tetas estatais é enorme. Permaneceram somente esses dois tipos ao lado do PT: os vendidos e os ignorantes, massa de manobra dos oportunistas.

Lula foi, sem dúvida, o maior derrotado nas urnas. Ainda falta, porém, o golpe de misericórdia, a pá de cal para enterrar de vez essa triste fase de nossa história, a era mais populista, corrupta e imoral de todas. Nunca antes na história deste país se viu algo assim. Passou da hora de dar um basta. Que Lula tenha receio e vergonha de sair de casa mesmo, de mostrar sua cara de pau em público, pois o povo brasileiro cansou de tanta safadeza!

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Armínio: apagão de credibilidade afeta o investimento

Conversei longamente na segunda-feira com o Armínio Fraga, que será ministro da Fazenda caso Aécio Neves seja eleito. O economista tem um diagnóstico diferente do atual governo, que tenta incentivar o consumo porque acha que o problema está na demanda; se ela vier, haverá investimento e aumento da oferta. Armínio percebe que há demanda, mas o investimento não vem porque existe um apagão de credibilidade do governo, o que acaba criando o problema de oferta.

Isso acontece porque o empresário deixa de investir quando consegue entender o perigo que há no horizonte de algumas ações da atual política econômica. O silêncio do governo é um dos pontos. Ele perde credibilidade ao não reconhecer que os quatro meses seguidos de déficit primário e a inflação acima do teto precisam ser revertidos, por exemplo.

Armínio defende uma série de reformas microeconômicas para diminuir a burocracia que, se implantadas, serão capazes de acelerar a decisão de investir. Os ajustes fiscal e monetário, por outro lado, devem ser feitos de forma gradual, na visão de Armínio. Mas suas consequências devem ser sentidas já no primeiro ano de governo. Dessa forma, ficaria claro que a inflação caminharia para o centro da meta no futuro e que as contas públicas seriam ajustadas. Isso já mudaria a confiança dos empresários. Eles voltando a investir, o ajuste das contas seria facilitado, algo que acontece mais facilmente nos momentos em que o país cresce. Com os gastos do setor público controlados, ficará mais simples a inflação chegar ao centro da meta.

Há um ano Armínio trabalha em conjunto com 60 pessoas para definir o programa de governo de Aécio. Há a ideia de criar um Imposto sobre Valor Agregado, federal, e de criar as desonerações das exportações e do investimento.

O documento fala em autonomia operacional do Banco Central. Armínio acha natural que os diretores passem a trabalhar com mandato. Outras agências, como a Aneel, já usam esse modelo. Teriam, assim, mais condições de levar a inflação ao centro da meta de 4,5%.

Espero que no segundo turno o PT também detalhe suas propostas para a economia. Para isso, será fundamental reconhecer os problemas.

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PSB quer compromissos

                Para apoiar Aécio Neves (PSDB) no segundo turno, o PSB quer um programa mínimo. Os itens estão em debate, e um deles é aprovar o fim da reeleição. Os socialistas reconhecem a necessidade de ajuste na economia, mas não aceitam que ele tenha um corte liberal. “Não adianta dar satisfação para o mercado, tem que dar satisfação para o povo”, resume o vice de Marina, o deputado Beto Albuquerque.

Um pote até aqui de mágoas
A desconstrução foi praticada por PT e PSDB, mas a que calou fundo foi a petista. O sentimento generalizado é o de que os antigos parceiros passaram dos limites. E que não dá para levar desaforo para casa. As conversas são no sentido de que seja adotada uma posição comum pelo PSB, por Marina Silva e aliados. Os socialistas sabem que a decisão não será seguida por todos, mas pela maioria. Há especificidades regionais. Os governadores Ricardo Coutinho (PB) e Camilo Capiberibe (AP) precisam do PT no segundo turno. A neutralidade estava descartada ontem. “Seria um grande erro deixar a tropa solta, o exército sem comando”, diz um líder socialista.

“Pesa mais o que danificar mais. Segundo turno não é para empresa de construção, é mais para firma de demolição”

Antônio Lavareda
Cientista político, marqueteiro do ex-presidente Fernando Henrique, que participou da campanha pela reeleição do governador Geraldo Alckmin

Bancada do barulho
O bicheiro Carlos Cachoeira terá sua bancada na Câmara. Goiás elegeu o deputado Alexandre Baldy (PSDB), demitido pelo governador tucano Marconi Perillo, de quem era secretário. Cachoeira também fez dois deputados estaduais.

Trio elétrico
O vice Michel Temer esteve no Rio ontem. Veio atrás do apoio do governador Luiz Fernando Pezão, do prefeito Eduardo Paes e do ex-governador Sérgio Cabral. O PMDB do Rio fará, segundo Temer, material de propaganda com a chapa Pezão-Dilma. No encontro, Pezão e Paes disseram que tudo ficaria mais fácil sem Lindbergh Farias.

A surpresa
A votação de Aécio Neves (PSDB) foi o que mais chamou a atenção do comando da campanha da presidente Dilma, na reunião de anteontem no Palácio da Alvorada. Os petistas acreditavam que o tucano ficaria no patamar de Marina Silva.

As primeiras-damas
A deputada mais bem votada proporcionalmente no país, Shéridan (PSDB-RR), é mulher de José Anchieta, que renunciou o governo para eleger o vice, Chico Rodrigues, seu sucessor. A mais votada em Tocantins foi Dulce Miranda (PMDB), mulher do governador eleito, Marcelo. No Piauí, foi Rejane (PT), casada com Wellington Dias.

Na carona
Eleito com 1,5 milhão de votos, Celso Russomano (PRB-SP) carregou para a Câmara quatro deputados com menos de 50 mil votos. O deputado Tiririca (PR), alcançou 1 milhão de votos e puxou mais dois que não fizeram 50 mil.

Ajuda quem não atrapalha
Eunício Oliveira (PMDB) vai hoje a Brasília pedir à cúpula do PT que a presidente Dilma e o ex-presidente Lula se mantenham neutros no Ceará. Eunício disputa o segundo turno do governo do estado com o petista Camilo Santana.

O presidente do PT no Rio, Washington Quaquá, vai trabalhar para o partido apoiar Marcelo Crivella (PRB) para o governo no segundo turno.

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A política nos números

Há duas maneiras de tentar entender o que pode acontecer neste segundo turno, que promete ser o mais eletrizante de tantos quantos já aconteceram desde 1989. O primeiro é meramente numérico, o outro é político. Nos dois casos, a votação de Marina Silva é fundamental, mas não depende apenas dela. Se ela quiser aproveitá-la para tirar dividendos políticos no sentido nobre do termo, poderá negociar um programa de governo que inclua questões que considere essenciais.

Estará então inaugurando na prática a “nova política” de que sempre falou, que não depende tanto de nomes, mas de práticas. O cientista político Sérgio Abranches, criador do termo “presidencialismo de coalizão”, escreveu um texto sobre essas negociações no site Ecopolítica em que diz que “a novidade deste segundo turno em relação aos demais, é que o apoio da coligação de Marina Silva a Aécio Neves, se ocorrer, terá como condicionante inarredável um acordo programático e não uma simples barganha de cargos e promessas orçamentárias como tem sido habitual”.

Para Abranches, esta “é uma novidade importante e que pode ter um efeito pedagógico fundamental para a mudança de qualidade do presidencialismo de coalizão no Brasil. Deve ter, também, impacto na campanha, uma vez que seria uma demonstração concreta do que poderia ser a transição para o que Marina Silva e Eduardo Campos chamavam de nova política. Um acordo negociado em torno de itens de programa, às claras, que seria apresentado formalmente aos eleitores por meio de um manifesto programático para formação de uma coalizão mais ampla de oposição”.

Há claros sinais de que a coligação de Marina Silva caminha para este acordo, embora forças políticas ligadas ao PT dentro do PSB tentem a neutralidade como saída para impedir a aliança formal com o PSDB. O candidato tucano Aécio Neves está tratando o assunto com bastante cuidado e sem forçar a urgência, dando o tempo que tanto Marina quanto a família de Eduardo Campos precisam para formalizar a decisão.

Do ponto de vista numérico, a disputa vai se dar no nordeste, que se transformou no bunker do lulismo, e em São Paulo, o bunker do tucanato. A presidente Dilma garantiu na região nordeste 15,4 milhões de votos, seguida pela candidata do PSB, Marina Silva, com quase 6 milhões, e Aécio, com aproximadamente 3,9 milhões. Foram nada menos que 11,5 milhões de diferença. Sem os votos do nordeste, ela teve no resto do país menos 3,3 milhões em relação a Aécio Neves.

Como na eleição de 2010, a presidente venceu no norte e no nordeste, e o candidato do PSDB ganhou no sul, no sudeste e no centro-oeste. A neutralização dos cerca de 8 milhões de votos de diferença a favor da presidente está, primeiramente, na ampliação dos votos em São Paulo e em Minas Gerais. No seu território político, Aécio Neves teve uma derrota de grande significado negativo, mas provocou uma redução da votação de Dilma em cerca de 1 milhão de votos.

Sua derrota por cerca de 500 mil votos, por outro lado, é a confirmação dolorida de que as derrotas anteriores de José Serra e Geraldo Alckmin para Lula e Dilma não foram provocadas pelo corpo mole de Aécio, mas pelas dificuldades de disputar com um petismo forte do estado.

A votação espetacular em São Paulo a favor de Aécio confirmou que o PSDB enfim encontrou seu ponto de equilíbrio como partido, tanto que a primeira fala de Alckmin depois de eleito no primeiro turno, por uma votação esplêndida, foi para dizer que a tarefa do tucanato paulista será levar Aécio à vitória que ele e Serra tentaram, mas não com seguiram.

O outro objetivo foi traçado ontem: acrescentar mais 2 a 3 milhões de votos aos que Aécio recebeu no Estado, que viriam dos cerca de 5 milhões que Marina obteve. Isso significaria colocar na frente de Dilma, só em São Paulo, cerca de 6 a 7 milhões de votos, uma diferença que nem mesmo Fernando Henrique Cardoso colocou sobre Lula nas duas eleições em que ganhou no primeiro turno.


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Blog do Coronel

Bem vinda! Com aliança programática, Marina vai anunciar apoio a Aécio Neves.

Um dia após ter ficado fora da disputa pela Presidência da República, Marina Silva (PSB) começou a calibrar o discurso e a negociar o formato do anúncio de seu apoio a Aécio Neves (PSDB) no segundo turno das eleições.

A ex-senadora estuda a melhor maneira de se colocar ao lado do tucano sem parecer incoerente com a posição da "nova política" que defendeu durante a campanha. Ela enumera pontos de seu programa de governo que pedirá que sejam incorporados pela candidatura do PSDB. A reforma política, com o fim da reeleição, a educação em tempo integral e a sustentabilidade estão entre os itens colocados à mesa pela ex-senadora. Todos eles já aparecem contemplados no programa de governo tucano.

Nesta segunda (6), Marina reuniu seus principais aliados no apartamento em que se hospeda em São Paulo. Ouviu a opinião de todos, mas deixou claro que, caso não haja consenso entre o PSB, partido que a abriga desde outubro de 2013, e a Rede Sustentabilidade, seu grupo político, tomará uma posição individual pró-Aécio. "A avaliação é que não dá para ter mais quatro anos desse governo. Isso é ponto pacífico. O nosso compromisso é com o movimento de mudança", disse João Paulo Capobianco, um dos mais próximos assessores de Marina.

Um dos trunfos de seu discurso, avalia a pessebista, é o eventual apoio da viúva de Eduardo Campos, Renata Campos, a Aécio. A fidelidade à família e ao legado do ex-companheiro de chapa, morto em 13 de agosto, justificaria a aliança. Segundo a Folha apurou, Renata começou nesta segunda consultas a aliados para formular seu discurso em favor de Aécio. O irmão do ex-governador, Antônio Campos, declarou voto no tucano em sua página do Facebook, mas ressaltou que aquela era uma posição pessoal.

A Rede marcou reunião para a noite de terça-feira (7), em São Paulo, na qual deve se comprometer com a mudança, mas liberar seus filiados para escolher entre Aécio e Dilma Rousseff (PT). Já o PSB convocou encontro em Brasília na quarta-feira (8) para definir o futuro político do partido no segundo turno. O presidente nacional da sigla, Roberto Amaral, defendia apoio à petista, mas tem dito que "às vezes um reacionário pode ser um avanço", em referência ao candidato do PSDB. O anúncio oficial deve sair na quinta-feira (9).

APROXIMAÇÃO TUCANA
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso deflagrou nesta segunda a ofensiva para conquistar o apoio de Marina e do PSB a Aécio, como antecipou a Folha. FHC e integrantes da cúpula tucana procuraram marineiros para construir a ponte entre as candidaturas.

A ex-senadora, por sua vez, telefonou a Dilma e a Aécio para parabenizá-los pelo desempenho na campanha, mas não tratou de apoio. O tucano confirmou ter falado com a pessebista, mas disse que aguarda o "tempo de cada um" para definições de apoio e que vê mais "convergências" do que divergências" entre seu programa de governo e o de Marina.

Interlocutores da ex-senadora afirmam que também foram procurados por petistas. Marina, porém, está refratária à campanha do PT -- que, desde o início de setembro, investiu na desconstrução de sua imagem, o que acarretou em sua queda nas pesquisas. Antes favorita, a candidata do PSB terminou a disputa em terceiro lugar, com 22,1 milhões de votos.(Folha de São Paulo).

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Xô, 13! O antipetismo toma conta do Brasil.

O PSDB derrotou o PT em São Bernardo do Campo, cidade onde o partido nasceu e onde mora o seu fundador, Luiz Inácio Lula da Silva, mais conhecido como Lula. Aécio venceu Dilma em 88% das cidades paulistas e Alckmin perdeu para o PT em apenas um município entre os 645 do estado. As pesquisas, que davam até a possibilidade de Dilma vencer no primeiro turno, mostraram a candidata petista se arrastando no limite de 40%. Nunca o PT foi tão rejeitado. Tendo toda a máquina na mão, foi o partido que mais perdeu deputados, o que significa 18,6% a menos no fundo partidário, no tempo de TV e muito menos poder para negociar posições na Câmara dos Deputados. Há um antipetismo crescente tomando conta do Brasil. Com o mesmo tempo de TV, neste segundo turno, Aécio vai falar com os pobres em igualdade de condições, retirando as algemas do medo, colocado nos mais pobres pelos mentirosos que usam o Bolsa Família como instrumento de tortura contra dezenas de milhões de brasileiros. Ninguém aguenta mais as mentiras do PT. Ninguém aguenta mais a corrupção do PT. Ninguém aguenta mais os mensalões do PT. Ninguém aguenta mais a inflação do PT. Ninguém aguenta mais a recessão do PT. Durante todo o primeiro turno, eles esconderam a bandeira e o símbolo do partido. Agora ele será escancarado e o dedo será posto na ferida. É hora de cravar a estaca no coração destes vampiros que sugam os cofres públicos. Fora, PT!

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Aécio leva vantagem sobre Dilma no Facebook
Gabriel Garcia

Se nas urnas o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) perdeu para a presidente Dilma Rousseff (PT) no primeiro turno, na rede social Facebook ele vence a adversária.

Após surpreender no domingo (5), avançando para o segundo turno, Aécio acordou ontem (6) com 1,9 milhão de fãs em sua conta no Facebook.

Houve um crescimento de 23% na comparação com a sexta-feira de 23 de setembro. Na ocasião, ele contava com 1,5 milhão de seguidores. É o que diz a consultoria Bites, especializada no gerenciamento de reputação e imagem de marcas.

No mesmo período, Dilma cresceu apenas 5%. Saltou de 1,23 milhão para 1,29 milhão.

Em outra rede, o Twitter, a líder absoluta é Dilma. Ela tem 2,8 milhões de seguidores, contra 121 mil de Aécio.

“O problema são as bases. O Facebook tem 94 milhões  de usuários no Brasil, contra 22 milhões do Twitter”, diz a consultoria.

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Marina já decidiu: vai apoiar Aécio; família de Eduardo Campos faz o mesmo movimento. É a frente contra os “fantasmas do presente”

Nesta segunda, Antônio Campos — irmão de Eduardo Campos, filiado ao PSB e primeiro membro da família do então presidenciável do partido a declarar apoio a Marina Silva depois da tragédia — anunciou no Facebook seu apoio à candidatura do tucano Aécio Neves à Presidência. Deixou claro que era uma posição pessoal — como fez, de resto, quando ungiu Marina à condição de sucessora do irmão na chapa. Mas parece evidente que, dada a forma como os Campos têm se comportado depois da morte do líder político, atrás do apoio de Antônio, virão o de Renata, a viúva do ex-governador, e o dos filhos, que se transformaram em personagens políticos importantes em Pernambuco. Se alguém tiver alguma dúvida, basta ver a razia que o clã promoveu nas ambições petistas no Estado.

Pernambuco se mostrou um prodígio de alinhamento com a memória de Eduardo Campos. Paulo Câmara, dias antes do acidente que matou o candidato do PSB à Presidência, amargava 13% nas intenções de voto para o governo do Estado. Com o apoio do PT, Armando Monteiro (PTB), indicavam as pesquisas, seria eleito no primeiro turno. O petista João Paulo mantinha liderança folgada para o Senado. Um pouco mais de um mês e meio depois, Câmara bateu Monteiro no primeiro turno por impressionantes 68,08% a 31,07%, e João Paulo foi derrotado por Fernando Bezerra na disputa pelo Senado por 64,34% a 34,8%. Marina, uma estranha no ninho até a morte de Campos, bateu Dilma no Estado 48,05% a 44,22%.

A adesão da família Campos certamente facilitará a decisão já tomada de Marina de apoiar Aécio. Ela vai, sim, apresentar, uma agenda mínima ao tucano, que contempla o fim da reeleição, um compromisso com a educação integral e a adoção de medidas em favor da sustentabilidade — nada que seja estranho ao conjunto de valores que ele tem expressado em sua campanha. De qualquer modo, a decisão da Rede já está praticamente tomada, e quem a sintetiza, em conversa com a Folha, é João Paulo Capobianco, um dos coordenadores do futuro partido de Marina e de sua campanha: “A avaliação é que não dá para ter mais quatro anos desse governo. Isso é ponto pacífico. O nosso compromisso é com o movimento de mudança”.

Marina preferiria que o movimento fosse feito em conjunto com o PSB, hoje presidido por Roberto Amaral, um lulista fanático. O coração de Amaral bate por Dilma Rousseff, mas ele tentará arrancar do partido uma posição de neutralidade — e olhem que Márcio França, seu correligionário, é o vice-governador eleito de São Paulo, na chapa encabeçada por um tucano. Como os petistas são quem são, emissários do partido têm tentado se aproximar de Marina, mas o esforço, consta, será inútil.

Pessoas que conhecem a líder da Rede afirmam que ela realmente não esperava que o PT a atacasse com tanta violência; achava que a campanha seria dura, sim, mas não desleal. Parte de seu abatimento, que ficou muito evidente nas duas semanas que antecederam a disputa, se deveu à brutalidade da investida. Ela contava com oposição firme a algumas de suas propostas, mas não esperava que tentassem desconstruir a sua imagem e a sua biografia. Talvez ela desconhecesse a alma profunda do partido no qual ficou tanto tempo.

Marina e os Campos juntos, formam, sim, um apoio importante à candidatura de Aécio Neves, que terá de enfrentar uma pauleira. Nesta segunda, o tucano já respondeu à investida da adversária, Dilma Rousseff, segundo quem o país não pode andar para trás, rumo aos “fantasmas do passado”. O presidenciável do PSDB devolveu: o problema dos brasileiros, hoje, são os fantasmas do presente.

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Basta de PT

Estamos vivendo um momento histórico. A eleição presidencial de 2014 decidirá a sorte do Brasil por 12 anos. Como é sabido, o projeto petista é se perpetuar no poder. Segundo imaginam os marginais do poder — feliz expressão cunhada pelo ministro Celso de Mello quando do julgamento do mensalão —, a vitória de Dilma Rousseff abrirá caminho para que Lula volte em 2018 e, claro, com a perspectiva de permanecer por mais 8 anos no poder. Em um eventual segundo governo Dilma, o presidente de fato será Lula. Esperto como é, o nosso Pedro Malasartes da política vai preparar o terreno para voltar, como um Dom Sebastião do século XXI, mesmo que parecendo mais um personagem de samba-enredo ao estilo daquele imortalizado por Sérgio Porto.

Diferentemente de 2006 e 2010, o PT está fragilizado. Dilma é a candidata que segue para tentar a reeleição com a menor votação obtida no primeiro turno desde a eleição de 1994. Seu criador foi derrotado fragorosamente em São Paulo, principal colégio eleitoral do país. Imaginou que elegeria mais um poste. Não só o eleitorado disse não, como não reelegeu o performático e inepto senador Eduardo Suplicy, e a bancada petista na Assembleia Legislativa perdeu oito deputados e seis na Câmara dos Deputados.

A resistência e a recuperação de Aécio Neves foram épicas. Em certo momento da campanha, parecia que o jogo eleitoral estava decidido. Marina Silva tinha disparado e venceria — segundo as malfadadas pesquisas. Ele manteve a calma até quando um dos seus coordenadores de campanha estava querendo saltar para o barco da ex-senadora.

E, neste instante, a ação das lideranças paulistas do PSDB foi decisiva. Geraldo Alckmin poderia ter lavado as mãos e fritado Aécio. Mas não o fez, assim como José Serra, o senador mais votado do país com 11 milhões de votos. Foi em São Paulo que começou a reação democrática que o levou ao segundo turno com uma vitória consagradora no estado onde nasceu o PT.

Esta campanha eleitoral tem desafiado os analistas. As interpretações tradicionais foram desmoralizadas. A determinação econômica — tal qual como no marxismo — acabou não se sustentando. É recorrente a referência à campanha americana de 1992 de Bill Clinton e a expressão “é a economia, estúpido”. Com a economia crescendo próximo a zero, como explicar que Dilma liderou a votação no primeiro turno? Se as alianças regionais são indispensáveis, como explicar a votação de Marina? E o tal efeito bumerangue quando um candidato ataca o outro e acaba caindo nas intenções de voto? Como explicar que Dilma caluniou Marina durante três semanas, destruiu a adversária e obteve um crescimento nas pesquisas?

Se Lula é o réu oculto do mensalão, o que dizer do doleiro petista Alberto Youssef? Imagine o leitor quando o depoimento — já aceito pela Justiça Federal — for divulgado ou vazar? De acordo com o ministro Teori Zavascki, o envolvimento de altas figuras da República faz com que o processo tenha de ir para o STF. E, basta lembrar, segundo o doleiro, que só ele lavou R$ 1 bilhão de corrupção da Refinaria Abreu e Lima. Basta supor o que foi desviado da Petrobras, de outras empresas e bancos estatais e dos ministérios para entender o significado dos 12 anos de petismo no poder. É o maior saque de recursos públicos da História do Brasil.

Nesta conjuntura, Aécio tem de estar preparado para um enorme bombardeio de calúnias que irá receber. Marina Silva aprendeu na prática o que é o PT. Em uma quinzena foi alvo de um volume nunca visto de mentiras numa campanha presidencial que acabou destruindo a sua candidatura. Não soube responder porque, apesar de ter saído do PT, o PT ainda não tinha saído dela. Ingenuamente, imaginou que tudo aquilo poderia ser resolvido biblicamente, simplesmente virando a face para outra agressão. Constatou que o PT tem como princípio destruir reputações. E ela foi mais uma vítima desta terrível máquina.

O arsenal petista de dossiês contra Aécio já está pronto. Os aloprados não têm princípios, simplesmente cumprem ordens. Sabem que não sobrevivem longe da máquina de Estado. Contarão com o apoio entusiástico de artistas, intelectuais e jornalistas. Todos eles fracassados e que imputam sua insignificância a uma conspiração das elites. E são milhares espalhados por todo o Brasil.

Teremos o mais violento segundo turno de uma eleição presidencial. O que Marina sofreu, Aécio sofrerá em dobro. Basta sinalizar que ameaça o projeto criminoso de poder do petismo. O senador tucano vai encontrar pelo caminho várias armadilhas. A maior delas é no campo econômico. O governo do PT gestou uma grave crise. Dilma foi a terceira pior presidente da história do Brasil republicano em termos de crescimento econômico. Só perdeu para Floriano Peixoto — que teve no seu triênio presidencial duas guerras civis — e Fernando Collor — que recebeu a verdadeira herança maldita: uma inflação anual de quatro dígitos. O PT deve imputar a Aécio uma agenda econômica impopular que enfrente radicalmente as mazelas criadas pelo petismo. Daí a necessidade imperiosa de o candidato oposicionista deixar claro — muito claro — que quem fala sobre como será o seu governo é ele — somente ele.

Aécio Neves tem todas as condições para vencer a eleição mais difícil da nossa história. Se Tancredo Neves foi o instrumento para que o Brasil se livrasse de 21 anos de arbítrio, o neto poderá ser aquele que livrará o país do projeto criminoso de poder representado pelo PT. E poderemos, finalmente, virar esta triste página da nossa história.


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Blog do Reinaldo Azevedo

No Estado de São Paulo, o PT levou uma sova de 644 a 1!!! Aécio venceu Dilma em 565 de 645 cidades. Nunca antes antes na história “destepaiz”!

Vamos reescrever Caetano Veloso para deixá-lo irritadinho. São Paulo vê e não vê quem desce ou sobe a rampa, aquela lá, do Planalto Central do Brasil. Como não depende muito da boa-vontade de estranhos, não cede com facilidade à chantagem. Não é bolinho, não! O Estado tem 645 municípios: o governador Geraldo Alckmin venceu a disputa para o governo em, atenção!, 644! Só Hortolândia ficou de fora. Mas por muito pouco: 35.809 votos para Alexandre Padilha contra 32.354 para o tucano. Hortolândia é uma das 67 cidades administradas no Estado pelo PT. Alckmin ganhou em 66.

Mas não foi só isso. O presidenciável tucano Aécio Neves venceu a petista Dilma Rousseff em 565 dos 645 municípios — um total de 88%. Isso significa que tanto o presidenciável como o governador bateram o partido na cidade de Guarulhos, administrada pelo PT há 14 anos; na mitológica São Bernardo de Lula, que está na segunda gestão petista, de Luiz Marinho, o coordenador da campanha de Dilma em São Paulo, e na Osasco do presidente do PT paulista, Emídio de Souza.

Na Folha de S. Paulo, leio a seguinte explicação dada Joao Paulo Rillo, líder do PT na Assembleia: “Não temos conseguido fazer o debate com o eleitor paulista sobre os avanços dos governos do PT. O antipetismo se relevou muito forte”. Mas espere aí: esse antipetismo, então, deve ter um motivo, não é mesmo?

Acho impressionante que os petistas tenham tentando, no Estado, faturar com a crise da água, faturar com a crise dos transportes, faturar com a greve do metrô — ocorrências, enfim, que criam dificuldades para a vida dos paulistas — e achem estranho que a população tenha rejeitado a sua abordagem. Mais: indivíduos — e estamos falando da larga maioria — que não dependem da boa-vontade do poder público para garantir o próprio sustento e que não estão oprimidas pela pobreza ou pela miséria tendem a rejeitar essa espécie de tutoria que o partido busca exercer sobre suas vidas.

E, de resto, há a experiência propriamente com o jeito petista de fazer as coisas. O partido acreditar que o morador da cidade de São Paulo — o paulistano — caminha para aplaudir a gestão de Fernando Haddad, o maníaco da bicicleta, chega a ser um sinal de alienação da realidade.

Não é que São Paulo seja congenitamente antipetista, senhor Rillo. É que o petismo acaba sendo congenitamente antipaulista porque gosta de exercer a tutela sobre os cidadãos. E o lema do brasão da cidade de São Paulo expressa não só o espírito paulistano, mas também o paulista: “Non ducor, duco”. Não sou conduzido, conduzo.

Se o PT não entender isso, na próxima eleição, não vai perder por 644 a 1, mas por 645 a zero.

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Aécio responde a Dilma e diz que o que assusta são os fantasmas do presente

Por Daniela Lima e Gustavo Uribe, na Folha:
Na primeira agenda após passar para o segundo turno, o candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, rebateu críticas feitas pela presidente Dilma Rousseff (PT) e disse esperar “uma campanha limpa”. Aécio falou sobre o assunto após reunião, em São Paulo, com o governador Geraldo Alckmin e o senador eleito José Serra. Ele disse que já se trata de um primeiro encontro para discutir o segundo turno. O tucano fez referência a uma fala da petista na noite desde domingo (5). Após o fim da apuração, ela disse que o país se lembraria dos ” fantasmas do passado na hora de decidir o voto.

Na fala, evocou polêmicas do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), como o discurso em que ele criticou aposentadorias precoces dizendo que quem deixa de trabalhar antes dos 50 anos é “vagabundo”. Nesta segunda-feira (6), Aécio disse que ficou surpreso ao ver nos jornais a fala de Dilma. ” Me surpreende a candidata oficial falar de fantasmas do passado. Na verdade, os brasileiros estão preocupados com os monstros do presente: inflação alta, recessão e corrupção.” O tucano disse que, de sua parte, fara uma campanha limpa e que espera o mesmo de Dilma. “Respeitar o adversário é respeitar a democracia”, concluiu.

Marina
Aécio confirmou ter recebido um telefonema de Marina esta manhã, mas disse que aguarda o “tempo de cada um” para definições de apoio. O tucano disse ter falado com o governador eleito de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), aliado de Eduardo Campos, para parabenizá-lo pela eleição. Câmara tende a defender voto em Aécio. O presidenciável disse ainda não ter conversado com a família de Campos. Para Aécio, é preciso ter cautela antes de anunciar qualquer apoio. Ele afirmou que vê mais “convergências” do que “divergências” entre seu plano e o de Marina. Aliados da pessebista dizem que um apoio dela ao tucano se daria em bases “programáticas”.

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Mercados reagem com euforia ao resultado das urnas. Espero que isso conduza a candidata Dilma à virtude, não ao vício

As pessoas podem divergir sem se demonizar mutuamente; podem dissentir sem que a defesa de um ponto de vista represente a eliminação do outro; sem que a política se transforme no exercício de um suposto “bem” contra um suposto “mal”. Na contramão de quase todas as previsões e de quase todas as expectativas; contrariando o que os institutos de pesquisa conseguiam ler da vontade do eleitor — e me parece que lhes faltam instrumentos, no momento, para interpretar os enigmas que a sociedade propõe —, o tucano Aécio Neves disputará o segundo turno das eleições presidenciais com Dilma Rousseff, do PT.

Os três candidatos fizeram neste domingo um pronunciamento sobre o resultado das eleições. Dois deles, basta ler o que disse cada um, foram serenos: Marina Silva, do PSB, e o próprio Aécio afirmaram que a sociedade sinalizou que quer mudanças. Dilma, que fala em nome da continuidade — e, dadas as leis que temos, é, pois, legal e legítimo —, infelizmente, enveredou justamente pelo caminho reprovável da satanização dos adversários. Para ela, o voto em seus oponentes significaria que o Brasil estaria marchando para trás. Assim, a gente entende que, para a candidata, o Brasil só avança rumo ao progresso se o PT for governo.

Não é uma boa leitura da realidade. E não que eu esperasse ou espere que Dilma reconheça as qualidades daqueles que a ela se opõem. Isso não é necessário. A presidente-candidata dispõe de instrumentos, no entanto, para tentar provar que suas propostas são melhores, sem que precise afirmar que os outros encarnam o desastre. De resto, em seu discurso de ontem, a petista foi a primeira a prometer que, se eleita, fará um governo novo, com ideias novas e pessoas novas. Logo, a gente tem de entender que ela também acredita que não é possível continuar com um governo velho, com ideias velhas e com pessoas velhas — não na idade, mas na mentalidade.

Nesta segunda, os mercados reagiram em quase êxtase ao resultado das urnas. Às 14h05, o Ibovespa, principal índice da Bolsa, subia 5,26%, a 57.407 pontos. Das ações do Ibovespa, 63 subiam, e apenas sete caíam. No mesmo horário, o dólar registrava desvalorização de cerca de 2% em relação ao real. O dólar à vista, referência no mercado financeiro, perdia 2,31%, a R$ 2,416, enquanto o dólar comercial, usado no comércio exterior, tinha baixa de 1,82%, a R$ 2,419. Esses índices têm tradução: chama-se otimismo. Os tais “mercados” — que nada mais representam do que os humores de uma parcela considerável da sociedade que faz funcionar a máquina da economia — renovam suas esperanças de que Dilma perca as eleições. E a petista sabe disso, tanto é assim que já se manifestou a respeito e chamou essa reação de “ridícula”.

Seja como for, estamos lidando com um dado da realidade. Já disse aqui que o país não irá à bancarrota se Dilma vencer — aliás, ninguém está a dizer isso. E também é mentira que haverá um colapso na área social se a oposição ganhar. Ocorre que, infelizmente, o PT insiste nessa tecla, nessa pregação que é feita para assustar o eleitor, não para convencê-lo. O que a reação dos mercados evidencia é que a retomada do crescimento será retardada se Dilma vencer a disputa. Ela sabe disso. Em vez de demonizar o adversário, talvez a presidente precisasse fazer uma nova “Carta ao Povo Brasileiro”, na qual se compromete a não agredir os fundamentos da boa governança por questões de política menor.

Se Aécio vencer a disputa, e isso também está dado pelos números do mercado, o país não precisará de “medidas amargas”, de “choque de tarifas”, de “ajuste fiscal draconiano”, nada isso. Essa conversa ou é terrorismo governista ou é tara de desocupados. E sabem por que tais medidas não serão necessárias, entre outras razões? Porque a retomada do crescimento será antecipada; porque os investidores internacionais e o empresariado nacional farão com mais celeridade a sua parte. Só querem estabilidade de regras, um governo que não maquie as contas e que não seja hostil à matemática.

Aliás, a presidente Dilma deveria recomendar à candidata Dilma que recusasse tanto o discurso terrorista como a campanha suja. Em qualquer das hipóteses, pouco importa quem vença a eleição, o Brasil tem amanhã, senhora Dilma Rousseff! Países não são como empresas; não fecham. Existirão sempre. O que muda para melhor ou para pior é qualidade de vida do povo.

Espero que a presidente Dilma diga ainda à candidata Dilma que a reação dos mercados nesta segunda-feira deve contribuir para levá-la ao caminho virtuoso do diálogo, não ao caminho vicioso do confronto.

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Pernambuco de Arraes e de Eduardo é candidato a Estado coveiro do PT
Ricardo Noblat

Pernambuco, do ex-governador Eduardo Campos, e do avô dele Miguel Arraes, é candidato ao título de “Estado coveiro do PT”.

No primeiro turno das eleições deste ano, simplesmente não teve para Lula, pernambucano; nem para Dilma, que se apresentou como a presidente que beneficiou o Estado fortemente; nem para o PT, o partido dos dois.

O PT tinha seis deputados estaduais. Restaram três. Quatro deputados federais. Acabou sem nenhum. Perdeu o governo. E também o Senado.

Os líderes mais expressivos do partido no Estado foram pessoalmente atingidos pelo tsunami anti PT.

João Paulo e João da Costa, ex-prefeitos do Recife, perderam – um para o Senado, o outro para a Câmara dos Deputados.

Pedro Eugênio, ex-presidente estadual do PT, perdeu a eleição para a Câmara. Assim como o presidente do PT no Recife perdeu a eleição para a Assembleia Legislativa.

João Paulo imaginara se eleger senador com os votos do Recife. Ali, Fernando Bezerra Coelho, candidato do PSB eleito senador, teve o dobro dos votos dele.

O plano do PT era eleger João Paulo senador para que em 2016 ele concorresse outra vez à vaga de prefeito do Recife. Com a derrota, o PT ficou sem candidato.

Como Lula e Dilma podem pensar que um Estado candidato a coveiro do partido deles possa aceitar que o partido que elegeu, o PSB, caia no colo do PT no segundo turno?

Roberto Amaral, presidente em exercício do PSB, é petista de carteirinha.

Na hora em que pede ao partido para que fique neutro no segundo turno é porque já sabe que nem mesmo isso acontecerá.

Renata Campos, viúva de Eduardo, só espera a visita de Aécio para anunciar que o apoia.

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Reforma de Aécio inclui regra ruim para Rede

Uma das condições que Marina Silva cogita impor para apoiar a candidatura de Aécio Neves é o compromisso do candidato de realizar uma reforma política que inclua o fim da reeleição. O presidenciável tucano não terá dificuldades em aquiescer. Mas seu projeto de reforma, que ele promete para o primeiro dia do seu eventual governo, prevê um artigo que dificulta a criação partidos novos —como a Rede Sustentabilidade, de Marina.

Alguns chamam de cláusula de barreira. Outros, de cláusula de desempenho. Numa entrevista concedida ao blog há seis meses, em abril, o próprio Aécio explicou:

“Você pode criar um partido político, pode juntar as assinaturas e ir lá no TSE registrar seu partido. Mas você só vai garantir o funcionamento desse partido, com tempo de [propaganda] na televisão e fundo partidário, se ele tiver sintonia com algum segmento da sociedade. Para isso, ele preciará ter pelo menos 5% dos votos nacionais -pode-se até calibrar esse percentual, [...] divididos em pelo menos nove estados, com pelo menos 3% em cada um desses nove Estados.”

Aécio prosseguiu: “Nós vamos cair de vinte e tantos partidos [com representação no Congresso] para seis, sete partidos no Congresso Nacional. Isso já é um alívio nas relações internas, aqui.”

Nessa mesma entrevista, Aécio disse ser contra a reeleição. Porém, diferentemente de Marina, absteve-se de informar se a nova sistemática valeria já a partir do seu hipotético mandato. De resto, esclareceu que deseja um mandato de cinco anos, não de quatro, como é hoje.

Aécio disse: “eu, de forma objetiva e clara, sou contra a reeleição. A experiência da reeleição mostra uma disputa desigual. A própria presidente Dilma acabou de desmoralizar a reeleição. [...] Eu defendo mandato de cinco anos para todos os cargos eletivos, sem reeleição.”

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Segundo round!




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Blog do Reinaldo Azevedo

Institutos erraram feio, sim, e não dá para dourar a pílula. Como o povo não erra, ainda que vote errado, o que se tem, no mínimo, é um problema de método

Vamos lá. É claro que os institutos de pesquisa terão de se perguntar o que deu tão errado desta vez. E não há como disfarçar, ainda que queiram. Para a sua própria credibilidade, melhor fazer um mea-culpa e rever o método. Adicionalmente, os responsáveis devem voltar a atuar com mais discrição, opinando menos, dando menos entrevistas, abstendo-se de fazer previsões, ocupando-se mais de sua ciência. Há, sim, um maior número de acertos do que de erros quando se consideram as eleições presidenciais e as disputas estaduais. Ocorre que os erros não são nem corriqueiros nem irrelevantes. Um dia antes da eleição, o Datafolha, por exemplo, antevia que Dilma Rousseff obteria 44% dos votos válidos; o tucano Aécio Neves, 24%, e Marina Silva, do PSB, 22%. Contabilizadas as urnas, Dilma ficou com 41,59%, e Marina, com 21,32%. Sem dúvida, estão na margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos. Mas Aécio marcou 33,55% nas urnas — 7,55 pontos acima da margem superior de erro prevista pelo Datafolha. Como votaram 115.122.611 pessoas, estamos falando de um universo de 8.691.757 eleitores.

Olhemos agora o Ibope de sábado: Dilma, dizia o instituto, teria 46% dos votos válidos; Marina, 24%, e Aécio, 27%. Só a peessebista está de acordo com a previsão. Com 41,49%, Dilma obteve 2,1 pontos a menos do que a margem inferior de erro, que era de 44%, e Aécio, com os seus 33,55%, 4,55 pontos a mais do que a margem superior, que era de 29%. Nesse caso, o erro remete a 5.238.078 eleitores.

Atenção! O ibope divulgou uma pesquisa no dia 2, feita, informou-se, entre os dias 29 e 1º. Contados os votos válidos, a diferença entre Dilma e Aécio era de escandalosos 23 pontos: 45% a 22% para ela. Computadas as urnas, três dias depois, os 23 pontos do Ibope eram, de fato, 8,04 pontos. Os institutos dizem trabalhar com um intervalo de confiança de 95% — isto é, se repetida 100 vezes, em 95, os números colhidos estariam dentro da margem de erro. No caso, os dois não deram sorte e caíram justamente nas cinco possibilidade em 100 de errar.

Tudo bem: a gente pode acreditar que existiu uma onda, uma bolha, seja lá como se queira chamar. É uma forma de tentar jogar a responsabilidade pelo erro de cálculo nas costas do eleitor. O fato é que esse não é o único erro, né? Vejam o caso do Rio Grande do Sul. Entre 1º e 3 de outubro, o Ibope colheu os seguintes votos válidos no Estado: 40% para Tarso Genro, do PT; 31% para Ana Amélia, do PP, e 23% para José Sartori, do PMDB. E o que se viu? 40,4% para Sartori; 32,57% para Tarso e apenas 21,79% para Ana Amélia. O Datafolha, também um dia antes da eleição, não se se deu muito melhor: 36% para o petista e 29% para os dois outros. O ibope voltou a errar feio a boca de urna também. Atribuiu 29% ao candidato que obteve 40,4%.

Na Bahia, um dia antes da eleição, o Ibope informou que o petista Rui Costa e o democrata Paulo Souto estavam empatados, com 46% das intenções de votos válidos. Lídice da Mata, do PSB, teria 5%. E o que saiu das urnas? 54,53% para o petista e apenas 37,39% para o candidato do DEM.

Há erros para todos os gostos, não é? Em São Paulo, o Ibope previu, um dia antes da eleição, que o governador tucano Geraldo Alckmin seria reeleito com 57% dos votos válidos, contra 24% de Paulo Skaf, do PMDB, e 14% de Alexandre Padilha, do PT. O Datafolha, apontou, respectivamente, 59%, 24% e 13%. O que se viu nas urnas? O tucano obteve 57,31% dos votos, e Skaf, 21,53% — dentro do margem de erro dos dois institutos. Mas Padilha ficou acima do que apontavam ambos, com 18,22%. Segundo o Datafolha, José Serra teria 50% dos votos válidos para o Senado, e Eduardo Suplicy, 37%. No Ibope, o tucano aparecia com ainda menos: 48%, e o petista, com 36%. Suplicy ficou com 32,53%, e Serra, com 58,49%. A diferença não foi nem de 13 nem 12 pontos, mas de 25,96. O Datafolha captou, sim, a virada de Fernando Coelho (PSB) na disputa pelo Senado em Pernambuco, contra o petista João Paulo: cravou 52% a 45%. Mas o peessebista venceu por 64,34% a 34,8%.

Esses são apenas alguns erros, os mais salientes. Há, sim, outros. Não estou entre aqueles que querem criar dificuldades para a divulgação de pesquisas, até porque é inegável que elas, no geral, captam os grandes movimentos de opinião pública, Ocorre que elas falam em nome de uma ciência, com margem de erro, com intervalo de confiança, e os institutos, pois, devem explicações mais sérias do que simplesmente atribuir seus erros de percepção a uma mudança de humor do eleitorado.

Mais: é preciso que a gente considere que números, quando divulgados, interferem nas estratégias dos partidos, alteram a formação de palanques, criam dificuldades ou facilidades para arrecadar recursos, animam ou desanimam a militância. O que fazer? De saída, sugerir a todos mais prudência. Uma semana antes da eleição, tentou-se até criar onda afirmando que Dilma, por exemplo, poderia vencer a disputa no primeiro turno…

A minha primeira sugestão é que as empresas controladoras dos institutos proíbam seus técnicos em pesquisa de se comportar como analistas políticos. Como diria Fernando Pessoa, não existe técnica fora da técnica.

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15 estados definem eleição no 1º turno; em 12, haverá 2º

PT – 3 estados
- Fernando Pimentel (MG);
- Rui Costa (BA);
- Wellington Dias (PI)

PMDB – 3 estados
- Paulo Hartung (ES);
- Renan Filho (AL);
- Marcelo Miranda (TO)

PSB – 3 estados
- Jackson Barreto (SE);
- Paulo Câmara (PE);
- Chico rodrigues (RR)

PSDB – 2 estados
- Geraldo Alckmin (SP);
- Beto Richa (PR);

PDT – 2 estados
- Pedro Taques (MT);
- Waldez Goes (AP)

PSD – 1 Estado
- Raimundo Colombo (SC)

PCdoB – 1 Estado
- Flavio Dino (PCdoB)

Estados onde haverá segundo turno e quem vai disputá-lo:
- Rio Grande do Sul: José Sartori (PMDB) X Tarso Genro (PT);
- Rio de Janeiro – Luiz Fernando Pezão (PMDB) X Marcelo Crivella (PRB);
- Paraíba – Cassio Cunha Lima (PSDB) X Ricardo Coutinho (PSB);
- Rio Grande do Norte – Henrique Alves (PMDB) X Robinson Faria (PSD);
- Ceará – Camilo Santana (PT) X Eunício Oliveira (PMDB);
- Distrito Federal – Rodrigo Rollemberg (PSB) X Jofram Frejat (PR);
- Mato Grosso do Sul – Delcídio Amaral (PT) X Reinaldo Azambuja (PSDB);
- Rondônia – Confúcio Moura (PMDB) X Expedito Jr (PSDB);
- Amazonas – Eduardo Braga (PMDB) X José Melo (PROS).
- Goiás – Marconi Perillo (PSDB) X Iris Rezende (PMDB).
- Acre – Tião Viana (PT) X Marco Bittar (PSDB);
- Pará – Helder Barbalho (PMDB) X Simão Jatene (PSDB);

Vejam agora em quantos e em quais estados cada partido disputa o segundo turno:
PMDB – 8 estados: RS, RJ, RN, RO, CE, GO, AM e PA.

PSDB – 6 Estados: PB, MS, RO, GO, PA e AC

PT – 4 Estados : CE, RS, MS e AC

PSB – 2 Estados: PB e DF

PRB – 1 Estado: RJ

PR – 1 Estado: DF

PROS – 1 Estado: AM

PSD – 1 Estado – RN

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