Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

Deu nos Blogs


Romper o cerco

          O candidato Eduardo Campos (PSB) quer romper a briga entre o bem e o mal, patrocinada por PT e PSDB. E faz campanha propositiva. Campos já se comprometeu a construir 4 milhões de moradias, investir 10% da receita bruta da União na saúde e instituir a escola em tempo integral. Sua estratégia é oferecer mais para os eleitores. Para o socialista, o país não corre o risco da terra arrasada nem da volta ao passado.

O ceticismo e as metas dos aliados
Os partidos aliados dos principais candidatos ao Planalto reclamam da exclusão na tomada das decisões. A despeito de ações de fachada e acenos, nenhum dos integrantes das coligações da presidente Dilma e de Aécio Neves, acreditam nas promessas de participação. E adotaram como foco de atuação o fortalecimento partidário. Essa postura é emblemática no PMDB, que quer se manter como o maior do Senado e ampliar sua bancada na Câmara. Acredita que assim garante sua integração em qualquer governo que vier a ser eleito. E o DEM, que, depois de emagrecer com a criação do PSD, quer ter musculatura para sobreviver no governo ou na oposição.

“Escândalos, como o da Petrobras, não afetam a campanha. O que pode afetar é o bolso. E estamos vivendo o pleno emprego e assistindo a inflação cair”

Ciro Nogueira
Senador (PI) e presidente do PP, da coligação da presidente Dilma

Núcleo duro da oposição se divide
Uma ala da oposição (democrata/tucana) está irada com o ministro José Jorge, do TCU, por ter excluído a presidente Dilma da lista de culpados no Caso Pasadena. A outra ala, a vencedora, trabalhou ativamente para esse desfecho.

Reconhecimento
O sambista Martinho da Vila será o primeiro a ser condecorado, pelo Senado, com o prêmio Abdias do Nascimento. A comenda foi criada recentemente para homenagear aqueles que protegem e promovem a cultura afro-brasileira. Ontem, o senador Paulo Paim (PT-RS) informou Martinho do prêmio e que a entrega da comenda será em novembro.

Subindo o morro
O socialista Eduardo Campos faz nova investida no Rio amanhã. Ao lado do candidato ao Senado, Romário, fará uma caminhada no Complexo do Alemão. A UPP desta área é um cartão postal do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Para ficar bem na foto
A presidente Dilma acompanha a ação do seu governo na Rio 2016. A Casa Civil, a Fazenda e o Planejamento mandam assessores para as reuniões do Conselho Gestor da Autoridade Pública Olímpica. Se ela vencer as eleições de outubro, vai colocar os ministros para trabalhar.

Pescando o voto
A presidente Dilma quer colar nos evangélicos e o candidato ao governo do Rio, senador Marcelo Crivella, quer descolar. Pastor da Universal, quer mostrar que, no Senado ou no governo, serviu os eleitores independente de fé ou classe social.

A explicação
A OAB do Rio diz que não é contra a prisão de ativistas violentos. E “cobra mecanismos eficazes de prevenção”. Mas nas recentes prisões, ela diz que a ação policial foi intimidatória, por ter ocorrido “antes de uma manifestação”. E critica a violação das prerrogativas dos advogados.

O PSDB ficou sem palanque em Alagoas. O candidato do governador Teotônio Vilela desistiu. O estado tem 1,3% dos eleitores nacionais.

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AGU e Lula pressionam TCU

Houve uma articulação do governo, que envolveu o Advogado-Geral da União (AGU) Luiz Adams, e até mesmo o ex-presidente Lula, para tentar engavetar o processo do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A decisão do Tribunal acabou isentando o Conselho de Administração, presidido na ocasião da compra pela hoje presidente Dilma Rousseff, de culpa pelo prejuízo causado à Petrobras, mas condenou os 11 diretores da estatal brasileira a ressarcirem os cofres públicos em quase U$ 1 bilhão.

O primeiro relato sobre essa manobra governamental, que se assemelha em tudo às pressões que o ex-presidente Lula fez sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para que o processo do mensalão não fosse a julgamento, foi feito pelo jornalista Reinaldo Azevedo, ontem, em seu blog na Veja. Fui a campo para esmiuçar o caso e descobri que na terça-feira dia 22, véspera da análise do processo, às 17 horas o Advogado-Geral da União foi ao TCU para uma audiência com o relator, ministro José Jorge (ex-senador do DEM e ex-candidato a vice-presidente da República na chapa tucana em 2006) e pediu para tirá-lo de pauta.

Não é um procedimento incomum, e normalmente os pedidos são atendidos para dar mais tempo aos advogados de se prepararem. Mas, como esse é um caso muito complexo e com delicadezas políticas, o ministro José Jorge tomou a precaução de publicar seu voto na intranet do TCU na véspera. Adams alegava querer fazer uma defesa oral, e não tivera tempo suficiente de analisar o relatório, divulgado no dia anterior.

Mas como o relatório fazia parte do processo, que já era público há muito tempo, o ministro José Jorge não viu razão para adiar o julgamento. Nessa conversa, José Jorge perguntou a Adams: “Você vai fazer a defesa de quem? Nós estamos aqui defendendo a Petrobras, condenando as pessoas a devolverem o dinheiro à Petrobras”. Ao mesmo tempo, o ministro do TCU José Mucio, que foi ministro de Articulação Política de Lula, foi chamado pelo ex-presidente para uma conversa em São Paulo.

No relato que fez a seus pares, disse que encontrou o ex-presidente muito preocupado, relatou mesmo que nunca vira antes Lula de moral tão baixa. O ex-presidente criticou a campanha de reeleição de Dilma, a indefinição do ministro Gilberto Carvalho, que não sabe se fica no Planalto ou vai para a campanha. E mostrou-se especialmente preocupado com a repercussão do processo do TCU sobre a refinaria de Pasadena na campanha eleitoral.

A preocupação era tão grande que Adams não fez a defesa oral e articulou com alguns ministros para que um deles, Benjamim Zymler, pedisse vista do processo. Quando José Jorge terminou de ler seu voto, Zymler alegou que a estimativa dos prejuízos precisava ser revista e pediu vista. O relator esclareceu então que seu voto ficaria computado, o que significava que o pedido de vista seria na votação já começada.

Imediatamente o ministro Weder de Oliveira anunciou que votaria com o relator, alegando que aquela era uma etapa intermediária do processo, que a decisão definitiva só sairá mais adiante, quando fossem ouvidas as partes. Vários ministros, entre eles Ana Arraes, mãe do candidato do PSB Eduardo Campos, deram o voto a favor do relator, que já ficou com a maioria.

Foi então que o ministro José Mucio pediu que o assunto fosse logo à votação “já que a presidenta não está colocada”, e Zymler retirou o pedido de vista, tendo o relatório sido aprovado por unanimidade. Nos contatos mantidos por emissários do governo com ministros do TCU, houve um momento em que foi jogada na mesa a carta da nomeação para o Supremo Tribunal Federal (STF), cargo a que Adams aspira e também o ministro Benjamim Zymler.

Por isso a decisão de excluir os membros do Conselho Administrativo da Petrobras do rol dos culpados foi tão comemorada pelo Palácio do Planalto. Mas é preciso compreender que esse processo vai por etapas. Neste momento, o relator entendeu que seria mais útil concentrar a investigação e a responsabilização na diretoria executiva, que foi quem realmente operou o negócio. Se abrisse muito o leque, alega José Jorge, perderia o foco nas investigações.

Nada impede, porém que ao abrir a Tomada de Contas Especial (TCE) e ouvir os envolvidos no caso, membros do Conselho de Administração, inclusive a própria presidente da República, sejam convocados a depor e eventualmente incluídos no rol dos culpados.

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Reynaldo-BH: ‘Não há limites pra quem jamais os teve’
REYNALDO ROCHA

Depois de um período sabático no qual o que efetivamente assusta se faz presente, é hora de voltar a enfrentar os anões que perdem o chão a cada dia que passa. O alvo – surpresa! – é Aécio Neves.

Creio ser este apenas o começo. Desde 2011, o Ministério Público analisa o caso da construção da pista de pouso na fazenda que pertencia a um irmão da avó materna do ex-governador mineiro e sequer convocou alguém para depor. Seria o MP tucano? Foi errado comprar por R$ 1 milhão a terra pela qual o dono exigia R$ 9 milhões – e que foi à Justiça em busca do ressarcimento que considera justo? Ou seja, Aécio pagou 1 em vez de 9. O oposto da refinaria Abreu e Lima e da sucata de Pasadena.

Quando serão publicadas notas ainda mais pesadas e voltadas também para a vida privada do candidato à Presidência? Afinal, não há limites pra quem jamais os teve.

Nós, por aqui, pedimos há mais de um ano que Lula explique ao menos o caso da amante mantida com o NOSSO dinheiro. Mas não ouvimos sequer uma palavra. Há quanto tempo aguardamos esclarecimentos sobre Lulinha, o “ronaldinho das finanças”, alçado do cargo de tratador de elefantes no zoológico para sócio da OI? E Erenice Guerra e família? Esta terna senhora, ex-ministra da Casa Vil, que hoje insiste em ser lobista em Brasília e é atendida pelo governo em suas demandas?

Quantos aeroportos em Cláudio custou a reforma da Base Naval que Dilma Rousseff requisita uma semana por ano para curtir o verão baiano ao lado de parentes? E a parada do AeroDilma em Lisboa para um jantar?

Hipocrisia, seu nome é PT. Que debatam ideias e propostas. Que se faça um balanço da economia em frangalhos, da inflação elevada, da importação de gasolina, do roubo na Petrobras, do Rio São Francisco sem transposição, das ferrovias iniciadas e abandonadas, do legado imaginário da Copa, do Minha Casa, Minha Vida que desaba, dos médicos escravos que recebem 20% do que valem e são proibidos de sair de casa até para conversar com vizinhos, do governo fatiado entre Paulo Maluf, Jader Barbalho, Newton Cardoso, José Sarney, Renan Calheiros e outras ratazanas de menor porte.

Vamos passar o Brasil a limpo amparados em números e DADOS. Vamos discutir o IDH, a nossa colocação no campo educacional, a inexistência de uma política social e o planejamento econômico e industrial. Vamos discutir os aportes financeiros que beneficiaram Cuba e Venezuela com dinheiro público via BNDES enquanto continuamos morrendo nas estradas e arcando com um custo Brasil que impede exportações.

Mas, caso queiram discutir ÉTICA – o que muito me agrada –, estamos prontos. Desde a figura abjeta de Rosemary e seus encantos recompensados com o MEU DINHEIRO, até o Lulinha e seus milhões, passando pelo uso de jatos executivos de empreiteiras para fazer lobby mundo afora. A ética que faz com que Maluf seja endeusado e Sarney, eternizado. Que entrega ministérios a quem não tem competência sequer para ser garçom de botequim, que tem como vice-presidente um André Vargas e como deputado um ex-presidiário que se reúne com integrantes de uma facção criminosa.

Não nos assusta comparar fatos, pessoas, biografias. O que assusta é que, passados quase doze anos, o PT insista em MENTIR e tentar reescrever a história – onde está condenado a figurar como nota de rodapé ou estudo acadêmico sobre ramificações do caudilhismo latino-americano – e finja não enxergar o índice de rejeição de 50% que atinge Dilma Rousseff.

Esse número define nosso futuro. Até lá, precisamos suportar os argumentos infantis e a baba que escorre da boca dos esquerdistas nos bairros nobres das capitais, sonhando com uma boquinha em algum gulag imoral.

E suportaremos. Falta pouco.


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Blog Espaço Livre de Bobagens

Israel chamou o Brasil de ''anão diplomático''. Foi simplório: o Brasil também é um anão moral.

A chancelaria israelense acertou em cheio ao classificar o Brasil como um ''anão diplomático'' no mundo. É também um anão moral devido às escolhas ideológicas que tomou em relação a vários assuntos externos.

Nos governos petistas, o Brasil tornou-se célere em bajular ditaduras e os piores scumbags pelo mundo afora. Apoiou governos autoritários e por vezes genocidas na África (Sudão, massacre de meio milhão de cristãos!) e no Oriente Médio (Síria e Irã). Na América Latina, o Brasil acostumou-se a ser babá de assassinos como os Castro, e defendeu governos que solapam a democracia, tais como o da Venezuela, da Argentina, Bolívia, Equador e Nicarágua. A verdade é que a ideologia de um partido, o PT, tornou-se a bandeira da política externa brasileira.

E ao apoiar tiranos, governos autoritários e regimes fechados (Agamenon Mendes, humorista fictício criado pelos Casseta, disse que petista só não gosta de regime fechado quando se trata da Papuda), o Brasil torna-se, automaticamente, um anão moral, já que se diz um país democrata, mas só se alia à escória da política mundial. Tem sido assim desde que o PT assumiu o poder: o relativismo moral impera na política externa e as escolhas são direcionadas pelo partido, não sendo assim uma política de Estado que defende o Brasil. E essas escolhas têm levado este País aos piores resultados nesta área. É mico atrás de mico. Daí, não é de se estranhar que um País tão grande em vários aspectos torne-se tão pequeno em diplomacia, fazendo contínuas escolhas erradas e fracassadas. Deu no que deu.

O último passo em falso foi defender os terroristas do Hamas, na questão Árabe-Israelense. Condenar Israel, que sofreu e sofre ataques de foguetes diários sobre sua população civil, e defender um grupo que busca claramente a extinção do Estado Judeu é um disparate. É muita mesquinharia para com uma causa justa. Não defendo aqui a morte de civis árabes neste confronto, mas quem não sabe que o Hamas utiliza-se de escudos humanos para potencializar a sua bem-sucedida propaganda? Nosso governo parece desconhecer que o Hamas dispara foguetes indiscriminadamente sobre os civis judeus e apela às piores práticas, como esconder armas e bombas em escolas, hospitais e até em mesquitas para escapar da aviação e da artilharia israelense.

Até a ONU, em sua irrelevância e descrédito, é omissa ao permitir que o Hamas, em Gaza, utilize-se de seus prédios para esconder armas e conspirar contra Israel. Daí, quando vem o ataque... só tem santinhos, certo? É ridículo o quanto de besteira já se disse sobre esse conflito. E o nosso governo nega a Israel o seu direito de defesa e fica do lado de terroristas? O que ganhamos com isso? A irrelevância diplomática e o ônus da vergonha. 

No campo da propaganda, os árabes já venceram. São os coitadinhos. Pouco se fala dos civis judeus e o iminente risco de ser atingido por um foguete do Hamas disparado a esmo. Não há crianças e inocentes do lado judaico? Um foguete judeu é mais assassino do que um árabe? Para os que não sabem, Israel avisa com antecedência o local e a hora dos seus ataques a bomba e pede que desocupem a área. O Hamas é que não permite a saída dos seus ''mártires''. Se sair, morre. O sangue árabe serve bem para que o Hamas conquiste corações e mentes, especialmente no Ocidente judaico-cristão. Os árabes vizinhos, até eles, têm o pé atrás quanto a esse grupo terrorista que virou ''vítima'' nesses dias. Países como Egito e Jordânia não admitem mas, neste caso, não acham ruim que o Hamas seja enfraquecido. É uma ameaça regional, não só a Israel. Diz-se isso nos nosso jornais? Que nada.

Dentre as vítimas árabes, quantos dos mortos eram terroristas? Nem se noticia. Na conta, só parecem haver crianças e mulheres inocentes. E quanto aos militares do Hamas, que é um grupo bem armado pelo Irã e pelo Hezbollah? Não morre nenhum? São todos inocentes vítimas dos sionistas? É uma piada.

E Israel disse bem do Brasil. Lembrei-me do grande Rafael Brasil quando classificou o Brasil de Íbis da política internacional. Continua a sê-lo, professor. E outros, além do senhor, já percebem isso e falam com mais frequência. Até os judeus já se deram conta. O tempo mostrou que você estava certo!

Parafraseando o mestre: Vade Retro! (Afasta-te, em latim!).


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Blog do Josias

Promiscuidade torna a política incompreensível

O PMDB do Rio ofereceu um jantar para Dilma. Mas o governador Pezão, candidato à reeleição pelo PMDB está formalmente coligado no Rio ao PSDB de Aécio. O PT fluminense ficou irritado com a presença da petista Dilma no repasto do PMDB. Mas o senador Lindberg, candidato petista ao governo estadual, carrega em sua coligação o PSB de Eduardo Campos. Que já foi aliado de Dilma, mas hoje é um dos mais ácidos críticos da presidência dela. Você está entendendo?

Façamos mais uma tentativa. PMDB e PT eram aliados no Rio, certo? Nos dois mandatos do peemedebista Cabral, os petistas ocuparam pedaços da máquina estadual. Presidente, Lula abriu as arcas federais para Cabral. Dilma manteve o padrão. De repente, Cabral caiu em desgraça. Lançou Pezão e se recolheu. Autorizado por Lula, o PT rompeu a aliança e apostou em Lindberg. No entanto, em Brasília, PT e PMDB continuam juntinhos na chapa Dilma-Temer. Ficou mais claro?

Tentemos outra vez. No jantar com o PMDB, Dilma afirmou ter descoberto em Pezão “uma grande humanidade.” E Pezão declarou que Dilma foi a “maior amizade” que ele já fez na política: “Nada nos separa”. Mas o PT federal informa: Dilma terá quatro pés no Rio. Um no palanque de Pezão. Outro no de Lindberg. Um no de Garotinho (PR). Outro no de Crivella (PRB). Em resposta, o PMDB dá asas ao híbrido Aezão. E Lindberg diz preferir a companhia de Lula à de Dilma. Entendeu?

Calma, não se desespere. Se você não compreendeu, tranquilize-se. O problema está no modelo político brasileiro, não na sua capacidade intelectual. A isso foi reduzida a chamada política de alianças: a incoerência janta com a ilógica, o pragmatismo abraça a conveniência e a desfaçatez vai para a cama com o oportunismo. Tudo isso sob atmosfera de densa obscuridade.

A dificuldade de enxergar luz no fim do túnel se repete em todos os Estados. A diferença é que, no Rio, o processo tornou-se tão anárquico que já não se vê nem o túnel. Arquirival do PMDB, Cesar Maia, do DEM, um aliado de Aécio, disputa o Senado na chapa de Pezão. Porém, quem discursou no jantar oferecido pelos peemedebistas a Dilma foi Carlos Lupi, que concorre à vaga de senador pelo PDT.

Varrido da pasta do Trabalho por Dilma, em 2011, Lupi recobriu de elogios a presidente que o escorraçou da Esplanada. E a ex-faxineira: Lupi tem “um coração bom”, é “um homem de bem.” Na chapa do petista Lindberg, o postulante ao Senado é Romário, correligionário de Eduardo Campos. Que já foi ministro de Lula e hoje se dedica a espinafrar Dilma.

Cavalgando o socialismo de resultados do seu PSB, Campos se autoproclama uma alternativa “progressista” ao “retrocesso” protagonizado por Dilma e à mudança “conservadora” representada por Aécio. Simultaneamente, Campos tortura sua vice Marina Silva e a lógica aliando-se ao PT no Rio e ao PSDB em São Paulo e no Paraná. A fuzarca seria motivo de risos se não tivesse um efeito devastador.

Os políticos espantaram-se quando a rapaziada vetou a presença de bandeiras partidárias nos protestos que ganharam as ruas em junho de 2013. Alarmaram-se quando as pesquisas revelaram os altos índices de eleitores dispostos a anular o voto ou votar em branco. Num coro puxado por Lula, líderes partidários passaram a defender a atividade política. Hoje, pedem maior engajamento do eleitorado. Como pode a plateia pode engajar-se num processo que não entende?, eis a questão.

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Dilmascote!



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Carvalho, por enquanto, vence braço de ferro, com auxílio de Lula, e fica no governo, sabotando-o. Então que fique!

Dedico nesta sexta, na Folha, mais uma coluna a Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, vejam lá. A presidente Dilma Rousseff já percebeu que ele não é exatamente alguém que lute para que ela se reeleja. Em certa medida, pode até fazer o contrário: Carvalho é o tipo de militante que, caso considere que a doutrina partidária está sendo contrariada, prefere a derrota que purifica à vitória que não honra os fundamentos.

A luta dos que tentam botar Carvalho para fora do Ministério continua, a começar de Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil. Mas não será fácil. E, por enquanto ao menos, os seus adversários internos foram derrotados. A razão é simples. Luiz Inácio Lula da Silva, o chefão nº 1 do PT, entrou em ação para manter no Planalto o chefão nº 2 do partido — justamente Carvalho, que atua como seus olhos, mãos e ouvidos. Segundo a família de Celso Daniel, prefeito assassinado de Santo André, as mãos de Carvalho carregaram bem mais do que um destino.

Carvalho é o Savonarola do PT e do Planalto, aquele que se apresenta como o chefe da doutrina e o purificador, o que lhe rende também simpatias em amplos setores da imprensa, que o veem como um homem sem ambições pessoais. Quem quiser que se comova. Tomem o caso do Decreto 8.243, aquele que disciplina a participação dos movimentos sociais no governo federal. É claro que a presidente Dilma não foi obrigada a assinar aquela porcaria. Por sua própria vontade, no entanto, isso seria deixado pra lá. Quem forçou a mão foram setores do PT e, evidentemente, Carvalho. Diante da resistência da Câmara — na verdade, do Congresso —, em vez de buscar a conciliação, o convencimento, o entendimento, ele anuncia uma “guerra” e uma “luta até o fim”.

De junho do ano passado a esta data, a Carvalho cabia o chamado “diálogo” com os movimentos sociais — ou por outra: a sua função era justamente desarmar o gatilho das manifestações violentas, que acabaram caindo no colo de Dilma Rousseff. E o que se sabe hoje? Este senhor resolveu bater um papinho com black blocs. Sob a sua gestão, a questão indígena se tornou, literalmente, um assunto que se debate com arco, flecha e balas. Carvalho tentou até mesmo, como esquecer?, transformar os rolezinhos numa guerra racial.

Este senhor não é exatamente um homem, mas uma personagem. Num romance como “O Nome da Rosa”, por exemplo, de Umberto Eco, ele seria um daqueles obcecados que se moveriam nas sombras, com convicção inquebrantável, em nome de alguma doutrina morta. Se estivesse em “Criação”, de Gore Vidal, caber-lhe-ia o papel de um dos eunucos da corte persa, defendendo valores nos quais o próprio imperador não acredita.

Lula agiu para Carvalho continuar no governo. Dilma que se vire com os seus sabotadores.

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Rede diz que 104 candidatos ligados ao partido disputarão eleições
Priscilla Mendes, G1

A Rede Sustentabilidade, partido fundado por Marina Silva em fevereiro de 2013, anunciou que 104 candidatos ligados ao partido, mas filiados a outras oito legendas, disputarão as eleições. Como a Rede teve o registro barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marina Silva e seus aliados tiveram que se filiar a outros partidos para poderem concorrer nas eleições deste ano.

A ex-ministra escolheu o PSB e entrou como vice-presidente na chapa do presidente da legenda, o ex-governador Eduardo Campos. Ela deixou claro, porém, que, depois da eleição, voltará a tratar da criação da Rede e deixará o PSB.

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Dilma fala de ‘parceria consolidada’ no Rio
Marcelo Remígio e Cássio Bruno, O Globo

A presidente Dilma Rousseff (PT) participou ontem de seu primeiro ato de campanha à reeleição no Rio de Janeiro, um jantar com prefeitos e ex-prefeitos promovido em uma churrascaria em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, acompanhada do vice-presidente Michel Temer e do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, que concorre à reeleição pelo PMDB.

O evento faz parte do chamado “Dilmão”, com o objetivo de mostrar ter força entre os prefeitos flumineses, já que, no início de junho o “Aezão”, reuniu 60 prefeitos em um almoço no Rio com 1.800 convidados. Para garantir a participação do maior número de presenças, Pezão e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), ligaram para os prefeitos fluminenses.

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Marina defende apuração de denúncia de propina em Pernambuco
Itaan Arruda, Estadão

A candidata a vice-presidente pelo PSB, Marina Silva, disse que toda denúncia deve ser investigada, ao ser questionada sobre as declarações do deputado José Augusto Maia (PROS-PE), que afirmou ter recebido ofertas de dinheiro para que seu partido integrasse a coligação de apoio a Paulo Câmara, candidato do PSB ao governo de Pernambuco e afilhado político de Eduardo Campos – parceiro de chapa presidencial da ex-ministra.

“Se existe uma denúncia, existe um processo de investigação”, afirmou Marina em Rio Branco, onde participou de um debate com pesquisadores da 66.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no câmpus da Universidade Federal do Acre.

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Supremo nega paralisar processo contra Vargas no Conselho de Ética
Mariana Oliveira, G1

O presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, negou ontem pedido da defesa do deputado federal André Vargas (sem partido-PR) para suspender o andamento de processo contra o parlamentar no Conselho de Ética da Câmara.

Vargas é investigado devido à relação com o doleiro Alberto Youssef, preso em março pela Polícia Federal na Operação Lava jato por suspeita de movimentar cerca de R$ 10 bilhões em esquema de lavagem de dinheiro. O processo no Conselho de Ética apura se o deputado favoreceu Youssef em contratos públicos em troca de favores pessoais.

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Petrobras defenderá diretores citados pelo TCU no caso Pasadena
Veja

A Petrobras afirmou ontem que assegurará a defesa dos seus ex-gestores e atuais em processo no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

"A Petrobras confirma a sua defesa relacionada à aquisição, apresentada ao TCU em janeiro de 2014, e, nesse novo processo que se inicia, assegurará a defesa dos seus gestores, presentes e passados, quanto aos atos decorrentes do exercício das suas funções, nos termos do art. 23, § 1º, do seu Estatuto Social", informou a empresa, em nota.

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Israel rebate críticas e fala em ‘irrelevância’ diplomática do Brasil
Veja

A chancelaria de Israel rebateu a nota emitida pelo Itamaraty condenando os bombardeios sobre Gaza. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, usou palavras duras ao classificar a nota como “uma infeliz demonstração de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua sendo um anão diplomático”.

“O relativismo moral por trás deste movimento torna o Brasil um parceiro diplomático irrelevante, que cria problemas em vez de contribuir para soluções”, acrescentou. Um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel afirma que o país “expressa seu desapontamento com a decisão do governo do Brasil de chamar seu embaixador para consultas”.

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Matança em um centro da ONU em Gaza
Juan Gómez, El País

Nos corredores do colégio primário de Beit Hanoun, uma localidade ao norte de Gaza, só sobraram ovelhas, vidros quebrados e poças de sangue meia-hora depois que várias explosões mataram, ontem, 16 pessoas em suas instalações. Era uma das 100 escolas habilitadas pela ONU como refúgio para os mais de 100.000 palestinos evacuados pela intensa operação israelense contra Gaza.

Entre os mortos e os 200 feridos havia vários trabalhadores das Nações Unidas, crianças e mulheres, segundo informou em um comunicado o Secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon. A ONU decidiu esvaziar a escola pelos duros bombardeios israelenses por terra e ar nos últimos dias.

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Primeiro-ministro da Ucrânia renuncia
Estadão

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, entregou sua renúncia ao Parlamento, ontem, após repreender os políticos por não aprovarem leis sobre energia e orçamento para aumentar o financiamento do Exército. "Anuncio a minha renúncia em conexão com o colapso da coalizão e o bloqueio às iniciativas do governo", disse.

Dois partidos ucranianos anunciaram horas antes sua saída da coalizão majoritária no Parlamento para permitir que o presidente Petro Poroshenko convoque nova eleição e "livre" a Casa do que um político qualificou como "agentes de Moscou".


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Blog do Ilimar Franco

FH no centro do ringue

          A campanha pela reeleição da presidente Dilma vai apostar na comparação entre os 8 anos do governo Fernando Henrique e os 12 anos da gestão Lula-Dilma. A adoção desta linha foi revelada aos aliados na reunião do Alvorada. Mas a campanha de Aécio Neves (PSDB) não pretende esconder FH, como fizeram Serra e Alckmin. E deve reafirmar a política de privatizações e de concessões, visando fortalecer a iniciativa privada.

“O Fernando Henrique é uma referência para Aécio Neves. Ele é o modelo do que queremos fazer. Não vamos escondê-lo como em outras campanhas”

José Agripino
Senador (RN), presidente do DEM e coordenador da campanha de Aécio Neves

OAB: um dia depois do outro
A OAB do Rio participa dos protestos contra a prisão de 23 pessoas que, segundo investigação documentada da Polícia Civil, pretendiam promover atos violentos. E a Comissão Estadual da Verdade critica o vazamento de informações da Operação FireWall, que motivou a ação policial. Mas a postura da entidade e da Comissão mudam quando se trata do atentado contra a OAB do Rio, em agosto de 1980. As polícias Federal e Civil apanham até hoje por não terem, de fato, identificado os responsáveis por aquele ato violento, que resultou na morte da senhora Lyda Monteiro. A vida não é justa. A polícia é colocada no pelourinho quando age ou quando se omite.

O capital
Além da aproximação com os evangélicos, aliados da presidente Dilma sugeriram que ela melhore sua interlocução com os empresários, onde há muita resistência à sua candidatura.

Modelo uruguaio
Candidata do PSOL ao Planalto, Luciana Genro concluiu monografia de pós-graduação em Direito Penal sobre “O fracasso da Guerra às Drogas”. Nas conclusões, ela defende a “descriminalização das drogas, começando pela maconha, de menor potencial lesivo e com maior aceitação social”. A proposta consta de seu programa de governo.

Debaixo do tapete
Nem o PT nem o PSDB acreditam no potencial de Eduardo Campos (PSB) e muito menos na alavancagem de Marina Silva (Rede). A tática do momento é a de não hostilizar o socialista na expectativa de ter seu apoio no segundo turno.

Lula, o cabo eleitoral
Azarão na disputa pela vaga ao Senado do Rio, o presidente do PDT, Carlos Lupi, ficou esfuziante quando a presidente Dilma, voltando-se para seu vice, Michel Temer, disse: “O nosso candidato é o Lupi”. O trabalhista espera receber, esta semana, gravação do ex-presidente Lula que ele vai usar na abertura de seu programa eleitoral na TV.

Traduzindo o clima
O vice Michel Temer articula agenda de Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo paulista, com a presidente Dilma. Quanto a rejeição à Dilma, Temer diz que ela vem de eleitores que já votam no PSDB do governador Geraldo Alckmin.

A guerra regional
O TRE do Maranhão rejeitou pedido liminar do candidato ao governo Lobão Filho (PMDB) para impedir que seu adversário, Flávio Dino (PCdoB), use as imagens da presidente Dilma em seu comitê. O PMDB e o PCdoB apoiam a presidente.

A secretária-executiva da SAE Suzane Dieckmann nega conflito com o general G. Dias, que será nomeado para a Secretaria-Geral da Presidência.

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Crise econômica enterra reeleição de Dilma. Em 90 dias, CNI reduz previsão de crescimento do PIB de 1,8% para 1,0%. E o PIB industrial de 1,7% para (-)0,5%.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu sua projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2013 para 1%. A previsão anterior, divulgada em abril deste ano, era de crescimento de 1,8%. Já a projeção para o PIB da indústria neste ano é de retração, passando de 1,7%, para -0,5%.

A informação consta do “Informe Conjuntural Trimestral”, divulgado nesta quinta-feira pela entidade. “As causas da forte desaceleração da atividade industrial são várias e decorrem mais do ambiente doméstico que da economia mundial”, diz nota da instituição.

O cenário projetado pela CNI para 2013 considera uma queda do investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), de 2%, ante alta de 2,5% estimada na última divulgação. O consumo das famílias deve crescer outros 1,5%, de acordo com a CNI. No último informe conjuntural, a projeção era de 1,7%.

A entidade manteve a projeção de que a taxa básica de juros deve encerrar 2014 em 11%, atual patamar. Com isso, a CNI vê uma inflação acima do teto da meta em 2014. A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) agora é de 6,6%, ante 6,4% estimados anteriormente. Sobre a balança comercial do país, o Informe Conjuntural da CNI do segundo trimestre manteve a projeção de saldo positivo em US$ 1,5 bilhão.

A CNI também se mostrou pessimista quanto às contas públicas. Segundo a entidade, o setor público consolidado deve fechar o ano com superávit primário de 1,5% do PIB. O número projetado no último informe era 1,8% do PIB. (Valor Econômico)

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Tática agressiva

O governo tem motivos de sobra para comemorar a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de isentar o Conselho de Administração da Petrobras e, por conseguinte, a presidente Dilma Rousseff que, na qualidade de ministra-chefe do Gabinete Civil o presidia, da responsabilidade pelos prejuízos que denunciou na compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Agindo assim, o relator do TCU, ministro José Jorge, assumiu a versão da própria presidente, que admitiu que se tivesse todas as informações a seu dispor não autorizaria a compra, que se mostrou um negócio desastroso para a Petrobras.

O problema político criado pelo “sincericídio” da presidente Dilma, que desmontou a tese que vinha sendo defendida pela direção da Petrobras de que a compra fora um bom negócio, não encerra, porém, a questão, pois, por unanimidade, o TCU considerou os 11 integrantes da diretoria da estatal na ocasião da compra como culpados por um prejuízo de quase U$ 1 bilhão, que deverá ser devolvido aos cofres públicos por esses antigos servidores da estatal, entre eles o ex-presidente José Gabrielli e o ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso por lavagem de dinheiro e desvio de dinheiro público.

É claro que se a presidente Dilma fosse responsabilizada pelo prejuízo, sua candidatura à presidência da República seria afetada diretamente. Com a culpa sendo jogada para a diretoria da Petrobras, o escândalo continua do mesmo tamanho na gestão petista, o que afeta indiretamente sua campanha, mas, na avaliação do Palácio do Planalto, é uma crise mais fácil de ser manejada, ou pelo menos que não foi ampliada.

Aliás, a campanha da presidente Dilma está vivendo um momento em que a preocupação é estancar sua imagem negativa, com o objetivo de chegar a meados de agosto, quando começa a campanha eleitoral pelo rádio e televisão, a uma distância dos opositores que possa ser ampliada pela campanha propagandística, na tentativa de ganhar já no primeiro turno.

Estancar os sangramentos e, se possível, fazer os adversários sangrarem nesse período pré-televisão, é o objetivo estratégico deste momento específico da campanha de reeleição.

Esse período, aliás, é fundamental para repercutir as denúncias contra seus adversários, enquanto eles não são muito conhecidos pelos eleitores. Como na propaganda oficial ela terá três vezes mais tempo que o candidato mais próximo, o tucano Aécio Neves, mas a oposição terá espaço no rádio e televisão para se defender dos prováveis ataques, a artilharia petista está voltada para ampliar a repercussão de acusações como as do aeroporto de Cláudio, em Minas, através das redes sociais e dos blogs oficiais e oficiosos da campanha.

O pedido de investigação ao Procurador-Geral da República é uma maneira de fazer o caso repercutir nacionalmente, embora pareça apenas uma jogada publicitária, pois o Ministério Público de Minas Gerais já havia investigado o caso à pedido da oposição, e arquivou o processo por não existir irregularidades na desapropriação do terreno para ampliação do aeroporto que já existia.

Como estratégia de campanha, essa tentativa de encurralar os adversários para retirar o foco da fragilidade do governo parece ser o caminho escolhido pelos governistas, depois do embate entre o grupo do ex-ministro Franklin Martins e o marqueteiro João Santana, que defende uma atuação menos agressiva.

Os fatos, no entanto, fizeram com que o papel das mídias sociais e dos blogs, comandados por Franklin, ganhasse relevo na divulgação de denúncias, e este parece será o tom da campanha, pelo menos enquanto a propaganda oficial não chega.


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Blog do Noblat

Cinco motivos pelos quais o TCU livrou Dilma no caso de Pasadena
Gabriel Garcia

O ministro do Tribunal de Contas da União José Jorge apresentou ontem o seu relatório, que foi aprovado por unanimidade, sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006, pela Petrobras. Diferente do que o ministro vinha prometendo, ele livrou a presidente Dilma Rousseff e os demais integrantes do Conselho de Administração da Petrobras em 2006, ano da compra da primeira metade da refinaria, da responsabilidade pelos prejuízos e irregularidades relacionados ao negócio. A Petrobras gastou um total de US$ 1,3 bilhão por Pasadena, comprada pela empresa belga Astra Oil, em 2005, por US$ 42,5 milhões. Abaixo, cinco razões pelas quais o ministro livrou Dilma:

José Jorge era ministro de Minas e Energia

Ministro de Minas e Energia no governo Fernando Henrique Cardozo, José Jorge vinha sendo acusado de ser suspeito por senadores do PT. Foi pressionado, inclusive, a se afastar do caso. Antes, havia conversado com políticos da oposição e falado que tinha prova para responsabilizar Dilma. Acabou recuando. Avaliou que haveria um desgaste desnecessário.

Avaliações divergentes no TCU

Foram apresentados dois pareceres divergentes pela área técnica do Tribunal de Contas da União. Um incluía Dilma entre os responsáveis. O outro a isentava de culpa. O documento que livrava Dilma dizia que se tratava de um negócio de alto risco, mas inerente à atividade da Petrobras. Portanto, seria um risco natural. Isso reforça o discurso do governo de que o negócio mostrava-se viável naquela época.

Condenação de todo o Conselho de Administração da Petrobras

A avaliação, tanto no governo quanto na oposição, era que José Jorge teria que responsabilizar todo o Conselho de Administração da Petrobras, não apenas Dilma. Caso contrário, passaria a sensação de que atua de acordo com interesses políticos.

Convocação no Congresso

Controlada pelo governo, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), exclusiva do Senado, convidou o ministro para falar sobre a compra da refinaria. Queria declará-lo suspeito caso se posicionasse sobre a aquisição. Com base em um parecer do Tribunal de Contas da União, José Jorge recusou participar de audiência na CPI. Insatisfeito, o relator da comissão de inquérito, o senador petista José Pimentel (CE), pediu que o caso fosse analisado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Os petistas fizeram chegar ao ouvido do ministro que o requerimento estava aguardando apenas o seu relatório a respeito de Pasadena. Se Dilma fosse responsabilizada, os governistas transformariam o convite em convocação. Assim, ele seria obrigado a comparecer.

Bode expiatório

Para explicar o motivo pelo qual a presidente Dilma, à época presidente do Conselho de Administração da Petrobras, foi inocentada pelo ministro, ele acabou escolhendo alguns nomes já previsíveis para esclarecer o caso. O parecer responsabiliza integrantes da antiga diretoria executiva da Petrobras pelo prejuízo de US$ 792 milhões, como o ex-presidente José Sérgio Gabrielli e os ex-diretores Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa - este último já preso pela Polícia Federal. Ainda no relatório, José Jorge pediu o bloqueio dos bens de Gabrielli, Cerveró e Costa.


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Blog do Coronel

Campos vira testemunha do ex-diretor da Petrobras preso na operação Lava-Jato.

A Justiça federal aceitou pedido da defesa do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e autorizou que o presidenciável Eduardo Campos (PSB) e o ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra - que concorre ao Senado pelo PSB pernambucano - prestem depoimento na condição de testemunhas, com objetivo de esclarecer os motivos que levaram ao aumento do valor da obra da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Eles deverão ser ouvidos no âmbito do processo criminal decorrente da operação Lava-Jato, ação deflagrada pela Polícia Federal (PF) em março deste ano, que identificou e estancou esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas com vista à obtenção de contratos milionários em órgãos do governo federal. Mais de R$ 10 bilhões foram movimentados, segundo a investigação.

A decisão é do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal do Paraná, que lembrou a dificuldade de ouvir ambos em período de campanha eleitoral.

Moro também ressaltou que o processo da Lava-Jato não apura superfaturamento na Abreu e Lima: "Mas sim a suposta lavagem de dinheiro no fluxo de numerário da Petrobras até os depósitos na empresa MO Consultoria, conforme descrição na denúncia." Segundo a investigação da PF, a MO Consultoria seria uma fachada para negócios ilegais do doleiro Alberto Youssef, preso desde o início da investigação. (Valor)

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No Rio, Dilma ignora o PT e janta com o PMDB

Dilma Rousseff viaja ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira. Ao longo da tarde, cumprirá compromissos de presidente. À noite, já na pele de candidata, jantará com o governador Luiz Fernando Pezão e prefeitos do PMDB, entre eles Eduardo Paes, da capital.

A presidente tenta se contrapor ao chamado ‘Aezão’, movimento que une as campanhas de Pezão ao governo estadual e do tucano Aécio Neves à presidência da República. Para desassossego do petismo local, a agenda de Dilma ignora o senador Lindberg Farias, candidato a governador pelo PT. Menospreza também os candidatos de outras duas legendas aliadas: Anthony Garotinho, do PR; e Marcelo Crivella, do PRB.

Às 14h30, Dilma vai a um estaleiro de Angra dos Reis, o Brasfels. Ali, vistoriará as obras de construção de uma plataforma e de sondas que serão usadas para sugar o óleo do pré-sal. Às 16h30, no bairro carioca da Tijuca, visitará as obras da Vila Olímpica dos Jogos de 2016. O repasto com a turma do PMDB está marcado para as 19h30, na Baixada Fluminense . Dilma mal terá tempo de engolir a comida. Pelo plano de voo original, o avião presidencial decola rumo a Brasília às 20h50.

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TSE: ministro suspende comercial da Petrobras

A pedido da coligação partidária do presidenciável tucano Aécio Neves, o ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, do TSE, suspendeu a veiculação de comercial em que a Petrobras anuncia o lançamento de uma nova gasolina. A decisão tem caráter liminar (provisório) e vale até que o plenário do Tribunal Superior Eleitoral julgue o caso. Esta foi a terceira propaganda da estatal petroleira retirada do ar desde o início da campanha eleitoral.

A divulgação de publicidade institucional é proibida nos três meses que antecedem a eleição. A Lei Eleitoral abre exceções apenas para dois casos: propagandas de produtos e serviços com concorrência no mercado e necessidade urgente de esclarecimento público —campanhas de vacinação e de combate a epidemias, por exemplo, desde que autorizadas pela Justiça Eleitoral.

O comercial questionado pela coligação de Aécio dizia: “A Petrobras conhece o brasileiro como ninguém. Por isso, só a gente poderia fazer uma gasolina sob medida para o seu carro e para você. Vem aí a gasolina com nome e sobrenome.'' O ministro Tarcísio Vieira acolheu o argumento segundo a propaganda, por genérica, não se encaixa nas exceções previstas em lei.

“A peça publicitária em discussão faz referência demasiadamente genérica a uma futura gasolina, sem indicação precisa se um produto com efetiva concorrência no mercado, autorizando a conclusão, ainda que superficial, que é própria dos provimentos cautelares, sobre não haver abrigo para a sua divulgação'', anotou o relator em sua decisão.

Noutro despacho, o mesmo ministro Tarcísio Vieria indeferiu petição da coligação encabeçada pelo PSDB contra Dilma Rousseff. O comitê de Aécio alegara que a presidente fizera campanha eleitoral antecipada num discurso de 2 de julho, na cidade de Vitória (ES), durante solenidade de entrega de chaves do programa Minha Casa Minha Vida.

No pronunciamento, Dilma prometera dar continuidade a programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Pronatec, além de obras rodoviárias e da construção de novos aeroportos e universidades. O ministro considerou que a presidente “não ultrapassou as balizas da prestação de contas de ato de governo, não caracterizando, pois, propaganda eleitoral antecipada.''

Tarcísio Vieira acrescentou: “A meu sentir, a fala não condiz com propaganda eleitoral antecipada, mas sim com o cumprimento do dever constitucional de publicidade, de ministras, inclusive, informações propiciatórias a um controle social mais eficaz.''

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Lula ensina “paulistanês” para Dilma!


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Campanha de Dilma tenta conciliar seus quatro palanques no Rio
O Globo

A coordenação da campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição está pisando em ovos no Rio para administrar seus quatro palanques no estado e evitar que uma aparente vantagem - o amplo leque de apoios - se torne um problema. Depois de participar de jantar com prefeitos organizado pelo governador Luiz Fernando Pezão, candidato à reeleição, Dilma deve voltar ao Rio na próxima semana para fazer atividade de campanha com o candidato do PR a governador, deputado Anthony Garotinho.

Na tentativa de minimizar a insatisfação com a participação de Dilma em um ato político organizado por Pezão, seus concorrentes Garotinho, Marcelo Crivella (PRB) e Lindbergh Farias (PT) foram avisados com antecedência, pela coordenação nacional da campanha presidencial, do evento.

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Justiça intima Eduardo Campos a depor sobre Refinaria Abreu e Lima
Germano Oliveira e Sérgio Roxo, O Globo

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal do Paraná, aceitou pedido da defesa do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e intimou ontem o ex-governador Eduardo Campos, candidato do PSB a presidente da República, e o ex-ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra.

Costa quer que Campos e Bezerra deponham na Justiça Federal para falar no processo em que é acusado de desviar recursos das obras da Refinaria Abreu e Lima, que está em construção no Pernambuco, estado que Campos governou até o início deste ano.

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Obra em terreno de tio-avô de Aécio já foi alvo do MP
Marcelo Portela, Estadão

O aeroporto da fazenda que pertenceu ao ex-prefeito Múcio Guimarães Tolentino, tio-avô do senador e presidenciável Aécio Neves, já era alvo do Ministério Público muito antes de o tucano destinar R$ 13,9 milhões do governo mineiro para construir ali uma pista de asfalto.

Múcio é réu em ação de reparação de danos ao erário por ter usado verba pública, também do governo mineiro, para abrir uma pista de terra batida no local em 1983. A partir daquele ano o então governador, Tancredo Neves, avô de Aécio, fez repasses para a prefeitura de Cláudio, então dirigida por Múcio, seu cunhado.

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O novo capítulo do prende e solta de manifestantes no Rio
Pedro Marcondes de Moura, El País

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu, ontem, a prisão preventiva de 23 ativistas. Eles respondem, entre outros crimes, por formação de quadrilha e envolvimento em atos de vandalismo durante as manifestações na capital do Estado. Cinco deles se encontram presos.

O habeas corpus foi concedido pelo desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal da Justiça. Para o magistrado, não existem provas que justifiquem a manutenção do pedido de prisão dos ativistas. "Cabe considerar que a prisão cautelar é medida excepcional e deve ser decretada apenas quando devidamente amparada pelos requisitos legais, em observância ao princípio constitucional da presunção de inocência consagrado", decidiu.

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IDH do Brasil sobe, mas evolui em ritmo cada vez menor
Gabriel Castro, Veja

O Brasil subiu uma posição no novo ranking do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas. O país continua evoluindo, mas num ritmo cada vez menor. O índice, que vai de 0 a 1, foi de 0,744 em 2013. Quando aplicada a mesma metodologia aos números do relatório anterior, o IDH do Brasil em 2012 ficou em 0,742. Por esse cálculo, o Brasil passou do 80º para o 79º lugar, atrás de países como Ilhas Maurício, Cazaquistão e Líbia.

A Noruega se manteve no primeiro lugar da lista, com um IDH de 0,944. Em seguida, aparecem Austrália, Suíça, Holanda, Estados Unidos, Alemanha, Nova Zelândia, Canadá, Singapura e Dinamarca. No lado oposto da tabela, a 187ª e última colocação ficou com o Niger. Os dezoito últimos colocados são africanos.

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TCU culpa diretoria da Petrobras por prejuízo com Pasadena
Laryssa Borges, Veja

Por unanimidade, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou ontem a indisponibilidade de bens de ex-diretores da Petrobras que participaram do processo de compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Em sessão plenária, os ministros chegaram à conclusão de que a Petrobras teve prejuízo de 792 milhões de dólares na operação de compra da refinaria nos Estados Unidos.

Ao analisar o caso, os ministros determinaram que o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli, os ex-diretores da Área Internacional, Nestor Cerveró, e de Refino e Abastecimento, Paulo Roberto Costa, tenham os bens indisponibilizados para futura reparação aos cofres públicos, mas isentou de responsabilidades a presidente Dilma Rousseff e os demais integrantes do Conselho de Administração da empresa na época do negócio.

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Casal Kirchner enriqueceu com ‘método abutre' nos anos 70 e 80
Ariel Palacios, Estadão

Há poucas semanas, em pleno conflito judiciário, a presidente Cristina Kirchner criticou os holdouts (fundos de investimentos que não participaram das renegociações de dívida) por tentarem conseguir elevados lucros com os títulos da dívida pública argentina que anos atrás haviam comprado a baixo preço, quando estavam desvalorizados pelo calote de 2001.

“Eles querem lucro de 1.600%!”, exclamou a presidente na ocasião. Visivelmente irritada, criticou a ofensiva que os holdouts fazem nos tribunais em Nova York para conseguir o embargo de bens do Estado argentino nos EUA ou o pagamento da totalidade da dívida. “Abutres” é a denominação que o governo da presidente Cristina aplica aos holdouts, aos quais acusa de conspirar contra a Argentina.

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Médico que lidera luta contra o ebola em Serra Leoa contrai o vírus
BBC Brasil

O médico que liderava a luta contra o ebola em Serra Leoa foi infectado pelo vírus da doença e está internado em um hospital na cidade de Kailahun, epicentro do surto. Segundo uma declaração da presidência do país, o virologista de 39 anos Sheik Umar Khan foi transferido para uma enfermaria especial da organização não governamental Médicos Sem Fronteiras.

Khan já teria tratado mais de cem vítimas da doença no país. A presidência de Serra Leoa informou que a ministra da Saúde, Miatta Kargbo, chorou quando ficou sabendo da notícia.

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Luto nacional na Holanda com a chegada das vítimas do MH17
Isabel Ferrer e La Haya, El País

Minutos antes de que os dois aviões militares, um Hércules holandês e um C17 australiano, que transportavam os primeiros 40 cadáveres dos passageiros do voo MH17 aterrissassem no aeroporto holandês de Eindhoven, os sinos da torre do Dom da catedral de Utrecht, a mais alta do país, soaram em sua homenagem.

Uma vez em terra, e em presença dos familiares, os Reis Guilherme e Máxima, representantes do governo e o príncipe Laurent da Bélgica, entre outros, fizeram um minuto de silêncio. Na Holanda, não se declarava um dia de luto nacional desde 1962. Naquela ocasião, o motivo foi o enterro da Rainha Guillermina, bisavó do atual monarca.

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Estados Unidos reforçam ações na busca de um cessar-fogo em Gaza
Carmen Rengel, El País

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, constatou que estão sendo dados “alguns passos” para avançar até um cessar-fogo entre Israel e o Hamas. No entanto, para evitar qualquer excesso de otimismo, reafirmou que resta “muito trabalho por fazer” para que terminem as hostilidades.

Essa foi sua conclusão depois de se reunir em Ramala com o presidente palestino, Mahmud Abbas, e com o Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Jerusalém. Kerry defendeu que o acordo proposto pelo Egito é a melhor opção para pôr fim à sangrenta operação sobre Gaza.

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Pasadena – Lula tentou interferir em julgamento do TCU. Até vaga no STF foi usada para pressionar ministros a aprovar operação; deu errado! US$ 792 milhões de prejuízo é apenas parte da herança maldita do PT na Petrobras

O julgamento do TCU sobre a compra da refinaria de Pasadena entrará para a história como um emblema da ação do PT na gestão ruinosa da Petrobras. Destaco mais uma vez: tratou-se da investigação de uma única operação numa única empresa. Prejuízo: US$ 792 milhões. Imaginem quando o país tiver condições de fazer a devida contabilidade do tamanho do estrago… Ainda chegará a vez de analisar a refinaria de Abreu e Lima, por exemplo.

E olhem que esse relatório do TCU foi negociado, com muitas idas e vindas. Há versões bem mais severas.  Mas já se falou bastante a respeito. O meu ponto agora é outro. Luiz Inácio Lula da Silva, ele mesmo!, tentou pessoalmente interferir no resultado do julgamento do TCU.

Chamou para uma conversa em São Paulo, no que foi atendido, o ministro Múcio Monteiro, que foi titular das Relações Institucionais em seu governo e está hoje no TCU. O chefão petista queria que o seu interlocutor fosse o portador de mensagem sobre a necessidade de não se condenar ninguém. Ele sabe o que disse a Múcio, e Múcio sabe a conversa que manteve com os seus pares de tribunal. Lula, no entanto, não logrou o seu intento.

Na tentativa de impedir a condenação da operação, acreditem!, até mesmo uma vaga no Supremo Tribunal Federal — vocês leram direito! — passou a circular como moeda de troca. O contemplado seria justamente alguém do TCU. Tivesse se realizado o negócio, creio que a nomeação entraria para o livro de recordes como a mais cara cadeira jamais entregue a um ministro de corte superior no Ocidente. Em reais: teria custado  R$ 1.758.240.000,00.

E esse foi apenas parte do jogo pesado. José Jorge, relator do caso no tribunal, passou a ser ameaçado de forma nada velada com uma avalanche de denúncias envolvendo o seu nome caso insistisse na condenação da operação. Resistiu. Os companheiros não brincam em serviço. Nunca! Também não aprendem nada nem esquecem nada.

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Ação do governo Dilma contra Israel: só antiamericanismo ou também antissemitismo?

Eu sempre espero as piores coisas do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. E não foi diferente desta vez. O Itamaraty, sob o comando do ministro Luiz Alberto Figueiredo, emitiu uma das notas mais intelectualmente delinquentes da sua história — no caso, sobre o conflito israelo-palestino. Eu a reproduzo em vermelho e comento em seguida.

O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.

O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes.

Diante da gravidade da situação, o Governo brasileiro votou favoravelmente a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje.

Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel Aviv foi chamado a Brasília para consultas.

Retomo
Em linguagem diplomática, “chamar um embaixador para consultas” implica uma espécie de agravo ao país no qual está a representação brasileira. Com isso, o Brasil envia uma mensagem desnecessariamente hostil a Israel.

Observem que o texto defende um cessar-fogo entre as partes, mas se refere apenas à reação israelense, considerada “desproporcional”, sem nem mesmo uma menção aos foguetes disparados pelo Hamas. Há até uma questão de lógica: para um cessar-fogo, é preciso que haja… troca de fogo! Tem-se a impressão de que Israel não é o estado originalmente agredido.

A votação no Conselho de Direitos Humanos na ONU, que, mais uma vez, joga a responsabilidade exclusivamente nas costas de Israel, é uma farsa. É um acinte que a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, fale em possíveis “crimes de guerra” de Israel sem mencionar o fato de o Hamas recorrer a escudos humanos.

É um escárnio que o governo brasileiro seja mais duro com Israel do que, por exemplo, com o carniceiro Bashar Al Assad, da Síria. Só para arrematar: em 2006, na gestão Lula, com Celso Amorim à frente do Itamaraty, o Brasil se absteve de uma resolução condenando o governo do ditador Omar al-Bashir, do Sudão, pelo massacre de pelos menos 500 mil cristãos em Darfur.

Para o governo petista, Assad e Bashir são caras batutas. Quem merece condenação é o estado de Israel, que já recebeu uns 2 mil foguetes do Hamas em 15 dias.

O histórico da hostilidade dos governos petistas com Israel está relacionado, num primeiro momento, ao antiamericanismo bronco dos companheiros: se os EUA apoiam os israelenses, então os nossos brucutus vermelhos vão se opor. No caso, no entanto, a omissão aos ataques do Hamas é tão acintosa que cabe indagar se não há em nota tão delinquente um componente antissemita.


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Blog do Augusto Nunes

Um Ciro reformado às pressas socorre a candidata atropelada por um Ciro-2013



Durante a entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, exibida  em 2 de setembro do ano passado pela RedeTV!, o ex-governador cearense Ciro Gomes precisou de menos de um minuto para demonstrar que é muito mais perigoso como aliado do que como adversário. A vítima da vez foi Dilma Rousseff, atropelada por um Ciro-2013 desembestado.

“A oposição vai chegar na época da reeleição e dizer o seguinte: ‘Presidenta, a senhora entregou o quê?’”, avisa o entrevistado. Em seguida, previne, os adversários lembrarão a Dilma algumas das muitas façanhas consumadas “em apenas cinco aninhos” por Juscelino Kubitschek e insistirão na cobrança desmoralizante: “A senhora em quatro entregou o quê?”

E o que o senhor acha que ela vai entregar?, quer saber o entrevistador. “Eu mesmo que sou aliado não sei”, engata uma quinta o Ciro-2013, que vai tirando do porta-malas parte da pilha de obras paralisadas, atrasadas, esquecidas, incompletas ou agonizantes. E por que isso acontece?, quer agora saber o entrevistador. “Porque não tem gestão, meu patrão!”, vai em frente o Ciro-2013.

Nesta terça-feira, um Ciro reformado às pressas irrompeu na contramão para socorrer a aliada que atropelou. “Dilma é a única preparada para governar o Brasil”, mudou de rumo o impetuoso parceiro no momento acampado num certo PROS. Nenhum oposicionista deve perder tempo com o declarante. Deve apenas mostrar o vídeo no horário eleitoral.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Pesquisa Ibope: números estão no patamar dos do Datafolha; só os do 2º turno de Aécio e Campos não batem. Quem errou ou não deu sorte?

Há tantas pesquisas eleitorais nos Estados Unidos que sites especializados costumam tirar uma média entre elas para orientar os leitores. No Brasil, o procedimento seria impossível, tantas são as discrepâncias. A TV Globo acaba de levar ao ar os números da mais recente pesquisa Ibope/Rede Globo. Há quatro dias, o Datafolha divulgou os seus números. Vamos ver.

O Ibope traz a avaliação do governo Dilma: para 31%, ele é ótimo ou bom; para 33%, é ruim ou péssimo. Consideram-no regular 36%. São números praticamente coincidentes com os do Datafolha, a saber: ruim/péssimo (29%), ótimo/bom (32%) e regular (38%). São, sim, institutos diferentes. Considerando, no entanto, as respectivas margens de erro, os dois institutos acham a mesma coisa.

É o que também acontece no primeiro turno. Eis os números de agora do Ibope:
Dilma Rousseff (PT) – 38%
Aécio Neves (PSDB) – 22%
Eduardo Campos (PSB) – 8%
Pastor Everaldo (PSC) – 3%
Brancos e nulos – 16%
Não sabem – 9%
Outros candidatos – 3%

Que números encontrou o Datafolha no caso dos quatro primeiros? Estes:
Dilma – 36%
Aécio – 20%
Eduardo Campos – 8%
Pastor Everaldo – 3%

Observaram? Praticamente tudo coincide até agora, dentro da margem de erro. Quando se chega, no entanto, ao segundo turno, aí as variações são consideráveis.
Ibope
Dilma – 41%
Aécio – 33%
Comparem com o Datafolha:
Dilma – 44%
Aécio – 40%

Ou por outra: no Ibope, Dilma pode ter entre 39% e 43%; no Datafolha, entre 42% e 46%. Logo, os dois institutos chegam mais ou menos ao mesmo lugar. No que diz respeito a Aécio, no entanto, a divergência é grande: no primeiro instituto, ele teria entre 31% e 35%; no outro, entre 38% e 42%. A diferença é grande.

O mesmo se dá com Campos. No Datafolha, ele aparece no segundo turno com 38% (entre 36% e 40%); no Ibope, com apenas 29% (entre 27% e 31%): a diferença é ainda mais gritante. A petista conserva os mesmos 41%.

Coisas diferentes
“Ah, você está comparando pesquisas diferentes!” Errado! Eu não estou especulando sobre a evolução dos candidatos a partir de levantamentos distintos. Estou apenas considerando que os dois institutos falam num intervalo de confiança de suas respectivas pesquisas de 95%. Segundo eles, se a pesquisa fosse repetida 100 vezes, em 95 delas, os números estariam dentro da margem de erro.

Sendo assim, convenham, estamos diante de uma de três alternativas: a) muita coisa mudou em quatro dias; b) um dos dois institutos está errado; c) um dos dois institutos não deu sorte e incidiu em uma — das apenas cinco em 100!!! — chances de colher um resultado diferente.

E não! Não há falha no meu raciocínio. E que se note outra diferença importante: o Ibope ouviu 2002 pessoas; o Datafolha, 5.337.

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Sou mais cobrado por um ano e meio do que o governo do Estado por 20
Carla Jiménez e Talita Bedinelli, El País

Um ano e seis meses após ter tomado posse, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afilhado político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfrenta o pior momento de sua popularidade. Em um mês, a insatisfação ao seu governo foi de 36% para 47%. Entre os jovens, parcela da população que foi às ruas em junho contra a alta da tarifa, sua aceitação caiu 35 pontos percentuais de antes dos atos para o mês passado, embora tenha voltado a crescer neste mês.

Sua baixa aceitação acendeu um alerta no PT, que em outubro quer emplacar Alexandre Padilha como governador do Estado e quebrar os 20 anos do comando do PSDB. O partido de Dilma Rousseff nunca teve boa aceitação no principal Estado do país, visto como bastião da elite conservadora, refratária à imagem do sindicalismo de Lula.

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Serra diz que campanha de Aécio está apenas no aquecimento
Juliana Castro, O Globo

Candidato ao Senado por São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) disse ontem que não é possível ainda fazer uma avaliação do andamento do presidenciável tucano, Aécio Neves, porque a campanha está no aquecimento. Serra lançou no Rio seu livro "Cinquenta anos esta noite", em que fala sobre as origens e os desdobramentos do golpe militar de 1964.

"Ainda não dá para avaliar (como está a campanha de Aécio). Campanha eleitoral a gente vai avaliar depois que começar o horário eleitoral. Por enquanto, é só aquecimento", disse.

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Dilma reúne presidentes de partidos aliados para discutir campanha
Fernanda Krakovics e Simone Iglesias, O Globo

A presidente Dilma Rousseff realizou ontem a primeira reunião ampliada da campanha à reeleição, com os presidentes dos nove partidos da coligação. O vice-presidente da República e do PMDB, Michel Temer, afirmou que esses encontros serão semanais para discutir agenda e estratégia de campanha.

Segundo Temer, o clima da reunião, no Palácio da Alvorada, foi de “otimismo”. "A reunião foi marcada por profundo otimismo. Embora tenhamos um grande tempo de televisão (no horário eleitoral gratuito), não será suficiente para mostrar o que fizemos (no governo)", disse Temer, na saída da reunião, que durou cerca de três horas.

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A Argentina está a uma semana do calote
Francisco Peregil, El País

O Governo da Argentina pediu tempo para pagar os chamados fundos “holdouts” ou “abutres”. E o juiz norte-americano Thomas Griesa, que há vários anos trata do caso dos fundos, negou nesta terça-feira uma moratória ou suspensão da sua sentença. A Argentina deveria ter pago, em 30 de junho, 539 milhões de dólares (1,2 bilhão de reais) a vários credores que aceitaram a quitação da dívida que havia ficado sem pagamento após a crise de 2001.

O montante foi enviado pelo Governo argentino ao Bank of New York Mellon (BoNY) no mês passado. Mas o juiz Griesa ordenou que não seja creditado enquanto não for paga a soma de 1,3 bilhão de dólares (2,8 bilhão de reais) mais juros a três fundos abutres. O prazo expirou em 30 de junho, mas a lei prevê um período de carência de um mês, até 31 de julho, para pagar os 539 milhões e regularizar a situação com os “abutres”.

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Governo admite PIB menor e inflação mais alta em 2014
Veja

O governo reduziu de 2,5% para 1,8% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, segundo o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. No documento, elaborado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, o governo elevou para 6,2% a projeção de alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, frente aos 5,6% estimados anteriormente — aproximando-se do teto da meta, que é de 6,5%.

Trata-se da primeira vez no ano que o governo reduz a projeção de crescimento. Porém, trata-se da terceira alta nas estimativas de inflação. No primeiro relatório de 2014, a previsão era de IPCA a 5,3% no ano.

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Alemanha e França aceitam estudar sanções mais duras à Rússia
Márcia Bizzotto, BBC Brasil

Alemanha e França aceitaram ontem a possibilidade de impor sanções econômicas que afetem os setores financeiro, energético e de defesa da Rússia caso o país não coopere com as investigações sobre a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, no leste da Ucrânia.

Reunidos em Bruxelas, os chanceleres dos 28 países da União Europeia pediram ao órgão Executivo do bloco (Comissão Europeia) que elabore uma lista de medidas para ser analisada pelo comitê de representantes permanentes (Coreper), na próxima quinta-feira.

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Equador prende médico que criticou presidente Correa
O Globo

Um médico do Equador foi preso ontem após ser condenado a seis meses de prisão por difamar o presidente Rafael Correa, a quem acusou de crimes contra a humanidade, informaram autoridades equatorianas. A decisão reforça críticas de organizações de direitos humanos que afirmam que o judiciário do país perdeu sua independência.

Carlos Figueroa fez a acusação em relação a uma crise vivida por Correa em 2010. Na época, o presidente ficou cercado dentro de um hospital por policiais que faziam uma greve contra uma nova lei. Correa autorizou o uso da força militar para sair do prédio e Figueroa afirmou que o presidente havia cometido crimes contra a Humanidade na ação.

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Companhias dos Estados Unidos e Europa suspendem voos para Israel
O Globo

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu teve negado o pedido que fez ao secretário de Estado americano, John Kerry, para que ele interviesse na agência de aviação dos EUA e derrubasse o veto aos voos para Israel. Kerry disse que o objetivo da suspensão dos voos é "proteger a vida de civis".

As companhias aéreas americanas, europeias, do Canadá e da Suíça suspenderam voos para o Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, diante do acirramento do conflito entre Israel e o Hamas. A agência europeia recomenda "fortemente" que seus passageiros evitem Israel.


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Blog do Ilimar Franco

Calibrar o discurso

          As recentes declarações de Aécio Neves sobre o Mais Médicos não agradaram integrantes de sua campanha. Eles dizem que o tucano devia “colocar melhor sua posição”. Temem que o PT cole a imagem de que ele é contra o programa. Aliados defendem que Aécio não se envolva no embate corporativo. Explicam que para o eleitor o que importa é ter médico e não de onde ele é (Cuba) ou quanto ganha.

A tática do medo
A intervenção da presidente Dilma, contestando Aécio Neves em relação ao Mais Médicos, revela que a campanha petista vai, mais uma vez, apostar na desconfiança dos eleitores mais pobres (e que são a maioria) com os tucanos. A presidente já havia marcado em cima discurso de Aécio prometendo que tomaria medidas duras se vencer a eleição. O PT vai semear a desconfiança, enquanto o PSDB terá como tarefa conquistar a população. Diante do fato de que os eleitores costumam ser conservadores nas urnas, cientistas políticos ligados aos tucanos avaliam que, para capitalizar o desejo de mudança, é preciso encorajar e dar segurança aos votantes.

“Há muito o PMDB tem sido o fiel guardião da democracia e da governabilidade de todos os últimos governos do regime democrático”

Valdir Raupp
Presidente do PMDB e Senador (RO), sobre o apoio aos presidentes Fernando Henrique (PSDB), Lula (PT) e Dilma (PT)

Recall
Há uma grande dúvida nos meios políticos sobre a presença do ex-presidente Fernando Henrique na campanha tucana pela TV. Ela será definida pelas pesquisas. Elas vão mostrar se prevalece na memória o FH do Real ou o FH do apagão.

Ator principal
Sobre o protagonismo do ex-presidente Lula no programa de TV da campanha da presidente Dilma um dirigente petista afirma: “O Lula terá uma presença forte. Mas ele é muito maior do que um âncora (apresentador)”. O petista garante que não há divisão na coordenação entre lulistas e dilmistas. E que a TV da Dilma está em processo de criação.

Correu para o abraço
Os tucanos comemoram a visita do governador Geraldo Alckmin (SP), sábado na capital, ao Centro de Tradição Nordestina. Ele demorou 30 minutos para chegar ao palco, tal a quantidade daqueles que queriam tirar fotos ao seu lado.

Constrangimento
Não são só os candidatos à Câmara dos Deputados Jean Willys e pastor Jefferson Barros que farão campanha sem se falar no PSOL do Rio. Os candidatos à Assembleia Marcelo Freixo e Janira Rocha não se falam desde que a deputada foi acusada de cobrar colaboração de parte dos salários dos funcionários de seu gabinete.

A leitura
O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e sua equipe, ficaram muito animados com o recente Datafolha. Destacam que as intenções de voto nele triplicaram, em relação a anterior e que ele lidera na pesquisa espontânea.

Novos ares
A Copa do Mundo mudou o ranking dos destinos turísticos no Brasil. Manaus (AM) e Fortaleza (CE), que foram cidades sede, entraram na lista das dez cidades mais visitadas. João Pessoa (PB), que fica no caminho entre duas cidades sede (Natal e Recife), entrou no top 20.

O ministro Celso Amorim vai hoje ao aniversário da Força de Submarinos de Niterói. A construção de 5 submarinos nucleares é prioridade da Defesa.


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Blog do Coronel

Pesquisa Datafolha mostra que presidência da Dilma é menos confiável que os bancos e os sindicatos.

Pesquisa Datafolha encomendada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e divulgada nesta segunda-feira (21) aponta que as Forças Armadas são a instituição com maior nível de confiança dos brasileiros. Os partidos políticos são os menos confiáveis, de acordo com levantamento. O estudo ouviu 2.126 pessoas, em 134 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 6 e 10 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A OAB encomenda a pesquisa anualmente há mais de dez anos.

Após as Forças Armadas, a Polícia Federal e a OAB foram as instituições com melhor avaliação por parte dos entrevistados. Dentre as insatisfações do brasileiro, a saúde figura em primeiro lugar, para 38% dos entrevistados. O número é maior que em comparação a 2003, quando somente 6% dos entrevistados se declaravam insatisfeitos com o setor.

A questão da violência pública vem em seguida para 15% dos entrevistados. A corrupção aparece como a terceira maior causa de incômodo, para 14% das pessoas ouvidas pelo Datafolha. Na educação, o descontentamento pulou de 4% em 2003 para 10% na pesquisa atual.

Instituições mais confiáveis

1º Forças Armadas
2° Polícia Federal
3º Ordem dos Advogados do Brasil
4º Igreja Católica
5º Poder Judiciário
6º Imprensa e Ministério Público
7º Sindicatos dos trabalhadores
8º Bancos e financeiras
9º Empresas estatais
10º Presidência da República
11º Igreja Universal do Reino de Deus
12º Congresso Nacional
13º Partidos políticos

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Aliado de primeira hora da Dilma prenuncia, de forma técnica, a derrota da petista.

Saulo Queiroz, ex-PFL e atual PSD, é o artífice do apoio de primeira hora do partido do Kassab a Dilma Rousseff. Ele prenuncia em artigo para o Estadão a derrota inexorável da "presidenta" nas eleições de outubro. Vale a pena ler.

De mal a pior

A última pesquisa Datafolha mostrou a extensão de uma doença que avança pelo País: a rejeição ao PT e a Dilma. Como são duas entidades diferentes, não é fácil saber qual é depositária do percentual mais forte, mas há indícios de que a rejeição ao PT é de controle mais difícil.

Outro aspecto que fica claro é sua susceptibilidade ao contágio, que aumenta com maior velocidade nos grandes conglomerados urbanos, mas avança também, mais lentamente, nas pequenas cidades e até em espaços que pareciam imunes, como o Nordeste, onde a rejeição a Dilma alcançou incríveis 23%.

Para se ter uma ideia do que isso significa vale lembrar que na eleição presidencial passada, em pesquisa Datafolha de 23.07.2010, a rejeição a Dilma em todo o País era de 19%. Nesta última pesquisa já alcança 35%, quase o dobro de igual período em 2010.

Para uma identificação mais precisa do depositário da maior taxa de rejeição, se o PT ou Dilma, é preciso uma rápida caminhada pelo País, começando pelo Sul. O PT tem candidato nos três Estados, mas apenas no Rio Grande do Sul seu candidato está em segundo lugar nas pesquisas.

No Paraná e Santa Catarina estão em terceiro. No Sudeste, o desempenho é pífio em São Paulo com Alexandre Padilha, sofrível no Rio de Janeiro, com Lindhberg Farias ,em quarto lugar, e sem expressão no Espírito Santo.

Apenas em Minas Gerais, com Fernando Pimentel, apresenta um desempenho satisfatório, mas a lógica é que ele não resistirá a máquina de moer carne que o espera, com Aécio Neves crescendo nas pesquisas para Presidente, um candidato ao governo, Pimenta da Veiga, de boa história, e um ao Senado, com a qualidade e aprovação de Antonio Anastasia, o governo do Estado e a maioria de deputados.

No Nordeste seu candidato na Bahia, maior colégio eleitoral da região está muito atrás do candidato do DEM. É segundo no Ceará e apenas no Piauí mantém folgada liderança. Nos demais Estados apoia candidatos de outras legendas, o que significa dizer que nestes quatro anos não consolidou personagens estaduais para concorrer ao cargo de governador, o que demonstra fragilidade partidária.

A pergunta que fica é: que culpa cabe à presidente Dilma por esta fragilidade do PT em seu principal reduto eleitoral que é o Nordeste. Penso que muito pouca. No Norte, afora o Acre onde pode reeleger o governador, não tem presença de destaque nos principais colégios eleitorais, visto que apoia o PMDB no Pará e Amazonas, além de fazer o mesmo em Tocantins.

No Centro Oeste tem candidato a reeleição no Distrito Federal com baixa perspectiva, em Goiás sem nenhuma e no Mato Grosso não tem candidato. Apenas em Mato Grosso do Sul tem perspectivas concretas de vitória porque seu candidato, o senador Delcídio Amaral, está bem a frente nas pesquisas e tem baixa rejeição. A questão é saber até onde ele resistirá ao processo de contaminação, visto que o Estado é vizinho de São Paulo e Paraná, onde é virulenta a rejeição ao PT – a maior em todo o País. Há que se vacinar para controlar o contágio.

Finalmente, é quase chocante que um partido que comanda o País há 12 anos, tenha favoritismo para eleger apenas três governadores, em Estados de pequena densidade eleitoral e dois senadores. Cinco em 54 disputas majoritárias. Quase nada. A pergunta, repetitiva, é se foi Dilma a responsável por uma rejeição que se estendeu por todo o Pais ou se foi o PT o principal responsável pela rejeição de Dilma. Não vale dizer que as duas se encontram.

A verdade é que estes últimos quatro anos de governo da presidente Dilma foram marcados por dificuldades na economia, não só aqui no Brasil, mas em quase todo mundo. Evidente que o governante paga uma conta que nem sempre é sua, como aconteceu nas eleições realizadas na Europa, mas é do jogo da política.

Lula presidente, a economia bombou, ele soube tirar proveito político disso e se tornou quase um ídolo no País. E ainda arrastou seu PT para o bom caminho da vitória nas eleições de 2010. Mas será que as dificuldades de Dilma, a baixa avaliação de seu governo, seria a causa principal para o desgaste do Partido em quase todos os Estados ou será que a causa é mais além?

Com certeza, mais além. No período do governo Dilma o País viveu o episódio que representou o maior massacre pelo qual já passou um partido na história política desse País: o julgamento do mensalão. Meses e meses de intensa cobertura de televisão, rádios e jornais de um julgamento onde o principal réu acabou se tornando o PT.

Engana-se quem acha que isto não teve grande importância. Teve sim e pensar o contrário é um menosprezo à opinião pública. Evidente que foi determinante para criar esse vírus da rejeição ao PT, que se espalha pelo País. A bem da verdade, nem Dilma nem seu governo têm qualquer coisa a ver com o mensalão. Ela, como muitos outros candidatos petistas, é apenas uma vítima.

Quanto à eleição presidencial deste ano o quadro caminha para um desfecho trágico para o PT e sua candidata. Quem estiver olhando para os números atuais das pesquisas e avalia que há um quadro de indefinição comete um erro básico de julgamento.

Há um status totalmente diferente entre os competidores, porque enquanto Dilma é conhecida por 99% dos eleitores, 19 e 36% desconhecem Aécio e Eduardo Campos, respectivamente. Todos os dados das pesquisas atuais mostram apenas a notória rejeição da candidata à reeleição.

Aécio e Campos são fatos para após o início do horário eleitoral. Vale que olhemos um pouco para 2010. Em 23.07, havia um empate entre Dilma e Serra, ambos com 36% de preferência. Em 15.09, com 25 dias de horário eleitoral, Dilma tinha 50% e Serra 27%.

Evidente que, agora, em meados de setembro, quando todos conhecerem melhor Aécio e Campos, os números serão diferentes e, tudo indica, um deles estará a frente de Dilma e, muito à frente, ambos, em uma simulação de segundo turno.

Não é provável, mas não impossível, que nesta data a campanha da presidente esteja com a preocupação voltada para assegurar sua presença no segundo turno. Apenas isso, porque não haverá mais nenhuma perspectiva de vitória.

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Entendi: o primeiro mandato de Dilma foi só a fase “Escolinha do Professor Raimundo”! Ela promete corrigir os erros se for reeleita!

Leio uma reportagem muito impressionante na Folha, de autoria de Valdo Cruz. Ela informa que “Dilma promete a aliados que corrigirá erros se for reeleita”. Ah, bom! Entendi! Então o país deveria franquear um segundo mandato a Dilma para lhe dar a chance de consertar as besteiras feitas no primeiro por… Dilma! É um modo de ver as coisas.

O texto informa ainda que os assessores listam aqui e ali os, digamos, errinhos que foram cometidos. Um deles, coisa pouca, é o de setor elétrico, com a redução das tarifas — e suponho que entre no rol de bobagens a antecipação das concessões. Não é nada, não é nada, a nossa governanta praticamente quebrou um setor. E teve de injetar alguns bilhões de recursos púbicos para tentar minimizar o estrago. Mas oram vejam: ela parecia tão segura, não é mesmo? Procurem neste blog os posts que trazem a expressão populismo elétrico. E eu, obviamente, não sou da área! Nove entre dez especialistas alertavam para a bobagem. Mas sabem como é… A ignorância é sempre mais convicta do que a sabedoria porque não tem medo de errar. E Dilma já demonstrou que não tem nenhum.

Ah, claro! O PT agora diz que foi, sim, um erro represar as tarifas. Se Dilma for reeleita, não acontece mais. Ok. Não estivessem, no entanto, represadas, e tudo o mais constante, em que patamar estaria a inflação? Afinal, o governo não avançou contra o caixa da Petrobras, por exemplo, porque repudie aumentos de combustíveis, mas porque estava dando um jeito de conter o índice inflacionário.

E a coisa vai por aí. Há também quem reclame das desonerações, que teriam agredido a saúde fiscal do governo, sem que os incentivos tenham resultado em crescimento da economia. Em suma, Dilma promete não repetir mais as barbeiragens que fizeram o Brasil conjugar uma inflação que flerta com os 7%, um crescimento abaixo de 1% e juros nos cornos da Lua: 11%.

Acho que estou começando a entender. A Presidência da República, para Dilma, nos primeiros quatro anos, foi uma espécie de “Escolinha do Professor Raimundo”. Ela estava lá para aprender a governar. Um errinho bilionário aqui, outro ali… Mas, doravante, ela jura fazer tudo certo. Sempre há o risco de que alguém acredite nisso, não é mesmo?

Os petistas e a própria presidente já deixaram claro que têm também outra agenda caso conquistem mais quatro anos: a reforma política, que o partido quer que seja feita por meio de uma Constituinte Exclusiva, combinada com decisões plebiscitárias. Uma das teses mais caras ao partido é o financiamento público de campanha — o que está para ser concedido, na prática, pelo Supremo, por via cartorial.

Se e quando isso acontecer, grandes partidos, como o PT, terão a grana de que precisam para se financiar fornecida pelo próprio Estado. A legenda nem mesmo precisará fazer suas juras de amor à economia de mercado para conseguir alguns milhõezinhos para a campanha eleitoral. Estará mais livre. E, nesse caso, negociar o quê, com quem e pra quê? O financiamento público permitirá aos partidos atuar como instâncias autocráticas.

Um dos setores que estão na mira da presidente e dos petistas é o empresariado. Ela pretende reconquistá-lo. Bem, quem quiser que caia na conversa, não é mesmo? Estou enganado ou a ação estrepitosa mais recente da nossa soberana foi enviar um decreto que entrega parte da administração pública federal a “conselhos populares”?

Sim, sim… Alguns dirão que o que vai a seguir é um reducionismo, mas tomem como medida as ações dos movimentos de sem-teto ou de sem-terra, por exemplo. Ou bem se governa com a lei, ou bem se governa com os tais “movimentos sociais”. Avaliem vocês com que lado está a chance de um futuro virtuoso para o Brasil, muito especialmente para os pobres. Num caso, tem-se uma sociedade paralisada por minorias radicalizadas e corporações de ofício; do outro, a previsibilidade das regras, democraticamente pactuadas.

Atenção! As disposições subjetivas de Dilma, à boca da urna, não têm a menor importância. A questão é o que ela representa e o que quer o seu partido.

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Uruguai mostra que ainda não enlouqueceu de vez e nega asilo a advogada ligada a black blocs; mulher deixa local em carro de deputada do PSOL que confessou desvio de verba de sindicato. Quanta gente pura reunida!!!

Foi demais até para um reduto do exotismo em que está se transformando o Uruguai: o governo do país negou asilo político à advogada Eloísa Samy e a um casal de black blocs: David Paixão, de 18 anos, e sua namorada, que é menor de idade. Eles haviam se escondido no Consulado do Uruguai, no Rio, e se dizem perseguidos políticos. É mesmo? Reitero o que escrevi aqui: os únicos perseguidos políticos numa democracia são terroristas ou golpistas. Não há outros. E, felizmente, os democratas os perseguem. Ou os canalhas acabariam solapando os fundamentos do regime. O Brasil é uma democracia plena. Pergunto: em qual dos dois casos Eloísa se enquadraria? Golpismo ou terror? O pedido ultrapassava a linha do ridículo até para uma nação governada por José Mujica.

Os ultraesquerdistas da Zona Sul do Rio entraram em delírio — e não sozinhos, já explico. Os advogados Rodrigo Mondego e Rogério Borba, que encaminharam o pedido ao governo uruguaio, admitiam que o benefício dificilmente seria concedido. Mondego chegou a dizer: “É difícil sair o asilo porque o Uruguai teria de reconhecer que foi quebrada a ordem democrática no Brasil. Entendo a dificuldade. Mas o Rio de Janeiro está sofrendo uma crise institucional no que tange às liberdades democráticas”.

Trata-se de uma tolice gigantesca. A Justiça que decretou a prisão dos acusados é estadual, mas a decisão foi tomada com base em leis que têm alcance em todo país. Não existem Códigos Penais estaduais. Os defensores dos acusados deveriam é erguer as mãos para o céu. Eu aqui me pergunto — e faço a mesma pergunta ao MP: por que essas pessoas não estão sendo acusadas com base na Lei de Segurança Nacional, a 7.170? Ela está em plena vigência, foi recepcionada pela Constituição, e os crimes que são atribuídos a essas pessoas estão lá plenamente caracterizados nos Artigos 15 a 19. Indago ainda: que tipo de advogado presta auxílio a uma menina menor de idade, que pede asilo político?

A Seção da OAB do Rio é, em parte, responsável por esse espetáculo grotesco e juridicamente vigarista. Durante meses a fio, comportou-se como babá de black blocs, deixando de censurar de maneira clara e explícita a violência. Ao contrário: mais do que ninguém, a Ordem confundiu, no Rio, o direito à liberdade de manifestação com a violência pura e simples. Ou permitiu que se confundisse. Pra uma entidade com essa importância, dá na mesma.

Piada da noite
A advogada e os dois black blocs deixaram o consulado no carro da deputada estadual Janira Rocha, do PSOL, o partido que, na prática, se apresenta como um fachada legal do movimento. Vocês conhecem esta senhora de dois episódios aos menos. Em 2012, durante greve de Polícias Militares e bombeiros no Rio, ela foi flagrada tentando articular uma greve nacional de PMs. No ano passado, vieram a público gravações em que esta senhora confessa, com todas as letras, que desviou dinheiro de um sindicato para a sua própria campanha eleitoral e para a de seu partido.

Eis aí. Esse é o reino dos puros de que estamos falando. E que se lembre mais uma vez: Eloísa Samy, com prisão preventiva decretada e, enquanto escrevo, uma foragida, não está nessa situação porque advogou para black blocs. Nada disso: o MP apresentou evidências de que ela apoiou os atos violentos e atuou na logística das ações criminosas. O exercício da advocacia é plenamente livre no Brasil. O do crime, felizmente, não!

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Conselho de Segurança cobra investigação independente sobre queda de avião

Na VEJA .com:
O Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução pedindo uma investigação independente e acesso completo ao local da queda do avião da Malaysia Airlines. A aeronave, que levava quase 300 pessoas a bordo e ia de Amsterdã para a Kuala Lumpur, foi abatida por um míssil ao sobrevoar o leste da Ucrânia. O texto aprovado pede uma investigação “completa, rigorosa e independente” do caso. A aprovação foi por unanimidade, ou seja, a Rússia também votou a favor.

O texto afirma que os separatistas pró-Moscou – identificados simplesmente como “grupos armados” para evitar protestos da Rússia – devem garantir acesso seguro ao local. A Rússia havia se posicionado contra uma versão anterior que deixava nas mãos da Ucrânia a liderança da investigação, informou o britânico Daily Telegraph, mesmo que o procedimento padrão nas leis internacionais quando ocorre um desastre aéreo seja deixar a investigação a cargo do país onde a tragédia ocorreu e do país onde fica a sede do fabricante da aeronave.

O embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, afirmou que o país “está pronto para oferecer qualquer ajuda necessária” para as investigações. Acrescentou que o Kremlin apoia totalmente uma apuração que “lance luz sobre a verdade”. E defendeu que todas as provas, incluindo as caixas-pretas, devem ser entregues à Icao, a agência das Nações Unidas que se ocupa da aviação internacional.

A embaixadora americana Samantha Power voltou a pressionar Moscou, dizendo que o apoio à resolução é bem-vindo, mas ressaltando que “nenhuma resolução teria sido necessária se a Rússia tivesse usado sua influência para fazer os separatistas deixarem suas armas”. Ela disse ainda que o silêncio da Rússia manda uma mensagem de apoio aos “grupos armados ilegais” e lembrou que representantes do governo russo insinuaram publicamente que a culpa pelo desastre é da Ucrânia.

Saiba mais
Pouco depois da intervenção americana, Churki fez exatamente o que Samantha havia apontado – tentou responsabilizar o governo de Kiev. “Durante a investigação, a Ucrânia terá de responder a perguntas sobre as atividades de seus controladores de tráfego aéreo e por que um de seus sistemas Buk estava na área”.

Os separatistas tiveram acesso a esse tipo de equipamento e não fizeram questão de esconder isso, divulgando imagens do sistema antiaéreo em redes sociais. Para o embaixador russo, no entanto, um vídeo com o Buk “foi filmado, na verdade, em território ucraniano, e, portanto, não poderia ter sido controlado pelos rebeldes”. Vale lembrar que os separatistas autoproclamaram independentes áreas do leste da Ucrânia, como Donetsk e Lugansk, depois de a Rússia ter anexado a península da Crimeia, no sul do país, ignorando sanções e violando leis internacionais e a soberania do vizinho. Resta saber a qual território ucraniano o diplomata se referia.

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Lula e PT pressionam Dilma por campanha eleitoral nas ruas
O Globo

O PT e Lula estão ansiosos para que a presidente Dilma Rousseff vá para a rua fazer campanha eleitoral. Ontem à noite, estava prevista reunião de campanha em que ela bateria o martelo sobre a participação em comícios e outros atos.

Dilma não vinha demonstrando pressa, mas está sendo cobrada a priorizar viagens a São Paulo, maior colégio eleitoral do país e onde ela e o candidato a governador pelo PT, Alexandre Padilha, patinam nas pesquisas de intenção de voto.

Apesar da pressão, Dilma vinha demonstrando preferência por fazer um evento em Minas Gerais nos próximos dias, ao lado de Fernando Pimentel, candidato petista ao governo mineiro e que lidera as pesquisas. O objetivo é focar atos públicos nos maiores estados, como São Paulo, Rio, Minas Gerais e Bahia, deixando de visitar as regiões menos populosas.

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Procuradoria pede inelegibilidade de Anthony Garotinho
O Globo

A Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (PRE-RJ) propôs ao Tribunal Regional Eleitoral uma ação de investigação por abuso de poder econômico e pediu tanto a inelegibilidade quanto a cassação do mandato do deputado Anthony Garotinho (PR), candidato ao governo.

Para a equipe de Garotinho, a ação é “temerária e de má-fé”, pois os atos descritos nela foram praticados antes de Garotinho virar candidato. Segundo a Procuradoria, no primeiro semestre deste ano, Garotinho realizou eventos das chamadas “Caravanas da Paz” em diversos municípios do estado, com a contratação de artistas e distribuição de brindes, o que configura “showmício”.

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Anac pede informações ao governo de Minas e prefeitura sobre aeroporto
Ricardo Chapola, Eduardo Rodrigues e Marcelo Portela, Estadão

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que vai notificar o governo de Minas e a prefeitura de Cláudio, interior do Estado, para que expliquem o uso de um aeroporto construído com dinheiro público em um terreno que já pertenceu a um tio-avô do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves.

A agência deu prazo de dez dias para que os dados sejam enviados. Minas gastou cerca de R$ 14 milhões na construção do aeroporto, que ficou pronto em 2010, último ano da gestão de Aécio como governador do Estado. O terreno que pertencia a um tio-avô do tucano foi desapropriado, mas o caso está em litígio.

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Uruguai nega asilo a advogada ligada a black blocs
Daniel Haidar, Veja

O pedido de asilo político feito ao Uruguai pela advogada Eloisa Samy, acusada de ter ligação com black blocs, foi negado ontem à noite, segundo a assessoria da deputada estadual Janira Rocha (Psol), que acompanhou a advogada e outros dois foragidos no Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro.

Os advogados Rodrigo Mondego e Rogério Borba, que auxiliavam Eloisa Samy no pedido, já haviam admitido que a solicitação dificilmente serria atendida. Ontem, eles visitaram Eloisa, de 45 anos, no prédio do consulado uruguaio no Rio.

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Ariano Suassuna sofre AVC hemorrágico no Recife
O Globo

O escritor, dramaturgo e poeta paraibano Ariano Suassuna, de 87 anos, foi internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Real Hospital Português, em Recife, ontem à noite, após ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. De acordo com a equipe médica, o estado de saúde do dramaturgo é grave, mas estável.

Suassuna foi internado às 20 horas com sangramento intracraniano. O escritor foi levado para a sala de cirurgia em um procedimento de emergência. A operação foi considerada bem sucedida e terminou por volta das 23 horas.

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Texas anuncia mil soldados na fronteira para reter imigrantes
O Globo

O governador do Texas, Rick Perry, anunciou ontem que enviará mil homens da Guarda Nacional para aumentar a segurança na fronteira com o México diante da crise provocada pela chegada em massa de menores centro-americanos aos Estados Unidos no último mês.

"Diante da situação que o Texas está enfrentando e da falta de ação do governo federal, decidi enviar até mil soldados da reserva da Guarda Nacional", disse Perry. "Não se pode falar em segurança nacional se não há segurança na fronteira." O Texas recebeu a maior parte dos 57 mil menores que entraram ilegalmente nos Estados Unidos desde outubro passado.

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Israel sofre seu pior revés militar desde a guerra contra o Líbano
Carmen Rengel, El País

Os soldados mortos em Gaza entre quinta-feira e segunda-feira são mais do que o dobro das baixas militares em relação à última vez que as tropas de Israel penetraram por terra na Faixa de Gaza, durante a Operação Chumbo Fundido (na época do Natal de 2008), que durou 11 dias e na qual 11 soldados foram mortos.

Agora já são 25 os soldados que morreram – sete deles ontem –, no que se acredita seja o maior revés militar desde a guerra do Líbano (2006). Outros 53 militares israelenses estão feridos, três deles com gravidade. As baixas começam a angustiar a população, pela velocidade com que se multiplicam e por que muitos dos mortos estavam na casa dos 20 anos.

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Rebeldes entregam caixas-pretas de avião da Malásia
BBC Brasil

Rebeldes no leste da Ucrânia entregaram as duas caixas-pretas do voo MH17, que foi derrubado na última quinta-feira, quando ia de Amsterdã, na Holanda, para Kuala Lumpur, na Malásia. Elas foram entregues a especialistas da Malásia na cidade ucraniana de Donetsk.

A ação ocorreu horas depois de o Conselho de Segurança da ONU ter exigido o acesso imediato de enviados internacionais à área da queda. A tragédia deixou 298 mortos. As caixas-pretas irão revelar a hora do acidente, altitude e posição exatos da aeronave, além de gravações do que foi dito na cabine, que podem dar pistas para a solução do caso.


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Blog do Augusto Nunes

A espetacular descoberta de Dilma: o míssil foi disparado pelo governo da Ucrânia para derrubar o avião do companheiro Putin

O extenso noticiário sobre o Boeing da Malaysian Airlines derrubado quando sobrevoava os céus de Donetsk, região da Ucrânia controlada por separatistas financiados pelo governo russo, tratou com inexplicável avareza a mais inventiva das teorias vinculadas ao episódio. Foi ignorado pelos jornais (ou confinado em míseros centímetros) o monumento à criatividade erguido por Dilma Rousseff  com 82 palavras distribuídas por quatro frases. Concebido para explicar aos jornalistas por que o governo ainda não dera um pio sobre o mais recente capítulo da história universal da infâmia, deu no seguinte:

“Olha, eu acho que é prudente … vô… a gente tomar cuidado, porque, ao mesmo tempo, né?, tem um segmento da imprensa dizendo que o avião que era… esse avião que foi derrubado tava na rota da volta do avião do presidente Putin. Coincidia com o horário… e com o percurso. Então, que o míssil seria dirigido ao avião do presidente Putin. Eu acho que é importante tá… ter… ter claro que não era um míssil de fácil manejo. Não é um míssil de fácil manejo. Então, nós temos que olhar com cuidado pra vê de fato o que  aconteceu. Então, o governo brasileiro não se posicionará quanto a isso até que fique mais claro, por uma questão não só de seriedade, né?, mas também de prudência. Nós não temos todas as informações”.

Em língua de gente, o falatório em dilmês primitivo produziu uma teoria e tanto. Amparada no que andou lendo num misterioso “segmento da imprensa”, a presidente do Brasil afirmou ─ nada mais, nada menos ─ que só os imprudentes e os pouco sérios se atrevem a atribuir o disparo do míssil aos rebeldes supridos pelo padrinho Vladimir Putin com armamentos de última geração. Segundo Dilma, a explosão do Boeing foi coisa do governo constitucional da Ucrânia, que errou o alvo ao tentar espatifar o avião que levava o presidente da Rússia de volta a Moscou.

Como a autora não a desmentiu, a tese continua valendo manchete de primeira página, tenha ou não fundamento. Se tiver, o caso sofrerá uma reviravolta que talvez leve a descobertas ainda mais espetaculares. (Uma dupla de enviados especiais a Donetsk não demorará a descobrir, por exemplo, que o míssil decolou de um aeroporto clandestino construído nas terras de um tio ucraniano de Aécio Neves, expropriadas pelo governo mineiro). Se tudo não passou de outra maluquice do neurônio solitário, os eleitores terão um motivo a mais para negar à presidente um segundo mandato.

Pelo que anda acontecendo por lá, falta pouco. Mas o Palácio do Planalto ainda não virou hospício.


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Blog do Coronel

Desmascarada "contabilidade criativa" da Dilma: PIB deve crescer menos de 1% em 2014. É inflação, desemprego e crise.

Pela oitava semana consecutiva, os analistas de mercado cortaram suas estimativas para a expansão da economia brasileira neste ano e, assim, a projeção mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) ficou abaixo de 1% pela primeira vez. De acordo com o boletim Focus, do Banco Central, a estimativa caiu de alta de 1,05% para crescimento de apenas 0,97%.

A revisão para o PIB acompanha a redução nas projeções para a produção industrial. Agora, os analistas esperam contração de 1,15% nesse setor, ante queda de 0,90% na semana passada. Há um mês, o mercado via o PIB crescendo 1,16% e a produção industrial caindo 0,16%. Para 2015, a estimativa para o PIB foi mantida em expansão de 1,50%, mas a da indústria caiu pela quarta semana consecutiva, de alta de 1,80% para 1,70%.

As notícias mais recentes sobre a atividade econômica em geral e industrial têm mantido o sinal negativo. Na semana passada, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que o índice de confiança do setor atingiu em julho o menor patamar desde janeiro de 1999. O indicador de produção de junho despencou para 39,6 pontos, de 48,4 em maio.

O Banco Central, por sua vez, mostrou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) teve contração de 0,18% em maio, ante abril, refletindo especialmente a forte queda da indústria naquele mês. Embora o resultado tenha sido um pouco melhor que o esperado, analistas não viram no número um sinal de reversão das expectativas negativas. O dado, afirmaram, aponta atividade mais fraca no segundo trimestre.

Outros números mostraram que o enfraquecimento da atividade chegaram ao mercado de trabalho. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) decepcionou novamente em junho ao registrar a criação de 25,3 mil vagas no mês. O resultado foi o pior para os meses de junho desde 1998 e, como em maio, foi puxado pelo fechamento de 28,5 mil vagas na indústria.

Em função da criação menor de vagas, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, reduziu para 1,1 milhão a estimativa de novas vagas este ano. A estimativa anterior era de 1,4 milhão a 1,5 milhão de empregos novos. (Valor Econômico)


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Blog do Reinaldo Azevedo

E Dunga, o coleguinha de camarote VIP que faz Dilma rir até as lágrimas, é mesmo o novo técnico da Seleção

Bem, era mesmo tudo verdade: Dunga é o novo técnico da Seleção Brasileira. Escrevi na sexta-feira o que penso a respeito. É o triunfo do atraso, da tacanhice e da melancolia ranheta. Reproduzo em azul um trecho daquele post e avanço:

Olhem aqui: disciplina é, sim, muito importante. Mas é bom não confundi-la com moralismo tosco. Recomendo mais uma vez uma reportagem da revista alemã “Der Spiegel” sobre o sucesso do futebol alemão. É o anti-Dunga. Em vez de um choque de testosterona bronca, de manual, o futebol alemão recebeu um choque de competência e planejamento. A revista até brinca, afirmando que os jogadores, hoje, são um pouco mais “feminis” do que os antigos “machos Alfa”. Em vez de um comandante esporrento, os alemães preferiram enviar seus técnicos para outros países, como Espanha, França e Itália, para ver como se jogava no resto do mundo.

Não que fosse um futebol malsucedido no mundo quando se tomou essa decisão: eles já eram tricampeões mundiais — agora são tetra. Os alemães que vocês viram no Brasil, interagindo com a população da Bahia, enviando mensagens em português aos brasileiros no Twitter, sorridentes, “moleques”… Tudo isso era parte de um planejamento também de marketing.

Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento, meio abestado. Pode ganhar ou pode perder a próxima Copa. Só não conseguirá fazer o futebol avançar. Quando o atraso ganha, diga-se, em certo sentido, é pior. A propósito: depois que ele deixou a Seleção, qual é seu currículo para merecer tal galardão?

Sim, a escolha também dá conta da ruindade da CBF. Vejam que coisa: a confederação chegou a flertar com um técnico estrangeiro e acabou escolhendo… Dunga! É o triunfo da falta de rumo e da… caipirice existencial.
(…)

Retomo
Nesse post, recupero a trajetória que levou, no passado, à ascensão e queda de Dunga. De certo modo, faz-se o mesmo agora. Neymar concedeu uma entrevista no Fantástico deste domingo. É só um garoto cuidadoso, da elite do futebol mundial, que já sabe como se faz profissionalmente esse trabalho. Não atacou Felipão, é claro! Mas também não defendeu. Reconheceu que o futebol brasileiro está atrasado. Indagado sobre o que estava errado, ele silenciou, mas deixou claro com suas não-palavras: a técnica — ou, mais precisamente, os técnicos.

Foi explícito numa coisa: os jogadores eram aqueles, sim. Não havia muita variação. Então onde estava o erro? Que pergunta! A CBF é mesmo um encanto. Juntou dois ganhadores de Copa do Mundo em 2010 para ver no que dava: derrota. Juntou dois campeões de Copa do Mundo em 2014 para ver no que dava: derrota. Agora resolveu chamar um derrotado para tentar fabricar a vitória. Na enquete do programa da Globo, 85% dos que se manifestaram reprovaram a escolha.

Então vamos lá… Dunga estreia na sua nova função com um grande ativo. Não se tem notícia de que ele tenha feito alguém chorar de rir antes. Na final da Copa, no jogo entre Alemanha e Argentina, o técnico levou a nossa presidente às lágrimas ao afirmar que estava torcendo para que ninguém ganhasse. Ela achou a tirada inteligente e caiu na gargalhada.

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Black blocs e seus amiguinhos – Juiz e desembargador do TJ-RJ estão de parabéns por não se deixar intimidar por patrulha baguncista de deputados, setores da imprensa e advogados do caos. Cana na turma!

O desembargador Flávio Marcelo de Azevedo Horta Fernandes, do Tribunal de Justiça do Rio, negou os respectivos pedidos de habeas corpus de 23 pessoas acusadas de envolvimento em atos violentos em protestos. Dezoito se encontram foragidos. Entre os presos, estão Eliza Quadros, a tal Sininho; Camila Jourdan, professora de filosofia da UERJ (!!!), e seu namorado, Igor D’Icarahy — cujo pai é advogado, papa-fina. Além de negar o pedido, Horta Fernandes repudiou os termos ofensivos empregados pela defesa dos acusados, que classificou o magistrado Flávio Itabaiana, que acolheu a denúncia do Ministério Público e determinou a prisão preventiva dos 23 acusados, de “juiz prepotente” e “espírito de carcereiro”.

Escrevi neste domingo de manhã a respeito, bem antes da decisão da Justiça:
“Não há forma mais perversa de criminalizar a liberdade de expressão e de manifestação do que confundi-la com banditismo. Durante um bom tempo, o país viveu uma espécie de apagão legal, com um governo incapaz de cumprir uma de suas funções — que é a garantia da lei e da ordem democráticas, conforme exige a Constituição — e uma imprensa que passou a fazer profissão de fé na baderna, como se estivéssemos diante de um quadro em que a sociedade está sendo esmagada pelo estado, sem canais para expressar o seu descontentamento que não a violência.
A Polícia, o Ministério Público e a Justiça resolveram, depois de uma fase de espantoso entorpecimento, agir contra os vândalos da ordem democrática. Espero que, num futuro nem tão distante, ainda venhamos a refletir sobre estes dias e perguntar como foi possível ter tanta tolerância com a violência, com a truculência, com a determinação escancarada de violar princípios elementares da civilidade. E foi precisamente isso que fizeram os black blocs e alguns ditos “líderes” de manifestações que agora tiveram a prisão preventiva decretada.
Compreendo que o papel dos advogados seja, afinal, advogar… Não questiono a legitimidade de sua tarefa, um dos pilares do Estado de Direito. Mas essa mesma ordem, que defendo de modo incondicional, me permite escarnecer dos argumentos de alguns doutores. No terreno do pensamento, seria mais decente e lógico que buscassem sustentar a legitimidade, nunca a legalidade!, da violência a que aderiram seus clientes — por absurdo que pareça — do que apelar, para defendê-los, aos fundamentos do tal Estado de Direito. A razão é simples: aquela gente só partiu para a ação direta, para o quebra-quebra, para a pauleira, porque não acreditava, e não acredita, nas garantias e nos valores com os quais tenta agora se defender.”

Confusão nefasta
O juiz também está sendo severamente atacado por três parlamentares do PSOL — Chico Alencar, Jean Wyllys e Ivan Valente — e por Jandira Feghali, do PCdoB. Exceção feita a Valente, que é paulista, são todos do Rio. A reação dos psolistas é compreensível: seu partido é, hoje, o mais próximo dos black blocs. Não se esqueçam de a quem apelou Sininho quando um dos assassinos do cinegrafista Santiago Andrade foi preso: o deputado estadual Marcelo Freixo. Não custa lembrar: o partido comanda o Sindicato dos Professores do Rio, por exemplo, que chegou a emitir uma nota pública admitindo e exaltando a parceria com os blac blocs. É claro que esses quatro deputados deveriam ter vergonha do que fazem. Mas eles não têm — e isso não me surpreende.

A denúncia
O Fantástico teve acesso à denúncia oferecida pelo Ministério Público. Informa a reportagem:
De acordo com a denúncia, o Movimento Frente Independente Popular estabeleceu, em reuniões fechadas, que o protesto pacífico não seria meio hábil para alcançar os objetivos dos grupos. E decidiu que deveria ser incentivada a prática de ações violentas no momento das manifestações, tais como a depredação de bancos, de estabelecimentos comerciais e o ataque a ônibus e viaturas policiais. Segundo o promotor de justiça Luis Otávio Figueira Lopes, a denunciada Elisa de Quadros Pinto Sanzi, conhecida como sininho pode ser identificada como uma das principais lideranças da frente.
A ocupação da Câmara Municipal por manifestantes, em agosto do ano passado, poderia ter tido consequências mais graves. Segundo a denúncia, havia um plano para incendiar a sede do poder legislativo do Rio. A denúncia afirma que Elisa foi vista comandando manifestantes, no sentido de carregarem três galões de gasolina para a Câmara Municipal, passando a incitar os demais manifestantes a incendiar o prédio. O objetivo, segundo a denúncia, não foi alcançado em razão da intervenção de outros participantes dos atos, fatos apontados no depoimento de uma testemunha, que teve a identidade preservada pelo Ministério Público.
Escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça revelaram que Camila Jourdan, professora de filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, participava da elaboração dos artefatos e da distribuição deles para os black blocs. A denúncia afirma também que menores de idade dos participaram de atos violentos. Nos autos do processo, um adolescente teria afirmado ter a intenção de matar um policial nos protestos contra a Copa do Mundo.

Concluo
Só uma maneira aceitável de apresentar demandas na ordem democrática: de acordo com o aceitável na… ordem democrática!!! Tautológico? Esse é o regime em que nem tudo é permitido. Aquele em que tudo pode é a tirania — para os amigos dos tiranos aos menos. O Brasil inventou uma certa “aristocracia do ativismo, esse nome cretino! Se o sujeito se diz “ativista”, nada lhe é proibido. Uma ova! Eu, particularmente, não reconheço a existência dessa categoria e sempre pergunto: o contrário de um “ativista” é o quê? Um passivista??? Tenham paciência!

Parabéns ao Ministério Público, ao juiz e ao desembargador por terem decidido ser ativistas das leis.

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Israel tem maior perda de soldados num dia desde a Guerra do Líbano, em 2006. E a máquina de propaganda do Hamas

Cresce a pressão internacional por um cessar-fogo entre as forças israelenses e a do Hamas. Tanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como o Conselho de Segurança da ONU pediram o fim imediato das hostilidades. O domingo foi sangrento. Treze soldados israelenses de uma unidade de elite morreram numa emboscada — são 14 os militares mortos, e havia 53 feridos até a madrugada de hoje. Entre os palestinos, os mortos já seriam mais de 400. Mas atenção! Numa outra guerra, esta para ganhar a opinião pública, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não distingue as vítimas civis de seus militantes, que são também militares. Assim, todas as baixas havidas entre palestinos entram na conta de “civis mortos”. Cessar-fogo?

Escrevi aqui no fim de semana que o Hamas não tinha deixado a Israel outra saída que não a ação terrestre, o que o país, basta recuperar o noticiário, hesitou em fazer porque sabia que teria, como está tendo, as suas baixas. Desde a guerra do Líbano, em 2006, as foirças israelenses não perdem tantos soldados num único dia. Para se ter uma ideia: em 2008, na Operação Chumbo Fundido, em Gaza, morreram 11 soldados em 22 dias. Isso indica um fato óbvio: o Hamas está aprimorando as suas táticas de guerra, melhorando o seu armamento e se tornando, a cada dia, um inimigo mais poderoso. Que caminho resta a Israel?

O Hamas recusou duas propostas de cessar-fogo: a do Egito, e a humanitária, da ONU. E repete o seu espetáculo macabro de sempre. A imprensa internacional, majoritariamente anti-Israel — e isto é apenas um fato, não questão de gosto — se satisfaz em fazer a contabilidade dos mortos para decidir quem é a vítima é quem é o algoz; quem está certo e quem está errado. E uma guerra dessa natureza, infelizmente, evolve um pouco mais do que isso.

Qual é a preço do Hamas para parar com o seu foguetório contra Israel? A sua pauta é extensa — na verdade, a sua pauta é finalista: os terroristas querem o que chamam de “Palestina” (o que inclui o território israelense) para os palestinos, eliminando da região o que chamam de “inimigo sionista”. Não sou eu quem está dizendo. É o que consta de seus estatutos.

Não! Não estou aqui a defender que Israel saia atacando tudo o que se move, sem quaisquer outras considerações. E isso não está sendo feito, ou haveria mais mortos. Mas é o Hamas quem admite — como já demonstrei aqui — que recorre, sim, à tática dos escudos humanos, empilhando corpos para, com eles, fertilizar a sua causa.

Obama telefonou neste domingo para Benyamin Netaniahu, primeiro-ministro de Israel, condenou os ataques do Hamas, reconheceu o direito que tem o país de se defender, expressando a sua preocupação com o crescente número de vítimas civis e também com a morte dos soldados israelenses. É preciso que se tenha claro: para os comandantes de um dos lados da guerra, a morte dos seus é uma tragédia; para os comandantes do outro, uma solução.

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Aécio nega que governo tenha financiado aeroporto em fazenda
Madson Vagner, O Globo

Candidato do PSDB à Presidência da República, o senador Aécio Neves (MG) negou neste domingo que sua gestão no governo de Minas Gerais tenha patrocinado a construção de um aeroporto dentro da fazenda de um parente seu, conforme denúncia publicada no jornal "Folha de S. Paulo" neste domingo. De acordo com a reportagem, foram gastos quase R$ 14 milhões na obra, que teria sido concluída em outubro de 2010 e seria administrada por familiares de Aécio.

"Tudo foi feito com a mais absoluta transparência e correção. Aliás, como sempre faço", disse Aécio durante agenda de campanha na região do Cariri cearense, a cerca de 560 km da capital Fortaleza.

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Brechas na Lei da Ficha Limpa podem favorecer maus políticos
Laryssa Borges e Marcela Mattos, Veja

Criada em 2010 para promover uma depuração ética na lista de políticos que pleiteiam disputar cargos eletivos, a Lei da Ficha Limpa enfrentará seu mais duro teste em outubro e poderá banir das urnas políticos que, a partir de seus currais eleitorais, se perpetuavam impunes na administração pública. Pela primeira vez, a lei será aplicada a deputados, senadores, governadores e candidatos à Presidência da República.

Ainda que a lei esteja plenamente em vigor, o Ministério Público Eleitoral, responsável por contestar pelo menos 360 candidaturas – número que vai aumentar nas próximas semanas – com base na nova legislação de inelegibilidades até agora, prevê que políticos e advogados devem utilizar as mais diversas artimanhas para explorar brechas na Lei da Ficha Limpa e se apresentar normalmente como opção ao eleitor.

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Justiça nega habeas corpus a 23 ativistas e 18 deles estão foragidos
G1

O plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) negou, neste domingo (20), habeas corpus a 23 ativistas que são acusados pelo Ministério Público de planejar ações violentas em protestos — tendo, inclusive, a intenção de incendiar a Câmara do Rio. A informação foi veiculada pelo Fantástico.

Dos 23, 18 manifestantes estão foragidos. Entre os cinco presos, estão a ativista Elisa Quadros, a Sininho, e a dupla que teria provocado a morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade em uma manifestação em fevereiro: Fábio Raposo e Caio Silva.

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Dunga volta ao comando da seleção brasileira
Pedro Mota Gueiros, O Globo

Há exatos 100 anos, a seleção brasileira tinha tudo pela frente ao iniciar sua trajetória com vitória por 2 a 0 sobre os ingleses do Exeter City. Na terça-feira, no primeiro dia do seu segundo século, só resta o passado como estímulo e ameaça para o futebol pentacampeão do mundo manter sua hegemonia. Depois de o Brasil sair da Copa humilhado como o anfitrião que cai com a cara no bolo, o chamado à lucidez não resistiu à tendência de negar a realidade.

No momento em que o esporte nacional necessita de uma internação para recuperar a identidade e o prestígio de outrora, a CBF contratou um ex-empresário de jogador, Gilmar Rinaldi, para coordenar a reestruturação, e anunciará a volta do técnico Dunga, símbolo maior do futebol de resultados e da combatividade, dentro e fora do campo.

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Ações de telecom sofrem com incertezas na Oi
Rennan Setti, O Globo

As últimas notícias do setor de telefonia provam que os consumidores que sofrem com a qualidade do sinal não estão sozinhos. Acionistas das operadoras têm passado por meses de provação, com intensa volatilidade dos papéis, crises de governança, rebaixamento por agências de classificação de risco e incertezas sobre o futuro das empresas — elementos fartos no enredo mais recente, o imbróglio entre Oi e Portugal Telecom.

Na opinião de analistas, o ideal é que os investidores se mantenham distantes do setor, uma vez que a perspectiva daqui para a frente também é negativa.

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Crise se espalha por todo o setor elétrico
Renée Pereira, Estadão

As chances de o Brasil enfrentar um novo racionamento este ano diminuíram, mas a crise financeira que assola o setor elétrico a cada dia ganha contornos mais preocupantes. Em um ano e meio, o segmento deixou de ser autossuficiente e passou a depender de medidas paliativas do governo federal para fechar as contas do mês.

Hoje, sem dinheiro extra, o caixa das companhias ficaria desfalcado e elevaria o risco de quebradeira geral no setor. O problema começou com as distribuidoras, mas já ameaça geradores, comercializadores e grandes consumidores que não têm conseguido pagar a conta de luz por causa da alta dos preços no mercado à vista, também chamado de PLD.

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ONU vota resolução sobre acidente aéreo na Ucrânia
O Globo

O Conselho de Segurança da ONU deve votar na segunda-feira uma resolução para condenar a queda do voo MH17, da Malaysia Airlines, que deixou 298 mortos após cair na Ucrânia, pedindo que se leve à Justiça os responsáveis ​​e exigindo que os grupos armados não comprometam a integridade do local do acidente.

Três dias depois da tragédia, a dificuldade em reaver os corpos na região onde o avião caiu, próximo ao vilarejo de Grabovo, na região de Donetsk, Leste do país, tem causado dor e revolta em parentes e políticos.

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Rebeldes pró-russos confinam os corpos de 200 vítimas em um trem
Rodrigo Fernández, El País

O Governo ucraniano e os separatistas pró-russos da autoproclamada República Popular de Donetsk chegaram a um acordo para retirar os corpos dos passageiros de um Boeing 777 da Malaysia Airlines derrubado por um míssil na quinta-feira.

Ontem, cinco vagões refrigerados com os restos de 196 vítimas saíram de Torez, com o previsível destino – ainda que não confirmado – de Donetsk. O líder separatista de Donetsk, Alexandr Borodai, destacou a possibilidade de que o trem não saia até que os especialistas aeronáuticos internacionais que se encontram em Kiev cheguem.

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Gaza tem o dia mais mortífero desde o começo da ofensiva israelense
Juan Gómez, El País

Gaza vive neste domingo o dia mais mortífero desde o início da incursão terrestre de Israel em território palestino na última quinta-feira. Entre sábado e domingo, 13 soldados israelenses morreram nos combates contra as milícias do Hamas, o que sobre para um total de 18 mortes, segundo confirmou o Governo israelense.

Todos os mortos pertenciam à Brigada Golani. É o maior número de mortos israelenses em combate desde o conflito com o Líbano, em 2006. Do lado palestino, foram 90 baixas em apenas um só dia, 430 desde o início dos combates.


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Blog do Noblat

Falta luz nos postes, por Mary Zaidan

Um ano e meio depois da façanha de eleger o prefeito de São Paulo, com 55,5% dos votos, o ex-presidente Lula assiste à queda livre de Fernando Haddad, rejeitado por 47% dos paulistanos, segundo pesquisa Datafolha.

Com repetitivos ataques à imprensa, Lula tenta escorar o seu mal fincado poste para evitar que ele caia sobre o poste seguinte, Alexandre Padilha, estacionado em 4% das intenções de voto para o governo paulista.

Apagão cada vez mais difícil de impedir, com efeito danoso à campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff, ela também poste precisando de esteio.

São Paulo sempre foi duríssimo para o PT, partido concebido, gerado e parido em solo paulista. Em eleições presidenciais, só venceu uma vez na capital, em 2002, ainda assim por 127 mil em quase 6 milhões de votos. Quatro anos depois, Lula perderia para Geraldo Alckmin na cidade – 53,6% a 46,4% - e no Estado, com mais de 2 milhões de votos pró-tucano. O mesmo ocorreu com Dilma, derrotada no primeiro e segundo turnos no maior colégio eleitoral do País, diferença que ela compensou em Minas Gerais e no Nordeste.

Na sexta-feira, em ato pró-Padilha na Praça da Sé, Lula escancarou sua tática para, pelo menos, perder menos em São Paulo. Antecipar-se às críticas ao prefeito, atribuindo todos os males à mídia: “você liga a televisão e todo o dia você apanha às 8h, às 3h da tarde, às 7h da noite. Às 6h da manhã já está apanhando”.

Seu discurso vai além: transforma obrigações de governo em benesses que deveriam ser agradecidas.

Como o ministro Gilberto Carvalho, que confessou perplexidade após as manifestações de junho do ano passado – “fizemos tanto por essa gente e agora eles se levantam contra nós” -, Lula reclamou aplausos dos que andam de ônibus. "Eu às vezes estou de carro, fico vendo a faixa vazia e xingo ele [Haddad]. Mas quem está no ônibus ganhando 40 minutos não está defendendo ele.”

Não aprenderam nada. Assim como os protestos de 2013 não se limitavam aos R$ 0,20, será preciso muito mais do que minutos a menos - e que não chegam aos 40 mentidos por Lula – para que se reconheça algo de bom no transporte e nos serviços públicos em geral, a maior parte deles para lá de precário.

Na ânsia de salvar Haddad/Padilha/Dilma e arrumar culpados pelos fracassos de seus postes, Lula, absoluto no palanque da Sé, ensinou: “Aquilo que a gente faz a gente mostra; aquilo que a gente não faz, os adversários mostram”.

Quase acertou em cheio. Faltou só somar o que se faz de errado. Uma parte da equação que Lula diz querer discutir, mas da qual sempre escapole, preferindo a escuridão, onde não se identificam os gatos. Nem os ratos.

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Lula na TV

          O ex-presidente Lula vai ser o âncora do programa de TV da presidente Dilma. Caberá a ele apresentar as realizações do governo. A ideia é renovar a imagem de que Dilma é a herdeira de Lula. Ao contrário da reta final da campanha de 2010, quando a presença de Lula e o protagonismo de Dilma dividiram os marqueteiros petistas, agora estão todos convencidos que Lula é o ator principal.

Ataque e contra-ataque
Essa campanha promete ser muito criativa. Os primeiros movimentos revelam que os times da presidente Dilma e do senador Aécio Neves estão afiados. O Instituto Teotônio Vilela ganhou as redes sociais por esses dias com um bordão econômico que faz alusão à derrota do Brasil à Alemanha na Copa: “7 x 1: 7% de inflação x 1% de crescimento”. Os petistas rangeram os dentes. Na próxima semana, o comitê eleitoral da presidente Dilma vai lançar na rede o seu placar: “20 x 5: 20 milhões de empregos criados na gestão petista x contra 5 milhões na gestão tucana". A campanha na TV e nas redes sociais reduziu o peso do corpo a corpo nas eleições para o Executivo.

“Eu quero falar da perda do futuro. Nós estamos jogando fora o futuro. Estamos perdendo. O futuro está se esvaindo. O Brasil era um país de futuro”

Cristovam Buarque

Senador (PDT-DF), que fez 2,6% dos votos para a Presidência em 2006, sobre as propostas dos atuais candidatos

Pagando o pato
As declarações dadas pelo deputado Romário (PSB) sobre a presidente Dilma sobraram para Lindbergh Farias (PT). No Planalto, a avaliação é de que o petista deveria ter controlado o aliado e acertado um pacto de não agressão antes.

A costura
Na base, aliados do candidato ao governo Roberto Requião (PMDB) e ao Senado, Álvaro Dias (PSDB), estão fazendo dobradinha. Requião é contra a cobrança de pedágio (remuneração das concessionárias) nas estradas do Paraná. Seu candidato ao Senado, Marcelo Almeida, é dono de uma das concessionárias, a C. R. Almeida.

Inventário
O Ministério da Saúde aproveitou a Copa para realizar testes de HIV nas cidades sede e em Porto Seguro (BA), onde ficou hospedada a delegação suíça. Foram 3.995 testes, 77 deles positivos. Foram distribuídas 4 milhões de camisinhas.

Deixa decantar
O comando da campanha da presidente Dilma decidiu que ela começará a percorrer o país pelos estados com palanque único, como Armando Monteiro (PE) e Fernando Pimentel (MG). Nos estados com vários candidatos da base ela vai esperar a definição do quadro eleitoral. O Rio é um dos estados que deve ficar para depois.

Para onde ir
O candidato tucano Aécio Neves pretende ir a todos os estados. Ela vai dar a largada percorrendo os menores, como Acre, Amapá e Roraima. Pois, se deixar para a reta final, a necessidade política poderá excluí-los da agenda.

Também quero
Depois do sucesso dos aeroportos na Copa, governadores batem às portas da Secretaria de Aviação Civil. Moreira Franco já conversou, sobre reformas e novos terminais, com o baiano Jaques Wagner e o gaúcho Tarso Genro.

Depois do Copa das Copas, o governo da presidente Dilma quer emplacar a expressão “Olimpíada das Olimpíadas" para 2016.

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O tal mercado

O comportamento de regozijo do mercado financeiro toda vez que uma pesquisa de opinião mostra a chance de derrota de Dilma na eleição presidencial tem gerado críticas por parte dos petistas, inclusive do mais graduado deles, o ex-presidente Lula, que chegou a ironizar recentemente esse comportamento: "Pelo o que eu sei esse tal de mercado internacional nunca votou em você (Dilma) e nunca votou em mim. Quem vota na gente é o povo, cujo único mercado que conhece é onde compra feijão".

Mas desde sempre a situação da economia não apenas influencia o resultado das eleições como também a situação política interfere na economia, especialmente em anos eleitorais como o que vivemos. “É a economia, estúpido”, já advertiu o marqueteiro James Carville na campanha que elegeu Bill Clinton presidente dos Estados Unidos.

Lula sabe o que é isso. Já tivemos no mercado internacional o lulômetro, que o banco de investimentos americano Goldman Sachs criou na eleição de 2002 para medir a influência na cotação do dólar do risco de Lula vir a ser eleito presidente da República. O modelo matemático previa que o dólar chegaria a 3 reais em outubro, e ele chegou a 4 diante da realidade de Lula subindo a rampa do Palácio do Planalto.

E, diante da desconfiança do tal mercado, Lula teve que lançar a “Carta aos Brasileiros” para garantir que não mudaria a política econômica. Anos depois, Lula se confessaria arrependido de ter feito tal carta, o que só reforça a desconfiança atual dos mercados com o governo Dilma.

Depois de duas eleições em que reeleger Lula ou eleger Dilma não parecia perigoso para a economia do país, chegamos este ano a uma eleição diferente. O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que deve ser o principal nome da economia em um eventual governo do tucano Aécio Neves, já previra que a possibilidade de Dilma se reeleger no primeiro turno, como indicavam as pesquisas até pouco tempo, poderia ter o mesmo efeito que a vitória de Lula em 2002.

Em consequência, a possibilidade de haver segundo turno, com boa chance de derrota do PT, poderia fazer a Bolsa de Valores retomar o crescimento, depois de ter caído quase 40% nos anos Dilma.

Na semana passada, diante da pesquisa Datafolha que mostra um empate técnico entre a presidente Dilma e o candidato do PSDB Aécio Neves num segundo turno, o Ibovespa subiu, empurrado especialmente pelas ações das estatais. O que quer dizer que os investidores acreditam que num novo governo as estatais não serão mais usadas como instrumentos de política econômica, mas como empresas competitivas num mercado internacional cada vez mais difícil.

Isso por que o mercado, dizem os especialistas, é essencialmente um instrumento da democracia, como transmissor de informações e expressão da opinião pública. Lembrei-me de um debate, anos atrás, em que fiz a mediação entre dois dos pais do Real, os economistas Gustavo Franco e André Lara Resende, hoje atuando como assessor de Marina Silva, sobre o qual já escrevi na coluna.

Quando o assunto foi o mercado, os dois concordaram em que a sua impessoalidade sai sempre mais barata para o contribuinte. “Goste-se ou não, o mercado é a forma mais eficiente e influente de expressão da opinião pública, e transparência é tudo quando se trata do funcionamento do mercado”, disse Gustavo Franco.

Para ele, uma coisa é certa: “quanto mais distantes do mercado estiverem as relações entre o público e o privado, quanto mais discricionárias as decisões, e quanto menor a transparência, maior será a corrupção”.

André Lara Resende destacou que a contribuição mais relevante do economista austríaco liberal Friederich Hayeck “é o seu papel de defensor dos mercados, como insuperável transmissor de informação e estimulador da criatividade, onde se pode encontrar a mais coerente e fundamentada análise dos riscos econômicos e sociais do aumento do papel do Estado”.

Para Franco, “quem vai terminar com a sociedade do privilégio é a economia de mercado, e não é outro o motivo pelo qual a estabilização, a abertura, a desregulamentação, e a privatização geraram tantas tensões”. A economia de mercado, na definição de Franco, “é subversiva numa sociedade do privilégio, pois propugna a competição, a impessoalidade e a meritocracia, e dispensa, tanto quanto possível, a interveniência de um Estado cheio de vícios”.


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Blog do Reinaldo Azevedo

O PT e o futuro — Parece que a população está cansada do ódio como exercício da política e da política como exercício do ódio! Fala, Marilena Chaui!!!

Ai, ai… Vocês se lembram deste vídeo, não é mesmo?


Então… A petista com fama de filósofa protagonizou esse espetáculo grotesco no dia 14 de maio do ano passado. Em menos de um mês, teriam início as tais jornadas de junho. Em março, o Datafolha havia publicado uma pesquisa segundo a qual 65% achavam o governo ótimo ou bom. Para 27%, era regular. E apenas 7% o consideravam ruim ou péssimo. O petismo vivia, então, o auge do delírio de poder. E já fazia planos para, como dizer?, eliminar de vez a oposição no país. Nas redes sociais, a patrulha fascistoide assumia violência retórica inédita.

Deu-se, então, esse evento no Centro Cultural São Paulo. O que se comemorava lá? Relembro trecho de um texto que publiquei no dia 17 de maio de 2013 (em azul). Volto em seguida:

O sociólogo Emir Sader, emérito torturador da língua portuguesa, é organizador de um livro de artigos intitulado “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”. Não li os textos, de vários autores (dados alguns nomes, presumo o que vai lá). O título é coisa de beócios. Para que pudesse haver esse “depois”, forçoso seria que tivesse havido o “antes”. Como jamais houve liberalismo propriamente dito no país — o “neoliberalismo” é apenas uma tolice teórica, que nunca teve existência real —, a, digamos assim, “obra” já nasce de uma empulhação intelectual. Pode até ser que haja no miolo, o que duvido, um artigo ou outro que juntem lé com lé, cré com cré, o que não altera a natureza do trabalho. Quem foi neoliberal? Fernando Henrique? Porque privatizou meia dúzia de estatais? A privatização de aeroportos e estradas promovida por Dilma Rousseff — e ela o fez mal e tardiamente — é o quê? Expressão do socialismo? Do “neonacional-desenvolvimentismo”? Sader se orienta no mundo das ideias com a mesma elegância com que se ocupa da sintaxe, da ortografia e do estilo.

Na terça-feira passada, um evento no Centro Cultural São Paulo marcou o lançamento do livro. Luiz Inácio Lula da Silva (quando Sader está no mesmo texto, eu me nego a chamar Lula de “apedeuta”!) e Marilena Chaui estavam lá para debater a obra. Foi nesse encontro que a professora de filosofia da USP mergulhou, sem medo de ser e de parecer ridícula, na vigarice intelectual, na empulhação e na pilantragem teórica. Se eu não achasse que estamos diante de um caráter típico, seria tentado a tipificar uma patologia.

Retomo
O ex-presidente Lula, como vocês viram, aplaudiu. Este fim de semana trouxe uma série de pesquisas devastadoras para o PT. O governo é considerado ruim ou péssimo por 29% dos brasileiros, tecnicamente empatados com os apenas 32% que o veem como ótimo ou bom. Para 38%, é apenas regular. No segundo turno, Dilma já está em empate técnico com o tucano Aécio Neves. É também a candidata mais rejeitada: 35%.  A gestão de Fernando Haddad é reprovada por 47% dos paulistanos, e o candidato do partido ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, aparece com 4% dos votos. O tucano Geraldo Alckmin se reelegeria com 54% dos votos, e sua gestão é vista como ótima ou boa por 46% dos paulistas — só 14% a reprovam. Para a vaga no Senado, José Serra está na liderança.

Em desespero, Lula distribui broncas.

É isso aí. Que fique, mais uma vez, o registro da fala daquela senhora, aplaudida pelo chefão petista:
“É porque eu odeio a classe média. A classe média é um atraso de vida. A classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. É uma coisa fora do comum a classe média (…) A classe média é a uma abominação política porque ela é fascista. Ela é uma abominação ética porque ela é violenta. E ela é uma abominação cognitiva porque ela é ignorante”.

Parece ser crescente o número de pessoas que rejeitam o ódio como exercício da política e a política como exercício do ódio.

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Cadeia para a canalha black bloc e suas fadinhas e duendes de fachada!

Não há forma mais perversa de criminalizar a liberdade de expressão e de manifestação do que confundi-la com banditismo. Durante um bom tempo, o país viveu uma espécie de apagão legal, com um governo incapaz de cumprir uma de suas funções — que é a garantia da lei e da ordem democráticas, conforme exige a Constituição — e uma imprensa que passou a fazer profissão de fé na baderna, como se estivéssemos diante de um quadro em que a sociedade está sendo esmagada pelo Estado, sem canais para expressar o seu descontentamento que não a violência.

Escrevi aqui em junho e nos meses seguintes: o Brasil não era o Egito. O Brasil não era a Líbia. O Brasil não era nem mesmo a Turquia. O primeiro país passou, tudo bem pesado, por três golpes. O segundo está sendo governado por milícias terroristas. O terceiro vive uma luta intestina entre a democracia como um valor laico, que não repudia a religião, e a religião que se pretende expressão da maioria e que repudia a… democracia.

A Polícia, o Ministério Público e a Justiça resolveram, depois de uma fase de espantoso entorpecimento, agir contra os vândalos da ordem democrática. Espero que, num futuro nem tão distante, ainda venhamos a refletir sobre estes dias e perguntar como foi possível ter tanta tolerância com a violência, com a truculência, com a determinação escancarada de violar princípios elementares da civilidade. E foi precisamente isso que fizeram os black blocs e alguns ditos “líderes” de manifestações que agora tiveram a prisão preventiva decretada.

Compreendo que o papel dos advogados seja, afinal, advogar… Não questiono a legitimidade de sua tarefa, um dos pilares do Estado de Direito. Mas essa mesma ordem, que defendo de modo incondicional, me permite escarnecer dos argumentos de alguns doutores. No terreno do pensamento, seria mais decente e lógico que buscassem sustentar a legitimidade, nunca a legalidade!, da violência a que aderiram seus clientes — por absurdo que pareça — do que apelar, para defendê-los, aos fundamentos do tal Estado de Direito. A razão é simples: aquela gente só partiu para a ação direta, para o quebra-quebra, para a pauleira, porque não acreditava, e não acredita, nas garantias e nos valores com os quais tenta agora se defender.

Se a Polícia, como diziam e dizem esses valentes, é só a expressão armada de um Estado autoritário e fascista; se a Justiça já não serve como espaço de arbitragem de demandas; se os Poderes instituídos, enfim, existem para esmagar o que consideram ser a sua liberdade, que sentido faz pedir que os supostos algozes compreendam as razões de suas supostas vítimas?

Nessa hora, um apressadinho já se ajeita na cadeira: “Ah, então os perseguidos políticos nas ditaduras não deveriam nem mesmo ter um advogado, porque estariam fazendo justamente o que você diz: apelando a uma instância cuja legitimidade questionam…” Pois é: chegamos ao busílis da coisa, ao cerne da questão: vivemos num regime democrático, não numa tirania.

Esse regime tem muitas imperfeições e vive sendo ameaçado por correntes autoritárias. Mas ainda estamos numa democracia, sim, e a Constituição e as leis que estão em vigor foram pactuadas.  Num estado discricionário, quando o advogado de um inimigo do poder apela à Corte, ele dá a sua contribuição pessoal para denunciar o regime. A democracia, que os baderneiros tomam como falácia, é de tal sorte tolerante que lhes permite apelar em nome dos fundamentos nos quais eles próprios não acreditam.

Comprovadas as culpas dos que estão presos — e espero que os foragidos sejam logo capturados —, resta à ordem democrática brasileira provar a esses valentes que este é o regime em que é proibido bater, quebrar, depredar, incendiar e… matar. E que seu lugar é a cadeia. Não necessariamente para que aprendam alguma coisa. Mas para que saibam que nós aprendemos.

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Arruda evita imprensa e faz campanha silenciosa no Distrito Federal
Evandro Éboli e Jailton de Carvalho, O Globo

Depois do vídeo divulgado em 2009 — no qual aparecia recebendo dinheiro três anos antes — com efeito estrondoso que fulminou suas pretensões políticas e o tirou do cargo de governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PR) faz uma campanha silenciosa, de formiguinha, para tentar voltar ao cargo.

O Arruda 2014 vai de porta em porta, entregando seus santinhos pessoalmente aos eleitores. "Desculpe incomodá-los. Com licença gente, posso deixar com vocês?", apresenta-se o candidato, distribuindo seu santinho no corpo a corpo de campanha.

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Dilma anuncia mais R$ 40 milhões para cidades no Rio Grande do Sul
Flávio Ilha, O Globo

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem, em Uruguaiana (RS), a liberação de R$ 40 milhões para a reconstrução de estradas atingidas pela chuva registrada no final de junho no Rio Grande do Sul. Pela manhã, a presidente fez um sobrevoo de 12 minutos na área atingida pela cheia do rio Uruguai.

O anúncio ocorreu durante uma reunião que contou com a presença de 10 prefeitos da região da Fronteira Oeste e do governador do Estado, Tarso Genro. O plano de reconstrução encaminhado pelo governo gaúcho será repassado em sete dias à Secretaria Nacional de Defesa Civil, responsável pela liberação dos recursos.

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Aécio diz que 'PT está à beira de ataque de nervos'
Laryssa Borges, Veja

Faltando um mês para o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, o candidato do PSDB à Presidência da República Aécio Neves disse que a rejeição do eleitor ao governo da presidente Dilma Rousseff abre espaço para que o PT atue com “terrorismo eleitoral” e o acuse de querer acabar com programas de assistência social, como o Bolsa Família.

Para o tucano, a constatação, medida pelo Instituto Datafolha, de que 35% do eleitorado não votariam na petista “de jeito nenhum”, coloca o PT “à beira de um ataque de nervos”.

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Campos diz que Dilma não concluiu obras no Nordeste
Carol Sanches, Estadão

O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, disse ontem, durante visita a capital alagoana, que o atual governo não concluiu nenhuma das obras que foram iniciadas no Nordeste desde que assumiu a gestão. Para Campos, a presidente Dilma Rousseff (PT) não se preocupou com a região onde teve mais de 11 milhões de votos.

Campos destacou que tem um compromisso com o Nordeste e fez críticas ao governo. "Não vemos uma obra que começou no governo de Dilma ter sido concluída. O Canal do Sertão está aí, sem um hectare de terra irrigado, sem levar água do canal para as cidades que estão com sede. Vemos o potencial turístico do litoral alagoano sem a obra da duplicação da AL-101, que foi uma luta nossa desde o governo de Lula", disse.

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Sininho incitou black blocs a incendiar Câmara do Rio
Daniel Haidar, Veja

Na denúncia apresentada ao juiz Flávio Itabaiana em que foi obtida a prisão preventiva e a abertura de um processo penal por associação criminosa armada contra 23 ativistas e black blocs, o promotor Luís Otávio Figueira Lopes descreveu que Elisa Quadros, a Sininho, incitou manifestantes a incendiar o prédio da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, durante a ocupação do local por baderneiros no ano passado - o ato foi impedido por outros participantes do protesto.

"Elisa foi vista comandando manifestantes no sentido de carregarem três galões de gasolina para a Câmara Municipal", diz a denúncia assinada por Lopes. A promotoria também afirma que Sininho foi uma das responsáveis, com outros seis líderes processados neste caso, por comandar e levar manifestantes a queimar um ônibus durante o Ocupa Câmara.

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Se não mudarem, FMI e Banco Mundial perderão relevância global
Eliane Oliveira, O Globo

A criação de um banco de desenvolvimento e um fundo de reservas para ajudar a resolver problemas de fluxo de caixa e balanço de pagamento do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, não é uma contraposição ao Banco Mundial (Bird) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas esses instrumentos precisam ser reformulados para sobreviver.

A avaliação é do ministro da Fazenda, Guido Mantega, um dos articuladores das novas instituições, lançadas oficialmente na terça-feira em Fortaleza. "Os instrumentos sobrevivem e sobreviverão, desde que reformulados, senão vão perdendo sua importância. Ou eles (FMI e Bird) expressam melhor a nova realidade mundial, com novas potências e em pé de igualdade, ou deixam de ser importantes", disse.

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Ucrânia tem provas de participação russa no ataque a avião da Malásia
Rodrigo Fernández, El País

Enquanto os cadáveres das 298 vítimas do voo MH-17 apodrecem ao sol, com 30 graus de temperatura, e se multiplicam as pressões sobre Moscou por parte do Ocidente – lideradas por Mark Rutte, primeiro ministro da Holanda, que perdeu 193 cidadãos –, as autoridades ucranianas afirmaram ontem ter provas da implicação da Rússia no ataque.

Em uma entrevista coletiva em Kiev, Vitaly Naida, responsável pela Contraespionagem do Serviço de Segurança Estatal (SBU, na sigla ucraniana), mostrou fotografias do que afirmou serem três sistemas de mísseis Buk-M1 a caminho da fronteira russa. Assegurou que dois cruzaram a fronteira às duas da madrugada de sexta-feira (20 horas de quinta-feira, horário de Brasília), ou seja, dez horas depois do Boeing 777 da Malaysia Airlines ser atingido em pleno voo.

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Ataque israelense a Gaza abala a unidade palestina
Juan Gómez, El País

Era preciso reparar nas duas bandeiras amarelas que ondeavam sobre os alto-falantes para perceber que o discurso inflamado de resistência que troava no sábado em frente ao hospital de Jan Yunis provinha dos palestinos próximos ao Movimento de Libertação Nacional da Palestina, o Al Fatah. Em um tom que poderia muito bem ser confundido com o típico usado pelo grupo islâmico e também palestino Hamas, a voz pedia resposta contra os ataques israelenses e a "libertação da Palestina".

As pessoas ali reunidas esperavam nove corpos, vítimas de um só projétil de um drone israelense na noite anterior. O aspecto da multidão, composta em sua maioria por homens bem barbeados e vestidos à europeia, corresponde com o que se espera dos seguidores da Al Fatah, o partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas. O cortejo fúnebre levou dois cadáveres amortalhados com bandeiras verdes do Hamas. Os outros sete, envoltos nas cores palestinas, eram da Al Fatah.

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Jihadistas executaram 270 em campo de gás na Síria, denuncia ONG
O Globo

Jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) executaram 270 pessoas durante a invasão de um campo de gás na Síria e apedrejaram duas mulheres, denunciou neste sábado o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), num dos confrontos mais violentos entre o grupo dissidente da al-Qaeda e as tropas do presidente sírio Bashar al-Assad.

"Trata-se da operação mais mortífera realizada pelo Estado Islâmico desde o nascimento do grupo no ano passado", disse o grupo de monitoramento com sede no Reino Unido, em referência ao ataque que aconteceu na última quinta-feira no campo de gás de Chaer.

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Apenas um a cada quatro eleitores aprova Dilma nas grandes cidades. Rejeição da petista chega a 42%.

Apesar de ainda liderar a disputa pelo Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff perdeu parte do capital político que tinha nos grandes centros urbanos — cidades que têm mais de 500 mil habitantes e que costumam funcionar como polos propagadores de votos para o resto do país. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha divulgada na quinta-feira, nos últimos 15 dias, houve queda na intenção de votos na petista e aumento de seus índices de rejeição. Além disso, piorou a avaliação de desempenho do atual governo. Os dados foram recebidos com preocupação pelo comitê que trabalha na reeleição da presidente.

De acordo com a sondagem, o percentual de eleitores que consideram a gestão de Dilma “ótima ou boa” recuou de 30%, no início de julho, para 25% nos municípios com mais de 500 mil habitantes. No mesmo período, a classificação de “ruim ou péssimo” foi de 31% para 37%, e a “regular”, de 38% para 37%, na mesma região.

Essa piora na avaliação se refletiu nos demais indicadores da pesquisa. Dilma viu as intenções de voto nessas cidades caírem de 32% para 29%. O percentual de eleitores que dizem votar no tucano Aécio Neves — que até aqui aparece como principal adversário à reeleição de Dilma — diminuiu de 24% para 22%, enquanto o de Eduardo Campos (PSB) foi de 8% para 9%. Cresceu, neste item, o número de votos em branco e nulos (de 17% para 19%) e dos eleitores que afirmaram que não sabem quem escolher (de 9% para 12%).

Já a rejeição de Dilma nos maiores municípios do país, que era de 37% no início de julho, chega agora a 42%. A de Aécio avançou um ponto percentual (para 21%), e a de Campos foi de 16% para 19%.

A IMPORTÂNCIA DA PROPAGANDA DE TV

Para analistas ouvidos pelo GLOBO, as atenções do eleitor sobre o processo político foram ofuscadas durante a Copa do Mundo, o que gerou uma sensação de melhora do governo e se refletiu nos números divulgados pelo Datafolha no início de julho. Contudo, terminada a competição, a falta de um legado concreto que melhore a rotina da população das grandes cidades reativou as tensões sociais expostas desde junho do ano passado.

Num cenário como este, ressaltam analistas, a propaganda no rádio e na TV será ainda mais importante na definição da eleição. A presidente Dilma terá o dobro do tempo de exposição de seus adversários e precisaria aproveitar isso em seu favor. (O Globo)


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Blog do Noblat

O correto uso do papel higiênico
João Ubaldo Ribeiro

(A última crônica do escritor que morreu ontem)

O título acima é meio enganoso, porque não posso considerar-me uma autoridade no uso de papel higiênico, nem o leitor encontrará aqui alguma dica imperdível sobre o assunto. Mas é que estive pensando nos tempos que vivemos e me ocorreu que, dentro em breve, por iniciativa do Executivo ou de algum legislador, podemos esperar que sejam baixadas normas para, em banheiros públicos ou domésticos, ter certeza de que estamos levando em conta não só o que é melhor para nós como para a coletividade e o ambiente.

Por exemplo, imagino que a escolha da posição do rolo do papel higiênico pode ser regulamentada, depois que um estudo científico comprovar que, se a saída do papel for pelo lado de cima, haverá um desperdício geral de 3,28%, com a consequência de que mais lixo será gerado e mais árvores serão derrubadas para fazer mais papel. E a maneira certa de passar o papel higiênico também precisa ter suas regras, notadamente no caso das damas, segundo aprendi outro dia, num programa de TV.

Tudo simples, como em todas as medidas que agora vivem tomando, para nos proteger dos muitos perigos que nos rondam, inclusive nossos próprios hábitos e preferências pessoais. Nos banheiros públicos, como os de aeroportos e rodoviárias, instalarão câmeras de monitoramento, com aplicação de multas imediatas aos infratores.

Nos banheiros domésticos, enquanto não passa no Congresso um projeto obrigando todo mundo a instalar uma câmera por banheiro, as recém-criadas Brigadas Sanitárias (milhares de novos empregos em todo o Brasil) farão uma fiscalização por escolha aleatória.

Nos casos de reincidência em delitos como esfregada ilegal, colocação imprópria do rolo e usos não autorizados, tais como assoar o nariz ou enrolar um pedacinho para limpar o ouvido, os culpados serão encaminhados para um curso de educação sanitária. Nova reincidência, aí, paciência, só cadeia mesmo.

Agora me contam que, não sei se em algum estado ou no país todo, estão planejando proibir que os fabricantes de gulodices para crianças ofereçam brinquedinhos de brinde, porque isso estimula o consumo de várias substâncias pouco sadias e pode levar a obesidade, diabetes e muitos outros males. Justíssimo, mas vejo um defeito.

Por que os brasileiros adultos ficam excluídos dessa proteção? O certo será, para quem, insensata e desorientadamente, quiser comprar e consumir alimentos industrializados, apresentar atestado médico do SUS, comprovando que não se trata de diabético ou hipertenso e não tem taxas de colesterol altas.

O mesmo aconteceria com restaurantes, botecos e similares. Depois de algum debate, em que alguns radicais terão proposto o Cardápio Único Nacional, a lei estabelecerá que, em todos os menus, constem, em letras vermelhas e destacadas, as necessárias advertências quanto a possíveis efeitos deletérios dos ingredientes, bem como fotos coloridas de gente passando mal, depois de exagerar em comidas excessivamente calóricas ou bebidas indigestas. O que nós fazemos nesse terreno é um absurdo e, se o Estado não nos tomar providências, não sei onde vamos parar.

Ainda é cedo para avaliar a chamada lei da palmada, mas tenho certeza de que, protegendo as nossas crianças, ela se tornará um exemplo para o mundo. Pelo que eu sei, se o pai der umas palmadas no filho, pode ser denunciado à polícia e até preso. Mas, antes disso, é intimado a fazer uma consulta ou tratamento psicológico.

Se, ainda assim, persistir em seu comportamento delituoso, não só vai preso mesmo, como a criança é entregue aos cuidados de uma instituição que cuidará dela exemplarmente, livre de um pai cruel e de uma mãe cúmplice. Pai na cadeia e mãe proibida de vê-la, educada por profissionais especializados e dedicados, a criança crescerá para tornar-se um cidadão modelo. E a lei certamente se aperfeiçoará com a prática, tornando-se mais abrangente.

Para citar uma circunstância em que o aperfeiçoamento é indispensável, lembremos que a tortura física, seja lá em que hedionda forma — chinelada, cascudo, beliscão, puxão de orelha, quiçá um piparote —, muitas vezes não é tão séria quanto a tortura psicológica.

Que terríveis sensações não terá a criança, ao ver o pai de cara amarrada ou irritado? E os pais discutindo e até brigando? O egoísmo dos pais, prejudicando a criança dessa maneira desumana, tem que ser coibido, nada de aborrecimentos ou brigas em casa, a criança não tem nada a ver com os problemas dos adultos, polícia neles.

Sei que esta descrição do funcionamento da lei da palmada é exagerada, e o que inventei aí não deve ocorrer na prática. Mas é seu resultado lógico e faz parte do espírito desmiolado, arrogante, pretensioso, inconsequente, desrespeitoso, irresponsável e ignorante com que esse tipo de coisa vem prosperando entre nós, com gente estabelecendo regras para o que nos permitem ver nos balcões das farmácias, policiando o que dizemos em voz alta ou publicamos e podendo punir até uma risada que alguém considere hostil ou desrespeitosa para com alguma categoria social.

Não parece estar longe o dia em que a maioria das piadas será clandestina e quem contar piadas vai virar uma espécie de conspirador, reunido com amigos pelos cantos e suspeitando de estranhos. Temos que ser protegidos até da leitura desavisada de livros.

Cada livro será acompanhado de um texto especial, uma espécie de bula, que dirá do que devemos gostar e do que devemos discordar e como o livro deverá ser comentado na perspectiva adequada, para não mencionar as ocasiões em que precisará ser reescrito, a fim de garantir o indispensável acesso de pessoas de vocabulário neandertaloide.

Por enquanto, não baixaram normas para os relacionamentos sexuais, mas é prudente verificar se o que vocês andam aprontando está correto e não resultará na cassação de seus direitos de cama, precatem-se.

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Disputa acirrada

As pesquisas eleitorais que vão sendo divulgadas indicam que a campanha presidencial será disputada em condições bastante diferentes das de 2010, quando a então candidata Dilma Rousseff foi eleita no segundo turno com uma diferença de mais de 12 milhões de votos sobre o candidato tucano José Serra.

O maior problema para os estrategistas do governo é que tanto no primeiro quanto no segundo turnos daquele ano a candidata governista teve a base de sua vitória no nordeste. No segundo turno Dilma abriu 11.77.817 votos de diferença no norte e nordeste do país. Nas demais regiões – sul, sudeste e centro-oeste – teve uma vitória apertada, com apenas 275.124 votos de diferença.

A atuação no primeiro turno, equivalente ao que está sendo apurado agora pelas pesquisas eleitorais, teve votações formidáveis em diversos estados que hoje não parecem tão favoráveis à reeleição de Dilma, a começar pelo nordeste, que embora continue sendo o ponto forte da candidata petista, mostrou uma redução do apoio nesta última pesquisa Datafolha, de 55% para 49%.

Além disso, a oposição está mais bem representada em estados importantes naquela região, seja pela candidatura do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, seja pelos palanques que o PSDB conseguiu montar. Em Pernambuco, a candidatura petista, apoiada pelo PSB, teve 1.9 milhão votos de diferença a seu favor, e hoje, embora a as pesquisas continuem mostrando a presidente muito forte, provavelmente será Eduardo Campos quem vai fazer essa diferença, se não maior, sobre Dilma e Aécio.

A vitória de Dilma na Bahia foi de 2,7 milhões de votos, mas hoje o prefeito de Salvador ACM Neto, do DEM é a força política em ascensão no Estado, e ele está apoiando o candidato tucano juntamente com a dissidência do PMDB local. Dificilmente Dilma ganhará a eleição lá, muito menos por essa diferença.

No Ceará, a diferença a favor do governo foi de 2 milhões de votos, mas hoje a candidatura dissidente do PMDB do senador Eunício de Oliveira é a favorita, em coligação com o PSDB que terá o ex-governador Tasso Jereissatti como candidato a senador.

No Amazonas, a candidata Dilma Rousseff teve 64,7% dos votos, tirando uma diferença a seu favor de mais de 850 mil votos. Hoje, a capital está sendo governada pelo PSDB, que tem em Arthur Virgilio um forte cabo eleitoral.

No Maranhão, onde Dilma teve 1,6 milhão votos a mais, o clã Sarney em crise não terá a mesma força, sem falar que a governadora Roseana pode apoiar Aécio, que está em uma coligação com Flavio Dino, do PC do B, o favorito da eleição.

No chamado Triângulo das Bermudas, que reúne os três maiores colégios eleitorais do país, a situação política não pressupõe as facilidades tidas em 2010 pelo governo. No Rio de Janeiro, a dissidência do governo Cabral/Pezão a cada dia fica mais explícita pelos atos, não pelas palavras. Ontem o candidato Aécio Neves visitou o cardeal do Rio D. Orani Tempesta acompanhado do senador Francisco Dornelles, que acumula o cargo de candidato a vice de Pezão com o fato de ser tio de Aécio.

A diferença de 1,8 milhão de votos dificilmente será alcançada pela candidatura petista, que tem a apoiá-la o senador Lindbergh Farias, candidato que continua em último lugar nas pesquisas e sem a máquina eleitoral que Pezão comanda. Os dois líderes da pesquisa, Garotinho do PR e Crivela do PRB, podem apoiar Dilma, mas o governo não sabe ainda se ajudaria ou atrapalharia.

Em Minas Gerais, a presidente Dilma, à frente de uma chapa virtual Dilmasia (com o então candidato ao governo Antonio Anastasia, do PSDB) teve uma diferença a seu favor de 1,8 milhão de votos. Desta vez, os aecistas fazem o cálculo de que o candidato tucano terá cerca de 3 milhões de votos, no mínimo, a mais que Dilma.

Em São Paulo, terreno em que os tucanos têm derrotado o PT em todas as eleições para Presidente da República, o PSDB acha que aumentará a vantagem que José Serra teve no segundo turno, de cerca de 1,8 milhão de votos. Ainda mais depois que a pesquisa Datafolha mostrou o governador Geraldo Alckmin deslanchando na eleição para governador e começando a transferir votos de seus eleitores para Aécio.

A taxa de rejeição de Dilma em São Paulo é maior do que a sua média nacional, que já é alta: ela tem 35% de rejeição no país e 47% no Estado. Nada mais exemplar das dificuldades que a candidatura Dilma encontra em São Paulo do que o resultado da pesquisa sobre o segundo turno no Estado: Aécio vence por 50% a 31% e Campos, por 48% a 32%.

Como no momento Aécio está empatado com Dilma em 25% das preferências e Eduardo Campos tem apenas 8% no Estado, é de se supor que no decorrer da campanha os números se ajustarão em favor da oposição.

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Blog do Ilimar Franco

Aécio na TV

          O tucano Aécio Neves quer invadir as TVs de aliados da presidente Dilma, mas que são adversários do PT nas eleições estaduais. O tucano não poderá pedir votos para si. Mas pedirá para candidatos a governador que enfrentem petistas com apoio do PSDB. “A ideia é reforçar a identidade entre ambos”, frisa o deputado Carlos Sampaio, integrante da coordenação jurídica da campanha.

Uma pontinha na tela
Já estaria acertado, segundo os tucanos, que Aécio Neves pedirá votos na TV no horário dos candidatos aos governos gaúcho, Ana Amélia (PP), e capixaba, Paulo Hartung (PMDB). O PSDB trabalha para abrir uma janela na telinha do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ). Mas Aécio já garantiu sua presença pedindo votos para Cesar Maia (DEM), candidato ao Senado apoiado por Pezão. No Ceará, no tempo do candidato a governador Eunício Oliveira (PMDB), as portas já estão fechadas pois esse foi o acerto com o PSDB local. Mas o tucano poderá usufruir do tempo na TV do candidato ao Senado da chapa, o correligionário Tasso Jereissati.

“Tapa os ouvidos aí Eunício (Oliveira), porque agora eu vou falar do Aécio (Neves)”

Tasso Jereissati
Candidato do PSDB ao Senado, dirigindo-se ao candidato a governador da chapa num evento de campanha

A tática do medo
O prefeito Alexandre Cardoso (Duque de Caxias) organiza ato, em agosto, de defesa dos programas sociais do governo. O mote será o Mais Médicos. A ideia é associar a proposta tucana de renegociar o contrato com Cuba ao desmonte do programa.

Ciumeira
O tiroteio na cúpula do PT, do governo e da campanha da presidente Dilma é intenso. Algumas estrelas do petismo estão se queixando pelos cantos que não estão sendo ouvidas. Eles se dizem excluídos, a exemplo do que fazem os partidos aliados do PT. Por isso, sempre que há alguma divergência é a presidente quem bate o martelo.

Quem sabe faz a hora
Alguns analistas políticos consideram que é cedo para saber o que os candidatos a presidente farão se forem eleitos. Avaliam que todos eles estão falando para os ouvidos dos agentes econômicos e dos financiadores das campanhas eleitorais.

Ponto de partida
O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, vai dar início a campanha nessa segunda-feira. Num ato simbólico, ele fará uma visita ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG). Foi nessa igreja, em 1984, que seu avô, Tancredo Neves, começou caminhada que o levou, no ano seguinte, a eleger-se à Presidência.

Muito além do jardim
Os candidatos nanicos estão entrando na atual campanha presidencial, segundo as pesquisas, em patamares muito acima de seu desempenho. Em 2010, o PCO fez 12 mil votos (0,01%); o PSTU fez 84 mil (0,08%); e, o PSOL fez 886 mil (0,87%).

Está tudo sempre bem
O time do senador Lindbergh Farias (PT) diz que ele ficou entusiasmado com o Datafolha. Ele já estava otimista quando era o terceiro. Agora, o motivo do ufanismo é que ele larga com 12%, enquanto em 2010 ele começou com 4%.

A META imediata da campanha do candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, é atingir a base social petista. Hoje ele tem 4% nas pesquisas.


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Blog do Noblat

Ministério Público planeja ações para reaver dinheiro do mensalão
Laryssa Borges, Veja

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou ontem que o Ministério Público planeja entrar com ações na Justiça para tentar recuperar o dinheiro desviado no mensalão. Ao longo do julgamento do maior escândalo de corrupção da história do país, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estimaram que pelo menos 173 milhões de reais tenham passado pelas mãos dos mensaleiros.

Já o operador do esquema, Marcos Valério, chegou a projetar que o caixa para subornar políticos chegaria a pelo menos 350 milhões de reais. De acordo com o chefe do Ministério Público, a principal tarefa agora é conseguir contabilizar o montante dos recursos que escoaram pelo esquema.

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Procurador-geral diz que Arruda é ficha-suja e defende cassação
Erich Decat, Estadão

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu que o ex-governador José Roberto Arruda (PR) não dispute a eleição para governador do Distrito Federal. Arruda, que renunciou ao cargo em 2009, meses antes da aprovação da Lei da Ficha Limpa, foi condenado neste mês em órgão colegiado do Judiciário por envolvimento no chamado mensalão do DEM.

O Ministério Público Eleitoral já pediu a impugnação de Arruda com base na Ficha Limpa. Se a candidatura for mantida e o ex-governador vencer a disputa de outubro, Janot afirmou que a Procuradoria vai recorrer para tentar impedir a diplomação.

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Cardozo anuncia segurança reforçada para as eleições
O Globo

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou a criação de uma comissão que irá estabelecer novas estratégias e atividades para os Centros Integrados de Comando e Controle (CICC) durante o período eleitoral. Ontem, durante reunião com secretários de segurança pública dos estados que sediaram a Copa do Mundo, em Salvador (BA), Cardozo usou como exemplo a organização das forças de segurança durante o Mundial para traçar metas para as eleições deste ano.

Também estavam presentes na reunião integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). "Esse é o desafio que nós temos agora. Criar uma política de segurança pública que seja de Estado e não de governo. Na Copa do Mundo nós rompemos uma cultura de 'isolacionismo'. Nós conseguimos juntar tudo", disse Cardozo.

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Dilma ataca criação de ‘cenário de incerteza’ da oposição
Flávio Ilha, O Globo

A presidente Dilma Rousseff aproveitou a posse da nova diretoria da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), ontem em Porto Alegre, para atacar os indicadores da política econômica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1995 e 2002.

Segundo Dilma, os indicadores atuais apresentam “muito mais robustez do que há 12 anos”. A presidente salientou que em 15 anos de regime de metas de inflação, adotado em 1999, o resultado “estourou” o teto em apenas três anos.

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Justiça do Rio aceita denúncia e decreta prisão de 23 black blocs
Veja

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou na noite de ontem denúncia do Ministério Público contra 23 ativistas acusados de formação de quadrilha armada e decretou sua prisão preventiva.

Cinco dos réus integram o grupo de black blocs que tiveram a prisão temporária decretada no último sábado, véspera da final da Copa do Mundo, durante a Operação Firewall, e que foram beneficiados por habeas corpus durante esta semana. Segundo o Tribunal de Justiça, os mandados de prisão já foram expedidos.

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TCU encontra superfaturamento na ferrovia Norte-Sul
André Borges, Estadão

Mais uma vez, a ferrovia Norte-Sul é alvo de superfaturamento e uma série de outras irregularidades, como liquidação irregular da despesa, fiscalização ou supervisão deficiente ou omissa e projeto de engenharia deficiente ou desatualizado. Os problemas foram encontrados por uma recente auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).

No Lote 12 da Norte-Sul, entre os municípios de Aguirnópolis e Palmas, no Estado de Tocantins, foi confirmado um superfaturamento de R$ 37,3 milhões em obras tocadas pela empreiteira SPA Engenharia. O contrato firmado em 2007 tem valor global de R$ 299,6 milhões.

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Após resultado do Datafolha, bolsa registra maior nível em 16 meses
Veja

A bolsa brasileira fechou em seu maior patamar em um ano e quatro meses ontem, após pesquisa eleitoral do instituto Datafolha mostrar competição mais acirrada em um eventual segundo turno nas eleições de outubro. O Ibovespa subiu 2,47%, a 57.012 pontos, maior patamar de fechamento desde 14 de março de 2013.

O giro financeiro do pregão foi de 10,14 bilhões de reais, ante média no ano de 6,5 bilhões de reais. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 4,07%, o melhor desempenho semanal desde o fim de março. A pesquisa Datafolha, que o mercado vinha tentando antecipar nos últimos dias, mostrou que a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves (PSDB) estão tecnicamente empatados em um eventual segundo turno nas eleições presidenciais de outubro.

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Cristãos fogem de Mosul para não serem assassinados
Veja

Grupos de cristãos fugiram nesta sexta-feira de Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, após o fim do prazo concedido pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) para que deixassem a localidade, tomada pelos jihadistas em 10 de junho. O pároco de uma igreja da cidade vizinha de Al Hamdaniya, Bashar al Kadia, disse que mais de 110 famílias se refugiaram no povoado e pelo menos outras vinte foram para a localidade de Bashiga.

O EIIL tinha dado três dias para que todos os cristãos locais deixassem a cidade. Uma das pessoas que fugiram, Ran Yacob, disse que os extremistas roubaram joias, dinheiro, móveis e objetos pessoais quando as famílias passaram pelos postos de controle que jihadistas instalaram na saída de Mosul.

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Negociações nucleares com Irã são prorrogadas por 4 meses
O Globo

Irã e seis potências mundiais concordaram na sexta-feira em prorrogar as negociações sobre o programa nuclear do país por mais quatro meses. Irã, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China haviam estabelecido 20 de julho como prazo para conclusão do acordo, que visa resolver uma disputa de dez anos a respeito dos direitos e das ambições de Teerã em relação ao seu programa nuclear.

Estados Unidos e Israel, por exemplo, acusam o Irã de querer desenvolver uma bomba atômica. O país nega e afirma que tem o direito de produzir energia nuclear. Sanções unilaterais americanas e europeias, assim como as aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, isolaram a economia do Irã dos mercados mundiais e das finanças globais.

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Avanço militar israelense em Gaza semeia terror e provocação
Noah Browning, Reuters

Palestinos de Gaza encolhiam-se temendo por suas vidas enquanto militantes do Hamas pediam por valentia depois de Israel enviar forças, na quinta-feira, ao densamente povoado território após 10 dias de trocas de tiros na fronteira. Pessoas abandonaram casas em ruas normalmente apinhadas depois de uma noite de bombardeios.

Navios lançando tiros de metralhadoras aproximaram-se da costa mediterrânea do enclave no deserto, com disparos de artilharia iluminando de laranja o horizonte a cada poucos segundos e balançando edifícios com ataques aéreos. Grupos pequenos de homens sonolentos marcharam para as orações da sexta-feira na Cidade de Gaza, apesar da artilharia israelense.

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Obama articula com aliados novas sanções contra Rússia
O Globo

Um dia após a queda de um avião no Leste da Ucrânia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ligou para aliados para pressionar por mais sanções contra a Rússia, a quem o americano acusa de causar instabilidade na região. Ele ligou para a chanceler federal alemã, Angela Merkel, para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e para o premier australiano Tony Abbott.

"Embora concordando em continuar os esforços para encontrar uma solução diplomática para a crise atual, eles reafirmaram sua determinação de permanecer em contato próximo, pois consideram que podem ser necessárias ações adicionais", disse a Casa Branca sobre a conversa entre Obama e Merkel.

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Rejeição a Dilma em São Paulo é de 47%; no Estado, Aécio a vence no 2º turno por 50% a 31%; PT decide se colar a movimentos sociais para tentar reverter desvantagem. Grande ideia! Vá fundo!

Ainda voltarei ao tema — e vai me tomar um tempinho —, mas o fato é que foi em São Paulo que tudo começou. Foi neste Estado, especialmente na capital, que alguns aprendizes de feiticeiro do Planalto — entre eles, José Eduardo Cardozo e Gilberto Carvalho — resolveram brincar de insuflar a desordem. A ideia era botar Geraldo Alckmin na frigideira. Deram-se mal. Muito mal. Mas este post vai cuidar de outro assunto. São Paulo decidiu ver quem sobe e desce a rampa. E boa parte do eleitorado não quer saber de Dilma Rousseff, o que está deixando os petistas em pânico. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 47% dos eleitores do Estado não votariam nela de jeito nenhum — a sua taxa de rejeição no país é de 35%, a mais alta entre os presidenciáveis. O busílis é que São Paulo, sozinho, concentra 22,4% do eleitorado. A exemplo de Lênin, os petistas estão tentando descobrir o que fazer. E andam tendo ideias esquisitas. Mas não serei eu a tentar convencê-los do contrário.

A situação para a presidente no Estado é dramática. No primeiro turno, ela e Aécio têm, cada um, 25% dos votos — na Capital, ele lidera: 28% a 23%. O dramático está no segundo turno. O tucano vence a petista por 50% a 31%. Mesmo Eduardo Campos (PSB) a bateria por 48% a 32%. É evidente que aquela rejeição monstruosa se transforma em votos para seus opositores. E olhem que, como vocês sabem, não há espaço nas televisões para oposicionistas, não é? Já a presidente Dilma aparece dia sim, dia também, mas “como presidente”. É uma piada, mas é assim.

Tudo contra
E tudo conta contra Dilma, não apenas a ruindade do seu governo. A cidade de São Paulo tem hoje uma das gestões mais caóticas de sua história, com Fernando Haddad. Ele já se tornou uma caricatura. Malhá-lo é o passatempo predileto de milhões de paulistanos. Segundo o Datafolha, sua gestão é hoje aprovada por apenas 15% e reprovada por 47%. Já escrevi a respeito. É uma avaliação justíssima. Alexandre Padilha, o candidato do PT ao governo do Estado, amarga modestos 4%.

Pois bem. Segundo informa a Folha, os petistas decidiram injetar mais dinheiro na campanha de Padilha — taí uma coisa que não lhes falta, não é? — e se aproximar mais de alguns setores considerados “cativos” do PT: os movimentos sociais e um grupo de empresários. Por que um grupo de empresários apoia o partido? Não sei. Seria por lucro? Eles que o digam.

Movimentos sociais, é? Eis uma coisa que certamente desperta, a cada dia, mais a paixão dos paulistas, muito especialmente dos paulistanos, não é mesmo? Tudo o que a população desta cidade mais quer é sair de casa sem saber a que hora chegará ao trabalho porque os comandados dos sr. Guilherme Boulos, por exemplo, estão obstruindo alguma artéria da cidade. Tudo o que a população desta cidade mais quer é sair do trabalho sem saber a que hora chegará em casa porque alguns sindicalistas decidiram que é hora de parar os ônibus, os trens, o Metrô…

Os esquerdistas não se dá conta de que existe uma óbvia fadiga. Vai ver é por isso que Gilberto Carvalho tanto quer entregar o governo aos tais movimentos sociais. Ele não quer mais saber de eleitores decidindo o futuro do país…

Contra as pretensões petistas, há ainda o governador Geraldo Alckmin, com 54% das intenções de voto — avançou sete pontos em 15 dias, com rejeição de apenas 19%. Na baderna promovida pelo sindicato dos metroviários, ele preferiu, por exemplo, ficar ao lado do usuário. O PT, na prática, emitiu nota em favor dos grevistas. Uma questão de escolha.

A eleição ainda está longe, o horário eleitoral gratuito vem aí — e Dilma tem um latifúndio. Vamos ver. Algumas fórmulas às quais o petismo sempre apelou já não estão dando mais resultado. Até anteontem, parecia que bastava Lula mandar, e o eleitorado obedecida. De certo modo, aconteceu isso com Dilma e Fernando Haddad. Com os resultados conhecidos. Parece que as pessoas que trabalham e estudam e as que estudam e trabalham estão com o saco cheio.

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O MTST é mais um caso de polícia do que de política

Na minha coluna de ontem na Folha, escrevi sobre o MTST, com foco em sua personagem mais famosa: Guilherme Boulos, um excelente autor de si mesmo; um ótimo relações públicas da própria lenda em que pretende se transformar. Demonstrei, para quem sabe ler direito, que a sua vocação para a santidade é um delírio de classe para outros delirantes da… mesma classe! Não vou me repetir.

No arquivo, vocês encontram textos em que afirmo que o MTST repete todas as táticas do MST, mas na cidade. E “todas” inclui inflar os números das invasões para intimidar adversários e emparedar o poder público. Leiam trecho de reportagem na Folha de hoje. Volto depois.

Por César Rosati e Emílio Sant’Anna:
Nos 60 mil metros quadrados do Portal do Povo, área invadida no Morumbi (zona oeste), 4.000 famílias estão instaladas há quase um mês para reivindicar casa própria, segundo divulga a coordenação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). A Folha esteve por dois dias seguidos no local, em horários diversos, e verificou que a maioria das barracas só serve para demarcar território — e tentar vaga futura no cadastro da casa própria.
O movimento era pequeno tanto de dia como à noite, semelhante ao de algumas invasões de sem-terra no interior do país anos atrás. Com cerca de dois metros quadrados cada, as barracas estão fincadas na parte plana do terreno e também em uma encosta íngreme. Abertas nas laterais, a maioria tem os nomes dos “ocupantes” pintados com tinta branca. Nas barracas, porém, não há espaço para a permanência de uma pessoa adulta ou mesmo de uma família. O que se vê dentro é apenas mato. O comando do movimento alegou, após ser questionado, que as 4.000 famílias “ocupam” a área, mas que há um revezamento durante a noite. “O fato de não dormirem 4.000 famílias lá não significa que não precisem de moradia. São pessoas que vivem no entorno em situação precária”, disse Natalia Szermeta, coordenadora do MTST.
(…)
Por volta das 19h, uma assembleia do MTST chegou a reunir cerca de 400 pessoas no Portal do Povo. Duas horas e meia depois, ele começou a ser esvaziado de novo. Após assinar a lista de presença no final da assembleia, a maioria foi embora, formando fila no ponto de ônibus. Às 21h30, próximo à entrada do terreno, era possível ver centenas de barracas — mas somente seis delas ocupadas.
(…)

Retomo
É isso aí. Eu me orgulho muito de uma reportagem que fiz para a revista República, em 1996 — quase 20 anos — em que classifiquei o MST de uma “empresa de criar ideologia”. É nisso que se transformou também o MTST, com a admiração basbaque dos deslumbrados, a covardia dos vereadores e a cumplicidade do prefeito Fernando Haddad (PT), que recorreu à mão de obra do grupo na campanha eleitoral.

Cadê o Ministério Público?

Resta, ainda, outra questão: até quando essa gente continuará a cometer crimes impunemente? Parece evidente que o MTST se transformou numa máquina de privatização do espaço público e de invasão de áreas privadas não para conquistar casas, mas tentar vender seu modelo caduco de sociedade.

É mais um caso de polícia do que de política.

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Em vez de choque de competência, CBF decide dar um choque de testosterona bronca na Seleção: Dunga deve ser anunciado como técnico na terça. Ou: Ele foi conviva de Dilma no Maracanã e fez a presidente rir até as lágrimas…

O jornalista Wanderley Nogueira, da Jovem Pan, informa em seu blog que Dunga — sim, ele mesmo, Dunga!!! — será o novo técnico da Seleção Brasileira. Eu adoraria que ele estivesse errado, mas errar não está entre os hábitos de Wanderley. Então deve ser isso mesmo. Na verdade, o jornalista tinha essa informação havia alguns dias.

Santo Deus! É o que eu chamaria de triunfo do caipirismo existencial — caipira eu também sou; o caipirismo existencial é outra coisa: é a mentalidade estreita pela própria natureza. Lá em Dois Córregos, a gente está acostumado a larguezas…

O que quer a CBF? Um bedel? Então encontrou! Dunga já recebeu um prêmio por ter sido o “capitão do Tetra”: tornou-se técnico da Seleção em 2006. Ganhou um pouco, perdeu um pouco e foi eliminado nas quartas de final pela Holanda por 2 a 1. De fato, nada que se pareça com os 7 a 1 que o Brasil tomou da Alemanha. O pior resultado foi um 3 a 0 contra a Argentina, placar que foi devolvido na Copa América, vencida pelo Brasil. O melhor resultado foi um 6 a 2 contra a Seleção de Portugal.

Vamos ver: Felipão e Parreira foram campeões do mundo e levaram a Seleção ao pior resultado de sua história. Dunga conquistou um título como jogador e se despediu da Copa nas quartas de final, derrotado pela Holanda por 2 a 1. Por que essas informações? Eu quero saber qual é o compromisso do técnico com o futuro, não com o passado. Por que Dunga agora? A farsa se repete como… farsa!

Vamos ver
Parreira se sagra Campeão do Mundo em 1994 — era o tetra, com Dunga como capitão. Em 1998, há o desastre contra a França, com Zagallo no comando. Vocês se lembram do famoso episódio, nunca suficientemente explicado, do mal-estar de Ronaldo etc.

Aí temos dois anos de desacertos, maluquices e escolhas bisonhas. Até que o comando fosse passado a Felipão, esquentaram o banco Vanderlei Luxemburgo, Candinho e Leão. Em 2002, o Brasil conquista o penta. Em 2006, Parreira assume a Seleção, com o auxílio de Zagallo. Ficou a impressão de que o técnico não tinha controle da equipe, que seria gerida, digamos, por uma turma que gostava mais de farra do que de disciplina, com destaque para Adriano e Ronaldinho. Não só: também teria mantido jogadores já fora de forma, como Roberto Carlos e Cafu.

Então alguém teve a ideia: a Seleção precisa de um choque de ordem. E veio Dunga, com o resultado conhecido. Com a mediocridade também conhecida. De modo impressionante, tem-se a mesma conversa: teria faltado disciplina à Seleção de Felipão: muito jogador com cabelo tingido, com a perna raspada, com a cueca de fora…

Olhem aqui: disciplina é, sim, muito importante. Mas é bom não confundi-la com moralismo tosco. Recomendo mais uma vez uma reportagem da revista alemã “Der Spiegel” sobre o sucesso do futebol alemão. É o anti-Dunga. Em vez de um choque de testosterona bronca, de manual, o futebol alemão recebeu um choque de competência e planejamento. A revista até brinca, afirmando que os jogadores, hoje, são um pouco mais “feminis” do que os antigos “machos Alfa”. Em vez de um comandante esporrento, os alemães preferiram enviar seus técnicos para o outros países, como Espanha, França e Itália, para ver como se jogava no resto do mundo.

Não que fosse um futebol malsucedido no mundo quando se tomou essa decisão: eles já eram tricampeões mundiais — agora são tetra. Os alemães que vocês viram no Brasil, interagindo com a população da Bahia, enviando mensagens em português aos brasileiros no Twitter, sorridentes, “moleques”… Tudo isso era parte de um planejamento também de marketing.

Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento, meio abestado. Pode ganhar ou pode perder a próxima Copa. Só não conseguirá fazer o futebol avançar. Quando o atraso ganha, diga-se, em certo sentido, é pior. A propósito: depois que ele deixou a Seleção, qual é seu currículo para merecer tal galardão?

Sim, a escolha também dá conta da ruindade da CBF. Vejam que coisa: a confederação chegou a flertar com um técnico estrangeiro e acabou escolhendo… Dunga! É o triunfo da falta de rumo e da… caipirice existencial.

Dilma e Dunga na área VIP
Espero que a convivência de Dilma e Dunga na área super-VIP do Maracanã, na final entre Alemanha e Argentina, não tenha definido a escolha. Ali, os dois conversaram de pertinho. Ele até teria cochichado ao pé do ouvido presidencial:
— Eu tô torcendo para nenhum dos dois ganhar.
Dilma então respondeu:
— Essa foi boa! Eu também, Dunga! Mas não dá! Um vai ter de vencer.

Dilma riu tanto com o gracejo que foi às lágrimas.

Seria a escolha de Dunga o desdobramento de um gracejo sem graça?

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Sensus confirma Datafolha com rigoroso empate técnico entre Aécio e Dilma no segundo turno. E diferença no primeiro turno cai para 10%.

A realização da Copa no Brasil e a vergonhosa eliminação de nossa Seleção no Mundial de futebol não tiveram, até aqui, nenhuma influência sobre a corrida presidencial. É isso o que indica a pesquisa ISTOÉ/Sensus realizada entre sábado 12 e terça-feira 15. O levantamento efetuado em 136 cidades de 14 Estados mostra que no último mês os principais candidatos à Presidência da República foram incapazes de sensibilizar os eleitores.

As intenções de voto em Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) tiveram pequena variação negativa , dentro da margem de erro da pesquisa (mais ou menos 2,2%). “Até agora podemos afirmar que o eleitor brasileiro se coloca de forma bastante madura e parece ter separado muito bem a política do futebol”, diz Ricardo Guedes Ferreira Pinto, diretor do Sensus. “Nem o governo nem a oposição conseguiram faturar politicamente com a Copa.”

Para o comando da campanha pela reeleição de Dilma Rousseff, o resultado da pesquisa, embora mantenha a tendência de queda da presidenta, deverá ser visto como positivo. Até a tarde da quinta-feira 17, muitos dos líderes petistas acreditavam que o mau humor provocado pelo desempenho bisonho de nossa Seleção se traduziria em uma perda acentuada nas intenções de voto da presidenta e sustentavam que as vaias contra Dilma ouvidas no jogo final da Copa deveriam contaminar as pesquisas eleitorais.

A oposição, por sua vez, também tende a fazer uma leitura positiva dos números mostrados pela enquete ISTOÉ/Sensus. Na última semana, entre os tucanos e no QG da campanha do PSB havia a expectativa de que o fato de o Brasil ter conseguido organizar uma Copa elogiada em todo o mundo e a ausência de grandes manifestações durante o campeonato mundial pudessem momentaneamente refletir uma maior aceitação da presidenta. Os números mostram que não foi isso o que ocorreu.

Embora não tenha aumentado a intenção de voto em Aécio ou Campos, a pesquisa revela que 50,9% dos eleitores reprovam a atuação de Dilma Rousseff à frente do governo federal e 64,9% avaliam sua gestão como regular ou negativa. “Esses números são preocupantes para quem busca a reeleição”, afirma Guedes. De acordo com o diretor do Sensus, “é muito difícil que um governante com menos de 35% de avaliação positiva consiga se reeleger”.

A pesquisa revela que apenas 32,4% dos eleitores avaliam o governo de Dilma de forma positiva, um número 2,2% menor do que o apontado pelo levantamento realizado no início de junho. A análise conjunta desses dados permite concluir que, apesar de a Copa ter sido um sucesso, não houve alteração na avaliação que o eleitor faz do governo. “As pessoas estão convencidas de que a Copa deu certo por outros fatores que não a ação do governo”, diz Guedes.

A pesquisa realizada com dois mil eleitores também mostrou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem boas razões ao insistir em convocar o PT para tentar ganhar a eleição ainda no primeiro turno. Segundo o levantamento ISTOÉ/Sensus, a presidenta Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), os dois líderes na disputa presidencial, estariam tecnicamente empatados caso disputassem hoje o segundo turno. Nessa situação, de acordo com a pesquisa, Dilma teria 36,3% dos votos e Aécio, 36,2%.

É a primeira vez que os dois principais candidatos aparecem empatados em um possível segundo turno. Em abril, a diferença a favor de Dilma era de 6,7% e, em junho, de 5,1%. Também com relação ao socialista Eduardo Campos, a diferença a favor da presidenta em um suposto segundo turno vem caindo. Era 14,3% em abril, passou para 10,6% em junho e agora está em 7,8%. “Esse é o resultado mais visível da rejeição que sofre a presidenta e seu partido”, diz um dos líderes da campanha de Campos em São Paulo. “Quando os programas de tevê começarem, a tendência é a de que a presidenta também comece a cair já no primeiro turno.”

Hoje, segundo a pesquisa ISTOÉ/Sensus, 42,4% dos eleitores rejeitam a possibilidade de votar na presidenta. “É natural que o candidato mais conhecido tenha também mais rejeição, mas não conheço casos de candidaturas que tenham obtido sucesso com mais de 40% de rejeição”, afirma Guedes. Se a eleição fosse hoje, segundo a pesquisa, haveria segundo turno. Dilma teria 31,6% dos votos e seus adversários somariam 32,4%.


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Blog do Ilimar Franco

Puxão de orelhas

          Eduardo Campos cobrou do comando de sua campanha, em reunião anteontem, agilidade na montagem de comitês pelo país afora. A cobrança foi dirigida ao secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, e a Bazileu Margarido, da Rede. Para ficar mais conhecido, Campos vai montar uma agenda de visitas a cidades-polo. A prioridade são as com emissoras de TV locais, que registrem sua visita e onde ele possa dar entrevistas.

Na ponta do lápis
Os petistas acreditam na reeleição da presidente Dilma, mas não creem que a diferença será de 14,5 milhões de votos como no primeiro turno de 2010, contra José Serra (PSDB). Eles reconhecem que a oposição cresceu em estados chaves. ACM Neto (DEM) cravou os pés em Salvador. Eduardo Campos (PSB) terá grande votação para presidente em Pernambuco. E se perguntam: É possível repetir os 2,7 milhões de votos de diferença na Bahia? Ou manter os 1,9 milhão de frente em Pernambuco? Ou, ainda, os 2 milhões no Ceará? Lembram as vantagens contra o PSDB de 1,7 milhão em Minas e de 1,8 milhão no Rio. Eles trabalham com uma disputa mais apertada.

“O que tenho a meu favor nestas eleições é a unidade do time e a confiança na vitória”

Aécio Neves
Candidato do PSDB ao Planalto e presidente do partido

Cada um no seu quadrado
A candidata ao governo gaúcho pelo PP, a senadora Ana Amélia, optou por não incluir nenhum candidato à Presidência em seu material de campanha. O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, terá um panfleto separado.

Promoção
Menos de uma semana após o fim da Copa, o general Fernando Azevedo e Silva, presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), foi promovido pelo Exército. Ele agora é general 4 estrelas, a mais alta patente da Força. Atualmente somente 15 generais possuem essa patente. Isso contribui para sua permanência no cargo.

As Olimpíadas vem aí
A Matriz de Responsabilidade Olímpica será atualizada até o final deste mês. O Complexo Esportivo Deodoro passará a ter valores e prazos definidos. A obra foi licitada em maio e deve ser concluída no primeiro semestre de 2016.

O próximo da fila
A qualquer momento será demitido o presidente da Conab, Rubens Rodrigues dos Santos. Ele foi nomeado por indicação do PTB em março de 2012. Há problemas de gestão, mas ele vai deixar o cargo porque o PTB decidiu coligar-se com o PSDB e apoiar Aécio Neves. A mudança será feita tão logo o governo defina o nome do substituto.

Marcando de cima
O Tribunal de Contas do Piauí mandou exonerar 680 funcionários comissionados e 60 efetivos para o estado cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Parte das contratações foi feita depois que o TCE notificou o governo sobre os excessos.

Sempre cabe mais um
O governador Luiz Fernando Pezão (Rio) fez uma coligação tão ampla para se reeleger, que seus aliados brincam, dizendo que a campanha é uma prateleira onde cada grupo pode pegar seu candidato ao Planalto: Dilma, Aécio ou Everaldo.

A derrubada do avião na Ucrânia pode levar ao boicote da Copa na Rússia. As Olimpíadas de Moscou, em 1980, foram boicotadas devido à invasão do Afeganistão pela URSS.

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Escapismo, estádio e voto
Rogério Furquim Werneck, O Globo

Em que medida o desastroso desempenho da seleção na Copa poderá afetar a eleição presidencial? O que se pode dizer sobre essa questão complexa que vem dividindo analistas do quadro eleitoral?

O governo sempre sonhou com a possibilidade de extrair fartos benefícios eleitorais da Copa. É claro que muitos dos seus devaneios iniciais foram superados pela realidade dos fatos. E, há alguns meses, diante das dificuldades encontradas na complexa organização do evento e do risco de que os jogos pudessem ser empanados por distúrbios violentos, o governo chegou a cruzar os dedos e simplesmente rezar para que as coisas dessem certo.

Receando que não dessem, o Planalto, de início, procurou guardar distância prudente do evento, especialmente após os lamentáveis insultos à presidente Dilma na cerimônia de abertura. Mas, aos poucos, ao constatar que, apesar dos temores, a organização do evento vinha sendo bem avaliada e que a seleção avançara até as semifinais, o Planalto decidiu voltar a se envolver mais de perto com o evento.

Ganhara força a esperança de que uma vitória do Brasil na Copa pudesse, afinal, dissipar o clima de desalento que tanto vem preocupando o governo.

Ao discutir como reverter o “mau humor” de segmentos importantes do eleitorado em relação à presidente Dilma, no fim de junho, o ex-presidente Lula foi muito claro sobre a importância que vinha atribuindo a uma vitória da seleção na Copa. “Nós vamos ganhar esse caneco porque o Brasil está precisando.” (“O Estado de S. Paulo”, 25 de junho)

Tivesse a seleção sido simplesmente desclassificada, a frustração dessa expectativa de reversão do “mau humor” teria tido pouco impacto sobre o projeto da reeleição. Mas o que se viu no fatídico jogo de 8 de julho, no Mineirão, não foi uma mera desclassificação e, sim, uma traumática e humilhante derrota por 7 a 1 para a Alemanha. Que diferença isso pode ter feito?

Os mais propensos ao cartesianismo clamam pelo bom senso. Gente, foi só um jogo... Mas a verdade é que foi bem mais do que isso. Respaldado por longa reflexão sobre a antropologia do futebol, Roberto DaMatta nos lembra (“O Estado de S. Paulo”, 12 de julho) que, “numa Copa do Mundo, os times não são clubes, mas símbolos vivos de estados nacionais que, obviamente, vão além do futebol”.

País afora, o 7 a 1 deflagrou um processo generalizado do que os anglo-saxões chamam de soul searching. Cada um à sua maneira, perplexos, indignados e revoltados, estamos todos remoendo o desastre na Copa, em busca das razões profundas para desempenho tão lamentável, compelidos a aceitar fatos que nos recusávamos a enxergar. É um processo que promete ser prolongado e penoso. E que, longe de estar restrito à introspecção, deverá ser marcado por muita interação, troca de ideias e desabafos.

É bem possível que esse turbilhão de reflexão coletiva redunde em sério agravamento do que o governo rotula de “mau humor”. E que esse estado de espírito deixe o eleitorado bem mais refratário à campanha eleitoral etérea e escapista que o Planalto vem ensaiando, para tentar passar ao largo do outro espinhoso 7 a 1 com que o governo terá de lidar neste fim de mandato.

Não bastasse o risco de que a inflação ultrapasse 7% em 2015, quando o represamento eleitoreiro de preços administrados for afinal rompido, o PIB mal deverá crescer 1% em 2014. Por absurdo que possa parecer, a intenção do governo era passar batido por esse desastre, acenar com a vaga promessa marqueteira de “um novo ciclo histórico de prosperidade” e só falar da política econômica de 2015 depois das eleições.

Esse discurso escapista ficou agora bem mais difícil. Com o país inteiro engajado em intensa troca de impressões sobre os resultados desastrosos que podem advir da improvisação, do voluntarismo e da arrogância, as inevitáveis analogias entre o futebol e a economia vão se tornar cada vez mais frequentes.

O Planalto tem boas razões para estar preocupado. E não pode reclamar das analogias fáceis. Foi a presidente quem primeiro sugeriu que seu governo era “padrão Felipão”.

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‘Todos no mesmo bote de fibra óptica’, de Fernando Gabeira
Publicado no Estadão desta sexta-feira

Na Copa das Confederações torcemos para o Taiti. Mesmo quando perdia de 10 a 0, ainda vibrávamos com as raras oportunidades de um gol de honra. O Taiti não é aqui. É um país do surfe de ondas gigantes, com suas águas azuis e a temível Praia de Teahupoo, conhecida como Quebra Crânio. Já o Brasil é, ou era, o país do futebol. Gastamos R$ 40 bilhões para sediar a Copa do Mundo e fomos os únicos a perder de 7 a 1.

A presidente Dilma declarou no Paraná que o Exército usaria, para resgatar as vítimas do temporal, um bote de fibra óptica. No início fiquei em dúvida. Tinha visto na TV um programa sobre como o GPS orienta a agricultura americana, aumentando sua produtividade e traçando com rigor a trajetória ideal dos tratores. Será que haviam inventado um bote de fibra óptica para explorar as riquezas do mar, quem sabe até do pré-sal? Mas o bote de fibra óptica não existe nem será inventado. Ele é, para mim, o sinônimo de uma canoa furada em que todos navegamos no momento.

Dilma também chamou de urubu quem não acreditava nas maravilhas da Copa. Caiu um pequeno viaduto, mas isso não é problema, porque não havia ninguém do governo embaixo dele no instante da queda. Já escrevi sobre ser chamado de urubu pela artilharia eletrônica petista. Urubu é o símbolo da torcida do Flamengo. É o preto da camisa rubro-negra, cores do Íbis, o pior time do mundo, ou da Alemanha, que nos serviu o chocolate da Copa das Copas, portanto, o chocolate dos chocolates.

Não sei o que a presidente tem contra os urubus. Tom Jobim amava-os e discorria longamente sobre a elegância de seu voo, nas mesas do Degrau, no Leblon da sua época. Fez uma linda melodia para traduzir em sons a beleza de seus movimentos. Não creio que seja pela cor, porque esse tipo de preconceito, teoricamente, o PT não tem. Ou porque come bichos mortos, algo que a maioria da humanidade faz. Pode-se dizer em defesa dos seres humanos que não comem um animal cru. Mas isso era antes da chegada dos restaurantes japoneses, de vez que os bifes tártaros eram exclusividade de uma minoria.

Dilma estava rígida na final da Copa. Nem se levantou para aplaudir o gol da Alemanha. E quem não aplaudiu aquele gol de Götze ou não gosta de futebol ou é argentino, pois os hermanos sentiram ali que perdiam o título. Compreendo esse medo, já que estamos no mesmo bote de fibra óptica, na mesma canoa furada. Durante os primeiros dias após os 7 a 1 fiquei com medo de abrir as gavetas e encontrar mais um gol da Alemanha. Se Dilma deixasse sua cadeira, poderiam encontrar mais um gol da Alemanha embaixo dela.

Continuo defendendo o direito ao delírio e, claro, as opiniões. Lula disse na África do Sul que os outros países viriam disputar o segundo lugar, porque a Copa era nossa. Parreira disse que estávamos com a mão na taça. Felipão elogiou o próprio trabalho e o da geração tóis, que se define com um movimento de braços que faz um T, o mesmo com que Dilma posou na internet quando as coisas iam bem. A geração tóis, que se descreve com os braços, na verdade, deu uma banana para os que esperavam, ao menos, a garra dos argelinos.

Livre do furor patriótico, estimulado pelo governo e por grandes empresas envolvidas, é possível agora pensar com calma.

Como encarar com otimismo uma seleção que toma a família como modelo? Nada contra a família, respeito a opinião do herói da torcida, David Luiz: sexo só depois do casamento. Mas a família não é a forma adequada para desenvolver um trabalho desse tipo. Entre crises de choro e rezas, os jogadores se desmanchavam. E os psicólogos diziam que era o peso de tanta expectativa nacional. Somos o único país do mundo onde torcida a favor é vista como um fator negativo.

A torcida foi ótima. Não podia ser a mesma do Taiti, porque levamos o Brasil a sério no quesito futebol. Os inúmeros canais de TV nos puseram, nos últimos anos, em contato com o futebol de quase todo o mundo. Campeonatos espanhol, inglês, alemão. Era possível ver uma evolução maior que a brasileira. Mas isso era uma evidência para os que gostam e acompanham o futebol, embora muitos cronistas se tenham deixado levar pela emoção patriótica.

A cúpula do futebol está apodrecida. Talvez venha agora uma mudança, já que o foco está na análise da catastrófica participação brasileira na Copa. Mas quantas coisas não estão decadentes no Brasil e ainda estão camufladas? A indústria está em decadência e seu movimento para baixo ainda não desperta o interesse nacional. A política está decadente, num nível de putrefação que os franceses definem como faisandé, o qual repugna até meu estômago de urubu.

Somos um povo alegre e comunicativo. Mas isso não supera uma lacuna em nossa educação: um esmagador número de monoglotas. Em 2008 tentei transformar isso num grande tema político. Avançamos muito pouco desde então e não há sinais de termos tomado consciência dessa fragilidade. Seria injusto com o marxismo atribuir a indiferença ao inglês a uma resistência ideológica. Os chineses não pensam assim e tratam de dar passos mais largos.

Sei que é difícil apontar essas lacunas. No Brasil vivemos num mundo tão extraordinário que temos de imitar o célebre urubu de Stanislaw Ponte Preta e voar de costas. Sobrevoar um país onde os jornais diziam que o zagueiro Dante iria ser um trunfo porque, jogando no Bayern, conhece os alemães. E nem uma vivalma para lembrar as fortíssimas evidências de que os alemães podiam também conhecer Dante.

Nos morros do Rio, estimulados por traficantes, alguns moradores chamam os adversários de alemães. Está na hora de nos abrirmos um pouco para algumas qualidades dos alemães.

Podemos ser um país melhor. Antes teremos de perder esse espírito de fodões de que com tóis ninguém pode, vem quente que estou fervendo. Ele favorece os apagões, nas semifinais da Copa ou na noite de núpcias. Foi-se o tempo em que pensávamos que os alemães eram limitados porque eram apenas organizados e bem treinados. São tudo isso e têm talento. É a única combinação que leva à vitória ou, ao menos, a uma derrota honrosa.


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Blog do Coronel

Economia não aceita photoshop, Dilma.

A única esperança do PT é que o ministro da Marquetagem Eleitoral, João Santana (ao fundo) consiga pintar um quadro de fantasia e ilusão no horário eleitoral, recuperando a imagem da Presidente da Maquiagem.

A safra de dados econômicos negativos divulgados no dia de ontem, unida com os números da pesquisa Datafolha, mostra que a até então inesgotável capacidade de tentar resolver a crise com factóides, demonstrada por Dilma Rousseff nos últimos três anos, acabou.  O governo esperava rolar a crise econômica com a barriga até setembro, quando a reeleição, teoricamente, estaria encaminhada.

Ontem foram divulgados três indicadores preocupantes, reforçando previsões de que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2014 crescerá apenas um pouco acima de 1%, ante os 2,5% do ano passado. A renomada consultoria Tendências já prevê um pibinho de 0,6%!

Primeiro, o indicador de atividade econômica calculado pelo Banco Central (IBC-Br) registrou em maio o pior desempenho dos cinco primeiros meses do ano, uma retração de 0,18% na comparação com abril. A queda foi puxada pelo fraco desempenho da indústria e do comércio.

Em segundo, o Ministério do Trabalho informou que a criação de empregos formais foi a menor para um mês de junho desde 1998 --foram geradas 25.363 vagas. No primeiro semestre, foram 588.671 novos postos com carteira assinada, menor saldo para esse período do ano desde 2008 (397.936 vagas). Em relação a junho do ano passado, a queda passa de 100.000 empregos.

Por fim, o setor de serviços, segundo dados do IBGE, registrou em maio a segunda menor taxa de crescimento na série do instituto. Sem descontar a inflação, o faturamento cresceu 6,6% na comparação com maio de 2013, maior apenas do que os 6,2% de abril. Considerando a inflação em 12 meses, o avanço foi quase nulo. A expectativa é que a Copa tenha impulsionado o setor em junho e julho. O problema é que a indústria tende a piorar no período exatamente por causa do torneio.

Analistas avaliam que a economia possa esfriar ainda mais em junho. Então ainda não chegamos ao fundo do poço? A consultoria LCA espera queda de 1,5% em relação a maio no indicador do BC. A consultoria Rosenberg também afirma ser provável recuo próximo de 1%.

O pânico toma conta da campanha de Dilma Rousseff, porque não há mais mágica a fazer na economia. O estrago foi produzido durante um governo inteiro que preferiu maquiar, manipular e usar a contabilidade criativa para enganar o eleitor, esquecendo que a vida no supermercado é real. Não tem photoshop que resolva.

Os dados da inflação oficial ainda tentam mascarar o aumento do preço dos alimentos para além de dois dígitos, tentando convencer a dona de casa que houve um recuo dos preços de alimentos. Não há mais confiança em recuperação econômica e as expectativas da população quanto ao futuro caem a cada dia.

Ao  governo resta torcer que a piora no mercado de trabalho não seja tão forte antes de setembro, reduzindo impactos negativos para a reeleição da atual presidente. Mas uma outra grande dúvida é sobre a extensão da conta negativa do pós-Copa. A indústria seguirá demitindo, ainda não sendo possível avaliar como serão as demissões de trabalhadores temporários contratados para o torneio.

O ritmo fraco da economia foi determinante para que  o BC mantivesse inalterada a taxa de juros, em 11% ao ano. No mercado, já há especulações de que o BC poderia reduzir os juros nas próximos reuniões. Corremos o risco de ainda ver um governo agindo no limite da responsabilidade para tentar reeleger Dilma. Se eles já fazem o diabo na internet, também podem querer fazer o diabo na economia.

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Pesquisa Datafolha traz más notícias para Dilma, por Ricardo Noblat

A se levar em conta a pesquisa Datafolha de intenção de votos para presidente da República divulgada há pouco no Jornal Nacional, frustrou-se a tentativa do PT de tornar Dilma uma vítima depois que ela foi vaiada e insultada pelos torcedores no jogo de abertura da Copa do Mundo. Foi também no jogo final.

De outra parte, frustrou-se esforço do governo e da própria Dilma de elevá-la à condição de gestora de primeira, capaz de comandar a realização bem-sucedida do que chamou de Copa das Copas. De fato foi a Copa das Copas, segundo a maioria dos estrangeiros que por aqui estiveram. Mas a quem creditar o êxito?

Acima de tudo ao distinto povo brasileiro que se mostrou alegre e receptivo.

Dilma oscilou dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Tinha 38% na anterior, aplicada em junho. Caiu para 36%.

Aécio ficou com o que estava – 20%. E Eduardo perdeu um pontinho. De 9% para 8%. A pesquisa ouviu 5.377 eleitores esta semana.

Más notícias para Dilma: pela primeira vez, em simulação de segundo turno, ela e Aécio empataram tecnicamente. Ela com 44%, dois pontos a menos do que tinha na pesquisa anterior. Aécio com um ponto a mais – de 39% para 40%

O percentual dos que consideram o governo Dilma ótimo ou bom caiu de 35% para 32%. E subiu de 26% para 29% o percentual dos que apontam o governo como ruim ou péssimo.

Dilma é a campeã de rejeição: 35% garantem que não votarão nela de jeito nenhum. Contra 17% que garantem o mesmo em relação a Aécio e 12% em relação a Eduardo.

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Estelionato coletivo: a turma da Papuda sem grades resolveu ampliar o prontuário com três meses de férias remuneradas

Por fora, o Congresso Nacional é uma das mais sedutoras criações da grife Niemeyer. Por dentro, lembra um ajuntamento de meliantes que, em vez de “mano” ou “brother”, usam o tratamento de Vossa Excelência. Pode-se identificar os inquilinos pelo terno escuro que jamais se entende com a gravata, pelo sorriso de aeromoça, pela expressão confiante de quem se acha condenado à perpétua impunidade e pelos cabelos adubados por implantes, pintados de preto-graúna ou descambando para o amarelo-icterícia. Dependendo da lista de presentes, a sede do Parlamento é uma Papuda sem grades.

Em princípio, portanto, a decretação do “recesso branco” que suspenderá até outubro as atividades da Câmara e do Senado é notícia boa. Pelo menos por três meses, o país que só cresce à noite porque o governo está dormindo ficará menos intranquilo durante o dia graças à desativação temporária da fábrica de espertezas. O problema é que deputados e senadores pretendem ampliar o prontuário enquanto desfrutam das férias eleitoreiras. Mesmo distantes do local do emprego, resolveram continuar embolsando os mais de R$ 100 mil por cabeça que tungam a cada mês.

Decidido a provar que a interrupção do trabalho não interrompe o trabalho, Renan Calheiros reforçou a suspeita de que a expansão da cobertura capilar piorou o resto da cabeça. “O recesso é quando você paralisa o Legislativo”, atrapalhou-se o presidente do Senado. “Quando deixa apenas de convocar ordem do dia não é recesso, porque o Congresso continuará funcionando, discutindo. Pode reunir as comissões permanentes. O que não haverá é votação”.

A institucionalização da vadiagem remunerada é mais que um monumento à insolência. É um afrontoso caso de polícia que exige castigo, informa o Código Penal. Mais precisamente o artigo 171, que define o crime de estelionato: ”Obter, para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento”.

Se o Ministério Público enquadrasse sem medo delinquentes com imunidade parlamentar, se o Supremo Tribunal Federal cumprisse sem demora o seu dever, centenas de punguistas federais seriam transferidos para a Papuda com grades.

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O pêndulo exagerou para o lado de lá: hora de resgatar certo equilíbrio

Esse longo texto é um convite à reflexão. Peço que os leitores mergulhem nele desarmados. Sei que muitas vezes pareço radical, mais no tom do que no conteúdo, e isso pode criar resistência em algumas pessoas. Mas entendam: quando se é uma voz isolada em meio a um uníssono “progressista”, gritar pode ser a única forma de atrair a atenção e apresentar um contraponto. Os liberais e conservadores contam com poucos representantes na imprensa, dominada pela esquerda.

O tema abordado aqui será de valores e comportamentos da sociedade moderna. Alguns acham que eu deveria me ater ao assunto econômico, mas discordo totalmente. A economia livre não se sustenta em um vácuo de valores. Sem pilares morais, parece inócuo discutir 2% para lá ou para cá de inflação ou algo do tipo. O buraco é bem mais embaixo, e a sobrevivência do liberalismo depende de bem mais que isso.

A tese que quero propor é a de que o pêndulo exagerou para o lado de lá. O que quero dizer com isso? Boas ideias podem passar do ponto com o tempo. Movimentos que nascem com legitimidade podem ser capturados por um radicalismo que se volta contra seus próprios beneficiários iniciais. Acredito que isso ocorreu em diversas áreas, e pretendo, resumidamente, ilustrar com alguns exemplos abaixo.

Vejamos o próprio welfare state, para começar com tema mais diretamente ligado à economia. Uma rede de proteção básica para aqueles que ficaram para trás em ambiente de liberdade pode realmente fazer sentido. Até que o indivíduo possa se reerguer, adaptar-se, voltar a se especializar em nova tarefa e se tornar mais produtivo, não parece absurdo um estado descentralizado fornecer o básico para sua sobrevivência digna.

Agora vamos comprar esse conceito acima com o que vemos nos modelos de social-democracia modernos. O estado, cada vez mais obeso, paternalista e intervencionista, propõe-se a cuidar do berço ao túmulo de cada um, “garantindo” uma “vida digna” a todos, independentemente dos esforços pessoais e do mérito. Isso parece justo? Como fica a questão da responsabilidade individual? O pêndulo não exagerou?

Analisemos, agora, os movimentos de minorias. Quem poderia ser contra uma união de negros em prol de direitos civis, em tempos em que ainda havia escravidão? Como condenar grupos organizados lutando por seus direitos quando o racismo ainda era institucionalizado, segregando legalmente os cidadãos? Quem ousaria criticar as bandeiras de Martin Luther King Jr.?

Agora vamos comparar isso com os movimentos raciais modernos, clamando cada vez por mais privilégios, por cotas para todo lado, segregando a população miscigenada justamente com base no conceito de raça, ou seja, fomentando o racismo que visa a combater. Não está claro que o pêndulo exagerou para o outro lado?

O mesmo vale para o feminismo ou o movimento gay. Em épocas extremamente machistas e patriarcais, em que os homens gozavam de privilégios absurdos e as mulheres tinham de se submeter sem muitas escolhas, como condenar as feministas que desbravaram territórios e lutaram por igualdade de direitos?

Quando ser homossexual era crime, quando a homofobia era aplaudida e o gay espancado ou humilhado só por ser gay, como desvalorizar a luta daqueles que pediam o direito de existir e buscar a própria felicidade com sua preferência sexual distinta?

Agora vamos comparar isso com os movimentos feminista e LGBT modernos, coletivistas ao extremo, intolerantes com qualquer um que pense uma vírgula fora do manual politicamente correto deles. Vamos analisar as paradas gays e julgar, sinceramente, se beneficiam os indivíduos gays ou se apenas disseminam hedonismo e promiscuidade, inclusive com verbas públicas. O pêndulo não exagerou?

Estado e Igreja eram praticamente uma só coisa. A religião oficial mandava e desmandava, o “herege” não tinha uma vida nada fácil. No limite, tivemos atá a Inquisição e um índice de livros proibidos. Nada mais legítimo do que o iluminismo, as bandeiras racionalistas e laicas de pensadores como Voltaire e Hume. Por que os agnósticos, ateus e crentes de outras seitas não podem conviver em paz?

Agora vamos comparar isso com o ateísmo militante moderno, que parece confundir estado laico com antirreligioso, saindo da posição de perseguido para perseguidor, extremamente intolerante para com tudo que remeta ao cristianismo, ignorando inclusive que ele é parte inseparável de nossas tradições e cultura. O pêndulo não exagerou aqui também?

Por fim, e para não deixar de lado o próprio liberalismo que defendo, como repudiar individualistas radicais como Ayn Rand quando lembramos como o coletivismo asfixiava (ou asfixia) as liberdades individuais? O “egoísmo racional” não é um poderoso conceito para combater aqueles que encaram o indivíduo de carne e osso como simples meio sacrificável para fins coletivos abstratos, tais como nação, raça ou classe?

Agora vamos comparar isso com o super-individualismo materialista moderno, que parece confundir o foco no indivíduo com uma espécie de sociopatia, em que o entorno não importa, os outros não importam, vale tudo e qualquer tipo de sacrifício pessoal em prol dos demais é visto como escravidão. Isso não ajudou a parir um excessivo hedonismo, que jogou para escanteio qualquer senso de cidadania, de dever cívico do indivíduo?

Os parques de diversão costumam ter aquele brinquedo chamado Viking, um barco que fica oscilando de forma pendular. Há um determinado instante em que ele para bem na linha perpendicular. Nesse momento, o atrator gravitacional não tem mais força para trazê-lo de volta para o mesmo lado de que partiu. Ele passou desse ponto, e desce pelo outro lado. Eis a metáfora que uso para resumir meu pensamento exposto acima.

Existe uma crença ingênua na evolução contínua da moral. Isso pode ser verdade para tecnologia, mas não é para comportamentos. A tendência pode ser a evolução, mas nem sempre é o que obtemos. Basta lembrar que Atenas era, antes de Cristo, mais evoluída do ponto de vista moral do que a União Soviética ou a Alemanha nazista, em pleno século XX!

A chama da civilização precisa ser mantida acesa. Isso não vem sem custo ou esforço. O grande equívoco de muita gente é assumir a civilização como algo garantido, permanente. Não. O risco de um “apagão civilizacional” existe, é permanente. As novas gerações precisam aprender com as antigas certos valores básicos, sem os quais os pilares que sustentam nossas liberdades desmoronam.

Estou convicto de que muitos desses pilares já estão ruindo. Algumas instituições importantes estão sob ataque. Valores morais fundamentais estão deturpados, invertidos. O pêndulo exagerou para o lado de lá. Está na hora de resgatar certo equilíbrio, lutar para que ele não se perca de vez de seu atrator gravitacional: o desejo de manter viva nossa civilização.


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Blog do Noblat

Datafolha revela empate técnico entre Dilma e Aécio no segundo turno
O Globo

Pesquisa Datafolha divulgada ontem pela TV Globo mostra que a presidente Dilma Rousseff (PT) ainda lidera a disputa com 36% das intenções de voto contra 20% de Aécio Neves (PSDB), mas, pela primeira vez, a diferença dela para o tucano no segundo turno caiu para apenas quatro pontos percentuais, a mais baixa do levantamento feito pelo instituto, configurando empate técnico, já que a pesquisa tem margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos.

Se a eleição do segundo turno fosse hoje entre Dilma e Aécio, a petista teria 44% dos votos e o tucano teria 40%. Na pesquisa anterior sobre o segundo turno, realizada nos dias 1 e 2 de julho, Dilma tinha 46% contra 39% de Aécio, com uma diferença de sete pontos. Na disputa de Dilma com Eduardo Campos (PSB), a presidente teria agora 45% contra 38% do ex-governador de Pernambuco. Na pesquisa anterior, Dilma tinha 48% e Campos, 35%.

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Kassab se torna réu em ação por improbidade administrativa em caso UFC
O Globo

O ex-prefeito de São Paulo e atual candidato ao Senado Gilberto Kassab (PSD) virou réu em ação civil por ato de improbidade administrativa e ação civil pública movida pelo Ministério Público estadual.

Kassab é acusado de ter autorizado a contratação sem licitação da IMX Esporte e Entretenimento Ltda, em dezembro de 2012, para o evento UFC Brasil, que aconteceu em janeiro de 2013 no Ginásio do Ibirapuera, ao custo de R$ 2,5 milhões. A empresa e o ex-secretário municipal de Esportes Antonio Moreno Neto também são réus do mesmo processo.

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Congresso custa quase R$ 1 milhão por hora aos cofres públicos
Thalita Pessoa, O Globo

Mesmo em recesso branco, o Congresso Nacional custa aos cofres da União cerca de R$ 1 milhão por hora. Dispensados das sessões deliberativas até o dia 31 de julho pelo acordo, os parlamentares continuarão recebendo integralmente os seus salários de R$ 26.723,13 mesmo sem apresentar projetos ou participar de votações nas Casas.

Isto porque a ausência de sessões faz com que os dias não trabalhados não sejam interpretados como falta. O cálculo feito pela ONG Contas Abertas para obter o custo-hora dos deputados federais e senadores - dos demais serviços prestados ao Legislativo -, estando eles em exercício parlamentar ou não, levou em conta a soma do orçamento da Câmara e do Senado, chegando-se ao montante aproximado de R$ 23,9 milhões por dia.

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Franco-argelino recebeu U$ 100 mil por ingressos, diz empresário
Elenilce Bottari, O Globo

Apontado pela polícia como envolvido no esquema ilegal de venda de ingressos da Copa do Mundo e braço direito do franco-argelino Mohamadou Lamine Fofana, o empresário de futebol Luiz Antônio Vianna de Souza — que foi agente do ex-jogador Denílson na época em que ele atuava pelo São Paulo — revelou, em depoimento, que em diversos momentos viu Fofana recebendo valores oriundos da venda de ingressos.

Segundo investigadores da 18ª DP (Praça da Bandeira), Vianna disse ainda que acredita que Fofana tenha recebido, na sua presença, pelo menos US$ 100 mil (R$ 223.970,00). O franco-argelino é acusado pela polícia carioca de ser o chefe de uma quadrilha internacional de cambistas que atuou na Copa do Mundo.

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Jornalista é impedida de fazer passaporte com cabelo afro
Carina Bacelar, O Globo

A jornalista baiana Lília de Souza, de 34, tinha uma obrigação rotineira programada para a última terça-feira: renovar o passaporte, que vencerá em agosto. Mesmo após espera de 7 horas na unidade da Polícia Federal do Salvador Shopping, na capital baiana, a hora de tirar a foto para o documento não foi um alívio, e sim um "enorme constrangimento.

Agentes da Polícia Federal perguntaram se Lília poderia prender seu cabelo estilo "black power", já que o sistema de imagens não aceitava a imagem gerada, por causa do formato dos fios.

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Geração de emprego formal em junho foi a pior em 16 anos
Geralda Doca, O Globo

O mercado formal de trabalho registrou em junho a geração líquida de 25.363 empregos. Foi o pior resultado para o período desde 1998, quando apresentou saldo de 18.097. Em relação a junho do ano passado, quando foram criados 123.836 postos de trabalho, as contratações com carteira assinada caíram 79,5%.

Com isso, o país encerrou junho com o pior saldo semestral desde 2009: 588.671 vagas, considerando dados ajustados (fora do prazo), de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. Entre janeiro e junho de 2013, foram gerados 826.168 empregos.

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Soldados de Israel iniciam invasão por terra à Faixa de Gaza
O Globo

As Forças Armadas de Israel iniciaram uma invasão terrestre à Faixa de Gaza nesta quinta-feira, 10 dias após o início da operação "Limite Protetor", que matou ao menos 220 pessoas, incluindo mulheres e dezenas de crianças. O movimento ocorre após o fim de um cessar-fogo temporário para levar ajuda humanitária à Gaza.

Áreas no Norte, no Sul e no Centro de Gaza já foram tomadas pelas forças israelenses, de acordo com o Exército. Segundo o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o objetivo da invasão terrestre é destruir os túneis palestinos que levam a Israel e que poderiam ser utilizados para ataques terroristas.

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A tragédia dos orfanatos do México
BBC Brasil

Em uma tarde no início de março, Ardelia Martínez recebeu uma mensagem urgente: sua neta Ilse Michelle havia sido encontrada seis anos depois de ter desaparecido de um abrigo na Cidade do México. Desde 2005, a menina, que hoje tem 15 anos, vivia por ordem judicial no abrigo Casitas del Sur, onde a Procuradoria Geral de Justiça do Distrito Federal (PGJDF) costumava enviar menores que haviam sido vítimas de violência.

Mas as autoridades da capital mexicana não se preocuparam com destino de Ilse, nem de outros 26 menores que, como ela, desapareceram do local. Na verdade, só souberam do problema quando, em 2008, Ardelia Martínez conseguiu a custódia de sua neta. Ao tentar buscá-la no abrigo, descobriu que a menina não estava lá e ninguém sabia de seu paradeiro.

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Avião que caiu no leste da Ucrânia foi derrubado por um míssil
Pilar Bonet, El País

Um Boeing 777 da companhia aérea da Malásia (Malaysia Airlines), em trânsito de Amsterdã a Kuala-Lumpur, caiu nesta quinta-feira na região ucraniana de Donetsk, na zona de conflito armado entre as autoridades centrais de Kiev e os rebeldes independentistas. No avião, viajavam 298 pessoas – 283 passageiros (entre eles, várias crianças) e 15 membros da tripulação. Ninguém sobreviveu.

Entre os falecidos, 154 eram holandeses; 27 da Austrália; e 23 da Malásia. As demais vítimas são da Indonésia (11), do Reino Unido (6), Alemanha (4), Bélgica (4), Filipinas (3) e Canadá (1), segundo o que explicou um porta-voz da companhia no aeroporto de Amsterdã, informa Isabel Ferrer. Há pessoas cuja nacionalidade ainda permanece desconhecida.

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São Paulo já dá uma surra eleitoral em Dilma — com Aécio ou com Campos

A seção Painel, da Folha de S. Paulo, traz outros dados da pesquisa Datafolha que devem estar deixando petistas com as barbas arrepiadas.

Um deles: Aécio Neves (PSDB) cresce em São Paulo. No mês passado, apenas 24% dos eleitores de Geraldo Alckmin escolhiam o presidenciável tucano; agora, são 33% — e, não custa lembrar, o atual governador aparece com 54% das intenções de voto. No primeiro turno, Aécio foi o único nome que cresceu no Estado fora da margem de erro: de 20% para 25%. Dilma oscilou de 23% para 25%, e Eduardo Campos (PSB), de 6% para 8%.

O busílis, no entanto, está no segundo turno: a petista perde para o tucano por 50% a 31%; Campos a venceria por 48% a 32%.

Informa ainda o Painel:
Alerta vermelho - A avaliação do governo Dilma caiu nas grandes cidades brasileiras. O percentual de eleitores que consideram a gestão ótima ou boa recuou de 30% para 25% nos municípios com mais de 500 mil habitantes. A classificação ruim ou péssima subiu de 31% para 37%.

Nuvem carregada – Para estrategistas do PT, as grandes cidades são polos com capacidade de transmitir “carga negativa” ao resto do eleitorado. Por enquanto, a avaliação positiva da presidente nos municípios pequenos permanece estável, em 42%.

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MTST: não é só pelo teto, é pelo poder

Por Carolina Farina, na VEJA.com:
Já virou rotina: a caminho do trabalho, o paulistano se depara com um protesto do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Em 2014, não houve um único mês sem atos do movimento na capital paulista até agora. O cenário é sempre o mesmo: sem comunicar a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), vias importantes da cidade são fechadas por centenas de pessoas empunhando bandeiras vermelhas e gritando palavras de ordem. E se na forma os protestos parecem sempre iguais, o conteúdo deles mudou – é agora o retrato de um movimento que se perdeu, tornando-se massa de manobra para qualquer causa. Braço urbano do Movimento Sem Terra (MST), o MTST é hoje, como o grupo que o inspirou, um movimento político, e não social.

Se nesta quinta-feira manifestantes acamparam na entrada da sede da construtora Even, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, na quarta o grupo decidiu invadir a sede da Anatel e da operadora TIM. O motivo: reclamar da qualidade dos serviços de telefonia celular no país. Um dia antes, militantes do MTST integraram um protesto contra Israel no bairro de Higienópolis, na região central. O ato terminou em confusão com a polícia. Em junho, o grupo decidiu protestar a favor dos metroviários grevistas e, em janeiro, fez até “rolezão” em shopping. Especialistas avaliam que a distorção de foco é uma estratégia para integrar novos grupos e militantes ao movimento. O MTST é cada vez menos representante da bandeira pela qual foi criado, tendo se tornado uma ferramenta de pressão política. Não à toa o aumento de invasões ocorre em ano eleitoral. “Certamente a liderança do grupo está animada com o barulho que tem feito. Já foi recebida até pela presidente da República e, claro, crê que seu poder político é realmente grande. Então, por que não tentar ir mais longe?”, avalia o cientista político Rui Tavares Maluf. “Isso afeta a legitimidade do movimento”, completa.

Para o filósofo Roberto Romano, a ampliação do foco pode ainda resultar na fragmentação do grupo. “A estratégia pode resultar, neste primeiro momento, em mais adesões. No futuro, porém, pode provocar divisões internas que resultem no fim do movimento”, afirma. “O desvirtuamento dos objetivos se torna algo perverso no longo prazo. E um risco não só à causa como ao grupo”, completa Tavares Maluf.

Ao emparedar os vereadores e a prefeitura de São Paulo, o movimento obteve, em junho, a aprovação de um Plano Diretor que contempla quatro invasões organizadas pelo movimento. Já a ocupação fantasma Copa do Povo, na Zona Leste da capital, será tema de um projeto de lei específico. O líder do grupo, Guilherme Boulos, já foi recebido no Palácio dos Bandeirantes pelo governador Geraldo Alckmin e no Planalto pela presidente Dilma Rousseff. Tendo obtido vitórias como essas, a liderança do movimento agora busca renovar as palavras de ordem para que a adesão aos protestos não arrefeça. E mais: quer aumentar o apoio e a simpatia também de uma massa “virtual”, que não necessariamente contribua com sua presença física nos protestos. “A massa não é facilmente manobrável”, explica Romano. “Por isso são necessárias palavras de ordem eficazes”, completa.

Segundo Tavares Maluf, as invasões asseguram apenas habitação, e o grupo nada faz para garantir acesso dos sem-teto à renda. “Estando disponíveis para protestos toda semana, será que os militantes têm um emprego?”, questiona. O comando do MTST tem sua própria lista e organiza a fila de espera de beneficiários dos programas habitacionais. A lista é justamente a forma como o líder do movimento exerce domínio sobre seus comandados: há planilhas contabilizando a presença diária de cada integrante em acampamentos e invasões – uma espécie de lista de chamada. Logo, quem participa ativamente dos atos do MTST, passa na frente na fila de espera.

Nesta quinta-feira a coordenadora estadual do MTST Natália Szermeta prometeu novos atos pelos próximos quinze dias, prazo de prorrogação da liminar de despejo de um terreno no Morumbi, na Zona Sul, onde está instalada a Ocupação Portal do Povo. O paulistano seguirá alterando sua rotina para fugir das vias bloqueadas pelo grupo. E se perguntando: qual será a causa do dia?

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Datafolha: Aécio empata com Dilma no 2º turno; rejeição à presidente cresce; cai a aprovação ao governo, e cresce a reprovação

A pesquisa Datafolha encomendada pela Folha e pela Globo é muito ruim para a presidente Dilma Rousseff, do PT, candidata à reeleição. Se a disputa fosse hoje, ela teria 36% das intenções de voto no primeiro turno. O tucano Aécio Neves aparece com 20%, e o peessebista Eduardo Campos, com 8%. Há 15 dias, o instituto conferia 38% à petista. Aécio tinha os mesmos 20%, e Campos, 9%.

Mas o que há de tão ruim nisso? A péssima notícia para a presidente não está no primeiro turno, mas no segundo. No levantamento de agora, ela aparece com 44%, e Aécio, com 40%. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, há uma situação de empate técnico. Em fevereiro deste ano, há cinco meses, a distância era de 27 pontos: 54% a 27%. Há duas semanas, de 7 (todos os gráficos que aparecem foram publicados pela Folha Online.

Também a distância que separa a petista do peessebista caiu drasticamente. Contra o ex-governador de Pernambuco, ela teria hoje 45% contra 38%, só sete pontos a mais. Em fevereiro, a distância era de 32 pontos: 23% a 55%. Há duas semanas, era de 35% a 48% — 13 pontos viraram sete. É feia a coisa. E pode piorar: a rejeição a Dilma também cresceu 3 pontos em relação ao começo do mês: de 32% para 35%. Em seguida, vem Pastor Everaldo, com 18%, seguido por Aécio, com 17% e por Campos, com 12%.

Observem: como é que um candidato com 8% das intenções de voto, ainda desconhecido por muita gente, como Campos, consegue 38% quando confrontado com Dilma, no mano a mano? Para quem está empatado com a presidente no segundo turno, Aécio mantém um índice ainda modesto no primeiro. Também ele é bem menos conhecido do que ela. O conjunto dos dados parece indicar que cresce a massa de eleitores que não quer mesmo saber de Dilma.

Avaliação do governo
A reprovação ao governo e a aprovação empataram, uma situação sempre temida pelos candidatos à reeleição: hoje, acham seu governo ótimo ou bom 32% dos entrevistados — há duas semanas, eram 35%. Consideram-no ruim ou péssimo, 29% (26 na pesquisa anterior). E os mesmos 28% o avaliam como regular. Dilma, definitivamente, não tem por que se alegrar.


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Blog do Ilimar Franco

O efeito Marina

          O otimismo toma conta da campanha de Eduardo Campos ao Planalto. As pesquisas do PSB dizem que Campos fica em condições de disputar o segundo lugar quando o eleitor é informado de que Marina é a vice da chapa. Era isso o que Campos esperava. As torcidas tucanas e petistas procuram minimizar o peso desta aliança e desejam que Campos e Marina se desentendam em praça pública.

De olho no Rio
O governo Dilma respira aliviado por sobreviver à Copa. Por isso, avalia que na preparação das Olimpíadas do Rio, em 2016, será menor a plateia sensível ao discurso do caos. Considera ainda, que o evento será menos complexo. Um membro do executivo explica: “Não são mais 12 estádios, 12 aeroportos e 12 esquemas de segurança”. Lembra que será usada a herança da Copa e dos Jogos Militares Mundiais e que as obras, de Deodoro e do Parque Olímpico de Jacarepaguá, estão adiantadas. Mesmo em final de mandato, o atual governo vai marcar de cima o prefeito do Rio, Eduardo Paes. E, também, os gestores federais envolvidos em obras e projetos para os jogos.

“O STF tem que tomar decisões que sejam aplicáveis. Nós vamos fazer a reforma eleitoral? O tribunal instituiu a verticalização das coligações (2002) e depois o Congresso derrubou”

Gilmar Mendes
Ministro do STF, sobre decisões polêmicas do tribunal sobre a legislação e o financiamento eleitoral

No espaço vazio
Aprovada a proibição de doação eleitoral por pessoas jurídicas (empresas), como fica o cidadão que recebe como PJ? Essa prática visa reduzir a carga tributária e previdenciária sobre o salário.

Sempre alerta
A decisão do comando da campanha de Aécio Neves de fazer campanha duas vezes por semana em São Paulo se deve ao desgaste do PSDB. O governador Geraldo Alckmin (foto) ainda está bem. Mas a situação não é de conforto. Os tucanos estão assustados com a situação de equilíbrio num estado em que sempre levaram larga vantagem.

Montando o time
O prefeito Alexandre Cardoso (Duque de Caxias) almoçou ontem, no Planalto, com o ministro Ricardo Berzoini. Cardoso, que deixou o PSB para apoiar a reeleição, recebeu a tarefa de coordenar a campanha de Dilma entre os prefeitos do Rio.

O favor privado e o dinheiro público
Sobre o debate da proibição de doação eleitoral pelas empresas, o ministro Luís Barroso (STF) diz: “Considero ilegítimo o modelo em que a empresa financia a campanha para ser contratada pelo governo eleito”. Fica a pergunta: É legítimo uma pessoa física doar, ou fazer campanha, e depois ser nomeada pelo governo eleito?

Batendo em retirada
Quadros políticos do PT e do PCdoB decidiram que não farão campanha para Romário (PSB), que concorre ao Senado na chapa de Lindbergh Farias. Eles não engolem às críticas do craque à presidente Dilma e ao ministro Aldo Rebelo.

Redução de danos
Nos bastidores, Romário (PSB) reconhece que exagerou nas críticas à presidente Dilma. "Devia ter falado de maneira diferente", diz. Mas ele não abre mão de apoiar Eduardo Campos e adverte que o PT já sabia disso antes de fechar a aliança.

A presidência do STF esclarece que a Comissão de Transição formal só pode ser criada após a eleição do futuro presidente. E isso não ocorreu.


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Blog do Rodrigo Constatino

A péssima ideia do Banco e Fundo dos Brics
Por Bernardo Santoro, publicado no Instituto Liberal

O grupo dos Brics (grupo de nações em desenvolvimento composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estará reunido até hoje em Fortaleza para discutir, entre outros temas, a criação de um “Banco dos Brics”, que seria um banco de fomento para países e projetos do próprio Brics, com um aporte inicial de US$ 50 bilhões. Esses países sentiram a necessidade de criar tal banco devido a uma suposta falta de influência junto ao FMI e ao BIRD, entidades internacionais criadas a partir do tratado de Bretton Woods com a mesma finalidade do “Banco dos Brics”, mas para todas as nações.

Essa ideia simplesmente não é boa. Esses países em desenvolvimento têm reclamado da falta de acesso a crédito internacional desde a crise de 2008, quando a reestruturação da economia mundial levou a um maior escrutínio no momento de se conceder um empréstimo a um tomador, seja ele um país ou um agente particular. E isso não é ruim.

A maior parte dos problemas da crise de 2007/2008 se deu justamente pelo excesso de empréstimos concedidos sem as devidas garantias e sem o devido controle sobre quem estava tomando os recursos emprestados, o que criou uma imensa massa de tomadores de empréstimo sem capacidade de honrar os compromissos. No final das contas, a falta de critério levou a um prejuízo generalizado e à falta de poupança para empréstimos a pessoas que teriam condições de pagar. O “populismo creditício” pré-crise, de empréstimos para todos de qualquer jeito, e patrocinados por governos de todo o mundo, foi o principal causador da crise.

O FMI e o BIRD aprenderam a duras penas o quanto o “populismo creditício” é ruim para toda a sociedade, incluindo bancos, poupadores e tomadores responsáveis de empréstimos. Uma política austera de concessão de empréstimos é boa para todos.

A criação desse “Banco dos Brics”, nos termos em que tem sido ventilado, é uma tentativa de retorno ao “populismo creditício” internacional. Tal iniciativa, vindo da Presidente Dilma, não é de se estranhar, já que seu governo teve como uma das principais bandeiras o consumo como modelo de crescimento, sendo este consumo sustentado por taxas de juros artificialmente baixos em relação ao nível de poupança nacional. O resultado dessa política invariavelmente é a falta de poupança, falta de investimentos em inovação tecnológica e, por fim, falta de crescimento econômico de longo prazo. Esse “longo prazo” chegou aqui no país, e não é “Banco dos Brics” que vai ajudar nisso, pelo contrário, pois todo empréstimo, um dia, precisa ser quitado, e já não conseguimos quitar nossos empréstimos atuais.

Não podemos deixar ainda de lembrar que, como bancos submetidos ao Acordo de Basileia, podem vir a conceder empréstimos muito acima da sua real condição de empréstimos. Um banco normalmente alavanca empréstimos em até nove vezes o valor do seu capital, ou que significa que esse banco poderia emprestar até 450 bilhões de dólares sem tê-los, exponenciando a farra creditícia.

E pior ainda é o tal “Fundo dos Brics”, de 100 bilhões de dólares, garantido por China (41% do valor), Brasil (18%), Rússia (18%), Índia (18%) e África do Sul (5%) para países emergentes que tiverem “problemas no balanço de pagamentos”, o que é um eufemismo para irresponsabilidade fiscal. Na prática, se um governo gastar mais do que arrecada, o fundo concederá um empréstimo para bancar a farra de gasto público às custas dos governos e gerações futuras do povo do governo gastador. É um incentivo perene para a falta de austeridade com a coisa pública em um momento em que países do mundo todo apertam o cerco para tentar arrumar a gestão fiscal.

A continuar assim, daqui a pouco vamos ter “Banco da ALCA”, “Banco do Mercosul”, e “Banco da OPLP”, bem como seus respectivos fundos, todos ávidos por conceder empréstimos em cima de poupanças inexistentes, destruindo a capacidade de investimento em prol de consumo imediato ou de projetos baseados em retornos políticos e não econômicos, incentivamento ainda mais o desmazelo com as contas públicas.

Mas o que importa, se podemos sempre deixar a comissão certa com a pessoa certa?

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Campanha ainda demora um pouco, por Murillo de Aragão

  Há uma enorme expectativa em torno das próximas pesquisas eleitorais, tanto por parte da oposição quanto do governo. Todos querem saber qual o dano ou o benefício que a Copa pode ter trazido para a presidente Dilma Rousseff (PT).

O ponto é este: até onde o resultado do Mundial atrapalhou o projeto de reeleição de Dilma? E por quê? Pelo simples fato de que muitos disseminaram a ideia de que o evento ia ser um fiasco e que “não é possível que a Dilma passe incólume”.

O resultado de tudo, no entanto, foi o menos esperado. A Seleção foi muito mal em campo e a Copa foi muito bem, a ponto de os canadenses do The Globe & Mail, entre outros, sugerirem que o campeonato de futebol seja feito para sempre no Brasil.

Deus nos livre! É muito mais fácil ganhar a Copa fora do país do que em casa. Aqui a Seleção tem de jogar contra a Fifa, o governo, a oposição, a imprensa, a “sinistrose”, os argentinos e, ainda, contra os demais times.

Voltando ao ponto: qual a sensação que teremos nas pesquisas? Desconfio que menos negativa do que a oposição gostaria. E, também, menos positiva do que o governo tanto deseja. O primeiro momento deve ser mais ou menos, sem grandes mudanças para Dilma, o que, no limite, é muito bom para ela, já que a Copa era um “problemaço” em potencial.

Para a oposição, a Copa não foi boa. Não alavancou ninguém nem atrapalhou o governo. Com o final do evento, o cenário se abre para as eleições, mas a transição não será automática. O país ainda vai viver algumas semanas de letargia política, ajudada pelo recesso branco no Legislativo e pelas férias do meio do ano.

Em algumas semanas, a decepção das derrotas em campo e o sucesso do evento terão sido assimilados e o front das dificuldades da presidente será mesmo a economia, que não anda bem. Porém, a campanha começará de verdade com o início da propaganda eleitoral em rádio e TV, em 19 de agosto. Até lá, o debate vai seguir em ritmo lento, tropical e relaxado. O que, de certa forma, favorece Dilma, já que quanto menor e menos intensa for a campanha melhor para ela. Sem fato novo, a campanha será decidida pela "sensação térmica" da economia.


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Blog do Coronel

Dilma assume que sua campanha tem "banda B" para atacar adversários. Quem comanda é Franklin Martins.

A esgotosfera agora é oficial na campanha petista. Mas Dilma não quer chafurdar na lama, diretamente. Deixa este papel para Franklin Martins, um especialista. Eles vão fazer o diabo!

Irritada com a publicação do post que atacava a CBF após a vexatória eliminação do Brasil na Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff pediu que o site Muda Mais fosse "desvinculado" como um dos sites do comitê de sua campanha à reeleição.

A determinação que atinge o site, comandado pelo ex-ministro de Lula Franklin Martins, foi transmitida na semana passada a coordenadores da campanha. A informação foi confirmada por seis pessoas diretamente ligadas ao comitê e ao Planalto. Segundo a Folha apurou, o governo quer evitar que o "tom de enfrentamento" do Muda Mais, uma das marcas do site, possa gerar ações na Justiça Eleitoral contra a candidatura petista.

Inicialmente, a equipe de Dilma registrou dois sites para a campanha de reeleição. O dilma.com.br, sob responsabilidade do marqueteiro João Santana, classificado como site da candidata. E o dilmamudamais.com.br, listado no pedido de registro ao TSE como um dos sítios a ser utilizado durante o período da campanha eleitoral" da presidente petista.

O Muda Mais publicou na semana passada texto que apontava a CBF como responsável pela desorganização do futebol no país e criticava duramente o presidente da confederação, José Maria Marin. O post incomodou assessores petistas, que pediram sua retirada por considerá-lo "muito agressivo". O ex-ministro se recusou a excluir o texto, o que gerou mal-estar na campanha dilmista.

Para atender o pedido, a saída encontrada pela cúpula da campanha foi desvincular o Muda Mais do comitê de reeleição presidencial e transferi-lo de volta para a conta de campanha do PT.

Oficialmente, o presidente do PT, Rui Falcão, nega ter recebido qualquer ordem da presidente. "Houve um equívoco no registro. O site oficial é dilma.com.br. Tomamos a decisão de fazer a correção assim que soubemos da informação errada de incluir o Muda Mais como um site do comitê da presidente."

Segundo Falcão, coordenador do comitê, inicialmente avaliou-se que seria necessário mudar o registro no TSE. "Depois encontramos outra solução, mais simples, no âmbito do próprio PT. O dilma.com.br é o site oficial, vinculado ao comitê de campanha de Dilma. E o Muda Mais fica mantido como um site vinculado à conta de campanha do PT", afirmou. Segundo Falcão, com a solução, quem entra no dilma mudamais.com.br é direcionado para o dilma.com.br. Já o outro site, de apoio à campanha de Dilma, ficará com o endereço mudamais.com.

A equipe permanecerá a mesma, sob o comando do ex-ministro. "Não será feita nenhuma mudança. O Muda Mais não é o site oficial, ele dá apoio à candidatura Dilma Rousseff. Sem mudança no seu comando nem controle sobre seu conteúdo. Fica tudo como está", diz Falcão.

Para coordenadores, Martins perdeu força na campanha e enfrenta críticas de coordenadores do comitê pelo estilo considerado combativo. Ele defende uma estratégia de enfrentamento'' durante a disputa eleitoral. A presidente, demais ministros e o marqueteiro João Santana discordam da linha. Martins e Dilma conversaram no final de semana. Integrantes do comitê dizem que não há divergência entre os dois. A Secretaria de Comunicação do Planalto informou que não se pronuncia sobre temas de campanha. (Folha de São Paulo)

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73% dos brasileiros culpam a política econômica de Dilma pela volta da inflação.

A inflação é um problema para a maioria dos brasileiros. Para 69% da população, houve grandes aumentos de preços nos últimos seis meses. A conclusão é de estudo do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), realizada em parceria com o instituto de pesquisa Ipsos, uma das maiores empresas de pesquisa e inteligência de mercado do mundo. Foram ouvidas 1 mil pessoas em todas as regiões do país entre os dias 17 e 31 de maio.

Para o diretor titular do Depecon, Paulo Francini, além da “percepção ampla da presença da inflação”, revelada pela opinião de 69% dos entrevistados a respeito do tema, chama a atenção o fato de que essa análise é muito parecida entre as diferentes faixas de renda, grau de instrução e faixas etárias.

No item faixa de renda, a percepção de grandes aumentos de preços é apontada por 67% das pessoas ouvidas pelo estudo que se encontram na classe AB, com 67% compartilhando da mesma opinião na classe C e 70% na classe DE.

Segundo o critério do grau de instrução, 72% dos analfabetos ou com primário incompleto ou completo dizem sentir a inflação, com 68% pensando da mesma forma entre os que têm ginásio incompleto ou completo, 69% com colegial incompleto ou completo e 63% com curso superior incompleto, completo ou mais.

Na sondagem por faixa etária, a inflação está alta para 66% das pessoas com idades entre 16 e 24 anos, para 72% daquelas entre 25 e 34 anos, 69% entre 35 e 44 anos, 70% entre 45 e 59 e 65% para quem tem 60 anos ou mais.

Conforme Francini, a inflação “de cada um é diferente e depende de quanto e como cada um gasta o próprio orçamento”, mas que, por motivos variados, o aumento de preços se faz sentir entre todos. “Para os brasileiros com renda menor, a inflação de itens como alimentação pode se fazer sentir mais, enquanto os gastos com serviços podem pesar mais entre aqueles com renda maior”, disse. “De qualquer modo, todos sentem o aumento dos preços.” Segundo Francini, a taxa de inflação aplicada ao setor de serviços está em torno de 9,5% ao ano, com 6,5% para o índice geral.

Maiores variações

Entre os itens citados na pesquisa como os que mais sofreram variações de preços, alimentação e bebidas foi citado por 90% dos entrevistados, seguido por habitação (44%) e alimentação fora do domicílio (30%). Ao mesmo tempo em que a alta dos preços é sentida, os reajustes no salário, conforme o estudo, não são suficientes para equilibrar as contas em casa. Assim, a maioria dos entrevistados, 87% do total, declarou que o salário “não tem compensado o aumento de preços”.

Política econômica

Para 73% das pessoas ouvidas no levantamento, a política econômica do governo é indicada como responsável pela elevação dos preços. Já para 10%, a responsável é a crise econômica internacional. Em seguida, aparecem as empresas (para 7%) e os próprios consumidores (3%). Os demais 9% ouvidos não sabem ou não responderam.

Perguntados a respeito de soluções para conter a inflação, os entrevistados citaram pontos como o controle dos gastos públicos (opinião de 38% do total), o congelamento de preços (para 37%), o controle dos aumentos contratuais de preços (14%) e o aumento da taxa de juros (3%). Para 1% das pessoas ouvidas, o governo não precisaria fazer nada. Outros 7% não sabem ou não responderam.

Juros, juros

Mesmo diante desse cenário, a maioria dos entrevistados (89%) não concorda com o aumento de juros como forma de controle da inflação. Entre aqueles com renda familiar superior a R$ 1,8 mil, essa proporção chega a 93% das pessoas ouvidas.

Em suas próprias vidas, 45% dos entrevistados acreditam que o principal impacto do aumento da taxa de juros é o desestímulo em contrair novas dívidas, enquanto 38% apontam a elevação do valor das dívidas contraídas como o principal impacto.

“A inflação é um tema de grande importância”, afirma Francini. “Existe uma opinião formada a respeito dessas responsabilidades. As pessoas sabem que a inflação é consequência do exercício de determinada política econômica.” (Ascom FIESP)

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Aécio põe o dedo na ferida do programa “Mais Submédicos”. Ou: Os apalpadores e a redução dos leitos hospitalares

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, fez, entendo, a coisa certa nesta quarta ao afirmar que o programa “Mais Médicos” continua — e nunca ninguém pediu que acabasse, é bom que fique claro —, mas que não aceitará as imposições do governo cubano. Segundo os contratos hoje em vigor, os médicos oriundos da ilha recebem apenas de 25% a 30% do que custam aos cofres públicos: R$ 10 mil. O resto vai parar na ditadura de Fidel Castro. Transformou-se uma fonte de renda. Estimam-se em 11.400 os médicos cubanos que atuam no programa no Brasil. Cuba recebe mais ou menos R$ 79,8 milhões por mês — ou R$ 957,6 milhões por ano. Em suma, a exportação de carne humana rende à tirania dos irmãos Castro quase R$ 1 bilhão. Não custa desconfiar: como a ilha não é, assim, um exemplo de transparência, em tese ao menos, o dinheiro que vai pode voltar, não é mesmo? Em ano eleitoral, pode ser a chamada mão na roda — ou no cofre.

É claro que, se eleito, Aécio não vai conseguir mudar o contrato da noite para o dia. O importante é começar a rever essa imoralidade. Ele também prometeu que vai criar as condições para que os médicos estrangeiros façam o “Revalida”, o exame que permite a quem tem formação fora do país clinicar em terras nativas. Que fique claro: o programa hoje em vigor poderia ser chamado “Mais Submédicos”. Os profissionais são autorizados a trabalhar só ali e, em razão de não terem o “Revalida”, estão proibidos de executar uma série de procedimentos. Dilma falando certa feita sobre o Mais Médicos refletiu, com a profundidade característica: as pessoas precisam de médicos que as apalpem. Então tá. Eu acho que pobres e ricos precisam de médicos que possam fazer o diagnóstico de suas doenças.

Sim, quem quer que venha a assumir o governo terá uma bela herança maldita na área da saúde, que não se resolve com apalpadelas. Entre 2002, último ano do governo FHC, e 2005, terceiro ano já do governo Lula, o número total de leitos hospitalares havia sofrido uma redução de 5,9%. Era, atenção!, O MAIS MAIS BAIXO EM TRINTA ANOS! Números fornecidos pelo PSDB? Não! Por outra sigla: o IBGE. Em 2002, havia 2,7 leitos por mil habitantes. Em 2005, havia caído para 2,4. “Ah, Reinaldo, de 2005 para cá,  algo deve ter mudado, né?” Sim, mudou muito!

O quadro piorou enormemente: a taxa, em 2012, era de 2,3 — caiu ainda mais. E caiu não só porque aumentou a população, mas porque houve efetiva redução do número de leitos púbicos e privados disponíveis: só entre 2007 e 2012, caíram de 453.724 para 448.954 (4.770 a menos). Ou por outra: entre 2002 e 2012, o número leitos hospitalares por mil habitantes teve uma redução de 15%. Entre 2008 e 2013, foram fechados 284 hospitais privados. Segundo o Conselho Federal de Medicina, entre 2005 e 2012, fecharam-se 41.713 leitos do SUS. Isso sob as barbas do grupo político que vai repassar quase R$ 1 bilhão a Cuba por ano.

Isso tem de mudar, com Aécio, Dilma Rousseff ou Eduardo Campos na Presidência. Segundo a lógica, se ela vencer, fica como está porque o que se tem também é obra sua. Campos, até agora, não se pronunciou, mas deve pensar algo a respeito. Aécio está dizendo que, se eleito, assim não fica.

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68% não querem técnico estrangeiro na Seleção. Então tá! Viva o nacionalismo bocó!

Ai, que preguiça!

Segundo levantamento feito pelo Datafolha 68% dos brasileiros rejeitam um técnico estrangeiro para a Seleção. Só 23% dizem preferir essa alternativa, e 9% não souberam opinar. Por que será? Não faço ideia. É bem possível que, caso se indague se as pessoas preferem que a telefonia fique nas mãos de empresas privadas ou de uma empresa pública, esta ganhe de lavada. O mais interessante é que já foi assim, no tempo em que telefone era coisa de rico. Hoje, há mais celulares do que brasileiros, e a tontice nacional ainda continua a falar de “privataria”. Fazer o quê?

Técnico nacional por quê? Tite, diz o Datafolha, que ouviu 5.377 pessoas em 233 municípios, surge como o nome preferido, com 24% das menções. Depois, vem Zico, com 19%, seguido por Muricy Ramalho, com 14%, e Carlos Alberto Parreira e Vanderlei Luxemburgo, com 6%. Com todo o respeito, é um quadro desolador.

Pois é… Pensemos bem: não fosse Tite, seria quem? Os que gostam do esporte digam aí um nome que tenha feito algo de interessante no futebol brasileiro nos últimos tempos. Temos jogadores com experiência internacional e técnicos formados quase em campinho, não é mesmo? Não! Não estou comparando o desempenho dos atletas na Seleção àquele que exibem nos seus clubes — o Messi do Barcelona é melhor do que o da equipe argentina pela simples razão de que o Barcelona é, de fato, uma equipe, e o grupo que vestiu a camisa dos “hermanos” é só um ajuntamento de pessoas. O mesmo vale para o time brasileiro. Não custa lembrar: Neymar, o nosso craque, não é titular absoluto no Barcelona.

O ponto é outro. Qual é a qualidade das informações de que dispõem os técnicos brasileiros sobre o que vai mundo afora? Será que Felipão estava mesmo preparado para enfrentar uma Alemanha que põe em campo craques que sabe tocar a bola, não mais tanques de guerra, que jogavam aquela coisa que até parecia futebol — e com bastante eficiência, mesmo assim? A Seleção Alemã chegou a oito finais (é recorde) e venceu quatro.

Um técnico tem de ser mais do que um boleiro. Não! Eu não estou à procura de um filósofo para a função. Tem de fazer o time jogar bem e de ter compromisso com a vitória. Mas é evidente que precisamos de alguém capaz de pensar o esporte de maneira mais ampla. Precisamos de alguém que saiba cuidar também da, digamos, mentalidade. E, sinceramente, não vejo ninguém no Brasil com essas características. A CBF chegou a discutir a contratação de um estrangeiro, mas, consta, recuou. Depois dessa pesquisa, aí é que não acontece mesmo.

Mas vejam lá, hein? Tite é o que resta. Não pode ser um esquentador de cadeira apenas. Depois dele, não sobra mais ninguém. “Está antevendo que vai ser ruim com Tite?” Eu não! Defendia a sua permanência no Corinthians mesmo numa série com maus resultados. É o nosso técnico campeão do mundo. Acho apenas que o futebol precisa mudar de ares e ampliar o seu repertório.

Sem contar que tenho, por princípio, bode com nacionalismos dessa natureza. Costumam ignorar a realidade em nome de um preconceito.

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Ministério Público tenta barrar registro de Arruda
Ricardo Brito, Estadão

O Ministério Público Eleitoral do Distrito Federal impugnou, ontem, 11 candidaturas com base na Lei da Ficha Limpa. Na lista está o candidato a governador e ex-governador José Roberto Arruda (PR). Cabe à Justiça Eleitoral, agora, decidir se acata a decisão.

Entre os outros dez atingidos estão a deputada distrital Jaqueline Roriz (PMN) e a ex-governadora do Distrito Federal Maria de Lourdes Abadia, ambas candidatas à Câmara dos Deputados. Outros 10 candidatos entraram na lista do Ministério Público por razões diferentes.

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Mensaleiro pede à Justiça progressão de regime
Laryssa Borges, Veja

Condenado no julgamento do mensalão, o ex-tesoureiro do extinto PL (atual PR) Jacinto Lamas encaminhou à Justiça pedido de progressão de regime para terminar de cumprir sua pena em prisão domiciliar. Penalizado a cinco anos de reclusão em regime semiaberto, Lamas alega que os dias de trabalho e estudo no Complexo Penitenciário da Papuda e no Centro de Internamento e Reeducação (CIR) já permitem o abatimento da pena e alteração no regime.

De acordo com a Lei de Execução Penal, a progressão de regime é possível se o preso tiver bom comportamento e depois de transcorrido um sexto da pena no regime anterior.

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Tite é o mais citado para ser o novo técnico da Seleção
Globo Esporte

O técnico Tite é o preferido da torcida para assumir a Seleção após a saída de Luiz Felipe Scolari, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha entre os dias 15 e 16 de julho, em 233 municípios brasileiros, com 5.377 entrevistados (a margem de erro é de 2% para mais ou para menos).

O ex-treinador do Corinthians alcançou 24% da preferência em uma lista que tinha outros oito nomes: Zico, Muricy Ramalho, Vanderlei Luxemburgo, Carlos Alberto Parreira, Mano Menezes, Marcelo Oliveira e Cuca.

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Infecções por HIV aumentam no Brasil
BBC Brasil

Um relatório divulgado ontem pela Unaids (Programa das Nações Unidas para HIV e Aids) revela que o número de infecções com o vírus aumentou 11% no Brasil entre 2005 e 2013, indo na contramão da média global, que apresenta queda. Mesmo entre países vizinho, vem havendo uma redução no índice geral de novos casos.

No México e no Peru, por exemplo, essas taxas caíram 39% e 26%, respectivamente. Em se tratando de dados mais globais, um índice do estudo que chama atenção é o fato de de que cerca de 54% das pessoas infectadas no mundo todo não têm consciência disso. Ou seja, 19 milhões das 35 milhões de pessoas que atualmente vivem com HIV no mundo não sabem que têm o vírus.

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MP denuncia ex-diretor da Petrobras e mais 8 por fraude
Veja

O Ministério Público do Rio de Janeiro ofereceu denúncia à 27ª Vara Criminal da Capital contra o ex-diretor da Petrobras Jorge Luiz Zelada. Responsável pela área Internacional da estatal até 2012, ele é acusado de favorecer a construtora Odebrecht em licitação para o desenvolvimento de um plano de ação de certificação em segurança, meio ambiente e saúde.

O contratou foi fechado em setembro de 2010 no valor de 825,66 milhões de dólares. Além de Zelada, a denúncia envolve o diretor de Contratos da Odebrecht, Marco Antonio Duran, e outras sete pessoas, seis delas funcionários e ex-funcionários da estatal.

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Copom mantém taxa básica de juros em 11% ao ano
O Globo

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu ontem, por unanimidade, manter a taxa básica (Selic) em 11% ao ano, apesar de o IPCA ter estourado o teto da meta do governo em junho, ao atingir 6,52%. O recado é que não adianta apertar ainda mais a política de juros para conter a inflação, pois isso implicaria neste momento um grande sacrifício ao crescimento do país.

É preciso paciência para esperar que todas as altas dos juros façam efeito. O que não será fácil para a população: pesquisa elaborada pelo Instituto Ipsos, encomendada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), mostrou que para 69% dos brasileiros foi grande o aumento dos preços nos últimos seis meses.

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Israel aceita cessar-fogo de horas após a morte de crianças
Juan Gómez, El País

Os telefonemas e folhetos usados por Israel para ordenar aos palestinos da periferia da cidade de Gaza a deixarem suas casas não surtiram o efeito desejado nesta quarta-feira nos bairros de Shujaya e Zeitun. Apenas cerca de 1.000 dos 100.000 palestinos afetados pela ordem de evacuação tinham deixado ambas as áreas no início da noite.

A Agência da ONU para os Refugiados Palestinos preparou abrigos em 24 escolas, que podem acomodar 35.000 deslocados dentro da Faixa de Gaza. Já são mais de 20.000, quase todos do norte da região, cuja evacuação Israel já havia ordenado no último fim de semana.

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Estados Unidos podem enviar seis de Guantánamo para o Uruguai
O Globo

O Pentágono notificou ao Congresso americano sua intenção de transferir seis presos de Guantánamo para o Uruguai, segundo informaram funcionários do governo do presidente Barack Obama.

A manutenção de presos sem julgamento em uma base militar americana na Baía de Guantánamo, em Cuba, é um dos principais fatores de críticas ao governo dos EUA. Obama se elegeu em 2008 com a promessa de fechar a prisão.

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EUA e União Europeia ampliam sanções contra Rússia
BBC Brasil

Os Estados Unidos e a União Europeia aprovaram a ampliação do pacote de sanções contra a Rússia, alegando que Moscou vem apoiando rebeldes separatistas no leste da Ucrânia. As novas medidas têm como alvo os setores bancários, de defesa e de energia, e afetam a gigante de petróleo Rosneft, várias empresas de armas e quatro funcionários do alto escalão do país.

Em Bruxelas, os líderes da União Europeia suspenderam a cooperação financeira com a Rússia por meio do BEI (Banco Europeu de Investimento) e do BERD (Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento).


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Blog do Noblat

Na TV, Dilma terá bons roteiros, por Elio Gaspari

As últimas falas da doutora Dilma, listando realizações num estilo que despreza o fim das sentenças e o encadeamento dos raciocínios, indicam que, durante a propaganda gratuita de televisão, ela estará blindada. Conseguirá despejar uma enciclopédia de números capaz de mostrar os aspectos exitosos de sua administração.

Na TV essas informações serão arrumadas por João Santana, e seus efeitos especiais — os 11 minutos e 48 segundos diários, contra 4 minutos 31 segundos e meio de Aécio Neves, e 1 minuto e 49 segundos de Eduardo Campos — farão sensível diferença. Isso no primeiro turno.

Se houver segundo turno, cada candidato terá o mesmo tempo. Pior: nele o debate pesará muito mais, pois será um mano a mano, sem candidatos fazendo perguntas teatrais. Pior ainda: os dois principais adversários da doutora falam com clareza, enquanto ela se perde em estatísticas. Aécio Neves exagera nos adjetivos grandiloquentes.

Eduardo Campos, nos adjetivos fáceis. Mesmo assim fazem mais sentido que ela. Sempre vale lembrar que na primeira campanha de Bill Clinton à Presidência dos Estados Unidos, o marqueteiro James Carville proibiu-o de pronunciar a palavra “infraestrutura”. Na campanha brasileira pode-se acrescentar que “centro da meta" pode ser a marca do pênalti.

Até hoje, as propostas concretas de Aécio Neves e Eduardo Campos somam benignas platitudes. Aécio quer a “introdução de um novo conceito de cultura na política pública brasileira, com prioridade para uma visão integrada da ação cultural, abrangendo todas as instâncias governamentais e de estímulo a toda a produção cultural nacional, em todos os seus segmentos”.

Campos quer passe livre em transportes públicos para todos os estudantes. Tudo bem. Passe livre para a garotada da Escola Britânica do Rio? Lá a mensalidade vai a cerca de R$ 4.500. Será que eles precisam? Se é o caso de se prometer gratuidades, porque não entregá-las só a quem pedir? Já a doutora oferece como novidade um Brasil sem burocracia.

Logo ela, que tem 25 ministérios e 15 comissários com status de ministros. Ao contrário dos outros dois, a doutora tem o que mostrar e o êxito da Copa lustrou-lhe a imagem de gerentona. (Registre-se o surgimento de uma piada macabra: o novo 7 x 1: sete por cento de inflação e 1 por cento de crescimento. Pelo andar da carruagem, vem aí um 6 x 1.)

Não se pode saber até que ponto as tensões registradas no comissariado da campanha derivam de maus números chegados ao Planalto ou da simples autofagia petista. A doutora já sofreu um processo de corrosão com o “Volta Lula”, não precisa de outro.

A temática oferecida pelas falas de Dilma sugere que sua campanha depende muito das obras e pompas do marqueteiro João Santana e de sua capacidade de administrar o capital do tempo na televisão. Essa tática poderá ser eficiente num primeiro turno. Depois, a eleição será outra.

Pelas ansiedades que se percebem no comissariado, usando-se um verbo criado pela psicóloga Maria Regina Brandão, há o risco de o PT “panicar”, como panicou a turma da Granja Comary. Um PT “panicado” seria uma reedição da velha técnica de “partir pra cima”, radicalizando o que for possível radicalizar.


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Blog do Ilimar Franco

Vários tons da realidade

          O governo Dilma, depois de meses de desgaste, procura bater o bumbo com o êxito da Copa fora do campo. A oposição tucana se esgoela acusando os petistas de tentarem se apropriar porque deu quase tudo certo. Já o time de Eduardo Campos está blasé e diz que este embate é um frenesi pueril. Avalia que o tema não sobrevive e que, quando a eleição entrar no ar, restará uma memória rarefeita.

E agora, como é que fica?
A Justiça está pedindo o ressarcimento de um investimento de R$ 150 mil feito pelo ex-prefeito do Rio Cesar Maia. Mesmo sem enriquecimento ilícito ou desvio, ela alega apenas que o estado é laico e que o gestor não pode usar dinheiro público em favor de uma religião. No caso, a construção da igreja católica São Jorge, no bairro de Santa Cruz, na zona Oeste. A deliberação pode vir a criar um precedente. Os governos federal, estaduais e as prefeituras usam dinheiro público para restaurar igrejas, invocando a manutenção do patrimônio histórico. Mas estas igrejas, após restauradas, são um púlpito para que religiosos, em sua maioria católicos, professem sua fé.

“Ao reassumir a presidência do PMDB, Temer terá maior autoridade para tratar da presença da presidente Dilma e do ex-presidente Lula onde não formos aliados locais do PT”

Henrique Alves
Presidente da Câmara (PMDB) e candidato a governador (RN)

Cartão amarelo
A presidente Dilma tem mancado nos últimos dias. Ela tropeçou carregando o neto, Gabriel. E para não cair ela acabou batendo a perna na quina de uma cadeira. No futebol é assim: há risco de contusão mesmo estando fora de campo.

No outro mundo
O ministro Luís Roberto Barroso virou alvo de críticas dos juristas e da maioria do Congresso. Eles prevêem o caos caso seja aprovada a proibição da doação eleitoral pelas empresas. Comparam com a decisão de Luiz Fux, no caso da renegociação dos precatórios. Seu relatório foi aprovado mas não aplicado. Ele quebraria prefeituras e estados.

Agora vai
O PT cobra do PMDB porque candidatos do partido aos governos estaduais abriram seus palanques para Aécio Neves (PSDB). A resposta: o candidato está com Aécio, mas os candidatos para o Congresso estão com a presidente Dilma.

Será que é isso mesmo?
Muitos são os que atribuem a derrota do Brasil na Copa à direção dos clubes e das Federações. O craque alemão Schweinsteiger dedicou o título ao presidente do Bayern Munch, Uli Hoeness. O Bayern tem sete jogadores na seleção. E Uli está na cadeia, condenado a três anos e meio de prisão por evasão fiscal de 27,2 milhões de Euros.

Burlando o ritual burocrático
Ao contrário do costume, o presidente do STF, Joaquim Barbosa, não nomeou uma equipe de transição para passar o bastão para o ministro Ricardo Lewandowski. Ele baixou resolução para que isso seja feito via um relatório de 60 páginas.

Em cima do lance
A Vigilância Sanitária vistoriou 8.292 restaurantes nas 12 cidades-sede da Copa. No Rio, foram 577 estabelecimentos. Em 21,7% desses, foram encontradas falhas relevantes; onze tiveram de ser fechados até a regularização.

NA INAUGURAÇÃO do Instituto Marcelo Déda, hoje à noite em Aracaju (SE), será lançado livro com os poemas do ex-governador: “Improvável Poética”.

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SURPRESA NAS ELEIÇÕES? - RAFAEL BRASIL

Quase ninguém fala do pastor Everaldo, que tem, seguros, 4% dos votos, segundo os institutos de pesquisa. Devido a pouca exposição na mídia, são números expressivos. Os votos do pastor ao que me parece não fica restrito ao voto do chamado eleitorado evangélico. Mas seu discurso, além de bem articulado, talvez seja o único a enfatizar o liberalismo econômico com um discurso conservador, que reflete o pensamento da grande maioria dos brasileiros. Ou seja, o discurso em prol da família cristã tradicional, contra o abortismo, o gaysismo e a liberação das drogas, e a violência, o mais grave problema nacional, só para ficarmos nestes exemplos.

Do ponto de vista econômico, ressalta a defesa do liberalismo e das privatizações. A esse respeito é o único que tem a clareza e até a coragem de defender coisas óbvias como a privatização da PETROBRÁS. Deveria também defender a venda do restante dos bancos estatais, como o do Brasil, o do Nordeste, e outros remanescentes menos notados.
O candidato é muito bem articulado, se apresenta muito bem no vídeo. Se acrescentar ao discurso, a luta contra os enormes privilégios das corporações estatais, que aliás sempre votaram no PT, e em menor grau ao PSDB, pode surpreender. Sobretudo as mordomias e a lentidão do judiciário.

O Brasil precisa desde ontem de rearticular as forças conservadoras, alijadas do processo político. Falta um grande partido de direita no país. O PT acusa o PSDB de ser de direita, o que para muitos, e sobretudo os tucanos soa como um palavrão. Ademais, ninguém se diz de direita, esta associada sacanamente pelas esquerdas como de cunho fascista, ou pró- fascista.   A “virtude” ficou com a esquerda, apesar dos maiores genocídios perpetrados contra a humanidade pelos governos esquerdistas que existiram no sangrento século XX e hoje ainda tendo remanescentes, de triste história, como a China, Coréia do Norte e Cuba, o latifúndio dos irmãos Castro, ali pertinho dos Estados Unidos. E que se constitui um excelso modelo para nossos esquerdistas, com raras e honrosas exceções.

Creio que a candidatura do pastor vai crescer, e até sendo possível de desbancar o segundo lugar de Eduardo Campos. O pastor não tem tempo de televisão, nem tampouco estrutura partidária. O que pode até ser positivo para uma população que abomina a maioria dos políticos e de seus partidos. Aliás, Collor não foi eleito sem partidos?

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Oposição ou dissidência?

Criticar até não poder mais o governo da presidente Dilma, para marcar uma posição oposicionista, mas poupar o ex-presidente Lula, para não perder os votos de petistas desiludidos com o governo, pode estar dando uma caráter dúbio à candidatura do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, mas ele está convencido de que esta é a estratégia mais adequada.

Foi bastante explícito sobre isso numa declaração à revista “piauí”, quando afirmou que não criticava Lula por que esperava que muitos eleitores do PT o escolhessem como alternativa à Dilma.

Ontem, em debate promovido pela “Folha de S. Paulo”, o UOL e a rádio Jovem Pan, insistiu em que discutir com Lula era uma armadilha em que o PSDB está caindo: “Você acha que eu vou entrar nessa do PSDB, de ficar debatendo com o Lula?”, indagou. “Nós vamos ficar fazendo debate com quem não é candidato?”.

Por trás dessa tentativa de dar um ar estratégico à sua postura, o que Campos esconde é o objetivo de ser trocado por Dilma como candidato petista à presidência, situação semelhante à que acontece hoje em São Paulo, onde o candidato petista ao governo, Alexandre Padilha, está sendo “cristianizado” em favor do candidato do PMDB, Paulo Skaf.

A diferença, além de que Dilma está na liderança nas pesquisas, e Padilha não consegue decolar, é que o presidente da Fiesp não quer se confundir com o PT nem com a presidente, embora evidentemente não renegue os eventuais votos de petistas dissidentes.

Já Campos gostaria de ser ligado a Lula para dar efetividade a seu plano de se transformar na terceira via da eleição presidencial, mas, se ligando indiretamente a Lula, tem perdido o caráter de oposição, papel que deixou para o candidato do PSDB, Aécio Neves, para ser quase um dissidente. Se opor ao PT e à Dilma, mas aspirar a ser um herdeiro presuntivo do lulismo, pode ser uma tarefa excessivamente sutil para o eleitorado.

A tentativa de quebra da polarização entre PT e PSDB na disputa presidencial é estudada pelo cientista político da PUC-Rio Cesar Romero Jacob, que é cético quanto ao êxito dessa empreitada, pois, desde a redemocratização, não há repetição de uma terceira via solidamente implantada no território, que é onde, segundo sua definição, se faz a política, com máquina, militância, uma ação no plano do territorial.

A terceira via tem sido questão muito episódica, lembra Romero Jacob. Em cada eleição houve uma preponderância: Brizola era bem votado no Rio e no Rio Grande do Sul. Enéas, no entorno metropolitano. Ciro Gomes era centrado no Nordeste. Garotinho, no Rio e nos territórios evangélicos.

Desta vez quem aparece nesse papel é Campos porque a ex-senadora Marina Silva, a candidata da terceira via de 2010, apesar da excelente votação que teve (20% dos votos) não conseguiu organizar seu partido a tempo de concorrer e entrou no PSB como candidata a vice.

De maneira indireta, ela confirma a tese de Romero Jacob de que os candidatos da terceira via sofrem de uma espécie de maldição que pode ser medida pelo retrospecto dos candidatos que chegaram em terceiro lugar nas recentes eleições presidenciais. Ninguém emplacou na eleição seguinte.

Brizola, em 1989, teve 16% dos votos, quase foi para o segundo turno contra Collor. Em 1994, teve apenas 3%. Em 1998, foi vice de Lula e terminou a carreira política sendo derrotado para senador. Enéas teve 7% de votos em 1994, caiu para 2% em 1998 e, em 2002, candidatou-se a deputado federal. Ciro Gomes teve 11% em 1998, 12% em 2002, mas, em 2006, se candidatou a deputado federal. Garotinho tenta retomar o protagonismo e disputa o governo do Estado, depois de ter sido deputado federal.

Isso se deve, segundo o cientista político, ao peso de São Paulo no jogo eleitoral: o estado tem um terço do PIB nacional e um quarto do eleitorado, e os partidos solidamente implantados em São Paulo são o PSDB e o PT, o que, para ele, condiciona o resto.

Por isso Campos resistiu à oposição de Marina e decidiu participar da coligação para a reeleição do governador Geraldo Alckmin em São Paulo. E também por isso o candidato do PSDB Aécio Neves escolheu o senador Aloisio Nunes Ferreira para seu vice, um paulista para trabalhar o eleitorado do Estado e não deixar que a chapa “Edualdo” (uma associação de Eduardo com Geraldo) tenha vida fácil.

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PT foge do plenário para Oposição não derrubar decreto bolivariano da Dilma.

O Plenário da Câmara dos Deputados reúne-se nesta manhã na tentativa de votar o Projeto de Decreto Legislativo (PDC) 1491/14, do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que suspende o decreto federal 8.243/14 sobre a Política Nacional de Participação Social. Ontem, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, encerrou os trabalhos devido à falta de quórum (apenas 210 deputados registraram o voto), e convocou sessão extraordinária para as 9 horas de hoje. PT, PCdoB e PSOL entraram em obstrução e quando viram que seriam derrotados, debandaram do plenário, impedindo quorum.

Depois de mais de cinco horas de debates, os parlamentares aprovaram a urgência para o Projeto de Decreto Legislativo 1491/14, do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que anula os efeitos do decreto bolivariano da Dilma, que coloca conselhos populares, indicados pelo governo, acima do Legislativo, em nítida afronta ao estado de direito.

Para o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), o decreto invade de forma flagrante o espaço de competência da democracia representativa, que é exercida pelo Congresso Nacional. “Mais uma vez, a presidente Dilma, por uma medida autoritária, tenta passar por cima do Parlamento brasileiro, invadindo nossas prerrogativas e criando um instrumento novo de participação social via decreto presidencial”, declarou.

A medida, segundo ele, aproxima a democracia brasileira de modelos autoritários, como os praticados na Venezuela e na Bolívia. “A sociedade brasileira não aceita esse decreto bolivariano, inspirado na Bolívia e na Venezuela, e que não tem nada a ver com nossas raízes democráticas. A presidente da República pode muito, mas não pode tudo”, disse Mendonça Filho. Ele acrescentou que, até hoje, todos os mecanismos de participação social criados no País passaram pela análise do Congresso.

O líder da Minoria, deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), também criticou o fato de o decreto atribuir ao governo a escolha de quem vai integrar os conselhos populares. “Abre-se um precedente para que só participem dos conselhos quem o governo quer”, criticou. Sávio destacou que não é contrário à criação dos conselhos, mas à criação de um sistema de consulta popular sem ouvir o Parlamento. “Somos a favor do mérito. Não há objeção à criação de conselhos. Mas alertamos que todas as ditaduras populistas do mundo tiveram início a partir de atitudes dessa natureza, criando mecanismos em que um só decide”, disse.

Já o deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), vice-líder do seu partido, disse que a Assembleia Nacional Constituinte, que deu origem à Constituição de 1988, já tinha preocupação em conciliar a democracia representativa com a democracia direta. “Houve um grande debate para estabelecer os limites para que uma não invadisse a outra”, disse ele, citando alguns dos 12 dispositivos constitucionais que permitem a participação da sociedade na gestão pública, como leis de inciativa popular e consultas públicas como o referendo e o plebiscito.

“Em vez de defender a melhoria da representatividade e do Parlamento, o lulopetismo transforma em deliberativa a participação popular que deveria ser consultiva”, disse Mendes Thame. “Cria-se por decreto, sem participação do Legislativo, um poder paralelo com poder maior do que o próprio Legislativo”, completou.


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Blog do Reinaldo Azevedo

A difícil equação de Eduardo Campos. Ou: Existe um lulismo não-petista?

Eduardo Campos (PSB) — foto — participou da sabatina promovida nesta terça pela Jovem Pan, Folha de S. Paulo e SBT. Hoje, é a vez do tucano Aécio Neves. Às vezes, acho que não deixa de ser uma sorte o presidenciável do PSB ter tão pouco tempo na TV. Terá menos trabalho para achar o que dizer. Até agora, não entendi qual é a tese de Campos nem o que ele pretende. A primeira dificuldade, ficou muito claro, é ele se desvincular de Lula. O candidato do PSB insiste numa equação que me parece quase impossível, cuja síntese poderia ser esta: o lulismo era bom; aí veio a presidente Dilma e estragou tudo.

Mas é mesmo assim? Digam-me cá uma coisa: que política está em curso hoje em dia que não tenha sido iniciada, muito especialmente, no segundo mandato de Lula? Se, antes, foi bem-sucedida e agora dá com os burros n’água, isso decorre do fato de o mundo ter mudado — e mudou contra os interesses do Brasil. Pergunto ao governador: ele gostou das reformas feitas pelo governo Lula? De quais? Ele gostou das privatizações promovidas pelo governo Lula? De quais? Ele gostou das ações do governo Lula para preservar empregos na indústria? De quais? Tudo é o mesmo, incluindo o ministro da Fazenda. Para que Lula fosse uma maravilha, e Dilma, seu avesso, Campos teria de demonstrar que Guido Mantega, agora, atua contra suas próprias convicções por pressão da presidente. E isso não é verdade.

Querem um caso rumoroso? Os descalabros em curso na Petrobras, por exemplo, são uma das heranças malditas do lulismo. Nesse particular, convenham, até que Dilma está procurando, por intermédio de Graça Foster fazer o que pode. Na sabatina, Campos saiu-se com uma conversa estranha, segundo a qual ele não vai confrontar Lula porque isso só ajudaria Aécio… Ok. Mas confrontar só Dilma, vamos ser claros, não está ajudando muito nem ao próprio Campos.

Depois que Marina Silva migrou, temporariamente, para o PSB, veio então a história da “nova política”, que ele encarnaria, em companhia da líder da Rede. E, como exemplo da velha, citou o PMDB, que teria o controle de fatias do governo Dilma, mas mantém um pé, diz ele, na canoa de Aécio Neves. Não sei se lhe foi perguntado, mas pergunto: caso vença, dispensa o apoio do partido? Se o tiver, não será apenas por seus olhos. Mesmo aqui a equação se complica: Campos apoiou o petismo por dez anos. Teve cargos no governo Dilma por mais de dois anos. A que exatamente ele se opõe? Certo: o país está encalacrado com crescimento ridículo — na casa de 1% —, tem juros estratosféricos e inflação alta. Hoje, exibe alguns dos piores indicadores da América Latina. Mas isso se deve a escolhas de Dilma? Parece-me o desdobramento de escolhas que foram feitas no governo Lula. Acontece que a farra acabou.

E encerro com uma questão que parece besta, mas que dá conta de certo estado de coisas. Campos defendeu o “passe livre” para estudantes. É tentação demagógica. O que haveria de “social” nisso? Conceder gratuidade a uma categoria, independentemente de suas condições de renda, é uma forma de fazer justiça? Quem paga a conta? Se dá para fazer no Brasil inteiro, por que não se fez em Pernambuco? O ex-governador também se saiu mal quando tentou explicar — e não explicou — a frenética campanha que fez para que sua mãe, Ana Arraes, integrasse o TCU. E ele estava no comando de um governo de Pernambuco. Isso não tem nada de novo. É, na verdade, uma prática muito velha.

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Congresso ainda respira e dá sinais de que vai cortar as asinhas bolivarianas de Dilma

O Congresso Brasileiro ainda está vivo também para as virtudes. Essa é uma boa notícia. Avançou a resistência ao decreto bolivariano da presidente Dilma Rousseff, o 8.243, que institui a chamada Política Nacional de Participação Social (PNPS) e busca regular a participação de conselhos populares na administração federal. Nesta terça, a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para o Decreto Legislativo (DL) que busca tornar sem efeito a medida presidencial. A partir de agora, havendo quórum, o DL pode ser votado, mas é possível que isso só aconteça depois do recesso branco de julho. Mais de dez partidos — e isso significa que muitos deles são da base aliada, como o PMDB — pressionaram para que se aprovasse o regime de urgência nesta terça. Só o PT e as legendas de esquerda defendem hoje aquela estrovenga.

Vamos ver. Entre muitas, há três maneiras principais de entender o Decreto 8,243:
a) a apocalíptico-barulhenta;
b) a da Poliana distraída;
c) a realista.

A apocalíptico-barulhenta pretende que, uma vez em vigência, o decreto institui definitivamente o comunismo no Brasil, e nada mais se poderá fazer. Seria o golpe final das esquerdas na democracia representativa. Por intermédio dele, os esquerdistas tomariam conta da administração e ponto final. O passo seguinte seria, sei lá eu, o Armagedom ou a luta armada. É uma tolice. Aliás, os esquerdistas que defendem aquela porcaria vibram quando encontram um caricato desses pela frente porque não é difícil ridicularizar esse delírio.

Há a leitura das Polianas Distraídas. Essas insistem em afirmar que o decreto de Dilma, o que é verdade, não cria nenhum conselho novo. E daí? Só faltava, agora, o Executivo criar também os conselhos por iniciativa unipessoal da chefe do Executivo. Aí estaríamos numa monarquia absolutista. Esses distraídos também dizem que a participação popular está prevista na Constituição e que não há nada de errado nisso.

E há a versão realista. O PT não vai instituir, obviamente, o comunismo no Brasil porque, pra começo de conversa, nem comunista é. Mas tem uma visão autoritária do poder e busca, desde que foi criado, tomar conta do Estado Brasileiro, um processo que, obviamente, está em curso. E, isto sim, não é difícil de demonstrar.

O que o decreto de Dilma faz de estupidificante, em primeiro lugar, é definir o que é sociedade civil. Está lá no Inciso I do Artigo 2º: “I – sociedade civil – o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações;” É evidente que o “indivíduo”, no caso, não existe nesse contexto. Como se daria a sua participação? Ele teria de, necessariamente, integrar um dos “coletivos” e “movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados”, ou suas “redes e organizações”, se quisesse ser ouvido. Vale dizer: a chamada participação popular será monopólio de militantes políticos. Um Congresso escolhido por 140 milhões de eleitores corre o risco de ser menos influente na definição de políticas públicas do que alguns poucos milhares de militantes.

E quem é que vai comandar essa coisa? A Secretaria-Geral da Presidência — hoje, seria Gilberto Carvalho, aquele mesmo que tem conversado com índios, com os resultados conhecidos; com o MST, com os resultados conhecidos, e com os black blocs, com os resultados conhecidos.

Ademais, já chamei a atenção para um aspecto especialmente preocupante do decreto de Dilma. Ele institui uma “justiça paralela” por intermédio da “mesa de diálogo”, assim definida no Inciso VI do Artigo 2º: “Mecanismo de debate e de negociação com a participação dos setores da sociedade civil e do governo diretamente envolvidos no intuito de prevenir, mediar e solucionar conflitos sociais”.

Como a Soberana já definiu o que é sociedade civil, podemos esperar na composição dessa mesa o “indivíduo” e os movimentos “institucionalizados” e “não institucionalizados”. Se a sua propriedade for invadida por um “coletivo”, por exemplo, você poderá participar, apenas como uma das partes, de uma “mesa de negociação” com os invasores e com aqueles outros “entes”. Antes que o juiz restabeleça o seu direito, garantido em lei, será preciso formar a tal “mesa”…

É o “comunismo”? Não! Mas se trata de uma óbvia agressão à propriedade privada. De resto, não cabe a Dilma Rousseff, por decreto, estabelecer os mecanismos da chamada democracia direta. Isso é tarefa do Congresso Nacional. A governanta está usurpando uma prerrogativa do Congresso. Não é o golpe final das esquerdas, mas é mais um golpe na democracia.

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Projeto que derruba decreto bolivariano de Dilma avança na Câmara

Na VEJA.com:
Às vésperas de entrar no chamado “recesso branco”, a Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira o pedido de urgência para votar uma proposta que pode derrubar o decreto bolivariano da presidente Dilma Rousseff, destinado a criar conselhos populares em órgãos da administração pública. Com a aprovação da urgência, o texto ganha prioridade e pode ser votado em plenário desde que haja quórum mínimo de 257 deputados, o que não deverá ocorrer até agosto já que a Casa iniciará férias não oficiais.

Apesar da demora — o decreto 8.243 foi assinado em 23 de maio —, a resposta da Câmara era esperada. O presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), foi pressionado por mais de uma dezena de partidos para colocar a proposta de urgência em votação na noite desta terça antes do recesso dos deputados. Desde que foi editado pelo Palácio do Planalto, o decreto provocou forte reação no Congresso, que começou nas bancadas de oposição, mas ganhou adesão de mais de dez siglas da Casa.

Diante da ameaça de derrota caso o texto que susta os efeitos do decreto fosse aprovado, PT e PCdoB entraram em obstrução e conseguiram barrar a votação esvaziando o plenário. O pedido de urgência passou com 294 votos a favor e 54 contrários. Houve três abstenções. Foi uma das poucas votações da Câmara desde o começo de junho, quando os deputados deixaram Brasília e teve início a Copa do Mundo.A Medida Provisória 641, que altera a lei de comercialização da energia elétrica, tranca a pauta, mas não impede a votação do Projeto de Decreto Legislativo contra o texto de Dilma. Para pautá-lo, é necessário retirar a MP da pauta ou invertê-la, o que depende de vontade política da Casa.

O decreto de Dilma instituiu a participação de “integrantes da sociedade civil” em todos os órgãos da administração pública e, feita numa canetada, representa um assombroso ataque à democracia representativa. O texto ataca um dos pilares da democracia brasileira, a igualdade dos cidadãos, ao privilegiar grupos alinhados ao governo. O decreto do Palácio do Planalto é explícito ao justificar sua finalidade: “consolidar a participação social como método de governo”. Um dos artigos quer estabelecer, em linhas perigosas, o que é a sociedade civil: “I – sociedade civil – o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Ou seja, segundo o texto de Dilma, os movimentos sociais – historicamente controlados e manipulados pelo PT – são a representação da sociedade civil no Estado Democrático de Direito.

“Se não derrubarmos o decreto, o senhor Gilberto Carvalho sozinho vai dizer quem compõe esse sistema de participação social montado sob a ótica de quem está no poder. Todas as ditaduras populistas do mundo tiveram episódios dessa natureza”, disse o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG). “A votação de hoje consolidou a derrota e demonstra que a maioria da Câmara rejeita a proposta do decreto”, afirmou o líder da bancada do PSDB, Antônio Imbassahy (BA).

“Na Venezuela há conselhos populares para defender essa tática governista de Hugo Chávez. Eu não tolero que esse modelo seja importado para a realidade brasileira. Aqui nós temos diversos partidos, com fidelidade e raízes democráticas. Neste momento o Parlamento oferece uma resposta de que não tem nada a ver com a Venezuela e não está no caminho da estagnação, da ditadura e da opressão”, defendeu o líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE).

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Renan convoca só dois dias de trabalho até as eleições
Cristiane Jungblut, O Globo

O Senado terá duas sessões em agosto apenas, até as eleições de outubro. O presidente do Senado e do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que isso não pode ser chamado de recesso branco e sim uma compatibilização entre as atividades do Legislativo e as eleições. Na prática, o Senado só terá votação nos dias cinco e seis de agosto.

Novas votações só serão convocadas se os líderes entenderem que é necessário, em agosto. Ao contrário do presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Renan não quis falar em recesso branco.

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Justiça do Paraná diz que Youssef lavou R$ 1,1 milhão do mensalão
Germano Oliveira, O Globo

O Juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal do Paraná, aceitou nesta terça-feira nova denúncia formulada pelo Ministério Público Federal contra o doleiro Alberto Youssef, alvo da “Operação Lava-Jato”. A acusação desta vez é por lavagem de R$ 1,1 milhão do ex-deputado federal José Janene (PP-PR), morto em 2010, de um total de R$ 4,1 milhões recebidos de Marcos Valério, do esquema do mensalão, em 2005.

Segundo a denúncia, Youssef lavou o dinheiro recebido por Janene durante o governo Lula, aplicando os valores em investimentos na empresa Dunel Indústria, de Londrina (PR). Familiares de Janene, como uma de suas filhas, também foram denunciadas, mas o MPF pediu a extinção de punição a Janene, por ele já estar morto.

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Acusado no mensalão mineiro renuncia
Ricardo Brito e Marcelo Portela, Estadão

Acusado em processo do mensalão mineiro, Clésio Andrade (PMDB) renunciou nesta terça-feira, 15, ao mandato de senador alegando problemas de saúde. Com isso, a ação que o acusa de integrar um esquema de desvio de dinheiro público para abastecer a campanha eleitoral tucana em Minas de 1998 deve ser remetida do Supremo Tribunal Federal para a primeira instância da Justiça.

Com a transferência do caso de Clésio para os tribunais estaduais, o Supremo, que condenou 25 acusados de integrar o mensalão federal, esquema petista no governo federal, não vai julgar nenhum processo criminal envolvendo o caso do PSDB.

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Apenas 6% das escolas públicas têm computador em sala
O Globo

As escolas brasileiras, públicas e privadas, estão utilizando mais os computadores e o acesso à internet para atividades com os alunos, um movimento fortalecido pela crescente iniciativa dos professores em aplicar essas tecnologias nas aulas com os estudantes.

No entanto, nas instituições públicas, o número de máquinas disponíveis aos alunos, a velocidade da internet, e a integração desses recursos à sala de aula continuam a ser desafios para o desenvolvimento de melhores práticas educacionais. É o que indica a pesquisa nacional TIC Educação 2013, divulgada pelo Comitê Gestor de Internet no Brasil.

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Euforia com chegada de seleção alemã supera expectativas em Berlim
Melina Costa, BBC Brasil

Milhares de torcedores se concentraram nesta terça-feira nas proximidades do Portão de Brandemburgo, em Berlim, na Alemanha, para recepcionar a seleção campeã na Copa do Mundo de 2014. O público presente na festa de boas vindas superou as expectativas dos organizadores.

O número de fãs nos arredores do Portão e numa avenida que leva a ele foi estimado em 400 mil. Os portões de acesso à comemoração tiveram de ser abertos às 6h30, para dar vazão à multidão.

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Alemanha cogita usar máquina de escrever contra espionagem
O Globo

Depois do escândalo dos espiões duplos que estremeceu as relações entre Estados Unidos e Alemanha, e obrigou a chanceler federal Angela Merkel a expulsar o chefe da CIA na embaixada americana, em Berlim, políticos alemães consideram voltar a utilizar máquinas de escrever para redigir documentos sigilosos e sensíveis.

Ao menos é o que afirmou o chefe do Bundestag — Parlamento alemão —, o democrata-cristão Patrick Sensburg, em entrevista ao programa televisivo “Morgenmagazin”.

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Ofensiva de Israel chega aos 200 palestinos mortos na Faixa de Gaza
O Globo

Israel retomou ontem os bombardeios contra a Faixa de Gaza, depois de uma breve trégua, intensificando seus ataques após o registro da primeira vítima israelense neste conflito que já matou 200 palestinos. Ataques aéreos mataram mais três palestinos na madrugada desta quarta, segundo fontes médicas, elevando o número de óbitos no território a 200.

O bombardeio de uma casa na cidade de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, liquidou dois homens, e outro ataque aéreo vitimou um jovem na mesma região, disse o porta-voz dos serviços de emergência, Ashraf Al Qudra.

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Banco dos BRICs começa a andar e terá a sua sede em Xangai
Antonio Jiménez Barca e Carla Jiménez, El País

O banco dos BRICS, grupo de países composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, começa a ganhar corpo. Sua sede ficará em Xangai. Seu primeiro presidente será indiano, seu primeiro diretor-geral, um brasileiro, e seu primeiro governador, um russo.

Nasce para fazer frente, do ponto de vista financeiro, “aos déficits de infraestrutura e de outras necessidades de desenvolvimento” desses Estados. E está sendo criado porque o Fundo Monetário Internacional, que teoricamente deveria tratar dessas questões, se mostra insuficiente para tal, segundo esses países.

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‘O perigo é o abraço’, por Carlos Brickmann

Durante muitos anos, descreveu-se o PSDB (e a descrição vale até hoje) como um partido formado 100% por amigos que são 100% inimigos. Neste ano, a descrição passa a valer para o PT (quase com perfeição, porque há no partido uma unanimidade: Lula): todos são petistas, todos são amigos, todos se odeiam.

Franklin Martins e João Santana, por exemplo, disputam ferozmente o comando do conteúdo da campanha de Dilma – a tal ponto que Martins só não foi embora por um pedido especial de Lula. Martins é também duro adversário de Paulo Bernardo, e a tropa de choque que mobiliza – o MAV, Movimento de Arregimentação Virtual, que atua coordenadamente na Internet – periodicamente abre fogo contra o ministro das Comunicações. Aloízio Mercadante e Guido Mantega, que já concorreram pela posição de formulador da política econômica petista, continuam tendo restrições um ao outro (se bem que a disputa pelo comando a política econômica tenha sido encerrada, com a derrota de ambos. Quem manda é Dilma e pronto). E ninguém gosta do secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, a começar por sua chefe Dilma Rousseff. E Carvalho, petista desde a fundação do partido, ligadíssimo à base sindical e de esquerda católica que sempre deu respaldo a Lula, é o guardião da história do PT. Sabe tudo.

Gilberto Carvalho deve agora, segundo o bem-informado colunista Lauro Jardim, de Veja, deixar o Governo para entrar na campanha de Dilma. A presidente, ao que parece, está feliz – não com a entrada de Gilberto, mas com sua saída.

Tudo claro
Já sabemos por que a Seleção brasileira sofreu contra a Alemanha o apagão citado por Luiz Felipe Scolari, e levou de sete. A explicação é dada por Rui Costa Pimenta, candidato do PCO, Partido da Causa Operária, à Presidência da República (www.pco.org.br): “A derrota esmagadora da seleção brasileira aconteceu muito antes deste fatídico 8 de julho no Mineirão. Foi preparada pela direita nacional organizada pelo imperialismo, pelos monopólios capitalistas do esporte, pela imprensa ‘nacional’ (vendida para o capital estrangeiro) e, inclusive pela esquerda pequeno-burguesa que trabalha a serviço da direita como o PSOL, o PSTU e outros grupos menores do mesmo quilate. Acuaram os brasileiros para não torcer pelo Brasil, buscaram de todos os meios desestabilizar o time brasileiro. A seleção foi derrotada pela política, mais precisamente pela pressão política”.

Completando
Hulk jogou um bolão, Fred atormentou as defesas adversárias, Fernandinho mostrou que é craque. Se não fossem a imprensa e o imperialismo, seria “tóis”!

O país normal
O Congresso não funcionou durante a Copa – embora não se tenha esquecido de alugar carros com motorista. Mas vá lá: embora o país não tenha parado, andou devagar. Agora, que acabou a Copa, o Congresso tem de votar a Lei de Diretrizes Orçamentárias e só: entra em recesso nesta sexta, que ninguém é de ferro.

O caminho das pedras
Lembra da guerra que resultou em duas CPIs sobre a Petrobras, uma na Câmara, outra mista, de deputados e senadores? Pois é: as duas estão formadas. E quietinhas. O Governo controla as duas, por meio do mesmo senador Vital do Rego, do PMDB paraibano, e não quer fazer marola. A oposição, que já não gosta de se opor, neste caso quer opor-se ainda menos, e pelo mesmo motivo do Governo: para que atingir financiadores de campanhas? Nos últimos 20 dias, foram ouvidos o ex-presidente e a atual presidente da Petrobras.

E fiquemos por aí, que cada parlamentar e cada partido sabem direitinho que o calo dói é no bolso.

A fonte do dinheiro
As propinas em São Paulo já não podem ser atribuídas apenas ao homem-forte do Governo Covas, Robson Marinho: aos poucos, vão surgindo novos suspeitos, novas evidências. Este colunista não acusa nem defende: quer apenas saber quem andou levando, se é que alguém andou levando. E tem certeza de que ninguém rouba sozinho.

Quando será feita a investigação completa sobre os companheiros de Robson Marinho no primeiro Governo da atual dinastia tucana?

Discretíssimo
Copa vem, Copa vai, e a portaria nº 734 do ministro da Saúde, Arthur Chioro, publicada no Diário Oficial da União de 5 de maio, vai passando batida (veja: http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=05/05/2014&jornal=1&pagina=36&totalArquivos=148).

Pela 734, médicos, farmacêuticos, dentistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos formados em países do Mercosul (Argentina, Uruguai e Paraguai), estão dispensados de revalidar o diploma para trabalhar no Brasil. A portaria já está em vigor.

Os próximos
A Venezuela não está citada na portaria 734, mas como é membro pleno do Mercosul está, por direito, tacitamente incluída. Os cinco Estados associados ao Mercosul – um status menos elevado – também não são citados; por enquanto, o benefício do diploma sem revalidação não se estende aos profissionais neles formados. Os Estados associados são Colômbia, Equador, Peru, Chile e Bolívia.


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Blog do Coronel

Fernando Henrique Cardoso desafia e arrasa Lula em artigo sobre corrupção.

Em artigo publicado no Observatório Político, Fernando Henrique Cardoso desmonta, uma a uma, as falsas acusações que Lula, historicamente, faz contra ele, que lhe venceu duas vezes no primeiro turno. FHC desafia Lula, novamente. Encontrará, como sempre, o silêncio de um covarde manipulador e mentiroso. Abaixo um trecho do artigo. Aqui na íntegra.

"Tem sido assim há anos, desde quando estourou o escândalo do mensalão. Aliás, em nenhum momento Lula explicou de forma detalhada os acontecimentos que levaram ao maior escândalo de corrupção da história republicana, caracterizando-o, na época, como um simples problema de caixa 2, ocorrido às suas costas. Noutro dia, no exterior, chegou até a dizer que os principais envolvidos nem eram pessoas de sua confiança. Omitiu-se por completo.

Para se defender, Lula ataca. Jamais se explica, sempre acusa. Acostumado a atirar pedras, Lula é incapaz da autocrítica. Quando deveria, de forma rigorosa, abominar a prática da corrupção, ele tenta distrair a opinião pública jogando culpa nos outros. Ora, a grandeza de um líder está em assumir a responsabilidade, por si e por sua equipe, dos possíveis erros cometidos, buscando corrigi-los e superá-los, não em levantar suspeitas sobre outrem com o claro objetivo de se esquivar de seus compromissos éticos e políticos.

Ainda recentemente, quando em viagem para Johanesburgo, ao conversarmos sobre o mensalão, disse-lhe que deveria virar esta página, já julgada pela Suprema Corte. Mas não, Lula insiste em continuar distorcendo fatos para dizer que todos fizeram algo parecido. Eu não caio nessa cilada.

Aproveito para renovar a proposta que lhe fiz naquela ocasião: por que não nos juntamos para corrigir o que de malfeito há na vida política brasileira, em vez de jogar pedras uns nos outros? O Brasil se cansou de ataques infundados. O país percebe que seu futuro depende de decisões honestas e corajosas, entre as quais a de evitar que o debate eleitoral se restrinja a baixarias e falsas acusações."

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Crise no financiamento

          Os candidatos para o parlamento estão em pânico. São escassos os recursos para dar a largada nas campanhas. A maioria das empresas está segurando as doações. Elas temem que o STF torne ilegal contribuições de pessoas jurídicas. O julgamento está 6 x 1 pela proibição. Faltam quatro ministro votar. A decisão só não foi adotada ainda porque o ministro Gilmar Mendes segurou o processo.

O STF ocupa o lugar do Congresso
A reforma política é uma necessidade e todos os partidos defendem realizá-la. Desde a eleição de Fernando Collor, em 1989, o governo depende de alianças para ter maioria. O mesmo ocorre com a reforma. Nada anda porque nenhuma proposta tem maioria para ser aprovada na Câmara. Neste vácuo, os ministros do STF, que não são eleitos pelo voto, adotaram o atalho de reinterpretar a lei e a Constituição. Aprovada a proibição pelo Supremo, não restará aos partidos outra proposta que não seja o financiamento público, proposta que é defendida pelo partido do governo, o PT. Em 2010, 71,7% das doações foram feitas por empresas. No caso do PT, 83%; e, do PSDB, 68%.

“A campanha é irracional. Em 80 dias vou visitar 120 municípios. Temos que adotar o voto distrital ou a lista fechada. O pior dos mundos é o modelo atual”

Marcus Pestana
Deputado federal e presidente do PSDB de Minas

Ocupando espaço
Os tucanos criticam a tentativa do governo Dilma de se apropriar eleitoralmente da Copa. Na Esplanada, o que incomoda é a atuação do ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) para assumir o protagonismo da ação do Executivo.

O que fazer?
Irritação grande no PT do Rio e do candidato ao governo Linbergh Farias. Surpresa com as desconcertantes declarações do candidato ao Senado da chapa, Romário. O aliado defende que o PT tem que deixar o poder. O mal estar tomou conta do partido. Os dirigentes regionais do PT, aguardam o presidente Rui Falcão, para reagir.

Meia sola
Os petistas se deram mal no Espírito Santo. Eles desistiram do governador Renato Casagrande (PSB) e foram abandonados por Paulo Hartung (PMDB). O ponto de apoio da presidente Dilma será o candidato ao Senado, João Coser (PT).

Nos bastidores
Sobre eventuais divergências entre João Santana e Franklin Martins, um ministro comentou: “ Eles têm gênios fortes e, às vezes, veem as coisas de forma diferente. Mas é a presidente quem decide”. Depois ele ironiza dizendo que se eles pensassem igual, não seria preciso contratar os dois, Seria mais barato ficar apenas com um deles.

Improviso
O senador Vital de Rêgo (PMDB), candidato a governador (PB), está no escuro. Todas as pesquisas para enfrentar o governador Ricardo Coutinho (PSB), foram feitas com seu irmão, Veneziano. Vital virou candidato na reta final.

Tocando flauta
O ministro Guido Mantega (Fazenda) , assistiu o jogo do Brasil, no último sábado, no camarote da Fifa. Sua expressão foi de perplexidade com a derrota. Por isso, um holandês, que também estava lá, se aproximou e pediu desculpas.

Esvaziado. O Congresso não deve votar hoje. A presidente Dilma convidou alguns líderes para almoçar hoje, com os Brics, em Fortaleza (CE).

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Responsabilidade fiscal nos clubes

A partir da discussão sobre o que fazer para reorganizar nossa estrutura futebolística, o primeiro passo parece ser a mudança a partir dos próprios clubes, que são a fonte de poder das federações estaduais, que por sua vez elegem a diretoria da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Não há como começar esse processo sem ser dessa base, dizem os especialistas, pois sendo uma entidade privada, a CBF não está sujeita a intervenções oficiais, protegida pela própria FIFA, que proíbe a interferência de governos e de tribunais que não sejam os da Justiça Esportiva.

Mesmo que a interferência do governo e dos políticos seja indesejável, será preciso repactuar as dívidas dos clubes com o governo para que reformulemos nossa estrutura clubística em novas bases.

Já existe na Câmara dos Deputados em Brasília um substitutivo, do deputado federal do PSDB do Rio Otávio Leite, que pode ser votado em breve, pois está pronto para ir ao plenário desde abril, depois de ser aprovado pelas comissões. Mas vem sofrendo a obstrução da base aliada do governo.

A proposta é ampla e representa importante avanço, a partir da renegociação da dívida dos clubes, mas com punições rigorosas, que podem chegar ao rebaixamento, para o não pagamento. O substitutivo já está sendo designado como Lei da Responsabilidade Fiscal do Esporte, numa alusão proposital à Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada junto com o Plano Real, que limitou as dívidas dos Estados e Municípios e impôs aos entes federativos hábitos financeiros saudáveis que até hoje vêm sendo respeitados, a despeito de diversas tentativas de burlá-la.

Não haverá anistia nem perdão das dívidas, mas uma renegociação dos débitos com o governo: INSS, IR, FGTS, Timemania e Banco Central. O montante único dos débitos seria refinanciado em 25 anos com a taxa TJLP, usada pelo BNDES para seus empréstimos. O total da dívida, excluídas as trabalhistas e os empréstimos que não entrariam nesse refinanciamento, é de R$ 3,3 bilhões aproximadamente.

A União teria uma arrecadação anual estimada em R$ 140 milhões, e com a unificação dos débitos haveria um documento único de arrecadação e a redução dos meios administrativos dos órgãos públicos que cuidam das dívidas.

O objetivo da LRFE de ter uma “gestão transparente e democrática” seria monitorado por várias medidas, como a apresentação obrigatória de Certidão Negativa de Débito (CND) ao início de cada competição, sob pena de rebaixamento.

Também o cumprimento regular de pagamentos dos contratos de trabalho dos jogadores e funcionários dos clubes seria fiscalizado. Os dirigentes seriam responsabilizados pessoalmente pelas dívidas dos clubes, e seria proibido o aumento do nível de endividamento depois da repactuação.

Haverá uma expressa proibição de antecipação de receitas de qualquer natureza que ultrapasse o fim do mandato do dirigente. E os mandatos de presidente serão limitados a 4 anos, com uma única recondução. Haverá ainda um Comitê de acompanhamento da execução das regras estabelecidas, formado por representantes dos clubes, dos jogadores, dos patrocinadores, da imprensa, do grupo de jogadores Bom Senso e do Poder Executivo.

A legislação prevê ainda a criação de um Fundo de Iniciação Desportiva na Educação, que teria recursos, entre outros, vindos de uma nova loteria e a instituição de um imposto sobre a venda de patrocínios da camisa de Seleção.

A necessidade de dar resultados financeiros e ter transparência nos gastos para reformar as dívidas, mas, sobretudo, a responsabilização pessoal dos dirigentes, obrigaria os clubes a uma profissionalização indispensável para uma nova etapa de reorganização do futebol brasileiro a partir de sua base, que são os clubes.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Presidente da Câmara tenta votar nesta terça Decreto Legislativo que anula maluquice bolivariana de Dilma

A Câmara dos Deputados tem nesta terça, mais uma vez, a chance de fazer a coisa certa e votar um Decreto Legislativo que torna sem efeito o decreto presidencial 8.243, baixado pela presidente Dilma Rousseff. Como já lembrei aqui tantas vezes — e o farei quantas se fizerem necessárias — trata-se daquele arroubo bolivariano de Dilma Rousseff, que submete, ainda que de forma oblíqua, as decisões do governo federal a conselhos populares. A Constituição estabelece, sim, a participação direta da população por meio de três instrumentos: plebiscitos, referendos e emendas de iniciativa popular. Os conselhos, na forma como quer o decreto de Dilma, simplesmente substituem a democracia representativa pela democracia direta.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), afirmou nesta segunda que o Decreto Legislativo não é mais uma bandeira da oposição, mas da Câmara: “Não é a oposição, a Casa quer votar. É a Casa que quer se manifestar sobre o decreto e o fará”.

Alves já deixou claro que considera que o decreto de Dilma está em desarmonia com o princípio da separação dos Poderes. Segundo ele, “cabe ao Congresso Nacional< precipuamente, formulação de políticas públicas, por meio de lei, após amplo debate entre todas as forças políticas — da situação e da oposição — sobre as mais diversas demandas de todos e quaisquer grupos da sociedade, alinhados ou não, ao governo”. É só uma questão de bom senso.

Lembro aqui um trecho do monstrengo dilmiano. O Artigo 1º do decreto estabelece: “Fica instituída a Política Nacional de Participação Social – PNPS, com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil”. “complementariedade, transversalidade e integração entre mecanismos e instâncias da democracia representativa, participativa e direta”.

Certo! Então os conselhos seriam uma forma de democracia direta, né? Só que é a democracia direta que se realiza à socapa, sem que ninguém saiba. Ou o “cidadão” decide fazer parte de algum “coletivo” ou “movimento social” ou não vai participar de coisa nenhuma. O texto tem o topete de definir o que é sociedade civil logo no Inciso I do Artigo 2º: “o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Ou por outra: é sociedade civil tudo aquilo que o poder decidir que é; e não é o que ele decidir que não é.

Fim da propriedade privada
Como observei numa coluna na Folha, O “indivíduo” só aparece no decreto para que possa ser rebaixado diante dos “coletivos” e dos “movimentos sociais institucionalizados” e “não institucionalizados”, seja lá o que signifiquem uma coisa, a outra e o seu contrário. Poucos perceberam que o decreto institui uma “justiça paralela” por intermédio da “mesa de diálogo”, assim definida: “mecanismo de debate e de negociação com a participação dos setores da sociedade civil e do governo diretamente envolvidos no intuito de prevenir, mediar e solucionar conflitos sociais”.

Ai, ai, ai… Como a Soberana já definiu o que é sociedade civil, podemos esperar na composição dessa mesa o “indivíduo” e os movimentos “institucionalizados” e “não institucionalizados”. Se a sua propriedade for invadida por um “coletivo”, por exemplo, você poderá participar, apenas como uma das partes, de uma “mesa de negociação” com os invasores e com aqueles outros “entes”. Antes que o juiz restabeleça o seu direito, garantido em lei, será preciso formar a tal “mesa”…

Isso tem história. No dia 19 de fevereiro, o ministro Gilberto Carvalho participou de um seminário sobre mediação de conflitos. Com todas as letras, atacou a Justiça por conceder liminares de reintegração de posse e censurou o estado brasileiro por cultivar o que chamou de “uma mentalidade que se posiciona claramente contra tudo aquilo que é insurgência“. Ou por outra: a insurgência lhe é bem-vinda. Parece que ele tem a ambição de manipulá-la como insuflador e como autoridade.

Vocês se lembram do “Programa Nacional-Socialista” dos Direitos Humanos, de dezembro de 2009? É aquele que, entre outros mimos, propunha mecanismos de censura à imprensa. Qual era o Objetivo Estratégico VI? Reproduzo trecho:
“a- Assegurar a criação de marco legal para a prevenção e mediação de conflitos fundiários urbanos, garantindo o devido processo legal e a função social da propriedade.
(…)
d- Propor projeto de lei para institucionalizar a utilização da mediação como ato inicial das demandas de conflitos agrários e urbanos, priorizando a realização de audiência coletiva com os envolvidos (…) como medida preliminar à avaliação da concessão de medidas liminares (…)”

Dilma voltou à carga, resolveu dar uma banana para o Congresso e, em vez de projeto de lei, que pode ser emendado pelos parlamentares, mandou logo um decreto.

Que a Câmara tenha a decência de repudiar esse arroto autoritário!

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Black blocs presos no Rio tinham bomba de “alta letalidade”

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
Um laudo do Esquadrão Antibombas deixa claro que baderneiros presos no sábado no Rio de Janeiro se organizavam para cometer crimes em protesto marcado pelas redes sociais para a decisão da Copa do Mundo, neste domingo, no Maracanã. A Justiça aceitou o pedido de prisão temporária da ativista Elisa Quadros, conhecida como Sininho, e outros dezoito black blocs sob o entendimento judicial de que o grupo forma uma quadrilha armada. O laudo a que o site de VEJA teve acesso mostra que um casal de baderneiros preso pela polícia na operação guardava em casa uma bomba de fabricação caseira com “capacidade de provocar mortes”. O artefato continha 140 gramas de pólvora — para se ter uma ideia, o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade em fevereiro deste ano continha 60 gramas.

O delegado Alessandro Thiers, chefe da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática, sustenta que as 28 pessoas investigadas na operação Firewall 2 planejaram cometer crimes neste domingo e estiveram envolvidos em atos violentos em manifestações anteriores. O material apreendido até o momento corrobora a versão policial.

Durante as buscas feitas no sábado, a polícia encontrou uma bomba de fabricação caseira, em formato de tubo, na casa em que estavam a professora Camila Rodrigues Jourdan e o ativista Igor Pereira D’Icarahy. Camila é funcionária pública concursada e dá aulas na Faculdade de Filosofia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Igor é filho do advogado Marino D’Icarahy Júnior, que defende Sininho em processos judiciais. No apartamento também foram encontradas garrafas e litros de gasolina, material para preparação de coquetéis molotov.

Os investigadores dizem ter indícios de que o casal tinha uma conduta específica na quadrilha de black blocs e, por isso, a Justiça expediu um mandado de prisão temporária contra cada um. A situação da dupla se complicou depois da apreensão da bomba. O casal passou a responder na Justiça não somente por formação de quadrilha armada, mas também por porte de explosivo. Mesmo que consigam um habeas corpus contra a prisão temporária por formação de quadrilha, vão precisar de outra ordem judicial para escapar da prisão em flagrante pela posse de explosivos. Procurado pelo site de VEJA, o advogado Marino D’Icarahy Júnior não quis se manifestar.

Laudo técnico assinado pelos inspetores Francisco Sidney Farias Rodrigues e Raphael Ferreti de Souza atesta que a bomba caseira é chamada tenicamente de “bomba tubo” e foi “confeccionada por agente que demonstrou habilidade e conhecimento no manuseio de bombas caseiras desta natureza”. A perícia diz ainda que “a detonação deste artefato explosivo tem capacidade de provocar mortes, lesões corporais diversas, bem como danos patrimoniais e ao meio ambiente”.

Na operação de sábado, dezenove adultos foram presos e dois adolescentes detidos. Sete suspeitos ainda estão foragidos. Nas residências dos investigados, a polícia localizou armas de choque, martelos pontiagudos, litros de gasolina, garrafas e escudos. De acordo com a investigação, eram instrumentos para a participação criminosa dos suspeitos em protestos. Na casa de uma das adolescentes, que morava com a irmã, foi encontrado um revólver. O pai da menina se apresentou como dono da arma de fogo e foi autuado por omissão de cautela, crime de menor potencial ofensivo que vai ser julgado no Juizado Especial Criminal. Mas a adolescente vai ficar detida por ato infracional análogo ao porte ilegal de arma de fogo.

Incomodado com críticas sobre a prisão dos black blocs, o delegado garante que vai detalhar as provas contra os suspeitos na conclusão do inquérito. Ele prevê que isso será feito em até 10 dias. Após o fim do sigilo judicial na fase de investigação, pretende exibir um organograma com a responsabilidade de cada um dos 28 investigados na “quadrilha”. “Existe uma quadrilha armada cometendo atos violentos durante manifestações, com divisão de tarefas. As apreensões só confirmam isso. Foram apreendidos galões de gasolina, garrafas de coquetel molotov, diversos martelos pontiagudos e uma bomba de fabricação caseira. Não era uma bombinha de festa de faculdade. Quem anda com isso? Tinham o nítido propósito de fazer depredação. O viés político que estão querendo colocar é uma atitude de desespero de advogados”, afirmou Thiers.

A acusação de formação de quadrilha armada foi corroborada pelo promotor Luís Otávio Figueira Lopes, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. O crime apontado pela polícia motivou a decretação de prisão, por cinco dias, como permite a legislação em casos do gênero. A decisão foi do juiz Flavio Itabaiana de Oliveira Nicolau, titular da 27ª Vara Criminal da Capital do Rio de Janeiro. Por isso e pelo conjunto de provas colhidos na investigação, o delegado critica as reclamações de que foram “prisões arbitrárias”.

O delegado diz ainda que pode pedir a prisão preventiva dos investigados, como permite a lei. “Se for necessário, vamos pedir a prisão preventiva. É leviano tratar a investigação como se fosse política sem conhecê-la. Não tem nenhuma banalidade sendo investigada. O que um manifestante pacífico faria com coquetel molotov e bomba caseira? Os advogados tiveram amplo acesso aos documentos da investigação. A polícia só combate os excessos”, afirmou o delegado.

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Os despudorados: Dilma e 15 ministros convocam coletiva para demonizar a imprensa. E, para isso, usam a… imprensa!

Não adianta! Eles não aprendem nada nem esquecem nada. Se faltava alguma evidência de que havia um gigantesco esquema de marketing preparado para esmagar a oposição caso o Brasil vencesse a Copa do Mundo, agora não há mais. Mesmo com a derrota humilhante, Dilma Rousseff passou o ridículo, nesta segunda-feira, de convocar uma entrevista coletiva, acompanhada de 15 ministros, com um único propósito: demonizar a imprensa. Boa, claro!, é a Al Jazeera, a emissora do tirano do Catar. Para esta, a presidente diz o que bem entender. E ninguém contesta. Se bem que não foi contestada por aqui também, mesmo sem tiranos… O objetivo da entrevista era demonstrar que “o Brasil perdeu a taça, mas ganhou a Copa”, como resumiu Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil.

Afirmou a presidente: “Os vaticínios, os prognósticos que se faziam sobre a Copa eram dos mais terríveis possíveis. Começava com o ‘não vai ter Copa’ até ‘nós teremos a Copa do caos’. O estádio do Maracanã, que ontem foi palco de um evento belíssimo, ia ficar pronto só em 2038, ou 2024. Enfim, não ficaria pronto nunca”. Vamos ver.

Quem, com um mínimo de seriedade, afirmava o “Não vai ter Copa”? A imprensa? Não! A oposição? Não! Isso era coisa de grupelhos radicalizados de extrema esquerda com os quais, diga-se, Gilberto Carvalho estava negociando, conforme confessou em entrevista.

Mercadante resolveu fazer uma alusão à revista VEJA e à Folha: “A revista de maior tiragem do Brasil fez uma manchete: ’2038: por critérios matemáticos, os estádios da Copa não ficarão prontos a tempo’. Tinha uma foto do Maracanã, que vocês viram na final da Copa, a beleza não só daquela arena, mas também de todas as outras arenas que foram apresentadas. O jornal de maior tiragem do país, no dia de abertura da Copa, tinha a seguinte manchete: ‘Copa começa hoje com seleção em alta e organização em xeque“.

É evidente que Mercadante está se referindo à VEJA e à Folha, que apenas cumpriram a sua função. Refere-se a uma reportagem de capa da revista de maio de 2011. Ora, as obras estavam atrasadas mesmo. Lá está escrito: “Por critérios matemáticos, as obras não ficarão prontas a tempo”. E mais: “No ritmo atual, o Maracanã seria reaberto com 24 anos de atraso”. E é mais do que legítimo — na verdade, é uma obrigação — fazer a advertência. Por que o ministro não bate boca também com a Fifa, que, mais de uma vez, demonstrou irritação com o ritmo das obras? Chamava-se a atenção do governo e dos brasileiros para um fato. Se a imprensa ajudou a corrigir o ritmo das obras, ótimo!

Mais: Mercadante estudou economia, é isso? Deve ter passado por rudimentos de matemática, ao menos. Considerando as obras de mobilidade que não foram e não serão feitas, o prazo para a realização das obras se multiplicou ao infinito, senhor ministro. Deu pra entender ou quer que eu desenhe?

A mais indigna das falas, e isso não me surpreende, ficou com José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Referindo-se sabe-se lá a quais governadores, afirmou: “Há ainda hoje quem acredite que o governo federal deve passar recursos para os Estados fazerem a política da segurança pública”. Por que ele não diz quem pediu — e, pelo visto, não recebeu — recursos? Falo do que vi de perto: em São Paulo, enquanto a polícia se organizava para combater a baderna nas ruas, Gilberto Carvalho negociava, conforme confessou, com criminosos.

Eis aí. Provado está. Com a derrota acachapante, Dilma convoca uma entrevista coletiva com 15 ministros. Imaginem se o Brasil vence a Copa… Dilma tentaria mandar para o degredo os “inimigos da pátria”…

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Dilma critica previsões pessimistas sobre a Copa
Nathalia Passarinho e Filipe Matoso, G1

Um dia após o encerramento da Copa do Mundo, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem, durante apresentação de balanço do evento, que o Brasil derrotou a "previsão pessimista" e os prognósticos "terríveis" e conseguiu realizar “a Copa das Copas”. A presidente reuniu 17 ministros para fazer a apresentação à imprensa do balanço do mundial.

Na maior parte dos pronunciamentos, os ministros seguiram o protocolo de apresentar o balanço relativo a cada área, rebateram críticas e fizeram comentários sobre o legado da Copa em suas áreas. “Os prognósticos que se faziam sobre a Copa eram os mais terríveis possíveis. Começava com ‘não vai ter Copa’ e com ‘vai ser a Copa do caos’. Derrotamos a previsão pessimista e realizamos essa Copa das Copas”, disse Dilma.

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Quatro candidatos à Presidência têm registro contestado
Mariana Oliveira, G1

O Ministério Público Eleitoral contestou junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a candidatura de quatro candidatos à Presidência da República: Mauro Iasi (PCB), Levy Fidelix (PRTB), José Maria Eymael (PSDC) e Rui Costa Pimenta (PCO). Os procuradores eleitorais querem barrar os presidenciáveis em razão de supostos problemas em seus registros.

O Ministério Público pediu que os políticos e os partidos juntem documentos que estão faltando, como certidões criminais obrigatórias. Caso apresentem os documentos que faltam, as candidaturas deverão ser liberadas. Os quatro candidatos têm sete dias a partir da data em que forem notificados para esclarecer as pendências.

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Ficha Limpa já enquadra quase 200 candidaturas
Estadão

Pelo menos 198 candidaturas foram impugnadas pelas procuradorias regionais eleitorais com base em artigos da Lei da Ficha Limpa. É quase a metade das 414 candidaturas questionadas até ontem pelo Ministério Público, de um total de 10 mil analisadas.

Os números podem ser ainda maiores porque apenas 13 dos 27 Estados cumpriram os prazos previstos pela legislação. Mato Grosso do Sul (89 pedidos), Rio Grande do Norte (86) e Acre (41) lideram entre os Estados com mais ações. Os motivos mais frequentes para a impugnação foram a rejeição de contas por órgãos colegiados e condenações prévias, principalmente por abuso de poder econômico.

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Fracassa tentativa de 'esforço concentrado pós-Copa' na Câmara
Isabel Braga, O Globo

Longe de obter o quórum mínimo de 257 deputados para iniciar as votações no plenário, a sessão convocada para iniciar o esforço concentrado após a Copa do Mundo, ontem, na Câmara foi encerrada. Apesar da convocação feita pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), no momento em que a sessão de votação foi encerrada, apenas 117 deputados tinham registrado presença no painel eletrônico.

Henrique Alves convocou nova sessão para o meio-dia desta terça, incluindo na pauta a votação da MP-641, que trata de comercialização de energia, o projeto que susta o decreto da presidente Dilma Roussef que cria os conselhos populares e a indicação de Bruno Dantas para a vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

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Petrobras fez adiantamento de US$ 30 milhões por compra de Pasadena
Eduardo Bresciani e Vinicius Sassine, O Globo

A Petrobras adiantou US$ 30 milhões à empresa belga Astra Oil antes de concluir as negociações da compra da primeira metade da refinaria de Pasadena, no Texas. Foram pagos US$ 10 milhões em maio de 2006 e US$ 20 milhões no primeiro dia do mês seguinte.

Autorizado em fevereiro de 2006 pelo Conselho de Administração da Petrobras, presidido então por Dilma Rousseff, o negócio só foi oficializado em setembro daquele ano. Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) questiona a antecipação de recursos e destaca que eles eram “não-reembolsáveis”, caso o acordo fracassasse.

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Empresários propõem a troca de moedas e de vistos entre os BRICS
Carla Jiménez, El País

Desde a última reunião dos BRICS em Johannesburgo, no ano passado, empresários dos cinco países emergentes mantêm uma rotina de reuniões mensais por teleconferência para chegar a propostas que facilitem as trocas comerciais entre eles.

Nesta terça-feira, eles vão entregar uma lista de sugestões aos chefes de Estado de cada nação que inclui a liberação mais rápida do visto de negócios facilitado para os executivos do bloco, e ainda, a facilitação da troca direta de moedas para tornar mais ágeis as trocas comerciais.

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Igreja Anglicana aprova ordenação de mulheres como bispos
Veja

Em uma decisão histórica, a Igreja Anglicana aprovou nesta segunda-feira uma medida que permite a ordenação de mulheres para o bispado da instituição. Depois de cinco horas de debates ontem, o sínodo votou em favor de uma emenda durante encontro em York, no norte da Inglaterra.

Há dois anos uma proposta semelhante não foi aprovada por pouco devido à oposição demonstrada por membros tradicionalistas, o que decepcionou os modernizadores, a hierarquia da igreja e os políticos.

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Chanceler britânico renuncia em inesperada reforma de Cameron
O Globo

O ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, anunciou que vai deixar o principal cargo da diplomacia britânica para coordenar as relações do governo com a Câmara Baixa do Parlamento.

A mudança ocorre durante uma reforma inesperada do gabinete do primeiro-ministro, David Cameron, que busca inserir mais mulheres e jovens no alto escalão do governo antes da eleição nacional em maio do ano que vem.

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Egito propõe cessar-fogo entre Hamas e Israel
Veja

O Egito apresentou nesta segunda-feira uma proposta de cessar-fogo entre palestinos e israelenses para interromper a escalada de violência na região. A ideia é que a trégua tenha início já nesta terça. Fontes israelenses afirmaram que o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu discutirá a proposta.

Um representante do grupo fundamentalista Hamas, que controla a Faixa de Gaza, disse que um 'acordo político' precisa ser fechado antes de uma trégua. Israel pede garantias de um período prolongado de trégua, enquanto o Hamas busca uma flexibilização do bloqueio imposto pelos israelenses a Gaza.

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Vaiada por onde passa Dilma ainda tenta transformar Copa em sucesso pessoal.

Integrantes da campanha do senador Aécio Neves (PSDB) criticaram o megaevento de Dilma que contou com a presença de 16 ministros para divulgar o balanço da Copa. Candidato a vice-presidente na chapa de Aécio, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) disse que Dilma não pode atrair para o governo o saldo positivo da Copa no Brasil. "A Copa foi boa não por causa da Dilma, mas do povo brasileiro, dos jogadores, do bom futebol. Da parte do governo, houve atraso generalizado nas obras e estádios superfaturados", afirmou.

Coordenador da campanha de Aécio, o senador José Agripino Maia (DEM-RN) disse que o uso da emissora oficial do governo para a transmissão da cerimônia –a TV NBR – comprova o uso eleitoral do ato político. "É campanha eleitoral desabrida em cima de uma farsa. A Copa foi tranquila, as coisas aconteceram bem, mas a presidente não pode se apoderar disso", disse.

Os oposicionistas afirmam que Dilma esqueceu de mencionar o "legado negativo" da Copa, como a falta da entrega de obras de mobilidade urbana. "As coisas funcionaram por causa da iniciativa privada, com quem o governo fez parcerias nos aeroportos, nos estádios. O governo dela é o PAC que só tem 16% das obras, a ferrovia Norte-Sul que está emperrada. É propaganda enganosa com uso de TV estatal", afirmou Agripino.

Aloysio Nunes ironizou a presidente ao lembrar que Dilma, no início de julho, disse que o seu governo era "padrão Felipão". Como o técnico deixou o cargo após a eliminação do Brasil, o tucano disse que o governo não vai conseguir "faturar" em cima dos bons resultados da Copa. "Acho que isso não pega. É um esforço público jogado fora. Faria melhor à presidente governar. Não adianta insistir porque isso não vai pegar", afirmou. (Folha Poder)


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Blog do Coronel

PT passa a usar um "vaiômetro" nas aparições de Dilma. Planalto comemora que presidente foi menos vaiada na final do que na abertura da Copa.

Apesar de a presidente Dilma Rousseff ter sido vaiada no encerramento da Copa do Mundo, no Rio de Janeiro, o tom dos protestos não chegou nem de longe ao que se viu na abertura da competição em São Paulo, o que trouxe certo alívio ao Palácio do Planalto. A hostilidade no Maracanã ocorreu antes e durante a entrega da taça à seleção da Alemanha, vencedora do Mundial.

Todas as vezes em que Dilma aparecia no telão, as vaias tomavam conta do estádio, mas auxiliares da presidente ressaltaram que a maneira como ocorreram os protestos neste domingo não se compara à virulência do que houve em 12 de junho. "Não foi nada parecido com aquele dia", observou, aliviado um ministro, ao lembrar que vaias em estádios são consideradas até normais e que já eram esperadas pelo governo.

Nesta segunda-feira, no Planalto, o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, fará uma reunião com todos os demais ministros que participaram da organização da Copa do Mundo, para uma avaliação setor a setor. O balanço, será repassado à presidente Dilma Rousseff que estará, a maior parte do dia, envolvida com a visita do presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Dilma entregou a taça ao time da Alemanha ao lado da chanceler Ângela Merkel, de dirigentes da Fifa e do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, alvo de fortes críticas em um dos sites da campanha petista, o "Muda Mais". O site está sob responsabilidade do ex-ministro da Comunicação do governo Lula, Franklin Martins, que hoje coordena as redes sociais no comitê da reeleição.

Os ataques a Marin provocaram queda de braço na campanha porque Dilma e o marqueteiro João Santana consideraram que as críticas causaram "constrangimento" e "mal estar" num momento em que o governo trabalhava pelo sucesso da Copa, sem querer comprar briga com a CBF. Dilma pediu que Franklin retirasse o post do site "Muda Mais" ou que o assinasse, mas não foi atendida. Na quarta-feira, quando o texto foi publicado, o presidente do PT, Rui Falcão, teve uma conversa reservada com Franklin sobre o assunto, em Brasília. (Estadão)

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CBF demite Felipão

A CBF acabou de demitir Felipão, o técnico que conduziu a Seleção Brasileira ao maior vexame de sua história. Por incrível que pareça, a sua intenção era continuar. Inventou uma instância inexistente para tentar se manter no cargo: “entregar o cargo”. Ora, ele não precisava entregar o que desde sempre pertencia à confederação. Os 7 a 1 contra a Alemanha não lhe pareceram o suficiente. Aí vieram os 3 a zero contra a Holanda. Mas Felipão não se deu por vencido e ainda chegou a dizer que se fez, sim, um bom trabalho.

Se lhe faltou bom senso ao longo da competição, a humilhação por que passou a equipe brasileira o fez perder também o senso de ridículo. Poderia ter admitido o desastre e caído fora por conta própria. Preferiu ser demitido e, sei lá, posar, talvez, de vítima da CBF, que sempre fica bem no papel de vilã. Ainda voltarei ao assunto.
A CBF tem, sim, parte considerável da culpa — a começar pela contratação de Felipão, que vinha de experiências desastradas no Chelsea e no Palmeiras.

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A Alemanha triunfa! O povo brasileiro triunfa! Presidente é vaiada cinco vezes e ouve o coro: “Ei, Dilma, vai tomate cru!”

Acabou! A melhor seleção da Copa ficou com o título, e essa é, sem dúvida, uma boa notícia para o futebol. A Alemanha mereceu! À diferença do que previram aquelas pessoas com quem Gilberto Carvalho andou dialogando à socapa, “teve Copa”, sim, e o evento, em si, foi um sucesso. A infraestrutura necessária funcionou. O que os brasileiros lucraram objtivamente com isso? Nada! E, pra começo de conversa, vamos parar com essa cascata de sair dizendo por aí que o povo surpreendeu ao receber bem os estrangeiros. Por quê? Quando foi que ele tratou mal os turistas? Tenham paciência! O vexame da equipe em campo só não foi maior do que o do governo petista, que tentou usar o torneio para se promover e para demonizar a oposição e os críticos do oficialismo. Deu-se mal! Dilma Rousseff teve de contar com a boa vontade da Fifa, que a manteve no ar o mínimo possível. Nas raras vezes em que a presidente apareceu no telão, o estádio explodiu numa vaia inequívoca. Cadê os bocas de bagre do puxa-saquismo oficial para acusar a “elite branca carioca”?

Dilma foi hostilizada cinco vezes, com mais intensidade quando entregou a taça para o capitão alemão, Philipp Lahm. Os apupos cederam, então, àquele xingamento que já se tornou um clássico: “Ei, Dilma, vai tomate cru” se fez ouvir com intensidade e clareza e rivalizou com a manifestação da abertura do torneio, no Itaquerão. O jornalismo a soldo, cuja pança é alimentada pelas estatais, inventou a tese de que tudo era coisa da “elite branca de São Paulo”. A quem culpar desta vez?

Nunca antes na história destepaiz um tiro saiu tão espetacularmente pela culatra. E não pensem que Dilma foi vaiada porque o Brasil levou aquele nabo de 7 a 1 da Alemanha. Ainda que Thiago Silva estivesse no lugar de Lahm, aposto que a reação do público teria sido a mesma. A população rejeitou a tentativa do Planalto de se apropriar do espetáculo. Quaisquer que tenham sido os sacrifícios para realizar o torneio no Brasil, eles foram feitos pelo povo brasileiro, não pelo oficialismo. Este, ao contrário, reitero, não cumpriu o que prometeu à população.

O Planalto tentou manipular o espetáculo de todas as maneiras. Se dependesse de Franklin Martins, até a derrota teria servido à exploração vigarista. O país ainda vivia seu luto futebolístico quando se plantou na imprensa a informação de que o governo queria intervir na CBF. O site “Muda Mais”, comandado por Franklin, lançou a tese de que a derrota deveria ser jogada nas costas da confederação – que certamente tem suas responsabilidades. Mas pergunto: devemos atribuir as vitórias de 1994, 2002 e a Copa das Confederações, em 2013, à corrupção da CBF? Ou será que ela só serve de argumento quando o time perde? Lugar de corrupto de qualquer área é a cadeia, claro!, mas vamos parar de conversa mole. Ainda voltarei a esse tema, usando a lógica como instrumento.

O PT sonhou usar a Copa do Mundo para esmagar seus adversários. O partido criou até uma lista negra de jornalistas, da qual, gloriosamente, faço parte. Tive a honra de ser o primeiro. Não obstante, quem não consegue sair às ruas é Dilma Rousseff. Quem não pode dar as caras no estádio é Dilma Rousseff. Quem consegue falar apenas a plateias rigidamente controladas pelo Planalto é Dilma Rousseff.

Para o futebol brasileiro, foi um fim melancólico. Para o petismo, foi um desfecho melancólico. Para os oportunistas, foi um epílogo melancólico. O povo brasileiro, ah, meus caros este é, sim, vitorioso. Resistiu à máquina bilionária de propaganda e mandou comer tomate cru os que tentaram sequestrar a sua vontade.

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Alckmin diz que comitês 'Edualdo' é algo 'absolutamente normal'
Ricardo Chapola, Estadão

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou neste domingo, 13, que é "absolutamente normal" que existam em São Paulo os comitês "Edualdo" - que pedem o voto conjunto em Eduardo Campos (PSB) para presidente e no tucano, candidato à reeleição, para governador.

O partido de Campos está coligado com Alckmin no Estado - a legenda indicou o deputado federal Márcio França como candidato a vice - e dirigentes da sigla afirmam que a legenda vai explorar a dobradinha em cidades do interior.

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A disputa de 'pesos-pesados' pelo Senado em São Paulo
Felipe Frazão, Veja

A disputa pela vaga única de senador por São Paulo nas eleições de outubro reunirá três nomes de peso: além do atual ocupante da cadeira, Eduardo Suplicy (PT), ingressaram na campanha o ex-governador José Serra (PSDB) e o ex-prefeito da capital paulista Gilberto Kassab (PSD).

O cenário, alterado de última hora, faz desta a mais concorrida campanha paulista ao Senado, após 24 anos de mandatos consecutivos de Suplicy. Antes mesmo de Serra assumir a candidatura, Suplicy já esperava que a disputa acabaria polarizada entre ele e o tucano.

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Dilma volta a ser vaiada e xingada no Maracanã na final da Copa
Jamil Chade e Silvio Barsetti, Estadão

A presidente Dilma Rousseff foi vaiada e ofendida com intensidade quando sua imagem surgiu nos telões do Maracanã, durante a entrega das premiações aos melhores da Copa do Mundo. Durante e após a decisão da Copa do Mundo, ela foi hostilizada cinco vezes ao todo por parte do público que compareceu ao estádio.

A manifestação se repetiu quando ela apareceu cumprimentando o técnico da Argentina, Alejandro Sabella e foi mais forte no momento em que Dilma entregou o troféu de campeão para o capitão do time alemão, Philipp Lahm. Nesse instante, as vaias se transformaram num cântico ofensivo à presidente.

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Felipão dá adeus à seleção
Jorge Luiz Rodrigues e Mauricio Fonseca, O Globo

O técnico Luiz Felipe Scolari foi demitido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no fim da noite de ontem, segundo o Sportv. Foram 29 partidas em sua segunda passagem pela seleção, com 19 vitórias, seis empates e quatro derrotas — as duas últimas, vexaminosas, na Copa do Mundo, para a Alemanha (7 a 1) e a Holanda (3 a 0). Felipão assumiu o posto pouco antes da Copa das Confederações, ano passado, quando conquistou o título em final diante da Espanha (3 a 0), no Maracanã.

Com Felipão, sai toda a comissão técnica, inclusive o coordenador técnico Carlos Alberto Parreira. A CBF deve oficializar a mudança nesta segunda-feira e iniciar a procura por um novo treinador. No domingo, no Maracanã, na saída dos convidados da Fifa, o diretor jurídico da entidade, Carlos Eugênio Lopes, já dava a demissão como fatura liquidada.

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Clima de tristeza se espalha por Buenos Aires
Marcia Carmo, BBC Brasil

Um clima de tristeza tomou conta da torcida concentrada neste domingo na Plaza San Martín e no Obelisco, no centro de Buenos Aires, onde foram montados telões que transmitiam ao vivo a final entre Argentina e Alemanha no Maracanã. No fim da noite, houve episódios isolados de violência entre torcedores e a polícia. Em meio às lágrimas, alguns torcedores não conseguiam nem comentar a derrota da seleção argentina por 1 a 0.

"Não, não, por favor. É muita tristeza", disse um rapaz de cerca de 30 anos. "Nós somos do sul da Argentina, mas viemos de ônibus porque queríamos apoiar a nossa seleção daqui de Buenos Aires. Mas não deu", disse Jorgelina Alvarez, uma senhora de 60 anos.

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Papa 'acredita que um em cada 50 clérigos católicos é pedófilo'
BBC Brasil

Um jornal italiano disse ontem que, em uma entrevista, o papa Francisco admitiu que cerca de 2% dos clérigos católicos, ou um em cada 50, seriam pedófilos. Segundo o jornal La Reppublica, o pontífice afirmou que o abuso sexual de crianças era como uma lepra que infecta toda a igreja e pediu que o problema "seja confrontado com toda a severidade que demanda".

"Há padres, bispos e cardeais entre esses 2% de pedófilos. Outros, em um número ainda maior, sabem (dos abusos), mas ficam em silêncio. Eles punem (os pedófilos), mas não explicam a razão", teria dito o papa. "Para mim, essa situação é intolerável."

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Dez mil palestinos fogem da ameaça israelense
El País

Pelo menos 10.000 palestinos haviam abandonado no sábado suas casas no norte da Faixa de Gaza, horas depois de terminar o ultimato dado por Israel aos habitantes dessa área. Segundo as advertências enviadas aos palestinos, as Forças Armadas de Israel estavam se preparando para bombardear intensamente a região a partir do meio-dia de domingo.

Os porta-vozes da agência das Nações Unidas para os refugiados palestinos, conhecida pela sigla UNRWA, relatavam sábado à noite que três dos oito colégios preparados para funcionarem como abrigos já estavam lotados. Muitos celulares do norte de Gaza haviam recebido durante a manhã ligações e mensagens de texto com avisos sobre um ataque iminente.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Desastre histórico 10 – É preciso importar técnicos para os grandes times e para a Seleção; salários milionários já há; só faltam agora os técnicos talentosos

Em matéria de Seleção Brasileira, há uma contradição que me parece insanável. Praticamente a totalidade dos jogadores escolhidos joga em times estrangeiros. Além do seu talento, o que se quer é também a sua experiência internacional em centros de alta performance futebolística — coisa que o Brasil, convenham, há muito tempo não é. Na hora, no entanto, de escolher um treinador, ficamos mesmo com a prata da casa — que anda uma lástima. Escrevi há dois anos, quando Felipão foi indicado, e repeti ontem no blog: ele foi guindado para a Seleção Brasileira quando havia acabado de contribuir, de modo importante, para mandar o Palmeiras para a segunda divisão. Tem uma carreira com méritos, incluindo uma Copa do Mundo, mas me parece evidente que está ultrapassado. O vexame que a Seleção Brasileira sofreu foi, antes de tudo, tático.

Nesta terça, nós todos vimos Felipão, na beira do campo, a dar um pito em alguém — talvez em David Luiz: “Não adianta! Está seis a zero!” Repetiu a fala e reproduziu o placar com uma mímica. O que estaria querendo dizer com aquilo? Nem Deus sabe, não é? Se o Altíssimo gostasse de futebol, naquela hora, estaria se regozijando com outras ovelhas, não com as nossas.

A CBF dispõe de condições e recursos para contratar técnicos estrangeiros. Dos que estão na praça, me digam: quem está em condições de oferecer algum diferencial à Seleção? Felipão, com todo o respeito à sua trajetória, transformou-se num distribuidor de camisas. A escalação que fez contra a Alemanha não evidencia ignorância apenas sobre a o seu próprio time, mas me parece, e isto é mais grave, está a evidenciar também uma leitura errada do time alemão. Não me lembro, no tempo em que acompanho futebol, de ter visto um time montado sem meio de campo.

E fomos amargando, então, alguns recordes negativos:

1: a pior derrota da nossa Seleção em Copas;

2: o pior resultado da equipe em todos os tempos, incluindo amistosos: antes, havia perdido de 5 a 1 para a Bélgica, em 1963, e de 6 a 0 para o Uruguai, em 1920;

3: a pior derrota de um time numa semifinal de Copa do Mundo;

4: tomou o maior número de gols em menos tempo: em 29 minutos, foram cinco;

5: quatro dos sete gols alemães foram feitos em 6 minutos: as 23, aos 24, aos 26 e aos 29;

6: três gols resultaram de bolas roubadas, como quem toma doce de criança;

7: ao fazer seu sétimo gol, a Alemanha tinha realizado 13 finalizações — 54% de eficiência, o que deve também ser recorde;

8: durante todo o primeiro tempo, o Brasil fez 2 finalizações — a Alemanha, sete, com cinco gols.

9: perder é coisa do jogo; deixar-se humilhar é próprio de quem não respeita a história alheia nem a própria.

Pelas mesmas e óbvias razões por que exportamos jogadores, está na hora de importar treinadores — e isso vale também para os grandes clubes. Está na cara que o Brasil se tornou, no futebol, um país de Jeca-Tatus, eternamente de cócoras sobre a própria incompetência. E olhem que não faltam salários milionários aos nossos técnicos. Dá para trazer os melhores que atuam nas grandes praças futebolísticas do mundo.

Os jogadores talentosos estão aí. Continuam a ser fornecidos todos os dias pelas escolinhas e pelas periferias deste Brasil imenso. Mas a  CBF, assim como o país, tem de mudar.

Sim, é preciso aprender com as derrotas. Quando essa derrota é um vexame sem precedentes, é preciso uma terapia de choque.

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Desastre histórico 11 – Publicidade no intervalo e depois do jogo tornou tudo mais surrealista

Não há condições técnicas — não ainda ao menos — de programar uma publicidade para a vitória e outra para a derrota. E, é natural — não estou censurando ninguém —, os produtos anunciados (cerveja, bancos, carros etc) vinham embalados por euforia e otimismo. Só que a realidade era bem outra.

Ok, meus caros, já aconteceu antes. A minha geração — estou com 52 — não teve “Maracanaço”, mas teve a derrota para a Itália em 1982. Ocorre que nós todos amávamos aquele time, mesmo com os seus defeitos. Era inequívoco que jogava com talento incomum — embora tivesse uma defesa descuidada. Também naquele caso e em outros tantos, a propaganda refletia uma realidade que já não nos pertencia mais.

Desta feita, não foi a derrota em si que tornava a coisa toda meio surrealista, mas a forma como se deu e, obviamente, o placar. Apesar da euforia, é evidente que havia e que há certo clima desconfiança cercando a realização do torneio no Brasil.

No intervalo, lá estavam as mensagens ufanistas e insuportavelmente alegres, quando perdíamos por 5 a zero. Terminado o jogo, voltaram os comerciais. De novo, lá estávamos nós, os felizes imbatíveis da tela, derrotados na vida real por sete a um.

No futuro, e a tecnologia se encarrega do assunto, é o caso de pensar alternativas para a vitória e para a derrota. Mas não se peça a ninguém, nem acho que seja o caso, que se faça um anúncio para a humilhação.

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Desastre histórico 12 – O triunfo do raciocínio mágico e da burrice. Ou: Macumba lógica

Na segunda, no programa diário “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan (entre 18h e 19h; volta ao ar neta quinta, em horário normal), esculhambei a tese cretina que vi esposada em muitos lugares segundo a qual a saída de Neymar até poderia representar um ganho para a Seleção Brasileira. O raciocínio estúpido e mágico se sustentava em dois pilares:
a) componente psicológica – o desagravo ao nosso melhor jogador e o sentimento de unidade nacional gerado por sua contusão estimulariam os nossos guerreiros, que, então, lutariam ainda com mais garra;
b) componente técnica – por motivos insondáveis, a ausência de Neymar tornaria cada jogador mais compenetrado e ciente das suas obrigações, o que obrigaria o time a jogar um futebol mais eficiente e solidário.

Obviamente, nada disso aconteceu. Eu, aborrecidamente lógico que sou, considero que, com a possível exceção de Fred, menos nunca é mais, a não ser quando se somam ou se multiplicam entre si grandezas negativas. Se Neymar é nosso melhor jogador e se ele é o único da Seleção que lembra um armador, caso ela saia, a Seleção ficará, obviamente pior.

Mais: como eu não tinha percebido — nem eu nem ninguém — a existência de algum esquema tático de Felipão que não fosse Neymar, a sua saída implicava ficar sem nada. Some-se a isso a ausência de Thiago Silva — esta, sim, muito mais devastadora para o jogo desta terça —, e temos, então, o “Mineiraço”. Explico a referência a Fred, que estava em campo não por culpa sua, diga-se, mas de Felipão: ele atuou na Seleção como massa negativa. Tê-lo era como jogar não com 10, mas com nove jogadores. Era a soma que subtraía. Onde se pensava haver um centroavante, havia apenas alguém lutando contra sei lá que demônios do futebol. Não é que ele não tenha ajudado; ele atrapalhou.

Enquanto o futebol — e o mesmo vale para o país — se deixar perder nessas bobagens, não vamos muito longe, não. É possível que até Felipão tenha caído presa da armadilha: “Ah, vamos fazer do limão uma limonada”. E aí meteu Bernard e Hulk para correr pelas pontas, deixou a armação para David Luiz, e aí foi a zaga que entrou em parafuso. Quando o ataque não marca, a zaga está em pânico e não existe meio-campo, o resultado de 7 a 1  é até barato. Todos vimos que, num dado momento, a Alemanha decidiu parar. Um dos jogadores concedeu uma entrevista e chegou praticamente a se desculpar. Falava a sério. Não era arrogância.

Patético
Na entrevista coletiva que concedeu, perguntaram a Felipão por que ele deu a entender, no treino, que Bernard não estraria, que ele armaria um time um pouco mais defensivo e adensado no meio-campo, e depois fez o contrário. Ele respondeu que agiu daquele m modo porque a imprensa estava no treino, e ele não queria entregar seus segredos.

Ah, bom! Felipão guardava uma surpresa a sete chaves: a derrota por sete a um contra a Alemanha. De tudo o que ele disse na entrevista, concordo com uma coisa: ele é o principal culpado.

Para encerrar, meus caros, reitero a máxima de que macumba, ela mesma, nunca fez ninguém ganhar jogo. Mas também não consta que faça perder. Já as macumbas lógicas, ah, essas conduzem a grandes desastres: no futebol, na política e na vida.

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Desastre histórico 13 – A derrota da Seleção Brasileira e a do PT, de Dilma Rousseff. Ou: É TOIS, DILMA!

Nunca achei, e os leitores sabem disto, que a vitória ou a derrota da Seleção Brasileira teria uma tradução imediata nas urnas. Tratei do assunto na minha coluna na Folha na sexta-feira passada, intitulada “A derrota da Seleção e a de Dilma”. “A derrota da Seleção e a de Dilma”. Escrevi então:
“A vigarice intelectual tenta transformar o tal ‘pessimismo com a Copa’ numa espécie de metáfora –ou metonímia– do suposto ‘pessimismo com o Brasil’. Também as críticas ao governo e o legítimo esforço para apeá-lo do poder segundo as regras do jogo seriam obra de pessoas de maus bofes, que saem por aí a espalhar o rancor e a amargura –coisa, enfim, de quem deveria deixar ‘estepaiz’, já que se mostra incapaz de amá-lo… Com todo o respeito, a tese de que o Brasil precisa perder a Copa para Dilma perder a eleição é só uma trapaça intelectual de quem quer que Dilma vença a eleição, ainda que o Brasil perca a Copa.”

O desastre a que assistimos no campo, nesta terça, ele sim, é simbólico de certo estado de coisas no Brasil. Reparem que foram muito poucas as críticas contundentes ao desempenho pífio da Seleção Brasileira nos cinco jogos anteriores. Aqui e ali se apontou o descompasso entre a realidade e os fatos, mas nada com a dureza e com a clareza que a ruindade do time estava a pedir. Por quê? Porque também o jornalismo — com raras exceções — vivia e vive sob uma espécie de tutela, com receio de ser acusado de falta de patriotismo.

O governo federal decidiu, infelizmente, fazer politicagem com a Copa do Mundo. A máquina publicitária oficial não teve pudor nem mesmo de pegar carona na contusão de Neymar, tentando transformá-lo numa espécie de herói nacional. Dilma Rousseff resolveu bater um papinho com Dilma Bolada no Facebook, de sorte que não dava para saber se a Bolada era a Rousseff ou a Rousseff, a Bolada. A presidente encontrou tempo para atacar os “urubus do pessimismo”. Referia-se, em princípio, àqueles que previam que o torneio seria um desastre organizacional, o que, é sabido, não foi. Mas não só a eles: os tais “pessimistas” estariam interessados na derrota do Brasil só para o PT perder as eleições…

Há, ainda, uma fatia dos políticos brasileiros que está convicta de que pode manipular a vontade popular a seu gosto. Sim, muitas críticas infundadas foram feitas à realização da Copa no Brasil, mas é evidente que parte delas procedia e procede — como procedentes são milhares de restrições outras que se fazem ao governo de turno, o que é normal numa democracia.

A máquina publicitária oficial, no entanto, incapaz de fazer a exploração rasteira do torneio — como esquecer as vaias do Itaquerão? —, decidiu “monitorar” às avessas o debate: tolhendo as críticas, intimidando os críticos, tentando silenciar as vozes discordantes, colando a pecha de sabotadores naqueles que dissentem. Não custa lembrar que o PT, com o apoio de setores comprados da imprensa — comprados pela publicidade oficial —, criou até uma lista negra de jornalistas, sobre a qual muita gente que chegou a me parecer séria um dia fez um silêncio cúmplice, preferindo olhar para o outro lado. Críticos do governo foram tachados de “jornalistas da oposição” e de “adversários da realização da Copa no Brasil”.

Pois é… Nos últimos dias, especialmente depois que veio a público uma pesquisa Datafolha em que Dilma havia oscilado quatro pontos para cima, na margem de erro, o Planalto se assanhou de novo em pegar carona na Copa. Dilma anunciou na sua conversa no Facebook que vai ao Maracanã, no domingo, entregar a taça ao vencedor — ocasião, então, em que “Maracanaço” talvez passe a ter outro sentido.

Qual é a última torcida que cabe à presidente? Por razões que o técnico argentino chamou nesta terça de “culturais” — ele se referia ao fato de que a imprensa de seu país comemorava o desastre brasileiro —, resta à nossa governanta torcer desde já para que seja a Holanda ou a Alemanha a vitoriosa. Ou lhe caberá a honra, depois de ter esconjurado os urubus, de entregar o troféu ao capitão da Seleção da Argentina.

Eu não acho que a derrota da Seleção fará o eleitor votar dessa ou daquela maneira. Não o subestimo assim. Isso não nega o fato de que o PT tinha planos para tentar fazer da eventual vitória uma arma para esmagar os adversários. Seria ineficaz porque, reitero, não e assim que se dão as coisas. Mas o Brasil ficaria um pouquinho mais incivilizado, matéria em que essa gente é craque.

É TOIS, DILMA!

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Justiça de SP pode invalidar candidaturas do PT no estado
Germano Oliveira, O Globo

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) anulou, em caráter liminar, a convenção estadual do PT paulista, que oficializou a candidatura do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo do estado e de Eduardo Suplicy ao Senado. A decisão foi tomada a pedido do deputado estadual Luiz Moura, suspenso do partido em junho por suposta ligação com uma facção criminosa.

Com a anulação da convenção, Padilha, Suplicy e todos os candidatos a deputados estaduais e federais que oficializaram candidatura na convenção podem ser impedidos de participar do pleito deste ano. Em nota oficial, o PT afirmou que vai apelar da decisão do juiz, acreditando reverter a decisão “monocrática” do poder judiciário.

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Morre o ex-deputado federal Plínio de Arruda Sampaio
Veja

Morreu na tarde de ontem o ex-deputado Plinio de Arruda Sampaio, aos 83 anos. Ele estava internado há mais de um mês no hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. O primeiro boletim médico emitido pelo hospital aponta que o político foi internado em 26 de junho na Unidade de Terapia Intensiva para tratar de câncer nos ossos.

Nos últimos dias, porém ele se recuperava na Unidade de Terapia Semi-Intensiva. Plínio faria 84 anos no dia 26 de julho. Ele morreu em decorrência de falência múltipla de órgãos, segundo boletim médico divulgado pela instituição.

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Após humilhação, Dilma lamenta derrota do Brasil
O Globo

A presidente Dilma Rousseff lamentou a derrota do Brasil pela Alemanha. Ela afirmou, na noite de ontem, estar muito triste, como os brasileiros. “Sinto imensamente por todos nós, torcedores, e pelos nossos jogadores. Assim como todos os brasileiros, estou muito, muito triste com a derrota”, afirmou, pelo Twitter.

Em seguida, a presidente deixou uma mensagem otimista: “Mas, não vamos nos deixar alquebrar. Brasil, ‘levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima’”, escreveu.

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O ‘Maracanazo’ foi uma brincadeira
José Sámano, El País

O futebol nunca será o mesmo depois de uma noite em Belo Horizonte na qual aconteceu o maior cataclismo desde que a bola rola, há mais de um século. Jamais houve nada igual, nem parecido. O Maracanazo foi uma brincadeira ao lado do 1-7 sofrido pelo Brasil diante de uma Alemanha que o fez morrer de uma overdose de realidade, que o deixou maculado pelo resto da vida pelo seu empenho em dar as costas a uma bola que sempre foi o maior motivo de orgulho de sua gente.

O Brasil quis ser o que nunca foi e acabou por deixar todo um país em estado de choque, petrificado, com o coração sem bater. O vivido pelo Brasil 64 anos depois do Maracanazo foi ainda mais mortificante. Um trauma para o resto da vida de tal magnitude que aquela afronta do Uruguai já não terá relevância alguma.

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O erro conduz à perdição
Ramon Besa, El País

A máscara de Neymar só serviu para esconder a dor do Brasil. “Tristeza não tem fim. Felicidade sim.” No estádio Mineirão, em Belo Horizonte, jogava uma equipe que se vestia e jogava como se fosse o Flamengo, futebolisticamente muito brasileiro, a reencarnação do Brasil de 1970, disposto a vingar o Maracanã. Aos 11 minutos vencia por 1 x 0; aos 23, por 2 x 0; aos 26, por 4 x 0, e aos 29, por 5 x 0.

A torcida verde-amarela, porém, não parava de chorar, e o Mineirão de 2014 se apresentava como a atualização do Maracanã de 1950. Não era o Brasil a equipe que goleava, e sim a Alemanha. O escárnio foi maiúsculo, e o resultado foi histórico para a Copa.

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Humilhada, a torcida desmorona
P. Marcondes,  B. Borges e  R. Seco, El País

Humilhação, pesadelo, tristeza, vexame, praticamente um estado de choque. O Brasil foi do céu ao inferno em 93 minutos. Na Vila Madalena, o bairro boêmio de São Paulo, que acolheu todas as torcidas desde o dia 12 de junho, foi sintomático: os clientes fecharam suas contas antes do final do primeiro tempo, deixavam cadeiras vazias, numa imagem desoladora que não combinava com o clima de festa poucas horas antes.

Houve quem chegou ao cúmulo de queimar a bandeira do Brasil, o que foi lamentado por quem não acreditava que o patriotismo havia durado menos de 30 dias. Em Curitiba, no Paraná, a derrota foi desculpa para vandalismo. Ônibus foram queimados ou apedrejados. A raiva e a desolação saíram do controle.

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Dezenas de ônibus são queimados no Brasil após a derrota
Beatriz Borges e Frederico Rosas, El País

As principais cidades brasileiras vivenciaram episódios de violência nesta terça-feira durante e após a goleada sofrida pelo Brasil para a Alemanha, que marcou a eliminação do país da Copa do Mundo. Dezenas de ônibus foram incendiados e torcedores acabaram detidos por brigas e confusões, forçando as autoridades a ampliar a segurança para evitar que os casos aumentem nas próximas horas.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, já afirmou que o governo federal está reforçando as medidas de segurança em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro como prevenção a manifestações mais violentas após a derrota brasileira, segundo informações da Agência Estado.

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Israel mata 25 em Gaza e palestinos respondem com mísseis
BBC Brasil

Militantes palestinos na faixa de Gaza dispararam foguetes contra as cidades de Haifa, Tel Aviv e Jerusalém. Militares israelenses dizem que interceptaram um foguete sobre a área de Tel Aviv. A polícia de Jerusalém disse que um míssil atingiu um campo nos arredores da cidade.

Os ataques com foguetes vieram após um dia de intensos bombardeios israelenses contra a Faixa de Gaza. Pelo menos 25 palestinos foram mortos, entres militantes e crianças.

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França aprova suas reformas apesar do boicote sindical
Carlos Yárnoz, El País

O Governo francês já estabeleceu o caminho jurídico para empreender profundas reformas que incluem um corte orçamentário equivalente a 150 bilhões de reais em três anos. A Assembleia Nacional aprovou por maioria, ontem, a segunda e principal lei do histórico projeto, que beneficia as empresas com grandes reduções das contribuições sociais e da carga tributária, além de congelar o valor das pensões.

O primeiro-ministro Manuel Valls conseguiu assim dar um passo crucial em seu empenho reformista, mas a jornada registrou também dois fatos que prenunciam importantes conflitos sociais e políticos na aplicação das mudanças: o boicote de três sindicatos ao diálogo social proposto pelo Executivo e a abstenção de 33 deputados socialistas na votação da Assembleia.

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Obama pede US$ 3,7 bi para enfrentar surto migratório de crianças
Veja

O presidente Barack Obama pediu ao Congresso 3,7 bilhões de dólares para enfrentar o surto migratório de menores desacompanhados que estão cruzando ilegalmente a fronteira entre México e Estados Unidos.

Os menores têm atravessado a fronteira em números recordes nos últimos meses, sendo que mais de 52.000 crianças chegaram aos Estados Unidos desde outubro do ano passado.


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Blog do Merval

Alhos com bugalhos
Merval Pereira, O Globo

O sucesso da Copa do Mundo está subindo à cabeça da presidente Dilma, que agora mistura alhos com bugalhos para dizer que, da mesma maneira que “os pessimistas” erraram ao prever problemas que não aconteceram no campeonato de futebol, também errarão ao serem pessimistas em relação ao crescimento da economia brasileira neste ano eleitoral.

A fala sinaliza, sobretudo, uma perigosa ausência de autocrítica e um abuso de poder ao utilizar a Copa do Mundo como indicativo de sucesso de seu governo, o que absolutamente não acontece.

A única realização genuinamente original e vitoriosa de uma instituição pública nacional foi a atuação da Polícia Civil do Rio, juntamente com a Polícia Federal, no desmantelamento da quadrilha que atuava já há quatro Copas na venda ilegal de bilhetes para os jogos do campeonato do mundo.

Mesmo o clima de segurança que vivemos, tão elogiado pelos jornalistas estrangeiros, é absolutamente atípico, consequência do uso do Exército e das polícias num esquema de prontidão absolutamente impossível de ser mantido no dia a dia do país.

Até o trânsito, criticado pelos estrangeiros, está mil vezes melhor do que o usual em todas as capitais do país pela decretação de feriados nos dias de jogos.

Estamos vivendo uma espécie de conto de fadas que se desvanecerá assim que a Copa do Mundo acabar, e tivermos de voltar ao nosso dia a dia de insegurança e imobilidade urbana nos grandes centros.

A Ilha da Fantasia em que se transformou o país da Copa mostra apenas o país que poderia ser e não é, com as pessoas andando alegres pelas ruas, sem receio de assaltos.

Os estereótipos foram reforçados por esses dias, e até os indígenas tiveram seu lugar no folclore nacional realçado. Mas a presidente Dilma não aceita que o atraso nas obras previstas pelo PAC da mobilidade urbana tenha prejudicado a realização da Copa, e tem razão nessa visão estreita que só pensa nos benefícios eleitorais que pode tirar.

Viadutos que caem ou que simplesmente não serão construídos, transportes urbanos deficitários, aeroportos com puxadinhos para dar conta do movimento, nada disso prejudica a realização dos jogos.

Mesmo os estádios superfaturados e inaugurados em cima do laço, muitos sem nem mesmo uma vistoria, não impediram que os jogos da Copa do Mundo fossem fascinantes, mesmo que a grama de alguns deles tenha sido criticada, ao contrário do que disse o ex-presidente Lula, que atribuiu a desclassificação da seleção da Inglaterra à excelência de nossos gramados.

Mas não houve nenhuma demonstração da capacidade de realização deste governo que tenha sido diferente da África do Sul, por exemplo, o que mostra que, de uma maneira ou de outra, as Copas do Mundo sempre se realizam.

As obras atrasadas, na verdade, são as mais importantes para as cidades envolvidas na organização de uma Copa do Mundo, e interessam aos seus habitantes, não à Fifa, que sairá do país com os bolsos cheios e sem compromisso nenhum com nosso desenvolvimento. E nem era para ter.

Nós, que aqui vivemos e que temos de conviver com a gestão indigente de nossos governos, é que teríamos que exigir mais responsabilidade pelas promessas não cumpridas e menos regozijo por fatos que nada têm a ver com os governantes. Como as belas praias e o povo caloroso destacados nos depoimentos dos jornalistas estrangeiros.

O comentário da presidente Dilma, além do mais, faz pensar que a direção equivocada de nossa economia não será revertida caso ela consiga se reeleger. Apesar de a economia ter crescido apenas 0,2% no primeiro trimestre do ano, a presidente disse confiar na “força da economia brasileira”.

Pela sexta semana seguida, a projeção para a alta do PIB em 2014 foi rebaixada pela média dos economistas que participam da pesquisa Focus, sendo fixada agora a 1,07%.

O governo fechará, assim, seu quatriênio com uma média de crescimento do PIB abaixo de 2%, o que caracteriza o terceiro pior comportamento da economia na nossa História republicana — o que, convenhamos, não é um marco fácil de ser batido.


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Blog do Coronel

A pedido do deputado ligado ao PCC, Justiça anula convenção do PT em São Paulo. Partido está fora da eleição.

Uma decisão de caráter provisório da Justiça de São Paulo derrubou a suspensão partidária que havia sido imposta pelo PT ao deputado estadual Luiz Moura e anulou a convenção estadual da legenda ocorrida no mês de junho. A decisão cria um embaraço ao partido no início da campanha eleitoral e, se for mantida, invalida todas as candidaturas do PT no Estado, inclusive a de Alexandre Padilha, que disputa o governo paulista.

O comando da campanha do ex-ministro da Saúde ainda não foi notificado, mas afirma que recorrerá para tentar derrubar a liminar concedida no sábado (5) a pedido de Luiz Moura, que tenta ser candidato à reeleição. Ele teve os direitos partidários suspensos pelo PT no início de junho após vir a público sua suposta ligação com integrantes da facção criminosa PCC e não pôde participar da convenção da sigla, que oficializou todas as candidaturas da legenda.

O juiz Fernando Camargo, do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou seu retorno ao PT, sob o argumento de que ele foi suspenso sem direito de defesa. "[Foi] nítido o propósito de afastá-lo da oportunidade de participar das escolhas dos candidatos à próxima eleição", afirma o juiz. Na mesma decisão, Camargo também determinou a nulidade da convenção que lançou os candidatos a deputado federal e estadual pelo partido e que homologou os nomes de Padilha ao governo paulista e do senador Eduardo Suplicy à reeleição.

O caso ainda será analisado em definitivo no TJ. Se a decisão for mantida, o partido ficará sem candidatos no Estado, já que não há mais prazo legal nova convenção. A situação incomum aconteceu no Estado em 1992, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) anulou a convenção do PFL (atual DEM), extinguindo a chapa que disputava a prefeitura e outras 170 candidaturas a vereador.

JUSTIÇA ELEITORAL

Ao recorrer da liminar, o PT irá argumentar que a convenção não pode ser anulada pela Justiça comum, já que envolve registro de candidaturas, que seriam de competência da Justiça Eleitoral. A sigla também contestará Moura. "Ele foi ouvido por mais de uma hora pelo partido, que não se convenceu e decidiu pela suspensão", diz Marcelo Nobre, advogado da campanha de Padilha. Outra solução seria o PT buscar acordo com Moura para incluí-lo nas vagas suplementares do partido em agosto e, assim, extinguir a ação. Para a sigla, porém, a candidatura não está em negociação.

EXPULSÃO

A investida jurídica de Moura irritou integrantes da cúpula do PT, que passaram a defender, nos bastidores, sua expulsão da legenda. Os petistas avaliam que ele "foi longe demais" e ficou "sem clima" para permanecer. Segundo investigação da Polícia Civil, o deputado estadual participou em março deste ano de uma reunião na sede de uma cooperativa de transportes na qual estiveram presentes membros do PCC. Desde o início do caso, o partido tenta isolar Moura para evitar desgastes à candidatura de Padilha. (Folha de São Paulo)

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Dilma tenta pegar carona no “Neymarês” e manda ver, com aquela destreza característica: “É TOIS”! Ou: O poder não é “TOIS”, presidente!

Eu vou lhes contar, leitores: há coisas que realmente me surpreendem. Às vezes, pergunto-me onde eu estava enquanto o mundo existia… Por exemplo: eu só fiquei sabendo da existência do “É TOIS” nesta segunda. O que quer dizer “É TOIS”? É como a turma de Neymar pronuncia o tal “é nóis”, uma expressão fática que significa um monte de coisa — desde um “a gente é mesmo do balacobaco!” a um simples “sim”. É uma gíria da periferia de São Paulo de amplo espectro. Digamos que alguém ou um grupo receba um elogio. Resposta: “É nóis” — uma forma óbvia de autocongratulação. Lula, por exemplo, deve ser a pessoa que mais diz no espelho: “É nóis”. Mas também pode expressar apenas assentimento, um “sim”: “E aí? Vamos pra balada?” Resposta: “É nóis”.

Por alguma razão que não se explica, além da fama que lhe permite lançar modas as mais exóticas — vejam o caso de seu cabelo —, Neymar e sua turma começaram a falar “É TOIS”. Virou febre nas redes, já há funk empregando a palavra etc. Antenada — e vocês sabem como Dilma é moderna —, a presidente recorreu ao Facebook nesta segunda para enviar uma mensagem a Neymar: “É TOIS”. E posou para uma foto fazendo um “t” com os braços, imitando o jogador.

A presidente participava de um bate-papo no Facebook — coisa que não tenho tempo de fazer. Vai ver Dilma anda com horas ociosas, não é? Respondia, ela ou algum assessor seu (o que é mais provável), a perguntas de internautas por escrito. Afirmou que vai, sim, entregar a taça ao campeão no domingo e que torce “para que seja o Brasil”. Indagada se temia a vaia, respondeu: “São ossos do ofício”. A presidente chegou a falar com o seu alter ego oficioso, a tal “Dilma Bolada”.

Dilma comentou a lesão do craque brasileiro em tons patrióticos: “A dor do Neymar, ao ser atingido, feriu o coração de todos os brasileiros. O Neymar está aí, mesmo ferido, querendo jogar. É um guerreiro. O exemplo de resistência do Neymar vai fortalecer a Seleção. Fazê-la se superar”.

A governanta teve tempo também de esconjurar os urubus, provocada por uma “leitora”, claro!, segundo quem a realização do Mundial no Brasil é uma “belezura, contra tanto urubu agourento no caminho”. Dilma, então, respondeu: “Belezura mesmo! Azar dos urubus!”

Urubus, é? Eles me lembram os mascarados de negro que saíram por aí barbarizando as cidades. E isso também me remete a fatos notáveis: enquanto a polícia de São Paulo combatia os black blocs, Gilberto Carvalho negociava com eles. Quem bateu papo com os urubus foi o ministro de Dilma Rousseff.

De resto, “É TOIS”, sim! E “TOIS”, no caso, representa a nação brasileira, não a tentativa canhestra do poder de manipular a torcida.

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Pô, ministro Joaquim Barbosa! Assim não dá!

Joaquim Barbosa, presidente do STF, pediu o adiamento de sua aposentadoria, agora para o dia 6 de agosto. Isso depois de ter feito o discurso de despedida e afirmado o seu apreço pela institucionalidade.

A justificativa para o adiamento é que não estaria havendo tempo hábil para fazer a transição para a equipe de Ricardo Lewandowski, vice-presidente do tribunal, que assumirá o posto tão logo o presidente renuncie.

Não é assim que se fazem as coisas. Ponto final. A instância máxima do Poder Judiciário não é uma casa na qual se entre e da qual se possa sair a depender de conveniências, sejam elas quais forem.

Quando Barbosa se despediu, escrevi aqui o que me agradava e o que não agradava na sua atuação. E o seu temperamento, obviamente, é seu ponto vulnerável. Ele tem ainda certa vocação para se mostrar altaneiro em assuntos para ele irrelevantes, mas que são relevantes para o país.

Digamos que as razões do adiamento sejam apenas essas alegadas, as tais dificuldades técnicas. Pergunta-se então: Barbosa descobriu isso apenas agora? Conhecia tão pouco a rotina do tribunal que não pensou no assunto? Anunciou uma data do nada? Convenham: dá para ter a certeza de que não é assim que se faz.

Aliás, para um desafeto de Lewandowski, até que Barbosa lhe será bastante generoso. Tivesse preparado a sua saída ou esperado um pouco mais, a eleição seria feita no prazo certo — eleição meramente homologatória —, e o atual vice-presidente assumiria a presidência no prazo certo: em novembro.

Da forma como fez, acabará dando a Lewandowski mais do que os dois anos regulamentares de mandato. Convenham: o ministro Joaquim Barbosa não precisava dessa trapalhada toda na saída. Como decidiu antecipar por um tempo razoável a sua aposentadoria — poderia permanecer no tribunal até 2024 —, tinha tempo de sobra para planejar a saída sem ficar gerando marolas.

Mais uma vez, o seu temperamento faz sombra na trajetória do profissional. Lamenta-se que assim seja. Barbosa deveria ter prestado mais atenção a seu próprio discurso e prezar um pouquinho mais a institucionalidade. Só para constar: nada muda no que respeita ao processo do mensalão. À relatoria deste, ele já renunciou, e o caso segue com o ministro Roberto Barroso.

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