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Deu nos Blogs


Ibope: mais gente REPROVA (48%) do que APROVA (47%) o modo como Dilma governa o país; boato de queda significativa de petista anima de novo os mercados

O Ibope divulgou nesta quinta uma pesquisa de intenção de voto par a Presidência da República. Os números são compatíveis com o levantamento mais recente do Datafolha. Quando Dilma é confrontada apenas com os principais oponentes, ela cai dos 43% que tinha em março para 39%; o tucano Aécio Neves oscilou de 15% para 16%, e Eduardo Campos, do PSDB, passa de 7% para 8%. Quando entram os candidatos de pequenas legendas, Dilma marca 37%; Aécio, 14%, e Campos 6%. Nesse caso, as candidaturas nanicas, somadas, passaram de 1% para 3%. Num eventual segundo turno contra o tucano, a petista caiu de 47% em março para 43% agora, e ele passou de 20% para 22%; contra o peessebista, ela vai de 47% para 44%, e ele, de 16% para 17%. A esta altura, no entanto, esses são os números e os fatos menos importantes.

Pesquisa Ibope Abril

Importante mesmo é outro dado: segundo o Ibope, mais gente desaprova o jeito de Dilma governar (passaram de 43% em março para 48% agora) do que aprovam (de 51% para 47%). Observem: em um mês, há aí um movimentação de 9 pontos contra a petista: ela tinha um saldo positivo de 8 e, agora, tem um saldo negativo de 1. Pode-se dizer, é verdade, que o eleitorado ainda descobre muito timidamente os candidatos de oposição, mas a queda de prestígio de Dilma é evidente. E não é menos verdade que essa desaprovação está começando a corroer os seus votos.

De novo, euforia
Ontem, circulou forte o boato de que uma pesquisa do Ibope indicaria uma queda significativa de Dilma. Mais uma vez, a reação foi de euforia. O Ibovespa reagiu. Na máxima, o índice chegou a subir 2,22%. No fechamento, a alta foi de 1,78%, aos 52.111 pontos. O giro financeiro foi de R$ 5,8 bilhões.

Agora é assim: mesmo quando Dilma cai muito no boato, o mercado sobe de fato. É curiosa a reação. A sensação evidente é mesmo a de que o governo, este governo, atrapalha o país. Que coisa, né? A simples perspectiva de que Dilma não se reeleja enche o Brasil de um ânimo novo. Por que será?

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Após 52 assassinatos em dois dias, PM da Bahia põe fim à greve

Por João Pedro Pitombo e André Uzêda, na Folha:
Policiais militares da Bahia encerraram ontem a greve da categoria, após quase dois dias de paralisação. A greve foi acompanhada por uma explosão da violência na Grande Salvador, a região mais afetada. Houve saques e ao menos 52 pessoas foram assassinadas em 46 horas, mais de uma por hora. A média diária na região metropolitana de Salvador é de cinco casos. A população sofreu com transtornos: ônibus deixaram de circular, lojas fecharam e eventos foram cancelados.

O movimento também expôs mais uma vez a relação delicada entre a PM baiana e a gestão Jaques Wagner (PT). Foi a segunda greve da PM em pouco mais de dois anos. Como na paralisação anterior, o líder foi o soldado Marco Prisco, agora vereador em Salvador pelo PSDB, eleito na esteira da visibilidade alcançada em 2012 e pré-candidato à Assembleia Legislativa.

Wagner, que apontou interesses “eleitorais” no movimento, negou que tenha cedido a pressões. “O que foi assinado hoje [ontem] é praticamente igual ao ofertado antes da greve”, disse. A PM reivindicava aumentos das gratificações, garantias de progressão de carreira e sanções mais brandas no novo código de ética da corporação, entre outros pontos.

O governo aceitou elevar gratificações e abrir nova discussão sobre código de ética e plano de carreira. Também disse que vai rever processos contra PMs da greve de 2012. “Pensamos muito mais na sociedade, que paga nossos salários”, afirmou o soldado Prisco, após cerca de mil policiais aprovarem o fim da greve em assembleia.
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Petrobras – Empreiteiras que atuam da refinaria Abreu e Lima repassaram R$ 31 milhões a firmas de doleiro

Por Mário Cesar Carvalho, na Folha:
Uma planilha apreendida no escritório do doleiro Alberto Youssef, preso em março sob acusação de comandar um esquema de lavagem de dinheiro, aponta um dos modos como empreiteiras podem ter pago propina a agentes públicos para firmar contratos com a Petrobras, segundo a Polícia Federal. O documento registra o repasse de R$ 31 milhões por dois consórcios e uma empresa a firmas controladas pelo doleiro Youssef. As empreiteiras citadas na planilha foram contratadas para a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, a obra mais cara da Petrobras atualmente.

 Trata-se dos consórcios CNCC (formado por Camargo Corrêa e Cnec) e Conest (Obebrecht e OAS) e a Jaraguá Equipamentos. À Folha, todas negam ter negócios com as empresas de Youssef. Mas, em entrevista ao jornal “O Globo”, o presidente da Jaraguá reconheceu ter pago comissão ao doleiro. A suspeita da PF é que os R$ 31 milhões listados na planilha sejam propina para funcionários públicos e políticos que ajudaram as empreiteiras em questão a conseguir os contratos para tocar a obra da refinaria. Os destinatários dos valores repassados pelas empreiteiras, segundo o documento, são as empresas MO Consultoria, Rigidez e GFD. Segundo a PF, elas pertencem ao doleiro, o que ele nega.
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García Márquez, criador de personagens míticos
El País

A obra de Gabriel García Márquez é uma mistura de cosmogonia, genealogia e mitologia: inventa um mundo de dimensões bíblicas e o povoa de seres que, conforme o mandato divino, crescem e se multiplicam.

Apesar de metabolizar os experimentos narrativos da modernidade até torná-los parte da sua corrente sanguínea, o escritor colombiano nunca abandonou esse tom de narrador oral que disse ter aprendido da sua avó.

Assim, seus romances e contos são habitados por personagens que, como saídos das mãos de um deus, parecem ter vida própria. Alguns já são parte desse universo de inconfundíveis seres imaginários que é a literatura universal.

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Desaprovação a Dilma sobe de 43% para 48%
O Globo

A desaprovação à maneira de governar da presidente Dilma Rousseff subiu de 43 por cento em março para 48 por cento em abril, enquanto a avaliação positiva do governo passou de 36 por cento para 34 por cento, de acordo com pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira.

O levantamento, publicado pelo portal de notícias G1, aponta também que a aprovação à maneira de governar de Dilma caiu de 51 por cento para 47 por cento. Desde dezembro de 2013, a aprovação ao governo Dilma caiu 9 pontos, de acordo com o G1, passando de 43 por cento para os atuais 34 por cento.

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PT recomenda que Vargas seja submetido ao Conselho de Ética
O Globo

Os três integrantes da Executiva Nacional do PT responsáveis por analisar a situação do deputado André Vargas (PT-PR), suspeito de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Operação Lava-Jato, da Polícia Federal, recomendaram que o caso seja enviado imediatamente ao Conselho de Ética do partido.

O relatório produzido por Carlos Árabe, Florisvaldo Souza e Alberto Cantalice foi encaminhado ao presidente do PT, Rui Falcão. Uma reunião extraordinária da Executiva do partido será marcada para a próxima semana, quando a recomendação de encaminhamento de Vargas ao Conselho de Ética será submetida ao voto dos 23 integrantes da Executiva. Se o processo for aberto no conselho, o deputado poderá ser expulso do partido, suspenso, receber uma advertência ou mesmo ser inocentado.

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Presos do mensalão têm indulto de Páscoa
Felipe Recondo, Estadão

Dois condenados por envolvimento no mensalão – o ex-deputado João Paulo Cunha e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares – deixaram nesta quinta-feira, 17, a cadeia e passarão o feriado prolongado em casa. Os dois voltarão na terça-feira ao Centro de Progressão Penitenciária (CPP), em Brasília, onde cumprem pena.

Nesta quinta, os dois deixaram a prisão cedo para trabalhar. Delúbio Soares trabalhou durante todo o dia na Central Única dos Trabalhadores (CUT).

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Em Alagoas, sessão de tortura comandada por policiais é filmada
Odilon Rios, O Globo

Policiais civis e militares comandaram e gravaram uma sessão de tortura com um jovem, sem identificação, que apanha no rosto por causa de uma tatuagem nas costas. O caso está sendo apurado pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social de Alagoas. O vídeo tem duração de dois minutos e cinco segundos e circulou pelo “WhatsApp” de jornalistas em Maceió. O material não tem data e não é informado o local.

— Ô doutor, por favor, pelo amor de Deus. Vou apagar essa tatuagem — diz o jovem, enquanto recebe tapas no rosto. Os policiais riem e o jovem chora.

Uma farda da PM, usada pela tropa, aparece no vídeo e o jovem cita o nome "Sikêra". Sikêra Júnior é apresentador do programa Plantão de Polícia, da TV Alagoas.

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Para ‘Economist’, força de trabalho do país precisa ser mais produtiva
O Globo

Para voltar a crescer além do patamar de 2%, o Brasil precisa lidar com um problema antigo: a falta de produtividade de sua força de trabalho. A conclusão é da britânica “The Economist”, que caracteriza o último meio século da economia brasileira como “50 anos de soneca”, título de reportagem publicada nesta quinta-feira no site da revista.

Segundo dados do instituto Conference Board citados na matéria, a força de trabalho brasileira contribui com apenas 40% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país), percentual menor que o de outros países emergentes.

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Irã já converteu 75% de seu arsenal nuclear, diz relatório da AIEA
O Globo

O Irã já converteu três quartos de um arsenal nuclear, que poderia ter sido transformado em urânio para a fabricação de armas atômicas, em formas menos voláteis, e está no caminho para coverter o restante, afirmou um relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) publicado nesta quinta-feira.

A conversão — parte do acordo nuclear assinado pelo país no ano passado — deixa o Irã com pouco menos de 20% do urânio enriquecido necessário para a construação de ogivas nucleares.

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Capitão não comandava balsa durante naufrágio, diz investigação
O Globo

Investigadores afirmaram nesta quinta-feira que um membro subalterno da tripulação estava no comando da balsa Sewon durante o naufrágio na última quarta-feira, na Coreia do Sul.

— Um subalterno estava no comando da balsa durante o acidente afirmou o investigador Park Jae-eok, durante uma coletiva em Mokpo, uma cidade próxima ao porto em que acontecem as operações de resgate. — Há a possibilidade de que o capitão estivesse longe da ponte de comando quando o acidente aconteceu.

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PT decide comprar briga contra Henrique Alves

As relações entre os dois maiores partidos do bloco de apoio a Dilma Rousseff voltarão a azedar nos próximos dias. Sob a voz de comando do seu presidente, Rui Falcão, o PT decidiu pegar em lanças para melar um plano do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, do PMDB, .

Em combinação com líderes de partidos governistas e oposicionistas, Henrique decidiu pautar para a primeira quinzena de maio, provavelmente no dia 13, a votação da proposta de emenda à Constituição da reforma política. Em articulação comandada por Falcão, a bancada petista da Câmara tentará impedir.

O petismo enrolou-se em duas bandeiras que lhes são caras: o financiamento publico de campanha e a realização de um plebiscito sobre a matéria. A proposta que Henrique quer votar institui um modelo híbrido de custeio das campanhas, com verbas públicas e privadas. Em vez de plebiscito, prevê a convocação de um referendo.

O plebiscito e o referendo são mecanismos de democracia direta. Permitem convocar os eleitores para se pronunciar sobre temas específicos. A diferença entre um e outro é que, no caso do plebiscito, o povo é chamado a opinar antes da deliberação do Legislativo. Já o referendo é convocado depois da votação de determinada proposta, cabendo à sociedade ratificá-la ou não.

As posições do PT são minoritárias na Câmara. Mas o partido controla 88 votos no plenário. É a maior bancada da Casa. Valendo-se de manobras regimentais, pode impedir ou, no mínimo, protelar a votação da reforma pretendida por Henrique Alves. Por ironia, a proposta que a legenda deseja enterrar foi elaborada por um grupo coordenado pelo petista Cândido Vaccarezza (SP).

Numa demonstração de que pretende levar às últimas consequências a conspiração contra os planos de Henrique Alves, o PT aprovou em sua Executiva Nacional o “fechamento de questão”. Trata-se de dispositivo previsto nos estatutos da legenda. Obriga os filiados a seguirem as deliberações partidárias. Quer dizer: o próprio Vaccarezza terá de votar contra a proposta que ajudou a colocar em pé. Sob pena de expulsão.

Em viagem oficial à China, Henrique Alves retorna ao Brasil neste final de semana. Candidato ao governo do seu Estado, o Rio Grando do Norte, ele deseja fazer da reforma política uma espécie de grand finale do seu mandato parlamentar. Será informado de que o PT decidiu ser o seu estorvo.

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Passando a sujo!



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Reynaldo-BH: Os milicianos que ofendem e insultam o chefe de um dos Três Poderes logo passarão às agressões físicas
REYNALDO ROCHA

Colaboradores de empresas sabem que, quando em contato com clientes, representam a empresa. Seja num simples telefonema ou na assinatura de contratos.

Na área pública – onde quem paga a conta somos nós, contribuintes, com nossos impostos – isto é exigido ainda mais intensamente.

O desequilibrado a serviço de uma deputada sem noção está recebendo salário porque pagamos impostos.

Ocupa um cargo (ou boquinha) onde não representa a si mesmo: representa uma força política que, no momento, é a que se julga dona do país.

O comportamento desse insano é o do PT. Representa o PT, até com a concordância posterior da empregadora. A deputada só o contratou por ser deputada. Do PT. É o jeito PT de ver o Estado.

Qual é a diferença entre as ofensas – e acusações – contra Joaquim Barbosa feitas por esse fascista e as produzidas por André Vargas? A rigor, nenhuma. Assim como são idênticas as motivações e a gratuidade da ofensa.

Por coincidência (coincidência?) o fator determinante de ambas se chama José Dirceu.

É o caminho mais curto para o heroísmo que os militontos buscam com a doce aceitação dos poderosos do partido, sempre ocultos por trás de servidores pagos com dinheiro público.

André Vargas pagava com verbas oficiais um “expert” em serviço sujo na WEB. Hoje a ilustre deputada (?) Kokay usa a mesma fonte para pagar um velhaco que insulta o presidente de um dos Três Poderes da República.

O processo de ferrugem no estado de direito vai se alastrando. Um bandido-ladrão com mandato de deputado federal, obrigado a explicar os contatos com doleiro preso, ergueu os punhos para provocar o presidente do STF. E queria dar uma “cutuvelada” (sic) no ministro.

Agora, o mesmo Joaquim Barbosa é chamado aos gritos de “corrupto!” e acusado de pertencer a um partido político, numa tentativa de debitar a essa falsa ligação a sentença imposta ao ladrão-mor alojado na Papuda.

Não se ouve nem vê no PT nenhuma crítica ou sinal de desagrado.

É ou não um incentivo para que se passe das palavras às agressões físicas? Não parece estar próximo o dia que a cotovelada pretendida por André Vargas se materialize?

No Brasil, Joaquim Barbosa figura no mesmo nível de poder institucional de Dilma Rousseff e o presidente do Congresso.

O jeito PT de fazer política me permite desejar dar uma cotovelada na presidente Dilma? E que eu divulgue essa intenção? Posso recebê-la numa cerimônia oficial, por exemplo, com um “top-top”?

No PT, ser troglodita é ser admirado. E incentivado. Quando a empregadora-que-paga-o-salário-com-nosso-dinheiro absolve o agressor, estimula todo miliciano a dar mais um passo a frente.

Alguém duvida que o imbecil difamador do vídeo tem sido aclamado pelos milhares de militantes pagos e pelos que buscam ou já conseguiram alguma boquinha, seja esta qual for?

O PT ultrapassa todas as linhas vermelhas desde muito. É o que aprendeu com o poder o partido que transformou a ignorância em regra e dogma.

Em breve, os que ofendem e insultam passarão às ações.


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Blog do Merval

Versões contraditórias

O governo petista não tem sido feliz nas duas frentes em que luta para se livrar de crises políticas à beira da eleição presidencial. O ainda deputado federal André Vargas, ex-diretor de Comunicação do PT, desistiu de renunciar, mas continua sob pressão partidária para fazê-lo. É provável que acabe capitulando. E cada vez que uma nova versão sobre a compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, vem a público, fica mais claro que é preciso investigá-la em profundidade.

Ontem foi o momento do ex-diretor da área internacional da empresa, Nestor Cerveró, acusado tanto pela presidente Dilma quanto pela presidente da Petrobras de ser o grande culpado por induzir a erro o Conselho da Petrobras.

Para começo de conversa, o fato de ter omitido no resumo técnico as cláusulas de saída, que obrigava uma das partes a comprar a outra em caso de litígio, e a Marlim, que garantia um rendimento básico de 6,9% à belga Astra Oil, parece a Dilma, Foster e aos empresários Jorge Gerdau e Fabio Barbosa, que também faziam parte do Conselho, um pecado capital.

Já Cerveró ironizou sutilmente essa preocupação, dizendo que simplesmente não colocou as cláusulas no resumo por que elas são corriqueiras no mundo dos negócios.

Ou ele é um mentiroso que teve objetivo escuso ao omitir as cláusulas, ou todos os demais não entendem nada de negócios e estão utilizando essa desculpa esfarrapada para se livrarem da responsabilidade de terem autorizado um “mau negócio”. Não há alternativa, e somente uma investigação independente do Congresso pode definir as responsabilidades de cada um.
Um comentário lateral de Nestor Cerveró mostra bem o surrealismo da situação. Vários deputados tentaram incentivá-lo a falar o que sabe alegando que fora traído por seus superiores ao ser demitido recentemente da diretoria financeira da BR Distribuidora, cargo a que fora rebaixado, segundo Graça Fortes, devido ao episódio da compra de Pasadena.

Cerveró, muito sério, alegou que a saída do cargo agora não pode ser atribuída à compra da refinaria nos Estados Unidos, mas a uma simples questão administrativa, por que ela acontecera há 8 anos “e eu não fui demitido na ocasião”. Raciocínio perfeito, que poderia ser complementado com a informação de que ao ser transferido da Petrobrás para a BR Distribuidora, Nestor Cerveró foi elogiado por escrito por esse mesmo Conselho da Petrobrás, que não registrou oficialmente a transferência como uma punição ao servidor.

As evidências de que a compra da refinaria de Pasadena foi no mínimo estranha são muitas, a começar pela troca de emails entre diretores da companhia Astra Oil mostrando que eles consideravam improvável que a Petrobras oferecesse preço tão alto quanto ofereceu para a compra dos outros 50% da refinaria.

Sobre esses emails, que revelam os bastidores da negociação, ninguém consegue explicar nada, e somente uma CPI terá condições de investigar a fundo a motivação da compra, até agora camuflada por comentários técnicos que são opostos, Graça Foster admitindo que foi um mau negócio que parecia bom, e Nestor Cerveró afirmando que foi um bom negócio de qualquer maneira, mesmo a Petrobras tendo admitido já uma perda de US$ 530 milhões de dólares.

O “sincericídio” da presidente Dilma, admitindo que não autorizaria a compra se tivesse os dados completos, deu início a essa crise, pois até aquele momento a versão oficial da Petrobras era a de que tinha sido um negócio perfeitamente normal. Hoje, a atual diretoria joga para sua antecessora a culpa, e a presidente da República atual transfere para seu antecessor e mentor a responsabilidade por um “mau negócio” na estatal símbolo do país.
O país precisa saber quem está com a razão.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Vargas diz que não renuncia mais e enfurece os petistas. Ora, por que não o expulsam, como o DEM fez com Demóstenes Torres? Medo?

E o ainda deputado federal André Vargas (PT-PR), hein? Avisou os companheiros do PT que decidiu renunciar à renúncia. Deixou muita gente furiosa. Vamos ver se vai conseguir segurar a decisão. Os petistas estão fazendo uma pressão danada para que ele caia fora de vez. Nesta quarta, ele formalizou apenas a renúncia à vice-presidência da Câmara e do Congresso, mas manifestou a intenção de manter o mandato.

Já expliquei aqui ontem onde está o busílis da coisa. De fato, o parágrafo 4º do Artigo 55 da Constituição, aprovado por emenda em 1994, determina que a renúncia de um parlamentar não suspense o processo de cassação iniciado no Conselho de Ética. Ele terá de prosseguir até a sua conclusão. O que se queria com isso em 1994? Impedir o parlamentar enroscado em alguma falcatrua de esperar até a última hora e, certo de que seria cassado, renunciar para tentar voltar na eleição seguinte.

Com a Lei da Ficha Limpa, que torna inelegível por oito anos quem renunciar depois de aceito o processo no Conselho de Ética, esse tal parágrafo 4º perdeu razão de ser.

Mas está na Constituição, não é? E como é que fica se Vargas formalizar a renúncia? É o que o PT queria que ele fizesse. A questão certamente iria parar na Mesa da Câmara. O PT tinha a esperança de encurtar o processo. Não quer que esse negócio se arraste. O “caso Vargas” pegou; foi plenamente entendido pela opinião pública.

Vargas, no entanto, disse aos petistas que, se é para o processo continuar, então ele não renuncia e pronto! O Conselho de Ética, diga-se, ainda não conseguiu nem notifica-lo da abertura do processo. Como ele está licenciado, ninguém o encontra. Há, como informa a VEJA.com, uma verdadeira caçada do gato ao rato — em que o Conselho, obviamente, faz o papel do gato.

Vargas, que era um estrela ascendente no PT, virou uma fonte permanente de dor de cabeça. Na semana passada, andou fazendo ameaças nada veladas a algumas estrelas do partido. Agora, teria decidido permanecer no cargo. O PT tem a saída a que recorreu o DEM, por exemplo, que expulsou do partido Demóstenes Torres — por um tempo, ele virou um senador sem partido.

Mas essa briga com Vargas os petistas não querem comprar. Ele prometeu reagir se isso acontecer. Tomara que reaja. Se falar o que sabe, poderá ao menos fazer algum bem ao país.

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Dirceu, a Papuda e a quebra indiscriminada de sigilo: é claro que não pode ser assim!

A promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa incluiu telefones do Planalto, do Congresso e do STF num pedido de quebra de sigilo para saber se José Dirceu havia mesmo usado o celular na Papuda.  É um péssimo caminho!

Márcia solicitou à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal o rastreamento de alguns telefones. Vá lá. Incluiu no seu pedido algumas áreas que deveriam ser rastreadas. Quando as coordenadas geográficas foram postas do papel, tratava-se nada menos do que a Praça dos Três Poderes. Na prática, a promotora pediu para quebrar o sigilo telefônico de todos os membros dos Três Poderes da República.

 É razoável? Não parece. Até porque a solicitação de quebra de sigilo tem de apresentar um motivo. Não basta um “deixem-me ver o que acontece na área x”. Tal sigilo é um direito constitucional, abrigado no Artigo 5º da Constituição — uma cláusula pétrea. Há alguma explicação para isso? Alguém forneceu à promotora a informação de que membros dos Três Poderes estavam falando com Dirceu? Conhecendo a tigrada, diria que impossível não é, mas é evidente que as coisas não podem ser dessa maneira.

 Nesta quarta, informam Natuza Neri, Severino Mota, Andréia Sadi e Júlia Borba, na  Folha, A Advocacia Geral da União entrou com uma reclamação contra a promotora na Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público.

O poder de investigação conferido ao MP já é matéria, convenham, um tanto polêmica. O problema é que são raros os que o contestam por bons motivos. Uma coisa, no entanto, é certa: ninguém delegou ao órgão a licença para promover devassas indiscriminadas, ainda que sob o meritório pretexto de combater ações criminosas.

Dirceu, evidentemente, não vale uma transgressão desse tamanho. A promotora se nega a dar explicações e disse que só fala nos autos. Reitero: não estou entre aqueles que botariam a mão no fogo, não! Pode até ser que ela saiba mais do que sabemos.

De todo modo, gente como Dirceu tem de ser combatida segundo os marcos da legalidade do estado de direito. Ele só está em cana porque não entendeu que não tinha o direito de transgredi-los impunemente. Nem ele nem ninguém.

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Câmara segura há 7 meses julgamento de deputado do PSDB ligado a Cachoeira

Para o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), o tempo não existe. Só existe o passar do tempo. Pilhado pela Polícia Federal num relacionamento monetário com o megacontraventor Carlinhos Cachoeira, Leréia espera há sete meses pelo dia em que será julgado por seus pares no plenário da Câmara. E espera. E espera. E espera….

Reunido em 11 de setembro de 2013, o Conselho de Ética da Câmara aprovou relatório que impõe a Leréia a pena de suspensão do exercício do mandato por 90 dias. Antes de ser aplicado, o castigo precisa ser referendado pelo plenário da Casa. Leréia espera.

Enquando mata o tempo, Leréia assiste à formação de um cemitério de mandatos. Já testemunhou, na Casa ao lado, a cassação do mandato senador-conterrâneo Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), cuja reputação também foi engolfada pela proximidade com Cachoeira. E espera.

Já presenciou a absolvição, o rejulgamento e a condenação do deputado-presidiário Natan Donadon (ex-PMDB-RO). E espera. Já viu as renúncias dos mensaleiros José Genoino (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP), Pedro Henry (PP-MT) e João Paulo Cunha (PT-SP). E espera.

Já se despediu do correligionário Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Protagonista do mensalão tucano de Minas Gerais, Azeredo abdicou do mandato para trocar uma provável condenação no STF pela perspectiva de prescrição na primeira instância do Judiciário, em Belo Horizonte. E Leréia espera.

Já acompanhou a renúncia de Asdrúbal Bentes (PMDB-PA), condenado no STF por trocar ligaduras de trompas por votos numa eleição municipal de 2004. E continua esperando.

Agora, Leréia presencia o derretimento-relâmpado da reputação do ex-vice presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), flagrado em promíscuas conexões com o doleiro Alberto Youssef.

Incomodado com o ritmo de toque de caixa que o Conselho de Ética imprime à tramitação do pedido de cassação do companheiro André Vargas, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) realça a anomalia: “Se a Câmara julgar o André antes de apreciar o caso do Leréia, será um escândalo.”

Vacarrezza integrava a CPI do Cachoeira, em 2012, quando Leréia tentou explicar à comissão suas inexplicáveis relações com o superbicheiro goiano. O tucano não negou o que os grampos da PF haviam transformado em inegável. Porém, a exemplo de todos os outros encrencados, Leréia tornou-se beneficiário da pizza assada no forno da CPI. E espera.

Ainda em 2012, Leréia foi levado à Corregedoria da Câmara. Relator do caso, Jerônimo Goergen (PP-RS) recomendou, ao final da sindicância, que o processo fosse remetido ao Conselho de Ética. Concluiu que eram densos os indícios de envolvimento do tucano com Cachoeira.

Noves fora a suspeita de manter uma sociedade com Cachoeira num avião e num terreno, os diálogos grampeados pela PF indicavam que Leréia recebera dinheiro do contraventor. Numa das escutas, o superbicheiro recita para Leréia a senha de um cartão de crédito.

Em relatório confidencial da PF, Leréia aparece num trecho intitulado “transações financeiras”. O texto reproduz conversas de Cachoeira com seus comparsas. Numa delas, o proto-contraventor pede a Geovani Pereira da Silva, então contador de sua quadrilha, para “passar dinheiro” ao deputado tucano.

Num grampo de 1.º de agosto de 2011, Cachoeira encomenda a Geovani o repasse de R$ 20 mil a Leréia. Deu instruções específicas. O dinheiro deveria ser entregue “embrulhado em jornal”. O PSDB ameaçou expulsá-lo. E nada. Leréia espera.

No Conselho de Ética, Leréia defendeu-se alegando que era “apenas amigo” de Cachoeira. Sustentou que nada tinha a ver com os crimes do personagem. Primeiro relator do processo, Ronaldo Benedet (PMDB-SC) propôs que o mandato de Leréia fosse passado na lâmina. Mas seu relatório foi rejeitado.

Nomeou-se um segundo relator: Sérgio Brito (PSD-BA). Que sugeriu a pena alternativa da suspensão do exercício do mandato por 90 dias, com a consequente suspensão do contracheque e de de todas as verbas que bancam o funcionamento do gabinete. Foi esse relatório que o Conselho de Ética aprovou em 11 de setembro de 2013. Mas Leréia, na bica de disputar nova eleição daqui a seis meses, ainda espera.

Para Leréia, o tempo não existe. Para André Vargas, o tempo não passa. Já passou. Mais morto do que vivo, o deputado petista já entregou o cargo de vice-presidente da Câmara e tirou uma licença de 60 dias.

Pressionado pelo PT, que receia que sua sangria respingue na legenda, Vargas anunciou que renunciaria ao mandato. Porém, decorridas 48 horas, renunciou à ideia da renúncia. A paciência da cúpula do petismo, ilimitada com os mensaleiros presos, esgotou-se para André Vargas.

Com a solidariedade já bem cansada, o PT inaugurou nesta quinta-feira o movimento ‘fora, Vargas’. Puxam o coro da renúncia o próprio presidente do PT federal, Rui Falcão, e o líder da legenda na Câmara, Vicentinho (SP).

Enquanto isso, o tucano Leréia, personagem em cujo passado só existe futuro, atravessa o presente usufruindo do doce hábito de ver o pretérito passando. O senador Aécio Neves, presidenciável do PSDB, talvez devesse dizer meia dúzia de palavras sobre Leréia.

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Graça!



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O Brasil perde espaço no comércio internacional
Estadão

Com um déficit na balança comercial de US$ 6 bilhões, até 11 de abril, e uma evolução das exportações de apenas 1%, neste ano, pelo critério de média por dia útil, é frágil o comércio exterior do Brasil. A fraqueza fica explícita nas previsões da Organização Mundial do Comércio (OMC), divulgadas segunda-feira, que apontam para uma recuperação das exportações e das importações no mundo.

Em 2013, o crescimento do comércio global foi de apenas 2,1% em relação a 2012, com as exportações alcançando US$ 18,8 trilhões, mas as previsões da OMC indicam um avanço de 4,7%, neste ano.

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Opositor argentino quer limitar mudanças
Fernanda Simas, Estadão

O deputado argentino Sergio Massa, líder do partido de oposição Frente Renovadora e provável candidato à presidência em 2015, afirma que para governar é preciso manter algumas conquistas do governo Kirchner, como as políticas de distribuição de renda e a inclusão dos idosos. Entre os opositores, Massa lidera as pesquisas de opinião, com 35% das intenções de voto.

"Essa mensagem da sociedade é um desejo de continuidade", disse ele, em entrevista ao Estado, durante encontro com representantes do setor industrial, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Três separatistas são mortos em base militar na Ucrânia
O Globo

Os militantes separatistas atacaram uma base da guarda nacional ucraniana em uma cidade do leste durante a noite e, no tiroteio que se seguiu, três deles foram mortos, informou nesta quinta-feira o ministro do Interior, Arsen Avakov.

Avakov disse em um post no Facebook que um grupo armado de cerca de 300 militantes atacou a base em Mariupol, no Mar Negro, com armas e bombas de gasolina. Membros da guarda nacional primeiro dispararam tiros de advertência, mas em seguida, abriram fogo enquanto o ataque continuava.

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Oposição acusa governo sírio de novos ataques com armas químicas
 O Globo

Ativistas de oposição acusaram forças aliadas ao presidente sírio Bashar al-Assad de realizar um novo ataque com gás venenoso em Harasta, subúrbio de Damasco, nesta quarta-feira. Um vídeo, disponibilizado no YouTube, mostra quatro homens recebendo oxigênio, e um deles tem o rosto coberto por vômito e sofre espasmos durante o atendimento.

O governo sírio e a oposição têm trocado acusações de uso de gás venenoso nos confrontos, e o ataque desta quarta-feira é o quarto denunciado pela oposição neste mês. A narração do vídeo afirma que armas químicas já haviam sido usadas em Harasta na última sexta-feira.


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Blog do Merval

CPI necessária

O depoimento da presidente da Petrobras Graça Foster serviu para reforçar a necessidade da CPI pedida pela oposição, em vez de desanuviar o ambiente político, como pretendia o Palácio do Planalto. Ela confirmou que um mau negócio foi autorizado pelo Conselho da empresa sem que seus membros tivessem os dados completos para analisar.

Ao admitir que o prejuízo da compra da refinaria de Pasadena nos Estados Unidos foi de US$ 500 milhões, Graça Foster só complementou com números o sincericídio da presidente Dilma, que havia admitido semanas antes que desconhecia duas cláusulas contratuais que considerou danosas aos interesses da Petrobras: a que obrigava uma das partes a comprar os demais 50% da companhia em caso de litígio, e a que garantia à vendedora um rendimento fixo ao ano próximo a 7% independente dos resultados.

Não foi à toa que as ações da Petrobras começaram a cair na Bolsa de São Paulo durante seu depoimento no Senado. É preciso saber por que um mau negócio foi realizado com documentos falhos, e a quem interessou naquele momento levar o Conselho da Petrobras a tomar uma decisão errada.

É preciso esclarecer também por que diretores nomeados por pressões políticas foram responsáveis por decisões tão delicadas. O governo Dilma tenta se livrar de culpa, mas leva à suspeição de que pelo menos em gestões anteriores, no governo Lula, a política dominou as ações dentro da Petrobras.

A presidente Graça Foster garantiu que em sua gestão não há diretores nomeados por critérios políticos, que todos são técnicos reconhecidos dentro da empresa e no mercado profissional. Que assim seja. Mas é preciso que a CPI investigue desde quando, e até quando, as decisões políticas prevaleceram na empresa, e que conseqüências elas provocaram.

O ex-diretor Paulo Roberto Costa, por exemplo, está preso e será indiciado por diversos crimes: lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha. É preciso investigar com independência para saber desde quando ele atuava nesses ramos, e que outros prejuízos causou à Petrobras.

Sabe-se que o indigitado diretor estava anteriormente em situação peculiar na empresa, encostado em cargo desimportante justamente por que era reconhecido no meio em que trabalhava como não confiável.

Por que o presidente José Gabrielli ao assumir, saído de uma escolha petista, retirou-o do limbo para colocá-lo na importante diretoria de Operações?

Outro caso intrigante, para dizer o mínimo, é o de outro diretor, Nestor Cerveró, demitido nada menos que oito anos depois dos fatos acontecidos. Ele foi o autor do relatório “tecnicamente falho” que levou o Conselho da Petrobras, presidido pela então ministra das Minas e Energia Dilma Rousseff e composto por empresários do porte de Jorge Gerdau e Fabio Barbosa, a tomar a decisão errada.

Quando se descobriu, dois anos depois, que a cláusula de obrigatoriedade de compra da outra metade da refinaria seria prejudicial à Petrobras, Cerveró foi punido, segundo explicou ontem Graça Foster: foi transferido para a diretoria financeira da Petrobras Distribuidora.

Que poderes tinha Cerveró, ou seu padrinho, para protegê-lo desta maneira, contra todas as evidências? Como se vê, a necessidade de uma CPI independente só fez aumentar depois que a presidente da Petrobras esteve no Senado tentando acalmar os ânimos.

A renúncia da renúncia

Não é a primeira vez em que alguém do PT renuncia à uma renúncia anunciada. Depois de ter renunciado “irrevogavelmente” à liderança do partido no Senado, pelo apoio do Palácio do Planalto ao então presidente do Senado José Sarney que respondia a um processo, o hoje ministro Aluizio Mercadante deu o dito por não dito depois de uma conversa com o presidente Lula.

Ontem foi a vez do ainda deputado federal André Vargas, mas sua renúncia atende a seus interesses próprios, e não aos do PT. Acontece que a Constituição determina que a renúncia de um parlamentar não encerra o processo de cassação de mandato a que ele responde.

Essa emenda, de 1994, foi aprovada para impedir que o sujeito escapasse da cassação e pudesse se candidatar novamente na eleição seguinte. Com a aprovação da Lei da Ficha Limpa de 2010, essa decisão tornou-se inócua, pois o parlamentar nessa condição fica inelegível por 8 anos.

Como sua renúncia não traria nenhum benefício, Vargas resolveu tentar a sorte e permanecer no posto, lutando por sua absolvição, mesmo que pareça impossível.
Pior para o PT, que sangrará junto com o ex-vice-presidente da Câmara por mais tempo.


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Blog do Coronel

PF indicia ex-diretor da Petrobras e mais 45.

Na conclusão dos quatro primeiros inquéritos da Operação Lava Jato, a Polícia Federal indiciou ontem o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa (foto) e o doleiro Alberto Youssef pelos crimes de formação de quadrilha, crimes contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Youssef e um outro doleiro, Carlos Habid Chater, também foram indiciados por financiamento ao tráfico de drogas. Eles são acusados de fazer uma operação para um traficante. Ao todo, a polícia indiciou 46 investigados pela Operação Lava Jato, desencadeada no dia 17 de março para apurar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 10 bilhões entre 2009 e 2013.

Indiciamento é a figura jurídica aplicada quando a autoridade policial acredita já ter elementos suficientes para caracterizar um crime. A própria PF informou que poderão ocorrer novos indiciamentos a partir dos documentos apreendidos em 105 operações de busca. Entre os crimes citados estão os de fraude em licitação, corrupção ativa e passiva e desvio de recursos públicos. Dos 19 presos preventivamente, 15 continuam na prisão --14 em Curitiba e um em São Paulo.

A Polícia Federal também encaminhou ontem quatro relatórios finais sobre doleiros. Além de Youssef, foram investigados os seguintes doleiros: Nelma Kodama, Raul Srour e Habib Chater. Youssef e Paulo Roberto são apontados pela PF como parceiros na tentativa de comprar por R$ 18 milhões uma empresa do Rio de Janeiro, a EcoGlobal, que obteve um contrato de R$ 443,8 milhões com a Petrobras. A Justiça considerou o negócio estranho porque a compra por R$ 18 milhões estava condicionada à obtenção do contrato com a Petrobras.

Youssef bancou um voo de jatinho do deputado André Vargas (PT-PR) de Londrina para João Pessoa, viagem que custa em torno de R$ 110 mil. Na interpretação da polícia, Vargas ajudou Youssef a conseguir uma parceria pela qual o Ministério da Saúde pagaria R$ 31 milhões para um laboratório que estava quebrado, chamado de Labogen.

A PF colheu indícios de que funcionários do Ministério da Saúde ajudaram Vargas e Youssef a se associar com a EMS, o maior laboratório em faturamento no país (R$ 5,8 milhões em 2012, o último dado disponível). O Ministério da Saúde cancelou a parceria depois que a Folha questionou o órgão sobre a parceria. Nenhum valor foi desembolsado --o dinheiro só seria pago mediante a entrega do medicamento.

OUTRO LADO

O advogado de Youssef, Antônio Augusto Figueiredo Basto, disse considerar absurdo e abusivo o indiciamento do seu cliente por financiamento ao tráfico. "Isso nunca existiu. Meu cliente nunca atuou nesse tipo de mercado".

A Folha não conseguiu localizar ontem à noite o advogado de Paulo Roberto, mas ele disse em outras ocasiões que o negócio que o seu cliente tratava com a EcoGlobal era absolutamente lícito e não foi concretizado. Os advogados dos outros indiciados não foram localizados. (Folha de São Paulo)

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PF flagra irmão de ex-ministro do PSB pedindo dinheiro para o doleiro Youssef.

Ex-presidente da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e irmão do ex-ministro Fernando Bezerra, Clementino de Souza Coelho foi flagrado na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, pedindo dinheiro para o doleiro Alberto Youssef.

Clementino presidiu por um ano a Codevasf, uma empresa pública vinculada ao Ministério da Integração Nacional, comandado por Fernando Bezerra de 2011 a 2013. Bezerra, que escolheu o irmão para o cargo, chefiou o ministério por indicação do PSB e é homem de confiança do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, pré-candidato do PSB ao Planalto.

A PF interceptou trocas de e-mails de Clementino com o doleiro, preso desde março. A polícia encontrou nas mensagens comprovantes de depósito em valores fracionados para "João", além de pedidos de dinheiro para "Maria" e "Fábio".

Números indicados por Youssef nas mensagens como os dos CPFs dos favorecidos correspondem aos documentos de João Clementino de Souza Coelho e Maria Cristina Navarro de Brito, respectivamente, filho e mulher de Clementino de Souza Coelho. "Fábio" é descrito pela PF como Fábio Leivas, que a polícia não diz quem é. A Folha não conseguiu identificá-lo.

Em um dos e-mails, de 30 de janeiro deste ano, Clementino enviou a Youssef, a quem chama de primo'', dados de uma conta bancária com os dizeres: "assim sendo fica: Fabio 30, Maria aprx 35, joao 60". A expressão "aprx" significa "aproximadamente".

No dia seguinte, o ex-presidente da Codevasf cobrou por e-mail: por favor, assegure que as entregas serão feitas hoje ainda os 3 endereços fornecidos, sendo JOAO 60, FABIO 30 E MARIA OS 35...".

No dia 4 de fevereiro, Youssef enviou os dados bancários de João Clementino e Maria para um contato que a PF suspeita auxiliar o doleiro no possível "cometimento do crime de evasão de divisas".

O contato do doleiro escreveu "60.000,00" embaixo do nome de João e "35.289,00" embaixo de "Maria". A PF apreendeu ainda comprovantes de depósitos em nome de João Clementino, em valores diversos, segundo o relatório: "R$ 500, R$ 10.000, R$ 9.900".

A Folha tentou falar ontem diversas vezes com Clementino e Maria Cristina. Deixou recados com uma funcionária do casal, mas não obteve resposta. A Folha não conseguiu localizar João Clementino. Procurado pela Folha, o ex-ministro Fernando Bezerra disse desconhecer o assunto e prometeu entrar em contato com o irmão para que ele desse mais esclarecimentos, mas não pôde localizá-lo. Bezerra deixou o governo em 2013, após Eduardo Campos romper com o PT para se lançar candidato ao Planalto. Segundo Bezerra, Clementino não é filiado ao PSB.

Em janeiro de 2012, Clementino teve de deixar a presidência da Codevasf, após acusações de que Bezerra teria ignorado o decreto antinepotismo ao manter o irmão na estatal durante um ano. Ele foi nomeado após Bezerra tomar posse no Ministério da Integração Nacional. A Codevasf possui um orçamento bilionário para investir em obras como a perfuração de poços para o combate à seca no Nordeste. (Folha de São Paulo)

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Hoje Cerveró dá o ar da graça.

Depois de ser responsabilizado publicamente por Graça Foster, presidente da Petrobras, em depoimento dado ao Senado no dia de ontem, Nestor Cerveró, ex-direitor da área internacional da estatal, dará a sua versão na Câmara dos Deputados.

O ex-diretor da Área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró é esperado nesta quarta-feira, 16, na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara para expor sua versão sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA). A expectativa da oposição é de que ele se contraponha à versão da presidente Dilma Rousseff, corroborada nessa terça, 15, por Graça Foster, da omissão de informações ao Conselho de Administração.

"A presidente da Petrobrás está acusando o Cerveró de ser o responsável pelo prejuízo. É a hora de ele responder", afirmou o vice-líder do PSDB na Casa, Vanderlei Macris (SP). Edson Ribeiro, advogado do ex-diretor da estatal, encaminhou na tarde de segunda-feira uma confirmação de presença. Foi ele quem procurou a oposição nas últimas semanas colocando o cliente à disposição para dar esclarecimentos.

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ARRAES E O GOLPE - RAFAEL BRASIL

Como sempre foi um legalista, Arraes foi um dos personagens mais prejudicados com o golpe.
Segundo Élio Gaspari, havia dois golpes em marcha. “O de Jango viria amparado no “disposistivo militar” e nas bases sindicais, que cairiam sobre o Congresso, obrigando-o a aprovar um pacote de reformas e a mudança das regras do jogo da sucessão presidencial. Na segunda semana de março, depois de uma rodada de reuniões no Rio de Janeiro, o governador Miguem Arraes, de Pernambuco, tomou o avião para o Recife avisando a um amigo que o levara ao aeroporto: “Volto certo de que um golpe virá. De lá ou de cá, ainda não sei”.

Arraes seria crucificado, como foi, mesmo se o golpe partisse de populistas como Jango e Brizola. Por essas e outras Arraes nunca teve apreço por Brizola. Não teve espaço na frente peemedebista e ficou de certa forma prisioneiro do estado de Pernambuco. Não conseguindo alçar vôos no âmbito da política nacional, fundou seu próprio partido, o PSB, e assistiu a ascensão do petismo lulista que está afundando o país. Sobretudo a chamada esquerda tradicional, que resolveu mexer nos paradigmas considerados por eles ortodoxos na economia, e que Lula, prudentemente não mexeu. Lula governou razoavelmente com os paradigmas considerados de direita. Dilma afunda o país com os de esquerda.

A pressão é muito grande para afastar Dilma, cria de Lula. Existe um movimento crescente para a volta de Lula. Seria bom se ele voltasse para ser candidato. Se eleito, gostaria de ver ele tentar consertar os estragos da era dilmista. Mas quem garantiria que ele iria mesmo ganhar? Como se desvencilhar de Dilma e seu governo? Como explicar para o povo os inúmeros casos de corrupção, e de sua namorada Rosemary? Claro, como sabemos cara de pau é o que não lhe falta, mas tudo tem limites.

Eduardo tenta fazer o que o velho Arraes não conseguiu. Chegar a disputar, e ter a possibilidade de chagar à presidência da república. Por que não? Tem um discurso consistente, e é mais incisivo, ou seja, mais positivo em suas posições do que Aécio. É minha primeira impressão do momento. Eduardo brada sobre o processo de deterioração do país. Chama o governo para debater. O governo foge do debate como o diabo foge da cruz. Mas na campanha não pode. Vai ter que debater, e defender este descalabro de governo que está sucateando o país. Como bem frisa Eduardo, o Brasil não pode passar mais quatro anos com essa gente.

Quem tem um mínimo de honestidade intelectual e política, sabe que o Brasil precisa de muitas reformas. Estas voltadas para a abertura econômica e o capitalismo. Pela reforma do estado e o consequente desmonte do estado patrimonialista. Pela reforma da justiça, e da educação.  Teríamos que ter um estadista. Não temos, infelizmente. Porém, Eduardo ou Aécio são infinitamente melhores do que o PT, Lula e Dilma juntos. Já Aécio tem a melhor equipe. Bem , depois falaremos deste assunto.


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Blog do Josias

CPIs fizeram do Congresso puxadinho do STF

A política é uma sucessão de poses. O político começa a fazer pose defronte do espelho, ao escovar os dentes de manhã. E só para na hora de se enfiar sob os cobertores, à noite. Tome-se o caso do presidente do Congresso. No momento, Renan põe seus melhores ternos, suas mais elegantes gravatas e suas melhores virtudes para demonstrar que não se considera o Calheiros que todos conhecem, mas um reles subordinado das togas do STF.

Renan tem sobre a mesa quatro pedidos de CPI. Duas só do Senado. Duas mistas, incluindo a Câmara. Duas só da Petrobras. Duas mais amplas, misturando a Petrobras com o metrô de São Paulo e o porto pernambucano de Suape, temas que incomodam a oposição. Com poderes para optar por qualquer uma, Renan decidiu não decidir. Pose.

Oposição e governo foram bater na porta do STF. Renan achou ótimo. Pose. Acionada, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado passou o trator sobre a minoria, aprovando a CPI ampliada. Renan aplaudiu. Disse que o melhor é investigar tudo. Pose.

Os líderes partidários informaram que preferem a CPI mista à comissão exclusiva do Senado. Renan assentiu gostosamente. Pose. Na semana passada, prometera encerrar a novela na noite desta terça-feira. Pose.

Velho crítico da judicialização da política, Renan agora prega a submissão do Congresso Nacional à deliberação do Supremo Tribunal Federal. “O importante, primeiro, é que nós tenhamos a decisão do Supremo sobre o que é que podemos fazer em relação à criação de comissões parlamentares de inquérito quando há vários requerimentos. A prudência recomenda que nós esperemos”, disse Renan. Pose.

Renan atribui o impasse ao ineditismo do enredo. O Congresso jamais lidara com pedidos similares de CPIs, ele alega. Pose. Antes mesmo da deliberação do STF, Renan aventa a hipótese de o Congresso aprovar um projeto capaz de disciplinar os surtos investigatórios dos congressistas. Pose.

A plateia, em sua densa ingenuidade, talvez não imagine como Renan precisa de poses nesse instante. Articulador de patrióticas nomeações na Petrobras, cada movimento, cada frase, cada olhar de Renan é uma pose. Juntas, elas compõem um quadro plástico.

Todo mundo sabe que o Renan dos últimos dias é uma representação do velho Calheiros de sempre. Mas em vez de transformar cada discurso num comício, os incomodados, Aécio Neves à frente, preferem visitar a ministra Rosa Weber, do STF. Rogam-lhe que obrigue o Parlamento a fazer por pressão o que não é capaz de fazer por obrigação. Poses coletivas.

O Congresso virou um teatro. Se Dante fosse deputado ou senador no Brasil de hoje, estaria dispensado de fazer a Divina Comédia. Bastaria que protocolasse no STF um mandado de segurança. E Dante viraria um escritor por liminar. Em Brasília, a comédia já vem pronta. É 100% feita de poses.

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Amigo associa vaivém de Vargas a ‘depressão’

Sérgio Amaral/UOLNuma intensa troca de telefonemas, parlamentares e dirigentes do PT esforçavam-se na noite passada para compreender o vaivém do deputado paranaense André Vargas. O anúncio de que Vargas renunciara à ideia de renunciar ao mandato dividiu a legenda. Uma parte ficou indignada. Outra, preocupada.

Ouvido pelo blog, um amigo de Vargas disse que ele exibe sinais de depressão. Tornou-se um personagem “ciclotímico”. Em intervalos curtos, vai do choro à euforia. Ora queixa-se de solidão ora declara-se pronto para a luta. Um petista que falou com Vargas depreendeu que tudo pode acontecer nesta quarta-feira (16). Inclusive nada.

Intensificou-se a pressão para que Vargas renuncie ao mandato de deputado o quanto antes. O PT acena inclusive com a hipótese de arquivar o procedimento aberto contra ele na comissão de ética da legenda. Mas condiciona o gesto à renúncia. A prioridade da legenda é retirar Vargas do palco nacional, atenuando os prejuízos eleitorais que sua derrocada impõe à legenda e seus candidatos.

Há método na suposta depressão de Vargas. Até aqui, ele vem se rendendo à pressão do PT. Mas faz isso em conta-gotas. Instado a renunciar no alvorecer do escândalo, ofereceu um pedido de licença da Câmara. Comprometera-se com 90 dias. Na formalização do requerimento, anotou 60 dias.

Súbito, avisou ao partido que encurtaria a licença. Retornaria à Câmara no dia 21, depois de mastigar o chocolate da Páscoa. Informou que já havia inclusive providenciado um advogado para defendê-lo no Conselho de Ética da Câmara. Chama-se Michel Saliba, o mesmo que defendera o deputado preso Natan Donadon.

Alertado para o fato de que, no voto aberto, nem a bancada do PT se animaria a absolvê-lo em plenário, Vargas deu meia-volta em menos de 72 horas. Abriu a semana com o comunicado de que renunciaria na terça. Esqueceu-se de algo que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), dissera sob refletores.

Na semana passada, antes de embarcar para uma viagem oficial à China, Henrique avisara que, uma vez aberto o processo por quebra de decoro no Conselho de Ética, a eventual renúncia não teria o condão de interromper o procedimento. É o que determina a Constituição, dissera o presidente da Câmara. Dito e feito.

O Conselho de Ética agora quer concluir a coreografia, levando Vargas até o cadafalso do plenário até o final de maio. Se confirmada, a renúncia do deputado deve ser enviada ao freezer. Seus efeitos permanecerão congelados até a conclusão do processo político. Daí a hesitação de Vargas.

Você logo ficará sabendo se a pressão do PT, agora mais forte do que antes, levará Vargas a renunciar à decisão de não renunciar.

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Dragãozinho de estimação!



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Servidores do IBGE paralisarão atividades nesta quarta

Daniela Amorim, no Estadão:
Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) participarão de um ato nesta quarta-feira, 16, para protestar contra uma suposta interferência política no órgão. Na semana passada, as divulgações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) foram suspensas. Segundo o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatísticas (ASSIBGE), centenas de trabalhadores paralisarão as atividades para uma manifestação em frente à sede da Avenida Chile, no centro do Rio de Janeiro, às 10h. Também estão previstos atos coordenados pelo sindicato em outras filiais do IBGE pelo Brasil.

O prédio do órgão na Avenida Chile abriga a Diretoria de Pesquisas, que era comandada pela diretora Marcia Maria Melo Quintslr. Marcia pediu exoneração do cargo por não concordar com a decisão de adiar a próxima divulgação da Pnad Contínua apenas para 6 de janeiro do ano que vem. A medida também motivou o pedido de exoneração da ex-coordenadora-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence) Denise Britz do Nascimento Silva.

A crise começou com o anúncio da presidente do instituto, Wasmália Bivar, na quinta-feira passada, de que a Pnad Contínua ficaria suspensa para que fosse montada uma força-tarefa para aprimorar a metodologia de cálculo da renda domiciliar per capita, de forma a atender as exigências previstas na Lei Complementar nº 143/2013. De acordo com a legislação, o indicador passa a servir como base para o rateio do Fundo de Participação dos Estados (FPE). Após a saída de Marcia e Denise, 18 coordenadores enviaram carta ao conselho diretor do IBGE ameaçando uma entrega de cargos coletiva caso a decisão não fosse revista. Ontem, outros 45 técnicos ligados à pesquisa também divulgaram carta aberta em que negam a necessidade de suspender o cronograma de divulgações ou revisar a metodologia da Pnad.

O Departamento de Comunicação do instituto afirma que a paralisação de funcionários não atrapalha a divulgação de duas pesquisas previstas para quarta-feira, 15: a Pesquisa Mensal de Serviços referente a fevereiro e a publicação “Redes e Fluxos do Território: Gestão do Território”. Estão previstas entrevistas coletivas para a imprensa também em dependências do instituto no centro do Rio, mas na sede da Avenida Franklin Roosevelt, onde fica a presidência do IBGE.

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Protesto contra a Copa: violência e depredação

Bandeira do Brasil é queimada durante protesto contra a Copa (foto: Felipe Souza-Folhapress)
Bandeira do Brasil é queimada durante protesto contra a Copa (foto: Felipe Souza-Folhapress)
Nesta quarta, houve um novo protesto em São Paulo contra a Copa do Mundo. Mais um. Reuniu, segundo estima a Polícia Militar, umas 1.500 pessoas com o grito de guerra “Não vai ter Copa”. Desta vez, não dá nem para fingir que os policiais foram violentos. Limitaram-se a conter os manifestantes e a atender pessoas que, colhidas em meio ao tumulto, acabaram passando mal.

Já os ditos manifestantes, ah, estes xingavam os policiais, avançavam contra os seus escudos, enfiavam câmeras em seus rostos, sempre em busca daquela reação mais dura que depois faz a festa nas redes sociais. O momento mais tenso aconteceu na estação Butantã, do Metrô, que chegou a ser fechada por algum tempo.

Quando começava já a haver a dispersão, os black blocs deram, então, início a depredações. Três agências bancárias foram atacadas; duas bombas caseiras foram lançadas contra policiais. A PM deteve 54 pessoas. A esta altura, todos já estão na rua.

As leis são frouxas para coibir esse tipo de comportamento. A pouco mais de 50 dias do início da Copa, observem que o país continua sem uma legislação que possa punir com severidade quem põe em risco centenas — e até milhares — de pessoas. Todas as tentativas esbarraram na conversa mole de que se estaria tentando impedir o direito à livre manifestação. Ora, existe uma distância gigantesca entre liberdade de expressão, um direito fundamental, e licença para depredar, agredir, incendiar. Essas são ações criminosa, não “direitos”.

Mas não tem jeito! O governo federal não aprende. Na sexta-feira, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, encontrou-se com alguns jovens, supostos líderes de manifestações. Pediu a colaboração deles; reclamou que o governo é incompreendido; chegou mesmo a acusar uma espécie de ingratidão: “Vocês, jovens, também nos dão desespero pelas coisas que vocês fazem. A gente organiza uma Copa do Mundo achando que vai ser uma festa, e vocês vêm e dão porrada. E dizem: é uma… merda”.

No protesto, bandeiras do Brasil foram queimadas. No Rio, também nesta quarta, black blocs resolveram se infiltrar numa manifestação de pessoas que foram retiradas do terreno da Oi. Dilma Rousseff está brincando com o perigo. O diabo é que este é um governo que não governa, então as decisões tardam, quando são tomadas…

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AGU entra com ação contra promotora que pediu quebra de sigilo do Planalto

Por Andréia Sadi, na VEJA.com:
A AGU (Advocacia-Geral da União) entrou nesta terça-feira (15) com uma reclamação disciplinar na corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público contra a promotora Márcia Milhomens Sirotheau Corrêa, que pediu à Justiça a quebra de sigilo de aparelhos usados no Palácio do Planalto. A promotora investiga suspeitas de que o ex-ministro José Dirceu, preso na Papuda após condenação no mensalão, usou um telefone celular na prisão. O Ministério Público abriu inquérito em janeiro para saber se ele fez ligações telefônicas de dentro do presídio, o que é proibido. O pedido da AGU registra que investigação interna da Papuda não encontrou provas do feito e que, ”ao invés de simplesmente dar por encerrada a questão”, a promotora adotou um procedimento “inteiramente inédito e heterodoxo”.

“Requereu a quebra do sigilo telefônico amplo, geral e extenso em específicos locais e de um número indeterminado e não-sabido de pessoas, englobando o Palácio do Planalto, sem maiores justificativas, explicações e pormenorização”, diz a AGU. No pedido apresentado na semana passada ao STF (Supremo Tribunal Federal), Márcia não fez referência ao palácio, mas indica suas coordenadas geográficas como alvo de investigação. Para a AGU, a atitude da promotora não parece haver ocorrido dentro do “estreito linde da legalidade”. O governo pede ao conselho nacional do Ministério Público que sejam adotadas as medidas para tomar “insubsistente o pedido de quebra de sigilo telefônico feito de modo ilegal”, em regime de urgência cautelar. O secretário de Indústria da Bahia, James Correia, disse em janeiro à coluna “Painel” ter falado com Dirceu por celular no dia 6 de janeiro. O advogado de Dirceu, José Luis Oliveira Lima, nega que o contato tenha ocorrido.

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Polícia Federal apresenta relatório final da Operação Lava Jato

A Polícia Federal concluiu nesta terça-feira (15) o relatório final da Operação Lava Jato, que investiga o esquema de lavagem de dinheiro chefiado pelo doleiro Alberto Youssef, preso há três semanas no Paraná. O esquema movimentou ilegalmente R$ 10 bilhões.

Além de Youssef, foram presas 14 pessoas envolvidas no esquema. Outro detido na operação é o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. A investigação diz que ele ajudou uma empresa de fachada de Youssef a fechar um contrato milionário com a estatal.

Quatro relatórios foram entregues à Justiça Federal do Paraná. A PF indiciou 46 pessoas pelos crimes de formação de organização criminosa, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, entre outros.

No total, foram cumpridos 105 mandados de busca e apreensão, 19 de prisão preventiva e 12 de prisão temporária. E dois doleiros foram indiciados por financiamento ao tráfico de drogas.

Ainda de acordo com a PF, foram apreendidos R$ 6 milhões em dinheiro e 25 carros com valor de mercado superior a R$ 100 mil cada.

Na fase de investigação, a Polícia Federal descobriu a estreita relação entre Youssef e o deputado André Vargas (PT-PR).

Vargas é considerado sócio informal do doleiro. Pressionado, ele chegou a dizer que renunciaria ao mandato nesta terça. Acabou recuando. Disse que está “reestudando” o caso.

Ainda poderão ser apresentados complementos aos relatórios finais a partir do estudo do material apreendido e não analisado.

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De 'gerentona' a 'mãezona': a nova imagem de Dilma em teste no Rio
Daniel Haidar, Veja

Com a imagem de “gerentona” prejudicada por problemas que vão de irregularidades na Petrobras aos atrasos em investimentos públicos federais, a presidente Dilma Rousseff exercitou, nesta terça-feira, seu lado “mãezona” de programas sociais.

Em clima de campanha, Dilma abraçou, beijou e posou para fotos com formandos do Programa Nacional de Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), que oferece vagas gratuitas em cursos técnicos, durante cerimônia organizada pelo Palácio do Planalto em um clube de São Gonçalo, cidade a 15 quilômetros do Rio, na Região Metropolitana.

No discurso para cerca de mil formandos, a presidente disse ter recebido um pedido de um dos estudantes: transformar o Pronatec em uma política de Estado. E, assim, a "mãezona" prometeu fazer.

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Ato contra a Copa do Mundo em São Paulo termina em confronto
Leonardo Guandeline, O Globo

Cerca de mil pessoas voltaram às ruas de São Paulo na noite desta terça-feira para protestar contra a realização da Copa do Mundo. A manifestação que começou pacífica terminou com confronto entre mascarados e policiais. Segundo a Polícia Militar, 54 pessoas foram detidas na estação do metrô Butantã, na Zona Oeste da capital paulista. Ainda de acordo com a PM, eles foram levadas para o 14º Distrito Policial.

O clima de tensão começou só no final da caminhada, que seguiu da Avenida Paulista em direção ao Largo da Batata. Manifestantes jogaram duas bombas de fabricação caseira em direção à Polícia Militar, que não reagiu. Por volta das 21h30, quando o ato chegava ao fim, um grupo quebrou orelhões e atacou duas agências bancárias no entorno da estação Butantã. A Tropa de Choque da Polícia Militar cercou a área e os vândalos foram detidos dentro da estação.

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Assembleia aprova greve da Polícia Militar na Bahia
Egi Santana e Maiana Belo, G1

A assembleia realizada na tarde desta terça-feira (15), no Wet'n Wild, um dos principais espaços de shows em Salvador, aprovou a greve da Polícia Militar. Os participantes aguardaram o início do encontro desde as 15h. A decisão só ocorreu após as 19h30, depois de representantes de associações analisarem a proposta da Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).

O vereador pelo PSDB Marco Prisco, que é presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) e foi preso ao fim da última greve, anunciou a proposta do governo da Bahia à massa de policiais e perguntou se eles aprovavam, sendo que a maioria respondeu que não.

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Senado aprova MP com anistia de multas a planos de saúde
Cristiane Bonfanti, O Globo

O Congresso Nacional deixou para a presidente Dilma Rousseff a decisão de vetar a emenda incluída na medida provisória 627, que estabelece um teto para a aplicação de multas às operadoras de planos de saúde, beneficiando as empresas.

O plenário do Senado aprovou o texto que veio da Câmara com este e outros aditivos, a fim de evitar que a MP, que trata da tributação do lucro das empresas no exterior, perdesse a validade. O prazo de vigência se encerraria na segunda-feira.

A inclusão do dispositivo sobre as multas da ANS na MP 627 foi revelada pelo GLOBO em 3 de abril e abriu uma crise entre o governo federal e o Legislativo. O relator da proposta na Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse contar com o aval de Dilma, mas o ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que o governo é contrário à inclusão e informou que a aprovação da emenda representaria perdão de R$ 2 bilhões para as operadoras, segundo cálculos do Ministério da Saúde.

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Governo e oposição voltam a se encontrar em Caracas
O Globo

Governo e oposição estão reunidos para encontrar uma solução para o conflito que já deixou 41 mortos e centenas de feridos na Venezuela. Após os diálogos da última quinta-feira, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), coalizão de oposição preparou dois grupos para trabalhar em dois pontos centrais das discussões: a anistia para os presos e perseguidos políticos, e uma comissão para avaliar os casos de prisões e violações dos direitos humanos.

— Membros do governo já afirmaram que não querem anistia, mas vamos analisar as opções e examinar os casos para conseguir a liberdade dos presos. Estamos dispostos a ouvir outras propostas. — afirmou Ramón Guillermo Aveledo, secretário executivo da MUD, antes do início da reunião.

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Balsa afunda na Coreia do Sul com 476 pessoas a bordo
O Globo

Navios da guarda costeira da Coreia do Sul e cerca de 20 helicópteros participavam nesta quarta-feira do socorro de centenas de pessoas a bordo de uma balsa que afundou na costa sudeste do país, deixando ao menos um morto, informaram as autoridades.

A balsa, que transportava 476 pessoas, incluindo 325 estudantes que faziam uma excursão à ilha de Jeju, adernou e afundou após raspar o casco no fundo do mar. O barco havia partido do porto de Incheon.

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Dilma e Renan comandam "abafa" da CPI da Petrobras. Dupla quer ganhar tempo.

Em manobra articulada pelo governo, o Congresso decidiu esperar o STF (Supremo Tribunal Federal) se manifestar sobre a instalação da CPI da Petrobras para também definir se a comissão de inquérito deve efetivamente ser criada. Ao adiar a decisão, o governo ganha tempo para retardar o início das investigações em ano eleitoral.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), leu na noite desta terça-feira (15), em sessão do Congresso, os dois pedidos de criação de CPI mista da Petrobras, com deputados e senadores, mas deixou em suspensa a sua instalação porque considera que a palavra final sobre o impasse deve ser do Supremo.

"Não adiante colocar uma decisão do plenário acima da decisão do Supremo. Como há expectativa sobre a manifestação do STF, não adianta precipitarmos uma decisão do plenário do Senado ou do Congresso", afirmou.

Assim como no Senado, há dois pedidos de criação de CPI da Petrobras no Congresso. O primeiro, de autoria da oposição, pede que a comissão de inquérito apure apenas fatos relacionados à estatal. Já o segundo, apresentado por aliados da presidente Dilma Rousseff, inclui as investigações sobre a Petrobras, mas pede que a comissão também apure fatos que respingam na oposição em ano eleitoral, como o cartel do Metrô de São Paulo e o Porto de Suape (PE).

O PT repetiu a estratégia adotada no Senado e apresentou na sessão do Congresso pedido para que a CPI mista não seja instalada. Os petistas argumentam que a comissão não tem "fato determinado" porque reúne assuntos diversos sobre a Petrobras. DEM e PPS apresentaram outros pedidos solicitando que a CPI seja restrita a assuntos da estatal. O PMDB ainda apresentou um terceiro questionamento para que as duas CPIs sejam instaladas no Congresso: a proposta pelo governo e também a da oposição.

Renan disse que não vai responder a nenhum dos questionamentos antes da decisão do STF. "Vamos responder às questões, mas não há prazo nem sobreposição a uma decisão do Supremo", afirmou. A próxima sessão do Congresso está marcada para maio, mas Renan disse que pode marcar uma outra data para responder aos questionamentos a depender a decisão do STF.

A oposição apresentou mandado de segurança no Supremo com o pedido para que prevaleça a CPI exclusiva da Petrobras. A ministra Rosa Weber, do STF, prometeu a senadores da oposição decidir até a próxima quarta-feira (23). O mandado de segurança se refere ao pedido de CPI apresentado pela oposição no Senado, mas Renan disse que a resposta do Supremo deve valer também para as CPIs mistas da Petrobras.

Renan já declarou ser favorável à CPI mais ampliada, proposta pelo governo, por isso a oposição aposta que a ministra será favorável aos argumentos em favor da minoria no Legislativo.

Líder do DEM, o deputado Mendonça Filho (PE) disse que a oposição estuda ingressar com outro mandado de segurança no STF caso a ministra Rosa Weber determine a instalação da CPI governista. "Politicamente, o governo ganhou uma semana de prazo. É estratégia para levar a questão ao STF. Se apresentarmos outra ação, a gente pode cair nas mãos de outro ministro", afirmou.

MANOBRA

O Palácio do Planalto trabalha contra a instalação da CPI da Petrobras porque teme impactos na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff. A manobra articulada pelo governo esvaziou a sessão do Congresso marcada para a noite desta terça. Renan conseguiu apenas ler os pedidos de criação das CPIs, mas diante do baixo número de congressistas presentes, encerrou a sessão sem definir se a comissão de inquérito deve ser instalada.

O governo aposta no calendário apertado do Congresso este ano, com Copa do Mundo e eleições, para que não dê tempo de a CPI efetivamente começar as investigações. A oposição não protestou porque também prefere esperar uma decisão do STF sobre a CPI antes da manifestação oficial do Congresso.

Os deputados e senadores que assinaram os pedidos de CPI mista da Petrobras têm até a meia-noite desta terça-feira para retirarem apoio à comissão de inquérito –o que na prática não deve ocorrer porque governo e oposição têm, cada um, o seu próprio pedido de CPI. (Folha Poder)


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Blog do Reinaldo Azevedo

O discurso sem lugar de Graça Foster. É impossível defender ao mesmo tempo a compra da refinaria de Pasadena e a explicação de Dilma

Pois é, pois é… A presidente da Petrobras, Graça Foster, tentou explicar no Senado a compra da refinaria de Pasadena. A tarefa, acreditem, poderia ter sido mais fácil se ela estivesse obrigada a dizer “ou bola ou bule”, ou uma coisa ou outra. Ocorre que o raciocínio aparentemente quântico, e incompreensível, que ela tentou desenvolver não deriva do excesso de sabedoria, mas do excesso de confusão. Graça pretende que seus interlocutores entendam que a compra fazia e não fazia sentido a um só tempo; que era e que não justificável; que houve e que não houve comportamento heterodoxo nessa história toda.

Vamos ver. Numa das linhas de argumentação, a presidente da Petrobras tentou fazer com que os senadores entendessem que a compra de Pasadena — que se revelou, depois, segundo ela própria, um mau negócio — fazia sentido naquela hora. Afinal, disse, o Brasil ainda não havia chegado ao pré-sal (embora, convenham, não tenha sido uma surpresa, algo em que se tropece, né?); havia a escolha de comprar refinarias no exterior; as circunstâncias do mercado justificavam etc. Muito bem! Pode-se concordar ou não com os argumentos, mas é uma linha de defesa.

Ocorre que, ao mesmo tempo, Graça estava lá para sustentar a versão da presidente Dilma: o Conselho desconhecia as duas cláusulas consideradas polêmicas: a Put Option (que obrigava a compra da outra metade em caso de desentendimento entre os sócios) e a “Marlim”, que garantia à Astra Oil uma rentabilidade de 6,9% ao ano independentemente das condições de mercado. Pois é… Digamos que a primeira ainda possa ser corriqueira em negócios dessa natureza — afinal, o preço das coisas, não importa o quê, passa por uma avaliação abalizada do mercado. A segunda, tudo indica, não se vê todo dia por aí. Sim, já está evidenciado que Dilma os demais conselheiros, com efeito, desconheciam essas duas cláusulas, seja uma delas comum ou não; seja a outra exótica ou não.

Ainda nesse ponto, atenção!: Dilma poderia não ter levado a bomba para explodir dentro do Palácio do Planalto. Poderia ter dito algo assim: “Olhem, eu não conhecia, ninguém conhecia, mas andei pesquisado e, mesmo com elas, o negócio fazia sentido!”. E segurasse o rojão, ora essa! Quando se é governo, perdoem-me o clichê, há o bônus, mas também há ônus. Mas quê!

Dilma foi a primeira a assumir a posição da ludibriada; Dilma foi a primeira a assumir o lugar da traída; Dilma foi a primeira a exercer o discurso da enganada; Dilma foi a primeira autoridade de peso a sustentar que a Petrobras havia sido, em suma, vítima de um trapaça, de um memorial executivo omisso, que forneceu ao conselho informações apenas parciais. Ora, ela queria o quê? Que as oposições e, na verdade, milhões de brasileiros dissessem: “Pô, coitada da presidente! Foi enganada por aqueles caras da Petrobras!” Como se fosse pouco, a presidente demitiu Nestor Cerveró, o então diretor da Área Internacional que cuidou da operação. Nunca se viu antes uma demissão retroativa como essa, com oito anos de atraso!

Em 2007, a ainda conselheira da Petrobras e ministra-chefe da Casa Civil, além de sedizente especialista em setor energético, já sabia de tudo, já tinha ciência do que, sugeriu mais tarde, era consequência de um engodo. E fez o quê? Nada! Ou, numa relação puramente vetorial, fez menos do que nada — e, pois, piorou o que era ruim: permitiu que Cerveró assumisse o cobiçado cargo de diretor financeiro da bilionária BR Distribuidora. E foi desse cargo que ela o demitiu, punindo-o por um ato praticado oito anos antes, do qual ela tem ciência há mais de sete. Aí não dá!

A presidente da Petrobras, Graça Foster, cobra demais de seus interlocutores; pede que condescendam com uma linha de argumentação e também com o seu contrário.

Honra ofendida
Graça reagiu com ar e inflexão meio ofendidos quando senadores sugeriam que a Petrobras virou, assim, uma espécie de casa-da-mãe-joana — se não exatamente na sua gestão, na de José Sérgio Gabrielli. Sobrou sempre a sugestão de que se estava ofendendo a empresa. Aí, não, doutora! Que o loteamento político de cargos fez com que a empresa se transformasse no palco de uma engrenagem corrupta, isso é dado por uma pletora de fatos. “Ação isolada?” Segundo a própria Dilma, não! Se um diretor está na cadeia em razão das lambanças que praticou, outro, diz a ex-presidente do conselho, a enganava. De resto, Pasadena não é a única suspeita de ilícito na empresa, não é mesmo?

Não existe lugar para o discurso de Graça Foster.


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Blog do Ilimar Franco

Bolsa Família: Mais 10 milhões

          O candidato de oposição Eduardo Campos (PSB) vai propor a ampliação, em cerca de 10 milhões, do número de pessoas beneficiárias do Bolsa Família. Sua equipe de programa de governo estima que esse é o número dos que também atendem ao critério de baixa renda mensal. Na gestão da presidente Dilma, já recebem a bolsa 14,1 milhões de famílias. Seu custo em 2013 foi de R$ 24,7 bilhões.

Um divisor de águas na oposição
A ampliação do Bolsa Família representa uma ruptura com o discurso até agora predominante da oposição. Os economistas ligados ao PSDB tem se esmerado em acenar com o corte dos gastos públicos e do tamanho do estado. São comuns suas críticas ao programa, obrigando seu candidato, Aécio Neves, a assumir compromisso com sua manutenção. O líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque, faz a defesa da Bolsa: “Esse dinheiro retorna para a economia e ativa o mercado. Quantos municípios já não teriam quebrado sem esse dinheiro? O Bolsa Família é investimento, é um dinheiro que não se joga fora e ainda assegura a criança na escola".

“Ter um candidato ao governo do Rio ajuda o 45 a ter visibilidade. E o tempo de TV poderá ser usado ao sabor das necessidades de Aécio Neves”

Otavio Leite
Deputado Federal, em defesa de uma candidatura própria para o governo do Rio

O empurrãozinho
Os petistas que ouviram o deputado André Vargas (PT-PR) disseram que ele foi muito evasivo. No depoimento o avisaram que a Comissão de Ética do partido vai analisar o caso e lhe perguntaram o que ele achava de renunciar ao mandato.

Mamata
A ministra do TCU, Ana Arraes, mãe de Eduardo Campos (PSB), mora de graça num imóvel do Senado desde agosto de 2012. Em maio de 2013, o Senado decidiu cobrar aluguel dos apartamentos ocupados por pessoas que não são de seus quadros. A ministra, que tem a tarefa de fiscalizar os gastos alheios, não se dispôs a pagar pelo uso do imóvel.

Previsão do tempo para hoje
O PSDB mineiro continua firme na defesa de seu candidato ao governo Pimenta da Veiga. Mas os tucanos reconhecem que a situação é incômoda, sobretudo depois que o tema foi abordado no noticioso de TV de maior audiência do estado.

No time de Eduardo Campos
O jornalista Alon Feuerwerker será o coordenador de comunicação da campanha de Eduardo Campos (PSB). Ele se desliga da empresa FSB, onde dirigia o escritório de Brasília. Alon tem larga experiência de trabalho na área: José Dirceu (1994), José Serra (2002), Aldo Rebelo (2003) e na Presidência na gestão Lula (2004/2005).

Diversão
Os petistas ironizam a presença do governador João Lyra (PSB) nos grotões de Pernambuco ao lado da presidente Dilma. Ele foi chamado de “estadista” por não ir no ato do lançamento de Marina Silva como vice de Eduardo Campos.

Depois da porta arrombada
Os presidentes do TCU, Augusto Nardes, e da Associação de Membros dos Tribunais, Valdecir Pascoal, vão enviar carta aos TCEs pedindo rigor nos critérios da reputação ilibada nas indicações. Querem evitar novos casos Gim Argello.

O ex-presidente e senador José Sarney está festejando a repercussão e a audiência no site de entrevista publicada no fim de semana no El País (Espanha).


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Blog do Rodrigo Constantino

Pirotecnia à lá Rambo ou propaganda à lá Goebbels?

Em artigo publicado hoje no GLOBO, Gil Castello Branco, da ONG Contas Abertas, esmiuça aquilo que mais apavora o PT: os dados. A candidata Dilma, que parece esquecer que ainda é presidente, já anuncia com muita celeuma e fanfarra o PAC 3. Só há um pequeno problema: boa parte do PAC 1 e do PAC 2 sequer saiu do papel. Para Castello Branco, isso remete ao filme “Rambo”, com muita pirotecnia para agradar aos cinéfilos menos exigentes com conteúdo.

Outra analogia boa seria com o general Potemkin. Grigori Potemkin foi um oficial russo que construiu falsas fachadas para impressionar Catarina II durante uma visita a Crimeia. Por trás daquela “cidade” havia apenas ruínas, como um cenário de novela. Tudo “para inglês ver”, ou no caso dele, para a czarina ver, ou no nosso caso, para os eleitores acharem que viram alguma coisa. Aos dados:

Em síntese, até dezembro de 2013 mais da metade do PAC 2 sequer saiu do papel. Decorridos três anos, dentre os 49.095 empreendimentos, 26.154 (53%) estão nos estágios de “ação preparatória”, “em contratação”, “em licitação de obra” e “em licitação de projeto”. De cada dez iniciativas, menos de quatro estão “em obra” ou “em execução”. Apenas 12% dos empreendimentos estão “concluídos”.

Na Saúde, das 24.006 obras tocadas pelo ministério e pela Funasa, só 2.547 (11%) foram colocadas à disposição da sociedade. As Unidades Básicas de Saúde (UBS) ilustram essa realidade: das 15.652 previstas, irrisórias 1.404 (9%) foram concluídas. Quanto às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), 503 estavam previstas, mas somente 14 ficaram prontas. Nas ações de saneamento e recursos hídricos, das 7.911 iniciativas, apenas 1.129 (14%) foram finalizadas. Pelo visto, para reduzir os problemas da saúde no Brasil, serão necessárias, além dos médicos cubanos, mais infraestrutura e melhor gestão.

[...]

Das 5.257 creches e pré-escolas constantes do PAC 2 apenas 223 estavam em funcionamento até o fim do ano passado. No esporte, os estádios padrão Fifa estão quase prontos; no entanto, das 9.158 quadras esportivas que seriam construídas em escolas, apenas 481 (5%) foram inauguradas. Nenhum dos 285 centros de iniciação ao esporte ficou pronto.

Os resultados também são pífios nos Transportes. Dos 106 empreendimentos em aeroportos, quase 70% ainda estão em fases burocráticas. De cada três obras em rodovias, apenas uma foi concluída. Das 48 intervenções em ferrovias, apenas 12 chegaram ao fim. Nos chamados PACs do “turismo”, das “cidades históricas” e das “cidades digitais” nenhum dos 733 empreendimentos foi finalizado.

Mas o mais impressionante de tudo é mesmo a cifra inflada do PAC por conta dos empréstimos que a Caixa faz para a compra ou reforma de imóveis. Castello Branco explica:

Como quantitativamente os projetos evoluem lentamente, o governo prefere enfatizar que as “ações concluídas” somam R$ 583 bilhões. Deste valor, 44%, isto é, R$ 253,8 bilhões são “empréstimos habitacionais à pessoa física”. Assim, caro leitor, se você for à Caixa Econômica Federal e solicitar empréstimo para a compra de imóvel novo, usado ou para reformas, o financiamento, tão logo liberado, será incluído como “ação concluída” do PAC. Por incrível que possa parecer, o dinheiro que a CEF lhe emprestou — em parte vindo do FGTS, que já era seu e sobre o qual você irá pagar juros — é a principal realização do PAC 2, tal como já acontecera no PAC 1. A soma dos “empréstimos habitacionais à pessoa física” é tão relevante que supera o montante de todas as obras concluídas dos eixos de transporte e energia.

O caso também foi tema da coluna de José Casado no mesmo jornal. O jornalista diz:

A presidente-candidata, desde 2010, faz do continuísmo sua oferta única ao eleitorado. Agora anuncia a nova versão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O original, a bordo do qual se elegeu, listava sete mil projetos. Passados quatro anos, apenas 900 estão concluídos. Nove em cada dez obras de saneamento prometidas por Dilma na eleição passada simplesmente não saíram do papel, demonstram a Associação Contas Abertas e o Instituto Trata Brasil. Há cinco anos repete coisas assim: “Vamos recompor a capacidade do Estado de planejar, gerir e induzir o desenvolvimento, e reforçar também a capacidade de planejar do Estado brasileiro, a integração entre o Estado e o setor produtivo, setor privado, entre o governo e a sociedade, entre o governo federal, os estados e os municípios.”

Claro, nada disso foi inventado pelo PT, tampouco é exclusividade sua. Outros candidatos também apelam para promessas irreais, pois a democracia das massas virou um leilão de oferta de sonhos irrealizáveis com pouco apreço pela sua viabilidade ou custo.

Mas é inegável que o PT simplesmente levou tal tradição ao ápice da cara de pau no Brasil. Nunca antes na história deste país um governo foi tão pautado somente pelo marketing. Gil Castello Branco se lembrou de “Rambo” e toda aquela pirotecnia. Mas confesso que vem à minha mente outra figura, menos heróica que Sylvester Stallone.

Como era mesmo o nome daquele poderoso marqueteiro alemão, segundo na hierarquia do poder, que popularizou o slogan “uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”?


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Blog do Coronel

IBGE peita Dilma e quer manter pesquisa que dá o real desemprego.

A iniciativa de suspender a pesquisa sobre o real desemprego foi capitaneada pelos senadores Armando Monteiro (PTB-CE) e Gleisi Hoffmann (PT-PR). Os dois são candidatos ao governo dos seus estados. Não pensam no Brasil. São estafetas de Dilma Rousseff e só pensam no projeto de poder mantido pelo PT à base de mentiras. Mentiras como o desemprego de 4,9%. quando na verdade é de 7,1%.

O IBGE criou uma comissão para evitar a interrupção, anunciada na semana passada, da divulgação da Pnad Contínua --pesquisa que, entre outros dados, fornece uma mais ampla taxa de desemprego do país. O objetivo da comissão é pôr fim à crise deflagrada na quinta, quando o anúncio da interrupção levou ao pedido de afastamento de duas dirigentes do instituto e à ameaça, por parte de 18 coordenadores, de deixar seus cargos. Os técnicos temem que a suspensão da divulgação da pesquisa macule a imagem e a credibilidade do instituto.

Em nota, os coordenadores dizem que os trabalhos técnicos do IBGE "não estão sob nenhum domínio ou ingerência política" e que não há "suspeição sobre a integridade" do conselho diretor. Segundo Eulina Nunes, coordenadora dos índices de preço e uma das signatárias da nota conjunta, a motivação foi retirar a conotação política que o caso ganhou: "Em ano eleitoral, tudo ganha outra impressão. Até explicar que gato não é lebre...".

MOBILIZAÇÃO

Os 18 coordenadores se mobilizaram ontem, após a suspeição de interferência política no instituto. "Isso nunca existiu no IBGE e, espero, nunca existirá. Porque, no dia em que houver, eu espero não estar mais aqui", disse Cimar Azeredo, gerente da pesquisa que é alvo da polêmica, a Pnad Contínua. "Todas as pesquisas do IBGE foram colocadas em xeque."

Segundo Eulina, o objetivo não era colocar a direção do órgão sob suspeita, mas defender a divulgação dos dados. O conselho diretor do IBGE justificara a suspensão pela falta de equipe para divulgar a taxa de desemprego neste ano e, ao mesmo tempo, fazer ajustes na pesquisa.

A alteração seria necessária porque a renda domiciliar per capita, calculada pela Pnad Contínua, passará a ser um dos critérios de repartição do Fundo de Participação dos Estados a partir de 2015. O problema é que há grande diferença entre as margens de erro de cada Estado, o que poderia distorcer os repasses.

Os técnicos do IBGE se queixam de não terem sido ouvidos antes da decisão de suspender a divulgação. A presidente do órgão, Wasmália Bivar, reconheceu que foi um erro não consultar o corpo técnico. Ela afirma que só neste mês deu-se conta de que teria de apresentar os dados de renda em 2015, e não em 2016.

SEM TEMPO

A necessidade de antecipar em um ano a revisão da metodologia para reduzir a disparidade entre as margens de erro consumiria, segundo ela, o tempo das equipes que analisam e criticam os dados. Os técnicos contestam a necessidade de suspensão. Em nota, eles afirmam que, mesmo se houvesse necessidade de estudos adicionais, seria possível conciliar as duas tarefas, "apesar das restrições de recursos orçamentários e humanos" do órgão. "A gente queria que os prazos fossem cumpridos, mesmo que tivéssemos que nos virar do avesso", disse Eulina.

Azeredo vai chefiar a comissão criada ontem e deverá entregar um cronograma demonstrando como manter a divulgação e reformular a pesquisa. Segundo os dois técnicos, a direção do IBGE mostrou-se aberta à proposta de manter a divulgação neste ano. A decisão final é do conselho diretor.

O IBGE sofreu um corte de R$ 300 milhões em seu orçamento para 2014, o que postergou a realização de duas pesquisas (a POF, para 2015, e a Contagem da População, para 2016). O número de trabalhadores efetivos, responsáveis pela análise de dados e supervisão da coleta, do órgão caiu 17% em dez anos.

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PF começa a indiciar na Operação Lava-Jato: corrupção, evasão de divisas, formação de quadrilha e até tráfico de drogas. E Dilma diz que é a oposição quem quer destruir a Petrobras.

A Polícia Federal concluirá até quinta-feira o inquérito da Operação Lava-Jato, com o indiciamento das 28 pessoas presas nas duas fases da ação policial que investiga desvios de pelo menos R$ 10 bilhões para o exterior. O número de indiciados pode até aumentar, segundo os delegados que preparam o relatório final, com a inclusão de outras pessoas que não foram presas e cujos nomes surgiram ao longo das investigações.

As 15 pessoas que continuam presas preventivamente, entre elas o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, deverão permanecer na prisão. Nesta semana, eles devem ser transferidos para o presídio de segurança máxima de Catanduvas, no interior do Paraná.

O relatório da PF será enviado ao juiz federal Sérgio Moro e ao Ministério Público Federal. O MPF vai analisar o documento da PF e decidir se oferece denúncia ao juiz. Aceita a denúncia, todos se transformam em réus e aguardarão presos pela sentença. Os presos da Lava-Jato serão indiciados por evasão de divisas, manutenção de contas não declaradas no exterior, operações não autorizadas pelo sistema de câmbio, desvio de recursos públicos, fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha e financiamento ao tráfico de drogas. Este último crime deve ser imputado aos quatro doleiros presos na operação, sobretudo a Carlos Habib Chater, de Brasília, que foi flagrado financiando traficantes.

Ex-diretor foi preso no dia 20

A Lava-Jato investiga principalmente corrupção e fraudes em licitações da Petrobras, tendo o ex-diretor de Abastecimento da estatal como o centro das ações coordenadas pela PF. Paulo Roberto Costa foi preso no dia 20, em seu apartamento, no Rio, onde os policiais apreenderam centenas de documentos.

O deputado Fernando Francischini (Solidariedade-PR), membro da Comissão Externa na Câmara que investiga se houve pagamento de propinas nos negócios da empresa holandesa SMB com a Petrobras, disse que vai pedir a investigação dos dados publicados pelo GLOBO segundo os quais empresas fornecedoras da Petrobras pagariam “taxas de sucesso” para Costa em percentuais que variavam de 5% a 50%.

Além desses contratos, o ex-diretor da Petrobras receberia mesadas de grandes empreiteiras, como a Camargo Corrêa, que pagaria mensalmente R$ 100 mil, totalizando R$ 3 milhões durante a vigência do contrato, em setembro de 2015. Numa nota de apenas uma linha, a construtora disse apenas que “manteve em 2013 relação contratual com a consultoria Costa Global”.

— Taxas de 50% só podem ser resultado de corrupção — disse Francischini, que também é delegado da PF. Ele quer investigar também os negócios de Costa com a Astromarítima Navegação S/A, com sede no Rio. Segundo o “Fantástico”, da TV Globo, a empresa tem negócios de R$ 550 milhões com a Petrobras no fornecimento de navios petrolíferos para a estatal e está entre as empresas que pagam taxas de sucesso para o ex-diretor. As planilhas apreendidas mostram que a empresa pagava uma taxa de sucesso de 5% do bruto dos contratos com a estatal, mais 50% do que excedesse o total de R$ 110 milhões: — Vamos investigar se esses navios não são fantasmas.

Em nota, a empresa diz que, “em consequência de seu valor no mercado, recebeu pelo menos dez propostas de compra, que não se consumaram” e que assinou “um acordo com a Costa Global para intermediação com a companhia J&F, que teria interesse em aportar recursos na Astromarítima ou, alternativamente, adquirir participação societária. A remuneração ajustada foi de 5% do preço de venda das ações, cujo valor global foi fixado em R$ 110 milhões. Apenas se a transação ultrapassasse este valor, a Costa Global faria jus, ainda, por êxito, à remuneração de 50%do excedente, conforme prática usual do mercado”. (O Globo)

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Chapa de oposição
Merval Pereira, O Globo

A definição de que a chapa PSB e Rede é uma resposta ao autoritarismo do governo petista, que tentou inviabilizá-la de todas as maneiras, é uma postura de combate do ex-governador Eduardo Campos e mostra bem a linha de atuação que ele e a ex-senadora Marina Silva terão durante a campanha eleitoral.

Com o lançamento da chapa Campos-Marina, fica definido um dos principais postulantes pela oposição à sucessão da presidente Dilma, acabando a especulação de que Marina não aceitaria um posto inferior na chapa, ela que estaria em 2º lugar na corrida presidencial se fosse candidata isolada.

Marina aceitou ser vice de Campos, mas não se considera em plano inferior politicamente, tanto que disse que caminhará “lado a lado” com ele. Essa visão, antes de ser um complicador para a composição da chapa, é uma solução para que os eleitores “marinistas” não se sintam desprestigiados e possam trabalhar para a transferência de votos de Marina para a chapa que o ex-governador de Pernambuco encabeça.

Campos, em entrevista prévia ao lançamento da chapa “pura” — Marina filiou-se ao PSB depois de ter sido negado o registro da Rede e repetiu ontem as críticas ao governo por tentar inviabilizá-la —, teve uma boa saída para explicar sua dissidência, depois de ter participado dos dois governos Lula e dos primeiros anos do de Dilma: “Esse governo decepcionou não só a mim, mas a muitos dos outros milhões que nele votaram”.

A outra postura que marcará a campanha da dupla foi definida pelo economista Eduardo Gianetti: essa chapa é a terceira via, uma alternativa para os eleitores que já estariam cansados da polarização entre PT e PSDB que vem marcando as disputas para a Presidência desde 1994. Seguindo a linha de seus líderes, Gianetti disse que os avanços construídos tanto por FHC quanto Lula não foram seguidos por Dilma, frustrando assim o eleitorado.

Caberia agora a Campos e Marina dar prosseguimento a esses legados, com uma visão nova que incorporaria o melhor dos dois partidos. Essa postura, se levada ao pé da letra, pode isolar a chapa Campos e Marina, que ficaria sem apoios políticos para o segundo turno. Como pedir o apoio dos tucanos se eles forem alvos de ataques no primeiro turno?

Na carta de princípios esboçada está o compromisso de não fazer ataques pessoais aos adversários, o que poderá levar a que tanto Campos quanto Marina façam suas críticas no campo programático, o que seria uma novidade em eleições presidenciais recentes.

Foi esse estilo, porém, que levou Marina a ter grande votação em 2010, sem atacar mesmo a então candidata Dilma, com quem se desentendeu no governo Lula. O próprio Lula comentou recentemente que compreendia a dissidência de Marina, pois acompanhou suas desavenças com Dilma.

Colocada como de oposição, a candidatura de Campos caminha para tentar receber a maioria possível de votos dos eleitores de Marina e terá na vice uma candidata atuante, que poderá ocupar palanques alternativos durante a campanha.

Há na política a definição de que vice não dá voto a ninguém, mas pode tirar. Marina está desafiada pelas circunstâncias eleitorais a provar o contrário quanto à transferência de votos. Mas terá de ter cuidados para não tirar votos de Campos em setores delicados na relação dos dois, que, segundo ela, ainda está sendo construída.

O agronegócio é um desses temas delicados que podem provocar desavenças na campanha, assim como a relação com os evangélicos. Marina citou ontem o fato de ser uma “mulher de fé”, mas garantiu que não faz do púlpito palanque. Tem a seu favor a campanha de 2010, em que não usou a religião para se promover, mas mesmo assim recebeu uma votação maciça dos evangélicos.

O problema para ela nesta eleição é que o pastor Everaldo (PSC) está em campanha assumidamente como candidato evangélico, e, quando um irmão é candidato, a maioria dos votos vai para ele, como demonstram as pesquisas do professor Cesar Romero Jacob, diretor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, que lançou o e-book “Religião e Território no Brasil: 1991/2010”, da Editora PUC.

Ao analisar as transformações no perfil religioso da população, com o crescimento do número de evangélicos no país, esse trabalho é útil para o entendimento do cenário eleitoral. Marina não fez campanha como evangélica, mas as igrejas evangélicas fizeram campanha para ela, o que significou boa parte de seus votos, que agora serão disputados pelo pastor Everaldo.

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Machado de Assis é a nova aquisição do selo literário Dilma Rousseff: “Muitas vezes você é criticado por ter o cachorro e, outras vezes, por não ter o mesmo cachorro”
CELSO ARNALDO ARAÚJO

Machado de Assis, maior nome da literatura brasileira, é a nova aquisição do selo Dilma Rousseff – especializado em adaptar para o dilmês obras-primas das letras nacionais, com um grau de acurácia inferior ao do patético Google Tradutor.

Seu autor favorito vinha sendo Nelson Rodrigues, o frasista perfeito ─ por via do dilmês, transformado num escriba de péssimos bofes e estrofes, capaz de cometer pecados estilísticos mortais, como “não se pode apostar no pior” ou “pessimistas fazem parte da paisagem assim como os morros, as praças e os arruamentos”. Coisas que Nelson nunca disse ou escreveu e não diria ou escreveria nem sob um ataque de apoplexia, enforcado por seus suspensórios e afogado num barril de baba elástica e bovina.

Agora é a vez de Machado, novo contratado da editora DR. A pátria em chuteiras deu lugar à pátria em cachorros. Mestre na observação psicológica, só Deus sabe quanto se esforçou o mago do Cosme Velho para esculpir o personagem do barbeiro Porfírio, um dos opositores do protagonista Simão Bacamarte no conto “O Alienista”. O médico Simão, que estudara na Europa, volta ao Brasil e se instala na pequena Itaguaí, estado do Rio, onde abre um hospício, a Casa Verde, “a bastilha da razão humana”, com um conceito muito amplo, quase universal, de loucura. Bastava uma esquisitice, uma mania e até uma mera vaidade humana e o cidadão era internado na Casa Verde – isso incluía 80% da população.

O pacato barbeiro Porfírio então lidera uma rebelião contra o hospício e seus métodos. Pouco adiante, porém, Bacamarte, o alienista, muda radicalmente seu conceito – passa a considerar loucura qualquer demonstração de bom senso. E eis Porfírio de novo à beira do hospício, a cunhar o lendário aforismo que atravessaria 132 anos – a partir da publicação do conto — para chegar intacto aos dias de hoje como um primor da ironia dialética:

“Preso por ter cão, preso por não ter cão!”.

Bem, intacto até cruzar com Dilma Rousseff, que – no discurso de Porto Alegre em que defendia sua Copa – enquadrou o dito machadiano em sua sintaxe enlouquecida, com a camisa de força de um idioma insano:

“E é interessante que muitas vezes no Brasil, você é, como diz o povo brasileiro, muitas vezes você é criticado por ter o cachorro e, outras vezes, por não ter o mesmo cachorro”.

De cara, ela confundiu Machado com o povo brasileiro, atenuou a prisão original em mera crítica e transformou o cão em cachorro – é o mesmo animal, mas as cinco letras a mais fazem toda a diferença em termos de estilo e prosódia. Seria a materialização da figura oculta do cachorro que Dilma vira atrás de cada criança, na mesma Porto Alegre? Sim, “o mesmo cachorro” – para não deixar dúvida.

Logo adiante, a crítica rende prisão, mas temporária:

“Então, nessa história de preso por ter cachorro, criticado por ter cachorro e criticado por não ter o cachorro, o que eu estou explicando para vocês é o seguinte…”

Não, Dilma Bacamarte nunca terá uma explicação lúcida. No seu hospício idiomático, todas as palavras viram coisa de louco.

Nas eleições de outubro, a confirmarem-se as previsões, Machado de Assis será novamente vilipendiado:

– Ao vencedor, as batatadas.


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Blog do Josias

PPS pede a Campos acordo com Alckmin em SP

Eduardo Campos mal teve tempo de celebrar a confirmação de Marina Silva como sua vice e já está às voltas com um problema mal resolvido de sua coligação. Nesta segunda-feira, dia em que se dissiparam as dúvidas quanto à ordem dos nomes na chapa, o presidenciável do PSB foi instado pelo deputado Roberto Freire, presidente do PPS, a reconsiderar a decisão de lançar um candidato próprio ao governo de São Paulo, como defende Marina.

Integrante da minúscula coligação de Eduardo Campos, o PPS deseja um acordo com o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, candidato à reeleição. “Qualquer candidatura que for criada no improviso, seja pela Rede seja pelo PSB, não terá o efeito de uma aliança com Alckmin”, disse Freire ao blog, confirmando que reabriu o debate em conversa com Campos.

Freire diz estar convencido de que a sucessão de 2014 será decidida pelo eleitorado de São Paulo. E acha que, se quiser entrar na briga para valer, Campos não pode improvisar no maior colégio eleitoral do país. “O Eduardo tem perspectivas de crescer. Eu disse a ele que não dá para imaginar uma disputa real pelo poder ficando isolado com uma candidatura inexpressiva em São Paulo.”

Alckmin deseja o acordo com o PSB. Não desistiu de organizar um palanque duplo — com Campos e o presidenciável do PSDB, Aécio Neves. O governador tucano já havia oferecido a vaga de vice na sua chapa para o deputado Marcio França, seu ex-secretário de Turismo e presidente do diretório paulista do PSB. Ante a resistência de Marina, Alckmin sinalizou a disposição de ceder também a vaga de candidato a senador.

“Mesmo com todos os problemas, o Geraldo concentra ao seu redor uma estrutura de poder, é uma força política que tem representatividade, é democrática e convive bem com setores de esquerda”, afirmou Freire. “Não há razão para não marcharmos junto com ele. É isso que eu defendi junto ao Eduardo.”

E qual foi a resposta? “Ele diz que gostaria de buscar algo ‘novo’ em São Paulo. Mas não está excluindo a outra possibilidade. Sinto que a preocupação com o ‘novo’ é uma questão política que o Eduardo levanta. Diria até que o problema não é Marina. Até porque Marina sabe que não tem uma candidatura consistente em São Paulo.”

A seção paulista do partido de Freire já tomou sua decisão. Em São Paulo, o PPS manterá sua aliança com Alckmin mesmo que os parceiros PSB e Rede insistam em lançar um candidato próprio ao governo do Estado. Na conversa com Campos, Freire aconselhou-o a “levar em conta que Aécio está imprimindo um bom comando à sua campanha, fechando bons acordos. Já não está isolado no Rio. E fechou um bom entendimento na Bahia, o quarto colégio eleitoral do país.”

Não fosse por outras razões, prosseguiu Freire, o desempenho de Aécio reforça a necessidade de Campos de “ter uma presença maior em São Paulo.” O presidente do PPS pensa em voz alta: “O Alckmin já percebeu que é bom para a reeleição dele ter a presença dos dois candidatos de oposição do seu lado. Para o Eduardo também seria ótimo. Pode não ser muito bom para o Aécio.”

São Paulo foi tema de outra conversa mantida por Eduardo Campos, dessa vez com Márcio França, o dirigente do PSB paulista que Alckmin gostaria de ter como vice. Desde que o nariz torcido de Marina conduziu o partido para a tese da candidatura doméstica, França declarou-se, ele próprio, candidato. Fez isso para evitar que a opção recaísse sobre um nome vinculado à Rede —Walter Feldmann, por exemplo.

Segundo apurou o repórter, Campos sondou França sobre a hipótese de ele trocar a candidatura ao governo de São Paulo pela coordenação da campanha presidencal do PSB. Conforme relato que fez a amigos, o deputado afirmou que, se recebesse o aval do partido para aceitar a posição de número 2 na chapa de Alckmin, poderia conciliar as duas atribuições.

Porém, se a opção de Campos for mesmo pelo lançamento de um candidato próprio em São Paulo, França prefere manter seu nome na disputa, a despeito de avaliar que a tarefa será inglória. Sem o apoio do PPS e com escassos 50 segundos de propaganda no rádio e na tevê, o PSB iria à briga de São Paulo como um fiasco esperando para acontecer.

E se lançássemos em São Paulo a candidatura de Luíza Erundina?, perguntou Campos em privado. Recordaram-lhe que a octagenária Erundina talvez não seja enxergada pelo eleitorado como a encarnação do “novo”. De resto, embora seja amiga de Marina e desfrute do respeito de todos, Erundina não parece disposta a arrostar o desafio de uma campanha para o Palácio dos Bandeirantes.

De concreto, por ora, apenas a impressão de que, na campanha de Edurardo Campos, São Paulo é um palanque por fazer. No dizer de Roberto Freire, não houve, ainda uma mudança. “Mas Eduardo pelo menos começou a dialogar e não deixa de levar em consideração que Alckmin é uma alternativa”.

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Ordem e Tretas!



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Presidenta Eloquenta!


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Presidir o Senado era um dos projetos políticos de André Vargas
Maria Lima, O Globo

Foi mais um caso desastroso de arrogância aliada à certeza de impunidade. No início do ano, na abertura da sessão legislativa, quando desalojou o quarto secretário Simão Sessim (PP-RJ) para sentar-se ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, e fazer gestos para fotógrafos e companheiros, o então vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), não imaginava que vivia ali seus últimos momentos de poder.

Demorou pouco mais de dois meses para cair em desgraça. O petista paranaense enterra o projeto de se eleger senador na chapa de Gleisi Hoffmann (PT-PR), candidata ao governo do Paraná, e, depois, presidir o Senado e até sentar-se na cadeira da Presidência da República, durante os afastamentos do titular.

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Peemedebistas do Rio lançam a chapa 'Aezão'
Juliana Castro, O Globo

Descontentes com a decisão do PT de romper a aliança e lançar o senador Lindbergh Farias ao governo do Rio, peemedebistas fluminenses deram mais um passo para cumprir a ameaça de apoiar a pré-candidatura do senador Aécio Neves (PSDB) à Presidência da República.

Na noite desta segunda-feira, cerca de 40 deputados, prefeitos e vereadores do partido e de siglas aliadas no estado jantaram com o tucano num restaurante do Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio. Na saída, lançaram a chapa "Aezão" - uma referência à campanha que será feita por eles para Aécio e para o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que tentará reeleição.

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Após negociação, operários dos Jogos de 2016 encerram a greve
Adalberto Neto e Alessandro Lo-Bianco, O Globo

Cerca de 25 mil operários que trabalham na construção do Parque Olímpico e em outras obras dos Jogos de 2016 voltam ao trabalho nesta terça-feira, após negociação feita, na noite desta segunda-feira, no Tribunal Regional do Trabalho (TRT).

O acordo fechado pelos dois sindicatos dos trabalhadores com o consórcio Rio Mais estipula reajuste salarial de 9% e vale-refeição mensal de R$ 310. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintraconst-Rio), Nilson Duarte, disse que o salário médio da categoria, antes da negociação, era de R$ 1,5 mil.

O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Construção Pesada Intermunicipal do Rio de Janeiro (Sinicon) havia feito uma contraproposta de reajuste de 10%. Mas, segundo o presidente Rodolfo Tourinho Neto, o sindicato fez concessões importantes para que o valor do vale-refeição subisse de R$ 230 para R$ 310.

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Orçamento de 2015 pode ter meta fiscal menor
Martha Beck, O Globo

O governo dará hoje ao mercado a primeira sinalização sobre como a política fiscal deve ser conduzida a partir do ano que vem.

No projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015, que será divulgado hoje e encaminhado ao Congresso, a equipe econômica deve abandonar a meta cheia de superávit fiscal primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública), de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país), que vinha sendo adotada nos últimos anos.

A ideia é mostrar um esforço fiscal menor, mas que seja realista e possível de ser alcançado, sem a adoção dos malabarismos contábeis dos últimos anos.

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Técnicos do IBGE defendem volta de pesquisa sobre mercado de trabalho
Cássia Almeida e Clarice Spitz, O Globo

Depois de os coordenadores e gerentes do IBGE se insurgirem contra a interrupção da nova Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), anunciada pela direção do instituto na semana passada, nesta segunda-feira foi a vez de 45 pesquisadores se posicionarem contra a decisão da presidente do instituto, Wasmália Bivar.

A atitude do corpo técnico da Coordenação de Trabalho e Rendimento, responsável pela pesquisa, chamada de Pnad Contínua por trazer dados nacionais de trabalho e renda a cada trimestre, veio no momento que a direção do instituto considera rever a polêmica decisão.

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Putin pede que Obama evite ‘banho de sangue’ na Ucrânia
O Globo

O presidente russo, Vladimir Putin, ligou nesta segunda-feira para o colega americano Barack Obama e pediu que os EUA usem de sua influência na Ucrânia para evitar um ‘banho de sangue’ no país, afirmou o Kremlin em nota divulgada após a conversa.

Já a nota da Casa Branca afirma que Obama criticou a Rússia por executar ações que não são "propícias" ao caminho diplomático.

— O presidente deixou claro que o caminho diplomático estava aberto e que é a nossa preferência, mas que as ações da Rússia não são consistentes nem propícias para isso — disse um alto funcionário do governo americano sobre a ligação telefônica entre os líderes.

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García Márquez recebe cuidados paliativos em casa
Juan Diego Quesada, El País

O escritor Gabriel García Márquez, de 87 anos, está recebendo cuidados paliativos na sua residência da Cidade do México devido ao câncer de que padece, segundo publicou nesta segunda-feira o diário mexicano El Universal, um dos jornais mais importantes do país.

A família do colombiano e os médicos, de acordo com essa notícia, decidiram não submeter o escritor a um tratamento oncológico. A decisão de não atacar diretamente a doença e de se limitar a melhorar sua qualidade de vida foi tomada tendo em conta a idade do paciente e os órgãos vitais afetados pelo câncer. Uma fonte consultada pelo EL PAÍS confirmou a informação.

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Reportagens sobre espionagens ganham prêmio Pulitzer 2014
Isabel de Luca, O Globo

A revelação do programa de espionagem praticado por agências de inteligência americanas deu ao “The Guardian US” (o braço do jornal britânico nos Estados Unidos) e ao “The Washington Post” a principal categoria do Pulitzer, o mais importante prêmio de jornalismo dos Estados Unidos.

O resultado foi anunciado na tarde desta segunda-feira na Universidade de Columbia, em Nova York. O jornalista Glenn Greenwald, grande responsável pelo trabalho, estava na cidade — onde desembarcou na última sexta-feira para receber outra láurea, o George Polk Award de Reportagem de Segurança Nacional —, mas não participou da cerimônia.

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Calaram a Sheherazade!

O SBT pipocou! Diante de tanta patrulha, o canal do Silvio decidiu calar a apresentadora mais corajosa da televisão, a paraibana Rachel Sheherazade. Com medo de perder milhões em verbas de publicidades e desagradar ainda mais o governo, sempre alvo dos comentários certeiros e mortais de Rachel, o SBT sucumbiu às forças podres que solapam o Brasil e tirou a voz da moça para comentários. Ou seja: ela ainda continuará apresentando o programa, mas sem destilar as verdades habituais contra o governo. Uma censura soft, compreenda-se. A patrulha e a farsa venceram. O Brasil perde alguém que costumava sempre jogar o balde de água fria.

Vivemos ou não numa ditadura? Uma covarde ditadura de opinião, onde a moda é silenciar diante das mentiras, das besteiras e dos roubos? Venceu ou não a tática da violência implícita, da ameaça, da intolerância com o dissenso? É óbvio que sim! Primeiro foi Rachel. Depois virão outros. E finalmente seremos nós, que não concordamos com o PT e suas táticas de bando, que não aprovamos a sua maneira nefasta de conduzir o País. E o que lhe resta agora, jornalista? O Youtube, talvez, assim como fez o ótimo Paulo Martins, um admirável jornalista paranaense.

Quando vejo isso acontecendo, lembro-me do grande Bertold Brecht, que resumiu bem as etapas do autoritarismo:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Abre o olho, Brasil!

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Aécio pede que Dilma devolva limpo o macacão da Petrobras

O pré-candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves, respondeu às críticas de Dilma Rousseff, que acusou, nesta segunda, a existência de uma campanha contra a empresa: “Está na hora de a presidente da República devolver limpo o macacão dos funcionários da empresa. Quem está sujando a imagem da Petrobras é o PT, que estabeleceu o aparelhamento através da irresponsabilidade, que resulta na prisão de diretores em operações da Polícia Federal”.

Aécio certamente tinha em mente esta imagem:



No dia 21 de abril de 2006, durante a inauguração da Plataforma P 50, em Campos, Lula repetiu o gesto de Getúlio Vargas, em 1952, e sujou as mãos de petróleo. O populista do passado marcava o início da extração no Brasil; o petista comemorava a suposta autossuficiência do Brasil. Pois é… Autossuficiência? O déficit da conta petróleo em 2013 foi de US$ 20,277 bilhões. Lula só sujou as mãos daquele jeito porque não conseguiu resistir. Em 2014, deve ficar em torno de US$ 15 bilhões.

Nos 11 anos e quatro meses de gestão petista, muito especialmente nos oito em que Lula esteve à frente do governo, nenhuma área do governo — ou empresa estatal — teve uma gestão tão arrogante, tão autoritária e, ao mesmo tempo, tão ineficiente como a Petrobras — e olhem que não se está falando exatamente de uma estatal. Como se sabe, trata-se de uma empresa de economia mista. Os desacertos foram se acumulando. Em vez de dar explicações quando confrontado com os problemas, o petista José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da gigante, demitido pela presidente Dilma em janeiro de 2012, respondia com grosserias e desaforos.

No seu aniversário de 60 anos, em 2013, a Petrobras teve duas péssimas notícias: 1) a agência de classificação de risco Moody’s rebaixou as notas de crédito da estatal de A3 para Baa1 em razão do elevado endividamento (e, nesse particular, o governo Dilma tem uma parcela enorme de responsabilidade); 2) segundo relatório do TCU, o atraso na entrega do Complexo Petroquímico de Itaboraí (Comperj), no Rio, pode gerar um prejuízo para a empresa de R$ 1,4 bilhão.

A Petrobras encerrou 2010 devendo R$ 118 bilhões; no começo deste 2014, a dívida já se aproximava dos R$ 300 bilhões. Parte desse rombo decorre de a empresa importar gasolina a um preço superior ao de venda no mercado interno. Como a economia degringolou, é preciso segurar o preço dos combustíveis para que a inflação não dispare.

Até aí estamos falando de uma gestão incompetente, politiqueira e desastrada. Aí os casos de corrupção vieram à luz, aos borbotões.

Chegou a hora de lavar o macacão.

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Falha chantagem de Vargas. Ou: Por muito pouco, o doleiro Youssef não senta na cadeira presidencial!

O deputado André Vargas PT-PR) anunciou que vai renunciar nesta terça. A situação do bruto já não andava bem no partido. Vargas fez de conta que não sabe como são as coisas. Às vezes, é preciso recuar para poder avançar, mas ele decidiu dar uma de teimosão. Não se mirou no exemplo de admiráveis figuras do partido, como Delúbio Soares e próprio Ricardo Berzoini, hoje ministro das Relações Institucionais. O que quero dizer com isso? Delúbio aceitou ser expulso do partido, por exemplo. Voltou mais tarde. Quando se descobriu, em 2010, a tramoia dos chamados aloprados, o presidente da sigla era Berzoini. Aceitou cair fora. Quem assumiu foi Marco Aurélio Garcia.

Vargas quis ser o valentão. Em vez de perceber o tamanho da esparrela, resolveu cobrar solidariedade da cúpula do partido e ameaçou gente graúda, como Alexandre Padilha, pré-candidato ao governo de São Paulo, e Gleisi Hoffmann, pré-candidata ao governo do Paraná, além do ministro Paulo Bernardo, das Comunicações. Aí já era um pouco demais. Fizeram o homem perceber que, mesmo com escoriações, o partido sobreviveria. Ele, no entanto, teria de decidir se seria apenas alguém que caiu em desgraça, com alguma chance de recuperação mais tarde, ou um pária entre os próprios pares. Pô, Vargas! Ameaçar companheiro é coisa que não se faz!

Com a renúncia, o PT pretende tirar o parlamentar do noticiário. Mantê-lo significaria manter também a curiosidade sobre os assuntos que ele andou ventilando para alguns companheiros. Tudo o que o PT quer é que se esqueça essa história de que a Labogen, um laboratório-fantasma, feito de sucata, ganhou o sinal verde do Ministério da Saúde, sob o comando de Padilha.

Pois é… E pensar que o futuro de tão notável figura já estava até desenhado. O PT não tem dúvida de que fará a maior bancada da Câmara, o que, se confirmado, lhe renderá a Presidência da Casa na nova Legislatura. E o nome certo para ocupar o cargo era André Vargas, que passaria, depois do presidente, a ser a segunda pessoa na hierarquia da República. Em caso de impedimento do titular e do vice, a cadeira presidencial é assumida pelo presidente da Câmara.

Não é raro presidente e vice estarem em viagem, e o país, formalmente ao menos, ficar sob os cuidados do presidente da Câmara. Pois é… Vejam como o doleiro Alberto Youssef chegou perto de se sentar, ainda que temporariamente, na cadeira presidencial. Quanto a Vargas, é possível que a renúncia seja o preço para o PT não expulsá-lo. A gente sabe que o partido nunca deixa seus valentes na chuva. Segundo a Lei da Ficha Limpa, como já informei aqui, Vargas está inelegível por oito anos a partir de 2015. Não pode, portanto, se candidatar nem em 2022, último ano da punição. Só poderá disputar um cargo eletivo de novo nas eleições municipais de 2024.

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Marina como vice: um pouco de FHC, um pouco de Lula, críticas a Dilma e um tanto de apóstolo Paulo, mas numa versão meio pagã…

O PSB lançou, nesta segunda-feira, a pré-candidatura de Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco, à Presidência da República. Marina Silva, a chefe da Rede, um partido ainda com existência informal, anunciou o que já se dava como certo, embora a trajetória até a decisão tenha sido um tanto acidentada: vai mesmo ser vice na chapa. Acidentada por quê? A estreia da ex-senadora no PSB forçou Campos a romper alianças ou relativizá-las em estados em que conversas já estavam em andamento. Marina empresta ainda à candidatura do ex-governador uma inflexão, em alguns temas, mais à esquerda do que talvez fosse prudente.

Até agora, Marina não transferiu seus votos para Campos. Os dois formalizaram a sua aliança em outubro do ano passado, mês em que o político do PSB apareceu com 15% das intenções de voto no Datafolha. Caiu para 11% em novembro, passou para 12% em fevereiro e marcou 14% no começo deste mês. Quando Marina surge como o nome do PSB, obtém marcas substancialmente maiores nos mesmos períodos: 29%, 26%, 23% e 27%. Note-se que o último levantamento do Datafolha foi feito logo depois do horário político eleitoral do PSB e quando as inserções curtas do partido estavam no ar: Marina se mexeu, passado de 23% para 27%, mas Campos ficou praticamente No mesmo lugar, variando de 11% para 12%.

O grosso do eleitorado que simpatiza com Marina não está migrando automaticamente para Campos — não ainda ao menos. Será que essa transferência ainda vai acontecer? Vamos ver. O discurso da líder da Rede, como sempre, se deixou marcar por um certo messianismo, mas que cai bem em plateias laicas. Referindo-se ao dia em que o TSE indeferiu o pedido de registro de seu partido, afirmou: “Saí daquele tribunal, era a fraqueza em pessoa, mas eu me lembrei daquela frase, quando sou fraco é que sou forte”. Ela se referia ao versículo 10 do Capítulo 12 da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios.

E seguiu adiante, numa interpretação muito pessoal da carta de São Paulo. Disse Marina: “Porque a gente é forte quando tem a capacidade de se juntar com outras pessoas, porque o ser humano é incompleto, é faltoso, depende da completude do outro, e, naquele momento, o outro disponível para esse projeto era o PSB, na figura de Eduardo Campos”. Pois é… Quem conhece o texto sabe que São Paulo se referia a Jesus Cristo para fortalecer os fracos, não a um homem com poderes, como direi?, terrenos. Se bem que, bem lido o que disse Marina, ela própria é que se oferece como portadora da mensagem messiânica, de que Campos seria apenas um instrumento. Uau! Se ela não fosse de uma denominação evangélica, ainda reivindicaria a santidade em vida. Espero que Campos cresça e contribua para impedir a eleição de Dilma. Mas deixo claro: não suporto esse discurso de Marina.

Campos, por sua vez, insistiu na leitura de que Dilma jogou fora a boa herança que recebeu de Lula: “O Brasil perdeu o rumo estratégico. Dizia que ia para um lado e ia para o outro. Foi perdendo seus fundamentos macroeconômicos, na inclusão social. E a gente viu que esse processo nos conduziu ao cabo de três anos a um diagnóstico que é voz corrente: o Brasil parou, o povo perdeu a fé. E nós não podemos deixar o povo brasileiro desanimar da nossa luta”. Vale dizer: confronto com Lula, nem pensar.

O economista Eduardo Giannetti, de clara inflexão liberal, hoje ligado à Rede, deu aquele que pode ser o tom da campanha publicitária do PSB ao afirmar: “O Brasil está cansado da polarização PT versus PSDB. Eles já deram o que tinham de dar. O Brasil não quer mais do mesmo, quer diferente. Nós somos os portadores dessa esperança nessa eleição. O governo Dilma frustrou avanços construídos a duras penas no governo FH e no primeiro do presidente Lula. É um governo repleto de paradoxos”.

E assim se lançou a pré-candidatura de Eduardo Campos: com um pouco de Lula, com um pouco de FHC, com o governo Dilma até anteontem, contra o governo Dilma agora, tudo isso temperado por uma leitura, como direi?, meio pagã da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios. Mas, claro, “sem contradições”!!!


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Blog do Coronel

Os lobos da Petrobras.


Assista ao vídeo e compartilhe na sua rede. É a História com H maiúsculo, mas fictícia... Cuidado com os comentários. Ajude a acabar com esta bandalheira. Assine a petição pela CPI exclusiva da Petrobras. Clique aqui.


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Blog do Reinaldo Azevedo

As mentiras do discurso de Dilma sobre a Petrobras. Ou: Governante tem o direito de mentir?

Governantes têm o direito de mentir? A resposta é “não”. Nem que seja sob o pretexto de “salvar a nação”. Na vida pública, não existe mentira virtuosa. Quando muito, pode existir a omissão prudente. Dou um exemplo: se o ministro Guido Mantega vislumbrar pela frente uma escalada inflacionária, se indagado a respeito, ele não tem de confirmar nem de se estender a respeito, ou haverá o efeito óbvio: como a economia se move, em parte, por expectativas, ele poderia piorar a situação se dissesse a verdade. Poderia, no discurso, omitir esse vislumbre para não piorar o que já seria ruim. Mas é certo que não poderia afirmar o contrário dos fatos. A mentira, na vida pública, é trapaça contra o interesse coletivo.

Nesta segunda, a presidente Dilma participou da inauguração de navios petroleiros no porto de Suape, em Pernambuco, terra de um de seus futuros adversários na disputa presidencial, Eduardo Campos. E resolveu deitar falação sobre a Petrobras, segundo leio na Folha. Afirmou: “Não hesitarei em combater o malfeito, a ação criminosa, corrupção ou ilícito de qualquer espécie. Mas também não ouvirei calada a campanha negativa, por proveito político, em ferir a imagem dessa empresa que o povo construiu com suor e lágrimas”.

Há duas verdades aí e duas mentiras. Primeira verdade: a Petrobras está eivada de malfeitos, ações criminosas, corrupções e ilícitos. Segunda verdade: a empresa foi construída com o suor e lágrimas dos brasileiros. Ainda que Dilma esteja plagiando Churchill, isso é verdade. Primeira mentira: a presidente hesitou, sim, em defender a Petrobras, tanto que deixou de apurar a compra da refinaria de Pasadena e ainda deu emprego para o executivo que, segundo ela própria, foi o responsável pela operação. Segunda mentira, não existe campanha nenhuma contra a empresa. Campanha contra a Petrobras fazem os larápios que lá estão incrustados.

Mas Dilma foi mais longe na impostura. Disse ainda: “Desde o início da empresa, teve gente sendo contra, dizendo que não havia petróleo no Brasil. Depois, mudaram o discurso, e chegaram a dizer que havia petróleo demais para ser controlado por uma empresa pública. Era uma forma sorrateira que prepararam para a Petrobras parar em mãos privadas. Foi um processo tão requintado, que foi interrompido pela pressão externa, que chegaram a fazer a troca do nome da empresa. Queriam chamar ela de ‘Petrobrax’, sonegando a sílaba que é nossa identidade. Bras, de Brasil”.

É a mentira mais escandalosa de todas. Desafio Dilma e o PT a apresentar uma miserável evidência de que se tentou privatizar a Petrobras. Privatizada ela está hoje: transformou-se numa soma de feudos, distribuídos entre partidos políticos: PT, PP, PMDB, PTB… Eles vão usando a estatal para cuidar de seus próprios interesses. Em sua fala, Dilma sugeriu que as sem-vergonhices na estatal são ações isoladas, coisas deste ou daquele. Mentira também! O PT está afundando a Petrobras porque usa a estatal para distribuir prebendas políticas e para manter unidos os partidos da base aliada.

Venham cá: por que vocês acham que um partido político quer tanto ter direções de áreas técnicas de estatais? Como é que isso poderia ajudar a legenda? A resposta é simples: essa diretoria, fatalmente, terá de comprar coisas, de construir obras, de contratar serviços e consultorias. O dinheiro sai da corretagem.

Privatizada, no sentido mais vagabundo da palavra, que é o único que o PT conhece — já que execra o virtuoso —, a Petrobras está hoje. Ela precisa voltar a ser uma empresa pública.

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Autocrítica: Dilma ataca os inimigos da Petrobras

Dilma Rousseff disse que tem gente “trabalhando contra” a Petrobras. Esboçou uma reação. “Não podemos permitir, como brasileiros, que amam essa  empresa, que defendem esse país, que se utilizem de ações individuais e pontuais, mesmo que grave, que se destrua a nossa empresa ou suje a imagem.” Prometeu “combater todo tipo de malfeito, tráfico de influência, corrupção, ou ilícito de qualquer espécie.”

Todo brasileiro de bem deveria se aliar a Dilma nessa cruzada. Os inimigos da Petrobras são poderosos, muito poderosos, poderosíssimos. Deveriam ser processados. Mas se escondem atrás do escudo da imunidade parlamentar. Lideram partidos tradicionais —PT e PMDB, por exemplo. Os inimigos da Petrobras têm as costas quentes. Imagine o drama que Dilma viverá quando descobrir que foi Lula quem entregou a estatal a essa gente.

O confronto da presidente com o antecessor há de ser doloroso. Mas nada será mais dramático do que o embate de Dilma consigo mesma. A presidente declarou guerra aos adversários da Petrobras em Pernambuco, numa cerimônia de batismo de navios encomendados pela Braspetro, subsidiária da estatal comandada por Sérgio Machado.

Ex-parlamentar, Sérgio Machado é um apadrinhado de Renan Calheiros. Chegou ao posto sob Lula, em 2003. Permanece na poltrona até hoje. Quer dizer: você não pode abandonar a presidente numa hora dessas. Dilma vai ficar Rousseff da vida na hora em que se der conta do mal que o descuido de Dilma faz à Petrobras.


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Blog do Rodrigo Constantino

A juventude perdida e a crise da família

Alguns leitores reclamam quando saio do assunto econômico e escrevo sobre valores morais. Uns chegam até a afirmar que não sou mais um liberal por fazer isso. Discordo totalmente. A economia livre não se sustenta num vácuo de valores morais. Aliás, a sociedade como um todo não sobrevive sem códigos morais decentes, sem a valorização de comportamentos éticos.

A luta pela liberdade é, acima de tudo, cultural. E no cerne disso está a família. Todo regime autoritário e totalitário tentou destruir o núcleo familiar. Claro que o ataque à família enquanto instituição e à sua importância em transmitir os valores morais de geração em geração não é sempre consciente e deliberado. Mudanças sociais e culturais advindas de avanços tecnológicos também ocorrem, nem sempre com resultados apenas positivos.

Um dos meus autores preferidos, que foca bastante nessa questão, é o médico britânico Theodore Dalrymple. Ele mostra como a decadência de valores morais e da família está no epicentro de inúmeros problemas sociais e econômicos do Reino Unido, que outrora foi um império invejável e ícone do mundo livre.

Em artigo publicado hoje no GLOBO, Carlos Alberto di Franco segue na mesma linha de Dalrymple, argumentando que a crise familiar é a grande responsável por vários riscos, entre eles uma possível explosão de violência juvenil. Seguem alguns trechos de seu importante alerta:

O crescimento da Aids, o aumento da violência e a escalada das drogas castigam a juventude. A deterioração econômica exacerba o clima de desesperança. A percepção da falência do Estado em áreas essenciais (educação, saúde, segurança, transporte) gera muita frustração. Para muitos jovens os anos da adolescência serão os mais perigosos da vida.

[...]

A situação é reflexo de uma cachoeira de equívocos e de uma montanha de omissões. O novo perfil da delinquência é resultado acabado da crise da família, da educação permissiva e do bombardeio de setores do mundo do entretenimento, que se empenham em apagar qualquer vestígio de valores. Tudo isso, obviamente, agravado e exacerbado pela falência das políticas públicas e a inexistência de expectativas.

[...]

As análises dos especialistas em políticas públicas esgrimem inúmeros argumentos politicamente corretos. Fala-se de tudo. Menos da crise da família. Mas o nó está aí. Se não tivermos a firmeza de desatá-lo, assistiremos, acovardados e paralisados, a uma espiral de violência sem precedentes. O inchaço do ego e o emagrecimento da solidariedade estão na origem de inúmeras patologias. A forja do caráter, compatível com o clima de verdadeira liberdade, começa a ganhar contornos de solução válida. A pena é que tenhamos de pagar um preço tão alto para redescobrir o óbvio.

[...]

O resultado final da pedagogia da concessão, da desestruturação familiar e da crise da autoridade está apresentando consequências dramáticas. Chegou para todos a hora de falar claro. É preciso pôr o dedo na chaga e identificar a relação que existe entre o medo de punir e os seus efeitos antissociais.


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Blog do Noblat

Marina, o vice que faz diferença, por Ricardo Noblat

E assim se passaram seis meses desde que Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula, filiou-se ao PSB e anunciou seu apoio a Eduardo Campos, pré-candidato do partido à sucessão da presidente Dilma Rousseff.

Naquela ocasião, em particular, Marina disse a Eduardo que seria sua vice caso isso o ajudasse a se eleger. Esta tarde, em Brasília, Marina dirá que é candidata a vice de Eduardo.

Na eleição de 2010, com pouquíssimo dinheiro para fazer campanha e apenas um minuto de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, Marina teve um desempenho surpreendente.

Em percentuais redondos, Dilma conseguiu 47% dos votos válidos no primeiro turno, José Serra 33% e ela, 19%.

Marina venceu no Distrito Federal. Derrotou Serra no Amapá, Amazonas, Pernambuco e Rio. E empatou com Serra no Ceará.

Nos três maiores colégios eleitorais, colheu 20% dos votos (São Paulo), 44% (Rio) e 21% (Minas Gerais).

Imaginou concorrer outra vez em outubro próximo. Mas não registrou seu partido, a REDE, em tempo hábil.

Foi por isso que procurou abrigo no PSB.

A mais recente pesquisa do instituto Datafolha apontou Marina, no momento, como o único nome que seria capaz de levar a eleição presidencial para o segundo turno.

Contra Dilma (39%) e Aécio (16%), ela reúne 27% das intenções de voto. Está destinada a ser a maior eleitora de Campos.

A pedido de um partido, pesquisa feita por telefone no último dia 10 no Distrito Federal ouviu 2.329 eleitores.

Respostas à pergunta sobre como evoluiu a situação do Brasil “nos últimos anos”: está cada vez pior (63%); cada vez melhor (15%), e igual (22%).

Aprovam a administração Dilma, 25.6%. Desaprovam, 64.8%.

Intenção de voto para presidente: Dilma, 22%, Aécio, 22%, Eduardo, 15%, e nenhum, 35%.

Intenção de voto com os prováveis vices: Dilma e Michel Temer, 22%; Aécio e Aloysio Nunes, 21%; Eduardo e

Marina, 40%. Votos brancos, nulos e “não sabem”, 17%.

Marina e Eduardo planejam visitar até junho as 150 maiores cidades do país.

Em entrevista à VEJA, Mauro Paulino, diretor do Datafolha, disse que a alta rejeição à classe política, o desejo de mudança do eleitorado e a Copa do Mundo fazem desta eleição a mais imprevisível desde a primeira pelo voto direto depois dos 21 anos da ditadura militar.

A aversão aos políticos elegeu Collor em 1989. Agora ela é maior.

O desejo de mudança é compartilhado por sete de cada 10 brasileiros. Seis em cada 10 acham que a inflação vai aumentar.

Caiu de 87% para 78% o percentual dos que se orgulham de ser brasileiros. É a primeira vez que isso acontece nos últimos 13 anos. E o percentual dos que afirmam ter vergonha de ser brasileiros cresceu de 11% para 20%.

Só 60% dos brasileiros ouviram falar de Aécio Neves, pré-candidato do PSDB a presidente da República, mas não o conhecem.

São 75% os que apenas ouviram falar de Campos. Os dois são bem avaliados onde são conhecidos.

Campos é o candidato de oposição com mais chance de atrair os eleitores descontentes, observa Paulino.

A importância dos partidos foi nenhuma para eleger Collor.

O PSDB era pequeno quando elegeu Fernando Henrique presidente.

O PT também quando Lula se elegeu pela primeira vez.

O PSB de Campos é um partido pequeno, embora tenha sido o que mais cresceu nas eleições municipais de há dois anos.

A dupla Campos e Marina é de fato uma possibilidade real de poder.


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Blog do Geraldo Mouret

Bom Conselho sediou V Copa TV Asa Branca de Vôlei

A cidade de Bom Conselho sediou no ultimo sábado, dia 12 a terceira fase da V Copa TV Asa Branca, realizada na Associação atlética do Banco do Brasil (AABB). Os jogos tiveram um pequeno atraso devido a forte chuva que caiu na cidade. Na primeira partida de vôlei Feminino a Seleção de Caruaru venceu a Agrestina. A segunda partida foi R. Doce/Asces  x  Arcoverde, com vitória da Asces.

No vôlei masculino a Seleção de Arcoverde  venceu Garanhuns mostrando superioridade. Os torcedores eufóricos aguardaram a partida mais esperada da noite, a Seleção de Bom Conselho  x São Bento do Una. Um jogo com muitas viradas e jogadas incríveis. Bom Conselho perdeu o 1º set, mas deu um show no segundo. Perdeu no terceiro set por apenas um ponto. O próximo confronto acontecerá nos dias 26 e 27 em Garanhuns.

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‘Caixinha mágica’, por J. R. Guzzo
Publicado na edição impressa de VEJA

Fatos. O que eu quero que me deem é isto: fatos. Não me venham com outra coisa; fatos, apenas fatos, são necessários na vida. Você só pode formar a mente de animais racionais através de fatos. Fatos: fora os fatos, nada será de utilidade alguma para ninguém, jamais.

Nos tempos duros da Inglaterra de 1850, esse era o evangelho do professor Thomas Gradgrind, personagem do romance Hard Times e destaque na prodigiosa galeria de tipos humanos criados pelo gênio de Charles Dickens. O professor Gradgrind, punido com um desses nomes que só o humor travesso de Dickens sabia inventar, é um personagem cômico — caricatura de uma Inglaterra que começava a se encantar com as estatísticas e com os esforços para explicar o mundo através de números, sem o contágio da imaginação nem emoções individuais, essas grandes criadoras de desordem na existência humana. Tudo bem. Mas a verdade é que às vezes faz falta “um homem de realidades” como Mr. Gradgrind. Sua presença talvez fosse útil para colocar um mínimo de ordem na babilônia mental que desorganiza o debate público no Brasil de hoje.

Sem os fatos, insistia o professor, não é possível definir as diversas coisas que existem neste mundo — requisito indispensável para separar o verdadeiro do falso. Essa trágica história da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras é um exemplo perfeito do descaso pelos fatos. Desde que o escândalo veio a público, assiste-se a um embate em que tudo é dissecado, menos o que, no fim das contas, realmente interessa; é como a leitura de um prefácio maior que o livro. A presidente Dilma Rousseff estava certa ou errada em sua conduta quando presidia o Conselho de Administração da Petrobras, em 2006, ocasião em que a empresa comprou por 360 milhões de dólares a metade de uma refinaria que, no ano anterior, havia sido adquirida por cerca de 40 milhões pelos vendedores? Estava meio certa? Meio errada? Certa e errada ao mesmo tempo? De quanto é a sua culpa nesse desastre — 10%, 25%, 50%? E por aí se vai, com questões e mais questões, numa conversa inútil que talvez só acabe no dia do Juízo Universal.

A conversa é inútil porque não é preciso gastar um único neurônio com toda essa metafísica; basta ficar nos fatos e tudo se resolve em menos de um minuto. Com os fatos se chega à definição mais clara do que realmente aconteceu: aconteceu, em português corrente, a transferência de 360 milhões de dólares pertencentes à população brasileira para o bolso de uns vagos belgas, donos de uma certa Astra Oil, em troca de um ativo que um ano antes fora negociado por uma soma nove vezes menor. Com a definição, tornou-se possível separar num instante o verdadeiro do falso. Os fatos mostram que é verdadeiro afirmar: “A presidente Dilma Rousseff cometeu um desatino que ficará registrado na história nacional da incompetência”. Os mesmos fatos mostram que é falso afirmar qualquer outra coisa. É tudo muito simples. Dilma, após oito anos de um silêncio de cemitério, afirmou ao público brasileiro que não recebeu, na ocasião da compra, dados certos e completos por parte da direção executiva da estatal, o grupo que realmente cuida de suas operações — e que não teria dado sua aprovação ao negócio se soubesse direito as condições reais em que ele fora realizado. Fim da história: a presidente confessou que não sabia o que estava fazendo.

Discutir mais o quê, depois disso? Em sua desafortunada reunião, Dilma e os conselheiros da empresa receberam um cadáver; mas não perceberam isso, e não mandaram o defunto para o necrotério, nem chamaram a polícia. Na verdade, quem sempre soube de tudo, e escondeu, foi a direção executiva da Petrobras, toda ela ligada ao PT e à “base aliada” do então presidente Lula. Obviamente, como costuma acontecer nessas desgraças, se­guiu-se um filme de terror, no qual a cena mais emocionante foi a descoberta de que a Petrobras ainda tinha de pagar, pelo contrato, mais uns 800 milhões de dólares a esses admiráveis homens de negócio da Bélgica. Ao saber do desastre, ainda como ministra, Dilma não quis pagar. Infelizmente, suas ordens não valiam e continuam não valendo nada nos Estados Unidos; o caso foi para a Justiça americana, que deu razão à Astra Oil. Providências? Zero. Quando descobriu as cláusulas lesivas à empresa, em 2008, o que ela fez contra os responsáveis? Nada. E depois, como presidente da República? Nada. O ato final é a presente palhaçada do governo para impedir a investigação da história pelo Congresso.

Fiquemos nos fatos — e nessa caixinha mágica de Brasília, da qual saem tantas lições. No caso, aprendemos que o bom, no negócio da refinação, não é refinar petróleo — é vender refinarias para a Petrobras.


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Blog do Josias

Marina faz de Campos um príncipe às avessas

Há seis meses, Eduardo Campos era um candidato convencional à procura de tempo de propaganda na tevê. Negociava com Roberto Jefferson o apoio do PTB, tentava seduzir o PDT oferecendo a Carlos Lupi a primazia de indicar o número 2 da chapa e incluía em seus planos até mesmo o DEM de Ronaldo Caiado.

Nesta segunda-feira, ao confirmar Marina Silva como sua vice, o presidenciável do PSB informará ao país que o político que ele foi até outubro de 2013, antes de a estrela da Rede Sustentabilidade lhe estender a mão, não estava à altura dos novos tempos. Autoconvertido em protótipo da “nova política”, Eduardo Campos entra na briga como uma espécie de personagem de um conto de fadas às avessas.

A leitura convencional sugere que o PSB salvou a Rede da inexistência formal decretada pela Justiça Eleitoral. Na verdade, com seus 27% no Datafolha, Marina assume, por assim dizer, o papel de Branca de Neve dos trópicos. Entra em cena com o propósito de salvar o príncipe de olhos azuis dele mesmo, deslocando-o da lanterninha dos 10% para um segundo turno contra a rainha má Dilma Rousseff.

Como disse a própria Marina numa entrevista que concedeu ao blog em outubro do ano passado, a Rede ofereceu ao PSB a possibilidade de “fazer o seu próprio realinhamento histórico.” Ela resumiu: “Se for para ganhar para continuar refém da velha República, para governar tendo que distribuir pedaços do Estado, preso em uma lógica que não coloca em primeiro lugar os interesses estratégicos do país, então, não precisa ganhar. Isso já tem quem está fazendo.”

Rendendo-se à lógica de sua Branca de Neve cor de jambo, Campos enxergou uma maçã envenenada onde antes via pragmatismo político. “Eu estou inteiramente de acordo com Marina”, passou a dizer. “Nós não podemos ficar na lógica tradicional da busca pelo tempo de televisão. Não adianta ter tempo de televisão e não ter o que dizer. É melhor ter um tempo pequeno e ter boas ideias, com legitimidade, do que ter um tempo muito grande cheio de contradições.”

Ex-ministro de Lula e ex-padrinho de nomeações no governo de Dilma, Campos integrava o condomínio cujo estatuto estabelece que não se faz a omelete da governabilidade sem quebrar ovos. Ele adere à pregação de Marina num instante em que a decomposição moral da Petrobras denuncia que seus ex-aliados não gostam de omelete, gostam do crec-crec —o barulhinho dos ovos sendo quebrados.

Em termos plásticos, Marina Silva deu a Eduardo Campos a aparência de um candidato charmoso. Porém, o único efeito prático anotado até aqui foi a cura da amnésia que acometia o PSB. A legenda lembrou que, pelo menos na certidão de nascimento, é socialista. Resta saber se a recuperação da memória vai render a Campos votos na quantidade almejada.

Desconhecido de 42% do eleitorado, Campos tende a crescer. A dúvida é o tamanho que ele terá depois que se esgotar a transfusão de prestígio de Marina. No Datafolha, quando o nome de Marina é excluído da disputa, 35% dos eleitores dela migram para Campos. Outros 22% caem no colo de Dilma e 14% no de Aécio Neves. Pela lógica, a entronização de Marina na vice deve elevar a taxa de transferência de votos dela para Campos.

O provável crescimento de Campos exercerá sobre a campanha um efeito benfazejo. Vai à breca a ideia de Lula de reeditar em 2014 o Fla-Flu que faz das sucessões presidenciais, desde 1994, torneios monótonos de petistas contra tucanos. O grande receio de parte dos correligionários de Campos é o de que as limitações políticas que resultaram da adesão ao purismo da Rede transformem o PSB em escada a ser escalada pelo PSDB para levar Aécio ao segundo turno.

Nessa hipótese, Campos-2014 seria um repeteco de Marina-2010. Na eleição passada, Marina fez quase 20 milhões de votos com um minuto de propaganda na tevê. Um espetáculo. Mas foi Serra quem passou para o segundo turno, não ela. Marina dá de ombros para o risco de reprise. “É melhor perder a eleição presidencial ganhando do que ganhar a disputa perdendo”, ela gosta de repetir.

No dialeto de Marina, ganhar perdendo seria chegar ao Planalto enganchado a logomarcas identificadas com a “velha política”. Um pedaço do PSB se irrita com a exacerbação desse raciocínio. Ouve-se ao fundo um chiado parecido com o de uma panela de pressão. O barulho é maior em São Paulo.

Ali, o PSB local avalia que a aversão de Marina à composição com o PSDB de Geraldo Alckmin converte a carruagem de Campos em abóbora no maior colégio eleitoral do país, onde a eleição tende a ser decidida. Nas próximas semanas, o príncipe do PSB terá de administrar as contradições dos seus súditos sem quebrar o sapatinho de vidro que a gata borralheira lhe calçou.

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Culpa do queijo!



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Ex-diretor da Petrobras receberia até 50% por contratos assinados
Germano Oliveira, O Globo

A Polícia Federal apreendeu na casa do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que está preso em Curitiba desde o último dia 20 por conta da Operação Lava-Jato, uma extensa planilha de negócios da Costa Global — empresa de consultoria de sua propriedade que prestava serviços para centenas de fornecedoras da Petrobras.

A maioria das consultorias, assinadas depois que ele se aposentou da estatal, em 2012, envolve taxas de sucesso com percentagens que variam entre 5% e 50% dos valores dos contratos assinados pelas empresas com a petrolífera. A PF acha que Costa fazia uso de sua influência política para fechar os contratos de consultoria.

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Prescrição é entrave para punir cartel
Fernando Gallo, Estadão

Embates jurídicos que já começaram a ser travados nos tribunais colocam em xeque a punição de executivos e ex-executivos das multinacionais do cartel que atuou em licitações públicas de trens e metrô no Estado de São Paulo.

A depender do entendimento do Judiciário sobre os temas em questão, mesmo que eventualmente tenham praticado conluio, os altos executivos podem se livrar das penas, que incluem até a possibilidade de prisão – pelo menos nos casos tipificados especificamente como crimes de cartel.

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PT pode sacrificar vaga do Senado no DF por mais TV para Agnelo
João Bosco Rabello, Estadão

O diretório regional do PT no Distrito Federal estuda a possibilidade de ceder a vaga ao Senado, para legendas aliadas. Em troca, quer garantir o tempo de televisão como compensação pela debandada de PSB e PDT da base aliada ao governador Agnelo Queiroz (PT).

Inicialmente, o deputado federal Geraldo Magela e o deputado distrital Chico Leite são os nomes do partido para disputar a vaga única ao Senado. Porém, cinco partidos nanicos da base de Agnelo formaram um grupo para pressionar o PT a negociar a vaga com as outras legendas.

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Atraso de usinas deixa País sem energia suficiente para 8 milhões
Renée Pereira, Estadão

Os relatórios do Ministério de Minas e Energia de julho de 2013 indicavam que a primeira turbina da termoelétrica Parnaíba II (antiga Maranhão III) entraria em operação em outubro daquele ano. De lá pra cá, o cronograma da térmica - de propriedade da Eneva, ex-MPX - mudou cinco vezes.

Na última alteração, ocorrida às vésperas do início de funcionamento, a data foi adiada por nove meses. Casos como o de Parnaíba II recheiam os relatórios do Departamento de Monitoramento do Sistema Elétrico da Secretaria de Energia Elétrica (DMSE).

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Incêndio no Chile deixa 12 mortos e destrói 2 mil casas
Estadão

Ao menos 12 pessoas morreram na madrugada de domingo e 2.000 casas foram completamente destruídas no porto chileno de Valparaíso, informaram as autoridades locais.

O ministro do Interior, Rodrigo Peñailillo, confirmou os números e anunciou que, diante do maior incêndio dos últimos 60 anos em Valparaíso, a presidente Michelle Bachelet decidiu cancelar as visitas que havia planejado para a Argentina e Uruguai nesta semana.

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Rússia e EUA trocam acusações em reunião da ONU
Estadão

Embaixadores dos EUA e da Rússia trocaram acusações sobre o aprofundamento da crise na Ucrânia durante a reunião emergencial do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), convocada para o início desta noite.

A Rússia requisitou a reunião horas depois de forças especiais da Ucrânia trocarem tiros com uma milícia pró-Rússia em uma cidade no leste do país. Ao menos um oficial da segurança ucraniana foi morto e outros cinco ficaram feridos. O presidente da Ucrânia, Oleksandr Turchynov, anunciou em discurso televisionado na manhã de domingo que o país vai lançar uma "operação antiterrorismo em larga escala" para resistir às agressões da Rússia.

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Síria: ONU recebe só 20% do prometido
O Globo

A comunidade internacional destinou até hoje apenas 20% do total de US$ 6,5 bilhões prometidos para refugiados sírios. A informação é do coordenador do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados no Oriente Médio, Amin Awad, em entrevista ao “Independent” em Londres. Devido à prolongada guerra civil na Síria, cerca de 120 mil pessoas deixam o país a cada mês, segundo Awad.

— O grande número de refugiados está criando tensões em comunidades anfitriãs do Oriente Médio, o que está agravando problemas sociais, como o acesso a água potável, educação e saúde — exemplificou o representante da ONU, que ainda alertou: — (Os países) estão esquecendo do problema na Síria. Isso vai acabar nos assombrando por uma geração... com desde crime organizado e tráfico humano até radicalizações e atividades ilegais de todo tipo.

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André Vargas puxou a faca, e os petistas graúdos saíram correndo. Quem tem Vargas tem medo! Na mira, Padilha, Gleisi e Bernardo

Afirmei aqui na sexta-feira que o deputado André Vargas (PT-PR) andou dizendo coisas desagradáveis a seus companheiros. Não aceita ser enxotado do partido e promete reagir. Pelo visto, o PT entendeu o recado. A disposição de puni-lo até com a expulsão se transformou numa comissão para ouvir os seus motivos.

Segundo reportagem de Daniel Pereira e Robson Bonin na VEJA desta semana, os primeiros, digamos, “ameaçados” por Vargas são Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde, que vai concorrer ao governo de São Paulo, pelo PT; a senadora Gleisi Hoffman, que deve disputar o governo do Paraná pelo partido, e seu marido, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.

Vargas estaria insinuando a “companheiros” que Paulo Bernardo é beneficiário de propinoduto da Petrobras e que seria intermediário de contratos entre o grupo Schahin, que costuma aparecer em escândalos petistas, e a estatal. O ministro teria recebido uma corretagem por isso, devidamente repassada ao “Beto”, que é como Vargas chama o doleiro Alberto Youssef.

Schain? Lembram-se de Marcos Valério, o operador do mensalão petista? Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que a construtora simulou no passado uma prestação de serviços para a Petrobras para arrumar dinheiro para os petistas comprarem o silêncio de um empresário que ameaçava envolver Lula e outros membros da cúpula do partido na morte de Celso Daniel.

As insinuações vão além. A senadora Gleisi e seu marido não gostariam ainda de ver expostas as suas relações com a Agência Heads Propagada do Paraná. Seria, na expressão atribuída a Vargas, um “esquema deles”.

Bem, no governo Dilma, a Heads se tornou líder no recebimento de verbas da propaganda oficial. A ascensão foi tão espetacular que chamou a atenção do Tribunal de Contas da União, que decidiu apurar se há algo de errado. Todo mundo, evidentemente, nega tudo. Só uma coisa é inegável: até agora, Vargas não demonstra disposição se ir para o cadafalso em silêncio.

Sem saída
O chato para o petismo é que não há saída virtuosa para essa história. Leiam a reportagem de VEJA, que foi a Indaiatuba conhecer a Labogen, que, acreditem, no papel, pertence a um frentista chamado Esdra Ferreira. Também no papel, ele tem um sócio, o “autônomo” Leonardo Meirelles. Os dois já admitiram para a polícia que, de início, a Labogen era mesmo uma empresa de papel. Mas muito bem-sucedida, claro!!! Sem produzir um comprimido ou um supositório, faturou R$ 79 milhões entre agosto e novembro de 2010. Um portento!

Com a influência de Vargas, os técnicos do Ministério da Saúde, comandado por Padilha, foram vistoriar os equipamentos da Labogen para saber se estava apto a fazer a parceria com a gigante EMS e com Laboratório da Merinha. Equipamentos??? Esdra, o frentista, contou à polícia: o maquinário era sucata comprada em cemitério de peças, revestida de alumínio, “para dar a aparência de novas”. Mesmo assim, a parceria ganhou um sinal verde. Leiam reportagem na edição desta semana.

Vargas, como está dito, puxou a faca. E os petistas tremeram. Mais um pouco, ele também vai virar “guerreiro, herói do povo brasileiro”.

Parece que tanto empenho em tentar impedir a CPI da Petrobras vai um pouco além da “questão política”, não é mesmo?

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PETROBRAS – Partidos que apoiam Dilma ficaram com 79% das doações feitas por empresas da “lista” de ex-diretor que está preso

Na Folha:
Partidos da base aliada da presidente Dilma Rousseff receberam R$ 35,3 milhões, ao menos, em doações eleitorais na campanha de 2010 de empresas citadas na lista apreendida pela Polícia Federal na casa do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Esse valor representa 79% do total doado pela Mendes Júnior, Engevix, Iesa, UTC e Hope RH a diretórios e candidatos de diferentes legendas, segundo levantamento da Folha no sistema do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
(…)
A tabela apreendida na casa Paulo Roberto, suspeito de repassar dinheiro de empresas contratadas pela estatal a políticos, lista os nomes das companhias Mendes Júnior, UTC/Constran, Engevix, Iesa, Hope RH e Toyo Setal. Todas têm contratos ativos com a Petrobras ou, ao menos, já tiveram contratos com a estatal nos últimos anos.
(…)
Segundo levantamento da reportagem, a UTC/Constran doou ao menos R$ 20,9 milhões para a campanha de 2010, sendo 83% para PT, PMDB, PP, PR, PC do B, PRTB e PSB, todos da base de sustentação do governo Dilma, exceto esse último, que deixou o governo no fim de 2013 para lançar a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República. A Mendes Júnior repassou R$ 13,8 milhões em doações e destinou 65% desse valor a PT, PMDB, PDT, PP, PR, PTB e PHS. Já a Engevix doou R$ 7,1 milhões, sendo 86% para PT, PMDB, PDT, PP, PR, PSB e PTB, segundo o TSE. Já a Iesa, que doou ao todo R$ 2,96 milhões a candidatos e diretórios de partidos políticos em 2010, concentrou 92% de seus repasses para o PT, o PMDB e o PDT.
(…)


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Blog do Coronel

Quem acredita no Lula?

A ultima do Lula é querer discutir uma nova política industrial. Logo ele que colocou o BNDES a serviço de meia dúzia de empresas amigas, por meio de suspeitíssimas transações, para criar campeões mundiais. Logo ele que em oito anos nada fez em logística, condenando o agronegócio a perder cerca de 30% dos seus resultados nas estradas esburacadas e nos portos engarrafados. Logo ele que passou oito anos aumentando impostos, tornando o custo Brasil insuportável para a indústria brasileira. Logo ele que, em vez de investir no Brasil, mandou fazer portos em Cuba e a Petrobras fazer uma internacionalização corrupta e Pasadena está aí, saindo debaixo do tapete, para comprovar. A matéria abaixo é da Folha de São Paulo.

Depois de admitir que a economia brasileira "poderia estar melhor", o ex-presidente Lula fez um discurso otimista anteontem e disse a um grupo de empresários que é preciso discutir um "novo modelo de política industrial", porque o país "não pode ser o primeiro em tudo".

A interpretação de dirigentes do PT foi a de que o tom mais esperançoso se deu depois da conversa que o ex-presidente teve a sós com a presidente Dilma Rousseff na semana passada. Os dois traçaram uma estratégia conjunta de ação política para tentar melhorar o ânimo dos empresários e, consequentemente, da economia nacional.

Durante almoço com empresários do agronegócio e do setor de serviços da região de Araçatuba, no interior paulista, o petista saiu em defesa de Dilma, que tem sido bastante criticada pelo setor privado, e disse que é preciso "agradecer a Deus" pelo caráter e seriedade de sua sucessora.

"Quando quiserem criticar a Dilma, olhem os dirigentes políticos do mundo inteiro e agradeçam a Deus por esse país ter uma mulher com o caráter e a seriedade dela. Falam que Dilma é muito dura, mas ela não é diferente de nenhum de vocês."

De acordo com Lula, o governo federal precisa chamar empresários e sindicalistas para eleger áreas produtivas em que o país quer ser "imbatível e competitivo". O ex-presidente citou o agronegócio, a indústria de alimentos e o etanol como setores em que o Brasil é mais competitivo.

Ao citar esses setores específicos, o ex-presidente procura construir uma ponte com empresários que hoje se sentem abandonado pelo governo, especialmente os produtores de etanol. Eles investiram pesado e agora enfrentam dificuldades no mercado principalmente por causa da política de reajustes dos combustíveis adotada pelo governo.

PARTICIPAÇÃO SINDICAL

No almoço com os empresários, Lula disse ainda que, na semana passada, convidou representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) para participar junto com ele de uma reunião com o Ministério da Ciência e Tecnologia e discutir exatamente a necessidade de criar essa nova política industrial para o país.

"O movimento sindical tem dificuldade de fazer suas lutas em um governo que tem pleno emprego, então chamei o movimento sindical para discutir um novo modelo de política industrial, já que estão dizendo que a indústria brasileira está quebrando porque não está tendo condições de competir."

O ex-presidente também voltou a dizer que o Brasil "mudou de patamar" nos últimos 11 anos, durante a gestão do PT no governo federal.

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RJ: janeiro de 2014 teve maior número de roubos nos últimos 12 anos
O Globo

No último dia 4, Humberto Dias, de 29 anos, chegava em casa, no bairro Vinte e Cinco de Agosto, em Caxias, quando foi abordado por um adolescente armado, que apontou uma pistola contra seu peito. Por volta das 23h30m, o criminoso levou seu Peugeot 207 cinza e seu celular.

Humberto foi vítima do crime que mais cresceu no Estado do Rio de Janeiro, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP). Mas os alvos dos bandidos não têm sido só veículos: janeiro de 2014 teve a maior alta de todas as modalidades de roubo desde 2003, quando o ISP passou a reunir os dados na internet.

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Diretor de presídio leva detentos para trabalhar em casa no RN
G1

O diretor do complexo penal Doutor João Chaves, na zona Norte de Natal, foi preso em flagrante na tarde deste sábado (12). Segundo a Polícia Militar, o diretor havia levado três detentos para trabalhar na reforma da casa dele. Para transportar os presos, o diretor teria usado o carro oficial do presídio, que foi apreendido pelos PMs.

"Recebi uma denúncia anônima às 16h40 deste sábado informando que o diretor havia saído do presídio com três presos e seguido, em carro oficial, até a casa dele. De imediato mandei duas equipes até a casa do diretor, que fica no bairro de Passagem de Areia, em Parnamirim. Quando os policiais chegaram, confirmaram a denúncia e prenderam os quatro homens", falou ao G1 o comandante geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, Francisco Araújo.

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Após bom resultado do início do ano, indústria acumula estoques
Cleide Silva, Estadão

Os estoques excessivos da indústria vão além das montadoras, cujos pátios cheios de carros desencadearam uma onda de férias coletivas, suspensão de contratos de trabalho e programas de demissão voluntária. Também apontam quadro de estoques acima do normal os setores têxtil, mecânico (máquinas e equipamentos) e vestuário e calçados.

Com esse cenário, a indústria revê para baixo as expectativas de crescimento da produção em relação a 2013. A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que em dezembro projetava alta de 2%, reviu os números para 1,7% na sexta-feira.

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Extrema-direita avança antes de eleições para Parlamento Europeu
O Globo

Marcada pelo Holocausto e praticamente enterrada depois da Segunda Guerra Mundial, a extrema-direita na Europa ressurgiu das cinzas na década de 1980 em várias linhagens. Mas, até recentemente, sua força era limitada. Não mais: de roupa nova - isto é, com um discurso bem mais sofisticado do que o de fascistas e nazistas -, ela está colhendo os frutos. Da França à Hungria, extremistas estão em alta, surfando na crise de identidade da Europa e na queda em desgraça da classe política tradicional.

- Há uma progressão real e incontestável da extrema-direita na Europa, como mostram os casos francês, suíço, norueguês, húngaro e grego. Mas é uma progressão desigual e não é uma consequência da crise econômica - constata Jean-Yves Camus, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicos (IRIS), em Paris.

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Tensão aumenta após Kiev cortar pagamento de gás
Estadão

O governo de Kiev disse ontem que suspenderá os pagamentos de gás natural à Rússia, aumentando as tensões e o impasse que pode deixar países da União Europeia sem o produto russo, que passa pelo território ucraniano. No leste da Ucrânia, onde grupos de ativistas pró-Rússia ganharam força após a anexação da Crimeia, homens armados tomaram uma delegacia de polícia na cidade de Slaviansk.

Rússia e Ucrânia travam uma intensa guerra de palavras e realizam constantes demonstrações de força depois que protestos em Kiev derrubaram o presidente pró-Kremlim Viktor Yanukovich. Logo depois, os russos enviaram tropas para a Crimeia. Agora, a disputa pelo gás ameaça afetar gravemente outras regiões da Europa.

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Blog do Josias

Versão de André Vargas sobre tráfico de influência na Saúde foi desmentida

Pilhado pela Polícia Federal numa troca de mensagens eletrônicas com o doleiro preso Alberto Youssef sobre negócios do laboratório Laborgen com o Ministério da Saúde, o deputado André Vargas (PT-PR) discursou da tribuna da Câmara: “Quero deixar bem claro que não participei, não agendei, não soube previamente nem acompanhei desdobramentos de nenhuma reunião no ministério a respeito de qualquer assunto relacionado a negócios da Laborgen”.

Em entrevista à revista Veja, o autônomo Leonardo Meirelles, proprierário formal do Laborgen declarou: “Encontrei o deputado André Vargas duas vezes no ano passado para tratar da parceria com o Ministério da Saúde e apresentar o projeto da Laborgen. Em um desses encontros, o Pedro Argese [diretor do laboratório] também estava junto. O deputado viu o projeto e nos ajudou.”

Como chegou a André Vargas? “Não é segredo a proximidade do deputado com o Alberto Yossef. Foi ele quem nos aproximou. O Youssef me indicou o o deputado, e nós conversamos. O próprio Youssef articulava essa parte política porque ele também tinha interesse. Ele iria comprar 80% do laboratório.”

Que tipo de serviço o deputado fez? “Fez o que todo deputado faz quando é procurado por um empresário com um bom projeto. Ele nos ajudou a chegar ao governo. Não teve nada errado. Ele apenas conseguiu a reunião no ministério. Uma coisa que todo político faz.”

Para a Polícia Federal, Leonardo Meirelles é um laranja de Youssef. O outro “sócio” do laboratório é um frentista: Esdra Ferreira. A exemplo do doleiro, ambos foram presos na Operação Lava-Jato. A entrevista de Meirelles bastaria para escurecer aquilo que André Vargas pretendeu “deixar bem claro” no discurso que despejou sobre o plenário da Câmara. Mas não ficou nisso.

Procurado, também o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, hoje candidato do PT ao governo de São Paulo, disse que André Vargas o procurou para tratar da possibilidade de contratação da Labogen. No ministério, informou-se que o pedido do deputado “seguiu o trâmite regular”. Tanta regularidade resultou na celabração de um contrato de R$ 30 milhões com um laboratório que, até ali, servia como lavanderia de dinheiro de Youssef.

Relator do pedido de cassação de André Vargas no Conselho de Ética da Câmara, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) já deu indicações de que pretende levá-lo ao cadafalso por ter mentido para os colegas da tribuna da Câmara. Não terá dificuldades para recolher a matéria prima para o seu relatório.

A revista Veja também informa que, sentindo-se abandonado por seu partido, André Vargas recorreu a uma ferramenta inusitada para reconquistar o PT: a chantagem. Disse a petistas que, faltando-lhe a solidariedade, vai entregar companheiros. Em privado, relaciona entre seus alvos o próprio Padilha, o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) e a mulher dele, a senadora Gleisi Hoffmann, ex-chefe da Casa Civil e candidata do PT ao governo do Paraná.

Longe dos refletores, Vargas insinuou que Paulo Bernardo é beneficiário de desvios praticados na Petrobras. Nessa versão, o ministro teria intermediado contratos entre um grupo empresarial chamado Schahin e a estatal petroleira. Em troca, teria recebido uma “corretagem” recolhida pelo doleiro Youssef.

Em converas com deputados petistas, André Vargas citou outra logomarca: a agência Heads Propaganda. “a Heads é esquema deles”, afirmou, referindo-se a Paulo Bernardo e a Gleisi Hoffmann. Sob Dilma, anota a revista, a agência tornou-se líder no recebimento de verbas do governo. Encontra-se sob investigação do TCU.

Neste sábado, André Vargas comentou a reportagem pelo Twitter. Absteve-se de falar sobre o desmoronamento do discurso que pronunciara da tribuna da Câmara. a respeito da chantagem, escreveu: “Atribuir a mim ameaças contra valorosos companheiros é pura ilação. Sou o único responsável pelos meus atos e vou provar inocência.”

Por meio de nota, Paulo Bernardo negou que houvesse intermediado contratos do grupo Schahin com a Petrobras. “Conheci executivos do grupo há muitos anos. Não me lembro de nenhum encontro ou contato telefônico com nenhum desses executivos nos últimos cinco anos, pelo menos. Acredito que a senadora Gleisi nem os conheça.”

Quanto à agência Heads, Paulo Bernardo disse conhecer o dono, Cláudio Loureiro. Mas nega ter negócios com ele. “Tenho relação muito cordial com ele. Com a Heads, não tenho relação”, disse Paulo Bernardo. Acrescentou: Loureiro “nunca nos prestou serviços como agência e não tenho informações ou envolvimento com os negócios da empresa dele. Não tive influência nenhuma a respeito de contratos da empresa dele com o governo federal”.

De resto, Bernardo declarou ter encontrado o doleiro Youssef uma única vez. “Como deputado federal, fui membro da CPI do Banestado, que investigou o caso. E participei de sessão para ouvir o senhor Youssef. A audiência foi realizada em Curitiba”.

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Rabo de fora!




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Blog do Noblat

O doleiro dos oprimidos
Guilherme Fiuza, O Globo

O deputado André Vargas não fez nada de mais. Apenas cumpriu o primeiro mandamento para ascender no PT: siga o dinheiro. Ou, mais precisamente, siga e consiga o dinheiro. Sua intimidade com o doleiro Alberto Youssef, preso no centro de um esquema que teria movimentado 10 bilhões de reais, não deixa dúvidas: Vargas chegou lá. Quem não entendeu como o obscuro deputado curitibano saltou de secretário de comunicação do partido para vice-presidente da Câmara dos Deputados não entende nada de PT.

O despachante de André Vargas era o homem que operava o duto entre os cofres públicos e os políticos amigos do rei (rainha). Se alguém achar que isso se parece com a quadrilha do mensalão, esqueça. O ministro Luís Roberto Barroso já explicou que a quadrilha não existiu, e o STF assinou embaixo.

A parceria fértil entre o doleiro de Vargas e o ex-diretor de abastecimento da Petrobras, também preso, tem impressionante semelhança com a tabelinha entre Marcos Valério e o então diretor de abastecimento do PT no Banco do Brasil, Henrique Pizzolato — hoje embaixador da república mensaleira na Itália. Mas isso não é quadrilha, é estilo.

E pensar que antigamente o PT mandava Waldomiro Diniz pegar dinheiro com Carlinhos Cachoeira. Que coisa cafona. Mas isso foi uma década atrás, quando o partido ainda não tinha estudado direito a planta do Estado brasileiro.

Hoje está claro que a mensagem de André Vargas a Joaquim Barbosa, levantando o punho cerrado (símbolo da resistência mensaleira), era um aviso — como o de Raul Seixas sobre as moscas: se você mata uma, vem outra em seu lugar.

Os brasileiros, esses invejosos, já estão implicando com o Land Rover dado pelo doleiro ao diretor da Petrobras. Bobagem. Como ensinou Silvinho Pereira, o mais injustiçado e esquecido dos petistas, quem trabalha bem no setor petrolífero ganha Land Rover de graça. O Brasil está pensando pequeno.

Diante da dimensão dos negócios no seio do governo popular, as propinas na Petrobras são o troco do cafezinho — aquelas moedas que você joga na mão do pedinte pela janela do seu Land Rover. Se o garoto ainda fizer uma graça com bolinhas de tênis, você pode até dar a ele uma refinaria superfaturada. Esse bilhão não fará a menor diferença no balanço.

Algumas das maiores empresas brasileiras estão sendo destroçadas, ao vivo, para fabricar bondade tarifária e esconder inflação. Esse é o jogo multibilionário que o Brasil aceita chupando o dedo, louco para virar Argentina. São esses dividendos populistas que garantem um ambiente de negócios seguro para os doleiros oficiais, mensaleiros reencarnados e demais sócios do país de todos (eles).

Até o FMI já espalhou por aí que o governo brasileiro passou a maquiar suas contas, para gastar escondido com a indústria do populismo. E vem aí mais uma transfusão bilionária do Tesouro para o BNDES, que vai injetando nas estatais vampirizadas e envernizando a orgia fiscal.

É um complexo e fabuloso trabalho de pilhagem, com alcance de gerações — que naturalmente passou despercebido aos revolucionários da Primavera Burra. Nem a CPI da Petrobras mobilizou os engarrafadores de trânsito. Eles devem estar achando que pode ser um golpe neoliberal para tomar o que é nosso.

Com todo o seu profissionalismo, André Vargas sabe que não dá para contar a vida toda com a pasmaceira da opinião pública. Por isso, além de ter os amigos certos, ele também trabalhou com afinco no projeto petista que vale por mil doleiros espertos: o controle da informação.

O PT sonha com a desinibição da companheira Kirchner na coação da mídia e no adestramento das estatísticas. André Vargas também serve para isso: assim como se presta a fazer molecagem com Joaquim Barbosa, prega sem constrangimento o “controle social da mídia”. E o ensaio vai indo muito bem, do controle social do Tesouro ao controle social do Ipea.

O tradicional e respeitado Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ganhou de presente do governo popular uma estrelinha vermelha. Passou a ser dirigido por acadêmicos-militantes, uma espécie de transgênero com vocabulário técnico e alma ideológica.

Estrelas da coreografia estatística como Marcio Pochmann — que saiu de lá para ser candidato do PT a prefeito de Campinas —, capazes de fazer os números dançarem conforme a música, trouxeram o charme chavista que faltava ao Ipea. Quem acompanhou essa metamorfose revolucionária não acreditou um segundo na famosa pesquisa que transformou o Brasil num país de estupradores.

O mais alarmante, porém, não foi a pesquisa em si, pois já se sabe que, com o PT, a inépcia e a desonestidade intelectual são quase indistinguíveis. O impressionante foi o Brasil comprar de olhos fechados mais uma bandeira fabricada pelo império do oprimido. Dá até para ouvir o comentário de André Vargas: kkkkkk.


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Blog do Coronel

Lula coloca o PT em campanha aberta contra a Imprensa. Envolvido em casos escabrosos de corrupção, o partido deveria se preocupar menos com jornalistas e mais com policiais e juízes.

Ontem, em comício do PT no interior de São Paulo,  Lula  voltou à carga contra a imprensa. "[Os militantes] têm que saber o que cada um tem que fazer [saindo dessa plenária], porque nós não temos a Rede Globo do nosso lado", disse. "Aliás, nós não temos um meio de comunicação nos defendendo. Você não aparece no jornal das 7, no jornal das 8, no jornal das 9, nada! Se você aparece, é com matéria negativa", acrescentou o petista.

Como se a Imprensa tivesse culpa pela lama que envolve o governo Dilma, com denúncias de superfaturamento em obras públicas, propinoduto instalado na Petrobras, economia em queda e nenhuma, absolutamente nenhuma notícia que possa merecer uma notícia de rodapé a favor da gestão petista.

A campanha de Lula contra a liberdade de imprensa e pela volta do controle social de mídia começou exatamente com uma afronta sua ao jornalismo. Reuniu dez blogueiros financiados por debaixo do pano pelo governo para uma coletiva de quase três horas no Instituto Lula. Na verdade, não foi uma coletiva. A claque financiada levantava um assunto e Lula discorria sobre ele, tudo conduzido pelo ex-ministro Franklin Martins. Vejam, abaixo, trechos desta entrevista:

"Acho que os meios de comunicação no Brasil pioraram do ponto de vista da liberdade, do ponto de vista da neutralidade e agora que vocês [os blogs] tão fortemente conquistaram a neutralidade da internet, têm que começar a campanha para conquistar a neutralidade dos meios de comunicação para eles pelo menos serem verdadeiros. Podem ser contra ou a favor, mas que a verdade prevaleça".

"Perdemos um tempo precioso e não fizemos o marco regulatório da comunicação nesse país. Temos que retomar com muita força essa questão da regulação dos meios de comunicação do país. O tratamento à Dilma é de falta de respeito e de compromisso com a verdade".

"Vejo alguns números colocados por pessoas da Petrobras e os números colocados pela imprensa e eles não batem entre si".

"Estamos sendo conduzidos por uma massa feroz de informações deformadas".

"No fundo, no fundo, e vocês todos são pessoas informadas, a imprensa construiu quase que o resultado desse julgamento [do mensalão]. Eu me pergunto como é possível uma CPI que começou investigando o desvio de R$ 3 mil em uma empresa pública [os Correios ], que era dirigida pelo PMDB e que investigava um cara do PTB, terminou no PT? É indescritível!".

"Espero que a história do mensalão seja recontada nesse país e, se eu puder, vou ajudar a reconta-la. Como uma CPI que começou por causa de R$ 3 mil nos Correios terminou no mensalão? Temos que mostrar qual foi o papel da imprensa!".

"O mensalão foi o mais forte processo político desse país em que a imprensa teve papel de condenação explícita antes de cada sessão, de cada ato" E concluiu: "Nunca vi nada igual! O massacre era apoteótico!"

Lula, como se vê, encontrou um culpado para os crimes do PT: a imprensa. Acha que pode manipular a opinião pública, como o fez em governos anteriores. Está certo ao dizer que hoje tem a internet para fazer o contraponto. No caso do PT, ela não vai funcionar, tendo em visto a criminalização crescente do partido e do governo. Lula deveria se preocupar menos com jornalistas e mais com policiais e juízes. E, obviamente, com um eleitor cada vez mais bem informado.

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PF encontra planilha de doações com ex-diretor da Petrobras.

Um documento apreendido pela Polícia Federal na casa do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa levanta a suspeita de que ele intermediava o repasse de dinheiro de grandes empreiteiras para políticos. Costa foi preso na Operação Lava Jato e é apontado pela Polícia Federal como integrante de um esquema que movimentou de forma suspeita cerca de R$ 10 bilhões.

Uma tabela apreendida, à qual a Folha teve acesso, é escrita a mão e está dividida em três colunas: nome da empresa'', executivo'' (com os nomes dos responsáveis de cada empresa) e solução", em que aparece a descrição do andamento da negociação em questão. "[O documento traz] Diversas anotações que indicam possíveis pagamentos para candidatos', podendo indicar financiamento de campanha", escreve a Polícia Federal no relatório de análise do material apreendido.

As empresas citadas são conhecidas doadoras de campanhas eleitorais. No campo soluções, aparecem relatos como: "Está disposto a colaborar. Iria falar com executivo para saber se já ajudam em algo", "Já está colaborando, mas vai intensificar mais para a campanha a pedido do PR", e "Já teve conversa com candidato, vai colaborar a pedido do PR". No análise do documento, os agentes da PF se questionam sobre se a sigla PR significa Paulo Roberto.

Ainda na tabela, há os seguintes registros: "Empresa passando por processo de venda, vai colaborar a partir de julho" e "já vem ajudando, pediu para certificar se candidato está ciente. Vai ajudar + a pedido PR". As anotações datam de fevereiro, mas não há registro de qual ano se trata.

Um dos focos de apuração da Lava Jato é a transferência de dinheiro de empresas que tinham contrato com a Petrobras para uma conta que, de acordo com a PF, era usada pelo esquema para repassar propina para funcionários públicos e políticos.

No relatório de análise do material apreendido na casa do ex-diretor da estatal, a Polícia Federal registra ainda a existência de um documento com o título "PLANILHA VALORES (Existente/Entradas/Saídas) a partir de 30/11/12 até 03/06/13, que aparenta ser uma contabilidade manual' da empresa Costa Global [empresa de Paulo Roberto]". No texto, os agentes destacam que na rubrica "Entrada" há a inscrição "primo", que é o apelido pelo qual é conhecido o doleiro Alberto Youssef, apontado pela PF como um dos coordenadores do esquema.

'ORGANIZADO'

Conforme a Folha revelou na semana passada, empresários e congressistas descrevem Costa nos bastidores como "organizado", dono de arquivos em que guardaria planilhas detalhadas com os registros do que fazia. Por essa razão, o ex-diretor da Petrobras é um dos focos da oposição, que tenta criar uma CPI no Congresso para investigar a Petrobras e desgastar o governo Dilma Rousseff no ano eleitoral.

Na apreensão na casa do ex-executivo da estatal, os investigadores destacam também a grande quantidade de valores em espécie: US$ 181 mil e R$ 762 mil. Paulo Roberto Costa foi preso em 20 de março sob a acusação de tentar destruir documentos. Ele recebeu de Youssef um Land Rover Evoque, carro no valor de R$ 250 mil. Segundo a Polícia Federal, ambos tinham um relacionamento estreito. (Folha de São Paulo)

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Graça Foster peita a PF e é advertida: entrega os documentos ou vamos vasculhar a empresa. Governo monta versão para esconder os fatos.

O Estadão revela que, na Operação Lava Jato II, que ontem incluiu até mesmo busca e apreensão na sede da Petrobras, a primeira reação da presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, ao receber os policiais, por volta de 9h, na sede da empresa, foi se recusar a repassar dados sobre um contrato milionário assinado na sua gestão com a empresa Ecoglobal Ambiental Comércio e Serviços. Avisada de que a resistência daria à PF o direito de vasculhar a empresa em busca dos documentos, uma vez que estava autorizada judicialmente por um mandado de busca e apreensão, a executiva recuou e liberou a papelada.

A negociação levou a permanência de um delegado e de três agentes na sede da Petrobrás por quase seis horas. De acordo com um segurança da sede da Petrobrás, os agentes policiais entraram a pé pela recepção da garagem do prédio, se identificaram e informaram sobre a Ordem Judicial, expedida pela Seção Judiciária do Paraná. Funcionários do setor jurídico da estatal desceram para receber os policiais ainda no estacionamento. Segundo o segurança, os agentes disseram que iriam cumprir "intimações" na estatal.

No final da noite, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, saiu em defesa da presidente da Petrobrás e repetiu o que as duas notas já haviam afirmado de que os documentos foram entregues pela empresa "espontaneamente". A nota divulgada pela Polícia Federal recebeu o aval de Cardozo antes de ser publicada.

Segundo fontes, o ministro compartilhou seu conteúdo com o colega da Casa Civil, Aloizio Mercadante, um dos mais próximos da presidente Dilma Rousseff. O texto apresenta duas explicações em referência aos mandados cumpridos nesta sexta. A Polícia Federal informa que "a Justiça Federal no Paraná expediu mandados de intimação prévia para que a Petrobrás apresentasse documentos. Como houve colaboração, não foi necessário o cumprimento de mandados de busca e apreensão para o êxito na obtenção desses papéis."

Menciona, também, que a "presidência da Petrobrás colaborou com os policiais federais apresentando os documentos, que foram apreendidos e contribuirão para a continuidade das investigações". A PF não explicou porque os agentes ficaram várias horas na sede da estatal, embora a justificativa seja que apenas foram coletados documentos, cuja entrega já havia sido acertada com a empresa.

A nota da Petrobrás informa que a estatal recebeu uma ordem judicial para entrega de documentação sobre um contrato investigado pela Polícia Federal. Segundo o comunicado, a presidente acionou "imediatamente" a gerência jurídica da empresa para dar encaminhamento às solicitações dos agentes. O comunicado informa ainda que a empresa cumpriu as determinações expedidas pela Seção Judicial do Estado do Paraná.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Ex-diretor da Petrobras e doleiro se associaram para obter contratos milionários com a estatal

Por Daniel Haidar e Alana Rizzo, na VEJA.com:
Interrogado na manhã desta sexta-feira pela Polícia Federal, o empresário Vladimir Silveira revelou um novo filão de investigação para a operação Lava-Jato. Segundo ele, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa se associaram para tentar comprar o controle da Ecoglobal – da qual Silveira é sócio-diretor – e, assim, lucrar com a obtenção de contratos milionários com a estatal. A Polícia Federal investiga se, além disso, eles também facilitaram e receberam comissões por um contrato de 443 milhões de reais que a Ecoglobal assinou. Em entrevista ao site de VEJA, Silveira afirmou que foi procurado por emissários do doleiro e do ex-diretor, que fizeram uma oferta de 18 milhões de reais por 75% da empresa. O negócio, segundo afirmou, não foi concretizado.

Silveira alega que desistiu da transação em outubro de 2013, quando soube que Youssef estava entre os interessados. No mês anterior, segundo afirmou, ele havia sido procurado por Pedro Storti e Paulo Juris. Os dois se apresentaram como intermediários da empresa Quality e de Paulo Roberto Costa. Apesar de só recentemente ter sido divulgado que Quality é controlada por Youssef, Silveira alega que já em outubro do ano passado descobriu na Internet que o doleiro estava por trás da proposta.

“Disseram que falavam em nome da Quality e do Paulo Roberto Costa. Quando vi no Google o que era a Quality, apareceu o nome do Youssef e imediatamente eu me levantei. Disse que não fazia negócio com pessoas com o ‘pedigree’ desse Youssef. O primeiro contato foi na minha casa em Macaé e o segundo e último no meu escritório no centro do Rio”, alega Silveira. A Polícia Federal suspeita que Costa tenha intermediado o último contrato firmado pela Ecoglobal com a Petrobras, pelo qual a fornecedora receberia 443 milhões de reais para realizar testes de poços de petróleo. Silveira diz que participou de licitação, por meio de convite, durante oito meses.

Os testes em poços de petróleo seriam uma atividade nova para a Ecoglobal, que tinha experiência, até então, em serviços de recuperação de efluentes e tratamento e descarte de água oleosa. Segundo apurou o site de VEJA, causou estranheza no mercado o fato de a Ecoglobal vencer a concorrência, superando as propostas de companhias reconhecidas pela capacidade na área de testes, como Schlumberger, Tetra e Expro.

Silveira nega que tenha havido irregularidade na licitação e defende a capacidade técnica da Ecoglobal. “Fizemos algumas parcerias com fornecedoras de equipamentos e tecnologia no exterior e apresentamos condições técnicas que foram aprovadas pela Petrobras. Na fase de proposta comercial, tivemos o segundo menor preço. Como eram dois lotes (A e B), uma empresa foi escolhida por lote. No lote A, quem venceu foi a Halliburton e no lote B foi a Ecoglobal”, afirma. Até esse contrato, a Ecoglobal já tinha obtido pelo menos 28,6 milhões de reais em contratos com a Petrobras, de agosto de 2009 a abril de 2013. O primeiro contrato, que aparece no site de transparência da Petrobras, foi fechado em 19 de agosto de 2009. Depois de quatro aditivos, o serviço alcançou 18,2 milhões de reais.

Interesses
Os policiais suspeitam que Costa tenha usado sua influência na Petrobras para favorecer a Ecoglobal na disputa pelo contrato de 443 milhões. Em e-mails enviados com cópia para Paulo Roberto Costa, os intermediários de Youssef chegam a mencionar que havia a possibilidade de conseguir um aditivo de até 15% nesse contrato. Até hoje a prestação desses serviços não teve início. Silveira se considera inocente e diz que se sente “desonrado” por ter sido envolvido nas investigações. Ele foi conduzido à sede da Polícia Federal no Rio de Janeiro para prestar depoimento, junto com a filha, Clara, que também atua na empresa. Policiais também apreenderam documentos na sede da sua empresa em Macaé, em um escritório no centro do Rio e na casa dele e da filha. “Sinto-me desonrado. A última vez que fui conduzido por policiais foi pela polícia política, em 1968”, disse Silveira.

Operação
A segunda fase da operação Lava-Jato, nesta sexta-feira, cumpriu 16 mandados de busca, quatro de condução coercitiva (quando pessoas são conduzidas para prestar depoimento) e um de prisão temporária. Havia um segundo mandado de prisão, mas o alvo não foi localizado pelos policiais. Além da apreensão de documentos que serão analisados pelos investigadores, agentes recolheram em diversos locais 70.000 reais em dinheiro. O material será transportado para a Superintendência da PF no Paraná na tarde de sábado. Segundo nota da PF, a pessoa presa em São Paulo permanecerá na capital paulista.

No início da noite desta sexta-feira a Petrobras informou, em nota ao site de VEJA, que o contrato firmado com a Ecoglobal em 2013 foi assinado em 30 de julho, e foi “precedido de regular procedimento licitatório”. O contrato, diz a nota, foi firmado para fornecimento de equipamentos, pela Ecoglobal Overseas LLC, e prestação de serviços de Avaliação de Formações, pela Ecoglobal Ambiental Comércio e Serviços Ltda.

A empresa nega que tenha havido negociação para estabelecimento de termos aditivos ao contrato. Segundo a Petrobras, o contrato não estava listado no portal da transparência da empresa por ter vigência apenas a partir de 24 de julho deste ano. Diz a nota: “O valor total estimado é de R$ 444 milhões, com prazo previsto de 4 anos, a contar de 24/07/2014, quando há previsão de início dos serviços. A partir desta data o contrato estará disponível no Portal da Transparência, pois até o momento não houve qualquer desembolso por parte da Companhia no referido contrato. Em virtude de haver fornecimento de equipamentos, que necessitam de prazo para fabricação, é dado um prazo de mobilização para o início dos serviços, que neste caso é de 1 ano, sendo prática comum para contratos similares”.

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Gilberto Carvalho, o sofisticado: “A gente organiza uma Copa do Mundo achando que vai ser uma festa, e vocês, jovens, vêm, dão porrada: ‘é uma merda!’”

Gilberto Carvalho explica André Vargas: não é para subir na vida; é para servir!
Gilberto Carvalho explica André Vargas: não é para subir na vida; é para servir!
Ai, que preguiça!

Como vocês sabem, essa é uma das aberturas a que volta e meia recorro.

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, se encontrou com “jovens” militantes nesta sexta-feira. Expressou-se em termos elevados, informa a Folha: “Vocês [jovens] também nos dão desespero pelas coisas que vocês fazem. A gente organiza uma Copa do Mundo achando que vai ser uma festa, e vocês vêm e dão porrada, [dizem] é uma merda”.

Que encantador!

Segundo Carvalho, petistas fazem política para servir, não para subir na vida.

Claro!

Fala do doleiro Alberto Youssef a André Vargas, ex-secretário de Comunicação do PT e um dos capas-pretas do partido ao explicar a necessidade de fazer um acordo com o Ministério da Saúde: “É a sua independência financeira e a nossa!”

É uma gente viciada em servir!

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TORTURA NA VENEZUELA: DEPOIMENTOS DOS SEVICIADOS. Ou: Parece que Dilma se opõe apenas a que se torturem as “pessoas erradas”

Quarenta pessoas já morreram na Venezuela em decorrência dos protestos de rua, que tiveram início no dia 12 de fevereiro. A esmagadora maioria das vítimas fatais é composta de manifestantes, que decidiram sair às ruas para repudiar o governo do ditador ensandecido Nicolás Maduro. Algumas foram assassinadas, sim, por homens uniformizados, mas quem mata para valer no país são os membros sem rosto das milícias criadas e armadas por Hugo Chávez. O próprio Maduro, num pronunciamento público, as estimulou a enfrentar na porrada os manifestantes. Como se fosse pouco, a tortura se generalizou no país. Reportagem da VEJA desta semana traz o depoimento de jovens que foram barbaramente seviciados pelas forças de repressão.

Eis o governo que conta com o apoio integral da ex-torturada Dilma Rousseff e da maioria dos partidos de esquerda no Brasil. A presidente brasileira deixa claro, assim, que criou uma “Comissão da Verdade” por aqui porque ela se opõe a que se torturem apenas as pessoas erradas. Quando o torturado é o “inimigo”, aí tudo bem! Assistam ao vídeo e leiam a reportagem na edição impressa da revista.

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Líder do PSB: ‘Renan Calheiros não tem moral’

O deputado gaúcho Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara, pagou na mesma moeda as ameaças e ironias que o presidente do Senado dirigiu ao seu partido e ao presidenciável Eduardo Campos. “O Renan Calheiros não tem moral para questionar nenhuma outra pessoa”, disse Beto ao blog. “O problema do Renan não é o PSB, mas a Petrobras, onde ele deixou digitais.”

Renan (PMDB-AL) olha de esguelha para o PSB desde o instante em que os senadores da legenda entregaram à oposição as assinaturas que colocaram em pé o pedido de CPI da Petrobras. Evoluiu do olhar atravessado para os ataques verbais depois que Rodrigo Rollemberg (DF), líder do PSB no Senado, adensou o movimento que matou a candidatura de Gim Argello (PTB-DF), um senador multiprocessado, a uma cadeira vitalícia de ministro do Tribunal de Contas da União.

Renan soou ameaçador ao defender que a CPI, na versão agigantada proposta pelo PT, vasculhe contratos do Ministério da Ciência e Tecnologia, pasta gerida por Campos no primeiro mandato de Lula, com a empresa Ideia Digital, que faz campanhas eleitorais para o PSB.

Ele indagou: “Ora, como é que o Congresso vai investigar a Petrobras, e eu acho que deve investigar, e não vai investigar o Metrô [de São Paulo], o Porto de Suape [de Recife], a corrupção que houve com dinheiro público no Ministério da Ciência e Tecnologia, que pagou inclusive marqueteiros nas campanhas eleitorais?”

Em nota, o PSB informou que, na gestão de Eduardo Campos, a pasta da Ciência e Tecnologia não contratou a empresa Ideia. Na conversa com o blog, Beto Albuquerque disse que o objetivo de Renan não é senão o de impedir que a Petrobras seja varejada numa CPI.

“Renan corre da CPI. E, ao correr, expõe as digitais”, disse o deputado, hoje um dos políticos mais próximos de Eduardo Campos. “Quem corre dessa CPI mostra as digitais deixadas na Petrobras. Não adianta vir furungar (remexer) coisas dos outros. Não tem base moral nem legitimidade para falar de ninguém.”

Renan é padrinho político do ex-parlamentar cearense Sérgio Machado. Ele comanda a Transpetro, braço naval da Petrobras, desde 2003. Preso na Operação Lava-Jato, o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa tinha as costas esquentadas na Petrobras por PT, PMDB e PP. Outro ex-diretor, o recém-demitido Nestor Cerveró, fora indicado pelo PT do senador Delcídio Amaral e endossado pelo PMDB de Renan.

Noutra investida contra o PSB, Renan ironizou a iniciativa de Rodrigo Rollemberg, o líder da legenda no Senado, de articular com a oposição, como alternativa técnica à malograda indicação de Gim Argello, o nome de Fernando Moutinho Ramalho Bittencourt, um ex-auditor do próprio TCU. “Escolher um técnico foi um avanço do líder Rodrigo Rollemberg, porque da outra vez que ele fez uma indicação para o TCU foi da mãe de um governador”, disse Renan, entre risos.

Ele se referia à ex-deputada federal Ana Arraes, filha do ex-governador pernambucano Miguel Arraes e mãe de Eduardo Campos. Em articulação comandada pelo filho, Ana foi alçada a uma poltrona de ministra do TCU em 2011. Sob críticas da imprensa, o nome dela foi aprovado na Câmara e no Senado. Nessa época, Renan não fez reparos.

“Renan esqueceu do que houve em junho do ano passado”, disse Beto Albuquer. “Eu me lembro muito bem o que se gritava nas ruas: ‘Fora, Renan’. Isso não está mais nas ruas, mas no sofá da sala de todo mundo não se ouve outra coisa. Em vem querer nos investigar? Ora, francamente. Insisto: o problema do Renan não é o PSB. O problema dele é a Petrobras.”

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Lula cobra correções na economia!



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Lula critica tucanos e diz que honestidade combate corrupção
Leonardo Guandeline, O Globo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso na noite desta sexta-feira em Araçatuba (SP), disse que no tempo em que os tucanos governavam o país, a corrupção não aparecia “porque eles a colocavam debaixo do tapete”.

Falando à militância em evento da caravana de pré-campanha do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo paulista, o ex-presidente disse que a única forma de combater a corrupção é com honestidade. Ele criticou por várias vezes a gestão Geraldo Alckmin (PSDB), alvo principal também das críticas de Padilha.

— Só existe um jeito de combater a corrupção (...) No tempo deles (tucanos no governo federal), a corrupção não aparecia porque eles colocavam debaixo do tapete. Para nós, aparece. Quem não quiser ter problemas, que haja com honestidade — disse o ex-presidente à militância.

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Desocupação de prédio no Rio tem 4 ônibus incendiados e 11 apedrejados
Marcelo Gomes, Estadão

 O Sindicato das Empresas de Ônibus do Município do Rio (Rio Ônibus) informou que quatro veículos foram incendiados e outros 11, apedrejados, durante a desocupação do prédio da telefônica Oi, na zona norte da cidade, nesta sexta-feira, 11.

Um ônibus da linha 629 (Saens Pena - Irajá), número de ordem B73063, do consórcio Internorte, foi incendiado na Rua Lino Teixeira, no Engenho Novo. Mais tarde, outro veículo da linha 350 (Irajá - Passeio), número de ordem B73060, também do consórcio Internorte, foi totalmente queimado na Rua Leopoldo Bulhões.

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Prefeitos da oposição venezuelana pedem fim de perseguição política
O Globo

Mais de 70 prefeitos de oposição assinaram uma carta enviada ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro, condenando "o uso do Judiciário nacional para perseguição política de prefeitos recém-eleitos”. Na carta, os prefeitos pedem que “esta prática insana cesse imediatamente, e nos permita governar livremente e sem pressão para que possamos cumprir com nossos deveres”.

“Exigimos que este assédio judicial contra prefeitos termine imediatamente e exigimos a retificação pelo Supremo Tribunal nos julgamentos inconstitucionais a que foram submetidos os prefeitos Vicenzo Scarano e Daniel Ceballos, privados de sua liberdade e demitidos de seus cargos, numa violação dos direitos políticos e os direitos políticos dos eleitores nos municípios de San Diego e San Cristóbal”, diz o documento.

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Crimes sexuais no Exército dos EUA esbarram em 'cultura de negação'
O Globo

Os casos de assédio sexual e estupro nas Forças Armadas dos Estados Unidos têm ganho mais atenção por parte do Congresso, mas o combate aos ataques às militares ainda esbarram muitas vezes no silêncio das vítimas e na cultura das instituições, que muitas vezes preferem fechar os olhos para o problema, e evitam reconhecer a existência de tais crimes entre os militares.

— As Forças Armadas têm seu próprio sistema legal, que é influenciado por uma “cultura de negação”. Na prática, a cultura militar não reconhece os ataques sexuais como crimes — conta o congressista republicano Mike Turner, de Ohio, que tem dado atenção especial ao tema desde a morte da cabo Maria Lauterbach, assassinada pelo cabo Cesar Laurean em 2007.

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A rede de segurança do Leviatã incentiva a irresponsabilidade

A reportagem de capa da revista britânica The Economist desta semana, Leviathan of last resort,  fala sobre o risco que ocorre quando o estado passa a garantir proteção para os depositantes dos bancos. No caso americano, o valor garantido já chega a US$ 250 mil, o que é um absurdo!

Isso estimula a negligência, até mesmo a irresponsabilidade, uma vez que todos podem depositar seus recursos cegamente em qualquer banco, cientes de que o estado é o garantidor de última instância. Como um banco sólido será diferenciado de um frágil nessa circunstância?

O Banco Central atua como emprestador de última instância, o que é análogo a uma rede de segurança para trapezistas. Sabendo-se a priori que esta rede de segurança estará lá para proteger no caso de uma queda eventual, os trapezistas naturalmente irão ousar mais nas manobras.

É isso o que os economistas chamam de moral hazard. O resultado é um nível de alavancagem maior nos bancos, e clientes que nem sequer investigam melhor a solidez de seus bancos, pois sabem que o estado os protege em caso de bancarrota.

A revista reconhece que a chance de os políticos deixarem de lado as finanças para o próprio mercado é muito baixa, mas defende que poderiam ao menos, como sugeria o editor da própria The Economist no passado, Bagehot, tornar tal custo mais explícito.

Essa rede de segurança já se estendeu para muito além de bancos, chegando até “clearing houses” e fundos de “money-market”. A The Economist acha que os governos deveriam reconhecer tais passivos, e precificá-los adequadamente. Caso contrário, estão apenas preparando a próxima crise financeira.

E depois, naturalmente, vão culpar o livre mercado uma vez mais…


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Blog do Augusto Nunes

‘O Farmacêutico do ar’, de Fernando Gabeira

As coisas andam esquisitas. Ou sempre estiveram, não sei. Dia agradável de trabalho na Serra da Canastra, revisitei a nascente do São Francisco e vi uma loba-guará se movendo com liberdade em seu território. De noite sonhei com o PT. Logo com o PT.

Sentei-me na cama para entender como os pesadelos do Planalto invadiam meus sonhos na montanha. Lembrei-me de que no início da noite vira a história de André Vargas e do doleiro Alberto Youssef na TV, os farmacêuticos do ar que vendiam remédios dos outros ao Ministério da Saúde. Pensei: esse Vargas é vice, no ano que vem seria presidente da Câmara dos Deputados. Como foi possível a escalada de um quadro tão medíocre? A resposta é a obediência, o atributo mais valorizado pelos dirigentes, antítese de inquietação e criatividade, sempre punidas com o isolamento.

Vargas fazia tudo o que o partido queria: pedia controle da imprensa e fazia até o que o partido aprova, mas não ousa fazer, como o gesto de erguer o punho na visita do ministro Joaquim Barbosa, do STF, ao Congresso. Em nossa era, esse deputado rechonchudo, que poderia passar por um burguês tropical, simboliza o resultado catastrófico da política autoritária de obediência, imposta de cima.

Num falso laboratório, com o nome fantasia de Labogen (gen é para dar um ar moderno), Vargas e Youssef tramavam ganhar dinheiro vendendo remédios ao ministério. O deputado, que ocupava o mais alto cargo do PT na Câmara, trabalhava para desviar dinheiro da saúde! É um tipo de corrupção que merece tratamento especial, pois suga recursos e equipamentos destinados a salvar as pessoas. A corrupção na saúde ajuda a matá-las.

A catástrofe dessa política autoritária se revela também na escolha de Dilma Rousseff para suceder a Lula. Sob o argumento de que os quadros políticos poderiam abrir uma luta fratricida, escolheu-se uma técnica com capacidade de entender claramente que Lula e o PT fariam sua eleição. A suposição de que o debate entre candidatos de um mesmo partido seria ameaçador para o governo é uma tese autoritária. Nos EUA, vários candidatos de um mesmo partido disputam as primárias. E daí?

Lula sabia que um quadro político nascido do choque de ideias seria um sucessor com potencial maior que Dilma para ganhar luz própria. E a visão autoritária de Lula - sair plantando postes nas eleições, em vez de aceitar que novas pessoas iluminassem o caminho - contribuiu para a ruína do próprio PT.

Tive um pesadelo com o PT porque jamais poderia imaginar que chegasse a isso. Os petistas, aliás, carnavalizaram uma tradição de esquerda. Figuras como André Vargas erguem os punhos com a maior facilidade, como se estivessem partindo para a Guerra Civil Espanhola na Disneylândia. E os erguem nos lugares e circunstâncias mais inadequados, como num momento institucional. Um vice-presidente não pode comportar-se na Mesa como um militante partidário. O correto é que tivesse sido destituído do cargo depois daquele punho erguido. Mas o PT e seus aliados não deixariam o processo correr. Ele são fortes, organizados, bloqueiam tudo. Será que essa força toda dará conta do que vem por aí?

Estamos em ano eleitoral e Dilma, nesse cai-cai. É compreensível que as esperanças se voltem para Lula como salvador de um projeto em ruínas. Mas como salvar o que ele mesmo arruinou? O esgotamento do projeto do PT é também o de Lula, em que pese sua força eleitoral. Ele terá de conduzir o barco num ano de tempestades.

Para começar, essa da Petrobrás, Pasadena e outras saidinhas. O vínculo entre Youssef, Vargas e a Petrobrás também está sendo investigado pela Polícia Federal. Mas a relação do doleiro com o governo não deveria passar em branco. Num dos documentos surgidos na imprensa, fala-se que Youssef estava numa delegação oficial brasileira discutindo negócios em Cuba. Por que um doleiro numa delegação oficial? Por que Cuba?

Muitas novidades estão aparecendo. Mas essa do André Vargas, homem influente no partido, um farmacêutico do ar que neste momento deve estar erguendo os punhos no espelho, ensaiando para ser preso, interrompeu meu sono em São Roque de Minas com uma clara mensagem: o PT é um pesadelo.

Tenho amigos que ainda votam no PT porque acham ser preciso impedir a vitória da direita. Não vejo assim o espectro eleitoral. Há candidatos do centro e da esquerda. Que importância tem a demarcação rígida de terrenos, se estamos diante de fatos morais inaceitáveis, como a corrupção na Saúde, o abalo profundo na Petrobrás, a devastação da nossa vida política?

Cai, cai, balão, não vou te segurar. Estivemos juntos quando os petistas eram barbudos e tinham uma bolsa de couro a tiracolo. Mudou o estilo. Agora têm bochechas e um doleiro a tiracolo. Naquela época já pressentia que não ia dar certo. Mas não imaginava essa terra arrasada, um descaminho tão triste.

É um consolo estar nas nascentes do São Francisco, ver as águas descendo para a Cachoeira Casca Danta: o lindo movimento das águas rolando para sentir a mudança permanente. Sei que essa é uma ideia antiga, de muitos séculos. Mas para mim sempre foi verdadeira. É o que importa.

Uma das grandes ilusões da ditadura militar foi interromper a democracia supondo que adiante as pessoas votariam com maturidade. A virtude do processo democrático é precisamente estimular as pessoas a que aprendam por si próprias e evoluam.

As águas de 2014 apenas começaram a rolar. Tanto se falava na Copa do Mundo como o grande teste e surge a crise da Petrobrás. Poucos se deram conta de que, com os sete mortos nas obras dos estádios brasileiros, batemos um recorde de acidentes em todas as Copas. De certa forma, são vítimas da megalomania, do ufanismo, de todas essas bobagens de gente enrolada na Bandeira Nacional comprando refinarias no Texas, deixando uma fortuna nas mãos de um barão belga que nem acreditou direito naquela generosidade. Ergam os punhos cerrados para o barão e ele responderá com uma merecida banana. Gestualmente, é um bom fim de história.

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Ele é o cara

          A bancada do PT só vai decidir na semana que vem, mas o Planalto já está trabalhando para que o ex-líder da bancada José Guimarães (CE) seja o vice-presidente da Câmara, na vaga aberta com a renúncia de André Vargas (PR). São dois os argumentos usados em favor do petista: ele fez uma gestão ecumênica na liderança da Câmara e deu provas de elevada fidelidade ao Palácio.

Cartão de visita
O Planalto pediu que o Senado aprove o Marco Civil da Internet com urgência, para que a proposta já seja lei quando ocorrer o Encontro Multissetorial Global sobre o Futuro da Governança da Internet, dias 23 e 24, em São Paulo. Mas há senadores aliados protestando contra a pressa do governo. O relator do projeto na CCJ, senador Vital do Rego (PMDB-PB), reclama: "Acho profundamente injusto ser imputado ao Senado um prazo para que nós não exerçamos na nossa plenitude, não o nosso direito, mas o nosso dever". Os senadores alegam que não são responsáveis pela demora da Câmara em decidir.

“PT e PSDB estão cada vez mais simbióticos! Aí está o Pimenta da Veiga, beneficiado pelo Marcos Valério do PT, dizendo que seu indiciamento pela PF é 'eleitoral'. Igualzinho aos petistas em relação à Petrobras”

Chico Alencar
Deputado federal (PSOL-RJ)

Bons cabritos
O ex-presidente Lula cobrou uma reação dos petistas diante da ofensiva da oposição. O ministro Guido Mantega (Fazenda) e o presidente do BC, Alexandre Tombini, deram sinal de vida direto da reunião do FMI, em Washington.

Fim do sonho
O ex-governador Sérgio Cabral e o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) não foram os únicos a ficar abalados com o ex-presidente Lula. Marcelo Crivella (PRB) e Anthony Garotinho (PR), candidatos ao governo, também não gostaram. Lula deu a entender, para os blogueiros, que fará campanha para o candidato do PT, Lindbergh Farias.

Bate-papo
Após o lançamento de sua chapa à Presidência, no final da tarde de segunda-feira, o socialista Eduardo Campos e a vice Marina Silva (Rede) vão ficar à disposição de internautas e das redes sociais para responder a perguntas.

Correndo contra o relógio
Enquanto Eduardo Campos (PSB) anuncia a chapa com Marina Silva em Brasília, a presidente Dilma vai ao Porto de Suape lançar ao oceano o navio Dragão do Mar. O governador João Lyra Neto (PSB) vai ter de escolher entre participar do evento da presidente ou do marcado por Campos.

O resgate
Ao contrário de José Serra e Geraldo Alckmin, o candidato do PSDB ao Planalto, Aécio Neves, quer o ex-presidente Fernando Henrique na TV. No sábado, em inserção de 30 segundos, FH dirá que chegou a hora da mudança e da juventude.

Um novo round
Sobre sua ausência em programa de rádio, para tratar da legislação das drogas, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) explica que “tentei remarcar o debate”, pois ocorreu um conflito de agendas. E diz que não teme enfrentar esta discussão.

O PMDB do Senado vai indicar um funcionário de carreira do Senado para a vaga do TCU que tinha como candidato o senador Gim Argello (PTB-DF).

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PT colocou a Alstom na Petrobras na gestão FHC. Sem licitação, é claro.

Enquanto o PT gritava que FHC queria privatizar a Petrobras, um diretor da estatal, hoje senador pelo partido, Delcídio Amaral (PT/MS) contratava a Alstom sem licitação, para fornecer turbinas para uma termoelétrica, em plena crise energética. Ali começava o "império" dos companheiros que está destruindo a maior estatal do país.

A Petrobras manteve contratos para o fornecimento e manutenção de turbinas em usinas termelétrica com a empresa Alstom, investigada por supostas irregularidades no metrô de São Paulo. Segundo reportagem do Jornal Nacional desta quinta-feira, os negócios foram iniciados na gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso e continuaram nos governos de Lula e Dilma Rousseff. Alstom e Petrobras são objeto de uma CPI que está para ser instalada no Congresso. Antes assuntos desconexos, agora surge um elo de ligação entre os dois casos.

Em 2001, a Petrobras teria negociado diretamente com a Alstom a compra de turbinas para a termelétrica de Nova Piratininga (SP), que passaria a operar com turbinas a gás, em vez de ser movida a óleo. O negócio custou US$ 49,7 milhões. Na época, o presidente era Fernando Henrique e a compra fora inserida no Programa Emergencial de Termelétrica, levado à cabo por conta da baixa oferta de energia que havia então.

O JN mostra documentos do departamento jurídico da Petrobras, que listou 22 problemas no contrato, que poderiam causar prejuízos à empresa. Entre os alertas do jurídico da Petrobras estava uma cláusula que dizia que caso uma turbina apresentasse defeito, apenas 15% de seu valor seria ressarcido. Outro alerta referia-se ao fato de que caberia à Alstom a decisão unilateral sobre garantias de desempenho dos equipamentos, o que segundo a Petrobras informou ao telejornal, é algo "comum" para esse tipo de maquinário. Finalmente, caso a Alstom atrasasse a entrega do material, não seriam aplicadas penas, ainda que isso significasse prejuízo à Petrobras.

O resumo executivo que justificou a compra foi feito pelo senador petista Delcídio Amaral (MS), à época diretor de energia e gás da Petrobras. Nestor Cerveró, pivô do escândalo da compra da refinaria de Pasadena, era na época gerente executivo de energia e assinou os instrumentos contratuais do negócio. Um ano antes, no ano 2000, a Alstom havia deixado de cumprir 35 dos 61 contratos de entrega de turbinas a termelétricas fechados com a Petrobras por conta de defeitos apresentados nas peças,o que, segundo documentos da Petrobras obtidos pelo Jornal Nacional, resultou em perdas financeiras para a estatal.

Em 2007, já na gestão de Lula, contratos sem licitação com a Alstom estavam em vigor nos mesmos moldes dos firmados na época de Fernando Henrique. O JN mostrou um laudo da Petrobras afirmando que no contrato de Nova Piratininga a Petrobras pagou por equipamentos que não foram entregues. Em 2013, sob Dilma, a Alstom anunciou a renovação de um contrato para a manutenção de turbinas em termelétricas da Petrobras. Ao Jornal Nacional a Petrobras disse que os alertas da área jurídica não foram considerados "pertinentes" pela área técnica. A empresa disse que não há novos contratos para a compra de turbinas com a Alstom.

A Alstom também respondeu ao telejornal, dizendo repudiar alegações de irregularidade e afirmando que cumpriu o contrato. (O Globo)


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Blog do Coronel

Vargas ameaça abrir o bico e obriga o PT a aceitar sua volta à Câmara.

André Vargas, o deputado petista sócio do doleiro preso pela PF na Operação Lava Jato, mandou avisar: quer o PT defendendo o seu mandato ou abre o bico e leva mais gente junto. Citou nominalmente dois candidatos a governos estaduais. Exigiu manifestações de apoio e disse que quer o PT solidário enquanto ele for julgado pela Comissão de Ética da Câmara. Vargas está um poço até aqui de mágoa. É uma bomba relógio, segundo um deputado petista, prestes a explodir.

Após o recado explícito, a Executiva Nacional do PT decidiu ontem mesmo instalar uma comissão formada por três dirigentes da sigla para ouvir o deputado licenciado e ex-vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), antes de instaurar qualquer procedimento interno.

Esta foi uma das exigências de Vargas, que também ameaça Lula, que, no início da semana, disse que ele deve "explicar à sociedade" sua ligação com o doleiro para que o PT "não pague o pato". O deputado não gostou, chamou Lula de "traíra" e "mal agradecido", que não ia ser "um segundo José Dirceu". Ao final, acertou com o partido que será advertido, mas que não haverá expulsão da legenda.

O próprio presidente do PT, Rui Falcão, em jogada ensaiada, saiu em defesa de Vargas, ontem, "Previamente à instalação da Comissão de Ética [no partido], a Comissão Executiva Nacional decidiu ouvir o companheiro André Vargas a respeito dos fatos noticiados", disse, após reunião em São Paulo. "São fatos noticiados que, por si só, não incriminam ninguém." A ordem interna é ganhar tempo.

Durante o encontro convocado às pressas,  representantes de alas mais à esquerda do PT defenderam a instauração imediata de comissão de ética no partido, enquanto dirigentes da ala majoritária fizeram coro a Falcão e conseguiram fechar a resolução por consenso. O medo das denúncias prometidas por Vargas falou mais alto.

Por outro lado, o Conselho de Ética da Câmara já instaurou processo disciplinar que pode acabar na cassação de Vargas. A Casa deve decidir até 23 de abril se cabe dar prosseguimento ao caso. O PT vai pressionar de todas as formas para que Vargas seja absolvido e já se fala em "mensalão em dólar". Se isto ocorrer, o PT nem mesmo precisaria montar a sua própria sindicância.

No entanto, a comissão que deve ouvir Vargas já foi nomeada e só tem "peixe" do ex-vice presidente da Câmara:  Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, Florisvaldo Souza, secretário de organização e Carlos Árabe, secretário de formação. O temor de Lula e da cúpula do PT é que a crise tenha efeito nas eleições deste ano, principalmente em São Paulo e no Paraná. Mas o medo maior é que Vargas saia atirando e denunciando gente graúda dentro do partido.

O deputado pediu licença por 60 dias do mandato e renunciou à vice-presidência da Câmara anteontem. Depois do acordão interno formalizado, blindado pela companheirada, deve retornar em 10 dias para, segundo ele, "defender o seu mandato". Só faltou dizer que fará isso com "unhas e dentes", como sugeriu Lula em relação à Petrobras.

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Dilma vai ter que se mudar pra Pasadena.

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BURRADA EM PASADENA

Tem uma cidade lá no Texas
Onde eu encontrei um novo sócio
Gente muito fina, dono de refinaria
Parecia ser um bom negócio

Mas eu não fiz o meu dever de casa
E não li direito o contrato
Os conselheiros me enrolaram,
Os parceiros me enganaram
E no fim eu fiz papel de pato

Achei que ia fazer
Um negócio da China
Mas torrei uma grana preta
Em Pasadena

Quando eu vi o tamanho da burrada
Fui buscar os interesses nacionais
Os gringos se enfezaram
E aí me processaram
Acabei pagando 5 vezes mais

Achei que ia fazer
Um negócio da China
Enterrei uma puta grana
Em Pasadena

A coisa ficou feia
Não tem como fugir
Eu tenho que evitar a CPI

Achei que ia fazer
Um negócio da China
Mas perdi mais de um bilhão
Em Pasadena

E se o povo descobrir
O que rolou de propina
Eu vou ter que me mudar
Pra Pasadena

Originalmente postado no Blog do Augusto Nunes. Letra e música de Luiz Trevisani. Clique aqui para ver todos os créditos.

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PT cria comissão para ouvir Vargas. Convenham: o partido costuma ser duro com a dissidência e passar a mão na cabeça de malfeitores

Parece que a direção nacional do PT não está exatamente disposta a expulsar o deputado André Vargas (PT-PR).  E o próprio Vargas já deixou claro ao comando, como escrevi ontem aqui, que não pretende ser enxotado da legenda. Já lembrou que tem muitos serviços prestados à companheirada.  Ele conhece os subterrâneos do partido. Em vez de pô-lo pra fora, o PT decidiu montar um grupo para ouvir as suas explicações e só então decidir se vai submetê-lo à comissão de ética da legenda.

Pensando bem, expulsar Vargas por quê? Caso se siga a tradição por lá, ele ainda vai ganhar uma condecoração, uma medalha de “Honra ao Mérito Partidário”. Os patriotas que protagonizaram o mensalão estão onde? No partido, ora bolas! Delúbio Soares, por exemplo, foi expulso no dia 22 de outubro de 2005. No dia 29 de abril de 2011, o Diretório Nacional aprovou a sua volta por ampla maioria: 60 a 15. Houve uma festa de arromba. Sabem quem foi seu advogado de defesa na legenda, em favor do retorno? Ricardo Berzoini, atual ministro das Relações Institucionais.

Nos quase seis anos em que ficou oficialmente fora, nunca se afastou de verdade. Gente como Delúbio ou André Vargas encontra o seu lugar. O partido não perdoa é dissidência política em qualquer tempo: nesse caso, põe pra fora mesmo! Quem lida, digamos, de forma pouco ortodoxa, com recursos públicos e privados sempre terá abrigo.

Só a turma do mensalão? Não! Todo o grupo ligado ao escândalo dos aloprados, o tal falso dossiê que tentaram armar contra o tucano José Serra na disputa pelo governo de São Paulo, em 2006, continua na legenda. O presidente da sigla era o já citado Berzoini. Ficou provado que sabia de tudo. Hoje, é ministro. Hamilton Lacerda, o homem que carregava a mala de dinheiro para pagar a bandidagem, era braço-direito de Aloizio Mercadante, o candidato petista à época ao Palácio dos Bandeirantes. Mercadante, também ministro, é braço-direito de Dilma, daí a impressão correta de que ela tem dois braços esquerdos. Nos EUA, por exemplo, estariam fora da política para sempre.

A tal comissão petista, formada por três membros da direção, vai ouvir as explicações de Vargas sobre, como chamou Rui Falcão, “fatos noticiados, que, por si só, não incriminam ninguém”. Claro que não! Quando Youssef diz ao deputado que, se a tramoia no Ministério da Saúde der certo, ele vai fazer a independência financeira, o doleiro estava prevendo que o petista iria ganhar na Megassena. Não deixava de ser. O contrato que a Labogen estava para fazer com o ministério comandado então por Alexandre Padilha chegava a R$ 150 milhões. Segundo apurou a VEJA, uns R$ 90 milhões até poderiam virar, de fato, remédio. R$ 60 milhões eram, como direi?, apropriação de recursos públicos. É uma Megassena diferente.

O que foi que o DEM fez mesmo com Demóstenes Torres? Não esperou sua renúncia ou, como se deu, a cassação do mandato. Expulsou-o. No petismo, desde sempre, a lógica é diferente. Há a possibilidade de os malfeitores ganharem o epíteto de “guerreiros e heróis do povo brasileiro”, a exemplo de Delúbio Soares e José Dirceu. No partido, Vargas pode ter esperanças. Para encerrar: no caso de Demóstenes, a OAB cobrou rapidinho a renúncia ou cassação de mandato. No caso do Vargas, creio que o conselho está reunido para tentar entender o que quer dizer “independência financeira”…

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A estranha escuta na cela de Youssef e o filme “Doleiro Morto Não Fala”

Havia uma escuta na cela do doleiro Alberto Youssef (leia post). Isso é, ao menos, o que diz seu advogado, Antonio Augusto Figueiredo Bastos. Se for mesmo verdade, e não vejo por que mentir a respeito, a ocorrência pode ser muito séria. A escuta não foi instalada com autorização judicial. Trata-se de um monitoramento clandestino. Segundo consta, Youssef já recebeu um recado: é para tomar cuidado com o que fala para não envolver gente poderosa. Considerado que uma das figuras enroscadas com ele é o deputado André Vargas, do PT do Paraná, um chefão do partido e até anteontem vice-presidente da Câmara e do Congresso, é de se supor que o “poderoso”, no caso, seja ainda mais… poderoso.

Youssef pertence a uma ramo em que as pessoas costumam falar pouco. Ele está preso desde o dia 17 de março. No dia 21, prestou um depoimento em que… Bem, ele não prestou depoimento nenhum! Preferiu ficar calado. Se as investigações da PF estiverem certas, ele lidera um esquema de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado R$ 10 bilhões.

O próprio Youssef achou a escuta ambiental, capaz de registrar, em tempo real, conversas suas com outros presos. Seu advogado fez uma foto em que o próprio doleiro aparece, magro e barbudo, exibindo os equipamentos do outro lado do vidro do parlatório. Se não foi a Justiça, e não foi, quem está interessado em saber o que o doleiro fala ou deixa de falar? Parece lícito supor que pode estar correndo risco de vida, não?

Nesta quinta, apareceram novas evidências que ligam Youssef a Paulo Roberto Costa, o ex-diretor da Petrobras, que também está preso. A  Polícia Federal apreendeu na casa de Costa uma planilha de uma contabilidade manual da empresa Costa Global, uma de suas consultorias, para a qual o doleiro fez oito repasses entre 17 de dezembro de 2012 e 15 de março de 2013. Só nesse período, Youssef transferiu para Costa mais de R$ 1 milhão, US$ 500 mil dólares e 314 mil euros. Até então, o engenheiro admitia ter recebido do doleiro apenas uma Land Rover a título de serviços prestados.

Como se nota, Youssef parece ter mil e uma utilidades. Operava com Paulo Roberto Costa — que mantinha influência na Petrobras — e também com André Vargas, o enrolado deputado petista. E sabe-se lá em que outros segmentos.

O leitor precisa entender uma coisa: para que serve um doleiro? Não é só para os remediados comprarem alguns dólares para dar um pulinho em Miami na classe econômica, não! Os propinodutos envolvendo dinheiro público costumam passar por esses caras porque eles  lidam com dinheiro vivo, cash. Podem ainda abastecer contas secretas no exterior. Depositam em dólares na conta de corruptos lá fora e recebem em reais aqui dentro. São peças-chave em qualquer esquema ilegal. Imaginem quantas são as pessoas que gostariam que Youssef perdesse a língua.

Nesta quinta, a Polícia Federal pediu ainda que ele e Carlos Habib Chater, outro doleiro, sejam transferidos para o presídio de segurança máxima de Catanduvas, onde estão narcotraficantes, por exemplo. Seu advogado reagiu: “Eles não são criminosos de alta periculosidade para ir para um presídio de segurança máxima. Parece retaliação contra o meu cliente. É uma medida desnecessária e abusiva”.

Querem saber? Também achei a solicitação estranha. Preso na carceragem de Curitiba, não me parece que esteja pondo em risco a paz pública, obstruindo investigações ou fazendo ameaças. Não que eu saiba. Tem muta gente assustada porque Youssef foi um dos investigados no chamado escândalo do Banestado, que envolvia justamente remessa ilegal de divisas para o exterior. À época, colaborou com as investigações, pagou uma multa de R$ 1 milhão e não foi processado. O temor é que repita agora o procedimento. Ele precisa é ter garantias de vida, isto sim. Afinal, parodiando aquele filme, “doleiro morto não fala”.

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Indiciamento de Pimenta da Veiga tem cheiro de perseguição política, tem jeito de perseguição politica, tem cara de perseguição política e deve ser… perseguição política!

A Polícia Federal decidiu indiciar Pimenta da Veiga, pré-candidato do PSDB ao governo de Minas. Há algo de estranho nisso? Há, sim! E não é pouca coisa, não. Mas, antes que entre no mérito, permitam-me fazer uma observação. Depois do escândalo do mensalão do PT, é como se a inocência tivesse acabado no país. Há gente que pensa assim: “Se até os petistas eram culpados, vai ver os outros também são”. Trata-se de um raciocínio estranho, como se as pessoas desse partido fossem mais moralistas e decentes do que a de outros. E isso, definitivamente, não é verdade. Agora vamos ao caso de Pimenta de Veiga, que tem laivos de surrealismo, de absurdo.

Atenção! Em 2003 — há 11 anos, portanto — o tucano atuava apenas como advogado e recebeu , em quatro parcelas, R$ 300 mil das agências de Marcos Valério. O dinheiro foi depositado em sua conta e declarado em Imposto de Renda. Até aí, vá lá. Ocorre, meus caros, que o mal chamado mensalão mineiro — é mal chamado porque, nesse caso, sim, tratou-se de caixa dois de campanha — é de 1998, ano em que Eduardo Azeredo perdeu a reeleição. Em 2003, como resta comprovado, Marcos Valério já cuidava do esquema clandestino do PT. Não tinha mais nenhuma relação com os tucanos.

Então vamos ver: o chamado mensalão é de 1998; Pimenta recebeu honorários, como advogado, em 2003. O caso veio a público em 2005,  e ele é indicado pela Polícia Federal 9 anos depois que a questão veio a público,  11 anos depois do recebimento e 16 anos depois do chamado “mensalão mineiro”? E tudo isso ocorre justamente no ano em que se torna pré-candidato do PSDB ao governo de Minas, no ano em que o candidato à Presidência do partido será o senador Aécio Neves, de Minas?

A acusação, de resto, é risível: lavagem de dinheiro. Ora, para tanto, Pimenta teria de ter recorrido a subterfúgios para esconder  recursos sabidamente ilegais, dando lhe uma aparência de legalidade. Alguém faz isso declarando o ganho à Receita Federal? Aí o sujeito que gosta de confundir alhos com bugalhos chia: “Ah, quando é tucano, você não acredita?” Não é isso, não! É que um advogado, desde que atue segundo as regras, não é obrigado a investigar a origem dos ganhos de quem pega seus honorários. Se fosse assim, bandidos teriam de apelar sempre a defensores públicos.

Venham cá: alguém investigou a origem dos honorários dos advogados de José Dirceu, de Delúbio Soares, de José Genoino, dos banqueiros do Rural? São todos grandes medalhões da advocacia brasileira. Não! Nem era o caso!

De fato, Pimenta já prestou esclarecimentos sobre esse dinheiro à CPI, à Polícia Federal e ao Ministério Público. Demorou 9 anos — NOVE ANOS!!! — para a PF concluir que havia algo de errado com o pagamento? Quer dizer que, em pleno 2003, no auge do funcionamento do mensalão petista, Marcos Valério estaria pagando supostas dívidas do chamado mensalão mineiro, ocorrido em 1998? Tenham paciência!

Não é demais lembrar: na Venezuela de Hugo Chávez, tão admirada pelos companheiros petistas, recorre-se a investigações de natureza criminal para perseguir adversários políticos.

Mais: em visita recente de Dilma a Minas, sabem quem preparou uma festança para ela? Walfrido dos Mares Guia (PTB), que era o caixa da campanha do PSDB em 1998 em Minas e um dos investigados no chamado mensalão mineiro. Como fez 70 anos, a Justiça decretou a extinção da punibilidade. Ora vejam: Lula fez dele ministro do Turismo em 2003 e depois da Relações Institucionais em 2007. Vai ver não acreditava na sua culpa, né?

Essa história de Pimenta da Veiga tem jeito de perseguição política, tem cheiro de perseguição política, tem lógica de perseguição política. E é bem possível que… seja perseguição política.

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André Vargas retornará à Câmara em dez dias

Menos de uma semana depois de pedir licença da Câmara por 60 dias, o deputado André Vargas (PT-PR) decidiu reassumir o mandato. Prepara o retorno para o próximo dia 21, logo depois da Páscoa. Confirmando-se essa data, a licença vai durar escassos 14 dias. O movimento contraria a vontade da direção do PT. O partido gostaria que Vargas renunciasse e fosse cuidar de sua defesa.

Em privado, André Vargas recorda que o STF, instância que terá de decidir se abre ou não inquérito contra ele, ainda não se pronunciou. Por ora, precisa se defender apenas no Conselho de Ética da Câmara, onde já responde a processo por quebra de decoro parlamentar. Daí, segundo o deputado, sua decisão de retomar o mandato. Prepara um memorial com a sua versão sobre o envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato, da Polícia Federal. Vai de deputado em deputado para entregar o documento.

André Vargas está em São Paulo. Vai se encontrar, nesta sexta-feira (11), com os três dirigentes petistas designados pela Executiva para colher seu depoimento. O encontro foi pedido pelo próprio deputado, que estava incomodado com a perspectiva de o PT tratar do seu caso sem ao menos ouvi-lo. Com isso, o partido adiou o envio da encrenca à sua comissão de ética. Dependendo do desfecho, André Vargas pode ser advertido, suspenso ou, no limite, expulso da legenda.

Na noite passada, em conversa que entrou pela madrugada desta sexta-feira, André Vargas trocou ideias com o colega Cândido Vaccarezza (PT-SP). Procurado pelo blog, Vaccarezza confirmou a intenção do amigo de retomar o mandato parlamentar. Apoiou a iniciativa.

“A presença dele na Câmara era um problema quando ele era vice-presidente da Casa”, disse Vaccarezza. “Nessa função, ele estava acima da comissão que o está investigando. Mas o André Vargas já abriu mão do cargo. É um deputado como outro qualquer. Acho perfeitamente razoável que ele retorne para explicar os fatos aos deputados.”

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Petrobras desprezou pareceres de seus advogados para contratar a Alstom

Ao empurrar o cartel de trens e do metrô de São Paulo para dentro da CPI da Petrobras, o Planalto e o PT invocaram o suposto desejo de passar as encrencas nacionais a limpo. Entre elas as transações suspeitas do governo tucano de São Paulo com logomarcas como a francesa Alstom. Pois acaba de surgir uma conexão documental entre a Alstom e a Petrobras.

Documentos internos informam que a Petrobras também fechou contratos com a Alstom. Adquiriu turbinas para termelétricas. Segundo noticiou a TV Globo na noite passada, fez isso passando por cima de pareceres jurídicos que alertavam para os riscos envolvidos nas transações. Os negócios atravessaram três governos. Iniciados sob FHC, foram renovados sob Lula e Dilma.

Numa das a transações, firmada em 2001, a Petrobras adquiriu turbinas da Alstom para uma termelétrica na cidade paulista de Piratininga. Coisa de US$ 50 milhões. Os advogados enumeraram 22 problemas com potencial para gerar prejuízos. Por exemplo: se as turbinas pifassem, a Petrobras receberia de volta no máximo 15% do valor do equipamento. Mais: em caso de atraso na entrega, o contrato não estipulava nenhum tipo de sanção ao fornecedor.

Coube ao então diretor da área de gás e energia da Petrobras a elaboração do parecer que recomendou a compra. Chamava-se Delcídio Amaral. Hoje, é senador do PT e candidato ao governo do Mato Grosso do Sul. Assinou os contatos com a Alstom o então gerente-executivo de Energia: Nestor Cerveró.

É o mesmo Cerveró que, em 2006, já promovido a diretor da área Internacional, preparou o resumo técnico recomendando ao Conselho de Administração da Petrobras a compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Um documento que, agora, Dilma Rousseff tacha de “técnica e juridicamente falho”.

Em 2000, um ano antes da compra das turbinas para a termelétrica de Piratininga, a Alstom mantinha com a Petrobras 61 contratos para fornecimento de turbinas, a maioria firmada sem licitação. Desse total, deixara de honrar 35. A despeito do histórico, as relações da empresa francesa com a Petrobras atravessaram três governos.

Em comunicado interno de 2007, já no segundo mandato de Lula, o departamento jurídico da Petrobras detectou pagamentos feitos pela Petrobras à Alstom sem a correspondente prestação de serviços ou fornecimento de equipamentos. Em 2013, governo de Dilma, as duas empresas renovaram contrato de manutenção de turbinas instaladas em várias termelétricas.

Procurada, a Petrobras disse que as transações foram feitas dentro da lei. A estatal foi ecoada por Delcídio. Cerveró afirmou que a gerência que ocupava na época não participou da decisão de comprar turbinas da Alstom. Isso era coisa da diretoria de Delcídio. Quanto à Alstom, sustenta que entregou toda a mercadoria prevista nos contratos. E repudia as insinuações.

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Deixa que eu empurro!



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PMDB indica ao TCU afilhado de Renan e Sarney
Paulo Celso Pereira e André de Souza, O Globo

O naufrágio da indicação do senador Gim Argello (PTB-DF) para o Tribunal de Contas da União (TCU) poderá ter implicações nos próximos dias para o próprio partido do senador, para o PMDB e até para as eleições no Distrito Federal.

Para não deixar prosperar a nomeação de um técnico escolhido por partidos de oposição, o PMDB reagiu nesta quinta-feira e decidiu indicar o advogado Bruno Dantas, ligado ao presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) e ao senador José Sarney (PMDB-AP), para ministro da Corte.

O PTB, portanto, deverá ficar sem o cargo, mas a tendência é que Gim Argello recoloque seu nome na disputa eleitoral em Brasília, complicando as negociações políticas do governador petista Agnelo Queiroz. No pacote de negociação para a ida de Gim ao TCU, estava a ocupação de sua vaga para se candidatar ao Senado por um petista indicado por Agnelo.

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Dilma assume articulação política e tenta debelar crise
Estadão

Cobrada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira passada para que atue politicamente e tente neutralizar o impacto da iminente instalação da CPI da Petrobrás, a presidente Dilma Rousseff chamou nesta quinta-feira, 10, para um almoço no Palácio da Alvorada os senadores mais influentes do PMDB, seu principal aliado: o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), o líder do governo, Eduardo Braga (AM), o líder do partido, Eunício Oliveira (CE), e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Vital do Rêgo (PB).

O script anticrise incluiu a promessa a Eunício Oliveira que fará de tudo para garantir a ele a vaga na disputa para o governo do Ceará na coligação composta pelo PT e pelo PROS dos irmãos Cid e Ciro Gomes, uma reivindicação antiga do PMDB.

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MP do DF denuncia 35 por mensalão do DEM
Estadão

O Ministério Público do Distrito Federal ajuizou nesta semana denúncias contra 35 envolvidos no escândalo que ficou conhecido como "mensalão do DEM", dentre eles o ex-governador José Roberto Arruda e o ex-vice-governador Paulo Octávio. O caso ocorreu em 2009 e foi deflagrado pela Polícia Federal, em uma operação batizada de "Caixa de Pandora".

Ela consistia no desvio de recursos públicos para pagamento de propinas a políticos em troca de apoio ao então governador. Os recursos vinham majoritariamente por meio de contratos de informática superfaturados do Governo do Distrito Federal.

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Jogador do São Bernardo é alvo de insultos racistas em Curitiba
Amanda Romanelli e Daniel Batista, Estadão

O volante Marino, do São Bernardo, foi chamado de "macaco" por torcedores no Paraná, nesta quinta-feira, em partida da Copa do Brasil, realizada no Estádio Durival Britto, em Curitiba.

O jogador foi expulso no fim do segundo tempo e, ao dirigir-se ao vestiário, ouviu os insultos. Um torcedor o chamou de "macaco" e outro de "gorila". Um segurança do Paraná tentou deter um dos agressores, mas não conseguiu.

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Eleição deixa mercado ainda mais volátil
O Globo

A disputa presidencial está provocando volatilidade no mercado financeiro, afirmam economistas. E há quem compare o atual movimento com o observado em 2002, quando a possibilidade de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva derrubou os mercados. Alguns, no entanto, argumentam que a magnitude do fenômeno é diferente, assim como o contexto macroeconômico dos dois períodos.

A influência se reflete também no desempenho de empresas estatais com forte peso no mercado, como Petrobras e companhias do setor elétrico, no qual há forte interferência política.

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Diretora do IBGE sai do cargo após pesquisa ser interrompida
Clarice Spitz, O Globo

A diretora de pesquisa do IBGE Marcia Quintslr pediu para sair após o instituto de pesquisa informar nesta quinta-feira que a Pnad Contínua será interrompida até janeiro.

Segundo a presidente do IBGE, Wasmália Bivar, essa diretora não concordou com a decisão do colegiado de parar com a pesquisa em virtude da exigência da legislação do Fundo de Participação dos Estados (FPE) de reformular a metodologia e o requerimento de senadores de equalizar margens de erro entre os 27 unidades da federação.

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Greve geral tem grande adesão na área metropolitana de Buenos Aires
Agência Brasil

A greve geral marcada para ontem (10) na Argentina teve uma grande adesão nas áreas metropolitanas de Buenos Aires. A greve afetou fortemente o transporte de passageiros com a paralisação de trens, ônibus e aviões, mas também esteve presente em setores de limpeza urbana, judiciais, serviços, hospitalares, portuários, gastronômicos, padeiros, entre outros.

Em uma conferência de imprensa, os secretários-gerais da Central Geral dos Trabalhadores (CGT) Azopardo, Hugo Moyano, da CGR Azul e Branca, Luís Barrionuevo, e da Central dos Trabalhadores Argentinos (CTA) dissidente, Pablo Micheli, consideraram o movimento “importante” e que “representou a vontade da população”.

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Maduro e oposição se reúnem para tentar conter crise
Bernardo Barbosa, O Globo

Após dois meses de protestos nos quais 39 pessoas morreram, governo e oposição sentaram-se nesta quinta-feira pela primeira vez no Palácio de Miraflores em busca de uma solução para a crise na Venezuela. E trocaram acusações.

Cada delegação levou 11 representantes para o diálogo, e o número grande de oradores despertou dúvidas sobre o formato — e a eficácia — das conversas, mediadas por três chanceleres da União de Nações Sul-americanas (Unasul), o brasileiro Luiz Alberto Figueiredo; o equatoriano Ricardo Patiño e a colombiana María Ángela Holguín, além do núncio apostólico para a Venezuela, Aldo Giordano.

Sentado à cabeceira da mesa, o presidente Nicolás Maduro, falou por 40 minutos, sem mencionar a repressão estatal às manifestações. Deixou impacientes os representantes da oposição.

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Ativistas pró-Rússia rejeitam anistia oferecida pelo governo ucraniano
Estadão

Separatistas armados pró-Rússia que ocuparam prédios públicos na cidade ucraniana de Luhansk, no leste, rejeitaram na quinta-feira, 10, a oferta de anistia do governo interino. Eles conclamaram outros ativistas a se juntar ao grupo em desafio às autoridades pró-Europa, em Kiev.

Os manifestantes usavam coletes à prova de balas e portavam armas, como rifles Kalashnikov, pistolas, entre outras, dentro do prédio do serviço de segurança, uma antiga sede da KGB (antigo serviço secreto soviético). Eles disseram que só entregariam as armas se Kiev concordasse em realizar um referendo sobre o futuro status da região.

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Muriçocas tiram sossego dos moradores.

A população de Bom Conselho tem reclamado do grande número de muriçocas que estão infestando a cidade e tirando o sossego dos munícipes, além de ser um problema para a saúde de todos, devido ao contágio de vírus através dos mosquitos.

Em contato com o diretor de vigilância de saúde, Franklin Tenório, foi explicado que o os funcionários da vigilância sanitária continuam fazendo o combate nos pontos estratégicos, colocando venenos para matarem os focos, principalmente ao longo do canal Papacaçinha, começando pelo açude e indo em direção ao final da Av. 15 de Novembro.

Ainda segundo o diretor, o grande problema atual, são as chuvas que caíram nos últimos dias, causando um acúmulo de água empossada em vasilha, pneus e outros objetos colocados em terrenos baldios e lixões. Ele solicitou apoio da população para não deixarem objetos ao ar livre que causem acúmulo de água. A população deverá também fazer denúncias diretamente na vigilância sanitária, ao lado da Igreja Matriz ou pelo telefone:
(87) 3771.1310.


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Blog do Rodrigo Constantino

A questão essencial é: qual educação?

Começo com um alerta: por mais importante que seja melhorar a educação para o futuro de nosso país, ela não é uma panaceia, uma solução mágica para todos os nossos males. Basta pensar em Cuba, que teoricamente tem boa educação, mas na verdade possui somente doutrinação ideológica e muita miséria.

Ou na Alemanha, que mesmo com população razoavelmente educada pariu o nazismo. Ou, ainda, na Argentina, que com população mais educada do que a média da América Latina, acabou presa do populismo demagógico de Perón e do casal Kirchner mais recentemente.

Dez em cada dez especialistas apontam a educação como a solução para tudo, mas a pergunta crucial é: qual educação? Simplesmente jogar mais recursos públicos nesse modelo atual não resolve absolutamente nada, e pode até agravar o quadro. O governo brasileiro já gasta com educação o mesmo da média da OCDE em relação ao PIB, mas pouco no ensino básico e muito no superior, ambos com qualidade sofrível na melhor das hipóteses.

O foco de mudança precisa ser tanto institucional (que tipo de escola e universidade queremos) como cultural (que tipo de mentalidade desejamos valorizar como sociedade). O primeiro grande pilar para uma boa educação é o conceito de meritocracia, em detrimento ao igualitarismo “democrático” que nivela todos por baixo.

“Não se pode ensinar a todos no mesmo ritmo, a menos que esse ritmo seja reduzido a ponto de acomodar o menor denominador comum”, disse Thomas Sowell. “De todos os fatores numa escola, certamente o que mais explica a excelência na sala de aula diz respeito à capacidade dos professores de despertar a curiosidade intelectual dos alunos e lhes transmitir conhecimento. A questão é que os diretores das escolas raramente aplicam os critérios certos para rastrear os bons profissionais. O método mais eficaz, sem dúvida, é aderir à meritocracia”, disse Eric Hanuchek.

Como levar isso adiante em um país onde os próprios professores gritam contra a meritocracia, como no caso carioca, ou queimam livros, como no caso paulista? O maior obstáculo para a mudança institucional, portanto, é o corporativismo dos professores, que mais parece uma máfia ou uma extensão partidária da extrema-esquerda. Já no âmbito cultural, é preciso mudar o coletivismo que condena sucesso individual. Tom Jobim já dizia que, no Brasil, o sucesso é visto como pecado.

Importante também é acabar com as cotas raciais. Incapaz de fornecer uma educação básica decente, o governo arromba as portas das faculdades com o critério anticientífico de raça, segregando uma população miscigenada e cuspindo no conceito de meritocracia. Em vez de enxergar indivíduos e seus méritos ou deméritos, olha-se a cor da pele como critério predominante.

Outro pilar importante é focar mais na família do que no estado. Quem realmente se interessa mais pela educação dos filhos: os próprios pais ou os burocratas e políticos distantes em Brasília? Toda utopia coletivista tentou retirar poder dos pais e transferi-lo ao estado: Platão, More, Skinner. Nas experiências, Esparta, União Soviética, China e Cuba.

Rousseau é o pai dessa mentalidade no mundo moderno: ele amava a “Humanidade”, mas abandonou todos os filhos num orfanato e depois bancou o educador do mundo com seu Emile, delegando ao estado tal função. A exceção não deve ser tomada pela regra: pais são imperfeitos e podem fazer mal aos filhos, mas o estado é formado por seres humanos igualmente imperfeitos, se não piores, e sem o mesmo mecanismo de incentivos.

William Easterly, do Banco Mundial, lembra-nos que alguns pais podem investir pouco na educação dos seus filhos porque seu valor presente é baixo em um país onde a “amizade com o rei” (conexões) tem mais importância para o sucesso. Por que investir tanto em educação se o malandro ou o vagabundo se deram bem na vida só porque eram amigos de políticos poderosos?

Outro problema de se concentrar o poder da educação no estado, como quer o Projeto Nacional de Educação (PNE) modificado pela Câmara: cria-se uma ditadura da maioria, um tamanho único para todos. Teremos um ensino construtivista ou tradicional? Religioso ou laico? É a morte do pluralismo e da liberdade de escolha das famílias. Por isso tantos americanos têm apelado ao homeschooling, para fugir das imposições “democráticas”. Imaginem como seria se todos votassem e a maioria decidisse qual a única revista do mercado?

As mudanças necessárias para combater esses perigos são: institucional (voucher, que delega o poder de escolha às famílias) e cultural (derrubar o mito de estado esclarecido, do rei-filósofo abnegado e onisciente, o deus laico da modernidade que vai cuidar de todos nós).

Outro pilar importante de uma boa educação é a valorização do conceito de conhecimento objetivo, vis-à-vis o relativismo exacerbado ou a doutrinação ideológica. Escolas e universidades são lugares onde os alunos deveriam aprender, acima de tudo, a pensar, questionar, refletir, focar nos argumentos, criticar.

Temos visto a gradual substituição desse processo por uma doutrinação ideológica marxista. Pascal Bernardin, em Maquiavel Pedagogo, diz: “Uma revolução pedagógica baseada nos resultados da pesquisa psicopedagógica está em curso no mundo inteiro. Ela é conduzida por especialistas em Ciências da Educação que, formados todos nos mesmos meios revolucionários, logo dominaram os departamentos de educação de diversas instituições internacionais: Unesco, Conselho da Europa, Comissão de Bruxelas e OCDE.”

A ambição moderna da pedagogia social é alterar profundamente os seres humanos, buscar uma “larga e profunda modificação das atitudes sociais em geral”. Os professores passam a adotar uma missão de doutrinadores, de “engenheiros sociais”. A área das exatas sofre menos, mas todos conhecemos o estágio avançado de dominação marxista na área de humanas.

Uma coisa é estudar Marx, importante pensador cujas ideias equivocadas, infelizmente, tiveram grande impacto no mundo; outra, bem diferente, é dar o peso que tem o marxismo nas diferentes áreas de ensino, como se Marx fosse um profeta detentor de uma visão acurada do futuro, ignorando-se toda a experiência histórica e as refutações teóricas que tal doutrina sofreu.

Mas os seus seguidores, inspirados em Gramsci, não querem saber disso. Como o leninismo bélico fracassou no Ocidente, o caminho para o comunismo é dominar a cultura, as instituições formadoras de opinião. John Dewey era um socialista, achava que a inteligência “puramente individual” era um obstáculo antissocial e reacionário ao “avanço” social, que precisava ser derrubado em nome do progresso; Paulo Freire levou a luta de classes para dentro da sala de aula (opressores e oprimidos); e vários como esses dois ajudaram a transformar a educação numa doutrinação marxista.

Bruce Bawer aponta para uma “revolução das vítimas” em curso. Os departamentos das universidades foram tomados por “estudos de minorias”, com forte revisionismo histórico. Sófocles e Shakespeare não são mais clássicos atemporais que desnudam a “natureza humana”, mas um instrumento do imperialismo machista grego ou britânico.

Roger Kimball, em Radicais nas Universidades, vai na mesma linha, e mostra como a educação foi totalmente politizada e ideologizada, como se perdeu o conceito de um cânone tradicional: temos agora “literatura afrodescendente” em vez de apenas literatura. Machado de Assis era mulato, mas o que isso muda no fato de ser um clássico?

“A ideia de que o currículo deva ser alterado de acordo com qualquer propósito partidário é uma perversão do ideal da universidade. O objetivo de converter o currículo em um instrumento de transformação social (de esquerda, direita, de centro ou o que seja) é o exato oposto do ensino superior”, escreveu John Searle. Mas o politicamente correto invadiu e corrompeu as universidades.

Antes um ambiente estimulante para uma educação liberal, uma espécie de conversação contínua com o saber acumulado por gerações e gerações (Michael Oakeshott), hoje as universidades são palcos para panfletos partidários e repetição de slogans ideológicos. A Escola de Frankfurt levou Marx da economia para a cultura, subverteu os valores tradicionais e desconstruiu a busca pelo conhecimento objetivo e desinteressado com seu niilismo.

Não há mais uma hierarquia do saber: jovens alunos que deveriam respeitar a autoridade e manter a humildade, de repente escutaram que vale tudo, que os professores não sabem mais que eles, que não há verdade alguma (relativismo), que ninguém com mais de 30 anos deve ser digno de confiança. Hey, teacher, leave the kids alone!

Resultado: uma tirania da juventude arrogante (reitorias invadidas) e um ensino medíocre, relativista: “nós pega o peixe” é apenas uma forma diferente, e não mais equivocada de se expressar. Valeska Popuzuda é uma grande pensadora contemporânea. Quem se prejudica mais com isso, senão justamente os jovens e principalmente os mais pobres, que têm usurpado o seu direito de aprender de verdade?

Por fim, é preciso combater a “cultura do diploma”. O currículo Lattes vale mais do que o peso dos argumentos; tudo pelas aparências, não pelos resultados. A paixão pela sabedoria (filosofia) dá lugar à paixão pelo poder (“sabe com quem está falando?”). Acadêmicos presos em uma Torre de Marfim digladiam-se com seus diplomas, negligenciando o verdadeiro valor do conhecimento, da educação.

A universidade sempre será elitista, formadora de lideranças intelectuais; não é para todos, e não há mal algum em reconhecer isso. O Vale do Silício está cheio de “drop-outs”, empreendedores que tiveram uma educação mais adequada para seus fins no mundo dos negócios, na vida prática. Outros podem fazer cursos técnicos, especializantes. Nem todo mundo nasceu para freqüentar universidades.

Enfrentar 4 ou 5 anos de vida numa universidade requer muita dedicação, representa um pesado investimento pessoal, e deveria visar a um retorno genuíno, a um engrandecimento do auto-conhecimento, uma verdadeira busca da verdade; e não só um pedaço de papel, um título para alimentar o ego narcisista, a vaidade pessoal. O ambiente em nossas universidades está cada vez mais medíocre, levando muitos bons intelectos ou para fora do país ou para fontes alternativas de educação, até mesmo auto-didatas.

Conclusão: o Brasil está mais distante da boa e tradicional educação liberal do que Plutão da Terra!


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Blog do Coronel

Ministério da Saúde sonega informações à Justiça sobre contrato fraudulento da Labogen. Querem blindar Padilha?

A Justiça Federal do Paraná determinou que o Ministério da Saúde entregue à Polícia Federal cópia integral do processo de contratação do Labogen, o laboratório que tem entre seus sócios o doleiro Alberto Youssef. Para a Justiça Federal, os documentos entregues pelo ministério até o momento estão incompletos e não permitem a devida análise do caso.

O ministro da Saúde, à época, era o petista Alexandre Padilha, que atualmente percorre o estado em pré-campanha eleitoral, como pré-candidato ao governo de São Paulo.

Com a suposta ajuda do deputado André Vargas (PT-PR), o Lagoben obteve um contrato de R$ 31 milhões com o ministério. Depois que caso veio a público, o contrato foi suspenso. Informações da Operação Lava-Jato indicam que Youssef usou o Labogen para fazer remessas ilegais de dinheiro ao exterior.

Em depoimento à PF o empresário Leonardo Meirelles, sócio de Youssef no laboratório, confirmou parte das acusações. O empresário, que estava preso desde 17 do mês passado, foi solto nesta quarta-feira depois de pagar fiança de R$ 200 mil. (Com informações de O Globo)

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Ex-ministro do STF desmascara fraude de Renan Calheiros contra CPI da Petrobras.

Ontem, o Portal Vox publicou, com exclusividade, denúncia feita por Magda Brossard,  filha do ex-ministro do STF, Paulo Brossard, de que Renan Calheiros, presidente do Senado, havia falsificado um parecer de seu pai para embasar o engavetamento criminoso da CPI da Petrobras proposta pela Oposição. Agora é o próprio Brossard quem confirma a fraude vergonhosa montada por Calheiros. Leia aqui o post de ontem. Abaixo, a matéria do Estadão.

O Senado mudou o sentido de uma decisão do Supremo Tribunal Federal para justificar a criação de uma "CPI combo" da Petrobrás. Ao defender sua posição favorável à investigação, na CPI, de vários fatos desconexos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que um habeas corpus concedido pelo Supremo na década de 90 "pacificou" o entendimento da Corte máxima de que "novos fatos determinados podem ser incorporados ao rol inicial" dos pedidos de CPIs.   

A comparação da frase de Renan com o texto original - do então ministro Paulo Brossard - revela, contudo, que a frase citada por Renan foi editada e seu contexto alterado. Em entrevista ao Estado, Brossard disse nesta quarta-feira, 9, que a Corte entendeu que não se pode incluir novos fatos no pedido inicial da CPI. Tal acréscimo, se houvesse fatos ligados, só poderia ocorrer no curso de uma investigação. Segundo o ex-ministro, se no decorrer das investigações forem descobertos novos fatos sem qualquer conexão com o objeto inicial da CPI, novas comissões de inquérito deverão ser instauradas. A decisão do Supremo foi unânime.

"Não, eu nunca disse isso", reagiu Brossard. "Uma das ideias centrais da CPI é justamente que a investigação deve recair sobre um fato certo. Não pode ser sobre dois, três, quatro temas. De forma alguma!"

‘Nada investigar’. Brossard disse ainda que, desse modo, "vai terminar a legislatura, o século e não vai dar tempo de investigar nada. Significa não fazer investigação nenhuma". E foi adiante: "Me lembro perfeitamente que eu disse que nada impedia que, descoberto um fato novo congênere à investigação, seria irracional fechar os olhos. Mas tem que ser algo intrínseco ao escopo da CPI."

Para o ex-ministro e ex-presidente do STF Carlos Veloso, que participou daquele julgamento, a decisão deixa claro que não é possível acrescentar novos fatos ao pedido inicial de criação da CPI. Ele classificou como "fraude" a atuação da base aliada no caso da comissão destinada a investigar a Petrobrás. "Não poderia aditar o requerimento porque haveria uma fraude ao direito da minoria".

Seu entendimento, também, é que não há "caminho" para se ampliar o escopo da CPI, conforme proposta dos governistas. "(O pedido de CPI) preencheu os requisitos? Então tem direito para ser instalada", definiu, acrescentando que caberia aos governistas requerer outra CPI. "Tenham coragem de requerer a sua CPI e não se aboletar ao pedido alheio para fraudá-lo", criticou.

Temas. A CPI da Petrobrás aprovada na CCJ do Senado destina-se a investigar contratos da petroleira, o porto de Suape, em Pernambuco e, ainda, contratos dos governos do Distrito Federal e de São Paulo com a Siemens para a construção de metrô. O plenário decidirá sobre o caso na terça-feira.

O Supremo volta a se debruçar sobre o assunto provocado pela oposição, que tenta garantir o direito de instalar uma CPI dedicada apenas a investigar a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás. A relatora será a ministra Rosa Weber.

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Executiva do PT se reúne hoje para discutir futuro de Vargas
O Globo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já deu o tom para reunião que acontece nesta quinta-feira na sede do PT em São Paulo: o partido não pode "pagar o pato" pelas denúncias que envolvem o deputado licenciado André Vargas, de que teria ligações com o doleiro preso Alberto Youssef.

O clima da reunião da executiva da legenda é de "mal-estar", usando as palavras de um alto dirigente petista, uma vez que André Vargas não cedeu ao pedido feito pelo presidente do partido, Rui Falcão, para que renunciasse ao mandato. O pedido teria sido reiterado por outros dirigentes e parlamentares; e a decisão de apenas pedir licença do cargo irritou a cúpula petista, que sente a legenda sendo arrastada para um escândalo.

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Não perca o vídeo: a deputada Mara Gabrilli interpela Gilberto Carvalho sobre o caso Celso Daniel e acusa ‘o homem do carro preto’ de repassar a José Dirceu o dinheiro extorquido de empresários de Santo André


“Faz muitos anos que eu queria olhar nos olhos do senhor e fazer essas perguntas”, disse a deputada Mara Gabrilli em meio à interpelação que interrompeu a procissão de platitudes que o ministro Gilberto Carvalho desfiava, no fim da tarde desta quarta-feira, durante a sessão da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Por mais de seis minutos, a parlamentar do PSDB paulista acuou o secretário-geral da Presidência com a evocação de perturbadoras agravantes que envolvem o assassinato do prefeito Celso Daniel, ocorrido em janeiro de 2002. Tentando controlar a emoção que em alguns momentos embargou a voz sempre suave, a deputada que um acidente de carro imobilizou na carreira de rodas abriu a ofensiva com a história do pai, dono de uma empresa de ônibus.

Vítima do esquema corrupto montado na prefeitura de Santo André para extorquir empresários do setor, e irrigar com boladas de bom tamanho as campanhas eleitorais do PT, ele era pressionado todos os meses “por uma gangue” ─ liderada, segundo Mara, por Klinger de Souza (subsecretário de Celso Daniel), Ronan Pinto (hoje proprietário do Diário do Grande ABC) e Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, denunciado pelo Ministério Público como mandante do crime. ”O senhor sempre foi conhecido como o homem do carro preto”, disse a deputada ao ministro. “Era a pessoa que realmente pegava essa coleta de dinheiro extorquido de empresários e levava para o capo, como era conhecido o José Dirceu. Isso eu não li. Isso eu vivenciei”.

Depois de invocar os testemunhos dos irmãos de Celso Daniel e o depoimento de Romeu Tuma Junior, ex-secretário nacional de Justiça, publicado no livro “Assassinato de Reputações”, a deputada seguiu alternando acusações e cobranças. Quis saber se Carvalho também acha que os fins justificam os meios e estranhou o descaso do ministro pelo esclarecimento de um episódio que comoveu e continua intrigando o país inteiro. “Por que o senhor não ajuda a apressar o julgamento do Sombra?”, perguntou, identificando pelo apelido o réu Sérgio Gomes da Silva, processado como mandante do assassinato. “O senhor não se incomoda com isso?”

Desconcertado, Carvalho reprisou o palavrório que recita há mais de dez anos. Alegou que “foi a Polícia Civil de São Paulo comandada pelo PSDB” que reduziu a crime comum uma execução encomendada. Como fez há três meses, prometeu acionar judicialmente Romeu Tuma Junior. E jurou que ninguém sofreu tanto quanto ele com a morte do “amigo e mestre” Celso Daniel. Caprichando na pose de quem acabou de chegar ao velório, declamou mais de uma vez o mantra predileto: “Isso dói”.

Certamente doeu muito mais a pancadaria retórica a que foi submetido por Mara Gabrilli.

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Mais inflação no horizonte

          O alerta está soando no Planalto. A equipe econômica está prevendo uma forte pressão inflacionária nos próximos meses estimulada pela realização da Copa do Mundo. Um ministro diz que não haverá "céu de brigadeiro". A esperança do governo é que esta inflação comece a ceder à medida que as seleções começarem a ser desclassificadas e os torcedores a retornar aos seus países.

Um tucano no pelourinho
O PSDB deu de ombros ontem diante do indiciamento por lavagem de dinheiro de seu candidato ao governo de Minas, Pimenta da Veiga. A opção foi minimizar a investigação da Polícia Federal. A reação foi mais profissional que a dos petistas, mas a teoria da conspiração também foi invocada. É cedo para avaliar os danos eleitorais à candidatura de Aécio Neves ao Planalto. Mas especialistas garantem que os tucanos devem atuar para que o processo fique engavetado no Ministério Público. Citam o caso do ex-governador José Roberto Arruda (DF), cujo processo só chegou à Justiça depois de dois anos dele ter sido indiciado pela Polícia Federal.

“O campo democrático e progressista é plural. Em 1989, o meu amigo Lula se lançou candidato, em vez de apoiar Leonel Brizola ou Mário Covas”

Eduardo Campos
Candidato do PSB ao Planalto, sobre a afirmação de Lula, aos blogueiros, de que não entendia sua posição

Puxando o palanque
Os deputados de oposição do PMDB ficaram furiosos pelo vice Michel Temer não ter ido ontem à reunião na casa do vice-governador Tadeu Filipelli (DF). Temer decidiu que não será mais palco dos críticos da aliança com o PT.

Fugindo da raia?
Ontem foi o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ). Noutro dia tinha sido Eurico Junior (PV-RJ). Ambos faltaram a um debate de rádio sobre o projeto, aprovado na Câmara, que endurece a legislação sobre drogas. O autor do texto aprovado, que aumenta pena mínima dos traficantes para oito anos, Osmar Terra (PMDB-RS), ficou falando sozinho.

Foguetes e rojões
A oposição comemorou a escolha do deputado Júlio Delgado (PSB-MG) para relatar o caso André Vargas (PT) no Conselho de Ética. Ele é descrito como sério, duro e independente. Sua fama vem da relatoria do processo contra José Dirceu.

O motivo
Os petistas receberam uma explicação do deputado André Vargas (PT-PR) sobre porque não renunciou ao mandato. Disse que precisa de uma tribuna para se defender junto aos seus eleitores. E que se ele fosse para casa apenas seus familiares e amigos ouviriam suas explicações.

Calado. Caladinho
Assíduo nas redes sociais, o deputado André Vargas (PT) não publica absolutamente nada no seu Twitter desde o dia 5 de abril. Vargas tinha por hábito antecipar anúncios de liberação de recursos e inaugurações de obras do governo.

Publicidade negativa
O Planalto está prevendo dificuldades para escalar deputados para a CPI da Petrobras, do Metrô (SP) e de Suape (PE). Eles temem prejuízos eleitorais. A estratégia é ganhar tempo, enrolar nos prazos e no cronograma de trabalho.

CIRCULA NO PLANALTO que nada irrita mais a presidente Dilma do que dizerem que ela não foi torturada, como faz o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).


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Blog do Reinaldo Azevedo

Se Vargas renuncia agora, inelegível já estará até 2024; no plenário, ele tem alguma chance, ainda que remota. Ou: Deputado avisou que não aceita ser linchado pelos “companheiros”

O deputado petista André Vargas (PT-PR) renunciou, como vocês podem ler abaixo, à Vice-Presidência da Câmara e do Congresso, mas ainda não ao mandato. Posto de lado pelo próprio PT, que já sentiu o cheiro de carne queimada, não tem mais por onde escapar. O próprio Lula o jogou na fogueira. Ele que se explique.  Como explicação não há…

Na carta de renúncia, afirma que está deixando o cargo na Mesa Diretora da Câmara para se concentrar na sua defesa, já que, conforme o esperado, o Conselho de Ética decidiu mesmo abrir um processo por quebra de decoro parlamentar. O relator é o deputado Júlio Delgado, do PSB de Minas, que relatou o caso José Dirceu, pedindo, então, a sua cassação. Também agora, Delgado não deixa muita dúvida sobre o que vai fazer: “A gente tem muita prova pública e notória. Vamos trabalhar no prazo de 90 dias, garantindo o amplo direito de defesa ao deputado André Vargas, mas, a cada dia, surgem novos fatos da relação com o doleiro. O fato de ele, na tribuna da Câmara, ter dito que a relação era superficial compromete porque a gente agora sabe que é mais profunda do que isso!” E como é!

O PT estava doido para Vargas renunciar — e já! Mas ele não quer de jeito nenhum! La entre eles, apurou este blog, alega que tem muitos serviços prestados ao partido — vai saber quais — e que não aceita o linchamento. Sim, senhores! Vargas já afirmou que não aceita ser hostilizado pelos seus próprios companheiros. Sabem-se lá quais são as histórias que só os frequentadores dos subterrâneos do petismo conhecem.

Em sua carta, diz Vargas:
“Tenho enfrentado um intenso bombardeio de denúncias e ilações lançadas em veículos de imprensa baseadas apenas em vazamentos ilegais de informações, as quais terei agora a oportunidade de esclarecer, apresentando minha versão – a verdade – a respeito de tudo que vem sendo divulgado.”

Não sei por que o petista precisa esperar tanto tempo. Quando o doleiro Youssef lhe diz que um contrato do laboratório Labogen com o Ministério da Saúde vai lhe render a “independência financeira”, Vargas poderia nos explicar que outro sentido tem essa expressão além de… independência financeira. Quando o doleiro Yousseff diz que precisa “captar”, e ele, Vargas, promete entrar em ação, poderia nos revelar, desde já, captar o quê. Um doleiro faz captação de quê? De borboletas? De advérbios? De prosopopeias?

Mais: foram-lhe dadas chances de explicar o aluguel do jatinho feito pelo doleiro, que o levou e à família de férias para a Paraíba. O mimo custou R$ 100 mil. Vargas preferiu contar o oposto da verdade para os deputados. Isso costuma ser fatal mesmo para os elásticos padrões brasileiros.

Então por que esperar? Vejam só: se Vargas renuncia agora, dada a Lei da Ficha Limpa, ele já está inelegível por oito anos a partir de 2015. A punição só acaba em 2022 — ano em que ele ainda não poderá ser candidato a nada. Pode tentar voltar à vida púbica, mantido o calendário atual, só em 2024, nas eleições municipais. Caso seja cassado pela Câmara, que é o mais provável, a punição é a mesma. Assim, parece que, entre chance nenhuma e uma chance remota, ele escolheu a segunda hipótese — apesar da humilhação que representaria a cassação.

Uma das estrelas em ascensão do petismo; o ilustre representante da tropa-de-choque lulista no PT; o homem com fama de derrubar até ministra de estado; o comandante-em-chefe espiritual dos blogs sujos a serviço do petismo caiu em desgraça. E não foi em razão de nenhuma tramoia da oposição.

Quem está pisando em ovos é a senadora Gleisi Hoffmann, pré-candidata do PT ao governo do Paraná. Vargas iria coordenar a sua campanha e tinha o PT paranaense na palma da mão. Será que, na vida partidária propriamente, eram outros os seus métodos? Em se tratando de PT, cabe uma outra pergunta: Vargas atuava apenas em seu próprio nome? Não se esqueçam de que, mesmo na cadeia, Yousseff recebeu um recado: tomar cuidado para não falar demais e arrastar gente graúda.

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Opa! Gim Argello, o preferido de Dilma, desiste de indicação ao TCU

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
Preterido por senadores e pelo próprio presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), o senador Gim Argello (PTB-DF) desistiu de tentar uma cadeira de ministro na Corte. O anúncio foi feito ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), na noite desta quarta-feira, poucas horas depois de a oposição ter apresentado outro nome à vaga. A assessoria de Argello deve soltar uma nota com os motivos da desistência.

Nesta quarta, o presidente do TCU, Augusto Nardes, defendeu que o Congresso aprove nomes de “reputação ilibada” e “idoneidade moral” – o que não é caso do indicado pelo governo. Gim Argello responde a diversas ações no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de crime contra a Lei de Licitações, crime eleitoral, peculato, crime contra a administração pública, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Ele chegou ao Senado como suplente e assumiu a vaga de Joaquim Roriz, que renunciou para fugir da cassação.

Em outra frente, senadores de cinco partidos – PSB, PSDB, PSOL, DEM e PDT – se articularam para tentar barrar a indicação do senador. Como alternativa, apresentaram o nome de Fernando Moutinho, consultor do Orçamento do Senado desde 2006 e que já atuou como auditor do tribunal por sete anos.

O nome de Gim Argello tinha o aval do Palácio do Planalto e de senadores governistas. Na terça-feira, parlamentares aliados tentaram aprovar, a toque de caixa, o nome do petebista ao cargo. Por um voto, o requerimento foi derrotado, levando a indicação ao rito normal da Casa, passando por uma sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

O petebista era cotado para substituir o ministro Valmir Campelo, que teve a aposentadoria publicada no Diário Oficial da União (DOU) de segunda-feira.

Em nota, Argello afirma que sua indicação foi usada como “instrumento de disputa política”. “No momento em que a honrosa indicação do meu nome para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União é usada como instrumento de disputa política em ano eleitoral, entendo que devo abrir mão desta honraria”, afirmou.

No documento, o senador não diz se tentará a reeleição ou buscará uma vaga na Câmara dos Deputados. “Com fé renovada em Deus e com o mesmo desprendimento demonstrado ao longo dos meus vinte anos de vida pública, reafirmo meu compromisso com o povo do Distrito Federal, com a sociedade brasileira, com o Senado da República, com o Partido Trabalhista Brasileiro”, afirmou.

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Isolado, André Vargas renuncia ao cargo de vice-presidente da Câmara

Por Laryssa Borges, na VEJA.com. Comento daqui a pouco.
Isolado na Câmara dos Deputados e escanteado pelo PT, que se recusou a defendê-lo publicamente, o deputado petista André Vargas renunciou nesta quarta-feira ao cargo de vice-presidente da Casa. Ele mantém o mandato parlamentar, mas abre mão do cargo na Mesa Diretora. Na carta em que justifica a decisão, Vargas alega que precisa se dedicar à defesa que apresentará no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, que na tarde de hoje instaurou processo para apurar as relações entre o congressista e o doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava-Jato e apontado como um dos principais personagens de um esquema de lavagem de dinheiro responsável por movimentar 10 bilhões de reais nos últimos anos.

“Em virtude da decisão tomada hoje pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados pela instauração do procedimento de apuração de denúncias apresentadas contra mim, decidi apresentar minha renúncia à vice-presidência desta Casa. Tomo esta decisão para que eu possa me concentrar em minha defesa perante o Conselho e para não prejudicar o andamento dos trabalhos da Mesa Diretora e também preservar a imagem da Câmara, do meu partido e de meus colegas deputados”, disse ele em carta.

“Tenho enfrentado um intenso bombardeio de denúncias e ilações lançadas em veículos de imprensa baseadas apenas em vazamentos ilegais de informações, as quais terei agora a oportunidade de esclarecer, apresentando minha versão – a verdade – a respeito de tudo que vem sendo divulgado”, completou.

Internamente, Vargas sofria pressão para que também abrisse mão do mandato parlamentar, mas, se o fizesse, perderia o foro privilegiado de deputado e poderia ser investigado pela Justiça do Paraná no âmbito da Operação Lava-Jato da Polícia Federal.

Para aliados, a situação de André Vargas ficou insustentável após o ex-presidente Lula ter rifado o companheiro. “Ele é vice-presidente de uma instituição importante, que é a Câmara dos Deputados, e acho que quando você está em um cargo desses, tem que ser exemplo. Espero que ele consiga convencer a sociedade e provar que não tem nada além da viagem de avião, porque, no final, quem paga o pato é o PT”, disse Lula nesta terça em entrevista a blogueiros.

Político em ascensão no PT, Vargas ganhou prestígio no partido por defender o “controle social da mídia” como secretário de Comunicação da sigla. Chegou à vice-presidência da Câmara. Foi de uma das cadeiras de comando da Casa que levou os colegas de bancada ao êxtase quando ergueu o punho repetindo o gesto dos mensaleiros presos, em provocação ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa – chegou a dizer também que tinha vontade de “dar uma cotovelada” em Barbosa durante a visita do ministro-relator do mensalão à Câmara.

A ruína de Vargas começou quando o jornal Folha de S. Paulo revelou que ele havia viajado para o Nordeste em um jatinho bancado pelo doleiro. O presente custou 100.000 reais. Desde então, o petista iniciou uma sequência de versões: tentou atribuir a notícia à intriga de adversários políticos no Estado, depois afirmou que recorreu à ajuda do doleiro porque as passagens estavam muito caras e até subiu à tribuna para dizer que cometera um “equívoco” e fora “imprudente”. As investigações da PF, entretanto, mostraram muito mais.

Reportagem de VEJA mostrou que as ligações de Vargas e Youssef vão além da amizade: a dupla trabalhava em parceria para enriquecer, fraudando contratos com o governo federal. Mensagens de celular interceptadas pela Polícia Federal apontam que o petista exercia seu poder para cobrar compromissos de Youssef. Em uma das conversas flagradas pela PF, o deputado e o doleiro conversam sobre contratos do laboratório Labogen com o Ministério da Saúde – a empresa receberia 150 milhões de reais em vendas de medicamentos. O Labogen é uma das empresas do esquema do doleiro e está registrada no nome de um laranja.

O aparecimento do Ministério da Saúde nas investigações é uma das principais preocupações de Lula: o ex-titular da pasta, Alexandre Padilha, é seu candidato ao governo de São Paulo. Além disso, Lula e o PT temem que o agravamento do caso atrapalhe os planos da senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT) na disputa pelo governo do Paraná – Vargas, inclusive, era cotado para chefiar a campanha.

Leia a íntegra da carta de André Vargas:
Em virtude da decisão tomada hoje pelo Conselho de Ética da Câmara dos Deputados pela instauração do procedimento de apuração de denúncias apresentadas contra mim, decidi apresentar minha renúncia à vice-presidência desta Casa. Tomo esta decisão para que eu possa me concentrar em minha defesa perante o Conselho e para não prejudicar o andamento dos trabalhos da Mesa Diretora e também preservar a imagem da Câmara, do meu partido e de meus colegas deputados.

Tenho enfrentado um intenso bombardeio de denúncias e ilações lançadas em veículos de imprensa baseadas apenas em vazamentos ilegais de informações, as quais terei agora a oportunidade de esclarecer, apresentando minha versão – a verdade – a respeito de tudo que vem sendo divulgado.

Enfrentarei tranquilamente este processo na certeza de que provarei ao final que não cometi nenhum ato ilícito. Sigo com muito orgulho de minha história política e minha luta ao lado de tantos companheiros, em defesa do povo paranaense e pela construção de um Brasil melhor.

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PT vai ao Supremo para impedir CPI da Petrobras
O Globo

Na guerra de recursos envolvendo as investigações sobre a Petrobras no Congresso, o PT repetiu a estratégia da oposição e impetrou nesta quarta-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) mandado de segurança com pedido de liminar para que a Corte suspenda a instalação de uma CPI.

O PT pede ainda que a questão seja relatada pela ministra Rosa Weber, responsável pelo parecer de mandado de segurança protocolado na véspera pela oposição.

O pedido assinado pela senadora Ana Rita (PT-ES) requer que o STF reveja a decisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que rejeitou questão de ordem apresentada pela senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), e defina o que é fato determinado e o que é correlato.

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Gim Argello renuncia à indicação para ministro do TCU
Júnia Gama e Paulo Celso Pereira, O Globo

Depois de uma manobra desastrosa para ocupar uma vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), e de manifestações contrárias de servidores e ministros da Corte, o senador Gim Argello (PTB-DF) renunciou à indicação.

Dois dias após O GLOBO revelar que o senador responde a seis inquéritos no Supremo Tribunal Federal, os ministros do TCU soltaram nota em tom grave destacando os riscos de a indicação ferir a Constituição e um grupo de senadores independentes e da oposição protocolou o pedido de nomeação de um técnico da área.

Gim é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, peculato (desvio de dinheiro público) e crime contra a lei de licitações. Assim mesmo, seu nome foi indicado para o TCU por vários líderes da base, com apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da presidente Dilma Rousseff.

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FH descarta ser vice e torce para Dilma ‘cair devagar’
Raphael Kapa, O Globo

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ao lançar nesta quarta-feira no Rio seu livro “O Improvável Presidente do Brasil”, afirmou que não será candidato à vice-presidência e que eleições são imprevisíveis.

— Se for para ser vice, melhor ser presidente de uma vez. Já passei da idade — brincou o ex-presidente ao ser questionado por humoristas do Pânico, da Band, vestidos de Lula e Dilma.

Sobre a popularidade de Dilma, FH disse que torce para “cair devagar” e que a eleição não está definida .

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Ladrão ataca entrevistada durante reportagem sobre roubos no Rio
G1

Uma mulher foi atacada por um ladrão durante uma reportagem no Centro do Rio de Janeiro sobre roubos a pedestres. Enquanto dava entrevista para o RJTV, um menor passa por trás correndo e tenta tirar o cordão da vítima. O repórter chega a correr atrás, mas o jovem consegue fugir, sem levar cordão. O registro foi feito nesta quarta-feira (9).

"Chegou a arranhar o meu pescoço", conta a vítima, assustada. "Fiquei até nervosa."

É a terceira vez, em menos de três anos, que a equipe de reportagem da TV Globo faz flagrantes de roubos no Centro. Na Avenida Presidente Vargas, os furtos acontecem na altura da Central do Brasil todos os dias.

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Mantega: inflação vai fechar o ano abaixo do teto da meta
Isabel de Luca, O Globo

No dia em que o IBGE anunciou a maior inflação para o mês de março em 11 anos, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu nesta quarta-feira em Nova York que o índice de preços não vai passar do teto de 6,5% este ano, de janeiro a dezembro, mas admitiu que, no acumulado em 12 meses, existe a possibilidade de isso acontecer.

— A inflação não irá acima do teto — disse ele a jornalistas após participar de um encontro com investidores no banco JP Morgan. — Isso pode acontecer em 12 meses, como já aconteceu, inclusive no ano passado. Porém, de janeiro a dezembro, ela estará sendo limitada ao teto, não passará do teto, e o governo estará tomando todas as providências para impedir que isso aconteça.

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Aval para negociar com governo de Maduro divide oposição na Venezuela
Denise Chrispim Marin, Estadão

O aval da frente opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) a uma negociação com o governo de Nicolás Maduro, que começou na quarta-feira, 9, dividiu a oposição. Enquanto alguns defendem a renúncia de Maduro, rejeitam o diálogo e pedem a continuação dos protestos, Henrique Capriles, governador de Miranda, que resistiu às manifestações populares, tende a liderar as conversas com os chavistas.

O diálogo ocorre sob mediação de uma missão da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), composta por chanceleres de Brasil, Colômbia e Equador, e do núncio apostólico em Caracas, Aldo Giordano. Nesta quarta, governo e MUD enviaram carta formalizando o convite ao Vaticano.

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Argentina realiza sua maior operação contra o tráfico de drogas
O Globo

Em uma megaoperação sem precedentes, cerca de 3 mil agentes participam de uma ação contra o tráfico de drogas na província argentina de Santa Fé, nesta quarta-feira.

O objetivo é desmantelar as quadrilhas que travam uma guerra sangrenta pelo tráfico de drogas — e que transformou a cidade na de maior taxa de homicídios do país. Até agora, 20 pessoas foram presas, dentre elas mulheres grávidas.

Tropas da Polícia Federal, da Guarda Nacional, da Guarda Costeira e da Polícia de Segurança Aeroportuária realizaram mais de 90 incursões simultâneas em favelas em Gran Rosario, a 300 quilômetros ao norte de Buenos Aires. Em várias das casas revistadas foram encontrados túneis subterrâneos que seriam utilizados para fuga.

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Ex-ministro do STF desmascara fraude de Renan Calheiros contra CPI da Petrobras.

Ontem, o Portal Vox publicou, com exclusividade, denúncia feita por Magda Brossard,  filha do ex-ministro do STF, Paulo Brossard, de que Renan Calheiros, presidente do Senado, havia falsificado um parecer de seu pai para embasar o engavetamento criminoso da CPI da Petrobras proposta pela Oposição. Agora é o próprio Brossard quem confirma a fraude vergonhosa montada por Calheiros. Leia aqui o post de ontem. Abaixo, a matéria do Estadão.

O Senado mudou o sentido de uma decisão do Supremo Tribunal Federal para justificar a criação de uma "CPI combo" da Petrobrás. Ao defender sua posição favorável à investigação, na CPI, de vários fatos desconexos, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que um habeas corpus concedido pelo Supremo na década de 90 "pacificou" o entendimento da Corte máxima de que "novos fatos determinados podem ser incorporados ao rol inicial" dos pedidos de CPIs.   

A comparação da frase de Renan com o texto original - do então ministro Paulo Brossard - revela, contudo, que a frase citada por Renan foi editada e seu contexto alterado. Em entrevista ao Estado, Brossard disse nesta quarta-feira, 9, que a Corte entendeu que não se pode incluir novos fatos no pedido inicial da CPI. Tal acréscimo, se houvesse fatos ligados, só poderia ocorrer no curso de uma investigação. Segundo o ex-ministro, se no decorrer das investigações forem descobertos novos fatos sem qualquer conexão com o objeto inicial da CPI, novas comissões de inquérito deverão ser instauradas. A decisão do Supremo foi unânime.

"Não, eu nunca disse isso", reagiu Brossard. "Uma das ideias centrais da CPI é justamente que a investigação deve recair sobre um fato certo. Não pode ser sobre dois, três, quatro temas. De forma alguma!"

‘Nada investigar’. Brossard disse ainda que, desse modo, "vai terminar a legislatura, o século e não vai dar tempo de investigar nada. Significa não fazer investigação nenhuma". E foi adiante: "Me lembro perfeitamente que eu disse que nada impedia que, descoberto um fato novo congênere à investigação, seria irracional fechar os olhos. Mas tem que ser algo intrínseco ao escopo da CPI."

Para o ex-ministro e ex-presidente do STF Carlos Veloso, que participou daquele julgamento, a decisão deixa claro que não é possível acrescentar novos fatos ao pedido inicial de criação da CPI. Ele classificou como "fraude" a atuação da base aliada no caso da comissão destinada a investigar a Petrobrás. "Não poderia aditar o requerimento porque haveria uma fraude ao direito da minoria".

Seu entendimento, também, é que não há "caminho" para se ampliar o escopo da CPI, conforme proposta dos governistas. "(O pedido de CPI) preencheu os requisitos? Então tem direito para ser instalada", definiu, acrescentando que caberia aos governistas requerer outra CPI. "Tenham coragem de requerer a sua CPI e não se aboletar ao pedido alheio para fraudá-lo", criticou.

Temas. A CPI da Petrobrás aprovada na CCJ do Senado destina-se a investigar contratos da petroleira, o porto de Suape, em Pernambuco e, ainda, contratos dos governos do Distrito Federal e de São Paulo com a Siemens para a construção de metrô. O plenário decidirá sobre o caso na terça-feira.

O Supremo volta a se debruçar sobre o assunto provocado pela oposição, que tenta garantir o direito de instalar uma CPI dedicada apenas a investigar a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás. A relatora será a ministra Rosa Weber.

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Governo administra combustíveis com a barriga

A má notícia sobre a inflação de março (bateu em 0,92%) levou o ministro Guido Mantega admitir: em algum momento de 2014 a taxa acumulada de 12 meses deve furar o teto da meta do governo, que é de 6,5%. O grande receio é o de que o índice suba no telhado perto do dia da eleição. Nesse cenário, o governo cogita manter a tática de “barrigar” para 2015 o reajuste dos combustíveis. Aos pouquinhos, a barriga vai se transformando na principal ferramenta da política econômica.

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PT nega a Vargas solidariedade de mensaleiros

Em privado, André Vargas queixa-se de solidão. Considera-se abandonado pela cúpula do PT. Pelo menos não perdeu inteiramente o contato com a realidade. De fato, está só. O partido o fritava desde o final de semana. Lula achou melhor acelerar o processo. E deu com a frigideira na cabeça do companheiro.

Ao migrar do noticiário de política para o de polícia, Vargas subverteu a rotina do PT. Na sua anormalidade normal, o partido habituara-se a tratar os seus delinquentes com o mesmo tipo de deferência concedida aos membros de uma grande família. Que deve ter seu bom nome protegido mesmo quando se sabe que as acuações são verdadeiras.

O escândalo que engolfou André Vargas levou o petismo a concluir: o único crime que a solidariedade familiar não cobre, além de matar a mãe, é manter um relacionamento monetário com um doleiro chamado Alberto Youssef e deixar pistas para a Polícia Federal descobrir em pleno ano eleitoral.

Pressionado a renunciar ao mandato, André Vargas topou licenciar-se da Câmara por 60 dias. Espremido novamente, abdicou nesta quarta-feira da poltrona de vice-presidente da Câmara. Levado ao Conselho de Ética, tornou-se uma cassação esperando para acontecer. Fora isso, tudo vai muito bem no PT. Tudo sempre vai muito bem no PT. Nesta quinta-feira, a legenda reúne sua Executiva. Vão tratar de André Vargas.

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Volta, Lula!



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Blog do Merval

Lula e a presidente

Acredito que o ex-presidente Lula esteja falando a verdade quando garante que não pretende se candidatar novamente à presidência da República. O que não quer dizer que não venha a sê-lo. Nada mais verdadeiro, embora trivial, do que a comparação da política com uma nuvem que vai mudando de forma à medida que passa, feita pelo ex-governador mineiro Magalhães Pinto, muito em voga nos últimos dias devido a seu papel no golpe militar de 1964.

Em política, o fato novo é capaz de provocar reações para que não se torne fato consumado. São tão grandes os interesses petistas, alguns até mesmo inconfessáveis, que se a presidente Dilma continuar a cair nas pesquisas eleitorais as pressões podem se tornar insuportáveis para que Lula entre em campo novamente para salvar o time.

Não foi assim que o ministro Gilberto Carvalho, o mais lulista dos lulistas no Palácio do Planalto classificou Lula, o reserva de luxo que está no banco pronto para entrar em caso de necessidade? Mas será possível um jogador ganhar sozinho um jogo perdido, a poucos minutos de seu final, mesmo que seja considerado o Pelé da política?

O próprio Pelé sabiamente recusou-se a esse papel quando, no governo Geisel, foi instado por assessores palacianos a voltar à seleção brasileira para jogar a Copa de 1974. Preferiu se preservar para manter a memória dos dias de glória.

Sim, por que se Lula for escalado, é por que o jogo já está dado por perdido. O fogo amigo vem de vários lados. Uns já falam em uma chapa que teria Lula na cabeça e o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos como vice. Outros dizem que a própria Dilma aceitaria de bom agrado não sair para a reeleição caso Lula queira disputar, que esse rodízio já estava previsto no acordo que a lançou candidata. Realmente seria preciso que Dilma concordasse em abrir mão de sua candidatura para que a transição fosse feita de forma pacífica, sem crise política, que enterraria até mesmo a candidatura de Lula.

Mas como explicar para o eleitorado a súbita mudança de posição? Ter um acordo desse tipo sem anunciar à população na ocasião mesma em que Dilma foi lançada presidente não será sentido por muitos como uma traição, um jogo político que aparta o eleitor das decisões?
Qual será o comportamento da presidente Dilma, ainda no Palácio do Planalto, com a caneta na mão, mas sem prestígio político, obrigada a abrir mão de seu direito à reeleição, mesmo para perder?

Há quem acredite que o ex-presidente Lula está agindo na vida real como o vice-presidente Frank Underwood no seriado House of Cards: oficialmente, elogia e defende o presidente Garret Walker, para nos bastidores minar suas forças políticas e tomar o seu lugar. Não creio que seja assim.

Lula está na melhor situação que poderia ter. Não tem os problemas de um presidente, mas todas as suas regalias. Manda e desmanda; nomeia e demite quem quiser, é recebido no mundo todo com honras de chefe de Estado. Além do mais, essa condição, reconhecida por todos, coloca a responsabilidade do governo Dilma em suas mãos.

Difícil não atribuir a Lula grande parte do desarranjo por que passa o governo, no mínimo por ter sido o responsável por Dilma estar onde está. Mesmo que a presidente Dilma não faça tudo que Lula sugere, as constantes reuniões de aconselhamento que dá à presidente o faz co-autor de seus atos, mesmos os que critica.

Lula vai querer arriscar seu prestígio em uma eleição difícil ou, pior ainda, um governo difícil, que terá que apertar o cinto logo no início para não ser levado de cambulhada por uma crise econômica anunciada? Melhor tentar salvar Dilma e, caso seja impossível, preservar-se para poder volta em 2018, se for o caso, depois que o trabalho sujo tiver sido feito pelo candidato eleito este ano.


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Blog do Rodrigo Constantino

Ciro Gomes não é o maior entusiasta do governo Dilma, mas é muito cara de pau!

Leio na coluna de Ilimar Franco, no GLOBO, a seguinte declaração de Ciro Gomes: “Somos bastante afinados. Vou ajudar muito a (presidente) Dilma, embora não seja o maior entusiasta do governo que ela infelizmente está fazendo“. Tal declaração do ex-ministro de Lula teria sido feita em jantar com o PCdoB (comunistas!) na segunda-feira, em Fortaleza.

Nessa mesma noite, eu estava em Porto Alegre, no Fórum da Liberdade, escutando um discurso firme de oposição do senador Aécio Neves, mostrando-se um liberal pragmático. Que diferença para Ciro Gomes! Um sujeito que foi traído e humilhado pelo próprio PT, voltar agora rastejando com um discurso desses? É patético!

Quer dizer que Ciro não é o maior entusiasta do governo Dilma? Não é bem assim. Ele tem, na verdade, uma opinião “um pouco” mais severa em relação a essa turma a que ele, uma vez mais, se une. Vejam:


Não foi suficiente para mostrar o quanto Ciro gosta de Dilma? Então vejam mais isso:


Como fica claro, Ciro Gomes representa apenas o que há de pior na política nacional. Faltam políticos mais sérios, com convicções morais e ideológicas mais firmes, com determinação para enfrentar aquilo que não presta. Ciro Gomes não é o maior entusiasta do governo Dilma, mas é muito cara de pau!

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Só renúncia nesta quarta-feira livra Vargas de processo de cassação
O Globo

Contagem regressiva para o deputado petista licenciado André Vargas (PR). Ele tem até esta quarta-feira, antes das 14h, para renunciar ao mandato parlamentar se quiser evitar o processo, no Conselho de Ética da Câmara, por quebra de decoro parlamentar, no qual pode ser cassado.

Mesmo com o sinal dado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que o PT “não pode pagar o pato” pelo caso Vargas, e da expectativa de parte da bancada petista por sua renúncia, deputados mais próximos a Vargas defendem que ele mantenha o mandato e se defenda. A possibilidade de surgimento de novas denúncias, entretanto, poderá reverter a disposição de enfrentar o processo no conselho e uma votação com voto aberto no plenário, para se manter no cargo.

O Blog do Camarotti , do G1, teve acesso à uma mensagem de celular enviada ontem à noite do parlamentar para um interlocutor, na qual Vargas dissera que mantém a disposição de não renunciar.

“Não mudarei de posição”, escreveu.

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O PT nas mãos de Vargas

          O presidente do PT, Rui Falcão, e o ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais), conversaram ontem com o deputado André Vargas (PT-PR). Os petistas querem que Vargas, flagrado em relações com o doleiro Alberto Youssef, alvo central da Operação Lava-Jato da PF, renuncie ao mandato. Eles buscam evitar que o PT fique sangrando e argumentam que “ele fica elegível”.

A CPI do fogo cruzado
A realização da CPI da Petrobras, do metrô de São Paulo e do Porto de Suape é um fato consumado. O presidente do Senado, Renan Calheiros, comunicou ao Planalto e ao PT, que não é possível impedir o funcionamento de uma Comissão com fato determinado e o número regimental de assinaturas. Além disso, os aliados do PMDB estão sustentando que o governo Dilma tem uma vantagem na largada da troca de chumbo. A investigação na Petrobras está começando do zero e passará por uma fase de depoimentos. Já a do metrô de São Paulo está avançada e há documentos e movimentações financeiras para serem exibidas ao público.

“Somos bastante afinados. Vou ajudar muito a (presidente) Dilma embora não seja o maior entusiasta do governo que ela infelizmente está fazendo”

Ciro Gomes
Ex-ministro do governo Lula, sobre a reeleição, em jantar com o PCdoB na noite de segunda-feira, em Fortaleza

Ao lado de Cid
O PT do Ceará decidiu apoiar o candidato do governador Cid Gomes na sucessão estadual. Os petistas vão trabalhar por uma aliança com o PROS e o PMDB; e, para viabilizar a candidatura do deputado José Guimarães ao Senado.

O plano B
O candidato da governadora Roseana Sarney à sua sucessão no Maranhão, o secretário Luiz Fernando, desistiu de concorrer. Por isso, desde a noite de anteontem o PMDB tem novo candidato no estado: o senador Edison Lobão Filho. O filho do ministro Edison Lobão (Minas e Energia) foi escolhido depois de quatro dias de consultas.

Campanha pelo voto válido
Daniela Mercury e Carlinhos Brown vão ser as estrelas de campanha do TSE voltada para os eleitores no exterior. A convite do presidente, ministro Marco Aurélio, eles gravam amanhã vídeo de 30 segundos sem cobrar cachê.

O caminho das pedras
Mesmo aprovado pelo Senado, o senador Gim Argello (PTB-DF) ainda terá que passar pela Câmara para chegar ao TCU. Em 2006, o então senador Luiz Otávio (PMDB-PA) não conseguiu virar ministro do Tribunal. Ele precisava de 171 votos a favor, mas apenas 145 deputados votaram nele. Enquanto isso, 182 votaram contra.

Ação e reação
O PP gaúcho caminha para fechar com Aécio Neves (PSDB). O partido namorava com Eduardo Campos (PSB), mas Marina Silva rompeu a relação. Aécio acertou anteontem, em Porto Alegre, apoio à candidata do PP ao governo, a senadora Ana Amélia.

Ampliar o horizonte
Especialistas em marketing avaliam que o tucano Aécio Neves precisa falar para os eleitores que querem melhorar de vida. Argumentam que o discurso dos tucanos, contra o PT e antigoverno, tem audiência restrita a 25% dos eleitores.

O PT está criando uma agência de notícias. Ela entra em operação no dia 1º de Maio e pretende ser uma alternativa de informação para os filiados.

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‘Terra do samba e pandeiro’, por Carlos Brickmann

Obras públicas no Brasil. Aqui há alguns casos de lentidão. A transposição do rio São Francisco, que deveria estar concluída em 2010, ainda está em obras, mas um dia certamente ficará pronta. O trem-bala, que deveria estar pronto para a Copa, ou para as Olimpíadas, ainda não foi sequer licitado. Mas, de acordo com o Ministério do Planejamento, suas obras estão em “andamento adequado”.

Obras públicas fora do Brasil. Depois do Porto de Mariel, em Cuba, construído com financiamento do BNDES brasileiro (e concluído no prazo), vem aí um novo campeão de infraestrutura: a hidrelétrica de Tumarín, Nicarágua ─ país governado pelo bolivariano Daniel Ortega. Custo orçado? Perto de US$ 1 bilhão. Obra a cargo de uma grande doadora de campanhas, a Queiroz Galvão. Financiamento do BNDES, que buscará acordos com o BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, e o Banco Mundial. Os nicaraguenses não terão gastos, é tudo por nossa conta. O acordo foi discretamente assinado em 21 de março. Pelo Brasil, os signatários são, entre outros, Valter Cardeal, da Eletrobrás, e o presidente da Queiroz Galvão, José Diniz da Silva Filho. Pela Nicarágua, Francisco López, da empresa de energia Alba e tesoureiro do partido governante, o Sandinista.

Investigações sobre irregularidades. A Justiça rejeitou a segunda denúncia contra executivos acusados de montar um cartel na área de Metrô e trens metropolitanos em São Paulo. Motivo: a apuração, mesmo com ajuda da Siemens, uma das empresas envolvidas, demorou tanto, mas tanto, que o caso está prescrito.

As escolhas de Gleisi
O principal candidato a coordenador da campanha de Gleisi Hoffmann ao Governo do Paraná, pelo PT, era Eduardo Gaievski. Foi preso sob acusação de abusar sexualmente de menores. Foi substituído por novo coordenador, um peso-pesado, que já tinha coordenado a campanha de seu marido, o hoje ministro Paulo Bernardo, a deputado federal: vice-presidente da Câmara dos Deputados, secretário de Comunicação do PT, ousado a ponto de tuitar que queria “dar uma cutovelada”, escrito desse jeito mesmo, no ministro Joaquim Barbosa, que visitava o Congresso.

Um trator! E cheio de bons amigos. Seu nome, André Vargas.

Gleisi não tem tido sorte ao escolher seus coordenadores de campanha.

Esfolando os doentes…
Não faz muito tempo, este colunista publicou no Observatório da Imprensa uma série de casos de mau atendimento a clientes por seus planos de saúde. O colunista Elio Gaspari, insistentemente e com grande brilho, vem mostrando como é que o sistema privado suga verbas da saúde pública. O jornalista Ricardo Kotscho conta o seu caso, recentíssimo: quebrou o braço num acidente, fez uma operação de seis horas, gastou R$ 36 mil e teve reembolso de R$ 1.575,00 (a propósito, é cliente antigo do seguro-saúde).

Qual a força que têm as empresas para atender tão mal e ficar sempre livres de problemas?

…e retribuindo aos amigos
Uma boa pista sobre a impunidade de quem atende mal aos doentes acaba de aparecer na Câmara: numa Medida Provisória que trata de tributação de empresas brasileiras no Exterior, nobres deputados enxertaram algo que não tem nada a ver com isso, com o objetivo de reduzir as multas que os maus planos de saúde eventualmente venham a sofrer. Se um plano de saúde cometer de duas a 50 infrações e for multado por elas, pagará apenas duas multas. Acima de mil multas, pagará vinte.

Traduzindo em reais: se uma operadora negar uma cirurgia legítima, pode ser multada em R$ 80 mil. Se for multada 50 vezes, a conta será de R$ 4 milhões. Será, não: seria. Pela Medida Provisória, cai para R$ 160 mil. Se houver mil multas, em vez de R$ 80 milhões a má operadora pagará R$ 1,6 milhão e fica por isso mesmo. Atender mal aos clientes vira um negócio ainda melhor.

A festa de sempre
A Medida Provisória foi aprovada na Câmara (sendo relator o deputado Eduardo Cunha, do PMDB fluminense) e vai agora ao Senado. A grita dos meios de comunicação, mais alguma pressão dos eleitores, talvez derrube o absurdo.

Mas ainda restará algo a resolver: de janeiro a agosto do ano passado, as operadoras de planos de saúde pagaram apenas 20,7% das multas que sofreram.

E se der certo?
Quase ninguém quer a CPI da Petrobras: os políticos têm compromissos ou com o Governo, ou com empresas fornecedoras, ou com ambos, a não têm qualquer interesse em ver essas ligações escarafunchadas e divulgadas pelos meios de comunicação.

Mas acidentes acontecem: uma falha dos operadores políticos, alguém que se julgue prejudicado, um parlamentar que esteja mais interessado em atingir o adversário do que em preservar-se, nada é impossível (Roberto Jefferson, lembremos, ao lançar-se ao ataque acabou também parando numa Papuda). Uma CPI, com o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró louco para vingar-se dos que o menosprezaram, pode mexer no clima político – e não falta muito para a eleição.

A luta continua
Mesmo se houver CPI há como abafá-la. Em 2009, foi criada uma CPI da Petrobras. O presidente Lula pôs Romero Jucá de relator. A CPI não deu em nada.


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Blog do Coronel

Lula prepara golpe contra Dilma.

Quem não conhece, que compre. Lula, ontem, escancarou que prepara um golpe contra Dilma, para ao fim e cabo assumir o seu lugar como candidato presidencial do PT. Primeiro sinal foi procurar a esgotosfera guerrilheira e clandestina, patrocinada por empresas corruptas como a Petrobras, capaz de espalhar os dossiês mais sórdidos contra a oposição e, por alguns caraminguás a mais, até mesmo contra Dilma. Se quisesse agir às claras daria uma entrevista coletiva à imprensa. Não. Preferiu reunir uma claque amestrada para dizer o que bem entendeu, sem interrupções ou perguntas inconvenientes.

Querem um indicativo ainda mais forte de que o golpe contra Dilma está em andamento? Analisem os "conselhos" de Lula, ontem. O ex-presidente receitou ações impossíveis para a presidência da República. Por exemplo, que crie fatos novos e positivos na economia, no momento em que Dilma torce feito louca para que as previsões não piorem ainda mais. Como criar fatos positivos na economia com PIB caindo, inflação subindo, risco de apagão, juros na estratosfera? Lula sabe que o seu pedido vai desgastar ainda mais a "presidenta".

Lula não parou aí e fez outro pedido politicamente absurdo. Mergulhada no mar de lama das denúncias contra a Petrobras, Dilma, segundo Lula, deve partir para o embate com a oposição, o que é a decretação da sua morte política. Ir para o enfrentamento, no que ele chama de "debate político" e que é, na verdade, um caso de polícia. Lula deseja que Dilma assuma a defesa da estatal quando ela, em todos os documentos e nas pesquisas de opinião, é tida como a grande culpada pela roubalheira instalada na estatal. Muy amigo!

Lula, no final das contas, mostrou ao Brasil, ontem, uma presidente fraca, que não conduz bem a economia e que está emparedada pela oposição. Politicamente fraca. É isso que Lula deixou claro com as suas críticas. Mentiroso como é, havia avisado que iria defender o governo. Fez o contrário: atacou, criticou, minou.  A partir de agora, vai desgastar Dilma até a última ruga para, antes mesmo de junho, surgir das trevas como o salvador da pátria e aproveitar a Copa do Mundo como a grande vitrina da sua ressurreição, para deleite dos blogueiros do esgoto, dos mensaleiros e dos corruptos petistas. Bem fez Aécio Neves ao dizer que aceita qualquer adversário, pois o importante é derrotar o modelo petista. Que venham Lula, Rose, José Dirceu e companhia.

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Fritado por Lula, o "pato" petista André Vargas deve renunciar hoje.

O deputado Bolsonaro com o punho cerrado depois do discurso de Vargas, na Câmara, que apenas agravou a sua situação.

Ontem Lula deu o veredito final, condenando o vice-presidente da Câmara dos Deputados, o petista André Vargas, ao haraquiri político. Lula disse: " o PT não pode pagar o pato". Foi o que bastou para os "companheiros" iniciarem a fritura do sócio do doleiro que, em vez de pegar para o partido, pegou para si mesmo. A matéria abaixo é da Folha de São Paulo.

O deputado federal Vicentinho (SP), líder do PT na Câmara, conversou na tarde de ontem com o deputado licenciado André Vargas (PT-PR) e afirmou que, apesar de ele manter o pedido de licença do mandato, está refletindo sobre uma possível renúncia. "Conversei com o André Vargas hoje [ontem] e ele está absolutamente convencido da sua inocência. Ele está refletindo [sobre a possibilidade de renúncia]. Essa decisão cabe estritamente a ele. Por enquanto ele está de licença e de hoje para amanhã a gente pode ter o desfecho."

Segundo a Folha apurou, Vargas está sofrendo uma forte pressão para renunciar, mas ainda resiste sob argumento de que não há provas contra ele e de que gostaria de se defender no cargo. No início da semana, o deputado anunciou que se licenciaria por 60 dias. O petista está sob intensa pressão desde que a Folha revelou que uma viagem sua de jatinho, de Londrina a João Pessoa, com familiares, foi paga pelo doleiro, que está preso. Em conversas ontem, Vergas afirmou que não pode ser massacrado'' pelo fato de ter utilizado o avião.

Anteontem, a Justiça Federal do Paraná enviou para o Supremo Tribunal Federal parte da investigação da operação que contém mensagens e diálogos do deputado com Youssef. Já o O Conselho de Ética da Casa abrirá o processo contra o petista na tarde de hoje. Apresentado pelos partidos da oposição PSDB, DEM e PPS, a representação pede que sejam investigadas as relações de Vargas com o doleiro Alberto Youssef.

INELEGÍVEL

Para o presidente do conselho, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), mesmo que Vargas renuncie antes da instauração do processo, ele já estaria inelegível por oito anos de acordo com a Lei da Ficha Limpa. "Analisei melhor a legislação e ficou claro que ele já está inelegível porque a representação já chegou ao Conselho de Ética", disse. Alguns congressistas, porém, dizem que a inelegibilidade valeria apenas após o início do processo.

Após a abertura do processo, hoje, o conselho terá 90 dias para concluí-lo. "Não vou adiar a sessão porque quero dar um rápido prosseguimento ao caso. Teremos o recesso de julho e quero concluir tudo antes do recesso", afirmou Izar. O conselho sorteará três deputados que poderão relatar o caso. Izar escolherá um dos nomes da lista para ser o relator.

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Como ministro da Saúde, Padilha "lavou" a Labogen do doleiro Yousseff, contrariando parecer da Anvisa.

O Ministério da Saúde firmou parceria com o laboratório suspeito de pertencer ao doleiro Alberto Youssef mesmo com a recusa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em autorizar o funcionamento da empresa como produtora de medicamentos. O indeferimento da autorização está registrado numa resolução da Anvisa de 23 de agosto de 2013.

Em 11 de dezembro do ano passado, a gestão do então ministro da Saúde Alexandre Padilha (pré-candidato a governador de São Paulo pelo PT) anunciou a parceria com a Labogen S/A Química Fina e Biotecnologia, um negócio de R$ 31 milhões, para a produção do medicamento citrato de sildenafila. A pasta só suspendeu a parceria após a revelação das investigações da Operação Lava-Jato, da Polícia Federal.

A Anvisa indeferiu o pedido devido à falta de documentos básicos, como licença sanitária, relatório de inspeção atualizado e cópia do certificado de regularidade. O órgão multou a Labogen por diversas vezes em 2013 por causa de “infrações sanitárias”. A última notificação de multa é de 5 de dezembro, menos de uma semana antes do anúncio do acordo.

A Parceria para Desenvolvimento Produtivo (PDP) incluiu o Laboratório Farmacêutico da Marinha e a EMS, uma das gigantes do setor farmacêutico. A Labogen, empresa com folha de pagamento de R$ 28 mil mensais, só conseguiu obter o contrato em razão da associação com a EMS, o que passou a ser investigado pela PF.

Conforme esse acordo, o Laboratório da Marinha faria as primeiras aquisições do medicamento em 2015, com previsões de desembolsos de R$ 6,2 milhões anuais, em cinco anos. Após o escândalo envolvendo a Labogen, o Ministério da Saúde abriu uma comissão de investigação preliminar sobre o acordo.

A suspeita é a de que o deputado federal André Vargas (PT-PR) foi o responsável pelos contatos políticos no ministério para assegurar a PDP. Ele teria agido em parceria com Youssef, segundo as investigações da PF. Padilha admitiu ter conversado com Vargas, mas negou ter atendido a qualquer pleito.

O Ministério da Saúde sustentou que a parceria ainda estava na primeira fase, período destinado a adequações junto à Anvisa. “A comprovação do registro só é necessária na finalização dessa primeira fase”, informou. A assinatura do contrato para a aquisição dos primeiros lotes de medicamentos dos laboratórios só ocorreria após a pasta conferir todas as exigências da Anvisa, afirmou o ministério, que ressaltou que o andamento da parceria está suspenso em razão da comissão de investigação. (O Globo)

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Vem, Lula
Elio Gaspari, O Globo

Quem viu a final do vôlei masculino das Olimpíadas de Londres há de se lembrar. O Brasil ganhara dois sets e faltava só fechar um ponto para levar o ouro, quando o técnico russo botou Dmitry Muserskiy (2,1 metros) na quadra. Resultado: a Rússia fez o ponto, levou os dois sets seguintes e ficou com o ouro. Se o PT achar que a reeleição de Dilma corre perigo, deixará Lula no banco para agradar a seus adversários?

Tudo ficaria melhor se Lula saísse como candidato a presidente. Por cinco razões:

1) Porque é maior de idade e está no exercício de seus direitos políticos.

2) Porque o “Volta Lula” vem enfraquecendo o governo do poste que ele ajudou a botar no Planalto.

3) Porque uma parte do desgaste que está corroendo a doutora Dilma é dele e foi-lhe jogado no colo. Afinal, o mensalão e as petrorroubalheiras nasceram na sua administração.

4) Porque a outra parte do desgaste da doutora está associada ao mito da gerentona, criado por ele. Afinal, é a “Mãe do PAC”.

5) Porque a transformação do PT num aparelho arrecadador de fundos teve o seu permanente beneplácito, tanto durante os oito anos em que esteve na Presidência, como depois. O deputado André Vargas não é um ponto fora da curva, mas uma luzinha dentro da estrela vermelha.

As urnas decidirão se o PT deve receber um novo mandato presidencial. Quatro anos de Dilma mostraram que o poder é mais do partido do que do ocupante do Planalto. Isso não deriva de qualquer malignidade intrínseca do comissariado, mas do fato que ele é o único partido organizado do país. Se os outros não se organizaram e o máximo que fazem é combinar jantares, o problema é deles.

Vitorioso, o PT terá 16 anos ininterruptos de poder. Isso jamais aconteceu na História brasileira e não fará diferença se esse mandato for exercido por Lula ou Dilma. Pelo contrário, para o bem ou para o mal, ele representa melhor a estrela que fundou do que ela, uma convertida tardia.

A entrada de Lula na disputa daria maior clareza à escolha. Se ele é um político prestigiado, com 37% dos entrevistados pelo Datafolha dispostos a votar em quem tiver seu apoio, torcer para que fique no banco de reservas é uma ilusão.

Chegou-se a abril e os dois candidatos da oposição produziram apenas listas de celebridades e palavrório. Sabe-se mais das diferenças entre os prováveis candidatos republicanos para a eleição americana de 2016 do que das plataformas de Aécio Neves e Eduardo Campos.

Há pouco a Câmara aprovou uma medida provisória com centenas de contrabandos. Entre eles, mais uma estia para sonegadores de impostos e um mimo para os planos de saúde que não cumprem os contratos que vendem aos clientes. Isso só foi conseguido por um acordo de lideranças parlamentares, com o apoio das bancadas oposicionistas.

Nas três últimas eleições presidenciais os candidatos tucanos escondiam Fernando Henrique Cardoso, sem explicar por quê. Agora, Aécio Neves e Eduardo Campos escondem que fazem oposição a Lula. Talvez acreditem que só devem falar claro às vésperas da eleição, seguindo protocolos estabelecidos pelos marqueteiros. Nas eleições anteriores fizeram isso e, derrotados, procuraram culpar essa nova modalidade de astrólogos.


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Blog do Noblat

Doleiro é ligado a sócio de Furnas em hidrelétrica
Lu Aiko Otta e Fausto Macedo, Estadão

A Polícia Federal suspeita que a empresa que arrematou, em parceria com Furnas, a concessão da usina hidrelétrica de Três Irmãos, seja sócia do doleiro Alberto Youssef no laboratório Labogen. É o que informa o relatório da Operação Lava Jato.

A principal sócia de Furnas na usina hidrelétrica é a GPI Participações e Investimentos. Ela é presidida por Pedro Paulo Leoni Ramos, conhecido como PP, que foi secretário de Assuntos Estratégicos no governo de Fernando Collor de Mello (1990-1992). Nas investigações que levaram ao impeachment do ex-presidente e hoje senador, PP foi apontado como operador de um esquema de corrupção ligado à Petrobrás e aos fundos de pensão de empresas estatais do governo federal.

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Empresa de lobista ligado a PMDB e PT fechou contrato com a Petrobras
Marcelo Rocha, Murilo Ramos e Diego Escosteguy, Época

Uma empresa do lobista Jorge Luz - ligado ao PT e ao PMDB, homem que ajudou a nomear Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras no começo do governo Lula - fechou contrato de R$ 5,2 milhões com a estatal.

O contrato foi assinado em 2008, precisamente pela Diretoria de Paulo Roberto, que está preso pela PF, acusado de participar do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro desmontado na operação Lava-Jato. Luz, segundo documentos apreendidos pela PF e revelados com exclusividade por ÉPOCA nesta semana, é um dos operadores políticos e financeiros de Paulo Roberto.

Integrantes do esquema ouvidos pela reportagem, sob condição de permanecer no anonimato, confirmam a participação de Luz no esquema.

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André Vargas e Youssef são citados em caso de corrupção de 1999
Samuel Nunes, G1

O doleiro preso pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, desencadeada pela Polícia Federal em março deste ano e o deputado federal André Vargas são coadjuvantes de um caso de corrupção na Prefeitura de Londrina, que aconteceu em 1999.

De acordo com o Ministério Público, o caso envolveu o desvio de R$ 12 milhões, em valores da época. A situação culminou na cassação do então prefeito da cidade, Antônio Belinati.

Conforme o promotor Claudio Esteves, Youssef foi processado por lavar R$ 120 mil, desviados pelo grupo que comandava as licitações da antiga autarquia municipal responsável por cuidar do meio ambiente. Já André Vargas teria recebido outros R$ 10 mil do total desviado. Esse dinheiro foi parar no financiamento da campanha do então candidato a deputado federal, Paulo Bernardo, que hoje é ministro das Comunicações.

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Governo anuncia medidas contra fraudes no Minha Casa Minha Vida
Evandro Éboli, O Globo

O governo anunciou medidas no final da tarde desta terça-feira para tentar conter as fraudes na entrega de residência do Minha Casa Minha Vida. Reportagem exibida no final de semana, no "Fantástico", da TV Globo, mostrou que ação do tráfico e de milícias, que cobram pedágio para que o real beneficiário tenha acesso à casa, está dando outro destino a essas unidades. Esse tipo de fraude foi registrada no Rio, no Pará e na Bahia.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ministro das Cidades, Gilberto Occhi, assinaram portaria criando um grupo interministerial para estudar ações integradas de segurança com órgãos de segurança, inclusive com estados e prefeituras. O objetivo é coibir condutas ilícitas no programa habitacional.

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Agência Nacional de Águas recomendou em janeiro racionamento em SP
José Maria Tomazela, Estadão

A Agência Nacional de Águas (ANA) recomendou em janeiro deste ano a adoção de racionamento em São Paulo para evitar um colapso no Sistema Cantareira. É o que informa um boletim de monitoramento divulgado nesta terça-feira, 9, pelo Ministério Público do Estado de São Paulo.

De acordo com o documento assinado pela promotora Alexandra Faccioli Martins, o boletim refere-se às condições dos reservatórios do Sistema Cantareira.. Na observação, destaca a promotora, consta a palavra "racionamento" em vermelho.

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Jorge Gerdau sugere que população se ‘rebele’
Elder Ogliari, Estadão

O empresário Jorge Gerdau Johannpeter criticou a insistência do Brasil em se aproximar do Mercosul, propôs que o próximo governo brasileiro tenha apenas seis ministérios e chegou a sugerir que a população se rebele diante da falta de infraestrutura e da qualidade dos serviços do País.

As afirmações do empresário foram feitas durante palestra para os participantes da 27.ª edição do Fórum da Liberdade, ontem em Porto Alegre. O evento é promovido anualmente pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), entidade de jovens empresários de tendências liberais.

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Maduro e oposição acertam reunião formal e pública para discutir crise
Janaína Figueiredo, O Globo

Pela primeira vez, desde que Nicolás Madurou assumiu a Presidência da Venezuela, há quase um ano, as principais autoridades do país e membros da oposição se reuniram nesta terça-feira, com a intermediação da União de Nações Sul-americanas (Unasul), para avaliar a possibilidade de iniciar um processo de diálogo e pacificação no país, em meio a uma onda de protestos que já dura mais de dois meses e provocou a morte de 39 pessoas.

Depois de quatro horas de conversa, o vice-presidente, Jorge Arreaza, e o secretário geral da Mesa de Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo, manifestaram sua satisfação pelo encontro e afirmaram que nas próximas horas será convocada “uma reunião formal e pública”, que marcará o começo do diálogo entre o governo revolucionário e forças opositoras. De acordo com Aveledo, um dos pontos mais importantes da agenda discutida foi a situação dos estudantes.

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Argentina processará empresários que apoiaram a ditadura
Ariel Palácios, Estadão

O presidente da Câmara de Deputados, o kirchnerista Julián Dominguez, apresentou um projeto de lei para a criação de uma Comissão Parlamentar de Identificação das Cumplicidades Econômicas durante a ditadura militar (1976-83).

O objetivo é preparar um relatório detalhado sobre a cumplicidade de empresários com o regime militar. Diversos depoimentos, acumulados desde a volta da democracia, indicam que empresários deram apoio econômico à ditadura, além de colaboração técnica, política e logística.

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Blog do Josias

Por Gim, Dilma e Renan querem Brasil de cegos

— Não sei quantos aqui conhecem a vocação do senador Gim Argello para o papel que ele desempenhará pelos próximos 19 anos como ministro do Tribunal de Contas da União. Eu, que o conheço há mais tempo do que muitos, não sei se ele tem a menor vocação, o menor preparo, o menor gosto pelo trabalho árduo de ministro do TCU.

Com a palavra, Cristovam Buarque, numa de suas participações na sessão do Senado, nesta terça-feira. Sua voz fez eco com outras que se ergueram contra a tentativa do presidente do Senado, Renan Calheiros, de impor o ritmo de toque de caixa à análise da indicação do colega Gim Argello para ocupar uma poltrona vitalícia de ministro do TCU. Renan queria poupar  Gim de uma sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos. Cristovam puxava os véus.

— Seria útil ouvir o senador Gim Argello numa audiência na Comissão de Economia. Mas eu sei que muitos aqui não estão ligando pra isso. Sei que isso é fruto de um arranjo feito no Palácio do Planalto. E nós estamos nos prestando a isso.

Conforme já noticiado aqui, Gim responde a seis inquéritos no STF, um deles já com denúncia da Procuradoria Geral da República. A lista de crimes atribuídos ao senador faz dele um personagem apto para várias coisas, nada que orne com as atribuições de um ministro do TCU: peculato, fraude em licitação, apropriação indébita, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o patrimônio.

Com o aval de Dilma Rousseff, o acerto palaciano a que se referiu Cristovam foi tricotado na semana passada com o PTB, partido de Gim, pelos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Ricardo Berzoini (Relações Institucionais). Para cavar a vaga de Gim no TCU, antecipou-se a aposentadoria de um dos ministros, o ex-senador Valmir Campelo. Como? Oferecendo-lhe a cadeira de vice-presidente de Governo do Banco do Brasil.

— Estão brincando com o Banco do Brasil como já brincaram com a Petrobras. Essa é a verdade. E nós aqui, nos prestando a isso. Pelo menos vamos analisar a vocação do senador Gim Argelo numa sabatina na Comissão de Economia, rogou Cristovam.

Devolvido à cadeira de presidente do Senado com a perspectiva de refazer a própria biografia, Renan revelou-se na sessão desta terça o mesmo Calheiros de sempre. Fez ouvidos moucos para os apelos dos colegas que cobraram respeito aos prazos. Programara-se para votar um pedido de urgência e, de cambulhada, na mesma sessão, aprovar o nome de Gim.

— Vou votar contra a urgência. Os prazos previstos no nosso regimento não são ornamentais, apressou-se em informar Aloysio Nunes, líder do PSDB.

Presente à sessão, Gim não disse palavra. Era como se preferisse ficar invisível. Jarbas Vasconcelos, dissidente do PMDB, constatou que a invisibilidade era plena, já o nome de Gim não era mencionado nem no papel que formalizava sua escolha, na cota do Senado.

— É inegável que a indicação do senador Gim Argello, cujo nome inclusive não consta da indicação, é polêmica. Estranhamente, não consta o nome dele. Peço que essa matéria vá para a Comissão de Assuntos Econômicos. Há precedentes aqui no Senado de tentativas do governo federal de tumultuar os trabalhos. Essas coisas estão ficando claras.

De fato, estava claro que, consorciado com Dilma e seus ministros, Renan flertava com o obscuro. Desde o desfecho do julgamento do mensalão, há uma fome de limpeza no ar. Mas Renan quer forçar o Senado a fazer dieta. Curiosamente, nenhum senador fez referência aos inquéritos que Gim protagoniza no STF. O que mais chegou perto foi o líder do PSOL, Randolfe Rodrigues. Ele reclamou que faltava um documento no papelório repassado aos senadores.

— Foi distribuído sem constar o currículo [de Gim argelo], que me parece ser um requisito necessário. A Constituição apresenta duas exigências para o cargo de ministro do TCU: notório saber e reputação ilibada. No mínimo, deveríamos ter o currículo. E não temos.

Ouviram-se apelos suprapartidários para que Renan aguardasse pela sabatina de Gim na comissão. Além de Cristovam (PDT), Aloysio Nunes PSDB), Jarbas (PMDB) e Randolfe (PSOL), reiteraram o pedido: Agripino Maia (DEM), Rodrigo Rollemberg (PSB) e Pedro Taques (PDT). Renan deu de ombros. Sustentou que, aprovando-se a urgência com os votos da maioria, o Senado estava autorizado a suprimir prazos e procedimentos. Renan realçou que o modelo vapt-vupt já fora utilizado pelos senadores. “É comum”, disse ele uma, duas, três quatro vezes ao longo da sessão.

Súbito, algo de muito incomum sucedeu no Senado: Renan perdeu uma disputa. Submetido a uma votação simbólica, na qual os líderes votam pelos liderados, o pedido de urgência foi dado por aprovado. A turma do contra exigiu a verificação do quorum. Renan aferiu os votos. Aberto o painel eletrônico deu-se o inusitado: 24 votos a favor do rito abreviado, 25 pelo respeito aos prazos regimentais, duas abstenções. Estavam ausentes 30 senadores. Por uma diferença de um voto, Gim Argello terá de submeter-se a uma sabatina.

No fim das contas, considerando-se o tamanho da bancada governista, a indicação de Gim Argello para o TCU deve ser aprovada. Apoiam a iniciativa os dois maiores partidos da Casa: PMDB e PT. Mas pelo menos a plateia terá a oportunidade de se divertir ouvindo as explicações do preferido de Dilma e de Renan. O senador Cássio Cunha Lima iluminou os riscos:

— Não estamos mais em um país que fecha os olhos e tapa os ouvidos diante dos acontecimentos. Temos uma sociedade viva lá fora, temos redes sociais. Não podemos esticar mais a corda. Não podemos esquecer que o Senado teve de adotar medidas de segurança, para que este plenário não fosse invadido há um ano. Vamos fazer de conta que nada daquilo que aconteceu nessa Esplanada foi real?

Em verdade, o jogo do faz de conta já recomeçou no dia em que Renan foi devolvido à presidência do Senado pela terceira vez. A simples tentativa de enviar ao TCU um senador com telhado, ternos e gravatas de vidro demonstra que certos políticos continuam achando que não devem nada a ninguém. Muito menos explicações.

Dilma e Renan intimaram o Brasil a se fingir de cego. Eles pedem aos brasileiros que aceitem a tese de que Gim Argello é um homem bom. Aconselham aos jornalistas que deixem de fazer perguntas incômodas. O país deve aceitar, babando na camisa, que um senador pluriencrencado no STF será no TCU um grande fiscal dos desvios da República.

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Youssef-Air!



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A aulinha arrogante, ilógica e contraditória de Gabrielli. Ou: Aquilo foi confissão de culpa?

José Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, tentou explicar a compra da refinaria de Pasadena a parlamentares petistas. É parte da operação montada pelo Planalto para tentar evitar a CPI.

Ele conseguiu?

Conseguiu foi se enrolar um pouco mais. Gabrielli, em cuja gestão se plantaram as sementes da atual ruína da empresa, rompeu nesta terça-feira seu silencio e foi dar uma aulinha na “Escolinha do Professor Raimundo”. Ele vinha se negando a falar sobre o assunto. O objetivo da intervenção é claro e se ancora em três pontos:

1 – livrar a cara de Dilma, confirmando a versão da presidente de que ela, de fato, não dispunha de todos dados — leiam-se: as cláusulas Marlim e Put Option;

2 – lembrar que o conselho tinha representantes da iniciativa privada, que também endossaram o negócio;

3 – defender a operação como tecnicamente viável para a época.

Para quem lida com a lógica, a fala de Gabrielli foi uma confissão de culpa e uma contradição nos próprios termos. Explico com os pés das costas.

Gabrielli afirma que Dilma, com efeito, não dispunha de todos os dados, certo? Mas ele. Gabrielli, então presidente da empresa, os tinha na ponta da língua, certo? Por que os omitiu do conselho? Aquilo foi confissão de culpa?

Notem que movimento curioso o deste senhor: ao afirmar que Dilma não sabia de tudo, tenta livrar a cara dela; ao evocar os conselheiros oriundos do setor privado, tenta dividir com eles a responsabilidade. Assim, o mesmo fato que aliviaria os ombros da presidente pesaria sobre os dos demais. Ora, por óbvio, eles sabiam ainda menos do que ela, certo? Um outro objetivo da fala é render título aos blogs sujos e armar a guerrilha na Internet.

Gabrielli ainda tentou justificar, com uma matemática perturbada, o preço escandaloso pago pela refinaria. Nota: mesmo falando aos petistas, suas explicações foram dadas naquele tom agressivo e arrogante de sempre, como se estivesse lá prestando um grande favor.

E cumpre não esquecer. O site Wikileaks vazou telegramas confidenciais da diplomacia americana que dão conta de que o governo dos Estados Unidos enviou missões ao Brasil para tratar, ora vejam!, da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras. Um dos telegramas é explícito já desde o título: “A Aquisição pela Petrobras da Pasadena Refining Systems”. Ele relata encontros havidos entre enviados da Casa Branca e representantes do governo brasileiro, inclusive, sim, Dilma Rousseff.

Dilma foi ludibriada no Conselho? Nem se discute isso — embora ela fosse algo mais do que membro de um conselho que se encontrava uma vez por mês: era a czarina do setor energético. O busílis é outro: como explicar a omissão posterior???

Outra pergunta, agora a Gabrielli, este gênio da raça: se o negócio era tão bom, por que a Petrobras recorreu à Justiça para tentar se livrar da obrigação de comprar os outros 50%?

Para finalizar, gostaria que o doutor nos desse uma outra aula: se o Brasil quisesse vender hoje a refinaria de Pasadena, conseguiria quanto por ela? Custou US$ 1,3 bilhão. A última oferta, que eu me lembre, foi de US$ 118 milhões. Doutor Gabrielli, o mercado mudou tanto assim?

Não sei, não, mas acho que a conversa não engabelou nem os petistas.

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Está prevista para hoje a abertura de processo contra Vargas no Conselho de Ética; há a expectativa de que renuncie; se o fizer ou for cassado, estará inelegível até 2024

A Comissão de Ética do Senado se reúne hoje para decidir se abre o processo por quebra de decoro parlamentar do deputado André Vargas (PT-PR), que já foi um dos homens mais poderosos do PT e agora é apenas, como já escrevi aqui, um cadáver adiado que procria, para lembrar o poeta. Está, como destacou o próprio Lula, gerando problemas também para o PT. A coisa é tão complicada que não há nem espaço para manobra sem que a Câmara se desmoralize. A abertura do processo é certa. Se aberto, haverá, sim, a recomendação para que seja cassado. Com votação aberta, de acordo com a nova regra, duvido que escapasse. Mas acho que não se chegará a tanto. Vargas deve renunciar antes disso.

Agora é o próprio PT que o quer fora da Câmara. Lembrem-se: ele é nada menos do que vice-presidente da Casa e do Congresso. Nesta terça, o deputado Vicentinho (SP), líder do partido, concedeu um entrevista em que afirmou que seu parceiro está, sim, pensando na renúncia. E chegou a usar uma frase que tem história: “Ele está absolutamente convencido da sua inocência”. Quando estourou o escândalo do mensalão, disse José Dirceu: “Eu estou a cada dia mais convencido da minha inocência”. Eles não aprendem nada nem esquecem nada.

Se Vargas renunciar, pode se candidatar nas eleições deste ano? A resposta é “não”. A Lei da Ficha Limpa alterou a redação da Lei Complementar nº 64, de 1990, que passou a contar com a alínea K. E o que ela diz? Reproduzo para vocês:
“k) o Presidente da República, o Governador de Estado e do Distrito Federal, o Prefeito, os membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras Municipais, que renunciarem a seus mandatos desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo por infringência a dispositivo da Constituição Federal, da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término da legislatura;”

Logo, Vargas deveria ter renunciado antes de os partidos de oposição entrarem com a representação no Conselho de Ética. Agora, não dá mais tempo. Se renunciar ou for cassado, estará inelegível por mais oito anos a partir de 2015. A punição só termina ao fim de 2022, incluindo esse ano. Só poderá, portanto, voltar a disputar um cargo público nas eleições municipais de 2024 — daqui a 10 anos. A política agradece, não é mesmo?

Nunca se esqueçam: Vargas é aquele senhor que fazia lobby no Ministério da Saúde, então comandado pelo petista Alexandre Padilha, em favor do doleiro Alberto Youssef, que lhe prometeu a sua “independência financeira” Padilha é, sim, amigão de Vargas. Publiquei aqui o vídeo em que, quando ministro, pede voto para o deputado.

Nesta terça, diga-se, a Folha revelou que Vargas e Youssef são réus num outro processo, que corre na Justiça de Londrina desde 1999. O chamado caso Ama/Comurb é o maior escândalo de corrupção da história da cidade, base política do petista. No fim da década de 1990, ao menos R$ 14 milhões, em valores da época, teriam sido desviados em licitações fraudulentas. Parte desse dinheiro teria ido parar nas mãos de Vargas, que, à época, coordenava as campanhas locais dos petistas.

A coisa é antiga. Como dizia o poeta latino Catulo, é difícil renunciar subitamente a um grande amor.

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Parece que Vargas já era. Ou: Dirceu ontem, Vargas hoje e a inocência

“Conversei com o André Vargas hoje, e ele está absolutamente convencido da sua inocência. [...] Ele está refletindo [sobre a possibilidade de renúncia]. Essa decisão cabe estritamente a ele. Por enquanto ele está de licença e de hoje para amanhã a gente pode ter o desfecho”.

A fala acima é do deputado Vicentinho (PT-SP), líder do partido na Câmara, segundo informa a Folha. Parece que André Vargas já era. A entrevista foi concedida depois que Lula deixou Vargas ao relento. Só para não esquecer. Quando estourou o escândalo do mensalão, o então ministro José Dirceu disse a frase que, para mim, é a síntese moral desses caras: “Eu estou cada vez mais convencido da minha inocência”. Comparem com o que disse Vicentinho.

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Blog do Noblat

STF julga caso de ladrão de galinha, por Gabriel Garcia

Morador de Rochedo de Minas (MG), o estudante Afanásio Maximiano Guimarães invadiu, em maio de 2013, às 3h, o galinheiro do seu vizinho Raimundo Gomes Miranda. Afanou um galo e uma galinha, que custavam R$ 40.

Em setembro, o juiz de São João Nepomuceno, Júlio César Silveira de Castro, aceitou a denúncia do crime de furto. Se condenado, Afanásio poderá cumprir de 1 a 4 anos de reclusão.

Insatisfeita, a defensora pública Renata da Cunha Martins pediu o arquivamento do processo. Alega que o valor dos bens em questão é muito baixo.

O pedido ciscou por várias instâncias do Judiciário, passando pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais e pelo Superior Tribunal de Justiça.

Negado nas demais instâncias, o habeas corpus chega ao Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, são os ministros do Supremo que voltam as atenções para o furto da galinha. O caso é relatado pelo ministro Luiz Fux.

Instância máxima da Justiça brasileira, o Supremo é forçado a discutir esses casos de menor relevância quando a defesa tenta livrar condenados usando o “princípio da insignificância” – cujos furtos e crimes têm baixo potencial ofensivo.

Em 2012, auge do julgamento do mensalão, os ministros se debruçaram sobre o caso de uma pessoa condenada a 1 ano e 3 meses de prisão, em Minas, por ter furtado seis barras de chocolate. O pedido de redução da pena foi negado.

Outro caso foi um habeas corpus julgado em novembro do ano passado, quando um morador do Distrito Federal furtou um porta moeda com R$ 50. O recurso foi negado.

Isso tudo está previsto na Constituição Federal. São inúmeros os casos de ladrões de galinha e chocolate que enchem os escaninhos do STF. Apenas em 2013, foram 53.615 novas ações levadas ao STF com supostos argumentos constitucionais.

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Lula diz que Vargas não pode deixar ‘o PT pagar o pato'
O Globo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que espera que o deputado licenciado André Vargas dê explicações convincentes para que o PT não saia desgastado nesse episódio. Em uma entrevista exclusiva para blogueiros, numa sala reservada do Instituto Lula, o petista disse que o ‘PT não pode pagar o pato’ em relação às denúncias sobre envolvimento do deputado com o doleiro Alberto Youssef em negócios suspeitos com o Ministério da Saúde.

- Espero que ele consiga convencer e provar que não tem nada além de uma viagem de avião, porque no final quem paga o pato é o PT.

O ex-presidente reiterou:

- Acho que ele (Vargas) tem que explicar. Não tem sentido . Ele é vice presidente de uma instituição importante - disse Lula

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O estorvo

          O PT está na defensiva. Seus dirigentes não vão defender o deputado André Vargas (PR), que ontem pediu licença do mandato. A reação dos militantes nas redes sociais é de condenação à conduta do petista. Suas justificativas não convencem e os novos fatos inviabilizam uma operação abafa. Além disso, ele não é bem visto em todo PT, onde há quem o considere o radical que atrapalha.

O Demóstenes do PT
A relação do vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), com o doleiro Alberto Youssef, é muito semelhante a mantida pelo ex-senador Demóstones Torres (DEM-GO) com o bicheiro Carlos Cachoeira. Ambos recebiam favores e dinheiro de cidadãos que atuam fora da lei. A opinião pública levou a cabeça de Demóstenes e agora quer a de Vargas. Os petistas estão tensos. Eles podem ser forçados a abrir uma investigação própria. O partido não quer passar a imagem de leniência com condutas discutíveis do ponto de vista ético. Vargas pediu licença do mandato para ser esquecido. Agora os deputados vão decidir se carregam ou não este peso nas suas campanhas.

“Está todo mundo falando pelos cantos. Cada dia um fato novo. A situação é muito ruim. A militância está irritada”

Petista da Executiva nacional
Sobre o constrangimento provocado pela relação do deputado André Vargas com o doleiro Alberto Youssef

Abandonado
Deputados petistas de todo país subiram ontem à tribuna da Câmara. A maioria deles falou em defesa da Petrobras e atacou a criação de uma CPI. Nenhum deles fez qualquer menção de sair em defesa do deputado Airton Vargas (PT-PR).

Olímpicos
Os tucanos não estão preocupados com o fato de seu candidato, Aécio Neves, não sair do lugar nas pesquisas. Alegam que a campanha não começou e que o atual patamar é o da linha da partida. Acreditam que Aécio precisa ter propostas concretas para as classes D e E. Mas não pode repetir o erro de José Serra e deixar para apresentá-las na reta final.

Refresco
O movimento Volta Lula perdeu um de seus principais cabos eleitorais. O deputado André Vargas (PT-PR) era um incansável defensor da tese, além de ser um crítico mordaz da articulação política do Planalto no Congresso.

Cada um com o seu fantasma
O fantasma do ex-presidente Lula ronda há meses a candidatura da presidente Dilma. Mas ao marcar passo nas pesquisas, o senador Aécio Neves pode ser assombrado pelo ex-governador José Serra. E o ex-governador Eduardo Campos pode viver o mesmo drama, se continuar com desempenho abaixo da ex-ministra Marina Silva.

Curva ascendente
O que mais agradou aos socialistas, na pesquisa Datafolha, foi o fato do tucano Aécio Neves não ter saído do lugar. Aécio continua em segundo lugar. Mas argumentam que apenas Eduardo Campos e sua vice, Marina Silva, estão subindo.

Bolsa água
O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), criou uma tarifa social da água. As 120 mil famílias cadastradas no Bolsa Família terão 50% de desconto na conta da água. O benefício vale para quem consome o equivalente a 15 mil litros.

Os petistas comemoram o Ibope do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A presidente Dilma tem 43% e 39% de intenções de voto, respectivamente.

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‘Os gigolôs da memória’, um artigo de Marco Antonio Villa

A lembrança dos 50 anos da queda de João Goulart ocupou amplo espaço na imprensa. Nenhum outro acontecimento da história do Brasil foi tão debatido meio século depois do ocorrido. Para um otimista, isto poderia representar um bom sinal. Afinal, o nosso país tem uma estranha característica de esquecer o que ocorreu ontem. Porém, a reflexão e o debate sobre 1964 e o regime militar acabaram sendo dominados justamente por aqueles que conduziram o país à crise da república populista e que negaram os valores democráticos nos anos 1960-1970.

A tendência à hagiografia mais uma vez esteve presente. João Goulart foi transformado em um presidente reformista, defensor dos valores democráticos e administrador capaz. Curiosamente, quando esta narrativa é cotejada com relatos de assessores, como o ministro Celso Furtado, ou de um amigo, como o jornalista Samuel Wainer, cai por terra. Furtado, em entrevista à revista Playboy (abril, 1999) disse que Jango “era um primitivo, um pobre de caráter”. Wainer relatou que “uma vez por mês, ou a cada dois meses, eu visitava os empreiteiros e recolhia suas doações, juntando montes de cédulas que encaminhava às mãos de João Goulart. (…) Eu poderia ter ficado multimilionário entre 1962 e 1964. Não fiquei.” (Minha razão de viver, p. 238).

Não é possível ignorar o caos instalado no país em março de 1964. A quebra da hierarquia militar incentivada pelo presidente da República é sabidamente conhecida. A gravidade da crise econômica e a inépcia governamental em encontrar um caminho que retomasse o crescimento eram mais que evidentes. O desinteresse de Jango de buscar uma solução negociada para o impasse não pode ser contestado: é fato. O apego às vazias palavras de ordem como um meio de ocultar a incompetência político-administrativa era conhecido. Conta o senador Amaral Peixoto, presidente do Partido Social Democrático, que em conversa com Doutel de Andrade, um janguista de carteirinha, este, quando perguntado sobre o projeto de reforma agrária, riu e respondeu: “Mas o senhor acredita na reforma agrária do Jango? No dia em que ele fizer a reforma agrária, o que vai fazer depois?” (Artes da política, p.455)

Também causa estranheza a mea culpa de alguns órgãos de imprensa sobre a posição tomada em 1964. A queda de Jango deve ser entendida como mais um momento na história de um país com tradição (infeliz) de intervenções militares para solucionar crises políticas. Nos 40 anos anteriores, o Brasil tinha passado por diversas movimentações e golpes civis-militares. Basta recordar 1922, 1924, Coluna Prestes, 1930, 1932, 1935, 1937, 1938, 1945, 1954, 1955 ─ tivemos três presidentes da República e dois golpes no mês de novembro ─ e 1961.

Jogar a cartada militar fazia parte da política. E nunca tinha ocorrido uma intervenção militar de longa duração. Esperava-se um governo de transição que garantisse as eleições de 3 de outubro de 1965 e a posse do eleito em 31 de janeiro de 1966. Esta leitura foi feita por JK ─ e também por Carlos Lacerda. Os dois principais antagonistas da eleição que não houve imaginavam que Castello Branco cumpriria o compromisso assumido quando de sua posse: terminar o mandato presidencial iniciado a 31 de janeiro de 1961.

JK imaginou que Castello Branco era o marechal Lott e que 1964 era a repetição ─ um pouco mais agudizada ─ da crise de 1955. Errou feio. Mas não foi o único. Daí a necessidade de separar 1964 do restante do regime militar. Muitos que foram favoráveis à substituição de Jango logo se afastaram quando ficou patente a violação do acordado com a cúpula militar. Associar o apoio ao que se imaginava como um breve interregno militar com os desmandos do regime que durou duas décadas é pura hipocrisia.

Ainda no terreno das falácias, a rememoração da luta armada como instrumento de combate e vitória contra o regime foi patética. Nada mais falso. Nenhum daqueles grupos ─ alguns com duas dúzias de militantes ─ defendeu em momento algum o regime democrático. Todos ─ sem exceção ─ eram adeptos da ditadura do proletariado. A única divergência é se o Brasil seguiria o modelo cubano ou chinês. Não há qualquer referência às liberdades democráticas ─ isto, evidentemente, não justifica o terrorismo de Estado.

A ação destes grupos os aproximaram dos militares. Ambos entendiam a política como guerra ─ portanto, não era política. O convencimento, o respeito à diversidade, a alternância no governo eram considerados meras bijuterias. O poder era produto do fuzil e não das urnas. O que valia era a ação, a força, a violência, e não o discurso, o debate. Garrastazu Médici era, politicamente falando, irmão xifópago de Carlos Marighella. Os extremos tinham o mesmo desprezo pelo voto popular. Quando ouviam falar em democracia, tinham vontade de sacar os revólveres ou acionar os aparelhos de tortura.

Em mais de um mês não li ou ouvi qualquer pedido de desculpas públicas por parte de ex-militantes da luta armada. Pelo contrário, se autoproclamaram os responsáveis pelo fim do regime militar. Ou seja, foram derrotados e acabaram vencedores. Os policiais da verdade querem a todo custo apagar o papel heroico da resistência democrática. Ignoraram os valorosos parlamentares do MDB. Alguém falou em Lysâneas Maciel? Foi ao menos citado o senador Paulo Brossard? E a Igreja Católica? E os intelectuais, jornalistas e artistas? E o movimento estudantil? E os sindicatos?

Em um país com uma terrível herança autoritária, perdemos mais uma vez a oportunidade de discutir a importância dos valores democráticos.


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Blog do Rodrigo Constantino

Aécio Neves: o discurso de um liberal pragmático

Cheguei em Porto Alegre e fui direto para o Fórum da Liberdade, na PUC. Perdi o evento de abertura, mas cheguei exatamente na hora da palestra do senador Aécio Neves. Não posso dizer que foi uma grande surpresa, pois tenho acompanhado suas colunas toda segunda na Folha, seus discursos e quem são seus conselheiros mais próximos. Ainda assim, foi uma grata surpresa, principalmente pelo tom enfático de sua mensagem de cunho claramente liberal (ok, damos um desconto pelo fato de ele saber qual o público ali presente).

O que mais chamou a minha atenção foi o fato de que Aécio não teve papas na língua, não se mostrou um minuto sequer inseguro, tendo de ficar em cima do muro, como costuma ocorrer quando se trata de tucanos. Seu recado não poderia ter sido mais claro: o projeto que defende é de profunda mudança em relação ao quadro atual, que ele considera um completo fracasso justamente pelo excesso de intervencionismo estatal e má gestão (incompetência).

Aécio chegou a dizer frases inteiras que eu costumo usar em meus artigos, mostrando a visível inclinação ao liberalismo. Por exemplo: disse que quer taxa do BNDES para o Brasil todo, não apenas para meia dúzia de “amigos do rei” que hoje se beneficiam dos subsídios. Afirmou com todas as letras, sendo ovacionado, que o estado já ajuda muito se não atrapalhar a iniciativa privada no processo de criação de riqueza.

Colocou muita ênfase na questão da meritocracia na gestão pública, algo que em seu caso não é conversa da boca para fora, pois foi efetivamente implementado em Minas Gerais com evidente sucesso. O país precisa de mais governança, algo que claramente desapareceu por completo com o PT no poder.

Criticou duramente o Mercosul, uma aliança ideológica que tem feito acordos com países insignificantes do ponto de vista comercial. Defendeu uma mudança radical, que o Brasil volte a fechar acordos de livre comércio com países desenvolvidos, sem essa camisa de força ideológica (bolivariana). Atacou o aparelhamento e a destruição de agências reguladoras e de estatais, citando o caso lamentável da Petrobras.

Repetiu sua promessa de campanha: reduzir pela metade a quantidade de ministérios. Uma secretaria com grandes poderes seria criada para essa transição, com prazo de vida determinado e curto. Os impostos seriam simplificados e reduzidos posteriormente. Chega de um governo de coalizão sem base programática alguma. O governante precisa ter a coragem de tomar medidas impopulares sem olhar para a curva das pesquisas o tempo todo.

Segundo Aécio Neves, o aprendizado do PT nesses últimos anos custou muito caro ao país. O partido demonizou a vida toda as privatizações, as concessões, a iniciativa privada, apenas para sucumbir à realidade depois, mas atrasado e de forma malfeita. O país não aguenta mais tanta mediocridade e incompetência!

Sobre a pressão do “volta Lula”, Aécio repetiu o que havia dito em entrevista recente: não está preocupado com quem será o candidato do lado de lá, uma vez que quer derrotar o modelo que está em curso, responsável pela perda de credibilidade do Brasil no mundo todo e pelo resultado econômico sofrível. Não se vendeu, porém, como um messias salvador da Pátria, e sim como alguém que pretende construir um projeto sério e viável ao lado de nomes renomados e respeitados em cada área.

Sobre a segurança, chegou a levantar a bandeira de redução da maioridade penal para 16 anos em casos de crimes graves e recorrentes. Há projeto do senador Aloysio Nunes, do seu partido, nessa linha. Foi uma vez mais ovacionado pelo auditório lotado, com cerca de 2 mil pessoas.

Em outro momento muito feliz, Aécio Neves disse que está cansado de escutar por aí que o estado fez isso e aquilo pelas pessoas, uma vez que quem realmente faz é o próprio cidadão por si mesmo. Em tom enfático, bradou: chega de paternalismo!

Repito: foi uma mensagem mais liberal do que eu esperava, mesmo levando em conta o local da palestra. Aécio Neves, com seu jeito mineiro de ser, veio comendo pelas beiradas, devagar, com calma e sem estardalhaço. Mas agora parece ter se dado conta do que está em jogo, e vem subindo o tom, vem batendo com mais força e vontade no PT e em seu modelo equivocado de política. Parece disposto realmente a adotar medidas impopulares para ajudar a colocar o país no rumo certo.

Foi bem persuasivo e convincente, pois notei que até meus amigos mais libertários ficaram um tanto impressionados e contentes com o discurso, a mensagem liberal, e o tom – principalmente o tom. Nem mesmo a presença de um delinquente sem educação que começou a faltar com o respeito e ofender o senador foi capaz de estragar o clima de euforia com suas belas palavras – música para os ouvidos de todos aqueles que não suportam mais o estrago que o PT vem causando ao país.


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Blog do Noblat

Vargas não tem escapatória, diz presidente do Conselho de Ética
Marcela Mattos, Veja

Com a situação cada vez mais grave, o vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), tentou protelar a abertura de um processo por quebra do decoro parlamentar no Conselho de Ética.

Horas antes de anunciar seu afastamento da Câmara por sessenta dias, o petista telefonou para o deputado Ricardo Izar (PSD-SP), que preside o colegiado, pedindo que só iniciasse os procedimentos regimentais depois de uma conversa entre os dois.

Na tarde desta segunda-feira, três partidos de oposição – PSDB, DEM e PPS – ingressaram com uma representação no Conselho pedindo investigação sobre a estreita relação, revelada por VEJA, de Vargas com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal em uma operação de combate à lavagem de dinheiro. Pelo telefone, o petista fez um apelo a Izar: “Queria conversar com você. Você sabe que eu estou em um momento difícil. Dá para não aceitar o protocolo, e à tarde a gente conversa?”

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Justiça considera crimes prescritos e rejeita 2ª denúncia por Cartel
Fernando Gallo, Estadão

A Justiça rejeitou nesta segunda-feira, 7, mais uma denúncia contra executivos do cartel de trens e metrô de São Paulo, esta relativa à licitação da linha 2 (Verde) do Metrô de São Paulo, uma das denunciadas pela empresa alemã Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Para o juiz que analisou o caso, os crimes prescreveram.

Cinco executivos haviam sido denunciados: um da Alstom, um da Bombardier, um da Balfour Beatty e dois da T’Trans. Eles se livraram de se tornarem réus em uma ação penal.

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Joaquim Barbosa defende regulação dos meios de comunicação
Luciana Nunes Leal, Estadão

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, defendeu o direito à informação como “valor essencial no regime democrático”.

Mas ressaltou que não pode ser confundido com violação da privacidade, da imagem e da honra, “muito menos servir ao discurso do ódio, do racismo, da discriminação de gênero, da estigmatização religiosa”, que Barbosa classificou como “intrínsecos perigos” da liberdade de expressão.

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Identificadas 7 casas clandestinas usadas por torturadores na ditadura
Afonso Benites, El País

Um estudo feito a pedido da Comissão Nacional da Verdade descobriu que a ditadura brasileira manteve em vários Estados sete centros clandestinos de tortura. Nesses locais ao menos 58 pessoas foram vítimas de agressões ou assassinatos praticados por agentes do Estado. Não eram quartéis ou delegacias, mas áreas cedidas por civis que apoiavam o regime militar.

Esse número pode saltar para pelo menos 17 até o fim do ano, quando deve ficar pronto um relatório que está sendo elaborado pela equipe da historiadora Heloísa Starling, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Os dados foram apresentados em São Paulo nesta segunda-feira, durante uma audiência da comissão.

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RJ: expulsos do 'Minha Casa, Minha Vida' por milícia denunciam mortes
G1

Famílias beneficiadas pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, do Governo Federal, denunciaram ameaças e assassinatos comandados por milicianos em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, como mostrou o RJTV.

Beneficiados pelo programa que receberam um imóvel no bairro foram expulsos de residências em um condomínio na Estrada dos Caboclos. Os criminosos matam com armas de fogo quem não obedece à ordem de deixar a casa.

Após a retirada dos moradores, os criminosos colocam as residências à venda na internet. Segundo denúncias, eles fazem ameaças aos residentes quando o dono não paga taxas cobradas pela milícia.

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Pelé diz que morte de operário em obra da Copa é “normal”
Talita Bedinelli, El País

Pelé, o jogador mais importante da história do Brasil, causou polêmica nesta segunda-feira ao dizer que considera “normal” a morte de um operário no final do mês passado na Arena Corinthians, conhecida popularmente como Itaquerão, palco de abertura da Copa do Mundo em 12 de junho. Para ele, o que preocupa em relação ao Mundial é a situação dos aeroportos do país.

A declaração foi feita quando o ex-jogador participava do lançamento de sua linha de diamantes comemorativos feitos com fios de seu cabelo que representam cada um dos mais de mil gols feitos por ele ao longo da carreira. Questionado pela imprensa sobre a morte do operário, ele disse: “O que aconteceu no Itaquerão, o acidente, é normal, coisa da vida, pode acontecer.

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‘FT’ dá sentença de morte para estratégia econômica do Brasil
O Globo

Em um texto crítico, nesta segunda-feira, o “Financial Times” lembra que o governo da presidente Dilma Rousseff falava como orgulho sobre a sua “nova matriz” de política econômica —com juros baixos, câmbio depreciado e incentivos fiscais —, capaz de reanimar a economia.

A ideia era levar a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) à casa de 4%. Mas, neste mês soou a sentença de morte para o modelo, com pressões inflacionárias persistentes, que forçaram a alta da taxa de referência para 11%, com possibilidade de mais aumentos.

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A geração de empregos durante a Copa do Mundo será limitada
Felipe Vanini, El País

Uma projeção feita pelo Ministério do Turismo, baseada em uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) a partir do evento “laboratório” Copa das Confederações de 2013, revela que a Copa do Mundo poderá gerar uma receita de 30 bilhões de reais com as atividades que giram em torno do evento.

Trata-se de uma cifra que representa 0,06% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro de 2013, pouco em relação à expectativa criada ao redor do Mundial. E com muitas áreas que deixam a desejar.

Para empresários do setor hoteleiro nacional, a situação da ocupação das vagas em várias das cidades-sedes no período da Copa ainda está longe de ser um sucesso de vendas.

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Oposição venezuelana só negocia se Maduro anistiar presos
Denise Chrispim Marin, Estadão

A oposição venezuelana afirmou na noite desta segunda-feira, 7, que só negociará com o presidente Nicolás Maduro se houver uma anistia para os manifestantes presos nos protestos dos últimos dois meses.

A condição foi revelada depois de o presidente, sem consultar os opositores, ter anunciado uma reunião na terça-feira, 8, com representantes da frente oposicionista Mesa de Unidade Democrática (MUD).

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Táticas extremas reacendem a luta contra as deportações nos EUA
El País

Quanto o governo norte-americano poderá resistir sem uma mudança legal ou administrativa em suas leis de imigração? A pergunta é obrigatória depois de dois milhões de deportados e um aumento das estratégias de choque de ativistas que querem impulsionar uma mudança radical.

“Obama está deportando cidadãos norte-americanos”, isso é o primeiro que sai da garganta de Ernestina Hernández. Ela relata os dez meses que seu marido Manuel passou no centro de detenção Joe Corley, na comunidade de Conroe, Texas, fazendo uma greve de fome para exigir o fim das deportações.

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Agora o PT rifa o companheiro Vargas.

O Palácio do Planalto e a cúpula do PT vão pressionar o deputado André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara, a renunciar ao mandato. Na avaliação de ministros e dirigentes petistas, o caso Vargas pode alimentar a CPI da Petrobrás, desgastar ainda mais a presidente Dilma Rousseff, que concorrerá à reeleição, e prejudicar as candidaturas do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo de São Paulo e da senadora Gleisi Hoffmann à sucessão paranaense.

No Planalto, o comentário é que o pedido de licença do deputado, apresentado nesta segunda, 7, não resolve a questão. A situação de Vargas é definida no Planalto como "delicadíssima", insustentável num ano eleitoral.

A bancada do PT na Câmara vai se reunir nesta terça para avaliar o assunto. Vargas está em Brasília, mas até agora não se sabe se ele participará do encontro. Na quinta-feira, a Executiva Nacional do partido também vai se reunir, em São Paulo, e deve ser nomeada uma comissão interna para que Vargas dê explicações.

O presidente do PT, deputado Rui Falcão, conversou nesta segunda-feira, 7, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a crise política. "Até a semana passada o PT tratava o caso como um assunto pessoal do deputado. Agora, diante das novas informações, a executiva nacional terá que discutir o caso", disse o presidente nacional do PT, Rui Falcão. "Sempre temos que trabalhar com a presunção da inocência mas o PT não convalida este tipo de relação, se é que ela existe."

Consequências. O PT teme que a permanência de Vargas no Legislativo dê munição ao PSDB e acabe respingando em Padilha, que era ministro da Saúde e agora é candidato à sucessão do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Além disso, adversários de Gleisi, no Paraná, também já começaram a usar as denúncias para atingir a campanha do PT. Alguns integrantes da sigla comparam o caso de Vargas ao do ex-dirigente Silvio Pereira, obrigado a deixar o PT após ser presenteado por uma empresa com um Land Rover. (Estadão)

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‘Não vamos recuar da disputa política’, diz Dilma

Tratada por dois adversários como um mau exemplo, Dilma Rousseff valeu-se de uma solenidade oficial para mostrar a Aécio Neves e Eduardo Campos que também pode ser um bom aviso: “Podem ter certeza, meu governo continuará governando, mantendo seu caráter republicano, mas nós não iremos recuar um milímetro da disputa política quando ela aparecer.”

A coisa aconteceu na cidade de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. A solenidade destinava-se à entrega de máquinas para prefeituras de municípios mineiros. Dilma aproveitou que a plateia estava apinhada de prefeitos para tentar reduzir a pregação pela restauração da moralidade na Petrobras a mero discuso eleitoral.

“É muito usual durante os períodos de pré-campanha como é o de agora, e os de campanha, que haja a utilização de todos os instrumentos possíveis para desgastar esse ou aquele governo. Temos experiência disso. Por quê? Porque já enfrentamos isso em 2006, na reeleição do Lula, e em 2010 na minha eleição”, disse a presidente-candidata, sem mencionar nomes.

Dilma ainda não se deu conta. Mas talvez esteja retirando do passado as lições erradas. Lula reelegeu-se em 2006 e fez a sucessora em 2010 cavalgando o sentimento de continuidade. Hoje, informa o Datafolha, 63% dos brasileiros avaliam que o Planalto é gerido por uma presidente que não entregou o que prometera e sete em cada dez eleitores desejam mudanças.

De resto, o triunfo de Lula não apagou o mensalão. Julgada posteriormente, a cúpula do ex-PT encontra-se na penitenciária da Papuda. Vá lá que a Justiça brasileira seja uma loteria togada. Mas quem leva uma empresa como a Petrobras ao balcão e continua enrolado na bandeira da moralidade perde o nexo.

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Na TV, Aécio trata governo Dilma como incompetente, corrupto e perto do fim


O PSDB leva ao ar a partir da noite desta terça-feira inserções publicitárias que, justapostas, se parecem muito com uma declaração de guerra. As três peças que inauguram a série, disponíveis acima, resumem o governo de Dilma Rousseff como uma espécie de apoteose ao contrário. Um antiespetáculo em que a incompetência e a corrupção se misturam sob atmosfera de fim de ciclo.

“Já deu”, diz um locutor no encerramento de uma das peças. “Ou a gente para isso ou isso para o Brasil.” O pano de fundo é um copo cheio d’água. O locutor vai enfileirando os defeitos que o tucanato enxerga na gestão Dilma: Inflação demais… Saúde de menos… . Para cada flagelo, uma nova gota despenca sobre o copo, já na bica de transbordar. Corrupção demais… Segurança de menos…

Presidente do PSDB e antogonista de Dilma na corrida presidencial, Aécio Neves protagoniza as outras duas peças. Nelas, o partido e seu candidato realçam duas antiapoteoses específicas: a Petrobras e a inflação. Há um quê de vingança nesse par de inserções.

Em campanhas anteriores, o PT insinuou que, eleitos, os candidatos do PSDB prevatizariam tudo, da Praça dos Três Poderes à Petrobras. Agora, num instante em que a estatal petroleira frequenta as manchetes como um feudo de aliados aportuni$tas, Aécio vai à forra: “O que nós queremos é salvar a Petrobras, é devolvê-la aos brasileiros.” E o locutor: “Se trabalhar direito, o Brasil tem jeito.”

Na propaganda em que trata de inflação, Aécio usa a conjunta adversa para instilar na plateia o medo de que o Brasil do Plano Real, inaugurado sob Itamar Franco e consolidado sob FHC, vire poeira:

“Nós brasileiros sabemos como foi difícil acabar com a inflação. E essa é uma conquista que nós não temos sequer o direito de perder. Por isso, pra nós do PSDB, é tolerância zero com a inflação.” E o locutor, de novo: “Se trabalhar direito, o Brasil tem jeito.” A frase será repetida em horário nobre, em rede nacional, até o dia 17, quando o PSDB exibirá seu programa de dez minutos.

Até recentemente, Aécio Neves era criticado até pelos seus aliados por exibir um oposicionismo suave como flor de laranjeira. Nas últimas semanas, o candidato fugiu desse figurino. Tomado pelo tom dos comerciais, Aécio parece convencido de que é melhor entrar logo na briga do que morrer como um transeunte inadvertido. Trata-se de uma estratégia de dois gumes.

Na sucessão de 2006, Geraldo Alckmin armou-se de dois escândalos —o mensalão e o caso dos aloprados— e surrou Lula nos debates, vitimando-o. Foi ao segundo turno, mas colecionou menos votos do que tivera no primeiro. Em 2010, José Serra adulou Lula e escorregou para o segundo round como candidato favorito a fazer de Dilma a primeira mulher a presidir o país. Aécio parece perseguir o meio termo.

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Efeito IPEA!



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Oposição deve recorrer ao Supremo por CPI exclusiva da Petrobras

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado deveria tomar uma decisão nesta terça-feira sobre qual das comissões de inquérito pode ser instalada na Casa: se a da oposição, que quer investigar evidências de corrupção na Petrobras e constitui o primeiro requerimento a ser apresentado, ou a do governo, que incorpora os casos ocorridos na estatal, mas estendendo a apuração a supostas irregularidades  nos governos tucanos de São Paulo e Minas e na gestão de Eduardo Campos, em Pernambuco. Seria a CPI-do-Planalto-Doido, que investiga tudo e nada ao mesmo tempo. O relator do caso será o senador Romero Jucá (PMDB-RR), um aliado do governo. É possível que Jucá diga que só consegue tomar uma decisão na quinta-feira.

Caso, como se espera, Jucá decida que vale mesmo a comissão criada pelo governismo, as oposições pretendem recorrer ao Supremo Tribunal Federal — e com toda a razão. Notem: embora os oposicionistas tenham cumprido todos os requisitos para a instalação da CPI, o que os governistas estão fazendo é obstruir o seu legítimo direito de investigar, conforme está assegurado na Constituição. Essa história é um escracho. Imaginem agora se a moda pega: nunca mais se vai fazer uma CPI no país, e os Legislativos, nas três esferas, estarão perdendo uma de suas prerrogativas.

O problema é que a Petrobras tira o sono do governo. Se a própria Dilma se diz ludibriada, imaginem o resto do país. A diferença é que ele poderia ter atuado, né? Mas preferiu se omitir. A oposição acerta ao recorrer ao Supremo: é preciso que se evidencie o cerceamento ao direito de a oposição ser… oposição.

O PSDB levará também os escândalos da Petrobras para o horário político do partido. Começam hoje as pequenas inserções de 30 segundos da legenda, que abordarão as lambança nas estatais. Recortes de jornal e revista sobre os escândalos na empresa serão exibidos, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) dirá que o que está ocorrendo é “inaceitável” e uma “vergonha”. O tucano lembrará que a empresa perdeu metade de seu valor do mercado e que hoje é a mais endividada do mundo.

O partido também defenderá tolerância zero com a inflação. Segundo pesquisas recentes, esses temas mobilizam hoje os brasileiros. O Datafolha aponta que 78% dos entrevistados acreditam haver corrupção na Petrobras. A maioria das pessoas também avalia que a inflação tende a subir. O senador tucano vai perguntar se, com o mesmo dinheiro, os brasileiros compram o que compravam há um ano. Esses temas voltarão a aparecer na versão maior do horário político do PSDB que irá ao ar no dia 17, que deverá contar com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Então é tudo mera campanha eleitoral, como acusa Dilma? Isso é bobagem. É que o PT não se conforma que a função de um partido de oposição é… se opor. Assim como a de um partido governista é… defender o governo. O que se exige e que uma coisa e outra sejam feitas dentro da lei e da Constituição.

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Dilma faz campanha eleitoral ilegal em MG para si para outro petista. Ou: Mais uma vez, economia reage bem à queda de petista em pesquisa

Quando lembro que seis ministros do Supremo Tribunal Federal — Luiz Fux, Roberto Barroso, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio — já se pronunciaram contra a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais e vejo o uso desavergonhado da máquina pública federal em favor de candidaturas do PT, mais evidente se torna a estupidez da decisão dos doutores. É impressionante. Na semana passada, a presidente Dilma participou da solenidade de entrega de moradias do programa “Minha Casa Minha Vida”, em São José do Rio Preto, em São Paulo. Lá estava Alexandre Padilha, candidato ao governo do Estado. Nesta segunda, foi a Contagem, em Minas, para doar caçambas e maquinas de terraplenagem a Prefeituras da região. E quem estava pendurado em seu braço? Fernando Pimentel, que vai disputar o Palácio da Liberdade. Trata-se do uso explícito, escancarado, sem rodeios, do dinheiro público em favor das candidaturas do partido. E o que o STF pode fazer a respeito disso? Nada! No máximo, as respectivas oposições podem apelar a Justiça Eleitoral — no fim das contas, para nada.

Em Contagem, Dilma decidiu dar uma de valente. Referindo-se à tempestade de lambanças da Petrobras, afirmou: “É muito usual nos períodos da pré-campanha a utilização de todos os instrumentos possíveis para desgastar esse ou aquele governos. Nós temos experiência disso. Enfrentamos isso em 2006, com a reeleição do Lula, e 2010, na minha eleição. O meu governo continuará governando, mantendo o seu caráter republicano. Não iremos recuar um milímetro da disputa política quando ela aparecer”.

Pois é.. A doutora se esquece de que é ela  a principal testemunha de irregularidades na Petrobras, não é mesmo? Ela confessou, de próprio punho, que, na condição de presidente do Conselho de Administração, foi enganada numa patranha bilionária. O que a Soberana não consegue explicar é a sua omissão posterior. Parece que o Planalto não esta se dando conta de que, desta vez, a cascata de que tudo não passa de uma conspiração contra a Petrobras não está colando. Pesquisa Datafolha revela que 78% dos entrevistados acreditam haver, sim, corrupção na empresa. E por que não acreditariam? A cada dia, ficamos sabendo um pouquinho mais daquela casa de horrores.

Em seu pronunciamento em Contagem, ao lado do candidato do PT ao governo de Minas, Dilma, cinicamente, disse que a campanha só começa em junho. É mesmo? O orador dos prefeitos foi o prefeito da cidade de Joaíma, Donizete Lemos. Discursou: “Não tenham medo de apoiar a presidente Dilma. Não tenham medo de encarar a campanha. Vamos manter esse governo. Prefeito não tem que ter medo. A Dilma tem que continuar”. E os presentes entoaram “Olê, olê, olê, olá, Dil-má, Dilm-má”. Por muito menos, a Justiça Eleitoral já cassou mandato de prefeito e governador. É evidente que isso caracteriza uso da máquina pública em favor de um partido e compra de voto. Aqueles gloriosos ministros do STF, no entanto, estão ocupados em proibir a doação legal de campanha. Há uma coisa positiva. Há sinais evidentes de que, a cada dia, mais gente vai demonstrando que já está com o saco cheio desse estilo. Nesta segunda, mais uma vez, os mercados viveram um dia de otimismo. Por quê? Comemoravam a queda de seis pontos de Dilma na pesquisa do Datafolha. Essa gente atrapalha hoje de tal sorte o país que a simples perspectiva de que possa ser, quem sabe, derrotada em outubro já enche os espíritos de um ânimo novo.

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O Joaquim Barbosa autoritário, amado pelas esquerdas, volta a dar as caras

Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal — que, consta, pode deixar o tribunal ainda neste ano — perdeu, nesta segunda, uma excelente chance de ficar calado, refletir melhor e, depois, então, se fosse o caso, emitir a sua opinião. Mas este sempre foi um defeito seu, não é mesmo?, estivesse certo ou errado: falar primeiro e, eventualmente, pensar depois. Nesta segunda, o ministro participou do seminário “Liberdade de expressão e o Poder Judiciário”, no Tribunal de Justiça do Rio. E eis que surgiu aquele Joaquim que foi indicado por Lula para o Supremo; eis que se mostrou o Joaquim que ainda não havia sido transformado na Geni do petismo por causa de seus votos contra os mensaleiros.

Vamos lá. O leitor poderia dizer: “Você, que sempre elogiou o ministro, vai criticá-lo agora?” Pois é. Basta acessar o arquivo deste blog para saber que, ao longo dos anos, mais critiquei do que elogiei Barbosa. O fato de ele ter feito a coisa certa no mensalão não implica que eu endosse seu estilo e apoie sempre as suas opiniões. Ainda há dias, ele votou contra a possibilidade de empresas privadas doarem dinheiro para campanhas eleitorais, por exemplo. Acho que ele está errado.

Nesta segunda, o ainda ministro resolveu fazer digressões sobre a chamada regulação dos meios de comunicação. Afirmou, segundo informa Ítalo Nogueira na Folha: “Normatização, regulação, seja ela do Estado ou autorregulação, é importante. O que não deve haver é falta de qualquer regulação. Não defendo censura, nada disso. A vida social é feita de constantes choques e embates entre direitos, pessoas e grupos. Sem um balizamento normativo, seja ele do Estado ou mesmo dos próprios integrantes de um determinado sistema produtivo, aquele que tem a incumbência de resolver os conflitos entre esses grupos e essas pessoas tem dificuldade de fazê-lo”. Ufa!

Até aí, parece ok. Vale para qualquer assunto. Mas ele decidiu ser mais preciso, e aí meteu os pés pelas mãos. Para ele, “falta diversidade” aos meios de comunicação do país. Sei… Avançou: “Há organizações que fizeram esforços nos últimos 15, 20 anos, para ter mais a cara do Brasil, na chamada paisagem audiovisual brasileira. Outras simplesmente não despertaram para essa necessidade. Precisamos de visões mais plurais e ver isso com mais naturalidade. Vocês não acham que a informação no Brasil é repetitiva, obsessiva, cansativa às vezes? Todo mundo diz a mesma coisa”.

Barbosa está misturando alhos com bugalhos. Quando um sujeito afinado com os valores democráticos fala em regulamentação, pensa em eventuais questões técnicas e legais — não mais do que isso. Há políticos, por exemplo, que recebem concessões de rádio e TV por intermédio de terceiros. Isso precisa parar, mudar. Barbosa, no entanto, está falando de outra coisa: de conteúdo! Quem é que vai fazer isso que ele prega? O Estado? Uma comissão de autocensura, que, em nome da tal diversidade, iria policiar a informação? Quem disse a Barbosa que os meios pensam a mesma coisa, defendem a mesma coisa, noticiam a mesma coisa? Trata-se de uma visão vesga, distorcida e, ela sim, preconceituosa. Joaquim deveria é dedicar o seu tempo a ações do Poder Judiciário que têm servido para censurar o jornalismo. De resto, na era da Internet, essa conversa perdeu sentido.

Vamos nos lembrar: o ministro já foi o herói daquele subjornalismo do nariz marrom, que existe só para aplaudir as ações do petismo e das esquerdas. Depois se transformou no grande vilão, quando condenou os criminosos do mensalão. Agora que defende algo que tem cara de censura, cheiro de censura e jeito de censura — e que, pois, deve ser censura —, já pode voltar a ser tratado como um vingador.

Consta que Barbosa vai deixar o tribunal ainda neste ano. Não sei o que vai fazer. De qualquer modo, ele tem o direito de defender o que quiser, mas certas posturas ficam melhor no Palácio do Congresso do que no da Justiça. Ele que se candidate, então, a algum cargo eletivo, atravesse a Praça dos Três Poderes e participe do debate político.

Este comentarista é assim esquisito: quando gosta de alguma coisa diz: “gosto”; quando não, então “não gosto”. Não elogio nem critico pessoas, mas ideias. E as de Joaquim Barbosa sobre meios de comunicação são tão primitivas como as da esquerda mais rombuda.


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