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Mais um ato escandalosamente ilegal: desta feita, a protagonista é Dilma

Mais um ato ilegal na CUT. Mais uma vez a Lei Eleitoral, a 9.504, foi escandalosamente afrontada. Mais uma vez, um dinheiro de origem pública, coletiva, foi posto a serviço de uma candidatura, de um partido, de um grupo de políticos. Desta feita, a protagonista da agressão ao estado democrático e de direito é ninguém menos do que a presidente Dilma Rousseff. Ela é uma das estrelas daquele partido, o PT, que exigiu — e obteve — a cabeça da funcionária de um banco privado que ousou dizer a verdade aos clientes: quando o mercado avalia que Dilma melhora nas pesquisas, os indicadores econômicos pioram. Que coisa! Uma mulher, de uma empresa privada, porque diz uma verdade, tem a cabeça entregue a Lula na bandeja. A presidente da República, jogando a lei na lata do lixo, não é molestada por ninguém.

A que me refiro? Nesta quinta, foi a vez de Dilma discursar num evento da CUT, central sindical que é financiada, entre outras fontes, pelo imposto sindical, pago compulsoriamente por todos os trabalhadores formalizados, sejam sindicalizados ou não. Lula já tinha discursado lá. Os dois usaram o encontro da central para fazer proselitismo eleitoral em favor do PT e, ainda mais escandaloso, para satanizar a oposição. Dilma deu mostras, mais uma vez, de que, pressionada, pode tirar do fundo do baú o pensamento da velha militante da VAR-Palmares, aquela que não tinha adversários, mas inimigos políticos, que tinham de ser eliminados. E os grupos aos quais ela pertenceu mataram inocentes. Sigamos.

Em franca campanha eleitoral, a presidente afirmou que seus adversários querem acabar com os benefícios sociais. Num momento em que a retórica resvalou no chão, mandou brasa: “Nós vamos fazer uma campanha respeitosa, não precisamos xingar ninguém. Agora, é uma campanha que vai confrontar a verdade ao pessimismo que querem implantar no Brasil, que querem criar o ambiente de quanto pior melhor. Nós queremos um Brasil de quanto mais futuro melhor”.

Não existe xingamento maior, ofensa maior, agravo maior, na política, do que atribuir a adversários o jogo do “quanto pior, melhor”, especialmente quando estes disputam o poder, como é o caso, segundo as regras do jogo. Por quê? Que grande programa do governo Dilma os oposicionistas sabotaram? Contra que grande benefício social eles se opuseram? A pecha valeria, sim, é para aquele PT que votou contra o Plano Real e que tentou derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Apelando ao drama vulgar, afirmou:
“Não fui eleita nem serei reeleita para colocar nosso país de joelhos diante de quem quer que seja. Isso significa também reconhecer para vocês que eu não sou uma pessoa pretensiosa. Posso não acertar sempre, como qualquer outro ser humano, posso não agradar a todos, aliás acho que desagrado alguns. Eu não traio meus princípios, meus compromissos, não traio minha parceria…”.

Quem pôs o país de joelhos antes dela? Contra a vontade do PT, o país se levantou, isto sim, da hiperinflação, por exemplo. Ainda voltarei ao assunto, é claro! Não deixa de ser fascinante que alguém faça um discurso tão tonitruante no momento em que atropelava princípios básicos do republicanismo. Tem de ter muita cara de pau.

Ah, sim, claro, claro! Consta que o PT vai pagar o custo do evento. É mesmo? Quer dizer, então, que os três dias da 14ª Plenária da CUT serão custeados por um partido político? Bem, nesse caso, nem é preciso investigar se houve a ilegalidade: já há uma confissão.

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Santander se desculpa de novo! Agora, o banco já cruzou a linha do ridículo, o que me leva a lhe fazer uma pergunta

Quando teve início aquele escarcéu estúpido por causa da tal mensagem do Santander enviada a alguns correntistas — informando que os mercados reagiam negativamente à perspectiva de Dilma ser reeleita —, defendi aqui, basta procurar no arquivo, o direito que o banco tinha de emitir uma opinião. O resto da história vocês já conhecem. Lula pediu a cabeça da analista e puxou o saco do presidente mundial do banco, Emilio Botin, que prometeu demitir a responsável, o que acabou acontecendo. Antes disso, a instituição já havia tornado público um pedido de desculpas. Nesta quinta, os correntistas receberam uma segunda cartinha. Aí o Santander já se desculpava com os clientes.

Assim como não vi nada demais na primeira carta, lastimo todo o resto da história, incluindo a demissão. O Santander, com a devida vênia, comportou-se de modo patético nessa história. Por mais que esse setor seja bastante dependente dos humores dos poderosos de turno — e é —, há um limite para o ridículo que me parece ter sido ultrapassado com impressionante desassombro.

Dado o barulho que fez o PT, até compreendo que o banco pudesse emitir uma nota pública informando que não se mete em política partidária. Poderia até afirmar que a opinião da analista — ou de um departamento — não refletia o que pensava a instituição etc. Em suma, havia várias maneiras de amenizar eventuais desconfortos. Mas O que se vê é um espetáculo um tanto grotesco de sabujice. Dá a entender, talvez injustamente, que o banco mantém uma relação de dependência com o poder que não é conhecida pelo conjunto da sociedade.

Esse episódio, acreditem, fez muito mal à cultura da liberdade de política e do livre exercício da opinião. Um texto que era público — afinal, enviado a muitos correntistas — mereceu o tratamento de alguma peça conspiratória, como se pessoas mal intencionadas atuassem nas sombras para desestabilizar a presidente Dilma.

Quer dizer que o analista de um banco está proibido de informar a seus clientes que, deixem-me ver, comprar ações de empresas públicas num eventual cenário de reeleição de Dilma é um mau negócio? E é mau negócio por quê? Não porque o tal analista não goste do PT. Mas porque ele tem a obrigação de alertar que é próprio da cultura petista usar essas empresas para fazer política, pouco se importando com a economicidade de determinadas escolhas. É o que acontece com a Petrobras, por exemplo. É o que acontece com o setor elétrico.

O comportamento da imprensa brasileira, diga-se, ressalvadas as exceções de sempre, é também lamentável. Mais uma vez, reage de maneira pífia a uma clara agressão ao debate livre de ideias.

Bem, agora falta o quê? Mais um pouco, a direção do Santander vai se chicotear de joelhos na rampa do Palácio do Planalto. Uma pergunta: se eu decidir botar meu dinheiro no Santander, devo confiar no que me disser o analista financeiro ou me cabe intuir que sua opinião passou antes pelo Departamento de Censura Diretório Nacional do PT?

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Petistas investigados por elo com PCC omitem bens à Justiça Eleitoral

Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
Investigados em inquéritos do Ministério Público de São Paulo sobre a relação de cooperativas de transporte público com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), os irmãos petistas Senival Moura, vereador na capital paulista, e Luiz Moura, deputado estadual, omitiram bens na declaração exigida dos candidatos pela Justiça Eleitoral neste ano. A lista patrimonial é um requisito previsto em lei para o deferimento da candidatura.

Levantamento feito pelo site de VEJA na Junta Comercial de São Paulo mostra que ao menos três empresas recém-abertas pelos irmãos com familiares – eles não são sócios entre si – não constam na declaração. Se comprovada, a omissão pode configurar crime eleitoral previsto no artigo 350 do Código Eleitoral – em caso conduta dolosa ou de má fé do candidato. A norma prevê pena de reclusão de até cinco anos e pagamento de multa para quem “omitir, em documento público ou particular, declaração que dele deveria constar”. De acordo com a resolução 23.405/14 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os candidatos devem assinar e entregar uma “declaração atual de bens” ao registrar suas candidaturas.

Luiz Moura deixou de informar que é sócio majoritário em ao menos um posto de gasolina no município de Guarulhos, na Grande São Paulo. O Auto Posto R66 tem capital social de 300.000 reais, sendo que Moura possui 297.000 reais em cotas –- os 3.000 reais restantes são da mulher do parlamentar. Eles compraram a empresa em novembro do ano passado. O patrimônio informado pelo deputado neste ano, sem o posto em Guarulhos, soma 1.063.100,27 reais distribuídos em imóveis, aplicações bancárias e outros quatro postos de gasolina – um deles, que soma 100.000 reais de capital, foi vendido pelo deputado e sua mulher há um mês.

Senival Moura não informou participação em duas empresas. Ele é presidente do conselho administrativo da SPM, uma empresa constituída em março deste ano para transporte municipal e interestadual de passageiros e de cargas, com sede em Lageado, no extremo leste da cidade. O capital social é de 20.000 reais. A outra empresa é a academia Gym Box Brasil, aberta em abril pelo parlamentar, sua mulher e seus dois filhos no bairro da Casa Verde, na Zona Norte. A microempresa tem capital social de 20.000 reais – sendo 3.000 reais em nome de Senival, sócio minoritário.

Balanço
Sem as duas empresas, Senival informou ter patrimônio total de 1,46 milhão de reais – cerca de 400.000 reais a mais do que eleição de 2012. O valor está distribuído em imóveis, automóveis e contas bancárias. Desde 2008, ano em que se elegeu como vereador mais votado do PT paulistano, o patrimônio declarado por Senival saltou 329% – era de 340.000 reais.

Já Luiz Moura perdeu 80% de seu patrimônio, se comparados os dados de 2014 com a sua declaração de bens de 2010, ano em que elegeu-se pela primeira vez. Em, 2012 ele tentou disputar a prefeitura de Ferraz de Vasconcelos (SP) e declarou possuir 1,1 milhão de reais. A diferença se explica pelo fato de Moura ter deixado o quadro societário da Happy Play Tour, empresa de transporte na qual teria injetado 4 milhões de reais. O Ministério Público encontrou indícios de que empresa era de fachada e servia para lavagem de dinheiro do PCC obtido com o tráfico de drogas e armas. A Happy Play Tour, atualmente transformada em Expresso Cidade Tiradentes, e mais duas empresas do Consórcio 4 Leste são investigadas por elo com o PCC e irregularidades na prestação de serviço de transporte coletivo. O Ministério Público suspeita que dois ex-sócios do deputado na companhia, Vilson Ferrari e Gerson Sinzinger, são suspeitos de colaborar com o PCC. Eles movimentaram milhões de reais em imóveis e entraram na Happy Play Tour na mesma época que Moura, em 2009 – cada um dos três aportou 4 milhões de reais.

A participação de Moura na empresa é o indício mais forte contra o parlamentar obtido até o momento pelos promotores de Justiça. Desde 2010, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) conduziu duas investigações que tramitavam em conjunto em que os explosivos irmãos Moura foram citados. Os autos contra Luiz Moura foi deslocados para a procuradoria-geral de Justiça, porque como deputado estadual ele tem direito a foro privilegiado. O procurador-geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa, apura indícios de sete crimes: organização criminosa, extorsão, constrangimento ilegal, apropriação indébita, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e abuso de autoridade. O Gaeco investiga se Senival Moura praticou crimes de formação de quadrilha e corrupção.

Questionados sobre as investigações, Luiz e Senival Moura negam vínculos com atividades criminosas.

Cargos
O vereador Senival Moura pediu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) o registro para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília. O deputado Luiz Moura, por sua vez, trava uma batalha jurídica com o PT para tentar concorrer a seu segundo mandato na Assembleia Legislativa. Flagrado em uma reunião com dezoito integrantes do PCC na garagem de uma cooperativa, ele chegou a ser suspenso pelo partido, mas conseguiu na Justiça comum o direito de solicitar o registro da própria candidatura, à revelia da cúpula petista.

Nesta quarta, o Tribunal de Justiça manteve o direito de Moura concorrer à reeleição, ao negar recurso dos advogados do PT. Mesmo assim, a Comissão Executiva do PT paulista deicidiuexpulsá-lo da sigla nesta quinta-feira para tentar evitar mais desgaste à candidatura de Alexandre Padilha ao governo do Estado. Petistas avaliam que a presença de Moura na chapa de candidatos e nas fileiras do partido pode minar qualquer proposta de Padilha de combate ao crime organizado na área da Segurança Pública.

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Mantega: Tarifaço é ‘conversa para boi dormir’

Gestor de uma política econômica que convive com inflação no topo da meta, truques contábeis, despesas acima da arrecadação, tarifas represadas e intervenções na cotação do dólar, Guido Mantega avalia que o governo realiza um bom trabalho.

Nesta quinta-feira (31), em entrevista ao Estadão, o ministro da Fazenda declarou que há no país “um pessimismo artificial, gerado por fatores extraeconômicos.” Referiu-se à pregação dos presidenciáveis da oposição sobre a inevitabilidade de ajustes severos na economia em 2015, incluindo um tarifaço, nos seguintes termos:

“Já estamos reajustando as tarifas, os preços administrados. Essa história de que não reajustamos as tarifas é conversa para boi dormir. Basta ver os planos de saúde, os Correios, as loterias e também os remédios. Todos tiveram os reajustes previstos, independente de eleições.”

Absteve-se de mencionar o dique que impede a Petrobras de reajustar os preços da gasolina. Sobre as contas de luz, afirmou: “Os reajustes ordinários de energia elétrica também estão ocorrendo. Tudo está normal. Então, não procede a ideia de que haja necessidade de tarifaço. Sei que eu não faria nenhum tarifaço em 2015.”

Os dois principais antagonistas de Dilma Rousseff têm feito críticas ácidas ao governo. Ecoando uma impressão que se disseminou entre os empresários, Aécio Neves diz que a presidente inaugurou um “ciclo perverso” na economia. Eduardo Campos declara que ela “entregará um país pior do que recebeu” de Lula. Sem mencionar-lhes os nomes, Mantega contestou-os.

“Alguns ficaram interessados em criar um pouco de mau humor no país. Se tivesse mais otimismo na economia brasileira, talvez ela fosse melhor. O empresário tem que olhar o curto, o médio e o longo prazo, e não só o que está acontecendo. Tem um pessimismo artificial no país, gerado por fatores extraeconômicos. Tivemos isso antes da Copa também.”

O ministro evocou a política monetária do governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, desqualificando-a. De novo, sem citar nomes: “Nosso juro real é baixo, mesmo com a alta recente. Tinha gente no passado que praticava 10% de juro real. Nem me lembro os nomes… mas tinha gente que dizia que o juro de equilíbrio real do Brasil era de 10%, e praticava isso.''

Mantega pintou um 2015 bem mais róseo do que o esboçado pela oposição, pelo mercado financeiro e pelo empresariado, sobretudo do setor industrial. Ele admitiu a necessidade de providências corretivas. Nada tão dramático, contudo.

“Sempre, em início de governo, há um espaço para se fazer ajustes, todo mundo faz. Mas teremos um cenário melhor em 2015. Certamente, não teremos aperto de crédito no ano que vem, porque a inflação, também, estará mais moderada.”

Acrescentou: “Teremos, em 2015, a maturação dos investimentos das concessões e também do campo de Libra, do pré-sal. O Banco Central poderá flexibilizar a política monetária em 2015, quando a inflação der sinais de cenário melhor. O BC já parou de subir a Selic, o que já é bom. O cenário vai ser melhor, não há dúvida disso. O cenário internacional estará melhor e isso é muito importante.”

Prosseguiu: “Além disso, a Petrobrás vai estar em um patamar de produção e refino muito maior, e isso dará mais lucro à empresa e, consequentemente, mais recolhimento de tributos. O mesmo ocorrerá com a Vale. A indústria extrativa de modo geral, não somente a Vale, estará em ritmo melhor em 2015. O quadro é positivo.”

Desde 2010, último ano de Lula, a inflação roda acima do centro da meta oficial do governo, de 4,5%. Nos últimos meses, o índice furou a barreira dos 6%. No acumulado dos últimos 12 meses, ultrapassou o teto da meta, de 6,5%. Tudo isso levou o Banco Central a abandonar a tentativa de Dilma de baixar a taxa de juros na marra. Mas Mantega não se dá por achado.

“Temos forte queda de inflação no país. Os dados de IPCA, e também de IGP-M, indicam uma curva inclinada para baixo. Esse segundo semestre será de inflação baixa. Os meses de julho e agosto são de inflação baixa, e o consumidor já sente isso no bolso.”

A julgar pelo sentimento captado pelas últimas pesquisas eleitorais, o que o consumidor sente no bolso é a fisgada da carestia. A corrosão das expectativas puxa para baixo a aprovação do governo, comprime a taxa de intenção de votos em Dilma e anima a oposição, especialmente o tucanato.

E Mantega: “A alta de preços está mais maneira, embora tenhamos convivido com a questão da seca no início do ano. Isso é bom para a economia. O consumidor está com um poder aquisitivo melhor agora, porque a inflação caiu. As medidas de política monetária adotadas pelo Banco Central darão um alívio no crédito.”

O ministro enxerga mais suavidade na ação do Banco Central: “Até agora, a política monetária tem sido severa. Além da própria Selic, que foi elevada por mais de um ano e agora deu uma parada, em 11% ao ano. Foi uma política monetária apertada, porque demos prioridade absoluta para baixar a inflação.”

Há no mercado muitas dúvidas quanto aos efeitos da injeção de dinheiro na economia que o BC promoveu recentemente. Ainda não há evidências sólidas de que os bancos se animarão a emprestar. Tampouco há clareza quanto à disposição de empresas e consumidores de contrair novos créditos.

Mantega, porém, é movido a certezas: “Agora que a inflação está moderada, o BC fez essa medida que melhora a liquidez do mercado. Ela viabiliza a compra de carteiras, que estava inviabilizada. Isso tinha dado uma emperrada, e agora vai voltar a ter mais crédito.”

Como não pode celebrar o passado recente, Mantega dedica-se a cultuar o futuro, que não pode ser apalpado nem conferido: “Agora estamos num ponto de inflexão”, diz o ministro. “O segundo semestre de 2014 será melhor do que o primeiro, não tenho nenhuma dúvida.”

Heimmm? “Os primeiros sinais positivos vêm de dentro, com dois meses consecutivos de melhora na confiança dos consumidores e com a queda mais forte da inflação. Além disso, teremos muito mais dias úteis do que no primeiro semestre, que teve a Copa do Mundo. O pessoal vai poder consumir mais.''

O ministro soou enfático: “Agora, começa a inflexão. Também a restrição de crédito, que havia, começa a reduzir. Os bancos privados colocaram o pé no freio. As medidas que tomamos garantem uma melhora do mercado.”

Será? “Tivemos melhoria geral, porque a Bolsa de Valores registrou uma alta no primeiro semestre, e nos últimos seis meses a taxa de câmbio teve uma valorização de 9%. Isso cria as condições para a normalização. Os aplicadores estrangeiros que vieram para a Bolsa ganharam dinheiro e isso deixa o mercado animado.”

Disseminaram-se no mercado previsões molestas sobre o PIB, o Produto Interno Bruto. Estima-se que a taxa de crescimento fechará o ano ao redor de 1%. Não são raras as estimativas de que talvez feche abaixo desse patamar. Avalia-se que há um esgotamento da fórmula que combina a oferta de crédito e o estímulo ao consumo.

Agora, para que a economia cresça, seria necessário elevar a produtividade dos trabalhadores empregados. Algo que só pode ser obtido por meio da elevação dos investimentos, sobretudo em infraestrutura. No entanto, Mantega prefere mimetizar a chefe Dilma, atribuindo o nanismo do PIB apenas à crise internacional.

“Tivemos um primeiro semestre mais moderado, do ponto de vista do crescimento, por conta da economia mundial. O primeiro trimestre não registrou o crescimento esperado nos Estados Unidos, que frustraram todas as expectativas, e também uma lentidão da União Europeia. O FMI reduziu a projeção de crescimento mundial por conta dos dados do primeiro semestre. Até a China deu uma desacelerada no começo do ano.”

A despeito de tudo, Mantega, de novo, mira o futuro próximo com olhos otimistas: “Agora, a economia americana está dando sinais mais fortes de uma retomada, enfim. Quando os Estados Unidos melhoram, a China imediatamente melhora também. E isso tudo ajuda. A China deu uma melhorada no segundo trimestre.”

O ministro reconhece: “Temos uma dinâmica própria de crescimento, mas dependemos também do mercado internacional. Nossa indústria tem menos espaço para exportar com a queda mundial. A Europa é um terço do mercado global e desde 2011 está em crise”. Mas ele sé enxerga luz numa conjuntura em que muitos não conseguem ver nem o túnel: “Lentamente, no entanto, tudo está melhorando.”

Para compensar os gastos acima da capacidade do fisco de arrecadar tributos, o governo tem recorridos a truques contábeis. A mágica mais recente foi a transferência à Petrobras, sem licitação, do direito de explorar mais quatro campos petrolíferos do pré-sal. A providência levará a estatal petroleira a pagar ao Tesouro, ainda em 2014, algo como R$ 2 bilhões.

Avesso à expressão “corte de despesas”, Mantega prefere soltar fogos pelo ingresso desta e de outras receitas extraordinárias no caixa a promover um aperto no cinto. “No primeiro semestre, o crescimento foi inferior e, por isso, teve arrecadação menor. No segundo semestre, a atividade será maior, e, portanto, a arrecadação será maior”, ele afirma.

“Temos os Refis em curso, com a entrada de R$ 18 bilhões, e outras receitas. Haverá o leilão do 4G, que deve render R$ 8 bilhões, além dos R$ 2 bilhões que a Petrobrás pagará por ter obtido a concessão de campos de petróleo do pré-sal. Vejo os balanços das empresas no segundo trimestre e daqui a pouco isso vai chegar no meu caixa sob a forma de tributos, como Imposto de Renda Pessoa Jurídica e outros.”

Ainda assim, o ministro se esquiva de assegurar o cumprimento das metas orçamentárias do governo. Limita-se a dizer que não há corpo mole: “Estamos fazendo todo o esforço para meta fiscal ser atingida. As despesas não estão fora de controle, as receitas que frustraram por conta do ritmo da economia no primeiro semestre.”

De resto, Mantega esclarece que vem aí uma elevação do imposto cobrado sobre as bebidas. “É sempre difícil fazer um aumento de tributo. Além do mais, o Congresso só terá mais uma semana de trabalho, e isso inviabiliza algumas medidas. Mas discutimos com os setores sempre. Nós combinamos um aumento da tributação com o setor de bebidas para começar em setembro.”

No setor energético, a combinação de crise hídrica com o desconto nas contas de luz resultou numa superutilização de energia térmica, que é mais cara. Com isso, as distribuidoras de energia dobraram os joelhos. E o governo viu-se compelido coordenar uma operação de $ocorro bilionário. Logo, logo, a encrenca se materializará nas contas de luz. Para Mantega, nada que tire o sono:

“O crédito dos bancos para a Câmara de Compensação de Energia Elétrica [CCEE] foi uma solução do mercado. Foi algo totalmente privado, uma solução com grande participação dos bancos privados. Além dos R$ 11,2 bilhões emprestados no começo do ano, teremos agora mais um empréstimo do consórcio de bancos para a CCEE, que será de R$ 3,5 bilhões. Já os R$ 3 bilhões do BNDES serão a última tranche.”

Qualquer dia desses, ao olhar-se no espelho pela manhã, para escovar os dentes, Guido Mantega tomará um susto com sua imagem refletida. Ela lhe dirá: “Bom dia, ministro. Eu sou a autocrítica. Vim apresentar o senhor a si mesmo.”

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Abutre!



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Agnelo Queiroz abandona debate no Distrito Federal
Gabriel Garcia

O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, abandonou o palco do primeiro debate entre os candidatos ao governo local, realizado pela Associação Comercial do Distrito Federal na noite de quarta-feira (30).

Apesar de contar com a participação dos candidatos Toninho do PSol, Rodrigo Rollemberg (PSB) e Luiz Pitiman (PSDB), o debate foi marcado por troca de acusações entre Agnelo e o ex-governador José Roberto Arruda (PR).

Foi no último bloco que Agnelo desceu do palco. Nas considerações finais, ele disse que pegou a cidade na lama. E, olhando para Arruda, acrescentou que o adversário não deveria faltar com a verdade. A coordenação deu direito de resposta a Arruda.

A reação foi imediata. "Direito de resposta porque olhei pra ele. Absurdo", disse Agnelo. “O Arruda foi claramente favorecido. Mas o governador passou recibo”, avaliou Rollemberg, que está em terceiro nas pesquisas de intenção de voto, com 15%.

Arruda é aquele político que renunciou ao mandato de senador, em 2001, para não ser cassado após violação do painel eletrônico de votação do Senado. Foi eleito governador em 2006. Voltou a ser cassado, em 2010, por receber R$ 50 mil do ex-secretário Durval Barbosa, delator do esquema do mensalão do Democratas.

Arruda é aliado do ex-governador Joaquim Roriz, outro envolvido em denúncias de corrupção. Roriz renunciou ao Senado, em 2007, após ser flagrado em conversa por telefone negociando a partilha de um cheque de R$ 2,2 milhões com o ex-presidente do Banco de Brasília Tarcísio Franklin de Moura.

Ele disse que retirou R$ 300 mil para pagar uma bezerra e devolveu o restante, R$ 1,9 milhão, ao empresário Nenê Constantino, dono do cheque e fundador da empresa aérea GOL.

Agnelo é o governador do Brasil com a segunda pior avaliação. Está à frente apenas da governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini. Na corrida eleitoral no Distrito Federal, ele está em segundo lugar, com 17% das intenções de voto. Atrás justamente de Arruda, dono de 32% da preferência do eleitorado.

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PSDB pede investigação de ida de ministros à sabatina de Dilma
Laryssa Borges, Veja

A campanha do tucano Aécio Neves à Presidência da República enviou nesta quinta-feira à Procuradoria da República no Distrito Federal pedido para que seja investigado se a presidente-candidata Dilma Rousseff cometeu crime de improbidade administrativa ao levar sete ministros para acompanhá-la na sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na quarta-feira.

De acordo com o advogado Flávio Pereira, da assessoria jurídica da campanha, a Lei de Improbidade proíbe que se utilize o trabalho de servidores públicos, o que incluiria ministros de Estado, em serviços particulares.

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Dilma: PSDB deixou 'o país de joelhos' 3 vezes diante o FMI
Germano Oliveira, O Globo

Em seu primeiro comício como candidata à reeleição, a presidente Dilma Rousseff disse para uma plateia de mil militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Guarulhos, na Grande São Paulo, que não vai ser reeleita para deixar "o país de joelhos perante quem quer que seja".

Segundo ela, o PSDB deixou o Brasil "de joelhos três vezes: em 1999, em 2001 e em 2002" diante do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Dilma, que discursou ao som de jingles de campanha e palavras de ordem dos militantes da CUT, a campanha deste ano vai confrontar a verdade ao pessimismo que a oposição quer implantar no país do "quanto pior melhor".

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PT aprova expulsar deputado envolvido com crime organizado
Julianna Granjeia, O Globo

A Executiva estadual do PT-SP aprovou por unanimidade, ontem, a expulsão do deputado estadual Luiz Moura (PT-SP) do partido. A decisão ainda será votada hoje pelo diretório estadual. O parlamentar foi suspenso do PT em junho e responde a processo disciplinar interno. Caso seja expulso, Moura, que já registrou sua candidatura, não poderá disputar a reeleição.

Moura é investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE) como suspeito de lavar dinheiro para a facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios paulistas por meio de cinco empresas e cooperativas de ônibus da cidade após ter sido flagrado pela Polícia Civil em uma reunião com pessoas suspeitas de integrar a facção. Ele nega envolvimento.

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Universal abre seu “templo ostentação”
Talita Bedinelli, El País

Às 19 horas de ontem, os narradores que transmitiam ao vivo pela TV Universal a cerimônia de abertura do Templo de Salomão, espaço inaugurado pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) no Brás, região central de São Paulo, anunciavam a chegada da Arca da Aliança, um baú banhado a ouro, com dois querubins no topo, que segundo informavam era igual a que era levada pelos judeus, na antiguidade, antes das guerras.

O baú era carregado por seis sacerdotes, em vestes brancas e cintos dourados, que partiram da outra mega-sede da Universal, a 500 metros dali, e caminharam lentamente em uma marcha ritmada pela avenida Celso Garcia, uma das principais vias da região central da capital paulista, que foi parcialmente interditada para receber o tapete vermelho por onde eles circularam.

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CIA admite que espionou uma comissão do Senado dos Estados Unidos
Marc Bassets, El País

É pouco comum que os chefes dos espiões reconheçam erros. Mas nos Estados Unidos, país da separação de poderes e da vigilância permanente do poder executivo por parte do legislativo, qualquer indício de espionagem dos congressistas pelos agentes, como ocorreu há alguns meses, é suscetível de provocar uma crise constitucional.

Depois de meses de disputa com os principais responsáveis por vigiar os espiões no Capitólio, o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Brennan, admitiu ontem que alguns de seus funcionários se introduziram de forma inadequada em computadores reservados para investigadores do Senado, no qual o Partido Democrata tem maioria.

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Museu do Louvre, em Paris, sofre com invasão de ratos
Veja

O museu mais famoso do mundo, o Louvre, em Paris, está passando por um problema nada agradável neste verão europeu: uma invasão de ratos. A direção do Louvre contratou uma empresa especializada em controle de pragas para eliminar os ratos que infestam os jardins do museu.

Nos últimos dias, dezenas de turistas postaram fotos nas redes sociais mostrando ratos sozinhos ou em grupos. Nesta época do ano, os jardins do museu são um dos locais mais usados na capital francesa para piqueniques ou descanso – por turistas e pelos próprios parisienses.

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Israel e Hamas concordam com cessar-fogo de 72 horas
O Globo

Os Estados Unidos e as Nações Unidas anunciaram que Israel e o Hamas concordaram com um cessar-fogo humanitário de 72 horas, que começará às 8 horas da manhã (hora local) desta sexta-feira.

Numa declaração conjunta, a ONU e os Estados Unidos afirmaram que conseguiram garantias de que ambos os lados concordaram com um cessar-fogo incondicional, no qual serão realizadas negociações para uma trégua mais duradoura.


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Blog do Augusto Nunes

Dilma na sabatina da CNI: a doutora em preço de gás diz que 13 menos 4 é igual a 7, viaja da Ucrânia para o Japão em menos de um minuto, confunde usina nuclear com furacão e submerge num tsunami



Até o colunista acharia que o título do post é coisa da elite golpista, gente que acorda e dorme debochando da presidente da República, se não pudesse apresentar como prova o vídeo que registra um trecho das considerações finais de Dilma Rousseff na sabatina da CNI. A candidata à reeleição começa discorrendo sobre as variações do preço do gás no mercado internacional, estaciona de novo em reticências bêbadas e diz o seguinte:

“Na Ucrânia pagam 13 dólares o… o milhão de BTU. Mas.. 4 pra 13 dá sete.. pagam… quanto é que paga? Depois do furacão.. (Uma alma caridosa na plateia corrige a maluquice aritmética: NOVE!). Aliás 4 pra 13 dá 9.. eu tô pensando no furacão Ka.. o furacão não.. em Fugujima  (sic)… Como é que chama.. no Japão.. O tsunami…”

Pena que o vídeo não tenha incluído o fecho recitado em dilmês erudito: “No Japão a diferença é aquela que eu disse”. O Japão jamais saberá que diferença é essa. Mas todos os japoneses sabem que Fukushima nunca foi “Fugujima” sempre foi Fukushima. E aprendem ainda na infância que 13 menos 4 jamais será igual a 7.

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O presidente do Santander parece disposto a provar que é o único executivo do mundo capaz de dirigir de joelhos um grande banco

Faz três dias que o presidente do Santander tenta falar por telefone com a presidente da República. Faz três dias que Dilma Rousseff manda dizer que está ocupada. Mas é improvável que Emilio Botín desista de ampliar o notável acervo de humilhações acumulado desde sexta-feira, quando soube da colérica reação dos donos do poder ao retrato sem retoques da paisagem econômica brasileira distribuído pelo banco entre um grupo de clientes.

Pelo que anda fazendo, Botín parece disposto a provar que é o único executivo do mundo capaz de dirigir um grande banco de joelhos. Primeiro, ajoelhou-se diante de Dilma com um pedido de desculpas que a destinatária, na sabatina da Folha, rebaixou a “protocolar”. Depois, ajoelhou-se diante de Lula para entregar-lhe a cabeça da profissional que coordenou com correção e competência o trabalho encomendado pela direção do Santander.

“Essa moça não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma”, berrara o palanque ambulante numa discurseira para os companheiros amestrados da CUT. A ofensa do grosseirão vocacional, que só sabe ser generoso na hora de pagar com dinheiro público a gastança das roses noronhas, precedeu a exigência repulsiva: o antigo dirigente sindical cobrou a demissão de uma bancária: “Manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim”.

A primeira ordem já foi cumprida. Falta acertar o tamanho do bônus. Feito isso, só faltará sujeitar-se às vontades do PT, que considera “terrorismo eleitoral” qualquer reparo à desastrosa política econômica do governo lulopetista. Se tornar definitiva a opção preferencial pela vassalagem,  Botín terá de escolher entre dois becos sem saída.

O primeiro começa na interrupção dos diagnósticos que esmiuçam o quadro político-econômico e termina à beira do penhasco. O Santander pode perder uma imensidão de contas para os bancos que continuarão a valer-se de análises escritas ou relatórios verbais para contar aos clientes o que não é novidade sequer para os índios das tribos isoladas: a possível reeleição de Dilma é uma hipótese apavorante para quem costuma ver as coisas como as coisas são ─ e vê o que fez em três anos e meio o poste que Lula instalou no Planalto.

O segundo beco sem saída começa na fabricação de análises desenhadas para agradar ao governo, passa ao largo de pedidos de desculpas à oposição e acaba no buraco negro da credibilidade zero. Caso decida avançar por aí, Botín não demorará a presidir uma instituição com a imagem em frangalhos. Em compensação, não terá dificuldades para conseguir uma audiência de meia hora com a chefe de governo.

A temperatura do encontro ficará especialmente agradável se Botin presentear Dilma Rousseff com um par de sapatos para dormir. Talvez até consiga convencer a presidente a aplicar no Santander aqueles 152 mil que guarda debaixo do colchão.


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Blog do Josias

Dilma e Alckmin vão inaugurar uma temeridade

A cidade de São Paulo testemunhará nesta quinta-feira (31) um episódio fantástico, passado num país fabuloso. Uma cena bem brasileira. A Igreja Universal, do autoproclamado bispo Edir Macedo, vai inaugurar sua nova sede. Chama-se Templo de Salomão. Foi construído em cima de uma fraude.

Conforme noticiaram os repórteres Rogério Pagnan e Eduardo Geraque, a Universal valeu-se de informações falsas para burlar a legislação da capital paulista. Em 2006, requereu à prefeitura autorização para reformar um prédio de 64 mil m². O diabo é que a edificação existente no terreno, uma antiga fábrica de 18 mil m², tinha sido demolida dois anos antes.

Uma comissão que se ocupa da análise de autorizações expedidas pela prefeitura apontou a burla. Mas a obra foi liberada, num processo que teve o aval de um órgão municipal chamado Aprov. Chefiava a repartição um personagem notório: Hussain Aref Saad, suspeito de comandar um esquema de corrupção na liberação de obras durante a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab.

Sobre a terra nua, a Universal erigiu, ao custo de R$ 680 milhões, um templo de 75 mil m². Levantou do lado, sem autorização da prefeitura, um edifício garagem de 25 mil m². O monumento abrirá suas portas sem o “habite-se”. Em recurso, a igreja tenta regularizar a nova sede. Enquanto não decide, o Executivo municipal, hoje sob Fernando Haddad, expediu uma licença temporária, com validade de seis meses.

Como se fosse pouco, a fita do templo será cortada sem que o Corpo de Bombeiros tenha submetido o empreendimento religioso a uma vistoria. Coisa essencial para atestar, entre outras precauções, a existência no local de saídas de emergência e de extintores de incêndio.

A agenda de Dilma Rousseff informa que ela decolará de Brasília às 14h. O jato presidencial pousará Em São Paulo às 15h20. O único compromisso da presidente na capital paulista é a participação no “culto inaugural do Templo de Salomão”. O governador Geraldo Alckmin também confirmou presença.

Quer dizer: as autoridades máximas do país e do Estado tomarão parte, gostosa e voluntariamente, da inauguração de uma temeridade. E não farão isso em nome de Jesus. Na briga pela reeleição, a presidente e o governador prestigiarão os cerca de 10 mil votos que cabem na nova casa da Universal, três vezes maior do que a Basílica de Aparecida.

Como se vê, o Brasil é mesmo um país muito distante, uma democracia lá longe, em cujas fronteiras o respeito às leis, às regras e ao recato vale pouco, muito pouco, pouquíssimo.

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Sucessão virou rixa do mesmo contra a dúvida

Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos falaram à elite empresarial do país num evento organizado pela Confederação Nacional da Indústria. Em horários diferentes, discursaram, submeteram-se a uma sabatina e deram entrevistas. Nada de novo sob o sol. Apenas reiteraram posições conhecidas. Espremendo-se todo o dito, verifica-se que a sucessão virou uma disputa do mesmo contra um par de dúvidas.

Dilma, o mesmo, é movida por forças inconscientes e antagônicas. Ela é movida por um desejo de eficiência gerencial com os pés imersos num governo que gira ao redor da crise como parafuso espanado. Todos são culpados pela crise —dos países desenvolvidos à oposição derrotista…— todos têm culpa, menos a oradora.

Enquanto Dilma discursava, a plateia de empresários digeria a penúltima má notícia divulgada pela Fazenda: no primeiro semestre, o governo produziu um superávit de R$ 17,2 bilhões. É o pior resultado em 14 anos. O governo prometera poupar R$ 80,8 bilhões em 2014. Decorridos seis meses, só entregou 21% da meta.

A crise dá a Aécio e Campos, esse par de dúvidas, a oportunidade de exibir rostos graves, frontes crispadas —semblantes que sempre impressionam a audiência. A inflação no topo da meta e o PIB ao rés do chão dão novo alento aos antagonistas de Dilma. Sem a crise, Campos ainda seria um aliado do PT. E Aécio seria mais uma derrota do tucanato esperando para acontecer.

Na lanterna, Campos se esforça para tomar distância do PT e também do PSDB. Insinua que Aécio é o igual disfarçado de novo. Aécio cuida de puxá-lo para perto, afirmando que não o vê como adversário.

Dilma precisa justificar o governo mal avaliado. Seus rivais cavalgam a conjuntura prometendo o futuro. Algo que não pode ser apalpado nem conferido: reforma tributária nas pegadas da posse, rigor fiscal, câmbio realista e inflação na coleira. Tudo isso com regras estáveis e sem torcer o nariz dos investidores.

O discurso eleitoral de Dilma é atravessado pelo ‘não’. A economia não está desaranjada, as tarifas não estão represadas, não haverá tarifaço, não há razão para o pessimismo… O que seria da indústria se o governo não tivesse adotado medidas anticíclicas, com desonerações tributárias e empréstimos subsidiados?

De negativa em negativa, a candidata favorita vai se tornando uma oportunidade que seus rivais tentam aproveitar. Com sorte, levam a disputa para o segundo turno. Com muita sorte, interrompem o ciclo de governos do PT.

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Correntista VIP!


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Ibope Rio: Crivella, Garotinho e Pezão estão tecnicamente empatados
Cássio Bruno, O Globo

A primeira pesquisa Ibope dos candidatos ao governo do Rio de Janeiro após a definição das candidaturas traz Anthony Garotinho (PR), Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Marcelo Crivella (PRB) tecnicamente empatados em primeiro lugar. Garotinho está com 21% das intenções de voto, seguido por Crivella com 16% , e Pezão com 15%.

A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O candidato do PT Lindbergh Farias está com 11% das intenções. Dayse Oliveira, do PSTU, soma 2% do total, e Ney Nunes (PCB) e Tarcísio Motta (PSOL) estão com 1% cada. Votos em branco ou nulo somam 21%. Não sabe ou não responderam, 12%.

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Ibope aponta vitória de Alckmin no primeiro turno em São Paulo
O Globo

Pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira mostra que governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), seria reeleito no primeiro turno. O tucano tem 50% das intenções de voto. Paulo Skaf (PMDB) aparece em segundo, com 11%. Alexandre Padilha (PT) é o terceiro com 5%.

Essa é a primeira pesquisa do Ibope para o governo de São Paulo realizada nesta eleição, por isso não é possível comparar a evolução do desempenho dos candidatos. Gilberto Natalini (PV), Laércio Benko (PHS), Raimundo Sena (PCO), Wagner Farias (PCB) e Gilberto Maringoni (PSol) aparecem com 1% cada.

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Ibope Minas: Pimentel e Pimenta da Veiga estão tecnicamente empatados
O Globo

Em Minas Gerais, a pesquisa Ibope encomendada pela TV Globo apontou empate técnico para o governo entre os candidatos Fernando Pimentel (PT), que aparece com 25% das intenções de voto, e Pimenta da Veiga (PSDB), com 21%. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. Tarcísio Delgado (PSB) registrou 3%.

Andre Alves (PHS) e Eduardo Ferreira (PSDC) têm 2%. Cleide Donária (PCO), Fidélis (PSOL) e Professor Túlio Lopes (PCB) possuem 1% cada. Votos brancos e nulos chagam a 13%. Os eleitores que não sabem são 31%.

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Ibope aponta Arruda com 32%, Agnelo com 17% e Rollemberg com 15%
Chico de Gois, O Globo

Pesquisa eleitoral realizada pelo Ibope em parceria com a Rede Globo aponta que, se as eleições fossem hoje, José Roberto Arruda (PR) seria eleito governador do Distrito Federal. Ele foi citado por 32% dos entrevistados. O atual governador, Agnelo Queiroz (PT), que concorre à reeleição, tem 17% e, em terceiro lugar, vem o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), com 15%.

Toninho do PSOL foi escolhido por 6% dos eleitores, enquanto o deputado federal Luiz Pitiman (PSDB) ficou com 5%. Perci Marra (PCO) não pontuou. A margem de erro é de três pontos percentuais. Ainda de acordo com o Ibope, Agnello é o que tem a mais alta taxa de rejeição - 46% disseram que não votariam nele de jeito nenhum.

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Armando Monteiro lidera disputa pelo governo de Pernambuco com 43%
Letícia Lins, O Globo

Como se não bastassem os baixos percentuais de intenção de voto que o candidato do PSB à sucessão presidencial, Eduardo Campos, vem ostentando nas pesquisas de opinião, o seu afilhado político, Paulo Câmara (PSB), também não está conseguindo decolar nas pesquisas.

É que o senador licenciado Armando Monteiro Neto (PTB) lidera a corrida sucessória rumo ao Palácio do Campo das Princesas, em Pernambuco. De acordo com pesquisa do Ibope encomendada pela TV Globo, ele teria 43% dos votos, caso a eleição fosse hoje. O segundo colocado é o ex-secretário da Fazenda, Paulo Câmara (PSB), que aparece com apenas 11%.

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Aécio admite ter pousado em aeroporto de Cláudio
Débora Bergamasco, Estadão

Cerca de dez dias após a revelação de que o governo de Minas, durante sua gestão, construiu um aeroporto em área desapropriada de um parente seu, em Cláudio (MG), o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves (PSDB), admitiu ontem pela primeira vez que utilizou a pista.

O aeroporto - localizado em área que pertencia ao tio-avô do tucano, Múcio Tolentino, a 6 km de uma propriedade de Aécio e familiares - não tem homologação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e, por isso, só poderia ser usado por helicópteros, e não por aviões.

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Ministro vai corrigir lista de responsabilizados por Pasadena
Eduardo Bresciani e André de Souza, O Globo

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Jorge, relator do processo que investiga a compra da refinaria de Pasadena, pela Petrobras, disse ontem que será corrigido o erro do tribunal no acordão da Corte sobre o negócio.

No entanto, ele não explicou quando, como e nem mesmo se a correção implicará na inclusão da presidente da estatal, Graça Foster, no rol dos que tiveram os bens bloqueados. "É um erro que vamos estar corrigindo", disse o ministro, sem dar mais detalhes.

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Falta de acordo com fundos coloca Argentina em calote técnico
Marcia Carmo, BBC Brasil

O governo argentino não chegou a um acordo, nesta quarta-feira, com os fundos especulativos (os chamados fundos "abutres"), que recusaram a oferta do país de pagamento de títulos da dívida, anunciou o ministro da Economia, Axel Kicillof, em Nova York. A falta de um acordo, que permitiria que a Argentina pagasse os demais credores, põe o país em calote técnico.

Os dois pagamentos – a estes fundos "abutres" e os demais credores, que representam mais 90% dos afetados pelo calote de 2001 - acabaram vinculados por decisão do juiz de Nova York, Thomas Griesa.

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Câmara dos EUA decide processar Obama na Justiça
Flávia Barbosa, O Globo

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, controlada pelo Partido Republicano, autorizou ontem a abertura de processo na Justiça americana contra o presidente Barack Obama por alterar legislações sem consulta ao Congresso.

A bancada de oposição considera que Obama abusou da autoridade executiva, ao adiar a implementação de pontos da reforma da saúde no ano passado e permitir, em 2012, status legal temporário a imigrantes que tenham chegado ao país ainda crianças, por decisão de seus pais.

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ONU acusa Israel de atacar outra escola em Gaza e matar 15 civis
O Globo

A ONU e os Estados Unidos condenaram, ontem, um bombardeio a outra escola usada pelas Nações Unidas para abrigar palestinos deslocados por causa da guerra entre Israel e Faixa de Gaza.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina, que gerencia a escola, acusou as forças israelenses pelo ataque e disse que é uma "séria violação das leis internacionais". O bombardeio na instituição, que fica no campo de refugiados de Jabaliya, em Gaza, matou ao menos 15 civis e feriu outras 90 pessoas — outras fontes citam 20 mortos.

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Estados Unidos reabastecem armamentos de Israel
O Globo

Os Estados Unidos permitiram que Israel — atualmente envolvido na ofensiva militar na Faixa de Gaza — utilizem granadas e morteiros de um arsenal americano. Os armamentos estão em território israelense, e fazem parte de um programa comandado pelos Estados Unidos nos países aliados, que podem usá-los em situações de emergência.

Israel não alegou situação de emergência ao fazer seu último pedido de fornecimento de equipamento militar aos Estados Unidos, no último dia 10, mas conseguiu acesso ao arsenal para usar granadas e morteiros.

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Dilma na sabatina da CNI: uma presidente pra lá de “Fugujima”

Na sabatina de que participou na Confederação Nacional da Indústria, a presidente Dilma Rousseff voltou a atacar o que chamou de “surtos de pessimismo”, afirmando, para certo espanto geral, que uma das marcas de sua gestão foi ter “resgatado a política industrial, superando preconceito dos que, durante muito tempo, disseram que o Brasil não precisava de política industrial”. Huuummm… Quais são exatamente as medidas do governo Dilma que podem ser consideradas uma “política industrial”? A rigor, com uma administração um pouquinho mais competente das políticas monetária e cambial e com outras prioridades, nem seria necessário ter uma “política industrial”.

A fala da presidente Dilma indica que o governo perdeu a capacidade de enxergar o que vem adiante. Administram-se dificuldades contingentes, com incentivos aqui, desonerações ali… Não é, obviamente, política industrial. Na verdade, não chega a ser nem política econômica.

A presidente falou coisas que afrontam escandalosamente a verdade. Referindo-se à crise de 2008, afirmou a nossa soberana: “Preparamos a base para a retomada do crescimento. Não desorganizamos a economia, como se fazia no passado. Não recorremos sistematicamente ao FMI”. Ah, presidente! Esse tipo de conversa pode funcionar para outro público; pode servir para a retórica palanqueira… Mas na CNI? O partido que votou contra o Plano Real e recorreu ao STF contra a Lei de Responsabilidade Fiscal vem dizer que “não desorganizamos a economia como no passado”? E não custa lembrar: o país só recorreu ao FMI em 2002 por causa do risco PT. O mercado levava o partido a sério e acreditava que ele iria fazer o que prometia. Ou por outra: apostou que o PT fosse intelectualmente honesto e praticasse o que pregava. Felizmente, os petistas não acreditavam no seu próprio credo.

Num dado momento de sua exposição, Dilma se atrapalhou toda: subtraiu 4 de 13 e encontrou 7. Corrigiu-se em seguida e chegou a 9. Tentou falar do furacão Katrina, mas se atrapalhou e se referiu “àquilo” — cujo nome não se lembrava (era o tsunami) — que aconteceu, segundo ela, em Fugujima, seja lá onde fique essa cidade. Ninguém entendeu nada. Mas, creiam, não foi o momento mais confuso de sua exposição. Foi apenas o mais engraçado.

Dilma participava da sabatina no dia em que veio a público a informação de que a economia americana cresceu acima da expectativa. No horizonte de curto prazo, estão a elevação dos juros americanos e a possível fuga do Brasil de investimentos de curto e de médio prazo. Nesta terça, o FMI anteviu que essa é uma das precondições que podem jogar a economia brasileira numa nova crise. Guido Mantega tentou desancar o FMI. Os fatos pendem para o lado do Fundo. O que Dilma tem a dizer a respeito?

Na década de 70, Caetano lançou a música “Qualquer Coisa”, em que se ouve: “Você tá pra lá de Teerã”… Dilma está pra lá de “Fugujima”!!!

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Aécio Neves: “A verdade sobre o aeroporto”

O presidenciável tucano Aécio Neves escreve nesta quinta, na Folha, um artigo intitulado “A verdade sobre o aeroporto”. A integra está aqui. Leiam trechos.
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Nasci no ambiente da política e vivi nele toda a minha vida. Sei que todo homem público tem uma obrigação e um direito: a obrigação de responder a todo e qualquer questionamento, especialmente os que partem da imprensa. E o direito de se esforçar para que seus esclarecimentos possam ser conhecidos.

Nos últimos dias, fui questionado sobre a construção de um aeroporto na cidade de Cláudio, em Minas Gerais. Como o Ministério Público Estadual atestou e a Folha registrou em editorial, não há qualquer irregularidade na obra. Mas surgiram questionamentos éticos, uma vez que minha família tem fazenda na cidade. Quero responder a essas questões.

A pista de pouso em Cláudio existe há 30 anos e vem sendo usada por moradores e empresários da região. Com as obras, o governo de Minas Gerais transformou uma pista precária em um aeródromo público. Para uso de todos.

As acusações de benefício à minha família foram esclarecidas uma a uma. Primeiro, se disse que o aeroporto teria sido construído na fazenda de um tio-avô meu. A área foi desapropriada antes da licitação das obras, como manda a lei. O governo federal reconheceu isso, ao transferir a jurisdição do aeroporto ao governo de Minas Gerais, o que só é possível quando a posse da terra é comprovada. Depois, levantaram-se dúvidas sobre o valor da indenização proposta pelo Estado. O governo ofereceu R$ 1 milhão. O antigo proprietário queria R$ 9 milhões e briga até hoje na Justiça contra o governo de Minas.

Finalmente, se disse que a desapropriação poderia ser um bom negócio para o antigo proprietário, porque lhe permitiria usar o dinheiro da indenização para arcar com os custos de uma ação civil pública a que responde. Não é verdade. O dinheiro da indenização está bloqueado pela Justiça e serve como garantia ao Estado de pagamento da dívida, caso o antigo proprietário seja condenado. Se não houvesse a desapropriação, a área iria a leilão. Se fosse um bom negócio para ele, não estaria lutando na Justiça contra o Estado.
(…)

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Ibope Pernambuco – Por enquanto, Campos leva uma surra eleitoral em seu próprio Estado

Pernambuco já assistiu a viradas eleitorais. Poderia acontecer também desta vez? Certamente o candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, torce por isso. Ou sofrerá uma derrota meio vexaminosa em seu Estado.

Se a eleição para o governo fosse hoje, Armando Monteiro, do PMDB, que disputa a eleição com o apoio do PT, seria eleito no primeiro turno, com 43% dos votos. Paulo Câmara, do PSB, candidato de Campos, está em segundo lugar, mas na rabeira: apenas 11%. Os outros candidatos somam 5%, com um bom números de branco e nulos (19%) e de indecisos (22%).

Caso esse resultado se confirme, é claro que será desmoralizante para Campos. Afinal, ele saiu do governo do Estado para disputar a Presidência oferecendo com um dos cartões de visita a sua gestão em Pernambuco.

O resultado na disputa para o Senado não é muito melhor para o PSB: João Paulo, do PT, lidera com 37% das intenções de voto. Fernando Bezerra Coelho, do PSB, vem bem atrás, com apenas 16%.

Convenham: se quer conquistar o Brasil, Campos tem de mostrar que pode conquistar a sua aldeia. Até agora… Nesse quesito, forma, sim, um bom par com Marina Silva, que ficou em terceiro lugar, em 2010, no Acre: perdeu no Estado para Serra, que ficou em primeiro, e para Dilma.

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Ibope em SP: mais um resultado desalentador para o PT. Ou: Das torneiras, não escorrem votos

Mais uma pesquisa desalentadora para os adversários do PSDB em São Paulo. Desta feita, os números são do Ibope, que ouviu 1.512 pessoas em 78 municípios, entre os dias 26 e 28 de julho. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), sob o protocolo Nº SP- 00013/2014 e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob protocolo Nº BR – 00272/2014. A margem de erro é de 3 pontos para mais ou para menos. Se a eleição fosse hoje, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) seria reeleito com 50% dos votos. Paulo Skaf, do PMDB, aparece com 11%, e o petista Alexandre Padilha tem apenas 5%. Os demais candidatos somam 5%. Brancos e nulos são 15%, e 14% dizem não saber em quem votar.

Se Padilha amarga a rabeira entre os maiores, lidera a rejeição, com 19%. Alckmin tem 18%, e Skaf, 13%. O Ibope quis saber também como os paulistas avaliam o governo do Estado: para 40%, ele é “ótimo ou bom”; 38% o consideram “regular”, e só 19% acham que é “ruim ou péssimo”. Nada menos de 62% acreditam que Alckmin será reeleito. Só 2% dizem que será o petista o escolhido.

Senado
O tucano José Serra também lidera a disputa por uma vaga ao Senado no Estado: aparece com 30% das intenções de voto, seguido por Eduardo Suplicy (PT), com 23%. Gilberto Kassab, do PSD, tem 5%.

Datafolha
Os números do Ibope, consideradas as margens de erro dos dois institutos, não diferem muito dos divulgados pelo Datafolha no dia 17 deste mês: nesse caso, Alckmin aparece com 54%; Skaf, com 16%, e Padilha, com 3%.

Já apontei aqui que, a meu juízo, Padilha e Skaf cometem um erro estratégico ao tentar jogar nas costas de Alckmin a crise hídrica. Pior: tratam o tema como se faltasse água em 100% das torneiras de São Paulo. Parece que o eleitorado rejeita esse expediente, até porque há coisas que afrontam a experiência: a esmagadora maioria das casas está sendo normalmente abastecida, e todos sabem que o Estado enfrenta a maior seca de sua história.

Insistir nessa questão, acho eu, cheira a oportunismo. Parece que alguns políticos exploram de modo meio perverso as dificuldades reais ou potenciais dos cidadãos. Até porque o abastecimento de água não frequentou o debate eleitoral em São Paulo desde o restabelecimento das eleições diretas nos Estados, em 1982. Fazê-lo agora, quando não chove, tentando culpar o governo, não parece ser uma escolha inteligente. Mas não serei eu a tentar convencer o PT do contrário.


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Blog do Ilimar Franco

Bola de cristal

          Os chefes de torcida da presidente Dilma, Aécio Neves e Eduardo Campos repetem que ganharam a eleição. Mas quem não integra a divisão de propaganda é cauteloso. Especialistas em pesquisa, lembram que a campanha não começou de fato e que os eleitores só vão se ligar com os candidatos na TV. Para eles, um quadro real do embate será delineado depois de uma semana de TV no ar.

O pastor pede passagem
Como é praxe entre os candidatos, o Pastor Everaldo (PSC) acredita que vencerá as eleições para presidente. Com cerca de 3% nas pesquisas, não perde a confiança. “Tenho mais que uma atiradeira e uma pedrinha”, diz, em alusão ao episódio David e Golias (Bíblia). Quanto ao PSC, prevê que a bancada na Câmara vai pular para 34. Evangélico, diz que sempre andou pela esquerda, de Brizola a Lula. E conta que foi um dos que implantou o Cheque Cidadão, no governo Garotinho (1999). Sobre a presidente Dilma: “Ela vai entregar um país arrasado para o sucessor”.

“Eu acredito em milagre... e Jesus disse: ‘Tirem a pedra!’ E, em seguida: ‘Lázaro, levanta e sai!’ Estou fazendo minha parte, levantando a pedra, trabalhando, o resto é milagre”

Pastor Everaldo,
Candidato a Presidência da República pelo PSC

A ameaça
O presidente do PTB, Benito Gama, adverte seu líder na Câmara, Jovair Arantes. “Ele não pode confrontar o partido. Vamos reagir”, afirma Benito sobre encontro que está sendo organizado entre os deputados do PTB e a presidente Dilma.

Aposta na virada
O tucano Aécio Neves fará ofensiva de três dias no Nordeste em 12 de setembro. Visitará capitais e cidades do interior. A porta de entrada será a Bahia. Lá, seu palanque tem: para o governo Paulo Souto (DEM) e para o Senado Geddel Vieira Lima (PMDB), na foto. As pesquisas internas indicam que suas intenções de voto triplicaram no estado.

Genéricos
No Diálogo com os Presidenciáveis, hoje na CNI, a expectativa do setor é a de que os candidatos apresentem propostas concretas para a indústria. Nesses eventos, eles costumam pregar redução de impostos e medidas em prol da competitividade.

Constrangimento
O PSDB entrou com ação acusando as pastas da Saúde e da Educação de veicular anúncios em data proibida por lei. O ministro do TSE Tarcísio de Carvalho Neto deu liminar. Por fim, o PSDB descobriu que a publicidade foi no prazo legal. E na sua defesa, alegou que foi induzido a erro pela empresa de clipping do partido, a ANNT.

Alinhamento
No comando da campanha da presidente Dilma é alta a expectativa com a candidatura de Anthony Garotinho ao governo do Rio. A avaliação é a de que o eleitor do líder nas pesquisas se identifica com as propostas do governo federal petista.

O bom moço
Candidato ao Senado em Brasília, o deputado Reguffe (PDT) promete que, se eleito, terá só 14 funcionários no gabinete. O candidato ao governo da sua chapa, senador Rodrigo Rollemberg (PSB), tem 32. O trabalhista Cristovam Buarque tem 24.

O governador Agnelo Queiroz (DF) foi visto com sua moto, e jaquetão incrementado, no 11º Brasília Motocapital. O evento reuniu 300 mil pessoas.

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Nacionalismo canhestro

De duas, uma: ou há uma conspiração internacional contra o Brasil, ou o governo brasileiro está flertando perigosamente com o perigo, alheio às advertências que partem de todos os lados sobre as fragilidades de nossa economia. Ontem foi o Fundo Monetário Internacional (FMI) que colocou o país entre as cinco economias mais vulneráveis do mundo, ao lado de Índia, Turquia, Indonésia e África do Sul.

Também a agência de classificação Moody’s divulgou um relatório onde afirma que a Petrobras é, entre as empresas petrolíferas da América Latina, a que corre o maior risco financeiro por que está sendo usada politicamente para segurar a inflação com o represamento dos preços de combustíveis no País.

E o que respondem nossos dirigentes? Ao mesmo tempo em que vibram com a derrota política que impuseram ao banco espanhol Santande, tratam de declarar platitudes à espera de que as coisas melhorem por si, sem demonstrar a menor intenção de fazer mudanças no rumo tomado. Ao contrário, consideram que não o que mudar.

A única concessão feita pela presidente Dilma foi admitir que o ex-presidente Lula errou ao julgar que a crise financeira que estourou em 2008 chegaria ao Brasil como uma “marolinha”. A presidente Dilma mais uma vez considera “inadmissível” o pessimismo em relação à economia brasileira, e compara-o ao pessimismo sobre a Copa no Brasil. Para Dilma, não há necessidade de mudanças e nega que a inflação no país esteja 'descontrolada'.

Já o ministro da Fazenda Guido Mantega disse que o FMI comete o mesmo equívoco de outros organismos no passado, quando afirmaram que o Brasil estaria entre as cinco economias mais frágeis. Segundo o ministro, “ninguém mais falou nesse assunto e nada aconteceu”. Para ele, uma instituição financeira respeitável não faria uma análise dessas. Pois foi a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, que comentou ontem o relatório sobre o Brasil, reiterando que há 15 meses o Fundo vem repisando “as mesmas fortes recomendações para que reformas estruturais sejam feitas, gargalos sejam reduzidos na economia e que o potencial, a capacidade de o Brasil entregar crescimento seja liberada. E isso não vem sendo feito”.

Lagarde repetiu que o receituário para superar os obstáculos, é único: reformas estruturais, conserto dos problemas macroeconômicos como inflação alta, déficits em contas externas, desequilíbrios fiscais. A previsão do FMI é de que o país será afetado duramente pela retirada de estímulos e aumento de juros especialmente nos Estados Unidos se os emergentes continuarem crescendo abaixo do esperado, como ocorre há três anos.

A queda dos preços das commodities é outro fator que pode complicar a vida dos emergentes, alerta o FMI. Já a agência Moodys destaca que a estatal irá enfrentar também “riscos políticos substanciais”, pois está “cerceada pelas políticas de preços para gasolina e óleo diesel”. A Moody’s ressalta ainda que o cenário macroeconômico do País tem “desacelerado” desde a crise de 2009, e a expectativa da agência é de crescimento de apenas 1,5% no PIB brasileiro, o que é uma previsão otimista tendo em vista que a pesquisa Focus, realizada pelo Banco Central, já está em 0,9%.

O tal mercado financeiro está cheio de dúvidas e de advertências à política econômica do governo brasileiro, e nossas autoridades brincam de um nacionalismo canhestro, como se mobilizar sindicatos e militantes políticos para demitir analistas de mercado e desmoralizar banqueiros internacionais fosse melhorar a situação de nossa economia.


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Blog do Josias

Demissão de analista do Santander é hipocrisia

A três meses da eleição presidencial, o mercado financeiro vive o seguinte drama: metade da equipe de analistas está nervosa porque Dilma diz que a economia vai bem mas sabe que ela está mentindo e prepara ajustes para o caso de ser reeleita. A outra metade da equipe de analistas está nervosa porque Dilma diz que a economia vai bem e sabe que ela acredita mesmo nisso e não preparou nenhum ajuste. E Dilma está nervosa porque não sabe se diz que fará ajustes que ainda não preparou ou se prepara os ajustes e não diz. Ou vice-versa.

Foi contra esse pano de fundo confuso que o Santander enviou aos seus correntistas endinheirados um boletim sustentando a tese segundo a qual o sucesso eleitoral de Dilma potencializará a deterioração da conjuntura econômica. A plateia não viu a cara do autor do texto. Mas o vazamento da análise fez dele —ou seria ela?— o fantasma mais execrado da República.

O presidente do PT, Rui Falcão, chamou o desconhecido de terrorista. Lula vestiu saia no hectoplasma: “Essa moça não entende porra nenhuma do Brasil”. E endereçou um conselho para Emilio Botín, presidente mundial do Santander: “Ô, Botín, é o seguinte, meu querido: manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar embora. E dá o bônus dela pra mim, que eu sei como falo.”

Dilma preferiu o timbre de ameaça. “É inaceitável”, ela disse. “É inadmissível”, vociferou. “Eu vou ter uma atitude bastante clara em relação ao banco.'' Emparedado, o companheiro Botín veio à boca do palco para informar que o Santander teria enviado ao olho da rua a pessoa que redigiu o tal informe. Absteve-se de dar pseudônimo aos bois. A sinceridade do gesto é tão confiável quanto o catolicismo do banqueiro que se persígna ao passar pela porta de uma igreja.

Sendo o percentual de admiração e bondade das casas bancárias e dos operadores do mercado muito reduzido, o melhor a fazer antes de sair por aí dando urros, patadas e destilando ódio contra um fantasma, é reparar no ridículo que permeia a cena. Ganha um cargo de direção no Santander e um troféu de ingenuidade quem acreditar que uma análise de conjuntura chegaria às mãos dos correntistas mais ricos de um dos maiores bancos do mundo com conteúdo alheio ao pensamento da casa.

Admita-se, para efeito de raciocínio, que a análise anti-Dilma seja obra solitária de um fantasma com CPF e RG. Nessa hipótese, seu crime teria sido o de deitar sobre o papel raciocínios econômicos sussurrados por onze de cada dez analistas de mercado. Seu propósito não seria o de influir no vaivém das pesquisas, mas o de orientar os investimentos da clientela bem-posta do Santander. Uma caciquia que frequenta a tribo dos que conservam algo como R$ 2 trilhões investidos em fundos mútuos no Brasil —o grosso alocado em títulos da dívida pública.

Essa gente não está interessada na opinião de Rui Falcão, de Lula ou de Dilma. Essa gente quer ganhar dinheiro. E os ganhos aumentam na proporção direta dos desacertos da política fiscal do governo. Funciona assim: o Tesouro gasta mais do que o fisco arrecada. Em vez de apertar o cinto, a Fazenda recorre à criatividade contábil.

Para cobrir suas despesas, Brasília endivida-se até a raiz dos seus cabelos, dos meus, dos nossos cabelos. Não resta ao Banco Central senão elevar a taxa de juros. E ao Tesouro, pagar a remuneração necessária para se manter solvente. Em vez de investir na produção de copos e palitos de fósforos, a tribo dos fundos mútuos investe no papelório do governo. E o PIB definha. Nesse ambiente, a tempestade produzida pela análise do fantasma do Santander surte o mesmo efeito de um tablete de Alkaseltzer: é tempestade num copo d’água. O máximo que pode produzir é a migração para outros bancos dos clientes que se julgarem mal aconselhados.

O que provoca a lipoaspiração dos índices de Dilma nas pesquisas não são as análises do mercado, mas os efeitos que a inflação exerce na rotina dos assalariados e dos beneficiários do Bolsa Família. Esse pedaço do eleitorado está interessado no café com leite, não nos boletins do Santander. Num país inflacionário, seu principal problema é que sobra cada vez mais mês no fim da remuneração.

Nesse contexto, a suposta demissão de um analista-fantasma do Santander é mera hipocrisia. Se a moda pega, haverá um desemprego em massa no mercado financeiro. Se Lula e o petismo querem mesmo socorrer Dilma, é melhor esquecer os fantasmas e tentar convencê-la de que atribuir todos os desacertos econômicos à crise financeira internacional é o caminho mais longo entre o projeto reeleitoral e sua realização.

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No Ceará, Ciro atira em Eunício e acerta em Cid

O divertido da lógica política é que ela tem olho de lógica, nariz de lógica, boca de lógica, palavreado de lógica, mas é incoerência pura. Nada mais divertido, por exemplo, do que tentar acompanhar o pensamento lógico de Ciro Gomes. É tão profundo que dificilmente é atingido pelo cérebro.

Na noite desta terça-feira (29), Ciro participou da inauguração do comitê de campanha do petista Camilo Santana, que disputa o governo do Ceará como candidato do governador Cid Gomes. A certa altura, Ciro esculachou o peemedebista Eunício Oliveira, que encabeça a coligação adversária.

“Eu não respondo pelo Camilo”, disse Ciro. “Respondo unicamente por mim. E vou falar o que penso. O que está em jogo é entregar o governo a um aventureiro, lambanceiro e mentiroso. Não podemos entregar o governo a alguém que quer usar o espaço para enriquecer ainda mais. Daquele outro lado tem uma mistura de pinóquio com irmão metralha. Um petralha, um pinotralha.''

Até anteontem, Eunício era um dos mais festejados aliados do grupo político dos irmãos Gomes. Cid dizia em público que lhe tinha eterna gratidão. Num comício, o governador referiu-se ao híbrido de “pinóquio com irmão metralha” em termos enobrecedores. Num trecho levado à internet por correligionários de Eunício (assista abaixo), Cid diz coisas assim:

“Eu devo profundamante ao Eunício Oliveira, esse senador que vocês devem se orgulhar muito de ter no Senado Federal. Eunício me deu, numa hora decisiva, o apoio decisivo para que eu pudesse ter o sonho de governar o Estado do Ceará. […] Eu estarei muitas vezes com Eunício, no futuro, em muitas lutas pelo Estado do Ceará e pelo Brasil.”

Considerando-se que Eunício patrocinou a nomeação de vários apadrinhados para cargos na administração de Cid, é incontornável a tentação de levar a lógica de Ciro às últimas (in)consequências. Seu irmão entregou pedaços do próprio governo a prepostos de “um aventureiro, lambanceiro e mentiroso”, cujo projeto de vida é “enriquecer mais.” Quer dizer: pela lógica de Ciro, Cid está mais para cúmplice do que para administrador público.


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Anatomia do Poder!




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Blog do Coronel

Pessimismo, teu nome é Dilma.

A presidente Dilma Rousseff, do PT, insiste em afirmar que a economia vai mal por causa do pessimismo. Não é. O mundo inteiro olha o Brasil com preocupação diante de tanta bravata e incompetência. Ontem, enquanto a brasileira defendia a caloteira argentina naquelas reuniões jurássicas do Mercosul, o FMI rebaixava o Brasil para país com moderado risco.

O PT odeia o FMI, mas os investidores amam. É ao FMI que eles ouvem, não a Dilma, para decidir em que países colocarão o seu dinheiro. Ontem Jorge Gerdau, até bem pouco tempo o queridinho da Dilma, mandou fechar uma fábrica e demitir 600. A Random está reduzindo turnos de trabalho. Os lucros das empresas desabaram no semestre. Por todo o país as indústrias começam a dar sinais de que vão começar a demitir.

Influenciado pelas avaliações mais pessimistas em relação ao presente e ao futuro, o Índice da Confiança da Indústria (ICI), medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) caiu 3,2% em julho para 84,4 pontos. Esta é a sétima queda consecutiva do indicador, que registrou neste mês o menor nível desde abril de 2009. O resultado da Sondagem da Indústria de Transformação confirma as informações levantadas na prévia do indicador, divulgada na semana passada.

A avaliação sobre o momento atual foi a que mais pesou para a retração do ICI, segundo a FGV. O Índice da Situação Atual (ISA) cedeu 4,8%, para 85,8 pontos. O Índice de Expectativas (IE) também registrou baixa, de 1,8%, para 82,9 pontos. O levantamento da FGV trouxe ainda que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) diminuiu 0,3 ponto percentual entre junho e julho, passando de 83,5% para 83,2%, ficando no menor patamar desde outubro de 2009.

A economia se deteriora rapidamente, diante de tamanha incompetência na condução do país. Sim, o pessimismo tem nome. O nome dele é Dilma Rousseff. Tirem a Dilma que a esperança volta.

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Bravata da Dilma na conta de luz já abriu rombo de R$ 17,7 bilhões. E vai aumentar.

O que deveria ser a maior redução na conta de luz se transformou em mais um incrível erro de gestão desta presidente incompetente. Leia aqui o anúncio em 23 de janeiro de 2013.

Com dificuldades para fechar a participação de bancos privados no novo empréstimo de R$ 6,5 bilhões às distribuidoras de energia, o Ministério da Fazenda vai precisar contar majoritariamente com os bancos públicos. Além do BNDES, que deve entrar com até R$ 3,5 bilhões, a Caixa Econômica Federal garantiu uma participação de até R$ 2,5 bilhões. A maior parte do restante pode ficar com o Banco do Brasil.

O que falta definir ainda é a participação das instituições privadas, que não aceitaram as garantias oferecidas no negócio e vêm pedindo em contrapartida juros maiores que os da primeira rodada. Com as novas reivindicações, a Aneel precisou adiar pela segunda vez o pagamento devido pelas empresas do setor pela energia extra consumida em maio. A conta deveria ter sido quitada no começo deste mês, prazo que foi prorrogado para o dia 31 e, agora, para 28 de agosto.

O negócio com os bancos públicos, por outro lado, foi acertado na segunda (28). Este será o segundo empréstimo feito para tapar o buraco das distribuidoras. Em abril, foram disponibilizados R$ 11,2 bilhões, mas que acabaram no último mês. Na primeira negociação, a remuneração acertada foi a do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) mais 1,9% de juros. Em 12 meses, essa taxa é de 12,1%. Segundo Folha apurou, a nova taxa deverá ser maior.

IMPASSE

As garantias oferecidas aos bancos são o pagamento do empréstimo por meio da elevação da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo presente na conta de luz. O fiador do empréstimo é a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que recebe o valor e o repassa às distribuidoras.

Os bancos públicos entendem que o risco da operação é garantido pelo Tesouro Nacional, porém isso não está claro nos contratos, o que levou os bancos privados a pedir uma taxa maior. A expectativa do governo é convencer a maioria dos bancos privados a participar, incluindo estrangeiros que não fizeram parte do primeiro socorro. O Bradesco, gestor do empréstimo, tem sua participação dada como certa. O governo espera diminuir a participação dos bancos estatais no empréstimo conforme for conseguindo acertar-se com os privados.

SOCORRO

Os empréstimos, que já somam R$ 17,7 bilhões, estão sendo consumidos rapidamente por causa do alto preço da energia no mercado de curto prazo. Como as distribuidoras estão entregando aos consumidores mais energia do que possuem disponível em seus contratos com geradores, elas recorrem a esse mercado para garantir a diferença. Entre fevereiro e maio, o preço da energia nesse mercado esteve colado ao teto permitido em lei, de R$ 822,83 por megawatt-hora. Nesse período, a dívida das distribuidoras no mercado de curto prazo alcançou R$ 12,3 bilhões, sendo R$ 1,3 bilhão referente a maio.

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‘A sua TV nova, linda e cara’, cinco notas de Carlos Brickmann

Atenção, pessoal que comprou uma TV LED de alta definição, tela enorme, som surround, com toda a tecnologia de última geração, para ver o Brasil ganhar a Copa: no dia 19 de agosto começa o Horário Eleitoral Gratuito.

Gratuito para quem, cara-pálida? Para o Tesouro não é, pois deduz dos impostos das emissoras de rádio e TV o valor do tempo de propaganda – e, ao contrário do que ocorre com qualquer anunciante, que tem desconto, o Tesouro paga a tabela cheia. Para os candidatos também não: elaborar um bom programa para o horário eleitoral é caríssimo. É a principal despesa, hoje, da campanha. Para a democracia o prejuízo é maior ainda: graças ao horário eleitoral, dezenas de partidecos se formam, só para vender seu tempo aos partidos maiores. Podem receber dinheiro ou cargos no Governo. Isso explica o inchaço do número de Secretarias estaduais e Ministérios: é preciso pagar a turma que vende o tempo. Explica também as estranhíssimas alianças: em troca de alguns segundos no horário gratuito, partidos e candidatos mais fortes vendem a mãe, e entregam.

Este colunista já defendeu o horário eleitoral gratuito, em nome da democracia, por abrir a todas as correntes o acesso à divulgação de suas ideias. Hoje é contrário, em nome da democracia, por ter visto que tudo virou negócio. Pois há, além de alianças esquisitas, também partidos que não se aliam mas vendem o tempo para falar mal dos adversários de quem os comprou.

Chega de propaganda paga por nós. Quem quiser ser chato e falar besteira que pague por isso.

Caça ao tesouro
Na hora em que estiver com paciência, assista a um horário eleitoral inteiro. Em todos os programas, aparecem criancinhas felizes abraçando o candidato, há um “fala povo” (pessoas que, de maneira obviamente espontânea e gratuita, o elogiam). Se o candidato for do Governo, mostrará hospitais mais modernos que os americanos, escolas padrão FIFA com alunos delirantes de alegria, ruas bem iluminadas e de segurança máxima, onde não há roubos desde que o benemérito partido que apresenta o candidato chegou ao poder. Se o candidato for de oposição, mostrará onde seu partido fez hospitais muito melhores que os ali existentes, com escolas padrão FIFA como as que vai construir, e bandidos na cadeia.

Há outra coisa comum a todos. Se o caro leitor encontrar uma única e solitária verdade no que dizem os programas, ganha um vídeo de Alemanha 7 x Brasil 1.

Copiando!
Do portal Diário do Poder (www.diariodopoder.com.br), por Cláudio Humberto: “Trabalhar faz bem para finanças, ou pelo menos o Ministério do Trabalho parece fazer. Em 2006, Carlos Lupi tinha R$ 638 mil em bens. Após virar ministro de Lula, o patrimônio de Lupi disparou aos atuais R$ 1,2 milhão.”

Dinheiro eleitoral
O portal UOL levantou no Tribunal Superior Eleitoral quem são os dez maiores doadores de campanha eleitoral no país. Em 2010, doaram legalmente R$ 496 milhões a partidos e candidatos. Das dez empresas doadoras, sete foram investigadas, ou ainda estão sendo, por indícios de corrupção envolvendo contratos públicos. Nada mais natural, explica Gil Castelo Branco, fundador e secretário-geral da organização Contas Abertas: “Não é doação, é investimento. Existem estudos que indicam que, de cada R$ 1 doado em campanha, as empresas conseguem outros R$ 8,5 em contratos públicos”. Doadores e beneficiados estão em http://eleicoes.uol.com.br/2014/noticias/2014/07/28/sete-dos-dez-maiores-doadores-de-campanha-sao-suspeitos-de-corrupcao.htm

Crime eleitoral
Dilma balança, mas segue como favorita para a Presidência. Não faz mal: há gente no Governo para quem vale tudo. Pelo menos onze computadores do Governo Federal, localizados no Palácio do Planalto, sede da Presidência, e no Serpro, Serviço Federal de Processamento de Dados, foram usados na campanha eleitoral, gastando o dinheiro do contribuinte, seja ele favorável ou não à candidata do PT.

De computadores oficiais saíram mudanças na Wikipédia, com retirada de menção a investigações do Ministério Público sobre irregularidades na Funasa, na época em que Alexandre Padilha era diretor de Saúde Indígena; em troca, entraram elogios a Padilha. Em 2010, a Wikipédia já tinha sido alterada por um computador oficial, que incluía informações da propaganda petista sobre intenções que atribuía ao tucano Serra de “acabar com todas as empresas estatais”.

É crime eleitoral. Mas, para descobrir quem usou os computadores, o Governo Federal precisará colaborar com as investigações, o que até agora não fez.

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Um passarinho fala a Maduro sobre Chavez
Le Fígaro

Um passarinho assegurou ao presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, que seu predecessor, Hugo Chavez, falecido em 5 de Março de 2013 e que festejaria seus 60 anos, ontem, segunda-feira, "estava feliz e cheio de amor".

"Eu quero vos assegurar, mais uma vez, que um passarinho se aproximou e me disse que o Comandante Chavez estava feliz e cheio de amor, pela lealdade de seu povo", falou Maduro durante uma cerimônia em homenagem ao falecido presidente, em sua cidade natal de Sabaneta, no sudoeste da Venezuela.

Herdeiro político de Chavez (1999-2013), Nicolas Maduro já tinha relatado, no ano passado, que seu mentor tinha aparecido diante dele, na forma de um passarinho, quando da campanha para a eleição presidencial, em 2013, o que provocou uma grande onda de críticas e deboches.

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Michel Temer tenta enquadrar Paulo Skaf em São Paulo
João Domingos e Ricardo Galhardo, Estadão

O vice-presidente da República Michel Temer agiu, ontem, para enquadrar o candidato ao governo de São Paulo pelo seu partido, Paulo Skaf, exigindo que ele abra palanque no Estado para a presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição. Em outra frente, o PT tenta isolar o presidente licenciado da Fiesp, que quer manter a campanha desvinculada da presidente.

Na segunda, Skaf gerou um grande mal-estar na aliança nacional ao publicar em suas páginas oficiais na internet um vídeo em que ironiza as investidas pelo palanque duplo para Dilma no maior colégio eleitoral do País. O peemedebista, na gravação, responde a uma mensagem no celular afirmando que a pergunta sobre o apoio ao PT é coisa de quem “sabe de nada, inocente”.

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'Vão ter que demitir muita gente', ironiza Aécio sobre informe
Maria Lima, O Globo

O candidato à Presidência da República pelo PSDB Aécio Neves ironizou a demissão de um funcionário do banco Santander, anunciada ontem pelo presidente mundial da instituição Emílio Botín, por ter associado a presidente Dilma à piora do quadro econômico no país.

Aécio disse que muitas pessoas precisariam ser demitidas por fazerem avaliações negativas do governo. "Se forem demitir todos que fizeram avaliação negativa do governo, vão ter que demitir muita gente. Ninguém contestou a avaliação, se contentaram em pedir a punição", comentou.

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Pasadena: Cardozo confirma que tentou adiar votação do TCU
Alessandro Lo-Bianco, O Globo

O Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou ontem, no Rio de Janeiro, que esteve no Tribunal de Contas da União (TCU) acompanhando o Advogado-Geral da União (AGU) Luis Inácio Adams, para avaliar se existiria a possibilidade de que fosse concedido mais tempo para que a União apresentasse a sua defesa no processo que investiga a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, que causou um prejuízo de quase U$ 1 bilhão aos cofres públicos.

O governo teria feito uma articulação envolvendo Adams e até mesmo o ex-presidente Lula, para tentar engavetar o processo do Tribunal de Contas da União (TCU).

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Promotoria suspeita que petista e empresas lavaram dinheiro para PCC
Estadão

O deputado estadual Luiz Moura (PT) e cinco empresas de ônibus que operam em São Paulo são citados em investigação que apura esquemas de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC). O procedimento, sigiloso, é coordenado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual. Moura nega as acusações.

O Tribunal de Justiça ainda precisa dar aval para que o deputado seja investigado. Ele está suspenso do PT desde o mês passado. Moura foi flagrado pela Polícia Civil em março, em uma reunião de perueiros em que havia suspeitos de integrar a facção criminosa.

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Ministério Público recorre contra habeas corpus para 23 ativistas
Sérgio Ramalho, O Globo

O procurador Riscalla Abdnur, do Ministério Público estadual, encaminhou recurso ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, solicitando que o desembargador Siro Darlan reconsidere a decisão de libertar 23 manifestantes acusados de associação criminosa armada.

No recurso, o procurador pede que a decisão de Darlan seja submetida, em 48 horas, à apreciação dos demais desembargadores da 7ª Câmara Criminal. O prazo de dois dias está previsto no regimento interno do Tribunal. Abdnur ressalta a gravidade das provas reunidas contra os 23 ativistas na investigação da Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI).

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Conta de luz deve ficar mais cara por 2 anos para custear elétricas
Anne Warth, Estadão

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse que o impacto do empréstimo para as distribuidoras será de 8 pontos porcentuais na tarifa de energia. O aumento será repassado à conta de luz dos consumidores a partir de 2015 e permanecerá na tarifa por dois anos.

"O reajuste leva em consideração um conjunto de fatores, mas podemos dizer que o empréstimo terá um impacto no reajuste dessa ordem de grandeza (8 pontos porcentuais)", afirmou Rufino.

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Um calote argentino vai passar fatura aos exportadores do Brasil
Frederico Rosas, El País

A apreensão pelo fim do prazo para que a Argentina consiga evitar um novo calote também é vivida intensamente no Brasil, o seu principal parceiro comercial. Com a confirmação da fama de mau pagador, buscar dólares no exterior para financiar as suas importações – e as consequentes exportações brasileiras – seria uma tarefa ainda mais difícil para os argentinos, depois de anos fora dos mercados internacionais em recuperação a outro calote, de 2001.

“O cenário é muito difícil”, avalia José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). “A medida (o calote) afetaria todos os países, mas principalmente o Brasil. A demanda pelos produtos brasileiros possivelmente cairia muito, em um ambiente de forte desvalorização cambial e queda da atividade na Argentina”, emenda.

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A agenda política ofusca o caráter comercial do Mercosul
Ewald Scharfenberg, El País

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, ofereceu na segunda-feira na cúpula do Mercosul, em Caracas, uma imagem de estabilidade e consenso. Foi acolhido pela Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Bolívia – país em trâmite para a categoria de membro pleno. Entretanto, no interior desse fórum, não reina a unanimidade que aparenta.

Desde que a Venezuela se tornou membro pleno no Mercosul, em 2012, o bloco adquiriu um matiz mais político do que comercial. Caracas concebe a aliança como um contrapeso a Washington.

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Mercosul pede investigação de violação de direitos humanos em Gaza
Cláudia Jardim, O Globo

Os presidentes do Mercosul condenaram ontem, considerado um dos dias mais sangrentos desde o início da ofensiva militar de Israel contra os palestinos na Faixa de Gaza, o uso desproporcional da força por parte do exército israelense, "que afeta fundamentalmente a civis, incluindo crianças e mulheres".

No comunicado oficial, o Mercosul pediu um "cessar-fogo imediato" e mostrou preocupação pelo deterioramento da situação humanitária ocasionada pelo conflito. Os presidentes do bloco qualificaram como "urgente" o início de uma investigação que investigue as violações de direitos humanos.

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Estados Unidos e Europa ampliam sanções contra a Rússia
BBC Brasil

A União Europeia (UE) e os Estados Unidos aplicarão novas sanções econômicas contra a Rússia, por conta do envolvimento no conflito no leste da Ucrânia, onde rebeldes estão enfrentando o governo local.

A nova leva tem como alvo os setores de petróleo, equipamentos de defesa, de tecnologia e de finanças. O objetivo é elevar o custo do apoio dado pela Rússia a rebeldes pró-Moscou na Ucrânia e enfraquecer a economia do país.

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O partido do terror, da censura e do silêncio. Ou: Funcionária do Santander já foi demitida, como exigiu Lula

O terror petista já está em curso. A “analista” do Santander, que não teve seu nome divulgado, já foi demitida. A informação foi passada aos jornalistas pelo presidente mundial do banco, Emilio Botín, que foi chamado por Lula, nesta segunda, durante encontro da CUT, de “meu querido”. O chefão petista, aliás, puxou o saco do banqueiro e demonizou a pobre bancária. Afirmou que a moça não sabia “porra nenhuma”, nesses termos, e que o seu amigão deveria dar a ele, Lula, o bônus que caberia à então funcionária.

Só para lembrar: correntistas com conta acima de R$ 10 mil receberam uma avaliação sobre a situação política e econômica do país. O texto informava que os indicadores pioram se aumentam as chances de Dilma ser reeleita. Grande coisa! Isso já virou lugar-comum. Os petistas, no entanto, se aproveitaram para inventar uma guerra dos ditos “ricos” contra o PT. Prefeituras do partido que têm a conta-salário no banco falam em romper o contrato. A militância estimula os filiados a retirar seu dinheiro da instituição. Não passa de oportunismo eleitoral.

Certa feita, um adversário de Marat, o porra-louca jacobino da Revolução Francesa, afirmou sobre o seu furor punitivo: “Deem um copo de sangue a este canibal, que ele está com sede”. Falo o mesmo sobre Lula e o petismo: deem copos de sangue aos canibais; eles estão com sede.

É claro que se trata de uma ação para intimidar o debate. A partir de agora, nas instituições financeiras, bancos ou não, está instalado o clima de terror jacobino. Até parece que isso vai mudar alguma coisa. Não vai, não. Tudo tende a piorar.

O PT apelou ao TSE — e obteve uma liminar absurda — para tirar da Internet dois textos da consultoria Empiricus Research que o partido considera que lhe são negativos. O conjunto da obra é péssimo e indica que o PT não tem um compromisso inegociável com a liberdade de expressão. Não custa lembrar que essa é a legenda que definiu como um de seus principais objetivos o chamado “controle social da mídia”. Imaginem como seria a liberdade de expressão entregue a esses patriotas…

Que coisa! O partido que, na década de 80, queria ser a encarnação da liberdade de expressão agora quer se manter no poder apelando à censura, ao terror e ao silêncio.

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O CIRCO DE HORRORES – Dilma volta a falar sobre conflito israelo-palestino e mete, de novo, a política externa brasileira no lixo, agora sob os auspícios do regime bolivariano, francamente antissemita

A presidente Dilma Rousseff participou nesta terça de um troço impossível: uma reunião de cúpula do Mercosul. A questão é simples: ou bem alguma coisa é de cúpula ou bem é do Mercosul. As duas palavras não podem compor uma unidade semântica. Convenham: reúnam-se Dilma, Cristina Kirchner, Nicolás Maduro e José Mujica… Tinha de tudo: anã diplomática, mulher transformista, domador com chicote e palhaço… O Mercosul é aquela estrovenga que impede o nosso país de firmar acordos bilaterais e que está ajudando a enterrar a indústria brasileira. O encontro aconteceu na Casa Amarilla, no Centro de Caracas. Os jornalistas foram proibidos de chegar perto do circo. Ninguém por ali gosta de liberdade de imprensa.

Entre as muitas irrelevâncias, houve, claro, espaço para dizer delinquências políticas sobre o conflito israelo-palestino. E tal honraria coube a Dilma, que não se dispensou de manchar mais uma vez a diplomacia brasileira. Disse ela: “Desde o princípio, o Brasil condenou o lançamento de foguetes e morteiros contra Israel e reconheceu o direito israelense de se defender. No entanto, é necessário ressaltar nossa mais veemente condenação ao uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças”.

“Desde o princípio”, quando? A nota oficial do Itamaraty, junto com a ordem para o retorno do embaixador brasileiro em Tel Aviv, ignorava os ataques do Hamas. Sucessivos governos do PT, que puxam o saco de todas as ditaduras islâmicas, têm condenado Israel de forma sistemática.

Dilma nunca soube direito o que dizer sobre a maioria dos assuntos. Então candidata a presidente, em 2010, ela participou, no dia 14 de maio, em Brasília, da “Missa dos Excluídos”, que encerrou o 16º Congresso Eucarístico Nacional. Foi indagada sobre a legalização do aborto, à qual ela era francamente favorável. Disse o seguinte:
“Não é uma questão se eu sou contra ou a favor, é o que eu acho que tem que ser feito. Não acredito que mulher alguma queira abortar. Não acho que ninguém quer arrancar um dente, e ninguém tampouco quer tirar a vida de dentro de si”.

Entenderam. Na cabeça de Dilma, não havia diferença entre um feto e um dente estragado. É com essa propriedade que ela reflete sobre assuntos graves. E não foi diferente ao se pronunciar sobre a criação de um Estado palestino, segundo ela, uma “pré-condição para a paz”. Uau! Dilma acha que, primeiro, Israel deve permitir que os palestinos criem o seu Estado, mesmo debaixo de foguetes e sob ataques terroristas. Aí, então, é só cuidar da paz. A diplomacia israelense foi suave ao chamar o Brasil de anão diplomático. O Mercosul divulgou uma nota no mesmo tom.

É uma ironia patética que essa declaração tenha sido feita na Venezuela. O bolivarianismo é francamente antissemita. Em 2009, Chávez expulsou o embaixador de Israel de Caracas sob o pretexto de protestar contra a incursão de então à Faixa de Gaza. Foi fartamente elogiado pelos terroristas do Hamas, do Hezbollah e pelo governo do Irã. Em 2012, um estafeta do chavismo publicou um artigo no site da Rádio Nacional da Venezuela com um ataque bucéfalo ao candidato da oposição, Henrique Caprilles Radonski, cuja família é de origem judaica, chamando-o de “porco”. Foi além e escreveu: “Este é o nosso inimigo, o sionismo que Capriles Radonski hoje representa, que não tem nada a ver com uma força nacional e independente”. O artigo incitava os venezuelanos a rechaçar “o sionismo internacional, que ameaça com a destruição do planeta que habitamos”. E, claro!, pedia votos para Chávez. É pouco? Os chamados círculos bolivarianos são infiltrados por militantes ligados ao Hezbollah, o movimento terrorista que governa o Sul do Líbano. E o Irã segue sendo um dos principais parceiros do governo Maduro, como era de Chávez.

E nessa lata de lixo que a presidente Dilma mete a política externa brasileira.


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Blog do Ilimar Franco

Correndo atrás

          Os coordenadores estaduais da campanha da presidente Dilma concluíram ontem que o governo tem um déficit de comunicação. O comando do PT quer suprir essa carência e vai enviar aos estados um inventário de realizações. Os principais alvos são São Paulo e Minas. Com essa ofensiva, o PT acredita que vai dividir os louros de obras e ações com Geraldo Alckmin e Antonio Anastasia.

A tese do conhecimento
Para explicar seu desempenho nas pesquisas em São Paulo, a presidente Dilma usou o mesmo argumento que há meses é repetido pela oposição. Afirmou que isso ocorre porque os eleitores paulistas não têm conhecimento de suas realizações no estado. Depois citou programas e obras. Há meses, Aécio Neves e Eduardo Campos, alegam que o desconhecimento de suas gestões, em Minas e Pernambuco, justifica os seus índices nas pesquisas eleitorais. A presidente não parou por aí ao minimizar dados negativos. Ao tratar da rejeição, cerca de 35%, disse que, em eleições anteriores, nesta mesma época, outros presidentes também exibiram os mesmos índices.

“Eu não entendo a elite. Os que mais se beneficiaram nesses doze anos são os mais raivosos contra o governo. Eu debito isso na conta dessa elite que tem complexo de vira-lata”

Jorge Viana
Senador (AC), da ala light do PT

Dividindo a conta
Os sindicatos pressionam a Comissão da Verdade para incluir em seu relatório recomendação para que empresas, que colaboraram com a ditadura, paguem indenizações às vítimas. Alegam que isso já ocorreu na Alemanha e na Argentina.

Definindo o rumo
O presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, vai entregar em setembro proposta para os presidenciáveis. A entidade esta ouvindo os industriais do Rio para fechar a pauta de reivindicações. Entre os temas selecionados: economia; legislações ambiental, trabalhista e tributária; logística, educação, inovação tecnológica e segurança.

Rumo às Olimpíadas
A APO concluiu relatório sobre o andamento da Rio 2016. Ele conclui que as obras iniciaram em 71% dos projetos. Os mais adiantados são os do Complexo Esportivo de Deodoro. Já foram investidos R$ 6,5 bi, sendo 65% privados.

Muito além das desculpas
Não foi à toa, segundo assessores do governo, que o Banco Santander distribuiu paper crítico à reeleição da presidente Dilma. O banco precisa cada vez mais do Brasil. Em 2013, a América Latina representou 47% dos seus lucros e o Brasil gerou 23% dos ganhos globais. A Espanha rendeu parcos 7% do lucro de R$ 14,46 bilhões.

Sai da frente
O candidato do PMDB ao governo paulista, Paulo Skaf, aposta na divisão do PT. Sua equipe aposta que Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo, não vai se mexer para ajudar Alexandre Padilha. Marinho quer caminho livre para 2018.

O eleitor traído
Candidato ao Senado, Cesar Maia prevê que os eleitores do Rio vão se sentir traídos com os quatro palanques da presidente Dilma. Maia, que apoia Aécio Neves, é da chapa do governador Luiz Fernando Pezão, aliado da presidente Dilma.

A PRESIDENTE DILMA vai sancionar, na quinta-feira, o Marco Regulatório das ONGs. Ele foi aprovado no Congresso, após escândalos de corrupção no governo.

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O Estado e o capitalismo

Concordo com a presidente Dilma que classificou ontem o que está acontecendo no mercado financeiro de “inadmissível” e “lamentável”, mas tenho a visão oposta à dela: o que é inaceitável é um governo, qualquer governo, interferir em uma empresa privada impedindo que ela expresse sua opinião sobre a situação econômica do país. Sobretudo uma instituição financeira que tem a obrigação de orientar clientes para que invistam seu dinheiro da maneira mais rentável ou segura possível.

Numa democracia capitalista como a nossa, que ainda não é um "capitalismo de Estado" como o chinês, embora muitos dos que estão no governo sonhem com esse dia, acusar um banco ou uma financeira de “terrorismo eleitoral” por fazerem uma ligação óbvia entre a reeleição da presidente Dilma e dificuldades na economia é, isso sim, exercer uma pressão indevida sobre instituições privadas.

Daqui a pouco vão impedir o Banco Central de divulgar a pesquisa Focus, que reúne os grandes bancos na previsão de crescimento da economia, pois a cada dia a média das análises indica sua redução, agora abaixo de 1% este ano.

Outro dia escrevi uma coluna sobre a influência da economia nos resultados eleitorais, e o incômodo que a alta cúpula petista sentia ao ver análises sobre a correspondência entre os resultados das pesquisas eleitorais e os movimentos da Bolsa de Valores: quando Dilma cai, a Bolsa sobe.

Essa constatação, fácil de fazer e presente em todo o noticiário político do país nos últimos dias, ganhou ares de conspiração contra a candidatura governista e gerou intervenções de maneiras variadas do setor público no privado. O Banco Santander foi forçado a pedir desculpas pela análise enviada a investidores sugerindo que prestassem atenção às pesquisas eleitorais, pois se a presidente Dilma estancasse a queda de sua popularidade ou a recuperasse, os efeitos imediatos seriam a queda da bolsa e a desvalorização cambial. E vice-versa.

O presidente do PT, Rui Falcão, já havia demonstrado que o partido governista não se contenta com um pedido de desculpas formal, como classificou a presidente Dilma: “A informação que deram é que estão demitindo todo o setor que foi responsável pela produção do texto. Inclusive gente de cima. E estão procurando uma maneira resgatar o que fizeram”. Ontem, na sabatina do UOL, a presidente Dilma disse, em tom ameaçador, que terá “uma conversa” com o CEO do Banco Santander.

Mas não foi apenas o Banco Santander que sofreu esse assédio moral por parte do governo. Também a consultoria de investimentos Empiricus Research foi acusada pelo PT de campanha eleitoral em favor do candidato oposicionista Aécio Neves, tendo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acatado o pedido para que fossem retirados do Google Ads anúncios bem-humorados do tipo “Como se proteger de Dilma” e “E se Aécio ganhar”.

Justamente é este o ponto. A cada demonstração de autoritarismo e intervencionismo governamental, mais o mercado financeiro rejeita uma reeleição da presidente Dilma, se prepara para enfrentá-la ou comemora a possibilidade de que não se realize. Isso acontece simplesmente por que o mercado é essencialmente um instrumento da democracia, como transmissor de informações e expressão da opinião pública.

Atitudes como as que vêm se sucedendo, na tentativa de controlar o pensamento e a ação de investidores, só reforçam a ideia de que este é um governo que não tem a cultura da iniciativa privada, e não lida bem com pensamentos divergentes, vendo em qualquer crítica ou mesmo análise uma conspiração de inimigos que devem ser derrotados.

Um dos sócios da consultoria Empiricus Research, Felipe Miranda, afirmou em entrevistas que não se intimidará, e fez uma constatação óbvia. “O que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento”.

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De onde veio o dinheiro, Dilma?

Ontem a presidente Dilma declarou que tem R$ 152 mil em casa.

Em dinheiro vivo. Em papel moeda. Em espécie.

Como contribuinte, gostaria de saber como é que tanto dinheiro foi parar assim vivinho nas mãos de Dilma.

O seu salário, ao que consta, é depositado em banco, junto com a folha de pagamento dos funcionários públicos federais. Ao que se sabe ela recebe cerca de R$ 20 mil mensais. O dinheiro equivale, assim, a uns sete meses dos seus proventos.

Fico pensando: Dilma vai ao banco e saca em dinheiro vivo para deixar guardado embaixo do colchão?

Emite cheques e manda algum assessor sacar?

Ou ela mesma busca no caixa eletrônico, à noite, furtivamente, em inúmeras incursões já que o limite para estas operações é de R$ 1 mil?

A declaração de renda da Dilma não informa nenhuma outra fonte de rendimentos que não seja o seu salário. Não há aluguel. Não há herança. Não há participação de lucros em nenhum empreendimento.

Por isso, não só este blogueiro, como grande parte dos brasileiros, está curioso para saber como Dilma amealhou tanto dinheiro vivo e por que guarda todo este numerário em casa, desvalorizando, dando prejuízo, numa decisão totalmente antieconômica, mesmo para uma presidente que não é muito prendada nesta área.

É muita moeda sonante. E muita bufunfa. É muito cacau. Estes R$ 152 mil  equivalem a 210 salários mínimos ou a 1.974 benefícios da Bolsa Família.

" Nós que é pobre", como declarou Lula, ontem,  não estamos acostumados a ver pessoas sérias e honestas com tanto dinheiro em casa. Normalmente, tanto dindin vivo aparece ligado à corrupção, propina e crimes contra o erário, em operações da Polícia Federal.

Para evitar maledicências, a Dilma poderia apresentar os comprovantes de saques na sua conta bancária totalizando R$ 152 mil. Um extrato simples. Uma relação com datas e valores. Ou qualquer comprovante que demonstre de onde veio toda esta dinheirama. Apenas em nome da transparência pública. Não deve ser difícil para Dilma Rousseff. Afinal de contas, sendo Dilma a presidente da República, tudo deve estar declarado e registrado nos mínimos detalhes.

Poderia, mesmo, abrir a conta dos cartões corporativos, hoje mantidos sob sigilo, já que eles permitem saques em dinheiro e não só o pagamento de despesas. Apenas para não permitir ilações por parte da Oposição maldosa.

A pergunta é simples: de onde veio o dinheiro, Dilma? Mostra pra gente, Dilma.


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Blog do Josias

CUT:‘Eleito, Aécio fará aeroporto no quintal dele’

Observado por Lula, o presidente da CUT, Vagner Freitas de Moraes, fez duros ataques ao presidenciável tucano Aécio Neves na noite desta segunda-feira. Deu-se na abertura da 14ª Plenária Nacional da entidade. Ao discursar, o sindicalista fez referência ao aeroporto que o governo de Minas construiu no município de Cláudio. A pista de pouso fica a 6 km da Fazenda da Mata, um refúgio da família Neves que Aécio visita amiúde.

Ardoroso defensor da reeleição de Dilma Rousseff, Vagner Freitas disse que a classe trabalhadora “não pode errar” na escolha do próximo inquilino do Planalto. “Alguém acha que a eleição do Aécio vai significar investimento em políticas públicas de qualidade no Brasil? Não. Ele vai fazer o que ele sempre fez. Imagina! Ele, como senador, já faz aeroporto na casa do pai dele! Se for presidente da República vai fazer aeroporto no quintal dele!”

O mandachuva da CUT revelou-se profundamente desinformado. Construída ao custo de R$ 13,9 milhões, a pista de pouso ficou pronta em 2010. Aécio aprovou-a como governador de Minas. Só assumiria sua cadeira no Senado em fevereiro de 2011. De resto, o aeroporto não fica na “casa do pai” do tucano, morto há quase três anos. Foi plantado em terras desapropriadas de Múcio Tolentino, tio-avô de Aécio.

Alheio à precisão, Vagner Freitas entregou-se a um vale-tudo retórico no seu esforço para espinafrar Aécio. A CUT está empenhada em recolher assinaturas para colocar de pé uma reforma política com plebiscito. “Se nós conseguirmos o plebisto popular e o Aécio ganhar a eleição, ele joga esse plebiscito no lixo.”

“Se continuarmos conseguindo todos os aumentos reais de salário das campanhas salariais e o Aécio ganhar a eleição, nós vamos ter problema”, prosseguiu o presidente da CUT. “E vamos ter que fazer campanha para defender empresas publicas, nossos direitos, para ter salário, porque ele vai acabar com a gente.”

No Apocalipse esboçado por Vagner Freitas, “se o Aécio ganhar a eleição, ele vai acabar com a conquista que nós construímos com o presidente Lula de valorização do salário mínimo, que é a questão social mais importante do Brasil.” Ao concluir o seu discurso, transmitido ao vivo pela internet, o comandante do braço sindical do PT repassou o microfone para Lula, cacique supremo da tribo partidário-sindical.

Ironicamente, Lula utilizou parte de sua fala para reclamar do terrorismo eleitoral que a mídia e o mercado finaceiro estariam fazendo com Dilma Rousseff. Estendeu-se, por exemplo, nos comentários sobre o texto enviado pelo banco espanhol Santander aos clientes mais endinheirados, para dizer que a economia iria piorar se Dilma for reeleita. Lula revelou que conhece Emilio Botín, presidente mundial do Santander.

“Acho que meu amigo Botín criou um problema sério”, disse Lula, antes de recordar uma passagem da sucessão presidencial de 2002. Contou que o espanhol Botín acabara de chegar ao Brasil. “Foi visitar o meu comitê. E, naquela época, as pessoas diziam que os banqueiros não iam fazer investimentos, que o mercado iria correr e não sei mais o quê.”

“O Botín falou assim pra mim: ‘Se usted quiera, eu posso hablar com la prensa’. Eu falei: puede hablar. E ele ele fez um discurso dizendo que o mercado não tinha nenhuma precupção, que ia continuar acreditando no Brasil, investindo no Brasil, porque ele sabia da responsabilidade do nosso governo. Agora, depois de tantos anos, não tem nenhum lugar do mundo em que o Santander esteja ganhando mais dinheiro do que no Brasil. Aqui, ele ganha mais do que Nova York, Londres, Pequim, Paris, Madrid, mais do que Barcelona.”

Lula dirigiu-se aos cerca de 600 delegados estaduais presentes ao encontro da CUT como se estivesse conversando com o próprio presidente do Santander: “Ôoo, Botín, é o seguinte, querido: tenho consciência que não foi você que falou. Mas essa moça tua que falou não entende porra nenhuma de Brasil. E não entende nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessa num cargo de chefia é, sinceramente… pode mandar embora e dá o bônus dela pra mim, que eu sei como falo.”


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Blog do Coronel

Banco Central projeta PIB a 0,9%. A culpa é de um banco espanhol, hein Dilma?

Ontem Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, comentou pela primeira vez publicamente sobre a avaliação que o Banco Santander enviou a um grupo de clientes um informativo que associava a sua reeleição à piora do quadro econômico no país. A presidente classificou o episódio como “inadmissível”, e disse que estuda as providencias a tomar. Disse que terá uma resposta bem clara sobre o banco.

— Sempre que especularam não se deram bem. Acho inadmissível um país que está entre as maiores economias aceitar qualquer interferência. A pessoa que escreveu a mensagem (do Santander) fez isso sim e isso é lamentável é inadmissível para qualquer candidato — disse.

O Banco Santander refletiu o que todo o mercado projeta. Basta ver que às vésperas de publicação de pesquisas, possíveis quedas de Dilma fazem a bolsa subir e o contrário faz o pregão despencar.

Ontem, pela nona vez consecutiva, os economistas ouvidos pela pesquisa Focus, que é do Banco Central, reduziram a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país), desta vez para apenas 0,9%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira. Na edição anterior do relatório, a expectativa era de 0,97%.

A previsão de alta do PIB em 2014 continuou em 1,5%, mesmo número indicado nas últimas quatro semanas. Para o ano que vem, a expectativa do mercado é que a indústria cresça 1,7%, mesma taxa indicada na semana passada.

Em relação à inflação, que tem demonstrado tendência de queda, puxada pelo alívio no preço dos alimentos, a mediana das projeções recuou pela segunda vez consecutiva. Agora, a expectativa é de que o IPCA, índice que mede a inflação oficial no país, feche o ano em 6,41%, contra previsão anterior de 6,44%. O número, no entanto, ainda é próximo do teto da meta do governo, de 6,5%.

ECONOMIA CONTINUA ENCOLHENDO

Neste mês, o Banco Central divulgou que a atividade econômica encolheu 0,18% em maio. Foi o pior resultado do IBC-Br, conhecido informalmente como o “PIB do BC”, desde dezembro do ano passado. O resultado fortaleceu as expectativas de que o PIB do segundo trimestre venha fraco.

A estimativa é apenas um dos dados que indicam que o Brasil pode crescer menos neste ano, o que tem preocupado o mercado e o governo. Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI), cortou a previsão de crescimento do Brasil (assim como fez em relação à atividade econômica mundial) para apenas 1,3%. Antes, o próprio governo havia admitido que o PIB deve crescer 1,8%, contra projeção anterior de 2,5% para este ano. (Extraído de O Globo).

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Falta à retórica de Dilma uma dose de autocrítica


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Ensaio!


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Dilma afirma ser ‘inadmissível’ mercado interferir na eleição
Estadão

A presidente Dilma Rousseff criticou, ontem, setores do mercado financeiro ao ser questionada sobre um informe enviado pelo Banco Santander a clientes de alta renda que apontava risco de deterioração da economia caso a candidata do PT se estabilize na liderança das pesquisas de intenção de voto.

Ela definiu como “interferência” a manifestação da instituição financeira, que depois se retratou. “É inadmissível para qualquer país, principalmente um país que é a sétima economia do mundo, aceitar qualquer nível de interferência de qualquer integrante do sistema financeiro de forma institucional na atividade eleitoral”, afirmou Dilma.

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Lei anticorrupção esbarra na falta de regulamentação
O Globo

Em vigor há seis meses, a lei federal que pune empresas por atos de corrupção não foi regulamentada até hoje. Sem essa regulamentação, e com pouco tempo de vigência, a chamada Lei Anticorrupção ainda não “pegou”: levantamento do GLOBO nos Ministérios Públicos Federal e estaduais, na Procuradoria Geral da República e na Controladoria Geral da União (CGU) mostrou baixo número de investigações baseadas na nova legislação, e ainda nenhuma punição.

Apesar disso, o governo federal assegura que o texto já está mudando a postura das empresas, pois prevê multa alta — alcança até 20% do faturamento bruto — e não depende da Justiça para ser aplicada. De número 12.846/2013, a lei passou a responsabilizar pessoas jurídicas por atos de corrupção; até então, só pessoas físicas eram punidas.

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Ministério Público recomenda racionamento de água em São Paulo
G1

O Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo recomendou ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que apresentem projetos para a imediata implementação do racionamento de água nas regiões atendidas pelo Sistema Cantareira.

A Sabesp informou, em nota, que descarta uma medida tão drástica e reitera que o racionamento prejudicaria grande parcela da população, sobretudo aquela mais carente. Também afirmou que, com base nas medidas já adotadas, garante o abastecimento até 2015.

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O medo do ebola alimenta a expansão do vírus na África
José Naranjo, El País

A epidemia de ebola que atinge a África Ocidental desde o começo do ano e que já provocou ao menos 672 mortes tem um perigoso efeito colateral: o medo, que, alimentado pela falta de informação, contribui em boa medida para que o surto esteja sendo tão difícil de controlar.

Frente a uma situação que não melhora, seus sintomas pioram: os mais recentes são um ataque ao pessoal dos Médicos sem Fronteiras (MSF) e o fechamento das fronteiras da Libéria.

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Petrobras leva multa de R$ 5,6 milhões por problemas no pré-sal
Ramona Ordoñez, O Globo

A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou nesta segunda-feira, ter aplicado uma multa de R$ 5,55 milhões à Petrobras por irregularidades encontradas no sistema de medição da produção de petróleo no navio-plataforma (FPSO) Cidade de Angra dos Reis, em operação no campo de Lula, no pré-sal na Bacia de Santos.

A decisão da ANP foi tomada na reunião de diretoria realizada no último dia 16. Não cabe mais recurso administrativo da Petrobras. Segundo a ANP, as irregularidades foram detectadas durante a inspeção feita pelo órgão entre os dia 1 a 3 de outubro do ano passado. A Petrobras tinha entrado com recurso administrativo junto à ANP que agora foi negado.

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Fórmula de reajuste do salário mínimo no Brasil é insustentável
Álvaro Campos, Estadão

O Brasil não está fazendo o suficiente para melhorar a produtividade e assim elevar o crescimento potencial, afirma o diretor de pesquisa global da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Carl Dahlman. Para o pesquisador, um dos principais autores do estudo Perspectivas do Desenvolvimento Global, os ganhos reais dos salários observados nos últimos anos e a fórmula de reajuste do salário mínimo terão de ser revistos.

Além de investir mais e melhor em educação, o país deveria aproveitar os recursos obtidos com as exportações de commodities para diversificar e agregar valor a sua produção.

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Senador Eduardo Braga e comitiva agridem fotógrafo
Portal do Holanda

O senador Eduardo Braga(PMDB), candidato ao governo do Amazonas, tentou tomar a máquina de um fotógrafo amador, durante sua passagem por Maraã, no domingo.

Imagens feitas por um cinegrafista, também amador, revelam que não apenas o senador tentou impedir que sua comitiva fosse fotografada, como o fotógrafo, Joel Reis da Silva, foi ameaçado pelo deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB), e teve a máquina arrancada de seu pescoço pelo motorista do senador, conhecido como "Bira", que nas imagens avança sobre a vítima.

O vídeo é interrompido neste momento porque o fotógrafo do senador, conhecido como "Batatinha", coloca a mão na câmera e tenta tomá-la. A denúncia chegou ao Ministério Publico Federal, que abriu procedimento para investigar o caso. Na Polícia, a vítima abriu um Boletim de Ocorrência.

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Argentina envia delegados a Nova York para evitar o calote
Francisco Peregil, El País

A negociação da Argentina com os chamados fundos abutres ao longo deste último mês adquiriu contornos de filme de suspense. Tanta intriga, tanta surpresa de última hora não parecem o melhor remédio para a saúde econômica de um país. Mas assim estão as coisas.

O governo de Cristina Fernández de Kirchner e os fundos contavam desde 30 de junho com um mês de período de graça para evitar a suspensão de pagamentos que não beneficiaria nem aos três fundos que reivindicam 1,5 bilhão de dólares (3,4 bilhões de reais) nem a um governo necessitado de investimentos estrangeiros.

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Queda do MH17 “pode ser um crime de guerra”, segundo a ONU
El País

A derrubada do avião de passageiros no leste da Ucrânia, com seus 298 ocupantes mortos, pode ser considerada um crime de guerra, afirmou nesta segunda-feira Navi Pillay, do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A queda do avião da Malaysian Airlines em 17 de julho foi uma violação do direito internacional e, dadas as circunstâncias, “pode ser um crime de guerra”, segundo Pillay.

“É imperativa uma investigação rápida, completa, efetiva e independente sobre o fato”, enfatizou, o que coincidiu com a divulgação do último relatório da missão de observadores enviada por seu gabinete à Ucrânia.

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França oferece asilo a cristãos ameaçados no Iraque
Veja

O governo da França condenou as ameaças dos grupos jihadistas contra os cristãos no Iraque e se disse disposto a facilitar asilo para os iraquianos perseguidos pelos radicais fundamentalistas.

"Ajudamos os deslocados que fogem das ameaças do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EILI) e se refugiaram no Curdistão. Estamos dispostos, se desejarem, a facilitar o abrigo em nosso território com o título de asilo", disseram em comunicado conjunto os Ministérios das Relações Exteriores e do Interior.

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Dilma: 'O que está acontecendo em Gaza é um massacre'
Catarina Alencastro, O Globo

A presidente Dilma Rousseff classificou, ontem, como um “massacre” as mortes de crianças de mulheres na faixa de Gaza, vítimas de ações militares de Israel.

A presidente lamentou as declarações dada pelo porta-voz da Chancelaria de Israel, Yigal Palmor, de que o Brasil seria um "anão diplomático". Para a presidente, as palavras do embaixador produziram um “clima ruim” entre os dois países.

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Estados Unidos acusam Rússia de violar tratado de controle de armas
Veja

Os Estados Unidos concluíram que a Rússia violou um tratado de controle de armas ao testar um míssil de cruzeiro lançado do solo. Segundo o jornal The New York Times, a descoberta do lançamento foi comunicada, ontem, pelo presidente Barack Obama ao presidente Vladimir Putin por meio de correspondência.

Esta é a mais séria alegação de quebra de um tratado de controle de armas feita pela administração Obama contra o Kremlin e eleva ainda mais as tensões entre os dois países, que já vivem um mau momento devido à crise na Ucrânia e à concessão de asilo ao ex-analista de inteligência Edward Snowden, que revelou o alcance da espionagem americana.

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Num ato escandalosamente ilegal da CUT, Lula e sindicalistas fazem terrorismo eleitoral; chefão petista puxa o saco de banqueiro espanhol, pede a cabeça de uma bancária e diz que ela não entende “porra nenhuma” de Brasil! É o nível dessa gente…

Pois é… Vamos ver por onde começar.

Luiz Inácio Lula da Silva era o convidado de honra do encerramento da 14ª Plenária da CUT, a Central Única dos Trabalhadores, que ocorreu nesta segunda-feira, em Guarulhos. Falou pelos cotovelos, puxou o saco de banqueiro, pediu a cabeça de uma bancária, disse palavrão, fez terrorismo eleitoral… Tudo em parceria com dirigentes da entidade… Barbarizou, enfim, como é de seu feitio. Vamos ver.

Sindicatos e centrais sindicais tiram parte considerável de seu sustento de um imposto — a tal contribuição obrigatória, que está na CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) desde 1940. Ainda que o vivente não seja sindicalizado, é obrigado a doar para a entidade sindical um dia de seu trabalho. Em 2008, foi aprovada a Lei 11.648 que reconhecia a existência das centrais sindicais e lhes entregava uma fatia da verba bilionária. Só para vocês terem uma ideia, em 2013, a contribuição sindical rendeu R$ 3,2 bilhões, que têm de ser assim distribuídos:
a) 5% para a confederação correspondente;
b) 10% para a central sindical;
c) 15% para a federação;
d) 60% para o sindicato respectivo; e
e) 10% para a “Conta Especial Emprego e Salário”.

Muito bem! Isso quer dizer que os sindicatos arrecadaram, sem precisar fazer o menor esforço, por determinação legal, R$ 1,920 bilhão (sim, um bilhão, novecentos e vinte milhões de reais). As centrais, sozinhas, ficaram com R$ 320 milhões. No projeto de lei original, essas entidades teriam de prestar contas ao TCU sobre o uso desse dinheiro. Lula vetou. Elas gastam a grana, que é de todos os trabalhadores, como lhes der na telha, sem prestar contas a ninguém.

Sigamos. Lula foi ao evento da CUT. E ouviu o presidente da entidade, Wagner Freitas, fazer terrorismo eleitoral contra o tucano Aécio Neves, defendendo, de quebra, a candidatura de Dilma Rouseff. Afirmou o rapaz: “Alguém acha que a eleição do Aécio vai significar investimento em política pública de qualidade no Brasil? Uma coisa central é reeleger a presidente Dilma. É importantíssimo para nós continuar tendo um governo que se articule direto conosco”.

O rapaz não parou por aí: “Se nós conseguirmos todos os aumentos nas campanhas salariais e o Aécio ganhar a eleição, vamos ter problema e teremos de fazer campanha para defender a empresa pública, os nossos direitos e o salário. Se o Aécio ganhar a eleição, ele vai acabar com a conquista que se consolidou com o presidente Lula, de valorização do salário mínimo”.

É incrível! Essa gente é capaz de dizer as mentiras mais disparatadas sem nem mesmo corar. Atenção, meus caros! Nos oito anos do governo FHC, o mínimo teve valorização real (descontada a inflação, pelo IPCA), de 85,04%; nos oito anos de Lula, foi um pouco maior: 98,32%; no quatro anos de Dilma, deverá ser de apenas 15,44%.

E isso foi apenas parte das falas terroristas do dia. Aí Lula pegou o microfone. Afirmou que as conquistas sociais só terão continuidade se Dilma for reeleita. E se referiu ao informe que o Banco Santander (leiam post) enviou a alguns correntistas, alertando para o risco de deterioração dos indicadores econômicos caso a presidente volte a subir nas pesquisas. O chefão petista não teve dúvida: puxou o saco do banqueiro, o presidente mundial do Santander, Emilio Botin, e pediu a cabeça da bancária, a analista. E apelou, como é de seu feitio, a um palavrão:

“Botin, é o seguinte, querido: tenho consciência de que não foi você quem falou. Mas essa moça tua que falou não entende porra nenhuma de Brasil, e nada de governo Dilma. Manter uma mulher dessa em cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar embora e dar o bônus dela pra mim que eu sei o que falo.”

 Ora vejam… Lula, segundo quem Dilma vai governar para o andar de baixo, e seus adversários, para o andar de cima, ficou de joelhos diante do banqueiro, que é do andar de cima, e pediu a cabeça da bancária, que é do andar de baixo.

Afirmei que o ato foi escandalosamente ilegal, certo? Pois é. Existe uma lei que regulamenta as eleições: a 9.504. Estabelece o Inciso VI do Artigo 24:
Art. 24. É vedado, a partido e candidato, receber direta ou indiretamente doação em dinheiro ou estimável em dinheiro, inclusive por meio de publicidade de qualquer espécie, procedente de:
(…)
VI – entidade de classe ou sindical.

A simples expressão de preferência de um órgão sindical, ainda que por meio de um boletim eletrônico, que pode sair a custo quase zero, caracteriza uma forma de publicidade. O que se viu nesta segunda foi muito mais: a CUT organizou uma plenária que serviu, de modo escancarado, para fazer campanha eleitoral. É evidente que está caracterizada aí uma doação a Dilma “estimável em dinheiro”. E de que “dinheiro” estamos falando? Justamente daquele que sai do bolso de todos os trabalhadores, sejam eles sindicalizados ou não.

Que coisa fabulosa! O TSE mandou uma consultoria tirar da Internet simples avaliações que fazia sobre as possíveis consequências da eventual reeleição de Dilma. Estamos a falar de uma consultoria privada, que faz isso às próprias expensas. Lê a sua análise quem quer. E no caso da CUT? Parte do dinheiro que a entidade movimenta é pública. Todos os trabalhadores a sustentam, queiram ou não, sejam sindicalizados ou não. Contrariando flagrantemente a lei, seus dirigentes expressam preferência por uma candidatura, demonizam a outra e ainda chamam para discursar o garoto-propaganda de um partido.

Aí, em nome dos trabalhadores, o dito-cujo, que atende pelo nome de Lula, faz mesuras ao banqueiro e chuta o traseiro da bancária.

Não sei se o evento foi mais asqueroso do que ilegal ou mais ilegal do que asqueroso.

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Cardozo, fora do lugar, foi fazer pressão no TCU para não voltar relatório que condena compra de Pasadena

Eh José Eduardo Cardozo! Esse não me surpreende nunca! Eu até acho surpreendente que alguém jamais consiga… surpreender! Mas é o caso dele. Reportagem de Dimmi Amora na Folha desta terça informa que esse valente fez pressão no TCU — Tribunal de Contas da União — para adiar a votação do relatório que condenou a operação que resultou na compra da refinaria de Pasadena. Segundo o jornal, “Cardozo acompanhou o advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams, que tinha audiência previamente agendada com o presidente do órgão, ministro Augusto Nardes. A visita do ministro da Justiça não estava prevista.”

Muito bem! Adams estava lá como parte das suas atribuições. Ele afirma, e tem razão, que o advogado-geral pode, por lei, acompanhar processos que digam respeito a estatais, inclusive no TCU. A assessoria de Cardozo tentou enrolar o jornal, afirmando que cabe ao ministro “acompanhar regularmente todos os casos que dizem respeito a atividades ordinárias da pasta — o que justifica a atuação junto aos órgãos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário por meio do titular da Pasta, secretários e diretores”.

Tá. Agora só resta a Cardozo explicar por que acompanhar e pedir o adiamento de um julgamento no TCU seriam uma “atividade ordinária do ministério”. É evidente que ele sabe que não é. Era o ministro errado no lugar errado.

Aliás, a compra da refinaria de Pasadena está sendo investigada também pela Polícia Federal, que é subordinada ao Ministério da Justiça, cujo titular é Cardozo. O temor óbvio: se o ministro se dispõe a deixar a sua cadeira para fazer o que não lhe compete — pressionar o TCU —, é de se indagar do que é capaz com um órgão pendurado na sua pasta, não é mesmo?

A coisa é feia, muito feia. Já informei aqui, com exclusividade, e relembro: Luiz Inácio Lula da Silva chamou José Múcio, hoje titular do TCU e seu ex-ministro das Relações Institucionais, para uma conversa em São Paulo. Queria interferir no julgamento. Uma cadeira no STF chegou a ser prometida para um membro do tribunal, acreditem! Houve gente que até se viu tentada a cair na conversa. O preço: embolar o meio-de-campo e impedir a votação do relatório do ministro José Jorge, que condenou 11 diretores da Petrobras pela compra da refinaria de Pasadena, apontando prejuízo de US$ 792 milhões.

E pensar que Cardozo já chegou a ser apresentado por alguns simplórios como a melhor face do PT. Imaginem do que não é capaz a pior…

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Mandar tirar do ar texto de consultoria é censura e cerceamento do debate

Os petistas acreditam que conseguirão mudar a realidade silenciando os críticos. É o que pretende o partido quando, por exemplo, cria uma lista negra de jornalistas. É o que pretende o partido quando transforma num grande escândalo o que escândalo não é: a avaliação de um banco enviada a parcela de seus clientes. E é o que pretende o partido quando pede para tirar da Internet — com liminar favorável, concedida pelo TSE — textos de uma consultoria que trata justamente dos riscos decorrentes da eventual reeleição de Dilma Rousseff.

Atenção, leitores! Vocês podem gostar ou não dos jornalistas. Podem gostar ou não da análise do banco; podem gostar ou não da opinião da consultoria. Aprovar e reprovar considerações alheias são parte do jogo democrático. O que não é do jogo é censurar as vozes dissonantes ou, pior ainda, tentar impedir o simples debate.

O caso da consultoria é eloquente. Ela se chama “Empiricus”. É conhecida por usar uma linguagem, digamos, abusada para os padrões normalmente muito sóbrios e vazados em tecniquês de seu pares no mercado. A empresa recorreu à ferramenta Google Ads para anunciar alguns de seus textos, e dois deles caíram na preferência dos internautas: “Como se proteger de Dilma” e “E se Aécio ganhar”. O PT recorreu ao TSE, que mandou retirá-los do ar. Em entrevista ao site de VEJA, o autor dos textos, Felipe Miranda, afirmou que a medida não intimidará seu trabalho. “O que já vínhamos falando aos nossos clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou com esse cerceamento. Mas vamos continuar atuando da mesma forma. Não tenho rabo preso e sou pago pelos meus clientes para falar o que penso.”.

Na mosca! Se vocês entrarem na Internet, certamente encontrarão textos de 2010 alertando, acreditem!, para o “risco Serra”. É… Não fiquei maluco, não! Alguns amiguinhos do PT oriundos do “mercado” afirmavam que o então candidato tucano é que poderia representar a instabilidade, já que era um crítico da política econômica. E, obviamente, ninguém pensou em recorrer à Justiça.

Isso que faz o PT é cerceamento do debate. Qualquer pessoa que aposte no esclarecimento e no livre trânsito das ideias tem de lamentar a decisão do ministro Admar Gonzaga. O que fará o PT? Caçará e cassará todos os textos de consultoria que não estejam de acordo com a sua leitura da realidade? Além da lista negra de jornalistas, haverá também a de consultores, de bancos, de empresas? Daqui a pouco, o PT vai tentar patrulhar as cartomantes.

Isso me lembra certo blogueiro pançudo que, em novembro de 2010, chegou a defender que os 3% que achavam o governo “ruim ou péssimo” fossem identificados. Fascistas!

Olhem aqui: se os petistas não estão contentes com a existência de consultorias que dizem o que eles não querem ler, não faltará quem se disponha a produzir o que eles gostam de ler. O que dizer, por exemplo, dos tais blogs sujos, fartamente financiados com dinheiro público, cujo objetivo é defender o governo, difamar a oposição e atacar a imprensa independente?

Nesse caso, sim, estamos diante de uma excrescência: afinal, o dinheiro que sustenta a consultoria é privado, mas o que financia os tais blogs é público.

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A sabatina com Dilma: três momentos patéticos

Ah, Dilma Rousseff, Dilma Rousseff… Vou comentar aqui ao menos três momentos da sabatina a que se submeteu a presidente, nesta segunda, promovida pela Jovem Pan, pela Folha e pelo SBT. Os meus destaques são um pouquinho diferentes dos que estão por aí. Vamos lá.

A presidente foi indagada sobre a tal cartinha enviada pelo Santander a um grupo de clientes afirmando que a sua ascensão ou estabilização nas pesquisas eleitorais provocariam uma deterioração dos índices econômicos. Dilma chamou a atenção para a suposta gravidade do fato — e não há nenhuma — e disse que o governo não pode aceitar esse tipo de interferência. Ficou no ar a sugestão de que uma instituição estrangeira tentou se meter nos assuntos nacionais. Alguém chegou a indagar, ridiculamente, se a presidente pretenderia processar o banco. Ela não descartou de maneira peremptória a hipótese absurda. Até parece que isso seria possível!

Em primeiro lugar, não houve interferência de ninguém em coisa nenhuma. O Santander estava falando com os seus clientes. Mais: não há distinção entre empresa nacional e estrangeira, banco ou não. Processo? Os bancos funcionam mediante uma carta de concessão, que pode ser cassada. Por que Dilma não diz que lei o Santander desrespeitou?

Segundo momento
O segundo momento, que beirou o patético, avançando para o involuntariamente cínico, diz respeito ao dinheiro que ela confessou guardar no colchão: R$ 152 mil. Em 2010, eram R$ 113 mil. Os jornalistas tentaram saber por quê. Ela evocou os tempos de clandestinidade, quando ter bens, digamos, carregáveis, poderia ser até uma questão de sobrevivência. Ninguém, obviamente, entendeu nada. Disse ainda que dá dinheiro à sua filha. Huuummm… E se aplicasse a grana no… Santander?

Um dos jornalistas lembrou que, investido, esse dinheiro renderia R$ 10 mil num ano. Dilma, então, mandou ver: “O que é (sic) R$ 10 mil?”. Percebeu a mancada e tentou se corrigir: “R$ 10 mil são muito; eu não jogo fora nenhum dinheiro”. Como se nota, joga!

A memória histórica agora entra quase como piada, mas é óbvia. Dilma, sob o codinome Estella, foi a mentora de um roubo milionário. Em julho de 1969, três carros com 11 guerrilheiros da VAR-Palmares estacionam em frente à casa no bairro carioca de Santa Teresa, onde morava um irmão de Ana Capriglioni, notória amante do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros. Lá, executando uma operação minuciosamente planejada por “Estella”, que não tomou parte na ação, a VAR-Palmares roubou um cofre de chumbo pesando 300 kg, recheado com uma bolada de US$ 2,16 milhões.

Pouco tempo depois, a VAR-Palmares se desintegra, por desentendimentos entre “Estella” e Carlos Lamarca. A maior parte do grupo seguiu a agora presidente — na época, Cláudio, seu primeiro marido, partira para Cuba a bordo de um avião sequestrado, e Dilma já se enamorava de Carlos, o gaúcho da VAR-Palmares — com quem veio a se casar e com quem teve Paula, a única filha, hoje procuradora do Trabalho em Porto Alegre — de quem se separou já depois da redemocratização.

Parte do dinheiro — US$ 1 milhão — teria sido doada aos rebeldes argelinos. O resto teria sido usado para financiar a guerrilha. Seja como for, uma das guardiãs da grana era… Dilma! Virá daí a sua fixação por dinheiro em moeda sonante?

Mensalão
O terceiro momento grotesco da presidente diz respeito aos mensalões petista e mineiro. Ela acusou tratamento desigual dispensado aos respectivos: “dois pesos e umas 19 medidas”. Bem, trata-se apenas de uma mentira. O mensalão mineiro ainda não chegou ao estágio do julgamento porque foi admitido pela Justiça bem depois do petista. Não há condescendência nenhuma da Justiça, do Ministério Público ou da imprensa! Muito pelo contrário. Insiste-se em dar tratamento igual ao que é desigual. No caso de Minas, sim, tratou-se, tudo indica, de caixa dois, mas não da compra de parlamentares, que é o aspecto mais grave da malandragem petista.

De resto, não ficou claro a quem Dilma estava se referindo. Sim, ela é candidata à reeleição. E isso evidencia que é presidente e que na Presidência está. Aliás, só fez sabatina em condições especiais — no Palácio da Alvorada e sem público — por isso. Não cabe à chefe do Executivo fazer considerações que sugiram que a Justiça age de modo partidário e discricionário, o que também é falso.

A sabatina demonstrou que, no seu quarto ano de governo, Dilma continua sem ter o que dizer. E olhem que ela contou com interlocutores bastante brandos.


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Blog do Coronel

Presidência usa computadores do Palácio do Planalto para caluniar adversários.

Onze computadores do governo federal foram usados para alterar páginas da Wikipédia, enciclopédia on-line cujos textos podem ser editados livremente, como as do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT), do Movimento Passe Livre e do ex-governador José Serra (PSDB-SP).

Levantamento da Folha com os endereços de IP registrados em nome do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) e da Presidência da República mostra que artigos sofreram mudanças tanto para a inclusão de elogios e a retirada de críticas como para o inverso. As edições, feitas entre 2008 e 2014, acabaram desfeitas por outros usuários, por infringirem regras de uso. IPs são como uma "impressão digital" na internet, o que permite identificar ao menos a organização responsável pelo acesso. A Wikipédia registra todos os endereços do tipo que fazem alterações.

O caso mais relevante de edição ocorreu em dezembro de 2013, quando uma conexão de internet da Presidência foi usada para retirar trecho sobre suspeitas de corrupção na Funasa (Fundação Nacional da Saúde) quando Alexandre Padilha era diretor do órgão, e incluir elogio ao programa Mais Médicos. "Com o sucesso do Mais Médicos Padilha se torna um dos pré-candidatos petistas à disputa pelo governo de São Paulo em 2014", dizia o texto.

Em 10 de junho de 2013, em meio aos protestos de rua liderados pelo MPL (Movimento Passe Livre), um IP do Serpro foi usado para alterar a página do grupo na Wikipédia. A edição dizia que o MPL "se utiliza de protestos e, não raramente, depredação e violência para alavancar" reivindicações. Também afirmava que a tarifa zero ignora que "todo aumento de gasto público implica menos orçamento" para saúde e educação.

Em março de 2010, ano em que o ex-governador paulista José Serra (PSDB) concorreu à Presidência contra Dilma Rousseff (PT), um computador do governo federal foi usado para incluir críticas ao político na enciclopédia. O trecho dizia que "se eleito presidente, [Serra] pretende, como uma de suas metas, acabar com todas as empresas estatais e sucatear todas as empresas públicas" --durante a campanha, o tucano negou ter esse objetivo.

Outras edições foram feitas em páginas como as da Lei Rouanet e do Funttel (Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações), mas não tinham informações incorretas --foram retiradas por não seguir normas de padronização.

OUTRO LADO

A reportagem forneceu endereços de IP, datas e horários de acesso ao Serpro, junto a um pedido de identificação dos locais físicos em que esses IPs estão alocados. O órgão disse que não poderia comentar o assunto por motivos legais, uma vez que a lei 5.615/70, que criou o Serpro, determina que a empresa e seus servidores "são obrigados a guardar sigilo quanto a elementos manipulados". "A própria identificação e divulgação de órgão usuário do IP implicaria quebra de sigilo contratual, já que a empresa se compromete em garantir tratamento sigiloso para os dados e informações dos contratantes", disse a companhia federal em nota.

Questionada sobre o caso da página de Alexandre Padilha, a Presidência afirmou que não poderia se posicionar a tempo; sugeriu que o pedido fosse feito pela Lei de Acesso à Informação.(FSP)

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PT culpa marqueteiro pela rejeição de Dilma.

Aos poucos, líderes petistas começam a dizer em reservado que a campanha da presidente Dilma Rousseff agora paga por ter menosprezado o cenário eleitoral e o tamanho do desgaste do governo. Depois de uma rodada de reuniões comandada na última semana pela presidente, quem passou pelo Palácio da Alvorada saiu desanimado.

Em uma dessas conversas, Dilma falou da necessidade de acertar a articulação em estados estratégicos e reduzir os índices de rejeição apontados pelas últimas pesquisas de opinião. Mas, na linha “eu bem que avisei”, alguns petistas já falam em erro estratégico e alegam que o problema se anunciava meses atrás.

Parte deles não hesita em jogar a culpa no marqueteiro João Santana. Diz que, em maio deste ano, ele ainda demonstrava “otimismo excessivo” e chegava a falar em vitória no primeiro turno. (Poder Online)

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Candidatos dizem guardar R$ 269,7 mi em casa

Para acompanhar a rotina dos políticos, o brasileiro precisa suprimir dos seus hábitos o ponto de exclamação. No universo da política, o espantoso vai adquirindo uma doce, persuasiva, admirável naturalidade. Repare: 7,7% dos cerca de 25 mil candidatos às eleições de 2014 informaram à Justiça Eleitoral que guardam dinheiro vivo em casa. Juntos, mantêm longe do sistema bancário R$ 269,7 milhões.

A turma do colchão inclui 33 endinheirados que conservam ao alcance das mãos quantias superiores a R$ 1 milhão. A fortuna domiciliar desse grupo soma R$ 50,5 milhões. Os campeões da grana viva são dois candidatos à Câmara federal. Marinalvo Rosendo (PSB-PE) disse manter em casa R$ 3,8 milhões. Fernando Torres (PSD-BA) informou que tem “em mãos” R$ 3,2 milhões.

Entre os 11 presidenciáveis, três incluíram moeda sonante em suas declarações patrimonais. Eymael (PSDC) guarda em casa dinheiro de troco: R$ 1 mil. O nanico Levy Fidelix (PRTB) anotou R$ 140 mil. Dilma Rousseff (PT), R$ 152 mil. Por sorte, a plateia aboliu o ponto de exclamação de sua rotina. Do contrário, poderia supor que a presidente abre mão do rendimento da caderneta poupança porque estaria tramando um confisco à Collor.

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CUT põe sua engrenagem para rodar por Dilma

Com a presença de Lula, a CUT inaugura nesta segunda-feira sua Plenária Nacional. Reunirá até sexta-feira, em Guarulhos (SP), cerca de seis centenas de delegados de todo país. Marcará o ingresso da central na campanha pela reeleição de Dilma Rousseff.

O tema do encontro resume os objetivos do braço sindical do PT: “Organizar, Lutar e Avançar nas Conquistas”. O secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, acrescentou: “Vivenciamos nos últimos 12 anos o melhor período para a classe trabalhadora, com crescimento do emprego, da participação popular, avanços sociais e isso veio da luta dos trabalhadores.”

Na contramão do desejo de mudança revelado pelas pesquisas eleitorais, Sérgio Nobre fala em continuidade: “Somente a continuidade do atual projeto com desenvolvimento sustentável, distribuição de renda e valorização do trabalho é que o país terá condições de pagar a dívida social com o povo brasileiro.”

Convidada a participar do encontro na quinta-feira (31), Dilma ainda não disse se comparecerá. O nome dela consta da programação. Mas a peça anota, entre parênteses: “a confirmar”. Nesse dia, a CUT aprovará uma “plataforma” da classe trabalhadora.

Neste domingo, tomou posse em São Bernardo a nova diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, berço político de Lula. As prioridades da entidade são: reeleger Dilma e apoiar Alexandre Padilha, o candidato do PT ao governo de São Paulo. “É uma questão fechada pelos sindicatos e pela CUT”, disse Rafael Marques, o novo presidente da casa sindical.

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Voo curto!



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Terror petista: partido e governo pedem guilhotina para funcionários do Santander; elas serão entregues a Dilma numa bandeja!

Cabeças vão rolar no banco Santander no Brasil. Por quê? Porque alguém — ou um departamento, sabe-se lá — decidiu anexar ao extrato de um grupo seleto de clientes uma avaliação sobre o comportamento dos indicadores econômicos e sua conexão com as pesquisas eleitorais. Em síntese, o texto, um tanto confuso, afirmava que, se a presidente Dilma voltar a subir nas pesquisas ou se mantiver estável, os juros vão subir, a Bolsa vai cair e o câmbio vai se desvalorizar. Há algo de errado na avaliação? Não! Trata-se de alguma opinião surpreendente ou exótica? Não também! Um banco tem o direito de orientar seus correntistas e investidores? Tem. Mas se fez um enorme escarcéu.

Os petistas aproveitaram o caso para acusar uma grande conspiração dos ricos, dos bancos, do setor financeiro… Tudo não passa de uma bobajada infernal. Ao contrário: como Lula não cansa de repetir por aí, essa área da economia nunca lucrou tanto como em seu governo — e isso também é verdade. O partido que recebeu doações mais generosas dos bancos em 2006 e 2010 foi o PT. Era justamente no setor financeiro que se concentravam os maiores entusiastas do “Volta, Lula!”. Assim, essa guerra das tais elites contra o partido nunca passou de uma fantasia eleitoreira para enganar trouxas.

Acontece que a desconfiança no governo é, hoje, gigantesca. E isso vale para o conjunto do empresariado, inclusive e muito especialmente do setor industrial. O comunicado do Santander toca, direta ou indiretamente, no tripé do desconsolo provocado pela gestão petista: inflação alta, juros elevados e baixo crescimento. Por que o mercado reage mal quando acha que as chances de Dilma aumentam? Porque não vê pela frente perspectiva de mudança.

Jesús Zabalza, presidente do Santander no Brasil, conversou pessoalmente com Dilma e informou que todos os responsáveis pela elaboração do boletim serão demitidos. Neste domingo, Emilio Botín, que reside a instituição em escala mundial, destacou que a avaliação não é do Santander, mas de um analista. E reiterou a importância do Brasil para a empresa.

Coitados dos demitidos do Santander! Vão perder o emprego por terem falado uma verdade inconveniente. Nas democracias mundo afora, ninguém daria a menor bola para isso. O tal boletim não passou de uma análise corriqueira.

Na sexta, diga-se, o Banco Central anunciou mudança nas regras do compulsório recolhido pelos bancos. O objetivo e liberar pelo menos R$ 45 bilhões para o crédito. Acontece que, há dias, em sua ata, esse mesmo BC saudou o esfriamento do crédito como um dos elementos que concorreriam para diminuir a pressão inflacionária. Ou por outra: o BC tomou uma decisão na contramão de sua convicção técnica.

Quando isso acontece, como é que os tais agentes econômicos reagem? No mínimo, com pessimismo, não é? O que o Santander fez foi só uma leitura de conjuntura, que não é distinta daquela que está em todos os lugares, muito especialmente na imprensa. O próprio PT sabe que se está diante de uma verdade evidente.

Pedir cabeças? Cortar cabeças? Não são práticas que honrem a democracia, não é mesmo? Mas também não se trata de nada estranho ao PT. Como esquecer a tal lista negra de nove jornalistas, da qual honrosamente faço parte, elaborada pelo partido? Também para estes, o que se pedia era guilhotina.

Essa gente é o que é. E não é coisa boa!

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Skaf foge do PT, mas a companheirada insiste… É a arrogância!

A arrogância do PT o impede de ver o que está em curso em São Paulo e, em certa medida, no Brasil. Cá comigo, acho muito bom. As virtudes futuras da democracia brasileira são inversamente proporcionais ao crescimento do partido. Vamos ver. O partido não se conforma que o candidato do PMDB ao governo do Estado, Paulo Skaf, queira guardar prudente distância da candidatura à reeleição de Dilma Rousseff. Mais amplamente, ele não quer que seu nome se contamine com o petismo. Neste domingo, informa Natuza Nery, na Folha, chefões petistas resolveram criticar abertamente Skaf, o que vinham fazendo apenas nos bastidores.

O deputado estadual Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma, classificou o peemedebista de “ingênuo ou mal orientado”. O prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho, coordenador da campanha da presidente em São Paulo, também se manifestou. Referindo-se à posição de Skaf, afirmou: “Acho que é um grande erro. Um erro de análise. Ele vai arcar com as consequências do erro”. Com o petista Alexandre Padilha congelado nos 4%, Edinho teme um desastre das forças governistas no Estado: “Como a eleição em São Paulo é muito nacionalizada, quem ficar de fora da polarização terá a votação desidratada. Isso, para nós, é ruim, pois o esvaziamento dele pode inviabilizar o segundo turno”. No mais recente Datafolha, o tucano Geraldo Alckmin seria reeleito com 54% dos votos.

Skaf, no entanto, segue indiferente aos apelos. E, tudo indica, do seu ponto de vista, a posição faz sentido. Segundo o mesmo Datafolha, 47% dos entrevistados consideram que o prefeito Fernando Haddad faz uma gestão ruim ou péssima. Esse também é o percentual de rejeição a Dilma no Estado de São Paulo. Num eventual segundo turno, a presidente perde para Aécio no Estado por 50% a 31%. Colar-se ao PT, em São Paulo, pode significar aumento da rejeição.

De resto, não é preciso ser muito sagaz para perceber que Skaf mobiliza um eleitorado, vamos dizer, conservador. Em termos de distribuição espacial da ideologia, a sua pregação fica à direita da do próprio Geraldo Alckmin. E não é uma estratégia burra, não! Eu diria até que é a estratégia possível. Por que ele se ligaria ao PT num momento em que o partido enfrenta a maior rejeição no Estado e na cidade, desde a sua ascensão ao poder federal, em 2003? Goste-se ou não de Skaf, idiota, ele não é.

Há mais uma questão relevante. Esta não é a última eleição que Skaf vai disputar, não é mesmo? Ainda que seja derrotado agora, vem a guerra pela Prefeitura da Capital em 2016. O grande eleitor do próximo pleito, tudo indica, será mesmo Fernando Haddad! Quem quer que encarne o antipetismo com mais credibilidade tenderá a se eleger. Dilma vai fazer campanha para Padilha, ao lado de Lula. Por que o peemedebista criaria facilidades para a petista, o que o transformaria numa espécie de mero esbirro dos companheiros, inviabilizando suas ambições futuras? Não faz sentido.

Por enquanto, entre os aliados de Skaf, o único que mostra disposição de se engajar na reeleição de Dilma é mesmo o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), candidato a senador na chapa. Ele já exibiu para a imprensa adesivos de seu material da campanha, com o nome da presidente em destaque, junto com o de Skaf. Será que isso ajuda a diminuir a rejeição à petista em São Paulo? Tendo a acreditar que não.

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As dificuldades do PT para se livrar do deputado-bomba

Por Felipe Frazão, na VEJA.com:
Nos últimos anos, o PT conseguiu construir um importante reduto eleitoral na capital paulista. Na populosa Zona Leste da cidade, o partido ganhou força pelas mãos de dois irmãos, o vereador Senival Moura e o deputado Luiz Moura, ambos ex-líderes de perueiros. Os votos da região foram decisivos para os petistas nas últimas eleições, especialmente para a vitória do prefeito Fernando Haddad. Tudo funcionou bem até maio, quando veio a público a informação de que policiais flagraram Luiz Moura, ex-presidiário, em uma reunião com sindicalistas na garagem de uma cooperativa na qual também estavam dezoito membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Desde então, o deputado tornou-se um fardo difícil para o partido carregar. E o PT colocou em curso uma desesperada articulação para rifá-lo antes do início da campanha de Alexandre Padilha ao Palácio dos Bandeirantes.

Agora, o comando do PT paulista se prepara para enfrentar, na Justiça e nas instâncias do partido, uma semana decisiva para o futuro da legenda nas eleições deste ano. Entra na fase final o processo disciplinar contra Luiz Moura. O partido trabalha para afastar a qualquer custo seu deputado-bomba da campanha – e dos holofotes – para evitar um desgaste ainda maior durante as eleições no maior colégio eleitoral do país.

O movimento começou no fim de maio, articulado pelos comandos estadual e nacional do partido. No dia 2 de junho, a Comissão Executiva do PT paulista suspendeu a filiação de Luiz Moura por sessenta dias – o que o impediu de participar da convenção estadual. Moura não aceitou e entrou na Justiça, alegando ter sido afastado irregularmente, sem direito à ampla defesa. O deputado foi à tribuna na Assembleia Legislativa e justificou sua presença, em março, no encontro de perueiros onde estavam bandidos do PCC. Segundo ele, era uma tentativa de evitar a adesão dos donos de lotação a uma greve de motoristas e cobradores de ônibus na cidade. Na época, alegou, em sua defesa, que não havia investigações contra ele. Mas agora há.

Nesta semana, o site de VEJA mostrou que o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, apresentou à Justiça uma representação criminal contra o deputado. O chefe do Ministério Público paulista enxergou indícios de que Moura pode ter cometido sete crimes diferentes: organização criminosa, extorsão, constrangimento ilegal, apropriação indébita, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e abuso de autoridade. Como o petista tem foro privilegiado, o Órgão Especial do Tribunal de Justiça terá de autorizar a abertura do inquérito – o que também deve ocorrer nesta semana, quando vence o prazo de defesa prévia.

A data decisiva para o desfecho do caso Luiz Moura é a próxima sexta-feira, dia 1º de agosto, quando uma reunião do Diretório Estadual deve homologar ou não a punição aplicada pela Comissão Executiva do PT paulista, que notificou o deputado a apresentar sua defesa por escrito no processo disciplinar. A Executiva Estadual aguardará a manifestação de Moura até o dia 31 para emitir parecer sobre a conduta dele. Um dia antes, o Tribunal de Justiça de São Paulo decidirá sobre a guerra de liminares entre os advogados do deputado e o setor jurídico do partido. O agravo de instrumento do PT contra a candidatura de Luiz Moura está na pauta de julgamento da 5ª Câmara de Direito Privado. Caso seja derrotado, Moura ainda poderá recorrer ao Diretório Nacional do PT, na esfera partidária, e à instância superior da Justiça. O advogado do parlamentar, João de Oliveira, classificou a investigação do procurador-geral de Justiça como “oportunismo político”. Oliveira disse desconhecer a notificação do PT para que o parlamentar se explique no âmbito partidário até quinta-feira.

É fato que a cúpula petista pretende expulsar Luiz Moura e é pouco provável os integrantes da Comissão Executiva, os mesmos que aprovaram a suspensão por unanimidade, tenham uma interpretação diferente agora, com a campanha em curso. Os dirigentes afirmam que a situação de Moura “agravou-se politicamente” depois que o parlamentar ingressou na Justiça comum contra o partido e anulou, ainda que temporariamente, a suspensão de sessenta dias e a convenção estadual do partido. A atitude de Moura chegou a ameaçar a candidatura de Alexandre Padilha ao governo do Estado. “Se dependesse de mim ele já estava expulso há muito tempo”, afirmou, no dia em que o PTderrubou a liminar judicial, o prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho (PT) – homem de confiança escalado pelo ex-presidente Lula para coordenar o comitê da presidente Dilma Rousseff em São Paulo. O próprio Padilha diz que o Luiz Moura “é caso encerrado no PT”. Mas o partido não esperava que o juiz considerasse a suspensão “ilícita” e autorizasse Luiz Moura a solicitar à Justiça Eleitoral o registro da própria candidatura. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ainda não validou a candidatura do deputado.

Peça importante na engenharia para montar o reduto eleitoral na Zona Leste, Moura agora é tratado como inimigo e traidor por diferentes setores do partido. O comando da legenda está nas mãos da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), cujos líderes articulam sua expulsão. No início de junho, a tendência minoritária Articulação de Esquerda chegou a alertou seus militantes sobre o“potencial explosivo” do deputado, assim que a participação dele na reunião com integrantes do PCC veio a público. No fim do mês, a corrente publicou uma resolução ainda mais severa sobre o parlamentar, taxado de “integrante da quinta coluna da direita no interior de nossas fileiras”. Mas nem sempre foi assim.

Durante pelo menos doze anos, o reduto eleitoral montado pelos irmãos Moura, integrantes da corrente PT de Lutas e de Massas (PTLM) rendeu expressivas votações nominais a figurões do partido. Os candidatos do PT beneficiaram-se da influência do deputado Luiz Moura e do seu irmão, o vereador Senival Moura. Ambos são também dirigentes de cooperativas de perueiros. Em anos diferentes, a base política dos Moura em Guaianazes, Cidade Tiradentes e Itaim Paulista serviu, por exemplo, aos deputados federais petistas Jilmar Tatto, atual secretário de Transportes da gestão Haddad, e Arlindo Chinaglia, vice-presidente da Câmara dos Deputados. Em 2010, os comitês de campanha de candidatos como a ministra Marta Suplicy (Cultura) e o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) doaram recursos para Luiz Moura. Ele foi eleito com 104.705 votos em sua primeira disputa eleitoral para a Assembleia Legislativa. Na ocasião, o fato de Luiz Moura ser ex-presidiário, condenado por assalto à mão armada nos anos 1990, não impediu o partido de lançá-lo candidato.

Os planos dos irmãos Moura eram mais ambiciosos neste ano. Luiz Moura pretendia concorrer ao segundo mandato na Assembleia Legislativa. Com o impedimento, por enquanto, ele foi substituído na chapa petista pelo ex-chefe de gabinete da Subprefeitura de Guaianazes Jorge do Carmo, indicado por Senival Moura – o vereador concorrerá a uma cadeira em Brasília, na Câmara dos Deputados. Eleito pelos motoristas de ônibus, o vereador Vavá dos Transportes (PT), recém-aliado a Luiz Moura, permanecerá na Câmara Municipal como representante do grupo.

Caso se safe no PT, Luiz Moura ainda poderá ser alvo de mais um processo disciplinar no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa. As chances de cassação, porém, são remotas, dado o histórico de corporativismo da Casa – no mês passado, os parlamentares postergaram para o início de agosto a decisão sobre a abertura do processo. Nesse período, Moura voltou a infringir as normas da Assembleia: vestido com a camisa da seleção brasileira, dirigiu um carro oficial com a mulher e a filha no dia da abertura da Copa do Mundo. Questionado, ficou em silêncio. Talvez porque, a exemplo dos motivos que levaram o PT a tratá-lo tão bem durante anos, seja tudo muito difícil de explicar.

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Responsáveis por informe bancário que criticou Dilma serão demitidos
Mariana Sallowicz, Estadão

Em meio à polêmica gerada após o Santander ter enviado neste mês aos clientes de mais alta renda de sua carteira um extrato no qual apontava risco de deterioração da economia brasileira em caso de reeleição da presidente Dilma Rousseff, o presidente mundial do Santander, Emilio Botín, afirmou hoje que o informe "não é do banco, mas de um analista".

Segundo o presidente da instituição financeira, foram tomadas medidas internas sobre o episódio. Botín acrescentou que o presidente da instituição no Brasil, Jesús Zabalza, já prestou esclarecimentos às autoridades e a presidente Dilma Rousseff.

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Nova York aprova ‘porta dos pobres’ em prédio de luxo
O Globo

A cidade de Nova York aprovou o plano de uma construtora de incluir uma “porta dos pobres” em um complexo de apartamentos de luxo no bairro chique de Upper West Side. A ideia de uma entrada separada para residentes de baixa renda já vem circulando há algum tempo, mas só agora um desses planos recebeu luz verde das autoridades urbanas.

No caso, trata-se de uma incorporação da empresa Extell Development — um prédio de 33 andares com 219 apartamentos. As unidades “da elite” terão vista para o Rio Hudson, ao passo que as 55 unidades mais baratas terão frente para a rua.

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Depois da África, China avança sobre América Latina
Marcos Salas, BBC

Depois de "conquistar" a África com contratos bilionários de comércio e investimentos na produção de matérias-primas, a China está voltando sua atenção para outra região capaz de suprir os bens necessários para o seu crescimento: a América Latina.

Países com dificuldades financeiras, como Venezuela, Argentina e Cuba, foram destaque no giro que o premiê chinês, Xi Jinping, fez pela região na última semana, levando a tiracolo um 'pacote de bondades' financeiras.

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Argentina, a três dias do calote
Francisco Peregil, El País

A Argentina está entre a espada e a parede. E só tem até quarta-feira para escapar de ambas ou ser perfurada por uma nova suspensão do pagamento da dívida – a segunda em 12 anos. A espada tem muitos nomes, mas todos significam a mesma coisa.

Podemos chamar a espada de “credores” que exigem cobrar em sua totalidade a dívida não paga em 2002 e não aceitaram um abatimento de 65,6%; podemos chamá-la de holdouts; e podemos chamá-la também, como faz frequentemente a presidenta argentina, Cristina Fernández de Kirchner, de “fundos abutres”. A parede também recebe vários nomes, mas o mais apropriado talvez seja o de Rufo (direitos sobre oferta futura, na sigla em inglês).

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Israel admite ter acertado escola 'vazia' da ONU em Gaza
Veja

O Exército de Israel admitiu ter disparado um tiro de morteiro contra uma escola da ONU na Faixa de Gaza, onde 15 refugiados morreram na quinta-feira, mas afirmou que não havia pessoas no local no momento do impacto.

Segundo o porta-voz do Exército Peter Lerner, que apresentou as conclusões de uma investigação interna, militantes palestinos dispararam tiros de morteiro e foguetes antitanque contra as tropas israelenses a partir dos arredores da escola da ONU em Beit Hanoun, no norte da Faixa de Gaza.

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Maduro tenta cerrar fileiras no chavismo
Ewald Scharfenberg, El País

Pelo planejamento inicial, se tudo corresse bem, na próxima quinta-feira, em seu último dia, o terceiro congresso do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) deveria proclamar o chefe de Estado, Nicolás Maduro, o novo presidente da organização.

Mas, para o presidente venezuelano, as coisas correram melhor: pouco antes de inaugurar oficialmente o evento, na tarde de sábado, ele foi eleito presidente do PSUV por aclamação pelos 985 delegados presentes. Dessa maneira, Maduro se converte em sucessor do comandante Hugo Chávez – de quem, na prática, herdou a presidência venezuelana – também na chefia do partido.

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Boko Haram sequestra mulher do vice-primeiro-ministro de Camarões
Veja

Terroristas do Boko Haram sequestraram ontem a mulher do vice-primeiro-ministro de Camarões, segundo o ministro da Comunicação camaronês Issa Tchiroma. No ataque à casa do vice-premiê Amadou Ali, em Kolofata, pelo menos três pessoas morreram. Um líder religioso local chamado Seini Boukar Lamine também foi sequestrado, mas em outro ataque do Boko Haram, também na cidade de Kolofata.

Sediado na Nigéria, o Boko Haram ultrapassou nas últimas semanas as fronteiras do país rumo a Camarões. A Nigéria acredita que os terroristas pretendem usar o país vizinho como uma base em seus esforços para montar um Estado islâmico.

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Turbulências globais mostram os limites do poder dos Estados Unidos
Marc Bassets, El País

Quando algum lugar do planeta pega fogo, o mundo costuma olhar para os Estados Unidos em busca de uma resposta. Mas, nesta temporada de conflitos simultâneos no Hemisfério Norte, em que os riscos para a paz se multiplicam da Europa à Ásia, passando pelo Oriente Médio, Barack Obama parece um presidente sobrecarregado, sem capacidade de atender todos os alarmes.

Os sismógrafos de Washington registram sinais preocupantes. Poucos presidentes dos EUA, nas últimas décadas, tinham se defrontado com uma sucessão semelhante de crises não causadas diretamente por eles.


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Blog do Noblat

O adeus de João Grilo
Gaudêncio Torquato

João Grilo, astuto e fanfarrão, recitava versos destrambelhados, fazia traquinagens com o amigo Chicó, arrematando impressões com a maior inocência, como a que fez para Manuel, o Leão de Judá, o filho de David, o Jesus negro da peça O Auto da Compadecida:

- O senhor é Jesus? Aquele a quem chamam de Cristo? (...) não é lhe faltando o respeito não, mas eu pensava que o senhor era muito menos queimado.

As lorotas de João provocam gargalhadas, mas, por pouco, não baniram de nossas escolas seu pai, o teatrólogo, advogado, cancioneiro, o admirado romancista de A Pedra do Reino, o imortal da Academia Brasileira de Letras, o genial paraibano Ariano Suassuna, que, ao falecer, quarta feira passada, aos 87 anos, deixa um dos mais ricos legados da história de nossa literatura.

O banimento quase se deu, há alguns anos, quando um grupo que se dizia defensor do conceito “politicamente correto”, vestindo o manto dos censores da Inquisição ou dos anos de chumbo da ditadura de 64, produziu uma cartilha financiada pelo Governo Federal, onde se registravam como discriminatórios verbetes e expressões comezinhas, como “comunista”, “anão”, “beata”, “barbeiro”, “palhaço”, “ladrão”, “farinha do mesmo saco”.

A expressão de Suassuna certamente estaria presa no cárcere montado pelos guardiões do templo da palavra nesses tempos de controle do verbo e descontrole de verbas. O amontoado de besteiras apenas serviu para subir o tom das gargalhadas de João Grilo e Chicó.

Ariano Suassuna, João Ubaldo Ribeiro (que também nos deixou,semana passada) e Jorge Amado, seu conterrâneo, foram exímios intérpretes da alma nacional. Desenharam uma galeria de personagens desbocadas, autênticas, alegres, doidas, radicais, sem nunca se submeterem ao tacão do “politicamente certo”, conceito que tem sido a vara de condão de grupos ideológicos entroncados na árvore do poder. Amparavam-se na linguagem para retratar o cotidiano. Quem os vê como discriminadores, senão radicais ou ignorantes?

Quem não fica indignado em ver Monteiro Lobato no paredão da censura? Acusam-no de ser preconceituoso por retratar “a preta” Tia Anastácia. Lobato foi execrado por ter comparado Tia Anastácia, personagem em Caçadas de Pedrinho, a uma “macaca de carvão” e, ainda, porque o conto Negrinha, de sua autoria, abrigar conteúdo racista.

Não há como imaginar personagens que tanto encantaram crianças e adultos – como Tia Anastácia, Emília, Pedrinho, Saci-Pererê, Visconde de Sabugosa, – fazendo a discriminação, ao final do século XIX, como enxergam os patrulheiros de plantão.

Jorge Amado, em Capitães de Areia, apresenta João Grande, “negro de treze anos, forte e o mais alto de todos. Tinha pouca inteligência, mas era temido e bondoso”. Retratavam um tempo em que a negritude era apresentada de maneira pejorativa.

Censurar a expressão de uma época é apagar costumes, jogar as tradições na fogueira de Torquemada.

A polêmica sobre o uso do lexema negro na literatura se expande na esteira de um debate enviesado sobre direitos humanos. Ocorre que as lutas pela igualdade têm jogado na vala comum da discriminação manifestações de todo tipo, mesmo as que retratam ciclos históricos.

Voltemos à antiguidade. Aristóteles, o pensador da filosofia clássica, dividia o mundo entre gregos e o resto, no caso, os bárbaros, selvagens e escravos natos.

Já Platão, em sua obra clássica A República, definia o Estado ideal como aquele dirigido pelos melhores. Dizia ele: “o ouro não se mistura ao bronze”.

Joaquim Nabuco, o abolicionista, chegou a se indignar com os sacerdotes que possuíam escravos: “nenhum padre nunca tentou impedir um leilão de escravos, nem condenou o regime religioso das senzalas”.

E o que dizer de Aluisio Azevedo, descrevendo nas páginas de O Mulato (1881): “se você viesse a ter netos, queria que eles apanhassem palmatoadas de um professor mais negro que esta batina?”

Lima Barreto também não escaparia do paredão. Em Histórias e Sonhos, diz: “não julguei que fosse negro. Parecia até branco e não fazia feitiços. Contudo, todo o povo das redondezas teimava em chamá-lo feiticeiro”. Para os ignaros da censura, explique-se que este grande intérprete produziu Clara dos Anjos (1922), libelo contra o preconceito, a história de uma mulata traída e sofrida por causa da cor.

Em Escrava Isaura (1875), Bernardo Guimarães escreve trechos que hoje estariam no índex proibido: “não era melhor que tivesse nascido bruta e disforme como a mais vil das negras”?

Sem esquecer o jesuíta André João Antonil com seu texto que pode ser considerado discriminatório: “os mulatos e as mulatas são fonte de todos os vícios do Brasil”. Ele escreveu o clássico Cultura e Opulência do Brasil (1711).

À guisa de conclusão, o celebrado Fernando Pessoa: “o espírito feminino é mutilado e inferior; o verdadeiro pecado original, ingênito nos homens, é nascer de mulher”. Arrematado por Shakespeare, que narra, em Otelo, o drama de Brabâncio deixando a filha livre para escolher o marido que mais a agradasse. A donzela escolheu um mouro. Otelo foi contratado para matá-lo.

Toda essa moldura vem à tona no momento no adeus a Ariano Suassuna, fiel intérprete do espírito da linguagem. Dizia ele que o português é a linguagem mais sonora e musical do mundo. Daí a necessidade de expressá-la com as nuances das ruas, com seus personagens e sem a gramática que ajusta as curvas da língua, um ato antidemocrático.

Suassuna, “uma aula viva estupenda e um permanente espetáculo folgazão de inteligência, vida, senso de humor e savoir-faire”, no dizer de José Neumanne (OESP, 23/07/2014), deixa grande lição: “respeitemos a linguagem falada, que é diferente da letra”.

Não é possível que a preamar do niilismo, anunciada por Ortega Y Gasset na terceira década do século XX, tente reaparecer em nosso mundo literário.

Que o desaparecimento de Ivan Junqueira, João Ubaldo, Rubem Alves e Ariano Suassuna nessa triste quadra reforce a convicção de que não podemos ceder um milímetro aos organizadores da “nova cultura”.

João Grilo implora.


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Blog do Noblat

A Saúde em coma, por Mary Zaidan

 Saúde frequenta o discurso de 110% dos políticos. Durante o período eleitoral, então, falam tanto do tema que põem em risco a sanidade do eleitor. Até candidatos à Presidência da República abusam de coisas genéricas como “mais saúde”.

Mas, efetivamente, governos só se mexem quando muito pressionados.

Na terça-feira, 22, a Santa Casa de São Paulo fechou as portas de seu Pronto Socorro por falta de insumos básicos. Não mais do que de repente, o governo federal pareceu descobrir algo que deveria estar careca de saber: a agonia quase terminal da maior instituição filantrópica da América Latina. Pior: apostou no jogo do empurra, acusando o governo paulista de erro nos repasses de recursos para o hospital. Esse, por sua vez, colocou em dúvida a gestão da Santa Casa e exigiu auditoria nas contas da entidade.

A radicalização de 30 horas processou milagres: um aporte emergencial de R$ 3 milhões do governo do Estado de São Paulo e até a promessa do ministro da Saúde, Arthur Chioro, de auxílio do BNDES para solucionar a dívida de mais de R$ 300 milhões acumulada ao longo de anos.

Sabe-se lá por que o ministro demorou tanto para aviar receita tão fabulosa.

O vírus que contamina as finanças de instituições 100% SUS é disseminado pelo próprio governo, que passou a golpear os princípios do avançado Sistema Universal de Saúde, quer nos recursos, quer nas prioridades.

O Mais Médicos – ainda que fosse bem planejado e não feito à toque de caixa – é prova disso: adia soluções e estende um véu róseo sobre um sistema gravemente enfermo.

Segundo o provedor da Santa Casa, Kalil Rocha Abdalla, o SUS não atualiza os valores da tabela de procedimentos há mais de uma década, inviabilizando todos aqueles que trabalham unicamente com atendimento gratuito.

Com uma tabela que cobre entre 40% a 60% dos custos, quase três centenas de hospitais foram fechados nos últimos cinco anos, reduzindo em 4.770 a oferta de leitos hospitalares.

O site Contas Abertas informa que no ano passado os investimentos do Ministério da Saúde somaram R$ 3,9 bilhões. Apenas R$ 1,5 bilhão a mais do que o Ministério da Reforma Agrária gastou só no primeiro semestre de 2014 na compra de veículos e equipamentos para alavancar a campanha da presidente Dilma Rousseff, com festivas distribuições às prefeituras. Menos da metade dos R$ 8 bilhões consumidos para erguer os 12 estádios da Copa do Mundo.

Pior área nas avaliações dos governos Lula e Dilma, a Saúde está em coma. Um dos temores dos publicitários da campanha de reeleição da presidente deve ser o de que o remédio venha das urnas.

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Parolagem, por Elio Gaspari
Elio Gaspari, O Globo

Uma indicação de que os candidatos a Presidência da República dedicam-se a uma ilustre parolagem quando discutem a saúde pública:

Nenhum deles tratou em sua plataforma da questão do ressarcimento ao SUS quando sua rede atende clientes dos planos de saúde. Essa conta deveria ir para as operadoras e, no ano passado, a Agência Nacional de Saúde arrecadou apenas R$ 167 milhões. Melhorou, pois de 2001 a 2010 a Viúva só conseguiu receber de volta R$ 125 milhões.

A repórter Bárbara Bretanha mostrou que nos últimos cinco anos o total de clientes de planos atendidos pelo SUS cresceu 60%. Foram 320 mil internações. Entre os dez motivos mais comuns estão os partos.

Ganha uma viagem à Ucrânia quem for capaz de achar uma mulher que, tendo plano, pretendia parir no SUS.

O melhor negócio do mundo é vender um plano de saúde para quem a tem e remeter o cliente ao SUS quando ele precisa. O segundo melhor negócio, para candidatos, é não chatear as operadoras em tempo de arrecadação.

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Me dá um dinheiro aí

          Políticos experientes afirmam que os gastos estratosféricos previstos pelos candidatos ao Planalto não passam de ficção. As empresas estão segurando suas doações. E a maioria delas não está disposta a dar por fora e correr o risco de cair nas mãos da Receita e da PF. As campanhas estão mais caras e o caixa dois está minguando. Por isso, todos os partidos apostam na reforma política. A festa acabou.

A falência do processo milionário
Organizações sociais já criaram pelo país 800 comitês de mobilização dos eleitores para que eles votem no plebiscito popular pela reforma político, que se realizará na Semana da Pátria (1º a 7 de setembro). Uma votação expressiva, acima de 10 milhões, pode pressionar os partidos pela mudança. Para os políticos, não há apoio para uma Constituinte, como quer o ex-presidente Lula. Mas acham viável montar o debate em cima da tese, liderada pela CNBB, de um projeto de lei de iniciativa popular. Parlamentares de todos os quadrantes consideram que o voto proporcional está falido e que é preciso mudar, seja para o voto em lista, o distrital misto ou o distrital.

“No Brasil de hoje, quem atira pedra é herói e quem defende a vidraça é bandido”

José Múcio
Ministro do TCU, sobre o apoio de entidades aos que praticam manifestações políticas lastreadas na violência

A história se repete como farsa
Há anos os presidentes adotam a mesma tática para se livrar de constrangimentos. Sempre que o governo comete um erro político, seu estado maior espalha a versão de que o presidente puxou as orelhas de um assessor trapalhão.

A cena
Em queda nas pesquisas e lutando para ir para o segundo turno, o candidato ao governo do Rio pelo PT, Lindbergh Farias, esperneou mais não muito com a foto da presidente Dilma com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Ele sabe que ela precisa dos aliados. Mas segue feliz da vida. Ele terá o ex-presidente Lula no seu palanque.

Há casos e casos
Sobre as divergências na campanha da presidente Dilma, o presidente do PT, Rui Falcão explica que elas não se traduzem necessariamente em crise e cita como exemplo: “teve uma campanha (a de Aécio Neves) que demitiu o seu marqueteiro”.

O voto evangélico
A decisão da campanha da presidente Dilma de fazer um movimento em direção ao eleitor evangélico, segundo profissionais do marketing, pretende evitar o que ocorreu em 2010. Por causa da polêmica do abordo, na reta final do primeiro turno, a presidente perdeu três pontos percentuais e a eleição foi para o segundo turno.

Jogo de empurra
Quando na reunião com os partidos aliados, no Alvorada, foi feita referência à questão do aborto, a presidente Dilma saiu-se com essa: “Uai! O que foi que eu fiz?”. Um dos presentes emendou: “O problema não é a senhora, é o seu partido, o PT”.

O outro lado
O ex-presidente do PFL e ministro do TCU José Jorge está surpreso com a versão de que cedeu a pressões do PT para livrar a presidente Dilma do caso Pasadena. Ele garante: “Não fui procurado por ninguém, nem do governo nem da oposição”.

Os candidatos a presidente terão de abrir suas propostas na quarta-feira, na CNI. Os industriais querem saber quais são seus planos para o Brasil.


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Blog do Merval

PT abaixo da média

Não há praticamente dúvidas entre os especialistas eleitorais de que teremos segundo turno, e de que a presidente Dilma deve vencer o primeiro em um patamar bem abaixo do nível que ela e o ex-presidente Lula tiveram nos pleitos anteriores. Lula teve nos primeiros turnos de 2002 e 2006 46% e 48% dos votos respectivamente, e Dilma voltou a fazer 46% em 20010. Isso se deve à perda de prestígio do PT junto ao eleitorado, embora ainda seja o partido com mais adeptos, mas sobretudo à avaliação negativa do governo Dilma.

Os candidatos do PSDB comportaram-se de maneira nada homogênea no primeiro turno nas eleições anteriores, embora no segundo turno tenham tido resultados semelhantes, em torno de 40% do eleitorado, chegando a 44% em 2010.

Nas eleições de 2002 e 2006 o candidato José Serra teve respectivamente 23% e 32% dos votos, enquanto Geraldo Alckmin teve a melhor votação no primeiro turno do PSDB em uma eleição presidencial perdida. Atingiu 41% dos votos, mas não conseguiu agregar eleitores no segundo turno, quando teve votação menor. Serra só chegou ao segundo turno em 2002 por que dois outros candidatos foram bem votados: Garotinho, do PSB, com cerca de 17% dos votos e Ciro Gomes, do PPS com cerca de 12%.

As projeções do cientista político Jairo Nicolau, da UFRJ, um dos melhores analistas de resultados eleitorais, indicam que, com os dados de hoje, a presidente Dilma deve fechar o primeiro turno abaixo do índice histórico do PT, recebendo em torno de 39% dos votos válidos. O candidato do PSDB teria 29% e o do PSB Eduardo Campos 12%.

Uma característica especial desta eleição é que os chamados candidatos nanicos estão sendo muito bem votados, e poderão chegar a 8% ou 10% dos votos, mais uma razão para que os analistas cravem que haverá segundo turno. Só o pastor Everaldo, do PSC, aparece nas pesquisas com cerca de 3% a 4% dos votos.

A queda da votação da presidente Dilma reflete a dificuldade que ela terá num embate num segundo turno com o tucano Aécio Neves, o provável representante da oposição. A grande incógnita é o número de votos em branco e nulos, ainda muito alto nas pesquisas atuais. É um fato que a campanha eleitoral ainda não entrou na agenda do cidadão eleitor, mas há um conjunto de fatores, e não apenas um, para explicar essa demora em se ligar nas eleições deste ano.

Sem dúvida o fato de a Copa do Mundo de futebol ter sido realizada no Brasil, independente do resultado desastroso dentro do campo, foi uma das razões para adiar esse contato do eleitor com os candidatos. Mas a desilusão com a política também é uma explicação bastante provável para esse número ainda alto de desinteresse da população.

A campanha somente entrará na agenda do cidadão a partir do começo do horário eleitoral em meados de agosto, e mesmo assim em ritmo mais lento devido à importância crescente das mídias sociais como Facebook, Twitter e outros, e dos canais de televisão a cabo que não transmitem os programas eleitorais oficiais.

Tudo indica que a oposição terá no segundo turno o reforço de um eleitorado que terá o mesmo tamanho numérico que Marina Silva teve em 2010: o pastor Everaldo e Eduardo Campos, somados, podem chegar a ter por volta de 15% a 20% do eleitorado.

Os dois terão papel importante na composição do segundo turno, e apenas um deles, Campos do PSB, tem fôlego para aparecer como um candidato-surpresa atropelando o hoje favorito da oposição. Sua pontuação nas pesquisas não sugere que isso possa acontecer, mas não há analista que possa cortá-lo do páreo a esta altura da disputa.


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Blog do Augusto Nunes

‘Os vândalos, quem diria, são vikings’, por Carlos Brickmann

São ferozes como os vikings e, como os vikings, acreditam no poder da destruição: os vândalos ferem, destroem e já mataram pelo menos uma pessoa. São unidos como os vikings, e desta união extraem sua força: a coordenação que mantiveram deixou os inimigos, os policiais, desarvorados. E, quem diria, a moda viking, aquele famoso capacete com chifres, expôs sua maneira de agir. Uma integrante do grupo de vândalos, Anne-Josephine Louise Marie Rosencrantz, descobriu que seu namorado Luiz Carlos Rendeiro Jr., Game Over, pai de seu filho, era partilhado por outra ativista, Elisa Quadros Pinto Sanzi, Sininho.

A traída se vingou traindo: Anne-Josephine foi à Polícia e prestou depoimento sobre a ação dos vândalos. Começou informando como Sininho admitiu o namoro com Game Over: “Sininho diz que ela e Game Over tinham um romance revolucionário”. E apresentou as denúncias — entre elas, diz, a tentativa, liderada por Sininho, de incendiar o prédio da Câmara dos Vereadores do Rio. Segundo Anne-Josephine, este incêndio não fazia parte dos planos dos manifestantes, e Sininho, aos gritos, pedia que lhe levassem gasolina para iniciar o fogo. Conforme diz Anne-Josephine, foi Game Over que conseguiu controlá-la.

De acordo com a Polícia, Anne-Josephine detalhou ainda as funções dos principais lideres dos vândalos e — oh, novidade! — relatou o uso de drogas por eles.

E daí? Daí que todos os detidos por vandalismo, inclusive os acusados por Anne-Josephine, foram libertados por ordem do desembargador Siro Darlan.

Os herdeiros – Presidência
A primeira tentativa de organização administrativa do Brasil foram as capitanias hereditárias, criadas por D. João 3º, rei de Portugal, em 1534. O sistema foi extinto pelo Marquês de Pombal em 1759.

Mas, na prática, a capitania hereditária, em que o poder passa de pai para filho, ainda existe. A candidata do PSOL à Presidência, Luciana Genro, é filha do governador petista Tarso Genro, candidato à reeleição no Rio Grande do Sul. Aécio Neves, PDSB, é neto do governador mineiro Tancredo Neves, que morreu sem tomar posse na Presidência; Eduardo Campos, PSB, é neto do governador pernambucano Miguel Arraes.

Os herdeiros – Governos
O candidato do PMDB no Maranhão, Lobão Filho, é filho do ministro e ex-governador Édison Lobão. No Pará, o candidato do PMDB é Hélder Barbalho, filho do ex-governador, ex-deputado e senador Jader Barbalho (político famoso, que até preso já esteve), e da ex-deputada federal Elcione Barbalho. Renan Filho, PMDB, Alagoas, é filho do presidente do Senado, Renan Calheiros, sobrinho dos ex-deputados federais Olavo e Renildo, sobrinho do ex-prefeito de Murici, Remi Calheiros. Lobãozinho e Renanzinho descendem de um tronco mais antigo: José Sarney, padrinho de seus pais. Zé Filho, PMDB, candidato à reeleição no Piauí, é sobrinho do ex-governador Mão Santa. Nelsinho Trad, PMDB, Mato Grosso do Sul, é filho do deputado federal Nelson Trad. Marcelo Miranda, PMDB, Tocantins, é filho do deputado estadual Brito Miranda e foi governador por dois mandatos. Henrique Alves, PMDB, Rio Grande do Norte, é filho dos governadores e ministros Aluísio Alves e Garibaldi Alves Filho. Vital do Rego, PMDB, Paraíba, é neto do ex-governador Pedro Gondim. irmão de Veneziano Segundo Neto, ex-prefeito de Campina Grande, e filho da deputada federal Nilda Gondim.

Filhos, filhos
Moraes Moreira canta que “todo menino é um rei”. E todo mundo é fidalgo — na versão original da palavra, “filho de algo”, filho de alguém.

E boa parte dos candidatos, admitamos, é mesmo filho de algo.

Tudo junto e misturado
Dilma jantou com o PMDB do Rio. Mas o candidato do PMDB ao Governo, Pezão, é Aécio. Lindbergh Farias, PT, se irritou com a visita de Dilma aos adversários do PMDB. Mas está aliado a Eduardo Campos. Aliados ou não aos adversários, Pezão e Lindbergh estão com Dilma — e seus adversários Marcello Crivella e Anthony Garotinho também. Todos com ela, ninguém com ela.

Eduardo Campos se coloca como alternativa ao “retrocesso” petista e à “modernização conservadora” de Aécio. Mas seu PSB está com os tucanos Alckmin em São Paulo e Beto Richa no Paraná (com Aécio) e com o PT de Dilma no Rio.

E, no entanto, é simples entender: cada um por si e o butim do poder para todos.

Virou guerra
O peemedebista Roberto Requião, candidato ao Governo do Paraná, é Dilma desde criancinha. A petista Gleisi Hoffmann, sua adversária, também é Dilma desde criancinha, foi ministra e é casada com um ministro. Gleisi e Requião se odeiam. Agora, Gleisi denunciou Requião por ter, como governador, determinado ao Regimento Montado da PM do Paraná que cuidasse de seus 88 cavalos, a custos variáveis, por animal, entre R$ 1.000 e R$ 1.500 mensais.

Resultado: o Ministério Público do Paraná designou a promotora Cláudia Cristina Martins Madalozo para investigar a denúncia. Gleisi também está debaixo de fogo: dois de seus auxiliares mais próximos, Eduardo Gaievsky e André Vargas, enfrentam acusações – Gaievsky por estupro de menores, Vargas por corrupção de maiores.

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El País afirma que carta do Santander 'caiu como bomba no Planalto'
O Globo

O jornal espanhol “El País” repercutiu neste sábado o mal-estar gerado entre o banco Santander e o governo brasileiro com carta enviada pela instituição a correntistas, junto ao extrato do mês de julho, sugerindo que o crescimento da presidente Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas eleitorais poderia acarretar na piora da economia brasileira.

A reportagem intitulada de “A saia justa do banco Santander” afirma que a iniciativa “caiu como uma bomba no Planalto”, ressaltando a estreita relação de Dilma com o presidente mundial do Santander, Emílio Botín. A publicação lembra que “hoje, o Brasil representa um quinto do lucro do grupo”.

Por conta disso, a vinda de Botín ao país, esperada esta semana para evento promovido pelo banco sobre educação, também estaria ameaçada. A publicação lembra que “desde que a presidenta Dilma Rousseff assumiu o poder, em 2011, o presidente mundial do Santander, Emílio Botín, esteve pelo menos quatro vezes no país. E nas quatro ocasiões, foi recebido pela presidenta no Palácio do Planalto, quando Botín fazia questão de tornar públicas suas mensagens de otimismo com o país”.

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Ministro do TCU diz que AGU tentou adiar julgamento sobre Pasadena
Cristiane Jungblut e Isabel Braga, O Globo

Autor do parecer do Tribunal de Contas da União (TCU) que isentou a presidente Dilma Rousseff no caso da polêmica compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, o ministro José Jorge confirmou nesta sexta-feira que teve uma audiência formal com o ministro-chefe da Advocacia Geral da União (AGU), Luís Inácio Adams, e que é normal receber pedidos de adiamento de votações para que as partes se preparem melhor.

Já o ministro José Múcio disse que se encontrou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última segunda-feira, mas que não tratou do tema no encontro. As pressões da AGU e de Lula para tentar engavetar o processo foram o tema da coluna de ontem de Merval Pereira.

Apesar de terem confirmado que foram procurados, os dois ministros negaram qualquer interferência do governo e de Lula para isentar Dilma de responsabilidades na negociação da refinaria. Na época, ela era presidente do Conselho de Administração da estatal, mas o TCU culpou apenas a diretoria da Petrobras.

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Aécio se recusa a responder se usou aeroporto em MG
Pedro Venceslau e Luís Lima,  O Estado de S. Paulo

O candidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, se recusou novamente a responder se já usou o aeroporto da cidade de Cláudio (MG), construído em um terreno que pertenceu ao seu tio-avô Múcio Guimarães Tolentino e ainda não foi homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Constrangido, o tucano disse neste sábado, 26, durante evento em uma obra social na região de Itaquera, na capital paulista, que "está tudo esclarecido" e passou a discorrer sobre a importância do empreendedorismo no País.

Em entrevista ao Estado, o tio-avô de Aécio afirmou que o aeroporto na cidade mineira era para todo mundo usar, "inclusive o governador". A questão do aeroporto foi até agora a pior crise enfrentada pela candidato tucano. Na última semana, Aécio evitou agendas públicas e se pronunciou sobre o caso apenas pelas redes sociais e por meio de notas divulgadas no site do PSDB.

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Por que Hollywood evita falar sobre Gaza?
Jaime González, BBC Brasil

Hollywood tem mantido silêncio sobre conflito em Gaza

Ao longo das décadas, muitas estrelas de Hollywood não hesitaram em expressar publicamente suas posições políticas ou emprestar sua imagem para apoiar diversas causas humanitárias.

Mas, nos últimos dias, quando o mundo debate a operação militar de Israel na Faixa de Gaza, durante a qual morreram até agora mais de 900 palestinos e 35 israelenses, o silêncio impera no templo das celebridades americanas.

Nesta semana, a revista americana The Hollywood Reporter publicou um artigo em que analisa as razões pelas quais a indústria do entretenimento permanece calada sobre o atual conflito entre Israel e o Hamas.

Na reportagem, intitulada "Regra número um: fale de qualquer assunto político em Hollywood...exceto de Gaza", a jornalista Tina Daunt escreve que "enquanto o número de vítimas continua a aumentar", há, nas altas esferas da indústria cinematográfica, uma relutância "atípica" para falar sobre o que está acontecendo no Oriente Médio.

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Estádio da Copa do Mundo é reaberto com casamento coletivo
André de Souza, O Globo

No primeiro evento no Mané Garrincha depois da Copa do Mundo, nenhum jogador de futebol pisou no gramado. O estádio, palco de sete jogos no Mundial, foi aberto para receber 100 noivos e 100 noivas de baixa renda do projeto Alma Gêmea, do governo do Distrito Federal (GDF).

A cerimônia em si não foi no gramado, mas em um dos salões que há dentro do estádio. Havia praticamente de tudo que há num casamento convencional:altar, flores, tapete vermelho, bolo decorativo, 100 bolos menores de verdade (um de lembrança para cada casal), quatro juízes e centenas de padrinhos e convidados. No gramado, eles passaram pouco antes do começo da cerimônia, para que pudessem tirar fotos.

- O estádio é multiuso. É uma arena multiuso. Ter casamentos coletivos aqui foi uma grande ideia da Sejus (Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania do DF) e que nós apoiamos. O governador Agnelo (Queiroz) cedeu espaço para haver o casamento. É muito bonito que no pós-Copa as primeiras pessoas a pisar nesse gramado sejam as noivas. Então vai dar muita sorte. Vamos começar em breve a rodada de futebol —disse o secretário Extraordinário da Copa, Claudio Monteiro.

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‘Só melhorar distribuição de renda não leva país a mudar de patamar’
Vivian Oswald, O Globo

A distribuição da renda sozinha não será capaz de reduzir as desvantagens do Brasil, que avançou uma posição apenas no “ranking” mundial do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em relação a outros países, ocupando o 79o. lugar entre 187 países.

Esta é a avaliação do professor do Departamento de Finanças da Cambridge Judge Business School, Pedro Saffi. Ao GLOBO, ele disse que a educação, indicador que permaneceu estagnado no país, é uma das mazelas do crescimento econômico e que a falta dela perpetua a concentração da renda.

DESIGUALDADES. O fim da inflação após o Plano Real teve um choque positivo nas desigualdades, assim como as políticas sociais dos governos do PT, com destaque para o bolsa família. Por estas razões, o Brasil foi um dos poucos países do mundo em que as desigualdades caíram de maneira significativa na última década. Se olharmos as taxas de crescimento da base da pirâmide, a renda das pessoas teve uma taxa de crescimento chinesa. A renda dos mais ricos também subiu, mas a dos mais pobres cresceu muito mais depressa. Mas isso sozinho não é capaz de reduzir as desvantagens brasileiras.

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Israel estende trégua por mais 24 horas, mas Hamas rejeita
O Globo

Quase vinte dias após o início da operação "Limite Protetor", desencadeada pelas forças israelenses contra ataques do Hamas a seu território procedentes da faixa de Gaza, o número de mortos palestinos no confronto já passa de mil. Em meio a uma frágil trégua obtida após apelos das Naçlões Unidas, os últimos levantamentos apontam que 1.050 palestinos foram mortos e cerca de 6.000 feridos desde o início da nova escalada de violência. Por outro lado, o Ministério da Defesa de Israel informou que dois soldados israelenses feridos em Gaza na semana passada morreram neste sábado, elevando para 45 o número de israelenses mortos.

Israel aceitou a extensão do cessar-fogo aéreo contra a Faixa de Gaza por mais 24 horas, até a meia-noite deste domingo (18h no horário de Brasília), mas o Hamas rejeitou a proposta. Apesar das indicações contrárias à trégua, Israel manteve sua posição, mas alertou que reagirá se o cessar-fogo for violado pelo lado palestino. E informou que não interromperá a destruição de túneis usados pelo grupo Hamas.

O pedido para a ampliação da trégua foi feito pela ONU e por um grupo de diplomatas de dez países reunidos em Paris para tentar transformar a suspensão humanitária dos ataques em uma paz mais duradoura.

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Trípoli: confrontos entre milícias rivais levam EUA a fechar embaixada
O Globo

Os Estados Unidos fecharam neste sábado a embaixada em Trípoli, capital da Líbia, devido a preocupações de segurança, informou o Departamento de Estado americano. Segundo as autoridades, funcionários do órgão foram evacuados para a Tunísia “devido à violência em curso resultante de confrontos entre milícias líbias”. O Departamento de Estado também emitiu um alerta de viagem incitando cidadãos americanos para não irem para o país do Norte da África.

Cerca de 150 pessoas, incluindo 80 fuzileiros navais, foram retirados da embaixada nas primeiras horas da manhã e foram levados para o outro lado da fronteira. A embaixada dos EUA em Trípoli já estava operando com pessoal limitado.

As medidas ocorrem ao mesmo tempo em que violentos confrontos entre milícias rivais ganham espaço em Trípoli, em especial ao redor do aeroporto da cidade. A Líbia tem sido dominada pela instabilidade desde o levante de 2011, com áreas do país controladas por milícias.

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Jihadistas do Isis poderão ser considerados criminosos de guerra
O Globo

Os rebeldes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria (Isis) podem ser adicionados a uma lista de suspeitos de crimes de guerra na Síria, informou o investigador chefe das Nações Unidas, Paulo Pinheiro. As identidades dos suspeitos permanecerão confidenciais.

— Eles são bons candidatos para a lista — disse Paulo Pinheiro, o chefe da comissão independente da ONU sobre crimes de guerra na Síria, referindo-se a execuções públicas e crucificações realizadas pelo grupo militante.

Os jihadistas do Isis, que controlam vastas áreas de território do Norte da Síria e do vizinho Iraque, estão envolvidos em violentos combates com as forças do governo sírio na província de Raqqa nos últimos dias. No entanto, a ONU destacou que pessoas de ambos os lados do conflito, que já dura três anos, devem ser incluídos na lista da organização internacional.

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FHC: mal-estar do país eleva chances de Aécio

Em entrevista ao repórter Sérgio Pardellas, Fernando Henrique Cardoso revelou que, “há dois anos, não acreditava na possibilidade de uma derrota eleitoral do governo.” Hoje, identifica dois fenômenos que favorecem a oposição, potencializando as chances de vitória do tucano Aécio Neves sobre Dilma Rousseff. “Existe um mal-estar no país”, disse. Há também “uma fadiga em relação ao governo.” A íntegra da conversa pode ser lida aqui. Vão abaixo os principais trechos:

— Mal-estar: Hoje existe um mal-estar no País. Isso favorece a oposição. Por isso, acho que temos grandes chances. Há também o cansaço de material. Fadiga. O Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, com 54% de apoio, é um dos poucos que contrariam essa tese. Há uma fadiga em relação ao governo. Bem, também existe a fadiga da classe média em relação ao PT. Sobretudo em São Paulo. É assustadora essa rejeição de 47% no Estado e 49% na cidade.

— Hora da oposição: Vou ser sincero: há dois anos eu não acreditava na possibilidade de uma derrota eleitoral do governo. Porque o governo é o governo, tem recursos enormes e tem a exposição permanente. Os meios de comunicação, sobretudo a televisão, vão para um lado só. A televisão brasileira é esporte, crime, um pouquinho de internacional e muito governo. […] Achava muito difícil que houvesse uma mudança. Hoje eu acho possível transformar esse mal-estar em algo que tenha consequência eleitoral.

— Efeito carestia: A população está interessada no bolso, e isso pesa muito hoje, porque a inflação para o povo é mais do que 7% – está em cerca de 10%. Hoje, o Bolsa Família é menor do que o bolso. A Bolsa não é suficiente para o bolso. Para as classes mais populares a vida está cara. Para a classe média também. Para o povo, inflação é carestia. Estamos vivendo de novo um problema de carestia. Nisso o candidato de oposição tem que ser claro. O governo atual levou a essa situação.

— Esgotamento do consumo: O Brasil de 2010 tinha tomado medidas contra a crise de 2008 que funcionaram. Era um Brasil que tinha alguma esperança. Basicamente, o governo tentou estimular o crescimento com mais consumo graças à maior oferta de crédito. Então, houve uma expansão grande do crédito, que animou o consumo. Mas levaram muito tempo para entender que, para reativar o investimento, precisavam ter capital público e privado. E parou. […] O fundamento posto lá atrás, qual seja, o crescimento via consumo e expansão do crédito, continua aí e não vem dando resultado.

— Ecos de junho: Houve certa desatenção, não muito grave, à pressão inflacionária. Mas o endividamento é muito grande. É uma sociedade que cresceu no consumo e que chamam de ‘novas classes médias’, embora, sociologicamente falando, não sejam uma nova classe média de fato. Mas isso também trouxe transformações. As pessoas consumiram mais e agora é natural que queiram mais. As explosões de junho do ano passado foram consequência do querer mais.

— Não é só o PIB: Existe uma corrida pelo crescimento do PIB. O governo está em busca disso. Mas a sociedade não quer só isso. As pessoas querem viver melhor. […] Queremos entrar no Primeiro Mundo. O Primeiro Mundo não é um país que tem muito PIB. É um país em que se vive melhor. Em que se tem segurança, educação, respeito e dignidade. Portugal não tem PIB nenhum e é mais Primeiro Mundo do que o Brasil. Aqui falta educação, segurança, o transporte não funciona. Estourou no governo Dilma. O governo persistiu no estímulo ao consumo e não olhou para os outros lados.

— Manejo da política: O Lula sabia manejar o Congresso. Não da maneira correta, pois o mensalão ninguém pode apoiar. Mas ele sabia manejar. A Dilma não sabe manejar o Congresso. E a situação está aí.

— Congresso sepulcral: Os partidos existem no Congresso, não na vida da sociedade. A única exceção era o PT, que sempre teve organização partidária. A oposição se faz no Congresso, mas não repercute. O Congresso ficou muito confinado a ele próprio. Quando eu era senador, meus discursos eram publicados na íntegra nos jornais. Isso não acontece mais. Foi se perdendo o elo do Congresso com a sociedade. O mesmo aconteceu com outras instituições, com os sindicatos, com a UNE. Ela era importantíssima no passado. Hoje, qual é a importância?

— PT X PSDB: As diferenças, hoje, são lidas no espectro ideológico, direita e esquerda, mas não se dão nesse espectro. Na formulação é como se fosse ‘uns estão para cá, e outros estão para lá’. Na realidade não é assim. A diferença entre o PT e o PSDB é principalmente a concepção que se tem da política e do governo. O PT acredita que se muda o País ocupando o Estado e através do Estado tomando as decisões, controlando mais, sobretudo a economia. O PSDB acredita mais que é preciso não ocupar o Estado e ter uma relação maior com a sociedade. Isso é tênue, claro. Os dois têm um pouco de cada um. Mas a diferença essencial é essa. Na política monetária, por exemplo, o PT pode ter errado aqui ou ali, mas não mudaram o que vinha sendo feito. O juro não baixou como devia, é verdade. Mas isso é algo técnico. Ninguém está discutindo, na essência, a função do Banco Central.

— Origem da política de Bolsas: [Lula] acelerou porque ele pôde. Ele teve recursos para isso por causa do boom da China. Acabou a dívida externa na América Latina toda, não só aqui. A folga fiscal foi maior. Mas os princípios foram lançados antes. Progressivamente o Estado foi criando condições para melhorar. Condições estruturais e organizacionais, digamos. Não era possível criar as Bolsas sem internet. O Banco Mundial foi quem propôs primeiro. O PT era contra. Quem primeiro fez foi Honduras e quem melhor fez inicialmente foi o Chile. O cartão para criar o Bolsa Escola fui eu que fiz, copiando o exemplo de Goiás, com Marconi Perillo, para dar cidadania e entregando os recursos para a mulher. Foi decisão do meu governo. As Bolsas também estavam sendo unificadas no meu governo. Era uma questão técnica.

— Fisiologismo nas estatais: Sempre lutamos para tirar qualquer partido de dentro das empresas. A Petrobras, por exemplo. Nunca pensamos em privatização. É mentira. Nem se cogitou. Queríamos a competição e tirar a influência partidária. O mesmo com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica. Eu diminuí muito a presença de partidos aí. Com o Lula isso se inverteu. E a Dilma está sofrendo as consequências. Ela, quando colocou a Graça Foster, foi para diminuir a influência política. Mas estourou na mão dela. Hoje, o PMDB tem vice-presidente da Caixa, Banco do Brasil, no meu governo não tinha isso. Essa é a diferença.

— Dilma à moda Geisel: Entre a Dilma e o Lula existem outras diferenças. Para a Dilma, o Estado tem que ter um papel crucial no investimento e no controle. Ela é intervencionista. Tem uma visão mais general Geisel. É uma visão mais dos anos 60 e 70. Mas, em relação ao Lula, não houve uma mudança muito radical, como não haverá se o Aécio Neves ganhar. O Aécio não vai mexer na política do Bolsa Família. O que deverá fazer é aumentar o mercado de trabalho. Acompanhar a pessoa que é assistida até ter o emprego, como ocorreu no Chile. O ideal é que as pessoas não sejam dependentes. O Bolsa Família é uma solução de emergência, necessária, mas não para o futuro.

— Geopolítica do voto: […] O PSDB nunca tinha conseguido isso e estamos alcançando agora: uma harmonização grande entre São Paulo e Minas. No Rio, nunca tivemos uma grande força e agora o Aécio Neves tem sido hábil e conseguiu desorganizar lá a base do governo. Para vencer, precisamos consolidar o peso que temos por aqui [Sudeste] e reduzir a diferença no Norte-Nordeste. No Estado de São Paulo, o Aécio ganha no segundo turno e, na cidade, no primeiro turno. No Sul, a gente ganha. Na Bahia, estamos razoavelmente bem. Em Pernambuco, o Eduardo Campos, candidato do PSB, vai tirar votos da Dilma. No Ceará, fizemos acordo com Tasso Jereissati e Eunício Oliveira, do PMDB. E temos as prefeituras de Maceió, Teresina, Belém, Manaus, algo que nunca tivemos. Por isso, a chance de ganhar aumentou. Claro que o aumento da possibilidade de vitória do Aécio decorre de outros fatores que já elencamos, como o mal-estar no País, o cansaço, os erros de condução da política econômica e, mais recentemente, a quebra de confiança do empresariado no governo.

— Unidade tucana: O PSDB uniu todo. O Aécio foi lá e fez. Foi, de fato, um dos problemas graves das últimas eleições. Agora, o Aécio vai enfrentar uma situação mais difícil que a minha, se ele ganhar a eleição. Os problemas se acumularam, não foram resolvidos e o PT será duro como oposição.

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Programação pós-copa!




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Blog do Coronel

Rejeitada, Dilma foge das ruas e aposta tudo nos efeitos especiais da TV.

Sem dúvida alguma, é uma vitrina poderosa, a TV. Ainda mais com o triplo do tempo que o principal concorrente. A receita do marqueteiro João Santana é velha: um terço do tempo para caluniar os adversários (os dossiês já começam a correr por aí), um terço do tempo para mostrar as obras (vai sobrar tempo!) e um terço do tempo para prometer de novo o mesmo trem bala, Transposição do Rio São Francisco, 800 aeroportos regionais, 8.000 creches. Este blogueiro tem uma opinião diferente: quanto mais Dilma mostrar a cara, mais vai cair nas pesquisas. A rejeição é altíssima.

Ontem um dos coordenadores da campanha recebeu prefeitos e avisou: não contem com Dilma! Ela ter pouquíssimas aparições nas ruas. Afirmou que é falta de tempo. Não é. É falta de popularidade e falta de máquina pública que ela usava até poucos dias atrás, com dezenas de seguranças, cercas, roteiros especiais, tudo para fugir dos protestos e das vaias.

Segundo O Globo, a coordenação do comitê de reeleição da presidente Dilma Rousseff pediu a cerca de 60 prefeitos aliados presentes na reunião que organizem atos de campanha mesmo sem a presença da candidata. Responsável pela agenda da campanha, Giles Azevedo jogou um balde de água fria nos presentes, pedindo que eles reduzam a expectativa em relação à presença de Dilma em suas cidades. A justificativa foi que ela não terá tanto tempo disponível suficiente para percorrer o país, já que acumulará os compromissos institucionais da Presidência da República. Conversa fiada. Com o triplo do tempo na TV, Dilma não quer correr riscos de enfrentar o povo.

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Troca de cartas entre Israel Klabin e o ministro Luiz Alberto

Ao Excelentíssimo Senhor
Ministro das Relações Exteriores
Luiz Alberto Figueiredo Machado

Sempre tive, bem como a minha família, íntima relação com o Itamaraty através de dois chanceleres: Horácio Lafer e Celso Lafer, ambos judeus, que honraram não apenas o nome da família, mas o Brasil e sua política externa.

Não preciso lembrá-lo também da importância de Oswaldo Aranha, quando Embaixador junto a ONU, na criação do Estado de Israel, trazendo com isso o agradecimento de todos os judeus do mundo.

É, portanto, com estranheza que acabei de ler a séria ofensa feita ao Estado de Israel e a todos nós judeus, pelo Itamaraty, quando “chamou o Embaixador para consulta”.

Tanto meus pais quanto eu, fazemos parte das gerações que atravessaram o holocausto e herdaram a missão de prestar serviços à humanidade e aos países que agasalharam os judeus na fuga milenar das perseguições oriundas de preconceitos, de ódios raciais e religiosos.

A nota do Itamaraty demonstra claramente um retrocesso da política fracassada de levar o Brasil para um envolvimento errado e desnecessário, antagônico ao princípio de não intervenção, o que tem sido um dos pilares da política externa brasileira através dos tempos.

A análise preconceituosa do que realmente está acontecendo no conflito em Gaza, seguramente levou o Itamaraty a conclusões apressadas e equivocadas.

Israel se defende de ataques de grupos terroristas, do Hamas associado ao Hezbollah, ao Irã e de tudo aquilo que é mais odiento na evolução política do Oriente Médio. Estranho o Brasil omitir-se em relação a esses grupos que tentam, pelo terror, “jogar os judeus ao mar”. Isto seguramente não acontecerá.

Ninguém mais do que o próprio Estado de Israel e as comunidades judaicas do mundo lamentam a perda inútil de vidas humanas provocadas pelo uso suicida das populações civis de Gaza, pelos terroristas de Hamas. Por outro lado, choramos também pelos soldados israelenses que tombaram lutando pela segurança do Estado e de suas famílias.

Pela admiração que tenho por V. Exª., gostaria que fosse levado em conta não apenas pressões políticas imediatistas, internas ou externas ao Itamaraty, mas também os grandes serviços que a comunidade judaica brasileira vem prestando ao nosso país no passado, no presente, bem como nosso compromisso com o futuro do Brasil, nosso país, e de Israel como centro da nossa cultura.

Respeitosos cumprimentos,

Israel Sergio Klabin

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Sem propaganda enganosa

A maior discussão entre os cientistas políticos e estudiosos do marketing eleitoral hoje é sobre a real força que a propaganda gratuita de rádio e televisão ainda tem numa campanha presidencial. Ontem, em um seminário na Fundação Getulio Vargas promovido pelo Ibre, este foi um dos pontos mais interessantes da discussão, sem que se chegasse a uma conclusão.

Não existem no país levantamentos consistentes sobre o poder de persuasão da propaganda eleitoral sobre o eleitorado, ainda mais com o fenômeno das redes sociais interferindo dramaticamente na audiência das televisões abertas e a ampliação do alcance das transmissões televisivas a cabo num público que, se antes era de nicho nas classes mais altas, hoje atinge a classe C e vai se espraiando pelas D e E com pacotes acessíveis, sem contar com o “gatonet” que está sendo combatido justamente pela criação de planos mais baratos para esse público.

Há quem imagine que a audiência da propaganda eleitoral que começa a 15 de agosto tenha uma redução de 50% em relação às eleições em que este era o principal meio de o candidato de apresentar ao grande público. Em 1989, quando o desconhecido governador de Alagoas Fernando Collor disputou e ganhou a presidência República, um dos seus diferenciais na competição foi o uso de modernas tecnologias nas propagandas de rádio e televisão, dando início a uma verdadeira mania nacional de marqueteiros políticos.

A eleição de Lula em 2002, com a criação do personagem “Lulinha, Paz e Amor” pelo marqueteiro Duda Mendonça, foi o auge desse império propagandístico que pode estar chegando ao fim com o advento de novos meios de comunicação. O papel cada vez mais importante das redes sociais só não é decisivo como deve ser dentro de alguns anos por que hoje essas novas mídias ainda estão dominadas por conceitos marginais de distribuição de informações, e é utilizada hoje mais como instrumento de divulgação de ofensas e calúnias contra os adversários do que para difundir projetos e programas de governo.

A tendência, no entanto, é que a propaganda através das redes sociais vá ganhando força com o passar dos tempos, deixando em segundo plano a propaganda pela televisão. Uma conseqüência dessa redução de importância será benéfica para a política nacional: a correspondente redução do poder dos partidos de vender seus minutos de propaganda em troca de benesses do governo.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) define o tempo de televisão e rádio na propaganda eleitoral de cada um dos candidatos, baseado nas alianças partidárias e no tamanho de cada bancada no Congresso. Esse critério faz com que bancadas sem prestígio político, mas com muitos membros, ganhem poder eleitoral para atuar nas coalizões.

Comandando uma coligação mais ampla do que a de Lula, a presidente Dilma terá não apenas quase o dobro de tempo que a soma dos dois principais candidatos de oposição, Aécio Neves, do PSDB, e Eduardo Campos, do PSB, como, nas inserções de 30 segundos somadas, terá nada menos que 123 minutos espalhados pela programação de cada emissora de canal aberto do Brasil nos 45 dias da campanha eleitoral.

Esses spots publicitários é que são as novas pérolas dos marqueteiros, que já chegaram à conclusão de que através deles poderão vender a imagem e as ideias de seus candidatos ao telespectador que, assistindo a seu programa favorito, será apanhado de surpresa pela propaganda política, assim como é surpreendido pelos anúncios das programações normais.

O volume de publicidade a que Dilma tem direito é equivalente, segundo especialistas, ao lançamento de um modelo novo de carro para consumo popular. O desconhecimento sobre o que vai acontecer nessa área é generalizado, mas há uma certeza: um marqueteiro apenas não ganha sozinho uma eleição presidencial. Ou seja, o carro a ser vendido não pode ser fruto de uma propaganda enganosa. As redes sociais destroem essa falsa mercadoria em poucas horas.


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Blog do Noblat

O ruído diplomático entre o Brasil e Israel divide especialistas
Frederico Rosas, El País

Um atrito diplomático entre o Brasil e Israel, que teve início na quarta-feira, ganhou o noticiário e fomentou um debate entre especialistas sobre a habilidade do Governo brasileiro para lidar com um assunto tão delicado. O ruído entre os países já provocou o retorno do embaixador brasileiro em Tel Aviv para consultas em Brasília e deu origem a declarações israelenses menosprezando a relevância internacional do Brasil, classificado como um “anão diplomático”.

A temperatura entre os países começou a subir quando o Itamaraty emitiu uma nota comentando o conflito entre israelenses e palestinos, que já tirou a vida de cerca 800 pessoas. Era o segundo posicionamento do Governo brasileiro em uma semana. Mas, desta vez, o Brasil não condenava explicitamente o lançamento de foguetes e morteiros de Gaza contra o território israelense.

O país anunciava, além do retorno do seu embaixador, ter votado a favor da resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU que repudia a ofensiva militar israelense e cria uma comissão para apurar as responsabilidades por eventuais violações.

Segundo especialistas, chamar de volta o embaixador brasileiro para consultas foi uma ação precipitada.

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Lindbergh: Dilma errou ao iniciar campanha no Rio ao lado de Pezão
Cássio Bruno, O Globo

Na presença de militantes do PT e do presidente nacional do partido, Rui Falcão, o candidato ao governo do Rio senador Lindbergh Farias afirmou, nesta sexta-feira, que a presidente Dilma Rousseff, que concorre à reeleição, errou ao fazer o primeiro ato de campanha dela com o seu adversário, o governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB.

Segundo Lindbergh, Dilma se equivoca quando vincula a sua imagem a Pezão e ao PMDB. Foi a primeira vez que o senador petista se manifestou sobre o movimento "Dilmão", lançado na quinta-feira em uma churrascaria de São João de Meriti.

— Na nossa avaliação, para a campanha dela, há uma vinculação excessiva ao PMDB, que está traindo, está muito rejeitado no estado. Isso é ruim para a campanha dela — disparou Lindbergh, que participou de ato com a militância no Sindicato dos Bancários, no Centro do Rio.

Segundo o senador, essa atitude de Dilma não está animando a militância do PT:

— A Dilma já havia feito várias agendas institucionais com o Pezão. Começar a campanha novamente com o Pezão vincula muito a imagem. E isso não é bom. No Rio, o PMDB foi o epicentro das manifestações de junho do ano passado. Isso não anima a militância. Não acho que se deva começar uma campanha eleitoral com essa agenda. A Dilma tem que fazer uma agenda para cima, para frente — concluiu Lindbergh.

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Lewandowski mantém perda de direitos políticos de Jaqueline Roriz
Mateus Coutinho, Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, negou em caráter liminar nesta sexta-feira, 25, o recurso da deputada federal Jaqueline Roriz (PMN), que alegava ser inconstitucional a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) que determinou a perda de seus direitos políticos por oito anos.

Condenada por improbidade administrativa no mesmo processo que José Roberto Arruda, Jaqueline recebeu propina no escândalo de compra de apoio político durante o governo de Arruda (PR) no Distrito Federal conhecido como “mensalão do DEM”. Atualmente ela é deputada federal e tenta disputar a reeleição.

Diante disso, a defesa de Jaqueline recorreu ao Supremo por entender que a condenação por improbidade administrativa não poderia acarretar a perda de direitos políticos. O entendimento, contudo, foi negado pelo presidente em exercício do STF, ministro Ricardo Lewandowski.“Não se mostra possível, em tese, a instauração de incidente de inconstitucionalidade “, afirmou o ministro na decisão.

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Escutas telefônicas mostram que Sininho queria se exilar na Inglaterra
Rubem Berta, O Globo

A ideia de buscar asilo político em outro país, estratégia adotada sem sucesso esta semana pela advogada Eloísa Samy, já havia sido cogitada por outra ativista, Elisa Pinto de Quadros Sanzi, a Sininho, como mostram escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça na Operação Firewall.

Numa conversa em 24 de junho com um outro ativista, identificado como Igor, Sininho demostra medo de ser presa ou assassinada por policiais e fala da ideia de ir para a Inglaterra. Ela ressalta o impacto político positivo da iniciativa:

"Estou pensando em ir para a Inglaterra com o Mohamed para fazer as denúncias sobre o que está acontecendo aqui. Ia ser um processo de caos agora, eu me exilar depois da Copa e antes das eleições. Mas os advogados de São Paulo e daqui (de Porto Alegre) não estão concordando com isso".

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Foto comprova envolvimento de militares na morte de Zuzu Angel
Jailton de Carvalho, O Globo

O ex-delegado Cláudio Guerra, um dos matadores da ditadura militar, apontou a presença do coronel do Exército Freddie Perdigão numa foto do local do acidente que matou a estilista Zuzu Angel em 14 de abril de 1976. A foto foi publicada na edição do GLOBO no dia do desastre.

Para o coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari, a imagem é a prova cabal do envolvimento de Perdigão e outros militares na morte da estilista. Segundo ele, até o momento, nenhum dos integrantes sabia que o coronel aparecia entre as pessoas fotografadas a poucos metros do karmann-ghia de Zuzu.

— A foto reforça, agora, o envolvimento das Forças Armadas com a morte da Zuzu Angel - disse Dallari.

Zuzu Angel morreu quando estava em campanha pelo localização do corpo do filho, do ex-guerrilheiro do MR-8 Stuart Angel. Pelas informações da comissão, Stuart Angel foi torturado até à morte na Base Aérea do Galeão em 15 de janeiro de 1971. Dallari chegou a divulgar que a foto seria de um dos peritos destacados para auxiliar nas investigações sobre o acidente no dia do desastre. Depois, quando confrontado com a informação de que a foto era de um fotógrafo do GLOBO, Dallari reconheceu o equívoco, mas manteve a conclusão sobre a importância da imagem.

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O fantasma da recessão começa a rondar a economia brasileira
Carla Jiménez, El País

Havia tempo que a palavra recessão estava descartada do dicionário brasileiro. Mas, os últimos indicadores divulgados nesta semana, como a prévia da inflação acima da meta estabelecida pelo Banco Central, e uma redução dos ganhos salariais em grandes capitais, fizeram os economistas perderem a timidez para falar sobre o assunto. “Já estamos entrando em uma recessão, num ligeira recessão”, diz o professor Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos interlocutores da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula.

“O desempenho da economia no segundo trimestre será negativo”, diz Belluzzo que prevê demissões nas empresas até o final do ano, o que pode promover um terceiro trimestre estagnado, portanto, dentro do que o mercado costuma chamar de “recessão técnica”, quando a economia não cresce por dois trimestres seguidos. No caso de três consecutivos, se configura a recessão clássica.

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Hamas e Israel aceitam trégua temporária por 12 horas
O Globo

O Exército israelense e o Hamas confirmaram um cessar-fogo humanitário a partir das 8h local (2h Brasília) deste sábado na Faixa de Gaza, por um período de 12 horas. Um funcionário americano já havia anunciado que o Exército hebreu observaria uma trégua de 12 horas, a partir da manhã de sábado.Em seu comunicado, o Exército informa uma "janela humanitária na Faixa de Gaza", entre 08H00 e 20H00 local.

O Exército afirma que quem foi instruído a abandonar sua casa não deve voltar e que as operações para destruir os túneis em Gaza vão continuar.

Um funcionário israelense citado pelo jornal Haaretz revelou que o cessar-fogo deve permitir o envio de água, alimentos e medicamentos à população na Faixa de Gaza, onde as organizações internacionais poderão entregar ajuda humanitária.

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França sem esperança de sobreviventes na queda do avião da Air Algerie
O Globo

A companhia aérea Air France ordenou a todas suas aeronaves que contornem a região do Mali após a queda de um avião da Air Algerie, informou nesta sexta-feira o presidente da empresa, Alexandre de Juniac, à rádio francesa Europe1. Segundo Juniac, a decisão será mantida até que as causas do acidente aéreo sejam esclarecidas. Segundo o presidente francês, François Hollande, nenhum dos 118 passageiros do voo sobreviveu à catástrofe.

— Lamentavelmente, não há nenhum sobrevivente — declarou Hollande em uma breve declaração televisionada. — Militares franceses enviados ao local para proteger a zona recuperaram uma caixa-preta que está sendo encaminhada a Gao (no Leste do Mali).

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Teerã confirma prisão de correspondente do ‘Washington Post’
O Globo

O Irã confirmou nesta sexta-feira a detenção do correspondente em Teerã do jornal "Washington Post", de sua esposa e de dois fotógrafos, informou o diretor-geral do Departamento de Justiça Gholam-Hossein Esmaili. No entanto, o governo iraniano não deu detalhes sobre os motivos das prisões, nem quanto tempo eles ficarão retidos.

— O jornalista foi detido para responder a algumas perguntas e, depois de investigações técnicas, o Judiciário irá fornecer mais detalhes sobre o problema — declarou o oficial, segundo informações da agência iraniana IRNA. — As forças de segurança iranianas estão vigilantes para todo o tipo de atividades dos inimigos — acrescentou o funcionário, sem entrar em detalhes.

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BC entrou na dança eleitoral

O Banco Central resolveu reduzir o compulsório para elevar o crédito. Tá. Há duas questões aí: a medida em si e a sua oportunidade quando se considera a política econômica em curso — havendo uma…

Quem pode ser contra o estímulo ao crédito? Ninguém, não é? Todos somos a favor do bem, do belo e do justo. Quando, no entanto, se considera que o Banco Central, em sua ata, saudou o esfriamento do crédito como uma, digamos, “boa notícia”, num cenário de pressão inflacionária, então cabe perguntar o que é melhor para o Brasil no momento: mais crédito ou menos crédito?

Sabem o que significa isso? Que, agora, é o BC que está sendo usado para fazer política eleitoral, que merece o epíteto de eleitoreira porque tomada na boca da urna.

Eis aí um sinal claro de que o governo está absolutamente sem rumo.

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O conflito israelo-palestino, os delinquentes e os cínicos

O Hamas e a Jihad Islâmica, que são grupos terroristas, e a Autoridade Palestina, reconhecida internacionalmente como governo legal dos palestinos, convocaram nesta sexta um “Dia de Fúria”, desta feita na Cisjordânia, o território controlado pelo Fatah, grupo ao qual pertence Mahmoud Abbas, presidente da AP. O esforço, como se vê, é para levar o caos da Faixa da Gaza, onde se dá a guerra entre Israel e o Hamas, para a Cisjordânia, que vivia dias naturalmente tensos, mas estava relativamente em paz. Que líder, com um mínimo de responsabilidade, faz essa escolha? Confrontos com as forças israelenses fizeram cinco mortos. Na Faixa de Gaza, a Al Aqsa, televisão controlada pelo Hamas, começou a divulgar canções pró-Intifada, pró-levante.

O confronto, até agora, já matou mais de 800 palestinos. São 36 os soldados israelenses mortos, maior número de baixas desde a Guerra do Líbano, em 2006. É lamentável? É. Faz-se necessário um cessar-fogo imediato? Sim. E quem não permite que isso aconteça? O Hamas, que é, desde sempre, a força agressora nesse conflito — pouco importa o que cada um de nós pense sobre a questão israelo-palestina. Para um cessar-fogo, o Hamas exige o fim do bloqueio a Gaza. Ora, isso é o que eles já pediam, usando essa reivindicação como justificativa para jogar seus milhares de foguetes contra Israel. Se, antes da reação militar, Israel não cedeu — no que fez muito bem —, por que cederia agora?

Contabilidade de mortos não confere superioridade moral a ninguém, especialmente quando um dos lados do conflito, como é sabido, recorre a escudos humanos. Israel hesitou em dar início à ofensiva terrestre — e tratei aqui desse assunto — porque é claro que o resultado seria terrível, dadas as características demográficas de Gaza e a forma de luta escolhida pelo Hamas, que não distingue civis de homens em guerra.

O governo brasileiro continua a produzir delinquências políticas a respeito. Marco Aurélio Garcia, assessor especial da presidente Dilma para assuntos internacionais, afirmou, por exemplo, que há um “genocídio” em Gaza. É ideologia rombuda misturada a ignorância. Acusar os judeus, que foram vítimas da tentativa de extermínio nazista — este, sim, genocida —, de tal prática é só uma das formas de negar o Holocausto. Mas nada me surpreende nessa gente.

Garcia, um prosélito vulgar de causas ruins, escreveu um texto com ataques a Israel num desses panfletos de esquerda de que se serve o governo. A política externa brasileira virou uma chanchada macabra. O Itamaraty, como se sabe, emitiu uma nota em que condena explicitamente a ação israelense, ignorando solenemente os ataques do Hamas. A chancelaria de Israel afirmou que a opinião do governo brasileiro era irrelevante. Indagado a respeito, Garcia diz que não responderia ao “sub do sub do sub”. A ignorância é sempre arrogante.

Se há mesmo vozes dispostas a falar em nome da paz, a única coisa sensata a fazer neste momento é apelar para que o Hamas aceite o cessar-fogo para que se possa abrir um corredor humanitário em Gaza para atender as vítimas. E termino com uma questão que pede uma resposta. O Hamas jogava milhares de foguetes em Israel sob o pretexto de pedir o fim do bloqueio a Gaza. Israel não cedia porque o grupo quer as fronteiras abertas para que possa se armar com o propósito de atacar o país. A situação estava se tornando insustentável, e uma nova incursão a Gaza seria fatal se os terroristas não suspendessem seus ataques. O mundo ficou calado diante da escalada do Hamas. Nesse contexto, o que restava a Israel senão se defender?

Os que se calaram antes diante da ação terrorista agora se dizem chocados com o número de mortos? Isso não é piedade, mas cinismo.

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Israel e Hamas rejeitam plano de cessar-fogo proposto pelos EUA

Na Veja.com:
O gabinete de segurança israelense rejeitou por unanimidade nesta sexta-feira uma proposta de cessar-fogo na Faixa de Gaza apresentada pelo secretário de Estado americano, John Kerry, que tinha o objetivo de estabelecer uma trégua de uma semana no conflito que já deixou mais de 800 palestinos e trinta israelenses mortos. À agência Reuters, uma fonte diplomática israelense disse que o país quer realizar mudanças no plano antes de interromper a ofensiva. O Hamas também recusou a proposta.

Ao falhar em conseguir a trégua de cinco dias, que deveria começar no domingo, os Estados Unidos conseguiram, no entanto, uma pausa de 12 horas nas hostilidades, que deverá ter início às 7 horas da manhã deste sábado, pelo horário local, segundo uma fonte do governo americano revelou à agência Reuters. O Hamas também teria concordado com a pausa.

Neste sábado, Kerry participará de uma reunião em Paris com os ministros de Relações Exteriores do Catar, da Turquia, da França e da Grã-Bretanha, além da chefe da diplomacia da União Europeia, em mais uma tentativa de conseguir um cessar-fogo. O Catar e a Turquia têm sido intermediários dos Estados Unidos e do Hamas, considerado um grupo terrorista pelo governo americano e pela UE.

Kerry informou ainda que continuará em contato com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. “As lacunas foram reduzidas de forma significativa”, disse o secretário americano, tentando dar algum relevo aos seus esforços diplomáticos, que o levaram a visitar o Cairo, Tel Aviv, Jerusalém e a Cisjordânia ao longo da semana.

Uma das exigências de Israel para um cessar-fogo é que, durante o período de trégua, seja assegurado o direito de operar contra os túneis clandestinos em Gaza. Apesar da rejeição, o governo deixou a porta aberta para que a proposta seja melhorada e, consequentemente, aceita. O Hamas, por sua vez, tem insistido em um acordo mais amplo, que inclua o fim do bloqueio de Israel ao território. Embora não tenham sido divulgados integralmente, os termos da proposta de Kerry previam que as negociações entre as partes seriam mantidas para que um acordo permanente pudesse ser firmado.

Operação
A operação israelense com o objetivo de conter os disparos de foguetes a partir de Gaza contra o seu território chegou nesta sexta-feira ao 18º dia. Na Cisjordânia, cinco palestinos foram mortos e vários ficaram feridos em confrontos com forças israelenses durante manifestações contra a operação. O Exército de Israel foi colocado em alerta máximo na região, que foi declarada “dia de fúria” pelo Hamas, pela Jihad Islâmica e também pela Autoridade Palestina. Segundo autoridades israelenses, nas últimas 24 horas, oitenta foguetes foram lançados de Gaza contra Israel.

O ministro da Defesa de Israel, Moshe Yaalon, afirmou que a operação terrestre em Gaza, lançada no último dia 17, pode ser “significativamente ampliada” em breve, informou a agência Associated Press. O comunicado foi divulgado pouco depois de Kerry ter anunciado no Cairo o fracasso na tentativa de um acordo. O texto do gabinete de Yallon afirma que as tropas “devem estar preparadas”.

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Cartolagem invadiu a pequena área do Tesouro

O grande legado da Copa é a comprovação de que o futebol brasileiro virou nostalgia. Só existe no replay esmaecido dos lances de um passado remoto. O vexame traz à vitrine as mazelas. E a perplexidade potencializa as ideias exóticas. A mais extravagante ganhou impulso numa reunião realizada no Palácio do Planalto nesta sexta-feira. Depois do 7 X 1, trama-se uma goleada contra o contribuinte.

Acompanhada dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Aldo Rebelo (Esporte), Dilma Rousseff conversou por cerca de duas horas com 14 dos principais cartolas do futebol nacional. Ao final, anunciou-se a criação de um grupo de trabalho com representantes do governo e dos clubes. Para quê?

Deseja-se colocar em pé um plano de socorro aos times de futebol, atolados em dívidas. Numa estimativa otimista, o espeto é de R$ 4 bilhões. Numa conta realista, passa dos R$ 5 bilhões. Um pedaço do problema refere-se a passivos trabalhistas. Mas o miolo do buraco é feito de sonegação de tributos e de contribuições à Previdência —dinheiro que deveria custear serviços públicos à torcida brasileira.

A encrenca vinha sendo tratada num projeto que tramita na Câmara sob denominação saneadora: Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. Para apressar as coisas, Dilma não exclui a possibilidade de editar uma medida provisória. Por essa via, o refresco aos clubes seria servido imediatamente, antes mesmo da apreciação do Congresso. Por que tanta pressa?

Vale a pena ouvir o secretário Nacional de Futebol do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento: “Nós temos que correr, tem clube que não chega ao final do ano se esse projeto não for aprovado.” Também presente à reunião do Planalto, o presidente do São Paulo Futebol Clube, Carlos Miguel Aidar, deu uma ideia do que está em jogo:

“Nós só queremos que nos sejam dados mecanismos para corrigir o passado daqueles que nos antecederam, que erraram na gestão, que endividaram os clubes, deixaram de pagar impostos, deixaram de pagar tributos, deixaram salários atrasados, geraram passivo trabalhista muito grande. O que nós teremos com a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal é a oportunidade de reequacionar tudo isso e começar daqui para frente um marco zero”.

Nesse contexto, o ritmo de toque de caixa ofende a inteligência da arquibancada. Não é assim que se fazem as coisas. Do mesmo modo que não se pode atribuir a humilhação da semifinal contra a Alemanha a um mero apagão de seis minutos, não se deve pedir ao contribuinte que aceite um arranjo tributário trançado no escurinho de um ano eleitoral, com um governo e um Congresso em fim de feira.

Tem “clube que não chega ao final do ano?” Pois que quebre! Os cartolas “erraram na gestão, endividaram os clubes, deixaram de pagar impostos?” Auditoria neles! Num jogo justo, o governo exigiria a abertura das escriturações, os times iluminariam suas arcas perdidas, a controvérsia seria exposta no círculo central do gramado e a galera formaria sua opinião. Fora disso, a alegada responsabilidade fiscal vira uma espécie de abracadabra para a caverna do Ali-Babá.

Embora sejam geridos por homens de bens, os clubes de futebol negligenciaram uma regra capital: abstiveram-se de dar lucro. Ou, por outra: deram lucro nos bolsos errados. A atmosfera de penúria potencializa a diáspora de jogadores, enfraquece o espetáculo e esvazia os estádios. Deus talvez seja brasileiro. Mas o diabo é europeu. E leva embora os craques ainda fedendo a cueiro.

Em 2005, sob Lula, já havia brotado nos gramados nacionais, ermos de talento, uma pseudosolução para a breca dos clubes: criou-se uma loteria nova, a Timemania. É parecida com a Mega Sena.A diferença é que, além de números, o apostador assinala nas cartelas o emblema do seu time do coração.

As combinações vencedoras são definidas em sorteios geridos pela Caixa Econômica Federal. E parte da grana é usada para saldar as dívidas dos times com a União. Dizia-se que seria a redenção. Não foi. Hoje, a coleta propicia um abatimento anual de cerca de R$ 70 milhões na dívida tributária dos clubes. Que não para de crescer.

No início do ano passado, já sob Dilma, o governo esboçou uma medida provisória que previa o perdão de 90% do passivo dos times. Em troca, a cartolagem assumiria o compromisso de investir em projetos sociais de formação de novos jogadores. Nessa época, Toninho Nascimento, o secretário Nacional de Futebol do Ministério do Esporte, disse ao repórter Aiuri Rebello que time de futebol não pode ser tratado como um negócio convencional.

“Não podemos tratar os clubes de futebol, alguns com mais de 100 anos de idade, como empresas comuns. É uma oportunidade de os clubes modernizarem suas gestões, um impulso''.

O deputado Vicente Cândido (PT-SP) entusiasmou-se: “É uma mudança de paradigma, o governo brasileiro passa a agir diretamente no desenvolvimento de novos atletas e talentos.'' O ex-craque Romário (PSB-RJ), membro da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, também apoiou a ideia. Mas ponderou que o governo deveria exigir dos times o pagmento de pelo menos 30% das dívidas.

Ex-goleiro, o deputado Danrlei (PSD-RS) levou o pé atrás. Duvidou da eficácia da troca de dívida por projeto social. “É difícil de quantificar estes investimentos sociais”, disse, antes de descer ao ponto: “Alguns clubes já pagaram suas dívidas, não devem mais nada. Como vamos compensá-los? E quem vai fiscalizar estes projetos?''.

Hoje, os vocábulos “perdão” e “anistia” foram substituídos “refinanciamento” e “alongamento” das dívidas. Com remissão de multas, abatimento dos juros e prazos superiores a duas décadas, a perder de vista. Só não apareceu em campo uma alma capaz de recordar a célebre lição do juiz norte-americano Louis Brandeis (1856-1941): “A luz do Sol é o melhor dos desinfetantes.''

Num jogo em que o campo não é demarcado, a bola é quadrada e canelada conta ponto a favor, os clubes invadem a pequena área do Tesouro Nacional fazendo tabelinha com o governo, que deveria ser o supremo juiz. Convidado a narrar a cena, Silvio Luiz gritaria: “Olho no lance! Pelo amor dos meus filhinhos. O que é que eu vou dizer lá em casa?''

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Dilmacia!




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Blog do Ilimar Franco

Romper o cerco

          O candidato Eduardo Campos (PSB) quer romper a briga entre o bem e o mal, patrocinada por PT e PSDB. E faz campanha propositiva. Campos já se comprometeu a construir 4 milhões de moradias, investir 10% da receita bruta da União na saúde e instituir a escola em tempo integral. Sua estratégia é oferecer mais para os eleitores. Para o socialista, o país não corre o risco da terra arrasada nem da volta ao passado.

O ceticismo e as metas dos aliados
Os partidos aliados dos principais candidatos ao Planalto reclamam da exclusão na tomada das decisões. A despeito de ações de fachada e acenos, nenhum dos integrantes das coligações da presidente Dilma e de Aécio Neves, acreditam nas promessas de participação. E adotaram como foco de atuação o fortalecimento partidário. Essa postura é emblemática no PMDB, que quer se manter como o maior do Senado e ampliar sua bancada na Câmara. Acredita que assim garante sua integração em qualquer governo que vier a ser eleito. E o DEM, que, depois de emagrecer com a criação do PSD, quer ter musculatura para sobreviver no governo ou na oposição.

“Escândalos, como o da Petrobras, não afetam a campanha. O que pode afetar é o bolso. E estamos vivendo o pleno emprego e assistindo a inflação cair”

Ciro Nogueira
Senador (PI) e presidente do PP, da coligação da presidente Dilma

Núcleo duro da oposição se divide
Uma ala da oposição (democrata/tucana) está irada com o ministro José Jorge, do TCU, por ter excluído a presidente Dilma da lista de culpados no Caso Pasadena. A outra ala, a vencedora, trabalhou ativamente para esse desfecho.

Reconhecimento
O sambista Martinho da Vila será o primeiro a ser condecorado, pelo Senado, com o prêmio Abdias do Nascimento. A comenda foi criada recentemente para homenagear aqueles que protegem e promovem a cultura afro-brasileira. Ontem, o senador Paulo Paim (PT-RS) informou Martinho do prêmio e que a entrega da comenda será em novembro.

Subindo o morro
O socialista Eduardo Campos faz nova investida no Rio amanhã. Ao lado do candidato ao Senado, Romário, fará uma caminhada no Complexo do Alemão. A UPP desta área é um cartão postal do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Para ficar bem na foto
A presidente Dilma acompanha a ação do seu governo na Rio 2016. A Casa Civil, a Fazenda e o Planejamento mandam assessores para as reuniões do Conselho Gestor da Autoridade Pública Olímpica. Se ela vencer as eleições de outubro, vai colocar os ministros para trabalhar.

Pescando o voto
A presidente Dilma quer colar nos evangélicos e o candidato ao governo do Rio, senador Marcelo Crivella, quer descolar. Pastor da Universal, quer mostrar que, no Senado ou no governo, serviu os eleitores independente de fé ou classe social.

A explicação
A OAB do Rio diz que não é contra a prisão de ativistas violentos. E “cobra mecanismos eficazes de prevenção”. Mas nas recentes prisões, ela diz que a ação policial foi intimidatória, por ter ocorrido “antes de uma manifestação”. E critica a violação das prerrogativas dos advogados.

O PSDB ficou sem palanque em Alagoas. O candidato do governador Teotônio Vilela desistiu. O estado tem 1,3% dos eleitores nacionais.

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AGU e Lula pressionam TCU

Houve uma articulação do governo, que envolveu o Advogado-Geral da União (AGU) Luiz Adams, e até mesmo o ex-presidente Lula, para tentar engavetar o processo do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. A decisão do Tribunal acabou isentando o Conselho de Administração, presidido na ocasião da compra pela hoje presidente Dilma Rousseff, de culpa pelo prejuízo causado à Petrobras, mas condenou os 11 diretores da estatal brasileira a ressarcirem os cofres públicos em quase U$ 1 bilhão.

O primeiro relato sobre essa manobra governamental, que se assemelha em tudo às pressões que o ex-presidente Lula fez sobre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para que o processo do mensalão não fosse a julgamento, foi feito pelo jornalista Reinaldo Azevedo, ontem, em seu blog na Veja. Fui a campo para esmiuçar o caso e descobri que na terça-feira dia 22, véspera da análise do processo, às 17 horas o Advogado-Geral da União foi ao TCU para uma audiência com o relator, ministro José Jorge (ex-senador do DEM e ex-candidato a vice-presidente da República na chapa tucana em 2006) e pediu para tirá-lo de pauta.

Não é um procedimento incomum, e normalmente os pedidos são atendidos para dar mais tempo aos advogados de se prepararem. Mas, como esse é um caso muito complexo e com delicadezas políticas, o ministro José Jorge tomou a precaução de publicar seu voto na intranet do TCU na véspera. Adams alegava querer fazer uma defesa oral, e não tivera tempo suficiente de analisar o relatório, divulgado no dia anterior.

Mas como o relatório fazia parte do processo, que já era público há muito tempo, o ministro José Jorge não viu razão para adiar o julgamento. Nessa conversa, José Jorge perguntou a Adams: “Você vai fazer a defesa de quem? Nós estamos aqui defendendo a Petrobras, condenando as pessoas a devolverem o dinheiro à Petrobras”. Ao mesmo tempo, o ministro do TCU José Mucio, que foi ministro de Articulação Política de Lula, foi chamado pelo ex-presidente para uma conversa em São Paulo.

No relato que fez a seus pares, disse que encontrou o ex-presidente muito preocupado, relatou mesmo que nunca vira antes Lula de moral tão baixa. O ex-presidente criticou a campanha de reeleição de Dilma, a indefinição do ministro Gilberto Carvalho, que não sabe se fica no Planalto ou vai para a campanha. E mostrou-se especialmente preocupado com a repercussão do processo do TCU sobre a refinaria de Pasadena na campanha eleitoral.

A preocupação era tão grande que Adams não fez a defesa oral e articulou com alguns ministros para que um deles, Benjamim Zymler, pedisse vista do processo. Quando José Jorge terminou de ler seu voto, Zymler alegou que a estimativa dos prejuízos precisava ser revista e pediu vista. O relator esclareceu então que seu voto ficaria computado, o que significava que o pedido de vista seria na votação já começada.

Imediatamente o ministro Weder de Oliveira anunciou que votaria com o relator, alegando que aquela era uma etapa intermediária do processo, que a decisão definitiva só sairá mais adiante, quando fossem ouvidas as partes. Vários ministros, entre eles Ana Arraes, mãe do candidato do PSB Eduardo Campos, deram o voto a favor do relator, que já ficou com a maioria.

Foi então que o ministro José Mucio pediu que o assunto fosse logo à votação “já que a presidenta não está colocada”, e Zymler retirou o pedido de vista, tendo o relatório sido aprovado por unanimidade. Nos contatos mantidos por emissários do governo com ministros do TCU, houve um momento em que foi jogada na mesa a carta da nomeação para o Supremo Tribunal Federal (STF), cargo a que Adams aspira e também o ministro Benjamim Zymler.

Por isso a decisão de excluir os membros do Conselho Administrativo da Petrobras do rol dos culpados foi tão comemorada pelo Palácio do Planalto. Mas é preciso compreender que esse processo vai por etapas. Neste momento, o relator entendeu que seria mais útil concentrar a investigação e a responsabilização na diretoria executiva, que foi quem realmente operou o negócio. Se abrisse muito o leque, alega José Jorge, perderia o foco nas investigações.

Nada impede, porém que ao abrir a Tomada de Contas Especial (TCE) e ouvir os envolvidos no caso, membros do Conselho de Administração, inclusive a própria presidente da República, sejam convocados a depor e eventualmente incluídos no rol dos culpados.

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Reynaldo-BH: ‘Não há limites pra quem jamais os teve’
REYNALDO ROCHA

Depois de um período sabático no qual o que efetivamente assusta se faz presente, é hora de voltar a enfrentar os anões que perdem o chão a cada dia que passa. O alvo – surpresa! – é Aécio Neves.

Creio ser este apenas o começo. Desde 2011, o Ministério Público analisa o caso da construção da pista de pouso na fazenda que pertencia a um irmão da avó materna do ex-governador mineiro e sequer convocou alguém para depor. Seria o MP tucano? Foi errado comprar por R$ 1 milhão a terra pela qual o dono exigia R$ 9 milhões – e que foi à Justiça em busca do ressarcimento que considera justo? Ou seja, Aécio pagou 1 em vez de 9. O oposto da refinaria Abreu e Lima e da sucata de Pasadena.

Quando serão publicadas notas ainda mais pesadas e voltadas também para a vida privada do candidato à Presidência? Afinal, não há limites pra quem jamais os teve.

Nós, por aqui, pedimos há mais de um ano que Lula explique ao menos o caso da amante mantida com o NOSSO dinheiro. Mas não ouvimos sequer uma palavra. Há quanto tempo aguardamos esclarecimentos sobre Lulinha, o “ronaldinho das finanças”, alçado do cargo de tratador de elefantes no zoológico para sócio da OI? E Erenice Guerra e família? Esta terna senhora, ex-ministra da Casa Vil, que hoje insiste em ser lobista em Brasília e é atendida pelo governo em suas demandas?

Quantos aeroportos em Cláudio custou a reforma da Base Naval que Dilma Rousseff requisita uma semana por ano para curtir o verão baiano ao lado de parentes? E a parada do AeroDilma em Lisboa para um jantar?

Hipocrisia, seu nome é PT. Que debatam ideias e propostas. Que se faça um balanço da economia em frangalhos, da inflação elevada, da importação de gasolina, do roubo na Petrobras, do Rio São Francisco sem transposição, das ferrovias iniciadas e abandonadas, do legado imaginário da Copa, do Minha Casa, Minha Vida que desaba, dos médicos escravos que recebem 20% do que valem e são proibidos de sair de casa até para conversar com vizinhos, do governo fatiado entre Paulo Maluf, Jader Barbalho, Newton Cardoso, José Sarney, Renan Calheiros e outras ratazanas de menor porte.

Vamos passar o Brasil a limpo amparados em números e DADOS. Vamos discutir o IDH, a nossa colocação no campo educacional, a inexistência de uma política social e o planejamento econômico e industrial. Vamos discutir os aportes financeiros que beneficiaram Cuba e Venezuela com dinheiro público via BNDES enquanto continuamos morrendo nas estradas e arcando com um custo Brasil que impede exportações.

Mas, caso queiram discutir ÉTICA – o que muito me agrada –, estamos prontos. Desde a figura abjeta de Rosemary e seus encantos recompensados com o MEU DINHEIRO, até o Lulinha e seus milhões, passando pelo uso de jatos executivos de empreiteiras para fazer lobby mundo afora. A ética que faz com que Maluf seja endeusado e Sarney, eternizado. Que entrega ministérios a quem não tem competência sequer para ser garçom de botequim, que tem como vice-presidente um André Vargas e como deputado um ex-presidiário que se reúne com integrantes de uma facção criminosa.

Não nos assusta comparar fatos, pessoas, biografias. O que assusta é que, passados quase doze anos, o PT insista em MENTIR e tentar reescrever a história – onde está condenado a figurar como nota de rodapé ou estudo acadêmico sobre ramificações do caudilhismo latino-americano – e finja não enxergar o índice de rejeição de 50% que atinge Dilma Rousseff.

Esse número define nosso futuro. Até lá, precisamos suportar os argumentos infantis e a baba que escorre da boca dos esquerdistas nos bairros nobres das capitais, sonhando com uma boquinha em algum gulag imoral.

E suportaremos. Falta pouco.


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Blog Espaço Livre de Bobagens

Israel chamou o Brasil de ''anão diplomático''. Foi simplório: o Brasil também é um anão moral.

A chancelaria israelense acertou em cheio ao classificar o Brasil como um ''anão diplomático'' no mundo. É também um anão moral devido às escolhas ideológicas que tomou em relação a vários assuntos externos.

Nos governos petistas, o Brasil tornou-se célere em bajular ditaduras e os piores scumbags pelo mundo afora. Apoiou governos autoritários e por vezes genocidas na África (Sudão, massacre de meio milhão de cristãos!) e no Oriente Médio (Síria e Irã). Na América Latina, o Brasil acostumou-se a ser babá de assassinos como os Castro, e defendeu governos que solapam a democracia, tais como o da Venezuela, da Argentina, Bolívia, Equador e Nicarágua. A verdade é que a ideologia de um partido, o PT, tornou-se a bandeira da política externa brasileira.

E ao apoiar tiranos, governos autoritários e regimes fechados (Agamenon Mendes, humorista fictício criado pelos Casseta, disse que petista só não gosta de regime fechado quando se trata da Papuda), o Brasil torna-se, automaticamente, um anão moral, já que se diz um país democrata, mas só se alia à escória da política mundial. Tem sido assim desde que o PT assumiu o poder: o relativismo moral impera na política externa e as escolhas são direcionadas pelo partido, não sendo assim uma política de Estado que defende o Brasil. E essas escolhas têm levado este País aos piores resultados nesta área. É mico atrás de mico. Daí, não é de se estranhar que um País tão grande em vários aspectos torne-se tão pequeno em diplomacia, fazendo contínuas escolhas erradas e fracassadas. Deu no que deu.

O último passo em falso foi defender os terroristas do Hamas, na questão Árabe-Israelense. Condenar Israel, que sofreu e sofre ataques de foguetes diários sobre sua população civil, e defender um grupo que busca claramente a extinção do Estado Judeu é um disparate. É muita mesquinharia para com uma causa justa. Não defendo aqui a morte de civis árabes neste confronto, mas quem não sabe que o Hamas utiliza-se de escudos humanos para potencializar a sua bem-sucedida propaganda? Nosso governo parece desconhecer que o Hamas dispara foguetes indiscriminadamente sobre os civis judeus e apela às piores práticas, como esconder armas e bombas em escolas, hospitais e até em mesquitas para escapar da aviação e da artilharia israelense.

Até a ONU, em sua irrelevância e descrédito, é omissa ao permitir que o Hamas, em Gaza, utilize-se de seus prédios para esconder armas e conspirar contra Israel. Daí, quando vem o ataque... só tem santinhos, certo? É ridículo o quanto de besteira já se disse sobre esse conflito. E o nosso governo nega a Israel o seu direito de defesa e fica do lado de terroristas? O que ganhamos com isso? A irrelevância diplomática e o ônus da vergonha. 

No campo da propaganda, os árabes já venceram. São os coitadinhos. Pouco se fala dos civis judeus e o iminente risco de ser atingido por um foguete do Hamas disparado a esmo. Não há crianças e inocentes do lado judaico? Um foguete judeu é mais assassino do que um árabe? Para os que não sabem, Israel avisa com antecedência o local e a hora dos seus ataques a bomba e pede que desocupem a área. O Hamas é que não permite a saída dos seus ''mártires''. Se sair, morre. O sangue árabe serve bem para que o Hamas conquiste corações e mentes, especialmente no Ocidente judaico-cristão. Os árabes vizinhos, até eles, têm o pé atrás quanto a esse grupo terrorista que virou ''vítima'' nesses dias. Países como Egito e Jordânia não admitem mas, neste caso, não acham ruim que o Hamas seja enfraquecido. É uma ameaça regional, não só a Israel. Diz-se isso nos nosso jornais? Que nada.

Dentre as vítimas árabes, quantos dos mortos eram terroristas? Nem se noticia. Na conta, só parecem haver crianças e mulheres inocentes. E quanto aos militares do Hamas, que é um grupo bem armado pelo Irã e pelo Hezbollah? Não morre nenhum? São todos inocentes vítimas dos sionistas? É uma piada.

E Israel disse bem do Brasil. Lembrei-me do grande Rafael Brasil quando classificou o Brasil de Íbis da política internacional. Continua a sê-lo, professor. E outros, além do senhor, já percebem isso e falam com mais frequência. Até os judeus já se deram conta. O tempo mostrou que você estava certo!

Parafraseando o mestre: Vade Retro! (Afasta-te, em latim!).


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Blog do Josias

Promiscuidade torna a política incompreensível

O PMDB do Rio ofereceu um jantar para Dilma. Mas o governador Pezão, candidato à reeleição pelo PMDB está formalmente coligado no Rio ao PSDB de Aécio. O PT fluminense ficou irritado com a presença da petista Dilma no repasto do PMDB. Mas o senador Lindberg, candidato petista ao governo estadual, carrega em sua coligação o PSB de Eduardo Campos. Que já foi aliado de Dilma, mas hoje é um dos mais ácidos críticos da presidência dela. Você está entendendo?

Façamos mais uma tentativa. PMDB e PT eram aliados no Rio, certo? Nos dois mandatos do peemedebista Cabral, os petistas ocuparam pedaços da máquina estadual. Presidente, Lula abriu as arcas federais para Cabral. Dilma manteve o padrão. De repente, Cabral caiu em desgraça. Lançou Pezão e se recolheu. Autorizado por Lula, o PT rompeu a aliança e apostou em Lindberg. No entanto, em Brasília, PT e PMDB continuam juntinhos na chapa Dilma-Temer. Ficou mais claro?

Tentemos outra vez. No jantar com o PMDB, Dilma afirmou ter descoberto em Pezão “uma grande humanidade.” E Pezão declarou que Dilma foi a “maior amizade” que ele já fez na política: “Nada nos separa”. Mas o PT federal informa: Dilma terá quatro pés no Rio. Um no palanque de Pezão. Outro no de Lindberg. Um no de Garotinho (PR). Outro no de Crivella (PRB). Em resposta, o PMDB dá asas ao híbrido Aezão. E Lindberg diz preferir a companhia de Lula à de Dilma. Entendeu?

Calma, não se desespere. Se você não compreendeu, tranquilize-se. O problema está no modelo político brasileiro, não na sua capacidade intelectual. A isso foi reduzida a chamada política de alianças: a incoerência janta com a ilógica, o pragmatismo abraça a conveniência e a desfaçatez vai para a cama com o oportunismo. Tudo isso sob atmosfera de densa obscuridade.

A dificuldade de enxergar luz no fim do túnel se repete em todos os Estados. A diferença é que, no Rio, o processo tornou-se tão anárquico que já não se vê nem o túnel. Arquirival do PMDB, Cesar Maia, do DEM, um aliado de Aécio, disputa o Senado na chapa de Pezão. Porém, quem discursou no jantar oferecido pelos peemedebistas a Dilma foi Carlos Lupi, que concorre à vaga de senador pelo PDT.

Varrido da pasta do Trabalho por Dilma, em 2011, Lupi recobriu de elogios a presidente que o escorraçou da Esplanada. E a ex-faxineira: Lupi tem “um coração bom”, é “um homem de bem.” Na chapa do petista Lindberg, o postulante ao Senado é Romário, correligionário de Eduardo Campos. Que já foi ministro de Lula e hoje se dedica a espinafrar Dilma.

Cavalgando o socialismo de resultados do seu PSB, Campos se autoproclama uma alternativa “progressista” ao “retrocesso” protagonizado por Dilma e à mudança “conservadora” representada por Aécio. Simultaneamente, Campos tortura sua vice Marina Silva e a lógica aliando-se ao PT no Rio e ao PSDB em São Paulo e no Paraná. A fuzarca seria motivo de risos se não tivesse um efeito devastador.

Os políticos espantaram-se quando a rapaziada vetou a presença de bandeiras partidárias nos protestos que ganharam as ruas em junho de 2013. Alarmaram-se quando as pesquisas revelaram os altos índices de eleitores dispostos a anular o voto ou votar em branco. Num coro puxado por Lula, líderes partidários passaram a defender a atividade política. Hoje, pedem maior engajamento do eleitorado. Como pode a plateia pode engajar-se num processo que não entende?, eis a questão.

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Dilmascote!



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Carvalho, por enquanto, vence braço de ferro, com auxílio de Lula, e fica no governo, sabotando-o. Então que fique!

Dedico nesta sexta, na Folha, mais uma coluna a Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, vejam lá. A presidente Dilma Rousseff já percebeu que ele não é exatamente alguém que lute para que ela se reeleja. Em certa medida, pode até fazer o contrário: Carvalho é o tipo de militante que, caso considere que a doutrina partidária está sendo contrariada, prefere a derrota que purifica à vitória que não honra os fundamentos.

A luta dos que tentam botar Carvalho para fora do Ministério continua, a começar de Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil. Mas não será fácil. E, por enquanto ao menos, os seus adversários internos foram derrotados. A razão é simples. Luiz Inácio Lula da Silva, o chefão nº 1 do PT, entrou em ação para manter no Planalto o chefão nº 2 do partido — justamente Carvalho, que atua como seus olhos, mãos e ouvidos. Segundo a família de Celso Daniel, prefeito assassinado de Santo André, as mãos de Carvalho carregaram bem mais do que um destino.

Carvalho é o Savonarola do PT e do Planalto, aquele que se apresenta como o chefe da doutrina e o purificador, o que lhe rende também simpatias em amplos setores da imprensa, que o veem como um homem sem ambições pessoais. Quem quiser que se comova. Tomem o caso do Decreto 8.243, aquele que disciplina a participação dos movimentos sociais no governo federal. É claro que a presidente Dilma não foi obrigada a assinar aquela porcaria. Por sua própria vontade, no entanto, isso seria deixado pra lá. Quem forçou a mão foram setores do PT e, evidentemente, Carvalho. Diante da resistência da Câmara — na verdade, do Congresso —, em vez de buscar a conciliação, o convencimento, o entendimento, ele anuncia uma “guerra” e uma “luta até o fim”.

De junho do ano passado a esta data, a Carvalho cabia o chamado “diálogo” com os movimentos sociais — ou por outra: a sua função era justamente desarmar o gatilho das manifestações violentas, que acabaram caindo no colo de Dilma Rousseff. E o que se sabe hoje? Este senhor resolveu bater um papinho com black blocs. Sob a sua gestão, a questão indígena se tornou, literalmente, um assunto que se debate com arco, flecha e balas. Carvalho tentou até mesmo, como esquecer?, transformar os rolezinhos numa guerra racial.

Este senhor não é exatamente um homem, mas uma personagem. Num romance como “O Nome da Rosa”, por exemplo, de Umberto Eco, ele seria um daqueles obcecados que se moveriam nas sombras, com convicção inquebrantável, em nome de alguma doutrina morta. Se estivesse em “Criação”, de Gore Vidal, caber-lhe-ia o papel de um dos eunucos da corte persa, defendendo valores nos quais o próprio imperador não acredita.

Lula agiu para Carvalho continuar no governo. Dilma que se vire com os seus sabotadores.

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Rede diz que 104 candidatos ligados ao partido disputarão eleições
Priscilla Mendes, G1

A Rede Sustentabilidade, partido fundado por Marina Silva em fevereiro de 2013, anunciou que 104 candidatos ligados ao partido, mas filiados a outras oito legendas, disputarão as eleições. Como a Rede teve o registro barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marina Silva e seus aliados tiveram que se filiar a outros partidos para poderem concorrer nas eleições deste ano.

A ex-ministra escolheu o PSB e entrou como vice-presidente na chapa do presidente da legenda, o ex-governador Eduardo Campos. Ela deixou claro, porém, que, depois da eleição, voltará a tratar da criação da Rede e deixará o PSB.

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Dilma fala de ‘parceria consolidada’ no Rio
Marcelo Remígio e Cássio Bruno, O Globo

A presidente Dilma Rousseff (PT) participou ontem de seu primeiro ato de campanha à reeleição no Rio de Janeiro, um jantar com prefeitos e ex-prefeitos promovido em uma churrascaria em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, acompanhada do vice-presidente Michel Temer e do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, que concorre à reeleição pelo PMDB.

O evento faz parte do chamado “Dilmão”, com o objetivo de mostrar ter força entre os prefeitos flumineses, já que, no início de junho o “Aezão”, reuniu 60 prefeitos em um almoço no Rio com 1.800 convidados. Para garantir a participação do maior número de presenças, Pezão e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), ligaram para os prefeitos fluminenses.

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Marina defende apuração de denúncia de propina em Pernambuco
Itaan Arruda, Estadão

A candidata a vice-presidente pelo PSB, Marina Silva, disse que toda denúncia deve ser investigada, ao ser questionada sobre as declarações do deputado José Augusto Maia (PROS-PE), que afirmou ter recebido ofertas de dinheiro para que seu partido integrasse a coligação de apoio a Paulo Câmara, candidato do PSB ao governo de Pernambuco e afilhado político de Eduardo Campos – parceiro de chapa presidencial da ex-ministra.

“Se existe uma denúncia, existe um processo de investigação”, afirmou Marina em Rio Branco, onde participou de um debate com pesquisadores da 66.ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no câmpus da Universidade Federal do Acre.

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Supremo nega paralisar processo contra Vargas no Conselho de Ética
Mariana Oliveira, G1

O presidente em exercício do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, negou ontem pedido da defesa do deputado federal André Vargas (sem partido-PR) para suspender o andamento de processo contra o parlamentar no Conselho de Ética da Câmara.

Vargas é investigado devido à relação com o doleiro Alberto Youssef, preso em março pela Polícia Federal na Operação Lava jato por suspeita de movimentar cerca de R$ 10 bilhões em esquema de lavagem de dinheiro. O processo no Conselho de Ética apura se o deputado favoreceu Youssef em contratos públicos em troca de favores pessoais.

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Petrobras defenderá diretores citados pelo TCU no caso Pasadena
Veja

A Petrobras afirmou ontem que assegurará a defesa dos seus ex-gestores e atuais em processo no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

"A Petrobras confirma a sua defesa relacionada à aquisição, apresentada ao TCU em janeiro de 2014, e, nesse novo processo que se inicia, assegurará a defesa dos seus gestores, presentes e passados, quanto aos atos decorrentes do exercício das suas funções, nos termos do art. 23, § 1º, do seu Estatuto Social", informou a empresa, em nota.

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Israel rebate críticas e fala em ‘irrelevância’ diplomática do Brasil
Veja

A chancelaria de Israel rebateu a nota emitida pelo Itamaraty condenando os bombardeios sobre Gaza. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Yigal Palmor, usou palavras duras ao classificar a nota como “uma infeliz demonstração de por que o Brasil, um gigante econômico e cultural, continua sendo um anão diplomático”.

“O relativismo moral por trás deste movimento torna o Brasil um parceiro diplomático irrelevante, que cria problemas em vez de contribuir para soluções”, acrescentou. Um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel afirma que o país “expressa seu desapontamento com a decisão do governo do Brasil de chamar seu embaixador para consultas”.

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Matança em um centro da ONU em Gaza
Juan Gómez, El País

Nos corredores do colégio primário de Beit Hanoun, uma localidade ao norte de Gaza, só sobraram ovelhas, vidros quebrados e poças de sangue meia-hora depois que várias explosões mataram, ontem, 16 pessoas em suas instalações. Era uma das 100 escolas habilitadas pela ONU como refúgio para os mais de 100.000 palestinos evacuados pela intensa operação israelense contra Gaza.

Entre os mortos e os 200 feridos havia vários trabalhadores das Nações Unidas, crianças e mulheres, segundo informou em um comunicado o Secretário-geral da entidade, Ban Ki-moon. A ONU decidiu esvaziar a escola pelos duros bombardeios israelenses por terra e ar nos últimos dias.

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Primeiro-ministro da Ucrânia renuncia
Estadão

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, entregou sua renúncia ao Parlamento, ontem, após repreender os políticos por não aprovarem leis sobre energia e orçamento para aumentar o financiamento do Exército. "Anuncio a minha renúncia em conexão com o colapso da coalizão e o bloqueio às iniciativas do governo", disse.

Dois partidos ucranianos anunciaram horas antes sua saída da coalizão majoritária no Parlamento para permitir que o presidente Petro Poroshenko convoque nova eleição e "livre" a Casa do que um político qualificou como "agentes de Moscou".


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Blog do Ilimar Franco

FH no centro do ringue

          A campanha pela reeleição da presidente Dilma vai apostar na comparação entre os 8 anos do governo Fernando Henrique e os 12 anos da gestão Lula-Dilma. A adoção desta linha foi revelada aos aliados na reunião do Alvorada. Mas a campanha de Aécio Neves (PSDB) não pretende esconder FH, como fizeram Serra e Alckmin. E deve reafirmar a política de privatizações e de concessões, visando fortalecer a iniciativa privada.

“O Fernando Henrique é uma referência para Aécio Neves. Ele é o modelo do que queremos fazer. Não vamos escondê-lo como em outras campanhas”

José Agripino
Senador (RN), presidente do DEM e coordenador da campanha de Aécio Neves

OAB: um dia depois do outro
A OAB do Rio participa dos protestos contra a prisão de 23 pessoas que, segundo investigação documentada da Polícia Civil, pretendiam promover atos violentos. E a Comissão Estadual da Verdade critica o vazamento de informações da Operação FireWall, que motivou a ação policial. Mas a postura da entidade e da Comissão mudam quando se trata do atentado contra a OAB do Rio, em agosto de 1980. As polícias Federal e Civil apanham até hoje por não terem, de fato, identificado os responsáveis por aquele ato violento, que resultou na morte da senhora Lyda Monteiro. A vida não é justa. A polícia é colocada no pelourinho quando age ou quando se omite.

O capital
Além da aproximação com os evangélicos, aliados da presidente Dilma sugeriram que ela melhore sua interlocução com os empresários, onde há muita resistência à sua candidatura.

Modelo uruguaio
Candidata do PSOL ao Planalto, Luciana Genro concluiu monografia de pós-graduação em Direito Penal sobre “O fracasso da Guerra às Drogas”. Nas conclusões, ela defende a “descriminalização das drogas, começando pela maconha, de menor potencial lesivo e com maior aceitação social”. A proposta consta de seu programa de governo.

Debaixo do tapete
Nem o PT nem o PSDB acreditam no potencial de Eduardo Campos (PSB) e muito menos na alavancagem de Marina Silva (Rede). A tática do momento é a de não hostilizar o socialista na expectativa de ter seu apoio no segundo turno.

Lula, o cabo eleitoral
Azarão na disputa pela vaga ao Senado do Rio, o presidente do PDT, Carlos Lupi, ficou esfuziante quando a presidente Dilma, voltando-se para seu vice, Michel Temer, disse: “O nosso candidato é o Lupi”. O trabalhista espera receber, esta semana, gravação do ex-presidente Lula que ele vai usar na abertura de seu programa eleitoral na TV.

Traduzindo o clima
O vice Michel Temer articula agenda de Paulo Skaf, candidato do PMDB ao governo paulista, com a presidente Dilma. Quanto a rejeição à Dilma, Temer diz que ela vem de eleitores que já votam no PSDB do governador Geraldo Alckmin.

A guerra regional
O TRE do Maranhão rejeitou pedido liminar do candidato ao governo Lobão Filho (PMDB) para impedir que seu adversário, Flávio Dino (PCdoB), use as imagens da presidente Dilma em seu comitê. O PMDB e o PCdoB apoiam a presidente.

A secretária-executiva da SAE Suzane Dieckmann nega conflito com o general G. Dias, que será nomeado para a Secretaria-Geral da Presidência.

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Crise econômica enterra reeleição de Dilma. Em 90 dias, CNI reduz previsão de crescimento do PIB de 1,8% para 1,0%. E o PIB industrial de 1,7% para (-)0,5%.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu sua projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2013 para 1%. A previsão anterior, divulgada em abril deste ano, era de crescimento de 1,8%. Já a projeção para o PIB da indústria neste ano é de retração, passando de 1,7%, para -0,5%.

A informação consta do “Informe Conjuntural Trimestral”, divulgado nesta quinta-feira pela entidade. “As causas da forte desaceleração da atividade industrial são várias e decorrem mais do ambiente doméstico que da economia mundial”, diz nota da instituição.

O cenário projetado pela CNI para 2013 considera uma queda do investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), de 2%, ante alta de 2,5% estimada na última divulgação. O consumo das famílias deve crescer outros 1,5%, de acordo com a CNI. No último informe conjuntural, a projeção era de 1,7%.

A entidade manteve a projeção de que a taxa básica de juros deve encerrar 2014 em 11%, atual patamar. Com isso, a CNI vê uma inflação acima do teto da meta em 2014. A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) agora é de 6,6%, ante 6,4% estimados anteriormente. Sobre a balança comercial do país, o Informe Conjuntural da CNI do segundo trimestre manteve a projeção de saldo positivo em US$ 1,5 bilhão.

A CNI também se mostrou pessimista quanto às contas públicas. Segundo a entidade, o setor público consolidado deve fechar o ano com superávit primário de 1,5% do PIB. O número projetado no último informe era 1,8% do PIB. (Valor Econômico)

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Tática agressiva

O governo tem motivos de sobra para comemorar a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de isentar o Conselho de Administração da Petrobras e, por conseguinte, a presidente Dilma Rousseff que, na qualidade de ministra-chefe do Gabinete Civil o presidia, da responsabilidade pelos prejuízos que denunciou na compra da Refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Agindo assim, o relator do TCU, ministro José Jorge, assumiu a versão da própria presidente, que admitiu que se tivesse todas as informações a seu dispor não autorizaria a compra, que se mostrou um negócio desastroso para a Petrobras.

O problema político criado pelo “sincericídio” da presidente Dilma, que desmontou a tese que vinha sendo defendida pela direção da Petrobras de que a compra fora um bom negócio, não encerra, porém, a questão, pois, por unanimidade, o TCU considerou os 11 integrantes da diretoria da estatal na ocasião da compra como culpados por um prejuízo de quase U$ 1 bilhão, que deverá ser devolvido aos cofres públicos por esses antigos servidores da estatal, entre eles o ex-presidente José Gabrielli e o ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso por lavagem de dinheiro e desvio de dinheiro público.

É claro que se a presidente Dilma fosse responsabilizada pelo prejuízo, sua candidatura à presidência da República seria afetada diretamente. Com a culpa sendo jogada para a diretoria da Petrobras, o escândalo continua do mesmo tamanho na gestão petista, o que afeta indiretamente sua campanha, mas, na avaliação do Palácio do Planalto, é uma crise mais fácil de ser manejada, ou pelo menos que não foi ampliada.

Aliás, a campanha da presidente Dilma está vivendo um momento em que a preocupação é estancar sua imagem negativa, com o objetivo de chegar a meados de agosto, quando começa a campanha eleitoral pelo rádio e televisão, a uma distância dos opositores que possa ser ampliada pela campanha propagandística, na tentativa de ganhar já no primeiro turno.

Estancar os sangramentos e, se possível, fazer os adversários sangrarem nesse período pré-televisão, é o objetivo estratégico deste momento específico da campanha de reeleição.

Esse período, aliás, é fundamental para repercutir as denúncias contra seus adversários, enquanto eles não são muito conhecidos pelos eleitores. Como na propaganda oficial ela terá três vezes mais tempo que o candidato mais próximo, o tucano Aécio Neves, mas a oposição terá espaço no rádio e televisão para se defender dos prováveis ataques, a artilharia petista está voltada para ampliar a repercussão de acusações como as do aeroporto de Cláudio, em Minas, através das redes sociais e dos blogs oficiais e oficiosos da campanha.

O pedido de investigação ao Procurador-Geral da República é uma maneira de fazer o caso repercutir nacionalmente, embora pareça apenas uma jogada publicitária, pois o Ministério Público de Minas Gerais já havia investigado o caso à pedido da oposição, e arquivou o processo por não existir irregularidades na desapropriação do terreno para ampliação do aeroporto que já existia.

Como estratégia de campanha, essa tentativa de encurralar os adversários para retirar o foco da fragilidade do governo parece ser o caminho escolhido pelos governistas, depois do embate entre o grupo do ex-ministro Franklin Martins e o marqueteiro João Santana, que defende uma atuação menos agressiva.

Os fatos, no entanto, fizeram com que o papel das mídias sociais e dos blogs, comandados por Franklin, ganhasse relevo na divulgação de denúncias, e este parece será o tom da campanha, pelo menos enquanto a propaganda oficial não chega.


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Blog do Noblat

Cinco motivos pelos quais o TCU livrou Dilma no caso de Pasadena
Gabriel Garcia

O ministro do Tribunal de Contas da União José Jorge apresentou ontem o seu relatório, que foi aprovado por unanimidade, sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006, pela Petrobras. Diferente do que o ministro vinha prometendo, ele livrou a presidente Dilma Rousseff e os demais integrantes do Conselho de Administração da Petrobras em 2006, ano da compra da primeira metade da refinaria, da responsabilidade pelos prejuízos e irregularidades relacionados ao negócio. A Petrobras gastou um total de US$ 1,3 bilhão por Pasadena, comprada pela empresa belga Astra Oil, em 2005, por US$ 42,5 milhões. Abaixo, cinco razões pelas quais o ministro livrou Dilma:

José Jorge era ministro de Minas e Energia

Ministro de Minas e Energia no governo Fernando Henrique Cardozo, José Jorge vinha sendo acusado de ser suspeito por senadores do PT. Foi pressionado, inclusive, a se afastar do caso. Antes, havia conversado com políticos da oposição e falado que tinha prova para responsabilizar Dilma. Acabou recuando. Avaliou que haveria um desgaste desnecessário.

Avaliações divergentes no TCU

Foram apresentados dois pareceres divergentes pela área técnica do Tribunal de Contas da União. Um incluía Dilma entre os responsáveis. O outro a isentava de culpa. O documento que livrava Dilma dizia que se tratava de um negócio de alto risco, mas inerente à atividade da Petrobras. Portanto, seria um risco natural. Isso reforça o discurso do governo de que o negócio mostrava-se viável naquela época.

Condenação de todo o Conselho de Administração da Petrobras

A avaliação, tanto no governo quanto na oposição, era que José Jorge teria que responsabilizar todo o Conselho de Administração da Petrobras, não apenas Dilma. Caso contrário, passaria a sensação de que atua de acordo com interesses políticos.

Convocação no Congresso

Controlada pelo governo, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), exclusiva do Senado, convidou o ministro para falar sobre a compra da refinaria. Queria declará-lo suspeito caso se posicionasse sobre a aquisição. Com base em um parecer do Tribunal de Contas da União, José Jorge recusou participar de audiência na CPI. Insatisfeito, o relator da comissão de inquérito, o senador petista José Pimentel (CE), pediu que o caso fosse analisado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Os petistas fizeram chegar ao ouvido do ministro que o requerimento estava aguardando apenas o seu relatório a respeito de Pasadena. Se Dilma fosse responsabilizada, os governistas transformariam o convite em convocação. Assim, ele seria obrigado a comparecer.

Bode expiatório

Para explicar o motivo pelo qual a presidente Dilma, à época presidente do Conselho de Administração da Petrobras, foi inocentada pelo ministro, ele acabou escolhendo alguns nomes já previsíveis para esclarecer o caso. O parecer responsabiliza integrantes da antiga diretoria executiva da Petrobras pelo prejuízo de US$ 792 milhões, como o ex-presidente José Sérgio Gabrielli e os ex-diretores Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa - este último já preso pela Polícia Federal. Ainda no relatório, José Jorge pediu o bloqueio dos bens de Gabrielli, Cerveró e Costa.


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Blog do Coronel

Campos vira testemunha do ex-diretor da Petrobras preso na operação Lava-Jato.

A Justiça federal aceitou pedido da defesa do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e autorizou que o presidenciável Eduardo Campos (PSB) e o ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra - que concorre ao Senado pelo PSB pernambucano - prestem depoimento na condição de testemunhas, com objetivo de esclarecer os motivos que levaram ao aumento do valor da obra da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Eles deverão ser ouvidos no âmbito do processo criminal decorrente da operação Lava-Jato, ação deflagrada pela Polícia Federal (PF) em março deste ano, que identificou e estancou esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas com vista à obtenção de contratos milionários em órgãos do governo federal. Mais de R$ 10 bilhões foram movimentados, segundo a investigação.

A decisão é do juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal do Paraná, que lembrou a dificuldade de ouvir ambos em período de campanha eleitoral.

Moro também ressaltou que o processo da Lava-Jato não apura superfaturamento na Abreu e Lima: "Mas sim a suposta lavagem de dinheiro no fluxo de numerário da Petrobras até os depósitos na empresa MO Consultoria, conforme descrição na denúncia." Segundo a investigação da PF, a MO Consultoria seria uma fachada para negócios ilegais do doleiro Alberto Youssef, preso desde o início da investigação. (Valor)

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No Rio, Dilma ignora o PT e janta com o PMDB

Dilma Rousseff viaja ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira. Ao longo da tarde, cumprirá compromissos de presidente. À noite, já na pele de candidata, jantará com o governador Luiz Fernando Pezão e prefeitos do PMDB, entre eles Eduardo Paes, da capital.

A presidente tenta se contrapor ao chamado ‘Aezão’, movimento que une as campanhas de Pezão ao governo estadual e do tucano Aécio Neves à presidência da República. Para desassossego do petismo local, a agenda de Dilma ignora o senador Lindberg Farias, candidato a governador pelo PT. Menospreza também os candidatos de outras duas legendas aliadas: Anthony Garotinho, do PR; e Marcelo Crivella, do PRB.

Às 14h30, Dilma vai a um estaleiro de Angra dos Reis, o Brasfels. Ali, vistoriará as obras de construção de uma plataforma e de sondas que serão usadas para sugar o óleo do pré-sal. Às 16h30, no bairro carioca da Tijuca, visitará as obras da Vila Olímpica dos Jogos de 2016. O repasto com a turma do PMDB está marcado para as 19h30, na Baixada Fluminense . Dilma mal terá tempo de engolir a comida. Pelo plano de voo original, o avião presidencial decola rumo a Brasília às 20h50.

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TSE: ministro suspende comercial da Petrobras

A pedido da coligação partidária do presidenciável tucano Aécio Neves, o ministro Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, do TSE, suspendeu a veiculação de comercial em que a Petrobras anuncia o lançamento de uma nova gasolina. A decisão tem caráter liminar (provisório) e vale até que o plenário do Tribunal Superior Eleitoral julgue o caso. Esta foi a terceira propaganda da estatal petroleira retirada do ar desde o início da campanha eleitoral.

A divulgação de publicidade institucional é proibida nos três meses que antecedem a eleição. A Lei Eleitoral abre exceções apenas para dois casos: propagandas de produtos e serviços com concorrência no mercado e necessidade urgente de esclarecimento público —campanhas de vacinação e de combate a epidemias, por exemplo, desde que autorizadas pela Justiça Eleitoral.

O comercial questionado pela coligação de Aécio dizia: “A Petrobras conhece o brasileiro como ninguém. Por isso, só a gente poderia fazer uma gasolina sob medida para o seu carro e para você. Vem aí a gasolina com nome e sobrenome.'' O ministro Tarcísio Vieira acolheu o argumento segundo a propaganda, por genérica, não se encaixa nas exceções previstas em lei.

“A peça publicitária em discussão faz referência demasiadamente genérica a uma futura gasolina, sem indicação precisa se um produto com efetiva concorrência no mercado, autorizando a conclusão, ainda que superficial, que é própria dos provimentos cautelares, sobre não haver abrigo para a sua divulgação'', anotou o relator em sua decisão.

Noutro despacho, o mesmo ministro Tarcísio Vieria indeferiu petição da coligação encabeçada pelo PSDB contra Dilma Rousseff. O comitê de Aécio alegara que a presidente fizera campanha eleitoral antecipada num discurso de 2 de julho, na cidade de Vitória (ES), durante solenidade de entrega de chaves do programa Minha Casa Minha Vida.

No pronunciamento, Dilma prometera dar continuidade a programas como o Minha Casa, Minha Vida e o Pronatec, além de obras rodoviárias e da construção de novos aeroportos e universidades. O ministro considerou que a presidente “não ultrapassou as balizas da prestação de contas de ato de governo, não caracterizando, pois, propaganda eleitoral antecipada.''

Tarcísio Vieira acrescentou: “A meu sentir, a fala não condiz com propaganda eleitoral antecipada, mas sim com o cumprimento do dever constitucional de publicidade, de ministras, inclusive, informações propiciatórias a um controle social mais eficaz.''

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Lula ensina “paulistanês” para Dilma!


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Campanha de Dilma tenta conciliar seus quatro palanques no Rio
O Globo

A coordenação da campanha da presidente Dilma Rousseff à reeleição está pisando em ovos no Rio para administrar seus quatro palanques no estado e evitar que uma aparente vantagem - o amplo leque de apoios - se torne um problema. Depois de participar de jantar com prefeitos organizado pelo governador Luiz Fernando Pezão, candidato à reeleição, Dilma deve voltar ao Rio na próxima semana para fazer atividade de campanha com o candidato do PR a governador, deputado Anthony Garotinho.

Na tentativa de minimizar a insatisfação com a participação de Dilma em um ato político organizado por Pezão, seus concorrentes Garotinho, Marcelo Crivella (PRB) e Lindbergh Farias (PT) foram avisados com antecedência, pela coordenação nacional da campanha presidencial, do evento.

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Justiça intima Eduardo Campos a depor sobre Refinaria Abreu e Lima
Germano Oliveira e Sérgio Roxo, O Globo

O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal Criminal do Paraná, aceitou pedido da defesa do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e intimou ontem o ex-governador Eduardo Campos, candidato do PSB a presidente da República, e o ex-ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra.

Costa quer que Campos e Bezerra deponham na Justiça Federal para falar no processo em que é acusado de desviar recursos das obras da Refinaria Abreu e Lima, que está em construção no Pernambuco, estado que Campos governou até o início deste ano.

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Obra em terreno de tio-avô de Aécio já foi alvo do MP
Marcelo Portela, Estadão

O aeroporto da fazenda que pertenceu ao ex-prefeito Múcio Guimarães Tolentino, tio-avô do senador e presidenciável Aécio Neves, já era alvo do Ministério Público muito antes de o tucano destinar R$ 13,9 milhões do governo mineiro para construir ali uma pista de asfalto.

Múcio é réu em ação de reparação de danos ao erário por ter usado verba pública, também do governo mineiro, para abrir uma pista de terra batida no local em 1983. A partir daquele ano o então governador, Tancredo Neves, avô de Aécio, fez repasses para a prefeitura de Cláudio, então dirigida por Múcio, seu cunhado.

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O novo capítulo do prende e solta de manifestantes no Rio
Pedro Marcondes de Moura, El País

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu, ontem, a prisão preventiva de 23 ativistas. Eles respondem, entre outros crimes, por formação de quadrilha e envolvimento em atos de vandalismo durante as manifestações na capital do Estado. Cinco deles se encontram presos.

O habeas corpus foi concedido pelo desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal da Justiça. Para o magistrado, não existem provas que justifiquem a manutenção do pedido de prisão dos ativistas. "Cabe considerar que a prisão cautelar é medida excepcional e deve ser decretada apenas quando devidamente amparada pelos requisitos legais, em observância ao princípio constitucional da presunção de inocência consagrado", decidiu.

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IDH do Brasil sobe, mas evolui em ritmo cada vez menor
Gabriel Castro, Veja

O Brasil subiu uma posição no novo ranking do Desenvolvimento Humano das Nações Unidas. O país continua evoluindo, mas num ritmo cada vez menor. O índice, que vai de 0 a 1, foi de 0,744 em 2013. Quando aplicada a mesma metodologia aos números do relatório anterior, o IDH do Brasil em 2012 ficou em 0,742. Por esse cálculo, o Brasil passou do 80º para o 79º lugar, atrás de países como Ilhas Maurício, Cazaquistão e Líbia.

A Noruega se manteve no primeiro lugar da lista, com um IDH de 0,944. Em seguida, aparecem Austrália, Suíça, Holanda, Estados Unidos, Alemanha, Nova Zelândia, Canadá, Singapura e Dinamarca. No lado oposto da tabela, a 187ª e última colocação ficou com o Niger. Os dezoito últimos colocados são africanos.

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TCU culpa diretoria da Petrobras por prejuízo com Pasadena
Laryssa Borges, Veja

Por unanimidade, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou ontem a indisponibilidade de bens de ex-diretores da Petrobras que participaram do processo de compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Em sessão plenária, os ministros chegaram à conclusão de que a Petrobras teve prejuízo de 792 milhões de dólares na operação de compra da refinaria nos Estados Unidos.

Ao analisar o caso, os ministros determinaram que o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli, os ex-diretores da Área Internacional, Nestor Cerveró, e de Refino e Abastecimento, Paulo Roberto Costa, tenham os bens indisponibilizados para futura reparação aos cofres públicos, mas isentou de responsabilidades a presidente Dilma Rousseff e os demais integrantes do Conselho de Administração da empresa na época do negócio.

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Casal Kirchner enriqueceu com ‘método abutre' nos anos 70 e 80
Ariel Palacios, Estadão

Há poucas semanas, em pleno conflito judiciário, a presidente Cristina Kirchner criticou os holdouts (fundos de investimentos que não participaram das renegociações de dívida) por tentarem conseguir elevados lucros com os títulos da dívida pública argentina que anos atrás haviam comprado a baixo preço, quando estavam desvalorizados pelo calote de 2001.

“Eles querem lucro de 1.600%!”, exclamou a presidente na ocasião. Visivelmente irritada, criticou a ofensiva que os holdouts fazem nos tribunais em Nova York para conseguir o embargo de bens do Estado argentino nos EUA ou o pagamento da totalidade da dívida. “Abutres” é a denominação que o governo da presidente Cristina aplica aos holdouts, aos quais acusa de conspirar contra a Argentina.

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Médico que lidera luta contra o ebola em Serra Leoa contrai o vírus
BBC Brasil

O médico que liderava a luta contra o ebola em Serra Leoa foi infectado pelo vírus da doença e está internado em um hospital na cidade de Kailahun, epicentro do surto. Segundo uma declaração da presidência do país, o virologista de 39 anos Sheik Umar Khan foi transferido para uma enfermaria especial da organização não governamental Médicos Sem Fronteiras.

Khan já teria tratado mais de cem vítimas da doença no país. A presidência de Serra Leoa informou que a ministra da Saúde, Miatta Kargbo, chorou quando ficou sabendo da notícia.

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Luto nacional na Holanda com a chegada das vítimas do MH17
Isabel Ferrer e La Haya, El País

Minutos antes de que os dois aviões militares, um Hércules holandês e um C17 australiano, que transportavam os primeiros 40 cadáveres dos passageiros do voo MH17 aterrissassem no aeroporto holandês de Eindhoven, os sinos da torre do Dom da catedral de Utrecht, a mais alta do país, soaram em sua homenagem.

Uma vez em terra, e em presença dos familiares, os Reis Guilherme e Máxima, representantes do governo e o príncipe Laurent da Bélgica, entre outros, fizeram um minuto de silêncio. Na Holanda, não se declarava um dia de luto nacional desde 1962. Naquela ocasião, o motivo foi o enterro da Rainha Guillermina, bisavó do atual monarca.

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Estados Unidos reforçam ações na busca de um cessar-fogo em Gaza
Carmen Rengel, El País

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, constatou que estão sendo dados “alguns passos” para avançar até um cessar-fogo entre Israel e o Hamas. No entanto, para evitar qualquer excesso de otimismo, reafirmou que resta “muito trabalho por fazer” para que terminem as hostilidades.

Essa foi sua conclusão depois de se reunir em Ramala com o presidente palestino, Mahmud Abbas, e com o Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em Jerusalém. Kerry defendeu que o acordo proposto pelo Egito é a melhor opção para pôr fim à sangrenta operação sobre Gaza.

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Pasadena – Lula tentou interferir em julgamento do TCU. Até vaga no STF foi usada para pressionar ministros a aprovar operação; deu errado! US$ 792 milhões de prejuízo é apenas parte da herança maldita do PT na Petrobras

O julgamento do TCU sobre a compra da refinaria de Pasadena entrará para a história como um emblema da ação do PT na gestão ruinosa da Petrobras. Destaco mais uma vez: tratou-se da investigação de uma única operação numa única empresa. Prejuízo: US$ 792 milhões. Imaginem quando o país tiver condições de fazer a devida contabilidade do tamanho do estrago… Ainda chegará a vez de analisar a refinaria de Abreu e Lima, por exemplo.

E olhem que esse relatório do TCU foi negociado, com muitas idas e vindas. Há versões bem mais severas.  Mas já se falou bastante a respeito. O meu ponto agora é outro. Luiz Inácio Lula da Silva, ele mesmo!, tentou pessoalmente interferir no resultado do julgamento do TCU.

Chamou para uma conversa em São Paulo, no que foi atendido, o ministro Múcio Monteiro, que foi titular das Relações Institucionais em seu governo e está hoje no TCU. O chefão petista queria que o seu interlocutor fosse o portador de mensagem sobre a necessidade de não se condenar ninguém. Ele sabe o que disse a Múcio, e Múcio sabe a conversa que manteve com os seus pares de tribunal. Lula, no entanto, não logrou o seu intento.

Na tentativa de impedir a condenação da operação, acreditem!, até mesmo uma vaga no Supremo Tribunal Federal — vocês leram direito! — passou a circular como moeda de troca. O contemplado seria justamente alguém do TCU. Tivesse se realizado o negócio, creio que a nomeação entraria para o livro de recordes como a mais cara cadeira jamais entregue a um ministro de corte superior no Ocidente. Em reais: teria custado  R$ 1.758.240.000,00.

E esse foi apenas parte do jogo pesado. José Jorge, relator do caso no tribunal, passou a ser ameaçado de forma nada velada com uma avalanche de denúncias envolvendo o seu nome caso insistisse na condenação da operação. Resistiu. Os companheiros não brincam em serviço. Nunca! Também não aprendem nada nem esquecem nada.

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Ação do governo Dilma contra Israel: só antiamericanismo ou também antissemitismo?

Eu sempre espero as piores coisas do Ministério das Relações Exteriores do Brasil. E não foi diferente desta vez. O Itamaraty, sob o comando do ministro Luiz Alberto Figueiredo, emitiu uma das notas mais intelectualmente delinquentes da sua história — no caso, sobre o conflito israelo-palestino. Eu a reproduzo em vermelho e comento em seguida.

O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.

O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes.

Diante da gravidade da situação, o Governo brasileiro votou favoravelmente a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje.

Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel Aviv foi chamado a Brasília para consultas.

Retomo
Em linguagem diplomática, “chamar um embaixador para consultas” implica uma espécie de agravo ao país no qual está a representação brasileira. Com isso, o Brasil envia uma mensagem desnecessariamente hostil a Israel.

Observem que o texto defende um cessar-fogo entre as partes, mas se refere apenas à reação israelense, considerada “desproporcional”, sem nem mesmo uma menção aos foguetes disparados pelo Hamas. Há até uma questão de lógica: para um cessar-fogo, é preciso que haja… troca de fogo! Tem-se a impressão de que Israel não é o estado originalmente agredido.

A votação no Conselho de Direitos Humanos na ONU, que, mais uma vez, joga a responsabilidade exclusivamente nas costas de Israel, é uma farsa. É um acinte que a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, fale em possíveis “crimes de guerra” de Israel sem mencionar o fato de o Hamas recorrer a escudos humanos.

É um escárnio que o governo brasileiro seja mais duro com Israel do que, por exemplo, com o carniceiro Bashar Al Assad, da Síria. Só para arrematar: em 2006, na gestão Lula, com Celso Amorim à frente do Itamaraty, o Brasil se absteve de uma resolução condenando o governo do ditador Omar al-Bashir, do Sudão, pelo massacre de pelos menos 500 mil cristãos em Darfur.

Para o governo petista, Assad e Bashir são caras batutas. Quem merece condenação é o estado de Israel, que já recebeu uns 2 mil foguetes do Hamas em 15 dias.

O histórico da hostilidade dos governos petistas com Israel está relacionado, num primeiro momento, ao antiamericanismo bronco dos companheiros: se os EUA apoiam os israelenses, então os nossos brucutus vermelhos vão se opor. No caso, no entanto, a omissão aos ataques do Hamas é tão acintosa que cabe indagar se não há em nota tão delinquente um componente antissemita.


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Blog do Augusto Nunes

Um Ciro reformado às pressas socorre a candidata atropelada por um Ciro-2013



Durante a entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, exibida  em 2 de setembro do ano passado pela RedeTV!, o ex-governador cearense Ciro Gomes precisou de menos de um minuto para demonstrar que é muito mais perigoso como aliado do que como adversário. A vítima da vez foi Dilma Rousseff, atropelada por um Ciro-2013 desembestado.

“A oposição vai chegar na época da reeleição e dizer o seguinte: ‘Presidenta, a senhora entregou o quê?’”, avisa o entrevistado. Em seguida, previne, os adversários lembrarão a Dilma algumas das muitas façanhas consumadas “em apenas cinco aninhos” por Juscelino Kubitschek e insistirão na cobrança desmoralizante: “A senhora em quatro entregou o quê?”

E o que o senhor acha que ela vai entregar?, quer saber o entrevistador. “Eu mesmo que sou aliado não sei”, engata uma quinta o Ciro-2013, que vai tirando do porta-malas parte da pilha de obras paralisadas, atrasadas, esquecidas, incompletas ou agonizantes. E por que isso acontece?, quer agora saber o entrevistador. “Porque não tem gestão, meu patrão!”, vai em frente o Ciro-2013.

Nesta terça-feira, um Ciro reformado às pressas irrompeu na contramão para socorrer a aliada que atropelou. “Dilma é a única preparada para governar o Brasil”, mudou de rumo o impetuoso parceiro no momento acampado num certo PROS. Nenhum oposicionista deve perder tempo com o declarante. Deve apenas mostrar o vídeo no horário eleitoral.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Pesquisa Ibope: números estão no patamar dos do Datafolha; só os do 2º turno de Aécio e Campos não batem. Quem errou ou não deu sorte?

Há tantas pesquisas eleitorais nos Estados Unidos que sites especializados costumam tirar uma média entre elas para orientar os leitores. No Brasil, o procedimento seria impossível, tantas são as discrepâncias. A TV Globo acaba de levar ao ar os números da mais recente pesquisa Ibope/Rede Globo. Há quatro dias, o Datafolha divulgou os seus números. Vamos ver.

O Ibope traz a avaliação do governo Dilma: para 31%, ele é ótimo ou bom; para 33%, é ruim ou péssimo. Consideram-no regular 36%. São números praticamente coincidentes com os do Datafolha, a saber: ruim/péssimo (29%), ótimo/bom (32%) e regular (38%). São, sim, institutos diferentes. Considerando, no entanto, as respectivas margens de erro, os dois institutos acham a mesma coisa.

É o que também acontece no primeiro turno. Eis os números de agora do Ibope:
Dilma Rousseff (PT) – 38%
Aécio Neves (PSDB) – 22%
Eduardo Campos (PSB) – 8%
Pastor Everaldo (PSC) – 3%
Brancos e nulos – 16%
Não sabem – 9%
Outros candidatos – 3%

Que números encontrou o Datafolha no caso dos quatro primeiros? Estes:
Dilma – 36%
Aécio – 20%
Eduardo Campos – 8%
Pastor Everaldo – 3%

Observaram? Praticamente tudo coincide até agora, dentro da margem de erro. Quando se chega, no entanto, ao segundo turno, aí as variações são consideráveis.
Ibope
Dilma – 41%
Aécio – 33%
Comparem com o Datafolha:
Dilma – 44%
Aécio – 40%

Ou por outra: no Ibope, Dilma pode ter entre 39% e 43%; no Datafolha, entre 42% e 46%. Logo, os dois institutos chegam mais ou menos ao mesmo lugar. No que diz respeito a Aécio, no entanto, a divergência é grande: no primeiro instituto, ele teria entre 31% e 35%; no outro, entre 38% e 42%. A diferença é grande.

O mesmo se dá com Campos. No Datafolha, ele aparece no segundo turno com 38% (entre 36% e 40%); no Ibope, com apenas 29% (entre 27% e 31%): a diferença é ainda mais gritante. A petista conserva os mesmos 41%.

Coisas diferentes
“Ah, você está comparando pesquisas diferentes!” Errado! Eu não estou especulando sobre a evolução dos candidatos a partir de levantamentos distintos. Estou apenas considerando que os dois institutos falam num intervalo de confiança de suas respectivas pesquisas de 95%. Segundo eles, se a pesquisa fosse repetida 100 vezes, em 95 delas, os números estariam dentro da margem de erro.

Sendo assim, convenham, estamos diante de uma de três alternativas: a) muita coisa mudou em quatro dias; b) um dos dois institutos está errado; c) um dos dois institutos não deu sorte e incidiu em uma — das apenas cinco em 100!!! — chances de colher um resultado diferente.

E não! Não há falha no meu raciocínio. E que se note outra diferença importante: o Ibope ouviu 2002 pessoas; o Datafolha, 5.337.

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Sou mais cobrado por um ano e meio do que o governo do Estado por 20
Carla Jiménez e Talita Bedinelli, El País

Um ano e seis meses após ter tomado posse, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afilhado político do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enfrenta o pior momento de sua popularidade. Em um mês, a insatisfação ao seu governo foi de 36% para 47%. Entre os jovens, parcela da população que foi às ruas em junho contra a alta da tarifa, sua aceitação caiu 35 pontos percentuais de antes dos atos para o mês passado, embora tenha voltado a crescer neste mês.

Sua baixa aceitação acendeu um alerta no PT, que em outubro quer emplacar Alexandre Padilha como governador do Estado e quebrar os 20 anos do comando do PSDB. O partido de Dilma Rousseff nunca teve boa aceitação no principal Estado do país, visto como bastião da elite conservadora, refratária à imagem do sindicalismo de Lula.

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Serra diz que campanha de Aécio está apenas no aquecimento
Juliana Castro, O Globo

Candidato ao Senado por São Paulo, o ex-governador José Serra (PSDB) disse ontem que não é possível ainda fazer uma avaliação do andamento do presidenciável tucano, Aécio Neves, porque a campanha está no aquecimento. Serra lançou no Rio seu livro "Cinquenta anos esta noite", em que fala sobre as origens e os desdobramentos do golpe militar de 1964.

"Ainda não dá para avaliar (como está a campanha de Aécio). Campanha eleitoral a gente vai avaliar depois que começar o horário eleitoral. Por enquanto, é só aquecimento", disse.

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Dilma reúne presidentes de partidos aliados para discutir campanha
Fernanda Krakovics e Simone Iglesias, O Globo

A presidente Dilma Rousseff realizou ontem a primeira reunião ampliada da campanha à reeleição, com os presidentes dos nove partidos da coligação. O vice-presidente da República e do PMDB, Michel Temer, afirmou que esses encontros serão semanais para discutir agenda e estratégia de campanha.

Segundo Temer, o clima da reunião, no Palácio da Alvorada, foi de “otimismo”. "A reunião foi marcada por profundo otimismo. Embora tenhamos um grande tempo de televisão (no horário eleitoral gratuito), não será suficiente para mostrar o que fizemos (no governo)", disse Temer, na saída da reunião, que durou cerca de três horas.

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A Argentina está a uma semana do calote
Francisco Peregil, El País

O Governo da Argentina pediu tempo para pagar os chamados fundos “holdouts” ou “abutres”. E o juiz norte-americano Thomas Griesa, que há vários anos trata do caso dos fundos, negou nesta terça-feira uma moratória ou suspensão da sua sentença. A Argentina deveria ter pago, em 30 de junho, 539 milhões de dólares (1,2 bilhão de reais) a vários credores que aceitaram a quitação da dívida que havia ficado sem pagamento após a crise de 2001.

O montante foi enviado pelo Governo argentino ao Bank of New York Mellon (BoNY) no mês passado. Mas o juiz Griesa ordenou que não seja creditado enquanto não for paga a soma de 1,3 bilhão de dólares (2,8 bilhão de reais) mais juros a três fundos abutres. O prazo expirou em 30 de junho, mas a lei prevê um período de carência de um mês, até 31 de julho, para pagar os 539 milhões e regularizar a situação com os “abutres”.

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Governo admite PIB menor e inflação mais alta em 2014
Veja

O governo reduziu de 2,5% para 1,8% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014, segundo o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. No documento, elaborado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento, o governo elevou para 6,2% a projeção de alta do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano, frente aos 5,6% estimados anteriormente — aproximando-se do teto da meta, que é de 6,5%.

Trata-se da primeira vez no ano que o governo reduz a projeção de crescimento. Porém, trata-se da terceira alta nas estimativas de inflação. No primeiro relatório de 2014, a previsão era de IPCA a 5,3% no ano.

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Alemanha e França aceitam estudar sanções mais duras à Rússia
Márcia Bizzotto, BBC Brasil

Alemanha e França aceitaram ontem a possibilidade de impor sanções econômicas que afetem os setores financeiro, energético e de defesa da Rússia caso o país não coopere com as investigações sobre a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, no leste da Ucrânia.

Reunidos em Bruxelas, os chanceleres dos 28 países da União Europeia pediram ao órgão Executivo do bloco (Comissão Europeia) que elabore uma lista de medidas para ser analisada pelo comitê de representantes permanentes (Coreper), na próxima quinta-feira.

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Equador prende médico que criticou presidente Correa
O Globo

Um médico do Equador foi preso ontem após ser condenado a seis meses de prisão por difamar o presidente Rafael Correa, a quem acusou de crimes contra a humanidade, informaram autoridades equatorianas. A decisão reforça críticas de organizações de direitos humanos que afirmam que o judiciário do país perdeu sua independência.

Carlos Figueroa fez a acusação em relação a uma crise vivida por Correa em 2010. Na época, o presidente ficou cercado dentro de um hospital por policiais que faziam uma greve contra uma nova lei. Correa autorizou o uso da força militar para sair do prédio e Figueroa afirmou que o presidente havia cometido crimes contra a Humanidade na ação.

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Companhias dos Estados Unidos e Europa suspendem voos para Israel
O Globo

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu teve negado o pedido que fez ao secretário de Estado americano, John Kerry, para que ele interviesse na agência de aviação dos EUA e derrubasse o veto aos voos para Israel. Kerry disse que o objetivo da suspensão dos voos é "proteger a vida de civis".

As companhias aéreas americanas, europeias, do Canadá e da Suíça suspenderam voos para o Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, diante do acirramento do conflito entre Israel e o Hamas. A agência europeia recomenda "fortemente" que seus passageiros evitem Israel.


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Blog do Ilimar Franco

Calibrar o discurso

          As recentes declarações de Aécio Neves sobre o Mais Médicos não agradaram integrantes de sua campanha. Eles dizem que o tucano devia “colocar melhor sua posição”. Temem que o PT cole a imagem de que ele é contra o programa. Aliados defendem que Aécio não se envolva no embate corporativo. Explicam que para o eleitor o que importa é ter médico e não de onde ele é (Cuba) ou quanto ganha.

A tática do medo
A intervenção da presidente Dilma, contestando Aécio Neves em relação ao Mais Médicos, revela que a campanha petista vai, mais uma vez, apostar na desconfiança dos eleitores mais pobres (e que são a maioria) com os tucanos. A presidente já havia marcado em cima discurso de Aécio prometendo que tomaria medidas duras se vencer a eleição. O PT vai semear a desconfiança, enquanto o PSDB terá como tarefa conquistar a população. Diante do fato de que os eleitores costumam ser conservadores nas urnas, cientistas políticos ligados aos tucanos avaliam que, para capitalizar o desejo de mudança, é preciso encorajar e dar segurança aos votantes.

“Há muito o PMDB tem sido o fiel guardião da democracia e da governabilidade de todos os últimos governos do regime democrático”

Valdir Raupp
Presidente do PMDB e Senador (RO), sobre o apoio aos presidentes Fernando Henrique (PSDB), Lula (PT) e Dilma (PT)

Recall
Há uma grande dúvida nos meios políticos sobre a presença do ex-presidente Fernando Henrique na campanha tucana pela TV. Ela será definida pelas pesquisas. Elas vão mostrar se prevalece na memória o FH do Real ou o FH do apagão.

Ator principal
Sobre o protagonismo do ex-presidente Lula no programa de TV da campanha da presidente Dilma um dirigente petista afirma: “O Lula terá uma presença forte. Mas ele é muito maior do que um âncora (apresentador)”. O petista garante que não há divisão na coordenação entre lulistas e dilmistas. E que a TV da Dilma está em processo de criação.

Correu para o abraço
Os tucanos comemoram a visita do governador Geraldo Alckmin (SP), sábado na capital, ao Centro de Tradição Nordestina. Ele demorou 30 minutos para chegar ao palco, tal a quantidade daqueles que queriam tirar fotos ao seu lado.

Constrangimento
Não são só os candidatos à Câmara dos Deputados Jean Willys e pastor Jefferson Barros que farão campanha sem se falar no PSOL do Rio. Os candidatos à Assembleia Marcelo Freixo e Janira Rocha não se falam desde que a deputada foi acusada de cobrar colaboração de parte dos salários dos funcionários de seu gabinete.

A leitura
O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e sua equipe, ficaram muito animados com o recente Datafolha. Destacam que as intenções de voto nele triplicaram, em relação a anterior e que ele lidera na pesquisa espontânea.

Novos ares
A Copa do Mundo mudou o ranking dos destinos turísticos no Brasil. Manaus (AM) e Fortaleza (CE), que foram cidades sede, entraram na lista das dez cidades mais visitadas. João Pessoa (PB), que fica no caminho entre duas cidades sede (Natal e Recife), entrou no top 20.

O ministro Celso Amorim vai hoje ao aniversário da Força de Submarinos de Niterói. A construção de 5 submarinos nucleares é prioridade da Defesa.


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Blog do Coronel

Pesquisa Datafolha mostra que presidência da Dilma é menos confiável que os bancos e os sindicatos.

Pesquisa Datafolha encomendada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e divulgada nesta segunda-feira (21) aponta que as Forças Armadas são a instituição com maior nível de confiança dos brasileiros. Os partidos políticos são os menos confiáveis, de acordo com levantamento. O estudo ouviu 2.126 pessoas, em 134 municípios de todas as regiões do país, entre os dias 6 e 10 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A OAB encomenda a pesquisa anualmente há mais de dez anos.

Após as Forças Armadas, a Polícia Federal e a OAB foram as instituições com melhor avaliação por parte dos entrevistados. Dentre as insatisfações do brasileiro, a saúde figura em primeiro lugar, para 38% dos entrevistados. O número é maior que em comparação a 2003, quando somente 6% dos entrevistados se declaravam insatisfeitos com o setor.

A questão da violência pública vem em seguida para 15% dos entrevistados. A corrupção aparece como a terceira maior causa de incômodo, para 14% das pessoas ouvidas pelo Datafolha. Na educação, o descontentamento pulou de 4% em 2003 para 10% na pesquisa atual.

Instituições mais confiáveis

1º Forças Armadas
2° Polícia Federal
3º Ordem dos Advogados do Brasil
4º Igreja Católica
5º Poder Judiciário
6º Imprensa e Ministério Público
7º Sindicatos dos trabalhadores
8º Bancos e financeiras
9º Empresas estatais
10º Presidência da República
11º Igreja Universal do Reino de Deus
12º Congresso Nacional
13º Partidos políticos

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Aliado de primeira hora da Dilma prenuncia, de forma técnica, a derrota da petista.

Saulo Queiroz, ex-PFL e atual PSD, é o artífice do apoio de primeira hora do partido do Kassab a Dilma Rousseff. Ele prenuncia em artigo para o Estadão a derrota inexorável da "presidenta" nas eleições de outubro. Vale a pena ler.

De mal a pior

A última pesquisa Datafolha mostrou a extensão de uma doença que avança pelo País: a rejeição ao PT e a Dilma. Como são duas entidades diferentes, não é fácil saber qual é depositária do percentual mais forte, mas há indícios de que a rejeição ao PT é de controle mais difícil.

Outro aspecto que fica claro é sua susceptibilidade ao contágio, que aumenta com maior velocidade nos grandes conglomerados urbanos, mas avança também, mais lentamente, nas pequenas cidades e até em espaços que pareciam imunes, como o Nordeste, onde a rejeição a Dilma alcançou incríveis 23%.

Para se ter uma ideia do que isso significa vale lembrar que na eleição presidencial passada, em pesquisa Datafolha de 23.07.2010, a rejeição a Dilma em todo o País era de 19%. Nesta última pesquisa já alcança 35%, quase o dobro de igual período em 2010.

Para uma identificação mais precisa do depositário da maior taxa de rejeição, se o PT ou Dilma, é preciso uma rápida caminhada pelo País, começando pelo Sul. O PT tem candidato nos três Estados, mas apenas no Rio Grande do Sul seu candidato está em segundo lugar nas pesquisas.

No Paraná e Santa Catarina estão em terceiro. No Sudeste, o desempenho é pífio em São Paulo com Alexandre Padilha, sofrível no Rio de Janeiro, com Lindhberg Farias ,em quarto lugar, e sem expressão no Espírito Santo.

Apenas em Minas Gerais, com Fernando Pimentel, apresenta um desempenho satisfatório, mas a lógica é que ele não resistirá a máquina de moer carne que o espera, com Aécio Neves crescendo nas pesquisas para Presidente, um candidato ao governo, Pimenta da Veiga, de boa história, e um ao Senado, com a qualidade e aprovação de Antonio Anastasia, o governo do Estado e a maioria de deputados.

No Nordeste seu candidato na Bahia, maior colégio eleitoral da região está muito atrás do candidato do DEM. É segundo no Ceará e apenas no Piauí mantém folgada liderança. Nos demais Estados apoia candidatos de outras legendas, o que significa dizer que nestes quatro anos não consolidou personagens estaduais para concorrer ao cargo de governador, o que demonstra fragilidade partidária.

A pergunta que fica é: que culpa cabe à presidente Dilma por esta fragilidade do PT em seu principal reduto eleitoral que é o Nordeste. Penso que muito pouca. No Norte, afora o Acre onde pode reeleger o governador, não tem presença de destaque nos principais colégios eleitorais, visto que apoia o PMDB no Pará e Amazonas, além de fazer o mesmo em Tocantins.

No Centro Oeste tem candidato a reeleição no Distrito Federal com baixa perspectiva, em Goiás sem nenhuma e no Mato Grosso não tem candidato. Apenas em Mato Grosso do Sul tem perspectivas concretas de vitória porque seu candidato, o senador Delcídio Amaral, está bem a frente nas pesquisas e tem baixa rejeição. A questão é saber até onde ele resistirá ao processo de contaminação, visto que o Estado é vizinho de São Paulo e Paraná, onde é virulenta a rejeição ao PT – a maior em todo o País. Há que se vacinar para controlar o contágio.

Finalmente, é quase chocante que um partido que comanda o País há 12 anos, tenha favoritismo para eleger apenas três governadores, em Estados de pequena densidade eleitoral e dois senadores. Cinco em 54 disputas majoritárias. Quase nada. A pergunta, repetitiva, é se foi Dilma a responsável por uma rejeição que se estendeu por todo o Pais ou se foi o PT o principal responsável pela rejeição de Dilma. Não vale dizer que as duas se encontram.

A verdade é que estes últimos quatro anos de governo da presidente Dilma foram marcados por dificuldades na economia, não só aqui no Brasil, mas em quase todo mundo. Evidente que o governante paga uma conta que nem sempre é sua, como aconteceu nas eleições realizadas na Europa, mas é do jogo da política.

Lula presidente, a economia bombou, ele soube tirar proveito político disso e se tornou quase um ídolo no País. E ainda arrastou seu PT para o bom caminho da vitória nas eleições de 2010. Mas será que as dificuldades de Dilma, a baixa avaliação de seu governo, seria a causa principal para o desgaste do Partido em quase todos os Estados ou será que a causa é mais além?

Com certeza, mais além. No período do governo Dilma o País viveu o episódio que representou o maior massacre pelo qual já passou um partido na história política desse País: o julgamento do mensalão. Meses e meses de intensa cobertura de televisão, rádios e jornais de um julgamento onde o principal réu acabou se tornando o PT.

Engana-se quem acha que isto não teve grande importância. Teve sim e pensar o contrário é um menosprezo à opinião pública. Evidente que foi determinante para criar esse vírus da rejeição ao PT, que se espalha pelo País. A bem da verdade, nem Dilma nem seu governo têm qualquer coisa a ver com o mensalão. Ela, como muitos outros candidatos petistas, é apenas uma vítima.

Quanto à eleição presidencial deste ano o quadro caminha para um desfecho trágico para o PT e sua candidata. Quem estiver olhando para os números atuais das pesquisas e avalia que há um quadro de indefinição comete um erro básico de julgamento.

Há um status totalmente diferente entre os competidores, porque enquanto Dilma é conhecida por 99% dos eleitores, 19 e 36% desconhecem Aécio e Eduardo Campos, respectivamente. Todos os dados das pesquisas atuais mostram apenas a notória rejeição da candidata à reeleição.

Aécio e Campos são fatos para após o início do horário eleitoral. Vale que olhemos um pouco para 2010. Em 23.07, havia um empate entre Dilma e Serra, ambos com 36% de preferência. Em 15.09, com 25 dias de horário eleitoral, Dilma tinha 50% e Serra 27%.

Evidente que, agora, em meados de setembro, quando todos conhecerem melhor Aécio e Campos, os números serão diferentes e, tudo indica, um deles estará a frente de Dilma e, muito à frente, ambos, em uma simulação de segundo turno.

Não é provável, mas não impossível, que nesta data a campanha da presidente esteja com a preocupação voltada para assegurar sua presença no segundo turno. Apenas isso, porque não haverá mais nenhuma perspectiva de vitória.

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Entendi: o primeiro mandato de Dilma foi só a fase “Escolinha do Professor Raimundo”! Ela promete corrigir os erros se for reeleita!

Leio uma reportagem muito impressionante na Folha, de autoria de Valdo Cruz. Ela informa que “Dilma promete a aliados que corrigirá erros se for reeleita”. Ah, bom! Entendi! Então o país deveria franquear um segundo mandato a Dilma para lhe dar a chance de consertar as besteiras feitas no primeiro por… Dilma! É um modo de ver as coisas.

O texto informa ainda que os assessores listam aqui e ali os, digamos, errinhos que foram cometidos. Um deles, coisa pouca, é o de setor elétrico, com a redução das tarifas — e suponho que entre no rol de bobagens a antecipação das concessões. Não é nada, não é nada, a nossa governanta praticamente quebrou um setor. E teve de injetar alguns bilhões de recursos púbicos para tentar minimizar o estrago. Mas oram vejam: ela parecia tão segura, não é mesmo? Procurem neste blog os posts que trazem a expressão populismo elétrico. E eu, obviamente, não sou da área! Nove entre dez especialistas alertavam para a bobagem. Mas sabem como é… A ignorância é sempre mais convicta do que a sabedoria porque não tem medo de errar. E Dilma já demonstrou que não tem nenhum.

Ah, claro! O PT agora diz que foi, sim, um erro represar as tarifas. Se Dilma for reeleita, não acontece mais. Ok. Não estivessem, no entanto, represadas, e tudo o mais constante, em que patamar estaria a inflação? Afinal, o governo não avançou contra o caixa da Petrobras, por exemplo, porque repudie aumentos de combustíveis, mas porque estava dando um jeito de conter o índice inflacionário.

E a coisa vai por aí. Há também quem reclame das desonerações, que teriam agredido a saúde fiscal do governo, sem que os incentivos tenham resultado em crescimento da economia. Em suma, Dilma promete não repetir mais as barbeiragens que fizeram o Brasil conjugar uma inflação que flerta com os 7%, um crescimento abaixo de 1% e juros nos cornos da Lua: 11%.

Acho que estou começando a entender. A Presidência da República, para Dilma, nos primeiros quatro anos, foi uma espécie de “Escolinha do Professor Raimundo”. Ela estava lá para aprender a governar. Um errinho bilionário aqui, outro ali… Mas, doravante, ela jura fazer tudo certo. Sempre há o risco de que alguém acredite nisso, não é mesmo?

Os petistas e a própria presidente já deixaram claro que têm também outra agenda caso conquistem mais quatro anos: a reforma política, que o partido quer que seja feita por meio de uma Constituinte Exclusiva, combinada com decisões plebiscitárias. Uma das teses mais caras ao partido é o financiamento público de campanha — o que está para ser concedido, na prática, pelo Supremo, por via cartorial.

Se e quando isso acontecer, grandes partidos, como o PT, terão a grana de que precisam para se financiar fornecida pelo próprio Estado. A legenda nem mesmo precisará fazer suas juras de amor à economia de mercado para conseguir alguns milhõezinhos para a campanha eleitoral. Estará mais livre. E, nesse caso, negociar o quê, com quem e pra quê? O financiamento público permitirá aos partidos atuar como instâncias autocráticas.

Um dos setores que estão na mira da presidente e dos petistas é o empresariado. Ela pretende reconquistá-lo. Bem, quem quiser que caia na conversa, não é mesmo? Estou enganado ou a ação estrepitosa mais recente da nossa soberana foi enviar um decreto que entrega parte da administração pública federal a “conselhos populares”?

Sim, sim… Alguns dirão que o que vai a seguir é um reducionismo, mas tomem como medida as ações dos movimentos de sem-teto ou de sem-terra, por exemplo. Ou bem se governa com a lei, ou bem se governa com os tais “movimentos sociais”. Avaliem vocês com que lado está a chance de um futuro virtuoso para o Brasil, muito especialmente para os pobres. Num caso, tem-se uma sociedade paralisada por minorias radicalizadas e corporações de ofício; do outro, a previsibilidade das regras, democraticamente pactuadas.

Atenção! As disposições subjetivas de Dilma, à boca da urna, não têm a menor importância. A questão é o que ela representa e o que quer o seu partido.

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Uruguai mostra que ainda não enlouqueceu de vez e nega asilo a advogada ligada a black blocs; mulher deixa local em carro de deputada do PSOL que confessou desvio de verba de sindicato. Quanta gente pura reunida!!!

Foi demais até para um reduto do exotismo em que está se transformando o Uruguai: o governo do país negou asilo político à advogada Eloísa Samy e a um casal de black blocs: David Paixão, de 18 anos, e sua namorada, que é menor de idade. Eles haviam se escondido no Consulado do Uruguai, no Rio, e se dizem perseguidos políticos. É mesmo? Reitero o que escrevi aqui: os únicos perseguidos políticos numa democracia são terroristas ou golpistas. Não há outros. E, felizmente, os democratas os perseguem. Ou os canalhas acabariam solapando os fundamentos do regime. O Brasil é uma democracia plena. Pergunto: em qual dos dois casos Eloísa se enquadraria? Golpismo ou terror? O pedido ultrapassava a linha do ridículo até para uma nação governada por José Mujica.

Os ultraesquerdistas da Zona Sul do Rio entraram em delírio — e não sozinhos, já explico. Os advogados Rodrigo Mondego e Rogério Borba, que encaminharam o pedido ao governo uruguaio, admitiam que o benefício dificilmente seria concedido. Mondego chegou a dizer: “É difícil sair o asilo porque o Uruguai teria de reconhecer que foi quebrada a ordem democrática no Brasil. Entendo a dificuldade. Mas o Rio de Janeiro está sofrendo uma crise institucional no que tange às liberdades democráticas”.

Trata-se de uma tolice gigantesca. A Justiça que decretou a prisão dos acusados é estadual, mas a decisão foi tomada com base em leis que têm alcance em todo país. Não existem Códigos Penais estaduais. Os defensores dos acusados deveriam é erguer as mãos para o céu. Eu aqui me pergunto — e faço a mesma pergunta ao MP: por que essas pessoas não estão sendo acusadas com base na Lei de Segurança Nacional, a 7.170? Ela está em plena vigência, foi recepcionada pela Constituição, e os crimes que são atribuídos a essas pessoas estão lá plenamente caracterizados nos Artigos 15 a 19. Indago ainda: que tipo de advogado presta auxílio a uma menina menor de idade, que pede asilo político?

A Seção da OAB do Rio é, em parte, responsável por esse espetáculo grotesco e juridicamente vigarista. Durante meses a fio, comportou-se como babá de black blocs, deixando de censurar de maneira clara e explícita a violência. Ao contrário: mais do que ninguém, a Ordem confundiu, no Rio, o direito à liberdade de manifestação com a violência pura e simples. Ou permitiu que se confundisse. Pra uma entidade com essa importância, dá na mesma.

Piada da noite
A advogada e os dois black blocs deixaram o consulado no carro da deputada estadual Janira Rocha, do PSOL, o partido que, na prática, se apresenta como um fachada legal do movimento. Vocês conhecem esta senhora de dois episódios aos menos. Em 2012, durante greve de Polícias Militares e bombeiros no Rio, ela foi flagrada tentando articular uma greve nacional de PMs. No ano passado, vieram a público gravações em que esta senhora confessa, com todas as letras, que desviou dinheiro de um sindicato para a sua própria campanha eleitoral e para a de seu partido.

Eis aí. Esse é o reino dos puros de que estamos falando. E que se lembre mais uma vez: Eloísa Samy, com prisão preventiva decretada e, enquanto escrevo, uma foragida, não está nessa situação porque advogou para black blocs. Nada disso: o MP apresentou evidências de que ela apoiou os atos violentos e atuou na logística das ações criminosas. O exercício da advocacia é plenamente livre no Brasil. O do crime, felizmente, não!

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Conselho de Segurança cobra investigação independente sobre queda de avião

Na VEJA .com:
O Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução pedindo uma investigação independente e acesso completo ao local da queda do avião da Malaysia Airlines. A aeronave, que levava quase 300 pessoas a bordo e ia de Amsterdã para a Kuala Lumpur, foi abatida por um míssil ao sobrevoar o leste da Ucrânia. O texto aprovado pede uma investigação “completa, rigorosa e independente” do caso. A aprovação foi por unanimidade, ou seja, a Rússia também votou a favor.

O texto afirma que os separatistas pró-Moscou – identificados simplesmente como “grupos armados” para evitar protestos da Rússia – devem garantir acesso seguro ao local. A Rússia havia se posicionado contra uma versão anterior que deixava nas mãos da Ucrânia a liderança da investigação, informou o britânico Daily Telegraph, mesmo que o procedimento padrão nas leis internacionais quando ocorre um desastre aéreo seja deixar a investigação a cargo do país onde a tragédia ocorreu e do país onde fica a sede do fabricante da aeronave.

O embaixador da Rússia nas Nações Unidas, Vitaly Churkin, afirmou que o país “está pronto para oferecer qualquer ajuda necessária” para as investigações. Acrescentou que o Kremlin apoia totalmente uma apuração que “lance luz sobre a verdade”. E defendeu que todas as provas, incluindo as caixas-pretas, devem ser entregues à Icao, a agência das Nações Unidas que se ocupa da aviação internacional.

A embaixadora americana Samantha Power voltou a pressionar Moscou, dizendo que o apoio à resolução é bem-vindo, mas ressaltando que “nenhuma resolução teria sido necessária se a Rússia tivesse usado sua influência para fazer os separatistas deixarem suas armas”. Ela disse ainda que o silêncio da Rússia manda uma mensagem de apoio aos “grupos armados ilegais” e lembrou que representantes do governo russo insinuaram publicamente que a culpa pelo desastre é da Ucrânia.

Saiba mais
Pouco depois da intervenção americana, Churki fez exatamente o que Samantha havia apontado – tentou responsabilizar o governo de Kiev. “Durante a investigação, a Ucrânia terá de responder a perguntas sobre as atividades de seus controladores de tráfego aéreo e por que um de seus sistemas Buk estava na área”.

Os separatistas tiveram acesso a esse tipo de equipamento e não fizeram questão de esconder isso, divulgando imagens do sistema antiaéreo em redes sociais. Para o embaixador russo, no entanto, um vídeo com o Buk “foi filmado, na verdade, em território ucraniano, e, portanto, não poderia ter sido controlado pelos rebeldes”. Vale lembrar que os separatistas autoproclamaram independentes áreas do leste da Ucrânia, como Donetsk e Lugansk, depois de a Rússia ter anexado a península da Crimeia, no sul do país, ignorando sanções e violando leis internacionais e a soberania do vizinho. Resta saber a qual território ucraniano o diplomata se referia.

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Lula e PT pressionam Dilma por campanha eleitoral nas ruas
O Globo

O PT e Lula estão ansiosos para que a presidente Dilma Rousseff vá para a rua fazer campanha eleitoral. Ontem à noite, estava prevista reunião de campanha em que ela bateria o martelo sobre a participação em comícios e outros atos.

Dilma não vinha demonstrando pressa, mas está sendo cobrada a priorizar viagens a São Paulo, maior colégio eleitoral do país e onde ela e o candidato a governador pelo PT, Alexandre Padilha, patinam nas pesquisas de intenção de voto.

Apesar da pressão, Dilma vinha demonstrando preferência por fazer um evento em Minas Gerais nos próximos dias, ao lado de Fernando Pimentel, candidato petista ao governo mineiro e que lidera as pesquisas. O objetivo é focar atos públicos nos maiores estados, como São Paulo, Rio, Minas Gerais e Bahia, deixando de visitar as regiões menos populosas.

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Procuradoria pede inelegibilidade de Anthony Garotinho
O Globo

A Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (PRE-RJ) propôs ao Tribunal Regional Eleitoral uma ação de investigação por abuso de poder econômico e pediu tanto a inelegibilidade quanto a cassação do mandato do deputado Anthony Garotinho (PR), candidato ao governo.

Para a equipe de Garotinho, a ação é “temerária e de má-fé”, pois os atos descritos nela foram praticados antes de Garotinho virar candidato. Segundo a Procuradoria, no primeiro semestre deste ano, Garotinho realizou eventos das chamadas “Caravanas da Paz” em diversos municípios do estado, com a contratação de artistas e distribuição de brindes, o que configura “showmício”.

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Anac pede informações ao governo de Minas e prefeitura sobre aeroporto
Ricardo Chapola, Eduardo Rodrigues e Marcelo Portela, Estadão

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que vai notificar o governo de Minas e a prefeitura de Cláudio, interior do Estado, para que expliquem o uso de um aeroporto construído com dinheiro público em um terreno que já pertenceu a um tio-avô do candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves.

A agência deu prazo de dez dias para que os dados sejam enviados. Minas gastou cerca de R$ 14 milhões na construção do aeroporto, que ficou pronto em 2010, último ano da gestão de Aécio como governador do Estado. O terreno que pertencia a um tio-avô do tucano foi desapropriado, mas o caso está em litígio.

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Uruguai nega asilo a advogada ligada a black blocs
Daniel Haidar, Veja

O pedido de asilo político feito ao Uruguai pela advogada Eloisa Samy, acusada de ter ligação com black blocs, foi negado ontem à noite, segundo a assessoria da deputada estadual Janira Rocha (Psol), que acompanhou a advogada e outros dois foragidos no Consulado do Uruguai no Rio de Janeiro.

Os advogados Rodrigo Mondego e Rogério Borba, que auxiliavam Eloisa Samy no pedido, já haviam admitido que a solicitação dificilmente serria atendida. Ontem, eles visitaram Eloisa, de 45 anos, no prédio do consulado uruguaio no Rio.

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Ariano Suassuna sofre AVC hemorrágico no Recife
O Globo

O escritor, dramaturgo e poeta paraibano Ariano Suassuna, de 87 anos, foi internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Real Hospital Português, em Recife, ontem à noite, após ter sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. De acordo com a equipe médica, o estado de saúde do dramaturgo é grave, mas estável.

Suassuna foi internado às 20 horas com sangramento intracraniano. O escritor foi levado para a sala de cirurgia em um procedimento de emergência. A operação foi considerada bem sucedida e terminou por volta das 23 horas.

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Texas anuncia mil soldados na fronteira para reter imigrantes
O Globo

O governador do Texas, Rick Perry, anunciou ontem que enviará mil homens da Guarda Nacional para aumentar a segurança na fronteira com o México diante da crise provocada pela chegada em massa de menores centro-americanos aos Estados Unidos no último mês.

"Diante da situação que o Texas está enfrentando e da falta de ação do governo federal, decidi enviar até mil soldados da reserva da Guarda Nacional", disse Perry. "Não se pode falar em segurança nacional se não há segurança na fronteira." O Texas recebeu a maior parte dos 57 mil menores que entraram ilegalmente nos Estados Unidos desde outubro passado.

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Israel sofre seu pior revés militar desde a guerra contra o Líbano
Carmen Rengel, El País

Os soldados mortos em Gaza entre quinta-feira e segunda-feira são mais do que o dobro das baixas militares em relação à última vez que as tropas de Israel penetraram por terra na Faixa de Gaza, durante a Operação Chumbo Fundido (na época do Natal de 2008), que durou 11 dias e na qual 11 soldados foram mortos.

Agora já são 25 os soldados que morreram – sete deles ontem –, no que se acredita seja o maior revés militar desde a guerra do Líbano (2006). Outros 53 militares israelenses estão feridos, três deles com gravidade. As baixas começam a angustiar a população, pela velocidade com que se multiplicam e por que muitos dos mortos estavam na casa dos 20 anos.

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Rebeldes entregam caixas-pretas de avião da Malásia
BBC Brasil

Rebeldes no leste da Ucrânia entregaram as duas caixas-pretas do voo MH17, que foi derrubado na última quinta-feira, quando ia de Amsterdã, na Holanda, para Kuala Lumpur, na Malásia. Elas foram entregues a especialistas da Malásia na cidade ucraniana de Donetsk.

A ação ocorreu horas depois de o Conselho de Segurança da ONU ter exigido o acesso imediato de enviados internacionais à área da queda. A tragédia deixou 298 mortos. As caixas-pretas irão revelar a hora do acidente, altitude e posição exatos da aeronave, além de gravações do que foi dito na cabine, que podem dar pistas para a solução do caso.


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Blog do Augusto Nunes

A espetacular descoberta de Dilma: o míssil foi disparado pelo governo da Ucrânia para derrubar o avião do companheiro Putin

O extenso noticiário sobre o Boeing da Malaysian Airlines derrubado quando sobrevoava os céus de Donetsk, região da Ucrânia controlada por separatistas financiados pelo governo russo, tratou com inexplicável avareza a mais inventiva das teorias vinculadas ao episódio. Foi ignorado pelos jornais (ou confinado em míseros centímetros) o monumento à criatividade erguido por Dilma Rousseff  com 82 palavras distribuídas por quatro frases. Concebido para explicar aos jornalistas por que o governo ainda não dera um pio sobre o mais recente capítulo da história universal da infâmia, deu no seguinte:

“Olha, eu acho que é prudente … vô… a gente tomar cuidado, porque, ao mesmo tempo, né?, tem um segmento da imprensa dizendo que o avião que era… esse avião que foi derrubado tava na rota da volta do avião do presidente Putin. Coincidia com o horário… e com o percurso. Então, que o míssil seria dirigido ao avião do presidente Putin. Eu acho que é importante tá… ter… ter claro que não era um míssil de fácil manejo. Não é um míssil de fácil manejo. Então, nós temos que olhar com cuidado pra vê de fato o que  aconteceu. Então, o governo brasileiro não se posicionará quanto a isso até que fique mais claro, por uma questão não só de seriedade, né?, mas também de prudência. Nós não temos todas as informações”.

Em língua de gente, o falatório em dilmês primitivo produziu uma teoria e tanto. Amparada no que andou lendo num misterioso “segmento da imprensa”, a presidente do Brasil afirmou ─ nada mais, nada menos ─ que só os imprudentes e os pouco sérios se atrevem a atribuir o disparo do míssil aos rebeldes supridos pelo padrinho Vladimir Putin com armamentos de última geração. Segundo Dilma, a explosão do Boeing foi coisa do governo constitucional da Ucrânia, que errou o alvo ao tentar espatifar o avião que levava o presidente da Rússia de volta a Moscou.

Como a autora não a desmentiu, a tese continua valendo manchete de primeira página, tenha ou não fundamento. Se tiver, o caso sofrerá uma reviravolta que talvez leve a descobertas ainda mais espetaculares. (Uma dupla de enviados especiais a Donetsk não demorará a descobrir, por exemplo, que o míssil decolou de um aeroporto clandestino construído nas terras de um tio ucraniano de Aécio Neves, expropriadas pelo governo mineiro). Se tudo não passou de outra maluquice do neurônio solitário, os eleitores terão um motivo a mais para negar à presidente um segundo mandato.

Pelo que anda acontecendo por lá, falta pouco. Mas o Palácio do Planalto ainda não virou hospício.


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Blog do Coronel

Desmascarada "contabilidade criativa" da Dilma: PIB deve crescer menos de 1% em 2014. É inflação, desemprego e crise.

Pela oitava semana consecutiva, os analistas de mercado cortaram suas estimativas para a expansão da economia brasileira neste ano e, assim, a projeção mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) ficou abaixo de 1% pela primeira vez. De acordo com o boletim Focus, do Banco Central, a estimativa caiu de alta de 1,05% para crescimento de apenas 0,97%.

A revisão para o PIB acompanha a redução nas projeções para a produção industrial. Agora, os analistas esperam contração de 1,15% nesse setor, ante queda de 0,90% na semana passada. Há um mês, o mercado via o PIB crescendo 1,16% e a produção industrial caindo 0,16%. Para 2015, a estimativa para o PIB foi mantida em expansão de 1,50%, mas a da indústria caiu pela quarta semana consecutiva, de alta de 1,80% para 1,70%.

As notícias mais recentes sobre a atividade econômica em geral e industrial têm mantido o sinal negativo. Na semana passada, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que o índice de confiança do setor atingiu em julho o menor patamar desde janeiro de 1999. O indicador de produção de junho despencou para 39,6 pontos, de 48,4 em maio.

O Banco Central, por sua vez, mostrou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) teve contração de 0,18% em maio, ante abril, refletindo especialmente a forte queda da indústria naquele mês. Embora o resultado tenha sido um pouco melhor que o esperado, analistas não viram no número um sinal de reversão das expectativas negativas. O dado, afirmaram, aponta atividade mais fraca no segundo trimestre.

Outros números mostraram que o enfraquecimento da atividade chegaram ao mercado de trabalho. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) decepcionou novamente em junho ao registrar a criação de 25,3 mil vagas no mês. O resultado foi o pior para os meses de junho desde 1998 e, como em maio, foi puxado pelo fechamento de 28,5 mil vagas na indústria.

Em função da criação menor de vagas, o ministro do Trabalho, Manoel Dias, reduziu para 1,1 milhão a estimativa de novas vagas este ano. A estimativa anterior era de 1,4 milhão a 1,5 milhão de empregos novos. (Valor Econômico)


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Blog do Reinaldo Azevedo

E Dunga, o coleguinha de camarote VIP que faz Dilma rir até as lágrimas, é mesmo o novo técnico da Seleção

Bem, era mesmo tudo verdade: Dunga é o novo técnico da Seleção Brasileira. Escrevi na sexta-feira o que penso a respeito. É o triunfo do atraso, da tacanhice e da melancolia ranheta. Reproduzo em azul um trecho daquele post e avanço:

Olhem aqui: disciplina é, sim, muito importante. Mas é bom não confundi-la com moralismo tosco. Recomendo mais uma vez uma reportagem da revista alemã “Der Spiegel” sobre o sucesso do futebol alemão. É o anti-Dunga. Em vez de um choque de testosterona bronca, de manual, o futebol alemão recebeu um choque de competência e planejamento. A revista até brinca, afirmando que os jogadores, hoje, são um pouco mais “feminis” do que os antigos “machos Alfa”. Em vez de um comandante esporrento, os alemães preferiram enviar seus técnicos para outros países, como Espanha, França e Itália, para ver como se jogava no resto do mundo.

Não que fosse um futebol malsucedido no mundo quando se tomou essa decisão: eles já eram tricampeões mundiais — agora são tetra. Os alemães que vocês viram no Brasil, interagindo com a população da Bahia, enviando mensagens em português aos brasileiros no Twitter, sorridentes, “moleques”… Tudo isso era parte de um planejamento também de marketing.

Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento, meio abestado. Pode ganhar ou pode perder a próxima Copa. Só não conseguirá fazer o futebol avançar. Quando o atraso ganha, diga-se, em certo sentido, é pior. A propósito: depois que ele deixou a Seleção, qual é seu currículo para merecer tal galardão?

Sim, a escolha também dá conta da ruindade da CBF. Vejam que coisa: a confederação chegou a flertar com um técnico estrangeiro e acabou escolhendo… Dunga! É o triunfo da falta de rumo e da… caipirice existencial.
(…)

Retomo
Nesse post, recupero a trajetória que levou, no passado, à ascensão e queda de Dunga. De certo modo, faz-se o mesmo agora. Neymar concedeu uma entrevista no Fantástico deste domingo. É só um garoto cuidadoso, da elite do futebol mundial, que já sabe como se faz profissionalmente esse trabalho. Não atacou Felipão, é claro! Mas também não defendeu. Reconheceu que o futebol brasileiro está atrasado. Indagado sobre o que estava errado, ele silenciou, mas deixou claro com suas não-palavras: a técnica — ou, mais precisamente, os técnicos.

Foi explícito numa coisa: os jogadores eram aqueles, sim. Não havia muita variação. Então onde estava o erro? Que pergunta! A CBF é mesmo um encanto. Juntou dois ganhadores de Copa do Mundo em 2010 para ver no que dava: derrota. Juntou dois campeões de Copa do Mundo em 2014 para ver no que dava: derrota. Agora resolveu chamar um derrotado para tentar fabricar a vitória. Na enquete do programa da Globo, 85% dos que se manifestaram reprovaram a escolha.

Então vamos lá… Dunga estreia na sua nova função com um grande ativo. Não se tem notícia de que ele tenha feito alguém chorar de rir antes. Na final da Copa, no jogo entre Alemanha e Argentina, o técnico levou a nossa presidente às lágrimas ao afirmar que estava torcendo para que ninguém ganhasse. Ela achou a tirada inteligente e caiu na gargalhada.

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Black blocs e seus amiguinhos – Juiz e desembargador do TJ-RJ estão de parabéns por não se deixar intimidar por patrulha baguncista de deputados, setores da imprensa e advogados do caos. Cana na turma!

O desembargador Flávio Marcelo de Azevedo Horta Fernandes, do Tribunal de Justiça do Rio, negou os respectivos pedidos de habeas corpus de 23 pessoas acusadas de envolvimento em atos violentos em protestos. Dezoito se encontram foragidos. Entre os presos, estão Eliza Quadros, a tal Sininho; Camila Jourdan, professora de filosofia da UERJ (!!!), e seu namorado, Igor D’Icarahy — cujo pai é advogado, papa-fina. Além de negar o pedido, Horta Fernandes repudiou os termos ofensivos empregados pela defesa dos acusados, que classificou o magistrado Flávio Itabaiana, que acolheu a denúncia do Ministério Público e determinou a prisão preventiva dos 23 acusados, de “juiz prepotente” e “espírito de carcereiro”.

Escrevi neste domingo de manhã a respeito, bem antes da decisão da Justiça:
“Não há forma mais perversa de criminalizar a liberdade de expressão e de manifestação do que confundi-la com banditismo. Durante um bom tempo, o país viveu uma espécie de apagão legal, com um governo incapaz de cumprir uma de suas funções — que é a garantia da lei e da ordem democráticas, conforme exige a Constituição — e uma imprensa que passou a fazer profissão de fé na baderna, como se estivéssemos diante de um quadro em que a sociedade está sendo esmagada pelo estado, sem canais para expressar o seu descontentamento que não a violência.
A Polícia, o Ministério Público e a Justiça resolveram, depois de uma fase de espantoso entorpecimento, agir contra os vândalos da ordem democrática. Espero que, num futuro nem tão distante, ainda venhamos a refletir sobre estes dias e perguntar como foi possível ter tanta tolerância com a violência, com a truculência, com a determinação escancarada de violar princípios elementares da civilidade. E foi precisamente isso que fizeram os black blocs e alguns ditos “líderes” de manifestações que agora tiveram a prisão preventiva decretada.
Compreendo que o papel dos advogados seja, afinal, advogar… Não questiono a legitimidade de sua tarefa, um dos pilares do Estado de Direito. Mas essa mesma ordem, que defendo de modo incondicional, me permite escarnecer dos argumentos de alguns doutores. No terreno do pensamento, seria mais decente e lógico que buscassem sustentar a legitimidade, nunca a legalidade!, da violência a que aderiram seus clientes — por absurdo que pareça — do que apelar, para defendê-los, aos fundamentos do tal Estado de Direito. A razão é simples: aquela gente só partiu para a ação direta, para o quebra-quebra, para a pauleira, porque não acreditava, e não acredita, nas garantias e nos valores com os quais tenta agora se defender.”

Confusão nefasta
O juiz também está sendo severamente atacado por três parlamentares do PSOL — Chico Alencar, Jean Wyllys e Ivan Valente — e por Jandira Feghali, do PCdoB. Exceção feita a Valente, que é paulista, são todos do Rio. A reação dos psolistas é compreensível: seu partido é, hoje, o mais próximo dos black blocs. Não se esqueçam de a quem apelou Sininho quando um dos assassinos do cinegrafista Santiago Andrade foi preso: o deputado estadual Marcelo Freixo. Não custa lembrar: o partido comanda o Sindicato dos Professores do Rio, por exemplo, que chegou a emitir uma nota pública admitindo e exaltando a parceria com os blac blocs. É claro que esses quatro deputados deveriam ter vergonha do que fazem. Mas eles não têm — e isso não me surpreende.

A denúncia
O Fantástico teve acesso à denúncia oferecida pelo Ministério Público. Informa a reportagem:
De acordo com a denúncia, o Movimento Frente Independente Popular estabeleceu, em reuniões fechadas, que o protesto pacífico não seria meio hábil para alcançar os objetivos dos grupos. E decidiu que deveria ser incentivada a prática de ações violentas no momento das manifestações, tais como a depredação de bancos, de estabelecimentos comerciais e o ataque a ônibus e viaturas policiais. Segundo o promotor de justiça Luis Otávio Figueira Lopes, a denunciada Elisa de Quadros Pinto Sanzi, conhecida como sininho pode ser identificada como uma das principais lideranças da frente.
A ocupação da Câmara Municipal por manifestantes, em agosto do ano passado, poderia ter tido consequências mais graves. Segundo a denúncia, havia um plano para incendiar a sede do poder legislativo do Rio. A denúncia afirma que Elisa foi vista comandando manifestantes, no sentido de carregarem três galões de gasolina para a Câmara Municipal, passando a incitar os demais manifestantes a incendiar o prédio. O objetivo, segundo a denúncia, não foi alcançado em razão da intervenção de outros participantes dos atos, fatos apontados no depoimento de uma testemunha, que teve a identidade preservada pelo Ministério Público.
Escutas telefônicas feitas com autorização da Justiça revelaram que Camila Jourdan, professora de filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, participava da elaboração dos artefatos e da distribuição deles para os black blocs. A denúncia afirma também que menores de idade dos participaram de atos violentos. Nos autos do processo, um adolescente teria afirmado ter a intenção de matar um policial nos protestos contra a Copa do Mundo.

Concluo
Só uma maneira aceitável de apresentar demandas na ordem democrática: de acordo com o aceitável na… ordem democrática!!! Tautológico? Esse é o regime em que nem tudo é permitido. Aquele em que tudo pode é a tirania — para os amigos dos tiranos aos menos. O Brasil inventou uma certa “aristocracia do ativismo, esse nome cretino! Se o sujeito se diz “ativista”, nada lhe é proibido. Uma ova! Eu, particularmente, não reconheço a existência dessa categoria e sempre pergunto: o contrário de um “ativista” é o quê? Um passivista??? Tenham paciência!

Parabéns ao Ministério Público, ao juiz e ao desembargador por terem decidido ser ativistas das leis.

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Israel tem maior perda de soldados num dia desde a Guerra do Líbano, em 2006. E a máquina de propaganda do Hamas

Cresce a pressão internacional por um cessar-fogo entre as forças israelenses e a do Hamas. Tanto o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, como o Conselho de Segurança da ONU pediram o fim imediato das hostilidades. O domingo foi sangrento. Treze soldados israelenses de uma unidade de elite morreram numa emboscada — são 14 os militares mortos, e havia 53 feridos até a madrugada de hoje. Entre os palestinos, os mortos já seriam mais de 400. Mas atenção! Numa outra guerra, esta para ganhar a opinião pública, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não distingue as vítimas civis de seus militantes, que são também militares. Assim, todas as baixas havidas entre palestinos entram na conta de “civis mortos”. Cessar-fogo?

Escrevi aqui no fim de semana que o Hamas não tinha deixado a Israel outra saída que não a ação terrestre, o que o país, basta recuperar o noticiário, hesitou em fazer porque sabia que teria, como está tendo, as suas baixas. Desde a guerra do Líbano, em 2006, as foirças israelenses não perdem tantos soldados num único dia. Para se ter uma ideia: em 2008, na Operação Chumbo Fundido, em Gaza, morreram 11 soldados em 22 dias. Isso indica um fato óbvio: o Hamas está aprimorando as suas táticas de guerra, melhorando o seu armamento e se tornando, a cada dia, um inimigo mais poderoso. Que caminho resta a Israel?

O Hamas recusou duas propostas de cessar-fogo: a do Egito, e a humanitária, da ONU. E repete o seu espetáculo macabro de sempre. A imprensa internacional, majoritariamente anti-Israel — e isto é apenas um fato, não questão de gosto — se satisfaz em fazer a contabilidade dos mortos para decidir quem é a vítima é quem é o algoz; quem está certo e quem está errado. E uma guerra dessa natureza, infelizmente, evolve um pouco mais do que isso.

Qual é a preço do Hamas para parar com o seu foguetório contra Israel? A sua pauta é extensa — na verdade, a sua pauta é finalista: os terroristas querem o que chamam de “Palestina” (o que inclui o território israelense) para os palestinos, eliminando da região o que chamam de “inimigo sionista”. Não sou eu quem está dizendo. É o que consta de seus estatutos.

Não! Não estou aqui a defender que Israel saia atacando tudo o que se move, sem quaisquer outras considerações. E isso não está sendo feito, ou haveria mais mortos. Mas é o Hamas quem admite — como já demonstrei aqui — que recorre, sim, à tática dos escudos humanos, empilhando corpos para, com eles, fertilizar a sua causa.

Obama telefonou neste domingo para Benyamin Netaniahu, primeiro-ministro de Israel, condenou os ataques do Hamas, reconheceu o direito que tem o país de se defender, expressando a sua preocupação com o crescente número de vítimas civis e também com a morte dos soldados israelenses. É preciso que se tenha claro: para os comandantes de um dos lados da guerra, a morte dos seus é uma tragédia; para os comandantes do outro, uma solução.

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Aécio nega que governo tenha financiado aeroporto em fazenda
Madson Vagner, O Globo

Candidato do PSDB à Presidência da República, o senador Aécio Neves (MG) negou neste domingo que sua gestão no governo de Minas Gerais tenha patrocinado a construção de um aeroporto dentro da fazenda de um parente seu, conforme denúncia publicada no jornal "Folha de S. Paulo" neste domingo. De acordo com a reportagem, foram gastos quase R$ 14 milhões na obra, que teria sido concluída em outubro de 2010 e seria administrada por familiares de Aécio.

"Tudo foi feito com a mais absoluta transparência e correção. Aliás, como sempre faço", disse Aécio durante agenda de campanha na região do Cariri cearense, a cerca de 560 km da capital Fortaleza.

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Brechas na Lei da Ficha Limpa podem favorecer maus políticos
Laryssa Borges e Marcela Mattos, Veja

Criada em 2010 para promover uma depuração ética na lista de políticos que pleiteiam disputar cargos eletivos, a Lei da Ficha Limpa enfrentará seu mais duro teste em outubro e poderá banir das urnas políticos que, a partir de seus currais eleitorais, se perpetuavam impunes na administração pública. Pela primeira vez, a lei será aplicada a deputados, senadores, governadores e candidatos à Presidência da República.

Ainda que a lei esteja plenamente em vigor, o Ministério Público Eleitoral, responsável por contestar pelo menos 360 candidaturas – número que vai aumentar nas próximas semanas – com base na nova legislação de inelegibilidades até agora, prevê que políticos e advogados devem utilizar as mais diversas artimanhas para explorar brechas na Lei da Ficha Limpa e se apresentar normalmente como opção ao eleitor.

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Justiça nega habeas corpus a 23 ativistas e 18 deles estão foragidos
G1

O plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) negou, neste domingo (20), habeas corpus a 23 ativistas que são acusados pelo Ministério Público de planejar ações violentas em protestos — tendo, inclusive, a intenção de incendiar a Câmara do Rio. A informação foi veiculada pelo Fantástico.

Dos 23, 18 manifestantes estão foragidos. Entre os cinco presos, estão a ativista Elisa Quadros, a Sininho, e a dupla que teria provocado a morte do repórter cinematográfico Santiago Andrade em uma manifestação em fevereiro: Fábio Raposo e Caio Silva.

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Dunga volta ao comando da seleção brasileira
Pedro Mota Gueiros, O Globo

Há exatos 100 anos, a seleção brasileira tinha tudo pela frente ao iniciar sua trajetória com vitória por 2 a 0 sobre os ingleses do Exeter City. Na terça-feira, no primeiro dia do seu segundo século, só resta o passado como estímulo e ameaça para o futebol pentacampeão do mundo manter sua hegemonia. Depois de o Brasil sair da Copa humilhado como o anfitrião que cai com a cara no bolo, o chamado à lucidez não resistiu à tendência de negar a realidade.

No momento em que o esporte nacional necessita de uma internação para recuperar a identidade e o prestígio de outrora, a CBF contratou um ex-empresário de jogador, Gilmar Rinaldi, para coordenar a reestruturação, e anunciará a volta do técnico Dunga, símbolo maior do futebol de resultados e da combatividade, dentro e fora do campo.

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Ações de telecom sofrem com incertezas na Oi
Rennan Setti, O Globo

As últimas notícias do setor de telefonia provam que os consumidores que sofrem com a qualidade do sinal não estão sozinhos. Acionistas das operadoras têm passado por meses de provação, com intensa volatilidade dos papéis, crises de governança, rebaixamento por agências de classificação de risco e incertezas sobre o futuro das empresas — elementos fartos no enredo mais recente, o imbróglio entre Oi e Portugal Telecom.

Na opinião de analistas, o ideal é que os investidores se mantenham distantes do setor, uma vez que a perspectiva daqui para a frente também é negativa.

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Crise se espalha por todo o setor elétrico
Renée Pereira, Estadão

As chances de o Brasil enfrentar um novo racionamento este ano diminuíram, mas a crise financeira que assola o setor elétrico a cada dia ganha contornos mais preocupantes. Em um ano e meio, o segmento deixou de ser autossuficiente e passou a depender de medidas paliativas do governo federal para fechar as contas do mês.

Hoje, sem dinheiro extra, o caixa das companhias ficaria desfalcado e elevaria o risco de quebradeira geral no setor. O problema começou com as distribuidoras, mas já ameaça geradores, comercializadores e grandes consumidores que não têm conseguido pagar a conta de luz por causa da alta dos preços no mercado à vista, também chamado de PLD.

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ONU vota resolução sobre acidente aéreo na Ucrânia
O Globo

O Conselho de Segurança da ONU deve votar na segunda-feira uma resolução para condenar a queda do voo MH17, da Malaysia Airlines, que deixou 298 mortos após cair na Ucrânia, pedindo que se leve à Justiça os responsáveis ​​e exigindo que os grupos armados não comprometam a integridade do local do acidente.

Três dias depois da tragédia, a dificuldade em reaver os corpos na região onde o avião caiu, próximo ao vilarejo de Grabovo, na região de Donetsk, Leste do país, tem causado dor e revolta em parentes e políticos.

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Rebeldes pró-russos confinam os corpos de 200 vítimas em um trem
Rodrigo Fernández, El País

O Governo ucraniano e os separatistas pró-russos da autoproclamada República Popular de Donetsk chegaram a um acordo para retirar os corpos dos passageiros de um Boeing 777 da Malaysia Airlines derrubado por um míssil na quinta-feira.

Ontem, cinco vagões refrigerados com os restos de 196 vítimas saíram de Torez, com o previsível destino – ainda que não confirmado – de Donetsk. O líder separatista de Donetsk, Alexandr Borodai, destacou a possibilidade de que o trem não saia até que os especialistas aeronáuticos internacionais que se encontram em Kiev cheguem.

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Gaza tem o dia mais mortífero desde o começo da ofensiva israelense
Juan Gómez, El País

Gaza vive neste domingo o dia mais mortífero desde o início da incursão terrestre de Israel em território palestino na última quinta-feira. Entre sábado e domingo, 13 soldados israelenses morreram nos combates contra as milícias do Hamas, o que sobre para um total de 18 mortes, segundo confirmou o Governo israelense.

Todos os mortos pertenciam à Brigada Golani. É o maior número de mortos israelenses em combate desde o conflito com o Líbano, em 2006. Do lado palestino, foram 90 baixas em apenas um só dia, 430 desde o início dos combates.


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Blog do Noblat

Falta luz nos postes, por Mary Zaidan

Um ano e meio depois da façanha de eleger o prefeito de São Paulo, com 55,5% dos votos, o ex-presidente Lula assiste à queda livre de Fernando Haddad, rejeitado por 47% dos paulistanos, segundo pesquisa Datafolha.

Com repetitivos ataques à imprensa, Lula tenta escorar o seu mal fincado poste para evitar que ele caia sobre o poste seguinte, Alexandre Padilha, estacionado em 4% das intenções de voto para o governo paulista.

Apagão cada vez mais difícil de impedir, com efeito danoso à campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff, ela também poste precisando de esteio.

São Paulo sempre foi duríssimo para o PT, partido concebido, gerado e parido em solo paulista. Em eleições presidenciais, só venceu uma vez na capital, em 2002, ainda assim por 127 mil em quase 6 milhões de votos. Quatro anos depois, Lula perderia para Geraldo Alckmin na cidade – 53,6% a 46,4% - e no Estado, com mais de 2 milhões de votos pró-tucano. O mesmo ocorreu com Dilma, derrotada no primeiro e segundo turnos no maior colégio eleitoral do País, diferença que ela compensou em Minas Gerais e no Nordeste.

Na sexta-feira, em ato pró-Padilha na Praça da Sé, Lula escancarou sua tática para, pelo menos, perder menos em São Paulo. Antecipar-se às críticas ao prefeito, atribuindo todos os males à mídia: “você liga a televisão e todo o dia você apanha às 8h, às 3h da tarde, às 7h da noite. Às 6h da manhã já está apanhando”.

Seu discurso vai além: transforma obrigações de governo em benesses que deveriam ser agradecidas.

Como o ministro Gilberto Carvalho, que confessou perplexidade após as manifestações de junho do ano passado – “fizemos tanto por essa gente e agora eles se levantam contra nós” -, Lula reclamou aplausos dos que andam de ônibus. "Eu às vezes estou de carro, fico vendo a faixa vazia e xingo ele [Haddad]. Mas quem está no ônibus ganhando 40 minutos não está defendendo ele.”

Não aprenderam nada. Assim como os protestos de 2013 não se limitavam aos R$ 0,20, será preciso muito mais do que minutos a menos - e que não chegam aos 40 mentidos por Lula – para que se reconheça algo de bom no transporte e nos serviços públicos em geral, a maior parte deles para lá de precário.

Na ânsia de salvar Haddad/Padilha/Dilma e arrumar culpados pelos fracassos de seus postes, Lula, absoluto no palanque da Sé, ensinou: “Aquilo que a gente faz a gente mostra; aquilo que a gente não faz, os adversários mostram”.

Quase acertou em cheio. Faltou só somar o que se faz de errado. Uma parte da equação que Lula diz querer discutir, mas da qual sempre escapole, preferindo a escuridão, onde não se identificam os gatos. Nem os ratos.

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Lula na TV

          O ex-presidente Lula vai ser o âncora do programa de TV da presidente Dilma. Caberá a ele apresentar as realizações do governo. A ideia é renovar a imagem de que Dilma é a herdeira de Lula. Ao contrário da reta final da campanha de 2010, quando a presença de Lula e o protagonismo de Dilma dividiram os marqueteiros petistas, agora estão todos convencidos que Lula é o ator principal.

Ataque e contra-ataque
Essa campanha promete ser muito criativa. Os primeiros movimentos revelam que os times da presidente Dilma e do senador Aécio Neves estão afiados. O Instituto Teotônio Vilela ganhou as redes sociais por esses dias com um bordão econômico que faz alusão à derrota do Brasil à Alemanha na Copa: “7 x 1: 7% de inflação x 1% de crescimento”. Os petistas rangeram os dentes. Na próxima semana, o comitê eleitoral da presidente Dilma vai lançar na rede o seu placar: “20 x 5: 20 milhões de empregos criados na gestão petista x contra 5 milhões na gestão tucana". A campanha na TV e nas redes sociais reduziu o peso do corpo a corpo nas eleições para o Executivo.

“Eu quero falar da perda do futuro. Nós estamos jogando fora o futuro. Estamos perdendo. O futuro está se esvaindo. O Brasil era um país de futuro”

Cristovam Buarque

Senador (PDT-DF), que fez 2,6% dos votos para a Presidência em 2006, sobre as propostas dos atuais candidatos

Pagando o pato
As declarações dadas pelo deputado Romário (PSB) sobre a presidente Dilma sobraram para Lindbergh Farias (PT). No Planalto, a avaliação é de que o petista deveria ter controlado o aliado e acertado um pacto de não agressão antes.

A costura
Na base, aliados do candidato ao governo Roberto Requião (PMDB) e ao Senado, Álvaro Dias (PSDB), estão fazendo dobradinha. Requião é contra a cobrança de pedágio (remuneração das concessionárias) nas estradas do Paraná. Seu candidato ao Senado, Marcelo Almeida, é dono de uma das concessionárias, a C. R. Almeida.

Inventário
O Ministério da Saúde aproveitou a Copa para realizar testes de HIV nas cidades sede e em Porto Seguro (BA), onde ficou hospedada a delegação suíça. Foram 3.995 testes, 77 deles positivos. Foram distribuídas 4 milhões de camisinhas.

Deixa decantar
O comando da campanha da presidente Dilma decidiu que ela começará a percorrer o país pelos estados com palanque único, como Armando Monteiro (PE) e Fernando Pimentel (MG). Nos estados com vários candidatos da base ela vai esperar a definição do quadro eleitoral. O Rio é um dos estados que deve ficar para depois.

Para onde ir
O candidato tucano Aécio Neves pretende ir a todos os estados. Ela vai dar a largada percorrendo os menores, como Acre, Amapá e Roraima. Pois, se deixar para a reta final, a necessidade política poderá excluí-los da agenda.

Também quero
Depois do sucesso dos aeroportos na Copa, governadores batem às portas da Secretaria de Aviação Civil. Moreira Franco já conversou, sobre reformas e novos terminais, com o baiano Jaques Wagner e o gaúcho Tarso Genro.

Depois do Copa das Copas, o governo da presidente Dilma quer emplacar a expressão “Olimpíada das Olimpíadas" para 2016.

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O tal mercado

O comportamento de regozijo do mercado financeiro toda vez que uma pesquisa de opinião mostra a chance de derrota de Dilma na eleição presidencial tem gerado críticas por parte dos petistas, inclusive do mais graduado deles, o ex-presidente Lula, que chegou a ironizar recentemente esse comportamento: "Pelo o que eu sei esse tal de mercado internacional nunca votou em você (Dilma) e nunca votou em mim. Quem vota na gente é o povo, cujo único mercado que conhece é onde compra feijão".

Mas desde sempre a situação da economia não apenas influencia o resultado das eleições como também a situação política interfere na economia, especialmente em anos eleitorais como o que vivemos. “É a economia, estúpido”, já advertiu o marqueteiro James Carville na campanha que elegeu Bill Clinton presidente dos Estados Unidos.

Lula sabe o que é isso. Já tivemos no mercado internacional o lulômetro, que o banco de investimentos americano Goldman Sachs criou na eleição de 2002 para medir a influência na cotação do dólar do risco de Lula vir a ser eleito presidente da República. O modelo matemático previa que o dólar chegaria a 3 reais em outubro, e ele chegou a 4 diante da realidade de Lula subindo a rampa do Palácio do Planalto.

E, diante da desconfiança do tal mercado, Lula teve que lançar a “Carta aos Brasileiros” para garantir que não mudaria a política econômica. Anos depois, Lula se confessaria arrependido de ter feito tal carta, o que só reforça a desconfiança atual dos mercados com o governo Dilma.

Depois de duas eleições em que reeleger Lula ou eleger Dilma não parecia perigoso para a economia do país, chegamos este ano a uma eleição diferente. O ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que deve ser o principal nome da economia em um eventual governo do tucano Aécio Neves, já previra que a possibilidade de Dilma se reeleger no primeiro turno, como indicavam as pesquisas até pouco tempo, poderia ter o mesmo efeito que a vitória de Lula em 2002.

Em consequência, a possibilidade de haver segundo turno, com boa chance de derrota do PT, poderia fazer a Bolsa de Valores retomar o crescimento, depois de ter caído quase 40% nos anos Dilma.

Na semana passada, diante da pesquisa Datafolha que mostra um empate técnico entre a presidente Dilma e o candidato do PSDB Aécio Neves num segundo turno, o Ibovespa subiu, empurrado especialmente pelas ações das estatais. O que quer dizer que os investidores acreditam que num novo governo as estatais não serão mais usadas como instrumentos de política econômica, mas como empresas competitivas num mercado internacional cada vez mais difícil.

Isso por que o mercado, dizem os especialistas, é essencialmente um instrumento da democracia, como transmissor de informações e expressão da opinião pública. Lembrei-me de um debate, anos atrás, em que fiz a mediação entre dois dos pais do Real, os economistas Gustavo Franco e André Lara Resende, hoje atuando como assessor de Marina Silva, sobre o qual já escrevi na coluna.

Quando o assunto foi o mercado, os dois concordaram em que a sua impessoalidade sai sempre mais barata para o contribuinte. “Goste-se ou não, o mercado é a forma mais eficiente e influente de expressão da opinião pública, e transparência é tudo quando se trata do funcionamento do mercado”, disse Gustavo Franco.

Para ele, uma coisa é certa: “quanto mais distantes do mercado estiverem as relações entre o público e o privado, quanto mais discricionárias as decisões, e quanto menor a transparência, maior será a corrupção”.

André Lara Resende destacou que a contribuição mais relevante do economista austríaco liberal Friederich Hayeck “é o seu papel de defensor dos mercados, como insuperável transmissor de informação e estimulador da criatividade, onde se pode encontrar a mais coerente e fundamentada análise dos riscos econômicos e sociais do aumento do papel do Estado”.

Para Franco, “quem vai terminar com a sociedade do privilégio é a economia de mercado, e não é outro o motivo pelo qual a estabilização, a abertura, a desregulamentação, e a privatização geraram tantas tensões”. A economia de mercado, na definição de Franco, “é subversiva numa sociedade do privilégio, pois propugna a competição, a impessoalidade e a meritocracia, e dispensa, tanto quanto possível, a interveniência de um Estado cheio de vícios”.


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Blog do Reinaldo Azevedo

O PT e o futuro — Parece que a população está cansada do ódio como exercício da política e da política como exercício do ódio! Fala, Marilena Chaui!!!

Ai, ai… Vocês se lembram deste vídeo, não é mesmo?


Então… A petista com fama de filósofa protagonizou esse espetáculo grotesco no dia 14 de maio do ano passado. Em menos de um mês, teriam início as tais jornadas de junho. Em março, o Datafolha havia publicado uma pesquisa segundo a qual 65% achavam o governo ótimo ou bom. Para 27%, era regular. E apenas 7% o consideravam ruim ou péssimo. O petismo vivia, então, o auge do delírio de poder. E já fazia planos para, como dizer?, eliminar de vez a oposição no país. Nas redes sociais, a patrulha fascistoide assumia violência retórica inédita.

Deu-se, então, esse evento no Centro Cultural São Paulo. O que se comemorava lá? Relembro trecho de um texto que publiquei no dia 17 de maio de 2013 (em azul). Volto em seguida:

O sociólogo Emir Sader, emérito torturador da língua portuguesa, é organizador de um livro de artigos intitulado “10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma”. Não li os textos, de vários autores (dados alguns nomes, presumo o que vai lá). O título é coisa de beócios. Para que pudesse haver esse “depois”, forçoso seria que tivesse havido o “antes”. Como jamais houve liberalismo propriamente dito no país — o “neoliberalismo” é apenas uma tolice teórica, que nunca teve existência real —, a, digamos assim, “obra” já nasce de uma empulhação intelectual. Pode até ser que haja no miolo, o que duvido, um artigo ou outro que juntem lé com lé, cré com cré, o que não altera a natureza do trabalho. Quem foi neoliberal? Fernando Henrique? Porque privatizou meia dúzia de estatais? A privatização de aeroportos e estradas promovida por Dilma Rousseff — e ela o fez mal e tardiamente — é o quê? Expressão do socialismo? Do “neonacional-desenvolvimentismo”? Sader se orienta no mundo das ideias com a mesma elegância com que se ocupa da sintaxe, da ortografia e do estilo.

Na terça-feira passada, um evento no Centro Cultural São Paulo marcou o lançamento do livro. Luiz Inácio Lula da Silva (quando Sader está no mesmo texto, eu me nego a chamar Lula de “apedeuta”!) e Marilena Chaui estavam lá para debater a obra. Foi nesse encontro que a professora de filosofia da USP mergulhou, sem medo de ser e de parecer ridícula, na vigarice intelectual, na empulhação e na pilantragem teórica. Se eu não achasse que estamos diante de um caráter típico, seria tentado a tipificar uma patologia.

Retomo
O ex-presidente Lula, como vocês viram, aplaudiu. Este fim de semana trouxe uma série de pesquisas devastadoras para o PT. O governo é considerado ruim ou péssimo por 29% dos brasileiros, tecnicamente empatados com os apenas 32% que o veem como ótimo ou bom. Para 38%, é apenas regular. No segundo turno, Dilma já está em empate técnico com o tucano Aécio Neves. É também a candidata mais rejeitada: 35%.  A gestão de Fernando Haddad é reprovada por 47% dos paulistanos, e o candidato do partido ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, aparece com 4% dos votos. O tucano Geraldo Alckmin se reelegeria com 54% dos votos, e sua gestão é vista como ótima ou boa por 46% dos paulistas — só 14% a reprovam. Para a vaga no Senado, José Serra está na liderança.

Em desespero, Lula distribui broncas.

É isso aí. Que fique, mais uma vez, o registro da fala daquela senhora, aplaudida pelo chefão petista:
“É porque eu odeio a classe média. A classe média é um atraso de vida. A classe média é a estupidez. É o que tem de reacionário, conservador, ignorante, petulante, arrogante, terrorista. É uma coisa fora do comum a classe média (…) A classe média é a uma abominação política porque ela é fascista. Ela é uma abominação ética porque ela é violenta. E ela é uma abominação cognitiva porque ela é ignorante”.

Parece ser crescente o número de pessoas que rejeitam o ódio como exercício da política e a política como exercício do ódio.

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Cadeia para a canalha black bloc e suas fadinhas e duendes de fachada!

Não há forma mais perversa de criminalizar a liberdade de expressão e de manifestação do que confundi-la com banditismo. Durante um bom tempo, o país viveu uma espécie de apagão legal, com um governo incapaz de cumprir uma de suas funções — que é a garantia da lei e da ordem democráticas, conforme exige a Constituição — e uma imprensa que passou a fazer profissão de fé na baderna, como se estivéssemos diante de um quadro em que a sociedade está sendo esmagada pelo Estado, sem canais para expressar o seu descontentamento que não a violência.

Escrevi aqui em junho e nos meses seguintes: o Brasil não era o Egito. O Brasil não era a Líbia. O Brasil não era nem mesmo a Turquia. O primeiro país passou, tudo bem pesado, por três golpes. O segundo está sendo governado por milícias terroristas. O terceiro vive uma luta intestina entre a democracia como um valor laico, que não repudia a religião, e a religião que se pretende expressão da maioria e que repudia a… democracia.

A Polícia, o Ministério Público e a Justiça resolveram, depois de uma fase de espantoso entorpecimento, agir contra os vândalos da ordem democrática. Espero que, num futuro nem tão distante, ainda venhamos a refletir sobre estes dias e perguntar como foi possível ter tanta tolerância com a violência, com a truculência, com a determinação escancarada de violar princípios elementares da civilidade. E foi precisamente isso que fizeram os black blocs e alguns ditos “líderes” de manifestações que agora tiveram a prisão preventiva decretada.

Compreendo que o papel dos advogados seja, afinal, advogar… Não questiono a legitimidade de sua tarefa, um dos pilares do Estado de Direito. Mas essa mesma ordem, que defendo de modo incondicional, me permite escarnecer dos argumentos de alguns doutores. No terreno do pensamento, seria mais decente e lógico que buscassem sustentar a legitimidade, nunca a legalidade!, da violência a que aderiram seus clientes — por absurdo que pareça — do que apelar, para defendê-los, aos fundamentos do tal Estado de Direito. A razão é simples: aquela gente só partiu para a ação direta, para o quebra-quebra, para a pauleira, porque não acreditava, e não acredita, nas garantias e nos valores com os quais tenta agora se defender.

Se a Polícia, como diziam e dizem esses valentes, é só a expressão armada de um Estado autoritário e fascista; se a Justiça já não serve como espaço de arbitragem de demandas; se os Poderes instituídos, enfim, existem para esmagar o que consideram ser a sua liberdade, que sentido faz pedir que os supostos algozes compreendam as razões de suas supostas vítimas?

Nessa hora, um apressadinho já se ajeita na cadeira: “Ah, então os perseguidos políticos nas ditaduras não deveriam nem mesmo ter um advogado, porque estariam fazendo justamente o que você diz: apelando a uma instância cuja legitimidade questionam…” Pois é: chegamos ao busílis da coisa, ao cerne da questão: vivemos num regime democrático, não numa tirania.

Esse regime tem muitas imperfeições e vive sendo ameaçado por correntes autoritárias. Mas ainda estamos numa democracia, sim, e a Constituição e as leis que estão em vigor foram pactuadas.  Num estado discricionário, quando o advogado de um inimigo do poder apela à Corte, ele dá a sua contribuição pessoal para denunciar o regime. A democracia, que os baderneiros tomam como falácia, é de tal sorte tolerante que lhes permite apelar em nome dos fundamentos nos quais eles próprios não acreditam.

Comprovadas as culpas dos que estão presos — e espero que os foragidos sejam logo capturados —, resta à ordem democrática brasileira provar a esses valentes que este é o regime em que é proibido bater, quebrar, depredar, incendiar e… matar. E que seu lugar é a cadeia. Não necessariamente para que aprendam alguma coisa. Mas para que saibam que nós aprendemos.

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Arruda evita imprensa e faz campanha silenciosa no Distrito Federal
Evandro Éboli e Jailton de Carvalho, O Globo

Depois do vídeo divulgado em 2009 — no qual aparecia recebendo dinheiro três anos antes — com efeito estrondoso que fulminou suas pretensões políticas e o tirou do cargo de governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PR) faz uma campanha silenciosa, de formiguinha, para tentar voltar ao cargo.

O Arruda 2014 vai de porta em porta, entregando seus santinhos pessoalmente aos eleitores. "Desculpe incomodá-los. Com licença gente, posso deixar com vocês?", apresenta-se o candidato, distribuindo seu santinho no corpo a corpo de campanha.

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Dilma anuncia mais R$ 40 milhões para cidades no Rio Grande do Sul
Flávio Ilha, O Globo

A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem, em Uruguaiana (RS), a liberação de R$ 40 milhões para a reconstrução de estradas atingidas pela chuva registrada no final de junho no Rio Grande do Sul. Pela manhã, a presidente fez um sobrevoo de 12 minutos na área atingida pela cheia do rio Uruguai.

O anúncio ocorreu durante uma reunião que contou com a presença de 10 prefeitos da região da Fronteira Oeste e do governador do Estado, Tarso Genro. O plano de reconstrução encaminhado pelo governo gaúcho será repassado em sete dias à Secretaria Nacional de Defesa Civil, responsável pela liberação dos recursos.

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Aécio diz que 'PT está à beira de ataque de nervos'
Laryssa Borges, Veja

Faltando um mês para o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV, o candidato do PSDB à Presidência da República Aécio Neves disse que a rejeição do eleitor ao governo da presidente Dilma Rousseff abre espaço para que o PT atue com “terrorismo eleitoral” e o acuse de querer acabar com programas de assistência social, como o Bolsa Família.

Para o tucano, a constatação, medida pelo Instituto Datafolha, de que 35% do eleitorado não votariam na petista “de jeito nenhum”, coloca o PT “à beira de um ataque de nervos”.

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Campos diz que Dilma não concluiu obras no Nordeste
Carol Sanches, Estadão

O candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, disse ontem, durante visita a capital alagoana, que o atual governo não concluiu nenhuma das obras que foram iniciadas no Nordeste desde que assumiu a gestão. Para Campos, a presidente Dilma Rousseff (PT) não se preocupou com a região onde teve mais de 11 milhões de votos.

Campos destacou que tem um compromisso com o Nordeste e fez críticas ao governo. "Não vemos uma obra que começou no governo de Dilma ter sido concluída. O Canal do Sertão está aí, sem um hectare de terra irrigado, sem levar água do canal para as cidades que estão com sede. Vemos o potencial turístico do litoral alagoano sem a obra da duplicação da AL-101, que foi uma luta nossa desde o governo de Lula", disse.

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Sininho incitou black blocs a incendiar Câmara do Rio
Daniel Haidar, Veja

Na denúncia apresentada ao juiz Flávio Itabaiana em que foi obtida a prisão preventiva e a abertura de um processo penal por associação criminosa armada contra 23 ativistas e black blocs, o promotor Luís Otávio Figueira Lopes descreveu que Elisa Quadros, a Sininho, incitou manifestantes a incendiar o prédio da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, durante a ocupação do local por baderneiros no ano passado - o ato foi impedido por outros participantes do protesto.

"Elisa foi vista comandando manifestantes no sentido de carregarem três galões de gasolina para a Câmara Municipal", diz a denúncia assinada por Lopes. A promotoria também afirma que Sininho foi uma das responsáveis, com outros seis líderes processados neste caso, por comandar e levar manifestantes a queimar um ônibus durante o Ocupa Câmara.

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Se não mudarem, FMI e Banco Mundial perderão relevância global
Eliane Oliveira, O Globo

A criação de um banco de desenvolvimento e um fundo de reservas para ajudar a resolver problemas de fluxo de caixa e balanço de pagamento do Brics, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, não é uma contraposição ao Banco Mundial (Bird) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI), mas esses instrumentos precisam ser reformulados para sobreviver.

A avaliação é do ministro da Fazenda, Guido Mantega, um dos articuladores das novas instituições, lançadas oficialmente na terça-feira em Fortaleza. "Os instrumentos sobrevivem e sobreviverão, desde que reformulados, senão vão perdendo sua importância. Ou eles (FMI e Bird) expressam melhor a nova realidade mundial, com novas potências e em pé de igualdade, ou deixam de ser importantes", disse.

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Ucrânia tem provas de participação russa no ataque a avião da Malásia
Rodrigo Fernández, El País

Enquanto os cadáveres das 298 vítimas do voo MH-17 apodrecem ao sol, com 30 graus de temperatura, e se multiplicam as pressões sobre Moscou por parte do Ocidente – lideradas por Mark Rutte, primeiro ministro da Holanda, que perdeu 193 cidadãos –, as autoridades ucranianas afirmaram ontem ter provas da implicação da Rússia no ataque.

Em uma entrevista coletiva em Kiev, Vitaly Naida, responsável pela Contraespionagem do Serviço de Segurança Estatal (SBU, na sigla ucraniana), mostrou fotografias do que afirmou serem três sistemas de mísseis Buk-M1 a caminho da fronteira russa. Assegurou que dois cruzaram a fronteira às duas da madrugada de sexta-feira (20 horas de quinta-feira, horário de Brasília), ou seja, dez horas depois do Boeing 777 da Malaysia Airlines ser atingido em pleno voo.

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Ataque israelense a Gaza abala a unidade palestina
Juan Gómez, El País

Era preciso reparar nas duas bandeiras amarelas que ondeavam sobre os alto-falantes para perceber que o discurso inflamado de resistência que troava no sábado em frente ao hospital de Jan Yunis provinha dos palestinos próximos ao Movimento de Libertação Nacional da Palestina, o Al Fatah. Em um tom que poderia muito bem ser confundido com o típico usado pelo grupo islâmico e também palestino Hamas, a voz pedia resposta contra os ataques israelenses e a "libertação da Palestina".

As pessoas ali reunidas esperavam nove corpos, vítimas de um só projétil de um drone israelense na noite anterior. O aspecto da multidão, composta em sua maioria por homens bem barbeados e vestidos à europeia, corresponde com o que se espera dos seguidores da Al Fatah, o partido do presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas. O cortejo fúnebre levou dois cadáveres amortalhados com bandeiras verdes do Hamas. Os outros sete, envoltos nas cores palestinas, eram da Al Fatah.

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Jihadistas executaram 270 em campo de gás na Síria, denuncia ONG
O Globo

Jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI) executaram 270 pessoas durante a invasão de um campo de gás na Síria e apedrejaram duas mulheres, denunciou neste sábado o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), num dos confrontos mais violentos entre o grupo dissidente da al-Qaeda e as tropas do presidente sírio Bashar al-Assad.

"Trata-se da operação mais mortífera realizada pelo Estado Islâmico desde o nascimento do grupo no ano passado", disse o grupo de monitoramento com sede no Reino Unido, em referência ao ataque que aconteceu na última quinta-feira no campo de gás de Chaer.

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Apenas um a cada quatro eleitores aprova Dilma nas grandes cidades. Rejeição da petista chega a 42%.

Apesar de ainda liderar a disputa pelo Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff perdeu parte do capital político que tinha nos grandes centros urbanos — cidades que têm mais de 500 mil habitantes e que costumam funcionar como polos propagadores de votos para o resto do país. Segundo pesquisa do Instituto Datafolha divulgada na quinta-feira, nos últimos 15 dias, houve queda na intenção de votos na petista e aumento de seus índices de rejeição. Além disso, piorou a avaliação de desempenho do atual governo. Os dados foram recebidos com preocupação pelo comitê que trabalha na reeleição da presidente.

De acordo com a sondagem, o percentual de eleitores que consideram a gestão de Dilma “ótima ou boa” recuou de 30%, no início de julho, para 25% nos municípios com mais de 500 mil habitantes. No mesmo período, a classificação de “ruim ou péssimo” foi de 31% para 37%, e a “regular”, de 38% para 37%, na mesma região.

Essa piora na avaliação se refletiu nos demais indicadores da pesquisa. Dilma viu as intenções de voto nessas cidades caírem de 32% para 29%. O percentual de eleitores que dizem votar no tucano Aécio Neves — que até aqui aparece como principal adversário à reeleição de Dilma — diminuiu de 24% para 22%, enquanto o de Eduardo Campos (PSB) foi de 8% para 9%. Cresceu, neste item, o número de votos em branco e nulos (de 17% para 19%) e dos eleitores que afirmaram que não sabem quem escolher (de 9% para 12%).

Já a rejeição de Dilma nos maiores municípios do país, que era de 37% no início de julho, chega agora a 42%. A de Aécio avançou um ponto percentual (para 21%), e a de Campos foi de 16% para 19%.

A IMPORTÂNCIA DA PROPAGANDA DE TV

Para analistas ouvidos pelo GLOBO, as atenções do eleitor sobre o processo político foram ofuscadas durante a Copa do Mundo, o que gerou uma sensação de melhora do governo e se refletiu nos números divulgados pelo Datafolha no início de julho. Contudo, terminada a competição, a falta de um legado concreto que melhore a rotina da população das grandes cidades reativou as tensões sociais expostas desde junho do ano passado.

Num cenário como este, ressaltam analistas, a propaganda no rádio e na TV será ainda mais importante na definição da eleição. A presidente Dilma terá o dobro do tempo de exposição de seus adversários e precisaria aproveitar isso em seu favor. (O Globo)


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Blog do Noblat

O correto uso do papel higiênico
João Ubaldo Ribeiro

(A última crônica do escritor que morreu ontem)

O título acima é meio enganoso, porque não posso considerar-me uma autoridade no uso de papel higiênico, nem o leitor encontrará aqui alguma dica imperdível sobre o assunto. Mas é que estive pensando nos tempos que vivemos e me ocorreu que, dentro em breve, por iniciativa do Executivo ou de algum legislador, podemos esperar que sejam baixadas normas para, em banheiros públicos ou domésticos, ter certeza de que estamos levando em conta não só o que é melhor para nós como para a coletividade e o ambiente.

Por exemplo, imagino que a escolha da posição do rolo do papel higiênico pode ser regulamentada, depois que um estudo científico comprovar que, se a saída do papel for pelo lado de cima, haverá um desperdício geral de 3,28%, com a consequência de que mais lixo será gerado e mais árvores serão derrubadas para fazer mais papel. E a maneira certa de passar o papel higiênico também precisa ter suas regras, notadamente no caso das damas, segundo aprendi outro dia, num programa de TV.

Tudo simples, como em todas as medidas que agora vivem tomando, para nos proteger dos muitos perigos que nos rondam, inclusive nossos próprios hábitos e preferências pessoais. Nos banheiros públicos, como os de aeroportos e rodoviárias, instalarão câmeras de monitoramento, com aplicação de multas imediatas aos infratores.

Nos banheiros domésticos, enquanto não passa no Congresso um projeto obrigando todo mundo a instalar uma câmera por banheiro, as recém-criadas Brigadas Sanitárias (milhares de novos empregos em todo o Brasil) farão uma fiscalização por escolha aleatória.

Nos casos de reincidência em delitos como esfregada ilegal, colocação imprópria do rolo e usos não autorizados, tais como assoar o nariz ou enrolar um pedacinho para limpar o ouvido, os culpados serão encaminhados para um curso de educação sanitária. Nova reincidência, aí, paciência, só cadeia mesmo.

Agora me contam que, não sei se em algum estado ou no país todo, estão planejando proibir que os fabricantes de gulodices para crianças ofereçam brinquedinhos de brinde, porque isso estimula o consumo de várias substâncias pouco sadias e pode levar a obesidade, diabetes e muitos outros males. Justíssimo, mas vejo um defeito.

Por que os brasileiros adultos ficam excluídos dessa proteção? O certo será, para quem, insensata e desorientadamente, quiser comprar e consumir alimentos industrializados, apresentar atestado médico do SUS, comprovando que não se trata de diabético ou hipertenso e não tem taxas de colesterol altas.

O mesmo aconteceria com restaurantes, botecos e similares. Depois de algum debate, em que alguns radicais terão proposto o Cardápio Único Nacional, a lei estabelecerá que, em todos os menus, constem, em letras vermelhas e destacadas, as necessárias advertências quanto a possíveis efeitos deletérios dos ingredientes, bem como fotos coloridas de gente passando mal, depois de exagerar em comidas excessivamente calóricas ou bebidas indigestas. O que nós fazemos nesse terreno é um absurdo e, se o Estado não nos tomar providências, não sei onde vamos parar.

Ainda é cedo para avaliar a chamada lei da palmada, mas tenho certeza de que, protegendo as nossas crianças, ela se tornará um exemplo para o mundo. Pelo que eu sei, se o pai der umas palmadas no filho, pode ser denunciado à polícia e até preso. Mas, antes disso, é intimado a fazer uma consulta ou tratamento psicológico.

Se, ainda assim, persistir em seu comportamento delituoso, não só vai preso mesmo, como a criança é entregue aos cuidados de uma instituição que cuidará dela exemplarmente, livre de um pai cruel e de uma mãe cúmplice. Pai na cadeia e mãe proibida de vê-la, educada por profissionais especializados e dedicados, a criança crescerá para tornar-se um cidadão modelo. E a lei certamente se aperfeiçoará com a prática, tornando-se mais abrangente.

Para citar uma circunstância em que o aperfeiçoamento é indispensável, lembremos que a tortura física, seja lá em que hedionda forma — chinelada, cascudo, beliscão, puxão de orelha, quiçá um piparote —, muitas vezes não é tão séria quanto a tortura psicológica.

Que terríveis sensações não terá a criança, ao ver o pai de cara amarrada ou irritado? E os pais discutindo e até brigando? O egoísmo dos pais, prejudicando a criança dessa maneira desumana, tem que ser coibido, nada de aborrecimentos ou brigas em casa, a criança não tem nada a ver com os problemas dos adultos, polícia neles.

Sei que esta descrição do funcionamento da lei da palmada é exagerada, e o que inventei aí não deve ocorrer na prática. Mas é seu resultado lógico e faz parte do espírito desmiolado, arrogante, pretensioso, inconsequente, desrespeitoso, irresponsável e ignorante com que esse tipo de coisa vem prosperando entre nós, com gente estabelecendo regras para o que nos permitem ver nos balcões das farmácias, policiando o que dizemos em voz alta ou publicamos e podendo punir até uma risada que alguém considere hostil ou desrespeitosa para com alguma categoria social.

Não parece estar longe o dia em que a maioria das piadas será clandestina e quem contar piadas vai virar uma espécie de conspirador, reunido com amigos pelos cantos e suspeitando de estranhos. Temos que ser protegidos até da leitura desavisada de livros.

Cada livro será acompanhado de um texto especial, uma espécie de bula, que dirá do que devemos gostar e do que devemos discordar e como o livro deverá ser comentado na perspectiva adequada, para não mencionar as ocasiões em que precisará ser reescrito, a fim de garantir o indispensável acesso de pessoas de vocabulário neandertaloide.

Por enquanto, não baixaram normas para os relacionamentos sexuais, mas é prudente verificar se o que vocês andam aprontando está correto e não resultará na cassação de seus direitos de cama, precatem-se.

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Disputa acirrada

As pesquisas eleitorais que vão sendo divulgadas indicam que a campanha presidencial será disputada em condições bastante diferentes das de 2010, quando a então candidata Dilma Rousseff foi eleita no segundo turno com uma diferença de mais de 12 milhões de votos sobre o candidato tucano José Serra.

O maior problema para os estrategistas do governo é que tanto no primeiro quanto no segundo turnos daquele ano a candidata governista teve a base de sua vitória no nordeste. No segundo turno Dilma abriu 11.77.817 votos de diferença no norte e nordeste do país. Nas demais regiões – sul, sudeste e centro-oeste – teve uma vitória apertada, com apenas 275.124 votos de diferença.

A atuação no primeiro turno, equivalente ao que está sendo apurado agora pelas pesquisas eleitorais, teve votações formidáveis em diversos estados que hoje não parecem tão favoráveis à reeleição de Dilma, a começar pelo nordeste, que embora continue sendo o ponto forte da candidata petista, mostrou uma redução do apoio nesta última pesquisa Datafolha, de 55% para 49%.

Além disso, a oposição está mais bem representada em estados importantes naquela região, seja pela candidatura do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, do PSB, seja pelos palanques que o PSDB conseguiu montar. Em Pernambuco, a candidatura petista, apoiada pelo PSB, teve 1.9 milhão votos de diferença a seu favor, e hoje, embora a as pesquisas continuem mostrando a presidente muito forte, provavelmente será Eduardo Campos quem vai fazer essa diferença, se não maior, sobre Dilma e Aécio.

A vitória de Dilma na Bahia foi de 2,7 milhões de votos, mas hoje o prefeito de Salvador ACM Neto, do DEM é a força política em ascensão no Estado, e ele está apoiando o candidato tucano juntamente com a dissidência do PMDB local. Dificilmente Dilma ganhará a eleição lá, muito menos por essa diferença.

No Ceará, a diferença a favor do governo foi de 2 milhões de votos, mas hoje a candidatura dissidente do PMDB do senador Eunício de Oliveira é a favorita, em coligação com o PSDB que terá o ex-governador Tasso Jereissatti como candidato a senador.

No Amazonas, a candidata Dilma Rousseff teve 64,7% dos votos, tirando uma diferença a seu favor de mais de 850 mil votos. Hoje, a capital está sendo governada pelo PSDB, que tem em Arthur Virgilio um forte cabo eleitoral.

No Maranhão, onde Dilma teve 1,6 milhão votos a mais, o clã Sarney em crise não terá a mesma força, sem falar que a governadora Roseana pode apoiar Aécio, que está em uma coligação com Flavio Dino, do PC do B, o favorito da eleição.

No chamado Triângulo das Bermudas, que reúne os três maiores colégios eleitorais do país, a situação política não pressupõe as facilidades tidas em 2010 pelo governo. No Rio de Janeiro, a dissidência do governo Cabral/Pezão a cada dia fica mais explícita pelos atos, não pelas palavras. Ontem o candidato Aécio Neves visitou o cardeal do Rio D. Orani Tempesta acompanhado do senador Francisco Dornelles, que acumula o cargo de candidato a vice de Pezão com o fato de ser tio de Aécio.

A diferença de 1,8 milhão de votos dificilmente será alcançada pela candidatura petista, que tem a apoiá-la o senador Lindbergh Farias, candidato que continua em último lugar nas pesquisas e sem a máquina eleitoral que Pezão comanda. Os dois líderes da pesquisa, Garotinho do PR e Crivela do PRB, podem apoiar Dilma, mas o governo não sabe ainda se ajudaria ou atrapalharia.

Em Minas Gerais, a presidente Dilma, à frente de uma chapa virtual Dilmasia (com o então candidato ao governo Antonio Anastasia, do PSDB) teve uma diferença a seu favor de 1,8 milhão de votos. Desta vez, os aecistas fazem o cálculo de que o candidato tucano terá cerca de 3 milhões de votos, no mínimo, a mais que Dilma.

Em São Paulo, terreno em que os tucanos têm derrotado o PT em todas as eleições para Presidente da República, o PSDB acha que aumentará a vantagem que José Serra teve no segundo turno, de cerca de 1,8 milhão de votos. Ainda mais depois que a pesquisa Datafolha mostrou o governador Geraldo Alckmin deslanchando na eleição para governador e começando a transferir votos de seus eleitores para Aécio.

A taxa de rejeição de Dilma em São Paulo é maior do que a sua média nacional, que já é alta: ela tem 35% de rejeição no país e 47% no Estado. Nada mais exemplar das dificuldades que a candidatura Dilma encontra em São Paulo do que o resultado da pesquisa sobre o segundo turno no Estado: Aécio vence por 50% a 31% e Campos, por 48% a 32%.

Como no momento Aécio está empatado com Dilma em 25% das preferências e Eduardo Campos tem apenas 8% no Estado, é de se supor que no decorrer da campanha os números se ajustarão em favor da oposição.

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Blog do Ilimar Franco

Aécio na TV

          O tucano Aécio Neves quer invadir as TVs de aliados da presidente Dilma, mas que são adversários do PT nas eleições estaduais. O tucano não poderá pedir votos para si. Mas pedirá para candidatos a governador que enfrentem petistas com apoio do PSDB. “A ideia é reforçar a identidade entre ambos”, frisa o deputado Carlos Sampaio, integrante da coordenação jurídica da campanha.

Uma pontinha na tela
Já estaria acertado, segundo os tucanos, que Aécio Neves pedirá votos na TV no horário dos candidatos aos governos gaúcho, Ana Amélia (PP), e capixaba, Paulo Hartung (PMDB). O PSDB trabalha para abrir uma janela na telinha do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ). Mas Aécio já garantiu sua presença pedindo votos para Cesar Maia (DEM), candidato ao Senado apoiado por Pezão. No Ceará, no tempo do candidato a governador Eunício Oliveira (PMDB), as portas já estão fechadas pois esse foi o acerto com o PSDB local. Mas o tucano poderá usufruir do tempo na TV do candidato ao Senado da chapa, o correligionário Tasso Jereissati.

“Tapa os ouvidos aí Eunício (Oliveira), porque agora eu vou falar do Aécio (Neves)”

Tasso Jereissati
Candidato do PSDB ao Senado, dirigindo-se ao candidato a governador da chapa num evento de campanha

A tática do medo
O prefeito Alexandre Cardoso (Duque de Caxias) organiza ato, em agosto, de defesa dos programas sociais do governo. O mote será o Mais Médicos. A ideia é associar a proposta tucana de renegociar o contrato com Cuba ao desmonte do programa.

Ciumeira
O tiroteio na cúpula do PT, do governo e da campanha da presidente Dilma é intenso. Algumas estrelas do petismo estão se queixando pelos cantos que não estão sendo ouvidas. Eles se dizem excluídos, a exemplo do que fazem os partidos aliados do PT. Por isso, sempre que há alguma divergência é a presidente quem bate o martelo.

Quem sabe faz a hora
Alguns analistas políticos consideram que é cedo para saber o que os candidatos a presidente farão se forem eleitos. Avaliam que todos eles estão falando para os ouvidos dos agentes econômicos e dos financiadores das campanhas eleitorais.

Ponto de partida
O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, vai dar início a campanha nessa segunda-feira. Num ato simbólico, ele fará uma visita ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG). Foi nessa igreja, em 1984, que seu avô, Tancredo Neves, começou caminhada que o levou, no ano seguinte, a eleger-se à Presidência.

Muito além do jardim
Os candidatos nanicos estão entrando na atual campanha presidencial, segundo as pesquisas, em patamares muito acima de seu desempenho. Em 2010, o PCO fez 12 mil votos (0,01%); o PSTU fez 84 mil (0,08%); e, o PSOL fez 886 mil (0,87%).

Está tudo sempre bem
O time do senador Lindbergh Farias (PT) diz que ele ficou entusiasmado com o Datafolha. Ele já estava otimista quando era o terceiro. Agora, o motivo do ufanismo é que ele larga com 12%, enquanto em 2010 ele começou com 4%.

A META imediata da campanha do candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, é atingir a base social petista. Hoje ele tem 4% nas pesquisas.


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Blog do Noblat

Ministério Público planeja ações para reaver dinheiro do mensalão
Laryssa Borges, Veja

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou ontem que o Ministério Público planeja entrar com ações na Justiça para tentar recuperar o dinheiro desviado no mensalão. Ao longo do julgamento do maior escândalo de corrupção da história do país, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estimaram que pelo menos 173 milhões de reais tenham passado pelas mãos dos mensaleiros.

Já o operador do esquema, Marcos Valério, chegou a projetar que o caixa para subornar políticos chegaria a pelo menos 350 milhões de reais. De acordo com o chefe do Ministério Público, a principal tarefa agora é conseguir contabilizar o montante dos recursos que escoaram pelo esquema.

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Procurador-geral diz que Arruda é ficha-suja e defende cassação
Erich Decat, Estadão

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu que o ex-governador José Roberto Arruda (PR) não dispute a eleição para governador do Distrito Federal. Arruda, que renunciou ao cargo em 2009, meses antes da aprovação da Lei da Ficha Limpa, foi condenado neste mês em órgão colegiado do Judiciário por envolvimento no chamado mensalão do DEM.

O Ministério Público Eleitoral já pediu a impugnação de Arruda com base na Ficha Limpa. Se a candidatura for mantida e o ex-governador vencer a disputa de outubro, Janot afirmou que a Procuradoria vai recorrer para tentar impedir a diplomação.

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Cardozo anuncia segurança reforçada para as eleições
O Globo

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou a criação de uma comissão que irá estabelecer novas estratégias e atividades para os Centros Integrados de Comando e Controle (CICC) durante o período eleitoral. Ontem, durante reunião com secretários de segurança pública dos estados que sediaram a Copa do Mundo, em Salvador (BA), Cardozo usou como exemplo a organização das forças de segurança durante o Mundial para traçar metas para as eleições deste ano.

Também estavam presentes na reunião integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). "Esse é o desafio que nós temos agora. Criar uma política de segurança pública que seja de Estado e não de governo. Na Copa do Mundo nós rompemos uma cultura de 'isolacionismo'. Nós conseguimos juntar tudo", disse Cardozo.

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Dilma ataca criação de ‘cenário de incerteza’ da oposição
Flávio Ilha, O Globo

A presidente Dilma Rousseff aproveitou a posse da nova diretoria da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), ontem em Porto Alegre, para atacar os indicadores da política econômica do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), entre 1995 e 2002.

Segundo Dilma, os indicadores atuais apresentam “muito mais robustez do que há 12 anos”. A presidente salientou que em 15 anos de regime de metas de inflação, adotado em 1999, o resultado “estourou” o teto em apenas três anos.

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Justiça do Rio aceita denúncia e decreta prisão de 23 black blocs
Veja

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou na noite de ontem denúncia do Ministério Público contra 23 ativistas acusados de formação de quadrilha armada e decretou sua prisão preventiva.

Cinco dos réus integram o grupo de black blocs que tiveram a prisão temporária decretada no último sábado, véspera da final da Copa do Mundo, durante a Operação Firewall, e que foram beneficiados por habeas corpus durante esta semana. Segundo o Tribunal de Justiça, os mandados de prisão já foram expedidos.

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TCU encontra superfaturamento na ferrovia Norte-Sul
André Borges, Estadão

Mais uma vez, a ferrovia Norte-Sul é alvo de superfaturamento e uma série de outras irregularidades, como liquidação irregular da despesa, fiscalização ou supervisão deficiente ou omissa e projeto de engenharia deficiente ou desatualizado. Os problemas foram encontrados por uma recente auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).

No Lote 12 da Norte-Sul, entre os municípios de Aguirnópolis e Palmas, no Estado de Tocantins, foi confirmado um superfaturamento de R$ 37,3 milhões em obras tocadas pela empreiteira SPA Engenharia. O contrato firmado em 2007 tem valor global de R$ 299,6 milhões.

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Após resultado do Datafolha, bolsa registra maior nível em 16 meses
Veja

A bolsa brasileira fechou em seu maior patamar em um ano e quatro meses ontem, após pesquisa eleitoral do instituto Datafolha mostrar competição mais acirrada em um eventual segundo turno nas eleições de outubro. O Ibovespa subiu 2,47%, a 57.012 pontos, maior patamar de fechamento desde 14 de março de 2013.

O giro financeiro do pregão foi de 10,14 bilhões de reais, ante média no ano de 6,5 bilhões de reais. Na semana, o Ibovespa acumulou alta de 4,07%, o melhor desempenho semanal desde o fim de março. A pesquisa Datafolha, que o mercado vinha tentando antecipar nos últimos dias, mostrou que a presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves (PSDB) estão tecnicamente empatados em um eventual segundo turno nas eleições presidenciais de outubro.

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Cristãos fogem de Mosul para não serem assassinados
Veja

Grupos de cristãos fugiram nesta sexta-feira de Mosul, a segunda maior cidade do Iraque, após o fim do prazo concedido pelo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) para que deixassem a localidade, tomada pelos jihadistas em 10 de junho. O pároco de uma igreja da cidade vizinha de Al Hamdaniya, Bashar al Kadia, disse que mais de 110 famílias se refugiaram no povoado e pelo menos outras vinte foram para a localidade de Bashiga.

O EIIL tinha dado três dias para que todos os cristãos locais deixassem a cidade. Uma das pessoas que fugiram, Ran Yacob, disse que os extremistas roubaram joias, dinheiro, móveis e objetos pessoais quando as famílias passaram pelos postos de controle que jihadistas instalaram na saída de Mosul.

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Negociações nucleares com Irã são prorrogadas por 4 meses
O Globo

Irã e seis potências mundiais concordaram na sexta-feira em prorrogar as negociações sobre o programa nuclear do país por mais quatro meses. Irã, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia e China haviam estabelecido 20 de julho como prazo para conclusão do acordo, que visa resolver uma disputa de dez anos a respeito dos direitos e das ambições de Teerã em relação ao seu programa nuclear.

Estados Unidos e Israel, por exemplo, acusam o Irã de querer desenvolver uma bomba atômica. O país nega e afirma que tem o direito de produzir energia nuclear. Sanções unilaterais americanas e europeias, assim como as aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, isolaram a economia do Irã dos mercados mundiais e das finanças globais.

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Avanço militar israelense em Gaza semeia terror e provocação
Noah Browning, Reuters

Palestinos de Gaza encolhiam-se temendo por suas vidas enquanto militantes do Hamas pediam por valentia depois de Israel enviar forças, na quinta-feira, ao densamente povoado território após 10 dias de trocas de tiros na fronteira. Pessoas abandonaram casas em ruas normalmente apinhadas depois de uma noite de bombardeios.

Navios lançando tiros de metralhadoras aproximaram-se da costa mediterrânea do enclave no deserto, com disparos de artilharia iluminando de laranja o horizonte a cada poucos segundos e balançando edifícios com ataques aéreos. Grupos pequenos de homens sonolentos marcharam para as orações da sexta-feira na Cidade de Gaza, apesar da artilharia israelense.

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Obama articula com aliados novas sanções contra Rússia
O Globo

Um dia após a queda de um avião no Leste da Ucrânia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ligou para aliados para pressionar por mais sanções contra a Rússia, a quem o americano acusa de causar instabilidade na região. Ele ligou para a chanceler federal alemã, Angela Merkel, para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, e para o premier australiano Tony Abbott.

"Embora concordando em continuar os esforços para encontrar uma solução diplomática para a crise atual, eles reafirmaram sua determinação de permanecer em contato próximo, pois consideram que podem ser necessárias ações adicionais", disse a Casa Branca sobre a conversa entre Obama e Merkel.

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Rejeição a Dilma em São Paulo é de 47%; no Estado, Aécio a vence no 2º turno por 50% a 31%; PT decide se colar a movimentos sociais para tentar reverter desvantagem. Grande ideia! Vá fundo!

Ainda voltarei ao tema — e vai me tomar um tempinho —, mas o fato é que foi em São Paulo que tudo começou. Foi neste Estado, especialmente na capital, que alguns aprendizes de feiticeiro do Planalto — entre eles, José Eduardo Cardozo e Gilberto Carvalho — resolveram brincar de insuflar a desordem. A ideia era botar Geraldo Alckmin na frigideira. Deram-se mal. Muito mal. Mas este post vai cuidar de outro assunto. São Paulo decidiu ver quem sobe e desce a rampa. E boa parte do eleitorado não quer saber de Dilma Rousseff, o que está deixando os petistas em pânico. Segundo a mais recente pesquisa Datafolha, 47% dos eleitores do Estado não votariam nela de jeito nenhum — a sua taxa de rejeição no país é de 35%, a mais alta entre os presidenciáveis. O busílis é que São Paulo, sozinho, concentra 22,4% do eleitorado. A exemplo de Lênin, os petistas estão tentando descobrir o que fazer. E andam tendo ideias esquisitas. Mas não serei eu a tentar convencê-los do contrário.

A situação para a presidente no Estado é dramática. No primeiro turno, ela e Aécio têm, cada um, 25% dos votos — na Capital, ele lidera: 28% a 23%. O dramático está no segundo turno. O tucano vence a petista por 50% a 31%. Mesmo Eduardo Campos (PSB) a bateria por 48% a 32%. É evidente que aquela rejeição monstruosa se transforma em votos para seus opositores. E olhem que, como vocês sabem, não há espaço nas televisões para oposicionistas, não é? Já a presidente Dilma aparece dia sim, dia também, mas “como presidente”. É uma piada, mas é assim.

Tudo contra
E tudo conta contra Dilma, não apenas a ruindade do seu governo. A cidade de São Paulo tem hoje uma das gestões mais caóticas de sua história, com Fernando Haddad. Ele já se tornou uma caricatura. Malhá-lo é o passatempo predileto de milhões de paulistanos. Segundo o Datafolha, sua gestão é hoje aprovada por apenas 15% e reprovada por 47%. Já escrevi a respeito. É uma avaliação justíssima. Alexandre Padilha, o candidato do PT ao governo do Estado, amarga modestos 4%.

Pois bem. Segundo informa a Folha, os petistas decidiram injetar mais dinheiro na campanha de Padilha — taí uma coisa que não lhes falta, não é? — e se aproximar mais de alguns setores considerados “cativos” do PT: os movimentos sociais e um grupo de empresários. Por que um grupo de empresários apoia o partido? Não sei. Seria por lucro? Eles que o digam.

Movimentos sociais, é? Eis uma coisa que certamente desperta, a cada dia, mais a paixão dos paulistas, muito especialmente dos paulistanos, não é mesmo? Tudo o que a população desta cidade mais quer é sair de casa sem saber a que hora chegará ao trabalho porque os comandados dos sr. Guilherme Boulos, por exemplo, estão obstruindo alguma artéria da cidade. Tudo o que a população desta cidade mais quer é sair do trabalho sem saber a que hora chegará em casa porque alguns sindicalistas decidiram que é hora de parar os ônibus, os trens, o Metrô…

Os esquerdistas não se dá conta de que existe uma óbvia fadiga. Vai ver é por isso que Gilberto Carvalho tanto quer entregar o governo aos tais movimentos sociais. Ele não quer mais saber de eleitores decidindo o futuro do país…

Contra as pretensões petistas, há ainda o governador Geraldo Alckmin, com 54% das intenções de voto — avançou sete pontos em 15 dias, com rejeição de apenas 19%. Na baderna promovida pelo sindicato dos metroviários, ele preferiu, por exemplo, ficar ao lado do usuário. O PT, na prática, emitiu nota em favor dos grevistas. Uma questão de escolha.

A eleição ainda está longe, o horário eleitoral gratuito vem aí — e Dilma tem um latifúndio. Vamos ver. Algumas fórmulas às quais o petismo sempre apelou já não estão dando mais resultado. Até anteontem, parecia que bastava Lula mandar, e o eleitorado obedecida. De certo modo, aconteceu isso com Dilma e Fernando Haddad. Com os resultados conhecidos. Parece que as pessoas que trabalham e estudam e as que estudam e trabalham estão com o saco cheio.

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O MTST é mais um caso de polícia do que de política

Na minha coluna de ontem na Folha, escrevi sobre o MTST, com foco em sua personagem mais famosa: Guilherme Boulos, um excelente autor de si mesmo; um ótimo relações públicas da própria lenda em que pretende se transformar. Demonstrei, para quem sabe ler direito, que a sua vocação para a santidade é um delírio de classe para outros delirantes da… mesma classe! Não vou me repetir.

No arquivo, vocês encontram textos em que afirmo que o MTST repete todas as táticas do MST, mas na cidade. E “todas” inclui inflar os números das invasões para intimidar adversários e emparedar o poder público. Leiam trecho de reportagem na Folha de hoje. Volto depois.

Por César Rosati e Emílio Sant’Anna:
Nos 60 mil metros quadrados do Portal do Povo, área invadida no Morumbi (zona oeste), 4.000 famílias estão instaladas há quase um mês para reivindicar casa própria, segundo divulga a coordenação do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto). A Folha esteve por dois dias seguidos no local, em horários diversos, e verificou que a maioria das barracas só serve para demarcar território — e tentar vaga futura no cadastro da casa própria.
O movimento era pequeno tanto de dia como à noite, semelhante ao de algumas invasões de sem-terra no interior do país anos atrás. Com cerca de dois metros quadrados cada, as barracas estão fincadas na parte plana do terreno e também em uma encosta íngreme. Abertas nas laterais, a maioria tem os nomes dos “ocupantes” pintados com tinta branca. Nas barracas, porém, não há espaço para a permanência de uma pessoa adulta ou mesmo de uma família. O que se vê dentro é apenas mato. O comando do movimento alegou, após ser questionado, que as 4.000 famílias “ocupam” a área, mas que há um revezamento durante a noite. “O fato de não dormirem 4.000 famílias lá não significa que não precisem de moradia. São pessoas que vivem no entorno em situação precária”, disse Natalia Szermeta, coordenadora do MTST.
(…)
Por volta das 19h, uma assembleia do MTST chegou a reunir cerca de 400 pessoas no Portal do Povo. Duas horas e meia depois, ele começou a ser esvaziado de novo. Após assinar a lista de presença no final da assembleia, a maioria foi embora, formando fila no ponto de ônibus. Às 21h30, próximo à entrada do terreno, era possível ver centenas de barracas — mas somente seis delas ocupadas.
(…)

Retomo
É isso aí. Eu me orgulho muito de uma reportagem que fiz para a revista República, em 1996 — quase 20 anos — em que classifiquei o MST de uma “empresa de criar ideologia”. É nisso que se transformou também o MTST, com a admiração basbaque dos deslumbrados, a covardia dos vereadores e a cumplicidade do prefeito Fernando Haddad (PT), que recorreu à mão de obra do grupo na campanha eleitoral.

Cadê o Ministério Público?

Resta, ainda, outra questão: até quando essa gente continuará a cometer crimes impunemente? Parece evidente que o MTST se transformou numa máquina de privatização do espaço público e de invasão de áreas privadas não para conquistar casas, mas tentar vender seu modelo caduco de sociedade.

É mais um caso de polícia do que de política.

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Em vez de choque de competência, CBF decide dar um choque de testosterona bronca na Seleção: Dunga deve ser anunciado como técnico na terça. Ou: Ele foi conviva de Dilma no Maracanã e fez a presidente rir até as lágrimas…

O jornalista Wanderley Nogueira, da Jovem Pan, informa em seu blog que Dunga — sim, ele mesmo, Dunga!!! — será o novo técnico da Seleção Brasileira. Eu adoraria que ele estivesse errado, mas errar não está entre os hábitos de Wanderley. Então deve ser isso mesmo. Na verdade, o jornalista tinha essa informação havia alguns dias.

Santo Deus! É o que eu chamaria de triunfo do caipirismo existencial — caipira eu também sou; o caipirismo existencial é outra coisa: é a mentalidade estreita pela própria natureza. Lá em Dois Córregos, a gente está acostumado a larguezas…

O que quer a CBF? Um bedel? Então encontrou! Dunga já recebeu um prêmio por ter sido o “capitão do Tetra”: tornou-se técnico da Seleção em 2006. Ganhou um pouco, perdeu um pouco e foi eliminado nas quartas de final pela Holanda por 2 a 1. De fato, nada que se pareça com os 7 a 1 que o Brasil tomou da Alemanha. O pior resultado foi um 3 a 0 contra a Argentina, placar que foi devolvido na Copa América, vencida pelo Brasil. O melhor resultado foi um 6 a 2 contra a Seleção de Portugal.

Vamos ver: Felipão e Parreira foram campeões do mundo e levaram a Seleção ao pior resultado de sua história. Dunga conquistou um título como jogador e se despediu da Copa nas quartas de final, derrotado pela Holanda por 2 a 1. Por que essas informações? Eu quero saber qual é o compromisso do técnico com o futuro, não com o passado. Por que Dunga agora? A farsa se repete como… farsa!

Vamos ver
Parreira se sagra Campeão do Mundo em 1994 — era o tetra, com Dunga como capitão. Em 1998, há o desastre contra a França, com Zagallo no comando. Vocês se lembram do famoso episódio, nunca suficientemente explicado, do mal-estar de Ronaldo etc.

Aí temos dois anos de desacertos, maluquices e escolhas bisonhas. Até que o comando fosse passado a Felipão, esquentaram o banco Vanderlei Luxemburgo, Candinho e Leão. Em 2002, o Brasil conquista o penta. Em 2006, Parreira assume a Seleção, com o auxílio de Zagallo. Ficou a impressão de que o técnico não tinha controle da equipe, que seria gerida, digamos, por uma turma que gostava mais de farra do que de disciplina, com destaque para Adriano e Ronaldinho. Não só: também teria mantido jogadores já fora de forma, como Roberto Carlos e Cafu.

Então alguém teve a ideia: a Seleção precisa de um choque de ordem. E veio Dunga, com o resultado conhecido. Com a mediocridade também conhecida. De modo impressionante, tem-se a mesma conversa: teria faltado disciplina à Seleção de Felipão: muito jogador com cabelo tingido, com a perna raspada, com a cueca de fora…

Olhem aqui: disciplina é, sim, muito importante. Mas é bom não confundi-la com moralismo tosco. Recomendo mais uma vez uma reportagem da revista alemã “Der Spiegel” sobre o sucesso do futebol alemão. É o anti-Dunga. Em vez de um choque de testosterona bronca, de manual, o futebol alemão recebeu um choque de competência e planejamento. A revista até brinca, afirmando que os jogadores, hoje, são um pouco mais “feminis” do que os antigos “machos Alfa”. Em vez de um comandante esporrento, os alemães preferiram enviar seus técnicos para o outros países, como Espanha, França e Itália, para ver como se jogava no resto do mundo.

Não que fosse um futebol malsucedido no mundo quando se tomou essa decisão: eles já eram tricampeões mundiais — agora são tetra. Os alemães que vocês viram no Brasil, interagindo com a população da Bahia, enviando mensagens em português aos brasileiros no Twitter, sorridentes, “moleques”… Tudo isso era parte de um planejamento também de marketing.

Dunga é a contramão da modernidade; é o atraso orgulhoso, machão e, lamento, meio abestado. Pode ganhar ou pode perder a próxima Copa. Só não conseguirá fazer o futebol avançar. Quando o atraso ganha, diga-se, em certo sentido, é pior. A propósito: depois que ele deixou a Seleção, qual é seu currículo para merecer tal galardão?

Sim, a escolha também dá conta da ruindade da CBF. Vejam que coisa: a confederação chegou a flertar com um técnico estrangeiro e acabou escolhendo… Dunga! É o triunfo da falta de rumo e da… caipirice existencial.

Dilma e Dunga na área VIP
Espero que a convivência de Dilma e Dunga na área super-VIP do Maracanã, na final entre Alemanha e Argentina, não tenha definido a escolha. Ali, os dois conversaram de pertinho. Ele até teria cochichado ao pé do ouvido presidencial:
— Eu tô torcendo para nenhum dos dois ganhar.
Dilma então respondeu:
— Essa foi boa! Eu também, Dunga! Mas não dá! Um vai ter de vencer.

Dilma riu tanto com o gracejo que foi às lágrimas.

Seria a escolha de Dunga o desdobramento de um gracejo sem graça?

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Sensus confirma Datafolha com rigoroso empate técnico entre Aécio e Dilma no segundo turno. E diferença no primeiro turno cai para 10%.

A realização da Copa no Brasil e a vergonhosa eliminação de nossa Seleção no Mundial de futebol não tiveram, até aqui, nenhuma influência sobre a corrida presidencial. É isso o que indica a pesquisa ISTOÉ/Sensus realizada entre sábado 12 e terça-feira 15. O levantamento efetuado em 136 cidades de 14 Estados mostra que no último mês os principais candidatos à Presidência da República foram incapazes de sensibilizar os eleitores.

As intenções de voto em Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) tiveram pequena variação negativa , dentro da margem de erro da pesquisa (mais ou menos 2,2%). “Até agora podemos afirmar que o eleitor brasileiro se coloca de forma bastante madura e parece ter separado muito bem a política do futebol”, diz Ricardo Guedes Ferreira Pinto, diretor do Sensus. “Nem o governo nem a oposição conseguiram faturar politicamente com a Copa.”

Para o comando da campanha pela reeleição de Dilma Rousseff, o resultado da pesquisa, embora mantenha a tendência de queda da presidenta, deverá ser visto como positivo. Até a tarde da quinta-feira 17, muitos dos líderes petistas acreditavam que o mau humor provocado pelo desempenho bisonho de nossa Seleção se traduziria em uma perda acentuada nas intenções de voto da presidenta e sustentavam que as vaias contra Dilma ouvidas no jogo final da Copa deveriam contaminar as pesquisas eleitorais.

A oposição, por sua vez, também tende a fazer uma leitura positiva dos números mostrados pela enquete ISTOÉ/Sensus. Na última semana, entre os tucanos e no QG da campanha do PSB havia a expectativa de que o fato de o Brasil ter conseguido organizar uma Copa elogiada em todo o mundo e a ausência de grandes manifestações durante o campeonato mundial pudessem momentaneamente refletir uma maior aceitação da presidenta. Os números mostram que não foi isso o que ocorreu.

Embora não tenha aumentado a intenção de voto em Aécio ou Campos, a pesquisa revela que 50,9% dos eleitores reprovam a atuação de Dilma Rousseff à frente do governo federal e 64,9% avaliam sua gestão como regular ou negativa. “Esses números são preocupantes para quem busca a reeleição”, afirma Guedes. De acordo com o diretor do Sensus, “é muito difícil que um governante com menos de 35% de avaliação positiva consiga se reeleger”.

A pesquisa revela que apenas 32,4% dos eleitores avaliam o governo de Dilma de forma positiva, um número 2,2% menor do que o apontado pelo levantamento realizado no início de junho. A análise conjunta desses dados permite concluir que, apesar de a Copa ter sido um sucesso, não houve alteração na avaliação que o eleitor faz do governo. “As pessoas estão convencidas de que a Copa deu certo por outros fatores que não a ação do governo”, diz Guedes.

A pesquisa realizada com dois mil eleitores também mostrou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem boas razões ao insistir em convocar o PT para tentar ganhar a eleição ainda no primeiro turno. Segundo o levantamento ISTOÉ/Sensus, a presidenta Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), os dois líderes na disputa presidencial, estariam tecnicamente empatados caso disputassem hoje o segundo turno. Nessa situação, de acordo com a pesquisa, Dilma teria 36,3% dos votos e Aécio, 36,2%.

É a primeira vez que os dois principais candidatos aparecem empatados em um possível segundo turno. Em abril, a diferença a favor de Dilma era de 6,7% e, em junho, de 5,1%. Também com relação ao socialista Eduardo Campos, a diferença a favor da presidenta em um suposto segundo turno vem caindo. Era 14,3% em abril, passou para 10,6% em junho e agora está em 7,8%. “Esse é o resultado mais visível da rejeição que sofre a presidenta e seu partido”, diz um dos líderes da campanha de Campos em São Paulo. “Quando os programas de tevê começarem, a tendência é a de que a presidenta também comece a cair já no primeiro turno.”

Hoje, segundo a pesquisa ISTOÉ/Sensus, 42,4% dos eleitores rejeitam a possibilidade de votar na presidenta. “É natural que o candidato mais conhecido tenha também mais rejeição, mas não conheço casos de candidaturas que tenham obtido sucesso com mais de 40% de rejeição”, afirma Guedes. Se a eleição fosse hoje, segundo a pesquisa, haveria segundo turno. Dilma teria 31,6% dos votos e seus adversários somariam 32,4%.


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Blog do Ilimar Franco

Puxão de orelhas

          Eduardo Campos cobrou do comando de sua campanha, em reunião anteontem, agilidade na montagem de comitês pelo país afora. A cobrança foi dirigida ao secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira, e a Bazileu Margarido, da Rede. Para ficar mais conhecido, Campos vai montar uma agenda de visitas a cidades-polo. A prioridade são as com emissoras de TV locais, que registrem sua visita e onde ele possa dar entrevistas.

Na ponta do lápis
Os petistas acreditam na reeleição da presidente Dilma, mas não creem que a diferença será de 14,5 milhões de votos como no primeiro turno de 2010, contra José Serra (PSDB). Eles reconhecem que a oposição cresceu em estados chaves. ACM Neto (DEM) cravou os pés em Salvador. Eduardo Campos (PSB) terá grande votação para presidente em Pernambuco. E se perguntam: É possível repetir os 2,7 milhões de votos de diferença na Bahia? Ou manter os 1,9 milhão de frente em Pernambuco? Ou, ainda, os 2 milhões no Ceará? Lembram as vantagens contra o PSDB de 1,7 milhão em Minas e de 1,8 milhão no Rio. Eles trabalham com uma disputa mais apertada.

“O que tenho a meu favor nestas eleições é a unidade do time e a confiança na vitória”

Aécio Neves
Candidato do PSDB ao Planalto e presidente do partido

Cada um no seu quadrado
A candidata ao governo gaúcho pelo PP, a senadora Ana Amélia, optou por não incluir nenhum candidato à Presidência em seu material de campanha. O candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, terá um panfleto separado.

Promoção
Menos de uma semana após o fim da Copa, o general Fernando Azevedo e Silva, presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), foi promovido pelo Exército. Ele agora é general 4 estrelas, a mais alta patente da Força. Atualmente somente 15 generais possuem essa patente. Isso contribui para sua permanência no cargo.

As Olimpíadas vem aí
A Matriz de Responsabilidade Olímpica será atualizada até o final deste mês. O Complexo Esportivo Deodoro passará a ter valores e prazos definidos. A obra foi licitada em maio e deve ser concluída no primeiro semestre de 2016.

O próximo da fila
A qualquer momento será demitido o presidente da Conab, Rubens Rodrigues dos Santos. Ele foi nomeado por indicação do PTB em março de 2012. Há problemas de gestão, mas ele vai deixar o cargo porque o PTB decidiu coligar-se com o PSDB e apoiar Aécio Neves. A mudança será feita tão logo o governo defina o nome do substituto.

Marcando de cima
O Tribunal de Contas do Piauí mandou exonerar 680 funcionários comissionados e 60 efetivos para o estado cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal. Parte das contratações foi feita depois que o TCE notificou o governo sobre os excessos.

Sempre cabe mais um
O governador Luiz Fernando Pezão (Rio) fez uma coligação tão ampla para se reeleger, que seus aliados brincam, dizendo que a campanha é uma prateleira onde cada grupo pode pegar seu candidato ao Planalto: Dilma, Aécio ou Everaldo.

A derrubada do avião na Ucrânia pode levar ao boicote da Copa na Rússia. As Olimpíadas de Moscou, em 1980, foram boicotadas devido à invasão do Afeganistão pela URSS.

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