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Deu nos Blogs


Jogaram a toalha

                Os estrategistas da campanha do PSDB entregaram os pontos. Os da presidente Dilma ainda têm um fio de esperança. Os especialistas em pesquisas consideram que Marina Silva está a um passo do Planalto. Explicam que Marina encarna o sentimento de junho de 2013, contra tudo que está aí. E que sua onda é consistente. Lembram que em 2010 ela se formou a uma semana do pleito. Agora, ela rebentou 40 dias antes.

O teto de Dilma e o piso de Aécio
A análise das pesquisas realizadas até aqui levam cientistas políticos a concluir que a presidente Dilma tem teto: 40%. Os atuais 34% são seu núcleo duro. Pesam contra ela: o cansaço com os 12 anos de PT, escândalos como o da Petrobras e o seu jeito de poucos amigos. Os dados mostram também que Aécio Neves não parou de cair. O PSDB tem informes, de pesquisas estaduais, que reforçam essa projeção. Isso ocorre, diz um analista, porque a rejeição ao PT é forte, mas há também um sentimento contra o PSDB. Por isso, Aécio não convencia como sujeito da mudança. Essa qualidade foi incorporada por Marina, que ainda tem a vantagem de ser muito conhecida.

“A eleição estava fria, sem emoção. As pessoas vibram com Marina. Elas sentem prazer em votar. Gente que não estava nem aí, agora vai às urnas”

Um cientista político,
especialista em pesquisas qualis e de intenção de voto

No gogó
Os petistas creem em uma vitória no segundo turno. Eles dizem que Marina Silva (PSB) não tem propostas concretas para enfrentar os dramas do país. Com a palavra um petista: “Como é que ela vai sustentar 25 minutos de propaganda na TV?”.

Enquadramento
O candidato do PT ao governo do Rio, Lindbergh Farias, já sabe que o partido não engole vê-lo pedindo votos ao lado de Marina Silva. Um dos mais próximos interlocutores de Marina explica: “Ele está com a Dilma. Nós somos contra palanques duplos". Políticos de vários partidos e estados querem se fantasiar de Marina para melhorar suas situações.

Ancorada em São Paulo
Integrante da direção do PT está impressionado com a força de Marina em São Paulo. A projeção do partido é a de que a presidente Dilma chegará aos 30%. No Ibope, ela tem 23%. Essa é a primeira eleição que os paulistas não têm seu candidato.

Rogai por nós
A campanha da presidente Dilma vai investir nos evangélicos, em sua maioria com Marina Silva. O presidente do PRB, Marco Pereira, da Universal, afirmou no Planalto, que não agrada o discurso de que a providência divina a salvou do acidente que matou Eduardo Campos. O tom messiânico desagradaria, porque ela não é Deus, nem Jesus.

Vacinada
Os marineiros acreditam que a firmeza de Marina Silva na entrevista para o “Jornal Nacional”, da TV Globo, e no debate da Band desconstruiu a imagem anterior de fragilidade. O objetivo foi demonstrar que ela tem pulso para governar.

Defesa integrada
O Brasil irá aderir à Cruz del Sur, uma missão de defesa da ONU para a América do Sul. Já fazem parte Argentina e Chile. A missão atua em ações humanitárias e eventuais necessidades de defesa. O Brasil irá contribuir com cerca de 350 homens.

O ex-ministro Ciro Gomes (Pros) costuma classificar os defensores do meio ambiente como fração verde e “clorofilática” da sociedade.

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Contradições

O caso do jato Cessna que vem dando dor de cabeça à direção do PSB por ser, ao que tudo indica, produto de uma obscura transação que envolve laranjas e dinheiro não contabilizado, trouxe para a herdeira política Marina Silva uma questão adicional, que reforça as supostas contradições de sua candidatura.

Uma das empresas envolvidas na compra do jato é a Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda, que importa pneus usados, negócio considerado como dos mais danosos ao meio-ambiente. A autorização de importação de pneus usados, por sinal, foi uma das muitas brigas que Marina travou à frente do ministério do Meio-Ambiente, e perdeu.

Em 2003, foi convencida pelo então ministro da Casa Civil, José Dirceu, a recuar em sua posição contrária à importação de pneus em nome de um “bem maior”, no caso a unidade do Mercosul. Isso por que, apesar de oficialmente proibir a importação de pneus remodelados, o Brasil acata desde 2002 uma decisão do Tribunal Arbitral do Mercosul que obriga o país a aceitar a entrada de pneus vindos do Uruguai.

Essa posição provocou decisões judiciais que trouxeram para o país pneus usados dos Estados Unidos e da União Européia. Marina sempre reclamou que a questão dos pneus era tratada como puramente comercial, sem que fosse levado em conta seu lado ambiental. Seu objetivo, dizia, era fazer com que o Brasil deixasse de ser uma "lata de lixo global" para os pneus usados em outros países.

Sabe-se agora que a então denominada Bandeirantes Renovação de Pneus foi beneficiada por um decreto assinado em 2011 pelo governador Eduardo Campos, que ampliou seus benefícios fiscais, eliminando limites de importação fixados anteriormente por decreto do ex-governador e hoje deputado federal Mendonça Filho. Um dos sócios da hoje denominada Bandeirantes Companhia de Pneus Ltda, Apolo Santana Vieira, responde a processos de sonegação fiscal estimados em cerca de R$ 100 milhões devidos pela importação de pneus pelo porto de Suape, em Pernambuco.

Unindo-se a natureza do empreendimento ao fato de que o uso do avião não fora ainda declarado como doação de campanha eleitoral, com forte cheiro de caixa 2, têm-se que a candidata Marina Silva está em uma situação no mínimo delicada. A "nova política" que ela e Eduardo Campos pregavam era transportada para cima e para baixo por um jatinho todo irregular, financiado em última instância por uma atividade comercial que a ambientalista Marina Silva repudia. E que recebeu estímulos fiscais de seu companheiro de luta política anos antes de os dois se juntarem para tentar chegar ao Palácio do Planalto.

A essa contradição da dupla anterior soma-se a atual, de ter como companheiro de chapa o deputado Beto Albuquerque, que foi um dos líderes da aprovação do uso de transgênicos no Congresso, derrotando a posição da então senadora Marina Silva. Como a própria Marina explica agora, trabalhar com quem discorda de seus pontos de vista mostra apenas que ela não é uma radical como a acusam, e que sabe conviver com contrários.

No caso de Beto Albuquerque é uma verdade, pois trata-se de um político correto que, ao que se sabe, estava em defesa dos agricultores do Rio Grande do Sul no caso dos transgênicos, e não em alguma transação nebulosa. Mas no caso da empresa de pneus usados, não há desculpa para receber doações de campanha fora da legislação e de um empreendimento que considera nocivo ao meio-ambiente.

Nem mesmo dizer que não fora informada de nada. Ao se juntar à campanha de Eduardo Campos, tinha a obrigação de se informar desses detalhes, justamente para não se ver em uma situação delicada como agora. Outra aparente contradição, mas que desta vez trabalha a seu favor, é a nota do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri (Acre), fundado por Chico Mendes, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), que não gostou de ver Marina colocá-lo como membro da "elite" brasileira, nem quer vê-lo classificado como um "ambientalista", mas sim como "sindicalista".

O sindicato também condena a política ambiental "idealizada pela candidata Marina Silva enquanto Ministra do Meio Ambiente, refém de um modelo santuarista e de grandes Ong's internacionais". Ora, os próprios termos do debate mostram que a ex-seringueira Marina Silva saiu do Acre para ganhar uma dimensão modernizadora, com uma visão mais ampla da disputa política e da própria defesa do meio-ambiente.

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Marina Silva promete o "apagão" do pré-sal. Vejamos como reagirá a Bolsa e o Rio, seu maior reduto eleitoral.

Caso seja eleita, a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, planeja reduzir a importância da exploração do petróleo da camada do pré-sal na produção de combustíveis. Também pretende voltar a impulsionar o etanol no país e considera criar incentivos tributários para o setor.Para a energia elétrica, Marina prevê um sistema chamado “multimodal”, com a adoção de diferentes maneiras de obtenção de energia. Hidrelétricas em construção na Bacia Amazônica serão terminadas, mas novas obras passarão por análise criteriosa antes de serem aprovadas. O uso de termelétricas deverá ser reduzido gradativamente. Já as energias eólica e solar serão prioridade.

Essas são algumas medidas do plano de governo de Marina, um calhamaço de 250 páginas, a ser lançado hoje em São Paulo. Os principais líderes do PSB e da Rede participarão do evento.

— Costumo dizer que o petróleo ainda é um mal necessário. Temos que sair da idade do petróleo. Não é porque falte petróleo. É porque encontraremos e já estamos encontrando outras fontes de suprimento de energia — afirmou ontem a candidata, em visita à Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética (Fenasucro), em Sertãozinho, no interior de São Paulo.

A presença dela entre produtores do etanol não foi coincidência. Ao desacelerar o pré-sal, Marina pretende revigorar o álcool. Para torná-lo competitivo, quer dar incentivos fiscais para o setor, além de mudar a política de controle artificial do preço da gasolina adotado por Dilma. São planos já expostos pelo economista da campanha, Eduardo Gianetti. ( O Globo )


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Blog do Reinaldo Azevedo

Janot pede revisão da Lei da Anistia. É mau direito e má ideia

A VEJA.com informa que, em um parecer enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu a revisão da interpretação atual da Lei da Anistia, de 1979. O documento sustenta que a lei não se aplica aos chamados crimes contra a humanidade, como tortura, sequestro e desaparecimento forçado de opositores do regime. O parecer de Janot foi motivado por uma ação movida pelo PSOL, que pede que o Supremo rediscuta a validade da Lei da Anistia para agentes que praticaram crimes com graves violações aos direitos humanos, como torturadores, por exemplo. O relator da ação é o ministro Luiz Fux.

Janot, com todo respeito, joga para a torcida. Já escrevi aqui e reitero. Os cretinos querem transformar essa questão numa disputa entre os que defendem torturadores e os que querem a sua punição. Vigarice! Trata-se de um confronto de posições, este sim, entre os que defendem as regras do estado democrático e de direito e os que acham que podem buscar atalhos e caminhos paralelos para fazer justiça fora da letra da lei.

A Lei 6683, da Anistia, é clara:
Art. 1º É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexos com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares.
§ 1º – Consideram-se conexos, para efeito deste artigo, os crimes de qualquer natureza relacionados com crimes políticos ou praticados por motivação política.

A própria Emenda Constitucional nº 26, de 1985, QUE É NADA MENOS DO QUE AQUELA QUE CONVOCA A ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE, incorporou, de fato, a anistia. Está no artigo 4º:

Art. 4º É concedida anistia a todos os servidores públicos civis da Administração direta e indireta e militares, punidos por atos de exceção, institucionais ou complementares.
§ 1º É concedida, igualmente, anistia aos autores de crimes políticos ou conexos, e aos dirigentes e representantes de organizações sindicais e estudantis, bem como aos servidores civis ou empregados que hajam sido demitidos ou dispensados por motivação exclusivamente política, com base em outros diplomas legais.
§ 2º A anistia abrange os que foram punidos ou processados pelos atos imputáveis previstos no “caput” deste artigo, praticados no período compreendido entre 2 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979.

Mais: o dispositivo constitucional que exclui a tortura dos crimes passíveis de anistia e de 1988, posterior, portanto, à Lei da Anistia, que é de 1979 e não pode retroagir;

Anistia não é absolvição, mas perdão político. Há quem pretenda que o Brasil siga os passos da Argentina —  embora, já disse, as duas ditaduras não sejam nem remotamente comparáveis — e fique eternamente preso ao passado, destroçando as instituições do presente e inviabilizando as do futuro, como faz hoje Cristina Kirchner.

A ditadura argentina foi derrubada; o fim do regime militar brasileiro foi longamente negociado. Os pactos históricos produzem frutos, que empurram os países para um lado ou para outro. A Espanha juntou todas as forças políticas em favor de uma transição pacífica da ditadura franquista para a democracia, de que o “Pacto de Moncloa” (1977) é um símbolo. O midiático juiz Baltasar Garzón tentou fazer a história recuar quase 40 anos, mas a moderna sociedade espanhola rejeitou suas propostas. A África do Sul ficou entre punir todos os remanescentes do regime do apartheid e a pacificação. Escolheu o segundo caminho.

Essa questão já foi julgada pelo Supremo em 2010. Votaram contra a revisão os ministros Eros Grau (relator), Ellen Gracie, Cezar Peluzo, Carmen Lúcia, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Celso de Mello. Os quatro últimos continuam na corte. Votaram a favor Ayres Britto, que já se aposentou, e Ricardo Lewandowski. Dias Toffoli se declarou então impedido, e Barbosa estava de licença. A composição do tribunal mudou. Vão se pronunciar pela primeira vez Luiz Fux (relator), Roberto Barroso, Rosa Weber e Teori Zavascki. No momento, o tribunal está com 10 membros. Não foi escolhido ainda o substituto de Barbosa. O que vai acontecer? Tendo a achar que Zavascki dará o quinto voto contra a revisão. Barroso pode se juntar a Lewandowski. O placar ficaria em 5 a 2. Luiz Fux e Rosa Weber são votos incertos. Ainda que se mostrem favoráveis, ter-se-ia um 5 a 4 contra. Caso o tribunal só julgue o assunto depois da nomeação do 11º ministro, pode até haver um empate em  5 a 5.

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Mais uma da “nova política”: Campos renovou incentivo fiscal de empresa que teria comprado jato de campanha do PSB. Ou: Caso de política e de polícia

A história do jato Cessna que servia à campanha de Eduardo Campos e Marina Silva vai se tornando a soma e a síntese de tudo o que de ruim, viciado e vicioso pode produzir a velha política. Chega a ser uma piada meio macabra quando nos damos conta de que Marina, que sucede Campos na campanha, se diz a porta-voz da “nova política”, de que ele também seria expressão.

Nesta quinta, reportagem da Folha Online revela mais uma: a Bandeirantes Companhia de Pneus — que, segundo o PSB, era uma das donas do jatinho que teria sido cedido à campanha — gozava de incentivos fiscais do governo de Pernambuco para importar pneus para carros, caminhões e máquinas agrícolas. Tal incentivo, é verdade, teve início em governos anteriores, mas foi renovado por Campos.

A Bandeirantes pertence a Apolo Santana Vieira, apontado como um amigo do então governador. Apolo é réu numa ação penal, acusado de fraude em importações.

A nova informação acrescenta outra suspeita a uma penca de ilegalidades. O avião pertencia à empresa AF Andrade, que está em recuperação judicial. Esta diz ter vendido o aparelho para Apolo e para dois outros empresários de Pernambuco: João Lyra de Mello Filho e Eduardo Bezerra Leite. Extratos obtidos pelo Jornal Nacional evidenciam que a AF Andrade recebeu como pagamento parcial pelo jato diversos depósitos feitos por empresas fantasmas, que estão em nome de laranjas. Apolo, que não quis se manifestar sobre o caso, nega que tenha comprado o avião.

O PSB tenta fazer o jogo do diversionismo. Aponta como donos dos aviões pessoas que negam essa informação. Afirma que a prestação de contas seria feita no fim da campanha, mas silencia sobre a rede de empresas fantasmas e de laranjas envolvida no pagamento da aeronave. Marina prometia dar explicações no Jornal Nacional e, no máximo, conseguiu dizer que não sabia de nada — sem se esquecer, claro!, de pedir respeito à memória de Campos.

Há uma pergunta óbvia a ser feita, entre tantas: esse esquema criminoso que mantinha o avião no ar e que serviu ao então candidato do PSB à Presidência e à própria Marina só dizia respeito ao aparelho? Com que legitimidade ela fala em nome de uma “nova política”, contra os vícios da “velha”, sem admitir, de forma clara, que crimes, então, foram cometidos? Se eleita presidente, terá com os seus a leniência que tem demonstrado nesse caso? Também ela vai recorrer ao famoso “eu não sabia” quando algo de grave atingir eventuais auxiliares?

Na vida privada, nos limites da lei, cada uma faça as escolhas que quiser. Indivíduos não estão obrigados a demonstrar coerência entre o que pregam e o que fazem. Com a pessoa pública, a história é bem outra: seguir estritamente o credo que abraça é uma imposição moral. Reitero: por muito menos, mandatos foram cassados. A Justiça Eleitoral, quando a questão chegar lá, e vai chegar, terá coragem de fazer valer a lei?

Vamos ser claros: esse avião já deixou de ser um problema só de política. Antes de tudo, é um caso de polícia que desmoraliza a política dos que se querem monopolistas da virtude.

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O discurso confuso de Dilma. Ou: Fala tumultuada, governo atrapalhado

A presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, reuniu na noite desta quarta, no Palácio da Alvorada, o comando de sua campanha e os presidentes das nove legendas que a apoiam. O objetivo era discutir a nova realidade eleitoral, com a ascensão de Marina Silva, do PSB. Ao fim do encontro, Rui Falcão, do PT, disse que nada mudaria na estratégia petista. De fato, o partido continua refém de uma ideia fixa: atacar os tucanos. Mas há, sim, uma discreta mudança em curso.

Nesta quinta, a petista participou de um encontro da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura. Recebeu o apoio oficial da entidade e discursou. Disse duas coisas dignas de nota, referindo-se, ainda que de modo oblíquo, a Marina. Vamos à primeira:
“Essa história de que você acha os bons ou os melhores sem aferição não está certa. Como é que eu vou fazer uma política para agricultura familiar com quem não defende agricultura familiar?”.

Bem, por mais que a proposta de Marina de fazer um “governo só com os melhores” seja uma bobagem, uma cascata, é evidente que nem ela própria pensaria em nomear para a agricultura familiar alguém que não a defendesse, né? De fato, o discurso de Dilma traduz outra coisa: o PT é um partido corporativista e entende que governar consiste em entregar fatias do governo a “pessoas da área”. Ora, governar é algo bem diferente disso. Trata-se de eleger, necessariamente, prioridades para determinados setores que tenham alcance universal. Ou por outra: é necessário, sim, contar com alguém favorável à agricultura familiar, mas ele não pode ser de tal sorte um representante do setor que acabe tomando medidas que prejudiquem outras áreas do governo.

Já a segunda fala é um daqueles momentos em que o “dilmês castiço”, uma língua que lembra o português, aflora com toda a sua força. Leiam:
“Eu acho que as pessoas não têm de ser más, não tem de ser… todas as pessoas são… podem ser boas ou podem ser más. Mas as boas pessoas podem não ter compromisso. A pessoa é muito boa, mas o compromisso dela é com outra coisa”.

O que será que Dilma quis dizer com isso? Com alguma boa-vontade, a gente pode inferir que, para a petista, as pessoas, tomadas individualmente, têm menos importância na política do que o arco de interesses que elas representam. Se é isso mesmo, até tendo a concordar com ela — embora, obviamente, os indivíduos possam fazer toda a diferença.

O que me espanta é essa incapacidade de Dilma de deixar clara uma ideia tão simples, até meio boboca. Parece haver um complicômetro na cabeça da presidente que a impede de falar com um mínimo de clareza. Tendo a achar que quem pensa de modo tão tumultuado acaba agindo de maneira igualmente tumultuada. E aí temos o governo que temos.

Na reunião da Contag, Dilma voltou a atacar FHC, com aquela conversa do “nós” contra “eles”. Parece não ter percebido que esse tipo de abordagem só reforça a candidatura de… Marina Silva! Pois é… Mas como se livrar de uma ideia fixa?

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Aliados criticam a propaganda eleitoral de Dilma

A onda Marina Silva produziu um fenômeno inusitado na coligação de Dilma Rousseff: o trabalho do marqueteiro João Santana, antes uma unanimidade inapelável, passou a sofrer críticas. Dirigentes de partidos aliados avaliam que a propaganda eleitoral da candidata cheira a naftalina. A pretexto de trombetear as “realizações” de um governo prestes a virar passado, deixa de vender novidades para o futuro.

As críticas soaram no Palácio da Alvorada no final da tarde de quarta-feira, durante uma reunião de Dilma com assessores e presidentes das legendas que integram sua coligação. A candidata esboçou uma defesa de João Santana. Numa tentativa de aplacar as queixas, informou que o plano de trabalho da equipe de marketing já prevê a exposição de projetos novos, a serem executados no sonhado segundo mandato.

Sem mencionar datas, Dilma disse que as novidades programadas pelo mago da publicidade eleitoral irão ar ar no momento oportuno. Alguns dos presentes acham que, se demorar muito, a mágica pode não surtir os efeitos desejados. A conversa do Alvorada rodopiou em torno de Marina. Fenômeno ou bolha de sabão?, eis a pergunta que Dilma e seus interlocutores tentaram, sem sucesso, responder.

Nas palavras de um dos participantes do encontro, ouviram-se no Alvorada “avaliações difusas”. Houve um mísero consenso: haverá segundo turno. E Dilma estará nele. No mais, o grupo dividiu-se em dois. Uma ala acha que a presença de Marina no segundo round é incontornável. A outra considera que ainda é cedo para excluir o tucano Aécio Neves do jogo.

Entre os que acham que Aécio ainda não é carta fora do baralho destacam-se o vice-presidente Michel Temer; o presidente do PT, Rui Falcão; e o mandachuva do PCdoB, Renato Rabelo. O mais enfático foi Rabelo. Ele disse enxergar vulnerabilidades em Marina. Mencionou, por exemplo: a fragilidade partidária e as “contradições” do discurso.

Dilma e seus aliados fizeram a si mesmos uma segunda indagação: atacar ou não atacar Marina?. No geral, prevaleceu o entendimento segundo o qual é preciso fustigar a novidade, grudando nela os carimbos da insegurança e da aventura. Mas ponderou-se que, num primeiro momento, convém deixar para Aécio Neves o grosso do trabalho de desconstrução de Marina.

Espremendo-se os relatos sobre o encontro do Alvorada, tem-se a impressão de que Dilma e os operadores de sua campanha observam Marina com olhos convencionais. Mencionou-se, por exemplo, a necessidade de reforçar a presença da campanha nas ruas. Como? Eletrificando as engrenagens partidárias e azeitando a distribuição de propaganda impressa.

Esquece-se de um detalhe: cavalgando uma estrutura mixuruca, Marina cresce à margem dos partidos, numa conexão direta com a aversão das ruas às corporações partidárias. Nesta sexta, o Datafolha iformará se a onda refluiu ou se virou tsunami.

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Janot defende no STF revisão da Lei da Anistia

Em parecer enviado ao STF nesta quinta-feira (28), o procurador-geral da República Rodrigo Janot sustentou a tese segundo a qual a Lei da Anistia não pode obstruir a investigação de crimes de lesa-humanidade praticados no Brasil durante a ditadura militar (1964-1985). A manifestação do chefe do Ministério Público Federal foi requerida pelo próprio Supremo, no contexto de uma ação movida pelo PSOL.

Segundo o repórter Chico Otavio, Janot pede em seu parecer que o STF rejeite a interpretação que tem levado a Justiça a considerar que a Lei da Anistia (6.683, de 1979) enseja a “extinção de punibilidade de crimes de lesa-humanidade ou a ele conexos, cometidos por agentes públicos civis ou militares, no exercício da função ou fora dela.”

A petição do PSOL leva o nome técnico de Ação de Descumprimento Preceito Fundamental (ADPF). Nela, o partido requer ao Supremo que obrigue o Estado brasileiro a cumprir uma sentença proferida há quatro anos pela Corte Interamericana de Direitos Humanos. Refere-se a um processo que ficou conhecido como Caso Gomes Lund.

Trata-se de uma alusão a Guilherme Gomes Lund, um militante do Partido Comunista do Brasil que participou da Guerrilha do Araguaia e desapareceu em 1973. Na luta contra a ditadura, os guerrilheiros do PCdoB foram à sorte das armas entre 1971 e 1975, numa região que incluía áreas do Pará e de Goiás. O pedaço goiano do território hoje integra o Estado do Tocantins.

Ao examinar o caso de Gomes Lund, em 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos considerou que o Estado brasileiro é responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas que combateram no Araguaia. Determinou que o governo investigue e mova ações penais para responsabilizar judicialmente os responsáveis.

Até hoje, o governo dá de ombros para a decisão. Os comandos do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, forças que sufocaram os guerrilheiros do Araguaia, sustentam que a Lei da Anistia passou uma borracha nos crimes cometidos sob a ditadura. A ação do PSOL é mais uma tentativa de rever esse entendimento.

Janot sustenta no seu parecer que Supremo deve comunicar a todos os Poderes da República que a sentença da Corte Interamericana, dotada de efeitos vinculantes, deve ser observada por todos os órgãos do Executivo, do Legislativo e do Judicicário. Trocando em miúdos: a sentença precisa ser cumprida.

O relator do caso no STF é o ministro Luiz Fux. Obviamente, ele não está obrigado a seguir a posição de Janot, que vai ao processo como mero subsídio. Ainda assim, procuradores da República que atuam em processos envolvendo agentes da repressão celebraram a manifestação. Correm no Judiciário algo como duas centenas de ações envolvendo crimes praticados por agentes a serviço da ditadura. Desse total, apenas nove resultaram, por ora, em ações penais. Seis já foram trancadas por sentenças que se escoraram na Lei da Anistia.

Uma das ações travadas no Judiciário refere-se ao caso do atentado do Riocentro, praticado em abril de 1981. Se o Supremo der razão a Janot, a encrenca irá a julgamento. Isso porque o procurador-geral argumenta no parecer que a Lei da Anistia não deve ser levada em conta para crimes praticados depois da sua edição, em 1979.

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Antes e depois!



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PT quer retirar do ar falso pedido de votos de Lula para Marina
Fernanda Krakovics, O Globo

O presidente do PT, Rui Falcão, anunciou, ontem, que o partido vai tomar medidas judiciais para retirar da internet um vídeo no qual, por meio de uma montagem, o ex-presidente Lula pede votos para a candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva.

Originalmente o petista gravou apoio para Marina Santana, candidata do PT ao Senado em Goiás. No vídeo que circula na internet, foram acrescentados a abertura e o encerramento do programa oficial de Marina no horário eleitoral gratuito na TV e cortada a parte em que identifica Marina como candidata ao Senado por Goiás.

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Mercado financeiro celebra a onda Marina Silva
Carla Jiménez, El País

O Brasil dormiu Dilma Rousseff e acordou Marina Silva nos últimos dias com a reviravolta nas pesquisas eleitorais. A pesquisa do instituto Ibope de quarta-feira, que revelou um salto no número de seus potenciais eleitores, virou o humor do país. Marina, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), tem 29% das preferências, a petista Dilma tem 34%, enquanto Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), 19%.

Se nas redes sociais se estabeleceram os debates contra e a favor do avanço da ambientalista, na Bolsa de Valores de São Paulo ela já é tida como a próxima titular no Palácio do Planalto. A bolsa fechou na quarta-feira em 60.950 pontos, seu melhor resultado desde janeiro de 2013. Os analistas atribuem o desempenho à divulgação da pesquisa eleitoral, que colocou Marina num movimento ascendente, com capacidade de bater Rousseff no segundo turno.

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Aécio, Dilma e Lula atacam 'política nova' de Marina
Estadão

A campanha à reeleição de Dilma Rousseff intensificou as críticas à candidata do PSB ao Planalto, Marina Silva. Em entrevista, a presidente sugeriu que a adversária é “simplista” ao dividir políticos entre “bons e maus”. Horas depois, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em discurso que o eleitor não deve acreditar “em quem faz apologia da não política”, numa outra referência indireta à ex-ministra do Meio Ambiente.

Já no rádio, o programa eleitoral petista bateu na tecla de que “ninguém quer a incerteza de uma aventura”. A ofensiva governista vem se somar às críticas que já vinham sendo feitas pelo candidato tucano ao Planalto, Aécio Neves, desde o debate da TV Bandeirantes na terça-feira passada. Aécio já fez referências sobre riscos de “aventuras” e citou “que o Brasil não é para amadores”.

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Ministros do STF querem salários de 35,9 mil reais
Beatriz Bulla e Mariângela Galucci, Estadão

Em sessão administrativa sem transmissão pela TV Justiça, ministros do Supremo Tribunal Federal aprovaram ontem o envio ao Congresso de projeto de lei propondo o reajuste dos próprios salários para R$ 35.919 a partir de janeiro de 2015. Hoje ganhando R$ 29.462,25 mensais, eles já têm garantida por meio de lei remuneração de R$ 30.935 para o próximo ano. A diferença entre o salário atual e o futuro poderá ser de 22%.

Como no Brasil o teto salarial do funcionalismo público é a remuneração dos ministros do STF, se a proposta for aprovada, haverá um efeito cascata, garantindo aumentos nos rendimentos de integrantes de toda a magistratura e dos outros Poderes. Ministros do Superior Tribunal de Justiça, por exemplo, recebem salário correspondente a 95% da remuneração do STF.

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Chefe da Petrobras em Brasília cai após suposta fraude na CPI
O Globo

Depois de aparecer num vídeo em que discute as perguntas que seriam feitas na CPI da Petrobras no Senado, o funcionário José Eduardo Sobral Barrocas perdeu o cargo de chefe do escritório da estatal em Brasília e retornou ao Rio de Janeiro, onde passou a atuar como assistente da chefia de gabinete da presidente Graça Foster.

O rebaixamento de cargo ocorreu há dez dias, no dia 18, e foi uma resposta à revelação de que Barrocas participou da suposta fraude aos trabalhos da CPI. No vídeo, o então chefe do escritório em Brasília discute as perguntas que seriam feitas na CPI com o advogado da empresa Bruno Ferreira e com o chefe do departamento jurídico do escritório, Leonan Calderaro Filho.

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Greve geral na Argentina causa cancelamento de voos no Brasil
Alyne Bittencourt, O Globo

A greve geral de 24 horas convocada para ontem na Argentina levou ao cancelamento de vários voos no Brasil. Até as 18 horas, ao menos 30 voos entre os dois países haviam sido cancelados. A Gol cancelou todos os seis voos que ligam Guarulhos ao Aeroparque, cujas atividades estão paralisadas.

A aérea emitiu nota em que diz estar orientando os passageiros que têm voos com destino ao aeroporto argentino a ligarem para a central de atendimento da companhia para consultar o status do voo. Já a TAM informou que seis de seus voos entre Guarulho e Aeroparque (três em direção ao Brasil e três no sentido oposto) foram cancelados.

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Obama diz não ter estratégia para o Iraque
O Globo

O presidente Barack Obama admitiu que os Estados Unidos ainda não têm uma ampla estratégia para combater os militantes do Estado Islâmico, mas afirmou que um amplo plano de combate ao grupo está sendo preparado, enquanto o Iraque forma seu novo governo.

"Nossa ação militar no Iraque deve ser parte de uma estratégia mais ampla, e isso começa com os líderes iraquianos ampliando o progresso que fizemos até agora, e formando um governo que una o país e aumente o poder das forças de segurança para combater o Estado Islâmico", afirmou o presidente americano.

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Estados Unidos ameaçam impor novas sanções a Moscou
Jerónimo Andreu e Silvia Ayuso, El País

Estados Unidos, Alemanha, França e Itália ameaçaram aplicar novas sanções a Moscou por seu obscuro papel na guerra da Ucrânia. Depois de conversar com a chanceler alemã Angela Merkel, Barack Obama afirmou que a Rússia é "sem dúvida alguma" a "responsável" pela escalada da violência no leste do país.

O presidente norte-americano descartou uma resposta militar contra Moscou, mas deu como certa a imposição de novas sanções. "Daremos passos adicionais, sobretudo porque não vimos uma ação significativa da Rússia para resolver essa situação", declarou Obama. O mandatário não revelou que tipo de medidas punitivas seriam tomadas.

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Europa e Cuba avançam para assinar primeiro acordo bilateral
Ignácio Fariza, El País

A União Europeia e Cuba terminaram ontem a segunda rodada de negociações para seu primeiro acordo bilateral com "importantes progressos". As delegações iniciaram as conversações em abril e voltarão a se reunir no começo de dezembro, em Havana, para tratar do capítulo econômico do pacto.

O acordo resultante substituirá a denominada Posição Comum, adotada unilateralmente pela UE em 1996, que foi rejeitada integralmente pelo Executivo cubano. A Europa trabalha com a ideia de concluir a negociação durante o próximo ano.

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Terroristas usam em americanos tortura 'ensinada' pela CIA
Veja

Pelo menos quatro reféns dos jihadistas do grupo Estado Islâmico na Síria, incluindo o jornalista americano James Foley, teriam sido torturadas pelos radicais com o método de simulação de afogamento, segundo uma reportagem do The Washington Post. Conhecido como "waterboarding", esse tipo de tortura ganhou notoriedade quando passou a ser usado pela CIA em suspeitos de terrorismo depois dos atentados do 11 de Setembro.

O jornal não revelou as fontes que passaram a informação e se limitou a afirmar que elas estão bastante familiarizadas com o caso dos reféns, incluindo o de Foley. A simulação de afogamento consiste em imobilizar a vítima deitada, cobrir a cabeça com uma peça de tecido e despejar água sobre o rosto por alguns minutos.


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Blog do Merval

Mudança de tom

A entrada em cena da candidata Marina Silva com ares de favorita tornou a campanha eleitoral mais aberta e franca por parte dela e do candidato do PSDB Aécio Neves. É natural, os dois disputam o mesmo espaço, isto é, a possibilidade de derrotar a presidente Dilma no segundo turno. O próprio Eduardo Campos achava que quem fosse ao segundo turno contra a presidente venceria as eleições, diante do clamor da sociedade por mudanças.

Chegou até mesmo a imaginar um segundo turno entre PSB e PSDB, candidatos de perfis semelhantes que chegaram a vislumbrar uma parceria. Cenário que ficou impossível com a chegada em cena de Marina Silva, uma oposicionista de outro calibre, que exasperou a disputa.

Aécio foi o mais atingido pelo surgimento de uma candidatura nova na área da oposição, pois está tendo que mudar o ritmo de sua campanha em plena corrida. Com Campos na disputa, teria tempo para apresentar-se ao eleitor, pois o adversário também teria que se apresentar.

Agora, ao mesmo tempo em que se torna mais conhecido, vai subindo o tom para entrar na disputa com uma candidata que foi poupada em toda a primeira parte da campanha e chegou a ela já com índices vigorosos.

A presidente Dilma não pode fazer mais do que tentar convencer o eleitorado de que o país não está tão ruim quanto seus adversários dizem. O problema dela, e por isso tem tido um sucesso relativo, é que os eleitores-espectadores sabem o dia a dia que vivem, e não é um filmete publicitário que vai mudar suas opiniões.

Uma bela sacada de Aécio foi dizer que o sonho de todo brasileiro é viver no mundo virtual da propaganda de Dilma, que é muito melhor do que o mundo real. Tanto é assim que a avaliação de seu governo melhora na margem e não se reflete no número final da votação, que está em queda.

Marina, por sua vez, já entrou no debate da TV Bandeirantes muito mais assertiva do que sempre foi, para enfrentar as tentativas de desqualificação a que será submetida nesses pouco mais de 30 dias de campanha. Terá que esclarecer posições, assumir compromissos e mostrar-se agregadora, que não é exatamente seu perfil de ação pública até agora.

A seu favor, poderá dizer que teve de enfrentar interesses encastelados tanto no governo petista quanto nos partidos em que já esteve, e por isso teve atritos.

Aécio está acelerando a apresentação de seu projeto e a explicitação de seus programas, para ganhar crédito como o candidato da mudança segura, como está se apresentando. Desse ponto de vista, anunciar formalmente que o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga será o comandante de sua equipe econômica, ou que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é e será seu grande conselheiro, é uma maneira de marcar posição na disputa contra Marina, que classifica como uma “amadora”.

O que atrapalha sua campanha é a ineficiência até agora dos acordos regionais que montou, seu grande trunfo como articulador político. Para quem pretendia sair de São Paulo e Minas com cerca de 5 milhões de votos na frente da presidente Dilma, os resultados até agora são decepcionantes, muito pelo surgimento da opção Marina Silva.

Em São Paulo, Marina está à frente, e Dilma em segundo lugar, mesmo com PT levando uma surra para governador e senador, o que sugere que a máquina tucana não se move a favor de Aécio. Uma vingança silenciosa pelas campanhas anteriores em Minas não é de se descartar.
Em Minas, seu território político, o candidato do PT está à frente na disputa para governador e Aécio aparece quase empatado com Dilma na preferência do eleitorado para presidente. Marina reafirma a boa votação que teve em 2010 no Estado, com cerca de 20% das preferências.

No nordeste, onde pretendia reduzir a diferença a favor de Dilma, o candidato do PSDB não está tendo sucesso até mesmo nos Estados onde as dissidências da base aliada teoricamente estariam a seu lado. Na Bahia, Dilma está bem à frente, seguida por Marina. Em Pernambuco, Marina Silva absorveu a força política de Eduardo Campos e está liderando a disputa, seguida da presidente Dilma.

No Distrito Federal, aonde Aécio chegou a liderar, Marina tomou a frente. No Rio de Janeiro, primeiro grande estado em que a dissidência do PMDB surgiu em seu apoio, Dilma lidera com folga, seguida de Marina, relegando-o a um terceiro lugar.

Os dias de setembro dirão se esta é uma situação mutável ou se o quadro sucessório está cristalizado fora da polarização PT-PSDB, que prevalece há 20 anos.


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Blog do Ilimar Franco

Marina: o novo Lula?

                Tucanos e petistas, segundo cientistas políticos, estão diante de um novo Lula: Marina Silva. Aecistas veem “um fenômeno psico social". Marqueteiros, da arquibancada, avaliam que Marina virou uma idealização. E, para derrubá-la, seria preciso “colocar o dedo na cara dela". No debate de anteontem, registram que “ninguém teve coragem" para o confronto. E apostam: o PT terá de sacar o velho Lula para enfrentar o novo Lula.

“Votar em Marina é adiar a crise. Não adianta substituir Dilma por uma aventura. Com o tempo, Marina não será mais essa imagem virtual”

Alberto Goldman
Coordenador da campanha de Aécio Neves em São Paulo

A cidadela tucana ameaçada
A reviravolta nas eleições presidenciais pode afetar um dos pilares do PSDB: o governo de Minas. Aécio Neves tinha a expectativa de tirar em Minas uma diferença de três milhões de votos sobre a presidente Dilma. Com Marina Silva, esse cenário virou fumaça. Pelo Ibope, Aécio tem 34%, Dilma 31% e Marina 20%. Esse empate técnico pode ter reflexos na disputa estadual. O petista Fernando Pimentel lidera com 37% contra o tucano Pimenta da Veiga, 23%. Aécio contava com uma goleada em Minas para alavancar seu candidato. Agora, o embate deve ficar no terreno da comparação entre Pimentel e Pimenta. O drama é maior na eleição porque o tempo é curto.

O eleitor da mudança
Os tucanos estão se debatendo para ver como manter e recuperar os eleitores que foram para Marina Silva. A tarefa será mostrar, para quem quer mudança, que Aécio é mais competitivo que Marina para derrotar a presidente Dilma.

Missão cumprida
Especialistas consideram que Marina Silva cumpriu seus objetivos no debate da Band. Ela passou firmeza, superando a percepção de fragilidade. E fixou uma imagem de quem tem um raciocínio articulado. Elogiaram sua promessa de governar com todos, com pessoas de bem e de buscá-las onde estiverem. Seu alvo foi o eleitor farto com a polarização.

Fidelidade
O tucano Aécio Neves não titubeou no debate da Band. Provocado pela presidente Dilma defendeu o ex-presidente FH. “Me sinto lisonjeado quando ela (Dilma) me olha e enxerga o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”, arrematou.

Garantir o território
O PT organiza neste fim de semana caminhadas em cidades com até 30 mil moradores para fidelizar eleitor mais simpático à sigla. Nelas, não há problemas como mobilidade, típicos de cidade grande. O roteiro já estava previsto, mas se tornou urgente. Pelo Ibope Dilma tem 43% contra 24% de Marina nas cidades com até 50 mil habitantes.

Os eleitores na mão
Se o TSE e o STF fizerem o que é de costume, o julgamento do candidato José Roberto Arruda (DF) não será concluído até as eleições. O TSE o declarou inelegível por ter sido condenado por improbidade administrativa pelo TJDF em julho.

O voto contra o tapetão
O deputado Alfredo Sirkis já recebeu dois votos no TSE mantendo seu mandato mesmo tendo deixado o PV para se filiar ao PSB. Os ministros acataram sua defesa, na qual sustenta que estava sendo perseguido em seu antigo partido.

Credibilidade. Pela pesquisa MDA/CNT, 73,8% dos entrevistados não acreditam na veracidade das informações que recebem pelas redes sociais.

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Com escoriações, Marina saiu-se bem, por Ricardo Noblat

O PT envelheceu. O discurso do PT envelheceu. E é isso que a candidata Marina Silva, do PSB, está passando na cara do seu antigo partido.

Se o que ela diz a empurra para cima nas pesquisas de intenção de voto é simplesmente porque confere com o que acha a maioria dos eleitores.

A verdade é que o PT já foi sinônimo de alegria e de esperança. Não é mais. Virou sinônimo da velha política que tanto combateu.

Com outras palavras, foi essa a mensagem que Marina deixou, esta noite, depois de uma entrevista de 15 minutos no Jornal Nacional.

Bonner e Patrícia Poeta fizeram as perguntas certas e apertaram Marina na medida certa. A candidata soube encará-los com tranquilidade e firmeza.

A resposta à pergunta sobre irregularidades no uso do jatinho da campanha que caiu matando Eduardo Campos, foi a melhor resposta que Marina poderia dar. O que não quer dizer que ela tenha sido convincente. Não foi.

Foi convincente ao responder sobre seu sofrível desempenho eleitoral em seu Estado, o Acre. E menos convincente ao responder sobre a escolha do deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) para seu candidato a vice.

Marina é capaz de repetir a frase que todo político gosta de dizer (“Meu compromisso é com a verdade”) e, no caso dela, a frase soar verossímil. Isso é carisma.

Com jeito, em mais de uma ocasião, Marina calou por alguns instantes Bonner e Patrícia. E ainda ousou dizer que Bonner tinha “um certo desconhecimento” a respeito do que perguntava.

Não deixou Bonner aparteá-la quando considerou que o melhor seria continuar falando. E novamente o alfinetou com elegância do afirmar que ele trabalhava “apenas com um lado da moeda”. Foi até atrevida:

- A vida não tem essa simplicidade que você está usando.

Para encaixar na sequência:

- Vou deixar claro para o telespectador.

Então olhou para a câmera e passou a se dirigir diretamente ao distinto público. Àquela altura havia sobrevivido com escoriações à delicada batalha contra Bonner e Patrícia.


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Blog do Coronel

FHC chama Dilma de mentirosa e burra.

Em artigo no Observador Político, Fernando Henrique ressalta a limitação de Dilma Rousseff em relação à economia. Leiam abaixo:

Agora vejo o motivo pelo qual a presidente Dilma Roussef não conseguiu obter grau de pós-graduação na Unicamp: ela entende pouco de economia. E mesmo de números. Disse no debate de ontem (26/8), na Band, que o Brasil “quebrou três vezes” no governo do PSDB. De onde tirou tal falsidade?

O Brasil estava em moratória desde o final do governo Sarney (será que é a isso que ela se refere quando diz “quebrado”). Desde quando assumi o ministério da Fazenda, no governo Itamar, começamos a refazer a credibilidade do país. Em outubro de 1993 assinamos uma renegociação da dívida externa e voltamos aos mercados internacionais. Fizemos em 1994 o Plano Real, sem apoio do FMI, e erguemos a economia. Começava o período de construção da estabilidade, que durou todo meu primeiro mandato, passando por crises bancárias, Proer, renegociação das dívidas dos estados e municípios etc.

No início do segundo mandato, depois das consequências da crise da Ásia (1997), da crise argentina e toda sorte de dificuldades externas e internas –graças a atos políticos irresponsáveis da oposição e à incompletude do ajuste fiscal – sofremos forte desvalorização cambial em janeiro de 1999, apesar de havermos assinado em 1998 um acordo de empréstimo com o FMI (será que é isso que a Presidente chama de “quebrar o país?). A inflação não voltou, apesar das apostas em contrário, e antes do fim do primeiro semestre de 1999 já havíamos recuperado condições de crescimento, tanto assim que em 2000 o PIB cresceu 4,7%.

Nova dificuldade financeira, a despeito das restrições na geração de energia, só ressurgiu no segundo semestre de 2002. Por que? Devido ao “efeito Lula”: os mercados financeiros mundiais e locais temiam que a pregação do PT fosse para valer. Sentimos o efeito inflacionário (os 12% a que a Presidente sempre se refere, que devem ser postos à conta do PT). Aí sim, recorremos ao FMI, mas com anuência expressa de Lula e para permitir que seu governo reagisse em 2003, como fez. Do empréstimo, 20% seriam para usar no resto de meu mandato e 80% no de Lula… Não houve interrupção do fluxo financeiro internacional, nem quebradeira alguma.

É mentira, portanto, que o governo do PSDB tenha quebrado o Brasil três vezes. Por essas e outras, o governo Dilma Roussef perdeu credibilidade: em vez de informar, faz propaganda falsa.

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Marina no “Jornal Nacional”: não explicou os crimes óbvios que envolvem o avião e disse uma besteira estupefaciente sobre transgênicos… Ah, sim: Como se enrolou, tentou criticar a imprensa…

Marina Silva acaba de conceder a sua entrevista ao Jornal Nacional. Quem presta atenção ao sentido das palavras percebeu o tamanho do desastre. Os entrevistadores quiseram saber o óbvio: como se justifica o discurso da “nova política” quando a rede de empresas fantasmas e laranjas que envolve o avião em que viajavam Eduardo Campos e ela própria é a evidência escancarada da velha política? A candidata, é claro, não conseguiu achar uma resposta porque resposta não há.

Em nenhum momento, revejam a entrevista depois no site do Jornal Nacional, ela admitiu que crimes óbvios foram cometidos. Mais do que isso: tentou desqualificar, ainda que com aquele seu jeitinho simples, de apelo telúrico, o trabalho da imprensa. Segundo disse, a verdade não virá das reportagens, mas da investigação da Polícia Federal. Como assim? Imprensa, de fato, não é a última instância na apuração de crimes. Nesse caso, no entanto, ela já chegou mais longe do que a polícia. As empresas fantasmas e seus laranjas vieram à luz. Como explicar? Pior ainda: com um discurso oblíquo, Marina sugeriu que a apuração da verdade pode ser um desrespeito à memória de Eduardo Campos.

Até aí, Marina estava na fase da enrolação, mas ainda não havia atingido o patético. William Bonner lembrou que ela e seu  vice, Beto Albuquerque, divergiram sobre algumas questões essenciais, como as culturas transgênicas e a pesquisa com células tronco embrionárias. Como posições inconciliáveis se juntam numa chapa? Isso é “nova política”? Marina, então, se saiu com a cascata de que o jornalista se fixava apenas nas divergências, não nas convergências… É mesmo?

A contradição óbvia estava no ar. Então, quando os adversários da candidata fazem composições entre divergentes, estamos diante da evidência da “velha política”; quando é ela própria a fazê-lo, aí se tem a prova da “nova política”? O que Marina respondeu? Que os jornalistas estavam equivocados. Por que estavam? Ela não disse. Nem tinha o que dizer.

Patrícia Poeta lembrou que, em 2010, Marina ficou em terceiro lugar na eleição em seu Estado, o Acre, que a conhece bem. Mais uma vez, a candidata tentou acusar a ignorância dos jornalistas: “Talvez você não conheça direito a minha trajetória…” Ora, quem não sabe? A agora candidata do PSB saiu-se com uma frase feita: “Ninguém é profeta em sua própria terra…” Ah, entendi: ela é profeta no resto do Brasil, menos no Acre. Listou os interesses que teve de contrariar e coisa e tal. Chegou a sugerir que enfrentou a máquina do governo do Acre. Aí estamos no terreno da piada. Ela participa, por meio de aliados, do governo do Estado desde 1999. É parceira dos Irmãos Viana. Seu marido era secretário de estado até a semana passada.

Na mensagem final, Marina pediu votos e disse que não é do tipo de política que faz a luta do poder pelo poder… Certo! Isso é para os outros. A entrevista terminou, e ficou claro que a tal “nova política” só é explicável com o auxílio da velha enrolação.

Transgênicos
Quem não conhece o assunto não se deu conta do tamanho de uma das besteiras que disse. Afirmou que nunca foi contra os transgênicos (o que é falso, mas vá lá), mas que defendia que houvesse áreas livres dessa modalidade de cultura, numa coexistência entre os dois modelos. Felizmente, perdeu a batalha.

Qual é o objetivo dos transgênicos? Aumentar a produção com sementes que já são imunes a determinadas pragas. Ora, imaginem o que aconteceria se, em certas áreas, os transgênicos fossem proibidos e, em outras, permitidos. O resultado óbvio: as terras sujeitas a veto teriam de receber doses cavalares de agrotóxico. Mais: ainda que a proibição atingisse apenas uma parte das terras férteis, é claro que o Brasil não exibiria o robusto desempenho que exibe na agricultura.

Mas eis Marina. Ela se tornou especialista em assuntos sobre os quais ninguém – nem ela própria – entende nada.

Em tempos normais, a entrevista poderia ser devastadora pra ela. Nestes dias… Estamos voando no escuro. A gente sabe em que isso costuma resultar.

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PT: É difícil renunciar subitamente a um grande ódio

Nada muda na campanha do PT com a ascensão de Marina Silva. É difícil acreditar que assim seja, mas isso é, ao menos, o que diz Rui Falcão, presidente do partido. Na noite desta quarta-feira, Dilma Rousseff reuniu no Palácio da Alvorada o comando político de sua campanha e os respectivos presidentes das nove legendas que a apoiam. Falcão falou com a imprensa ao termino do encontro, que durou uma hora e meia, e afirmou que tudo ficará como está. Segundo disse, o grupo avaliou que Dilma foi a que teve o melhor desempenho no debate da Band. Não ficou claro se Falcão tentava enganar os jornalistas, enganar a si mesmo ou enganar os seus pares.

Escreveu o poeta latino Catulo, numa de suas infindáveis crises amorosas com a sua Clódia, que vivia a lhe pôr chifres: “Difficile est longum subito deponere amorem”. É difícil renunciar subitamente a um grande amor. E mais difícil ainda é renunciar a um grande ódio — mesmo que seja um ódio sem sentido, que serve apenas ao propósito político. Clódia e Catulo se amavam, mas ela, possivelmente, o traía. Quem odeia não sabe trair: jamais abandona o objeto de seu culto às avessas.

Por que digo isso? O PT combate o PSDB desde 1988, quando este partido foi criado. De maneira sistemática, metódica, incansável, obsessiva, desde 1995, quando FHC chegou à Presidência da República. Fez-lhe oposição ferrenha durante oito anos e depois passou outros 12, no poder, a demonizá-lo. O partido não tem repertório para enfrentar um adversário como Marina. Não que ela represente algo de novo. Essa é um das tolices mais influentes que andam por ai. Em certa medida, nada representa mais a velha política do que Marina Silva, aquela que pretende falar acima e além dos partidos. Ocorre que, reitero, o PT não se preparou para isso. E, vejam vocês, segundo as pesquisas, quem hoje vence Dilma no segundo turno, e com folga, é… Marina.

O ódio que o PT sempre devotou a seu adversário preferencial, o PSDB, em certa medida, se voltou contra o próprio partido. Os petistas passaram a ser tucano-dependentes. Não têm outro repertório que não a tal luta do “nós contra eles”, do “povo contra as elites”… Vem Marina e os carimba a todos como políticos tradicionais.

Depois de 12 anos de poder, o partido de Lula viu-se tentando a aderir à estética obreirista, do “construí e aconteci”, que só tem passado, não futuro, da qual Marina passou a fazer pouco caso, com sucesso até agora. Disse Ru Falcão, no entanto: “Nós vamos continuar mostrando o que fizemos e apontando as propostas de continuidade das mudanças. Toda vez que houver oportunidade de expor tudo o que nós fizemos e tudo o que vamos fazer, isso é favorável para nós”.

Então tá. Destaco que essa política e essa estética são desdobramentos daquela velha demonização do seu adversário preferencial: afinal, “nós fizemos mais do que eles”. Marina chega e diz: “Isso tudo é propaganda; não é o país de verdade”. E os petistas, até agora, estão sem resposta.

Por quê? Porque é difícil renunciar subitamente a um grande ódio. Se o que Falcão disse a jornalistas reproduzir a qualidade daquela hora e meia de debate, Dilma pode começar a fazer as malas para mudar de endereço.

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“Cadastro do Bolsa Família é uma caixa-preta”, diz Aécio

Por Bruna Fasano, na VEJA.com:
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta quarta-feira que falta transparência ao governo da presidente-candidata Dilma Rousseff na gestão do programa Bolsa Família. “O cadastro do Bolsa Família é uma caixa-preta”, disse o tucano em sabatina promovida pelo jornal O Estado de S. Paulo. Aécio disse ainda que, se eleito, vai expandir e ampliar o programa.

“A grande verdade é que o programa do atual governo para o Nordeste se resumiu ao Bolsa Família. Queremos a superação da pobreza. A pobreza pode fazer bem ao PT, mas nós queremos acabar com ela. A privação de renda é uma vertente da pobreza, mas não é a única. O Família Brasileira (como Aécio batizou a ampliação do Bolsa Família) vai classificar as famílias em níveis de carência. Há famílias com outras carências que podem ser ajudadas pelo estado”, afirmou.

Na entrevista, o tucano também disse que pretende cortar até 7.000 cargos comissionados na máquina federal se for eleito – um terço dos 23.000 postos atuais. “O Brasil quer um Estado eficiente, que gaste menos com sua estrutura para gastar mais com as pessoas”, afirmou.

Ao falar do time que o acompanha – ontem, ele anunciou que, se eleito, nomeará o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como seu ministro da Fazenda –, Aécio ironizou Marina Silva, que tem dito que pretende governar com quadros dos governos do tucano Fernando Henrique Cardoso e do petista Luiz Inácio Lula da Silva. “Ela precisa escolher por qual modelo vai optar.”

Aécio falou também sobre Banco Central em seu eventual governo. Evitou citar nomes que poderiam compor a autoridade monetária, mas garantiu que a instituição terá autonomia operacional, caso seja eleito presidente. Segundo ele, o fundamental é que o BC tenha independência operacional. “Se haverá ou não lei sobre isso é secundário”, afirmou.

Ele disse também que vai promover uma política fiscal transparente e classificou a do atual governo como “uma peça de ficção”. Segundo ele, é preciso dar transparência à equipe econômica. “Não sei quais bombas relógios o governo deixou armadas”, disse, evitando falar qual seria sua meta para o superávit primário. Aécio afirmou que é importante deixar um superávit, mas seria precipitação dizer o montante. “Grande parte da perda de credibilidade vem da pouca transparência dos dados oficiais.”

O presidenciável tucano voltou a dizer que a Petrobras e a Eletrobras estão frequentando hoje as páginas policiais da imprensa, em vez das páginas de economia, e defendeu a necessidade de repensar a matriz energética brasileira, dando prioridade a fontes de energias alternativas, como a eólica e a biomassa.

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Cinco ministros do TCU votam contra bloqueio de bens de Graça Foster
Gabriel Garcia

O Tribunal de Contas da União adiou pela terceira vez, ontem, a conclusão do julgamento sobre o bloqueio dos bens da presidente da Petrobras, Graça Foster, no caso da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006. O ministro Aroldo Cedraz pediu vista - mais prazo para analisar o processo.

Até o momento, são 5 votos favoráveis ao não bloqueio dos bens de Graça e do ex-diretor da empresa Jorge Zelada, no negócio que causou prejuízo de US$ 792,3 milhões à estatal.

Dois ministros, incluindo o relator do processo, José Jorge, votaram pelo bloqueio dos bens - são 9 ministros no total, mas o voto do presidente da Corte só é contabilizado em caso de empate.

Se não houver mudança de voto, o Tribunal de Contas vai livrar a presidente da Petrobras da responsabilização da compra de Pasadena.

A decisão sobre a indisponibilidade dos bens de Graça estava prevista para a semana passada. O relator pediu a retirada do processo de pauta após “O Globo” revelar que Graça e o ex-diretor da Área Internacional Nestor Cerveró doaram imóveis a familiares quando estourou o escândalo sobre a compra da refinaria.

Por enquanto, está mantido o bloqueio patrimonial de 11 dirigentes e ex-dirigentes envolvidos no caso, entre eles José Sérgio Gabrielli, Paulo Roberto da Costa, Cerveró e Almir Barbassa.

Presente a todo instante no julgamento, o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, vem pressionando os ministros, numa forma de reforçar o posicionamento do governo.

Por determinação da presidente Dilma Rousseff, Adams defende a individualização do bloqueio de bens e, em plenário, pediu a exclusão da responsabilização de Graça.

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José Roberto Arruda desafia o TSE ao ignorar a lei da Ficha Limpa
Beatriz Borges, El País

Um embate entre os vícios políticos brasileiros e uma lei criada por pressão popular está em curso no Distrito Federal. A candidatura de José Roberto Arruda (PR-DF) a governador da capital brasileira foi barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base na lei da Ficha Limpa, na terça-feira.

O candidato, filiado ao PR desde outubro de 2013, porém, anunciou que continuará em campanha, principalmente porque lidera as pesquisas, com 37% das intenções de voto, segundo o Ibope. Sua candidatura já havia sido impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal. Arruda está tão decidido que procurou até o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para consultá-lo sobre a possibilidade de recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF).

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Responsabilidade sobre avião era do comitê de Eduardo Campos
O Globo

A candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, disse ontem, em entrevista ao “Jornal Nacional”, da TV Globo, que não sabia que laranjas foram responsáveis pela transferência da propriedade do jato que caiu em Santos (SP) e matou o ex-governador Eduardo Campos. Marina, que também usou a aeronave para a campanha eleitoral, indicou que a responsabilidade por possíveis irregularidades é do comitê financeiro da campanha de Campos.

Perguntada se ela não pediu informações sobre o jato antes de usá-lo ou se havia “confiado cegamente em aliados”, a candidata respondeu: "Tínhamos a informação de que era um empréstimo, que seria feito um ressarcimento, no prazo legal, que pode ser feito, segundo a própria Justiça Eleitoral, até o encerramento da campanha".

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Aécio promete cortar um terço dos cargos comissionados
Lilian Venturini e Gustavo Zucchi, Estadão

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, afirmou que, se eleito, vai cortar um terço dos mais de 22 mil cargos comissionados mantidos pelo governo federal. Quarto convidado da série Entrevistas Estadão, ele voltou a defender a redução do número de ministérios para enxugar gastos, evitou falar sobre o desempenho de Marina Silva (PSB) nas pesquisas eleitorais e definiu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso como seu "conselheiro" nesta campanha.

Aécio afirmou estar em estudo por sua equipe propostas de reduzir os custos com a estrutura administrativa do governo federal. Além de diminuir cargos comissionados, o tucano repetiu ser possível governar com a metade dos atuais 39 ministérios.

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Com crescimento de Marina, Dilma reúne Conselho Político
O Globo

A presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff se reuniu ontem com o chamado Conselho Político, que agrega nove partidos da base aliada. Na prática, o encontro, realizado no Palácio da Alvorada, serviu para traçar a estratégia para a campanha eleitoral diante do crescimento na disputa da candidata do PSB, Marina Silva.

Dilma já afirmou que não pretende mudar a estratégia de campanha, devido ao resultado da última pesquisa Ibope. Dilma disse que a reunião do conselho político da campanha seria colaborativa e não de cobranças, para construir estratégias.

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STF nega pedido de Jefferson para cumprir prisão domiciliar
Carolina Brígido, O Globo

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) negou o pedido feito pelo ex-deputado Roberto Jefferson de cumprir em casa a pena de sete anos e 14 dias à qual foi condenado no processo do mensalão. Por cinco votos a três, os ministros levaram em conta laudo médico do Instituto Nacional do Câncer (Inca) segundo o qual não há necessidade de permanência em casa para a realização do tratamento.

O relator, ministro Luís Roberto Barroso, iniciou a votação negando o pedido. Ele lembrou que a pena terá sido cumprida em um sexto em 24 de abril de 2015. Como Jefferson está no regime semiaberto, nesta data ele poderá progredir para o aberto – e, só então, terá a possibilidade de ir para casa.

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Quase 60% dos brasileiros voltam a dever um ano após quitar dívida
Alyne Bittencourt, O Globo

Um levantamento da Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) indica que 59,2% dos consumidores que limparam o nome voltaram à lista de inadimplentes um ano depois da quitação dos débitos. Quando a análise leva em conta apenas os três meses seguintes à regularização das pendências, o índice de pessoas que voltaram para o cadastro de devedores é de 35,3%.

Em junho de 2013, 57,2% dos consumidores reincidia na lista 12 meses após a quitação (dois pontos percentuais a menos do que em 2014). Quando levados em conta apenas os três primeiros meses após a regularização do pagamento, o percentual era de 33,2% (uma diferença de 2,1 pontos percentuais em comparação com 2014).

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Bolsa tem máxima em 19 meses com aposta em novo governo
Veja

O principal índice da Bovespa fechou com pontuação máxima em 19 meses ontem, após pesquisas reforçarem um quadro mais difícil de reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT), com agentes também analisando o primeiro debate entre candidatos. O Ibovespa fechou em alta de 1,89%, a 60.950 pontos, chegando a ultrapassar 61 mil pontos no meio do pregão.

O giro financeiro da sessão somou 10,8 bilhões de reais. Há uma forte presença de estrangeiros na bolsa corroborando o rali, em meio ao ambiente de ampla liquidez externa, mas a avaliação de agentes financeiros é de que o cenário eleitoral está amplificando o movimento.

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Líbia alerta Conselho de Segurança sobre ameaça de guerra civil
Veja

A Líbia advertiu o Conselho de Segurança da ONU sobre a possibilidade de uma guerra civil de grandes proporções se os grupos extremistas que atuam no país não forem desarmados. “A situação na Líbia é complicada. E, desde 13 de julho tornou-se ainda mais complicada podendo deteriorar em uma guerra civil total se não formos cautelosos e sábios em nossas ações”, disse o embaixador do país na ONU, Ibrahim Dabbashi.

A data mencionada pelo embaixador marca o início de conflitos entre milícias rivais que tentam assumir o controle do principal aeroporto do país. Os confrontos deixaram pelo menos sete mortos e forçaram a suspensão de voos para a capital Trípoli.

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Obama busca aliados árabes e ocidentais contra o califado
Marc Bassets, El País

O presidente Barack Obama busca aliados para combater os jihadistas do Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque. Obama resiste a envolver seu país em outra guerra contra o terrorismo ou em novas aventuras unilaterais no Oriente Médio. A convicção da Casa Branca é que os bombardeios só conseguiram conter os jihadistas, mas derrotá-los exigiria uma coalizão com aliados internacionais e regionais.

“Eliminar pela raiz um câncer como o Estado islâmico não será fácil nem rápido”, disse Obama esta semana. “Estamos fazendo um chamado urgente aos países da região para que apoiem os iraquianos na luta contra esses terroristas bárbaros e, com esse objetivo, estamos construindo uma coalizão internacional.”

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Estados Unidos dizem que Rússia lidera reação de separatistas
O Globo

O governo americano acredita que a Rússia está preparando uma nova ofensiva militar na Ucrânia. A porta-voz do departamento de Estado, Jen Psaki, afirmou que o Kremlin enviou colunas adicionais de tanques e veículos blindados ao território ucraniano, o que sugere que ações militares em Donetsk e Luhansk já estejam em andamento.

Na última terça-feira, o presidente Petro Poroshenko já havia comentado as invasões no território ucraniano. Psaki afirmou que o governo russo tem agido com desonestidade, inclusive para com o próprio povo russo. Segundo a porta-voz, soldados estão avançando quase 50 quilômetros dentro do território ucraniano, e em muitos casos soldados têm sido levados ao país sem que eles e suas famílias saibam.

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Netanyahu: campanha em Gaza foi ‘vitória política e militar’
O Globo

Sob críticas da sociedade desde o anúncio do cessar-fogo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou em entrevista coletiva nesta quarta-feira que Israel conseguiu uma “grande vitória militar e política”, o que o Hamas sofreu um “grande golpe”.

Segundo o primeiro-ministro, o grupo palestino não conquistou nenhuma das exigências apresentadas como condições para o cessar-fogo, e sofreu um importante revés político. "Desde o princípio, traçamos uma meta clara que era a de danificar seriamente o Hamas e outros grupos terroristas, e, desta forma, estender a paz a todos os cidadãos de Israel", declarou Netanyahu.

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JN: jato de Campos cai sobre a pose de Marina

Duas semanas depois da tragédia que produziu uma reviravolta na corrida presidencial, o jato Cessna que transportava Eduardo Campos e mais seis pessoas caiu uma segunda vez. Despencou sobre a pose de Marina Silva no instante em que ela concedia entrevista ao Jornal Nacional, na noite passada. Abriu-se uma fenda no discurso da candidata. Por um instante, a pregação da nova política, tema compulsivo de Marina, tornou-se vulneravelmente opaca.

O jato foi objeto de uma transação milionária feita por meio de laranjas, disse William Bonner. O negócio não foi informado na primeira parcial da prestação de contas à Justiça Eleitoral, prosseguiu. A senhora, que fala em inaugurar uma nova forma de fazer política, usou o avião como teria feito qualquer representante velha política. Procurou saber quem tinha pago por aquele avião ou confiou cegamente nos seus aliados?

Marina estava diante da primeira oportunidade de dizer meia dúzia de palavras sobre o assunto. Até então, sempre que o tema a abalroava, ela se limitava a transferir a responsabilidade pelo provimento de exlicações para o PSB. Acomodada diante das câmeras do telejornal de maior audiência do país, Marina podia tomar distância da encrenca. Preferiu misturar-se ao problema.

Nós tínhamos, William, uma informação de que era um empréstimo, que seria feito um ressarcimento, num prazo legal, que pode ser feito, segundo a própria Justiça Eleitoral, até o encerramento da campanha, tentou explicar Marina. Esse ressarcimento seria feito pelo comitê financeiro do candidato, ela acrescentou.

Professora de formação, Marina soou didática: existem três formas de fazer o provimento da campanha: pelo partido, pelo comitê financeiro do candidato e pelo comitê financeiro da coligação. Nesse caso do avião, seria pelo comitê financeiro do candidato. Essas eram as informações que nós tínhamos.

A senhora sabia dos laranjas?, inquiriu Bonner, incisivo. E Marina: Não tinha nenhuma informação quanto a qualquer ilegalidade referente à postura dos proprietários do avião. Nesse ponto, a candidata preocupou-se em preservar seu ex-companheiro de chapa. Tomada pelas palavras, Marina pareceu dar de barato que eventuais ilegalidades deveriam ser acomodadas sobre os ombros dos donos do avião, não de Eduardo Campos.

Marina prosseguiu: Uma coisa que eu quero dizer para todos aqueles que estão nos acompanhando é que, para além das informações que estão sendo prestadas pelo partido, há uma investigação que está sendo feita pela Polícia Federal.

Na fase seguinte, Marina deixou ainda mais explícita sua pretensão de resguardar o ex-companheiro de chapa: O nosso interesse e a nossa determinação é de que essas investigações sejam feitas com todo o rigor, para que a sociedade possa ter os esclarecimentos e para que não se cometa uma injustiça com a memória de Eduardo.

Por mal dos pecados, a Rede Sustentabilidade divulgara no seu site um texto sobre a participação de Marina no debate presidencial realizado na noite da véspera nos estúdios da Band. Eis o título: Nosso compromisso é de que o Brasil seja passado a limpo, defende Marina.

O texto da Rede recordou que Marina evocara no debate o desejo de mudança da população, explicitado nas manifestações de junho de 2013. Anotou: esse movimento social, para Marina, foi um claro sinal de busca por mudanças e um novo jeito de fazer política. Reproduziu, entre aspas, uma das frases marteladas pela candidata: uma das coisas mais importantes para que a gente possa resolver os problemas, em primeiro lugar, é reconhecer que eles existem.

Pois bem. Bonner esforçou-se para arrancar de Marina um reconhecimento de que o jato convertera-se num problema: candidata, quando os políticos são confrontados ou cobrados por alguma irregularidade, é muito comum que eles digam que não sabiam, que foram enganados, que foram traídos, que tudo tem que ser investigado, que se houver culpados, eles sejam punidos, disse ele.

O entrevistador foi ao ponto: esse é um discurso muito, muito comum aqui no Brasil. E é o discurso que a senhora está usando neste momento. Eu lhe pergunto: em que esse seu comportamento difere do comportamento que a senhora combate tanto da tal velha política?

Abre parênteses: numa das crises que ameaçaram o mandato de Renan Calheiros, em 2007, o presidente do Congresso foi pilhado recebendo dinheiro de uma empreiteira. Os recursos bancavam a pensão de um filho que Renan tivera numa relação extraconjugal com uma jornalista. Para justificar-se, o senador dissera que dispunha de renda. Alegara que vendera cabeças de gado de uma fazenda alagoana. Apresentara pseudo-comprovantes.

Ao perscrutar os supostos compradores, a imprensa deu de cara com laranjas. Periciado pela Polícia Federal, o papelório de Renan foi desqualificado. Chamava-se Renato Casagrande (PSB-ES) um dos relatores do caso no Conselho de Ética do Senado. Hoje governador do Espírito Santo, o então senador Casagrande subscreveu relatório que recomendava que o mandato de Renan fosse passado na lâmina. Para salvar o mandato, Renan renunciou à presidência do Senado.

Mal comparando, o episódio do jato é da mesma família. Numa ponta, empresários generosos prestando favores a um político. Em vez de pensão, um avião. Noutro extremo, um laranjal. No miolo da encrenca, muita desconversa e explicações desconexas. Coisas que fizeram de Renan um protótipo da velha política de que tanto fala Marina Silva. Fecha parentêses.

Em que esse seu comportamento difere do comportamento que a senhora combate tanto da tal velha política?, indagou Bonner. E Marina: Difere no sentido de que esse é o discurso que eu tenho utilizado, William, para todas as situações. Inclusive quando envolve os meus adversários. E não como retórica, mas como desejo de quem de fato quer que as investigações aconteçam. Porque o meu compromisso e o compromisso de todos aqueles que querem a renovação da política é com a verdade.

O diabo é que a verdade começara a ser exposta pelo próprio Jornal Nacional, que desnudara na véspera alguns dos laranjas apresentados como financiadores da compra do jato. Numa segunda reportagem, exibida minutos antes da entrada de Marina em cena, revelaram-se novos e constrangedores buracos na rede de ilegalidades.

Submetida ao impensável, Marina disse respeitar o esforço de reportagem. Mas falou como juíza de direito, não como candidata à Presidência: A verdade não virá apenas pelas mãos do partido nem pela investigação da imprensa. Ela terá que ser aferida pela investigação que está sendo feita pela Polícia Federal. Isso não tem nada a ver com querer tangenciar ou se livrar do problema. Muito pelo contrário, é você enfrentar o problema para que a sociedade possa, com transparência, ter acesso às informações.

Bonner fez uma derradeira investida: o rigor ético que a senhora exige dos seus adversários nos faz perguntar e insistir se a senhora, antes de voar naquele avião, não teria deixado de fazer a pergunta obrigatória: se estava tudo em ordem em relação àquele voo. Não lhe faltou o rigor que a senhora exige dos seus adversários?

Marina, de novo, mirou nos empresários. Rigor é tomar as informações com aqueles que deveriam prestar as informações em relação à forma como aquele avião estava prestando serviço. E a forma como estava prestando serviço era por um empréstimo, que seria ressarcido pelo comitê financeiro. Agora, em relação à postura dos empresários, os problemas que estão sendo identificados agora pela imprensa, e que com certeza serão esclarecidos pela Polícia Federal, eu, como todos os brasileiros, estou aguardando.

Prosseguiu: Eu não uso, William, de dois pesos e duas medidas. Não é? A régua com que eu meço os meus adversários, é porque eu a uso em primeiro lugar comigo. E, neste momento, o meu maior interesse é de que tenhamos todos os esclarecimentos. Mas uma coisa eu te digo: a forma como o serviço estava sendo prestado era exatamente essa do empréstimo, que seria ressarcido depois.

Marina teria soado mais Marina se tivesse declarado algo assim: eu viajei nesse jato como candidata a vice. O cabeça da chapa era Eduardo Campos. O usineiro João Carlos Lyra de Melo Filho, que supostamente emprestou o jato, era amigo do Eduardo. Espanta-me a presença de laranjas no negócio. Sou da Rede. Agradeço muito a hospialidade do PSB. Mas o partido precisa explicar o que sucede. Não me consta que os responsáveis pelo comitê financeiro do candidato tenham morrido no acidente.

Noutras questões, Marina não hesitou em desgrudar a sua Rede do PSB. Refugou, por exemplo, os acordos que levaram o partido de Campos para os palanques de políticos como o tucano Geraldo Alckmin. Não fez o mesmo em relação à encrenca do jato porque faltaram-lhe as condições políticas. Tornou-se candidata com o aval da família do morto. Virou uma espécie de viúva política do ex-parceiro. Não quer passar por ingrata. É do jogo. Mas a condescendência custou-lhe a pose.

O cotidiano de um político é uma sucessão de poses. O político faz pose ao acordar, ao escovar os dentes, ao fazer as refeições. No geral, é difícil saber se o altruísmo do político é ou não representado. Em junho de 2013, o asfalto empurrou para dentro do processo sucessório o desejo de mudança. Marina converteu-se na personificação desse desejo porque as ruas enxergaram sinceridade nas suas poses. Recusando-se a enxergar o problema do jato, Marina arrisca-se a virar uma espécie de sub-Marina.

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Coerência!



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Blog do Coronel

PT quer queimar Dilma e trazer Lula.

O resultado da pesquisa Ibope e de levantamentos informais, que mostraram queda nas intenções de voto de Dilma Rousseff (PT) e uma possível derrota no segundo turno para Marina Silva (PSB), acenderam o sinal amarelo na cúpula da campanha dilmista. Pela primeira vez, o governo fala em risco de derrota na eleição presidencial deste ano, o que até a entrada de Marina na disputa era visto como improvável.

Segundo um interlocutor da presidente Dilma, a campanha está alerta porque a expectativa inicial era que apenas Aécio Neves (PSDB) caísse, mas os levantamentos indicaram que a petista também perdeu votos. Dilma oscilou no Ibope de 38% para 34%. Aécio, de 23% para 19%. Marina teve 29%. Agora, petistas avaliam a melhor estratégia para desconstruir a imagem de Marina, visando principalmente a disputa de um segundo turno com a candidata do PSB. No Ibope, Marina vence a petista na reta final, com 45% contra 36%.

Integrantes da cúpula petista, ministros e secretários executivos foram convocados para uma reunião nesta terça-feira (26) à noite no comitê petista para discutir os rumos da campanha. A queda das intenções de voto de Dilma e a subida de Marina levaram lulistas a defender, nos últimos dias, mais uma vez, a troca de candidatura no PT, hipótese rechaçada pelo ex-presidente Lula. Defensores do movimento "volta, Lula" dizem que a opção pelo ex-presidente teria sido mais "segura", diante do novo cenário eleitoral. Admitem, porém, que a esta altura dificilmente o petista toparia o desafio.

O ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) minimizou o crescimento de Marina."Qualquer pesquisa nesse momento tem que ser tomada como uma coisa muito provisória. Não é por causa desses números, mas eu já tenho dito há alguns dias que lá pelos dias 7 a 10 de setembro nós teremos uma fotografia mais aproximada do embate eleitoral. Porque nós estamos sob a influência, o lançamento da novidade e da exposição enorme que a Marina teve", disse. (Folha)

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Blog do Reinaldo Azevedo

Incompreensível! O avião do PSB e seus fantasmas ficaram fora do debate. Ou: Aécio foi o melhor; Marina chuta canelas e grita “falta!”

A Rede Bandeirantes realizou ontem o primeiro debate entre os presidenciáveis. Por pouco, os maiores derrotados não são os telespectadores — muitos, creio, acabaram vencidos pelo sono. Três horas é tempo demais. Sei que a obrigação de chamar nanicos para o embate dificulta tudo. Mas que é pedreira, lá isso é. Não é fácil ter de ouvir Luciana Genro, do PSOL, a falar mais besteiras do que Levy Fidelix… O debate teve uma falha coletiva escandalosa, que beneficiou uma das candidatas. Já chego lá.

Um mínimo de honestidade intelectual, acho eu, obriga o crítico atento a considerar que o desempenho do tucano Aécio Neves, entre os três candidatos que contam, foi muito superior ao das adversárias. Respondeu ao que lhe foi perguntado, fez críticas, alinhavou propostas e aproveitou a oportunidade para anunciar o que já se dava como certo, mas sem chancela até a noite desta terça: se ele for eleito presidente, Armínio Fraga vai conduzir a economia. Antes assim. Quem estava em busca de conteúdo, basta rever o programa, encontrou um candidato do PSDB afiado.

Dilma também procurou responder às perguntas, justiça se lhe faça. O problema é que estava notavelmente atrapalhada, tropeçando na sintaxe e na fluência. Era visível sua tensão. Nessas horas, vimos isso já nos primeiros debates de 2010, suas frases se perdem em anacolutos, o ritmo da fala fica quebrado, e a gente tem dificuldade de acompanhar a linha de raciocínio.

Quem estava em busca de pose pôde se satisfazer com Marina Silva, do PSB, que estava especialmente agressiva, inclusive na aparência. Aquele ser doce e angelical do horário eleitoral, que fala sorrindo, com a vozinha quase sussurrante, beirando o meloso, não foi ao debate. Em seu lugar, compareceu uma senhora de cenho fechado, sobrancelhas arqueadas, óculos de leitura postos no meio do nariz, a olhar por cima, de modo arrogante. Quando lhe dirigiam uma pergunta, seu semblante reagia como se lhe tivessem dirigido uma ofensa. Nos dois últimos blocos, suponho que por sugestão de assessores, tirou os óculos e passou a sorrir. Não tivesse enveredado pela política, não faria feio como atriz.

Faço aqui um anúncio: quem conseguir achar uma proposta de Marina — uma só que seja — ganha um prêmio. Ela aproveitou seus momentos de fala para investir em paradoxos tão ao gosto dos que a incensam: ora demonstrava o seu lado inclusivo e reconhecia os benefícios que tanto o PSDB como o PT haviam proporcionado ao Brasil, ora tratava os dois partidos como expressões da velha política; ora dizia que queria governar com todos, ora sugeria que ninguém serve a seus propósitos — a menos, claro!, que passem por uma espécie de conversão. A líder da Rede foi notavelmente agressiva com Aécio e Dilma, mas chegou a lastimar, em entrevista posterior ao debate, o confronto entre os candidatos do PSDB e do PT. Ou por outra: chutava a canela e gritava: “Falta!”.

Incompreensível
Um dado me parece incompreensível. Para que serve um debate? Entre outras coisas, para que candidatos expliquem eventuais incongruências entre teoria e prática. Acho estupefaciente que nem os adversários de Marina nem os jornalistas tenham tratado do que, a esta altura, pode e deve ser visto como um escândalo: o avião do PSB que voada no caixa dois. Marina foi usuária da aeronave, é a herdeira da candidatura do partido, pertence legalmente à legenda e está obrigada a dar explicações, sim.

Pois bem! Nesta terça, o partido emitiu uma nota oficial em que nada explica. Na prática, admite a existência do caixa dois. Mais de uma hora antes do início do debate, o Jornal Nacional levara ao ar uma reportagem da maior gravidade (ver post): uma rede de empresas fantasmas, com seus respectivos laranjas, está envolvida na compra do avião. Isso quer dizer que não se está mais falando apenas de crime eleitoral.

O assunto, por incrível que pareça, ficou fora da conversa, enquanto Marina dava aula de educação moral e cívica para seus adversários e se colocava acima do bem e do mal, como representante da nova política. Talvez os jornalistas tenham deixado o caso para os candidatos. Pode ser que os candidatos tenham deixado o caso para os jornalistas. Quem acabou se dando bem foi Marina Silva, que não teve de lidar com seus fantasmas e ainda apontou o dedo acusador contra os adversários.

Assim, convenham, fica fácil.

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Uma rede de empresas fantasmas envolve o avião em morreu Eduardo Campos. E o PSB não explica patavina!

Do Jornal Nacional:
O Jornal Nacional obteve, com exclusividade, documentos importantes da operação de compra e venda do jato Cessna, que era usado pelo candidato do PSB à presidência, Eduardo Campos. O dinheiro que teria sido usado para pagar o avião em que morreu o candidato Eduardo Campos passa por escritórios em Brasília e São Paulo e por uma peixaria fantasma em uma favela do Recife. “Eu estou até desnorteado. Como é que eu tenho uma empresa sem eu saber?”, questiona um homem.

O Jornal Nacional teve acesso com exclusividade aos extratos da conta AF Andrade – empresa que, para a Anac, é a dona da aeronave. Mas a AF Andrade afirma que já tinha repassado a aeronave para outro empresário, que emprestou para a campanha de Campos. Os extratos que já foram entregues à Polícia Federal mostram o recebimento de 16 transferências, de seis empresas ou pessoas diferentes. Num total de R$ 1.710.297,03. Nos extratos, aparecem os números do CPF das pessoas físicas ou do CNPJ, das empresas que transferiram dinheiro para a AF Andrade. Com esses números, foi possível chegar aos donos das contas.

A empresa que fez a menor das transferências, de R$ 12.500, foi a Geovane Pescados. No endereço que consta no registro da peixaria encontramos Geovane, não a peixaria. “Acha, que se eu tivesse uma empresa de pescado, eu vivia numa situação dessa?”, diz Geovane. Outra empresa, a RM Construções, fez 11 transferências, em duas datas diferentes. Cinco no dia 1º de julho e mais seis no dia 30 de julho, somando R$ 290 mil.

O endereço da RM é uma casa no bairro de Imbiribeira, em Recife. Mas a empresa de Carlos Roberto Macedo não funciona mais lá. “Tinha um escritório. Às vezes, guardava o material do outro”, conta ele. Tentamos falar por telefone com Carlos, mas ele pareceu não acreditar quando explicamos o motivo da minha ligação.

Repórter: Você andou depositando dinheiro para comprar de um avião?
Carlos: Tem certeza disso?

Já um depósito de quase R$ 160 mil saiu da conta da Câmara & Vasconcelos, empresa que tem como endereço uma sala vazia em um prédio e uma casa abandonada. Os dois lugares em Nazaré da Mata, distante 60 quilômetros do Recife. A maior transferência feita para a AF Andrade foi de R$ 727 mil, no dia 15 de maio, pela Leite Imobiliária, de Eduardo Freire Bezerra Leite. E completam a lista de transferências João Carlos Pessoa de Mello Filho, com R$ 195 mil, e Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho, advogado com escritórios em Brasília, Recife e São Paulo, com uma transferência de R$ 325 mil.

Luiz Piauhylino de Mello Monteiro Filho disse que realizou, em junho, uma transferência bancária de R$ 325 mil e que esse valor é referente a um empréstimo firmado com o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho. O empresário João Carlos Lyra declarou que, para honrar compromissos com a empresa AF Andrade, fez vários empréstimos, com o objetivo de pagar parcelas atrasadas do financiamento do Cessna. A Leite Imobiliária confirmou que transferiu quase R$ 730 mil para a AF Andrade como um empréstimo a João Carlos Lyra.

Já o PSB declarou, nesta terça-feira (26), que o uso do avião foi autorizado pelos empresários João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Apolo Santana Vieira. E que o recibo eleitoral, com a contabilidade do uso do Cessna, seria emitido ao fim da campanha de Eduardo Campos. O PSB afirmou que o acidente, em que morreram assessores do candidato, criou dificuldades para o levantamento de todas informações.

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Debate não virou votos, só consolidou posições

Realizou-se na noite passada, na Band, o primeiro debate presidencial de 2014. Antes de trocar o evento em miúdos, aqui vai a conclusão: como já se tornou comum em programas do gênero, domados por regras ditadas pela marquetagem, não houve um vencedor. Hipertreinados, nenhum dos três principais contendores protagonizou algo que possa ser chamado de um escorregão. É improvável que o embate resulte numa virada de votos. Serviu apenas para consolidar posições. Assim, foi mais útil para Dilma e Marina, que roçam o segundo turno.

Sob o impacto do Ibope divulgado horas antes, que lhe tirou o chão, restou a Aécio apresentar-se como a mudança segura. Fez isso do início às considerações finais, quando declarou, já perto de uma hora da madrugada, que Dilma representa o Brasil da “inflação alta e do crescimento baixo”. E que Marina levará o país a “novas aventuras e ao improviso”. Ofereceu “o caminho da segurança” e da “previsibilidade”. Chegou mesmo a “nomear” seu ministro da Fazenda: Armínio Fraga, ex-presidente do BC.

Quem queria ver sangue decepcionou-se. Foi ao ar a normalidade. Como atração televisiva, o debate deixou a desejar. Com mais de três horas de duração, tornou-se enfadonho do meio para o final. Começou às 22h de terça e alongou-se até 1h06 de quinta. As pestanas que resistiram até o quinto e derradeiro bloco foram ao encontro dos travesseiros com a incômoda sensação de desperdício do sono. O miolo da picanha foi servido no segundo bloco.

Como de hábito, as regras conspiraram contra o aprofundamento da discussão. Com 30 segundos para a pergunta, dois minutos para a resposta e 45 segundos para réplica e tréplica, as teses foram expostas numa profundidade que uma pulga poderia atravessar sem saltos, com água pelas canelas. Por sorte, o embuste retórico foi mantido no limite do tolerável.

Convidada a inquirir um dos rivais, Marina mirou para o alto. Evocando as manifestações de junho de 2003, a substituta de Eduardo Campos esfregou na face de Dilma o fiasco dos pactos propostos por ela como resposta ao ronco das ruas. E Dilma, fiando-se em autocritérios: “Eu considero que tudo deu certo, veja você”. Ela enumerou: a lei que destinou 75% dos royalties e do fundo social do pré-sal para a educação e 25% para a saúde, o programa Mais Médicos, a destinação de R$ 143 milhões para mobilidade urbana… A reforma política não vingou, mas isso depende de um plebiscito, disse.

Na réplica, Marina foi ao ponto: “Uma das coisas mais importantes para que a gente possa resolver os problemas é reconhecer que eles existem. Quando a gente não os reconhece, não passa nenhuma esperança para a população de que, de fato, eles serão enfrentados. Esse Brasil que a presidente Dilma acaba de mostrar, colorido, quase cinematográfico, não existe na vida das pessoas. [...] a reforma política virou substituição de ministros em troca de tempo de televisão. Vivemos uma situação de penúria na saúde, na educação e na segurança…”

Na sua vez de indagar, Dilma apontou para baixo. “Eu queria perguntar para o candidato Aécio”, disse, como que interessada a retornar à zona de conforto da polarização tucano-petista. Um embate que a conjuntura insiste em desfazer. “O Brasil tem hoje as menores taxas de desemprego da história, mesmo diante da mais grave crise internacional”, ela disse. “Quando Fernando Henrique entregou o cargo ao presidente Lula, o desemprego era mais que o dobro. O senhor falou que, se eleito, tomaria medidas impopulares. Além de cortar empregos e acabar com o aumento real do salário mínimo, quais outras medidas impopulares o senhor tem em mente?”

E Aécio: “Eu me sinto lisonjeado toda vez que a candidata me olha e enxerga o presidente Fernando Henrique. Mas acho que quem fala sempre olhando pra trás é porque tem receio de debater o presente ou não tem nada a apresentar em relação ao futuro. A senhora está enganada. Tenho dito que estamos preparados para fazer o Brasil voltar a crescer e gerar empregos cada vez de melhor qualidade. No governo da senhora, presidente, 1,2 milhão de postos de trabalho acima de dois salários mínimos foram embora porque a indústria brasileira foi sucateada.”

Aécio soou duro. Mas foi informativo. Disse que a participação da indústria no PIB recuou aos níveis da Era Juscelino Kubistchek, há 60 anos. Evocou as informações que acabam de ser divulgadas pelo Ministério do Trabalho. Súbito, escorregou na eloquência: “Os dados mostram que este mês de julho foi o pior mês de geração de emprego de carteira assinada do século, como foi junho, como foi maio… É preciso, sim, que a senhora reconheça que um país que não cresce não gera empregos. O seu governo perdeu a capacidade de inspirar confiança e credibilidade…”

Em verdade, o que os dados da pasta do Trabalho revelaram foi que, em julho passado, houve 1.746.797 contratações com carteira assinada e 1.735.001 demissões. Na conta dos empregos formais registrou-se, portando, um saldo de 11.796 novas vagas. Foi o pior resultado para um mês de julho desde 1999, sob FHC, quando foram abertos 8.057 novos postos de trabalho. Já é suficientemente ruim. O adendo do “pior mês do século”, por desnecessário, permitiu que Dilma voltasse à carga:

“A verdade, candidato, é que o governo do PSDB, que parece que o senhor não vai adotar, quebrou o Brasil três vezes… Aliás, tivemos uma redução salarial terrível durante esse período. No meu governo, nós geramos mais empregos do que vocês geraram em oito anos. Eu, em três anos e oito meses, estou gerando, 5,5 milhões de empregos.” Verdade. O problema é que Dilma fala de empregos olhando para o retrovisor. Os telespectadores mais atentos sabem que o parabrisa, embaçado pelo crescimento pífio da economia, exibe um horizonte de dias piores.

De resto, Dilma teve o azar de lidar com um tucano que optou por não esconder FHC no fundo do armário. Na tréplica, Aécio recordou uma carta elogiosa que Dilma endereçou ao ex-presidente quando ele fez aniversário de 80 anos. “Eu me permito ficar com a primeira presidente Dilma que, no início do seu mandato, escreve uma carta ao presidente Fernando Henrique cumprimentando-o pela estabilidade econômica.”

Acrescentou: “Não tivesse havido a estabilidade da moeda, contra a vontade do PT, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a modernização da nossa economia e a privatização de setores que deveriam já há muito tempo estar fora do alcance do Estado, se não houvesse tudo isso, não teria havido o governo do presidente Lula… Reconhecer a contribuição de outros governos é um gesto de grandeza que tem faltado ao seu governo.”

Ainda no segundo bloco, o sorteio brindou a platéia com a possibilidade de Aécio dirigir uma pergunta a Marina, cujo desempenho ameaça privá-lo do segundo turno. “Candidata, a senhora tem falado muito sobre a nova política. Logo que assumiu sua candidatura, apressou-se em dizer que não subiria em determinados palanques. Etnre eles o de um dos mais íntegros e preparados homens públicos do país, o governador Geraldo Alckmin. Dias depois, disse que gostaria de governar o país com o apoio de José Serra, o mesmo a quem a senhora negou apoio em 2010. Será que a nova política não precisaria ter também uma boa dose de coerência?”

Marina teve, então, a chance de reentoar o discurso que vem encantando o pedaço do eleitorado que está de saco cheio do Fla-Flu que domina a política nacional desde a sucessão 1994. “Eu me sinto inteiramente coerente. Defender a nova política é combater sobretudo a velha polarização que, há 20 anos tem se constituído num verdadeiro atraso para o nosso país.”

Prosseguiu, peremptória: “A polarização PT-PSDB já deu o que tinha de dar. Quando eu disse que não ia subir nos palanques que não havia antes acordado com nosso saudoso Eduardo Campos, mantive a coerência exatamente porque não queria favorecer os partidos da polarização. E quando digo que quero governar com os melhores do PT, do PSDB, do PMDB é porque reconheço que existem pessoas boas em todos os partidos.”

Marina finalizou a resposta dizendo que, eleita, escalará uma “nova seleção”, tirando “do banco de reservas pessoas como o senador Pedro Simon, Eduardo Suplicy…” Declarou que, ao se referir a Serra, “estava dizendo que tenho a certeza de que, quando eu ganhar a Presidência, ele não haverá de ir pelo caminho mesquinho da oposição pela oposição, que só vê defeitos, mesmo quando os acertos são evidentes. É o caso do Bolsa Família, que o PSDB tem muita dificuldade de reconhecer. Ou da situaçao pela situaçao que sói vê virtudes, mesmo quando os defeitos são evidentes, como é o caso da volta da inflação, do baixo crescimento e de todo o retrocesso que temos na política macroeconômica, que o PT tem dificuldade de reconhecer e corrigir. Eu me sinto inteiramente coerente com a renovação da política.”

Na réplica, Aécio disse ter dificuldades para entender a pregação que parece ter encantado uma fatia expressiva do eleitorado. Recuou no tempo: “Acredito que existe de verdade a boa e a má política. Não posso crer que homens como Ulysses Guimarães, Miguel Arraes e Tancredo Neves praticavam a velha política. E a boa política pressupõe coerência. Estou aqui acreditando no que sempre acreditei.”

Na sequência, Aécio insinuou que a ex-petista Marina foi contra as boas iniciativas da fase FHC. “Eu acreditava que a estabilidade da moeda era essencial para que o Brasil voltasse a crescer, acreditei que a Lei de Responsabilidade Fiscal iniciaria um novo momento, que as privatizações eram essenciais para esse mesmo crescimento econômico. Fizemos tudo isso com a oposição do seu partido à época, o PT.”

Marina não se deu por achada: “Sua fala, candidato Aécio, reforça exatamente o meu argumento. Acredito na política que pratiquei no Congresso Nacional. Por exemplo: quando foi a votação da CPMF, ainda que o meu partido fosse contra, em nome da Saúde, eu votei favoravelmente mesmo sendo o governo do PSDB. Quando foi o Protocolo de Kioto, fui eu que ajudei a aprovar porque senão seria uma vergonha. Mas infelizmente não é a mesma postura que você, juntamente com o PT, tem nessa relação PT-PSDB, que é uma relação que coloca o Brasil desunido e aparta o Brasil. Nós precisamos unir.”

Quem assistiu ao debate até esse ponto obteve o kit de informações básicas para exercitar o voto em outubro. Dilma tornou-se uma espécie de candidata-parafuso. Com o governo espanado, roda a esmo em torno de conquistas de Lula, que sua gestão precária ameaça. Mas não parece disposta a fazer concessões à autocrítica. Aécio oferece uma mudança “segura'' que tem como símbolo um futuro ministro içado do passado. E Marina tenta espantar o risco de aventura fazendo pose novidade responsável, capaz de governar com o que de melhor os quadros dos arquirivais PT e PSDB podem oferecer ao país. O cenário pode não ser animador. Mas uma nação que já acomodou no Planalto Fernando Collor precisa reconhecer que não está diante do fim do mundo.

- Serviço: para quem não assistiu, a íntegra do debate está disponível aqui.

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Elenco!




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Blog do Noblat

Recepcione Dilma e Lula. E ganhe uma dentadura, por Ricardo Noblat

Sou tentado a acreditar, aos 65 anos de idade e 48 de jornalismo, que já vi tudo. Mas que nada! A vida é surpreendente. Os políticos são surpreendentes. Os governantes então... Nem se fala.

Na semana passada, a prefeitura de Paulo Afonso, no norte da Bahia, recebeu um telefonema do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza.

Um funcionário do ministério pediu que se providenciasse uma prótese dentária para a agricultora Marinalva Gomes Filha, dona Nalvina, 43 anos de idade e pessoa muito conhecida no lugar.

Dona Nalvina estava escalada para recepcionar, dali a dois dias, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Os três gravariam cenas para o programa de propaganda eleitoral de Dilma na TV.

Pegaria mal a anfitriã de Dilma e de Lula aparecer com alguns dentes a menos.

Uma vez que a Folha de S. Paulo contou a história, a ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, foi acionada para sair em socorro de Dilma e de Lula.

A ministra explicou que a encomenda de uma dentadura para dona Nalvina não passou de “uma ação de rotina” do seu ministério. Foi além:

- É uma prática nossa. Qualquer situação que a gente identifique, a gente encaminha para o órgão competente - disse.

Quer dizer: dona Nalvina ganhou uma dentadura porque precisava – não porque fosse virar personagem do programa eleitoral de Dilma. Sempre que o ministério sabe de alguém com poucos dentes, aciona as prefeituras.

Você acredita nisso?

Eu também não.

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Primeiro embate entre os presidenciáveis.

Debate de primeiro turno em emissora com baixíssima audiência só gera frisson na imprensa e nas assessorias dos candidatos. O de hoje à noite teve alcançar no máximo 2 pontos de audiência, alcançando menos de 150 mil pessoas na Grande São Paulo. O debate é uma grande fonte de notícias para os portais, jornais e revistas e aí é que reside a sua maior importância. Dizem os especialistas que a única coisa que um candidato não pode fazer em debate é cometer um erro crasso. Fora isso, não decide eleição.

A Band realiza nesta terça-feira o primeiro debate entre os candidatos à presidência. Pela primeira vez, estarão frente a frente: Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB), Pastor Everaldo (PSC), Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB).

O encontro acontecerá nos estúdios da Band no Morumbi, em São Paulo, a partir das 22 horas. O Portal da Band vai transmitir ao vivo o encontro. O internauta também poderá conferir os bastidores, a partir das 20 horas, e uma análise especial com dois cientistas políticos, após o evento. As regras já foram definidas – serão seis blocos. A apresentação será do âncora do Jornal da Band, Ricardo Boechat.

Segundo o Estadão, o primeiro debate entre os candidatos ao Palácio do Planalto, nesta terça-feira à noite, na TV Band, será marcado pela tentativa da presidente Dilma Rousseff (PT) e do senador Aécio Neves (PSDB) de se apresentarem como gestores eficientes, sugerindo fragilidades de Marina Silva (PSB) nessa área. A ex-ministra do Meio Ambiente, por sua vez, pretende recorrer às trajetórias dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso para desconstruir o argumento de inexperiência como gestora.

A subida da ex-ministra do Meio Ambiente nas pesquisas preocupa tanto o comando da campanha de Dilma como o comitê de Aécio. Convencida de que será alvo de estocadas, Marina pretende se apresentar como a candidata que não chegou para segregar, mas sim para quebrar a polarização e unir “pessoas de bem” na política, mesmo sendo elas de outros partidos, como o PT ou o PSDB. Marina substituiu o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, morto em acidente aéreo no último dia 13 e, desde então, tenta encarnar o discurso da mudança mais confiável.

Dilma será a primeira a falar no debate da Bandeirantes, seguida por Marina. A ordem, definida em sorteio, foi comemorada pela equipe de Aécio, para quem o tucano poderá captar o tom da discussão entre as adversárias para reagir “com serenidade”, caso seja necessário.

Ex-governador de Minas Gerais, o candidato do PSDB buscará o confronto com Dilma e suas críticas a Marina devem ser mais sutis. Coordenadores da campanha tucana disseram ao Estado que Aécio só atacará diretamente a candidata do PSB se ela tomar a iniciativa. A tática principal consiste em ser mais incisivo com Dilma. As provocações endereçadas ao governo terão o objetivo de reforçar a polarização entre petistas e tucanos.

Com essa estratégia, o mau desempenho da economia e o atraso nas obras estarão na mira de Aécio, que também pretende questionar a eficácia de Dilma como “gerente”. Na tentativa de apresentar um discurso simples e sem rodeios, o candidato do PSDB vai bater na tecla da volta da inflação, da escassez de investimentos e criticar o pífio crescimento do País.

A presidente passou boa parte do dia de segunda-feira reunida com auxiliares no Palácio da Alvorada, preparando-se para o debate. À noite embarcou para São Paulo. Antes de ir para a emissora, Dilma vai se encontrar nesta terça-feira com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Eu sempre me preparo para os debates porque acho que é minha obrigação chegar lá e responder às perguntas o melhor que eu posso”, disse Dilma em entrevista, na segunda à noite, no Alvorada.

Lula disse a Dilma, na semana passada, que é preciso tomar muito cuidado com Marina. Para o ex-presidente, a candidata do PSB herda um ativo de quase 20 milhões de votos da eleição de 2010, quando concorreu ao Planalto pelo PV, além de um clima de comoção nacional com a morte de Campos, e pode encarnar a retórica da mudança. No diagnóstico de Lula, o PT precisa fazer de tudo para repaginar o discurso e tentar atrair os eleitores da ex-ministra descontentes com o governo.

Pesquisas internas do PT indicam que a candidata do PSB está a oito pontos de distância de Dilma - ainda líder dos levantamentos de intenção de voto -, mas bem à frente de Aécio. A equipe do tucano dá como certo que ele aparecerá em terceiro lugar na pesquisa a ser divulgada nesta terça-feira pelo Ibope/Estado/TV Globo, mas ainda acredita na reversão desse quadro.

O comando da campanha de Dilma se debruçou sobre problemas da época em que Marina foi ministra do Meio Ambiente do governo Lula, de 2003 a 2008. Na lista de “fragilidades” de Marina os petistas citam a falta de experiência administrativa e o radicalismo, que provoca entraves ao crescimento econômico, além da resistência dela ao agronegócio e da ausência de estrutura partidária e de aliados para governar.

Trajetórias. Em resposta à críticas sobre sua capacidade de gestão, Marina deve argumentar que Lula nunca havia ocupado cargo administrativo antes de ser eleito presidente, em 2003. Fernando Henrique, da mesma forma que ela, só havia sido ministro. A candidata do PSB vai rebater os possíveis ataques de Dilma e de Aécio enfatizando que, num momento de crise, o País precisa de alguém com capacidade de juntar no mesmo governo nomes do PT e do PSDB.

Em um recado direto a Dilma, Marina vai repetir, se provocada, o discurso de que a petista será a primeira presidente na história a entregar um País pior do que recebeu. “A chamada ‘gestora’ entregará o País no caos”, afirmou o coordenador adjunto da campanha, Walter Feldman (PSB-SP). Marina vai se apresentar como a única com “visão estratégica”, capaz de promover uma “transição positiva” e sem a polarização entre PT e PSDB.

Quarto colocado nas pesquisas, o candidato do PSC, Pastor Everaldo, disse na segunda-feira que vai manter o equilíbrio e usar o debate para reforçar a “defesa incondicional da livre concorrência e do empreendedorismo”.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Marina tentou explicar a fábula do avião sem dono. Para não variar, deu mais uma de suas declarações incompreensíveis sobre o nada. Ou: Não entro na conversa de que o inimigo do meu inimigo é meu amigo. Isso é ruim até como exercício de guerra

Não me peçam para aderir a ondas de opinião com base no que pensam este ou aquele, especialmente gente que detesto ou execro. Imaginem se justamente pessoas que desprezo iriam determinar os rumos das minhas escolhas. Seria um contrassenso. Alguém me viu aqui a tratar delinquentes que saíam quebrando tudo por aí como aliados objetivos só porque a popularidade de Dilma caía? Quem passou a mão na cabeça deles foi Gilberto Carvalho, não eu. Dá-se o mesmo agora com a “onda Marina”, que pode, reconheço, virar tsunami e devastar nosso futuro: “Ah, entre a Dilma e a Marina, tudo contra o statu quo…” Não é assim que eu penso. Não é assim que eu opero. O voto nulo, numa democracia, é um direito. Se necessário, eu o usarei.

Imbecis dizem por aí: “Claro! Reinaldo é simpático ao PSDB!” Sou? Perguntem aos tucanos para ver se eles acham isso. Mas vamos ao que mais interessa: hoje é dia 26. Já se passaram 13 dias desde o acidente que matou Eduardo Campos e outras seis pessoas. Até agora, o PSB não conseguiu dizer a quem pertencia o jatinho. Pior: tanto Marina Silva como Beto Albuquerque, candidato a vice, tiram ares de ofendidos e ainda tentam cutucar a Polícia Federal, cobrando dela um esclarecimento. Até parece que havia alguma conspiração possível, cuja investigação coubesse à PF. De resto, tivesse havido, a única beneficiária seria Marina, não é? Ou terei perdido alguma coisa? Adiante.

Nesta segunda, a candidata do PSB à Presidência falou a respeito. Foi a primeira vez que resolveu pedir para a procissão parar o andor para que ela se dirigisse aos fiéis. E se saiu com estas palavras, prestem bem atenção:
“Queremos que sejam dadas as explicações de acordo com a materialidade dos fatos, e, para termos a materialidade dos fatos, é preciso que haja tempo necessário para que essas explicações tenham as devidas bases legais”.

Você não tem culpa nenhuma se não entendeu patavina. Eu também não entendi nada. Marina não entendeu nada. Beto Albuquerque não entendeu nada. Os demais leitores não entenderam nada. Os outros jornalistas não entenderam nada. E é fácil explicar por que é assim: Marina não falou para ser entendida. A isso se chama técnica do despiste. Ela já é dona, no mais das vezes, de uma retórica incompreensível porque faz questão de deixar claro que não habita este mundo em que mortais arrastam suas vidas terrenas. Ela desfila sua figura e seu olhar etéreos como quem se comunica com dimensões que nos escapam, daí falar uma língua que quase sempre sugere, mas nunca explica.

Desta feita, ela exagerou. Vamos quebrar em pedaços o que ela disse: “Queremos que sejam dadas as explicações de acordo com a materialidade dos fatos”. Como? Que sejam dadas por quem? Eu não voei naquele avião. Você não voou naquele avião. Ela sim! Quem é o agente da passiva de sua sintaxe? Marina quer que as explicações sejam dadas por quem? Aí a candidata diz que é preciso tempo para que as “explicações tenham as devidas bases legais”. Como assim? Com um pouco de severidade, é possível inferir que está a nos dizer: “Olhem aqui: nós estamos tentando arrumar alguma desculpa legal para dar; quem sabe a gente consiga até amanhã”.

Dilma resolveu tirar uma casquinha na entrevista coletiva concedida nesta segunda quando indagada sobre o avião: “Eu não estou acompanhando isso, porque, você vai me desculpar, mas não é objeto do meu profundo interesse. Agora, acredito que nós, que somos candidatos, inexoravelmente temos de dar explicação de tudo. (…) Candidato a qualquer cargo eletivo, principalmente a presidente da República, está sujeito a ser perguntado sobre qualquer questão e deve responder, se puder, né?”

Dilma sabe bem do que fala porque deixou e deixa de responder a muita coisa. Querem um exemplo: até agora, a pergunta que lhe dirigiu William Bonner no “Jornal Nacional” segue sem resposta. Ele quis saber se o PT não fez mal em tratar corruptos condenados como heróis do povo brasileiro. A candidata Dilma afirmou, então, que, como presidente, não se pronunciava sobre julgamento do Supremo. Ora: era uma questão dirigida à candidata, não à presidente, e dizia respeito ao PT, não ao Supremo. Como diria a petista, candidatos devem responder a qualquer questão — se puderem… Ela, por exemplo, não pôde.

Mas volto a Marina. Hoje, dia 26, 13 dias depois do acidente, vamos ver a desculpa que o PSB arrumou para a fábula do avião sem dono…

Encerro
Para encerrar: não me peçam para brincar daquela historinha de que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo…” Isso é ruim até como exercício de guerra, como não cansa de provar a realidade. De resto, em política, existem adversários, não inimigos a serem destruídos. Mais: não faço política — e, portanto, nessa área, nem adversários eu tenho. No máximo, há ideias e valores que não me servem. E é sobre eles que falo.

Marina não terá o meu voto enquanto falar uma língua que, segundo entendo, avilta a razão e enquanto defender propostas que violam os fundamentos da democracia representativa. E ponto.

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Na terça-feira gorda, as explicações do PSB para seu voo cego, os números do Ibope e o debate entre os presidenciáveis. Ou: Que venha a clareza!

Hoje é um dia cheio. E como! A Band realiza o primeiro debate entre os presidenciáveis. O Jornal Nacional divulgará os números da pesquisa Ibope. Se o que se cochicha por aí se cumprir, Marina Silva, da Rede, mas aboletada no PSB, deve aparecer em segundo lugar, mais próxima da petista Dilma Rousseff do que jamais esteve, com a possibilidade de estar à frente no segundo turno, fora da margem de erro. Só isso? Não! O PSB também promete para hoje uma explicação para o grande mistério da chamada “nova política” que Marina encarna: afinal de contas, de quem era aquele avião que se espatifou no chão, matou Eduardo Campos e outros seis e pode ter aberto para a ex-senadora petista a possibilidade de se eleger mesmo não tendo um partido?

O governo petista está de tal sorte desgastado que o mercado, nesta segunda, reagiu com euforia ao simples boato de que Marina pode vencer Dilma nas urnas. É o que já vinha acontecendo quando essa possibilidade apontava para Aécio. Ainda que a líder da Rede esteja mais para incógnita do que para resposta, conta o fato de que ela, afinal, não é… Dilma. De resto, os cardeais da papisa, como Maria Alice Setúbal e Eduardo Giannetti, já deixaram claro que o setor financeiro não tem o que temer. Uma promessa de independência do Banco Central já rende adesões… “Mas e a história de que Marina defende o decreto 8.243 e quer criar os tais conselhos populares?” Convenham: não é uma causa que sensibilize tanto assim os mercados, né? Se democracia lhes fosse uma condição inegociável, cairiam fora da China… Sigamos.

Como vão se comportar Dilma Rousseff e Aécio Neves? Comenta-se que ambos tendem a evitar o embate direto com Marina. Será mesmo que é uma boa saída? A ser assim, a tendência, então, é que se dê o confronto entre os nomes do PT e do PSDB, que é tudo o que quer a candidata do PSB, que se apresenta como uma suposta terceira via, insistindo na tecla de que o país já está cansado daquele velho confronto.

Reconheça-se, no entanto, que Marina chega ao debate ainda ungida por certa esfera de santidade. O embate com ela pode render desgaste, sim, tanto a Aécio como a Dilma, a menos que consigam evidenciar o que podem considerar seu despreparo, suas eventuais contradições ou sei lá o quê.

Vamos ver: os números do Ibope serão divulgados antes do debate. Os três já os conhecerão. Se a distância que separa Marina de Aécio for muito grande, não resta ao tucano, acho eu, outra saída que não questionar firmemente a oponente que pode lhe tomar o segundo lugar. Se houver evidências na pesquisa de que Dilma caminha para uma derrota no segundo turno, preservar a candidata do PSB também não será uma atitude prudente da petista.

O que eu acho que tem de ser feito? Olhem aqui: esse embate eleitoral se tornou de tal sorte contaminado por mitologias e misticismos que, se me fosse dado sugerir alguma coisa, recomendaria nada além da clareza absoluta. Os três principais candidatos que estarão no debate já propuseram — e realizaram — coisas para o Brasil. Os três fariam um bem ao país se forçassem o debate para que os outros dois pudessem ser confrontados com suas palavras e com suas obras.

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Nove pontos sobre aquele avião…

.O PSB promete para hoje uma “explicação” para a história do avião que servia à campanha do partido, no qual Marina Silva também viajou muitas vezes. Vamos pôr um pouco de objetividade nessa história.

1: Marina fazia parte da chapa registrada no TSE: era vice de Eduardo Campos. A coligação tem, perante a Justiça Eleitoral, a mesma responsabilidade que teria um partido político — responsabilidade esta compartilhada pelos candidatos, Marina inclusive: como vice antes, como titular agora.

2: Há o dever legal de declarar todas as despesas realizadas. Como esquecer que o simples pagamento, não declarado, a gráficas que imprimiram santinhos resultou na perda de mandato  de pessoas eleitas e já diplomadas? O Ministério Público Eleitoral denuncia, o processo pode demorar, mas a punição vem. Estamos falando de migalhas diante dos gastos de um jatinho de última geração.

3: Avião sempre deixa rastro, a cada decolagem e pouso, como provou o famoso “Morcego Negro”, de PC Farias (quem ainda se lembra daqueles tempos ingênuos?). A aeronave é abastecida com emissão, suponho (ou não?) de notas fiscais. Nesse caso, saiu com CPF ou CNPJ de quem?

4: A cada pouso e decolagem, deve haver registro do tempo em que o avião devidamente identificado ficou em terra, da hora em que pousou e depois decolou. A aeronave tem prefixo, identificação, e tudo fica vinculado a essa identificação. O serviço costuma ser pago. Quem pagou, ou para quem foi faturado?

5: Quando a aeronave está em terra, para que seja liberada para voo, é preciso informar o destino à torre de comando do aeroporto e os respectivos nomes dos passageiros a bordo. A torre autoriza o plano de voo. Tudo fica registrado. De quantos voos participou Marina, por exemplo?

6: É obvio que, no caso desse avião e suas despesas (combustível, hangares, pilotos), há uma enorme confusão a ser acertada com a Justiça Eleitoral. E não vai ser fácil. Marina é responsável porque era da coligação e compunha a chapa registrada no TSE. Ela está aí e tem de explicar de forma convincente, o que, sinceramente, duvido que vá conseguir.

7: A atual chapa do PSB só existe porque substitui a primeira, devidamente registrada, da qual Marina fazia parte. E, reitere-se, ela foi usuária do avião.

8: Pertencesse o avião ao próprio Eduardo Campos, fosse alugado, fosse emprestado, tudo tem de ser informado à Justiça Eleitoral, apontando a origem dos recursos empregados. Talvez essa demora do PSB se deva à necessidade de construir uma história que, começando pelo fim, tem de inventar um começo. Acreditem: sempre sobrará uma lacuna.

9: Marina, que se comporta às vezes, como a corregedora-geral do mundo, tem o dever legal e moral de dar explicações. Vai que seja eleita e tenha depois o seu mandato cassado por crime eleitoral.

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Brasil, um país sem uma política de segurança pública
Afonso Benites, El País

Há duas décadas as primeiras pesquisas de opinião identificaram que a segurança pública seria um dos temas que deveriam ser levados aos debates presidenciais no Brasil. Isso porque é um assunto que passou a preocupar os cidadãos, diante do aumento das taxas de roubos e homicídios, da baixa resolução dos crimes e do consequente aumento da sensação de insegurança.

Naquela época, a taxa de homicídios era de 20,2 para cada grupo de 100.000 habitantes. Ou seja, a cada dia 83 pessoas eram assassinadas no país. Depois de dois governos tucanos (Fernando Henrique Cardoso – 1995 a 2002) e quase três petistas (Lula da Silva – 2003 a 2010 e Dilma Rousseff – 2011 a 2014), a taxa saltou para 29, o que quer dizer que 154 assassinatos acontecem por dia.

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Em prefeituras do PT e aliados, o Mais Médicos se espalha
Felipe Frazão, Veja

Uma das principais bandeiras eleitorais do PT em 2014, o programa Mais Médicos é um exemplo de demagogia em estado puro. Lançado em 2013, ele partiu do diagnóstico de uma carência verdadeira, a falta de médicos em muitas cidades brasileiras.

A solução encontrada para esse problema foi escabrosa do ponto de vista institucional: a importação de médicos estrangeiros, principalmente de Cuba, cujo governo autoritário recebeu até agora 1,5 bilhão de reais – um aditivo assinado neste mês estabelece que o Ministério da Saúde pagará mais 1,17 bilhão de reais pelos cubanos que estão no Brasil.

O programa não é a solução mais racional para o problema do atendimento médico, não é o mais sustentável a longo prazo, nem sequer aceitável do ponto de vista dos valores democráticos. Mas, apesar desses vícios gravíssimos de origem, a dinâmica da política é tal que torna-se quase impossível para um prefeito não aderir ao programa.

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Dilma cobra posicionamento de Marina sobre propriedade de jato
Fernanda Krakovics e Luiza Damé, O Globo

A presidente Dilma Rousseff, que disputa a reeleição, afirmou ontem que a candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva, precisa dar explicações, "se puder", sobre a propriedade do jatinho usado por Eduardo Campos, morto em um acidente aéreo em 13 de agosto.

"Eu não estou acompanhando isso, porque, você vai me desculpar, mas não é objeto do meu profundo interesse. Agora, acredito que nós, que somos candidatos, inexoravelmente temos de dar explicação de tudo. (...) Candidato a qualquer cargo eletivo, principalmente a presidente da República, está sujeito a ser perguntado sobre qualquer questão e deve responder, se puder, né?", disse Dilma.

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Recife pode ter nova greve de motoristas na quarta-feira
Ângela Lacerda, Estadão

O Sindicato dos Rodoviários do Grande Recife entrou ontem com recurso no Tribunal Superior do Trabalho (TST) contra a liminar concedida pelo ministro Barros Levenhagen suspendendo o aumento de 10% nos salários de motoristas e cobradores e de 75% no vale alimentação.

Depois de uma paralisação pela manhã e uma passeata à tarde, o secretário-geral do sindicato da categoria, Josival Costa, informou que a frota de ônibus estará normalmente nas ruas nesta terça-feira. Representante jurídico do sindicato tentará conversar com Levenhagen, buscando reverter a decisão. Se a liminar não for derrubada, nova paralisação - das 4 horas às 8 horas da manhã - será realizada na quarta-feira.

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O Brasil não pode mais perder 50 mil vidas para a violência
C. Ricardo, J. L. Ratton e L. Rechenberg, El País

Dados do mais recente Mapa da Violência indicam que, em 2012, 56.337 pessoas foram vítimas de homicídio no Brasil. A taxa de pessoas assassinadas naquele ano foi maior do que em 2011 e a mais alta dos últimos 11 anos. Ou seja, o problema não é grave somente em função do total de vidas perdidas a cada ano, mas também porque o país não está conseguindo reverter esse quadro.

Os jovens brasileiros são os mais atingidos; os homicídios respondem por praticamente 40% das mortes deste grupo. Os custos econômicos e sociais das mortes violentas de jovens são altíssimos. Um estudo do IPEA (2013) demonstrou que a violência letal pode reduzir a expectativa de vida de homens ao nascer em até quase três anos e que o custo dessas mortes prematuras é de cerca de R$ 79 bilhões a cada ano, o que corresponde a cerca de 1,5% do PIB nacional.

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Quase 10% dos professores já foram ameaçados por alunos
Ricardo Senra, BBC Brasil

Quando o assunto é a violência dentro das salas de aula, não parece haver consenso sobre suas principais causas. Professores, diretores de escolas, alunos e especialistas em educação apontam para direções diversas, sugerindo que agressões contra educadores seriam fruto do histórico familiar dos alunos, da falta de políticas públicas e policiamento e também de professores mal preparados - e até mesmo agressivos.

A violência em sala de aula contra professores foi um dos temas destacados por internautas em posts de Facebook e no Twitter como um dos que deveria receber mais atenção por parte dos candidatos presidenciais, em uma consulta promovida pelo #salasocial, o projeto da BBC Brasil que usa as redes sociais como fonte de histórias originais.

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Bovespa fecha no maior patamar em 18 meses por expectativa com Ibope
Paula Arend Laier, Reuters

O principal índice da Bovespa fechou acima de 59 mil pontos pela primeira vez em um ano e meio na segunda-feira, influenciado por rumores sobre pesquisa eleitoral Ibope prevista para ser divulgada nesta terça-feira, que fizeram as ações da Petrobras dispararem mais de 5 por cento.

O quadro externo positivo nos pregões em Nova York corroborou o viés ascendente, com índice S&P 500 alcançando os 2.000 pontos pela primeira vez na história, em meio a expectativas de novos estímulos monetários na Europa e alta em ações de biotecnologia e do setor financeiro.

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Presidente da Ucrânia dissolve Parlamento e convoca eleições
O Globo

Em meio aos conflitos com forças separatistas pró-Rússia no Leste do país, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, dissolveu o Parlamento e convocou eleições parlamentares para o dia 26 de outubro, afirmando que muitos dos atuais parlamentares são aliados do ex-presidente Viktor Yanukovich, e que a maioria da população quer um novo Parlamento.

Segundo as Forças Armadas ucranianas, dez tanques e dois veículos blindados que cruzaram a fronteira com a Rússia e seguiam para o porto de Mariupol foram parados pelo Exército. Dois tanques foram destruídos.

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Estado Islâmico pode se tornar ameaça aos Estados Unidos e à Europa
O Globo

O chefe do Estado-Maior americano, general Martin Dempsey, acredita que os extremistas do Estado Islâmico se tornarão “rapidamente” uma ameaça aos Estados Unidos e à Europa, e que será necessária a criação de uma coalizão internacional para enfrentá-los, afirmou o porta-voz do Pentágono, Ed Thomas.

Na última semana, durante uma coletiva no Pentágono, o secretário de Defesa, Chuck Hagel, disse que o Estado Islâmico representa uma ameaça superior à de grupos como a al-Qaeda, e funcionários do Pentágono falaram que Dempsey compartilha desta visão por acreditar que combatentes estrangeiros, com passaportes ocidentais, poderiam realizar ataques em nome do grupo em seus países de origem.

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A pequena Palestina uruguaia
Magdalena Martínez, El País

Na fronteira do Uruguai com o Brasil existe uma pequena cidade chamada Chuy que abriga uma comunidade de imigrantes palestinos. Este grupo, estimado em 500 pessoas vive do comércio e conta com instalações próprias, como um clube social e uma mesquita. O presidente uruguaio, José Mujica, dará refúgio a seis detentos de Guantánamo após um acordo com o seu homólogo norte-americano, Barack Obama, e eles podem ir morar em Chuy.

Não se sabe a data exata da transferência. A pequena cidade está situada a 340 quilômetros de Montevidéu, no departamento litorâneo de Rocha. A localidade consiste basicamente de uma avenida poeirenta repleta de lojas duty-free. Um dos lados da avenida pertence ao Uruguai, o outro, ao Brasil. Assim, para cruzar a fronteira, basta percorrer os escassos 12 metros que separam uma calçada da outra.

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Marina é suspense que rivais vêem como drama

O enredo da candidatura presidencial da substituta de Eduardo Campos tornou-se um suspense que seus rivais, naturalmente, assistem como drama. As especulações sobre o crescimento de Marina (21%) avolumam-se desde que o Datafolha informou que ela entrou na briga do tamanho de Aécio Neves (20%).

Nesta terça (26), o Ibope deve divulgar mais uma de suas pesquisas. Candidato a vice-governador na chapa do tucano Geraldo Alckmin, o deputado Márcio França (PSB-SP) previu que a sondagem exibirá um desempenho “arrasador” de Marina. Como que farejando a má notícia, Aécio tentou vacinar-se: é “uma reviravolta momentânea”.

Se a sucessão seguir o ritmo prenunciado pelo Datacorredor, que ecoa as tais sondagens internas dos partidos, as urnas de outubro conterão muita surpresa, espanto, admiração, assombro e ‘sim senhor, quem diria?’. ” De concreto, por ora, pode-se dizer: seja qual for o resultado do suspense de 2014, vai ficando claro que o velho Fla-Flu travado a cada eleição por PT e PSDB dá sinais de esgotamento. Como cão desconfiado, o povo ainda não mordeu. Mas já não balança o rabo como antes.

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Jato!




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Blog do Noblat

O furacão Marina, por Ricardo Noblat

Ventania não é. Ciclone? Tampouco.

Está mais para furacão a recém-lançada candidatura de Marina Silva a presidente da República no lugar da candidatura de Eduardo Campos, do PSB. O que precisa ser confirmado é se estamos diante um furacão de nível 1, 2, 3, 4 ou 5.

Por ora, ele parece ter força suficiente para fazer de Aécio Neves, candidato do PSDB, sua primeira grande vítima. E assustar Dilma.

Há duas semanas que Marina ocupa sozinha a boca do palco da sucessão. Os holofotes convergem para ela. Aécio e Dilma viraram meros coadjuvantes.

Na primeira semana, Marina se impôs como candidata natural do PSB e dos partidos nanicos que Eduardo conseguira atrair para seu lado. Na segunda, dedicou-se a sossegar os espíritos mais inquietos com o risco de uma eventual vitória sua sobre Dilma.

Amiga de Marina e porta-voz dela junto ao mercado financeiro, a herdeira do Banco Itaú, Neca Setúbal, garantiu que a candidata, se eleita, respeitará os fundamentos da política econômica herdada por Lula de Fernando Henrique.

Marina preferiu falar ao mundo político. Disse que governará só por quatro anos. E prometeu fazê-lo com as melhores cabeças do país. Citou José Serra, candidato ao PSDB ao Senado, como uma delas. Acenou com um governo de união nacional.

A força do furacão chamado Marina há uma semana pelo Instituto Datafolha. Na pesquisa de intenção de voto, ela empatou com Aécio. Na simulação de segundo turno, derrotou Dilma.

Para os que imaginam que a ascensão relâmpago de Marina se alimenta principalmente da comoção derivada da morte de Eduardo, pesquisas a serem divulgadas nos próximos dias provarão que não é bem assim.

Tudo indica que Marina abriu uma vantagem confortável sobre Aécio e tomou votos de Dilma. Amanhã, dia de mais uma pesquisa Ibope encomendada pela TV Globo e o jornal O Estado de S. Paulo, ela participará do primeiro debate entre os candidatos a presidente promovido pela TV Bandeirantes.

Na quarta-feira, será entrevistada durante 15 minutos pelo Jornal Nacional. No dia seguinte, anunciará seu programa de governo.

Nova pesquisa do Datafolha virá à luz na sexta-feira. A superexposição de Marina refletirá nos seus resultados.

Havia dúvida sobre quem logo acusaria os estragos provocados pelo furacão – Aécio ou Dilma? Aécio piscou primeiro. Anteontem, apresentou-se como a opção mais segura de mudança. E bateu de leve em Marina. Os bons modos, em breve, serão arquivados.

Líderes do PT dizem que Dilma prefere enfrentar Aécio no segundo turno que é para a gente pensar que ela prefere enfrentar Marina, mas na verdade Dilma torce para encarar Aécio.

Primeiro porque o PSDB é freguês do PT há três eleições presidenciais. Segundo porque eleitor do PSDB votará em Marina para derrotar Dilma. O eleitor de Marina não votaria necessariamente em Aécio. Elementar, meus caros leitores.

Aécio é o velho travestido de novo. Marina, o novo se comparado com tudo isso que está aí. O futuro preocupa Marina. O passado assombra Dilma.

Paulo Roberto da Costa, ex-diretor da Petrobras preso desde junho, admite abrir as comportas para que escorra o mar de lama capaz de afogar a empresa. O desarranjo da economia tende a se agravar. Dilma não gostaria de voltar a ser Lula dependente para se eleger. Mas fazer o quê?

Salvo se o acaso fizer uma surpresa, esta eleição ganhou com Marina um toque de imprevisibilidade que antes não tinha com Eduardo. Para quem aprecia fortes sabores, poderá vir a ser um prato e tanto.

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Dilma ressuscita na TV a obra invisível que, em parceria com Lula, fingiu inaugurar duas vezes para tapear eleitores nordestinos

Em 2009, Lula voltou a jurar de morte o fenômeno que atormenta o Nordeste desde o século 19: a seca acabaria para sempre. Não em 2010, como prometera em 2008, mas dali a três anos, assim que fosse concluída a transposição das águas do Rio São Francisco: “Vai sê inaugurada definitivamente em 2012, a não sê que aconteça um dilúvio ou qualquer coisa”, garantiu o palanque ambulante.

Em 2012, Dilma Rousseff confirmou que, como avisara o padrinho, o sertão iria mesmo virar mar. Mas só em 2014. Dilúvio não houve, nem se soube de qualquer coisa suficientemente poderosa para ordenar ao São Francisco que permanecesse onde sempre esteve. O que teria acontecido? A obra foi subestimada pelos responsáveis, explicou a responsável pela obra.

Meses atrás, convidada a justificar o prosseguimento dos trabalhos de parto iniciados há cinco anos sob a supervisão da Mãe do PAC, Dilma irritou-se com Dilma: “Num acredito que uma obra dessas em qualquer lugar do mundo leve dois anos pra sê feita”. Só no Brasil Maravilha que o padrinho criou e a afilhada aperfeiçoa. Tanto assim que, na semana passada, a candidata à reeleição confessou que o deslumbramento fluvial não se tornará visível tão cedo.

De volta ao São Francisco para gravar cenas planejadas pelo marqueteiro João Santana, a supergerente caprichou no dilmês de comício para explicar os motivos de mais um adiamento: Tente entender o palavrório reproduzido sem retoques nem correções:

“Acho que uma parte significou a chamada curva de aprendizado, você tem de aprender a fazer. A segunda parte, eu acho que a complexidade da obra é maior do que se supunha, principalmente quando você considera que não é pura e simples a abertura de canal. É também estações de bombeamento”.

Cenas da visita ao rio que teima em não sair do leito ilustraram a ressurreição da vigarice franciscana no horário eleitoral da TV. Além de exterminar a seca, o milagre das águas agora também vai “irrigar esperanças e secar muita lágrima dos nordestinos”. Basta votar em Dilma e ter paciência para esperar mais um ano e pouco. Ou mais um mandato. Ou mais um século.

Haja cinismo.


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Blog do Coronel

PSDB quer saber por que ministro petista abafou depoimento de Marcos Valério que ressuscita caso Celso Daniel.

O líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Antônio Imbassahy (BA), vai pedir explicações ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre as providências adotadas pelo órgão após depoimento de 2012 do empresário Marcos Valério, condenado no processo do mensalão. Na ocasião, Valério afirmou que dirigentes do PT pediram a ele R$ 6 milhões que seriam destinados ao empresário Ronan Maria Pinto.

Segundo o depoimento de Valério em 2012, o dinheiro serviria para encerrar suposta chantagem sobre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então secretário da Presidência, Gilberto Carvalho, e o então ministro da Casa Civil, José Dirceu.

Por meio de nota, o PSDB informou que pedirá requerimento de informações amanhã, dia 25, por meio da Lei de Acesso à Informação, questionando detalhes sobre as medidas adotadas após a denúncia.  "Queremos saber que andamento foi dado às denúncias que agora parecem se confirmar, após a apreensão no escritório de Yousseff de um contrato de empréstimo entre Marcos Valério e uma empresa de Ronan exatamente no mesmo valor denunciado à época", afirmou Imbassahy, em nota.

Conforme noticiado pelo Estado neste fim de semana, a polícia federal apreendeu no escritório da contadora do doleiro Alberto Yousseff contrato de empréstimo de 2004 no valor de R$ 6 milhões entre Marcos Valério e uma empresa de Ronan, empresário de Santo André.

O líder do PSDB aponta que a imprensa noticiou que, em 2012, após as denúncias, a presidente Dilma Rousseff deu ordens a Cardozo e outros ministros para realizarem ação coordenada na tentativa de desqualificar o depoimento prestado por Valério. "Mas qual terá sido o procedimento tomado por aquele que um dia vangloriou-se de não ignorar nem engavetar as denúncias que recebe?

Ele não pode agora desqualificar a própria Polícia Federal", completou o líder tucano, em nota. Com as informações recentes, o tucano destaca "parecer claro" que o Supremo Tribunal Federal julgou apenas "um dos braços do mensalão". "A operação Lava Jato tem revelado outros desdobramentos de uma organização criminosa que não estava entranhada no Estado brasileiro, mas dele fazia parte - e sua última grande vítima foi justamente a Petrobrás", completou. (Estadão)

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Estadão antecipa Ibope com Marina surfando "onda de proporções havaianas".

Segundo o analista de pesquisas José Roberto de Toledo, do Estadão, vem aí um Ibope encomendado pelo jornal (sai hoje no final da tarde) onde ele assegura que Marina Silva estará no pico de uma grande onda. Leia abaixo.

Há data e hora marcados para todo mundo ficar sabendo o que a turma diferenciada já vislumbrou desde suas coberturas: a candidatura de Marina Silva (PSB) está surfando uma onda de opinião pública de proporções havaianas. Será nesta terça-feira, às 18h, quanto o Estadao.com divulgar a pesquisa Ibope que está em campo. O que ninguém sabe é quão longe a onda vai chegar.

Por força da legislação eleitoral, o eleitor indiferenciado só tem acesso às pesquisas registradas pelos institutos. A divulgação dos números de pesquisas não registradas e das sondagens telefônicas diárias é punível com multa alta pela Justiça eleitoral - para jornal, jornalista e instituto.

A lei provocou um oligopólio informativo dos mais excludentes. Uma quantidade anormal de pesquisas foi encomendada mas não divulgada desde a morte de Eduardo Campos e a assunção de Marina. Só candidatos, partidos e operadores do mercado financeiro já conhecem os resultados - e estão assombrados.

As mudanças são diárias e na mesma direção. Indicam uma tendência que vai além do impacto emocional provocado pela morte de Campos e de seus auxiliares. A tragédia foi o despertador do público para a eleição, mas não só. Também catalisou um sentimento difuso de insatisfação com a política, com a polarização PT x PSDB. Ambos correm risco de afogamento, mas os tucanos foram pegos primeiro, em local mais fundo.

O "swell" Marina tem origem na mesma tempestade que causou as turbulências de junho de 2013. Uma sensação coletiva de que é preciso mudar, mas não se sabe bem como nem o que. Ao se reconhecer no outro, a inquietude individual se espalha e se multiplica em muitas direções, com efeito potencialmente devastador quando chega à praia. A praia pode ser a urna.

Ou não. Em 2002, a onda Ciro Gomes quebrou antes do tempo e derrubou o presidenciável de sua prancha eleitoral. Dez anos depois, o fenômeno Celso Russomanno parecia irrefreável rumo à cadeira de prefeito paulistano, mas se desfez tão rapidamente quanto surgiu. Ambos se autoimolaram. O cearense destratou um ouvinte numa entrevista; o outro sinalizou que quem mora longe deveria pagar mais caro pelo transporte público.

Pelo histórico, Marina é também o pior inimigo de Marina. Saiu do governo Lula ao não conseguir fazer o que queria. Saiu do PT quando não viu o futuro que almejava para si. Saiu do PV ao não alcançar o controle que pretendia. Saiu do projeto da Rede sem criar um partido onde 32 outros conseguiram. Mal entrou no PSB, já provocou saídas. Não é exatamente uma agregadora.

Mas é em momentos de insatisfação coletiva que personalidades disruptivas encontram a sua chance. A onda é de Marina, e os adversários não a enfrentarão de peito aberto. Subirão onde der e, olimpicamente, torcerão para que faça espuma logo.

Dilma Rousseff (PT) tem mais chance de escapar à correnteza do que Aécio Neves (PSDB), mas não está a salvo. Ela se equilibra no saldo de popularidade que, segundo o Ibope, mantém em ao menos 15 estados, mas com grande variância: do pico de 51 pontos no Piauí a rasos 5 pontos em Santa Catarina.

O lugar mais difícil para a presidente se manter no seco é o Sudeste. A popularidade de Dilma está soçobrando nos maiores colégios eleitorais: tem saldo negativo de 19 pontos em São Paulo, de 11 no Rio de Janeiro e de 1 em Minas Gerais.

Pergunte aos acreanos. Lula diz que Marina foi candidata a presidente em 2010 porque não se reelegeria senadora no Acre. Presidenciável, ela acabou em 3º lugar no próprio Estado. José Serra teve lá o seu melhor desempenho no país. No Acre, seria eleito presidente no primeiro turno.Ninguém é governado há mais tempo por petistas do que os acreanos: 16 anos. Lá, Marina e PT têm mais em comum do que em qualquer outro lugar.

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Por que jamais votaria em Marina Silva — nem que ela viesse a disputar o segundo turno com Dilma. Ou: Voo cego de um avião sem dono

Jamais votaria em Marina Silva. Já expus aqui alguns dos meus motivos. E também na minha coluna de sexta na Folha. Vou avançar. Desde que me ocupo da política, como jornalista, meu esforço é para tirá-la do terreno da mitologia e trazê-la para o da razão — inclusive o da razão pratica. “Poderia votar em Dilma contra Marina, Reinaldo?” Também é impossível. Os petistas me incluíram numa lista negra de jornalistas. Eles querem a minha cabeça e, se pudessem, pediriam a meus patrões que me botassem na rua. Desconfio até que já tenha pedido — não sei. Mas não levaram. Não sou suicida. Não me ofereço àqueles que se pretendem meus feitores. Mas, reitero, nem tudo o que não é PT me serve — e Marina não me serve. Mais: acho que alguns de seus ditos “conselheiros” estão perdendo o juízo e querendo se comportar como os Catões da República. Já chego lá.

Os cardeais da papisa
Marina Silva não é candidata a presidente da República, mas a papisa de uma seita herética — e suas heresias são praticadas contra a democracia representativa. Ela não concede entrevistas. Seus cardeais falam por ela. À Folha, quem garantiu a independência do Banco Central foi Maria Alice Setúbal. Já expliquei e insisto: se o sócio de um grande banco viesse a fazer tal promessa como porta-voz do tucano Aécio Neves ou da petista Dilma Rousseff, nós, da imprensa, não perdoaríamos o deslize. Como se trata de Marina, parece evidência de sabedoria. Tenham paciência! Banqueiros não podem fazer política? Podem e devem. Mas convém não misturar carne com leite nessas coisas. E ponto.

Na Folha desta segunda, mais um cardeal do “marinismo”, Eduardo Giannetti, fala em nome de Marina. Também ele acena para os mercados com a independência do Banco Central, mas o centro de sua entrevista é outro: quer a conciliação política “dos bons”, entendem? Marina, diz ele, pretende governar com o apoio de Lula e de FHC. Ninguém lhe perguntou — e não sei se vão perguntar — por que não se fez antes se é tão fácil. A rigor, em todos os conflitos do mundo, dos mais amenos aos mais sangrentos, sempre se poderia fazer esta indagação: “Por que não, então, juntar os opostos, juntar os litigantes?”

Giannetti teve uma ideia que poderia, enfim, ter evitado todas as guerras, até a de Troia, como num poema de Mário Faustino: “Estava lá Aquiles, que abraçava/ Enfim Heitor, secreto personagem/ Do sonho que na tenda o torturava”. No seu mundo, como no do poema, Saul não briga com Davi, os seteiros não matam Sebastião, e o “Deus crucificado” beija uma segunda vez o enforcado (Judas). Pode ser literatura. Pode ser religião. Uma coisa é certa: política não é.

Há mais: Giannetti resolveu, em sua entrevista, todas as dificuldades e só ficou com as facilidades. Imaginar que PT e PSDB possam estar juntos num governo implica ignorar, logo de cara, o fato de que esses partidos têm vocações e fundamentos que são inconciliáveis. Se o ideário, hoje, dos tucanos é um tanto nebuloso aqui e ali — especialmente na área de valores —, os do PT são muito claros. Ora, ora, ora… Então Marina Silva, a Puríssima, não aceita nem mesmo subir no palanque com Geraldo Alckmin ou com Beto Richa — acordos feitos por Eduardo Campos —, mas aquele que se candidata a ser seu orientador intelectual (já que diz não querer cargo caso ela se eleja) sonha com um governo que possa unir… Aquiles e Heitor. Giannetti é uma pessoa lida, que tem experiência com as palavras. Uma tolice dita por ele parece de qualidade superior à dita por um petista tosco qualquer. Mas é apenas isto: uma tolice dita com charme.

O PMDB
E o homem vai adiante. O sonho de Giannetti — que não me parece muito distante, mutatis mutandis, de todos aqueles que sonharam com um Rei Filósofo, com um Déspota Filósofo… — é juntar os bons de um lado para isolar os maus de outro. Ele pega carona na fácil demonização do PMDB. Dá a entender que essa é a força que tem de ficar do outro lado da trincheira. Marina, então, seria eleita pelo PSB, com o apoio de FHC e Lula e outras almas superiores do Congresso, uma conspiração dos éticos se formaria e pronto! Tudo estaria resolvido. Tao fácil que a gente lamenta que tantos estúpidos não tenham pensado nisso antes, né?

É mesmo? Será que o PMDB, ao longo da história, tem sido só um problema? Então vamos ver. Marina Silva apoia o Decreto 8.243, aquele que nem é exatamente de Dilma, mas de Gilberto Carvalho. No horizonte da turma que defende esse lixo autoritário, está, inclusive, o controle da imprensa, sim, senhores!, por conselhos populares. Marina não vê mal nenhum nisso porque, afinal, já deixou claro, não dá bola para partidos ou para instâncias formais de representação. O PMDB pode não ser exatamente um convento de freiras dos pés descalços, mas lembro que o partido, em seu congresso, apoiou uma das mais claras e fortes resoluções contra qualquer forma de censura à imprensa. Sugerir que o PMDB atrapalha a democracia ou a torna ingovernável é mais do que um erro; é uma mentira.

O avião
Hoje é dia 25 de agosto. Eduardo Campos morreu no dia 13. Até agora, ninguém sabe a quem pertence o avião. Marina, que voou muitas vezes naquele jatinho e que herda, pois, os instrumentos aos quais recorreu o PSB para fazer campanha, se nega a falar do assunto, como se ele não lhe dissesse respeito. Diz, sim!

Quem se pronunciou foi Beto Albuquerque, candidato a vice. Curiosamente, cobra explicações da Polícia Federal. Como? Aquele que era um dos homens mais próximos do presidenciável morto está exigindo respostas em vez de dá-las? O PSB, vejam vocês, inventou o avião sem dono.

Marina, a mais ética entre os éticos, não aceita doação, no caixa um — o oficial e registrado — de empresas disso e daquilo, mas faz ares de santa da floresta quando se questiona a quem pertencia um jatinho que custava alguns milhões. É essa a “nova política” de que tanto se fala? Vamos ver o que vem por aí: candidaturas e mandatos já foram cassados por muito menos. Que se apure tudo, mas há um cheiro fortíssimo de caixa dois na campanha, não é mesmo?

Messianismo
Marina carrega nas tintas de uma espécie de messianismo pós-moderno, assim, meio holístico-maluco-beleza. A VEJA desta semana a traz na capa. A reportagem, qualquer um pode constatar, não lhe é nada hostil. A figura desenhada nas páginas chega a ser simpática. Um trecho, no entanto, chamou especialmente a minha atenção.

No dia 18, 30 membros da Rede se reuniram em São Paulo para discutir a morte de Campos. Debate político? Claro que não! Isso é coisa superada. Era um papo de outra natureza. Depois de cada um dizer o que sentia, eles se dividiram em trios para escrever palavras para confortar… Marina!!! É, gente… Na Rede — que Giannetti quer ver no governo com o apoio de Lula e FHC —, não existem vitoriosos e derrotados quando se debate uma ideia. Há um troço chamado “consenso progressivo”. A exemplo do Cassino do Chacrinha, a reunião “só acaba quando termina” — e todos ganham. Em maio, para definir os dois porta-vozes da Rede, eles ficaram reunidos por 18 horas. Tinha de ser um homem e uma mulher para contemplar as diferenças de gênero… Tenham paciência!

Conheço gente que já frequentou esse círculo de iniciados. A coisa parece ser mesmo do balacobaco. Marina é o Pablo Capilé da floresta, e sua Rede lembra, em muitos aspectos, o tal grupo Fora do Eixo. As pessoas lhe dedicam um silêncio reverente e estão certas de que ela mantém mesmo uma certa comunicação com entes que não estão exatamente entre nós.

Estou fora
Não caio nessa, sob pretexto nenhum — nem mesmo “para tirar o PT de lá”. Na democracia, voto útil é voto inútil. Se Deus me submetesse à provação — espero que não aconteça — de ter de escolher entre Dilma e Marina, escolheria gloriosamente “nenhuma”! Se a turma do coquetel Molotov estava sem candidata e agora encontrou a sua, eu, que sou um partidário da democracia representativa e das instituições democráticas, deixarei claro, nessa hipótese, que estarei sem candidato no segundo turno. Mas torço e até rezo para que o Brasil seja poupado.

De resto, vou insistir numa questão: Marina Silva é governo no Acre há 16 anos. Seu marido deixou um cargo no secretariado de Tião Viana na semana passada. Mas a sua turma está lá, aboletada na gestão petista. Digam-me cá: quando Viana, seu aliado, começou a despachar haitianos para São Paulo, de uma maneira indigna, escandalosa, Marina disse exatamente o quê, além de nada? Qualquer bagre teria merecido dela mais atenção! Pareceu-me uma reação muito pouco caridosa a sua.

E não tenho como esquecer o fato de que, há menos de dois anos, Marina estava lutando por um Código Florestal que iria reduzir a área plantada no país. Como alternativa para seu desatino, ela tirava das dobras de seus numerosos xales um certo “ganho de produtividade” que compensaria a perda. Propunha isso, com o desassombro e a retórica caudalosa de sempre, como se o Brasil não tivesse hoje uma agricultura e uma pecuária entre as mais produtivas do mundo. Do mesmo modo, incentivou a crítica verdolengo-obscurantista a Belo Monte, num país que enfrenta escassez de energia.

Marina Silva? Não! Muito obrigado! Não quero! “Ah, mas ela pode ser eleita e fazer um grande governo…” É, tudo pode acontecer. Não tenho bola de cristal. Quando voto, levo em conta o passado dos candidatos, suas utopias, suas prefigurações, sua visão de mundo, o apreço que têm pela democracia, a factibilidade de suas propostas.

Se eu tivesse alguma dúvida — já não tinha —, ela teria se dissipado com a entrevista concedida por Giannetti nesta segunda: Marina quer governar com o apoio de FHC e Lula… Então tá! É até possível que os dois, por elegância ou sei lá o quê, venham a dizer que, se isso acontecer, tudo bem. Ocorre que o Brasil não é um país comandado por aqueles líderes de clãs do Afeganistão. O Brasil sofreu um bocado para ter uma democracia gerida por partidos e por instituições. Ainda não chegou a hora de sermos um Brasilstão, governado por uma santa rodeada de conselheiros de fino trato. Isso nada tem a ver com democracia. Isso é só mais um delírio de intelectuais, ainda e sempre os mais suscetíveis às tentações autoritárias.

Os idiotas que acham que sou antipetista a ponto de votar até num sapo se o PT estiver do outro lado nunca entenderam direito o que penso. Em dilemas que são de natureza moral, não havendo o ótimo, a obrigação é escolher o caminho menos danoso. Na democracia, felizmente, temos a possibilidade de recusar o ruim e o pior.

De todo modo, espero que a onda passe e que o destino do país não seja definido pelo cadáver de alguém que não havia se explicado o suficiente em vida. É isso.

#prontofalei

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Os tons de Dilma – Quem tem Paulo Roberto Costa tem medo. Ou: Hora de começar a combater Marina

A presidente Dilma Rousseff concedeu uma entrevista coletiva neste domingo no Palácio da Alvorada. Operou duas mudanças de tom, constrangida pela realidade. Na quinta-feira, em Pernambuco, afirmou que as acusações de corrupção na Petrobras constituíam uma agressão à empresa, atribuiu tudo ao jogo eleitoral e fez uma defesa meio bronca de Graça Foster. No dia seguinte, o engenheiro Paulo Roberto Costa, que está preso, fez um acordo de delação premiada. Vamos ver. Pode não dar em nada. Podem sair cobras e lagartos. Dilma então resolveu se precaver.

Ajustou a sua fala à realidade e afirmou o seguinte neste domingo: “Se pessoas cometeram erros, malfeitos, crimes, atos de corrupção, isso não significa que as instituições tenham feito isso. Não se podem confundir as pessoas com as instituições”. Certo, presidente! E quem é que estava confundindo? Ninguém. A delação premiada de Costa está deixando muita gente em pânico. Não se sabe até onde ele está disposto a ir.

Dilma também mudou um pouco o tom em relação a Marina Silva, candidata do PSB à Presidência. Ou melhor: passou a assumir um tom. Desde a morte de Eduardo Campos, os petistas a vinham ignorando em falas públicas. Num comício em Recife, no sábado, a candidata da Rede, que concorre pelo PSB, afirmou que um presidente da República não precisa ser um gerente — afirmação, diga-se, que havia sido feita pela empresária marineira Maria Alice Setúbal em entrevista à Folha.

Dilma afirmou: “Essa história de que o governo não precisa ter cuidado com a execução de suas obras ou obrigação de entregá-las é uma temeridade. Acho que o pessoal está confundindo o presidente da República com algum rei ou rainha”.

Vamos lá. Acho que Maria Alice e Marina estão escandalosamente erradas quando criticam o perfil de “gerente” de um presidente da República. Ora, se um governante não sabe “gerir” — que é o verbo do substantivo “gerência” —, então sabe o quê? Fazer discurso? Nesse particular, a presidente está certa. Mas só nesse particular.

O problema de Dilma não é ser uma gerente, mas ser uma má gerente, entenderam o ponto? A reputação da presidente, nesse particular, sempre foi superfaturada. Já escrevi aqui que ela foi, sim, extremamente competente em criar a fama de… competente. Mais: está naquele grupo de pessoas que, por serem enfezadas, passam por muito capazes.

Ora, se Marina, então, se eleger presidente da República, devemos imaginar o quê? Que vai dar apenas diretrizes espirituais, deixando a gestão do governo a cargo de uma burocracia cinzenta, enquanto ela fabrica metáforas, metonímias e prosopopeias? Além da independência do Banco Central, teremos também a independência dos ministérios da Fazenda, Planejamento, Saúde, Educação… A gerentada fica lá, e a presidente vira a nossa líder espiritual? O Brasil precisa, sim, de gerência, mas de boa gerência.

Voltemos à Petrobras: vocês acham que, com uma gerência decente e profissional, a empresa estaria vivendo essa crise?

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Dilma, a má gerente

Por Ana Clara Costa e Gabriel Castro, na VEJA.com:
O ano de 2011 foi marcado por uma crise sem precedentes na Europa. Foi o período em que o peso das dívidas públicas de países como Grécia, Irlanda, Portugal e até mesmo a Itália chegou a ameaçar a existência do próprio euro. Com a missão de recobrar a confiança externa e a saúde de suas contas, alguns governos europeus — em especial Itália e Grécia — dispensaram grandes oligarcas da política, como Silvio Berlusconi, e colocaram no poder os chamados tecnocratas. Com perfil técnico e pouca paixão pela política, esse estrato da elite do capitalismo tende a propor saídas pragmáticas para problemas de gestão pública. Naquele ano, tecnocracia era o jargão da vez no mundo econômico — e a chanceler alemã Angela Merkel era sua principal expoente. Por obra da máquina de propaganda petista, não demorou para que Dilma Rousseff, antes mesmo de ser eleita, fosse alçada ao posto de técnica exímia. Nove entre dez artigos sobre a presidente em seus primeiros meses de mandato retratavam-na como gestora experiente e “gerentona” — características que a distanciavam de Lula, que nada sabia de gestão, mas mantinha notório apreço pela arte do conchavo. Após a “faxina ministerial” que Dilma se viu forçada a empreender no início de seu governo, além de tecnocrata, também passou a ser vista como “pouco tolerante” com a corrupção. Quase quatro anos depois, inúmeros são os fatos que mostram que avaliação que se tinha não passava de ilusão.

Ao acomodar todos os aliados nos 39 Ministérios da Esplanada, Dilma escolheu um time restrito que deveria cercá-la — e no qual concentraria todas as suas ordens. Trata-se de um perfil específico de petista que permitiria que ela exercesse seu papel de “gestora” sem grandes protestos. Miriam Belchior, ex-secretária do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), e Gleisi Hoffmann, que assumiu a Casa Civil após a queda de Antonio Palocci, se tornaram os dois nomes de confiança da presidente. Mais técnicas que políticas, reforçaram a imagem de um “novo” governo eficiente e livre (ou quase) de nomes perniciosos ligados ao mensalão. O problema é que, ano após ano, houve uma deterioração em praticamente todas as fronteiras do Executivo — sobretudo nas pastas ligadas à economia. O Planejamento, responsável pelo Orçamento engessado da União, foi praticamente reduzido a uma secretaria. A Casa Civil, departamento que outrora guardava poderes equivalentes ao da Presidência, como nos temos do mensaleiro José Dirceu, de Erenice Guerra ou da própria Dilma, tornou-se mera antessala. As decisões econômicas, discutidas em gabinete diretamente entre Dilma, Guido Mantega e Arno Augustin, passavam à margem de qualquer interferência técnica. Os próprios ministros, diante da palavra da gestora, funcionavam como executores de ordens. Por fim, o pragmatismo e a tecnocracia que se imaginava reinar por ali deram lugar a um emaranhado de decisões de cunho ideológico que fariam Merkel desfalecer.

Não por acaso, a economia se encontra em seu pior momento dos últimos 15 anos. Se, até meses atrás, os dados econômicos apontavam para o pior cenário fiscal e industrial desde 2009, período da crise financeira internacional, agora a régua está mais baixa. A criação de emprego de julho foi a pior desde 1999, apontou o Caged. Já o resultado primário de junho, que consiste na economia do governo para pagar os juros da dívida, foi o pior desde 2000, mostram os dados do Tesouro Nacional. O governo atribui os problemas domésticos à crise internacional — o que fica difícil de provar diante do crescimento da economia americana, que foi de 4% no segundo trimestre e deve fechar o ano com avanço de 3,5%. No caso do Brasil, como resultado das trapalhadas de gestão, o PIB não deve crescer mais que 0,5% — os analistas mais realistas apontam, na verdade, a recessão.

Faxina
No cenário político, a “pouca tolerância” com a corrupção também é contestável. É verdade que sete ministros caíram. Em julho de 2011, VEJA revelou como o PR havia transformado o Ministério dos Transportes em uma fonte de recursos para abastecer o caixa dois do partido. A presidente acabou demitindo o ministro Alfredo Nascimento. Antes disso, Palocci já havia caído por não conseguir explicar um espantoso e repentino aumento patrimonial. Outros cinco ministros seriam demitidos por causa de denúncias de corrupção em menos de um ano.

Merecidamente ou não, a presidente tentou vender a imagem de que não tolerava corruptos (apesar de ter sido responsável pela nomeação de todos eles). Mas nem mesmo o rótulo sobreviveu: conforme o período eleitoral se aproxima, o nível de exigência da presidente parece cair. Neste ano, ela demitiu César Borges do Ministério dos Transportes unicamente para agradar o PR, que pedia a volta de Paulo Sérgio Passos. O próprio Alfredo Nascimento deu o recado a Dilma, ou seja, o mesmo partido que havia sido retirado do comando da pasta pressionou – de forma bem sucedida – para que a presidente nomeasse alguém de seu interesse. Antes disso, Dilma havia negociado com o demitido da pasta do Trabalho, Carlos Lupi, do PDT, a indicação de Manoel Dias para o comando do Ministério. Em junho, no Rio de Janeiro, ela subiu no palanque do pedetista e fez elogios a seu ex-ministro, que disputa uma vaga no Senado. Em entrevista ao Jornal Nacional, no início da semana, a presidente se negou a opinar sobre a postura acolhedora do PT em relação aos mensaleiros presos — tratados como heróis pelo partido.

Ombro-amigo
Quando é a Petrobras quem está no centro de graves denúncias, Dilma também tem se mostrado um ombro-amigo. A presidente da estatal, Graça Foster, pode ter os bens bloqueados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por causa de irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Além disso, a executiva se encontra na delicada posição de ter de explicar porque doou seus bens aos filhos logo depois que o escândalo de Pasadena deu indícios de que acabaria no Congresso. Contudo, para Dilma, está tudo bem. “A presidente Graça Foster respondeu perfeitamente sobre a questão dos seus bens numa nota oficial. Eu repudio completamente a tentativa de fazer com que a Graça se torne uma pessoa que não possa exercer a presidência da Petrobras”, afirmou a petista, na quinta-feira. À defesa quase fraterna da presidente soma-se seu silêncio sobre a farsa da CPI da estatal, revelada por VEJA, que mostrou a articulação de nomes do alto escalão do Palácio do Planalto e da estatal para combinar com os investigados as respostas às perguntas dos parlamentares.

As imagens vendidas nas eleições de 2010 se perderam ao longo do caminho. Os números declinantes do cenário econômico, as más escolhas para postos-chave de sua equipe, o inchaço proposital da máquina pública e o fracasso na missão de dinamizar a economia tiraram de Dilma – que nunca foi uma boa política – um de seus principais trunfos de quatro anos atrás. Não há indícios, até o momento, de que um segundo mandato traga mudanças.

Com reportagem de Luís Lima

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A imagem simbólica da Marina é maior do que ela como candidata
Beatriz Borges e Carla Jiménez, El País

Renato Meirelles tornou-se uma referência para empresas e candidatos pelo vasto conhecimento que adquiriu com a sua agência Data Popular. Especializada em pesquisas com a população da baixa renda, ou seja, a maioria dos brasileiros, ele estava no lugar certo na hora certa, quando fundou sua empresa em 2001. A classe emergente, também chamada de classe C, viria a revolucionar o mercado de consumo no país, e agora, ganha mais voz nas eleições.

“Sem dúvida é a classe C quem vai definir esta eleição”, diz ele, em referência ao grupo que representa 54% do eleitorado. “Ela está em busca de uma alternativa de mudança. Se essa alternativa vai ser a própria presidente Dilma, se vai ser o Aécio ou a Marina, os próximos dias vão dizer”, observa Meirelles.

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A mulher com os pés na terra e o coração nos sonhos
Juan Arias, El País

Marina Silva, de 56 anos, premiada internacionalmente por seu empenho na luta a favor da ecologia, aspira a ser a primeira mulher negra a reger os destinos do Brasil. Conhecida como intransigente com os modos da “velha política”, acredita que é possível conjugar crescimento econômico com uma forte dose de justiça social.

Afirmou: “Não nego meu desejo de tentar conjugar o pragmatismo com os sonhos”. Seu nome, Marina, é um apelido como também é o de Lula. É chamada de “Lula de saias”. Militaram juntos durante 30 anos, no Partido dos Trabalhadores (PT), ambos forjaram-se política e socialmente nos movimentos sindicais de esquerda.

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Petrobras não está imune à corrupção, reconhece Dilma
Gabriel Castro, Veja

A presidente Dilma Rousseff mudou o tom diante das irregularidades na gestão da Petrobras no governo do PT. Ontem, em entrevista coletiva convocada por sua campanha à reeleição, a presidente-candidata foi questionada sobre as consequências da delação premiada aceita por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal preso na operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

Dilma não comentou diretamente a delação, mas adotou um discurso diferente do que vinha repetindo nas últimas semanas: "Se pessoas cometeram erros, malfeitos, crimes, atos de corrupção, isso não significa que as instituições tenham feito isso. Não se pode confundir as pessoas com as instituições", disse.

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Aécio diz que pretende ampliar benefícios a aposentados
Luiz Ernesto Magalhães, O Globo

Em visita ao Abrigo Cristo Redentor, em Bonsucesso, Zona Norte do Rio, ontem, o candidato à Presidência Aécio Neves (PSDB) prometeu que, se eleito, ampliará os benefícios pagos aos aposentados, complementando a renda destes com valor adicional para a compra de medicamentos.

A proposta faz parte do programa Digna Idade e faz parte de uma série de projetos para prestar assistência aos idosos que pretende adotar se vencer a corrida pela Presidência. A proposta é inspirada em projeto com o mesmo nome que Aécio implantou em outubro de 2003 quando era governador de Minas Gerais.

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República do Congo confirma primeiros casos de ebola
O Globo

Autoridades na República Democrática do Congo confirmaram ontem ter identificado os primeiros casos de ebola no noroeste do país. Já a OMS (Organização Mundial da Saúde) está trabalhando para garantir que um funcionário internacional da entidade servindo em Serra Leoa e que contraiu ebola receba "os melhores cuidados possíveis, incluindo a opção de evacuação médica para outro local de tratamento, caso necessário”.

Trata-se do britânico que teve a confirmação do contágio pelo vírus divulgada no sábado. Ele foi transferido para a Grã-Bretanha, a bordo de um avião da Força Aérea Real. O Departamento de Saúde do Reino Unido disse em comunicado que o homem não estava gravemente doente e que tinha decidido repatriá-lo após indicação clínica.

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Irã diz ter derrubado drone espião de Israel
O Globo

O Irã disse que derrubou um drone espião de Israel, que estava se dirigindo para o local de enriquecimento nuclear de Natanz. "O dispositivo aéreo que foi derrubado tinha tecnologia para fugir dos radares e tentava penetrar na área nuclear de Natanz, fora dos seus limites, mas foi acertado por um míssil de terra antes que conseguisse entrar na área", afirmou a agência de notícias estatal iraniana Isna, citando um comunicado da Guarda Revolucionária do Irã.

Israel se recusou a comentar as acusações e disse que seu Exército não se pronuncia sobre reportagens estrangeiras. A instalação de Natanz é uma questão fundamental de uma longa disputa entre o Irã e os países que acreditam que ele está buscando armas nucleares, o que Teerã nega.

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Estado Islâmico captura base aérea estratégica na Síria
BBC Brasil

Combatentes do Estado Islâmico capturaram uma base aérea estratégica do governo sírio. A instalação era o principal bastião das forças de Bashar al-Assad na província de Raqqa, no norte do país. A TV estatal afirmou que as forças do governo se retiraram da base aérea de Tabqa, após dias de luta que deixaram centenas de mortos dos dois lados.

Mais de 191 mil pessoas morreram no conflito que já dura três anos na Síria, segundo a ONU. O Estado Islâmico, antes conhecido pela sigla Isis, expandiu seu território pelo leste da Sìria e pelo norte do Iraque nos últimos meses.

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Um tremor de magnitude 6.8 afeta seis regiões do Peru
Jacqueline Fowks, El País

Um terremoto de 6.8 na escala Richter afetou a população de seis regiões do Peru, e teve seu epicentro em Cora Cora, região do Ayacucho, na serra sul do país, onde algumas casas de material rústico sofreram danos, disse o chefe do Instituto Nacional de Defesa Civil (Indeci), Alfredo Murgueytio.

O abalo foi registrado às 18h21 de domingo (20h21 no horário de Brasília) a 108 quilômetros de profundidade, segundo o Instituto Geofísico do Peru (IGP). O geólogo Patricio Valderrama explicou que, como o movimento foi tão profundo, não devem ocorrer muitos danos, e isso explica também o fato de o tremor ter sido sentido em tantas regiões ao mesmo tempo.

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Jornalista americano é libertado na Síria
O Globo

Sequestradores libertaram na Síria um jornalista norte-americano desaparecido desde 2012, disse o secretário de Estado, John Kerry. Kerry afirmou que os Estados Unidos estavam usando "todas as ferramentas diplomáticas, de inteligência e militar" à sua disposição para garantir a libertação dos outros norte-americanos mantidos como reféns na Síria.

A notícia da libertação de Theo Curtis ocorre poucos dias depois que militantes do grupo Estado Islâmico mataram o jornalista dos Estados Unidos James Foley, que foi sequestrado na Síria em 2012.

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Simon decide disputar reeleição para o Senado

Em reunião encerrada perto das 23h deste domingo (24), o senador Pedro Simon cedeu à pressão do PMDB gaúcho e disputará a reeleição para o Senado. Ele substituirá Beto Albuquerque (PSB), que abdicou da candidatura de senador na semana passada, para compor a chapa presidencial de Marina Silva, na posição de vice.

Com 85 anos, Simon havia anunciado a aposentoria para 31 de janeiro, quando termina seu atual mandato. Nos últimos dias, invocava a idade para se esquivar das pressões. Dizia que seu médico, Fernando Lucchese, desaconselhara sua participação em mais uma campanha eleitoral. Súbito, aposentou a ideia de se aposentar.

Coube ao candidato do PMDB ao governo do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, anunciar a meia-volta: “Houve uma convergência de todos os oito partidos da coligação para o nome do senador Pedro Simon”, disse ele, ao final da reunião realizada na noite passada na sede do diretório gaúcho do PMDB.

O retorno de Simon ao jogo será formalmente anunciado em entrevista programada para esta segunda-feira (25), em Porto Alegre. O movimento deve embaralhar a corrida para o Senado no Estado, hoje polarizada entre os candidatos Lasier Martins, do PDT, e Olívio Dutra, do PT.

Além de pedir votos para si, Simon reforçará o palanque de Marina Silva. Coligado com o PSB, o PMDB gaúcho apoiava a candidatura presidencial de Eduardo Campos. Com a morte dele, transferiu o apoio para Marina. Mas a transferência foi apenas formal.

Na prática, um pedaço da legenda decidiu trabalhar em favor do presidenciável tucano Aécio Neves. Outro naco do PMDB gaúcho, minoritário, prefere a reeleição de Dilma Rousseff. Não porque morre de amores por ela, mas para prestigiar o vice-presidente Michel Temer.

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Marininha!




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Blog do Ilimar Franco

O PT não é mais aquele

                O ex-presidente Lula vai intensificar sua presença na campanha do PT na TV. Sua figura é o antídoto para tentar amenizar o desgaste do partido e conter a arrancada de Marina Silva (PSB). A direção petista teme a redução dos votos na legenda para a Câmara e treme com os indicativos de que a presidente Dilma pode ser batida no segundo turno. Um dirigente petista diz que, mesmo assim, fica a incerteza: “Não sabemos se vai resolver”.

Aécio: “Não há nada definitivo”
O candidato do PSDB, Aécio Neves, contesta a liderança de Marina Silva em Minas: “Ela pode estar em segundo na nacional, mas lá o dado que tenho é o de que está muito distante disso”. E afirma: “Não há desespero, estamos esperando as coisas decantarem”.

Euforia entre os marineiros
O staff da candidatura Marina Silva vive grande expectativa com o resultado das pesquisas Ibope e Datafolha. Elas ficam prontas nos próximos dias. No fim de semana, o grupo recebeu pesquisa que confirma o Datafolha, do início da semana passada, com Marina superando a presidente Dilma no segundo turno. Só mudou a vantagem. O mais alvissareiro, segundo seu time, é que a candidata aparece em empate técnico no primeiro turno com a presidente Dilma. Isso decorre de seu desempenho no Sudeste, no Sul e no Nordeste. Os marineiros comemoram a liderança na juventude, setor da sociedade sempre mais disposto a sair às ruas em defesa de suas ideias, ideais e objetivos.

“Sou prefeito do PT, mas governo com base política ampla. Ela apoia dois candidatos: Lindbergh (PT) e, majoritariamente, o Pezão (PMDB)”

Rodrigo Neves
Prefeito de Niterói, sobre o ato em homenagem ao vice Michel Temer (PMDB), dia 18

Me dá uma grana aí
Os candidatos do PSB à Câmara estão apreensivos. Com Eduado Campos, eles teriam dinheiro para suas campanhas e o partido teria prioridade nos estados. Com Marina Silva, tudo será diferente, pois seu partido será a Rede. Agora eles vão pressionar a coordenadora da campanha, Luiza Erundina, mas não sabem se ela terá peso para se impor.

Mantendo o rumo
O candidato do PMDB ao governo paulista, Paulo Skaf, a despeito da pressão da cúpula do partido, vai manter sua posição. Ontem, ele reafirmou sua linha para o vice Michel Temer. Ele tem dito: “Aqui o PT é tão adversário do PMDB quanto o PSDB”.

A mão do Estado
Na medida provisória do programa de aviação regional, o governo da presidente Dilma dá mais poder à Infraero. Pela nova regra, prefeituras com PIB inferior a R$ 1 bilhão não vão mais poder administrar seus aeroportos. Hoje, 50 terminais estão nessa situação, a maioria na região Norte. Eles terão de passar para as mãos da Infraero.

Os dois têm razão
A assessoria da campanha da presidente Dilma espalha que os tucanos estão batendo adoidado em Marina Silva nas redes sociais. A assessoria do candidato Aécio Neves propaga que os petistas estão bombardeando pesado a candidata do PSB. 

General Andresito
Nas férias, nos campos de batalha da Guerra do Paraguai, o ministro Aldo Rebelo recebeu apelo de historiadores de Corrientes e Posadas para localizar o corpo do general indígena Andresito Artigas. Preso, foi para o Rio em 1821 e morreu nas masmorras da Ilha das Cobras.

Sobrevivência. O DEM definiu sua meta eleitoral. Quer eleger um governador (BA), três novos senadores e de 30 a 32 deputados federais.

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A evolução da espécie Marina Silva. Alguém acredita?

Segundo o Painel da Folha, a presidenciável Marina Silva (PSB), que agora defende as principais bandeiras do mercado financeiro, já foi uma adversária radical das privatizações, do pagamento da dívida externa e do Plano Real. Em discursos como senadora do PT, no governo Fernando Henrique Cardoso, ela associou a venda de estatais à alta do desemprego e acusou os bancos de serem "vorazes por lucro" e sem "nenhum compromisso com o povo". Marina também votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.
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Quem te vê... A guinada liberal da candidata começou na eleição de 2010, quando ela prometeu manter o chamado tripé macroeconômico e passou a elogiar FHC. Agora a presidenciável vai além, prometendo até a autonomia do Banco Central.

Agora Marina Silva é patrocinada pelo Banco Itaú, representado pela herdeira Neca Setúbal. Quem acredita na evolução da espécie da criacionista Marina Silva?


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Blog do Coronel

Metade dos aliados abandona Marina e ruma para Aécio.

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, deve perder ou abrir mão de cerca de metade dos palanques estaduais que tinham sido articulados por seu antecessor no posto, Eduardo Campos. O ex-governador de Pernambuco, que morreu em um acidente aéreo, havia negociado apoios em todos os Estados. Dos 27 acordos fechados por ele, ao menos 14 devem naufragar com a substituição da candidatura. Nesses locais, ou as alianças foram fechadas contra a vontade de Marina --que defendia candidatura própria--ou são protagonizadas por políticos que atuam em campo completamente diverso ao da ex-senadora.

Há ainda o risco de a campanha ficar esquálida em colégios eleitorais importantes, com a defecção de puxadores de votos que desistiram de disputar cargos após a morte de Campos. Foi o que ocorreu em Minas Gerais, onde o candidato a governador do PSB, Tarcísio Delgado, não alcança dois dígitos. Os pessebistas, então, apostavam na candidatura de Alexandre Kalil, presidente do Atlético Mineiro, para assegurar uma boa bancada de deputados federais, e, por consequência, divulgar a candidatura presidencial. Mas ele desistiu de concorrer. "Nada neste partido [PSB] me interessa. O que me interessava caiu de avião", disse, ao explicar a decisão.

HERANÇA
Adversários de Marina esperam herdar parte do capital político que está se afastando da ex-senadora. O PSDB, por exemplo, acredita que "naturalmente" deve haver uma aproximação maior entre seu candidato, Aécio Neves (MG), e candidatos de Estados como Mato Grosso do Sul, Alagoas e Santa Catarina.

Neste último, Campos havia costurado um acordo para que Paulo Bauer (PSDB) mantivesse um palanque duplo, indicando o candidato a senador da coligação, Paulo Bornhausen (PSB). O pessebista tem dito que a coligação continuará ajudando Marina. Ele foi a uma das reuniões que o partido fez em Brasília que decidiu o futuro da campanha presidencial --mas ficou do lado de fora da sala onde foram tomadas as resoluções.

Há ainda dificuldades ideológicas no alinhamento de Marina com candidatos defendidos por Campos no resto do país. No Mato Grosso do Sul, Nelson Trad Filho (PMDB) havia feito um acordo com Eduardo Campos, que indicou a candidata a vice na chapa do peemedebista. Muito ligado ao agronegócio, Nelson Trad encontra resistência entre os marineiros, e, por sua vez, teme a resistência de seus aliados e financiadores a Marina.

A escolha do novo vice de Marina, Beto Albuquerque, deputado gaúcho com trânsito entre os ruralistas, foi vista como uma tentativa da ex-senadora de facilitar o contato com esse grupo ou ao menos reduzir a antipatia do setor à sua candidatura.(Folha de São Paulo)

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Projeto de Aécio para o Nordeste cheira a Lula

Numa tentativa de seduzir o eleitor nordestino, Aécio Neves lançou o projeto ‘Nordeste Forte’. Contém 45 ações em sete setores. A peça exala um cheiro de Lula. Inclui programas sociais e obras que marcaram a administração do ex-presidente petista. São iniciativas que ajudaram a reeleger Lula, em 2006, e impulsionaram a eleição de Dilma Rousseff, em 2010.

Escorada novamente no padrinho, Dilma continua desfrutando de enorme prestígio entre os nordestinos. Na região Nordeste, a afilhada de Lula prevalece sobre Aécio nas pesquisas com um placar esmagador: 55% contra 15%, segundo o Datafolha. O tucanato não tem a pretensão de reverter o quadro. Mas se esforça para atenuá-lo. Daí o anúncio do projeto, feito em Salvador, neste sábado.

Para combater a pobreza, Aécio assegura que manterá o Bolsa Família, carro chefe das administrações petistas na área social. Acena com a conversão do programa em “política de Estado”. E promete elevar a renda per capita das famílias nordestinas para US$ 1,25 por dia. Em reais, isso corresponde a algo como R$ 2,85 por dia. Ou R$ 85,50 por mês —cifra superior aos R$ 70 pagos sob Dilma.

No papel, o objetivo declarado de Aécio é o de proporcionar às famílias nordestinas uma renda per capita domiciliar correspondente a 70% da média nacional. Isso num intervalo de dez anos. Se fosse eleito em 2014 e reeleito em 2018, Aécio seria presidente da República por oito anos.

Aécio usou a propaganda eleitoral veiculada no rádio e na tevê neste sábado para reforçar seu compromisso com a manutenção do Bolsa Familia (assista abaixo). Disse que o programa garante dinheiro às famílias “no presente”. Para assegurar o “futuro”, prometeu instituir outro programa, também mencionado no pacote para o Nordeste.

Chama-se “Poupança Jovem”. Segundo Aécio, foi criado por ele quando governou Minas Gerais. Prevê a abertura de contas de poupança para os alunos do ensino médio. Os que tiverem boas notas, receberão depósitos anuais de R$ 1 mil. Que só poderão ser sacados depois de três anos.

Sem mencionar a cifra, Aécio diz na propaganda que o jovem beneficiário poderá usar o dinheiro “para iniciar uma nova etapa na sua vida ou mesmo para começar um pequeno negócio.” Tudo isso com R$ 3 mil.

Além da poupança, o ‘Nordeste Forte’ informa no capítulo dedicado à “juventude” que Aécio vai “manter e ampliar” dois programas criados sob Lula —o Prouni e o Fies— e até uma iniciativa regulamentada por Dilma em 2011, primeiro ano do atual mandato: o programa Ciência Sem Fronteiras.

Para melhorar a “qualidade de vida” da população do Nordeste, o plano de Aécio anota que será “ampliado” o programa Minha Casa, Minha Vida —outra iniciativa nascida sob Lula, trombeteada na propaganda de Dilma na sucessão de 2010 e alardeada novamente no horário eleitoral deste ano.

Na área de infraestrutura, o projeto de Aécio prevê oito ações. Entre elas um par de ferrovias que Lula usou para colocar a primeira candidatura de Dilma nos trilhos: a Ferrovia Transnordestina e a Ferrovia Oeste-Leste. Para resolver o problema crônico da falta d’água no semiárido nordestino, Aécio assume o compromisso de concluir a Transposição do Rio São Francisco, outro canteiro de obras que Lula abriu, explorou politicamente à farta e o governo não consegue entregar.

As obras encampadas por Aécio podem ser encontradas também no horário eleitoral de Dilma. Elas aparecem nas peças do marqueteiro João Santana sempre no gerúndio: estão em andamento, estão avançando. Um eleitor que esteja irritado com a protelação eterna talvez busque alternativas.

Fixando-se em Aécio, encontrará um candidato disposto a “concluir” obras, além de “manter”, “aprofundar” e “melhorar” programas . Um pedaço do eleitorado descontente talvez enxergue o presidenciável tucano como um gestor responsável, capaz de dar continuidade a iniciativas alheias. Mas também haverá eleitor se perguntando: se é para aperfeiçoar o já iniciado, trocar para quê?

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Aécio contrapõe à emoção de Marina o ‘preparo’

Premido pela inesperada entrada em cena de Marina Silva, Aécio Neves começa a ajustar o discurso. Antes, do alto dos 20% que o Datafolha lhe atribui, o tucano praticamente ignorava Eduardo Campos e seus 8%. Agora, vê-se na contingência de se contrapor a Marina, que entrou na briga com 21%. Foi o que tentou fazer neste sábado, em Salvador.

O presidenciável tucano disse ter “um respeito enorme por Marina”. Porém, ecoando aliados que enxergam falta de “densidade” e de “preparo” na substituta de Eduardo Campos, Aécio apresentou-se como uma opção mais segura de mudança. “Temos um conjunto de projetos amplamente discutidos com a população, que são os melhores para o Brasil. E ninguém tem um time mais qualificado para executá-los, para que o Brasil possa sonhar com um futuro melhor.''

Aécio lançou na capital baiana o projeto ‘Nordeste Forte’. Estava rodeado de lideranças políticas tradicionais da região. Alguns dos aliados ajudaram o candidato no esforço de desconstrução de Marina. Eis o que disse, por exemplo, o grão-tucano cearense Tasso Jereissati, que tenta retornar ao Senado:

“Marina virou santa. Com a exposição que teve no enterro de Eduardo, e que continua tendo na mídia, nem o Papa Francisco. Quando ela voltar para o nível dos mortais, vamos ver como fica o quadro. Agora tem que ter muito cuidado e trabalhar muito.”

Também candidato ao Senado, o peemedebista Geddel Vieira Lima insinuou que a atmosfera emocional que se formou em torno de Marina pode não resultar em boa coisa:

“A Emoção isolada nunca é boa conselheira na hora de tomar decisões fundamentais. Toda vez que me curvei à emoção desenfreada do meu temperamento para tomar decisões, equivoquei-me. É bom manter agora a racionalidade. E a única candidatura racional nesse momento é de Aécio.”

No mesmo diapasão, Aécio procurou realçar que não basta sonhar. Os projetos têm de estar conectados com a realidade. “Vamos sonhar todos juntos, mas nós é que temos as melhores condições de transformar o sonho de milhões de brasileiros em realidade, com um governo honrado, decente e eficiente”, discursou.

De resto, Aécio cutucou a nova rival num ponto sensível: a ética. Acredita que, do mesmo modo que teve de dar explicações sobre a construção de um aeroporto na cidade mineira de Cláudio, Marina terá de explicar as dúvidas sobre a propriedade do avião que era usado na campanha por seu ex-companheiro de chapa.

“Todos os homens e mulheres públicos têm que estar preparados para responder sobre tudo, a qualquer tipo de indagação. Esse é um problema que o PSB vai ter que responder”, provocou Aécio, levantando uma bola que Tasso Jereissati cuidou de chutar: “Se o caso do avião pegar em Eduardo, pega em Marina também.”

De passagem por Recife, onde realizou, também neste sábado, seus primeiros atos de campanha, Marina foi indagada sobre o caso do avião. Absteve-se de responder. Preferiu passar a palavra para o seu vice, o deputado federal Beto Albuquerque, do PSB gaúcho.

“Quem comprou, quem vendeu não é problema nosso, mas dos proprietários da aeronave”, esquivou-se Beto, mudando de assunto: “O que queremos saber é o que ainda não foi explicado: como caiu esse avião que matou o nosso líder e como não tinha nada gravado na caixa preta.” Militantes do PSB puseram-se a gritar: “sabotagem”.

Mais cedo, do alto de um caixote, Marina discursara para uma plateia pernambucana, ainda ressentida pela morte de Eduardo Campos. Disse que nem Aécio Neves nem Dilma Rousseff podem ganhar a eleição. A vitória não será deles, mas da superestrutura partidária, do tempo de elástico e das alianças incongruentes. No dizer de Marina, a vitória dela será o triunfo da sociedade. Como se vê, o jogo recomeçou.

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Enquanto isso, no sertão...!



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No Brasil, 80% das estradas não contam com pavimentação
Carolina Benevides, O Globo

Pelos quase 1,7 milhão de quilômetros de estradas que cortam o Brasil escoa 58% do volume nacional de cargas. No entanto, 80,3% — mais de 1,3 milhão de km — não são pavimentadas. Ao todo, o país tem 12,1% de rodovias pavimentadas; os outros 7,6% são vias planejadas, isto é, ainda não saíram do papel.

Dividida por esfera de jurisdição, a malha rodoviária sob responsabilidade dos municípios é a que menos tem estradas pavimentadas, apenas 2%. Nas que estão na esfera estadual, a pavimentação não passa de 43,5%. As federais, por sua vez, têm 54,2% das vias asfaltadas.

Os dados, de junho deste ano, são do Sistema Nacional de Viação, do Ministério dos Transportes, e incluem a rede rodoviária administrada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), concessões, convênios e MP-082.

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Marina Silva diz que Brasil não precisa de gerente
Letícia Lins, O Globo

Marina Silva fez na manhã deste sábado seu primeiro ato de campanha como candidata à Presidência da República pelo PSB com caminhada pelo bairro popular de Casa Amarela, no Recife. Sem tempo para refazer o material de campanha, muitos dos cartazes dispostos pelas ruas ainda constavam a imagem e nome de Marina como vice, ao lado de Eduardo Campos, morto na semana passada em acidente de avião.

Após comício no final da caminhada, a candidata do PSB disse que o Brasil não precisa propriamente de um “gerente”, nome muito utilizado pelo PT na campanha passada, para qualificar a presidente Dilma Rousseff.

- O Brasil tem essa história. É preciso ter um gerente. Mas a gerente tem que ter argumento. O Brasil pode até precisar de um gerente, mas precisa mesmo é de quem tem visão estratégica. O gerente tem que ter argumento para conversar. O ex-presidente Itamar não era gerente, mas tinha visão estratégica. Fernando Henrique era um acadêmico e também tinha visão estratégica. Lula era um operário e também tinha. Quando se tem visão estratégica, se sabe escolher os melhores gerentes -ressaltou Marina.

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Marina deve explicar o caso do uso do avião, diz Aécio
Maria Lima, O Globo

Passado o susto inicial com a mudança de rumos da disputa presidencial, o candidato do PSDB, Aécio Neves mostrou neste sábado que não assistirá calado ao crescimento da candidata do PSB, Marina Silva, sem alertar para o risco de uma escolha emocional no momento de crise que o Brasil atravessa.

Mesmo com o cuidado de não atacar a herdeira de Eduardo Campos, ele iniciou a polarização em um grande ato político que reuniu todas as lideranças aliadas do Nordeste em Salvador para o lançamento de seu plano de recuperação da região. No discurso, o tucano contrapôs o perfil apolítico de Marina e o “sonho” dos marineiros com a “realidade”.

Aécio também disse que, assim como teve que responder a questionamentos sobre a construção do aeroporto de Cláudio, se questionada, Marina Silva, deve estar preparada para responder sobre o ainda mal explicado caso do jatinho usado em sua campanha com Eduardo Campos, quando vivo. A suspeita é que o avião cedido para a campanha, sem registro no Tribunal Superior Eleitoral, pertença a usineiros. Perguntada hoje sobre o assunto, Marina não respondeu.

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Dilma não comenta acordo de delação premiada na Petrobras
Sandra Hahn e Ruy Baron, Valor

A presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), não quis comentar, na manhã deste sábado (23), o acordo de delação premiada do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, investigado na operação Lava-Jato, com o Ministério Público. “Não tenho a menor ideia de qual é o acordo entre aqueles interessados. Não vou comentar”, respondeu a presidente ao ser questionada durante rápida entrevista.

O ex-diretor aceitou, na sexta-feira, um acordo para depor e, desta forma, negociar a redução de penas. Na operação, a Polícia Federal pediu o indiciamento de 46 pessoas por lavagem de dinheiro e evasão de divisas – incluindo Costa.

Em Porto Alegre (RS), Dilma participou de reunião com 108 prefeitos, 67 vices e vereadores gaúchos de 13 partidos que apoiam sua reeleição. Partidos de oposição na disputa nacional também estiveram no encontro.

Em seu discurso aos prefeitos e representantes municipais, repetiu o que tem sido o tom de suas falas de relatar obras e programas implantados e de confrontar “desinformação” com a “verdade”.

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No Templo de Salomão, fiéis podem pagar no crédito ou débito
Renato Onofre, O Globo

O Templo de Salomão abriu nesta sexta-feira pela primeira vez suas portas ao público. Um forte esquema de segurança foi montado para não deixar ninguém entrar na nave principal, onde ocorrem os cultos, com celulares ou máquinas fotográficas.

Com 126 metros de comprimento e 104 metros de largura, dimensões que superam as medidas de um campo de futebol oficial, o templo construído pela Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) virou uma atração turística no Brás, na Região Central de São Paulo.

Para conseguir ultrapassar as grades e conhecer os mais de 100 mil metros de área construída com pedras importadas de Israel, oliveiras uruguaias e muitos objetos dourados, é necessário fazer um cadastro no bando de dados da Universal e conseguir uma credencial.

Antes de qualquer passeio, todos sempre acompanhados por pastores e seguranças particulares, é necessário passar por uma revista. Na área externa é permitido fotografar. Dentro das construções, não.

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Em visita à Ucrânia, Merkel pressiona russos a discutir a paz
Valor

Em sua primeira visita à Ucrânia desde o início da crise com os separatistas, a chanceler alemã, Angela Merkel, pressionou a Rússia a discutir um plano de paz com Kiev e não descartou novas sanções a Moscou. "São necessários dois lados para ser bem-sucedido. Vocês não podem obter a paz sozinhos. Espero que as conversas com os russos atinjam esse objetivo", disse Merkel.

Merkel anunciou ainda um empréstimo de 500 milhões de euros para que Kiev possa reconstruir o país após o conflito. Neste sábado (23), a OSCE (Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa) confirmou que todos os caminhões do comboio humanitário russo com ajuda para os territórios controlados pelos separatistas no leste da Ucrânia retornaram para a Rússia.

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Ataque aéreo israelense destrói edifício residencial em Gaza
O Globo

Um ataque aéreo israelense destruiu um edifício residencial de 13 andares no centro da Cidade de Gaza no sábado, e as informações iniciais indicam que 17 pessoas ficaram feridas, disseram o exército israelense e as autoridades de saúde de Gaza.

Uma porta-voz militar israelense disse que o prédio, que desabou completamente, era usado como centro de comando por militantes do Hamas. Moradores locais disseram que o prédio abrigava 44 famílias.

Outro ataque aéreo israelense já havia matado cinco pessoas da mesma família neste sábado em Gaza, incluindo duas crianças. A ofensiva acontece após o fracasso das negociações entre Israel e os palestinos e a retomada das hostilidades na terça-feira. Outros três palestinos foram mortos em ataques ao território.

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Bombas matam pelo menos 35 no Iraque, após tiroteio em mesquita
O Globo

Atentados a bomba mataram pelo menos 35 pessoas no Iraque, em ataques em aparente vingança pelo atentado contra uma mesquita sunita, que aprofundou o conflito sectário no país.

Uma bomba também explodiu na cidade de Arbil, no sábado, em um raro ataque que perturbou a estabilidade relativa que a capital da região semiautônoma curda estava vivendo.

Imagens da TV local mostraram os bombeiros trabalhando nos restos de um carro carbonizado em Arbil. Um jornalista da Reuters, mais cedo, viu uma nuvem de fumaça, mas a fonte dela não ficou clara.


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Blog do Coronel

Pegaram a quadrilha da dentadura: crime eleitoral uniu Ministério do Desenvolvimento Social, Ministério da Saúde e Presidência da República.

A agricultora baiana que ganhou dentes novos na véspera de gravar programa eleitoral com a presidente Dilma Rousseff (PT) recebeu o benefício após um pedido direto do governo federal à Prefeitura de Paulo Afonso (BA).

A prefeitura, do PDT, disse que Marinalva Gomes Filha, 46, conhecida como dona Nalvinha, recebeu atendimento numa unidade municipal de saúde odontológica, por solicitação do Ministério do Desenvolvimento Social. Dilma e o ex-presidente Lula foram à cidade do sertão baiano nesta quinta (21) para gravação de imagens para o horário eleitoral --a visita também constava da agenda oficial da petista, conforme a Folha revelou nesta sexta (22).

"Essa demanda chegou da assessoria do ministério", disse à reportagem o secretário da Saúde, Alexei Vinícius. O contato, disse ele, foi feito na segunda (18), por telefone. Após o pedido, a prefeitura mandou buscar Nalvinha na zona rural da cidade e a levou para colocar a prótese. A prefeitura informou que a unidade recebe cerca de 20 pacientes por dia e que ninguém deixou de ser atendido para dar lugar à agricultora.

Nalvinha também recebeu, na semana da visita de Dilma, uma ampliação de seu fogão à lenha. Responsável pelo programa de "fogões ecológicos", em convênio com o governo federal e o governo petista da Bahia, a ONG Agendha disse que a obra era necessária. "Não é porque a presidente vinha que íamos deixar de fazer", disse Valda Aroucha, fundadora da ONG e filiada ao PT desde 2011. A construção do fogão e de duas cisternas na casa da agricultora integram o convênio com a ONG, orçado em R$ 4 milhões e que prevê a construção de 756 estruturas hídricas, como cisternas e barragens, e dos fogões.

O "fogão ecológico" foi desenvolvido pelo pesquisador Maurício Lins Aroucha, fundador da Agendha e filiado ao PT desde 2008. Para o especialista em direito eleitoral Silvio Salata, consultor da OAB, a campanha praticou conduta vedada pela legislação, ao "usar bens e serviços públicos em favor" da candidata. "Foi oferecido um benefício a uma eleitora que iria aparecer na propaganda eleitoral", disse. Para ele, a conduta, se comprovada, pode resultar em multa ou até cassação da candidatura.

OUTRO LADO

O Ministério do Desenvolvimento Social informou, por e-mail, que identificou, em visita de equipe técnica que sempre antecede as visitas da presidente, a necessidade de atendimento odontológico para Nalvinha e que "avisou" a prefeitura --a pasta destacou o verbo em negrito. O ministério disse ainda que a agenda foi "mista, combinando atividades institucionais e eleitorais" e que Dilma fez "vistoria" da execução do programa Cisternas.

A visita durou cerca de uma hora. A imprensa não teve acesso à casa de Nalvinha durante o período. Questionada sobre o benefício à agricultora na quinta (21), a assessoria do Planalto havia dito apenas que o assunto competia à ONG. A prefeitura informou que continuará o tratamento até que Nalvinha coloque prótese definitiva. A atual, de acrílico, é provisória.(Folha de São Paulo)

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Na web, Marina se diz sucessora de FHC e Lula

A substituta de Eduardo Campos na corrida presidencial inaugurou na internet um site chamado ‘Marina 40’. Trata-se de uma janela virtual na qual Marina Silva enumera 40 razões para que o eleitorado vote nela. No item de número 17, a nova candidata do PSB se apresenta como “sucessora” dos dois principais antagonistas da política brasileira.

“Marina Silva integra os avanços dos governos FHC e Lula”, diz o texto. “É o passo adiante para superar as deficiências que persistem no país. Não é opositora, que rejeita tudo, nem uma continuadora, que vê tudo positivo. É uma sucessora.”

No item 26, a candidata se achega à rapaziada do meio-fio: “Marina identifica o surgimento de um novo sujeito político, autoral, que se expressou nos protestos de junho de 2013, se manifesta diariamente nas redes sociais e quer ser voz ativa nos destinos do país.”

Numa tentativa se vacinar contra a alegação de que lhe falta experiência administrativa para exercer a Presidência, Marina evoca no item 3 sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente do governo Lula: “Com tranquilidade e firmeza, Marina possui enorme competência. Foi sob seu comando na década passada que o desmatamento da Amazônia reduziu drasticamente —57% em três anos.”

No item 6, a candidata toma distância do toma-lá-dá-cá: “Marina Silva não governa com apaniguados nem sob influência de indicações políticas. Sabe ouvir e governa com a ajuda de técnicos e especialistas. Pretende unir no governo o lado bom de cada administração pública.”

O item 9 apresenta Marina como uma espécie de Lula de saias: “Como a maioria dos brasileiros, Marina Silva nasceu pobre, num seringal do Acre, na floresta amazônica. Com muita persistência, com escola e com ajuda de boas pessoas, superou as adversidades.

Neste sábado (23), Marina realiza em Recife os primeiros atos públicos de campanha desde a morte de Eduardo Campos, na semana passada. Pela manhã, ela protagonizará uma caminhada pela região central da capital pernambucana. No final da tarde, discursará num clube social da cidade de Eduardo Campos.

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Delação joga Petrobras no ventilador de 2014

Há muito mais em jogo na delação prometida por Paulo Roberto Costa do que a simples prospecção dos podres que se acumulam nas profundezas da Petrobras, abaixo da câmara pré-moral. Se estiver falando sério, o ex-diretor da maior estatal do país está prestes a jogar as petromaracutaias no ventilador da sucessão presidencial de 2014. Uma novidade com potencial para sacudir o coreto da candidatura oficial, espalhando óleo queimado em suas vastas coligações.

Preso em Curitiba, Paulinho, como Lula costumava chamá-lo, conversou nesta sexta-feira (22) com Beatriz Lessa da Fonseca Catta Preta, uma advogada especializada na costura de acordos de delação premiada, nos quais o réu abre seus segredos à Justiça em troca de uma redução da pena. Como se fosse pouco, o doleiro Alberto Youssef informou ao seu advogado, Antônio Figueiredo Basto, que cogita acelerar a velocidade da hélice do ventilador, aderindo à delação.

Até aqui, o Planalto conseguiu deter o derramamento de óleo na pista da sucessão por meio da domesticação de duas CPIs no Congresso. Soltando a língua à vera, Paulo Costa vai mostrar os dentes da engrenagem que move a intermediação de interesses de empreiteiras e fornecedores da Petrobras e o pagamento de propinas a políticos. A implosão desse esquema parece inevitável, como inevitável foi o estouro das milionárias arcas do mensalão.

A inevitabilidade do estrondo é proporcional à octanagem dos papéis colecionados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público na Operação Lava Jato. Quebraram-se os sigilos de quase uma centena de contas bancárias. Apalparam-se mensagens eletrônicas de mais de três dezenas de celulares. Afora o papelório novo recolhido nesta sexta em batidas policiais feitas em 13 empresas, os investigadores já dispõem de mais de 80 mil documentos —o grosso ainda por analisar.

O conteúdo é inflamável. Revela uma corrente com quatro elos. Numa ponta, os corruptores. Noutra, os corruptos. No meio, Paulo Roberto promovendo a integração dos extremos e Youssef lavando o dinheiro sujo que migra de uma ponta à outra. Parte dos papeis está codificada. O pedaço já elucidado resultou na abertura de oito processos contra 42 pessoas físicas e jurídicas. Como subproduto, correm na Câmara os pedidos de cassação dos mandatos de André Vargas (ex-PT-PR) e Luiz Argôlo (SD-BA).

A colaboração de Paulo Costa —nesta segunda-feira vai-se saber se Youssef também abrirá o bico— será útil se servir para perfurar a camada de ficção que impede que as sondas da investigação alcancem as camadas mais profundas das maracutaias urdidas na Petrobras. Se funcionar, logo, logo será possível saber quem comprou quem, por quanto e como.

Na noite desta sexta, um personagem otimista da investigação disse ao repórter ter fundadas razões para acreditar que Paulo Roberto será explícito. Nas suas palavras, a prisão produziu na alma do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras um processo de ‘asfixia depressiva’. De resto, o personagem angustiou-se ao perceber que suas estripulias começaram a encrencar amigos e parentes. Entre eles uma filha e o marido dela.

Funcionário de carreira da Petrobras, o engenheiro Paulo Costa foi alçado à diretoria da estatal graças a um câncer chamado “indicação política” —eufemismo utilizado para suavizar a licença que os governos concedem a certos servidores para subordinar o interesse público às conveniências político-privadas de políticos corruptos e logomarcas corruptoras.

Nomeado sob Lula, em 2003, Paulo Roberto sobreviveu na diretoria de Abastecimento da Petrobras até 2012, já na gestão de Dilma Rousseff. Apadrinhou-o PP. Mas a longevidade aproximou-o também do PT e do PMDB, sócios majoritários do condomóinio governista. O personagem tocava as obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Trata-se do maior projeto em andamento na Petrobras. Iniciado em 2007 com orçamento de US$ 2 bilhões, o empreendimento já sorveu US$ 18,5 bilhões —em reais: R$ 42,2 bilhões. Suspeita-se que o relacionamento com Paulo Roberto tenha acomodado nos arredores do canteiro da obra dois tipos de políticos: os abertamente cínicos e os quer não conseguiram se conter. Os primeiros fizeram caixa dois eleitoral. Os outros engordaram o patrimônio pessoal.

Dependendo da viscosidade do óleo que Paulinho borrifará no ventilador, o prejuízo de Pasadena vai parecer troco. E a cruz que a gestão Lula acomodou nos ombros de Dilma ficará mais pesada. Isso numa fase em que Aécio Neves prega a reestatização da Petrobras e Marina Silva corre por fora entoando o discurso da “nova política”, espécie de samba enredo da terceira via, para o eleitorado que bateu bumbo nas ruas por mudanças.

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Marina De la Mancha!


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PGR aponta ‘vertiginoso acréscimo patrimonial’ de sócios de Costa
Fausto Macedo, O Estado de S. Paulo

A Procuradoria da República constatou “vertiginoso acréscimo patrimonial” dos sócios do núcleo de empresas de familiares do engenheiro Paulo Roberto Costa, durante o período em que ele ocupou o cargo de diretor de Abastecimento da Petrobrás, entre 2004 e 2012. Após sua saída da estatal petrolífera, segundo a investigação, verificou-se “decréscimo de receita” no caixa dessas empresas.

Para os investigadores, a chave do segredo da propina na Petrobrás, durante a gestão de Paulo Roberto Costa, está nessas empresas de seus familiares.

São 13 empresas, citadas na quinta etapa da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta feira, 22. A Polícia Federal realiza buscas nas 13 empresas desde cedo.

Costa é o alvo maior da Operação Lava Jato, que desarticulou em março grande esquema de lavagem de dinheiro desviado da Petrobrás.

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Marina promete acabar com a reeleição, mas desconversa sobre PSB
Fernando Taquari, Valor Econômico

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, prometeu nesta sexta-feira acabar com a reeleição e ficar apenas quatro anos no cargo caso seja eleita. A ex-senadora, no entanto, desconversou sobre a hipótese de permanecer no PSB durante um eventual mandato no Palácio do Palácio.

Aliados de Marina devem retomar no próximo ano a coleta de assinaturas para criar o Rede Sustentabilidade. "Assumo o compromisso de acabar com a reeleição. Terei um mandato de apenas quatro", disse a ex-senadora em entrevista coletiva. A candidata disse, por outro lado, que este não é momento para discutir sobre sua saída do PSB. Alegou que a Presidência não pode ser objeto de poder de um partido.

"Não devemos tratar o presidente da República como propriedade de um partido. A sociedade está dizendo que quer se apropriar da política e as lideranças políticas têm que entender que o Estado não é um partido e que o governo não é o Estado", declarou.

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Petrobras justifica junto ao TCU doações de imóveis de Graça
Vinícius Sassine, O Globo

A Petrobras decidiu se antecipar a uma eventual diligência por parte do Tribunal de Contas da União (TCU) e apresentou ao tribunal explicações e documentos sobre as doações de imóveis feitas pela presidente da estatal, Graça Foster, a seus filhos. O material, com cerca de 30 páginas, foi anexado ao processo em curso que avalia os prejuízos e irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, no Texas.

Uma primeira deliberação nesse processo já determinou o bloqueio de bens de dez gestores e ex-gestores da Petrobras, como forma de garantir o ressarcimento de parte do prejuízo de US$ 792,3 milhões apontado pelo tribunal. Graça ficou de fora da lista por conta de um erro técnico do TCU.

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TRE nega pedido de Padilha contra a TV Globo
Carla Araújo e Mateus Coutinho, Estadão

O candidato petista ao governo do Estado, Alexandre Padilha, teve negado pela Justiça o pedido para ter a cobertura diária no SPTV, telejornal local da TV Globo. De acordo com a decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo, caso o pedido de liminar feito pela coligação Para Mudar de Verdade fosse acatado, outros partidos sem representação poderiam entender ter o mesmo direito. Ainda cabe recurso.

O juiz Marcelo Coutinho Gordo destaca em sua decisão o alto número de legendas. "Em uma República como a nossa, onde se aglomeram mais de três dezenas de partidos políticos, hoje 32 inscritos para ser exato, existe a possibilidade teórica da candidatura de inúmeros indivíduos a cargos majoritários, alguns dos quais sem qualquer representatividade popular e que em nome de uma igualdade absoluta, poderiam reivindicar espaço em mídia televisiva, ainda que só para isso existissem", diz a decisão.

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Estados Unidos consideram a possibilidade de realizar ataques na Síria
O Globo

A Casa Branca indicou que ataques aéreos podem ser realizados na Síria contra militantes do Estado Islâmico, após a divulgação do vídeo em que o jornalista James Foley é decapitado por um integrante do grupo jihadista.

De acordo com o vice-assessor de segurança nacional, Ben Rhodes, o presidente americano, Barack Obama, atualmente de férias na ilha de Martha’s Vineyard, ainda não recebeu opções militares concretas para expandir os ataques além dos principais alvos no Iraque. No entanto, ataques na Síria, já são discutidos como uma possível opção.

— Faremos o que for necessário para proteger americanos e estamos considerando o que será necessário para lidar com essa ameaça — afirmou Rhodes. — Não seremos restritos por fronteiras.

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O Hamas executa 18 colaboradores depois do ataque a seus comandantes
Carmen Rengel, El País

O Hamas matou 18 palestinos acusados de colaborar com Israel. Isso foi confirmado pela agência de notícias Al Ray, vinculada à organização islâmica, e pela própria televisão do grupo, que acrescentou que todos os mortos eram homens, que foram assassinados em uma delegacia da capital de Gaza e que anteriormente tinham sido “condenados pelos tribunais”.

A agência Maan acrescenta que vários dos corpos foram localizados na rua, perto da Universidade de Al Azhar, enquanto outros foram levados ao hospital Al Shifa.

Na quinta, o Hamas já tinha matado outros três supostos colaboradores, parte de um grupo de sete detidos quando estavam “localizando informação para o inimigo”, indicou a rádio dos islâmicos.

Outro homem foi morto a tiros em Rafah, no dia 13 de julho passado, pelo mesmo motivo, e o Centro Palestino pelos Direitos Humanos (PCHR, pela sigla em inglês) denuncia que há um grupo de mulheres presas, por serem suspeitas de apontar a Israel alvos para seus ataques aéreos, mas suas condições são desconhecidas.

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Marina, o discurso do ódio à política, o programa nazista e a Lei de Godwin

Ai, ai, ai… Vamos lá: conheço, sim, a Lei de Godwin, cuja síntese poderia ser esta: “Apelou ao nazismo, perdeu”. Segundo o advogado Mike Godwin, num debate esganiçado, a probabilidade de alguém fazer uma analogia com o nazismo ou Hitler é igual a 1 — ou seja, de 100%. Fazê-lo, diz, significa não ter mais argumentos. Huuumm… O que não me falta — o arquivo está aí — são argumentos para contestar as ideias, ou o que seja o que ela diz, de Marina. Mas não será Godwin a me impedir de evidenciar que certas ideias têm paternidade. Ora se têm!

Querem ver?

Leio (post anterior) que, indagada sobre se permaneceria ou não no PSB, Marina, como sempre, não respondeu o que lhe foi perguntado e se saiu com esta:
“Eu me comprometo a governar o Brasil, nós não devemos tratar o presidente como propriedade de um partido. A sociedade está dizendo que quer se apropriar da política. E as lideranças políticas precisam entender que o Estado não é o partido, e o Estado não é o governo”.

Então tá. Em 1920, o Partido Nazista lançou em Munique o seu programa-manifesto com 25 itens — a maioria das propostas, diga-se, era de esquerda. Lê-se no item 6:
“O direito de decidir sobre o governo e a legislação do Estado só pode pertencer ao cidadão. Por conseguinte, exigimos que toda função pública, seja ela qual for, tanto ao nível do Reich como do Land ou da comuna, só possa ser ocupada por quem é cidadão. Combatemos o sistema parlamentar corruptor por atribuir postos unicamente em virtude de um ponto de vista de partido, sem consideração do mérito nem da aptidão.”

É inescapável constatar que a pegada é, sim, a mesma: prega-se, o que parece bom num primeiro momento, a apropriação do estado pela “sociedade” — no caso de Marina — ou pelo “cidadão”, no caso dos nazistas. Em ambos, notem, há um repúdio à política, aos partidos, às instituições tradicionais da democracia.

“Está chamando Marina de nazista?” Não! Se eu achasse, chamaria. Estou, isto sim, evidenciando, com um exemplo histórico, que ela tem uma visão autoritária da política, embora simule o contrário — como, aliás, simulavam os nazistas. Isso quer dizer que, se ela for eleita, vai tentar fundar um partido nazista? A pergunta é, obviamente, ridícula. Mas quer dizer que, dada a fala, vai tentar governar acima dos partidos, o que nunca deu certo no Brasil e em nenhum lugar do mundo.

Figuras como ela, diga-se, só se robustecem quando instituições vivem uma fase de descrédito. Há os que tentam recuperar o prestígio desses entes para que a sociedade continue a avançar no caminho da democracia representativa. E há os que exploram a crise, buscando aprofundá-la, em benefício de seu próprio projeto de poder.

Eu acho que Marina é do segundo tipo. É isso aí. Godwin não vai me impedir de dizer o que tem de ser dito.

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Dilma e Suplicy usam o “povo como farsa” em suas respectivas campanhas eleitorais

Sempre desconfiei — e vocês podem achar esta observação no arquivo deste blog — que haveria o momento em que alguns políticos brasileiros teriam a ideia de trocar de povo, tornando-o, vamos dizer, mais à altura de suas respectivas grandezas. Dois episódios que vieram a público nesta sexta são mesmo do balacobaco. Segundo informa a Folha, a trabalhadora rural Marinalva Gomes Filha, 46, da zona rural de Paulo Afonso, na Bahia, ganhou uma prótese dentária um dia antes de gravar imagens para o horário eleitoral gratuito da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, que vem a ser, sim, a presidente Dilma. No programa, Dona Nalvinha diz: “Tudo o que tenho aqui foi Dilma que deu”. E isso incluía a prótese com os dois dentes da frente.

Não foi só isso. Uma semana antes da chegada da presidente, o fogão a lenha de Dona Nalvinha foi ampliado pela ONG Agendha, que tem convênio com o governo da Bahia, também do PT. Por enquanto, ela é a única que recebeu o benefício. O ex-presidente Lula acompanhava a atual presidente à visita. Emocionada, a mulher afirmou que ele era um “pai” dos pobres, e Dilma, a “mãe”.

Eis aí: é preciso dar uma maquiada no povo para que ele não apareça como é. Um país que cresce menos de 1% ao ano, que tem uma inflação de 6,5%, juros de 11% e que deve crescer pouco mais de 1% em 2015 tem mesmo é de distribuir suas migalhas para que os humildes caiam de joelhos diante dos poderosos, gratos pela prótese dentária, por um fogãozinho a lenha, por uma cisterna. “Melhor fazer isso do que não fazer”, diria alguém. Sem dúvida. O nefasto populismo sempre se alimentou dessa frase. Não ocorre a essa gente que melhor é um país que se desenvolve, que cresce, para que as pessoas provejam o próprio sustento e não dependam da caridade de políticos que querem o seu voto.

Longe de Paulo Afonso, na Bahia, numa região bem mais desenvolvida, Eduardo Suplicy, que concorre ao quarto mandato ao Senado — ele já está lá há 24 anos e quer ficar 32 —, gravava o seu programa da propaganda eleitoral gratuita. Segundo informa o Estadão, supostos eleitores da rua dão depoimentos exaltando suas qualidades e o muito que ele teria feito por São Paulo — até agora, de verdade, ninguém conseguiu descobrir o quê. Nesse caso, a piada já vem pronta. Na era do povo maquiado, uma das que aparecem no vídeo dizendo como ele é um cara batuta é a própria maquiadora do estúdio. A mulher mandou ver: “Quando você pensa num político honesto, qual é o primeiro nome que vem na cabeça? É o Suplicy”. Não bastou: também foi convidado a falar o operador de áudio, que se fingiu de “povo popular”, como dizia o Casseta&Planeta. Resume: “Senador Eduardo Suplicy. Nele eu confio”.

Num caso, o povo de verdade passa antes por uma arrumada para ir à televisão despejar suas lágrimas de humilde agradecimento aos “nhonhôs”. No outro, funcionários da campanha fingem o que não são para que Suplicy possa passar por aquilo que não é. Ah, sim: a campanha de Suplicy também roubou o slogan usado por Serra em 2010: “Esse cara é do bem”. O ainda senador diz ter consciência da apropriação, mas afirma que seu marqueteiro diz que o lema tem mais a ver com ele. Entendi: Suplicy fundou o “MSS”, o Movimento dos Sem-Slogan. Então ele toma o alheio.

Uma reforma política séria passaria pelo fim do horário eleitoral gratuito, um absurdo que custa aos cofres públicos quase R$ 1 bilhão em ano eleitoral e que não passa de uma pantomima ridícula, destinada a enganar os desinformados e os pobres.


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Blog do Ilimar Franco

Questão de sobrevivência

                A cúpula do PSB fechou com Marina com o objetivo de salvar os candidatos aos governos estaduais e ao Congresso. Reunidos em um hotel, em São Paulo, na semana passada, concluíram que sem Marina viria o fracasso nas urnas. A situação eleitoral já deixava a desejar. Os socialistas não lideram nos quatro estados que governam e apenas três de seus nomes para o Senado são viáveis. Sem Eduardo, Marina virou a salvação da lavoura.

Quem paga a conta?
O tema mais delicado nas tratativas do PSB, para assumir Marina, foi o das finanças. A campanha do partido tem orçamento elevado para seu porte. Toda ela foi montada tendo Eduardo Campos como fiador. O partido não sabe se serão mantidos os acertos dos doadores com Eduardo. Os seus coordenadores financeiros alertam que a candidata Marina Silva e a Rede não terão nenhuma responsabilidade. Pela lei em vigor, no caso de dívidas, quem paga a conta é o PSB. Um dirigente resumiu: “Uma coisa é pagar a conta de Eduardo, outra, a de Marina”. Referindo-se ao desempenho eleitoral, um senador completou: “Fica o ônus para o PSB e o bônus para a Rede”.

“A candidatura de Marina Silva não é desprezível, nem deve ser subestimada. Mas é insustentável ao longo do tempo”

Antônio Carlos Magalhães Neto
Prefeito de Salvador (DEM) e aliado do candidato Aécio Neves (PSDB)

Marina é chuva de verão
A cúpula da campanha de Aécio Neves definiu ontem, em São Paulo, que o foco do candidato continuará sendo a crítica ao governo Dilma. Suas pesquisas confirmam que Marina Silva cresceu e ainda poderá subir mais. Mas a leitura é a de que esse movimento não tem consistência e que em quinze dias a situação vai voltar ao normal: a polarização entre o PSDB e o PT.

Novo rumo
A candidatura Marina está alterando o alinhamento eleitoral nos estados. Nelson Trad, candidato ao governo (MS), se declarou independente. O vice Michel Temer espera que José Ivo Sartori (RS) faça o mesmo. Eles estavam com Eduardo. Benedito de Lira (AL), na foto, rejeita e é rejeitado por Marina. Está sendo aguardado no palanque de Aécio Neves.

Nova sustentação parlamentar
Um dos coordenadores do programa de governo do PSB, Maurício Rands, responde às críticas à falta de apoio político a Marina: “Vamos ter uma base menor, e a maioria virá em função do tema”.

A trajetória
Os marineiros estão reagindo às críticas à falta de experiência de Marina Silva. Alegam que se trata de uma personalidade internacional que foi senadora durante oito anos, ministra de Estado e organizadora de um partido político, a Rede.

Garantia de segurança
O vice de Marina Silva, Beto Albuquerque (PSB), apresentou projeto, em 2007, que exigia das empresas de transporte aéreo a publicação, na internet e na aeronave, de dados sobre horas de voo, manutenção e nome do responsável técnico.

Servindo a dois senhores
O presidente da Assembleia de Deus (Madureira), Manoel Ferreira, pediu votos ontem, na TV, para o Pastor Everaldo, candidato ao Planalto pelo PSC. Em Brasília, ele é o primeiro suplente do candidato petista ao Senado, Geraldo Magela.

Guerra no Ceará. O governador Cid Gomes quer Lula na TV pedindo voto para Camilo Santana (PT). Eunício Oliveira (PMDB) quer Lula longe de lá.

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Polarizações

Esta sem dúvida será uma eleição diferente das demais. Estamos vendo se configurarem duas polarizações, uma, a tradicional, entre PT e PSDB. Outra, uma novidade, entre a autointitulada "nova política" e a política tradicional, que se esboçou em 2010 mas chega madura à eleição deste ano, com a mesma protagonista, Marina Silva, disputando espaço prioritariamente com o mesmo partido, o PSDB, para enfrentar o PT, de onde veio e que está no governo há doze anos, sendo que praticamente oito deles tendo em Marina uma de suas estrelas.

É de se notar que as polarizações se colocam entre partidos, mas não no caso de Marina, uma liderança individualista que tanto faz estar no Partido Verde, como em 2010, ou no PSB agora, sempre terá que ocupar todo espaço de comando, como se já estivesse na sua própria Rede, criada a sua imagem e semelhança, até mesmo na incapacidade de organização demonstrada ao não obter o registro a tempo e hora de disputar a eleição presidencial, o que só conseguiu graças à "providência divina".

É claro que houve um excesso de zelo provocado por interesses políticos dos tribunais eleitorais, notadamente o da região do ABC, área de influência de Lula, para barrar Marina logo na largada. Mas se a sua Rede tivesse sido menos amadora no recolhimento de assinaturas e mais profissional nos cuidados jurídicos, não teria dado pretextos para a impugnação.

A saída de cena de Carlos Siqueira, coordenador da campanha de Eduardo Campos, um quadro político de peso do PSB, mostra bem que a transição de candidaturas não se processou de maneira amena, e se falta a intermediação de Eduardo Campos, não haverá sintonia entre Rede e PSB.

O fato é que Marina Silva entrou no páreo do tamanho que saiu em 2010 e, ao contrário do que muitos supunham, inclusive eu, parece ter espaço para crescer em meio a uma campanha que, diferente da anterior, busca um candidato que personifique o desejo de mudança registrado pelas pesquisas eleitorais.

Enquanto estava no páreo Eduardo Campos, o candidato do PSDB Aécio Neves parecia o mais capacitado para a função. Semelhantes em tudo, o tucano tinha a vantagem da estrutura partidária e dos alianças, mesmo informais, com diversos partidos da base governista.

A chegada de Marina adicionou uma carga de emoção nessa polarização que, pelo menos no primeiro momento, a favorece. É interessante notar que mesmo com a melhora da avaliação de seu governo, a presidente Dilma não cresceu nas pesquisas, o que mostra que acrescentar novas adesões aos seus eleitores é uma tarefa mais difícil do que se supunha até pouco tempo atrás.

Os sucessivos escândalos parecem não dar margens a um respiro, como aconteceu agora com sua melhor amiga e presidente da Petrobrás, Graça Forster, que andou transferindo imóveis para parentes antes que o TCU lançasse mão do bloqueio de bens dos diretores acusados de culpa na compra da refinaria de Pasadena.

O fato de o responsável pelo relatório "falho tecnicamente", Nestor Cerveró, ter feito o mesmo e ter sido treinado na sala contígua à da presidência da Petrobras para sua performance na CPI da Petrobras, com direito a receber o gabarito correto das perguntas com antecedência, só reforça a percepção de que se trata de uma ação entre amigos, contra os contribuintes.

Marina encontra no ambiente político atual o terreno fértil para levar sua anticandidatura adiante, mas precisa mais que isso para chegar lá. O interessante é que Marina parece jogar todas as suas fichas na ação política independente dos partidos, enquanto cada vez mais Aécio e Dilma jogam o jogo político tradicional, que já lhes deu mais tempo de propaganda eleitoral do que ao PSB e amplia os palanques estaduais, especialmente os do PSDB, com dissidências das candidaturas de PT e PSB.

A síntese dessas duas políticas era encarnada por Eduardo Campos, que começou a campanha muito próximo a Aécio Neves e se inclinava para o radicalismo de Marina, mas com nuances que lhe permitiriam usar a máquina do governador Geraldo Alckmin em São Paulo, por exemplo.

Na política tradicional, é Aécio Neves quem sai em vantagem nesse momento de polarizações diversas, agregando apoios em estados cruciais como os do nordeste. Mas, a valerem os números de 2010, Marina tem por conta própria votações respeitáveis em capitais como Belo Horizonte, Rio, São Paulo, e no Distrito Federal, o que lhe dá capital político para rejeitar apoios indesejáveis.

Nesses locais, também, atinge o eleitorado onde Aécio Neves pretendia crescer, além do fato de que o perfil dos votantes dos dois é semelhante em quase tudo - idade, escolaridade, nível de renda. Menos no entendimento do que seja a política. E aí está a chave do desempate que levará um dos dois para o segundo turno.


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Blog do Noblat

Falar e pensar não são o forte de Dilma, por Ricardo Noblat

Certa vez, no seu segundo mandato, Lula chamou Sarney de “homem incomum” para assim defendê-lo de pesadas acusações. Logo ele, Lula, que antes de se eleger presidente da República chamou Sarney de ladrão durante comício no Maranhão.

Dilma não chamou Graça Foster, presidente da Petrobras, de “mulher incomum”. Mas passou perto de chamar. Senão vejamos.

O Globo descobriu que Graça, e o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró, repassaram a propriedade de imóveis a parentes quando a compra da refinaria Pasadena já estava sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

No caso de Graça, o repasse de dois imóveis aconteceu em 20 de março deste ano, um dia depois de Dilma ter culpado um parecer de Cerveró por ela ter votado a favor do negócio que causou prejuízo milionário à Petrobras.

A transferência de imóveis para nomes de parentes não é crime. Mas ao fazê-lo, Graça e Cerveró pouparam parte dos seus bens de um eventual bloqueio a ser decretado pela Justiça. Por sinal, o bloqueio foi pedido pelo ministro José Jorge, do TCU.

Que argumentos usou Dilma para defender Graça, sua amiguinha, mas não Cerveró? Vamos a eles.

- Eu repudio completamente a tentativa de fazer com que a Graça Foster se torne uma pessoa que não possa exercer a presidência da Petrobras, sabe por quê? Porque se fizerem isso é pelos méritos dela.

Somente a Justiça pode bloquear os bens de Graça. Se o fizer estará errada? Não foi Dilma que na semana passada, em entrevista ao Jornal Nacional, disse que não poderia comentar a decisão da Justiça que condenou os mensaleiros do PT?

Alegou que, como presidente da República não lhe cabia opinar sobre decisões de outro poder.

Olha a contradição aí, gente!

Em socorro a Graça, Dilma listou números para destacar o aumento da produção de petróleo na gestão dela e destacou os investimentos feitos para garantir o crescimento da empresa até 2020.

E daí? O que uma coisa tem a ver com a outra? Graça estaria liberada para driblar uma eventual decisão da Justiça de bloquear seus bens só por que a produção de petróleo aumentou na gestão dela? E por que a Petrobras, a juízo de Dilma, vai bem?

O ministro da Justiça e o Advogado Geral da União pressionaram os ministros do TCU para impedir o bloqueio de bens de Graça, e Dilma não achou isso nada demais. Afirmou:

- É de todo o interesse da União defender a Petrobras, a diretoria. Nada tem de estranho esse fato. Pelo contrário, é dever do ministro da Justiça, de qualquer ministro do governo, defender a Petrobras.

Graça não é a Petrobras – como Dilma não é a presidência da República. Graça e Dilma são pessoas físicas que ocupam, por ora, dois dos mais importantes cargos do país.

Se Dilma entende que não deve comentar decisões de outro poder por que acha natural que seu ministro da Justiça não apenas comente, mas tente influenciar decisões de outro poder?

Por fim, Dilma considerou “extremamente equivocado colocar a maior empresa de petróleo da América Latina e a maior empresa do Brasil sempre durante a eleição como arma política”.

No segundo turno da eleição presidencial de 2006, disputado por Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB), o PT acusou Alckimin de estar pronto, caso se elegesse, para privatizar a Petrobras.

Embora Alckmin dissesse que não o faria, o PT repetiu a acusação, que subtraiu muitos votos do candidato do PSDB.

Quer dizer: o PT está liberado para usar a Petrobras como arma política, mas somente ele. De acordo?

Falar de improviso não é o forte de Dilma. Pensar, também não é.


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Blog do Coronel

Greve do IBGE está sendo alimentada pelo governo Dilma para impedir publicação de dados da economia antes da eleição.

Há dois meses parte do IBGE está em greve. Apenas parte. Convenientemente apenas parte. E o governo não faz nada para resolver o problema. É óbvio que existe manipulação neste movimento. Os números da economia estão sendo escamoteados da população. Só serão conhecidos depois das eleições, em 6 de novembro. É o jeito PT de fazer o diabo para ficar no poder.

A greve no IBGE provocou atraso na divulgação de várias pesquisas que retratam a realidade socioeconômica do país, inclusive na Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), primeiro dado oficial nacional sobre mercado de trabalho formal e informal, divulgada por trimestre.

Com dois meses de paralisação, o IBGE apresentará novos dados sobre o segundo trimestre só em 6 de novembro, após as eleições. A previsão inicial era divulgar os números no próximo dia 28. O emprego é um dos temas mais citados na campanha à Presidência em meio à estagnação do mercado de trabalho, com a baixa geração de postos e a migração de trabalhadores para a inatividade -o que sugere desalento.

Os primeiros dados foram divulgados em janeiro deste ano, retroativos a 2012. Na apresentação de março, a taxa de desemprego no país ficou em 7,1% no primeiro trimestre, acima dos 6,2% dos últimos três meses de 2013. Analistas projetam para o segundo trimestre uma taxa entre 7,5% e 8%, diante da piora do cenário econômico e da previsão de queda do PIB.

Os números da Pnad Contínua mostram uma taxa de desemprego média no país acima da Pesquisa Mensal de Emprego, restrita às seis maiores regiões metropolitanas. O último dado da média dessas áreas é de abril, com taxa de desemprego de 4,9%. A pesquisa de julho divulgada nesta quinta (21) foi a terceira seguida sem dados consolidados devido à greve.

Para Sérgio Vale, da MB Associados, a baixa taxa de desemprego "era a única coisa positiva" na economia que o governo tinha a apresentar. "Poderia confundir o eleitor mostrar uma taxa nacional mais alta do que nas regiões metropolitanas e superior à do primeiro trimestre." O economista ressalta que "não dá para dizer se houve interferência política".

À Folha a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, disse não admitir "nenhuma ilação ou insinuação" de ingerência. O prazo, afirmou, foi definido a partir de informações de técnicos dos Estados -em alguns como Rio Grande do Norte, Paraíba e Amapá nem 40% da coleta foi concluída. "A área técnica que define o prazo. Antes de eu receber um dado, 30 pessoas já conhecem o número. O corpo técnico não admitiria isso. Essas ilações afetam a credibilidade de um instituto no qual o mundo acredita."(Folha de São Paulo)

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O saco de gatos de Marina, agora com Erundina na coordenação. Ou: Na democracia, o Brasil só teve dois presidente sem partido — Jânio Quadros e Fernando Collor

Arrumem, por favor, um PRN — sim, refiro-me àquele partido-ônibus inventado por Fernando Collor — para Marina Silva. Vai que ela seja eleita presidente da República. No Datafolha, apareceu tecnicamente empatada com Dilma no segundo turno. Nesta quinta, circularam boatos de que há levantamentos em que está na dianteira. Não é preciso que um ET caia no Brasil para concluir que estamos no hospício ideológico. Um brasileiro razoavelmente informado chegará à mesma conclusão. O PSB indicou, ora vejam!, a deputada Luíza Erundina (SP) para ser a coordenadora-geral da campanha. Coitada! Não vai coordenar nada. Fico cá a imaginar o seu semblante quando Marina desatar a falar sobre a democracia pós-partidária, pós-sindical, pós… institucional!

O ex-tucano Walter Feldman, indicado por Marina coordenador-adjunto, concedeu uma entrevista a Morris Kachani, da Folha. O redista disse ao menos três coisas notáveis. O jornalista quis saber “qual o círculo de pensadores em torno de Marina”. Feldman respondeu: “Na economia, Eduardo Giannetti expressa grande parte do que Marina pensa a respeito. E temos o Guilherme Leal, o José Eli da Veiga, o João Paulo Capobianco, Ricardo Young, a Maria Alice Setubal.” Quem está mais perto de ser um pensador aí é Giannetti. Essa gente toda, incluindo um mega-empresário e a sócia de um banco, então, estará sob a coordenação da socialista — de verdade! — Luíza Erundina.

A esta altura, se me disserem que Marina multiplica o pão e os peixes, anda sobre as águas e ressuscita Lázaro, tenderei a acreditar no interlocutor — tomando o cuidado de esconder objetos pontiagudos da sala e de me manter longe da janela… Não desconfio de seus dotes para a abdução. Quem se deixa convencer por sua fala não costuma tolerar contestação. Mas nem ela seria capaz de operar o milagre de conciliar as prefigurações do liberal Giannetti com as da socialista Erundina. Marina, a exemplo de Collor — vamos ver se com o mesmo desfecho — está começando a juntar as pessoas que estão com o saco cheio de “tudo isso que está aí”. Há os que mais bibliografia e os com menos. Mas a crença em milagres é a mesma.

Feldman disse mais. Indagado sobre as diferenças entre Eduardo Campos e Marina, respondeu: “Eduardo entendeu as características de Marina e espraiou sua visão para o PSB. As diferenças são mais de origem, ele da classe média pernambucana, ela de origem mais humilde, de outra região.” Vale dizer: só ele tinha aprendido com ela; ela não tinha aprendido nada com ele.

Mas atenção para a resposta mais intrigante. O jornalista perguntou o que são os tais “sonháticos”. Leiam o que ele respondeu: “Dentro da Rede, os sonháticos desfrutam um grande prestígio, a maioria deles são jovens que sempre empurram a discussão para algo mais avançado, que não nos deixa acomodar. Mas tem o dia a dia que tem que ser feito. E, quando Marina optou por Eduardo, parte dos sonháticos a abandonou. Mas agora estão voltando e muito. (…) Diria que 95% voltaram.” Entenderam? Com a morte de Eduardo, os tais sonháticos de Marina podem se dispensar de lidar com a realidade.

A nova candidata já quebrou a espinha do PSB. Sempre achei que isso fosse acontecer, mas, obviamente, em outras circunstâncias. Campos fez o que pôde para manter a união porque confiava que ela lhe daria os votos de que precisava para chegar ao segundo turno. Como todos sabemos, e indicavam as pesquisas, isso não aconteceu. Se é que existe a tal “Rede”, esta nunca moveu uma palha em favor do então candidato do PSB à Presidência, que estava estacionado entre os 7% e os 9%.

A ex-senadora colaborava com ele? Como sabem todos os dirigentes do PSB, isso nunca aconteceu. Ao contrário: a aliada era fonte permanente de dor de cabeça. Logo na estreia, chegou atirando contra um aliado de Campos em Goiás, o deputado Ronaldo Caiado (DEM), que até os adversários admitem ser um homem honrado. O que Marina tinha contra ele? Ora, é um produtor rural! Dois dirigentes do PSB já se afastaram da campanha: Carlos Siqueira, da coordenação-geral, e Milton Coelho, coordenador de mobilização. A mulher da Rede tem um notável poder desagregador.

Dizer o quê? Existe a possibilidade real de Marina, sem partido político, eleger-se presidente da República. Houve dois antes dela: Jânio Quadros — que era UDN só no papel — e Fernando Collor, que inventou um saco de gatos chamado PRN. Um deu no que deu, e o outro também. “Ah, Marina é muito melhor do que esses dois”.

Então tá.

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Dilma: os absurdos da presidente-candidata e da candidata-presidente

Dilma Rousseff, Dilma Rousseff…

Vamos lá. Uma das dificuldades da pessoa que concorre à reeleição é saber a hora de falar como governante no cargo e a hora de falar como candidata. Dilma meteu os pés pelas mãos nesta quinta-feira. Saiu em defesa da presidente da Petrobras, Graça Foster. Quem estava falando? Às vezes, parecia a candidata, e o discurso era absurdo; às vezes, parecia a presidente, e o discurso era mais absurdo ainda. Vamos ver. A candidata-presidente foi visitar obras — atrasadas — da transposição do rio São Francisco em Pernambuco. Concedeu, em seguida, uma entrevista coletiva.

A presidente-candidata foi indagada sobre a atuação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, em defesa de Graça Foster, presidente da Petrobras. Dilma tinha uma infinidade de justificativas institucionais se quisesse. Poderia ter dito que, como as apurações se referem à atuação de Graça como diretora de uma empresa majoritariamente pública, a intervenção de ministro e advogado-geral se justifica.

Mas ela é atrapalhada. Ela fala mal. E ela fala mal, no caso, porque pensa mal. Saiu-se com esta, prestem atenção: “No meu governo, não precisa do ministro da Justiça só, ou do Adams. A presidente defenderá (a Petrobrás). Eu acho extremamente equivocado colocar a maior empresa de petróleo da América Latina, sempre durante a eleição, como arma política. Gente, que maluquice! Veja bem, ó: a Graça Foster e a diretoria inteira da Petrobrás representam a União. É de todo interesse da União defender a Petrobrás, a diretoria da Petrobrás. Nada tem de estranho esse fato. Pelo contrário, é dever do ministro da Justiça, de qualquer ministro do governo, defender a Petrobrás”.

Está tudo errado! Quem disse que a Petrobras está sob ataque? Isso é uma piada. A rigor, durante quase dois anos, só eu dava bola para a questão de Pasadena. Quem emprestou nova urgência ao escândalo foi certa Dilma Rousseff, ao sugerir que, quando presidente do Conselho, fora enganada por Nestor Cerveró — que também está sendo treinado pela Petrobras. Depois se descobriu que a presidente da República dera o emprego de diretor financeiro da BR Distribuidora a um homem que ela julgava o culpado pelo imbróglio que resultou na compra da refinaria.

Dilma também resolveu atuar como advogada de Graça em outra questão. Referindo-se ao fato de que a presidente da Petrobras transferiu bens para parentes, afirmou: “A presidente Graça Foster respondeu perfeitamente sobre a questão de seus bens em uma nota oficial. Eu repudio completamente a tentativa de fazer com que a Graça Foster se torne uma pessoa que não possa exercer a presidência da Petrobrás”. Vênia máxima, Graça não explicou coisa nenhuma até agora. Explicou o quê? As apurações sobre Pasadena estavam em curso, e ela transferiu bens. E ponto.

A presidente-candidata disse, então, como viram, que a Petrobras não pode ser usada para disputa eleitoral, certo? Ocorre que ela é também candidata-presidente. E aí saiu-se com esta, referindo-se a dois episódios ocorridos na Petrobras durante o governo FHC: “Eu me pergunto por que ninguém investigou com tanto denodo o afundamento da maior plataforma de petróleo, que custava US$ 1,5 bilhão a preços atuais. Por que, apesar de estar em ação popular, ninguém investiga a troca de ativos feita com a Repsol?”.

Vamos ver. Ela foi a todo-poderosa ministra das Minas e Energia. Depois, foi ministra-chefe da Casa Civil e czarina do setor energético. Presidiu o Conselho de Administração da Petrobras. É hoje presidente da República, apesar da retórica palanqueira. Então, em todos esses cargos, ela soube de malfeitos havidos na Petrobras e não tomou nenhuma providência? Estamos diante de um caso de prevaricação?

É um absurdo que uma presidente da República, ainda que candidata, se comporte como juíza de absolvição de pessoas cujos atos estão ainda sob investigação — só porque são suas aliadas — e como juíza de condenação de pessoas que nem mesmo estão sendo investigadas só porque são suas adversárias.

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TRE-PE libera uso da imagem de Campos por adversários do PSB; é o certo! O resto é censura obtusa

Parece só uma bobagenzinha, mas não é. Um liminar da Justiça Eleitoral de Pernambuco proibia que coligações que se opõem ao PSB usassem a imagem de Eduardo Campos. É claro que era uma censura inaceitável, estúpida. Sobretudo porque todas elas elogiavam a atuação do ex-governador.

“Ah, mas é tirar uma casquinha da morte do adversário!” É mesmo? Por acaso, os aliados de Campos também não fizeram exploração político-eleitoreira de sua morte? Atenção! Deveria ser livre o uso da imagem ainda que fosse para criticá-lo, ora bolas!

A propósito: houve ou não dinheiro público para organizar o velório de Campos? Aquela faixa, com a frase “Não vamos desistir do Brasil”, estendida num carro do Corpo de Bombeiros, era ou não campanha político-eleitoral? A resposta é “sim”. E que se note: nem estou dizendo que o Estado deveria se eximir de organizar o seu velório. Acho legítimo que se tenha feito uma solenidade oficial. Afinal, a sua figura e a sua morte transcendem a vida privada.

Por isso mesmo, é absolutamente ridículo — e autoritário — que se proíba a referência a seu nome, por aliados ou por adversários. O homem que teve seu velório organizado pelo Estado não era propriedade privada do PSB ou da família Campos.

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Marina diz que, eleita, só governará por 4 anos

Até a semana passada, Marina Silva era vice de um presidenciável estacionado abaixo dos 10% nas pesquisas de opinião. Decorridos oito dias da morte de Eduardo Campos, ela reuniu os presidentes de cinco partidos de sua coligação. Esboçou a estratégia que adotará para passar ao segundo turno e vencer a eleição. Disse que busca uma aliança com a sociedade, não com as forças políticas tradicionais. Informou que, se prevalecer, governará o Brasil apenas por quatro anos. Não há hipótese de concorrer à reeleição, realçou.

O encontro ocorreu nesta quinta-feira (21), em Brasília. Compareceram representantes do PSB, PPS, PPL, PHS e PRP. O PSL, que hesita em permanecer na coligação, não deu as caras. A conversa foi franca. A certa altura, o deputado Roberto Freire, que preside o PPS, disse que um dos objetivos da coligação, que era o de levar a eleição para o segundo round, já foi alcançado. Acrescentou que, diante da chance real de Marina medir forças com Dilma Rousseff, era preciso começar a considerar a necessidade de costurar alianças futuras.

Marina evocou a sucessão de 2010, quando obteve quase 20 milhões de votos cavalgando apenas a estrutura do PV. Freire ponderou que, a despeito do desempenho surpreendente, Marina não disputava com chances reais de êxito. Agora é diferente, ele disse. A hipótese de chegar ao Planalto deixou de ser um sonho. E as alianças já não têm utilidade apenas eleitoral. Acha que Marina precisa equipar-se para governar o país. Disse acreditar que é possível negociar acordos sob as regras da política tradicional sem trair princípios caros à candidata.

Conforme relatos de participantes do encontro, Marina mencionou o descrédito da velha política junto à opinião pública. E insistiu: a aliança que importa no momento é com a sociedade, não com os partidos. Levado à reunião por Roberto Amaral, presidente do PSB, o deputado “socialista” Márcio França, candidato a vice na chapa de Geraldo Alckmin, afirmou que Marina não precisa escalar o palanque do governador tucano. Mas disse que, num segundo turno, um entendimento com Alckmin, principal liderança de São Paulo, seria incontornável. Marina silenciou.

Minutos antes, Marina dissera que “o doutor Márcio França” pronunciara a melhor frase sobre o comportamento a ser adotado por ela depois de ter substituído Eduardo Campos na cabeça da chapa da coligação comandada pelo PSB. Ecoando França, Marina disse que não irá a nenhum lugar que já não iria antes. Ou seja: nos Estados, só fará campanha ao lado de políticos com os quais esteja afinada. Alguns dos presentes enxergaram nas entrelinhas de declarações feitas por Marina no encontro espaço para uma evolução das posições políticas da candidata.

Por exemplo: Marina declarou que a morte de Eduardo Campos deixara lições. Um de seus legados foi a mobilização do povo para ideais positivos. Algo que ela pretende honrar e potencializar. Acrescentou que, constrangidos, os representantes da velha política não compareceram ao velório do ex-companheiro de chapa. Vivo, Campos dizia que mandaria para a oposição as “raposas da política”. Citava expressamente os peemedebistas Renan Calherios e José Sarney, que não estiveram no seu entrerro.

Num esforço de interpretação, alguns dos participantes da conversa concluíram que Marina deixou subentendido que exclui do rol das lideranças arcaicas os personagens que foram ao funeral. Entre eles os tucanos Geraldo Alckmin, José Serra e Aécio Neves, além do petista Lula. De resto, Marina repetiu durante a conversa algo que já dissera sob holofotes. Acha possível governar o país com os melhores quadros partidários, inclusive os do PT e do PSDB. Mesmo no PMDB há pessoas valorosas, ela afirmou, aparentemente referindo-se a gente como Pedro Simon e Jarbas Vasconcelos.

Marina disse mais: chegando à Presidência, não pretende ser uma mera gerente. A Dilma é uma gerente, afirmou, e veja no que deu. Entregará o país pior do que recebeu, declarou, ecoando uma das frases preferidas de Eduardo Campos. Na sequência, Marina insinuou que, eleita, buscará inspiração em três personagens. O Itamar Franco, sob cuja presidência o Plano Real foi concebido, não era um gerente, afirmou. O Fernando Henrique Cardoso também não era um gerente, acrescentou. O Lula tampouco foi um mero gerente, finalizou.

Como que decidida a demonstrar que não tem aversão gratuita pelo tucanato, Marina recordou que, na sucessão de 2010, reconheceu a importância histórica do “professor Fernando Henrique” num momento em que até o PSDB o ignorava. As observações da candidata deixaram uma impressão positiva nos seus interlocutores. Restou a sensação de que a “nova política” de Marina não resultaria num governo sectário, avesso a composições.

A reunião ocorreu contra um pano de fundo envenenado. Secretário-geral do PSB, Carlos Siqueira deixou o recinto para informar, sob refletores, que rompeu com Marina. Alegou que a substituta de Eduardo Campos fora grosseira com ele na véspera. Criticou-a asperamente por querer “mandar no partido” que a hospedou. E anunciou que decidira deixar a coordenação-geral da campanha.

Respirava-se na sede brasiliense do PSB um ar pesado. Que foi sendo dissolvido ao longo do dia num caldeirão que misturava dados de pesquisa interna feita pelo partido e notícias sobre as reações dos comitês rivais de Dilma e Aécio. Sondagem telefônica nacional encomendada pelo PSB informou: 1) Marina já estaria empatada com Dilma no primeiro turno; 2) Aécio definha. Levantamentos análogos feitos pelo petismo e pelo tucanato também já teriam detectado a súbita conversão de Marina em fenômeno eleitoral.

À tarde, o deputado Beto Albuquerque, vice na chapa de Marina, negou que a candidata tivesse tratado o correligionário Carlos Siqueira desrespeitosamente. E informou que se oferecera para exercer a coordenação-geral da campanha temporariamente, até que o PSB encontrasse um substituto para Siqueira. Nem precisou. À noite, Roberto Amaral, o presidente da legenda, informou por meio de nota oficial que a deputada Luiza Erundina, por quem Marina tem grande apreço, será a nova coordenadora.

Antes da divulgação da nota, Roberto Amaral, Márcio França e o próprio Carlos Siqueira tropeçaram casualmente em Marina no aeroporto de Brasília. Todos voariam para São Paulo. Por coincidência, no mesmo avião. Siqueira tomou distância. Amaral e França trocaram um dedo de prosa com a candidata. No interior do avião, dispersaram-se —Marina sentou-se no fundão. A troica do PSB ficou mais à frente.

A candidata foi festejada por eleitores em todos os estágios da viagem —antes do embarque, dentro da aeronave e no desembarque. A disposição do PSB para a briga diminui na proporção direta do crescimento do prestígio de Marina.

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Pós-sal!



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PT vê Marina como favorita para disputar 2º turno com Dilma
Vera Rosa e Tânia Monteiro, Estadão

O comando da campanha de Dilma Rousseff avalia que a candidata do PSB à presidência, Marina Silva, será a principal adversária do PT daqui para a frente e já prepara uma ofensiva com "mais Lula" para enfrentá-la. Se antes havia uma preocupação com a presença exagerada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha, a cúpula do PT diz agora que a associação da imagem dele com Dilma será fundamental, principalmente no Nordeste.

As últimas pesquisas que chegaram ao Planalto mostram que Marina ultrapassou o candidato do PSDB, Aécio Neves, e está agora em segundo lugar, com diferença maior que a margem de erro dos levantamentos. Os números foram discutidos na noite de quarta-feira, 20, durante reunião de coordenação da campanha petista com Dilma e com Lula, no Palácio da Alvorada.

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Erundina assume coordenação da campanha do PSB
Catarina Alencastro e Carina Bacelar, O Globo

Um dia depois de lançar Marina Silva como candidata à Presidência no lugar de Eduardo Campos, morto tragicamente na semana passada, o PSB teve seu primeiro problema com a nova configuração da nova chapa, que tem o deputado socialista Beto Albuquerque como vice de Marina. O coordenador geral da campanha, Carlos Siqueira, primeiro-secretário do PSB, resolveu deixar o posto por divergências com a Rede, de Marina.

À noite, o PSB divulgou nota oficial informando que Luiza Erundina assumirá seu lugar. "O Presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro, Roberto Amaral, designou a deputada Luiza Erundina (SP) para coordenar a campanha da Coligação "Unidos Pelo Brasil". Luiza Erundina substitui Carlos Siqueira na coordenação geral da campanha", diz o cumunicado.

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Número de ministérios polariza a disputa presidencial no Brasil
Marina Rossi, El País

Quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) terminou seu segundo mandato, em 2002, o governo brasileiro era composto por 24 ministérios. Hoje, 12 anos depois, são 39. A gestão Lula-Dilma criou 15 novas pastas em pouco mais de uma década. A justificativa era valorizar assuntos que ficavam em segundo plano e dar-lhes caráter estratégico.

Era o caso do Ministério da Pesca, criado em 2009, que se justificaria pelo fato de o país ter 8.000 quilômetros de costa marítima. Ou a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, criada pela presidenta Dilma Rousseff (PT), há dois anos. O novo órgão tem status ministerial e teria a função de valorizar os pequenos negócios.

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Sudeste pode 'aprender com Nordeste a lidar com seca'
Rafael Barifouse, BBC Brasil

O presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, disse em entrevista à BBC Brasil que a atual crise hídrica em São Paulo e em outras cidades do Sudeste é uma "oportunidade" para esta região do país, que deveria se inspirar no exemplo do Nordeste para enfrentar o problema.

Segundo Braga, daqui em diante, o uso mais eficiente da água e o preparo para enfrentar períodos de estiagem se tornarão uma prioridade, assim como houve uma busca por eficiência energética e medidas capazes de evitar a falta de energia elétrica após os apagões do início da década passada.

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Geração de empregos em julho é a menor para o mês em 15 anos
Estadão

Apesar da taxa de desemprego registrada no País estar na mínima histórica, a geração de empregos continua a dar sinais de fraqueza. Em julho, entre contratações e demissões, foram criadas 11.796 vagas de trabalho formal, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O resultado representa a menor geração de empregos para o mês de julho desde 1999, quando junho registrou a criação de 8.057 postos. O ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Manoel Dias, comentou que a geração de empregos "chegou ao fundo do poço" em julho e que a partir de agosto os números serão melhores.

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Juiz americano diz que plano da Argentina para dívida é ilegal
Alejandro Rebossio, El País

A troca da dívida que a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, quer realizar para evadir o bloqueio judicial dos EUA contra o pagamento do passivo reestruturado em 2005 e 2010 foi qualificado como “ilegal” pelo juiz de Nova York responsável pelo caso. No entanto, o juiz Thomas Griesa evitou declarar o país sul-americano em desacato, o que teria implicado a imposição de sanções econômicas.

Griesa é o juiz que determinou no último dia 30 de julho que a Argentina não poderia fazer o pagamento aos credores da dívida reestruturada nos EUA e na Europa porque não tinha saldado a reclamação dos fundos abutres e outros investidores que tinham rechaçado a reestruturação. O próprio juiz havia ameaçado no último dia 1º que poderia declarar a Argentina em desacato.

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Estudantes chilenos protestam exigindo reformas na educação
G1

Milhares de estudantes encheram as ruas da capital chilena, Santiago, em uma passeata para lembrar a presidente Michelle Bachelet de que a paciência deles para esperar as prometidas reformas na educação está se esgotando. Houve confrontos violentos entre manifestantes e policiais, embora a maior parte do protesto tenha sido pacífico.

As autoridades estimaram que 25 mil pessoas participaram, enquanto líderes estudantis falaram em 80 mil presentes. Manifestações menores também aconteceram em cidades de todo o país. Os estudantes pedem uma participação mais ativa e clareza nas reformas educacionais que o governo de centro-esquerda tenta aprovar no Congresso.

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Morte de líderes pode forçar Hamas a abrandar exigências
Daniela Kresch, O Globo

A morte de três dos principais comandantes do braço armado do Hamas, num ataque aéreo cirúrgico israelense, pode mudar os rumos do conflito entre Israel e o grupo islâmico da Faixa de Gaza, que começou no dia 8 de julho e continua depois de negociações de cessar-fogo fracassadas no Egito.

A perda, um baque moral e executivo para o grupo — assim como a tentativa de assassinato do líder das Brigadas Izzedine al-Qassam, Mohammed Deif, 24 horas antes — pode aumentar a pressão para que o Hamas aceite um cessar-fogo duradouro menos vantajoso com Israel.

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EUA reforçam os ataques contra os jihadistas no norte do Iraque
Ángeles Espinosa, El País

Os Estados Unidos continuam com os ataques aéreos contra o Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque, apesar de o grupo ter ameaçado matar um segundo cidadão americano. A Força Aérea norte-americana, que na quinta-feira voltou a bombardear os arredores da represa de Mossul, permitiu que as forças curdas (peshmerga) recuperasse a vantagem e abriu o debate sobre a possibilidade de estender as operações a outras partes do país.

“Estão sendo muito eficientes. Destroem alvos com precisão, o que abala a moral do EI e eleva a dos peshmerga”, disse o ministro curdo das forças de defesa, Mustafa Said Qadir.


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Blog do Noblat

Após Marina assumir, coordenador de Campos deixa campanha do PSB
Catarina Alencastro e Carina Bacelar, O Globo

Um dia depois de lançar Marina Silva como candidata à presidência no lugar de Eduardo Campos, morto tragicamente na semana passada, o PSB teve seu primeiro problema com a nova configuração da nova chapa, que tem o deputado socialista Beto Albuquerque como vice de Marina. O coordenador geral da campanha, Carlos Siqueira, resolveu deixar o posto por divergências com a Rede, de Marina. A saída teria sido provocada pela nomeação de Walter Feldman (PSB), aliado de Marina na Rede, como coordenador adjunto da campanha.

Carlos Siqueira, militante histórico do PSB e secretário-geral do partido, chegou no fim da manhã desta quinta-feira à sede do PSB e explicou sua decisão de abandonar a campanha de Marina. Segundo ele, com a morte de Eduardo, a nova candidata deve escolher alguém de sua confiança.

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Marina Silva demite o coordenador e o tesoureiro da campanha de Eduardo Campos e toma o PSB de assalto.

Carlos Siqueira, secretário-geral do PSB e coordenador da campanha de Eduardo Campos, disse à Folha nesta quinta-feira (21) que não seguirá na função ao lado de Marina Silva. "Pela maneira grosseira como ela me tratou. Eu havia anunciado que minha função estava encerrada com a morte do meu amigo. Na reunião [de quarta-feira (20)] ela foi muito deselegante comigo. Eu disse que não aceitaria aquilo e afirmei: 'a senhora está cortada das minhas relações pessoais", disse Siqueira à Folha.

O rompimento de Siqueira, militante histórico do partido, revela o quão difícil será a nova realidade eleitoral para o PSB. "Não houve engano nenhum. Não estou e não estarei em hipótese alguma na campanha desta senhora", completou. Carlos Siqueira não quis contar detalhes da reunião.

Segundo a Folha apurou, entretanto, Marina chegou a dizer a ele que não precisaria mais se preocupar com a coordenação da campanha. Ele reagiu prontamente pela forma dita. "Se ela comete uma deselegância no dia em que está sendo anunciada candidata, imagine no resto. Com ela não quero conversa", disse.

Durante reunião nesta quarta, que durou cerca de seis horas em Brasília, Marina colocou o deputado Walter Feldman na coordenação-geral da campanha ao lado de Carlos Siqueira. Bazileu Margarido, que estava na vaga que agora é de Feldman, foi nomeado titular do comitê financeiro. Henrique Costa, então tesoureiro, passou a ser o adjunto.

O PSB superou divergências internas para lançar a ex-senadora como candidata. Nesta quarta (20), sua candidatura foi oficializada. Marina se comprometeu a manter os acordos regionais fechados por Campos, mas reafirmou que não irá subir em palanques como os de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, em que o PSB apoia candidatos do PSDB. A ex-senadora foi contrária a várias alianças locais e comunicou que vai manter sua posição.

O presidente do PSB, Roberto Amaral, já disse que Marina não precisará permanecer no partido caso seja eleita. Ela organiza a criação de um novo partido, a Rede Sustentabilidade.(Folha de São Paulo)

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O PSDB no divã

                Marina Silva (PSB) está arrebatando os votos da juventude e dos setores médios, que antes estavam com Aécio Neves. O desempenho do governo Dilma melhora a cada pesquisa. Para enfrentar essas dores de cabeça, o PSDB convocou reunião de emergência para ontem à noite em São Paulo. O temor é com o risco de Aécio deixar de ser o veículo do voto de oposição nas cidades grandes e médias.

A estratégia para deter a sangria
Foram convocados para a reunião reservada o ex-presidente Fernando Henrique, o governador Geraldo Alckmin, o prefeito ACM Neto, o vice Aloysio Nunes Ferreira, o ex-governador José Serra e o presidente do DEM, José Agripino. Os tucanos tentam manter a tranquilidade, mas admitem que vivem momentos difíceis. Torcem para que a largada de Marina e a melhora de Dilma não sejam consistentes. E já temem o efeito da diferença “brutal” do tempo na TV em favor da presidente. Há um risco de Aécio desidratar nos grandes centros. Em 2010, Marina venceu em Belo Horizonte e Brasília. E chegou em segundo no Rio de Janeiro, em Salvador, Recife e Fortaleza.

“No Brasil já vimos o surgimento de ondas. O que começa como marola pode terminar num tsunami”

Um dirigente político da oposição
Sobre a mudança do quadro eleitoral com a candidatura de Marina Silva à Presidência

Nuvem passageira
Os marineiros estão exultantes. Há trackings circulando no mercado em que ela está cinco pontos percentuais à frente de Aécio Neves no país. Em Minas, as intenções de voto em Marina Silva triplicaram em relação a Eduardo Campos.

Lula tem medo
Na TV, o ex-presidente Lula resgatou o discurso do “eu tenho medo”. Ele é de 2002, e teve como intérprete a atriz Regina Duarte, ao pedir votos para o tucano José Serra. Agora, Lula diz que seu segundo mandato foi melhor e que o de Dilma também será. E adverte: “Eu pergunto a você: já imaginou o prejuízo? Se um outro qualquer tivesse chegado querendo inventar a roda e parado quase tudo?”.

Nem tudo são flores
O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), não engoliu o ex-presidente Lula pedir votos na TV para seu adversário, o petista Lindbergh Farias. Irritado, protestou na direção do PT e da campanha da presidente Dilma.

O candidato do mensalão
Em seu programa na TV, o senador Delcídio Amaral (MS), candidato ao governo, enalteceu o fato de ter sido o presidente da CPMI dos Correios e a qualificou como “a mais importante da história do Brasil”. Lembra que foi o primeiro passo para o julgamento do mensalão, que levou à cadeia José Dirceu, Delúbio Soares e Genoino.

Cartão vermelho
O candidato anterior do PSB, Eduardo Campos, anunciou que não governaria com Collor, Sarney e Renan. Sua sucessora, Marina Silva, na mesma trilha, manda avisar que não fará campanha ao lado de Alckmin, Beto Richa e Paulo Bauer.

Marca registrada
A campanha de Olívio Dutra (RS) ao Senado publicou em seu site um bigode para download. O eleitor pode baixar o arquivo e fazer montagens nas redes sociais. Os bigodes postiços viraram febre nas eleições para governador em 1998.

O deputado tucano Otávio Leite quer que Aécio Neves intensifique sua campanha no Rio. Marina Silva (PSB) tem grande força eleitoral na capital.

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Rede na cabeça

Marina Silva está acreditando que já é um fenômeno eleitoral e dispensa apoios de indesejáveis. Segue assim o caminho que Eduardo Campos decidira trilhar, só que ele escolheu a dedo os seus indesejáveis: Renan Calheiros, José Sarney, Fernando Collor. Marina adicionou à lista o PSDB e o PT, firmando assim uma imagem de terceira via pela confrontação, e não pela negociação.

Se abre mão antecipadamente do PMDB - que Campos queria colocar na oposição a seu governo - mas também PT e PSDB, com quem Marina irá governar? A decisão de Marina Silva de recusar o apoio do PSDB de São Paulo mesmo com a aliança feita pelo PSB sob comando de Eduardo Campos, mostra bem o rumo que sua candidatura tomará.

Se anteriormente não faria muita diferença que ela não aparecesse em comícios ou reuniões da coligação pois Campos apareceria, agora sua ausência é uma afronta política a um governador que deve se eleger no primeiro turno no maior colégio eleitoral do país. E a recusa a apoiar Lindbergh Farias do PT no Rio fecha a porta também ao partido que está no governo, marcando uma posição firme de alternativa "a tudo o que está aí".

Só mesmo sendo um fenômeno eleitoral para afrontar tantos interesses políticos já arraigados e abrir mão antecipadamente de apoios no segundo turno, que, se alcançado, requererá um apoio político para vencer a presidente Dilma. Isso na teoria, no raciocínio da "velha política", que Marina e seus eleitores indignados rejeitam.

Mas serão eles maioria no eleitorado para dar essa independência toda? E, mesmo que se concretize sua vitória, com quem governará Marina? Temos exemplos recentes que ilustram bem essa necessidade de alianças para um governo de coalizão. Em 1989, fazendo uma campanha puramente midiática e apoiado por um clamor popular, o candidato Fernando Collor foi arrastando atrás de si apoios de tudo quanto é grupo político, mesmo aqueles que não gostavam, dele mas queriam estar próximos do poder.

Collor, com a força de sua popularidade, levou de roldão os problemas de campanha, fez acordos por baixo dos panos até mesmo com os usineiros que fingia combater em público, e chegou ao Palácio do Planalto com rara independência de grupos políticos. Não conseguiu governar da mesma maneira que fizera a campanha, e acabou impichado com a ajuda de um clamor popular mais forte do que o que o levara ao poder.

Sem apoio político e com acusações de corrupção em vários setores do governo, não teve condições de continuar no governo. Anos depois, Fernando Henrique Cardoso, o então ministro da Fazenda de Itamar Franco - que assumira a presidência da República por ser vice de Collor - surpreendeu a todos ao anunciar uma aliança política com o PFL, partido de centro-direita que tinha grande representação no Congresso.

Mesmo com a força do Plano Real, que o elegeria sem a necessidade de acordos, Fernando Henrique sabia que não poderia governar se não tivesse uma base política sólida. Ainda mais para fazer as reformas estruturais que pretendia. Marina está escolhendo o caminho mais áspero, que pode até mesmo levá-la a uma derrota ainda na eleição que ela começa a disputar a partir de hoje, referendada como a candidata do PSB.

Na verdade, é a candidata da Rede que está assumindo o posto e dando as cartas na coligação que passa a existir de fato mesmo sem o registro oficial do partido de Marina. Ao não abrir mão de continuar criando seu partido mesmo se for eleita como candidata do PSB, Marina já deixou claro que seu projeto não mudou, e que o PSB continua sendo apenas um pouso provisório.

Mudou toda a construção da candidatura, e todo esse tempo ao lado de Eduardo Campos não serviu para que PSB e Rede firmassem acordos mínimos de convivência. O vice Beto Albuquerque vai ter o papel de algodão entre cristais, e já será um vitorioso se conseguir evitar muitas perdas ao longo da campanha. Essas idiossincrasias de Marina serão toleradas enquanto sua expectativa de poder persistir.

Se o "fenômeno" Marina se confirmar, teremos no Palácio do Planalto uma presidente voluntarista acostumada a impor sua vontade. Se as dificuldades de crescimento de sua candidatura aparecerem pelo meio do caminho, dificilmente a parceria Rede-PSB resistirá às crises políticas que virão.


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Blog do Josias

Aliado de Dilma, Henrique recebe Aécio no RN

O presidenciável tucano Aécio Neves retoma nesta quinta-feira (21) o roteiro nordestino que a morte de Eduardo Campos o obrigou a interromper há oito dias. Desembarca no Rio Grande do Norte às 12h45. Será recepcionado no aeroporto pelo presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, um aliado de Dilma Rousseff que concorre ao governo potiguar pelo PMDB.

“Vou recebê-lo por hospitalidade”, disse Henrique ao repórter. “Sou amigo do Aécio. Fui ao aeroporto na semana passada, mas ele retornou para São Paulo quando soube da morte de Eduardo Campos.” O deputado afirmou que seu gesto não deve ser confundido com apoio ao presidenciável do PSDB.

No plano federal, disse Henrique, sua candidata é Dilma Rousseff, que tem como vice o amigo e correligionário Michel Temer. “Vou receber Aécio por respeito e agradecimento. Ele me apoia aqui no Rio Grande do Norte, vai pedir votos para mim aqui no Estado. O PSDB integra a minha coligação. O DEM, do Agripino Maia [coordenador da campanha de Aécio] também me apoia.”

Participam também a megacoligação de Henrique Alves outros dois partidos que concorrem ao Planalto: PSB e PSC. “Eduardo Campos esteve aqui, numa caminhada. E pediu votos para mim e para a Wilma Faria [candidata do PSB ao Senado]. O Pastor Everaldo também me apoia, o partido dele está comigo.”

Favorito nas pesquisas, Henrique enxerga na multiplicidade de apoios uma grande vantagem para o Rio Grande do Norte. “Isso mostra que teremos espaço no governo federal seja qual for o resultado da eleição”, afirma. Válido até a semana passada, o raciocínio já não se aplica ao PSB. Substituta de Eduardo Campos na sucessão, Marina Silva inclui o palanque de Henrique Alves entre os que ela não tem a mais remota intenção de frequentar.

Com Aécio, a integração será maior. Agripino Maia afirma que, no Rio Grande do Norte, a imagem de Henrique Alves será impressa ao lado da de Aécio no material de campanha dos candidatos a deputado que integram a aliança nacional encabeçada pelo PSDB. O presidente da Câmara não se importa: “Ninguém tem dúvida sobre minha posição. Peço votos para Dilma e Michel. Mas se outros me apoiam só tenho que agradecer. Apoio não se rejeita.”

No final da tarde, Aécio voará para a Paraíba. Ao lado do senador tucano Cássio Cunha Lima, que disputa o governo paraibano, ele fará dois comícios noturnos —um na cidade de Patos e outra no município de Pombal. No sábado, estará em Salvador, onde planeja divulgar o seu plano de governo para o Nordeste.

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Dilma leva à propaganda cão herdado de Dirceu

Em junho de 2005, cerca de 50 horas depois de Roberto Jefferson ter dito “rápido, sai daí rápido, Zé”, José Dirceu deixou a Casa Civil da Presidência, para defender-se da acusação de chefiar o esquema do mensalão. Assumiu a vaga Dilma Rousseff, chamada por ele na cerimônia de posse de “camarada de armas e companheira de luta''. Além do cargo, Dilma herdou de Dirceu uma residência oficial na Península dos Ministros, à beira do Lago Paranoá, e um cão chamado Nêgo, da raça labrador.

Sérgio Lima/FolhaAté 2010, Nêgo costumava ser visto em passeios matinais com a nova dona, na orla do lago (veja ao lado). Desde que Dilma se mudou para o Alvorada, em janeiro de 2011, o labrador andava sumido. Na última segunda-feira, Nêgo reapareceu em grande estilo. Fez uma ‘ponta’, em rede nacional, na primeira propaganda da campanha reeleitoral de sua dona.

Mais gordo, Nêgo foi levado ao ar no trecho em que o marqueteiro João Santana tentou suavizar a imagem de durona da candidata. Apresentou-a como mulher que “tenta aproveitar qualquer tempinho que resta para ter uma vida normal, como qualquer pessoa.” Essa Dilma de videoclipe “lê e escreve muito.”

A presidenta também “gosta de cozinhar”. Aparece na propaganda picando legumes e manuseando uma travessa de macarrão. Faz isso com muito garbo, elegantemente vestida, sem avental, no melhor estilo Ana Maria Braga. Súbito, a locutora informa que Dilma aprecia “tratar do jardim” do Alvorada, de dimensões amazônicas.

Foi nesse ponto que Nêgo fez sua rápida aparição, caminhando ao lado de Dilma na área externa do palácio residencial, que a “camarada de armas” do seu ex-dono “cuida como qualquer dona de casa.” Ao lado de um tronco de árvore, uma Dilma serena ensina, em mineirês: “Ocê não pode se abater por uma dificuldade. Todo dia ocê tem de matar um leão. E, de uma certa forma, subir e descer o Evesrest. Todo dia…”

Para tranquilidade do labrador, quem morre no adágio popular evocado por Dilma é o leão. Se o talento de João Santana conseguir reduzir a taxa de rejeição da inquilina do Alvorada e elevar o índice de aprovação do governo dela, Nêgo usufruirá da hospedagem palaciana por mais quatro anos. O ex-dono não teve tanta sorte.

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França prefere imagem de Campos à de Marina

A morte de Eduardo Campos não alterou os planos de Marina Silva de guardar distância dos palanques nos Estados em que o PSB se coligou com o PSDB. Candidato a vice-governador de São Paulo na chapa tucana de Geraldo Alckmin, o deputado Márcio França resolveu dar de ombros.

“Eu acho que ela tem que seguir o caminho dela. Foi esse comportamento que a fez chegar até aqui, na frente.” Segundo o Datafolha, Marina (21%) está empatada tecnicamente com Aécio Neves (20%). Num eventual segundo turno, ela amealharia 47% das intenções de voto, contra 43% atribuídos a Dilma.

Num instante em que seus correligionários reivindicam que Marina a revogue o veto ao uso de sua imagem no material de campanha, Márcio França opina: “Se eu tivesse que escolher, eu gostaria de continuar usando a imagem do Eduardo. Eu acho que, neste instante, é a imagem mais forte. Eu continuaria usando a imagem dele porque me sinto apto.''

O que o deputado disse, com outras palavas, foi o seguinte: Marina Silva é candidata da Rede, não do PSB. Se ela acha que o ideal para certos palanques é a ausência de corpo, a melhor resposta, por ora, é a presença de espírito.

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Defeito irreparável!



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PSB confirma candidatura de Marina Silva à Presidência
Gabriel Garcia

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) confirmou nessa quarta-feira (20) a ex-senadora Marina Silva como candidata a presidente da República. O deputado Beto Albuquerque (RS) foi definido como o vice de Marina.

Ministra do Meio Ambiente no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Marina substitui Eduardo Campos, que morreu na quarta-feira (13) passada após o seu avião de campanha cair na cidade de Santos, em São Paulo. Até agora candidato ao Senado pelo Rio Grande do Sul, Beto entra no lugar que vinha sendo ocupado por Marina.

A morte de Eduardo mexeu completamente com o cenário eleitoral para presidente. Pouco conhecido da população até o trágico acidente, Eduardo não tinha rompido a casa dos 10% nas pesquisas de intenção de votos.

Com o ex-governador de Pernambuco na disputa, pairava a incerteza sobre se haveria ou não o segundo turno. Marina praticamente sacramenta o segundo turno. Foi o que revelou na segunda-feira (18) a primeira pesquisa com a ex-senadora, realizada pelo Datafolha.

Marina tem 21% das intenções de voto. Ela é seguida pelo candidato Aécio Neves (PSDB), com 20%. Aécio era o segundo colocado quando Eduardo era o candidato socialista. Agora, está tecnicamente empatado com Marina, com um ponto de vantagem para a ex-ministra. A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, tem 36% das intenções de voto.

Marina Silva tentou criar o Rede Sustentabilidade. O partido foi barrado em outubro do ano passado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Pela Rede, a ex-senadora pretendia concorrer novamente à eleição presidencial. Em 2010, ela concorreu pela primeira vez a tal cargo. Amealhou 20 milhões de votos.

Convidada por Eduardo, Marina e seus aliados migraram para o PSB. Os dois se aproximaram bastante nos últimos dez meses. Marina agora tem a missão de levar adiante o legado de Eduardo.

Com a nova chapa, há mudança na equipe de campanha. A coordenação geral ficará com Siqueira Campos e o deputado federal Walter Feldman (SP), fiel escudeira de Marina e um dos fundadores da Rede.

Na coordenação do programa de governo, foram escolhidos Maurício Rands e Neca Setúbal. Rands já ocupava tal cargo na campanha de Eduardo.

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Conselho de Ética da Câmara aprova cassação de André Vargas
Gabriel Castro, Veja

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados aprovou, por onze votos a zero, o parecer que pede a cassação do deputado André Vargas (sem partido-PR). A decisão foi tomada ontem. O petista foi flagrado pela Polícia Federal em conversas com o doleiro Alberto Youssef, operador de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro desbaratado pela Operação Lava Jato.

Agora, o caso segue para o plenário da Câmara, onde o processo de cassação será analisado com voto aberto. Antes disso, a defesa de Vargas pode recorrer à Comissão de Constituição e Justiça para apontar alguma falha regimental ou constitucional no processo. O prazo é de cinco dias úteis a partir desta quinta. Mas é improvável que os defensores de Vargas tenham sucesso

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Aécio diz que 'é necessário' corrigir tabela de preços do SUS
Amanda Previdelli, G1

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, disse que é "necessário" corrigir a tabela de preços do SUS, que é usada para definir valores de referência que o governo usa para pagar as instituições por procedimentos realizados no Sistema Único de Saúde. O candidato afirmou que a correção tem que ser feita de maneira "progressiva".

"É necessário que ela seja corrigida [tabela de preços do SUS]. Você não vai corrigir toda a desfasagem do dia para noite, mas a partir do momento que você tenha prioridades claras na saúde e, no nosso governo será uma prioridade, é possível, sim [fazer a correção]", afirmou Aécio.

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Dilma diz que povo saberá diferenciá-la de Marina Silva
Alexandre Rodrigues, O Globo

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, não quis comentar o que a entrada de Marina Silva (PSB) na disputa presidencial muda em sua estratégia de campanha, já que as pesquisas mostram a ex-vice de Eduardo Campos em empate técnico com Aécio Neves (PSB) e vencendo a presidente num segundo turno.

No entanto, ela disse que o eleitor saberá diferenciá-la de Marina, que também foi ministra do governo do ex-presidente Lula. Logo depois de visitar uma escola técnica do Senai em Belo Horizonte na condição de presidente, Dilma deu uma entrevista como candidata exaltando avanços no país iniciadas no governo Lula.

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TCU volta a adiar análise de bloqueio de bens de Graça Foster
Fábio Amato, G1

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Jorge voltou a retirar de pauta o processo que pode levar ao bloqueio de bens da presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, por participar das decisões sobre a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006.

De acordo com o tribunal, o negócio causou à Petrobras um prejuízo estimado em US$ 792,3 milhões. Jorge disse que o adiamento será por uma semana e, portanto, o processo deve voltar para análise do plenário do TCU na próxima quarta (27).

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Decapitador de americano seria um líder jihadista britânico
O Globo

Em entrevista ao “The Guardian”, um ex-refém estrangeiro do Estado Islâmico identificou o jihadista que decapitou o jornalista americano James Foley como o líder de um grupo de combatentes britânicos que mantém reféns estrangeiros na Síria. Segundo o jornal, a fonte teria passado um ano presa na cidade de Raqqa, onde esteve em contato com grupo de quatro combatentes britânicos, conhecidos como os “Beatles”.

Ele seriam os responsáveis por guardar os reféns de outras nacionalidades. Nesta quarta-feira, autoridades dos Estados Unidos, Inglaterra e Escócia iniciaram uma investigação pela identidade do extremista, o qual aparece no vídeo da morte de Foley, falando inglês com um sotaque britânico e apresenta-se como “John”.

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Netanyahu diz querer diálogo com Autoridade Palestina
O Globo

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira que mudanças dramáticas criaram um “novo horizonte político” no país após o fim do cessar-fogo entre o Hamas e Israel na última terça-feira, e se mostrou esperançoso de que possa iniciar diálogos com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

"Espero que (o presidente da Autoridade Palestina) Mahmoud Abbas tenha um papel importante nesse novo horizonte diplomático. Espero iniciar diálogos com um governo palestino que abandone o caminho do terror", afirmou Netanyahu, durante uma coletiva na sede do Ministério da Defesa, em Tel Aviv.

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Washington intervém em Ferguson após erros das autoridades locais
Marc Bassets, El País

O governo federal dos Estados Unidos se envolveu com força na crise dos distúrbios raciais em Ferguson (Missouri). Os erros das autoridades locais e estatais depois da morte, em 9 de agosto, de um negro desarmado a tiros, dados por um policial branco, levaram o governo Obama a se colocar à frente das investigações e pressionar para que haja uma mudança nas atitudes das forças da ordem contra os afro-americanos.

O promotor-geral Eric Holder, titular do Departamento de Justiça, viajou ontem para a área metropolitana de Saint Louis - a maior cidade vizinha de Ferguson - para se informar pessoalmente sobre as pesquisas dos 40 agentes do FBI e vários promotores especialistas em direitos civis deslocados para a região.

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Venezuela deve adotar sistema digital de controle de compras
Estadão

A Venezuela deve adotar até o fim do ano um sistema biométrico para racionar as vendas de produtos alimentícios em supermercados públicos e privados. O sistema de controle funciona com o cadastramento da cédula de identidade e impressão digital do comprador, evitando que a pessoa compre o mesmo produto mais de uma vez na mesma semana.

Andrés Eloy Méndez, responsável pela fiscalização dos preços, disse, segundo o jornal venezuelano El Universal, que o sistema será implementado até o dia 31 de dezembro. Em abril, o Ministério da Alimentação anunciou que o programa piloto seria adotado na rede pública, mas agora informou que será ampliado para a rede privada.

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Blog do Reinaldo Azevedo

Pronto! Marina enterrou Eduardo Campos. Líder da Rede já jogou no lixo os primeiros compromissos e deu um pé no traseiro do PSB. Quem está surpreso? Ou: de novo, a vespa e a joaninha inocente

O PSB oficializou nesta quarta-feira a candidatura de Marina Silva à Presidência da República, tendo o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS) como vice. Para não variar, tudo está sendo feito de acordo com as exigências de… Marina. O partido que a recebeu já foi transformado em mero hospedeiro. Ela não está nem aí para a legenda que a abrigou. Pois é… Eu sempre disse que seria assim. Vamos ver?

1: Marina disse há quatro dias que acataria os acordos regionais feitos por Eduardo Campos. Isso não vale mais: ela só vai subir em palanques em que todos os partidos pertençam à coligação nacional. Isso exclui São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio.

2: O comando do PSB afirmou que Marina assinaria uma carta de compromisso mantendo os fundamentos do programa que Campos queria para o país. Marina já deixou claro que não assina nada.

3: O PSB tinha o comando da campanha de Eduardo Campos, que estava a cargo de Carlos Siqueira. Marina resolveu dividir a função com o deputado federal marineiro Walter Feldman (SP). Na prática, todo mundo sabe, Siqueira foi destituído.

Vale dizer: Marina está, como sempre, fazendo tudo o que quer, do modo que quer, na hora em que quer. Para alguma melancolia deste escriba, acabo de ouvir na TV uma jornalista a dizer que isso só prova a… “coerência” de Marina. É mesmo, é? Entre a burrice e a desinformação, acuso as duas.

Feldman, agora seu braço-direito, é um portento da “nova política” que Marina diz abraçar. Foi secretário do governador Mário Covas e dos prefeitos José Serra e Gilberto Kassab. Só não se tornou secretário de Saúde do então prefeito Paulo Maluf porque Covas não deixou. Saiu do PSDB atirando contra o governador Alckmin e voltou tempos depois, fazendo uma espécie de mea-culpa. Durou pouco a fidelidade. Ainda como deputado tucano, juntou-se aos marineiros e passou a comandar a resistência a qualquer acordo com o PSDB em São Paulo. Não se trata de uma sequência para depreciá-lo. Trata-se apenas de fatos.

É claro que Feldman vai atuar contra a candidatura de Alckmin à reeleição. Até aí, tudo bem, né? Faça o que quiser. Ocorre que o candidato a vice na chapa do governador é o deputado Márcio França, do PSB, partido ao qual, formalmente ao menos, Marina e seu coordenador pertencem. Aliás, depois de Campos, França era a liderança de maior expressão nacional da legenda, que tem uma grande chance de ocupar um posto político importantíssimo no Estado mais rico do país e com o maior eleitorado.

Se Marina já deixou claro que não vai respeitar os acordos firmados por Campos, ainda que esteja ocupando o seu lugar, por que ela respeitaria o programa do PSB caso se eleja presidente da República? A minha tarefa é fazer a pergunta. A dela é cuidar da resposta.

Olhem aqui. No dia 19 de dezembro de 2013, escrevi um post em que comparava Marina a certa vespa que usa outros insetos, especialmente a joaninha — ainda viva — para depositar seu ovo. A estrovenga é injetada diretamente no abdômen da vítima, que carrega, então, a larva até que uma nova vespa venha à luz. Quando esta nasce, o hospedeiro morre. O nome disso é “parasitoidismo”, que é diferente do parasitismo, que não mata o hospedeiro. Há oito meses, portanto, com Campos ainda vivo, afirmei que era precisamente isso o que Marina faria com o PSB. Como eu sabia? A partir de determinado momento, ela tentou ser um parasistoide do PT, com agenda própria. Foi repelida. Buscou fazer o mesmo com o PV. Foi repelida outra vez — e sua grande votação não levou a um aumento da bancada da legenda. Era o partido do “Eu-Sozinha”. Terminada a eleição, tentou tomar a direção dos Verdes. Não conseguiu e saiu para fundar a Rede. Agora, no caso do PSB, não sei, não, parece que o ovo foi parar no abdômen da legenda.

Ganhe Marina a eleição ou não, tão logo ela migre para a sua Rede, o PSB será menor do que era antes da sua entrada. Na nova legenda, aí sim, ela será, como sempre quis, em sua infinita humildade, Igreja e Estado ao mesmo tempo; rainha e autoridade teológica. E sempre cercada de fanáticos religiosos, com diploma universitário.

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Graça Foster tem de pedir demissão ou de ser demitida

O Tribunal de Contas da União adiou por mais uma semana o exame do caso de Graça Foster. Ela pertencia à diretoria da Petrobras quando se fez a compra da refinaria de Pasadena, e, como é evidente, não existe nenhuma razão para outros diretores da empresa, à época, estarem com seus bens indisponíveis, e ela não. O governo opera freneticamente nos bastidores para evitar que essa decisão seja tomada.

A situação dela piorou bastante. Reportagem publicada pelo Globo (ver post anterior) mostra que tanto Graça como Nestor Cerveró — o então diretor apontado pela própria Dilma Rousseff como o principal responsável pela operação desastrosa — transferiram bens pessoais para familiares em meio ao imbróglio de Pasadena. Qualquer advogado apenas mediano sabia que a apuração do caso poderia resultar em bloqueio de bens, fosse em razão do processo do TCU, fosse em razão de uma ação por improbidade administrativa.

Vou aqui emitir uma opinião que não é nova sobre um assunto que é ainda mais velho. É evidente que Graça Foster perdeu a condição de presidir a maior empresa do país, mormente porque de economia mista, embora seu controle esteja com o estado brasileiro.

Ficou evidente, isto é inquestionável, que Graça fez parte da turma que se organizou para fraudar a legitimidade da CPI da Petrobras no Senado. Sim, a comissão era governista até o osso, mas isso não justifica a conspirata que frauda a própria democracia. A reunião que veio a público, como se sabe, foi realizada na antessala da presidente da Petrobras.

Atenção! Um inquérito da Polícia Federal investiga se Graça prestou informações falsas ao Senado sobre a compra de Pasadena e sobre contratos que a empresa de seu marido mantém com a Petrobras. Um novo inquérito deve ser aberto para apurar a ação organizada para fraudar a CPI. E ela será uma das investigadas.

Resta a pergunta óbvia: alguém nessa situação pode presidir a maior empresa do país? A resposta é “não”. Só o episódio da CPI deveria bastar. Ainda que Graça seja honestíssima no que concerne a enfiar ou não a mão no dinheiro público, resta a máxima: a mulher de César tem de ser honesta e tem de parecer honesta.


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Blog do Noblat

Tudo vai ser resolvido na televisão, porJoaquim Falcão

Agora que a sucessão de Eduardo Campos foi decidida a nível presidencial, Marina e Beto Albuquerque, tudo se volta para a sucessão de Eduardo em Pernambuco. Aquela depende muito desta.

O advogado pernambucano José Henrique Wanderley Filho entrou na justiça eleitoral em nome da família de Eduardo Campos, tentando proibir que Armando Monteiro Neto, candidato do POTB e do PT ao governo, usasse imagens de Eduardo na televisão, na propaganda eleitoral gratuita.

O desembargador eleitoral, José Ivo de Paula Guimarães, recusou, argumentando que não se admite censura prévia. Está certo.

Informar aos eleitores que o candidato a governador de Eduardo é Paulo Câmara do PSB, e não Armando, passou a ser a tarefa crucial do legado de Eduardo. Era esse seu papel na campanha local, até então ressentida da prioridade que ele dava à campanha nacional.

É que embora Armando tenha mais de 40% de intenções de voto, mais de 50% dos seus eleitores acreditam que votando em Armando estariam votando na continuidade de Eduardo. Erro de pessoa. Desfazer o equívoco era a missão principal de Eduardo na televisão. E agora?

Se Marina ganha a eleição presidencial e o candidato de Eduardo perde em Pernambuco, o PSB se enfraquece local e nacionalmente. Para que o PSB tenha força, seja no futuro governo de Marina ou na oposição a um futuro governo de Dilma, ganhar em Pernambuco passou a ser crucial.

Talvez seja por isso que Renata Campos, viúva de Eduardo, se disponha a ajudar o partido com uma participação mais ativa do que o esperado normalmente em uma situação de luto.
Talvez a disputa na televisão vá precisar da presença ou dela mesma ou de seu filho mais velho para esclarecer os eleitores.

O horário eleitoral será decisivo. Informar e ver decide o voto.

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As raízes da força de Dilma, por Elio Gaspar
Elio Gaspari, O Globo

O Datafolha mostrou que, nos dias seguintes à morte de Eduardo Campos e ao ressurgimento de Marina Silva, Dilma Rousseff ficou onde estava. Tinha 36% e com 36% ficou. O mesmo aconteceu com Aécio Neves nos seus 20%. Marina incorporou preferências esparsas entre os indecisos e aqueles dispostos a votar em branco ou nulo. Saltou de um patamar de 8% para 21%. Nos próximos meses vai-se saber o que ela tem a apresentar aos eleitores.

Aqui vai um subsídio para o entendimento de parte das razões que mantêm a doutora Dilma na faixa dos 30% enquanto Aécio Neves patina. Na segunda-feira a página do PSDB tinha uma enquete para que seus visitantes respondessem: “Qual das áreas abaixo deve ser prioridade para o próximo presidente da República na sua avaliação?”

Em primeiro lugar veio o tema “segurança” (32%), em segundo “educação” (30%) e em terceiro, “saúde” (19%). Feito isso, se o visitante buscasse o que o candidato tem a dizer sobre segurança, teria à disposição um “plano nacional de segurança pública”. Nele estão listadas promessas benignas e genéricas. Horas depois ele anunciou que levaria as UPPs do Rio para outros lugares, incluindo serviços de emprego, saúde educação. Tudo, enfim. Terá tempo para explicar como. Entre duas dezenas de textos e três áudios, nenhum tinha a ver com educação ou saúde. Um anunciava as “Diretrizes da Coligação Muda Brasil” e lá o candidato revela que protocolou um documento onde menciona o tripé educação-saúde-segurança. Bingo. Lá, informa que a “escola é o equipamento mais importante de uma comunidade”. Quem não sabia disso, tem aí um bom motivo para votar nele. Saúde? Nada.

A maior preocupação da campanha do candidato parece ser a demonização do governo. Outros títulos anunciam: “A recessão vem aí”, “Razões para o pessimismo”, “PT, dá para acreditar?” A Rádio PSDB oferecia um áudio: “Raimundo Matos condena repasse bilionário ao comunismo cubano pelo programa Mais Médicos.”

Uma pessoa que já decidiu não votar no PT pode achar que a recessão já chegou e que os comissários mentem. A força da doutora Dima está no bloco do eleitorado que teme um piripaco econômico, não acredita nos comissários e, ainda assim, pretende votar nela. O escândalo do mensalão estourou em 2005. Achar que esse eleitor é um idiota e não soube dele é uma extravagância. O que se precisa entender é por que, apesar do mensalão, ele prefere votar na doutora. A própria página do PSDB informa: segurança, educação e saúde.

Tucano tem uma característica. Quando expõe uma ideia e seu interlocutor discorda, explica de novo, pois ele não deve ter entendido direito.

A força e a fraqueza de Dilma vêm daquilo que 12 anos de petismo fizeram em assuntos de segurança (nada), saúde (algo, com o Programa Saúde da Família, uma criação tucana) e educação (algo, sobretudo com o ProUni e a política de cotas). Pode ser pouco, mas é mais do que Aécio apresenta.

Tucanos e petistas ganharam uma adversária competitiva. Admita-se que é cedo para que se cobre dela um programa com nexo, sobra um slogan, deixado por Eduardo Campos numa de suas últimas entrevistas: “Não vou desistir do Brasil.” E quem vai? Desde a chegada de Pedro Álvarez Cabral, só quem desistiu do Brasil foram os holandeses, em 1654.

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Voto útil

A pesquisa eleitoral com a presença de Marina Silva suscita discussão interessante sobre o voto útil. A perspectiva de que a presidente Dilma seja derrotada no segundo turno, possibilidade que já se observava em várias pesquisas anteriores, que chegaram a dar a Aécio Neves, do PSDB, um empate técnico com ela e registravam um crescimento potencializado de Eduardo Campos, abre caminho não apenas para o movimento “volta Lula”, que parece inócuo a essa altura da campanha, como mesmo para um realinhamento de apoios na base aliada.

A decisão do senador Romero Jucá, o líder de todos os governos, de anunciar seu apoio a Aécio Neves, abre mais uma brecha no PMDB e prenuncia alguma mudança de ventos. O receio de que Marina possa chegar ao segundo turno derrotando Aécio Neves, com chances de vencer Dilma, pode desencadear uma espécie de “voto útil” daqueles que não estariam confortáveis com sua vitória.

O vídeo de campanha de Eduardo Campos que vazou na internet é de uma rispidez verbal contra líderes do PMDB raramente vista em programas políticos nos últimos tempos. Agora, com a assunção de Marina à posição de candidata, ganha mais eficácia e produzirá um movimento de defesa desse grupo político.

Com a perspectiva de derrota de Dilma por Marina, alguns poderão permanecer no barco governista tentando uma reação, mas muitos outros começarão a procurar pontos de apoio na candidatura do PSDB. O mesmo pode acontecer com candidatos ligados ao agronegócio que ainda estão coligados com o PSB graças aos esforços que Campos fez para montar acordos regionais que viabilizassem sua candidatura.

Marina dificilmente manterá esses acordos, por mais que o PSB precise deles para fortalecer sua representação no Congresso. É bom lembrar que concorrendo pelo Partido Verde em 2010, Marina não agregou um só deputado à bancada do partido, mesmo tendo tido quase 20% dos votos válidos.

Partindo-se do pressuposto de que mais do que nunca Marina representará a oposição nesta eleição, há ainda a possibilidade de o voto útil trabalhar a favor de Aécio Neves a partir da inexperiência de Marina na administração pública. Mas a campanha do PSDB vai ter que buscar um eleitor que não se entusiasmou ainda com a eleição e só saiu de sua letargia diante da realidade de Marina vir a ser candidata.

Uma desconstrução da candidata do PSB pode fazer esse eleitor desiludido voltar a se encolher, e não a trocar de candidato. Daí que a capacidade de convencimento de que ele é mais capaz de realizar as mudanças necessárias será fundamental. Já são 76% dos eleitores detectados pelo Datafolha que querem mudanças na condução do país, o que não favorece a continuidade.

Mas o voto útil também pode beneficiar a candidatura de Marina, na medida em que ela surja como a única que pode derrotar Dilma num segundo turno. Caso Aécio não cresça a ponto de também surgir como uma alternativa no segundo turno, ele pode perder eleitores ainda no primeiro turno para Marina, num voto útil contra o PT.

A tarefa de Marina Silva é mais árdua do que a de Aécio Neves, pois o candidato tucano tem mais espaço para crescer, já que é o mais desconhecido dos candidatos, tem uma estrutura partidária mais forte e turbinada pelas dissidências regionais de partidos da base governista e mais tempo de propaganda que Marina. A disputa com Marina minimiza o menor tempo de televisão em relação à candidata à reeleição Dilma Rousseff.

Cada um dos dois oposicionistas terá que correr mais que o outro, como naquela piada do caçador fugindo do leão. A princípio, a disputa com Dilma se dará no segundo turno, mas também não é possível deixar de marcar um triplo na definição de quem estará lá. Embora seja improvável, até mesmo por que a presidente vem se recuperando na aprovação do governo, o voto útil pode feri-la de morte.

A possibilidade de uma cristianização da presidente pelos partidos da base aliada, que sempre preferiram ganhar com Aécio do que com Dilma, está viva no novo quadro eleitoral em que a sua derrota surge pela primeira vez como possibilidade. Torna-se mais possível do que a vitória de Dilma num primeiro turno, hipótese que ainda existe se ela continuar tendo sua avaliação reavaliada para cima.


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Blog do Reinaldo Azevedo

TSE cassa liminar que punia consultoria por fazer uma avaliação crítica a Dilma. O estado de direito ainda respira!

Salve! Admar Gonzaga, ministro do TSE, havia decidido restaurar a censura no país, mas o ministro Gilmar Mendes, que também integra a corte eleitoral, pôs os devidos pingos nos is e nos devolveu ao ambiente democrático, no que foi seguido por quatro outros membros do tribunal. Explico.

Circulavam como propaganda paga na Internet dois textos da consultoria Empiricus com os seguintes destaques: “Que ações devem subir se o Aécio ganhar a eleição? Descubra aqui, já” e “Saiba como proteger seu patrimônio em caso de reeleição da Dilma”. Muito bem. A coligação “Com a Força do Povo”, que tem a petista Dilma Rousseff como candidata à reeleição à Presidência, recorreu ao TSE, acusando suposta propaganda veiculada na internet com conteúdo negativo contra a petista e positivo para Aécio.

O ministro Admar Gonzaga concedeu uma liminar em favor dos reclamantes porque considerou que houve, sim, excesso nas expressões utilizadas nos anúncios, determinando que o conteúdo fosse retirado do ar e aplicando ainda uma multa de R$ 5 mil à Empiricus. A empresa recorreu ao TSE e venceu por um placar muito eloquente.

Gonzaga reafirmou o conteúdo de sua liminar na votação desta terça e voltou a defender as punições. Para ele, a publicidade não só menciona o pleito futuro, por meio de propaganda paga na internet, como também faz juízos positivo e negativo sobre dois candidatos à Presidência. Viu ainda uma “clara estratégia de propaganda subliminar”. Felizmente, só a ministra Laurita Vaz endossou o seu ponto de vista.

Quem abriu a divergência e deu o primeiro voto contra a liminar que impunha a censura foi o sempre excelente ministro Gilmar Mendes. Com absoluta propriedade, afirmou: “Não vamos querer que a Justiça Eleitoral, agora, se transforme em editor de consultoria”. O ministro disse ainda temer que “esse tipo de intervenção da Justiça Eleitoral em um tema de opinião venha a, realmente, qualificar uma negativa intervenção em matéria de livre expressão”. E concluiu de maneira irrespondível: “Tentar tutelar o mercado de ideias não é o papel da Justiça Eleitoral”. Seguiram o seu voto os ministro Luiz Fux, João Otávio de Noronha, Luciana Lóssio e Dias Toffoli, presidente do tribunal.

Que bom que o estado de direito ainda respira, não é mesmo? O PT havia apelado ao TSE com base na Lei Eleitoral, a 9.504. A depender da interpretação que se queira dar a esse texto, o país fica praticamente impedido de debater publicamente questões que digam respeito a política justamente quando isso se faz mais necessário: durante as eleições. É uma sandice e uma piada.

Mendes e os outros quatro ministros puseram as coisas no seu devido lugar.

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PSB sentiu o peso da responsabilidade e escolheu como vice um político tradicional

Bem, triunfou a racionalidade, não é? O vice de Marina Silva, candidata do PSB à Presidência, será o deputado Beto Albuquerque (RS), este, sim, um real membro do partido e um quadro atuante no Congresso. Com a escolha, põe-se um fim às absurdas especulações sobre a indicação de Renata, viúva de Eduardo Campos, o que me pareceu, desde sempre, uma mistura de má tradição com exotismo. Não fazia o menor sentido.

Se é de uma “nova política” que o PSB quer falar — o que já é, diga-se, mais marketing do que fato —, o flerte com a candidatura de Renata a vice foi um escorregão inaceitável até do ponto de vista do… marketing. É evidente que Marina Silva vai disputar para ganhar — e, na fotografia de momento do Datafolha, ela poderia se eleger presidente da República se a disputa fosse hoje.

Campos tinha, sim, trânsito no Congresso mesmo pertencendo a um pequeno partido. O neto de Miguel Arraes, que governou com uma base parlamentar em Pernambuco tão ampla como a que Dilma tem na esfera federal, era, afinal, um político tradicional. Foi ao se juntar com Marina Silva que aderiu a essa conversa de “nova política”.

Ninguém entendeu direito, até agora, o que Marina quer dizer com isso. Comecemos do óbvio: não se governa o Brasil sem o Congresso. O desdobramento inescapável seria uma crise institucional. Nenhuma política é tão nova que possa deixar de lado o Poder Legislativo.

Se presidente, Marina não seria exatamente a melhor interlocutora com o Congresso. Querem um exemplo? Vejam o seu comportamento durante a votação do Código Florestal. Ela deixou claro que não reconhecia aquele foro como o mais adequado para decidir a questão. Tanto é assim que, quando estava certo que o texto de Aldo Rebelo seria aprovado, Marina juntou as suas ONGs e foi bater à porta do governo federal, cobrando, na prática, que a vontade do Congresso fosse ignorada.

É essa Marina que vai disputar a eleição pelo PSB? Como diria o poeta, de tudo sempre fica um pouco. Se a líder da Rede for eleita, tranquila, a relação não será. É evidente que é necessário ter um homem forte no governo que possa fazer essa interlocução com o Poder Legislativo. O nome de Beto Albuquerque é uma escolha muito mais responsável, de quem pretende, como deve ser, manter a interlocução com a política institucional, que é uma boa tradição.

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93% dos brasileiros estão insatisfeitos com sistema de saúde

Na VEJA.com:
Um estudo divulgado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) nesta terça-feira mostra que 93% dos eleitores brasileiros consideram o serviço de saúde do país, tanto público quanto privado, como péssimo, ruim ou regular. Entre os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), a taxa de insatisfação é de 87%. A pesquisa foi feita em junho pelo instituto Datafolha a pedido do CFM. Ao todo, foram entrevistadas 2.418 pessoas maiores de 16 anos e moradoras de regiões de todo o país. Segundo o levantamento, 92% dos brasileiros buscaram atendimento no SUS nos últimos dois anos, sendo que 89% conseguiram ser atendidos. Mesmo assim, mais da metade desses entrevistados considera que conseguir um serviço na rede pública de saúde é difícil ou muito difícil, principalmente no caso de cirurgias e procedimentos específicos, como hemodiálise e quimioterapia.

Fila
Uma das principais queixas em relação ao SUS é o tempo que leva para o usuário ser atendido. Segundo o estudo, 30% dos entrevistados estão na fila de espera da rede pública de saúde ou possuem algum familiar nessa situação. Das pessoas que aguardam atendimento, 29% esperam há pelo menos seis meses, sendo que metade delas está na fila há mais de um ano. Apenas 20% afirmam ter conseguido o serviço em menos de um mês após o pedido de consulta, exame ou cirurgia. ”Essa sobrecarga no atendimento de urgência e emergência acentua a visão negativa sobre o SUS e demonstra a total falta de gestão e regulação do sistema. É ali que, diariamente, pacientes e médicos e outros profissionais de saúde constatam o abandono deste serviço público que, para muitos, é a única alternativa”, afirma Roberto d’Avila, presidente do CFM.

Outro alvo de insatisfação dos usuários do SUS é o atendimento de urgência e emergência. Sete em cada dez pessoas que buscaram esses serviços nos últimos dois anos os avaliaram como péssimo, ruim ou regular. Por outro lado, os brasileiros consideram que é fácil conseguir serviços como a distribuição de remédios gratuitos e atendimento em postos de saúde. Ainda de acordo com o levantamento, mais da metade dos brasileiros (57%) considera que a saúde deveria ser tema prioritário nas ações do governo federal. Outras áreas apontadas como prioritárias por boa parte dos eleitores são educação (18%), combate à corrupção (8%), segurança (7%) e desemprego (4%).

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Pastor Everaldo injetou ficção no Jornal Nacional

O principal problema da candidatura presidencial do Pastor Everaldo é que o grosso do eleitorado é incapaz de enxergar consistência nela. E o candidato, brindado com uma entrevista de 15 minutos no Jornal Nacional, revelou-se incapaz de demonstrá-la. Quem assistiu ficou com a impressão de que Deus talvez não exista. Se existisse, já teria convencido a maioria dos eleitores a alçar o presidenciável-pastor ao topo das pesquisas.

Sob Lula, Pastor Everaldo e o seu Partido Social Cristão apoiavam o governo. Na sucessão de 2010, ensaiaram o apoio à candidatura presidencial do tucano José Serra. Súbito, bandearam-se para a coligação de Dilma Rousseff. Na sequência, o PSC foi brindado com uma doação de R$ 4,7 milhões proveniente das arcas do PT. Patrícia Poeta espetou: esse foi o preço do seu apoio, quase R$ 5 milhões?

O pastor reconheceu o recebimento do donativo. Mas declarou que a aliança com Dilma, selada em 30 junho de 2010, baseou-se em “princípios”. Os meio$, segundo ele, só pingaram na caixa registradora do PSC quase três meses depois, em 22 de setembro. Foram doações legais, disse Everaldo, para custear material feito para a campanha.

Depois da posse de Dilma, o pastor e suas ovelhas queixaram-se à bispa do Planalto. Dilma entregara aos comunistas do PCdoB o comando do Ministério dos Esportes e da Agência Nacional do Petróleo. Com um deputado a mais, os cristãos do PSC foram excluídos do paraíso. E reivindicaram um pedaço da máquina pública. Não é toma-lá-dá-cá?, quis saber Patrícia Poeta.

E o Pastor Everaldo: Olha, quando fizemos o acordo para a coligação, nós defendemos os princípios em que acreditamos. E o governo chama as pessoas que ajudaram para compor o governo. Nós tínhamos um número maior, elegemos mais do que o PCdoB. Então, esperávamos um espaço no governo.

Mas isso é um toma-lá-dá-cá, sentenciou Patrícia Poeta. O pastor renegou o veredicto três vezes. Primeiro, sem muita convicção: não acredito que seja. Depois, um pouco mais enfático: não é. Finalmente, como um cristão saltando da cova dos leões, o pastor soou peremptório: não é toma-lá-dá-cá.

O partido do pastor ficou decepcionado com Dilma, ele reconheceu. Mas antes que o telespectador concluísse que não há grande diferença entre os irmãos do PSC e os ímpios de um PR ou de um PTB, o Pastor Everaldo apressou-se em esclarecer: nós ficamos decepcionados pela maneira como foi formado o governo. Hã?

Tomado pelas palavras, o pastor parece enxergar na equipe de Dilma uma legião de pecadores. A composição do governo contrariou os princípios que o PSC defende, ele afirmou. Nós defendemos a vida do ser humano desde a sua concepção, acrescentou. Defendemos a família como está na Constituição brasileira, aditou.

O lero-lero não fazia muito sentido. A audiência ficou sem saber que diabos (ops!) tem a ver o carguinho que Dilma sonegou ao PSC com a cruzada do partido contra o aborto e a favor da família. Mas o pastor esticou a prosa: verificamos que a maneira como foi montado o governo contrariava esses princípios. Daí a decepção. Hã, hã…

William Bonner disse ao entrevistado que o Brasil defendido no programa do PSC é um país que, para ser feito, exigiria inclusive reformas na Constituição. Como um partido que dispõe de bancada nanica —17 deputados e um senador— conseguiria prevalecer no Congresso?

O meu exemplo de governo é o de Itamar Franco, respondeu o Pastor Everaldo. Ouviu-se ao fundo um barulhinho. Era o ruído do Itamar revirando na tumba. Ele assumiu numa situação difícil do país, prosseguiu o candidato. Chamou todas as forças políticas, todos os representantes no Congresso. E apresentou, com transparência, o plano da estabilidade econômica do país. E todos não puderam negar apoio.

Imaginando-se dotado de poderes celestiais, o pastor disse acreditar que, eleito, o Congresso jamais lhe negaria apoio para aprovar medidas que fossem expostas à população com transparência. Hummm… Até o Plano Real, desembrulhado na gestão Itamar sob a luz do Sol, sem o segredo dos fracassados pacotes econômicos anteriores, arrostou a oposição barulhenta do ex-PT. Porém, num hipotético governo do presidente-pastor, o Planalto operaria o milagre do Congresso unânime.

Willian Bonner tentou resgatar o telejornal do universo da ficção: candidato, no mundo real, as concessões que o senhor será obrigado a fazer para realizar as mudanças que planeja vão descaracterizar suas propostas. O senhor sabe disso. Não, o pastor não sabia. Ele parecia decidido a subverter a grade de programação da Globo, antecipando o início da novela Império, de Aguinaldo Silva.

Olha, eu vou fazer um corte na carne, afirmou o Pastor Everaldo. Eu defendo um Estado mínimo, vou reduzir o número de ministérios de 39 para 20. Vou passar para iniciativa privada todas as empresas que hoje são foco de corrupção. Rendido, Bonner deu asas à fantasia: é uma privatização em massa? E o entrevistado alçou voo: privatização, privatização. Tudo o que for possível.

Bonner tomou gosto pela brincadeira: Petrobras, inclusive? Presidenciável de 3%, o pastor enxergou-se na poltrona de presidente da República. Cenho grave, falou como se premiasse o entrevistador com um furo de reportagem: eu vou te antecipar, então, a notícia aqui: vou privatizar a Petrobras. Uma empresa que foi orgulho nacional hoje é foco de corrupção. Tem uma dívida astronômica de mais de R$ 300 bilhões. Então, eu vou privatizar!

Bonner deu corda: o senhor vai privatizar o Banco do Brasil também? O pastor levou o pé ao freio: o Banco do Brasil e a Caixa Econômica representam a segurança do sistema financeiro. Então, não vamos mexer no Banco do Brasil nem Caixa Econômica. Quando se imaginava que o candidato tivesse se dado conta de que também está sujeito à condição humana, ele voltou ao seu estado anormal: tudo o que for possível passar para a iniciativa privada nós vamos passar. A BR Distribuidora, a Infraero…

Patrícia Poeta interveio para lembrar ao entrevistado que as promessas do seu programa de governo não vieram acompanhadas da fonte de recursos. Melhorias na Saúde, na Educação, nos Transportes…, ampliação dos programas sociais, investimentos maciços na PF e nas Forças Armadas. De onde vai tirar o dinheiro?

Pastor Everaldo não se apertou com a matemática: à medida que eu transfiro para a iniciativa privada essas empresas que dão rombo e tiram dinheiro do Tesouro, sobram recursos dos impostos para aplicar na Educação e na Saúde. Bonner convidou o candidato a servir-se do minuto final para discorrer sobre suas prioridades.

Nesse ponto, o Pastor Everaldo converteu a bancada do JN num púlpito de igreja. Minha irmã, meu irmão brasileiro. Eu reafirmo meu compromisso em defesa da vida, do ser humano desde a sua concepção, disse o companheiro do deputado-pastor Marco Feliciano. Eu defendo a família… Nós somos um país democrático e respeito a todas as pessoas, mas casamento, pra mim, é homem e mulher. Sou contra a legalização das drogas.

Da pauta moral, Pastor Everaldo saltou para a agenda antiviolência: vou criar o Ministério da Segurança Pública. Para quê? Hoje, o cidadão de bem está preso dentro de casa e o bandido está solto na rua. Vou inverter essa lógica e botar ordem na casa. Para encerrar, o pastor serviu um bombom tributário: a partir de 1º de janeiro de 2015, todo trabalhador que ganhe até R$ 5 mil por mês estará isento do Imposto de Renda na fonte. Aleluia!

Pastor Everaldo despediu-se com uma frase de efeito: eu defendo mais Brasil e menos Brasília na vida do cidadão brasileiro. Evocou o Todo-Poderoso: Deus abençoe você, Deus abençoe sua família, Deus abençoe o nosso querido Brasil. Falou em Deus com tal convicção que o telespectador ficou tentado a acreditar que Ele realmente não existe. Se existisse, o presidenciável do PSC seria um fenômeno eleitoral, não uma piada.

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Emergência!



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Vídeo mostra queda do avião que matou Eduardo Campos
G1

Imagens feitas por câmeras de monitoramento de um prédio em construção em Santos, no litoral de São Paulo, descobertas na terça-feira (19), mostram pela primeira vez o momento exato da queda do avião que matou o candidato à Presidência da República, Eduardo Campos (PSB), e mais seis pessoas no dia 13 de agosto.

A demora na descoberta do vídeo se deve ao fato de o horário do sistema de monitoramento estar errado. Outras imagens divulgadas anteriormente mostravam apenas o clarão, a fumaça e o fogo causados pela explosão, após o impacto da aeronave no solo. Essa é a primeira que mostra o avião caindo.

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Beto Albuquerque diz que não é necessária carta compromisso
O Globo

Após receber apoio da família de Eduardo Campos, o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS) conquistou o posto de vice na chapa presidencial de Marina Silva. A Executiva Nacional do PSB tem uma reunião marcada para esta quarta-feira, na qual a chapa deve ser formalizada.

A decisão de colocar Albuquerque como vice foi sacramentada após uma série de reuniões em Recife, das quais participaram parentes e aliados de Campos e os dois principais dirigentes nacionais do partido: o presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, e o secretário-geral, Carlos Siqueira.

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Pastor Everaldo diz que privatizará a Petrobras
Tatiana Farah e Mariana Sanches, O Globo

O candidato à Presidência pelo PSC, Pastor Everaldo, afirmou ontem que, se eleito, pretende privatizar a Petrobras e isentar do Imposto de Renda (IR) os trabalhadores que ganhem até R$ 5 mil mensais. Com 3% das intenções de voto segundo pesquisa Datafolha divulgada na segunda-feira, que já coloca a possível candidata Marina Silva (PSB) no páreo, Everaldo afirmou que, em seu plano de privatização, não estão os bancos públicos.

Líder religioso da Assembleia de Deus no Rio de Janeiro, Everaldo defendeu “a vida desde a concepção” e criticou a união homossexual. Ele participou de entrevista no Jornal Nacional.

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Três parentes do Papa morrem em um acidente de carro na Argentina
Alejandro Rebossio, El País

Um sobrinho do papa Francisco, Emanuel Bergoglio, de 35 anos, voltava para Buenos Aires com a família na madrugada de terça-feira, vindo da província de Córdoba depois de desfrutar de um fim de semana prolongado. Na rodovia 9, perto do povoado cordobês de James Craik, enquanto dirigia seu carro na velocidade permitida se chocou com um caminhão que entrava em sua faixa, saindo de um posto de combustível.

Morreram sua mulher, Valeria Carmona, de 39 anos, e seus filhos José, de 2 anos, e Antonio, de 8 meses. Emanuel foi levado para um hospital na cidade cordobesa de Vila María, em estado grave, com fratura exposta do úmero direito, traumatismo torácico abdominal fechado e lesão hepática e esplênica, segundo informaram os médicos.

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Mais um jovem negro é morto por disparos da polícia em St. Louis
Marc Bassets, El País

A polícia de St. Louis (Missouri) matou na terça-feira um homem negro de 23 anos que ameaçou os policiais com uma faca e apresentava comportamento errático. O incidente ocorreu pouco depois do meio-dia, hora local (14 horas em Brasília), em um bairro próximo a Ferguson, a localidade ao norte de St. Louis onde a morte de um jovem negro baleado por um policial branco em 9 de agosto causou uma onda de protestos e distúrbios e abriu um debate nos EUA sobre os excessos da polícia e a discriminação contra a minoria afro-americana.

De acordo com testemunhas citadas pela Saint Louis Post Dispatch, a vítima tinha acabado de roubar vários produtos em um supermercado. Um funcionário da loja seguiu-o e insistiu que pagasse pelos produtos, que o suspeito começou a jogar no chão.

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Foguete do Hamas atinge Tel Aviv
O Globo

Um foguete disparado de Gaza atingiu a região de Tel Aviv na terça-feira, afirmaram as forças armadas israelenses. O ataque de hoje foi o de maior alcance a partir da Faixa de Gaza desde a trégua nos conflitos, há 10 dias. O braço armado do Hamas assumiu a responsabilidade pelo disparo que teria atingido uma área aberta, sem causar vítimas.

No início do dia, após a quebra do cessar-fogo, Israel realizou um ataque aéreo que deixou três mortos e 40 feridos. Pela manhã, três foguetes explodiram em Be’er Sheva, no Sul de Israel. À tarde, foguetes explodiram nas regiões de Eshkol, Netivot, e no deserto de Negev, no sul do país.

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Jihadistas divulgam suposta execução de jornalista
O Globo

O Estado Islâmico (EI) divulgou um vídeo que mostraria a morte do jornalista americano James Foley, em represália pelos ataques aéreos dos Estados Unidos contra forças jihadistas no norte do Iraque. Foley trabalhava na cobertura da guerra civil na Síria quando despareceu perto da cidade de Taftanaz, no norte do país, em novembro de 2012.

Um relatório de maio de 2013, da Columbia Journalism Review, apontava a possibilidade de que ele estivesse sendo mantido preso em Damasco. No vídeo, intitulado “Uma mensagem para a #America (do #Estado Islâmico)”, publicado na Internet, o EI mostra um homem de capuz vestido de negro que parece cortar a garganta do jornalista.


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Blog do Augusto Nunes

O califado petista

As eleições para presidente não serão “normais” — apenas uma disputa entre dois partidos para ver quem fica com o poder. Não. Trata-se de uma batalha entre democratas e não democratas. Está na hora de abrirmos os olhos, porque está em curso o desejo de Dilma e seu partido de tomar o governo para mudar o Estado. Não tenho mais saco para tentar análises políticas sobre a “não política”. Não aguento mais tentar ser “sensato” sobre a insensatez. Por isso, só me resta fazer a lista do que considero as doenças infantis do petismo, cuja permanência no poder pode arrasar a sociedade brasileira de forma irreversível.

O petismo tem a compulsão à repetição do que houve em 1963; querem refazer o tempo do Jango, quando não conseguiram levá-lo para uma revolução imaginária, infactível. Os petistas querem a democracia do Comitê Central, o centralismo democrático, o eufemismo que Lênin inventou para controlar Estado e sociedade. Eles não confiam na “sociedade”; só pensam no Estado, na interferência em tudo, no comportamento dos bancos, nos analistas de mercado e principalmente no velho sonho de limitar a liberdade de opinião. Assinam embaixo da frase de Stálin: “As ideias são muito mais poderosas do que as armas. Nós não permitimos que nossos inimigos tenham armas, por que deveríamos permitir que tenham ideias?”. Nossa maior doença — o Estado canceroso — será ignorada e terá uma recaída talvez fatal. Não fazem autocrítica e não querem ser criticados. A teimosia de Dilma é total — vai continuar errando com galhardia brizolista. Sua ideologia é falha, mal assimilada nessa correria sindicalista e pelega. Até agora governaram um país capitalista com regras e métodos anticapitalistas — dá no desastre econômico a que assistimos. Eles odeiam a competência. Acham que administrar é coisa de burguês — vejam o estrago atual. Acham que planejam a História, que “fazem” a História. Por isso, adotaram a mui útil “mentira revolucionária”. Assim, podem ocultar tudo da sociedade para o “bem dela”. Aliaram-se ao que há de pior entre os reacionários brasileiros e vivem a volúpia de imitá-los, com um adorável frisson perverso ao cometerem malfeitos para “fins justos”. Aliás nem sabem o que são seus “fins”; têm uma vaga ideia de “projeto” que não passa de um sarapatel de “gramscianismo” vulgar com getulismo tardio e um desenvolvimentismo dos anos 1960. Foi assim que criaram a “roubalheira de esquerda”, que chamam de “desapropriação” de dinheiro da burguesia. Isso justificou o mensalão, feito para eleger Dirceu presidente em 2010. Fracassaram. Aliás, o PT abriga muitos fracassados porque, ao se dizerem “revolucionários” sentem-se superiores a nós, os alienados, os neoliberais, os direitistas, os vendidos ao imperialismo.

Não entendem o mundo atual e continuam com os pressupostos de uma política dos anos 1930 na URSS. Leiam os livros do período e constatem se um Gilberto Carvalho não pensa igualzinho ao Molotov. Para eles, a oposição é a união da “burguesia” contra o “povo” . No entanto, quem se aliou à pior burguesia patrimonialista foram eles; ou Sarney, Renan, Jucá, Maluf e Severino do macarrão são bolcheviques? Petistas só pensam no passado como vítimas ou no futuro como salvadores e heróis. O presente é ignorado, pois eles não têm reflexão crítica para entendê-lo. Adoram estar num partido que pensa por eles. Dá um alívio não ter de pensar — só obedecer. A mediocridade sonha com o futuro onipotente. A morte súbita de Eduardo Campos pirou os “hegelianozinhos de pacotilha” que descobriram que a História é intempestiva e não obedece ao Rui Falcão. Agora, rumam em massa para Pernambuco para elogiar quem chamavam de “traidor e menino mimado”.

Querem criar os tais “conselhos” sociais, para adiar os problemas, fingindo uma “humildade democrática” para “ouvir” a população, de modo a ocultar seu autoritarismo renitente. Vivem a ideia de um futuro socialista como o substituto do sonho de “imortalidade” dos cristãos. Comunista não morre; vira um conceito. O homem é um ser social, e o “ser social” nunca morre. Para eles (e para o Kim da Coreia do Norte), o indivíduo é uma ilusão que criou essa dor melodramática. Quem morre é pequeno-burguês. Muitos intelectuais e artistas que sabem dessas doenças infantis preferem cavalgar o erro a mudar de ideia. Consola a consciência ter uma estrelinha vermelha pendurada na alma.

Os petistas têm uma visão de mundo deturpada por conceitos compartimentados e acusatórios: luta de classes, vitimização, culpados e inocentes, traidores e traídos. Acham que a complexidade é um complô contra eles, acham a circularidade inevitável da vida uma armação do neoliberalismo internacional. Confundem simplicidade com simplismo. Nunca fazem parte do erro do mundo; sentem-se superiores a nós, tocados pelo dedo de Deus.

Agora, no mundo modificado pelo fim do socialismo real, pelos impasses do Oriente Médio, pela crise financeira do capitalismo, pela revolução digital, sentem falta de uma ideologia que os justifique e absolva. E como não existe nenhuma disponível (social-democracia, nem pensar...), apelam para o tosco bolivarianismo que nos contamina aos poucos. É inacreditável como batem cabeça para ditadores e criminosos, de Ahmadinejad a Maduro, de Putin a Fidel, tudo em volta do fascismo populista de Chávez.

Dilma se acha Brizola, Lula imita Getúlio: nacionalismo, manipulação da liberdade, ódio a estrangeiros, desconfiança dos desejos da sociedade. Nada pior do que o brizolismo-getulista neste momento do país. Estávamos prontos para decolar no mundo contemporâneo, mas seguraram o avião e voltamos para trás.

Por isso, repito a frase oportuna de Baudrillard:

“O comunismo, hoje desintegrado, tornou-se viral, capaz de contaminar o mundo inteiro; não através da ideologia, nem do seu modelo de funcionamento, mas através do seu modelo de desfuncionamento e da desestruturação da vida social”.

Este é o perigo.


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Blog do Noblat

Um desastre chamado Dilma!, por Ricardo Noblat

William Bonner empurrou a presidente Dilma Rousseff para o canto do ringue. E ficou batendo nela até cansar. Até resolver lhe dar algum refresco, quando ofereceu um minuto e meio além dos 15 previstos para que ela fizesse suas considerações finais.

Como Dilma, atarantada, não conseguiu respeitar o tempo que lhe coube, Bonner e Patrícia Poeta decretaram o fim da terceira entrevista do Jornal Nacional com candidatos a presidente. As duas primeiras foram com Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

De longe, a entrevista com Dilma foi um desastre. Para ela. Não chamou Bonner e Patrícia de “meus queridos”, como costuma fazer quando se irrita com jornalistas que a acossam com perguntas incômodas. Mas chegou perto.

Passou arrogância. Exibiu uma de suas características marcantes – a de não juntar coisa com coisa, deixando raciocínios pelo meio. Foi interrompida mais de uma vez porque não conseguia parar de falar, e fugia de respostas diretas a perguntas.

Perguntaram-lhe sobre corrupção. Dilma respondeu o de sempre: nenhum governo combateu mais a corrupção do que o dela. Bonner perguntou o que ela achava de o PT tratar como heróis os condenados pelo mensalão. Foi o pior momento de Dilma (terá sido mesmo o pior?).

Dilma escondeu-se na resposta de que como presidente da República não poderia comentar decisões da Justiça. Ora, a resposta nada teve a ver com a pergunta. E Bonner insistiu com a pergunta. E Dilma, nervosa, valeu-se outra vez da mesma resposta. Pegou mal. Muito mal.

Quando foi provocada a examinar o estado geral da economia, perdeu-se falando de “índices antecedentes”. Provocada a dizer algo sobre o estado geral da saúde, limitou-se a defender o programa “Mais Médicos”.

Seguramente, nem em público, muito menos em particular, Dilma se viu confrontada de modo tão direto, seco e sem cerimônia como foi por Bonner e Patrícia. Jamais. Quem ousaria? Surpreendida, por pouco não se descontrolou.

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O desafio da oposição: explicar ao “homem médio” o que vem por aí

Diante da perplexidade de ver o péssimo desempenho da presidente Dilma no JN e lembrar de que ainda lidera as pesquisas, terminei meu texto de ontem com uma pergunta meio retórica: o que está acontecendo com o Brasil?

Muitos leitores responderam: Bolsa Família. Este foi o item mais citado. Ou seja, compra de votos. Não há como negar: o governo do PT tentou comprar todos, e as esmolas estatais se transformaram em moeda de troca política, em vez de programa de Estado para realmente ajudar os mais pobres.

Mas seria apenas isso? O Bolsa Família explica grande parte do fenômeno, sem dúvida. Mais de 13 milhões de famílias beneficiadas, o que daria algo como 30 milhões de votos “comprados”. Basta ver que Dilma possui intenções desproporcionais no nordeste e nas áreas mais pobres e menos escolarizadas do sudeste, justamente por conta disso.

Só que Dilma possui cerca de 40 milhões de eleitores, segundo as pesquisas. Há um hiato aí, e nem tudo pode ser explicado pelo Bolsa Família (ainda que, repito, seja o grosso da explicação). De onde vêm esses outros votos? Por que alguém votaria em Dilma se não fosse o simples receio de perder um benefício estatal?

Meu vizinho virtual, Geraldo Samor, ofereceu uma boa explicação em seu texto de hoje. Usando um caso real de um pedreiro, o “seu” Israel, ele mostra o que vai na mente dessas pessoas da classe C e D, trabalhadoras, mas que mesmo assim votam no PT.

O motivo? Não compreendem o cenário econômico, não sabem que as “conquistas” recentes – e hoje ameaçadas – são insustentáveis, foram obtidas pelo comprometimento de nosso futuro, por meio de medidas populistas. Diz Samor:

Como converter o voto deste brasileiro médio, mais decisivo para o resultado das urnas do que os partidários que fazem a guerrilha diária nos blogs, no Twitter e no Facebook?

Como mostrar para seu Israel que o bem-estar que ele sente hoje foi comprado com uma hipoteca sobre o futuro — e, pior, que a conta está prestes a chegar?

Como falar para este trabalhador sobre os esqueletos dos juros subsidiados, a distorção de preços que existe hoje na economia, como explicar que a inflação já está fazendo o trabalho que as políticas fiscal e monetária não fizeram, e que, se o rumo atual for mantido, sua renda amanhã será menor que a de hoje?

Os economistas sempre disseram que a grande dúvida desta eleição é se a economia vai enfraquecer rápido o suficiente para expor as más escolhas econômicas do Governo Dilma, e com isso virar o jogo… ou se a Presidente vai escapar por pouco.

Com as últimas pesquisas e o ‘fenômeno Marina’, muita gente já acha que a Era Dilma está chegando ao fim, mas, por via das dúvidas, convém combinar com seu Israel.

E eis o grande desafio da oposição: explicar em linguagem acessível o que vem por aí, a bomba-relógio montada pelo governo do PT e que está prestes a estourar. É verdade que o “seu” Israel e companhia já sentem os estragos da inflação e da queda da atividade, agora estagnada.

Mas a fatura mesmo ainda não chegou: o desemprego. Sem a capacidade de compreender isso, e escutando propaganda enganosa do governo o tempo todo, além de terrorismo eleitoral, esses eleitores temem um “arrocho” por parte da oposição, ignorando que o verdadeiro arrocho vem justamente se Dilma continuar no poder. Complicado é levar essa mensagem de forma clara e compreensível a essa gente toda…

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Foi dada a largada

A presidente Dilma dormiu um dia com a possibilidade de vencer a eleição no primeiro turno, ou sendo a favorita para o segundo, e acordou ontem com o segundo turno praticamente selado e a possibilidade de perdê-lo para Marina Silva, que não estava no páreo e transformou-se do dia para a noite na favorita da eleição presidencial.

Será preciso, no entanto, depurar essas intenções de votos no tempo para saber o quanto de emoção elas contém, e o que restará ao final. A menos que estejamos diante de um fenômeno eleitoral que será movido pela comoção até a boca de urna, não é plausível que a votação de 2010 seja o piso de Marina, e que daqui para frente ela só faça crescer na preferência popular.

É verdade que ela já chegou a 27% em uma pesquisa anterior, mas não ter alcançado patamar semelhante diante da exposição a que foi submetida nos últimos dias pode significar que tenha alcançado seu limite. O ex-governador Eduardo Campos não era uma figura nacional, e o fato de sua trágica e prematura morte tê-lo transformado em tal não resiste a 45 dias de uma campanha eleitoral acirrada como a que veremos a partir de hoje.

Por enquanto, Marina reconquistou seus eleitores tradicionais: basicamente os jovens, que saíram às ruas no ano passado e estão desiludidos com os políticos tradicionais e os moradores das grandes e médias cidades. Ou a classe média “iluminista” e a garotada das redes sociais, numa definição sucinta usada na última eleição.

Mesmo sendo uma política experiente, com dois mandatos de senadora e atuação no ministério de Lula, consegue manter uma postura que a afasta da imagem do político tradicional, além de se identificar com um terceiro grupo eleitoral, os evangélicos, de fundamental importância para sua votação como apontado na pesquisa sobre religiões realizada pela equipe do professor Cesar Romero Jacob da PUC do Rio de Janeiro.

Mas, a partir do documento que o PSB vai apresentar a ela, começarão também as dificuldades para Marina. Ela, que não tomou o avião fatídico para não se encontrar em Santos com Marcio França, o candidato a vice de Alckmin, como fará agora campanha em São Paulo? Como serão suas relações com os representantes do agronegócio e do que chama de “velha política” que estavam fechados com Campos e com os quais agora ela terá que conviver?

O fato de, num primeiro momento, Marina não ter tirado votos nem de Dilma nem de Aécio mostra que seus adversários estão consolidados em suas posições, e, no entanto, o crescimento de todos os três candidatos vai depender dos votos que conseguirão tirar dos concorrentes. Marina pode ganhar mais votos de Dilma do que de Aécio no primeiro turno; Aécio pode tirar votos de Marina nesses setores que a estão apoiando hoje sem grandes convergências, que existiam com Eduardo Campos. E Dilma pode recuperar votos que perdeu em setores importantes da classe média se conseguir manter a percepção de melhora de seu governo, que superou o índice mínimo de 35% de ótimo e bom, passando de 32% para 37%.

Tudo indica que essa melhoria está ligada à percepção menos pessimista do eleitorado sobre a economia do país, pois a inflação de alimentos deu uma trégua, embora continue próximo do teto da meta na medição anual. O problema de Dilma é que a economia dá sinais de que piorará nos próximos meses, havendo forte possibilidade de o segundo turno ocorrer em meio a uma recessão.

O candidato do PSDB, Aécio Neves, respirou aliviado com o resultado da pesquisa Datafolha, pois não perdeu seus votos, embora tenha ganhado uma adversária mais competitiva. Ele pretende basear sua propaganda no rádio e televisão na experiência de gestor, para contrastar com a inexperiência de Marina Silva no comando de governos.

O fato de que Marina trouxe para dentro do cenário eleitoral um contingente de eleitores que se recusavam a votar (redução dos votos nulos, e em branco e abstenção) é festejado pelo PSDB, que considera possível atraí-los a partir de um maior conhecimento de seu candidato, que hoje é o mais desconhecido dos três concorrentes.

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Fora Lindbergh. Fora Alckmin

                A futura candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, não vai subir nos palanques do tucano Geraldo Alckmin (SP), nem do petista Lindbergh Farias (RJ). “Ela não vai, o PSB vai”, explica um integrante da cúpula da Rede. Os ‘marineiros’ argumentam que nem Eduardo Campos iria e não veem ruído entre Marina e os socialistas. E garantem que “todo o legado de Eduardo será respeitado".

Nos bastidores da consulta
Lideranças do PSB atribuíam ontem ao bairrismo e a um clima de homenagem a especulação sobre a vice da chapa de Marina ser ocupada pela mulher de Eduardo Campos, Renata, ou pelo irmão, Antônio. “Isso é lenda”, garantiu um dirigente do partido, negando que eles estariam reivindicando essa posição. Os socialistas preferem que a vaga seja destinada a alguém que represente a estrutura partidária. Nesse contexto, o nome do deputado Beto Albuquerque (RS) ficou muito forte, inclusive entre os ‘marineiros’. No PSB, o que se diz é que “os entendimentos do Eduardo foram todos combinados com ela. E que alguma ponta que estiver solta, vamos amarrar".

“O cidadão médio quer mudança com segurança, estabilidade política e econômica. Não quer ‘porra-louquice’. Não quer guerrilha”

Marcus Pestana
Presidente do PSDB de Minas Gerais, e deputado federal, sobre a candidatura Marina Silva (PSB)

Carisma
O PSB esperava aumentar sua bancada na Câmara com Eduardo Campos. Agora, com Marina Silva, a crença é a de que os socialistas ganharam um novo impulso. Desde 1986, há crescimento a cada pleito. Hoje são 35 deputados.

‘Self Made Woman’
Soberba e descrédito são as reações dominantes no PSDB e no PT diante da entrada em cena de Marina Silva. Mas há especialistas em campanha fazendo a leitura de que ela tem identidade com o ex-presidente Lula. “Eles vieram de baixo”, dizem. E sugerem que ela invista nisso e justificam: “60% clamam por mudança e queriam a volta do Lula”.

Na largada
No comando da candidatura Eduardo Campos não houve surpresa com o desempenho de Marina Silva no Datafolha. Contam que era esse o patamar de Eduardo quando o pesquisado era informado que ele era o candidato de Marina.

Apagando incêndio
O presidente do PSB, Roberto Amaral, conversou ontem com os presidentes do PRP, Ovasco Resende, e do PHS, Eduardo Machado. Marina Silva com o dirigente do PLP, Miguel Manso. Garantiram que acordos serão mantidos, como a ajuda financeira aos coligados. E convidaram os três para reunião sobre o vice hoje em Brasília.

No retrovisor
O presidente do PPS, Roberto Freire, está exultante. Lembra que desde 2002 a oposição não vence o candidato da situação em pesquisa de segundo turno. Naquela, Serra ficou atrás de Ciro Gomes e depois de Lula, o presidente eleito.

Hacker oficial
Assessor de Suporte Estratégico do gabinete do governador Cid Gomes (CE), Francisco Soriano de Moraes registrou domínios na internet com os nomes dos adversários: o senador Eunício Oliveira e o ex-governador Tasso Jereissati.

Gritaria geral. Candidatos a deputado federal de todos os estados e partidos choramingam pela falta de recursos e material de propaganda.

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PSB quer aval de Marina a acordos de Campos 2

Às vésperas de ser confirmada nesta quarta-feira (20) como candidata do PSB à Presidência da República, Marina Silva receberá um documento contendo o “inventário” de todos os acordos políticos e financeiros firmados por Eduardo Campos. Como vice, Marina foi mantida à margem das negociações. Como cabeça da chapa, será convidada a avalizar os entendimentos —inclusive os que foram celebrados com partidos e candidatos que ela rejeita.

A decisão de apresentar a Marina os encargos que sobreviveram à morte de Campos foi tomada numa reunião da cúpula do PSB. O encontro ocorreu num flat de São Paulo, na noite da última sexta-feira. Ao final da conversa, Roberto Amaral, novo presidente do partido, incumbiu a senadora Lídice da Mata (BA) e a deputada Luíza Erundina (SP) de redigir o “inventário”.

Integram a coligação encabeçada pelo PSB outros cinco partidos: o pequeno PPS e os nanicos PPL, PSL, PRP e PHS. Foi graças à adesão dessas legendas que Campos amealhou cerca de dois minutos de propaganda no rádio e na tevê. Em troca, comprometeu-se a ajudar no financiamento das campanhas de candidatos das legendas parceiras. Marina desconhece tais acertos. E o PSB acha que é essencial que ela os endosse.

Para migrar da condição de vice para a de titular, Marina precisa ser referendada pela maioria dos partidos de sua coligação. Pelo menos quatro das seis legendas terão de votar a favor da mudança. Alguns dos nanicos cobram a ratificação dos acordos monetários encaminhados por Campos. Sob pena de não avalizarem a candidatura de Marina.

Há pendências também no PSB. Por exemplo: depois que os irmãos Ciro e Cid Gomes trocaram o PSB pelo Pros, Campos ficou sem palanque no Ceará. Decidiu “fabricar” uma candidatura ao governo Estado. Convidou para a aventura a deputada estadual Eliane Novaes, cuja reeleição era dada como certa. Ela topou arrostar o sacrifício de uma derrota anunciada, desde que o diretório nacional do PSB financiasse sua campanha. Marina não tomou conhecimento. Encrencas análogas se repetem em vários Estados.

Deseja-se arrancar de Marina também o compromisso de tratar o novo vice da chapa, provavelmente o deputado federal Beto Albuquerque, com a mesma deferência que o PSB lhe dispensou. Significa dizer que Marina terá de dividir com o novo companheiro de chapa o tempo de propaganda eletrônica e o espaço no material gráfico.

Antes de morrer, Campos ordenara o envio de um ofício aos diretórios estaduais do PSB proibindo o uso da imagem de Marina nas peças de campanha de candidatos que ela não iria apoiar. A providência fora adotada a pedido da própria Marina, que se irritara ao tomar conhecimento de que seu rosto aparecia ao lado da tucana face de Geraldo Alckimin nos ‘santinhos’ dos candidatos a deputado pelo PSB paulista. Deseja-se renegociar esse acordo.

Alega-se que, como presidenciável do PSB, Marina não pode impedir que os cerca de 2 mil candidatos da legenda à Câmara federal e às assembléias estaduais utilizem a imagem dela. Presente à reunião de sexta-feira, o deputado federal Glauber Braga, do Rio de Janeiro, recordou que, no seu Estado, o PSB coligou-se com o PT de Lindbergh Farias.

Compõe a chapa majoritária do Rio, como postulante ao Senado, o ex-jogador Romário. A portas fechadas, Glauber disse que não faz sentido que Marina continue alheia à campanha do partido no Rio depois de ser formalizada como substituta de Eduardo Campos. Há situações semelhantes em pelo menos 13 Estados. Entre eles São Paulo e Paraná, praças em que o PSB coligou-se ao PSDB.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Renata diz não querer ser vice. Ou: De Campos, Cavalcantis e cavalgados

Tudo indica, enquanto escrevo ao menos, que Renata Campos, a viúva de Eduardo Campos, vá recusar a proposta para ser candidata a vice-presidente na chapa encabeçada por Marina Silva. Deve alegar que a sua prioridade, no momento, são os cinco filhos, um deles, Miguel, ainda um bebê de colo. Se a razão e o bom senso se divorciaram da cabeça dos líderes do PSB, parece que Renata ao menos não perdeu o juízo.

Toda a história é estapafúrdia. Consta que o presidente do PSB, o lulista Roberto Amaral, conversou com Renata nesta segunda para pedir, informa a Folha, o seu aval para fazer de Marina Silva a candidata. Aval de Renata? Por quê? Viúva é parente, claro!, mas não é autoridade partidária. Às vezes, fico com a impressão de que o PSB funciona como o Partido Comunista da Coreia do Norte, que inventou o socialismo hereditário. Mais um pouco, e o primogênito de Eduardo Campos será promovido de príncipe herdeiro a novo rei do PSB. Não sabia que se havia fundando uma monarquia em Pernambuco.

Deus do Céu! Será preciso recuperar, acho, as gloriosas tradições pernambucanas, não é mesmo? O Estado foi palco da “Revolta Praieira” ou “Insurreição Praieira”, entre 1848 e 1850, de caráter liberal. Uma quadrinha popular se tornou famosa, ironizando a família mais poderosa, então, da terra: os Cavalcantis. Era assim:
“Quem viver em Pernambuco
não há de estar enganado:
Que, ou há de ser Cavalcanti,
ou há de ser cavalgado.”

Em tempos recentes, não se tem notícia de entes familiares herdarem o poder partidário dos que morreram. Antonio Campos, irmão de Eduardo, afirmou sobre a cunhada: “Se decidir, tem o nosso apoio”.

É mesmo uma coisa fabulosa. O ex-governador de Pernambuco vinha enfrentando, como é sabido, dificuldades eleitorais severas em seu próprio Estado. Na mais recente pesquisa Datafolha, seu candidato ao governo, Paulo Câmara, ex-secretário da Fazenda, apareceu com apenas 13% dos votos. Armando Monteiro, do PTB, que disputa com o apoio do PT, marcou 47%. Vale dizer: as coisas andavam difíceis na sua própria terra. Pernambuco é também uma dos poucos estados que têm um candidato do PT disputando a liderança para o Senado: João Paulo, com 43% dos votos. Fernando Bezerra, o nome dos Campos, tem apenas 16%.

Isso significa que, se Renata está mesmo disposta a manter a sua militância política, tem um trabalho enorme a fazer na sua própria terra. Imaginar que possa ser vice de Marina porque, afinal, seu marido era o comandante da sigla é um despropósito.

Acompanhada dos filhos, ela fez um pronunciamento político nesta segunda e disse que vai trabalhar “por dois” na eleição. Tudo indica que se referia às disputas locais. Vamos ver… Há um cheirinho de uma crise, com risco de dissolução, do PSB em futuro nem tão distante.

Seja lá qual for o desempenho de Marina nas urnas, não parece que o partido vá conseguir resistir. Digamos que ela se eleja: a líder da Rede já está de malas prontas para migrar para o seu próprio partido. Ainda que não se sagre presidente, terá uma votação maior do que teria Campos: quantos a seguirão? Quem manterá unida a sigla, que tem, sim, um sotaque de esquerda, mas que, como se vê, era controlado por uma espécie de neocoronelismo urbano?

As conjecturas que se seguiram à morte de Campos não deixam a menor dúvida: ali decidem os… Cavalcantis.

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Dilma diz no “Jornal Nacional” que PT criou a Controladoria-Geral da União. Está errado! A CGU foi criada em 2001, no governo… FHC!

Cuidado, Wikipédia! O Planalto pode tentar mudar a história da Controladoria-Geral da União e atribuir a paternidade a Lula. Seria mais uma batida na carteira do governo FHC. Afinal, como se sabe, o PT reivindica até mesmo ter debelado a inflação no país, não é? Daqui a pouco, vai dizer que foi o criador do Plano Real. Ao afirmar que os governos petistas combateram a corrupção como nenhum outro, Dilma saiu-se com a seguinte resposta:

“Bonner, (…) nós, justamente, fomos aquele governo que mais estruturou os mecanismos de combate à corrupção, à irregularidade e maus-feitos. Por exemplo, a Polícia Federal, no meu governo e no do presidente Lula, ganhou imensa autonomia. Para investigar, para descobrir, para prender. Além disso, nós tivemos uma relação muito respeitosa com o Ministério Público. Nenhum procurador-geral da República foi chamado, no meu governo ou no do presidente Lula, de engavetador-geral da República. Por quê? Porque também escolhemos, com absoluta isenção, os procuradores. Outra coisa: fomos nós que criamos a Controladoria-Geral da União, que se transformou num órgão forte e também que investigou e descobriu muitos casos. Terceiro, aliás, eu já estou no quarto. Nós criamos a Lei de Acesso à Informação. Criamos, no governo, um portal da transparência. (…)

Bem, vamos ver. Quem apelidou o então procurador-geral da República de “engavetador-geral da República” foi o PT, que sempre é bom para dar apelidos que desmerecem os adversários, não é mesmo? De resto, o Ministério Público não tem hoje nem mais nem menos autonomia do que tinha no governo FHC. A acusação que Dilma faz, no fim das contas, não é dirigida nem contra Brindeiro nem contra o ex-presidente, mas atinge o próprio MP. Como esquecer que, quando o PT era oposição, uma ala de procuradores militantes passou a atuar de maneira escancaradamente política para produzir uma indústria de denúncias? Isso é apenas um fato.

Mas esse nem é o ponto principal. À diferença do que disse a presidente no Jornal Nacional, não foi o governo petista que criou a Controladoria-Geral da União. Foi o governo FHC, em 2001, por meio da Medida Provisória n° 2.143-31, 2 de abril de 2001. O órgão se chamava, então, Corregedoria-Geral da União. Houve apenas uma mudança de nome, mas não de função: combater, no âmbito do Poder Executivo Federal, a fraude e a corrupção e promover a defesa do patrimônio público.

A ministra que primeiro assumiu a CGU foi Anadyr Mendonça, que prestou um relevante serviço na consolidação do órgão. Pois é… Lula já tomou para si o “Bolsa Família”, que é um ajuntamento de benefícios que já eram pagos no governo FHC. Agora, Dilma muda a história para afirmar que a CGU, criada na governo tucano, também é obra de seu partido.

É até desejável que governantes sejam criativos em matéria de futuro. Ser criativo com o passado costuma caracterizar fraude intelectual.

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Entre os corruptos e o Supremo, Dilma decretou que há um empate

Dilma Rousseff foi a entrevistada de ontem do Jornal Nacional. Não vou analisar aqui a fala da candidata porque entendi, segundo seus próprios pressupostos, que quem concedeu a entrevista foi a presidente da República. Aliás, só isso explica o fato de que ela gozou de um privilégio que aos demais não foi concedido porque nem haveria como: falou na biblioteca do Palácio da Alvorada, não no estúdio do “Jornal Nacional”, a exemplo dos demais. Entendo que a Globo não deveria ter ou aceitado a exigência ou oferecido o benefício. Benefício? É claro que sim! À diferença de Aécio Neves e Eduardo Campos, Dilma estava em território conhecido; os outros não. Há mais: se era a candidata que falava, então havia o uso claro de um aparelho público em benefício da campanha.

Vimos imagens de bastidores, não é? Aécio e Campos foram recebidos por William Bonner em sua sala, na sede da TV Globo, no Rio. No Palácio, suponho, a dupla de jornalistas é que foi recebida por Dilma. Ser o anfitrião, nessas horas, faz diferença, sim — e fez (já chego lá). Não que a entrevista tenha sido chapa branca. Não foi, não! Houve honestidade jornalística. Mas, em certo momento, houve mais dureza do que objetividade. Nota à margem antes que continue: não me venham com a cascata de que o Alvorada é a casa de Dilma, e por isso a entrevista foi concedida lá. Por esse critério, Campos e Aécio deveriam ter recebido os jornalistas, então, em suas respectivas residências. Ou bem Dilma fala como candidata ou bem fala como presidente. Como um híbrido, é que não dá. Até a luz que se via ali era pública, ora. Sigamos.

O ponto da entrevista mais escandalosamente significativo foi aquele em que Dilma se negou a censurar o seu partido por ter defendido os mensaleiros. Mais do que isso: lendo a transcrição de sua fala, a gente percebe que ela não criticou nem mesmo os criminosos. Bonner foi incisivo:
“Então, me deixa agora perguntar à senhora. E em relação a seu partido? O seu partido teve um grupo de elite de pessoas corruptas, comprovadamente corruptas, eu digo isso porque foram julgadas, condenadas e mandadas para a prisão pela mais alta corte do Judiciário brasileiro. Eram corruptos. E o seu partido tratou esses condenados por corrupção como guerreiros, como vítimas, como pessoas que não mereciam esse tratamento, vítimas de injustiça. A pergunta que eu lhe faço: isso não é ser condescendente com a corrupção, candidata?”

Observem que Bonner a chamou por aquilo que ela era naquele momento: “candidata”. E o que ela respondeu? Isto (a gramática é miserável, mas o sentido é claro):
“Eu vou te falar uma coisa, Bonner. Eu sou presidente da República. Eu não faço nenhuma observação sobre julgamentos realizados pelo Supremo Tribunal, por um motivo muito simples: sabe por que, Bonner? Porque a Constituição, ela exige que o presidente da República, como exige dos demais chefes de Poder, que nós respeitemos e consideremos a importância da autonomia dos outros órgãos.”

Acontece que os jornalistas a indagavam sobre o comportamento do partido, não do Supremo. Bonner insistiu duas outras vezes que eles haviam feito uma indagação sobre o partido. Ela não mudou a resposta. Faltou ao editor-chefe do Jornal Nacional deixar claro que a pergunta era dirigida à candidata, não à presidente. Isso não foi dito. Convenham: afinal de contas, candidatos à Presidência não frequentam a biblioteca do Palácio da Alvorada. Na prática, entre os corruptos punidos e o Supremo que os puniu, Dilma preferiu decretar um empate, embora saibamos que ela não teria autonomia para criticar os criminosos ainda que quisesse.

A presidente se enrolou na pergunta sobre a saúde, mas não sei se o telespectador percebeu desse modo. Os entrevistadores fizeram uma síntese das calamidades da área e lembraram que o partido está há 12 anos no poder. A presidente, então, acionou a tecla do programa “Mais Médicos” para demonstrar como seu governo é operoso, embora tenha dito, num dado momento, que a saúde não é “minimamente razoável”. Pois é… Não é minimamente razoável depois de 12 anos de poder petista.

É nessa hora que faltou um tanto de objetividade, números mesmo: entre 2002 e 2013, houve uma redução de 15% na taxa de leitos hospitalares (públicos e privados) por mil habitantes. Entre 2005 e 2012, o SUS perdeu mais de 41 mil leitos. Isso quer dizer que os hospitais privados pediram seu descredenciamento porque não conseguem conviver com a tabela miserável paga pelo sistema. Atenção! Há apenas 0,15 leito psiquiátrico por mil habitantes no país. É a metade do que havia quando o PT chegou ao poder. E já era pouco. Nos países civilizados, a média é de um leito psiquiátrico por 1.000. Isso quer dizer que o Brasil tem menos de um sexto do necessário. Esses poucos leitos, de resto, estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste. Os médicos cubanos são a resposta para isso? É claro que não!

Mas ok. Hoje começa o horário eleitoral gratuito. Em razão de uma legislação indecente, que não vem de hoje — é evidente — Dilma terá mais de 11 minutos, quase o triplo de Aécio, que vem logo a seguir, com mais de quatro minutos. O PSB terá pouco mais de 2 minutos. Dilma poderá falar, então, à vontade, sem ser contraditada por ninguém. É nessas horas que dá o seu melhor.

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Pasmem! Viúva entra na Justiça para impedir homenagem a Eduardo Campos.

A Justiça Eleitoral, em Pernambuco, negou o pedido feito pela coligação Frente Popular, encabeçada pelo candidato ao governo do Estado pelo PSB, Paulo Câmara, de impedimento de uso da imagem de Eduardo Campos na campanha do adversário Armando Monteiro (PTB) - líder na disputa.

A Frente Popular informou que vai recorrer em segunda instância no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Pernambuco. "Horário eleitoral não é lugar de fazer homenagem. Quem quer fazer homenagem, paga anúncio no jornal, escreve um artigo", afirmou Seleno Guedes, presidente do PSB estadual.

A ação cautelar foi enviada pela Frente Popular, em nome da viúva, Renata Campos, e dos cinco filhos do ex-governador morto. O objetivo era evitar que Monteiro tente se apropriar da popularidade de Campos (reeleito governador do Estado em 2010 com 83% dos votos) usando sua aliança do PTB com o PSB durante os dois mandatos (2006-2010 e 2011-2014).

Monteiro vai veicular em seu primeiro programa eleitoral uma homenagem a Campos; só falta definir qual será o formato da peça. O PTB foi base do governo Campos em Pernambuco e deixou a aliança nesta eleição.(Estadão)

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O que foi aquilo no Jornal Nacional?

Dilma Rousseff proporcionou ao país momentos vergonhosos na sua entrevista ao Jornal Nacional. Não respondeu a nenhuma pergunta, escolhendo a técnica de gastar o tempo com respostas longas, o que criou vários momentos de tensão com Willian Bonner. O ponto alto foi quando esquivou-se de responder o que acha sobre o fato de seu partido, o PT, tratar ex-integrantes da elite da legenda como heróis, numa referência ao julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal que levou à prisão ex-dirigentes da sigla, como o ex-ministro José Dirceu.

“Sou presidente da República. Não faço observação sobre julgamento feito pelo Tribunal”, disse. Pressionada pelos apresentadores do telejornal, William Bonner e Patrícia Poeta, Dilma continuou a responder à sua maneira. “Não vou tomar posição que me coloque em confronto. Aceitando ou não, eu respeito a Corte brasileira”, afirmou. Ou seja: não respondeu sobre o tratamento de heróis que o PT dá aos bandidos mensaleiros. Sobre corrupção, ainda, mentiu que o PT criou a Controladoria Geral da União (CGU), que foi criada em 2001.

Inquirida sobre por que o seu partido não resolveu o problema da Saúde em 12 anos, desandou a falar sobre o Mais Médicos. No final, Patrícia Poeta afirmou por ela que ela, então, aceitava que a Saúde era mesmo um problema no país. Sobre economia, falou coisas que ninguém entende, criando expressões que não existem na teoria econômica. Finalmente, estourou o tempo da entrevista, tendo que ser calada pelos apresentadores. Literalmente.

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Marina não subirá no palanque de Alckmin e de Lindbergh
Gabriel Garcia

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) nem se recuperou da perda do seu maior líder, o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, e já precisa definir os rumos que seguirá nas eleições para presidente da República neste ano.

Após a queda do avião que levava Eduardo do Rio de Janeiro para Santos (SP), na quarta-feira (13), que culminou com as mortes do presidenciável e de seus assessores, o partido se reúne nesta semana para alçar a ex-senadora Marina Silva candidata a presidente.

Diferente de Eduardo, Marina havia disputado uma eleição presidencial, em 2010, quando conquistou 20 milhões de votos. Em 2014, desponta com chances mais claras de vitória. Venceria a presidente Dilma Rousseff no segundo turno, segundo pesquisa Datafolha.

Em entrevista ao blog, o deputado Walter Feldman (SP), fiel escudeiro de Marina e um dos fundadores do partido Rede, afirma que as alianças defendidas por Eduardo serão preservadas.

Marina, no entanto, não subirá nos palanques do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do candidato ao governo do Rio, Lindbergh Farias (PT). É o que garante Feldman.

Marina e Feldman se filiaram, juntamente com outros políticos, ao PSB após o Tribunal Superior Eleitoral rejeitar, em 2013, o registro do partido Rede Sustentabilidade.

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PT e PSDB elegem Marina como alvo para tentar retomar polarização
Vera Rosa, Estadão

Uma operação de bastidores para tentar desconstruir a nova candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, já começou a ser preparada nos comitês de campanha da presidente Dilma Rousseff e do concorrente do PSDB, Aécio Neves. No horário eleitoral gratuito, hoje, todos os candidatos farão uma homenagem a Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na quarta-feira, mas, longe dos holofotes, Marina não terá vida fácil.

Os comitês de Dilma e Aécio pretendem questionar a capacidade de gestão da ex-ministra do Meio Ambiente a fim de tentar retomar a polarização entre petistas e tucanos que já dura 20 anos. Em conversa após o velório de Campos, no domingo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a Dilma que é preciso tomar cuidado com Marina para que ela não se consolide no segundo lugar da disputa.

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Dilma se recusa a responder pergunta sobre mensaleiros
O Globo

Em entrevista ao "Jornal Nacional", realizada na biblioteca do Palácio da Alvorada, a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, admitiu que a situação na área da Saúde "não é minimamente razoável", mas defendeu as ações do governo, como o programa Mais Médicos. Apesar da insistência, Dilma se recusou a responder sobre a atitude do PT diante do escândalo do mensalão, que tratou os condenados como heróis.

Por repetidas vezes, Dilma disse que não comenta decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) por ser presidente da República e respeitar a independência entre os Poderes. Em certos momentos, a presidente se mostrava tensa e incomodada em ser interrompida com novas perguntas. Ao final, Dilma disse que a economia vai melhorar no segundo semestre, rebateu o pessimismo e pediu votos aos eleitores.

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Barroso anula decisão de Barbosa e impede leilão de bens de Valério
Carolina Brígido, O Globo

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a decisão tomada pelo ex-ministro Joaquim Barbosa que determinava o leilão dos bens bloqueados de Marcos Valério no processo do mensalão. Barroso argumentou que a medida deveria ter sido tomada pela Vara de Execuções Penais (VEP), e não pelo STF.

Também ficou anulada a ordem para leiloar bens da mulher de Valério, Renilda de Souza; dos sócios dele, Rogério Tolentino, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, e de cinco empresas do grupo.

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Quem furar cerco ao Ebola será baleado na Libéria
Estadão

As Forças Armadas da Libéria receberam ordem para atirar em quem tentar furar o cordão sanitário criado há cinco dias para tentar conter o vírus Ebola. A informação foi dada pelo jornal Daily Observer. O medo do surto ainda fez Camarões anunciar o fechamento da fronteira com a Nigéria. O mesmo será feito nesta terça pelo Quênia em relação à Guiné.

A ordem de atirar em quem tentar furar a barreira sanitária foi dada para os soldados nos Condados de Bomi e Grand Cape Mount, na fronteira noroeste do país com Serra Leoa. A ordem de atirar em quem tentar atravessar a fronteira ilegalmente foi dada pelo subchefe do Estado-Maior, o coronel Eric W. Dennis.

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Brasileiro é vetado em emprego na Austrália por ser negro
O Globo

O brasileiro naturalizado australiano, Nilson dos Santos, é mais uma vítima de discriminação racial. Santos conta que foi recusado para uma vaga de barista no restaurante 'Forbes & Burton', localizado em Darlinghurst, nos arredores de Sydney, porque, segundo o dono, seus clientes não gostariam que seu café fosse feito por negros, mas sim por habitantes locais.

O mais surpreendente é que o proprietário do café, que se identificou apenas como Steven, não é natural da Austrália, e sim de Xangai, na China, de onde partiu no ano passado.

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Bolsa tem alta, influenciada por Datafolha e ações da Petrobras
Luís Lima, Veja

A possibilidade de derrota de Dilma Rousseff (PT) em um eventual segundo turno contra Marina Silva, que deve ser a sucessora de Eduardo Campos na chapa do PSB, contribuiu para a alta de 1,05% do Ibovespa no pregão de ontem, segundo analistas do mercado financeiro.

Pesquisa Datafolha, divulgada ontem, mostrou que Marina venceria com 47% das intenções de voto, contra 43% de Dilma. A valorização da bolsa brasileira foi impulsionada, principalmente, pela alta dos papéis da Petrobras. As ações preferenciais da petroleira (sem direito a voto) subiram 1,50% e as ordinárias, 1,11%.

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Ministros venezuelanos colocam cargos à disposição de Maduro
G1

Os ministros e altos funcionários do governo da Venezuela colocaram seus cargos à disposição do presidente Nicolás Maduro, para uma eventual reorganização do governo, anunciou o vice-presidente, Jorge Arreaza. "Como equipe de trabalho, colocamos nossos cargos à disposição do presidente Nicolás Maduro para que tome as decisões na reorganização do Poder Executivo, na reorganização do estado revolucionário nos próximos dias", disse.

Arreaza explicou que a "decisão foi tomada de acordo com Maduro e faz parte de um programa para tornar o Estado mais eficiente, especialmente para atender o cidadão e combater a corrupção nos distintos níveis do governo".

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A ofensiva jihadista reacende as tensões entre curdos e árabes
Ângeles Espinosa, El País

Makhmur é um povoado fantasma. O calor do meio-dia faz pensar que seus habitantes estão fazendo a sesta. Mas não somente as portas estão fechadas, como não existem carros nas ruas, nem se ouvem as crianças. Ainda que há uma semana as forças curdas (peshmergas) recuperaram a localidade das mãos do Estado Islâmico (EI), a maioria de seus habitantes não se atreveu a regressar.

O atual conflito reavivou as tensões entre curdos e árabes iraquianos, e os jihadistas ainda estão a vinte quilômetros de distância. “Como vou trazer minha família nestas condições?”, pergunta Ismail Husein, mostrando o buraco causado por um morteiro no teto do segundo andar de sua casa, uma modesta construção de paredes e chão de concreto.

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Obama envia secretário de Justiça para Ferguson
Estadão

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, vai enviar o secretário de Justiça, Eric Holder, para Ferguson, no Missouri, com o objetivo de se encontrar com autoridades que investigam a morte de um adolescente desarmado atingido por tiros da polícia. Segundo ele, Holder vai viajar para os subúrbios de St. Louis na quarta-feira.

O procurador autorizou recentemente a autópsia do corpo de Michael Brown, o jovem de 18 anos que levou um tiro fatal no dia 9 de agosto. O garoto era negro e o policial que atirou é branco. Obama fez o anúncio da Casa Branca ontem, após uma autópsia independente determinar que Brown levou ao menos seis tiros, incluindo dois na cabeça.

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Cessar-fogo em Gaza é prorrogado por mais 24 horas
O Globo

O cessar-fogo de cinco dias entre Israel e as facções palestinas foi prorrogado por mais um dia, para que as negociações continuem no Cairo. A extensão do cessar-fogo foi anunciada por Izat Arashaq, membro dos Hamas, e confirmada por membros da delegação israelense.

"Há otimismo, e tudo indica que temos chances de conseguir um acordo superior a todos os que conseguimos até agora", afirmou um membro da delegação palestina. "Uma negociação de seis horas nessa segunda, além de uma reunião de nove horas no domingo, levaram a uma série de acordos em diferentes tópicos."

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JN: Dilma mudou muito, e não deixou endereço

Com o passar dos anos, as pessoas mudam muito. Por exemplo: a Dilma que foi ao ar na noite desta segunda-feira no Jornal Nacional não tinha nada a ver com a Rousseff que prevaleceu na sucessão de 2010 como protótipo da eficiência gerencial. Em menos de quatro anos, a personagem perdeu o colorido e o discurso. Hoje, surpreende mais pelas perguntas que é obrigada a ouvir do que pelas respostas que não consegue dar.

Já na primeira pergunta, Willian Bonner pronunciou o vocábulo “corrupção” uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete vezes. No seu governo houve uma série de escândalos de corrupção, disse ele. Houve corrupção na pasta da Agricultura, corrupção nas Cidades, nos Esportes… Houve escândalo de corrupção na Saúde, nos Transportes… Houve corrupção no Turismo, no Trabalho… A Petrobras é alvo de duas CPIs.

Bonner, finalmente, indagou: qual é a dificuldade de se cercar de pessoas honestas, que lhe permitam formar uma equipe de governo honesta, que evite esta situação que nós vimos de repetidos casos de corrupção? Não há uma sensação no ar de que o PT descuida da questão da corrupção?

A Dilma de 2010, durona e irascível, talvez colocasse o inquiridor petulante para fora da biblioteca do Alvorada a pontapés. A Rousseff de 2014, treinada para suportar o insuportável, repetiu o mesmo lero-lero ensaiado que vem recitando na série de entrevistas e sabatinas que a campanha eleitoral lhe impõe.

No meu governo e no do presidente Lula, a Polícia Federal ganhou autonomia, ela respondeu. Nos nossos governos, o procurador-geral não é chamado de engavetador-geral da República. Criamos a CGU e a Lei de Acesso à Informação, blá, blá, blá…

Antes famosa por mandar para o olho da rua ministros pilhados em malfeitos, Dilma agora defende o lixo que varreu. Muitos daqueles que foram identificados pela mídia como praticantes de atos indevidos foram posteriormente inocentados, declarou, abstendo-se de dar pseudônimo aos bois.

E Bonner: em quatro casos de corrupção, a senhora trocou um ministro por alguém que era do mesmo partido e do mesmo grupo político. Isso não é trocar seis por meia dúzia? Nesse ponto, Dilma citou como evidência do apuro ético de sua administração o caso da chantagem do PR. Em troca de 1min15s de propaganda no rádio e na tevê, o partido do mensaleiro preso Valdemar Costa Neto exigiu a demissão do ministro Cesar Borges (Transportes).

Fui muito criticada por ter substituído o César Borges pelo Paulo Sérgio, declarou a presidente-candidata. Ora, o Paulo Sérgio foi meu ministro e foi ministro do presidente Lula. Quando saiu do ministério, ele ficou dentro do governo noutro cargo importante, que é da Empresa de Planejamento Logístico. O Cesar Borges o substituiu. Posteriormente, eu troquei o César Borges novamente pelo Paulo Sérgio. E o César Borges também ficou dentro do governo, na Secretaria de Portos. Os dois são pessoas que eu escolhi.

Mas não foi exigência do partido?, estranhou Bonner. Dilma enforcou-se com a própria corda: os partidos podem fazer exigências, ela consentiu. Mas eu só aceito quando considero que ambos são pessoas íntegras, competentes, com tradição na área. Troquei porque eu tinha confiança nessas pessoas. Hummm… O telespectador ficou sem entender porque Dilma entregou o escalpo de Cesar Borges ao PR, partido de notória reputação, se o considerava um ministro assim, digamos, irrepreensível.

Na sequência, Bonner esfregou, por assim dizer, o mensalão na face da anfitriã. Seu partido teve um grupo de elite de pessoas corruptas, declarou. Comprovadamente corruptas, enfatizou. Foram julgadas, condenadas e enviadas à prisão, voltou a realçar. Eram corruptos, insistiu. E o PT tratou esses condenados por corrupção como guerreiros, vítimas de injustiça. Isso não é ser condescendente com a corrupção?

A exemplo do que fizera noutras entrevistas, Dilma recorreu à desconversa: eu sou presidente da República, afirmou, como se desejasse convencer-se a si própria de sua condição privilegiada. Não faço nenhuma observação sobre julgamentos realizados pelo Supremo Tribunal Federal. Sabe por quê? Porque a Constituição exige que o presidente da República respeite a autonomia dos outros Poderes.

Mas a senhora condena o comportamento do PT?, insistiu o entrevistador. Eu tenho minhas opiniões pessoais, mas não julgo ações do Supremo, Dilma voltou a escorregar. Bonner insistiu: e quanto à ação do partido? Enquanto eu for presidente, não externo opinião a respeito de julgamento do Supremo, repetiu a entrevistada, como um disco de vinil arranhado.

Entre venenoso e generoso, Bonner ofereceu a Dilma uma derradeira oportunidade para distanciar sua presidência do escândalo que tisnou a gestão do padrinho-antecessor: mas candidata, a pergunta que eu lhe fiz foi sobre a postura do seu partido. Qual sua posição a respeito da postura do seu partido?

Mais lulodependente do que nunca, Dilma preferiu arrastar as correntes dos fantasmas alheios: não vou tomar nenhuma posição que me coloque em confronto com o STF, aceitando ou não. Eu respeito a decisão da Suprema Corte brasileira. Isso não é uma questão subjetiva. Para exercer a Presidência, eu tenho de fazer isso.

De duas, uma: ou Dilma concorda com Lula, que disse que o julgamento dos mensaleiros foi “80% político”, ou aprova as condenações e silencia apenas para não fazer a pose de um navio abandonando os ratos. O petismo não toleraria tamanha afronta.

Patrícia Poeta mudou de assunto. Corrupção não é o único problema, disse ela. A saúde continua sendo a maior preocupação dos brasileiros, segundo o Datafolha. Isso depois de 12 anos de governos do PT. Mais de uma década não foi tempo suficiente para colocar a saúde nos trilhos?

Convidada a fazer um balanço de três mandatos, Dilma falou do Mais Médicos, um programa improvisado em cima da perna, no ano passado, nas pegadas do ronco das ruas de junho. Nós enfrentamos um dos mais graves desafios que há na Saúde, a candidata afirmou. Nós tivemos uma atitude muito corajosa, ela acredita. Contratamos 14.462 médicos, incluindo os cubanos. Cinquenta milhões de brasileiros que não tinham atendimento médico passaram a ter.

A entrevistadora foi ao ponto: a senhora diria, então, diante dos nossos telespectadores, que enfrentam filas e filas nos hospitais, que muitas vezes são atendidos em macas e não conseguem fazer um exame de diagnóstico, que a situação da Saúde no nosso país é minimamente razoável depois de 12 anos de governos do PT?

Não, não acho, não acho, viu-se compelida a admitir Dilma, com a ênfase de três negativas. Quando se imaginava que ela serviria às câmeras uma autocrítica, a candidata dividiu as culpas com governadores e prefeitos. O Brasil precisa também de uma reforma federativa, porque há responsabilidades federais, estaduais e municipais, disse Dilma, antes de repisar a tese segundo a qual o Mais Médicos levou 50 milhões de brasileiros para o Éden da saúde.

Cutucada sobre a inflação alta e o PIB baixo, Dilma serviu o kit básico de desculpas: a crise internacional, o excesso de pessimismo e a perspectiva de melhorias neste segundo semestre. Convidada a utilizar os segundos finais da entrevista para enumerar seus planos para o segundo mandato, declarou o seguinte:

“Fui eleita para dar continuidade aos avanços do governo Lula. Ao mesmo tempo, nós preparamos o Brasil para um novo ciclo de crescimento. O Brasil moderno, mais inclusivo, mais produtivo, mais competitivo. Nós criamos as condições para o país dar um salto, colocando a educação no centro de tudo. E isso significa, Bonner, que nós queremos continuar a ser um país de classe média. Cada vez maior a participação da classe média, mais oportunidades para todos… Eu acredito no Brasil. Acho que, mais do que nunca, todos nós precisamos acreditar no Brasil e diminuir o pessimismo. E peço o voto dos telespectadores e…'' Acabou o tempo, interrompeu Bonner.

Restou a impressão de que, por mais que seus sucessivos entrevistadores tentem, Dilma nunca vai chorar pelo leite derramado durante o seu governo. O diabo é que os 35% de eleitores que a rejeitam parecem achar importante saber quem derramou o leite, por quê e em que circunstâncias… Até para que o fenômeno não se repita num eventual segundo mandato.

Dilma pede um voto de confiança. Mas um telespectador refratário à reeleição talvez pergunte aos seus botões: por que diabos eu deveria confiar uma bandeja com um copo de leite a uma presidente que se esquiva de explicar desastres que envergonhariam qualquer garçom de boteco? Aliás, se fossem repetidas num botequim, algumas das perguntas que soaram no Alvorada talvez terminassem numa troca de sopapos. Mas a Dilma de 2014 já não é a mesma Rousseff de 2010. Ela mudou muito. E não deixou endereço.

- Serviço: aqui, a íntegra da entrevista

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Matando o tempo!



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Blog do Noblat

A guerra dos tronos, por Ricardo Noblat
Tal avô, tal pai adotivo e tal filho.

Há nove anos, pouco antes de morrer, o mítico Miguel Arraes, três vezes governador de Pernambuco, cassado e exilado pela ditadura de 1964, ouviu a provocação feita por um amigo do seu neto, Eduardo Campos: “Não está na hora de passar o chapéu, doutor?”.

Arraes respondeu de pronto: “Quem quiser que pegue”.

Isto é: não indicarei um herdeiro. Quem quiser que conquiste o lugar.

Entre amigos, mais de uma vez nos últimos anos, Lula disse que considerava Eduardo uma espécie de filho adotivo seu.

Quem, dentro do PT, Lula formou para sucedê-lo no comando do partido? Por todos os meios possíveis, Lula sempre deu um jeito de apagar quem lhe pudesse fazer sombra.

Concorreu à presidência da República cinco vezes. Para substituí-lo por quatro anos apenas, Iluminou um poste chamado Dilma.

O poste rebelou-se, bateu o salto no chão com raiva e decidiu tentar se reeleger. Lula amaldiçoa a hora em que não abriu o jogo e combinou com Dilma que em 2014 seria novamente a vez dele.

Agora é tarde. Nem mesmo o fantasma de Marina Silva será capaz de remover Dilma do caminho de Lula. Se depender de Dilma, Lula brilhará em sua campanha e a seu serviço. Mas não dividirá o protagonismo com ela.

Arraes morreu de morte morrida aos 89 anos de idade. Eduardo, de morte inesperada, trágica, aos 49 anos.

Como o avô e o pai adotivo, Eduardo não deixa herdeiros. Primeiro porque não teve tempo para deixar. Segundo porque não fez questão de deixar.

Marina disputará a vaga de Dilma porque era vice de Eduardo – não porque fosse sua herdeira.

Pernambuco, um dos Estados mais politizados do país, ficou politicamente órfão.

Tamanha era a força de Eduardo que ele se reelegeu em 2010 com 82% dos votos, ganhou a eleição em todos os municípios do Estado, encabeçou nos últimos quatro anos a lista dos governadores mais bem avaliados do país, e juntou 20 partidos para derrotar fragorosamente o PT há dois anos e eleger prefeito do Recife quem jamais disputara uma eleição.

Os amigos, às suas costas, o chamavam de “O Imperador”. Pois bem: “O Imperador” indicou para seu lugar um ex-auxiliar que, como o prefeito, era novato em matéria de eleição – o técnico Paulo Câmara, ex-secretário da Administração e da Fazenda de Eduardo.

O Datafolha, no sábado passado, conferiu a Paulo 13% das intenções de voto contra 47% de Armando Monteiro Filho, candidato apoiado pelo PT.

Se estivesse vivo, Eduardo daria um jeito de animar seus seguidores.

Dotado de uma extraordinária autoconfiança, de uma capacidade de trabalho invejada por amigos e adversários e de um admirável poder de persuasão, para Eduardo não existia o talvez ou o quem sabe.

Parecia convencido de que nada o impediria de atingir de fato seus objetivos. E a se levar em conta sua curta, mas meteórica e bem-sucedida trajetória política, estava certo.

Eduardo morreu convencido de que elegeria seu candidato ao governo de Pernambuco, e de que venceria Dilma no segundo turno com a ajuda de Aécio Neves, do PSDB.

Da única vez que falou para milhões de brasileiros – cerca de 35 milhões, a audiência do Jornal Nacional na última terça-feira -, cunhou a frase pela qual começa a se tornar conhecido: “Não vamos desistir do Brasil”.

Pouco depois de dizê-la, e como não parasse de falar, ouviu de Patricia Poeta, apresentadora do telejornal, a advertência curta e grossa: “Seu tempo acabou, candidato”.

Morreu no dia seguinte. Virou história.

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Dia crucial para Dilma.

Às vésperas do horário eleitoral, um dia depois de ser vaiada no velório de Eduardo Campos, mesmo estando ao lado de Lula, com a campanha despedaçada pela pesquisa Datafolha "boca de velório" que a coloca perdendo a eleição para Marina Silva no segundo turno, Dilma Rousseff enfrenta a bancada do Jornal Nacional. A eleição pode estar na mão de Willian Bonner e Patrícia Poeta. Resta saber se os dois apresentadores, tão duros com Aécio e Campos, terão pulso e coragem para impedir que a truculência de Dilma domine a entrevista.

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Datafolha "boca de velório" desmonta campanha petista.

E agora, João Santana? E agora, Dilma? E agora, Lula? E agora, PT? Todo o discurso do "nós contra eles" caiu por terra com a entrada de Marina Silva no páreo. Ela passa a ser mais um adversário e fez parte do governo Lula, durante anos. Tem DNA petista. Se a campanha do PT ficar atacando o PSDB, Marina sobe, vai para o segundo turno e leva os votos tucanos. Como mostrou a pesquisa "boca de velório" do Datafolha que saiu hoje, a ex-petista costuma levar 100% dos votos da floresta. É a Marina correntão. Não esquecer, também, que todo o discurso marineiro é de alternativa à "polarização", é de "terceira via". Pior de tudo: não dá para espalhar boato de que a antiga seringueira vai acabar com a Bolsa Família ou que é da elite branca e cheirosa de Higienópolis, com aquela cara de Madre Teresa do Xapuri. A verdade é que o marqueteiro vai ter que mudar o discurso petista na última hora. Tudo o que fizeram até agora está morto e sepultado pela trágica ascensão de Marina Silva.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Datafolha: Por que Dilma, Aécio e Marina podem tanto comemorar como se preocupar

A Folha desta segunda traz os números da mais recente pesquisa Datafolha para a corrida presidencial. Querem saber? Todos — Dilma Rousseff, Aécio Neves e Marina Silva — têm motivos para comemorar um pouco e para se preocupar também. Vou dizer por quê. . Segundo os números apurados, se a eleição fosse hoje, Dilma, do PT, teria 36% das intenções de voto, marca idêntica à obtida há um mês, quando o candidato do PSB era Eduardo Campos. Também o tucano Aécio Neves fica no mesmo lugar: com 20%. E Marina? Ela ressurge na disputa com 21%, tecnicamente empatada com o candidato do PSDB — há um mês, Campos tinha apenas 8%.

Se Dilma e Aécio não perderam votos e se Marina aparece com 13 pontos a mais do que Campos, de onde saiu essa diferença? Dos bancos/nulos e dos que não tinham candidato. Há um mês, 13% demonstravam a disposição de não votar em ninguém; agora, são apenas 8%. Os que diziam não saber eram 14%; agora, são 9%. Os demais candidatos somavam 8%; agora, apenas 5% — Pastor Everaldo, do PSC, conservou seus 3% (os infográficos que aparecem neste post foram publicados na edição impressa da Folha).

Conclusão óbvia: Marina, a candidata que mais se identificou com os protestos de rua iniciados em abril do ano passado e que nunca censurou, de modo inequívoco, nem mesmo as manifestações violentas,  beneficia-se, vamos dizer assim, do ódio à política e aos políticos. Ela sempre foi muito hábil em fazer de conta que não é feita do mesmo barro que compõe os mortais da vida pública. Há mais: fica evidente, como apontei aqui tantas vezes, que ela não transferia votos para Campos.

No segundo turno, a estarem certos os números, há uma novidade importante. Marina Silva aparece em empate técnico com Dilma, mas numericamente à frente: 47% a 43%. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Contra Aécio, a petista lideraria com 47% a 39%, com oito pontos de diferença.

Então vamos pensar um pouco na contramão do que parece óbvio. A tragédia que colheu Eduardo Campos já atingiu o seu auge. Não há mais como espetacularizar o acontecimento. O Datafolha ouviu 2.843 pessoas nos dias 14 e 15 de agosto. O ex-governador de Pernambuco morreu no dia 13. Obviamente, cairá, a partir de agora, o impacto do acontecimento.

Não dá para ignorar que a nova realidade é ruim para Dilma porque está eliminada, agora de modo inequívoco,  a possibilidade de ela vencer no primeiro turno: seus adversários somam 46 pontos — 10 a mais do que os seus 36. Ela tem ainda a lamentar a rejeição, que segue altíssima: 34% dizem não votar nela de jeito nenhum, índice praticamente igual aos que votam: 36%. Resta o que a comemorar? Duas coisas: apesar da avalanche do noticiário, manteve seu patrimônio eleitoral no primeiro turno e se distanciou um pouco de Aécio no segundo. Também melhorou a avaliação do governo, segundo o Datafolha ao menos: ele é agora considerado ruim ou péssimo por 23% — há um mês, eram 29%. Dizem ser bom ou ótimo 38% — contra 32% em julho. Os mesmos 38% o consideram regular.

A exemplo de Dilma, Aécio conservou os pontos que tinha: 20%. Como a sua candidatura poderia ter sido a mais exposta a prejuízos em razão da entrada de um novo nome no terreno oposicionista, não deixa de ser positivo que tenha mantido o seu eleitorado. A diferença de oito pontos no segundo turno é ruim quando se compara com os apenas 4 do Datafolha anterior. No Ibope de há 11 dias, no entanto, era de 6 pontos. O patamar é o mesmo.

E Marina? Só recebeu boas notícias da pesquisa? Não custa lembrar que, no último Datafolha em que o nome dela apareceu, em abril — antes que ficasse claro que o candidato seria Campos —, ela chegou a marcar 27%. Vale dizer: nem a tragédia monumental, que lhe garantiu uma visibilidade inédita, com todas as tintas da tragédia e da evidente exploração política, lhe devolveu ao patamar a que já havia chegado.

Aparecer à frente de Dilma no segundo turno, dadas as circunstâncias e considerando o momento em que se faz a pesquisa, me parecia desde sempre plausível. O horário eleitoral começa amanhã. Dilma tem um latifúndio: 11min24s contra apenas 4min35s de Aécio e 2min3s de Marina. Mais: a candidata da Rede — ora no PSB — agora terá de falar o que que quer. Como vice de Campos, ela se limitava a dizer alguns “nãos”. Vamos ver.

A síntese das sínteses:
1: Dilma e Aécio certamente esperavam notícias piores;
2: Marina certamente esperava notícia ainda melhor;
3: o segundo turno já é uma realidade inescapável;
4: a estarem certos os números do Datafolha, o horário eleitoral começa com uma certa recuperação de prestígio do governo;
5: a rejeição a Dilma continua elevadíssima;
6: Marina e Dilma são certamente mais conhecidas do que Aécio, e o início do horário eleitoral pode ser, relativamente, mais positivo para ele do que para elas;
7: Estamos diante da disputa eleitoral de resultado mais incerto desde a redemocratização do Brasil.

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A segunda viuvez eleitoreira de Marina no velório e no sepultamento que acabou deixando de lado o decoro e se transformando em micareta eleitoral

Explico. Deixo textos fáceis para outros. Alinho-me com aqueles que preferem os difíceis, ainda que sob pena de desagradar a muitos, até mesmo a alguns leitores habituais. Não posso fazer nada. Penso o que penso. E meu único compromisso aqui no blog, na Folha ou na Jovem Pan é este: dizer o que penso. Vamos lá. De súbito, Eduardo Campos virou a versão masculina e brasileira de Inês de Castro, aquela “que, depois de ser morta, foi rainha”, na formulação imortal de Camões, em “Os Lusíadas”. Se tiverem curiosidade, pesquisem a respeito da personagem. As circunstâncias são outras, mas, nos dois casos, há uma espécie de coroação post mortem. Marina Silva, já apontei aqui, para a minha não-supresa, fez-se a viúva profissional de mais um cadáver. Campos foi, sim, coroado rei. Morto no entanto, logo alguém se lembrou de dar vivas à nova rainha. Tudo bastante constrangedor para quem repudia a demagogia, o mau gosto e a exploração da morte como moeda eleitoral.

Vocês sabem que tratei aqui de modo muito decoroso — e não pretendo mudar a rota — a morte de Campos. Mesmo o comportamento da família me parecia correto a mais não poder. Havia dor genuína, mas também comedimento. Havia sofrimento, porém temperado pelo pudor. Afinal, morria o marido, o filho, o pai… Vi, bastante comovido, e comentei nesta página o vídeo que seus filhos fizeram em homenagem ao Dia dos Pais, tornado público três dias antes da tragédia. Renata, a viúva de verdade, preferia, então, o silêncio e, a despeito do aparato que a cerca, não vi partir dela nenhuma nota fora do tom. A cerimônia de sepultamento neste domingo, no entanto, fugiu, obviamente, ao controle. Assistimos ao enterro inequívoco de um político. E o que se via ali era muita gente organizada para fazer o cadáver procriar… votos.

Não me peçam para compactuar com isso. Achei justo e correto que se organizasse um velório público. Campos era um governante popular em sua terra e morreu de forma trágica. Mas pergunto: o que fazia aquela faixa no veículo do Corpo de Bombeiros com a declaração “Não vamos desistir do Brasil”, lema idêntico ao que se lia na camiseta de seus filhos, três deles desfilando sobre a viatura, com os respectivos punhos cerrados, numa manifestação inequivocamente política? Não! Eu não posso me desculpar por estar aqui a apontar a inadequação da manifestação se eles próprios não souberam separar, como seria o correto, o domínio da dor, que creio ser verdadeira, daquele em que se aloja a pregação eleitoral. Os fogos de artifício, então, não deixaram a menor dúvida de que o velório e sepultamento haviam se transformado numa micareta política. Lamentável. Como era o esperado, houve tempo para vaias à presidente da República e a seu antecessor, Lula, , aos gritos de “Fora, Dilma!”, “Fora, PT!” e, é óbvio, “Marina Presidente!”

Infelizmente, para a tristeza do Brasil, no sentido mais amplo da expressão, o Campos morto ganhou uma projeção que o vivo jamais conseguiu. E Marina, mais uma vez, se apresentou como a viúva de plantão. O PSB ainda não fez dela a candidata, mas é só uma questão de tempo. A já presidenciável teve cinco dias ininterruptos de horário eleitoral gratuito. E, com seu ar sempre pesaroso, magro, quase quebradiço — mas sem se esquecer de acenar de vez em quando e de deixar escapar furtivos sorrisos —, empertigou-se quando necessário para vestir o manto da fortaleza moral e se apresentar para a batalha.

Não foi, assim, então, quando se transformou numa espécie de viúva oficiosa de Chico Mendes? Até hoje há quem acredite que ela era uma seringueira dos pés descalços quando ele foi assassinado, em dezembro de 1988. Não! Ela já tinha sido eleita vereadora um mês antes e, àquela altura, já era militante do PT e da CUT. Tinha fundado com Mendes, em 1985, a central sindical no Acre. Mas ficou com o espólio político do cadáver, como fica, agora, com o de Campos. Rei morto, viúva posta. Em vez de “Brasil pra frente, Eduardo presidente”, o grito de guerra dos campistas, ouviu-se, então, no velório, “Brasil, pra frente! Marina presidente!”.

Não foi um dia feliz para o comedimento, para o decoro, para o bom gosto e para o bom senso. Que Deus tenha piedade do Brasil se os eleitores não tiverem!

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Ritmo da sucessão é decidido pelo ‘de repente’

A ideia de “processo”, presente na história das eleições presidenciais brasileiras —em maior ou menor grau— há mais de duas décadas, sofreu um abalo na sucessão de Dilma Rousseff. Na disputa atual, a previsibilidade entrou em crise. Quem dita o ritmo é o “de repente.” O repentino já deu o ar de sua (des)graça três vezes. Ele invade a cena sempre coligado com os interesses de Marina Silva, subitamente convertida na principal ameaça ao projeto re-re-reeleitoral do PT.

A coisa começou a ficar esquisita para Dilma no ano passado. No início de 2013, ela chefiava um governo de muito sucesso. Pesquisa Datafolha divulgada em março do ano passado informou que 65% dos brasileiros aprovavam sua gestão. Na primeira semana de junho, a taxa havia recuado um pouco, mas ainda situava-se no confortável patamar de 57%.

De repente, a rapaziada foi ao asfalto. Nascida de um arrulho contra os centavos adicionados no preço das tarifas de transportes urbanos, a onda de protestos converteu-se num berro que ecoou por todo país, infernizando os políticos e atomizando o prestígio dos governantes. Num intervalo de três semanas, o pretígio de Dilma despencou 27 pontos. Ela jamais seria a mesma.

No final de junho de 2013, o percentual de brasileiros que consideravam o governo bom ou ótimo ruiu de 57% para 30%. Foi a maior queda de um presidente entre uma pesquisa e outra desde 1990, quando Fernando Collor decretara o confisco da poupança. Entre março e junho daquele ano, o tombo fora de 35 pontos —de 71% para 36%.

Os protestos de junho roeram também a taxa de intenção de votos de Dilma. Como num sorvo de gigante, as ruas engoliram 21 pontos percentuais. No cenário que parecia mais provável à época, Dilma caíra de 51% para 30% em três semanas. Marina Silva, que ainda guerreava para fundar sua Rede, subira de 16% para 23%. Aécio Neves ascendera de 14% para 17%. E Eduardo Campos oscilara de 6% para 7%.

Se a eleição ocorresse naquele momento, Dilma e Marina mediriam forças num até então insuspeitado segundo turno. O Datafolha farejara, de resto, um surto de desalento. O índice de eleitores sem candidato saltara de 12% para 24%.

Decorridos quatro meses, a Justiça Eleitoral negou registro ao novo partido de Marina. Lula, o PT e o Planalto apontaram os fogos para o alto. Preparavam-se para soltá-los quando, de repente… Em menos de 48 horas, Marina surpreendeu a todos, acomodando seu potencial de votos sob uma inexpressiva candidatura presidencial de Eduardo Campos.

Para estupefação até do próprio Campos, Marina exibiu um desprendimento inusual na política. Três vezes maior nas pesquisas do que o ex-governador de Pernambuco, a mandachuva da Rede se dispôs a abrir mão do sonho presidencial. Atribuindo ao PT o indeferimento do registro do seu partido, ela falou em “ameaça à democracia”. E quis dar uma resposta à altura.

Ao perceber que o “de repente” lhe presenteara com uma vice de mostruário, Eduardo Campos entregou a Marina tudo o que ela pediu: o reconhecimento de que a Rede Sustentabilidade já era um partido, o compromisso de elaborar uma plataforma conjunta e a conversão do seu PSB em abrigo temporário para Marina e sua tribo até que a Justiça Eleitoral liberasse a certidão de nascimento da nova legenda. Imaginou-se que estava inaugurada a terceira via. Engano.

O tempo passou. E a a transfusão do prestígio de Marina para Campos não ocorreu. Com uma vice de luxo, o presidenciável do PSB patinava no acostamento, abaixo dos 10%. Aécio alcançara o patamar de 20%. Porém, numa soma que incluía o Pastor Everaldo, presidenciável nanico do PSC, as três principais forças da oposição somavam 31% no Datafolha do mês passado. Dilma tinha 36%.

Quer dizer: o pedaço do eleitorado que fazia cara de nojo para a reeleição da presidente torcia o nariz também para a eleição dos antagonistas dela. Até cinco dias atrás, Aécio imaginava que Campos seria a escada que o levaria ao segundo turno. E Dilma equipava-se para usar o tempo colossal de propaganda de que dispõe no rádio e na tevê para “dar um salto''. De repente…

A tragédia se imiscuiu na disputa com a pretensão de revogar o já ocorrido e começar tudo de novo. A morte prematura de Eduardo Campos, no frescor dos seus recém-completados 49 anos, devolveu Marina —sempre ela— ao centro do palco. Conforme já comentado aqui, a morte de Campos deu à luz, finalmente a terceira via, tão ansiada por uns quanto temida por outros.

De acordo com o Datafolha levado às manchetes nesta segunda-feira (18), Marina Silva, agora com 21% das intenções de voto, retorna à disputa na segunda colocação. Está um ponto à frente de Aécio Neves (20%), tecnicamente empatada com ele. Dilma amealhou 36%. Potencializou-se a hipótese de uma eleição em dois turnos.

Na simulação do segundo round, Marina aparece à frente de Dilma. Se a eleição fosse hoje, a ex-vice de Eduardo Campos prevaleceria sobre a candidata de Lula por 47% a 43%. Numa disputa direta com Aécio, Dilma venceria com uma margem de oito pontos: 47% a 39%. Ou seja, Marina virou um risco duplo. Ela ameaça tirar Aécio do turno final e arrancar Dilma da poltrona de presidente.

Neste novo Datafolha, Marina não tirou eleitores de Dilma nem de Aécio. Ambos ficaram do mesmo tamanho que tinham no mês passado. Trocando em miúdos: Marina se reposiciona em cena carregada nas costas por aquele pedaço do eleitorado que se queixava de não ter em quem votar. De repente, a turma que roncou nas ruas passa a enxergar na vice de cinco dias atrás uma ótima versa. A menos de dois meses da eleição, nada está definido. Mas de repente…

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Assombração!



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Marina tem 21% no primeiro turno e venceria Dilma no segundo
Gabriel Garcia

A primeira pesquisa eleitoral para presidente da República após a morte de Eduardo Campos, realizada pelo Instituto Datafolha, põe a ex-senadora Marina Silva (PSB) com 21% das intenções de voto.

Marina desbanca o senador Aécio Neves (PSDB) na segunda posição. Aécio aparece com 20% das intenções de voto, o que representa empate técnico. A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, tem 36% da preferência do eleitorado.

As informações foram divulgadas nesta segunda-feira pela Folha de S.Paulo.

Com Marina, praticamente está descartada a chance de a eleição ser definida no primeiro turno.

Na próxima quarta-feira, o PSB se reúne para decidir se lança ou não a ex-ministra como candidata a presidente pelo partido, em substituição a Eduardo. Tal fato é dado como certo. A reunião servirá mais para sacramentar o nome do candidato a vice. O mais cotado é o deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).

Em uma simulação de segundo turno, Marina venceria Dilma, com 47% das intenções de voto contra 43% da petista - situação de empate técnico.

Se o candidato no segundo turno for Aécio, Dilma venceria por 47% a 39%. É o que diz o Datafolha. Dilma ampliou sua vantagem sobre Aécio. Em julho, o cenário era de 44% a 40%.

De acordo com a pesquisa,  a diferença agora está na queda do número de eleitores sem candidato. Com Eduardo, as intenções de voto nulo ou em branco eram 13%. Com Marina, a taxa cai para 8%. Indecisos passaram de 14%, em julho, para 9%, no levantamento atual.

Sem Marina na disputa, segundo o Datafolha, Dilma venceria no primeiro turno, com 41% das intenções de voto, 8% a mais do que a soma dos demais concorrentes.

Por outro lado, houve leve melhora na avaliação do governo. A taxa de rejeição de Dilma - aqueles eleitores que não votam de jeito nenhum em determinado candidato - passou de 35% para 34%. Mesmo assim, ela lidera tal índice. Aécio tem 18% de rejeição e Marina Silva, 11%.

O Datafolha ouviu 2.843 eleitores em 176 municípios nos dias 14 e 15 de agosto. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

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Viúva terá papel central na escolha do nome do vice da chapa do PSB
Júnia Gama e Eduardo Bresciani, O Globo

Em conversas no domingo, após o enterro de Eduardo Campos, socialistas acertaram que o presidente do PSB, Roberto Amaral, e o secretário-geral do partido, Siqueira Campos, conversarão na manhã desta segunda-feira com a viúva do ex-governador, Renata Campos, sobre a situação da vaga para vice. Não se trata de um convite, explicam integrantes do partido, mas de uma consulta às perspectivas da viúva de Campos sobre a sucessão.

Ontem, enquanto Renata Campos amamentava Miguel, seu bebê de quase sete meses, em uma sala no segundo andar do Palácio das Princesas, onde eram velados os restos mortais do marido, nas salas ao lado muitas das conversas já eram sobre o papel político que “dona Renata”, como o ex-governador de Pernambuco a chamava, terá a partir de agora.

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Corpo de Campos é enterrado diante de gritos políticos e cantos
Afonso Benites, El País

Os restos mortais do ex-governador de Pernambuco e presidenciável Eduardo Campos foram enterrados na noite deste domingo em um ambiente que misturava política, folclore pernambucano e fé religiosa no Recife. Cerca de 130.000 pessoas, segundo a Polícia Militar, participaram das solenidades do velório e sepultamento do líder do PSB.

Desde o Palácio do Campo das Princesas, onde ocorreu o velório, até o cemitério do Santo Amaro, os admiradores de Campos e os militantes do partido dele alternavam cânticos de igrejas com gritos políticos. Em um momento cantavam a música "Entra na minha casa" para logo depois entoar o hino nacional ou para criticar a presidente Dilma Rousseff (PT). Em várias ocasiões gritaram “fora Dilma”, mesmo depois de a mandatária ter deixado a cidade.

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A fé evangélica de Marina Silva gera dúvidas sobre sua candidatura
Camila Moraes, El País

É grande a expectativa geral em relação à candidatura de Marina Silva, já apontada como a substituta do Partido Socialista Brasileiro (PSB) nas eleições de outubro à presidência do Brasil depois da morte do candidato Eduardo Campos. E, especialmente, sobre a linha de conduta que guiará sua campanha no PSB a partir de agora.

De maneira particular, é o fato de ser evangélica o que mais agita os que temem que ela possa assumir posturas conservadoras sobre temas sensíveis como o aborto, os homossexuais e as próprias relações entre religião e governo. “Marina é uma pessoa evangélica que é política. Não uma política evangélica, nos moldes dos integrantes da bancada evangélica. Ela não é um Marco Feliciano”, esclareceu Cláudio Couto, cientista político.

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Datafolha: 35% dos eleitores de SP reprovam governo de Dilma
Estadão

A mais recente pesquisa do Datafolha sobre avaliação do governo Dilma Rousseff (PT), realizada em oito Estados na semana passada, mostra resultados distintos nos dois maiores colégios eleitorais do País, São Paulo e Minas Gerais. O resultado foi divulgado ontem. Em São Paulo, o maior colégio eleitoral, com 22% do eleitorado, a aprovação à gestão Dilma continua menor do que a avaliação negativa.

Os que consideram o governo ótimo/bom somam 24%, oscilação de um ponto porcentual em relação ao levantamento anterior (23%). Enquanto a reprovação ao seu governo está em 35%, uma melhora em relação aos 39% de reprovação de julho.

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Renda encosta na dívida e risco de calote cresce
Márcia De Chiara, Estadão

O brasileiro está no fio da navalha: não tem folga no orçamento para ampliar as compras financiadas de itens de maior valor, como carro e eletrônicos, e corre maior risco de ficar inadimplente. É que a renda do trabalhador com carteira assinada cresce no mesmo ritmo do encarecimento do crédito. Com isso, se houver alta adicional no juro, poderá faltar renda para bancar a prestação, revela estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Segundo o estudo, a prestação de um financiamento de R$ 1.000 assumido pelo consumidor nas condições vigentes de juros e prazos médios de junho, o último dado disponível do Banco Central (BC), foi de R$ 39,87. A cifra é 3,5% maior do que a prestação de R$ 38,54 de um empréstimo do mesmo valor contraído um ano atrás.

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Alemanha confirma ‘progressos’ no diálogo entre Rússia e Ucrânia
O Globo

Ministros das Relações Exteriores de Ucrânia, Rússia, França e Alemanha se encontraram em Berlim para discutir a crise entre tropas do governo de Kiev e separatistas pró-Rússia no Leste da Ucrânia. De acordo com o ministro alemão das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier, os ministros informarão os governos nacionais sobre os resultados da reunião que dever continuar na próxima semana.

"A meta ainda é criar um cessar-fogo na Ucrânia e evitar futuras vítimas", afirmou o ministro. "Foi uma discussão difícil, mas acredito que progredimos em alguns tópicos." Steinmeier disse antes da reunião sobre a crise ucraniana que temia uma guerra entre Ucrânia e Rússia.

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Human Rights Watch analisará ação policial em Ferguson
O Globo

Dois representantes da organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) viajam ontem a Ferguson, no Missouri, para estudar a ação das forças de segurança na resposta aos protestos pela morte do adolescente Michael Brown, baleado por um policial em circunstâncias não esclarecidas.

Alba Morales, investigadora criminal, e Natalie Kato, integrante da HRW, devem reunir-se com membros da comunidade e autoridades locais e do estado do Missouri, para documentar os recentes fatos, informou a organização em comunicado. A HRW exigirá uma investigação "crível, imparcial e transparente" da morte de Michael Brown.

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Curdos recuperam controle de represa iraquiana com apoio dos EUA
Veja

Apoiadas pela Força Aérea americana, as forças curdas retomaram o controle ontem sobre a maior represa do Iraque, ao norte de Mossul, após intensos combates com os jihadistas do Estado Islâmico (EI). A informação foi confirmada pelo líder do principal partido curdo iraquiano, Ali Awni.

Segundo ele, agora os combates estão se desenrolando em Tal Kayf, controlada pelos jihadistas, e cerca de 100 quilômetros distante da barragem. Apesar de a área em volta da represa ter sido retomada, alguns locais estão inacessíveis devido a bombas espalhadas pelos insurgentes.


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Blog do Noblat

A consistência dessa situação, só o desenrolar da campanha dirá
Elio Gaspari, O Globo

O PR-AFA de Eduardo Campos acertou Dilma

A conta é simples: em agosto do ano passado, antes de ter o registro de seu Rede negado pelo Tribunal Superior Eleitoral, Marina Silva tinha 26% das intenções de voto na pesquisa do Datafolha. Tendo-se abrigado no PSB, acabou numa chapa que era encabeçada por Eduardo Campos. Há um mês, tinham 8%.

Os números de uma nova pesquisa do Datafolha estarão nas ruas nos próximos dias. Partindo-se dos 8%, somando-se o efeito da comoção provocada pelo acidente do jatinho PR-AFA, ela poderá surpreender.

Para que Dima saia incólume, qualquer ponto percentual que vá para Marina precisará sair do acervo de Aécio Neves e essa hipótese é absurda. Dilma certamente perde quando fortalece-se a possibilidade de um segundo turno. Se Aécio Neves perde algo com a nova situação, é uma dúvida.

Manejando-se apenas percentagens vai-se a lugar nenhum. Falta saber o que Marina proporá para transformar preferências em votos. No primeiro turno de 2010, ela teve cerca de 20 milhões de votos (19,33%). Até agora, o programa de sua chapa foi ralo e confuso.

Fala em “eixos programáticos”, “brasileiros socialistas e sustentatabilistas”, “borda de desfavorecidos” , “democracia de alta intensidade”, em “ampliar a dimensão dos controle ex-post frente à primazia do controles ex-ante”. Propõe plebiscitos e “um novo Estado”. Isso pode dar em qualquer coisa.

Com dois minutos no programa eleitoral gratuito contra 11 de Dilma e quatro de Aécio Neves, só as redes sociais e a internet poderão socorrê-la. Tomara que isso aconteça e que ela ponha carne no feijão.

A ideia de uma candidata a líder espiritual reconforta o eleitor desencantado com a polaridade PSDB-PT, com seus mensalões mineiro e federal. Para o primeiro turno isso é um bálsamo. Para o segundo, uma aventura.

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Emoção marca a chegada do corpo de Campos em Recife
Angela Lacerda, Estadão

Ao longo da Avenida Centenário Alberto Santos Dumont, na saída da Base Aérea do Recife, no bairro do Jordão, muita gente com bandeiras, cartazes e material de campanha de Eduardo Campos aguardou a passagem do cortejo que levou os restos mortais do ex-governador para ser velado no Palácio do Governo.

O clima é de emoção, tristeza e também revolta. Algumas pessoas expressaram indignação com o que acreditam ter sido uma sabotagem. “Tiraram ele de cena, foi covardia, maracutaia”, exclamou Sueli Batista da Silva, de 44 anos, que trabalhava em sua campanha. Ela recebe R$ 30 por dia divulgando cartazes e bandeiras, mas agora disse que trabalha “até de graça por Marina”. Inconformada, ela está convicta de que o acidente foi provocado.

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Marina: ‘Tenho compromisso com o que a perda de Eduardo nos impõe’
Mariana Sanches, O Globo

A ex-senadora Marina Silva desembarcou no aeroporto de Recife para acompanhar o velório e enterro de Eduardo Campos, morto na última quarta-feira em decorrência de um acidente aéreo. Ela ainda não confirmou se será mesmo a candidata do PSB à Presidência, mas seu nome é dado como certo e partido já discute quem será o vice. O anúncio oficial da chapa será realizado na quarta-feira, após reunião em Brasília com os caciques do partido.

Assim que pousou na capital pernambucana de um voo comercial, Marina declarou ter senso de responsabilidade, e afirmou que vai manter os compromissos definidos com Campos. Vice do candidato do PSB na disputa pela Presidência da República, ela evitou falar sobre seu futuro político.

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Beto Albuquerque é o mais cotado para ser vice de Marina
Cleide Carvalho e Júnia Gama, O Globo

O deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS) é o nome preferido do PSB para assumir a vaga de vice na chapa de Marina Silva à Presidência da República, caso se confirme o nome da ex-senadora. Em uma reunião da cúpula do PSB, em São Paulo, na última sexta-feira, o parlamentar aparece como favorito ao posto.

Durante o encontro, dirigentes do PSB defenderam quatro características para que o vice fosse escolhido. Uma delas é que tenha vida orgânica no partido e seja socialista histórico. Nesse caso, seria descartada a possibilidade de a legenda optar pelo deputado federal Maurício Rands (PSB-PE).

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“Marina Silva pode ganhar de Dilma no segundo turno”
Afonso Benites, El País

A casa do advogado e escritor Antônio Campos, em um bairro de classe média alta do Recife, era um dos pontos de peregrinação de amigos e familiares que queriam lamentar a morte do ex-governador pernambucano Eduardo Campos. Na tarde de sábado mais de duas dezenas de pessoas passaram por lá enquanto ele conversava com a reportagem de EL PAÍS.

O apoio que tanto ele quanto Renata, a viúva de Eduardo, tem recebido é apenas uma das provas do quão querido era o político recifense, morto em um acidente aéreo na quarta-feira passada.

Na entrevista, o advogado de 46 anos diz que a ex-senadora Marina Silva, que assumirá a cabeça da chapa, terá de aceitar algumas imposições do PSB. Revela ainda que sondagens internas do partido mostram que a nova candidata ganharia a eleição contra Dilma Rousseff (PT) em um segundo turno. E ainda que um dos filhos de Eduardo, José, de oito anos, sentiu que o pai seria a vítima do acidente do avião que caiu em Santos, no litoral paulista.

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Governador decreta Estado de emergência em Ferguson
O Globo

O governador do Missouri, Jay Nixon, declarou Estado de emergência na cidade de Ferguson após uma semana de protestos, atos de vandalismo e clima de tensão racial que tomaram conta da cidade desde a morte do adolescente negro Michael Brown, baleado por um policial branco há uma semana.

"Para proteger as pessoas e as propriedades de Ferguson, assinei um documento no qual declaro Estado de emergência na cidade, com a implementação de um toque de recolher", afirmou Nixon. "Os olhos do mundo estão nos observando. Esse é um teste para sabermos se uma comunidade, seja essa ou qualquer outra, pode acabar com um ciclo de medo, desconfiança e violência, substituindo-o por paz, força, e no fim das contas, justiça."

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O voto facultativo

                O cientista político Paulo Kramer, a despeito de Marina Silva, avalia que “podemos ter um recorde de abstenções” na eleição. Em 2010 foram 21%. Lembra que o protesto de junho (2013) revelou que há um “desencanto com políticos e a política, independente de partidos e ideologias”. Acrescenta que o voto facultativo já é uma realidade no país. E diz: “Com R$ 7 de multa, o voto é facultativo”. A multa pela ausência é de R$ 3,51 por turno.

Dilma x Marina
Com a candidatura de Marina Silva, serão mais delicadas as conversas do PT e do PSB. Os petistas tinham um diálogo mais fluente com Eduardo Campos. Agora, as pontes terão de ser reconstruídas. Marina atribui à ação do Planalto e do PT a decisão do TSE que não permitiu o registro de seu partido, a Rede. Além disso, Marina e a presidente Dilma divergem desde que elas eram ministras do Meio Ambiente e de Minas e Energia. No Planalto, se comenta ainda que há também um drama emocional: as duas teriam ciúmes por causa do ex-presidente Lula. Segundo relatos, Marina era a “queridinha” de Lula, mas Dilma atropelou com sua gestão na Casa Civil.

“O ideal é que a Marina (Silva) transformasse o PSB na sua alternativa partidária. Não é difícil um entendimento (com a Rede)”

Antonio Carlos Valadares
Senador (PSB-SE), tio do ex-deputado Pedro Valadares, que também morreu no acidente aéreo de Santos

A gente se vê por aqui
Os “marineiros” não temem por Marina Silva ter apenas 1 minuto e 49 de propaganda na TV. O deputado Alfredo Sirkis (PSB-RJ) diz que em 2010 pesou mais a presença diária de Marina no Jornal Nacional com o mesmo tempo de Dilma e Serra.

Público alvo
A cantora Sula Miranda (SP) é uma das apostas do PRB para dobrar a bancada na Câmara de oito para 16 deputados federais. Em 2010, o partido elegeu dois deputados em São Paulo. Este ano, não tem coligação proporcional. Conhecida como a Rainha dos Caminhoneiros, Sula defende a aposentadoria com 25 anos de serviço para esses profissionais.

Comitê paralelo
Sem o apoio do candidato ao governo Paulo Skaf, o vice-presidente Michel Temer transformou seu escritório em São Paulo em um comitê para integrar os candidatos do partido ao legislativo à candidatura da presidente Dilma à reeleição.

A arte imita a vida
O “remake” da novela O Rebu fez referência ao escândalo de 2009 no Rio em que o empreiteiro Fernando Cavendish e integrantes do governo Cabral requebravam com guardanapos brancos na cabeça. Na cena, que foi ao ar na terça-feira, o empresário Carlos Braga (Tony Ramos), festeja licitação com políticos e guardanapos brancos.

O teste das urnas
O PSD (44) e o Solidariedade (21) devem eleger bancadas menores que as atuais. Essa é a previsão inicial do Diap. Os deputados que foram para esses partidos não levaram consigo toda a estrutura que tinham em suas antigas legendas.

Eu tenho a força
O Diap, que faz esse tipo de projeção desde 1990, com índice de acerto de 90%, prevê que o único dos novos partidos que pode crescer é o PROS (20). A nova sigla deve se beneficiar da força política dos irmãos Gomes (Ciro e Cid) no Ceará.

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Marina Silva, a viúva enlutada e indevida do Brasil

Marina Silva já é a candidata do PSB à Presidência. E, como é evidente, existe uma onda a seu favor, ainda que nascida da tragédia. De resto, não dá para ignorar: os deuses da floresta a premiaram com um impressionante senso de marketing — chega perto de rivalizar com o do próprio Lula. Em alguns aspectos, pode-se dizer que ela leva certa vantagem: é mais, como direi?, “sensível” do que seu antigo chefe e diz coisas bem mais abstratas e incompreensíveis, o que sempre desperta no ouvinte a suspeita de que pode estar enxergando o que ninguém ainda vê. Renata, a mulher de Eduardo Campos, recolheu-se num decoroso silêncio. Marina ficou com o papel de viúva. Li na Folha, de novo, neste domingo, que foi a outra, com uma roupa floral, quem consolou uma Marina vestida de preto neste sábado. Que coisa! A minha origem é ainda mais pobrezinha do que a da ex-senadora, sabem? Meu sensor antidemagogia dispara nessas horas.

Não tenho paciência, desculpem os encantados, com Marina! O reino que me interessa é deste mundo. E o que não é requer a intervenção de um Ser superior à líder da Rede, a quem não reconheço o papel de intercessora. Repudio o seu comportamento e o seu ar de vestal, como se ela fosse feita de um barro diferente daquele que faz os outros políticos. Não é.

Eu não sei, por exemplo, e ninguém sabe, do que ela vive e quem sustenta o aparato — que não é pequeno! — que a acompanha. Há tanto tempo sem legenda, flanando por aí, a questão é pertinente. Fosse outro, o jornalismo investigativo já teria se ocupado de apurar. Como é Marina, não se toca no assunto. Imaginem se algum outro candidato à Presidência da República tivesse um banqueiro — ou uma banqueira… — pra chamar de seu. Ela tem. O que nos outros seria pecado é, em Marina, tratado como virtude.

A líder do tal Rede, já apontei aqui num post de maio de 2011, é a nossa vestal. Logo será carregada numa liteira. Constituiu-se, com o beneplácito de boa parte da imprensa babona, numa figura notavelmente autoritária da política. Como esquecer o seu comportamento durante a votação do Código Florestal? A nossa Entidade da Floresta — que só não faz milagre no Acre — sempre se negou a confrontar suas ideias com as de seus oponentes — preferindo ameaçar a Terra e o país com o apocalipse. Contou, para isso, com o apoio de ONGs fartamente financiadas por dinheiro vindo do exterior e de colunistas que não distinguiam e não distinguem um pé de feijão de erva daninha. Caso se dissesse a alguns deles que “o povo pede alho”, eles o mandariam comer bugalho…

Certa de que a “mídia” amiga seria eficiente em matar o novo Código Florestal, relatado então pelo agora ministro dos Esportes, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Marina se limitou a dizer “não” ao texto. Como o debate avançou, apelou aos universitários. Aí, a até então omissa SBPC resolveu fazer o seu relatório recheado de elogios à agricultura brasileira (que remédio?), mas alertando para o apocalipse que viria se a proposta fosse aprovada. A iniciativa não vingou.

Como sabe ou pode saber o leitor, as vestais romanas, virgens sem mácula, eram encarregadas de manter aceso o fogo sagrado. Gozavam de grande prestígio. Os altos dignitários de Roma lhes confiavam segredos, e elas costumavam ser chamadas para dirimir conflitos e apaziguar dissensões. Excepcionalmente, podiam abandonar seu templo e desfilar pela cidade em sinal de protesto se considerassem que uma grave ameaça pesava sobre o Estado romano.

Foi o que fez Marina naquele 2011. As ONGs resolveram carregar a nossa vestal até o Palácio do Planalto para um encontro com o então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci. Ela reivindicava no tapetão o que não conseguira no debate político: o adiamento da votação do relatório. Aldo havia debatido o seu texto país afora. Marina preferiu fazer a cabeça dos ditos “formadores de opinião”. A democracia brasileira tem uma instância chamada Congresso. Ela preferiu os carregadores de liteira das ONGs ao Parlamento. É parte do que chama “nova política”. Não me serve.

O problema é que Marina, eu já escrevi umas 800 vezes, é a outra personagem inimputável da política brasileira. Só perde para Lula. Ambos são beneficiados pelo preconceito de origem às avessas. Como vieram “do povo”, não se questionam seus propósitos. Seriam depositários de uma espécie de verdade ancestral. Note-se, a título de ilustração, que, quando ela deixou o governo, falou-se de seu conflito com Dilma, não com Lula…

A ex-senadora tem um método: se perde o debate nas instâncias consagradas para decidir um embate, apela, então, à galera. Fez isso no PV, onde aonde chegou, de mala e cuia, para ser candidata em 2010, conhecendo as regras. Disputou a eleição deixando claro, sempre!, que era maior do que o partido. Terminada a peleja, deu início ao esforço para depor a direção da legenda. Como foi derrotada nas instâncias internas — cujas regras ela prometeu acatar quando se filiou —, foi para o debate público, certa de que não precisaria ter razão para conquistar adesões. Não tinha e as conquistou. A direção do PV foi tratada como vilã, mas ela não conseguiu o que queria. Caiu fora. Começou, então, a criar a Rede.

Quer o quê?
O cerne da postulação de Eduardo Campos, convenham, era um tanto confuso. O então candidato insistia na tese de que nada havia de errado no lulismo e que Dilma é que havia se distanciado do bom caminho. Como acertava em alguns diagnósticos parciais que fazia, sua candidatura foi bem recebida. Se não dava para entender o conjunto, havia partes que faziam sentido.

E Marina Silva? Por quanto tempo mais não se vai perguntar, afinal de contas, o que pretende para o Brasil a viúva enlutada e indevida?

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Morto, Eduardo Campos deu vida à terceira via

Os restos mortais de Eduardo Campos chegaram à base área de Recife na noite passada, às 23h05. Marina Silva e a viúva Renata foram receber o esquife. Lá estavam também, entre outros, os cinco filhos do morto. Excetuando-se o caçula Miguel, de sete meses, os demais apareceram, por assim dizer, uniformizados. Vestiam camisetas amarelas. Na altura do peito, uma inscrição: “Não vamos desistir do Brasil”.

A frase fora pronunciada por Eduardo Campos no encerramento da entrevista que ele concedera ao Jornal Nacional, na noite da última terça-feira, horas antes de embarcar, na manhã do dia seguinte, no jatinho que o transportaria para a morte. Seguiram-se ao acontecimento funesto as indagações que costumam perseguir os mortos moços, sobretudo os que nascem condenados a um futuro promissor.

Mas já? E por que ele, no frescor dos seus 49 anos? Por que assim, despedaçado num mergulho fatal do avião no solo? Por que agora, a menos de dois meses da sucessão presidencial? As interrogações e as circunstâncias da tragédia fizeram de Eduardo Campos um cadáver paradoxal —cheio de vida.

A inscrição na camiseta dos filhos, ecoada numa faixa fixada na lateral do caminhão de bombeiros que desfilou o impensável pelas ruas da capital pernambucana, potencializa no imaginário coletivo a sensação de que a morte, às vezes, não mata. O corpo de Eduardo Campos —ou o que restou dele— será enterrado neste domingo como um homem realizado. Ele sobrevive na disputa presidencial com chances de obter o que não conseguira produzir na fase em que ainda respirava: a abertura de uma terceira via.

Vice de Eduardo Campos, Marina Silva vai à cabeça da chapa na próxima quarta-feira. Com um potencial de votos duas ou três vezes maior do que a do titular, a ex-coadjuvante reassume o papel de protagonista como um estorvo para Dilma Rousseff. Prevalecendo a lógica, a esperança da candidata do PT de reeleger-se no primeiro turno está na bica de ser enviada para o beleléu.

Convertida numa espécie de viúva-política de Eduardo Campos, Marina pode tornar-se uma ameaça também para Aécio Neves. Beneficiária da atmosfera de comoção, ela entra na briga com chances de ultrapassar o candidato tucano. Se tiver competência para combinar a utopia da “nova política” com uma dose do pragmatismo do companheiro morto, Marina flertará com o segundo turno.

Antes da tragédia, o eleitorado parecia fadado a lidar com uma pergunta que, pela sexta vez em duas décadas, marca a sucessão no Brasil: PT ou PSDB? Numa entrevista que concedera em maio de 2013 à revista Teoria e Debate, da Fundação Perseu Abramo, o presidente do PT federal, Rui Falcão, minimizara as chances de Eduardo Campos tornar-se um ator relevante na disputa de 2014.

“Não acredito que haja espaço para uma terceira via. Há o governo e a oposição”, dissera Falcão. Ele previa que faltaria nexo a Campos quando ele tivesse de injetar ideias em seu discurso: “É possível que haja mais de uma candidatura de oposição, mas não há candidatura do mesmo campo da presidenta Dilma.” Para Falcão, haveria um replay do Fla-Flu que faz de todas as sucessões presidenciais meras gincanas do PSDB contra o PT.

“Esses são os dois projetos que têm concepções diferentes sobre o Brasil. Um, a concepção liberal privatista; e nós, uma concepção de desenvolvimento sustentável, de projeto social e de um Brasil em outro patamar, diferente do que tivemos como legado”, afirmara Falcão.

Nessa época, Marina Silva ainda recolhia assinaturas de apoiadores para fundar a sua Rede Sustentabilidade. Mas Falcão desdenhava da ex-petista: “Não tem partido, nega partido, mas está tentando construir um. Ainda é um projeto de candidatura. Se vier, será com o discurso da eleição passada, com alguns ajustes, mas já foi testado e aparecerá como oposição.”

Decorridos cinco meses dessa entrevista, a Rede teve o registro negado pelo TSE. E Marina abrigou-se no PSB de Campos. Para surpresa geral, aceitou a condição de segunda da chapa. Fez isso numa fase em que sete legendas lhe ofereciam a vaga de presidenciável. Entre elas o PPS de Roberto Freire.

Imaginou-se que Marina proporcionaria a Campos uma transfusão de parte dos 20 milhões de votos que obtivera em 2010. Porém, transcorridos dez meses de campanha, o candidato do PSB não conseguiu firmar-se como meio-termo viável entre Dilma e Aécio. Parecia que lhe faltavam firmeza e credenciais para sintetizar o sentimento de mudança escancarado nas pesquisas.

Eduardo Campos mordia Dilma. Mas soprava Lula. Ele enxergava méritos na era FHC. Mas ficava tiririca quando Aécio dizia que estariam juntos no futuro. A ‘nova política’ de que tanto falava o parceiro de Marina era um conceito vago, condicionado à geografia. Em Brasília, a “nova política'' serviria para “mandar Sarney à oposição”. Em Pernambuco, era uma coligação de 21 partidos.

Eduardo Campos dizia que Dilma entregaria um país pior do que recebeu. E Lula retrucava: “Creio que o Eduardo não pode exagerar nas críticas porque ele sabe que é o mesmo projeto, o projeto do qual ele participou e que tantos avanços trouxe para Pernambuco e o Brasil.”

Para complicar, PSB e Rede têm dificuldades para chegar a um consenso sobre o mundo, antes de reformá-lo. Vivem um drama descrito na piada de Millôr Fernandes sobre a tecnologia da engenharia chinesa: de um lado da montanha, colocam 10 mil chineses para cavar. Do outro lado, mais 10 mil. Se os dois grupos se encontram no meio da montanha, inaugura-se um túnel. Se não se encontram, inauguram-se dois túneis.

Ao continuar cheio de vida depois da morte, Eduardo Campos oferece aos sobreviventes a oportunidade de cavar um único túnel. As altas taxas de eleitores sem candidato indicam que a polarização da política brasileira entre PT e PSDB já torrou a paciência de muita gente. As duas legendas são identificadas como responsáveis pelo fisiologismo e pelos atentados ao erário praticados em nome da governabilidade.

Para enfrentar o PT, o tucano Fernando Henrique uniu-se ao rebotalho da política nacional. Para prevalecer sobre o PSDB, Lula levou a parceria com o arcaico às fronteiras do paroxismo. Num cenário assim, a morte prematura de personagens como Eduardo Campos, a despeito de todas as suas contradições, leva as pessoas a refletirem sobre as mortes procrastinadas.

Na política brasileira, há tantos vivaldinos que as pessoas ficam tentadas a enviar-lhes coroas de flores ou a atirar-lhes na cara a última pá de cal. Vem daí a atmosfera de comoção que permite a Eduardo Campos respirar nos dizeres da camiseta dos filhos: “Não vamos desistir do Brasil”.

Em momentos como o atual, a história parece se mover. Resta saber como Marina Silva irá percorrer a terceira que, morto, Eduardo Campos ressuscitou. Em 2010, Marina costumava dizer que um governo ideal reuniria os melhores quadros do PT e do PSDB. Eleita, cuidaria de unir as duas forças. Terminou virando a escada que o tucano José Serra subiu para chegar ao segundo turno na condição de candidato favorito a ser derrotado por Dilma. A diferença é que não havia nessa época o voto-comoção.

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Pensamento único!




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Blog do Coronel

Marina substitui Campos. PSB fica com vaga de vice. Lula e o PT saem derrotados.

Durante todo o dia de ontem, Lula e o PT tentaram dar o beijo da morte na candidatura do PSB. Não conseguiram. Marina levará a eleição para o segundo turno.

O PSB superou as divergências internas e selou acordo para lançar Marina Silva à Presidência da República no lugar de Eduardo Campos. Ela concordou com a inversão da chapa e deverá ser anunciada oficialmente na próxima quarta-feira (20). O novo presidente do PSB, Roberto Amaral, era visto como último entrave ao acerto. Sob forte pressão de correligionários, ele se convenceu a apoiar Marina, que disputou o Planalto em 2010 pelo PV.

O PSB agora discutirá a indicação do novo vice na chapa presidencial. O deputado gaúcho Beto Albuquerque, hoje candidato ao Senado, é o mais cotado para a vaga. "A candidatura de Marina contempla nosso projeto. Será uma solução de continuidade. O PSB indicará o novo vice", disse Amaral à Folha.

Depois de uma reunião com Marina, o coordenador da Rede Sustentabilidade, Bazileu Margarido, confirmou à reportagem que ela aceita disputar a Presidência. "Com o OK do PSB, ela está à disposição para ser a candidata", disse.

Por respeito à memória de Campos, o anúncio oficial da nova chapa só deverá ser feito três dias depois do enterro, programado para o domingo (17), em reunião da executiva nacional do PSB. A negociação se acelerou após Marina receber apoio público da família do ex-governador de Pernambuco. Segundo aliados, ela se sentiu revigorada ao conversar com a viúva Renata Campos, que a incentivou a concorrer.

Ex-ministro da Ciência e Tecnologia no governo Lula e considerado próximo ao PT, Roberto Amaral visitou Marina na tarde desta sexta (15). Com seu aval, começou a consultar os governadores do PSB sobre a inversão da chapa. Ele quer dar caráter coletivo à decisão e agora buscará entendimento sobre o vice até a reunião da executiva. "Vou fazer um trabalho de afunilamento. O ideal é chegar com dois nomes. Ou um", disse.

Além de Albuquerque, que se aproximou de Marina desde que ela aderiu à candidatura de Campos, são vistos como alternativas o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), o ex-deputado Maurício Rands (PSB-PE) e Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), ex-ministro da Integração Nacional no governo Dilma Rousseff.

Marina sinalizou ao PSB que respeitará as duas principais exigências do partido: respeitar os acordos regionais fechados à sua revelia, em Estados como Rio e São Paulo, e incorporar o discurso desenvolvimentista. A ex-senadora disse a pessoas próximas que pretende conduzir a campanha da mesma forma que Campos a conduziria, atuando como líder de uma coligação, e não apenas da Rede, o futuro partido que ela quer criar.

Embora tenha se recusado a falar publicamente sobre política, em respeito ao luto pelo ex-governador, repetiu a aliados que era preciso manter o projeto da chapa. Ela disse que o PSB foi generoso ao abrigar a Rede em 2013, quando a Justiça Eleitoral negou registro ao partido, e agora é a hora de retribuir.(Folha de São Paulo)

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A volta do "volta, Lula".

O temor de que Marina Silva apareça nas próximas pesquisas eleitorais com chances reais de vitória reacendeu nos bastidores, ainda de forma tímida, o coro "volta, Lula'' entre um grupo de petistas. A articulação que pedia o retorno do ex-presidente para a disputa de 2014 foi forte no primeiro semestre de 2013, mas acabou abafada no encontro nacional do PT, em maio, quando a sigla unificou o discurso em torno da candidatura de Dilma Rousseff.

Os principais defensores do "volta, Lula" eram empresários descontentes com o estilo intervencionista de Dilma e petistas que perderam espaço na atual gestão. A mudança de planos não se concretizou porque, na avaliação do PT, mesmo nos piores momentos, como nos protestos de junho, Dilma nunca teve risco real de derrota. Agora, dilmistas temem que, se houver previsão de derrota, "o volta, Lula ficará incontrolável''. A avaliação é de alas petistas e não foi discutida com o ex-presidente.

Lulistas disseram à Folha que a adesão dependerá do resultado do Datafolha nesta segunda (18). Assessores da campanha preveem a volta das especulações caso Marina supere Aécio e bata Dilma num eventual segundo turno. Pela lei, o candidato pode ser substituído até 20 dias antes do primeiro turno --prazo que acaba em 15 de setembro.

Após o acidente que matou o candidato do PSB, Eduardo Campos, na quarta (13), o PT fez um levantamento por telefone, que indicou Marina empatada com Aécio e Dilma oscilando negativamente. Amigos de Lula disseram à Folha que ele não autorizou ninguém a tratar de sucessão até o enterro de Campos. Além disso, dizem que é preciso aguardar passar o momento de comoção, já que a intenção de voto em Marina agora estará vitaminada, mas pode não se sustentar.(Folha)

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PT bate cabeça e não sabe o que fazer.

Bons tempos aqueles em que o marqueteiro batia palminhas e garantia que Dilma venceria no primeiro turno. Hoje arrisca não estar nem no segundo.

De um lado, é "volta, Lula". De outro lado, é que Marina vai passar Aécio e ir para o segundo turno. Mas também tem os que acham que a ex-senadora e ex-ministra petista não sustentará os votos que teve em 2010. A estratégia pública é que o PT vai bater em Marina Silva, assim como estava agredindo Eduardo Campos, tentando impedir o segundo turno. Se houver segundo turno, o PT deseja que seja contra Aécio Neves, que considera mais fácil de bater em função da velha estratégia do "nós x eles". No fundo, o PT não sabe o que pensar. O pavor pode aumentar no partido mensaleiro se a pesquisa Datafolha, que será divulgada amanhã ou segunda, mostrar Marina crescendo, Aécio também crescendo e Dilma caindo. Mostrando uma Marina com 15%, um Aécio com 25% e uma Dilma com 33%. É impossível? Não. É o mais provável.

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Datafolha no RS: Ana Amélia tem 39% e Tarso Genro, 30%
O Globo

Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, a candidata Ana Amélia Lemos (PP) lidera a disputa pelo governo do Rio Grande do Sul com 39% das intenções de voto. Na sequência está o atual governador, Tarso Genro (PT), com 30%. José Ivo Sartori (PMDB) aparece com 7%, seguido por Vieira da Cunha (PDT), com 3%.

A pesquisa é a primeira do Datafolha após o registro das candidaturas. O Datafolha fez a pesquisa entre os dias 12 e 14 de agosto. O instituto ouviu 1.233 pessoas em 47 municípios.

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Datafolha: Em São Paulo, Alckmin seria reeleito no primeiro turno
O Globo

Pesquisa Datafolha mostra o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), como líder isolado com 55% das intenções de voto na corrida eleitoral. Ele venceria a disputa pela reeleição no primeiro turno. Em seguida, aparece Paulo Skaf (PMDB), com 16%.

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT) tem 5%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. No pesquisa anterior, realizada pelo instituto nos dias 15 e 16 de julho, Alckmin tinha 54%, seguido por Skaf (16%) e Padilha (4%).

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Datafolha em PE: Armando Monteiro tem 47% e Paulo Câmara, 13%
O Globo

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta aponta o candidato Armando Monteiro (PTB) com 47% das intenções de voto para governador de Pernambuco. Em seguida, aparecem Paulo Câmara (PSB), candidato de Eduardo Campos, com 13% e Zé Gomes (PSOL) com 2%. Jair Pedro (PSTU), Miguel Anacleto (PCB) e Pantaleão (PCO) estão empatados com 1%.

Encomendada pela TV Globo e pelo jornal Folha de São Paulo, esta é a primeira pesquisa Datafolha após o registro das candidaturas. A pesquisa foi realizada nos dias 13 e 14 de agosto. Foram entrevistados 1.198 eleitores, com 16 anos ou mais, em 42 municípios do estado. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.

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Mesmo cassado, Arruda lidera no DF com 35% das intenções de voto
O Globo

Pesquisa Datafolha divulgada ontem mostra o ex-governador José Roberto Arruda (PR) com 35% das intenções de voto para o governo do Distrito Federal. O candidato, no entanto, teve seu registro cassado pela Justiça Eleitoral enquadrado na Lei da Ficha Limpa.

Em segundo lugar, aparecem empatados tecnicamente o governador Agnelo Queiroz (PT), com 19%, e o senador Rodrigo Rollemberg (PSB), com 13%. Também em situação de empate técnico estão Toninho do PSOL (PSOL), com 7%, e o deputado federal Luiz Pitiman (PSDB), com 4%.

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Datafolha: Crivella cai, e Garotinho lidera com 25%
O Globo

Segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem, o candidato Anthony Garotinho (PR) lidera a disputa ao governo do Rio com 25% das intenções de voto. Em segundo lugar aparece Marcelo Crivella (PRB) com 18%, tecnicamente empatado com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que teve 16%, por conta da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Crivella caiu seis pontos percentuais em relação à última pesquisa do instituto, enquanto que Pezão subiu dois. Em quarto lugar está o petista Lindbergh, sendo o preferido de 12% dos 1.317 eleitores ouvidos em 31 cidades do Estado do Rio entre os dias 12 e 13 de agosto.

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PSB define cronograma para a escolha da nova chapa à Presidência
Julianna Granjeia, O Globo

Após reunião com a cúpula do PSB em São Paulo, que terminou na madrugada deste sábado, o presidente nacional do partido, Roberto Amaral, disse que foi estabelecido um cronograma para se chegar quarta-feira à definição sobre a candidatura à Presidência.

Nos bastidores do partido, o nome de Marina Silva já é considerado como certo para substituir Eduardo Campos na cabeça de chapa. Na próxima segunda-feira, Amaral se reunirá com Marina. No dia seguinte, haverá uma missa em homenagem a Campos e, à tarde, ocorrerá uma grande reunião com prefeitos e governadores do PSB, além de candidatos a cargos majoritários nas eleições deste ano, provavelmente no Recife.

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O nome de Marina é quase consenso como a nova candidata do PSB
Afonso Benites e Beatriz Borges, El País

O nome da ex-senadora Marina Silva já é praticamente consenso dentro do PSB, que agora passa a discutir quem seria seu candidato à vice-presidência. Tanto em Pernambuco, Estado natural do falecido candidato Eduardo Campos, quanto nas demais unidades da federação, os militantes e líderes do partido dizem que seria natural a fundadora do grupo político Rede assumir a cabeça de chapa na disputa pelo Planalto.

"Geralmente as coisas mais tristes unem as pessoas, não é impossível que aconteça", disse o deputado Marcio França (PSB-SP), atual candidato a vice-governador na chapa do tucano Geraldo Alckmin. Caberia a Marina, contudo, aceitar as propostas que já haviam sido colocadas pelo ex-governador pernambucano.

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“A morte trágica de Campos fortalece a gana de mudança do eleitor”
El País

A violenta e inesperada saída de cena de Eduardo Campos, candidato do PSB à presidência que morreu na última quarta-feira num acidente aéreo, foi penosa e chocante não só para a sua família e seus correligionários mais próximos. Eleitores e não eleitores do presidenciável se sentiram consternados e obrigados a refletir sobre a processo eleitoral e sobre quem era o político que vinha persistindo em terceiro lugar nas pesquisas com uma mensagem de mudar o modo de fazer política no país.

Por isso, a morte de Campos pode ter um alcance maior do que se supõe para o eleitor brasileiro, acredita a socióloga Fátima Pacheco Jordão. “A morte trágica de Campos reduz a distância entre a sociedade e a classe política”, avalia ela, que é diretora da D'Fatto pesquisa em Jornalismo.

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Disputa sobre transposição de água entre SP e RJ pode parar no STF
Veja

A ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra a transposição do Rio Paraíba do Sul, que corre desde maio na 2ª Vara Federal de Campos, no Rio de Janeiro, poderá ser julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na quinta-feira, a Justiça Federal declinou da competência de julgar o caso por entender que se trata de conflito federativo, envolvendo três Estados (RJ, SP e MG) e órgãos federais.

O governo fluminense voltou a criticar a gestão paulista da crise da água. As águas do Paraíba do Sul estão em disputa entre três os Estados por serem consideradas a opção mais viável para amenizar a seca no Sistema Cantareira, que abastece 8,8 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

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Especulação eleitoral faz Petrobras disparar quase 8% na Bolsa
Márcio Rodrigues, Estadão

A Bovespa ignorou a fraqueza das bolsas norte-americanas e subiu mais de 2% nesta sexta-feira, sustentada, sobretudo, pela disparada de quase 8% das ações da Petrobrás. Além do exercício de opções sobre ações, na próxima segunda-feira, as especulações em torno do quadro eleitoral, após a morte de Eduardo Campos (PSB), fizeram os investidores irem às compras.

O mercado trabalha com a possibilidade de que Marina Silva assuma a vaga, o que ajudaria a garantir a realização de um segundo turno. Além disso, surgiram vários rumores a respeito de quem seria escolhido para ser vice em uma chapa liderada pela ex-senadora. O Ibovespa terminou a sessão em alta de 2,12%, aos 56.963,65 pontos - maior nível desde 29 de julho.

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Terroristas matam ao menos 80 homens e capturam 100 mulheres
Veja

Terroristas do Estado Islâmico (EI) invadiram uma vila habitada por integrantes da minoria yazidi no norte do Iraque ontem, mataram pelo menos oitenta homens e capturaram mais de 100 mulheres. A informação foi dada por um integrante do governo regional do Curdistão e por um líder da minoria.

O ataque ao vilarejo de Kojo, que fica cerca de 20 quilômetros ao sul da cidade de Sinjar, ocorreu depois de vários dias de cerco dos jihadistas ao local. As mulheres teriam sido levadas para as cidades de Mosul e Tal Afar, controladas pelo EI.

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Um milhão de pessoas estão em quarentena na África por causa do ebola
Emilio de Benito e Pilar Álvarez, El País

O surto de ebola que afeta a Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria é maior do que indicam as cifras oficiais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Os números foram muito subestimados”, disse a organização em um comunicado. Essa situação supõe que a epidemia ainda durará “vários meses”, acrescenta, e, portanto, a OMS adaptou seus planos de resposta a tais previsões.

A gravidade do cenário levou os três países mais afetados – Guiné, Serra Leoa e Libéria – a decidir não apenas pelo fechamento das fronteiras entre eles para tentar frear os deslocamentos de pessoas infectadas. Também decretaram medidas internas de contenção.

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Inteligência alemã grampeou o celular de Hillary Clinton
O Globo

Em uma virada inesperada do escândalo de espionagem que revelaram os grampos telefônicos da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) sobre a chanceler alemã Angela Merkel, o jornal “Süddeutsche Zeitung” revelou ontem que o Serviço de Inteligência Federal da Alemanha (BND, na sigla em alemão) espionou, pelo menos uma vez, as conversas do telefone celular de Hillary Clinton, quando a democrata americana atuava como secretária de Estado.

Além disso, a inteligência alemã recebeu uma ordem de Berlim para espionar um aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A informação revelada pelo jornalista Georg Mascolo, especializado em inteligência e espionagem, indica que o delicado trabalho realizado pelo BND caiu nas mãos da CIA graças a um agente duplo que, nos últimos anos, conseguiu roubar mais de 200 documentos classificados como altamente secretos.

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Campos alvejaria raposas na propaganda da TV


Caiu na web uma propaganda que a campanha de Eduardo Campos levaria ao ar no horário eleitoral se o candidato não tivesse morrido. Foi veiculada no site do diário 'Folha de Pernambuco'. Na peça, Campos associa Dilma Rousseff a três apoiadores tóxicos: José Sarney, Renan Calheiros e Fernando Collor. Associa o gigantismo da Esplanada de 39 ministérios à necessidade da presidente de satisfazer os apetites fisiológicos dos pseudoaliados.

Dilma “deu um ministério a um afilhado de Sarney, a um afilhado de Renan Calheiros, outro pra lá, outro pra cá”, diz Campos no vídeo. Os aliados não votavam nada do que Dilma queria, ironiza. “Eles queriam mais! Ia pra quantos ministérios, 80, 90 100?” No centro de um cenário em forma de arena, observado por um grupo que incluía Marina Silva, Campos realça que o Legislativo só trabalhou quando as ruas roncaram.

Campos capricha na ironia: “A gente tem que botar a sociedade pra cumprir o seu papel. Eu e a Marina somos os únicos candidatos que estão dizendo agora, mandando avisar pela imprensa: avisa aí ao Sarney, ao Renan e ao Collor que a gente vai chegar, e conosco eles vão para a oposição. No nosso governo, conosco eles não vão trabalhar. O Sarney já desistiu de ser candidato, já partiu.”

A propaganda é boa. Tem palavreado fácil. A atmosfera é informal.  Mas só funciona com as plateias domesticadas dos comerciais. Em ambientes normais, alguém talvez se levantasse na plateia para recordar: o PSB usufruía de dois dos 39 ministérios até setembro do ano passado. Num deles, o da Integração Nacional, o ministro era Fernando Bezerra Coelho, cupincha de Campos.

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Prêt-à-porter!




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Blog do Augusto Nunes

‘Palácio do Planalto, Brasília’, um texto de Fernando Gabeira
Publicado no Estadão desta sexta-feira

Internet é isto mesmo: um território livre onde se trocam informações, críticas e insultos. É raro uma pessoa pública nela encontrar apenas elogios. E raro um texto sobre ela que não desperte comentários sacanas. Wikipédias, desciclopédias, com informações truncadas, dizem o que querem e, se as pessoas acreditassem firmemente no que leem na rede, ficariam paralisadas caso encontrassem um personagem dos verbetes, o médico e monstro. Suas reações seriam como as de Alec Guines no Dr. Strangelove, de Stanley Kubrick: os gestos desmentiriam as palavras, o abraço se transfiguraria num soco, e vice-versa.

Num prefácio para o livro do treinador Rômulo Noronha sugeri a natação como uma das táticas para enfrentar comentários negativos. Você os lê, mergulha e, nos primeiros cem metros, começa a achar que não foram tão graves assim. Nos 400 metros, já admite que talvez possam ajudar você de alguma forma, na autocompreensão ou na aceitação do mundo.

Algo muito grave acontece quando os ataques nascem num computador do Palácio do Planalto, sede do governo federal. É o caso das inserções feitas na biografia dos jornalistas Carlos Sardenberg e Miriam Leitão.

Como sempre, o governo reagiu, a princípio, dizendo que era difícil rastrear a origem das notas, os dados foram desmanchados - a mesma tática usada para as gravações das câmeras naquele problema de Dilma Rousseff com uma diretora da Receita Federal. A segunda explicação também é clássica: o Wi-Fi do Planalto é usado por visitantes, pode ter sido alguém de fora - de preferência, da oposição.

Às vezes paro para pensar: por que o PT faz tanto mal a si próprio? Deixo o campo estritamente moral para raciocinar apenas de uma forma política. O caso do Santander é típico: uma nota realista sobre o comportamento do mercado provocou uma grande reação, sua autora foi demitida e o banco, forçado a se derreter em desculpas.

O mercado deve ser livre para fazer suas previsões. E arcar com as consequências. O mercado tinha uma visão negativa no primeiro mandato de Lula. E errou, pois o País iniciou um processo de crescimento.

A pressão contra o Santander, além de sugerir censura, amplificou a análise do banco, que em outras circunstâncias ficaria restrita aos clientes especiais. Assim mesmo, aos que se orientam politicamente por cartas bancárias. O governo conseguiu transformar uma simples análise num debate nacional, o que era um consenso entre analistas de mercado se tornou uma consistente crítica à política econômica de Dilma.

A julgar pelo digitador do Palácio do Planalto, as coisas estão pegando aí, na política econômica: os dois jornalistas atingidos são críticos das medidas do governo com base nas evidências.

No universo político, a artilharia sempre foi comandada pelos blogueiros mantidos por empresas do Estado. Eles cuidam de nos combater com dinheiro público e racionalizam essa anomalia com a tese de que uma verba muito maior é usada pelos meios de comunicação que criticam o governo.

Os intelectuais dissidentes em Cuba dão de barato que o governo os vigia, os boicota e promove campanhas para assassinar sua reputação. Mas é uma ditadura.

Num país democrático, essas práticas, além de condenáveis, não são eficazes. Todo este universo de rancor acaba se voltando contra os agressores, que, como dizem os orientais, sempre se desequilibram no ataque. Os nove jornalistas atacados, nominalmente, por um dirigente do PT tiveram a solidariedade internacional, uma nota de apoio da organização Repórteres sem Fronteiras.

O PT sabe que existe um nível de rejeição ao partido nas grandes cidades - em Vitória os petistas já não usam estrelas e bandeiras vermelhas, talvez nem barba. O que parece não perceber é como seus movimentos autoritários aumentam a rejeição. É como se um partido abrisse mão de seduzir e se focasse apenas em intimidar.

Esse é um jogo muito perigoso. Em primeiro lugar, porque há muitos homens e mulheres que não se intimidam. Em segundo, porque envenena uma atmosfera que já é medíocre com atos de campanha sem graça, muitos bebês no colo, Dilma comendo cachorro-quente. Come cachorro-quente, pequena. Olha que não há mais metafísica no mundo, senão cachorro-quente.

O PT conseguiu construir uma linguagem própria. O verbete aloprado é um descoberta para se distanciar de seus combatentes da guerra suja. Digo com conhecimento de causa. Depois das eleições de 2006, interroguei todos os chamados aloprados. Era estranho que aloprados tivessem coletado mais de R$ 1 milhão. Mais estranha, ao longo dos interrogatórios, a recusa em responder, a frieza matemática em usar os mecanismos legais em sua defesa. Aloprados?
Se um dia aparecer o aloprado do computador do Planalto, observem como se esquiva, como é difícil achar nele algum traço que o defina como aloprado, como resiste às provocações. Ele é resultado de uma cultura que domina a política brasileira desde 1992. A constante tentativa de liquidar o outro é uma arma típica de ditaduras. Infelizmente, para uma grande parte da esquerda, a democracia ainda não é um valor estratégico.

Não sei qual será o resultado das eleições. Mas acho que o PT faz tudo para merecer uma derrota, algo que lhe dê pelo menos a chance de refletir sobre o período sombrio que acabou instalando no Brasil.

Uma força verdadeiramente democrática, à esquerda, seria boa para o futuro.

Será que é preciso que Cuba desmorone, que a Venezuela fracasse mais claramente, para que os petistas se convençam de que esse não é o caminho?

Sei que assim procedendo me exponho ao Twitter de todos vocês. Mas é preciso combater essa cultura de ressentimento e mediocridade que leva um digitador do Palácio do Planalto a dedicar sua tarde ao ataque a jornalistas na Wikipédia.

Não é um aloprado, mas um caso extremo e talvez cristalino: revela, em toda a sua profundeza, o abismo em que nos lançaram.

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PSB lança dúvidas sobre a investigação da FAB

O ministro da Defesa, Celso Amorim, recebeu há pouco um telefonema do deputado gaúcho Beto Albuquerque. Líder do PSB na Câmara, Beto pôs em dúvida a investigação da Força Aérea Brasileira. Falando em nome do partido, o deputado pediu explicações sobre a notícia de que o áudio disponível na caixa-preta do avião que transportava Eduardo Campos não corresponde ao voo que terminou tragicamente, matando sete pessoas.

“O ministro me disse que também ficou surpreso com a informação”, contou Beto ao blog. “Eu informei que telefonaria para o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito. Mas o ministro afirmou que ele mesmo ligaria, para pedir maiores explicações. Nós, do PSB, estamos achando tudo muito esquisito.”

O deputado conversou com o repórter pelo telefone. Ele almoçava num restaurante de São Paulo com correligionários do PSB. Dividiam a mesa com Beto: Márcio França e Júlio Delgado, deputados como ele; além de Lídice da Mata e Antonio Carlos Valadares, senadores. “Estamos todos muito desconfiados”, disse Beto, que acabara de tomar conhecimento da novidade sobre a caixa preta ao checar o noticiário do UOL. Eis o que disse o deputado, para explicar por que o partido olha de esguelha para a investigação da Aeronáutica:

“O avião era novo e moderno. Os pilotos, muito experientes. Tivemos a informação de que houve uma explosão na turbina. Isso não acontece do nada. Depois, ficou-se sabendo que havia aviões não tripulados da FAB, os drones, naquela região. Foi confirmado que havia, mas disseram que estavam longe. Agora, dizem que o áudido da caixa-preta não corresponde ao voo. Não me lembro de ter visto outro caso no mundo em que a caixa-preta não registra o que foi dito na cabine do avião nas últimas duas horas de um voo.

Beto Albuquerque acrescentou: “É muita coisa ocorrendo em torno de uma tragédia. Parece até despiste. A Aeronáutica, o brigadeiro Saito, deve ao Brasil, ao PSB e à família do Eduardo Campos uma explicação convincente. Nós exigimos isso.”

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A favor do voto contra, por Nelson Motta
Nelson Motta, O Globo

Millôr Fernandes, que a cada dia está mais atual e inteligente, teve uma ótima ideia para democratizar o nosso sistema eleitoral, infelizmente nunca aplicada ou sequer proposta: o voto contra. O eleitor teria direito a dois votos, um no seu candidato preferido, e outro contra quem considerasse indigno de um cargo publico e nocivo à sociedade, um direito tão democrático como eleger um representante.

No final das contas, entre os prós e os contra, talvez não melhorasse muito o nível dos eleitos, mas muitos notórios malfeitores travestidos de políticos, que compram apoios e usam dinheiro sujo para fraudar as eleições, que buscam um mandato para fugir da Justiça, ficariam fora do poder. Economizaríamos tempo e dinheiro dos longos processos de cassação do TSE, sairia mais barato prevenir do que remediar.

Nos Estados Unidos, como fazem com automóveis, os eleitores têm direito a um recall de políticos que estão dando defeito. Seja por traição ao eleitorado com promessas não cumpridas, escândalos de corrupção, irresponsabilidade fiscal ou ineficiência administrativa, um recall pode ser proposto na Justiça e o elemento, democraticamente, ser cassado se assim quiser a maioria. Vários eleitos com grandes votações já foram enxotados no meio do mandato.

Em sua clarividência, Millôr talvez imaginasse o Brasil atual, onde parece haver mais vontade de votar contra do que a favor. O voto contra seria uma alternativa mais eficiente e democrática ao voto branco ou nulo — um protesto inútil que acaba beneficiando os que lideram a votação.

É triste, mas hoje no Brasil, mais do que as qualidades e propostas dos candidatos, o fator mais importante na definição das eleições pode ser a quantidade de abstenções, brancos e nulos. Entre os 70% de descontentes, a maior parte dos que vão votar em Aécio Neves quer é se livrar de Dilma e do PT. Entre os que estão descontentes, mas votam em Dilma, a maioria odeia Aécio e os tucanos mais do que gosta dela e de seu governo.

Se a ideia de Millôr estivesse em vigor, Marina Silva seria eleita no primeiro turno. Ou iria para o segundo com o Pastor Everaldo.

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Marina: já está em curso a construção da “ungida” que não negocia… Isso é péssimo!

Tudo aquilo de que o Brasil não precisava está em curso. Que coisa! Sou religioso, mas não místico. Não acredito em conjunção de fatores ditados por alguma força ou ente que nos empurrem para certo destino. Mas, às vezes, quase cedo à tentação. Logo, felizmente, passa. O misticismo é sempre uma forma de trapaça: ou as pessoas estão se enganando ou estão enganando os outros. Bem depressa, sou convocado pela razão.

Marina Silva ainda não é a candidata à Presidência da República da frente integrada pelo PSB. Mas, parece-me inescapável, será. Percebo todos os aspectos deletérios de sua figura pública conjugados nestes dois dias. E com que incrível saliência para o momento! Mais do que nunca, vemos sobressair a figura da ungida, daquela que parece ter sido enviada com uma missão que os mortais ainda ignoram, da eleita para trazer uma mensagem do além. O terreno onde se dissolvera o corpo de Eduardo Campos ainda fumegava, e ficamos sabendo, momento depois do acidente, que Marina deixara de embarcar no voo por alguma razão misteriosa. Seus adoradores costumam exaltar não seus dotes de visionária, mas as suas certezas de intuitiva. Que medo!

Hoje, sabemos ainda mais. Ela está realmente consternada — e por que não estaria? — e teria passado a noite em claro, em vigília, embora não em companhia da família, com quem ainda não havia conseguido falar. Por que Marina não chegou nem mesmo a ressonar, o que certamente fizeram os familiares de Campos, moídos pela dor e pela exaustão? Porque, supõe-se, ela mantinha um diálogo com um ente que só se manifesta aos escolhidos. Até Caetano Veloso vem a público expor a sua dor e nos recomendar: entreguemo-nos aos desígnios de Marina.

O país vive um momento delicado. Hoje, só as incertezas se adensam. Não precisamos de mais indefinições. No terreno nada místico, da “carnadura concreta” das coisas, como diria o poeta João Cabral de Melo Neto, somos informados de que Marina vai impor algumas condições para ser candidata. Uma delas é ter um vice de sua confiança. Dadas as circunstâncias e as diferenças de ideário entre ela e o PSB, o normal seria que acontecesse o contrário. Mas o ser político cuja reputação se avoluma quanto mais repudia a política sabe, sim, travar uma dura disputa no solo, embora pareça vinda do céu. Ou é como ela quer, ou não é de jeito nenhum!

Vou além: considerando que Marina Silva não é do PSB e que tem, é evidente, a chance de se eleger, o mais prudente seria que se comprometesse a permanecer no PSB os quatro próximos anos se eleita. Afinal, vai para uma campanha eleitoral sem que a esmagadora maioria dos eleitores saiba que está prestes a migrar para outro partido, cujo ideário é ainda desconhecido. Para quem diz prezar uma “nova política”, lamentando os vícios da “velha”, seria uma atitude bastante decorosa, não é mesmo?

Desde a redemocratização, o país passa por um dos momentos mais delicados de sua história. Infelizmente, percebo amplos setores da sociedade, inclusive da imprensa, tocados por certo “desejo de mudança”, ainda sem conteúdo. E isso, acreditem, por si, não é bom. O momento pede que Marina ofereça algumas certezas, não que cobre certezas de seus pares, o que só reforça o caráter olímpico de sua personalidade. Até porque esse distanciamento em relação aos mortais pode ser tudo, menos compatível com a democracia.

Fiquemos atentos!


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Blog do Coronel

Com a morte de Campos, o PSB luta pela sobrevivência ou vira linha auxiliar do PT.

As alianças estão todas montadas, goste ou não Marina Silva, queira ou não Roberto Amaral. Para bancar a candidatura de Eduardo Campos, o PSB abriu mão de alguns espaços que, hoje, são fundamentais para a sua sobrevivência. O que está no TSE não pode ser mudado. Portanto, é mínima a margem de manobra. Com Marina ou sem Marina, a luta do partido deve ser para manter a sua expressiva bancada. E bancada se obtém nos estados, onde as alianças levam, muitas vezes, ao apoio de outro candidato presidencial.

No Rio Grande do Sul, parte da bancada vai migrar para Aécio Neves. Em Santa Catarina, 100% vai apoiar Aécio Neves, já que o partido faz parte da coligação do PSDB e tem o senador, Paulo Bornhausen, que lidera a disputa pelo Senado com folga. Em São Paulo e Minas Gerais, obviamente, o apoio partidário irá para os tucanos. E assim vai em todo o Brasil, onde as candidaturas do PSB aos governos do estado patinam e o partido está atrás, muito atrás, nos seis colégios eleitorais onde disputa.

O que o PSB deve pensar agora é que o legado de Campos é de oposição ao PT e ao governo Dilma. Este é o discurso de Campos. Se apoiar Dilma, a bancada será engolida e o partido virará um nanico em 2015. Marina é a aposta que o apelo emocional poderá virar em expressiva votação. Não é garantia. O dinheiro vai minguar, pois o arrecadador era Campos. E o desastre vai passar, assim como passou a Copa do Mundo. Os tucanos têm o triplo do tempo em TV e mais do que o dobro das intenções de voto. E um grande candidato, no mesmo perfil de Campos.

Marina Silva até pode pensar em presidência, mas o seu papel será, muito mais, viabilizar a bancada do PSB e da própria Rede. O resto passa e nada será como antes amanhã.

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PT que desqualificava Campos quer herdar o seu legado. Sob comando de Lula, que o chamou de "novo Collor".

Ontem este blog publicou vários posts que comprovam que a candidatura de Eduardo Campos era contra o PT e contra Dilma. Suas últimas palavras foram que Dilma é a única presidente que vai entregar o país pior do que recebeu. Mostramos também que o PT, assim que Campos terminou a sua participação no Jornal Nacional, iniciou um ataque pela internet para desqualificar o candidato. Além de outros ataques para enfraquecer a candidatura, tratando-o como traidor. Hoje os jornais informam que Lula, que chamou o pernambucano de "novo Collor" quer o apoio do PSB. A matéria abaixo é da Folha de São Paulo.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (14) que a morte do candidato à Presidência e ex-governador Eduardo Campos (PSB) muda o quadro eleitoral. Disposto a estabelecer canal com o PSB, ele conversou com o presidente do partido, Roberto Amaral, principal resistência à escolha de Marina Silva para a corrida presidencial.

Em entrevista na sede do Instituto Lula, ele disse que também telefonará para Marina, a quem declarou "apreço pessoal muito grande". "Obviamente que muda a conjuntura política. Não sei o tamanho do impacto. Vamos esperar", admitiu Lula, acrescentando que será necessário "enterrar Campos e seus companheiros" antes de falar de política.

Lula fez questão de ressaltar os laços históricos de Marina com o PT. "Respeito Marina como companheira há trinta e poucos anos, fundadora do PT, ministra de meu governo e como candidata [...]. Vou falar com Marina porque gosto pessoalmente muito dela." Apesar das investidas de petistas para atrair o PSB --que incluiu telefonemas aos líderes do partido--, o comando do PT se rendeu à evidência de que Marina deverá substituir Campos na cabeça de chapa para o Planalto.

Segundo petistas, a candidatura de Marina levará a disputa para o segundo turno, frustrando o desejo de reeleição de Dilma Rousseff já em 5 de outubro. Mas, em contrapartida, será mais nociva ao PSDB. Marina, avaliam petistas, é uma ameaça maior a Aécio Neves, até porque nunca declararia seu voto ao tucano num eventual segundo turno entre ele e Dilma.

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Sete consequências da entrada de Marina Silva no lugar de Eduardo
Gabriel Garcia

A morte de Eduardo Campos na manhã de quarta-feira (13) muda completamente o cenário das eleições para presidente da República. Ex-governador de Pernambuco e neto de Miguel Arraes, Eduardo aparecia em terceiro nas pesquisas de intenção de votos, na casa de 10% das intenções de voto. Para aumentar tal índice, começava a explorar sua relação de proximidade com a ex-ministra do Meio Ambiente no governo do PT Marina Silva, sua candidata a vice. Agora, Marina desponta como o mais provável nome para sucedê-lo. É o natural, segundo os políticos. Abaixo, sete consequências no cenário com a entrada de Marina na disputa.

Comoção nacional

Marina Silva terá a seu favor a comoção que tomou conta do Brasil. Antes desconhecido pela maioria dos eleitores, Eduardo Campos entra de forma trágica para a História. Nos quatro cantos do país, o brasileiro está chocado com o que aconteceu.

Marina é mais conhecida

Na última pesquisa do Ibope, divulgada na semana passada, a presidente Dilma Rousseff (PT) estava com 38% das intenções de voto, o senador Aécio Neves (PSDB) tinha 23% e Eduardo aparecia com 9%. Nas eleições de 2010, Marina teve 19% dos votos.

Preocupação para Aécio Neves

Com Marina Silva no lugar de Eduardo, aumentam as chances de um segundo turno. Diferentemente do que estava desenhado, há uma forte tendência de Marina largar com um percentual próximo ao do Aécio, sobretudo porque ela já disputou uma eleição presidencial.

Preocupação para Dilma Rousseff

Quem anda de olhos abertos com a movimentação que pode alçar Marina candidata a presidente são os políticos do PT. Marina é uma ameaça até para a reeleição de Dilma. Em eventual segundo turno, os votos de Aécio tendem a migrar para o candidato que disputa contra o PT. Marina é uma ameaça mais real do que o próprio Aécio.

Voto de protesto

Em 2010, Marina foi o voto de protesto contra a polarização PT x PSDB. A população continua insatisfeita com os governos do PT e, nos estados, com os governos do PSDB. Nenhum candidato tinha conseguido capitalizar as manifestações populares que tomaram conta do Brasil – nem Dilma, nem Aécio, nem Eduardo. Marina é o novo.

Alianças nos estados

Mais radical do que Eduardo, Marina terá dificuldade em alianças nos estados, como em São Paulo e no Rio de Janeiro. No primeiro, ela foi contra a indicação de Márcio França para vice na chapa do governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição. No Rio, o deputado Romário é candidato ao Senado na chapa de Lindberg Farias (PT) para o governo.

Alavancar candidaturas vacilantes

Marina é a esperança de vitória para outros candidatos a governador. No Distrito Federal, o senador Rodrigo Rollemberg (PSB) aparece em terceiro lugar, com 15% das intenções de voto. Está atrás de Agnelo Queiroz (PT), com 17%, e de José Roberto Arruda (PR), com 37% das intenções, mas que teve a candidatura cassada pelo Tribunal Regional Eleitoral. Em 2010, Marina venceu no Distrito Federal. Tende a repetir a dose na capital, caso dispute a eleição presidente este ano. Fortalecerá a campanha de Rollemberg.

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O PSB e o PPS vão de Marina

                O martelo já foi batido. Mas antes do anúncio os socialistas querem que Marina entenda que não é a candidata da Rede, mas de uma coligação. E que ela é a continuidade da saga iniciada por Eduardo Campos. Garantem que ele gostaria que seu projeto fosse mantido. E relatam que Eduardo e Marina se entendiam muito bem e acertaram pessoalmente as bases políticas e programáticas da aliança.

A ajuda pode virar dragão
Para efeitos de propaganda, os tucanos repetem (“felizes”) que com a candidatura de Marina Silva (PSB/Rede) à Presidência o segundo turno está garantido. Mas, nos bastidores, estão aflitos. Avaliam que Marina poderá, no curto prazo, ampliar em até seis pontos as intenções de voto de Eduardo Campos (9%). Em outubro (2013), quando era candidata, Marina tinha 29% (Datafolha). Em novembro, 26% e em abril (2014), 27%. Estrategistas do PSDB relatam que em pesquisa de julho ela tinha 14%. “Ela vinha desidratando”, comentou um tucano. Mas veem agora o risco de ela recuperar terreno e virar uma alternativa viável contra a presidente Dilma.

“Foi um casamento muito feliz. O Eduardo encontrou a Marina e o PSB se uniu à Rede quando os socialistas buscavam a renovação”

Maurício Rands
Integrante da coordenação do programa de governo da chapa Eduardo Campos/Marina Silva

Interesses divergentes
A cúpula do PMDB avalia que seus dois candidatos a governos estaduais que apoiavam Eduardo Campos não migrarão para Marina Silva. Nelson Trad (MS) e Ivo Sartori (RS) são de estados com forte atuação do agronegócio.

E ela voltou
O PT acreditava que poderia ganhar a eleição de Aécio Neves no primeiro turno. No ano passado, eles comemoraram quando a Rede não foi registrada e Marina ficou de fora da sucessão. Agora, a fatalidade recolocou Marina no jogo. A disputa será mais complexa, mas os petistas não creem que os eleitores de Aécio migrarão para Marina.

Procurando um rumo
Os candidatos socialistas à Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas vivem um momento de incerteza. Não sabem o efeito nas suas campanhas da substituição de Eduardo Campos (PSB) por Marina Silva (Rede).

A classe média instruída
Os tucanos consideram que o fundamentalismo religioso e ambiental de Marina Silva impedirá que eleitores da classe média instruída abandonem Aécio Neves. Os petistas, por sua vez, dizem que, no caso de segundo turno, esse mesmo fundamentalismo será um obstáculo para que esses eleitores tucanos migrem para Marina.

O herdeiro
Analistas independentes avaliam que o candidato do PSB ao governo de Pernambuco, Paulo Câmara, vai se beneficiar da comoção diante da morte de Eduardo Campos. O eleitor vai ficar sensível ao apelo de votar no herdeiro.

Disputa pelos evangélicos
Com a chegada de Marina Silva à disputa, que tem como parcela relevante do seu eleitorado os evangélicos, Pastor Everaldo, candidato do PSC à Presidência, terá de criar estratégia para não ver seus eleitores migrarem para a nova candidata.

Dirigentes do PSB garantem que não há resistências relevantes à confirmação da vice Marina Silva como a nova candidata do partido à Presidência.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Ministro Fux derruba censura ao site de VEJA; é a segunda decisão do STF em favor da liberdade de imprensa em 15 dias

Na VEJA.com:
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou uma decisão que obrigava a coluna Radar Online, publicada no site de VEJA, a retirar do ar uma nota que cita o advogado carioca João Tancredo. Foi mais uma decisão em que a corte reafirmou que a liberdade de imprensa é um pilar da democracia.

O advogado contestava uma nota que descreve como familiares de Claudia Silva Ferreira, morta por policiais no Rio de Janeiro, haviam rejeitado os serviços dele e optado por recorrer à defensoria pública do Rio de Janeiro. Tancredo já havia se pronunciado em nome da família e exigido uma indenização de mil salários mínimos ao Estado.

A juíza Andrea de Almeida Quintela da Silva, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, havia decidido que a nota deveria ser retirada do ar, e determinou ainda que VEJA se abstivesse de publicar qualquer outro texto ou reportagem de mesmo teor. Mas o ministro Luiz Fux atendeu a uma reclamação dos advogados da Editora Abril e invalidou a decisão da magistrada.

O ministro Fux endossou a tese de que figuras públicas, como o advogado Tancredo, estão sujeitas ao escrutínio da imprensa, o que inclui o direito à crítica. “Em casos semelhantes ao presente, os Ministros do STF não têm hesitado em suspender atos de autoridade que apresentem, prima facie, embaraços à liberdade de imprensa”, disse ele, na decisão.

“Não há na previsão legal brasileira qualquer possibilidade de se retirar de circulação material jornalístico. Foi sobre essa base que construímos o nosso argumento”, diz Alexandre Fidalgo, da EGSF Advogados, que defendeu a Editora Abril.

No dia 31 de julho, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, deferiu uma liminar favorável à da Editora Abril e derrubou uma decisão semelhante, também do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A pedido do mesmo João Tancredo, a corte havia determinado que o site de VEJA e o blog do jornalista Reinaldo Azevedo retirassem do ar uma reportagem que trata do destino dos recursos arrecadados para beneficiar a família do pedreiro Amarildo Dias de Souza, desaparecido no ano passado.

As decisões do Supremo Tribunal Federal só confirmam a jurisprudência de casos do tipo. Desde que a arcaica Lei de Imprensa foi revogada pela corte, em 2009, os tribunais superiores têm reafirmado que não cabe ao Judiciário determinar a censura sobre reportagens.

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Uma esfinge sem segredos chamada Marina Silva. Ou: A Marina “sonhática” é “pesadêlica”

Marina Silva é uma esfinge. Sem segredos. O que ela pensa? Dizer que ninguém sabe é bobagem. Dá, sim, para saber. Não vou cair aqui na conversa mole de perguntar se Marina vai ou não realinhar as tarifas se, candidata do PSB, for eleita. É claro que vai. Qualquer que seja o eleito, o reajuste vai se impor. Contra quem? Contra ninguém. O realinhamento será uma imposição da realidade. Afinal, o Brasil não é a Venezuela. Se for presidente, Marina também vai ter de cortar gastos públicos — é o que Dilma ou Aécio terão de fazer. “Mas tirar dinheiro de onde?” De algum lugar. Ou o país vai para o vinagre. Nenhuma dessas vulgaridades me interessa. Essa gritaria só serve para gerar calor. E nenhuma luz.

A Marina que importa é outra. Sim, concordo: é quase impossível entender o que ela fala, com suas metáforas, alegorias e derivações impróprias — refiro-me à gramática mesmo! — porque, sei lá, os 340 mil verbetes contidos no “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” não lhe bastam… Faz sentido: pensamentos intraduzíveis pedem palavras… indizíveis. Pode não dar para entender o que ela diz, o que sempre desperta a suspeita do sublime, mas dá, sim, para saber o que ela pensa. E ela não pensa coisas boas.

Começo pela questão mais recente. Marina Silva se desgarrou do PT, como é sabido, mas não se livrou dos piores vícios da nave mãe. Querem um exemplo? Ela foi uma das mais entusiasmadas defensoras do Decreto 8.243, o tal que atrela a administração federal a conselhos populares e institui, na prática, uma Justiça paralela. Seu “movimento”, que não é “partido”, combina com aquele estado de permanente mobilização, em que a militância atropela as instâncias da democracia representativa.

Recuemos um pouco. Como esquecer a atuação de Marina Silva durante a votação do Código Florestal? Se a sua proposta tivesse vingado, o país teria sidoMTST obrigado, atenção!, a reduzir a área destinada à agricultura e à agropecuária. O que escrevo aqui não é especulação. É apenas um fato. É demonstrável. Em 2013, a balança industrial produziu um déficit de US$ 105 bilhões, e o setor agropecuário, um superávit de US$ 82,91 bilhões. Isso para um pais que teve um superávit de apenas US$ 2,5 bilhões. E olhem que foi uma trapaça contábil. De verdade, o saldo foi negativo. Ou por outra: o agronegócio salva o Brasil da bancarrota, mas Marina Silva queria diminuir a área plantada.

É o tipo de militância que seduz os descolados e os ignorantes, mas de ampla repercussão no exterior, especialmente nos países ricos que acham que devemos deixar a agricultura com eles, enquanto a gente disputa o cipó com os macacos e foge das onças pintadas. Todos queremos preservar a natureza, é claro! Marina queria, de modo irresponsável, dar um tombo na agricultura e na pecuária. Ela quer economia sustentável? Quem não quer? A questão é saber o que entende por isso.

Pegue-se agora a questão energética. O Brasil só não passa por um apagão de fazer 2001 parecer brincadeira de criança porque cresceu 2,7% em 2011; 0,9% em 2012; 2,1% em 2013 e deve ficar em torno de 0,8% neste ano. Em 2015, projeções responsáveis apontam que não passa de 1,2%. Estivesse crescendo, como precisa, a pelo menos 4%, já estaríamos no escuro.

Mesmo assim, ainda que tente aqui e ali dizer o contrário, Marina se opôs, sim, à construção da usina de Belo Monte. Tanto é que apoiou um vídeo imbecil chamado “Gota d’Água”, que dizia uma impressionante coleção de bobagens a respeito da usina. Mais: esse empreendimento será subutilizado, sim, porque Belo Monte não terá reservatório. Será do modelo fio d’água. Pesquisem a respeito. Só se fez essa escolha errada por causa da militância ambientalista que Marina representa, já que se inunda uma área muito menor, mas se produz, em contrapartida, bem menos energia.

Em 2010, a Marina candidata foi ao programa “Roda viva” e tratou do assunto. Como fala pelo cotovelos, impede que o pensamento de seus interlocutores respire. Vejam. Volto em seguida.



Em primeiro lugar, houve, sim, os devidos cuidados ambientais. Em segundo lugar, a tese da inviabilidade econômica é de uma impressionante falácia. De fato, Belo Monte tem mais dinheiro público do que deveria, mas isso se deve ao viés esquerdizante do governo petista — que Marina não combate. O capital privado só refugou porque o preço que o governo queria pagar pela energia era incompatível com a realidade. Ou por outra: quando os petistas decidiram tabelar o lucro — prática hoje em dia vigente apenas em Cuba e na Coreia do Norte —, Marina se calou. O negócio dela era com os bagres. Sim, preservemos os bagres. Mas e a energia elétrica? Mais: se o governo tivesse dado de ombros para o ambientalismo doidivanas e construído a usina com reservatório, mais energia seria produzida. Ou por outra: Belo Monte só não vai gerar render o que poderia por causa do espírito marineiro.

Trato aí de duas questões que hoje são essenciais ao país: balança comercial e produção energética. Nos dois casos, a possível candidata do PSB à Presidência estava do lado absolutamente errado do debate. Errado por quê? Porque as suas escolhas contribuiriam para afundar o país — e, como e sabido, em casos assim, os pobres pagam o preço primeiro.

Questão política
Não e só isso. Marina fala em nome de uma tal “nova política” que ninguém, até agora ao menos, entendeu direito o que é. É impossível governar o país sem o Congresso, a menos que se queira gerar uma crise institucional dos diabos. Em sua pregação, ela dá a entender que políticos são sempre os outros, nunca ela própria. Por quê? Porque acredita na tal da “mobilização em rede”, que vem a ser a prima rica — e com nível universitário — de movimentos como o MST ou MTST. Nem por isso menos autoritários.

Na verdade, nesse particular, ela vai até um pouco além. Por mais que queira negar, parte do mau espírito das ruas — e não do bom — de junho do ano passado a esta data contou com o seu apoio silencioso. Ela pode se tornar a única beneficiária do ódio à política que tomou as ruas. E é evidente que esse tal espírito não me agrada. A propósito: alguém leu ou ouviu alguma censura de Marina aos black blocs?

O fato de a possível candidata do PSB ter hoje “conselheiros” com uma visão, digamos, mais à direita em economia do que o petismo não me seduz absolutamente. Na verdade, do meu ponto de vista, só torna a equação ainda mais confusa porque não vejo como ela poderia incentivar com a mão esquerda o espírito militante e procurar conter com a direita o rombo nos cofres públicos. Ou por outra: o discurso ideológico de Marina atenta contra o caixa, mas ela se cerca de gurus econômicos que fazem profissão de fé na responsabilidade fiscal.

Na minha coluna de hoje na Folha, critico as patrulhas petistas — ou a seu serviço — que tentam impedir que se formule um pensamento alternativo no Brasil. Busca-se deslegitimar desde a origem qualquer critica organizada ao governo e ao partido oficial. Aécio Neves, do PSDB, é vítima desse procedimento. Eduardo Campos também era. Será que estou a fazer o mesmo com Marina? Uma ova! Estou é criticando aqui o que conheço de sua militância e dizendo por que ela não me serve. Em muitos aspectos, Marina pode representar um perigo ainda maior do que o petismo.

Se ela se eleger presidente e puser em prática o que pensa sobre militância organizada, a relação com os Poderes instituídos, o agronegócio e o setor energético, quebra o país e o conduz a uma crise política sem precedentes. Claro! Uma Marina que conseguisse governar teria de jogar fora a Marina “sonhática”, que está muito mais para “pesadêlica”.

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Se Marina substituir Campos, PSB quer quadro do partido para vice
O Globo

Em meio ao luto, o PSB e partidos que integram a coligação presidencial precisam reunir esforços para se reposicionar na disputa eleitoral. O primeiro passo, segundo dirigentes do PSB, será conversar com Marina Silva para ver se ela está de fato disposta a assumir a candidatura.

Se isso ocorrer, o próximo passo passará a ser a definição de um novo candidato a vice-presidente. E enquanto a cabeça da chapa tem um nome natural — a própria Marina —, o mesmo não acontece com a vice.

Como Marina é neófita no PSB — ela só se filiou ao partido no limite do prazo legal para poder concorrer, quando a criação da Rede naufragou — há o temor entre socialistas de que o partido seja usado apenas como uma “barriga de aluguel” para sua candidatura.

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Enterro de Campos e assessores está previsto para domingo
Ângela Lacerda, Estadão

O velório dos restos mortais de Eduardo Campos será coletivo, junto com as de outras três vítimas pernambucanas da tragédia (o jornalista Carlos Percol, o fotógrafo Alexandre Severo e o cineasta Marcelo Lyra). A cerimônia, segundo informação divulgada pelo governo pernambucano, aconteceria a partir de sábado.

O sepultamento, por sua vez, seria no domingo próximo. Já o prefeito de Recife, Geraldo Julio, não confirmou a data do velório, tampouco do enterro. Em entrevista a jornalistas na capital pernambucana, o político disse que a realização das cerimônias "não está condicionada à vontade de ninguém."

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Caixa-preta do avião de Campos é aberta pela Aeronáutica
Felipe Frazão, Veja

A Aeronáutica começou a inspecionar ontem a caixa-preta do avião que caiu em Santos, matando o candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, e mais seis pessoas. Principal elemento da perícia para desvendar os motivos da queda do avião bimotor, a caixa-preta foi aberta no laboratório da Força Aérea, em Brasília.

O equipamento do Cessna 560XL PR-AFA tinha capacidade para gravar até duas horas de áudio da cabine dos pilotos, mas estava danificado e ainda vai passar por análises, com ajuda de um microscópio. Os peritos tentam verificar se as placas de memória conseguiram registrar as conversas entre os pilotos.

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Presidente do TSE nega pedido para adiar horário eleitoral
Veja

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Dias Toffoli, indeferiu pedido apresentado pelo Partido Verde (PV) e seu candidato a presidente, Eduardo Jorge, solicitando o adiamento por três dias da propaganda eleitoral no rádio e na TV, programada para começar na próxima terça-feira, dia 19.

O candidato argumentava que o tribunal deveria, em razão do acidente aéreo que matou o candidato a presidente Eduardo Campos (PSB) e parte de sua equipe, conceder um período para que a família do presidenciável e das outras vítimas da tragédia pudessem se recuperar.

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Desembargador que libertou black blocs vai ser investigado
Gustavo Goulart, O Globo

Após tomar conhecimento de que o desembargador Siro Darlan classificou o Ministério Público (MP) estadual como uma ‘‘inutilidade’’ durante uma entrevista à BBC Brasil, o Tribunal de Justiça (TJ) do Rio instaurou um processo administrativo contra o magistrado para apurar se houve quebra de decoro.

Darlan fez a crítica ao responder a uma pergunta sobre uma lei federal, sancionada no ano passado, que permite que delegados e o MP tenham acesso a dados sigilosos de entidades financeiras e empresas aéreas e a ligações telefônicas sem necessidade de autorização judicial.

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STJ confirma decisão contra o BB no Plano Verão
Mariângela Gallucci, Estadão

Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmaram a validade de uma decisão que condenou o Banco do Brasil a pagar a todos os poupadores as diferenças decorrentes dos chamados expurgos inflacionários sobre cadernetas de poupança ocorridos no Plano Verão, que entrou em vigor em 1989.

Os integrantes da 2.ª Seção do STJ afirmaram que a decisão é aplicável a todos os titulares de cadernetas de poupança do Banco do Brasil ou seus sucessores, independentemente de associação ao Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que atuou no processo. O Banco do Brasil já anunciou que vai recorrer da decisão.

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Nuri Al Maliki se demite do cargo de primeiro-ministro iraquiano
El País

O primeiro-ministro em funções do Iraque, Nuri al Maliki, assume sua demissão do comando do país. Assim ele mesmo anunciou a decisão ontem durante uma mensagem na televisão estatal ao lado do que foi designado seu sucessor, Haider al Abadi, que ele reconheceu como nova autoridade.

Na segunda-feira, o presidente do Iraque, o curdo Fuad Masum, encarregou o vice-presidente do Parlamento, o xiita Haider al Abadi, de formar um governo no prazo de 30 dias, descartando Al Maliki, líder da coalizão que mais votos tinha obtido nas últimas eleições.

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Venezuela desiste de julgar 112 jovens detidos em protestos
O Globo

A Justiça venezuelana desistiu ontem de levar a julgamento 112 dos 120 estudantes detidos em maio num acampamento em frente aos escritórios da ONU em Caracas. Eles respondiam pela participação em protestos — que pediam a saída do presidente Nicolás Maduro — que deixaram mais de 40 pessoas mortas.

Dos 120 estudantes, apenas oito estão em prisão preventiva esperando julgamento. Os outros 112 respondiam em liberdade, com medidas cautelares enquanto seu processo penal se desenvolvia.

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Putin reforça seu poder na Crimeia enquanto Kiev ataca Donetsk
Rodrigo Fernández, El País

O presidente russo, Vladimir Putin, exibiu seu poder ontem na Crimeia, a península anexada pela Rússia em março. Diante dos principais dirigentes russos e parlamentares da Crimeia, que se reuniram na cidade de Yalta, Putin destacou que a Rússia deve seguir se desenvolvendo, ainda que sem se isolar.

“Devemos construir nosso país tranquilamente, com dignidade e eficácia, sem nos isolarmos do mundo exterior e sem romper as relações com nossos parceiros; mas sem permitir que nos tratem depreciativamente”, assegurou o mandatário russo.

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Polícia rodoviária assume controle da segurança de Ferguson
O Globo

A polícia rodoviária do estado do Missouri assumirá o controle da segurança na cidade de Ferguson, que há quatro dias é palco de protestos após a morte do adolescente Michael Brown, baleado por policiais no sábado. A decisão foi motivada pelas críticas que a polícia local recebeu por sua atuação no controle dos protestos. O governador Jay Nixon designou o capitão Ron Johnson, que cresceu na região, e é negro, como chefe da segurança local.

"O que aconteceu aqui nos últimos dias não representa o Missouri, ou Ferguson. Esse é um local em que as pessoas trabalham, vão á escola, criam suas famílias e vão à igreja, uma comunidade diversificada do Missouri", afirmou Nixon em conferência. "Mas recentemente, a cidade parece uma zona de guerra, e isso é inaceitável."

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