Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

Deu nos Blogs


Escócia diz “não” à separação; o risco em caso de vitória do “sim” estava bem longe do Reino (des)Unido

O patriotismo, disse Samuel Johnson, é o último refúgio de um canalha. E, a depender do caso, o nacionalismo pode ser o último refúgio da irracionalidade. Vamos lá. A Escócia, um dos pedaços de uma ilha chamada Grã-Bretanha, tem lá a sua cultura, os seus valores, as suas tradições — cantadas e exaltadas em prosa, verso, música e o que mais se queira — o “scotch”, por exemplo. Não havia e não há, prestem bem atenção!, uma única razão relevante para esse pedaço da ilha se despregar da Inglaterra e do País de Gales e dar adeus ao Reino Unido, que inclui a Irlanda do Norte. Fala-se ali, por acaso, um idioma próprio? Não! Há um inglês com sotaque particular, mas isso varia dentro de Londres — como varia o “paulistanês” (já um português local) nas várias áreas da capital paulista. Bem, aconteceu o melhor: o “não” à separação venceu o plebiscito. Enquanto produzo este comentário, conhece-se o resultado da votação em 26 dos 32 condados. O “sim” venceu em apenas quatro. A estimativa é que o placar final seja 55% a 45% contra a independência.

O “sim”, de todo modo, venceu em cidades importantes como Glasgow, a maior da Escócia, com 53%, em West Dunbartonshire (54%) e Dundee (57%). O “não” confirmou a vitória em suas áreas de resistência como East Lothian, Orkney e Shetland, mas também obteve a maioria em algumas em que havia a expectativa de que o “sim obtivesse a maioria: Falkirk, Inverclyde, Eilean Siar, Dumfries e Galloway, Clackmannanshire, Stirling, Renfrewshire, East Renfrewshire, Angus e Midlothian.

Se os separatistas tivessem sido bem-sucedidos, o Reino Unido perderia 32% do seu território, 8% da sua população e 9% do seu PIB. E então caberia a pergunta: “Pra quê?” Para nada! Ligada ao Reino Unido, a Escócia é parte de um país superdesenvolvido. Sozinha, conservaria suas virtudes, sem dúvida — não sei por quanto tempo —, mas teria de criar uma nova burocracia. Os problemas se multiplicariam. Que moeda adotaria? De saída, haveria uma fuga óbvia de investimentos. Mas vá falar com nacionalistas exaltados, orgulhosos de ser, afinal de contas, “escoceses”.

Nesse episódio, no entanto, o que menos tinha importância era saber se a Escócia iria ou não continuar como parte do Reino Unido. O risco maior estava nas consequências. Há ambições separatistas na Espanha (Catalunha e País Basco), na Itália (Lombardia e Tirol do Sul), na França (Córsega), na Bélgica (Flandres), na Alemanha (Bavária) e até na Dinamarca (Groenlândia). Mas podemos sair da Europa Ocidental: a Abcásia e a Ossétia do Sul se consideram independentes da Geórgia; Kosovo já não se diz parte da Sérvia, embora não seja membro da ONU; Nagorno Karaback, de maioria armênia, declarou sua independência do Azerbaijão, mas não foi reconhecido pelas Nações Unidas; a Transnistria, cuja existência, leitor, você talvez ignorasse, diz não pertencer mais à Moldávia, e há a República Turca do Chipre do Norte.

Em algumas dessas regiões, como Geórgia, Moldávia e Chipre, houve guerras. O terrorismo basco está desativado, mas eventos como esse da Escócia, se bem-sucedidos, poderiam reacender ânimos adormecidos. Pensemos um pouco na Ucrânia. Ainda que Vladimir Putin seja a mão que balança o berço da delinquência, ele sabe que prega em solo fértil. E há ambições separatistas em regiões muito mais explosivas do planeta, como a Caxemira (Índia), por exemplo.

Independente ou não, Escócia e Reino Unido acabariam se entendendo. O risco não estava ali, mas no que a separação desencadearia mundo afora.

***********


Oscilação negativa obriga Marina a fazer política

Surrada abaixo da linha da cintura na propaganda eleitoral de Dilma Rousseff e pisoteada por Aécio Neves, Marina Silva bambeou. Ela ainda conserva um pé no segundo round da luta de boxe em que se converteu a sucessão de 2014, informa o Datafolha. Mas, para sobreviver na luta, terá de fazer algo que preferia adiar para depois de uma hipotética vitória: acordos políticos.

Aécio Neves despertou do nocaute. Mas enfrenta a contagem regressiva do calendário. Como observaram Mauro Paulino e Alessandro Janoni, diretores do Datafolha, “para chegar ao segundo turno, Aécio deve torcer por um feito inédito em eleições presidenciais nesta etapa da disputa: sua candidatura crescer além de seu teto e Marina cair abaixo de seu piso.”

Se confirmado pelos fatos, o embate final entre as duas damas da eleição será sangrento. Em fins de agosto, Marina ostentava na sondagem do segundo turno uma dianteira de dez pontos sobre Dilma (50% a 40%). Hoje, ela continua numericamente à frente. Mas a diferença é de apenas dois pontos (46% a 44%) —um empate técnico.

Deu-se até aqui, mais ou menos o que planejara João Santana depois que Marina ganhou o primeiro plano da disputa. Armado de mentiras, mistificações e falsas analogias, o marqueteiro de Dilma dissolveu um pedaço das intenções de voto de Marina e, mais grave, fez dobrar sua taxa de rejeição. Há um mês, apenas 11% dos eleitores diziam que jamais votariam em Marina. Hoje, a taxa soma 22%.

Permanecendo no ringue, Marina terá de provar para o pedaço menos ilustrado do eleitorado que não é a fraude que Lula e Dilma autorizaram João Santana a fabricar. A seu favor, a candidata do PSB terá a paridade de armas. Vai dispor dos mesmos dez minutos de rádio e televisão a que Dilma terá direito. Dinheiro também não haverá de lhe faltar. O problema de Marina será providenciar matéria-prima adequada para preencher o tempo de propaganda.

Marina precisará adensar o córner, atraindo forças novas para o seu lado no ringue. Sob pena de potencializar a empulhação  segundo a qual sua vitória empurraria o país para um desastre à Jânio ou à Collor. De saída, terá de obter de Aécio o que sonegou a José Serra na sucessão de 2010.

O apoio do PSDB não cairia no colo de Marina. Teria de ser conquistado. Noutras condições, a candidata talvez pudesse esnobar o tucanato. Avessa ao PT, a maioria dos eleitores de Aécio tenderia a votar nela. Mas Marina precisará, acima de tudo, passar a impressão de que a sua “nova política” não é antônimo de bom senso.

Marina não terá de sentar à mesa com um Sarney ou um Renan. Mas será pressionada a abrir um sorriso para personagens como Geraldo Alckmin, sobretudo se ele mantiver o favoritismo que ostenta nas pesquisas. Nas palavras de um correligionário do PSB: “Marina ainda tem boas chances de virar presidente da República. Mas precisa errar menos. E recusar uma parceria com Alckmin no maior colégio eleitoral do país seria um equívoco primário.”

-----------

Para desancar Marina, Lula bate até em Simon

Em campanha na cidade gaúcha de Caxias do Sul, nesta quinta-feira (18), Lula voltou a espinafrar Marina Silva e sua “nova política.” Para alvejar a ex-correligionária, hoje a principal rival de sua pupila Dilma Rousseff, Lula bateu até no senador Pedro Simon (PMDB-RS), com quem sempre manteve relações amistosas.

“Que história é essa de nova política?”, discursou o morubixaba petista. “É a nova política feita pelos velhos políticos? Aliás, tem uma aí que inovou tanto, tanto, que o Pedro Simon [84 anos] agora é candidato a senador com ela, defendendo ela. É uma nova política extraordinária!”. A plateia, 100% feita de companheiros, caiu no riso.

Minutos antes, Lula dissera: “É muito fácil as pessoas dizerem ‘nós queremos uma nova política', é muito fácil as pessoas dizerem ‘eu vou governar com os miór’. Aonde é que estão esses miór, que vocês não encontram? Aonde é que está essa nova política, fora da política? É como se a Igreja Católica tentasse se renovar fora da Igreja. É como se as coisas acontecessem fora das instituições.”

Lula tomou um jatinho até o Rio Grande do Sul para pedir votos em favor de Tarso Genro. Candidato à reeleição, Tarso continua em desvantagem no Datafolha em relação à rival Ana Amélia Lemos. Coisa de 37% a 27% no primeiro turno, anotou pesquisa divulgada nesta quinta. No segundo turno, Ana Amélia prevalece por 49% a 36%. Ao longo do discurso, alguma coisa subiu à cabeça de Lula.

Com seus 69 anos, o coronel do PT criticou o ficha-limpa Pedro Simon por disputar, aos 84, mais um  mandato de senador. “É a nova política feita pelos velhos pelos velhos políticos?”. E “não há política fora das instituições.'' De fato, é justamente porque as instituições brasileiras funcionam adequadamente que a cúpula do PT encontra-se na penitenciária da Papuda.

A conversão de Marina em ameaça real à reeleição de Dilma é uma evidência de que Lula já não é aquele cabo-eleitoral de outrora. Mas no seu caso o pior da velhice é ainda conservar alguma capacidade de conquistar votos, de pedir aos eleitores que mantenham o petismo no poder, e não lembrar muito bem pra quê!

-------------

Margem de erro!



************


Datafolha: Dilma amplia vantagem sobre Marina no primeiro turno
Gabriel Garcia

Nova pesquisa Datafolha para presidente da República, divulgada nesta sexta-feira (18) pela Folha de S.Paulo, dá um novo ânimo para a candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT). De acordo com o levantamento, Dilma aparece com 37% das intenções de voto no primeiro turno. Em seguida, vem a ex-senadora Marina Silva (PSB), com 30%. O senador Aécio Neves (PSDB) continua em terceiro, com 17%.

Na pesquisa anterior, divulgada em 10 de setembro, Dilma tinha 36% das intenções de voto, Marina estava com 33% e Aécio, com 15%.

Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV) e Luciana Genro (PSOL) tiveram 1% cada. Os demais candidatos não atingiram 1%. Brancos e nulos mantiveram em 6%. Não souberam responder 7%.

Mesmo com ataques diários de Dilma, que vem usando seu programa eleitoral para disseminar boatos, Marina resiste. Numa simulação de segundo turno, permanece o cenário de empate técnico, com ligeira vantagem para a ex-senadora. Se as eleições fossem hoje, ela venceria Dilma por 46% a 44%. Na semana passada, o número era de 47% a 43% para Marina.

Quando o candidato no segundo turno é Aécio, Dilma venceria por 49% a 39% - no levantamento anterior, o índice era de 49% contra 38%.

A rejeição à Dilma continua em 33%. Nesse intervalo, a parcela dos que não votariam de jeito nenhum em Marina passou de 18% para 22%, enquanto a de Aécio Neves foi 23% para 21%. É a primeira vez que tal índice de Marina supera o de Aécio.

O Datafolha pesquisou ainda sobre a avaliação do governo Dilma. Em relação à sondagem da semana passada, houve oscilação apenas no índice de aprovação: passou de 36% para 37% os entrevistados que consideram o governo Dilma bom ou ótimo, 38% apontaram como regular, mesmo número da rodada passada, e 24% disseram que é ruim ou péssimo, contra iguais 24% da última pesquisa.

Cenário ruim para Marina - De acordo com a pesquisa, Dilma passou a liderar nas cinco regiões do país. No Nordeste, no Norte e no Sul, de forma isolada. No Centro-Oeste, ela está numericamente à frente de Marina. E está em situação de empate técnico no Sudeste.

Marina perdeu votos em vários segmentos. Ela recuou 4 pontos no Sudeste, 4 entre as mulheres, 4 entre os católicos, 5 junto aos moradores de cidades médias (200 mil a 500 mil habitantes) e 6 entre os eleitores de 25 a 34 anos.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 5.349 eleitores entre os dias 17 e 18 de setembro.

--------------

Correios abrem 'exceção' para distribuir panfleto de Dilma
Andreza Matais e Fábio Fabrini, Estadão

Os Correios abriram uma exceção para o PT e distribuíram em São Paulo panfletos da presidente Dilma Rousseff sem chancela ou compromisso de que houve postagem oficial. A estampa, prevista em norma da própria estatal, serve para demonstrar que houve pagamento para envio, de forma regular, da propaganda eleitoral. Sem ela, é difícil atestar que a quantidade de material distribuído corresponde ao que foi contratado pelo partido. O número declarado de panfletos distribuídos sem chancela dos Correios foi de 4,8 milhões.

A exceção para os petistas aberta a partir de um comunicado interno dos Correios em São Paulo, no qual a empresa autoriza, em caráter "excepcional", a postagem de folders na modalidade de mala postal domiciliária (MPD). A Diretoria Regional Metropolitana, responsável pelo aval, atribui a medida a um problema na impressão das quase 5 milhões de peças. O órgão é chefiado por Wilson Abadio de Oliveira, afilhado político do vice-presidente da República, o peemedebista Michel Temer.

------------

Paulo Roberto Costa diz que houve propina na compra de Pasadena
O Globo

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa disse a investigadores da Operação Lava-Jato que houve pagamento de propina na compra da refinaria de Pasadena, no Texas. A informação foi divulgada ontem pelo “Jornal Nacional”. Costa teria admitido que ele mesmo recebeu R$ 1,5 milhão de propina pela compra da refinaria.

O processo de aquisição da refinaria é investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pelo Ministério Público Federal. Os interrogatórios de Paulo Roberto Costa começaram em 29 de agosto na Superintendência da Polícia Federal no Paraná. Segundo a reportagem, as revelações foram feitas a um delegado, a um procurador e a um escrivão.

-----------

Renan recebeu propina da Mendes Junior por emendas
Ricardo Brito e Beatriz Bulla, Estadão

O Ministério Público Federal em Brasília acusou na Justiça o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de ter recebido propina da construtora Mendes Junior pela elaboração de emendas parlamentares que beneficiavam a empreiteira. Em ação de improbidade administrativa, a Procuradoria da República no Distrito Federal diz que Renan teve despesas de um "relacionamento extraconjugal" pagas pela empresa na sua primeira passagem pelo comando da Casa (2005-2007).

Na ação de improbidade, apresentada no dia 2 de setembro à 14.ª Vara Federal do DF, o MP sustenta ainda que Renan enriqueceu ilicitamente, forjou documentos para comprovar que tinha recursos para bancar as despesas e ainda teve evolução patrimonial incompatível com o cargo. O MP defende que o senador seja condenado à perda do cargo.

-------------

Pnad aponta que há 3 anos o país não consegue reduzir a desigualdade
Veja

A redução da pobreza foi, ao longo dos últimos vinte anos, não só uma conquista da sociedade brasileira, mas também resultado da estabilidade econômica e de investimentos em educação e saúde feitos desde a década de 1990. Mas os limites desses esforços começam a aparecer. Dados da Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (Pnad) de 2013, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que, pelo terceiro ano consecutivo, o indicador que mede a desigualdade de renda, chamado Índice de Gini, não mostra melhora significativa.

O índice, que é usado mundialmente, leva em conta o número de pessoas em um domicílio e a renda de cada um, e mostra uma variação de zero a um, sendo que quanto mais próximo de um, maior é a desigualdade. O IBGE calculou em 2013 que o Brasil marcou 0,498 no indicador que leva em conta a renda de todo os membros de cada família.

-------------

Escócia rejeita independência e continua no Reino Unido
Veja

Os escoceses decidiram continuar o casamento de 307 anos com o Reino Unido e rejeitaram a independência do país em um plebiscito histórico realizado na quinta-feira. Com quase todas as urnas apuradas nesta sexta, o “não” à separação aparece com uma vantagem um pouco mais folgada do que aquela prevista nas últimas pesquisas: 55,4% dos votos contra 44,6%. Segundo estimativas da imprensa britânica, não há mais possibilidade de uma virada.

A rede BBC calcula que o placar final será de 55% para a união, contra 45% para a independência. Dos 29 distritos eleitorais que tiveram os votos computados até agora – são 32 no total –, apenas quatro deram a vitória ao "sim", entre eles Glasgow, a maior cidade do país. A capital Edimburgo votou em peso pelo "não": 61% a 39%.

--------------

Obama comemora aprovação de ajuda a rebeldes sírios
Veja

Com a popularidade em baixa, Barack Obama precisa muito de apoio para colocar seus planos em prática. Por isso, o presidente americano comemorou como uma vitória ontem a aprovação no Congresso de um plano de ajuda a rebeldes sírios no combate aos terroristas do Estado Islâmico (EI).

"O forte apoio bipartidário no Congresso para esse novo esforço de treinamento mostra ao mundo que os americanos estão unidos no combate à ameaça do EI", destacou o presidente, depois que a proposta passou no Senado. Mesmo com o aval, há um ceticismo entre os parlamentares sobre a eficácia da iniciativa.

------------

Estado Islâmico divulga novo vídeo com mais um refém
Estadão

O Estado Islâmico divulgou, ontem, um novo vídeo que mostra mais um prisioneiro britânico mantido refém na Síria. O material intitulado "Lend me your ears" (Me empreste seus ouvidos, numa tradução livre) é diferente dos vídeos mais recentes do grupo radical.

Nas imagens, que duram três minutos, o fotojornalista John Cantlie aparece sozinho, identifica-se, afirma que é um prisioneiro e que irá contar a "verdade sobre o Estado Islâmico" numa série de "vídeo aulas".

-------------

Polícia escocesa investiga fraude no plebiscito
O Globo

A polícia escocesa investiga alegações de fraude eleitoral no maior colégio eleitoral do país. Membros do Conselho Municipal de Glasgow afirmam que pelo menos dez denúncias de falsidade ideológica foram reportadas durante o plebiscito sobre a independência escocesa. A polícia indicou que as denúncias partiram de diferentes zonas eleitorais na cidade.

Documentos suspeitos foram identificados logo após o início da apuração na Emirates Arena, na área leste da cidade. No entanto, os membros do Conselho já tinham registrado indícios de fraude em certas urnas depois que zonas eleitorais denunciaram que eleitores descobriram que seus nomes já haviam sido utilizados nas listas.


**********

Blog do Noblat

10% do PIB para educação - não basta apenas aumentar os recursos
Paulo Alcântara Gomes

Nossos investimentos per capita em educação nos colocam num desconfortável penúltimo lugar, atrás do México e da Turquia e representam menos de um terço da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Este dado, extraído do “Education at a Glance 2014”, pode ser complementado com os US$ 2.605 que aplicamos por aluno do ensino médio, bem inferiores aos da Argentina, apenas para nos referirmos à América Latina. Tais índices ajudam a explicar os problemas que enfrentamos quando tratamos da qualidade do ensino e da motivação dos docentes.

Dados divulgados pelo Censo da Educação Superior mostraram, pelo quarto ano seguido, redução no número de concluintes nos cursos de licenciatura. Em Português, a queda chegou a 12%. O mesmo ocorre em física e matemática, áreas onde a falta de professores já é crônica em muitos estados.

Os salários de nossos professores – cerca de 10 mil dólares anuais – equivalem a 30% da média da OCDE.

O resultado? Cerca de 65% dos nossos docentes do ensino fundamental, e de 50% do ensino médio, não têm licenciatura nas disciplinas que ensinam. Só em 9 das redes estaduais houve melhoria nos indicadores do IDEB de 2013.

Em 1960, Brasil e Coreia tinham 35% de analfabetos. Hoje, temos 9%, e eles, zero. A evasão escolar ao fim do ensino médio é de mais de 25% no Brasil, e de 3% na Coreia. Apenas 16% dos jovens brasileiros são universitários. Na Coreia, o percentual é de 80%.

O que a Coréia fez e nós não? Muito simples: foco na educação. O desenvolvimento daquele país resultou de investimentos maciços em educação, que priorizaram a formação de professores, a criação de conteúdos de qualidade e a infraestrutura das escolas.

Um professor na Coreia, entre os mais bem pagos do mundo, ganha mais de 4 mil dólares mensais. Os pais acompanham o aprendizado das crianças e colocam a educação como determinante para a construção da família. Ao contrário de muitos países, a meritocracia é vista como decisiva para o sucesso, e o montante aplicado em educação, dos mais elevados do mundo, chega a 5% do Produto Interno Bruto (PIB).

No Brasil, o novo Plano Nacional de Educação prevê que em 10 anos sejam aplicados 10% do PIB, o que é bom. Mas, além de aumentar os recursos, torna-se imperioso aplicá-los bem, para não continuarmos a patinar na periferia das grandes nações.

***********


No meio do caminho

                Os institutos de pesquisa estão detectando “fadiga de material” e desencanto de Minas com os tucanos. O candidato do PSDB ao governo, Pimenta da Veiga, estaria pagando a conta do aeroporto de Cláudio. A obra também estaria impedindo Aécio Neves de liderar a eleição no estado. Nos institutos, avalia-se que os mineiros não gostaram da imagem do aeroporto nas terras de um Neves.

À beira de um ataque de nervos
O ambiente é de muita tensão no comando da campanha da presidente Dilma. Uma cena no debate da CNBB foi eloquente. O candidato Pastor Everaldo fez uma pergunta sobre corrupção na Petrobras para Aécio Neves. Ele mal tinha terminado de formular a questão e João Santana, que comanda o marketing petista, corria em direção ao púlpito para pedir direito de resposta. Ele quis evitar uma tabelinha dos adversários batendo na estatal sem que a presidente pudesse defender o governo. Com o regulamento na mão, assessores de Aécio diziam que ela não tinha direito, pois não havia ocorrido nem calúnia, nem injúria e nem difamação.

“Nós não temos o direito de transformar essa sessão numa frustração nacional”

José Agripino
Presidente do DEM e senador (RN), depois do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa afirmar, na CPI da Petrobras, que ficaria em silêncio e não responderia às perguntas

Atração fatal
Dirigentes socialistas estão convencidos de que Marina Silva fica no partido se vencer as eleições presidenciais. Eles explicam que, pela lei, a Rede Sustentabilidade não tem, nem levaria do PSB, tempo de TV e verba do Fundo Partidário.

Nova meta
Como o candidato do PT Alexandre Padilha não decolou em São Paulo, seus dirigentes querem pelo menos levá-lo aos 20% dos votos. Calculam que assim o partido perderá menos cadeiras para deputado federal. Os petistas concluíram que não vão repetir a bancada de 16 deputados da eleição passada. Estão na tática da redução de danos.

Previsão do tempo
Especialistas em pesquisas e eleições avaliam que a candidata Marina Silva vai estabilizar nos atuais 30% de intenções de voto. Mas há entre eles os que avaliam que na reta final ela ainda poderá crescer dois ou três pontos percentuais.

Sem caixa
O Itamaraty está com pagamentos de diárias atrasados há pelo menos quatro meses. Elas são pagas a servidores que viajam em missão pelo governo. A pasta não informa o valor total, nem quantas pessoas esperam receber. Justifica que os atrasos se devem a contingenciamentos no orçamento e promete regularizar em 15 dias.

A família vai às urnas
Candidato ao Senado, o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho (PSB) não está só na disputa em Pernambuco. Um dos seus filhos, Fernando Filho, é candidato a deputado federal. E o outro, Miguel Coelho, concorre à Assembleia Legislativa.

Driblando a decisão
Pelo Twitter, o site Muda Mais, da campanha da presidente Dilma, orienta os internautas sobre como acessar seu conteúdo, mesmo depois do TSE tirá-lo do ar. É possível entrar na página, sem as imagens, onde estão armazenados os textos.

Na reta final. Os candidatos a governador que estão atrás, têm apenas mais cinco programas na TV para tentar mudar sua sorte nas eleições.

***********


De volta ao jogo

A campanha do candidato do PSDB Aécio Neves vive um momento de euforia contida, “muito pé no chão, muito focada”, na definição de um assessor próximo ao candidato. De volta ao jogo, com planos de atacar a candidata do PSB para recuperar o lugar no segundo turno, a avaliação é que quando começou o fenômeno Marina, houve uma demora de duas semanas para parar de cair, que era a primeira providência para reverter o quadro. Esse intervalo deu margem a diversos boatos, todos indicando que Aécio poderia até desistir de concorrer.

Em seguida, era preciso diminuir a diferença para Marina, o que aconteceu agora, segundo a pesquisa Ibope divulgada na terça-feira. Na definição de um assessor, “o que a gente apostava que ia acontecer está acontecendo: diziam que íamos virar nanicos, e paramos de cair; diziam que estávamos estagnados, e apostávamos que voltaríamos a crescer”.

Mais importante até do que os 4 pontos ganhos, na visão da campanha, é redução da distância que os separa da candidata do PSB. Duas semanas atrás Aécio estava 18 pontos atrás da Marina, agora está a 11, sem dúvida uma mudança de patamar. Agora, todo o esforço será para continuar a reduzir essa diferença, com o objetivo de na próxima semana estar 7 ou 8 pontos atrás dela, na direção do empate técnico.

Nas contas da campanha, uma diferença dessas de hoje significa na verdade 6 pontos, e mais uma redução de 2 ou 3 pontos já indicará o empate dos dois candidatos. Para tanto, pretendem continuar na mesma linha, denunciando a proximidade da Marina com o PT, “até por que ela está confirmando isso”. Quando ela chora e diz que sempre defendeu o Lula, e não esperava que fosse tratada dessa maneira, está confirmando essa proximidade, é o raciocínio dos marqueteiros e assessores que cuidam da campanha.

Um dado considerado “precioso” na campanha de Aécio Neves é a redução da diferença entre ele e a presidente Dilma no segundo turno. “Estávamos 15 pontos atrás da Dilma e estamos a 6 pontos. Esse é um dado que reforça a tese de que o Aécio tem condições de vencer a Dilma no segundo turno”.

O voto no Aécio no primeiro turno passaria a ser o voto útil, o que também é importante, pois a campanha sabe que há eleitores do PSDB que estão votando na Marina por que consideram que ela é a única que pode derrotar o PT.

Nem é verdade que a Marina vencerá a Dilma no segundo turno, nem é verdade que o Aécio não pode vencê-la, argumentam. O tempo escasso para a recuperação, de 16 dias, não preocupa a campanha de Aécio, por que acham que essa progressão não é aritmética. “A eleição começa a ganhar a atenção das pessoas e a questão ética está entrando no radar do eleitor”. É preciso aproveitar esse movimento e seguir crescendo.

Em Minas Gerais Aécio Neves está crescendo bem, começa a recuperar a votação no Sul do país e precisa recuperar em São Paulo. O objetivo é recuperar o eleitor tucano que foi para Marina pensando que o Aécio não tinha mais chance de vencer. O eleitor conservador, anti-petista, que sempre foi do PSDB.

Nas pesquisas internas do PSDB há a identificação de uma perda de substância na votação de Marina. Neste momento, estaria saindo mais voto em Marina do que entrando. O eleitor tem pouca permanência na escolha de Marina. A propaganda de Marina indignada, citando Dilma diretamente e quase chorando, não pegou bem entre os eleitores que participaram de uma pesquisa qualitativa realizada para o PSDB.

Teve eleitor que achou exagerado, acima do tom, e quem fizesse o seguinte comentário: quero ter um presidente frágil, que chore? Quero cuidar da minha presidente ou quero que o presidente cuide de mim?

Para manter o ânimo, será preciso que a próxima pesquisa do Datafolha, a ser divulgada na sexta-feira, confirme que a tendência de Aécio Neves é de crescimento.


***********

Blog do Josias

Marina: ‘Dizem que acabei com Grande Família’


Marina Silva reuniu-se na noite passada, no Rio, com cerca de 200 representantes do setor cultural. Ouviu 12 discursos com reivindicações e palavras de apoio. E fez um pronunciamento, transmitido ao vivo pela internet, no qual voltou a se queixar dos ataques que vem recebendo da campanha de Dilma Rousseff. Marina disse que, tomada pelo teor da propaganda da rival, ela não é uma pessoa, mas “um exterminador do futuro.''

Marina ironizou: “Dizem que até a Grande Família acabou por culpa minha”. O ator Marco Nanini, que fazia o chefe de família Lineu no programa que a Globo exibiu pela última vez na semana passada, estava na plateia de apoiadores de Marina.

Repetindo algo que dissera 48 horas antes, num encontro com artistas de São Paulo, Marina afirmou que, eleita, não hesitará em procurar Lula e FHC. Reiterou que ambos terão mais prazer em dialogar com ela do que com seus ex-tutores políticos. “Fernando Henrique foi tutelado pelo PFL. Lula, pelo PMDB. Será que não está na hora de acabar com isso?”, indagou.

“Estamos vivendo a síndrome de Estocolmo”, acrescentou Marina. “Eles se apaixonaram pelos sequestradores de seus sonhos. […] Já imaginaram o PSDB escalando os melhores para acabar com a inflação e o PT para a distribuição de renda? É uma aliança programática. Não dá para cada um continuar com um pedaço de estado para chamar de seu.”

O encontro teve seu ápice numa apresentação improvisada do cantor e compositor Gilberto Gil. Ele compôs uma canção para a campanha de Marina. A peça será usada na propaganda televisiva. Carrega na letra uma mensagem que realça o respeito da evangélica Marina às pessoas que professam outros credos e aos incréus. Gil entoou música a capela (assista lá no alto).

Eis o que diz um trecho: “Marina, vou eu, votar na Marina, Marina / Marina, vou eu, sonhar que a Marina vai chegar / Vai chegar para tomar conta da gente, e a gente vai cantar / Com a bênção de Jesus Nazaré e o axé de Oxalá / Com a fé de todo povo, todo crente, a razão de todo ateu / Eu que sou eu, ele que é ela / Ela quer você e eu / Marina, vou eu, votar na Marina, Marina / Marina vou eu, sonhar que a Marina vai chegar / Vai chegar com sua pele morena, e o apelo popular…”

--------------

Sarney: Lula já não tem ‘aura de invencibilidade’

Dono de um olfato que lhe rendeu 58 anos de exercício de mandatos eletivos, José Sarney fareja um 2014 áspero para seus aliados do PT. Começa a enxergar o mundo de ponta-cabeça. Acha que a entrada de Marina Silva na disputa sucessória provocou “um tsunami político”. Avalia que “em torno dela se criou uma frente robusta de combate ao PT e ao governo Dilma, abrindo uma possibilidade antes considerada impossível: derrotá-los.”

“Para fugir da ameaça de derrota, pensaram alguns líderes do PT até mesmo em fazer Lula candidato”, constata o morubixaba do PMDB. O calendário já não permite a troca de candidato. Talvez nem adiantasse, insinua Sarney: Lula “parece também ter sido atingido pelo maremoto e ter perdido a aura da invencibilidade, embora mantenha seu carisma e ainda seja a maior liderança política do país.”

As avaliações de Sarney constam de um artigo pendurado nesta quarta-feira (17) no seu site. Publicado originalmente no diário espanhol El País, há uma semana, o texto passara praticamente despercebido. Chama-se ‘O Brasil em um labirinto’. Ecoa em público um pessimismo que os aliados de Dilma só ousam sussurrar em privado.

Na definição de Sarney, os apoiadores que potencializam as chances eleitorais de Marina “são os mais ecléticos”. Na área política, ele inclui pedaços do próprio conglomerado governista. Menciona “alas descontentes do PT e o incalculável número de grupos dos partidos aliados queixosos do tratamento recebido da presidente Dilma e da direção do PT.”

“A sensação dos aliados”, anotou Sarney, é a de que Dilma e o PT “fizeram de tudo para massacrá-los nos Estados, criando confrontações e arestas, e que agora há oportunidade para reagir.” Com rara sinceridade, o coronel do PMDB incluiu seu próprio partido na banda dos revoltados.

“Muito dividido”, qualificou Sarney, o PMDB “só não vota contra Dilma por causa do vínculo de sua participação na chapa” encabeçada pela candidata do PT. “De simples adereço”, escreveu o senador, “Michel Temer passou a ser decisivo para a vitória.” Fora da política, juntaram-se ao redor de Marina, pelas contas de Sarney, quatro forças:

1. “Os indignados que há pouco mais de um ano provocaram um barulho imenso no país”. Alusão aos protestos que lotaram o asfalto em junho de 2013.

2. “Seus até recentemente frustrados seguidores” da Rede Sustentabilidade.

3. “As fortes correntes e igrejas evangélicas, que a têm como representante''.

4. “As classes conservadoras, descontentes com as políticas econômica, externa, energética, agrícola, portuária e fundiária.”

Marina tem declarado que, se eleita, governará “com os melhores de cada partido”. Diz apreciar o PMDB de Pedro Simon e de Jarbas Vasconcelos. E costuma mencionar José Sarney e Renan Calheiros como protótipos da “velha política”, que gostaria de enviar à oposição.

Ampliar
Campanha presidencial 2014 220 fotos 217 / 220
17.set.2014 - O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, abraça uma indígena durante encontro com mulheres no diretório estadual do PSDB em São Paulo. No evento, Aécio afirmou que deverá rever as relações diplomáticas com países produtores de droga, destacando que o principal alvo da estratégia deve ser a Bolívia Leia mais Marcos Fernandes/ Divulgação
Aboletado no poder desde a chegada das caravelas de Cabral, Sarney não parece cultivar a pretensão de deslizar o seu grupo de apaniguados políticos para dentro de um hipotético governo Marina. Desde logo, ele retribui a antipatia dela: “Marina Silva é uma figura carismática, mística, dogmática, preconceituosa e intransigente.”

Sarney dá a entender que, na Presidência, a antagonista de Dilma seria um salto no escuro. “Marina Silva é uma incógnita. A figura de hoje nada tem a ver com sua radical história de guerreira dos seringais. Senadora por dezesseis anos — em parte dos quais ocupou o Ministério do Meio Ambiente de Lula —, deixou uma marca de radicalismo, como fundamentalista, de capacidade limitada, preferindo sempre a confrontação ao diálogo, e buscando não o entendimento, mas a conversão.”

Na opinião de Sarney, o histórico religioso de Marina interfere negativamente na atuação política dela. “Sua formação é das Comunidades Eclesiais de Base, mas agora é evangélica ortodoxa, considerando que o mundo se reparte entre os destinados à salvação e os condenados à perdição.”

Na noite de terça-feira (16), num comício de Lobão Filho (PMDB), seu candidato ao governo do Maranhão, Sarney disse mais ou menos a mesma coisa, com outras palavras: “A dona Marina, com essa cara de santinha, mas [não tem] ninguém mais radical, mais raivosa, mais com vontade de ódio do que ela. Quando ela fala em diálogo, o que ela chama de diálogo é converter você.'' (divirta-se assistindo ao vídeo lá no rodapé)

Sarney parece enxergar em Marina uma dessas evidências de que a palavra “possível” está contida no vocábulo “impossível”. O coronel maranhense anotou em seu artigo: “Em política há uma lei inexorável: o impossível sempre acontece. No Brasil, várias vezes a tragédia teve consequências drásticas, provocando grandes mudanças.”

O cacique foi aos exemplos: “o suicídio de Getúlio Vargas, que, já praticamente deposto, com a bala no peito atinge os adversários; o derrame cerebral e a morte de Costa e Silva, que levam a um golpe dentro do golpe, desaguando numa Junta Militar e numa nova Constituição outorgada; a morte do Presidente Rodrigues Alves, eleito pela segunda vez, atingido pela gripe espanhola; Tancredo Neves, eleito para fazer a redemocratização, adoece no dia da posse e em seguida morre.”

Para Sarney, Marina Silva encarna um desses momentos que prenunciam grandes mudanças. “Sessenta dias antes da eleição, num desastre aéreo, desaparece o candidato a presidente Eduardo Campos. A comoção toma conta do país, mas não é ela a consequência maior. É a ressurreição de Marina Silva, que na eleição anterior obteve 20 milhões de votos.”

Sarney avalia que “a energia inicial” da onda Marina esgotou-se na produção de dois efeitos. Num, a eleição foi empurrada para o segundo turno, provocando “uma disputa acirrada, em que tudo pode acontecer”. Noutro, o PSDB, “maior partido de oposição”, que tem em Aécio Neves um “excelente e talentoso candidato”, terminou “imprensado pela guerra entre as duas candidatas originárias da esquerda.”

Os elogios a Dilma, por escassos, foram confinados num mísero parágrafo do artigo de Sarney. Nele, lê-se que a presidente, “com seu forte caráter de chefia, já conquistou seu espaço como administradora e não é mulher de jogar a toalha ou aceitar humilhação.”

A despeito do ânimo de Dilma, Sarney revela-se um personagem inusualmente inseguro: “A campanha atingiu um alto grau de violência, com ataques rasteiros”, escreveu, sem dar pseudônimo aos bois violentos. “O quadro é de pesquisas nervosas, esquizofrênicas, que indicam que tudo pode acontecer. As sondagens —e são muitas— sempre mostram uma vantagem de Dilma no primeiro turno e a vitória de Marina no segundo turno, que exige maioria absoluta.”

Traduzindo o sentimento que lhe invade a alma, Sarney sentenciou: “A palavra certa para a atual situação brasileira é perplexidade.” Ao trocar seu raciocínio em miúdos, ele esboçou um cenário que é oposto ao que se verificou em 2010, quando Dilma foi alçada da condição de poste para a poltrona de presidente.

“O Brasil perdeu o otimismo, há um alto aquecimento do censo crítico, desapareceu a sacralidade das políticas sociais.” Como se fosse pouco, Sarney insinuou que o patrono de Dilma já não parece disposto a defendê-la a qualquer custo. “O presidente Lula dá sinais de não desejar engajar-se num pacto de morte e se afasta de um duelo fatal. O quadro é de um labirinto. Mistério e imprevisão.”

------------

Sucessão fantasma!



***********


Justiça condena Youssef a 4 anos e 4 meses de prisão por corrupção
Fausto Macedo e Mateus Coutinho, Estadão

A Justiça Federal no Paraná condenou a 4 anos e 4 meses de prisão o doleiro Alberto Youssef pelo crime de corrupção ativa no âmbito do caso Banestado – escândalo de evasão de divisas nos anos 1990. Alvo da Operação Lava Jato – investigação sobre lavagem de R$ 10 bilhões e corrupção na Petrobras – Youssef sofria ainda acusação por seu vínculo com o caso do antigo banco do Estado do Paraná.

Neste caso, ele foi condenado porque obteve, em agosto 1998, empréstimo fraudulento de US$ 1,5 milhão para a Jabur Toyopar Importação e Comércio de Veículos Ltda. no Banestado, agência de Grand Cayman, mediante pagamento de propina de US$ 131 mil ao então diretor de Operações Internacionais da instituição financeira. Esse valor, segundo o Ministério Público Federal, foi repassado para uma “campanha eleitoral” de 1998.

-------------

Candidatos são vagos ao propor mudanças nas leis trabalhistas
Sérgio Roxo, Silvia Amorim e Germano Oliveira, O Globo

Os três principais candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), defendem mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), mas nenhum especifica quais as alterações propostas para modernizar as relações trabalhistas. O programa de governo de Marina defende mudanças nas regras trabalhistas, mas não diz como elas seriam feitas.

“Em tópicos específicos, em consequência das grandes mudanças ocorridas nas relações de trabalho no país e no mundo, é necessário atualizar a legislação”, diz o texto. A única mudança concreta citada é “a expansão dos setores com direito a se beneficiar das mudanças do regime de contribuição para a Previdência Social, passando do regime de contribuição de 22% sobre a folha de pagamento para o regime de 2% sobre o faturamento”.

------------

‘Homem-bomba’ da Petrobras se cala e CPI vira palanque político
Afonso Benites, El País

“Me reservo o direito de permanecer calado”. Foi assim que o engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras, se dirigiu aos congressistas quando era questionado durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito Mista que investiga a maior companhia brasileira, na quarta-feira.

Acusado de participar de um esquema ilegal que desviou mais de 10 bilhões de reais de recursos públicos, o engenheiro chegou a Brasília em uma aeronave da Polícia Federal que partiu de Curitiba, no Paraná, onde ele está preso desde junho. A convocação foi feita após a revista Veja divulgar que o engenheiro fez um acordo de delação premiada com a Justiça no qual denunciou ao menos 30 políticos que foram beneficiados pelo esquema ilegal.

------------

Marina: 'PF perdeu autonomia no governo Dilma'
Marcela Mattos e Daniel Haidar, Veja

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou durante um “face to face” – conversa em vídeo na qual os usuários do Facebook enviam suas perguntas – que a Polícia Federal passa por um processo de “desconstrução” no governo Dilma Rousseff. “Milhares de agentes saíram da PF nos últimos anos em função de desajuste e da perda de autonomia do trabalho”, disse a presidenciável.

A declaração mira em um dos principais argumentos da candidata-presidente, segundo quem a PF tem total liberdade e, ao contrário de gestões anteriores, não empurra denúncias para “debaixo do tapete”. Marina continuou: “Vamos continuar trabalhando para que se tenha a autonomia e isenção necessárias para o combate ao tráfico de drogas e de armas, a investigação dos casos de corrupção e ajudar a combater vários casos de crimes ambientais”.

--------------

A América Latina tem fome de cultura
Pilar Álvarez e Javier Lafuente, El País

O acesso, a qualidade e a oferta de cultura na América Latina aumentaram neste século. Quase 6 em cada 10 pessoas pensam assim, e a maioria também avalia que continuará a crescer. Ouvir música, assistir a vídeos e ler são as práticas favoritas, entre outras razões, porque são gratuitas e de fácil acesso. A primeira grande radiografia latino-americana mostra hábitos culturais de assiduidade regular e baixa, especialmente na América Central.

Em 20 países de língua espanhola, mais o Brasil, a média do Produto Interno Bruto (PIB) dedicada à cultura está abaixo de 0,5%, enquanto a presença da internet cresce consideravelmente (40% têm acesso) e se transforma em uma espécie de contrapeso para as políticas oficiais. Esses são alguns dos dados mais reveladores da Enquete Latino-Americana de Hábitos e Práticas Culturais 2013.

---------------

USP e servidores fecham acordo e greve deve acabar na sexta
Roney Domingos, G1

A Universidade de São Paulo (USP) e o sindicato dos funcionários da USP (Sintusp) fecharam acordo ontem sobre a compensação dos 114 dias de greve e do pagamento do vale-refeição. A proposta foi negociada em audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT), mas ainda depende de aprovação em assembleia na sexta-feira (19) no sindicato.

Se a proposta for aprovada pelos trabalhadores, poderá pôr fim a 114 dias de greve. O sindicato se comprometeu com o TRT a propor indicativo de final de greve aos trabalhadores. O presidente do Sintusp, Magno de Carvalho, disse que é quase certo que a paralisação será encerrada na sexta.

------------

Ebola pode gerar perdas de quase US$ 2 bi em países africanos
BBC Brasil

Em um novo relatório publicado ontem, o Bando Mundial alerta que a epidemia de ebola pode gerar, até 2015, perdas de quase US$ 2 bilhões (R$ 4,6 bilhões) nos três países africanos mais afetados pelo vírus e ter um efeito "catastrófico" nestas já frágeis economias. O documento afirma que, se a epidemia não for contida em breve, o impacto econômico negativo no próximo ano pode ser oito vezes maior do que se ela for controlada.

"O principal custo dessa epidemia trágica está na perda de vidas e no sofrimento causado, mas nosso estudo mostra que, o quanto antes agirmos e conseguir reduzir os níveis de medo e incerteza, menor será o impacto econômico", disse Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial.

-------------

STF: ICMS de venda na web tem de ser cobrado na origem
Beatriz Bulla, Estadão

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu três ações que podem acabar com a guerra entre os estados pelo recolhimento de ICMS em vendas pela internet. Os ministros analisaram três ações sobre o assunto e entenderam que o tributo deve ser recolhido no estado de origem - e não no de destino - do produto quando há compra de forma não presencial pelo consumidor final, como no comércio eletrônico.

A dúvida sobre o recolhimento do tributo nestes casos surgiu após a edição do Protocolo 21 no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em 2011. A medida, que não foi assinada por todos os estados, previa exigência do tributo nos locais de destino da mercadoria e valia inclusive nas operações realizadas em locais não signatários da proposta.

-------------

Justiça denuncia ex-guarda de Auschwitz pela morte de 300.000
Veja

O Ministério Público da Alemanha denunciou um homem de 93 anos como cúmplice no assassinato de 300.000 pessoas durante o período em que serviu como guarda no campo de concentração de Auschwitz. Oskar Gröning, ex-membro da SS, trabalhou no campo entre 1942 e 1944, mas os promotores decidiram concentrar as acusações nas atividades que ele cumpriu entre maio e julho de 1944.

À época, sua função era separar objetos valiosos entre os pertences roubados das pessoas levadas ao campo e se livrar dos que não tinham valor antes que mais prisioneiros chegassem. Também foi nessa época que Auschwitz recebeu 425.000 prisioneiros húngaros (a maioria eles judeus).

------------

Escócia vota hoje se deixa ou não o Reino Unido
Walter Oppenheimer, El País

“Meu coração me diz que eu gostaria que a Escócia fosse independente. Mas a cabeça me diz que há muitas incógnitas, muitas perguntas sem respostas, muitas coisas absurdas. Por isso vou votar não”, explica Bill Cumming, um militante trabalhista do bairro operário de Leith, no norte de Edimburgo, que vive agora nas Scottish Borders, a fronteira entre a Inglaterra e a Escócia.

É de gente como Cumming que depende que essa fronteira agora imaginária se torne real depois do referendo de independência que será votado nesta quinta-feira na Escócia, cujos resultados serão conhecidos na sexta-feira pela manhã. Se muitos trabalhistas pensam como ele, a união, montada há mais de três séculos, ficará a salvo.

--------------

Austrália faz maior operação antiterror de sua história
O Globo

Na maior operação antiterrorismo do país, a polícia da Austrália prendeu, ontem, 15 pessoas, poucos dias depois de as autoridades elevarem o nível de alerta de terror de “médio” para “alto”. Trata-se de uma resposta à ameaça dos combatentes do Estado Islâmico (EI).

Numa ação conjunta, agentes federais e estaduais revistaram mais de uma dúzia de propriedades em Sydney e nas cidades de Brisbane e Logan, no Leste do país. Na semana passada, a polícia prendeu dois homens em Brisbane, acusados de estar se preparando para lutar na Síria, recrutando combatentes para a jihad e arrecadando dinheiro para a Frente al-Nusra, uma ramificação da al-Qaeda.

------------

Obama descarta tropas contra Estado Islâmico
BBC Brasil

No mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, descartou novamente o uso de tropas terrestres contra o Estado Islâmico, o Congresso americano aprovou o treinamento de rebeldes sírios para frear o avanço do grupo radical. Diante de militares em uma base na Flórida, Obama afirmou que os Estados Unidos não se envolveriam em uma "outra guerra em solo no Iraque".

A declaração foi feita um dia depois de um general do alto escalão do Exército americano ter recomendado o uso de tropas terrestres se os ataques aéreos fracassarem. Já a Câmara dos Representantes aprovou, por 273 votos a favor e 156 contra, uma emenda que autoriza o Pentágono a armar e treinar rebeldes sírios contra o Estado Islâmico.

**********


Dilma manda suspender divulgação de programa de governo por divergências com o PT; em 34 anos de história, partido nunca esteve tão confuso e desarvorado. É o medo de perder a bocona!

A candidata Dilma Rousseff iria divulgar por esses dias seu programa de governo, mas mandou suspender, informam Andreia Sadi e Natuza Nery na Folha. Por quê? Divergência com seus companheiros do PT. O partido quer que a candidata se comprometa com o fim do fator previdenciário, com a redução da jornada de trabalho, com a regulamentação da terceirização — criando dificuldades novas — e com a revisão da Lei da Anistia. Mas Dilma não quer nada disso porque sabe que:
a) o fim do fator previdenciário abre um rombo na previdência;
b) a redução da jornada só vai onerar ainda mais as empresas, elevando o custo Brasil;
c) criar embaraços novos à terceirização está na contramão da dinâmica do mercado de trabalho;
d) a revisão da Lei da Anistia, além de polêmica — voltará ao Supremo — abre uma crise desnecessária coma as Forças Armadas. Se o absurdo vier, raciocina com razão a presidente, que seja via Judiciário.

Assim, a presidente tem preferido programa nenhum a ter o que exibir, expondo-se a arrumar adversários novos. Vejam ali a pauta: a petista tem feito um esforço danado para mostrar que é fiscalmente responsável — e o fim do fator previdenciário demonstraria o contrário — e que pretende incentivar o espírito empreendedor no país: ora, a redução da jornada e o combate à terceirização apontariam na direção oposta. Finalmente, a presidente prega a união de todos os brasileiros para um futuro radioso, e a revisão da Lei da Anistia só provocaria turbulências sobre o passado.

O pior para Dilma (não necessariamente para o Brasil) é que, ao não sair nada — nem o que quer o PT nem o contrário —, é como se ela já tivesse feito as piores escolhas para os setores aos quais não quer desagradar. E por que é assim? Porque resta a desconfiança, não é? Afinal, se ela não fala e manda segurar o programa, é sinal também de que não descarta essa pauta.

Períodos eleitorais já são normalmente caracterizados por incertezas até em países com uma economia mais estável do que a nossa, com muito menos demandas à flor da pele. Dado o quadro brasileiro, esse vai-e-vem é especialmente negativo. Até porque Dilma não é uma novata, que está se apresentando agora para a batalha. Ela já é a presidente da República. Chega a ser impressionante que amplos setores da sociedade considerem que Marina Silva é uma opção mais segura do que ela. E olhem que a candidata do PSB não chega a ser o exemplo acabado de coerência e de fidelidade a um pensamento.

Não fossem muitas outras coisas, isso bastaria para evidenciar as fragilidades do governo Dilma e a barafunda em que está metido o PT. Acompanho o partido desde o seu nascimento — fui um dos filiados, em priscas eras… Nunca o vi tão desarvorado e sem eixo. O risco de perder o poder está deixando a companheirada em desespero. Essa gente se tornou de tal sorte dependente do Estado que o risco de alternância de poder a impede de enxerga a realidade.

Convenham: tem seu lado divertido.

----------------

Marina: “PF perdeu autonomia no governo Dilma”

Por Marcela Mattos e Daniel Haidar, na VEJA.com:
A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, afirmou durante um “face to face” – conversa em vídeo na qual os usuários do Facebook enviam suas perguntas – que a Polícia Federal passa por um processo de “desconstrução” no governo Dilma Rousseff. “Milhares de agentes saíram da PF nos últimos anos em função de desajuste e da perda de autonomia do trabalho”, disse a presidenciável.

A declaração mira em um dos principais argumentos da candidata-presidente, segundo quem a PF tem total liberdade e, ao contrário de gestões anteriores, não empurra denúncias para “debaixo do tapete”. Marina continuou: “Vamos continuar trabalhando para que se  tenha a autonomia e isenção necessárias para o combate ao tráfico de drogas e de armas, a investigação dos casos de corrupção e ajudar a combater vários casos de crimes ambientais”.

Petrobras
Mais cedo, Marina Silva afirmou que o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso por capitanear um megaesquema de corrupção na estatal, era “funcionário de confiança” da presidente-candidata Dilma Rousseff. Ela citou o delator como exemplo da “governabilidade” do PT e do PSDB.

“Não vou aceitar a lógica que está sendo imposta há 20 anos pelo PT e pelo PSDB, de que composições são feitas de forma pragmática, com base em distribuição de pedaços do Estado. A escolha do senhor Paulo Roberto Costa, que estava há doze anos como funcionário de confiança do governo de Dilma, é resultado dessa governabilidade que as pessoas estão reivindicando que não pode mudar”, afirmou a presidenciável em entrevista a jornalistas em um hotel de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro. 

Marina reage com cada vez mais veemência contra críticas de Dilma. Desta vez, afirmou que não vai admitir que “fofocas e mentiras” pautem o debate de propostas. Depois de Dilma ensaiar uma resposta à promessa de reforma trabalhista feita por Marina, a pessebista reafirmou que conquistas dos trabalhadores, como 13º salário, férias e hora extra devem ser respeitadas. Dilma tinha afirmado mais cedo, em uma versão do discurso do medo que pontua sua campanha, que “décimo terceiro, férias e hora extra não se mudam nem que a vaca tussa”. Marina respondeu: “a defesa dos interesses dos trabalhadores é sagrada para nós”.

Marina também voltou a provocar Dilma, para que explique “por que colocou no seu governo 500 bilhões de reais para meia dúzia de empresários usando recursos do BNDES, que equivalem a 24 anos de Bolsa Família”.

--------------

Sarney ataca Marina. Eita candidata de sorte!

Marina Silva não pode reclamar de falta de sorte. E não estou tentando ser nem engraçado nem sinistro. Não me refiro à queda do avião, não, mas aos “inimigos” que começam a se apresentar. Convenham: nem num sonho bom um candidato à Presidência receberia um ataque feroz de José Sarney, o homem que não vai concorrer à reeleição no Amapá porque seria derrotado. Marina recebeu nesta quarta um presente divino.

Sarney subiu no palanque de Lobão Filho (PMDB), no Maranhão, que vai perder a eleição no primeiro turno para Flávio Dino, do PC do B, e esculhambou a candidata do PSB à Presidência. Leiam o que disse na noite de terça-feira:
“A dona Marina, com essa cara de santinha, mas [não tem] ninguém mais radical, mais raivosa, mais com vontade de ódio do que ela. Quando ela fala em diálogo, o que ela chama de diálogo é converter você”.

Vocês sabem como sempre digo tudo, mesmo correndo o risco de aborrecer, né? Pode até concordar com Sarney em certos aspectos, mas olhem quem está falando… Sim, é verdade, o seu nome vive sendo citado pela turma de Marina como símbolo do que se deve evitar em política. Mas me digam: a esta altura, que força política relevante e com um mínimo de seriedade, discordaria?

Receber essa crítica do velho coronel do Maranhão chega a ser uma láurea, uma condecoração. E ele seguiu adiante, animado pelos gritos de “guerreiro do povo brasileiro”, vindos de uma plateia rigidamente controlada:
“Ela [Marina] pensa que o mundo tem duas partes: uma condenada à salvação e outra à perdição”.

De fato, o mundo não está condenado a essas duas partes, mas o fato é que a política da família Sarney no Maranhão está condenada pela história e pelos números. Depois de cinquenta anos submetido às vontades do clã, o estado exibe os piores indicadores sociais do país — embora, nem de longe, enfrente as condições naturais mais adversas. O mal do Maranhão é humano. Não vem da natureza nem dos céus.

A partir de amanhã, Marina já pode exibir o seu galardão: Sarney não quer que ela seja presidente. É um trunfo eleitoral gigantesco.

-------------

“Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou aqui, fazendo política”

Escrevi na manhã desta terça, neste blog, que Dilma, ao partir para o esmagamento de Marina Silva, está mexendo com forças que não conhece. Volto ao tema agora e também tratarei do assunto na minha coluna na Folha, na sexta.

Marina, como vocês viram, ao negar que vá extinguir o Bolsa Família se eleita, evocou em um comício o tempo em que seus pais dividiam com oito filhos um ovo, um pouco de farinha e uns pedacinhos de cebola. A voz ficou embargada. Verdadeira ou mentirosa (creio que seja fato), a narrativa é eleitoralmente poderosa. A candidata do PSB vem de um povo de que Dilma só ouviu falar.

Nesta quarta, em conversa no Facebook, o “Face-do-Face”, a candidata do PSB à Presidência voltou a tocar no assunto. Ela se disse vítima de preconceito e afirmou: “Com minha origem social, tem que provar que é competente, que pensa, mas é isso aí…”

Notem: quando escrevi aquele texto, não fiz juízo de valor, não. Só adverti para a bobagem que o PT (do ponto de vista de seus interesses) está fazendo. Esse discurso de Marina tem poder. E não, leitores amigos, eu não simpatizo com esse tipo de apelo, seja na boca de Marina ou na de Lula, outro que fez muita praça ao longo da história de suas agruras de infância.

Sempre que Lula vinha com esse chororô, eu me lembrava na caricatura do pedinte-assaltante: “Eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou, aqui, fazendo política…” Honestidade, decência e bons propósitos não são monopólios de classe social. Alguém nascido em berço de ouro pode tê-los. Outro, vindo de uma manjedoura, pode ser um salafrário. Não existe uma relação necessária entre uma coisa e outra.

Ocorre que o PT está dando um boi danado para Marina Silva. Acostumado a combater o “outro” de classe — que, segundo a estupidez lulo-petista, é encarnado pelo PSDB (curiosamente, não pelo PMDB, pelo PP ou por qualquer outra coisa…) —, não percebe quem é Marina Silva e mete os pés pelos pés.


************

Blog do Rafael Brasil

Demolição de valores - DORA KRAMER
O ESTADÃO - 17/09

Mantido o rumo pelo qual enveredou a campanha à Presidência da República, o que se pode esperar dos próximos 18 dias até o primeiro turno e depois mais 20 antes da etapa final não é um clima emocionante típico das eleições bem disputadas, como pareceu quando Marina Silva entrou na competição.

Disputas pressupõem confrontações de argumentos, embates travados mediante a observância de determinadas regras. Pois o que temos no cenário desde que o governo decidiu mandar às favas os escrúpulos e fazer o diabo para tentar vencer as eleições não guarda a menor relação com troca de argumentos e muito menos com obediência a qualquer tipo de regra.

Por ora há uma perplexidade. Um pouco pela falta de cerimônia no uso de mentiras tão deslavadamente mentirosas, um pouco pelo fato de ainda haver um contingente disposto a acreditar nelas.

Daqui a pouco poderá haver um cansaço com a atuação de uma gente que mente e reiteradamente se desmente sem a preocupação de preservar a própria biografia ou respeitar a liturgia do cargo.

Além de candidata, Dilma Rousseff é presidente da República. Ao mesmo tempo em que ter certas prerrogativas que lhe dão vantagens inerentes ao posto, tem deveres decorrentes da função que a diferenciam dos demais concorrentes.

O grau irrepreensível “no que se refere” à compostura é um deles. O comedimento, a austeridade sempre invocada como uma de suas qualidades não autoriza sua chancela no uso de mentiras. Muito menos que se faça pessoalmente porta-voz delas. Embora não condiga com seu discurso de correção é o que vem fazendo.

A presidente está dizendo ao povo que governa que os adversários vão acabar com esse ou aquele benefício social, que vão tirar verbas da saúde e da educação, que empresários e banqueiros se regozijam com a fome do brasileiro, que o governo do PT combate como ninguém a corrupção.

Ainda que os adversários quisessem mesmo acabar com os benefícios, vender a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, reduzir os investimentos em saúde e educação. De onde a presidente tirou isso se nunca disseram nada parecido? Da cabeça de seus conselheiros que a mandaram repetir tudo isso.

E o combate à corrupção? Tema evitado a todo custo pelo governo. Se fosse tão espetacular como se diz agora no horário eleitoral, o assunto já estaria muito antes entre os “grandes feitos” e não deixado para ser incluído quando começa a se fechar o cerco a respeito dos esquemas na Petrobras.

Isso dito quando se viram tantos escândalos serem abafados. Sem contar o fato de a antiga cúpula do partido estar quase toda na cadeia por força de um julgamento tido pelo PT como produto de um “tribunal de exceção”.

Nessa nova fase até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que andava meio arisco, se animou a aparecer exercendo seu conhecido dom de iludir – quem quer ser iludido, bem entendido. No ato público desta segunda-feira, no Rio, onde se pretendia “abraçar” a Petrobras, mas que o público presente não foi suficiente para um aperto de mão, Lula voltou a atacar o financiamento privado de campanhas. Disse que deveria ser crime inafiançável.

No mesmo dia circulava um e-mail do PT a empresários apresentando, em nome de Dilma, “a oportunidade de contribuir financeiramente para a campanha da reeleição da presidenta da República”, no que a correspondência qualificava como uma “ação empresarial cidadã”.

É de se imaginar que o governo queime pontes confiando que, reeleito, poderá reconstruí-las pelo poder que a vitória tem de curar feridas. Agora pensa exclusivamente nas eleições. Por dever de responsabilidade conviria pensar que além de uma eleição há um país a ser governado e que não merece assistir a tão completa e definitiva escalada de demolição de valores.


**********

Blog do Reinaldo Azevedo

Presidente-candidata está mexendo com forças que só conhece de ouvir falar. Marina sabe, se preciso, ser Lula. Mas Dilma só sabe ser Dilma. E isso pode ser muito aborrecido

A presidente-candidata Dilma Rousseff e, em larga medida, o PT e seu marqueteiro estão mexendo com forças que não conhecem e podem, do seu ponto de vista, fazer uma grande bobagem. O partido decidiu esmagar Marina Silva. A candidata do PSB à Presidência reclamou da truculência e das mentiras levadas ao horário eleitoral — até Rodrigo Janot considerou que elas passam da conta e pediu que o TSE retire uma peça de propaganda do ar. Em resposta à adversária, Dilma sustentou que a Presidência não é para os fracos. Uma fala burra nos dias que correm. Lula deu de ombros e ainda esnobou, truculento: Marina não precisa chorar por ele. Manifestações arrogantes como essas podem ser fatais numa eleição.

Ontem, o PSB levou ao ar um trecho muito contundente de um discurso de Marina. Ao comentar que o PT espalhava por aí que, se eleita, ela vai acaba com o Bolsa Família, a candidata do PSB mandou um recado direto a Dilma, chamando-a pelo nome. Falou fino, porque é de sua natureza, mas falou grosso, com voz embargada e pausa dramática, tudo muito bem encaixado:

“Dilma, você fique ciente. Não vou lhe combater com suas armas; vou lhe combater com a nossa verdade. Tudo o que minha mãe tinha para oito filhos era um ovo e um pouco de farinha e sal com umas palhinhas de cebola picadas. Eu me lembro de ter olhado para o meu pai e minha mãe e perguntado: ‘Vocês não vão comer?’ E minha mãe respondeu: ‘Nós não estamos com fome’. Uma criança acreditou naquilo. Mas depois entendi que eles há mais de um dia não comiam”.

A candidata indagou, em seguida, como é que ela poderia, com aquela história, acabar com o Bolsa Família.

Pois é… Lula inventou uma categoria que vai ficar na política brasileira por muito tempo: os “Silvas”. É aquela gente que teve uma infância difícil, que lutou contra as vicissitudes da sorte e que venceu, sem esquecer suas origens. Verdade ou mentira, a construção é politicamente poderosa. Acontece que Marina pertence a essa família Silva. Em certa medida, sua história pode ser mais meritória — e meritocrática — do que a do próprio Lula. Afinal, adicionalmente, além de pobre, foi analfabeta por mais tempo do que o chefão petista, é mulher e negra.

Já adverti aqui e volto a fazê-lo: não tentem despertar o poder das vítimas. Os fortes e os brutos não entendem o seu potencial. Talvez Dilma devesse dar um pulinho correndo na Galleria Borghese, em Roma, e olhar aquela que é, para mim, a obra mais impressionante obra de Caravaggio: Davi segurando a cabeça de Golias (foto ano alto). Tudo ali é demasiadamente humano: o ar plácido do mais fraco, que se sagrou vencedor, e a incompreensão que restou no rosto de Golias, o morto. Não há ódio nem sangue. Só um fato. A reprodução não dá conta. Quem puder tem de ver de perto. Mas retomo o fio.

Como construção de personagem e como narrativa a incendiar o imaginário, Marina sabe ser Lula, mas Dilma só sabe ser Dilma, e a personagem, convenham, não desperta grande interesse. Mesmo o aspecto que vendem como heroico de sua trajetória está muito longe da vida do brasileiro comum. É evidente que o PT, na política e, entendo, na lei, foi muito além dos limites aceitáveis. Marina está a um passo de se tornar o Davi que ainda vai segurar, com ar piedoso, mas firme, a cabeça de Golias.

O desespero chegou com tal violência nas hostes companheiras que a artilharia pode ter sido usada precocemente. O que mais pretendem usar contra Marina, que seja compreensível para as massas? No segundo turno, caso as duas mulheres realmente cheguem lá, o tempo na TV será o mesmo, e Dilma já terá perdido há muito o troféu fair-play.

Dilma é uma esquerdista que veio das camadas superiores. Como diria Monteiro Lobato, da casa de pobre, ela não conhece nem o trinco — ou a falta de trinco. Lula conserva aquele charme popular, mas ele foi talhado, na medida, ao longo de vinte anos, para atacar tucanos. Assisti ontem ao programa do PT no horário eleitoral: está chato, repetitivo, tentando convencer os brasileiros de que o paraíso é aqui. Tenho certeza de que João Santana se pergunta que diabos ele tem a fazer com todo aquele tempo.

Vamos ver o que vai dizer a pesquisa Datafolha. Considerando só a pesquisa Ibope, a única com motivos para se preocupar é mesmo Dilma, que caiu três pontos em uma semana: de 39% para 36%. Sim, é verdade, estando certos os números, Aécio Neves, do PSDB, ainda está distante de um segundo turno, mas subiu quatro pontos, passando de 15% para 19%. Marina oscilou um para baixo e aparece com 30%. No segundo turno, a petista ameaçou tomar a liderança numérica na semana passada, ficando apenas um ponto atrás da rival (43% a 42%), mas a distância pode ter-se alargado: 43% a 40%. Como já vimos, Aécio melhorou, Marina resistiu e pode ter ascendido no segundo turno, e Dilma murchou nas duas etapas.

As barbaridades cada vez mais cabeludas da Petrobras certamente interferem nas escolhas dos eleitores. Mas creio que há mais: é crescente o repúdio à truculência do PT no trato com os adversários. Já houve um tempo em que Lula sabia ter o fabuloso poder da vítima. Hoje, ele só consegue entender a truculência dos algozes.  Pode ser vítima, sim, mas da própria soberba.

----------

A fome do Brasil e uma mentira da FAO, dirigida por um petista

A FAO — órgão da ONU para a agricultura e alimentação — divulgou um relatório segundo o qual 3,4 milhões de pessoas ainda passam fome no Brasil: 1,7% da população. Não contesto. Talvez seja verdade. O diretor-geral da FAO é o petista José Graziano, ex-ministro de Lula, um dos mentores do Fome Zero e seu primeiro — e único — comandante. O que chama a atenção no relatório é outra coisa — ou duas outras coisas. Comecemos pela mais levinha.

Os petistas adoram dar sumiço em pobre e esfomeado mudando o critério de avaliação. Nunca antes na história deste país e deste mundo um partido usou tão bem a estatística para melhorar a realidade desde que isso seja do seu interesse. Em 2013, a FAO concluiu que 7% dos brasileiros passavam fome. Aí se passou a considerar as refeições servidas fora de casa, como restaurantes populares e merenda escolar, e pimba! Os 7% viraram 1,7%. Com mais uma “mudança de critério”, pode-se chegar a zero, certo?

A piada do relatório é o elogio da FAO ao… Fome Zero, que vem a ser, oram vejam, justamente aquele programa pelo qual Graziano era responsável no Brasil e que nunca saiu do papel. Sim, o doutor mete lá um elogio em boca própria e exalta o que nunca existiu.

Como vocês devem se lembrar e noticiei aqui tantas vezes, Lula era contra os programas de transferência de renda. Achava que era esmola. Queria acabar com todos para emplacar o seu “Fome Zero”. Em outubro de 2003, convencido do desastre da sua proposta (mas sem dar o braço a torcer), fez o quê? Reuniu todos os programas de renda que herdou de FHC — e que já atingiam 5 milhões de famílias — num só e criou um nome fantasia: “Bolsa Família”.

Abaixo, vocês podem ler, mais uma vez, trecho do discurso em que Lula tratava como esmola o Bolsa Família, acrescentando que o programa deixava o pobre preguiçoso, e trecho da Medida Provisória, de 20 de outubro de 2003, que trata do Bolsa Família (depois convertida na lei 10.183). Vale dizer: 10 meses depois de criado, o Fome Zero ia para o vinagre. Mas Graziano decidiu usar a ONU para exaltar a sua não-obra.

TRECHO DO DISCURSO DE LULA DE 9 DE ABRIL DE 2003 EM QUE LE DIZ QUE BOLSA FAMÍLIA DEIXA O POBRE PREGUIÇOSO
Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favor. Antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade. Isso é o que faz as pessoas andarem de cabeça erguida. Isso é o que faz as pessoas aprenderem a escolher melhor quem é seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado, a senador, a governador, a presidente da República. Isso é o que motiva as pessoas a quererem aprender um pouco mais.

TRECHO DA MEDIDA PROVISÓRIA EM QUE LULA SURRUPIA PARA SI TODOS OS PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA DO GOVERNO FHC (REPAREM NAS DATAS)
(…) programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação - “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação - PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde – “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás, instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.

-------------

PF já tem a identidade do petista que entregou dólares a chantagista

Na VEJA.com:
A Polícia Federal já sabe quem é o homem que, em nome do PT, fazia as entregas de dinheiro a um grupo de chantagistas que ameaçava envolver o partido no escândalo de corrupção da Petrobras. Em sua última edição, VEJA mostrou que Enivaldo Quadrado, condenado no processo do mensalão, prometeu revelar detalhes sobre o envolvimento de petistas com o desvio de 6 milhões de reais do cofre da estatal. Para comprar seu silêncio, o partido cedeu à chantagem.

Cumprindo pena alternativa, Enivaldo Quadrado, o chantagista, recebe pagamentos regulares em dólares americanos. O dinheiro é entregue por um homem identificado apenas como sendo um conhecido militante do PT, influente, com estreitas ligações com os chefes mensaleiros – e que faz o serviço cumprindo ordens do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

O valioso trunfo de Enivaldo Quadrado são as informações que ele possui sobre a triangulação de uma outra chantagem. Em 2012, o publicitário Marcos Valério, outro condenado no mensalão, revelou ao Ministério Público que o empresário Ronan Maria Pinto estava ameaçando envolver o então presidente Lula e seus auxiliares, o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, no assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel. Para evitar que isso acontecesse, o PT deu a ele 6 milhões de reais, dinheiro que saiu dos cofres da Petrobras, segundo Marcos Valério.

Enivaldo Quadrado conhece todos os detalhes da operação e guardou consigo a cópia de um contrato que formalizou o repasse milionário a Ronan Maria Pinto, o primeiro chantagista. Por isso, seu silêncio agora vale tanto.

------------

Ibope: Aécio cresce, e Dilma cai no primeiro turno; viés volta a ser de baixa para a candidata do PT; pânico volta às hostes petistas

Agora ficou clara a razão da euforia do mercado nesta terça-feira. Os números do Ibope indicam que o cenário eleitoral tem um viés de baixa para a petista Dilma Rousseff. No primeiro turno, quem cresceu foi o tucano Aécio Neves. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos. O instituto ouviu 3.010 eleitores em 204 municípios, entre os dias 13 e 15, e a pesquisa está registrada no TSE sob o número BR 657/2014. Todos os gráficos deste post foram feitos pela TV Globo.

Em uma semana, Dilma caiu três pontos no primeiro turno e aparece, agora, com 36% das intenções de voto. A peessebista Marina Silva oscilou um para baixo e tem 30%. O tucano Aécio Neves cresceu quatro e aparece com 19%. Entre os demais candidatos, só Pastor Everaldo, do PSC, pontuou: 1%.

A petista segue na liderança folgada da rejeição: dizem que não votariam nela de jeito nenhum 32% dos eleitores, contra apenas 19% em Aécio e 14% em Marina.

Em uma semana, Marina manteve os 43%, e Dilma oscilou de 42% para 40%. Contra Aécio, a diferença em favor da petista caiu sensivelmente: era de 15 pontos — 48% a 33% — e é de apenas 7 agora: 44% a 37%. O tucano cresceu 3 pontos, e a petista caiu 4.

Estando certos os números de antes e os de agora, o que aconteceu em sete dias? O escândalo da Petrobras veio à tona para valer. Observem que, no primeiro turno, Aécio foi o único que cresceu: de 15% para 19%. Dilma caiu de 39% para 36%, e Marina oscilou um ponto para baixo: de 31% para 30%.

Há também a destacar a truculência da campanha petista, que avança contra Marina com uma impressionante violência. O tiro, como aqui já se advertiu, pode sair pela culatra. Voltarei ao assunto nesta madrugada. No confronto com Dilma, Marina se manteve estável: 43%. A presidente-candidata, no entanto, oscilou dois para baixo. Está com 40%.

Mas os números do confronto com Aécio é que devem mais preocupar os petistas, nem tanto pela distância, mas por aquilo que pode ser uma tendência. Ela caiu de 48% para 44%, e ele subiu de 33% para 37%. A síntese é a seguinte: na semana em que Aécio procurou se distinguir de Dilma e Marina, mas sem partir para a baixaria, o tucano cresceu. Nesta mesma semana, em que o PT optou pela truculência, há sinais de que a candidata do partido pode derrapar.

Os petistas voltam a flertar com o fantasma da derrota. A partir desta quarta, restará a dúvida: avançar sobre Marina com ainda mais violência ou diminuir a fúria dos ataques?

***********


É vital descobrir o que Vital foi fazer no Planalto

Suposto presidente da CPI da Petrobras, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) foi ao Palácio do Planalto na véspera do depoimento do delator Paulo Roberto Costa à comissão. Reuniu-se com o ministro petista Ricardo Berzoini, coordenador político de Dilma Rousseff.

Sabe-se que o Planalto tenta impedir que o ex-diretor preso da Petrobras revele sob refletores, a poucos dias da eleição, o abracadabra que conduziu tantos políticos governistas à petrocaverna de Ali-Babá. Mas o senador Vital jura que não falou com Berzoini sobre CPI. Ah, vá!

É vital que o doutor Vital esclareça o que foi fazer no Planalto. Sob pena de perder o pouco que lhe resta de vitalidade. Já se sabia que a CPI da Petrobras é um saco de gatos. Não convém deixar prosperar a suspeita de que há no saco outra espécie de mamífero.

------------

Na CNBB, face diabólica da sucessão apareceu

Foi ao ar na noite passada o debate presidencial promovido pela CNBB, entidade máxima da Igreja Católica no Brasil. Deus esteve no controle até o terceiro bloco. Zelou para que as regras engessadas inibissem as possibilidades de confronto. No quarto bloco, Ele, que já não é full time, foi dormir. E o Diabo assumiu, ateando fogo no evento. O Coisa-Ruim proporcionou à platéia alguns dos mais eletrizantes momentos da atual temporada eleitoral. Passou a impressão de estar fechado com a evangélica Marina Silva.

Cavalgando a língua do Pastor Everaldo, o Tinhoso endereçou a Aécio uma açucarada pergunta sobre a Petrobras. O tucano alçou voo: “Os brasileiros estão envergonhados, indignados com aquilo que vem acontecendo com a nossa mais importante empresa pública, submetida à sanha de um grupo político que, para se manter no poder, permitiu que um vale-tudo fosse feito na nossa maior empresa.”

Aécio bicou: “…Uma gravíssima denúncia surgiu, que fez com que o mensalão parecesse coisa pequena. Denúncia feita pela Polícia Federal, que disse que existe uma organização criminosa atuando no seio da nossa maior empresa. A partir daí, um diretor nomeado pelo governo do PT e confirmado pela atual presidente da República disse que, durante todos esses últimos anos, financiava com propinas, com parcelas de recursos das obras sob sua alçada, a base de sustentação do governo.”

Sob olhares atendos de Marina, Aécio retorceu o bico: “…Não é possível que o Brasil continue a ser administrado com tanto descompromisso com a ética, com a decência, com os valores cirstãos. A vida pública não é para ser exercida dessa forma. Quem não teve condições de administrar nossa maior empresa não tem condições de administrar o país.”

Abespinhada, Dilma solicitou direito de resposta. E Marina só de olho. Enquanto o pedido era analisado, o mediador sorteou o nome do candidato que faria a indagação seguinte. O Capiroto guiou a escolha: Aécio Neves pergunta para Luciana Genro. Quais são as suas propostas, candidata, para melhorar a educação no Brasil? Como que tomada pelo Cramulhão, a candidata do PSOL preferiu dizer a Aécio que sabia o que o tucanato fizera no verão passado.

“O senhor fala como se no governo do PSDB nunca tivesse havido corrupção”, disse Luciana Genro. “Na realidade, nós sabemos que o PSDB foi precursor do mensalão, com seu correligionário e conterrâneo Eduardo Azeredo. E o PT deu continuidade a essa prática de aparelhamento do Estado, que o PSDB já havia implementado durante o governo Fernando Henrique.”

A filha de Tarso Genro, o governador petista do Rio Grande do Sul, prosseguiu: “Também foi público e notório o processo de corrurpção que ocorreu durante a compra da [emenda] da reeleição… E a corrupção nas empresas públicas que foram privatizadas, num processo que ficou conhecido como privataria tucana…”

Luciana chutou o balde: “Então, o senhor, Aécio, falando do PT, é como o sujo falando do mal lavado. Porque o senhor é de um partido que tem promovido a corrupção… As empreiteiras que fizeram o escândalo de corrupção da Petrobras são as mesmas que financiam a sua campanha, a da Marina e a da Dilma… Fale do PT, mas fale do seu partido também.”

Na tréplica, Aécio saudou o retorno da ex-petista Luciana Genro “às suas origens, atuando como linha auxiliar do PT”. Ignorando-a, pôs-se a falar bem de si mesmo, enaltecendo a obra educacional que realizara como governador de Minas. Mas Lúcifer reservara uma tréplica para Luciana: “Com todo o respeito, linha auxiliar é uma ova, candidato Aécio… O senhor não tem resposta para debater comigo a corrupção, até porque foi protagonista de um dos últimos escândalos…”

O Rabudo, definitivamente, apossara-se dos lábios de Luciana Genro. Ela recordou o caso do aeroporto da cidade mineira de Cláudio. “…O senhor é tão fanático pela corrupção que consegue usar dinheiro público para construir um aeroporto beneficiando exclusivamente a sua família. É realmente escandaloso o que o PSDB faz no Brasil.” Aécio requereu direito de resposta.

A essa altura, o Pata-Rachada já havia decidido que Dilma teria direito de responder aos petro-ataques do rival tucano. O Chifrudo concedeu-lhe um minuto. E ela: “Ao longo da minha vida, eu tive sempre tolerância zero com a corrupção.” No que se refere ao convívio com malfeitores, não teve a mesma intolerância.

“No caso da Petrobras, eu quero lembrar ao candidato Aécio que quem investigou e descobriu todos os crimes foi um integrante do governo.” Um integrante do governo? Imaginou-se que Dilma anunciaria ao país o nome de um investigador secreto. Mas ela se equivocara. Quisera dizer não um integrante, mas um órgão do governo, a Polícia Federal.

Expressando-se num idioma muito parecido com o português, Dilma afirmou: “Fica claro que não é fácil descobrir um sistema daquele tamanho, na medida em que está metida a Polícia Federal, o Ministério Público e o Judiciário.” Quem ouviu ficou com a sensação de que a presidente acusava os investigadores de estarem metidos nos crimes. Mas ela queria dizer o oposto.

“Quero dizer que nós fortalecemos a Polícia Federal, criamos o Portal da Transparência… Nunca escolhemos engavetador-geral da República. Se hoje descobrem atos de corrupção e ilícitos é porque nós não varremos para baixo do tapete…” Dilma se absteve de mencionar que o governo testa permanentemente os órgãos de controle do Estado, fornecendo-lhes escândalos em série.

Antes de encerrar o penúltimo bloco, o Demo autorizou Aécio a usufruir do direito de responder aos ataques de Luciana Genro. “Política é isso: aquele que se propõe a governar o Brasil tem que ouvir impropérios. E aqueles que são irrelevantes fazem acusações absolutamente irresponsáveis e levianas.” Falou de sua infância católica, de sua formação cristã, do seu apreço pela ética, de sua obra no governo mineiro. Nada que pudesse suscitar um novo pedido de resposta de Luciana Genro.

No último bloco do debate, dedicado às considerações finais, Marina Silva, que observara calada a troca de ofensas, caminhou sobre o mar de lama. “Tenho dito que quem vai ganhar essas eleições não são as estruturas dos partidos da polarização: PT e PSDB, que acabaram de aqui se digladiar. Quem vai ganhar as eleições é uma nova postura, principalmente do cidadão brasileiro, que está disposto a fazer a mudança, blá, blá blá…”

Eis as duas grandes mensagens que o Príncipe das Trevas passou por meio do debate da CNBB: 1) o que o país está assistindo nos últimos 20 anos é apenas uma sucessão de exemplos de tucanos e petistas distraídos sendo usados, vendo sua respeitabilidade e sua boa imagem exploradas por gatunos. 2) se Aécio e Dilma estiverem corretos, Marina é apenas uma biografia imaculada que ainda não teve de negociar um projeto de lei com a bancada do PMDB.

-------------

Corruptaco, papaco!



***********


Ibope: Dilma tem 36%, Marina, 30%, e Aécio, 19%
Gabriel Garcia

Nova pesquisa Ibope para presidente da República, divulgada nesta terça-feira (16), dá fôlego ao candidato Aécio Neves (PSDB), ainda em terceiro nas pesquisas. Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, está à frente com 36% das intenções de voto no primeiro turno, seguida por Marina Silva (PSB), com 30%, e Aécio, com 19%.

A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal Estado de S.Paulo.

Na semana passada, o Ibope apontava, em sondagem pedida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a presidente com 39%, Marina com 31% e Aécio, com 15%. Pastor Everaldo (PSC) estava com 1%, enquanto os demais candidatos somados tinham menos de 1%.

Na simulação de segundo turno, continua o quadro de empate técnico, com ligeira vantagem numérica para Marina, que tem 43% contra 40% de Dilma – era 43% a 42% na semana passada, para a ex-senadora.

Em eventual disputa entre Dilma e Aécio, a petista ganharia por 44% a 37% - na semana passada o placar era 48% a 35%. Quando a disputa é com Aécio, Marina venceria por 48% a 30% - era 51% a 27% na última sondagem.

A Taxa de indecisos é de 6% (era 5%). Número de branco e nulo soma 7%, tal índice era de 8% no último levantamento.

Em relação ao índice de rejeição, 32% disseram que não votariam de jeito nenhum em Dilma. Segundo o levantamento, 19% não votariam em Aécio. A rejeição de Marina é de 14%.

O Ibope ouviu 3.010 eleitores em 204 municípios do país entre os dias 13 e 15 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.

--------------

Polícia Federal identifica petista que entregou dólares a chantagista
Veja

A Polícia Federal já sabe quem é o homem que, em nome do PT, fazia as entregas de dinheiro a um grupo de chantagistas que ameaçava envolver o partido no escândalo de corrupção da Petrobras. Em sua última edição, Veja mostrou que Enivaldo Quadrado, condenado no processo do mensalão, prometeu revelar detalhes sobre o envolvimento de petistas com o desvio de 6 milhões de reais do cofre da estatal. Para comprar seu silêncio, o partido cedeu à chantagem.

Cumprindo pena alternativa, Enivaldo Quadrado, o chantagista, recebe pagamentos regulares em dólares americanos. O dinheiro é entregue por um homem identificado apenas como sendo um conhecido militante do PT, influente, com estreitas ligações com os chefes mensaleiros – e que faz o serviço cumprindo ordens do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

------------

Ambicioso, o homem-bomba da Petrobras deve se calar na CPI
Afonso Benites, El País

O engenheiro Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras apontado como um dos principais membros de um bando suspeito de desviar até 10 bilhões de reais dos cofres públicos brasileiros, é um homem arrogante e detalhista. Tratava mal alguns funcionários e lia minúcias de contratos como poucos.

Nos últimos anos em que passou na maior companhia brasileira, porém, a característica que mais chamou a atenção dos que conviveram com ele foi a ganância. Sempre queria galgar novos postos de chefia. “Ele era muito competente, dedicado, cuidadoso e bastante arrogante em alguns momentos. Como sempre teve bom trânsito com a maioria das gestões, conseguiu atingir postos que vários carreiristas almejavam”, afirmou um engenheiro que trabalhou na companhia.

------------

Dilma e Aécio são principais alvos em debate entre presidenciáveis
João Fellet, BBC Brasil

Os candidatos à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, e pelo PSDB, Aécio Neves, foram os principais alvos de críticas e ataques em encontro organizado ontem pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que rendeu um debate um pouco mais 'tenso' entre os presidenciáveis.

Em evento pontuado por questões morais, como o direito ao aborto, o casamento gay e a legalização das drogas, os candidatos do PV, Eduardo Jorge, e Luciana Genro, do PSOL, destoaram dos demais postulantes ao confrontarem posições defendidas pela Igreja Católica. Luciana e Genro também fizeram algumas das críticas mais duras dirigidas a Dilma e Aécio.

------------

Supremo estende auxílio-moradia a juízes federais
Veja

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux estendeu o auxílio-moradia a todos os juízes federais do país que não possuem residência oficial na localidade em que trabalham. A medida tem caráter liminar e foi concedida ontem, mesmo dia em que a Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou parecer favorável à concessão da liminar, sem efeitos retroativos, com regulamentação a ser determinada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A medida pretende equiparar a situação dos juízes federais com a de outros magistrados e também com a de membros do Ministério Público. Na decisão, Fux considerou que o CNJ "já reconhece o direito à ajuda de custo para fins de moradia aos magistrados e conselheiros que lá atuam".

------------

Tempo de espera em pronto-socorro não poderá superar duas horas
Lígia Formenti, Estadão

Duas resoluções do Conselho Federal de Medicina publicadas ontem no Diário Oficial tornam mais claras as regras para atendimento nos prontos-socorros e Unidades de Pronto Atendimento. Os textos determinam que o tempo de espera do paciente para atendimento num pronto-socorro não pode ser superior a duas horas. E a permanência no serviço não pode ultrapassar 24 horas. Passado esse prazo, o paciente deve ter alta, ser internado ou transferido.

“As resoluções pretendem dar ordem ao caos instalado no atendimento”, afirmou o presidente em exercício do CFM, Carlos Vital. “A intenção é dar o mínimo de orientação, garantir um fluxo para o atendimento do paciente.” Parte das regras existentes nas resoluções já está prevista nas portarias que regulam o Sistema Único de Saúde.

------------

Reintegração de hotel em São Paulo tem tumulto, presos e feridos
G1

A reação à reintegração de posse do prédio do Hotel Aquarius, na Avenida São João, parou o Centro de São Paulo ontem. Sem-teto e Polícia Militar (PM) entraram em confronto. O tumulto se espalhou por ruas da região e foram vários os atos de vandalismo.

Um ônibus foi incendiado perto do Theatro Municipal. Estações do Metrô e o comércio fecharam as portas. Houve tentativas de saques. Trinta linhas de ônibus deixaram de circular na região. Ao menos seis pessoas ficaram feridas, segundo a Polícia Militar (PM).

------------

Concentração de renda aumentou nos últimos anos do governo do PT
Ana Clara Costa, Veja

Está engavetado no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) um estudo inédito que mostra uma realidade bem diferente da que vem sendo pregada pelo PT na campanha eleitoral de Dilma Rousseff. O documento mostra que a concentração de renda aumentou no Brasil entre 2006 e 2012.

Dados do Imposto de Renda dos brasileiros coletados por pesquisadores do Instituto mostram que os 5% mais ricos do país detinham, em 2012, 44% da renda. Em 2006, esse porcentual era de 40%. Os brasileiros que fazem parte da seleta parcela do 1% mais rico também viram sua fatia aumentar: passou de 22,5% da renda em 2006 para 25% em 2012.

--------------

Emboscada das Farc deixa sete mortos e cinco feridos na Colômbia
O Globo

A polícia colombiana afirma que guerrilheiros esquerdistas das Farc assassinaram sete policiais e deixaram outros cinco feridos numa emboscada no noroeste do país. O general da Polícia Nacional, Rodolfo Palomino, disse que membros das Farc bombardearam um caminhão que levava 14 policiais numa estrada de Tierradentro, na província de Cordoba, a 415 quilômetros da capital, Bogotá.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, condenou a ação dos guerrilheiros, classificando a emboscada como “um ataque covarde que merece o repúdio de todos os colombianos”.

-------------

Chefe do Estado Maior dá sinal verde para tropas de combate no Iraque
Yolanda Monge e Joan Faus, El País

O chefe do Estado Maior Conjunto, Martin Dempsey, deu ontem o sinal verde para a possibilidade de que militares norte-americanos possam trabalhar lado a lado assessorando no local os militares iraquianos na luta contra o autoproclamado Estado Islâmico (EI).

“Se as circunstâncias mudarem recomendaria ao presidente que [soldados norte-americanos] trabalhassem assessorando próximos aos combates e acompanhando soldados iraquianos em ataques concretos”, explicou Dempsey em comparecimento diante do Comitê de Serviços Armados do Senado. “Meu ponto de vista, no momento, é que essa coalizão é a maneira correta de agir”, declarou Dempsey.

---------------

Ucrânia ratifica acordo com UE e oferece status especial a separatista
Richard Balmforth e Pavel Polityuk, Reuters

A Ucrânia ratificou ontem um acordo abrangente com a União Europeia, tema no cerne da crise entre a Rússia e o Ocidente sobre o futuro ucraniano, e buscou conter o impulso separatista dos rebeldes apoiados por Moscou acenando com uma autonomia temporária e limitada.

Mas, embora o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, tenha saboreado uma vitória histórica com a aprovação parlamentar ao acordo com a UE, seus esforços de pacificação atraíram o desprezo dos separatistas e de alguns políticos de destaque, e as Forças Armadas relataram mais três mortes de soldados ucranianos apesar do cessar-fogo em vigor há onze dias.


*********

Blog do Noblat

A corrupção na Petrobras e nas estatais
Gil Castello Branco, O Globo

A cada novo escândalo envolvendo as empresas estatais, lembro-me de frase curiosa do diplomata e economista Roberto Campos: “A diferença entre a empresa privada e a empresa pública é que aquela é controlada pelo governo, e esta por ninguém.”

No Brasil, mesmo após tantas discussões sobre as privatizações, ainda existe uma centena de empresas estatais que empregam mais de meio milhão de funcionários e movimentam, anualmente, R$ 1,4 trilhão, montante superior ao PIB da Argentina.

Apenas os investimentos do Grupo Petrobras no ano passado somaram R$ 99,2 bilhões, o dobro dos investimentos federais dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).

A conjunção de recursos volumosos, ingerência política e pouca transparência fez das estatais a Disneylândia dos políticos. Afinal, parafraseando Milton Nascimento na canção “Nos bailes da vida”, o corrupto vai aonde o dinheiro está.

O ex-deputado e hoje condenado Roberto Jefferson, no seu livro “Nervos de aço”, referindo-se aos Correios, confessa: “... é evidente que as nomeações feitas pelo PTB se prendiam, sim, a uma estratégia de captação de recursos eleitorais. Nunca neguei isso.”

Essa lógica parece ser a mesma da camarilha infestada na Petrobras para intermediar negócios entre empreiteiras, prestadoras de serviços e políticos. A cada contrato, 3% para a patota. Se o próprio ex-diretor de operações Paulo Costa se ofereceu para devolver US$ 23 milhões, dá para imaginar o tamanho do rombo.

A movimentação financeira irregular já identificada na operação Lava-Jato chega a R$ 10 bilhões, oriundos não só do desvio de dinheiro público, mas também de tráfico de drogas e contrabando de pedras preciosas. A importância faz o mensalão (R$ 141 milhões) parecer roubo de galinha.

De fato, as estatais são figurinhas carimbadas nos escândalos recentes. Com as eleições cada vez mais caras — e muitos ainda se valem dos pleitos para aumentar o próprio patrimônio — os partidos aparelham as empresas indicando “operadores” ou utilizam servidores de carreira filiados para viabilizar ganhos ilícitos em obras, contratos de prestação de serviços, aquisição de equipamentos ou, ainda, nos fundos de pensão. Quanto mais esses delinquentes “arrecadam”, mais são valorizados politicamente.

Como consequência da interferência do governo, a Petrobras e a Eletrobras se apequenaram como “autarquias” vinculadas ao Ministério da Fazenda, reféns da política econômica. Na Petrobras, a contenção dos preços dos combustíveis, para empurrar a inflação com a barriga até depois das eleições, afetou o caixa e a rentabilidade da empresa.

Na Eletrobras, as ações viraram “mico” após o subsídio ao uso das usinas térmicas e a redução das tarifas de energia. Em 2013, segundo cálculos do economista José Roberto Afonso, as duas estatais tiveram déficit primário de 0,71% do Produto Interno Bruto (0,09% para a Eletrobras e 0,62% para a Petrobras). Em conjunto, investiram 2,2% do PIB, mas tomaram 1,58% do mesmo em operações de crédito. Se fossem empresas privadas, quebrariam.

As estatais fogem da transparência como o diabo da cruz. Incluídas na Lei de Acesso à Informação (lei 12.527), pressionaram o governo e foram praticamente excluídas da obrigatoriedade de prestarem informações à sociedade pelo decreto 7.724. Algumas situações beiram o ridículo.

No primeiro dia da vigência da lei, a Associação Contas Abertas solicitou à Petrobras o Programa de Dispêndios Globais (PDG), conjunto de informações relacionado às receitas, dispêndios e necessidades de financiamento.

A empresa negou sob a alegação de que “a informação não podia ser fornecida por comprometer a competitividade, a governança corporativa e/ou os interesses dos acionistas minoritários”. O próprio governo federal enviou-nos os dados.

Na verdade, o que hoje compromete a governança das estatais é, justamente, a falta de transparência. Os investimentos das estatais em julho, por exemplo, só serão conhecidos no fim de setembro. Sequer existe um portal com informações atualizadas e detalhadas sobre esse segmento.

Na Petrobras, os mistérios são tantos que a Diretoria e o Conselho de Administração sequer desconfiavam do que Dilma e Lula costumam chamar de “malfeito”, expressão que minha avó usava quando fazia um bolo e ele solava. No bom português, o que aconteceu na Petrobras envolve peculato, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Voltando à frase de Roberto Campos, já é tempo de as empresas públicas serem controladas pela sociedade.

***********


A mais difícil

A 19 dias do primeiro turno, tudo indica que o PT terá a eleição mais difícil desde 2006, quando surpreendentemente o candidato do PSDB Geraldo Alckmin teve uma votação não prevista pelas diversas pesquisas. Recebeu no primeiro turno 41,5% dos votos válidos, contra 48,5% de Lula. Pesquisa Datafolha previa uma situação próxima do empate técnico no início do segundo turno: Lula tinha 49%, contra 44% de Alckmin.

Depois de uma campanha desastrosa no segundo turno, quando caiu na armadilha petista sobre privatizações e fantasiou-se com os logos das estatais para mostrar quão estatizante era, Alckmin foi menos votado do que no primeiro turno e terminou a eleição com 39% dos votos.
Desta vez, a vantagem de Dilma no primeiro turno é semelhante à daquele ano, mas no segundo turno é Marina que está na frente até o momento, embora em situação de empate técnico mais clara ainda. Hoje sai mais uma pesquisa Ibope que pode trazer novidades. Os truques petistas estão sendo repetidos eleição após eleição: os adversários acabarão com o Bolsa-Família, privatizarão todas as estatais.

Está um pouco mais difícil obter eficácia desta vez, seja pelo desgaste do truque, seja por que é mais complicado colocar um rótulo de exploradora insaciável em uma ex-companheira petista, negra e de origem humilde.

Por isso a “elite branca” está identificada na pessoa de Neca Setubal, que o PT chamava de educadora quando participou de um debate para montar a proposta de governo de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, e agora chama de banqueira por ela estar coordenando o programa de Marina.

O PT assume o papel de protetor dos pobres e oprimidos nas campanhas eleitorais e, no governo, coloca um banqueiro internacional oriundo do PSDB, Henrique Meirelles, para tomar conta do Banco Central. Na propaganda do PT, os banqueiros são seres asquerosos que só querem roubar a comida das criancinhas. Na sabatina com a presidente Dilma, estranhei que ela tenha acusado sua adversária Marina de ser “sustentada” por banqueiros, e ela respondeu que se baseava no que era noticiado, que Neca Setubal havia sustentado a criação do instituto de Marina.

Seria a mesma coisa de dizer que o ex-presidente Lula é sustentado por empreiteiras, que pagam a maioria de suas palestras no exterior e ajudaram a financiar seu instituto. O que o PT faz é tentar manipular o eleitorado, criando fantasmas, como ontem na fracassada demonstração diante o prédio da Petrobras a favor do pré-sal.

Foi-se o tempo em que o povo aderia aos seus chamados. O que se via mais ontem eram sindicalistas guiados pelas centrais sindicais que o governo sustenta, aí sim, com verbas generosas e pode acionar a qualquer momento para suas demonstrações de força. O “abraçaço” na Petrobras não mobilizou a população por que as acusações de corrupção petista na estatal estão bem divulgadas e documentadas, impedindo que se alastrem as acusações distorcidas com relação ao pré-sal.

Mas a disputa assimétrica do momento só será equilibrada no segundo turno, se Marina chegar lá e obtiver recursos para os 20 dias de campanha com o tempo igual de propaganda oficial ao da sua adversária.

A presidente Dilma tem a vantagem de ter sua imagem já incorporada à liturgia do cargo, apesar de sua fala não conter um mínimo de coerência com essa mesma liturgia. Mas sua presença é permanente, e Marina terá que mostrar que sua figura franzina esconde uma liderança carismática.

Suas conexões com os principais líderes internacionais devem servir para mostrar, especialmente para o eleitorado menos esclarecido, que ela não é uma “pobre coitadinha” despreparada, que não aguenta os percalços de uma campanha presidencial, como insiste em dizer a presidente Dilma. O debate frente a frente também será esclarecedor para a definição do eleitorado.

***********


Temer quer PMDB unido

                O vice Michel Temer começa a conversar para unir o PMDB no segundo turno. Ele quer de volta para o palanque da presidente Dilma os que embarcaram na canoa de Aécio Neves. “Tenho a sensação que o partido pode vir inteiro”, diz Temer. A atitude excludente de Marina Silva contribui para um acordo. A operação está sendo feita para reforçar os votos de Dilma no Rio, na Bahia e no Sul.

O PSB pede Celso Furtado
Os socialistas estão inconformados com a quantidade de gurus econômicos que se apresentam como formuladores de Marina Silva. O presidente do partido, Roberto Amaral, resume: “Estou preocupado com a quantidade de ‘especialistas’ e ‘consultores' que a imprensa está descobrindo na nossa campanha”. Ele afirma que surgem nomes “desconhecidos por nós” e “um novo coautor do programa da Marina”. E destaca que o economista Celso Furtado, nacional desenvolvimentista, é o formulador do partido. Amaral sentencia: “O PSB tem profunda admiração pela obra e pelo pensamento de Celso Furtado. Morto, não há substituto à altura”.

“As formulações originais sobre o desenvolvimento do país foram substituídas por ‘Chicago boys’ e yuppies fabricados nas bolsas de valores”

Roberto Amaral
Presidente do PSB

O PT entregou os pontos
As candidaturas de Alexandre Padilha (SP) e Lindbergh Farias (RJ) não inspiram mais os petistas. Em São Paulo, eles torcem agora pela vitória de Geraldo Alckmin no primeiro turno. Apostam na desmobilização do PSDB.

A vida como ela é
Esse é Sérgio Machado, presidente da Transpetro. Ele ocupa o cargo desde o governo Lula, indicado pelo PMDB, principal aliado do PT no Planalto. Na disputa pelo Senado em Brasília, o petista Geraldo Magela acusa seu adversário Reguffe, do PDT, de ser sobrinho de Sérgio Machado. É como se diz: quem tem amigos assim não precisa de...

Pesos e medidas
Há duas vertentes tucanas. A dos eleitores, que estão deixando Aécio Neves para ficar com Marina Silva. E a dos políticos, que querem mantê-lo com musculatura para negociar o segundo turno com a candidata do PSB.

Voto a voto
A campanha da presidente Dilma trabalha em ampliar a vitória sobre Marina Silva em Minas. Avalia que a eleição para o governo, por existirem apenas dois candidatos fortes, será decidida no primeiro turno. A vitória de Fernando Pimentel ajudaria. Dilma tem 33% contra 25% de Marina Silva (Datafolha, de 11/9 ) no primeiro turno.

Movimento popular quer mudança
Já votaram pela internet 1,7 milhão de brasileiros no plebiscito sobre a Constituinte da Reforma Política. Agora, estão sendo apurados os votos em 40 mil urnas país afora. Cerca de 96% dos votos abertos foram favoráveis a uma ampla reforma.

No caminho da Rio 2016
Os ministros Mauro Borges (Desenvolvimento) e Aldo Rebelo (Esportes) se reúnem hoje com a Câmara de Material e Equipamento Esportivo. Na agenda, a construção de uma cadeia produtiva do esporte. As Olimpíadas de 2016 são o alvo.

O PMDB não gostou. O partido não foi consultado sobre a decisão da presidente Dilma de não divulgar um novo plano de governo (2015/2018).


**********

Blog do Coronel

Herança maldita da Dilma: ONS prevê caos elétrico e até apagão no verão.

A demanda por energia no horário de pico durante o início do verão, em dezembro, deve se transformar em um novo quebra-cabeça para o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Com a queda acentuada no nível de água dos reservatórios nos últimos meses, pelo menos oito hidrelétricas de médio ou grande portes estão tecnicamente impossibilitadas de produzir o máximo de sua capacidade. O volume de água em algumas usinas está atualmente até 15 metros abaixo do nível necessário para que suas turbinas funcionem a plena potência, segundo levantamento obtido pelo Valor.

Essa situação crítica pode ser observada em hidrelétricas como Furnas, Marimbondo, Água Vermelha, Emborcação, Nova Ponte, Três Marias, Sobradinho e Itaparica. Todas ficam no Sudeste ou Nordeste, próximas dos centros de consumo, e são cruciais nos planos do ONS.

Durante os meses de estiagem, quando a temperatura costuma ser mais amena, o reforço das térmicas normalmente compensa a baixa geração hidrelétrica e deixa o sistema em relativa tranquilidade. Em janeiro e fevereiro, porém, com os dias mais quentes do verão, a equação se complica. A situação é crítica no horário de pico, logo depois do almoço, quando escritórios e residências ligam seus aparelhos de ar-condicionado com toda a força e pressionam o sistema.

Em 5 de fevereiro de 2014, por exemplo, foi atingido o recorde de demanda instantânea no país, às 15h41, com 85.708 megawatts (MW) - cerca de 15% a 20% acima do que vem sendo registrado nas últimas semanas. Nessa época do ano, todas as hidrelétricas precisam estar funcionando na plenitude para dar conta da demanda. Mas com o nível dos reservatórios bastante comprometido, isso pode não acontecer. "A operação no horário de ponta pode se tornar um caos neste verão", diz um engenheiro que conversa regularmente com o ONS. (Valor Econômico)


**********

Blog do Reinaldo Azevedo

Stedile, o maior pelego do Brasil, e Lula, o Mussolini de São Bernardo, querem golpear a democracia

João Pedro Stedile, o dono do MST, esteve naquela patuscada promovida por Lula em frente à sede da Petrobras no Rio. E demonstrou que é mesmo o que sempre afirmei: mero esbirro do PT. No seu discurso, ameaçou: “Vamos estar todos os dias aqui em protesto [se Marina ganhar]”.

Cabe a pergunta: por quê? Por razões óbvias, ele não conhece as medidas de Marina na área do pré-sal pela simples razão de que ela ainda não venceu a eleição, ora essa. Não tendo vencido, não tomou posse. Não tendo tomado posse, ainda não governou.

Stedile, em companhia de Lula, deixa claro, assim, que não reconhece as instituições do regime democrático, coisa que, diga-se, eu também sempre soube. Gente como ele — a exemplo de Guilherme Boulos, o líder do MTST — só existe porque a democracia costuma ser tolerante com elementos que buscam solapar seus fundamentos.

O dito líder do MST é o maior pelego do Brasil. Dilma, na comparação com Lula e FHC, é a presidente que menos assentamentos fez. E nem acho que isso seja um problema em si, já que os sem-terra, de fato, não existem. O que existe é o MST, um aparelho que vive do dinheiro público. A grana que financia o movimento, na prática, tem origem nos recursos destinados à agricultura familiar.

A declaração de Stedile, para a surpresa de ninguém, tangencia o terrorismo político. Observem que ele nem mesmo diz que promoverá protestos ligados à sua área de atuação. Nada disso! Agora, o capa-preta do MST pretende também dar ultimatos no setor energético.

O que Lula e este senhor fizeram, nesta segunda, foi ameaçar o país. O Poderoso Chefão do PT está tentando alimentar temores que muita gente já expressou aqui e ali: se os petistas forem derrotados, o país se tornará ingovernável porque eles botarão a tropa na rua. Se, agora, diante do nada, brandindo um fantasma, uma invenção, uma fantasia, fazem esse escarcéu, imagine-se o que não fariam se, num eventual novo governo, tivessem seus interesses contrariados.

Lula está ameaçando o Brasil com uma “Marcha Sobre Roma” se o seu partido for apeado do poder, se o eleitor insistir em fazer o que ele não quer. O ato desta segunda foi a manifestação explícita e arreganhada de quem não tem a democracia como um valor universal. Para os petistas, uma eleição presidencial é aquele processo que só admite um resultado: a vitória.

É coisa de fascistas. Lula está pensando que o Brasil de 2014 é a Itália de 1922 e que ele é Mussolini.

--------------

Campanha de Dilma imita peças das ditaduras militar e do Estado Novo e cria o “Pessimildo”

O PT, para não variar, morre de inveja das duas ditaduras havidas no período republicano: a do Estado Novo getulista e a militar. Explico.

Os que já andam aí pelos 50 e poucos — 53, no meu caso — se lembram de uma dos lemas infames da ditadura militar: “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Amar, estava claro, implicava concordar com as decisões oficiais e aderir ao clima de entusiasmo alimentado pela máquina publicitária — que era pinto, diga-se, perto do que faz o petismo. Os incomodados, então, que se mudassem. Considerando que, no período, muitos brasileiros estavam no exílio, não se tratava apenas de ufanismo burro; ele era também truculento.

Mas a ditadura militar, na violência ou na máquina de propaganda, ainda perdia para o Estado Novo, que vigorou no país entre 1937 e 1945 e que foi liderado por Getúlio Vargas, o ditador mais violento que o Brasil já teve. Governou como um autocrata a partir de 1930 e como um tirano a partir de 1935. Terminou seus dias como herói. Fazer o quê? Sigamos.

Getúlio chegou a criar uma cartilha, que foi enviada às escolas. Na capa, ele aparece abraçando criancinhas, uma imagem que mimetizava a peça de propaganda de Hitler— como esquecer a simpatia de Getúlio pela Itália fascista e pela Alemanha nazista? No livrinho, aparecia a mensagem do ditador aos infantes. Leiam:

“Crianças!
Aprendendo, no lar e nas escolas o culto da Pátria, trareis para a vida prática todas as possibilidades de êxito. Só o amor constrói e, amando o Brasil, forçosamente o conduzireis aos mais altos destinos entre as nações, realizando os desejos de engrandecimento aninhado em cada coração brasileiro.
Getúlio Vargas”

Por que, leitores, estou a lembrar essas coisas? João Santana, o marqueteiro de Dilma Rousseff, criou uma personagem que vai ser usada na campanha eleitoral: é o Pessimildo. A ideia é ridicularizar as pessoas que criticam o governo, transformando-as numa caricatura. Pode não parecer à primeira vista, mas se trata de um óbvio incentivo à intolerância.

O pessimista — ou Pessimildo — é, assim, um sujeito de maus bofes, que padece de algum desvio ou patologia. Não é que existam problemas no país! Claro que não! A exemplo do que ocorria nos Brasis da ditadura militar ou da ditadura getulista, o erro está em quem aponta o malfeito, está nos inconformados. Eles é que precisam de conserto e de reparos.

Durante a ditadura militar, a esquerda ironizava a pregação oficial, a exemplo do que se vê nessa tirinha do cartunista Ziraldo. Hoje em dia, a “companheirada” aderiu ao ufanismo truculento do lulo-petismo.

Não tardará, e os petistas ainda acabarão propondo que os críticos do seu modelo sejam mandados para o hospício. Afinal, como sabemos, é preciso estar louco para considerar ruim um governo que produz um crescimento inferior a 0,5%, uma inflação de 6,5% com juros de 11%. Só mesmo um Pessimildo para não reconhecer a grandeza de tal obra.

No fundo do poço da vergonha que o PT não sente, ainda existe um alçapão.

-------------

Grupo de Marina critica regime de patrilha do pré-sal. E faz muito bem! Escolha atenta contra a Petrobras e o interesse nacional

Agora ou depois — no caso de disputar o segundo turno —, Marina Silva tem de sair da sinuca pilantra em que a meteu o PT. A marquetagem da candidata petista Dilma Rousseff inventou a falácia segundo a qual, se eleita, Marina pretende pôr fim à exploração do petróleo do pré-sal, como se isso fosse possível. Atentem: não se trata de questão de opinião ou gosto. Ainda que, sei lá, por qualquer razão metafísica, a peessebista quisesse deixar o óleo nas profundezas, não teria como. De todo modo, é preciso, sim, que Marina vá a público para explicar a barbeiragem cometida pelo PT na área.

Nesta segunda, Walter Feldman, um dos coordenadores políticos da campanha da candidata do PSB, esteve com empresários do setor, em São Paulo, e criticou o modelo de partilha adotado pelo PT em 2010. Regime de partilha? Vamos lembrar.

A lei 9.478, de 6 de agosto de 1997, pôs fim — e com acerto! — ao monopólio que a Petrobras detinha, até então, sobre a exploração de petróleo. Empresas estrangeiras adquiriam o direito de disputar, em leilões públicos, a concessão para a exploração de reservas no país. E foi com esse regime, de concessão, que o país avançou bastante na área, até chegar ao pré-sal, cujas pesquisas precedem o governo Lula, é evidente. O Estado é remunerado de diversas formas: bônus de assinatura (o valor pago pelas empresas que disputam o leilão), royalties e a chamada “participação especial”. Pesquisem a respeito: basicamente, é um imposto, que pode ser altíssimo, a depender da produtividade de cada poço.

Quando Lula anunciou, em abril de 2006, que o Brasil havia atingido a autossuficiência de petróleo — isto é, quando disse que o país já produzia tudo aquilo que consumia —, estava apenas contando uma mentira. Para vocês terem uma ideia, o déficit da conta-petróleo em 2013 foi de US$ 20,277 bilhões. De qualquer modo, o avanço conseguido, que lhe permitiu criar aquela farsa, era uma conquista do regime de concessão, que era eficiente.

Para o pré-sal, os petistas decidiram adotar o regime de partilha. Em que consiste? A União, em princípio, é dona de tudo o que se extrai e compensa o custo de exploração das empresas em barris de petróleo. Isso se chama “custo em óleo”. Um poço, no entanto, tem de dar lucro, e a empresa recebe, também em petróleo, uma parte desse lucro: é o que se chama óleo excedente. Qual é o melhor para o país? Até aqui, ambos podem ser equivalentes. É falaciosa a afirmação dos petistas de que só o regime de partilha permite o controle do óleo extraído.

O problema é que os petistas, na lei aprovada em 2010, impuseram a Petrobras como sócia de toda a exploração do pré-sal. A empresa é obrigada a ter 30% de cada área, o que lhe impõe um esforço de investimento absurdo, especialmente quando a empresa está descapitalizada em razão da sucessão de malfeitos que se dá por lá e de uma política econômica caduca. Critiquei duramente esse modelo num post de 1º de setembro de 2009 e não mudei de ideia. Se a turma de Marina diz que ele está errado, tendo a concordar.

Não pensem que essa imposição é positiva para a Petrobras. Ao contrário: quando essa porcaria foi aprovada, as ações da empresa despencaram. Aliás, isso fez parte do pacote de decisões desastradas do petismo “no que se refere” (como diria Dilma) à empresa.

É evidente que um eventual governo Marina vai continuar a explorar o petróleo do pré-sal. Mas é preciso, sim, debater as escolhas estúpidas feitas pelo PT, deixando claro que elas, sim, atentam contra o interessa nacional.

***********


Coordenador de Aécio: ‘Delação tem que vazar’

Às vésperas do depoimento do delator Paulo Roberto Costa na CPI da Petrobras, o coordenador Jurídico da campanha presidencial de Aécio Neves, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), defendeu explicitamente o vazamento dos segredos relatados pelo ex-diretor da estatal à Procuradoria da República e à Polícia Federal. “O sigilo desse material vai contra o interesse da nação”, disse Sampaio ao blog na noite passada.

Membro da CPI petroleira, Sampaio brandiu a tese segundo a qual “o eleitor tem o direito de saber” o que se passa. “Não considero razoável que a gente vá para a eleição sabendo que tem 49 deputados e 12 senadores que surrupiaram a Petrobras e disputam a eleição protegidos pelo manto do sigilo. Tomara que os papeis sejam vazados. Sou um incentivador desse vazamento.”

Sampaio prepara-se para a sessão desta quarta (17), quando a CPI espera ouvir Paulo Roberto. Promotor de Justiça com 28 anos de experiência, o deputado tucano antevê o que deve ocorrer. “Ele certamente vai dizer aquilo que o Ministério Público o orientou a dizer. Talvez diga que não pode falar. Então, vamos propor a transformação da reunião numa sessão sigilosa, sem jornalistas e assessores.”

Não vaza do mesmo jeito?, provocou o repórter. E Sampaio: “Certamente vai vazar. Mas a responsabilidade não poderá ser atribuída ao depoente. Eu torço para que alguém vaze. Temos o direito de saber quem são esses ladrões que roubaram a Petrobras. Alguém me disse que pode ter gente do meu partido no meio. Eu digo: se tiver, que se dane.”

Carlos Sampaio recordou que, no ano eleitoral de 2006, funcionava no Congresso CPI dos Sanguessugas, como eram chamados os congressistas que desviavam verbas da saúde que deveriam bancar a compra de ambulâncias. “Fui subrelator daquela CPI. Pedimos a cassação de 72 parlamentares. Eram bandidos como esses que assaltam a Petrobras. Desse total, 67 não se reelegeram na disputa daquele não. Foram cassados pelo eleitor. Agora, precisa acontecer algo parecido.”

Não receia que o vazamento do teor da delação prejudique as investigações do escândalo. “Suponha que estejam planejando uma operação de busca e apreensão. A essa altura, quem está metido nisso já sumiu com tudo que pudesse incriminá-los”, afirmou.

----------------

Gabrielli: Petrobras não escolhe seus diretores

Dono de personalidade forte, o petista José Sérgio Gabrielli sempre fez pose de protagonista. Nesta segunda-feira (15), porém, portou-se como um figurante nato. Em depoimento conduzido pelo juiz federal Sérgio Moro, que cuida da Operação Lava Jato, Gabrielli desceu do pedestal de ex-todo-poderoso da Petrobras para adquirir, com rara pungência, a simplória miserabilidade de um barnabé.

O magistrado quis saber se o mensaleiro morto José Janene, ex-líder do PP na Câmara, apadrinhou a nomeação de Paulo Roberto Costa para a diretoria de Abastecimento da Petrobras. Gabrielli desconversou. “O processo de indicação de diretor da Petrobras é exclusivo do Conselho de Administração. É, geralmente, decidido no âmbito do sócio majoritário.”

Presidia o conselho da Petrobras na época em que Paulo Roberto foi nomeado a então ministra Dilma Rousseff. O comandante do governo —ou sócio majoritário— era Lula. O juiz Moro insistiu: dentro desse procedimento, o senhor afirma que o ex-deputado José Janene não teve participação? Gabrielli e a torcida do Flamengo sabem que a resposta correta seria um singelo ‘sim’. Mas o interrogado, fiel à insignificância que decidira encarnar, afirmou: “Não posso dizer se teve ou não teve. Não sei.”

Hoje, Gabrielli é secretário de Planejamento do governo petista da Bahia. Respondeu ao interrogatório desde Salvador. Falou como testemunha de defesa do doleiro preso Alberto Youssef. Um sistema de videoconferência permitiu que o juiz, o advogado de Youssef e o representante do Ministério Público o inquirissem sem deixar Curitiba, onde correm os processos da Lava Jato. O vídeo com os 17min15s de interrogatório foi trazido à luz pelos repórteres Fausto Macedo e Mateus Coutinho.

Submetido à desconversa de Gabrielli, o magistrado perguntou a mesma coisa com outras palavras: essas nomeações de diretores da Petrobras não ficam, por vezes, sujeitas à influência política? Novamente, Gabrielli tomou distância da encrenca. Sem mencionar-lhes os nomes, acomodou-a no colo de Dilma e Lula. “A existência de influência política ou não ocorre no âmbito do governo, não da Petrobras, porque a indicação do diretor é prerrogativa do Conselho de Administração [leia-se Dilma], onde o governo tem maioria [entenda-se Lula].”

O juiz perseverou: e no âmbito do governo, o senhor sabe se o ex-deputado José Janene teve alguma influência na nomeação de Paulo Roberto Costa? Gabrielli tirou o corpo fora, como se diz. “Comigo não. Não tive nenhum contato com o senhor Janene.” E com outras pessoas, ele conversou? “Não tenho conhecimento.”

O doutor Sérgio Moro recordou que a imprensa noticiara à farta a presença das digitais do mensaleiro Janene na escolha de Paulo Roberto Costa. “Olha, isso circulou na imprensa”, reconheceu Gabrielli. “Mas eu não participei de nenhum processo desse tipo. Portanto, não posso afirmar nada.”

Se tivesse havido a interferência de Janene, o senhor, como presidente da Petrobras, teria tomado conhecimento? Gabrielli engasgou: “Não, eu imagino… a decisão, a decisão sobre a composição da diretoria é uma decisão que é feita no âmbito do governo. O presidente da Petrobras é comunicado. As razões e motivações são problemas internos ao governo.”

No processo de aparelhamento político da Petrobras, a ordem vem de cima, eis o resumo da ópera composta por Gabrielli. O presidente da estatal é apenas informado. E cumpre as ordens sem render ao contribuinte brasileiro e aos acionistas minoritários a homenagem de um questionamento. Nessa versão, não há por trás da insignificância de um presidente da Petrobras uma noção qualquer de honra.

Esse Gabrielli decorativo que falou à Justiça Federal em nada faz lembrar o Gabrielli taxativo que, de passagem pela CPI da Petrobras no Senado há quatro meses, respondeu a “mais de 200 perguntas'' sem deixar dúvida sobre dúvida. Repare no vídeo abaixo como falava o ex-Gabrielli.

-------------

Até aqui tudo bem!



**********


Ato 'apartidário' no Rio tem palanque para Lula e defesa da Petrobras
Veja

"Se houve erros, tem que investigar. Se for culpado, tem que ir para a cadeia". A frase dita pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já não é novidade sempre que uma denúncia de corrupção bate à porta de governos do PT: foi assim na esteira do escândalo do mensalão - que, de fato, levou caciques do PT para a prisão - e agora se dá em meio aos detalhes que emergem do megaescândalo de corrupção na Petrobras, cujas engrenagens são expostas pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa em acordo de delação premiada com a Justiça.

Também não é novidade a sequência do discurso: conforme as investigações avançam e deixam clara a profundidade dos escândalos, Lula afirma não saber de nada. Mais: volta-se contra aqueles que revelam os desmandos. Se para ele o mensalão nunca existiu - notícias sobre o esquema de compra de votos de parlamentares eram apenas tentativas de desestabilizar seu governo -, a Petrobras é hoje alvo de "ataques".

--------------

Medo de perder voto afasta violência policial de campanhas
Camilla Costa, BBC Brasil

Após os protestos de 2013, a ONU cobrou explicações do Brasil sobre o que chamou de uso excessivo da força policial na repressão aos manifestantes. Casos como o do pedreiro Amarildo também levantaram o debate sobre a atuação cotidiana da polícia militar em todo o país.

Mas uma "fuga histórica do debate" e o receio de perder votos de setores conservadores impedem que o tema entre nos programas dos presidenciáveis lideres nas pesquisas, segundo especialistas. A violência policial e também a violência sofrida pelos policiais – até mesmo dentro da corporação – foram apontadas por leitores em uma consulta promovida pelo #salasocial - o projeto da BBC Brasil que usa as redes sociais como fonte de histórias originais.

--------------

Juiz determina que ex-diretor da Petrobras se apresente à CPI
Camila Bomfim, G1

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelo processo da Operação Lava Jato na primeira instância, determinou ontem que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso no Paraná, se apresente na quarta (17) à CPI mista que investiga denúncias de irregularidades na estatal. No despacho, o magistrado determinou que a Polícia Federal (PF) tome as providências necessárias para assegurar a escolta de Costa para Brasília.

Questionado pela comissão, o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou na última sexta (12) que a CPI não precisava de autorização judicial para ouvir o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras. Zavascki, entretanto, ressaltou que Paulo Roberto Costa tem "garantias constitucionais" a serem observadas pelo Legislativo, como o direito de permanecer em silêncio na audiência.

-------------

Justiça proíbe revista que liga Cid Gomes ao caso Petrobras
O Globo

A juíza Maria Marleide Maciel Queiroz, de Fortaleza, determinou no fim de semana que a edição desta semana da Revista IstoÉ seja impedida de circular em todo o país ou, caso já tenha sido distribuída, que seja imediatamente recolhida das bancas de jornais.

Segundo informações do site “Consultor Jurídico”, a magistrada tomou a decisão após o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), ir à Justiça relatando ter recebido e-mail da reportagem da revista citando o seu nome como um dos delatados pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. O processo corre em segredo de Justiça.

-------------

Arcebispo do Rio é assaltado por 3 homens armados
G1

O Arcebispo do Rio, cardeal Dom Orani Tempesta, foi vítima de assalto a mão armada na noite de segunda-feira (15). De acordo com a Arquidiocese, ele seguia do Sumaré com destino à Glória quando o carro em que estava, acompanhado pelo fotógrafo, por um seminarista e pelo motorista da Arquidiocese, foi interceptado por três criminosos armados em Santa Teresa.

Um dos assessores do cardeal contou que o assalto ocorreu por volta de 20h30. O carro em que Dom Orani seguia foi fechado por outro veículo. Um dos assaltantes apontou a arma para o cardeal e exigiu que todos entregassem seus pertences.

-------------

Brasil deve crescer 1,4% em 2015, abaixo de emergentes e ricos
Daniela Fernandes, BBC Brasil

O Brasil deverá crescer 1,4% em 2015 contra 0,3% neste ano, mas ainda abaixo de vários emergentes e países ricos, informou um relatório divulgado nesta segunda-feira pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O estudo, intitulado Avaliação Econômica Intermediária, revisou consideravelmente para baixo as previsões em relação ao crescimento da economia brasileira neste ano e no próximo.

Segundo a OCDE, a alta do PIB brasileiro (Produto Interno Bruto, a soma dos bens e serviços produzidos por um país) em 2014 deve ser inferior, inclusive, à da Zona do Euro (0,8%), que ainda não conseguiu se recuperar totalmente da crise financeira.

-------------

Furacão Odile deixa rastro de destruição no oeste do México
Estadão

A passagem do Furacão Odile gerou caos e destruição em várias cidades do Estado mexicano de Baja Califórnia Sur. Dezenas de pessoas foram feridas e pelo menos 11 mil tiveram que deixar suas casas em razão dos fortes ventos, das chuvas e dos riscos de deslizamentos de terra.

Em vários locais turísticos, houve registro da saques a mercado e estabelecimentos comerciais. Pelo menos 135 pessoas se feriram na passagem do Odile, um fenômeno de categoria 3 (em uma escala que vai até 5). e foram levadas para hospitais, afirmou Luis Felipe Puente, chefe do Serviço Nacional de Emergências do México. Não há registro de mortes.

-------------

EUA atacam Estado Islâmico nos arredores de Bagdá
Veja

As Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra tropas do Estado Islâmico (EI) no sudoeste de Bagdá, afirmou o Comando Central na segunda-feira. Segundo a rede CNN, é a primeira vez que os militares americanos bombardeiam alvos tão perto da capital iraquiana desde o início da ofensiva contra os terroristas.

“O bombardeio no sudoeste de Bagdá foi o primeiro de uma expansão dos esforços para proteger cidadãos americanos e missões humanitárias e atingir o Estado islâmico enquanto forças iraquianas iniciam sua ofensiva”, afirmou o comunicado do Pentágono.

-------------

Em Paris, países prometem 'apoio militar ao Iraque'
O Globo

Em nota divulgada ontem, a Embaixada da França no Brasil informou que na Conferência Internacional sobre a Paz e a Segurança no Iraque, realizada em Paris nesta segunda-feira, os países participantes concordaram em apoiar “da forma que se fizer necessária” o novo governo do Iraque na luta contra insurgentes do grupo Estado Islâmico, “inclusive com o apoio militar apropriado”.

“Uma ação específica será necessária para a erradicação do Daech (Estado Islâmico), tomando medidas para evitar a radicalização, coordenando as ações de todos os serviços de segurança e reforçando a vigilância nas fronteiras”, diz o texto. A nota, no entanto, não entra em detalhes sobre o auxílio militar ao Iraque. Os países pretendem trabalhar em um plano de ação para lutar contra o financiamento do terrorismo.

-------------

Estuprador preso há 30 anos na Bélgica consegue permissão para morrer
BBC Brasil

Um homem que há 30 anos cumpre uma sentença de prisão perpétua em uma instituição psiquiátrica da Bélgica recebeu da Justiça do país uma "permissão para morrer". Frank Van Den Bleeken, de 50 anos, foi preso e condenado nos anos 1980, depois de cometer vários estupros e assassinar uma jovem de 19 anos.

Incapaz de controlar seus impulsos sexuais violentos, ele nunca mais seria libertado. Há três anos, enfrentava uma batalha nos tribunais para ter direito à eutanásia. A decisão é a primeira do tipo a envolver um prisioneiro desde que a lei que regulamenta a prática entrou em vigor na Bélgica há 12 anos.


***********

Blog do Josias

Eduardo Cunha move-se para presidir a Câmara

Enquanto as manchetes se ocupam de diversionismos como as caneladas de Dilma Rousseff e os muxoxos de Marina Silva, fatos de real relevância são confinados em notas de rodapé. Como, por exemplo, a antecipação do principal lance da legislatura a ser inaugurada em fevereiro de 2015. Está-se falando da movimentação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para tornar-se presidente da Câmara.

Dilma desenvolveu uma ojeriza a Eduardo Cunha. Se ele não fosse o líder da bancada do PMDB, não lhe daria um ‘bom dia’. No manual de Marina, pregoeira da ‘nova política’, o deputado consta do capítulo das coisas muito antigas e emboloraras. Sob sua hipotética presidência, detestaria vê-lo na terceira poltrona da linha sucessória.

Ou seja: se Eduardo Cunha conseguir colocar seu plano em pé, a próxima presidente da República, Dilma ou Marina, terá no comando da Câmara a personificação de um litígio. A despeito disso, ambas parecem acreditar que é cedo para tratar do problema. Beleza. Mas, em política, quem acredita piamente não pode piar depois.

“O PMDB é o partido moderador do império”, diz o deputado cearense Danilo Forte, vice-líder de Eduardo Cunha. “É o PMDB que dá o norte da governabilidade. Seja quem for o presidente da República, o jogo do Parlamento passará por nós. E nesse momento quem tem mais condições de tocar a Câmara é o Eduardo Cunha. Esse é o pensamento da maioria da nossa bancada, se não for da unanimidade.”

Trafegando na contramão, o deputado Miro Texeira (Pros-RJ), amigo e apoiador de Marina Silva, tenta seduzir um grupo de colegas para o que chama de ‘corrente de pensamento’ em favor da restauração do papel constitucional da Câmara. Aos que já compraram sua tese, Miro sugere correr o país a partir de 6 de outubro para desfazer o prato feito do PMDB.

Trafegando na contramão, o deputado Miro Texeira (Pros-RJ), amigo e apoiador de Marina Silva, tenta seduzir um grupo de colegas para o que chama de ‘corrente de pensamento’ em favor da restauração do papel constitucional da Câmara. Aos que já compraram sua tese, Miro sugere correr o país a partir de 6 de outubro para desfazer o prato feito do PMDB.

Não é contra o Eduardo Cunha, é a favor da Câmara, costuma dizer Miro Teixeria, em privado. Alguns de seus colegas dizem que ele o acalenta o desejo de presidir a Casa. Procurado, Miro disse: “Até o dia 5 de outubro tenho que tentar me reeleger. Essa é a minha prioridade.”

Miro não negou que articula um movimento para tentar renovar práticas e métodos. Mas declarou que esse tipo de articulação costuma morrer no nascedouro se a discussão começar pelos nomes e não pelos objetivos.

--------------

Maior abandonado!



************


Dilma diz que ‘coitadinho’ não pode chegar à Presidência
Luiza Damé, O Globo

Confrontada com as críticas da candidata Marina Silva sobre a falta de um programa de governo do PT, a presidente Dilma Rousseff disse que não precisa fazer promessas, porque suas propostas estão sendo executadas e sendo criticadas "todo santo dia". Candidata à reeleição, Dilma afirmou que "coitadinho" não pode chegar à Presidência da República e voltou a criticar a independência do Banco Central, defendida por Marina.

Para Dilma, os candidatos não podem "se vitimizar". Para ela, o debate é válido enquanto girar em torno das propostas e não apelar para "a honra e as características pessoais" dos adversários.

-------------

‘Eleitor optará entre mudança com mais segurança ou mais ousada’
Blog do Kennedy Alencar

O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, prevê um segundo turno entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e a ex-senadora Marina Silva (PSB), no qual “o eleitor deve escolher entre quem vai oferecer uma mudança com mais segurança ou uma mudança mais ousada”. “A mudança com segurança seria Dilma ou uma mudança mais ousada, quebrando a polarização PT-PSDB, que seria escolher a Marina”, diz Paulino.

Na opinião do diretor-geral do Datafolha, o senador Aécio Neves (PSDB) deverá estar fora da segunda etapa da disputa presidencial. “[Ele] terá outras eleições pela frente”, afirma. Paulino crê que Aécio teria errado na estratégia e se apresentado como “um político tradicional”.

-------------

'Para aumentar os recursos, é preciso outra fonte de financiamento'
Talita Bedinelli, El País

Para o ministro da Saúde, Arthur Chioro (Santos, 1963), a elevação dos gastos com a saúde para 10% da Receita Corrente da União, como pede o Movimento Saúde Mais Dez e um projeto de lei de iniciativa popular que tramita no Congresso, só seria viável com a criação de uma nova fonte de financiamento.

Ele afirma que o valor que seria injetado com a medida, cerca de 42 milhões de reais, é o mesmo valor que era gerado com a Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF), extinta em 2007, e que financiava a saúde.

--------------

Petrobras confirma que perfil foi alterado em computador da empresa
O Globo

A Petrobras confirmou a informação que o perfil de Paulo Roberto Costa na enciclopédia virtual Wikipédia foi alterado em um dos computadores da sede da empresa. Como O Globo revelou em matéria de sábado, as modificações afirmam que Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal e um dos denunciados na operação “Lava-Jato” da Polícia Federal, é uma “cria” do governo tucano de Fernando Henrique e que foi demitido porque estava “muito soltinho”.

Segundo nota divulgada , a Área de Tecnologia da Informação está rastreando os acessos à internet para identificar o computador em que o artigo foi reescrito. As alterações destacam que a demissão ocorreu após a posse da atual presidente da estatal Graça Foster, e com aprovação da presidente da República e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT).

------------

Cidades desviam verbas de reforma após cheias no Nordeste
Fantástico, G1

Em 2010, uma enchente terrível devastou muitas cidades do interior de Alagoas e de Pernambuco. Uma situação dramática, que o Fantástico mostrou para todo o país. Milhões em dinheiro público foram enviados para reconstruir esses lugares. Quatro anos depois, o Fantástico voltou lá, e sabe o que encontramos? Postos de saúde que não atendem ninguém, escolas caindo aos pedaços e verbas que saíam da prefeitura, para pagar serviços que jamais foram feitos.

Junho de 2010, Alagoas. “A água toma conta do centro da cidade. A população entra em pânico”, disse um morador na época. Alagoas, hoje, quatro anos depois. Um posto de saúde foi construído justamente para atender as famílias das vítimas da enchente. Mas o posto está com portas quebradas e pedaços de madeira espalhados pelo corredor, em uma situação de abandono.

----------------

Nova droga bloqueia gene que conduz crescimento de câncer
O Globo

Quando está ativa, uma proteína chamada Ral pode conduzir o crescimento do tumor e a metástase em diversos tipos de câncer, como o de pâncreas, próstata, cólon e bexiga. Até agora medicamentos que bloqueiam esta atividade não estão disponíveis. Mas um estudo publicado ontem na revista “Nature” usa um novo approach para atingir a ativação da proteína.

“Quando se pretende evitar a mordida de um crocodilo, um caminho é manter a boca dele fechada. Tentamos uma nova maneira: colocamos um palito para segurar a boca dele aberta”, disse o pesquisador Dan Theodorescu, professor de Urologia e Farmacologia e diretor do Centro de Câncer da Universidade do Colorado.

------------

Mercado de trabalho começa a sentir o baque às vésperas da eleição
Luís Lima e Naiara Infante Bertão, Veja

O economista austríaco Friedrich Hayek escreveu certa vez que quando se usa o estado como ferramenta para estimular a criação de vagas, uma série de desequilíbrios é desencadeada. O Brasil vive essa realidade. A cantilena repetida à exaustão em época eleitoral é a de que o pleno emprego que se vê hoje leva a assinatura dos governos petistas.

O outro lado da moeda é que os desequilíbrios criados pela política econômica da gestão de Dilma Rousseff se tornam cada vez mais patentes e afetam não só a renda dos brasileiros, mas também o mercado de trabalho. Com a inflação no teto da meta, os juros começaram a subir e o emprego, consequentemente, deu sinais de esgotamento.

-------------

Países da Otan começam a entregar armas para Ucrânia
Veja

O ministro da Defesa da Ucrânia disse ontem que os membros da Otan estão entregando armas ao seu país para equipá-lo a lutar contra os separatistas pró-russos. Valery Heletey afirmou em entrevista coletiva que havia discutido as entregas em reuniões bilaterais com ministros da Defesa da Otan durante encontro no País de Gales, em 4 e 5 setembro.

Autoridades da Otan têm dito que não vão enviar "ajuda letal" para um país não membro, mas os Estados integrantes da aliança do Atlântico Norte podem fazê-lo. No início deste mês, um alto funcionário ucraniano disse que Kiev tinha acordado sobre o provisionamento de armas. Quatro dos cinco países citados, incluindo os Estados Unidos, negaram.

-------------

Rainha Elizabeth pede que escoceses ‘pensem no futuro’
Reuters

A rainha Elizabeth II quebrou seu silêncio em relação ao referendo da Escócia sobre a independência do Reino Unido, dizendo que espera que escoceses pensem muito cuidadosamente sobre o futuro. Elizabeth, que saiu de um culto pela manhã em uma igreja em Crathie, perto de sua propriedade na Escócia, respondeu a um comentário de um simpatizante.

"Eu espero que as pessoas pensem muito cuidadosamente sobre o futuro", afirmou o jornal The Times, relatando a fala da rainha. Um voto pela independência na próxima quinta-feira poderia dividir o reino e, embora Elizabeth seja favorável à união, ela tem sido extremamente cuidadosa para evitar fazer comentários públicos sobre o referendo.

-------------

Síria vê chances e riscos na luta contra o Estado Islâmico
O Globo

A sorte não tem ajudado o presidente sírio Bashar al-Assad nos últimos dois meses. No campo de batalha suas forças enfrentam dificuldades e sua base política parece cada vez mais reticente com a guerra civil no país se alongando sem um fim aparente. Porém, ele e seu círculo interno podem ter ganho uma vantagem com as mais recentes palavras de Barack Obama, que afirmou que a Síria pode ser alvo de ataques contra o grupo jihadista Estado Islâmico.

A decisão americana, afirmam fontes ligadas ao governo sírio, representa uma vitória de sua estratégia: a destruição absoluta de qualquer oposição moderada ao regime e a indicação de que o Ocidente pode ser obrigado a ter que escolher entre ele e os jihadistas que ameaçam países ocidentais.

**********


Dilma pede licença para matar, Ou: Petista promete mais quatro anos iguais aos últimos quatro se reeleita! Ou: Destruir para conquistar; conquistar para destruir

A presidente-candidata Dilma Rousseff não quer saber de “coitadinhos” disputando a Presidência da República. Deixou isso muito claro numa entrevista coletiva concedida ontem, no Palácio da Alvorada, enquanto mordomos invisíveis, pagos por nós, administravam-lhe a casa. A rigor, vamos ser claros, a presidente nunca acreditou nem em “coitados” nem na inocência. Ou não teria pertencido a três organizações terroristas que mataram… inocentes! A propósito, antes que chiem os idiotas: isso que escrevo é
a: ( ) verdade;
b: ( ) mentira.

Quem decidir marcar a alternativa “b” já pode se despedir do texto porque não é só um desinformado; é também um idiota — e não há razão para perder o seu tempo com este blog. Para registro: ela cerrou fileiras com o Polop, Colina e VAR-Palmares. Sigamos.

Na quinta-feira passada, informou a Folha, ao se referir aos ataques que vem recebendo do PT, Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, chorou. Os petistas não abrem mão de desconstruir a imagem da ex-senadora e de triturar a adversária, mas temem que ela se transforme numa vítima e acabe granjeando simpatias. Na entrevista deste domingo, Dilma tratou, ainda que de modo oblíquo, tanto da campanha negativa que o PT vem promovendo contra a peessebista como das lágrimas da adversária. Afirmou:

“A vida como presidente da República é aguentar crítica sistematicamente e aguentar pressão. Duas coisas que acontecem com quem é presidente da República: pressão e crítica. Quem levar para campo pessoal não vai ser uma boa presidente porque não segura uma critica. Tem de segurar a crítica, sim. O twitter é o de menos. O problema são pressões de outra envergadura que aparecem e que, se você não tem coluna vertebral, você não segura. Não tem coitadinho na Presidência. Quem vai para a Presidência não é coitadinho porque, se se sente coitadinho, não pode chegar lá”.

Entenderam? Dilma está dizendo que a brutalidade é mesmo da natureza do jogo, avaliação que, em larga medida, remete a personagem de agora àquela militante do passado, quando grupos terroristas se organizaram contra a ditadura militar. Ou por outra: não havia, de fato, “coitadinhos” naquele embate. Eu sempre soube disso — e já o afirmava mesmo quando na esquerda. É por isso que a indústria de reparações — exceção feita aos casos em que pessoas já rendidas foram torturadas ou mortas pelo Estado — é uma vigarice intelectual, política e moral.

Dilma, obviamente, sabe que o PT faz campanha suja ao associar a independência do Banco Central à falta de comida na mesa dos brasileiros. Dilma sabe que se trata de uma mentira escandalosa a afirmação de que o programa de Marina tiraria R$ 1,3 trilhão da educação. Em primeiro lugar, porque não se pode tirar o que não existe; em segundo, porque Marina, se eleita, não conseguiria pôr fim à exploração do pré-sal ainda que quisesse.

E que se note: a presidente-candidata, que não apresentou ainda um programa final, deixou claro que considera desnecessário fazê-lo e, a levar a sério o que disse, aguardem mais quatro anos do mesmo caso ela vença a disputa. Leiam o que disse:

“O meu programa tem quatro anos que está nas ruas. Mais do que nas ruas, está sendo feito. Hoje estou aqui prestando contas de uma parte do meu programa. Eu não preciso dizer que vou fazer o Ciência sem Fronteiras 2.0, a segunda versão. Eu não preciso assumir a promessa, porque fiz o primeiro. A mim tem todo um vasto território para me criticar. Tudo o que eu fiz no governo está aí para ser criticado todo o santo dia, como, aliás, é. Todas as minhas propostas estão muito claras e muito manifestas”.

A presidente, sem dúvida, pôs os pingos nos is. Se ela ganhar mais quatro anos, teremos um futuro governo igualzinho a esse que aí está. Afinal, segundo diz, o seu programa já está nas ruas, já está sendo feito. O recado parece claro: nada vai mudar.

Dilma voltou a falar sobre a independência do Banco Central, fazendo a distinção entre “autonomia” — que haveria hoje (na verdade, não há) e “independência”, conforme defende Marina. Segundo a petista, a proposta de Marina criaria um Poder acima dos demais.

Vamos lá: discordar sobre a natureza do Banco Central é, de fato, próprio da política. E seria muito bom que o país fizesse um debate maduro a respeito. Mas, obviamente, não é isso o que faz o PT. Ao contrário: o partido aposta no terror e no obscurantismo. Pretende mobilizar o voto do medo e da ignorância. Quanto ao pré-sal, destaque-se igualmente: seria positivo se candidatos à Presidência levassem adiante um confronto de ideias sobre matrizes energéticas. Mas quê… De novo, os petistas investem apenas no benefício que lhes pode render a ignorância.

Dilma segue sendo, essencialmente, a mesma, agora numa nova moldura: “o mundo não é para coitados, não é para os fracos”. E, para demonstrar força, se preciso, servem a mentira e o terror. Hoje como antes. O PT também segue sendo o mesmo: quando estava na oposição, transformava o governo de turno na sede de todos os males e de todos os equívocos. No poder há 12 anos, agora o mal verdadeiro está com a oposição. Seu lema poderia ser “Destruir para conquistar; conquistar para destruir”.

Dilma pede licença para matar. Nem que seja uma reputação.

---------------

PT paga muitos dólares a chantagista que tem detalhes de operação escabrosa realizada na Petrobras em 2004. Enrosco envolve a morte de Celso Daniel

Atenção, leitor, para um rolo dos diabos — uma história bem típica do modo de agir dos companheiros. A edição de VEJA desta semana traz uma reportagem de Robson Bonin que narra uma história do balacobaco. A informação quente, pelando, é a seguinte: um desses sujeitos que costumam transitar no submundo da política e que já foi condenado no processo do mensalão — Enivaldo Quadrado — chantageou o PT para não fornecer detalhes sobre uma operação criminosa que surrupiou R$ 6 milhões dos cofres da Petrobras em 2004. Chantageou e levou a grana. Em dólares. E sabem para que teria servido aqueles R$ 6 milhões roubados da Petrobras em 2004? Para pagar outra chantagem: um empresário ligado ao PT ameaçava envolver os nomes de Lula, Gilberto Carvalho e José Dirceu na morte de Celsa Daniel, prefeito de Santo André, assassinado no dia 18 de janeiro de 2002.

Entenderam? Quadrado chantageou o PT há alguns dias para não revelar detalhes de uma operação ocorrida há dez anos, que envolveu um assalto aos cofres da Petrobras. Tudo para preservar três medalhões do PT. Agora vamos a detalhes das duas operações. Comecemos pela primeira chantagem.

1: Segundo a reportagem, em 2004, Ronan Maria Pinto, empresário de ônibus ligado ao PT e hoje dono de um jornal em Santo André, exigiu R$ 6 milhões para não implicar os nomes de Lula, Dirceu e Carvalho na morte de Celso Daniel.

2: O comando do PT recorreu aos serviços de, digamos, amigos poderosos para conseguir o dinheiro. Prestem atenção à tramoia, segundo apurou a reportagem:
a: o pecuarista José Carlos Bumlai, amigão de Lula, contraiu um empréstimo de R$ 6 milhões junto ao Banco Schain;
b: Bumlai usou a sua influência na Petrobras para que a construtora Schain, do mesmo grupo, aumentasse seus negócios com a estatal em exatos… R$ 6 milhões;
c: quem negociou pela estatal foi o diretor Guilherme Estrela, amigão de Lula;
d: o dinheiro emprestado a Bumlai foi parar nas mãos da empresa 2S Participações, que pertencia a… Marcos Valério.
e: Marcos Valério fez, então, um contrato de mútuo para emprestar o dinheiro a Ronan Maria Pinto, aquele mesmo que, segundo a reportagem, exigia R$ 6 milhões para não implicar os chefões petistas na morte de Daniel;
f: no contrato de mútuo, figura como agente financeira a empresa Remar Agenciamento e Assessoria Ltda., que foi contratada justamente por… Enivaldo Quadrado!

3: Em setembro de 2012, Marcos Valério já havia relatado esses fatos ao Ministério Público. Voltemos agora ao tal Quadrado.

Condenado pelo STF a três anos e meio por lavagem de dinheiro no processo do mensalão, Quadrado voltou a ser preso pela Operação Lava Jato. Tão logo saiu da cadeia, ameaçou fornecer detalhes sobre um documento que estava sob a guarda do doleiro Alberto Youssef. Sabem qual? Justamente o contrato firmado entre a empresa de Marcos Valério e a Expresso Nova Santo André Ltda, de Ronan.

Por que um contrato entre Valério e Ronan estava com Youssef? Eis um mistério.

Seja como for, a reportagem de VEJA apurou que Quadrado apresentou a conta de seu silêncio a João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. E a cúpula do partido teria decidido dar os dólares que ele pediu. Só para lembrar: Vaccari é uma das pessoas acusadas pelo engenheiro Paulo Roberto Costa como beneficiária — em nome do partido, claro! — do esquema de corrupção que vigorava na Petrobras.

Como vocês veem, relato esse caso do âmbito da política, mas é evidente que se trata de uma conjunção de casos de polícia.

Só para lembrar
José Carlos Bumlai de tal sorte é amigo de Lula que, quando o chefão petista era presidente, havia na portaria do Palácio do Planalto este aviso:

Jose Carlos Bumlai - autorização

Como a leitura é difícil, transcrevo:
“O sr. José Carlos Bumlai deverá ter prioridade de atendimento na portaria Principal do Palácio do Planalto, devendo ser encaminhado ao local de destino, após prévio contato telefônico, em qualquer tempo e qualquer circunstância”.

É isso aí. Se quiser saber tudo o que este blog já escreveu sobre tão notável figura, clique aqui .

-------------

Metade das empresas em operação no país está inadimplente. Ou: tudo o mais constante no modelo Dilma, a próxima vítima será o emprego. Mas presidente diz que seu programa de governo é este mesmo…

Em entrevista coletiva concedida neste domingo, a presidente-candidata Dilma Rousseff explicou por que não apresentou até agora o seu programa de governo. Segundo disse, seu programa já está em curso. Ah, bom! Quer dizer que, caso vença, teremos mais quatro anos iguais aos quatro passados. Pois é… A questão é saber se o país resiste.

Reportagem de Toni Sciarretta, na Folha de hoje informa que há recorde histórico de inadimplência das empresas. Nada menos de 3,5 milhões das 7 milhões de empresas operacionais estavam, em julho, com algum tipo de dívida em atraso, “resultado da queda de vendas e do aumento de custos com fornecedores, funcionários e bancos”. Os dados são do Serasa.

Para o Serasa, informa a reportagem, “é operacional a companhia que pesquisou a situação cadastral de um cliente ou teve o seu CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) consultado no último ano.” Na Receita Federal, existem cadastrados 14 milhões de CNPJs, mas este inclui as companhias não operacionais — as que entraram em falência, por exemplo. Ainda que se leve em consideração esse banco de dados, estaríamos falando de 25% de inadimplência, o que já seria um número alarmante.

Que fique claro: os dados do Serasa não incluem os débitos com a Receita, com o INSS ou com os fiscos estaduais ou municipais, exceção feita aos casos em que essas pendências já estão em fase de execução ou entraram para a dívida ativa da União. Fossem computadas essas dívidas, o número seria ainda maior. Como informa a reportagem da Folha, os critérios do Serasa levam em conta as empresas que “estão com débito em atraso no banco, deram cheque sem fundo, tiveram títulos protestados, enfrentam ações judiciais porque não pagaram fornecedores ou funcionários, tiveram (ou terão) a luz e o telefone cortados ou entraram em recuperação judicial”.

Esses dados ajudam a explicar o mau humor da esmagadora maioria do empresariado com o governo Dilma. São empresas de pequeno e médio portes 91% das inadimplentes. Um terço delas está em São Paulo — Estado em que Dilma enfrenta, note-se, uma enorme rejeição. O setor mais afetado é o comércio, que responde por 47% do total, seguido por serviços (42,6%) e indústria (9,1%). Não custa lembrar que os dois primeiros responderam em grande parte pelo modo petista de crescer, ancorando-se no consumo. Também foram eles os principais responsáveis pela manutenção dos empregos.

Em alguma hora, no entanto, os quatro anos de crescimento mixuruca da economia — e vem o quinto por aí — cobrariam o seu preço. Tudo o mais constante na baixa, parece razoável supor que o emprego será a próxima vítima.

Mas Dilma diz que o seu programa de governo é este mesmo.

-----------

Delinquência política envolvendo perfis da Wikipedia chega à Petrobras

Pois é… O perfil na Wikipédia do engenheiro Paulo Roberto Costa — que está preso e fez um acordo de delação premiada — também foi alterado. Na versão que chegou a ir ao ar e depois foi retirada, algum delinquente político, intelectual e moral tentou ligar o homem ao governo… FHC! É, leitores, é isto mesmo! Alguém tentou transformar o cara que servia aos interesses do PMDB, do PT e do PP numa cria tucana!!! E o computador em que a alteração foi feita está na… Petrobras! A gente pode ficar escandalizado, claro!, e deve. Mas surpresos, convenham, não estamos.

Aliás, se, um dia, a Polícia decidir rastrear as fontes de difamação de políticos da oposição e de outros “inimigos do regime”, dá para apostar que as fontes irradiadoras da baixaria estão em órgãos públicos, onde os companheiros se aboletam aos muitos milhares. Imaginem o medo que essa gente tem de perder a boquinha.

Leiam o que informa O Globo:
*

A Petrobras confirmou a informação que o perfil de Paulo Roberto Costa na enciclopédia virtual Wikipédia foi alterado em um dos computadores da sede da empresa. Como o GLOBO revelou em matéria deste sábado, as modificações afirmam que Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal e um dos denunciados na operação “Lava-Jato” da Polícia Federal, é uma “cria” do governo tucano de Fernando Henrique e que foi demitido porque estava “muito soltinho”. Segundo nota divulgada , a Área de Tecnologia da Informação está rastreando os acessos à internet para identificar o computador em que o artigo foi reescrito.

As alterações destacam que a demissão ocorreu após a posse da atual presidente da estatal Graça Foster, e com aprovação da presidente da República e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT). A publicação ocorreu às 16h16min e foi retirada do ar seis minutos depois.

O rastreamento que identificou a origem da alteração foi feito pelo serviço de monitoramento @BRwikiedit. A página, originalmente monitorava somente a rede do Congresso mas, há cerca de um mês, passou a também fiscalizar as modificações que usuários da Procuradoria Geral da República, Dataprev, Petrobras, Banco Central, Banco do Brasil, Caixa e mais 40 entidades produzem na enciclopédia on-line.

O texto liga o crescimento profissional do ex-diretor ao governo Fernando Henrique. Uma parte dedicada especialmente a isto, intitulada “Ex-diretor começou no governo de FH”, diz que não é verdade que Paulo Roberto Costa começou sua carreira em 2004, durante o governo Lula, e que suas primeiras indicações políticas ocorreram em 1995, durante o mandato de FH.

“Tem sido divulgado à opinião pública que Paulo Roberto Costa, agora no epicentro de um escândalo de corrupção, teria começado sua carreira na Petrobras em 2004 – portanto, no governo Lula –, quando foi nomeado diretor de Abastecimento. Isso não é verdade. Ele entrou na Petrobras muito antes, em 1979, quando participou da instalação das primeiras plataformas de petróleo na Bacia de Campos (RJ). Suas primeiras indicações políticas dentro da estatal ocorreram quando o PSDB ganhou a presidência da República.”, afirma o perfil modificado.

As informações sobre as posições que Costa assumiu na estatal desde que entrou em 1979 até seu desligamento correspondem ao que o próprio declarou em junho deste ano durante sessão na CPI da Petrobras no Senado, antes de ser preso.

“Em 1995, logo no primeiro ano da presidência de FHC, ele foi indicado como gerente geral do poderoso Departamento de Exploração e Produção do Sul, responsável pelas Bacias de Santos e Pelotas.Nos anos seguintes, sempre sob gestão dos tucanos, Paulo Roberto Costa foi beneficiado por várias indicações políticas internas da Petrobras. Em 1996 foi gerente geral de Logística. De 1997 a 1999 respondeu pela Gerência de Gás. De maio de 1997 a dezembro de 2000 foi diretor da Petrobras Gás – Gaspetro. De 2001 a 2003 foi gerente geral de Logística de Gás Natural da Petrobras. E de abril de 2003 a maio de 2004 (agora, sim, no início do governo Lula), foi diretor-superintendente do Gasoduto Brasil-Bolívia”.

Parte das modificações foi copiada de um outro texto publicado pelo blogueiro Miguel do Rosário no site “Tijolaço”. Miguel foi um dos nove entrevistadores escolhidos para conversar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril deste ano. A escolha dos blogueiros foi feita pelo instituto do petista. No texto inserido no perfil do Wikipedia, a escolha de Paulo Roberto da Costa é justificada como “caminho natural”.

A alteração foi realizada dois dias após o Planalto exonerar o responsável pela alteração das páginas de jornalistas na Wikipédia. A investigação da comissão de sindicância da Casa Civil da Presidência da República identificou o servidor Luiz Alberto Marques Vieira Filho um mês após o início da apuração. Funcionário de carreira do Ministério da Fazenda, mas na época lotado na Secretaria de Relações Institucionais (SRI), o servidor fez mudanças nos perfis de Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg. O servidor vai responder a processo administrativo disciplinar (PAD).


************

Blog do Noblat

Três candidatos a governador barrados na Ficha Limpa renunciam
G1

A um dia do fim do prazo para substituição de candidatos nas chapas nestas eleições, três postulantes a governador renunciaram às candidaturas: José Roberto Arruda (PR), no Distrito Federal; José Riva (PSD), candidato ao governo de Mato Grosso; e Neudo Campos (PP), candidato a governador em Roraima.

Os três tiveram os registros barrados pela Lei da Ficha Limpa. Termina neste domingo (14) o prazo para que os partidos substituam candidatos nas chapas. Até ontem, Riva e Campos haviam sido substituídos por suas mulheres, que agora serão as candidatas ao governo.

------------

Marina diz que é preciso ter programa para ser presidente
Letícia Lins, O Globo

A candidata do PSB à sucessão presidencial, Marina Silva, reagiu com ironia às críticas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff (PT), e as atribuiu ao “desespero com a possibilidade de perder a eleição”. A pessebista rebateu a fala de Dilma em Belo Horizonte na quarta-feira, em que afirmou que quem não quer ser criticado “não pode ser presidente”.

"Para ser presidente é preciso ter programa", rebateu Marina em comício realizado no início da noite de sábado em João Pessoa. "É preciso ter disposição para o diálogo político, trabalhar com o respeito, com a verdade e não com o boato. É preciso que se busque a legitimidade necessária para isso, e que não se terceirize essa legitimidade", acrescentou.

--------------

Dilma busca se desvincular de variações do mercado
Reuters

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, procurou no sábado desvincular as variações do mercado financeiro ao seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto e previu uma alta nas ações da Petrobras.

Em evento de campanha em Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, Dilma atribuiu à "especulação" as oscilações nos mercados de ações e de câmbio e negou que essas altas e baixas tivessem relação com as pesquisas de intenção de voto para presidente da República, que têm sido acompanhadas de perto pelo mercado financeiro.

-------------

Cenário muda e setor automotivo desacelera
Luiz Guilherme Gerbelli e Renée Pereira, Estadão

O fraco desempenho da economia brasileira aliado ao colapso das vendas para a Argentina pegaram a indústria automobilística no contrapé. Entre 2008 e 2012, as empresas investiram R$ 45 bilhões em novas fábricas e na expansão de unidades existentes, contrataram 26,4 mil trabalhadores e elevaram a capacidade instalada da indústria em 16%, para 4,5 milhões de veículos por ano.

Mas o cenário se inverteu, a demanda interna caiu e as exportações desabaram. Resultado: estoques em alta e funcionários demitidos. O quadro desfavorável do setor, cujos sinais começaram a aparecer no fim de 2013 com a restrição no crédito e menor disposição do brasileiro de ir às compras, se tornou mais agudo no segundo trimestre deste ano, quando a atividade da indústria atingiu os piores níveis desde 2010.

---------------

Papa clama contra uma Guerra Mundial de “crimes e massacres”
Veja

O papa Francisco disse ontem que a série de conflitos atuais ao redor do mundo corresponde efetivamente a uma III Guerra Mundial "fragmentada" e condenou o comércio de armas e os "idealizadores do terrorismo" de semear a morte e a destruição.

"A humanidade precisa chorar e essa é a hora de chorar", disse o papa durante visita ao maior memorial de guerra da Itália, um monumento da época do fascismo, onde mais de 100 mil soldados que morreram na I Guerra Mundial estão enterrados. Pouco antes da missa, ele orou em um cemitério onde estão enterrados 15 mil soldados de cinco nações do império austro-húngaro.

--------------

Mais de 60 pessoas são detidas em protestos na Venezuela
O Globo

As forças de segurança venezuelanas detiveram 64 pessoas durante novas manifestações contra o governo de Nicolás Maduro em Caracas e Barquisimeto, denunciou o grupo de direitos humanos Foro Penal Venezuelano. As detenções aconteceram na noite de sexta-feira, quando os manifestantes, em sua maioria estudantes, saíram às ruas para marcar os sete meses do início de uma grande onda de protestos contra Maduro, que arrefeceu nos últimos meses.

"Os protestos diminuíram, mas continuam esporadicamente. Evidentemente o descontentamento continua", disse o principal dirigente do Foro Penal Venezuelano, Alfredo Romero. Segundo Romero, 47 pessoas foram detidas em Caracas e outras 17 em Barquisimeto, cidade a 370 km da capital.

--------------

Obama prolonga uma longa guerra no Iraque
Marc Bassets, El País

A intervenção dos Estados Unidos no Iraque, que começou em agosto e que agora Barack Obama quer ampliar para a Síria, pode ser entendida como uma operação isolada de um presidente obrigado pelas circunstâncias - o avanço do jihadismo sunita - a retificar seu rechaço anterior a outra aventura bélica na região.

Mas existe outra leitura: a escalada, que Obama anunciou na quarta-feira passada em um discurso à nação, prolonga uma guerra de mais de 20 anos, quase 1/4 de século, mais longa que qualquer outra na história dos Estados Unidos. Obama é o quarto presidente consecutivo a intervir no Iraque.

--------------

Estado Islâmico assegura que executou um colaborador britânico
El País

O Estado Islâmico (EI) difundiu na Internet ontem um vídeo com a suposta decapitação do colaborador britânico David Haines, sequestrado pela organização em março de 2013. O ministro de Relações Exteriores britânico fez uma declaração minutos depois, afirmando que trabalhava “com urgência para verificar” o vídeo no qual Haines aparece ajoelhado diante de seu executor.

Segundo a página norte-americana Site, que monitora os fóruns e ameaças jihadistas na web, o homem mascarado poderia ser o mesmo que assassinou os jornalistas estadunidenses James Foley, em meados de agosto, e Steven Sotloff, no começo de setembro. No vídeo, Haines se dirige ao primeiro ministro britânico, David Cameron, e lhe adverte que sua aliança com os Estados Unidos contra o Estado Islâmico levará ao seu país “a uma sangrenta e interminável guerra”.

**********


Cid reuniu-se com delator que diz não conhecer

Notícia veiculada na última edição da revista IstoÉ anotou os nomes de mais quatro políticos que teriam sido mencionados em depoimentos do delator Paulo Roberto Costa como beneficiários de propinas provenientes de negócios escusos da Petrobras. A lista inclui o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros).

Procurado, o governador ditou uma frase à sua assessoria, repassada à reportagem do UOL: “Não sei quem é Paulo Roberto. Nunca estive com esse cidadão e sou vítima de uma armação de adversários políticos.'' Não é bem assim.

Conforme demonstrado na foto que ilustra este texto, Cid Gomes recostou os cotovelos, ao lado do ex-diretor preso da Petrobras, numa mesa de reuniões. A despeito da má qualidade da imagem, é possível constatar que Paulo Roberto é o personagem que está sentado à esquerda do governador.

O encontro se deu-se no dia 14 de julho de 2008. Foi noticiado na edição do dia seguinte do Diário do Nordeste, como pode ser constado aqui. Discutia-se na época a implantação de uma refinaria de petróleo no Ceará. Cid Gomes recepcionou em seu gabinete uma delegação da Petrobras, chefiada por Paulo Roberto Costa, então todo-poderoso diretor de Abastecimento da maior estatal brasileira.

O fato de Cid Gomes ter rececido o agora delator numa audiência oficial ocorrida há seis anos não constitui, evidentemente, prova de que o governador recebeu propina. Mas é uma evidência de que o governador precisa ajustar sua declaração. Não fica bem dizer que desconhece um personagem que, de fato, conheceu.

------------

Petrobras: delação produziu uma ‘grampofobia’

A decisão do delator Paulo Roberto Costa de buscar a remissão judicial por meio do suor do seu dedo ateou em políticos e empresários que têm as digitais impressas no escândalo da Petrobras um surto de pânico. Impressionado com o que observa por trás das cortinas, um parlamentar do PT, uma das legendas que pulsam em ritmo de polvorosa, diz que o caso rejuvenesceu um velho ensinamento de Tancredo Neves. “Telefone serve no máximo para marcar encontro, de preferência no lugar errado”, dizia o avô de Aécio Neves.

A voz do delator começou a ecoar há 17 dias. Noves fora o vazamento de alguns nomes citados por ele, permanecem sob denso sigilo, por ora, os detalhes gravados em áudio e vídeo. A desinformação disseminou entre os potenciais encrencados o receio de que procuradores e delegados já estejam executando em segredo as providências subsequentes. Entre elas o monitoramento de conversas telefônicas. Daí a ‘grampofobia’ que silencia celulares e aparelhos fixos.

Na semana passada, um advogado que atua no caso foi procurado por um cliente aflito. Ele tomara conhecimento de um boato. Disseram-lhe que a Polícia Federal preparava uma megaoperação para executar 73 mandados de prisão. O advogado soou tranquilizador quanto às prisões. Não faz sentido, disse. Mas acomodou uma pulga no dorso da orelha do interlocutor ao afirmar que não é negligenciável a hipótese de a delação resultar numa série de batidas de busca e apreensão de computadores e documentos. Isso pode acontecer a qualquer momento, alertou.

Escutas telefônicas, batidas policiais e quebras de sigilo fiscal e bancário dependeriam de autorização do STF. Isso porque vários dos personagens alvejados por Paulo Roberto Costa, por exercerem mandatos parlamantares, desfrutam da chamada prerrogativa de foro. Em tese, a necessidade de ouvir o Supremo, conspira contra a celeridade dos procedimentos. Mas o pavor leva os envolvidos a desconsiderar o socorro eventual que a burocracia judiciária possa lhes propiciar.

Outro receio das vítimas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras é o de que empresas que abasteceram o propinoduto colaborem com a Justiça. Na definição do parlamentar do PT que acompanha a movimentação por trás do pano seria uma especial de “efeito Siemens” —alusão à empresa que se dispôs a colaborar na investigação do cartel de trens e metrô de São Paulo.

Em meio à atmosfera de terror provocada pelos desdobramentos do escândalo da Petrobras, quem sabe teme. Quem sabe muito foge do telefone. Quem sabe ainda mais limpa armários, gavetas e memórias de computadores. Quem tem conhecimentos ilimitados cogita trancar-se num cofre.

---------------

Pugilato!




**********

Blog do Coronel

Escândalo! Pegaram Lula, Gilberto Carvalho e José Dirceu envolvidos em golpe de R$ 6 milhões contra Petrobras.

O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula .

Desde que estourou o escândalo da Petrobras, o PT é vítima de uma chantagem. De posse de um documento e informações que comprovam a participação dos principais líderes petistas num desfalque milionário nos cofres da estatal, chantagistas procuraram a direção do PT e ameaçaram contar o que sabiam sobre o golpe caso não fossem devidamente remunerados.

Às vésperas da corrida presidencial, essas revelações levariam nomes importantes do partido para o epicentro do escândalo, entre eles o ex-presidente Lula e o ministro Gilberto Carvalho, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff, e ressuscitariam velhos fantasmas do mensalão. No cenário menos otimista, os segredos dos criminosos, se revelados, prenunciariam uma tragédia eleitoral. Tudo o que o PT quer evitar. Dirigentes do partido avaliaram os riscos e decidiram que o melhor era ceder aos chantagistas — e assim foi feito, com uma pilha de dólares.

O PT conhece como poucos o que o dinheiro sujo é capaz de comprar. Com ele, subornou parlamentares no primeiro mandato de Lula e, quando descoberto o mensalão, tentou comprar o silêncio do operador do esquema, Marcos Valério. Ao pressentir a sua condenação à prisão, o próprio Valério deu mais detalhes dessa relação de fidelidade entre o partido e os recursos surrupiados dos contribuintes.

Em depoimento ao Ministério Público, ele afirmou que o PT usou a Petrobras para levantar 6 milhões de reais e pagar um empresário que ameaçava envolver Lula, Gilberto Carvalho e o mensaleiro preso José Dirceu na teia criminosa que resultou no assassinato, em 2001, do petista Celso Daniel, então prefeito de Santo André. A denúncia de Valério não prosperou. Faltavam provas a ela. Não faltam mais. Os dólares serviram para silenciar o chantagista Enivaldo Quadrado, ele próprio participante da engenharia financeira do golpe contra os cofres da maior estatal brasileira — e agora o personagem principal de mais uma trama que envolve poder e dinheiro.

Quadrado deu um ultimato ao tesoureiro do PT, João Vacari Neto: ou era devidamente remunerado ou daria à polícia os detalhes de documento apreendido no escritório do doleiro Alberto Youssef. O documento era um contrato de empréstimo entre a 2 S Participações, de Marcos Valério, e a Expresso Nova Santo André, de Ronan Maria Pinto. O valor desse contrato é de 6 milhões de reais, exatamente a quantia que Valério dissera ao MP que o PT levantara na Petrobras para abafar o escândalo em Santo André. É esse o contrato que prova a denúncia de Valério. É esse o contrato que, em posse de Quadrado, permitia ao chantagista deitar e rolar sobre os petistas. (REVISTA VEJA)

**********


Constrangimento

                Sobre as conversas com o PSDB para o segundo turno, o coordenador da campanha de Marina Silva, o deputado Walter Feldman (PSB-SP), diz: “Estou proibido de falar”. E justifica: “Por consideração à candidatura de Aécio Neves”. O ex-presidente Fernando Henrique nega que tenha tratado de apoios. Feldman adota o mesmo tom: “Não falei com Fernando Henrique, nem com José Serra”.

“Vamos procurar o (Walter) Feldman só depois do primeiro turno, para discutir o apoio do PSB e de Marina (Silva) ao Aécio (Neves)”

Campanha do PSDB à Presidência
Mensagem enviada por celular pela assessoria do candidato Aécio Neves

A reforma que não sai do gogó
A presidente Dilma, a exemplo de Aécio Neves e de Marina Silva, não foi objetiva ao tratar da reforma política na sabatina do GLOBO. Ela abordou o tema pelo processo de aprovação: a convocação de consultas populares. Esse foi seu procedimento no ano passado, após os protestos de junho. E sinalizou que um dos temas deveria ser o financiamento das campanhas. O seu partido, o PT, quer o financiamento público, tese que não une as legendas governistas. Na proposta de 2013, sugeriu o fim das coligações nos pleitos proporcionais, o que não une o Congresso. O eleitor quer mudanças na lei eleitoral. Mas vai ter que esperar até que se construa uma maioria.

O planeta Dilma
A presidente Dilma, acusada de sacrificar a saúde financeira da Petrobras e da Eletrobras, afirmou na sabatina do GLOBO que não vê necessidade de reajuste nos preços da gasolina e da energia. A medida amarga é reclamada pelos especialistas.

A bola da vez
Marina Silva prepara agenda forte no Nordeste. Seu desempenho na região, avalia o comando político, está aquém do ideal. O placar pelo Datafolha é: Dilma 47% x 31% Marina. Ela vai assumir compromissos com as políticas sociais. Walter Feldman explica: “Querem nos jogar para a direita, nos colar com os banqueiros”.

Ninguém quis
A equipe da campanha à reeleição da presidente Dilma desistiu de colocar os quatro candidatos ao governo do Rio, aliados da petista, em um ato conjunto em defesa do pré-sal. Os candidatos se negaram a subir em um mesmo palanque.

Em busca da verdade
A Comissão Nacional da Verdade, na reta final para fechar seu relatório, vai ao sul do Pará na segunda-feira. Seus integrantes vão à Casa Azul, em Marabá, local usado para tortura na Guerrilha do Araguaia. Depois planejam ir a Xambioá, cidade onde havia uma base militar, ou à aldeia dos índios Suruí, que também foram torturados.

Marcação cerrada
O presidente do STJ, Francisco Falcão, quer votar quarta-feira o fim da preferência do relator da Operação Caixa de Pandora, ministro Napoleão Nunes Maia, para tratar dos casos conexos. O ex-governador José Roberto Arruda (DF) é réu.

Cabo eleitoral
Além de adotar a candidatura de Sandro Cruz (PV-RJ) para deputado estadual, Romário gravou para a TV de candidatos de outros estados. Os agraciados: Valadares Filho (PSB-SE), Antônio Reguffe (PDT-DF) e Júlio Delgado (PSB-MG).

Carta fora do baralho. As campanhas dos candidatos a deputado citados na delação premiada de Paulo Roberto Costa (Petrobras) estão em crise.


*********

Blog do Reinaldo Azevedo

Os absurdos da fala de Dilma na entrevista ao Globo

A presidente Dilma Rousseff disputa um segundo mandato, como sabemos, mas ainda dá mostras de primarismo no trato com a coisa pública. Na entrevista concedida ao Globo nesta sexta, ela afirmou, claro!, que desconhecia a roubalheira que estava em curso na Petrobras. Reafirmou, para o espanto de qualquer pessoa lógica, que a empresa dispõe de mecanismos de controle para se prevenir de larápios. E continuou a afrontar o bom senso. Leiam o que ela disse:

“Há corrupção em todas as empresas públicas ou privadas. A Petrobras tem órgãos internos e externos de controle. Mas quem descobriu foi a Polícia Federal. Se eu tivesse sabido qualquer coisa sobre o Paulo Roberto, ele teria sido demitido e investigado. Eu tirei o Paulo Roberto com um ano e quatro meses de governo. Eu não sabia o que ele estava fazendo. Eu tirei, porque não tinha afinidade nenhuma com ele.”

Então vamos quebrar essa fala absurda em miúdos. Sim, pode haver corrupção na empresa privada também. Ocorre que, nesse caso, o prejuízo é do dono, não do público. Quando descoberto, o sujeito perde o emprego e pode ir preso. Em estatais, o bandido pode ser promovido.

Se, com órgãos internos e externos de controle, a enormidade aconteceu, somos obrigados a concluir que os larápios já andaram mais depressa e aprenderam a driblá-los. Logo, esses mecanismos estão atrasados e são ineficientes.

Mas ainda não chegamos ao pior. Dilma afirmou que demitiu Paulo Roberto porque faltava afinidade entre ambos. Ainda bem! Afinidade houvesse, ele teria continuado lá por mais tempo, roubando mais, não é?

Eis o problema da Petrobras e de todas as estatais: seus comandantes são escolhidos ou se mantêm no cargo em razão da afinidade com os poderosos de plantão. Segundo o raciocínio de Dilma, estivesse no posto um homem probo e competente, teria ido para a rua do mesmo jeito. Por quê? Ora, por falta de afinidade.

Como é que a maior empresa pública do país pode estar sujeita ao gosto pessoal do governante de turno? Ao tentar se livrar de qualquer responsabilidade por tudo o que se deu na empresa, Dilma assumiu culpas novas e expôs as piores entranhas do estatismo.

Para encerrar, esta mesma presidente deu a Nestor Cerveró, que ela diz ser o principal responsável pelo imbróglio de Pasadena, um empregão: diretor financeiro da BR Distribuidora. A sua fala não para em pé, presidente!

-------------

Senado engaveta investigação sobre farsa na CPI da Petrobras

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
A comissão de sindicância instaurada no Senado para apurar a farsa montada pelo governo e pelo PT na CPI da Petrobras decidiu arquivar as investigações sobre o caso. Conforme revelou VEJA, os investigados recebiam as perguntas dos senadores com antecedência e eram treinados para responder a elas, a fim de evitar que entrassem em contradição ou dessem pistas capazes de impulsionar a apuração de denúncias de corrupção na companhia – a trapaça foi documentada em um vídeo com 20 minutos de duração.

Ignorando a gravação, a comissão de sindicância alega que “não houve qualquer indício de vazamento de informações privilegiadas, de documentos internos da CPI ou de minutas de questionamentos que seriam formulados aos depoentes”. Em nota, a Diretoria-Geral do Senado afirmou que a comissão funcionou ao longo de 37 dias, ouviu 14 depoimentos, investigou caixas-postais de correio eletrônico dos envolvidos e analisou os vídeos dos depoimentos. A investigação, ainda de acordo com a diretoria, foi comandada por servidores com “notável formação acadêmica”.

Obtida por VEJA, a gravação mostra uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e Calderaro Filho para tramar a fraude no Congresso. Barrocas revela no vídeo que um gabarito foi distribuído aos depoentes mais importantes para que não entrassem em contradição. Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais, Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado, e Carlos Hetzel, secretário parlamentar do PT na Casa, são citados como autores das perguntas que acabariam sendo apresentadas ao ex-diretor Nestor Cerveró, apontado como o autor do “parecer falho” que levou a estatal do petróleo a aprovar a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, um negócio que impôs prejuízo de pelo menos 792 milhões de dólares à empresa.

Segundo conta Barrocas, Delcídio Amaral (PT-MS), ex-presidente da CPI dos Correios, encarregou-se da aproximação com Cerveró. Relator da comissão, José Pimentel (PT-CE), a quem respondem Marcos Rogério e Carlos Hetzel, formulou 138 das 157 perguntas feitas a Cerveró na CPI e cuidou para que o gabarito chegasse ao ex-presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli.

Mais de um mês após o caso ter vindo à tona, não houve nenhuma resposta contundente das autoridades. A única providência foi tomada pela Petrobras, que transferiu José Eduardo Sobral Barrocas do cargo de gerente do escritório da companhia em Brasília parao de assistente do chefe de gabinete da presidente Graça Foster, no Rio de Janeiro. A oposição também solicitou ao Ministério Público a investigação sobre o caso, mas ainda não houve manifestação dos procuradores.

**********


Marina Silva chora ao falar dos ataques de Lula

Aconteceu na noite da última quinta-feira (11). Sentada ao lado de Marina Silva no banco de trás do carro que a levava para o hotel, após 13 horas de intensa campanha no Rio de Janeiro, a repórter Marina Dias testemunhou o estrago promovido pelas críticas de Lula na alma da presidenciável do PSB. Instada a comentar os ataques do antigo companheiro de partido, a ex-petista fez um desabafo, seguido de choro.

“Eu não posso controlar o que Lula pode fazer contra mim”, disse Marina. “Mas posso controlar que não quero fazer nada contra ele''. Olhos umedecidos, Marina disse ter dificuldade para acreditar no comportamento de Lula. E buscou consolo nos ensinamentos pretéritos do neo-detrator.

“Quero fazer coisas em favor do que lá atrás aprendi, inclusive com ele, que a gente não deveria se render à mentira, ao preconceito, e que a esperança iria vencer o medo. Continuo acreditando nessas mesmas coisas'', afirmou Marina. Ela soou como se lamentasse o fato de Lula tratá-la agora do mesmo modo como foi tratado por Fernando Collor na sucessão de 1989.

“Sofri muito com as mentiras que o Collor dizia naquela época contra o Lula. O povo falava: ‘se o Lula ganhar, vai pegar minhas galinhas e repartir. Se o Lula ganhar, vai trazer os sem-teto para morar em um dos dois quartos da minha casa'. Aquilo me dava um sofrimento tão profundo! E a gente fazia de tudo para explicar que não era assim. Me vejo fazendo a mesma coisa agora.''

Já defronte do hotel, no bairro de Copacabana, Marina permaneceu em silêncio por alguns segundos. Recomposta, desceu do carro. E, virando-se para a repórter, contemporizou: “Mas não tenho raiva de ninguém não, nem da Dilma. Vou continuar lutando.''

Desde que as pesquisas fizeram dela uma ameaça real à reeleição de Dilma, Marina vem sofrendo um intenso bombardeio da infantaria petista. No comando dos canhões, o marqueteiro João Santana tenta abater a oponente sem transformá-la em vítima. Obteve dois resultados: estancou o crescimento de Marina e amealhou leves oscilações de Dilma para o alto, dentro da margem de erro das pesquisas.

O choro de Marina revela os riscos da estratégia. Para sorte de Dilma e da falange petista, a ex-seringueira emocionou-se no ambiente reservado do automóvel. Imagine-se o efeito eleitoral de meia dúzia de lágrimas dessa versão feminina de Lula vertidas sob refletores e reproduzidas em rede nacional pelas cadeias de televisão.

-------------

Sobre BC, Marina defende o mesmo que Renan

A ‘nova’ e a ‘velha’ política têm algo em comum. No debate sobre o papel institucional do Banco Central, a presidenciável Marina Silva e o senador alagoano Renan Calheiros, um dos políticos que ela mais abomina, frequentam a mesma trincheira. Ambos pregam a necessidade de aprovar no Congresso uma lei que dê independência à autoridade monetária.

Em discurso que proferiu da tribuna do Senado em 25 de outubro de 2013, Renan fez uma enfática defesa do projeto de lei número 102, de 2007 (assista no vídeo acima). Relatou a proposta o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), primo e apoiador do presidenciável tucano Aécio Neves. Prevê que o presidente e os diretores do Banco Central terão mandato de seis anos, podendo ser reconduzidos uma única vez.

Até os argumentos usados por Renan são semelhantes aos de Marina. “É inevitável que o Banco Central fortalecido tenha independência e fique imune aos interesses vindos da esfera política, partidária, governamental ou até mesmo da vida privada”, disse o senador em seu discurso.

Num site criado pelo comitê de Marina para se defender dos ataques que vem recebendo da rival Dilma Rousseff, anotou-se: “Banco Central independente significa que nenhum partido ou grupo de interesse usará a instituição para se beneficiar.”

Com a autoridade de presidente do Senado, Renan prometera em seu pronunciamento que levaria a proposta de Dornelles a voto até o final do ano passado. “Na minha avaliação, o Brasil já está maduro para esse debate e não devemos contaminá-lo ideologicamente. A discussão com relação à independência do Banco Central é uma discussão técnica, e somente técnica.”

O arroubo de Renan durou pouco. Faltou-lhe independência para levar adiante o compromisso de votar a proposta que inibiria a interferência do chefe do Executivo sobre as decisões do Banco Central. Onze dias depois do seu discurso, Renan foi convocado por Dilma para uma reunião no Planalto. Os dois conversaram por cerca de duas horas.

Ao final do encontro, a dependência de Renan ao governo prevaleceu sobre a independência do Banco Central. E o senador informou que desistira de submeter o texto de Dornelles a votação. Alegou que, além de Dilma, também os partidos de oposição faziam restrições à proposta. Nas suas palavras, o debate fora “interditado”.

Ouvido na época, Dornelles disse: “Na política, a gente só manda uma carta depois de receber a resposta. Na hora que Renan sentiu que a resposta era negativa, do governo e da oposição, ele, de forma competente, retirou o projeto. E afirmou que não vai colocar em votação.”

Nesta sexta-feira (12), em sabatina promovida pelo Globo, Dilma voltou a pegar em lanças contra a proposta de Marina. Disse que a independência do Banco Central criaria no país o “quarto poder”. Ela esmiuçou seu raciocínio:

“O quarto poder, que é o poder da independência do Banco Central, é algo extremamente questionável. Uma coisa é autonomia operacional. Outra coisa é independência do Banco Central. Independência é de poder. O Banco Central não é um poder. O Banco Central é uma instituição. Poder tem que ser eleito pelo povo, como o Legislativo ou o Executivo. Ou como o Judiciário, que tem um mandato durante a vida. Um presidente do Banco Central poder sair e servir a um banco [privado], ir para uma instituição de crédito lá fora.”

Confrontados com o texto da proposta que tramita no Senado, os argumentos de Dilma tornam-se falaciosos. O projeto prevê inclusive a hipótese de demissão do presidente e dos diretores do Banco Central. A diferença é que, a exemplo do que ocorre quando os dirigentes do BC são indicados pelo presidente da República, o afastamento teria de ser aprovado previamente pelo Senado.

É falsa também a tese segundo a qual o Banco Central independente faria o que bem entendesse, operando à revelia dos interesses do governo. Sobre isso, vale a pena reproduzir o que disse Francisco Dornelles no dia em que Renan deu meia-volta após conversar com Dilma:

“No meu projeto, o poder para fazer política monetária, política orçamentária, política creditícia, política cambial… tudo isso é de competência do Conselho Monetário Nacional, que tem em sua composição dois ministros indicados pela Presidência da República.”

Dornelles prosseguiu: “O que faz o Banco Central? Apenas implementa as decisões de política monetária, fixadas pelo Conselho Monetário. Na realidade, o Banco Central tem, no meu projeto, os mesmos poderes que tem hoje, com uma única diferença: hoje, os seus poderes decorrem da vontade presidencial. E, no projeto, vai decorrer de lei. Só existem três países em que o Banco Central não tem autonomia: a Costa Rica, a Venezuela e um terceiro da America Central.”

A própria Dilma, na sabatina desta sexta, realçou que, nos Estados Unidos, onde o Banco Central opera com independência, a lei impõe os objetivos que o órgão deve perseguir na execução da política monetária. “Máximo emprego, estabilidade de preço, juros moderados de longo prazo. Esse é o mandato”, disse Dilma, ecoando, com outras palavras, o que dissera Dornelles em novembro do ano passado.

Também nesta sexta-feira, em visita à cidade de Fortaleza, Marina Silva voltou ao tema: “Um Banco Central autônomo é para ficar livre da influência dos que só pensam no poder pelo poder”, disse. Em resposta à insinuação de Dilma de que ela propõe a independência do BC sob inspiração da amiga Neca Setúbal, coordenadora do seu programa de governo e herdeira do Banco Itaú, Marina declarou: “Nunca os bancos lucraram tanto. Só no governo Lula, foram R$ 199 bilhões. No da Dilma, R$ 190 bilhões.”

Horas antes, Dilma dissera que o Banco Central deve atuar sob o regime de autonomia operacional. “Autonomia não precisa de lei nenhuma”, ela enfatizou. Baseando-se em autocritérios, Dilma disse que, na sua gestão, a “autonomia” foi assegurada. No governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, comparou Dilma, foram demitidos dois presidentes do BC. “Isso é autonomia relativa. Eu sou a favor da autonomia do Banco Central. E pratico essa autonomia.”

Na avaliação dos operadores do mercado, a declaração de Dilma só é válida até certo ponto. O ponto de interrogação. A presidente é criticada por ter supostamente obrigado o Banco Central a promover uma queda artificial dos juros no início do seu mandato. Simultaneamente, o governo adotou uma política fiscal frouxa. Com os cofres abertos e os juros na coleira, a inflação desgarrou-se do centro da meta (4,5%), aproximando-se do topo (6,5%). Como resultado, o BC viu-se compelido a retomar a trajetória de alta dos juros.

Sob Lula, sucedera algo bem diferente. Eleito em meio a dúvidas sobre a política econômica que adotaria em seu governo, o antecessor de Dilma surpreendeu o mercado ao convidar o banqueiro Henrique Meirelles, ex-presidente mundial do Bank Boston, para comandar o Banco Central. Para aceitar o convite, Meirelles exigiu ampla autonomia. Algo que Lula lhe prometeu. E cumpriu.

É contra esse pano de fundo que o debate sobre a independência do Banco Central volta às manchetes na atual campanha. Pode-se concordar ou discordar da proposta. Mas quem quiser frequentar a discussão sem perder a racionalidade deve buscar argumentos longe do balé de elefantes encenado no palco eleitoral.

----------

Só para meninas!



***********


Dilma, inquebrável apesar da Petrobras e do fator Marina Silva
Antonio Jiménez Barca, El País

A presidenta brasileira, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT) utilizando-se de seu perfil inquebrável, começa a subir pouco a pouco nas pesquisas, dando uma reviravolta em uma situação em que tudo, há uma semana, parecia jogar contra ela. A irrupção meteórica e inesperada da candidata Marina Silva, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que logo a colocou ao lado, (quando não na frente) da atual presidenta, fez tremer os dirigentes do PT.

Nada parecia deter a figura ascendente de Marina. E entretanto, o ataque frontal da presidenta à candidata, a quem acusa, entre outras coisas, de servir e ser servida pelos bancos e de não esclarecer muitas partes obscuras de seu programa, parece que começam a surtir efeito.

------------

Com Marina, PMDB vai para a oposição no início, diz Temer
Valmar Hupsel Filho, Mateus Coutinho e Carla Araújo, Estadão

O vice-presidente Michel Temer (PMDB), candidato à reeleição na chapa da presidente Dilma Rousseff (PT), disse que "a primeira ideia" do partido seria ir para a oposição em caso de derrota nas eleições. O peemedebista, que reassumiu neste ano a presidência da sigla, lembrou que o PMDB é "o partido da governabilidade".

"Não se governa sem o PMDB", afirmou Temer. "Se essa hipótese (de derrota) se verificar, é claro que o PMDB será procurado (pelo novo governo)", disse o vice-presidente, ao participar da série Entrevistas Estadão. Essa situação só seria incerta, afirmou, se a vitoriosa for Marina Silva (PSB).

---------

Supremo: CPI da Petrobras tem poder de convocar delator
Carolina Brígido, O Globo

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), informou que a CPI da Petrobras tem o direito de convocar quem quiser para prestar depoimento – inclusive o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Segundo o ministro, não cabe a ele autorizar ou não a presença de ninguém na comissão.

A explicação está em despacho divulgado ontem em resposta a um pedido feito pelo presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), para autorizar o depoimento de Costa ao Congresso Nacional na próxima quarta-feira.

------------

Com pancadaria eleitoral, Bolsa recua 6% e Petrobras perde 12%
Veja

As ações da Petrobras fecharam em queda de mais de 5% ontem, pressionando o Ibovespa, que recuou 2,4%, a 56.927 pontos. Os papéis da estatal abriram o pregão em queda, que foi intensificada após as 14 horas, quando o recuo das ações ordinárias, com direito a voto, chegou a 6%. As ações com direito a voto caíram 5,46%, enquanto os papéis sem direito a voto recuaram 5,61%.

Investidores conduzem um movimento de venda das ações da empresa conforme as pesquisas eleitorais divulgadas ao longo da semana mostram o fortalecimento da candidata Dilma Rousseff à reeleição. Na semana, o Ibovespa acumulou perdas de 6% e, no mês, de 7%, conforme dados preliminares.

-----------

Apoio à independência da Escócia diminui a poucos dias da votação
Walter Oppenheimer, El País

O breve, mas intenso bombardeio que combinou por um lado as ofertas de mais autonomia para a Escócia, as sentimentais declarações de apego aos escoceses e ao reino construído junto durante séculos e, talvez o mais importante, as duras advertências dos agentes econômicos sobre as consequências da independência, parece ter surtido efeito. Duas pesquisas voltaram a colocar em vantagem o não no referendo sobre a independência convocado para o dia 18.

Foi preciso menos de uma semana de endurecimento da campanha para que o unionismo tenha voltado a se colocar à frente nas pesquisas de YouGov, a consultora que colocou fogo no referendo escocês no último domingo ao mostrar, pela primeira vez, o sim na frente com 51% contra 49%. Sua última pesquisa mostra agora o não com 52% e o sim com 48%. Isso significa uma mudança de tendência: o não conseguindo quebrar o crescimento do sim.

----------

Rússia recorrerá à Organização Mundial do Comércio
Rodrigo Fernández, El País

A Rússia vai recorrer à Organização Mundial do Comércio contra as novas sanções que a União Europeia e os Estados Unidos lhe impuseram por seu envolvimento na crise da Ucrânia, segundo anunciou ontem o ministro da Economia russo, Alexey Ulyukayev. Embora Moscou também “esteja pensando” em possíveis medidas retaliatórias, somente as aplicará se beneficiarem os seus interesses econômicos.

“Que passos concretos daremos, e se o faremos ou não, é algo que ainda vamos ver, mas não faremos nada que vá contra nós”, afirmou o presidente russo, Vladimir Putin, na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada em Dushanbe, capital do Tadjiquistão. A reação do Kremlin à nova rodada de sanções foi recebida com surpresa.

-----------

Apoio à independência da Escócia diminui a poucos dias da votação
Walter Oppenheimer, El País

O breve, mas intenso bombardeio que combinou por um lado as ofertas de mais autonomia para a Escócia, as sentimentais declarações de apego aos escoceses e ao reino construído junto durante séculos e, talvez o mais importante, as duras advertências dos agentes econômicos sobre as consequências da independência, parece ter surtido efeito. Duas pesquisas voltaram a colocar em vantagem o não no referendo sobre a independência convocado para o dia 18.

Foi preciso menos de uma semana de endurecimento da campanha para que o unionismo tenha voltado a se colocar à frente nas pesquisas de YouGov, a consultora que colocou fogo no referendo escocês no último domingo ao mostrar, pela primeira vez, o sim na frente com 51% contra 49%. Sua última pesquisa mostra agora o não com 52% e o sim com 48%. Isso significa uma mudança de tendência: o não conseguindo quebrar o crescimento do sim.

------------

Casa Branca declara oficialmente guerra ao Estado Islâmico
O Globo

A Casa Branca declarou ontem que os Estados Unidos estão em guerra contra os jihadistas do Estado Islâmico (EI), em uma tentativa de solucionar um deslize semântico sobre a estratégia anunciada na quarta-feira pelo presidente Barack Obama.

Em sua viagem pelo Oriente Médio para tentar formar a maior coalizão possível contra o EI, o secretário americano de Estado, John Kerry, pareceu hesitar em usar o termo "guerra" para classificar a amplitude das operações americanas contra os jihadistas na Síria e no Iraque. No entanto, o Pentágono e a Casa Branca não deixaram dúvidas sobre a maneira como entendem o conflito.


************

Blog do Merval

Dificuldades da nova política

Para se opor à onda de ataques que vem saindo das campanhas adversárias, Marina resolveu subir o tom e reassumir uma temática que sempre foi muito cara a Eduardo Campos: a de que sua candidatura está sendo levada pelas forças da sociedade para acabar com a polarização entre PT e PSDB.

Aécio Neves ressalta o quanto pode que Marina fez toda sua carreira política no PT, e, sugere, continua tendo uma alma petista. Eduardo Campos, com o seu PSB, podia levantar a bandeira da terceira via através de um partido político que tem história na política brasileira. Já Marina, ao contrário, quer mexer na estrutura partidária vigente no país a partir de políticos virtuosos que, com sua chegada ao Palácio do Planalto, ganharão força política para intervir na estrutura de seus partidos e levá-los a novas práticas.

Cita os senadores Pedro Simon e Jarbas Vasconcellos no PMDB como os que passarão a ganhar espaço interno no partido para destronar políticos da “velha política” como José Sarney ou Renan Calheiros. Não parece provável, pois os dois senadores citados fazem parte há anos de uma dissidência do PMDB que nunca teve vez, só voz nas tribunas, e não nos fóruns partidários.

Mas de qualquer maneira Marina espera que das urnas saiam também novos políticos, escolhidos pelos mesmos eleitores que querem vê-la no Palácio do Planalto para iniciar as mudanças ansiadas. Tem lógica, embora nem sempre o resultado das urnas seja compatível com a lógica. No caso de São Paulo, por exemplo, Marina está à frente nas pesquisas para presidente, mas quem vai ganhar para o governo do Estado é o governador Geraldo Alckmin, uma figura política que Marina não se abstém de atacar.

Ontem mesmo, na sabatina do Globo, ela fez sérias críticas à política de abastecimento de água do governo paulista, que está sob o comando do PSDB há 16 anos. Os deputados que sairão das urnas em São Paulo, e em todos os estados brasileiros, serão os que as máquinas partidárias levarão ao Congresso, e é com as máquinas, e não com os indivíduos, que ela terá que se ver na hora de negociar apoios.

É interessante notar que a entrada de Marina na disputa presidencial desmontou o esquema que as máquinas partidárias prepararam para mais uma vez levá-la à polarização entre PT e PSDB, mas não tem a força para levar essa mudança para o Congresso.

O voto no Brasil é ainda muito personalista, mas a legislação eleitoral impõe uma disciplina partidária que termina por privilegiar aqueles que controlam as máquinas, tanto na indicação dos candidatos quanto no funcionamento interno do Congresso. Só os apadrinhados são nomeados para comissões importantes, para as lideranças.

Muito dificilmente um deputado ou senador que não esteja em sintonia com a direção partidária terá condições de exercer seu mandato eficazmente, a não ser aqueles que têm luz própria, mas farão sempre vôos solitários. Têm poder de influência na sociedade, suas vozes ecoam, mas não têm poder internamente para mudar as diretrizes partidárias.

A escolha da presidência da Câmara é uma disputa que pode ser exemplar dessa dificuldade. O PMDB, que deve fazer a maior bancada, prepara-se para lançar o deputado Eduardo Cunha, representante por natureza do que Marina chama de velha política. No campo marinista há um candidato natural, o deputado Miro Teixeira, que se lançaria com o apoio do Palácio do Planalto.

É claro que se houver um governo disposto a estabelecer novas regras para o convívio congressual, contará com o apoio desses “escoteiros” e provavelmente da sociedade, mas terá que usar pressões externas para conseguir algum resultado. O coordenador de sua campanha, o ex-deputado Mauricio Randt, aventou outro dia a possibilidade de, eleita, Marina buscar forças nas ruas para aprovar medidas que considere necessárias. Recebeu diversas críticas, inclusive por que esse tipo de ação pressupõe passar por cima dos partidos e, portanto, do Congresso.

É o que o governo petista pensa em fazer há muito tempo, mas encontra firme reação na sociedade. Os conselhos populares criados por decreto da presidente Dilma seriam meios de exercer essa pressão, mas a democracia direta não pode se sobrepor à democracia representativa, sob pena de colocar em risco a democracia em si.

Marina passeia entre os dois tipos de representação buscando uma terceira via que transfira ao Congresso valores de que a sociedade se sente órfã nos dias de hoje: honestidade, transparência, política com ética, combate à corrupção. Talvez a principal tarefa da presidente Marina Silva, caso venha a ser eleita, seja essa mesma, restaurar os valores republicanos há muito perdidos nessa luta de foice em que se transformou a política brasileira, onde o que passou a valer é a esperteza e o salve-se quem puder.    se opor à onda de ataques que vem saindo das campanhas adversárias, Marina resolveu subir o tom e reassumir uma temática que sempre foi muito cara a Eduardo Campos: a de que sua candidatura está sendo levada pelas forças da sociedade para acabar com a polarização entre PT e PSDB.

***********


FH negocia apoio à Marina

                O PSDB já está negociando o segundo turno. O ex-presidente Fernando Henrique tem conversado com um dos coordenadores de Marina Silva, o deputado Walter Feldman. Foi um desses contatos que inspirou FH a defender que atacar Marina é fazer o jogo da presidente Dilma. Só falta agora conseguir o armistício do comando aecista, que ainda acredita que o tucano chegará vivo à praia.

A reeleição será mantida
Os três principais candidatos ao Planalto não têm a intenção de revogar a lei da reeleição. A presidente Dilma sequer defende a proposta. Os candidatos Aécio Neves e Marina Silva proclamam que defendem, mas, na prática, não se comprometem com seu fim. Ambos dizem que a incluiriam no projeto de uma ampla reforma política. Eles conhecem o Congresso e já viram várias reformas fracassarem. Não há consenso político sobre o que fazer, necessário para construir uma maioria para aprovar uma ampla mudança. No governo FH, a reeleição e a cláusula de desempenho só foram aprovadas porque os dois projetos só tratavam desses assuntos.

“Sou contra todos os mensalões. O mensalão começou lá atrás, na reeleição. Dois deputados do meu estado foram cassados”

Marina Silva
Candidata do PSB à Presidência da República

Linha divisória
Marina bate para todo lado. Fernando Henrique, elogiado pelo Plano Real, foi declarado refém de Antônio Carlos Magalhães. Já Lula, enaltecido pela inclusão social alcançada em seu governo, foi apresentado como refém de José Sarney.

Os melhores

A candidata Marina Silva tem sugerido que fará um governo pluripartidário, convidando os melhores quadros das diversas siglas para integrar seu Ministério. Ontem, na sabatina de O GLOBO, ela citou exemplos para traduzir sua intenção: “Pedro Simon (na foto), do PMDB, Eduardo Suplicy, do PT, e Cristovam Buarque, do PDT".

Corrida contra o tempo
Em segundo lugar nas pesquisas, o candidato à reeleição Tarso Genro (PT) vai tirar uma licença a partir de segunda-feira para se dedicar à sua campanha ao governo gaúcho. Ana Amélia (PP) tem vantagem de oito pontos sobre o petista.

Perda de terreno
A direção do PT paulista fez as contas, e sua bancada de deputados federais deve cair de 17 para cerca de 12. As performances da presidente Dilma e do candidato Alexandre Padilha não explicam tudo. Nesta eleição, o PT não será inflado pelo comediante Tiririca, que fez 1,5 milhão de votos em 2010 e carregou dois do partido à Câmara.

Constrangimento
A candidata Marina Silva espinafrou Geraldo Alckmin (PSDB) por conta da crise da falta de água em São Paulo. Disse que o governador deveria “racionalizar” seu uso. Candidato à reeleição, seu vice é o socialista Márcio França.

Usos e costumes
Atrás nas pesquisas, o candidato ao governo (PE) Armando Monteiro (PTB) decidiu atacar Eduardo Campos. Ele começou a questionar a compra do avião usado por Campos em sua campanha e a associá-la ao candidato Paulo Câmara (PSB).

O PSB corre para distribuir material de campanha para o Norte e o Nordeste. Por conta da troca de candidatura à Presidência, a entrega atrasou.


**********

Blog do Josias

Dilma ensina: é errando que se aprende. A errar!

Em entrevista veiculada na noite passada pela Rede TV!, Dilma Rousseff sinalizou que, sob sua presidência, o governo jamais se acomodará. Entre o certo e o errado, haverá sempre espaço para mais erros. Na Petrobras, por exemplo, a extensão do equívoco será ilimitada.

A Petrobras, como se sabe, convive com o absurdo. Preso, um ex-diretor conta às autoridades como saqueou as arcas da companhia para saciar as pulsões patrimonialistas de políticos governistas. Contra esse pano de fundo, perguntou-se a Dilma se extinguirá o modelo das nomeações políticas.

E ela: no meu governo, escolhi dentre os que eu considerava os melhores quadros da Petrobras. Vou continuar fazendo assim. Foi o que o presidente Lula fez. Vou continuar mantendo esse critério de escolher dentre os melhores. Esse é o melhor critério.

Quem assistiu foi tomado de assalto (ops!) pela impressão de que, sob o PT, o absurdo adquiriu uma doce, persuasiva, admirável naturalidade. A menos de quatro meses de fechar a conta do seu primeiro mandato, Dilma se espanta cada vez menos. Tornou-se uma administradora de pouquíssimos espantos.

Dilma referiu-se a Paulo Roberto Costa, o ex-executivo da Petrobras que virou delator, como um competente funcionário de carreira. Lembrou-se a ela que o executivo-delator tinha virado diretor de Abastecimento da Petrobras por indicação política. Sustentavam-no PT, PMDB e PP.

A senhora acha adequado? Em vez de responder com um ‘sim’ ou ‘não’, a Dilma preferiu praticar o esporte preferido do PT: tiro ao FHC. Paulo Roberto foi alto funcionário do governo Fernando Henrique, disse ela. Se não me engano, foi diretor da Gaspetro e gerente de exploração e prospecção de petróleo da região Sul. Dilma concluiu: os melhores quadros da Petrobras transitam de governo para governo.

A entrevistada não explicou se Paulinho, como Lula chamava o ex-executivo preso, já trazia o selo partidário da gestão FHC. Para ela, o apadrinhamento é normal. Se os aliados indicarem para a Petrobras uma ratazana, Dilma não fará a concessão de uma surpresa. É ratazana? Pois que seja ratazana! Se for uma ratazana de carreira, aí mesmo é que a nomeação sai. Se for uma alta ratazana da gestão FHC, as chances quintuplicam.

Entende-se agora por que Dilma mantém na Petrobras personagens como o ex-senador Sérgio Machado. Foi alojado no comando da subsidiária Transpetro em 2003, no alvorecer do primeiro reinado de Lula. Indicou-o, decerto movido por alguma inspiração patriótica, o notório senador Renan Calheiros.

Em dezembro, Sérgio Machado completará 12 anos de Petrobras. De duas, uma: ou o afilhado de Renan é um executivo genial ou Dilma, a exemplo do que fizera Lula, suprimiu dos seus hábitos o ponto de exclamação.

Amanhã, se der algum novo rolo, Dilma repetirá o que diz agora sobre Paulo Roberto Costa, o Paulinho: eu não sabia. O que nos espantou a todos foi que um desses quadros competentes da Petrobras cometeu esses delitos, ela acrescentou.

Sem querer, Dilma revoluciona o brocardo. Se o seu governo ensina alguma coisa é o seguinte: é errando que se aprende… A errar!

------------

Marina se defende na TV e pede ajuda na web

Com um tempo de propaganda eleitoral cinco vezes menor que o de Dilma Rousseff, Marina Silva teve de recorrer à criatividade para tentar se defender dos ataques que frearam seu crescimento nas pesquisas. Além de veicular na tevê um comercial de 15 segundos, o comitê de Marina inaugurou no seu site uma página anti-boatos. Nela, a candidata solicita “uma doação” aos seus simpatizantes.

Em vez de dinheiro, Marina pede um pedaço do tempo alheio: “contra a mentira e a agressão, dedique uma hora, meia hora, 20 minutos nas redes sociais para combater as calúnias.” A página oferece matéria-prima aos que se dispuserem a socorrer a candidata. Para cada “boato”, o comitê contrapõe as suas “verdades”. Vão abaixo três exemplos:

1. O boato: ‘Marina vai governar com o Itaú, representado pela Neca Setúbal’. A verdade: ‘Marina governará com o povo brasileiro. Neca Setúbal é hoje uma das mais importantes educadoras do Brasil. [...] Participou da discussão do programa de governo de Fernando Haddad (PT), prefeito de São Paulo, em 2012. Naquela ocasião, ninguém contestou o fato de que estava lá na condição de educadora.”

2. O boato: ‘A independência do Banco Central vai impedir avanços sociais.’ A verdade: ‘Banco Central independente significa que nenhum partido ou grupo de interesse usará a instituição para se beneficiar. No governo Marina, o BC estará a serviço do povo e ajudará a conter a inflação… Com o fortalecimento do tripé macroeconômico, o Brasil voltará a crescer… Foi com essa mesma política que o governo Lula conseguiu fazer o Brasil avançar socialmente.”

3. O boato: ‘Marina vai reduzir a importância e desperdiçar o pré-sal’. A verdade: ‘Marina não reduzirá os investimentos para a exploraçãoo do pré-sal. Ela acredita que as riquezas do pré-sal garantirão projetos estratégicos para o Brasil, viabilizando investimentos significativos em saúde e educação… A candidata defende que a distribuiçãoo dos recursos não prejudique os Estados produtores e neneficie o conjunto do país.”

De resto, Marina sustenta na página eletrônica que manterá o Minha Casa… e ampliará o Bolsa Família. Afirma que não misturará religião e política na Presidência. Reitera que seu programa sofreu mudanças no trecho ‘LGTB’ por “erro processual”. Repete que “considera homofobia um crime”. Afirma que vive dos rendimentos obtidos com palestras e que só não divulga os nomes dos contratantes porque está presa a cláusulas de “confidencialidade.”

------------

Baixo nível!



**********


PT não fala mais em privatização da Petrobras porque privatizada ela já está: pelo PT, PMDB e PP. A mentira da hora diz respeito ao pré-sal

Em 2002, 2006 e 2010, o PT inventou que os tucanos haviam querido — e quereriam ainda — privatizar a Petrobras. Alguma evidência, algum documento, alguma fala oficial de governo, alguma proposta que apontasse para isso? Nada! Nem um miserável papel. A maior evidência de que dispunham era um estudo encomendado para mudar o nome da empresa para Petrobrax. Uma burrice? Sem dúvida! Privatização? É piada! Tratava-se apenas de uma mentira de cunho terrorista — já que o partido sabia que a população brasileira, na sua maioria, infelizmente, se oporia à ideia. Este nosso povo bom prefere uma estatal lotada de larápios, roubando dinheiro para si e para seus respectivos partidos, a uma empresa privada que funcione bem, sem assaltar o nosso bolso. O gosto de um povo costuma ser o seu destino.

Lembro, só para ilustrar, que, às vésperas do segundo turno da eleição de 2010, José Sérgio Gabrielli — um dos principais responsáveis pela compra desastrada da refinaria de Pasadena —, então presidente da estatal, concedeu uma entrevista à Folha em que afirmou que o governo FHC havia tomado medidas em favor da privatização. Não apresentou uma só evidência, é claro!, porque se tratava apenas de uma mentira. Privatizada, como vimos, de fato, a Petrobras já está, o que não é segredo para ninguém. As evidências que vêm à luz a cada dia ilustram o descalabro.

Pois bem! Neste 2014, falar que estão querendo privatizar a Petrobras não chega a ser uma coisa exatamente popular. A empresa está mais nas páginas de polícia do que nas de economia, não é mesmo? Privatizada, ela já está. Como vimos, boa parte de sua operação pertence a companheiros do PT, do PMDB e do PP. Uma gangue agia dentro da empresa, em conexão com outra que, segundo Paulo Roberto Costa, atuava do lado de fora. Fica difícil convocar a população para a guerra santa em defesa de um nome que, infelizmente, acabou tão manchado.

Como é que o PT vai fazer, então? O partido não sabe fazer campanha eleitoral sem transformar seus adversários em satãs. Os petistas não conseguem entender o jogo político senão pela eliminação do outro. Não lhes basta simplesmente vencê-lo. Sem encontrar, antes como agora, verdades fortes o bastante em favor de si mesmos, então recorrem a mentiras contra seus oponentes.

Assim é com essa história absurda de que, se eleita, Marina vai tirar R$ 1,3 trilhão — sim, os desmandos da turma já atingiu a casa dos bilhões, e as mentiras, dos trilhões — da educação em razão da não exploração do pré-sal. Esse é o terrorismo da vez. Moralistas como são, advertidos até internamente de que isso é forçar a barra, os chefões não se intimidaram. Como Dilma deu uma pequena reagida, e Marina, uma esmorecida, chegaram à conclusão de que esse é mesmo um bom caminho. Se eles não podem vencer com a verdade, indagam sem hesitação: “Por que não a mentira?”.

Nesta quinta, em entrevista à Rede TV, Dilma culpou Marina, quando ministra do Meio Ambiente, pela demora nas licenças ambientais para obras de infraestrutura. É mesmo? Eu posso criticar algumas questões que a então ministra levantou ao longo do tempo sobre esta ou aquela obras, Dilma não! Ora, se ela criava dificuldades tecnicamente injustificadas e artificiais, por que não foi posta, então, fora do governo? Por que não se fez, então, o devido debate público? É que Lula gostava — e precisava — da “simbologia Marina”.

No horário eleitoral gratuito, o PT demoniza empresários e banqueiros, apresentados como um bando de salafrários que se regozijam quando supostos inimigos do povo — sim, Marina é o alvo principal — aparecem combinando tramoias. É grotesco que, nestes dias, quando conhecemos a casa de horrores em que se transformou a Petrobras, o PT venha a público para atacar o setor privado.

Encerro com um dado: até há cinco dias, Dilma, a que aparece como a adversária de empresários cúpidos, havia arrecadado mais do que o dobro da soma de Aécio e Marina: R$ 123,3 milhões entre julho e agosto, contra R$ 42,3 milhões do tucano e R$ 19,5 milhões de Marina.

Essa é a cara deles. Essa é a moralidade deles.

---------------

Servidor que adulterou perfis de jornalistas é… petista e estava lotado no Palácio do Planalto

O servidor que mudou na Wikipédia os perfis dos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão estava mesmo lotado (e lotando…) no Palácio do Planalto e é filiado — quem vai ficar surpreso? — ao PT. A Casa Civil o identificou: trata-se de Luiz Alberto Marques Vieira Filho, que agora vai responder a processo administrativo. Segundo o ministério, ele admitiu ter feito o servicinho sujo. O rapaz tem 32 anos e é filiado à seção do partido de Ourinhos desde 1999.

Vieira Filho é concursado do Ministério da Fazenda e era chefe da assessoria parlamentar do Ministério do Planejamento. Em razão do cargo comissionado, recebe, brutos, R$ 22.065 por mês. Segundo a Casa Civil, ele já deixou o cargo de confiança. A depredação da biografia dos jornalistas foi perpetrada em maio de 2013, quando era assessor da Secretaria de Relações Institucionais, sob o comando, então, de Ideli Salvatti. Quem o nomeou, no entanto, foi o então ministro Luiz Sérgio, antecessor de Ideli.

Atentem para o sabor da coisa: um assessor de um ministério cuja tarefa é cuidar de “relações institucionais” protagoniza uma ação tão pouco… institucional.

Por que ninguém tem o direito de se surpreender? Porque existem os blogs sujos, por exemplo, financiados por estatais, cuja tarefa é manchar a reputação de políticos da oposição e da imprensa. A canalha integra a rede da guerrilha virtual. Um dos perfis falsos atacando a honra do tucano Aécio Neves era gerenciado por Nataly Galdino Diniz, que trabalhava na Prefeitura de Guarulhos, cidade administrada pelo PT.

Por que eles fazem isso? Ora, porque acham que podem. Porque é esse o ambiente que respiram. Porque são treinados para usar a máquina pública em favor do “partido”. Reitero que essas ações difamatórias não são muito distintas das presentes em sites e blogs governistas, onde se veem estampados logotipos de estatais.

Vamos ver. A Casa Civil tem 30 dias para concluir o inquérito administrativo, prorrogados por mais 30.

-------------

Marina, Dilma e Aécio: crítica não é terrorismo; terrorismo não é crítica. Ou: “Esse cara sou eu”

Vamos botar um pouco de ordem no debate, né? Afirmar que Marina Silva, se eleita, vai cortar R$ 1,3 trilhão da educação, como faz o PT, é terrorismo vigarista. Qual é a lógica? “Ah, é que ela não vai explorar o pré-sal, e aí vai faltar o dinheiro que iria para a área.” É um discurso pilantra. Mais ainda: tentar associá-la ao fundamentalismo cristão, como fazem as milícias do sindicalismo gay petista, é, igualmente, má-fé. Mas alto lá!

Lembrar que dois presidentes se elegeram acima de partidos e conduziram o país à crise é só apreço pela história. “Ah, mas Marina é diferente de Collor e Jânio.” Eu sei, e estes, por sua vez, eram diferentes entre si. Em sentido mais geral, os homens são apenas iguais a si mesmos — e, ainda assim, tomados num corte sincrônico, não é? Diacronicamente falando, podem variar bastante. Vamos parar de “mi-mi-mi”! Marina tem de explicar suas contradições, a exemplo de qualquer outro.

Nesta quinta, Marina recorreu ao Twitter (ver post) para afirmar que Aécio faz uma desconstrução de sua figura pública que em nada fica a dever ao PT. Lamento! Mas é falso. Também no Twitter, o candidato do PSDB à Presidência lembrou que ele está a fazer crítica política. E se desafia aqui qualquer marinista convicto ou marineiro tático ou estratégico a apontar onde está a baixaria.

Olhem: considerando o que afirmou o neomarinista Walter Feldman nesta terça-feira em conversa com lojistas (ele previu o fim do PSDB se Marina vencer) e o que afirmara Beto Albuquerque numa reunião promovida por um banco na segunda (especulou que o baixo clero seria atraído pela peessebista em caso de vitória), até que a reação de seus adversários, nesse particular, foi modesta. Então um grupo político sustenta que vai fazer as reformas política, eleitoral, tributária, fiscal e administrativa apostando na dissolução de partidos? Tenham paciência!

Quem me conhece sabe que sempre estou ou de um lado ou de outro do muro; em cima, nunca! Desta feita, talvez eu tenha descoberto meu lado quântico, né? Torço pela derrota de Dilma por tudo o que essa gente representa de incompetência, de truculência e de falsificação da história, mas o que sei me impede de torcer pela vitória de Marina. A menos que ela conserte esse discurso que considero meio aloprado. Não posso fingir o que nem penso nem sinto. Se não for para ser absolutamente honesto com os leitores, pra que fazer este blog?

Nesta quinta, na entrevista que concedeu ao Globo, Marina afirmou: “O que ameaça o pré-sal é o que está sendo feito com a Petrobras. [...] Como as pessoas vão confiar em um partido que coloca por 12 anos um diretor para assaltar os cofres da empresa?”. É duro? É duro! Mas o ataque faz todo o sentido. E, com efeito, à diferença do terrorismo petista, sua afirmação está baseada em fatos.

Dilma decidiu responder: “Eu considero que a candidata Marina tem de parar de usar suas conveniências pessoais para fazer declaração. Ela ficou 27 anos no PT. Todos os seus mandatos, ela obteve graças ao Partido dos Trabalhadores. Dos 12 anos aos quais ela se refere, em oito ela esteve no governo ou na bancada no Senado Federal. Não é possível que as pessoas têm (sic) posições que não honrem sua trajetória política e se escondem (sic) atrás de falas que não medem o sentido dos seus próprios atos durante a vida”.

Parte da resposta faz sentido e é questão pública e inquestionável. De fato, em SETE (não oito) desses 12 anos, Marina foi beneficiária do condomínio de poder liderado pelo PT. E Dilma não comete maldade nenhuma ao lembrar disso. Mas se comporta como uma autêntica “companheira” quando, em seguida, sugere que, em razão da condição partidária, mesmo que pregressa, Marina deveria se calar sobre a lambança. Criticar a roubalheira da Petrobras, presidente, não é mudar de lado, mas assumir o lado certo do debate. O outro, afinal, é o dos ladrões.

“E você, Reinaldo? Qual é o seu papel?” Como jornalista, é analisar o processo político com as paixões intelectuais que tenho — e eu as tenho. Mas sem paixões partidárias. Segundo o meu ponto de vista, ainda espero razões para votar em Marina. Só o fato de ela não ser do PT não me basta.

“Esse cara sou eu”, como disse aquele.

*********


Caetano Veloso sai em defesa de Marina Silva

"As maluquices crescem e proliferam em reação à força eleitoral de Marina.

Rogério César de Cerqueira Leite repete que ela é criacionista, sem que ela nada tenha dito que justificasse tal conclusão.

Os católicos também seguem a Bíblia e nem por isso se diz que Frei Beto ou Gilberto Carvalho são criacionistas ou que afirmam que o mundo foi criado há poucos milênios.

Mesmo de pessoas mais sensatas li textos que tomam Marina como risco de fundamentalismo. Mas como? Uma mulher que tem, com mais clareza e firmeza do que todos os outros postulantes, falado sobre o sentido do Estado laico!

Uma carreira política em que se vêem as discussões que se passam na mente da militante, da vereadora, da ministra, da senadora, da candidata - sem que se perca a certeza da coerência íntima da pessoa!

Faz sentido querer-se reafirmar a gratidão pelos conseguimentos do PT no poder; também é certo ter esperanças na sensatez do cadidato do PSDB, com o economista indicado para a pasta da Fazenda apresentando, em entrevistas, planos sensatos de superação do que parece ser o beco-sem-saída em que entrou a política econômica petista.

Mas nada disso dá o direito a ninguém de desconsiderar a seriedade com que Marina se comporta sempre - e desde sempre.

Marina não é nada de Collor nem nada de Jânio. Marina é o esboço de um novo Lula. É o organismo Brasil movendo-se internamente para metabolizar novos conteúdos. Esses novos conteúdos têm relação com os velhos - às vezes sentidos como eternos - problemas brasileiros: a desigualdade, a sociedade hierárquica, o atraso.

Entendo a reação de Jean Willys ao recuo, no programa de Marina, quanto a temas cruciais dos grupos LGBT. Sempre me senti mais identificado com os gays do que com os caretas. Mas nem de longe isso me abala em minha decisão de votar em Marina.

Os recuos no seu programa não a colocam em posição menos progressista do que a de seus oponentes. E Marina é tão maior promessa! Por que não ter coragem de apostar nela?

Se eu pudesse influir, diria: VOTE EM MARINA. VOTE EM FREIXO. VOTE EM JEAN WILLYS.”

----------

Dilma: coordenadora de campanha do PSB age como banqueira
Fernanda Krakovics, O Globo

Candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff afirmou que Neca Setubal, herdeira do banco Itaú e uma das coordenadoras da campanha de Marina Silva (PSB), está se comportando como banqueira, e não como educadora. Questionada sobre a mudança de posição do PT em relação à Neca (que em 2012 colaborou com o programa de educação do então candidato petista à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad), Dilma disse que quem mudou de atitude foi Neca.

"Mudou porque ela está se comportando como banqueira. Na medida que sou herdeira do banco Itaú e defendo uma política que beneficia claramente os bancos, que é a política de independência do Banco Central, de redução do papel dos bancos públicos, eu estou fazendo papel de banqueira. Não estou falando sobre educação nem sobre criança nem sobre creche. Não dá para vestir as duas roupas, ou é uma ou é outra, ou é a verdadeira ou é a fantasia", disse Dilma.

--------------

Tribunal Superior Eleitoral barra candidatura de Arruda
Gabriel Garcia

O Tribunal Superior Eleitoral confirmou ontem, por 6 votos a 1, decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) que barrou a candidatura de José Roberto Arruda (PR) ao governo do Distrito Federal, com base na lei da Ficha Limpa.

O julgamento tinha sido adiado após um pedido de vista - mais prazo para estudar o processo - do ministro Gilmar Mendes. No recurso analisado ontem, Arruda pedia esclarecimentos sobre a decisão que o barrou e a revisão da condenação no Tribunal Regional Eleitoral, que o tornou inelegível.

Arruda foi flagrado, em um vídeo, recebendo 50 mil reais das mãos do ex-secretário Durval Barbosa, delator do esquema que deu origem à Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal.

Por causa do escândalo, Arruda foi condenado por crime de improbidade administrativa pelo juiz Álvaro Ciarlini, da 2ª Vara da Fazenda Pública. A decisão foi confirmada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.

Na terça-feira (9), Arruda já havia sofrido uma derrota. Foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça por improbidade administrativa, que confirmou a decisão das instâncias inferiores. O STJ rejeitou recurso que contestava a isenção do juiz de primeiro grau (Álvaro).

O advogado de Arruda, José Eduardo Alckmin, entrou com reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra decisão que negou o registro da candidatura do seu cliente. Arruda continua em campanha até decisão da instância máxima do Judiciário, mas vem acumulando sucessivas derrotas.

O TSE barrou ainda, por 6 votos a 1, o registro da candidatura da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN), filha do ex-governador Joaquim Roriz, outro envolvido em denúncias de corrupção.

Jaqueline, que concorre à reeleição, foi condenada por improbidade administrativa por participação no esquema de corrupção conhecido por mensalão do Democratas, que culminou com a cassação de Arruda.

Seu pai, Roriz, renunciou ao Senado, em 2007, após ser flagrado em conversa por telefone negociando a partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília Tarcísio Franklin de Moura.

Ele retirou R$ 300 mil para pagar uma bezerra e devolveu o restante, R$ 1,9 milhão, ao empresário Nenê Constantino, dono do cheque e fundador da empresa aérea GOL.

-------------

Acre, o Estado que pede renovação, vota no PT há 15 anos
M. Rossi, El País

Andando por Rio Branco, um sentimento ambivalente pela família Viana, que mistura ressalva e gratidão, paira no ar quente e úmido da capital do Acre, que abriga quase 50% da população total (pouco mais de 733.000 pessoas) do Estado. Aqui, os irmãos Viana – Jorge e Tião, petistas desde a fundação do partido - já foram eleitos para a Prefeitura, para o senado e para o Governo do Estado que, há quase 16 anos, está nas mãos do PT.

“Eu tenho muitas críticas à família Viana, mas tenho que reconhecer que eles fizeram muito pelo Acre”, diz Maria de Fátima Cavalcanti, moradora de Rio Branco, enquanto esperava o ônibus. Assim como Maria de Fátima, muita gente tem críticas ao governo, mas com ressalvas, já que há quatro eleições escolhe mais um sucessor petista.

------------

Aliado à esquerda e à direita, PMDB deve governar metade do país
Marina Rossi e Afonso Benites, El País

Se tudo evoluir como as últimas pesquisas eleitorais estão prevendo, o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) vai governar quase a metade do país. Dos 27 Estados brasileiros, 13 estarão nas mãos do partido, fundado em 1966. Nove Estados podem ter um governador ‘puro sangue’ do PMDB: Espírito Santo, Sergipe, Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Amazonas, Tocantins, Pará e Rondônia.

Em outros quatro, a legenda entra como coligada dos partidos que estão em primeiro: Santa Catarina, Minas Gerais, Amapá e Bahia. Nas alianças, o PMDB se junta ao DEM, partido de direita, para o governo baiano, ao PSD que é de centro-direita, em Santa Catarina, e o PT e ao PDT, de esquerda e centro-esquerda, em Minas Gerais e no Amapá, respectivamente.

-------------

Funcionário que alterou perfis na Wikipédia trabalhava no Planalto
Luiza Damé e Catarina Alencastro, O Globo

Após um mês de apuração, a comissão de sindicância da Casa Civil da Presidência da República identificou o responsável pelas mudanças nos perfis dos jornalistas Míriam Leitão e Carlos Alberto Sardenberg na enciclopédia virtual Wikipédia, em maio do ano passado, a partir da rede de computadores do Palácio do Planalto.

Trata-se do servidor Luiz Alberto Marques Vieira Filho, funcionário de carreira do Ministério da Fazenda, mas na época lotado na Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Segundo a Casa Civil, responsável pela sindicância, o servidor vai responder a processo administrativo disciplinar (PAD).

------------

Comandante de UPP no Alemão morre em tiroteio com traficantes
G1

O comandante da UPP Nova Brasília, capitão Uanderson Manoel da Silva, 34 anos, morreu no início da noite de quinta-feira, após ser alvejado com um tiro no peito. Segundo a polícia, o oficial participou de uma troca de tiros com suspeitos de pertencer ao tráfico de drogas no Conjunto de Favelas do Alemão, Zona Norte do Rio.

O comandante chegou a passar por uma cirurgia no tórax, mas morreu por volta das 19h30. De acordo com a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, ele chegou a ser levado para a Unidade de Pronto Atendimento do Alemão e encaminhado para o Hospital Getúlio Vargas. O tiroteio ocorreu por volta das 17h30.

-----------

Revolta contra sentença que culpa fotógrafo por perder o próprio olho
Talita Bedinelli, El País

Fotógrafos e repórteres de São Paulo vão cobrir um de seus olhos durante um dia de trabalho, em protesto contra a decisão da Justiça paulista de ter culpado o fotógrafo Alex Silveira por ter perdido a própria visão ao ser atingido por uma bala de borracha lançada pela Polícia Militar em um protesto.

Na época, Silveira trabalhava para o jornal “Agora”, do Grupo Folha. Ele foi atingido enquanto fotografava um ato de servidores da saúde e da educação na avenida Paulista que acabou em um confronto entre os cerca de 15.000 manifestantes e a tropa de Choque da Polícia Militar, que usou balas de borracha, gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral contra a multidão.

-------------

No acumulado do ano, criação de empregos com carteira cai 31%
Geralda Doca, O Globo

O mercado formal de trabalho registrou em agosto a geração líquida de 101.425 empregos, queda de 20,54%, em relação ao saldo obtido no mesmo período do ano passado, que foi de 127.648 postos. É o pior resultado para o mês desde 2012, mas ainda assim o mercado reagiu, na comparação com os dois últimos meses. Em julho, foram criados 11.796 empregos, o patamar mais baixo dos últimos 15 anos e, em junho, 25.363, o pior desde 1998.

O saldo dos empregos formais em agosto ficou acima das projeções do mercado, de 70 mil em média. No acumulado do ano até agosto, foram abertas 751.456 vagas, considerando dados ajustados (declarações foram do prazo), de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.

--------------

Uma multidão exige o plebiscito sobre a independência em Barcelona
Miquel Noguer e Pere Ríos, El País

Uma maré humana ocupou na tarde de quinta-feira 11 quilômetros das principais vias de Barcelona, naquela que se propôs a ser a maior manifestação dos independentistas catalães em prol da realização de um plebiscito de autodeterminação em 9 de novembro.

As entidades soberanistas Assembleia Nacional Catalã e Òmnium Cultural, com o apoio dos partidos e sindicatos favoráveis à consulta, conseguiram preencher quase completamente a Gran Via e a avenida Diagonal em uma concentração que, do céu, tinha a forma de “V”, simbolizando a “vontade de votar” e um apelo à “vitória” da independência.

-------------

Estado Islâmico pode ter até 30 mil combatentes, diz CIA
O Globo

O número de combatentes do grupo jihadista Estado Islâmico está entre 20 mil e 31.500, segundo uma nova estimativa realizada pela CIA, que anteriormente declarara que o número de combatentes seria de 10 mil. A CIA atribuiu o aumento a “um recrutamento mais vigoroso desde junho graças a ampliação de seu domínio em partes da Síria e do Iraque, e à proclamação do califado”, afirmou o porta-voz da agência, Ryan Trapani.

A informação foi revelada um dia depois do anúncio do presidente americano, Barack Obama, que se comprometeu a ampliar a ofensiva contra os extremistas com um plano que abre possibilidades para ataques aéreos na Síria e novo apoio às forças do governo iraquiano.

------------

Bachelet anuncia a anulação da Lei de Anistia promulgada por Pinochet
Rocío Montes, El País

Justamente no aniversário de 41 anos do golpe de Estado de 1973, o primeiro vivido por Michelle Bachelet em seu segundo mandato, a socialista mandou um sinal inédito em matéria de direitos humanos: seu governo anunciou que pretende anular a Lei de Anistia promulgada pela ditadura de Augusto Pinochet em 1978 e que permitiu que os crimes cometidos entre 1973 e essa data ficassem impunes.

O Executivo pedirá urgência máxima para a tramitação de um projeto de lei que existe no Congresso desde 2006 sobre essa matéria, apresentado por um grupo de senadores governistas, e que busca anular os cinco artigos que compõem a legislação do regime militar.

-------------

EUA e União Europeia aplicarão mais sanções contra a Rússia
Estadão

O presidente americano, Barack Obama, disse ontem que os Estados Unidos se juntarão à União Europeia na imposição de sanções mais duras contra os setores de defesa, energia e finanças da Rússia. Os detalhes serão apresentados nesta sexta-feira.

"Essas medidas aumentarão o isolamento político e os custos econômicos para a Rússia, especialmente nas áreas de importância para o presidente (Vladimir) Putin e daqueles ligados a ele", disse Obama em comunicado. As sanções são uma retaliação por Moscou ter enviado tropas para o leste da Ucrânia em agosto.


**********

Blog do Coronel

Ações do Banco do Brasil caem 9% com ataques de Dilma aos bancos. Petrobras perde 10,3% do valor. É o PT acabando com o patrimônio nacional, fazendo o diabo para vencer a eleição.

Desde segunda-feira a presidente Dilma tem se apropriado do discurso petista dos anos 1980 de que os bancos são o inimigo a ser combatido. Tanto em campanha na rua quanto em seu programa eleitoral na TV e no rádio, a candidata passou a valer-se da estratégia de associar banqueiros à causa dos males que atingem a população. A intenção é atingir a candidata Marina Silva (PSB), que tem em sua equipe Neca Setúbal, acionista do banco Itaú.

Dilma também se apropriou de um dos pontos do programa de governo de Marina, a autonomia do Banco Central, para desferir críticas. Para a candidata, um BC autônomo será gerido em prol dos interesses de banqueiros. Resultado dessa retórica é que não só o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, despencou quase 6% neste início de setembro, como as ações dos bancos também sentiram o baque. Temendo maior interferência do governo no sistema financeiro caso Dilma se reeleja, investidores fugiram dos papéis das principais instituições bancárias desde segunda-feira.

O Banco do Brasil foi o mais impactado. Perdeu 9% de seu valor de mercado apenas nos primeiros dez dias de setembro. Já as ações preferenciais do Bradesco recuaram 6,8% no período. Nesta quarta-feira, as quedas são de 1,58% e 2,47% respectivamente. Itaú, Santander e BTG Pactual também acompanharam a tendência de queda. Os bancos só não perdem no acumulado do mês para a Petrobras, cujo valor de mercado recuou 10,3%.

Banco Central — Em propaganda eleitoral de 30 segundos produzida pelo marqueteiro João Santana, que começou a ser veiculada nesta terça-feira, o PT lançou mão das retóricas de pobres contra ricos, negros contra brancos e banqueiros contra o povo para ilustrar a ideia de que dar autonomia ao Banco Central é o mesmo que entregar o órgão aos donos de instituições financeiras. A crença deturpada que a presidente tem em relação ao papel do BC foi destrinchada dias atrás no site Muda Mais, patrocinado pelo partido. Nesta quarta-feira, Dilma replicou com todas as vírgulas a cartilha adiantada pelo Muda Mais: a petista afirmou que a autonomia do Banco Central causará aumento das taxas de juros, desemprego e redução de salário para os brasileiros. (Revista Veja)

---------------

TCU prova que Dilma maquia Bolsa Família para reduzir pobreza.

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgado nesta quarta-feira aponta que os indicadores relativos ao Bolsa Família divulgados pelo governo podem estar distorcidos. De acordo com as análises do tribunal, a distorção ocorre porque os valores para definir a linha de pobreza no Brasil estão desatualizados. Atualmente, as linhas da extrema pobreza e da pobreza definidas pelo governo, são de R$ 77 e R$ 154 per capita. O documento afirma que esses valores deveriam aumentar para R$ 100,00 e R$ 200,00, respectivamente por causa da inflação.

Por meio de nota, o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome defendeu o programa e os dados divulgados pelo governo sobre a pobreza no país. Para o MDS, o relatório do TCU “parte de premissas erradas para chegar a conclusões equivocadas sobre o programa Bolsa Família”. Sobre a quantia que termina as linhas de pobreza, o ministério argumentou que “o valor de R$ 70 equivalia em junho de 2011 a US$ 1,25 por dia e foi atualizado para R$ 77, por intermédio do Decreto nº 8.232, em 2014, o que é compatível com o parâmetro internacional para classificar a extrema pobreza”.

O ministério ainda questiona o fato de o relatório ter sido publicado às vésperas das eleições e citar projetos de lei do candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves. “Também causa estupefação que constasse no relatório preliminar do TCU a referência a dois projetos de lei ainda em tramitação no Congresso Nacional, de origem do senador Aécio Neves. Entre centenas de projetos que tratam da matéria social, estes, inócuos, foram pinçados e abordados no relatório”, diz a nota.

O relator da fiscalização, Augusto Sherman Cavalcanti, afirmou que "não é difícil perceber, portanto, que os indicadores relativos ao alívio da pobreza podem estar distorcidos para cima quanto aos seus valores. Portanto, deve-se recalcular esses indicadores utilizando de balizamentos de linha de pobreza atualizados".

Outro problema mostrado pelo relatório é que o governo faz uso do Censo 2010 para estimar a população de pobres, o que acarreta na defasagem dos indicadores de cobertura do Bolsa Família. Em 2013, por exemplo, o resultado do indicador da taxa de atendimento às famílias foi de 102,1%, o que significa que o programa atinge mais pessoas do que aquelas consideradas pobres.

Atualmente, cerca de 12 milhões de famílias recebem o benefício. O tribunal não estimou, porém, em quanto aumentaria o número de pobres e extremamente pobres no país caso houvesse um reajuste nos valores para definir as linhas de pobreza . (O Globo)


************

Blog do Reinaldo Azevedo

Datafolha: cai a diferença entre Marina e Dilma no segundo turno, mas candidata do PSB resiste à artilharia

O Jornal Nacional divulgou há pouco o resultado da mais recente pesquisa Datafolha. Se a eleição fosse hoje, a petista Dilma Rousseff chegaria a 36% dos votos no 1º turno, contra 33% de Marina Silva, do PSB. Aécio Neves, do PSDB, variou de 14% para 15%. Os demais candidatos somam 3%. Dizem que votarão em branco ou nulo 6% dos entrevistados; outros 7% afirmam não saber ainda. Nas pesquisas anteriores do instituto, dos dias 18/08, 29/08 e 3/09, a petista tinha, respectivamente, 36%, 34% e 35%; a peessebista, 21%, 34% e 34%, e o tucano, 20%, 15% e 14%. As variações em relação à semana passada estão dentro da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 10.568 eleitores em 373 municípios nos dias 8 e 9 de setembro. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-584/2014. Os gráficos abaixo foram públicos pelo Portal G1.

A diferença no segundo turno também variou dentro da margem, mas em favor de Dilma. Marina, é bem possível, venceria a disputa hoje. Ela aparece agora com 47% — há uma semana, 48%. Dilma, que tinha 41%, exibe 43%. A diferença pró-Marina voltou a ser de 4 pontos, a mesma do dia 18 de agosto. Mas já chegou a ser de 10 pontos, no dia 29 do mês passado (50% a 40%); passou a ser de 7 (48% a 41%) no dia 3 de setembro e, agora, é de 4. O Datafolha também simulou outras hipóteses: Marina venceria Aécio por 54% a 30%; o tucano perderia para a petista por 49% a 38%.

É claro que Dilma melhorou um pouco em relação à pesquisa anterior. Considerados os três últimos levantamentos, a peessebista murcha um pouco, e a petista cresce o mesmo tanto. Mas, se querem saber, Marina está resistindo mais do que muitos esperavam. Observem que a artilharia contra ela é pesada. Vem enfrentando críticas duras de Aécio, por exemplo, mas não uma guerra aberta. No caso do PT, tenta-se mesmo uma ação de extermínio. São 11 minutos da televisão contra 2, mais o peso da máquina. Num eventual 2º turno, é bom lembrar, as duas terão o mesmo tempo na TV, diariamente.

Quando se analisa a rejeição, percebe-se que os números de Dilma seguem estáveis e que os de Marina cresceram sete pontos desde o dia 15 de agosto, passando de 11%, então, para 18% — há sete dias, era de 16%. Em relação à semana passada, a de Dilma oscilou de 32% para 33%, e a de Aécio, de 21% para 23%..

A avaliação do governo Dilma segue estável. Os números não variaram em uma semana: 36% o consideram ótimo ou bom; 38% dizem que é regular, e 24% o apontam como ruim ou péssimo.

Há duas semanas, as pesquisas trouxeram a ascensão meteórica de Marina. O PT pode se dar por satisfeito por tê-la contido, abalando-a até. Mas não há dúvida de que a candidata do PSB está demonstrando uma resistência que seus adversários certamente não esperavam.

***********


PT diz que tática deu certo e Dilma volta a ligar Marina a banco
Estadão

O comando da campanha da presidente Dilma Rousseff vai ampliar a tática de colar na adversária do PSB, Marina Silva, o rótulo de “candidata da elite” tutelada por “banqueiros”. A estratégia foi decidida após pesquisas analisadas pelo PT indicarem que os ataques têm surtido efeito e lançam dúvidas no eleitorado sobre a viabilidade de Marina para governar o país.

Encomendadas pelo marqueteiro João Santana, as pesquisas qualitativas - que avaliam impressões dos eleitores - indicaram que banqueiros são vistos como “vilões” não apenas pelos mais pobres, mas também pela nova classe média. É com base nesse diagnóstico que o PT quer desgastar Marina.

-----------------

Aécio murcha junto com o PSDB
Afonso Benites, El País

O PSDB caminha para uma transformação inesperada neste ano. De grande e protagonista, o partido possivelmente passará a ser uma legenda média, coadjuvante. Uma das razões é o mau desempenho que o candidato presidencial Aécio Neves deve ter nas próximas eleições. Se as pesquisas eleitorais se confirmarem, pela primeira vez em 20 anos o PSDB estará fora do segundo turno na luta pelo Palácio do Planalto.

Será também a primeira derrota eleitoral de Aécio, que desde 1987 ocupa cargos eletivos. Foi deputado federal por quatro mandatos, governador de Minas Gerais por duas vezes e atualmente é senador. Além disso, o desempenho dos tucanos nos Estados tende a ser fraco, em comparação com as últimas cinco eleições. Conforme as últimas pesquisas eleitorais, o PSDB lidera a disputa para o governo de quatro estados. É a metade dos governos que elegeu em 2010.

-----------

STF vai compartilhar documentos da Lava Jato com CPI
Marcela Mattos, Veja

O presidente da CPI mista da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), disse que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou o compartilhamento integral dos documentos da Operação Lava Jato da Polícia Federal. No material, segundo o senador, está a delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que detalhou o balcão de negócios instalado na estatal e citou nomes de uma constelação de políticos, conforme revelou a revista Veja.

“Acabamos de receber ofício do STF no qual o ministro Teori Zavascki encaminha cópia integral dos autos e da petição que tramitam naquela corte. As informações referentes aos depoimentos de Paulo Roberto Costa a título de delação premiada não constam dos autos dos processos encaminhados porque o STF ainda não tem esses autos. O ministro Teori decidiu compartilhar todo o material, inclusive a delação, assim que chegar ao gabinete”, disse Vital.

-----------

Cerveró aceita fazer acareação com ex-diretor da Petrobras
Ricardo Brito e Daiene Cardoso, Estadão

O ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró rebateu, ontem, em depoimento à CPI Mista que apura suspeitas de irregularidades na estatal, as declarações do ex-colega Paulo Roberto Costa, que disse ter havido desvios para abastecer um esquema de pagamento de propina a políticos, conforme reportagem da revista Veja sobre a tentativa de delação premiada do ex-dirigente preso pela operação Lava Jato.

No depoimento, Cerveró foi instigado pela oposição a atacar a presidente Dilma Rousseff e avalizar declarações de Costa, mas ele foi em sentido oposto. “Nunca ouvi falar de organização criminosa na Petrobras.” Cerveró disse aceitar uma acareação com o ex-colega de diretoria: “Não tenho por que ficar preocupado com a delação do Paulo”.

------------

Dados do Bolsa Família podem estar distorcidos, revela TCU
O Globo

Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgado nesta quarta-feira aponta que os indicadores relativos ao Bolsa Família divulgados pelo governo podem estar distorcidos. De acordo com as análises do tribunal, a distorção ocorre porque os valores para definir a linha de pobreza no Brasil estão desatualizados. Atualmente, as linhas da extrema pobreza e da pobreza definidas pelo governo, são de R$ 77 e R$ 154 per capita.

O documento afirma que esses valores deveriam aumentar para R$ 100,00 e R$ 200,00, respectivamente por causa da inflação. Por meio de nota, o Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome defendeu o programa e os dados divulgados pelo governo sobre a pobreza no país. Para o MDS, o relatório do TCU “parte de premissas erradas para chegar a conclusões equivocadas sobre o programa Bolsa Família”.

------------

Cinco milhões de senhas do Gmail são divulgadas em site russo
Isabel Valdés Aragonés, El País

Quase cinco milhões de contas de Gmail, Google Plus, Yandex e Mail.ru (estes últimos, dois dos portais mais visitados da Rússia) apareceram na noite de terça-feira no site russo btcsec.com. A página de bitcoin, especializada em segurança na Internet, divulgou uma captura de tela da base de dados invadida.

Disseram que mais de 60% da combinação de usuários e senhas era válida, apesar de a direção do Google no país ter explicado aos meios de comunicação nacionais que a maior parte da informação era “velha e potencialmente desatualizada”. Ou seja, contas que os donos já não usam ou senhas antigas.

------------

Obama diz que vai agir na Síria contra Estado Islâmico
Flávia Barbosa, O Globo

Um dia antes do aniversário dos ataques de 11 de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou ontem que "não hesitará" em realizar ataques contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Em um pronunciamento à nação, Obama também disse que vai financiar e treinar rebeldes sírios para combater o grupo radical islâmico.

Ele afirmou ainda que pedirá apoio do Congresso do país para levar o plano adiante. "Quem ameaçar os Estados Unidos, não encontrará porto seguro", afirmou Obama, referindo-se ao terrorismo. Ele destacou, entretanto, que a ofensiva será diferente das ocorridas no Afeganistão e no Iraque, acrescentando que não haverá tropas americanas em solo.

-----------

Rússia realiza teste de míssil com capacidade nuclear
Darya Korsunskaya, Reuters

O presidente russo, Vladimir Putin, disse ontem que a Rússia deve manter seu poder de dissuasão nuclear para fazer frente ao que chamou de crescente ameaça de segurança, depois que Moscou testou um míssil nuclear intercontinental.

Com os laços com o Ocidente fragilizados por conta da crise na Ucrânia, Putin também assumiu o controle de uma comissão que supervisiona a indústria de defesa e fez um pedido para que a Rússia se torne menos dependente de equipamentos importados do Ocidente. Ele afirmou que a Otan está usando a retórica sobre a crise na Ucrânia para "se ressuscitar" e apontou que a Rússia havia alertado repetidas vezes que teria que responder a tais medidas.

---------------

Cristina anuncia projeto de 'Central Park' em Buenos Aires
Veja

A presidente Cristina Kirchner não se cansa de buscar formas de tirar o foco dos graves problemas econômicos enfrentados pela Argentina. A mais recente artimanha foi o anúncio da construção de uma obra faraônica em Buenos Aires, a torre mais alta da América Latina, com 335 metros de altura.

Não demorou para o projeto inspirar diversos memes, alguns deles com referência à crise que o país enfrenta. O projeto exigirá investimentos de 2,5 bilhões de pesos argentinos (mais de 680 milhões de reais), que sairão dos cofres do Estado e da empresa privada Riva S.A, ganhadora da disputa.

**********


Morto, Campos deve eleger governador em PE

Em 13 de agosto de 2014, dia da morte de Eduardo Campos, o deputado Márcio França, presidente do PSB de São Paulo, vaticinou: “O Armando Monteiro já pode renunciar à candidatura dele ao governo de Pernambuco. Não tem a menor chance. O Paulo Câmara está eleito.”

Decorridos 29 dias, o Datafolha atesta a previsão: a candidatura de Armando Monteiro (PTB) definhou 14 pontos percentuais, despencando de 47% para 33%. Já não exibe todos os sinais vitais. Tudo indica que a pretensão política do personagem morreu. Pior: não foi para o céu.

Com Paulo Câmara (PSB) deu-se o oposto. Desde a morte do seu padrinho, o ex-azarão agigantou-se de 13% das intenções de voto para para 39%. Pela primeira vez, encontra-se numericamente à frente do seu antagonista. Para Câmara, ex-secretário de Fazenda do Estado, a morte de Campos foi um enorme despertar.

-------------

Marina retifica valor dos bens, que sobem 37%

A presidenciável Marina Silva retificou a declaração patrimonial que entregara à Justiça Eleitoral. Acrescentou dois investimentos mantidos no banco HSBC: uma aplicação em renda fixa no valor de R$ 30 mil e uma caderneta de poupança de R$ 15.612,94. Assim, o patrimônio da candidata subiu de R$ 135.401,38 para R$ 181.018,82 —um pulo de 37%.

As correções foram feitas um dia depois de o comitê de Dilma Rousseff ter protocolado na Procuradoria da República um pedido de investigação sobre a renda de Marina com palestras. Coisa de R$ 1,6 milhão entre 2011 e 2014. De descuido em descuido Marina vai deixando na campanha um rastro de erratas. Retifica do programa de governo ao patrimônio. Como candidata à Presidência, Marina prestaria um serviço a si mesma se começasse a presidir os próprios dados.

------------

Dilmoil!




**********

Blog do Noblat

Datafolha: Dilma e Marina estão tecnicamente empatadas

Pesquisa do Instituto Datafolha e divulgada nesta quarta-feira pelo Jornal Nacional traz a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) com 36% das intenções de voto. Marina Silva (PSB) aparece em segundo, com 33%, e Aécio Neves (PSDB) tem 15%. Dilma e Marina estão tecnicamente empatadas.

Pastor Everaldo (PSC), Luciana Genro e Eduardo Jorge têm 1% cada. Números de branco e nulo somam 15%, outros 7% não sabiam responder. Na pesquisa anterior realizada por tal instituto, Dilma tinha 35% das intenções de voto, Marina, 34, e Aécio, 14.

Em uma simulação de segundo turno, Marina venceria Dilma, por 47% a 43% dos votos – cenário considerado de empate. Quando o candidato é Aécio, Dilma tem 49% contra 38% do senador. E Marina venceria Aécio por 54% contra 30%.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O Datafolha ouviu 10.064 eleitores entre os dias 8 e 9 de setembro, em 373 municípios.

------------

Datafolha PE: Paulo Câmara tem 39%, e Armando Monteiro, 33%
G1

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (10) aponta os seguintes percentuais de intenção de voto na corrida para o governo de Pernambuco:

Paulo Câmara (PSB): 39%

Armando Monteiro (PTB): 33%

Zé Gomes (PSOL): 1%

Miguel Anacleto (PCB): 1%

Pantaleão (PCO): 0%

Jair Pedro (PSTU): 0%

Brancos e nulos: 9%

Não souberam responder: 16%

Considerando a margem de erro de três pontos percentuais, os dois candidatos estão empatados no limite da margem de erro com maior possibilidade de Paulo Câmara estar à frente de Armando Monteiro. O candidato do PSB pode ter entre 36% e 42% e o do PTB pode ter entre 30% e 36%.


**********

Blog do Augusto Nunes

‘Um pré-sal de lama’, editorial do Estadão
Publicado no Estadão desta terça-feira

É ainda muito pouco - e incerto - o que acaba de vir a público do esquema de corrupção na Petrobrás, a partir das informações que o ex-diretor de abastecimento da empresa Paulo Roberto Costa teria repassado ao Ministério Público e à Polícia Federal desde que começou a contar o que saberia sobre o pré-sal de lama na petroleira. Ele se tornou delator na esperança de escapar a penas que podem somar 50 anos de prisão por suas traficâncias com o doleiro Alberto Youssef, desarticuladas pela Operação Lava Jato em março último. Youssef teria branqueado R$ 10 bilhões. No setor de seu parceiro, as maracutaias podem ter custado à Petrobrás R$ 3,4 bilhões em propinas pagas a autoridades, políticos e empresários, estima o jornal Valor, à razão de 3% de cada contrato assinado.

Segundo o Estado, pelo menos 32 figurões - entre parlamentares, um governador e um ministro - teriam se beneficiado. O jornal citou o presidente do Senado, Renan Calheiros. Para a Folha de S.Paulo, seriam 62 os envolvidos. Já a revista Veja fala em 36, dos quais nomeia 12. Notadamente, além de Calheiros, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão; o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves; a governadora do Maranhão, Roseana Sarney; o ex-governador do Rio Sérgio Cabral, todos do PMDB; e o pernambucano Eduardo Campos, que comandava o PSB. Os demais incluem o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte e o senador Ciro Nogueira, ambos do PP. Os petistas são o deputado Cândido Vaccarezza e o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Não se informou o que teriam praticado.

Mas o que se publicou foi suficiente para obrigar os principais candidatos ao Planalto a repensar as suas estratégias, a menos de um mês do primeiro turno. Esta insólita campanha já tinha mudado de rumo depois da morte de Eduardo Campos. Antes dominada por Dilma Rousseff e Aécio Neves, a disputa virou de ponta-cabeça. No lugar do ex-governador, Marina Silva disparou nas pesquisas, em prejuízo do tucano e ameaçando a reeleição da petista. Agora, o clima tende a mudar. O tema da corrupção migra da periferia para o centro do debate - tendo como foco o que se cometeu, desde a ida do PT ao poder, na maior e mais estimada empresa nacional.

Não bastará Dilma alegar que o noticiário "não lança suspeita nenhuma sobre o governo, na medida em que ninguém do governo foi oficialmente acusado", para dissipar as suspeitas - anteriores aos depoimentos de Costa, mas potencializadas pelo que a imprensa lhe atribui - de que ela olhou para o outro lado enquanto prosseguia a predação da Petrobrás, iniciada nos anos Lula. A hipótese se ampara na lógica e nos fatos. Se o mensalão consistiu no suborno de deputados para que aprovassem os projetos tidos como essenciais pelo então presidente, o assalto tolerado à petroleira decerto servia, na esfera política, para satisfazer os membros, não raro influentes, da base aliada, de modo a assegurar a coligação eleitoral que daria à candidata quase a metade do tempo do horário de propaganda. Se assim é, Dilma tirou da roubalheira proveito material - contabilizado, no caso, em minutos e segundos.

Os fatos, por sua vez, apontam com mais firmeza ainda o dedo para o Planalto. Em dobradinha com Calheiros, a presidente asfixiou a investigação parlamentar sobre a estatal, cujo ponto de partida era o caso da Refinaria de Pasadena, e cujo ponto de chegada poderia ser um terremoto político comparável à sangria a que o patrimônio da Petrobrás foi submetido nos anos recentes. Dilma argumentou que a CPI pretendida pela oposição - afinal, foram criadas duas, desfibradas - era "eleitoreira". Agora, ironia das ironias, as confissões atribuídas ao ex-diretor apadrinhado pelo PP, endossado pelo PMDB e avalizado por Lula podem fazer mais estragos para Dilma do que uma CPI cujos membros buscam antes o voto do que as verdades a apurar.

Pode sobrar também para Marina devido à menção do político pernambucano a que se achegou para ser a sua vice (não bastasse a história dos laranjas do avião cedido à campanha). Já Aécio, enquanto nada incriminar qualquer dos dirigentes dos nove partidos que o apoiam, se lançará à chance de voltar a subir nas pesquisas.

***********


O drama de Marina

                A ofensiva de Aécio Neves contra a candidatura de Marina Silva preocupa o comando marineiro. Os ataques, a exemplo dos feitos pela presidente Dilma, estão afetando sua posição. Seu crescimento nas pesquisas foi detido e não será surpresa se ela cair. Um dos seus resume: “Vamos sofrer. A desproporção de tempo na TV é enorme. Temos que sobreviver até o segundo turno".

Para Aécio, o jogo está aberto
A campanha tucana vai continuar batendo na presidente Dilma e em Marina Silva. Aécio Neves não entregou os pontos e vai martelar na tecla de que elas são farinha do mesmo saco. Ambas foram contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, o Plano Real e por aí vai. Os marqueteiros de sua candidatura trabalham com a hipótese de que os votos de Marina Silva não estão consolidados. Na avaliação dos tucanos, os eleitores não gostam de aventuras, nem de riscos elevados. E citam o último Ibope, no qual 51% dos ouvidos afirmaram que têm pouco ou nenhum interesse pelas eleições. Os tucanos querem surfar em uma terceira onda, que chamam de “a onda da razão”.

“Esperamos que Cícero Lucena (PSDB) tome uma atitude enérgica e imediata, como Ciro Nogueira (PP): demita o assessor que aceitou passagem de Alberto Youssef”.

Carlos Sampaio,
deputado federal (SP), coordenador jurídico do PSDB

Tensão na Rio 2016
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, está se queixando da paralisia do governo federal e das implicações no cronograma da Rio 2016. Ele tem dito que há muito para resolver, mas que muita coisa está parada por causa da campanha.

Meio de campo
O vice Michel Temer negocia a reaproximação da candidata Dilma Rousseff com o setor do etanol. Seu interlocutor tem sido o ex-ministro Roberto Rodrigues (foto). Ele enviou para a presidente documento pedindo o retorno da CIDE, com o argumento de não ter impacto inflacionário. O setor flerta com Aécio Neves.

Sopa no mel
Os ambientalistas esperam os números do desmatamento da Amazônia, que devem ser anunciados hoje pelo INPE. A expectativa é de aumento do desmatamento pelo segundo ano consecutivo, depois de redução entre 2008 e 2012.

O foco é o Sudeste
A presidente Dilma vai investir no eleitor jovem urbano do Sudeste nestes dias para crescer na região. Ela se reúne com o movimento negro e jovens em Nova Lima (MG), no sábado. No Rio, vai com Lindbergh Farias na sexta-feira ao Complexo da Maré e, na segunda-feira, estará com a Central Única de Favelas e com artistas e intelectuais.

De olho no voto dos internautas
Aécio Neves intensificará suas conversas sobre o país no site Conversa com Brasileiros. Na semana que vem, vai estar com o ex-presidente Fernando Henrique em hangout sobre o futuro do Brasil.

Pegou mal
Os eleitores não aprovaram o ataque feito pelo programa da presidente Dilma à Marina Silva, comparando-a com Jânio Quadros e Fernando Collor. A comparação foi tirada do ar.

Sabatina O Globo. Sobre suas chances na eleição presidencial, o Pastor Everaldo (PSC) respondeu: “Eu acredito em milagre”.

************


Cai por terra a mentira do Lula e da Dilma sobre o filho do pedreiro virar doutor.

O Censo do Ensino Superior 2013, publicado ontem pelo MEC, mostra um número assustador para quem acostumou a ouvir da boca mentirosa de Lula que agora o filho do pedreiro pode entrar na universidade. Pode entrar, Lula, mas não nas instituições federais, compostas pelas universidades e pelos institutos tecnológicos, que são os estabelecimentos de ensino superior que estão sob responsabilidade do governo central. E quando entra, não sai: é reprovado e desiste, porque universidade de qualidade não é pra qualquer um. É para privilegiados, é para uma elite intelectual, que obtém a sua vaga por mérito e não por cota social, em qualquer país civilizado. Vamos aos números?

De 2003 a 2013, as instituições federais ampliaram em 94,9% o número de alunos. Praticamente dobraram em termos de matrículas. Parece bom, não é? Isto demandou contratação de professores e o número de docentes aumentou um pouco mais, 99,5%. Agora, pasmem! O número de concluintes, que saíram dos estabelecimentos federais com um diploma na mão, aumentou apenas 34,9%. O que isso significa? Que a produtividade foi baixíssima. Que a evasão comeu dois terços dos alunos matriculados. Que de uma turma de 40 alunos, apenas 15 se formaram. Que houve um tremendo desperdício de dinheiro público em nome da demagogia petista. Acabaram com a seleção, acabaram com o mérito, acabaram com a qualidade. Nas universidades privadas, longe das garras demagógicas e ideológicas do PT,  o número de concluintes aumentou 112,1% no período.  São por estas e outras mentiras petistas que estamos buscando médicos em Cuba, em vez de formá-los no Brasil.

***********


Palpos de aranha

As duas candidatas que disputam a liderança da corrida presidencial estão em palpos de aranha com os problemas internos de suas campanhas. Marina não tem como explicar a contabilidade do PSB anterior à sua assunção como candidata, mas também não pode lavar as mãos como se nada tivesse com isso.

O avião fantasma que não tem dono e a contabilidade paralela da usina Abreu e Lima em Pernambuco, pela qual o falecido ex-governador Eduardo Campos está incluído na lista dos beneficiários do esquema de corrupção da Petrobras, são temas delicados que ela tenta driblar com alguns constrangimentos óbvios.

Também a presidente Dilma é obrigada a dizer que nunca notou nada de anormal nas contas da Petrobras, passando recibo de má gestora, sem poder assumir as ações que tomou para tentar estancar a sangria na estatal. Ela mesma garantiu recentemente que “as sangrias foram contidas”, embora oficialmente não saiba de nada.

A disputa entre o grupo da atual presidente Graça Forster, nomeada por Dilma para justamente tentar controlar o esquema que dominava a Petrobras, e o do ex-presidente José Gabrielli, responsável pela atuação do ex-diretor Paulo Roberto Costa, é conhecida de todos, mas Dilma não pode admitir que seu padrinho Lula, que chamava de Paulinho o ex-diretor hoje preso, dava apoio político ao velho esquema da Petrobras. O próprio Paulinho disse ao juiz Sérgio Moro que teve várias conversas com Lula.

Das duas, porém, Dilma tem culpa formal pela demora das providências, apesar dos constrangimentos partidários que a tolhiam. Ficou com Paulo Roberto Costa como diretor da Petrobras durante um bom tempo, e só protestou contra a compra da refinaria de Pasadena nos EUA depois de anos da negociata feita, tendo inclusive preservado o diretor responsável, Nestor Cerveró. Marina não tem nada a ver com eventuais malfeitos anteriores à sua chegada no PSB.

O segundo turno mais longo dos últimos anos, como definiu o ex-presidente Lula, já está em curso, com a disputa polarizada entre a presidente Dilma e a candidata do PSB Marina Silva, e as novas pesquisas que estão saindo confirmam uma reação da presidente, ao mesmo tempo em que Marina se mantém competitiva, apesar do bombardeio a que está sendo submetida nos últimos dias.

A agressão verbal de que foi vítima ontem, com a presidente Dilma insinuando que Marina é sustentada por banqueiros, numa referência a Neca Setubal, herdeira do Itaú, é exemplo dessa estratégia petista, confirmando que Dilma é capaz de “fazer o diabo” para se reeleger.

Não se sabe a esta altura como o segundo turno se desenrolará, mas Marina mantém uma vantagem numérica que tende a reduzir-se à medida que a saraivada de golpes, alguns abaixo da linha da cintura, se sucede. Tudo indica que será uma disputa muito acirrada, com a presidente Dilma mobilizando toda a máquina partidária, e a máquina do governo também, para combater especificamente Marina, a adversária presumida no segundo turno.

Sua campanha já descartou a possibilidade de Aécio Neves do PSDB recuperar sua posição na corrida presidencial, e tudo que não querem é que ele apóie Marina ainda no primeiro turno. Temem que essa ação possa criar um ambiente favorável ao voto útil em Marina, levando-a a uma vitória já no primeiro turno.

Não parece ser, no entanto, um movimento estratégico inteligente por parte de Aécio, que tem atrás de si um partido que pode ganhar diversos governos estaduais e precisa fazer uma bancada no Congresso que o coloque no jogo partidário. Além do mais, o senador Aécio Neves precisa necessariamente vencer a eleição para o governo de Minas, elegendo seu candidato Pimenta da Veiga e passando à frente de Dilma e Marina na disputa presidencial.

A campanha de Dilma pretende, com o ataque a Marina sendo a sua tônica, debilitar a adversária para que chegue ao segundo turno enfraquecida. Em parte estão tendo sucesso, pois Marina, atacada sem dó nem piedade tanto por Dilma quanto por Aécio Neves, parou de crescer.

Para Marina, o que importa é chegar ao segundo turno, para reagrupar suas forças numa nova campanha que a colocará em igualdade de condições na propaganda eleitoral com Dilma. Se o voto útil ainda lhe der fôlego de sobra para aumentar sua votação no primeiro turno, tirando votos do candidato Aécio Neves, melhor ainda.

O PSDB ainda mantém esperanças de alterar o quadro, que parece cristalizado, com as revelações dos escândalos da Petrobras e a situação da economia, que a cada dia se deteriora mais, a ponto de a agência de classificação Moodys ter sinalizado com a redução da nota brasileira. Não é um tema de apelo popular, mas demonstra que a economia brasileira não vai bem.


***********

Blog do Josias

Família pressiona Alberto Youssef por delação

A família do doleiro Alberto Youssef o pressiona para que negocie com o Ministério Público Federal os termos de um acordo de delação premiada semelhante ao que foi fechado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Youssef discutiu a hipótese com seus advogados. Não bateu o martelo. Mas sinalizou a intenção de seguir outro caminho. Equipa-se para tentar anular nos tribunais superiores de Brasília o inquérito da Operação Lava Jato e os processos dele decorrentes.

Além da pressão familiar, Youssef recebeu indicações de que sua delação interessa também às autoridades envolvidas no caso. No esquema de corrupção da Petrobras, empreiteiras davam propinas milionárias a políticos governistas para obter contratos na estatal.

Do lado de dentro da Petrobras, Paulo Roberto Costa azeitava os desvios. Desde 29 de agosto, ele conta o que sabe a procuradores e delegados federais. Do lado de fora, cabia a Alberto Youssef lavar o dinheiro sujo. Tornando-se delator, ele permitiria aos investigadores fechar o cerco aos corruptos e corruptores a partir das duas extremidades do esquema.

Deve-se a resistência de Youssef em tornar-se um réu-colaborador ao advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Os dois têm se reunido semanalmente. A última conversa ocorreu há sete dias, na quinta-feira da semana passada. Nela, Youssef relatou a pressão que recebe da família para aderir à delação.

Preso há seis meses, queixou-se das condições carcerárias. Classificou sua situação de degradante. Divide uma cela com outros três presos. Um buraco no chão faz as vezes de vaso sanitário. A água para o banho é fria. Segundo seu relato, a coisa piora nos finais de semana. Fica trancafiado do meio da tarde de sexta até a tarde de segunda, sem banho de sol.

Paulo Roberto, que coabitava a mesma cela, teve, por assim dizer, um up-grade prisional desde que resolveu abrir o bico. Youssef revelou-se preocupado com a rendição do ex-parceiro. Perguntou a Kakay o que achava. O advogado repetiu algo que já dissera ao cliente. Considera desaconselhável a delação premiada. Avalia que há boas chances de anular a Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal de Justiça.

De resto, Kakay recordou a Youssef que, havendo a delação, ele terá de abandonar a defesa. Advogado de “metade dos políticos e empresários desse país”, como costuma dizer, Kakay já teve alguns de seus clientes alvejados pelo delator Paulo Roberto. Entre eles a governadora maranhense Roseana Sarney e o senador Romero Jucá, incluídos pelo ex-diretor da Petrobras no rol dos supostos beneficiários do propinoduto. Numa eventual delação de Youssef, o número de clientes de Kakay engolfados pelo escândalo roçaria a casa das duas dezenas.

Kakay não defende Youssef na primeira instância do Judiciário. Ali, o doleiro é representado pelo doutor Antonio Figueiredo Basto. O mesmo advogado que assessorou o doleiro no escândalo do Banestado, estréia de Youssef no noticiário policial de âmbito federal. Acusado de ser o principal operador do esquema que movimentou perto de US$ 30 bilhões, Youssef firmou na ocasião um acordo de delação premiada. Por ironia, o juiz que atuava no caso era Sérgio Moro, atual titular da 13ª Vara Federal de Curitiba, onde correm os processos da Lava Jato.

Embora seja menos enfático do que Kakay, o doutor Figueredo Basto também soa contrário à delação nas conversas que mantém com Youssef. Mas ele não deixa de mencionar os benefícios judiciais que a colaboração poderia render. E realça que, no limite, caberá ao próprio Youssef decidir que caminho prefere adotar.

Se mantiver a disposição de recorrer aos tribunais superiores de Brasília, Youssef terá de se conformar com a perspectiva de uma cana longeva. Antes de chegar à Capital, os processos fazem escala no que os advogados chamam de “tribunal de passagem'', no Estado. A travessia é rápida como o deslocamento de uma tartaruga manca. Em Brasília, Kakay não cogita enfrentar as acusações que pesam contra Youssef. Vai escorar suas petições em “teses processuais'', não no mérito das denúncias.

Kakay coleciona “erros'' supostamente cometidos pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Invocando-os, pretende sustentar nos tribunais de Brasília a tese segundo a qual os responsáveis pela Lava Jato não observaram o “devido processo legal”. Outra tese que a defesa pretende esgrimir na Capital é a de que o juiz Sérgio Moro não teria competência legal para tratar, a partir de uma Vara de Curitiba, de um caso que tem abrangência nacional.

------------------

Eu não sabia!


----------------

Malmequer!



*********


Ex-diretor da Petrobras recebeu R$ 36 milhões
Fábio Fabrini e Andreza Matais, Estadão

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, acusado de comandar esquema de corrupção na estatal, recebeu R$ 36,9 milhões em contas de cinco bancos, abertas em seu nome. O genro de Costa, Humberto Sampaio, recebeu R$ 42 milhões. Segundo a Polícia Federal, ele é dono do Grupo Pragmática, alimentado com recursos de fornecedores da estatal. Já as duas filhas do ex-diretor, Arianna e Shanni Azevedo, obtiveram, respectivamente, R$ 5,7 milhões e R$ 4,4 milhões.

Os dados constam das quebras de sigilo remetidas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, que investiga o caso. A oposição tenta marcar novo depoimento de Costa para dar detalhes do esquema, delatado por ele, que teria beneficiado políticos e partidos da base aliada. O ex-diretor colabora com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, em troca de redução de pena.

------------

Presos da Lava Jato tentaram fugir após audiência no Paraná
Veja

Quatro presos na Operação Lava-Jato da Polícia Federal tentaram fugir no último dia 3 de setembro, segundo o Departamento de Execuções Penais da Secretaria de Justiça do Paraná. O relatório assinado por um agente penitenciário informa que Carlos Habib Chaper, René Luiz Pereira, André Catão de Miranda e André Luiz Paula dos Santos tentaram escapar logo após uma audiência na Justiça Federal em Curitiba.

De acordo com o documento, eles pediram para "melhorar a ventilação" de uma viatura em que eram conduzidos e, em seguida, empurraram o agente penitenciário Leonardo Cazais junto com a porta do carro. O agente, no entanto, conseguiu conter o grupo. Segundo o agente, os acusados também teriam ameaçado policiais militares "utilizando para isso suas condições financeiras e dizendo que eles seriam processados".

----------------

Delúbio pode sair da prisão e cumprir resto da pena em casa
Carolina Brígido, O Globo

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado no processo do mensalão a seis anos e oito meses de prisão por corrupção ativa, pode ser libertado a qualquer momento. Segundo a Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal, ele já cumpriu um sexto da pena e, por isso, pode pedir a progressão de regime.

Hoje, ele está preso no regime semiaberto, em que a pessoa pode sair para trabalhar durante o dia e voltar para a cadeia à noite, para dormir. Ele já tem o direito de ir para o regime aberto – e, dessa forma, cumprir o resto da pena em casa. Delúbio terá sua libertação antecipada porque, segundo a legislação brasileira, a cada três dias trabalhados, o preso pode diminuir um dia na pena total.

-------------

ONU aprova marco legal para a reestruturação das dívidas dos países
O Globo

As Nações Unidas aprovaram ontem a proposta encabeçada pela Argentina para criar um marco legal para a reestruturação das dívidas dos países. A proposta, que foi apoiada pelo chamado G77 (que reúne países emergentes) e pela China, contou com o voto favorável de 124 países, contra 11 votos negativos e 41 abstenções.

A proposta do marco jurídico foi apresentada pela Casa Rosada, entre os pontos principais, o texto prevê que, caso uma reestruturação de dívida seja aprovada por 66% dos credores, os outros 33% são obrigados a aceitar os termos. Isso impediria ações como a efetuada pelos “abutres”, que representam menos de 10% dos credores da Argentina, não aceitaram a reestruturação da moratória de 2002 e hoje cobram na Justiça o pagamento de US$ 1,5 bilhão.

------------

Agência sinaliza que pode rebaixar nota do Brasil
Rennan Setti e Ana Paula Ribeiro, Estadão

A menos de um mês das eleições presidenciais, a agência de classificação de risco Moody’s colocou a nota do Brasil em perspectiva negativa. A decisão foi interpretada pelo mercado como um sinal de alerta e chamou a atenção por se tratar de movimento atípico durante o processo eleitoral, divulgada um dia depois de a presidente Dilma Rousseff anunciar que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não deve permanecer no cargo num eventual segundo mandato.

Com a manutenção da nota Baa2, o Brasil ainda tem grau de investimento — chancela atribuída a países considerados seguros para investir. Segundo a Moody’s, três fatores foram levados em conta para a mudança: o baixo crescimento por um longo período; o aumento do pessimismo, com impacto sobre os investimentos; e os desafios fiscais impostos por fatores como economia lenta e inflação alta, o que dificulta a melhora em indicadores de dívida.

--------------

Atentados anarquistas causam inquietação no governo chileno
Rocío Montes, El País

A explosão ocorrida na segunda-feira em um shopping center próximo a uma estação de metrô em Santiago, que deixou 14 feridos, alguns em estado grave, se tornou um assunto prioritário para o governo de Michelle Bachelet. “O que aconteceu é horrível, abominável, mas o Chile é e continuará sendo um país seguro”, afirmou a presidenta depois do atentado, o mais grave desse tipo desde a volta da democracia, em 1990.

O atual Executivo assumiu em março passado, mas a autoridades já se encontravam em alerta havia vários meses: em 2014, os grupos antissistema instalaram 29 artefatos. Desde que começaram a atuar no Chile, em 2005, foram 203. Em 13 de julho, uma bomba explodiu pela primeira vez em uma estação de metrô, a de Los Domínicos, mas não causou vítimas.

--------------

Obama diz ter 'autoridade necessária' para atacar jihadistas
O Globo

O presidente americano, Barack Obama, afirmou aos líderes do Congresso, ontem, que sua estratégia para combater o Estado islâmico não precisa de autorização. Nesta quarta-feira, Obama fará um discurso à nação no qual pode anunciar as expansões das operações contra o grupo no Iraque e, provavelmente, também na Síria.

Obama se reuniu com Harry Reid e Nancy Pelosi, os principais democratas do Senado e da Câmara, e com os republicanos Mitch McConnell e John Boehner para discutir a próxima fase da campanha no Iraque. “O presidente afirmou aos líderes do Congresso que tem a autoridade necessária para atuar contra o Estado Islâmico de acordo com a missão que revelará no discurso de quarta-feira”, afirmou a Casa Branca em comunicado.

-------------

Premiê britânico irá à Escócia contra campanha pela independência
Angus MacSwan e Guy Faulconbridge, Reuters

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu aos escoceses, ontem, que não votem pela independência no referendo da semana que vem, depois que uma nova pesquisa de intenção de voto mostrou crescimento no apoio à separação da Grã-Bretanha.

Cameron se comprometeu a fazer tudo que puder para manter a Grã-Bretanha unida, e disse que irá à Escócia na quarta-feira para se juntar à campanha contra a secessão. “No fim das contas, cabe ao povo escocês decidir, mas quero que saibam que o resto da Grã-Bretanha –e falo como primeiro-ministro– quer que permaneçam”, disse o premiê.

**********


EXCLUSIVO – O que os vocalizadores de Marina — que hostilizou os bancos na terça — disseram ao Bank Of America na segunda. Ou: Um certo “Comitê de Busca dos Homens de Bem”

Ai, ai… Vamos lá, seguindo sempre a máxima de Voltaire, segundo a qual o segredo de aborrecer é dizer tudo. Nesta segunda, as candidatas Dilma Rousseff, do PT, e Marina Silva, do PSB, passaram o dia tentando saber quem gostava menos de banqueiros e de bancos. Era o confronto de dois discursos do fingimento.

O PT, a partir de 2003, viveu uma verdadeira lua de mel com o setor — interrompida pelo atual governo — não por ideologia, mas por incompetência mesmo. Dilma, é evidente, não tem moral para chamar Marina de “candidata dos bancos”, moral que também falta a Marina para acusar Dilma de beneficiária da “bolsa banqueiro”.

A petista mandou seu recado aos companheiros do mercado financeiro anunciando a demissão de Guido Mantega caso seja reeleita — de fato, demitido ele já está agora. E Marina, mais do que recado, mandou foi uma equipe de emissários para “explicar” seu programa de governo a mais de 500 clientes do Bank of America Merrill Lynch (BofA). O encontro ocorreu anteontem, dia 8, num hotel de São Paulo.

Esperem! Usei a palavra “emissários”? Em “marinês”, não é assim que se fala: eles são “vocalizadores”. Fora falar aos “sagazes brichotes”, como os chamaria o poeta Gregório de Matos no século 17, os seguintes “vocalizadores”: Walter Feldman, João Paulo Capobianco; André Lara Resende; Maurício Rands; Beto Albuquerque e Basileo Margarido.

Este blog teve acesso a uma síntese do que se disse lá. Trata-se, sem dúvida, de um troço bem “sonhático”, o neologismo com que Marina pretende conciliar sonho e pragmatismo. Alguém quis saber sobre o compromisso anunciado pela candidata com inflação e juros baixos. Coube a Lara Resende responder. Inflação, disse, é um sintoma. E começará a ser atacada pela parte fiscal para forçar a queda dos juros. Tá. E os preços administrados represados? Ele respondeu que é um absurdo o estímulo aos combustíveis fósseis. Os que o ouviram saíram de lá com a impressão de que ele defende um tarifaço de cara para retomar a credibilidade…

Os “vocalizadores” de Marina também acham que o câmbio está valorizado de maneira artificial, e se supõe, então, que a turma pretenda trabalhar com um dólar mais fraco e um real mais forte. Não se sabe se o mesmo discurso seria empregado com empresários do setor produtivo ligados à exportação, por exemplo. Este tenderia a ficar assustado.

Os “sonháticos” acreditam que a reforma política é a “mãe” de todas as reformas, mas pretendem começar com a tributária, que simplifique a área, o que seria feito aos poucos, de forma fatiada. Eles também declararam a sua adesão incondicional ao tripé macroeconômico: metas fiscais, de inflação e câmbio flutuante.

No primeiro ano, eles dizem, a meta de inflação poderia ser um pouco maior do que os 4,5%, mas sempre declinante. O empresariado seria ainda convocado para uma espécie de mutirão da infraestrutura, e a categoria deixaria de ser “tratada como bandida”. Falou-se até em rever a postura “perversa e autoritária” da Receita Federal. Ah, sim: como eles gostam duma reunião, seria criado um “Conselho de Responsabilidade Fiscal”, com vários setores da sociedade.

E na política?

Bem, nessa área o bicho pega, e a coisa vai ficando nebulosa, mas todos já estavam encantados com as promessas na área econômica. O negócio é o seguinte: os “sonháticos” acreditam que a vitória de Marina vai acarretar uma profunda reestruturação partidária no país. Não! Ela não estaria preocupada nem com o PSB nem com a Rede. Apelaria, para usar uma expressão lá empregada, a um “banco de reservas” do PT, do PSDB e de outros partidos. Querem fazer uma reforma política com unificação das eleições, mandatos de cinco anos e fim da reeleição para cargos executivos.

Comitê de Busca dos Homens de Bem
Afinal, eles asseguram, na “nova política”, as ferramentas são as mesmas, mas o jeito é outro. Os “vocalizadores” indagaram por que não poderiam escolher os quadros pelo currículo, em vez de falar com o Sarney. Para isso, pretendem criar um tal “Comitê de Busca dos Homens de Bem”, expressão que foi empregada pela própria Marina na sua visita a Minas, nesta segunda. Isso seria sair da “democracia 1.0 para a democracia 2.0”.

A turma quer fazer as reformas política, tributária, fiscal, da Previdência e do Estado. Mas com que Congresso? Feldman assegurou que diversos parlamentares já procuram os “marineiros” em nome dessa relação programática e que será criada uma frente suprapartidária. Talvez não se dando conta exatamente do que falava, Beto Albuquerque, o candidato a vice, lembrou que o “baixo-clero” sempre se aproxima de quem vence… Nem diga!

No mais, darão, sim, importância ao pré-sal; saberão compatibilizar ambientalismo com agronegócio; pretendem fixar metas para cada área; querem um Estado como protagonista da saúde, educação e segurança — para o resto, contam a com a iniciativa privada —; educação pública em tempo integral e melhoria do SUS, com correção das ineficiências. Nesse paraíso, só ficam faltando, como se vê, a cobra e a maçã. Ou será que não?

Todos saíram de lá muito impressionados e achando que Marina, se eleita, será “pró-business”. Houve quem afirmasse que a conversa lembra, assim, uma “Terceira Via” à moda Tony Blair: amigo dos mercados, mas com um sotaque social.

É… Em 1997, Blair pôs fim a 18 anos de governo conservador na Grã-Bretanha. Em 1995, na liderança do Partido Trabalhista, ele fez mudar o conteúdo da famosa Cláusula IV, que havia sido redigida em 1917, ano da Revolução Russa, e que compunha o programa do partido desde 1918. Se vocês clicarem aqui, terão acesso às duas versões. A original afirmava que os operários só seriam donos de seu trabalho e dele poderiam usufruir plenamente com o fim da propriedade privada. Isso acabou.

Ou por outra: Blair mudou o programa do partido, fortaleceu-o, disputou eleições e venceu. Do outro lado, estavam os conservadores não menos fortes e organizados. O plano de Marina, como a gente vê, também expressa uma conversão aos valores de mercado — e isso é bom! —, mas os seus “vocalizadores” dizem que ela vai governar com os bons, apelando a um Comitê de Busca dos Homens de Bem e apostando numa profunda reorganização partidária. Pretende, assim, fazer aquela penca de reformas.

Eu, que sou apenas um ucraniano preocupado, pergunto: alguém já combinou com os russos?


**************

Blog do Coronel

Mensalão II da Petrobras: Dilma diz que tem um "telhado cobertinho", mas constrói "telhado de acobertamento" das denúncias.

Ontem, diante de 40 milhões de telespectadores do Jornal Nacional, a candidata Dilma Rousseff falou como Presidente da República sobre o Mensalão II, que pode ter desviado para os cofres do PT e dos seus aliados mais de R$ 3 bilhões nos últimos anos. Falou não. Gaguejou. Pelo menos não faltou com a verdade? Faltou. E muito. Vejam a declaração.

“O meu telhado tem a firme determinação na investigação. Então, ele é um telhado cobertinho pela Polícia Federal investigando, Ministério Público com autonomia, lei anti-corrupção, e quero dizer também da lei de acesso à informação, que eu acho importantíssimo".

Dilma quis repetir o velho mantra de que o seu governo investiga mais. Não, presidenta. O seu governo comete mais crimes, especialmente dentro da Petrobras comandada pela senhora desde 2003 e que coleciona centenas de denúncias não investigadas neste período, conforme publicamos ontem, aqui neste Blog.

O telhado cobertinho citado por Dilma Rousseff é de vidro. Ela jamais determinou que este escândalo da Petrobras fosse investigado. Aliás, o seu governo está fazendo de tudo para bloquear o trabalho da CPMI do Congresso, já que a CPI da Petrobras do Senado foi totalmente aparelhada pelos parlamentares que, hoje, são acusados pela delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa.

A Polícia Federal não foi acionada por Dilma. Agiu dentro das suas atribuições. Aliás, ontem, Dilma determinou que o Ministro da Justiça investigue como o depoimento vazou para a Imprensa, em nítida tentativa de enquadrar o trabalho da polícia. Em vez de explicar a denúncia gravíssima, Dilma quer intimidar a polícia.

Ao que parece, Dilma Rousseff, com a sua dificuldade no uso da língua, usou o termo errado. O telhado cobertinho é, na verdade, um telhado de acobertamento, onde o governo petista aparelha o STF, suborna ministros do TCU com nomeações de parentes e pressiona a Polícia Federal a punir quem está investigando o mais grave escândalo de corrupção da história da República: o Mensalão II da Petrobras.

------------

Ministro do STF que soltou Paulo Roberto Costa vai decidir se depoimento da delação premiada será enviado ao Congresso.

O ministro Teori decidiu soltar todos os 12 presos da operação em 18 de maio passado por considerar que o juiz federal, Sérgio Moro, havia invadido a competência do Supremo. Inclusive Paulo Roberto Costa, que só voltou a ser preso porque descobriram que ele tinha um passaporte português não declarado. O que fará este ministro indicado por Dilma e pelo PT? Encontrará alguma "pérola" jurídica para impedir que o Brasil saiba, antes das eleições, qual o envolvimento de Dilma Rousseff e do falecido Eduardo Campos no Mensalão II da Petrobras?

O presidente da CPI mista da Petrobrás, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), apresentou nesta segunda-feira um pedido para que a Justiça Federal do Paraná dê acesso à comissão a todas as informações da delação premiada que está sendo feita pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa. Vital quer que o juiz Sérgio Moro, responsável pela condução do caso, compartilhe com a comissão os depoimentos e os vídeos da delação.

Ele pediu ainda que o Supremo Tribunal Federal compartilhe com a comissão os documentos decorrentes de desdobramentos da Operação Lava Jato que chegarem até a Corte.  A Petrobrás também solicitou à Justiça acesso às informações fornecidas por Costa.

O compartilhamento não afeta a validade da delação. Mas cabe ao Supremo autorizá-lo.  Na quarta-feira, integrantes da CPI mista e líderes partidários devem se reunir no gabinete de Vital para discutir qual a melhor estratégia para cuidar do caso. Parlamentares da base e da oposição passaram a defender a presença de Paulo Roberto na CPI somente após o acesso a todas as informações da delação premiada.

O ministro Teori Zavascki, que é relator de processos sobre a Operação Lava Jato no Supremo, deverá decidir nos próximos dias sobre o pedido.

O ofício foi protocolado no STF após a revelação de que Costa citou nomes de políticos que teriam recebido pagamentos de comissões sobre contratos da Petrobrás. Diante das revelações de Costa, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá analisar a possibilidade ou não de pedir a abertura de inquéritos no Supremo para investigar suspeitas de envolvimento de parlamentares. No Brasil, autoridades como senadores e deputados somente podem ser investigadas e processadas perante o STF. Se receber algum pedido de Janot, a tendência de Teori Zavascki é determinar a abertura de inquéritos, com a realização de diligências.

Conforme a revista Veja, o ex-diretor da estatal citou na delação nomes de 12 políticos. Não foram divulgados, porém, documentos, detalhes ou valores. Citada, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB-MA), negou ontem, por meio de nota, que tenha participado de esquema de desvio de recursos na estatal. “Nunca participei de nenhum esquema de corrupção e muito menos solicitei ao ex-diretor da Petrobrás recursos de qualquer natureza”, afirma a governadora em nota oficial.

Auditorias. No pedido que fez à Justiça, a estatal informa que quer ter acesso aos depoimentos para utilizá-los em suas auditorias internas. Atualmente, a Petrobrás tem três comitês de auditoria investigando irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), e nas construções da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

A nota oficial foi o primeiro pronunciamento da estatal sobre o conteúdo dos depoimentos do ex-diretor. A empresa nega que falte transparência na divulgação de informações internas que deem margem a suspeitas de corrupção. (Folha de São Paulo)

************


Estamos em crise e sem ministro da Fazenda

Estamos sem ministro da Fazenda. Guido Mantega já havia dito que sairia quando não tivesse a confiança da presidente. Aconteceu, pelo visto, quando ela avisou que um novo mandato teria uma equipe nova. Em entrevista a O Globo, o ministro, como costuma acontecer, alegou razões pessoais para não participar de um possível segundo mandato de Dilma Roussef.

A presidente criou o pior dos mundos. Temos inflação no teto da meta com recessão, a confiança na economia está baixa e o país ficou sem ministro da Fazenda. Ela também desperdiçou a oportunidade para indicar as mudanças na política econômica, já que a troca foi por motivos pessoais. Fica claro que é a presidente quem define o modelo. Quem esperava uma palavra de alento sobre a alteração da política que nos levou à inflação com recessão ficou decepcionado. Não há nenhuma esperança de que a economia vá mudar em um possível segundo mandato da presidente.


************

Blog do Reinaldo Azevedo

Ação contra economista que criticou o BC é incompatível com democracia, dizem economistas em manifesto

Na VEJA.com:
Na noite desta segunda-feira, mais de 40 economistas já haviam assinado uma petição online em favor de Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central, que foi alvo de uma queixa-crime movida pela autoridade monetária. Reportagem de VEJA revelou como a instituição se movimentou para levar à Justiça o economista depois que ele desferiu críticas contra a condução da política monetária em entrevistas à imprensa. “A intolerância com a divergência e com a crítica ácida e o recurso da máquina pública para suprimir o contraditório (…) configuram uma prática incompatível com os valores que uma democracia deve ter e cultivar”, relata o manifesto.

A lista de economistas conta com os nomes mais graduados da academia e do mercado: Claudio Haddad, Marcos Lisboa, Affonso Pastore, Elena Landau, Luiz Fernando Figueiredo, Gustavo Franco, José Roberto Mendonça de Barros e José Roberto Afonso. Também assinaram seis representantes de equipes econômicas de presidenciáveis: André Lara Resende, Eduardo Giannetti da Fonseca e Alexandre Rands, que estão com Marina Silva (PSB); e Armínio Fraga, Mansueto de Almeida e Samuel Pessôa, do grupo de Aécio Neves (PSDB).

Difamação ou opinião?
A reportagem de VEJA teve acesso ao conteúdo da queixa-crime, que aponta as entrevistas consideradas pelo BC como “difamatórias”. Em uma delas, publicada pelo Brasil Econômico de 27 de janeiro, o economista disse que “o BC é subserviente e submete-se às determinações do Planalto” e “é só olhar para a gestão do BC para saber que é temerária”. Em outra entrevista, ao Correio Braziliense, Schwartsman declarou que “o BC faz um trabalho porco e, com isso, a incerteza aumentou”.

Segundo o procurador-geral do BC, Isaac Sidney Ferreira, os comentários eram ofensivos à imagem da instituição. Contudo, a juíza federal Adriana Delboni Taricco rejeitou a queixa-cri­me. Na sua avaliação, as críticas, “de fato, se mostraram bastante contundentes, porém faz-se necessário salientar que não ultrapassaram os limites do mero exercício de sua liberdade de expressão”. O BC não desconsidera recorrer da decisão.

Depois de deixar a diretoria Internacional do BC, em 2006, Alexandre Schwartsman assumiu como economista-chefe do banco Real, que foi adquirido pelo Santander. Mas deixou o banco em 2011, semanas depois de discutir com o então presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli. Durante um evento da Firjan, o economista criticou publicamente o governo por usar a estatal como ferramenta política e de “contabilidade criativa” para ajudar o Tesouro a cumprir o superávit primário. Sabe-se, hoje, que não só Schwartsman estava coberto de razão como a estatal pode ter sido usada para fins ainda menos éticos. Reportagem de capa da VEJA desta semana revela informações sigilosas contidas no depoimento do ex-diretor Paulo Roberto Costa à Polícia Federal sobre o esquema de pagamento de propina a partidos políticos da base governista, por meio de contratos com a Petrobras.

É moda
O cerco a analistas que criticam o governo apertou nos últimos meses, quando houve o incidente com o banco Santander e a consultoria Empiricus. No fim de julho, quatro funcionários do banco espanhol foram demitidos depois que uma análise prevendo período de crise para o Brasil na hipótese de reeleição de Dilma foi enviada a parte dos clientes. Em seguida, o PT protocolou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a consultoria Empiricus, que anunciava no Google uma série de relatórios prevendo solavancos econômicos se Dilma vencer a corrida eleitoral. À época, a candidata era líder isolada nas pesquisas, com possibilidade de vencer no primeiro turno.

------------

O BC contra a liberdade de expressão. Ou: Depois de banco perder a independência, perde também o senso do ridículo

Há coisas contra as quais a gente sente vergonha até de escrever. É como se elas nos contaminassem com a sua estupidez, com a sua burrice, com a sua jequice. Mas não podemos abrir mão de fazê-lo, sob pena de os idiotas avançarem um pouco mais. Assim é com o caso da queixa-crime movida pelo Banco Central contra o economista Alexandre Schwartsman.

Qual é, afinal, seu crime? Ele discorda das decisões do BC, da forma como é conduzida a política monetária e das escolhas feitas pela equipe econômica do governo Dilma. “Ora, Reinaldo — poderiam dizer os leitores —, todo mundo sabe que isso é proibido na Coreia do Norte, em Cuba e na China!” É verdade! Ocorre que a Constituição da República Federativa do Brasil assegura a liberdade de expressão em dois artigos: no 5º e no 220. Só veda o anonimato. E, como é sabido, se há coisa que Schwartsman jamais evita é assinar embaixo das ideias que defende.

Em uma das entrevistas que concedeu, o economista, que já foi diretor da instituição, afirmou que “o BC é subserviente e submete-se às decisões do Planalto”; em outra, que “faz um trabalho porco e, com isso, a incerteza aumentou”.  Não é que o procurador-geral do banco, Isaac Sidney Ferreira, se zangou? Decidiu entrar com uma queixa-crime, já rejeitada pela Justiça, porque, segundo diz, houve “difamação”. É, para usar uma palavra a que recorro com frequência, estupefaciente!

Ferreira não se conformou com a decisão da Justiça, que recusou a queixa, e promete recorrer. Nesta segunda, alguns dos mais importantes economistas do país assinaram um manifesto contra a tentativa de intimidação. Pois é… Fico cá a imaginar o Fed, nos EUA, tentando processar um analista porque discordou de sua decisão. Imaginem se George W. Bush fosse incomodar a Justiça a cada vez que Paul Krugman o chamou não de incompetente, mas de idiota mesmo. É claro que Ferreira jamais se veria como procurador-geral do Fed, mas certamente se sentiria à vontade como burocrata do BC de Cuba ou da Coreia do Norte.

A ação é de tal sorte ridícula que não vai dar em nada. Mas dá conta da cabeça dessa gente, do estado geral do governo Dilma e do que lhe vai no fundo da consciência. O partido do poder, como vocês devem se lembrar, já fez uma lista negra de nove jornalistas, críticos e comunicadores — da qual, com muita honra, faço parte — e já recorreu à Justiça eleitoral para cassar da Internet textos de uma consultoria sobre eventuais malefícios no caso da reeleição de Dilma. Lula pediu pessoalmente, e obteve, a cabeça de quatro funcionários do Santander que enviaram a um grupo de clientes uma análise prevendo solavancos caso a governanta ganhe mais quatro anos.

No arremate, devemos nos lembrar que o PT ainda não abriu mão de controlar os meios de comunicação. A pregação está em todos os documentos oficiais do partido. Caso eles cheguem lá, o tal Isaac Sidney Ferreira pode se candidatar ao cargo de censor. Deve ser duro não ter sido contemplado pelo destino com o senso de ridículo!

-------------

PF abre inquérito para apurar vazamento. É mesmo? Ou: Um peso e duas medidas

A Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para apurar as circunstâncias do vazamento do conteúdo do depoimento que Paulo Roberto Costa concedeu à própria PF e ao Ministério Público, dentro de um acordo de delação premiada que pode vir a beneficiá-lo se as informações que forneceu forem úteis à investigação.

Reportagem de capa da revista VEJA desta semana informa que o engenheiro da Petrobras, que está preso, já gravou 42 horas de depoimento e, até agora, implicou no esquema criminoso que vigorava na empresa dois ex-governadores — Eduardo Campos (PSB-PE) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) —, a governadora Roseana Sarney (PMDB-MA); um ministro de Estado, Edson Lobão, das Minas e Energia; seis senadores, 25 deputados e o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.

Nada contra! Que se apure! Uma das tarefas da imprensa é fazer o que fez a VEJA: publicar o que apurou e o que sabe. Se a PF acha que pode chegar à origem do vazamento, que vá adiante. Mas é claro que, em nome da precisão, obrigo-me a fazer aqui uma observação: quanta agilidade para tentar apurar esse vazamento, né?

Durante meses, fragmentos de informações que estavam no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) foram cotidianamente publicados na imprensa sobre o tal cartel de trens em São Paulo. O órgão, como todo mundo sabe, é comandado por um militante petista e está sob o guarda-chuva do Ministério da Justiça. O governo de São Paulo não tinha acesso à apuração decorrente do acordo de leniência, mas nomes iam sendo vazados para a imprensa a conta-gotas.

Como o principal atingido era o PSDB, ninguém no governo federal se mobilizou para apurar a origem dos vazamentos. Ao contrário! Se a minha memória não falha — e não falha —, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, veio a público para sugerir que as críticas ao vazamento eram só uma espécie de cortina de fumaça para cobrir as denúncias. Na sabatina promovida pelo Estadão, nesta segunda, a presidente Dilma disse ser “inadmissível” a imprensa ter informações sobre o depoimento de Paulo Roberto se o próprio governo federal não tem ideia do que está sendo acusado.

Pois é… É uma pena que a presidente diga coisas assim apenas quando o seu governo está na berlinda, mas se cale quando um órgão federal se transforma numa fonte de produção de notícias e factoides contra um partido de oposição. E isso aconteceu. De resto, como é sabido, a operação Lava Jato não nasceu de uma manobra de um órgão ligado a um partido de oposição só para prejudicar o PT.

O Palácio do Planalto, o PT, o PSB e a CPI Mista da Petrobras cobram que o Ministério Público forneça as informações de que dispõe até aqui. Receio que não seja possível porque a investigação ainda está em curso. De resto, as duas CPIs da Petrobras que estão instaladas nada investigam não porque não possam, mas porque não querem.

----------------

O petrolão e as falácias de Dilma Rousseff. Ou: Uma presidente que promete que tomou todas as providências contra a invasão dos marcianos. Ou ainda: Dilma admite sangria na Petrobras. E ela fez o quê?

O conteúdo da fala da presidente Dilma Rousseff na entrevista — chamada “sabatina” sei lá por quê — concedida ao Estadão nesta segunda não faz sentido. Entre muitas outras razões porque afronta a lógica. Eu sei que a presidente não chega a ser, assim, um Cícero da retórica, mas o fato é que as palavras fazem sentido mesmo para ela. Leiam o que disse sobre a roubalheira na Petrobras: “Se houve alguma coisa, e tudo indica que houve, eu posso te garantir que todas, vamos dizer assim, as sangrias que eventualmente pudessem existir estão estancadas”.

Como é que a presidente pode dar por resolvido um problema cuja existência ela assegurou ignorar e, ainda hoje, diz não ter a certeza se existiu? Vou empregar a mesmíssima estrutura a que ela recorreu para demonstrar o absurdo da fala: “Leitores, se houve alguns marcianos tentando ocupar a Terra, e tudo indica que houve, eu posso lhes assegurar que todas, vamos dizer assim, as ameaças que eventualmente pudessem existir estão eliminadas”. Pergunto: vocês confiariam em mim?

E, assim, vocês podem ir mudando o conteúdo da fala a seu bel-prazer. Sempre fará sentido e nunca fará sentido. Sabe o que isso quer dizer? Nada! Mas podemos avançar um pouco mais. Até agora, quem começou a investigar só um pouquinho da caixa-preta da Petrobras foi a Polícia Federal. Dilma disse ter estancado a sangria. Cadê os demitidos? Onde estão os punidos? Uma sangria, para ser estancada, tem de ter existido. Cadê o resultado da apuração? A Petrobras é uma empresa mista, com ações na Bolsa. O que ela está escondendo dos acionistas? Não por acaso, ontem, as ações ON da estatal caíram 4,79%, e as PN, 4,91%. Chega a ser espantoso que uma presidente da República faça raciocínio tão especioso.

Segundo Paulo Roberto Costa, a compra da refinaria de Pasadena rendeu ganhos à máfia e fez parte do esquema que acabou privilegiando os partidos políticos. Muito bem! Dilma afirmou que o conselho tomou decisões sobre a refinaria ancorado em informações falhas, deficientes, imprecisas. Certo. Revelado o desastre, já na Presidência da República, ela fez o quê? Nomeou Nestor Cerveró, considerado o principal responsável pela aquisição da empresa americana, para a direção financeira da BR Distribuidora.

Não, senhores! Ninguém está querendo “culpar’ Dilma Rousseff só porque ela é presidente da República. Ou porque, antes, ocupava a presidência do Conselho da empresa. Ou porque, desde 2003, era tida como a grande chefe do setor energético. Não se trata de um processo de responsabilização objetiva. Estamos a falar de outra coisa: chama-se responsabilidade política, presidente! A sua inação ao longo desse tempo dá testemunho, quando menos, da inapetência para o cargo que ocupa.

De resto, não dá para ignorar a pesada máquina oficial mobilizada para impedir qualquer forma de investigação — máquina esta que não poupou o Congresso ou o TCU. Diante das evidências escancaradas de malfeitos na empresa, a presidente preferiu ficar lançando suspeitas sobre fatos passados — e voltou a fazê-lo na entrevista ao Estadão. Falou de novo sobre o afundamento da plataforma P-36, da Petrobras: “Você acha que é tranquilo uma plataforma que custa US$ 1,5 bi afundar? E ninguém investigar? A plataforma de US$ 1,5 bi, quero lembrar, é duas vezes Pasadena.”

Bem, se a conta fosse essa, lembro que só o custo adicional da refinaria de Abreu e Lima — foi orçada em US$ 2,5 bilhões e já está em US$ 18 bilhões — corresponde a dez plataformas. Mas a questão, obviamente, não é essa. Dilma vive sugerindo que um grande crime aconteceu em março de 2001. É mesmo? Então o PT está no poder há 12 anos; Dilma foi ministra das Minas e Energia, gerontona da infraestrutura e presidente do conselho da Petrobras e não fez nada? Das duas uma: a) ou crime houve, e ela prevaricou; b) ou crime não houve, e ela fala só com o ânimo de atacar gratuitamente o governo FHC. Adivinhem qual é a resposta.

A presidente, não a candidata, está agora obrigada a vir a público para esclarecer onde estavam “as sangrias” (sic) da Petrobras, quais foram as medidas que ela tomou e que tipo de punição aplicou aos responsáveis. Ou ela nos explica, ou seremos obrigados a concluir que falou o que lhe deu na telha, sem nenhum compromisso com os fatos. E isso é muito ruim para quem comanda o país.

***********


Mais de 80 empresas colaboraram com a ditadura militar no Brasil
Beatriz Borges, El País

Mais de 80 empresas estão envolvidas em espionagem e delação de quase 300 funcionários, segundo levantamento feito pela Comissão Nacional da Verdade. O intuito era sufocar qualquer movimento sindicalista que estivesse sendo gestado entre os trabalhadores de grandes montadoras, como Volkswagen, Chrysler, Ford, General Motors, Toyota, Scania, Rolls-Royce, Mercedes Benz, e também de outros setores, como a Brastemp, a estatal Telesp, a Kodak, a Caterpillar, a Johnson & Johnson, a Petrobras, a Embraer e a Monark – todas elas concentradas no ABCD paulista e no Vale do Paraíba.

Entre os nomes mais conhecidos da lista de 297 pessoas, encontrada nos documentos do Arquivo Público do Estado, estão o de Paulo Okamotto, que foi diretor do Sebrae, o presidente do Conselho Nacional do Sesi, Jair Meneguelli, e Vicente Paulo da Silva, que foi presidente da CUT.

-------------

Aécio cobra de Dilma explicações sobre novas denúncias
O Globo

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, afirmou que a presidente Dilma Rousseff se beneficiou politicamente do suposto esquema de corrupção na Petrobras. Em agendas de campanha em Belém e Marabá, ambas no Pará, ele cobrou que a presidente se posicione claramente sobre as investigações e disse que o “governo do PT enlameou nossa principal empresa”.

"Estamos falando de uma área que foi conduzida, liderada, pela atual presidente da República nos últimos 12 anos. Eu não faço acusação pessoal de ela ter se beneficiado desses recursos, mas pelo menos o benefício político foi dado ao seu governo, por isso ela tem responsabilidade e satisfação a dar à população. Ela tinha a obrigação de saber aquilo que acontece no seu entorno", afirmou.

------------

Marina: não há 'dois pesos e duas medidas' em escândalo
Sérgio Roxo e Julianna Granjeia, O Globo

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, disse que não usa "dois pesos e duas medidas" ao tratar do suposto envolvimento do PT e do ex-governador Eduardo Campos no escândalo da estatal. Ao "Jornal da Record", ela afirmou que a "Petrobras, que era uma empresa respeitada e valorizada, no atual governo está quatro vezes mais endividada e tem o seu patrimônio equivalente a apenas a metade".

Na avaliação de Marina, há uma "escândalo que está comprovado no caso da compra da (refinaria) Pasadena (nos Estados Unidos)". "Na Petrobras, esse não é um único escândalo. Uma empresa que era eficiente e hoje está numa situação de completa insolvência em função da incompetência", disse.

------------

Polícia Federal vai investigar vazamento de delação de Costa
Carolina Brígido, O Globo

A Polícia Federal instaurou ontem inquérito policial em Curitiba (PR) para apurar vazamento à imprensa de informações sobre os depoimentos prestados pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto da Costa, preso pela operação Lava-jato. O teor do depoimento é protegido por segredo de Justiça.

Numa série de depoimentos após acordo de delação premiada, Costa apontou o envolvimento de vários políticos, entre eles, deputados, senadores, governadores e de pelo menos um ministro com desvios de dinheiro de contratos da estatal com grandes empresas. No final de semana, a revista “Veja” listou alguns dos nomes citados pelo ex-diretor.

------------

CPI da Petrobras pede cópia de depoimento de ex-diretor da estatal
Eduardo Bresciani e Vinicius Sassine, O Globo

O presidente da CPI Mista da Petrobras, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), pediu à Justiça Federal do Paraná e ao Supremo Tribunal Federal (STF) acesso a todos os documentos de desdobramentos da Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Entre estes documentos está a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa que mencionou diversos políticos como beneficiário do esquema.

Os ofícios encaminhados por Vital visam acelerar o acesso ao depoimento. Ele aproveitou requerimentos anteriores aprovados pela comissão que pediam acesso a toda a investigação da PF e seus desdobramentos. O compartilhamento já foi concedido anteriormente pelo STF e pela justiça paranaense.

--------------

OMS vê fracasso contra Ebola e ONU pede ajuda a líderes
Jamil Chade, Estadão

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a comunidade internacional está fracassando no combate ao Ebola e alertou que “vários milhares” de novos casos vão surgir na Libéria nas próximas três semanas. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, telefonou para líderes globais, como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e pediu mais empenho no combate ao vírus.

Até um médico da OMS, com toda a sua estrutura de prevenção, foi contaminado em Serra Leoa. A organização Médicos Sem Fronteiras advertiu que o surto ressurgiu em áreas da Guiné onde parecia ter chegado ao fim. Para as duas entidades, está na hora de se adotar medidas “não convencionais”.

-------------

Montadoras de veículos seguem céticas, mesmo com apoio do governo
Reuters

Recentes medidas do governo federal para incentivar a indústria automotiva são insuficientes para reverter o desempenho do setor nos próximos meses, segundo presidentes de montadoras. "Temos que atuar nos problemas estruturais para não ter que usar formulas de estimulo ao consumo momentâneo", disse o presidente da PSA Pegeout Citroen, Carlos Gomes, em evento no Rio de Janeiro.

Desde junho, o governo adiou a alta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) na compra de carros novos, flexibilizou regras de depósitos compulsórios de bancos e anunciou mudanças que darão maior garantia a credores em empréstimos, que podem ajudar o setor responsável por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

-------------

Ibovespa tem maior queda em sete meses
Ana Paula Ribeiro, O Globo

O pregão de ontem serviu para uma nova realização de lucros, a quarta consecutiva. Puxado pela ações da Petrobras, o Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, fechou em queda de 2,45%, a maior retração desde o início de fevereiro, aos 59.192 pontos. Já o dólar comercial fechou em alta de 1,11%, cotado a R$ 2,2650.

O movimento foi bastante intenso, com o índice operando em alta no início dos negócios, mas o mau humor no exterior e a indefinição política levaram os investidores a um movimento de venda de ações. O giro financeiro foi elevado, de mais de R$ 9,5 bilhões, ante uma média diária de pouco mais de R$ 7 bilhões do mês passado.

---------------

União Europeia aprova novo pacote de sanções contra Rússia
Veja

A União Europeia (UE) adotou novas sanções econômicas mais restritivas contra a Rússia por seu papel na desestabilização da Ucrânia, informou o presidente permanente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. “O Conselho adotou hoje um pacote de novas medidas restritivas contra a Rússia, intensificando as que foram adotadas no dia 31 de julho”, disse Van Rompuy através de um comunicado.

O presidente do Conselho Europeu também destacou que “as sanções buscam promover uma mudança no curso das ações da Rússia na desestabilização no leste da Ucrânia”. Van Rompuy aproveitou para lembrar que os chefes de Estado e de governo da UE condenaram na cúpula de 30 de agosto o aumento da presença de “milicianos e de armamento da Federação Russa no leste da Ucrânia e as ações das Forças Armadas russas contra o território ucraniano”.

------------

Parlamento do Iraque aprova formação de novo governo
Reuters

O parlamento iraquiano aprovou ontem o novo governo tendo como primeiro-ministro Haider Abadi. O ministro de Defesa não foi nomeado, mas Abadi prometeu fazer a indicação em uma semana. Adel Abdel Mehdi, do Conselho Supremo Islâmico, foi nomeado ministro do Petróleo, enquanto Ibrahim Jafaari, ex-primeiro-ministro, foi indicado ministro das Relações Exteriores.

Os vice-primeiros-ministros nomeados foram Hoshiyar Zebari, curdo e único ministro das Relações Exteriores pós Saddam Hussein, e Saleh Mutlaq, um muçulmano secular sunita que teve o mesmo cargo no governo anterior. O Parlamento aprovou para os cargos cerimoniais de vice-presidentes o último primeiro-ministro Nuri al-Maliki, o ex-premiê Iyad Allawi, o secular xiita e último porta-voz parlamentar Usama al-Nujaifi.

------------

Forças do regime realizam ataques aéreos na Síria
O Globo

As forças do regime sírio lançaram uma nova ofensiva para recuperar uma zona estratégica ocupada pelos rebeldes na região de Damasco, e voltaram a realizar ataques aéreos contra os jihadistas no norte da Síria, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Membros da Frente Al-Nusra, braço sírio da Al-Qaeda, capturaram há dois dias amplos setores em Dajaniyeh, na periferia sudeste de Damasco, segundo o OSDH, uma ONG com sede em Londres. As forças leais ao regime do presidente Bashar al-Assad lançaram uma contraofensiva e bombardearam o local, de onde os rebeldes realizam disparos de artilharia contra a capital.

------------

Atentado obriga elite a encarar tensão política no Chile
Marcia Carmo, BBC Brasil

A explosão ocorrida na segunda-feira em uma área nobre de Santiago, no Chile, surpreendeu os chilenos e foi interpretada por analistas como um 'alerta' para a elite chilena sobre a tensão política vivida no país. O incidente, classificado como "atentado terrorista" pelo governo do país, ocorreu próximo à estação de metrô Escuela Militar, no bairro de classe média alta Las Condes, e deixou pelo menos 14 pessoas feridas.

As informações são do Ministério do Interior - duas das vítimas estão em estado grave. As primeiras informações apontam que a bomba teria sido deixada em uma caçamba de lixo perto de um restaurante na área de lojas da estação. O presidente do Metrô, Aldo González, disse que o artefato foi colocado em "uma área contigua à estação Escuela Militar.

**********


‘Eu não sabia’ virou a frase-lema de uma época

“Eu não sabia” passará à história como a frase-lema do Brasil pós-ditadura. Será lembrada quando, no futuro, quiserem recordar a época em que o país era regido pelo cinismo. Lula usou-a no escândalo do mensalão do PT. Citando-o, o tucano Azeredo repetiu-a no processo do mensalão do PSDB. Alckmin empregou-a no caso do cartel dos trens e do metrô. Volta agora, com variações, na desconversa de Dilma sobre o petrolão: “Eu não tinha a menor ideia de que isso ocorria dentro da Petrobras.''

Usada assim, desavergonhadamente, a expressão vai virando uma espécie de código. Quando ela aparece, já se sabe que o país está diante de mais um desses escândalos que, de tão escancarados, intimam os responsáveis a reagir, ainda que seja com uma cara de nojo. É nessa hora que governantes capazes de tudo pedem ao país que os considere incapazes de todo. E alguns brasileiros, como que dotados de indulgência congênita, lhes concedem um deixa-pra-lá preventivo, que transforma cúmplices notórios em cegos atoleimados.

Claro que, entre o arrombamento do cofre e a manchete de primeira página, há um longo caminho de decisões tomadas ou negligenciadas —desde a ordem presidencial para entregar a diretoria da Petrobras a um apadrinhado de PT, PMDB e PP, até o engavetamento dos relatórios do TCU que apontavam superfaturamentos na obra da refinaria de Pernambuco.

Submetido a escândalos em série, o brasileiro precisa confiar na cara dos seus governantes. Mesmo que elas sirvam apenas para dar à mesma porcaria de sempre uma fachada mais atraente. A percepção de que o “eu não sabia” é apenas uma máscara empurraria o país para o ceticismo terminal.

Parte dos brasileiros parece sentir a necessidade de acreditar na ilusão de que a política ainda se divide em duas bandas: a ruim (as oligarquias carcomidas) e a boa (o pessoal da ‘nova política’, os bicudos, a turma da estrela…). A revelação de que, no poder, dilmas e renans são indistinguíveis seria demais para muitos corações.

Por mais cabeludo que seja o escândalo, o sistema acaba se autorregulando. Quando o Congresso escorraça do Planalto um Collor, tem-se a sensação de que o país pode livrar-se de seus gatunos. Quando o STF manda à Papuda a cúpula do PT, enxerga-se a luz no fim do túnel. Mas a reiteração dos assaltos, um engolfando o outro, num moto-contínuo infernal, revela que o brasileiro parece não ter mesmo muitas escolhas: ou é bobo ou é cínico.

------------

Quem, eu?!?!




***********

Blog do Noblat

Mar de lama ameaça a Petrobras, por Ricardo Noblat

A exemplo de Lula no caso do mensalão em 2005, quando Dilma dirá que foi traída e pedirá desculpas aos brasileiros pelo escândalo do mar de lama que entope os dutos da Petrobras, ameaçando tragar a maior empresa do continente?

No mínimo, é o que se espera dela, ex-ministra das Minas e Energia, ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras, e presidente da República em final de mandato.

Digamos que Dilma compete com Lula para ver quem foi mais feito de bobo por seus subordinados.

A auxiliar de mais largo prestígio nos oito anos de Lula no poder, a presidente eleita sem jamais ter sido, sequer, síndica de prédio, Dilma foi surpreendida, assim como o seu mentor, pelo escândalo do mensalão – o pagamento de propina a deputados federais para que votassem conforme a vontade do governo.

Foi surpreendida de novo quando chefiou a Casa Civil da presidência da República e ficou sabendo que um dos seus funcionários confeccionara um dossiê sobre o uso de cartões corporativos pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua mulher, dona Ruth.

Dilma pediu desculpas ao casal. O autor do dossiê conseguiu manter-se na órbita do serviço público.

Outra vez, Dilma foi surpreendida pela suspeita de malfeitos praticados por Erenice Guerra, seu braço direito na Casa Civil e, mais tarde, sucessora no comando do ministério.

Na ocasião, Dilma estava em campanha pela vaga de Lula. Para evitar danos à sua candidatura, Erenice pediu demissão. Dali a dois anos, a Justiça a inocentou por falta de provas de que roubara e deixara roubar.

Quase ao término do seu primeiro ano de governo, batizada por assessores de “a faxineira ética”, Dilma degolou seis ministros de Estado. Pesaram contra eles acusações de corrupção publicadas pela imprensa.

De lá para cá, ministérios e cargos públicos foram entregues por Dilma aos ex-ministros degolados ou a grupos políticos ligados a eles. A “faxineira ética” baixou à sepultura.

Por ora, Dilma está atônita e se recusa a falar sobre o mais novo escândalo que bate à sua porta.

Paulo Roberto Costa, chamado de Paulinho por Lula, preso em março último pela Polícia Federal como um dos cérebros da quadrilha acusada de roubar a Petrobras, começou a contar o que sabe – ou o que diz saber. Em troca, quer o perdão judicial para não ter que amargar até 50 anos de cadeia.

Dilma sabe muito bem quem é Paulinho, nomeado por Lula em 2004 para a diretoria de Abastecimento da Petrobras. Saiu dali só em 2012.

No período, compartilharam decisões, algumas delas, responsáveis por prejuízos bilionários causados à Petrobras.

Dilma mandou diretamente na empresa enquanto foi ministra das Minas e Energia e chefe da Casa Civil. Manda, hoje, via o ministro Edison Lobão, das Minas e Energia.

Lobão foi citado por Paulinho como um dos políticos integrantes da mais nova e “sofisticada organização criminosa” da praça, juntamente com mais seis senadores, 25 deputados federais e três ex-governadores.

A organização superfaturava licitações da Petrobras e desviava dinheiro para um caixa que financiava campanhas de políticos da base de apoio ao governo. Por suposto, nem Lula nem Dilma sabiam disso.

O que é mais notável: entra campanha e sai campanha da Era PT, e os adversários do governo são acusados por Lula e Dilma de se valerem da Petrobras como arma política.

Pois bem, debaixo do nariz deles, camaradas deles usaram a Petrobras como arma para enriquecer.

----------------

A encruzilhada da mudança
FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

Não é a primeira vez que o Brasil se vê desafiado pelas encruzilhadas da História. Os eleitores escolherão caminhos de mudança, uns mais bem pavimentados, outros potencialmente acidentados. Manter as coisas como estão não é boa alternativa, como já está claro para a maioria.

Não é segredo para ninguém que a candidata Dilma Rousseff, independentemente das boas intenções que tenha – e as tem – embarcou num desvio que está custando caro a ela e ao país. A partir da crise de 2008, ainda no governo Lula, como ministra toda-poderosa, Dilma (e Mantega, ou sei lá quais outros ideólogos) definiram uma “nova matriz econômica” para o Brasil. Acontece que a nova matriz era velha e não produziu o feitiço esperado. Repetiu-seu erro de pensar que misturando ingredientes (gasto público solto, política monetária leniente, crédito público a mil, isenções fiscais aqui e acolá, microgerenciamento das decisões empresariais, etc) e agitando o caldeirão da política econômica, o governo asseguraria o milagre do crescimento contínuo e a felicidade geral do povo. As preocupações contrárias foram consideradas fórmulas velhas, “ortodoxas”, monetaristas, submissas ao FMI, propensas a fazer o ajuste fiscal à custa do povo.

Os resultados estão à vista e em mau momento: o das eleições. O PIB não cresce, antes se contrai e a inflação roça o teto da meta e só não o ultrapassa porque há preços artificialmente represados pelo governo; a indústria diminui de tamanho e perde competitividade e os investimentos despencam junto com a confiança das empresas no governo. Pudera, o superávit primário virou pó, apesar dos artifícios contábeis e das “pedaladas fiscais”; os bancos públicos, chamados a injetar anabolizantes creditícios na economia e a bancar o voluntarismo do governo no setor elétrico, encontram-se expostos a créditos de qualidade duvidosa, criando dúvidas adicionais sobre a situação fiscal do país; a Petrobras e a Eletrobras igualmente submetidas ao voluntarismo governamental perderam valor e capacidade de inversão; as reservas do Banco Central encontram-se comprometidas pelos swaps cambiais (quase cem bilhões de dólares) e por aí vai. Cáspite! como se dizia nas histórias em quadrinho dos anos 1940, é encrenca para não botar defeito.

Diante desta situação, o que propõe a candidata? O mesmo, com mais propaganda. Desfia um rosário de realizações, sem se dar conta de que o calo aperta na má gerência, no aparelhamento desenfreado da administração por partidos políticos, na baixa qualidade dos serviços públicos de educação, saúde e transporte e nos casos de corrupção sistêmica, nas obras inacabadas e no desperdício do dinheiro público. Ah, sim, também nos impostos que, mais do que elevados, são mal utilizados. Dá para ganhar eleições desse jeito? Mesmo Lula parece arrependido de indicar candidatos-postes cujas luzes não acendem...

Daí a responsabilidade por construir caminhos para um futuro melhor recair nos ombros das oposições que se deparam com uma encruzilhada. Um caminho aponta uma estrada pavimentada pela experiência, por realizações; outro, como se faz nos lançamentos de empreendimentos imobiliários, mostra fotos de maquetas tomadas com lentes grande angular: aparece o melhor no foco e se esfumam no horizonte as dimensões das dificuldades reais. A questão não é a foto da partida, é o percurso para levar a uma construção sólida.

Na tradição personalista de sempre (seria da política velha?), os dados eleitorais parecem mostrar a formação de um vagalhão. As intenções da candidata oposicionista são boas, mas o político, já dizia Weber há um século, não é como o pregador. A este basta a convicção e a boa palavra. Como nos Evangelhos: aquele que acreditar em mim encontrará a salvação. O político, além da crença, precisa construir os caminhos da “salvação”, que será sempre terrena e imperfeita. O desafio está no fazer e não nas palavras. Há “bons” e “maus” entre as pessoas, assim como há lados “bons” e “maus” em uma mesma pessoa. Valem as aspas porque há valores e interesses que para uns são “bons”, para outros “maus”. Além disso, na política, não se trata só de pessoas, mas do que elas representam. Na vida pública o objetivo não é somar os “bons” e alinhá-los contra os “maus”, em confronto definitivo. Trata-se de organizar forças ao redor de ideias e de interesses que, ainda que contraditórios em alguns pontos, possam se compor e formar uma maioria para governar por um período determinado de tempo em torno de objetivos claros que, se alcançados, possam beneficiar o país. A candidata Marina, se vencer, será capaz de tal proeza? Tomara, mas ainda é uma incógnita. Sem negar-lhe méritos pessoais e políticos, é recente sua conversão a algumas das teses há muito sustentadas pela oposição que não tem medo de dizer o seu nome.

Aécio representa esta oposição que vem junta há muitos anos. Sobre sua capacidade de mobilizar e coordenar equipes técnicas, organizar e liderar maiorias políticas, não cabe dúvida. Ele a demonstrou reiteradas vezes como deputado federal, presidente da Câmara e governador de Minas Gerais.

Enfim, escolheremos o caminho mais seguro ou, no embalo da velha tradição personalista, embarcaremos na direção de mares nunca dantes navegados? Embora a opção em causa seja diferente de outras que nos levaram a impasses e desastres no passado, prefiro manter-me firme ao lado de quem já passou por provas que o capacitam a governar com grandeza, com competência e a obter os apoios necessários para tirar o país do labirinto lulo-petista.


***********

Blog do Josias

Delator da Petrobras deixou Dilma sem sentido

Dilma Rousseff acredita que a delação do ex-diretor preso da Petrobras Paulo Roberto Costa não abala a sua administração. “Eu acho que não lança suspeita nenhuma sobre o governo, na medida em que ninguém do governo foi oficialmente acusado”, disse ela, em timbre enfático. Perdidos em meio às perversões que o aparelhamento do Estado produz, a presidente e seu governo inocente lembram muito as virgens de Sodoma e Gomorra.

“O governo tem tido em relação a essa questão uma posição extremamente clara”, Dilma prosseguiu. Muito clara, de fato. Tão clara quanto a gema. “Foram órgãos do governo que levaram a essa investigação. Foi a Polícia Federal, não caiu do céu. Foi uma iniciativa da PF e também de outros órgãos, como Ministério Público e Judiciário. O governo está investigando esta questão.” Isso é que é governo eficiente. Ele mesmo desvia, ele mesmo investiga. E a presidente se autoabsolve.

Recordou-se a Dilma que o nome de um de seus ministros, Edison Lobão, consta da lista de supostos recebedores de propinas prospectadas na Petrobras. E ela: “Eu preciso dos dados que digam respeito, ou que tenham alguma interferência no meu governo. Enquanto não me derem os dados oficialmente, não tenho como tomar uma providência. Ao ter os dados, eu tomarei todas as providências cabíveis, inclusive se tiver de tomar medidas mais fortes.”

Pode-se acusar Dilma de muita coisa, menos de incoerência. Xerife do setor energético desde o primeiro reinado de Lula, ela sempre foi 100% fiel aos interesses de José Sarney. Em 2004, ainda ministra de Minas e Energia, levou ao microondas um respeitado presidente da Eletrobras, Luis Pinguelli Rosa, para acomodar no lugar dele Silas Rondeau, afilhado político de Sarney.

Em 2005, alçada à Casa Civil pela queda do companheiro José Dirceu, Dilma cacifou o nome de Rondeau para substituí-la no comando da pasta de Minas e Energia. Com isso, forneceu matéria-prima para que a Polícia Federal comprovasse sua eficiência. Decorridos dois anos, o ministro de Sarney foi pilhado pela PF na Operação Gautama.

Acusado de apalpar um envelope contendo propina de R$ 100 mil, Rondeau deixou o cargo para se defender. E foi substituído, com o aval de Dilma, por Edison Lobão, outro ministro da cota de Sarney. Eleita presidente, em 2010, Dilma manteve Lobão na Esplanada. Demitindo-o agora, cutucaria o morubixaba maranhense. Algo que nem Lula jamais ousou fazer. Melhor negociar.

No início do ano, quando Dilma promoveu sua última reforma ministerial, eufemismo para troca de cúmplices, o PMDB guerreava por um sexto ministério. E o presidente do PT federal, Rui Falcão, tratou de acomodar as coisas em pratos pouco asseados: “Não vamos ceder um novo ministério para o PMDB. Agora, concessão para discutir projeto de lei, espaço em estatal, para isso estamos abertos à negociação.”

O delator Paulo Roberto Costa é resultado desse tipo de arranjo que levou os governos do PT a abrigar as “indicações partidárias''  nos “espaços” de empresas estatais. Paulinho, como Lula o chamava, foi indicado em 2004 pelo PP do mensaleiro morto José Janene. Nomeado diretor de Abastecimento, passou a servir a uma joint-venture partidária que reunia, além do PP: PT, PMDB e alas do PTB. Deixou a Petrobras em 2012, já sob Dilma. Era um escândalo esperando para acontecer.

Ao dizer que a delação de Paulinho “não lança suspeita nenhuma sobre o governo”, Dilma fica desobrigada de fazer sentido. Candidata à reeleição, ela enfrenta a crise ética que engolfa alguns dos principais acionistas do conglomerado governista à maneira do avestruz. Foge da realidade enfiando a cabeça na ilógica: “Ninguém do governo foi oficialmente acusado.” Então, tá! Ficamos assim. Não se fala mais nisso.

-----------

Jarbas defende memória de Eduardo

Em nota distribuída neste domingo (7), o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) comentou a presença de Eduardo Campos na lista atribuída ao delator Paulo Roberto Costa de supostos beneficiários de propinas em negócios da Petrobras. No texto, Jarbas pede “cautela”.

O senador realça que Campos, morto em 13 de agosto, “não está mais aqui para se defender.” Declara que “ele se afastou do governo justamente por discordar desse tipo de prática.”

Para Jarbas, “a inclusão do nome de Eduardo nesse lamaçal do PT tem o único objetivo de atingir a candidatura de Marina Silva”, além de “poupar os principais responsáveis pela degradação ética e administrativa dentro da maior estatal brasileira: o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff.” Vai abaixo a íntegra da nota de Jarbas:

É necessário ter toda a cautela possível com essa inclusão do nome de Eduardo Campos nesse novo escândalo na Petrobras promovido pelo Governo do PT. Eduardo não está mais aqui para se defender. Ele se afastou do Governo justamente por discordar desse tipo de prática.

O Paulo Roberto vai fazer de tudo para escapar da prisão e escolher este ou aquele, visando poupar os principais responsáveis pela degradação ética e administrativa dentro da maior estatal brasileira: o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff.

A inclusão do nome de Eduardo nesse lamaçal do PT tem o único objetivo de atingir a candidatura de Marina Silva, que representa hoje a mais viável possibilidade de mudar tudo isso que o PT instalou no Brasil.

Não podemos aceitar que um réu confesso tente incluir nomes de inocentes nas falcatruas comandas pelo PT.”

Jarbas Vasconcelos

------------

Dependência!



**********


Petrolão: Gilberto Carvalho quer aproveitar outro escândalo que atinge o PT para garantir ainda mais privilégios a seu partido. É indecoroso, é despudora, é indecente!

Sempre que Gilberto Carvalho fala, o mundo, o Brasil em particular e, muito especialmente, a política se tornam menos pudorosos, menos decentes, menos inteligentes e inteligíveis, menos sensatos, menos honrados. É impressionante a capacidade que este senhor, que é secretário-geral da Presidência, tem de penetrar no terreno do grotesco, do absurdo e do asqueroso. Neste domingo, algum figurão do Planalto tinha de vir a público para tentar dar uma resposta às graves acusações que Paulo Roberto Costa, o engenheiro da Petrobras que está preso, fez em depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal. Ora, para tarefa tão espinhosa, só mesmo alguém da, digamos, estatura de Carvalho.

Segundo Paulo Roberto, as empreiteiras que faziam negócios com a Petrobras pagavam uma comissão a um grupo de políticos que incluía três governadores de Estado, seis senadores, um ministro, um ex-ministro, 25 deputados e o tesoureiro de um partido. É o petrolão. O esquema fraudulento funcionou nos oito anos do governo Lula — que, afirma Paulo Roberto, sempre soube de tudo — e estava a pleno vapor na gestão Dilma, até ser desbaratado pela Polícia Federal. A denúncia atinge em cheio três partidos: PP, PMDB e, muito especialmente, o PT.

A candidata Dilma Rousseff falou sobre o assunto — o que deixo para outro post. Carvalho se manifestou, reitero, como a voz do governo. E não viu mal nenhum em falar uma penca de barbaridades, que indicam o buraco no qual o país pode estar a se meter caso Dilma Rousseff seja reeleita.

Gilberto Carvalho, acreditem, para escândalo da lógica, do bom senso e da vergonha na cara disse o seguinte: “Enquanto houver financiamento empresarial de campanha, e as campanhas tornarem-se o momento de muita gente ganhar dinheiro e de se mobilizarem muitos recursos, eu quero dizer: não há quem controle a corrupção enquanto houver esse sistema eleitoral. Isso é com todos os partidos. Não há, infelizmente, nenhuma exceção”. O que Carvalho está dizendo é o seguinte: “Nós, do PT, somos corruptos, sim, mas todos são”.

Ora, o que o financiamento privado de campanha tem a ver com o antro em que se transformou a Petrobras? Digamos que o dinheiro do estado financiasse os partidos. Será que a empresa estaria protegida contra larápios? A resposta, obviamente, é “não”. Ao contrário: no dia em que o financiamento privado for proibido, aumentará o volume de caixa dois nas campanhas, e as estatais estarão ainda mais sujeitas ao assalto.

Para lembrar: a lista dos que receberiam propina do Petrolão inclui, entre outros, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio (PMDB). Paulo Roberto acusa ainda Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, e atinge o coração do Congresso: estão no rol o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e o do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). PT, PMDB e PP seriam os três beneficiários do esquema, que teria também como contemplados os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR), e os deputados petistas João Pizzolatti (SC) e Candido Vaccarezza (SP), além de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT.

Carvalho tentou, adicionalmente, desqualificar a acusação, como se tudo não passasse de uma tramoia da oposição. Até parece que Paulo Roberto Costa procurou a sede do PSDB para fazer sua denúncia. Errado! Ele já gravou 42 horas de depoimentos à Polícia Federal e ao Ministério Público.

Um dos principais ministros de Dilma, vejam vocês, quer aproveitar mais um escândalo que pega em cheio o PT como pretexto para fazer uma reforma política que privilegiaria o seu partido e ainda elevaria exponencialmente o volume de caixa dois nas campanhas, o que deixaria as estatais ainda mais sujeitas à sanha dos companheiros.

-----------

Petrolão – PT e PSB fazem uma discreta parceria para desqualificar denúncia

A candidata Dilma Rousseff falou neste domingo sobre o petrolão, o mensalão da Petrobras, e, como de hábito, disse coisas um tanto confusas, meio incompreensíveis. Afirmou que, por enquanto, não pode fazer nada porque ainda não conhece direito as denúncias e não sabe o grau de comprometimento de cada acusado, se tudo é mesmo verdade etc. Até aí, vá lá, tudo bem. Mas exagerou: segundo a presidente-candidata, o imbróglio não envolve o seu governo. Epa! Como assim, governanta? Um dos acusados é seu atual ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, pasta à qual está afeita a Petrobras. Outro que está na lista é Mário Negromonte, seu ex-ministro das Cidades. Mas isso ainda é pouco, né? A dinheirama, segundo o denunciante, serve para manter abastecida a base aliada — sim, base aliada do governo Dilma. E um dos peixes graúdos do esquema, segundo Paulo Roberto Costa, é João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, partido ao qual pertence a digníssima e pelo qual disputa a reeleição.

Dá para ir adiante: o esquema vigorou, segundo a acusação, durante todo o governo Lula. Podemos apimentar a narrativa: a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, teria alimentado o esquema criminoso. A presidente do conselho, no período, era uma certa… Dilma Rousseff, que, já instalada no Palácio do Planalto, garantiu a Nestor Cerveró, o principal executivo da compra da refinaria, o cargo de diretor financeiro da BR Distribuidora. Como não atinge o seu governo, presidente? A senhora até pode pedir prudência, mas a história de que sua gestão não tem nada com isso é bobagem.

A reação do PSB foi, digamos, calculadamente ambígua. Marina Silva, a candidata a presidente, e Beto Albuquerque, a vice, concederam uma entrevista coletiva nesta domingo. Marina atacou os desmandos na Petrobras; afirmou que a empresa precisa ter um comando técnico e respondeu a ataques dos petistas: “Sou caluniada e acusada de ser contra esse patrimônio do Brasil. Enquanto essa mentira é alardeada, a Petrobras é destruída pelo uso político, a apadrinhamento e a corrupção”.

Pois é… Na hora, no entanto, de comentar o fato de que Eduardo Campos compõe a lista de políticos que teriam recebido propina, Marina se calou e passou a bola para Albuquerque, que, curiosamente, não deu uma resposta muito diferente da oferecida pelos petistas: haveria motivação eleitoral na denúncia. O candidato a vice de Marina disse estranhar o fato de que Paulo Roberto já tivesse, antes, indicado Campos como uma de suas testemunhas.

É mesmo? Eu estranho é o seu estranhamento. Está na cara que o engenheiro mandava um recado ao ex-governador de Pernambuco. Parecia dizer: “Você me conhece; fale sobre mim para a polícia…” Não custa lembrar que os três governadores ou ex citados como beneficiários de propinas — além de Campos, Roseana Sarney (PMDB-MA) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) — pertencem a estados onde há grandes empreendimentos da Petrobras. PT e PSB cobram acesso aos depoimentos. OK. Que o façam! Mas é preciso ter um pouco mais de pudor com as respostas ridículas.

O tucano Aécio Neves fez o esperado — afinal, queriam o quê? Cobrou investigação e advertiu que já ninguém aguenta essa história do “eu não sabia”. Em entrevista à VEJA, afirmou: “As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comandado pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder. Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras, os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos a Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa. Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comando pela atual presidente da República.”

Alguém tem de cobrar a investigação e alertar o país para a gravidade do assunto. Dadas as falas, tudo indica que Dilma e Marina, apesar da retórica, preferem que não se vá até o fim nessa história. Convenham: tramoia será fugir da verdade só porque há eleições. A ser assim, “estepaiz”, como diz aquele, só prende vagabundos que roubam o dinheiro público em ano ímpar, não é mesmo?

----------------

Petrolão – Cerveró, o homem que morava num apartamento de R$ 7,5 milhões com dono desconhecido…

As acusações de Paulo Roberto Costa não são a única história escabrosa que a edição desta semana da revista VEJA revela. Há outras coisas do balacobaco. Lembram-se de Nestor Cerveró, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras e apontado pela própria presidente Dilma como o principal responsável por cláusulas da compra desastrosa da refinaria de Pesadena? Pois é…

Até o mês passado, Cerveró e sua mulher moravam num apartamento de cobertura em Ipanema avaliado em R$ 7,5 milhões. Estaria lá pagando… aluguel. Huuuummm… A história desse imóvel consegue ser mais enrolada do que a da refinaria.

Em 2008, no auge do imbróglio nos EUA, surgiu em Montevidéu, no Uruguai, uma empresa chamada Jolmey Sociedad Anonima, que pertenceria a um fundo de investimentos, cujos representante é um certo Oscar Rachetti. Essa suposta empresa procurou um administrador brasileiro para fazer negócios aqui. Encontrou quem? O advogado Marcelo Oliveira Mello, conhecido de longa data de Cerveró porque já havia trabalhado numa subsidiária da Petrobras. Mais tarde, Mello se tornou sócio de um escritório de advocacia que virou parceiro de um outro que atuou no caso de… Pasadena! Não percam o fio.

Em 2009, a Jolmey comprou o tal apartamento em que estava morando Cerveró. Até hoje, acreditem, é o único investimento da dita empresa no Brasil.

Há cinco meses, com o caso de Pasadena pegando fogo, Mello transferiu a sede da empresa para Saquarema, no Rio. A única coisa que há lá é uma casa abandonada. O advogado entregou a sua cota a um homem chamado Selson Ferreira. VEJA o encontrou. Nervoso, ele não quis falar com a revista. Em junho, antes de o TCU determinar o bloqueio de seus bens, Cerveró transferiu três apartamentos para o nome dos filhos, mesmo movimento, diga-se, executado por Graça Fortes, presidente da Petrobras. Reparem como essas pessoas nunca têm uma narrativa convencional, linear, que justifique seu padrão de vida.

-------------

“O governo do PT patrocinou um assalto à Petrobras”, diz Aécio

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:A menos de 30 dias do primeiro turno, as campanhas da petista Dilma Rousseff e da ex-senadora Marina Silva (PSB) tentam estancar a todo custo a sangria provocada pelos depoimentos do ex-dirigente da Petrobras e controlar uma possível fuga de votos das candidatas. Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de votos na corrida presidencial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) avalia que as revelações do ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, sobre a montagem de um balcão de distribuição de propina a deputados, senadores, governadores e até um ministro de Estado aliados ao Palácio do Planalto podem mudar o resultado das eleições de outubro. “O governo do PT patrocinou um assalto à Petrobras. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição”, disse Aécio em entrevista exclusiva ao site de VEJA.

Os nomes de autoridades citados por Paulo Roberto Costa como participantes do esquema de propina são essencialmente da base de sustentação do governo da presidente Dilma Rousseff. O senhor acha que houve conivência por parte dela?
Não dá mais para vir com essa história de que não sabia de nada. Nós estamos falando de algo talvez ainda mais grave do que o mensalão 1, que é o mensalão 2, que coexiste há mais de nove anos no poder. Continua a haver um processo, desde o início, que não foi interrompido: utilização de dinheiro público, empresas públicas, superfaturamento de obras para beneficiar um grupo político que quer se manter a qualquer custo no poder. O PT perdeu, a meu ver, a autoridade sequer para apresentar um projeto de continuidade desse modelo que está aí. É vergonhoso o que aconteceu. As investigações tem que ir a fundo. Espero que o Brasil conheça o que aconteceu e as punições possam vir. A presidente da República tem, sim, que dizer o que aconteceu na empresa que ela comandou com mão de ferro. Ela foi do conselho da Petrobras durante doze anos.

Com as denúncias de Paulo Roberto Costa, cai a tese da presidente Dilma Rousseff de acusar setores oposicionistas de tentar desmoralizar a Petrobras?
As denúncias do senhor Paulo Roberto mostram que a Petrobras vem sendo assaltada ao longo dos últimos anos por um grupo político, comando pelo PT, com o objetivo de perpetuar-se no poder. Quando nós apresentamos a proposta da criação da CPMI da Petrobras os líderes do governo diziam que isso era uma jogada eleitoral da oposição apenas para prejudicar o governo nas eleições. A presidente da República chegou a dizer que nós estávamos, com os ataques que fazíamos a Petrobras, depondo contra a imagem da nossa principal empresa. Quem desmoralizou a nossa principal empresa foi esse governo comando pela atual presidente da República. Não é possível, sentada na mesa com esses mesmos réus, em especial com esse diretor que está preso hoje, dizer que não tinha ideia do que está acontecendo. Ainda que pela incapacidade de ver o que acontece no seu entorno, ela não pode querer disputar novamente a Presidência da República.

Segundo a delação premiada feita por Paulo Roberto Costa, o ex-governador de Pernambuco e ex-candidato do PSB, Eduardo Campos, estaria envolvido no esquema.
Eu tenho muito cuidado com relação a isso. São acusações que eu não conheço. Li pela manhã e me dei conta do tamanho dessas denúncias. Todos nós vamos ter que estar prontos para dar explicações sobre quaisquer questões. Eu acho que não dá é para pessoas envolvidas dizerem que não sabiam de nada. Vamos dar tempo ao tempo e esperar que, realmente, essas acusações que hoje citam nominalmente algumas pessoas possam ser comprovadas, com indícios mais claros. Eu vejo tudo isso com alguma cautela. Mas eu reafirmo, e não há dúvidas em relação a isso, é que o governo do PT foi conivente com o maior assalto que já se fez aos cofres da maior empresa brasileira, a Petrobras. O governo do PT patrocinou um assalto à maior empresa brasileira. Isso jamais ocorreu na história do Brasil.

A citação de Eduardo Campos entre os que teriam recebido propina desconstrói o discurso da candidata Marina Silva sobre a “nova política”? É possível atender a interesses de aliados sem cair em esquemas de corrupção?
Nós estávamos desde lá de trás denunciando esse governo. Eu vejo hoje críticas ao PSDB por uma pseudopolarização com o PT. Nós estávamos desde sempre, lá atrás, desde 2003, combatendo esse governo, denunciando o aparelhamento da máquina pública, as nomeações políticas na Petrobras. Será que quem estava certo era quem estava dentro desse governo durante todo esse período? De alguma forma, até se beneficiando, mesmo que não diretamente. Se beneficiando dessa estrutura que se manteve para sustentar o governo. A minha diferença maior para as duas candidatas é que em nenhum momento eu participei desse governo. No momento em que esse governo assaltava o país, eu fazia oposição. De nenhuma forma eu participava disso. Nem diretamente nem indiretamente. Os cargos que eu ocupei não foram, de alguma forma, sustentados por esse governo corrupto.

O esquema do mensalão movimentou 173 milhões de reais. A Polícia Federal estima que, no caso da operação Lava-Jato, sejam pelo menos 10 bilhões de reais. É mais grave que o escândalo que colocou a cúpula do PT na cadeia?
O mensalão 2, esse atual, a meu ver, é mais grave do que o mensalão 1 até pelo tempo que durou esse assalto. Um processo que não pode ser agora atribuído a uma pessoa, a alguém que se utilizou de determinado momento de um cargo que ocupou em benefício próprio. É uma engrenagem institucionalizada para roubar no seio da nossa maior empresa para beneficiar o grupo que está no poder. O atual governo e a própria presidente da República são, no mínimo, beneficiários daquilo que a Polícia Federal chamou de organização criminosa instalada na Petrobras. Dilma foi beneficiária desse esquema. E esse esquema é que vem sustentando o seu governo, dando a ela maioria no Congresso e pagando diretamente sua base de apoio. Estamos diante do mais grave escândalo de corrupção da nossa história contemporânea. Acho que o mensalão 2 tem níveis de sofisticação que fazem dele algo mais grave do que o primeiro. O mensalão 2, pelo que nós estamos vendo, se manteve e se arrastou pelos onze anos desse governo.

As pesquisas de intenção de voto o colocam em terceiro lugar na corrida pelo Palácio do Planalto. As denúncias podem mudar o quadro eleitoral?
Eu continuo acreditando muito na possibilidade de vitória. Nós somos a oposição a tudo isso. Eu não sou oposição ao PT agora. Eu sou oposição a esse modelo desde que essa bandalheira, essa forma de agir, começou. Nem todos podem dizer isso, né? A atual candidata à Presidência da República perderá as eleições. Não há condições morais dela apresentar algo novo ao Brasil. Comete a imprudência de destituir, mesmo mantendo no cargo, o ministro da Fazenda. E se ele tivesse hoje uma forma de preservar sua própria história, pediria ele mesmo para sair. Ministro da Fazenda ou você nomeia ou demite. Não pré-anuncia que vai demiti-lo lá adiante. Quem é que vai conversar hoje com o ministro da Fazenda sobre determinada questão relevante para a economia sabendo que daqui a três meses ele não vai estar lá para tocar aquilo que foi eventualmente acertado? O dano só não é maior porque ele já tinha perdido toda a credibilidade. Agora que autoridade a presidente vai ter? Tendo comandado a maior empresa brasileira, a Petrobras, como comandou e fazia questão de mostrar que era ela quem mandava com mão de ferro, vendo nas suas barbas esse processo de corrupção beneficiar seu próprio projeto.

Mas a presidente Dilma ainda se mantém líder nas pesquisas.
Eu acho que o PT perdeu a eleição. O PT perdeu a eleição. Agora tem uma nova candidata que eu respeito pessoalmente, mas precisa explicar seus vínculos com esse grupo político. Marina tem uma militância no PT maior do que da própria Dilma. Não acredito que ela possa ter um vínculo direto com isso. Mas eu não vi a indignação dela no momento em que o mensalão foi denunciado. Lá atrás, no momento em que o mensalão foi denunciado, não me lembro dela considerando isso uma prática da velha política, se indignando e pedindo para sair do partido. Ao contrário. É um direito dela.

O senhor acha que Marina Silva deve defender publicamente Eduardo Campos das acusações feitas por Paulo Roberto Costa ou é um problema do PSB?
Todos tem que dizer claramente o que pensam. Terceirizar responsabilidades não é um bom exemplo para quem se autointitula representante da nova política. Nada mais velho na política do que a corrupção. Esse modelo do PT de utilizar a estrutura do Estado em benefício do seu projeto de poder é tudo, menos novo. Isso existe desde que o PT assumiu o governo. Já existia nas administrações municipais do PT. Nós sabemos disso em várias denúncias, como no caso de Santo André, talvez o mais marcante deles. O PT sempre buscou nas oportunidades que teve para utilizar empresas e espaços públicos para financiar a sua permanência no poder. Isso não mudou. O que mudou foi a escala, agora infinitamente maior. Eu sempre soube e ataquei isso. A outra candidata conviveu de alguma forma com esse modus operandi do PT. Temos duas alternativas. A minha é clara, de combate a tudo isso e restabelecer a meritocracia. Resgate a nossas empresas públicas, e vamos afundo nas investigações. Queremos as investigações como propusemos na CPMI. E que os responsáveis sejam punidos. Outra candidatura vai ter que mostrar como convive com esse tipo de corrupção. Eu vejo muito esse discurso da nova política. Para mim sempre houve a boa e a má política. E a boa política é que a nós praticamos. A má política é a que o PT pratica. E, na verdade, não é de hoje. Desde quando a candidata Marina era um membro influente no partido.

**********


Com menos de um mês para as urnas, agora é guerra
Gabriel Castro, Veja

Há menos de um mês atrás, a dúvida que acompanhava a corrida presidencial era se Dilma Rousseff venceria no primeiro turno ou se ela enfrentaria o tucano Aécio Neves (PSDB) na segunda etapa das eleições. Mas o acidente que matou Eduardo Campos alterou a disputa e, em poucos dias, Marina Silva (PSB) passou a ser a candidata com melhor percentual nas pesquisas de intenção de voto no segundo turno – que se tornou inevitável.

O mais recente episódio que pode chacoalhar o cenário eleitoral envolveu o ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e suas delações. Conforme revelou VEJA nesta semana, ele citou os políticos beneficiados pelo esquema de corrupção na estatal em depoimento à Polícia Federal. A investigação sobre o escândalo da Petrobras pode alterar o panorama justamente quando a campanha entrava no momento de consolidação dos votos.

-----------

A Petrobras no centro da campanha eleitoral
Carla Jiménez, El País

As denúncias de corrupção na Petrobras vão testar o seu alcance para a campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff nesta semana, depois que o ex-diretor de abastecimento da companhia, Paulo Roberto Costa, fez um acordo de delação premiada comprometendo dezenas de políticos ligados principalmente ao PT e PMDB.

Embora os detalhes das informações prestadas à Polícia Federal não sejam conhecidos, o vazamento de dados, que insinuam a ligação de nomes graúdos dos dois partidos com eventual esquema de propinas da estatal, reforça o manto da desconfiança sobre a gestão da Petrobras. Os adversários da presidenta procuram capitalizar o assunto para mostrar a ineficiência da gestão do governo Rousseff sobre a estatal.

------------

Desfile de Sete de Setembro em Brasília tem esquema antivaia
Lu Aiko Otta e Rafael Moraes Moura, Estadão

A presidente Dilma Rousseff chegou neste domingo ao desfile de Sete de Setembro no Rolls Royce presidencial. Para o evento, o governo montou um esquema de segurança que também serviu para minimizar o risco de vaias. Quando o locutor da cerimônia anunciou o nome da presidente, houve uma vaia discreta. Os aplausos foram em maior número.

O automóvel oficial foi precedido por um grupo de motocicletas com as sirenes ligadas. Além disso, a estrutura física dos palanques mantém os populares longe. O palanque presidencial fica blindado, nas laterais, pela instalação de "camarotes vip". Já o acesso por trás é fechado pelo esquema de segurança. À frente, fica a área da imprensa e dos convidados, cercada por tapumes que impedem a chegada de pessoas a um raio de aproximadamente 50 metros.

-------------

Suécia inova e cria 'barreira do álcool' para punir motoristas bêbados
Claudia Varejão Wallin, BBC Brasil

A polícia da Suécia inaugura formalmente, na semana que vem, um novo modelo para o controle da embriaguez no trânsito: barreiras eletrônicas móveis que testam, automaticamente, se o motorista está com o nível de álcool no sangue acima do limite permitido por lei.

As novas barreiras eletrônicas, que são transportáveis, se assemelham a cancelas de pedágio. Para que a cancela se abra e o motorista continue seu trajeto, ele é obrigado a soprar o bafômetro. Caso o condutor esteja com o nível de álcool no sangue (alcoolemia) acima do limite legal, a cancela permanece fechada ─ e a polícia entra em cena.

-------------

Obama apresentará seu plano para combater o Estado Islâmico
Yolanda Monge, El País

Um dia antes da data que marcará os 13 anos do ataque da Al Qaeda aos Estados Unidos, Barack Obama vai se dirigir à nação para apresentar seus planos para combater o Estado Islâmico no Oriente Médio. Na quarta-feira, Obama, após um período de críticas por sua suposta paralisia, explicará ao Congresso e aos cidadãos sua decisão de "iniciar uma ofensiva" contra os jihadistas, mas reforçará que não vai haver tropas norte-americanas na região.

Segundo ele, "isso não é equivalente à guerra do Iraque". Obama fez estas declarações recentes durante uma entrevista transmitida no domingo e gravada no sábado na Casa Branca para o programa de televisão Meet The Press - que estreou um novo apresentador. Segundo o presidente, neste momento o Estado Islâmico não representa uma ameaça direta aos EUA, mas pode chegar a ser.

----------------

Primeiro-ministro da Escócia critica governo britânico
O Globo

O primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, criticou a tentativa do governo britânico de influenciar eleitores contra a independência da Escócia. Em uma tentativa de mudar o rumo das pesquisas de opinião antes da votação, no próximo dia 18, o governo britânico está disposto a dar poderes a Edimburgo se os cidadãos da capital escocesa optarem por permanecer no Reino Unido.

A menos de duas semanas do plebiscito, o “sim” lidera, com 51% das intenções de voto, derrubando, em apenas um mês, uma vantagem de 22 pontos da campanha anti-independência “Better Together” (“Melhor Juntos"). "É uma posição ridícula colocada sobre a mesa por uma campanha em fase terminal", criticou o premier da Escócia.

----------------

Sete afegãos são condenados à morte por estupro coletivo
Veja

Sete afegãos foram condenados à morte, ontem, pelo estupro coletivo de quatro mulheres, em um caso que gerou indignação no Afeganistão. Os envolvidos foram declarados culpados pelo sequestro e agressão sexual das mulheres. Elas estavam em um grupo que voltava de carro para Cabul, depois de uma festa de casamento na periferia da capital.

Os sete homens estavam disfarçados de policiais e armados com fuzis. Eles arrastaram as mulheres para fora do carro, roubaram seus pertences e as estupraram, indicou a justiça, que levou o caso a julgamento com rapidez.


**********


Só a mãe de Dilma poderia salvar a Petrobras

Segundo a mistificação petista, Dilma Rousseff é uma executiva de mostruário. Mas no que se refere à roubalheira na Petrobras a presidenta ainda não encontrou uma solução. Em verdade, a despeito da delação do ex-diretor preso Paulo Roberto Costa, ela ainda não viu nem o problema.

“Gostaria de saber direito quais são as informações prestadas nessas condições. E asseguro que tomarei todas as providências cabíveis”, disse Dilma. “Não com base em especulações. Acho que as informações são essenciais e são devidas ao governo. Caso contrário, a gente não pode tomar medidas efetivas.”

O Planalto de fachada progressista resultou em lucrativos negócios para as más companhias da presidente. A exemplo do que sucedera sob Lula, a convivência com Dilma propiciou a coronéis partidários um extraordinário merchandising. Algo que lhes permitiu fazer o pior o melhor possível.

O que falta a Dilma não é talento gerencial, mas uns bons conselhos de mãe. Imagine-se como seria diferente o destino da República se a presidente ouvisse mais a sua mãe. Um chefe de governo pode conviver com meia dúzia de Renans por obrigação protocolar, até por uma visão distorcida do que seria a governabilidade. Qualquer mãe entenderia isso.

Mas ir atrás dos Renans, cortejar os Renans, confiar a viabilidade de um governo e os negócios de suas estatais aos Renans… Já que o Lula falhou, alguém precisa assumir o papel de mãe da presidenta. Só para ligar de vez em quando. E dizer: “Afaste-se dos Renans, minha filha. É para o seu próprio bem. Afaste-se!”

-------------

Mal lavado, Aécio ataca petrosujeira governista


Em terceiro lugar nas pesquisas, Aécio Neves enxergou como munição o produto da delação de Paulo Roberto Costa, diretor preso da Petrobras. Com a rapidez de um raio, o presidenciável tucano pendurou na internet uma mensagem em vídeo.

“O Brasil acordou perplexo com as mais graves denúncias de corrupção da nossa história recente”, disse, cenho crispado. “Está aí o mensalão 2. É o governo do PT patrocinando o assalto às nossas empresas públicas para a manutenção do seu projeto de poder.''

Abespinhado, o presidente do PT federal, Rui Falcão, apontou para o bico de vidro do tucanato, enumerando as nódoas da espécie: mensalão mineiro, cartel dos trens e metrô de São Paulo e a “construção de um aeroporto na fazenda de um parente do candidato'', na cidade mineira de Cláudio.

Na opinião do PSDB e do candidato tucano, o PT glorifica seus condenados e reincide nos crimes, entregando a Petrobras à sanha de larápios. Na visão do PT, o PSDB blinda seus corruptos e se faz de desentendido. Um pedaço do eleitorado avalia que sujos e mal lavados têm razão. E se encanta com a “nova política” de Marina Silva, já bem enrugada.

------------

Campos virou ‘bola de ferro’ que Marina arrasta

Vivo, Eduardo Campos dizia que queria virar presidente para enviar à oposição “velhas raposas” como Renan Calheiros. Morto, Campos passou a coabitar com Renan uma lista de supostos beneficiários de propinas delatadas pelo ex-diretor preso da Petrobras Paulo Roberto Costa. O que deu à “nova política” de Marina Silva uma incômoda aparência de pão dormido.

Em campanha no interior da Bahia, Marina foi instada a comentar a novidade neste sábado (6). Saiu em defesa do ex-companheiro de chapa. Atribuiu a citação a uma “ilação” do delator. Disse que o fato de a Petrobras construir uma refinaria (Abreu e Lima) em Pernambuco, Estado que Campos governou, “não dá o direito a quem quer que seja de incluí-lo na lista dos que cometeram qualquer irregularidade.''

Em nota, o presidente do PSB, Roberto Amaral, ecoaria a defesa de Marina. “Não há acusação digna de honesta consideração”, escreveu. “Há, apenas, malícia.” Acrescentou: “Morto, Eduardo não pode se defender. Mas seu partido o fará,  em todos os níveis, políticos e judiciais, no cível e no criminal, e para esse efeito já está requerendo acesso ao conteúdo integral do depoimento do administrador da corrupção na Petrobras.”

Esta foi a segunda vez que Marina teve de socorrer a memória de Campos desde a morte dele, em 13 de agosto. Na primeira, falou sobre o jato que transportou o ex-presidenciável do PSB para a morte. Uma aeronave adquirida em transação milionária, feita por meio de laranjas. “Há uma investigação que está sendo feita pela Polícia Federal”, disse. “Nosso interesse é que essas investigações sejam feitas com todo o rigor, para que a sociedade possa ter os esclarecimentos e para que não se cometa uma injustiça com a memória de Eduardo.”

Aos pouquinhos Eduardo Campos vai se transformando numa “bola de ferro” que Marina Silva arrasta na campanha presidencial. Nos lábios dele, a mensagem do novo, que ela personifica, sempre soou artificial. Governara Pernambuco apoiado numa coligação de 14 siglas —um mato do qual não saía coelho; só saía cobra, Inocêncio Oliveira (PR), jacaré, Severino Cavalcanti (PP)…

Em setembro de 2012, quando ainda apoiava Dilma e era adulado pelo petismo, Eduardo Campos assinou um manifesto no qual o PT acusava a oposição de transformar o mensalão num “julgamento político, golpear a democracia e reverter as conquistas que marcaram a gestão do presidente Lula''.

Na campanha, ao lado de Marina, Campos enrolou-se na bandeira da decência na política e passou a dizer que o PT, com a cúpula na cadeia, precisava se atualizar. Agora, acomodada na cabeça da chapa da coligação liderada pelo PSB, Marina assiste ao pretérito de Campos passando sem ter condições políticas de tomar distância.

Mantido o discurso da “ilação” e do “vamos aguardar os esclarecimentos”, a viúva política de Eduardo Campos logo, logo será acusada de plágio por Dilma Rousseff.

---------------

Aranhas!




************
Blog do Reinaldo Azevedo

Petrolão – A lista de Paulo Roberto: esquema corrupto lotado na Petrobras distribuiu propina durante os governos Lula e Dilma; compra de Pasadena foi fraudulenta; Lula sabia de tudo. Eduardo Campos era um dos beneficiários. E Dilma? Pois é…

Entre 2004 e 2012, Paulo Roberto Costa foi diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras. Ocupou, portanto, esse cargo, em sete dos oito anos do governo Lula e em quase dois do governo Dilma. Ao longo desse tempo, comandou o que pode ser chamado de “Petrolão” — ou o mensalão da Petrobras. As empreiteiras que faziam negócio com a estatal pagavam propina ao esquema e o dinheiro era repassado a políticos. A quais? Paulo Roberto já entregou à Polícia Federal e ao Ministério Público, num acordo de delação premiada, os nomes de três governadores, de um ministro de estado, de um ex-ministro, de seis senadores, de 25 deputados e de um secretário de finanças de um partido. Segundo o engenheiro, Lula sempre soube de tudo. E, até onde se pode perceber por seu depoimento, talvez a presidente Dilma — que era a chefona da área de energia do governo Lula e presidente do Conselho da Petrobras — não vivesse na ignorância. Paulo Roberto diz que a compra da refinaria de Pasadena foi, sim, fraudulenta e serviu para alimentar o esquema.

Paulo Roberto começou a prestar seu depoimento no dia 29 de agosto. Já gravou 42 horas de conversa. E, tudo indica, está apenas no começo. O Ministério Público Federal e o STF acompanham a operação, já que a denúncia envolve uma penca de autoridades com direito a foro especial. O esquema que ele denuncia é gigantesco. Ainda voltaremos muitas vezes a esse tema. Mas notem como é ridícula toda aquela conversa sobre financiamento público de campanha. Ainda que isso existisse, o mecanismo não serviria para impedir que máquinas criminosas se instalassem em estatais. Se o Brasil quer acabar com boa parte da roubalheira, deve começar privatizando as empresas públicas. Quais? Todas!

VEJA teve acesso a parte do depoimento de Paulo Roberto e traz reportagens exclusivas na edição desta semana, com a lista dos nomes citados por Paulo Roberto. Entre eles, estão cabeças coroadas da política brasileira, como o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, que morreu numa acidente aéreo no dia 13 de agosto, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio (PMDB). Paulo Roberto acusa ainda Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia, e atinge o coração do Congresso: estão em sua lista os presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

PT, PMDB e PP seriam os três beneficiários do esquema, que teria também como contemplados os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR), e os deputados petistas João Pizzolatti (SC) e Candido Vaccarezza (SP), que já havia aparecido como um dos políticos envolvidos com o doleiro Alberto Youssef, que era quem viabilizava as operações de distribuição de dinheiro. Mas há muitos outros, como vocês poderão constatar nas reportagens de VEJA, como Mário Negromonte, ex-ministro das Cidades, do PP da Bahia.

Lula e Dilma não quiseram se pronunciar a respeito. Os demais negam envolvimento com Paulo Roberto. Alves, o presidente da Câmara, chega a dizer ao repudiar a acusação: “A Petrobras é petista”. Que o PT estivesse no centro do esquema, isso parece inegável. Um dos nomes da lista feita pelo engenheiro é João Vaccari Neto, o homem que cuida do dinheiro do PT. É secretário de Finanças do partido. Ele é, vejam a ironia da coisa, o substituto de Delúbio Soares. Não é a primeira fez que seu nome frequenta o rol de envolvidos em escândalos.

Paulo Roberto tem noção da gravidade de suas acusações. Tanto é que, quando ainda hesitava em fazer a delação premiada, cravou a frase: “Se eu falar, não vai ter eleição”.

E por que falou? A interlocutores, ele diz que não quer acabar como Marcos Valério, que ficará por muitos anos na cadeia, enquanto os chefões políticos do mensalão já se preparam para viver dias felizes fora do xadrez. O homem também está muito magoado com a presidente Dilma. Até agora, ele não fez nenhuma acusação direta à candidata do PT à reeleição — Lula não escapou —, mas deixa claro que ela foi, sim, politicamente beneficiada pelo propinoduto, que mantinha feliz a base aliada.

Qual vai ser o desdobramento político disso? Vamos ver. Uma coisa é certa: as revelações de Paulo Roberto atingem em cheio as duas candidatas que lideram a disputa pela Presidência da República: Dilma, por razões óbvias, e Marina, por razões menos óbvias, mas ainda assim evidentes. Ela é a atual candidata do PSB à Presidência. Confirmadas as acusações de Paulo Roberto, é de se supor que o esquema ajudou a financiar as ambições políticas de Campos, de que ela se tornou a herdeira.

A situação de Dilma, obviamente, é mais grave: afinal, ela era a czarina do setor energético, ao qual pertence a Petrobras. Presidia também o seu conselho. Deu um empregão para Nestor Cerveró, o homem que ajudou a viabilizar a compra de Pasadena, que Paulo Roberto agora diz ter sido fraudulenta. O chefão das finanças de seu partido é um dos implicados no esquema.

Paulo Roberto ainda está preso. Ele se comprometeu a abrir mão dos bens que acumulou em razão do esquema fraudulento e a pagar uma multa. As pessoas que atuam na investigação têm agora de confrontar suas informações com outras provas colhidas, com o objetivo de verificar se suas informações são procedentes. Se forem e se ele realmente ajudar a desbaratar um esquema de falcatruas bilionárias, pode ser até ganhar a liberdade.

A República treme.


**********

Blog do Coronel

Dilma reforça o seu principal programa: "Minha Campanha, Minha Mentira".

A campanha de Dilma Rousseff já ensejou que Aécio Neves ironizasse o seu conteúdo, dizendo que todo mundo quer morar na propaganda do PT. Os números são maquiados e personagens são criados para chorar na TV, dizendo o quanto os programas sociais mudaram as suas vidas. Chegam a ser contadas estórias de jovens que vieram de uma família que recebia Bolsa Família, fizeram o Pronatec, arranjaram um emprego espetacular, ingressaram na universidade pelo Prouni e agora já estão comprando um apartamento do Minha Casa, Minha Vida. As mentiras saem encadeadas, uma verdadeira quadrilha de inverdades.

Ontem Dilma reforçou este que é o seu principal programa para esta reta final das eleições: o "Minha Campanha, Minha Mentira", afirmando que os seus dois principais adversários na disputa eleitoral, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) querem acabar com o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, uma das principais bandeiras de sua gestão. Segundo ela, os adversários querem acabar com os subsídios do governo federal e diminuir a participação dos bancos públicos no financiamento habitacional, o que inviabilizaria a manutenção do programa.

"Querem acabar com o programa", disse a presidente a jornalistas em Fortaleza, depois de visitar um conjunto habitacional que está em obras e deve ficar pronto em 2015. "Na prática eles são contra." Antes, Dilma disse estar preocupada com a política habitacional defendida pelos adversários, que prejudicaria os mais carentes. As famílias que ganham até R$ 1,6 mil, afirmou, não teriam como pagar a prestação das moradias propostas por Aécio e Marina.

As declarações de Dilma seguem a estratégia do medo usada pela campanha petista, de vincular seus adversários ao risco de um governo instável e ao retrocesso dos ganhos sociais. Dilma disse que Marina deve acabar com a política industrial do país, e a propaganda eleitoral comparou-a com os ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor de Mello, que não terminaram seus mandatos. Resta saber até onde vai a capacidade de mentir da candidata petista.

************


Lula não vai bater em Marina

                O ex-presidente Lula disse ontem, a um grupo de petistas em Petrolina (PE), que não vai “cumprir o papel de bater na Marina (Silva)”. Ele explicou que vai defender a reeleição da presidente Dilma, mas que não fará nenhum confronto direto com sua ex-ministra. Lembrou que as duas foram suas auxiliares. Na conversa, reafirmou seu otimismo, mas confessou que não esperava uma eleição presidencial tão dura.

Correndo atrás do voto
Para enfrentar a militância do PT, que está voltando às ruas estimulada pelo risco da derrota da presidente Dilma, os aliados do PSB querem que os marineiros e os chamados “sonháticos” também ocupem as praças. Eles têm sugerido que a candidata Marina Silva reduza sua aparição em ambientes fechados e que percorra as avenidas. Seus partidários, apesar do frenesi provocado por sua arrancada, não consideram que a vantagem de Marina, no segundo turno, seja irreversível. Explicam que o tempo de TV dos candidatos pesa e pode fazer a diferença. Marina não tem, por exemplo, tempo suficiente para se defender entre os mais pobres e menos instruídos dos ataques feitos por Dilma e Aécio Neves.

“Já vivi isso com o Ciro Gomes (2002). Ele não reagiu da melhor forma quando a pressão veio. A Marina (Silva) está muito segura para enfrentar a desconstrução”

Roberto Freire
Presidente do PPS e deputado federal (SP), sobre os ataques da presidente Dilma e de Aécio Neves

Surfando no pré-sal
A operação de resgate elaborada na quarta-feira no Rio teve dedo da presidente Dilma. Alessandro Teixeira, que cuida do programa de governo, foi ao encontro. Ele havia ligado para o vice-prefeito Adilson Pires, pedindo para marcar a reunião.

O dedo na ferida
O ex-presidente Lula vai trabalhar até o último dia, mas já sabe que seu candidato Alexandre Padilha (SP) não vai a lugar nenhum. Lula responsabiliza pela derrota as gestões mal avaliadas dos prefeitos Fernando Haddad (SP), Luiz Marinho (São Bernardo), na foto, Carlos Grana (Santo André) e Donisete Braga (Mauá). Aliado que conversou esses dias com Lula resumiu: “O cinturão vermelho amarelou”.

O grande ausente
Depois de ter anunciado apoio aos tucanos Aécio Neves e Pimenta da Veiga, o prefeito de BH, Márcio Lacerda (PSB), não participou de nenhum ato de campanha dos dois. Também não tem aparecido nas agendas de Tarcísio Delgado (PSB).

Modelo exportação
O ministro Celso Amorim (Defesa) assina hoje com o angolano João Manuel Lourenço termo de cooperação para construção de 7 navios patrulha. Desses, quatro serão construídos aqui e os outros três lá, em estaleiro que será construído pelo Brasil. O acordo prevê fornecer matéria-prima.

Em busca do Rio perdido
Na tentativa de estancar sua queda nas pesquisas, Aécio Neves (PSDB) vem ao Rio na quarta-feira. A mobilização deve acontecer em Campo Grande e está sendo organizada pelo presidente do PMDB, Jorge Picciani. Ele tenta recolocar de pé o Aezão.

Correndo atrás
A presidente Dilma fez caminhada ontem em Fortaleza sem os aliados que se enfrentam pelo governo. Ao seu lado, o governador Cid Gomes e o candidato ao Senado Mauro Filho (PROS), que tenta desbancar o tucano Tasso Jereissati.

Candidato do PDT ao Senado, Carlos Lupi vai deflagrar uma campanha “Cadê Romário?”. Ele afirma que o socialista tem evitado debates e sabatinas.


*********

Blog do Reinaldo Azevedo

Lula cai um tombo, que estava fora do script da história, logo depois de anunciar que é o dono do futuro. Sabem o que ele aprendeu com isso? Nada!

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se desequilibrou e caiu no palco durante um comício do PT, em Salvador, na última terça-feira (02) (Margarida Neide/Agência A Tarde/VEJA)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se desequilibrou e caiu no palco durante um comício do PT, em Salvador, na última quarta-feira (Margarida Neide/Agência A Tarde/VEJA)
O lobo perde o pelo, mas mantém o vício, não é mesmo? As recentes pesquisas do Ibope e do Datafolha deram algum ânimo aos petistas. E, como não poderia deixar de ser, o mais arrogante, como de hábito, é Lula, o palanqueiro.  Nesta quarta-feira à noite, ele participou de um comício na Bahia, mais um Estado em que o PT pode ser apeado do poder. E mandou bala, dando a entender que pode voltar em 2018: “Eles devem se preparar porque eu vou estar vivo. Eles ficam dizendo: ‘Dilma vai ser reeleita para ficar mais quatro anos e depois vem um tal de Lula e vai ficar mais quatro?’ É muito cedo para a gente discutir, mas uma coisa eu digo para vocês: em 2018, eu vou estar com 72 anos. Enquanto eu tiver forças para brigar por esse país, não vou permitir que aqueles que não fizeram nada pelo Brasil em 500 anos voltem”. Depois de fala tão iluminada, ele tropeçou e caiu no palco, sem se ferir.

Pois é, né, Lula? Para cair, basta estar de pé. Este senhor acha mesmo que controla a força dos astros, da natureza, as vontades humanas, a história… Notem o tom: o chefão petista acha que a eventual volta ao poder daqueles que ele considera adversários depende da sua vontade. A fala é de uma arrogância sem limites.

Boa parte do país, diga-se, está com o saco cheio é precisamente disto: empáfia, bazófia, o permanente tom de ameaça. Eis ali, de novo, o discurso insuportável, mentiroso, vigarista, acusando os tais que não teriam feito nada em 500 anos. Se o PT tivesse vencido a batalha contra o Plano Real, em 1994, o Brasil seria hoje não um gigante meio entorpecido, mas um gigante destroçado. Se o PT tivesse vencido a batalha contra as privatizações, em vez de mais de 240 milhões de celulares, estaríamos nos comunicando com tambor e sinais de fumaça. Se o PT tivesse vencido a batalha contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, as finanças públicas — que já vivem uma razoável desordem — estariam, de fato, destroçadas.

Quem esse cara pensa que é para julgar que a história do Brasil se divide em antes e depois do PT? Conheço pessoas às pencas que detestam o partido, mas têm igual horror — ou até mais — ao discurso de Marina Silva. Há muita gente assim e que até poderia votar em Dilma, reconhecendo na presidente um pouco mais de objetividade, caso ela realmente dispute o segundo turno com a candidata do PSB. Mas aí vem Lula, com a sua carga de rancor, de preconceito, de simplificação barata.

As circunstâncias foram escancaradamente didáticas com Lula: escorregou e caiu logo depois de assegurar que é o dono do futuro e da história. Ninguém é, Lula. Ninguém!

-----------

PT parte para a guerra total contra Marina e agora quer investir contra a sua reputação pessoal

O PT resolveu partir para a guerra total contra Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República. Se alguém imaginava que ela pudesse ser poupada em razão de seu passado e de seus vínculos históricos com o partido, é porque não conhece a legenda, que costumo definir como uma máquina de lavar reputações duvidosas ou de sujar trajetórias ilibadas. Tudo depende de quem será o beneficiário ou a vítima. É um ex-inimigo que decidiu se ajoelhar aos pés de Lula? Pronto! Vira santo! Tomem o caso de José Sarney. É um ex-amigo que decidiu ficar com a coluna ereta diante do poderoso chefão? Pronto! Vira bandido. É assim que eles são. Dia desses, quase ao mesmo tempo, Dilma Rousseff elogiou Jader Barbalho e atacou FHC. Entenderam?

Pois é. Ao PT não basta apenas discordar das teses de Marina, tentar demonstrar que ela não tem experiência, que suas propostas podem fazer mal ao Brasil. Tudo isso é do jogo político. E não é o caso de a candidata do PSB ter queixo de vidro. Está na arena. Não custa lembrar que Marina também é muito eficiente para criar pechas e tachas contra adversários. Se o petismo é o petismo, no entanto, é preciso desmoralizar o oponente também no campo moral. O mais espantoso é que essa estratégia é confessada por um dos assessores de Dilma (leia post anterior), sem constrangimento, sem receios.

Eu mesmo já perguntei do que vivia Marina Silva. Agora sei que há as palestras. A explicação do PSB parece razoável (ver post). Dividindo-se o valor líquido pelo número de meses, a conta não deve ser muito diferente da que foi apresentada: algo em torno de R$ 25 mil por mês. Que mal há que seja de palestras? Nenhum? Aliás, Luiz Inácio Lula da Silva, com amplo acesso ao governo federal, ganhou o que recebeu Marina por não mais do que três ou quatro eventos. E ele também não gosta de revelar suas fontes pagadoras.

É evidente que, em parte, Marina é refém do seu próprio discurso. O grau de transparência que ela diz advogar — tão severa com os outros — requer um pouco mais de prudência com as coisas que lhe dizem respeito. Ora, o avião de Eduardo Campos segue aí, sem explicação. A candidata também cometeu um erro político quando, dado o lugar que pretende ocupar no mercado das ideias, se negou a revelar quem a contratou. Expunha-se, assim, à especulação.

E, como não observar?, chega a ser uma piada patética que o PT esteja a pedir investigação sobre rendimentos alheios, levantando a hipótese de que possa se tratar de caixa dois, não é mesmo?

Há, reitero, muitos aspectos na candidatura de Marina que não são do meu agrado. E eu os exponho com clareza. Mas não é bonito assistir a esse espetáculo de moer biografias a que o petismo se dedica com tanto afinco. Não contem com a minha condescendência nesse tipo de pulhice, ainda que Marina não esteja entre as minhas heroínas. Todos já assistimos a esse filme. O país paga o preço de essa estratégia ter sido bem sucedida no passado.

--------------

Números demonstram que Marina se torna a principal opção dos que rejeitam o PT; em SP, ela poderia até vencer no 1º turno…

Os números do Datafolha em alguns estados demonstram que Marina Silva, presidenciável do PSB, se transformou mesmo no desaguadouro dos votos contra o petismo. E, tudo indica, parte considerável do eleitorado resolveu fazer voto útil já no primeiro turno. Ou por outra: poderia até estar disposta a votar em Aécio — porque significa um “não” ao petismo —, mas vê em Marina melhores chances de vencer Dilma. Como a gente percebe isso? Vejam a distribuição dos votos em seis estados, em gráficos publicados pela Folha.

Se apenas São Paulo elegesse o presidente da República, com 42% dos votos, Marina ficaria perto de ganhar no primeiro turno. Dilma Rousseff, do PT, tem apenas 23%, e Aécio Neves, do PSDB, 18%. No Estado, a presidenciável petista tem uma rejeição de 45%. Aécio se beneficia de uma parte desse sentimento, mas a esmagadora maioria fica com a candidata do PSB. Nota à margem: na capital paulista, o prefeito Fernando Haddad tem uma reprovação de 47%.

No Distrito Federal, onde o governador petista Agnelo Queiroz, é reprovado por 48%, a rejeição a Dilma chega a 45%. Também ali Marina lidera, com 33% dos votos; Aécio tem 20%. Dilma marca 23%.

O mais surpreendente de todos os resultados para Aécio certamente é Minas, onde o PT venceu as eleições presidenciais em 2002, 2006 e 2010. Todos os analistas davam de barato que, desta vez, Aécio levaria uma avalanche de votos. De fato, o voto não-dilmista no Estado soma 49%, mas Marina fica com 27%, e Aécio com 22%. De modo até certo ponto surpreendente, Dilma lidera, com 35%.

Marina é a primeira no Rio, com 37%, seguida de Dilma, com 31%. No Estado, Aécio marca apenas 11%. Mas é em Pernambuco, terra natal de Eduardo Campos, que Marina obtém a sua melhor marca: 46%, contra 37% de Dilma. É a primeira vez desde 2002 que o PT não lidera a votação. As circunstâncias fizeram com que Aécio obtivesse apenas 2% entre os pernambucanos.

A petista tem a liderança também no Rio Grande do Sul, com um número expressivo: 38%. É nesse Estado que ela começou a fazer política institucional, ligada ao brizolismo. A candidata do PSB consegue uma boa marca — 30% —, e o tucano fica com 15%.

Dilma arrebenta a boca do bolão no Ceará, com 57% dos votos. Marina não deixa de conseguir uma boa marca, considerando a “petização” do Nordeste: 24%. Aécio tem apenas 4%.

A petista, em suma, terá no Nordeste — exceção feita a Pernambuco — a sua fortaleza. E Marina tem de se esforçar para tirar a diferença no Sudeste, e sua praça de resistência, na região, é mesmo São Paulo.

***********


Maioria dos brasileiros é contra casamento gay, aborto e maconha
Marina Rossi, El País

Em qualquer padaria ou posto de gasolina no Brasil é possível encontrar e comprar um pacotinho de seda, dessas usadas para enrolar um cigarro de maconha. Isso não é novidade para quase ninguém, e não há quem critique. Paradoxalmente, uma pesquisa realizada pelo Instituto Ibope revelou que 79% dos brasileiros são contra a descriminalização da maconha.

Outro dado revelado pela pesquisa é a posição dos brasileiros em relação ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. E mais da metade, 53%, disseram ser contra. A maioria é contra também a descriminalização do aborto: 79%.

----------

Ministros tiram férias para reforçar campanha de Dilma
Luiza Damé e Anselmo Carvalho Pinto, O Globo

No momento em que a corrida para a reeleição da presidente Dilma Rousseff mostra-se mais acirrada, a campanha contará com reforço de ministros petistas em sua reta final. O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria Geral da Presidência) vai entrar de férias a partir de segunda-feira com esse objetivo.

Há expectativa que os ministros Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) e Miguel Rossetto (Desenvolvimento Agrário) tirem licença a partir da próxima semana. Já o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) saiu de férias anteontem, por dez dias, e disse que vai “ajudar um pouco” na campanha presidencial e na de sua mulher, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que disputa o governo do Paraná e está em terceiro lugar nas pesquisas.

-------------

TSE nega envio de tropas federais para eleições no Rio
Beatriz Bulla, Estadão

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou pedido feito pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) para receber auxílio da Força Nacional de Segurança no Estado durante a campanha eleitoral e as eleições de outubro. O TRE-RJ pedia o envio das tropas para ajudar na garantia "da lei e da ordem" neste período, mas o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), informou que "não há necessidade" de requisição de reforço até o momento.

O relator do caso no TSE, ministro Henrique Neves, apontou que não havia, no pedido encaminhado ao tribunal, relatos específicos sobre a necessidade de tropas e ressaltou que é preciso ter a anuência do governo do Estado. Se houver risco no futuro, no entanto, a decisão pode ser alterada e a Força Nacional poderá ser enviada, explicou Neves.

-----------

Com melhora de Dilma, ações da Petrobras despencam na Bolsa
Veja

As ações do chamado "kit eleições", jargão usado pelo mercado financeiro para se referir às empresas estatais, fecharam com forte desvalorização na Bovespa na quinta-feira, pressionadas por especulações eleitorais, em especial a melhora do desempenho da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, nas pesquisas Ibope e Datafolha.

As ações ordinárias (ON, com direito a voto) da Petrobras caíram 4,74%, enquanto os papéis do Banco do Brasil recuaram 5,34%. Já as ações ordinárias da Eletrobras, estatal do setor elétrico, caíram 4,35%. Com isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 1,68%, para 60.800 pontos.

-----------

Ataque do Exército mata 18 jihadistas na Síria
O Globo

Pelo menos dezoito jihadistas do Estado Islâmico, um deles americano, morreram em um ataque realizado pelo Exército sírio no leste do país, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos. O ataque atingiu um edifício usado pelo grupo como prisão, em Gharibe, na província de Deir Ezzor. “Alguns presos fugiram após a operação”, acrescentou a ONG.

Desde o dia 3 de julho, o Estado Islâmico, que conta com um grande número de combatentes ocidentais, controla praticamente todo o território da província petrolífera de Deir Ezzor depois de expulsar rebeldes que lutam contra o regime do presidente sírio Bashar al-Assad.

-----------

Presidente da Colômbia apresenta reforma que acaba com a reeleição
Veja

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, anunciou um projeto de reforma política que, entre várias medidas, propõe acabar com a reeleição para cargos do Executivo. A proposta surge dois meses depois de sua reeleição. A proposta deve ser discutida em pelo menos oito sessões no Congresso antes da votação. "Desmontar a figura da reeleição é a porta de entrada para o restabelecimento do equilíbrio de poderes no nosso país", defendeu o presidente.

O governo diz contar com o apoio dos partidos de sua coalizão, de alguns setores da oposição e do grupo dos parlamentares independentes. O mecanismo da reeleição foi estabelecido em 2005 e pavimentou caminho para o antecessor de Santos, Álvaro Uribe, conseguir um segundo mandato. Santos afirma que sua própria reeleição mostrou que o mecanismo não "é conveniente", e, portanto, deve ser eliminado.

-------------

'Legião estrangeira' pega em armas no conflito na Ucrânia
BBC Brasil

Franceses, espanhóis, suecos ou sérvios, os estrangeiros que lutam por ambos os lados no conflito sangrento que acontece no leste da Ucrânia vêm de toda a Europa e trazem uma lista enorme e confusa de motivações. Os 'não-mercenários' entre eles são motivados por causas que remetem às guerras na antiga Iugoslávia ou ainda a Civil Espanhola, nos anos 30.

A Rússia é 'o elefante na sala', superando qualquer outra nacionalidade estrangeira presente no leste da Ucrânia - embora seja cada vez mais difícil separar os russos que lutam como voluntários dos soldados oficiais, supostamente enviados em missões secretas. Os rebeldes ucranianos pró-Rússia gostam de exaltar seus combatentes voluntários de fora, apresentando-os como os mais novos "Brigadistas Internacionais" lutando contra o "fascismo".

------------

Otan exige que Rússia retire tropas da Ucrânia
Adrian Croft e Guy Faulconbridge, Reuters

A Otan exigiu ontem que Moscou retire suas tropas da Ucrânia, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e seus aliados ocidentais prometeram apoiar Kiev e reforçar suas próprias defesas contra a Rússia, sua maior mudança estratégica desde a Guerra Fria.

Os líderes da Organização para o Tratado do Atlântico Norte deixaram claro na cúpula no País de Gales que não irão usar a força para defender a Ucrânia, que não é membro da aliança militar, mas que planejam sanções econômicas mais severas para tentar mudar o comportamento da Rússia no território ucraniano.

************


Dilma soa como Luís 14 num comício de Recife

As sinapses de Dilma Rousseff estão sobrecarregadas. Aos momentos de impaciência e mau humor, somam-se surtos de absolutismo à Luís 14. Discursando num comício em Recife, na noite passada, a candidata afirmou: “Quero ser eleita sabe pra quê? Quero vir aqui no ano que vem pra ver a água chegar em Pernambuco. Quero vir aqui pra ver a adutora do Pajeú na sua segunda fase, porque a primeira eu já fiz.” Eu quem, vossa alteza?

Como o monarca francês, Dilma acha que é o Estado. A primeira etapa da adutora do Pajeú mede 198 km. Leva água a sete municípios pernambucanos. Custou algo como R$ 200 milhões. Não consta que Sua Majestade tenha subtraído um centavo da conta bancária pessoal ou dos R$ 152 mil que diz guardar em casa. Assim, Dilma talvez devesse dizer que a primeira fase da adutora do Pajeú “o governo já fez”.

------------

Risco de vexame eleitoral faz Lula convocar PT

Diante do risco de perder a Presidência da República e passar um vexame histórico no maior colégio eleitoral do país, Lula chamou para os petistas que disputam votos em São Paulo e os coordenadores de campanha uma reunião, nesta sexta-feira. A 30 dias da eleição, o morubixaba petista entra no circuito para “acordar” o partido.

Nas palavras de um dirigente petista, Lula quer que a infantaria da legenda “dê o sangue” por Dilma Rousseff e Alexandre Padilha. A primeira está sob ameaça de perder a poltrona de presidente para Marina Silva, num provável segundo turno. O outro concorre ao governo de São Paulo estacionado abaixo dos 10% nas pesquisas, bem distante dos patamares históricos do PT.

A conversa de Lula com o petismo ocorrerá no Anhembi, às 17h. No mesmo local, também nesta sexta, o presidente do PT federal, Rui Falcão, reunirá às 10h o diretório nacional da legenda. A pauta é a mesma: análise da conjuntura e montagem da estratégia para o último mês do primeiro turno da eleição presidencial.

Engolfado por uma onda de rejeição, o PT atravessa uma quadra delicada. Seu discurso, antes centrado na moralidade e na prosperidade, exauriu-se no mensalão e na estagnação econômica. Sua pujança, outrora potencializada pelas ações coletivas, foi à breca nas antipatias que o temperamento áspero de Dilma produziu.

No momento, impera no partido o que um velho cacique do PMDB chama de Lei de Murici: cada um cuida de si. A tênue reação de Dilma na última rodada de pesquisas deu argumentos a Lula e Cia. para cobrar do PT que volte a ser o PT. Sob pena de arrostar vexames que serão apenas de Dilma e Padilha. Amante do futebol, Lula cobra do partido algo que os técnicos chamam de “amor à camisa.''

------------

Pas de deux!




***********

Blog do Noblat

À margem da campanha eleitoral
Everardo Maciel

A campanha eleitoral deste ano já nos permite extrair algumas ilações:

* o modelo de propaganda eleitoral, que torna caras as campanhas e faz a fortuna dos marqueteiros, parece esgotado, pois a população já não mais atura platitudes, clichês, excentricidades, rimas pobres e discursos vazios;

* a democracia não pode conviver com uma miríade de partidos políticos (32), constituídos quase sempre com o objetivo de angariar recursos do Fundo Partidário e negociar tempo para a propaganda eleitoral, e registrados no pouco plausível pressuposto que receberam o denominado apoiamento mínimo (hoje, 491.656 eleitores, com registro em, pelo menos, nove unidades federativas, contando em cada uma delas com o apoio correspondente a, no mínimo, 0,5% dos votos válidos na última eleição para a Câmara dos Deputados);

* a qualidade da maioria dos candidatos é deplorável, ademais dos apelidos ridículos e da imprópria referência à atividade profissional ou à confissão religiosa do candidato.

As preferências nos pleitos majoritários estão sendo formadas a partir de matérias e debates jornalísticos, discussões nas redes sociais e uma espécie de sentimento difuso que perpassa a sociedade, correspondendo a uma insatisfação generalizada, ainda que não tão recente, com a política, os serviços públicos e a economia.

Não temos a tradição de realizar discussões substantivas sobre temas que interessam à sociedade, à exceção de algumas iniciativas patrocinadas por grupos organizados.

É certo que seria difícil tratar algumas questões durante a campanha eleitoral, em virtude de sua complexidade ou delicada sensibilidade - a exemplo das questões decorrentes do mal assimilado processo de urbanização no Brasil e dos problemas de uma juventude massacrada por apelos consumistas e hedonistas.

O Brasil, em cinco décadas, deixou de ser majoritariamente rural para converter-se em país francamente urbano, com 85% de sua população residindo nas cidades. A despeito disso, continuamos a cultuar a agenda caduca da reforma agrária, em franco contraste com o sucesso de um agronegócio altamente tecnológico e competitivo.

A intensa urbanização gerou deseconomias de aglomeração, traduzidas pela precariedade da mobilidade urbana e do saneamento, e mal atendidas demandas por serviços públicos de educação e saúde.

Esses problemas jamais poderão ser resolvidos a partir da atual estrutura federativa. É preciso conceber uma nova forma de repartição dos encargos públicos e articulação intergovernamental. Para tal, é necessário investir em modelos de cooperação e construir paradigmas que possam ser replicados. Certamente, esse caminho não passa pela distribuição de recursos por meio de emendas parlamentares e ministérios das cidades ou equivalentes.

Impressiona muito a desatenção com a juventude. Segundo o IBGE, um em cada cinco jovens, entre 15 e 29 anos, nem estuda, nem trabalha. São os “nem-nem”, sem presente e, talvez, sem futuro.

A tragédia das drogas, que flagela, sobretudo, os jovens, não é suficientemente discutida e, muito menos, cuidada. Qualquer festa privada ou evento público é pretexto para consumo.

As “cracolândias” de São Paulo causam perplexidade e comoção para qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade. É a miséria humana em estado bruto. Se pretender, entretanto, ficar indignado, também, é só conhecer as soluções aventadas pelas autoridades a que está afeto o problema.

Na polêmica das drogas, financiada por escusos interesses econômicos, uns defendem a liberalização do consumo da maconha, na pretensão de enfraquecer o tráfico, esquecendo, porém, que existem outras drogas.

Outros postulam, mais ousadamente, a liberalização de todas as drogas, confiando que os traficantes ingressarão em um programa de ressocialização ou na vida monástica.

Há ainda os que entendem que a formalização do mercado de drogas irá gerar receitas tributárias. Esses desconhecem os fenômenos da sonegação, contrabando e descaminho, sem falar de uma improvável e patética discussão, no Conselho de Política Fazendária (CONFAZ), sobre a alíquota efetiva e a substituição tributária aplicáveis às drogas. Por último, há os que falam em uso medicinal da maconha, quando se sabe que apenas um componente dessa planta tem possível efeito medicinal, o que não autoriza tomar a parte pelo todo.

É óbvio que não se deve criminalizar o consumo de drogas. O País carece, entretanto, de uma política pública que propicie tratamento digno ao usuário e prevenção do uso de drogas.

Em outro artigo, tratarei das eleições e a reforma tributária.

************


A resiliência de Dilma

Enfim, uma série de notícias boas para a presidente Dilma, apesar de as pesquisas continuarem mostrando uma tendência a que seja derrotada no segundo turno por Marina Silva. Até mesmo nesse caso, porém, a distância dela para sua principal competidora está sendo reduzida, uma conseqüência da melhora da avaliação de seu governo.

As pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas ontem mostram um movimento ascendente da candidata à reeleição, mesmo que leve, e no mínimo uma paralisação do crescimento de Marina, que todos os indícios levavam a crer que continuaria seu movimento ascensional, tendo crescido no Rio e em São Paulo nos últimos dias.

O resultado dá novo fôlego para a campanha de Dilma e mostra que, a essa altura da corrida presidencial, uma desconstrução de Marina não beneficiará o candidato do PSDB Aécio Neves, que não dá mostras de poder se recuperar. O PSDB não construiu um discurso conectado com os anseios das ruas, embora possa oferecer um projeto mais consistente aos descontentes.

Tudo indica que a propaganda mais agressiva da campanha oficial está tendo resultado, colocando uma dúvida na cabeça de parte do eleitorado sobre as condições de Marina exercer a presidência da República, seja pela inexperiência, ou pela falta de apoio político. É uma situação paradoxal por que já está comprovado que apoio político como o que tem a presidente Dilma não lhe garantiu condições de governar bem.

O eleitor que fica em dúvida sobre Marina busca em Dilma uma segurança que ela não pode oferecer, ao passo que o candidato do PSDB Aécio Neves, que tem sem dúvida uma experiência exitosa à frente do governo de Minas, não consegue atrair para a sua candidatura os eleitores que querem tirar o PT do governo.

Tudo indica que a previsão do ex-presidente Lula se realizará: teremos o segundo turno mais longo das últimas eleições. Uma melhora contínua da avaliação de seu governo está sendo obtida através da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, atingindo uma taxa de 36% de ótimo/bom, que equivale aos índices de votação que recebe nos dois institutos: 37% no Ibope e 35% no Datafolha.

O eleitor petista é mais firme do que o dos seus adversários: segundo o Ibope, 61% dos que votarão em Dilma se dizem decididos em definitivo, já nos de Marina essa convicção é de 50%, e nos de Aécio 46%. Em ambas as pesquisas a diferença no segundo turno de Marina para Dilma está em sete pontos percentuais, o que mostra um a redução da distância entre as adversárias, mais um dado na recuperação da presidente.

As menções a Marina crescem mais na região Sul (de 27% para 40%), onde apresenta seu melhor desempenho. Entre eleitores cuja renda familiar é maior que 5 salários mínimos, o crescimento das intenções de voto em Marina (de 28% para 37%) é acompanhado pela queda das menções a Aécio (de 32% para 24%). A preferência por Dilma aumenta nos municípios de periferia, indo de 29% para 38%.

Também no nordeste a diferença a favor de Dilma vem caindo, com a presidente marcando em média 45% das intenções de votos, quando já teve um piso maior de cerca de 60%. Marina aparece com uma votação homogênea na região, em torno de 30% dos votos, o que obriga a presidente Dilma a melhorar sua atuação em outras regiões do país.

Dos poucos números ruins para a presidente é a expectativa de vitória entre os eleitores, independente de suas intenções de voto. Menos da metade (47%) hoje consideram que ela será a vencedora, índice esse que já foi de quase 60%. Mesmo assim, os que crêem em uma vitória de Marina Silva, embora tenham crescido de 17% para 28%, ainda não representam a maioria, o que demonstra que a “onda Marina” ainda não convenceu.

Até mesmo a rejeição à presidente caiu, segundo o Ibope, embora ela continue tendo a taxa mais alta: já foi de 36%, agora é de 31%. O que ficou demonstrado nessas últimas pesquisas é que a candidatura da presidente Dilma, apesar do sentimento de mudança que domina o eleitorado e dos resultados pífios de seu governo, continua tendo uma resiliência marcante, que se deve à estrutura partidária que a apóia.

Não é por acaso que também ela já admite mudanças num eventual segundo governo. É graças a sua máquina partidária, que representa o que há de mais distorcido no sistema de coalizão brasileiro, que a presidente está resistindo ao ataque da “nova política”, que se apresenta ainda como favorita no segundo turno, apesar de todas as contradições e fragilidades de Marina Silva.

***********


Na garupa de Marina

                A candidata Marina Silva gravou mensagem para ser exibida nos programas de TV do PSB. Ela pede: “Vote 40 para deputado federal”. O tesoureiro socialista, deputado Márcio França, diz que o voto na legenda do partido deve crescer de 5% a 7%. E aposta: o PSB pode eleger cerca de 50 deputados e entrou na briga para ser a terceira maior bancada da Câmara. Ele crê que o naufrágio de Aécio Neves afetará os tucanos.

Nova política e novas maiorias
Cientistas políticos, especialistas em eleições, avaliam que é um sinal de evolução dos eleitores brasileiros cobrar dos candidatos suas posições sobre questões envolvendo valores sociais. Por isso, consideram que não se deve subestimar as idas e vindas de Marina Silva em assuntos como casamento gay e energia nuclear. “Isso revela pouca nitidez e pode deixar o eleitor inseguro”, comentou um deles. Nos Estados Unidos e na Europa esses nichos têm um peso cada vez maior. Explicam que isso ocorre porque eles dividem as sociedades. Ao contrário do consenso social que existe em favor da melhoria da segurança, da saúde, da educação e pelo fim da corrupção.

“Está proibido, pelo comando da campanha de Aécio Neves, falar em segundo turno sem a presença dele na disputa”

Antônio Carlos Magalhães Neto
Prefeito de Salvador (BA) e filiado ao DEM, partido presidido pleo senador José Agripino (RN)

A onda bateu na praia?
Pesquisa telefônica da candidatura à reeleição do governador Geraldo Alckmin (PSDB) captou uma leve queda nas intenções de voto da candidatura Marina Silva em São Paulo. O PSB acha normal se isso também ocorrer em outros estados.

Meu caro amigo
O cantor Chico Buarque telefonou para o deputado Jean Willys (PSOL-RJ) para declarar apoio à sua candidatura. Os dois não se conhecem pessoalmente e nunca tinham conversado antes. Chico decidiu votar no deputado, mesmo sendo amigo de outro parlamentar do PSOL do Rio, Chico Alencar. O cantor não irá gravar para o programa de TV.

Tudo em casa
Considerado eleito, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) lançou a candidatura de seu filho Eduardo para a Câmara, pelo PSC de São Paulo. Ele se diz contra o desarmamento dos “cidadãos de bem” e a importação de bananas do Equador.

Todos no mesmo barco
Os prefeitos Eduardo Paes (Rio), Rodrigo Neves (Niterói) e Alexandre Cardoso (Caxias) decidiram promover um ato em defesa do Pré-sal. Eles querem a presença dos quatro candidatos ao governo: Garotinho, Pezão, Crivella e Lindbergh. A intenção é colocar todos contra a prudência ambiental da presidenciável Marina Silva.

Insegurança
O candidato ao governo do Amazonas Eduardo Braga (PMDB) pediu ajuda ao Ministério da Justiça para conter a crise no presídio de Parintins (AM). Na última semana, houve rebelião e sete presos foram mortos, sendo um deles decapitado.

O fim do horário eleitoral
O candidato do PCdoB ao Senado no Paraná, Ricardo Gomyde, propôs no seu programa de TV o fim do horário eleitoral. Ele tem dois minutos contra quatro minutos de Álvaro Dias (PSDB). O tucano tem 64% no Ibope e o comunista 4%.

A campanha da presidente Dilma está se mobilizando para manifestação de apoio de artistas e agentes culturais dia 15, no Teatro Oi Casagrande no Rio.


***********

Blog do Reinaldo Azevedo

Consumidores perderam R$ 8,3 bilhões com atrasos em obras de energia, aponta TCU

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira um relatório que detalha a situação crítica do setor elétrico brasileiro e pede providências ao Ministério de Minas e Energia e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O texto, de relatoria do ministro José Jorge, é fruto de uma análise de mais de 700 empreendimentos do setor. Conclusão: os atrasos atingem quase 80% das obras de hidrelétricas e acarretaram um custo adicional de pelo menos 8,3 bilhões de reais ao consumidor desde 2009. Desse total, 3,5 bilhões ocorreram em 2013.

Dentre outras medidas, o relatório pede que o Ministério de Minas e Energia e a Aneel elaborem, em noventa dias, estudos que identifiquem a causa dos atrasos e permitam a adoção de cronogramas mais realistas para as próximas obras. Exige, também, que seja elaborado um plano de ação para evitar que haja, já em 2015, “restrição no escoamento da energia oriunda do Complexo do Madeira para as cargas das regiões Sudeste e Sul”. O TCU também sugere que a Casa Civil redija um ato normativo para definir de forma mais clara a atribuição de cada ente federado na emissão de licenciamento ambiental.

Problemas
Um dos principais problemas detectados foi a falta de sincronia entre as obras de hidrelétricas e linhas de transmissão. Segundo o TCU, houve falta de planejamento e ausência de mecanismos adequados de monitoramento. A burocracia e a demora na emissão das licenças ambientais são outros fatores mencionados. O período médio de licenciamento foi de 716 dias, enquanto a duração das obras foi, em média, de 946 dias.

Entre as obras de hidrelétricas, que são a maioria dos empreendimentos, 79% atrasaram – em média, o atraso chegou a oito meses. O percentual é de 75% nas termelétricas (onze meses de atraso em média) e de 88% nas eólicas (atraso de dez meses). Nas obras de linhas de transmissão, o atraso médio foi de quatorze meses. Ao todo, 83% dos empreendimentos desse tipo ficaram prontos fora do prazo.

O descumprimento dos prazos de operação das usinas torna necessária a compra de energia de usinas térmicas, o que encarece os custos de operação do sistema. Outro problema frequente é a existência de usinas não devidamente atendidas por linhas de transmissão. Para cumprir o contrato, governo acaba pagando por uma energia que não utiliza.

O relatório foi aprovado por unanimidade pelo plenário do TCU. No debate, o consenso foi de que, se o Brasil estivesse crescendo a um ritmo razoável, o cenário de desabastecimento seria ainda mais provável. “Temos de comemorar a queda na atividade econômica. Parece não haver do outro lado uma avaliação adequada da situação”, afirmou o ministro Augusto Sherman. “É uma situação de muita gravidade”, disse Benjamin Ziller, outro integrante da corte.

O documento aponta ainda a falta de critérios condizentes para o cálculo do prazo das obras. “Até o momento, não há estudos que fundamentem os prazos estipulados nos atos de outorga para a implantação desses empreendimentos”, diz o texto, que prossegue: “A ausência desses estudos pode ter como consequência o estabelecimento de prazos irreais para a execução das obras e contribuir para o quadro atual de atrasos sistêmicos desses empreendimentos”.

----------------

TCU abre processo para investigar troca de favores entre ministro e Dilma Rousseff

Por Robson Bonin, na VEJA.com:
Quatro dias após VEJA ter revelado mensagens que mostram o ministro Walton Alencar atuando a favor do Palácio do Planalto nos bastidores do Tribunal de Contas da União (TCU), o corregedor da corte, ministro Aroldo Cedraz, determinou a abertura de processo para investigar a vida dupla do magistrado. Documentos obtidos por VEJA mostram que, enquanto presidente do tribunal, Walton manteve uma intensa troca de favores com a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e seu braço-direito, Erenice Guerra. Walton antecipava decisões, dava conselhos informais aos advogados do PT e ainda dificultava o trabalho da oposição que, sem saber da sua dupla atividade, procurava o TCU auxiliar em investigações contra o governo federal. Em contrapartida, Walton contou com a ajuda de Dilma e Erenice para emplacar a própria mulher, Isabel Gallotti, no cargo de ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele também teve o irmão, Douglas Alencar, indicado por Dilma para o Tribunal Superior do Trabalho (TST).

Agora, o ministro terá de provar aos colegas de corte a legitimidade de todas as suas ações. Como primeiro passo dos trabalhos, o TCU irá solicitar à Polícia Federal o compartilhamento das mensagens que mostram a troca de favores entre Walton e o governo. A decisão de investigar a conduta de Walton foi anunciada depois que entidades fiscalizadoras dos gastos públicos cobraram uma posição do tribunal, que se mantinha em silêncio sobre as denúncias.

Diante das denúncias, o TCU optou pelo silêncio. O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Augusto Nardes, emitiu um único pronunciamento em que afirma que “tomou ciência das notícias veiculadas no último final de semana e irá emitir pronunciamento após avaliação”.

O único que se manifestou sobre o caso, por mais irônico que isso possa parecer, foi o próprio ministro Walton Alencar. A nota enviada por ele ao comando do TCU merece ser lida mais pelo que o ministro omite do que pelo que diz. Ignorando as mensagens reproduzidas em VEJA em que ele escreve a Erenice em diferentes momentos para trocar favores e pedir ajuda para emplacar a sua mulher num cargo de ponta, Walton concentra-se sobre o mais leve dos pecados revelados na reportagem: a parte que Erenice solicita que ele aconselhe o advogado do PT Márcio Silva sobre questões eleitorais: “Na qualidade de ministro do TCU, tenho, por dever de ofício, de manter contato com autoridades de todos os Poderes e escalões. Nesse sentido, a solicitação da então ministra Chefe da Casa Civil de receber certo advogado nada significa, pois todos sabem que todos os advogados que solicitam audiência no meu gabinete são por mim recebidos indiscriminadamente”. Receber um advogado é uma coisa. Dar conselhos eleitorais a ele, outra bem diferente. A resposta seletiva do ministro joga ainda mais responsabilidade sobre o comando do TCU, a quem cabe adotar as devidas providências sobre o caso.

----------------

Mais Datafolha: derrotas eleitorais do petismo em PE, RS e DF; em MG, Pimenta reage, mas Pimentel ainda vence

O Datafolha fez pesquisas ainda em Pernambuco, Rio Grande do Sul, Distrito Federal e Minas. Há alterações importantes. E o PT tem pouco a comemorar. A mais relevante, segundo o instituto, se dá em Pernambuco. Paulo Câmara (PSB), que estava estacionado em sofríveis 13% quando Eduardo Campos estava vivo, disparou e agora já está empatado com Armando Monteiro, do PTB, que era considerado o franco favorito e tem o apoio de Lula e Dilma no Estado. Os dois aparecem com 36%. Em duas semanas, Monteiro caiu 9 pontos, e Câmara subiu 23. Na simulação de segundo turno, o peessebista já aparece numericamente à frente: 40% a 39%. Também diminuiu a vantagem do petista João Paulo para o Senado: ele aparece com 35%, contra 24% de Fernando Bezerra, do PSB. A pesquisa PE 21/2014 ouviu 1.185 pessoas, com margem de erro de 3 pontos.

Má notícia para os petistas também no Rio Grande do Sul. Depois de duas semanas de campanha, a pesquisa Datafolha RS 12/2014 ouviu 1.197 eleitores, com margem de erro de 3 pontos, e o governador Tarso Genro oscilou de 30% para 31%. Ana Amélia, do PP, segue com 39%. Numa simulação de segundo turno, ela bateria Genro por 49% a 39%. O pedetista Lasier Martins e o petista Olívio Dutra estão empatados na disputa pelo Senado, com 29%. Pedro Simon, do PMDB, está com 15%.

No Distrito Federal, o PT não obtém melhor resultado. Por incrível que pareça, segue inabalado o prestígio eleitoral de José Roberto Arruda, do PR, que teve a candidatura cassada pelo TSE. Agora, ele recorreu ao STJ. O Datafolha ouviu 722 pessoas na pesquisa DF 37/2014. Em 15 dias, Arruda oscilou de 35% para 34%. O governador petista Agnelo Queiroz manteve os 19%, e Rodrigo Rollemberg, do PSB, continuou com 13%. No segundo turno, Arruda bateria Agnelo por 46% a 29% e Rollemberg por 42% a 36%. O instituto não simulou a disputa provável entre os candidatos do PSB e do PT. Agnelo perderia. A margem de erro e de quatro pontos. Para o Senado, Reguffe, do PDT, tem 34%, e Geraldo Magela, do PT, apenas 13%.

Em Minas, a situação do PT ainda é confortável, mas mudou. Em duas semanas, Fernando Pimentel oscilou 3 pontos para cima, na margem de erro, e tem agora 32%. O tucano Pimenta da Veiga cresceu 8 pontos e foi de 16% para 24%. A pesquisa MG 75/2014 ouviu 1.212 pessoas em 49 municípios. No segundo turno, a vantagem do petista ainda é folgada: 41% a 28%. O candidato apoiado pelo PT ao Senado continua a levar uma surra: Josué Alencar, do PMDB, perde para o tucano Antonio Anastasia por 12% a 44%.

A situação nos Estados não é nada animadora para o PT.

**********


Aécio fala na TV de um futuro que virou prólogo

Aécio Neves disse em junho, na convenção que o converteu em candidato: “Um tsunami vai varrer do governo aqueles que não têm se mostrado dignos de atender às demandas da sociedade!'' Corta para os estúdios do Jornal da Globo, na noite passada. “Candidato, pela primeira vez em 20 anos o seu partido, o PSDB, corre o risco de não chegar ao segundo turno em uma disputa presidencial”, diz o entrevistador William Waack, antes de espetar Aécio: “Em que falhou o seu discurso de oposição?”

Corta para o dia 12 de agosto de 2014. Entre os tucanos, essa data virou um adjetivo, cujo significado é ‘ultrapassado’. Como em: “Que penteado mais 12 de agosto!” A queda do jato que transportava Eduardo Campos, em 13 de agosto, mudou o roteiro da sucessão tão radicalmente que tudo o que veio antes —a unificação do PSDB, a aclamação de Aécio, o pé no segundo turno— virou preâmbulo. Para Aécio, o ‘12 de agosto’ é a véspera de um futuro que não é mais o que poderia ter sido.

Câmera fechada em close no semblante de Aécio. Ele tenta fazer sentido em sua resposta a William Waack: “Daqui por diante, nós temos uma segunda eleição, a verdade é essa. Nós tivemos até 30 dias atrás uma eleição, ainda com o Eduardo entre nós. Infelizmente, com a tragédia que o abateu, o quadro mudou e eu sou o primeiro a reconhecer isso.”

Aécio olha para Waack com cara de quem está convencido de que sua situação pode melhorar —“Continuo acreditando nas mesmas coisas que acreditava lá atrás…”—, deve melhorar —“É preciso nós termos um governo com qualidade, com responsabilidade…”— tem que melhorar —“Eu acho que, no momento da eleição, nós estaremos no segundo turno.” Aécio simula otimismo. Imita alguém acreditando no próprio sucesso com toda a força. Pronto? Zoom nas tabelas do Datafolha e do Ibope. Dependendo da pesquisa, as razões para Aécio pensar em Marina oscilam entre 33% e 34%.

É impossível para um tucano pensar na Marina e continuar, mesmo em fingimento, despreocupado. Os dados das pesquisas foram esfregados no nariz da audiência no mesmo telejornal que exibiu a entrevista de Aécio. Marina continua tecnicamente empatada com Dilma. No segundo turno, cai a diferença que separa as duas. Mas Marina ainda prevalece sobre Dilma com sete pontos de frente.

Aécio convive com o risco de Marina torná-lo supérfluo. Para a maioria que deseja mudanças, talvez não seja preciso existir mais de um oposicionista, de tanto que Marina passou a existir depois do dia seguinte ao ’12 de agosto’. Até então, Aécio costumava dizer, citando o avô Tancredo Neves: “Presidência é destino muito mais do que projeto.'' Hoje, seu destino é o pavor de ir tocando um projeto cada vez mais desnecessário à medida que o eleitor dá corda para Marina.

Microfone aberto novamente para William Waack: “O senhor não conseguiu capturar isso que se detecta no eleitorado, esse sentimento generalizado de mudança?” E Aécio: “Olha, eu reconheço que hoje nós não temos uma situação tão confortável como tínhamos há 30 dias. O quadro mudou, a candidata é outra. O que eu acho que é essencial nesse momento, William, é nós reafirmarmos os nossos compromissos com o Brasil.”

Aécio franze o cenho, como se rogasse ao eleitor que assistia de casa que não desistisse dele, que não o trocasse pelo risco de uma nova frustração. “O ano de 2015 e os anos vindouros serão anos difíceis para o Brasil. Não comportam improviso…” Aécio dá de barato que Dilma já perdeu a eleição. E tenta se reincluir no processo eleitoral.

“No campo oposicionista existe a nossa candidatura, desde sempre na oposição a isso que está aí, e a candidatura da Marina, que terá que mostrar a consistência das suas propostas”, disse Aécio. “Eu tenho dúvida exatamente sobre isso. Sobre a capacidade que ela terá de implementar, no prazo que se propõe, o conjunto de medidas ou de bondades que apresenta à população brasileira.”

Em flashback, travelling sobre a decoração da sala de visitas da casa de Eduardo Campos, em Recife. O anfitrião recebe Aécio, em maio do ano passado. Observados por pelo menos três testemunhas, os dois celebram um acordo: um apoiaria o candidato do outro aos governos de seus respectivos Estados. Com boa vontade, a parceria poderia ser estendida ao segundo turno das eleições presidenciais. Mas sobreveio Marina. E o dia seguinte ao 12 de agosto. E o enterro do líder. E a promoção da candidata a vice-presidente para a cabeça da chapa.

Corta novamente para o estúdio do Jornal da Globo. As perguntas enveredam para a economia. Aécio esconde os planos atrás dos seus vícios de linguagem. Antes de ser pouco claro, ele usa quatro vezes a expressão “com muita clareza”. Ao “dizer”, “colocar”, “anunciar” e “sinalizar” Aécio o fez sempre “com muita clareza”.

Quando o entrevistador pôs em dúvida uma resposta sobre os efeitos do aumento real do salário mínimo nas contas da Previdência, Aécio retomou o fio da meada. E a clareza, que já era “muita”, ganhou ênfase: “Estou respondendo de forma absolutamente clara”.

Seriam claras também as regras de um eventual governo de Aécio. Os preços represados de combustíveis, energia e transportes públicos sofreriam correções. “Mas tem que haver regras claras. E não será feito do dia pra noite.” Para a economia se mover sem sustos, “regras claras”. E para não deixar dúvidas: “O que eu tenho dito é que o meu governo será o governo das regras claras”. O vocábulo “previsibilidade” escorregou dos lábios do entrevistado quatro vezes.

Desde 2002 que o PSDB não tinha um presidenciável tão bem-posto. José Serra e Geraldo Alckmin, os pretendentes anteriores, além de não ter a mesma pinta, trafegavam na contramão. Quando o povo queria mudanças, eram a continuidade. Quando o eleitorado sonhava com a continuidade, representavam a mudança.

Com Aécio deveria ter sido diferente. Ele se equipara para ser o “tsunami” numa fase em que a sociedade sinaliza a vontade de varrer do governo “aqueles que não têm se mostrado dignos de atender às demandas da sociedade.'' O problema é que tudo o que era até '12 de agosto' deixou de ser a partir do dia 13.

No fundo, Aécio sabe que talvez já tenha virado prólogo. Só não sabe ainda prólogo de quê. Enquanto o candidato tenta se reencontrar, parte do tucanato já flerta com Marina. Ninguém quer ser chamado de ’12 de agosto’ na rua.

---------------

Novíssima política!



***********


Paulo Roberto Costa depõe em delação premiada e pode tirar Dilma Rousseff do segundo turno.

O ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa começou na última sexta-feira (29) a prestar depoimentos em processo de delação premiada sobre a investigação que gerou a Operação Lava Jato, no qual o ex-dirigente da estatal foi preso.

Investigado pela Polícia Federal (PF), Costa é acusado de ter recebido propina e de ter envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões. Devido às acusações, ele ficou quase dois meses preso no Paraná. O processo está sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de suspeitas de envolvimento de parlamentares no caso.

Os depoimentos de Paulo Roberto têm ocorrido diariamente, inclusive no fim de semana, na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Esta é a primeira etapa da delação premiada, processo que ele decidiu fazer em troca da possibilidade de redução de pena.
O benefício, no entanto, só será garantido caso sejam detalhadas informações sobre os crimes cometidos, conexões da quadrilha e personagens envolvidos, além da apresentação de provas das revelações que ele fizer. Se ao final dos depoimentos o Ministério Público concluir que Costa prestou as informações propostas, o acordo de delação premiada será levado à Justiça Federal do Paraná para homologação.

Caso Paulo Roberto Costa cite políticos com foro privilegiado, como deputados federais,  esta parte da delação  terá que passar também pela Procuradoria-Geral da República e pelo Supremo Tribunal Federal.

O ex-diretor da Petrobras foi preso  em março deste ano pela PF. As investigações policiais apontaram que Costa teria intermediado contratos de empresas de fachada, comandadas pelo doleiro Alberto Youssef, junto à estatal.

************


Lula, gigolô do passado, por Ricardo Noblat

Em carreata ao lado de Dilma, em São Bernardo do Campo, São Paulo, Lula pregou enfático:

- [O eleitor] não tem duas escolhas nem uma e meia para fazer o país continuar avançando econômica... e socialmente, sem ser subordinado ao sistema financeiro.

E encaixou:

- Eu tenho fé nesse povo, em Deus, que no dia 5 de outubro valerá a razão, o coração e reconhecimento do povo brasileiro a uma mulher que apanhou, foi torturada, foi massacrada por um setor da imprensa desse país e nem assim essa mulher se curvou.

Lula é gigolô do seu passado de retirante nordestino que levou uma vida de pobreza em São Paulo enquanto era jovem. Sempre que pode ele lembra disso. Como se lhe devêssemos algo.

Lula virou também gigolô do passado de Dilma, uma adversária da ditadura militar que pegou em armas. E que por isso foi presa e torturada.

Arrogância! É o que transpira Lula desde que chegou ao poder pela primeira vez em 2002.

A democracia é o regime que permite ao cidadão escolher com liberdade seus governantes. Não haverá liberdade de escolha se o cidadão não puder optar entre vários nomes.

Marina foi ministra de Lula. Exaltada por ele como administradora competente e uma política capaz e honesta.

Os bancos jamais ganharam tanto dinheiro como no governo Lula. E ele já falou sobre isso.

Na verdade, o discurso de Lula envelheceu. E ele não se deu conta.

---------------

Governo Lula permitia que partidos indicassem dirigentes
Antonio Pita e Fernanda Nunes, Estadão

Envolvido no processo que investiga a polêmica compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, o ex-diretor de Gás e Energia da Petrobrás Ildo Sauer quebrou o silêncio e admitiu ao Broadcast que "o governo de coalizão" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permitia que partidos indicassem dirigentes para obter "ajuda".

Segundo ele, "o folclore" na Petrobrás era que Lula estava impressionado com a contribuição do ex-diretor de abastecimento Paulo Roberto Costa, atualmente preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro.

------------

TCU vai apurar troca de favores entre ministro e Dilma
Robson Bonin, Veja

Após a revelação de que o ministro Walton Alencar atuava a favor do Palácio do Planalto nos bastidores do Tribunal de Contas da União (TCU), o corregedor da corte, ministro Aroldo Cedraz, determinou a abertura de processo para investigar a vida dupla do magistrado. Documentos mostram que, enquanto presidente do tribunal, Walton manteve uma intensa troca de favores com a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e seu braço-direito, Erenice Guerra.

Walton antecipava decisões, dava conselhos informais aos advogados do PT e ainda dificultava o trabalho da oposição que, sem saber da sua dupla atividade, procurava o TCU auxiliar em investigações contra o governo federal. Em contrapartida, Walton contou com a ajuda de Dilma e Erenice para emplacar a própria mulher, Isabel Gallotti, no cargo de ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

------------

Dilma diz que fará mudanças de equipe em segundo mandato
Pedro Venceslau e Alex Capela, Estadão

Pressionada pelo avanço de Marina Silva (PSB) nas pesquisas de opinião da disputa pelo Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, disse, em Belo Horizonte, pela primeira vez, que, em um eventual segundo mandato, fará “atualizações das políticas” e das “equipes” do seu governo.

Além de tentar entrar em sintonia com o discurso da “mudança” que permeia a estratégia da oposição, Dilma sinalizou em sua fala com uma mudança na equipe econômica do governo, que é alvo de críticas do empresariado.

-------------

Aécio quer corrigir 'exageros' no seguro-desemprego
G1

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, afirmou que pretende, caso eleito, corrigir "falhas" e "exageros" existentes hoje, segundo ele, no seguro-desemprego. A declaração foi feita em entrevista concedida na quarta-feira (3) ao Jornal da Globo, quando o senador foi questionado sobre que restrição faria à concessão do benefício.

"Nós estamos debatendo intensamente como reorganizar o seguro-desemprego. Existem exageros, sim, que têm que ser contidos", respondeu o candidato, acrescentando que o programa de governo, a ser lançado no dia 15, terá detalhes sobre como isso vai ser feito.

------------

Dilma recupera fôlego e ainda tem cartas na manga para a eleição
Carla Jiménez, El País

Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, recuperou o fôlego esta semana e tem 37% das intenções de votos. Ainda assim, Marina venceria em um segundo turno e com 46% dos votos, contra 39% para Dilma. É o que indica a pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Ibope, encomendada pela Rede Globo e o jornal O Estado de S. Paulo.

Em comparação com a pesquisa anterior, de 26 de agosto, a candidata petista ganhou três pontos (tinha 34%). Marina Silva (PSB) está em segundo lugar, mas cresceu um ponto a mais que Dilma: passou de 29% para 33%. Pela margem de erro de dois pontos percentuais, Dilma e Marina estão empatadas.

-----------

TSE multa Graça por propaganda da Petrobras em período eleitoral
Isabel Braga, O Globo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, ontem, multar a presidente da Petrobras, Graça Foster, em R$ 212 mil por propaganda veiculada pela estatal dentro do período vedado pela lei eleitoral e com caráter eleitoral. O tribunal julgou favoravelmente duas representações contra duas publicidades veiculadas em horário nobre de televisão pela empresa durante o mês de julho.

Cada uma das multas é equivalente ao teto máximo que pode ser aplicado de R$ 106 mil. Para a maioria dos ministros do TSE, o valor elevado da multa tem por finalidade inibir esse tipo de prática que beneficia o candidato que tem a máquina pública a seu favor. Graça Foster pode recorrer da decisão ao próprio TSE, com embargos declaratórios.

-----------

Uruguai cadastra os primeiros cultivadores de maconha legal
Magdalena Martínez, El País

Os cultivadores de maconha do Uruguai comparecem há dias em um lento gotejo às agências dos Correios para legalizar sua situação. Até sexta-feira passada, eram 54 os inscritos no arquivo eletrônico previsto pelo Governo. Ao mesmo tempo, as empresas que pretendem cultivar a erva em grande escala apresentam suas propostas.

Até a data, 22 empresas se apresentaram ao concurso público – oito uruguaias, dez estrangeiras e quatro de capital misto –. Serão selecionadas até cinco, que terão licença por cinco anos (renovável) e terão de produzir mais de uma tonelada de maconha por ano.

--------------

Obama diz que EUA vão 'destruir' o Estado Islâmico
Balazs Koranyi e David Mardiste, Reuters

Os Estados Unidos planejam combater o Estado Islâmico até o grupo não ser mais uma força no Oriente Médio, e vão buscar justiça pelo assassinato do jornalista norte-americano Steven Sotloff, afirmou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Obama acrescentou que destruir o grupo militante levará tempo por causa do vácuo de poder na Síria, do grande número de combatentes da Al Qaeda que ganharam experiência durante a guerra no Iraque e da necessidade de formar coalizões, inclusive as comunidades sunitas locais.

--------------

Al Qaeda anuncia abertura de 'filial' na Índia
Veja

O chefe da Al Qaeda, Ayman al Zawahri, anunciou ontem a formação de uma filial na Índia do seu grupo terrorista que, segundo ele, vai ampliar o domínio islâmico e "levantar a bandeira da jihad" em todo o subcontinente.

Em um vídeo de 55 minutos, Zawahri disse que a nova força vai "esmagar as fronteiras artificiais" que dividem populações muçulmanas na região e renovou a lealdade ao líder afegão Talibã, mulá Omar.

------------------

Kiev e Moscou dão versões diferentes sobre trégua
O Globo

Uma sequência de anúncios e retificações, ontem, evidenciou a complexidade das negociações sobre a crise separatista no Leste da Ucrânia. Num primeiro momento, o gabinete do presidente ucraniano, Petro Poroshenko, emitiu um comunicado informando que um “cessar-fogo permanente” havia sido acordado com o presidente russo, Vladimir Putin.

Pouco depois, o assessor de imprensa do Kremlin, Dmitri Peskov, contestou a nota, afirmando que a “Rússia não pode concordar com um cessar-fogo já que não está em um dos lados do conflito”. Então, a Presidência ucraniana divulgou um novo informe, dizendo que, numa conversa telefônica, Poroshenko e Putin chegaram a “um entendimento sobre os passos que facilitarão a paz”. Já os separatistas pró-russos divergem sobre as chances de trégua.


************

Blog do Ilimar Franco

Aécio Neves foi alertado

          O furacão Marina não é surpresa para Aécio. Um membro de sua campanha conta que ele foi aconselhado, ano passado, a mudar de atitude e de agenda. A ideia era tentar incorporar à sua candidatura o espírito dos protestos de junho. Mas Aécio não quis adotar a rebeldia no seu discurso. Apostou e aposta na mudança segura. Consta que essa divergência fez o cientista político Renato Pereira a deixar a campanha.

Será que vai colar?
A falta de experiência e de apoio no Congresso da candidata Marina Silva (PSB), passou a ser o discurso central na nova fase das campanhas da presidente Dilma (PT) e do senador Aécio Neves (PSDB). Esse também foi o principal mote das campanhas de José Serra contra o ex-presidente Lula, em 2002, e também contra a presidente Dilma, em 2010. Na primeira eleição de Lula, no seu programa de TV, o petista entrava em cena andando no meio de uma equipe de especialistas, para vender ao eleitor a imagem de que traria os melhores técnicos para seu governo. Marina não tem tempo na TV para produzir cena semelhante, mas está fazendo agora essa mesma promessa.

“Não sou garoto-propaganda. Não sou candidato de ninguém. Não tenho padrinho. Só tenho compromisso com o povo cearense”

Tasso Jereissati
Ex-governador do Ceará e candidato ao Senado (PSDB) em debate na TV Povo, no domingo (26/8)

Vira, vira
O ex-presidente Lula aterrissa em Recife amanhã. Os candidatos de Eduardo Campos, Paulo Câmara e Fernando Bezerra, estão atropelando Armando Monteiro (PTB), na eleição para o governo, e João Paulo (PT), na disputa do Senado.

Para lá e para cá
Um eleitor de Marina Silva divulga nas redes sociais um vídeo, de 2010, no qual o teólogo Leonardo Boff apoia sua candidatura à Presidência, e diz que ela é "a única pessoa à altura da humanidade". Hoje Boff apoia a presidente Dilma. E diz que Marina é "o atraso do atraso" e que a autonomia do Banco Central é entregá-lo ao sistema "financeiro e especulativo".

Na gangorra
As campanhas da presidente Dilma, e do PT, decidiram parar com os ataques contra Aécio Neves. Explicam que querem que o tucano fique onde está. Avaliam que cada ponto que ele perder será um ponto a mais para Marina Silva.

Quem pesa mais?
Os petistas debatem quem é o maior culpado pelo desempenho do partido em São Paulo. A elevada rejeição à presidente Dilma e a avaliação negativa da gestão do prefeito Fernando Haddad, em São Paulo, são vistos como elementos chave. Eles consideram que o candidato ao governo Alexandre Padilha é vítima dessas circunstâncias.

Vapt-vupt
Candidato à reeleição, o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) começou sua campanha nesses dias. Ele explica que os eleitores estão se informando sobre candidatos agora. E que quem entrou em campo antes gastou dinheiro à toa.

Quem tem aliados assim...
A candidata ao Senado Dora Nascimento (AP), ou Dora do PT, não passa um dia sem atacar o ex-presidente José Sarney (PMDB), que não é mais candidato. O PT nacional deixa correr solto. O aliado não reclama mas se sente traído.

O senador Magno Malta (ES) é filiado ao PR, e não ao PSC. Sua afinidade com o Pastor Everaldo e a candidata Marina Silva é a religião evangélica.

************


Vale tudo

Na nossa história política recente não houve presidente que tenha sido eleito com maioria parlamentar, mesmo Fernando Henrique em 1994, que fez uma coalizão com o então PFL já na campanha eleitoral. Em 2003, eleito presidente, Lula poderia ter feito uma coligação para governar com o PMDB, mas rejeitou a aproximação depois que seu chefe do Gabinete Civil José Dirceu fizera os entendimentos partidários, e acabou se entregando ao mensalão para montar sua base aliada no Congresso.

Do jeito que vai a campanha presidencial, vamos acabar elogiando os sucessivos governos de coalizão que foram montados no país, cada vez ampliando mais a permissividade e a leniência, para aceitar apoios políticos em troca de nacos do poder. Como se só assim pudesse haver governos estáveis.

Pois é ao contrário, governos de coalizão devem ser montados em bases programáticas e é isso que a candidata Marina Silva está pregando com sua “nova política”, que nada mais é do que uma marca popular para que todos entendam que é preciso formar alianças em novas bases, menos fisiológicas e mais voltadas para os interesses do país.

Discordar de Marina nos pontos do programa apresentado, pressioná-la para que desista deste ou daquele aspecto, faz parte do jogo democrático. (É até engraçado ouvir-se o ministro da Fazenda Guido Mantega dizer que o programa de Marina vai paralisar a economia brasileira. Como se já não estivesse parada).

Duvidar de sua capacidade para governar o país também, mas iniciar uma campanha terrorista contra um eventual governo de Marina Silva apenas por que não tem no momento uma base partidária, seria aceitar a tese de que quem tem uma base que cobre quase 80% do Congresso tem capacitação para fazer um bom governo. Não tem, e o governo da presidente Dilma é exemplar nesse sentido.

Entramos em uma fase da campanha eleitoral em que vale tudo, para quem admitira que pode fazer o diabo para se manter no poder. Os ataques abaixo da linha da cintura que a campanha da presidente Dilma começou a fazer, comparando Marina a Collor e Janio, seguindo-se de uma ação partidária articulada de ameaças, como as do governador do Ceará Cid Gomes dizendo que Marina será deposta se eleita, mostram que o partido governista já têm indicações de que a candidata do PSB continua subindo.

Nem Janio nem Collor foram derrubados por falta de apoio parlamentar, e uma das tragédias de nossa democracia representativa é que uma base parlamentar fisiológica tem condições de segurar um governo corrupto. Jânio caiu por que tentou dar um golpe, e Collor por graves denúncias de corrupção que o inviabilizaram politicamente, embora posteriormente o Supremo Tribunal Federal (STF) não tenha tido base legal para condená-lo.

O ex- presidente Lula disse que teremos o mais longo segundo turno de uma eleição, dando o tucano Aécio Neves já fora da disputa a um mês das eleições. Mas ele tem também que cuidar é de seu território, pois o PT está perdendo espaço em todo o país e nem mesmo o “Volta, Lula” tem viabilidade hoje, pois além de todas as dificuldades operacionais para substituir a incumbente, já há pesquisas que mostram que Lula hoje teria dificuldades para derrotar Marina. Os dois estariam empatados tecnicamente, com Lula 1 ponto à frente. Muito risco.

Tanto Aécio quanto Dilma tentam desconstruir Marina para levar para o segundo turno a velha polarização entre PT e PSDB. Aécio com mais seriedade que Dilma, tenta convencer o eleitorado de que ele é a mudança segura, e coloca em dúvida as convicções de Marina.

Dilma tenta recuperar votos com ações mirando o eleitorado de esquerda que passou para Marina, especialmente os mais progressistas na questão dos valores morais. Seu apoio à lei que criminaliza a homofobia está nesta direção, depois que Marina decepcionou esses eleitores recuando de posições mais avançadas sobre casamento gay e homofobia.

Já Aécio está tentando buscar o eleitor conservador que se passou para Marina, e não foi à toa que anunciou seu apoio ao projeto do seu vice Aloysio Nunes Ferreira que reduz a menoridade penal em casos de crimes hediondos, com a análise caso a caso por um juiz.

Os dois, na verdade, tentam mesmo é evitar que a eleição termine no primeiro turno.


**********

Blog do Noblat

O velho na novidade de Marina
Elio Gaspari, O Globo

Há um velho vício nas citações de uma frase do romance “O leopardo”, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa. Atribui-se ao Príncipe de Salina (Burt Lancaster no filme) a frase “algumas coisas precisam mudar, para continuar as mesmas”. Salina nunca disse isso e se tivesse dito o romance de Lampedusa seria pedestre. A frase, colocada indevidamente na epígrafe do filme pelo diretor Luchino Visconti, é de Tancredi, o sobrinho do príncipe (Alain Delon), um oportunista bonito e banal. O que Salina disse foi algo mais profundo: “Tudo isso não deveria poder durar; mas vai durar, sempre; o sempre humano, é claro, um século, dois séculos...; e depois será diferente, porém pior.”

Na campanha de Marina Silva há um componente de Tancredi (visível no encanto que ela desperta num pedaço da turma do papelório) e a maldição deixada pelo príncipe. Julgá-la será tarefa de cada um. Desde que ela se tornou candidata a presidente, propõe uma “nova política” e apresentou um extenso programa de governo. Como todos os demais, é um tesouro de promessas. Em menos de um mês Marina defrontou-se com dois episódios concretos: a escalafobética propriedade do jatinho que caiu matando Eduardo Campos e dois pontos de seu programa, anunciados na sexta-feira e renegados no fim de semana.

Nos dois casos, Marina comportou-se de acordo com o manual da velha política, com explicações insuficientes ou jogando o problema para adiante.

No caso da propriedade do jatinho, embaralhou o enigma do avião com a defesa da memória do candidato morto e disse que se deveria esperar a conclusão das investigações. O Cessna pertencia a uma usina falida e fora comprado por um empresário pernambucano, do ramo de importação de pneus usados. Admita-se que Eduardo Campos e ela não sabiam de nada, como Lula nunca soube do mensalão. Seu comportamento certamente evita pré-julgamentos, como a doutora Dilma frequentemente argumenta na defesa de sua equipe. É a velha política.

No caso dos recuos programáticos instantâneos, o comando de sua campanha deu-se à pura empulhação. Atribuiu a mudança em relação à criminalização da homofobia “a uma falha processual na editoração”. Seja lá o que isso queira dizer, o pastor Silas Malafaia havia postado uma mensagem: “Aguardo até segunda-feira uma posição de Marina. Se isso não acontecer, na terça será a mais dura fala que já dei até hoje sobre um presidenciável.” No sábado, ficou satisfeito. Um candidato pode ser contra ou a favor de qualquer coisa. O que não pode é dizer uma coisa na sexta-feira, outra no sábado com porta-vozes atribuindo isso a “uma falha processual na editoração”.

No caso do incentivo às centrais nucleares, “vitais para a sociedade do futuro”, deu-se a mesma coisa. Entrou e saiu. Teria sido um “erro de revisão”. Erro de revisão teria sido listar as usina nucleares entre as fontes de energia “vitais para a çossiedade do futuro".

Não se pode cobrar a candidatos coerência nem fidelidade aos seus programas. Embromar é coisa diferente, velha como aquilo que Marina diz combater. Mudar para que tudo continue como está é um truque velho. Acobertamentos e dissimulações trazem o risco de que tudo fique “diferente, porém pior”.


***********

Blog do Reinaldo Azevedo

Pesquisas encomendadas pelo próprio PT levam pânico ao partido, e Dilma foge de entrevista

É claro que os números das pesquisas eleitorais não dão motivos para o tucano Aécio Neves sorrir de satisfação. Mas, vá lá, ele pleiteia o poder federal, não o tem. No caso dos petistas, é diferente. O partido está em pânico e, creiam, não o vejo cometer erros tão brutais desde 1994, quando não percebeu a importância que tinha o fim da inflação para o povão e decidiu se opor ao Plano Real. Nesta terça à noite, o “Jornal da Globo” viu acontecer algo inédito desde 2002, quando teve início a prática: um presidenciável se negou a conceder uma entrevista previamente agendada. E a faltosa foi ninguém menos do que Dilma Rousseff, do PT, presidente da República e candidata à reeleição. O que ela alegou? Nada! Simplesmente mandou dizer que não haveria entrevista.

Além de ser um tanto desrespeitoso com o trabalho da imprensa, isso demonstra o desespero que toma conta da campanha de Dilma desde que Marina Silva, do PSB, deu iniciou à sua meteórica ascensão, depois da morte de Eduardo Campos. Se a disputa com Aécio já vinha se afigurando crescentemente difícil para Dilma, o confronto com Marina, caso se desse hoje, a tiraria do trono. A petista viu a candidata do PSB tomar do tucano o segundo lugar, encostar nela no primeiro turno, vencê-la no segundo e, agora, dados os levantamentos feitos pelo próprio Planalto, a ex-senadora já lidera a corrida também na etapa inicial.

Nesta segunda, depois do debate promovido pela Jovem Pan, Folha, UOl e SBT, o comando da campanha se reuniu com a presidente, e todos se dedicaram ao patético exercício do autoengano. O consenso foi que Dilma se saiu bem no confronto. Errado. Foi a pior dos três grandes. Aécio jogou melhor, mas quem venceu foi mesmo Marina porque polarizou com Dilma e passou a impressão de dar a palavra final. A petista estava tensa, com os ombros arqueados, semblante fechado, demonstrando contida irritação. Marina batia duro, afetando aquele estado de nirvana. Como atriz, ela também supera a sua oponente.

Nesta terça, dia em que Dilma deveria conceder a entrevista aos jornalistas William Waack e Christiane Pelajo, o Ibope divulgou o resultado da pesquisa para a eleição presidencial em dois colégios privilegiados. Até a semana passada, Dilma liderava no Rio, com 38% a 30% contra Marina; Aécio tinha 11%. A estarem certos os números, o tucano manteve o mesmo percentual, mas a petista é agora derrotada por 38% a 32%. Ou por outra: Dilma perdeu oito pontos, e Marina ganhou 6 — uma mexida de 14 pontos em sete dias. Em São Paulo, a distância seria bem maior: a ex-senadora saltou de 35% para 39%, e a presidente manteve os 23%. O senador mineiro oscilou de 19% para 17%.

Aguardam-se para esta quarta os números nacionais do Ibope. Certamente, vem uma ducha de água fria na cabeça de Dilma, num momento em que o petismo tenta respirar, em esforço concentrado para desconstruir Marina. Mais uma vez, o PT resolveu tirar a causa gay do armário para demonizar adversários. O esforço pode ser contraproducente.

Dilma e o PT passaram pelo vexame de ver as perguntas no ar, sem resposta. Abaixo, eu as reproduzo:

1. Os últimos índices oficiais de crescimento indicam que o país entrou em recessão técnica. A senhora ainda insiste em culpar a crise internacional, mesmo diante do fato de que muitos países comparáveis ao nosso estão crescendo mais?

2. A senhora continuará a represar os preços da gasolina e do diesel artificialmente para segurar a inflação, com prejuízo para a Petrobras?

3. A forma como é feita a contabilidade dos gastos públicos no Brasil, no seu governo, tem sido criticada por economistas, dentro e fora do país, e apontada como fator de quebra de confiança. Como a senhora responde a isso?

4. A senhora prometeu investir R$ 34 bilhões em saneamento básico e abastecimento de água até o fim do mandato. No fim do ano passado, tinha investido menos da metade, segundo o Ministério das Cidades. O que deu errado?

5. Em 2002, o então candidato Lula prometeu erradicar o analfabetismo, mas não conseguiu. Em 2010, foi a vez de a senhora, em campanha, fazer a mesma promessa. Mas foi durante o seu mandato que o índice aumentou pela primeira vez, depois de 15 anos. Por quê?

6. A senhora considera correto dar dentes postiços para uma cidadã pobre, um pouco antes de ser feita com ela uma gravação do seu programa eleitoral de televisão?

É claro que a entrevista não se resumiria a isso porque estava prevista a intervenção dos jornalistas para aclarar eventuais ambiguidades ou apontar contradições.

Na segunda, a entrevistada foi Marina Silva. Nesta quarta, será a vez de Aécio Neves. O PT não sabe mais o que fazer.

---------------

Aécio: “Marina é uma metamorfose ambulante”

Por Bruna Fasano e Talita Fernandes, na VEJA.com:
Alijado do confronto direto entre Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB), o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, resolveu atender aos apelos de integrantes de sua campanha e disparou contra a adversária do PSB, que lhe tomou o segundo lugar nas pesquisas. “O improviso não é o melhor conselheiro. De um lado, temos um governo que reage aos índices das pesquisas alterando as suas convicções, com certo desespero, o que não é bom. Do outro lado, o que vejo é uma candidatura que mais se assemelha a uma metamorfose ambulante, que altera suas convicções ao sabor das circunstâncias”, afirmou.

“Em qual Marina o eleitor pretende votar, a que ataca ou a que foi do PT? A que defende os pilares macroeconômicos ou a que votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal no Congresso Nacional quando era do PT? É a Marina que se calou no escândalo do mensalão e continuou no governo petista?”, disse.

Aécio voltou a acusar Marina de copiar o modelo de gestão tucano. Ele entregou uma cópia do Plano Nacional de Direitos Humanos de 2002, redigido durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, no qual quatro trechos são similares aos da atual cartilha do PSB. “Surpreende que o capítulo sobre direitos humanos do seu programa de governo seja uma cópia fiel do PNDH do governo Fernando Henrique, inclusive com prefácio de sua autoria (referindo-se a FHC). Não tiveram sequer o cuidado de alterar palavras. Essa é mais uma sinalização do improviso que ronda essa candidatura. Ela poderia ter pelo menos dado crédito aos autores verdadeiros.”

“Temos quadros extraordinários, não precisamos buscar olhando por cima do muro do vizinho para encontrar”, disse.

Com a campanha em crise, Aécio reuniu aliados nesta terça em São Paulo para traçar um plano de reação. Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de desistir da disputa, Aécio ironizou: “Renúncia? Eu espero que a presidente não renuncie porque gostaria muito de enfrentá-la no segundo turno”, disse.

------------

Marina reage a críticas dos adversários

Por Talita Fernandes, na VEJA.com:
A candidata à Presidência da República pelo PSB, Marina Silva, reagiu na tarde desta terça-feira à artilharia do PT e da campanha de Dilma Rousseff (PT), que a comparou aos ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor de Melo – ainda que este último seja aliado do próprio PT e da presidente Dilma. No programa eleitoral, a campanha petista sugeriu que, se eleita, Marina não teria apoio dos partidos no Congresso para aprovar projetos e provocou: “O Brasil elegeu dois salvadores da pátria. E a gente sabe como isso terminou”.

Questionada sobre a campanha de Dilma na TV durante sabatina promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo, a ex-senadora rebateu: “A sociedade brasileira me conhece, sabe o que eu defendo, a luta que tenho a mais de trinta anos. Fui vereadora, deputada, senadora por dezesseis anos, ministra do Meio Ambiente. Imagine se eu dissesse que uma pessoa que nunca foi eleita nem vereadora fosse eleita presidente do Brasil. Ai sim poderia parecer Collor de Mello”. Não parou por aí. Questionada sobre as críticas dos seus adversários ao recuo no capítulo que apoiava o casamento gay em seu programa de governo, Marina alfinetou: “É muito fácil dar a opinião sobre o programa dos concorrentes e não apresentar o seu próprio programa. Quem ganha, sem ao menos dizer claramente o que vai fazer, corre o risco de quando ganhar fazer aquilo que a sociedade não quer”.

A candidata do PSB também criticou Aécio, que anunciou o nome do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como seu futuro ministro da Fazenda se for eleito. “Eu acho muito temerário esse negócio de andar de salto alto nomeando ministros antes de ser eleito. Primeiro você tem que ser nomeado pelo povo presidente da República, depois você nomeia os ministros”, disse. “Se você sente uma certa insegurança do que você está fazendo e dizendo, às vezes precisa fazer esse tipo de movimento para dizer: olha, eu sei que vocês têm uma certa insegurança comigo, mas o ministro vai ser fulano, ele que está me garantindo”.

Questionada sobre quem seria seu ministro do Meio Ambiente, caso seja eleita, Marina respondeu com bom humor: “Pode ficar tranquilo, eu vou ser presidente da República, não vou ser eu”, brincou.

************


Programa de Marina plagiou Fernando Henrique

A evangélica Marina Silva talvez devesse considerar a hipótese de incluir no seu staff alguém capaz de receber o caboclo tranca-ruas dos programas de governo. Há urucubaca demais na peça divulgada na última sexta-feira pela candidata. Três tópicos sofreram ajustes ou sumiram do texto em menos de 24 horas –“casamento” gay, apoio ao projeto de lei que criminaliza a homofobia e o uso da energia nuclear. Decorridos mais quatro dias, descobriu-se outra macumba.

No capítulo dos Direitos Humanos, o programa de Marina empilha dez tópicos. Quatro não são originais. Foram copiados, palavra por palavra, do Plano Nacional de Direitos Humanos baixado por Fernando Henrique Cardoso em 2002, último ano dos seus dois mandatos [compare nos documentos clicando do link acima].

Marina sabia? Não sabia? Por que diabos sua equipe plagiou o documento alheio? Se gostavam tanto dos trechos, por que não citaram o autor? Aécio Neves tirou uma casquinha: “É só mais uma sinalização do improviso que ronda essa candidatura.” Como peça inaugural de uma candidata que se vende como nova, um projeto engordado pelo plágio se parece mais com pão dormido do que com nova política.

------------

Dilma falta a entrevista e Globo exibe perguntas


Com globofobia desde que foi imprensada no Jornal Nacional, Dilma Rousseff refugou convite para participar de uma nova série de entrevistas com presidenciáveis, dessa vez no Jornal da Globo. Sorteio feito com a participação de representante da campanha de Dilma definira que ela seria a segunda entrevistada —depois de Marina Silva, já ouvida na segunda-feira, e antes de Aécio Neves, que deve ir ao ar na noite desta quarta.

Em reação à ausência de Dilma, os apresentadores William Waack e Christiane Pelajo leram “algumas das perguntas que seriam feitas a ela.” Antes, realçaram que foi a primeira vez que um candidato à Presidência se recusou a conceder a entrevista desde que a série começou a ser realizada, na sucessão de 2002. Se Dilma ainda fosse a favorita, sua ausência seria apenas um erro. Com Marina Silva no seu encalço, foi burrice.

Vão abaixo as perguntas de Waack e Pelajo. Para demonstrar que Dilma não passaria aperto, o blog recolheu de declarações que ela tem feito nas últimas semanas esboços das respostas que ela provavelmente teria dado se não tivesse fugido das perguntas:



— Os últimos índices oficiais de crescimento indicam que o país entrou em recessão técnica. A senhora ainda insiste em culpar a crise internacional, mesmo diante do fato de que muitos países comparáveis ao nosso estão crescendo mais?



Meu querido, não há recessão no Brasil. O que há é uma redução momentânea da atividade econômica. Que só aconteceu porque tivemos uma seca histórica, menos dias úteis por causa da Copa e grande contração do mercado internacional. Nós estamos esperando que o segundo semestre seja melhor. No que se refere à crise internacinal, a Europa desempregou 60 milhões de pessoas. Nós criamos 5,5 milhões de empregos novos só no meu período de governo. É mais do que foi criado em todo o governo do Fernando Henrique.

— A senhora continuará a represar os preços da gasolina e do diesel artificialmente, para segurar a inflação, com prejuízo para a Petrobras?

A oposição diz que o preço da gasolina está defesado. Gostaria que mostrassem de quanto é a defasagem. No que se refere ao reajuste, ele pode acontecer a qualquer momento. Mas, vejam bem: não estou dizendo que haverá um aumento. Digo que pode haver. Não tenho competência para tomar decisão sobre isso.

— A forma como é feita a contabilidade dos gastos públicos no Brasil no seu governo tem sido criticada por economistas, dentro e fora do país, e apontada como fator de quebra de confiança. Como a senhora responde a isso?

Sugiro que a gente trate dessa questão sem as paixões político-eleitorais. Vivemos um momento de campanha eleitoral, e isso tende a politizar processos técnicos que sempre ocorreram e nunca foram politizados. A informação que tenho é a de que se trata de um processo similar ao que ocorre em outros momentos. Meu governo não esconde nada.

— A senhora prometeu investir R$ 34 bilhões em saneamento básico e abastecimento de água até o fim do mandato. No fim do ano passado, tinha investido menos da metade, segundo o Ministério das Cidades. O que deu errado?

Meu querido, nós deflagramos no início de maio a terceira das ações de saneamento básico do PAC 2. Tudo vem dando muito certo. No nosso governo, o meu e o do presidente Lula, o Brasil deu um salto no que se refere a investimento em saneamento. O total do investimento em saneamento no Brasil chega a R$ 37,8 bilhões para todos os municípios do país, pequenos médios ou grandes.

— Em 2002, o então candidato Lula prometeu erradicar o analfabetismo, mas não conseguiu. Em 2010, foi a vez da senhora, em campanha, fazer a mesma promessa. Mas foi durante o seu mandato que o índice aumentou pela primeira vez, depois de 15 anos. Por quê?



Vejam bem, William e Christiane, no que se refere à área de Educação eu tenho muito orgulho de tudo o que fizemos em 12 anos. Só pra citar um exemplo: no nosso governo, o meu e o do presidente Lula, alcançamos a marca 422 escolas técnicas federais. Isso é tres vezes mais do que tudo o que foi construído no Brasil em um século. E não posso deixar de mencionar que eu criei o Pronatec. São R$ 14 bilhões investidos e 6,8 milhões de matrículas. Ah, sim, também aprovamos a lei que destina 75% dos royalties e 50% do fundo social pré-sal para a Educação. E ainda tem gente por aí dizendo que não vai explorar o pré-sal. Isso é obscurantismo.

— A senhora considera correto dar dentes postiços para uma cidadã pobre um pouco antes de ser feita com ela uma gravação do seu programa eleitoral de televisão?

Achei lamentável. Isso aconteceu na cidade de Batatinha, na Bahia. Ali, bem pertinho, tem uma unidade do Brasil Sorridente, com um laboratório de prótese. Foi um erro ter dado pra ela só um dia antes da minha chegada. Tinha a obrigação de dar a prótese quando ela recebeu o Bolsa Família. É o que prevê a parceria. A propósito, no que se refere à saúde pública como um todo, não posso deixar de falar do Mais Médicos. Hoje, temos 13.462 médicos atuando no programa, beneficiando 50 milhões de brasileiros.


Autor de célebres entrevistas fantasiosas, Nelson Rodrigues dizia que nada é mais falso e cínico do que a entrevista verdadeira. Na definição do cronista, a entrevista verdadeira é uma sucessão de poses e de máscaras. Ao passo que a entrevista imaginária, justamente pelo fato de ser imaginária, não mente jamais. Por meio delas, o leitor fica sabendo de tudo o que o entrevistado pensa, sente e não diz de jeito nenhum.

No caso da entrevista que Dilma não deu ao Jornal da Globo, o blog teve o cuidado de manter nas respostas inventadas as mesmas poses que costumam estar presentes nas entrevistas supostamente verdadeiras de Dilma.

--------------

Petroesgoto!



************


No Estado do Acre, o PT é rei
Marina Rossi, El País

“A Marina é boa, ela conhece tudo por aqui. Mas eu vou votar na Dilma”, diz Adaíldo Carneiro de Lima, de 73 anos, morador de Quixadá, zona rural de Rio Branco, a 40 minutos da capital do Acre. “Ela (Dilma) deu essa casa pra gente. Não posso ser mal agradecido, né?”, explica, em frente à moradia que começou a ser construída há oito meses pelo programa do governo federal Minha Casa Minha Vida.

O vizinho de Lima, Sr. Zé Gomes, de 90 anos, trabalhou no Seringal Bagaço, nome do local onde nasceu Maria Osmarina Marina Silva Vaz de Lima, em 8 de fevereiro de 1958, em um lugarejo chamado Breu Velho. “Ela era chamada de ‘macaquinha do bagaço’, porque era muito pequena, magrinha e vivia correndo de um lado para o outro”, conta, rindo, exibindo a dentadura implantada por um programa do governo federal. Gomes ainda não sabe em quem vai votar.

-------------

Marina Silva lidera disputa presidencial em São Paulo e no Rio
O Globo

A ex-senadora Marina Silva (PSB) abriu 16 pontos de vantagem sobre a presidente Dilma Rousseff (PT) entre o eleitorado paulista, e seis pontos no eleitorado fluminense. Os dados foram apresentados nesta terça-feira pela pesquisa Ibope, encomendada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e pela TV Globo.

São Paulo é o maior colégio eleitoral do país, e o Rio de Janeiro, o terceiro. No Rio, Marina Silva tem 38% das intenções de voto, seguido por Dilma, com 32%, e Aécio Neves (PSDB), com 11%. Em relação a última pesquisa, de agosto, a ex-senadora cresceu oito pontos, enquanto Dilma caiu seis pontos. O tucano manteve a pontuação.

------------

Exército diz atender Comissão da Verdade ‘dentro da legalidade'
Evandro Éboli, O Globo

Em resposta a uma carta de familiares e de perseguidos políticos, que pediram à presidente Dilma Rousseff a sua demissão, o comandante do Exército, general Enzo Peri divulgou nota informando que todas as solicitações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e do Ministério Público tem sido atendidas, "dentro dos princípios legais vigentes".

A nota endereçada a Dilma, assinada por 21 entidades de direitos humanos e 105 ex-perseguidos políticos e parentes de vítimas da ditadura, teve como motivação a revelação que Enzo Peri enviou comunicado a todas unidades militares na qual determina que todo e qualquer documento envolvendo informações sobre atos do regime militar deveriam ser submetidos ao seu gabinete.

-------------

Cursos técnicos pagos por governo têm evasão de até 60%
Ruth Costas, BBC Brasil

Algumas faculdades privadas provedoras de cursos técnicos do Programa Nacional de Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) - uma das vitrines da campanha da presidente Dilma Rousseff - estão tendo de lidar com taxas de evasão que podem chegar a 50% ou 60%, segundo relataram à BBC Brasil seus coordenadores.

Oficialmente, o índice de abandono dos cursos Pronatec é de 12,8% segundo o Ministério da Educação (MEC), que não considera como abandono estudantes que se inscreveram, mas não se matricularam no programa.

------------

Com Dilma, Brasil cai em ranking de competitividade
Ana Clara Costa e Naiara Infante Bertão, Veja

O Brasil perdeu quatro posições no ranking de competitividade do Fórum Econômico Mundial entre 2011 e 2014. O Relatório de Competitividade Global divulgado ontem avalia os principais pilares das economias mundiais, como estabilidade macroeconômica, educação e solidez das instituições públicas, e os traduz num índice.

Segundo o Fórum, apesar de o indicador do Brasil ter avançado de 4,32 para 4,34 nos últimos quatro anos, outras economias avançaram mais. Com isso, o país passou da 53ª posição entre os mais competitivos, em 2011, para a 57ª em 2014. Em relação ao ano passado, dos 12 quesitos avaliados para compor o indicador, o Brasil só melhorou em dois: Educação Superior, ao passar da 72ª posição para 41ª; e Saúde e Educação Primária, saindo de 89ª para 77ª.

------------

Venezuela cria seu próprio Pai Nosso: ‘Chávez nosso que estais no céu’
O Globo

A busca do chavismo pela mitificação do ex-presidente morto Hugo Chávez continua a todo vapor na Venezuela. Na segunda-feira, foi apresentada a versão partidária do Pai Nosso, chamada “Oração do delegado”, que começa com a frase “Chávez nosso que estais no céu”.

A oração foi lida no fim da “1ª Oficina do Projeto de Sistema de Formação Socialista” do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), na presença do presidente Nicolás Maduro, em um teatro de Caracas. Também participaram da cerimônia ministros, governadores chavistas e outros funcionários do governo.

------------

Putin: 'Se eu quiser, tomo Kiev em duas semanas'
Veja

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse para um alto dirigente europeu que as forças do país podem tomar Kiev, a capital da Ucrânia, "em duas semanas" se ele assim quiser. A declaração foi dada ao presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, durante uma conversa telefônica no dia 29 de agosto.

No fim de semana, Barroso comentou o assunto com outros diplomatas europeus, vazando a informação. Barroso havia perguntando a Putin sobre a presença de tropas no leste da Ucrânia, e se elas estavam cruzando a fronteira deliberadamente. "Essa não é questão", disse Putin, "Mas se eu quiser, tomo Kiev em duas semanas", respondeu.

--------------

Obama envia mais 350 soldados para proteger embaixada em Bagdá
Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, determinou o envio de mais cerca de 350 soldados para Bagdá para proteger a embaixada dos EUA na capital iraquiana e de oficiais superiores para o Oriente Médio para "construir uma parceria regional mais forte" contra militantes do Estado Islâmico, disse a Casa Branca na terça-feira.

O secretário de imprensa do Pentágono, almirante John Kirby, acrescentou que a medida vai elevar o número total de militares norte-americanos responsáveis ​​por reforçar a segurança diplomática no Iraque para cerca de 820.

-------------

Estado Islâmico diz ter decapitado outro jornalista americano
Yolanda Monge, El País

Duas semanas depois da divulgação da decapitação do jornalista norte-americano James Foley, o Estado Islâmico cumpriu sua ameaça e acabou com a vida do também repórter Steven Joel Sotloff, de 31 anos, capturado na Síria em agosto de 2013. Nem a Casa Branca nem o Pentágono confirmaram a autenticidade do vídeo.

O Departamento de Estado afirmou que os serviços de inteligência estavam tratando determinar “o mais rápido possível” a autenticidade do vídeo. “Caso seja autêntico, nos sentimos enojados por este brutal assassinato de outro norte-americano inocente”, declarou a porta-voz da diplomacia norte-americana, Jen Psaki.


*********

Blog do Noblat

Ataques entre Dilma e Marina marcam segundo debate
O Globo

O segundo debate entre os presidenciáveis na TV consolidou a polarização entre as duas primeiras colocadas na pesquisa eleitoral: Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB). No mesmo dia que o comando de campanha do PSDB sinalizou com apoio a Marina num eventual segundo turno, o senador tucano Aécio Neves evitou o confronto direto com a candidata do PSB e concentrou ataques no governo petista.

Ao contrário das duas, que duelaram diretamente quase todo o tempo, Aécio ficou com papel secundário no embate entre os três mais bem colocados nas pesquisas. Assumidamente nervosa, a ponto de tentar interferir logo no primeiro bloco nas regras do debate, Dilma usou da falta de propostas para o pré-sal no programa de governo do PSB.

-------------

Relator nega recurso de André Vargas contra cassação de mandato
Isabel Braga, O Globo

O deputado federal Sérgio Zveiter (PSD-RJ) negou o recurso feito pelo deputado André Vargas (sem partido - PR) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara questionando a condução do processo por quebra de decoro parlamentar contra ele no Conselho de Ética da Casa.

Zveiter, que é relator do recurso, protocolou a decisão nesta segunda-feira. O recurso já tranca a pauta de votações da CCJ e a intenção é aproveitar a presença de deputados na Casa durante a semana de esforço concentrado de votações da Câmara, a última antes das eleições.

-----------

Nota do Partido Socialista Brasileiro sobre o avião usado por Eduardo

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) vem a público prestar os seguintes esclarecimentos a respeito do acidente ocorrido em 13/08/14, com a aeronave prefixo PP-AFA, que vitimou o seu presidente e então candidato à Presidência da República, Eduardo Henrique Aciolly Campos.

- O uso da aeronave foi autorizado pelos Srs. João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira, dos grupos empresariais BR-Par Participação Ltda. e Bandeirantes Cia. Pneus Ltda. de Pernambuco;

- Apurou-se que tais empresários haviam negociado o mencionado avião com a empresa AF Andrade, de Ribeirão Preto, que era sua arrendatária junto à Cessna Finance;

- A transferência de leasing ao Grupo de Pernambuco foi comunicada pela AF Andrade à ANAC, por petição datada de 15 de maio de 2014;

- Referida transferência de leasing, segundo nota à imprensa, não foi ainda concretizada, porque a Cessna Finance não aprovou as garantias oferecidas;

- Como também informou o grupo Andrade à ANAC, os empresários pernambucanos pagaram, no dia 08 de maio, oito parcelas do leasing da aeronave.

O Partido Socialista Brasileiro presta esses esclarecimentos para deixar patente que esteve alheio às negociações efetuadas entre os empresários de Pernambuco e a empresa AF de Ribeirão Preto.

Cumpre ainda esclarecer que a utilização da aeronave está sendo incluída na prestação de contas de Eduardo Campos ao Tribunal Regional Eleitoral.

 Roberto Amaral

Presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB)

------------

Justiça Eleitoral barra candidatura de Paulo Maluf
Nilson Hernandes, O Globo

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) indeferiu o registro de candidatura do deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) à reeleição na Câmara, com base na Lei da Ficha Limpa. A defesa do parlamentar disse que vai recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na última sexta-feira, três juízes eleitorais votaram a favor da impugnação do registro da candidatura de Maluf. Outros três foram favoráveis à manutenção do registro. Com o empate, coube ao presidente do Tribunal Regional, desembargador Antônio Carlos Mathias Coltro, o voto de minerva, na segunda-feira.

-------------

Presidente do STJ toma posse e promete aumento salarial
Carolina Brígido, O Globo

O ministro Francisco Falcão assumiu ontem a presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), cargo que exercerá pelos próximos dois anos. Conforme a tradição de tribunais superiores, ele foi eleito por ser o ministro mais antigo na Corte que ainda não ocupou o posto. Falcão é magistrado há 36 anos e atua no tribunal há 15. A ministra Laurita Vaz será a vice-presidente.

Falcão prometeu lutar pelo aumento nos salários de juízes. “Permitam-me uma palavra de alento aos senhores magistrados: esta presidência não lhes faltará na luta para encontrar um sistema que lhes assegure justa remuneração, com recomposição das perdas acumuladas pela inflação e, ainda, melhores condições de trabalho”, declarou.

------------

Airbus culpa pilotos, TAM e Infraero por acidente que matou 199
O Globo

A Airbus, fabricante de aviões, declarou à Justiça que a TAM, os dois pilotos e as condições da pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, são os responsáveis pelo acidente em 2007, que matou 199 pessoas, o maior da história com uma companhia aérea brasileira.

As declarações da empresa europeia, fabricante do modelo A 320, modelo que se acidentou ao tentar pousar em Congonhas, estão no processo cível que a Airbus responde na Justiça. Pela primeira vez, a Airbus atribui culpa aos envolvidos pela tragédia. O processo é movido pela Itaú Seguros, seguradora da TAM que tenta reaver o montante gasto em indenizações e, para isso, argumenta que houve falha no projeto da aeronave.

-------------

Pesquisa mostra aumento do número de famílias com dívida
Igor Gadelha, Estadão

O percentual de famílias endividadas no Brasil subiu para 63% no ano passado, ante 59% em 2012, de acordo com a quarta edição da Radiografia do Endividamento das Famílias Brasileiras, realizada pela Fecomercio-SP. No período, houve acréscimo de 770 mil famílias com algum tipo de crédito ou financiamento. O valor mensal das dívidas aumentou 8%, de R$ 14,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões.

Curitiba foi a capital que registrou o maior nível de endividamento, com 87% do total de famílias curitibanas. Aparecem ainda no ranking: Florianópolis (86%); Brasília (84%); Belém (78%) e Palmas (78%). Já as cinco capitais com menores níveis são Porto Alegre (60%); Cuiabá (60%); São Paulo e Belo Horizonte, ambas com 53%; e Goiânia (46%).

---------------

Alemanha armará curdos no Norte do Iraque
O Globo

A decisão do governo alemão, referendada nesta segunda-feira pelo Parlamento, de armar rebeldes curdos iraquianos para enfrentar os jihadistas do Estado Islâmico (EI) indicam uma determinação da chanceler Angela Merkel de envolver mais a Alemanha nos problemas que assolam a comunidade internacional.

"Temos que escolher. Ou não assumimos nenhum risco, não entregamos armas, e aceitamos que o terror se propague, ou apoiamos aqueles que, de forma desesperada, mas também valente, lutam com poucos recursos contra a barbárie e o terror do Estado Islâmico", afirmou Merkel numa reunião extraordinária do Parlamento.

-------------

Ucrânia perde controle sobre aeroporto
BBC Brasil

O Ministro da Defesa da Ucrânia, Valeriy Heletey, disse nesta segunda-feira que o país é palco de uma "grande guerra" provocada pela Rússia, que, segundo ele, teria iniciado uma ofensiva militar de “larga escala” no país vizinho. A declaração foi feita no mesmo dia em que as autoridades ucranianas admitiram ter perdido o controle sobre o aeroporto de Lugansk (leste da Ucrânia), ao se verem obrigadas a retirarem suas tropas do local – que, dizem, estava sob cerco de tropas russas.

“Uma grande guerra chegou à nossa casa, uma guerra jamais vista na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, as vidas perdidas em guerras como essa chegam não só a centenas, mas a milhares e até dezenas de milhares”, disse Heletey no Facebook.

-------------

Israel se apropria de 400 hectares de terra na Cisjordânia
Estadão

Israel decidiu se apropriar de quase 400 hectares de terra na Cisjordânia no domingo, possivelmente para a construção de novos assentamentos. O anúncio foi feito pela unidade militar de implementação das políticas de Israel em territórios palestinos. Segundo a imprensa local, a área dos 400 hectares foi declarada como sendo "terras do Estado" israelense.

Os Estados Unidos classificaram a decisão de "contraprodutiva" para os esforços de paz na região e pediram que o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu reveja a decisão, afirmou um funcionário do Departamento de Estado americano.

--------------

Israelense que chamou Brasil de "anão diplomático" deixa o cargo
Veja

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Yigal Palmor, que chamou o Brasil de “anão diplomático”, deixou o cargo na segunda-feira. Ele ocupava o posto desde 2008. A declaração de Palmor, feita no final de julho, foi uma resposta à decisão do Planalto de convocar o embaixador brasileiro em Israel para consultas em Brasília, por considerar a ofensiva israelense em Gaza "desproporcional".

Palmor chegou a citar o placar da derrota da seleção brasileira para a Alemanha para criticar a indignação seletiva da diplomacia externa do governo Dilma Rousseff. "Desproporcional é perder de 7 a 1", disse Palmor. O tom duro das críticas chegou a motivar um pedido de desculpas por parte do novo presidente de Israel, Reuven Rivlin.

-------------

Dilma defende a criminalização da homofobia
O GLOBO

No encerramento do segundo debate entre os candidatos na TV, a presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, defendeu a criminalização da homofobia – proposta no Projeto de Lei nº 122/2006, que desde dezembro do ano passado tramita juntamente com a reforma do Código Penal.

— Eu sou contra qualquer forma de violência contra pessoas. No caso especifico da homofobia, eu acho que é um ofensa ao Brasil. Então, fico triste de ver que temos grandes índices atingindo essa população. Acho que a gente tem que criminalizar a homofobia, que não é algo com o que a gente pode conviver — disse a presidente, segundo comunicado do partido.

***********


Petistas querem, agora, de um lado, colar em Marina a pecha de “evangélica antigay” e, de outro, dar benefícios fiscais a… igrejas evangélicas. É o desespero!

Os petistas estão de tal sorte desorientados com Marina Silva que começam a bater cabeça e a tomar atitudes desencontradas. Não sabem mais o que fazer. A turma se prepara agora para tomar duas iniciativas: uma mais ligada ao âmbito da campanha e outra à do governo propriamente.

Como se viu e se comentou aqui, Marina Silva pediu uma correção do programa divulgado no capítulo que diz respeito aos direitos dos homossexuais, que a linguagem “militantemente correta” chama “GLBT”. A primeira versão falava em apoiar o casamento gay, o PLC 122, que criminaliza a homofobia, e uma outra proposta aloprada, dos deputados Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Erika Kokay (PT-DF), que transforma o, digamos, sexo civil numa questão de opinião. Na prática, se o Jurandir, de pênis, barba e pelo no peito disser que é mulher e se chama Kelley, o poder público tem de aceitar. E se ele decidir ser Jurandir de novo? Aí destroca. Com a autorização dos pais, até um menor de idade poderá escolher livremente a sua “identidade sexual”. É coisa de hospício.

Na nova versão, fala-se em dar consequência legal à igualdade da união civil entre homo e heterossexuais e ponto. E o resto que fique — como deve ser, aliás — para o Congresso. Luciana Genro, do PSOL, decidiu no debate de ontem pegar no pé de Marina com essa história, atribuindo a alteração do programa à religião da candidata do PSB, que é evangélica. Com adversários assim, só resta à ex-senadora erguer as mãos para o céu.

Tais causas estão longe de ser exatamente populares. De resto, o programa de Marina, reitere-se, contempla o apoio à chamada “comunidade GLTB”, abstendo-se apenas do proselitismo. Se existem defeitos na sua proposta — e os há, às pencas — não é esse. O tal PLC 122, por exemplo, é, sim, autoritário. Mas o PT sentiu que dá para fazer uma onda, contando com o apoio de um grupo muito organizado, que agora vai tentar ligar Marina à homofobia. É desespero de causa. Há quatro anos, fez-se o mesmo com o tucano José Serra. Os petistas insistem em fazer a história voltar para trás. Não sei, não… Tendo a achar que isso mais rende votos a Marina do que tira.

De um lado, então, o PT vai tentar colar em Marina a pecha de evangélica atrasada e inimiga dos gays. De outro, informa a Folha, “o governo elabora um conjunto de ações com medidas que incluem o atendimento a uma das principais bandeiras evangélicas no Congresso: o apoio à Lei Geral das Religiões”. Em que consiste?

O governo pretende “desengavetar um projeto, proposto em 2009 e há mais de um ano parado em uma comissão do Senado, para conceder diversos benefícios a instituições religiosas, entre eles tributários.” Isso faria parte de um “pacote anti-Marina”.

Deixem-me ver se entendi direito: o conjunto, então, das ações contra a candidata do PSB prevê demonizá-la como evangélica radical e antigay e , ao mesmo tempo, acenar a essa corrente religiosa com benefícios tributários. Sabem o nome disso? Desespero.

Em 2010, o PT, com o auxílio de amplos setores da imprensa, fez uma lambança danada para colar em Serra a pecha de adversário dos gays, o que era, para dizer pouco, uma canalhice quando se considera o seu trabalho como ministro da Saúde e como governador. Sem saída, os petistas insistem nessa tecla, roubado até o discurso de Luciana Genro… Longe das câmeras, suponho que Marina Silva gargalhe de vez em quando. Se acontecer, ela gargalha é do PT.

--------------

Dilma, a grande derrotada da noite!

O saldo do debate promovido nesta segunda pela Jovem Pan, Folha, UOL e SBT? Uma Marina Silva que se consolidou como alternativa aos olhos do eleitorado e que cresceu, como presidenciável, atropelando Dilma Rousseff, que teve, de muito longe, o pior desempenho entre os três principais candidatos. O debate está na Internet, pode ser visto por qualquer um que não o tenha feito. O tucano Aécio Neves se saiu muito bem. Respondeu, como de hábito, com clareza e desenvoltura. Demonstrou conhecimento de causa e segurança. Mas, como afirmei no post de ontem, as circunstâncias não o transformaram em um dos polos do debate, que caminhou para o confronto entre Marina, ora no PSB, e Dilma, do PT. Qualquer juízo objetivo constata o óbvio: a candidata à reeleição perdeu feio o embate. Os petistas estão completamente desorientados.

Há dias, chamo aqui a atenção para o desastre a que as ideias fixas podem conduzir as pessoas, lembrando o Machado de Assis de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”. Como nunca, o PT tem sido vítima de sua natureza. Se não conseguir sair da encalacrada em que está, perdeu a eleição.

Os petistas só sabem fazer campanha presidencial contra, nunca a favor. A de 1989 se organizou na oposição a José Sarney e Fenando Collor, hoje seus queridos aliados. Em 1994, passa a ser vítima da ideia fixa: atacar os tucanos. Perdeu dois pleitos consecutivos no primeiro turno no ataque ao Plano Real, às privatizações e à Lei de Responsabilidade Fiscal. Em 2002, mudou de rumo: passou a falar uma linguagem propositiva e se tornou monopolista da esperança e da mudança — um discurso que hoje, tudo bem pensado, serve a Marina Silva.

Muito bem! Eleito presidente, Lula resolveu governar com os marcos macroeconômicos herdados do PSDB — não adianta disfarçar —, mas deu início à demonização do adversário. Com impressionante vigarice, o PT se portava como “oposição”, embora fosse governo, embora fosse situação, embora estivesse no controle do Estado. Exercitou, no limite do possível, o discurso do ressentimento, do ódio e da perseguição aos adversários. Queria, em suma, ser o senhor — e era! —, mas com o poder das… vítimas.

Enquanto as circunstâncias econômicas foram favoráveis à construção dessa farsa, surfou na onda. Acreditem: os petistas já não contavam mais — e não contam ainda — com a possibilidade de deixar o poder. Há pouco mais de um ano e meio, falavam abertamente na reeleição de Dilma no primeiro turno e depois em mais oito anos de Lula… Tudo assim, com desassombro, sem combinar antes com a história e com o imponderável.

Para isso, no entanto, sempre dependeu de um inimigo de estimação: o PSDB. O partido era sua antivitrine, seu exemplo de elite pernóstica e insensível aos reclamos do povo. Os braços de aluguel do partido na subimprensa e na imprensa ainda insistem nessa cascata. Mas eis que surge uma Marina no meio do caminho, oriunda justamente do ninho… petista! Também sabe fazer o discurso dos “Silva”; também sabe desempenhar o papel da “vítima triunfante”; também é especialista na “demonização do outro”, embora tenha uma fala menos rascante do que a de Lula, embora se expresse com mais fluência — o que não quer dizer clareza —, embora pareça a pura expressão da mansidão.

E eis que vemos um PT sem resposta, a dar tiros no próprio pé. No debate desta segunda, Dilma tentou encurralar Marina, mas perdeu todas. Mesmo quando atacava, estava na defensiva. A petista só se esmerou no jogo bruto, beirando a grosseria, contra Aécio. Ocorre que, hoje ao menos, quem fará Dilma mudar de endereço é Marina Silva.

Depois do debate, Dilma se reuniu com seu núcleo duro de campanha — incluindo o marqueteiro João Santana e o ministro Aloizio Mercadante — e com Lula. Foi, certamente, uma reunião para lamber as feridas do dia. Marina foi a vencedora da noite, e Dilma, a grande derrotada. Os petistas vivem o dilema expresso pelo asno de Buridan, aquele que pode morrer de fome e de sede, incapaz de decidir entre a água e a alfafa. Se bate em Marina, teme se esborrachar com a rejeição do eleitorado, que vê na ex-senadora a magricela pobrezinha do seringal, que se esforçou e se tornou uma figura mundialmente conhecida. Se não bate, a magriça se agigante e engole a máquina petista nem que seja com um trocadilho, no que ela é boa. Nesta segunda, mandou ver em mais um: “Não sou nem pessimista nem otimista, sou persistente”. O que quer dizer? Nada! Enquanto isso, Dilma, coitada!, se enrolava em números e siglas, com a cara feia, visivelmente contrariada.

Pela primeira vez, desde 2002, as circunstancias atuam contra a ideia fixa do PT. E o partido não sabe o que fazer. Desta vez, nem o Santo Lula pode ajudar. Encontrou uma Silva que sabe ser ainda mais coitadinha e mais orgulhosa do que ele próprio. Como colar nela a pecha de candidata da Dona Zelite, né, Lula?

***********


E agora, esquerda?

Na eleição passada, a "direita" representada por José Serra (PSDB) foi acusada por trazer religião e aborto para o centro das eleições. Serra e o PSDB foram demonizados por isso, mesmo que a acusação tenha tido muito de injustiça. O que assistimos agora? As duas candidatas de esquerda travando um duelo em busca do voto conservador. Marina Silva (PSB) mudou o seu plano de governo da noite para o dia, depois de quatro tuitadas de um pastor evangélico, passando a desaprovar o casamento gay. Cinco minutos depois do debate de ontem, no SBT, Dilma Rousseff (PT) disse apoiar uma lei que criminalize a homofobia, que só não foi aprovada no Congresso porque a sua base  não permite. Aécio desde o início deu a sua posição sobre aborto, união civil entre parceiros do mesmo sexo e não fez desta pauta a sua plataforma. Quem tenta ser mais conservador, pasmem, é a esquerda representada por Marina Silva e Dilma Rousseff. E ganham manchetes de primeira página em todos os jornais. Uma vergonha que estes sejam os temas centrais das eleições presidenciais em um país afogado pela corrupção, pela péssima gestão e em plena recessão.

**********


Debate reforça a ‘despolarização’ da sucessão

Em junho de 2013, o desalento e a irritação se encontraram nas ruas e deram à luz um fenômeno alvissareiro: a ‘desantecipação’ da sucessão presidencial. Ficara entendido que a reeleição de Dilma Rousseff não era o jogo jogado que Lula tentava fazer crer. Na noite passada, solidificou-se um segundo fenômeno: a ‘despolarização tucano-petista’. Convertido em coadjuvante de um debate entre presidenciáveis que teve Marina Silva como centro das atenções, Aécio Neves se deu conta de que o PSDB já não dispõe de vaga cativa num segundo turno contra o PT.

Nos trechos do debate em que os candidatos questionaram seus antagonistas, Dilma e Marina ignoraram Aécio. Empatadas no topo do último Datafolha, cada uma com 34% das intenções de voto, elas preferiram inquirir uma à outra. Prejudicado por um sorteio que o empurrou para o fim da fila de inquisidores, Aécio, lipoaspirado de 20% para 15% na última pesquisa, viu-se compelido a “debater” com candidatos nanicos, usando-os como escada para alcançar sobretudo a jugular de Dilma.

Há 20 dias, essas cenas eram impensáveis. Rumava-se para a reedição do Fla-Flu. Dilma e Aécio ignoravam os menos de 10% de Eduardo Campos. Equipavam-se para a sexta final consecutiva do eterno torneio entre PT e PSDB. De repente, a morte de Campos eliminou a represa que impedia o potencial de votos de Marina de jorrar. E Dilma, que segundo seu marqueteiro veria “do Olimpo” os rivais se comendo “numa antropofagia de anões”, é obrigada agora a se engalfinhar com uma ex-anã que ficou do seu tamanho. E ainda pode ficar maior.

Quanto a Aécio, restou-lhe tentar impedir que o voto útil o empurre para o mesmo acostamento em que estava estacionada a terceira via de Eduardo Campos. Levando-se em conta que a rejeição à candidatura de Dilma bateu em 45%, um pedaço do eleitorado de Aécio pode ficar tentado a despejar votos em Marina, na expectativa de liquidar o jogo no primeiro tempo. Por isso, a exemplo de Dilma, o presidenciável tucano também não pode se dar ao luxo de ignorar Marina.

Nas considerações finais do debate desta segunda-feira, Aécio disse que a corrida presidencial envolve “dois campos políticos”, não três. De um lado, o “governismo”. Do outro, a infantaria “das mudanças”. Deu de barato que Dilma perderá a eleição. E bateu em Marina com a suavidade que o favoritismo dela exige: “Acredito nas boas intenções da Marina, mas ela não consegue superar as enormes contradições… Defende hoje teses que combatia há pouco tempo.”

Para infortúnio de Aécio, Marina repete agora um discurso que começara a entoar na sucessão de 2010. Diz que, na economia, quer restaurar o tripé macroeconômico instituído em 1999, sob FHC: metas de inflação, câmbio flutuante e superávit nas contas públicas. Tem do seu lado um dos pais do Real, André Lara Rezende. E soa mais realista do que o PSDB ao encampar a ideia de dar autonomia formal ao Banco Central. O discurso atucanado de Marina joga água no moinho do voto útil.

Autor da ideia de antecipar a eleição, Lula anda sumido. Diz-se que reaparecerá no Nordeste nesta semana. Ele havia relançado Dilma em 20 de fevereiro de 2013, em São Paulo, num seminário comemorativos dos dez anos do PT. Respondendo a ataques que Aécio fizera ao partido no Senado, Lula dissera: “Eles podem se preparar, podem juntar quem eles quiserem, porque se eles têm dúvidas, nós vamos dar como resposta a eles a reeleição da Dilma em 2014.”

Discursando no mesmo evento, Dilma também pisara no calo do tucanato: “Nós não herdamos nada, nós construímos.” Cinco dias depois, num seminário realizado em Belo Horizonte pelo PSDB mineiro, Fernando Henrique chamaria Dilma de “ingrata”. Ela “cospe no prato que comeu”. Passados quatro meses, a rapaziada desceu ao asfalto para restabelecer a normalidade.

Se as ruas disseram alguma coisa para Lula e Dilma foi que a democracia, tratada pelo petismo como estorvo para um governo definitivo, deveria voltar a funcionar como corretivo para a falibilidade humana. Agora, ao elevar a estatura de Marina, o eleitorado informa a FHC e ao tucanato que talvez prefira pratos limpos e uma refeição nova.

O debate promovido por UOL, Folha, SBT e Jovem Pan serviu para potencializar a nova conjuntura. Ela traz duas novidades extraordinárias: 1) quem dita o ritmo da eleição é o eleitorado, não os marqueteiros. 2) a sucessão perdeu aquele ar de mera formalidade convocada para renovar o mandato de uma candidata imbatível. Quem quiser a poltrona de presidente terá de guerrear.

Até Marina, que parece obter votos por geração expontânea, levou à vitrine um programa de governo, expondo suas ideias, contradições e inconsistências. Aécio promote divulgar o seu na semana que vem. E Dilma talvez perceba que não basta “desconstruir” a nova rival. É preciso construir-se a si própria.

No debate desta terça, a pretexto de fustigar Marina, Dilma realçou a “governabilidade” de que dispõe a sua administração. E disse recear que um eventual governo de sua rival, sem uma base partidária no Congresso, resulte em “crise institucional”. Ficou evidente que a ficha da candidata de Lula ainda não caiu. Todos os países são difíceis de governar. Mas só o Brasil, com sua governabilidade de resultado$, tornou-se inadministrável.

-------------

Shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!




***********

Blog do Augusto Nunes

Reynaldo-BH: ‘Sabemos o que é Dilma e o que Aécio é. Marina Silva é o quê?’

O que é Marina Silva? Sabemos o que é Dilma Rousseff, o poste búlgaro. E Aécio, o hesitante que se esqueceu das montanhas de Minas. Mas e Marina? Quem é?

Uma política profissional que nasceu no partido que aproveitou o discurso da falsa ética para ser pior que qualquer outro.


Foi vereadora, deputada, senadora e ministra do PT. O mesmo PT dos ladrões presos, do líder ignorante e da presidente que não consegue ser inteligível.

Confortavelmente instalada nas salas do poder, usufruindo das benesses, deixando-se ser usada pelo desastre sociológico com nome de molusco, Marina cresceu e se transformou em uma sólida alternativa de poder nestas eleições em que até recentemente estava relegada ao segundo plano.

Se tínhamos Dilma a “muié do homi”, hoje temos a “viúva do outro”.

Agora sabemos que, após ser senadora e surpresa da últimas eleições, usou este capital político para faturar como palestrante mais de R$ 1,6 milhão de reais (média de R$ 41 mil/mês). Há algo de errado nisto? Não. Paga quem quer ouvir.

O que é profundamente hipócrita é Marina se apresentar como símbolo do “novo”, como detentora dos direitos autorais de uma “nova política” sem sequer indenizar Fernando Collor, inventor dessa derivação que parece prescindir de partidos ou da própria democracia.

Desonestidade intelectual e esperteza política indecente. Embora ainda longe do banditismo do PT, indica uma tendência preocupante.

A falsificação do que é diminui – e muito – o que Marina poderia ser. Mas nunca foi ou será.

Marina é somente uma cópia de Lula sem a mitomania e a menos valia do senhor dos postes apagados e fios desencapados.

Marina é uma Dilma que consegue não falar nada, mas alguma lógica, sem espancar a língua pátria ou defender bandido de peito aberto.

Marina preferiu o caminho mais fácil: copiar tudo que o PT prometia e jamais cumpriu. Em nome do mesmo messianismo que o filho do barril encarnou. Até porque estudou e parece não ter azia ao ler jornal, Marina serve para demonstrar quão insignificante Lula foi e Dilma é.

Para ser presidente e recuperar este país é preciso mais. Muito mais.

Adhemar de Barros tinha orgulho em ser identificado com o “rouba mas faz”!.

Marina parece confortável com “ o não rouba e não faz”.  Não roubar é obedecer à lei e evitar a cadeia! Não é privilégio de ninguém. E fazer algo que prometeu, o mínimo que se espera de quem prometeu.

A questão central é que Marina promete nuvens. E estas mudam com os ventos. E a culpa sempre será do vento. Nunca do piloto.

E assim somos impedidos de ao menos cobrar o que Marina prometeu e se comprometeu.

Até aqui ela não se comprometeu com nada. O nada é incobrável.

**********


Uma dose de Marina para o gigante, por Maria Helena RR de Sousa

Em 13 de agosto o destino interferiu e Marina Silva passou de vice a titular. Foi preciso escolher um vice.

Em 18 dias Marina e Beto Albuquerque tiveram que lidar com a dor da perda de um amigo, com reviravoltas no partido, com o início de uma campanha eleitoral pesada, e com a definição de um programa para ser entregue ao eleitor.

É de surpreender, portanto, que tenham errado apenas duas vezes, tendo que alterar o programa em menos de 24 horas.

Intelectuais ligados aos dois e coordenados por Neca Setúbal, da Rede, e Maurício Rands, do PSB, repassaram as bandeiras fiadas por Marina e Eduardo.

Neca Setúbal, que a Imprensa, maliciosa, faz questão de apresentar somente como herdeira do Banco Itaú, é socióloga, educadora e escritora.

Maurício Rands não faz parte da República dos Bacharéis: não pegou o canudo e se deu por doutor. Especializou-se em Direito do Trabalho pela Universidade de Bari, Itália, e fez mestrado e doutorado em Oxford.

Alguns pontos do programa de 250 páginas foram publicados em O Globo de 29/8. Destaquei alguns:

*Redução da importância do pré-sal na produção de combustíveis. Gostaria de lembrar que reduzir não é encerrar!

*Retomada da produção de etanol como prioridade. Pode alguém ser contra?

*Fim do controle artificial dos preços da gasolina e energia. Ótimo: precisamos sair do Reino da Fantasia.

*Manutenção do uso de hidrelétricas na produção de energia. Com os rios que temos, foi misteriosa a preferência por termoelétricas.

*Redução gradual do uso de termoelétricas. Desagradará alguns e agradará à maioria.

*Menos prioridade ao Mercosul e estabelecimento de relações comerciais bilaterais. Isso é de tal bom senso que é desnecessário comentar.

*Isenção de tributos para produtores de energia solar e eólica. Só quem não conhece nosso país pode ser contra esse estímulo à utilização da energia produzida pelo sol e pelos ventos.

*Escolas em tempo integral. Se o PT tivesse feito isso em 2003, em vez de plantar universidades como quem planta feijão, o Brasil já seria outro.

*Investimento de 10% da receita da União na Saúde. Esse ponto, naturalmente, só o Lula e os petistas graúdos contestam. Não precisam do SUS!

O Brasil está gravemente enfermo. Sua situação é crítica, não permite a manutenção do tratamento que só vem piorando o caso, nem tentativas a esmo.

Pego o frasco de PSB. O que importa, agora, é não deixar que o gigante morra. Em 2018, ele mais forte e já fora da caverna, poderemos sonhar com sua recuperação total. Aquela que ele, e nós, merecemos.

***********


Datafolha faz disparar Ibovespa. O PT se torna eternamente responsável por aqueles que hostiliza!

Lá pelas bandas do PT, não há sinais de que muita gente tenha lido “O Príncipe”. Naquela seara, não se crê muito que um governante deva ser nem amado nem temido. Eles sempre acreditaram mais na lógica dos aliados comprados. E depois passaram a se regozijar de satisfação com os próprios insucessos. Mas parece que não leram também nem aquele que era o livro das misses de antigamente, “O Pequeno Príncipe”. Como é mesmo? “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.” Toda sentença dessa natureza sempre pode ser lida pelo avesso: “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que hostilizas” — que é o mesmo que “cativar”, só que ao contrário.

Pois bem: a última pesquisa Datafolha, que trouxe Marina Silva 10 pontos à frente de Dilma no segundo turno, fez disparar o Ibovespa, o índice da Bolsa de Valores, que iniciou setembro acima de 62 mil pontos. As ações das empresas estatais — apelidadas pelo mercado de “Kit Eleição” — lideram a valorização. Não há outra explicação para a disparada que não a possibilidade de Dilma e de o PT serem derrotados na eleição do mês que vem. Até porque a bolsa de Nova York está fechada por causa do feriado do Dia do Trabalho nos EUA. Petrobras, Eletrobras e Banco do Brasil lideram a valorização.

O governo Dilma paga o preço de uma política destrambelhada no caso das estatais. De tal sorte elas foram usadas para fazer política mesquinha; de tal sorte o governo avançou sobre elas para compensar desajustes estruturais na economia; de tal sorte se atentou contra a economicidade dessas empresas, que não resta ao mercado senão pôr um preço na possibilidade de o PT ser apeado do poder. Assim como haverá um preço — e, neste caso, melhor sair de baixo — se Dilma recuperar a dianteira no processo eleitoral.

Não deixa de ser espantoso. Marina Silva divulgou seu programa. Há lá algumas boas intenções, afirmações bastante perigosas — além de erradas — sobre a democracia brasileira e considerações que chegam a ser um tanto irresponsáveis sobre a indústria. E daí? Ninguém está olhando muito para isso porque sabe, também, que programas de governo não têm assim tanta importância.

Uma coisa é certa: as pessoas que estão dando pitaco na área econômica do marinismo parecem bem menos apegadas à ideia de que uma estatal existe como quintal onde o governo pode fazer suas manobras para compensar sua incompetência técnica na gestão da economia. Caso Aécio Neves consiga tomar de Marina o segundo lugar nas pesquisas, o otimismo se deslocará para ele. O que se tem como consenso é um “não” a Dilma.

Convenham: não foi por falta de advertência que os petistas estão colhendo esse resultado. Mas o poder sempre os tornou arrogantes demais para prestar atenção a uma crítica. Ao contrário: eles tratam os críticos a pontapés e chegam a financiar uma imprensa pirata só para desmoralizá-los.

Eis aí o resultado. Nunca ninguém cobrou que o PT fosse humilde. Dele se cobrou apenas que fosse racional. Mas são prepotentes demais para ouvir a voz da razão. E se tornam, então, eternamente responsáveis por aqueles que hostilizam.


***********

Blog do Noblat

À espera de Marina, por Ricardo Noblat

Há 10 dias, você leu: “Nosso grande adversário é o PT”, como disse Aécio Neves, candidato do PSDB a presidente da República, em viagem a Dourados, Mato Grosso do Sul; agora, leia: “Nosso grande adversário é Marina Silva”, candidata a presidente pelo PSB, e que substituiu Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo. De fato, Aécio ainda não disse que Marina é sua grande adversária. Nem precisava...

Eleição surpreendente como esta só houve uma desde o restabelecimento da democracia no país em 1985.

Há quatro anos, Lula elegeu Dilma com larga folga de votos. Como estava previsto. Há oito anos, ele se reelegeu – também como estava previsto.

Foi há 12 anos, sem surpresa alguma, que Lula subiu pela primeira vez a rampa do Palácio do Planalto.

Em 1989, não. Naquele ano, mais de 20 candidatos disputaram a primeira eleição direta para presidente depois de 21 anos de ditadura.

O nome que parecia o mais forte, Ulysses Guimarães, do PMDB, amealhou menos de 5% dos votos no primeiro turno.

Os livres atiradores Fernando Collor e Lula se bateram no segundo turno. Collor venceu – sem partido, sem preparo, sem compromissos.

Foi aberta a temporada de tiro ao alvo em Marina. E a acusação mais leve que lhe fazem nas redes sociais é de que poderá vir a ser o novo Collor. Ou o novo Jânio Quadros.

Militantes do PT e do PSDB se digladiam para ver quem consegue provocar mais danos à imagem da candidata.

Jânio foi o presidente que renunciou ao mandato em agosto de 1961 depois de seis meses no cargo. Bebia muito. E era meio doido.

Renunciou para dar um golpe com o apoio dos militares e o respaldo da maioria dos eleitores. Nem conseguiu apoio nem respaldo.

Collor teve o mandato cassado pelo Congresso devido à suspeita de que se envolvera em grossa roubalheira. O que Marina tem a ver com Jânio e Collor? Por enquanto nada. E é razoável supor que nada venha a ter.

Como de Collor, diz-se que Marina chegaria à presidência sem base de sustentação no Congresso. Mas não foi por isso que Collor caiu.

O PSB de Marina é um partido de médio porte. Se eleita, ela pretende governar com “os melhores”. Nada impede que haja “melhores” em todos os partidos. E que por isso ela acabe contando com uma bancada razoável de deputados e senadores.

Marina nada tem de boba. Anunciou que governará somente quatro anos. Ainda não disse, mas o provável é que se veja tentada a ficar à margem de sua sucessão. Para dar o bom exemplo. Para evitar o uso na eleição da máquina administrativa.

Sendo assim por que o Congresso criaria dificuldades para ela? A sucessão de Marina seria deflagrada logo com dois anos de governo.

O PSDB de Aécio está pronto para anunciar seu apoio a Marina no segundo turno. A essa altura, ninguém ali, nem mesmo Aécio, acredita que Marina possa se perder pelo meio do caminho.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não esconde dos mais íntimos sua opinião favorável a que o PSDB, se convidado, ajude Marina a governar. O destino do PT será a oposição.

Por falar em PT: você viu Lula por aí?

Corre a informação de que ele não está bem de saúde. E de que só por isso participa pouco da campanha de Dilma.

Viajou com ela a alguns Estados. Gravou mensagens para a televisão. Mas nada que lhe cobrasse muito esforço. Certo? Lorota!

A saúde dele vai bem. Lula espera que Dilma suplique sua ajuda.

Dilma pensou que venceria sem dividir o palco com Lula. Arrisca-se a ser vítima de sua própria arrogância.


***********

Blog do Coronel

Hoje tem debate no SBT.

O primeiro confronto direto entre Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) após a pesquisa Datafolha que apontou as duas candidatas empatadas com 34% no primeiro turno acontecerá nesta segunda-feira (1º), às 17h45, em debate promovido por Folha, UOL, SBT e Jovem Pan. O senador Aécio Neves (PSDB), em terceiro lugar com 15% das intenções de voto, também confirmou presença.

Os presidenciáveis já estiveram frente a frente na terça (26), em debate realizado pela Rede Bandeirantes. Esta será a segunda vez que se enfrentarão e discutirão propostas em público. No evento anterior, a pesquisa mais recente era do Ibope, que mostrava Dilma com 34%, Marina com 29% e Aécio com 19% no primeiro turno das eleições.

A pesquisa Datafolha aponta um empate entre as duas candidatas e um maior distanciamento de Aécio. Para ambos os institutos, Marina venceria em um eventual segundo turno com Dilma. Além dos três principais oponentes na disputa presidencial, participarão os candidatos Pastor Everaldo (PSC), Eduardo Jorge (PV), Luciana Genro (PSOL) e Levy Fidelix (PRTB). Em cumprimento à legislação eleitoral, foram convidados os candidatos cujos partidos têm representação na Câmara dos Deputados.

TRANSMISSÃO
O evento terá mediação de Carlos Nascimento, jornalista do SBT. A duração do debate será de 1h40 minutos, divididos em quatro blocos. O debate ocorrerá nos estúdios do SBT, em Osasco (Grande São Paulo), e será restrito a convidados. A transmissão será feita na internet por Folha e UOL, na televisão pelo SBT e no rádio, pela Jovem Pan.(Folha de São Paulo)

------------

Apoio imediato de Marina ao etanol pode estar ligado à "operação abafa" da compra do jatinho de usineiros com caixa dois.

A presença de Marina Silva, alguns dias atrás, na Fenasucro, (Feira Internacional de Tecnologia e Sucroenergética), em Sertãozinho, no interior paulista , um dos maiores eventos do etanol no país, pode ser o indicativo de que o jato de Campos estava sendo pago pelo setor. Marina Silva foi até lá reafirmar os compromissos assumidos e evitar que empresários do setor revelem  as ligações perigosas entre os usineiros do jatinho caixa dois e a sua campanha.

A proposta que selou a compra, por US$ 8,5 milhões (R$ 19 milhões), do jato que caiu com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) não cita nome nem informações sobre quem adquiriu a aeronave e não foi registrada em cartório.

O documento, obtido pela Folha, traz só uma assinatura ao lado do local e data da proposta de compra (Recife, 15 de maio de 2014), o que é inusual para um negócio de quase R$ 20 milhões.O empresário pernambucano que foi apresentado pelo antigo dono do jato como o comprador, João Lyra de Mello Filho, recebeu da reportagem uma cópia do documento, mas não quis comentar se a assinatura na proposta era dele.

João Lyra é dono de uma financeira em Recife, já foi multado por lavagem de dinheiro e não tem capacidade financeira de assumir uma dívida de US$ 8,5 milhões, segundo a Cessna. O fabricante do jato recusou o nome dele para herdar o financiamento por falta de capacidade econômica. No contrato, o comprador se dispõe a pagar "todos os custos operacionais diretos e fixos da aeronave", incluindo manutenção e salários dos pilotos.

Os vendedores do jato, Alexandre e Fabrício Andrade, são os donos do grupo A. F. Andrade, de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que já teve a maior usina de álcool no país, mas está em recuperação judicial, com dívidas que somam R$ 341 milhões.

CAIXA DOIS
A ausência do nome é um indício de que o jato pode ter sido comprado com recursos de caixa dois de empresários ou do partido, segundo policiais ouvidos pela Folha. Segundo essa hipótese, o comprador não colocou o nome na proposta de compra porque sabia da suposta ilicitude do negócio.

O "Jornal Nacional" revelou na última terça-feira (26) que empresas fantasmas e uma peixaria foram usadas para fazer pagamentos no total de R$ 1,7 milhão para os donos da aeronave. O PSB tem repetido, por diversas vias, que os eventuais problemas são de quem comprou o jato, não do partido.Há também a suspeita de que a venda foi apenas uma simulação para evitar que o uso da aeronave na campanha possa caracterizar o crime de uso de táxi áereo pirata.

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) proíbe que donos de jatos o aluguem; só empresas de táxi aéreo podem prestar esse serviço, por questões de segurança. Segundo a proposta, o jato foi vendido por US$ 8,5 milhões. Na data do contrato, 15 de maio, o comprador se dispunha a pagar US$ 327,8 mil ao grupo A. F. Andrade. O grupo receberia, 15 dias depois, mais US$ 139,8 mil, de acordo com o documento obtido pela Folha.

PAPEL DE PÃO
Três advogados ouvidos pela reportagem, dois deles sob condição de que seus nomes não fossem citados, classificaram o documento de "papel de pão", gíria para designar algo sem validade. "Contrato sem o nome do comprador não tem validade jurídica. É um contrato de gaveta", disse Luciano de Souza Godoy, professor de direito civil da FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo.

O documento, segundo ele, parece até ser falso para uma compra de US$ 8,5 milhões. "Nunca vi alguém fechar um negócio desse valor com uma proposta sem o nome do comprador e sem registro em cartório", afirmou Godoy. A informalidade da linguagem sugere que o contrato não foi escrito por advogado: "Me proponho a comprar a aeronave Cessna Citation XLS+número de série 6066, prefixo PR-AFA (a aeronave') por US$ 8.500.000", registra o primeiro parágrafo.(Folha de São Paulo)

**********


Marina, a energia nuclear e os gays. Ou: Setores da imprensa criticam as bobagens menos relevantes da candidata do PSB…

O PSB lançou o seu programa de governo na sexta-feira. Trazia duas, vamos dizer, “inovações” em relação, se assim de pode dizer, ao “Marinismo Clássico”: o apoio ao desenvolvimento da energia nuclear e ao casamento gay. No capítulo dos direitos da chamada comunidade GLBT, hoje uma espécie de fetiche da imprensa dita “progressista”, a candidata prometia ainda apoio ao PLC 122 — a tal lei que criminaliza a homofobia. O texto ia adiante e dizia que o governo Marina também se comprometia com o tal Projeto de Lei da Identidade de Gênero Brasileira, de autoria dos deputados Jean Wyllys (PSOL-RJ) e Érika Kokay (PT-DF). A íntegra do texto, para os interessados, está aqui. Basicamente, o troço torna a identidade sexual de livre escolha, entenderam? Qual é o sexo do indivíduo para efeitos civis? Ele escolheria. Em que país do mundo é assim? Com essa largueza, em nenhum. Pô, se a gente tem jabuticaba e pororoca, por que não isso?

Muito bem! As coisas mudaram um pouco. Como lembrei no programa “Os Pingos nos Is”, na Jovem Pan, na sexta à noite, Marina Silva era contra o apoio ao desenvolvimento da energia nuclear. Pois é. E continua contra. Horas depois de o programa ter vindo à luz, interlocutores da candidata foram a público para divulgar a primeira errata. Não! Ela não quer dar apoio ao desenvolvido da energia nuclear. Um lembrete: Roberto Amaral, presidente do PSB, quando ministro da Ciência e Tecnologia de Lula, chegou a defender que o Brasil tivesse a bomba atômica. E como é que o programa veio a público sem a concordância de Marina? Vai saber…

Aí chegou a hora de fazer a segunda errata. Não! Marina, se eleita, não vai se comprometer com o casamento gay, mas apenas respeitar as consequências da decisão do Supremo, que equiparou as uniões civis hetero e homossexuais. Também não vai dar apoio formal ao PLC 122, a lei que criminaliza a homofobia, nem ao tal projeto sobre identidades sexuais.

Numa nota divulgada à imprensa, vazada naquela língua quase impossível falada pelo marinismo, ficamos sabendo que “em razão de falha processual na editoração, a versão do Programa de Governo divulgada pela internet até então e a que consta em alguns exemplares impressos, distribuídos aos veículos de comunicação, incorporou uma redação do referido capítulo que não contempla a mediação entre os diversos pensamentos que se dispuseram a contribuir para sua formulação e os posicionamentos de Eduardo Campos e Marina Silva a respeito da definição de políticas para a população LGBT.” Ufa!!! Ou por outra: o programa foi feito sabe-se lá por quem. Marina não concordava com ele.

Que coisa! O programa de governo de Marina faz algumas críticas à democracia que são, a meu ver, francamente obscurantistas; flerta com mecanismos pernósticos de democracia direta e, acho eu, diz coisas bastante perigosas sobre a indústria — tratarei desses assuntos em outra oportunidade. Mas só mesmo a mudança de redação do capítulo sobre os direitos da comunidade GLBT arrancou de setores da imprensa alguma crítica decepcionada. Atribui-se a alteração à religião de Marina, que pertence à Assembleia de Deus e foi, sim, criticada por muitos pastores.

Pois é… Quando há uma bolha favorável a alguém no noticiário, até a crítica funciona ao contrário, não é mesmo? Em vez de prejudicar, ajuda. De fato, todas as promessas que estavam no programa eram matéria a ser decidida pelo Congresso, não tarefa do Executivo. Uma coisa é um candidato se comprometer com o apoio genérico à causa da igualdade; outra, distinta, é entrar em minudências e garantir suporte a este ou àquele projetos em particular. Da forma como estava, com efeito, o programa de Marina mais tirava votos do que rendia adesões.

Nem entro no mérito se ela cobrou a alteração da redação pensando no eleitorado ou na sua religião. O que sei, e isto me parece claríssimo, é que a insistência da imprensa em atribuir as opiniões de Marina nessa área à sua confissão religiosa — e isso é sempre noticiado com viés negativo — mais fortalece do que enfraquece a candidata. O PLC 122 é um texto ruim e autoritário. A tal proposta sobre identidades sexuais, com a redação que tem, é uma aberração. Marina tem falado, a meu ver, bobagens estratosféricas — como aquela sobre os transgênicos. A correção do conteúdo do que ia no capítulo sobre a comunidade GLBT é um de seus acertos. Não obstante, é justamente esse o aspecto que mais lhe rendeu críticas na imprensa. Assim fica fácil demais para ela, não é mesmo?

---------------

Contrato de venda de jatinho em viajava Campos não traz nem o nome do comprador; não vale nada!

Pois é… Sabem o jatinho em que morreu Eduardo Campos e mais seis? É aquele que, segundo Beto Albuquerque, agora vice na chapa de Marina Silva, NÃO É PROBLEMA do PSB! Seria, então, de quem? A Folha teve acesso ao contrato — ou algo assim… — de venda do avião, que pertencia à AF Andrade, para um comprador. Que comprador? Não dá para saber! O nome é ilegível. Leiam trecho da reportagem de Mario Cesar Carvalho. Volto em seguida.

*
A proposta que selou a compra, por US$ 8,5 milhões (R$ 19 milhões), do jato que caiu com o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) não cita nome nem informações sobre quem adquiriu a aeronave e não foi registrada em cartório. O documento, obtido pela Folha, traz só uma assinatura ao lado do local e data da proposta de compra (Recife, 15 de maio de 2014), o que é inusual para um negócio de quase R$ 20 milhões. O empresário pernambucano que foi apresentado pelo antigo dono do jato como o comprador, João Lyra de Mello Filho, recebeu da reportagem uma cópia do documento, mas não quis comentar se a assinatura na proposta era dele. João Lyra é dono de uma financeira em Recife, já foi multado por lavagem de dinheiro e não tem capacidade financeira de assumir uma dívida de US$ 8,5 milhões, segundo a Cessna.

O fabricante do jato recusou o nome dele para herdar o financiamento por falta de capacidade econômica. No contrato, o comprador se dispõe a pagar “todos os custos operacionais diretos e fixos da aeronave”, incluindo manutenção e salários dos pilotos. Os vendedores do jato, Alexandre e Fabrício Andrade, são os donos do grupo A. F. Andrade, de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), que já teve a maior usina de álcool no país, mas está em recuperação judicial, com dívidas que somam R$ 341 milhões. A ausência do nome é um indício de que o jato pode ter sido comprado com recursos de caixa dois de empresários ou do partido, segundo policiais ouvidos pela Folha.
(…)
Três advogados ouvidos pela reportagem, dois deles sob condição de que seus nomes não fossem citados, classificaram o documento de “papel de pão”, gíria para designar algo sem validade.
(…)

Voltei
É impressionante que os dirigentes do PSB procurem fazer cara de paisagem diante de um troço como esse. Caso Marina Silva seja eleita, é claro que seu mandato já começa com um escândalo no armário — evidência escancarada da “velha política”.

Não se trata de jogar a responsabilidade do avião nas suas costas. A questão não é pessoal. Caso se eleja, ela chega ao poder com um grupo de pessoas, com quem vai dividir a gestão — ou ela vai se declarar independente do PSB também? De resto, quando Marina foi bater à porta de Eduardo Campos, foi em busca também de sua estrutura, não é? Se ela apenas quisesse participar do pleito, poderia ter escolhido uma das várias pequenas legendas que lhe ofereceram abrigo temporário.

Qualquer político estaria obrigado a explicar esse imbróglio. No caso de Marina, esse peso é ligeiramente maior porque ela aponta o dedo contra todo o processo político e o chama de “velho” e viciado. E aquele em que ela se encora hoje? É o quê?

---------------

Dilma ataca programa de Marina para a indústria e sugere que ele pode desempregar. Bem, ela está.. certa!

Às vezes, é preciso que a gente se prepare para a hipótese de a presidente Dilma Rousseff estar certa, mesmo quando fala como a candidata Dilma Rousseff. Neste domingo, ela deu uma rápida declaração no Palácio da Alvorada e se disse preocupada com o conteúdo do programa de Maria Silva para a indústria brasileira. Como Marina apareceu em primeiro lugar no segundo turno em duas pesquisas, a do Ibope a do Datafolha, confesso que eu também me preocupei. Vai que ela se eleja. Não sei bem o que pode sair.

Muito bem! Mais de uma vez já critiquei aqui a alta carga tributária brasileira, que convive, não obstante, com desonerações concedidas a este ou àquele setores. Sei que a tarefa não é fácil e a resposta não é simples, mas melhor seria uma carga média mais baixa sem precisar escolher este ou aquele para conceder um prêmio. Mas é evidente que entendo que o governo brasileiro — a exemplo do que fazem todos — pode e deve criar mecanismos para dar incentivo à sua indústria. Ou por outra: uma política industrial é, sim, necessária: porque o setor gera os melhores empregos, os mais bem remunerados e porque isso implica desenvolvimento de tecnologia. A perda de competitividade da indústria e sua queda na participação do PIB são, sim, problemas graves. Quem tiver dúvidas a respeito que pergunte ao resto do mundo, em especial à China.

O programa de Marina diz coisas estranhas em pelo menos dois momentos. No “Eixo 5”, pomposamente intitulado de “Novo Urbanismo, Segurança Pública e Pacto Pela Vida”, critica severamente a redução de IPI para a compra de carros. Com a devida vênia, é papo de ongueiro natureba. Esperem aí! A indústria automobilística emprega mais de 130 mil pessoas; a de autopeças, quase 330 mil; a de pneus, 26 mil. Quando se calculam os empregos indiretos, chegamos facilmente a alguns milhões. O governo Dilma cometeu muitas barbeiragens — e a redução de IPI não foi uma delas.

Na chamado Eixo 2, na página 73, o programa de Marina critica a forma como se dá a política de proteção ao conteúdo local de determinados setores da indústria, mas não diz exatamente o que pretende fazer, limitando se a afirmar que tal iniciativa deve ter um tempo limitado e constituir exceções, não a regra. E ponto.

O PT percebeu a fragilidade das formulações do programa de Marina e aproveitou para atacar: “Eu não fui eleita para desempregar ou para reduzir a importância da indústria”. E emendou: “Nós não queremos que os carros sejam só montados no Brasil. Eles podem ser produzidos no Brasil, mas, sobretudo, sofrer no Brasil as inovações que são fundamentais na indústria”.

Pois é… Fazer o quê? De vez em quando, Dilma pode estar certa. Nesse caso, está. Qualquer presidente em seu lugar — e, antes dela, no de Lula — teria reduzido os impostos dos carros para manter os empregos. Se presidente, Marina teria feito o quê? Um retiro espiritual para meditar sobre o assunto? “Você não acha penoso, Reinaldo, ter de admitir que, em certos casos, Dilma fez a coisa certa?” Eu não! Já havia dito isso antes. Tenho compromisso com os fatos. E só.

----------------

Não vamos arrochar salários nem assassinar velhinhas

Érica Fraga e Mariana Carneiro, na Folha:
“Nomeado” futuro ministro da Fazenda, caso Aécio Neves (PSDB) vença a eleição, Arminio Fraga, 57, reclama do aparente patrulhamento, na sua opinião, do atual debate sobre problemas econômicos. Ele diz que precisa “fazer um discurso” antes de tratar de temas relevantes, como o reajuste do salário mínimo e as mudanças na previdência. “Senão, você é acusado de ser assassino de velhinhas, o que obviamente não é o caso.” Falar da discussão muda a fisionomia do (quase sempre pacato) economista: “Eu tenho que fazer um preâmbulo. Se não, imediatamente, o PT vai falar: Eles vão arrochar os salários, arrochar os aposentados’”, afirmou. Nesta entrevista à Folha, Arminio fala sobre uma das bases de maior apoio político de Aécio: a diminuição da oferta de empréstimos do BNDES. “O empresariado tem que se engajar numa posição mais moderna.” Para ele, sua “nomeação”, sozinha, não representa um choque de confiança. “Arminio Fraga não resolve nada.”

Folha – Se Aécio Neves vencer, qual será a regra de reajuste do salário mínimo?
Arminio Fraga - O Aécio já declarou que a política de aumento real do salário mínimo continua. A regra, no mínimo, vale por um ano e a essa altura não vejo por que mudar –a preocupação é que ele [o reajuste] fique até baixo neste momento.
Eu disse, e fui mal interpretado, que os salários em geral tinham subido muito, e que para continuar a subir, o que é totalmente desejável e alcançável, o Brasil teria que mostrar também um crescimento da produtividade. Como acredito que, com Aécio, os salários vão subir, sinceramente, não tenho problema com essa fórmula.

Economistas próximos do sr. dizem que a regra atual onera a Previdência e desequilibra as contas do governo.
O papel de um futuro ministro da Fazenda não é tanto ter uma opinião a respeito disso, mas mostrar qual é o orçamento e qual é a tendência no médio prazo. Eu acho que isso está fazendo falta, o Brasil está voando no escuro, em um ambiente de um populismo exacerbado.

Vocês são críticos à atuação do BNDES, mas o banco oferece crédito barato para parte do empresariado. Como dizer para eles que isso tem de mudar?
O empresariado hoje entende que esse mercado de crédito dual, onde alguns privilegiados recebem crédito e a maioria não recebe, não é bom. Indiretamente põe pressão no juro, tem implicações distributivas perversas e, no fundo, existe porque outras coisas não estão funcionando.
Se outras coisas forem postas para funcionar, todo esse aparato de UTI pode ser removido. Fazer uma reforma tributária que desonere a exportação, o investimento, simplifique o sistema [tributário], tem um impacto enorme. Mobilizar capital para infraestrutura e arrumar a casa para ter um juro mais baixo para todo mundo tem um impacto enorme também.

Essas políticas, não só o crédito subsidiado, mas muitas das desonerações e do aparato protecionista, não são a resposta ideal.
À medida que se possa corrigir essas falhas, será possível desfazer esse caminho que não está dando certo. Alguém acha que a indústria no Brasil está indo bem, com todo esse crédito, subsídio e proteções?

Um ajuste fiscal envolveria cortar quais gastos?
A sociedade tem que fazer opções. O nosso papel é colocar essa discussão na mesa, de uma maneira que ela possa ser concluída com mais consciência dos custos e benefícios e quais são os efeitos do ponto de vista do crescimento, da distribuição de renda. Há um imenso espaço para fazer políticas que teriam impacto redistributivo relevante. O caminho a seguir foi mapeado pelo FHC. Ele tomou a decisão de delegar áreas que naquele momento faziam parte do governo para o setor privado, sob supervisão, para focar em saúde e educação. Foi um pacto extraordinário. Essa discussão tem que ser permanente.

O sr. falou em tirar subsídios e focar na redução da desigualdade. Como os empresários reagiriam?
Eles temem que a correção dos fundamentos [da economia] não ocorra e eles fiquem no pior dos mundos. Mas acho que o empresariado tem de se engajar numa posição mais moderna. O melhor exemplo é o Pedro Passos [sócio da Natura e colunista da Folha], que com muita coragem está quebrando todos os tabus e defendendo posições muito parecidas com essas. Acho que esse esgotamento do modelo já é entendido pela maioria. Ninguém gosta de ficar indo a Brasília negociar alguma coisa. Mesmo os que se beneficiavam mais disso estão vendo o Brasil parando.
Eu tenho a convicção de que arrumar a casa, fazendo ajustes, vai gerar crescimento. A recessão já chegou.
(…)

Por que a independência do Banco Central não é bandeira do PSDB?
Esse é um tema antigo e polêmico dentro do PSDB. O partido sempre gostou da ideia de dar autonomia ao Banco Central, mas com algum mecanismo de proteção em relação a problemas extremos, como o Banco Central trabalhar mal. O Aécio deixou claro que vai dar a chamada autonomia operacional ao Banco Central e não está fechado discutir a lei.
(…)

O sr. participaria de um eventual governo Marina Silva?
Estou discutindo esses temas com Aécio há quase dois anos e acredito que ele é o caminho. Eu não vou. Não pretendo ir se não for com ele.

************


Aliados culpam Dilma por dificuldades

Um cacique do pedaço do PMDB ainda leal ao governo diz que ficou muito fácil reconhecer em qualquer roda um político da coligação encabeçada por Dilma Rousseff. É o que estiver falando mal de Dilma, ele explica. As críticas aumentam na proporção direta da elevação do risco de derrota.

Por enquanto, o burburinho soa apenas atrás das portas. Na pior hipótese, Dilma terá tinta na caneta até 31 de dezembro, explica um membro do diretório nacional do PT. Mas, confirmando-se a derrota, petistas e aliados culparão Dilma quando puderem falar sobre 2014 sem medo de perder cargos, verbas e privilégios.

Levada no embrulho do desejo de mudança que as pesquisas farejam, Dilma é bombardeada até por seu estilo. Tornou-se mais difícil encontrar um apologista da presidente disposto a repetir a teoria da “firmeza” —aquela segundo a qual Dilma lida mal com questionamentos porque tem convicções sólidas.

No atacado, seus críticos a acusam de autossuficiência, teimosia e inépcia. Ela só chama os partidos que a apoiam para conversar na hora que o calo lhe aperta, afirma um senador governista. A conversa não flui, ele realça. O diálogo só é considerado bom quando ela obriga o interlocutor a calar a boca.

O senador resume: os empresários não confiam na Dilma, os políticos a detestam e os ministros têm medo dela. Quem desconfia não investe. Quem odeia não faz campanha. E quem teme só diz ‘sim senhora’! Como resultado, tem-se a combinação de PIB baixo com inflação alta, desânimo político e inação.

Curiosamente, os governistas isentam Lula de responsabilidade. Foi graças ao apoio dele que Dilma amanheceu um belo dia presidente. Mas os críticos da afilhada alegam que ela está em apuros porque fez ouvidos moucos para os pitacos do padrinho. Nessa versão, Lula engrossa, em privado, a sinfonia de críticas.

Confirmando-se o pior, Dilma será apresentada à adaptação de um velho axioma da política. Diz-se que a vitória tem muitos pais, mas a derrota é órfã. No caso de Dilma, o eventual insucesso virá acompanhado de uma subversão da máxima. Confirmando-se o pior —ou melhor, conforme o ponto de vista— Dilma será vista por seus pseudo-apoiadores como pai e mãe da própria derrota.

--------------

TPM, Tensão Pós-Marina!


***********


Partidos nanicos têm candidatos com menos escolaridade
Felipe Frazão e Eduardo Gonçalves, Veja

Há uma série de diferenças entre a classe política nacional e os eleitores brasileiros – mas elas estão se tornando menores. Uma delas é a discrepância, ainda elevada, de escolaridade dos políticos em relação às médias do país. E o peso que os partidos nanicos possuem na fatia dos candidatos com menos escolaridade. Na prática, pequenas siglas servem como porta de entrada para eles – os candidatos que completaram apenas o ensino médio constituem o maior grupo nesses partidos.

Neste ano, os partidos escolheram 45% de seus representantes para disputas eleitorais entre os diplomados com grau superior e 30% entre os que passaram pela escola, mas não chegaram à universidade. A distância entre as duas principais classificações dos candidatos, com base no critério de escolaridade, diminuiu em 2014.

----------------

Aécio Neves mira críticas a Dilma e diz que o PT deixará o poder
Alexandre Rodrigues, O Globo

Em busca de uma reviravolta nas pesquisas, o senador Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República, passou a tarde de domingo no centro de futebol do ex-jogador do Flamengo e da Seleção Brasileira Zico, na Zona Oeste do Rio. Aécio participou de um jogo de futebol com ex-atletas e artistas que apóiam a sua candidatura e assinou uma carta com compromissos com políticas de popularização e profissionalização do esporte.

Antes de entrar no gramado, Aécio disse que a principal interpretação das pesquisas de intenção de voto é a de que o governo da presidente Dilma Rousseff não será reeleito e o PT deixará o poder. Sobre a sua posição em terceiro lugar nas sondagens, atrás de Marina Silva (PSB), empatada com Dilma em primeiro, ele disse que ainda há tempo de os brasileiros compararem os projetos políticos alternativos antes da escolha definitiva.

--------------

Dilma afirma que Marina irá desempregar
Fernanda Krakovics, O Globo

A presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição, convocou a imprensa ontem para dizer que a proposta de governo de sua principal adversária no momento, a candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, significa redução de emprego e é prejudicial à indústria nacional.

“Eu li o programa de governo da candidata e vi propostas que me deram muita preocupação em relação ao emprego e à indústria nacional”, afirmou a presidente, que não respondeu a perguntas. Dilma ressaltou a política de conteúdo nacional de seu governo, principalmente para a indústria naval, e disse que os empregos no setor subiram de 2.500 vagas no ano 2000 para 81 mil em julho deste ano.

-----------

Candidata surpresa, Marina é vítima de suas próprias contradições
Antônio Jiménez Barca, El País

A campanha eleitoral brasileira, cada vez mais acelerada, vertiginosa e hipnótica, gira quase exclusivamente em torno da candidata surpresa, Marina Silva, que assumiu o cargo depois da morte, em 13 de agosto, do candidato oficial do Partido Socialista do Brasil (PSB), Eduardo Campos, em um acidente de avião que mexeu com o país de cima a baixo e revolucionou tudo.

Desde então, Silva, uma carismática ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, alfabetizada aos 16 anos, sobe progressivamente nas pesquisas, como uma flecha, sem que, por enquanto, se veja o seu teto: na última sondagem, publicada na última sexta-feira, empatava no primeiro turno com a presidenta Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), e superava a atual mandatária no segundo e definitivo por uma margem de dez pontos.

-------------

A esperança em um saquinho de terra
Beatriz Borges, El País

Antes mesmo de que o sol raiasse, o dia dos acampados da Copa do Povo, na zona leste de São Paulo, já tinha cor e sentimento. Cor vermelha, das camisetas e bandeiras, da luta do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e dos olhos chorosos de quem vai sentir saudade. O sentimento era de tristeza pelas despedidas, mas também de felicidade de quem está mais perto de alcançar a casa própria.

Durante quatro meses, essas cerca de 4.000 famílias compartilharam o que tinham – a esperança e o apoio mútuo – e o que não tinham também. Hoje se ajudam com a desmontagem dos barracos e a retirada de entulho, com dois caminhões cedidos pela subprefeitura de Itaquera. O espaço sem barracas dará lugar a prédios de moradia popular.

---------------

Diversificar é a chave para reduzir risco dos investimentos
Renan Setti, O Globo

A corrida eleitoral relegou a segundo plano a influência de notícias econômicas sobre várias ações da Bolsa. Desde que a disputa esquentou, empresas importantes, como Petrobras e distribuidoras de energia, reagem mais a pesquisas de intenção de voto do que ao último número do PIB, por exemplo, dificultando a vida de quem aposta nesse mercado.

Devido à hipersensibilidade política, esses papéis têm tido seu ano mais volátil desde a eclosão da crise global. Mas especialistas afirmam que, com a estratégia correta, é possível ter ganhos na Bolsa sem abrir mão da segurança. A volatilidade, que mede quão intensa é a oscilação na cotação de uma companhia, é um dos indicadores mais usados para avaliar o risco do investimento.

--------------

Fundo abutre mira em bens da filha caçula de Cristina Kirchner
O Globo

O fundo abutre NML Capital, do megainvestidor Paul Singer, ampliou seu raio de ação na guerra que trava com o governo argentino em torno do calote dos bônus soberanos do país em 2001.

Depois de avançar contra Lázaro Báez e YPF na Justiça americana e investigar o empresário Cristóbal López e até o Banco da China, agora seus disparos vão direto ao coração presidencial: buscam no exterior ativos de Florencia Kirchner, a filha caçula da presidente Cristina Kirchner.

--------------

Putin diz que Ucrânia deve negociar com separatistas
Estadão

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu ao governo ucraniano que inicie conversações sobre a “condição de Estado” da região leste e sudeste da Ucrânia, em meio a confrontos das forças ucranianas e rebeldes separatistas pró-Rússia. Putin adotou expressão vaga e provocativa ao insistir que o governo ucraniano deve negociar diretamente com os rebeldes.

Governos ocidentais acusam a Rússia de apoiar os separatistas com armas e de enviar soldados russos para conduzirem uma contraofensiva na Ucrânia em Mariupol, uma importante cidade portuária, que está sob a mira dos rebeldes.

-------------

Forças iraquianas e milícias xiitas rompem cerco do Estado Islâmico
El País

O Exército do Iraque e as milícias de apoio xiitas conseguiram romper ontem o cerco em Amerli, a cidade iraquiana sitiada pelo Estado Islâmico desde meados de junho. A operação contou com o apoio da artilharia curda e de aviões norte-americanos, que durante a madrugada bombardearam posições do grupo jihadista nas aldeias em torno da localidade e lançaram água e comida para seus habitantes.

“Finalmente reabriram a estrada”, comemorava do outro lado do telefone uma animada dentista, Ghaber Khaldun. Ela, que durante os 75 dias de perseguição viu dois meninos morrerem atingidos por um dos múltiplos ataques de morteiros dos extremistas, contava ao que os soldados patrulhavam as ruas de Amerli, mas ainda não havia sido restabelecido o abastecimento de água, nem de eletricidade.


**********

Blog do Rodrigo Constantino

A ganância dos ungidos abnegados. Ou: Marina, a milionária

Confesso ao leitor: não sou uma pessoa incrível. Ao menos não quando sou obrigado a me comparar com seres fantásticos que habitam nossa esquerda política. Sou acusado – com razão – de ser um liberal e, portanto, um ser individualista e até, cruzes!, ganancioso. Mea culpa. Penso no meu bem-estar e no de minha família antes de pensar na situação do pobre garoto acriano que desconheço, quiçá no menino miserável indiano ou nas baleias em risco de extinção.

Sim, é verdade que luto com afinco para tentar melhorar o Brasil, que me esforço para apresentar uma alternativa liberal, uma agenda de reformas que, estou certo, ajudariam milhões de brasileiros. Esse blog, com vários textos diários, inclusive nos fins de semana, prova isso. Mas não tenho a pretensão de “salvar o mundo” ou de criar “um mundo melhor”, daqueles totalmente revolucionados em que a maldade, o preconceito e a pobreza não mais existem, um mundo igualitário como o paraíso socialista. Tenho metas mais modestas.

E Deus sabe que, apesar de minha ganância por querer melhorar também a minha vida e a de minha família, já aceitei fazer inúmeras palestras gratuitas Brasil afora. A causa liberal foi, nesses vários casos, colocada acima dos meus próprios interesses imediatos ou pecuniários. A troca do carro pode esperar. Aquela viagem prometida fica para depois. Há muito em jogo. O futuro de minha filha corre perigo em um país cuja democracia está ameaçada. E por aí vai minha racionalização.

Fiz todo esse arrazoado para chegar à notícia que estampa a capa da Folha hoje: Marina ganhou R$ 1,6 milhão com palestras em três anos. O mistério está desfeito. Ninguém sabia como ela se sustentava direito. Está explicado, ainda que parcialmente, pois os nomes das empresas e o cachê por palestra não foram relevados. Podemos inferir que cobra mais de R$ 20 mil por palestra, pois foram 72 no total, segundo a reportagem:

Em pouco mais de três anos, Marina diz que assinou 65 contratos e fez 72 palestras remuneradas. Ela se recusa a identificar os nomes das empresas e das entidades que pagaram para ouvi-la, alegando que os contratos têm cláusulas de confidencialidade.

No ano passado, a própria Marina pediu a entidades que a tinham contratado para não divulgar seu cachê, como a Folha informou em outubro.

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso, que também cobram por palestras desde que deixaram o cargo, mantêm igualmente em segredo os valores que recebem e a identidade dos clientes.

O faturamento bruto da empresa de Marina lhe rendeu, em média, R$ 41 mil mensais. O valor é mais que o dobro dos R$ 16,5 mil que ela recebia como senadora no fim de seu mandato, em 2010.

Diante dos valores cobrados por Lula, que chegam às centenas de milhares por uma mísera palestra, até que Marina é mais comedida. Talvez porque ela ainda não foi presidente. Mas é realmente impressionante como a esquerda ungida e abnegada, que só pensa nos pobres e em salvar o mundo, do café da manhã à hora de dormir, fatura alto.

Alguém mais cético poderia até suspeitar de… ganância! Mas não é nada disso. É que até um revolucionário altruísta precisa sobreviver, como outro especialista em palestras justificou. Falo de Pimentel, candidato ao governo de Minas Gerais pelo PT, que arrecadou R$ 2 milhões em “palestras” que ninguém viu. Ei, quem luta tanto pelos mais pobres tem direito a um pouco de conforto, não é mesmo?

Marina, associada pelo eleitor aos mais pobres, ainda que financiada pela bilionária herdeira do Itaú e o bilionário dono da Natura, também precisava se sustentar nesse período longe do governo. Sim, é verdade que seu marido ganhava bem no governo petista do Acre. Mas ela é uma mulher moderna e independente, e tem direito à sua própria remuneração. Pouco mais de R$ 40 mil mensais, porque ninguém é de ferro, e todos temos obrigações no cotidiano.

Thomas Sowell diz que não compreende porque é ganância querer preservar o próprio dinheiro, mas não é ganância desejar avançar sobre o dinheiro dos outros, como propõem todos os políticos de esquerda. Sowell pode ser muito inteligente, mas não entendeu o mundo direito. Ganância não tem nada a ver com o acúmulo desenfreado de riqueza; mas sim com a postura ideológica.

Se o sujeito cobra milhares de reais só para uma rápida palestra, se faz consultorias milionárias, se importa tecido do Egito ou demanda jatinho particular para sua locomoção, como faz Lula, mas preserva um discurso em prol dos pobres, pregando mais estado que, por ironia, vai ter de cobrar mais impostos que punem os pobres, ele é um ungido abnegado.

Agora, se o sujeito faz palestras gratuitas, fica na fila para pegar um voo na classe econômica e mantém seu carro ano 2007, mas adota um discurso liberal que prega menos concentração de poder no estado, então claro que ele é um ganancioso egoísta, lacaio do capital, que só pensa em ficar rico. Entendeu, Sowell?

*********


Transmarina e a “zelite”
RUTH DE AQUINO

"O problema do Brasil não é sua elite, mas a falta de elite. Não tenho preconceito contra a condição econômica e social de quem quer que seja. Quero combater essa visão de apartar o Brasil, de combater a elite. Essa visão tacanha de combater as pessoas com rótulo. Precisamos fazer o debate envolvendo ideias, empresários, trabalhadores, juventudes, empreendedores sociais. Com pessoas de bem de todos os setores, honestas e competentes.”

Essa resposta desconcertante de Marina Silva no debate  da Band entre os candidatos à Presidência mostra que Dilma Rousseff e Aécio Neves terão de dar um duro danado para dinamitar – ou “desconstruir” – a rival.

O Brasil do PT tem reforçado o maniqueísmo entre pobres e ricos, ou “proletariado” e “burguesia”, expressões caras da esquerda caviar-champanhe. Como se os pobres fossem todos bons, puros, generosos e vítimas – e os ricos fossem todos safados, cruéis, desnaturados e bandidos. Em nosso país, quem ganha mais de seis salários mínimos é rico.

Nos últimos tempos, sobrou fel até para a classe média. Vimos com espanto o vídeo com o discurso histérico da filósofa da USP Marilena Chauí no ano passado. Era uma festa do PT para lançar o livro 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma. “Odeio a classe média”, afirmou Chauí, sob aplausos, risos e “u-hus” da plateia. “A classe média é o atraso de vida. A classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante. Petulante, arrogante, terrorista.” Presente no palco, Lula ria e aplaudia a companheira radical petista, embora dificilmente concordasse. “A classe média é uma abominação política porque é fascista. É uma abominação ética porque é violenta”, afirmou Chauí, fundadora do PT e adepta da luta de classes.

É uma luta que Marina considera antiquada e ruim para o país. Sua ideia de elite é outra: quem se sobressai no que faz, quem inspira e lidera. Neca Setubal, socióloga, educadora, autora de mais de dez livros, defensora do desenvolvimento sustentável e herdeira do banco Itaú, é o braço direito de Marina. Com seu discurso de união e um plano de governo de 244 páginas, costurado com Eduardo Campos, Marina ameaça tornar-se presidente do Brasil, segundo as pesquisas de intenção de voto.

Ela não passa de uma amadora, diz Aécio Neves. Marina responde: “Melhor ser amador do sonho que profissional das escolhas erradas”. Ela faz uma campanha da mentira, afirma Dilma. “Mentira”, responde Marina, “é dizer que os adversários não estão comprometidos com políticas sociais”.

Marina virou o sujeito da mudança. Colhe em sua rede indecisos, revoltados, idealistas, anarquistas e também aecistas e dilmistas. Isso não é elogio, só a constatação de um fato provado em pesquisas. Os “marineiros” são um caldeirão de eleitores de diversas ideologias, ou avessos a pregações ideológicas. Quando Marina diz que “a polarização PT-PSDB já deu o que tinha que dar”, ou que “o Brasil não precisa de um gerente, mas de um presidente com visão estratégica”, isso bate forte em milhões de brasileiros de todas as idades.

Marina não tem resposta para uma enormidade de questões – entre elas, como a “nova política” poderá ser diferente da “velha política”, se concessões e alianças são essenciais para aprovar reformas, governar o país e transformar em realidade seus sonhos. Marina tem convicções pessoais que precisará reavaliar ou abandonar se quiser mesmo colocar o país nos trilhos do futuro, abraçar as novas famílias e os estudos de células-tronco.

Mas seu discurso de grandes linhas, abstrato e utópico, empolga e atrai. Os adversários a ajudam. De um lado, temos o desfile chato, emburrado e claudicante de percentagens e estatísticas infladas. Do outro, um rosário sorridente de êxitos discutíveis em Minas Gerais.
Nos Estados Unidos, Barack Obama ganhou uma eleição no discurso, na oratória, no simbolismo – não no preparo ou na experiência administrativa. Guardadas as proporções, Marina busca o mesmo.

Nas redes sociais, a ascensão de Marina provocou uma campanha de ódio e ironias. Ela foi chamada de “segunda via do PSDB” – porque defendeu a estabilidade iniciada por Fernando Henrique Cardoso e porque os tucanos votariam nela, jamais em Dilma, num confronto direto. Chamaram Marina de “segunda via do PT” – porque defendeu a política de inclusão social de Lula. Traíra, oportunista e coisas piores. Fizeram uma montagem de seu rosto com o corpo nu da mulata Globeleza. Disseram que ela tem “cara de macaco”. Um show de racismo e de pânico.

Os arautos à esquerda e à direita a chamam de “novo Collor” ou de “Jânio de saias”. A Transmarina, ao acolher a “zelite” do bem, veio para confundir. E incendiar uma eleição antes morna, entediante e previsível.

***********


Riscos do uso do Estado para a reeleição
Editorial do O Globo

Em uma democracia longeva e sólida como a americana, o presidente pode se candidatar à reeleição e manter-se na Casa Branca, sem patrocinar escândalos sobre o uso da máquina do Estado na campanha. Não apenas há uma arraigada cultura de obediência às regras do jogo, como os desvios são punidos sem tergiversações.

O Brasil fez bem ao copiar o modelo americano de dois mandatos consecutivos de quatro anos cada. Na prática, é como se fosse um mandato possível de oito anos, com a chance de interrupção, à vontade do eleitor, passados os quatro primeiros.

Campanha com candidato no Planalto e no Alvorada, porém, tem criado, nos últimos tempos, várias situações em que a oposição recorre à Justiça Eleitoral, com denúncias do uso de prerrogativas do cargo de presidente com fins eleitorais.

Na reeleição de Lula, em 2006, foi notória a antecipação da campanha pelo presidente. O mesmo ocorreu na candidatura de Dilma Rousseff, em 2010, e desvios se repetem em 2014. Registrem-se, por exemplo, discutíveis convocações de rede nacional para pronunciamentos oficiais de suposto interesse geral, mas que eram, na verdade, atos de cunho eleitoral.

O chamado “efeito Marina”, deflagrado com a morte de Eduardo Campos e a passagem para a cabeça da chapa do PSB da idealizadora da Rede, abala, como era previsível, as candidaturas de Dilma e Aécio Neves. Cada um deles terá de reagir à ameaça representada por Marina Silva, por óbvio. O perigo está na forma como a candidata à reeleição e seu partido, o PT, tratarão de combater a candidata do PSB. E as primeiras notícias sobre movimentações na campanha petista são preocupantes.

Logo na noite do primeiro debate, na Bandeirantes, terça-feira, já conhecida a pesquisa do Ibope em que o destaque foi Marina, a coordenação da campanha de Dilma fez a descabida convocação de uma reunião com secretários executivos e secretários nacionais dos ministérios, para pedir-lhes empenho no apoio ao projeto da reeleição.

Há, nisso, um gritante desvio de função, o indiscutível uso de funções públicas no trabalho privado a favor de uma campanha política. Não importa se da presidente da República. Ela é tão candidata quanto todos, e nenhum pode ter privilégios.

O encontro foi conduzido por Cezar Alvarez, responsável pela articulação da campanha com estados e municípios, e dele participou até o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência.

Os secretários em geral tocam o cotidiano dos ministérios. Convertê-los em cabos eleitorais é transferir parte da máquina pública para o palanque de Dilma, estridente crime eleitoral e ato de assustador patrimonialismo.

É conhecida a prática aparelhista do PT, a sua capacidade de se infiltrar no Estado. Mas esta manobra, embora não surpreenda, é de espantosa ousadia.

*********


A aposta

                A campanha de Aécio Neves acredita que fatos novos podem recolocar o tucano no jogo. A delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e a história dos aviões que serviam a Eduardo Campos podem levar a nova reviravolta. A crença é que teriam potencial para desestabilizar a presidente Dilma e Marina Silva. A palavra de ordem é resistir, porque a eleição não será amanhã, nem a campanha, um mar de rosas.

De olho na crise
A deterioração da economia será mantida como tema central do discurso de Aécio Neves. O tucano vai continuar batendo nos erros de gestão do governo Dilma. Um dos dirigentes políticos de sua candidatura afirma que o combate à ascensão de Marina Silva não pode levar o tucano a mudar sua narrativa eleitoral. Os aliados dizem que é preciso manter a coerência, acreditando que os eleitores vão acordar. Eles consideram que a evolução da crise econômica os obrigará a refletir sobre quem levou o país a essa situação, quem é capaz de vencer as dificuldades e qual o melhor caminho a seguir. Mesmo que haja pessimismo entre os seus, os assessores do candidato garantem que Aécio está sereno. Mas já há quem defenda que se parta para o tudo ou nada.

“O PT e o PSDB não vão ficar passivos, vendo a nova política desfilar”

Marcus Pestana
Deputado federal (PSDB-MG)

O Nordeste segundo o DEM
O DEM apostava no crescimento de Aécio Neves no Nordeste. Mas depois de Marina Silva entrar na disputa, seus líderes concluíram que ela entraria na região onde Eduardo Campos não conseguia entrar, fulminando o tucano.

Apoio no Congresso

A falta de apoio partidário é apontada como fragilidade de Marina Silva. O drama não é novo. O presidente Fernando Collor (foto) elegeu 50 deputados em 1990. FH, elegeu 214, mas foi atrás de novos aliados para reformar a economia. Nos seus mandatos, Lula fez bancadas de 160 deputados. Mas no mensalão teve que buscar novos aliados. A Câmara tem 513 deputados.

Governo sem maioria
Coordenador da campanha de Marina, o deputado Walter Feldman minimiza a falta de maioria parlamentar. “Vivi isso. Fui líder do governo Covas. A Assembleia apoiou as reformas”, conta. Covas (PSDB) elegeu 22 de 94 deputados.

Fonte da juventude
Aos 84 anos, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) tinha decidido não concorrer à reeleição. Com Marina Silva, ele tirou o pijama e decidiu ir à luta. A candidata já tinha recebido seu apoio no pleito de 2010 contra a presidente Dilma. Simon vai turbinar seu programa de TV com Marina. Seu time diz que a eleição caiu no colo dele.

Toque local
A equipe de Ana Amélia, candidata ao governo do Rio Grande do Sul, está usando o Whatsapp para receber sugestões para o programa de governo. Batizou o canal de "Watchêsapp", incorporando o “tchê” dos gaúchos ao nome do aplicativo.

Mambembe
A Secretaria de Aviação Civil comprou caminhões de combate a incêndio para aeroportos isolados. Alguns quase fecham por falta do item. Em Tabatinga (AM), fronteira com o Peru, o frete do caminhão levou 28 dias, entre estradas e rios.

O setor portuário (ABTP) tem 10 propostas para os presidenciáveis. Uma operação de carga depende hoje de até 26 órgãos fiscais e de 930 documentos.


***********

Blog do Noblat

As Bolsas Plebiscito de Dilma e Marina
Elio Gaspari, O Globo

Marina Silva merece todos os aplausos. Anunciou em seu programa o que pretende fazer se for eleita. Ela quer criar uma "democracia de alta intensidade". O que é isso, não se sabe. Lendo-a vê-se que, sob o guarda-chuva de uma expressão bonita — “democracia direta” — deseja uma nova ordem constitucional.

Apontando mazelas do sistema eleitoral vigente, propõe outro, plebiscitário, com coisas assim: “Os instrumentos de participação — mecanismos de participação da democracia representativa, como plebiscitos e consultas populares, conselhos sociais ou de gestão de políticas públicas, orçamento democrático, conferências temáticas e de segmentos específicos — se destinam a melhorar a qualidade da democracia”.

Marina parte da premissa de que “o atual modelo de democracia (está) em evidente crise". Falta provar que esteja em crise evidente uma democracia na qual elegeu-se senadora, foi ministra e, em poucas semanas, tornou-se virtual favorita numa eleição presidencial.

Ela diz que nesse país em crise “a representação não se dá de forma equilibrada, excluindo grupos inteiros de cidadãos, como indígenas, negros, quilombolas e mulheres”. Isso numa eleição que, hoje, as duas favoritas são mulheres, uma delas autodefinida como negra.

Marina quer “democratizar a democracia”. O jogo de palavras é belo, mas é sempre bom lembrar que na noite de 13 de dezembro de 1968, quando os ministros do marechal Costa e Silva aprovaram a edição do Ato Institucional nº 5, a democracia foi exaltada 19 vezes. Deu numa ditadura de dez anos e 18 dias. A candidata, com sua biografia, é produto da ordem democrática. Ela nunca a ofendeu, mas seu programa vê no Congresso um estorvo. Se o PT apresentasse um programa desses, a doutora Dilma seria crucificada de cabeça para baixo.

Marina não está sozinha com seu projeto de reestruturação plebiscitária. Durante o debate da Band, Aécio Neves criticou a proposta de Dilma de realizar uma reforma política por meio de um plebiscito, rotulando-a de “bolivariana”, numa alusão às mudanças de Hugo Chávez na Venezuela. Ela respondeu o seguinte: “Se plebiscitos forem instrumentos bolivarianos, então a Califórnia pratica o bolivarianismo”.

Que todos os santos de Roma e d’África protejam a doutora. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Desde janeiro de 2010, a Califórnia fez 338 plebiscitos e aprovou 112 iniciativas. O mais famoso deles ocorreu em 1978 e tratava do congelamento do imposto sobre propriedades, associado à exigência de dois terços das assembleias estaduais para aprovar aumento de impostos.

Tratava-se de responder “sim” ou “não”. Deu 65% a 35% e atribui-se a esse episódio um dos maiores sinais do renascimento do conservadorismo americano (em 1980-1981 Ronald Reagan foi eleito presidente dos Estados Unidos.)

No Brasil já se realizaram três grandes plebiscitos. Em 1963 e 1993, o povo escolheu entre parlamentarismo e presidencialismo. Ganhou o presidencialismo. Em 2005, a urna perguntava: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?” O “não” teve 64% dos votos.

A sério, um plebiscito é simples: “sim” ou “não”? “Parlamentarismo” ou “presidencialismo”? Essa é uma prática da democracia direta, porque é simples.

A proposta de encaminhamento plebiscitário de uma reforma política só não é bolivariana porque vem a ser um truque muito mais velho que a bagunça venezuelana. Em 1934, Benito Mussolini fez a reforma política dos sonhos dos comissariados. Os eleitores recebiam uma lista de nomes com a composição do Parlamento e podiam votar “sim” ou “não”. Il Duce levou por 99,84% a 0,15%.

A República brasileira não está em crise, pelo contrário. Seus poderes Executivo e Legislativo serão renovados numa eleição em que Marina vê vícios profundos, ainda que não os veja na possibilidade de ser eleita. Sua proposta de reordenamento do Estado pode encarnar a vontade do eleitorado mas, na melhor das hipóteses, dá em nada. Na pior, em cesarismo plebiscitário.


***********

Blog do Noblat

Pressionada, Marina muda suas propostas para homossexuais
Afonso Benites, El País

Pressionada por grupos conservadores e evangélicos, a candidata do Partido Socialista Brasileiro (PSB) à presidência, Marina Silva, mudou o seu programa de governo voltado para a comunidade homossexual. Menos de 24 horas após lançar as diretrizes da campanha eleitoral, o partido informou à imprensa que houve uma “falha processual na editoração” do documento.

Conforme o comunicado dos socialistas, o trecho do programa que trata das questões das lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros “não contempla a mediação entre os diversos pensamentos que se dispuseram a contribuir para sua formulação e os posicionamentos de Eduardo Campos e Marina Silva a respeito da definição de políticas para a população LGBT”.

--------------

Agricultura está bem na foto com qualquer dos presidentes eleitos
Carla Jiménez, El País

Nunca o agronegócio foi tão bem tratado no Brasil como hoje, constata Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura durante o governo Lula. O setor, que representa 23% do PIB, tem sido a âncora econômica do país nos últimos anos. Por isso, os presidenciáveis têm feito a corte às lideranças rurais.

“Eu tenho 50 anos de agronegócios, e posso te dizer que nós sempre procuramos os candidatos a presidente da República para pedir algo. Desta vez, tem sido ao contrário”, conta o ex-ministro. Não é coincidência, por exemplo, que a reunião da equipe de Marina Silva com representantes da Sociedade Rural Brasileira, tenha ganhado destaque na imprensa.

-------------

Campanhas se reorientam após avanço de Marina
O Globo

Embora a presidente Dilma Rousseff tenha aumentado as críticas à candidata Marina Silva (PSB), a expectativa da campanha petista é que Aécio Neves (PSDB) parta para um confronto mais duro contra Marina para evitar a sangria de votos tucanos para a ex-senadora.

Dirigentes ouvidos neste sábado pelo GLOBO afirmaram que Dilma deve esperar os próximos passos de Aécio, agora em terceiro lugar nas pesquisas, para decidir o tom que adotará no debate marcado para hoje, no SBT. Ontem, em São José do Rio Preto, Aécio já foi bastante crítico à candidata do PSB.

------------

Mais Médicos enfrenta falta de estrutura e até violência
Estadão

Ao completar um ano nesta terça-feira, o Mais Médicos está presente em 3.785 municípios, enquanto os 14 mil profissionais do programa - dos quais mais de 11 mil cubanos - enfrentam desafios para trabalhar. Os médicos deparam-se com infraestrutura precária dos postos, falta de medicamento, déficit de colegas, recusa de encaminhamento para especialistas e violência urbana.

Apesar das insuficiências, pacientes comemoram a chegada dos doutores. Lançado em meio à resistência de entidades médicas, o programa oferece bolsas de R$ 10 mil para brasileiros e estrangeiros e US$ 1.245 para cubanos trazidos por convênio com a Organização Pan-americana de Saúde (Opas).

------------

Acre pede ajuda federal após 'risco' de ebola em fronteira
O Globo

O Acre pediu ajuda ao governo federal para impedir que o vírus ebola chegue ao estado. A intenção é que técnicos do órgão federal atuem na fronteira com o Peru para controlar a entrada de imigrantes senegaleses, que tem se intensificado nas últimas semanas.

Na última sexta-feira, o Senegal confirmou o registro do primeiro caso de paciente com vírus ebola. A vítima é um estudante da Universidade de Conakry, de 21 anos, que está em quarentena na capital Dakar, onde chegou com sinais de hemorragia na última quarta-feira. O jovem veio da Guiné, um dos países com maior número de mortes e doentes.

-----------

Analistas preveem dólar a R$ 2,50 no fim de 2015
Gabriela Valente e Eliane Oliveira, O Globo

Há um consenso entre analistas, empresários e até entre técnicos do governo: 2015 deve ser um ano de ajuste na economia que passará por uma alta do dólar. Enquanto a média da cotação da moeda americana deve ficar em R$ 2,29 este ano, no ano que vem deve saltar para R$ 2,44, estimam economistas. No fim de 2015, chegaria a R$ 2,50.

Os números podem mudar ao sabor das eleições, mas, independentemente de saber quanto a cotação aumentará de fato, a esperança é que essa alta surta bons efeitos na estimulação da atividade econômica. Um setor que aguarda com ansiedade essa mudança no câmbio é a indústria.

------------

Reformas para superar o ‘pibinho’
Alexa Salomão, Estadão

O Brasil teve dois trimestres consecutivos de retração no Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede a geração de riqueza das nações. Na teoria acadêmica, tal situação indica que o país encolheu e sofre recessão técnica. Alguns analistas dizem que não é para tanto e que há estagnação.

O governo alega que o problema é momentâneo por causa da Copa, da seca e da crise internacional. Semântica à parte, o fato é que o Brasil crescia pouco e agora anda para trás, com efeitos sobre o emprego e a renda. No grupo alinhado com o governo está o professor Fernando Nogueira da Costa, da Unicamp, que lecionou para a presidente Dilma Rousseff quando ela estava no doutorado.

------------

Estado Islâmico vende mulheres yazidis a jihadistas na Síria
Veja

Dezenas de mulheres yazidis capturadas no Iraque pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI) foram obrigadas a se converter ao Islã e vendidas para se casar à força na Síria com combatentes do grupo terrorista, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos. De acordo com a ONG, cada yazidi foi negociada por cerca de 1.000 dólares.

Segundo o Observatório, o EI dividiu entre seus combatentes cerca de 300 meninas e mulheres sequestradas no Iraque nas últimas semanas. "Dessas 300 mulheres, ao menos 27 foram vendidas" a membros do EI nas províncias de Aleppo, Raqa e Hasaka (nordeste), informa a ONG, que conta com uma rede de informantes civis, militares e médicas na Síria.

------------

Maduro oferece casas fora de Caracas para esvaziar ‘favela vertical’
Guilherme Russo, Estadão

Há cinco anos, a professora venezuelana Iraida Roa, de 29 anos, mudou-se com o marido de Barinas para Caracas, com o sonho de trabalhar e obter casa própria na capital do país. Conseguiu trabalho, mas, para morar, teve de se juntar desde 2007 às mais de 1,1 mil famílias que ocuparam a Torre de David, um complexo de edifícios cuja construção foi paralisada em meados dos anos 90, no centro caraquenho.

A obra inacabada já foi considerada a maior favela vertical do mundo. Em 2011, quando o presidente Hugo Chávez lançou o programa habitacional Gran Misión Vivienda, ela se inscreveu. Em maio, após um senso realizado antes da desocupação do edifício pelo governo, foi informada que poderá se mudar com sua família para uma casa popular em sua cidade. “Em 15 dias me mudo para minha casa”, afirmou a professora ao Estado.

--------------

OTAN debate seu papel entre novas ameaças e mais austeridade
Lucía Abellán, El País

O pessoal da OTAN dispõe de dois computadores para realizar seu trabalho. Um deles é convencional, para gerenciar o que a maior organização político-militar do mundo chama de informação não-classificada. Um aviso colado a esses aparelhos adverte que o seu conteúdo não é protegido pelo sigilo da OTAN.

O outro computador é mais delicado: sem conexão à Internet, possui uma rede própria, na qual circula informação secreta das operações da organização. A dupla ferramenta de trabalho é apenas uma das muitas peculiaridades da sede da OTAN em Bruxelas, um edifício concebido em 1967 como sede provisória e que só agora, em 2016, será substituído por uma nova sede. A mudança de quartel-general não é a única que a organização terá de enfrentar nos próximos meses.

-------------

União Europeia dá ultimato à Rússia e ameaça novas sanções
Veja

A União Europeia deu prazo de uma semana para que a Rússia diminua sua intervenção na Ucrânia ou enfrente novas sanções econômicas. Segundo o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, líderes da UE pediram ao braço executivo do bloco que apresente em até uma semana uma nova proposta de sanções. "Todos estão cientes de que temos de agir rapidamente", disse.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que novas medidas teriam como alvo os mesmos setores afetados anteriormente. No entanto, os líderes da UE decidiram não adotar medidas mais duras imediatamente, aparentemente temendo uma reação econômica contrária. A Rússia é o terceiro maior parceiro comercial da UE e um dos principais fornecedores de petróleo e gás natural para o bloco.

**********


Skaf encontra Dilma no ‘palanque de ninguém’

Paulo Skaf tornou-se um candidato divertido. O eleitor pode brincar com o hipocrisia dele como quem brinca de roleta russa, na certeza de que a (i)lógica que Skaf manipula está completamente descarregada.

Representante do PMDB na corrida pelo governo de São Paulo, Skaf dissera que não subiria em palanque com a petista Dilma Rousseff. Neste sábado, subiu, sob pressão do peemedebista Michel Temer, vice de Dilma.

Skaf recusava-se a pronunciar o nome de Dilma. Instado a revelar o voto para presidente, dizia que votaria em Temer. Ao discursar na presença da presidente, viu-se compelido a chamá-la pelo nome: “Bom dia, presidente Dilma.” Alvíssaras!

Espremido novamente pelos repórteres, Skaf declarou: “Aqui não é palanque de ninguém. Não é um evento da candidatura da presidente Dilma Rousseff e não é um evento da nossa candidatura. Não estou aqui para estar em palanque de ninguém.''

Quer dizer: Skaf escalou um palanque fantasma, num não-evento convocado pelo PMDB para não apoiar a chapa Dilma-Temer. Discursou sobre o oco do vazio para uma plateia que desperdiçou um naco do seu sábado defronte de um palanque de ninguém.

Skaf chegou cedo ao não-evento. Absteve-se de compor o grupo que recepcionou Dilma. E foi embora antes do discurso dela. Não adiantou. Foi aprisionado em fotos ao lado da companhia tóxica. Pior: ganhou a internet no site oficial da campanha de sua não-aliada. Divertido, muito divertido, divertidíssimo!

------------

E o avião?!?!




**********