Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

Deu nos Blogs


Janot acha que já dá para pedir a abertura de alguns inquéritos. Ou: Certo colunismo quer inventar agora os “heróis do povo brasileiro” do Petrolão, e o homem mau da hora é o… juiz Sérgio Moro!

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, considera contar já com os elementos necessários para abrir ainda neste ano os primeiros inquéritos para investigar políticos envolvidos com o petrolão, embora ainda haja delações em curso. O doleiro Alberto Youssef prestou seu depoimento final no dia 25. É o que informa Severino Motta, na Folha desta quinta. Quantos inquéritos? Ainda não se sabe. O método será diferente daquele empregado no caso do mensalão, em que todos foram investigados num único inquérito, o que, convenham, tornou o caso enrolado, confuso e trabalhoso. Só que a abertura de investigação de autoridades com direito a foro especial por prerrogativa de função depende da autorização de tribunais superiores.

Só para lembrar: são processados e julgados por crimes comuns no STF o presidente da República, o vice-presidente, os membros do Congresso Nacional, o Procurador-Geral da República, os ministros de Estado, os membros de Tribunais Superiores, os do TCU e os chefes de missão diplomática de caráter permanente. São processados e julgados pelo STJ os governadores de Estado e do Distrito Federal, os desembargadores, os membros dos Tribunais de Contas dos Estados e do DF, os juízes dos Tribunais Regionais Federais, dos Tribunais Regionais Eleitorais e do Trabalho, os membros dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios e os integrantes do Ministério Público da União. Há dezenas de autoridades citadas nas delações premiadas: deputados, senadores, ministros de Estado e governadores. Ainda não conhecemos todos os nomes porque eles surgiram no âmbito da delação premiada, que é sigilosa. Mas alguns, como vocês sabem, vieram a público.

Pessoas sem foro especial podem acabar sendo processadas por tribunais superiores se for impossível dissociar a sua atuação da de autoridades com esse direito, a exemplo do que aconteceu no mensalão.

Janot enviou ainda ao Supremo, nesta terça, pareceres contrários à pretensão de três acusados de envolvimento com a roubalheira na Petrobras. Como há políticos citados no caso, as respectivas defesas de Murilo Barrios, sócio da Sanko Sider, fornecedor da Petrobras, e de Waldomiro de Oliveira, um empregado de Youssef, pediram que os atos do juiz Sérgio Moro sejam considerados nulos, com a revogação de prisões, já que só o Supremo poderia atuar no caso.

Para o procurador-geral da República, o pedido “desborda da boa-fé objetiva”. Quem vai dar a palavra final é o ministro Teori Zavascki, relator do caso no STF.

Para arrematar: os esbirros do petismo na imprensa seguem firme em sua campanha contra o juiz Sérgio Moro, apontando ilegalidades onde não há. Depois dos “heróis do povo brasileiro” do mensalão, agora há colunistas querendo criar os “heróis do povo brasileiro” do petrolão. O verdugo daqueles pobres ladrões era Joaquim Barbosa; o dos pobres ladrões de agora, Sérgio Moro.

É de dar nojo!

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Dilma se encontra com Boff e Betto, os autores que criaram a obra que rivaliza com a Galinha Pintadinha. Ou: O Bebê Capeta de Frei Betto

Ai, ai… Lá vamos nós. A presidente Dilma Rousseff decidiu receber nesta quarta dois representantes do próprio hospício mental para tratar, segundo entendi, de tema nenhum, numa evidência de que a suprema mandatária pode andar meio desocupada. Leonardo Boff, suspeito de ser teólogo, e Betto, suspeito de ser frei, estiveram com a governanta. O encontro acontece um dia depois de a dupla ter assinado um dito “manifesto de intelectuais petistas” contra a indicação de Joaquim Levy e Kátia Abreu para, respectivamente, os ministérios da Fazenda e da Agricultura. Hein? Intelectuais petistas? Isso é como cabeça de bacalhau e enterro de anão. Alguém já viu? Se intelectuais, como petistas? Se petistas, como intelectuais? A obra de maior peso escrita pela dupla se chama “A Galinha e a Águia”, que costuma aparecer, nas livrarias, ao lado de “A Galinha Pintadinha”.

Betto e Boff são expoentes de uma certa teologia que costumo chamar de “Escatologia da Libertação”. Por alguma estranha razão, a dupla acredita que Deus discrimina os viventes segundo a conta bancária e a filiação partidária. Acham que o Altíssimo é compatível, por exemplo, com Fidel Castro. Já chego lá. Disse o Boff ao jornal O Globo: “Ela [Dilma] mesma não promoveu muito contato com as bases, porque se ocupava muito com a administração dos grandes projetos. E ela disse que, a partir de agora, será um ponto alto do seu governo, um diálogo permanente, contínuo, orgânico com os movimentos sociais e com a sociedade em geral”

Audácia do Boff! É o mesmo chororô de Gilberto Carvalho, segundo o qual os “movimentos sociais”, que mobilizam não mais do que alguns poucos milhares de pessoas, devem tomar, na cabeça e na agenda do governante, o lugar de milhões de pessoas. Mas Dilma os recebeu, não é? E eles representam quem, além da própria loucura? Loucura?

Sim. O dito Frei Betto criou o seu próprio “Pai Nosso”. É verdade! Começa assim: “Pai-nosso que estais no céu, e sois nossa Mãe na Terra, amorosa orgia trinitária, criador da aurora boreal e dos olhos enamorados que enternecem o coração, Senhor avesso ao moralismo desvirtuado e guia da trilha peregrina das formigas do meu jardim (…)”. Para Ler a íntegra, clique aqui. Não ficou nisso. Ele também criou a “Ave Maria” latino-americana. Assim (íntegra):

Ave Maria,
grávida das aspirações de nossos pobres,
o Senhor é convosco,
bendita sois vós entre os oprimidos,
benditos os frutos de libertação
do vosso ventre.

Ele é autor de uma outra peça imaginosa, em que Santa Tereza d’Ávila transa — sim, leitor, faz sexo, faz aquilo naquilo — com Che Guevara e… engravida. Teria nascido o Bebê de Rosemary?

Dilma decidiu dar trela a essa gente. É bem provável que não tenha se aproximado da janela em nenhum momento, né? Não custa ser precavido. Ah, sim: Boff, o audacioso, disse não ter debatido nomes de ministros com a presidente. Que bom, né? Afinal, ninguém o elegeu para isso. Ainda que essas duas personagens tenham um apelo, digamos, momesco, ao recebê-las com certa solenidade, Dilma exibe sinais preocupantes, como se estivesse a purgar os pecados do realismo, ajoelhando-se no altar de heresias delirantes.

Vade retro!

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A LDO que enxovalha Constituição e a lei e a lógica da chantagem. Ou: na relação Dilma-PMDB, quem chantageia quem?

Entendo — mas o Supremo dará a última palavra — que é simplesmente inconstitucional o que o governo Dilma pretende fazer com a Lei de Diretrizes Orçamentárias. O projeto de lei, com ou sem a anuência do Congresso, fere o Artigo 165 da Constituição.

O governo tem de ter uma meta estabelecida, não importa qual — nem que seja a admissão do déficit. O que não pode é não ter meta nenhuma, como, curiosamente, está no tal projeto. Mais: se um presidente da República, de forma deliberada, desrespeita a lei orçamentária, comete crime de responsabilidade — está na Lei 1.079 —, o que dá ensejo a um processo de impeachment. Será que exagero? Levo a interpretação do texto legal ao limite? Não! Exponho a legislação. Apenas isso.

A votação do projeto, prevista para esta quarta, foi adiada para a semana que vem. A despeito da determinação de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado e do Congresso, de atropelar o Regimento para manter em curso uma sessão sem quórum, a base não conseguiu reunir o número de parlamentares necessário da Câmara e do Senado para a sessão conjunta. Como não poderia deixar de ser, os próprios petistas começaram a espalhar o boato de que o PMDB estava enfiando a faca no pescoço de Dilma: o partido estaria cobrando mais espaço no governo em troca da aprovação do projeto.

É possível que isso seja verdade? É claro que é. Ou assim não se fazem as coisas na República? Para que tem servido, ao longo de 12 anos, o PMDB? Sozinho ou mesmo com a ajuda de outras legendas, o PT nada pode no Congresso. Quem lhe garante a maioria necessária são os peemedebistas. Podemos dar uma de inocentes, embarcar na canoa petista e sair por aí a vituperar apenas contra o PMDB.

Mas esperem: quem chantageia quem na relação governo-PMDB? São os peemedebistas que dizem ao governo “só aprovamos tal medida se tivermos tal cargo”, ou é o governo que diz aos peemedebistas “só lhes dou tal cargo se vocês aprovarem tal medida?”. Afinal, convenham: o partido ganhou a eleição junto com o PT. A rigor, não precisa brigar por espaço. É natural que o tenha. Pergunto, em suma, é quem comanda essa relação perversa de troca. E a resposta me parece óbvia: dá o tom da convivência quem pode mais e quem tem a caneta. No caso, é Dilma.

De resto, o PT sabe como a fidelidade do PMDB lhe foi importante em momentos cruciais, não é? E este é, sim, um deles. Não tivesse o governo se exposto, em razão das múltiplas bobagens que fez na área orçamentária e fiscal,  à pressão dos parlamentares de sua base, não haveria por que ser chantageado agora.

É claro que o PMDB sabe que estará quebrando um galhão para Dilma. O partido impõe um preço para endossar o descalabro. E Dilma impõe um preço para lhe conceder fatias do poder.

Por Reinaldo Azevedo

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Aliados chantageiam Dilma escancaradamente

O que assusta na marcha resoluta de Dilma Rousseff rumo ao arcaico é sua crueza explícita. Se a sessão mais recente do Congresso serviu para alguma coisa foi para informar à presidente reeleita que ela não deve esperar nenhuma colaboração altruísta dos seus aliados. Ficou entendido que, no segundo mandato, os sócios do empreendimento governista enquadrarão a presidente da República em três leis: a lei da oferta e da procura, a lei do mais forte e a lei da selva.

O fato de os partidos aproveitarem a hora para exigir definições sobre o rateio dos ministérios e otras cositas não deveria surpreender o Planalto. O pessoal está apenas exigindo a consideração que Dilma não demonstrou no primeiro mandato, quando ainda se achava uma gerente extraordinária. A presidente encomendou uma meia-sola para disfarçar o rombo nas contas de 2014. Os aliados querem ajudar. Mas exigem recompensa compatível com o valor do conserto —são regras do mercado persa.

Renan Calheiros reuniu-se com Dilma na terça-feira. Acertou o envio do senador Vital do Rêgo, PhD em gestão de CPIs, para uma sinecura no TCU. E prometeu apressar a aprovação do jeitinho fiscal. Renan ligou o trator. Numa única noite, arou os 38 vetos presidenciais que obstruíam a passagem da manobra que transformará deficit em superavit. Programou o grand finale para o dia seguinte, na hora do almoço. Foi mastigado pela oposição e engolido pelo seu PMDB.

Chamado de “vergonha do Congresso” por Mendonça Filho, líder do DEM, Renan tentou fingir que havia quórum para manter o funcionamento da sessão. Para entregar a mercadoria a Dilma, precisava dos votos de 257 deputados e 41 senadores. Mas passaram pelo plenário apenas 222 dos 513 deputados e 32 dos 81 senadores. Em plena quarta-feira, dia de Casa cheia, não se chega a uma falta de quórum como essa na base do improviso.

A bancada do PMDB na Câmara soma 71 deputados. Passaram pela sessão 28. Ausente, o líder Eduardo Cunha atribuiu o fenômeno à hora do almoço. Ele mesmo estava num repasto com a turma do PSC, que irá apoiá-lo na briga pela presidência da Câmara. No Senado, o PMDB controla 19 cadeiras. Apenas oito estavam ocupadas. Foi como se os peemedebistas gritassem para Dilma que Renan representa os interesses dele, não as reivindicações das bancadas.

Além do PMDB, estavam subrepresentados na sessão do Congresso outras legendas cujo governismo anda meio cansado, dependendo de uma vitamina para revigorar-se. O PP, por exemplo, desfilou no plenário apenas 23 cabeças. O PR, 17. E o PSD, 26. Reduzido à rara condição de general sem tropa, Renan reconheceu a ausência de infantaria, enfiou a empáfia no saco, encerrou os trabalhos  e convocou nova batalha para terça-feira, já em pleno mês de dezembro, a 20 dias do recesso parlamentar.

Na semana passada, Dilma adiara o anúncio de sua nova equipe econômica porque lhe disseram que seria possível apresentá-los ao mercado já com a página do buraco nas contas virada pelo Congresso. Deu chabu. Nesta quinta, Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) virão à boca do palco tendo como pano de fundo a nódoa da meta descumprida do superavit. Por um instante, serão coadjuvantes de um enredo que tem a chantagem como protagonista.

Tramada e executada com esmero, a ausência de governistas na sessão do Congresso foi uma mensagem do lado mais forte para o mais fraco. E no Brasil de Brasília, os partidos governistas chegaram à conclusão de que o lado politicamente mais fraco é a presidente da República que acaba de ser reeleita. Chantageada assim, à luz do dia, Dilma terá de decidir rapidamente que tipo de papel deseja desempenhar nos próximos quatro anos: presidente ou refém?

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Petismo de resultados!




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Blog do Reinaldo Azevedo

LDO – Governo tenta aprovar estupro à Constituição nesta quarta; oposição vai ao Supremo

O Congresso viveu uma balbúrdia dos diabos nesta terça-feira, que se arrastou até a madrugada desta quarta para tentar limpar a pauta — 38 vetos presidenciais que estavam pendentes — e abrir caminho para votar o projeto de lei do governo que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias e simplesmente elimina a meta fiscal. Se aprovado, o governo faz o que bem quiser com as contas, produza déficit ou superávit. Pior ainda: pode até chamar déficit de superávit, e tudo bem. A proposta inicial era votar o texto ontem. Não deu. Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado e do Congresso, tentará passar o rolo compressor hoje.

Os românticos entenderam agora por que o governo precisa muito de um partido como o PMDB — ou, para ser mais exato, precisa de certo PMDB? O projeto de lei não podia ser votado enquanto os vetos presidenciais não fossem apreciados. No comando da sessão, Renan manobrou para apreciar tudo de cambulhada, atropelando o Regimento em vários aspectos. E tudo para quê? Para viabilizar um estupro à Constituição.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias, conforme estabelece o Artigo 165 da Constituição, compreenderá “as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento”. É coisa importante. Deveria ser ao menos.

Será que o governo pode simplesmente mandar a LDO às favas, prometer superávits que não cumpre, ignorar prioridades aprovadas pelo Poder Legislativo, manobrar os números como lhe der na telha? Se a lei serve para alguma coisa, a resposta é não! A Lei 1.079 é explícita na Alínea 4 do Artigo 10. É crime de responsabilidade “Infringir, patentemente, e de qualquer modo, dispositivo da lei orçamentária”. E é precisamente isto o que está a fazer o governo Dilma, nos estertores do seu primeiro mandato. Sim, estamos falando de um governo fora da lei. Só para lembrar: se a Câmara aceita uma denúncia de crime de responsabilidade contra o chefe do Executivo, ele é obrigado a se afastar do poder.

Justamente porque a LDO tem prescrição constitucional, o PSDB já recorreu ao Supremo para tentar suspender a tramitação do projeto de lei. Também pretende pedir ao tribunal a nulidade da sessão desta terça.

“Mas e aí, Reinaldo? O país pode ficar sem a aprovação da LDO?” A resposta é “não”. Mas ela não pode ser uma peça de ficção, que o governo manipula como quer.

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SACO DE MALDADES – Dilma prepara a volta do imposto sobre combustíveis

Essa Dilma Rousseff… Nesta terça, ficamos sabendo que a “represidenta” pretende dar uma freada nas generosidades do BNDES, diminuindo, na prática, o seu peso no financiamento da economia. Já não era sem tempo, não é? Afinal, o governo pega dinheiro do mercado a 11,25%, transfere parte da bufunfa para o banco, que o empresta a 5% a alguns escolhidos. Mas todos pagam a conta. Uma lindeza! Nesta quarta, mais uma notícia a revelar um governo nas cordas. Dilma vai, na prática, elevar o preço dos combustíveis, mas, desta feita, não para diminuir o rombo da Petrobras, mas para diminuir o rombo do… governo. E como será feito? Com a volta de um imposto, chamado eufemisticamente de “contribuição”.

A Folha informa que, no pacote de medidas para minorar os descalabros das contas públicas, Guido Mantega incluiu a volta da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). A cobrança, estima o governo, pode arrecadar até R$ 14 bilhões. O Planalto também está de olho, informa o jornal, no seguro-desemprego, abono salarial e pensão pós-morte; as dois primeiros itens atingem cerca de R$ 45 bilhões por ano.

A presidente Dilma esteve nesta terça com Joaquim Levy e Nelson Barbosa, futuros ministros da Fazenda e do Planejamento, respectivamente. A intenção é fechar um conjunto de medidas que seriam divulgadas junto com a oficialização da nova equipe. Mantega deve passar o bastão na segunda, mas se despede já na sexta. Ufa! Já não era sem tempo.

Voltar a cobrar a Cide corresponde a tentar reequilibrar as contas aumentando imposto, em vez de cortar gastos. Dilma certamente sabe que não é uma medida simpática, o que evidencia o desespero do governo. Mas aguardemos o conjunto de medidas para saber se a lógica abraçada será mesmo a de bater um pouco mais a carteira da sociedade em vez de o governo passar a gastar de forma mais responsável.

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Juiz da Operação Lava-Jato reage às tentativas de desmoralizá-lo. E tem a lei a seu favor

No dia 3 de novembro, escrevi aqui um post intitulado “O PT e advogados de corruptos se organizam agora para tentar destruir o juiz Sérgio Moro”, com base em reportagem publicada na revista VEJA.

Dois advogados de empreiteiras o acusam de manobrar à margem da lei para impedir que o caso migre todo para o Supremo. Ele também estaria usando a decretação de prisões para forçar delações premiadas e cerceando o direito de defesa ao não permitir o acesso de acusados ao conteúdo das delações. A acusações foram feitas pelos advogados Alberto Toron, em entrevista concedida à Folha, e Fabio Tofic Simantob, em reclamação ao Supremo. Eles defendem, respectivamente, as empreiteiras UTC e Engevix. Advogados têm o dever de defender os seus clientes. Mas nem por isso a gente precisa ser sensível à livre interpretação que possam fazer da lei. Moro classificou as acusações de “fantasiosas” — e me parece que ele está certo.

Vamos ver. O juiz tem impedido que os investigados citem nomes de políticos em seus depoimentos por uma razão simples: eles têm foro especial por prerrogativa de função, e caberá ao STF ou ao STJ, a depender do cargo, a condução do processo. Assim quer a Constituição, não o juiz. Ele tem ciência — e parece que não pode ser censurado por conhecer os códigos de seu país — de que poderia provocar a nulidade do processo por um mero erro formal. O juiz negou que esteja investigando políticos: “O objeto desse processo não envolve o crime de corrupção de agentes políticos, mas sim crimes licitatórios, de lavagem e, quanto à corrupção, apenas de agentes da Petrobras.”

Do que os advogados o acusam? De reconhecer a existência do chamado foro privilegiado? É a lei. De resto, acho que não fica bem toda essa ânsia dos doutores para que o caso migre para o Supremo. Acaba passando a impressão de que, na Corte maior do país, eventuais corruptos teriam melhor sorte. Acho bom o STF refletir sobre tal ilação.

Quanto ao acesso à delação premiada, dizer o quê? Seu caráter é necessariamente sigiloso. E só há consequências se as revelações feitas estiverem ancoradas em provas. Toron fala como se não soubesse do que seu cliente está sendo acusado. E ele sabe. Ter acesso às delações implica imiscuir-se no trabalho de investigação do Ministério Público e da Polícia Federal. Não consta que essa seja uma prerrogativa de um advogado de defesa. Fosse assim, nenhuma investigação avançaria, não é? É como se Toron quisesse que seu cliente soubesse antes tudo o que os investigadores já sabem para, então, responder a uma pergunta.

Não vamos confundir alhos com bugalhos. Todos os advogados sabem do que são acusados seus respectivos clientes. O que não sabem — nem devem saber — e de quais provas já dispõem as autoridades que investigam e que dizem respeito, atenção!, a toda a teia criminosa. E os crimes, como a gente sabe, aconteceram, ou um grupo de delatores não se disporia a entregar alguns milhões de dólares que foram roubados da Petrobras.
O ministro Teori Zavascki, relator do caso no Supremo, encaminhou alguns questionamentos a Moro. Não está claro se foi mera ação burocrática ou se, de fato, se mostra simpático à tese dos advogados. De resto, não custa lembrar: é o Ministério Público Federal quem detém a guarda do conteúdo da delação premiada, não o juiz Sérgio Moro.

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STF arquiva pedido do PT contra a revista Veja

O ministro Teori Zavascki, do STF, arquivou pedido do PT contra Veja. O partido queria a abertura de inquérito contra a revista para apurar o vazamento de informações atribuídas a Alberto Youssef, ouvido pela Polícia Federal em procedimento sigiloso de delação premiada. De acordo com a revista, o doleiro da Lava Jato disse no interrogatório que Dilma Rousseff sabia da corrupção na Petrobras.

Ouvido, o procurador-geral da República Rodrigo Janot opinara a favor do arquivamento da petição. Argumentara que não se sabe se o responsável pelo vazamento tem ou não prerrogativa de foro, pré-condição para ser processado no STF —“o que, por si só, impede a instauração de inquérito perante esta Corte.” O PT também solicitara a oitiva do repórter de Veja e o acesso ao depoimento de Youssef. Tudo arquivado.

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Composição ministerial!



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STJ blinda juiz Moro e dá sinais de que corruptos da Lava Jato não terão vida fácil.

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Newton Trisotto, relator do julgamento que manteve preso homem apontado pela Polícia Federal (PF) como operador de Youssef no exterior nesta terça-feira, disse que a corrupção brasileira é "uma das maiores vergonhas da humanidade". Já o ministro Felix Fischer cogitou que nenhum outro país viveu "tamanha roubalheira". A 5ª Turma da Corte decidiu por unanimidade manter a prisão de João Procópio de Almeida Prado.

- A corrupção no Brasil é uma das maiores vergonhas da humanidade - afirmou o relator Newton Trisotto, em uma sessão de discursos fortes. O ministro também ressaltou a extensão que está tomando a Operação Lava-Jato, ao revelar cifras bilionárias.

A defesa de João Procópio - apontado como homem de confiança de Youssef fora do Brasil, e preso em julho - alegou que a prisão havia sido cumprida sem requisitos legais. Ou seja, diziam que a prisão havia sido fora da lei, e que deveria ser revogada. - Pelo valor das evoluções, algo gravíssimo aconteceu - disse Trisotto.

Trisotto, acompanhado pelos outros ministros, negou essa tese, e qualificou o papel de João Procópio no esquema como "fundamental". - Prado assumia papel relevante no esquema, controlava contas de Youssef no exterior. Foi fundamental para controlar dinheiro de origem ilícita - afirmou o relator.Com essa decisão unânime, o STJ reforçou a posição do juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava-Jato e vem sofrendo duros ataques de advogados.

O ministro Felix Fischer, ex-presidente do STJ, classificou a corrupção no Brasil entre as maiores do planeta: - Acho que nenhum outro país viveu tamanha roubalheira - afirmou Fischer. O relator Newton Trisotto pediu ainda "coragem" para o juiz Sérgio Moro. Trisotto citou o jurista Ruy Barbosa ao dizer que um juiz não pode ser "covarde". - Não há salvação para o juiz covarde. O juiz precisa ter coragem para condenar ou absolver os políticos e os economicamente poderosos - declarou o relator. ( O Globo)


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Blog do Reinaldo Azevedo

Invasões triplicam na gestão Haddad, e o prefeito — aliado objetivo dos militantes, que ajudaram a fazer a sua campanha — culpa o governo do Estado!

É impressionante. O número de invasões promovidas por movimentos de sem-teto quase triplicou nos dois primeiros anos da gestão do prefeito Fernando Haddad, do PT, na capital de São Paulo, informa reportagem de Giba Bergamin Jr. na Folha desta terça. E sabem qual é a resposta do valente? Responsabilizar o governo de São Paulo. No começo, eu achava que Haddad não parecia ser uma pessoa muito séria. Agora eu tenho a certeza de que ele não é uma pessoa… séria!

Nos anos de 2011 e 2012, houve 247 invasões de propriedades públicas e privadas na capital, número já absurdo, que saltaram para 681 em 2013 e 2014, nos dois primeiros anos de gestão. Faz sentido? Ora, é claro que sim! A maioria dos ditos movimentos de sem-teto está sob o comando de militantes políticos ligados ao PT, como Guilherme Boulos, chefão do MTST e estafeta do partido Não se esqueçam: o prefeito já subiu no caminhão do movimento para discursar.

Só isso? Não! Estimulou uma súcia disfarçada de gente sem moradia a cercar a Câmara dos Vereadores para que o Plano Diretor da cidade legitimasse a invasão chamada “Nova Palestina”, que fica em área de mananciais. Ocupá-la é cometer um crime contra o meio ambiente. E daí? Na prática, a Prefeitura incentiva a ação desses movimentos, que são aliados seus.

À Folha, o petista disfarçado de não-petista Guilherme Boulos — aquele rapaz que costuma pôr seu furor militante até contra o Estado de Israel!!! — deu a seguinte declaração para explicar a multiplicação de invasões: “Foi se tornando um barril de pólvora. A ocupação é por falta de escolha, causada pelo aumento desenfreado da especulação imobiliária”. Nota: não existe, no período, aumento nenhum da especulação imobiliária. A explicação é apenas mentirosa. O que cresceu, isto sim, foi a parceria entre a Prefeitura e os movimentos de invasão.

Segundo Haddad, vejam que mimo, cabe ao governo de São Paulo conter as invasões. Entenderam? Ele quer subir no caminhão do MTST e legitimar a ocupação de área de mananciais e, depois, quer que a Polícia dê um jeito nos invasores.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado deu a resposta adequada ao Prefeito: “Em vez de tentar transferir responsabilidades, o prefeito precisa dar explicações sobre sua política, que incentiva invasões ao premiar aqueles que as promovem, deixando à Polícia Militar o ônus de mediar os conflitos de interesses advindos das reintegrações de posse.”

A resposta é perfeita. O prefeito Fernando Haddad tem de ser mais responsável!

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Petrobras admite agora o que todo mundo já sabia: empresa está sendo investigada nos EUA

Com certo atraso, para não variar, a Petrobras admite o que mundo dos negócios de todo o planeta já sabia: ela está, sim, sendo investigada pela SEC (Securities and Exchange Commission), órgão que regula o mercado de capitais nos EUA. A razão? Os escândalos de corrupção que vieram à tona com a Operação Lava Jato.

Aliás, essa não é a única investigação em curso. A empresa também está na mira de órgão do Departamento de Justiça americano. Quando a notícia veio a público há pouco mais de uma semana, o que fez a estatal brasileira? Tentou negar o óbvio. Agora, não dá mais. Aliás, o comando da empresa negava sistematicamente que houvesse corrupção em suas operações, como sabemos. Dilma só admitiu a existência da safadeza há modestos 38 dias.

E por que uma empresa brasileira pode ser investigada por um órgão americano? Porque ela negocia ações da Bolsa de Nova York, condição essencial de uma empresa de seu porte e que tem de se financiar no mercado internacional. Todas as empresas que querem ter essa prerrogativa têm de se submeter à SEC, que é levada terrivelmente a sério por lá.

Agora a direção da estatal admite que vai enviar àquele órgão regulador dados de um auditoria independente encomenda a dois escritórios: o brasileiro Trench, Rossi e Watanabe e o americano Gibson, Dunn & Crutcher. Há alguns dias, o comando da Petrobras chegou a negar que a contratação dessas duas empresas tivesse alguma relação com a investigação da SEC.

Esses dois escritórios se dizem ainda especialistas em leis anticorrupção, em especial a FCPA (Foreign Corrupt Practice Act), que pune severamente empresas estrangeiras que negociam ações nos EUA e praticam corrupção.

Tudo indica que há gente na Petrobras que ainda não percebeu que a empresa não pode ser tratada como o quintal da casa-da-mãe-Joana. Já não adianta tentar tapar o sol com peneira. A questão da corrupção ganhou dinâmica própria. De resto, não se deve confundir a SEC ou as regras da FCPA com uma CPI de cartas marcadas no Brasil. A coisa subiu de patamar.

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Petrobras admite agora o que todo mundo já sabia: empresa está sendo investigada nos EUA

Com certo atraso, para não variar, a Petrobras admite o que mundo dos negócios de todo o planeta já sabia: ela está, sim, sendo investigada pela SEC (Securities and Exchange Commission), órgão que regula o mercado de capitais nos EUA. A razão? Os escândalos de corrupção que vieram à tona com a Operação Lava Jato.

Aliás, essa não é a única investigação em curso. A empresa também está na mira de órgão do Departamento de Justiça americano. Quando a notícia veio a público há pouco mais de uma semana, o que fez a estatal brasileira? Tentou negar o óbvio. Agora, não dá mais. Aliás, o comando da empresa negava sistematicamente que houvesse corrupção em suas operações, como sabemos. Dilma só admitiu a existência da safadeza há modestos 38 dias.

E por que uma empresa brasileira pode ser investigada por um órgão americano? Porque ela negocia ações da Bolsa de Nova York, condição essencial de uma empresa de seu porte e que tem de se financiar no mercado internacional. Todas as empresas que querem ter essa prerrogativa têm de se submeter à SEC, que é levada terrivelmente a sério por lá.

Agora a direção da estatal admite que vai enviar àquele órgão regulador dados de um auditoria independente encomenda a dois escritórios: o brasileiro Trench, Rossi e Watanabe e o americano Gibson, Dunn & Crutcher. Há alguns dias, o comando da Petrobras chegou a negar que a contratação dessas duas empresas tivesse alguma relação com a investigação da SEC.

Esses dois escritórios se dizem ainda especialistas em leis anticorrupção, em especial a FCPA (Foreign Corrupt Practice Act), que pune severamente empresas estrangeiras que negociam ações nos EUA e praticam corrupção.

Tudo indica que há gente na Petrobras que ainda não percebeu que a empresa não pode ser tratada como o quintal da casa-da-mãe-Joana. Já não adianta tentar tapar o sol com peneira. A questão da corrupção ganhou dinâmica própria. De resto, não se deve confundir a SEC ou as regras da FCPA com uma CPI de cartas marcadas no Brasil. A coisa subiu de patamar.

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OUSADIA CRIMINOSA – Segundo diretor de empreiteira, cadeia criminosa continua a atuar mesmo depois de deflagrada Operação Lava Jato

O que se vai narrar abaixo é uma história de ousadia — e de ousadia criminosa. Sim, meus caros: segundo um dos presos que contou detalhes do esquema de roubalheira incrustado na Petrobras, houve pagamento de propina mesmo depois de deflagrada a Operação Lava Jato. Prestem atenção!

Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia, já admitiu que pagou, sim, propina à quadrilha que atuava na Petrobras. E um dos intermediários da roubalheira, segundo ele, é alguém que entra tardiamente no relato das tramoias, mas que, tudo indica, era muito bem relacionado: Shinko Nakandakari. Segundo Erton, Shinko atuava como operador do esquema de corrução comandado por Renato Duque, o petista que era diretor de Serviços e homem de José Dirceu na Petrobras.

Outro subordinado de Duque, Pedro Barusco, não custa lembrar, já admitiu devolver, calculem vocês!, US$ 97 milhões. Segundo informa o Globo, “os advogados de Fonseca entregaram nesta segunda-feira à Justiça Federal do Paraná várias notas fiscais relativas à propina. Elas foram emitidas a favor da LFSN Consultoria e Engenharia, no valor de R$ 8,863 milhões, e teriam como finalidade pagar a propina a políticos”.

A LFSN Consultoria pertence a Shinko Nakandakari, Luís Fernando Sendai Nakandakari, que seria filho dele, e a Juliana Sendai Nakandakari. O endereço informado à Receita Federal, segundo o Globo, é um apartamento num prédio residencial no bairro do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, que está em nome de Luís Fernando.

Sabem o que impressiona? A ousadia da turma e a aposta na impunidade. Aqueles quase R$ 9 milhões em propina foram pagos entre 2010 e 2014, enquanto o processo do mensalão corria no Judiciário. Só isso? Não! A última nota fiscal é de 25 de junho de 2014, dois meses depois de deflagrada a operação Lava Jato. Os advogados de Fonseca entregaram nesta segunda à Justiça Federal do Paraná algumas notas fiscais referentes ao propinoduto.

Shinko não é desconhecido da Polícia e da Justiça. Ele é um dos denunciados num processo de improbidade administrativa envolvendo a construtora Talude, que foi contratada pela Infraero para obras no aeroporto de Viracopos, em Campinas. O valor inicial do contrato, assinado em 2000, foi de R$ 13,892 milhões. Seis meses depois da assinatura, foi feito um aditivo de R$ 1,904 milhão. O segundo aditivo, de R$ 1,540 milhão, ocorreu em 2011. Para o Ministério Público Federal, não havia razões para firmar os aditivos, que tornaram a obra mais cara. O caso está na Justiça.

Convenham: ainda que este senhor realmente fosse um prestador de serviços convencional, a sua ficha já não o autorizaria a celebrar contratos com a Petrobras. Mas sabem como é… Os patriotas não dão bola para isso.

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Jucá: ‘Não mudou a meta, ampliamos a banda’

Relator do projeto que abre brecha para que o governo feche suas contas no vermelho em 2014, Romero Jucá (PMDB-RR) foi criticado pela oposição por seu excesso de servilismo. No parecer que prevaleceu na Comissão de Orçamento, o senador substituiu a expressão “meta de superávit'' por “meta de resultado''. Com isso, deixou o governo à vontade para apresentar um déficit (ou “superávit negativo'', ironizam os adversários). Jucá absteve-se, de resto, de fixar uma cifra. Apenas autorizar Dilma a abater da meta cenográfica 100% de tudo o que for gasto com o PAC e com as desonerações tributárias.

Auditor, o deputado tucano Izalci (DF) lembrou a Romero Jucá que a Lei de Responsabilidde Fiscal obriga o Congresso a fiscalizar o cumprimento da meta de superávit primário. “Se não há uma meta numérica, o que iremos fiscalizar?”, perguntou Izalci. E Jucá, flertando com o déficit de lógica: “O que estamos fazendo aqui não é alterar a meta do superávit. Nós estamos discutindo aqui a ampliação da banda de abatimento da margem desse superávit. Isso é algo completamente diferente da alteração de uma meta”.

Impressionado, o médico Ronaldo Caiado (DEM-G) comparou Jucá a um vírus. “Ninguém desconhece a capacidade de mutação do relator Romero Jucá. É aquilo que nós, na medicina, temos uma dificuldade enorme de combater: o vírus com mutação muito rápida. Vossa Excelência, senador Jucá, tem uma capacidade de mutação ímpar.” Na campanha presidencial, Jucá apoiou o tucano Aécio Neves.

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Líder do DEM ironiza: ‘Levy é ortodoxo demais!’

Ao escolher o economista Joaquim Levy para ser o ministro da Fazenda do seu segundo mandato, Dilma rousseff transformou os congressistas do PT em alvos do deboche da oposição. “Tem petista com febre hoje aqui”, alfinetou o líder do DEM, deputado Mendonça Filho, durante a sessão noturna que a Comissão de Orçamento realizou nesta segunda-feira (24).

“A presidente não teve coragem de levar adiante sua política de irresponsabilidade fiscal”, prosseguiu Mendonça. “Ela já havia demitido o Guido Mantega. Agora, traz para o lugar dele um ortodoxo de carteirinha. Acho que o futuro ministro da Fazenda é ortodoxo demais para o meu gosto. Mas o PT vai ter que engolir. Os petistas estão arrepiados porque o ajuste vai ser severo. Tudo que Dilma pregou durante a campanha está sendo desmoralizado pelos fatos.”

Vice-líder do DEM, o deputado Ronaldo Caiado (GO), eleito senador em outubro, também tripudiou. Lembrou que Dilma “fez muitas críticas ao sistema financeiro” durante a campanha eleitoral.” Empenhou-se em “demonizar o Armínio Fraga”, que comandaria a economia se Aécio Neves tivesse prevalecido. “Agora, estão trazendo o Joaquim Levy, do Bradesco, para montar a política econômica que vai resgatar a presidente, para que ela tenha condições de sobreviver.”

Mendonça Filho insinuou que a própria Dilma terá de engolir Levy: “Houve uma interveção do ex-presidente Lula, numa reunião histórica na Ganja do Torto, para enquadrar a presidente Dilma. Lula a fez ver que, ou ela recuava na sua economia populista ou ia terminar o seu governo de forma trágica. E a presidente teve que engolir um ortodoxo na Fazenda.”

Amigo de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central na Era Lula, Caiado fez uma inconfidência. “O governo Lula só cumpriu metas de superávit porque trouxe de Boston o banqueiro Meirelles para assumir o Banco Central. Nas palavras de Caiado, Meirelles “passou a ser o grande professor” do petista Antonio Palocci, um médico que Lula acomodou no comando da Fazenda.

Caiado escorou suas declarações em comentários que diz ter ouvido do próprio Henrique Meirelles. “Ele me dizia: ‘deputado, o Palocci é um médico, mas tem uma capacidade ímpar de absorver os ensinamentos. O Mantega é difícil. Não consigo colocar na cabeça dele o que é a boa prática da política econômica.’

Joaquim Levy integrava a equipe de Palocci. Foi secretário do Tesouro Nacional. Produziu superávits portentosos. “A quem ponto chegamos!”, exclamou Caiado. “Ninguem no mercado acredita em Dilma ou no governo. E não é a presidente recém-reeleita que vai recuperar a credibilidade. É oJoaquim Levy.”

“O PT vai ter que aplaudir o Levy”, declarou Caiado. E Mendonça: “Veja a ironia do destino. Dona Dilma vai ter que ser mais ortoxoda do que o rei, porque sua política econômica está desmoralizada. Ninguém acredita em mais nada, porque tudo o que é compromisso é descumprido. Se a eleição fosse hoje, o resultado seria diferente. Infelizmente, o quadro é de estelionato eleitoral. Um estelionado gritante.”

Embora estivesse apinhada de petistas e aliados, não se ouviu um pio que pudesse ser entendido como contestação às provocações dos ‘demos’ Caiado e Mendonça.

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Dilma foi ‘espancada’ por 4 horas no Congresso

Com uma semana de atraso, a maioria governista aprovou na Comissão de Orçamento do Congresso, na noite passada, o projeto que autoriza a União a fechar as contas públicas no vermelho em 2014. Para evitar que a sessão invadisse a madrugada, os apoiadores do Planalto seguraram a língua. Os oposicionistas, ao contrário, usaram todo o tempo que o regimento lhes franqueava. Em consequência, Dilma Rousseff apanhou praticamente indefesa por cerca de quatro horas. A sessão começou pouco depois das 20h. E terminou quando já passava de meia-noite.

Vice-líder do DEM, o deputado Ronaldo Caiado (GO) atribuiu o rombo nas contas públicas à utilização do Tesouro Nacional como “cabo eleitoral” de Dilma. “Em agosto, o déficit foi de R$ 10 bilhões. Em setembro, foi de R$ 20 bilhões. Fica nítido que houve utilização da máquina do governo em proveito eleitoral.” Ecoando Caiado, o vice-líder do PSDB, Nilson Leitão (MT), fez um apelo aos apoiadores de de Dilma: “Pediria que tivessem cuidado com a presidente da República. Cuidem dela, porque ela está totalmente desgovernada.”

Carlos Sampaio (SP), outro vice-líder do PSDB, disse que, após maquiar as contas públicas por três anos, Dilma inovou na transgressão. “Ela achou melhor mudar a lei”, disse o deputado. “Mudou a lei para que a lei se ajustasse ao desgoverno dela.” Fez isso, segundo o líder do DEM, Mendonça Filho (PE), para livrar-se de um enquadramento na lei que tipifica o crime de responsabilidade.

Um dos “crimes de responsabilidade” a que os gestores públicos estão sujeitos, lecionou Mendonça ao microfone, é “infringir patentemente qualquer dispositivo da Lei Orçamentária”. O líder do DEM acrescentou: “É justamtne o que o governo está patrocinando no Congresso na noite desta segunda-feira. Está desmoralizando a Lei de Diretrizes Orçamentárias e rasgando a Lei de Responsabilidade Fiscal.”

Em nova estocada, o tucano Nilson Leitão recordou que Lula vendera Dilma como gestora estupenda na campoanha de 2010. “Hoje, verifica-se que não pode ser gerente nem de quitanda, porque não consegue cuidar das contas. É vergonhoso.” A gritaria da oposição cresceu na proporção direta do silêncio dos aliados da presidente.

A certa altura, Caiado, eleito senador em outubro, bateu abaixo da linha da cintura. “O governo está em situação de ingovernabilidade”, disse. “A presidente foi reeleita há pouco mais de um mês e não pode caminhar nas ruas. Ninguém acredita na compostura moral e ética deste governo. A função da Graça Foster na Petrobras é apagar as digitais da Dilma e do Lula.”

A Comissão de Orçamento, prosseguiu Caiado, “passou a ser mais um puxadinho do Planalto”. Segundo ele, os congressistas que “aliviarem o crime fiscal praticado pela presidente serão atendidos com ministérios na Esplanada.” Caiado enfatizou: “Estão votando para receber ministérios”.

Mendonça Filho vaticinou: “O governo tem maioria para aprovar quase tudo aqui no Parlamento. Quando libera verbas orçamentárias, aí mesmo é que a coisa fica facilitada. Mas tem uma rebelião em curso, gente insatisfeita com a divisão de cargos.” O presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), marcou para esta terça-feira a sessão conjunta da Câmara e do Senado para aprecisar a manobra fiscal aprovada na cmissão. Na previsão do líder do DEM, “o bicho vai pegar.”

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Petroempreitada!




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A velha Dilma barra a entrada em cena da nova Dilma
Ricardo Noblat

Está aí uma briga boa de ver – a de Dilma contra ela mesma.

A de Dilma abusada, centralizadora, que trata mal seus subordinados e não confia em ninguém a não ser nela mesma, contra a nova Dilma que o PT e seus aliados torcem para que governe o país daqui para frente.

A nova Dilma seria o oposto da Dilma atual.

A Dilma tal qual a conhecemos teima em não sair de cena.

Em vão, Lula tentou emplacar Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central durante seu governo, no Ministério da Fazenda. Quando viu que não conseguiria mandou espalhar que Meirelles não era seu candidato ao posto.

Em vão, Lula sugeriu a Dilma o nome de Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco.

Argumentou que indústria, bancos e comércio se reconciliariam com o governo se Trabuco fosse o escolhido para suceder Guido Mantega no comando da economia.

O Ministério da Fazenda deverá ser ocupado por Joaquim Levy. É o que Dilma prefere. Só faltava ela começar a reforma do seu ministério se rendendo a escolhas de Lula...

Nem de Lula e nem por enquanto de ninguém.

Armando Monteiro Neto, senador pelo PTB de Pernambuco, irá para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior porque foi presidente da Confederação Nacional da Indústria.

Perdeu a eleição para o governo de Pernambuco, é verdade. Mas ajudou Dilma a ter ali uma votação superior a 70% dos votos no segundo turno.

Dilma convidou Armando para o governo sem dar a menor bola para o partido dele - que por sinal apoiou Aécio Neves.

Como convidou Kátia Abreu (PMDB-TO) para o ministério da Agricultura sem consultar sequer Michel Temer, vice-presidente da República e presidente do PMDB.

O PMDB não considera Kátia ministra de sua cota. Como se isso fizesse alguma diferença para Dilma.

A escalação da maioria dos ministros ficará para janeiro. Dilma não pode se arriscar a anunciar o nome de um ministro e em seguida ficar sabendo que ele está envolvido com a roubalheira na Petrobras.

Por fim: quando a Dilma do diálogo, do entendimento, da paciência para aturar os políticos e da disposição para ceder fatias do poder; quando essa Dilma fará sua estreia?

Sabe-se lá. Talvez nunca.,

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Viva a responsabilidade fiscal da Dilma! Achacadores do PT e do PMDB emitem nota e recolhem imposto da propina recebida.

Primeiro dos executivos presos na Operação Lava-Jato a admitir que pagou propina no esquema da Petrobras, Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia, trouxe à tona um novo nome a ser investigado. Trata-se do empresário Shinko Nakandakari, que, segundo o executivo, atuava como operador do esquema de corrupção na Diretoria de Serviços da Petrobras, comandada por Renato Duque, ao lado de Pedro Barusco, ex-gerente executivo da área de Engenharia da estatal que se dispôs a contar o que sabe ao Ministério Público Federal e devolver US$ 97 milhões. Os advogados de Fonseca entregaram nesta segunda-feira à Justiça Federal do Paraná várias notas fiscais relativas à propina. Elas foram emitidas a favor da LFSN Consultoria e Engenharia, no valor de R$ 8,863 milhões, e teriam como finalidade pagar a propina a políticos.


A LFSN Consultoria pertence a Shinko, a Luís Fernando Sendai Nakandakari, que seria filho dele, e a Juliana Sendai Nakandakari. O endereço informado à Receita Federal é um apartamento num prédio residencial no bairro do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo, que está em nome de Luís Fernando. Os pagamentos da Galvão foram feitos por meio de transferências eletrônicas a Luís Fernando e Juliana. Nas notas, aparece que o pagamento foi feito por serviços prestados.

As notas fiscais — várias delas com o valor de R$ 660 mil — foram emitidas entre 2010 e 2014. Segundo a planilha de pagamentos apresentada à Justiça pela Galvão Engenharia, o primeiro pagamento ocorreu em novembro de 2010 e o mais recente é de 25 de junho de 2014 — cerca de dois meses depois de a Operação Lava-Jato ter sido deflagrada pela Polícia Federal. As notas têm valores entre R$ 115 mil e R$ 750 mil.

Fonseca se dispôs a fazer acareação com o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e com o doleiro Alberto Youssef, na tentativa de provar à Justiça que, ao contrário da acusação que lhe é imputada, ele não fazia parte da organização do cartel de empreiteiras, mas foi vítima de extorsão. É o mesmo argumento apresentado em depoimento pelo vice-presidente executivo da Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes, que pagou R$ 8 milhões ao doleiro.

Em depoimento à Justiça, Fonseca afirmou que cedeu à pressão de Shinko porque a Galvão Engenharia vinha sendo sucessivamente preterida, e o nome da empresa havia sido excluído da lista das “convidadas” a participar da licitação. Disse ainda que o dinheiro era destinado ao caixa do PP.
Shinko Nakandakari é um dos denunciados num processo de improbidade administrativa envolvendo a construtora Talude, contratada pela Infraero para obras no aeroporto de Viracopos, em Campinas.

O valor inicial do contrato, assinado em 2000, foi de R$ 13,892 milhões. Seis meses depois da assinatura, foi feito um aditivo de R$ 1,904 milhão. O segundo aditivo, de R$ 1.540.352,97, ocorreu em 2011. Para o Ministério Público Federal, não havia razões para firmar os aditivos, que tornaram a obra mais cara. O caso está na Justiça.

Fonseca cumpre prisão preventiva na carceragem da Polícia Federal em Curitiba. Ao pedir pela liberdade dele, os advogados argumentam que a Galvão Engenharia pertencia ao “grupo A”, a elite de fornecedores da Petrobras, mas havia deixado de receber os convites da estatal para disputar licitações. Inconformada, a construtora teria encaminhado pelo menos 20 requerimentos à Petrobras, entre 2006 e 2014, relembrando aos executivos da estatal o padrão de excelência de seus serviços e pedindo que fosse incluída em certames em curso.
Os advogados dizem ainda que, se estivesse participando de um “conluio” com outras empreiteiras, a Galvão Engenharia não precisaria pedir à Petrobras que a convidasse para as licitações. Os depoimentos de Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef incriminam Fonseca. Costa afirmou que ele participava do esquema de cartel, e Youssef diz ter tratado com ele o fechamento de contratos entre a Galvão Engenharia e suas empresas de fachada, como forma de viabilizar o pagamento das propinas. Foram apreendidos pela PF contratos da Galvão Engenharia com empresas que eram usadas pelo doleiro para movimentar recursos ilícitos. A empresa depositou pelo menos R$ 4,179 milhões na conta da MO Consultoria, uma dessas firmas de fachada.

A Galvão informa ter participado de 59 licitações na Petrobras. Os contratos individuais da empresa com a estatal, entre 2009 e 2013, somaram R$ 3,474 milhões. A Galvão atuou também em consórcios. Na semana passada, o advogado de Fonseca, José Luis Lima, disse que a empresa obteve contratos com a Petrobras “de forma lícita”, mas depois passou a ser vítima de extorsão. ( O Globo )


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Blog do Reinaldo Azevedo

Joaquim Levy e Kátia Abreu, futuros ministros de Dilma, começam bem: as esquerdas ficaram furiosas! Sem dúvida, é um bom sinal!

Vou tratar aqui de um assunto muito sério. Muito mesmo! Coitada da presidente Dilma Rousseff! “Como assim, Reinaldo?”, há de me perguntar muita gente, que sabe o que eu penso. Eu explico. Há no que escrevo um tanto de objetividade e um tanto de ironia. Por que me compadeço da governanta?

Porque está na cara que, quando ela erra, acaba sendo mais bem tratada por certos setores da imprensa do que quando acerta. E não são apenas setores do jornalismo que veem o mundo pelo avesso: também no seu partido, a estupidez costuma ser aplaudida com entusiasmo, e o acerto, vaiado. Pergunto: se Dilma não for atropelada pela Operação Lava Jato — e o risco sempre existe —, ela tem a possibilidade de fazer um governo até virtuoso, no limite do possível? A resposta é “sim”. Mas teria, para tanto, de se livrar do peso do PT — ou, ao menos, de torná-lo irrelevante. Não é coisa fácil. Mas volto ao ponto.

Até o momento em que escrevo faço este comentário, conhecemos os nomes de cinco ministros do futuro governo Dilma: Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento), Alexandre Tombini (Banco Central), Kátia Abreu (Agricultura) e Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio).

Não houvesse mais ninguém a nomear, Dilma estaria com uma boa equipe. Mas é claro que vai piorar bastante a qualidade média a partir de agora. Não deixa de ser divertido ver o chororô de alas do petismo, especialmente com as indicações ainda por fazer, mas dadas como certas, de Joaquim Levy e Kátia Abreu, e a gritaria depõe a favor de ambos. A decepção de setores à esquerda da imprensa, que têm a pretensão de ser a consciência crítica de Dilma, chega a ser hilariante e certamente depõe a favor da dupla. Se há coisa que a Levy e Kátia têm a comemorar, é essa rejeição.

Não acho que Levy seja exatamente um formulador de política econômica, como requer a Fazenda. Entre os sensatos, Murilo Portugal se enquadrava melhor nos pré-requisitos do cargo. De todo modo, a exemplo de Portugal, Levy atende a uma necessidade urgente de Dilma: seu governo precisa de credibilidade técnica, que foi agredida mês após mês, ano após ano, e Levy serve a esse propósito. Não é nem faroleiro nem desonesto. Em tempos de Operação Lava-Jato, é um diferencial importante.

A senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que fez forte oposição a Lula, se aproximou de Dilma sem abrir mão de suas convicções — daí ter entrado, de novo, na mira dos setores esquerdistas e populistas do jornalismo. Lutou por um Código Florestal descente, é líder do setor que produziu um superávit de US$ 82,91 bilhões em 2013 e tem uma agenda voltada, sim, para a produção e o crescimento da economia. Não precisou fingir o que não pensa para ver aprovado o que pensa.

É legítimo que se pergunte se os nomes escolhidos até agora são compatíveis com a campanha esquerdista de Dilma. A resposta, obviamente, é “não”. Representam uma espécie de estelionato ideológico — um, digamos assim, bom estelionato. Sempre que um governo do PT joga suas convicções no lixo, o país deve ficar feliz.

E Dilma, convenham, não inova. Foi para ter Henrique Meirelles no Banco Central e o próprio Joaquim Levy no Tesouro que Lula venceu a eleição em 2002? Era o que prometia em sua campanha? Levy, não custa lembrar, tinha sido secretário-adjunto de Política Econômica e economista-chefe do Ministério do Planejamento do governo FHC, aquele que teria deixado, segundo Lula, numa mentira escandalosa, uma herança maldita.
E o que se viu? O presidente eleito em 2002 jogou o programa do PT no lixo, governou com a agenda de FHC, cujo governo havia sido derrotado nas urnas, e acabou se consagrando e sendo reeleito. Se as esquerdas estão furiosas, e estão, com os primeiros movimentos de Dilma, então há uma boa possibilidade de que eles sejam bons.

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O Palácio do Planalto ofende a VEJA, e os fatos ofendem o Palácio do Planalto. Ou: Que tal dar explicações, presidente?


O governo federal teve uma ideia genial diante da reportagem de VEJA evidenciando que, em 2009, tanto o então presidente Lula como a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, poderiam ter dado um murro na mesa e interrompido a roubalheira na Petrobras — caso fosse, claro!, do interesse do petismo fazê-lo. Em vez de dar uma reposta decente, o governo preferiu ofender a VEJA.

Só para lembrar: computadores do Palácio do Planalto apreendidos pela PF na operação que investigava as lambanças de Erenice Guerra, amigona da agora presidente, trazem um e-mail de Paulo Roberto Costa a Dilma alertando o governo que o TCU havia apontado irregularidades na construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e no terminal do porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. O tribunal recomendara a suspensão de repasse de verbas para esses empreendimentos, o que o Congresso acatou. Paulo Roberto, um mero diretor de Abastecimento da Petrobras, acreditem!, recomendava que o governo buscasse uma “saída política” para manter o fluxo de verbas, a exemplo do que se fizera em 2007 e 2008. A “solução” veio: Lula vetou a suspensão dos recursos, o dinheiro continuou a fluir, e a roubalheira se manteve intocada.

Ora que mimo! Um diretorzinho da Petrobras — que agora confessa ter sido o homem que gerenciava a propina do PP, repassando recursos também para o PT — estimula uma ministra de Estado, que também presidia o Conselho da Petrobras, a ignorar os alertas de desvios de recursos feitos pelo TCU.

O Planalto foi indagado a respeito do e-mail. Ignorou o assunto e afirmou que o governo, então, encaminhou as restrições do TCU à Controladoria-Geral da União. Como se sabe, nada aconteceu. Não fosse Youssef ser investigado pela PF, que chegou ao descalabro na Petrobras, tudo teria continuado na mesma. Publicada a reportagem, o Palácio do Planalto preferiu sair com uma nota malcriada contra a revista.

Não é, claro!, a primeira vez. Quando VEJA trouxe a primeira reportagem com detalhes do esquema, relatados por Paulo Roberto na delação premiada, as baterias do PT e do Planalto se voltaram contra a… revista! Dilma admitiu pela primeira vez a existência da roubalheira há meros 37 dias, em 18 de outubro.

Reação igualmente bucéfala aconteceu quando a revista informou que Alberto Youssef havia afirmado, no âmbito da delação premiada, que Dilma e Lula sabiam de tudo. A mesma informação foi publicada depois por todos os veículos de comunicação relevantes. Mas só a VEJA virou alvo da fúria oficial.

Muito bem! O líder da oposição no Congresso, Ronaldo Caiado (DEM-GO), quer que Dilma e Lula sejam convocados a depor na CPI da Petrobras. E diz, de modo muito lógico: “Ela disse que não vai deixar pedra sobre pedra e que ela está disposta a aprofundar toda a investigação. Nada mais justo do que ela ir à CPI para esclarecer, em primeiro lugar, a fala do Alberto Yousseff e, agora, esse e-mail do Paulo Roberto Costa”. Ele informa que a primeira convocação a ser solicitada, entretanto, será a do ex-presidente Lula, que comandava o governo à época e que ignorou a recomendação do TCU e liberou os recursos para as obras garantindo, desse modo, a indústria dos desvios.

Pois é… Todas as ofensas dirigidas contra a VEJA não conseguiram impedir que os fatos começassem a vir à tona. Só um dos investigados na operação, Pedro Barusco, da cota do PT,  se dispõe a devolver aos cofres públicos US$ 97 milhões roubados da Petrobras naquele escândalo cuja existência Dilma se negava a reconhecer.

O Palácio ofende VEJA. E os fatos ofendem o Palácio.

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Petrolão – A negativa de Humberto Costa e a inutilidade da quebra de sigilos em casos assim

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), emitiu uma nota em que nega com veemência ter recebido recursos da quadrilha que operava na Petrobras. Segundo Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, que esta preso, Humberto recebeu R$ 1 milhão para a campanha eleitoral de 2010. O petista pôs ainda à disposição os seus sigilos fiscal, telefônico e bancário.

Vamos lá: se Humberto recebeu ou não dinheiro do esquema gerenciado por Paulo Roberto, isso, não sei. O que sei é que, nesses casos, pôr sigilos à disposição não tem a menor importância. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras não afirmou que fez uma doação legal para a campanha do agora senador, né? Dinheiro dessa natureza, como sabemos, costuma ser pago ou em espécie — moeda sonante mesmo — ou passa por um esquema de lavagem, ganhando fachada legal.

Segundo reportagem do Estadão, o dinheiro para a campanha de Humberto foi pedido ao esquema de Paulo Roberto pelo empresário Mário Barbosa Beltrão, presidente da Associação das Empresas do Estado de Pernambuco (Assimpra). A grana teria saído da cota de 1% do PP. Diz o senador: “Tal denúncia padece de consistência quando afirma que a suposta doação à campanha teria sido determinada pelo Partido Progressista (PP) por não haver qualquer razão que justificasse o apoio financeiro de outro partido à minha campanha”.

Epa! Aí não, né? Paulo Roberto e Alberto Youssef já deixaram claro que eles operavam basicamente para o PP, mas que repassavam, sim, recursos para o PT. Aliás, segundo o engenheiro, dois pontos percentuais dos três pontos relativos a contratos com sobrepreço firmados pela Diretoria de Abastecimento eram enviados ao PT.

É evidente que Humberto Costa nega a denúncia — nem poderia fazer diferente. Ele disse também que todas as doações de campanha que recebeu em 2010 foram registradas e informadas à Justiça Eleitoral. Confirmou ter uma relação de amizade com o empresário Mário Beltrão, mas acentuou: “Em nenhum momento eu o pedi e ele muito menos exerceu o papel de solicitar recursos a Paulo Roberto para a campanha ao Senado de 2010”.

Bem, vamos ver o andamento da investigação. Caberá ao Procurador-Geral da República, dispondo dos elementos da delação premiada — cujo conteúdo é ainda desconhecido — oferecer ou não denúncia ao Supremo contra o senador petista de Pernambuco.

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E a grana da Petrobras? As formigas comeram!
Ricardo Noblat

Há muitas perguntas sobre o escândalo da Petrobras que suplicam por respostas.

A mais óbvia: é possível que Dilma ignorasse o mar de lama capaz de afogar a empresa que ela sempre controlou desde o primeiro governo do presidente Lula?

Pois antes de suceder José Dirceu na chefia da Casa Civil, Dilma foi ministra das Minas e Energia. Presidiu o Conselho de Administração da Petrobras entre 2003 e 2010.

Nada de relevante se faz na Petrobras sem autorização prévia do Conselho.

Ao deixar o Conselho em março de 2010 para concorrer à presidência da República, Dilma comentou que se sentia feliz pelo que fizera.

“É um orgulho passar pelo Conselho de Administração da Petrobras, e maior ainda presidi-lo”, disse. “Você tem uma nova visão do Brasil. Vê a riqueza do Brasil”.

De fato, ela viu. O que não viu, como diria mais tarde, foi por culpa dos outros. Elas é inocente. Completamente.

Não viu com a antecedência desejável um dos piores negócios feitos pela Petrobras – a compra da refinaria Pasadena, nos Estados Unidos.

Ela pertencia à empresa belga Astra Oil, que a comprara em 2005 por US$ 42,5 milhões.

Um ano depois, a Petrobras pagou US$ 360 milhões. E só por 50% da refinaria. Três anos depois, pagou mais US$ 639 milhões pelos outros 50%. Demais, não?

Os jornais belgas celebraram a venda da Pasadena à Petrobras como o negócio do século. Para a Astra Oil, é claro.

Dilma alegou no ano passado que se baseara em “informações incompletas” e em um parecer técnico “falho” para aprovar a compra da primeira metade da refinaria.

E nós com isso?

O Procurador Geral da República aceitou a alegação e culpou a diretoria da Petrobras pelo mau negócio. O Tribunal de Contas da União (TCU) também livrou a cara de Dilma.

Foi Lula quem disse que Dilma era melhor gestora do que ele. Imagine!

No dia 29 de setembro de 2009, segundo a edição mais recente da revista VEJA, Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento da Petrobras, informou a Dilma por e-mail que o TCU havia recomendado ao Congresso a paralisação das obras das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e de um terminal petrolífero no Espírito Santo.

Esquisito comportamento, o de Paulo Roberto. Por que se dirigiu a Dilma se era subordinado a José Sérgio Gabrielle, presidente da Petrobras?

No dia seguinte, Dilma reclamou de público da determinação do TCU de paralisar obras do governo federal: “É impossível a paralisação. Os custos são grandes”. Lula deu-lhe razão.

Quase quatro meses depois, Lula vetou uma decisão do Congresso que suspendia a execução de quatro obras da Petrobras salpicadas de fortes indícios de corrupção apontados pelo TCU.

Em momento algum, Lula falou em corrupção. Ao justificar seu veto, preferiu se referir vagamente a “pendências”, informa o jornal O Estado de S. Paulo.

O veto acabou mantido pelo Congresso de folgada e bovina maioria governista.

Graças à decisão de Lula, a Petrobras injetou mais de R$ 13 bilhões nas refinarias de Abreu e Lima e Getúlio Vargas, e em complexos petroquímicos do Rio de Janeiro e de Barra do Riacho, no Espírito Santo.

As quatro obras foram superfaturadas. A de Abreu e Lima começou custando R$ 2 bilhões. Está por R$ 20 bilhões.

Nos governos de Lula e Dilma, a Petrobras virou o maior cliente das empreiteiras cujos donos e principais executivos acabaram presos há 10 dias.

Por sinal, Lula viaja pelo mundo à custa das empreiteiras e na condição de lobista delas.

O TCU calcula que a Petrobras nos últimos quatro anos fechou negócios no valor de R$ 70 bilhões. Desse total, cerca de 60% não dependeram de licitação. De nenhuma licitação. A lei permite que a Petrobras proceda assim.

Um negócio no Espírito Santo, por exemplo, rendeu à empreiteira Mendes Júnior o adicional de R$ 65 milhões pagos pela Petrobras por causa da saúva-preta, uma espécie de formiga em extinção cuja descoberta teria atrasado a obra em 15 dias.

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Pós-Modernismo!




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Blog do Coronel

As quatro grandes mentiras espalhadas pelos corruptos pegos na Lava Jato.

Observem que são quatro as mentiras que estão sendo espalhadas pelos corruptos do PT e da sua base aliada sobre os efeitos tenebrosos da Operação Lava Jato. O objetivo, é óbvio, é tangenciar as investigações, impedindo que a Justiça determine  punições exemplares contra os envolvidos.

A mentira número 1 tem como porta-voz a própria Presidente da República, Dilma Rousseff: o Brasil vai parar se as empreiteiras forem declaradas inidôneas, o que pode significar mais prejuízos do que os causados pela corrupção. É um raciocínio imoral! O mesmo argumento safado foi usado por Lula em 2009, quando ficou sabendo oficialmente da corrupção nas obras da Petrobras. Dilma tenta impor a tese de que dos males o menor, quando deveria festejar a condenação dos culpados. De um lado, diz que não atrapalha as investigações, como se pudesse! De outro, pinta um quadro horroroso que sugere desemprego e recessão. Ora, o afastamento das empreiteiras do Clube da Corrupção abrirá espaço de mercado para outras empresas, brasileiras ou multinacionais, hoje alijadas das obras por esta verdadeira máfia. O que Dilma parece querer com este argumento mentiroso é a continuidade do esquema corrupto que financia a sua base aliada.

A mentira número 2 tem como arauto o ministro da Justiça, aquele mesmo que afirma que este mar de lama é resultante da "cultura" do brasileiro, dando como exemplo um síndico do prédio que superfatura o capacho da recepção. É um argumento imoral, nojento, que ofende a grande maioria do povo brasileiro.  Nivela os brasileiros pelos corruptos do partido a que ele pertence. José Eduardo Cardozo, partindo desta falsa premissa, ataca o financiamento privado de campanha, uma tese petista que consolidará esta quadrilha no poder. Para um governo sujo e corrupto, que usa a Petrobras, os Correios, o cadastro da Bolsa Família, os jatinhos da FAB e toda a máquina pública para eleger os seus candidatos, nada melhor do que defender o fim das doações privadas. Por que o PT não dá o exemplo e não muda o seu estatuto, determinando que não mais aceitará doações de empresas? Não precisa de lei!

A mentira número 3, plantada ontem por um colunista que publica qualquer bobagem como se fosse verdade, atende a interesses difusos: segundo ele, há mais de 250 parlamentares citados na Operação Lava Jato. A esgotosfera petista, composta pelos blogs financiados por estatais, entre elas a própria Petrobras, agasalharam a tese. Imediatamente. É  óbvio que este factóide é uma tentativa de constranger deputados e senadores, é uma informação falsa destinada a incentivar uma operação abafa nas investigações. O juiz Sérgio Moro tem impedido que nomes de políticos sejam  citados nos depoimentos para que não haja mudança de foro da sua instância para o STF. Nem mesmo os presidentes da Câmara e do Senado seriam capazes de lembrar o nome de 250 congressistas, quanto mais estes operadores que só tratam com os cardeais dos partidos.

Por fim, a mentira número 4 é a preferida dos advogados: os empreiteiros eram obrigados a pagar propina ou teriam as obras paralisadas, as faturas não pagas e quebrariam. Oh, dó! Só mesmo sendo muito idiota para não perceber que os únicos perdedores com o propinoduto foram os brasileiros, pois os preços das obras foram superfaturados, com propinas e lucros escorchantes sendo colocados no orçamento. Todos os corruptos saíram ganhando, basta olhar os gordos e recheados balanços desta meia dúzia de construtoras que formavam o Clube da Corrupção. Com a Operação Lava Jato todos perdem, menos aquela meia dúzia de advogados que formam o Clube de Proteção ao Crime e que todos conhecemos da TV Justiça, nas inesquecíveis sessões do mensalão.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Paulo Roberto Costa acusa líder do PT no Senado de ter recebido R$ 1 milhão da máfia da Petrobras

É… Mais um figurão do PT está na lista de Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras que fez um acordo de delação premiada e decidiu contar o que sabe. Desta feita, quem vai para a fogueira é Humberto Costa (PE), ministro da Saúde do primeiro governo Lula e hoje líder do PT no Senado. Segundo Paulo Roberto, o senador recebeu da máfia que tomava conta da Petrobras R$ 1 milhão para a campanha eleitoral de 2010, que o conduziu ao Senado.

Costa engrossa, assim, a lista de políticos que teriam recebido doações do esquema, que inclui o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), que morreu num acidente aéreo no dia 13 de agosto; a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB); Sérgio Cabral, ex-governador do Rio (PMDB); Edison Lobão, atual ministro das Minas e Energia; os presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL); os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR); os deputados João Pizzolatti (PP-SC) e Candido Vaccarezza (PT-SP); Mário Negromonte, ex-ministro das Cidades, do PP da Bahia, e a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Casa Civil do governo Dilma.

Na lista de Costa, também apareceu o nome de Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB, já morto. Ele teria pedido propina para a ajudar a enterrar a CPI da Petrobras, em 2009. Pode ser? Que se investigue. Mas é uma acusação um tanto estranha. A comissão instalada, então, para investigar desvios na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, tinha 11 membros. Apenas três da oposição: além de Guerra, estavam lá Álvaro Dias (PSDB-PR) e ACM Jr. (DEM-BA). O governo tinha uma maioria esmagadora para fazer o que bem quisesse, inclusive enterrar a investigação, como se fez. Por que o esquema pagaria para um Sérgio Guerra que não tinha poder nenhum?

Paulo Roberto revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público que, em 2010, foi procurado por Antonio Palocci, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência. O ex-ministro da Fazenda, que já tinha sido membro do Conselho da Petrobras, precisava, com urgência, de R$ 2 milhões. Nota à margem: em 2010, Palocci era um dos três homens fortes da campanha de Dilma. Os outros dois eram José Eduardo Cardozo, hoje no Ministério da Justiça, e José Eduardo Dutra, hoje numa diretoria da Petrobras. Dilma os apelidou de seus “Três Porquinhos”.

Agora, outro petista de cabeça coroada aparece no rolo. Que a roubalheira existiu, e numa dimensão inédita, é fato comprovado. Um engenheiro de escalão intermediário, Pedro Barusco — homem forte de Renato Duque, o petista que comandava a diretoria de Serviços —, aceitou devolver aos cofres públicos a soma fabulosa de US$ 97 milhões.

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Líder da oposição pede convocação de Dilma e Lula na CPI da Petrobras

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
O líder da oposição no Congresso, Ronaldo Caiado (DEM-GO), quer que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sejam convocados para depor à CPI da Petrobras. O motivo é a reportagem de VEJA que mostra como em 2009 Paulo Roberto Costa passou por cima de toda a hierarquia da Petrobras para advertir – por e-mail – o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal.

“Ela disse que não vai deixar pedra sobre pedra e que ela está disposta a aprofundar toda a investigação. Nada mais justo do que ela ir à CPI para esclarecer, em primeiro lugar, a fala do Alberto Yousseff e, agora, esse e-mail do Paulo Roberto Costa”, diz o parlamentar. A primeira convocação a ser solicitada, entretanto, será a do ex-presidente Lula, que comandava o governo à época e que ignorou a recomendação do TCU e liberou as obras.

Para Caiado, o e-mail de costa é uma prova importante do envolvimento de Dilma nos desmandos: “Ela não pode dizer que não conhece, porque recebeu um e-mail direto de alerta”. A assessoria de Caiado está estudando o regimento do Congresso para saber se ele pode apresentar requerimentos na CPI da Petrobras. O parlamentar não é membro da comissão mas, na condição de líder, pode participar das reuniões. O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy, disse neste sábado que a reportagem comprova o elo entre Dilma, Lula e Paulo Roberto Costa – e aproxima ainda mais a presidente da República do escândalo na Petrobras.

“Esse fato aproxima o escândalo do Palácio do Planalto e mostra a participação do ex-presidente Lula e da presidente Dilma nas pilantragens da Petrobras”, diz o tucano, que também chama atenção para o fato de Paulo Roberto Costa ter se dirigido diretamente à então ministra da Casa Civil, sem seguir a hierarquia natural de seu cargo.

Para Imbassahy, o caso também explica o temor do governo com as apurações: “Isso revela um dos motivos pelos quais o governo atua diretamente para impedir nosso trabalho na CPI da Petrobras”. Ele afirma que a revelação também reforça a necessidade de que uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito seja instalada na próxima legislatura, em fevereiro. A CPI atual vai funcionar até 22 de dezembro. Também neste sábado, o Palácio do Planalto emitiu uma nota em que repete as alegações enviadas à redação de VEJA e reproduzidas na reportagem.

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Levy prega aperto do tipo que desagrada eleitor

Convidado por Dilma Rousseff para comandar a pasta da Fazenda, Joaquim Levy escreveu há nove meses um artigo que dá ideia do tipo de ministro que pretende ser. No texto, disponível aqui, ele contestou a tese segundo a qual a indústria brasileira definha porque o câmbio está sobrevalorizado. O verdadeiro enrosco, escreveu, é a política fiscal.

Para ele, os políticos não ignoram o que deve ser feito em matéria econômica. Porém, “na maior parte dos países, a correção em geral só acontece depois de um bom susto ou uma crise”. Por quê? Simples: “Porque aperto fiscal, ter menos programas e novidades, não satisfaz nenhum governante e agrada poucos eleitores.”

O convite a Levy distanciou um pouco mais a presidente daquela candidata que cobrava do rival Aécio Neves explicações sobre as “medidas impopulares” que prometia adotar e fustigava Marina Silva por sua proximidade com Neca Setúbal, herdeira do banco Itau. Diretor da administradora de investimentos do Bradesco, Levy é mais “banqueiro'' do que a educadora Neca.

O virtual substituto de Guido Mantega defendeu no artigo tripé macroeconômico adotado sob FHC. Acha que ele reconhece que “as políticas monetária e fiscal e o câmbio andam juntos”. Sem meias palavras, escreveu: “Menos gasto do governo ajuda a fazer os juros caírem, desestimulando o excesso de entradas de capital e modulando o câmbio.”

Secretário do Tesouro Nacional no primeiro governo de Lula, Joaquim Levy ajudou a produzir a sucessão de superávits que apagou a desconfiança que o ex-sindicalista do PT ateara nos mercados durante a sucessão de 2002. À frente de um governo que descumpre suas metas fiscais há dois anos, Dilma parece necessitar de um, digamos, ‘efeito Levy’ para tentar restaurar a credibilidade.

Resta saber até onde Dilma está disposta a suportar os efeitos da austeridade. Porque, como diz Levy, aperto fiscal “não satisfaz nenhum governante e agrada poucos eleitores.”

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Mamãe Noel!




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Blog do Josias

Dilma agora frita ministros antes de nomeá-los

Dilma Rousseff tornou-se uma mandatária sui generis. Tem dois ministros da Fazenda e não tem nenhum. Guido Mantega foi demitido em setembro. E permanece no cargo como um ministro cenográfico. Joaquim Levy foi convidado nesta sexta-feira (21). Mas seu nome não foi anunciado formalmente. A presidente já tinha avisado que, reeleita, seria a mudança de si mesma. Mas ninguém suspeitou que tentaria compensar a carência de miolos na área econômica com o excesso de cabeças.

Lula aconselhara Dilma a apressar a escalação do seu time econômico, para disputar com o petrolão o espaço nas manchetes. A pupila deu ouvidos ao patrono. Mas conduziu o processo à sua maneira. Inovadora, levou o novo titular da Fazenda à frigideira antes mesmo de nomeá-lo. Maquiavel não teria feito melhor. Nunca nenhum presidente fizera o mal tão bem.

Para a Fazenda, Dilma chamou o preferido de Lula: Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco. Que refugou o convite. Além de deixar boquiabertos Armínio Fraga e Neca Setúbal, a presidenta informou para Joaquim Levy, hoje também um executivo do Bradesco, que ele não era sua primeira opção. O mercado festejou mesmo assim. A Bolsa chegou a subir cinco pontos.

Na pasta do Planejamento, Dilma decidiu acomodar Nelson Barbosa, que sonhava com a Fazenda. No Banco Central, manteve Alexandre Tombini, que também vinha sendo estimulado a acalentar a perspectiva de virar o novo Mantega. Consumada a escalação, armou-se no Planalto o palco para o anúncio. A imprensa mobilizou-se.

Súbito, Dilma mandou dizer que decidira adiar a formalização de suas escolhas. Por quê? Sabe Deus! Talvez queira dar ao PT, crítico feroz do pensamento médio de Joaquim Levy, a oportunidade de bombardeá-lo por uma semana.

Ficou entendido que, antes de tomar uma decisão tão importante quanto a escolha da equipe que vai gerir a herança perversa deixada pela velha Dilma, a nova Dilma pensa duas vezes, analisa todas as possibilidades, consulta o Lula… Uma vez tomadas as decisões, faz o contrário. Ou faz aquilo mesmo que decidiu. Pouco importa. Tudo é ocasional. Certo mesmo só o novo gosto da presidente. Ela agora prefere ministros bem tostadinhos.

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Para apressar manobra fiscal de Dilma congressitas vão trabalhar na segunda

Vigora no Congresso, como se sabe, uma jornada especial de trabalho. Os parlamentares dão expediente apenas de terça a quinta. Mas a Comissão de Orçamento está na bica de oferecer ao país uma cena incomum: os deputados e senadores que integram o colegiado estão sendo convocados para trabalhar em plena segunda-feira. Deve-se o inusitado à pressa do Planalto em aprovar o projeto que transforma rombo em superávit fiscal, dando cobertura legal para que Dilma Rousseff feche as contas de 2014 no vermelho. Algo que não acontece no país desde 1998.

Majoritário na comissão, o bloco governista tentará contornar o vexame da última quarta-feira, aprovando a proposta de Dilma na noite desta segunda. O abacaxi será repassado, então, para o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), que prometeu entregar a mercadoria para Dilma, já descascada e devidamente aprovada em plenário, até quarta-feira.

Antes, Renan terá de levar a voto 38 vetos presidenciais pendentes de apreciação. Trama fazê-lo em ritmo sumário, na noite de terça, no mais tardar quarta. Ao farejar a movimentação de Renan, a oposição decidiu preparar-se para resistir. “Queremos votar individualmente os vetos, debatendo um a um, como manda a Constituição”, diz o deputado Mendonça Filho (PE), líder do DEM.

Dependendo do rito a ser adotado por Renan, os antagonistas de Dilma não excluem a hipótese de recorrer ao STF. No mais, a presidente gostaria que o Congresso não mexesse nos seus vetos. Mas forma-se no Legislativo um movimento pela ressurreição da lei que fixou regras para a criação de novos municípios, integralmente vetada por Dilma.

Supremo paradoxo: Dilma vetara a proposta sob o argumento de que, junto com as novas cidades, viriam muitas despesas. Agora, para avalizar a irresponsabilidade fiscal da União, os congressistas devem atravessar na traqueia da presidente o restabelecimento da lei que ela pretendia sepultar.

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Ministeriáveis!



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A CAPA DE VEJA – E-mail de 2009 de Paulo Roberto Costa à então ministra Dilma defende uma “solução política” para manter fluxo de dinheiro para a quadrilha que operava na Petrobras. E a “solução” saiu da caneta de Lula

É, meus caros… As coisas podem se complicar bastante. Reportagem de capa da VEJA, que começa a chegar às bancas, traz um fato intrigante, com potencial de uma  bomba. Para chegar ao centro da questão, é preciso proceder a alguma memória.

As circunstâncias
Paulo Roberto Costa, como ele mesmo deixa claro em seus depoimentos, foi posto na direção de Abastecimento da Petrobras em 2003 para delinquir — ainda que lhe sobrasse um tempinho ou outro para funções regulares. Sua tarefa era mexer os pauzinhos para garantir sobrepreço em contratos, que depois seria convertido pelas empreiteiras em dinheiro e distribuído a uma quadrilha.

Costa, como também confessou, era o homem do PP no esquema — embora a maior parte da propina que passava por sua diretoria, assegurou, fosse mesmo enviada ao PT. Notem: ele nunca disse de si mesmo que era um só um sujeito honesto que foi corrompido pelo sistema. Ele confessou que tinha uma tarefa. Segundo seu depoimento e o do doleiro Alberto Youssef, o petista Renato Duque cumpria a mesma função na Diretoria de Serviços, operando para o PT, e Nestor Cerveró seria o homem no PMDB na diretoria da área Internacional.

O e-mail
Note-se: Costa começou a operar na Petrobras em 2003. E eis que chegamos, então, ao Ano da Graça de 2009. Não é que o diretor de Abastecimento da Petrobras resolve cometer uma ousadia? Atropelando a hierarquia da empresa, decidiu mandar um e-mail à então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também presidente do Conselho da Petrobras. Transcrevo trecho de reportagem da VEJA. Prestem atenção!

“Paulo Roberto Costa tomou a liberdade de passar por cima de toda a hierarquia da Petrobras para alertar o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal — a construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Assim como quem não quer nada, mas querendo, Paulo Roberto Costa, na mensagem à senhora ministra Dilma Vana Rousseff, lembra que nos anos de 2008 e 2007 houve ‘solução política’ para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.”

Por que diabos o diretor de Abastecimento da estatal enviaria uma mensagem à ministra sugerindo formas de ignorar as irregularidades nas obras apontadas pelo TCU? E, como fica claro, o tribunal já havia identificado problemas em 2007 e em 2008.

A síntese
Então façamos uma síntese deste notável momento em quatro passos, como está na reportagem:
1- Um corrupto foi colocado na Petrobras para montar esquema de desvio de dinheiro para partidos aliados do governo Lula.

2 - Corrupto se mostra muito empenhado em seu ofício, o que lhe permite conseguir propinas para os políticos e, ao mesmo, tempo enriquecer.

3 - Corrupto se preocupa com a decisão do TCU e do Congresso de mandarem cortar os repasses de recursos para as obras das quais ele, o corrupto, tirava o dinheiro para manter de pé o esquema.

4 - Corrupto acha melhor alertar as altas autoridades do Palácio do Planalto sobre a iminência da interrupção do dinheiro público que alimentava o propinoduto sob sua responsabilidade direta na Petrobras.

VEJA encaminhou a questão ao Palácio do Planalto e, como resposta, recebeu a informação de que a Casa Civil, de que Dilma era titular, enviou à Corregedoria Geral da União todas as suspeitas de irregularidades. Certo! O Palácio, no entanto, preferiu não se manifestar sobre o e-mail enviado pelo agora delator premiado à então ministra.

Essa mensagem foi apreendida pela Polícia Federal nos computadores do Palácio do Planalto em operação de busca e apreensão relacionada à investigação sobre Erenice Guerra. Dilma não pode se calar sobre a mensagem em que um dos operadores do maior esquema de corrupção jamais descoberto no país sugere ao governo uma “solução política” que garantisse o funcionamento do propinoduto.

E o que aconteceu?
Eis o busílis. O então presidente Lula usou o seu poder de veto, passou por cima do TCU e do Congresso e mandou que o fluxo de dinheiro para as obras suspeitas fosse mantido. Era, como evidencia o e-mail de Paulo Roberto a Dilma, tudo o que queria o corrupto.

Leiam mais um parágrafo da reportagem:
“Durante oito meses, a equipe do ministro Aroldo Cedraz, que assume a presidência da corte [TCU] em dezembro, se debruçou sobre os custos de Abreu e Lima. A construção da refinaria estava ainda na fase de terraplenagem, mas os indícios de superfaturamento já ultrapassavam os 100 milhões de reais. A Petrobras, porém, se recusava a esclarecer as dúvidas.  O ministro chegou a convocar o então presidente da companhia, Sérgio Gabrielli, para explicar o motivo do boicote.  Depois de lembrado que poderia sofrer sanções se continuasse a se recusar a prestar esclarecimentos, Gabrielli entregou 10.000 folhas de planilhas ao tribunal. Para a surpresa dos técnicos, as informações não passavam de dados sem qualquer relevância.”

Se Dilma e Lula não sabiam, como dizem, da quadrilha que operava na Petrobras, quem, então, sabia? Como é que um diretor de Obras de uma estatal ousa sugerir saídas “políticas” a uma ministra para tornar sem efeito as apurações de um órgão de Estado?

A mensagem de Paulo Roberto a Dilma deixa claro, quando menos, que ela e Lula ignoraram os sinais de que uma máquina corrupta operava na maior empresa do país — uma estatal. Máquina corrupta que servia a três partidos da base: PT, PMDB e PP.

Yousseff disse em seu depoimento que Lula e Dilma sabiam de tudo. Isso, claro!, requer provas. Se provado, a presidente cairá. O e-mail de Paulo Roberto demonstra que, quando menos, a então ministra foi enganada. Mas enganada por quem? Então um diretorzinho da Petrobras propõe que o governo adote uma “solução política” para tornar sem efeito uma decisão do TCU e do Congresso, e a ministraachou isso tudo normal?

Pior: a “solução política” foi adotada, e Lula vetou a suspensão de repasse às obras com evidências de corrupção — o que está agora comprovado. Era o que Paulo Roberto queria: o fluxo normal de dinheiro para o propinoduto. Afinal, ele foi feito diretor em 2003 para isso.

Aguarda-se que Dilma diga o que fez com o e-mail que lhe foi enviado pelo agora corrupto confesso. VEJA já está nas bancas de São Paulo e, em breve, nas de todo o Brasil. Leiam a reportagem completa.

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Delator que promete devolver US$ 97 milhões evitou licitar contratos

Por Samantha Lima, na Folha:
O delator da Operação Lava Jato que chamou atenção por aceitar devolver US$ 97 milhões à União em troca de penas menores teve participação em todos os grandes projetos da Petrobras nos últimos dez anos. No currículo, há contratos com empresas escolhidas sem licitação. O engenheiro Pedro Barusco, 58, era braço-direito do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, que cumpre prisão preventiva. Com a delação premiada assinada dias antes da operação da PF vir à tona, o engenheiro se livrou de ir para a cadeia. A Folha procurou Barusco em sua casa, mas foi informada de que ele deixou o imóvel na última quarta-feira e não retornou. Localizada no Joá, bairro conhecido pelos imóveis de alto padrão no Rio, a casa tem vista para a praia da Joatinga e é avaliada entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões.

Como gerente executivo de engenharia da Petrobras, cargo que exerceu até 2011, Barusco foi responsável por conduzir e reportar à diretoria quase todas as licitações das obras da refinaria de Abreu e Lima, assinadas, na maioria, com construtoras citadas por outros dois delatores, Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff, por suposto envolvimento em irregularidades. Abreu e Lima teve o custo elevado de US$ 2,5 bilhões para US$ 18,5 bilhões. Já no Comperj, outro projeto que teve a participação de Barusco, o orçamento saltou de R$ 6,5 bilhões para R$ 13,5 bilhões. Uma das licitações que Barusco conduziu, para os dutos em Abreu e Lima, em 2009, foi cancelada por preços excessivos. Em vez de fazer outra licitação, Barusco propôs contratar, sem concorrência, o consórcio Conduto-Egesa, por R$ 650 milhões. A Petrobras alegou que, por lei, pode contratar sem licitar e que o preço final ficou abaixo do máximo estipulado.

Assim que a Petrobras comprou 50% da refinaria de Pasadena, no Texas, em 2006, Barusco tentou levar a Odebrecht, sem concorrência, para sua ampliação. Ele propôs uma carta de intenção com a empreiteira –e teve aval dos diretores– sob alegação de que era a única brasileira com experiência em engenharia nos EUA. A obra, de US$ 2,5 bilhões, foi rejeitada pelos sócios belgas.
(…)

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Sai de cena Dilma 2. Entra Lula 3
Ricardo Noblat

Acabou a brincadeira. Saem os amadores progressistas, desenvolvimentistas, esquerdistas – e lambanceiros – e entram em campo os profissionais do poder. A se confirmarem os nomes dos novos ministros, não teremos um governo Dilma 2, mas um Lula 3, já de olho em 2018.

Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Kátia Abreu na Agricultura e Armando Monteiro Neto no Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior levam a algumas conclusões: a crise econômica e de governança é mesmo grave. Tão grave que tem potencial para pulverizar as pretensões de Lula de voltar ao poder daqui a quatro anos.

Segunda conclusão: Dilma será obrigada a abrir mão de muito poder em troca de consertar os imensos estragos de seu primeiro governo. Nem Levy nem Kátia nem Armando Monteiro têm perfil de fantoches amedrontados pelo mandonismo mal-educado de Dilma. Ou vão comandar de fato suas áreas ou cairão fora.

Terceira conclusão: um governo Aécio não ousaria escolher um time tão ortodoxo, tão neoliberal, tão à direita quanto os dois grandes representantes do patronato agroindustrial e um queridão dos mercados.

Kátia Abreu, ex-UDR, presidente da Confederação Nacional da Agricultura, começou a carreira política no DEM e é o terror do MST e dos ambientalistas.

O usineiro pernambucano Armando Monteiro, do PTB, foi presidente da Confederação Nacional da Indústria.

E Joaquim Levy, ex-FMI, ex-aluno bem-amado de Armínio Fraga e da Escola de Chicago, teve seu primeiro emprego no governo na segunda gestão de FHC. É um craque em defender o rigor e a austeridade e em dizer não à gastança. Duela a quien duela. Incluídos aí Dilma e o PT.

Que tal?

Vamos que vamos!


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Blog do Coronel

Oposição quer demissão imediata de Graça Foster por mentir na CPMI da Petrobras.

A oposição protocolou nesta quinta-feira (20) representações solicitando o afastamento imediato da presidente da Petrobras, Graça Foster, do cargo sob a acusação de que teria mentido durante depoimento da CPI do Congresso que investiga irregularidades na estatal. Os pedidos foram encaminhados para a Procuradoria da República no Distrito Federal e pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União.

Assinadas pelo líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), as ações argumentam que Graça não informou à CPI que a estatal foi comunicada sobre descobertas do Ministério Público holandês de que funcionários da empresa receberam propina da SBM Offshore. A oposição a acusa de mentir em 11 de junho, quando esteve no colegiado. Na ocasião, Marco Maia (PT-RS) perguntou se a Petrobras estava respondendo a alguma "ação no exterior ou no Brasil por conta dessa denúncia". Graça negou.
                             
Em 27 de maio, 15 dias antes, a Petrobras havia recebido uma carta enviada pela SBM, fornecedora de plataformas, avisando que o Ministério Público holandês tinha informação de que "foram pagos valores a empregados da Petrobras por meio do representante no Brasil". Na representação enviada à Procuradoria da República no DF, Imbassahy solicita que seja analisada a possibilidade de instauração de inquérito criminal para investigar a prática dos crimes de falso testemunho e prevaricação.

"Ela perdeu a autoridade moral e mentiu durante o depoimento desta CPMI. Não apenas para os senhores deputados e senhores senadores, mas mentiu para o povo brasileiro", disse Imbassahy. O tucano acusa Graça ainda de ter utilizado seu cargo para dificultar a investigação e ainda transferir imóveis a familiares depois de saber das denúncias. "Tudo isso sem falar na continuada insistência nos diversos depoimentos no Congresso Nacional de que o negócio na refinaria de Pasadena [ nos EUA] não teria qualquer irregularidade, mesmo sabendo de diversos indícios da falcatrua", completou.

Na CPI, Graça disse que a apuração interna, entre entre fevereiro e abril, não havia descoberto irregularidades. Só nesta segunda (17) ela anunciou que a estatal tinha conhecimento dos elementos da investigação internacional. "Imediatamente mesmo, informamos à SBM que ela não participaria de nenhuma licitação conosco".

Procurada, a Petrobras diz que a SBM não confirmou o pagamento de propina, como diz o Ministério Público da Holanda. Conclui, dizendo que, ao receber a carta da ex-fornecedora, a repassou às autoridades competentes. Diz ainda que não reabriu investigação interna após as informações passadas pela SBM. (Folha Poder)

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PSDB faz a coisa certa ao cobrar a demissão de Graça Foster e entrar com duas representações contra a presidente da Petrobras. Chega de pantomima! Os enfezados não herdarão o reino da competência!

O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), protocolou nesta quinta duas representações contra Graça Foster (foto), presidente da Petrobras — uma na Procuradoria-Geral da República do Distrito Federal e outra no Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). Elas cobram seu afastamento imediato do comando da empresa. No caso da primeira representação, o PSDB solicita a abertura de inquérito criminal por falso testemunho e prevaricação. É o mínimo que pode ser feito. Não dá para disfarçar: esta senhora contou uma mentira à CPMI da Petrobras. E tem de arcar com o peso de sua decisão. Já chego lá. Antes, uma breve memória.

Não é de hoje que Graça perdeu a condição de presidir a Petrobras. Já escrevi aqui que esta senhora compõe o que chamo do Bloco dos Enfezados, aquela gente que esconde a própria incompetência dando bafão em todo mundo, fazendo cara feia e distribuindo broncas. Fiquem certos: a competência costuma ser suave. Graça, é bom lembrar, foi ao Congresso e defendeu a compra da refinaria de Pasadena, aquela operação que, segundo o TCU, gerou um prejuízo de US$ 792 milhões. Agora, o conselho da Petrobras pede que antigos dirigentes, que comandaram o desastre, respondam a ação civil pública por danos provocados à estatal.

A presidente da Petrobras deveria ter sido demitida ou se demitido quando ficou evidente que tivera acesso privilegiado a perguntas que seriam feitas na CPI, participando, não há outra expressão, de uma fraude. E foi pega em outra falseta, mais grave.

Em fevereiro, a VEJA noticiou que a empresa holandesa SBM havia pagado propina a funcionários da Petrobras em operações evolvendo plataformas de petróleo. Em março, Graça concedeu uma entrevista anunciando que a empresa havia feito uma apuração interna e que não encontrara nenhuma irregularidade.

No dia 11 de junho, em depoimento à CPMI da Petrobras, foi indagada pelo deputado Marco Maia (PT-RS) se havia alguma investigação no exterior envolvendo a estatal brasileira em razão dos negócios com a SBM. Sabem o que fez Graça? Negou! Ocorre que, 15 dias antes, no dia 27 de maio, o Ministério Público da Holanda havia informado a presidente da estatal que “foram pagos valores a empregados da Petrobras por meio do representante [da SBM] no Brasil”. Tudo conforme VEJA havia noticiado.

Pois é… Há nove dias, ficamos sabendo que o MP holandês aplicou uma multa de US$ 240 milhões na SBM em razão de propinas pagas no exterior — inclusive no Brasil. Só no dia 17, há quatro dias, Graça admitiu que sabia dos pagamentos irregulares “desde meados do ano” — aqueles mesmos cuja existência ela negara em março, numa apuração realizada em tempo recorde.

Ela tenta se explicar afirmando que a apuração continuou mesmo depois de março. É mesmo? Quer dizer que ela anunciou o resultado de uma investigação que não estava concluída? E como explicar que o MP da Holanda a tenha informado, oficialmente, dos pagamentos irregulares no dia 27 de maio, informação que ela omitiu da CPI. Pior: deu curso à mentira de que não havia investigação nenhuma no exterior.

Vai, Graça! Pede pra sair. E leva junto toda a diretoria. O PSDB faz muito bem em cobrar a sua demissão. Ter acesso prévio a perguntas de uma Comissão Parlamentar de Inquérito é grave e ofende o Parlamento. Contar uma mentira a uma CPI é mais grave ainda.

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O “não” de Trabuco a Dilma é só mais uma evidência da falta de jeito do governo

A capacidade que tem a presidente Dilma Rousseff de errar, especialmente quando se esforça para acertar, chega a ser comovente. É a sua falta de jeito. E também está muito mal cercada. Eu sou do tempo em que presidentes recusavam pessoas que se candidatavam a ministérios, mas o contrário jamais acontecia. E a razão era simples: antes que um convite fosse tornado público, fazia-se uma sondagem para saber se o indicado aceitava a empreitada; se não, então o chefe do Executivo não pagava o mico. Mas eis o governo Dilma.

Luiz Carlos Trabuco, presidente executivo do Bradesco, rejeitou o convite para assumir o Ministério da Fazenda. Não está se fazendo de rogado, não. Ele nunca disse que queria o cargo. As especulações surgiram primeiro nos círculos palacianos. Ainda que fosse um desejo pessoal seu, e não consta que fosse, o que mais se ouvia nos bastidores é que “Doutor Brandão não vai deixar”. “Doutor Brandão” é Lázaro Brandão, presidente do Conselho de Administração do Bradesco e comandante inconteste do potentado.

Dilma conversou com os dois, que lhe devem ter dito que Trabuco está destinado a ser o sucessor de Brandão. Sabem como é… O governo Dilma passa, o Bradesco fica. Os governos petistas passam — os sensatos torcem por isso —, e o banco fica. A menos que Trabuco estivesse tocado pela chama militante, a troca parecia improvável. “Ah, mas e pelo bem do Brasil?” Fiquem certos: ele colabora mais com o Brasil no comando do… Bradesco. De resto, seria trocar uma posição em que é especialista por outra em que seria amador: um formulador de política econômica. Por mais capaz que ele seja em sua área, governo é outra coisa.

É evidente que Dilma não precisava dessa recusa em seu currículo, não num momento como este, evidenciando a dificuldade para formar uma equipe econômica. Para tanto, bastaria que tivesse um ministro da Casa Civil que fizesse as devidas consultas prévias. Ocorre que seu articulador político é Aloizio Mercadante. Esperar o quê? Sim, antes dele, já foi Ideli Salvatti. Mas não fique com a sensação, leitor, de que o mundo não presta.

O novo nome da economia pode sair ainda nesta sexta. Alexandre Tombini é cotado para permanecer na presidência do Banco Central. Nelson Barbosa, ex-secretário-geral da Fazenda, e Joaquim Levy, secretário do Tesouro no governo Lula e hoje administrador dos fundos de investimento do Bradesco, podem assumir a Fazenda e o Planejamento — ainda seria preciso, nessa hipótese, definir quem faria o quê.

Ironias
Pois é… Nem parece que a Dilma que apela ao presidente de um banco e que tende a ficar com um alto executivo dessa mesma instituição é aquela senhora que demonizou o setor bancário durante a campanha eleitoral e que associou a independência do Banco Central à cupidez dos banqueiros e à consequente fome dos brasileiros. Que vexame!

Campanhas eleitorais mundo afora comportam um tanto de farsa, sim. No Brasil, elas se transformaram em estelionatos escancarados.

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Gilmar Mendes: Diante do petrolão, mensalão seria julgado em ‘pequenas causas’

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta quinta-feira que o grande volume de recursos movimentados no esquema de desvios e fraudes em contratos da Petrobras coloca o escândalo político “em outra galáxia” e faz do julgamento do mensalão, o maior escândalo já analisado pela Suprema Corte, um “juizado de pequenas causas”. A Polícia Federal estima que o petrolão tenha lavado cerca de 10 bilhões de reais nos últimos anos. O mensalão, por sua vez, sangrou os cofres de instituições públicas e privadas em cerca de 173 milhões de reais.

“No caso do mensalão, falávamos que estávamos julgando o maior caso de corrupção investigado e identificado. Agora, a Ação Penal 470 teria que ser julgada em juizado de pequenas causas pelo volume que está sendo revelado nesta questão”, afirmou o magistrado. Mendes fez coro à avaliação de investigadores de que os valores desviados no petrolão podem ser muito maiores do que os previstos inicialmente. Um dos indicativos são os recursos que delatores, como o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, aceitaram devolver aos cofres públicos.

“Quando a gente vê o caso, uma figura secundária, que se propõe a devolver 100 milhões de dólares, já estamos em um outro universo, em outra galáxia”, disse Gilmar Mendes, em referência a Pedro Barusco, apontado como braço-direito do ex-diretor de Serviços da estatal, Renato Duque.

Segundo o ministro, os altos valores do esquema do petrolão enfraquecem o argumento de que a movimentação financeira do grupo criminoso seria utilizada essencialmente para abastecer campanhas políticas. “Há um certo argumento ou álibi de que isso tudo tem a ver com campanha eleitoral, mas estamos vendo que não. Esse dinheiro [do petrolão] está sendo patrimonializado. Passa a comprar lanchas, casas, coisas do tipo”, declarou.

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‘PT só vê PMDB como aliado na hora da limpeza’, diz vice-líder peemedebista

“O PT só enxerga o PMDB como parceiro na hora de limpar a sujeira”, disse o deputado baiano Lúcio Vieira Lima, vice-líder da bancada peemedebista. “Nós não vamos fazer como naqueles filmes em que um grupo mata e depois entra a turma da limpeza. A coligação com o PT não me obriga, por exemplo, a proteger tesoureiro de partido”, completou, referindo-se a João Vaccari Neto, o gestor das arcas petistas.

A analogia de Lúcio evoca o personagem encarnado pelo ator Harvey Keitel no filme Pulp Fiction. Chama-se ‘The Wolf’. Entra em cena sempre que é necessário limpar o sangue e apagar os rastros de um crime (veja um trecho no vídeo). É esse papel que o PMDB da Câmara refuga, disse o vice-líder da bancada comandada por Eduardo Cunha.

Deve-se a acidez de Lúcio às insinuações feitas por operadores políticos do Planalto segundo as quais o PMDB teria tramado a favor das duas derrotas que o bloco governista sofreu no Congresso ao longo da semana. Numa, os partidos de oposição aprovaram um lote de requerimentos na CPI mista da Petrobras. Entre eles o que prevê a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do tesoureiro Vaccari.

Noutra, o bloco que dá suporte congressual a Dilma não conseguiu aprovar na Comissão de Orçamento a proposta que autoriza o governo a descumprir sua própria meta de economia de gastos, autorizando-o a fechar a contabilidade de 2014 inclusive com as contas no vermelho.

Membro dos dois colegiados, Lúcio aplicou um voto no cravo e outro na ferradura. Na CPI, votou a favor da quebra dos sigilos de Vaccari, ajudando a compor a magra maioria de 12 votos contra 11. Na Comissão de Orçamento votou a favor da manobra fiscal urdida para livrar Dilma das consequências jurídicas da irresponsabilidade fiscal. Mas a aprovação requeria os votos de 18 deputados. E só foram obtidos 15.

Lúcio realça que a bancada de deputados do PMDB não foi fiel da balança em nenhuma das votações. Na CPI, além do seu voto, só havia o de Sandro Mabel, que se posicionou contra a quebra dos sigilos de Vaccari. Na Comissão de Orçamento, os deputados do PMDB têm cinco votos. Três votaram a favor do projeto do governo. Dois se ausentaram da sessão. Mas ainda que tivessem comparecido seus votos não reverteria o placar desfavorável ao Planalto.

Quanto ao caso de Vaccari, Lúcio Vieira Lima não tem dúvidas quanto ao acerto do seu voto. “Não participo da CPI para defender o PT. Além disse, votei a favor também da convocação de Sérgio Machado”, disse, referindo-se ao presidente licenciado da Transpetro, afilhado político de Renan Calheiros.

Em relação ao projeto que desobriga o governo de registrar superávit em suas contas, Lúcio diz que seu voto “sim” é um sacrifício. “Vivo um dos piores momentos de minha vida parlamentar. Ter que votar contra o cumprimento da Lei de Responsabilidade me deixa transtornado. Mas o crime já foi feito. E a nossa bancada deliberou que votaria a favor.”

“O que houve na Câmara nesta semana não foi nenhuma vitória da oposição”, analisa Lúcio. “Desorganizado, o governo derrotou a si mesmo. O PT tem que parar de culpar o PMDB pelos seus erros. Insisto: nós somos vistos como parceiros só na hora da limpeza.”

Para reforçar o seu ponto de vista, o vice-líder do PMDB citou a reunião que Dilma Rousseff realizou na Granja do Torto. “O encontro foi para discutir a política econômica e analiar as alternativas para o Ministério da Fazenda. A presidenta chamou o Lula, o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) e o presidente do PT, Rui Falcão. Não ocorreu a ela chamar o Michel Temer, que além de presidente do PMDB é vice-presidente da República.”

Lúcio arrematou: “O PMDB não é chamado para discutir a política econômica e não participa da gestão desse setor. Para isso, o partido não é governo. No entanto, na hora que estoura a meta do superávit, o PMDB vira governo e é convidado a laçar deputados para votar a favor. Esse filme a gente já viu no primeiro mandato. O Temer tinha dito que mudaria, que o PMDB seria valorizado no segundo mandato. É um engodo.”

O sentimento manifestado por Lúcio Vieira Lima contamina praticamente toda a bancada do PMDB na Câmara. O deputado apenas falou em voz alta o que seus colegas preferem, por enquanto, sussurrar.

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Governo chantageia empreiteiras, acusa PSDB

O senador Aloysio Nunes Ferreira e o deputado Antônio Imbassahy, líderes do PSDB no Senado e na Câmara, divulgaram uma carta aberta na qual acusam o governo de chantagear empreiteiras para que elas pressionem parlamentares. A dupla sustenta que o governo condiciona o pagamento de obras públicas à aprovação do projeto que libera a pasta da Fazenda para descumprir a meta fiscal de 2014, fechando as contas no vermelho.

“É inaceitável a chantagem feita pelo governo federal ao atrelar o pagamento das dívidas com as empresas que fazem obras públicas ao apoio ao projeto de lei que modifica a Lei de Diretrizes Orçamentárias”, escreveram Aloysio (SP) e Imbassahy (BA). Eles atribuem a “chantagem” a dois ministros: Miriam Belchior (Planejamento) e Paulo Sérgio Passos (Transportes).

Ironia em riste, os líderes tucanos anotaram que os ministros de Dilma articulam o encotro entre “a necessidade” dos empreiteiros ameaçados de calote e “o vício” dos parlamentares à procura de dinheiro para fechar suas contas de campanha. Acusam-nos de ultrapassar os “ultimos limites do pudor.”

A pressão sobre os empreiteiros, afirmam os líderes do PSDB, foi feita em conversas com representantes de duas entidades patronais: a Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias e a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil.

Além de chamar os ministros de chantagistas, a carta do PSDB acusa-os de mentir. “A ministra Miriam Belchior mente ao dizer que ‘se o Congresso não aprovar a flexibilização do superávit, o que nos resta é parar os investimentos. Quanto ao ministro dos Transportes, prossegue o texto, “mente ao dizer aos empresários que só pagará as dívidas de R$ 1,4 bilhão se o projeto for aprovado.”

Para Aloysio e Imbassahy, os episódios potencializam a “relação indecorosa” que Dilma mantém com o Congresso.

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Profeta!




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Blog do Reinaldo Azevedo

Os nomes para a Fazenda: “Ô Dilma, liga pra mim; não, não liga para ele!”

Fico realmente impressionado ao saber que Dilma Rousseff se reuniu com Luiz Inácio Lula da Silva na terça à noite para definir nomes de seu futuro ministério e debater a crise da Lava Jato. Por que ela se encontrou com ele? Ele é presidente do PT? É autoridade na República? Tem ainda algum poder institucional. Por quê?

Não há resposta a não ser o Brasil patrimonialista, patriarcal e, sim, senhores!, machista, que remanesce e de que o PT é a perfeita expressão contemporânea. Nessas horas, as feministas oficiais do PT ficam de boca bem fechada, não é? Eis aí um bom momento para queimar sutiãs metafóricos. Vocês acham que um macho petista se submeteria à supervisão de uma mulher se a sequência fosse invertida, e Lula fosse o sucessor de Dilma? Uma ova! E não apenas porque, afinal, o Poderoso Chefão é ele, mas porque Lula sempre a tratou como uma café com leite. Vejam as vezes em que ele já a chamou, em comícios, docemente, de “a Bichinha”…

A ele falta pudor. A ela falta decoro. A ele falta semancol. A ela falta a solenidade do cargo. A ele falta senso de ridículo. A ela falta… senso de ridículo. Se o Brasil fosse uma empresa, você confiaria numa presidente incapaz de escolher seus próprios subordinados? “Ah, mas o Brasil não é uma empresa…” Ainda bem, se é que me entendem!

Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil, e Rui Falcão, presidente do PT, participaram do encontro, o que ajudou a tornar tudo mais cinzento. Fico cá a pensar: Deus do céu! Nem a “Bichinha” merece esse destino. Mercadante foi aquele senhor que sugeriu que os ministros pedissem demissão coletiva quando a presidente ainda não tinha alternativas. Gênio mesmo!

A turma de Lula não dá muita bola para Dilma e vaza que ele preferiria mesmo Henrique Meirelles, ex-presidente do BC, na Fazenda. Mas Dilma acha que ele é “mercado demais”, entendem? Dilma e seu antecessor concordariam com o nome de Luiz Carlos Trabuco, presidente-executivo do Bradesco, mas parece que é Trabuco quem não está disposto a virar alvo de ansiedades coletivas. Alexandre Tombini, que comanda o Banco Central, estaria entre as opções, o que me parece piada. Se ele não conseguiu a confiança dos agentes econômicos como presidente do BC, por que deveria assumir a Fazenda? Vai saber com quais critérios lida essa gente. Também teria entrado na lista Joaquim Levy, ex-secretário do Tesouro no Governo Lula e hoje presidente da Bradesco Asset Management, o braço de fundos de investimento do Bradesco. E há ainda a hipótese Nelson Barbosa, ex-secretário-geral da Fazenda.

O único com perfil para o ministério aí, que tem alguma intimidade com formulação de política econômica — e se é ministro dessa pasta para isso, não apenas para cuidar da política monetária —, é Barbosa. Minha observação nada tem a ver com a competência dos demais. Acho que o Brasil sai ganhando se Trabuco continuar no Bradesco, um banco importante. E ganhará muito menos se ele for para a Fazenda.

Dilma deveria me ouvir e parar com soluções extravagantes. Chame Murilo Portugal, atual presidente da Febraban. Ele é bom. Sabe das coisas e tem uma visão abrangente de economia. É tecnicamente capaz e tem o tal respeito dos mercados.

Presidente, liga pra mim; não, não liga pra ele!

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Projeto que dribla meta fiscal só será votado na semana que vem

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
A base aliada fracassou na tentativa de acelerar a tramitação do projeto que permite ao governo driblar a meta de superávit primário. Em votação, os governistas não conseguiram apoio mínimo para que o texto fosse apreciado ainda nesta quarta-feira pela Comissão Mista de Orçamento (CMO), como pretendia o Executivo. O projeto, que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), chegou a ser dado como aprovado em uma sessão tumultuada da CMO na noite de terça-feira. A oposição protestou, apontando que a votação se dera de forma irregular, sem a comprovação de que havia maioria a favor do texto. Depois de uma reunião entre líderes partidários nesta quarta, fechou-se acordo pela realização de uma nova votação para evitar questionamentos.

Para reavaliar o projeto, entretanto, seria preciso respeitar o regimento do Congresso, que exige um prazo de duas sessões regulares entre uma votação e outra de uma mesma matéria. É o chamado interstício. Encurtar esse prazo exige o aval dos integrantes da CMO. Mas tal manobra tampouco foi aprovada. Em votação para definir se haveria ou não quebra do interstício, o resultado foi de 15 votos a favor e 7 contra. O governo precisava da maioria absoluta dos 40 integrantes da comissão – ou seja, 21 votos.

Após a proclamação do resultado, o presidente da CMO, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), e a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) chegaram a afirmar que bastava a maioria dos presentes para a quebra do interstício. Mas a oposição chamou a atenção para o regimento comum do Congresso, que exige a maioria absoluta. Devanir acatou. O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), provocou o Planalto: “O governo precisa aprender a fazer mobilização nesta Casa”, disse ele. Apesar da vitória temporária da oposição, a tendência é que o projeto seja aprovado.

O texto proposto pelo governo permite abater do resultado fiscal deste ano todos os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e as desonerações tributárias. Com isso, o governo praticamente se livra da obrigação de cumprir qualquer objetivo fiscal neste ano. A meta de superávit primário do setor público estabelecida na LDO é de 167,4 bilhões de reais ou cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas, com os descontos, o governo pode estabelecer uma meta de 99 bilhões de reais neste ano, equivalente a 1,9% do PIB.

Os gastos com o PAC somaram 47,2 bilhões de reais e as desonerações chegaram a 75,7 bilhões de reais entre janeiro e setembro, de acordo com dados do Tesouro. O resultado primário do setor público consolidado, que inclui governo central, Estados, municípios e estatais, também ficou negativo em 15,3 bilhões de reais no acumulado de nove meses, o primeiro na série histórica do Banco Central iniciada em 2002.

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Petrobras afasta gerentes. É mesmo? Graça tem de afastar é a si mesma! Isto, Graça: dê-se um bilhete azul!

Longe de mim achar que gerentes na Petrobras não podem se envolver em grandes falcatruas. Até agora, quem se dispôs a devolver o maior volume de dinheiro é um… gerente! Pedro Barusco, subordinado ao petista Renato Duque, fez um acordo de delação premiada e aceitou ressarcir aos cofres públicos espantosos… US$ 97 milhões. Duque, o chefe, diz não ter feito nada de errado, e a gente deve supor, então, que, na hipótese virtuosa, a Petrobras é mesmo a casa da mãe joana. Um subordinado consegue roubar um quarto de bilhão de reais, e o chefe nem aí… Há coisas que a gente até se sente mal ao escrever porque nota claramente que estão tentando nos enganar. Mas volto ao ponto.

Graça Foster, presidente da empresa, que deveria se demitir com toda a diretoria, escolheu afastar os que estão em cargo de gerência nas áreas de Engenharia e Abastecimento, diretamente relacionados com as obras de Abreu e Lima e Comperj.

Um dos afastados, segundo informa a Folha, é Glauco Colepicolo, gerente geral de Engenharia. Ele era o chefe de fiscalização da obra de Abreu e Lima, acompanhava a evolução da construção, autorizava pagamentos e avaliava pedidos de aditivos. É aquela refinaria que foi orçada em US$ 2,5 bilhões e já está custando quase US$ 20 bilhões. Colepicolo seria ligado à turma de Duque.

Francisco Pais, gerente-executivo de Abastecimento quando Paulo Roberto Costa era diretor da Área — e, até a semana passada, lotado na gerência geral de tecnologia do Centro de Pesquisa da Petrobras —, também foi afastado.

Que coisa, não é? Foi preciso que o escândalo chegasse às raias do absurdo, do impensável, do estupefaciente, para que essa gente decidisse tomar alguma providência, ainda que essas decisões pareçam, vamos ser claros, medidas para inglês ver.

As denúncias são de agora? Há quanto tempo, procurem em arquivo, o preço de Abreu e Lima é alvo de reportagens e de espanto? Há quanto tempo os sinais de evidências na Petrobras são de uma espantosa clareza, embora nada se tenha feito? Ao contrário: os petistas repetiam o mantra de que os críticos seriam pessoas más, interessadas em privatizar a Petrobras, aquele templo sagrado da moral e da ética.

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Advogado diz que não se faz obra no país sem pagar propina! Cinismo? Não! É apenas uma verdade. E aí?

Pois é… Vamos ver. Mário de Oliveira Filho, advogado do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano, fez uma afirmação perturbadora. Disse ele: “O empresário, se porventura faz alguma composição ilícita com político para pagar alguma coisa, se ele não fizer isso, não tem obra. Pode pegar qualquer empreiteirinha e prefeitura do interior do país. Se não fizer acerto, não coloca um paralelepípedo no chão”.

Que coisa! Não sei se é um bom caminho para a defesa. Talvez o mais prudente, se é para confessar ilícitos, seja o acusado tentar a delação premiada e contar tudo o que sabe. Notem: na prática, doutor Oliveira Filho está admitindo que crimes foram cometidos, mas com um diferencial: ele sugere que seu cliente fez o que todo mundo faz. Sabem o que é mais triste? Sabem o que é melancólico? Ele está falando a verdade.

A corrupção é uma questão de caráter, de indivíduos? Claro que sim! É preciso haver disposição subjetiva para cometer crimes. Mas também remete a uma cultura, e a nossa é tolerante, infelizmente, com a mistura entre o público e o privado. A coisa vem de longe, como demonstra Raimundo Faoro em “Os Donos do Poder”. Como demonstra Sérgio Buarque de Holanda em “Raízes do Brasil”. Cultura, no entanto, é uma construção, não uma natureza. E pode ser mudada.

Ora, se é verdade, e é, que os negócios estão sujeitos à interferência política, estamos diante de uma evidência importante: quanto mais estado houver na economia, quanto mais o poder público estiver presente em atividades que dizem respeito à sociedade, quanto mais as obras estiverem sujeitas à interferência de criadores de dificuldades que vendem facilidades, então maior será a corrupção.

O Brasil tem Estado demais onde não deve e de menos onde deve. A segurança tem de ser pública — e, quanto mais pública, mais saudável é um país. É preciso que haja uma alternativa pública de qualidade para a educação e para a saúde. E só. No mais, meus caros, não duvidem: os defensores de um Estado gigante ou são desinformados, ou se aferram a uma questão meramente ideológica, a despeito dos resultados, ou são pilantras mesmo.

O prejuízo da Petrobras com a roubalheira chegará a muitos bilhões. Por que devemos supor que a prática é diferente nas outras estatais? Empreiteiras também contratam serviços de empreiteiras. Algumas delas se especializam em determinadas áreas e vendem seus serviços às outras. Perguntem se, nesses casos, praticam-se ou não os preços justos. É claro que sim. O agente privado prudente buscará sempre o menor preço, garantidas as especificações do produto comprado.

Os 12 anos de PT no poder foram marcados por um agigantamento do Estado. E, pois, a corrupção cresceu enormemente. É uma falácia essa conversa de Dilma de que hoje se tem a impressão de mais corrupção porque se investiga mais. Não! Existe, sim, mais corrupção porque o Estado — por intermédio de um partido e seus agentes associados — passou a se meter em tudo. E a cobrar o pedágio.

Mário de Oliveira Filho falou, sim, uma verdade. Uma verdade incômoda, que cobra a mobilização dos cidadãos. O Estado gigante que frauda o preço dos combustíveis pode fraudar uma licitação. São coisas, sim, distintas e de propósitos diversos, mas se combinam para fazer um país de chanchada.

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Governo vê digitais do PMDB em dois vexames

Eleitor declarado do ex-presidenciável Aécio Neves, o protogovernista Romero Jucá (PMDB-RR) voltou a dar demonstrações de fidelidade à inquilina do Palácio do Planalto. Pelo “bem do país”, o senador carrega o piano em que se converteu o projeto que autoriza o governo a fechar suas contas de 2014 no vermelho.

Nesta quarta-feira, chamado de “mentiroso” na Comissão de Orçamento pelo deputado Danilo de Castro (PSDB-MG), do grupo de Aécio, Jucá expôs a teoria dos dois palmos. Consiste no seguinte: “Eu tenho um limite na minha vida. Meu limite é dois palmos. Se vier com carinho, é mais dois palmos de carinho. Se vier com porrada, é mais dois palmos de porrada. Vossa Excelência escolhe o tom.”

Aprovado na noite da véspera numa sessão em que o regimento foi rasgado para contornar a obstrução dos oposicionistas, o relatório de Jucá teve de ser votado novamente. O governo sucumbiu nas preliminares. Só obteve 15 dos 18 votos de deputados exigidos para a aprovação de requerimento que encurtaria a tramitação da proposta em dois dias.

No dia anterior, o Planalto já havia perdido de goleada para a oposição numa reunião da CPI mista da Petrobras. Aprovaram-se meia dúzia de convocações indesejadas. Passou até um requerimento de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. O placar foi ainda mais apertado: 12 a 11.

Os operadores políticos de Dilma suspeitam que os votos que faltaram na Comissão de Orçamento e na CPI não sumiram por obra do acaso. Desapareceram porque o PMDB da Câmara estaria colocando em prática a teoria desenvolvida por Jucá. Nessa versão, a bancada de deputados do PMDB aplicou contra o Planalto dois palmos de porrada. Se Dilma parar de torpedear a candidatura de Eduardo Cunha à presidência da Câmara, o PMDB pode encurtar a distância, oferecendo à presidente da República dois palmos de carinho. Caberá a Dilma escolher o tom.

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Sob pressão, Dilma tenta dar à luz uma agenda

Sitiada por uma conjuntura que rosna para sua autoridade, Dilma Rousseff é pressionada a esboçar uma reação. Sob aconselhamento de Lula, tenta dar à luz uma agenda. Algo que lhe permita evoluir da lamentação depois do fato para a sensação de que comanda.

No momento, Dilma e seus conselheiros iludem-se com uma fantasia: a ilusão de que a indicação imediata de uma nova equipe econômica fará o noticiário, hoje monopolizado pelo mega-escândalo de corrupção na Petrobras, mudar de assunto.

De fato, há enorme curiosidade para saber quem será incumbido por Dilma de tourear as dificuldades econômicas que ela legou para si mesma. Mas a revelação do nome do sucessor de Guido Mantega não resolve a crise na Petrobras, que logo irá se transformar numa crise do Legislativo, com ramificações no Executivo.

De resto, a escolha do titular da Fazenda fará brotar cobranças novas. A lista de cotados ainda inclui Luís Carlos Trabuco, presidente do Bradesco. Se vingar, Dilma será convidada por Marina Silva a desculpar-se com Neca Setúbal.

Com ou sem Trabuco, o governo terá de apresentar um programa de cortes de despesas capaz de projetar para 2015 um cenário menos vexatório do que esse que está pintado no vermelho das contas de 2014.

A acidez da conjuntura já não permite prolongar o discurso econômico aguado e evasivo da campanha. Se der ouvidos a Lula, Dilma não hesitará em aplicar um receituário com ingredientes do programa do adversário. E ouvirá de Aécio Neves a provocação de que precisa pagar royalties ao economista tucano Armínio Fraga.

Dilma pediu e a maioria do eleitorado lhe deu a oportunidade de esticar a permanência do PT no poder federal por mais quatro anos. Agora, precisa responder: para quê? Vem daí a correria das útimas horas para fazer o parto de uma agenda. Nem que seja a fórceps.

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Pegada$!



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O escândalo do mensalão estancou à porta do Palácio do Planalto. E se o da Petrobras forçar a entrada?
Ricardo Noblat

Eis a questão: o que fazer com as empreiteiras que comprovadamente corromperam ou se deixaram corromper em negócios com a Petrobras?

Bastará multá-las? Ou multá-las, obrigando-as também a devolver o dinheiro público desviado?

Ou seria o caso de, além disso, declará-las inidôneas?

Quer dizer: elas não poderiam mais fazer negócios com os governos e suas empresas durante certo tempo.

Ou não: as empresas seriam deixadas em paz. Seus donos e executivos atuais é que seriam proibidos de negociar para sempre com os governos. Que tal?

Não daria para puni-las suspendendo a execução de outras obras para o Estado. A não ser que se conclua que também houve corrupção fora do âmbito da Petrobras. O que seria possível, convenhamos.

Tais indagações fornecem uma pálida ideia do tamanho da confusão que a Justiça e o governo terão pela frente.

A confusão será tanto maior quanto for a indignação crescente do distinto público com roubalheiras.

E, passada a etapa atual que culminou com o arrastão de donos e executivos de empreiteiras detidos pela Polícia Federal...

E quando o Congresso se achar diante da tarefa de cassar dezenas de deputados e senadores?

O corporativismo dos políticos acabará vencendo?

O país será sacudido por novas manifestações de ruas pedindo cadeia para os culpados?

Por último: a investigação do escândalo do mensalão estancou à porta do Palácio do Planalto. Dali não passou por falta de interesse da Justiça e da oposição ao governo.

Novamente assistiremos ao mesmo filme?


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Blog do Josias

Congresso muda Orçamento em clima de botequim de favela e o caso vai ao STF

— Sai da frente, gritou o líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), para os colegas de oposição que se postavam defronte da mesa diretora da Comissão de Orçamento do Congresso.

— Não saio! Se vocês querem estabelecer a zona, a gente não vai respeitar, respondeu o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).

O Parlamento é uma coisa, um botequim de favela é outra coisa. Num ambiente, os conflitos são solucionados por meio de negociações que terminam no voto. Noutro, as desavenças resultam rififis que evoluem para a pancadaria. Pois nesta terça-feira (18), o Parlamento brasileiro viveu uma noite típica das piores biroscas da periferia.

Deputados e senadores votaram o projeto que desobriga o governo Dilma Rousseff de conter gastos para pagar a dívida pública como se estivessem com a barriga encostada no balcão de um boteco de quinta categoria. Ou com os cotovelos recostados numa mesa de ferro —dessas que têm os pés em formato de ‘X’ e o tampo apinhado de garrafas de cerveja vazias.

Passava de 23h. Transmitida ao vivo pela internet, a sessão da Comissão de Orçamento, a mais nobre e importante do Legislativo, já durava três horas e meia. Um tempo que havia sido 100% consumido em manobras regimentais, puxadas de tapete, palavras em riste e descortesias. Armada do regimento, a oposição tentava protelar a decisão. Os governistas tinham pressa.

De repente, o relator do projeto, senador Romero Jucá (PMDB-RR), e o presidente da comissão, deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), decidiram fechar a conta. Interessados em postergar a deliberação, os líderes da oposição postam-se defronte da dupla, para bloquear-lhes a visão.

Mesmo sem enxergar o plenário, Devanir pediu ao relator que apresentasse o seu relatório. Jucá respondeu que a matéria, já sobejamente conhecida, dispensava apresentações. E sugeriu que fosse realizada a votação.

“Os senhores parlamentares que forem a favor da aprovação permaneçam como se acham”, declarou Devanir. Mesmo sem enxergar a reação do plenário, o deputado proclamou o resultado: “Aprovado”. Em pouco mais de três minutos, a fatura estava liquidada. A proposta seguiu para o plenário do Congresso.

“Foi como se estivéssemos jogando uma partida de dominó”, comparou o deputado Mendonça Filho. “Ao pressentir que podia não obter o resultado que desejava, os apoiadores de Dilma embaralharam as peças para melar o jogo.” Líder do PSDB, Antonio Imbassahy sentiu um cheiro de “bolivarianismo” na sessão.

Jucá, por sua vez, sorriu de orelha a orelha. Os governistas abraçaram-no. Abespinhado, o tucano Domingos Sávio (PSDB-MG) pôs-se a gritar: “Vergonha. Vocês são vendidos. Vendidos!” A praxe de tratar os contrários por “excelência” e “nobre colega” foi para as cucuias.

Deixados falando sozinhos, os oposicionistas dirigiram-se à sala da secretaria da Comissão de Orçamento. Encomendaram à assessoria: 1) as notas taquigráficas da sessão; 2) o áudio; e 3) as imagens da sessão. Munidos desse material, os líderes do PSDB, DEM e PPS protocolarão no STF um pedido de anulação da sessão.

Antes, os rivais de Dilma irão à sala do presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), para pedir-lhe que tome, ele próprio, a iniciativa de anular a sessão. É improvável que sejam atendidos. Nessa hipótese, além de ir ao Supremo, a oposição tentará bloquear todas as votações do Legislativo.

A eficácia do bloqueio será testada já nesta quarta-feira (19), numa sessão do Congresso convocada por Renan para apreciar 38 vetos presidenciais. A análise desses vetos é pré-condição para a votação final do projeto que permite ao governo fechar suas contas no vermelho sem sofrer as sanções previstas em lei.

O Parlamento ainda é o melhor entreposto que a sociedade civilizada encontrou para dissolver seus conflitos de forma negociada e pacífica. Nesse universo, vigora a máxima segundo a qual as regras são menos perigosas do que a imaginação. E a tática protelatória da oposição, quando escorada no regimento, é um direito da minoria.

Para transpor esse tipo de obstáculo, basta que o governo exiba paciência e votos. Na sessão da noite passada, o Planalto prevaleceu sem método. A truculência e as garrafadas não ornam com uma usina de fazer política. Quando a pendenga que desce à mesa de boteco envolve questões orçamentárias, é sinal de que a política se desobrigou de fazer sentido.

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Otimismo!



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Com medo de que haja irregularidades nas contas de campanha de Dilma, PT inventa o fantasma do golpe
Ricardo Noblat

Ora, ora!

Petistas de muitas estrelas estão desesperados com a escolha do ministro Gilmar Mendes para relator das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff.

Escolha, não, que ninguém escolheu Gilmar. Ele foi sorteado.

O Ministério Público Eleitoral, se fazendo de braço armado da Advocacia Geral da União e do PT, está tentando impugnar a indicação de Gilmar.

O que alega?

O processo relativo às contas da campanha de Dilma estava nas mãos do ministro Henrique Neves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

No último dia 13, o mandato de Henrique terminou. Com bastante antecedência, o ministro Dias Tóffoli, presidente do TSE, havia encaminhado a Dilma uma lista tríplice com nomes de possíveis substitutos de Henrique.

Um dos nomes da lista foi o do próprio Henrique, que poderia ser reconduzido.

Como Dilma nada respondeu, e sem poder contar mais com Henrique, Tófolli acionou o sistema eletrônico do TSE, que sorteou o nome de Gilmar para relator das contas.

O Ministério Público Eleitoral entende que, em caso de vacância do ministro efetivo, o encaminhamento dos processos que estavam com ele deverá ser feito para o ministro substituto da mesma classe. No caso, da classe de Henrique.

Tecnicalidade. Que de nada vale. Muito menos quando o ministro sorteado para relatar um processo é titular do Supremo Tribunal Federal. Como Gilmar é.

O PT acionou sua rede de blogueiros chapa branca para disseminar nas redes sociais o fantasma de um golpe planejado por Tóffoli para que as contas da campanha de Dilma sejam rejeitadas. Assim ela não poderia ser diplomada no próximo dia 18.

Tóffoli foi advogado do PT, assessor de José Dirceu na Casa Civil da presidência da República, Advogado Geral da União do governo do PT e é ministro do STF por escolha de Lula. Por que ele conspiraria contra Dilma? Não tem cabimento.

Para liquidar de vez o assunto: a pedido de Tóffoli, antes do fim do mandato de Henrique, Gilmar telefonou para José Eduardo Cardoso, ministro da Justiça.

Lembrou que o mandato de Henrique estava por terminar. Falou sobre o processo das contas de Dilma. E sugeriu que Henrique fosse reconduzido ao cargo para poder relatá-las.

Não se sabe se Cardoso tratou do assunto com Dilma. Sabe-se que nada aconteceu.

Se as contas de Dilma estão em ordem por que o medo do PT e do Ministério Público Eleitoral de que elas sejam relatadas por Gilmar?

Como relator, Gilmar só tem o próprio voto. Que será submetido ao exame dos demais ministros do TSE.

A teoria do golpe tem a ver com o medo do PT de que haja irregularidades nas contas de Dilma. E de que Gilmar as aponte. Tenta-se constranger o ministro. É isso.

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A quebra de sigilo de Vaccari e o enigma de um tal Barusco, o homem que pertencia ao esquema petista e que tem US$ 97 milhões em contas no exterior. Será que roubava para si mesmo?

Por 12 votos a 11, a CPI Mista da Petrobras aprovou a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. Ele é acusado por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef de ser  o homem que coordenava o propinoduto para o partido, cujo representante na empresa seria Renato Duque. A comissão aprovou ainda as convocações do próprio Duque, de Sérgio Machado, presidente licenciado da Transpetro, e de outros dois ex-diretores da Petrobras: Ildo Sauer (Gás e Energia) e Nestor Cerveró (Internacional), que terá de fazer uma acareação com Costa. Pode ser um momento bem interessante.

O PT fez de tudo para evitar a quebra dos sigilos de Vaccari, mas acabou derrotado. Parlamentares da base, como os deputados Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) e Enio Bacci (PDT-RS), não foram sensíveis aos apelos dos companheiros. Os depoimentos e a acareação podem até render alguma emoção, a menos que a gente tenha de ouvir o famoso “Eu me reservo o direito de ficar calado…”, mas duvido que algo de muito interessante saia das quebras de sigilo de Vaccari ou de outros. E por várias razões.

Em primeiro lugar, essa gente já está escolada, não é?, e não costuma cometer certos erros primários. Em segundo lugar porque, é bom não esquecer, há um doleiro no meio dessa lambança toda. E doleiros só participam de falcatruas para esconder recursos fora do país, em contas secretas. Basta olhar para o festival delas que está por aí.

Acho pouco provável que Vaccari seja do tipo que opera para enriquecimento pessoal. Ele está mais para Delúbio Soares, de quem é sucessor, do que para Paulo Roberto Costa. Se é quem Youssef e Costa dizem ser nesse esquema, não trabalhou para si mesmo, mas para a máquina partidária. Como a gente se lembra, Delúbio não fraquejou um só instante, nem quando foi posto para fora do partido — formalmente ao menos. Quando voltou, mereceu tapete vermelho, com direito a festança e tudo. Vaccari é um burocrata da máquina cinzenta. É homem da natureza de um Gilberto Carvalho. É núcleo duro. A essa gente, garantida a boa vida necessária, interessa mais o projeto de poder do que o enriquecimento pessoal. Há quem ache isso nobre. Eu, obviamente, não acho.

Coisas estranhas
De resto, há coisas estranhíssimas nessa história toda. E, para mim, o tal Pedro Barusco é a chave de um segredo de Polichinelo. Vamos ver. Esse sujeito era um mero estafeta de Renato Duque, o petista graúdo que estava na diretoria de Serviços da Petrobras, homem de Dirceu e do partido. Pois esse Barusco admitiu, sem muita pressão, ter US$ 97 milhões em contas do exterior — o correspondente a R$ 252 milhões.

Custo a acreditar que um sujeito na sua posição, subalterna, tivesse autonomia para roubar tanto em seu próprio benefício. Nem se ocupou em pulverizar as contas em nome de terceiros, de familiares, de amigos ou conhecidos, sei lá. Também não converteu parte dessa fantástica dinheirama em patrimônio. Por que alguém mantém em moeda sonante, em contas secretas, tal volume de recursos? Será que Barusco operava para si mesmo ou para uma estrutura muito maior do que ele?

Volto a Vaccari
Tendo a achar que, se alguém aposta no enriquecimento pessoal de Vaccari, vai se frustrar. Ele não pertence a si mesmo. Ele pertence a uma máquina. Encerro com uma lembrança: no depoimento dado no âmbito da delação premiada, Youssef fisse que poderia ajudar a PF a chegar a contas que o PT manteria no exterior, o que é ilegal e rende cassação do partido.

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Moro transforma em preventiva prisão de 6 e manda soltar 11; segundo juiz, ex-homem do PT na Petrobras “mantém verdadeira fortuna em contas secretas no exterior”

É, leitores… O juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, não parece ter entrado no Poder Judiciário a passeio. Ele converteu em prisão preventiva de 30 dias a prisão temporária de seis dos presos da Operação Lava Jato. São eles: Dalton dos Santos Avancini e João Ricardo Auler, diretor-presidente e presidente do Conselho de Administração da Construtora Camargo Corrêa; José Aldemário Filho e Mateus Coutinho de Sá Oliveira, diretor-presidente e diretor financeiro da OAS; Ricardo Ribeiro Pessoa, presidente da UTC; e o ex-diretor de Engenharia e Serviços da Petrobras, Renato Duque.

O juiz justificou assim a sua decisão em relação aos diretores da Camargo Correa e a OAS: “Além dos depoimentos dos criminosos colaboradores, existem provas decorrentes da interceptação telemática e telefônica, provas documentais colhidas nas quebras de sigilo bancário e nas buscas e apreensões, inclusive do fluxo milionário de valores até as contas controladas por Alberto Youssef”.

A situação mais intrigante parece ser mesmo a de Renato Duque, aquele que era o homem de José Dirceu na Petrobras e que, até agora, se negou a colaborar com a Justiça. O juiz sustenta que o petista “mantém verdadeira fortuna em contas secretas mantidas no exterior, com a diferença de que os valores ainda não foram bloqueados nem houve compromisso de devolução”.

Só para lembrar: a prisão temporária tem de ser de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. A preventiva pode durar até 180 dias.

Esses seis se somam agora a outros seis que já tinham tido prisão preventiva de 30 dias decretada: o diretor-presidente da Área Internacional da OAS, Agenor Franklin Medeiros; o vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite; o diretor-presidente da Galvão Engenharia, Erton Medeiros Fonseca; o vice-presidente da Engevix, Gerson de Mello Almada; o funcionário da OAS José Ricardo Nogueira Breghiolli; e Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente da Mendes Júnior.

O juiz mandou soltar 11 dos detidos, que terão de entregar seus respectivos passaportes: Valdir Carreiro e Otto Sparenberg, diretor-presidente e diretor da IESA; Othon Zanoide e Ildefonso Colares, diretor e ex-diretor-presidente da Queiroz Galvão; Jayme de Oliveira Filho, ligado ao doleiro Alberto Youssef; Alexandre Barbosa, da OAS; Walmir Santana e Ednaldo Alves da Silva, da UTC; Newton Prado Junior e Carlos Eduardo Strauch, diretores da Engevix; e Carlos Alberto da Costa e Silva.

Com Adarico Negromonte, que está foragido, e Fernando Baiano, que se entregou nesta terça, temos as 25 pessoas que foram detidas pela Operação Lava Jato. Assim, 11 estão em liberdade, e 12, em prisão preventiva. O foragido Negromonte e Baiano tinha tido decretada a prisão temporária.

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Os diretores de empreiteiras começam a confessar. Não há mais como esconder o esquema criminoso

É… Os executivos das empreiteiras, tudo indica, têm resistido a admitir que participavam de uma esquema de corrupção que tinha como epicentro a Petrobras. Mas já há confissões, sim. E elas podem estimular outras. Erton Medeiros Fonseca, diretor de Óleo e Gás da Galvão Engenharia, admitiu ter pagado propina ao esquema depois ter sido ameaçado por Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef. Ou aceitava as condições impostas, ou sua empresa seria prejudicada.

Já não está mais sozinho na confissão. Nesta terça, Sérgio Mendes, diretor-presidente da Mendes Júnior, confirmou à Polícia Federal que pagou R$ 8 milhões a Youssef entre julho e setembro de 2011, a mando de Costa. A exemplo de Erton Medeiros, ele também diz ter sido extorquido. A máfia é generosa: permitiu que o pagamento fosse efetuado em quatro parcelas de R$ 2 milhões.

Segundo Marcelo Leonardo, advogado de Mendes e que defendeu Marcos Valério no processo do mensalão, o presidente da empreiteira também sofreu ameaças de Costa e Youssef: ou entrava no esquema, ou a Mendes Junior seria prejudicada em outros contratos que mantinha com o governo. Entre estes, estava a construção da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar).

Durante depoimento de três horas na sede da PF, em Curitiba, Mendes afirmou que foi apresentado a Youssef por José Janene, deputado do PP já morto, personagem também do escândalo do mensalão. Costa, o doleiro e Janene integravam a banda podre que cuidava dos interesses do PP.

O homem do PMDB na empresa seria Nestor Cerveró, e o operador, o tal Fernando Baiano, que se entregou nesta terça. Segundo as investigações, o diretor que administrava a roubalheira em nome do PT era Renato Duque, e o coordenador do propinoduto para o partido seria João Vaccari Neto, tesoureiro da legenda.

O advogado Marcelo Leonardo diz que Mendes está decidido a contar o que sabe: “Ele está tão disposto a colaborar que veio diretamente a Curitiba se entregar. Não houve proposta de delação premiada feita pela PF”.

Só para lembrar: dois outros executivos, ambos da Toyo Setal, estes no âmbito da delação premiada, já confirmaram ter participado do esquema criminoso. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Júlio Camargo admitiram ter pagado de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões ao petista Renato Duque e US$ 40 milhões a Fernando Baiano, o lobista do PMDB.

Mas há quem resista. Alberto Toron, advogado do Ricardo Pessoa, presidente da UTC, que também prestou depoimento nesta terça, afirmou que seu cliente nunca pagou propina a Youssef e que ambos são sócios de um negócio legal: um hotel em Lauro de Freitas, na Bahia. Então tá.

Não há mais como negar o esquema corrupto. Cinco dos acusados que fizeram acordo de delação premiada se comprometeram a devolver, acreditem, R$ 425 milhões aos cofres públicos. Certamente não estão fazendo esse acordo por excesso de imaginação, não é mesmo?

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Controladoria-Geral da União fala em acordos de leniência. É a hora de a jurupoca piar

Não vamos misturar as coisas. O ministro Jorge Hage, da Controladoria- Geral da União, afirmou nesta terça que algumas empresas envolvidas no petrolão já procuraram o órgão para acordos de leniência. Ele não citou nomes. Nove são investigadas pela Operação Lava Jato: Camargo Corrêa, OAS, UTC, Odebrecht, Mendes Júnior, Engevix, Queiroz Galvão, Iesa e Galvão Engenharia.

O que um acordo de leniência tem a ver com a questão criminal propriamente? Nada! As informações, quando tornadas públicas, sempre podem ser usadas num processo, mas são esferas diferentes. Um acordo com a CGU se dá no âmbito administrativo. Se as empresas colaborarem, contando, por exemplo, como funcionava o esquema, as punições podem ser mais brandas. Afinal, no extremo, empresas acusadas de lesar o erário podem ficar proibidas de celebrar contratos com agentes públicos. E também serão obrigadas a pagar multas.

Hage participou de um seminário na manhã desta terça, em São Paulo, e foi indagado se defendia o rompimento dos contratos em curso entre as empresas e o estado. Ele afirmou que não. E, querem saber?, acho que realmente não é o melhor.

É claro que não podemos escolher a “saída Lula” porque ela é imoral. E qual é a “saída Lula”? É não fazer nada e ainda atacar quem investiga. Em 2010, o TCU recomendou a suspensão de repasse de verbas para as refinarias Abreu e Lima, em Parnambuco, e Getúlio Vargas (Repar), no Paraná. A recomendação do tribunal foi aprovada pelo Congresso. E o que fez o Apedeuta? Vetou. Nem quis saber se havia irregularidade ou não.

Sugiro outra coisa. Acho que as obras têm de continuar para não prejudicar os mais pobres. Mas é evidente que punições são necessárias, tanto na esfera administrativa como na penal. Eu tenho, sim, a convicção de que as empresas foram extorquidas: era pagar a propina ou não entrar na obra, e elas pagaram. Ocorre que poderiam ter denunciado a canalhice e não o fizeram — afinal, empreiteiras vivem de tocar obras, não de arrumar processos na Justiça.

Pois é… Não faltam bons motivos para muito barulho, mas não custa lembrar que o que se tem agora é a parte, digamos, menos explosiva da investigação. Imaginem quando o mundo político entrar na berlinda. Aí é que a jurupoca, que não pia porque é peixe, vai piar.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Faz hoje um mês que Dilma admitiu pela primeira vez a possibilidade de haver desvios na Petrobras; antes, ela acusava mera conspiração dos que queriam privatizar a empresa. Vejam o que está em curso! Ou: Dilma vai criar galinhas, como o último imperador romano?

O tempo passa, e as coisas só pioram na Petrobras e no Brasil. A presidente Dilma se comporta como o último imperador romano, que, no fim da linha, preferia cuidar de galinhas. Ocorre que esta senhora, que encerra melancolicamente o seu mandato, terá mais quatro anos — caso cumpra o calendário e não seja atropelada pela lei. A entrevista concedida nesta segunda por Graça Foster, presidente da estatal, evidencia que o governo perdeu o pé da situação. Raramente se viu soma tão robusta de sandices. Para piorar, as denúncias chegam à atual diretoria da empresa: segundo Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, José Carlos Cosenza, atual diretor de Abastecimento e substituto do próprio Costa, também recebeu propina. Ele nega. E tudo pode sempre piorar: surgiram sinais de que o esquema criminoso pode ter atuado também na Eletrobras, cujas ações despencaram nesta segunda.

Obviamente, não vou eu aqui afirmar a culpa de Cosenza. Denúncias precisam ser provadas para que possam ter consequência penal. Ocorre que esse caso tem mais do que a esfera puramente criminal. Será que a Petrobras aguenta ter um alto membro da atual diretoria sob suspeita? Não é o mais recomendável para uma empresa que não consegue divulgar números de seu balanço trimestral e que já enfrenta sinais de que terá dificuldades para se financiar no mercado externo em razão da falta de credibilidade.

Cosenza estava ontem no evento-entrevista que Graça organizou, compondo a mesa da diretoria da Petrobras. Que a roubalheira comeu solta na empresa — seja ou não para financiar partidos —, isso já está comprovado. Um único gerente, Pedro Barusco, fez acordo de delação premiada e aceitou devolver US$ 97 milhões — o correspondente a R$ 252 milhões. Seu chefe, no entanto, Renato Duque, homem de José Dirceu na empresa e ex-diretor da cota do PT, afirma não saber de nada e se nega a colaborar com as investigações. Assim, se formos nos fiar nas palavras de Duque, devemos acreditar que seu subordinado conseguiu a proeza de amealhar R$ 252 milhões fazendo falcatruas às escondidas do chefe.

O processo será longo. Estamos só no começo. Pensem, por exemplo, que o caso vai mesmo esquentar quando aparecerem os nomes dos políticos, que estão se acumulando lá o STF. Aí é que vocês verão a barafunda.

Desde o começo da crise, tenho chamado a atenção para o óbvio: por que a prática seria diferente nas demais estatais se os atores são os mesmos, se a política é a mesma, se os critérios são os mesmos? Surgiu o primeiro elemento que pode indicar que os criminosos atuaram também na Eletrobras — e sabe-se lá onde mais. A presidente brinca com o perigo.

Para começo de conversa, deveria intervir já — e não mais tarde — na Petrobras. Está na cara que Graça Foster perdeu a condição de presidir a empresa. Cosenza tem de ser afastado não porque esteja comprovada a sua culpa, mas porque a estatal não pode conviver com desconfiança. Evidenciada a sua inocência, que volte.

Um mês
Vejam vocês: hoje, 18 de novembro, faz exatamente um mês que Dilma admitiu pela primeira vez a possibilidade de haver desvios na Petrobras. E ainda o fez daquele modo rebarbativo. Disse então: “Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não; houve, viu?”. Até o dia anterior, ela atribuía as críticas aos desmandos na empresa à pressão dos que quereriam privatizá-la.

Dilma terá dias bem difíceis pela frente. O show de horrores está só no começo. Imaginem quando começarem a sair do armário os esqueletos das contas secretas no exterior, onde foi depositada parte da propina. Uma única conta de Barusco da Suíça teve bloqueados US$ 20 milhões. Na delação premiada, Youssef se prontificou a ajudar a PF a chegar inclusive a contas que pertenceriam ao PT. Se elas existem ou existiram, a cobra vai piar.

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Graça admite só agora escândalo que VEJA revelou em fevereiro e que ela própria negou em março. Vá pra casa, minha senhora!

É… Quando Dilma Rousseff vai demitir Graça Foster? Ou quando Graça Foster vai se demitir? Quando essa gente vai ter um pouco de bom senso? Por que escrevo essas coisas?

Em fevereiro, a VEJA denunciou que a empresa holandesa SBM havia pagado propina para funcionários e intermediários da Petrobras. A revista, claro!, apanhou da canalhada. No fim de março, Graça anunciou com solenidade que a empresa havia feito uma investigação interna e não havia encontrado nada de errado.

Na semana passada, o Ministério Público da Holanda aplicou uma multa de US$ 240 milhões à SBM por propinas pagas mundo afora, inclusive… no Brasil, em negócios com a Petrobras!

E eis que acontecem, então, milagres. O ministro Jorge Hage, da Corregedoria-Geral da União, revela que há, sim, uma investigação em curso. É mesmo? E, mais surpreendente, Graça Foster revela hoje que a Petrobras, de fato, tinha conhecimento do pagamento de propina desde meados do ano.

É? Alguém foi punido? Algum funcionário foi preventivamente afastado? Providências foram tomadas? É razoável que a confirmação oficial da roubalheira parta do Ministério Público da Holanda? Disse:
“Passadas algumas semanas, alguns meses [da investigação interna da Petrobras], eu fui informada de que havia, sim, pagamentos de propina para empregado ou ex-empregado de Petrobras. Imediatamente, e imediatamente é “imediatamente”, é que informamos a SBM de que ela não participaria de licitação conosco enquanto não fosse identificada a origem, o nome de pessoas que estão se deixando subornar na Petrobras. E é isso que aconteceu, tivemos uma licitação recente, para plataformas nos campos de Libra e Tartaruga Verde, e a SBM não participou.”

É pouco e errado, minha senhora! Quem estava informado sobre tudo isso? A Petrobras não é patrimônio seu, mas do povo brasileiro.

Esta senhora falou ainda outra coisa estranha. Disse não haver nenhuma “informação avassaladora” que justifique rompimento de contrato com empreiteiras. Epa! Eu também me oponho a que se paralisem todas as obras ou a que se rompam todos os contratos. Mas daí a dizer que não existem “informações avassaladoras” vai uma distância imensa.

Graça não considera “avassalador” que um mero estafeta do PT, como Pedro Barusco, aceite devolver R$ 252 milhões? Ela não considera “avassalador” que uma única empresa, a Toyo Setal, confesse ter pagado pelo menos R$ 154 milhões a dois diretores?

Graça, ouça um bom conselho, eu lhe dou de graça, como dizia Chico Buarque: vá para casa,  peça demissão, facilite a vida da presidente. Seu tempo acabou.

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Toda ditadura é nojenta!
Ricardo Noblat

Nada há de absurdo em se discutir o eventual impeachment da presidente Dilma Rousseff no rastro do escândalo da Petrobras.

Em um regime democrático, a Constituição prevê que o Congresso pode, sim, derrubar o presidente da República. Foi o que aconteceu com o ex-presidente Fernando Collor no final de 1992.

Acusado de roubar e de ter deixado roubar, Collor despachou uma carta para o Congresso renunciando ao cargo. O Congresso, simplesmente, ignorou a carta e cassou seu mandato. Assumiu Itamar Franco, o vice-presidente.

Em momento algum correu perigo a ainda frágil democracia instalada no país depois de 21 anos de ditadura militar.

Muito bem. Só que não há por enquanto nenhum motivo, sequer um pretexto razoável, para que se cogite a queda da presidente.

Goste-se ou não, Dilma foi legitimamente reeleita. Derrotou Aécio Neves por uma diferença superior a três milhões de votos.  O próprio Aécio telefonou para ela parabenizando-a.

Não se pode impedir ninguém de pregar o impeachment.  Nem mesmo de pregar um golpe militar.

O extraordinário da democracia é que ela garante a liberdade até mesmo dos que se opõem a ela.

Mas quem tenha o mínimo de responsabilidade política e social não pode ouvir calado os que incitam ao ódio e à quebra da legalidade. Por asco, dessa gente eu quero distância.

Este país já teve ditadura de mais e liberdade de menos.

E quem provou na pele a violência do estado de exceção ou apenas ouviu falar das várias maneiras como ela se manifestou, está obrigado a dar testemunho para que isso jamais se repita. Jamais.

Não existe ditadura ruim ou boa. Toda ditadura é abominável, seja civil ou militar. Ela desperta os instintos mais primitivos dos que a exercem. E deixa cicatrizes para sempre.

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Caso Petrobras: Marina e Aécio ironizam Dilma

Ex-rivais de Dilma Rousseff na campanha presidencial, Marina Silva e Aécio Neves utilizaram uma entrevista da presidente sobre a corrupção na Petrobras como matéria-prima para suas ironias. Em textos veiculados na internet, ambos realçaram a ausência de autocrítica na manifestação da presidente.

Para Marina, Dilma não tirou os pés do palanque. “…Continua a fazer exaltações a seu governo em manifestações descoladas da realidade.” Ela reproduziu três comentários da presidente: 1) o caso do petrolão é “o primeiro da nossa história investigado”; 2) “isso pode, de fato, mudar o país para sempre”; 3) a investigação “não é algo engavetável”.

Na sequência, Marina espetou: “Dilma gosta de falar das ‘gavetas’ de governos anteriores, mas seria positivo para a sociedade brasileira que ela esvaziasse as próprias. Em vigor desde 29 de janeiro, a Lei Anticorrupção (12.846/13) ainda não está sendo aplicada, segundo estudiosos do Direito, porque não foi regulamentada pelo Palácio do Planalto. […] O Brasil aguarda ansiosamente que a presidente Dilma retire das gavetas do palácio o decreto que ajudará a combater a ação dos corruptores no país.”

Aécio escreveu que Dilma reage ao noticiário “como se fosse apenas uma espectadora, uma cidadã indignada, como se o seu governo não tivesse nenhuma responsabilidade com o que ocorreu na empresa nos últimos anos. Como se não tivesse sido ela a presidente do Conselho de Administração da Petrobras, responsável pela aprovação de inúmeros negócios, hoje sob investigação.”

Para o ex-presidenciável tucano, Dilma “zomba da inteligência dos brasileiros” ao “agir como se a Petrobras não fizesse parte do seu governo.” Aécio lembrou que, nos debates eleitorais, convidou Dilma a “pedir desculpas ao Brasil pelo que acontecia na empresa.” Reiterou a provocação: “Presidente, a senhora não acha que está na hora de pedir desculpas ao país pelo que o seu governo permitiu que ocorresse com a Petrobras?”

Auxiliares de Dilma e líderes do PT acusam a oposição de tentar criar no país uma atmosfera de “terceiro turno''. Comportam-se mais ou menos como um oficial alemão que foi visitar o estúdio de Picasso durante a ocupação de Paris. Ele viu na parede uma reprodução de Guernica, o quadro que mostra a destruição da cidade espanhola na guerra civil. “Foi o senhor que fez isso?”, perguntou o oficial. E Picasso: “Não, foram os senhores”.

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Graça Foster faz as vezes de maestro de Titanic

Afundada em corrupção, a Petrobras acredita ter encontrado uma saída para a mais grave crise de toda a sua história. A companhia estuda criar uma nova diretoria. Vem aí a diretoria de governança. Terá a missão de zelar pelo “cumprimento de leis e regulamentos”, informou Graça Foster. Vendida como “a mais importante das ações” da estatal para superar a crise, a provável criação do novo cargo se assemelha à ordem do maestro do Titanic para que a orquestra continuasse tocando enquanto o transatlântico afundava.

Graça Foster comunicou a novidade aos jornalistas do lado de diretores da Petrobras. Entre eles o atual titular da área de Abastecimento, José Carlos Cosenza. Que foi denunciado pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef como beneficiário de propinas de empreiteiras. “Entendemos que [a nova diretoria de governança] é algo importante e até certo ponto urgente para a companhia'', disse Graça. Por mal dos pecados, documento da PF relaciona indícios de que a água invade os trombones dos músicos que deslizam pelo salão da maior estatal brasileira.

No dizer da PF, o esquema de propinas “apresenta continuidade mesmo após a demissão do então diretor Paulo Roberto Costa”, hoje um corrupto confesso e delator premiado. Os investigadores varejam pagamentos feitos em 2014. A caminho do fundo, Graça Foster finge não notar que o desnível acentuado do chão do navio não decorre da qualidade do champanhe.

Os repórteres perguntaram a Graça Foster sobre o destino de Sérgio Machado. Apadrinhado de Renan Calheiros, ele teve de se licenciar da presidência da Transpetro por exigência de uma empresa de auditoria externa. A licença expira em 4 de dezembro. Vai voltar? Segundo Graça, a decisão é do próprio Machado. Hummmm!

Mais um pouco e os partidos do conglomerado governista serão convidados a indicar um apaniguado para o comando da futura diretoria de governança da Petrobras. E Graça, com óleo queimado na altura do nariz: “Toque glub-glub-glub…”

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Lava Jato!




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Blog do Reinaldo Azevedo

Dilma e o discurso ornitorrinco: bota ovo e tem bico, mas é mamífero. E ainda esconde uma glândula venenosa. Ou: PF nunca investigou algo de tal dimensão

Lá da Austrália, uma terra de fauna muito peculiar, como sabemos, Dilma tentou, acreditem, faturar com o escândalo da Petrobras — aquele mesmo que, segundo Alberto Youssef, era do seu conhecimento. Aquele mesmo para o qual, segundo Augusto Nardes, ministro do TCU, seu governo fora advertido. Fez um discurso mais exótico do que um ornitorrinco. O bicho semiaquático é mamífero, mas bota ovo e tem bico. E ainda esconde uma glândula de veneno.

No discurso ornitorrinco de Dilma, a gente entende que há ao menos uma coisa boa: o país nunca mais será o mesmo, segundo ela. Haverá, garante, uma “mudança no Brasil para sempre”. Ao destrinchar, ainda que à sua moda, o que quis dizer, lá veio a conversa mole de que toda a sem-vergonhice decorre do financiamento privado de campanha. Já tratei do assunto em outro post.

É mesmo, é? Que conversinha perigosa, não? Bancos também doam, não é? E, nesse caso, eles são regulados diretamente pelo governo federal — pelo Banco Central. E aí, presidente? Também há relações de troca, ou só os empreiteiros é que são malvadões? Isso é conversa para enganar trouxas. Mas o objetivo do meu post aqui é outro.

Vou aqui contestar uma tolice veiculada pela presidente e seus porta-vozes informais na imprensa. Querem fazer com que a investigação pareça uma virtude do governo: “Ah, esse, sim, combate a corrupção!” Opa! Calma lá! Em primeiro lugar, como sempre, há o nó lógico: quer dizer que o governo Dilma chegará ao auge da moralidade no dia em que se descobrir um escândalo por dia? Ora, presidente, se país rico é país sem pobreza; país decente é país sem ladrões em postos de comando. Ou a senhora pretende nos convencer de que é o excesso de larápios flagrados pela PF que evidencia o triunfo da moral?

Em segundo lugar, o PT está no poder desde 2003, e os ladrões pintaram e bordaram durante quase 12 anos. No período, a senhora foi a czarina da área energética — inclusive presidente do Conselho da Petrobras. Se a senhora insiste que o financiamento de campanha é a origem de todos os males, devo entender que o dinheiro sujo financiou, inclusive, a sua campanha? Nesse caso, devo considerar o seu mandato legítimo?

Dilma voltou à ladainha de escândalos do passado que não foram investigados. Ah, presidente… Quando um tal Pedro Barusco, um simples gerente e estafeta do petista Renato Duque, ex-diretor de serviços, admite devolver US$ 97 milhões ? R$ 252 milhões —, a gente começa a ter uma noção do tamanho do assalto. Nunca houve nada dessa dimensão no país e é difícil acreditar que tenha havido no mundo.

E a própria Dilma, tentando se livrar da confusão, confessa: é tramoia envolvendo partidos — muito especialmente, o seu partido. De fato, nunca se investigou algo desse tamanho antes porque, afinal, o PT ainda não havia chegado ao poder para produzir… algo desse tamanho!

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O Supremo, a política prestes a cair de vez na clandestinidade mafiosa e a conversa mole dos ruminantes intelectuais

Falta apenas um voto — o ministro Gilmar Mendes pediu vista — para que o Supremo bata o martelo e jogue de vez o financiamento de campanha na clandestinidade. Aí, sim, a política brasileira cairá de vez nas malhas de uma verdadeira máfia. E isso será feito com o concurso de elegantes senhores togados e com a colaboração dos estúpidos e dos vigaristas. A que me refiro? A OAB entrou com uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais. O verdadeiro patrocinador da causa, já demonstrei aqui em meu blog, é Luiz Roberto Barroso, que deveria ter tido o bom senso de não votar. Mas votou mesmo assim. Não me espanta. Adiante! A tese mentirosa, ridícula mesmo, é que a roubalheira que está em curso na Petrobras, por exemplo, só existe porque as empresas fazem doações a partidos e, depois, cobram a compensação. Assim, caso se as impeça, na lei ao menos, de doar, então acaba a safadeza. Não sei qual será o voto de Mendes, mas suponho que ele dirá “não” a essa besteira perigosa.

Quem acredita nisso ou é um asno intelectual ou é um asno moral. Não há uma terceira alternativa. Vocês sabem quanto custou, em valores declarados, só a campanha dos 513 deputados que foram eleitos ou reeleitos? R$ 733 milhões. A dos 27 senadores, outros R$ 124 milhões. Essa conta não inclui os gastos dos que foram malsucedidos. Estimativas de setembro do TSE apontavam que as campanhas majoritárias — Presidência, governos de Estado e Senado — chegariam a R$ 4,4 bilhões. Acrescentando-se a esse total o gasto dos deputados eleitos, já chegamos a R$ 5,133 bilhões. Atenção! Eu afirmo e dou fé: os candidatos costumam, não todos, claro!, gastar muito mais do que declaram. Querem saber? Uma campanha eleitoral, no conjunto, roça os R$ 10 bilhões.

De onde vai sair esse dinheiro? De doações de pessoas físicas? É piada! Dos cofres públicos? A cada quatro anos, vai-se abrir um rombo no Tesouro de R$ 10 bilhões? Daí a dois anos, vêm as eleições municipais: mais quantos bilhões? Aí cabe a pergunta evidente: as campanhas eleitorais ficarão mais baratas? Até poderia: seria preciso, entre outras coisas, acabar com essa excrescência que é o horário eleitoral gratuito — e, assim, se aposentariam os cineastas do gênero “campanha” — e instituir o voto distrital puro. Como nada disso vai acontecer, os custos continuarão na estratosfera, e não haverá doações privadas ou financiamento público que consigam dar conta dos gastos.

Sabem a quem os políticos vão apelar? Às empresas, sim, senhores! Só que, a prevalecer decisão do Supremo, toda doação que fizerem será clandestina. No dia em que empreiteiras não puderem mais fazer doações legais a partidos, não haverá mais gente como Paulo Roberto Costa, Renato Duque ou Nestor Cerveró na Petrobras e em outras estatais? No dia em que as empresas não puderem mais fazer doações, os partidos políticos deixarão de indicar diretores de estatais e de autarquias? No dia em que as empresas não puderem mais fazer doações, não mais existirá, a transitar nas sombras, figuras como João Vaccari Neto, o tesoureiro do PT?

Ao contrário: aí, sim, é que a roubalheira vai correr solta como nunca antes na história “destepaiz”. Se, hoje, jornalistas podem se divertir tentando saber quanto esta ou aquela empreiteiras doaram e quanto pagaram ao esquema, essa conta não mais existirá. Para todos os efeitos, a coluna da doação será “zero”. Ah, estou doido para ver o custo das campanhas cair a um terço, com todo mundo fingindo que acredita. Para que isso fosse verdade, seria preciso que João Santana, por exemplo, também aceitasse ganhar… um terço!

Que o jornalismo e o colunismo a soldo sustentem essa estupidez, vá lá. Afinal, ganham para isso. Que a presidente Dilma tenha repetido a tolice de que a mãe da safadeza é o financiamento privado de campanha, vá lá, ela está, afinal de contas, tentando tirar o seu mandato da reta. Que gente com um mínimo de discernimento embarque nessa falácia, bem, nesse caso, dizer o quê? Sugerir que estude um pouco de lógica elementar. E que mude a dieta alimentar… Humanos não produzem a enzima celulase e não ficam mais inteligentes comendo capim.

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Caramba! Dois executivos de uma única empresa confessam ter pagado R$ 154 milhões em propina aos operadores do PT e do PMDB na Petrobras; só um estafeta de ex-diretor petista aceita devolver R$ 252 milhões!!!

Quando aquela capa de VEJA veio a público, no dia 24 de outubro, não era só a confissão da roubalheira na Petrobras que chamava a atenção. Havia outra bomba: no âmbito da delação premiada, o doleiro Alberto Youssef se prontificara a ajudar a Polícia Federal a chegar a contas secretas que o PT manteria no exterior. Se a informação for confirmada, o partido pode ter seu registro cassado.

Youssef estaria mentindo? Então vamos ver. Dois executivos da Toyo Setal, que também fizeram delações premiadas — Augusto Mendonça Neto e Júlio Camargo —, confessaram ter pagado entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões de propina a Renato Duque, diretor de serviços da Petrobras e um dos homens do PT na empresa, e US$ 40 milhões a Fernando Soares — o correspondente a R$ 104 milhões — , que é apontado como o intermediário do PMDB. Vocês leram direito: dois executivos de uma empresa confirmam ter pagado só a dois diretores propinas que chegam, no mínimo, a R$ 154 milhões. Imaginem agora o tamanho do esquema, quantos eram os envolvidos e a que volume pode chegar a roubalheira.

Segundo Mendonça Neto e Camargo, o petista Renato Duque, em parceria com Pedro Barusco, gerente de serviços e seu braço direito, receberam R$ 6 milhões por obras na Revap (Refinaria Henrique Lage); R$ 3 milhões pelo gasoduto Cabriúna 2; R$ 2 milhões pelo Gasoduto Urucu, em Manaus, e R$ 32 milhões pela refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná. Atenção! Segundo a dupla, parte desse dinheiro foi paga no Brasil, em reais; parte foi depositada no exterior. A Polícia Federal conseguiu bloquear, vejam que mimo!, US$ 20 milhões numa conta que Barusco tem na Suíça. A engenharia, de fato, se tornou uma profissão muito lucrativa, né?

Mas isso é muito pouco. Esse tal Barusco, que não foi preso porque fez antes o acordo de delação, já aceitou devolver US$ 97 milhões — R$ 252 milhões. Entenderam o tamanho da coisa? O subordinado de Duque, seu estafeta, aceita devolver R$ 252 milhões!!! Um quarto de bilhão!

A Fernando Soares, que está foragido e apontado como homem do PMDB, os executivos da Toyo Setal dizem ter pagado o correspondente a US$ 40 milhões pela compra de duas sondas de perfuração. O método foi o mesmo: parte saiu em reais, parte foi depositada no exterior, em contas secretas. À Polícia Federal, forneceram números de contas bancárias e data dos depósitos. Os R$ 154 milhões, segundo contaram, foi a propina necessária para que a Toyo Setal fechasse nove contratos com a Petrobras.

Ao Fantástico, o advogado Mário de Oliveira Filho acusou a ilegalidade da decretação da prisão de Soares e disse que ele não vai se entregar. Segundo Oliveira, a defesa encaminhará um pedido de habeas corpus à Justiça para suspender a prisão. Afinal, diz ele, seu cliente nunca se negou a colaborar com a investigação.

Pois é… Por que, num processo de delação premiada, em que a inverdade não só impede qualquer benefício como agrava a pena, os dois mentiriam? Convenham: só a verdade poderá beneficiá-los. Eis aí o que se fez na Petrobras ao longo dos anos do mandarinato petista.

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Desça do palanque, Dilma!
Ricardo Noblat

Na Austrália, do outro lado do mundo, sob o efeito do fuso horário, talvez, como se ainda estivesse em cima de um palanque, certamente, a presidente Dilma Rousseff concedeu sua primeira entrevista coletiva sobre o arrastão de donos e executivos de empreiteiras que marcou na semana passada mais uma etapa das investigações sobre a roubalheira na Petrobras. Perdeu uma rara oportunidade de ficar calada.

Dilma foi vítima da síndrome do terceiro turno que não acomete apenas a oposição. Disse um monte de bobagens, invenções e falsas verdades para uma plateia de jornalistas que se deu por feliz em anotar o que ouviu.

E assim procedeu como se ignorasse que o distinto público conhece cada vez melhor os vícios e espertezas dos seus representantes. Vai ver que ela ignora mesmo.

Vamos ao que disse.

Teve o atrevimento de afirmar de cara lavada que “pela primeira vez na História do Brasil” um governo investiga a corrupção. E não satisfeita, culpou governos passados pela corrupção que acontece hoje na Petrobras.

Stop!

O governo dela não investiga coisa alguma. Polícia Federal e Ministério Público investigam. Os dois são órgãos do Estado, não do governo.

Corrupção existe em toda parte e o tempo inteiro. Mas enquanto não se descobrir que houve corrupção na Petrobras em governos anteriores aos do PT, vale o que está sendo escancarado pelas investigações: o PT privatizou, sim, a Petrobras. Apropriou-se, sim, dela.
Corrompeu-a, sim. E usou-a, sim, para corromper. Depois de Lula, Dilma é a figura mais importante da Era PT.

Adiante.

Para Dilma, o escândalo cuja paternidade ela atribui a outros governos e cuja decifração reivindica para o seu, “poderá mudar o país para sempre. Em que sentido? No sentido de que vai acabar com a impunidade”.

Stop!

Sinto muito, Dilma, mas o escândalo que poderá mudar o país para sempre, e que acabou com a impunidade, foi o do mensalão. Quer tirar de Lula a primazia?

Dizer que “essa questão da Petrobras “já tem um certo tempo” e que “nada disso é tão estranho para nós” é uma revelação digna de nota.

Primeiro porque o governo dela se comportou como se nada soubesse quando estourou o escândalo. Segundo por que o máximo que ela insinuou a respeito foi que havia demitido Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa, réu confesso.

Ora, ora, ora.

“Paulinho”, como Lula o chamava, saiu da Petrobras coberto de elogios pelo Conselho de Administração da empresa presidido por Dilma até ela se eleger presidente da República.

Foi um dos 400 convidados de Dilma para o casamento da filha dela. E ao depor na CPI da Petrobras, contou com a proteção da tropa do governo. Dilma nada fez para que não fosse assim.

Adiante, pois.

O escândalo da Petrobras não dará ensejo à revisão dos contratos do governo com as principais empreiteiras do país, avisou Dilma. Muito menos a uma devassa na Petrobras.

“Não dá para demonizar todas as empreiteiras. São grandes empresas”, observou Dilma. “E se A, B ou C praticaram malfeitos, atos de corrupção, pagarão por isso”.

Stop!

Quer dizer: mesmo que reste provado que as nove maiores empreiteiras do país corromperam e se deixaram corromper, os contratos que elas têm com o governo fora da Petrobras não serão revistos.

Não parece razoável que empresas envolvidas com corrupção num determinado lugar possam ter se envolvido com corrupção em outros?

Por fim: se a Petrobras não pede uma devassa é só porque Dilma prefere que seja assim.

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Eduardo Cunha: ‘escândalo terá muitos filhotes’

Candidato favorito à presidência da Câmara, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) antevê um futuro turvo para o Congresso. Considera inevitável a abertura de uma nova CPI em 2015, para apurar os desdobramentos da Operação Lava Jato. Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, ele indagou na noite passada:

“Alguém tem dúvidas de que esse escândalo é um escândalo que ainda vai ter filhotes por muitos anos? É uma situação absolutamente inédita. Você chegou a um nível de corrupção [...] que nós não tivemos conhecimento em nenhum outro momento da história do país.”

Líder do PMDB na Câmara, Cunha disse que seu partido não será o proponente da nova CPI. Mas irá apoiá-la. Avalia que a futura comissão de inquérito pode ter desfecho bem diferente das atuais CPIs da Petrobras. “Ninguém controla CPI se tiver fatos que sejam relevantes, que extrapolem os limites.”

Afirma que, se for eleito para comandar a Câmara, zelará para que os prováveis pedidos de cassação de petro-deputados tenham uma tramitação regular, conforme previsto na Constituição e no regimento interno da Casa.

Perguntou-se a Eduardo Cunha por que o governo de Dilma Rousseff tem horror à sua pretensão de comandar a Câmara. “Aí é o governo que tem que se manifestar”, ele desconversou. Disse estar “tentando construir uma candidatura que valorize a independência do Parlamento”, não uma postulação “de oposição”.

Não receia que o Planalto deflagre uma grande ofensiva para retirá-lo da disputa? “É um equívoco querer tratar o processo desse jeito”, disse o deputado. “Até porque nós saímos de uma eleição [presidencial] bastante conflagrada, a base governista é um pouco menor, mais dividida.”

Num timbre que roçou a ameaça, Eduardo Cunha lembrou que o governo terá muitas “demandas” no Legislativo. Citou o projeto orçamentário que Dilma enviou na semana passada ao Congresso. Nele, a presidente reivindica, na prática, autorização para fechar as contas do Tesouro de 2014 no vermelho, descumprindo a meta oficial de superávit fiscal.

“…Estamos com a discussão da meta do superávit primário agora. É um tema delicado, que todos vão ter que, de uma certa forma, encontrar uma cooperação. E várias outras atividades ou demandas parlamentares vão acontecer”, disse Eduardo Cunha, antes de indagar:

“O governo vai fazer uma disputa dentro da sua própria base, para tentar derrotar uma candidatura do líder do PMDB, que continuará líder do PMDB no primeiro dia depois da eleição?” Ele completou: “Acho que o PT ou qualquer outro que quiser ter candidato, isso é normal, é da democracia. O voto resolve qualquer problema. Outra coisa é o governo interferir e jogar pesado para tentar desbalancear a disputa.”

O PMDB vai ajudar a aprovar a manobra fiscal? “Veja bem, é muito complicado. Mas nós somos obrigados a nos render à gravidade”, disse o deputado. “Estamos na seguinte situação: o fato já aconteceu. E as consequências do fato serão gravíssimas, porque o governo nao terá alternativas até 31 dezembro. Ou flexibiliza a meta [de superávit fiscal] ou vai ter que cumprir a meta na marra.”

Como assim? “Cumprir a meta na marra vai ser suspender todos os repasses e todos os pagamentos. Isso vai ter repercussão nos Estados, porque os repasses são receitas de Estados e municípios. [...] Não vamos faltar porque é grave essa situação. Embora entendamos que a situação, por ser grave, merece que seja mostrada com toda a transparência e que sejam criados instrumentos para que, no futuro, isso não possa ser repetido.”

Na semana passada, o líder do PT no Senado, Humberto Costa, dissera que o governo será forçado a cortar a liberação de verbas para as bases eleitorais dos congressistas se a proposta da manobra fiscal não for aprovada. Instado a comentar, Eduardo Cunha bateu:

“[...] Foi uma inabilidade enorme. Nós não precisamos ameaçar ninguém. Tem que mostar a gravidade e a saída que tem que ter. Acho que nós temos que ter a maturidade para chegar e dizer para a sociedade. Eles têm que mostrar o que aconteceu [às contas públicas] com toda a transparência. Sou favorável a que a conta seja toda mostrada.”

Na semana passada, o líder do PT no Senado, Humberto Costa, dissera que o governo será forçado a cortar a liberação de verbas para as bases eleitorais dos congressistas se a proposta da manobra fiscal não for aprovada. Instado a comentar, Eduardo Cunha bateu:

“[...] Foi uma inabilidade enorme. Nós não precisamos ameaçar ninguém. Tem que mostar a gravidade e a saída que tem que ter. Acho que nós temos que ter a maturidade para chegar e dizer para a sociedade. Eles têm que mostrar o que aconteceu [com as contas públicas] com toda a transparência. Sou favorável a que a conta seja toda mostrada.”

A certa altura, perguntou-se a Eduardo Cunha por que o PMDB está eternamente insatisfeito com o governo. Afinal, o que os deputados do partido querem que o governo não dá?

E ele: “no primeiro mandato [de Dilma], o PMDB não participava praticamente do governo —ministérios risíveis, toda a máquina de baixo era petista. Então, havia uma queixa disso. Tanto que nós, da bancada da Câmara, quando houve substituição de ministros, abrimos mão de indicar os nomes dos ministros que se desincompatibilizaram dos cargos. E ficamos independentes, sem indicar ministro nenhum.”

E quanto ao segundo mandato, a bancada da Câmara indicará ministros?
“Os deputados não quiseram indicar ministros mais. Então, tem que começar a relação. Ou você é governo, está dento do governo e participa do governo da forma como tem que participar ou não precisa participar.”

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Vassouradas!




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Blog do Coronel

Lava Jato: acaba de ser preso outro diretor da Petrobras e PF caça mais 30 corruptos.

A Polícia Federal cumpre nesta sexta-feira seis mandados de prisão preventiva, 21 de prisão temporária, nove de condução coercitiva e 49 mandados de busca e apreensão na sétima fase da Operação Lava-Jato, que investiga desvios e lavagem de dinheiro, boa parte ligado a obras da Petrobras. Um dos presos é Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. Seu envolvimento já era conhecido. 

Indicado por José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil condenado no julgamento do mensalão, Duque ocupou entre os anos de 2003 e 2012 a diretoria de Serviços da Petrobras. Ele foi demitido no mesmo ano que Paulo Roberto Costa. O afilhado de Dirceu foi citado em depoimentos pelo próprio Costa e também por Julio Camargo, executivo da Toyo Setal que fechou acordo de delação com a Justiça. De acordo com Costa, o PT ficava com a maior parte do rateio da propina e o responsável por captar esse dinheiro era João Vaccari Neto, tesoureiro do partido. Ainda segundo o ex-diretor da Petrobras, Vaccari negociava diretamente com Renato Duque. O ex-diretor da Petrobras foi preso em seu apartamento, na Barra da Tijuca.

Os mandados estão sendo cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Distrito Federal. Foi decretado bloqueio de aproximadamente R$ 720 milhões em bens pertencentes a 36 investigados.

Foi decretado também o bloqueio de valores de três empresas referentes a um dos operadores do esquema criminoso. Os envolvidos respondem por formação de cartel, corrupção, fraude à Lei de Licitações e lavagem de dinheiro, além de formação de quadrilha. Os grupos investigados na Operação Lava-Jato registraram, segundo dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras), operações financeiras superiores a R$ 10 bilhões.

O maior número de prisões está sendo realizado em São Paulo, onde são cumpridos dois mandados de prisão preventiva, 15 de prisão temporária e nove conduções coercitivas na capital, uma em Jundiaí e uma em Santos, além de 29 mandados de busca e apreensão de documentos.

No Rio de Janeiro são seis mandados de prisão - duas preventivas e quatro temporárias. No Distrito Federal será cumprido um mandado de prisão preventiva e um de busca e apreensão. Os demais mandados estão sendo realizados em Curitiba (uma prisão preventiva e dois mandados de busca) , Pernambuco (dois mandados de busca) e Minas Gerais (dois mandados de busca). (Informações O Globo, Veja e Estadão)

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Golpistas de esquerda vão às ruas para tentar intimidar os que prometem protestar neste sábado contra a roubalheira. Boulos, o nababo das invasões de propriedades públicas e privadas, era o líder da patuscada

Guilherme Boulos, o chefão do MTST, o dito Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, e a CUT organizaram nesta quinta, em São Paulo, uma marcha “contra a direita e por mais direitos”. Boulos, MTST e CUT são meros esbirros do PT. Ah, sim: eles também protestavam contra um suposto “golpe”. O coxinha radical mandou brasa: “Estamos aqui para mostrar que, enquanto eles reúnem mil pessoas para defender causas caras ao povo brasileiro, como a volta da ditadura e o ódio a nordestinos, nós reunimos cinco vezes mais por causas como reformas política e tributária”. Será mesmo? Então vamos ver.

Os petistas querem colar em gente decente, com o auxílio de setores da imprensa, a pecha de “golpista”. Há manifestações de protesto contra o governo Dilma marcadas para este sábado, dia da Proclamação da República, em várias cidades do país. A retórica truculenta de Boulos, um quadro que está sendo preparado por setores radicais do petismo, busca intimidar os que têm saído às ruas para protestar contra a roubalheira. Que coisa! Até parece que ele e sua clientela — e já explico por que recorro a essa palavra — representam a maioria no Estado ou na cidade. Não! As ideias que este senhor representa foram fragorosamente derrotadas. Se é de números que ele quer falar, então já perdeu.

Mas eu prefiro falar de vergonha na cara. Boulos, o autointitulado líder dos sem-teto, tornou-se o chefão da indústria de invasões de São Paulo, que está sob investigação do Ministério Público. Boa parte dos que compareceram ao evento são invasores de propriedades públicas e privadas que estão sob o controle do MTST. As pessoas são obrigadas a comparecer a atos assim porque ganham “pontos”. É… Existe até chamada! É preciso ser promovido na hierarquia da militância para se candidatar ao imóvel invadido.

Boulos opera hoje em parceria com a Prefeitura de São Paulo e com o governo federal. É um dos interlocutores do ministro Gilberto Carvalho. É com esses “movimentos” que o PT pretende intimidar os adversários e o Congresso para impor a sua reforma política. É a essa turma, que se comporta como tropa de choque, que o petismo pretende apelar se o seu governo for atropelado, como parece que será, pela leis.

Golpe
Os vigaristas ideológicos acusam os que protestam contra o governo Dilma de “golpistas”. É mesmo? E quem daria o tal golpe? Onde está a força armada? Quem vai tomar de assalto o poder? É ridículo!

Digamos que houvesse mesmo — e não há! — uma direita organizada no país. Por que seria legítimo “marchar” contra ela? Imaginem se alguém propõe uma marcha “contra a esquerda”. Logo, na imprensa, o ato seria chamado de “fascista”.

Distorção
A pantomima do senhor Boulos nasce, infelizmente, de uma distorção lamentável. Um único cartaz pedindo intervenção militar num ato de protesto bastou para que se tachasse o evento de “pregação golpista”. Repórteres da Folha e do Estadão conseguiram a proeza de entrevistar a mesma pessoa.

Ah, sim: li tudo o que a imprensa publicou sobre a manifestação de Boulos e da CUT. Vocês acreditam que, em meio a 7.500 pessoas — segundo a PM —, não havia um só cartaz inconveniente ou manifestante que dissesse uma bobagem? Nada disso! É só em protesto contra Dilma que se encontram pessoas dizendo coisas estranhas…

O tratamento dispensado a manifestantes que, volta e meia, saem literalmente botando fogo por aí é reverente e respeitoso. É essa a “mídia” que as esquerdas dizem ser “conservadora e de direita”.

Mera sugestão
Não tenho vocação para Boulos. Não sou pregador nem candidato a chefão de partido. Só opino. Protestem os que queiram protestar. É um direito assegurado pela Constituição. Façam-no sem hostilizar os que divergem do seu pensamento, respeitando a propriedade privada e pública, preservando o direito de ir e vir e dentro dos limites da legalidade. Coloquem na conta de sabotadores os que eventualmente procurarem encrenca ou defenderem intervenção militar.

Golpistas são aqueles que se apoderaram do Estado brasileiro ou para se locupletar ou em nome de seus delírios totalitários. Golpistas são aqueles que estão destruindo a Petrobras, que já foi, sim, patrimônio do povo brasileiro e hoje serve à causa privada de um partido.

Só para encerrar: nesta quinta, os esquerdistas já estavam na rua antes do fim da tarde. Um dos promotores era o MTST, que se diz “dos trabalhadores sem-teto”. O outro era a CUT, uma central de… trabalhadores. Pergunta de resposta óbvia: ninguém trabalha?

Vocês querem ver trabalhadores de verdade na rua? Talvez aconteça neste sábado.

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Criativo, governo inventou o déficit sem remorso

Sob Dilma Rousseff, o governo marchou sobre os cofres do Tesouro mais ou menos como a Cavalaria Americana avançou sobre os índios na conquista do Velho Oeste. Você imagina os EUA dando explicações sobre o massacre dos seus índios? Pois é. O Palácio do Planalto também estava muito ocupado cumprindo sua missão de conquistar a prosperidade para sentir remorso pelo extermínio do equilíbrio das contas públicas.

A caminho da reunião da cúpula do G20, na Austrália, Dilma refutou as críticas ao projeto que seu governo enviou ao Congresso para legalizar a irresponsabilidade fiscal que levará ao fechamento das contas públicas de 2014 no vermelho. “Dos 20 países do G20, que são as 20 maiores economias do mundo, 17 estão numa situação de ter déficit fiscal. Nós estamos ali, no zero”, festejou a presidente. Otimista, ela parece descrer da hipótese de o resultado ficar abaixo de zero.

Em entrevista à repórter Míriam Leitão, veiculada na noite desta quinta-feira (13), o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) reiterou comentários que ajudam a definir a estética do western do governo petista. Graças ao heroísmo desbravador de Dilma, o governo sacrificou a meta de superávit primário para “proteger a produção, o emprego e o chão da fábrica”.

Tomado pelo entusiasmo, Mercadante nem notou que alguma coisa lhe subiu à cabeça ao comentar a hesitação do Congresso em aprovar a proposta que desobriga o governo de produzir sobras de caixa para pagar os juros da dívida pública. “Se o Congresso não aprovar, não tem problema, podemos fazer o superávit primário”, disse o ministro. “É só suspender as desonerações [tributárias] e brecar os investimentos no país. Mas vamos colocar o resultado disso na conta do Congresso.”

Há no Congresso um sentimento antipetista que ultrapassa as fronteiras da oposição. Tomado pelas palavras, Mercadante deseja que essa aversão seja convertida num pró-petismo inocente, que aceite todas as presunções do governo a seu próprio respeito. Em matéria de política econômica, isso inclui concordar com a tese segundo a qual a gestão Dilma tem uma missão de inspiração divina. Portanto, indiscutível.

O estouro das contas não impedirá que o crescimento econômico fique próximo de zero em 2014. A gastança tampouco evitará que a inflação permaneça ao redor dos 6,5%, no topo da meta. A Petrobras, cujo conselho de administração foi presidido por Dilma, não consegue fechar um balanço trimestral, tamanha a roubalheira que se instalou na companhia desde o governo Lula.

Munido de autocritérios, porém, Mercadante acredita que Dilma —gestora impecável, potência moral— só deve explicações à sua própria noção de superioridade. O governo criou um novo tipo de déficit. O déficit sem remorso. Autocongratula-se e prepara o fechamento do ciclo. O Novo Mundo está conquistado. Falta só ajustá-lo. Se o Congresso cumprir o seu papel de aprovar tudo sem fazer muitas perguntas, quem haverá de se lembrar dos índios e das metas que a Cavalaria teve de sacrificar pelo bem do país?

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Flagrante de nudez em Brasília




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Blog do Reinaldo Azevedo

Ladrões nativos não conseguem impedir que roubalheira na Petrobras seja investigada nos EUA e na Holanda. É um vexame internacional! Ou: o estranho tempo da CGU

Que coisa! Muito ágil a Controladoria-Geral da União, não é mesmo? Vamos ver. Como vocês sabem, o Ministério Público da Holanda anunciou, nesta quarta-feira, que a empresa SBM Offshore foi multada em US$ 240 milhões por ter pagado US$ 200 milhões em propina para obter contratos em vários países, entre 2007 e 2011. O Brasil, claro!, está entre eles. A SBM é a maior fornecedora mundial de plataformas de petróleo e mantém contratos com a Petrobras que chegam a US$ 27 bilhões. A empresa confessou seus crimes cometidos mundo afora, inclusive em nosso país: pagou suborno a funcionários e intermediários da Petrobras estimados em US$ 139 milhões. Atenção! Não se trata mais de suspeita. É um fato. O criminoso confessou.

O vexame é gigantesco. O caso foi denunciado pela VEJA em fevereiro. Em março, a Petrobras concluiu uma apuração interna, em tempo recorde, e, acreditem!, não viu nada de errado. Nesta quarta, horas depois de o Ministério Público da Holanda ter anunciado a punição da SBM, eis que o ministro Jorge Hage vem a público para informar que a Controladoria-Geral da União também constatou irregularidades. É mesmo?

Não quero maldar! Mas acho a coincidência, para dizer pouco, estranha. O caso de corrupção só veio a público porque um ex-funcionário da SBM tentou chantagear a empresa em 3 milhões de euros para não contar o que sabia. Ela não aceitou, e o escândalo veio à luz, com uma penca de evidências. A Petrobras, no entanto, não encontrou nada de errado. Não me digam!

“Sem dúvida houve irregularidade no relacionamento entre a SBM e seus representantes no Brasil e a Petrobras”, afirma Hage. A empresa — leiam aqui — já disse que está disposta a colaborar com as investigações e se dispõe a fornecer informações à Controladoria.

Tchau, Graça!
Graça Foster, a presidente da Petrobras, tem um mal semelhante ao de sua chefe e amiga, a Dilma: como está com o ar sempre enfezado, passa a impressão de que tem razão ou de que pensa mais do que… pensa. Em maio, no Congresso Nacional, esta senhora negou que houvesse qualquer irregularidade na relação com a SBM e ainda lembrou que há contratos oriundos da era FHC. Ora, claro que sim! A empresa é a maior do setor. O ponto é outro: a corrupção admitida pela SBM se deu entre 2007 e 2011, quando o petista José Sérgio Gabrielli presidia a Petrobras.

O ar de severidade de Graça não me intimida. Ela deveria ter deixado a direção da empresa quando ficou claro que participara de uma conspirata para fraudar o funcionamento normal de uma CPI. Há agora mais um motivo — um escandaloso motivo.

Terceirizar o Brasil
Nessa toada, o nosso país ainda será salvo — ou, ao menos, conseguirá se livrar de certos problemas — em razão das leis vigentes em outras democracias. Foi preciso que a Price ameaçasse suspender a análise de balanço da Transpetro para que Sérgio Machado se afastasse da presidência da subsidiária da Petrobras. A estatal brasileira está sendo investigada hoje pelo órgão americano que regula as empresas que atuam em Bolsa nos EUA e por uma divisão do Departamento de Justiça. Se assarem pizza por aqui, ela não será assada por lá.

Agora, vemos a Holanda punindo uma empresa holandesa em razão de relações corruptas mantidas mundo agora, inclusive no Brasil. E só então a CGU anuncia que a investigação está chegando a algum lugar.

Será que é o caso de terceirizar o Brasil? Isso tudo explica por que tropa de choque do governo faz de tudo para sabotar a CPI, como voltou a fazer nesta quarta. O nome disso é medo.

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Lava-Jato: vêm a público e-mails que podem atingir Lula e Gabrielli. Não custa lembrar: segundo Yousef, o chefão do PT sabia de tudo

Na reportagem publicada pela VEJA no dia 24 de outubro, já havia a informação de que Lula, pessoalmente, havia ordenado que José Sérgio Gabrielli desse um “cala-boca” — isto e, pagasse propina — a uma agência de publicidade que ameaçava botar a boca do trombone e denunciar o esquema de roubalheira na Petrobras. A informação, como deixo claro a revista, era parte do conteúdo da delação premiada negociada pelo doleiro Alberto Youssef.

Pois é. Reportagem publicada nesta quinta pelo Estadão traz á luz e-mails que parecem reforçar a denúncia de Youssef. Leiam o que informam Por Ricardo Brandt, Fausto Macedo e Mateus Coutinho.
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A Polícia Federal está de posse de uma sequência de e-mails que reforçam a suspeita de que a agência de propaganda e marketing Muranno Brasil recebeu R$ 1,7 milhão do esquema de corrupção e propina na Petrobrás. Essa nova linha de investigação da Operação Lava Jato pode atingir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente da estatal petrolífera José Sérgio Gabrielli, citados pelo doleito Alberto Youssef como ordenadores do pagamento à Muranno. Os e-mails que a PF analisa foram trocados entre o empresário Ricardo Villani, dono da agência de propaganda, o ex-gerente de Comércio de Álcool e Oxigenados da Petrobrás Sillas Oliva Filho e outros funcionários da estatal, entre 2006 e 2009.

A Muranno foi apontada por Youssef como uma agência contratada pela Petrobrás com dinheiro não contabilizado. Credora de cerca de R$ 7 milhões, a Muranno teria pressionado o governo Lula para receber valores atrasados. O doleiro está fazendo delação premiada junto à força tarefa de procuradores da República que investigam a Lava Jato. Em 2010, segundo o doleiro, o dono da empresa teria ameaçado denunciar os esquemas de corrupção e propina na estatal controlado pelo PT, PMDB e PP e que abasteceu também o PSDB e o PSB.

Youssef afirmou que Lula soube da ameaça, na época, e teria determinado a Gabrielli que usasse o dinheiro “das empreiteiras” – denunciadas na Justiça Federal por causa das obras da refinaria Abreu e Lima – para resolver a pendência. O ex-presidente da Petrobrás teria procurado por Costa, que determinou a Youssef o pagamento. Segundo o doleiro, que aceitou dizer o que sabe em troca de redução de pena, foi ele quem pagou R$ 1,7 milhão à Muranno entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, a pedido de Costa.

No radar
A Muranno era alvo da Lava Jato desde agosto quando foi aberto um inquérito específico para apurar qual o envolvimento da agência no esquema de caixa-2 nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A agência de propaganda aparecia nos pagamentos registrados na contabilidade pessoal das empresas de fachada de Youssef e na quebra de sigilo bancário das empresas investigadas nas obras da Abreu e Lima.

No dia 9 de setembro Villani foi ouvido pela PF e confirmou que prestou serviços sem contrato entre 2006 e 2009 para a Petrobrás. Ele disse que em 2004 Oliva Filho o aconselhou a abrir uma empresa para fazer o marketing da Petrobrás em provas de corrida de automóvel nos Estados Unidos. Segundo ele, a Muranno foi criada especificamente para esses serviços, divulgação do etanol nas provas da Fórmula Indy.

Villani afirmou que tinha R$ 7 milhões a receber. Segundo ele, depois de se reunir pessoalmente com Paulo Roberto Costa – ainda diretor de Abastecimento da Petrobrás -, foi procurado por Youssef, que se identificou como “Primo” e providenciou os pagamentos de parte da dívida. Disse que procurou Costa depois que ele deixou a estatal, em 2012. Villani, que está sob suspeita da PF, afirmou ter recebido só uma parte do montante e que não procurou a Justiça para cobrar a Petrobrás porque nunca fez um contrato formal. Em 29 de outubro, confirmou ao Estado ter valores a receber, mas negou que era referente à propina. Disse que eram atrasados dos serviços prestados.

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Ô meu! Pare de choramingar e vá logo instalar uma caixa d´água. Ou: Estado-babá agora precisa avisar o neném que é preciso ter uma simples… caixa d’água? Tenham paciência!

Leio na Folha o seguinte título: “SP culpa consumidores por falta de água na madrugada”. O lead da reportagem é este: “O governo paulista está responsabilizando os moradores sem caixa-d’água pela rotina de torneiras secas durante as madrugadas em diferentes pontos da Grande SP.”

Aí a reportagem informa:
“Ontem (12/11), em sessão da CPI da Sabesp, na Câmara Municipal, o secretário estadual Mauro Arce (Recursos Hídricos) disse que o problema da falta de água “nasce principalmente na falta de atendimento” a uma norma técnica da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Na interpretação do governo, essa regulamentação obriga as pessoas a terem uma caixa-d’água em seus imóveis para permitir o abastecimento por 24 horas. O texto da norma, entretanto, não é tão taxativo. Os edifícios são realmente obrigados a instalarem caixas-d’água para um dia inteiro de consumo. Mas, para casas de menor porte, existe apenas uma recomendação de que sejam instalados reservatórios de 500 litros. (…) Após o depoimento na Câmara, ao ser questionado se o problema da falta de água ocorria pela ausência de caixas-d’água nas casas, o secretário disse: “Exatamente. [O problema] é a falta de caixa adequada. Muitas vezes tem caixa, mas não adequada”.

Não sei se o secretário usou a palavra “culpa” ou se isso foi, digamos, uma livre interpretação. Tendo a achar que foi livre interpretação.

Eu sempre estranhei essa história de morador reclamar de falta de água “de madrugada”. Pensava cá comigo: “Mas essa gente não tem caixa d’água?” Não! Moram em favelas, em acampamentos, em aglomerados sem nenhuma infraestrutura? Nada disso! São casas de padrão médio, regulares. Então o cara tem dinheiro para comprar celular e mandar filmes para o Fantástico sobre a “falta de água de madrugada”, mas não para instalar uma caixa d’água?

Que se reitere: o secretário não “culpou” ninguém. Esse é o tipo de imputação que vira título e vai parar em campanha eleitoral sem que o fato tenha acontecido. Mauro Arce, que é um homem público decente, explicou o óbvio: se a diminuição de pressão — e ela existe — leva a que falte água em alguns bairros (atinge 2% da população) e se não existe uma caixa d’água, então a casa ficará… sem água. Eureca!

Também na Folha leio o protesto de um cidadão: “Ninguém me avisou. Aí avisam isso só agora.” Que é isso, rapaz? O Estado-babá precisa agora avisar que é preciso ter uma caixa d’água? Você chegou à idade adulta, casou e se reproduziu sem saber que é preciso ter uma simples caixa d’água? Será necessário, em breve, criar a “Bolsa Caixa d’água”? Confesso que fico espantado com o esgar crítico da imprensa, não só da Folha, com a fala do secretário, como se ele estivesse sendo hostil ao consumidor ou fazendo uma exigência absurda. Não está.

A cultura da reclamação está gerando no Brasil o cidadão-bebê. . Logo será preciso dar comida na boquinha do indignado cidadão. Que é que há? Estamos gerando o povo gugu-dadá. Tenham paciência! Tentou-se decretar a todo custo que havia um racionamento de água, quando não há. Agora apareceu a questão da caixa d’água…

Ainda que a lei não obrigue alguém a ter uma caixa d’água — e me parece que obriga —, há coisas que são de bom senso, não é mesmo? O Estado não inventou o indivíduo. Os indivíduos é que inventaram o Estado. Continuam autônomos para agir em seu próprio benefício desde que não transgridam a lei. A imprensa precisa se preparar para a possibilidade de o povo, às vezes, estar errado, ser relapso. Nem sempre o governo é culpado.

Ô meu! Vá instalar uma caixa d’água e pare de choramingar! Estão vendo por que eu jamais serviria para ser um político ou um homem público? 

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Marta Suplicy volta a atirar em Dilma. Pobre Dilma!
Ricardo Noblat


Em Doha, no Qatar, de passagem para a Austrália, tia Dilma chamou dois jornalistas de “querido”. Isso é grave. Foi a primeira vez depois de reeleita que ela chamou jornalistas de “queridos”.

Quando a tia geralmente procede assim é sinal de que os jornalistas a irritaram. Ou seja: de que eles cumpriram com sua obrigação – a de perguntar sem temer a reação do entrevistado.

A ex-ministra Marta Suplicy, da Cultura, aproveitou a ausência de Dilma no Brasil para divulgar sua carta de demissão. Um dos parágrafos da carta foi especialmente venenoso. Este:

- Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente e experiente, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo (...)

Quer dizer: Marta não considera a atual equipe econômica nem independente nem experiente porque depende de... Dilma, a que centraliza poderes. Assim como considera o governo carente de confiança e de credibilidade.

O primeiro jornalista chamado de “querido” por Dilma perguntou sobre o que ela achara do tom crítico da carta de demissão de Marta. Dilma respondeu de cara feia:

- Meu querido, esta é uma opinião dela. Eu acho que as pessoas têm direito de dar opinião. Eu não acho nem A, nem B.

O segundo jornalista chamado de “querido” por Dilma perguntou sobre a eventual participação de Lula nas decisões dela. Dilma respondeu de cara mais feia ainda:

— Meu querido, me desculpa, mas não tem cabimento isso.

Não tem cabimento o quê? Lula participar de decisões que Dilma toma ou tomará? Ou não tem cabimento a pergunta do jornalista?

Foi visível o empenho de Dilma em tentar levar os jornalistas na conversa. Quando perguntaram se conhecera o conteúdo da carta antes de voar para Doha, ela respondeu:

- Eu conversei com a ministra, e nós acertamos a saída. Ela falou para mim, tem mais de um mês que isso está acertado.

Ou seja: os jornalistas perguntaram uma coisa e Dilma respondeu outra. Como de praxe. Por fim, Dilma negou que tenha ficado incomodada com o episódio. E disse que seria “uma injustiça com a ministra” afirmar ou sugerir dizer que ela esperou a viagem para devolver o cargo.

Em entrevista à jornalista Cristiana Lôbo, da GloboNews, Marta confirmou que pediu demissão com Dilma em viagem. E justificou:

— Bom, porque eu sou uma mulher independente. Sempre tive isso de determinação e coragem para fazer o que eu acho que tem que ser feito.

Sobre o parágrafo venenoso de sua carta, Marta não se esquivou:

— Eu sou paulista e São Paulo sente as agruras dessas dificuldades econômicas que o Brasil está vivendo.

Pobre Dilma! Como estão sendo duros com ela!

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Aliados cobram caro para deixar Dilma descumprir a meta de superávit fiscal

A crise fiscal do governo Dilma Rousseff deu ao atual Congresso uma sensação de utilidade que deputados e senadores não esperavam ter neste final de legislatura. Acompanhada de um discurso de beco sem saída, a crise valorizou o voto dos congressistas. E os aliados do Planalto pretendem cobrar caro por isso. Condicionam a aprovação do projeto que autoriza o governo a descumprir a meta de superávit de caixa a acertos que vão da composição do ministério à escolha do próximo presidente da Câmara.

Dilma não aproveitou as oportunidades que teve nos quatro anos do seu primeiro mandato para demonstrar compromisso com a austeridade fiscal. E acabou se tornando a oportunidade que seus apoiadores aproveitam a um mês e meio do início do segundo mandato. Radicalizada, a oposição se organiza para obstruir a votação dos remendos que Dilma quer fazer na Lei de Diretrizes Orçamentárias. A presidente está à mercê dos múltiplos interesses dos partidos que compõem sua base congressual. De resto, terá de negociar até com os cerca de 230 deputados que não se reelegeram.

A crise deu meia-sola no PMDB. Súbito, os operadores políticos de Dilma passaram a achar, por exemplo, que Eduardo Cunha não é 100% desprezível. Incorporaram-no às reuniões em que são traçados os planos para aprovar o que Dilma necessita. Líder do partido do vice-presidente Michel Temer na Câmara, Cunha pode ajudar muito. Desfruta da confiança da grossa maioria de sua bancada. Mas espera que Dilma pare de ser um estorvo à sua pretensão de tornar-se presidente da Câmara a partir de fevereiro de 2015.

Nesta quarta-feira, Eduardo Cunha reuniu sua tropa para discutir a proposta que, na prática, deixará o governo livre da obrigação de ter que fazer economia de gastos para pagar os juros da dívida pública em 2014. Terminada a reunião, o deputado falou não sobre a Lei de Diretrizes Orçamentárias, mas sobre sua candidatura ao comando da Câmara. Foi como se fizesse questão de juntar as duas coisas. “A partir desse momento, minha candidatura é irremovível“, disse.

Um cacique do PMDB desenhou o quadro para o blog: “O governo vai precisar dialogar muito. E tem que fazer isso logo. O dia 31 de dezembro está mais próximo do que parece. Dilma não faz restrições à recondução de Renan Calheiros ao comando do Senado. Diante disso, querer barrar Eduardo Cunha na Câmara era uma esquisitice. Agora, é burrice.”

Outro morubixaba pemedebista declarou que nem só de Eduardo Cunha são feitas as inquietações do PMDB. “Quis o destino que as necessidades fiscais da presidente coincidissem com a fase de remontagem do governo. A Dilma terá de motivar os partidos, não o contrário.”

O analista do PMDB prosseguiu: “Na montagem do governo, o PT quer o Ministério de Minas e Energia, que hoje é do PMDB do Senado. O PT já tem 17 ministérios. E não abre mão de nada! O PT tem as melhores pastas: Educação, Saúde, Desenvolvimento Social, Fazenda, Planejamento… Seria bom compartilhar.”

A crise fiscal de Dilma é boa para quem precisa limpar reputações. Responsável pela nomeação do ex-diretor de Abastecimento da Petrobas Paulo Roberto Costa, hoje um corrupto confesso, o PP acompanhava com preocupação as articulações do Planalto para retirar o Ministério das Cidades dos seus domínios, entregando-o a Gilberto Kassab, presidente do PSD. Hoje, o PP avalia que Dilma talvez não se anime a desafiá-lo. Uma deserção rumo às falanges oposicionistas pode representar a derrota do governo. “O partido não precisa nem se interessar em prejudicar o governo”, explicou um deputado da legenda. “Basta que se desinteresse de ajudar.”

O senador pernambucano Humberto Costa, combativo líder do PT, incluiu num discurso pronunciado nesta quarta-feira (12) algo muito parecido com uma ameaça. Disse que, sonegando a Dilma a alteração das regras do superávit fiscal, os congressistas podem esquecer as emendas que costumam pendurar no Orçamento da União para destinar verbas aos seus redutos eleitorais. Insinuou que esse dinheiro seria passado na lâmina pela Fazenda. Se fosse um personagem do famoso comercial de tevê, o senador ouviria: “Sabe de nada, inocente!”

A crise fiscal de Dilma deu novo alento às mais de duas centenas de deputados federais que não foram reeleitos no pleito do mês passado. Todos têm emendas orçamentárias pendentes de liberação. Já não esperavam ganhar nada. Perceberam que não têm nada a perder. O governo tem pressa em aprovar os ajustes na LDO. Seus aliados, nem tanto.

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Enfim, o diálogo!




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Blog do Josias

Cassação de Vargas deve ir a voto em 13 dias COMENTE
Josias de Souza 12/11/2014 06:38


O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, comunicou a caciques do PT que não pretende apressar nem retardar a chegada do pedido de cassação de André Vargas ao plenário da Câmara. Submeterá o companheiro aos rigores do regimento. Estima que o processo entrará na pauta em 13 dias.

Após seis tentativas frustradas, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara conseguiu votar o recurso no qual Vargas alegava cerceamento de defesa. Em votação simbólica, a petição foi rejeitada. Nesta quarta (12), a decisão deve chegar à mesa de Henrique Alves. Ele mandará publicar no Diário do Congresso.

Nesta quinta-feira (13), a partir da publicação, o regimento manda que sejam contadas duas sessões ordinárias. Entre quinta e segunda-feira não costuma haver quórum nas sessões da Câmara. Assim, o prazo de 48 horas só deve começar a ser contado na próxima próxima terça-feira (18), expirando na quarta (19).

Em tese, os deputados poderiam votar o pedido de cassação já no dia seguinte. Mas a falta de quórum, de novo, empurrará a encrenca para a terça seguinte, dia 25 de novembro.

Quem quiser salvar o mandato de André Vargas, acusado de traficar influência em troca de favores monetários do doleiro Alberto Youssef, terá de levar a cara à vitrine. O voto será aberto. Não é por outra razão que a defesa de André Vargas deve tentar melar a votação pela via do Judiciário.

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Déficit sujeita Dilma a crime de responsabilidade

Às voltas com o primeiro rombo em suas contas desde que o Plano Real deu ao país uma moeda estável, o governo montou uma operação de guerra para aprovar no Congresso o projeto que autoriza Dilma Rousseff a descumprir a meta de economia nas despesas para pagamento das dívidas públicas. Fez isso por uma razão singela: se a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não for modificada, a presidente da República estará sujeita a ser processada por crime de responsabilidade. Algo que, no limite, pode custar-lhe o mandato que acaba de reconquistar nas urnas.

Editada sob Fernando Henrique Cardoso, a Lei de Responsabilidade Fiscal (número 101/2000) define em seu artigo 4º que um dos objetivos da LDO é a obtenção do “equilíbrio entre receitas e despesas”. O parágrafo 1º desse mesmo artigo anota: “Integrará o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias anexo de metas fiscais, em que serão estabelecidas metas anuais, em valores correntes e constantes, relativas a receitas, despesas, resultados nominal e primário e montante da dívida pública, para o exercício a que se referirem e para os dois seguintes.”

Na hipótese de descumprimento da meta de superávit primário, nome técnico da economia de gastos, a irresponsabilidade fiscal levaria Dilma a flertar com a lei que define os crimes de responsabilidade (número 1.079/1950). A encrenca está esboçada no capítulo VI dessa lei, que trata “dos crimes contra a lei orçamentária”. No artigo 10º, estão enumerados os “crimes de responsabilidade contra a lei orçamentária”. No item 4 desse artigo lê-se: “infringir, patentemente, e de qualquer modo, dispositivo da lei orçamentária.” A pena máxima seria o impeachment. “O quadro é muito delicado'', dizia na noite passada, em privado, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves. “O governo precisa calçar as sandálias da humildade.''

É para evitar que a infração se torne patente que o governo pega em lanças. A caminho da Austrália, onde participará da reunião dos países do G 20, Dilma delegou ao vice Michel Temer, no exercício da Presidência, a tarefa de coordenar as falanges governistas no Congresso. Nesta terça-feira (11), Temer realizou uma maratona de reuniões que começou pela manhã e se prolongou até o meio da noite. No Congresso, a oposição se equipa para dificultar o que já não parece fácil.

Para 2014, a LDO fixou a meta de superávit primário, como é chamada a economia de gastos públicos, em R$ 116 bilhões. Nessa versão original, a LDO já contém um refresco: antevendo a dificuldade que teria para poupar despesas, o governo arrancou do Congresso autorização para descontar da meta de superávit até R$ 67 bilhões. Deu-se, porém, um desastre. O Tesouro acumulou até o mês de setembro um déficit de mais de R$ 15 bilhões.

Diante da evidência de que a meta anual de superávit foi para as cucuias, o Planalto pede ao Congresso autorização para descontar da meta, sem limites, todos os investimentos que fez em obras do PAC e 100% da perda de receita que teve com as desonerações tributárias. Numa conta fechada em outubro, essas duas rubricas somavam R$ 130,4 bilhões.

Quer dizer: em vez de descontar da meta de superávit os R$ 67 bilhões já previstos na LDO, o governo poderia abater R$ 130,4 bilhões. Considerando-se que essa cifra é superior à própria meta de R$ 116 bilhões, a manobra livraria Dilma da pecha de irresponsável fiscal mesmo se o ano de 2014 terminasse com as contas no vermelho.

Na conversa mais importante que teve ao longo do dia de ontem, Temer reuniu em seu gabinete os ministros Aloisio Mercadante (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Relações Institucionais); os presidentes da Câmara e do Senado, Henrique Eduardo Alves e Renan Calheiros; além dos líderes do PT e do PMDB nas duas Casas legislativas. Nessa conversa, o governo esboçou o mapa da guerra. O Planalto quer aprovar a manobra que livra Dilma de problemas legais até a semana que vem.

Para que isso aconteça, o projeto precisa passar, primeiro, pela Comissão de Orçamento. Depois, terá de ser aprovado numa sessão conjunta do Congresso, com deputados e senadores. Lero vai, lero vem Temer e seus interlocutores se deram conta da existência de um entrave adicional: há na fila do Congresso 38 vetos presidenciais pendentes de apreciação. Eles trancam a pauta. Significa dizer que nada pode ser votado antes que os parlamentares decidam derrubar ou manter os vetos da presidente.

Renan Calheiros, que acumula as atribuições de presidente do Senado e do Congresso, convocou para as 19h desta quarta-feira (12) uma sessão para deliberar, a toque de caixa, sobre as quase quatro dezenas de vetos. Ao farejar o ritmo de toque de caixa, a oposição anunciou que levará o pé à porta, obstruindo as atividades legislativas.

Líder do DEM, o deputado Mendonça Filho (PE) discursou da tribuna, na noite passada: “O presidente do Congresso [Renan] anunciou para esta quarta a votação de vetos. Nós não vamos votar! De repente, o Congresso se reúne para votar vetos. Qual o propósito dessa votação dos vetos amanhã? Desobstruir a pauta do Parlamento para permitir que a presidente da República altere a Lei de Diretrizes Orçamentárias… Não! Descumpriu a lei orçamentária, descumpriu a LDO, desmoralizou o Congresso… , o governo terá de assumir as consequências dos seus atos irresponsáveis.”

No Senado, o líder do PSDB, Aloysio Nunes Ferreira (SP), ecoou Mendonça Filho: “A divulgação desse estouro nas contas públicas vem agora confirmar que o governo é irresponsável na gestão das finanças públicas. E a presidente encaminha para o Congresso a confissão dessa falência, que é esse projeto de lei que pede, de certa forma, uma anistia ao Congresso: 'Olha, eu errei, gastei mais do que eu arrecadei, descumpri a lei, agora peço aos senhores congressistas que me perdoem'. Não, da nossa parte não terá perdão não. Vamos votar contra.”

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Deus me livre!



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Meus caros, o assunto é meio chato, com aquela numerália toda, mas é importante. Vou falar aqui de um governo fora da lei.

As gestões de Miriam Belchior e Guido Mantega à frente, respectivamente, dos ministérios do Planeamento e da Fazenda foram tão ruinosas porá o país que mereciam, sim, ser coroadas com a patuscada desta terça-feira. O governo enviou ao Congresso uma revisão da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2014 — sim, estamos em meados de novembro — que simplesmente não prevê meta fiscal nenhuma. Dilma quer uma carta branca do Congresso. Dilma pensa que é Kim Jong-un, o ditador da Coreia do Norte. Em matéria de Orçamento, ela promete fazer o máximo e pronto! Tá bom pra vocês? Eis aí a mandatária que disse em entrevista recente que pretendia fazer a lição de casa. Há muitos anos não se via um padrão tão baixo de governança pública. Vamos entender algumas coisinhas.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias, conforme estabelece o Artigo 165 da Constituição, compreenderá “as metas e prioridades da administração pública federal, incluindo as despesas de capital para o exercício financeiro subsequente, orientará a elaboração da lei orçamentária anual, disporá sobre as alterações na legislação tributária e estabelecerá a política de aplicação das agências financeiras oficiais de fomento.” É coisa importante. Deveria ser ao menos.

O Executivo tem de mandar a proposta de LDO ao Congresso até o dia 15 de abril, e a ela tem de ser aprovada até 30 de junho — ou o Parlamento nem entra em recesso. Será que o governo pode simplesmente mandar a LDO às favas, prometer superávits que não cumpre, ignorar prioridades aprovadas pelo Poder Legislativo, manobrar os números como lhe der na telha?

Se a lei serve para alguma coisa, a resposta é não! A Lei 1.079 é explícita na Alínea 4 do Artigo 10. É crime de responsabilidade “Infringir, patentemente, e de qualquer modo, dispositivo da lei orçamentária.” E é precisamente isto o que está a fazer o governo Dilma, nos estertores do seu primeiro mandato. Sim, estamos falando de um governo fora da lei. Só para lembrar: se a Câmara aceita uma denúncia de crime de responsabilidade contra o chefe do Executivo, ele é obrigado a se afastar do poder.

Sigamos com a legislação. O Artigo 2º da Lei 12.919 Lei 12.919, que é a da LDO de 2014, estabeleceu que o governo faria um superávit primário neste ano de R$ 116,072 bilhões. Já era um número para inglês ver porque o Artigo 3º desse mesmo texto permitia que essa meta pudesse ser reduzida em até R$ 67 bilhões, valor relativo ao Programa de Aceleração do Crescimento e a desonerações de tributos. Na prática, portanto, o superávit obrigatório passou a ser de R$ 49,072 bilhões. Que já havia sido estropiado, diga-se, porque o governo já havia reduzido esse montante com outros abatimentos da ordem R$ 35 bilhões. Logo, o superávit que se buscava, na prática, era de R$ 14,72 bilhões. Acontece que, nos nove primeiros meses do ano, a gestão Dilma conseguiu foi produzir um déficit primário de R$ 15,7 bilhões.

Então chegou a hora de fazer a mágica. Prestem atenção para o truque vigarista: em vez de descontar apenas R$ 67 bilhões daquela meta inicial de R$ 116,072 bilhões, o governo enviou uma emenda à LDO que permite o desconto de total gasto com o PÀC e com as desonerações, o que somava, até outubro, R$ 130,4 bilhões. É claro que esse valor vai aumentar.

Entenderam como se faz uma mágica contábil e se transforma déficit em superávit? Sim, ouvinte, note que, até outubro, PAC e desonerações já somam um valor maior do que aquilo que deveria ter sido economizado. Estima-se que esses dois itens, somados, possam chegar a R$ 167 bilhões em dezembro. Pelo novo critério, o governo pode chamar isso de superávit, embora a dívida pública não tenha sido abatida em um tostão.

Um país não pode permitir um governo fora da lei. O Brasil sairia ganhando se Dilma admitisse o déficit. Ao Congresso, restaria fazer a esta altura o quê? Teria de aprovar a emenda à LDO. É claro que seria um desgaste político, mas o governo se pareceria menos com um circo mambembe. O que não é aceitável é a mentira.

É assim que Dilma pretende recuperar a confiança dos agentes econômicos? O governo enviou uma proposta ao Congresso pedindo autorização para jogar no lixo o Artigo 165 da Constituição. Se a proposta for aprovada, entendo, cabe recorrer ao Supremo com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade. E Dilma, de resto, incorre em crime de responsabilidade, conforme dispõe a Lei 1.079. Estou sendo muito severo? Não! O governo é que passou de todas as medidas.

Assuma o déficit, presidente! Admitir o vexame não é vexame maior do que perpetrá-lo, tentando, adicionalmente, ignorar a Constituição.

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Novo drible fiscal do governo é ‘balde de água fria’ para 2015, dizem economistas

Por Luis Lima e Naiara Infante Bertão, na VEJA.com. Voltarei ao assunto.
A proposta de mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) apresentada pelo governo nesta terça-feira foi encarada com frustração por economistas e analistas de mercado. Caso seja aprovada no Congresso, a medida retira o limite para que sejam abatidos da meta fiscal os gastos com o PAC e as desonerações. O valor teto, atualmente, é de 67 bilhões de reais. A meta de superávit fiscal é a economia que o governo deve fazer anualmente para o pagamento dos juros da dívida. Uma forma de, digamos, economizar menos, é tirar da conta os gastos com o PAC e as desonerações. Com o limite para abatimentos, o governo se via forçado a fazer esforço fiscal. Sem ele, terá mais espaço para gastar.

Tudo indica que o governo conseguirá aprovar as mudanças, tendo em vista que a base aliada já foi convocada pelo presidente em exercício, Michel Temer, para votar a favor. Segundo especialistas ouvidos pelo site de VEJA, a medida joga um “balde de água fria” nos que tinham qualquer expectativa que o ano de 2015 pudesse trazer maior credibilidade fiscal. Com a nova manobra, o governo pode acumular um déficit primário até o final do ano e usar esse desconto do PAC e das desonerações, que soma 130 bilhões de reais, para anular o fato de não ter economizado. “Isso é muito ruim, pois mostra que o governo não avaliou todos os riscos dessa politica de conceder desonerações. Elas começaram em 2009 de forma modesta, com a crise, e se seguiram desde então. O governo não soube avaliar os riscos envolvidos, e seguiu na armadilha. Ele não tem receita primária suficiente para pagar todos os compromissos, inclusive os juros da dívida pública. É um péssimo sinal para os credores dessa dívida, pois mostra que a capacidade de pagamento, a solvência, é preocupante”, afirma o economista Gabriel Barros, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

A avaliação dos economistas é de que, por mais que as contas fechem no azul, a qualidade do resultado será muito pior. “É um precedente ruim para o ano que vem. Esses sinais contraditórios de longa data criam essa espiral negativa de credibilidade”, diz Barros. Para o economista Raul Velloso, um dos maiores especialistas em contas públicas do país, a medida é mais uma forma de jogar a meta fiscal “no lixo”. “O que o governo fez foi o seguinte: pegou o termômetro, mediu a febre e, em vez de enfrentar a doença, jogou o termômetro no lixo”, diz. Desde o início do governo Dilma, o economista bate na mesma tecla: seria melhor assumir uma meta fiscal mais baixa, mas crível, do que enganar o mercado com metas impossíveis para um governo que se mostra incapaz de fazer ajuste fiscal. “É um problema de postura que contamina a gestão não só hoje, mas também no futuro”, afirma.

Os economistas concordam que a situação fiscal do Brasil não é a pior da história, mas temem que possa haver problemas graves devido à falta de confiança que medidas como essa possam suscitar nos credores da dívida. “É fundamental uma boa sinalização, porque interessa a muitos as expectativas das trajetórias. É preciso sinalizar metas críveis para que as expectativas se cumpram”, afirma Lauro Gonzalez, professor de Finanças da FGV.

Se aprovada, a mudança deve impactar, também, nas expectativas das agências de classificação de risco em relação ao Brasil. “Toda mudança brusca, ainda mais se tratando de meta e projeções, tem de estar atrelada à credibilidade daquele governo. Quando a projeção não se mostra verdadeira, a credibilidade fica reduzida”, afirma o advogado Fernando Vianna, do escritório Siqueira Castro. A nota de crédito brasileira tem perspectiva negativa, o que significa que o país pode perder o grau de investimento na reavaliação de nota feita pelas agências em 2015. O principal fator para a mudança de perspectiva da nota no primeiro semestre deste ano foi a conduta fiscal do governo Dilma. As agências pedem uma sinalização de ajustes. O que receberam, até agora, foi o contrário.

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O TCU e o tamanho do escândalo na Petrobras: não vamos misturar alhos com bugalhos. Ou: Um Brasil que se move nas sombras. Ou ainda: Tribunal alertou o governo, e nada aconteceu

Augusto Nardes, presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou que o escândalo da Petrobras — ou a soma de escândalos — é o maior jamais apurado pelo tribunal. Ele nem precisava ter dito isso, é claro! Nós já sabíamos! E, convenham, isso é o que veio a público até agora. O conjunto soma R$ 3 bilhões. Eis aí a evidência de que os ladrões perderam a modéstia no Brasil, não é mesmo?

Atenção: nesses R$ 3 bilhões não estão os US$ 792 milhões — sim, setecentos e noventa e dois milhões de dólares — de prejuízo com a desastrada compra da refinaria de Pasadena. O ministro se refere a irregularidades constatadas nas refinarias Abreu e Lima; em Pernambuco; Duque de Caxias (Reduc), no Rio; e Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná.

Atenção! É bom não confundir alhos com bugalhos. O Decreto 2.745, de 1998, permite à Petrobras contratar empresas na modalidade “convite”, sem se subordinar à Lei de Licitações. O TCU já multou a estatal várias vezes, que fez o óbvio: recorreu ao Supremo. Afinal, existe uma lei que permite o procedimento. A questão está parada no STF.

Os R$ 3 bilhões apontados pelo tribunal nada têm a ver com essa questão que envolve a Lei de Licitações. A soma apontada por Nardes diz respeito a evidências de outras irregularidades. Não custa lembrar que, segundo depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, Abreu e Lima era um dos empreendimentos, digamos, favoritos da quadrilha.

Avisou
Na entrevista coletiva que concedeu, Nardes diz ter advertido o governo sobre as irregularidades na Petrobras. Citou explicitamente o nome da então ministra Gleisi Hoffmann como uma das interlocutoras. Nada foi feito. Gleisi, não custa lembrar, é acusada de ter recebido R$ 1 milhão do esquema para financiamento de campanha. Ainda na gestão Lula, o tribunal recomendou a suspensão de recursos para as refinarias Abreu e Lima e Comperj. O parecer foi aprovado pelo Congresso, mas Lula vetou e mandou tocar as obras. O resultado está aí. Só nesses dois empreendimentos, as irregularidades apontadas chegam a R$ 2 bilhões.

De fato, caros leitores, nunca antes da história deste país houve uma roubalheira nessa dimensão. Já se sabe, também, que mensalão e petrolão eram duas das cabeças da hidra. Por que a gente deveria supor que o padrão de governança em outras estatais era diferente? Afinal, as nomeações para cargos de confiança obedecem à mesma lógica política. E sempre nos cabe a pergunta óbvia, de resposta igualmente óbvia: por que um partido político faz tanta questão de ter a diretoria de uma estatal? Que tipo de, digamos, cultivo ideológico ele pode fazer por lá? Ninguém dirige uma estatal para divulgar ideias, não é mesmo?
O escândalo pantagruélico da Petrobras evidencia que existe um país que se move nas sombras. E agora Dilma Rousseff e Gleisi Hoffmann devem explicações: foram ou não foram alertadas pelo Tribunal de Contas da União..

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Tiro ao alvo em Dilma
Ricardo Noblat

Desconstruindo o episódio da saída de Marta Suplicy do Ministério da Cultura:

Ela e Dilma nunca se deram bem. Dilma tolerava Marta, indicada para o cargo por Lula. Marta tolerava Dilma porque não tinha outro jeito. Ou melhor: tinha, caso ela quisesse retornar ao Senado, para onde foi eleita. Mas ela não queria retornar. Retorna porque não tem outro jeito.

Marta foi uma das estrelas do PT que mais se bateram pela candidatura de Lula a presidente, este ano. Não escondeu seu empenho. Dilma viu e não gostou. Se Marta não tivesse pedido demissão, acabaria demitida.

Por que Marta não esperou para sair junto com outros ministros que sairão do governo? Porque não queria que sua saída se misturasse com as deles. Saindo antes, ganharia mais espaço na mídia.

Marta mandou sua carta de demissão depois que Dilma viajou ao exterior para não ter que entregá-la pessoalmente. Queria evitar o último contato com a presidente na condição de sua subalterna. E marcar publicamente sua insatisfação.

Para completar, Marta incluiu um parágrafo venenoso em sua carta de demissão. Nele, deseja que Dilma escolha uma equipe econômica independente e de experiência comprovada. Isso quer dizer que a atual não é. E por que não é? Por culpa de Dilma, que não delega poderes.

De resto, uma equipe econômica independente ajudará o governo a resgatar a confiança e a credibilidade que lhe faltam, sugere Marta na carta. Quer crítica mais direta a Dilma? Anteontem, foi outro ministro, Gilberto Carvalho, quem criticou Dilma. De forma mais direta.

As críticas de Marta e de Gilberto a Dilma dão uma idéia do tremendo incômodo em que se transformou para o PT a presidente reeleita. Dilma resiste à indicação de ministros por Lula e pelo PT. Na semana passada, disse que não representava o PT e que o partido não lhe fazia a cabeça.

Como ficará o projeto do PT de se eternizar no poder caso Dilma não colabore?


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Blog do Noblat

Dilma, que demitiu Guido Mantega, é demitida por Gilberto Carvalho
Ricardo Noblat

Ainda no primeiro turno da eleição presidencial deste ano, Dilma anunciou que Guido Mantega, ministro da Fazenda, deixaria o governo mesmo que ela fosse reeleita. Mantega então virou um ministro demitido no exercício temporário do cargo. Original, por suposto.

E Dilma? O que virou depois que Gilberto Carvalho, ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, disse em entrevista à BBC Brasil que ela “avançou pouco” no atendimento das demandas dos movimentos sociais e se afastou dos “principais atores na economia e na política”?

Gilberto disse mais: faltou também “competência e clareza” ao governo para avançar na questão indígena. A presidente que tinha prometido ampliar o diálogo com a sociedade deixou de fazê-lo “da maneira tão intensa como era feito no tempo de Lula”.

Ou Dilma demite Gilberto, embora possa mantê-lo no governo até o fim do atual mandato, ou se arriscará a ser conhecida como a presidente que foi demitida por um dos seus ministros. Onde já se viu um ministro criticar de público a presidente a quem deveria servir com lealdade?

No caso de Gilberto, registre-se que ele é incapaz de dar qualquer passo importante sem consultar Lula. O PT já não esconde sua insatisfação crescente com Dilma. Acha que a vitória dela foi sua e de Lula antes de tudo. E que Dilma deve entender que está a serviço de um projeto político, e não de sua vaidade.

Lula assinaria embaixo do que Gilberto disse. E, se pudesse, iria além.

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Em entrevista a alguém mais esquerdista do que ele próprio, Carvalho critica Dilma, a sua chefe; prega que governo vá ainda mais para a esquerda e defende militância na rua contra o Congresso. Quem tem de ir para a rua é ele!

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, concedeu uma entrevista à BBC Brasil. O rapaz que o entrevistou está notoriamente à sua esquerda, e isso fez com que o petista parecesse até sensato às vezes. Na verdade, não se trata exatamente de uma entrevista, mas de um diálogo de fundo moral entre um jovem radical, o tal rapaz, e o velho militante, que já conhece a vida. Os fatos deixam de ter importância, e o que vale é a agenda. A quantidade de bobagens que há nas perguntas e nas respostas diz um tanto da qualidade de certa imprensa e da qualidade do governo. Mas cuido desses aspectos outra hora. Agora, quero dar relevo ao Gilberto Carvalho que milita contra Dilma Roussef.

A presidente tem alguns pepinos gigantescos pela frente, e é claro que ela sabe disso. Num cenário hoje realista, a economia pode crescer menos de 1% no ano que vem e com pressão inflacionária. Ninguém sabe o que vai sair da Caixa de Pandora da Operação Lava Jato. Pode estar sendo gestada a maior crise política desde a volta da democracia. As demandas sociais tendem a crescer, e a mandatária não tem mais folga fiscal para fazer milagres. Se não chover o suficiente, há risco de crise energética, que só não deu as caras porque o país parou de crescer. Será que dá para ter alguém como Gilberto Carvalho conspirando contra o governo na cozinha do Palácio do Planalto? Acho que não.

Na entrevista à BBC Brasil, o ministro não se fez de rogado. Aproveitando que falava a alguém ainda mais esquerdista do que ele próprio, com ainda mais viseiras, Carvalho se sentiu à vontade para criticar o governo Dilma na comparação com o antecessor. Afirmou: “O governo da presidenta Dilma deixou de fazer da maneira tão intensa, como era feito no tempo do Lula, esse diálogo de chamar os atores antes de tomar decisão; de ouvir com cuidado, e ouvir muitos diferentes, para produzir sínteses que contemplassem os interesses diversos. Há uma disposição explícita da presidenta em alterar essa prática.”

Ocorre que a farra que permitiu a Lula “dialogar” acabou. O modelo ancorado no consumo entrou em colapso, e o erro da presidente, ao contrário do que diz Carvalho, foi tentar insistir em mais do mesmo, em vez de mudar. Dilma não errou ao se afastar do modelo Lula. Ela errou foi em insistir no modelo Lula. Se Carvalho não estivesse apenas fazendo baixa política, estaria dizendo uma tolice. Burro ele não é.

Num país que viverá dias turbulentos na economia, Carvalho deixa claro que a sua agenda é exacerbar as questões indígena e agrária, por exemplo. Não só isso: ele quer também a militância na rua, atropelando e pressionando o Congresso. Leiam o que disse: “Outro aspecto é a governabilidade social. A eleição mostrou o quanto a militância social está disposta a ir para a luta. É um fator que teremos de trabalhar para fazer avançar processos, sobretudo a reforma política. Se não tiver rua, se não tiver mobilização, não tem nenhuma esperança de passar nesse Congresso.”

Entenderam por que, crescentemente, os deputados querem Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na Presidência da Câmara?

O governo tem hoje dificuldade para conseguir fazer com que o partido oficial consiga emplacar o presidente da Casa, e Carvalho, o secretário-geral da Presidência, está sonhando com modelos que levem as ruas a pressionar o Parlamento — tudo, aliás, conforme aquela resolução aloprada do PT.

Se Dilma não demitir Gilberto Carvalho e não isolá-lo, criando um cordão sanitário que o impeça de chegar no governo, ela vai se meter numa grande enrascada. Na entrevista, ele aproveita para pedir emprego: diz que continua no governo se for convidado. Indagado se poderia ir para alguma embaixada, brinca: “Só se for a do Afeganistão”.

Não precisa tanto. Dilma pode mandá-lo para o Cazaquistão. Quem sabe ele não se encontre com o Borat por lá.

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Depoimento de Youssef deixa claro que existiam vasos comunicantes entre mensalão e petrolão. Mais: a coisa assume dimensões de máfia mesmo. Quem é o “capo di tutti i capi”?

Dia desses, quem deitava falação num grande veículo da imprensa brasileira? Ele: Henrique Pizzolato. Para quê? Ora, para sustentar que o mensalão não existiu. Condenado a 12 anos e sete meses por peculato, que é roubo de dinheiro público, corrupção passiva e lavagem de dinheiro; foragido da Justiça brasileira; processado por ter entrado na Itália com documentos falsos, a palavra lhe foi franqueada para que desancasse a Justiça brasileira e as oposições, para cantar as glórias de Lula e do petismo e para bater no peito e jurar inocência. Logo, daremos a Marcola, o chefão do PCC, o direito ao “outro lado”. E vamos dar a outra face ao capeta. Tenham paciência!

Por que essa introdução? Porque não é só Pizzolato que jura que o mensalão não existiu. Repetem essa mesma ladainha Lula, a cúpula do PT e alguns colunistas que só não estão de joelhos porque é uma posição desconfortável para lamber os sapatos do petismo. Pois bem: algo importante se deu na 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná nesta segunda. Alberto Youssef, o doleiro enroscado na operação Lava Jato, não apenas confirmou a existência do mensalão — ninguém precisava dele para isso; é claro que existiu! — como demonstrou os vasos comunicantes entre aquele escândalo e o petrolão.

Atenção! Youssef já aparecia no escândalo do mensalão. Isso não é o novo. O depoimento desta segunda, diga-se, prestado ao juiz Sérgio Moro e ao procurador da República Roberson Pozzobon, é parte da ação penal em que o doleiro é acusado de ter lavado a origem ilícita de R$ 1,16 milhão recebido pelo então deputado José Janene (PP), já morto, no âmbito do mensalão.

O doleiro deixou claro que administrava com Janene uma espécie de conta conjunta. O dinheiro era distribuído, segundo ele, a “agentes públicos e políticos”, por orientação do deputado. Para tanto, usava um outro doleiro, Carlos Habib. Até aí muito bem. Prestem atenção agora ao ponto que interessa. O juiz Moro perguntou a Youssef qual era a origem do dinheiro. E ele respondeu: “Comissionamento de empreiteiras”. O juiz insistiu: “Decorrente de contratos com a administração pública em geral, propinas?”. E o homem confirmou: “Sim, senhor, excelência”.

Confirma-se, assim, aquilo de que sempre se suspeitou. Tudo o que ficamos sabendo do mensalão foi, para usar um clichê que eu detesto, mas que se faz inevitável, a ponta do iceberg; conhecemos, na verdade, apenas uma das cabeças da hidra. Como se percebe pelo depoimento de Youssef, o desvio do Fundo Visanet, do Banco do Brasil — da ordem R$ 76 milhões — não foi a única grana pública movimentada pelo mensalão.

Os dois esquemas de ladroagem tinham vasos comunicantes. O mais impressionante é que, enquanto uma das cabeças do monstro estava sob escrutínio, as outras operavam a todo vapor. Esse depoimento de Youssef é mais sério e importante do que parece. Sim, o mensalão existiu — e disso nós sabíamos. Existiu e movimentou mais dinheiro público do que estávamos informados. Espantoso é saber que a máfia não se intimidou nem com o processo que estava em curso no STF, tal era a certeza da impunidade.

E que se note, para arrematar: até agora, a gente não sabe quem era o “capo di tutti i capi”, o chefe dos chefes. Porque não se enganem: uma roubalheira dessa dimensão, com tantas frentes, que pode gerar desentendimentos entre os quadrilheiros, tem sempre alguém que bate na mesa para desempatar o jogo. Saberemos algum dia?

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CPIs da Petrobras suicidarão o instituto da CPI

Outrora valorizado, o instituto da CPI há muito caiu em descrédito. Vinha exibindo uma tendência suicida desde a CPI do Cachoeira. Nas duas CPIs da Petrobras, adotou um comportamento limite. Coisa de altíssimo risco. Com clara tendência à autodesmoralização. Os amigos da democracia devem alertar as CPIs sobre a gravidade da situação. Mas é preciso fazer isso com muito jeito.

Quanto mais criticam as Comissões Parlamentares de Inquérito, mais desmoralizadas elas ficam. Enfraquecidas, elas talvez não resistam aos instintos autodestrutivos. As petro-CPIs avacalharam-se. Mas isso só pode ser dito em voz muito baixa, quase sussurrada. Sob pena de o instituto da CPI se jogar do último andar do prédio de Niemeyer.

Inauguradas há seis meses, as CPIs deveriam apurar a roubalheira que transformou a Petrobras na maior produtora de lama do país. Em vez disso, seus integrantes chafurdaram na própria inoperância. Em maioria, os governistas avaliaram que uma CPI muito curiosa seria inconveniente para a reeleição. Duas CPIs sérias lançariam o Executivo na vala do descrédito na hora em que Dilma mais precisa de confiança.

A Petrobras é varejada em inquéritos, processos e delações que estão em andamento. Mas esses procedimentos correm longe das CPIs, que se limitam a fingir que investigam o já investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. As CPIs guerreiam pelos depoimentos prestados sob delação. E o STF: esqueçam! Só tomarão conhecimento depois que os ladrões forem denunciados.

Na semana passada, petistas e tucanos aproveitaram a ausência das delações para acertar o que não deveria ser investigado. Engavetaram-se requerimentos de convocação de políticos e operadores. A plateia concluiu que chamar de CPI uma comissão isenta de curiosidade seria o mesmo que chamar uma farsa de investigação.

Convertidas em alvos de si mesmas, as CPIs ganharam uma aparência de roleta russa. O que também é uma modalidade de suicídio, mesmo que na forma de um desafio à própria sorte. Após seis meses de teatro, as CPIs decidiram prorrogar suas atividades até 22 de dezembro. Para quê? Melhor não insistir na pergunta. Ninguém sabe como os suicidas podem reagir.

Nesta terça-feira, as duas CPIs voltam a se reunir. A do Senado, 100% governista, terá sessão pela manhã. Vão a voto meia dúzia de requerimentos irrelevantes. A última sessão do colegiado ocorrera em 16 de julho, há quase quatro meses. Nela, foi inquirido Glauco Colepicolo Legati, gerente-geral de Implementação de Empreendimentos da Petrobras.

Glauco Legati negara aos senadores que o entrevistaram a existência de superfaturamento nas obras da refinaria Abreu e Lima. Há quatro meses, quando soaram na CPI, suas palavras pareciam frágeis. Depois das delações, viraram pó. Pode-se dizer muita coisa sobre esse empreendimento, menos que nele não há superfaturamento.

A reunião da outra CPI da Petrobras, a mista, integrada por deputados e senadores, ocorrerá à tarde. A pauta inclui a votação dos requerimentos de convocação de Sérgio Machado e Renato Duque. O primeiro é presidente licenciado da Transpetro, a subsidiária naval da estatal. Indicou-o o todo-poderoso Renan Calheiros. O delator Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, disse ter recebido das mãos de dele R$ 500 mil em verbas sujas.

Duque, o segundo candidato a depoente, é ex-diretor de Serviços da Petrobras. Passou pelo cargo como afilhado do PT, para cujas arcas desviava parte da proprina amealhada junto a fornecedores da estatal, informaram os delatores Paulo Roberto e Alberto Youssef. Na noite passada, a bancada do governo, em maioria, cogitava negar quórum à reunião. Nessa hipótese, os requerimentos nem seriam apreciados. E a comissão continuaria girando em torno do nada.

Sempre que submetida a grandes assaltos, a plateia tende a concluir que até um simulacro de investigação parlamentar pode ser preferível a investigação nenhuma. Mas as duas CPIs da Petrobras parecem empenhadas em dar razão a todos os que olham para o Congresso e apostam no pior.

A essa altura, talvez seja tarde para tentar impedir que o instituto da CPI se mate. Convenhamos, o suicídio é uma coisa íntima. Melhor não se meter na vida —ou na morte— de ninguém. A essa altura, o melhor que poderia acontecer às CPIs da Petrobras seria mesmo o fim. Muitos se queixam das mortes prematuras. Mas ninguém reclama das mortes procrastinadas.

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Procura-se um subministro!




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Blog do Noblat

Do outro lado do espelho (Ou o começo do governo Aécio)
Ricardo Noblat

Os adversários de Aécio Neves passaram as últimas semanas de campanha alertando que ele faria no governo o que negava que fosse fazer. Nem por isso Aécio escreveu uma Carta ao Povo Brasileiro.

Uma vez eleito, contudo, esqueceu tudo o que disse, mas não escreveu, que não é bobo como foi Fernando Henrique. Ao cabo, avalizou o saco de maldades desembrulhado de imediato por seus auxiliares. Confira.

Armínio Fraga, ministro da Fazenda, aumentou a miséria extrema. Gente que vive com até R$ 70,00 mensais passou de 3,6% para 4% da população – mais 371 mil pessoas. Agora, os miseráveis são 10,5 milhões de brasileiros e brasileiras.

Na campanha, Aécio lembrou que a FAO havia tirado o Brasil do mapa da fome. Bobagem, claro, mas a FAO, órgão da ONU, é comandada por um companheiro dele e deu uma mãozinha.

No Banco Central, Neca Setúbal, a banqueira de Marina Silva e herdeira do Itaú, subiu a taxa de juro para 11,25% - o maior juro real do mundo. Com isso, a comida sumiu do prato das famílias mais pobres e as letrinhas dos livros escolares.

A PetrobraX aumentou os preços da gasolina e do diesel. Considerando que o frete é 30% do custo da comida, os preços no supermercado crescerão mais. Melhor substituir o ovo por alguma promoção de miojo com prazo de validade perto de vencer.

Aécio afirmou que vai “fazer a lição de casa” e combater a inflação - embora na campanha tenha dito que a inflação estava sob controle, mas era mentira só para ganhar a eleição, bobinhos.

Armínio mandou cortar gastos do governo, encolher os bancos públicos, conter benefícios sociais e aumentar o desemprego. Sim, porque vocês também lembram que Aécio observou na campanha que se baixasse a inflação o desemprego aumentaria.

A ANAEEL, aparelhada pelo PSDB, autorizou aumentos na conta de luz. Para os ricos do Rio, aumento de 20%; para os pobres do Norte, tipo Roraima, de 54%.

Quem mandou acreditar que a adversária é que faria tarifaço, não é? Deviam ter aprendido com o Collor, que disse na eleição de 1989 que Lula confiscaria a poupança. Deu no que deu. Daqui até 2018, tomem memoriol, queridos!

O Operador Nacional do Sistema do governo Aécio avisôôô, avisôôô, avisôôô que vai rolar racionamento de energia no verão, vai rolar! É que seca é seca e mané é mané: não chove na Cantareira do Alckmin, mas também não chove nos reservatórios das hidrelétricas. E reservatórios vazios não movem turbinas.

Sim, o desmatamento da Amazônia que Aécio dizia estar sob controle, disparou em agosto e setembro: devastados 1.626 km², aumento de 122%.

Mais herança maldita para azucrinar Aécio: devemos os tubos e conexões. As contas públicas de setembro tiveram o pior resultado da história com rombo de R$ 25,5 bilhões. É muito, mas não é. Na PetrobraX, surrupiaram sem contabilizar uns R$ 10 bilhões.

A balança comercial de outubro foi a pior desde 1998. Aécio acha, segundo Armínio, que a culpa é do povo que enricou e pegou mania de fazer as compras do mês em Miami. Por enquanto, era isso. Beijinho no ombro, caros leitores.

PS: Engulam o choro, levianos! Podia ser pior.

A vitória deles – aqueles “eles” lá do outro lado – seria um “retrocesso neoliberal”. Inclusive, o chefe da seita deles comanda sessões de “machismo, racismo, preconceito, ódio, intolerância e nostalgia da ditadura militar”, segundo recente resolução partidária.

Dizem até que degola bodes, mas aí já acho que é maldade dos nossos blogueiros progressistas.

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