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Seguro-desemprego: Dilma cede e queima Levy para atender PT e centrais sindicais.

(Da Folha) O governo já admite reservadamente que vai ceder às centrais sindicais e rever parte das mudanças nas regras do seguro-desemprego que endureceram o acesso ao benefício trabalhista. Segundo a Folha apurou, a equipe da presidente Dilma chegou à conclusão de que, sem alterações, a medida provisória que restringiu o benefício não será aprovada no Congresso Nacional.

Assessores presidenciais disseram à reportagem que, diante da reação contrária de lideranças sindicais, a estratégia era fazer concessões durante a fase de tramitação da proposta no Legislativo. Agora, após declarações do ministro Joaquim Levy (Fazenda) avaliadas pelo Palácio do Planalto como infelizes, a equipe de Dilma acredita que pode ser obrigada a sinalizar mais concretamente o que irá mudar na próxima reunião com as centrais sindicais, em 3 de fevereiro.

Na semana passada, em Davos (Suíça), Levy chamou de "ultrapassado" o modelo do seguro-desemprego, o que irritou sindicalistas e até assessores de Dilma. Seu colega Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) divulgou nota no sábado (24) classificando o seguro-desemprego como "cláusula pétrea" dos direitos dos trabalhadores. O próprio Levy reconheceu internamente no governo que não foi feliz em suas declarações. Ele defende mudanças no sistema, mas sem retirar direitos trabalhistas.

JOVENS

Segundo a Folha apurou, o governo pode mudar o período de carência para concessão do benefício na primeira solicitação feita pelo trabalhador. As centrais sindicais consideram que essa regra prejudica principalmente jovens num período da economia em que deve haver alta de desemprego nesta faixa.

Pelas regras definidas pela equipe econômica, a carência subiria de 6 para 18 meses nos últimos 24 meses trabalhados na primeira solicitação do benefício. No segundo pedido, o prazo passou de 6 para 12 meses nos últimos 16 meses trabalhados. Na terceira, foi mantida a carência de seis meses. O governo também propôs mudanças no abono salarial, no seguro-defeso (pago a pescadores no período de proibição da pesca) e na pensão pós-morte.

Lançado no fim de 2014, o pacote de mudanças em benefícios trabalhistas e previdenciários visa economizar R$ 18 bilhões neste ano para reequilibrar as contas públicas. São R$ 9 bilhões apenas com o seguro-desemprego.

Presidente da Força Sindical, Miguel Torres diz que mudar só a carência do seguro-desemprego não é "suficiente". Ele também defende ajustes no seguro-defeso e na pensão pós-morte.
Presidente da CUT, Vagner Freitas defende mudanças em todas as medidas. As centrais estão organizando manifestações contra as propostas, classificadas por elas de conservadoras.

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Marta desce a Louis Vuitton em Dilma.

Em artigo publicado hoje, na Folha de São Paulo, Marta Suplicy (PT-SP) escancara o estelionato eleitoral cometido por Dilma. E o estelionato ideológico que ela comete agora contra o próprio PT. O título é " O diretor sumiu". Leitura imperdível.

Tenho pensado muito sobre a delicadeza e a importância da transparência nos dias de hoje. Temos vivido crises de todos os tipos: crise econômica, política, moral, ética, hídrica, energética e institucional. Todas elas foram gestadas pela ausência de transparência, de confiança e de credibilidade.

Se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro. Não estaríamos agora tendo de viver o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir.

Assim que a presidenta foi eleita, seu discurso de posse acompanhou o otimismo e reiterou os compromissos da campanha eleitoral: "Nem que a vaca tussa!"

Havia uma grande expectativa a respeito do perfil da equipe econômica que a presidenta Dilma Rousseff escolheria. Sem nenhuma explicação, nomeia-se um ministro da Fazenda que agradaria ao mercado e à oposição. O simpatizante do PT não entende o porquê. Se tudo ia bem, era necessário alguém para implementar ajustes e medidas tão duras e negadas na campanha? Nenhuma explicação.

Imagina-se que a presidenta apoie o ministro da Fazenda e os demais integrantes da equipe econômica. É óbvio que ela sabe o tamanho das maldades que estão sendo implementadas para consertar a situação que, na realidade, não é nada rósea como foi apresentada na eleição. Mas não se tem certeza. Ela logo desautoriza a primeira fala de um membro da equipe. Depois silencia. A situação persiste sem clareza sobre o que pensa a presidenta.

Iniciam-se medidas de um processo doloroso de recuperação de um Brasil em crise. Até onde ela se propõe a ir? Até onde vai o apoio à equipe econômica?

Para desestabilizar mais um pouco a situação, a Fundação Perseu Abramo, do PT, critica as medidas anunciadas, o partido não apoia as decisões do governo e alguns deputados petistas vociferam contra elas. Parte da oposição, por receio de se identificar com a dureza das medidas, perde o rumo criticando o que antes preconizou.

O PT vive situação complexa, pois embarcou no circo de malabarismos econômicos, prometeu, durante a campanha, um futuro sem agruras, omitiu-se na apresentação de um projeto de nação para o país, mas agora está atarantado sob sérias denúncias de corrupção.

Nada foi explicado ao povo brasileiro, que já sente e sofre as consequências e acompanha atônito um estado de total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer, o que leva à falta de credibilidade e confiança.

É o que o mercado tem vivido e, por isso, não investe. O empresariado percebe a situação e começa a desempregar. O povo, que não é bobo, desconfia e gasta menos para ver se entende para onde vai o Brasil e seu futuro.

Acrescentem-se a esse quadro a falta de energia e de água, o trânsito congestionado, os ônibus e metrôs entupidos, as ameaças de desemprego na família, a queda do poder aquisitivo, a violência crescente, o acesso à saúde longe de vista e as obrigações financeiras de começo de ano e o palco está pronto.

A peça se desenrola com enredo atrapalhado e incompreensível. O diretor sumiu.

MARTA SUPLICY é senadora pelo PT-SP. Foi prefeita de São Paulo (2001-2004), ministra do Turismo (2007-2008) e ministra da Cultura (2012-2014)

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Cai a última mentira de Dilma: a miséria aumentou no Brasil, segundo a CEPAL.

(Com informações do Estadão) Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) divulgados nesta segunda-feira, 26, mostram uma elevação de 5,4% para 5,9% na quantidade de brasileiros que vivem em situação de extrema pobreza entre 2012 e 2013. Esse índice estava em 10,7% em 2005, segundo os critérios da Cepal. Considerando-se a população atual do país, temos 12 milhões de cidadãos nesta condição degradante, sendo que 1 milhão entrou na miséria em apenas um ano.

A situação do Brasil difere dos demais países da região. O estudo da Cepal indica que o equivalente a 167 milhões de latino-americanos, ou 28,1% dos habitantes da região, estavam na condição de pobreza em 2013 - rigorosamente o mesmo índice registrado um ano antes. "A recuperação da crise financeira internacional não parece ter sido aproveitada suficientemente para o fortalecimento de políticas de proteção social que diminuam a vulnerabilidade frente aos ciclos econômicos", afirmam os especialistas da Cepal no relatório "Panorama Social da América Latina 2014".

A piora do quadro da extrema pobreza no Brasil se opõe às manifestações públicas da presidente Dilma Rousseff ao longo da campanha do ano passado. Além de negar uma deterioração dos indicadores devido aos sucessivos anos de crescimento econômico fraco e de inflação rondando os 6% ao ano, o governo também atravessou o ano de 2014 com embates políticos internos. A direção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) barrou, por três meses, a divulgação de um relatório técnico da sua área de estudos e políticas sociais, que divulgaria análises semelhantes à da Cepal sobre o quadro de pobreza no Brasil.

O documento da Cepal é montado a partir de dados levantados por cada país. No caso brasileiro, os dados vem da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). O estudo da Pnad, apesar de mostrar uma melhora do indicador de pobreza no País, indica que, em 2013, o Brasil continuava sendo o país com maior desigualdade de renda na região. Parte disso decorre justamente da piora do indicador de pobreza extrema.

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A Desaparecida do Cerrado dá as caras hoje para enterrar a candidata Dilma Rousseff. Ainda bem! Ainda mal!

Um ouvinte do programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan, enviou essa ilustração ao programa.

Transcrevo o conteúdo porque muitos blogs e sites reproduzem os meus textos sem as eventuais ilustrações. Abaixo da palavra “Desaparecida”, há a imagem de Dilma, com a faixa presidencial, e a seguinte legenda: “Não é vista no país há várias semanas. Desapareceu falando de um país com inflação sob controle, juros baixos, crescimento alto, sem apagões, e onde não se mexe nos direitos dos trabalhadores nem que a vaca tussa”.

Pois é… A vaca está com o que o povo chamava antigamente “tosse comprida”, e a gente tem de torcer é para ela não ir para o brejo. É o que vai acontecer se a Soberana insistir em ignorar algumas advertências feitas pela realidade. Dilma vai reaparecer nesta terça. Reunirá na Granja do Torto aquele que deve ser o maior ministério do mundo para, segundo consta, defender as medidas que adotou depois que as urnas foram desligadas.

Já escrevi aqui. Há dois domínios para essa questão. Há a política como necessidade, e há a política como escolha de um futuro. Ainda que eu não endosse, mesmo na esfera da necessidade, todas as medidas adotadas até agora, reconheço a urgência de algumas intervenções. Ocorre que eu já a reconhecia antes. Afinal, dizem os puxa-sacos financiados por estatais, sou, como é mesmo?, um reacionário, um conservador, um direitista. Os progressistas, afinal, são Dilma Rousseff e o PT, certo?

Não dá para renunciar, em nome da necessidade, à política como escolha de um futuro. Pergunta-se: a Dilma que lidera o encontro dos ministros nesta terça é a mesma que venceu a eleição? Não se trata de exigir a coerência absoluta entre intenção, a anunciada ao menos, e gesto. Todos sabemos que a vida pública comporta algumas zonas de amoralidade para que o político possa alegar alguma interveniência inesperada, justificando, assim, o descumprimento da palavra empenhada.

Sim, milhões de brasileiros não caíram no truque e negaram seu voto a Dilma. Mas o que ela tem a dizer àqueles que acreditaram, não porque militantes petistas, não porque alinhados com os preconceitos ideológicos do partido, não porque fiéis à causa da legenda. Nada disso! Quem deu a vitória a Dilma foram pessoas sem pedigree partidário, gente comum, que fez dela a fiel depositária de suas esperanças.

Que fique claro: Dilma não está ME traindo. Ao contrário: ela cumpre fielmente as minhas expectativas. Ela estaria, parece-me, obrigada a se explicar com aqueles a quem prometeu um novo umbral do desenvolvimento. Posso ouvir uma indagação: “Você queria o quê? Que ela realmente pusesse em prática aquele discurso irresponsável da campanha?”

Não! Eu não queria isso! Ainda bem que Dilma resolveu jogar no lixo aquela maçaroca de incongruências e bobagens. Mas,  em momentos assim, o pragmatismo não pode ser o nosso último Deus, ou passaremos a admitir a política como o lugar natural da mentira, da trapaça, da vigarice, do engodo.

Se Dilma estivesse fazendo o que prometeu, é certo que eu a estaria criticando, e seria uma crítica legítima. Como ela está fazendo o contrário do que anunciou — e, já escrevi, acho algumas medidas corretas —, eu a estou criticando porque mentiu. E essa crítica não é nem menos legítima nem menos necessária do que a outra.

Abrir mão de fazê-la corresponderia a conceder ao PT o direito de exercer a política como monopólio da trapaça. Não será aqui.

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Dilma já pensa em recuar das mudanças propostas no seguro-desemprego. Pois é… Eu as havia elogiado!

Pois é… Não tem jeito. Depois não digam que jamais elogio uma decisão do governo Dilma, faça chuva ou faça sol. É mentira! Elogio, sim! Ela é que não segura as pontas dessa sua gestão sem eixo.

Está em arquivo. Escrevi aqui que as mudanças anunciadas pelo governo no seguro-desemprego eram corretas. Afinal, esse setor tem uma aberração matemática elementar: o valor do seguro-desemprego explodiu justamente no período em que o desemprego… caiu! É claro que se transformou numa forma de assaltar os cofres públicos. Alguém até poderá dizer que os ricos roubam muito mais. Se for verdade, também sou contra. O que sei é que o seguro-desemprego virou uma expressão da ladroagem. Mas apoiada, sim, pelas máquinas sindicais.

Segundo as novas regras definidas pela equipe econômica, a carência para a concessão do seguro-desemprego passaria de seis para 18 meses nos últimos 24 trabalhados quando o benefício fosse solicitado pela primeira vez. Na segunda solicitação, o prazo saltou de 6 para 12 meses; na terceira, manteve-se a carência de seis meses. Também se alteraram as regras para o abono salarial e o seguro-defeso — uma fonte de desperdício evidente como sabe qualquer um que frequente a praia. Há milhares de supostos pescadores no Brasil que viraram donos de canoas ressequidas que há muitos anos não beijam o mar. A economia com essas mudanças poderia chegar a R$ 18 bilhões. Não é brincadeira.

Mas Dilma já pensa em recuar. As centrais sindicais estão pressionando e planejam atos públicos contra as regras que o governo quer implementar. Em Davos, Joaquim Levy, ministro da Fazenda, afirmou que o mecanismo de seguro-desemprego no Brasil está ultrapassado. Caiu mal na banda esquerda do governo. Miguel Rossetto, nada menos do que secretário-geral da Presidência, saiu em defesa do mecanismo, que chamou de “cláusula pétrea”. Poderia, claro!, ter-se calado, mas sabem como é…

O Planalto agora diz, informa a Folha, que o intuito sempre foi negociar no Congresso, já que o próprio governo considerava difícil que os parlamentares aprovassem o texto como o queria a equipe econômica. Depois da entrevista de Levy, tida como desastrada — e já está em curso um movimento nada sutil para torrá-lo —, o próprio Planalto teria concluído que o melhor é recuar. Quanto? Ainda não está claro.

Viram só? Não se diga, então, que nunca elogio o governo. É que, tudo indica, não consigo acertar o meu passo com o de Dilma Rousseff. Ela logo recua de uma decisão que acho correta. E não me espanta que a presidente tenha desistido de fazer a coisa certa.

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Em artigo, Marta praticamente rompe com PT e com Dilma. Partido tentará esmaga-la hoje nas redes sociais. Ou: Um texto que serve como réquiem de uma farsa

Tudo indica que a senadora Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo e ex-ministra do Turismo e da Cultura, fundadora do PT e egressa daquela fatia da elite brasileira que se deixou encantar pelo lulismo, é, hoje, uma sem-partido. Para onde ela vai? Ainda não está claro! O que se dá como certo é que tentará se candidatar à Prefeitura de São Paulo. Até a semana passada, afirmava-se que o partido tentaria segurar as pontas e, quem sabe, fazê-la candidata ao governo do Estado em 2018. Não parece mais que isso seja possível.

Marta publicou um duríssimo artigo na Folha desta terça, com críticas contundentes ao governo Dilma e ao PT. Não evitou nem mesmo certa, digamos assim, personalização. O título está lá com todas as letras: “O diretor sumiu”.

Segundo Marta, prestem atenção, “se tivesse havido transparência na condução da economia no governo Dilma, dificilmente a presidente teria aprofundado os erros que nos trouxeram a esta situação de descalabro.” Se as palavras fazem sentido, e fazem, a ainda senadora petista afirma que:
a: a situação é de descalabro;
b: Dilma não fez um governo transparente;
c: a ruindade vem de antes, é anterior a essa gestão.

A senadora elenca o que não lhe parece bem e ainda ironiza a presidente. Leiam: “o aumento desmedido das tarifas, a volta do desemprego, a diminuição de direitos trabalhistas, a inflação, o aumento consecutivo dos juros, a falta de investimentos e o aumento de impostos, fazendo a vaca engasgar de tanto tossir”.

O espaço para a uma eventual reconciliação parece ter desaparecido. Isso, obviamente, é linguagem de oposição, não de quem pertence ao partido que está no poder.

Marta parece insatisfeita com as medidas adotadas, mas, ao mesmo tempo, há a sugestão de que reconhece a sua necessidade, lamentando o que seria a ambiguidade de Dilma: “Imagina-se que a presidenta apoie o ministro da Fazenda e os demais integrantes da equipe econômica. É óbvio que ela sabe o tamanho das maldades que estão sendo implementadas para consertar a situação que, na realidade, não é nada rósea como foi apresentada na eleição. Mas não se tem certeza. Ela logo desautoriza a primeira fala de um membro da equipe. Depois silencia. A situação persiste sem clareza sobre o que pensa a presidenta.”

Se entenderam bem, Marta acusa também o estelionato eleitoral. Num dos momentos mais duros de seu diagnóstico, a senadora aponta:
“Nada foi explicado ao povo brasileiro, que já sente e sofre as consequências e acompanha atônito um estado de total ausência de transparência, absoluta incoerência entre a fala e o fazer, o que leva à falta de credibilidade e confiança. É o que o mercado tem vivido e, por isso, não investe. O empresariado percebe a situação e começa a desempregar. O povo, que não é bobo, desconfia e gasta menos para ver se entende para onde vai o Brasil e seu futuro.”

Entendo ser este um texto de rompimento. Como refazer pontes depois disso? Fica evidente que suas reservas não se dirigem apenas a Dilma. Afirmei ontem em “TVeja” (aqui) que o governo e o PT perderam o eixo. Eis aí. Marta, goste-se ou não dela, é uma figura história do PT. Na mística partidária, encarnava aquela fatia dos privilegiados do país que, indignados com as injustiças sociais, resolveram aderir à luta dos oprimidos.

Aguardem. Nesta terça, o PT procurará fazer picadinho de Marta nas redes sociais. Vai tachá-la de dondoca deslumbrada, de riquinha enjoada, de perua descompensada. As características que antes eram vendidas como virtudes serão vistas como vícios. Mais do que se juntar a antigos adversários, o PT sabe mesmo é enlamear a reputação dos dissidentes.

O artigo da senadora, de algum modo, serve como o réquiem de uma farsa.

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Blog do Noblat

Dilma impõe ao PT uma dura dieta de pouca grana
27/01/2015 - 03h00
Ricardo Noblat

O PT tem razões de sobra para não gostar da presidente Dilma Rousseff. Ela não é petista de berço, por exemplo. Filiou-se ao partido relativamente há pouco tempo.

Não prestigia os líderes do partido. Os queridinhos recentes dela são Cid Gomes, do PROS, ex-governador do Ceará e atual ministro da Educação, e Gilberto Kassab, do PSD, ex-prefeito de São Paulo e atual ministro de Cidades.

Mas o que tira o PT do sério em se tratando de Dilma é a distribuição de verbas para cada partido administrar. Explico.

Fora os ministérios técnicos, os demais contam com grana que os ministros têm o poder de decidir sua aplicação, com compras e investimentos.

Pois bem: um estudo da Fundação Getúlio Vargas, ao qual teve acesso o jornal O Estado de S. Paulo, mostra que os ministros do PT nunca tiveram tão pouco dinheiro sob seu controle.

Em 2004, antes do escândalo do mensalão, no segundo ano do primeiro governo de Lula, o PT administrava 53% desse tipo de dinheiro contra 25% administrados pelos demais partidos aliados.

Com o mensalão, desesperado pela ajuda dos demais partidos para não cair, Lula inverteu o placar. Deu mais dinheiro para os partidos aliados gastarem – 53% do Orçamento. O PT ficou com 30%.

No primeiro mandato de Dilma, o PT controlou 45% do dinheiro para livre aplicação contra 35% destinados aos partidos aliados.

Neste segundo mandato, sua fatia minguou para 21%. E a dos aliados saltou para 64%.

Menos dinheiro significa menos poder. Para os políticos isso costuma ser mortal.


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Blog do Coronel

Enquanto acusava Aécio, Dilma já tinha decidido acabar com direitos trabalhistas.

(Folha, hoje) A mudança nas regras para a concessão de benefícios trabalhistas e previdenciários, anunciada no final do mês passado como uma das medidas de redução das despesas públicas, foi decidida pelo governo de Dilma Rousseff antes da eleição, encerrada em outubro de 2014. Um integrante do governo confirmou à Folha que as novas normas, que limitam a obtenção do seguro-desemprego e do abono salarial, foram definidas em meados de 2014.

Em agosto, o governo reduziu em R$ 8,8 bilhões a previsão do gasto com o abono salarial para este ano. A revisão consta do PLOA (Projeto de Lei Orçamentária Anual) de 2015, enviado naquele mês pelo Planalto ao Congresso. O integrante do governo disse à Folha que a previsão foi feita com base em regras então definidas, que seriam anunciadas após a eleição.

Na campanha, em ataques a adversários, Dilma disse que não faria alterações na lei que comprometessem direitos do trabalhador. Ao insinuar que seus opositores mudariam direitos trabalhistas, disse que não mexeria em benefícios como férias e 13º salário. "Nem que a vaca tussa", cravou a então candidata. O tema virou um dos slogans da campanha de Dilma. O PT anunciou no site da candidata uma mobilização nacional, batizada de "Nem que a vaca tussa", contra mudanças nos direitos trabalhistas.

ANTECIPAÇÃO
No dia 6 de novembro, o então ministro Guido Mantega (Fazenda) antecipou o que sua equipe já havia preparado. "Nós temos agora que fazer uma redução importante das despesas que estão crescendo, como o seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença", disse, durante evento da FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo.

Quando as novas regras foram divulgadas, no final de dezembro, Joaquim Levy já havia sido anunciado como o substituto de Mantega na Fazenda. Levy foi convidado oficialmente por Dilma para ocupar o cargo no dia 20 de novembro, duas semanas, portanto, depois da declaração de Mantega na FGV.

Hoje, um trabalhador para receber o seguro-desemprego pela primeira vez precisa ter trabalhado seis meses nos últimos 36 meses anteriores à data da dispensa. Se requisitar o benefício pela segunda vez, vale a mesma regra.

NOVAS REGRAS
Com as novas normas, válidas a partir de março, a pessoa pede o seguro-desemprego pela primeira vez precisa ter trabalhado 18 meses nos últimos 24 meses antes da demissão. Para obter o benefício pela segunda vez, é necessário ter recebido salário por ao menos 12 meses nos últimos 16 anteriores à dispensa.

Segundo cálculos da Fazenda, metade dos trabalhadores que pediram o seguro em 2014 pela primeira vez não teria direito ao benefício com as novas regras. Para o abono salarial, pago ao trabalhador que recebeu até dois salários mínimos, haverá carência de seis meses de trabalho ininterrupto para a concessão do benefício. Hoje, basta trabalhar um mês no ano.

As novas regras tornam mais rígidas também as concessões de abono salarial, pensão por morte, auxílio-doença e seguro-defesa, pagos a pescadores durante períodos de proibição da pesca. A maior parte das alterações será feita por medidas provisórias, que terão de ser aprovadas pelo Congresso. O governo espera economizar R$ 18 bilhões. As novas regras foram bem recebidas pelo mercado e por especialistas, por corrigirem distorções e reduzirem os gastos públicos.

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Devendo mais de R$ 1 bilhão ao Sistema S, o Pronatec está praticamente parado.

Há quatro meses, as instituições do Sistema S não veem a cor do dinheiro do Pronatec. Um rombo que já ultrapassa R$ 1 bilhão. Responsáveis por mais de 80% das matrículas do programa, o Senai, Senac, Senar, Sescoop e SENAT estão desativando estruturas e não abrindo novas turmas. Não há dinheiro para sustentar a bandeira eleitoreira de Dilma que, neste momento, estuda até mesmo em interromper o programa por tempo indeterminado. Devendo mais de R$ 1 bilhão ao Sistema S, o Pronatec está praticamente parado.

Há quatro meses, as instituições do Sistema S não veem a cor do dinheiro do Pronatec. Um rombo que já ultrapassa R$ 1 bilhão. Responsáveis por mais de 80% das matrículas do programa, o Senai, Senac, Senar, Sescoop e SENAT estão desativando estruturas e não abrindo novas turmas. Não há dinheiro para sustentar a bandeira eleitoreira de Dilma que, neste momento, estuda até mesmo em interromper o programa por tempo indeterminado.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Grécia elege os porras-loucas do calote. Como diria aquele, as consequências vêm sempre depois

Xiii… Não é uma esquerda qualquer que ganhou a eleição na Grécia. O Syriza conquistou 149 das 300 cadeiras do Parlamento. Precisa de 151 para formar o governo e já recebeu o apoio de partidos menores. Trata-se de uma frente formada pelos, deixem-me ver como chamar,  neoporras-loucas que hoje infestam a Europa e o mundo — o Brasil também. É a turma que acredita piamente que existe almoço grátis, que o capitalismo é só uma conspiração de homens maus para destruir o planeta, a felicidade e o futuro; que os que falam em finanças e em pagar as contas são sabotadores da utopia. Como vai ser? Ninguém tem a menor ideia. E isso, suponho, vale também para os vitoriosos.

A plataforma da moçada é do balacobaco. O país deve a bagatela de 320 bilhões de euros, o que corresponde a 175% de seu PIB. A proposta imodesta do Syrisa é dar calote em 50% — isto é, reduzir a dívida, de saída, à metade — e decretar a moratória dos outros 50%. A palavra de ordem — ou de guerra — empregada na eleição foi se livrar da “troika” — vale dizer: do gerenciamento do Banco Central Europeu, da Comunidade Europeia e do FMI.

E o perigo é ainda maior do que o dano: em outros países em situação difícil, como a Espanha, há um crescente movimento nessa direção. Há quatro dias, o Banco Central Europeu anunciou um pacote de estímulo à economia de um trilhão de euros até setembro de 2016. O BC pretende comprar, a cada mês, 60 bilhões de euros de títulos públicos e privados, injetando esse dinheiro no mercado, esperando que ele se converta em investimento e crédito. O BC americano e o do Reino Unido já recorreram a esse expediente.

O italiano Mario Draghi, presidente do BCE, conseguiu enfiar o pacote goela abaixo de Angela Merkel, que defende que os países da Zona do Euro arrumem antes as suas economias. E se a Grécia der mesmo o calote? Poderá ser beneficiária do pacote de estímulos? Alguns dos maiores credores da dívida grega são justamente bancos da Alemanha, a maior economia do bloco. A dívida grega representa quase um terço — 32% — do pacote de estímulos.

Para a Zona do Euro, a vitória da esquerda radical, contra a austeridade fiscal, é uma péssima notícia. E o Syrisa não prometeu apenas dar o calote na dívida: também acenou com a ampliação de benefícios sociais, como energia de graça a pelo menos 300 mil pessoas. Alexis Tsipras, futuro primeiro-ministro discursou depois da vitória. Segundo disse, a “troika” ficou no passado, e a Grécia vai recuperar a sua soberania.

A questão é saber se os demais países da Zona do Europa estão dispostos a pagar a conta. A depender do caso, contabilizar o prejuízo e se livrar de um membro problema pode ser mais barato.  Mas os gregos fizeram essa escolha e, agora, terão de arcar com as consequências, que, como diria o rei da tautologia, vêm sempre depois.

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Dilma já tinha decidido cortar seguro-desemprego antes da eleição. Omitiu isso dos eleitores e ainda atribuiu essa intenção a seu adversário. Mas João Santana acha que a campanha foi limpa e técnica

Ai, ai, vamos lá… Quando a gente se dá conta da máquina de assalto aos cofres públicos em que se transformou o seguro-desemprego, é impossível deixar de apoiar as novas regras, que dificultam o acesso ao benefício, diminuindo as possibilidades de fraude. A matemática elementar evidencia que havia algo de muito errado no setor: os gastos com seguro-desemprego explodiram no período em que o desemprego caiu. Muito bem: até aqui, então, palmas para o governo. Ocorre que as coisas são mais complexas do que isso.

Reportagem da Folha desta segunda informa que o governo já havia decidido dificultar o acesso ao seguro-desemprego em meados do ano passado, mas deixou para anunciar a medida só depois da eleição. Tá. Até aqui, vá lá, no limite do pragmatismo, a gente ainda pode perdoar Dilma Rousseff. Afinal, se ela anuncia a mudança antes, corria o risco de perder a disputa, e uma alteração que favorece os cofres públicos poderia não ter sido feita.

Mas o busílis não está aí: Dilma fez duas coisas detestáveis, e a segunda é ainda pior do que a primeira: 1) anunciou que não haveria nenhuma mudança nessa área; 2) atribuiu a seu adversário, Aécio Neves, intenções, segundo ela malévolas, de cortar o que, sem dúvida, PT, CUT e assemelhados chamam de “benefícios sociais”. Aí não dá.

Notem, então, que não foi a chegada de Levy Mãos de Tesoura ao governo que determinou a mudança no seguro-desemprego. Isso já estava decidido, e Dilma só não anunciou antes a medida porque sabia que ela poderia prejudicar a sua reeleição. Até aí, reitero, ainda se pode compreender. Mas é imoral que tenha acusado o adversário de ter uma intenção que era sua.

Aliás, todos sabemos, não foi só nessa área. Dilma também disse que a promessa de Aécio de levar a inflação, ao longo de quatro anos, para o centro da meta só poderia ser alcançada com um choque de juros, que, segundo ela, conduziria os brasileiros ao desemprego. Depois da eleição, a taxa já teve uma elevação de 1,25 ponto, o que custa ao Tesouro, em um ano, algo em torno de R$ 20 bilhões — o valor do pacote fiscal. Era o que ela chamava de retrocesso. Foi além: disse também que o tucano tinha a intenção de adotar medidas amargas, como elevar a tarifa de energia elétrica e dos combustíveis, medidas que, como sabemos, a própria Dilma adotou.

Não li o livro “João Santana, um Marqueteiro no Poder”, de Luiz Maklouf Carvalho, em que o homem que fez a campanha do PT ataca seus críticos e justifica os métodos da campanha vitoriosa de Dilma. Parece que ele se nega a admitir que tenha participado da montagem de um formidável estelionato eleitoral e que tenha comandado uma das campanhas mais sórdidas de que se têm  notícia. Bem, marqueteiros costumam ter sobre si mesmos uma opinião muito generosa. Santana, sem dúvida, é talentoso no seu ofício. E emprestou esse talento ao estelionato e à sordidez. Não se trata de juízo de valor. Os fatos estão aí.

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Incra faz a coisa certa e abandona tese que incendiaria o campo; MST não gostou. Então deve ser mesmo bom!

O Incra, quem diria?, teve um surto de bom senso. E vai apanhar do MST por isso, é claro!, e de outros esquerdistas desinformados ou mal intencionados. Por que isso? Vamos ver. A Folha informa que um documento do órgão já não defende mais, e esta é uma boa notícia, a chamada revisão do índice de produtividade rural. Fazer essa revisão é uma bandeira histórica do PT e dos ditos sem-terra. Só para lembrar: o programa da candidata Dilma Rousseff em 2010 pregava: “continuar, intensificar e aprimorar a reforma agrária de modo a dar centralidade ao programa na estratégia de desenvolvimento sustentável do país, com a garantia do cumprimento integral da função social da propriedade, da atualização dos índices de produtividade, do controle do acesso à terra por estrangeiros (…)”

Mas que diabos vem a ser esse índice de produtividade, o que se quer com a revisão, quais seriam as suas implicações e por que o MST a defende tanto? Vou tentar explicar.

O tal índice de produtividade é estabelecido com base em dois critérios: o GUT (Grau de Utilização da Terra) e o GEE (Grau de Eficiência da Exploração). Uma sigla se refere à ocupação da área e a outra à produtividade física propriamente dita. Noto à margem: ninguém define qual deve ser a produtividade de uma planta industrial ou qual é o limite da propriedade urbana — e não tem de definir mesmo. Mas observem que o proprietário rural é tratado quase como um usurpador ou, sei lá, o dono precário de uma área: ou se justifica ou perde o que “quase” lhe pertence.

O critério, sem mudança, já é um tanto burro. É produtiva a terra que atinja 80% do GUT e 100% do GEE — com base em índices que o governo exige de cada região. Tomemos duas propriedades, A e B, ambas com mil hectares. A primeira tem o GUT de 80%, produz o mínimo exigido, mas bem menos do que a propriedade B, que recorre à tecnologia, ocupando, no entanto, apenas 70% da área. Qual será a propriedade improdutiva? Bidu! Aquela que produz mais. É uma burrice.

Os índices atuais, dizem os defensores da mudança, são de 1975 e precisariam ser atualizados. Não deixa de ser curioso: quanto mais o empresário rural investe, então, em tecnologia e produtividade, mais põe a sua propriedade em risco, já que aumentam as exigências. Torna-se, assim, como categoria vítima de sua própria eficiência.

Caso se mexesse no tal índice, aconteceria o quê? Ora, nos últimos anos, a produtividade rural cresceu muito, e o que antes era produtivo poderia ser considerado improdutivo pelos novos critérios. Isso teria dois efeitos: a) seria ampliada a área total potencialmente desapropriável – que hoje é residual nos estados do Sul e do Sudeste, regiões que concentram o maior contingente de sem-terra; b) o MST lançar-se-ia, então, numa nova e formidável campanha de invasões.

No novo documento do Incra, assinado por Carlos Guedes, afirma com correção: “A disseminação da tecnologia está permitindo que haja uma homogeneidade dos índices alcançados de produtividade física. São poucas as propriedades rurais com boas terras e bem localizadas que sofrerão a sanção constitucional da desapropriação em função dos indicadores de produtividade física”.

O MST não gostou da mudança de postura do Incra, dando mais um indício de que ela deve estar certa. ‘”É com preocupação que a gente vê essas coisas. Houve uma mudança de ideologia quanto a desapropriar terras, o Incra não busca mais enfrentar o latifúndio”, afirma Alexandre Conceição, da coordenação nacional do movimento. Vai ver, senhor Alexandre, que isso acontece porque praticamente não há mais latifúndio no Brasil.

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O apagão de Dilma
Ricardo Noblat    

Alto lá! Não culpem Levy por pensar como pensa e agir com coerência. Ele não mercadejou o próprio passe. Estava em sossego como executivo bem pago do Bradesco.

Fez à presidente Dilma Rousseff o favor de aceitar o convite para ser ministro da Fazenda, ganhando menos do que ganhava. E para quê? Para virar saco de pancada dos supostos aliados de Dilma?

E sem que ela o defenda? Por que não batem nela?

Nelson Barbosa, ministro do Planejamento, foi o primeiro a apanhar. Disse lá qualquer coisa que desagradou a Dilma. Acabou obrigado a se corrigir.

Depois foi Eduardo Braga, ministro das Minas e Energia. Caiu na armadilha de responder a perguntas na base do “se”.

Uma vez que dissera que não há racionamento de energia à vista, foi confrontado pela pergunta óbvia: “E se não chover o suficiente?”

Se não chover o suficiente o racionamento será inevitável, respondeu Eduardo. Alguém mais esperto escaparia com a resposta clássica: “Não posso raciocinar sobre hipóteses”.

O racionamento ganhou manchete de jornal. Eduardo levou um carão do seu colega Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil. Abandonou Brasília em silêncio.

Então chegou a vez de Levy. Como Dilma preferiu ir à posse do xamã Evo Morales, presidente da Bolívia, Levy voou a Davos, na Suíça.

À vontade no Fórum Econômico Mundial, admitiu que o Brasil possa atravessar uma leve e breve recessão. Tamanho cuidado com as palavras de pouco adiantou.

A poderosa senhora, que se julga uma economista de primeira, mandou Levy substituir “recessão” por “retração”.

Mas não ficou só nisso. Em entrevista ao jornal britânico “Financial Times”, Levy afirmou que “está ultrapassado” o modelo de seguro-desemprego no Brasil. Ah, para quê...

Foi logo mexer com o social, área que Dilma garantira durante a campanha ser intocável. Não mudaria nem que a diabo tossisse.

Diabo, não. Vaca. O diabo foi citado em outro contexto. Por ela ou por Lula, não lembro agora. Nem quero me socorrer do Google.

Dilma (ou Lula) faria o diabo para vencer a eleição presidencial.  E assim foi. Pintou, bordou e mentiu sem dó. Ganhou por pouco.

De volta ao “ultrapassado” modelo de seguro-desemprego. O Ministério da Fazenda emitiu nota dizendo que a declaração de Levy tivera como objetivo “ampliar o debate pela modernização das regras desse benefício”. Dilma não considerou suficiente.

Mandou que o ministro Miguel Rossetto, da Secretaria Geral da presidência da República soltasse nota chamando o seguro-desemprego de “conquista civilizatória”. Algo que, certamente, tem a ver com “pátria educadora”, novo slogan do governo.

Levy engoliu a nota a seco. Está dando para fazer o que planejou. E até com rapidez. Quanto a Dilma... Emudeceu. Retornou à clandestinidade. Parece envergonhada.

Afinal, entregou o comando da economia a um banqueiro que assessorou a campanha de Aécio Neves (PSDB-MG).

Seguiu a receita de Lula, que ao se eleger pela primeira vez, escalou um banqueiro do PSDB para o comando do Banco Central. No Ministério da Fazenda pôs Antonio Palocci, que não entendia de economia, mas que era do PT.

Ocorre que Dilma não é Lula.

Não tem o carisma dele, nem a habilidade, nem a liderança, nem o cinismo para culpar seus adversários por qualquer erro.

Lula faz política com prazer. Dilma detesta. Lula afaga os aliados até quando os contraria.  Dilma espanca.  Lula governou com o gogó. Dilma usa o gogó para repreender auxiliares.

Pode dar certo? Não sei. Divertido está.

Não tem preço ver petistas da gema estupefatos. Sem voz. Como Dilma.


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Blog do Noblat

Cadê Dilma? Não foge, não, Dilma!
Ricardo Noblat

O ministro Pepe Legal – ou melhor: Pepe Vargas, das Relações Institucionais – avisou, avisou, avisou... Que não vai rolar nova CPI para investigar a roubalheira na Petrobras. Não vai rolar.

Basta! O caso já mereceu duas CPIs. Uma mista, formada por senadores e deputados. Outra formada só por deputados. Essa praticamente não funcionou.

A outra funcionou sobre o estrito controle do governo por meio dos seus áulicos no Congresso. E sabem no que deu? Em nada. Deu em nada. Sequer serviu para a oposição fazer barulho.

E assim foi apesar da presidente Dilma Rousseff, na época em que ainda precisava falar com jornalistas para se reeleger, ter ficado rouca de repetir que queria a verdade sobre a Petrobras.

Não importava quanto custaria. Ela, a presidente da República, ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras, ex-ministra das Minas e Energia, queria a verdade custasse o quanto custasse.

Era lorota, como se viu. Continuará sendo lorota caso Dilma volte a comentar o assunto. Está difícil. Ela foge dos jornalistas desde o final do ano passado. Não quer se juntar com notícias ruins. Só com boas.

E como as boas andam escassas... Há razões de sobra para que se instale uma terceira CPI da Petrobras.

Do encerramento das duas primeiras para cá, muita lama veio à tona comprometendo a imagem daquela que já foi uma das maiores empresas do mundo. A Era PT conseguiu rebaixá-la.

CPI é instrumento de investigação da minoria. Não perde a validade só porque o Ministério Público e a Polícia Federal saíram na frente das apurações.

O silêncio de Dilma, e a fuga à obrigação de oferecer rotineiras explicações ao distinto público, só conspiram para reduzir sua aprovação. É o que restará demonstrado pelas próximas pesquisas.

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Petrolão: o empreiteiro amigo de Lula negocia delação premiada.

Crescimento da empresa de Pessoa se deu à sombra da sua amizade com Lula.

(Matéria da Folha) Apontado pelos investigadores da Operação Lava Jato como coordenador do "clube" de empreiteiras que fraudavam licitações na Petrobras, o empresário Ricardo Pessoa, da UTC-Constran, negocia um acordo de delação premiada com os procuradores que atuam no caso.

Se as negociações derem certo, Pessoa será o primeiro empreiteiro a contar o que sabe em troca de uma redução de pena --o princípio da delação. Já são pelo menos nove os réus da Lava Jato que decidiram colaborar com as investigações, segundo a Procuradoria Geral da República.

O grupo UTC-Constran tem 29 mil funcionários e faturou R$ 5 bilhões em 2013, o último dado disponível. Pessoa era o presidente da UTC, cargo que deixou após ser preso em 14 de novembro passado sob acusação de pagar propina para conseguir contratos na Petrobras --o que a UTC nega com veemência.

Nas conversas que ocorreram nesta semana em Curitiba, participaram o defensor de Ricardo Pessoa, Alberto Toron, o presidente da Constran, João Santana, que foi ministro no governo de Fernando Collor, e o advogado Antonio Figueiredo Basto, que cuidou das negociações da delação de Alberto Youssef, seu cliente desde os anos 2000. Figueiredo Basto foi chamado para reforçar o time por causa da experiência que tem com delação --é um dos advogados que mais fez acordos de colaboração no país.

Dos 11 executivos presos desde novembro em Curitiba, Pessoa é o mais próximo do doleiro Youssef: era sócio dele em um hotel em Salvador e num empreendimento imobiliário em Lauro de Freitas, ao lado da capital baiana. As negociações de Pessoa com os procuradores ainda não foram fechadas, segundo a Folha apurou, porque o executivo diz não ter informações sobre pagamento de propina no setor elétrico.

Os procuradores da Lava Jato querem que os delatores não se restrinjam a narrar as irregularidades que praticaram na petroleira. Eles buscam informações sobre outros setores após o ex-diretor Paulo Roberto Costa ter revelado em depoimento que as empreiteiras também agiam como um cartel em hidrelétricas e portos.

Pessoa tem dito aos procuradores que a UTC participa de uma única obra do setor elétrico, a montagem da usina nuclear Angra 3, num consórcio do qual fazem parte Camargo Corrêa e Odebrecht. O executivo foi apontado como coordenador do cartel por Augusto Ribeiro Mendonça, ligado à Toyo Setal, que também fez um acordo de delação premiada.

Outro delator da Lava Jato, Julio Camargo, contou aos procuradores que um consórcio liderado pela UTC pagou propina para conquistar uma obra no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). Ele afirma que não sabia o valor porque o suborno teria sido acertado pelo próprio Pessoa.

CAMARGO CORRÊA
Três integrantes da cúpula da Camargo Corrêa que estão presos desde novembro também negociam um acordo de delação. Em reunião nesta sexta-feira (23), procuradores e advogados dizem ter encontrado uma forma de beneficiar tanto os executivos como a empresa --um dos pontos mais difíceis do acordo. Com isso, abre-se a perspectiva de a empresa ser incluída na delação, além dos executivos. Procuradas pela Folha, a UTC e a Camargo Corrêa não quiseram comentar. A reportagem não conseguiu localizar o advogado Alberto Toron.

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Os “petralhas” da Argentina agora dizem que Cristina é que é vítima do promotor “suicidado”

A canalha é igual em toda parte. Então vamos ver. Alberto Nisman, promotor que investigava a ação do governo de Cristina Kirchner para encobrir as pegadas do Irã num atentado terrorista contra uma entidade judaica — 85 mortos —, aparece morto em seu apartamento um dia antes de apresentar ao Congresso as provas que dizia ter. O governo logo se apressou em cravar que fora suicídio, antes mesmo de qualquer perícia. A penca de evidências de que foi assassinado aumenta a cada dia. No Brasil, a canalha faria o quê?

Ora, o que está fazendo na Argentina: acusando a existência de uma conspiração contra… Cristina Kirchner! Já vimos esse procedimento por aqui muitas vezes, não? Logo depois do mensalão, cavalgaduras intelectuais e morais como Marilena Chaui lançaram a teoria do “golpe da mídia, da direita e da oposição” contra o PT. Vale dizer: o comando do partido é flagrado em atos explícitos de corrupção, mas a culpa deve ser atribuída a seus adversários. Tentou-se fazer o mesmo com o petrolão: tudo não passaria de uma grande armação dos que quereriam privatizar a Petrobras.

Uma nota do Partido Justicialista acusa o suposto monopólio da mídia (sempre ela!), juízes e promotores de tentar organizar um golpe contra… Cristina! Haveria um movimento para desestabilizá-la e para enlameá-la. Entenderam? Aquele que havia se constituído no maior risco à reputação da mandatária leva um tiro na cabeça, mas ela é que passa a ser a vítima. Assim como, no Brasil, o PT se declarou vítima — com Lula à frente da gritaria — do imbróglio do mensalão. Não faz tempo, em recente encontro com dirigentes petistas, o Babalorixá de Banânia recomendou que a companheirada andasse de cabeça erguida. Também o petrolão seria uma construção artificial de adversários.

Na Argentina, quem comanda a “reação” é o movimento La Cámpora, uma facção do Partido Justicialista comandado por pistoleiros, a começar do filho da presidente, Máximo Kirchner. O La Cámpora reúne a escória do governismo. É uma espécie de milícia, fartamente financiada com dinheiro oficial, para patrulhar a imprensa, atacar com baixarias inomináveis os adversários do governo, acusar conspirações etc. A pauta número um dos vagabundos é controlar a imprensa. Isso lhes soa familiar? O La Cámpora é a versão argentina dos petralhas.

O texto bucéfalo que ataca os adversários de Cristina e defende a presidente teve a delicadeza de lamentar a morte de Nisman só no 10º parágrafo. Essa banda — ou bando — do Partido Justicialista é a expressão argentina de um tipo de patifaria e de delinquência políticas que se espalha América Latina afora: junta em doses iguais banditismo político, populismo safado e esquerdismo ignorante.


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Blog do Coronel

José Dirceu recebia mensalão do petrolão.

(Do G1) A Justiça Federal determinou a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, do irmão dele Luiz Eduardo de Oliveira e Silva e da empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda., que pertence aos dois. Para o Ministério Público Federal, há indícios de que a empresa tenha recebido recursos de empreiteiras ligadas ao esquema de corrupção na Petrobras, desvendado pela Operação Lava Jato.

De acordo com a decisão, a JD Assessoria e Consultoria recebeu, entre 2009 e 2013, R$ 3.761.000,00, das construtoras Galvão Engenharia, OAS e UTC Engenharia. As três empresas tiveram executivos presos no início de dezembro, quando foi deflagrada a sétima fase da Lava Jato.

Com a quebra de sigilo, os procuradores querem saber se os pagamentos feitos à JD Assessoria e Consultoria foram para o pagamento de propinas, tal como ocorria em empresas de fachada comandadas pelo doleiro Alberto Youssef, também preso na Operação Lava Jato. A quebra do sigilo fiscal foi autorizada entre o período de  1º de janeiro de 2005 a 18 de dezembro de 2014. Já o sigilo bancário foi quebrado entre 1º de janeiro de 2009 e 18 de dezembro de 2014.

O MPF chegou à empresa de Dirceu ao analisar documentos contábeis das empreiteiras. Em uma das lisas, da Galvão Engenharia, aparece a rubrica genérica de "consultoria", para justificar pagamentos mensais de R$ 25 mil à JD Assessoria e Consultoria. O total desses pagamentos soma R$ 725 mil. Da mesma forma, nos livros da OAS, os procuradores encontraram pagamentos mensais de R$ 30 mil, que totalizaram outros R$ 720 mil.

No caso da UTC, foram encontrados apenas dois pagamentos. Um no valor de R$ 1.337.000,00, em 2012, e outro de R$ 939 mil, feito em 2013. Em ambos, a justificativa anotada nos documentos era de "consultoria, assessoria e auditoria". Em nota, José Dirceu confirma que prestou serviços de consultoria às empresas citadas no documento da Justiça Federal. O ex-ministro ainda se colocou à disposição para prestar esclarecimentos ao Judiciário.

Mensalão
O ex-ministro atuou no cargo durante o primeiro mandato do presidente Luis Inácio Lula da Silva, mas deixou o governo após as denúncias do mensalão. Naquele mesmo ano, Dirceu teve o mandato de deputado federal cassado pela Câmara. Em 2013, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal na ação penal que julgou as denúncias. No período investigado pelo MPF, Dirceu não exercia nenhuma função pública.

Outro lado
A Galvão Engenharia informou que não vai se pronunciar sobre as suspeitas. A UTC Engenharia reconheceu que contratou a JD Assessoria e Consultoria para a prospecção de negócios de infraestrutura no Peru e na Espanha. Na construtora OAS, ninguém foi encontrado para comentar as suspeitas. Já o Palácio do Planalto não quis comentar a denúncia do advogado de Gerson Almada, de que o dinheiro desviado da Petrobras seria usado para pagar a base aliada do governo.

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Depois de 12 anos, R$ 3 milhões no bolso, Vaccari é finalmente demitido de Itaipu.

Sem dúvida alguma, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, foi aquinhoado com o melhor posto em conselhos do país para operar com certa folga para o propinoduto do PT. Nestes anos todos, desde o mensalão, esteve envolvido em todas as denúncias que desaguaram neste mar de lama do petrolão. Ontem, Vaccari perdeu a boquinha de mais de R$ 20 mil mensais, que lhe renderam cerca de R$ 3 milhões para menos de 80 reuniões nestes anos todos e nenhuma contribuição ao desenvolvimento da matriz energética do Brasil. Foi demitido pela pressão da sociedade, justamente no dia em que o ministro das Minas e Energia anunciou que o Brasil pode - e vai! - entrar em racionamento de energia elétrica. É a cara cuspida e escarrada do PT no poder.

(O Globo) O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, foi exonerado nesta quinta-feira , “ a pedido”, do Conselho de Administração da usina Itaipu Binacional. O petista foi citado na delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa como um dos operadores do esquema de distribuição de propinas na estatal. A exoneração foi publicada em decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff e o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga.

O governo nomeou Giles Azevedo, ex-chefe de gabinete da presidente Dilma, para assumir o cargo até 16 de maio de 2016 - quando venceria o mandato de Vaccari.

Vaccari chegou ao posto por nomeação da própria presidente, em 2003, quando era ministra de Minas e Energia. Com mandato de quatro anos, desde então o tesoureiro petista vinha sendo reconduzido como conselheiro. A remuneração por participação nas reuniões do conselho de Itaipu é de R$ 20.804,13. O conselho se reúne apenas seis vezes por ano, mas podem acontecer encontros extraordinários.

Vaccari anunciou que deixaria o conselho a três dias do segundo turno das eleições, em outubro do ano passado. O comunicado da saída ocorreu depois que o então candidato Aécio Neves (PSDB), no último debate entre os candidatos a presidente, mencionou a presença dele no conselho da empresa. - A senhora confia nele? - questionou Aécio mais de uma vez. Vaccari responde, desde 2010, a denúncia do Ministério Público por suposto desvio de recursos, da Bancoop, uma cooperativa habitacional.

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Blog do Reinaldo Azevedo

José Dirceu na Lava Jato: ele já mudou de cara duas vezes e de nome, mas será sempre um cara: José Dirceu. Ou: Petista é abatido quando se preparava para fazer oposição a Dilma no PT

O petista José Dirceu, que se preparava — já chego lá — para disputar novas posições de poder no PT, é um dos investigados da Operação Lava Jato. Vai ver está aí o motivo que o levou a procurar Lula não faz tempo, sem sucesso, conforme revelou a revista VEJA. O Poderoso Chefão pôs o faz-tudo Paulo Okamotto para falar com o Zé. Nunca foi do tipo que se jogou no mar para salvar um amigo ou aliado. Eh, Zé Dirceu! O homem que nunca teve um trabalho formal, ora vejam!, tornou-se um dos consultores mais bem-sucedidos do país assim que deixou a chefia da Casa Civil, onde ficou de 1º de janeiro de 2003 a 21 de junho de 2005. Ele próprio revelou, certa feita, a razão de seu sucesso como “consultor”.

Em entrevista à revista Playboy em julho de 2007, o repórter quis saber se o fato de ele ter passado pelo governo facilitava o seu trabalho. A resposta foi espantosa. Disse ele:
“O Fernando Henrique pode cobrar R$ 85 mil por palestra, e eu não posso fazer consultoria? No fundo, o que eu faço é isso: analiso a situação, aconselho. Se eu fizesse lobby, o presidente saberia no outro dia. Porque, no governo, quando eu dou um telefonema, modéstia à parte, é um telefonema! As empresas que trabalham comigo estão satisfeitas. E eu procuro trabalhar mais com empresas privadas do que com empresas que têm relações com o governo.”

Vamos ver. FHC deixou a Presidência em 2002. Todos os que o convidavam e convidam para palestras — e palestra não é consultoria — sabem que ele não tem nenhuma influência no Planalto. Será que alguém faz um convite ao tucano esperando que ele dê “um telefonema” ao governo, como o petista admitiu, então, fazer? Em agosto de 2011, reportagem da VEJA revelou que, mesmo processado pelo STF, Dirceu mantinha em Brasília uma espécie de governo paralelo.

O centro clandestino de poder ocupava um quarto no hotel Naoum. O nome do Zé não contava da lista de hóspedes. Quem pagava as diárias (R$ 500) era um escritório de advocacia chamado Tessele & Madalena. Um dos sócios da empresa, Hélio Madalena, já foi assessor de Dirceu. O seu trabalho mais notável foi fazer lobby para que o Brasil desse asilo ao mafioso russo Boris Berenzovski. Tudo gente fina!

A revista revelou, então, que, em apenas três dias, entre 6 e 8 de julho de 2011, o homem  recebeu uma penca de poderosos. Prestem atenção a alguns nomes da lista de notáveis que foram beijar a mão do Zé, com os cargos que exerciam então: Fernando Pimentel, Ministro da Indústria e Comércio; José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras; e os senadores Walter Pinheiro (PT-BA); Lindberg Farias (PT-RJ); Delcídio Amaral (PT-MS) e Eduardo Braga (PMDB-AM).

Ninguém precisa intuir, porque o próprio Dirceu confessou, que a posição que ocupara no governo e seu prestígio no PT valiam ouro. Seus “clientes”, afinal, apresentavam suas demandas a um homem sem dúvida poderoso.

E ficamos sabendo, agora, que José Dirceu é um dos investigados no escândalo do petrolão. Segundo revelou reportagem do Jornal Nacional, o Ministério Público Federal encontrou indícios de que ele foi um dos beneficiários do esquema que atuava na Petrobras. A empresa JD Assessoria e Consultoria Ltda, que o petista mantém em sociedade com Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, seu irmão, recebeu R$ 3,721 milhões de três empreiteiras que estão sob investigação: R$ 725 mil da Galvão Engenharia — em parcelas de R$ 25 mil mensais; R$ 720 mil da OAS, em parcelas de R$ 30 mil, e R$ 2,276 milhões da UTC Engenharia, em dois pagamentos:  R$ 1,337 milhão e R$ 939 mil. A juíza federal Gabriela Hardt determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos irmãos e da empresa.

Vai ver as empreiteiras sabiam que um telefonema do Zé para o governo “é um telefonema”. Dirceu diz que prestou assessoria às três empresas… E o homem é eclético! Conseguiu clientes nas áreas de petróleo e gás, telefonia, construção e bancos. Curiosamente, todas elas dependem de forte regulação estatal.

Abatido antes do voo
A notícia abate o Zé antes mesmo de ele alçar voo. Cumprindo prisão domiciliar em Brasília, ela já realizou diversas reuniões para tentar recuperar uma posição de força no PT. Andava pensando até em articular uma nova tendência. Segundo o Estadão, já conversou, até agora, com 30 deputados e sete senadores do partido. Nos bate-papos, faz críticas abertas à presidente Dilma Russeff e aos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) e Pepe Vargas (Relações Institucionais). Na terça, em seu blog, atacou as medidas recentes da área econômica.

Segundo um amigo, Dirceu estava disposto a brigar e a “se reinventar”. Pois é… Reinventar o quê? Ele já mudou de nome e, de cara, duas vezes. Mas não há reinvenção possível. Será sempre José Dirceu.

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Costa confirma que levou propina para não atrapalhar compra de Pasadena. Quem pagou? Fernando Baiano, um amigo do amigão do homem…

 Em depoimento à Polícia Federal, Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Serviços da Petrobras que fez acordo de delação premiada, foi inequívoco: só ele recebeu US$ 1,5 milhão em propina para não criar dificuldades na compra da reinaria de Pasadena, nos EUA. Como era o titular de uma diretoria poderosa, tinha como dificultar os trâmites. E com quem ele acertou a canalhice? Segundo disse, com o lobista Fernando Baiano. O pagamento foi feito no exterior, no Vilartes Bank, no paraíso fiscal de Liechteinstein. Baiano, assegurou, era um operador do PMDB, mas também trabalhava para outros partidos. Segundo Costa, o homem era muito próximo do empresário Fernando Bumlai. Quem é Bumlai? Clique aqui para saber. Trata-se de um dos maiores e mais fiéis amigos pessoais de Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2011, reportagem de VEJA começou a desvendar essa figura. Leio trechos:
“É um dos maiores pecuaristas do país, amigo do peito do ex-presidente Lula e especialista na arte de fazer dinheiro – inclusive em empreendimentos custeados com recursos públicos. Até o ano passado, ele tinha trânsito livre no Palácio do Planalto e gozava de um privilégio sonegado à maioria dos ministros: acesso irrestrito ao gabinete presidencial. Essa aproximação excepcional com o poder credenciou o pecuarista a realizar algumas missões oficiais importantes. Ele foi encarregado, por exemplo, de montar um consórcio de empresas para disputar o leilão de construção da hidrelétrica de Belo Monte, uma obra prioritária do governo federal, orçada em 25 bilhões de reais. (…)

Seus filhos também se tornaram amigos dos filhos de Lula. Amizade daquelas que dispensam formalidades, como avisar antes de uma visita, mesmo se a visita for ao local de trabalho. Em 2008, após saber que o serviço de segurança impusera dificuldades à entrada do pecuarista no Planalto, o presidente Lula ordenou que fosse fixado um cartaz com a foto de Bumlai na recepção do palácio para que o constrangimento não se repetisse. O pecuarista, dizia o cartaz com timbre do Gabinete de Segurança Institucional, estava autorizado a entrar “em qualquer tempo e qualquer circunstância”.

Há mais coisas sobre o homem. Vejam lá depois. Empreiteiras reclamavam, por exemplo, de suas intromissões na… Petrobras.

Mas voltemos a Costa. Segundo seu depoimento, quem apareceu com o negócio de Pasadena foi Nestor Cerveró, e o que se comentava é que a propina, possivelmente paga pela Astra, a empresa belga que era dona da refinaria, foi de US$ 20 milhões a US$ 30 milhões.

Costa dá a entender que os que conheciam o assunto sabiam ser um mau negócio, mas aprovado pelo Conselho de Administração — presidido à época pela então ministra Dilma Rousseff — e também pela diretoria. O presidente da empresa era José Sérgio Gabrielli. Segundo disse, as obras de adequação da refinaria ficaram a cargo do petista Renato Duque, que seria o arrecadador das propinas do PT. Ele, então, escolheu para o serviço a Odebrecht e a UTC Engenharia, ambas investigadas na Operação Lava-Jato.

Sei não… Mas é possível que a importância de Fenando Baiano ainda cresça nessa narrativa.

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Empreiteiro diz que corrupção pagava base aliada e põe o PT no centro do esquema. Ou: É claro que a Petrobras não era vítima e que também houve extorsão!

Caros leitores, o segredo de aborrecer é dizer tudo, afirmava Voltaire. Então vamos lá. A defesa do empresário Gérson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix, que está preso desde o dia 14 de novembro,  entregou à Justiça Federal um documento de 85 páginas em que afirma que o superfaturamento de obras da Petrobras tinha o objetivo de “bancar os custos altos da campanhas eleitorais” e que o dinheiro pagava a base aliada do governo no Congresso. O texto sustenta ainda que o PT era o organizador do esquema: “Faz mais de 12 anos que um partido político passou a ocupar o poder no Brasil. Na plano da manutenção desse partido no governo, tornou-se necessário compor com políticos de outros partidos, o que significou distribuir cargos na administração pública e em sociedades de economia mista”.

Os advogados de Mello Almada, que é acusado de corrupção ativa, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sustentam que a Petrobras não era vítima nas ações criminosas. Ao contrário: segundo o texto, as empresas eram extorquidas, e Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento, teria sido um dos agentes dessa extorsão.

Então tá. Há duas frentes de investigação: a da Justiça Federal do Paraná, comandada pelo juiz Sérgio Moro, e a do STF, que reúne os políticos com foro especial por prerrogativa de função. É claro que a estratégia da defesa parece ser unificar o caso no Supremo. O esforço se insere no direito de defesa. Nada a opor. Se os advogados serão ou não bem-sucedidos, veremos.

É evidente que as empresas também cometeram crimes. Se estavam sendo extorquidas — e eu acho que havia, sim, extorsão também —, que se reunissem e denunciassem a canalha. Mas a gente sabe como são as coisas: todos se juntam contra o erário.

Mas eu concordo, sim, com um aspecto: a Petrobras nunca foi vítima de nada. As vítimas, nesse caso, são os brasileiros, que foram roubados. Até hoje me espanto com a, como direi?, leveza dos ombros de José Sérgio Gabrielli, presidente da estatal durante as muitas sem-vergonhices. Gabrielli é aquele que se reunia clandestinamente com José Dirceu. Então as diretorias de Serviço, Abastecimento e Internacional eram antros da corrupção, a serviço também de partidos, muito especialmente do PT, e ele realmente não sabia de nada? O próprio Alberto Youssef afirmou num depoimento que as empreiteiras sempre foram muito fiéis no pagamento da propina porque tinham outros negócios no governo e sabiam que poderiam ser prejudicadas.

Não dá mesmo, e eu concordo, para dissociar a roubalheira da Petrobras do esquema de poder que ela sustentava. Se isso vai ou não unificar os processos no STF, não sei. Uma coisa é certa: os empreiteiros não se uniram numa organização criminosa só para fraudar a Petrobras. A propina tinha um endereço: partidos políticos. Como diz o documento, era preciso remunerar a base aliada. A Petrobras, então, se transformou, sim, num centro de extorsão.

Acho que o foco dessa coisa toda está um pouco distorcido. Há uma certa fúria contra o capital privado, visto como o grande vilão da história. Já li vários textos exaltando: “Ah, desta vez os corruptores estão pagando o pato!” Vamos com calma! O que não pode acontecer é, mais uma vez, os verdadeiros beneficiários da patifaria  saírem flanando por aí, livres, leves e soltos. José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino já estão em casa. A banqueira Kátia Rabelo e o publicitário Marcos Valério, em cana. Até parece que a dupla conseguiria fazer o mensalão sem a colaboração dos outros.

Cadê, afinal, José Sérgio Gabrielli?

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Blog do Noblat

Por que só José Dirceu? Por que Lula, não?
23/01/2015 - 03h00
Ricardo Noblat

Quando o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, julgado, condenado e preso por envolvimento com o esquema do mensalão, perderá sua condição de bola da vez?

A Justiça quebrou o sigilo fiscal e bancário da JD Consultoria, empresa dele. E descobriu que ela recebeu R$ 4 milhões pagos por empreiteiras acusadas de roubalheira na Petrobras.

As empreiteiras: Galvão Engenharia OAS e UTC. Executivos delas estão no cárcere da Polícia Federal, em Curitiba. Os pagamentos foram feitos entre 2009 e 2013. Dirceu deixou o governo em 2005.

O ex-ministro reconhece que recebeu o dinheiro. Alega que prestou consultoria às empresas. Ou se prova que ele mente ou de nada poderá ser acusado.

Vejam o caso de Lula. Depois que deixou o governo no primeiro dia de janeiro de 2011, passou a prestar serviços às maiores empreiteiras brasileiras. Essas mesmas cujos executivos estão presos.

Ganha das empreiteiras por dois tipos de serviços: palestras que faz aqui e no exterior, e lobby. Ele se empenha junto a governos onde fez amizades para ajudar as empreiteiras a fecharem negócios.

Alguma ilegalidade nisso? Nenhuma, aparentemente. Talvez haja aí um problema de aspecto moral. Lula se vale do cargo que exerceu para ficar rico. Presidente americano também age assim.

Por que não se quebra o sigilo fiscal da empresa de Lula que fornece notas fiscais a quem o contrata? Isso poderia ter alguma coisa a ver com a roubalheira na Petrobras?

Afinal, o que distingue as situações de José Dirceu e de Lula?


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Blog do Ilimar Franco

O sonho acabou

          As duras medidas adotadas pela presidente Dilma racharam o PT. O partido não acredita que o governo adotou o melhor caminho. As críticas dos petistas proliferam país afora. A falta de convicção petista já contaminou a base do governo no Congresso. A isso se soma a falta de ascendência da presidente Dilma sobre seu partido. O quadro só não é pior porque a oposição não tem capacidade de promover mobilização social de massas.

Petistas apoiam discurso tucano
O PSDB parece ter razão quando diz que a presidente Dilma traiu seus eleitores. Petistas estão aderindo a esta linha política. O marido da deputada Maria do Rosário (PT-RS), Eliezer Pacheco, usou as redes sociais ontem para lançar seu grito de guerra: “Não foi nisso que nós votamos. Em defesa do nosso projeto e do PT, FORA, LEVY”. Pacheco, secretário na prefeitura de Canoas (RS), diz que está esperneando porque não é “cordeiro nem omisso”. Acusa o governo Dilma de ter optado por “achacar os assalariados”, como se fosse um governo de direita. E receita: enfrentar os sonegadores e o grande capital, e não trair “nosso projeto nem que a vaca tussa!”.

“Nós estamos no pior dos mundos. A máquina do PT no governo executando o programa econômico dos tucanos”

Médica carioca,
que reside na Zona Sul, sobre as medidas econômicas adotadas pela presidente Dilma na largada para seu segundo mandato

Um tijolo de cada vez
A Câmara pega fogo. No Senado reina a calmaria. Candidato à reeleição, o presidente Renan Calheiros (PMDB) rema devagar. Ele tem dito que, se entrar em campo agora, os senadores que vão tomar posse irão se sentir excluídos do processo.

Habilidade?
O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), aquele que terá de negociar com a base aliada a aprovação de MPs e projetos de interesse do Planalto, entrou na disputa pela presidência da Casa. E distribuiu o informativo 199, no qual declara: “Chinaglia acumula as melhores condições para vencer as eleições para a presidência da Câmara”.

Batendo bumbo
Embalada pelo apagão, além da CPI da Petrobras, a oposição vai pedir, na volta do recesso, a criação de uma CPI do Sistema Elétrico. Se estas duas emplacarem, tentarão depois abrir uma para investigar os financiamentos do BNDES.

A fonte secou
A bancada da Educação se reuniu com o ministro Cid Gomes (Educação). Os doze deputados pediram, ontem, uma solução para o problema do setor privado. Universidades particulares reclamam que, com a mudança nas regras do Fies, menos alunos serão beneficiados pelo programa, e elas podem ter de fechar as portas.

Uma coisa depois da outra
Os novos ministros foram orientados, nesta primeira fase, a conhecer e manter de pé os programas e projetos em andamento. Somente depois, e quando a crise fiscal passar, é que eles devem pensar em lançar novos projetos.

O STJ vem aí
A TV Justiça lançou um programa de entrevistas. A novidade é que o “STJ Entrevista” tem como âncoras os próprios ministros do Superior Tribunal de Justiça. Neste sábado, o tema será o combate à improbidade administrativa.

O mais esperado encontro de Davos será amanhã, às 11h. Tombini (BC) e Joaquim Levy (Fazenda) sentam com o secretário do Tesouro dos EUA, Jack Lew.


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Blog do Rafael Brasil

O APERTO ESTÁ CHEGANDO – O POVO PAGA PRIMEIRO - RAFAEL BRASIL

Para fazer o ajuste fiscal é preciso cortar antes de aumentar impostos. Só que sempre foi mais fácil tungar a ralé. Pobre e geralmente ignorante. Para os pobres eufemisticamente chamados de “classe média”, quando não “novas”, segundo o pensamento do partido que quer se tornar hegemônico.  Ai ai...
A presidente teatralmente é cobrada à esquerda. Que quer mesmo mais carguinhos para os novos ricos da “militância”. TODOS àqueles velhos líderes sindicais foram devidamente agraciados com mamatas estatais. E a turma sempre quer mais, e é bom aproveitar. Quem sabe se desta vez a casa caia? Antes se prometia gerenciamento e lisura. O que temos é a total bagunça administrativa e corrupção das brabas. E a presidente ainda quer posar de combatente da ladroeira. O pior é que ainda há quem acredite. São os verdadeiros idiotas da objetividade, ou mesmo os pequenos larápios de sempre fantasiados de revolucionários. Parece brincadeira.

ATRASO POLÍTICO
                                                                       
Nunca em toda nossa história tivemos políticos tão fracos. Na monarquia, mesmo sendo um país agrícola escravocrata e patriarcal, tínhamos um parlamento de ótimo nível. As elites agrárias mandavam seus filhos estudar em Lisboa, Porto, Coimbra, ou mesmo Londres e Paris. Claro, o voto era censitário, só se votava quem tivesse determinada renda. Dez por cento votava. Só que na segunda metade do século XIX, na Inglaterra só tinha direito a voto 25% da população. Quando proclamada a república, foi instituída a proibição do voto aos analfabetos, reduzindo o número de votantes para cerca de 2% da população.
Na república, tínhamos as elites rurais dando as cartas.

 Getúlio se orgulhava de ler de quase tudo desde a juventude. De literatura a filosofia. Lula quer se comparar a ele, se gabando de sua ignorância. Só que ainda hoje, (para nós no atual contexto histórico não deixa de ser desastroso) ainda somos governados pelo estado concebido pelo velho brutal e matreiro político gaúcho.    Que foi um dos poucos estadistas nacionais no sangrento século XX. Pegou um país essencialmente agrário, e impulsionou , através do estado, a industrialização.

O congresso de 45 era de ótima qualidade. Tinha Afonso Arinos, Prestes, Gregório Bezerra, Jorge Amado, dentre muitos outros. Na redemocratização tivemos Ulysses Guimarães, Marcos Freire, Roberto Freire, Pedro Simon, Paulo Brossad, e muitos outros. Hoje temos Renan Calheiros, e figuras como Humberto Costa. É de fazer chorar..., imaginem nas esferas estaduais e municipais? Porém, essencialmente, isto é o resultado do processo de destruição de nossas elites intelectuais, que se acelerou muito na segunda metade do século XX. Infelizmente este não é apenas um problema nacional, mas por aqui tem sido muito pior. A burrice de nossas elites é uma construção de séculos, como diria Nélson Rodrigues.


UMA IMENSA BOLÍVIA


A presidente gerentona, vai para a Bolívia, prestigiar a posse do grande estadista Evo Morales. Certamente muitos acordos comerciais e também culturais devem estar em pauta neste grande evento de repercussões mundiais.

Para que ir a Davos, conversar com àqueles chatos ricaços da Europa Ásia e Estados Unidos? Com a economia nacional em “alta” nossa “presidenta” não poderia dar conselhos aos europeus, sobretudo os alemães como no passado recente. A respeito, os alemães estão cada vez mais ricos, e com as contas  em ordem.  Assim como nós, com a economia “estável”, herança do próprio governo que queria ensinar pinto a piar. Se o PT ficar mais vinte anos no poder, nos tornaremos uma imensa Bolívia. E aí quem sabe, o Lulinha, o “gênio empresarial” filho de Lula, pudesse sucedê-lo no governo? Ele seria nosso Kin Jon Il. 

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Levy seduz investidores

Tratado como uma espécie de salvador da pátria, mas sem deixar que isso o faça esquecer os problemas que tem pela frente, o novo ministro da Fazenda Joaquim Levy encontrou em Davos, no Fórum Econômico Mundial, o ambiente ideal para vender a imagem de um novo modelo econômico que ele, cuidadoso, mas mostrando determinação, fez questão de ressaltar sem, no entanto, definir como antagônico ao que estava em uso nos quatro anos do primeiro mandato da presidente Dilma.

O ministro da Fazenda teve ontem em Davos encontros com investidores em que não se furtou a comentar até mesmo aspectos políticos, como a crise da Petrobras e o apoio do Congresso às medidas de austeridade que o governo vem anunciando.

Ele foi alertado de que o apoio político que hoje tem será sempre limitado, e por isso precisa agir rápido.

Joaquim Levy acredita que a base aliada do governo vai acabar aprovando as novas medidas, mas mostrou-se cauteloso sobre o novo Congresso, que toma posse em fevereiro. Até abril nós vamos ter uma boa ideia de como as coisas andarão, avaliou Levy, e depois comentou que acredita na aprovação por que todos sabem, tanto governo quanto oposição, que as medidas que estão sendo tomadas são necessárias.

Com relação à Petrobras, o ministro da Fazenda disse que é preciso separar a competência técnica da estatal, que continua de altíssimo nível, da crise na empresa. Essa será resolvida dentro dos parâmetros legais, e a empresa continuará se destacando na sua função principal,superando os problemas que hoje enfrenta, garantiu.

O ministro fez questão de salientar que no Brasil questões como essas são resolvidas pelo Judiciário, sem interferências políticas. E salientou que a imprensa livre tem papel fundamental na democracia brasileira. Mostrar um quadro institucional estável, aliás, fez parte do discurso de Levy nesse primeiro contato com investidores estrangeiros, fazendo uma ligação entre a estabilidade das regras econômicas com a maturidade das instituições brasileiras.

O ministro escolheu o caminho mais direto para falar aos investidores aqui em Davos: foi objetivo, sem subterfúgios. A garantia de que as regras serão conhecidas e respeitadas foi ponto central de sua fala, e levou os investidores elogiá-lo sempre que salientou que o governo respeita contratos e quer a participação do setor privado no crescimento do país.
O ministro admitiu que a economia brasileira este ano será "flat", uma maneira suave de dizer que o PIB não crescerá, fazendo um contraponto à postura de seu antecessor, que sempre rejeitava as previsões dos organismos internacionais. Mas salientou que já no segundo semestre teremos sinais de recuperação que permitirão antever um ano de 2016 melhor.

Assim como tem feito no Brasil, o ministro Levy tratou aqui das mudanças que estão sendo implementadas no país com um tom puramente técnico, como se fossem as medidas normais que um governo deve tomar para transmitir credibilidade de sua política. O fim dos subsídios do BNDES, por exemplo, foi tratado como uma necessidade para dar mais competitividade às empresas nacionais, e não como uma crítica à política anterior.

Para Levy, o país está entrando em uma segunda fase de sua política econômica, não como uma mudança de rumo, mas como uma continuidade de gestão. O que o governo está fazendo é retomar a normalidade depois de ter usado políticas anticíclicas para enfrentar os efeitos da crise financeira de 2009.

Políticas anticíclicas, por definição, não podem durar para sempre e agora nós estamos colocando a economia na normalidade, cortando certos excessos, reajustando os preços dentro da realidade do momento, disse Levy, sem caracterizar uma crítica à equipe anterior.


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Blog do Coronel

Mensaleiro Zé Dirceu conspira por novo PT.

(Estadão) Disposto a medir forças dentro do PT e a escancarar críticas à política econômica do governo Dilma Rousseff, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu tenta reaglutinar o seu grupo no partido. Dois anos após ser condenado no processo do mensalão e cumprindo pena em casa desde novembro, Dirceu recebe com frequência deputados, senadores e dirigentes que se queixam do governo e pregam mudanças na legenda.

Os movimentos do petista têm o objetivo de articular a formação de um novo campo político no PT, que pode culminar em seu afastamento da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), majoritária no partido. Embora tenha sido condenado em 2012 a 7 anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa, Dirceu ainda se considera forte no PT e quer reunir, após o carnaval, militantes de diferentes tendências. Até agora, ele já conversou com cerca de 30 deputados, sete senadores e correligionários de vários Estados em sua casa no Lago Sul de Brasília, onde cumpre a prisão domiciliar.

Até mesmo parlamentares da corrente Mensagem ao Partido - integrada pelo titular da Justiça, José Eduardo Cardozo, seu desafeto - e de grupos do PT mais à esquerda no espectro ideológico, já se reuniram com o ex-ministro. Nas conversas reservadas, às vésperas da comemoração de 35 anos do PT, que serão completados em fevereiro, Dirceu diz que sua intenção é discutir os rumos do partido antes de seu 5.º Congresso. O encontro de Salvador, em junho, vai nortear as ações do petismo nos próximos anos e deve fazer uma autocrítica sobre a sucessão de escândalos que se abateram sobre a legenda.

Padrinho de Renato Duque, ex-diretor da Petrobrás que teve o nome envolvido na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, Dirceu tem afirmado aos interlocutores que o PT e o governo Dilma estão na defensiva e não sabem reagir à oposição. Critica abertamente a direção do PT, a presidente Dilma, a equipe econômica e os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Miguel Rossetto (Secretaria Geral da Presidência) e Pepe Vargas (Secretaria de Relações Institucionais), encarregados da articulação política com o Congresso.

Na terça-feira, Dirceu publicou em seu blog um texto criticando as recentes medidas econômicas do governo. "O aumento de impostos e dos juros são apenas consequências, desdobramentos da busca de um superávit de 1,2% do PIB este ano", escreveu. "A elevação dos juros visa derrubar a demanda e vem casada com o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para os empréstimos às pessoas físicas. Aí, também, refreando o consumo. Caminhamos assim - conscientemente, espero, por parte do governo - para uma recessão com todas as suas implicações sociais e políticas."

Dirceu está ressentido com a cúpula do PT, porque se sentiu abandonado durante o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF). A portas fechadas, a posição do ex-todo poderoso chefe da Casa Civil é parecida com a da senadora Marta Suplicy (PT-SP). Em entrevista ao Estado, Marta foi enfática: "Ou o PT muda ou acaba". Um amigo que esteve com Dirceu recentemente diz que o ex-ministro de Lula tem "energia para brigar" e quer se "reinventar". Segundo esse interlocutor, Dirceu tem uma posição crítica em relação ao atual processo político e à cúpula do governo.

Restrições. O cumprimento da sentença do mensalão em regime de prisão domiciliar impõe restrições à atuação de Dirceu. Ele não pode, por exemplo, sair de Brasília sem autorização do Supremo. Deve ficar em casa das 21 às 5 horas, é proibido de frequentar bares e de realizar encontros com outros condenados que estejam cumprindo pena.

O pedido de prisão domiciliar foi mais um ponto de atrito de Dirceu com o comando do PT. Dirigentes do partido e até emissários de Lula chegaram a pedir a ele que só apresentasse esse pedido após a campanha da reeleição de Dilma, para não dar discurso ao PSDB, reavivando o mensalão. Dirceu não aceitou. Agora, ele escreve o livro Tempos de Papuda, sobre sua passagem pelo presídio do Distrito Federal.

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Trato feito. Youssef delata corruptos e devolve bens em troca de no máximo 5 anos em regime fechado.

(Folha) Por fornecer nomes e detalhes da participação de políticos e empresários no escândalo da Petrobras e devolver vários bens e dinheiro à União, o doleiro Alberto Youssef receberá do Judiciário uma pena máxima de cinco anos de prisão em regime fechado. Ele tem 47 anos de idade. Os termos dessa troca estão no acordo de delação premiada fechado entre o doleiro e o Ministério Público Federal na Operação Lava Jato, documento já homologado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki.

Assinado em 24 de setembro passado entre Youssef e sete representantes do Ministério Público Federal, os detalhes do acordo foram divulgados nesta quarta-feira (21) por determinação do juiz federal de Curitiba, Sergio Moro, o responsável pela Operação Lava Jato.

Pelo acordo, Youssef aceitou reverter em benefício da União R$ 1,8 milhão em espécie, além de todos os recursos que possam ser encontrados em contas pessoais e de suas empresas. Ele também perde um hotel no município de Aparecida (SP), parte de um hotel em Salvador, seis apartamentos de um hotel em Londrina (PR), um terço de um hotel em Jaú (SP), um imóvel em Camaçari (BA) e parte de outro em Lauro de Freitas (BA). Com exceção do último imóvel, avaliado em R$ 5,3 milhões (50% dele foi devolvido pelo doleiro), não há valores associados às propriedades listadas no documento judicial.

Youssef também aceitou reverter à União um automóvel Volvo CX60 blindado, ano 2011; um Mercedes Benz CLS 500, ano 2006; e um Tiguan 2.0 blindado, ano 2013/2014. As filhas do doleiro poderão usar os carros blindados no período em que Youssef estiver preso. Mas logo após o fim do cumprimento da pena, os veículos deverão ser leiloados em favor da União. O doleiro também conseguiu o apoio judicial para reverter um imóvel no bairro Vila Nova Conceição, em São Paulo, em benefício de sua ex-mulher.

Segundo o acordo, Youssef passará no máximo cinco anos preso e, no mínimo, três. Após o cumprimento da pena, seguirá direto para o regime aberto, "mesmo que sem o preenchimento dos requisitos legais". Mas poderá perder o benefício caso se comporte em desacordo com a lei. Não é possível saber quanto tempo ele ficaria preso caso não tivesse feito acordo de delação e fosse condenado pelos crimes em que é acusado.

POLÍTICOS
No documento, o ministro Teori Zavascki escreveu que, "dos documentos juntados com o pedido [de delação] é possível constatar que, efetivamente, há elementos indicativos, a partir dos termos do depoimento de possível envolvimento de várias autoridades detentoras de prerrogativa de foro perante tribunais superiores, inclusive de parlamentares federais".

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Cosa, que também fez acordo de delação premiada na Lava Jato, estimou que entre 35 a 40 parlamentares tenham sido mencionados em seus depoimentos. Ainda não foi divulgado quantos parlamentares foram mencionados por Alberto Youssef em sua delação, que corre em segredo de Justiça no Supremo.

Segundo o acordo de delação, Youssef tinha que entregar os nomes de todos os outros participantes do esquema, detalhar o máximo possível o modo de operação dos crimes de que participou e fornecer o maior número de documentos que comprovem as informações que repassou ao Judiciário.

Nos anos 2000, após ser flagrado no escândalo do Banestado (banco estadual do Paraná, depois privatizado), o doleiro também assinou um acordo de delação premiada. Ao voltar a cometer crimes financeiros no caso Petrobras, Youssef havia perdido os benefícios daquele seu primeiro acerto. O novo acordo zera as pendências da primeira delação.

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A diretoria da Petrobras tem medo do quê?
Ricardo Noblat

Leio, diariamente, notícias que dão conta de decisões anunciadas pela Petrobras. Ou de inciativas tomadas por ela.

A Petrobras fez isso... A Petrobras fez aquilo... A Petrobras tenta impedir... A Petrobras anunciou...

Outro dia, a presidente Dilma Rousseff disse que o Palácio do Planalto "não fala”. O Palácio do Planalto “não ouve”. O Palácio do Planalto "não pensa”.

Criticou esse gênero de notícias que alimenta os veículos de comunicação.

Dilma está certa. É um cacoete dos jornalistas que nem sempre informa bem. Que com frequência desinforma.

Deveria ser abandonado na imprensa e fora dela. Por jornalistas a serviço da imprensa e jornalistas a serviço de assessorias.

Li que “a Petrobras tentou barrar investigações” sobre a rede de gasodutos Gasene construída por uma empresa paralela estruturada por ela.

Não queria que as investigações ficassem por conta do juiz Aldo Moro, que apura corrupção na Petrobras.

A tentativa da Petrobras esbarrou na vontade unânime dos ministros do Tribunal de Contas da União, favorável a que o caso permaneça sob a responsabilidade do juiz Moro.

Indaguei então aos meus botões: quem, na Petrobras, não queria isso?

A diretoria da Petrobras? Graça Foster, a presidente da Petrobras e amiga querida de Dilma? O Departamento Jurídico da Petrobras?

Duvido que o Jurídico pudesse proceder dessa forma sem autorização superior.

E aqui me ocorre uma pergunta até certo ponto ingênua: Dilma já não disse e repetiu que espera a verdade sobre a corrupção na Petrobras “doa em quem doer”?

Não teria cabimento que Graça e seus diretores agissem em sentido contrário.

Afinal, por que temer que seja revolvida a lama que cerca a construção da rede de gasodutos Gasene?

Por que tentar impedir que o juiz Moro investigue o assunto a fundo com a ajuda da Polícia Federal?

Com a palavra, a Petrobras! (Ou melhor: ela, não, que empresa não fala. Com a palavra alguém que fale por ela.)

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Promotor argentino – Chaveiro nega versão oficial e diz que porta do apartamento estava aberta; havia um terceiro acesso ao imóvel, em que há pegadas e uma digital

Os mistérios sobre a morte do promotor argentino Alberto Nisman, que acusava a presidente Cristina Kirchner de deflagrar uma operação para esconder a responsabilidade do Irã em ataques terroristas contra alvos judaicos, só faz crescer. Agora, duas informações importantíssimas se juntam à penca de dúvidas. Vamos ver.

Tão logo se anunciou que Nisman estava morto, divulgou-se a informação de que as portas do apartamento em que morava estavam fechadas por dentro. Na verdade, a principal tinha uma fechadura eletrônica; o acesso à de serviço é que se dava por chave tradicional. Um serralheiro foi, então, chamado para abri-la.

E eis a grande surpresa: Walter, esse é o nome do profissional, afirmou às autoridades que, quando ele chegou ao apartamento de Nisman, a porta de serviço estava aberta, à diferença do que havia informado a Secretaria de Segurança Nacional, de que o titular é o kirchnerista Sergio Beni.

Há outra informação ainda mais intrigante: descobriu-se que havia um terceiro acesso ao apartamento em que Nisman estava morando: o imóvel se comunicava com outro no mesmo andar por intermédio de dutos de ar condicionado, onde foram encontradas pegadas e ao menos uma impressão digital. A Justiça determinou uma perícia neste outro apartamento, em que mora um cidadão chinês.  Até esta quarta, ignorava-se esse terceiro acesso.

Assim, o mistério só vai aumentando. Guardado por 10 seguranças, em dois turnos de cinco, Nisman teria dispensado sua guarda pessoal no sábado, na antevéspera de depor. Por que faria isso? Um homem chamado Diego Lagomarsino procurou a polícia para dizer que levara ao promotor, a seu pedido, no próprio sábado, a pistola calibre .22, de onde partiu o tiro que o matou. Segundo seu depoimento, o promotor lhe fez esse pedido porque temia ser vítima de um atentado. É mesmo? E por que teria dispensado, então, a segurança? O que uma pequena pistola poderia fazer contra terroristas?

Nesse dia, Nisman ainda falou com jornalistas e conhecidos. Chegou até a enviar fotos. Os seguranças voltaram à sua casa, conforme suposta Instrução sua, só às 11h30 do domingo. Ele já não atendeu o telefone. Só tentaram falar com ele de novo às 14h. Nada! Sua secretária foi mobilizada. Sem sucesso. Segundo a perícia, ele morreu só às 15h. Os seguranças dizem só ter subido ao andar em que morava às 19h — por que tanto tempo? A porta estaria trancada por dentro. O chaveiro desmente a versão. Atenção! Só se anunciou oficialmente a sua morte à 0h10 de segunda. Não há vestígio de pólvora em sua mão. No seu apartamento, foi encontrada uma lista de compras de supermercado que ele deixara para a empregada. Alguém que vai se matar se dá esse trabalho?

Entidades judaicas já decidiram que Nisman não será enterrado na área reservada aos suicidas. Seu jazigo ficará entre os das 85 vítimas do ataque terrorista praticado contra a Amia (Associação Mutual Israelita Argentina), ocorrido no dia 18 de julho de 1994. Há evidências de sobra de que foi um ataque perpetrado por terroristas do Hezbollah, com financiamento iraniano — aquele que, segundo Nisman, Cristina e seu chanceler, Hector Timerman, queriam esconder.

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Humor negro é isso aí

Longe da imprensa desde o Natal, em silêncio desde o ponto final do discurso de posse, trancada há duas semanas em seu gabinete no Planalto ou na suíte no Alvorada, o que andou fazendo Dilma Rousseff nas três primeiras semanas de janeiro? Ninguém sabe. Enquanto o mistério não é desvendado, o jornalista Carlos Brickmann descobriu que, embora o país atravesse uma zona de turbulência de assustar astronauta veterano, a supergerente encontra tempo para tudo. Até para fazer o que revela a nota publicada em sua coluna no Observatório da Imprensa:

Agora vai

Logo após o atentado que matou os cartunistas do Charlie Hebdo, a presidente Dilma Rousseff sancionou a lei nº 13.082, de 8 de janeiro de 2015, que institui no Brasil, todos os anos, em 12 de abril, o Dia do Humorista.

Pois é.

Humor negro é isso aí.


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Blog do Ilimar Franco

Base esfacelada

                O governo Dilma sofrerá a 1ª derrota na Câmara no dia 1º de fevereiro. Se o líder do PMDB, Eduardo Cunha, vencer a eleição para presidir a Casa, será contra o PT e a despeito da ação do Planalto. Se Cunha perder, se manterá líder, mas na condição de porta-voz do ressentimento da bancada. A cúpula do partido já alertou que os petistas não podem queimar as pontes sob pena de reforçar a oposição com os descontentes.

Os preparativos para a Rio 2016
Cartão postal do país, o Rio contará com um aparato de segurança equivalente ao da Copa nas Olimpíadas. O Ministério da Justiça, a prefeitura e o governo do Rio avaliam que a concentração de 48 campeonatos mundiais e de 10.500 atletas de 205 países na cidade justificam tal mobilização. A estimativa é de que a Rio 2016 conte com forças proporcionais à ordem de grandeza da Copa. Esta mobilizou, nas 12 sedes, 177 mil integrantes das Forças Armadas, da PF, das polícias civil e militar, das guardas municipais e demais profissionais de segurança. Além do terrorismo internacional, atletas e turistas precisam ser protegidos de arrastões e outras manifestações de violência.

“Por que o governo não taxa as grandes fortunas? Ganharia muito mais do que as migalhas que vai arrecadar tirando direitos de trabalhadores”

Wagner Freitas
Presidente da CUT, sobre as mudanças no seguro-desemprego e no abono salarial

Queda de braço
O PT e o PMDB estão medindo forças para fazer o presidente do FNDE. O órgão do MEC teve um orçamento de R$ 60 bilhões em 2014. Os petistas apostam no ex-deputado Antônio Biffi (MS) e o PMDB quer no cargo o ex-ministro Gastão Vieira.

Ele tem a força
O cacife do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), vai crescer com o veto ao reajuste da tabela do IR. Em 2014, foi feito acordo para que a votação de vetos seja feita no painel, que identifica o voto de cada parlamentar. A oposição cobra o acordo. Mas o voto no painel depende de regulamentação e do empenho de Renan em implementá-lo.

Contra o conteúdo e a forma
A Força Sindical entrará com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) no STF contra as alterações nas regras do seguro desemprego e do abono salarial. Argumentará que não há urgência para fazer as mudanças por medida provisória.

Previsão do tempo
O governo Dilma tenta convencer a opinião pública de que não se pode comparar o blackout de anteontem com o apagão no governo FH. Um deles veio de problema estrutural e outro, de conjuntural. Em ambos, o usuário ficou sem energia. Em 2001, teve racionamento. Agora, pode ocorrer o mesmo, em função das chuvas até abril.

Ideia fixa
O governo Dilma não mira no público interno ao reajustar impostos e contribuições. No Planalto, ministros explicam que tudo é feito para que o Brasil não perca o grau de investimento. Crédito externo mais barato depende de credibilidade.

De olho na juventude
O ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral) quer regulamentar o Estatuto da Juventude, de 2013, ainda no primeiro semestre. A meia-entrada e o passe livre no transporte interestadual não podem ser concedidos sem a regulamentação.

O PT do Rio quer emplacar na presidência da Casa da Moeda o procurador federal Eduardo Sales, ex-diretor de fiscalização da ANS.

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Governo engana o povo quando descarta racionamento de energia
Ricardo Noblat

Fica fácil para qualquer autoridade da área de energia oferecer explicações técnicas capazes de confundir os jornalistas.

Primeiro porque é raro encontrar um jornalista que entenda bem do assunto. Segundo porque os que entendem costumam trabalhar dentro das redações. Não participam de entrevistas coletivas.

De resto, diante de uma ocorrência que afetou muita gente, como o recente apagão em 11 Estados e mais o Distrito Federal, o governo costuma despachar ao encontro dos jornalistas porta-vozes que se contradizem de propósito ou não.

Na maioria das vezes de propósito. A desinformação acaba funcionando a favor do governo. Qual o leigo com paciência para se informar diariamente sobre um tema que se espicha sem chegar a uma conclusão?

Na noite da segunda-feira, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (NOS) informou que o apagão se deveu a problema provocado por “restrições na transferência de energia do Norte para o Sudeste.

Mas não só. Ao problema aliou-se “a elevação da demanda na hora de pico”.

Por sua vez, Eduardo Braga, ministro das Minas e Energia, informou que o apagão foi provocado por uma falha na linha de transmissão da estatal Furnas.

Ora, uma coisa não é igual à outra. As duas coisas podem ter acontecido – ou não. Ou nenhuma delas.

Um dia depois, Eduardo recuou do que havia adito. E disse em Basília:

- A esta altura, não tenho como lhe dizer, com o senso de justiça e responsabilidade que devemos ter, se foi falha técnica ou se foi falha humana.

No Rio, diretor-geral do ONS, Hermes Chipp, desautorizou o ministro. Falha? Técnica ou humana? Negativo.

O apagão teve a ver com uma “atuação incorreta da proteção, em função do desvio de frequência”. Entendeu?

Nem apagão houve, mas um “desligamento preventivo de carga, programado com as distribuidoras”.

Em linguagem de gente: para evitar que o sistema elétrico de todo o país entrasse em colapso, o ONS provocou um blecaute preventivo e planejado.

Tudo porque atravessamos um período de demanda crescente por energia. E os reservatórios de água estão quase secos.

A culpa é de São Pedro? Ou do consumidor de energia?

A culpa é do governo. Que baixou o preço da energia e estimulou o consumo. E que não se preparou para a eventualidade de chover pouco em 2014.

Deveria ter racionado a energia. Ou pelo menos estimulado a população a economizar. Foi irresponsável. Não quis amargar desgaste em ano eleitoral.

Na verdade, continua sendo irresponsável. Porque sabe que se não chover bastante até maio, o racionamento de energia no segundo semestre do ano será inevitável.

Arrisque-se, no entanto, a falar em racionamento diante da presidente Dilma Ou ao alcance dos seus ouvidos. Você não viverá para contar o resto.

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Apagão presidencial.

As últimas imagens de Dilma Rousseff são de 2 de janeiro. As últimas palavras também. Depois disso, Dilma apagou. Sumiu. Escafedeu. Sabe-se das suas maldades apenas por terceiros. Loteamento de ministérios. Destruição de direitos trabalhistas. Tarifaço. Inflação. Juros. PIB. Nível de confiança. O que não deve crescer, explode. O que não deve cair, desaba. Chegamos ao apagão elétrico. Nem ele sensibilizou o apagão presidencial. Como estará Dilma? O país nunca viu um presidente pior, nem mais magro, nem mais gordo. Passa, 2015, passa. A matéria abaixo é de O Globo.

Em meio a uma série de medidas impopulares, a presidente Dilma Rousseff completa hoje 30 dias sem dar entrevistas. É o maior período que ela ficou sem responder a perguntas de jornalistas desde maio de 2013, quando passou 31 dias sem falar à imprensa. A última entrevista de Dilma foi no dia 22 de dezembro do ano passado. Naquele dia, a presidente ofereceu o café da manhã anual aos jornalistas que acompanham o dia a dia do Planalto. Na ocasião, falou por cerca de uma hora e meia.

Desde então, a presidente não se manifestou publicamente sobre temas que têm mexido com a vida dos brasileiros, como as medidas anunciadas no fim de 2014 endurecendo as regras para pagamento da pensão por morte, do auxílio doença, do seguro desemprego e do seguro defeso. Muito menos sobre a escolha de ministros polêmicos, como o do Esporte, o pastor George Hilton, do PRB. Dilma também não falou sobre o aumento de impostos, da gasolina, nem sobre o reajuste nas tarifas de energia em até 40% — tampouco sobre o apagão desta semana.

Na última entrevista, o interesse maior ainda era sobre a montagem do Ministério do segundo mandato, pois até então haviam sido anunciados somente quatro nomes: Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), Alexandre Tombini (Banco Central) e Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento). A situação da presidente da Petrobras, Graça Foster, também estava na ordem do dia.

Desde dezembro, a presidente tem preferido se manifestar por notas oficiais. Foi assim para anunciar os 39 ministros do segundo governo. Também foi por nota que Dilma condenou a execução do brasileiro Marco Archer, na Indonésia, no último sábado. Desde 1º de dezembro de 2014, a Secretaria de Imprensa da Presidência (SIP) divulgou 13 notas com decisões ou declarações de Dilma.

Segundo a secretaria, “a falta de entrevistas desde o Natal se explica pelo recesso da presidente no fim do ano e os despachos internos com os novos ministros”. A assessoria disse ainda que, ao longo de 2014, Dilma concedeu 44 entrevistas, sem contar coletivas como candidata à reeleição.

Neste começo de governo, Dilma nem sequer retomou o programa semanal de rádio “Café com a Presidente”, que apresentava políticas de governo e era distribuído às emissoras interessadas. O programa existe desde o primeiro governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a secretaria, o programa será reformulado.

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Eu quero morar no Brasil do Trabuco do Bradesco.

(Valor Econômico)  À vontade no hall do Hotel Hilton, em Davos, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, aceitou conversar com o Valor, em sua primeira entrevista desde que recusou o convite da presidente Dilma Rousseff para ocupar o Ministério da Fazenda. E ele se mostrou animado com a economia brasileira. Disse que já se percebem reflexos do "choque de credibilidade" da nova equipe econômica no mercado, com um aumento da confiança.

Até agora, Dilma e sua equipe econômica, liderada por Joaquim Levy, que é Moço Bradesco, tomou qualquer medida contra os astronômicos lucros dos bancos brasileiros. Só o Bradesco ganhou R$ 15 bilhões limpinhos em 2014. Deve ser por isso que o Trabuco, que era chefe do Levy, está tão satisfeito. Só ele, porque o mundo pensa completamente diferente. Veja abaixo matéria da Folha de São Paulo.

O número de executivos brasileiros otimistas com a perspectiva de ver suas receitas crescerem no futuro imediato caiu ano a ano, no primeiro mandato de Dilma Rousseff, e chega agora a seu patamar mais baixo: só 30% se dizem otimistas contra 42% no ano passado.

É a história que conta a 18ª Pesquisa Global da PricewaterhouseCoopers, que entrevistou 1.322 executivos de 77 países, divulgada sempre na véspera da inauguração do encontro anual do Fórum Econômico Mundial, o que acontecerá nesta quarta, 20. Funciona como uma espécie de termômetro do ânimo dos empresários, que são a clientela principal do Fórum.

Para o Brasil, as más notícias não se limitam ao baixo número de brasileiros otimistas. Seus colegas do mundo inteiro tampouco andam muito animados com o estado da economia global --e a economia mundial é sempre apontada, por Dilma, como um fator importante para o baixo crescimento do Brasil. De fato, só 39% confiam em aumentar a receita no futuro imediato e menos ainda (37%) esperam mais crescimento da economia global.

A pesquisa foi feita no último trimestre de 2014, mas Klaus Schwab, presidente executivo e criador do Fórum Econômico Mundial, confirma que o ânimo dos executivos neste início de ano não é dos melhores: "No ano passado, parecia que a crise estava ficando para trás, mas, neste ano, as pessoas estão muito mais preocupadas".

Se os executivos acham que as perspectivas não são boas, naturalmente puxarão o freio de mão, com o que o mundo pouco ajudará no crescimento brasileiro. Além disso, os executivos mais pessimistas estão entre os parceiros do Brasil no Mercosul: só 22% dos venezuelanos e 17% dos argentinos esperam receitas maiores no futuro imediato. Pior que eles, só os russos (16% de otimistas), também parceiros do Brasil, mas nos Brics (com Índia, China e África do Sul).

A propósito dos Brics, que deveriam ser as potências mundiais em 2020, os executivos ouvidos pela PwC jogam esse futuro mais adiante: "Fazer negócios nos Brics continua um desafio, na medida em que tais nações enfrentam uma mescla de complexos temas políticos e estruturais". Só a longo prazo, os executivos enxergam oportunidades, o que faz com que mantenham a vista no grupo.

O pessimismo dos executivos é certamente o motivo principal para que Dilma tenha decidido, na última hora, enviar seu novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para o encontro de Davos. Ao presidente do Fórum, Klaus Schwab, Dilma disse que preferia voltar a Davos no ano que vem, depois de sua participação em 2014.

Levy terá três chances de convencer a clientela de Davos de que as coisas vão mudar no Brasil: participa de um almoço, sexta, sobre as perspectivas para a América Latina; fala ao "Business Council" do Fórum, em sessão fechada; e participa, no sábado, de uma sessão sobre "Panorama Econômico Global".

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Fora do foco

O Fórum Econômico Mundial que começa seus debates hoje em Davos dá razão à desistência da presidente Dilma, que preferiu ir à Bolívia a estar aqui. Pelo menos na terceira posse em sequência de Evo Morales a presidente brasileira terá lugar de destaque, dando a verdadeira dimensão a que o país está relegado no cenário internacional. Em Davos, a participação de autoridades brasileiras está limitada a discussões sobre a América Latina.

O programa prevê o ministro Joaquim Levy e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini num debate sobre os desafios econômicos do continente, ao lado de autoridades da Colômbia e do México. O ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência, Marcelo Néri, participará de outra discussão sobre a economia latino-americana, ao lado do presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, que é um dos patrocinadores do evento.

E nem mesmo no debate sobre os BRICS estamos incluídos, participarão apenas representantes da China, da Índia e da África do Sul. Representantes do Brasil e Rússia, que enfrentam graves crises econômicas, não estão previstos, a Rússia enviou apenas membros de segundo escalão, sabedora de que, além da economia, teria um campo minado na discussão de política internacional devido à questão da Ucrânia.

Já o Brasil, com três ministros presentes, ainda tentava ontem incluir Joaquim Levy, da Fazenda, ou Marcelo Neri, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, na mesa redonda dos BRICS. Houve um ano aqui em Davos em que Fórum Econômico Mundial tirou simbolicamente uma letra da sigla mais famosa dos últimos anos nas consultorias econômicas.

Na reunião de 2006 apenas os RICS tiveram atenção especial dos analistas, ficando o Brasil de fora das expectativas. Hoje, os BRICs, acrônimo que já serviu de referência à palavra inglesa "Brick", de tijolo, a imaginar a construção de um novo mundo com Brasil, Rússia, Índia, China e posteriormente África do Sul (South Africa em inglês), já não serve para trocadilhos como o inventado por Jim O´ Neill, economista na época na Goldman Sacks.

Brasil, Rússia e África do Sul saíram do radar da economia mundial, e é esse espaço que o ministro da Fazenda Joaquim Levy vem tentar recuperar aqui, mas dificilmente terá muito destaque, pois está chegando em momento de grande expectativa na Europa diante da possibilidade de o Banco Central Europeu anunciar nova injeção de dinheiro nos países da União Européia.

Também na Suíça, anfitriã do encontro, a questão econômica está na ordem do dia depois que o Franco Suíço foi valorizado inesperadamente para o nível do euro, deixando o que já era caro mais caro ainda. Estarão no encontro de Davos nada menos que oito presidentes de Bancos Centrais do mundo, inclusive o brasileiro Alexandre Tombini, mas não o presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi.

Tombini virá apenas no dia 22, depois que o Banco Central do Brasil anunciar a taxa de juros, que provavelmente terá mais um aumento. Já Draghi, que aproveitou o palco do mesmo Fórum Econômico Mundial, anos atrás, para anunciar que o Banco Central Europeu não deixaria faltar incentivos para a economia europeia, desta vez deve anunciar nova fase de incentivos longe de lá, mas será certamente o centro das discussões também no dia 22.

Nunca serviu tanto para o Brasil a definição deste ano feita pelo fundador e presidente do encontro Klaus Schwab, embora em outra perspectiva. Para ele, 2015 será "um ano de encruzilhada", referindo-se aos conflitos internacionais envolvendo o terrorismo. Ele vê dois caminhos possíveis: "um mundo de desintegração, de ódio, de fundamentalismo; ou um mundo de solidariedade e de cooperação".

Enquanto o destino da Humanidade estará sendo jogado este ano, no Brasil nós estaremos jogando um jogo de vida ou morte para recuperar a economia e poder voltar a ter peso nas decisões internacionais num momento crucial como este.

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Já há racionamento de energia. E Deus olhou para Eduardo Braga e disse: “Como é? Os brasileiros elegem o PT quatro vezes e agora querem que eu faça chover? Estou muito ocupado!”

Deus deu um recado aos brasileiros. Antes, algumas considerações.

Em entrevista à VEJA.com e ao programa “Os Pingos nos Is”, da Jovem Pan, Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura, diz o óbvio: o país já vive um racionamento de energia, mas por outros meios. E por que ele afirma isso? Vamos ver. Já houve um tarifaço de 20% no ano passado e deve haver outro da ordem de 40% neste ano. Pra quê? Para financiar o setor e, sim, diminuir o consumo. O país também já convive com cortes de energia, como o havido na segunda-feira. Ou isso ou o colapso. Culpa da falta de chuva? Um pouco. Mas sobretudo da falta de planejamento.

A quantidade de besteiras do petismo na área assombra. E a situação só não é mais dramática porque o crescimento está na lona. O país não teria hoje energia para se expandir a modestíssimos 2%, por exemplo. E é certo que caiu numa espécie de círculo vicioso. A energia cara desestimula os outros investimentos, o que desestimula o… investimento em energia. Sic transit… O país chegou à atual crise por incompetência. Agora, o que se tem é um limite de infraestrutura mesmo.

A coisa vem de longe. Começou com os petistas tendo a ideia iluminada de tabelar a taxa de retorno das empresas que investissem no setor. O capital privado se mandou. É por isso que Belo Monte, por exemplo, é tocada basicamente por recursos públicos. Nem a China define taxa de retorno. Mas sabem como é o petismo e suas luzes trevosas. Aí Dilma Rousseff, sempre muito competente em criar a fama de competente, resolveu enfiar goela abaixo do setor a MP 579, que baixou a tarifa na porrada. O que já estava ruim foi para o desastre. E se chegou à atual situação.

Desde novembro de 2009, quando o Brasil ficou às escuras, especialistas e imprensa tentam discutir a real situação do setor elétrico no país. Inútil. Tudo termina num paredão chamado Dilma Rousseff. Qualquer outra crise em curso no país não foi fabricada principalmente pela atual presidente. Ela pode, sim, ser sócia do erro, mas não a sua protagonista. Na área energética, especialmente no setor elétrico, não há como dividir as culpas. Ela sempre pintou e bordou. Fez o que quis, com o resultado que se vê agora.

O governo segue com um discurso esquizofrênico a respeito. O Operador Nacional do Sistema admite o pico de consumo, que levou ao blecaute; Eduardo Braga, ministro de Minas e Energia, insiste na versão edulcorada do problema técnico. Mesmo assim, anunciou nesta terça a entrada em ação das termelétricas a óleo da Petrobras, o que vai adicionar 867 megawatts (MW) ao sistema até o dia 18 de fevereiro. Falou ainda em outras “medidas” envolvendo Itaipu. Então ficamos assim: para todos os efeitos, não há problema de energia no país, mas o governo anuncia a entrada em funcionamento das térmicas da Petrobras.

O problema desse tipo de conversa é a insegurança que gera. O primeiro item de qualquer investimento produtivo de monta se chama “energia”. Pires apontou em Os Pingos nos Is um paradoxo de que já tratei aqui no dia 5 de novembro. Quando o petróleo estava a US$ 100 o barril, o Brasil vendia combustíveis a preços subsidiados, abrindo um rombo na Petrobras. Agora que está a US$ 40, gasolina e diesel têm um preço abusivo. O mesmo acontece com a energia elétrica: quando era abundante, era cara; quando passou a ser escassa, os gênios da lâmpada (ooops!) decidiram derrubar a tarifa, e o resultado está aí.

O PT está de parabéns: o mundo tem hoje energia, não importa a fonte, abundante e barata. No Brasil, é escassa e cara. Os companheiros ainda não desistiram de assombrar a lógica, o mercado e o bom senso.

Ah, sim: em entrevista nesta terça, o ministro Eduardo Braga recomendou que a gente reze para chover. Então tá… “Meu divino São José/ dá-nos água com abundança…”. Fico pensando, assim, no olhar incrédulo de Deus: “Como é? Vocês elegem o PT quatro vezes e depois querem jogar a culpa nas minhas costas? Estou muito ocupado! Falem com o Lula, aquele que pensa ser o meu superior…”.

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São muitas as estranhezas que cercam a morte de promotor argentino, e a ausência de pólvora na mão é apenas uma delas. Ou: Um tal Diego… Ou ainda: A 86ª vítima

O jornal Clarín publicou um texto em que aponta cinco questões sem resposta que cercam a morte do promotor Alberto Nisman, que acusava a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, de acobertar a participação do Irã em atentados contra a comunidade judaica no país. Nisman, divorciado e com duas filhas, deveria apresentar nesta segunda, no Congresso, as provas que dizia ter, mas apareceu morto, em seu apartamento, com um tiro na cabeça, disparado por uma arma calibre 22, num aparente suicídio. Às questões levantadas pelo jornal, acrescento algumas outras.

O que se passou entre a tarde de sábado e a manhã de domingo? E um tal Diego
Pessoas das relações de Nisman e jornalistas tiveram contato com ele durante a tarde de sábado, inclusive Waldo Wolff, vice-presidente da DAIA (Delegação de Associações Israelitas Argentinas). Ele exibiu uma foto que o promotor lhe enviou no sábado, às 18h27. Na tarde do mesmo dia, um tal Diego Lagomarsino, especialista em informática e suposto colaborador de Nisman, disse ter levado ao promotor, a pedido deste, a pistola Bersa, calibre .22, de onde saiu o tiro que o matou. Nota: Lagormarsino se apresentou espontaneamente à polícia.

Sem proteção?
Tão logo se noticiou a morte de Nisman, Sergio Berni, secretário de Segurança Nacional da Argentina, afirmou que este tinha a proteção de dez guarda-costas. Bem, eram dois grupos de cinco, que se alternavam. Como é que tal Lagomarsino teria conseguido furar esse bloqueio com uma arma? Pois é…  No sábado, o promotor teria dispensado a sua guarda pessoal. Pediu que fossem buscá-lo apenas no domingo, às 11h30. Primeira estranheza: se ele estava na antevéspera do grande momento — apresentar as provas contra Cristina Kirchner e seu chanceler, Hector Timerman —, a segurança deveria ser sido reforçada, não relaxada, certo?

A demora
Os guardas dizem ter chegado às 11h30 de domingo e tentando, sem sucesso, contato com Nisman. Só teriam ligado para ele de novo às 13h30 — convenham: por que tanta espera para alguém que era um potencial alvo? Às 14h, telefonaram para a sua secretária, que também não conseguiu falar com o chefe. A mulher procura, então, a mãe de Nisman, pede que um dos guardas busque a senhora em sua casa e ruma para o edifício do promotor. Atenção! A perícia indica que Nisman levou um tiro às 15h. Logo, durante todo esse tempo, estaria vivo e sem responder aos chamados. Os agentes chegaram com a mãe da vítima às 17h30, mas só subiram ao apartamento, que estaria fechado por dentro, às 19h. As estranhezas não param por aí. Só se anunciou que Nisman estava morto à 0h10 de segunda.

O que aconteceu nestas mais de cinco horas? Que perícias foram feitas? Quem teve acesso ao local? Que contatos se fizeram?
Notem que, entre a chegada dos policiais e o anúncio da morte, passaram-se quase 14 horas — e mais de nove desde a presumida hora da morte. O kirchnerista Sergio Berni, o tal secretário nacional de Segurança, chegou à cena do crime antes da promotora Viviana Fein e do juiz Manuel De Campos, encarregados da investigação. Berni se antecipou e, antes mesmo da perícia, deu como praticamente certo que se tratou de suicídio.

Sem pólvora
Não há pólvora na mão de Nisman, o que, em tese, é possível no caso de disparo de uma arma .22. Será que basta isso para descartar que o promotor tenha sido vítima de alguma pressão externa? A perícia descartou, em princípio, a participação de uma segunda pessoa na ação em si. A família se nega a aceitar a hipótese de suicídio. Atenção: no apartamento do promotor, havia uma lista de supermercado que ele havia deixado para a sua empregada. Quem elabora uma lista de compras domésticas antes de se matar?

Nisman era judeu. O suicídio é considerado uma grave transgressão, e os que atentam contra a própria vida são enterrados numa área isolada, própria, nos cemitérios judaicos. A comunidade israelita argentina está determinada a sepultar o corpo do promotor entre os das 85 vítimas do atentado à Amia, praticado pelo Hazbollah, em 1994, com patrocínio do Irã. Para os judeus da Argentina, Nisman é a 86ª vítima daquele atentado. É o que eu também acho.


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Blog do Ilimar Franco

PSB na oposição

                A despeito de movimentos tendo em vista alianças com o PT nas eleições municipais, os socialistas seguem firmes na oposição ao governo Dilma. O governador Paulo Câmara (PE), do estado que comanda o PSB nacional, fez o que pôde para colocar na Câmara um dos mais radicais políticos da oposição, Raul Jungmann (PPS). O governador levou quatro deputados para seu secretariado.

A rainha dos baixinhos
A ministra Ideli Salvatti (Direitos Humanos) participou ontem de um bate papo com internautas em uma rede social. Papo vai, papo vem e, de repente, ela começou a ser cobrada pela apresentadora de TV Xuxa. Ela queria saber o que o governo Dilma tem feito para implementar a Lei Menino Bernardo, também conhecida como Lei da Palmada. Ideli respondeu que é preciso trabalhar em campanhas de mobilização e na formação de agentes públicos, como conselheiros tutelares, para que a lei saia do papel. Quando ela foi sancionada pela presidente Dilma, Xuxa foi uma das convidadas especiais para participar da cerimônia.

“Não dá para impor petistas a ninguém”

Rui Falcão
Presidente do PT, sobre a distribuição de cargos de segundo escalão, em reunião com petistas

Hora de mudar
A crise da Petrobras está pesando. A Federação Única dos Petroleiros decidiu substituir seu representante no Conselho de Administração da estatal. Seu candidato, o sindicalista Deyvid Bacelar, venceu a primeira fase, com 2.300 votos.

Fora do ar
Os governadores Luiz Fernando Pezão (RJ) e Geraldo Alckmin (SP) conversavam, na sexta-feira passada, sobre os próximos quatro anos de mandato. Lá pelas tantas, Alckmin confidencia: “Meu maior problema aqui é a Segurança Pública”. Pezão não aguentou: “O que é isso?! Mas o seu não aparece no noticiário da televisão todos os dias”.

Adubando o terreno
O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) está sendo estimulado a abrigar aliados de outros estados no seu governo. A operação teria como alvo as eleições de 2018. O governo paulista tem muitos cargos para acolher derrotados.

As coisas são assim
Um grande empresário, que esteve recentemente com a presidente Dilma, comentou sobre as contradições de seu o governo. “O Ibama baixou uma portaria, de uma hora para outra, instituindo o defeso de dezenas de espécimes de peixes. Enquanto isso, o Ministério da Pesca abre linha de crédito para a compra de barcos pesqueiros".

Juntando as pontas
O PT acertou um rodízio para a liderança do partido na Câmara. Como o líder do governo, Henrique Fontana (RS), é da Mensagem, a CNB escolherá o líder da legenda. Os candidatos são Sibá Machado (AC) e Décio Lima (SC).

Fechado
O PSDB vai anunciar no dia 31 de janeiro seu apoio à candidatura de Júlio Delgado (PSB-MG) à presidência da Câmara. Os tucanos só pretendem se manifestar sobre as outras candidaturas se Júlio não for ao segundo turno.

O PSDB e o DEM decidiram que não lançarão candidato contra a reeleição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

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Tempestade perfeita

Do ponto de vista meramente eleitoreiro e pessoal, o PSDB pode dizer que ter sido derrotado foi uma sorte, pois estaria sendo acusado pelo PT na oposição de tomar medidas impopulares que não seriam necessárias.

Era isso o que a candidata vitoriosa, Dilma Rousseff, dizia na campanha eleitoral, e certamente essa postura otimista teve muito a ver com sua vitória apertada, além, é claro, de todas as demais atitudes antiéticas que sua campanha adotou no ataque direto aos adversários mais fortes, tanto o do PSDB quanto Marina Silva no primeiro turno.

Do ponto de vista do país, o que estamos vendo é um governo tendo que tomar medidas dramáticas para tentar consertar os erros que ele mesmo cometeu no primeiro mandato, e perdido entre as disputas políticas internas. A "herança maldita" que o PT tanto apontou contra o governo de Fernando Henrique Cardoso que o antecedeu nem de longe se compara à herança que Dilma deixou para ela mesma, levando o país a uma quadra de economia débil que ameaça repetir-se neste segundo mandato.

A tempestade perfeita que os "pessimistas" previam está acontecendo nos primeiros 20 dias do segundo mandato, o que significa que o país que ela governou por quatro anos está em estado de calamidade. Desde o fechamento das urnas, o cidadão brasileiro já recebeu uma série aumentos de impostos, taxas, juros e tarifas que ela negava que fossem necessários, além do desemprego que já é uma ameaça real.

E, mais espantoso, parte do PT já se coloca contra as medidas que vêm sendo adotadas pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, usando o economista Luiz Gonzaga Belluzzo como porta-voz da contestação ao "neoliberalismo" que teria tomado conta do governo Dilma, que teria abdicado de seu poder sem necessidade.

O apagão que atingiu ontem 9 estados e o Distrito Federal, nessa visão, seria apenas um acidente sem prenunciar maiores problemas, muito menos um racionamento de energia. Usam o mesmo artifício banal que o governador de São paulo, Geraldo Alckmin, que finge negar que em seu estado há racionamento, falando da mesma "restrição hídrica" culpada pelo governo do apagão. O novo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, que vive com um sorriso nervoso nos lábios, foi capaz de duas frases memoráveis sobre o mesmo assunto nos dias que antecederam o grande apagão.

" Temos energia, ela apenas está mais cara", garantiu. E depois prometeu que o aumento para o consumidor "não chegará a 40%", como se isso fosse uma boa notícia. A Caixa Econômica Federal subiu os juros do financiamento imobiliário, e ainda foi apanhada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) usando o mesmo artifício que a Petrobras utilizou para não fazer licitações: usava empresas de papel para simular negócios.

O Banco Central não parece disposto a parar de subir os juros, o que começou a fazer na primeira semana depois do segundo turno, apesar da economia estagnada, provavelmente com crescimento negativo já este ano. Depois de restringir o seguro-desemprego, pensões e abono salarial, o ministro Joaquim Levy anunciou ontem novas medidas fiscais, criando um problema para a Petrobras com o aumento da Cide, que recai sobre o preço da gasolina.

Para que a alta não chegue às bombas, a estatal terá que deixar de aumentar o preço, ficando mais uma vez sem recuperar o prejuízo por questões políticas. Todos os aumentos de impostos anunciados ontem darão ao governo um gás no faturamento, mas implicarão o aumento da inflação.

E o ministro da Fazenda, que está indo para o Fórum Econômico Mundial em Davos na Suíça tentar convencer os investidores de que está colocando o país nos trilhos, é o grande alvo não apenas do PT como também da oposição, que não está disposta a dar-lhe crédito, mesmo sabendo que está no caminho certo, dentro das circunstâncias.

O PT acha que o caminho está errado, e o PSDB acha que faria melhor e com mais efeito, pois os investidores não precisariam ser convencidos já que as medidas fariam parte de um programa mais amplo e coerente.

E a presidente Dilma continua fazendo política barata, trocando a terceira posse de Evo Morales pelos investidores de Davos, e tentando criar um fato político com a condenação de um traficante brasileiro na Indonésia.


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Blog do Noblat

Francisco volta a misturar Estado com Religião
Ricardo Noblat

Corrigir uma tolice que se nos escapou pode ser pior do que a tolice propriamente dita. Ou impropriamente dita.

A mais recente vítima disso foi o Papa Francisco, talvez a personalidade mais marcante deste início de novo século.

Na última quinta-feira, durante uma viagem do Sri Lanka às Filipinas, Francisco foi indagado por jornalistas sobre o massacre no jornal francês Charlie Hebdo, onde morreram 12 pessoas.

De início, ele repudiou o uso da religião para justificar atrocidades. Em seguida, derrapou ao se dizer capaz de esmurrar um auxiliar caso ele ofendesse sua mãe com um palavrão.

Novamente derrapou quando quis ir mais longe:

- Dou esse exemplo para mostrar que na liberdade de expressão há limites.

De volta a Roma, ontem, em conversa com jornalistas, Francisco se empenhou em corrigir o estrago. Foi pior.

- Em teoria podemos dizer que uma reação violenta a uma ofensa, a uma provocação, não é aceitável, não é uma coisa boa. Temos de fazer o que o Evangelho diz, devemos oferecer a outra face. Em teoria podemos dizer que entendemos o que é a liberdade de expressão. Em teoria, todos concordamos. Mas somos humanos. E há a prudência, que é uma virtude da coexistência humana. Eu não posso insultar ou provocar alguém continuamente sob o risco de deixá-lo bravo, sob o risco de receber uma reação injusta.

E arremeteu:

- O que estou dizendo é que a liberdade de expressão precisa levar em conta a natureza humana e isso significa que precisa ser prudente. Prudência é a virtude humana que regula nossos relacionamentos. Uma reação violenta é sempre ruim (...) É por isso que a liberdade deve andar sempre de mãos dadas com a prudência.

E se no legítimo uso do direito à liberdade de expressão eu for imprudente? Eu ofender uma religião?

Mereço ser agredido ou morto? Ou não deveria correr tal risco renunciando ao direito de me expressar livremente?

Nos países onde Estado e Religião não se misturam, não é crime algum criticar as religiões. É o caso da França, por exemplo. E o do Brasil também.

Qualquer líder religioso que se sinta ofendido pelo o que eu disser sobre a religião dele tem o direito de me processar. Caberá à Justiça conferir-lhe razão ou não.

No Vaticano, o menor país do mundo, o Papa é o chefe da Igreja e ao mesmo tempo do Estado. Daí – quem sabe? – a mistura que Francisco faz de Estado com religião.

A mesma mistura que fez no último fim de semana o primeiro-ministro turco Ahmet Davutoglu. Ele disse:

- A liberdade de expressão não significa a liberdade de insultar.

Pode significar, sim senhor. A punição de um eventual crime de insulto é que não pode significar uma agressão contra a vida de ninguém.

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Pasadena: cerco se fecha e Gabrielli acusa Dilma em fraude de R$ 2,1 bilhões.

(Estadão, hoje) Em defesa apresentada ao Tribunal de Contas da União, o ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli pede para ser excluído, junto com outros dez ex-integrantes da Diretoria Executiva da estatal, do processo que determinou que o bloqueio de bens dos executivos responsáveis pela compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Caso o pedido não seja aceito, solicita que o Conselho de Administração que autorizou o negócio em 2006 seja responsabilizado pelo prejuízo da compra e tenha o mesmo tratamento dos ex-diretores: todos precisam ser ouvidos no processo e ter o patrimônio congelado.

Dilma Rousseff era presidente do Conselho de Administração da estatal à época. O argumento da hoje presidente da República para ter aprovado o negócio é que o conselho se baseou em um resumo técnico “falho” e “incompleto” a respeito do negócio.

Em decisão preliminar de julho do ano passado, o tribunal isentou o Conselho de Administração. Na segunda, em resposta ao Estado, o TCU não descartou a possibilidade de arrolar Dilma e os demais ex-conselheiros no processo sobre a compra da refinaria (mais informações abaixo). Segundo concluiu o tribunal, o prejuízo da Petrobrás com o negócio foi de US$ 792 milhões. A defesa de Gabrielli argumenta que o Conselho de Administração teve tanta ou mais responsabilidade do que a Diretoria Executiva na compra da refinaria.

Justificativa. No texto de 64 páginas, entregue no dia 5 de dezembro, Gabrielli diz que não se sustenta a justificativa de Dilma de que o relatório de Néstor Cerveró – então diretor de Internacional – era falho por omitir que o contrato tinha as cláusulas Marlim (que garantia rentabilidade mínima de 6,9% à Astra Oil, parceira da Petrobrás na refinaria) e Put Option (que obrigava a Petrobrás a comprar a parte da sócia se houvesse divergência de gestão).

De acordo com a defesa de Gabrielli, o Conselho tinha “obrigação de fazer uma avaliação criteriosa” de todos elementos do contrato antes de autorizar a compra, e contava com “os mesmos elementos fornecidos pelas mesmas pessoas” com os quais a Diretoria tomou a decisão.

Diferença. Conforme o documento assinado pelo advogado Antonio Perilo Teixeira, ao contrário de outras empresas nas quais as funções dos conselhos se limitam a planejamento e estratégia, o estatuto da Petrobrás confere ao Conselho de Administração poderes executivos. “Esse fato é demonstrado na própria aquisição de Pasadena, tendo visto que a Diretoria havia aprovado sugestão de Cerveró de adquirir a segunda metade da Astra mas essa posição foi rejeitada pelo Conselho”, diz o texto.

É com base no estatuto que Gabrielli pede que os integrantes do Conselho também sejam responsabilizados. “Caso este tribunal entenda que não é possível afastar a responsabilidade dos integrantes da Diretoria Executiva, que sejam então chamados para manifestar-se todos integrantes envolvidos na aprovação dos contratos, incluindo os membros do Conselho de Administração.”

Ao final, a defesa de Gabrielli sustenta que caso o TCU se negue a excluir a Diretoria Executiva do processo, “que os integrantes do Conselho de Administração sejam citados para integrar a lide, tendo seus bens bloqueados em igualdade de condições com os atuais requeridos”.No documento, a defesa cita Dilma explicitamente ao lembrar da primeira conclusão do TCU. “Essa posição (de que os conselheiros são responsáveis), que implicaria a oitiva da Presidenta da República e de outras altas autoridades do atual governo, recém reeleito, foi descartada.” 

Além de Dilma, faziam parte do Conselho o atual ministro da Defesa, Jaques Wagner, o ex-presidente do PT e da Petrobrás José Eduardo Dutra, o ex-ministro Antonio Palocci, o atual presidente da Abril Mídia, Fábio Barbosa; o economista Cláudio Haddad, presidente do Insper, os empresários Jorge Gerdau e Arthur Sendas (falecido) e o ex-comandante do Exército Gleuber Viana.

Em julho do ano passado, logo após o TCU dar sua decisão preliminar, Cerveró e Ildo Sauer, ex-diretor da área de Gás e Energia, também tentaram responsabilizar o Conselho. Cerveró encontra-se atualmente preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Ele é acusado pela Operação Lava Jato de receber propina em contratos da Petrobrás.

‘Erro médico’. No documento de sua defesa, Gabrielli aproveita para defender a compra de Pasadena. Diz que os lucros já cobriram os gastos, contesta os critérios e números apontados pelo TCU e diz que em momento algum foi demonstrado dolo ou culpa da direção da Petrobrás. Para fins legais, o ex-presidente da estatal compara o negócio a um erro médico, “no qual a relação com o paciente é de meio e não de fim”. Para Gabrielli, a compra de Pasadena “não foi, certamente. a maior barganha realizada pela Petrobrás, mas tampouco foi a maior venda da Astra”. Gabrielli aproveita para provocar a desafeta Graça Foster, atual presidente da estatal, dizendo que a Petrobrás não forneceu uma série de documentos que poderia ajudá-lo na defesa.

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Em dia de apagão, Dilma confirma tarifaço de R$ 20 bilhões e aumenta impostos sobre crédito, gasolina e importações.

O famoso Operador Nacional do Sistema (ONS), cujo nome oficial é Dilma Rousseff, apagou meio país de forma seletiva para evitar um apagão geral em todo o Brasil. Foram 50 minutos de corte, causando problemas a milhões de pessoas em dos dias mais quentes do verão. Dilma iniciou no com Lula justamente no ministério das Minas e Energia. Pelo que ocorreu hoje, fica provado que também foi incompetente nesta matéria. Mas não é só isso. Também acaba de ser anunciado um tarifaço de R$ 20 bilhões.

Segundo o Valor Econômico,  o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, anunciou na noite desta segunda-feira quatro medidas que vão gerar um aumento na arrecadação de impostos de R$ 20 bilhões em 2015 e, nas palavras do ministro, têm o "objetivo de aumentar a confiança na economia".

Hoje o ministro anunciou a equiparação de IPI dos comésticos, aumento do PIS/Cofins sobre a importação, reestabelecimento da alíquota do IOF para as operação de crédito da pessoa física e aumento do PIS/Cofins e Cide sobre os combustíveis. Segundo o ministro, a equiparação da cobrança de IPI do setor de cosméticos “Não envolve aumento da alíquota.”, afirmou Levy, destacando que a medida “faz com que a tributação seja mais homogênia para evitar acúmulos em algumas das pontas”. “Terá pequeno efeito arrecadatório”, comentou.

Cosméticos
A segunda medida trata, conforme o ministro, de um “ajuste” na alíquota do PIS/Cofins sobre a importação, que passará de 9,25% para 11,75%.  O objetivo é corrigir uma distorção causada pela retirada do ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins importação para que e produção doméstica não seja rejudicada.

IOF
O governo decidiu também elevar o IOF para operações de crédito para a pessoa física, que passará de 1,5% para 3%, “que era o que tinha há alguns anos”. O ministro fez questão de informar que a alíquota de IOF de 0,38% por operação foi mantida. “Não há mudança. Continua cobrando o valor”, comentou.

Combustíveis
Levy anunciou ainda que vai elevar o PIS/Cofins e Cide sobre os combustíveis. O ministro explicou que num primeiro momento o aumento do PIS/Cofins será superior porque a Cide só vigora em 90 dias. A ideia é que daqui a noventa dias a alíquota do PIS/Cofins seja reduzida. No caso da gasolina, os dois tributos provocarão um acréscimo de R$ 0,22 por litro para a gasolina e R$ 0,15 para o diesel. O aumento vale a partir de 1º de fevereiro.

Levy ressaltou que o preço da gasolina depois do aumento do PIS/Cofins e Cide “vai depender da política de preços da Petrobras”. “Não tenho envolvimento na política de preços da Petrobras”, destacou o ministro. “Se o preço da gasolina se mantiver, se adiciona R$ 0,22 ao preço”, disse.

Sobre o impacto na inflação, o ministro afirmou que a gasolina corresponde a mais ou menos 1/25 da cesta do IPCA. “O preço sobre o IPCA cada um calcula de uma maneira. Posso dar uma indicação de que a gasolina fica entre 1/25 a 1/30 da cesta”. “Não é apropriado dar o número porque você tem efeitos secundários”, emendou o ministro evitando estimar o impacto no IPCA do aumento dos combustíveis.

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No dia do apagão elétrico, o apagão das promessas da governanta Ou: o PT é ruim de software e de hardware. Ou ainda: Há um cheiro de recessão no ar

Que coisa, não!? Faz 20 dias que Dilma tomou posse; há menos de três meses, reelegeu-se presidente. No dia em que o país passa por um black out, ordenado pelo Operador Nacional do Sistema, que atingiu 10 Estados, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy — que os petistas dizem ser um neoliberal — vem a público para anunciar um pacote fiscal que, por si, confessa a falência do modelo petista. Então ficamos assim: o partido é um desastre de hardware e de software. Não está equipado para entender o mundo, e seu sistema operacional é ineficaz para lidar com a realidade. Este 19 de janeiro entrará para a história como uma espécie de dia-síntese de uma era.

O governo decidiu levar R$ 20,6 bilhões da sociedade para seus cofres. Mirou as importadoras, o setor de combustíveis e de cosméticos. E também o crédito da pessoa física. O IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras) passa de 1,5% para 3%. O Planalto ressuscitou a CIDE, o imposto sobre combustíveis, e aumentou o PIS/Cofins sobre gasolina —R$ 0,22 por litro — e diesel R$ 0,15. Não se sabe quanto chegará ao consumidor. Mas chegará. A alíquota desses impostos sobre importados também será elevada, passando de 9,25% para 11,75%. Finalmente, equiparou, para efeitos de cobrança de IPI, o atacadista e o produtor da área de cosméticos. Ah, sim: o Comitê de Política Monetária do Banco Central deve anunciar nesta quarta a elevação da taxa de juros em 0,5 ponto percentual, passando a 12,25% ao ano.

Como disse Guimarães Rosa, o sapo pula por necessidade, não por boniteza. Não parto do princípio, como normalmente faria um petista se tais medidas fossem anunciadas por tucanos, de que Dilma age assim por maldade. Mas isso não pode nos impedir de constatar: as contas estavam em petição de miséria, não é mesmo?

A imprensa diz aos quatro ventos que são medidas para recuperar a credibilidade. Tomara que sim! Uma coisa é certa: são medidas recessivas, de contenção do consumo, numa economia que já cresceu perto de zero no ano passado e que tinha um crescimento previsto na casa de 1% antes da majoração da tarifa de energia, do reajuste dos combustíveis, da alta da taxa Selic, da contenção do crédito e da elevação dos juros da casa própria.

O governo prometeu fazer um superávit de 1,2% do PIB em 2015 — R$ 66,3 bilhões. Com o pacote de agora, espera conseguir quase um terço disso. Já passou a faca em mais de R$ 22 bilhões no Orçamento e espera poupar R$ 18 bilhões com regras mais rígidas para a concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas. O busílis é que elevação de combustíveis e da taxação de importados também pode pressionar a inflação — que, em tese ao menos, será contida com juros mais altos e diminuição do consumo.

Querem saber? Há um forte cheiro de recessão no ar neste 2015. Mas, consta, esse pode ser o preço a pagar para recuperar a tal “confiança” na economia, o que prepararia o Brasil para crescer. A ser assim, a gente tem uma noção do que o fez o PT, no período, com essa tal “confiança”.

Agora tente explicar, sei lá, a um estrangeiro que não conheça direito as coisas do Brasil a seguinte equação: o governo Dilma está pondo em prática tudo o que jurou solenemente não fazer — embora, reconheçamos, algumas medidas sejam necessárias. Pior: ela esconjurou essas escolhas e disse que elas faziam parte do cardápio de seu adversário, que estaria disposto a atender aos interesses de banqueiros cúpidos. O ministro que ela chamou para implementar essas ações era um alto executivo do maior banco do país e foi secretário-adjunto de Política Econômica e economista-chefe do Ministério do Planejamento do governo FHC, que os petistas dizem ser a fonte de todos os males do Brasil.

Não pensem que isso é virtude, a síntese que resulta da tese e da antítese. É só a consumação de um estelionato e mais uma evidência da picaretagem e do atraso da política brasileira. Antes do apagão de energia, há o apagão de vergonha na cara. Não serei refém intelectual de uma falsa questão: saber se essas medidas são ou não necessárias. Digamos que sejam. A presidente que venceu a eleição disse que não eram. E é preciso que se cobre isso dela.

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Aécio pergunta: “Onde está a presidente?” Ou: Por que Dilma não foi à TV e deixou a tarefa para Joaquim Levy? Ela terceirizou o governo?

O senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, divulgou uma nota nesta segunda, depois do anúncio de medidas na área fiscal feito pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em que se lê o seguinte:

“Onde está a presidente?

O Brasil está assustado com o tamanho da herança maldita que o primeiro governo Dilma deixou para o país. Apagão, racionamento de energia, aumento de impostos, cortes de direitos trabalhistas já preocupam e demonstram como milhões de brasileiros foram enganados durante a campanha eleitoral. Os erros do governo do PT não podem mais ser ‘escondidos embaixo do tapete’.  E a conta de todos esses erros será, injustamente, paga pela população.

Em meio a tudo isso, o país se pergunta: onde está a presidente?

Duas características são essenciais a um governante: responsabilidade e coragem.

Durante a campanha eleitoral, faltou responsabilidade à presidente. Focada apenas em vencer as eleições, a candidata adiou medidas necessárias que agora, diante de um quadro agravado, vão custar ainda mais caro à população.

Hoje, falta à presidente coragem para olhar nos olhos dos brasileiros e reconhecer que está fazendo tudo o que se comprometeu a não fazer.

Ao se omitir no momento do anúncio de medidas que afetarão gravemente a vida do nosso povo, a presidente parece querer terceirizar responsabilidades que são essencialmente dela.

A pergunta que milhões de brasileiros se fazem hoje é: onde está a presidente?”

Retomo
É evidente que as medidas anunciadas por Joaquim Levy vão na contramão de tudo o que prometeu a candidata Dilma Rousseff. O estelionato é, então, duplo: em primeiro lugar, elas revelam um país que não apareceu na campanha eleitoral. Ao contrário: Dilma afirmou que o Brasil estava pronto a entrar numa nova etapa de desenvolvimento.

Quem conhecida o riscado sabia que se tratava de uma mentira escandalosa. Mas quantos dispunham dos dados necessários para entender o que estava em curso?

Ao omitir dos brasileiros as dificuldades por que passava o país, a presidente também escamoteou as escolhas que seria levada a fazer. De certo modo, o estelionato é triplo: ela foi além de dizer que não faria o que está fazendo: acusou seu adversário de ter a agenda ue ela própria aplica agora.

Há mais a se dizer: quando se tratou de anunciar o desastrado corte da tarifa de energia, Dilma foi duas vezes à televisão. Agora, largou para o ministro da Fazenda a tarefa de anunciar o pacote de maldades que ele também negou solenemente que estivesse em curso em café da manhã com jornalistas na semana passada. Não que devesse antecipá-lo. Mas por que negar?

Dilma assumiu o segundo mandato faz 20 dias e conquistou a reeleição faz três meses. Largar para o ministro da Fazenda a tarefa de anunciar um pacote dessa magnitude corresponde, sim, a terceirizar o governo.


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Blog do Noblat

Pela liberdade
Ricardo Noblat

Quem disse sobre o assassinato, em Paris, no último dia 7, dos jornalistas do semanário satírico Charlie Hebdo: “Esses ataques que vocês chamam de terrorista são uma resposta a tanta barbaridade que acontece contra os muçulmanos. Nossa religião não incentiva violência, jamais incentiva derramamento de sangue, só que, infelizmente, essa é a resposta à crueldade. Vocês podem esperar coisa pior”?

E quem disse sobre o mesmo assunto: “Nós somos defensores do profeta. Não matamos ninguém. Se alguém ofender o profeta, então não há problema. Nós podemos matá-lo, sim. Não matamos mulheres. Não somos como vocês. Vocês são aqueles que matam mulheres e crianças na Síria, no Iraque e no Afeganistão. Se buscamos vingança? Disseram bem. Buscamos vingança”?

A primeira fala foi de Maha Abdelaziz, professora do Centro Islâmico de Brasília, em entrevista ao repórter Gabriel Garcia, publicada em meu blog.

A segunda, de Chérif Kouachi, um dos terroristas responsáveis pelo massacre, em entrevista por telefone ao canal de televisão francesa BFMTV.

A ideologia que Maha ensina foi a mesma que apertou o gatilho das armas de Chérif e do seu irmão.

Pessoas como Maha e Chérif são movidas pelo ódio e, portanto, bastante perigosas. Mas Maha é mais perigosa do que Chérif.

Ela pensa, reflete, elabora, conceitua e dissemina valores que colidem com aqueles aceitos pelas sociedades mais civilizadas.

Chérif era o braço armado de Maha. O executor. Aquele que matava e também podia morrer. Matou e acabou morto.

Concedamos que não há religião superior às demais. Nem por isso todas se equivalem.

Há religiões que são usadas como pretextos para a pregação da violência e a imposição dos seus dogmas.

No passado remoto, o cristianismo se comportou assim. Hoje, mais cristãos são mortos no mundo por serem cristãos do que muçulmanos radicais que se dizem perseguidos.

O trágico episódio do aniquilamento de quase toda a redação de um jornal não se assemelha a nenhum outro ocorrido da segunda metade do século passado para cá.

E serve para confirmar que não há país a salvo de ataques de fanáticos, nem mesmo a França, principalmente ela, habitada por pouco mais de seis milhões de muçulmanos, e coração de uma Europa puxada pela Alemanha.

A primeira vítima de uma guerra é a verdade. A mentira é a mais poderosa arma de guerra.

A segunda vítima é a liberdade. Não só do lado mais fraco. Também do lado mais forte que, para vencer, considera necessário sacrificar princípios e valores.

Foi isso o que aconteceu com os Estados Unidos depois do 11/09. Para esmagar o terror, tudo valeria a pena.

Pois o terror ainda vive.

"Nós estamos sendo atacados pelo que somos”, declarou Madeleine Albright, secretária de Estado do governo Bil Clinton, antes mesmo que se apagassem as chamas que consumiram as Torres Gêmeas, em Nova Iorque. “Apoiamos a democracia, a liberdade e uma sociedade livre. Essa é a essência da América da qual não podemos escapar”.

Uma pena, mas a essência da América desfigurou-se.

Espera-se que seja diferente na Europa ainda em estado de choque desde o 07/01.

Na França, a lei assegura o direito à livre expressão com tudo o que faz parte dela – da irreverência à sátira, do achincalhe à zombaria.

O governo pediu moderação aos cartunistas do Charlie Hebdo prevendo algum tipo de retaliação. Como não foi atendido, tentou protegê-los. Sem sucesso.

Pois a liberdade ainda vive.

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Dirceu liga, mas Dom Lulone não atende. Ou: Quem vai em cana desta vez?

Tratei, em dois posts, da grave infeção que toma o país: a petistite. Você sabem como é… Às vezes, os micro-organismos acabam passando, em razão de fatores ambientais e outros, por derivações. O vírus Petralha corre o risco de sofrer uma dessas mutações… Vamos ver.

Reportagem da VEJA desta semana informa que José Dirceu está inquieto. O homem que, segundo o STF, é um corruptor, o corrupto ativo propriamente, ligou para Lula, que é, inequivocamente, o poderoso chefão. O Zé está a fim de bater papo. O Zé não se conforma com algumas coisas que estão em curso, especialmente com o destino que, tudo indica, aguarda Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras e, para surpresa de ninguém — afinal, a petistite é uma síndrome — indicado para o cargo pelo próprio Dirceu.

Segundo Paulo Roberto Costa, Duque era o homem que comandava a arrecadação de propina para o PT. A ser verdade o que diz, a diretoria de Serviços, a cargo do petista, era a que cobrava o pedágio mais alto. Até uma boa parte do dinheiro arrecadado pelo próprio Costa, que operava para o PP, tinha de ser remetida a Duque — que nega tudo. Nega, é? Uma coisa é certa: Pedro Barusco, um mero gerente subordinado a Duque, aceitou devolver US$ 97 milhões. Vamos ser óbvios: quando o subordinado topa devolver quase R$ 260 milhões, a gente se vê tentado a indagar quanto não foi roubado pelo chefe. Mas cabe aos órgãos competentes tentar chegar aos dados.

Dirceu, que indicou Duque, teme pelos desdobramentos da investigação. Que o petrolão vá condenar à cadeia uma nova penca de petistas, isso parece inequívoco. Duque, até agora, tem sido de uma fidelidade de fazer inveja a Delúbio Soares. Vai continuar assim? Talvez Dirceu quisesse debater esse e outros temas correlatos com Lula. Mas Dom Lulone não atendeu o telefone nem ligou de volta. Pediu a Paulo Okamoto — o seu faz-qualquer-coisa — que telefonasse para o condenado: “Do que você está precisando, Zé?”.

Zé ficou muito bravo: “Você acha que vou ligar para pedir alguma coisa? Vocês me abandonaram há muito tempo!”. Por que o homem fala de abandono numa situação como essa? Vai saber. Barusco, o segundo de Duque, disse que seu chefe arrecadou propina em 60 contratos e que parte da roubalheira foi parar nas mãos de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. E também empreiteiros já confessaram que a dinheirama irrigou campanhas do partido.

Lula, até agora, saiu ileso de tudo isso, não é? Em encontro recente, recomendou que os petistas andem de cabeça erguida. Eles andam, claro! A petistite, provocada pelo vírus Petralha, começa por corroer o caráter do hospedeiro. O que o Zé queria? Ninguém sabe. Talvez conversar com Dom Lulone sobre os futuros presos do petrolão.


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Blog do Noblat

Papa Francisco pisou feio na bola!
Ricardo Noblat

Creio em Deus. Sou católico, apostólico, romano. Fiz minha primeira comunhão com cinco anos de idade. Cresci respeitando meu tio José, irmão da minha mãe, arcebispo de São Luís do Maranhão e de Fortaleza. Quando lembro, ainda rezo antes de dormir.

Posto isso, digo com o maior respeito ao Papa Francisco: ele pisou na bola. No avião que o levou, ontem, do Sri Lanka para as Filipinas, Francisco foi interrogado por um jornalista francês sobre o atentado contra o semanário Charlie Hbdo, que terminou com 12 mortos.

Sem mencionar especificamente o ataque ou o nome da publicação, o Papa disse que tanto a liberdade de expressão como a liberdade religiosa “são direitos humanos fundamentais”. Até aí, tudo bem. De fato, são direitos humanos fundamentais. Que mais?

Francisco acrescentou: “Temos a obrigação de falar abertamente, de ter esta liberdade, mas sem ofender. É verdade que não se pode reagir violentamente, mas se Gasbarri [ Alberto Gasbarri, responsável pelas viagens internacionais do Papa ], diz uma palavra feia sobre minha mãe, pode esperar um murro. É normal!”

Não. Não é normal que um Papa, logo um Papa, admita que possa revidar com um murro alguma ofensa à sua mãe. João Paulo II, por exemplo, visitou em sua cela o pistoleiro turco que tentou matá-lo no Vaticano. O Papa perdoou-o por tê-lo atingido com vários tiros.

Respeito todas as religiões. Sou contra ofensas a qualquer uma delas. Mas reconheço como um dos direitos fundamentais do ser humano a livre expressão. Ele é superior a qualquer ofensa. Deve-se punir uma ofensa com o rigor da lei. Com a morte, jamais.

O porta-voz de Francisco viu-se em apuros para explicar o que ele quis dizer. Por mais que tenha esgrimido bem com as palavras, não convenceu. Duvido que Francisco concorde com a morte como meio de se responder a uma ofensa. Mas foi a impressão que deixou.

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O MOMENTO DE PORNOGRAFIA EXPLÍCITA DO CAPITALISMO — OU DO SOCIALISMO — À MODA PETISTA: Dilma quer que bancos públicos socorram empresa privada do setor naval com R$ 10 bilhões. O probleminha é que há alguns réus na Lava-Jato no meio do caminho…

Está em curso um troço realmente do balacobaco, que a Folha traz em sua manchete de hoje. Eu poderia dizer que é a cara do PT. E é. Mas também é a cara das piores práticas da ditadura militar. E o PT, como é sabido, mimetiza muitos procedimentos daquele período. O emblema talvez seja Delfim Netto, guru econômico da linha-dura fardada e de Lula. Mas vamos ao ponto, que sintetizo em tópicos.

1: O governo petista decidiu estimular a indústria naval brasileira. Que bom!  A companheirada é assim mesmo: executa uma política econômica que liquida os setores competitivos para estimular aqueles em que o país não conseguirá ser eficiente.

2: Sob os auspícios de Lula e Dilma, criou-se a Sete, empresa para construir e alugar 28 sondas de perfuração, um projeto orçado em US$ 25 bilhões. São sócios do empreendimento a Petrobras, o Bradesco, o BTG Pactual, o Santander e os fundos de pensão das estatais.

3: Se a Petrobras recorresse a empresas estrangeiras para esse serviço, corrupção à parte, o país sairia ganhando porque gastaria menos. Mas sabem como é: é preciso lustrar o nacionalismo brucutu.

4: A Sete está em apuros, informa a Folha. A dívida, em setembro, era de R$ 800 milhões, e a empresa parou de pagar os estaleiros.

5: Aí Dilma teve uma ideia. É, isso é sempre um perigo. Não é fácil, leitores, sustentar esse nacionalismo chulé. Custa caro. A presidente chamou os presidentes do BNDES e do Banco do Brasil — Luciano Coutinho e Aldemir Bendine, respectivamente — para viabilizar um empréstimo de, atenção, R$ 10 bilhões à Sete.

6: Informa a Folha: “A reunião de Dilma com Coutinho e Bendine ocorreu no fim da tarde de quarta (14), no Planalto, para analisar principalmente como ‘resolver pendências’ referentes a empréstimo de US$ 3,5 bilhões (cerca de R$ 9,2 bilhões) para contratação de oito sondas.” Vale dizer: sem uma solução, não há sonda.

7: Mas não só: a presidente quer que o BB lidere um consórcio de bancos para emprestar outros R$ 800 milhões à empresa para resolver seus problemas imediatos de caixa.

8: Viram como essa política de desenvolvimento da indústria naval é boa para os brasileiros que são escolhidos para… desenvolver a indústria naval? Esse é o capitalismo à moda da casa: socialização do prejuízo.

9: Ocorre que há algumas dificuldades:

a: o primeiro diretor de operações da Sete foi Pedro Barusco, aquele ex-gerente de serviços da Petrobras, que fez acordo de delação premiada e aceitou devolver a fantástica soma de US$ 97 milhões;
b: a maioria dos estaleiros contratados pela Sete pertence a empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato;
c: tanto o BNDES como o Banco do Brasil querem que a Petrobras e os estaleiros enviem uma carta afirmando que não houve atos ilícitos nos processos de licitação. Considerando as personagens envolvidas…

10: Vejam, então, que coisa fabulosa: o governo decide incentivar a indústria naval, e a empresa criada, tendo a Petrobras como sócia, vai quebrar se não receber a injeção de alguns bilhões de bancos públicos, a juros módicos.

11: A operação de socorro tem esbarrado em algumas dificuldades porque parte das personagens envolvidas na história está sendo investigada pela Polícia Federal.

Assim se fazem as coisas na República petista: incentiva-se a indústria naval nativa batendo a carteira dos brasileiros, e os escolhidos para a empreitada têm a garantia, claro!, de que não vão quebrar. A única atrapalhação é haver nesse meio alguns réus do maior escândalo de que se teve notícia no país até agora.

Não obstante, Joaquim Levy está de olho naqueles que, tudo indica, são os verdadeiros inimigos do Brasil: os trabalhadores que hoje são pessoas jurídicas. O ministro quer a carteira deles.

É o capitalismo à moda petista — ou socialismo, tanto faz — na sua fase de pornografia explícita.


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Blog do Coronel

Mercadante, o "gênio" da articulação política, une o PMDB. Contra o governo.

(Da coluna "Professor Aloprado", de Dora Kramer, no Estadão) É a velha, batida, mas imprescindível lição que político bom no ramo não dispensa: a esperteza quando é muita vira bicho e come o dono. Há outras duas a completar uma trinca de ouro: só bobo briga e segredo é a alma do negócio. No afã de pôr em prática um plano para enfraquecer o PMDB a fim de retirar oxigênio do partido, reformular o perfil da aliança, reforçar partidos até então periféricos e alimentar a criação de novas legendas, o governo violou as três regras.

Os articuladores do Planalto só faltaram anunciar no Diário Oficial suas pretensões, tão atabalhoados e explícitos foram os gestos para alijar o principal aliado. A presidente Dilma Rousseff cuidou da arrumação na área econômica e deixou a política a cargo do chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Jogou o PMDB para a periferia ministerial, concentrou no Palácio o poder decisório político e de interlocução com o Congresso com pessoas da estrita confiança presidencial, mas sem a necessária experiência nem o indispensável trânsito no Parlamento.

A prova na incompetência está na queimada na largada. O PMDB captou de início o plano. E, ao perceber, se uniu. O movimento para enfraquecer, fortaleceu como se viu na manifestação da executiva do partido em prol das candidaturas às presidências da Câmara e do Senado. O recado foi direto: quaisquer hostilidades dirigidas aos candidatos, notadamente ao deputado Eduardo Cunha, serão interpretadas como agressões ao conjunto dos pemedebistas.

Em miúdos, disse o seguinte: "Mexeu com ele, mexeu conosco". A declaração de guerra de quem pode estar prestes a renovar a posse do comando de um dos Poderes da República não seria necessária se entre os arquitetos palacianos não vigorasse a enganosa tese de que os líderes do PMDB são provincianos a serem passivamente passados para trás em troca de migalhas de fisiologismo.

Pois se a ideia era enfraquecer, os fatos mostram que o Planalto até agora só conseguiu fortalecer o partido. Por exemplo, a manobra trouxe de volta à cena o ex-deputado Geddel Vieira Lima, oposicionista até então atuando só nos bastidores e desde ontem autorizado a dar em nome do partido declarações tais como "o PMDB vai olhar com lupa" as atitudes do governo a partir do momento em que assumir o comando do Congresso.

A manifestação da executiva quer dizer também que os ministros do PMDB, mesmo os nomeados à revelia da direção, não fiquem à vontade para atuar em prol dos interesses do governo quando esses contrariarem os do partido, pelo simples fato de que não se respeitou a regra do segredo como a alma do negócio.

Gilberto Kassab e Valdemar Costa Neto, patrocinadores de novas legendas a serem criadas com o objetivo de aliciar parlamentares da oposição e do PMDB, podem até ser braços armados pelo Planalto. Mas, diante de urdidura tão explícita, é de se perguntar se raposas desse jaez estariam dispostas a brigar com os presidentes da Câmara e do Senado para prestar serviço ao Planalto.

Talvez prometam, mas provavelmente não entreguem a mercadoria.

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Digitais do tesoureiro do PT aparecem em mais uma falcatrua.

 (Estadão)Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) entregue aos investigadores da Operação Lava Jato, que desmontou esquema de corrupção na Petrobrás, registrou uma movimentação considerada suspeita em 2009 de R$ 18 milhões envolvendo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, ligado à CUT, a Bancoop, cooperativa criada pela entidade cujo presidente era o atual tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto (foto), e a Planner Corretora de Valores.

Em 23 de novembro de 2009, a Bancoop recebeu R$ 18.158.628,65 do Sindicato dos Empregados de Estabelecimentos Bancários de São Paulo, informou o Coaf, órgão de inteligência do Ministério da Fazenda. “Na mesma data, foram transferidos R$ 18.151.892,51 para a empresa Planner Corretora de Valores”, registra o documento enviado à Polícia Federal e anexado ao processo em que foi decretada a prisão preventiva de Nestor Cerveró, ex-diretor de Internacional da Petrobrás.

No relatório do Coaf, a movimentação financeira de 2009 da Bancoop foi classificada como suspeita. “Contas que não demonstram ser resultado de atividades ou negócios normais, visto que utilizadas para recebimento ou pagamento de quantias significativas sem indicação clara de finalidade ou relação com o titular da conta ou seu negócio.”

O documento do Coaf foi feito a pedido dos investigadores da Lava Jato e tem como alvo do monitoramento bancário Vaccari, Cerveró e Renato Duque, ex-diretor de Serviços da estatal. O tesoureiro do PT foi apontado na Justiça Federal por dois delatores do processo como operador do esquema de propina na Petrobrás, entre 2004 e 2012. Pelo menos 22 empresas, agindo em cartel, pagavam propinas de 1% a 3% para agentes públicos e políticos em troca de contratos bilionários, segundo a Procuradoria da República.

Vaccari teria movimentado propina via Diretoria de Serviços. Ele e a cunhada, Marice Correa de Lima, são também investigados como supostos recebedores de valores pagos por uma das construtoras do cartel de 22 empreiteiras alvo da Lava Jato, a mando do doleiro Alberto Youssef. O nome do tesoureiro do PT aparece também na Lava Jato em um negócio suspeito envolvendo membros do partido e investimentos feitos pelo fundo de pensão da Petrobrás, Petros, em uma empresa de fachada ligada ao doleiro.

Caso Bancoop
Vaccari, que era dirigente da Bancoop em 2009, é réu em processo criminal aberto em 2010, pela Justiça em São Paulo, que . Nele, os dirigentes da cooperativa são acusados de desvio de recursos e prejuízo de mais de R$ 100 milhões. Parte desse dinheiro teria irrigado campanhas do PT, segundo a Promotoria.

O processo acusa o atual tesoureiro do PT e outros diretores da cooperativa – criada pelo sindicato dos bancários, que teve Vaccari como dirigente, em 1996 – por estelionato, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Pelo menos 8 mil pessoas foram prejudicadas. A Planner, que em novembro de 2009 recebeu os R$ 18 milhões comunicados pelo Coaf, foi a corretora que atuou na capitalização da Bancoop, a partir de 2004, por meio de um fundo de investimentos, que recebeu aportes milionários de fundos de pensão de órgãos federais.

Parte dos recursos, segundo o processo, foram desviados por meio de empresas de fachada criadas. A Bancoop quebrou, deixando uma dívida milionário para cooperados e investidores. Investigadores da Lava Jato buscam saber se há relação entre o caso Bancoop, a movimentação dos R$ 18 milhões, em 2009, e o esquema de propina que teria operado na Petrobrás, entre 2004 e 2012. Vaccari nega qualquer relação com os esquemas de corrupção na Petrobrás. Ele também nega desvios de recursos da Bancoop. Procurado na noite desta quarta feira, 14, ele não foi encontrado.

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Marta Suplicy - A choradeira da mal amada
Ricardo Noblat

Aparentemente, durou pouco o barulho promovido pela senadora Martha Suplicy com a entrevista que concedeu, domingo último, ao jornal O Estado de S. Paulo.

Martha acusou o PT de ter traído Lula preferindo apoiar a candidatura de Dilma à reeleição. Bateu duro em Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da presidência da República.

E profetizou:

- Ou o PT muda ou se acaba.

Dilma fingiu que não leu a entrevista. Mercadante, também. Lula não reagiu sequer à revelação feita por Martha de que desejou suceder Dilma desde já.

O que enfraquece o que Martha disse, primeiro, é o fato de ela ter demorado tanto tempo para dizer. Antes de reassumir seu mandato como senadora, Martha foi ministra da Cultura de Dilma.

Esbarrou nas deficiências do governo; na teimosia de Dilma de só fazer o que lhe dava na cabeça; na birra dela com Lula; e na administração desastrosa feita por seu antecessor, Juca Ferreira.

De volta ao Ministério da Cultura que ocupou no primeiro governo de Lula, Juca foi recepcionado por Martha com uma bateria de críticas. Por que só agora Martha o criticou?

Se Dilma foi uma presidente tão cheia de defeitos por que Martha não pediu demissão do seu governo? Por que não expôs antes suas fraquezas? Por que permitiu que o eleitor votasse nela enganado?

Por que só agora Martha quebra seu silêncio para condenar os males feitos pelo PT? Os mensaleiros foram julgados, condenados, e vários  estão soltos. Finalmente, Martha acordou para o mensalão?

E para a roubalheira na Petrobras? Por essa ela passou batido. Ignorou-a? Esqueceu-a? Não a julgou relevante?

Marta é mal amada pelo PT. Por isso está com um pé fora dele. Pensa em trocar de partido para se candidatar a prefeita de S. Paulo.

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Se Cerveró está preso, Graça Foster também tem de ir para o xilindró?

Vamos pôr os pingos nos is. O advogado de Nestor Cerveró, preso no começo da madrugada de quarta, afirmou que os mesmos critérios que levaram seu cliente à cadeia seriam suficientes para resultar na prisão de Graça Foster, presidente da Petrobras. Afinal, ela também transferiu bens para familiares. Não é assim — e olhem que há muito tempo acho que esta senhora tem de ser demitida. Mais do que isso: penso que a presidente Dilma comete um ato de irresponsabilidade ao mantê-la no cargo. Mas não vamos confundir alhos com bugalhos.

Cerveró não foi preso agora em razão de transferências de bens feitas há algum tempo. Segundo informam a Polícia Federal e o Ministério Público, mesmo depois de se tornar réu — isto é, de a Justiça aceitar a denúncia feita pelo MP —, ele tentou movimentar seu patrimônio. E parece que não o fez de um modo exatamente convencional. Nota: Graça Foster, por enquanto ao menos, não é ré de nada.

Segundo o delegado Igor Romário de Paula, da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, Cerveró fez operações para obter dinheiro em espécie, sem nem mesmo atentar, digamos, para a economicidade das escolhas. Ou por outra: tudo indicava que ele não buscava obter lucro com a movimentação, mas dinheiro rápido, o que poderia sugerir ou tentativa de esconder patrimônio ou planejamento de uma fuga.

O juiz Sérgio Moro está de férias, e quem tomou a decisão foi Marcos Josegrei da Silva, que estava de plantão na Justiça Federal do Paraná. Às 7h34 do dia 1º de janeiro, ele considerou: “mesmo após figurar como investigado em inquéritos policiais e denunciado em ação penal, [Cerveró] prossegue sua sanha delitiva e, como sugere o MPF em sua promoção, parece mesmo não enxergar limites éticos e jurídicos para garantir que não sofra as consequências penais de seu agir, o que pode, no limite, transbordar para fuga pessoal caso perceba a prisão como uma possibilidade real e iminente”.

O juiz avança: “As conclusões que decorrem desses fatos são evidentes e não exigem muito esforço hermenêutico: Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobrás, apontado pelo MPF em denúncia já recebida pela Justiça Federal como um dos principais articuladores e beneficiário de quantias estratosféricas a título de ‘propinas’ pagas por fornecedores da Petrobras em troca de contratos com a estatal, ciente de que corre sério risco de ser responsabilizado criminalmente, inclusive com o ressarcimento dos danos a que deu causa, vem tentando blindar seu patrimônio capaz de ser, a curto prazo, rastreado no país, transferindo-o a pessoas de sua confiança”.

O juiz só peca, a meu ver, num particular. Num dado momento, afirma: “Isso, evidentemente, sem falar nos valores que provavelmente mantém em depósito em contas offshore fora do país que ainda não foram possíveis de serem identificadas e rastreadas”. Ainda bem que Cerveró não foi preso em razão dessas últimas linhas. Afinal, não se pode prender alguém por algo que “provavelmente” exista e que ainda não foi “rastreado”. Isso não seria prisão preventiva, mas julgamento preventivo.

Já os outros elementos elencados pelo magistrado, creio, justificam a prisão.

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Governo federal finalmente admite crise no setor elétrico e recomenda que consumidor poupe energia; SP poderá cobrar multa de quem consumir água em excesso

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) admitiu, como se noticiou, a existência de racionamento de água em São Paulo? Não que eu tenha visto. Mas afirmou o óbvio: existe, sim, uma crise, determinada pela falta de chuva. Alckmin falou em “restrição hídrica”. No mesmo dia, o novo ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, recomendou que a população reduza o consumo de energia elétrica em razão do “sistema hidrológico alterado”.

Disse Braga: “Eu acho que isso é importante sim [a redução do consumo de energia]. Eu acho que, do mesmo jeito que nós estamos tendo a realidade, por exemplo, em São Paulo, em que o consumidor está tendo que reduzir o gasto de água porque há um problema hídrico, o setor elétrico está sendo vítima do ritmo hidrológico. Então, é natural, sim (reduzir o consumo). Se pudermos economizar, se pudermos controlar, isso ajuda para que nós possamos ter eficiência energética, redução de consumo, redução de gastos nessa área e, obviamente, isso impacta positivamente a tarifa”.

Que havia uma crise no abastecimento de água em São Paulo, isso, convenham, todos reconheciam. E, é evidente, se não chover nas represas o necessário, acabará havendo cortes no fornecimento. O que é novo nessa equação — e não deixa de ser de um saudável realismo, ainda que tardio —, é o governo federal reconhecer que o país enfrenta problemas também no setor elétrico.

Nem é preciso recuar muito no tempo. Há três meses, durante a campanha eleitoral, o PT e Dilma Rousseff tentaram jogar nas costas do governo de São Paulo a responsabilidade pelos problemas de abastecimento de água, como se o setor elétrico não fosse parte da mesma equação.

A energia elétrica já está se tornando progressivamente mais cara, e novos aumentos vêm por aí. Também o governo de São Paulo espera diminuir o consumo de água mexendo no preço. O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador José Renato Nalini, liberou na noite desta quarta a cobrança de multa para os gastões, instituída pelo governo e pela Sabesp. Nalini suspendeu a liminar que impedia a cobrança da sobretaxa de 40% a 100% para consumidores que excederem a média mensal de gasto de água.

Governo do Estado e Sabesp fazem uma ampla campanha em favor da economia de água. O Planalto, até agora, tem evitado recomendar que a população economize energia. Seria como admitir o insucesso da política energética da era Dilma. Que se lembre: há dois anos, por meio da MP 579, o governo permitiu que as empresas geradoras e transmissoras antecipassem as concessões desde que seus preços fossem regulados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), com uma redução de 20% nas tarifas. O setor quebrou.

Para arrematar: o país está bem perto de uma crise no fornecimento de energia elétrica crescendo 0,3% em 2014 e com expansão prevista de 1% neste ano. Crescesse a 4%, já estaríamos às escuras. Deve ser esse o planejamento de que Dilma tanto se orgulhava.

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Nada no Alcorão proíbe que se represente a imagem do Profeta. Ou: Queriam a prova de que a Turquia não é uma democracia? Pois não! Ou ainda: Cadê Barack Obama?

Nada no Alcorão proíbe que se faça um desenho da imagem do profeta Maomé. Isso é fruto de interpretação. O livro sagrado dos muçulmanos se refere a Jesus como “o Messias”, “a palavra de Deus”, “a palavra da verdade”, “um espírito de Deus”, “o mensageiro de Deus”, “o servo de Deus”, “o profeta de Deus”, “ilustre neste mundo e no próximo”. Mais: aceita como divinamente revelados os ensinamentos de Moisés e os valida para Maomé. Já escrevi aqui e repito: no Alcorão ou na Bíblia, encontram-se palavras de guerra e palavras de paz. A questão é saber quais triunfam e por quê.

O Alcorão que compreende, em vez de matar, pode tornar o mundo melhor — e também isso vale para o Livro Sagrado dos cristãos. Mas indago: em que país do mundo, como força preponderante, se aplicam os ensinamentos lhanos da lei maometana? Escrevi aqui, já faz tempo, que não considero a Turquia uma democracia. O país é habitualmente citado como exemplo de que a fé islâmica pode conviver com um regime de liberdades públicas.

Apanhei bastante. Fui acusado de preconceituoso. Pois é… A Justiça turca proibiu o acesso a sites que reproduzam a charge publicada pelo “Charlie Hebdo”. No país, só o jornal “Cumhuriyet”, de Istambul, publicou alguns dos desenhos do jornal francês, mas não o de Maomé. Mesmo assim, segundo a publicação, policiais interceptaram os caminhões que saíam da gráfica para verificar se a edição estampava a imagem proibida. Faço perguntas óbvias: em que democracia do mundo isso acontece? Que democracia do mundo interdita o acesso a sites? Que democracia do mundo aplica a censura prévia de arma na mão?

E, neste ponto, acuso a covardia dos líderes do Ocidente. Sim, muitos deles — não Barack Obama, que nem isto fez — compareceram ao protesto na França, que reuniu quase quatro milhões de pessoas. Em seguida, no entanto, teve início a ladainha de desculpas e escusas com o mundo islâmico. Angela Merkel, chanceler alemã, decidiu participar de um ato contra a suposta islamofobia.

Ora, todas as pessoas decentes somos contra a islamofobia, a cristofobia, a judeufobia etc. Mas pergunto: os líderes ocidentais estão fazendo a devida cobrança aos representantes do islamismo moderado — ou, se quiserem, daquele islamismo do Livro Sagrado? Mas cobrar o quê? Que anunciem ao mundo palavras de paz!

O governo turco não se pronunciou oficialmente a respeito. Mas um dos vice-primeiros-ministros, Yalcin Akdogan, afirmou: “Aqueles que desprezam os valores sagrados dos muçulmanos publicando desenhos que supostamente representam o nosso profeta são claramente provocadores”. Ele anunciou isso no Twitter. São palavras de guerra, não de paz.

Cadê Barack Obama? Por que o presidente do país mais importante do que já se chamou “Mundo Livre” está em silêncio obsequioso? Nunca sou ambíguo ou oblíquo. Não estou aqui a especular sobre supostas vinculações, afetivas que fossem, de Obama com o Islã. Acho que o caso é mesmo de fraqueza moral. O mundo que temos é complicado demais para ele.

Vivemos um momento sem dúvida importante. Ou as democracias ocidentais declaram o valor universal da liberdade ou permitem que a lógica do terror e da ditadura religiosa se insinue em sua cultura. O que vai ser?

Não! Não se trata de um confronto entre dois fundamentalismos. A liberdade de expressão não é um princípio — ou, então, um fundamento — que aniquila as vozes contrárias porque seria divinamente inspirada. Ao contrário: sua virtude está na pluralidade humanamente conquistada — e com muito sofrimento.

Mas ainda que se admitisse um confronto de fundamentalistas, seria forçoso reconhecer que existe uma diferença entre o princípio que diz “sim” à diversidade de opiniões e o que diz “não”.

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NINGUÉM PODE SER CONIVENTE COM O TERRORISMO. PONTO FINAL. - RAFAEL BRASIL

O atentado terrorista na França desnudou o esquerdismo atrasado de amplos setores da nossa imprensa, bem como das chamadas "zelites intelequituais". Um colega, professor como eu mas devidamente diplomado como doutor, e muitos títulos mais, veio falar das pretéritas opressões coloniais europeias sobre os povos muçulmanos, e demais povos colonizados. Como se os povos árabes, em sua grande maioria tribais fossem uns anjinhos. Muito antes dos europeus eles já escravizavam em massa, e castravam os escravos em muitos casos, só para ficarmos neste macabro exemplo.

A própria ideia de estado nacional surgiu na Europa Moderna. Qualquer ginasiano deveria saber disso. Assim, o nacionalismo, inclusive claro o árabe e judeu, tem matriz ideológica européia. Assim como a democracia e a liberdade. Que é filha do livre arbítrio, preconizada por São Paulo ao difundir a ideia de que a conversão ao cristianismo era uma decisão eminentemente individual  , interior.     A própria noção de alma significa a unicidade de cada indivíduo. Somos iguais e diferentes ao mesmo tempo, entenderam? Estes valores são o produto de um longo processo civilizatório que remonta a antiguidade, o qual chamamos de civilização ocidental. Tem defeitos? Claro, e muitos. Mas quem trocaria o Brasil pela China? Ou pelo Irã? No primeiro uma brutal ditadura, no segundo idem, só que religiosa. Quem for contra o governo e o alcorão é contra Deus, e deve ser castigado. Mulheres, homossexuais são oprimidos ao extremo da execução pública.

Apoiam estes regimes porque são antiamericanos. Na verdade nossa esquerda burra tem inveja dos Estados Unidos. Tem medo do capitalismo, pois a introdução do mesmo significaria a perda de muitos privilégios, sobretudo os corporativos. O atraso parece não ter limites. Terrorismo é a negação da palavra, da política com "P" maiúsculo. Quem combate idéias ou mesmo o humor com violência e morticínio deve ser eliminado. Simplesmente. Que vão para o inferno das cuias todos os terroristas e seus apoiantes. Vade retro satanás!


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Blog do Coronel

Cerveró preso ao chegar no Brasil.

(Estadão, hoje) A Polícia Federal prendeu na madrugada desta quarta-feira, 14, por volta das 0h30, o ex-diretor Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró ao desembarcar no Aeroporto do Galeão, no Rio. A Justiça Federal decretou a prisão preventiva do acusado por novos fatos revelados nos autos da Operação Lava Jato e pelo risco dele continuar atuando de forma criminosa.

Cerveró prestaria depoimento ao Ministério Público Federal do Rio nesta quinta-feira e chegava de uma viagem a Londres. Ele é um dos principais envolvidos no caso da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos – mais emblemático caso dos escândalos envolvendo a Petrobrás.

Em nota divulgada nesta madrugada, a Lava Jato informou que havia indícios de que Cerveró não só poderia atuar para ocultar patrimônio como dificultar as investigações. Foram identificadas transferências de valores para familiares. A PF fez buscas na tarde de ontem também na casa do ex-diretor no Rio e em outros endereços ligados a ele.

O ex-diretor de Internacional e o lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, operador do PMDB, são réus em uma ação penal em Curitiba (PR) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Eles são acusados de terem recebido R$ 30 milhões em propina de um dos executivos denunciados, que fez acordo de delação premiada. Cerveró e Baiano seriam os responsáveis dos valores arrecadados para o PMDB no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás, que arrecadou de 1% a 3%.

O advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, informou que ficou surpreso com a prisão e que não vê motivos para a preventiva. “As autoridades foram comunicadas que ele viajaria e onde ele estaria”. O advogado viaja nesta quarta-feira para Curitiba, para onde Cerveró será levado. Fernando Baiano está preso desde novembro na sede da PF em Curitiba.

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Com medo de novas revelações, Lula age para que Marta saia do PT numa boa.

(Estadão) Em férias com a família desde o final do ano passado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mantido silêncio sobre as críticas feitas pela senadora Marta Suplicy (PT-SP) ao PT e ao governo Dilma Rousseff. No entanto, segundo interlocutores do ex-presidente, Lula estaria disposto a atuar como articulador de uma saída de Marta do partido para evitar que a ex-prefeita e ex-ministra da Cultura provoque danos ainda maiores ao governo e ao PT. 

Em outra frente, o PT escalou o presidente do diretório estadual do partido, Emidio de Souza, para conduzir formalmente o diálogo com Marta. Emidio, que também está de férias, já procurou interlocutores de Marta para tentar uma aproximação, com aval do presidente nacional do PT, Rui Falcão. De acordo com um colaborador de Lula, o motivo do incômodo não é o conteúdo da entrevista de Marta publicada domingo pelo Estado, mas a forma como a senadora expõe sua versão dos acontecimentos, em especial do movimento “Volta Lula”, do qual foi uma das expoentes.

Segundo interlocutores do ex-presidente, “Marta não disse nada sobre Lula que já não fosse do conhecimento de Dilma”. Um exemplo é o relato da senadora sobre um jantar com empresários, na casa de Marta, no qual Lula teria concordado com críticas sobre a falta de disposição de diálogo da presidente. Na ocasião, o ex-presidente teria dito que o “empresariado está desgarrando”. “Eles (empresários) fizeram muitas críticas à política econômica e ao jeito da presidente. E ele (Lula) não se fez de rogado, entrou nas críticas”, afirmou a senadora na entrevista.

Conforme uma pessoa próxima de Lula, o ex-presidente teria feito um alerta com o mesmo teor à própria Dilma, ainda em 2013, aconselhando a presidente a “não olhar apenas para a gestão e cuidar da política”. O entorno do ex-presidente também não nega as articulações pela volta de Lula que, no auge, “pareciam uma romaria” na porta do Instituto Lula, mas nega que ele tenha incentivado a movimentação, embora nunca tenha escondido a preocupação com o cenário eleitoral e com os rumos da economia.

Um colaborador de Lula, que participou de uma das reuniões com Marta, relatou que Lula teria sido enfático ao rejeitar a possibilidade de entrar em uma disputa com Dilma. Ele teria alegado que a presidente tinha direito à reeleição. A entrevista de Marta não abalou “em um milímetro sequer” o elo entre ele e a presidente, sustenta uma fonte do entorno do ex-presidente. Outro colaborador do ex-presidente resumiu a relação entre Dilma e Lula como “de independência de um lado e respeito do outro”, na qual Lula tem liberdade para emitir suas opiniões sobre o governo sem interferir nas decisões da sucessora, a não ser quando é consultado.

Holofotes. Embora não haja contestação dos pontos fundamentais da entrevista, lulistas enxergaram na “narrativa criada” por Marta um cálculo político com intuito de chamar atenção no momento em que se prepara para deixar o PT, além de indícios de mágoa pessoal em relação a alguns personagens do partido, em especial o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, com quem a senadora travou (e perdeu) disputas pelo direito de disputar o governo de São Paulo em 2006 e 2010. Outro alvo do rancor de Marta, segundo lulistas, é Rui Falcão, que foi um de seus principais assessores na Prefeitura (2001-2004) e hoje se tornou desafeto da senadora.

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Atrás das grades, Cerveró poderá contar o que sabe sobre a roubalheira na Petrobras
Ricardo Noblat

Acautelai-vos, suspeitos e culpados, descobertos ou ainda no anonimato, ligados direta ou indiretamente ao escândalo do petrolão, filho legítimo do escândalo pai dos demais escândalos, o do mensalão.

Foi preso no início da madrugada de hoje, ao desembarcar de Londres no aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, Nestor Cerveró, ex-diretor da área internacional da Petrobras.

Cerveró voltou ao Brasil para depor na próxima quinta-feira. Deve ter imaginado que seria vapt vupt. Uma vez ouvido pelo juiz Sérgio Moro, que comanda a Operação Lava-Jato, retornaria a Londres.

Ledo engano. Caiu numa armadilha. De fato, será ouvido pelo juiz em Curitiba. Mas nem tão cedo se reconciliará com a liberdade. Deverá ficar preso por um longo tempo.

Foi a presidente Dilma Rousseff que catapultou Cerveró para o estrelato ao dizer, a propósito da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos, que avalizara sua compra pela Petrobras com base num parecer técnico “falho”.

Quem foi o autor do parecer? Cerveró. Na época, Dilma era presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Nada se fazia na empresa sem o conhecimento dela.

Em 2006, a Petrobras pagou ao grupo belga Astra Oil 360 milhões de dólares por 50% da refinaria Pasadena. Dois anos depois, comprou os outros 50%.

Ao todo, Pasadena acabou custando 1,18 bilhão de dólares à Petrobras, mais de 27 vezes o que a Astra originalmente desembolsou por ela. “O negócio do século”, segundo jornais belgas.

Cerveró ameaçou contar a verdade sobre o negócio. Então houve um acerto às escondidas entre ele e emissários do governo. A CPI sob controle do governo aliviou para cima dele.

Interrogado mais de uma  vez, Cerveró beneficiou-se com o conhecimento prévio do que lhe seria perguntado. Parecia ter ficado à margem do barulho da Operação Lava-Jato. Até esta madrugada.

Só o juiz Moro sabe o que já foi apurado contra Cerveró. Caso se sinta a perigo, Cerveró poderá negociar a delação premiada. Seria o fim do mundo para os que roubaram ou deixaram roubar na Petrobras.

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O PLC 122, a dita “lei anti-homofobia”, está arquivado. Mas outro texto vem por aí, com ainda mais problemas. Ou: Bom senso não é preconceito

Está arquivado o PLC 122, que tramitava no Senado, e que define e pune o crime de homofobia. Não se trata de uma decisão de mérito. Os projetos que tramitam sem aprovação por duas legislaturas seguidas  — oito anos — vão automaticamente para o arquivo. Havendo um pedido de reapresentação do texto de pelo menos um terço da Casa — 27 senadores —, eles podem voltar. Vamos lá.

O Projeto de Lei Complementar 122 (integra aqui) alterava a Lei 7.716/89, que define, originalmente, os crimes raciais. Passou por várias redações, mas não conseguiu eliminar alguns de seus vícios de origem, a meu ver insanáveis. Em oito artigos, definia e punia o crime de homofobia no mercado de trabalho, nas relações de consumo e no serviço público. O Artigo 8º, destaque-se, alterava seis artigos do Código Penal (61, 121, 129,136, 140 e 286). Em todos os casos, as penalidades para os crimes neles tipificados eram agravadas quando as vítimas fossem homossexuais.

Começo por aí. O Artigo 121 do Código Penal pune o homicídio com pena de 6 a 20 anos. Há circunstâncias várias que podem elevar a punição para 12 a 30 anos. São agravantes nesse caso: motivo fútil, recompensa, traição, emboscada ou ocultação de outro crime. Segundo a PLC 122, que teve Marta Suplicy (SP) como a relatora final, homicídio motivado por “preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero” também entraria na lista dos agravantes. A conclusão é óbvia, inescapável, incontestável: matar um gay no Brasil passaria a ser mais grave do que matar um heterossexual. Grupos militantes afirmam, por exemplo, que, em 2013, pelo menos 312 foram assassinados.

É claro que é muita gente. Mas também é evidente que as circunstâncias dessas mortes têm de ser analisadas. A pergunta é desagradável, mas necessária: quando um michê mata um cliente, e isso não é tão raro, quem é o gay? A vítima ou seu assassino? A resposta é óbvia: ambos! Há crimes que estão associados a um estilo de vida, não a uma orientação sexual. E, com isso, não estou negando que existam, sim, agressões contra gays porque gays. Mas cumpre notar que, em 2013, mais de 56 mil pessoas foram assassinadas no Brasil. Os 312 homossexuais mortos são um escândalo, mas, diante do outro escândalo mais geral, ganham a sua real dimensão e expõem o desastre brasileiro: representam menos de 0,57% do total.

Mas digamos que se mantivesse, ainda assim, o agravante — embora me pareça, reitero, um absurdo — quando caracterizado o crime como resultado da discriminação. O aspecto mais polêmico do PLC nem estava aí. O Artigo 2º do texto começava com um atentado contra a língua portuguesa na ânsia de categorizar, definir, abarcar e proteger todas as “sexualidades”. Lá está escrito:
“Art. 2º Para efeito desta Lei, o termo sexo refere-se à distinção entre homens e mulheres; orientação sexual, à heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade; e identidade de gênero, à transexualidade e à travestilidade”.

O que é “travestilidade” e por que ela é distinta da “transexualidade”? Bem, aí é preciso fazer um pós-doutorado para entender a nomenclatura. Acho na Internet, por exemplo, a “Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais”. Em outras siglas, também aparecem os “transgêneros”, que, de fato, não sei se estão compreendidos nas outras categorias. O que estou dizendo é que, com efeito, as pessoas são livres para criar definições, se dividir, se agrupar etc. Viva a democracia! Mas nem por isso precisam pedir a força repressiva do Estado para garantir os direitos especiais que julgam ter.

Falei em “direitos especiais”? Então voltemos ao PLC 122. Lê-se no Artigo 4º:
“Art. 4º Deixar de contratar ou nomear alguém ou dificultar sua contratação ou nomeação, quando atendidas as qualificações exigidas para o posto de trabalho, motivado por preconceito de sexo, orientação sexual ou identidade de gênero:
Pena — reclusão, de um a três anos.”

Muito bem: o diretor de uma escola infantil poderia ir para a cadeia caso julgasse inconveniente contratar um travesti para dar aula no primeiro ano do ensino fundamental. Alguém indagará: “Mas o Jurandir que se apresenta como Gislaine não pode ser a tia da escolinha?” Acho que rende um bom debate, mas, em princípio, defendo que os estabelecimentos privados de ensino sejam livres para contratar e para demitir segundo os seus valores, sem ter de provar que não são criminosos.

Marta ainda tentou diminuir a resistência de grupos religiosos ao PLC com o Artigo 3º:
“Art. 3º O disposto nesta Lei não se aplica à manifestação pacífica de pensamento decorrente da fé e da moral fundada na liberdade de consciência, de crença e de religião de que trata o inciso VI do art. 5º da Constituição Federal.”

Outro projeto tramita na Câmara, este de autoria da deputada petista Maria do Rosário (RS). Ele traz ainda mais dificuldades do que o PLC 122. Lá se lê, por exemplo, que é crime de intolerância o “impedimento de acesso de pessoa, devidamente habilitada, a cargo ou emprego público, ou sua promoção funcional sem justificativa nos parâmetros legalmente estabelecidos, constituindo discriminação”. Assim, segundo o texto, as Forças Armadas teriam de abrigar pessoas em seus quadros independentemente de “orientação sexual, identidade e expressão de gênero”.

Há homossexuais nas Forças Armadas? Onde não há? O que fazem ou deixam de fazer na cama é importante? Acho que não. Mas como ficaria a questão da “identidade e expressão de gênero”? Nota técnica da assessoria do gabinete do comando do Exército afirma sobre a proposta de Maria do Rosário: “A instituição é contra qualquer tipo de agressão ou violação a direitos humanos (..) no entanto, considerando as imprecisões contidas na proposta apresentada, (..) pode trazer efeitos indesejáveis para a Força”.

Est modus in rebus, como queria o poeta Horácio. Há uma medida nas coisas. É claro que a homofobia é detestável. É claro que os atos violentos têm de ser contidos e punidos — inclusive aqueles cometidos contra a maioria heterossexual. Mas não se pode, sob o pretexto de coibir e punir o preconceito, transformar em criminosas algumas decisões que recaem incidentalmente sobre homossexuais. Mais ainda: não se pode exigir que a sociedade acompanhe o ritmo vertiginoso com que, hoje em dia, alguns indivíduos vão criando suas personas sexuais. Eu ainda acho que, na escolinha infantil ou no Exército, o Jurandir tem de ser Jurandir, e a Gislaine, Gislaine — independentemente do uso que cada um faça de seus aparelhos de prazer.

Leis anti-homofobia, na forma que assumiram no Brasil, estimulam é a intolerância e a… homofobia porque acabam se apresentando como privilégios.

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Cerveró é preso no Rio, ao desembarcar de um voo vindo de Londres; MP o acusa de cometer novos crimes. Ou: O que Dilma nunca explicou sobre este senhor

Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da Petrobras e um dos principais investigados na Operação Lava Jato, foi preso no começo da madrugada desta quarta, pouco depois da 0h30, no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio, ao desembarcar de um voo vindo de Londres — segundo outros passageiros, ele estava na primeira classe. Sabem como é… Ninguém é de ferro. A operação foi realizada pela Polícia Federal, cumprindo ordem de prisão preventiva expedida pela Justiça. Em nota, o Ministério Público afirma haver “indícios de que o ex-diretor continua a praticar crimes”.

O MP informa ainda que, nesta terça, realizaram-se mandados de busca e apreensão na casa de Cerveró e de parentes. Atenção! Essa operação foi motivada, diz a nota, por “seu envolvimento em novos fatos ilícitos relacionados aos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro”. O que se conclui é que os documentos recolhidos nessa ação justificaram o pedido e o mandado de prisão preventiva. Para o Ministério Público, “a custódia cautelar é necessária, também, para resguardar as ordens pública e econômica, diante da dimensão dos crimes e de sua continuidade até o presente momento, o que tem amparo em circunstâncias e provas concretas do caso”.

Com base em informações fornecidas pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), o MP constatou que, tão logo a Justiça acatou a denúncia contra Cerveró, o ex-diretor tentou transferir R$ 500 mil para a conta de sua filha — 20% da uma aplicação financeira —, a quem doou, recentemente, três apartamentos. Comprados por R$ 560 mil, o MP garante que eles valem pelo menos R$ 7 milhões.

Cerveró era um peixão da Operação Lava Jato que estava fora da cadeia. O MP o acusa de ter recebido US$ 40 milhões de propina em 2006 e 2007 ao intermediar a contratação de navios-sonda da Petrobras. Ele é ainda protagonista, como se sabe, de outro caso rumoroso, que não está sendo investigado nessa operação: a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA, que, segundo o TCU, rendeu à estatal brasileira um prejuízo de US$ 792 milhões. Quando estava tentando se livrar do abacaxi, a presidente Dilma Rousseff disse que Cerveró fez um memorial omisso sobre a aquisição, ocultando a cláusula que impunha à empresa brasileira a compra da outra metade da refinaria americana.

Muito bem! Cerveró deixou a área Internacional da Petrobras em 2008. O que Dilma nunca explicou é por que ela própria o reconduziu a uma subsidiária da empresa: no dia 16 de junho de 2011, ele foi nomeado diretor financeiro da poderosa BR Distribuidora, de onde só foi demitido no dia 21 de março do ano passado, quando o caso Pasadena já estava fervendo.

Cerveró, tudo indica, tem muitas explicações a dar. Mas Dilma também.

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O pibinho da Dilma: Brasil deve crescer só 1% neste ano

Por Altamiro Silva Júnior, no Estadão:
O Banco Mundial rebaixou a previsão de crescimento para o Brasil e a expectativa é de que o País deve crescer apenas 1% em 2015, uma das menores taxas de expansão entre as principais economias globais, de acordo com o relatório “Perspectiva Econômica Global”, divulgado nesta terça-feira. Uma recuperação maior da economia brasileira é esperada para 2016, quando o Produto Interno Bruto (PIB) deve avançar 2,5%, subindo para 2,7% em 2017. A expectativa da instituição é de que a nova equipe econômica de Dilma Rousseff adote um conjunto de políticas que apoiem o crescimento.

Em junho de 2014, quando divulgou o relatório anterior de previsões para a economia mundial, o Banco Mundial estava mais animado com o Brasil. Na época, projetava expansão de 2,7% em 2015 e 3,1% para o ano que vem. Mesmo com a redução, os economistas da instituição ainda estão bem mais otimistas que os brasileiros, que preveem crescimento de apenas 0,40% este ano, de acordo com o boletim Focus divulgado ontem pelo Banco Central.

Pelo relatório divulgado nesta terça-feira, a expansão do PIB do Brasil este ano só vai ser melhor que a de dois países, Argentina e Rússia. O primeiro deve encolher 0,3% e a economia russa deve entrar em recessão e ter retração de 2,9%, reflexo direto da queda do preço do petróleo, que já acumula redução de mais de 50%. Pelas projeções do Banco Mundial, até a zona do euro, região que ainda sente os efeitos da crise de 2008, deve crescer um pouco mais que o Brasil, com expansão prevista de 1,1% este ano.

O Brasil deve fechar 2014 com expansão de apenas 0,1%, nível decepcionante, assim como de outros países emergentes, que no geral tiveram constantes revisões para baixo em suas projeções de crescimento, de acordo com o documento do Banco Mundial. No relatório de junho, a instituição apostava em crescimento de 1,5% para a economia brasileira este ano.

Um dos fatores que explicam a fraca atividade econômica brasileira, na avaliação dos economistas do Banco Mundial, é a queda de confiança dos empresários por conta do ambiente de maior incerteza política, em meio às eleições e à lentidão da agenda de reformas. Além disso, o próprio aumento dos juros pelo Banco Central para conter a inflação teve reflexos na atividade. O País teve ainda que enfrentar um cenário externo mais desafiador, com a economia chinesa desacelerando e o preço de commodities, como o minério de ferro, caindo no mercado internacional.

O ambiente de menor incerteza política, na medida em que o segundo mandato de Dilma ganha corpo, pode ajudar a melhorar os níveis de confiança dos brasileiros e encorajar um aumento do consumo e do investimento, destaca o Banco Mundial, embora o estudo ressalte que dúvidas permanecem sobre os rumos das políticas fiscal e monetária. “A perspectiva de uma rápida recuperação no Brasil, contudo, ainda é limitada pela agenda inacabada de reformas e o fraco nível de confiança,”, destaca o documento. “Pelo menos no curto prazo, a expectativa é de que o crescimento continue fraco.”


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Blog do Noblat

Cinco crises para o governo administrar
Gabriel Garcia

Marta Suplicy, a livre atiradora

Insatisfeita com a presidente Dilma, com quem vem tendo relação nada amistosa, a senadora Marta Suplicy deixou o Ministério da Cultura criticando os rumos da economia. No fim de semana, ela calibrou a mira. Atirou contra Dilma, acusando o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, conhecido no meio político por sua peculiar arrogância, de ser inimigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, padrinho de Dilma.

O isolamento do PMDB

Nem o maior aliado no Congresso foi poupado. Na montagem do novo governo, Dilma deu ao partido ministérios com orçamentos menores e nomeou Katia Abreu para a Agricultura, sem ouvir a cúpula peemedebista. E não está disposta a ceder a indicação da presidência da Transpetro, subsidiária da Petrobras, ao PMDB – hoje ocupada por aliado de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. PMDB ameaça ser independente no Senado, o que só acontecerá caso Dilma não atenda os pedidos para nomeações do segundo escalão.

Na Câmara, novo problema. O governo vem incentivando os aliados a derrotarem o candidato à presidência da Casa, Eduardo Cunha (PMDB) – que por sua vez já apoia a criação de nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a roubalheira na Petrobras.

O silêncio de Rui Falcão e Lula

Ficou evidente a insatisfação de Lula e do presidente nacional do PT, Rui Falcão, na posse de Dilma, em 1° de janeiro. Lula nem apareceu no Congresso Nacional. Teve participação apagada na posse. Petistas saíram falando que Rui e Lula não engoliram o fato de Dilma não consultá-los sobre a escolha dos ministros.

Ministro trapalhão

Dilma nomeou George Hilton para o Ministério do Esporte, decepcionando profissionais da área. Além de nada conhecer sobre Esporte, Hilton pagou R$ 85 mil para alugar computadores que custam R$ 15 mil. Como deputado federal, ele manteve contrato que previa a cessão de computadores para edição de vídeo. Empresa beneficiada trabalhou na campanha dele.

Ações da Petrobras se esfarelam

Antes símbolo de orgulho do brasileiro, a Petrobras mergulhou no mar de desgraça. As ações da estatal viraram pó. Ontem, as ações ordinárias, com direito a voto, fecharam a R$ 8,77. As preferenciais, com prioridade na distribuição de dividendos, valem R$ 8,91. A Petrobras não divulga o balanço do terceiro trimestre do ano passado, o que aumenta o descrédito do mercado. Mesmo assim, Dilma insiste em manter a presidente Graça Foster, uma moribunda no cargo.

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Golpe baixo

A informação do advogado Antônio Figueiredo Basto, responsável pela defesa do doleiro Alberto Youssef, de que seu cliente nunca enviou dinheiro nem para o ex-governador de Minas e atual senador Antonio Anastasia, nem para o deputado federal Eduardo Cunha, mais do que inocentar os dois parlamentares nesse caso, traz à tona novamente a utilização política do processo do petrolão.

Quem induziu o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, a denunciar os dois parlamentares tinha objetivos claros: inviabilizar a candidatura de Cunha à presidência da Câmara, e atingir o presidente do PSDB, senador Aécio Neves. Os dois movimentos têm um beneficiário direto, o Palácio do Planalto, que de uma cajadada matava dois coelhos. Tirava do páreo o favorito para presidir a Câmara contra sua vontade, e atingia o senador Aécio, a principal liderança oposicionista no momento, depois de ter saído da disputa presidencial com uma votação consagradora.

Essa não é a primeira vez que o doleiro Yousseff é usado para culpar o PSDB. Em outubro do ano passado, pouco antes do segundo turno da eleição presidencial, Leonardo Meirelles, tido como testa de ferro do doleiro nas indústrias farmacêuticas Labogen, afirmou que Yousseff mantinha negócios com o PSDB e com ex-presidente nacional do partido senador Sérgio Guerra (PE), morto em março daquele ano.

Da mesma forma que está fazendo agora, o criminalista Antônio Figueiredo Basto negou a veracidade do depoimento e pediu sua impugnação. Não se pense que Yousseff tem algum interesse especial em defender o PSDB, tanto que ele também isentou neste caso o deputado do PMDB Eduardo Cunha. O que o doleiro teme é que seu acordo de delação premiada seja colocado em dúvida pelo Ministério Público que investiga a operação Lava Jato sob a coordenação do juiz do Paraná Sérgio Moro.

A delação de Yousseff foi homologada, no fim do ano passado, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, e isso significa que tudo o que ele contou à Justiça foi provado verdadeiro, ou pelo menos deu pistas verdadeiras para as investigações avançarem. Se não citou nem Cunha nem Anastasia, e agora surge a versão do policial Jayme Careca, que era um dos entregadores do dinheiro para o doleiro, o mínimo que se poderia imaginar é que Yousseff protegeu alguns clientes especiais em seu depoimento.

Careca, ao contrário, prestou depoimento e foi solto, não estando sob as condições da delação premiada. Sua denúncia não precisa necessariamente ser verdadeira na integralidade, pelo menos para efeitos de benefícios posteriores, como sucede na delação premiada. Agora, será preciso saber a quem ele estava servindo ao colocar entre os recebedores de dinheiro de Yousseff dois adversários da hora do Palácio do Planalto.

A utilização política do caso só cessará quando a Procuradoria-Geral da República apresentar a lista oficial dos que considera envolvidos de fato no escândalo do petrolão. Até lá, os políticos estarão sujeitos a efeitos colaterais como jogadas sujas como essa.

De saída

A entrevista da senadora Marta Suplicy à jornalista Eliane Cantanhêde do Estado de S. Paulo é a preparação para sua saída do PT para disputar a Prefeitura de São Paulo por outro partido, mas, sobretudo, é a saída que ela encontrou para se distanciar da maneira de fazer política que predomina hoje no partido que ajudou a fundar.

Marta certamente não é uma santa na política e tem experiência suficiente para já ter visto de tudo nessa vida partidária. Mas junta o útil ao agradável quando, desvalorizada pelo grupo político que domina o partido e também pelo que controla o Palácio do Planalto, encontra uma saída honrosa ao denunciar os métodos petistas de fazer política. Que já dá sinais claros de desgaste.

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Romper a paralisia

                A qualidade de vida nas cidades é prioridade da ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente). No Rio, a despoluição da Baía de Guanabara se arrasta. A ideia é criar uma autoridade gerencial autônoma que transcenda mandatos políticos de quatro anos. O governador Pezão e os prefeitos da Região Metropolitana poderiam dividir os investimentos e a paternidade do projeto.

Batendo em porta fechada
Antes de especular com a candidatura do senador Ricardo Ferraço (ES) à presidência do Senado, os tucanos já tentaram convencer Eunício Oliveira (CE), Luiz Henrique (SC) e Waldemir Moka (MS) a disputar contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Eunício perdeu o governo para o PT, e os demais têm em comum o fato de terem feito campanha para o PSDB em seus estados em 2014. Nenhum deles embarcou no projeto tucano. Mas Ferraço está tentado a testar sua liderança na Casa e no seu partido. Ele diz: “Vou estar com Aécio (Neves) hoje”. O comando do PMDB não acredita que o partido vá ceder seu poder na Casa para as bancadas da oposição.

“Por que o (senador) Aécio Neves (PSDB-MG) não sai candidato? Ele não tem votos?”

Eunício Oliveira
Líder do PMDB no Senado, que rejeitou sondagem do PSDB para concorrer contra o presidente da Casa e candidato à reeleição, Renan Calheiros

Avaliando cenários
Esperança de candidatura da oposição no Senado, Ricardo Ferraço vai conversar também, nesta semana, com o líder do PMDB, Eunício Oliveira. E se diverte: “Não estava na minha agenda. Todo senador pode se candidatar e ser presidente”.

O uso da força
O objetivo das mudanças nas leis da Segurança Pública é dar poderes para a União legislar sobre o tema. Um dos alvos da proposta do governo Dilma, que está sendo construída pela equipe do ministro José Eduardo Cardoso (Justiça), é a criação de normas nacionais para proibir e punir excessos cometidos pelas polícias dos estados.

Aposta no distanciamento
Indignação no PMDB com o candidato do PT à presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia, que declarou que dará seu apoio ao oposicionista Júlio Delgado (PSB), caso este vá para o segundo turno contra o líder do PMDB, Eduardo Cunha.

Marta e o pensamento Lula
Chamou a atenção, entre os políticos, a senadora Marta Suplicy ter confessado que queria ser a candidata do ex-presidente Lula em 2010, em vez de Dilma. Sobre Marta se apresentar como “intérprete” do ex-presidente, o Instituto Lula informa que a mais recente conversa privada entre ambos foi em agosto do ano passado.

Sob nova direção
Os ministérios da Agricultura, de Transportes e de Portos anunciam hoje a implementação de um sistema informatizado no Porto de Santos para diminuir as filas no terminal. Também anunciam a criação de mais um pátio para caminhões.

O dinheiro garantido
Em uma conversa de corredor com o ministro Joaquim Levy (Fazenda), Eliseu Padilha (Aviação Civil) pediu para não cortar investimentos com receita própria. A pasta administra um Fundo (Fnac) que vai arrecadar R$ 4,4 bilhões em 2015.

A única posse em que o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) compareceu foi a de Juca Ferreira (Cultura), sucessor de Marta Suplicy.


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Blog do Coronel

Dilma desautoriza Levy e BNDES abre o cofre para setor elétrico. Mesmo assim, luz vai subir até duas vezes em 2015.

(Estadão, hoje) Dois anos após o pacote de redução das contas de luz entrar em vigor, a crise do setor elétrico obrigará o governo a rasgar a Medida Provisória n.º 579 e a cobrar dos consumidores parte dos encargos assumidos pelo Tesouro Nacional em 2013. A presidente Dilma Rousseff deu nesta segunda-feira seu aval à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a desmontagem do pacote já neste mês. O aumento nas tarifas é inevitável, admite a Aneel.

“Recebemos o sinal verde da presidente Dilma para que a Aneel inicie ações estruturantes para o setor de distribuição. Algumas ações serão implementadas inclusive com data retroativa a janeiro”, afirmou o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga.

Apesar dos reajustes extraordinários necessários para cobrir a ausência do Tesouro, um novo empréstimo de R$ 2,5 bilhões via bancos públicos será negociado, reiterou Braga. O financiamento cobrirá despesas imediatas com a compra de energia no mercado à vista, que não podem ser pagas via tarifa.

A medida representa o primeiro revés do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, radicalmente contrário ao uso dos bancos públicos em mais um capítulo de socorro ao setor. O governo, porém, tentou transmitir a mensagem de consenso entre os dois ministérios na questão, já que decidiu que não fará o aporte de R$ 9 bilhões previsto neste ano para o fundo setorial Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que banca os subsídios e os programas sociais.

Levy chegou para a reunião com Dilma quase duas horas após Braga, ex-líder de Dilma no Senado, ter chegado ao Palácio do Planalto. Na mesma tarde, dirigentes do BNDES estavam reunidos com executivos do setor elétrico para tratar do financiamento. A única exigência do BNDES é que Banco do Brasil e Caixa também aportem recursos.

Subsídios. Entre as ações que terão de ser adotadas pela Aneel está a redução de subsídios às contas de luz. Mas o ministro garantiu que não serão afetadas as subvenções para a população de baixa renda e aos produtores de carvão mineral, além do Programa Luz para Todos. Segundo o diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, a Fazenda sinalizou que o Tesouro não fará nenhum aporte ao setor elétrico em 2015. A previsão orçamentária do governo era de um aporte de R$ 9 bilhões para a CDE. “Não há previsão de aporte”, afirmou Rufino. Por isso, a Aneel fará uma revisão profunda das despesas da CDE neste ano para avaliar a possibilidade de cortar alguns desses gastos. Essa nova projeção de despesas do fundo será apresentada no dia 20 de janeiro.

No ano passado, o Tesouro aportou R$ 10,5 bilhões ao setor, enquanto a CDE totalizou gastos de R$ 12,1 bilhões. Em 2013, o aporte somou R$ 9 bilhões, e os gastos do CDE atingiram R$ 19,3 bilhões. Como o Tesouro não prevê aportar nenhum recurso neste ano, todos os gastos voltarão a ser repassados à tarifa paga pelo consumidor. “Ou o contribuinte paga, ou o consumidor paga. Não tem segredo. Quem define a política é o governo, e a Aneel executa”, disse Rufino.

O diretor admitiu que, neste cenário, uma Revisão Tarifária Extraordinária (RTE) será “inevitável” para manter a sustentabilidade econômico-financeira de algumas distribuidoras. “É a isso que o ministro se referiu como solução estruturante e é isso que vamos fazer para equilibrar as finanças do setor elétrico”, afirmou.

Rufino, no entanto, evitou dizer se as tarifas de energia vão subir mais neste ano do que em 2014. “Não agrada a ninguém ter de aumentar as tarifas. Ninguém gosta disso. Mas também não adianta viver num mundo de ilusão. Se o custo efetivamente está em outro patamar, a única forma de alcançar a sustentabilidade é termos o realismo tarifário”, disse. “Certamente, o que for necessário fazer em termos de reajuste ou revisão extraordinária será feito.”

Pagamento. A Aneel postergou nesta segunda-feira a data de pagamento da energia no mercado de curto prazo pelas distribuidoras para o dia 30 de janeiro. O prazo original previa o pagamento nesta segunda-feira, referente à energia consumida em novembro.

Principais medidas:

Fim dos aportes do Tesouro à CDE
A Fazenda sinalizou que o Tesouro deixará de aportar recursos ao fundo setorial que passou a ser responsável pelo pagamento de diversos encargos que até 2012 eram pagos pelos consumidores. Somente em 2014, o Tesouro depositou R$ 10,5 bilhões nessa conta.

Corte de subsídios ao setor elétrico
Sem os aportes do Tesouro Nacional, a Aneel precisará reavaliar toda a previsão de desembolsos da CDE para cortar o máximo possível de gastos hoje cobertos pelo fundo. Mas subsídios à população de baixa renda e aos produtores de carvão mineral serão preservados, bem como o Programa Luz para Todos.

Revisão extraordinária das tarifas
Os gastos que a Aneel não conseguir cortar da CDE serão repassados para os consumidores por meio de reajustes extraordinários nas contas de luz. Ou seja, os consumidores voltarão a pagar pelos encargos que há dois anos foram retirados das tarifas.

Último empréstimo para as distribuidoras
Para cobrir ainda o rombo das empresas referente a novembro e dezembro do ano passado, o governo vai mesmo buscar um último financiamento junto aos bancos, no valor de R$ 2,5 bilhões. Esse montante será somado aos R$ 17,8 bilhões de outros dois empréstimos firmados em 2014 para o setor, que também serão pagos pelos consumidores a partir deste ano.

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Dilma corta direito trabalhista e deixa 6,8 milhões sem seguro-desemprego.

(Valor Econômico, hoje) A nova regra para acesso ao seguro-desemprego - que muda o prazo de carência para a concessão do benefício de seis para 18 meses para quem o requisita pela primeira vez - tem potencial para deixar mais da metade dos trabalhadores demitidos sem justa causa sem acesso ao benefício.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) compilados pelo Valor e pelo professor da Universidade de Brasília (UnB) Carlos Alberto Ramos mostram que, entre janeiro e novembro de 2014, 63,4% dos 10,8 milhões dispensados sem justa causa no país tinham menos de um ano e meio de serviço.

O percentual é uma estimativa aproximada do número de pessoas que, de acordo com as regras anunciadas no fim do ano passado, não terão acesso ao benefício, já que não leva em conta se o trabalhador está sendo demitido pela primeira vez - e, nesse caso, quanto tempo ele passou nos empregos anteriores.

Pela legislação antiga, que estabelecia o limite mínimo em seis meses de trabalho, o percentual de "excluídos", feitas as ressalvas anteriores, era de 21,5%. Levando em conta os números de 2013, o cenário é semelhante, com 22% das demissões concentradas em funcionários com até 5,9 meses de trabalho e 63,7% até 18 meses.Para Ramos, a estrutura não é exclusiva dos dois anos anteriores - ela reflete as características de uma economia com alta rotatividade no mercado de trabalho. "O tempo médio de permanência no trabalho no Brasil é de três anos."

A mudança, diz Hélio Zylberstajn, professor da FEA-USP, afetará principalmente os mais jovens, que mudam de emprego com maior frequência até se estabelecerem no mercado de trabalho. De acordo com os números do Caged, 78% dos dispensados sem justa causa com até 17 anos entre janeiro e novembro estavam há até 11,9 meses no serviço. No grupo entre 18 e 24, o percentual é de 58,1%. Na faixa entre 25 e 29 anos, cai para 48% - e segue em queda, atingindo 27,1% entre os trabalhadores com mais de 65 anos (desagregado por idade, os dados públicos divulgados pelo Caged não têm a divisão de até 18 meses).

Para Rodrigo Leandro de Moura, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a exigência da permanência maior no serviço pode incentivar especialmente os jovens - mas também as demais categorias de trabalhadores - a permanecer no emprego por mais tempo. "As empresas gastam muito para treinar novos funcionários. Uma mudança como essa poderia ajudar a aumentar a produtividade da economia", diz.

Neste ano, entretanto, em que a expectativa é que a taxa de desemprego suba e se aproxime de 6% - a estimativa da FGV está entre 5,6% e 5,7% -, muitos desses jovens podem ficar sem emprego não por opção, mas pelos desdobramentos da conjuntura. Nesse caso, pondera o economista, eles ficarão mais dependentes dos pais e poderão contribuir para uma desaceleração mais forte da renda familiar. Levando em conta a perda de fôlego do mercado de trabalho esperada para este ano, a FGV projeta variação da renda média real de apenas 0,1%, contra alta real de aproximadamente 2,8% observada em 2014.

Segundo o economista da FGV, os dados do Caged não contabilizam apenas aqueles que estão sendo demitidos pela primeira vez. Como a nova regra estabelece o prazo de um ano de tempo de serviço para quem recorre ao seguro pela segunda vez e de seis meses para quem pedi-lo pela terceira vez, o percentual de "excluídos" deve ser um pouco inferior aos 63% revelados pelos dados, ressalva Moura.

Além disso, de acordo com o texto da Medida Provisória 665, de 30 de dezembro, para recorrer ao seguro pela primeira vez não é preciso cumprir um ano e meio de trabalho consecutivo, mas ter a carteira assinada por 18 meses acumulados no decorrer dos 24 meses anteriores à demissão. As regras começam a valer 60 dias após a publicação da medida provisória. Para Moura, no antigo formato, o seguro-desemprego dava um "incentivo perverso" para que os trabalhadores mudassem com maior frequência de emprego. "Essa troca deve ser pelo menos protelada", diz.

Ramos, da UnB, avalia que as novas medidas - tomadas mais para resolver uma questão fiscal do que para ajustar a alocação de mão de obra, diz - devem coagir uma fraude recorrente no seguro, em que funcionário e empresa combinam uma demissão temporária para que o trabalhador tenha acesso ao benefício e, muitas vezes, também ao FGTS.

A mudança, para ele, não deve reverter a rotatividade alta observada no mercado de trabalho - que seria, afirma o professor, uma decorrência da baixa qualidade de grande parte das vagas geradas pela economia brasileira. "Essa troca de emprego geralmente se dá entre quem não tem muita opção de escolha", afirma.

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O escandaloso silêncio de Lula
Ricardo Noblat

E Lula? O que tem a dizer sobre a entrevista da senadora Martha Suplicy a Eliane Cantanhede, colunista política de O Estado de S. Paulo?

Martha disse que Lula se queixava de Dilma por não ouvi-lo. E que autorizada por ele, ofereceu um jantar aos donos das maiores fortunas de São Paulo.

Depois de confraternizarem com Lula, foram embora encantados. E convencidos de que Lula poderia ser candidato a suceder Dilma em 2014.

A traição de Lula a Dilma só não se consumou porque Dilma jogou duro e não fez tudo o que ele sugeriu para salvar seu governo.

Martha criticou duramente Dilma, chamou Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da presidência da República, de arrogante e pretensioso, e profetizou:

- Ou o PT muda ou se acaba.

De duas, uma: ou Lula desmente que tenha criticado Dilma como recordou Martha, ou continua calado.

O silêncio reforçará a crítica de Martha. Mais do que isso: aprofundará o abismo que se abriu entre ele, Lula, e Dilma.

A oposição comemora a abertura de mais uma dissidência dentro do PT. E que dissidência!

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Obama já era sem nunca ter sido. Ou: O queixo do estátua de um pateta

Barack Obama já era sem nunca ter sido. Às vezes, a gente se orgulha de algumas coisas bestas, sem importância para ninguém a não ser para nós mesmos. E daí? Eu me orgulho de jamais ter caído na conversa deste senhor — e não porque eu seja contra todos os presidentes democratas e tenha predileção por republicanos. Não! Bill Clinton sempre me pareceu à altura do desafio. Procurem no arquivo do blog tudo o que escrevi sobre Obama desde quando pleiteou a vaga do Partido Democrata pela primeira vez. Sempre fiz troça do que chamava, então, de seu queixo de estátua. Mais de uma vez, ironizei a imprensa ocidental, especialmente a brasileira, que tinha a compulsão de chamar seus discursos de “históricos”. Eu gosto de palavras. Perguntava o óbvio: “Como se pode chamar de ‘histórico’ o que ainda não fez história?” Ademais, inédito não é sinônimo de histórico.

Obama encarna a mais perfeita mistura da pompa com a incompetência. Não vou listar aqui o que considero os seus desastres. Atenho-me à questão da hora. É evidente que ele deveria ter estado na Marcha de Paris, até porque os EUA sofreram o maior ataque do terrorismo islâmico de que se tem notícia. Quarenta chefes de Estado perceberam o alcance do que estava em curso — não ele. Nesta segunda, a Casa Branca teve de admitir que errou no episódio e que deveria ter enviado um representante do governo americano mais graduado. Não, Obama não estava lá. O vice, Joe Biden, não estava lá. John Kerry, secretário de Estado, não estava lá. Por incrível que pareça, Eric Holder, procurador-geral dos EUA, estava lá para discutir os ataques a Paris. Mas não compareceu à marcha — esta, sim, histórica.

O que leva o governo do país mais importante e poderoso da Terra a cometer um equívoco dessa magnitude? A resposta é simples: descolamento da realidade. Pode-se entrar num debate interminável sobre as causas da perda de influência dos EUA no mundo — ela seria fatal ou é fruto de escolhas erradas? Há respostas para todos os gostos. Uma coisa, no entanto, é certa: não é com líderes como Obama que o país vai, quando menos, estancar a derrocada.

Obama acumulou até agora só desastres na política externa. Come brasa até de um líder decadente como Vladimir Putin. O feito mais notável de que pode se orgulhar, santo Deus!, é o reatamento dos EUA com Cuba — o que não deixa de ser um bom retrato da sua gestão. Para ilustrar o vexame, ainda que sem conexão com ele, os criminosos do Estado Islâmico conseguem invadir páginas nas redes sociais do Comando Central das Forças Armadas americanas. Não se roubou nenhum segredo. Apenas se tripudiou um pouco mais do gigante inerme.

Obama é um amador. Como esquecer que esse pateta, em visita ao Egito, resolveu fazer um discurso dirigido a todo o mundo islâmico, no dia 4 de junho de 2009? Era, segundo ele, um novo começo das relações dos EUA com os muçulmanos. Um ano e oito meses depois, Hosni Mubaraki era deposto. A mal chamada Primavera Árabe agitou o mundo islâmico, a Irmandade Muçulmana venceu as eleições egípcias e já foi deposta por um golpe militar. Tanto aquele discurso ao lado de Mubaraki como o dar de ombros de agora para a marcha na França são emblemas da competência de Obama para lidar com os problemas do Oriente Médio.

E ele tem ainda dois longos anos pela frente. Dá tempo de fazer muita besteira. Mas sem perder aquele queixo de estátua e a capacidade de dizer o nada com muita pompa.

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Marta, o PT, Juca, machismo vigarista, Haddad, Kassab, Chalita, a “pedagorreia”  do amor e a miséria política da cidade de São Paulo 

Mas o que quer a senadora petista Marta Suplicy (SP)? Sabe Deus! Freud tentou uma pergunta mais simples: “O que querem as mulheres?” Estou entre aqueles que consideram que ele foi malsucedido no esforço de dar uma resposta. Sim, que ela queira ser candidata à Prefeitura, parece fora de dúvida. Que não o será pelo PT, isso também é certo. Eis aí um ponto de atrito. Que eventualmente possa trocar o descontentamento por uma candidatura ao governo do Estado pelo partido em 2018, quando termina seu mandato no Senado, essa me parece uma possibilidade. Ocorre que o caminho está congestionado. Há muita gente querendo a mesma vaga. Também é verdade que suas bases no partido foram minadas. Seus homens fortes debandaram. Ela tinha bastante força na periferia da cidade. Hoje, desconfio, isso também se perdeu.

Na entrevista concedida ao Estadão, soltou os cachorros contra o PT — “ou muda ou acaba”, segundo ela — e contra Juca Ferreira, que assumiu o Ministério da Cultura. No PT, consta, ninguém pensa num ato de força contra ela, como a expulsão, mas a queimação de sua reputação, em termos politicamente sórdidos, já começou. Marta, é verdade, fez duras críticas a Ferreira e apontou irregularidades em sua gestão. É crítica política, goste-se ou não dela. E como respondeu o petista?

Disse ter levado “uma bolsada na cabeça da Louis Vuitton”, numa referência à marca francesa que distingue, vamos dizer, as ricas e famosas. Marta passou a ser tratada por seu colega de partido como uma dondoca deslumbrada, uma riquinha meio inconsequente, que não aceita ser contrariada. Não faltaram à resposta do novo ministro da Cultura traços explícitos de machismo: “A madame que se cuide, que, uma hora dessas, eu vou responder plenamente a ela. Eu tinha admiração por ela, e tenho. Via ela defendendo o direito ao orgasmo da mulher na televisão. Depois foi uma boa prefeita de São Paulo. Agora, ela não foi uma boa ministra, pra falar a verdade. [...] Ela pegou algumas coisas que a gente fez e deu prosseguimento”.

O que o orgasmo na televisão tem a ver com isso? O propósito de tentar caracterizar Marta como uma doida, que se dedica a irrelevâncias fesceninas e malandrinhas, como o orgasmo feminino, fica evidente. E esse, sem dúvida, é um sintoma importante de decadência do PT. Afinal de contas, simboliza também a perda de um discurso. E tanto pior quando se trata do governo de uma mulher: Dilma Rousseff. Na resposta de Ferreira, não faltou nem a tolice mais infantilóide. Afirmou: “É que fui mais aplaudido que ela num evento cultural. Paciência, não posso ser punido pela popularidade que vocês viram aí”. Santo Deus!

Marta chegou a conversar sobre a possibilidade de se candidatar à Prefeitura pelo PMDB. As portas se fecharam. Fernando Haddad levou Gabriel Chalita para a Secretaria da Educação — agora, a “pedagorreia do amor” dará as cartas na Prefeitura. Haddad e Chalita juntos podem levar a uma intoxicação por excesso de coxinha.,.

Em que vai dar? Não dá para saber. A turma de Gilberto Kassab, agora ministro das Cidades, contra quem Haddad ganhou a eleição em 2012, também se prepara para desembarcar na Prefeitura. Nunca tive simpatia por Marta, e todo mundo sabe disso. De todo modo, bem ou mal, ela vem de um tempo em que os partidos ainda tinham alguma identidade. No momento, a cidade de São Paulo está sendo administrada pelo PPSC, Partido do Poder sem Caráter. E é o desastre que todos conhecemos.

Faltavam à receita apenas algumas pitadas de discurso incompreensível, mas dito com aquela mansidão de que só a falsa profundidade é capaz. Agora não falta mais nada. Chalita chegou!

E ele ameaça escrever mais 357 livros sobre a sua experiência — amorosa e fofa, é claro! — à frente da Secretaria Municipal de Educação. Tomara que Deus tenha piedade dos paulistanos. Os políticos, como a gente vê, não têm nenhuma.


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Blog do Coronel

Lula vai desmentir Marta ou confirmar racha com Dilma? É a pergunta que não quer calar.

(Do Estadão) A cúpula do PT optou pelo silêncio ontem, mas vai consultar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de definir como se posicionar publicamente diante das críticas feitas pela senadora Marta Suplicy (SP) em entrevista publicada ontem pelo Estado. Para ela, “ou o PT muda ou acaba”.

A ex-ministra e ex-prefeita apontou “desmandos” no governo e no partido como razões para a provável saída da legenda. O ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) foi chamado de “inimigo” e o presidente do PT, Rui Falcão, de “traidor”. Ambos não quiseram comentar as declarações de Marta, assim como Lula e o Planalto.

No entanto, as críticas causaram mal estar no PT e desconforto no governo. Pessoas ligadas a Lula disseram que há quatro anos tentam fazer intrigas entre ele e Dilma, e a senadora estaria repetindo essa estratégia. Marta assumiu a defesa do “Volta, Lula”, para que o ex-presidente fosse candidato em 2014.

Vice-presidente do partido, o deputado José Guimarães (CE) disse que o tema será discutido internamente na legenda. “O silêncio é a melhor resposta (por ora)”, afirmou.

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Marta Suplicy denuncia Juca Ferreira por corrupção em R$ 105 milhões no MinC. Ele reassume hoje o ministério. Ou não?

Cercado de ilegalidades em sua primeira gestão na Cultura, Juca Ferreira reassume hoje o ministério da Cultura, debaixo de graves acusações feitas por Marta Suplicy. Ele é do PT. Ela é do PT. Isto é o PT. Resta saber se Dilma Rousseff vai empossar o suspeito.

(Estadão, hoje) A ex-ministra da Cultura Marta Suplicy (PT-SP) enviou à Controladoria-Geral da União (CGU) documentos sobre supostas irregularidades em parcerias de R$ 105 milhões, firmadas pela pasta na gestão de Juca Ferreira, com uma entidade que presta serviços à Cinemateca Brasileira - órgão vinculado ao ministério com sede em São Paulo. O uso dessa verba está entre os “desmandos” que a petista alega terem sido cometidos pelo antecessor na Cultura, que reassume hoje o cargo.

Em entrevista publicada ontem pelo Estado, Marta chamou a administração de Juca de “muito ruim” e disse ter mandado ao órgão de controle interno do governo “tudo sobre irregularidades e desmandos” da primeira passagem dele pela Cultura.

Auditorias da CGU apontaram problemas no uso de recursos do ministério pela Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC). A entidade atua como irmã siamesa da instituição, dando apoio aos projetos de preservação da produção audiovisual.

A SAC recebeu R$ 111 milhões do Ministério da Cultura entre 1995 e 2010. Desse total, 94% referem-se a um termo de parceria executado na gestão de Juca. Um dos relatórios da CGU diz que a entidade foi contratada por escolha do ministério, sem consulta a outros interessados, e que projetos foram aprovados sem avaliação adequada dos custos.

Os auditores constataram que a SAC dispensava irregularmente licitações para compra de materiais e contratação de serviços. Orçamentos para as compras eram genéricos, diz o relatório, não permitindo comparação com preços praticados no mercado e, em consequência, a avaliação de eventual superfaturamento. 

O relatório diz também que a entidade cobrava uma taxa para cobrir suas despesas com a administração dos projetos. Para a CGU, que determinou o ressarcimento, não foi devidamente demonstrada a composição dessa cobrança, que seria irregular. Para atividades de R$ 49 milhões, a taxa era de R$ 2,6 milhões.

Houve favorecimento de funcionários da Cinemateca na execução dos projetos, segundo o relatório. A auditoria diz que o dono de uma empresa contratada pela SAC para coordenar atividades era servidor do órgão vinculado à Cultura.

Segundo a CGU, a SAC não apresentou prestação de contas de despesas e o ministério não tomou providências. “Não houve apresentação, por parte do parceiro, de demonstração dos gastos e receitas executados nas ações pactuadas.”

As constatações da CGU já haviam sido fonte de crise no ministério. Em 2012, após tomar conhecimento do conteúdo do relatório, Marta demitiu a então secretária de Audiovisual, Ana Paula Santana, e outros dirigentes da área sob o argumento de que perdera a confiança na equipe. Ana Paula foi diretora de Programas e Projetos Audiovisuais na gestão de Juca. Em fevereiro de 2011, na gestão de Ana de Hollanda, ascendeu ao comando da secretaria. Também é atribuída aos problemas apontados pela CGU a exoneração do ex-diretor executivo da Cinemateca, Carlos Magalhães, em 2013.

Defesa. Procurado, Juca Ferreira informou que não se pronunciaria. O Estado não localizou ontem dirigentes da Cinemateca e da SAC. Nos relatórios da CGU, o ministério refuta irregularidades. Num dos trechos, diz que a entidade tem ações de compliance e auditoria interna e que seu balanço contábil e financeiro é apresentado anualmente ao Ministério da Justiça.


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Blog do Noblat

Lula está nas mãos de Dilma
Ricardo Noblat
       
Nem sempre o ano novo começa em 1º de janeiro. O ano político de 2015 começou, de fato, ontem, com a entrevista da senadora Martha Suplicy à jornalista Eliane Cantanhede, de O Estado de S. Paulo.

É necessário digeri-la bem para acompanhar a luta surda entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula pelo controle não só do PT como dos seus principais aliados com vistas à eleição de 2018.

Lula quis suceder Dilma a partir deste ano. Dilma não deixou, e se reelegeu. Uma parte do PT, possivelmente a maior, quer Lula candidato à vaga de Dilma na eleição presidencial de 2018. Dependerá outra vez de Dilma.

Na montagem do seu novo governo, ela deu um chega para lá em nomes indicados por Lula ou a ele ligados. Por ora, Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da presidência da República, parece contar com a preferência de Dilma para sucedê-la.

Lula a tudo observa sem adiantar suas pretensões.

Lula precisa mais de Dilma do que ela, no momento, precisa dele. Precisa que ela seja bem-sucedida. Se não for, a conta do seu fracasso lhe será debitada. E com razão.

Não foi Lula que inventou a história de Dilma, “a excepcional gestora?” Uma gestora até melhor do que ele? Não foi Lula que pregou: “Votem na mulher”? E não foi a ideia da “mulher de Lula” que atraiu os milhões de votos que em 2010 elegeram Dilma e derrotaram José Serra, do PSDB?

E então? Não bastará que ela governe bem. É preciso também que o apoie.

Agamenon Magalhães, governador de Pernambuco nos anos 50 do século passado, dizia que “ninguém governa governador”. Ninguém preside presidente. A não ser que ele seja um “banana”.

Dilma pode ser tudo, mas uma banana não é. Foi capaz de se impor a Lula e barrar seus passos no caminho de volta à presidência. Resistiu à pressão de Lula para que mudasse sua equipe econômica no segundo semestre de 2013.

Se tivesse cedido, Lula poderia tê-la atropelado, saindo candidato. Mudou a equipe agora. E escalou quem quis.

Dilma só precisará de Lula se por acaso for mal e enfrentar problemas com as ruas. “Lula está fora, totalmente fora”, comentou Martha. Mas ele ainda é o dono da chave dos movimentos sociais, todos dependentes dos favores do governo.

E é Lula, Dilma não, quem melhor transita entre os partidos que sustentam o governo dentro do Congresso. A insatisfação deles com a repartição de poder feita por Dilma só perde para a do PT lulista.

Se Dilma fracassar, Lula fracassará com ela pela absoluta impossibilidade de se desmarcar de sua criatura. Quem está, portanto, numa sinuca de bico é Lula e não Dilma.

O sucesso dela não será obrigatoriamente o sucesso dele. Mas o fracasso será, sim.

Enquanto isso, Mercadante espreita tudo de perto. E dá-se ao luxo de dizer que seu candidato à vaga de Dilma é Lula. Martha desmente que seja.

Lula acha que Mercadante sequestrou o governo. Martha detesta Mercadante, despreza Dilma e está magoada com o PT.

“Mercadante é inimigo. Rui Falcão, presidente do PT, traiu o partido. E o partido se acovardou ao recusar o debate sobre quem era o melhor [candidato] para o país, mesmo sabendo das limitações de Dilma”, espicaça Martha. “Já no primeiro dia [do segundo governo Dilma] vimos um ministério cujo critério foi a exclusão de todos que eram próximos de Lula”.

A senadora sente-se marginalizada dentro de um partido “cada vez mais isolado e que luta apenas pela manutenção do poder”. Pensa em deixá-lo. Talvez em breve.

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Eu convido o Islã a chegar ao século 21. Quem topa? Ou: O gênio de Churchill, a idiotia de Edward Said e a delinquência de Tariq Ali. Ou: Não sou “Charlie Hebdo”; o “Charlie Hebdo” é que é parte, e só parte, do que somos

Culpar o Alcorão pelos ataques terroristas havidos na França é, de fato, ridículo. Livros não matam ninguém. As ideias, ah, estas, sim, podem produzir grandes desastres. Ainda bem que, ao longo do tempo, as exegeses judaica e cristã se encarregaram de interpretar, à luz da vida, não da morte, a vontade de Deus, que pedira a Abraão que sacrificasse Isaac — o filho que veio depois de tão longa espera. Na hora “h”, como sabemos, o Senhor conteve a mão do pai, e Isaac não foi imolado no altar da fé. Também Jó não resta como um bom exemplo, como posso dizer?, social e psicologicamente justo para testar a fidelidade de um crente. Textos religiosos são alegorias de sentido moral.

Os convertidos a uma fé que estão livres do demônio do fanatismo entendem que aquelas situações arquetípicas são divinamente inspiradas. Elas nos transmitem um valor, não um exemplo a ser seguido. No que concerne à linguagem — metafórica, alegórica, metonímica —, não há diferença entre Esopo, os narradores da Torá, os evangelistas ou Maomé. O que os diferencia é a crença de milhões de que um conjunto de palavras, e não outro, retrata uma vontade superior, além do alcance puramente humano, onde está o fabulista Esopo.

Livros, com efeito, não matam ninguém, mas as religiões ou ideologias que eles inspiram, a estas podem fazer pilhas de cadáveres. Seria inútil fazer um cotejo entre os Textos Inspirados dos três grandes monoteísmos — judaísmo, cristianismo e slamismo — para saber qual investe mais na paz ou na guerra. Há de tudo em todos eles. Ainda que a Santa Inquisição tenha matado muito menos do que Robespierre, por exemplo, como justificar as decisões do Tribunal do Santo Ofício? Folgo que inexistam hoje, que se conheçam, admiradores da fogueira purgatória. Mas como ignorar que os descendentes do poeta da guilhotina continuam por aí? O fundamentalismo cristão, felizmente, é residual e sem importância. Já os filhotes de Robespierre ainda são muito influentes. Sigamos.

Sim, é, de fato, ridículo atribuir ao Alcorão os atentados terroristas na França, mas indago: por que havemos de ser nós, os cristãos — ou os ateus e agnósticos dos países de maioria cristã — a proclamar essa verdade? Onde estão as autoridades religiosas do islamismo para condenar, atenção!!!, não apenas os ataques terroristas, mas também a força que os legitima aos olhos — e crenças — de muitos milhões?

Ora, acusar a barbárie dos dois atos terroristas que deixaram 17 mortos é tarefa relativamente fácil, mas cadê as vozes relevantes do mundo islâmico para falar em defesa da liberdade de expressão, do direito à crítica, da pluralidade religiosa? Não existem! Lamento, mas é impossível ser honesto intelectualmente e, ao mesmo tempo, sustentar que os valores hoje influentes do islamismo são compatíveis com a ordem democrática. Neste ponto, alguém poderia dizer, e com razão: “Ora, também as narrativas de sua Bíblia se chocam com o mundo dos fatos”. É verdade. Mas pergunto: que país impõe ao conjunto  dos cidadãos os rigores da “minha” Bíblia? Alguém é capaz de um citar um que seja?

Esse é um bom momento para um tolo provocador produzir obscurantismo em vez de luzes. O bobo costuma lembrar que a Igreja Católica reconheceu só em 1992 que errou ao condenar Galileu Galilei, depois de 350 anos. Para todos os efeitos, até essa data, para a Santa Madre, o Sol é que girava em torno da Terra. Pois é… Em 1992, quantas eram as universidades e escolas católicas mundo afora — e a Igreja é a maior instituição de ensino do planeta — que defendiam o geocentrismo? Os médicos e cientistas de seus hospitais produziam e produzem ciência, não proselitismo religioso.

Eu estou aqui a perguntar onde estão os reformadores do Islã. E notem: nem peço a eles que passem a considerar islamicamente legítimo que se desenhe a imagem de Maomé. O que eles têm de reconhecer — e de transmitir a seus fiéis — é que não podem impor a outras culturas e a outras religiões valores que a esses são estranhos. Na melhor cultura política ocidental, que, felizmente, se distingue da religião, tudo pode e deve estar submetido ao livre exame, e os ofendidos buscam em tribunais igualmente leigos, regulados por leis democráticas, a reparação por eventuais agravos. Luta-se com teclados, canetas e lápis de cor, não com fuzis; faz-se um confronto de togas, não de bombas.

Churchill, Edward Said e Tariq Ali
Infelizmente, não li nem ouvi uma só autoridade religiosa muçulmana — e me refiro àquelas que condenaram os ataques, já que as outras, por definição, não o fariam — a defender o direito que têm os não islâmicos de nações não islâmicas de se comportar como não islâmicos. Entendo! Afinal, na esmagadora maioria dos países muçulmanos, estado e religião se misturam, quando não estão submetidos a uma mesma ordem, e a pluralidade religiosa é um valor que suas comunidades cultivam no Ocidente, mas jamais nas terras consideradas já sob o domínio do Profeta. Ou não é verdade que os muçulmanos se espalham no Ocidente instrumentalizando um valor — o da pluralidade — no qual eles próprios não acreditam em seus países de origem? Ou não é verdade que eles usam em sua defesa um direito — a da liberdade religiosa, garantida pelo Ocidente democrático — que sonegam aos cultores de outras crenças?

O jovem Churchill, ele mesmo!, escreveu em 1899, no segundo volume de ‘The River War – A Reconquista do Sudão”, o que segue:
“Como são terríveis as maldições que o maometismo impõe a seus adeptos! Além do frenesi fanático, tão perigoso num homem como a hidrofobia num cão, existe a apatia fatalista do medo. As consequências são evidentes em muitos países. Onde quer que os seguidores do Profeta governem ou vivam, há costumes imprevidentes, sistemas desleixados de agricultura, métodos atrasados de comércio e insegurança da propriedade.  (…). O fato de que, no direito muçulmano, toda mulher deva pertencer a um homem como sua propriedade absoluta — seja uma criança, sua esposa ou concubina — retardará a extinção da servidão. E será assim enquanto o Islã for uma grande força entre os homens. Indivíduos muçulmanos podem demonstrar qualidades esplêndidas, mas a influência da religião paralisa o desenvolvimento social daqueles que a seguem. Não existe força mais retrógrada no mundo. Longe de estar moribundo, o islamismo é uma fé militante, de prosélitos. Ele já se espalhou por todo o centro da África, criando, a cada passo, guerreiros destemidos. Não estivesse o Cristianismo protegido pelos braços fortes da ciência — ciência contra a qual lutou em vão —, a civilização da moderna Europa já poderia ter ruído, como ruiu a civilização da Antiga Roma”.

Como ouso citar aqui a visão que o colonizador — no caso, o inglês Churchill — tem do colonizado? Pois é. Mergulho, assim, numa das farsas mais influentes do nosso tempo, cujo livro de referência é “Orientalismo”, escrito pelo palestino Edward Said. Pesquisem. A tese é conhecida, simplista e mentirosa: existiria um “Oriente” inventado pelo Ocidente (e já evidencio de modo muito simples por que Said é uma piada) como uma espécie de espantalho a justificar toda sorte de brutalidades. Essa suposta construção — da qual certamente a observação de Churchill faria parte — teria se dado ao longo de séculos, atendendo apenas a interesses muito objetivos, essencialmente econômicos e políticos.

Said é um farsante porque, convenham, não existindo razões para haver “um Oriente”, também não haveria para haver “um Ocidente”. Se cai o termo da equação de um lado, há de cair o seu correspondente no outro. Mas esse nem é o aspecto mais importante. Por mais condenável que fosse ou que tenha sido o colonialismo europeu, particularmente o britânico, nos países islâmicos, cumpre indagar: o que foi que eles fizeram dessa herança e em que medida a religião serviu para libertar ou para escravizar os povos?

A Folha de S.Paulo deste domingo publica um artigo asqueroso de Tariq Ali, escritor paquistanês que vive folgadamente na Inglaterra, misturando em doses idênticas esquerdismo rombudo, ódio irracional aos EUA e, como direi?, uma simpatia nada homeopática pelo terror. Segundo esse canalha intelectual, “as circunstâncias que atraem” os terroristas “não são escolhidas por eles, mas pelo mundo ocidental”. Entenderam? Tariq Ali não vive sob leis islâmicas, mas sob as regras da democracia do Reino Unido. Tariq Ali condena, claro, os assassinatos, mas acha que os verdadeiros culpados são as vítimas. Tariq Ali não é um líder religioso. Ao contrário: que se saiba, é comunista e ateu, mas entende as razões dos terroristas e aponta os culpados entre os mortos.

É claro que ainda voltarei muitas vezes a esse assunto. Encerro este texto indagando, uma vez mais,  o que as diferentes lideranças muçulmanas, das mais variadas correntes, fazem de efetivo contra a suposta “islamofobia”. Se o Islã traz uma mensagem de paz, onde estão seus porta-vozes? Que venham a público não apenas para condenar os atentados covardes, mas para defender o valor essencial da liberdade. Não! Eu não sou “Charlie Hebdo” porque isso diz pouco do que sou. O “Charlie Hebdo” é que é parte do que nós somos. E nem sempre fomos assim. Nós nos tornamos assim! No século 17, ainda queimávamos hereges. No século 18, ainda cortávamos cabeças.

Eu convido o Islã a chegar ao século 21. Quem topa?

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A França vai à rua porque está cansada de carregar a suposta culpa da vítima. Ou: A culpa é dos terroristas, não da “direita”

A França tem 67 milhões de habitantes. Estima-se que 3,7 milhões — 5,5% da população — foram às ruas neste domingo para protestar contra os atos terroristas e em defesa da liberdade de expressão: é como se toda a Paris tivesse decidido marchar (2,2 milhões), com um acréscimo de 1,5 milhão… No Brasil, seria uma manifestação de 11 milhões — quase toda a cidade de São Paulo.

Quarenta líderes mundiais estavam presentes e lideravam simbolicamente a marcha, que mal podia se mover. Nem a Paris de espaços tão amplos esperava por aquilo. De braços dados, caminharam François Hollande, presidente da França; Angela Merkel, a chanceler alemã; o primeiro ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e um de seus adversários no xadrez do Oriente Médio, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Em nova evidência — mais uma! — de que nunca esteve nem está à altura do cargo que ocupa, Barack Obama, o presidente dos EUA, se fez notar pela ausência.

A sociedade francesa dá, assim, um sinal de vigor na defesa de um dos valores essenciais da democracia: a liberdade de expressão. De vigor e de enfaro com a lógica do terror, que vai aos poucos sendo metabolizada e incorporada pela intelectualidade ocidental. As evidências de estupidez estão em toda parte.

Querem um exemplo? Na Folha desta segunda, e historiador Daniel Serwer, professor de Gerenciamento de Conflitos na Escola de Relações Internacionais da Universidade Johns Hopkins, de Washington, concede uma entrevista sobre os atos terroristas na França. Afirma o seguinte, prestem atenção: “Os extremistas querem guerra. Para eles, se Marine Le Pen tiver mais votos, é ótimo, porque comprova a tese de que a França é tão ruim quanto eles pregam. Eles se alimentam da extrema direita. Também é mais fácil recrutar novos militantes com atentados de alto impacto — ainda que esses grupos não estejam tendo a menor dificuldade em recrutar novos radicais. Mas devemos nos perguntar o porquê disso”.

Serwer, que faz questão de deixar claro que é judeu — para que não pese, suponho, suspeita de que alimente alguma simpatia pelos extremistas islâmicos —, também acha, a exemplo do paquistanês Tariq Ali, que a culpa é das vítimas. Aplicando a sua fórmula ao conflito israelo-palestino, por exemplo, teríamos de chegar à conclusão de que o terrorismo do Hamas só existe por causa da direita israelense, e não porque os terroristas não aceitam, afinal, a existência do estado judaico. Se o partido de Marine Le Pen for esmagado nas urnas, o terror sai enfraquecido? Ora… O atentado acontece na França num momento em que a esquerda está no poder.

A verdade insofismável é que a França e a Europa como um todo têm tolerado, em nome da diversidade e dos valores do multiculturalismo, a intolerância das comunidades muçulmanas, que têm a ambição de viver segundo valores que desafiam as regras da democracia. Na entrevista, Serwer investe num mantra que têm servido para tentar “compreender” os atos terroristas: os muçulmanos na França, quase na sua totalidade de origem árabe, não gozariam dos mesmos benefícios dos cidadãos franceses.

É verdade! Mas será assim porque o país é relapso — não é!!! — ou porque a religião dessas comunidades se mostra incompatível com os valores de uma sociedade democrática e leiga? Bingo! Os imigrantes e seus descendentes custam os tubos ao estado de bem-estar social francês. E nunca será demais destacar que os únicos árabes que vivem sob um regime de liberdades públicas plenas ou estão em democracias ocidentais ou, vejam que coisa!, em Israel.

Quase quatro milhões de franceses foram às ruas porque estão cansados de carregar a suposta culpa das vítimas.

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Ex-ministra da Cultura, Marta Suplicy envia à CGU documentos contra Juca Ferreira, atual ministro

Por Fábio Fabrini, no Estadão:
A ex-ministra da Cultura Marta Suplicy (PT-SP) enviou à Controladoria-Geral da União (CGU) documentos sobre supostas irregularidades em parcerias de R$ 105 milhões, firmadas pela pasta na gestão de Juca Ferreira, com uma entidade que presta serviços à Cinemateca Brasileira – órgão vinculado ao ministério com sede em São Paulo. O uso dessa verba está entre os “desmandos” que a petista alega terem sido cometidos pelo antecessor na Cultura, que reassume hoje o cargo. Em entrevista publicada ontem [domingo] pelo Estado, Marta chamou a administração de Juca de “muito ruim” e disse ter mandado ao órgão de controle interno do governo “tudo sobre irregularidades e desmandos” da primeira passagem dele pela Cultura.  Auditorias da CGU apontaram problemas no uso de recursos do ministério pela Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC). A entidade atua como irmã siamesa da instituição, dando apoio aos projetos de preservação da produção audiovisual.
 A SAC recebeu R$ 111 milhões do Ministério da Cultura entre 1995 e 2010. Desse total, 94% referem-se a um termo de parceria executado na gestão de Juca. Um dos relatórios da CGU diz que a entidade foi contratada por escolha do ministério, sem consulta a outros interessados, e que projetos foram aprovados sem avaliação adequada dos custos.

Os auditores constataram que a SAC dispensava irregularmente licitações para compra de materiais e contratação de serviços. Orçamentos para as compras eram genéricos, diz o relatório, não permitindo comparação com preços praticados no mercado e, em consequência, a avaliação de eventual superfaturamento.  O relatório diz também que a entidade cobrava uma taxa para cobrir suas despesas com a administração dos projetos. Para a CGU, que determinou o ressarcimento, não foi devidamente demonstrada a composição dessa cobrança, que seria irregular. Para atividades de R$ 49 milhões, a taxa era de R$ 2,6 milhões. Houve favorecimento de funcionários da Cinemateca na execução dos projetos, segundo o relatório. A auditoria diz que o dono de uma empresa contratada pela SAC para coordenar atividades era servidor do órgão vinculado à Cultura. Segundo a CGU, a SAC não apresentou prestação de contas de despesas e o ministério não tomou providências. “Não houve apresentação, por parte do parceiro, de demonstração dos gastos e receitas executados nas ações pactuadas.”

As constatações da CGU já haviam sido fonte de crise no ministério. Em 2012, após tomar conhecimento do conteúdo do relatório, Marta demitiu a então secretária de Audiovisual, Ana Paula Santana, e outros dirigentes da área sob o argumento de que perdera a confiança na equipe.  Ana Paula foi diretora de Programas e Projetos Audiovisuais na gestão de Juca. Em fevereiro de 2011, na gestão de Ana de Hollanda, ascendeu ao comando da secretaria. Também é atribuída aos problemas apontados pela CGU a exoneração do ex-diretor executivo da Cinemateca, Carlos Magalhães, em 2013.

Defesa
Procurado, Juca Ferreira informou que não se pronunciaria. O Estadonão localizou ontem dirigentes da Cinemateca e da SAC. Nos relatórios da CGU, o ministério refuta irregularidades. Num dos trechos, diz que a entidade tem ações de compliance e auditoria interna e que seu balanço contábil e financeiro é apresentado anualmente ao Ministério da Justiça.

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Reynaldo-BH: ‘Eu sou livre!’
REYNALDO ROCHA

Quando sectários impostores abriram fogo contra os jornalistas do Charlie Hebdo, não tinham noção da intensidade do ato. As 12 vítimas sempre souberam. Os bárbaros atingiram o coração da LIBERDADE. Que desconhecem, mas sonham exterminar. No mundo civilizado, bilhões de corações e mentes enxergaram para além dos homicídios. Sentiram a necessidade da luta pela sobrevivência. Da discordância. Do avanço civilizatório. Da liberdade de expressão. E a resposta extrapolou a França da Igualdade, Fraternidade e Liberdade.

Não sou um terrorista de teclado. Mas o que houve em Paris tem parentesco com a tentativa de invasão do prédio da Editora Abril por fanáticos que rejeitam os fatos publicados por VEJA. Ou com a lei imposta pelo governo argentino para liquidar o grupo Clarín na Argentina e com a “cota oficial” de papel concebida para cercear a oposição.

Em fevereiro de 2014, 55 jornalistas foram agredidos nas manifestações de rua contra o governo venezuelano. Havia uma lista de jornalistas a serem assassinados na Europa. Por enquanto, aqui existe uma lista de profissionais que incomodam o PODER APODRECIDO que por ousarem fazer apenas jornalismo. A diferença é da intensidade. Somente e por enquanto. A prática já está em uso.

O mundo deu um BASTA! Que repercute em cada homem que preze a própria liberdade e do direito de conviver também com opostos.

O que importa — para além da dor causada pela brutalidade praticada, o assassinato sem sentido – é a raiz da intolerância. Para cada jornalista morto, há milhões de leitores privados da liberdade. Para cada matéria censurada (ou “controlada”), existem milhões de atos idênticos praticados às escondidas.

Nós, leitores, só podemos agradecer a cada jornalista independente. Em nome da cidadania. E do ser honesto, que era de regra e hoje é exceção.

Blogueiros de aluguel, pagos para escrever o que os donos ordenam, jamais seriam jornalistas de um Charlie Hebdo. Seriam charges de capa. Seus rótulos rasteiros não nos atingem. Sabemos dar valor à LIBERDADE.

Eu sou Charlie. Eu sou cristão. Eu sou agnóstico. Eu sou budista. Eu sou muçulmano. Eu sou de direita. Eu sou de esquerda. Pouco importa o que eu seja.

EU SOU LIVRE!


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Blog do Ilimar Franco

A regra do jogo

                A oposição está deitando e rolando, desde a eleição, com o escândalo Petrobras. Políticos do PMDB e PT são citados em delações premiadas e depoimentos. Os tucanos batem sem dó, como se todos os citados fossem culpados. Estufam o peito ao defender que seu ex-presidente, o falecido Sérgio Guerra, seja devassado. Agora que Antonio Anastasia entrou na roda-viva, os tucanos reagem com indignação.

Pimenta nos olhos alheios é colírio
O presidente do PSDB mineiro, deputado Marcus Pestana, escreveu indignado sobre o caso. Seu desabafo: “Ele (Anastasia) está muito abalado, arrasado”; “Palavra de meliante não pode ser critério da verdade”; “Jornalismo investigativo tem que buscar provas e evidências”; “Não é justo um cara da integridade dele ser misturado com esse lodaçal de corrupção”; “Estamos indignados! Ele é símbolo de honradez. Querem misturar joio e trigo”; “O estrago na imagem dele está feito”; “Um ‘Jornal Nacional’ é o bastante para as pessoas passarem a olhar diferente para o sujeito”; e “Estão lhe roubando o único patrimônio”. Na política é assim: o que dá para rir, dá para chorar.

“Depois desse período de turbulências, o povo brasileiro poderá estar à procura de estabilidade e retidão”

Márcio França,

vice de São Paulo e secretário de Finanças do PSB, em defesa da candidatura do governador tucano Geraldo Alckmin (SP) à Presidência da República em 2018

Um novo time
A ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) decidiu renovar sua equipe. Ontem, almoçou em Brasília com a ex-secretária do Meio Ambiente do Rio Marilene Ramos. Ela está sendo cotada para assumir a Secretaria de Recursos Hídricos.

Segura, peão
Em clima de campanha eleitoral, muitos petistas defendem que o governador Fernando Pimentel (MG) faça uma devassa nas gestões de Aécio Neves, presidente do PSDB, e Antonio Anastasia. A equipe de Pimentel está levantando todas as informações, mas a orientação não é a de iniciar uma campanha contra os dois líderes tucanos.

Palmo a palmo
O ex-presidente da Anvisa Dirceu Barbano está retornando para o Ministério da Saúde. Ele vai dirigir a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Os petistas marcaram um ponto no jogo para ocupar o segundo escalão.

Saia-justa
Os líderes aliados da Câmara e do Senado estão sendo chamados para reunião com o ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais). A conversa deve ocorrer na próxima semana. O objetivo do Planalto é orientar as bancadas governistas para derrubar qualquer projeto que leve ao aumento dos gastos públicos. A contenção é para valer.

Tiroteio
O subprocurador Eugênio Aragão reage aos que lhe atribuem vazamentos da Operação Lava-Jato: “Não trabalho com esse processo. Trato da área eleitoral. Esse tema é apenas do Procurador-Geral Rodrigo Janot. Não passa pela minha mão”.

Sucessão
O PCdoB indicou ao ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) dois nomes para presidir a Embratur: o do ex-prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira e o do ex-deputado federal por Amazonas Eron Bezerra, marido da senadora Vanessa Grazziotin.

Questionado ontem nas redes sociais por mais de 20 internautas sobre atrasos nas bolsas da Capes, o ministro Joaquim Levy (Fazenda) não respondeu.

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Empreiteiro diz que desvios revelados na Petrobras até agora são "fichinha" e liga roubalheira à campanha de Dilma.

Um bom resumo do que vai pela cabeça dos empreiteiros presos pela Operação Lava-Jato está em um manuscrito de seis folhas de caderno obtido por VEJA. Ele foi escrito pelo engenheiro baiano Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia. VEJA confirmou a autoria do documento por meio de um exame grafotécnico feito pelo perito Ricardo Molina, da Unicamp. É a primeira manifestação de um integrante do clube do bilhão desde a prisão. O documento contém queixas contra os antigos parceiros de negócios e ameaças veladas a políticos. Em um dos trechos, o empreiteiro liga os contratos sob suspeita assinados entre as empreiteiras e a Petrobras ao caixa de campanha eleitoral da presidente Dilma Rousseff.

Nas entrelinhas do manuscrito fica evidente o desconforto dos empreiteiros de estarem sendo, pelo menos até agora, os bodes expiatórios da complexa rede de corrupção armada na Petrobras. Eles têm razão. Nas denúncias oferecidas pelo Ministério Público Federal e aceitas pelo juiz Sergio Moro, o esquema de corrupção na Petrobras parece ser apenas o conluio de empreiteiros gananciosos com meia dúzia de diretores venais da Petrobras. Nada mais longe da verdade. Como Paulo Roberto Costa revelou com toda a clareza, tratava-se de um esquema de desvio de dinheiro para partidos e campanhas políticas organizado pelo partido no poder, o PT.

Entende-se, portanto, a insistência de Ricardo Pessoa em lembrar que em sua concepção e funcionamento o esquema na Petrobras era político. As empreiteiras entraram como a solução para o problema de como entregar o dinheiro aos parlamentares e candidatos da base aliada do governo do PT.

Pessoa cita nominalmente o tesoureiro do comitê de Dilma Rousseff, o deputado petista Edinho Silva (SP): “Edinho Silva está preocupadíssimo. Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso da Operação Lava-Jato doaram para a campanha de Dilma”. Arremata com outra pergunta desafiadora, referindo-se ainda ao caixa do comitê eleitoral da presidente: “Será se (sic) falarão sobre vinculação campanha x obras da Petrobras?”. O empreiteiro faz chiste com o que já foi descoberto até agora e afirma que o volume de dinheiro desviado na diretoria de Paulo Roberto Costa é “fichinha” perto de outros negócios da Petrobras que também teriam servido à coleta de propina.

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Em gelo fino

A humanidade está andando sobre gelo fino. É daqueles momentos em que se sabe que podemos acertar muito ou errar demais. Os terroristas muçulmanos na França, com seu ato abominável, produziram uma natural onda de repúdio, mas o que repudiamos? Não há chance para a paz quando se acha que todo o mal se concentra em um único grupo, mas a modernização do Islã é fundamental.

A morte dos irmãos Cherif e Said Kouachi e do terrorista Amedy Coulibaly foram consequência do cerco policial. Não resolve o problema, mas seria intolerável saber que eles estavam soltos. “Não acabaram as ameaças”, avisou o presidente François Hollande. Os nervos continuarão à flor da pele e nesse clima muita confusão pode ser feita. Hollande apontou o caminho certo: a união em torno de valores e as manifestações para deixar claro que o país não está com medo. Amanhã a França viverá um grande dia. Chefes de Estado e cidadãos franceses vão para as ruas. Hollande usou a palavra “liberdade” junto da palavra “pluralismo” como valores expressos pela Europa. É de fato o espírito da Europa.

O temor é o do aumento da xenofobia, do preconceito contra imigrantes e do ódio ao islamismo. É esse o gelo fino do momento. Qualquer passo em falso e seremos tragados. Não ver a dimensão da ameaça e achar que foi a ação de lobos solitários, ou de um emblemático grupo extremista, é correr riscos demais; fazer uma caça aos muçulmanos na Europa só aumentará o caminho do ódio étnico e religioso, origem de tanta tragédia na História.

Não basta lembrar o óbvio: que a religião não é representada pelos extremistas, e que a maioria dos líderes religiosos muçulmanos interpreta os textos religiosos de forma pacífica. O problema é que os que pertencem a outras religiões ou não professam fé alguma estão ficando com a impressão de que o ideário islâmico tem dado espaço para interpretações fanáticas e radicais.

Veja-se, por exemplo, o caso de como as mulheres são tratadas mesmo em governos que não são vistos como ameaça. Quantos líderes religiosos muçulmanos se mobilizaram para defender direitos mais elementares das mulheres dentro de vários países onde a religião se mistura ao governo? Não é tolerável a opressão imposta às mulheres em muitos países em nome do Islã, mas os moderados e modernos da religião nunca se revoltaram contra isso.

Esta é a hora em que o mundo vai discutir intensamente todos os aspectos do problema. Este brainstorm mundial será fundamental. A palavra em inglês é perfeita: uma tempestade mental. Estamos vivendo isso agora, com todos os pensadores, especialistas, políticos, líderes religiosos, jornalistas, chargistas sempre compelidos a pensar, ponderar, opinar.

Já há uma reação na Europa que fortalece quem pensa que só a força resolverá. A força é necessária, claro, como se viu ontem. Mas o que torna efetiva as atividades de repressão é a atuação dos governos em rede, porque o crime também age em rede, e a reafirmação dos valores civilizatórios.

É hora de revisitar, para não repetir, todos os erros da política externa americana, mas não é hora de relativizar os fatos. O crime bárbaro contra a liberdade de expressão, o assassinato de inocentes, a guerra supostamente santa de radicais que atinge indiscriminadamente pessoas e valores humanos são inaceitáveis. Como disse aqui, não existe transigência. Não cabem o “mas” e o “se” quando o ato é dessa enormidade. A batalha pela confirmação de valores civilizatórios tem que ser o centro. Não se deve perder jamais a noção de por quem dobram os sinos de Notre Dame. Eles dobram por todos nós.


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Blog do Noblat

Duas decisões exemplares da Justiça
Ricardo Noblat

Em menos de 48 horas, o ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), tomou duas decisões importantes destinadas a repercutir política e socialmente. A saber.

Lewandowski reconheceu o direito de cumprir pena em casa da grávida de nove meses Renata Gonçalves Cardoso, de 24 anos de idade, presa em São Paulo.

Uma lei ignorada por juízes e tribunais garante à gestante presa preventivamente o direito de passar os últimos três meses de gravidez em casa. Isso independe do seu estado de saúde.

Lewandowski também suspendeu a decisão de um juiz de São José do Rio Preto (SP) que determinou a quebra de sigilo telefônico das linhas registradas em nome do jornalista Allan de Abreu Aio e do jornal "Diário da Região".

O objetivo da quebra de sigilo era descobrir a fonte que forneceu ao jornalista informações sobre investigação da Polícia Federal a respeito do esquema de corrupção envolvendo fiscais do trabalho na cidade em 2011.

Lewandowski concordou com o argumento da Associação Nacional dos Jornais de que o cumprimento da ordem do juiz implicaria na violação do direito de sigilo de fonte. Sem tal direito, o exercício do jornalismo se inviabiliza.

De volta à decisão do presidente do STF quanto à presa grávida. Em 2013, somente em São Paulo havia 2.422 mães presas. Delas, 147 estavam grávidas, e 247, amamentando. No Rio, hoje, há 25 presas grávidas.

Antes de chegar ao STF, o caso de Renata passou pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e pelo Superior Tribunal de Justiça. Ambos negaram à presa o que Lewandowski lhe concedeu.

As duas decisões do ministro ainda dependem de confirmação pelo plenário do STF.

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Alheia aos escândalos, Dilma loteia o 2º escalão

Em meio aos desdobramentos da Operação Lava Jato, Dilma Rousseff decidiu preencher os cargos do segundo escalão da máquina federal guiando-se pelo mesmo espírito de privatização que levou a Petrobras ao balcão. Autorizado pela presidente, o ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais da Presidência) pede aos partidos que participam do empreendimento governista que lhe encaminhem sugestões de nomes para as poltronas que mais cobiçadas. Exatamente como fizeram, por exemplo, PP, PT e PMDB no rateio de diretorias da maior estatal brasileira.

As legendas aquinhoadas com ministérios desejavam ocupar os postos das respectivas pastas de cabo a rabo. Dilma mandou avisar que não dará ministério de “porteira fechada” a nenhum partido. Há dois dias, numa conversa com jornalistas, o negociador Pepe enumerou os critérios que, segundo diz, serão observados nas nomeações: competência, capacidade de gestão e probidade. Dizia-se o mesmo na época em que, sob Lula, politizaram-se as nomeações na Petrobras.

O engenheiro Paulo Roberto Costa, hoje um delator incômodo, preenchia todos esses requisitos quando Lula permitiu que o PP se apoderasse da alma dele para fazer negócios na Petrobras. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato, o próprio Paulo Roberto resumiu, em 8 de outubro, a metamorfose que o transformou de funcionário exemplar em corrupto confesso:

“Eu trabalhei na Petrobras por 35 anos. Vinte e sete anos do meu trabalho foram trabalhos técnicos, gerenciais. E eu não tive nenhuma mácula nesses 27 anos. Se houve erro —e houve, não é?— foi a partir da minha entrada na diretoria por envolvimento com grupos políticos, que usam a oração de São Francisco, que é dando que se recebe. Eles dizem muito isso. Então, esse envolvimento político, […] que tinha em todas as diretorias da Petrobras, é uma mácula dentro da companhia.”

O que Paulo Roberto disse, com outras palavras, foi que os apadrinhados dos partidos políticos devem obediência aos seus padrinhos, não aos contribuintes que lhes pagam o salário. O mesmo fenômeno produziu escândalos em série no conturbado início do primeiro mandato de Dilma, forçando-a a se livrar de sete ministros em 2011. A despeito de tudo, ela repete a fórmula surrada. Planta agora os escândalos que irá colher até 2018 nas reparticões, nas autarquias e nas estatais vinculadas a cada pasta. Depois estourarem novos escândalos, Dilma repetirá o mantra do “eu não sabia'', defenderá a realizacão de uma reforma política e proporá m pacto nacional contra a corrupção.

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Ministro do Esporte aluga por R$ 85 mil computadores que custam R$ 15 mil

Ao assumir a pasta do Esporte, o pastor George Hilton (PRB-MG) reconheceu que entende pouco do ramo esportivo. Talvez não entenda muito também da gestão de verbas públicas. Como deputado federal, utilizou parte da chamada verba indenizatória do seu gabinete para alugar um par de cumputadores do tipo iMac —21,5 e 27 polegadas, respectivamente. Entre junho de 2013 e dezembro de 2014, pagou pelo aluguel R$ 84.996. Numa boa casa de equipamentos eletrônicos, as duas máquinas podem ser compradas por menos de R$ 15 mil.

O repórter Gabriel Castro conta que o equipamento alugado pelo gabinete do agora ministro pertence à empresa Ideas Movies and Solutions, especializada na produção de vídeos. Por uma dessas coincidências que intrigam, trata-se da mesma logomarca que prestou serviços à malograda campanha de Hilton à prefeitura da cidade mineira de Contagem, em 2012. Chama-se Alan Kardec Teixeira o dono da Ideas. Ele é ligado à Igreja Universal. A mesma organização religiosa à qual o novo ministro serve como pastor -mais uma santa coincidência!

Ouvido, o gabinete de George Hilton confirmou o aluguel dos dois computadores. Sustentou que o deputado preferiu alugá-los porque a verba de gabinete não poderia ser usada para comprar equipamentos do gênero. Quem quiser acreditar terá de responder: mas precisava pagar tão caro pelo aluguel?

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Novo Ministro Esporte!




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Blog do Ilimar Franco

A Esplanada entra em campo

          O Planalto garante que não vai tomar partido nas eleições para a presidência da Câmara. Mas os candidatos Eduardo Cunha (PMDB) e Arlindo Chinaglia (PT) creem que a regra não vale para os demais ministros e contam com o apoio dos seus pedindo votos. A despeito do ceticismo, um dirigente petista explica que “o ambiente mudou muito” e que o partido vai disputar “sem pisotear ninguém”.

Mais cérebros
Depois dos médicos de Cuba, o Brasil se prepara para trazer mão de obra qualificada do exterior. A Secretaria de Assuntos Estratégicos, a SAE, está concluindo estudo para importar cérebros, e já há demanda de Itália, Portugal e Espanha. O objetivo é reforçar áreas com carência interna e replicar o conhecimento, como no setor de petróleo. Hoje, apenas 0,3% da população brasileira é formada por estrangeiros. Antes de propor a criação de um programa com esse fim, a SAE reuniu dados que demonstram que 74% dos brasileiros aprovam a vinda de estrangeiros qualificados. Os ministérios da Justiça e do Trabalho estão agora avaliando mudanças legais necessárias para abrir as portas.

“Quando se trata de delação premiada, há compromisso com a verdade. O abrandamento da pena depende disto. O Anastasia, foi citado num depoimento”

Antônio Imbassahy
Líder do PSDB, sobre a citação do senador Antônio Anastasia na Operação Lava-Jato

Na linha de tiro
Os tucanos e os peemedebistas estão irados com o subprocurador-geral da República, Eugênio Aragão. Creditam a ele o vazamento (Operação Lava-Jato) dos nomes do líder do PMDB, Eduardo Cunha, e do futuro senador Antonio Anastasia.

Estica e puxa
A nova onda no Alvorada é a dieta Ravenna. A presidente Dilma está consumindo 800 calorias/dia. O regime está invadindo a Esplanada. A receita já foi adotada por alguns ministros: Miriam Belchior (futura presidente da CEF), José Eduardo Cardozo (Justiça), Eleonora Menicucci (Mulheres) e a noiva Kátia Abreu (Agricultura).

Quem manda?
Delegados da PF entregaram nota técnica na Casa Civil e no Ministério da Justiça contra proposta dos governadores do Sudeste para que os estados possam legislar sobre inquérito policial. Temem que os governadores fiquem com poder demais.

E tem mais
Autoridade com acesso à investigação da PF sobre o doleiro Alberto Youssef, no contexto da Operação Lava-Jato, costuma dizer que vêm por aí “grandes surpresas”. Ela conta que Youssef não era “um doleiro qualquer”. E que o deputado André Vargas (ex-PT) não era o político mais graduado que tinha relações com o investigado.

O antídoto
A estratégia do líder do PMDB e candidato a presidência da Câmara, Eduardo Cunha (RJ), é defender uma CPI da Petrobras toda vez que os petistas tentem usar contra ele vazamentos sobre as investigações da Operação Lava-Jato.

Não agrada ninguém
A visão do Planalto sobre críticas ao vazamento das informações da PF, na Operação Lava-Jato, é a seguinte: quando petistas e aliados são citados, é por falta de controle da PF; e, quando são os da oposição, é porque a PF foi instrumentalizada.

A presidente Dilma, defendeu a criminalização da homofobia na campanha. A Legislatura acabou e os projetos foram arquivados no Congresso.

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A lista fatal

Enquanto não sair a lista oficial dos acusados de envolvimento no petrolão, que deve ser apresentada pelo Procurador-Geral da República Rodrigo Janot nos primeiros dias de fevereiro ao Supremo Tribunal Federal, o Congresso viverá sob tensão, e todos os partidos políticos estarão sujeitos a vazamentos de informações que, por serem parciais, servem para blindar os parlamentares eventualmente citados.

São taxados por todos os lados de “vazamentos seletivos”, e podem ser acusados de servirem a interesses políticos. A última bomba atinge em cheio a oposição, com a citação do senador eleito e ex-governador de Minas Antonio Anastasia como tendo recebido R$ 1 milhão de reais para sua campanha de 2010 das mãos do policial conhecido como “Careca”.

Sucessor do presidente do PSDB, senador Aécio Neves e seu homem de confiança – seria o ministro forte numa eventual presidência tucana caso Aécio tivesse vencido em outubro -, a denúncia contra Anastasia atinge diretamente o presidente do PSDB, que reagiu imediatamente afirmando que a intenção seria constranger a oposição, que não se intimidará.
Anastasia se defende com sua reputação, nunca atacada nem nas mais agressivas campanhas eleitorais, e com a lógica, pois não faz parte do esquema governista que controlou o petrolão.

O PSDB já tinha na lista dos envolvidos no escândalo das empreiteiras o seu ex-presidente Sérgio Guerra, acusado de ter recebido R$ 10 milhões da construtora Queiroz Galvão para inviabilizar a CPI da Petrobras. Uma acusação que precisa ser investigada mas é no mínimo estranha, já que a oposição era minoritária na CPI e não tinha condições de inviabilizá-la se não fosse interesse do PT.

Quando as denúncias surgidas atingem membros do PT ou de partidos aliados ao governo, a reação é sempre a mesma: são vazamentos seletivos para envolver o governo, como se fosse preciso, depois dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff, mesmo antes de terem aderido à delação premiada.

A questão não está mais em torno do esquema montado pelo PT para financiar seus aliados num projeto de poder que pretende se eternizar, ou pelo menos que seja infinito enquanto dure, parodiando o poeta. O que se discute nos bastidores do Congresso é quais foram os apanhados na rede imensa do Ministério Público, que nomes sairão da lista para a acusação do Procurador-Geral da República.

Mas quando os vazamentos seletivos atingem alguém da oposição, como o senador eleito Antonio Anastasia, ou o talvez ex-futuro presidente da Câmara Eduardo Cunha, nesses casos os aliados governistas, no Congresso e na imprensa chapa-branca, tratam-nos como verdades inegáveis. Aí é a vez de o PSDB e Cunha alegarem que há interesses políticos.

Quando atinge então um aliado importante como o senador Renan Calheiros, que concorre à reeleição no Senado com o pressuposto de apoiar a presidente Dilma, os mesmos tentam esquecer que as citações a Calheiros existem, com talvez mais base do que as que atingem outros.

Outro ex-presidente, desta vez da Câmara, o deputado não reeleito Henrique Eduardo Alves, apareceu em uma destas listas e perdeu automaticamente seu lugar no ministério de Dilma. Pode voltar a ele caso não apareça na lista oficial, provocando mudanças ministeriais logo nos primeiros meses de governo, o que será apenas mais uma das muitas esquisitices desse segundo mandato de Dilma.

Para os que estiverem na lista, há ainda uma esperança, embora o sofrimento possa durar bastante tempo. O Procurador-Geral da República pode pedir a absolvição por falta de prova para alguns dos indicados. Aconteceu assim no mensalão.

Dois dos 40 denunciados foram previamente absolvidos pelo Ministério Público: Antônio Lamas, ligado ao PP, (irmão de Jacinto Lamas) e Luiz Gushiken (ex-secretário de Comunicação Social da Presidência da República), absolvição depois confirmada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Um terceiro, Silvio Pereira, ex-secretário do PT, fez acordo de 750 horas de trabalho comunitário e não foi julgado.

O fato é que tanto a Câmara quanto o Senado correm o sério risco de eleger presidentes que, dias depois, aparecerão na lista oficial dos envolvidos no petrolão, e aí talvez seja tarde demais para que desistam de enxovalhar mais ainda o Congresso.

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Por que o Ocidente ainda tem de pedir desculpas ao Islã? Ou: Vagabundos morais flertam com o terror. Ou ainda: “Islamofobia” uma ova!

Volto ao trabalho na segunda, mas antecipo um texto que, dado o que leio por aí, me parece necessário. O terrorismo islâmico sequestrou boa parcela da consciência do Ocidente. Antes que se impusesse por intermédio da brutalidade e da barbárie, seus agentes voluntários e involuntários fizeram com que duvidássemos dos nossos próprios valores. Antes que matassem nossas crianças, nossos soldados, nossos jornalistas, nossos chargistas, nossos humoristas, atacaram, com a colaboração dos pusilânimes do lado de cá, os nossos valores. “Nossos, de quem, cara-pálida?”, perguntará um dos cretinos relativistas do Complexo Pucusp. Os do Ocidente cristão e democrático.

Mesmo gozando de merecidas férias, comprometido principalmente com o nascer e o pôr do sol, acompanhei o que se noticiou no Brasil e no mundo sobre o ataque covarde ao jornal francês “Charlie Hebdo”, que deixou 12 mortos na França. Na nossa imprensa e em toda parte, com raras exceções, a primeira preocupação, ora vejam!!!, era não estimular a “islamofobia”, uma mentira inventada pela máquina de propaganda dos centros culturais de difusão do Islã no Ocidente. Nota à margem: a “fobia” (se querem dar esse nome) religiosa que mais mata hoje é a “cristofobia”. Todo ano, mais ou menos 100 mil cristãos são assassinados mundo afora por causa de sua religião. E não se ouve a respeito um pio a Orientes e Ocidentes.

Uma curiosidade intelectual me persegue há tempos: por que cabe ao Ocidente cristão combater a suposta “islamofobia”? Por que as próprias entidades islâmicas também não se encarregam no assunto? Sim, muitas lideranças mundo afora repudiaram o ataque ao jornal francês, mas sugerindo, com raras exceções, nas entrelinhas, que se tratava de uma resposta injusta e desproporcional a uma ofensa que de fato teria sido desferida contra o Islã e o Profeta. E então chegamos ao cerne na questão.

Sou católico. As bobagens e ignorâncias que se dizem contra a minha religião — e já faz tempo que o ateísmo deixou de ser um ninho de sábios —, com alguma frequência, me ofendem. E daí? Há muito tempo, de reforma em reforma, o catolicismo entendeu que não é nem pode ser estado. A religião que nasceu do Amor e que evoluiu, sim, para uma organização de caráter paramilitar, voltou ao seu leito, certamente não tão pura e tão leve como nos primeiros tempos, maculada por virtudes e vícios demasiadamente humanos, mas comprometida com a tolerância, com a caridade, com a pluralidade, buscando a conversão pela fé.

Não é assim porque eu quero, mas porque é: o islamismo nasce para a guerra. Surge e se impõe como organização militar. Faz, em certa medida, trajetória contrária à do catolicismo ao se encontrar, por um tempo ao menos, com a ciência, mas retornando, pela vontade de seus líderes, ao leito original. Sim, de fato, ao pé da letra, há palavras de paz e de guerra, de amor e de ódio, de perdão e de vingança tanto no Islã como na Bíblia. De fato, também no cristianismo, há celerados que fazem uma leitura literalista dos textos sagrados. E daí? Isso só nos afasta da questão central.

Em que país do mundo o cristianismo, ainda que por intermédio de seitas, se impõe pela violência e pelo terror? Em que parte da terra a Bíblia é usada como pretexto para matar, para massacrar, para… governar? É curioso que diante de atos bárbaros como o que se viu na França, a primeira inclinação da imprensa ocidental também seja demonstrar que o Islã é pacífico. Desculpem-me a pergunta feita assim, a seco: ele é “pacífico” onde exatamente?

Em que país islâmico, árabe ou não, os adeptos dessa fé entendem que os assuntos de Alá não devem se misturar com os negócios de estado? À minha moda, sou também um fundamentalista: um fundamentalista da democracia. Por essa razão, sempre que me exibem a Turquia como exemplo de um país majoritariamente islâmico e democrático, dou de ombros: não pode ser democrático um regime em que a imprensa sofre perseguição de caráter religioso — ainda que venha disfarçada de motivação política, não menos odiosa, é claro!

Cabe às autoridades islâmicas, das mais variadas correntes, fazer um trabalho de combate à “islamofobia”. E a fobia será tanto menor quanto menos o mundo for aterrorizado por fanáticos. Ora, não é segredo para ninguém que o extremismo islâmico chegou ao Ocidente por intermédio de “escolas” e “centros de estudo” que fazem um eficiente trabalho de doutrinação, que hoje já não se restringe a filhos de imigrantes. A pregação se mistura à delinquência juvenil, atraída — o que é uma piada macabra — pela “pureza” de uma doutrina que não admite dúvidas, ambiguidades e incertezas.

Ainda voltarei, é evidente, muitas vezes a esse assunto, mas as imposturas vão se acumulando. Há, sim, indignação com o ocorrido, mas não deixa de ser curioso que a imprensa ocidental tenha convocado os chargistas a uma espécie de reação. Sim, é muito justo que estes se sintam especialmente tocados, mas vamos com calma! O que se viu no “Chalie Hebdo” não foi um ataque ao direito de fazer desenhos, mas ao direito de ter uma opinião distinta de um primado religioso que, atenção!, une todas as correntes do Islã.

É claro que um crente dessa religião tem todo o direito de se ofender quando alguém desenha a imagem do “Profeta” — assim como me ofendo quando alguém sugere que Maria não passava de uma vadia, que inventou a história de um anjo para disfarçar uma corneada no marido. Ocorre que eu não mato ninguém por isso! Ocorre que não existem líderes da minha religião que excitam o ódio por isso. Se um delinquente islâmico queima uma Bíblia, ninguém explode uma bomba numa estação de trem.

E vimos, sim, a reação dos chargistas, mas, como todos percebemos, quase ninguém se atreveu a desenhar a imagem do “Profeta” — afinal de contas, como sabemos, isso é proibido, não é? Que o seja em terras islâmicas, isso é lá problema deles, mas por que há de ser também naquelas que não foram dominadas pelos exércitos de Maomé ou de onde eles foram expulsos?

Tony Barber, editor para a Europa do “Financial Times”, preferiu, acreditem, atacar o jornal francês. Escreveu horas depois do atentado: “Isso [a crítica] não é para desculpar os assassinos, que têm de ser pegos e punidos, ou para sugerir que a liberdade de expressão não deva se estender à sátira religiosa. Trata-se apenas de constatar que algum bom senso seria útil a publicações como como ‘Charlie Hebdo’ ou ‘Jyllands-Posten’ da Dinamarca, que se propõem a ser um instrumento da liberdade quando provocam os muçulmanos, mas que estão, na verdade, sendo apenas estúpidos”.

Barber é um vagabundo moral, um delinquente, e essa delinquência se estende, lamento, ao comando do “Financial Times”, que permitiu que tal barbaridade fosse publicada. Alguém poderia perguntar neste ponto: “Mas onde fica, Reinaldo, o seu compromisso com a liberdade de expressão se acha que o texto de Barber deveria ser banido do FT?”. Respondo: a nossa tradição, que fez o melhor do que somos, não culpa as vítimas, meus caros. Barber usa a liberdade de expressão para atacar os fundamentos da… liberdade de expressão.

Todas as religiões podem ser praticadas livremente nas democracias ocidentais porque todas podem ser igualmente criticadas, inclusive pelos estúpidos. Mas como explicar isso a um estúpido como Barber, um terrorista que já está entre nós?


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Blog do Josias

Aécio chama de farsa denúncia contra Anastasia

Presidente do PSDB federal, Aécio Neves classificou de “farsa” a acusação de que seu amigo Antonio Anastasia, senador eleito e ex-governador de Minas Gerais, recebeu R$ 1 milhão proveniente do propinoduto da Petrobras. “Se o objetivo dessa farsa é intimidar e constranger a oposição, informamos que o efeito será justamente o contrário”, escreveu Aécio em nota divulgada na tarde desta quinta-feira (8).

Ele acrescentou: “O PSDB redobrará os esforços no sentido de continuar exigindo uma profunda e isenta investigação, que tenha como compromisso único revelar à população a verdade e os responsáveis pelo maior escândalo de corrupção na história do país, ocorrido ao longo dos últimos doze anos durante a administração do PT na Petrobras.”

O tom adotado por Aécio em defesa de Anastasia é muito diferente daquele que o senador havia utilizado ao lidar com o caso do ex-deputado Sérgio Guerra, primeiro tucano a ser mencionado na Operação Lava Jato. Num depoimento de outubro passado, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, hoje um delator premiado, citou Guerra, morto sete meses antes, vítima de um câncer no pulmão.

Paulo Roberto disse que, em 2010, providenciara o repasse de R$ 10 milhões a Sérgio Guerra, então senador e presidente do PSDB, para que ele ajudasse a sepultar uma CPI que varejava a Petrobras no Congresso desde 2009. Abalroado pela notícia em plena campanha presidencial, Aécio também mandou soltar uma nota. “O PSDB defende que todas as denúncias sejam investigadas com o mesmo rigor, independente da filiação partidária dos envolvidos e dos cargos que ocupam”, escreveu há três meses.

No caso de Anastasia, a acusação foi feita em depoimento do policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, em novembro. Ele sustentou ter repassado, também em 2010, R$ 1 milhão a Anastasia, na época candidato à reeleição ao governo mineiro. Na sua versão, a entrega foi determinada pelo doleiro Alberto Youssef e teria ocorrido numa casa, em Belo Horizonte. A diferença está na cifra e na reação. Agora, o tucanato faz uma incisiva defesa de Anastasia. Algo que se abstivera de faze rem relação a Guerra, o correligionário morto.

“O PSDB refuta com absoluta veemência a suposta afirmação feita por um dos policiais presos na Operação Lava Jato, envolvendo o nome do senador eleito e ex-governador de Minas Gerais Antonio Anastasia”, diz o texto divulgado por Aécio. “A falsa e covarde acusação não se sustenta em pé, seja pelo caráter e honestidade pessoal do senador, reconhecidos até mesmo por seus adversários políticos, seja pela falta de nexo na história apresentada: Um nome de clara oposição ao governo federal sendo financiado por uma organização criminosa, formada por pessoas e diretores ligados à gestão do PT na Petrobras.”

Aécio pergunta: “Alguém acredita que um governador de Estado se reuniria pessoalmente numa garagem com um emissário desconhecido para receber dinheiro?” Também poderia ter indagado há três meses, quando Sérgio Guerra foi pendurado nas manchetes de ponta-cabeça: alguém acredita que o presidente do principal partido da oposição pediria a um diretor da Petrobras propina de R$ 10 milhões para conspirar contra uma CPI? Preferiu defender a investigação da denúncia, não o alvo.

“O senador Anastasia já constituiu advogado que solicitará o aprofundamento das investigações, com a certeza de que elas mostrarão o absurdo dessas supostas afirmações”, afirma Aécio sobre a nova acusação. “Não permitiremos que biografias honradas, como a do senador eleito de Minas Gerais, se confundam com a daqueles que vêm assaltando os cofres públicos no país.”

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Se existir inteligência em RR, as ruas roncarão

DivulgaçãoConforme já comentado aqui, a recém-empossada governadora de Roraima, Suely Campos (PP), enfiou dentro da folha do Estado 19 parentes e agregados. Repare na lista. Madame modernizou o provérbio: Mateus, primeiro, segundo e terceiro os teus. O Ministério Público recomendou que a parentela de Suely seja enviada ao olho da rua “imediatamente”.

Pois bem. A governadora mandou divulgar uma nota que adiciona uma pitada de inacreditável naquilo que era apenas inadmissível. No texto, madame admite ter pendurado sua árvore genealógica no bolso do contribuinte. Mas classifica de “precipitada” a recomendação de afastamento feita pelos promotores. Pior: Suely tenta justificar o nepotismo com a tese segundo a qual sempre foi assim.

Se você tem um estômago forte, leia esse trecho da pseudo-justificativa: “O governo de Roraima espera tratamento isento e igualitário dos órgãos de fiscalização do poder público, considerando que é uma prática comum na história de Roraima a nomeação de pessoas próximas aos gestores para ocupar importantes secretarias, tanto na esfera estadual como municipal.''

Madame não deixa alternativas. A partir de agora, só pode haver dois tipos de pessoas em Roraima: ou o sujeito apoia a governadora ou é inteligente. Se houver inteligência naquele pobre pedaço do mapa brasileiro, as ruas e praças se encherão.

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Governo Dilma sofre a crise da falta de imagem

Ao longo do primeiro mandato, Dilma Rousseff consolidou-se como uma caricatura da gerente eficiente que Lula disse que ela seria. Neste início do segundo quadriênio, a ex-gerente tornou-se uma alegoria de si mesma. Ela representa simbolicamente o oposto do que gostaria de ser. Do ponto de vista econômico, a gestão atual é a volta à ortodoxia. E do ponto de vista político, é o igual tentando se disfarçar de novo.

Tanta ambiguidade resultou num governo sem imagem, incapaz de transmitir uma simbologia ou qualquer coisa que se pareça com uma marca. Dilma não consegue manejar um conjunto de signos que, associados a impulsos externos, produzam uma nova forma de otimismo. Em vez disso, ela cultiva a grandeza da vista curta. Sem agenda para o futuro próximo, administra a República como quem toca uma casa na qual sobra mês no fim do orçamento.

Hoje, a estratégia de Dilma é a seguinte: engolir todos os sapos que conseguir até que o purgante receitado pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda) surta os seus efeitos. Liberadas as toxinas da economia, o governo poderia —talvez, quem sabe, com alguma sorte— se beneficiar de uma retomada do crescimento na reta final, alí por fins de 2017, início de 2018.

A imagem do governo —ou a falta dela— é um problema que tente a se agravar. Tudo conspira para que o ruim fique pior. O governo começou por baixo. Normalmente, os presidentes abrem seus mandatos botando banca. Vão deslizando para a vala comum do fisiologismo aos pouquinhos. Com Dilma 2.0, não é o governo que tem uma base de apoio no Congresso. É a base de apoio que tem o governo. E cuida de enfiar nele alguns dos seus políticos mais viscosos.

De resto, além de cortes, as mãos de tesoura de Levy fabricam impopularidade. Que tende a se potencializar à medida que o procurador-geral Rodrigo Janot for enviando ao STF as denúncias e os pedidos de abertura de inquérito contra o pedaço do conglomerado governista que, estalando de pureza moral, invadiu os cofres da Petrobras. Logo, logo os índices do Datafolha parecerão chibatas para Dilma.

Nem sempre é possível identificar a marca de um presidente no instante em que ele governa. Esse é um tipo de reconhecimento que costuma vir a posteriori, quando a história pode se pronunciar livre das vendas da conjuntura. Assim é que já se pode dizer que o fim da superinflação e o começo da estabilização da economia estão grudados em FHC como uma segunda pele. Do mesmo modo que o progresso social dos pobres enganchou-se na biografia de Lula.

Quanto a Dilma, sua notória dificuldade de combinar o ideal e a prática faz com que as pessoas olhem para ela e não enxerguem nada além de um borrão que as contingências insistem em passar a sujo.

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Armas!



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Governo Dilma morre de medo de uma nova CPI da Petrobras. Por que? Ora por que...
Ricardo Noblat

Como a presidente Dilma Rousseff pode se dizer interessada na descoberta da verdade sobre a roubalheira na Petrobras e ao mesmo tempo ser contra a instalação de uma CPI destinada a passar a roubalheira a limpo?

Quantas vezes ela não se disse favorável a que não fique “pedra sobre pedra” desde que a verdade venha à luz? Quantas vezes não disse que isso deverá acontecer “doa em quem doer”?

E, no entanto... No entanto... Ah, se o cinismo matasse!

Pepe Vargas, ministro da Secretaria de Relações Institucionais, uma versão atualizada de Pepe Legal, personagem de desenho animado, convocou, ontem, a imprensa para afirmar que uma nova CPI da Petrobras é perfeitamente dispensável.

- Um país que tem o Ministério Público, a Controladoria Geral da República e a Polícia Federal atuando de forma mais eficiente não precisa de CPI.

O que desatou a reação de Pepe foi uma declaração de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), candidato a presidente da Câmara dos Deputados, favorável a que seus colegas de partido assinem o pedido de abertura de uma nova CPI da Petrobras.

As duas CPIs anteriores não deram em nada graças ao empenho bem sucedido do governo em esvaziá-las.

Há poucos dias, Cunha foi citado como suposto beneficiário do esquema de propina da Petrobras. Foi por isso que propôs a criação de uma nova CPI.

Cunha está convencido de que o governo é culpado pela citação do seu nome. E que procedeu assim para prejudicar sua eventual eleição para presidente da Câmara. Como quem não deve não teme...

Pepe Vargas apressou-se em dizer que a eleição do presidente da Câmara é assunto privativo dos deputados. E que o governo não se envolverá com ela.

Quanto à terceira CPI da Petrobras... O governo não quer nem ouvir falar nela. Por que? Ora por que...

A propósito: CPI não seria também assunto de deputados e senadores?


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Blog do Merval

Violência x liberdade

A tragédia que se abateu sobre o jornalismo mundial é, sobretudo, a tentativa de sobrepor a violência à liberdade de expressão, um dos pilares do estado democrático. Mas é também a expressão mais brutal do desentendimento de sociedades que marca nosso mundo contemporâneo.

Teve a mão globalizada da Al- Qaeda a puxar o gatilho das kalashnikov contra jornalistas satíricos franceses, mas obedece ao mesmo conceito bárbaro que leva um político do interior brasileiro a assassinar jornalistas que expõem suas mazelas, ou simplesmente os expõem ao ridículo, como tantas vezes aconteceu nos últimos anos, crescentemente.

O elemento religioso que serviu de pretexto para a ação dos terroristas na redação do Charlie Hebdo é outro ingrediente de uma tragédia contemporânea, em que o desentendimento entre as civilizações está prevalecendo em lugar da tentativa de compreensão mútua.

Os direitos humanos como valores universais custam a se impor em sociedades que ainda lutam por liberdades individuais, e até agora apenas a Tunísia vem se saindo bem do movimento que se chamou Primavera Árabe e hoje não consegue ser um contraponto ao extremismo terrorista, que tem no Estado Islâmico sua imagem mais exemplar.

O filósofo francês François L´Yvonnet, secretário executivo da Academia da Latinidade, acompanha de perto a tentativa de aproximação das culturas, tarefa primordial da Academia, e tem também uma visão das questões francesas que estão em jogo nesta tragédia. Ele classifica o ataque ao Charli Hebdo de “um acontecimento inominável, um atentado particularmente inqualificável à liberdade de expressão”.

Mas há outras razões, particulares da França, para serem analisadas, diz L´Yvonnet. Para ele, a violência que se imiscui na sociedade francesa está presente na escola, nas ruas, em certas comunidades (judaicas e muçulmanas em particular). É esta violência, com alguns grupos particularmente radicalizados, que se expressa hoje (ontem).

Para L´Yvonnet, a França, por seu passado colonial, e pela importância de sua comunidade árabe-muçulmana, a França está exposta à frente da crise que abala o sul do Mediterrâneo, “crise vivida muito intensamente e quase em tempo real pelos subúrbios de nossas grandes cidades”. A integração republicana dessa comunidade é um desafio global, analisa, rassaltando as questões sociais que estão em disputa: exclusão, desemprego, evasão escolar, violência, zona de não-direitos.

“O que nós oferecemos às crianças dos subúrbios? Quais suas perspectivas?” É preciso ser lúcido, diz L ´Yvonnet, “Numerosos entre eles não têm outra perspectiva de sucesso social que a droga ou os assaltos a mão armada. Outra perspectiva de sucesso individual é a adesão largamente fantasiada ao Islã político”.

Como professor, François L Ývonnet diz que mede a mudança de atitudes de certos estudantes muçulmanos, “que não têm mais o perfil baixo, mas reivindicam fortemente o seu pertencimento a um Islã orgulhoso de si, feito de solidariedades transnacionais”.

Ele alerta que “o amálgama será feito certamente entre uma pequena minoria de radicais e o conjunto da comunidade, composta de vários milhões de indivíduos. O amálgama clássico. Não há nada de surpreendente”. Mas admite que “encontra um terreno propício numa França formando a imagem detestável da religião muçulmana pela ignorância sobre a cultura árabe-muçulmana e o desprezo que é dado aos árabes”.

Para François L´Yvonnet, a França não está sendo confrontada por um inimigo externo. “Está sendo confrontada por ela mesma, suas contradições, seus temores políticos, seus maus hábitos pós coloniais”.

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O projeto de Kassab

          O ministro Gilberto Kassab vai usar o poder do Ministério das Cidades para fazer do PSD o 3º partido da Câmara. O primeiro passo será criar o PL, pescando deputados nas bancadas de PSDB e PSB. O segundo será incorporar a nova sigla a seu PSD. A avaliação de seu grupo é que nem todos os tucanos apostam no discurso radical contra o governo. E que os socialistas não têm mais quem seja capaz de garantir sua unidade.

O objetivo é ter mais tempo na TV
O time de Kassab também vai caçar deputados de outros partidos, como o DEM e o maior aliado dos petistas. Mas a avaliação dominante é que qualquer investida no PMDB só terá êxito se o partido perder a eleição para presidir a Câmara. O ministro já andou negociando com cerca de 20 deputados e planeja, em maio, pedir o registro do seu PL ao TSE. A expectativa é que no mínimo 18 deputados ingressem no PL. Assim, quando o PSD incorporá-lo, passará a ter uma bancada de 55 deputados. Isso garante à sigla a musculatura para ter o terceiro maior tempo de propaganda na TV. O que, segundo se avalia, tem peso de 80% na eleição municipal que será disputada em 2016.

“Há muitos deputados que vivem em conflito interno no seu próprio partido. E queremos e vamos atrair os que querem distância do PT”

Saulo Queiroz
Secretário-geral do PSD, sobre a criação e incorporação do PL

As coisas como elas são
A oposição está açoitando a presidente Dilma, o PT e o governo com a Operação Lava-Jato. Agora, os petistas entraram nessa. Resolveram usar o mesmo chicote para minar o líder do PMDB, Eduardo Cunha, candidato a presidir a Câmara.

Retrato definitivo
Os rumos da reforma ministerial geraram muitas críticas ao vice Michel Temer, presidente do PMDB. Um aliado, o ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), na foto, minimiza as queixas: “No PMDB, nunca haverá um presidente tranquilo, não foi assim com Ulysses Guimarães. O partido tem convulsão interna permanente. Não existe o Brizola do PMDB”.

Todos querem o seu
Os governistas, e principalmente os petistas, começaram a bater às portas do ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais). Começou a briga pelo terceiro escalão, cargos importantes para a futura reeleição e as eleições municipais.

Na sala de espera
O governador Pezão olha para o prefeito Paes e diz: “Esse aqui (o secretário Felipe Peixoto) vai ser seu vice quando você concorrer ao governo do Rio”. Paes fez cara de surpreso e Pezão emendou: “O Cabral fez do jeito dele. Vai ter que fazer do meu jeito se quiser ser governador”. Paes retrucou: “Então tá, eu faço”. Muitos risos.

Acertando os ponteiros
O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e os governadores Alckmin (SP), Pimentel (MG), Pezão (RJ) e Hartung (ES) não têm a mesma visão sobre a perda de poderes dos estados sobre as polícias Civil e Militar, e na Segurança Pública.

Pesos e medidas
Com pompa, o governo Dilma tem anunciado corte de gastos no custeio da máquina pública. O relator do Orçamento, o senador Romero Jucá (PMDB), diz que “não são grandes valores”, mas que são um “exemplo para dentro de casa”.

Petistas em festa. O ministro Cid Gomes (Educação) está mantendo o ex-governador Binho Marques (AC) na articulação com estados e municípios.


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Blog do Noblat

Combate-se o terror com mais liberdade
Ricardo Noblat

O dia 7 de janeiro de 2015 está destinado a entrar para a História de um jeito ou de outro. Para o bem caso tenha ajudado a fortalecer a liberdade como um direito universal e, portanto, inalienável.

Para o mal se tiver servido à restrição da liberdade e de tudo que se entende como tal - o direito à imprensa livre, o direito à livre informação e o direito à expressão sem medo.

O atentado terrorista que matou, ontem, em Paris 12 pessoas, entre elas quatro cartunistas do jornal satírico “Charlie Hebdo”, foi o ataque mais brutal contra a imprensa desde o final da II Guerra Mundial nos anos 40 do século passado.

Foi também um ataque bestial contra a civilização.

Quer tenham agido como “lobos solitários” ou como o longo braço de organizações violentas, os três assassinos que chocaram o mundo só confirmaram o que se sabe pelo menos desde o 11 de Setembro.

Ou seja: que independente de sua orientação política ou religiosa, o terrorismo é inimigo da busca da verdade e da independência de espírito. Com ele não se dialoga. Só resta combatê-lo sem ceder, contudo, ao uso dos seus métodos.

Só existe uma maneira de derrotar os inimigos da liberdade - aumentando as fronteiras da liberdade por toda parte. Limitá-las significaria se render ao mau.

Em 2014, 61 jornalistas foram trucidados em diversos pontos do planeta, alguns deles decapitados. Fora aqueles sequestrados ou feridos em explosões. Não somos heróis por causa disso. Nem mártires. Apenas exercemos o nosso ofício.

Uma vez enterradas as mais recentes vítimas do terror, só nos caberá seguir em frente publicando tudo o que possa interessar às comunidades às quais servimos. E também tudo o que deveria interessar.

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Citação de Anastasia no Petrolão debilita Aécio

A mancha do petrolão avança sobre as biografias do Congresso com a desenvoltura de um vazamento de óleo em alto mar. Acaba de atingir um alvo insuspeitado: o neo-senador tucano Antonio Anastasia, um ex-governador de Minas que deve sua trajetória política a Aécio Neves.

No mesmo depoimento em que encrencou o deputado Eduardo Cunha, candidato do PMDB à presidência da Câmara, o policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, carregador da mala-pagadora do doleiro Alberto Youssef,  suou seu dedo de delator apontando-o para Anastasia. Disse ter repassado ao pupilo de Aécio uma youssefiana de R$ 1 milhão. Coisa de 2010.

Até aqui, o único tucano citado no escândalo era um morto: o ex-deputado Sérgio Guerra, a quem se atribui o recebimento de propina de R$ 10 milhões. Sempre que se refere ao caso, Aécio defende uma apuração completa, sem distinções políticas ou partidárias. A partir de agora, além do morto, esse discurso alcança Anastasia, que nega ter apalpado verba suja.

Na eterna disputa que trava com o tucanato, o petismo terá em Anastasia um milhão de motivos para contragolpear Aécio. O PSDB ainda não se deu conta, mas nesse tipo de briga com o gambá, mesmo ganhando o contendor sai cheirando mal.

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Renan ignora petrolão e se nega a deixar cargo

Pós-graduado em escândalos, Renan Calheiros dá de ombros para o caso do petrolão e se recusa a abrir mão do seu desejo de ser reeleito presidente do Senado para o biênio 2015—2016. A todos que o aconselham a sair da vitrine, Renan responde que as investigações que viram a Petrobras do avesso não revelarão nenhuma prova contra ele.

Curiosamente, a despeito do risco de Renan ser acionado no STF pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, o Planalto hesita em desembarcar do seu projeto. O próprio Renan, em privado, se encarrega de explicar as razões de tanto apego. Segundo diz, o governo Dilma Rousseff está fraco e precisará dele no Congresso.

Diferentemente do que sucede na Câmara, onde três candidatos guerreiam pelo comando –Eduardo Cunha (PMDB), Arlindo Chinaglia (PT) e Júlio Delgado (PSB)—Renan não tem no Senado adversários declarados. Com atraso, o PSDB, principal partido da oposição, só agora ensaia a articulação de uma alternativa.

Sob o comando de Aécio Neves, o tucanato busca um nome dentro do próprio PMDB. Por ter a maior bancada do Senado, a legenda desfruta da primazia regimental de indicar o presidente. Líder dos tucanos, o senador Aloysio Nunes Ferreira cita, reservadamente, um nome que não vinha sendo evocado: Garibaldi Alves Filho. Ele acaba de deixar o posto de ministro da Previdência. Já presidiu o Senado.

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Humor x Mau Humor!



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Enquanto o mundo se mobiliza contra o terror islâmico, jornalistas estatizados pelo governo lulopetista envergonham o Brasil com a reedição do espetáculo do cinismo

O tom burocrático da nota divulgada pela presidente Dilma Rousseff reafirma que o governo brasileiro não enxerga ─ ou não quer enxergar, o que dá no mesmo ─ as dimensões perturbadoras do ataque sofrido pelo semanário satírico francês Charlie Hebdo. Foi a mais chocante operação terrorista registrada no planeta desde 11 de setembro de 20o1, quando aviões pilotados por discípulos de Osama bin Laden derrubaram as Torres Gêmeas em Nova York. Foi a mais insolente ação do gênero ocorrida na França depois da Segunda Guerra Mundial. Foi o mais selvagem desafio à liberdade de expressão e outros valores democráticos que alicerçam a civilização ocidental protagonizado por fanáticos adoradores de Maomé.

Enquanto a onda de indignação nascida na Paris ensanguentada pela milícia islâmica se espalhava pelo mundo, entidades que deveriam defender o jornalismo e a preservação de direitos sem os quais tal profissão é só mais uma fraude voltaram a envergonhar o Brasil com a reedição do espetáculo do cinismo. Alguns sindicatos optaram pelo silêncio, como se o som das rajadas de balas numa redação em Paris fosse uma retomada extemporânea do foguetório que saudou a virada do ano. Outros prolongaram os lamentos pela presença entre os mortos de cartunistas famosos, como Wolinski (foto acima), para fingir que não se assombraram com o atrevimento dos matadores por falta de espaço. Dois ou três comunicados até ousaram  enxergar um atentado ao direito de expressâo, mas trataram os liberticidas patológicos com a brandura recomendada a companheiros de luta contra o imperialismo ianque.

Na visão caolha do governo e dos seus sabujos fantasiados de dirigentes sindicais ou blogueiros progressistas, qualquer país, partido ou bando que se oponha aos Estados Unidos merece o tratamento de amigo de infância. Foi assim com os aiatolás atômicos, com o doido de pedra Muammar Khadaff, louvado por Lula como “irmão e líder” enquanto arrrastava a Líbia de volta ao tempo das cavernas. É assim com genocidas africanos, com tiranetes cucarachas e até com o Estado Islâmico, um viveiro de degoladores que Dilma Rousseff acha possível regenerar com meia dúzia de diálogos amáveis e muito carinho. É natural que seja assim com os psicopatas a serviço do Islã.

No universo dos países democráticos, os jornalistas brasileiros a serviço do lulopetismo são os únicos que lutam pelo fim da liberdade de imprensa e pela implantação da censura, sempre encoberta por codinomes bisonhos como “controle social da mídia”, “regulação dos meios de comunicação” ou  “democratização da mídia”. Seja qual for o disfarce, o que esses incapazes capazes de tudo pretendem conseguir é algum instrumento que ajude a materializar o sonho do poder perpétuo e absoluto, que exige a eliminação de jornalistas para quem a verdade e a independência estão infinitamente acima de velharias ideológicas ou religiosas.

Para obter o mesmo resultado que o PT persegue cavalgando a censura com codinome, os soldados de Maomé usaram armas de fogo. Tudo somado, a diferença entre a companheirada e os matadores de cartunistas é que os celebrantes de missa negra não aceitam ser recompensados depois da chegada ao paraíso com a posse de uma das 11 mil virgens. Os devotos de Lula preferem receber o pagamento neste mundo e o quanto antes. De preferência, em dinheiro vivo.


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Blog do Noblat

A senha: ‘SG9W’
José Casado

Parece formigueiro quando se observa da janela, no alto da torre desenhada como plataforma de petróleo. A massa serpenteia, quase atropelando vendedores de ilusões lotéricas, espertos do carteado e ambulantes de afrodisíacos à volta dos prédios. Na paisagem se destaca um paletó preto surrado. Bíblia na mão direita e “caixa-para-doações” na esquerda, ele bacoreja: “Irmãos, o apocalipse está chegando!”

Naquela quinta-feira, 7 de abril de 2011, seu palpite ecoava numa cidade perplexa com a carnificina de 12 estudantes em insano ataque numa escola de Realengo, na Zona Norte.

No alto da torre, porém, o mundo era outro. Emoções oscilavam entre a euforia das renovadas promessas de óleo farto sob a camada do pré-sal e a depressão com o rombo de caixa bilionário provocado pelo “congelamento” do preço da gasolina. Recém-chegada à Presidência, Dilma Rousseff culpava suspeitos de sempre, os anônimos “inimigos externos”.

No alto da torre, de porta fechada e solitário na sala refrigerada, ele apertou quatro teclas no computador: “SG9W”. Foi como abrir um cofre: deu-se o acesso a valiosos papéis da Petrobras.

Procurou um documento específico (“E&P-PRESAL 21/2011”). Era novo e dos mais sigilosos da empresa naqueles dias. “Confidencial”, advertia a etiqueta na capa. Concluído três semanas antes, consolidava o “Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Polo Pré-Sal da Bacia de Santos”. Descrevia, em detalhes, a estratégia tecnológica e financeira da estatal para exploração de “uma nova fronteira petrolífera com elevado índice de sucesso exploratório, contendo grandes acumulações de petróleo de boa qualidade para a geração de derivados”.

O relatório com dois anexos foi copiado às 15:40:34. No dia seguinte, começou a ser analisado por um grupo de especialistas em Amsterdã. Na segunda-feira, 18 de abril, 11 dias depois, quando a diretoria da Petrobras se reuniu na sede da Avenida Chile, no Centro, para aprovar o secreto plano para o pré-sal, cópias já circulavam em Londres, Mônaco e na holandesa Schiedam, onde está instalada a SBM, fornecedora de quase um terço dos navios, sondas e plataformas alugados pela estatal brasileira. Nos meses seguintes, vieram outros três documentos sigilosos.

Nessa operação de espionagem vazaram alguns dos maiores segredos da Petrobras no governo Dilma Rousseff. Por trás, não havia nenhum serviço de informações estrangeiro, o “inimigo externo”, embora naquele abril de 2011 a americana Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) estivesse trabalhando com idêntico objetivo.

Foi uma ação de brasileiros. A senha usada para copiar era exclusiva — de uso pessoal — de Jorge Luiz Zelada, que há três anos ocupava a Diretoria Internacional da Petrobras por indicação do deputado federal Fernando Diniz (PMDB-MG), com a chancela amiga do governo Lula. A remessa ao exterior foi realizada por Julio Faerman, agente da holandesa SBM no Rio e responsável pela distribuição de US$ 102,2 milhões em propinas a “funcionários do governo brasileiro”, como confessou a SBM à Justiça da Holanda e à dos EUA.

Há pelo menos oito meses o governo e o comando da estatal sabem das ações de Zelada e Faerman, entre outros. Dilma Rousseff, no entanto, continua na praça pregando contra anônimos “inimigos externos” da Petrobras.

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Queda de braço

Curiosamente, a presidente Dilma Rousseff começa seu segundo mandato provocando as mesmas incertezas que desafiavam seus interlocutores durante a campanha presidencial de 2010, muito embora não haja motivos para se acreditar que ela tenha mudado.

Se naquela época havia o exemplo da sua postura controladora e invasiva como Chefe do Gabinete Civil, mas não uma certeza de como agiria se chegasse ao Palácio do Planalto, hoje há toda uma história de intervenções e decisões autoritárias que já não permitem imaginar que a Dilma reeleita não será a mesma dos últimos anos.

Mas, assim como em 2010 ela aceitou ter como seu Chefe do Gabinete Civil o ex-ministro Antonio Palocci, com quem se desentendera no governo Lula, hoje ela aceitou convocar para o ministério da Fazenda o economista ortodoxo e fiscalista Joaquim Levy, que sinaliza uma gestão totalmente distinta daquela do ex-ministro Guido Mantega, que esses anos todos aceitou ser uma espécie de laranja da presidente, que era quem realmente definia as diretrizes do governo.

O episódio em que desautorizou o seu novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que revelara a jornalistas que o governo enviaria ao Congresso uma nova regra para a fixação do salário mínimo, mostra, no entanto, que ela não está disposta a ceder um milímetro do que considera ser sua autoridade, mesmo que com isso possa colocar por terra todo esforço para recuperar a credibilidade da economia.

Palocci, enquanto foi coordenador da campanha de Dilma em 2010 e depois, ao ocupar o Gabinete Civil, era o fiador do compromisso de Dilma com o tripé que sustentava a política econômica desde o segundo governo de Fernando Henrique: câmbio flutuante, equilíbrio fiscal (superávit primário) e metas de inflação, com um Banco Central operacionalmente independente. Dilma, que havia se colocado como o "contraponto" a Palocci quando este estava no Ministério da Fazenda e ela, no Gabinete Civil, parecia ter mudado de opinião.

A famosa discussão entre os dois — quando Dilma, em uma entrevista ao "Estadão" em 2005, classificou de "rudimentar" a proposta que ele e o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, faziam de limitar a longo prazo o crescimento do gasto público ao crescimento do PIB — marcou-a como defensora da gastança governamental: "Despesa corrente é vida", disse Dilma na ocasião. Hoje, esta mesma proposta voltou à tona com a nova equipe econômica, e deve orientar a nova estratégia.

Bastou, no entanto, que Palocci saísse do governo para que surgisse com toda força a presidente Dilma que não levava em conta a necessidade de conter os gastos públicos, com os resultados que todos conhecemos: economia estagnada, inflação no teto da meta, déficits generalizados nas contas públicas.

Mais uma vez agora Dilma teve que recorrer aos métodos tradicionais para inspirar confiança nos mercados, e chamou para seu principal assessor um economista ortodoxo, e o que se perguntava a boca pequena era qual seria o grau de autonomia da equipe econômica.

O ministro Barbosa, é evidente, falou além do que devia e demonstrou não ter sensibilidade política para saber onde, como e quando dar declarações delicadas num momento sensível da vida nacional. Mas a presidente Dilma poderia ter superado esse mal entendido sem provocar uma desconfiança de que os novos ministros não terão espaço próprio para fazer o que se propõem, cortar custos e equilibrar as contas públicas.

Até parece que a presidente Dilma aproveitou esse episódio para delimitar o campo de ação dos novos ministros. O mundo financeiro pelo menos teme isso, e as conseqüências não são nada boas. Tudo indica que vamos assistir a uma queda de braço esquizofrênica entre a presidente e seus ministros da área econômica. Até quando?

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Fato ou factoide

          O corte de gastos e o ajuste fiscal deram o tom nas posses de Dilma, Alckmin (SP), Pimentel (MG) e Pezão (RJ). Os intérpretes do mercado entoaram cantos de responsabilidade (de uns) e de autocrítica (de outros). Mas o clima é de ceticismo entre cientistas políticos. Para eles, não há nada de novo sob o sol. Um deles resumiu: “É o ciclo típico de segurar no início e gastar no final” (na próxima eleição).

A lei impede o arrocho
Os governadores, de alguns estados, e as diversas Associações de prefeitos, navegando no clima de cortes e ajuste fiscal, querem conceder reajuste salarial para os professores inferior ao previsto em lei. As entidades dos professores não querem saber de conversa e advogam o cumprimento da legislação. A partir de hoje, a negociação passará pelas mãos do novo ministro da Educação, Cid Gomes. É sua intenção conversar com todos os setores, mas seu ponto de partida é de que há uma margem de manobra muito estreita. Ele reconhece que “aplicar a lei é pesado para os gestores municipais e estaduais”, mas diz: “Não há como não atender aos professores”.

“O Gilberto (Carvalho) mandou um recado para a turma do PT. Ele demonstrou que ninguém tinha coragem de defender o partido. E disse: ‘eu tenho’ ”

Ministro do governo Dilma
Sobre o desabafo, ao deixar o cargo, do ex-secretário-geral da Presidência Gilberto Carvalho

Passando o pires
Os ministros recém-empossados do PMDB têm procurado o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Num ambiente de ajuste de gastos, pedem a Jucá que, como relator do Orçamento, não deixe que sejam feitos cortes muito grandes em suas pastas.

A caneta na mão
Auxiliares da presidente Dilma apostam que, como o ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais) é de sua extrema confiança, ele terá mais autonomia do que seus antecessores. Assim seriam aplacadas críticas de que ele não é o melhor nome para o cargo. “Quando o virem resolvendo os problemas, essas críticas cessam”, diz um auxiliar palaciano.

Ele negocia, e Dilma bate o martelo
Como na montagem do Ministério, o ministro Aloizio Mercadante continua sendo o responsável por articular com os partidos aliados suas posições no governo. É ele quem está negociando com as legendas os cargos no segundo escalão.

O discurso e a prática
Os dirigentes de todos os partidos aliados estão afirmando que vão montar seus ministérios com porteira fechada. Se houve ou se não houve, este compromisso da presidente Dilma, ninguém pode afirmar. Somente depois da montagem do time se saberá. Esta prática não é habitual.

E a chiadeira nem começou
Os delegados da PF não gostaram de dois vetos da presidente Dilma na LDO. A tesoura cortou recursos para a construção, reforma ou locação de imóveis funcionais para policiais da fronteira. E também negou o auxílio-moradia a eles.

Costurando dos dois lados
O candidato da oposição à presidência da Câmara, Júlio Delgado (PSB-MG), anda conversando com os candidatos Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Arlindo Chinaglia (PT). Os dois lados dizem que o socialista já está no papo.

A posse do ministro Juca Ferreira (Cultura) será na segunda-feira, dia 12. Nesta semana, ele faz a transição na prefeitura de São Paulo.


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Blog do Noblat

O desafio de Dilma será o de se reinventar
Ricardo Noblat

Este blog se solidariza com a presidente Dilma Rousseff.  É de fato indigesto o tamanho do sapo que ela está sendo obrigada a engolir com a escalação dos novos responsáveis pela política econômica do seu segundo governo.

Nomear Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda não foi moleza. Significou uma mudança radical na orientação da política econômica. Saiu de cena a gastança irresponsável. Entrou a ortodoxia no manejo das contas públicas.

Levy trabalhou com Antonio Palocci, ministro da Fazenda do primeiro governo Lula e da Casa Civil do primeiro governo Dilma. Palocci e Dilma nunca se bicaram. Tão logo pôde, Dilma livrou-se dele.

Pois Levy escolheu para os principais cargos de sua equipe nomes que trabalharam diretamente com Palocci - três dos seis anunciados ontem. Um deles havia sido demitido por Guido Mântega, que antecedeu Levy no cargo.

Espera-se que Dilma se reinvente descentralizando o poder, rendendo-se a uma política econômica que pouco tem a ver com o que ela pensa, e gastando mais seu tempo em conversas com políticos do que com leitura de relatórios.

Isso será possível? A conferir. Eu duvido.

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Fuga final injetou vexame no fiasco de Mantega

Eliminado do espetáculo por Dilma Rousseff em plena campanha eleitoral, Guido Mantega permaneceu na Fazenda. Reeleita, a presidente escolheu um ator-substituto. E Mantega, o longevo, aceitou o papel de figurante temporário. Tudo muito constrangedor. Mas o número mais vexaminoso desse roteiro marcado pelo fiasco foi a passagem de bastão que Mantega ia executar no momento em que fugiu.

Dias antes do epílogo, Mantega já havia protagonizado uma fuga. Mas fugira apenas da realidade, ao divulgar o documento no qual sustentou que a fábula segundo a qual a economia brasileira nunca esteve tão sólida. Não se imaginou que a falta de presença de espírito para ouvir Joaquim Levy discursar sobre os inevitáveis ajustes resultaria na ausência de corpo de Mantega. Se fosse um filme, o título seria: 'Matou o PIB e saiu em férias'.

Mantega conseguiu superar-se. Permaneceu no cargo além do razoável. E saiu em férias antes do recomendável. Injetou vexame no seu fiasco. Pena. Alguém já disse que dignidade é feito virgindade. Perdeu, tá perdida. Não dá segunda safra.

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Renan é predador interno ou inimigo externo?!?

“Temos muitos motivos para preservar e defender a Petrobras de predadores internos e de seus inimigos externos”, discursou Dilma Roussef na cerimônia de posse. Com essa declaração, a presidente ficou devendo uma resposta à plateia: em que categoria enquadra-se o senador Renan Calheiros?

Nesta segunda-feira (5), o ex-senador cearense Sérgio Machado prorrogou pela segunda vez a licença que o mantém supostamente afastado da presidência da Transpetro desde 4 de novembro de 2014. Indicado por Renan, o personagem foi acusado de corrupção pelo petrodelator Paulo Roberto Costa.

A acusação veio à luz em 8 de outubro, num depoimento de Paulo Roberto ao juiz da Lava Jato, Sérgio Moro. Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, o denunciante disse ter recebido do afilhado de Renan propina de R$ 500 mil —coisa proveninete de uma encomenda de embarcações feita por sua diretoria e licitada pela Transpetro.

Sérgio Machado negou, Renan avalizou e Dilma ignorou. O diabo é que a Price, empresa que audita os balanços da Petrobras, não quis fechar os olhos. Condicionou a análise da escrituração do terceiro trimestre ao afastamento do denunciado. Discute daqui, negocia dali chegou-se à formula da licença. Valeria por um mês. Vencida, foi prorrogada por mais um mês.

Expirou novamente no último sábado (3). E voltou a ser renovada, dessa vez por mais 16 dias, até 21 de janeiro. Por quê? Decerto Dilma deseja manter Machado por perto, para cumprir a promessa renovada no discurso da segunda posse de “apurar com rigor tudo de errado que foi feito” na Petrobras, para “fortalecê-la cada vez mais.”

Por ora, sem balanço e imersa numa megajazida de suspeição, a maior estatal brasileira definha indefesa. Enquanto Sérgio Machado prospectava um espichamento de sua inusitada permanência, as ações da companhia desabavam, atingindo sua menor cotação desde 2004.

Nomeado em 2003, sob Lula, Machado parece ter obtido estabilidade no emprego. De licença em licença, completou 12 anos no emprego. E ainda se enfiou no segundo quadriênio de Dilma. Já pode se jactar de ter o mesmo tempo de casa da gerentona. Além da acusação do delator Paulo Roberto, pesa-lhe sobre os ombros uma denúncia por improbidade feita pelo Ministério Público Federal, ainda pendente de deliberação judicial.

Retorne-se, por inevitável, à interrogação que flutua sobre o penteado da presidente: que qualificação deve ser atribuída a Renan e seu afilhado na Petrobras? Ou Dilma encontra uma resposta ou logo o espelho a inquirirá: “afinal, a madame se enxerga como? É predadora interna ou inimiga externa?”

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OAS dá calote de R$ 100 mi e fica inadimplente

Encrencada na Operação Lava Jato, a OAS tornou-se oficialmente uma empresa inadimplente. Atingiu essa condição depois que se negou a quitar uma dívida de R$ 100 milhões. Refere-se a debêntures, que são títulos emitidos pela própria companhia para captar dinheiro no mercado e que dão aos seus detentores o direito a um crédito.

Em notícia veiculada nesta terça-feira (6), os repórteres Vinícius Pinheiro e Talita Moreira informam que o papelório da OAS venceria apenas em abril de 2016. Porém, no ato da emissão, a empreiteira permitira a cobrança antecipada caso sua nota nas agências de avaliação de risco caísse abaixo de ‘BBB+’. Algo que aconteceu em novembro do ano passado. Os repórteres Raquel Landim e David Friedlander também tratam da encrenca financeira da OAS.

A avaliação de risco da OAS micou um pouco mais na última sexta-feira. A agência Fitch rebaixou a nota da construtora para ‘C’, uma das mais baixas. Outras duas agências, a Standard & Poors e a Moody’s, também podaram a nota da OAS, rebaixando-a para ‘CC’ e ‘C’, respectivamente. Mais um pouco e a OAS atinge o nível do calote.

Em nota, a OAS informou que suspendeu temporariamente os pagamentos das dívidas, exceto aquelas ligadas às suas atividades operacionais. Mantiveram-se em dia, por ora, os pagamentos de “financiamentos de equipamentos, leasings, fianças bancárias e seguros-garantia relacionados a obras.” De resto, a empreiteira corta despesas, elabora um plano de venda de ativos e sinaliza ao mercado a intenção de negociar.

O que está ruim pode se tornar bem pior se o calote na dívida das debêntures despertar nos demais credores da OAS o desejo de antecipar a cobrança. Numa conta feita pela agência Fitch, a dívida total da OAS somava R$ 7,7 bilhões há três meses. E havia em caixa R$ 1,4 bilhão. Num cenário assim, a escassez de crédito é sinônimo de falta de oxigênio.

Outras construtoras pilhadas pagando propinas na Petrobras dobram os joelhos, informa a repórter Karla Mendes. Atrasam o pagamentos de fornecedores e dos funcionários. Começaram a demitir.

Uma delas, a Engevix, já foi inclusive alvejada por um pedido de falência na Vara Cívil de Barueri, cidade paulista onde está sediada. Deve-se a iniciativa a uma empresa chamada Locar Transportes Técnicos e Guindastes Ltda., que cobra uma dívida de R$ 895 mil. Em nota, a Engevix reconheceu que atravessa “um momento difícil” e analisa a venda de ativos.

A UTC e a Mendes Junior também enfrentam problemas para liquidar a folha de pagamento. Por isso, demitem. A UTC reconheceu que, “diante das perspectivas de redução da atividade econômica para este ano”, decidiu “readequar seu quadro de funcionários”. A Mendes Júnior preferiu não se manifestar.

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Gato na tuba!




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Blog do Noblat

A velha Dilma de sempre
Ricardo Noblat

Ninguém em Brasília, por mais próximo que fosse de Dilma, acertaria um bolão que perguntasse assim: “No segundo governo, quanto tempo a presidenta levará para desautorizar publicamente um dos seus auxiliares?”

O mais esperto dos apostadores talvez cravasse “uma semana”. E logo seria apontado como desafeto de Dilma.

Resposta certa: menos de um dia. A vítima: Nelson Barbosa, ministro do Planejamento.

No meio da tarde da última sexta-feira, uma vez empossado, Barbosa se viu no centro de uma roda de jornalistas carentes de informações sobre o ajuste fiscal que vem por aí.

Quem circula com passe livre pelo Palácio do Planalto informa que o ajuste será mais duro do que o imaginado aqui fora. Crivado de perguntas, o ministro resolveu saciar a curiosidade dos jornalistas.

E disse que o governo irá propor ao Congresso uma nova regra para o reajuste do salário mínimo a partir de 2016. A regra atual, criada em 2008, cairá em desuso até dezembro.

Barbosa teve o cuidado de garantir que “continuará a haver aumento real do salário mínimo”, cláusula pétrea da Era PT. Segundo ele, “a política do reajuste do salário mínimo é correta, mas precisa ser reavaliada”.

Dilma não gostou quando soube da entrevista. E no sábado de manhã, na Base Naval de Aratu, na Bahia, onde descansa, subiu nas tamancas ao ler o que os jornais publicaram a respeito.

Um telefonema de Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da presidência da República, deu conta a Dilma da reação negativa das centrais sindicais à entrevista de Barbosa.

Se não fosse a pessoa autoritária que é, acostumada a infundir medo e a humilhar subordinados, de uma simples secretária ao general que um dia saiu chorando do Palácio do Planalto depois de tratado aos gritos, Dilma poderia ter telefonado para Barbosa e tirado tudo por menos.

Afinal, o ministro nada disse que não tivesse sido antes negociado com ela. E aprovado por ela.

Uma Dilma tolerante, disposta a criar um ambiente favorável ao trabalho em equipe, a ouvir antes de falar, e a compartilhar o poder, na verdade seria outra Dilma e não essa que temos.

Dividir o poder não se resume ao loteamento de cargos do governo entre partidos que o apoiam, mais ainda sabendo que tal prática favorece a corrupção acima de tudo. Como demonstrado.

Mas quem disse que Dilma admite abrir mão de nacos do poder? Somente ela mesma...

Barbosa distribuiu uma nota oficial na tarde do sábado dando o dito pelo não dito: “A proposta de valorização do salário mínimo a partir de 2016 seguirá a regra atualmente vigente”.

Ou seja: um ponto importante da nova política econômica foi revogado mal o governo começou. E começou mal.

Para provar que manda, Dilma desmoralizou seu ministro. Não satisfeita em fazê-lo, deixou que assessores vazassem para a imprensa sua indignação com “declarações consideradas inoportunas”.

Ligado ao PT há muitos anos, Barbosa desmoralizou-se. Aceitou a reprimenda sem chiar. Baixou a cabeça. Aferrou-se ao emprego com gosto. E sem um pingo de vergonha.

Nos fim do governo passado, Guido Mantega, da Fazenda, foi um ministro demissionário no exercício do cargo. Dilma antecipou que o mandaria embora caso se reelegesse.

Barbosa poderá atravessar no cargo os próximos quatro anos. Nem por isso recuperará a autoridade perdida em menos de 24 horas.

A sorte do novo governo depende cada vez mais de Joaquim Levy, sucessor de Mantega. Saiba Dilma que ele não é de levar desaforo para casa.

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Blog do Josias

Por comissão, médicos fazem cirurgias desnecessárias e fraudes, informa TV

Uma máfia atua no mercado de próteses no Brasil, que movimenta R$ 12 bilhões por ano. Médicos chegam a prescrever cirurgias desnecessárias, colocando em risco a vida dos pacientes. Em troca, recebem das empresas que comercializam os implantes comissões que rendem até R$ 100 mil por mês. Em muitos casos, o esquema frauda documentos para obter liminares judicias que obrigam o SUS e planos privados de saúde a pagar por procedimentos superfaturados.

As ações criminosas foram escancaradas pelo repórter Giovanni Grizotti em reportagem exibida na noite deste domingo (4) no programa Fantástico. A apuração foi feita durante três meses, em cinco Estados. Para pilhar as transações ilegais, o repórter se fez passar por médico. Com uma câmera escondida, registrou uma impressionante sequência de propostas indecorosas. Mercadores de próteses oferecem às escâncaras comissões de 20%, 25%, 30%.

O repórter ouviu uma mulher que era responsável pela contabilidade de uma grande clínica em São Paulo. Ela falou sem exibir o rosto. “Aquilo ali parecia uma quadrilha. Uma quadrilha agindo e lesando a população”, disse, manuseando papeis. “Um exemplo que eu tenho aqui: R$ 260 mil de cirurgia, R$ 80 mil pra conta do médico. Tem uma empresa pagando R$ 590 mil de comissão pro médico no período aqui de seis meses.”

As empresas que repassam dinheiro aos médicos por baixo da maca, normalmente em espécie, utilizam um mecanismo manjado para tentar ludibriar o fisco. Pedem aos médicos que assinem contratos de consultoria. Assim, podem lançar as comissões na contabilidade como se fossem despesas lícitas.

Diretor de um hospital de Porto Alegre por 14 anos, o médico Alberto Kaemmerer disse ter criado um grupo para revisar os pedidos de cirurgia. “A cirurgia mal indicada, ela acresce um risco muitíssimo importante. Risco de morte”, afirmou. O grupo revisor rejeitou, por desnecessárias, pelo menos 35% das cirurgias de próteses.

Deu-se coisa parecida em São Paulo, no Albert Einsten, uma das mais prestigiadas casas hospitalares da América Latina. Ali, uma equipe médica perscrutou durante um ano os pedidos de cirurgia de coluna encaminhados por médicos credenciados num determinado plano de saúde. Cláudio Lottenberg, presidente do Einstein, relatou: “Nós recebemos aproximadamente 1,1 mil pacientes no período de um ano. E desses, menos de 500 tiveram indicação cirúrgica. Então, muito possivelmente, estava havendo um exagero em relação a essas indicações.”

A reportagem exibiu casos de clientes do SUS que, após mofar na fila à espera de cirurgias de próteses, foram encaminhados pelo médico a um escritório de advocacia. Que se incumbiu de requerer liminar judicial, anexando à petição orçamento superfaturado.

No Rio, a Polícia Federal farejou um caso do gênero, que resultou em prejuízo de R$ 7 milhões ao plano de saúde dos Correios. Flagrado, João Maurício Gomes da Silva, um ex-assessor da Diretoria Regional dos Correios, firmou um acordo de delação premiada. E abriu o bico:

“Aquela empresa que, teoricamente, dizemos que era parceira, ela apresentava, já vinham com duas ou três orçamentos montados. Então, sempre determinando quem estaria levando naquela determinada cirurgia, quem seria a beneficiada.” O delator citou um caso em que uma cirurgia que deveria ter custado no máximo R$ 200 mil, roçou a casa de R$ 1 milhão.

A exposição de mais essa máfia informa ao contribuinte que há na praça outra vereda do crime rumo ao bolso dos brasileiros. Só no SUS, realizam-se anualmente 7 milhões de cirurgias para o implante de próteses. Sem saber que estava sendo gravado, um empresário de São José do Rio Preto, cidade do interior paulista, disse ter montado duas empresas de fachada para “concorrer” com a sua.

Registradas em nome de dois funcionários, as firmas de fancaria elaboram orçamentos fictícios, simulando uma disputa. E os servidores que ajudam a praticar a fraude credita-se de uma propina de 25%. A certa altura o repórter abre o jogo para o tal empresário, revelando que preparava uma notícia sobre o tema.

Antes que a ficha lhe caísse e ele começasse a negar o que acabara de afirmar, o tal empresário perdeu, por assim dizer, o rebolado. “Nós somos do Fantástico e o senhor admitiu a prática de vários crimes”, afirma o repórter, na lata. E o empresário, fazendo semblante de surpresa: “Olha, né… Brasil, né… todo mundo pega essa situação de querer alguma coisa no que produz. Então, isso o Brasil inteiro está assim.”

De fato, não há mais para onde virar. Para do lado que se olhe, o que se verifica é que “o Brasil inteiro está assim.”

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Engarrafados!




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Blog do Josias

6 partidos posicionam-se contra regular a mídia

A aprovação de um projeto que institua algum tipo de regulação da imprensa será mais difícil do que o PT poderia supor. Menos de 48 horas depois de o ministro Ricardo Berzoini (Comunicações) ter confirmado que o governo enviará ao Congresso uma proposta sobre o tema, quatro legendas prometeram votar contra: PMDB, PSDB, DEM e PTB, PPS e PSB.

Para desassossego do petismo, coube ao partido do vice-presidente Michel Temer puxar o coro dos contrários. Conforme noticiado aqui, o deputado Eduardo Cunha, líder da legenda e candidato à presidência da Câmara, trombeteou nas redes sociais: “Quero reafirmar que seremos radicalmente contrários a qualquer projeto que tente regular de qualquer forma a mídia.”

Cunha vocaliza uma posição partidária. Presidente do PMDB, o próprio Temer, numa entrevista dada ao blog há seis meses, dissera: “A tese do PMDB, ao longo do tempo, tem sido a seguinte: nós queremos manter o atual status constitucional da liberdade de informação. Não acho que se deva alterar aquilo que esteja previsto na Constituição. Porque, se de um lado ela garante a livre expressão, especialmetne da imprensa, ela adota também o princípio da responsabilidade. Você tem o direito de resposta previsto no texto constitucional, a indenização por dano à imagem, dano moral e dano material. […] Acho que não devemos mexer nessa estrutura da liberdade de imprensa prevista no texto constitucional.”

Nas pegadas de Eduardo Cunha, o senador Aloysio Nunes Ferreira, líder do PSDB, também expressou a posição do tucanato sobre a ideia de regular a mídia: “Todos os que se opõem ao governo Dilma têm o dever de se unir no Congresso e nas ruas para o combate sem trégua a essa tentativa criminosa. O que está em jogo é a liberdade de expressão, cerne da vida democrática. Essa é a prioridade das prioridades.”

A deputada Cristiana Brasil, filha de Roberto Jefferson e nova presidente do PTB federal, evocou o colega do PMDB ao tratar do assunto no Twitter: “Estamos com o deputado Eduardo Cunha nessa briga. Defenderemos com afinco a liberdade de imprensa. Votamos contra regulação.” Ela acrescentou: “Nosso partido, o PTB, defende a liberdade, e será contra toda e qualquer tentativa de amordaçamento da imprensa, do Executivo ou do Legislativo.”

Também pelo Twitter, o deputado Mendonça Filho, líder do DEM, manifestou-se no mesmo diapasão: “O Democratas vai se posicionar contra qualquer intenção do PT de mexer na legislação que estabelece a imprensa livre.” Mendonça foi ao ponto: “A obsessão petista em controlar a imprensa volta e meia aparece com eufemismos que tentam esconder verdadeiro objetivo: calar quem incomoda.”

Líder do PPS, o deputado Rubens Bueno afirmou que sua bancada rejeitará o projeto anunciado por Berzoini: “Este é um governo que não controla a qualidade da gestão, por isso quer regular a imprensa. A posição da bancada será contrária a qualquer tipo de controle da mídia, seja ele, por meio de conteúdo jornalístico, econômico das empresas ou qualquer outro.''

Candidato do PSB à presidência da Câmara, o deputado Julio Delgado declarou que não há o que discutir: “Sou veementemente contrário a qualquer proposta de regulação da mídia. Em um Estado Democrático de Direito, a imprensa deve ser livre. Não há o que debater no Congresso Nacional sobre regulamentação econômica da mídia como deseja o novo ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini. A liberdade de imprensa foi uma das maiores conquistas da redemocratização brasileira.”

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Dilma avacalha os novos ministros econômicos

Para assumir o segundo mandato, Dilma interrompeu os banhos de Sol na praia que adorna a base naval de Aratu, na Bahia. No discurso de posse, queimou o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Reempossada, Dilma voltou à praia. Lendo os jornais, abespinhou-se. E tostou o novo ministro do Planejamento, ordenando-lhe que divulgasse um autodesmentido.

De duas, uma: ou o sol da Bahia derreteu a memória de Dilma ou Levy e Barbosa entraram numa fria. A presidente faria um bem a si mesma se chamasse seus dois auxiliares econômicos para uma nova conversa. Não se sabe o que disse a ambos quando os convenceu a assumir o abacaxi que herdou para si mesma. Mas já está claro que, expressando-se no mesmo idioma, os três se desentenderam.

Dilma queimou Levy no trecho do discurso inaugural em que virou a página da campanha presidencial. Para trás. A certa altura, ela disse: “As mudanças que o país espera para os próximos quatro anos dependem muito da estabilidade e da credibilidade da economia.” Por um instante, teve-se a impressão de que a oradora falaria sério. Mas ela retornou ao palanque na frase seguinte:

“Isso, para nós todos, não é novidade. Sempre orientei minhas ações pela convicção sobre o valor da estabilidade econômica, da centralidade do controle da inflação e do imperativo da disciplina fiscal, e a necessidade de conquistar e merecer a confiança dos trabalhadores e dos empresários. Mesmo em meio a um ambiente internacional de extrema instabilidade e incerteza econômica, o respeito a esses fundamentos econômicos nos permitiu colher resultados positivos. Em todos os anos do meu primeiro mandato, a inflação permaneceu abaixo do teto da meta e assim vai continuar.”

Quem assistiu deve ter perguntado aos seus botões, que não responderam porque também não entenderam nada: “Se a economia encontra-se estabilizada, se os cofres públicos estão em ordem, se a inflação não fugiu ao controle e se os resultados são tão positivos, por que diabos Dilma mandou ao olho da rua o companheiro Guido Mantega?''

“Mais que ninguém sei que o Brasil precisa voltar a crescer”, disse Dilma noutro trecho. “Os primeiros passos desta caminhada passam por um ajuste nas contas públicas. […] Faremos isso com o menor sacrifício possível para a população, em especial para os mais necessitados. Reafirmo meu profundo compromisso com a manutenção de todos os direitos trabalhistas e previdenciários.” Esse palavrório refrigerado não combina com o compromisso árido assumido por Levy, sob refletores, de entregar um superávit de 1,2% do PIB já em 2015. Em reais, isso significa algo como R$ 100 bilhões. Contra esse pano de fundo, o “menor sacrifício possível'' se parece muito com o sorvo de um gigante faminto.

Um dia depois da posse da presidente, assumiram seus postos alguns dos 39 ministros. Entre eles Nelson Barbosa. Já na pele de titular do Planejamento, ele deu uma entrevista. Indagado sobre a fórmula de reajuste do salário mínimo, sapecou: “Vamos propor uma nova regra para 2016 a 2019 ao Congresso nos próximos meses. Continuará a haver aumento real do salário mínimo''.

Levada às manchetes, a frase alcançou Dilma na praia. Irritada, ela tocou o telefone para Aloizio Mercadante, seu economista de cabeceira. Depois, ordenou a Barbosa que se imolasse em praça pública, desmentindo-se por escrito. Foi obedecida. Em sua nota, Barbosa foi curto e fino. Escreveu que “a proposta de valorização do salário mínimo, a partir de 2016, seguirá a regra de reajuste atualmente vigente.”

A regra vigente prevê que o mínimo sobe conforme a inflação do ano anterior, acrescida da variação do PIB de dois anos antes. Essa fórmula só vale até este ano de 2015. Para renová-la ou modificá-la, o governo terá de enviar um projeto ao Congresso. Barbosa apenas antecipou uma mudança que lhe parecia decidida.

Auxiliares de Dilma dizem que, de fato, o tema vinha sendo debatido internamente. Mas a presidente avaliou que o novo chefe do Planejamento atravessou o carro na frente dos bois. Nessa versão, Dilma só pretendia levar a novidade à vitrine no segundo semestre. Agora, babau.

Uma coisa é preciso dizer sobre Dilma: ela cada vez se dá melhor com ela mesma. Não fosse pela insistência de Lula, não teria dado o cavalo-de-pau econômico, sequestrando a agenda de ajustes do adversário tucano. Executada a guinada, a inadequação é cada vez mais evidente.

Dilma com Levy e Cia. a tiracolo vai passando a impressão de uma presidente que, no vaivém entre a praia baiana e o carpete brasiliense, vestiu o maiô de banho por cima do conjunto de saia e blusão que usou na posse.

No fundo, o modelito dos sonhos de Dilma é mesmo Guido Mantega, um ministro prêt-à-porter, pronto para ser usado. Uma evidência de que, como na moda, os gestores econômicos vão e vêm, mudam sempre; o ridículo é que é permanente. Resta saber até que ponto Levy e Barbosa estão dispostos a aceitar a avacalhação.

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Corte & Costura!




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Blog do Noblat

Avalie o empenho de Dilma para apurar a roubalheira na Petrobras
Ricardo Noblat

Versão atualizada de Pepe Legal, personagem de desenho animado do final dos anos 50 do século passado, o novo ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas (PT-RS), uma espécie de xerife político do governo Dilma 2, assumiu o cargo, ontem, dizendo ser contra uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a roubalheira na Petrobras.

O motivo?

- Às vezes as CPIs estão deixando a desejar. O que estou falando aqui não é nenhuma novidade. Se nós não tivéssemos tido CPI da Petrobras e [tivéssemos] ficado só com o trabalho da Polícia Federal e o trabalho do Ministério Público Federal, nós teríamos o mesmo resultado. Às vezes, a CPI é mais um instrumento de embate político e não de eficiência na investigação.

Pepe Legal era desastrado, mas divertido. Pepe Vargas não tem graça alguma. E, pelo jeito, subestima a inteligência alheia.

A presidente reeleita Dilma Roussef está rouca de tanto afirmar que tudo deve ser feito para punir quem roubou na Petrobras e quem deixou que roubassem.

“Doa a quem doer”, expressão imortalizada pelo ex-presidente Fernando Collor, a refletir sua aparente disposição para apurar a corrupção no seu governo, caiu no gosto de Dilma que não se cansa de repeti-la.

Razoável supor que Dilma está sendo sincera. E que assim como a Polícia Federal e o Ministério Público investigam o escândalo na Petrobras, o Congresso possa e deva fazê-lo por meio de uma ou mais CPIs.

Pepe Legal – ou melhor: Pepe Vargas – estaria na contramão do que deseja e estimula sua chefa. Certo?

É rasteiro o argumento usado por ele para desqualificar CPIs [“Às vezes as CPIs estão deixando a desejar”.]

Por que as duas CPIs da Petrobras, que há pouco encerraram os seus trabalhos, não deram em nada?

Simples. Porque a tropa do governo, bem maior do que a tropa da oposição no Senado e na Câmara dos Deputados, apostou no fracasso das duas. Sabotou-as.

Na verdade, Pepe Vargas está mais afinado com Dilma do que pode parecer.

É de mentirinha o empenho de Dilma para que tudo sobre a Petrobras seja rigorosamente esclarecido. Porque se for poderá sobrar para ela e Lula.

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PMDB é contra regulação da mídia, diz Cunha

Poucas horas depois de o ministro Ricardo Berzoini (Comunicações) ter confirmado que o governo enviará ao Congresso um projeto para regular a mídia, o deputado Eduardo Cunha, líder do PMDB e candidato favorito à presidência da Câmara, pegou em lanças no Twitter: “Quero reafirmar que seremos radicalmente contrários a qualquer projeto que tente regular de qualquer forma a mídia.”

Berzoini dissera que, antes de fechar a proposta, seu ministério vai “abrir um debate”, para recolher sugestões. E Cunha: “Não aceitamos nem discutir o assunto.” Em litígio com o petista Arlindo Chinaglia, também candidato à presidência da Câmara, o líder peemedebista balizou a ação do partido do vice-presidente Michel Temer assim: “Não confundam a pauta congressual da governabilidade, que apoiaremos, com a pauta ideológica do PT, que não apoiaremos de forma alguma.”

Mais cedo, Chinaglia reunira-se com 58 deputados, a maioria do PT. Nesse encontro, distribuiu alfinetadas no rival peemedebista. Desdenhou, por exemplo, do compromisso de Cunha de presidir a Câmara com “independência”. Afirmou que o verdadeiro independente é ele, já que não indicou ninguém para ocupar cargos sob Dilma.

Cunha indagou: “Que independência pode ter quem acabou de deixar a liderança do governo, nomeou o filho e era a favor dos conselhos populares?” Chama-se Olavo Chinaglia o filho mencionado pelo líder do PMDB. Advogado, ele integrou os quadros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica entre os anos de 2008 e 2012. A escolha do novo comandante da Câmara ocorrerá em 2 de fevereiro. Além de Cunha e Chinaglia, disputa o cargo Júlio Delgado, do PSB.

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Aécio responde discurso de Dilma: ‘manipulação’

Um dia depois da posse de Dilma Rousseff, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), comentou o teor do discurso da presidente reeleita. Fez isso por meio de nota. Sem mencionar o nome de Dilma, anotou:

“O Brasil não aceita mais a manipulação da verdade e a simples repetição de velhas promessas que, ao longo de 12 anos, infelizmente, não saíram do papel. Nosso país merece mais que discursos, promessas e propaganda. Queremos o Brasil honrado e justo a que todos temos direito. Por ele e ao lado de milhões de brasileiros damos as boas vindas a 2015!”

Aécio fez menção ao número de votos que recebeu na eleição presidencial e reiterou a disposição de se opor ao governo: “O PSDB inicia o novo ano revigorado e disposto a cumprir seu papel de maior partido na oposição. E o fará lutando ao lado das 51 milhões de pessoas que nos confiaram as suas esperanças de um país melhor.”

O senador disse esperar “que as esperanças de cada um dos brasileiros sejam honradas em 2015.” Algo que, segundo ele, “só será possível com a realização de mudanças” reclamadas pelos brasileiros. Mudanças na economia, na saúde e na segurança pública, além de “mudanças que nos permitam alcançar a maior e mais sólida de todas as transformações: a educação de qualidade.”

Desde que perdeu a disputa presidencial por uma diferença miúda, Aécio vem se esforçando para liderar o bloco de oposição. A nota divulgada nesta sexta-feira se insere nessa estratégia. Dilma atravessou uma pedra no caminho do tucanato ao entregar a pasta da Fazenda a Joaquim Levy, um eleitor de Aécio e amigo de Armínio Fraga.

Como se opor à própria agenda?, eis a questão que os tucanos terão de responder ao longo de 2015. Uma parte do PSDB aposta que a relação de Dilma e Levy terminará em curto-circuito. Nessa hipótese, o dilema da oposição se dissolveria.

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Comunicando!




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Blog do Noblat

Dilma esqueceu de descer do palanque!
Ricardo Noblat

Eis o nó da questão: Dilma 2 tentará compatibilizar o ambicioso ajuste fiscal concebido por sua nova equipe econômica com  a preservação das conquistas sociais alcançadas por Lula 1 e 2 e Dilma 1.

A certa altura do seu discurso de posse, ontem, no Congresso, disse a presidente reeleita:

- Mais que ninguém eu sei que o Brasil precisa voltar a crescer. Os primeiros passos desta caminhada passam por um ajuste nas contas públicas, um aumento na poupança interna, a ampliação do investimento e a elevação da produtividade da economia. [...] Faremos isso com o menor sacrifício possível para a população, em especial para os mais necessitados. Reafirmo meu profundo compromisso com a manutenção de todos os direitos trabalhistas e previdenciários.

Palavras ao vento...

Dilma é economista por formação. E sabe que o arranjo das contas públicas atingirá de alguma forma as contas particulares de muita gente. Dos mais pobres, inclusive. Daí... Daí que ela sofisma.

Não sei de onde os mais puros de coração tiram a certeza de que políticos que mentem durante campanhas dizem a verdade depois que se elegem. Negativo.

Faltaram verdades mesmo que incômodas no discurso de Dilma e sobraram falácias.

Dilma afirmou, por exemplo, que o Brasil é a sétima maior economia do mundo. Omitiu que era a sexta maior economia quando seu primeiro governo começou.

“Governo novo, ideias novas” cedeu a vez a “Brasil, pátria educadora”, nova palavra de ordem a orientar o governo de caras velhas e de ideias repetitivas.

Nem o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) do governo Getúlio Vargas no século passado teria sido capaz de imaginar um slogan tão antigo.

Não faltou lugar no discurso para o mantra da reforma política. Nem para a quimera da corrupção que pede para ser extirpada. Mantra e quimera que frequentaram em 2011 o discurso de posse de Dilma 1.

Faltou lugar no discurso para que Dilma fizesse algum aceno à oposição. Com mais razão ainda por ter sido reeleita por uma margem estreita de votos.

Cadê o “diálogo” que pontuou uma dezena de vezes o discurso da vitória de Dilma em outubro do ano passado?

O gato comeu. Ou a arrogância de Dilma.

A presidente reeleita comportou-se no Congresso como a candidata à caça de votos. Esqueceu-se de descer do palanque.

Foi incapaz de pronunciar uma frase inspiradora. De propor um desafio instigante. De arrancar aplausos entusiasmados da assistência.

O que é “um grande pacto nacional” para combater a corrupção? Não explicou.

O que significa defender a Petrobras dos seus inimigos internos e externos? De que modo fará isso?

Blábláblá!

De fato, Dilma perdeu uma preciosa oportunidade de inspirar confiança a seus governados.

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País cenográfico

A presidente Dilma continua no país cenográfico da campanha. A corrupção vem dos outros: “dos predadores da Petrobras e inimigos externos”; seu governo já tinha feito um “vigoroso processo de aprimoramento de gestão” na empresa. Ela sempre deu prioridade ao combate à inflação, ao ajuste fiscal, produziu um “salto de qualidade na logística” e respeitou o sustentabilidade.

Dilma disse que seu governo foi o que mais combateu a corrupção. O combate à corrupção tem sido feito por órgãos de Estado, como a Polícia Federal. Ou então por instituições com independência constitucional, como o Ministério Público e a Justiça. No que dependeu da sua base no Congresso, foi feita uma vergonhosa CPI da Petrobras na qual se serviu uma pizza.

Ninguém imaginava que ela fosse admitir o quanto o aparelhamento político partidário da Petrobras e a desorganização administrativa na empresa estão por trás do pior momento da vida da estatal. Mas ela tentou pôr a realidade pelo avesso e se apresentou como a líder do combate à corrupção na empresa e no país.

Num dos piores momentos do discurso, ela tentou jogar sobre os críticos das opções técnicas feitas pelo governo a culpa pela crise da Petrobras. “Não podemos permitir que a Petrobras seja alvo de um cerco especulativo de interesses contrariados com a adoção do regime de partilha e da política de conteúdo nacional”. Esse não é o problema. O que enfraqueceu a empresa, e disso todos sabem, foi o saque aos seus cofres com a corrupção contaminando inúmeras atividades da Petrobras numa operação cujos contornos ainda não estão inteiramente conhecidos. Mas nada têm a ver com o debate técnico sobre qual é o melhor regime de explorar o petróleo. A empresa não consegue sequer ter um balanço auditado. Aqui o contorcionismo ultrapassou os limites. O país precisa de um combate sistemático à corrupção, mas isso não se faz tergiversando sobre o que realmente está acontecendo na nossa maior e mais importante empresa.

Houve momentos em que dava a impressão de que ela pisaria no planeta Terra. “As mudanças que o país espera para os próximos quatro anos dependem muito da estabilidade e da credibilidade da economia”. Sim, dependem. E por isso ela trocou de orientação econômica. Mas não foi isso que ela disse para completar a frase. Segundo Dilma, no seu governo sempre houve a “centralidade do controle da inflação, e o imperativo da disciplina fiscal”. A verdade é que no primeiro mandato a inflação nunca esteve na meta de 4,5% e chega-se ao fim dos quatro anos com os piores resultados fiscais em quase duas décadas.

Ela disse que a dívida líquida caiu. Na verdade, o importante é a dívida bruta, e esse indicador aumentou nove pontos percentuais do PIB durante seu primeiro mandato. A farra das transferências para o BNDES ajudaram a mascarar esse aumento quando o dado que se olha é a dívida líquida.

Dilma entrou em contradição quando disse que o mais importante é retomar o crescimento e “o primeiro passo para isso passa por um ajuste nas contas públicas”. Estranho. Ou bem o ajuste é necessário, ou bem ela sempre respeitou o “imperativo da disciplina fiscal”.

A presidente disse que dará prioridade ao desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação. Seu ministro dessa área será Aldo Rebelo, que tem certa incompatibilidade com o tema. Dilma lançou o lema do segundo mandato que seria “simples, direto e mobilizador”. O lema é: “Brasil, pátria educadora”. Segundo ela, a educação será a “prioridade das prioridades”. Ela executará isso através do ministro Cid Gomes.

Definiu o Brasil como “o país líder, no mundo, em políticas sociais transformadoras” e atribuiu apenas aos governos do PT todos os avanços de inclusão que aconteceram no país, recriando a ideia do “nunca antes”.

Segundo Dilma, seu governo “investiu muito e em todo o país sem abdicar do compromisso de sustentabilidade ambiental”. A taxa de investimento caiu no ano passado 7% e houve retrocessos na política ambiental. E esse foi o discurso feito no Congresso e não dedicado à militância.


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Blog do Noblat

Ja vi esse filme. No fim, o bandido ganha
Ricardo Noblat
                                
A campanha da presidente Dilma, ela mesma, Lula e boa parte do PT debocharam do que disse a candidata Marina Silva (PSB) sobre como montaria seu governo caso se elegesse.

Marina afirmou que simplesmente governaria com os melhores elementos de cada partido sem discriminar nenhum partido.

É uma boba, garantiram alguns. Uma sonhadora, acusaram outros. Governar com os melhores é impossível, apenas isso.

Ou Marina dominava uma receita que só ela conhecia ou então se pautaria pelo bom senso. E o bom senso lhe aconselhava a procurar gente decente, comprometida com a ética e talentosa para ocupar cargos do primeiro e do segundo escalão da República.

E se essa gente fosse incapaz de lhe garantir a maioria dos votos no Congresso? E se por causa disso o governo capengasse?

Marina confiava que não passaria sufoco porque, em primeiro lugar, governaria apenas por quatro anos. Descartara a reeleição.

O que a seu ver seria o bastante para apaziguar os ânimos no Congresso e refrear as ambições, por suposto.

Segundo porque governaria com transparência, prestando contas aos eleitores de todos os seus passos e discutindo com eles suas dificuldades.

Fernando Collor se elegeu presidente em 1989 sem maioria no Congresso. Quis cooptar o PSDB e não conseguiu.

Chamou de “único tiro” contra a inflação o plano econômico que garfou a poupança dos brasileiros.

Por mais estúpido que tenha sido o plano, o Congresso não se negou a aprová-lo. Caso desse certo, o Congresso ficaria bem na foto. Se desse errado, o presidente é que ficaria mal.

Não foi por falta de apoio do Congresso que Collor acabou deposto. Foi por falta de apoio popular.

O Congresso é sensível ao sentimento das ruas. E todo presidente, a princípio, se beneficia de um período de lua de mel com a opinião pública.

Até que o período se esgote, ele pode se comportar com um grau de liberdade que mais tarde se estreitará. A não ser que o sucesso bata à sua porta.

Ninguém mais do que Lula reuniu condições para governar sem ser obrigado a fazer concessões que por fim o apequenassem, e ao seu partido.

Foi o primeiro nordestino ex-pau de arara, ex-líder sindical, ex-preso político a subir a rampa do Palácio do Planalto.

Ocupou o principal gabinete do terceiro andar com crédito para gastar por muito tempo. Encrencou-se porque piscou primeiro.

Sob pressão para lotear o governo como seus antecessores haviam feito por hábito ou necessidade, Lula subestimou o apoio das ruas.

Preferiu apostar no apoio do Congresso. Logo ele, que no final dos anos 80 do século passado, enxergara ali pelo menos 300 picaretas.

Foi atrás dos picaretas. Beijou a cruz – e de quebra a mão de Jáder Barbalho. O mensalão quase o derrubou.

Dilma atravessou a metade do seu primeiro governo resistindo à ideia de ceder ao “pragmatismo político”.

Em conversa, certo dia, com um amigo, ouviu dele: “Tirando três ou quatro, só tem desonesto no Congresso”. Ela respondeu: “E eu não sei?”

Para se reeleger, cedeu ao apetite dos desonestos. Beijou a cruz. E de quebra a mão de Helder Barbalho, filho de Jáder, seu futuro ministro da Pesca.

Foi medíocre o primeiro ministério de Dilma O governo que resultou disso foi naturalmente medíocre.

Pois bem: ela está perto de cometer o prodígio de montar outro ministério igual ou talvez pior.

O que a diferenciava dos políticos a quem tanto desprezava é, hoje, o que a torna cada vez mais parecida com eles.

Feliz Ano Novo para todos!

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Ator global ataca os rivais de Dilma: ‘se foderam’

Ator da TV Globo e militante virtual do PT, José de Abreu revela-se nas redes sociais um democrata sui generis. Não nega a ninguém o direito de concordar inteiramente com ele. Entusiasta da reeleição de Dilma Rousseff, Zé de Abreu, como costumam chamá-lo, trata os antagonistas da presidente como inimigos do povo.

Na noite deste domingo, encarnando um personagem de si mesmo, o ator distribuiu ponta-pés via Twitter. Numa mensagem, anotou: “Alô Aécio [Neves], Roberto Freire, Osmarina Silva. Vocês se foderam.” Noutra, escreveu: “Alô senador Cristovam [Buarque], Pedro Simon, Jarbas [Vasconcelos] e outros ex-esquerdistas: vocês se foderam.”

Alvejado abaixo da linha da cintura, Cristovam (PDT-DF), cujo nome foi grafado incorretamente (Cristóvão), reagiu à grossura com fina ironia: “Só porque a prima dele virou ministra da Agricultura!”, cutucou, referindo-se a Kátia Abreu, uma senadora ruralista que carrega o mesmo sobrenome do agressor e que acaba de ser alçada à Esplanada por Dilma. Pela lógica, a provocação de Cristovam deveria constranger Zé de Abreu. Mas o ator é movido por uma fé que lembra a origem cristã de muitos militantes petistas. O ingrediente da dúvida está excluído do seu credo. Suas certezas vêm de dogmáticas revelações divinas.

Para quem já defendeu que o mensalão é uma fábula e que José Dirceu não passa de um injustiçado, digerir a nova equipe de Dilma é algo trivial: “O novo ministério da Dilma foi o que ela conseguiu montar. Ela não é burra. Joga com as cartas que tem na mão. Um presidente não pode blefar.”

O ator ainda não se deu conta, mas faz papel de bobo. Passada a eleição, Dilma sucumbiu sem ressalvas ao receituário econômico da oposição. Entregou a pasta da Fazenda a um eleitor de Aécio, o ex-diretor do Bradesco Joaquim Levy. Que irá aplicar o programa de ajustes do tucanato. Guiando-se por autocritérios, Zé de Abreu talvez devesse dar uma olhada no próprio traseiro. Está avariado.

Como a ficha ainda não lhe caiu, o democrata do ponta-pé borrifa otimismo na internet. Num instante em que até Dilma já contabiliza 2015 como um ano duro de roer, Zé de Abreu posa de inocente útil numa Pasárgada imaginária: “Alô Brasil que reelegeu a Dilma: você se deu bem. E vai se dar ainda melhor nos próximos 4 anos…”

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Novo ministro do Esporte mistura fé com política



Ninguém entendeu a decisão de Dilma Rousseff de entregar o Ministério do Esporte e a preparação para as Olimpíadas de 2016 ao obscuro deputado federal George Hilton (PRB-MG). A oposição enxerga fisiologismo no gesto. Os amigos do novo ministro atribuem a novidade a outra entidade: Deus.

Pastor da igreja Universal, George Hilton faz questão de misturar política e religião. Baiano, o novo ministro fez carreira em Minas Gerais. Reeleito em outubro, ele foi agradecer seu êxito eleitoral num templo, ao lado de outros dois políticos da ‘linha Edir Macedo’: os deputados estaduais mineiros bispo Gilberto Amado e pastor Carlos Henrique.

Em reconhecimento aos votos providos pelos fieis, os três ajoelharam-se (repare no vídeo). “…Que o espírito do temor esteja sobre eles”, orou o responsável pelo culto, bispo Adilson Silva. Ele pediu aos céus que permita aos eleitos da Universal fazer mais pela sociedade, “porque é uma vergonha a sujeira que a gente vê na política desse país —tanta corrupção, tanta bandidagem. […] Que a gente venha a minimizar a obra do diabo.”

Em 2005, quando ainda era deputado estadual pelo então PFL, George Hilton foi flagrado pela Polícia Federal, no aeroporto de Belo Horizonte, com 11 malas e pacotes de dinheiro. Acompanhado de outro pastor, vinha da cidade mineira de Poços de Caldas. Viajava em avião fretado. O boletim de ocorrência anota que o agora ministro alegou que a verba era “doação de fiéis” da Universal, recolhida no “Sul de Minas e Triângulo Mineiro.”

O PFL, hoje rebatizado de DEM, expulsou George Hilton dos seus quadros. O que não impediu o pastor de ser abençoado com novos e sucessivos mandatos. No ano seguinte, o eleitorado mineiro enviou-o para Brasília. Prestes a iniciar o seu terceiro mandato federal, o deputado-pastor frequentava a Câmara como membro invisível do baixo clero do Parlamento. Súbito, Dilma guindou-o à Esplanada. Não fosse o passado materialista da presidente, seria imperioso concluir: é coisa do Padre Eterno.

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Videntes!




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Blog do Josias

Lava Jato: Camargo Corrêa negocia um acordo

A inédita passagem de executivos das maiores empreiteiras do país pela carceragem da Polícia Federal está prestes a produzir uma revolução nos costumes político-empresariais do país. Gigante do setor da construção pesada, a Camargo Corrêa negocia com o Ministério Público Federal os termos de um acordo de leniência, como são chamadas as delações premiadas de empresas. Significa dizer que o bloco das grandes empreiteiras, antes monolítico, pode trincar.

Deve-se a informação aos repórteres Bela Megale e Alexandre Hisayasu. O que se discute é a troca de benefícios judiciais por confissões. A Camargo teria de admitir as suas culpas e dedurar as culpas alheias, expondo um pouco mais as entranhas do cartel que fraudou licitações bilionárias e abastecia o propinoduto instalado na Petrobras e em outros ghichês do Estado brasileiro.

Até aqui, apenas a Toyo Setal, uma empresa secundária do setor, topara colaborar com os investigadores. O novo acordo, se confirmado, colocará o curto-circuito noutra voltagem, bem mais próxima de uma explosão do tipo salve-se quem puder. Dois advogados da Camargo confirmaram aos repórteres a abertura da negoviação com os procuradores que tocam no Paraná a Operação Lava Jato. As conversas serão retomadas após os festejos do Ano-Novo.

A Lava Jato engolfou 16 empreiteiras. Duas dezenas de executivos foram presos em novembro. Onze continuam na cadeia. Entre eles três da Camargo Corrêa: Dalton Avancini, diretor-­presidente; João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração; e Eduardo Leite, vice-presidente. A empreiteira já teria topado admitir sua culpa nas fraudes. Básico nesse tipo de acordo, um compromisso da Camargo com a verdade não seria pouca coisa.

Basta recordar que Marcelo Odebrecht, mandachuva da co-irmã Norberto Odebrecht, havia se referido às revelações do delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, como uma “denúncia vazia de um criminoso confesso''. De uma investigação que já conta com uma dúzia de delatores, incluindo um petrogerente com US$ 97 milhões entesourados na Suíça, pode-se dizer muita coisa, menos que é vazia. A colaboração da Toyo Setal tornou o caso mais denso. Um acordo com a Camargo ajudaria expor o oco das palavras do doutor Odebrecht.

Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos procuradores que atuam na Lava Jato, disse que o Ministério Público não cogita abrir uma fila para empreiteiras arrependidas. “Apenas as que forem mais rápidas serão beneficiadas” com acordos de leniência, disse. Ele explica a seletividade de forma singela: as construtoras que decidirem colaborar por último talvez já não tenham muito a acrescentar.

Quando explodiu a Lava Jato, as empreiteiras imaginavam que seria possível ligar o forno, como sempre sucedeu.

Quando a cana do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor Paulo Roberto tornou-se longeva, a receita da pizza passou incluir uma administração da grelha.

Quando o ‘efeito Papuda’ levou o amigo Paulinho a dar com a língua nos dentes, as empreiteiras declararam-se inocentes.

Quando Youssef aderiu à delação, colocando o dedo para suar em sintonia com o indicador de Paulo Roberto, o cartel levou à mesa a teoria da extorsão.

Quando o juiz Sérgio Moro mandou prender os magnatas do cimento, entrou em cena o mais bem remunerado time de advogados do país. O relaxamento das prisões parecia, então, uma questão de dias.

Quando o trabalho da PF, da Procuradoria e do doutor Moro revelou-se, por assim dizer, impermeável à enxurrada de recursos judiciais, os advogados da grande empreita foram à presença do procurador-geral Rodrigo Janot. Que batizou a caravana de “cartel da leniência”. A Toyo Setal foi ao trombone.

Quando ficou claro que a cana dos corruptores atravessaria o Natal e o Ano-Novo, podendo ser esticada até o anúncio da sentença, a Camargo Corrêa esboça um risco na areia. Se o acordo sair, quem estiver do lado errado talvez tenha de deixar o ramo das obras públicas para criar um movimento pela melhoria das condições carcerárias no país.

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Tostada!




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Blog do Noblat

Temida, Dilma é. Querida? Nem um pouco
Ricardo Noblat

Dilma passará à história do Brasil como a primeira mulher a governá-lo – até aqui estamos todos de acordo. E como o presidente menos querido pelos políticos desde o fim da ditadura militar de 1964 – e aqui talvez haja discordância. Ou não? Aos fatos.

Sarney (1985 a 1089) foi um presidente fraco, mas que se deu bem com políticos de todos os matizes. Herdou um governo montado pelo presidente Tancredo Neves, que morreu sem tomar posse.

Tão logo pôde montou o seu. Loteou-o para não correr o risco de ser deposto. E sob esse aspecto foi bem-sucedido.

Fernando Collor se elegeu fazendo de conta que não dava bola para os políticos. Que não era um deles – quando de fato era.

Ameaçado de ser deposto por causa de corrupção no governo, cedeu às pressões dos partidos e entregou todos os cargos disponíveis. Só caiu porque perdeu o apoio da opinião pública.

Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Lula souberam lidar com os partidos amigos e adversários. Compartilharam o poder com eles.

E cultivaram os políticos que eram grandes eleitores dentro do Congresso. Afinal, nem só de cargos vivem os políticos, mas também de atenção e carinho.

Dilma é um caso à parte – e isso nada tem a ver com o fato de ser mulher. Ela faz questão de se manter ostensivamente afastada dos políticos.

Não disfarça a ojeriza que tem por eles. Sente-se superior a todos. E faz questão de deixar isso muito claro. É temida. Mas amada, jamais.

Gustavo Uribe e Paulo Gama, repórteres do jornal “Folha de São Paulo”, se debruçaram sobre dados coletados pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap).

E conferiram o que muitos intuíam: com Dilma, aumenta a infidelidade da base de apoio ao governo na Câmara dos Deputados.

Este ano, em 34% das vezes, os deputados governistas votaram contra propostas encaminhadas à Câmara por Dilma. Ou patrocinadas por ela.

Nenhum presidente, de 1989 para cá quando o primeiro deles foi eleito pelo voto popular, contou com uma base de apoio tão indisciplinada.

Ex-presidentes que enfrentaram sérias crises políticas tiveram mais apoio na Câmara do que Dilma.

Foi o caso, por exemplo, de Fernando Collor. Em 1992, ano em que foi deposto, a taxa de fidelidade de sua bancada na Câmara atingiu 92%. A de Lula, em 2005, ano do mensalão, foi de 79%.

Dilma só perdeu apoio dentro da Câmara desde o primeiro ano do seu governo. Em 2011, 89% de um total de 513 deputados fizeram tudo o que ela quis.

Em 2012, 76%. No ano seguinte, 74%. E este ano, 66%. No ano passado, o aliado de Dilma mais infiel foi o PP, dono do Ministério de Cidades, um dos mais ricos. Votou com o governo 46% das vezes.

O mais fiel, naturalmente, foi o PT com 91%. A taxa de fidelidade do PMDB foi de 54%.

O PMDB tem cinco ministérios. Ganhará mais um no segundo governo Dilma. O PT perderá ministérios. Já perdeu o da Fazenda e o da Educação.

Lula e sua turma começaram a se achar maltratados por Dilma na reforma do ministério. Foi por isso que ela adiou o anúncio de mais um pacote de ministros.

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Discurso de posse de Dilma 2 desnuda Dilma 1

Se dependesse das boas intenções contidas no discurso que Dilma Rousseff leu no dia 1º de janeiro de 2010, o Brasil já estaria no paraíso. Mas a realidade —ou a difícil passagem da intenção para o fato— estragou tudo. Dentro de cinco dias, Dilma vestirá pela segunda vez, no Palácio do Planalto, a faixa presidencial. Antes, às 15h, discursará novamente no plenário do Congresso Nacional. Seu pronunciamento, em fase final de revisão, terá o efeito de uma autodenúncia. Repetirá compromissos que, assumidos há quatro anos, sobrevivem como ideais retóricos à espera de realização.

O cardápio de Dilma 2 inclui: enfrentamento da chaga inflacionária, retomada do crescimento econômico, racionalidade tributária, eficiência nos gastos públicos, reforma política e —tchan, tchan, tcchan, tchan— combate sem trégua à corrupção. Revisitando-se a fala de Dilma 1, verifica-se que todos esses temas, espécies de unanimidades brasileiras, pelo menos da boca para fora, desafiaram o mito da supergerente, derrotando-o de maneira cruel e, por vezes, humilhante.

Há quatro anos, Dilma prometeu “manter a estabilidade econômica como valor.” Declarou: “Já faz parte, aliás, da nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que essa praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres.” Na vida real, os brasileiros mais pobres foram chicoteados com taxas de inflação de 6,5% ao final de cada ano, sempre no teto legal da meta que o Banco Central é obrigado a cumprir.

Ao inaugurar seu primeiro ciclo, Dilma celebrou a bonança olhando pelo retrovisor: “Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional: milhões de empregos estão sendo criados; nossa taxa de crescimento mais que dobrou e encerramos um longo período de dependência do Fundo Monetário Internacional, ao mesmo tempo em que superamos a nossa dívida externa.” Lula aproveitara uma fase de melhoria da economia internacional para atenuar o endividamento do governo e acumular um volume recorde de reservas em dólar. Nos seus dois mandatos, colecionara um crescimento anual médio de 4%.

Ao longo de seu primeiro mandato, Dilma manteve a estratégia que Lula adotara a partir de 2008, quando o mundo fora sacudido por uma crise financeira. Para estimular o crescimento, expandiram-se os gastos e abriram-se as torneiras do financiamento dos bancos públicos. Como remédio emergencial, a estratégia funcionara com Lula. Porém, quando Dilma assumiu, estavam em alta a inflação, os gastos e o deficit nas contas com o exterior. Sem ajustes, o crescimento médio foi reduzido à metade nos três primeiros anos. E o PIB de 2014 aproxima-se de zero —coisa de 0,2%.

Num esforço para recuperar a credibilidade perdida, Dilma teve de virar, nas pegadas da vitória eleitoral, uma espécie de ex-Dilma. Abertas as urnas, os juros voltaram a subir. E a presidente reeleita indicou Joaquim Levy, um eleitor do antagonista Aécio Neves, para comandar a economia. Munido de tesoura, o ex-diretor do Bradesco prepara os cortes e a elevação de tributos que a candidata do PT dizia que não faria.

Há quatro dias, o Banco Central divulgou suas projeções para os próximos dois anos. Se tudo correr como o planejado, a inflação de 2015 será de 6%. Em 2016, o índice será de 4,9%, aproximando-se do centro da meta oficial, que é de 4,5%. Nas contas oficiais, o PIB acumulado no período de 12 meses atingiria 0,6% até o próximo mês de setembro.

A Dilma de janeiro de 2011 considerava “inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte.” A simplificação e a racionalidade perderam-se no caminho. No mundo real, o governo limitou-se a promover uma série de desonerações que beneficiaram setores específicos da economia.

O objetivo central, que era o de retomar o crescimento, não foi alcançado. E o respeito ao contribuinte, resultou em sucessivos recordes de elevação da carga tributária. Segundo dados divulgados pela Receita Federal na semana passada, os impostos, taxas e contribuições cobrados pela União, Estados e municípios sorveram R$ 1,742 trilhão. Isso equivale a 35,95% da renda dos brasileiros. Uma taxa maior do que os 35,86% anotados em 2013.

“Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público”, discursou Dilma na cerimônia de posse de 2011. Nessa época, a presidente dizia coisas assim: “No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais.” Ela considerava que uma “tarefa indispensável” de sua gestão era exibir “uma ação renovadora, efetiva e integrada dos governos federal, estadual e municipal, em particular nas áreas da saúde, da educação e da segurança.”

A presença do povo nas praças, na célebre jornada de junho de 2013, mostrou que a almejada qualificação dos serviços públicos tornou-se mais um compromisso do Brasil que só existe da boca para fora. Nesse mesmo país de fábula permanece como meta irrealizável a promessa de Dilma de executar outra “tarefa indeclinável e urgente”. Qual? “Uma reforma política com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública.”

A Dilma de janeiro de 2011 afirmava: “Eu e meu vice-presidente, Michel Temer, fomos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um governo onde capacidade profissional, liderança e a disposição de servir ao país serão os critérios fundamentais.” A pantomima foi desmentida no primeiro ano da administração, com o expurgo de sete ministros pilhados em desvios ético-morais. A Dilma atual aprendeu pouco com a anterior. Compõe uma equipe ministerial que prenuncia um 2015 igualmente tenebroso.

“Serei rígida na defesa do interesse público”, discursou a gerentona de 2011. “Não haverá compromisso com o desvio e o malfeito. A corrupção será combatida permanentemente, e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para atuarem com firmeza e autonomia.” No mesmo discurso, essa Dilma movida a boas intenções disse, alguns parágrafos antes, que “o pré-sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente, queridas brasileiras e queridos brasileiros, se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental.”

Dilma acrescentara: “O grande agente dessa política foi e é a Petrobras, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética e do petróleo.” Hoje, o pré-sal é uma riqueza à espera de investimentos a viabilize em escala comercial. E a Petrobras é um ninho de propinas sob investigação. Descobriu-se que, ainda sob Lula, presidia o Conselho de Administração da maior estatal do país uma Dilma cega, meio atoleimada, incapaz de farejar o assalto praticado pelos prepostos daquela coligação partidária 100% feita de gente com “a disposição de servir ao país”.

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Dá prá trocar?!?!




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Blog do Noblat

Graça Foster e Dilma: ou crime ou incompetência
Ricardo Noblat

É clara a tentativa conjunta da presidente Dilma Rousseff e de Graça Foster para deixar tudo como está na Petrobras.

Deixar tudo como está significa manter Graça – ou Graciosa como prefere Dilma – na presidência da Petrobras. E mais os diretores que ela queira manter.

Dilma e Graça não são apenas queridas amigas. Não seria o bastante. São aliadas. Cúmplices em tudo que a Graça faça com o aval de Dilma.

Daí o empenho de Dilma em proteger Graça do mar de lama que ameaça afogar a Petrobras e subir a rampa do Palácio do Planalto.

De sua parte, Graça tudo tem feito para se proteger – e proteger Dilma. Nada disse até aqui que comprometa a amiga.

E outro dia, para preservar a si mesma, transferiu bens para os nomes de parentes, uma maneira de escapar de um eventual bloqueio deles.

Se Dilma mandasse Graça embora não estaria apenas pondo em risco a biografia da amiga, mas também a sua.

Afinal, o que teria havido? Dilma falhara na escolha da principal executiva da mais importante empresa do país? Ou fora traída por ela?

Num caso como no outro, errara fortemente. E logo numa área na qual se considera especialista.

Despachar Graça seria também por em risco a própria biografia de Dilma.

De resto, Graça à frente da Petrobras serve de escudo a Dilma. É uma cabeça que Dilma preserva para entregar em caso de extrema necessidade.

O que Graça tem dito como resposta às revelações feitas por Venina Velosa da Fonseca, ex-gerente da Petrobras, está longe de convencer o distinto público de que fala a verdade.

Como é possível que não tenha convocado Venina para uma conversa e perguntado o que ela queria dizer ao se referir em e-mails a “irregularidades” e a “esquartejamento” de projetos?

Como é possível que não tenha desconfiado que Venina sabia de muita coisa depois de ela ter denunciado corrupção na área de comunicação da empresa? Afinal, a denúncia de Venina acabara comprovada.

Com mais de 30 anos de carreira na Petrobras, como é possível que Graça não fizesse a mais pálida ideia da roubalheira praticada ao seu redor?

Se fez ideia e não tomou providências é criminosa. Se não fez é incompetente. Vale a mesma coisa para Dilma.

Espantoso é o silêncio ensurdecedor dos milhares de funcionários da Petrobras e de seus sindicatos. A que se deve isso?

À cumplicidade com a roubalheira?

Ao aparelhamento da empresa pelos partidos?

Ao medo de perder benefícios e regalias?

A tudo isso junto - e muito mais?

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Segundo mandato virou caso de polícia.

Não foi apenas uma eleição roubada no abandono da ética, na falta do decoro, no uso da máquina pública, na calúnia e na desqualificação dos adversários. Não são apenas as ações na Justiça contra um segundo mandato cada vez mais cercado pela ilegitimidade. Cercada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal, pelo Tribunal de Contas da União, pela Justiça Federal e por alguns membros do Supremo Tribunal Federal, com a Operação Lava Jato listando ministeriáveis entre os corruptos, Dilma não consegue montar uma equipe de trabalho na ante véspera da sua posse. Ontem, chegou a presidente chegou ao cúmulo, dizendo que vai consultar o MPF antes de nomear ministros. A declaração é uma prova de que, sozinha, Dilma não tem força para barrar a nomeação dos corruptos do PT e da base aliada. Quer que a "polícia" lhe dê argumentos para não nomear. Conseguiu, com isso, acordar até mesmo Joaquim Barbosa, o ex-presidente do STF. A matéria abaixo é do Estadão.

Aposentado desde julho, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa criticou nesta segunda-feira, 22, a presidente da República, Dilma Rousseff, horas após ela afirmar que consultaria o Ministério Público Federal (MPF) antes de nomear os ministros de seu segundo governo.  Em quatro mensagens publicadas em sua página no Twitter, Barbosa usou a ironia para afirmar que a medida serve para saber se os cotados para o primeiro escalão do governo foram citados em depoimentos da Operação Lava Jato.

"Ministério Público é órgão de contenção do poder político. Existe para controlar-lhe os desvios, investigá-lo. Não para assessorá-lo", reagiu Barbosa no Twitter. Antes de ser nomeado ministro do Supremo em 2003 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Barbosa era integrante de carreira do Ministério Público Federal.

Em outra das mensagens, Joaquim Barbosa criticou indiretamente os cotados para assumir a cadeira vazia no STF desde sua aposentadoria. "Onde estão os áulicos tidos como candidatos a uma vaga no STF, que poderiam esclarecer: Ministério Público não é órgão de assessoria!!!". Nos bastidores de Brasília, circula a informação de que o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, chefe do MPF, trabalha para ser nomeado.
Barbosa disse ainda que Dilma é mal assessorada. "Há sinais claros de que a chefe do Estado brasileiro não dispõe de pessoas minimamente lúcidas para aconselhá-la em situações de crise". Segundo ele, a atitude da presidente reeleita é sintoma de "degradação institucional". Também na rede social, ele explicou o motivo: "Nossa presidente vai consultar órgão de persecução criminal antes de nomear um membro de seu governo!!!"

Ao longo deste ano, Barbosa foi sondado por integrantes da oposição a Dilma para se filiar a um partido e disputar um dos cargos em jogo. Candidatos oposicionistas ao Planalto, como Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) chegaram a flertar com ele para obter apoio. Mas Barbosa não declarou apoio. Em eleições anteriores, ele admitiu ter votado em Lula e em Dilma. A assessoria da Presidência da República afirmou que não comentaria as críticas de Barbosa.

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O conluio entre Dilma e Graça.

Perceberam que o discurso de Dilma Rousseff, na tentativa de desqualificar as denúncias de Venina da Fonseca, é exatamente  o mesmo de Graça Foster? Que tudo é tão ensaiadinho como se as duas tivessem passado a noite juntas, estudando e combinando cada palavra. Vejam o que Dilma Rousseff disse:

“Como é que você tipifica uma alegação sem provas? Tem alguma prova apresentada sobre qualquer conduta da presidente da Petrobras, Graça Foster? Eu conheço a Graça. Eu sei da seriedade da Graça. Sei da lisura da Graça. Acho que é importante saber qual é a prova que apresentou. Eu dizer que te falei, que eu quero? Eu tenho que provar que eu falei. Não há dúvida daquilo que a Graça já respondeu, que houve informação sobre aquela questão relativa – como é que chama? – a comunicação e houve alteração a partir dali. De outro lado, a Graça assumiu a direção da Petrobras e mudou toda diretoria”

“Nós precisamos da Polícia Federal, do Ministério Público, precisamos do Judiciário e de uma lei chamada delação premiada para descobrir o que ocorreu. Senão, você não descobre. Então, é de um simplismo absurdo supor que alguém tivesse noção do que estava acontecendo porque estava lá na diretoria, porque era encoberto. É próprio desses processos serem encobertos.”

As palavras de Dilma e Graça Foster, como colocamos no post anterior, apenas justificam a fortalecem a posição de Venina. Esta funcionária não poderia, sozinha, enfrentar os seus superiores corruptos, sob pena de sofrer duras retaliações. Não poderia fazer acusações diretas. Ela estava buscando apoio e não encontrou. Encontrou uma cúmplice de alguém ainda mais poderosa do que os diretores corruptos que a cercavam. É o que a Oposição, com toda a razão, está manifestando.

“As informações são extremamente graves. Quando a corrupção deixa de ser o fato feito por ausência de caráter de um indivíduo ou de um grupo político já é grave. Quando é algo institucionalizado dentro de uma empresa e as providências não são tomadas, mesmo com tantos alertas feitos, é realmente algo inédito na nossa história contemporânea. Eu acho que a presidente da Petrobras perdeu todas as condições de ficar à frente da empresa. Cabe à presidente da República substituí-la, e vai fazer isso no tempo”, comentou o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente do partido.

“Após as declarações e os elogios da presidente Dilma Rousseff em apoio à presidente Graça Foster, a Graça Foster já não tem que responder por mais nada. A presidente puxou para si toda a responsabilidade do escândalo da Petrobras. O próprio procurador-geral da República já solicitou a mudança da diretoria da Petrobras, e ela insiste e avaliza todas as ações feitas pela Graça Foster?”, questiona o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO).

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Graça Foster queria o quê? Que Venina desenhasse?

É um absurdo a entrevista de Graça Foster, presidente da Petrobras, concedida ontem ao Jornal Nacional, na tentativa de desqualificar as graves denúncias de Venina da Fonseca, feitas ao jornal Valor Econômico e reiteradas ao vivo no Fantástico, no último domingo. A presidente da Petrobras disse que a sua subordinada nunca falou em corrupção, conluio, lavagem de dinheiro. E como poderia? Ela estava fazendo um alerta! Ninguém, a não a ser o MPF, pode indiciar alguém desta de forma. Venina não era a Polícia Federal para acusar frontalmente um esquema poderoso como o montado dentro da Petrobras. Graça Foster não ouviu sua colega e depois subordinada porque não quis e porque está envolvida. Ao que tudo indica, seu papel maior é blindar a atual presidente da República. Graça Foster queria o quê? Que Venina desenhasse para que ela entendesse que a funcionária estava buscando apoio para impedir o conluio, a corrupção, a lavagem de dinheiro? Obviamente, pela entrevista matreira, malandra, esperta concedida por Graça Foster, Venina Fonseca bateu na porta errada. Até quando este Urutu da Dilma vai continuar mentindo para o país, como o fez na CPI, neste troca-troca de proteção mútua com a Presidente da República, que mandou e desmandou na Petrobras nos últimos 12 anos?

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Ida de Graça ao MPF constrangerá a Petrobras

A decisão de Dilma Rousseff de manter Graça Foster no comando da Petrobras submeterá a estatal a um novo teste de resistência. Graça deve ser intimada a prestar esclarecimentos ao Ministério Público Federal, em Curitiba. Afastada, iria ao depoimento como ex-presidente. Mantida, carregará o peso da logomarca para dentro da sala de interrogatórios.

Deve-se à ex-gerente Venina Velosa Fonseca o provável depoimento de Graça. Na semana passada, ela foi inquirida na Procuradoria por quase cinco horas. Esmiuçou o relato sobre a forma como Graça e outros dirigentes da Petrobras fizeram ouvidos moucos para os alertas a respeito de irregularidades na companhia. Entregou documentos aos procuradores.

A simples cogitação de intimar Graça é um prenúncio de que o time da Lava Jato levou Venina a sério. Inicialmente, a ainda presidente da Petrobras deve ser ouvida como testemunha. Para manter essa qualificação, talvez tenha de soar um pouco mais convincente do que na entrevista concedida nesta segunda-feira (22). A dúvida que se insinua é: como ficará a cotação das ações da Petrobras no dia em que os procuradores crivarem sua presidente de perguntas? Dilma talvez seja levada a fazer por pressão o que não fez por opção.

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Dilma vive a psicose do que ainda vai acontecer

Num país de tantos roubos e delações, Dilma Rousseff descobriu um sentimento inédito de vulnerabilidade. Vive a psicose do que ainda está por acontecer. A uma semana da reposse, a presidente ainda não preencheu as lacunas do seu ministério. Prometeu aos repórteres que divulgará os nomes até o dia 29. Antes, fará uma consulta ao Ministério Público Federal. Que não responderá imediatamente, para manter a independência.

Quando Dilma estiver saindo do Alvorada, com a lista de nomes sob a axila, o procurador-geral da República Rodrigo Janot telefonará, finalmente, para passar as instruções que as leis e as circunstâncias autorizam: “Use aquele terninho vermelho.” Dilma, já pronta, tirará o tailleur bege, vestirá a peça recomendada e irá para a entrevista coletiva, no Planalto.

Ao recorrer a Janot, Dilma dá um inesperado exemplo de humildade. Com os aliados que o antecessor lhe deixou, ela precisa mesmo habituar-se à ideia de que sua rotina passará a ser dirigida pela Procuradoria da República. Nos mínimos detalhes. Se Janot não lhe ministrar ensinamentos regulares sobre estética, o governo perderá por completo o apuro.

Com o procurador-geral tomando as decisões, Dilma ficará livre para tocar o seu projeto prioritário: a implantação do regime draconiano para a perda de 13 quilos. Enquanto a presidente se dedica ao auto-emagrecimento, há sempre a alternativa de entregar o país nas mãos de Deus. Ou do Lula, que, para o petismo, é a mesma coisa. Mas o poder divino tem conduzido o governo à desmoralização. Melhor não insistir.


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Blog do Noblat

Coitada da Venina. A direção da Petrobrás tenta desqualificá-la


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Se Dilma tiver ao menos 5% de sua grande cabeça ocupada pelo juízo, Graça Foster sai agora. Ou: O Falcão expõe as garras nos Estados

É detestável que a Petrobras me obrigue a interromper aquele que é, a rigor, meu primeiro dia de férias. E por quê? Porque entregaram a empresa a uma quadrilha, e essa quadrilha, por sua vez, era a operadora de um projeto de poder que tem como protagonista um partido político. Já chego lá.

Estava viajando quando o Fantástico foi ao ar. Na noite deste domingo. Assisti à entrevista de Venina Velosa da Fonseca, a executiva da estatal que botou a boca no trombone, na reapresentação do programa, na GoboNews. Se Dilma tiver ao menos 5% de sua avantajada cabeça tomada pelo juízo, Graça Foster amanhece ex-presidente da Petrobras nesta terça. Aliás, a própria Graça poderia fazer um favor à sua amiga e cair fora.

Não resta dúvida: Venina advertiu, sim, Graça para uma série de desmandos na Petrobras. Também José Carlos Cosenza, atual diretor de Abastecimento e sucessor de Paulo Roberto Costa, tomou conhecimento das denúncias. Sérgio Gabrielli, ex-presidente da empresa, idem. Os e-mails são evidentes. Se Venina só veio ou não a público em razão de algum ressentimento, isso é irrelevante.

Ela reafirmou todas as suas denúncias  na entrevista ao Fantástico, deixou claro que a diretoria sabia de tudo e disse ter fornecido documentos ao Ministério Público Federal. Dilma confia em Graça? Pior para o país. Venina está determinada e parece disposta, se preciso, a enfrentar a presidente da Petrobras cara a cara. Aliás, o comando da emprsa insiste em desqualificar aquela que, até outro dia, era considerada tão competente que até mereceu um alto cargo em Cingapura.

E que se note: o caso de Venina é muito diferente do de seu ex-chefe Paulo Roberto. Ela não é investigada em nada. Contar o que sabe não lhe traz vantagem nenhuma – a rigor, só lhe causa prejuízo. Mesmo assim, sem contar com nenhum benefício futuro, como Paulo Roberto ou Alberto Youssef, decidiu dizer o que sabe.

Venina reafirmou que, ao confrontar Paulo Roberto sobre superfaturamento, este teria apontado para o retrato de Lula, então presidente da República, e para a sala de Gabrielli, indagando: “Você quer derrubar todo mundo?” .É evidente que, ao dizê-lo, o então diretor de Abastecimento sugeria que Lula sabia de tudo.

Não, ouvintes, eu não vou abandonar a minha tese! A Petrobras não é exceção, mas regra. O que se viu na estatal se repete em toda parte. É um método. E quem o comprova é Rui Falcão, presidente do PT.

Neste domingo, no Estadão, Falcão confessa que o partido está mapeando os cargos do governo federal nos Estados para fazer o que ele chama de “recall”. Nas suas palavras: “Estamos fazendo um mapa dos cargos federais nos Estados para saber quem é quem, quem indicou, qual a avaliação que a gente tem disso, e fazer uma proposta (de nomes à presidente”.

É claro que ele deveria ter vergonha de dizer essas coisas, mas ele não tem. É que o PT pode perder alguns cargos na Esplanada dos Ministérios, e os companheiros já estão pensando uma forma de compensação.

Um desastre como o que está em curso na Petrobras é parte de um modo de entender a coisa pública.

Será que o Projeto Reinaldo Ensolarado começa nesta segunda? No país em que a política é caso de polícia, nunca se sabe.


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Blog do Josias

Graça Foster deve ser chamada a depor no MP

O depoimento da ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca ao Ministério Público Federal produzirá consequências. Novos inquéritos serão abertos para apurar desvios na estatal. E a presidente da companhia, Graça Foster, deve ser convocada a prestar depoimento. Os procuradores que cuidam da Operação Lava Jato querem ouvir também José Carlos Cosenza, que sucedeu o delator Paulo Roberto Costa no comando da diretoria de Abastecimento.

Deve-se a informação aos repórteres Juliano Basile e André Guilherme Vieira. Sob proteção policial, Venina foi interrogada por quase cinco horas, em Curitiba, na última sexta-feira. Falou sobre as irregularidades que reportou aos seus superiores durante cinco anos. Inclusive a Graça e a Cosenza. Repassou aos procuradores seu computador e documentos que atestariam a veracidade de suas afirmações.

Parte do papelório refere-se à refinaria de Abreu e Lima, assentada em Pernambuco. Trata-se daquela obra que, superfaturada, saltou de US$ 4 bilhões para US$ 18 bilhões. Um dos documentos repassados à Procuradoria revelam que Venina elaborou, a pedido de Paulo Roberto Costa, um plano para acelerar a execução das obras. Coisa de 8 de março de 2007.

Venina argumentou que o pedido de Paulo Roberto resultaria numa elevação de US$ 328,7 milhões nos custos do empreendimento. Ela diz que o plano foi submetido à diretoria da Petrobras e, depois, ao Conselho de Administração da estatal, presidido à época pela então ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).

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Como o mensalão, petrolão é a máfia sem capo

Na noite da chegada do verão carioca, aberto oficialmente às 21h03 de um domingo abafadiço, com picos de 39,1 graus no Rio, Venina Velosa da Fonseca esquentou a pauta do Fantástico. Com os lábios no trombone há dez dias, a ex-gerente da Petrobras falou à repórter Glória Maria. Contou uma novidade: além dos alertas enviados por e-mail, conversou pessoalmente com Graça Foster, em 2008, sobre irregularidades que grassavam na estatal.

No mais, Venina repetiu o que o repórter Juliano Basile já havia noticiado no diário Valor Econômico. Com uma diferença: a letra fria do jornal foi substituída pela cara compungida da denunciante na tevê. Voz tranquila, pausas adequadas, português correto, raciocínio lógico, tudo em Venina parecia afastá-la do perfil de doidivanas contrariada que a Petrobras tenta traçar nas linhas e, sobretudo, nas entrelinhas de seus comunicados oficiais.

Num dos trechos mais inquietantes da entrevista, Venina repetiu de viva voz uma passagem que saíra no jornal. Ela foi à sala do seu superior hierárquico, o então diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, para reportar irregularidades que farejara em contratos da área de comunicação. Sugeriu a apuração dos desvios. Paulo Roberto, hoje delator e corrupto confesso, teve uma reação inusitada.

“… Ele ficou muito irritado comigo. A gente estava sentado na mesa da sala dele, ele apontou para o retrato do presidente Lula, apontou para a direção da sala do Gabrielli [então presidente da Petrobras] e perguntou: você quer derrubar todo mundo? Aí eu fiquei assustada e disse: olha, eu tenho duas filhas, eu tenho que colocar a cabeça na cama e dormir. No outro dia, eu tenho que olhar nos olhos delas e não sentir vergonha.”

Procurado, Lula não quis comentar as declarações de Venina. Natural. Paulo Roberto tornara-se diretor da Petrobras em 2004, sob Lula. Era da cota do PP, um dos partidos do conglomerado governista. Mas Lula, como sabem todos, não sabia de nada. A propósito, Lula veiculara mais cedo, também no domingo, um vídeo no qual declara que “o povo quer mais ética”. E aconselha Dilma Rousseff a “continuar a política de forte combate à corrupção.”

Lula nem precisava dizer. Também neste domingo, 11 jornais latino-americanos veicularam uma entrevista da presidente da República. Nela, Dilma declara que não há uma crise de corrupção no Brasil, informa quer não existem pessoas intocáveis no país e sustenta que a petroladroagem só toma de assalto as manchetes porque a Polícia Federal do seu governo é extraordinariamente implacável.

Considerando-se que Lula não sabia e que Dilma nada enxergara nem no tempo em que presidira o Conselho de Administração da Petrobras, resta concluir o seguinte: a exemplo do que sucedera na época do mensalão, a excentricidade da não-crise atual é a corrupção acéfala, a máfia sem capo.

Onde estão os chefes? Eis a pergunta que parte da plateia volta a se fazer, sem obter resposta. Enquanto Lula e Dilma reivindicam o papel de cegos atoleimados, Graça Foster, que também não viu coisa nenhuma, pede para ser vista como a mulher menos curiosa do planeta.

Graça alega que os e-mails que Venina lhe enviou eram confusos. A denunciante lamenta não ter sido procurada para desfazer a confusão. “Nós sempre tivemos muito acesso”, contou Venina. “Eu conhecia a Graça na época que ela era gerente de tecnologia, na área de gás, e eu era gerente do setor, na área de contratos. Éramos próximas. Então, ela teria toda a liberdade de falar: ‘Venina, o que está acontecendo’?”

Na Petrobras e no Planalto, insinua-se que Venina não é santa. Ainda que seja pecadora, interessa saber se o que ela diz procede. Por sorte, a denunciante já presto depoimento de cinco horas ao Ministério Público Federal. Repassou documentos aos procuradores. Tudo a reforçar que a sensação de que a maior estatal do país tornou-se uma Chicago sem Al Capone.

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Ratocracia!



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E aquela diretoria que fura poço?
Ricardo Noblat

Nada de mais exato foi dito até aqui para definir a pretensão dos partidos políticos na hora de lotearem o governo em nome da governabilidade.

“Aquela diretoria que fura poço” é uma expressão cunhada por Severino Cavalcanti (PP-PE), ex-presidente da Câmara dos Deputados, que renunciou ao mandato para escapar de ser cassado. Havia recebido um “mensalinho” de concessionário de restaurantes da Câmara.

Severino não queria um cargo qualquer para alguém do seu partido – de preferência, um nome escolhido por ele.

Queria algo equivalente a uma diretoria da Petrobras responsável por “furar poço”.

Um emprego desses mexe com muito dinheiro. E por mexer, permitiria a transferência de uma fatia dele para financiar campanhas eleitorais e enriquecer os mais destacados membros do PP.

Por que o espanto? Guarde seu espanto para o que lhe passo a contar.

Você já deve ter ouvido falar do ex-deputado Valdemar Costa Neto, ex-presidente do Partido da República (PR).

Sim, é aquele mesmo do processo do mensalão, condenado a sete anos e 10 meses de prisão em regime semiaberto por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Ficou preso 11 meses.

Cumpre o resto da pena em casa, em Brasília. Pode ser encontrado com frequência na sede do PR, uma sala alugada no Bloco D, Torre A do edifício Liberty Mall.

O presidente de direito do PR é Alfredo Nascimento, ex-ministro dos Transportes, demitido por Dilma em 2011 sob suspeita de corrupção.

O presidente de fato é Valdemar. Nada se faz dentro no PR sem a aprovação dele.

O PR é um partido de porte médio. Saiu da eleição deste ano com 34 deputados federais – tinha 32. E com quatro senadores, o mesmo número que tinha.

Seu apoio na eleição para presidente da República foi intensamente disputado por Dilma e Aécio Neves.

Tudo porque ele dispunha de um minuto e poucos segundos de propaganda eleitoral. Mercadoria que valia ouro.

Dilma venceu a disputa. Para tal foi obrigada por Valdemar a chafurdar na lama.

De dentro da Penitenciária da Papuda, onde ainda estava preso, ele cobrou de Dilma a cabeça de César Borges, ministro dos Transportes.

César é do PR, mas uma vez ministro passou a ignorar Valdemar. Só fazia o que Dilma mandava. Foi submetido à humilhação de ser transferido para uma função menos importante.

Ainda não satisfeito, Valdemar cobrou também a cabeça do general Jorge Ernesto Fraxe, diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT), subordinado ao ministro dos Transportes.

Trata-se de um dos cargos mais cobiçados na República. Lida com muito dinheiro. Até 2016, somente na recuperação de estradas federais, gastará R$ 16 bilhões. Imagine!

Valdemar levou a cabeça do general. Pelo acordo firmado com Dilma, uma vez que ela se reelegesse, o PR indicaria o novo ministro dos Transportes e o diretor-geral do DNIT.

Valdemar espera que ela cumpra a palavra. Não é tão simples para ele manter unido o PR a serviço do governo.

De resto, sai caro. Deputados e senadores pedem ajuda o tempo todo. Alguns mensalmente.

Ah, se a Polícia Federal escutasse os acertos que rolam para a montagem do futuro governo.

Reproduzem-se as condições necessárias para que ele funcione como uma incubadora de escândalos. Meritocracia?

Salvo raras exceções, esqueça. Prevalecerá o tome lá (cargos e grana fácil) me dê cá (votos no Congresso).

Era uma vez o mensalão.

O petrolão ainda está no forno.

A seguir... Aguardem. Só um pouco.


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Blog do Josias

Sarney fez do Brasil puxadinho de sua biografia

Principal representante vivo da irracionalidade arcaica brasileira, José Sarney despediu-se do Senado e dos quase 60 anos de atividade política. Planejou a própria imolação com o esmero de um Napoleão se descoroando. Discursou por quase uma hora para um plenário ermo. Vangloriou-se o tempo todo, exceto num parágrafo, que reservou à autocrítica.

“Precisamos levar a sério o problema da reeleição, que precisa acabar, estabelecendo-se um mandato maior”, disse. “Até fazendo mea-culpa, de arrependimento, eu penso que é preciso proibir que os ex-presidentes ocupem qualquer cargo público, mesmo que seja cargo eletivo. […] Eu me arrependo, acho que foi um erro que eu fiz ter voltado, depois de presidente, à vida pública.”

A caída em si de Sarney foi extraordinária. Só não atingiu a plenitude da perfeição porque chegou com o atraso de uma vida. Ainda assim, trouxe uma dose de alívio. A alturas tantas, Sarney declarou-se grato “ao povo brasileiro”, que lhe deu “a oportunidade de ser presidente da República.” Como se sabe, não foi bem assim.

Depois de encher as praças na luta pelas eleições diretas, a Nova República viu subir ao poder, pela via indireta do Colégio Eleitoral, José Sarney, o vice mais versa da história, grande amigo da ditadura militar até seis meses antes. O povo brasileiro é inocente. Sarney deve sua presidência às conspirações do acaso e às bactérias que invadiram o organismo de Tancredo Neves atrás de encrenca.

Sarney foi um presidente da República precário. Governou mal tão bem que não teve condições políticas de indicar um nome para sucedê-lo. Seu aval cairia sobre qualquer candidatura como uma sentença de morte. Mas havia um grande número de brasileiros dispostos a lançar um olhar condescendente sobre sua ex-presidência.

A despeito de tudo o que houve de execrável na sua gestão, Sarney completara, aos trancos e barrancos, a transição da ditadura para a primeira eleição direta. Deu em Fernando Collor. Mas essa é outra história. O que impediu a reabilitação historiográfica foi a decisão de Sarney de continuar o seu destino de Sarney, candidatando-se a senador pelo Amapá.

Eleito, reeleito e re-reeleito, Sarney foi mais Sarney do que nunca. Presidiu o Senado quatro vezes. Estrelou o escândalo dos atos secretos. Deu emprego a uma sobrinha de sua mulher que morava em Campo Grande; deu um contracheque a uma sobrinha do genro que residia em Barcelona; alçou à folha do Estado um personagem (“Secreta”) que trabalhava como mordomo na casa da filha Roseana Sarney…

Não era o Amapá ou o país que tinha um senador. Era Sarney que tinha o Brasil. Sob FHC e Lula, foi brindado com pedaços do Estado. Sempre fez da administração pública o seu ápice existencial. Cavalgando-a, alcançou a prosperidade privada. Seu nome fundiu-se ao patrimonialismo. Sarney transformou o Brasil em puxadinho de sua próspera biografia.

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Sem graça!




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Blog do Noblat

Escândalo na Petrobras - O problema é de Lula e Dilma
Ricardo Noblat

Perguntaram a Lula o que ele achava da situação de Graça Foster, presidente da Petrobras, envolvida no escândalo da empresa. Lula respondeu:

- Não acho nada. Isso é problema da presidente Dilma, não meu. Não posso dar palpite.

Quanta humildade, pois não? Quanta sensatez. Quanto respeito à dona do governo, a presidente Dilma.

O que deu em Lula? Logo nele que se mete em tudo do governo e tenta mandar mais do que Dilma?

Lembrei-me de uma frase de Rubens Ricúpero, ex-ministro da Fazenda do governo Itamar Franco, dita em 1994 antes do início de uma entrevista à TV Globo, mas captada por antenas parabólicas. A frase, que cito de cor:

- O que é bom a gente mostra. O que é ruim a gente esconde.

Lula é craque em se ligar ao bom, quer o bom seja obra dele ou não, e em se distanciar do ruim. Mesmo do ruim produzido por ele. Cubra-se de glórias!

Graça na presidência da Petrobras foi escolha de Dilma, amiga dela, que a chama de Graciosa. Mas o esquema de roubalheira montado na Petrobras carrega a impressão digital de Lula.

Pressionado por partidos, Lula cedeu à vontade deles e nomeou diretores para a Petrobras destinados a roubar e a deixar roubar. Deu-se o mesmo com José Sérgio Gabrielli, nomeado por Lula presidente da empresa.

Dilma entra de santa na história?

De jeito nenhum. Por mais que negue – e diretamente até agora ele não se proclamou inocente – Dilma sabia, sim, o que estava em curso na Petrobras. E fingiu não saber.

Se era desejo de Dilma salvar a empresa da lama que ameaça engolfa-la, isso não a torna menos responsável pelo que aconteceu ali. Que arque, portanto, com as consequências. Sozinha ou na companhia de Lula.

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A penúltima da Dilma: pacto contra a corrupção!

Dilma Rousseff está muito preocupada com a corrupção. Isso ficou nítido na cerimônia em que ela recebeu no TSE o diploma de presidente reeleita. Num discurso de 16 minutos e 17 segundos, a presidente citou a ‘Petrobras’ oito vezes. Pronunciou a palavra ‘corrupção’ seis vezes. Isso sem contar uma menção a ‘irregularidades’ e outra a ‘malfeitos’. A lama prevaleceu com folgas sobre a ‘inflação’, lembrada pela oradora uma mísera vez. Pouca gente reparou. Mas foi um discurso histórico.

Doze anos depois da chegada do PT ao poder federal, Dilma estufou o peito como uma segunda barriga e bradou: “Chegou a hora de firmarmos um grande pacto nacional contra a corrupção, envolvendo todos os setores da sociedade e todas as esferas de governo. Esse pacto vai desaguar na grande reforma política que o Brasil precisa promover a partir do próximo ano.”

Dilma avisou que “a guerra contra a corrupção” não será fácil. Não, não. Absolutamente. “A corrupção, como outros pecados, está entranhada na alma humana”, disse ela. Exige “permanente vigilância”. Prepare-se, a presidente conta com a sua ajuda. A tarefa não é de responsabilidade apenas das instituições ou do governo, alertou Dilma. A missão é de “toda a sociedade.”

Dilma deixou claro que os brasileiros podem contar com ela: “O que mais quero oferecer ao meu país é a luta renovada…” Reiterou seu “compromisso com a ética”, potencializado pelo seu “exemplo de integridade e de honestidade pessoal.” Daí a sua inabalável “determinação de apurar e punir todo tipo de irregularidades e malfeitos.”

Abre parênteses: em matéria de honradez, Dilma trava com seu antecessor uma renhida disputa. Difícil saber qual dos dois é mais íntegro. Na semana passada, discursando para militantes petistas, Lula havia se comparado aos antagonistas tucanos: “Eu vou contar uma coisa pra vocês”, declarou. “Não sou melhor do que ninguém. Mas se enfiar todos eles, um dentro do outro, eles não são mais honestos do que eu. Não são!” Fecha parênteses.

Antes que alguém tente desmerecer o pacto proposto por Dilma, é bom que se diga: a exemplo de Lula, ela sempre defendeu o combate à corrupção. O que atrapalha a dupla é que suas frases não conseguiram passar do estágio da retórica para a prática. Acontece o mesmo com a reforma política. Todo mundo apoia, desde que as mudanças não eliminem as mumunhas nem desmontem os esquemas.

No gogó, o governo brasileiro é o mais bem-intencionado do mundo. A transição da saliva para o fato é que faz desandar a receita. A pirataria na Petrobras apenas potencializou pantomima, aproximando o Brasil do escárnio. Não é culpa do PT e dos seus aliados, esclareceu Dilma: a corrupção “não é defeito ou vício, como querem alguns, exclusivo de um ou outro partido.”

Dilma já não culpa o PSDB. Tampouco menciona o legado tóxico de FHC. Ela agora insinua que o verdadeiro culpado é o colonizador português: “Estamos purgando, hoje, males que carregamos há séculos. Assim como a mancha cruel da escravidão ainda deixa traços profundos na desigualdade social, o sistema patrimonialista de poder, que atravessou séculos e séculos da nossa história nos deixa uma herança nefasta, cujo traço mais marcante é, ainda, a não dissolução plena dos laços nocivos entre o que é público e o que é privado.”

Dilma avisou que vai “convidar todos os Poderes da República e todas as forças vivas da sociedade para elaborarmos, juntos, uma série de medidas e compromissos duradouros.” Mas a presidente pede a você que não espere muito da iniciativa dela: “não é um conjunto de novas leis que irá resolver, por si só, este grave problema. É preciso uma nova consciência, uma nova cultura fundada em valores éticos profundos.”

É preciso que você faça a sua parte, alertou Dilma. A “nova consciência” ética não vai jorrar de uma jazida do pré-sal. Ela terá de “nascer dentro de cada lar, dentro de cada escola, dentro da alma de cada cidadão e ir ganhando, de forma absoluta, a esfera pública, as instituições – e todos os núcleos de decisões, tanto no âmbito público como no âmbito privado.”

A redenção não virá do dia para a noite. A presidente fez as contas. “Temos que criar uma nova consciência de moralidade pública e imbuir deste espírito as atuais e as próximas gerações. Sei que esse é um trabalho de mais de uma geração.” Quer dizer: se Dilma não estiver enganada, dentro de 30 ou 40 anos o Brasil será um país de mostruário. “Quero ser a presidenta que ajudou a tornar este processo irreversível”, prontificou-se a reeleita.

Durante a campanha eleitoral, Lula levou a cara à propaganda da televisão para declarar que o segundo mandato de Dilma será muito melhor do que o primeiro. Para que o segundo reinado fique ainda mais perfeito, será necessário providenciar um vilão. Mas tem que ser um vilão inquestionável, desses que a maldade está na cara.

Um vilão assim exibiria um riso cínico no canto da boca antes de, por exemplo, entregar diretorias da Petrobras ao Paulo Roberto Costa, ao Renato Duque, ao Nestor Cerveró e aos seus padrinhos políticos do PP, do PT e do PMDB. Um vilão genuíno entregaria o comando da Transpetro ao Sérgio Machado, homem do Renan Calheiros, sem deixar dúvidas sobre a indecência do seu ato.

A exemplo do que sucedera na gestão Lula, o que atrapalha o governo de Dilma é o excesso de qualidades dos gestores públicos e dos seus apoiadores. São um bando de patriotas simpáticos, fazendo vilanias com as melhores das intenções. Frequentam um mundo no qual não existe diferença entre aplicar o orçamento público em benefício da sociedade ou mandar a verba para uma conta numerada na Suíça.

Ao atribuir toda a amoralidade governamental à herança ibérica, Dilma açula a imaginação dos brasileiros. Ah, como seria diferente o Brasil se naquele 22 de abril os portugueses tivessem sido escorraçados de nossas praias. Uma nação habitada apenas por índios teria vantagens e desvantagens. Para começar, você e sua carga genética europeia ou africana não existiriam. Em compensação, também não existiriam os renans, os sarneys e outras greis. E ninguém seria obrigado a conviver com o cinismo. Ou com propostas de pacto anticorrupção. Que às vezes são a mesma coisa.

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Nada em meio ao ermo!



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Em 2014, horror e maravilha!

Estamos chegando ao fim de 2014, ano em que horror e maravilha se encontram. O horror é de todos conhecido a esta altura. O estado brasileiro está sendo assaltado, espoliado, dilapidado.

O estado, meus caros, reúne tudo e nada ao mesmo tempo: nele estão as instituições, o ordenamento jurídico, os direitos assegurados, as expectativas de direito, os valores que nos permitem conviver de forma mais ou menos harmoniosa etc. Mas, quando falamos em estado, as pessoas desaparecem, somem, perdem, como dizia o poeta, a sua carnadura concreta.

Sim, o estado, numa democracia, nada mais é do que o conjunto dos interesses dos cidadãos traduzido numa ordem abstrata. Estados existem para servir aos indivíduos, não o contrário. Ora, mas são tantos os interesses, tão distintas as inclinações, tão diversas as convicções, tão várias as ideologias, que cabe a pergunta: “Pode um ente abarcar tamanha largueza?”.

A resposta: pode, sim! E tanto mais o fará quanto menos fizer. Vale dizer: o estado mais presente é o menos presente. Um estado gigante deixa de ser um árbitro para ser uma parte do jogo. E produzirá injustiças em penca. Precisamos de um estado mais forte e mais presente na segurança pública, na educação e na saúde. E precisamos que ele saia com urgência da operação da economia propriamente dita. Ao fazê-lo, ele deixa de articular as diferenças e passa ser uma espécie de gendarme em favor de uns poucos privilegiados.

A roubalheira na Petrobras, à diferença do que diz a presidente Dilma, não é apenas obra de indivíduos, de pessoas. É mais do que isso: a roubalheira na Petrobras é fruto de um modelo de gestão, de um sistema, de um modo de entender a coisa pública, como deixou claro  o ministro Gilmar Mendes em entrevista exclusiva ao programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan.

Não estamos sendo assaltados apenas por uma quadrilha. Estamos sendo assaltados, também, por farsantes ideológicos — o que significa, então, a farsa dentro da farsa. Sob o pretexto de produzir justiça social, um bando destrói o patrimônio brasileiro e compromete o futuro do país. Pior para todos nós, mas especialmente para os pobres.

Mas eu falei que o ano de 2014 também traz sinais de maravilha. Percebo um saudável despertar das consciências; noto que é crescente o inconformismo como esse estado de coisas; meus radares detectam uma insatisfação saudável com aqueles que se querem donos do nosso destino. Ao mesmo tempo em que as safadezas da Petrobras nos deixam estarrecidos, elas também nos informam que, de verdade, donos do nosso destino somos nós mesmos.

A democracia não comporta salvadores da pátria; a democracia não comporta demiurgos; a democracia não comporta discursos salvacionistas. A cada dia, mais gente se mostra insatisfeita com esse jogo rasteiro do “nós contra eles”, da política exercida como guerra de todos contra todos, o que, como vemos, só atende aos interesses de ladrões e vigaristas ideológicos.

Sabem por que a Petrobras se tornou aquele antro? Porque os que passaram a decidir seus destinos agem como vencedores de uma guerra sem regras. À moda de tempos idos, de pouco apuro moral e ético, acreditam que a vitória lhes dá o direito de saquear, de estuprar, de humilhar, de eliminar os sobreviventes.

A sociedade está aprendendo a reagir e ganha as ruas não para demonizar pessoas, mas para reivindicar o cumprimento das leis definidas pelo jogo democrático.

Este blog  é parte dessa luta e se orgulha muito disso. Não serve a este ou àquele, mas pensa e se posiciona sem falsos pudores. Não tem receio de chamar as coisas e as pessoas pelos seus respectivos nomes. Não ofende, mas confronta. Não agride, mas diz “não” quando julga ser o caso. Não concede, mas diz “sim” quando também julga ser o caso. Não trai jamais seus leitores porque não esconde o que pensa; não se refugia no conforto de uma posição nem-nem; escolhe sempre um caminho.

E nós seguiremos adiante: com alegria, com determinação, com destemor — já que a coragem não deve ser tomada como atributo de homens raros. É só uma obrigação.


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Blog do Reinaldo Azevedo

O louco discurso de Dilma na cerimônia de diplomação. Ou: Os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem destruir. Ou ainda: Toffoli e “terceiro turno”

Já lembrei isto à presidente Dilma Rousseff uma vez e o faço de novo: “Quos volunt di perdere, dementant prius” — “Os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem destruir”. A citação com todos os termos no singular é mais conhecida: “Quem vult deus perdere dementat prius” — “Deus primeiro enlouquece aquele a quem quer destruir”.

A presidente Dilma Rousseff e Michel Temer, seu vice, foram diplomados nesta quinta-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral. Dilma se esqueceu de que recebia ali o documento que lhe permite tomar posse do segundo mandato e resolveu pensar como uma socióloga nefelibata, do tipo que anda com a cabeça nas nuvens e os pés também. A governanta decidiu se referir à roubalheira na Petrobras e, ora vejam!, dividir as suas culpas conosco. Na verdade, tudo bem pensado, foi ainda mais grave: a presidente nos tomou a todos como corruptos — os brasileiros no geral.

Ao falar sobre o que é preciso para coibir a ladroagem na estatal, disse: “É preciso uma nova consciência, uma nova cultura, fundada em valores éticos profundos. Ela tem de nascer dentro da cada lar, dentro de cada escola, dentro da alma de cada cidadão e ir ganhando de forma absoluta as instituições”.

Com a devida vênia, a presidente enlouqueceu. Retiro. Esse discurso não tem né pé nem cabeça nas nuvens. Tem é os dois pés no chão e as duas mãos também. Quer dizer que há fatores, digamos, antropológicos e socioculturais que explicam os desvios praticados por diretores nomeados pelo PT e uma corja de políticos? Dilma está a dizer que o país todo é corrupto e que o que se praticava na Petrobras é a nossa rotina.

É mesmo? Quem nomeou Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró? Foi o cidadão comum, o estudante, a dona de casa, eu, você? A propósito: eles foram nomeados por quê? E aqui cumpre lembrar como esta senhora pretende mudar a cultura brasileira: ela vai dar uma vice-presidência do Banco do Brasil a Anthony Garotinho, candidato derrotado ao governo do Rio pelo PR e com uma extensa, como direi?, ficha na Justiça. O que ele entende do assunto? Por que vai assumir o posto? É a sua especialidade que o conduzirá ao cargo?

A presidente investiu ainda no nacionalismo tosco: “Alguns funcionários da Petrobras, empresa que tem sido e vai continuar sendo o nosso ícone de eficiência, brasilidade e superação, foram atingidos no processo de combate à corrupção. Estamos enfrentando essa situação com destemor e vamos converter a renovação da Petrobras em energia transformadora do nosso país. Temos de punir as pessoas, não destruir as empresas. Temos de saber punir o crime, não prejudicar o país ou sua economia”.

É mesmo? Fale com o mercado, minha senhora! Fale com os investidores. Converse com os acionistas que foram lesados dentro e fora do país. Infelizmente para nós, é mentira que a Petrobras seja um exemplo de eficiência. Ao contrário: a empresa não consegue nem fechar o seu balanço e está virando pó. Infelizmente para nós, é mentira que o que se deu lá seja uma exceção. O que se fez por lá é método.

O presidente do TSE, Dias Toffoli, também discursou. Afirmou: “Não haverá terceiro turno na Justiça Eleitoral. Que os especuladores se calem. Já conversei com a Corte, e é esta a posição inclusive do nosso corregedor-geral eleitoral. Não há espaço para terceiro turno que possa vir a cassar o voto destes 54,5 milhões de eleitores”.

Certo. Vamos explicar. Não haverá terceiro turno porque não há terceiro turno previsto em lei, certo? Quanto ao mais, diga-se o óbvio: se aparecer algum crime eleitoral que venha a ensejar a perda de mandato, reivindicá-la, deve concordar o ministro Toffoli, não é “terceiro turno”, mas exercício do Estado de Direito. Se o crime aparecer, cassar o mandato é não é “terceiro turno”, mas exercício do Estado de Direito. De resto, a sombra que se projeta sobre o mandato de Dilma não está na esfera eleitoral, mas criminal. A propósito, doutor Toffoli: quando a Câmara dos Deputados aceitou a denúncia contra Fernando Collor por crime de responsabilidade, aquilo foi terceiro turno ou cumprimento da lei e da Constituição?

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GILMAR MENDES, EXCLUSIVO: Petrolão revela que corrupção é um método. E mais: Estão querendo usar o Supremo como “laranja” de um projeto político

Gilmar Mendes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e, atualmente, membro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), concedeu nesta quinta uma entrevista ao programa “Os Pingos nos Is”, que ancoro na rádio Jovem Pan AM e FM — todos os dias, entre 18h e 19h. De passagem por São Paulo, o ministro compareceu aos estúdios da emissora e conversou comigo e com os meus parceiros de “Pingos”: Mona Dorf e Patrick Santos.  Mendes falou sobre o petrolão, a reforma política, a proibição da doação de empresas a campanhas eleitorais e os critérios para a composição do Supremo, entre outros temas. Para o ministro, o petrolão não representa apenas um ponto fora de uma curva. Ao contrário: segundo ele, o maior escândalo de corrupção de que se tem notícia é um método. Mendes vai além e diz que há gente tentando usar o Supremo como “laranja” de um projeto político.

Vamos ver. Há algum tempo, o ministro ironizou: “Comparado ao petrolão, o mensalão poderia ser julgado por um tribunal de pequenas causas”. O que isso significa? Ele mesmo explica: “Eu disse essa frase num contexto muito especial. Todos nós falávamos que eram R$ 170 milhões o dinheiro movimento naquele escândalo. Agora, nós estamos a ver um mero gerente da Petrobras a devolver algo em torno de R$ 250 milhões. E já se fala em devolução de R$ 600 milhões só no âmbito da delação premiada”.

Seria isso uma exceção, algo ocorrido só na Petrobras? Ele responde: “Estamos a ver algo extremamente grave. É o aparelhamento do Estado, que decorre da mistura entre o público e o privado, entre o partido e o Estado.” Tudo para financiar legendas?  “Não — diz o ministro. Nós vimos que isso [os desvios] não se destina apenas à vida partidária. Há uma patrimonialização dessa apropriação. Isso parece ser do partido, do sistema. Há uma normalização do mal e a adoção da corrupção como método de ação.”

E a proibição da doação de empresas privadas a campanhas? Segundo Mendes, trata-se de uma “tentativa de manobrar o Supremo para fazer a reforma eleitoral imaginada por um partido”. Sim, ele se refere ao PT, defensor da tese. O ministro diz o óbvio: a eventual proibição seria “um estímulo ao caixa dois”. E ele pergunta: como se pode definir a forma de financiamento se ainda não se sabe nem qual será o sistema adotado para a eleição do Parlamento — se voto distrital, distrital misto ou o proporcional, como hoje.  E é peremptório: “Estão usando o Supremo para outra finalidade; querem que ele seja ‘laranja’ de um golpe político”.

Mas, afinal, o petrolão não evidencia que a roubalheira nasce das doações de empresas? Vamos ver o que pensa o ministro: “Estamos vendo que a corrupção não existe porque existe a doação privada. Esse caso da Petrobras, além de provar que há corrupção sistêmica, evidencia que o desvio não existe apenas para verter dinheiro para os partidos. Isso não passa de um argumento-álibi”.

Imprensa livre
A equipe de “Os Pingos nos Is” indagou se existe mesmo o risco de bolivarianização dos tribunais no Brasil, atrelando-os ao Poder Executivo. Mendes deixa claro que, se a ameaça não é iminente, a possibilidade, no entanto, sempre existe, uma vez que há forças que padecem, digamos, de “tentações hegemonistas” — essa expressão é minha, não dele. E qual é o remédio?

A vigilância! Feita por quem? Por indivíduos livres, como sempre, e, ele deixa claro!, por uma imprensa que não tenha nenhum outro compromisso que não seja a informação. Para o ministro, a melhor garantia que tem o país de contar com um Poder Judiciário independente é a plena liberdade de imprensa.

É uma sorte o pais contar com um ministro como Gilmar Mendes na corte constitucional. Perguntamos a ele se vislumbra alguma dificuldade a partir de julho de 2016, quando será o único ministro não nomeado por Lula ou Dilma. Ele se disse tranquilo e afirmou que confia na institucionalização de procedimentos na escolha dos futuros nomes. Mas reiterou: o maior aliado de um Judiciário independente é uma imprensa igualmente independente.

Para ouvir a íntegra da entrevista, clique aqui

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Petrolão: inquéritos contra políticos ficarão para 2015

Na VEJA.com:
Os políticos envolvidos no megaesquema de corrupção operado na Petrobras, descoberto a partir da Operação Lava Jato, só serão denunciados ou investigados em fevereiro do ano que vem. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai esperar a volta do recesso do Judiciário para encaminhar ao Supremo Tribunal Federal (STF) os pedidos de abertura de inquérito contra parlamentares e autoridades citados nas delações do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef.

O Poder Judiciário entra em recesso nessa sexta-feira, e o STF permanecerá em esquema de plantão até o dia 31 de janeiro. Nesse período, só são tomadas decisões em medidas urgentes pelo ministro em plantão. Por isso, Janot vai levar os inquéritos ou eventuais denúncias – se não for necessária investigação – contra os políticos apenas em fevereiro.

Ele já havia informado que, com a análise das delações de Youssef e Paulo Roberto Costa, já tinha elementos suficientes para pedir ao STF o “desmembramento” dos casos. Permanecerão no Supremo inquéritos contra parlamentares, autoridades com prerrogativa de foro e casos em que a atuação no esquema estiver diretamente ligada aos políticos. A delação de Alberto Youssef já foi encaminhada pelo PGR ao relator da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki. Cabe ao ministro homologar a delação, assim como fez no caso de Paulo Roberto Costa.

Nas delações feitas em Curitiba (PR), Costa e Youssef citaram “dezenas” de parlamentares, segundo o próprio ex-diretor. Eles relataram repasses para políticos como os senadores petistas Gleisi Hoffmann (PR) e Humberto Costa (PE), além de partidos como PP e PMDB e do tucano Sérgio Guerra, que morreu em março. A Polícia Federal também interceptou diálogos entre Youssef e os deputados André Vargas (sem partido-PR) e Luiz Argôlo (SD-BA).

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Bons tempos aqueles de CPIs barulhentas!
Ricardo Noblat

Nos fim dos anos 80 do século passado, Ulysses Guimarães, o mais poderoso político da oposição, simultaneamente presidente do PMDB, da Câmara e da Assembleia Nacional Constituinte, cometeu duas frases que se tornaram famosas — a segunda mais que a primeira.

A primeira: “O bom de frequentar o Piantella é que jamais somos importunados por lobistas”.

Reduto, na época, de parlamentares da oposição, o restaurante Piantella funciona até hoje em Brasília. A frase de Ulysses já não se aplica a ele. De resto, lobistas ocupam todos os espaços públicos de primeira linha da cidade.

A segunda: “Cheguei ao Congresso em 1951. Aprendi que o Parlamento de hoje é pior que o de ontem, embora melhor que o de amanhã”.

Em tese, o exercício da boa política seria capaz de sobreviver à ocupação pelos lobistas dos mais disputados lugares de Brasília. À degradação do Congresso, certamente que não.

Ulysses viu com antecedência o lento, gradual, mas inexorável processo de aviltamento do exercício da política entre nós. E esse é um dos motivos pelos quais as CPIs estão condenadas cada vez mais a se tornar um fiasco.

Diz a lenda que CPI, no passado, costumava resultar em punições — quase sempre cassação de mandatos e de direitos políticos. E que isso já não ocorre. É verdade. Mas nem tanto.

Duas barulhentas CPIs contribuíram para a construção da lenda: a do Collor, de 1992, e a do Orçamento, de 1993. Presidente eleito em 1989, Collor foi acusado por seu irmão Pedro de roubar e de deixar roubar. Acabou cassado.

A CPI do Orçamento pediu a cassação de 18 parlamentares acusados de se beneficiar de esquema de propina que desviou R$ 100 milhões. Empreiteiras faziam parte do esquema. Dos 18, apenas 6 foram cassados. E 4 renunciaram.

As CPIs perderam fôlego desde então. A que em 2006 apurou roubalheira no Ministério da Saúde, a Máfia dos Sanguessugas, pediu a cassação de 72 parlamentares. Nenhum foi cassado.

No passado, os políticos cobravam propinas para financiar suas campanhas. Hoje, cobram também para enriquecer. O aparelhamento do Estado, elevado à condição de obra de arte pelo PT, serviu para que os governos montassem folgadas maiorias para sustentá-los no Congresso, evitando o aborrecimento de enfrentar CPIs.

Deputado à Constituinte de 1988, Lula disse que o Congresso reunia 300 picaretas. Pois bem: com o mensalão, e o roubo na Petrobras, Lula quase multiplicou por dois esse número.

Dilma seguiu as pegadas dele. No caso da Petrobras, orientou seus liderados no Congresso para que sabotassem os trabalhos de duas CPIs. E assim se fez. Enquanto para o público externo Dilma se dizia interessada em apurar tudo “doa a quem doer”, para o interno mandava que nada se apurasse. Simples assim.

Não deve ultrapassar a casa dos 30 o número de políticos metidos com o escândalo da Petrobras. A ser assim, o teto do Congresso continuará de pé. Ao cabo, poucos serão punidos.


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Blog Chumbo Grosso

PREFEITO DE BOM CONSELHO ESTÁ FORAGIDO

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o habeas-corpus impetrado pela defesa do prefeito de Bom Conselho, Danilo Godoy (PSDB). A decisão deixou o prefeito na condição de foragido, podendo ser preso a qualquer instante.

Ele e os estudantes Jocelino Ramos de Carvalho Filho e Eduardo Cavalcante Ramos de Carvalho são acusados pelo homicídio de Rufino Gomes de Araújo Neto, dono de academia de artes marciais e professor de jiu-jitsu em João Pessoa (PB), conhecido como Morceguinho.

A decisão do relator revogou liminar anteriormente deferida que concedia direito à liberdade provisória aos três acusados. Rufino Gomes teria sido morto por conta de uma briga ocorrida durante o Fest Verão de 2011, na cidade de Cabedelo (PB), envolvendo o furto de uma garrafa de uísque. Testemunhas disseram que Morceguinho envolveu-se na briga para defender um amigo e foi morto pelos pernambucanos dias depois, em um crime premeditado.

DECISÃO

O ministro assentou em sua decisão que a Primeira Turma do STF consolidou entendimento no sentido da inadmissibilidade do uso de habeas corpus em substituição ao recurso ordinário, previsto na Constituição Federal. Contudo, salientou que o colegiado tem examinado a possibilidade da concessão da ordem de ofício. No entanto, segundo o ministro, não é o caso dos autos.

O relator observou que o decreto prisional expedido pelo juízo de origem está devidamente fundamentado na conveniência da instrução criminal, na garantia da ordem pública e na preservação de futura aplicação da lei penal.

Segundo o ministro, de acordo com a jurisprudência do STF, “a gravidade concreta dos fatos até então apurados justifica a custódia cautelar para a garantia da ordem pública”. As prisões, diz o relator, foram determinadas com base na gravidade concreta dos fatos, aferida diante do modo cruel do crime e da periculosidade dos acusados.

Origem: Blog do Magno Martins

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PREFEITO DE BOM CONSELHO PODE SER PRESO

Está no Blog de Magno Martins e no site Agreste Agora:

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o habeas-corpus impetrado pela defesa do prefeito de Bom Conselho, Danilo Godoy (PSDB). A decisão deixou o prefeito na condição de foragido, podendo ser preso a qualquer instante.

Ele e os estudantes Jocelino Ramos de Carvalho Filho e Eduardo Cavalcante Ramos de Carvalho são acusados pelo homicídio de Rufino Gomes de Araújo Neto, dono de academia de artes marciais e professor de jiu-jitsu em João Pessoa (PB), conhecido como Morceguinho.

A decisão do relator revogou liminar anteriormente deferida que concedia direito à liberdade provisória aos três acusados. Rufino Gomes teria sido morto por conta de uma briga ocorrida durante o Fest Verão de 2011, na cidade de Cabedelo (PB), envolvendo o furto de uma garrafa de uísque. Testemunhas disseram que Morceguinho envolveu-se na briga para defender um amigo e foi morto pelos pernambucanos dias depois, em um crime premeditado.

Decisão

O ministro assentou em sua decisão que a Primeira Turma do STF consolidou entendimento no sentido da inadmissibilidade do uso de habeas corpus em substituição ao recurso ordinário, previsto na Constituição Federal. Contudo, salientou que o colegiado tem examinado a possibilidade da concessão da ordem de ofício. No entanto, segundo o ministro, não é o caso dos autos.

O relator observou que o decreto prisional expedido pelo juízo de origem está devidamente fundamentado na conveniência da instrução criminal, na garantia da ordem pública e na preservação de futura aplicação da lei penal.

Segundo o ministro, de acordo com a jurisprudência do STF, “a gravidade concreta dos fatos até então apurados justifica a custódia cautelar para a garantia da ordem pública”. As prisões, diz o relator, foram determinadas com base na gravidade concreta dos fatos, aferida diante do modo cruel do crime e da periculosidade dos acusados.

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Relator petista da CPI da Petrobras muda relatório e pede a cabeça de Graça Foster.

O Palácio do Planalto foi pego de surpresa nesta quarta (17) com a declaração do relator da CPI da Petrobras, o petista Marco Maia (RS), de que Graça Foster e os demais diretores da Petrobras não têm mais condições de continuar dirigindo a empresa. Foi a primeira vez que um membro do PT defendeu publicamente a troca na diretoria da estatal após as denúncias da Operação Lava Jato.

Segundo assessores presidenciais, Dilma Rousseff se irritou com a fala de Maia, principalmente por ele ocupar função chave na CPI, e escalou o ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) para rebater o deputado. Nas últimas semanas, o papel de defesa da estatal tem sido executado por José Eduardo Cardozo (Justiça).

Em entrevista nesta quarta, Berzoini disse que o governo tem total confiança na gestão de Foster e da sua diretoria. Ele elogiou ainda os procedimentos adotados pela empresa para investigar as denúncias de corrupção. "[Falei] Em relação a uma declaração que o relator da Petrobras fez como análise política e não com juízo em relação ao seu relatório e que pode evidentemente gerar apreciações equivocadas sobre a opinião que é nossa e de todos que conhecem o desempenho, a competência e o compromisso da Graça Foster com a Petrobras", disse. Segundo ele, sempre que alguém fizer comentários sobre Graça, o governo irá se manifestar.

Marco Maia alterou seu relatório final nesta quarta para incluir o pedido de indiciamento de cerca de 50 suspeitos de participar do esquema de corrupção na estatal. Na lista há os ex-diretores da petroleira Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque, e dois ex-gerentes, Pedro Barusco e Silas Oliva. Mas nem o afastamento de Graça e dos atuais diretores, nem o seus indiciamentos constam do relatório final.

Por falta de quórum, a CPI encerrou as atividades desta quarta sem votar nenhum dos relatórios apresentados. A sessão, suspensa à tarde, recomeçou após as 21h. Reuniões de CPIs só podem ocorrer quando não há votações na Câmara e no Senado. Após confusão --alguns parlamentares diziam ainda havia votações no Senado--, a comissão deu início à apreciação do relatório de Maia. Antes que a votação fosse concluída, porém, a sessão foi encerrada por falta de quórum. Nova reunião foi marcada para esta quinta (18). Nesta quarta, a oposição apresentou relatório paralelo à CPI pedindo abertura de processo de improbidade contra Dilma e indiciamento de Graça.(Folha de São Paulo)

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Os acenos da foto podem ser lidos como "tchau, Mercosul", "tchau, Foro de São Paulo"...Apesar do renitente punho cerrado do índio cocalero...

Nenhum presidente do Mercosul tinha conhecimento da reabertura de relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, durante a Cúpula encerrada ontem, em Buenos Aires. A notícia caiu com uma bomba na reunião. Sobraram discursos tortos. O fato histórico ameaça o discurso bolivariano, desmancha o já capenga Foro de São Paulo e tem mais efeito na Venezuela, que sobrevive do discurso de ódio aos americanos, do que em Cuba, neste momento. Da mesma forma, quebra as pernas da caloteira Argentina. E da Bolívia que, de quando em vez, expulsa diplomatas americanos que, agora, terão livre trânsito na ilha de Fidel. Dilma, a tresloucada, tentou tirar uma casquinha com o Porto de Mariel que, ao que tudo indica, servirá de atracadouro para navios de cruzeiro entre os dois países. Pagamos um porto para os americanos curtirem férias no Caribe. A foto do encontro é um monumento à perplexidade de um Mercosul cada vez mais isolado.


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Blog do Josias

Se Paulo Maluf é Ficha Limpa, tudo é permitido

As circunstâncias conspiravam a favor da lógica. Condenado por improbidade administrativa num processo sobre superfaturamento das obras de um túnel, Maluf havia sido enquadrado pelo TRE-SP na lei que exige ficha limpa dos candidatos. O TSE confirmara a sentença. Maluf recorrera. E o recurso foi a julgamento na noite passada.

Criou-se para os ministros do TSE uma versão pós-eleitoral do dilema hamletiano: barrar Maluf ou barrar Maluf?, eis a questão. E os magistrados, por 4 votos a 3, optaram pela única alternativa que a lógica tornara indisponível: liberaram o Maluf.

Desse jeito, não resta à plateia senão concordar com uma velha tese de Dostoiévski: se Deus não existe, tudo é permitido. Se Paulo Maluf não é ficha suja, extinguem-se sobre a Terra todos os valores éticos e morais.

Os 250 mil votos que São Paulo deu ao higienizado personagem serão validados. Maluf será diplomado e assumirá mais um mandato de deputado federal. Quanto a você, sinta-se à vontade para invadir um asilo e esganar meia dúzia de velhinhos. Se preferir, pode optar pelo auto-esganamento. Tudo é permitido.

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Obama colhe em Cuba fruto que já apodreceu

Filhote do Muro de Berlim, o cinquentenário bloqueio econômico dos Estados Unidos a Cuba apodreceu há pelo menos 25 anos, junto com a unificação da Alemanha. Ao reativar as relações diplomáticas de Washington com Havana, Barack Obama apenas colhe o fruto podre. Sem grande esforço, empurra para dentro de sua biografia um feito histórico.

Mal comparando, Obama entrega à historiografia mundial uma passagem análoga à reaproximação com a União Soviética (Roosevelt) e à aterrissagem dos interesses americanos na China comunista (Nixon). Faz isso por pragmatismo político e econômico.

Politicamente, as providências anunciadas por Obama fazem sentido porque, como ele próprio reconheceu, “esses 50 anos mostraram que o isolamento não funcionou”. Fidel Castro aposentou-se. Vestiu agasalho Adidas. Mas não foi deposto.

Economicamente, as medidas são sensatas porque potencializam um processo que liberará o empresariado americano para usufruir da abertura econômica de Cuba, que engatinha. Algo que canadenses, europeus e até brasileiros já vêm fazendo.

O fim do embargo, disse Obama, depende de decisão do Congresso americano, que terá maioria republicana nas duas casas a partir de 2015. Pode demorar um pouco. Mas a excrescência será abolida. Pela simples e boa razão de que manter o embargo não faz o menor nexo.

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Petrobrás na bacia das almas!



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Graça Foster se despede da Petrobras. A bola está com Dilma
Ricardo Noblat

Por três horas, Graça Foster, presidente da Petrobras, disse, ontem, o que queria dizer à imprensa e respondeu a perguntas sobre a roubalheira dentro da empresa.

Pareceu sincera ao falar sobre a maioria das coisas. Mas inocente, não.

Antes que lhe perguntassem por que ainda não pediu demissão do cargo foi logo dizendo que o pôs três vezes à disposição de Dilma. E que ela o recusou.

Não disse por quê. Compreensível que não tenha dito. Cabe a Dilma dizer se quiser.

- A coisa mais importante para esta diretoria é a Petrobras, muito mais importante do que meu emprego ou qualquer coisa – comentou.

Lugar comum. Clichê.

Se a Petrobras fosse a coisa mais importante para ela, teria sido mais cuidadosa com a empresa. E não cúmplice, no mínimo por omissão, com os desmandos ocorridos ali.

Somente com a compra da refinaria Pasadena, no Texas, a Petrobras amargou um prejuízo de R$ 1,8 bilhão, segundo a Controladoria Geral da União.

Que isentou de culpa Graça, Dilma e os demais membros do Conselho de Administração da empresa.

Nada se faz na Petrobras sem a concordância do Conselho. Nada.

Dilma presidia o Conselho quando Pasadena foi comprada. Em sua defesa, disse que se baseou num parecer “técnico falho”.

O tal parecer tinha menos de duas páginas. Dilma poderia ter tido acesso a mais de 100 páginas referentes à compra.

Não o fez. Nem ela, nem Graça, nem os outros membros do Conselho.

- Eu preciso ser investigada. Nós, diretores e gerentes, precisamos ser investigados. E isso leva tempo – disse Graça, humilde.

Para deixar claro, em seguida, que sua saída da Petrobras ou a de algum outro diretor significará a saída de toda a diretoria.

- Quanto aos diretores, eu não conseguiria trabalhar sem eles. Temos uma convivência dentro da companhia e compartilhamos as dificuldades e preocupações — afirmou Graça.

Quanto ao futuro da Petrobras, Graça contou que pediu ao governo federal uma posição sobre a situação das empresas envolvidas na corrupção.

Caso eles sejam proibidas de participar de novas licitações, Graça teme o atraso em obras e o impacto disso nas metas de crescimento da produção de petróleo.

De alguma forma, Graça saiu em defesa das maiores empreiteiras ao dizer taxativamente:

- As grandes empresas, nós precisamos delas. Ou então vamos ter de fazer licitações internacionais a toda hora.

Ora, que se faça. A corrupção é que não pode ser premiada.

A entrevista de Graça soou dentro da Petrobras como uma despedida dela e dos demais diretores.

A bola está nos pés de Dilma, redondinha, redondinha. Mas ela hesita em chutá-la.

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Em vez de pedir demissão, Graça força um chororô decoroso e deixa claro que balanço da Petrobras não terá credibilidade nem 700 dias. É espantoso!

Graça Foster, a presidente da Petrobras, concedeu nesta terça-feira uma entrevista patética a um grupo de jornalistas. Ele admite que a empresa não tem condições de estimar o rombo provocado pela roubalheira. Tentando afetar uma humildade decorosa, afirmou que ela própria e todos os diretores podem e devem ser investigados. Também acho. Mas, para tanto, ela tem de sair de lá. Ela e todos os parceiros de diretoria. Disse, no entanto, que seguirá no cargo enquanto contar com o apoio da presidente Dilma Rousseff. Ok. É a outra Luluzinha quem decide. Mas a confiança da amiga vale muito pouco diante da desconfiança do mercado. Enquanto isso, a Petrobras derrete.

Disse Graça: “Não há a menor segurança de que em 45 dias, 90 dias, 180 dias, 365 dias, 700 dias, de que virão todas essas informações [sobre os desvios] em sua plenitude, porque pode vir uma informação agora e, depois, três ou quatro anos… Não sei como vai ser isso”. Diga aí,  leitor, que empresa de auditoria aceitaria assinar um troço desses?

Graça concedeu a entrevista no dia em que a Controladoria Geral da União admitiu que, só na operação de compra da refinaria de Pasadena, a empresa teve um prejuízo de US$ 659 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão), menor do que os US$ 792 milhões (R$ 2,1 bilhões) apontado antes pelo TCU. Como esquecer que, há não muito tempo, a mesma Graça que fez ontem seu exercício de humildade, foi ao Congresso para defender a compra, dizendo que ela era justificada à época?

Não só isso. Também foi ela quem assegurou no fim de março que não havia sinais de pagamento de propina na relação da Petrobras com a empresa holandesa SBM Offshore, conforme havia noticiado a VEJA em fevereiro. No mês passado, ela confirmou que havia, sim, irregularidades, das quais ela saberia desde meados do ano. É mesmo? E ela contou isso pra quem?

Ah, sim: a CGU determinou que a Petrobras instaure processos para cobrar o prejuízo de 22 pessoas, apontadas como responsáveis pela compra da refinaria de Pasadena, incluindo o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli, os ex-diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada.

A sangria da Petrobras parece não ter fim e tende a piorar, com os processos que começam a pipocar no exterior. Mais: se a estatal não apresentar o seu balanço devidamente auditado até o primeiro semestre do ano que vem — e quem se atreve a fazer essa auditoria?, insisto na pergunta —, aquela que já foi a maior empresa brasileira passa a figurar na “lista de inadimplentes” da Comissão de Valores Mobiliários. Essa lista reúne as empresas que não cumpre suas obrigações com a comissão e funciona como uma advertência para afastar investidores.

A Petrobras, hoje, está condenada. E Dilma parece não ter se dado conta do tamanho do problema. É espantoso!

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Sabem que importância tem o acordo entre Obama e os Irmãos Castro? Nenhuma!

Cuba é um fetiche. Datado, sim, mas ainda um fetiche. Para esquerdistas e direitistas. Que importância efetiva tem no mundo? Nenhuma! De que forma pode interferir nos destinos do Planeta ou que peso político tem no Caribe ou na América Latina? Inferior a zero. Do país, restou a memória de uma revolução que seduziu esperançosos e incautos e que terminou numa ditadura feroz, ainda capaz de arreganhar os dentes ao menos aos nativos.

A chamada Crise dos Mísseis, em 1962, reforçou o simbolismo. Krushev, o líder soviético, mandou instalar mísseis nucleares em Cuba, em suposta resposta à decisão americana de instalar esse armamento na Turquia, na Itália e na Grã-Bretanha. Teve de sair com o rabo entre as pernas. O presidente Kennedy endureceu o jogo, e o mundo chegou bem perto de uma guerra nuclear. O líder soviético acabou retirando toda aquela estrovenga na ilha.

Se querem mais informações a respeito, assistam ao magnífico documentário “Sob a Névoa da Guerra: Onze Lições da Vida de Robert S. McNamara”, de Errol Morris, lançado em dezembro de 2003. McNamara foi o secretário de defesa dos EUA entre 1961 e 1968 e conta detalhes impressionantes daquela crise. Adiante.

Depois de uma troca de prisioneiros, o presidente Barack Obama decidiu normalizar, no limite do possível, as relações com a Cuba dos irmãos Castro. Haverá troca de embaixadores, as restrições para o envio de dinheiro à ilha diminuirão, poderá haver cooperação tecnológica etc. Ainda não é o fim do embargo, o que só pode ser decidido pelo Congresso dos EUA. Atenção: a divisão, nesse caso, não se dá entre democratas e republicanos. Nos dois partidos, há ferozes críticos dessa aproximação.

Dificilmente o embargo chegará ao fim enquanto Cuba não permitir eleições livres e enquanto o país funcionar em regime de partido único. O embargo, como já deixei claro aqui em outro texto, nada tem a ver com a penúria em que vivem os cubanos, mas fornece munição ideológica a Fidel e Raúl Castro. Se caísse amanhã, o país seguiria sendo uma fazendola de ditadores jecas.

O alarido que se faz por aí em razão desse acordo, mediado pelo papa Francisco, remete a um mundo que já não há, ainda que Cuba tenha deixado alguns maus resquícios na consciência latino-americana. Regimes excrescentes como o venezuelano, o equatoriano, o boliviano e o nicaraguense são filhos diletos do castrismo. São ditaduras mitigadas, mas ditaduras ainda assim.

Não deixa de ser curioso que o governo americano busque a aproximação com Cuba quando impõe sanções à Venezuela, que, bem, ainda não é um regime cubano, mas sonha ser. Obama logra um pequeno êxito, em meio a uma notável coleção de desastres em política externa, e os Castros conseguem uma folguinha e dão uma aparência mais civilizada à ditadura.

Só para constar: o regime comunista de Cuba, ainda em vigência, é um dos mais criminosos do planeta. Estimam-se em 100 mil os mortos de sua “revolução” — 17 mil fuzilados, e os demais, creiam, afogados, tentando deixar o país. Doze milhões de cubanos moram na ilha, mas os exilados passam de dois milhões. O regime castrista criou o primeiro campo de concentração da América Latina. O país ainda prende pessoas por delito de opinião e conserva presos políticos em suas masmorras.

Reitero: não tem mais importância nenhuma, mas restou, para os esquerdistas nada preocupados com os direitos humanos, como símbolo da luta anti-imperialista. Para os anticomunistas, como símbolo do horror de que são capazes as esquerdas quando chegam ao poder.

Assim, meus caros, deixo claro: sabem qual é o impacto que tem no mundo o acordo costurado entre Obama e os Irmãos Castro? Inferior a zero. Mas rende notícia que é uma barbaridade.

Só para não deixar passar: quem mantém relações especiais com Cuba, estes sim, são os petistas, aqui do Brasil. Afinal, a ilha recebe quase R$ 1 bilhão por mês em razão do programa “Mais Médicos”. Todo mundo sabe que o dinheiro sai. Se, depois, ele volta, não há como saber. Ditaduras não gostam de fornecer informações. E, não custa lembrar, o Brasil financiou a construção do porto de Muriel com verbas do BNDES. Quanto? A informação é considerada sigilosa.

Cuba não tem importância, mas pode servir a propósitos nem sempre transparentes dos países amigos.

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CPMI DA PETROBRAS – Nada como o eleitor para levar um político a descobrir a diferença entre a verdade e a farsa

Pois é… Que bem a democracia e a liberdade de informação fazem à verdade e até à reputação dos petistas, não é mesmo? Chega a ser comovente a rapidez e a determinação com que o deputado Marco Maia (PT-RS) mudou de ideia sobre o relatório da CPMI da Petrobras. Ele não iria pedir o indiciamento de ninguém: agora, vai pedir de 52. Ele até havia reconhecido corrupção na compra da refinaria de Pasadena, mas considerou que a operação estava adequada aos valores de mercado. Agora, não mais: admite um prejuízo de US$ 561,5 milhões — aproximadamente, R$ 1,5 bilhão. Ainda é inferior aos US$ 792 milhões apontados pelo TCU, mas já é uma montanha de dinheiro para quem achava não haver nada de muito errado até anteontem.

Entre aqueles que o relator acha que devem ser indiciados estão Renato Duque, o ex-diretor de Serviços indicado pelo PT; Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento indicado pelo PP; Nestor Cerveró, o ex-diretor da área Internacional indicado pelo PMDB, e Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços, braço-direito do petista Duque. Sim, Maia, inicialmente, não queria pedir o indiciamento nem de Barusco, embora este tenha aceitado devolver nada menos de US$ 97 milhões aos cofres públicos. O relator pede ainda que 20 empresas sejam investigadas, incluindo todas as empreiteiras que aparecem na Operação Lava Jato. Entre os crimes apontados por ele, estão formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, crime contra a ordem tributária e destruição de provas judiciais.

O que levou Maia a mudar de ideia? O medo das urnas. Ele percebeu que o assunto “Petrobras”, desta feita, não vai morrer logo. A empresa pode morrer primeiro. E o seu relatório restaria para a história como um símbolo da indignidade. Imaginem o Congresso Nacional, pelas suas mãos, a referendar as ações da quadrilha que tomou conta da empresa. E, vocês sabem, quem tem eleitor tem medo.

O parlamentar pernambucano Ricardo Fiuza, que já morreu, dizia que não há nada mais importante para fazer um político mudar de ideia do que o “fato novo”, tenha ou não esse fato conexão com a mudança. Maia precisava de uma desculpa para justificar a nova postura. E achou: até a auditoria da Controladoria-Geral da União aponta os descalabros. Ele só precisava de uma desculpa. E encontrou.

Muito bem: mesmo assim, a oposição decidiu apresentar um relatório paralelo, em que pede também o indiciamento de Graça Foster e aponta a proximidade de Dilma Rousseff com Paulo Roberto Costa. Como negar? O homem chegou a ser convidado para ser… ministro das Cidades!

Ainda que o relatório aprovado seja o do governista Maia, o Congresso se livra de um novo vexame. Só para lembrar: uma CPI foi instalada em 2009 para investigar irregularidades na Petrobras foi esmagada pela base governista. Eram tempos em que José Sérgio Gabrielli posava de ditador da Petrobras e recebia prêmios internacionais. De lá pra cá, a empresa perdeu R$ 602 bilhões em valor de mercado — 25 anos de Bolsa Família. Desta feita, os fatos se impuseram à determinação de nada investigar.


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Blog do Coronel

PSDB no TSE contra diplomação de Dilma.

Do Painel da Folha, sob o título parcial " Tapetão natalino", como se não houvesse motivos para que o partido conteste a diplomação de Dilma e como se a lei não desse esta prerrogativa ao PSDB:

O PSDB decidiu apresentar hoje ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral para pedir a cassação do próximo mandato de Dilma Rousseff por abuso de poder político na campanha. Um dos exemplos citados para justificar a representação será a suspeita de que os Correios favoreceram a entrega de material gráfico da candidatura petista. A ação precisa ser apresentada antes da diplomação da petista, que está marcada para amanhã.

3 em 1 A nova ofensiva tucana no TSE inclui ainda representação por irregularidades no financiamento de campanha e Ação de Impugnação de Mandato Eletivo.

Destinatário Esse tipo de ação é de competência do corregedor-geral eleitoral, o ministro João Otávio de Noronha, conhecido por ter boas relações com o PSDB.

Preventivo O PSDB, que vem dizendo que não incentivará movimentos pelo impeachment de Dilma, quer ter com essas ações uma carta na manga para, caso se comprove ligação das contas da campanha com o escândalo da Petrobras, pedir a cassação.

Outro front Também hoje, no relatório alternativo na CPI da Petrobras, os tucanos pedirão a responsabilização civil de todos os membros do conselho da estatal que aprovaram a compra da refinaria de Pasadena, ente eles Dilma.

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Após manobra fiscal, governistas ensaiam farra

Dilma Rousseff precisa chamar os líderes do seu condomínio partidário para saber de que lado estão. Num instante em que a presidente apela à ortodoxia de Joaquim Levy para tentar consertar o descalabro fiscal que legou para si mesma, seus aliados no Legislativo informam: responsabilidade fiscal é como virgindade. Perdeu, está perdido. Não tem replay.

Na madrugada de terça-feira, o Diário Oficial foi impresso com a sanção de Dilma Rousseff ao projeto de lei que alterou a meta fiscal para permitir ao governo fechar suas contas de 2014 no vermelho. À noite, em sessão que entrou pela madrugada desta quarta-feira (17), a bancada governista despejou votos na medida provisória 656, convertida numa espécie de lixão fiscal.

Enviada pelo Planalto com 38 artigos, a MP chegou ao plenário com 168. Trata de 43 temas diferentes. Carrega um entulho que inclui desde o refinanciamento das dívidas de clubes de futebol até a redução de impostos para a aquisição de armas. Da mudança na tributação de bebidas à prorrogação de vantagens fiscais para a indústria automobilística das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Uma peculiaridade une as duas iniciativas. A proposta que instituiu a manobra fiscal de 2014 e a MP que empurra um aterro para dentro das contas de 2015 tiveram um mesmo relator: o polivalente senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Durante mais de três horas, a votação da MP fluiu sob uma atmosfera de normalidade anormal. Do lado de fora, caía um temporal que fez transbordar o espelho d’água Congresso, inundando o salão da entrada do prédio de Niemeyer. Do lado de dentro, os deputados choviam na horta de diferentes lobbies.

Na versão original de Dilma, a MP 656 continha, entre outras providências: a prorrogação de benefícios fiscais às construtoras que atuam no Minha Casa, Minha Vida; estímulos ao financiamento imobiliário; e a desburocratização do processo de transferência e registro de imóveis.

Pousaram na versão turbinada vários elefantes voadores. Entre eles a liberação para a construção de um novo aeroporto na região metropolitana de São Paulo. Coisa do interesse das construtoras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Ou autorização para que o capital estrangeiros invista no setor de saúde, assumindo inclusive hospitais filantrópicos, beneficiários de vantagens tributárias.

O PT e seus aliados engoliram todos os elefantes. Até que uma emenda de autoria do deputado pernambucano Mendonça Filho, líder do DEM, atravessou uma mosca na traqueia do petismo. Propôs incorporar à MP do lixão a correção da tabela progressiva do Imposto de Renda da Pessoa Física em 6,5%. A medida beneficia o contribuinte de classe média. Ao perceber que os líderes das legendas governistas aderiram à emenda do DEM, Henrique Fontana (PT-RS), líder de Dilma na Câmara, engasgou.

“Esse pode ser um legítimo interesse do Parlamento. Mas é evidente que nós temos que fazer uma ampla negociação”, disse Fontana. Ele mencionou a manobra fiscal sancionada pela presidente. “Nós acabamos de votar uma alteração na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que foi criticada por muitos —inclusive pela oposição, que reivindica mais cuidado com o equilíbrio orçamentário. O governo está pronto para debater, mas pede ao plenário que não apoie, neste momento, uma emenda com este teor.”

Mendonça Filho caprichou na ironia : “Quero oferecer uma contribuiçao ao líder do governo. Ele está dramatizando demais a situação. A emenda propõe apenas a correção da tabela do Imposto de Renda em 6,5%, que é a inflação desse ano.”

O líder do DEM prosseguiu: “Tenha a santa paciência. A gente vota uma medida provisória com benefícios para diversos setores da economia. Jabuti pra cá, jabuti pra lá. E tudo fica tranquilo. Quando se trata de oferecer a correção da tabela do IR, para a classe média brasileira —tão massacrada, sacrificada, com salário achatado—, vem o Partido dos Tralhadores fazer alarme. Logo o PT que, ao longo de sua história, dizia defender os trabalhadores!”

Lero vai, lero vem, os líderes de legendas governistas aderiram à oposição. Alguns haviam orientado suas bancadas a votarem contra a emenda do DEM. Mas, pressionados por seus pares, deram meia-volta. No fim das contas, apenas o PT e o PCdoB mantivefram a orientação contrária. Ficou evidente que o bloco governista, algo desgovernado, imporia uma derrota a Dilma.

A estratégia oficial era clara como a gema. Os operadores do Planalto deixaram toleraram o voo dos elefantes porque sabiam que, se eles sobrevivessem à votação no Senado, seriam vetados por Dilma. Mas o veto presidencial à correção da tabela do Imposto de Renda deixaria a presidente mal com a classe média.

O líder Fontana sentiu o golpe: “Alguns deputados aqui me apelaram: ‘deixa passar, que depois a presidenta veta’. Não é questão de deixar passar, de vetar ou sancionar. O governo vai orientar o voto ‘não’, pode ser derrotado. Mas faço um apelo para que essa emenda não seja aprovada. Vamos debater, vamos fazer uma mesa de negociações, discutir alternativas para a correção da tabela do IR. Mas não votemos agora, praticamente uma hora da madrugada.”

Ninguém mudou de posição. Sobretudo depois que o líder do DEM recordou que a própria Dilma prometara, antes das campanha eleitoral, corrigir a tabela do IR. Verdade. Mas a presedente falava em 4,5%, não em 6,5%. A emenda do DEM foi aprovada em votação simbólica. Valendo-se do regimento, o PT pediu a contagem dos presentes. A falta de quórum era evidente. E a conclusão da votação da MP 656 foi trasnferida para a sessão vespertina desta quarta-feira.

Antes, em sessão conjunta de deputados e senadores, o Congresso tentará aprovar pela manhã a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2015. A peça anota a meta de superávit fiscal ditada pelo novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy: 1,2% do PIB.

Significa dizer que vem aí um programa de cortes de despesas. Se Dilma governasse seu condomínio, os aliados não estariam subtraindo receitas e criando novas despesas no finalzinho do ano legislativo.

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Escalpo!





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Blog do Noblat

Descanse em paz, Graça Foster
Ricardo Noblat

Pronto, a sorte de Graça Foster, presidente da Petrobras, está selada.

De Michel Temer, vice-presidente da República:

- Seja qual for a medida a ser tomada, não há nada envolvendo os critérios pessoais, a conduta, a lisura da presidente Graça Foster.

De José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça:

- É fundamental dizer, da minha parte, que qualquer ato ilícito deve ser apurado. Relativamente à presidente da Petrobras (Graça Foster) não há nenhum ato ilícito que possa implicar em qualquer juízo de valor.

Fontes do Palácio do Planalto, sob o manto do anonimato, plantaram nos jornais a informação de que Graça será mantida por Dilma a qualquer preço.

Tudo isso comprova que a presidente da Petrobras, graciosamente chamada de Graciosa por Dilma, não entrará o próximo ano no cargo.

Cabe a Graça se convencer de que dançou. E facilitar a vida da presidente da República pedindo demissão em caráter irrevogável.

Dilma então lamentará sua saída e será bem capaz de presenteá-la com algum outro cargo de prestígio, mas sem tanta importância. Em seguida indicará seu substituto.

Aos poucos, Graça acabará esquecida. E se tiver sorte, escapará do lamaçal que ameaça afogar a Petrobras. Por via das dúvidas, um dia desses, Graça pôs alguns dos seus bens em nome de parentes.

O nó da substituição de Graça só será desatado de vez quando Dilma encontrar um executivo de primeira linha que aceite o desafio de refundar a Petrobras.

Sim, porque a Petrobras precisa ser refundada.

Lula e o PT operaram o prodígio de desvalorizá-la em 80% nos últimos 10 anos. A empresa jamais voltará a ser forte e admirada no mundo como foi.

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FHC não quebrou o Brasil, mas o PT quebrou a Petrobras. Ou: Perda de valor de mercado corresponde a mais de 25 anos de Bolsa Família. Dilma, no entanto, brinca com Graça de Clube das Luluzinhas Enfezadas

Graça Foster escarnece dos fatos, e Dilma Rousseff escarnece da razão. Em seis anos, o valor de mercado a Petrobras foi reduzido a quase um sexto: de R$ 737 bilhões em 2008 para R$ 135 bilhões agora e dívida de R$ 330 bilhões. Ou seja: quebrou! O patrimônio público está evaporando. É a incompetência alimentando a roubalheira, e a roubalheira alimentando a incompetência. Quando nos lembramos que o PT fez terrorismo com a suposta intenção dos tucanos de privatizar a estatal em 2002, 2006 e 2010, a gente se dá conta da obra desses vigaristas. Se Dilma insistir em não fazer nada, daqui a pouco ninguém aceita a Petrobras nem de graça.  A gente não precisa fazer muitos malabarismos: houvesse um regime parlamentarista, o gabinete já teria sido dissolvido, e Dilma não se elegeria mais nem vereadora.

Não dá! As evidências de que Venina Velosa da Fonseca advertiu Graça para os procedimentos heterodoxos vigentes na Petrobras são inquestionáveis. E ela o fez em 2009, 2011 e 2014. Observem que não entro no mérito das motivações da denunciante. Se há algo contra ela, que se investigue. Que Graça dispunha de elementos para agir, que lhe foram fornecidos por uma alta executiva, isso é inquestionável. E ela não fez nada. Como não fez em fevereiro deste ano, quando VEJA trouxe à luz o escândalo envolvendo a empresa holandesa SBM Offshore. Ou melhor, fez: negou que houvesse irregularidades.

As ações da Petrobras despencaram outra vez. Há uma conjunção de fatores externos negativos, sim, mas isso não justifica a pindaíba em que se encontra. A estatal brasileira é hoje sinônimo mundial do que não se deve fazer, de má governança. É preciso ser um rematado idiota ou dotado de incrível má-fé para ignorar o que se passou por lá. E a sangria está longe do fim, uma vez que a empresa é agora investigada nos EUA, na Holanda e na Suíça. Se o descalabro continua, sem uma resposta efetiva do governo, a Petrobras, prestes a perder a classificação de “grau de investimento”, pode até ser proibida de operar na Bolsa de Nova York. Aí, meus caros, é o fim da linha.

Mas não há horror que faça o comando da empresa descer de seu pedestal de arrogância. Nesta terça, em comunicado à dócil Comissão de Valores Mobiliários, a direção da estatal veio com a história de que Graça fora advertida por Venina para eventuais desvios de conduta apenas em novembro, como se isso fizesse alguma diferença a esta altura do jogo.

Dilma está vivendo um processo de alienação da realidade. Decidiu proteger sua “amiga” Graça Foster. Deve achar que há espaço para brincar de Clube das Luluzinhas Enfezadas. Não há. A Petrobras beija a lona, e a presidente da estatal brinca de desqualificar uma funcionária. Dilma não se deu conta de que o desastre decorrente da herança maldita do lulo-petismo na estatal está só no começo. O pior ainda está por vir.

E está mesmo. Com o preço do barril do petróleo no atual patamar, a exploração do pré-sal já é antieconômica. Pior: as regras de partilha definidas pelo petismo, com o seu nacionalismo de fancaria, impõem à Petrobras um desembolso de recursos de que ela não dispõe. Dilma estuda agora mudar as regras, que eram consideradas cláusulas pétreas da visão petista de mundo. Mas como? A turma ainda não sabe.

E já que o patético não tem limites, os petralhas deram início a uma corrente na Internet estimulando a companheirada a comprar ações da Petrobras. Ocorre que não se deve confundir mau-caratismo com burrice. Parece que a campanha não vai emplacar.

É fácil Dilma fazer a Petrobras voltar a valer R$ 700 bilhões no mercado. Basta anunciar que, depois de saneada, a empresa será privatizada. O mercado lerá nisso o sinal de que os ladrões e os petistas — e também os petistas ladrões — serão definitivamente chutados de lá. Os brasileiros não mais serão roubados — não na estatal ao menos —, e o Brasil efetivamente sairá ganhando.

FHC não quebrou o Brasil nem uma, nem duas nem três vezes, à diferença do que disse Dilma na campanha eleitoral. Mas o PT quebrou a Petrobras.

Para encerrar: em 2013, o Bolsa Família repassou aos miseráveis R$ 24,5 bilhões. De fato, e uma merreca. Só o que a Petrobras perdeu em valor de mercado em seis anos corresponde a mais de 24 anos de Bolsa Família. Se a gente acrescentar o valor roubado com superfaturamento, chega-se perto da eternidade. Abreu e Lima, por exemplo, estava orçada em US$ 2,5 bilhões e, hoje, já está custando US$ 20 bilhões.

Os ladrões no Brasil perderam a modéstia e a o senso de proporção.

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Caso Celso Daniel – O surrealismo da Justiça brasileira. É estupefaciente!

A esta altura, vocês sabem que o Supremo Tribunal Federal anulou um dos processos relativos à morte do prefeito Celso Daniel, ocorrida em janeiro de 2002: justamente aquele que diz respeito a Sérgio Gomes da Silva, conhecido como “Sérgio Sombra”, que foi considerado o mandante do crime pelo Ministério Público Estadual. Vou expor as razões apresentadas para a anulação e me dispensarei de entrar no mérito se acho Sombra culpado ou inocente. Até porque, vamos convir, não sou Justiça.

O que lamento aqui é uma mecânica processual — e como estamos atrasados nisso! — que permite que um dos réus de um crime ocorrido em 2002 ainda não tenha sido julgado em 2014 e que, depois de quase 13 anos, o processo seja simplesmente anulado. Vale dizer: a acusação contra Sombra volta ao primeiro estágio, ao da instrução, e será ainda analisada pelo juiz da primeira instância… Mais quantos anos? 13? 15? 20? A eternidade? Para vocês terem uma ideia, será preciso ouvir testemunhas…

Roberto Podval, advogado de Sombra, recorreu ao Supremo porque afirmou que a defesa não teve a chance de interrogar os outros réus, o que é garantido pela jurisprudência da Corte. E isso é fato. Houve empate na turma: 2 a 2. Os ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli foram sensíveis ao pleito da defesa; Rosa Weber e Roberto Barroso o recusaram por razões técnicas: acharam que o habeas corpus não era o instrumento adequado.

A decisão vale só para Sérgio Sombra. Ocorre que o processo já tem seis condenados cumprindo pena. E agora? O mais provável é que seus respectivos advogados recorram, com base no mesmo fundamento. O que vai acontecer? Ninguém tem a menor ideia. O processo de Sombra voltará à fase de instrução, e não haveria razão para ser diferente com os demais. Digamos que alguém condenado no julgamento anulado seja absolvido em novo julgamento… E a parte da pena que já foi cumprida?

Uma Justiça que permite esses surrealismos está com graves problemas, não é mesmo?, independentemente de qual seja a nossa convicção a respeito do caso. Aliás, o processo já estava parado no Supremo porque a defesa de Sombra recorrera ao tribunal alegando que o Ministério Público não tem competência para investigar. O relator é o ministro Ricardo Lewandowski, que está sentado sobre o caso há dois anos. Alegada a incompetência do MP, a defesa pedia a anulação do processo também por esse motivo.

Quer dizer que Lewandowski pode se dispensar de dar agora uma resposta? Acho que não! A eventual anulação do processo contra Sombra por incompetência do MP iria, sim, beneficiar o réu, mas seu alcance é mais geral. O que se vai definir é, afinal, qual é o arco de atribuições do Ministério Público. Se bem se lembram, a tal PEC 37 tentou tornar o poder de investigação exclusivo das polícias. Por outras vias, o tema está dormitando no Supremo. O que Lewandowski espera para tomar uma decisão. Creio que nem Deus saiba.

Fux e manobra
Pois é… Pois é… O segredo de aborrecer é dizer tudo. A turma que julgou a questão não tem apenas quatro ministros, mas cinco. Luiz Fux estava ausente. Assim, esse empate não precisaria ter existido, não é mesmo? Bastaria que alguém pedisse vista, por exemplo, aguardando uma sessão em que ele pudesse votar. “Ah, mas o réu não pode esperar”. Ora, o que parece inaceitável é que se deixe uma votação dessa importância para o último dia, com a possibilidade de se produzir um empate, como aconteceu. De resto, onde está tamanha urgência? Sombra está solto.

Mais: as turmas podem recorrer ao pleno do Supremo. Bastaria que um dos ministros tivesse levantado uma questão de ordem. O outro dado surrealista dessa história e que bastem apenas dois votos no Supremo para anular todo um processo. Nem na turma, há maioria. Com a devida vênia, o conjunto da obra ficou com cara de manobra.

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Conselho de Ética abre processo contra Bolsonaro. É o certo! Se ele não se desculpar com as mulheres, que seja punido. Ou: Será mesmo que eu quero a simpatia das esquerdas?

E o Conselho de Ética da Câmara abriu, nesta terça, processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Por quê? Em razão da afirmação que ele fez no dia 9 deste mês, numa altercação com a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Disse então: “Fica aí, Maria do Rosário. Há poucos dias, tu me chamou de estuprador no Salão Verde, e eu falei que não iria estuprar você porque você não merece. Fica aqui para ouvir”. Esse “há poucos dias” se deu em… 2003! Já relatei as circunstâncias aqui com vídeo e tudo. Sim, foi a deputada quem interrompeu uma entrevista que ele concedia, acusando-o de estuprador. É grave? É! Ele que fizesse uma representação contra ela, em vez de ter disparado a resposta boçal.

Não se sabe se o processo será extinto com o fim dessa legislatura ou se será retomado na nova, no ano que vem. Se Bolsonaro não se desculpar com as mulheres, defendo que uma nova denúncia seja feita ao Conselho caso o processo se extinga. Na defesa preliminar que apresentou, Bolsonaro afirma dispor de imunidade parlamentar e ter virado alvo de alguns partidos em razão da oposição que faz ao governo Dilma. Com a devida vênia, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Nesta terça, o deputado chegou a dizer que “o Congresso não é um convento” e que “ela [Maria do Rosário] interferiu numa entrevista e acabou se vitimizando”. De fato, convento não é — ou, vamos convir, seria um antro de religiosos pervertidos, com exceções. E, de fato, como já demonstrei aqui, foi ela quem disparou a ofensa inicial.

Mas isso não o autorizava a dizer aquela enormidade. Sim, ele está sugerindo que algumas mulheres merecem ser estupradas. Como não gosta de Maria do Rosário e sustenta que ela está entre as que não merecem, infere-se, por uma questão de lógica elementar, que, na sua fala, o estupro é uma distinção, um mérito, um prêmio, um merecimento. É inaceitável!

Na sessão da Câmara, Bolsonaro conseguiu piorar as coisas. Mandou brasa: “Eu falei que não merece [ser estuprada], e vocês estão me crucificando. Se eu falasse que ela merece, eu seria linchado. A campanha dela [Maria do Rosário] há poucos meses era ‘Eu não mereço ser estuprada’. Ela usou a frase que usei”.

Santo Deus! Para começo de conversa, se o deputado tivesse dito que uma mulher merece ser estuprada, ele não deveria ser linchado, mas preso. O artigo 53 da Constituição, que garante a imunidade parlamentar, não é um esconderijo de crimes e criminosos. De resto, reitero o desafio: EU QUERO QUE O DEPUTADO DIGA QUEM, NA SUA OPINIÃO, MERECE SER ESTUPRADA, JÁ QUE, SEGUNDO ELE, MARIA DO ROSÁRIO NÃO É DIGNA DE TAL MERECIMENTO.

Bolsonaro está, de forma deliberada, misturando alhos com bugalhos. Tenta confundir a sua militância contra o PT — que tem méritos — com suas opiniões absurdas. Nesse particular, repete o pior procedimento do esquerdista xexelento, que recorre à meritória diminuição da pobreza para justificar o assalto à Petrobras.

Para encerrar
Alguns trouxas estão sugerindo que estou usando o caso Bolsonaro para fazer um charminho para as esquerdas… É mesmo? Vai ver eu estava tentando atrair a simpatia dos comunas quando chamei a Comissão da Verdade de “farsa” ou quando republiquei a lista com as 119 pessoas assassinadas pelos esquerdistas.

Ora, ora… Desde quando esses esquerdistas são meus juízes? Ocorre que os fanáticos do bolsonarismo também não. Na verdade, no que diz respeito às minhas opiniões, o único juiz sou eu mesmo. Recebi dezenas de mensagens de pessoas dizendo que não mais lerão o meu blog. Fazer o quê? Espero que esses encontrem um que os satisfaça, que seja capaz de dar um sentido virtuoso para este lixo: “Eu falei que não iria estuprar você porque você não merece”.

Esse cara, definitivamente, não sou eu. Como também não sou o cara que apoia os babacas que vão às ruas cobrar intervenção militar. Se alguém só descobriu agora essas minhas opiniões, ou é analfabeto funcional ou é bobo. Eu sempre sou de uma clareza até desconcertante. Jamais sou ambíguo. Ninguém tente ser dono ou superintendente do meu pensamento. Eu sou o rei absoluto das minhas opiniões.

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É o fim da picada o jornalismo do nariz marrom falar de Lula candidato antes do fim de 2014, enquanto a Petrobras, sua herança maldita, afunda!

Chega a ser asqueroso. Enquanto somos informados de que as ações da Petrobras caíram 25% em uma semana, temos também a notícia de que Luiz Inácio da Silva — sim, ele mesmo! — já está em franca movimentação com dois propósitos: a) interferir o máximo possível no governo Dilma e b) preparar uma nova candidatura à Presidência em 2018.

O futuro pertence mais a Deus — ou ao indeterminado, a depender das crenças de cada um — do que à vontade dos homens, isso é certo. O próprio Lula deve saber disso. Não creio, para ser franco, que, hoje, em 2014, ele próprio leve tão a sério a possibilidade de voltar a concorrer. Mesmo assim, constate-se: é de uma arrogância sem-par o grande maestro do descalabro que aí está autorizar o pré-lançamento de seu nome à Presidência como uma espécie de ameaça ao jogo político.

Lula sabe bem o que faz. Os dois primeiros anos do segundo mandato de Dilma não serão nada fáceis. Para 2015, já está contratado um crescimento inferior a 1% — e há pessoas muito racionais falando até em recessão. É claro que a oposição tende a crescer em momentos assim — ao menos é o que se espera, para o bem do país e da democracia. Ao se colocar como o grande fantasma de 2018, o imbatível, Lula pretende congelar o jogo político e desestimular os apetites. Ai das oposições se caírem nessa conversa!

Agora e nos meses e anos vindouros é hora, mais do que nunca, de apontar a nudez do rei. Dilma é, sim, corresponsável pelo colapso da Petrobras — quando menos porque não fez nada do que poderia ter feito em quatro anos de mandato para mudar a rotina de descalabros. Mas é evidente que ela não é autora da equação. O modelo que faz da estatal apenas uma franja de um partido político e instrumento da tomada do Estado por esse partido não é dela, é do PT.

Quem transformou a Petrobras numa engrenagem macabra e corrupta para conquistar a base de apoio por intermédio da compra de parlamentares foi o lulo-petismo. O homem  que “ameaça” voltar é o responsável último pela situação pré-insolvente da empresa, que só não quebrou ainda — nem vai quebrar — porque majoritariamente pública.

O jornalismo que se dedica à fofoca desse universo em que transita Lula, que o transforma numa espécie de grande pensador desse maquiavelismo de botequim e que, mesmo de forma mitigada, canta suas glórias de grande estrategista se dedica a uma variante nada edificante do culto à personalidade. Lula tem de ser visto, sim, como o maestro, mas de um modelo que entrou em falência e que tende a condenar o Brasil a mais alguns anos de atraso.

Nunca — e nunca quer dizer precisamente isto: nunca — a Petrobras se viu na situação em que está agora. E sempre cabe lembrar que essa gente tem um método, não uma tara especial por esta ou por aquela empresa. Repita-se o óbvio: a Petrobras tem um grau de profissionalização de seu corpo técnico superior ao de outras estatais e ao da administração direta — refiro-me aos ministérios, que manipulam verbas do Orçamento. Se o padrão de governança por lá é o que vemos, dá para imaginar como se passam as coisas em ambientes menos controlados.

A despeito de sua movimentação frenética, Lula deveria, isto sim, é ser visto como uma página virada da história, a não ser pela herança maldita de um modelo. Em vez disso, está sendo tomado como o grande fator da eleição de 2018.

Com a devida vênia, esse tipo de “jornalismo”, se é que assim pode ser chamado, é mesmo falta de vergonha na cara.


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Blog do Noblat

Dilma confunde autoridade com autoritarismo
Ricardo Noblat

Dilma detesta ser pressionada a fazer alguma coisa – qualquer coisa. Até mesmo aquelas que parecem necessárias. É do temperamento dela.

Dilma confunde autoridade com autoritarismo. E na maioria das ocasiões se comporta como a autoritária que é, e não como a autoridade que deveria ser.

Até os apontadores do jogo do bicho abancados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, sabem que Graça Foster, presidente da Petrobras, já deveria ter sido demitida.

Acabará sendo, é no que apostam. Mas à custa de muito desgaste para ela mesma, a empresa que preside, e Dilma que a mantém no cargo.

Por duas vezes até aqui, Graça pôs o cargo à disposição de Dilma. E ela não o quis de volta.

A política ensina que a pessoa que põe o cargo à disposição do seu superior é porque não deseja pedir demissão. Nem ser demitido.

Quem quer sair - ou está convencido de que a saída é o melhor que lhe resta -  simplesmente sai, ora.

O cargo de Graça pertence a Dilma. E se Graça não quer deixá-lo, cabe a Dilma fazer com o que o deixe.

Entra dia e sai dia, e a Petrobras continua sangrando em praça pública. O preço de suas ações se desvalorizou 40% de janeiro para cá. Seus acionistas estão em pânico.

A roubalheira na Petrobras está sendo investigada por três países – fora o Brasil. São eles: os Estados Unidos, a Holanda e a Suíça. É o maior escândalo de corrupção da nossa história. E um dos maiores do mundo.

Não é mais a imagem da Petrobras que está sendo enlameada no mercado internacional. É a do Brasil.

E ao invés de agir, Dilma defende sua própria paralisia com a desculpa de que não age sobre pressão.

Alguns dos presidentes da ditadura militar de 64 gostavam de dizer que não agiam sob pressão. Faltava quem tivesse peito para pressioná-los, isso sim.

Sob vários aspectos, Dilma e seus carrascos se parecem mais do que ela mesma desejaria.

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Lula desdiz Marcos Valério em depoimento à PF

Num instante em que as manchetes já mudaram de assunto, dedicando-se agora ao petrolão, Lula teve de tratar na semana passada do escândalo anterior, o mensalão. Chamado pela Polícia Federal para depor como testemunha, o ex-presidente petista foi interrogado por cerca de uma hora e meia sobre denúncias feitas por Marcos Valério há dois anos. Denúncias que, se confirmadas, transformariam em pó o lema do “eu não sabia”. Lula, naturalmente, desdisse Valério.

Deve-se ao repórter Jailton Carvalho a apuração de parte do teor do depoimento de Lula. A existência do interrogatório havia sido noticiada na véspera pela repórter Natuza Nery. A encrenca teve origem em depoimentos prestados por Valério à PF e à Procuradoria entre o final de 2012 e o início de 2013. Nessa época, o operador do mensalão ainda sonhava em se tornar um delator para ser premiado com penas menores.

Numa das acusações, Valério dissera ter participado, no início de 2003, no Planalto, de reunião com José Dirceu, então chefe da Casa Civil. Tratou-se no encontro, segundo Valério, de um repasse de R$ 7 milhões da Portugal Telecom para o PT. Coisa feita por baixo da mesa. O ex-operador do mensalão informara que, depois da conversa com Dirceu, fora levado à presença de Lula. Que teria ajudado nas negociações com a Portugal Telecom.

Inquirido a respeito, Lula declarou que, de fato, reuniu-se duas vezes, em 2003, com executivos da Portugal Telecom e do Banco Espírito Santo, no Palácio do Planalto. Negou, porém, que tivesse tratado de repasses monetários para o PT. Nessa versão, teriam partido da empresa e do banco os pedidos de audiência. Haviam participado, sob Fernando Henrique Cardoso, dos leilões de privatização das telefônicas. E queriam saber se Lula modificaria as regras do setor.

Lula disse ter tranquilizado os empresários. Assegurou-lhes, segundo disse, que respeitaria os contratos celebrados na Era tucana. Não ficou claro por que foram necessárias duas reuniões para que Lula se fizesse entender pelos interlocutores.

Para dar consistência às suas declarações, Lula disse que as conversas com dirigentes da empresa de telefonia e do banco foram testemunhadas pelos seus ministros das Comunicações da época. No primeiro encontro, chefiava a pasta o deputado federal Miro Teixeira (Pros-RJ). Na segunda reunião, comandava o setor o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE).

A tentativas de Marcos Valério de obter o status de delator premiado frustraram-se. Ele decidiu abrir o bico numa fase em que a Procuradoria e a PF já haviam passado a régua nas investigações. Pior: já corria no STF o próprio julgamento. Que rendeu a Valério a pena mais draconiana: 37 anos e cinco meses de prisão. Em regime fechado.

A bancada petista da Papuda já migrou do regime carcerário semiaberto para a prisão domiciliar. Valério não verá o meio-fio tão cedo. Seu martírio inspirou os delatores do petrolão, que acionaram o dedo num estágio da investigação em que suas revelações fizeram toda a diferença para mapear a corrupção na Petrobras.

Embora a tentativa de delação de Valério não tenha sido homologada, seus depoimentos resultaram na abertura de oito inquéritos pela Polícia Federal. A suposta mordida na Portugal Telecom não foi a única acusação dirigida a Lula.

Valério chegou a dizer que verbas do mensalão pagaram despesas pessoais de Lula. Verificou-se à época que havia matéria-prima para uma boa investigação. É preciso conhecer a íntegra do interrogatório de Lula para saber se a PF puxou todos os fios da meada.

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Dilma para Kátia: ‘mais próximas do que nunca’

Com a amizade já extremamente cansada, representantes do MST foram à presença de Dilma Rousseff, no Planalto. Queixaram-se da intenção da anfitriã de fazer da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) sua ministra da Agricultura. Horas depois, a presidente foi à posse da antagonista dos sem-terra, que acaba de ser reconduzida ao comando da Confederação Nacional da Agricultura.

“Queria aqui dar os parabéns à minha amiga Kátia por todas as suas realizações passadas e por todas as suas realizações futuras”, discursou Dilma. “Tenho certeza que estaremos muito próximas no meu segundo governo, mais próximas do que nunca.'' A ficha do MST ainda não caiu. Mas o movimento logo perceberá: quem está na cadeira de presidente tem sempre uma porção de amigos que detesta e um ou outro inimigo de que gosta bastante.

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Ratocentrismo!



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Papo cabeça!


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O MST, Kátia Abreu e Lula: o falso e o verdadeiro nessa equação

O MST esteve ontem com a presidente Dilma Rousseff para pressioná-la a não nomear a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura. Duas dissidências do movimento invadiram a sede da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) para protestar contra essa possibilidade. Nesta segunda, Kátia assumiu um novo mandato na presidência da entidade, do qual deve se afastar se for mesmo para o ministério. Dilma compareceu à solenidade e deixou claro que era uma deferência à confederação, mas também “foi uma forma de homenagear uma mulher que se distingue na direção da CNA e que honra o Brasil”. Afirmou ainda que as duas estarão “mais próximas do que nunca”.

Assim como setores do mercado — e da imprensa — veem a presença de Joaquim Levy na Fazenda como uma aposta — se garantia não puder ser — de racionalidade, vejo a eventual presença da senadora no comando da Agricultura como um investimento na competência. Ela entende do riscado. Se terá ou não condições objetivas para fazer o melhor, bem, isso é o que se verá. Admiro a sua dedicação ao setor e a sua capacidade de trabalho, nunca escondi isso, e é evidente que não passarei a hostiliza-la só porque integra um governo que não é do meu agrado. Se acertar, vou elogiar. Se errar, criticar, como sempre faço — segundo os critérios com os quais opero.

Que o MST e assemelhados sejam contrários à sua eventual nomeação, eis o que eu chamaria de bom começo. Pelo meu gosto pessoal, nem Levy nem Kátia emprestariam seus respectivos talentos ao governo Dilma. Mas essas são escolhas deles, não minhas. Guilherme Boulos, o sedizente líder de sem-teto, me quer no Ministério da Cultura. Mas eu não quero, hehe. Adiante.

Na conversa com Dilma, os sem-terra foram levar o chororô à moda Gilberto Carvalho: Kátia representaria o oposto das forças que teriam realmente contribuído para eleger Dilma — os ditos “movimento sociais”. Essa é uma daquelas tolices repetidas por aí sem que a gente se dê conta do seu real significado. É mesmo? Quantos milhões de votos têm os “movimentos sociais”? Isso é conversa para boi dormir. Basta pegar o mapa de votação de Dilma e cruzá-lo com o pagamento do Bolsa Família, e se vai ter claro o que realmente fez a diferença.

Os movimentos sociais não elegeram ninguém — ou, convenham, o desempenho das esquerdas nos governos estaduais e mesmo nas eleições legislativas teria sido outro. Práticas eleitorais francamente terroristas fizeram a diferença, numa país que tem 50 milhões de pessoas — coisa de que Dilma se orgulhou na campanha eleitoral — penduradas no Bolsa Família. “Então pobre não sabe votar?” A pergunta é tola. Cada um vota segundo as suas condições. Numa democracia, essa pergunta é descabida. Mas nem por isso se deve deixar de apontar o óbvio. A propósito: se saber votar derivasse só de condições financeiras e de escolaridade, não haveria tantos eleitores de esquerda entre universitários. A elite intelectual brasileira, ou o que deveria ser a elite, vota bem pior do que o povo.

Se Dilma realmente achasse que a eventual presença de Kátia no ministério iria tirar aquela parte do eleitorado que lhe garantiu a vitória — como afirmam os MSTs e MTSTs da vida —, é claro que ela não faria essa escolha. Ocorre que a presidente sabe que a rede de apoios de que dispõe Kátia, com milhões de agricultores — estes, sim, produtores de comida, não de mistificações ideológicas — é muito maior do que os gatos-pingados e barulhentos dos senhores João Pedro Stedile e Guilherme Boulos, que apenas lideram máquinas de consumir recursos públicos.

Dilma deve levar a senadora para o governo para ampliar sua base de sustentação, não para diminuí-la. Kátia faz aumentar o apoio ao governo; quem o subtrai é gente como Stedile e Boulos.

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Inação de Dilma no caso Petrobras já beira o crime de responsabilidade

A presidente Dilma Rousseff, abraçada a seus dois mandatos — o que ela já tem e o que ela ainda terá —, vê a Petrobras virar pó e não consegue sair do lugar. É impressionante! Parece estar em transe. A situação não faz senão piorar, e a presidente que há e a que haverá se estreitam num abraço insano. Os papéis preferenciais da estatal (PN, sem direito a voto) caíram 9,20%, maior queda diária desde 27 de outubro deste ano, para R$ 9,18 reais. Os ordinários (ON, com direito a voto) recuaram 9,94%, a R$ 8,52, as menores cotações, respectivamente, desde 20 de julho de 2005 e 15 de setembro de 2004. O desempenho da empresa jogou o Bovespa para baixo, frechando em queda de 2,05%, aos 47.019 pontos.

A conjuntura internacional explica parte do desastre? Explica. O preço do barril do petróleo não é nada estimulante para a petroleira; a economia americana se recupera, o que provoca uma migração de papéis dos países emergentes para os EUA, parte do movimento de aversão ao risco etc. Assim, ainda que as ações da gigante brasileira estivessem nas nuvens, é justo inferir que teriam caído um pouco — quem sabe tivessem despencado.

O problema é que as ações já estavam no fundo do poço em razão de fatores que nada têm a ver com a economia mundial. O que conduziu a Petrobras à beira do colapso foi a roubalheira. Juntam-se, assim, fatores que não dependem de escolhas feitas pelo governo brasileiro com outros que dependem, sim. Até quando Dilma pretende empurrar com a barriga a necessária substituição de toda a diretoria da empresa? A governanta tem alguma esperança de que Graça Foster, presidente da estatal, recupere a credibilidade? De que modo?

A mais recente notícia escabrosa saída daquele hospício de malfeitores informa que, ora vejam, a diretoria da estatal subscreveu um contrato em branco com a empresa holandesa SBM Offshore para a construção do navio-plataforma P-57. Isso aconteceu na sexta-feira, 1º de janeiro de 2008. O contrato de construção da P-57 (nº 0801.0000032.07.2), que chegou à CPMI da Petrobras, não contém “informação expressa sobre seu valor”, relataram os técnicos, por escrito, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Só para lembrar: mesmo assim, o relator, Marco Maia (PT-RS), não viu nada de errado.

Voltemos à Petrobras. Dilma está esperando o quê? A inação já beira o crime de responsabilidade, conforme o expresso na alínea 3 do Artigo 9º da Lei 1.079: “Não tornar efetiva a responsabilidade dos seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na prática de atos contrários à Constituição”. A melhor maneira que Dilma tem de cobrar a responsabilidade desses subordinados é demitindo-os.

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A anistia, a extrema esquerda e o crime continuado ao longo da história

José Miguel Vivanco, diretor-executivo da divisão Américas da ONG Human Rights Watch, concede um entrevista a Fernanda Godoy, na Folha desta segunda, e diz uma coisa óbvia e outra nem tanto. A óbvia: a Comissão Nacional da Verdade deveria ter-se ocupado também dos crimes cometidos pelas esquerdas, como tenho afirmando aqui há muito tempo, como como já afirmei na Folha e na Jovem Pan.

Seu raciocínio é de uma simplicidade óbvia, ululante: “Não pode haver um peso e duas medidas. Se houve abusos cometidos por grupos armados irregulares, isso deve constar de um informe dessa natureza. E também haveria servido para mostrar a magnitude dos abusos cometidos pelo Estado e a magnitude dos abusos dos grupos armados.”

Sim, é um raciocínio simples, mas vai ao âmago da questão: as esquerdas assentam a sua luta sobre uma mentira escandalosa: a de que elas foram apenas vítimas dos militares. A forma que tomou essa questão no Brasil, com indenizações e pensões que somam muitos bilhões, pede que, de um lado, existam os vilões para que, do outro, apareçam, incólumes, os mocinhos. Ocorre que alguns desse mocinhos são notórios assassinos — muitos se orgulham ainda hoje dos homicídios cometidos —, mas que, não obstante, estão sendo ressarcidos pelo estado por sua suposta… luta!

Não que eu concorde com Vivanco em tudo. Ele dá mostras de desconhecer, também ele, como se deu a anistia no Brasil. É uma mentira pilantra a história de que se tratou apenas de autoanistia. A lei que decidiu livrar agentes do estado e terroristas de ações penais foi referendada por um Congresso eleito livre e democraticamente.  Foi uma precondição da Emenda 26, que convocou a Constituinte. Logo, não pode ser revista. Hoje, com efeito, tanto tortura como terrorismo não seriam mais passíveis de graça. Aquela era a lei daqueles dias.

O discurso sobre a revisão da Lei da Anistia serve apenas à mística das esquerdas. Em São Carlos, nesta segunda, 200 ditos representantes do “Levante Popular da Juventude” — estudantes coxinhas de extrema esquerda, desocupados que nem estudam nem trabalham e são meros esbirros do MST — pararam a rodovia Washington Luís com pneus queimados para pedir punição para os crimes da ditadura. Eu peço é a punição para essa horda, que põe em risco a segurança de terceiros e fere o direito de ir e vir, garantido pela Constituição.

Longe dali, em Brasília, outro grupelho de extremistas, ligado aos sem-terra, invadiu a sede da CNA (Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil) para, dizem eles, protestar contra a posse da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) na presidência da entidade. Ela deve ser nomeada ministra da Agricultura, uma das poucas boas notícias do governo Dilma.

Por que junto esses três elementos num único comentário? Porque temos o de sempre: os extremistas de esquerda continuam a separar o mundo entre os que são maus — os outros — e os que seriam bonzinhos: eles próprios. Ocorre que hoje, a exemplo de ontem, continuam a cometer ilegalidades e violência e a chamar a sua ação truculenta de democracia.

Os esquerdistas digam o que quiserem, mas jamais conseguirão esconder o fato de que suas teses e sua história se assentam sobre a mais impressionante montanha de cadáveres que a humanidade já conseguiu produzir em nome de uma causa.


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Blog do Coronel

Novos documentos comprovam denúncias de Venina e os motivos para que os corruptos da Petrobras a condenassem ao exílio em Cingapura.

Documentos internos da Petrobras e mensagens encaminhadas por Venina Velosa da Fonseca, a geóloga que denunciou irregularidades, revelam que a diretoria atual não impediu um esquema de desvio de milhões de reais da companhia. Relatórios mostram que negociadores de óleo combustível de navio que atuam em Cingapura e em outros escritórios da estatal no exterior cobram comissões extras elevando os preços à Petrobras. Apesar das denúncias, esses "traders" não foram descredenciados até hoje. No entanto, a estatal afastou Venina do cargo e cortou o seu salário em aproximadamente 40% de seus vencimentos.

Documentos aos quais o Valor teve acesso mostram que foi constatada a existência de um esquema de desvios envolvendo negociadores de óleo combustível de navio que atuam em Cingapura e em outros escritórios da estatal no exterior. Os "traders" detêm privilégios na estatal e, mesmo quando constatadas as irregularidades, não sofreram as penalidades aplicadas pelas demais empresas do mercado. Em vez de serem descredenciados para não mais negociarem com a empresa, eles receberam suspensões por curtos períodos e voltaram a trabalhar.

Venina deverá depor nos próximos dias, em Curitiba, a autoridades que conduzem a Operação Lava-Jato, quando deverá apresentar detalhes dessas denúncias.

Em nota à imprensa enviada na noite de sexta-feira, a companhia informou que "após resultado do grupo de trabalho constituído em 2012, a Petrobras aprimorou os procedimentos de compra e venda de bunker (combustível de navio), com a implementação de controles e registros adicionais". "Com base no relatório final", continua a nota, "a companhia adotou as providências administrativas e negociais cabíveis". "A Petrobras possui uma área corporativa responsável pelo controle de movimentações e auditoria de perdas de óleo combustível, que não constatou nenhuma não conformidade no período de 2012 a 2014", concluiu a estatal.

Mas relatórios internos concluídos recentemente mostram que a companhia sofre perdas nas negociações em preços de combustível de navio, na contratação de afretamentos e até no momento de descarregamento de petróleo. No segmento de produtos escuros - jargão do setor para bunkers e óleo combustível - foram verificados desde descontos anormais a apenas alguns clientes privilegiados até venda abaixo do preço de mercado e recompra a preço acima do mercado, no mesmo dia.

A apuração dessas práticas foi feita por Venina no período em que ela comandou a unidade de Cingapura, entre fevereiro e novembro deste ano. A geóloga determinou a contratação de um escritório de advocacia naquele país que obteve cópias de mensagens trocadas entre os "traders". O objetivo era romper com o esquema.

Numa dessas mensagens, um negociador de uma grande trading, sob o codinome de "Coco Prontissimo", diz a outro negociador credenciado da Petrobras que só ele poderia "proteger o negócio". Em outra mensagem, esse representante da trading internacional admite que terá que pagar comissão extra ao "trader" da Petrobras, identificado como Daniel Filho. Os diálogos foram considerados pelo escritório contratado por Venina como forte evidência ("strong evidence") de que a Petrobras estava sendo prejudicada pelos "traders".

A geóloga criou comissões de apuração do esquema, chamadas de grupos de trabalho, e encaminhou relatórios sobre o assunto a seus superiores. Mesmo assim, a Petrobras manteve a atuação dos "traders" suspeitos. Ela recorreu, então, ao novo gerente executivo da área, Abílio Paulo Pinheiro Ramos. Ele é subordinado imediato de José Carlos Cosenza, o diretor de Abastecimento que preside a comissão de apuração de irregularidades e que declarou na CPI mista da Petrobras, em outubro, que nunca ouviu falar de desvios na estatal.

Em 26 de abril de 2014, a geóloga encaminhou um longo e-mail a Abílio descrevendo as irregularidades com que se deparou na companhia, a começar pelas dificuldades durante a gestão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, que foi preso na Operação Lava-Jato e resolveu delatar o esquema de desvio de dinheiro da estatal. Costa era o chefe imediato de Venina e as denúncias que ela fez de desvios na área de comunicação daquela diretoria e nos aditivos para a construção da Refinaria de Abreu e Lima fizeram com que fosse enviada para Cingapura, em fevereiro de 2010, onde pediram que não trabalhasse.

Ao voltar, dois anos depois, a geóloga ficou cinco meses "numa sala sem nenhuma atribuição". Mandada novamente para Cingapura, Venina disse a Abílio que encontrou um "escritório inchado, totalmente desorganizado e sem controle".

No e-mail, a geóloga contou que havia problemas no segmento de "escuros". "Enviei parte do material em caráter confidencial e pedi uma reunião na primeira hora." Ao chegar para a reunião, Venina disse que havia mais gente do que o previsto, inclusive potenciais envolvidos nas práticas suspeitas. "Estavam presentes todos os gerentes, coordenadores e consultores da área. Um público grande para tratar do assunto", escreveu. Ela disse que o objetivo da reunião foi o de convencê-la que estava errada. "Em vão. As evidências eram inegáveis", afirmou Venina.

A primeira comissão de apuração, em Cingapura, ouviu empregados brasileiros e locais. A geóloga percebeu que o objetivo não era solucionar os problemas apontados por ela. "Fui procurada por um dos empregados locais que se dizia constrangido pelo seu depoimento não estar formalizado e que isso o exporia perante a legislação de Cingapura", disse. As leis daquele país equiparam a pessoa que sabe de um caso de corrupção à mesma situação do criminoso responsável pelo desvio de dinheiro.

Em seguida, foi feita uma auditoria e outra comissão de apuração, sem resultados práticos. Ela contou a Abílio: "Recebemos vários e-mails nos orientando a continuar negociando com as empresas envolvidas nas fraudes. Confesso que prontamente recusei a orientação. A partir daí passei a ser chamada de inflexível".

Após ser convocada para depor nas comissões de apuração de irregularidades de Abreu e Lima, a geóloga descobriu que pessoas informadas por ela de irregularidades, no passado, faziam parte dessas comissões. Em 19 de novembro, ela foi comunicada por Abílio que seria destituída de sua função no comando da unidade de Cingapura. Venina telefonou a Cosenza e enviou um e-mail para Graça Foster, a presidente da Petrobras.

Graça respondeu que o caso dela seria tratado por Cosenza e Nilton Maia, chefe do Departamento Jurídico. A geóloga não recebeu o relatório sobre as causas de sua destituição e encaminhou uma notificação para a direção da estatal.

A Petrobras disse, em nota enviada na sexta-feira, que Venina "foi destituída da função de diretora presidente da empresa Petrobras Singapore Private Limited em 19 de novembro de 2014, após o que ameaçou seus superiores de divulgar supostas irregularidades caso não fosse mantida na função gerencial".

Na verdade, o que Venina fez, segundo demonstram documentos, foi pedir para voltar ao Brasil, pois estava em licença médica e precisava fazer exames no INSS para receber salário. Um DIP - Documento Interno da Petrobras - assinado por Abílio, em 3 de novembro de 2014, diz que a geóloga encontra-se "em missão de longa duração na Petrobras Singapore", onde exercia a função de gerente-geral. "Recentemente, a empregada manifestou interesse em antecipar o término de sua missão", continua o DIP, sublinhando que a missão estava prevista para terminar apenas em 30 de junho de 2015.

Após verificar que os problemas que apontou não seriam resolvidos, a geóloga foi diagnosticada com "transtorno de ansiedade" por uma clínica médica, em Cingapura. "Estou com meus ganhos reduzidos, meu retorno ao país impossibilitado e sofrendo claro assédio comprovado pelos atos e comunicados a mim enviados", disse a geóloga, num e-mail enviado, em 9 de dezembro de 2014, a Cosenza e a diretores da Petrobras Cingapura.

"O descumprimento dos procedimentos de meu retorno demonstram que estou sendo mantida doente no exterior por negativa dos meios de retorno ao Brasil. Se mantida essa posição, não só informarei o fato ao Ministério Público do Trabalho, ao sindicato e ao Judiciário, mas também à mídia", alertou a geóloga, que teve um corte de 40% em seu salário. (Valor Econômico)


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Blog do Noblat

Por uma cabeça! (Ou o escudo de Dilma)
Ricardo Noblat

O que o PT tem a dizer sobre a roubalheira na Petrobras? Afinal, ele sempre disse que a Petrobras seria privatizada se o PSDB, um dia, conseguisse voltar ao poder.

Pois a empresa foi corrompida pelo PT, desmoralizada pelo PT e empurrada buraco a baixo pelo PT.

Hoje, o PT é uma camiseta puída com cheiro de suor, uma estrela guardada no fundo de uma gaveta, uma bandeira vermelha coberta de vergonha.

Na Petrobras, é fato, o roubo existe desde meados do governo José Sarney nos anos 80 do século passado.

Atravessou os governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Mas foi no governo Luiz Inácio Lula da Silva que alcançou uma escala gigantesca, segundo investigação da Polícia Federa.

Surpreso com a herança maldita, caberia ao governo Dilma livrar-se dela. Certo? Errado.

Você é ingênuo o bastante a ponto de acreditar que Dilma ignorasse o que se passava com a Petrobras?

Dilma foi ministra das Minas e Energia. A Petrobras era subordinada a ela.

Foi chefe da Casa Civil da presidência da República, o segundo posto mais importante do governo. Acumulou o cargo com a presidência do Conselho de Administração da Petrobras.

Nada se fez ou se faz na Petrobras sem a aprovação do Conselho. Da compra de uma refinaria, como a de Pasadena, por exemplo, a aditivos a contratos bilionários.

A Petrobras é a empresa campeã no Brasil em contratos firmados sem licitação.

Comprada a um grupo belga, Passadena representou um prejuízo enorme para a Petrobras. Para os belgas foi o “negócio do século”. Encheram as burras de dinheiro.

Uma vez eleita para suceder Lula, Dilma nomeou para o Ministério das Minas e Energia um nome indicado por Sarney – o do senador Edison Lobão. E para a presidência da Petrobras uma de suas amigas de fé, irmãs, camaradas, Graça Foster.

Lobão foi ministro de faz de conta – quem mandava no ministério era Dilma. Quanto a Graça... Mandou na Petrobras consultando Dilma para tudo.

Em depoimento à CPI da Petrobras em junho último, Graça afirmou que jamais ouvira falar antes de corrupção na empresa.

“Só com a suspeita, nós ficamos muito envergonhados”, disse, e em seguida choramingou. Comovente! Mas pura lorota como se sabe hoje.

Graça ouvira falar de corrupção, sim. E, no mínimo, três vezes. Vamos a elas.

Pouco antes de comparecer à CPI, Graça fora informada pelo Ministério Público Holandês sobre propinas pagas pela empresa holandesa SBM na venda à Petrobras de um navio-plataforma.

A SBM ainda recebeu US$ 25 milhões extras pela antecipação da entrega do navio.l Lula queria inaugurá-lo às vésperas da possível eleição de Dilma para presidente em 2010. E assim foi.

No final de 2009, em e-mail enviado a Graça, Venina Fonseca, então gerente da Petrobras, alertou-a sobre o aumento de gastos com a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

De US$ 4 bilhões, o negócio passara a custar US$ 18 bilhões.

Em outro e-mail de 2011, Venina confessou a Graça que o “imenso orgulho” que tinha de trabalhar na Petrobras dera lugar à “vergonha”. Ofereceu-se para lhe contar o que sabia. Não obteve resposta.

Demitir ou não demitir Graça?

Eis a questão que tira o sono de Dilma desde que o Procurador Geral da República cobrou a demissão da diretoria da Petrobras.

A empresa perdeu 80% do seu valor entre dezembro de 2004 e dezembro deste ano.

Graça serve à Dilma de escudo contra o mar de lama que se acumula ao pé da rampa do Palácio do Planalto.  Se ele sair do meio, Dilma ficará face a face com a lama.

Lula entregou a cabeça de José Dirceu e salvou a sua, ameaçada em 2005 pelo escândalo do mensalão. Deu certo.

Dilma acabará entregando a cabeça de Graça. Resta ver se dará certo.

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Na Lava Jato, poder econômico prolonga cadeia

O dinheiro, como se sabe, não traz felicidade. Mas isso jamais chegou a ser tratado pelos milionários como uma questão financeira realmente relevante. A Operação Lava Jato subverteu a ordem natural das coisas. O poder econômico é um dos fatores que esticam a hospedagem compulsória dos executivos de grandes empreiteiras nas dependências da subsidiária curitibana do PF’s Inn.

Alega-se que, soltos, os endinheirados —alguns com conta no estrangeiro— poderiam fugir. No caso de um dos presos, José Aldemário Pinheiro, vulgo Leo Pinheiro, até a mobilidade aérea foi mencionada como motivo para a permanência no xilindró. Presidente da OAS, Leo dispõe de um jatinho particular.

Na contabilidade da Polícia Federal, o mandachuva da OAS voou 11 vezes para o estrangeiro entre junho e outubro. Passou por cidades como Nova Iorque, Joanesburgo, Madri e Buenos Aires. A conta não inclui uma viagem para o Peru, que Leo fizera às vésperas de ser preso, em novembro.

Advogado de poderosos, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, foi um dos primeiros a notar que a grande jurisprudência não-escrita do país começa a ser invertida. “Antes, dizia-se que cadeia no Brasil era para pobre, preto e puta. Agora é o seguinte: fica preso quem tem dinheiro.”

No mensalão, os abastados do núcleo financeiro do Banco Rural também estão em cana. Mas só perderam a liberdade após a conclusão do julgamento. No Petrolão, o juiz Sérgio Moro como que antecipou o castigo. O pessoal das empreiteiras receia ser condenado preso, sem direito de recorrer em liberdade.

Espraiou-se pela hospedaria da PF em Curitiba uma nova moléstia: a ‘Morofobia’. Os mensaleiros sem mandato parlamentar guerrearam sem sucesso para que seus processos fossem julgados na primeira instância do Judiciário. Os petro-réus pegam em lanças para levar seus casos ao STF. Preferem enfrentar a bala de prata da última instância a esperar na cadeia por uma sentença passível de recurso.

Para desassossego dos presos, o ministro Teori Zavaski, do STF, indeferiu na semana passada 11 pedidos de liberdade. Significa dizer que os presos, habituados à vida faustosa, terão de passar o Natal nas celas coletivas de 6 m² do PF’s Inn —sem tevê, dormindo em colchonetes rentes ao chão e com apenas uma hora de banho de sol por dia.

Mantido esse ritmo, haverá uma revolução no sistema prisional brasileiro. As próprias empreiteiras terão interesse em aperfeiçoar os projetos das cadeias. Logo, logo as instalações carcerárias incorporarão facilidades própria de condomínios fechados. Naturalmente, sem superfaturamento.

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Garra!




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Blog do Josias

Apertem os cintos, a presidenta do Brasil sumiu

A dezoito dias do recomeço, o governo enfrenta um enorme problema. A encrenca tem nome e sobrenome. Muitos chamam de Graça Foster. Se estivessem corretos, a solução exigiria um simples movimento de mão. E custaria a tinta da esferográfica e a folha do ato de exoneração. Mas estão enganados. Chama-se Dilma Rousseff o problema do governo.

Acaba de ser reconduzida à poltrona de presidente da República como solução dos 54 milhões de brasileiros que a elegeram. Porém, quando se imaginava que fosse dirigir os rumos do país nesta ou naquela direção, a Dilma resoluta da campanha, 100% feita de João Santana, sumiu. Por pressão, não por opção, Graça logo passará. O problema, não.

No futuro, quando puder falar sobre os dias atuais sem uma camada de óleo a turvar-lhe a vista, a história dirá que o Brasil atravessou mais um desses momentos de transição que fazem a nação evoluir, ainda que aos trancos. Pouca gente notou, mas estão em curso transformações profundas.

A Petrobras, como se sabe, afunda. E junto com ela podem ir a pique:

1. O presidencialismo de cooptação, que submete estatais e repartições públicas à pirataria partidária.

2. O modelo de contratação de serviços e obras públicas, baseado no critério único do ‘quanto eu levo nisso?’

3. As velhas desculpas esfarrapadas —como “eu não sabia”, “doa a quem doer” e “cortar na própria carne”.

Com dezenas de parlamentares imersos em óleo queimado, o Legislativo está prestes a virar delegacia de política. O Judiciário, já entupido de processos, se manterá ocupado tentando converter crimes em castigos. Se sua capacidade de liderança não fosse invisível a olho nu, Dilma poderia governar o processo de mudanças. Inerte, é desgovernada pelos acontecimentos.

Em 26 de outubro, depois de contados os votos do segundo turno, Dilma leu seu último discurso sob a supervisão de João Santana. “Algumas vezes na história, os resultados apertados produziram mudanças mais fortes e rápidas do que as vitórias amplas”, disse a reeleita. Hoje, Dilma conspira contra a mudança. Faz isso ao renegociar a partilha dos cofres do seu governo com os partidos de sempre. Que imaginam ser possível manter o melado escorrendo por mais quatro anos.

Aquela Dilma do dia da vitória também disse: “Essa presidente está disposta ao diálogo, e esse é meu primeiro compromisso no segundo mandato: o diálogo.” A Dilma de hoje não conversa nem com o espelho. Só fala com Lula, que já foi recebido no Alvorada três vezes em menos de dois meses. É muito mais do que os ministros, alguns há mais um ano sem uma audiência com a chefa.

“Quero ser uma presidenta muito melhor do que fui até agora”, declarou ainda a Dilma de 48 dias atrás. “Quero ser uma pessoa muito melhor. Esse sentimento de superação não deve apenas impulsionar o governo e a minha pessoa, mas toda a nação.” Na bica de tomar posse, a Dilma atual nunca foi tão Dilma. Foge da conjuntura à maneira do avestruz. Enfia a cabeça nos baixios de sua autoestima. E vira a página. Para trás.

A contragosto, Dilma cede nacos do seu poder declinante para Joaquim Levy. E reza para que a lama não impeça a ortodoxia do novo ministro da Fazenda de consertar os erros do primeiro mandato e recriar aquele ambiente de rigor fiscal de 2003, primeiro ano de Lula.

Em condições normais, o segundo reinado de Dilma seria duro. Sob atmosfera de derretimento moral, com os delatores suando o dedo; com jovens procuradores procurando; com o juiz Sérgio Moro julgando; com os aliados na fila do cadafalso; com tudo isso, Dilma 2ª tormou-se um caso único: reeleita, ficou menor do que era. Tão pequena que some no meio da crise.

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Movimento pesado!




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Blog do Coronel

É de se perguntar o que Graça Foster faz na Petrobras. Ao que tudo indica, o seu papel é um só: acobertar Dilma Rousseff!

É impossível que tamanha roubalheira como a que ocorria na Petrobras não fosse de amplo conhecimento da presidente da estatal, Graça Foster. Foram dezenas de bilhões roubados descaradamente. Escancaradamente. Pode chegar a uma centena o número de diretores, gerentes e assessores diretamente envolvidos em falcatruas absurdas.

Bastaria que Graça Foster cuidasse de um só detalhe: os aditivos contratuais. E que tivesse uma planilha básica à sua frente, de uma folha, com cotações internacionais para não mais que vinte itens consumidos pela Petrobras. E comparar preços e prazos.

Como a presidente de uma empresa do porte da Petrobras permite que obras tripliquem, quadrupliquem, quintupliquem de preço, como o Comperj e Abreu e Lima? O que está senhora fazia na Petrobras? Como permitiu, com todo o aparato de gestão que possui, desde sofisticados softwares até profissionais de primeiríssima linha, apoiados pelas maiores auditorias e consultorias do mundo, que a empresa fosse assaltada diante dos seus olhos?

A senhora Graça Foster só pode estar cumprindo um único papel na Petrobras: blindar e acobertar Dilma Vana Rousseff, que hoje preside o Brasil mas que, antes, mandou na empresa como ministra das Minas e Energia, como presidente do Conselho de Administração e como ministra-chefe da Casa Civil.

Apenas para comprovar o que estamos postando, leiam, abaixo, matéria de O Globo publicada hoje e respondam: tem como Graça Foster não ter tido conhecimento de tão escancarada cadeia de corrupção?

Os maiores valores contratados para as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) correspondem a empresas participantes do cartel que está sendo investigado na Operação Lava Jato. Sete das 16 empresas apontadas como principais integrantes do esquema abocanharam 58% do valor contratado: Toyo Setal (13%), Construtora Norberto Odebrecht (12%), UTC (10%), Queiroz Galvão (10%), Andrade Gutierrez (8%), Iesa (4%) e Engevix (1%). Esta é a conclusão da Comissão Interna de Apuração da Petrobras que avaliou 30 contratos firmados, no valor de R$ 21,8 bilhões, que representam 77% do total já contratado.

Em nove dos 30 contratos foram identificadas sucessivas revisões de estimativa de custos e preços após abertura das propostas, com justificativas inconsistentes. De acordo com a Comissão, as contratações feitas nem sempre seguiam o cronograma da obra. Muitas licitações foram feitas antes dos próprios projetos básicos. Além disso, com a justificativa de ampliar o leque de fornecedores, foram incluídas empresas sem capacidade para entregar o serviço.

Um dos exemplos é o da construtora Delta, que liderou o Consórcio Itaboraí, teve nota 2,1 no certame, muito abaixo da nota mínima exigida pela Petrobras, que é de 6,5. O contrato teve de ser rescindido por baixo desempenho. De quatro "convites" feitos à Delta para participar de licitações, a empresa assinou dois contratos, ambos rescindidos por mau desempenho.

A Toyo-Setal assinou dois contratos - um por convite e outro por inexigibilidade de licitação. A Jaraguá assinou dois contratos. Nenhuma das duas conseguiu concluir as obras e o mesmo aconteceu com a TKK Engenharia. De acordo com a Comissão, os convites permitiam mais flexibilidade na formação de consórcios, pois apenas a líder do grupo tinha de efetivamente estar na lista de "convidadas".

A Comissão ressalta que a rescisão de contrato com o consórcio da Delta levou à paralisação das obras do HDT de Nafta. A Petrobras reestudou o projeto e concluiu que era antieconômico. Com a desistência, equipamentos no valor de R$ 32,7 milhões estão encostados e sem uso. Além disso, a Delta reduziu drasticamente o número de trabalhadores alegando que tinha "produtividade arrojada" e a MPE cortou diversas vantagens trabalhistas que tinham sido acertadas com os trabalhadores.

De 17 projetos analisados, 11 tiveram licitação feita antes do projeto básico ter sido concluído. O Consórcio TE-AG (Techint e Andrade Gutierrez), por exemplo, segundo a Comissão, foi contratado numa negociação direta. A primeira licitação ocorreu em 2008, quase dois anos antes do projeto básico.

Não bastasse isso, foram programadas unidades externas que, depois, tiveram de ser abrigadas em instalações. O custo de "hibernação" passou de R$ 1 bilhão. Segundo o gerente Marcelino Simão Tuma, ouvido pela Comissão, empresas abandonaram contratos por terem sido "mal convidadas" - não tinham condição de executar o projeto. Muitas não tinham sequer "nada a ver com o objeto a ser contratado".

Foi no Comperj que a Petrobras contratou a Pragmática, empresa de consultoria da família do então diretor de Abastecimento Paulo Roberto Cosa. O contrato foi de R$ 1,085 milhão por um ano de prestação de serviço de qualificação profissional e desenvolvimento de fornecedores. Muitas das empresas indicadas não conseguiram cumprir seus contratos.

Também nas obras do Comperj houve farra de aditivos contratuais. A Alusa obteve contrato no valor de R$ 1,460 bilhão, mas acabou recebendo 47% a mais (R$ 688,6 milhões) a mais devido a 15 aditivos. Num consórcio entre a Alusa e a MPF , o valor de R$ 235,7 milhões recebeu 10 aditivos. O prazo da obra era de 720 dias e os aditivos deram mais 1.007 dias. O preço inicial foi aumentado em R$ 6,433 milhões.

A CNEC WorleyParsons Engenharia fechou contrato de R$ 4,5 milhões e prazo de 630 dias. Os aditivos prolongaram mais 560 dias e elevaram o valor em 1,311 milhões. O contrato foi encerrado por decurso do prazo.

De acordo com as investigações internas, uma das construtoras fechou contrato de R$ 819,8 milhões por 440 dias e apresentou preço 37% menor do que o custo estimado pela estatal. Acabou assinando contrato sob alegação de "estar entre as maiores construtoras do país". Até maio passado, a empresa havia firmado 13 aditivos, que aumentaram o valor em R$ 360 milhões.

No relatório encaminhado ao Ministério Público Federal no Paraná, que centraliza as investigações da Operação Lava-Jato, são atribuídas responsabilidades por irregularidades a Carlos Frederico Trevia, gerente de relacionamento e comunicação; Francisco Pais, que foi assistente do ex-diretor Renato Duque; Heyder de Moura Carvalho Filho; Jansem Ferreira da Silva, Jairo Luis Bonet, José Eduardo Loureiro, Luiz Alberto Gaspar Domingues, Paulo Cezar Amaro Aquino e Roberto Gonçalves, além do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do gerente Pedro Barusco Filho.

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Vaccari deixa claro que dinheiro sujo pagava as ações do PT. E que com o Petrolão as fontes secaram, não há dinheiro nem para a posse da Dilma.

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto(foto), recomendou nesta sexta-feira (12) "criatividade" ao partido para bancar a festa de posse da presidente Dilma Rousseff. Reunido com petistas, ele admitiu que a explosão da Operação Lava Jato, aliada à crise internacional, afugenta potenciais colaboradores. E, queixando-se da falta de recursos, sugeriu que os diretórios municipais do PT se cotizem para garantir público na festa de posse da presidente, no dia 1º de janeiro. "Os doadores estão com medo", disse Francisco Rocha, o "Rochinha".

De acordo com participantes, Vaccari fez questão de frisar que seu nome não está entre os denunciados pelo Ministério Público Federal por participação no esquema na Petrobras. Mais uma vez, negou irregularidades. Ele reconheceu, porém, impacto na arrecadação do partido. Informou que a redução, em cerca de 20%, provocará significativa perda de receita no ano que vem.

A crise provocada pelo escândalo na Petrobras foi o tema principal do encontro, que reuniu as correntes que compõem a chapa que controla o partido. Na reunião, Vaccari defendeu o financiamento público de campanha eleitoral como forma de combate à corrupção. Para ele, o partido arrecadaria mais caso fosse aprovada uma fórmula que mescla financiamento público e teto de contribuição de pessoa física (em R$ 100 mil).

"O problema é que todos os doadores estão presos", lamentou um dirigente petista. O anúncio de vacas magras ocorre num momento em que coordenadores das campanhas estaduais pedem socorro ao comando nacional.

O coordenador do comitê de Alexandre Padilha, derrotado na disputa ao governo de São Paulo, Emídio Souza, calcula em R$ 30 milhões a dívida da campanha. Segundo ele, o prejuízo é do partido. Vaccari discorda. Ao deixar a discussão, o presidente do PT, Rui Falcão, brincou ao comentar sua pauta. Numa menção a termos como "revitalização", afirmou: "Nunca falei tanto ré'".(Folha de São Paulo)

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Dilma convida Rossetto

                A presidente Dilma formalizou, na noite de quinta-feira, convite para o ministro Miguel Rossetto assumir a Secretaria-Geral da Presidência. Ela já havia tratado dessa mudança com ele durante a campanha. Na reta final, o petista acompanhava Dilma em suas andanças pelo país. O atual titular, Gilberto Carvalho, foi comunicado ontem, e a transição começa na próxima segunda-feira.

Oposição dividida
A eleição para a presidência da Câmara rachou a oposição. O Solidariedade (15 deputados) fechou com a candidatura do líder do PMDB (66), Eduardo Cunha (RJ). O DEM (22) e o PPS (10) também estão em adiantados entendimentos com Cunha. Pesa a decisão da Mesa da Casa, comandada por Henrique Alves (PMDB), de manter o número de cargos comissionados para os partidos que perderam cadeiras. O DEM conserva o mesmo número de cargos de quando se chamava PFL e era o maior da Câmara. O PSDB (54) ruma para reforçar o líder do PSB (34), Júlio Delgado (MG). A sobrevivência é o foco do DEM. O do PSDB é o da guerra permanente.

“Cadê os intelectuais do PT? Eram tantos. Eles estavam no PT porque acreditavam nos discursos que fazíamos”

Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente, em discurso na quarta-feira para plateia de petistas, reclamando da falta de utopia e do profissionalismo que tomou conta do partido

Vem aí a TV PT
A Direção Nacional petista concluiu ontem, em seminário em São Paulo, pela criação de uma TV na internet. O primeiro programa que será veiculado já está definido. Ela vai produzir e transmitir um noticiário político diário.

Troca de comando
A presidente Dilma pretende substituir os comandantes das três Forças Armadas, nomeados no governo Lula. Ela quer fortalecer o comandante do Estado Maior Conjunto, general José Carlos De Nardi, nomeado por ela. Apesar de ter a mais alta patente da hierarquia, é o mais novo no cargo, o que dificulta sua tarefa de comandar a tropa.

Tiro livre sem barreiras
Os líderes aliados mandaram um recado para o ministro Ricardo Berzoini: quem tem votos são os cartolas e não o movimento Bom Senso. Os clubes de futebol não querem dar contrapartida para renegociar uma dívida total de R$ 4 bilhões.

Quando o carnaval chegar
Os nomes dos parlamentares implicados pela Operação Lava-Jato serão enviados ao STF no ano que vem. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, só recebeu anteontem o relatório sobre o doleiro Alberto Youssef. Sua equipe diz que ele fará um “trabalho cuidadoso”. Os que perderam mandato ficam com a Justiça comum.

Mui companheiro
Em reunião do PT, o secretário-geral, Geraldo Magela, anunciou que o governador Agnelo Queiroz (DF) não poderia comparecer. Os petistas soltaram estridente vaia. Agnelo termina o mandato em ambiente de caos administrativo.

Costurando todos os lados
Minas foi o alvo, ontem, do líder do PMDB, Eduardo Cunha. Ele se reuniu com o governador eleito Fernando Pimentel (PT) e o prefeito de BH, Márcio Lacerda (PSB). Foi em busca de apoio para se eleger presidente da Câmara.

Último suspiro. O ministro Manoel Dias (Trabalho) está viajando para lançar a carteira de trabalho digital. Mas o sistema só será concluído em 2015.

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Começar de novo

A coisa na Petrobras está tão feia que até mesmo quando um diretor é erroneamente acusado de ter sido beneficiário do esquema de corrupção, como aconteceu com José Carlos Cosenza, ele acaba sendo envolvido em outros casos relacionados, e o pedido de desculpas da Polícia Federal acaba sendo neutralizado pelas novas descobertas.

A denúncia de que a gerente Venina Velosa da Fonseca enviou e-mails à atual presidente Graça Foster e a outros superiores, incluindo Cosenza e o seu antecessor, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, para apontar desvios em vários setores da empresa, mostra que muito antes da Operação Lava Jato a atual diretoria já tinha conhecimento dos esquemas de corrupção.

As medidas tomadas, como a demissão do responsável pela área de comunicação, ligado ao PT baiano do ex-governador Jacques Wagner e ao ex-presidente da Petrobras José Gabrielli, devido ao pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados em 2008, não tiveram efeito prático, pois o funcionário saiu de licença e permaneceu mais de cinco anos na empresa.

Já naquela época a gerente denunciava superfaturamento nos custos da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e nada foi feito. Em outra ponta, a Controladoria Geral da União (CGU) anunciou que investiga o aumento do patrimônio do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e dos ex-diretores da Área Internacional Nestor Cerveró e Jorge Zelada, em processos administrativos que apuram suposta participação dos três no esquema de pagamento de propina pela empresa holandesa SBM Offshore.

Esse caso é exemplar de como as coisas não funcionam na Petrobras. A revista Veja denunciou, e a estatal tratou de desmentir, alegando que uma comissão interna nada encontrara. Agora, que a empresa holandesa confessou ter dado o suborno, a presidente Graça Foster admitiu que soubera da confirmação dias antes. Só que, como em outras ocasiões, a questão fora abafada e a diretoria da Petrobras somente comentou o assunto por que foi confirmado na imprensa no exterior.

Essa é uma das queixas dos investidores internacionais que estão processando a Petrobras nos Estados Unidos: a empresa não respeita seus acionistas minoritários, sonegando-lhes informações sobre casos de corrupção que acabaram derrubando a cotação de suas ações no Brasil e nas bolsas internacionais. E, para culminar, quem chefia a Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal é o mesmo José Carlos Cosenza.

Os fatos mostram que não haverá solução sem que, como sugeriu o Procurador-Geral da República e a oposição agora exige, toda a diretoria seja mudada e a estatal comece da estaca zero sua reorganização.

Comissões

.O professor Nelson Franco Jobim, especialista em política internacional, me envia um comentário com o qual concordo integralmente. Diz ele: “A verdadeira Comissão da Verdade e da Reconciliação Nacional foi a da África do Sul, onde os dois lados foram ouvidos, inclusive o presidente Nelson Mandela, interrogado pelo arcebispo Desmond Tutu.

Para ter direito a anistia, quem cometeu crimes teve de confessá-los e de pedir perdão às vítimas e seus descendentes e à sociedade sul-africana. Houve declarações como "eu acreditava que meu povo, minha cultura e modo de vida estavam ameaçados, por isso ataquei uma escola para crianças negras" ou "eu estava certo de que a libertação do meu povo exigia a morte dos brancos", seguidas de pedidos de desculpas.

No Brasil, com raras exceções, ninguém se arrependeu de nada, cada lado ainda hoje convencido de que agiu corretamente.


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Blog do Noblat

Uma bandeira coberta de vergonha
Ricardo Noblat

Tem cabimento tamanha desfaçatez?

Vejam o que disse Lula, na última quarta-feira, em Brasília, ao falar para uma plateia de militantes do seu partido:

- Cadê os intelectuais do PT? Eram tantos. Eles estavam no PT porque acreditavam nos discursos que fazíamos.

Se estiveram no PT e agora não estão mais...

Por que Lula não vai fundo na autocrítica apenas esboçada de leve, quase de passagem?

Ninguém mais do que ele poderá fazê-lo. Tem autoridade para tal. E conhecimento de sobra.

De pouco, contudo, adiantará se não for capaz de bater no peito três vezes e confessar seus próprios pecados.

O mais original deles foi quando chamou José Dirceu à sua presença, e cansado de ter perdido a terceira eleição presidencial consecutiva, avisou:

- Só disputarei novamente se deixaremos a vergonha de lado e usarmos as mesmas armas dos nossos adversários.

Se a frase não foi exatamente essa, o sentido foi o mesmo.

Valendo-se das armas dos adversários, Lula se elegeu em 2012. Para governar, socorreu-se do mensalão inventado por seus comparsas da mais sofisticada organização criminosa que já tentou se apoderar do aparelho de Estado.

Para realizar o projeto do PT de permanecer no poder o maior tempo possível, azeitou as engrenagens da máquina de corrupção que corroía a Petrobras pelo menos desde meados do governo Sarney. E foi assim que chegamos até aqui.

Cadê os intelectuais do PT?

Ora, eles não recepcionaram Dilma em um teatro do Rio de Janeiro para alimentar o programa de propaganda eleitoral dela?

Tudo bem: os nomes ali reunidos não eram todos do primeiro time. Mas fazer o quê? Vai longe o tempo em que artistas e intelectuais cantavam “Lula-lá”...

Lula poderia ter perguntado também pelos jovens do PT, pelos militantes que vendiam lembranças do partido para arrecadar dinheiro, e pelos líderes autênticos dos movimentos sociais que suavam a camisa à caça de votos sem esperar empregos em troca.

O PT, hoje, é um quadro velho pendurado na parede, uma estrelinha guardada no fundo de uma gaveta, uma camiseta descolorida pela ação do tempo, uma bandeira vermelha coberta de vergonha.

Foi Lula que o afundou. Não será Lula que irá refunda-lo.

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Graça ataca autora das denúncias para continuar com o nariz fora d´água. Ou: Querem saber como seria o país comando pelo PT e sem oposição? Olhem para a Petrobras!

Graça Foster, presidente da Petrobras, tenta se manter com a cabeça fora d´água. Se conseguir, pior para a estatal. As ações voltaram a despencar nesta sexta-feira. Sim, caiu o preço do barril do petróleo, como é sabido. É a razão da hora. A questão é saber onde estava a empresa brasileira quando veio esse fator conjuntural. Resposta: no fundo do poço. A agonia parece não ter fim, e Dilma, a nefelibata, finge que não é com ela. Só que é.

Nesta sexta, o comando da estatal resolveu agir como de costume. Diante das evidências — e evidências são — de que fora advertida das lambanças como diretora e como presidente da empresa, Graça mobilizou a sua turma para desqualificar a acusadora, Venina Velosa da Fonseca — que teria até ameaçado seus chefes porque perdeu um posto importante.

A questão aí não é “de quem”, mas “do quê”. Sim, é sempre bom saber o nome do autor de uma denúncia. A pessoa pode ter interesse objetivo quando faz uma acusação. Se uma grave ilegalidade está sendo apontada, no entanto, é ainda mais relevante saber se estamos diante de uma verdade ou de uma mentira.

Fato 1: a roubalheira na Petrobras aconteceu.

Fato 2: Venina advertiu Graça (pouco importam as suas intenções).

Fato 3: Graça não tomou nenhuma providência.

Nem ela nem o presidente que a antecedeu, José Sérgio Gabrielli, que vai se agigantando, a cada dia, como o chefe de uma casa de horrores. Que ironia! A Petrobras serviu de cavalo de batalha dos petistas nas eleições de 2002, 2006 e 2010. Lá vinha, invariavelmente, a mentira em tom de ameaça: “Os tucanos querem privatizar a Petrobras…” Eis aí: essa Petrobras que temos é aquela privatizada pelo PT. O que lhes parece?

Se o preço do barril do petróleo cair mais um pouco — ou, vá lá, se vier a se estabilizar no atual patamar, a Petrobras estará ainda mais encalacrada do que hoje. Todo o chamado “Plano de Negócios” do pré-sal vai para a cucuia. Os males que o PT causou ao setor de energia no Brasil não serão corrigidos num tempo curto. O partido errou no diagnóstico, errou no prognóstico, errou na operação. E coroa a falta de competência com a evidência de que comandou, com certeza, a gestão mais corrupta da história da empresa. Procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato esperam ouvir Venina nos próximos dias.

Ainda não há uma data agendada para o depoimento.

Balanço
A situação é de tal sorte difícil para a empresa que ela teve de adiar de novo o balanço do terceiro trimestre. Estamos a 18 dias do fim do quatro trimestre. A PwC (PricewaterhouseCoopers, como se sabe, se negou a assinar os demonstrativos em razão das sem-vergonhices que vieram à luz. A empresa teria de dar baixa em seus ativos dos valores carreados para a corrupção. Mas quanto? Eis o busílis. A estatal anunciou que recorreria a outros auditores. Mas, pelo visto, a coisa não anda fácil. O novo prazo agora é 31 de janeiro.

Cabeça erguida?
Lula pede que seus “companheiros” ergam a cabeça e estufem o peito de orgulho. Mas a Petrobras não deixa. A rigor, a empresa é a síntese e o sumo da forma como esses patriotas governaram o Brasil.

Encerro com uma provocação àquela banda — ou àquele bando — do jornalismo que deu agora para demonizar políticos e eleitores de oposição. Na maior estatal brasileira, o PT foi senhor absoluto por 12 anos. O resultado é o que se vê.

Ou por outra: se vocês querem saber como é um governo petista sem resistência, olhem para a Petrobras. É o que os companheiros gostariam de fazer com o Brasil.

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Gerente que vai devolver US$ 97 milhões diz que seu chefe, o petista Duque, recebia propina ainda maior

Pelo visto, aconteceu uma das coisas que o PT tanto temia. Paulo Barusco, ex-gerente de serviços da Petrobras, braço-direito do petista Renato Duque, que era o diretor da área, contou tudo — ou, vá lá, contou muito do que sabia e do que fez. Barusco está bastante doente, e consta que sua família o estimulou a dizer a verdade. O fato é que, no bojo do acordo de delação premiada, ele se dispôs a devolver a fabulosa quantia de US$ 97 milhões — mais de R$ 253 milhões.

Segundo informa o Painel da Folha, o gerente afirmou que Duque tinha participação ainda maior na roubalheira — o que é, convenham, verossímil, já que era o chefe. Só Duque? Não! Segundo disse Barusco, Jorge Luiz Zelada —  diretor da área Internacional da Petrobras que substituiu Nestor Cerveró e que ficou no cargo até 2012 — também estava no esquema. Duque e Zelada negam.

Segundo Barusco, havia ordem na orgia. Escreve o Painel: “’Na divisão de propina entre o declarante e Renato Duque, em regra Duque ficava com a maior parte, isto é, 60%, e o declarante com 40%’, afirma o relatório do depoimento. ‘Quando havia a participação de um operador, Renato Duque ficava com 40%, o declarante com 30%, e o operador, com 30%’”.

Parece que Barusco decidiu mesmo ser sincero: ele contou que continuou a receber propina mesmo depois de ter saído da empresa, em 2010, quando já trabalhava na iniciativa privada.

O juiz Sérgio Moro já afirmou que Duque mantém uma fortuna em contas secretas no exterior. Em sendo verdade, sempre será preciso, no seu caso, saber se era para si ou para a organização à qual pertence: o PT. Convém não esquecer que é um homem da esfera de influência de José Dirceu.

Duque, funcionário de carreira da Petrobras, era visto pelos especialistas da estatal como um engenheiro medíocre. A chegada de seu partido ao poder lhe abriu a vereda para o topo. Ah, sim: vamos, para efeito de raciocínio, fingir que a gente acredita no homem. Então ele tem um braço direito que admite ter levado uma bolada de quase US$ 100 milhões, e ele, o chefe, nunca havia desconfiado de nada?

Tenham paciência!

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Vá embora, Graça! Deixe em paz o patrimônio do povo brasileiro!

Há mais de quatro meses venho cobrando aqui, sistematicamente, a demissão de Graça Foster, presidente da Petrobras. Ainda que nenhuma suspeita houvesse contra ela; ainda que tivesse um passado impoluto como as flores; ainda que fosse um verdadeiro gênio da raça na área administrativa, esta senhora deveria ter caído no começo de agosto, quando ficou evidente que tivera acesso prévio a perguntas que lhe seriam feitas na CPI. Mais do que isso: ficou comprovado que um grupo se reuniu no gabinete da presidência da estatal para combinar a maneira de fraudar a legitimidade da Comissão Parlamentar de Inquérito. Há um vídeo a respeito. É inquestionável. Trata-se de um fato comprovado, não de uma suspeita.

De agosto a esta data, Graça tem visto minguar a sua reputação; de agosto a esta data, o passado de Graça tem sido reescrito por fatos nada abonadores; de agosto a esta data, a técnica com fama de competente e irascível tem-se mostrado apenas mais um quadro do PT na Petrobras, lá instalado não com a missão de moralizar a empresa, mas de salvar a pátria dos companheiros.

Nesta sexta, ficamos sabendo que uma executiva da Petrobras — seu nome: Venina Velosa da Fonseca — denunciou tanto à diretoria anterior da estatal como à atual a existência de um esquema de roubalheira na empresa (leia posts anteriores). E o que fez a diretoria anterior? Nada! E o que fez a atual? Nada também! De quebra, as acusações de Venina atingem, e com bastante verossimilhança, o governador da Bahia, Jaques Wagner, candidato a ser um dos homens fortes do governo Dilma.

A presidente da República não pode assistir, inerme, à desconstituição da Petrobras sem tomar uma medida drástica. É preciso, e com urgência, criar uma espécie de gabinete de crise — composto, também, de técnicos sem vinculações com a estatal — para enfrentar a turbulência.

Se o episódio da CPI não fosse grave o bastante para inviabilizar a permanência de Graça, há o caso, escandaloso por si, da empresa holandesa SMB Offshore. Em fevereiro, VEJA denunciou que a gigante havia pagado propina a intermediários na Petrobras em operações de aluguel de navios. Em março, a presidente da estatal concedeu entrevista negando quaisquer irregularidades; no mês passado, ela as admitiu, afirmando que tinha conhecimento das falcatruas desde meados do ano. Graça só se esqueceu de que a Petrobras é uma empresa de economia mista e de que seus acionistas merecem satisfação. Esse seu comportamento servirá de prova contra a empresa em ações múltiplas nos EUA contra a estatal, que pode assumir proporções bilionárias.

Não! Graça não é a moralizadora de que a Petrobras precisa. Graça é apenas a moralizadora de que o PT precisa. E, a esta altura, está muito claro que os interesses do PT e da Petrobras não se misturam. Ao contrário: a cada dia fica mais claro que o que é bom para a Petrobras é ruim para o PT e que o que é ruim para o PT é bom para a Petrobras.

Vá embora, Graça! Deixe em paz o patrimônio do povo brasileiro.

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Blog do Josias

Saída de Graça Foster é discutida entre aliados

— E aí, quando é que a presidenta vai começar a presidir?, perguntou um congressista do PT a um auxiliar de Dilma Rousseff.

— Calma, rapaz! O segundo mandato só começa no dia 1º de janeiro, tentou atalhar o colaborador da presidente.

— Engano seu. Isso vale pra mim e pra você. Na folhinha da Dilma, 2015 começou na noite do dia 26 de outubro. O segundo mandato tem 47 dias de idade. E a gente parece estar com o pé na cova. Quando vamos interromper a marcha fúnebre?

O diálogo transcrito acima aconteceu nesta sexta-feira. Foi relatado ao repórter pelo parlamentar autor das perguntas. Ele disse ter tocado o telefone para o auxiliar da presidente em busca de orientação. Ecoando um desalento que se espraia entre petistas e aliados, criticou a “paralisia” de Dilma diante dos problemas, sobretudo a crise que carcome a Petrobras.

Acabara de ler notícia sobre a dinamite mais recente. O repórter Juliano Basile informara que, bem antes do estouro da operação Lava Jato, uma servidora graduada da Petrobras alertara dirigentes da estatal sobre a roubalheira. Reportara-se inclusive à atual presidente companhia, Graça Foster. E nada sucedera.

A tese de que Dilma tem de promover um expurgo na diretoria da Petrobras já não é exclusividade do procurador-geral da República Rodrigo Janot nem da oposição. Cresce no próprio PT e em salas vizinhas ao gabinete presidencial a adesão à ideia. Já há inclusive um grupo defendendo internamente a saída de Graça Foster antes do Natal.

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Terror!




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Blog do Ilimar Franco

O medo do PT

          Petistas explicitaram para o ex-presidente Lula porque temem que o líder do PMDB, Eduardo Cunha, assuma a presidência da Câmara. Alegaram que um presidente da Casa tem muitos poderes sobre as CPIs, e que o mais inquietante é que cabe a ele decidir se recebe ou não os pedidos para a abertura de processos de impeachment. Um acordo com Cunha é a última alternativa do PT.

Os candidatos a contraponto
Os movimentos de trabalhadores rurais apoiam a visão daqueles que creem que o Ministério do Desenvolvimento Agrário seria um contraponto ao agronegócio, que terá Kátia Abreu à frente da pasta da Agricultura. Seus porta-vozes enviaram à presidente Dilma uma lista tríplice para o cargo. Dela, constam o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho; a ex-presidente da CEF Maria Fernanda Coelho, e o deputado federal Pedro Eugênio (PT-PE). Os defensores do parlamentar fazem lobby com o mote de ele ser representante do Nordeste e de ter sido eleito por Pernambuco, estado que deu à presidente uma de suas maiores vitórias e onde o PT ficou muito machucado.

“Na nossa última conversa, você disse que as Ongs previam aumento de 35% no desmatamento.Tenho uma boa notícia, houve uma queda de 18%”

Izabella Teixeira
Ministra do Meio Ambiente, ontem, em Lima, ao encontrar o ex-vice dos EUA e militante ambiental Al Gore

Apostando no social
Um dos carros-chefe da campanha à reeleição da presidente Dilma foi um novo programa, o Mais Especialidades. O Ministério da Saúde já desenhou suas linhas gerais e, na primeira fase, as prioridades serão oftalmologia e ortopedia.

Miss Simpatia
Uma das mais sisudas integrantes do governo Dilma fez a diversão de petistas na Esplanada. A ministra Miriam Belchior (Planejamento) abriu sua agenda ontem para receber sua equipe e subordinados. Antes, enviou um e-mail, amplamente distribuído, dizendo que ela estaria no seu gabinete à disposição para tirar fotos de despedida da pasta.

Procurando uma saída
Um petista que é contra a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), para a presidência da Câmara, faz ironia sobre a divisão da bancada do partido. E pergunta: “Se o Arlindo divide o partido, como vai unir a Câmara?”.

Abrindo portas
O ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) reuniu-se, anteontem, com os deputados Domingos Sávio (PSDB-MG), Arnaldo Jardim (PPS-SP) e Mendonça Filho (DEM-PE). Pediu para que a oposição não dificulte a aprovação da LDO de 2015. O governo teme não ter como tocar o início do próximo mandato.

Correndo atrás do prejuízo
O presidente do PSDB, Aécio Neves, reuniu-se os  tucanos de Minas. Além da oposição ferrenha ao governo, Aécio precisa se recuperar no estado. O senador Antonio Anastasia é cotado para concorrer à prefeitura de Belo Horizonte.

Decifrando o momento
Dirigentes nacionais do PT participam de seminário hoje em São Paulo. Vão debater a conjuntura econômica e política. Os palestrantes: Rui Falcão, Marco Aurélio Garcia, Ricardo Berzoini, Alberto Cantalice e Marcio Pochman.

A Operação Lava-Jato vai atingir muitos petistas, mas fortalece a tese do partido em defesa do financiamento público das campanhas eleitorais.


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Blog do Coronel

Surgem provas documentais, quando Dilma ainda presidia o Conselho, de que Graça Foster foi informada sobre corrupção na Petrobras. Hoje uma amiga blinda a outra.

Documentos internos da Petrobras obtidos pelo Valor mostram que a diretoria da estatal, inclusive sua presidente, Graça Foster, foram informadas das irregularidades na empresa muito antes da revelação do escândalo pela operação Lava-Jato. A geóloga Venina Velosa da Fonseca (FOTO), que foi gerente-executiva da diretoria de abastecimento, onde ocorreu a maioria dos desvios apontados pelas investigações, afirma que alertou sobre pagamentos de serviços de comunicação que não foram prestados e sobre a escalada de aditivos que elevaram os custos da refinaria Abreu e Lima de US$ 4 bilhões para US$ 18 bilhões.

A funcionária, que foi afastada da Petrobras no mês passado mesmo sem ter sido acusada pelo Ministério Público de participação no esquema de corrupção, diz ter alertado José Carlos Cosenza - que substituiu Paulo Roberto Costa, mentor e delator das irregularidades - a respeito dos desmandos, sem que nenhuma providência tenha sido tomada.

Venina sustenta, por meio de cópias de e-mails e de centenas de documentos protocolados na estatal, que notificou Graça Foster pela primeira vez em mensagem enviada no dia 3 de abril de 2009, quando a atual presidente ocupava a diretoria de gás e energia. Ela voltou a enviar mensagens depois que Graça assumiu o comando da empresa, em fevereiro de 2012.

Uma das alegações de Venina é que, por causa das denúncias que fez, teria sido destituída da gerência-executiva em outubro de 2009 e transferida para o escritório da estatal em Cingapura em fevereiro de 2010, onde, segundo ela, não exerceu nenhuma função. Ainda de acordo com Venina, em uma ocasião, após ouvir as denúncias de sua gerente, Paulo Roberto Costa teria apontado para o retrato do presidente Lula e indagado se ela queria "derrubar todo o mundo".

Procurada pelo Valor, a Petrobras não respondeu aos pedidos de esclarecimentos até o fechamento desta edição. O Ministério Público vai tomar o depoimento de Venina na próxima semana, em Curitiba. (Valor Econômico)

Observação: Dilma saiu da presidência do Conselho de Administração da Petrobras em março de 2010, um ano depois das primeiras denúncias. Dilma nomeou Graça como presidente da Petrobras em 2012.

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Aloysio Nunes responde para Lula: não há papel higiênico suficiente no mundo para limpar a sujeira do PT.

Os ataques a oposição feitos na noite de quarta-feira pelo ex-presidente Lula em discurso na abertura da segunda etapa do 5º Congresso do PT, foram rebatidos na tarde desta quinta-feira, na tribuna do Senado, pelo líder do PSDB , Aloysio Nunes Ferreira (SP). O tucano chamou as declarações de Lula de “pérolas” e disse que ele subestima o sentimento de indignação da grande maioria dos brasileiros do bem que não aceitam a corrupção e querem um Brasil decente.

— Não senhor ex-presidente! Não nos interessa saber a cor do papel higiênico que se usa nos palácios. Mas eu lhe digo que nem todo papel higiênico do mundo seria capaz de limpar a sujeira que fizeram na Petrobras nesses últimos 12 anos — respondeu Aloysio.

O líder admitiu que está pessimista diante da grande crise política e econômica que deve ser deflagrada quando os nomes dos envolvidos na operação Lava-Jato vierem a público. Lembrou que Lula exaltou a criação de instrumentos de controle como uma distinção dos governos do PT, três dias depois de o ex-ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, ter se despedido do cargo dizendo que os sistemas de fiscalização das estatais são extremamente frouxos e deficientes.
Depois também de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter dito que a Petrobras - que tinha a presidente Dilma à frente do Conselho de Administração - teve uma administração desastrosa .
— E a base do governo continua agindo como se estivesse tudo bem: nada viu, nada acontece, está tudo normal. Aí vem Lula, na sua condição de totem dessa religião idólatra em que se transformou o PT, lançar suas bênçãos sobre a história recente do país — ironizou Aloysio Nunes Ferreira, completando: — Outra pérola de Lula em seu discurso foi dizer que a indignação contra a corrupção é coisa da direita. Como se fosse de esquerda roubar dinheiro público.

Sobre a declaração de Lula de que “os tucanos arrecadam dinheiro como se fosse Criança Esperança. Não tem empresário”, o líder do PSDB disse que a legislação permitindo a doação de empresas privadas foi aprovada após a CPI que levou ao impeachment do ex-presidente Collor. Segundo o tucano, essa é a legislação em vigor, mas que o problema do PT é a corrupção política, que pratica a modalidade de sujar dinheiro limpo, e limpar dinheiro sujo.

O problema, disse, não advém do financiamento de campanha, “se transformou numa modalidade de exercício do poder: compra de apoios através do mensalão e agora do petrolão”. — Em todas as formas de financiamento existem pessoas desonestas. Na análise das contas da presidente Dilma descobriram um pagamento de R$ 24 milhões a uma empresa de eventos que tinha como sócio um motorista que ganha R$ 2 mil e mora numa casa de subúrbio e tem entre os seus clientes os Correios e a Petrobras. O dono dessa empresa já tinha recebido dinheiro do celebérrimo Marcos Valério — criticou Aloysio Nunes. ( O Globo )

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Orgulho roubado

Para aumentar ainda mais o vexame da CPI mista do Congresso, que um dia antes divulgara o escabroso relatório do deputado petista Marcos Maia tratando com ligeireza cúmplice o escândalo da Petrobras, o Ministério Público Federal apresentou ontem as primeiras denúncias contra 35 investigados pela operação Lava Jato, sendo que desses 22 são executivos de seis empreiteiras que faziam parte de um cartel formado para lesar as licitações com o conluio de diretores da estatal.

Todos dessa primeira leva fazem parte do núcleo do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, também denunciado juntamente com o doleiro Alberto Youssef. As acusações são de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção, abrangendo o período de 2004 a 2012 da Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

As denúncias do MPF foram protocoladas na sede da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, e serão apreciadas pelo juiz Sergio Moro, responsável pelo caso, que decidirá se será aberto processo criminal contra os acusados. Pelas palavras duras do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, há elementos suficientes para a abertura de processo criminal: “uma aula de crime”, foi como se referiu aos fatos narrados na denúncia, e a complexidade do esquema descrito leva a que se tenha uma idéia clara da dimensão desta investigação.

Janot não se furtou nem mesmo a dar tons épicos aos acontecimentos, antecipando qual será sua linha de ação na denúncia: "Essas pessoas roubaram o orgulho dos brasileiros", afirmou, referindo-se à Petrobras, retirando dos que participaram das transações ilegais a possibilidade de usarem como escudo protetor a própria estatal que assaltaram.

Como fizeram questão de ressaltar os procuradores, este é o primeiro pacote de acusações, e outros se seguirão. Obedecendo a um esquema previamente traçado, os procuradores estão deixando para o final as denúncias contra os políticos acusados, que têm foro privilegiado e têm que ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal.

O problema político que a denúncia dos muitos parlamentares ocasionará já teve uma demonstração no relatório da CPMI, que fez questão de não citar nenhum parlamentar, mesmo que o deputado André Vargas, petista de corpo e alma que teve que abandonar a legenda, mas não foi abandonado por ela, tivesse sido cassado pelo plenário da Câmara no mesmo dia.

Várias manobras foram tentadas por companheiros petistas para inviabilizar a sessão de julgamento, mas como o voto deixou de ser secreto, quando foi impossível não votar sem se comprometer, o deputado associado ao doleiro Youssef perdeu seus direitos políticos.

Os demais envolvidos, como os da leva de ontem, serão julgados pela Justiça Federal. O Ministério Público Federal deixou claro que está trabalhando para interromper a impunidade “de poderosos grupos que têm se articulado contra o interesse do país há muitos anos", como definiu o procurador Deltan Dallagnol, que frisou que há indicações de que o esquema atinge outras obras públicas.

Para se ter a idéia do tamanho do esquema de corrupção desbaratado, que a CPI dominada pela base aliada e relatada pelo petista Marco Maia não identificou, num ato vergonhoso que achincalha o Congresso, os procuradores exigem nas ações penais a devolução de R$ 971,5 milhões apenas nesse núcleo. Outros núcleos, como o da Diretoria de Serviços, comandada por Renato Duque, preposto do PT na Petrobras, serão objeto de novas denúncias nos próximos dias.

Pela disposição dos procuradores, e pelos fatos já levantados nas investigações baseadas em diversas delações premiadas, será difícil que essas denúncias não produzam condenações exemplares. Apesar da pressão que, a exemplo do mensalão, o PT e o ex-presidente Lula já começam a fazer.


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