Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

Deu nos Blogs


Faz sentido o Supremo legislar quando acha que o Congresso não o fez a seu gosto? Ou: O STF, os precatórios e a usurpação das prerrogativas do Legislativo pelo Judiciário. Ou ainda: se um município não tiver dinheiro para pagar, faz o quê? Vende uma praça pública?

A questão é meio cheia de tecnicalidades, bem chatinha, mas acho que consigo destrinchar aqui. O Supremo determinou, nesta quarta, que os precatórios de Estados e municípios sejam integralmente quitados até 2020. Parece bom? Com a devida vênia, trata-se de uma evidente usurpação das prerrogativas de Poder por Outro. Esses entes da Federação têm agora menos de cinco anos para resolver um espeto de R$ 94 bilhões. E se não aparecer o dinheiro? Ah, sei lá, talvez seja preciso expropriar alguma praça pública…

Vamos aos fatos. O Congresso havia aprovado em 2009 uma emenda constitucional disciplinando o pagamento dos precatórios: estabeleceu-se um prazo de 15 anos, corrigindo-se os títulos pela TR e abrindo a possibilidade do leilão inverso: o credor que aceitasse um desconto maior teria prioridade no pagamento. Em 2013, a OAB entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a emenda, que foi acatada pelo relator, Luiz Fux. O homem estabeleceu um prazo de cinco anos — até 2018! — para o pagamento e decidiu que o próprio Supremo criaria os critérios.

Deu-se, então, algo fabuloso: alguns Tribunais de Justiça pensaram o óbvio: se o texto legal que disciplina a questão é inconstitucional e se um novo será criado, suspendam-se todos os pagamentos. A gritaria foi geral. A OAB voltou à carga e arrancou do ministro Fux, pasmem!, uma liminar determinando que os pagamentos continuassem a ser feitos com base na lei que ele mesmo declarara… inconstitucional!!! Não os censuro, leitores, se vocês acharem que a coisa se parece com um hospício.

E, desde essa data, por artes do ministro Fux e da OAB, os pagamentos de precatórios eram feitos com base numa liminar de Fux que, na prática, contestava uma decisão de… Fux!

Nesta quarta, o tribunal botou um pouco de ordem na bagunça — mas, a meu ver, feriu a independência entre os Poderes. Além de decidir que tudo deve ser quitado até 2020, substituiu a TR na correção dos títulos pelo IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial). A partir de 2020, as dívidas reconhecidas até julho terão de entrar no Orçamento do ano seguinte. Os ministros decidiram ainda validar as negociações feitas até agora, para evitar futuras ações judiciais, mantendo a permissão do pagamento com desconto, mas limitado a 40% da dívida.

O ministro Marco Aurélio fez uma consideração absolutamente correta. Segundo ele, cabia ao tribunal apenas dizer que emenda de 2009 era constitucional ou não, sem estabelecer a forma como deve se dar o pagamento: “Estamos a substituir o Congresso Nacional. Estamos a reescrever a Constituição Federal (…) Quando o STF avança e extravasa limites, lança um bumerangue que pode voltar à respectiva testa”.

É evidente que não cabe a uma corte constitucional decidir se o pagamento deve ser feito assim ou assado. É um despropósito. Pensemos na questão do desconto de 40%. Ora, se um ente da federação tem uma dívida gigantesca e pode negociá-la com desconto de até 60%, 70% ou 99% — e se a parte que vai receber concorda —, com que autoridade e segundo qual princípio um tribunal constitucional vai dizer que não pode? Pergunta óbvia: há algum artigo na Constituição que proíbe descontos acima de 40%? Ou ainda: descontos acima de 40% ferem alguma cláusula pétrea da Carta?

Finalmente, uma pergunta: o tribunal estudou a economicidade da decisão? Por que é até 2020, não até 2019 ou 2025? Há de haver uma razão que não seja o puro arbítrio, uma vez que, até onde sei, a Carta também é omissa sobre o prazo do pagamento de precatórios. Tanto a decisão é arbitrária que, originalmente, Fux havia definido o ano de 2018. Nunca entendi por que a PEC de 2009 era inconstitucional. E agora não entendo por que o Supremo tem de entrar nessas minudências.

A propósito: esse foi o primeiro malefício à constitucionalidade e à independência entre os Poderes causado pela dupla Fux-OAB. O outra diz respeito à ADI que quer proibir a doação de empresas privadas a campanhas eleitorais, também relatada por Fux, também por iniciativa da OAB. Se a tese prosperar e se o Congresso não a corrigir com uma emenda constitucional, a política brasileira mergulhará na clandestinidade de vez.

E volto ao ponto com uma última pergunta, que vale tanto para a questão dos precatórios como para a do financiamento de campanhas eleitorais: faz sentido o Supremo legislar quando acha que o Congresso não o fez a seu gosto?

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Thomas Traumann cai. Terá sido por bons ou por maus motivos? Tenho uma desconfiança…

Thomas Traumann não é mais ministro da Comunicação Social. Oficialmente, pediu demissão. Na verdade, foi demitido. Saiu citando Paulinho da Viola: “Vou imprimir novos rumos/ ao barco agitado que foi minha vida./ Fiz minhas velas ao mar,/ disse adeus sem chorar/ e estou de partida./ Todos os anos vividos/ são portos perdidos que eu deixo para trás. /Quero viver diferente,/ que a sorte da gente/ é a gente que faz”.

Citação razoável para uma causa ruim. Traumann foi demitido por seus próprios méritos. Poderia ser por bons motivos, mas creio que terá sido pelos maus. Isso não depõe a favor dele, mas contra o governo. Nota antes que continue: havia uma convocação para que ele falasse no Senado sobre o documento aloprado da Secom que veio a público. A convocação foi trocada por um convite. Que a demissão não o impeça de se explicar.

Agora os motivos. No tal documento, Traumann escreveu algumas irrelevâncias. Disse que há um “caos político” no país, o que é um óbvio exagero, e que o governo errou a mão na comunicação. Também reconheceu, em outras palavras, que é difícil haver bom trabalho nessa área quando o governo é ruim. Estou cantando e andando para essas coisas. Acho menos importante, embora relevante, até mesmo a admissão do uso de robôs na Internet. O que me interessa naquele documento é a admissão de que o governo comete crimes. E, claro!, não foi Traumann quem começou. Ele deu continuidade.

Lá se admite que o governo recorre à mão de obra de mercenários, os blogs sujos, para fazer seu trabalho de difamação de adversários. Ou nos termos do texto: o Planalto fornece “munição” para ser “disparada” por “soldados de fora”. Mais: propõe-se abertamente que a Constituição seja violada e que a propaganda federal em São Paulo sirva para alavancar a popularidade de Fernando Haddad. E, finalmente, prega-se que estruturas do estado — Voz do Brasil e Agência Brasil — e instrumentos partidários (o blog da Dilma) estejam submetidos a um controle único.

Trata-se de práticas criminosas. Traumann sai. Quem entra no lugar? É claro que dá para piorar. Se saiu por bons motivos, Dilma porá no cargo alguém que vai dar um fim a essas delinquências políticas. Se caiu por maus motivos, só foi demitido porque revelou o que deveria ter ficado escondido.

Vamos ficar vigilantes, não é? Cada vez mais está claro aos brasileiros que “a sorte da gente é a gente que faz”. É a novidade que está nas ruas e que o PT insiste em não enxergar. Que continue a não entender nada. É um bom caminho para a extinção.

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Juros do cheque especial sobem para 214,2% ao ano, maior taxa desde 1996

Na VEJA.com:
Uma das mais contratadas, apesar de mais cara modalidade de crédito, o cheque especial encareceu ainda mais em fevereiro. Segundo dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira, os juros desse tipo de financiamento chegaram a 214,2% ao ano em fevereiro, 5,2 pontos porcentuais acima de janeiro, e a maior taxa em quase dezenove anos. O porcentual mais alto até agora era o de abril de 1996, quando bateu 212,2% ao ano.

Em fevereiro do ano passado a taxa ficou em 156,7%, ou seja, em doze meses houve um aumento de 57,5 pontos porcentuais (p.p.). Os números são de crédito no segmento de recursos livres, que, ao contrário do direcionado, não têm destino específico, e apenas para pessoas físicas.

No período, o spread bancário ficou em 28,3 pontos porcentuais também neste segmento, acima dos 27,2 pontos percentuais vistos em janeiro. O spread é a diferença entre o custo desembolsado pelos bancos para captar dinheiro e o custo para quem o toma emprestado.

Outras modalidades
Mas não foram apenas os juros do cheque especial que subiram em janeiro. Segundo a Nota de Política Monetária do Banco Central (BC), em ambiente de maior aperto monetário para o controle da inflação, os bancos aumentaram também os juros de crédito pessoal (consignado e não consignado) de 46,6% para 47% entre janeiro e fevereiro. O não consignado saltou de 107,5% para 108,1% no mesmo período.

Em fevereiro, o spread bancário no segmento de recursos livres (pessoas físicas e jurídicas) passou de 27,2 para 28,3 pontos porcentuais. Com a inclusão do segmento direcionado, o spread total ficou em 16,6 pontos porcentuais, superior aos 16 p.p. vistos em janeiro.

Ainda de acordo com a nota de Política Monetária do BC, a inadimplência no Brasil permanece em 4,4% em fevereiro, mesmo nível de janeiro, no segmento de recursos livres. O BC informou ainda que o estoque total de crédito no Brasil subiu 0,5% em fevereiro ante janeiro, chegando a 3,026 trilhões de reais, ou 58,6% do Produto Interno Bruto (PIB).

Previsão
Para 2015, o BC reduziu nesta a previsão de alta do crédito no Brasil de 12% para 11%. O BC manteve em 14% a expectativa de expansão do estoque de crédito de bancos públicos em 2015. Para os bancos privados nacionais, a autoridade monetária projeta expansão de estoque de crédito de 7%, ante projeção anterior de 9%.

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Atritado com Dilma e PT, o PMDB fará Congresso partidário no mês de agosto

Às voltas com a pior fase do seu relacionamento com Dilma Rousseff e com o PT, o PMDB organiza um Congresso partidário. Reunirá em Brasília, provavelmente no mês de agosto, dirigentes e militantes do país inteiro. O pretexto inicial era a necessidade de debater a proposta de reforma política elaborada pelo partido. Mas a conjuntura conspira a favor da ampliação da pauta. “O partido está em ebulição, querendo um canal para se expressar”, diz Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula e ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal na primeira gestão de Dilma Rousseff.

“Um Congresso como esse serve para dar voz a quem faz o partido funcionar lá na ponta”, prosseguiu Geddel. “Converso com muita gente. E a impressão geral é de perplexidade com a falta de rumo do governo. As pessoas vão trazer para o encontro as impressões que recolhem nas ruas. Você pode imaginar no que vai dar. Estamos sem chefe de Estado. A presidente da República não consegue exercer suas prerrogativas constitucionais. Demora uma eternidade até para indicar um ministro do STF e os dirigentes de agências reguladoras. A inoperância já afeta o funcionamento do Estado.''

O encontro do PMDB ocorrerá nas pegadas de um Congresso do PT, programado para junho. Sócios majoritários do empreendimento governista, os dois partidos vivem às turras. Em privado, dirigentes do PT se queixam das “armadilhas” colocadas no caminho do governo pelos peemedebistas Eduardo Cunha e Renan Calheiros, presidentes da Câmara e do Senado. Sobretudo depois que o STF abriu inquérito contra ambos, para apurar se estão envolvidos no escândalo da Petrobras.

Amigo do vice-presidente Michel Temer e interlocutor frequente de Cunha e Renan, Geddel atribui a Dilma a deterioração do relacionamento. Ele mencionou dois episódios que acabam de desaguar em crises.

Um deles envolve a logomarca PL, partido que o ministro Gilberto Kassab (Cidades) tenta recriar, para atrair quadros do PMDB e de outras legendas. Aprovou-se no Congresso uma lei anti-Kassab, com regras que inibem a criação e a fusão de partidos. Mas Dilma demorou a sancionar a peça. Com isso, deu tempo para que os operadores de Kassab protocolassem no TSE o pedido de recriação do PL.

“Isso é muito grave”, queixou-se Geddel. “É quebra de confiança. Depois reclamam desse sentimento de aversão que cresce dentro do PMDB. Estão todos muito irritados”, acrescentou, ecoando o próprio Eduardo Cunha, que dissera mais cedo: “Com certeza absoluta isso [a recriação do PL] é um projeto de enfraquecimento do PMDB. Vamos combater de todas as formas, na Justiça, na política, de todas as maneiras''.

O outro episódio citado por Geddel refere-se à tentativa do governo de levar ao freezer a regulamentação da lei que trocou o indexador das dívidas dos Estados e municípios. A mudança de índice fora aprovada no ano eleitoral de 2014, sob aplausos de Dilma, que sancionou a novidade em novembro. Súbito, na virada de um mandato para o outro, o governo passou a se fingir de morto, empurrando com a barriga a implementação da regra que favorece governadores e prefeitos.

“Isso é um passa-moleque sem precedentes”, ralhou Geddel. “Se a presidente achava que não poderia cumprir os compromissos que assumiu tinha que explicar suas razões às claras. Não dá para fazer esse jogo de empurrar com a barriga. Isso representa o que eu chamo de molecagem. A presidente promove um amolecamento das relações políticas. O que leva o PMDB a ficar cada vez mais divergente.”

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Futurologia política!



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1 minuto e 40 segundos que valem o impeachment.


Assistam a este vídeo. É impressionante como uma presidente da República pode mentir tanto em tão pouco tempo. Mentira é pouco para definir. O termo certo é estelionato eleitoral. Conta de luz subiu cerca de 80%. A taxa de juros quase dobrou nos últimos três meses. A inflação já rompeu os 8%. O PIB vai crescer menos 1%. E centenas de milhares de postos já foram fechados na indústria. O Brasil está parado. Só o custo de vida sobe. O cheque especial, por exemplo, está em 214,2% ao ano... Ou o Brasil despacha a Dilma ou a Dilma destrói o Brasil.

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O novo eixo do poder em Brasília
Ricardo Noblat

Se alguém interessado em tomar o pulso da situação desembarcar por esses dias em Brasília não terá dificuldades em descobrir que mudou o eixo do poder dentro e fora do governo.

Dentro, o endereço mais privilegiado não está no terceiro andar do Palácio do Planalto, onde despacha a presidente da República. Muito menos no quarto andar onde funciona a Casa Civil.

Anote: Esplanada dos Ministérios, Bloco P, 5º andar. Esse é o endereço do gabinete do ministro Joaquim Levy, da Fazenda.

O que não passar por ali dificilmente contará com o aval de Dilma e, depois, com a boa vontade do Congresso.

Fora do governo, os endereços mais quentes estão no prédio do Congresso. A saber: os gabinetes dos presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Onde fica o gabinete do ministro responsável pela coordenação política do governo, Pepe Vargas (PT-RS)? No Palácio do Planalto. Mas, esqueça. Ele não tem importância.

Aloizio Mercadante, ministro-chefe da Casa Civil, ainda guarda alguma importância. Mas ele está mais para o Dilma da Dilma do que para uma espécie de primeiro-ministro.

O primeiro-ministro é Levy. E a centralizadora e arrogante presidente parece conformada com isso. Quando nada porque se ele resolver, de repente, ir embora, o governo dela desmoronará.

Em junho de 2013, quando milhões de brasileiros saíram às ruas e derrubaram pela primeira vez a aprovação de Dilma, ela prometeu muitas coisas, sendo a reforma política uma delas. Nada fez.

No último dia 15, quando milhões de brasileiros outra vez saíram às ruas e reduziram a pó a popularidade de Dilma, ela despachou para o Congresso o pacote de medidas contra a corrupção prometido em junho de 2013.

Na luta diária pelo poder não se admite espaço vago. Levy entrou no governo como a salvação da lavoura. Para aplainar um terreno cheio de buracos e de más elevações.

A fraqueza de Pepe, a crise de identidade de Mercadante e a falta de rumo de Dilma abriram espaço para que Eduardo e Renan batessem com o pé no chão e começassem a falar grosso.

Os dois estão envolvidos com o escândalo da Petrobras. O governo de Dilma também está. A avaliação do Congresso consegue ser pior do que a avaliação de Dilma, segundo a mais recente pesquisa Datafolha.

Mas Eduardo e Renan são ousados. Sabem o que querem. E estão fazendo por onde conseguir. Querem afirmar a autoridade do Congresso – e, por tabela, a deles mesmos. E aproximá-lo do que pede a voz das ruas.

Daí a reforma política possível, que os dois já dispararam. O ajuste fiscal possível, que negociam com Levy. E o reajuste da dívida de Estados e municípios, que discutem com Levy, governadores e prefeitos.

Enquanto isso, Dilma...

Enquanto isso, Michel Temer, o vice-presidente, vive a desejável atribulação de alguém que só cresce em prestígio na República. Toca em sintonia com Eduardo e Renan.

O primeiro governo de Dilma foi dela mesma e do PT. O segundo governo está sendo do PMDB até aqui.


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Blog do Reinaldo Azevedo

As novas vozes do presente que ensurdecem o PT e as esquerdas

Brilhante a entrevista concedida nesta segunda por Rogério Chequer ao programa Roda Viva, da TV Cultura. De tal sorte é onipresente a abordagem — não exatamente “o pensamento” — das esquerdas nos movimentos de caráter reivindicatório que chega a ser espantoso quando surge alguém com um conteúdo novo, enraizado em valores democráticos e pluralistas. Chequer, para quem não sabe, é um dos coordenadores do movimento “Vem Pra Rua”, que colaborou para reunir dois milhões de pessoas país afora no dia 15 de março. Uma nova manifestação está marcada para o dia 12 de abril.

Chequer pensa de forma organizada e hierarquizada — isto é, o exemplo sempre está subordinado a uma ideia principal —, expressa-se com clareza, expõe seus pontos de vista com cordialidade, é preciso no uso das palavras e, amarrando todas essas qualidades, expõe convicções afinadas com a democracia.

Soube responder tanto às perguntas genuínas que lhe foram feitas como reagiu com elegância às provocações, especialmente as de Carla Jiménez, repórter da versão brasileira do jornal espanhol El País. Parecia mais interessada na sua própria agenda — ou na do PT, sei lá — do que em ouvir o que o entrevistado tinha a dizer.

Não sei se um dia Chequer será ou não um político. Ser um político honesto é uma virtude, não um defeito. O que me interessa em sua atuação, hoje, é o fato de ele ser um indivíduo que exerce o direito de ter uma voz e que convida outros milhares, outros milhões, a fazer o mesmo. Não em nome de um partido, não em nome de uma utopia, não em nome de um futuro distante, mas em nome de valores consolidados na Constituição e nas leis, que, se cumpridos, tornam o país melhor, tornam o mundo melhor. Rogério Chequer é uma das vozes do presente que têm de ser ouvidas.

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Chegou a hora de instalar uma CPI para investigar a participação do Brasil na Internacional das Ditaduras de Esquerda

O PSDB quer que a Procuradoria-Geral da República investigue o repasse de dinheiro do “Mais Médicos” para a ditadura cubana. O líder do partido no Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), recorreu nesta terça a Rodrigo Janot para que o Ministério Público abra investigação por suspeitas de improbidade administrativa contra Rafael Bonassa, Alberto Kleiman e Maria Alice Fortunato, todos ex-assessores do Ministério da Saúde, e contra o ex-chefe da Assessoria Jurídica da pasta Jean Uema. O grupo comandou o acordo firmado pelo Ministério com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que permitiu que recursos do programa Mais Médicos favorecessem o governo de Cuba.

A revista VEJA havia demonstrado, em 2013, que a importação de médicos cubanos era só uma maneira de ocultar a remessa de dinheiro para a ilha. Gravações que vieram a público, reveladas pela Band, registram conversas de assessores em que isso é admitido com todas as letras. Chega a ser constrangedor. Ali fica claro que a abertura do Mais Médicos a profissionais de outros países é só um truque para justificar o acordo com a tirania comandada pelos irmãos Castro.

Mais: as conversas revelam que os agentes da ditadura cubana que vêm ao Brasil para tiranizar os médicos entram como se doutores fossem. Também evidenciam que o governo se eximiu de discutir as relações de trabalho entre a ilha e os profissionais, como se a ditadura cubana pudesse impor, em nosso país, as regras — ou ausência de regras — que vigoram por lá.

O acordo fere direitos trabalhistas no Brasil e disposições constitucionais. Nesta segunda, Cunha Lima e o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) já haviam apresentado um projeto de decreto legislativo para suspender o acordo entre o governo brasileiro e o cubano. É o mínimo a ser feito. Mas ainda é pouco.

É preciso que o Congresso tenha a coragem de instalar uma CPI para apurar a participação do Brasil numa espécie de Internacional das Ditaduras de Esquerda. O país desconhece detalhes do Mais Médicos, que transfere R$ 140 milhões por mês para Cuba. O país desconhece as condições de financiamento do BNDES para, mais uma vez, Cuba, Venezuela e Angola, entre outros.

Não! Ninguém quer deixar os pobres desassistidos. De resto, o próprio programa precisa passar por uma revisão. Já está demonstrado que, em um número considerável de cidades que aderiram ao programa, houve uma diminuição do número de profissionais. Mais: esses doutores cubanos que estão no Brasil só podem atuar no âmbito do Mais Médicos, não precisam fazer exame de proficiência e estão impedidos de realizar procedimentos mais complexos. Não por acaso, Dilma deixou clara certa feita uma das funções dos cubanos: dar umas apalpadas nos pobres.

Chegou a hora de jogar luzes na participação do Brasil na Internacional das Ditaduras de Esquerda.

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PT admite erros políticos e prega ‘renascimento’

Presidente do PT federal, Rui Falcão divulgou um artigo sobre o 5º Congresso da legenda, que ocorrerá em junho. Defendeu um “reencontro” dos petistas “com o PT dos anos 80”. Manifestou o desejo de “reatar com movimentos sociais, juventude, intelectuais, organizações da sociedade”. Reconheceu que tais segmentos, antes “representados” no partido, hoje lhe são “alheios, indiferentes ou, até, hostis”. Atribuiu o fenômeno a “alguns erros políticos” cometidos pelo PT.

Isolado no Legislativo e fustigado nas praças, o PT agora considera que as alianças partidárias já não bastam para assegurar a sustentação do governo Dilma Rousseff. Falcão escreveu que “é vital ampliar a governabilidade meramente institucional e estendê-la à sociedade, levando às ruas a defesa do programa vencedor, organizando a população para defender o nosso projeto e a lutar por reformas estruturais.” Não explicou como o meio-fio irá prover os votos que os aliados sonegam a Dilma no Congresso.

A certa altura do artigo, Falcão reconheceu indiretamente que os 12 anos de poder federal levaram o PT à sepultura. Esse reconhecimento aparece no trecho em que o companheiro escreve que o retorno às ruas “vai exigir do PT um renascimento.” Só pode renascer, por óbvio, quem já morreu.

Embora reconheça que o PT cometeu “erros políticos”, Falcão se absteve de enumerá-los. Não fez menção aos crimes do mensalão, que levaram a cúpula partidária a passar uma temporada na penitenciária da Papuda. Tampouco citou as suspeitas levantadas conta o PT na Operação Lava Jato, que apura a pilhagem na Petrobras.

Falcão listou algumas tarefas que considera importantes para a fase pós-renascimento: “Dar mais organicidade ao PT, maior consistência política e ideológica às direções e militantes de base, combater os sinais de burocratização, afastar o pragmatismo exagerado, reforçar os valores da ética na política, não dar trégua ao ‘cretinismo’ parlamentar – tudo isso é condição para atingir nossos objetivos intermediários e estratégicos.” Acha necessário também atualizar o programa do PT.

A despeito do cheiro de autocrítica que exala do seu texto, Falcão não desceu completamente de sua tradicional empáfia. Anotou que a oposição, inconformada com o “quarto triunfo eleitoral consecutivo” do PT, “chega a flertar com o golpismo”. E a “mídia monopolizada” mantém o PT sob “contínuo ataque.”

Em certos trechos, Falcão soou desconexo. Como nesse: “A oposição e seus veículos de comunicação empenham-se em disputar os rumos da política econômica, tentando impor um programa alternativo ao que foi escolhido pelo povo brasileiro nas urnas.” Falcão parece não ter notado que, eleita, Dilma sequestrou a agenda de Aécio Neves, baixando as medidas impopulares que acusava o rival de tramar.

Noutra passagem, Falcão acusou os antagonistas do PT de investirem “contra a Petrobras, não com o fito de combater a corrupção – como os governos Lula e Dilma sempre fizeram.” Quem investiu contra a Petrobas foram os partidos que enfiaram diretores desonestos nos cofres da estatal. Entre eles o PT. E quem combate a corrupção é o Ministério Público Federal e a Justiça, com o auxílio institucional da Polícia Federal. Os governos petistas não combateram a corrupção. Praticaram-na.

Retomando uma antiga cantilena, Falcão acrescentou que o objetivo da oposição é “fragilizar” a Petrobras para, “em última instância, forçar a privatização da empresa, como tentaram fazer durante o governo FHC.” O companheiro ainda não notou, mas a petroleira foi privatizada no balcão da baixa política. O caso agora é de reestatização.

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Uma delação esperando para acontecer!



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Congresso aproveita a fraqueza do governo para impor sua agenda
Ricardo Noblat

O governo da presidente Dilma Rousseff enfraquece à medida em que o tempo passa – e aparentemente passa ligeiro, embora o governo sequer tenha completado três meses de vida.

Dilma defendeu outro dia a criação de 39 ministérios. Antes de Lula assumir seu primeiro mandato, eram 20.

Ontem, Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, voltou a defender a redução para 20 do número de ministérios. Em breve, um projeto nesse sentido será votado no Congresso.

Não passa pela cabeça de Dilma extinguir uma parcela dos cargos em comissão – aqueles ocupados sem a necessidade de concurso público. O Congresso planeja extinguir uma parcela deles.

Dilma repetiu que o ajuste fiscal, para pôr em dia as contas públicas desarranjadas para que ela se reelegesse, não será mudado.

Renan retrucou dizendo que do jeito que está, o ajuste não será aprovado pela Congresso. Se a sociedade não quer, o Congresso também não quer.

No meio da tarde de ontem, Dilma anunciou que não será possível renegociar o índice de correção das dívidas estaduais e municipais. À noite, por 389 contra duas abstenções, a Câmara dos Deputados aprovou o que Dilma negou que fosse possível.

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, chamou o governo de “agiota”. Ninguém defendeu o governo.

Em segundo turno, o Senado atropelou o governo e aprovou a Proposta de Emenda à Constituição que a acaba com as coligações em eleições proporcionais. Ou seja: para deputados federais e estaduais, e vereadores.

A CPI da Petrobras, para desgosto do governo, convocou para depor Vaccari Neto, tesoureiro do PT, suspeito de envolvimento com a roubalheira da Petrobras, e Luciano Coutinho, presidente do BNDES.

Por último, Comissão do Senado aprovou a convocação de Thomas Traumann, Secretário de Comunicação da presidência da República, para explicar documento de sua autoria sobre os problemas que o governo enfrenta nessa área.

Chega ou quer mais?

E o mais curioso: tem aliados do governo dizendo que o pior já passou.

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A quantia arrecadada pela ‘vaquinha’ dos Amigos do Dirceu é dinheiro de troco para o traficante de influência que conseguiu ficar ainda mais rico sem sair da cadeia

Em 16 de novembro de 2013, dia do check-in na Papuda, José Dirceu de Oliveira confundiu portão de cadeia com palanque e, a caminho dos 68 anos, resolveu incorporar o líder estudantil de 68. Para delírio de meia dúzia de milicianos que saudavam aos gritos o “guerreiro do povo brasileiro”, hasteou o braço esquerdo com o punho cerrado e, caprichando na expressão feroz de quem vai dizimar sozinho um pelotão de fuzileiros navais americanos, berrou a informação: “Eu me considero um preso político”.

Como assim?, perguntou-se quem não perdeu de todo o juízo. Desde sempre, só se enquadra nessa categoria gente encarcerada ─ sem o devido processo legal, sem o exercício do direito de ampla defesa ─ para refletir numa cela sobre os perigos reservados a quem faz qualquer tipo de oposição a uma ditadura consolidada ou embrionária. O Brasil, convenhamos, ainda não é uma Venezuela que fala português, muito menos uma Cuba tamanho família. Mais: Dirceu sempre fez parte do grupo que desde janeiro de 2003 desgoverna o país.

Perdeu o emprego de ministro em 2005, mas não o status de figurão do PT, nem a cumplicidade mafiosa dos companheiros que alojou em cargos estratégicos enquanto chefiou a Casa Civil no primeiro mandato de Lula. E tampouco foi engaiolado arbitrariamente. No julgamento do processo do mensalão, que demorou quase sete anos para começar e outros dois para chegar ao desfecho, sobrou-lhe tempo para rebater acusações e contestar a solidez das provas acumuladas contra a estrela do bando.

Além de advogados que calculam honorários em dólares por minuto, Dirceu foi defendido por ministros do Supremo Tribunal Federal que estão lá para inocentar bandidos de estimação do Planalto. Acabou forçado a hospedar-se na Papuda não por crimes de pensamento, mas por corrupção ativa. Quem trocou a cama de casal por um catre não foi o revolucionário aposentado, ou o guerrilheiro de festim diplomado na ilha-presídio, ou o ex-presidente do PT, ou o ex-chefe da Casa Civil. Foi o chefe (ou subchefe?) da quadrilha do mensalão.

Diante de tantas e tão contundentes evidências, quantos brasileiros ─ além do próprio detento ─ ousariam enxergar um preso político num político preso por tratar o Código Penal a socos e pontapés? Quase 4 mil, informou em fevereiro de 2014 o balanço oficial da “vaquinha” online promovida para pagar a multa de R$ 971.128,92 imposta ao sentenciado pelo STF. As quantias doadas por 3.972 “amigos do Zé Dirceu” somaram R$ 920.700. A diferença foi coberta por R$ 163 mil extraídos das sobras das “vaquinhas” que haviam socorrido os mensaleiros José Genoíno e Delúbio Soares.

O ator José de Abreu, por exemplo, entrou com R$ 1 mil na operação concebida para livrar da falência “a grande vítima de um julgamento político”. Com a fisionomia sofrida de quem não conseguira uma vaga na lista de visitas íntimas, alegou que aquela fora “uma maneira de dividir a pena com ele”. Em 22 de fevereiro, a página eletrônica aberta para a coleta dos adjutórios comemorou o sucesso da mobilização: “Juntos, vencemos esta batalha. Ainda há outras por vir, certamente. E, juntos mais uma vez, estamos prontos para enfrentá-las”. Bingo. A batalha prevista há um ano está em curso desde quinta-feira passada.

Começou com a ruidosa chegada de José Dirceu ao front do Petrolão e ninguém sabe quando vai terminar. Mas é improvável que haja outra “vaquinha”. Os desdobramentos da Operação Lava Jato revelaram que o dono da J. D. Assessoria e Consultoria embolsou nos últimos nove anos cachês de matar de inveja canastrões de novela. Nesse período, agindo como facilitador de negócios, vários deles cobiçados por participantes do assalto à Petrobras, o consultor embolsou R$ 29 milhões. Para quem junta tal fortuna em tão pouco tempo, a multa imposta pelo Supremo é dinheiro de troco.

Os zés-de-abreu acabam de saber que, comovidos com um preso político, dispensaram do castigo financeiro o multimilionário que conseguiu uma proeza até então só alcançada por chefões do PCC: ficou mais rico sem sair de uma cela de cadeia. Entre novembro de 2013 e novembro passado, enquanto cumpria pena, JD faturou pelo menos R$ 1,2 milhão. A gigante da indústria farmacêutica EMS tornou  R$ 700 mil mais obesa a receita da consultoria. Outros R$ 500 mil vieram da construtora Consilux.

Até agora, nem os doadores tapeados pediram o dinheiro de volta nem o beneficiário do conto da vaquinha parece disposto a devolvê-lo. A façanha desempatou em favor do maior traficante de influência o duríssimo duelo com o maior traficante de drogas. Dirceu é mais que um Marcola do PT. O concorrente do guerrilheiro de festim nunca foi homenageado pela soldadesca com uma “vaquinha”. Só depois de preenchida a lacuna Marcola poderá reivindicar o título de Dirceu do PCC.


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Blog do Coronel

Vaccari, a "eminência parda" na diretoria da Petrobras. A primeira propina era dele.

(O Globo) O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, discutia pessoalmente com dirigentes da Petrobras detalhes de licitações, aditivos e até mesmo problemas técnicos em obras tocadas por fornecedoras da estatal que doavam ao partido, segundo o ex-gerente de engenharia da estatal Pedro Barusco.

Em depoimento prestado no último dia 12 e tornado público nesta segunda-feira em processo da Operação Lava-Jato, Barusco deu mais detalhes dos encontros com Vacccari, segundo ele realizados no Rio de Janeiro, em hotéis como Cesar Park, em Ipanema, Sofitel e Windsor, em Copacabana; e em São Paulo, nos hotéis Sofitel Sena Madureira, Transamérica Morumbi e Melia Alameda Santos.

Segundo Barusco, participavam dos encontros Vaccari e o então diretor de Serviços da estatal, Renato Duque. Além de tratar de “divisões de propina”, os participantes falavam sobre o "andamento de alguns projetos e contratos, em relação aos quais o Vaccari tinha interesse em ter conhecimento", segundo o depoimento.

"Nessas ocasiões, Vaccari formulava algumas reivindicações em nome de empresas, por exemplo, para ver se era possível resolver algum problema, envolvendo licitações, celebrações de aditivos, inclusão de empresas na lista de empresas cadastradas, ou mesmo problemas técnicos”, disse Barusco ao Ministério Público Federal (MPF).

No depoimento, o ex-gerente da Petrobras afirma que as reivindicações das empreiteiras “eram atendidas na medida do possível, no limite dos procedimentos e requisitos técnicos da Petrobras”.De acordo com Barusco, "quando chegava perto do hotel”, ele trocava mensagens pelo celular com Vaccari para acertar o local e o horário dos encontros. Nas próximas semanas, investigadores deverão buscar confirmar com operadoras de telefonia se as mensagens foram, de fato, trocadas entre Vaccari e o ex-gerente. Imagens do circuito interno de áreas comuns dos hotéis citados no depoimento também deverão ser buscadas pela polícia.

Barusco voltou a afirmar que não operacionalizava o pagamento de propina a Vaccari, por isso não saberia dizer em que contas ele recebeu recursos. Ainda assim, afirmou “ter certeza” de que valores destinados ao petista em contrato do Estaleiro Kepell Fels teriam sido pagos, “uma vez que somente passou a receber sua parte após o faturamento do contrato ter ultrapassado o montante de propina destinado a Vaccari”.

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Brasil pode virar uma imensa CPI.

Depois da Petrobras, os parlamentares querem investigar os empréstimos secretos do BNDES e as empresas do setor elétrico pois, ao que tudo indicado, o PT e seus sequazes espalharam corrupção e roubo por todo o setor público. É o caso dos fundos de pensão, onde propinas eram pagas para que o dinheiro dos funcionários públicos fosse aplicado em títulos podres. A matéria a seguir é do Estadão.

Em meio à relação conturbada com o Congresso Nacional, o governo vai ter de evitar outro conflito: a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos fundos de pensão de estatais direcionada a apurar irregularidades na Previ, do Banco do Brasil; na Funcef, dos funcionários da Caixa Econômica Federal; na Petros, da Petrobrás; e no Postalis, dos Correios. Os três últimos somam déficits bilionários.

Até esta segunda-feira, a oposição já contava com 113 das 171 assinaturas necessárias para investigar indícios de aplicação incorreta dos recursos e manipulação na gestão de fundos de previdência complementar de funcionários de estatais e servidores públicos que provocaram “prejuízos vultosos” entre 2003 e 2015.

O Estado revelou nesta segunda-feira que somente o Postalis tem um déficit de R$ 5,6 bilhões, que será equacionado pelos participantes do fundo de pensão e pela patrocinadora. Os aposentados e pensionistas terão cortes nos contracheques de 25,98%. Por exemplo, quem recebe o benefício de R$ 10 mil, terá R$ 2.598 a menos no final do mês por causa do corte. Já os funcionários da ativa terão redução nos salários que, no limite, pode chegar a esse porcentual. Os Correios esclareceram, em nota, que 71.154 funcionários da ativa terão descontados de 1,71% a 24,28% dos proventos. Isso porque o porcentual depende do valor benefício contratado no planos.

Os cortes nos contracheques dos aposentados e do pessoal da ativa começam a valer em abril deste ano e ocorrerão por 15 anos e meio. O déficit será reavaliado a cada ano a partir do retorno dos investimentos e da expectativa de vida dos participantes. Funcionários dos Correios que terão os salários impactados tentam reverter a decisão do conselho deliberativo do Postalis na Justiça e ameaçam paralisar os trabalhos.

No Congresso, parlamentares da oposição ingressaram com requerimentos para convocar o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, para prestar esclarecimentos sobre o rombo e a divisão do prejuízo do Postalis com os trabalhadores. “É inaceitável que o funcionário dos Correios pague pela gestão fraudulenta do Postalis”, justificou o líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO). “O aparelhamento político dos fundos de previdência complementar, associado aos prejuízos bilionários, deve ser investigado com a máxima urgência”, complementou o líder do PPS na Câmara, deputado Rubens Bueno (PR).

Investimentos. A nova diretoria financeira do Postalis tenta reverter o rombo bilionário da fundação adotando uma política de investimento mais conservadora, que permita maior liquidez das aplicações. No fim de 2013, as aplicações em títulos públicos eram de apenas R$ 30 milhões. Agora, o Postalis tenta aumentar a participação desses papéis, aproveitando o momento de juros básicos da economia e inflação em elevação.

Fontes do Postalis disseram que, em anos anteriores, os investimentos eram decididos sem nenhum tipo de respaldo técnico. O déficit de R$ 5,6 bilhões engloba os rombos dos anos anteriores e a dívida de R$ 1,1 bilhão dos Correios (que está sendo cobrada na Justiça). Entre as principais baixas de aplicações estão dois investimentos polêmicos.

Entre 2006 e 2009, foram direcionados R$ 422 milhões em três empresas de energia: a Raesa (Rio Amazonas Energia) e a New Energy, além da Multiner. O Postalis teve de baixar no balanço prejuízo de R$ 342 milhões com esses investimentos.

Sem cortes. Os Correios divulgaram nota nesta segunda-feira na qual esclarecem que a solução para o déficit de um dos planos do Postalis com os funcionários da ativa, aposentados e pensionistas está amparada na lei de previdência complementar. “Pela lei de previdência complementar, os fundos de pensão são obrigados a promover essa medida. Os Correios, como patrocinadores do plano, contribuirão de forma paritária, conforme previsto na legislação.”

Segundo a nota dos Correios, não procede a informação da reportagem do ‘Estado’ de que cada servidor pagará 25,9% do salário para cobrir o déficit do fundo. Os Correios informam que o impacto médio sobre os salários dos funcionários da ativa será de 3,88%. A estatal não informou na nota, mas os aposentados e pensionistas terão cortes de 25,98% nos benefícios.

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Lula dispara contra Mercadante e acerta Dilma

O PT ainda é um partido diferente dos demais. Os outros têm excesso de cabeças e carência de miolos. Nos seus 12 anos de poder federal, o PT provou que sofre da mesma carência. Mas com uma cabeça só. A palavra de Lula tem peso de sentença. E o todo-poderoso sentenciou que o governo Dilma está politicamente zonzo por culpa de Aloizio Mercadante. O veredicto é equivocado.

Nada mais injusto do que atribuir ao chefe da Casa Civil a responsabilidade pela embriaguês política do Planalto. Se 10% das ideias que atribuem a Mercadante tiverem saído mesmo da cabeça dele, pode-se afirmar que o ministro correspondeu a todas as expectativas de quem não esperava nada dele. Mas quem preside a implementação dos conselhos é madame, não o conselheiro.

Mercadante saiu-se com a ilusão de que Gilberto Kassab e Cid Gomes recrutariam uma infantaria parlamentar capaz de fazer do PMDB uma tropa de achacadores irrelevantes. Mas foi Dilma quem colocou a dupla dentro de dois dos mais cobiçados cofres da Esplanada —Cidades e Educação. Deu tudo errado. Cid já se foi. E Kassab dedica-se a jurar em entrevistas que Mercadante continua prestigiado. Lorota.

Espremida por Lula, Dilma desossa Mercadante. Suprimiu-lhe a atribuição de conselheiro aleatório para assuntos econômicos desde a chegada de Joaquim Levy à pasta da Fazenda. Desobrigou-o da articulação política depois que dois desafetos do ministro —os peemedebistas Eduardo Cunha e Renan Calheiros— passaram a rosnar para o Planalto, impondo humilhações e derrotas em série à presidente.

É forçoso reconhecer: desde que o PT chegou ao poder, a Casa Civil da Presidência da República tornou-se a morada preferida da urucubaca. As seis pessoas que passaram pela poltrona deveriam ter despachado apenas às sextas-feiras, numa encruzilhada. De preferência acompanhados por um assessor tranca-ruas. Como não fizeram isso…

José Dirceu foi parar na cadeia. Dilma tornou-se uma presidente hemorrágica. Erenice Guerra saiu pelos fundos, empurrada pela suspeição. Antonio Palocci foi implodido por um patrimônio inexplicável; Gleisi Hoffmann é perseguida por um 'youssefiana' de R$ 1 milhão. Que surpresas o azar reserva para Mercadante? Por ora, apenas a marcação cerrada de Lula.

Lula alveja Mercadante por duas razões. Uma é secundária: conhecendo-o há mais de três décadas, aprendeu não gostar dele. Outra, preponderante: convenceu-se de que o companheiro cometeu o mesmo erro de José Dirceu: enxergou a Casa Civil como trampolim para chegar à Presidência da República. E Lula, por imperial, não admite o surgimento de outra palmeira , ainda que débil, no gramado.

Dilma mantém Mercadante no cargo também por duas razões. Uma secundária: adora a fidelidade do auxiliar. Outra, primordial: tendo se livrado de Gilberto Carvalho, não gostaria de enfiar dentro do Palácio do Planalto um novo espião de Lula. É como se a criatura tentasse atenuar os efeitos da tutela do criador. Tudo isso num instante em que a autoridade da presidente se liquefaz. Haja urucubaca!

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Para FHC, Lula é mais culpado do que Dilma

Uma característica persistente da política é que os malfeitores estão sempre nos governos dos outros. Lula e Dilma dizem que todos os males da nação têm raízes no governo FHC. Longe do poder há 12 anos, FHC pode se dar ao luxo de distribuir as culpas. No escândalo do petrolão, por exemplo, o grão-tucano avalia que Lula é mais culpado do que Dilma: “Se alguém tem mais responsabilidade política por isso, é ele, não ela'', disse, antes de recordar que os ex-diretores engolfados pela Operação Lava Jato foram nomeados sob Lula. FHC lamentou que o antecessor de Dilma, sempre muito loquaz, esteja tão calado.

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A idade do roubo!





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Números são devastadores para Dilma, mas petistas continuam a escolher a saída mais burra. Se bem que cabe perguntar: eles sabem fazer diferente?

Se o Planalto havia gostado muito pouco dos números da pesquisa Datafolha, divulgados na quarta passada, apontando que apenas 13% dos entrevistados acham o governo Dilma “ótimo ou bom”, contra 62% que o têm por “ruim e péssimo”, gostou ainda menos dos dados do levantamento CNT/MDA que vieram à luz nesta segunda: são ainda piores. Apenas 10,8% dizem ser a gestão ótima ou boa. Nada menos de 64,8% a têm por ruim ou péssima. Se a eleição presidencial fosse hoje, aponta o levantamento, o tucano Aécio Neves venceria a disputa por folgados 55,7% a 16,6% — brancos e nulos somaram 22,3%, e 5,4% disseram não saber em quem votar.

O resultado é devastador. E pode piorar, querem ver? Nada menos de 59,7% se dizem favoráveis ao impeachment da presidente, contra 34,7% que se dizem contrários. Desaprovam a presidente 77,7% dos que responderam ao levantamento, contra uma aprovação de apenas 18,9%. Nem poderia ser diferente: 75,4% dizem que o segundo mandato de Dilma é pior do que o primeiro, e 68,9% acham que a presidente é culpada pelos escândalos na Petrobras.

Perceberam? Não há boa notícia possível. Não há como achar um número inspirador. Esses dados — e Isso já tinha sido captado pelo Datafolha — explicam a indisposição das ruas com a presidente. Esses percentuais demonstram por que dois milhões lotaram os espaços públicos no domingo. Viram-se na sequência um governo assustado, acuado, e um partido — no caso, o PT — desesperado, a falar qualquer coisa. Rui Falcão, presidente da legenda, chegou até a imaginar um pacote de inspiração bolivariana contra a imprensa. Que se note: em política, adversários sempre são um problema. É o esperado. Um governante está lascado mesmo é quando seus aliados fazem bobagens em penca. É o caso hoje em dia.

A população, ademais, está solidária com os protestos. Dizem apoiá-los 83,2% dos entrevistados, que não são, à diferença do que afirmaram alguns ministros aloprados, apenas eleitores de oposição. Entre os que responderam a pesquisa, 41,6% declararam ter votado em Dilma nas eleições de outubro do ano passado, contra 37,8% que votaram em Aécio. Como se vê, os próprios eleitores da petista desertaram.

Até agora, registre-se, não se ouviu uma só palavra sensata oriunda do Planalto  e do PT. Quem não está perplexo desanda a falar bobagens pelos cotovelos. Todas as formas possíveis de desqualificar os manifestantes foram tentadas. Nenhuma funcionou. Ao contrário: a agressão a quem exerce o sagrado direito democrático de dizer “não” só agrava o quadro da crise. Ora, dados os desastres econômicos em série, as lambanças na Petrobras e as evidências de uma espécie de governo paralelo que estava lotado na estatal, o razoável seria que o governo definisse um interlocutor para tentar o diálogo com os divergentes. Na democracia, isso é comum e nada tem a ver com cooptação.

Mas quê! Eles continuam a sentar o braço nos adversários, a mover a máquina suja do subjornalismo contra alvos que consideram incômodos, a provocar ainda mais repúdio em razão de sua cultura autoritária. Pior: nunca se sabe quando um novo episódio da Operação Lava-Jato explode aos olhos dos brasileiros. A situação política de Dilma continua desesperadora. Hoje, a única esperança do Planalto é que, da Caixa de Pandora da Lava-Jato, surjam evidências contundentes contra alguns “aliados inimigos” — como Eduardo Cunha — e contra oposicionistas. O diagnóstico entre os palacianos é pessimista. Até porque Dilma não tem com que acenar.

O Boletim Focus prevê uma recessão de 0,83%, com inflação de 8,12% neste 2015. A Fiesp, um estudo inédito — e, parece-me, mais realista — acha que a economia encolherá 1,7%, com uma retração de 4,5% na indústria, que já deve ter encolhido 1,8% em 2014. Não sobraram a Dilma nem mesmo alguns caraminguás com que acenar para os pobres.

Dilma poderia ter ao menos o conforto espiritual de culpar a oposição por ter inflado a crise. Mas ela sabe que isso seria falso como nota de R$ 3. A oposição com a qual o governo não consegue nem diálogo nem contato está nas ruas, com o cidadão comum, permanentemente hostilizado pela tropa de choque petista. É a coisa mais burra a se fazer. Mas parece que eles não sabem fazer de outro modo.

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A denúncia contra Vaccari e Duque. Ou: O PT quer ser, a um só tempo, o mal é o remédio. É patético!

Agora João Vaccari Neto, ainda tesoureiro do PT, e Renato Duque, o homem de José Dirceu — o mais eficiente consultor da Terra — que era diretor de Serviços da Petrobras já são réus. O juiz Sérgio Moro aceitou a denúncia contra a dupla, oferecida pelo Ministério Público. Os dois e outras 25 pessoas são acusados de corrupção e lavagem de dinheiro. Duque e outros 14 são acusados ainda de formação de quadrilha. Segundo a apuração, parte da propina foi paga a Vaccari na forma de doações legais, entre 2008 e 2010 — o que significa que a campanha de Dilma Rousseff pode ter recebido recursos da Petrobras.

Essa denúncia está centrada em irregularidades em dois gasodutos e nas obras nas refinarias de Paulínia (SP) e Araucária (PR), todas afeitas à área então comandada por Duque. A roubalheira, no caso, está estimada em R$ 136 milhões. Moro acatou a afirmação do Ministério Público segundo a qual o tesoureiro do PT sabia que a doação oficial tinha origem em propina.

Pois é… Cresce a pressão no partido para que Vaccari abandone a tesouraria da legenda, o que ele, até agora, se nega a fazer. O desconforto no Palácio do Planalto também é grande. A avaliação é que a permanência do homem no posto deixa Dilma mais perto da crise. Afinal, ela é filiada ao PT, e este é um governo principalmente do… PT! Como ter no comando de área tão sensível alguém que, agora, já é réu, contra quem existe uma penca de testemunhos? No passado, com Delúbio Soares, a coisa foi resolvida com mais celeridade. Vaccari está há um ano na mira e nada de se mover.

Água suja com a criancinha
Pois é… Aos poucos, vai se firmando uma espécie de doxa, de verdade inquestionável, que, por incrível que pareça, converge para uma tese defendida pelo PT. Explico. Vaccari, como se lê acima, recebeu, segundo o Ministério Público, doações oficiais decorrentes do pagamento de propina.

Augusto Mendonça, do grupo Setal, entregou à Justiça Federal recebos de doações feitas ao PT entre 2008 e 2012. Na aparência, tudo legal. De fato, afirma, era dinheiro decorrente de… propina. Usava-se, assim, o instrumento da doação legal para esconder o assalto aos cofres da Petrobras.

Ora, diante de um quadro como esse, é grande a tentação de concluir que a doação legal de empresas é a mãe da safadeza, certo? É o que sustenta o PT, que quer extingui-la em sua proposta de reforma política. É o que defende em entrevista à Folha nesta terça Beto Vasconcelos, novo secretário nacional de Justiça, que acena com a possibilidade da doação feita apenas por indivíduos, mas com limites.

Ah, bom! Então ficamos assim: porque o PT andou pegando doações oficiais oriundas da corrupção e como isso foi descoberto, então os companheiros agora querem mudar a lei. Em que sentido? Ora, pretendem, pelo visto, criar um sistema em que não possam ser descobertos jamais. E a melhor maneira de ver cumprido esse desiderato é proibir todas as doações legais. Assim, elas poderão ser, finalmente, ilegais, sem, deixar rastros. A política brasileira cairia na clandestinidade de vez.

Será realmente um momento notável da estupidez humana se, pego com a boca na botija, a converter propina em recibo oficial, o PT conseguir emplacar a sua tese da proibição da doação de empresas privadas a campanhas. Aí, sim, o conjunto dos brasileiros estará entregue a uma máfia.

Porque os petistas Vaccari e Duque, entre outros, cometeram, segundo a denúncia, crimes asquerosos no âmbito das doações legais de empresas, então há quem queira tornar ilegais todas as doações. Assim o petismo quer ser, a um só tempo, o mal e o remédio. É patético!

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Standard & Poor’s aposta num Brasil que não depende nem do PT nem dos petistas. Resumo da ópera: hoje, eles atrapalham o país

É claro que a notícia não é boa apenas para a presidente Dilma Rousseff. É boa para o país. A agência de classificação de risco  Standard & Poor’s manteve a nota de crédito do Brasil, com perspectiva estável. Assim, na agência, o país permanece “BBB-”, que é o último patamar do grau de investimento. Havia um medo pânico de que viesse o rebaixamento, o que seria desastroso: o país teria mais dificuldade para se financiar, pagaria juros maiores e veria fugir investimentos de grandes empresas e fundos internacionais que não podem apostar em países no grau especulativo.

Mas o “x” da questão não está aí. A Standard & Poor’s deixou claro por que manteve o rating brasileiro: confiança no ajuste fiscal que está sendo implementado pelo governo, cuja personificação é Joaquim Levy, demonizado pelas esquerdas petistas. Não só isso: a agência também elogiou o que considerou “independência” com que o Ministério Público está fazendo o seu trabalho — o mesmo MP que é alvo permanente dos companheiros. “Você também já criticou o MP, Reinaldo!” E continuarei a fazê-lo sempre que achar necessário. A questão é saber qual é a crítica dos petistas e qual é a minha. Os leitores que me interessam e que quero sabem fazer a distinção.

Assim, vejam que mimo: Dilma só não entrou numa encalacrada dos diabos — e, com ela, todo o país — porque os dois principais alvos do petismo — Levy e o MP — concorreram para que a S&P mantivesse o rating do país. E o que isso quer dizer?

Que Dilma é hoje refém de Joaquim Levy, o que, sob certo ponto de vista, não deixa de ser uma boa notícia. Pior seria se fosse refém do PT e de outras forças retrógradas, eu sei. Mas é fato: hoje, o ministro da Fazenda tem mais poder no país do que a própria presidente da República. É para ele, não para ela, que se voltam os olhares.

A rigor, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, é uma figura política hoje com mais trânsito do que a presidente da República. E, como é sabido, nessa área, trânsito é sinônimo de… poder! O mesmo se diga de Michel Temer, vice-presidente da República, que consegue dialogar com forças com as quais Dilma não conversa.

É um movimento em muitos aspectos natural. O poder rejeita o vácuo. Como a presidente, no momento, está sem iniciativa política, outras figuras ocupam o espaço.

Dilma segue presidente, mas resta evidente que a Standard & Poor’s e os que conseguem manter o otimismo apostam no num Brasil que não depende nem do PT nem dos petistas. Hoje, eles atrapalham o país.

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Complica-se a situação de Duque, ex-diretor da Petrobras ligado ao PT, e de Vaccari, tesoureiro do partido
Ricardo Noblat

Estreita-se o cerco em torno de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras ligado ao PT, e de João Vaccari Neto, tesoureiro do partido.

O juiz Sério Moro, responsável pela Operação Lava-Jato, aceitou a denúncia da Procuradoria da República contra Duque e o enviou para a cadeia do Complexo Médico-Penal em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Pesam contra Duque e Vaccari novas revelações feitas por Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, que trabalhava com Duque. Barusco está fornecendo detalhes que comprovam que doações “legais” feitas ao PT por empreiteiras nada tiveram de “legais”.

As doações funcionaram como lavagem de dinheiro desviado de negócios superfaturados entre empreiteiras e a Petrobras. As empreiteiras acertavam negócios com Duque. E parte do dinheiro que recebiam da Petrobras ia parar no caixa do PT.

Em outras palavras, isso significa que a Justiça Eleitoral, responsável por avalizar doações registradas em nome de partidos, foi usada para lavrar dinheiro da roubalheira.

Barusco entregou a Moro planilhas de distribuição de propinas com as datas em que elas foram pagas. Bem como os dias e locais de reuniões das quais participou junto com Duque e Vaccari. A quebra do sigilo telefônico dele poderá comprovar o que diz.

O juiz Moro ainda tem esperança de que Duque confesse os crimes que cometeu em troca da delação premiada, o que reduziria seu tempo de cadeia. Duque está sob pressão da família para que conte pelo menos parte do que sabe.


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Blog do Coronel

Revolta nos Correios: funcionários estão pagando 25,9% do salário para cobrir o rombo criado pelo PT no fundo Postalis.

(Estadão) Cada servidor dos Correios pagará 25,9%do salário para cobrir déficit de R$ 5,6 bi. Funcionários dos Correios tentam evitar por meio de uma batalha judicial e de greves que os participantes do Postalis, fundo de pensão da estatal, tenham redução de um quarto nos seus salários a partir de abril de 2015 pelo período de 15 anos e meio.

A conta é resultado de um déficit atuarial de R$ 5,6 bilhões no Postalis, controlado pelo PT e PMDB, provocado por investimentos suspeitos, pouco rentáveis ou que não tiveram ainda rendimento repassado ao fundo. Também sob influência dos dois partidos políticos, o Funcef, dos empregados da Caixa Econômica Federal (CEF), e a Petros, da Petrobrás, contabilizam prejuízos bilionários.

Partiu do conselho deliberativo do Postalis a decisão de impor aos funcionários a contribuição extra que terá forte impacto sobre os salários. No primeiro momento, ficou definido um corte de 25,98% nos contracheques. O déficit será reavaliado a cada ano a partir do retorno dos investimentos e da expectativa de vida dos participantes. Um funcionário que tem salário de R$ 10 mil, por exemplo, receberá R$ 2.598,00 a menos no final do mês apenas para cobrir o déficit, além o valor da contribuição definida. Vão pagar o porcentual extra os funcionários mais antigos, aqueles que entraram nos Correios até 2008. Isso equivale a 75% do pessoal da empresa.

Integrantes do fundo argumentam que o déficit bilionário é resultado da má administração dos investimentos dos últimos anos. Também acusam os Correios de não terem pago a dívida que têm com o Postalis. Por isso, a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentect) entrará nesta segunda-feira com duas ações na Justiça Federal. A primeira contra a ECT para que a empresa reconheça que deve R$ 1,150 bilhão ao fundo e abata esse valor do cálculo do déficit que precisa ser equacionado. No outro processo, a federação quer que a estatal assuma o pagamento do déficit integralmente por entender que a responsabilidade pela má gestão dos ativos do fundo é da patrocinadora.

"Esse novo reajuste repassa para nós a culpa da má administração do fundo", afirmou José Rodrigues dos Santos Neto, presidente da Fentect. Ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), a federação diz reunir 30 sindicatos, que representam 74 mil trabalhadores dos 120 mil dos Correios.
Na semana passada, carteiros de ao menos dez Estados brasileiros fizeram paralisação para protestar contra a contribuição extra definida pelo conselho deliberativo do Postalis.

A Adcap (Associação Nacional dos Profissionais dos Correios) também irá ingressar com medida judicial. "Entendemos que os Correios deixaram de pagar essa dívida com o Postalis para maquiar o balanço e apresentar resultado positivo no ano passado", afirmou Luiz Alberto Menezes Barreto, presidente da entidade, que representa os profissionais de nível médio, técnico e superior.

Extras. Os funcionários dos Correios e a empresa já fazem contribuições extras ao plano desde 2013 para cobrir o déficit de R$ 1 bilhão dos dois anos anteriores. Nesse período, foi descontado mensalmente do contracheque 3,94% do valor da aposentadoria, da pensão ou do valor previsto para o benefício - no caso dos servidores da ativa.

As contribuições extras, que subiram de 3,94% para 25,98%, são para equacionar o plano de benefício definido do Postalis, sob o risco de o banco e os dirigentes do fundo serem punidos pelo órgão regulador. Na conta foi incluída uma dívida dos Correios com o Postalis de 2008, da época em que o plano de benefício definido foi saldado.

Os Correios fizeram o pagamento dessa dívida, em parcelas, de 2001 até março de 2014, mas interrompeu o pagamento por determinação do Ministério do Planejamento e do Tesouro Nacional. Os órgãos de controle concluíram que a estatal saldou integralmente sua parte com o término do plano definido. O R$ 1,150 bilhão restante, segundo o governo, constitui déficit atuarial e deve ser dividido a patrocinadora (Correios) e os funcionários.

Ação. O Postalis tem um entendimento diferente. O fundo entrou com ação com pedido de tutela antecipada (liminar) contra os Correios para cobrança desse montante relativo às obrigações sobre o tempo de trabalho dos participantes antes da criação do plano. Os Correios informaram, por meio de nota, que contrataram consultoria especializada para avaliar se o Postalis ou o governo tem razão.

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Lula pede a Dilma um afago em Temer e um pontapé no traseiro de Mercadante.

(Extraído do Valor) Nos dois últimos encontros que teve com a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a aconselhou a recompor a aliança com o PMDB, principal partido da base aliada ao governo depois do PT. Lula sugeriu que o vice-presidente Michel Temer, do PMDB, ocupe um "lugar especial" no governo, de preferência no "centro do poder". O ex-presidente acha também que a presidente deveria mudar a articulação política e, na economia, antecipar para este semestre os leilões de concessão de serviços públicos.

Lula acha que Dilma foi induzida a cometer dois grandes "equívocos" na relação com o PMDB. O primeiro foi ter estimulado o ministro das Cidades, Gilberto Kassab, do PSD, a aglutinar em torno de seu partido as pequenas legendas que apoiam o governo para fazer um contrapeso ao PMDB. O plano, atribuído ao ministro da Casa Civil, Aloízio Mercadante, era relativizar a importância dos peemedebistas.

O segundo erro cometido pela presidente, considerado "primário" por Lula e também atribuído a Mercadante, foi fazer campanha para tentar derrotar o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na eleição para a presidência da Câmara. "Acreditar que Cunha fosse perder aquela disputa é coisa de quem não conhece o Congresso", comentou um interlocutor da presidente.

Aparentemente, a presidente ouviu seu mentor. Reconheceu, no episódio que resultou na demissão sumária do aliado Cid Gomes do Ministério da Educação, a necessidade de se recompor com o PMDB; admitiu os erros do primeiro mandato; e estaria inclinada a mexer na articulação política e em outros ministérios. "Ela vai trocar o Pepe Vargas [ministro, filiado ao PT e responsável pela articulação]", revelou uma fonte graduada. Para a função, estariam cotados o ex-deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB), que presidiu a Câmara entre 2013 e 2015, e o atual ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB). Há pressão também para que Dilma tire Aloízio Mercadante da Casa Civil.

Lula também sugeriu a Dilma que vá mais "às ruas", algo que ela começou a fazer recentemente. Embora esteja, mais uma vez, tentando ajudar a presidente, Lula tem duvidado, em conversas com alguns interlocutores, da eficácia dos contatos que tem com a presidente. Apesar disso, assegura um interlocutor dos dois, "não há hipótese de Lula brigar com ela". As conversas recentes entre os dois teriam sido "boas", na opinião do ex-presidente, porque Dilma estaria ouvindo o que ele diz, embora, na hora de tomar a decisão, faça apenas o que deseja.

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“Coxinhas de todo o mundo, uni-vos!” Ou: Depois da Guerra dos Mascates e da Revolta dos Alfaiates, o grito libertador da “Revolução dos Coxinhas”

Algumas revoltas se tornaram famosas no Brasil. Há, por exemplo, a Guerra dos Mascates, que opôs, em 1710 e 1711, senhores de engenho de Olinda e comerciantes portugueses de Recife, chamados, pelos adversários, de “mascates”. Houve a “Revolta dos Alfaiates”, ou Conjuração Baiana, de 1798, um movimento de caráter emancipatório e republicano, influenciado pela Revolução Francesa. O país assistiu, em 1835, até a uma revolta que misturava a luta contra a escravidão com questão religiosa: a Revolta dos Malês, em Salvador, liderada por escravos muçulmanos. Cito apenas três movimentos entre muitos ocorridos no Brasil colonial ou já independente. Em 2015, nem mascates, nem alfaiates, nem malês! Assistimos, nestes dias, à inédita “Revolução dos Coxinhas”.

Não há por que fugir do rótulo. Ao contrário: que seja este um traço a unir os manifestantes. “Eu sou co-xi-nha/ com mui-to or-gu-lho/ com mui-to a-mo-or.”

O coxinha trabalha? Viva o coxinha!
O coxinha estuda? Viva o coxinha!
O coxinha gera os impostos que viram caridade pública? Viva o coxinha!
O coxinha não gosta que lhe batam a carteira? Viva o coxinha!
O coxinha quer pagar menos imposto? Viva o coxinha!
O coxinha é contra a violência? Viva o coxinha!
O coxinha é contra a depredação de patrimônio público? Viva o coxinha!
O coxinha é contra o ataque à propriedade privada? Viva o coxinha!

Os coxinhas, ao longo da história, fizeram a riqueza das nações. Geraram os excedentes que permitiram à humanidade ir além do reino da necessidade. Já os utopistas deram à luz todas as ideias que matam muitos milhões — de direita ou de esquerda. E antes ainda que essa terminologia pudesse ser empregada.

Atenção, meus caros! A Revolução dos Coxinhas — uma revolução sem armas — é hoje majoritária porque expressa a vontade da esmagadora maioria dos brasileiros. Mas ela também é contramajoritária porque é alvo da fúria dos aparelhos ideológicos e de pensamento dominados pelas esquerdas.

Onde é que os manifestantes, os “coxinhas”, mais apanham hoje em dia? Na academia, especialmente nas universidades públicas, que concentram a suposta elite intelectual do país. Também é grande o rancor contra os manifestantes em setores importantes da imprensa. Hoje, até jornalistas se dedicam a uma espécie de “caça às bruxas da direita”, que estariam estimulando os protestos.

E, no entanto, pergunto: que grande ofensa à democracia está nas ruas? Grupelhos sem nenhuma importância, que defendem um governo militar, são vaiados pelos coxinhas em cena aberta. O que as esquerdas não suportam é que muitos milhares, milhões talvez, possam ocupar o espaço público e pedir democracia e moralidade vestindo as cores nacionais, sem portar as tradicionais bandeiras vermelhas das esquerdas, que democráticas nunca foram porque a esquerda, a esquerda de verdade, nunca quis democracia — a menos que alguém me exiba um texto teórico em que um esquerdista autêntico defenda o regime democrático.

É a direta que está na rua? Aqui já se disse: são as pessoas direitas, inclusive as de direita — e com todo o direito de sê-lo, a menos que alguém me cite um fundamento da Constituição e das leis que evidenciem que as ruas são um monopólio das esquerdas.

Os que trabalham cansaram de ser governados por aqueles que só pensam em distribuir o fruto do esforço alheio. Uma distribuição que não busca fazer justiça social, mas alimentar um aparelho partidário que tenta se impor na base do grito e da trapaça — inclusive a eleitoral.

Os coxinhas vão hoje às ruas contra a pregação de intelectuais, contra a pregação dos aparelhos universitários, contra a pregação esquerdista de boa parte da imprensa — que o petismo ainda tem o topete de chamar de “golpista” para justificar o financiamento da pistolagem dos blogs sujos, confessado por um documento da Secom.

Esses tais coxinhas, em suma, formam hoje a maioria do povo brasileiro, mas são tratados como seres desprezíveis, crias do reacionarismo, ignorantes rematados que estariam preocupados apenas em proteger seus privilégios — como se a defesa do mérito e do esforço significasse uma agressão aos direitos humanos.

O dia 12 de abril vem por aí. Outro domingo! É que os coxinhas trabalham e estudam nos demais dias da semana. Não recebem pensão de partido. Não estão no comando de nenhuma ONG ligada à legenda. Não ocupam cargo público por indicação política. Não compõem a diretoria de aparelhos sindicais. Não vivem do leite de pata que alimenta os ditos movimentos sociais.

Dilma pode dar um murro na mesa e ordenar que os petistas façam seus milicianos enfiar a viola no saco, deixando a democracia correr livre, leve e solta, sem hostilidades desnecessárias. Ou pode deixar que os companheiros, mais uma vez, tenham a ideia asnal de promover seu “antiato” antes do ato. Nesse caso, quem sabe estimulem a reunião não de dois milhões de coxinhas, mas de quatro milhões…

O petista André Singer vê na rua a “nova direita” e diz tratar-se de uma “reação” ao lulismo. Entendo: ele não consegue pensar fora da camisa de força da dialética, a dama de honra de todo esquerdista errado. Singer ainda não aprendeu que, para que assim fosse, os que agora se manifestam precisariam ter construído uma “contrautopia” para se opor à do petismo. Ocorre que pessoas saudavelmente conservadoras — e os coxinhas são saudavelmente conservadores — não têm utopia nenhuma que não seja um governo eficiente, honesto e que não encha o seu saco.

O diabo é que o governo do PT não é eficiente, não é honesto e enche o saco! No mundo lulocêntrico de Singer, Lula cria até a sua própria contradição. Que coisa triste!

Não sei quantas pessoas haverá nas ruas no dia 12. Não fiz previsões antes e não farei agora. Uma coisa eu sei: os coxinhas vieram para ficar. Contra a vontade da academia. Contra a vontade da imprensa esquerdizada. Contra a vontade dos que achavam que o assalto ao estado brasileiro coincidia com o fim da história e que nada mais de novo iria acontecer.

Vai acontecer. Já está acontecendo! Pra cima com a viga, coxinhas!

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Ódio à democracia: estafetas do petismo, disfarçados de imprensa, preparam nova lista negra de jornalistas e veículos que seriam “culpados” pelos protestos

O PT já convocou seus estafetas na imprensa e seus esbirros na subimprensa para satanizar jornalistas e veículos de comunicação que consideram “responsáveis” pelas manifestações de protesto contra o governo Dilma e contra o petismo. Atribuem a esses “adversários” o que chamam de estímulo à “direita raivosa”. Trata-se de uma raiva estranha:

– não tem armas;
– não agride ninguém;
– veste as cores nacionais;
– não depreda patrimônio público;
– não ataca o patrimônio privado;
– valoriza o trabalho;
– dedica-se ao estudo;
– aposta no mérito;
– opõe-se, por óbvio, à roubalheira:
- defende a Constituição e as leis.

Ainda que houvesse mesmo, o que é falso, dois ou três responsáveis por essas manifestações em defesa da democracia e do estado de direito, seria o caso, então, de perguntar se os valores que estariam sendo estimulados são ruins. Se o que vai acima é coisa da direita raivosa, cumpre indagar: qual é, então, a esquerda amorosa? A que se arma? A que agride? A que veste vermelho? A que depreda o patrimônio público? A que ataca o patrimônio privado? A que despreza o trabalho? A que faz pouco caso do estudo? A que repudia o mérito? A que defende o roubo social?

Em junho do ano passado, por ocasião das manifestações de protesto no período da Copa do Mundo, Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, incluiu meu nome numa lista negra de nove pessoas que, segundo ele, estimulavam o ódio. No link, vocês encontram os demais, se é que ainda não sabem.

Muito bem! A Copa passou. Boa parte dos brasileiros que estão nas ruas em março de 2015 — e que devem voltar no dia 12 de abril — não se manifestou em junho de 2013 (movimento majoritariamente liderado pelas esquerdas) e em junho do ano passado: com perfil mais heterogêneo, mas, ainda assim, com sotaque esquerdista. Desta vez, de fato, o público é outro. Conversei com muita gente na Paulista no dia 15 de março. Boa parte estava no seu evento inaugural. Protestos e manifestações, como sabemos, costumam ser coisas de profissionais da militância ou de mercenários pagos por esses profissionais. Gente que trabalha e estuda não têm tempo para isso — infelizmente!

Mas houve, tudo indica, o despertar da indignação. O Reinaldo, a Maria ou o J. Pinto Fernandes do poema de Drummond não respondem pelos milhões nas ruas. Reinaldo e outros tantos jornalistas que estão na mira do PT não levam 100 para a praça. Mas Dilma, Lula e José Dirceu podem levar milhões. E daí? O partido convocou seus aliados para a guerra suja. E ela já está em curso. OS MALUCOS NÃO ESTÃO ENXERGANDO DIREITO A REALIDADE. NÃO PERCEBEM QUE JÁ NÃO DITAM A PAUTA E QUE O ESFORÇO PARA DESQUALIFICAR OS “ADVERSÁRIOS” SÓ FORTALECE AQUELES CUJO TRABALHO QUEREM MACULAR.

Vamos à luta. Guerra suja se vence com informação. E a ela, então, vamos nos dedicar para botar os devidos pingos nos “is”. Mas o trabalho de intimidação será inútil. Servirá, ao contrário do que pretendem, para marcar posições. Eu acho que é mesmo chegada a hora de definir com mais clareza o papel de cada um e o lado que ocupa no polígono das ideias.

Neguei, e continuo a negar, que a manifestação do dia 15 tenha sido de direita. Não porque a designação me incomode. Basta ler o que escrevi a respeito ao longo de mais de oito anos. É que sou um democrata da direita realista, não um otimista. O “ser de direita” supõe que as pessoas já plasmaram também um universo conceitual e um conjunto de prefigurações e até de utopias que gostariam de ver realizadas — no caso, identificadas com as liberdades individuais, o livre mercado, a democracia política e a redução drástica do poder do estado.

A pauta da rua é parente desses valores, mas não é ideológica — ideológicas são, isto sim, as invectivas hidrófobas de parte considerável da esquerda contra a população que trabalha, que arrecada impostos e que faz o país funcionar.

Aguardem a nova lista negra. Afinal, como sabemos, a Secom — Secretaria de Comunicação da Presidência — admite que os companheiros fornecem “munição” ao subjornalismo para ser “disparada” pelos “soldados de fora”.

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Da Vaca Sagrada à Vaca Profanada. E com tosse. Ou: Será muito difícil Dilma mudar o ânimo das ruas

Não será fácil para a presidente Dilma Rousseff mudar o ânimo das ruas. E, a se levar em conta o que andam a sugerir alguns aloprados do PT, a coisa pode piorar. Os veículos e subveículos de comunicação que servem ao poder e ao partido decidiram que é hora de fazer novas listas negras de jornalistas. Esses caras não perceberam que esse tipo de prática milita contra a estabilidade da própria presidente. Agredir moralmente os que divergem do governo corresponde a dar um tiro no pé. Mas os valentes não abrem mão da linguagem do confronto.

A pesquisa Datafolha que captou os números desastrosos da popularidade da presidente — apenas 13% de ótimo e bom e 62% de ruim e péssimo — também quis saber se os entrevistados acham que Dilma sabia ou não das lambanças na Petrobras. Esse resultado consegue ser ainda pior do que o de sua popularidade.

Para 84%, Dilma sabia, sim, da corrupção na estatal. Desse total, 61% sustentam que ela sabia e nada fez; outros 23% avaliam que ela tinha conhecimento, mas nada poderia ter feito para impedir a sem-vergonhice. Ou por outra: 61% a veem como conivente, e 23%, como uma fraca. É difícil saber o que é pior.

Sim, entre os que votaram em Aécio, é esmagador o percentual dos que afirmam que Dilma sabia de tudo: 94%. Ocorre que é também gigantesco entre os que declararam voto na presidente: 74%. Nada menos de 88% afirmam que a Petrobras será prejudicada pelos escândalos — para 51%, um prejuízo que vai durar muito tempo. A elite petista, no entanto, insiste na tecla suicida de que tudo não passa de uma conspiração de golpistas. É também o que afirmam os colunistas da grande imprensa que servem de esbirros do partido.

Sabemos como são as coisas, não? Se a presidente tivesse à mão um conjunto de instrumentos ou de política econômica maiúscula ou mesmo de generosidades pontuais com que acenar, talvez se pudesse apostar numa mudança do quadro num tempo razoável. Mas, como indagaria Noel Rosa, “com que roupa?” A margem de manobra é nenhuma. Ao contrário: o ciclo de dificuldades decorrente do ajuste recessivo — que tem de ser aplicado — ainda nem começou a surtir efeito.

O fator Petrobras
É claro que a crise econômica e as promessas obviamente não cumpridas de Dilma levam muitos milhares às ruas. Raramente se teve com tanta clareza a evidência do estelionato eleitoral. A própria Dilma sugeriu que, em 2003, Lula mocozeou o programa do PT e governou com outro. É verdade. Mas foi bom para os brasileiros. Se o Apedeuta tivesse destruído o Plano Real, aí, sim, teria havido um desastre. Desta feita, a vida piorou.

Entendo que a coisa vai além da crise, o que as pesquisas ainda não pegaram. O PT tratou a Petrobras como a Vaca Sagrada da nacionalidade nas campanhas de 2002, 2006 e 2010. E teria feito o mesmo em 2014, não fosse a Lava Jato. Propagava aos quatro ventos que os adversários queriam privatizar a empresa, que não tinham por ela nenhum respeito, que agrediam os interesses nacionais…

E eis que os brasileiros — que aprenderam com os petistas que a Petrobras era um altar de bênçãos — descobrem que os companheiros haviam transformado a empresa num antro de safadeza, de roubalheira e de rapinagem. A Vaca Sagrada foi profanada.

Queriam o quê? A bomba explodiu no colo de Dilma. Afinal, ela está no poder há 13 anos, não é mesmo?

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Desempenho de Dirceu prova que o PT mudou o Brasil: país, agora, é assaltado também pelas novas elites, não só pelas velhas

Informação que veio a público neste fim de semana desenha de maneira clara, insofismável e sem retoques a fuça e a face do patrimonialismo à moda petista. Para conferir especial colorido ao retrato, a personagem central da tela é ninguém menos do que José Dirceu, aquele que foi apontado pelo Ministério Público Federal como chefe da quadrilha do mensalão — um crime pelo qual acabou não sendo condenado pelo Supremo, como se sabe.

Pois bem: Dirceu está de volta ao centro da narrativa. Na semana passada, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, tornou públicos os dados fornecidos pela Receita Federal sobre a JD Consultoria, a empresa do chefão petista. Sem nenhuma tradição na área, o empreendimento poderia figurar em qualquer lista de maiores e melhores, não é? O Zé conseguiu faturar R$ 29,2 milhões entre 2007 e 2013. Só em 2012, ano em que foi condenado, ganhou R$ 7 milhões; em 2013, ano em que ficou preso, R$ 4,2 milhões. Duvido que presidiário de qualquer outro ramo tenha ganhado tanto dinheiro em atividade lícita ou ilícita. Ele ainda acabará sendo acusado de concorrência desleal…

Segundo informou a Folha no domingo, o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, confessou que o pagamento que fazia à “consultoria” de José Dirceu era descontado da comissão de 2% que pagava ao esquema criminoso, decorrente de seus contratos com a Petrobras. Outro representante da Camargo Corrêa afirmou que pagava pelos “serviços” do ex-ministro com receio de ser prejudicado nos negócios.

E chego, assim, então, ao ponto que me interessa. O que é o patrimonialismo senão a apropriação ilegal, promovida por uma elite perversa, do bem público, de sorte que os interesses privados, de uma minoria espoliadora, acabam se sobrepondo aos interesses coletivos? O que é o patrimonialismo senão a recusa dos valores republicanos e a negação, na prática, da democracia política?

Não! Isso não é novo por aqui. Há uma sólida literatura política sobre o tema em nosso país e sobre as várias feições que esse patrimonialismo pode assumir: nacionalismo fascistoide, populismo de direita, populismo de esquerda etc.

Em 2003, o assalto ao bem público para privilegiar uma casta ganhou uma nova feição. O patrimonialismo então se reciclava e expropriava, vejam a ousadia, também o discurso da reparação social. Isto mesmo: o modelo petista não assaltou apenas os cofres públicos. Roubou também o discurso da justiça social.

Sim, antes da chegada do PT ao poder, havia o coronelismo nordestino, ainda que com novo verniz. E continuou a existir depois do PT. Havia alguns nababos da indústria que se beneficiavam de protecionismos ou linhas especiais de crédito. Continuaram a existir depois do PT. Havia uns tantos medalhões do mercado financeiro que sempre souberam negociar o binômio estabilidade-títulos públicos. Continuaram a existir depois do PT.

O PT dito de esquerda soube negociar e compor com o velho patrimonialismo com impressionante destreza, mas tinha a sua própria agenda. Soube ser generoso com o velho sistema, mas começou a impor o novo patrimonialismo, que consiste em aquinhoar o aparelho partidário e suas franjas com, digamos, uma “taxa de sucesso”. É assim que a corrupção se generalizou e se tornou um método. É assim que empreiteiros — de perfil político certamente conservador — se tornaram os intermediários do assalto ao estado promovido por um partido que se diz de esquerda.

E como é que Dirceu entra nessa história? Tanto no velho como no novo patrimonialismo, há espaço para esquemas individualizados, não é? Que Dirceu fosse uma potência no ramo da consultoria, isso VEJA já havia evidenciado em agosto de 2011, quando revelou que, mesmo processado pelo STF, ele mantinha em Brasília uma espécie de governo paralelo.

O centro clandestino de poder ocupava um quarto no hotel Naoum. A revista informou, então, que, em apenas três dias, entre 6 e 8 de julho de 2011, o homem  recebeu uma penca de poderosos. Prestem atenção a alguns nomes da lista de notáveis que foram beijar a mão do Zé, com os cargos que exerciam então: Fernando Pimentel, ministro da Indústria e Comércio; José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras; e os senadores Walter Pinheiro (PT-BA); Lindbergh Farias (PT-RJ); Delcídio Amaral (PT-MS) e Eduardo Braga (PMDB-AM). Naquele ano, sua consultoria lhe rendeu R$ 4,7 milhões. No ano seguinte, no seu melhor, R$ 7 milhões.

O PT não prometeu mudar o Brasil? Mudou, ora essa! Antes, só as ditas elites tradicionais assaltavam o país. Com a chegada do partido ao poder, esse assalto passou a ser dividido com as novas elites.

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PT olha para o Datafolha com lente cor de rosa

O PT dedicou quatro parágrafos do noticiário que veicula no seu portal eletrônico à reprodução dos resultados mais recentes coletados pelo Datafolha. Informou que 61% dos brasileiros querem que a Petrobras continue sendo estatal. Absteve-se de mencionar outros resultados da mesma pesquisa.

Ignorou, por exemplo, que 84% —oito em cada dez patrícios— avaliam que Dilma Rousseff sabia que a corrupção carcomia a Petrobras. Sonegou outro dado relevante: 61% acham que a presidente “deixou'' que a ladroagem ocorresse. Outros 23% acreditam que, embora soubesse da pilhagem, ela “não poderia fazer nada.”

Olhar para pesquisas com óculos de lente cor de rosa melhora muito a visão da realidade. O diabo é que é tudo ilusão de ótica.

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PSDB decide se opor ao ajuste fiscal de Levy

O PSDB decidiu se opor às propostas de ajuste fiscal enviadas pelo governo ao Congresso. Isso levará o tucanato a viver uma experiência paradoxal. Acusado por Dilma Rousseff durante a campanha presidencial de tramar medidas impopulares, o ex-presidenciável Aécio Neves comandará a resistência ao pacote indigesto embrulhado por Joaquim Levy, um ex-colaborador do time econômico do seu comitê eleitoral.

Ao nomear para o Ministério da Fazenda Joaquim Levy, egresso da diretoria do Bradesco, Dilma parecia ter sequestrado a agenda do seu ex-oponente, condenando-o ao silêncio. Mas Aécio e o tucanato refinam o discurso. Além de realçar o “estelionato eleitoral” praticado pelo petismo, sustentarão que o ajuste encampado por Dilma a contragosto é “tímido”. Limita-se a “aumentar impostos” e a “suprimir direitos” trabalhistas e previdenciários.

Para não ser acusado de repetir a oposição radical que o PT fazia ao governo Fernando Henrique Cardoso, o tucanato planeja defender a adoção de uma pauta alternativa. Nela, o ajuste fiscal é parte de um amplo programa de “reformas estruturais''. De resto, planeja-se emendar as propostas do governo. Alega-se que faltam ao embrulho de Dilma, por exemplo, medidas que imponham sacrifícios maiores à União e estimulem os investimentos, indispensáveis à retomada do crescimento da economia.

O PSDB sinalizou seus planos aos parceiros de oposição —DEM, PPS e Solidariedade. Sem prejuízo de que cada legenda formule suas emendas, espera-se que a oposição atue em conjunto, forçando o PT de Dilma a defender as medidas impopulares que ela dizia na campanha que não eram necessárias.

— Atualização feita às 3h13 desta segunda-feira (23): Em artigo veiculado na 'Folha', sob o título “Pagando a conta”, Aécio Neves anotou: “Temos hoje um governo sem qualquer diálogo com a sociedade, que faz o que quer, como quer e quando quer. Sem um plano de desenvolvimento, e eleito com base em promessas que não serão cumpridas, entrega ao país um ajuste rudimentar que terá um custo muito elevado para a sociedade, pois será baseado na redução de direitos dos trabalhadores, cortes do investimento público e aumento de carga tributária.”

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Cenas improváveis!




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Blog do Josias

‘Eu não sabia’ joga PSDB e PT no mesmo saco

Uma das visões mais partilhadas no Brasil em relação aos políticos é a de que são todos uns a cara esculpida e escarrada dos outros. Na linguagem do asfalto: farinha do mesmo saco. Em campanha, declaram-se capazes de tudo para melhorar a vida da coletividade. Eleitos, revelam-se incapazes de todo. Ao menor sinal de escândalo, recorrem a um mesmo e invariável axioma: “Eu não sabia!”

Trata-se de uma desculpa multiuso. Serve para o Lula posar de inocente no mensalão do PT. Serve para o Azeredo se fingir de morto no mensalão do PSDB mineiro. Serve para Dilma reivindicar o papel de cega no petrolão. E passou a servir para que o Alckmin tente desembarcar do escândalo do cartel dos trens e do metrô de São Paulo.

Há dois dias, ganhou as manchetes a notícia de que a Justiça de São Paulo aceitou uma denúncia do Ministério Público sobre o cartel que operava sob as plumas do tucanato paulista. A encrenca envolve 11 empresas. São acusadas de se juntar num conluio para fraudar licitações e obter contratos da CPTM, a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

A promotoria pede que sejam devolvidos aos cofres públicos R$ 481 milhões —a cifra, ainda sujeita a correção monetária, corresponde ao valor dos contratos e a uma indenização por danos morais. As fraudes citadas no processo ocorreram entre 2000 e 2007. Na maior parte desse período, o governador era Alckmin. Só deixou o cargo em 2006, para ser derrotado por Lula numa peleja presidencial.

Alckmin, você sabe, já declarou que “não sabia” da tramóia. Se houve cartel, costuma dizer o governador tucano, o Estado é “vítima”. E vai buscar o ressarcimento. Levando-se em conta tudo o que já havia sido noticiado em 2008, o lero-lero do governador perde substância.

Naquele ano de 2008, autoridades francesas e suíças invadiram os porões da Alstom, outra empresa do cartel. Recolheram sólidos indícios de pagamentos de propinas pelo mundo, algumas delas no Brasil –parte em São Paulo, parte na esfera federal. Em 2009, Alckmin ocupou o cargo de secretário de Desenvolvimento de São Paulo, no governo do correligionário José Serra. Em 2010, reelegeu-se governador. E nada de varejar os contratos.

Além de ser uma impossibilidade genética, a tese segundo a qual todos os políticos são iguais é uma armadilha perigosa. Na prática, desobriga o eleitor. Se são todos iguais, para que votar? Numa democracia ideal, a chave do sucesso está na capacidade de distinguir as diferenças.

A democracia brasileira talvez comece a ser construída no dia em que a plateia se der conta do seguinte: governantes que nunca sabem de nada são tolos ou cúmplices. Em qualquer hipótese, comprar um carro usado na mão deles ou dar-lhes o voto são coisas muitos arriscadas.

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Realidade!



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Aparece a conexão de Youssef com o porto de Mariel em Cuba. Faturou os tubos! Com portas abertas por José Dirceu.

Estava na cara. Os empréstimos do BNDES para obras das empreiteiras no exterior também faziam parte do propinoduto do PT. Youssef também atuava em países da América Latina e da África, entre eles Cuba, Uruguai e Angola - regiões onde o ex-ministro José Dirceu prestava consultoria internacional para empreiteiras do cartel investigado pela Operação Lava Jato. É o que mostra a lista de cerca de 750 contratos apreendida em seu escritório, em São Paulo, em abril do ano passado. É o que informa o jornal Estado de São Paulo, na matéria abaixo.

Em Cuba, a lista de Youssef registra negócio nas obras do Porto de Mariel com a Olex Odebrecht Logística e Exportações, braço administrativo no exterior da Construtora Norberto Odebrecht - responsável pela obra e alvo das investigações da Lava Jato por cartel e corrupção. O valor do contrato negociado pelo doleiro, segundo o registro, foi de R$ 3,6 milhões, referente a cotação de tubos. O contrato data de 2010. A construtora nega irregularidades e relação com Youssef. Há ainda referências a negócios no Uruguai, Costa Rica, Argentina, Equador e Angola.

A força-tarefa da Lava Jato considera a lista o mapa dos negócios feitos por Youssef, entre 2009 e 2012, em nome da empresa de tubo Sanko Sider - alvo de ação penal -, por meio da qual o doleiro ocultava dinheiro de propina. A Sanko serviu para desvios nas obras da Refinaria Abreu e Lima, via empresas de fachada de Youssef.

O doleiro pode ter recebido, no total, R$ 11 bilhões em comissões. Na planilha, para cada projeto destacado há um cliente vinculado, geralmente uma grande construtora, e para cada cliente há um cliente final, quase sempre empresas públicas, como a Petrobrás e algumas empresas privadas. O juiz federal Sérgio Moro considerou a lista prova de que os crimes do doleiro transcenderam a estatal petrolífera.

Cruzamento. Investigadores da Lava Jato cruzam agora os negócios de Youssef nesses países da América Latina e África com os serviços de consultoria prestados pela empresa JD Assessoria, do ex-ministro José Dirceu, que passou a ser investigada no final do ano passado por suspeita de ter prestado falsas consultorias para ocultar o pagamento de propina.

A JD trabalhou para empresas do cartel que atuava na Petrobrás em países onde Youssef também buscou negócios. Cuba é um deles. A função de Dirceu seria “abrir portas”, o que incluiria a intermediação de encontros entre autoridades estrangeiras e empresas brasileiras que pretendiam fazer negócio no exterior. A JD foi contratada pela Engevix Engenharia, uma das investigadas pela Lava Jato, por exemplo, para abertura de negócios em Cuba e no Peru.


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Blog do Josias

Em crise, PT perdeu o recato, o discurso e a rua

Quando estourou o mensalão, o PT simulou desconforto. Chegou mesmo a encenar o expurgo do então tesoureiro Delúbio Soares dos seus quadros. Hoje, no auge do petrolão, o partido não consegue exibir nem mesmo um mal-estar fingido. Perdeu inteiramente o recato.

Quando a cúpula do PT foi parar na cadeia, o partido fez pose de vítima injustiçada. Hoje, com o tesoureiro João Vaccari Neto denunciado pela Procuradoria e o mito José Dirceu devolvido às manchetes policiais, a legenda finge-se de morta. O PT perdeu o discurso.

No primeiro mandato de Lula, quando a oposição ensaiou um coro de impeachment, o PT ameaçou convulsionar o asfalto. Há uma semana, o meio-fio rosnou para o petismo e pediu a saída de Dilma. O PT perdeu o monopólio da rua.

No comando do poder federal desde 2003, o PT atravessa a mais grave crise de sua curta existência de 35 anos. A legenda chega ao seu 5º Congresso, marcado para junho, de ponta-cabeça.

Considerando-se a pauta do Congresso —da “atualidade do socialismo petista” até “a economia política pós-neoliberal”— o PT está perdido. Não é que o partido não tenha farejado uma solução para o seu problema. Em verdade, o PT ainda não enxergou nem o problema.

O PT assiste à hemorragia da recém-instalada segunda administração de Dilma Rousseff com a passividade de quem se julga capaz de ressuscitar com Lula em 2018. Erro primário. Sem Dilma, pode não haver Lula daqui a três anos e nove meses.

Pregoeiro do “nós-contra-eles”, o PT testemunha o crescimento do “quase-todos-contra-nós”. Acusa os adversários de estimularem o ódio contra o PT. Mas esquece de levar em conta que o antipetismo é uma reação ao ódio destilado pelo PT.

O manual anticrise do PT está com o prazo de validade vencido. Qualquer um que não reze pelo catecismo da legenda é um lacaio da elite branca de olhos azuis. Mas a crise moral e a ruína política que fazem a caveira do PT não carregam as digitais da oposição. Com a imagem e as práticas estilhaçadas, o PT afunda sozinho.

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Reforma política sairá nem que seja ‘na marra’

Em seminário realizado na Assembléia Legislativa do Paraná, Eduardo Cunha disse que levará uma proposta de reforma política a voto no plenário da Câmara até maio. Fará isso, segundo declarou, nem que seja “na marra”.

Hoje, o tema é debatido numa comissão especial composta em fevereiro. O grupo dispõe de 40 sessões para colocar uma proposta em pé. O prazo termina em meados de maio. Eduardo Cunha avisou:

“Ao fim dessas 40 sessões, se a comissão não tiver condições ou capacidade política de entregar um projeto, nós avocaremos a reforma para o plenário e votaremos no plenário, com ou sem parecer. Nós vamos parar aquela Casa por uma semana, de segunda a sexta-feira, se precisar vamos votar dia e noite, de madrugada, até que o voto resolva todas as divergências.”

Se prevalecer a lógica do vai ou racha, será votado um projeto elaborado em 2013 por uma comissão pluripartidária de deputados e senadores. Prevê, entre outras coisas: fim da reeleição, voto facultativo e financiamento misto da eleição, na contramão do que desejam Dilma Rousseff e o PT.

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Impopularidade!



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Com amigos como esses, Dilma não irá a lugar nenhum
Ricardo Noblat

Com aliados como esses, de que maneira a presidente Dilma Rousseff poderá enfrentar os duros anos que se avizinham?

Afinal, que interesse eles têm? O de fortalecer a presidente como dizem? Ou a de enfraquecê-la como negam?

Ontem foi dia de João Pedro Stédile, coordenador nacional do Movimento dos Sem Terra, aquele cujo “exército” Lula ameaçou convocar para sair às ruas em defesa de Dilma.

No assentamento Lanceiros Negros, em Eldorado do Sul, Região Metropolitana de Porto Alegre, Sétille repreendeu Dilma sem o menor pingo de vergonha.

Primeiro atacou Joaquim Levy, ministro da Fazenda. Num discurso quase do mesmo tamanho do discurso de Dilma, Stédile, recomendou humildade a Levy.

— Ser mais humilde não é para ir para o céu, é para ouvir o povo, as nossas organizações, para saber onde tem problema. Por que o seu Levy não vem discutir conosco? Não é só cortar e cortar. Podemos baixar a taxa de juros. Chame o povo para baixar a taxa de juros.

De quebra, Stédile malhou a classe média que no último domingo protestou contra Dilma, o PT e a corrupção. Tudo o que Dilma quer é se reconciliar com a classe média. Stédile atacou-a sem piedade.

- Por que querem derrubar a Dilma, que é quase uma santa? Vocês acham que a Dilma cometeu algum crime? Querem é dar um golpe nos programas sociais. A classe média não aceita assinar carteira de empregada doméstica, nem ver filho de agricultor na universidade. Não é contra o governo, é contra os pobres.

E emendou:

- Companheira Dilma, não se assuste. Deixe o (Miguel) Rossetto [ministro da Secretaria-Geral da presidência da República] cuidando do Palácio e venha para as ruas, onde vamos derrotar a direita e seu plano diabólico.

Dilma respondeu constrangida:

- — Ele tem a concepção dele, eu tenho a minha. A concepção de um movimento é uma, a de um governo é outra., É absolutamente democrática a crítica dele. Agora, entre ser democrática e a gente aceitar, há uma pequena distância.

Na quarta-feira, Cid Gomes, então ministro da Educação, resolvera peitar Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, mesmo sabendo que isso criaria problemas para Dilma.

Sugeriu que ele é achacador – um dos 300 ou 400 que existem na Câmara, e que só querem extrair vantagens do fato de apoiarem Dilma.

Eduardo antecipou que ele seria demitido. Dali a menos de 10 minutos, o governo anunciou a demissão de Cid. Que saiu de herói diante de uma parcela dos brasileiros, ávida por quem enfrente políticos picaretas. Dilma ficou mal.

Dilma está mal depois que Lula, uma vez mais, deixou vazar os conselhos que lhe deu, e que ela hesita em seguir.

Lula cobra de Dilma uma reforma ministerial ampla. Que tire Aloizio Mercadante da Casa Civil, transferindo-o para o Ministério da Educação. E que entregue a Secretaria de Comunicação do governo a um nome do PT. A Secretaria nada em dinheiro. E o PT...

Ora, o PT se sente atraído por dinheiro. Como mosquito se sente atraído pela luz.

Se depender de Dilma, ela não fará nada do que sugere Lula. O que o deixará furioso. O projeto dele de ser novamente candidato a presidente em 2018 passa por um governo bem-sucedido de Dilma. Do jeito que vai, Lula acha que Dilma vai mal, muito mal.

Lula evita entrar em bola dividida. Ele tem o pendor de entregar qualquer cabeça para salvar a sua. Não se arriscará a uma derrota depois de ter sido eleito e releito, e de ter elegido e reelegido Dilma.

Que graça haveria em ter inaugurado um novo ciclo político, o do PT, e em fechá-lo?

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PSDB entra com representação contra ministro por causa de documento aloprado

Carlos Sampaio (SP), líder do PSDB na Câmara, entrou com uma representação no Ministério Público Federal contra Thomas Traumann, ministro da Comunicação Social. O partido o acusa de improbidade administrativa por usar a Secom (Secretaria de Comunicação) para a promoção pessoal e eleitoral da presidente. A confissão está num documento que traz a chancela do órgão, revelado pelo Estadão. Já escrevi a respeito.

No texto que veio a público (íntegra aqui), a Secom admite que usa blogueiros como “soldados”, que “disparam” com “munição” fornecida pelo governo. Fica a óbvia sugestão de que se trata de uma parceria comercial. É asqueroso. O documento vai além: defende que a publicidade federal se concentre em São Paulo, casada à imagem do prefeito Fernando Haddad.

Isso contribuiria para diminuir a sua rejeição, o que seria bom para Dilma. O autor do texto diz ainda que é preciso submeter a uma mesma orientação as páginas de Dilma na Internet (inclusive uma administrada pelo PT), a “Voz do Brasil” e a “Agência Brasil”, que são órgãos do Estado brasileiro, não do governo.

A representação apresentada pelo PSDB considera:
“Nesse mesmo documento, aparecem análises sobre as estratégias das campanhas da presidente Dilma de 2010 e 2014, além de propostas para ‘virar o jogo’ eleitoral, dividindo responsabilidades, exclusivas da Pasta, com pessoas alheias à administração pública, como o PT, o Instituto Lula e blogueiros”. Diz Sampaio: “Pelo que se extrai do referido documento, em nenhum momento as ações da Secom visavam beneficiar o cidadão brasileiro, mas sim fazer com que a presidente Dilma se viabilizasse politicamente e eleitoralmente”.

O texto da Secom deixou perplexos até alguns governistas. Traumann está nos EUA e não comentou o vazamento do documento. Ele é apontado como candidato à vaga do lulista Wilson Santarosa, que foi demitido da gerência de Comunicação Institucional da Petrobras. Pois é… Se o homem, naquele texto, apontou “caos político” no Brasil, a gente pode imaginar o que diria da estatal nestes dias.

Vamos ver. A questão obviamente não está neste ou naqueles nomes apenas. O que interessa é o procedimento. Se Traumann sair da Secom — e não vejo como possa ficar depois de revelar as práticas que estão em curso —, isso não quer dizer que vá necessariamente melhorar. Depende de quem será escolhido.

Enquanto a verba de publicidade for usada para beneficiar amigos e punir os indiferentes; enquanto o governo recorrer à mão de obra de aluguel para promover a baixaria nos blogs e nas redes sociais, bem, será dispensável demonstrar que crimes estarão sendo cometidos por lá.

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Dilma chama um movimento que pratica crimes de “democrático” e trata como criminosos os que saem às ruas para cobrar decência

A presidente Dilma Rousseff foi nesta sexta a um assentamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), em Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, para participar da abertura da colheita de arroz ecológico. E ouviu uma aulinha de política do professor João Pedro Stédile.

O professor João Pedro Stédile é aquele que prometeu pôr seu “exército” a serviço da preservação do mandato de Dilma. O professor João Pedro Stédile é aquele que, há poucos dias, saudou um ato de terrorismo praticado por seus soldados mulheres, que invadiram um laboratório de pesquisas e destruíram mudas de eucalipto transgênico. O professor João Pedro Stédile é aquele que promove, com alguma frequência, bloqueio de estradas e que lidera, do gabinete, a indústria de invasão de propriedades rurais.

Se alguém ainda não entendeu, escrevo de outro modo, por meio de indagações. Se Dilma pode ir a um evento de um grupo cujos membros cometem crimes em penca — e o fazem de modo que não possam ser responsabilizados por isso —, com que outras forças criminosas também poderia se encontrar para demonstrar que gosta do diálogo? Se trabalhadores ditos “sem terra” têm licença para depredar laboratórios, que tipo de crimes seriam tolerados de trabalhadores com terra, presidente?

É, senhoras e senhores! Dilma não foi ao evento apenas para prestigiar o MST. Teve de ouvir um pito de Stédile, que cobrou humildade dos ministros. Mais do que isso: reivindicou que Joaquim Levy vá discutir as medidas fiscais com o MST. Acusou ainda o ajuste em curso de prejudicar programas sociais. Falou por 19 minutos. Dilma discursou por 33. Defendeu as medidas na área econômica, afirmou que não pode governar com os olhos de um “movimento social” e negou que os mais pobres estejam sendo prejudicados. A presidente, em suma, se justificava diante de Sua Excelência João Pedro Stédile.

Retrato, até aqui, como diria a poeta Cecília Meireles, “o patético momento” de Dilma. A coisa iria piorar muito, caminhando para o grotesco. Em entrevista depois da solenidade, afirmou a presidente:
“Acho absolutamente democrática a crítica dele. Agora, entre a crítica ser democrática e a gente aceitar a crítica, tem uma pequena distância”.

A presidente já tinha percorrido uma boa parte da trilha do erro. Poderia ter parado por aí. Mas, quando se é Dilma, sempre se dá mais um passo depois de chegar ao limite. Resolveu atacar a oposição, aqueles que seriam partidários do “quanto pior, melhor”. Mandou bala: “Tem gente no Brasil que aposta no quanto pior, melhor. São os chamados pescadores de águas turvas. O que querem não me interessa. O fato é que apostam contra o Brasil. Você não pode apostar contra o seu país”.

Dilma tem, agora, a obrigação de dizer quem aposta no quanto pior, melhor. Dilma tem agora a obrigação de dizer quem aposta contra o Brasil. Dilma tem agora a obrigação de dizer quem é o pescador de águas turvas.

Eu vou dizer por que o governo está perdido. Se a presidente tivesse ido à Avenida Paulista no domingo — ou a qualquer outra das mais de 200 cidades onde houve protesto —, não teria conseguido discursar. Nesta sexta, no assentamento do MST, ela foi aplaudida. Nas ruas, estavam pessoas comuns, que trabalham, que arrecadam impostos, que não praticam crimes, que não recorrem à violência. No assentamento do MST, os invasores contumazes de propriedade alheia e defensores de atos terroristas contra laboratórios de pesquisa. Não obstante, Dilma associa os que protestam ao “quanto pior, melhor” e deixa claro que não se interessa por aquilo que querem. Mas chama Stédile e sua turma de democratas.

Em larga medida, e ainda voltarei a este ponto em outros textos, Dilma lembra certo presidente chamado João Goulart: é fraca, atrapalhada, mal cercada e permite que o baguncismo se infiltre no governo. Felizmente, é outro o espírito do tempo, sem a crispação ideológica daqueles dias. E outra também é a consciência das Forças Armadas. Não querem ser governo e, por determinação constitucional, são garantidoras últimas da legalidade e na normalidade constitucional. Mais: ainda que os companheiros tenham tentado, não conseguiram quebrar as pernas das instituições.

O Brasil seguirá na trilha democrática, qualquer que seja o desfecho da gestão Dilma. Não porque eles queiram. Mas porque nós queremos.


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Blog do Josias

Afagos de Perillo em Dilma irritam cúpula tucana

Integrantes da cúpula do PSDB ficaram aborrecidos com os rapapés que o governador tucano de Goiás Marconi Perillo dedicou a Dilma Rousseff. Ao saudar a presidente durante visita dela à cidade de Goiânia, Perillo disse coisas assim: “Sou de um outro partido, que às vezes faz oposição à senhora, mas eu não. Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência.''

Um integrante da Executiva Nacional do PSDB resumiu a sentimento do ninho: “Numa hora em que o PSDB adiciona pimenta no seu vatapá, o Marconi vem dizer que o partido ‘às vezes faz oposição’. Enquanto nos esforçamos para aproximar nosso discurso do sentimento de aversão das ruas pelo governo Dilma, nosso companheiro fala do ‘respeito e do reconhecimento ao trabalho’ dela. É demais! O Marconi escolheu uma péssima hora para corresponder aos que não têm nenhum motivo para confiar nele.”

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Cunha diz que nem mais 10 ministérios resolveriam os problemas com o PMDB

Num instante em que Dilma Rousseff afirma que não cogita fazer uma reforma ministerial, o peemedebista Eduardo Cunha desdenha: “Se der mais dez ministérios para o PMDB, o problema vai continuar igual”. Segundo o presidente da Câmara, a dificuldade de relacionamento do seu partido com o PT e o governo não decorre da distribuição de cargos, mas da ausência de compartilhamento das decisões.

“O partido gostaria de participar mais, discutindo tudo aquilo que precisa acontecer previamente”, afirmou. “O PMDB nunca participou disso. Ainda por cima teve que acompanhar um processo em que o governo ajudou a patrocinar um partido fictício [O PL, organizado por Gilberto Kassab] com o objetivo de nos enfraquecer.”

Eduardo Cunha fez essas declarações numa entrevista que concedeu ao diário paranaense ‘Gazeta do Povo’. Falou para um jornal do Paraná porque amanhecerá nesta sexta-feira em Curitiba, capital do Estado. Vai inaugurar na cidade um programa de viagens que o levará às 27 unidades da federação até 2016. Chama-se ‘Câmara Itinerante’.

No gogó, a iniciativa destina-se a aproximar a pauta do Legislativo dos interesses da sociedade. Na prática, tem potencial para nacionalizar a imagem do principal desafeto de Dilma no Parlamento. Junto com os deputados nativos, Cunha promoverá debates nos Estados. Fará isso numa hora em que Dilma é hostilizada nas ruas e tem dificuldades para colocar em pé um programa que vá além do ajuste nas contas da União.

A caravana de Eduardo Cunha resultará em imagens que serão exibidas na TV Câmara. O cheiro de segundas intenções levou o repórter que o entrevistou, André Gonçalves, a indagar: O senhor deseja ser presidente da República? E ele: “Meu candidato é o Eduardo Paes [prefeito do Rio]. Mas se você quiser que eu seja seu candidato…” Vai reproduzida abaixo a entrevista de Cunha:

— Quual é o significado da demissão de Cid Gomes? É o significado do tamanho dele. Ele veio aqui para ser demitido, não veio para se explicar. Na verdade mesmo, veio para fazer show, teatro.

— Mas a mensagem que ficou para o público em geral foi de que o sr. interferiu na demissão, que foi uma demonstração de força. Se ele veio aqui para ser demitido, como é que eu interferiria nisso? Ele que afrontou mais uma vez o Parlamento. Já tinha afrontado antes. Ao invés de se retratar, continuou insultando o Parlamento. Ou ele saía do governo ou essa Casa ia entrar em confronto com o Executivo. Então, eu não tenho dúvida de que ele veio aqui para sair. Se ele não viesse aqui com esse objetivo, não faria o show que fez.

— Mas o sr. acha que foi um show combinado com a presidente Dilma? Não. Foi combinado talvez com o irmão dele [o ex-deputado, ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes]. Ou com o Tico e o Teco, os neurônios dele. Com a presidente, eu não acredito.

— O sr. acha que a Câmara, como instituição, sai mais forte desse episódio? O fato de que o ministro que agrediu o Parlamento veio aqui se explicar torna a Câmara mais forte. Agora, o que ele falou aqui é consequência da política. Se ele optou por acusar ou afrontar, já sabia que perderia o cargo. Seria até mais forte ele se retratar.

— Não sei se o sr. viu a repercussão da demissão dele, principalmente nas redes sociais, mas se fala que o sr. é o presidente da República. Isso é bobagem, não é por aí.

— Muito se fala que a presidente vai fazer uma reforma ministerial em que daria mais espaço ao PMDB. Isso resolve a situação de afastamento em relação ao PT? Não existe isso. Porque o PMDB não está discutindo espaço no governo. Geralmente, uma parte da opinião pública só tenta fazer valer que o PMDB é um partido fisiológico, que tudo o que acontece no país é uma trama do PMDB para ter mais cargos. Isso não corresponde à realidade. Não estamos atrás de cargos. O partido gostaria de participar mais. É participar discutindo tudo aquilo que precisa acontecer previamente. O PMDB nunca participou disso. Ainda por cima teve que acompanhar um processo em que o governo ajudou a patrocinar um partido fictício [O PL, organizado pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab] com o objetivo de nos enfraquecer. Se der mais dez ministérios para o PMDB, o problema vai continuar igual.

— Mas o que é exatamente esse “participar”? Por exemplo, quando a gente vai discutir o ajuste fiscal, quer saber quais são as medidas iniciais, quer influenciar, quer concordar ou não com elas. Não simplesmente tomar conhecimento pela imprensa e sair depois tendo que falar sobre uma coisa que nem sabe do que se trata. O PMDB não aceita mais isso.

— E tem saída para isso, a presidente aceitaria uma participação assim? A questão é a seguinte: tem que parar de discutir se o PMDB vai ter este ou aquele governo, tem que discutir se o PMDB entra no governo de verdade.

— Passados quatro dias das manifestações, o sr. acha que a presidente aprendeu algo com o que aconteceu? Ela era o alvo, não há dúvida disso. Mas ainda não deu nem missa de sétimo dia dessa história. Tem que esperar um pouco para ver como vai ficar.

— Mas e a reação do governo, como a apresentação do pacote anticorrupção? Hoje o governo enviou o pedido de urgência para dois dos projetos anticorrupção apresentados. Um tramita aqui há dez anos e outro há quatro. De repente descobriu que eles eram urgentes? Isso aí foi uma maneira de dar satisfação. Acho que a tentativa de buscar essa satisfação é justa, correta, mas achar que isso resolve o problema, por que não pediu urgência antes?

— Então o sr. acha que ainda não houve resposta da presidente às manifestações? Eu acho que a resposta não se dá apenas por um gesto, um único ato. A gente está vivendo uma crise política. O que vai resolver é um conjunto de mudanças que atinja a forma geral de se fazer política. Não é mudar o nome do articulador político, é mudar a forma como ela é feita, por exemplo.

— O sr. já se posicionou diversas vezes contrário ao início de um processo de impeachment contra Dilma. O que faria o sr. mudar de ideia? Nesse momento? Só mudaria de opinião se houver um ato praticado por ela, no exercício do atual mandato e que haja uma denúncia do procurador-geral da República por crime de responsabilidade e que alguém proponha à Câmara uma denúncia sobre isso. É o que está na lei. Tem que ser uma ação decorrente do exercício do mandato. Na minha opinião, não tem o que fazer quanto a isso.

— Mas o que o sr. acha da pressão popular pelo impeachment? As pessoas estão achando que impeachment é recurso eleitoral. Não é. Impeachment é uma situação de constrangimento do país, de impedimento do presidente da República. Só aconteceu uma vez na nossa história, por outras razões. Você não pode achar que o Brasil é uma republiqueta que vai trocar presidente de uma hora para outra. O sistema presidencialista leva a isso. Quem votou e se arrependeu tem que esperar quatro anos para mudar o presidente. Assim como aquele que votou em mim e se arrependeu também tem que esperar. É bom para o aprendizado político, para que da próxima vez as pessoas prestem bem atenção em quem vão votar.

— Mudou algo internamente na Câmara depois da divulgação da lista dos políticos que serão investigados pela Lava Jato, que inclui o seu nome? Eu vejo [a pergunta] como algo contraditório. Você primeiro vem aqui e me pergunta se eu fiquei mais forte porque derrubei o ministro. Eu acho que não mudou nada. Até porque eu tive uma postura de espontaneamente apresentar a minha defesa completa. O procurador [Rodrigo Janot] escolheu a quem investigar. E ele me escolheu para investigar. A verdade nua e crua é que ele não tinha base para abrir a investigação contra mim. Eu acho que consegui mostrar à Casa que aquilo foi uma decisão política, com o objetivo de enfraquecer o Parlamento e quem está no seu comando. A mediana das pessoas aqui na Casa entendeu isso.

— Ou seja, para o sr. não houve prejuízo na relação com os deputados por ser um dos investigados? Pelo contrário, eu estou sendo tratado como vítima pelos parlamentares.

— Tem medo que o processo se estenda e que a investigação seja constrangedora para o sr.? Eu já respondi a dois inquéritos e a uma denúncia no Supremo Tribunal Federal na minha carreira. Nos dois inquéritos, um foi de pronto negada a instauração. O outro foi arquivado ao seu fim. E na denúncia, feita sem inquérito, eu fui absolvido por unanimidade. Eu estou habituado com essas coisas. Vou trabalhar e demonstrar a minha inocência. Estou absolutamente tranquilo.

— Há uma data-base para a votação da reforma política? O sr. tem acompanhado o andamento da comissão especial sobre o assunto? Sim, as 40 sessões regimentais. Se está andando direitinho na comissão, é problema deles. Passadas as 40 sessões, eu avoco o projeto para o plenário. Se não tiver uma proposta com mudanças, eu voto a original. Isso é uma decisão política.

— Amadureceu algum ponto em discussão? Eu viajo agora [ontem] para Curitiba, junto com o relator da reforma política [Marcelo Castro (PMDB-PI)] e vou ter oportunidade de saber como está. Eu estou vendo a proposta do Distritão [adoção de voto majoritário para as eleições parlamentares] crescer muito na Casa. Financiamento público não passa aqui.

— Uma última pergunta: o sr. deseja ser presidente da República? Que pergunta… Eu não sei. Não passa pela minha cabeça. Eu trato a política da forma como ela é, usando uma passagem bíblica: para cada dia, a sua agonia. Eu vivo uma agonia de cada vez. Eu sou presidente da Câmara hoje, como já fui líder do PMDB. As coisas que aconteceram para mim, foram acontecendo, com os espaços se abrindo. Eu não faço política hoje pensando no cargo que eu vou disputar amanhã.

— Só fazendo um contraponto: o PMDB já decidiu que terá candidato em 2018. Meu candidato é o Eduardo Paes [prefeito do Rio de Janeiro]. Vai ser, depois da Olimpíada de 2016, um prefeito muito bem avaliado, com um bom ativo para mostrar.

— É ele? Meu candidato é o Eduardo Paes. Mas se você quiser que eu seja seu candidato… [risos].

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Personalizado!



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Comissão quer que Lula e Stédile expliquem o que quer dizer “colocar o exército do MST nas ruas”. Eu também quero! Quem ameaça a democracia faz terrorismo

O que é exército metafórico? Não sei. Quem tem de explicar é Lula. Já um exército de metáforas, bem, aí sei o que é: trata-se de uma alegoria. Vamos ver. No dia 24 de fevereiro, Luiz Inácio Lula da Silva conspurcou a sede da Associação Brasileira de Imprensa e pregou que João Pedro Stédile, chefão do MST, coloque seu exército na rua em defesa do governo. Afirmou literalmente: “Também sabemos brigar. Sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas”.

Muito bem! A Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou um convite para que o sr. Lula e o sr. Stédile, então presente ao evento, expliquem o que isso quer dizer. O requerimento foi apresentado por Ezequiel Teixeira (SDD-RJ). A imprensa informa que os maiores apoiadores do convite foram os deputados evangélicos, que perderam a presidência da comissão para o PT, que indicou para a função o deputado Paulo Pimenta (RS). É assim? Então viva a bancada evangélica! Eu também quero saber o que Lula pretendeu dizer com aquilo.

Jean Wyllys (RJ), cada vez mais um deputado do PSOL a serviço do PT, fartamente elogiado pela Secom por defender o governo com mais entusiasmo do que os petistas (dê um ministério pra ele, Dilma!), acusou uma “hipervalorização” da declaração num contexto de polarização política. Ora, vejam só quem fala! Em 2012, o pastor Silas Malafaia criticou a Marcha Gay por ter levado para a avenida modelos vestidos de santos católicos em situações homoeróticas. O pastor disse então na TV: “É para a Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, sabe? Baixar o porrete em cima pra esses caras aprenderem. É uma vergonha!”

Qualquer um que atentasse para o contexto de sua fala perceberia que ele se refira a ações na Justiça. Até porque a igreja não tem porrete nem ameaça ninguém. Mesmo assim, ONGs, Ministério Público e Jean Wyllys se mobilizaram para punir Malafaia. Sabem qual era a acusação? Incitar a violência contra os gays. Perderam, é claro!

Quando Lula, no entanto, convoca o MST a pôr na rua o seu exército, Wyllys não vê nada de mais. Nem ele nem Érika Kokay (DF), uma das petistas da comissão. Segundo a deputada, tratava-se de uma metáfora.

É mesmo? No dia 5 de março, duas semanas depois da fala de Lula, um destacamento de mulheres do “exército” de Stédile invadiu uma unidade de pesquisa em Itapetininga, onde a FuturaGene e a Suzano Celulose desenvolvem uma espécie geneticamente modificada de eucalipto. Destruíram as mudas e jogaram no lixo mais de 10 anos de pesquisa. O prédio foi pichado, e os funcionários, feitos reféns. Ninguém nem sequer foi preso.

Metáforas não invadem laboratório e destroem pesquisa. Metáforas não invadem propriedade alheia. Metáforas não impedem o direito de ir e vir. Metáforas, no máximo, seduzem subintelectuais do miolo mole, que gostam de planejar a revolução no conforto de seus lares, certos de que o lombo que vai ser posto em risco é o alheio.

Não custa lembrar: naquele dia 24, à porta da ABI, uma tropa de choque de militantes da CUT e do PT — alguns com porte de milicianos — desceu porrada em pessoas comuns, que protestavam contra a roubalheira. Como se noticiou, era um grupo de 300 “soldados” de Lula e Stédile contra 15 manifestantes.

A dupla têm de se explicar, sim. Mas duvido que compareça, já que não é obrigatório. As ameaças estão no ar e se adensam. Nas redes sociais, nos “protestos a favor” do dia 13, nos bloqueios frequentemente promovidos Brasil afora por MST e MTST, fica sempre no ar a ameaça: “Se impicharem Dilma, vamos pra briga”. Ora, Dilma só será impichada se for pela lei. Logo, os soldados do senhor Stédile e assemelhados podem não gostar e protestar, mas vão ter de enfiar a viola no saco.

A menos que a opção seja a guerra civil. Como os que se opõem a essa gente não têm armas, pergunto: a) o outro lado tem?; b) vai ser um confronto da base do soco e da pernada?

Quem pede que se convoque um exército de militantes está fazendo, é evidente, uma ameaça à democracia. Para arrematar: se professores petistas do Complexo Pucusp convocarem o seu “exército” em favor do governo, sei que se trata de uma metáfora. Até porque o mal maior que essa gente pode fazer ao país será produzir algum texto ou externar algum pensamento. Já o sr. Stédile e assemelhados dispõem mesmo de soldados, a exemplo daqueles que invadiram um laboratório, produzindo violência e obscurantismo.

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Janot terá uma segunda chance de pedir que Dilma seja investigada

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, tem uma segunda chance de incluir a presidente Dilma Rousseff entre os investigados da Operação Lava-Jato.

Vamos lembrar. O PPS entrou no Supremo, no dia 18,  com um Agravo Regimental pedindo que Dilma seja alvo de inquérito na operação Lava-Jato. Argumento sustentado em sólida jurisprudência do Supremo: um presidente não pode, no exercício do mandato, ser processo por atos anteriores à sua posse, mas investigado pode ser, sim. A síntese desse ponto de vista foi expressa no passado por Celso de Mello no Inquérito nº 672/6:
“[...] De outro lado, impõe-se advertir que, mesmo na esfera penal, a imunidade constitucional em questão [aquela do Presidente da República] somente incide sobre os atos inerentes à persecutio criminis in judicio. Não impede, portanto, que, por iniciativa do Ministério Público, sejam ordenadas e praticadas, na fase pré-processual do procedimento investigatório, diligências de caráter instrutório destinadas a ensejar a informatio delicti e a viabilizar, no momento constitucionalmente oportuno, o ajuizamento da ação penal”.

O PPS recorreu na terça feira, dia 18. Na quarta, o ministro Teori Zavascki, relator do petrolão no Supremo, descartou a ação por erro formal: faltavam assinaturas. No mesmo dia, os partidos de oposição, aí em conjunto, reapresentaram o pedido, e seus respectivos líderes visitaram o gabinete de Zavascki.

A conversa com o ministro foi tranquila. Embora Zavascki possa discordar da opinião do Ministério Público, ficou claro aos presentes que ele considera que deve prevalecer mesmo, quando o assunto é abertura de inquérito, a posição do Ministério Público. Ele vai consultar Janot sobre o pleito apresentado pelas oposições.

Os oposicionistas entenderam que Zavascki dará curso àquilo que decidir Janot. Se o procurador-geral ceder à argumentação, baseada na jurisprudência, enviará ao Supremo um pedido para investigar Dilma, ainda que ela não possa ser processada. Mas que se reitere: essa restrição só vale para atos cometidos antes de se tornar presidente.

De resto, não vamos confundir. Isso nada tem a ver com a Lei 1.079, a do impeachment, que segue sendo, inicialmente, algo que diz respeito a quem faz a denúncia — todos brasileiros têm esse direito — e à Câmara. O fato é que  Janot terá mais uma chance de pedir que Dilma seja investigada. Ou terá de dizer por que a jurisprudência do Supremo não se aplica nesse caso.

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Enquanto PT alopra, PMDB testa caminhos da governabilidade. Ou: Temer e um certo ar presidencial…

Na quarta-feira, Michel Temer (PMDB), vice-presidente da República, concedeu uma entrevista a Roberto d’Avila, na GloboNews. Lembrava, assim, autoridade de antigamente. De quando? De antigamente! Não me refiro a um tempo histórico. Falava com cuidado, evitava inimigos, condescendia com os adversários, entendia as ruas, mantinha o tom sempre sereno. Temer, em suma, não parecia pertencer àquele suposto “país do caos”,  retratado num documento da Secom que recomenda à presidente que caia na ilegalidade.

O vice-presidente tem procurado líderes da oposição para conversar… Já falou com Aécio Neves, com José Serra, com Fernando Henrique Cardoso, com ACM Neto… Enquanto isso, Rui Falcão, presidente do PT, prefere lançar um grito de guerra contra a mídia e denuncia golpismo. Os auroproclamados “movimentos sociais” — meras franjas do próprio petismo — saem por aí a bloquear estradas e avenidas, a incitar Dilma a dar um guinada à esquerda e a pedir a cabeça de Joaquim Levy. Em sua mente perturbada, querem aproveitar a crise para radicalizar.

Vale dizer: embora a presidente legal seja Dilma; embora o PT domine a quase totalidade da máquina pública; embora os companheiros estejam maciçamente aboletados no estado, é o PMDB que está se ocupando da governabilidade — dessa precária, que está aí, ou de outra que possa sucedê-la.

Temer tem conversado ainda com empresários. Nesta sexta, almoça no Secovi, o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo.  E, obviamente, ninguém deve supor — porque seria mesmo falso — que ele conjecture sobre qualquer outra possibilidade que não seja Dilma concluir o seu mandato. Ao contrário: o vice-presidente expressa a convicção de que a crise vai arrefecer. E conversa.

Dilma, com suas escolhas incompreensíveis, presta um favor imenso a seu vice: resolveu deixar claro que ele não é governo e pronto! A esta altura, convenham, só restaria a Temer um embevecido agradecimento, não é mesmo? Embora a “Lista de Janot” inclua Eduardo Cunha (RJ) e Renan Calheiros (AL) — presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente —, o PMDB não está no olho do furacão.

É bem verdade que Cunha ocupou, na legenda, parte do espaço que antes cabia ao vice. Há, e isto é inescapável, certa tensão no ar, mas nada que não se resolva com uma boa conversa. Erra quem apostar num curto-circuito nessa relação. De resto, o presidente da Câmara também tem buscado ampliar a sua interlocução.

Assisti à entrevista de Temer em companhia da minha mulher. Depois de alguns minutos de respostas monocórdias, pautada por um rigoroso decoro institucional, ela comentou, com alguma ironia: “Não é a isso que chamavam antigamente de ‘ar presidencial?”. Respondo: é, sim!

Não custa destacar que ninguém se lembrou do PMDB nas ruas. O nome do vice não foi pronunciado. Se Temer tivesse vestido uma camiseta amarela e gritado “Fora Dilma”, poucos o reconheceriam. A crise política tem sigla. A crise política tem cara.

Não estou sendo oblíquo, não. Não estou “batendo na cangalha para o burro entender”, como se diz na minha terra. Estou sendo até bem claro: no campo governista, alguém precisa fazer alguma política que não seja só a do desespero e da porra-louquice.
Não sei se Dilma vai ou fica. Com ela ou sem ela, o tão malhado PMDB, vejam que coisa!, começa a surgir como uma garantia contra o “caos”, aquele que, segundo a Secom, já estaria por aí.

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Das aflições de uma presidente impopular. É de Dilma que falo
Ricardo Noblat

Daqui para frente, e só Deus sabe até quando, a presidente Dilma Rousseff viverá dentro de uma bolha para escapar do constrangimento de ser vaiada ou insultada pelos que a rejeitam.

E a se levar em conta a mais recente pesquisa de opinião pública do Datafolha, divulgada há dois dias, 63% dos brasileiros consideram o governo dela péssimo ou ruim. Só Collor teve rejeição maior (68%).

Dilma fez sua primeira aparição dentro da bolha, ontem, em Goiânia, onde esteve para autorizar investimentos do governo federal no BRT Norte-Sul. Viagem de propaganda, apenas.

A repórter Luiza Damé, de O Globo, anotou as principais medidas tomadas para que Dilma se imaginasse em outro mundo, aonde as pessoas só a aplaudem e querem posar ao seu lado para fotos.

Em um raio de dois quilômetros do Paço Municipal, local do evento, foram montados postos de triagem do público. No entorno do local, uma barreira com grades, depois um tapume com placas de ferro e novamente cerca de grades.

A segurança ficou por conta da Guarda Civil Metropolitana, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal. Fora, naturalmente, os agentes de segurança que acompanham Dilma em viagens.

O objetivo do esquema de segurança era impedir a aproximação dos indesejados – integrantes do movimento Caras Pintadas e Brasil Livre. Por volta das 14h30, 24 deles apareceram.

Portavam três faixas com as inscrições “Fora Dilma”, “Fora PT” e “Impeachment”. Batiam panelas. E gritavam: "Dilma vá embora que o Brasil não quer você, leva com você o Lula e a quadrilha do PT".

A pedido do pessoal de Dilma, o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), havia decretado ponto facultativo para as repartições abrigadas no Paço Municipal.

A ideia era esvaziar o Paço para evitar a infiltração de manifestantes. As cerca de duas mil pessoas que festejaram Dilma foram levadas para o Paço a bordo de ônibus alugados pela prefeitura.

Mesmo assim, a revista foi rigorosa. Até mesmo para jornalistas credenciados pelo Palácio do Planalto. Dilma chegou com uma hora de atraso, acompanhada de Marconi Perillo, governador do Estado.

Perillo foi vaiado pelo público formado por simpatizantes do PT. Reagiu pedindo mais tolerância – não para ele, mas para Dilma. Que agradeceu pedindo tolerância – sem dizer para quem.

Restou provado para os que não toleram Dilma que eles não precisam atrair muita gente para constranger Dilma.

Qualquer meia dúzia de pessoas será suficiente para incomodar Dilma. E inflar a bolha que a protegerá doravante.


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Blog do Josias

Ciro: para não cair, Dilma tem de ouvir as ruas

Ex-ministro de Lula, Ciro Gomes avalia que Dilma tem de ouvir e entender o asfalto se quiser permanecer na poltrona de presidente da República. “Qualquer governo que não queira cair tem que prestar muita atenção nos recados das ruas”, disse o irmão do agora ex-ministro Cid Gomes.

Em entrevista ao blog do Eliomar, do diário cearense ‘O Povo’, Ciro avaliou o ‘asfaltaço’ de 15 de março assim: “Jamais se viu multidões deste tamanho se movimentarem se não houver uma razão real. E essas razões reais o governo precisa ter sensibilidade, modéstia, humildade, e a competência para entender.”

Para Ciro, o pacote de projetos anticorrupção, enviado por Dilma ao Congresso como resposta ao ronco das praças “passa longe do que importa” à população. O que realmente interessa, ele acrescentou, é o bolso.

“O que importa é a economia, amigo. A recessão é uma ameaça. A moeda do Brasil está derretendo diante das moedas internacionais. E isso significa que a renda média do brasileiro está sendo derretida. A recessão ameaça o empreendedor e daqui a pouco avançará sobre o nível de emprego do país. Você tem uma situação de inflação que ameaça o poder de compra das famílias dos trabalhadores. Um quadro absolutamente preocupante.”

Ciro falou ao repórter horas antes de o irmão Cid Gomes escalar a tribuna da Câmara para explicar a declaração de que há na Casa “400, 300 deputados achacadores”. Após reafirmar o que dissera e acusar Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de ser um dos achacadores, Cid foi à sala de Dilma e demitiu-se da função de Ministro da Educação.

Cid parecia seguir um roteiro combinado com Ciro. “Acho que ele tem que afirmar o que ele disse, explicar por que ele disse isso, e voltar para casa serenamente”, lecionara Ciro mais cedo. Sem dar nome aos bois, chamou de “pilantras” os políticos que dominam a cena em Brasília.

“Falar a verdade nesse país, principalmente nesses tempos, custa muito caro. Mas acho que esse preço tem que ser pago, porque quem faz história não são os pilantras que hoje dominam a cena nacional e sim os homens que não se abatem diante dos constrangimentos.”

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Teori pedirá o parecer de Janot sobre investigação de Dilma na ‘Lava Jato’

O ministro do STF Teori Zavascki recebeu em seu gabinete, na noite desta quarta-feira (18), uma delegação de líderes da oposição. Informou que requisitará ao procurador-geral da República Rodrigo Janot uma manifestação sobre o pedido de reconsideração formulado pelo PPS, para que Dilma Rousseff seja incluída no rol de investigados da Operação Lava Jato.

Relator dos processos sobre corrupção na Petrobras, Zavascki havia indeferido o pedido do PPS na véspera. Como a petição não estava assinada, o ministro não chegou sequer a analisar os argumentos jurídicos expostos na peça. Daí a reiteração do pedido, agora devidamente assinado pelo presidente do PPS, deputado Roberto Freire, e referendado pelos demais partidos.

Estiveram com Teori seis deputados federais. Pelo PPS, Raul Jungmann (PE) e Rubens Bueno (PR); pelo DEM, Mendonça Filho (PE); pelo PSDB, Carlos Sampaio (SP) e Bruno Araújo (PE); e pelo Solidariedade, Arthur Maia (BA). O ministro informou que analisará o pedido rapidamente.

Teori também adiantou que remeterá os autos ao chefe do Ministério Público Federal, para que ele se manifeste sobre o recurso da oposição. Mencionada em depoimentos pelos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, Dilma livrou-se de um inquérito graças a Janot.

O procurador-geral pediu formalmente a Teori a exclusão de Dilma. Invocou a regra constitucional que proíbe a abertura de processos contra presidentes da República, no exercício do mandato, por fatos ocorridos antes do início da gestão. A oposição questiona esse entendimento.

Os adversários de Dilma sustentam que a Constituição veda a abertura de processos contra o chefe do Executivo. Mas não proíbe a realização de investigações. Ante a eventual obtenção de provas, o processo seria sobrestado até que o envolvido concluísse seu mandato.

Teori afirmou aos parlamentares que seu papel como magistrado, é o de julgar. Fez questão de realçar que a investigação e as eventuais denúncias competem ao Ministério Público, em conjunto com a Polícia Federal. Disse, de resto, que seu critério na fase atual da Lava Jato tem sido o de seguir o que pede o procurador-geral. Assim foi feito também no caso de Dilma.

O deputado Jungmann perguntou a Teori se ele pretende julgar o recurso da oposição solitariamente ou se levará a encrenca para o plenário do STF. O ministro respondeu que aguardará a manifestação de Janot para decidir. Os partidos oposicionistas preferem que a decisão seja colegiada.

Avalia-se que, no plenário do Supremo, as chances de êxito são maiores. Para justificar o pedido de abertura de inquérito contra a presidente, seus antagonistas citam trecho da delação premiada de Paulo Roberto Costa. Nele, o ex-diretor da Petrobras contou ter autorizado o repasse de R$ 2 milhões em verbas sujas para o caixa da campanha presidencial de Dilma em 2010.

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Panelaço companheiro!



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Os delírios ditatoriais do bolivariano Rui Falcão. Ou: Congresso vai convocar a Secom a explicar a explicitação de crimes contida em documento?

Um dia depois de ter vindo a público o documento aloprado da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), que admite usar pistoleiros da Internet, que chama “soldados”, para “disparar munição” do governo, ficamos sabendo que Rui Falcão, presidente do PT, quer que o Planalto corte verba de publicidade oficial das emissoras que “apoiaram” ou “convocaram” a manifestação de protesto do dia 15.

Nota: ninguém nem apoiou nem convocou. Veículos de comunicação noticiaram a convocação e cobriram o evento, como fizeram com o “protesto a favor” do dia 13, organizado pela CUT, pelo PT e por partidos e entidades de esquerda.

E daí? Rui Falcão não está tentando ser justo. Ele está sendo apenas petista. Isso quer dizer o seguinte: se eles estão no governo e se a verba de publicidade existe, então esse dinheiro pertence ao PT e pode ser usado para punir os que considera adversários e beneficiar os amigos.

Vejam que curioso. No fim das contas, o que é o petrolão senão rigorosamente isto: a apropriação do que é público por entes privados, em nome de uma causa? Sim, claro!, havia os que roubavam apenas em nome do próprio enriquecimento. Mas só um rematado canalha faria uma distinção moral entre os dois ladrões, não é?, o que rouba para si e o que rouba para financiar uma suposta utopia.

A propósito e antes que continue com Falcão: o Congresso Brasileiro estará se desmoralizando se não chamar o titular da Secom — Thomas Traumann ou quem estiver no seu lugar — para se explicar. Qual é a relação entre o governo federal e os ditos “blogs progressistas”, também chamados de blogs sujos? Quanto isso custa por mês? Que tipo de “munição” o governo federal fornece a eles? Os ataques sistemáticos que fazem a membros do Supremo, órgãos de imprensa, jornalistas, políticos de oposição e também da base — especialmente os do PMDB —  estão na preço? Parece que sim, não é?

Que critério o governo emprega para distribuir essa verba? Número de acessos? Alinhamento ideológico? Simpatia pessoal? Outro ainda mais inconfessável? E que se lembre: a Secom defendia no texto outros procedimentos ilegais, como usar a estrutura de comunicação estatal para o proselitismo pró-governo e empregar verba oficial para elevar a popularidade do prefeito Fernando Haddad.

Quanto a Falcão, dizer o quê? Quando esses caras são acusados de tentações bolivarianas, reclamam. E logo surge algum bobalhão da academia ou alguma Poliana lesada da imprensa para marcar as diferenças. Ora, claro que há diferenças. Mas, como fica evidente, o petismo só não involui para o bolivarianismo porque as instituições brasileiras não permitem, não porque os companheiros não queiram. Eles querem. O uso que fazem da verba pública para beneficiar apaniguados é a prova mais evidente dessa tentação.

Que fique claro! O que está no documento da Secom é, entendo, a admissão de práticas criminosas, que Rui Falcão pretende ampliar. Qualquer critério de distribuição de verba oficial de publicidade que não leve em conta a eficiência do veículo na comunicação com o público — refiro-me a número de telespectadores, leitores, internautas, ouvintes etc — é uma fraude e é pratica similar ao roubo.

O dinheiro pertence à sociedade, não aos governantes. E é essa sociedade que decide, no que respeita à publicidade, quem é e quem não é relevante. Se o PT quer pagar os blogs sujos, que o faça com o seu dinheiro, não com o da população. Se o PT quer a simpatia de emissoras de televisão, que compre lá um horário, em vez de empregar a verba de publicidade, que é disciplinada pela Constituição e pelas leis.

“Taca-le pau, Congresso!”

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Cid Gomes já vai tarde! Sai quem nunca deveria ter entrado

Um governo chega, às vezes, ao grau zero da articulação. Foi o que se viu nesta quarta-feira com o espetáculo patético protagonizado por Cid Gomes (PROS), em boa hora já ex-ministro da Educação. Numa palestra, o homem disse haver 300 achacadores no Congresso. Ainda que houvesse 400, na democracia, quando um ministro de Estado diz algo assim, está obrigado a dar os nomes. Obviamente não tenho a menor simpatia por um ataque ao Legislativo bucéfalo como esse. Ele me remete aos “300 picaretas” que Lula dizia existir no Parlamento brasileiro em 1993. Ganhou até uma música de um grupo de rock. Vinte e dois anos depois, o PT está no 13º ano de poder e já tem nas costas o mensalão e o petrolão.

Ademais, quem é Cid para falar? Não ocupava a pasta em razão de alguma especial inclinação para a área. Estava lá em razão de um acordo político. O ministério lhe foi dado para beneficiar o tal PROS, um partido surgido do nada — do troca-troca indecoroso que a legislação permite —, com o único propósito de participar dos despojos da balcanização que toma conta da política brasileira. O Cid que foi demitido nunca deveria ter sido convidado.

É evidente que o homem deveria se desculpar. Em vez disso, resolveu ter um chilique e enfiar o dedo na cara do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de quem ele tem o direito de não gostar. Mas deve respeito à função institucional do outro, ora essa! Daqui do meu conservadorismo, pouco me importam disposições subjetivas e esferas de opinião. A instituição tem de ser preservada. O fato de haver um pedido de inquérito para investigar Cunha não dá a um ministro de Estado o direito se portar como um vândalo.

E aconteceu, então, o inédito. Tão logo Cid deixou o Congresso, com uma claque importada do Ceará a acompanhá-lo, Cunha foi ao Palácio do Planalto e voltou com o anúncio: o homem tinha sido demitido. Na verdade, ele sabia que já chegara com o emprego por um fio. Mas sabem como é… Os Gomes, do Principado de Sobral, nunca se dobram nem — ou muito especialmente — às regras do decoro.

Nunca se tinha visto nada parecido. Dilma ficou, obviamente, sem opção. O PMDB avisou: se Cid Gomes ficasse no cargo, o partido abandonaria o barco do governo. É evidente que Dilma não precisava de mais essa crise. Cid sai em meio à lambança no Fies, o programa que financia o terceiro grau em instituições privadas, que alcança agora cifras estratosféricas.

Foi um espetáculo patético. Cida foi demitido, na prática, por Cunha — e muito bem demitido, diga-se. Saiu de lá em seu próprio carro, aplaudido por aqueles que havia levado para aplaudi-lo. O Brasil é um país valente. É impressionante que sobreviva.

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Sócio da Engevix admite que empresa pagou propina de R$ 10 milhões: “Foi extorsão”

Por David Friedlander, na Folha:
O empresário Cristiano Kok, presidente do conselho de administração da empreiteira Engevix, admite que pagou cerca de R$ 10 milhões em propina para o doleiro Alberto Youssef e diz ter feito isso para receber pelas obras que fazia para a Petrobras. “Os políticos aparelharam a Petrobras para arrancar dinheiro das empreiteiras. Foi extorsão”, disse Kok, 69, em entrevista à Folha. “Agora, será que alguma empresa poderia ter denunciado que estava sendo extorquida pelo Paulo Roberto [Costa, ex-diretor da Petrobras]? No mundo real não dá para fazer isso.” Acusada de participar do esquema de corrupção descoberto na Petrobras pela Operação Lava Jato, a Engevix está sendo processada por improbidade administrativa. O Ministério Público pede indenização de R$ 538 milhões pelos supostos delitos. Entre os executivos processados, está um dos sócios da empreiteira, Gerson Almada, preso há mais de 120 dias. Empreiteira de tradição no setor, a Engevix hoje corre o risco de quebrar. Com várias empresas do grupo à venda para pagar dívidas, Kok conta que passou a rezar para pedir ajuda divina. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Folha – Ao todo, quanto vocês pagaram de propina nos contratos da Petrobras?
Cristiano Kok - Foram R$ 6 milhões a R$ 7 milhões num contrato de R$ 700 milhões da refinaria Abreu e Lima, e mais uns R$ 3 milhões na refinaria de Cubatão. Pagamos em prestações mensais para três empresas do Alberto Youssef, como se fosse prestação de serviços. Quando começou a Lava Jato, ficamos sem dinheiro e paramos tudo. Só que Youssef tinha duplicatas assinadas por nós e as descontou no banco. O banco veio atrás e tivemos que pagar para não ficar com o nome sujo.

Para quem ia o dinheiro?
Não sei. José Janene [ex-deputado do PP] indicou o Youssef e ele dizia: ‘Paga isso aqui, paga aquilo ali’. Não sei para onde o dinheiro ia e só soube que as empresas eram do Youssef muito depois.

O sr. não desconfiava que o dinheiro era para políticos?
Como a indicação do Youssef foi política, evidentemente ele falava em nome do partido [PP]. Mas para quem ele mandou dinheiro eu não sei.

A propina era para ganhar contratos na Petrobras?
Era para não ser prejudicado nos pagamentos de aditivos [aos contratos] e das medições da obra. Os contratos a gente ganhou por licitação. Mas, para receber em dia, e ter as medições aprovadas, tem que pagar comissão, taxa de facilitação, propina, chame do que você quiser. Você começa a obra, monta equipe, se instala, sua um pouquinho e aí começam a aparecer as dificuldades para receber. Era chantagem mesmo. Extorsão.

E as outras empresas, pagavam para ganhar obras?
Não sei dizer a razão delas. Cada caso é um caso.

O sr. tem um sócio na cadeia há mais de 120 dias, está com o nome sujo e precisa vender quase tudo para pagar dívidas. O que passa pela sua cabeça?
Minha resposta imediata seria dizer que foi tudo um absurdo, não devia ter participado. Mas era fazer isso ou ficar sem serviço. As empresas cometeram erros e estão pagando um preço altíssimo por um processo de extorsão. Agora, será que alguma empresa poderia ter denunciado que estava sendo extorquida pelo Paulo Roberto [Costa, ex-diretor da Petrobras]? No mundo real não dá para fazer isso. Você sai do mercado, seu contrato é cancelado, vão comer teu fígado.

O governo diz que a Petrobras foi vítima de…
Foi vítima de má gestão. Os políticos aparelharam essa máquina com gestores incompetentes, para obter vantagens pessoais ou para seus partidos. A versão que tem sido divulgada é que a Petrobras foi assaltada por um bando de empreiteiras. A verdade é que os políticos aparelharam a Petrobras para arrancar dinheiro das empreiteiras.

O Ministério Público afirma que as doações de campanha também são pagamento de propina, só que disfarçado.
Nunca pagamos doação de campanha para ganhar contratos ou fazer obras. Na última semana de campanha, por exemplo, o tesoureiro da Dilma [Edinho Silva] saiu pedindo dinheiro para todos, e contribuímos com R$ 3 milhões. Tudo registrado. Agora, evidentemente, quando você apoia um partido ou um candidato, no futuro eles vão procurar ajudá-lo de alguma forma, não tenha dúvida. É política de boa vizinhança.
(…)
Vocês combinavam a divisão das obras entre as empresas?
Eu não participei disso. Mas havia, digamos assim, uma certa organização para que uma empresa que já estava trabalhando numa determinada refinaria continuasse lá, porque não tem sentido trocar por outra. A Petrobras poderia fazer isso, mas deixava para o mercado.

Isso não é cartel?
Num cartel, um grupo de empresas se organiza para combinar os preços do mercado. No caso da Petrobras, ela é a única compradora, ela estabelece preço e ela escolhe quem participa. Não há a menor chance de entrar numa obra se ela não quiser.

O contrato da Engevix com o ex-ministro José Dirceu também era para pagar propina?
Nunca foi propina. Dirceu foi contratado pelo relacionamento que tinha no Peru, em Cuba e na África. Tínhamos interesse nesses mercados, mas não houve resultados. O contrato era em torno de R$ 1 milhão, não sei exatamente. Fizemos outro contrato com o Paulo Roberto Costa depois que ele saiu da Petrobras. Eram R$ 30 mil por mês, para consultoria.

Quem é Milton Pascowitch, que seu sócio Gerson Almada citou em depoimento como uma ponte com o PT?
Milton atua conosco há mais de 15 anos. Tem um relacionamento forte com o PT e disse para o Gerson que podia ajudar no relacionamento com o partido. Foram feitos contratos com ele para fazer esse relacionamento. Era uma relação de lobby, nunca para pagamento de propina.

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Cid Gomes dá seu show, posa de herói, e perde o palanque que o Ministério da Educação lhe garantia
Ricardo Noblat

Há muito de farsa e pouco de verdade em tudo o que foi dito, ontem, por personagens de primeiro plano e de bastidores da trapalhada cometida por Cid Gomes, ex-governador do Ceará, e que lhe custou o cargo de ministro de Educação do que a presidente Dilma chama de “Pátria Educadora”, o novo slogan do seu segundo governo.

Tudo começou com uma visita de Cid, no último dia 27, a Belém do Pará. Para fazer jus à sua imagem de boquirroto, não resistiu a dizer o que pensava do Congresso durante um debate com professores e alunos. Chamou o Congresso de antro de “achacadores”. Afirmou que existem ali entre 300 e 400 achacadores.

Uma fita com as declarações de Cid bateu nas mãos de Hélder Barbalho (PMDB-PA), ministro da Pesca, filho do ex-senador Jáder Barbalho. De Hélder a fita passou para o líder do PMDB na Câmara dos Deputados. E deu origem à convocação feita pela Câmara para que Cid se explicasse.

Dilma não gostou da confusão que se armava. Ela quer tudo, menos se atritar com o PMDB. Recomendou a Cid que desse um jeito de recuar do que dissera, salvando a própria face se isso fosse possível. Primeiro Ciro inventou que estava muito doente, e se internou no Hospital Sírio Libanês para fugir à convocação.

Uma junta de três médicos, que são também deputados, visitou Cid no hospital. E constatou que ele sofria de “sinusite leve”. Cid foi então reconvocado. E, ontem, apresentou-se no plenário da Câmara para enfrentar os deputados. Dois de seus quatro irmãos, entre eles o ex-ministro Ciro Gomes, estavam em Brasília.

Os Gomes têm fama no Ceará de não levar desaforo para casa. Ciro aconselhou Cid a reafirmar tudo o que havia dito em Belém. Perderia o cargo de ministro, é fato. Mas sairia como herói por ter enfrentado os deputados. Especialmente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, a quem chamou de “achacador”.

Cid telefonou para amigos dizendo como se comportaria na Câmara. E pedindo que o assistissem pela televisão. Um dos amigos avisado por ele foi o cantor Fagner, que estará esta tarde em Brasília. O show de Cid foi ao ar exatamente como ele imaginara. Da Câmara, ele foi ao encontro de Dilma para pedir demissão.

Sabia que se não o fizesse seria demitido. Antes que ele saísse do Palácio do Planalto, Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da presidência da República, telefonou para Eduardo e informou que Dilma demitira Cid. Pouco importa se ele pediu demissão ou se ela o demitiu. Cid perdeu um palanque. Dilma ganhou uma vaga no governo para negociar com os que a apoiam.

Se dependesse de Lula, Cid seria substituído por Mercadante. E Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e atual ministro da Defesa, ocuparia a Casa Civil. O PMDB cobra um ministério de peso a Dilma, o sexto. Não quer o da Educação porque acha que ele não tem autonomia para, digamos, facilitar a vida do partido.

Um emprego com bom salário espera Cid no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).


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Blog do Reinaldo Azevedo

Lava Jato: Dirceu faturou R$ 29 milhões em consultorias

Por Daniel Haidar e Laryssa Borges, na VEJA.com:

A empresa do ex-ministro José Dirceu faturou 29,2 milhões de reais com a prestação de serviços de consultoria, de 2006, depois de deixar o governo Lula, a 2013, quando começou a cumprir pena pela condenação no julgamento do mensalão. O site de VEJA teve acesso a um documento da Receita Federal que analisou a movimentação financeira da empresa de Dirceu, a JD Assessoria. A quebra de sigilo foi determinada pela Justiça em janeiro, após indicativos de que empreiteiras citadas na Operação Lava Jato e que participaram do megaesquema de fraudes em contratos com a Petrobras repassaram dinheiro para o ex-ministro.

Só em 2013, ano em que começou a cumprir pena de prisão em regime semiaberto no Complexo Penitenciário da Papuda, a empresa de Dirceu faturou 4,159 milhões de reais. Ele foi para a cadeia em novembro daquele ano e ganhou o direito de progredir para o regime aberto cerca de um ano depois, em novembro de 2014.

De acordo com os dados apresentados pela Receita Federal e anexados ao processo que investiga o escândalo do petrolão, nenhum ano foi tão lucrativo para Dirceu quanto 2012: amealhou 7 milhões de reais. Foi neste ano que o ex-chefe da Casa Civil e homem-forte do governo Lula recebeu pena de dez anos e dez meses de prisão, depois revertida para sete anos e onze meses no mensalão. Em 2013, nova enxurrada de dinheiro para a JD Consultoria: foram 4,159 milhões de reais.

A movimentação financeira do ex-homem forte do governo Lula consta de dados requeridos pelos investigadores da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Agora, o juiz federal Sérgio Moro retirou o sigilo dos autos em que houve a quebra do sigilo fiscal e bancário de Dirceu. A decisão ocorreu depois que o empresário Gerson Almada, sócio da Engevix, prestou depoimento sobre Dirceu. Após revelar novos detalhes sobre o escândalo do petrolão, Almada pediu que Moro revogasse sua prisão.

Clientes – No rol de clientes de Dirceu há diversas empresas envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras, como as empreiteiras OAS, UTC, Engevix, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, além da Egesa e de um braço da construtora Delta, banida da administração pública após a revelação de suas atividades em parceria com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Mas também há gigantes de outros setores, como a Ambev.

Ao analisar a movimentação financeira de José Dirceu e de sua consultoria, a Receita Federal também detectou o que classificou como “possível movimentação financeira incompatível”. É o caso, por exemplo, da compra de um imóvel, em 2012, no valor de 1,6 milhão de reais em São Paulo. Dirceu informou ao Fisco ter pago 400.000 reais com recursos próprios, mas esse mesmo valor não circulou pela sua conta-corrente.

A quebra dos sigilos fiscal e bancário do ex-ministro foi autorizada pela Justiça Federal após o Ministério Público, em parceria com a Receita Federal, ter feito uma varredura nas empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato em busca de possíveis crimes tributários praticados pelos administradores da OAS, Camargo Correa, UTC/Constran, Galvão Engenharia, Mendes Junior, Engevix e Odebrecht. Os investigadores já haviam concluído que as empreiteiras, que unidas em um cartel fraudaram contratos para a obtenção de obras da Petrobras, utilizavam empresas de fachada para dar ares de veracidade à movimentação milionária de recursos ilegais. Mas foi ao se debruçar sobre os lançamentos contábeis das empreiteiras, entre 2009 e 2013, que o Fisco encontrou o nome da consultoria de José Dirceu como destinatária de “expressivos valores” das empreiteiras Galvão Engenharia, OAS e UTC.

Defesa – Em resposta à justiça o advogado Juarez Cirino dos Santos, que defende José Dirceu, apresentou notas fiscais para tentar comprovar que os serviços de consultoria foram prestados. Ele informa, por exemplo, que ao contrário do que diz a Receita, não houve contratos com a Delta Engenharia e Montagem Industrial Ltda., e sim com a empresa Sigma Engenharia S/S Ltda., que teria comprado a companhia na época.?

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E aí, esquerdista trouxa? Entrou na vaquinha para ajudar a pagar multa de Dirceu? Bem feito!

Lembram-se da famosa pergunta: “O que você quer ser quando crescer?” Toda criança, acho eu, tem de querer ser José Dirceu, o consultor. Nunca se viu homem tão inteligente. A sua consultoria é ele sozinho. O irmão é só um sócio formal. Não tem uma equipe de especialistas que cuidam de áreas específicas. Isso é coisa de empresas tradicionais. O Zé é moderno. Sozinho, ele dá conta da área de medicamentos, engenharia, bebidas, comunicação, equipamentos elétricos, direito… E o que mais pintar. É o Leonardo da Vinci da consultoria. É um homem completo.

O homem recebeu mais de R$ 29 milhões em sete anos de consultoria solitária. É de fazer inveja a qualquer um. Seus advogados dizem, claro!, que ele efetivamente prestou os serviços. Então tá bom. Eu só fico a pensar aqui nos eventuais trouxas — com a devida vênia — que resolveram entrar na “vaquinha” em favor de Dirceu para pagar a multa de R$ 971.128,92 determinada pelo STF. Coitado! O homem da saliva mais cara do Brasil alegava não dispor desse dinheiro. E teve início, então, a corrente de solidariedade.

O mais impressionante é que o melhor ano para Dirceu foi 2012, aquele em que foi condenado: recebeu R$ 7 milhões. Mas nada se compara em eficiência a 2013: mesmo ele estando na cadeia, faturou R$ 4,16 milhões. Vá ser bom assim lá na Casa do Chapéu!

Se os petistas conseguissem fazer pelo Brasil o que fazem por si mesmos, nosso PIB seria maior do que o dos EUA, e a qualidade de vida da população, superior à dos dinamarqueses. 

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Popularidade de Dilma derrete: 62% de ruim e péssimo contra apenas 13% de ótimo e bom; o Nordeste e os mais pobres desistiram da petista. Pior: há aloprados querendo piorar tudo

A Secretaria de Comunicação do governo, cujo titular é Thomas Traumann, elaborou um documento aloprado sobre a situação política do país, propondo um conjunto de ações eivado de ilegalidades. Acredita-se na possibilidade de reverter o desgaste de Dilma na base da “guerrilha” de propaganda, como está lá. Leiam post a respeito. Entre as propostas, está intensificar a relação com os chamados “blogs sujos”, que seriam os “soldados de fora” que atirariam com munição fornecida pelo governo.  Pois é…

Se a receita fosse mesmo essa, a Secom teria que, literalmente, chafurdar no mar de lama. Por quê? Dilma Rousseff derreteu. Em pouco mais de um mês, os que consideravam seu governo ótimo e bom despencaram de 44% para 13%. Os que o avaliam como ruim ou péssimo saltaram de 23% para 62%, e caíram de 35% para 24% os que o veem como regular. Os números são do Datafolha e estão na edição da Folha desta quarta. O instituto entrevistou 2.842 pessoas entre os dias 16 e 17. Pode-se argumentar que os dados estão sob o impacto dos protestos do dia 15. Mas também é possível considerar que os protestos do dia 15 só foram tão bem sucedidos porque esses sãos os números, não é mesmo?

Não há boa notícia possível para Dilma. Pela primeira vez, desde que o PT está no poder, a reprovação ao governo no Nordeste encosta nos números do Sudeste, onde a presidente conta com apenas 10% de ótimo e bom e 66% de ruim e péssimo. Entre os nordestinos, esses números são, respectivamente, 16% e 55%. A região mais severa com a presidente é o Centro-Oeste: 75% de ruim e péssimo e só 10% de ótimo e bom. No Sul, estes números são, na ordem, 64% e 13%. Só a Região Norte destoa um pouco, mas ainda com números francamente hostis à presidente: 51% de ruim e péssimo e 21% de bom e ótimo.

Dilma, como eu já havia apontado aqui na pesquisa de fevereiro, viu desabar a sua popularidade entre os pobres: acham seu governo ruim ou péssimo 60% dos que ganham até dois salários mínimos; 66% dos que recebem de dois a cinco; 65% entre os que ganham entre cinco e dez e mais de dez. O seu mais alto índice de ótimo e bom, bem mixuruca, está na faixa de até dois mínimos: 15%; o mais baixo, na de dois a cinco: 10%.

Se os números são ruins, as expectativas podem ser piores. Sessenta por cento acreditam que a situação econômica vai piorar, e só 15%, que vai melhorar. Para 77%, a inflação vai subir, e só 6% acreditam que vai cair. Creem que o desemprego vai aumentar 69% dos entrevistados, contra apenas 12% que pensam o contrário. Segundo o Datafolha, é o maior pessimismo registrado no país desde 1997.

O governo e os petistas deveriam parar com essa bobagem de que os protestos contra o governo são coisa de rico, não é mesmo? Como se nota, os pobres formam hoje um formidável público potencial para as manifestações. Ainda que não tenham aderido em massa à mobilização do dia 15, parece que podem fazê-lo a qualquer momento. Se a tática desesperada da Secom for posta em prática, aí é que o bicho pode mesmo pegar. A nota atribuída pelos entrevistados a Dilma também caiu: de 4,8 em fevereiro para 3,7 agora.

O Congresso não merece avaliação melhor em tempos de petrolão: só 9% dizem que seu trabalho é ótimo ou bom, contra 50% que o têm como ruim e péssimo. Os números são péssimos, sim, mas é evidente que a crise política não tem origem no Parlamento.

Como Dilma sai das cordas? Uma coisa é certa: não é alimentando a guerra suja, como sugere um documento da Secom. Talvez um primeiro passo fosse se cercar de gente capaz de entender a natureza da crise. Até agora, não há ninguém com esse perfil. O petismo aloprado só a aproxima ainda mais do abismo.

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Imagem de Dilma foi à UTI, informa o Datafolha

Nos seus primeiros quatro anos como presidente, Dilma Rousseff não conseguiu vincular sua sisuda figura a uma simbologia, uma marca. Iniciado o segundo reinado, ela precisou de apenas 77 dias para grudar na própria testa o signo da ruína. O Datafolha informa que a imagem da ex-supergerente foi internada pelos brasileiros na UTI. A recuperação vai requerer tratamento de choque.

Dilma já é considerada ruim ou péssima por 62% dos brasileiros. Aproxima-se perigosamente de Fernando Collor, que arrostava taxa de rejeição de 68% em setembro de 1992, às vésperas de ser escorraçado do Planalto pelo impeachment. Uma aversão desse tamanho não passa com pomadinhas anticorrupção e curativos ministeriais. Exige, de saída, a grandeza de uma autocrítica genoína.

Depois de perder a pose e o asfalto, a presidente perde o pouco que lhe restava de discurso. O lero-lero segundo o qual apenas os eleitores de Aécio Neves fazem cara de nojo para Dilma perdeu completamente o nexo. Dilma tanto fez que definha também em seus próprios redutos. Mesmo entre os beneficiários das políticas sociais, a rejeição disparou.

Dilma tornou-se uma presidente minoritária. Sua aprovação aproxima-se da casa de um dígito. Apenas 13% dos patrícios classificam-na como ótima ou boa. Nesse ponto, madame igualou-se a FHC, sua eterna e mais querida referência. Em setembro de 1999, acusado de estelionato eleitoral por ter desvalorizado o Real após reeleger-se, FHC também amargou os mesmos 13% de rejeição.

O pessimismo do eleitorado completa a atmosfera de borrasca que se acercou de Dilma. De cada dez brasileiros, seis apostam que a economia vai piorar. A grossa maioria acha que a inflação e o desemprego subirão 77% e 69%, respectivamente. Nessa seara, Dilma não tem boas notícias a fornecer neste ano de 2015, talvez nem em 2016.

Como se fosse pouco, os desdobramentos do petrolão são acompanhados com um interesse de novela: 73% tomaram conhecimento da “lista do Janot”, com os nomes de autoridades e congressistas encrencados. O escândalo é de fácil apreensão. Numa fase em que sobra mês no fim do salário, o brasileiro revolta-se com as milionárias cifras entesouradas na Suíça.

Apegada ao manual petista de administração de crises, Dilma vem reagindo à ruína de forma previsivelmente acanhada e convencional. É fácil, muito fácil prever o seu próximo erro: vai chamar João Santana para uma conversa. A crise não pede mais embromação publicitária. Em vez dar ouvidos ao marqueteiro, Dilma deveria escutar o seu instinto de sobrevivência.

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Pacote anticorrupção é alarme contra os aliados

Dilma Roussef encontrou uma boa maneira de diluir a raiva que ganhou o asfalto. Ela decidiu dar um banho de gargalhada nesse país lançando um pacote de projetos de lei anticorrupção. Se a plateia estiver entendendo bem, a presidente faz isso para garantir que seus correligionários e aliados não caiam na tentação de continuar roubando. Mal comparando, é como se um alcóolatra cercasse as garrafas de bebida com um sistema de alarmes contra ele mesmo.

Essas pessoas que sistematicamente desmoralizam o governo e atiçam as praças contra Dilma precisam mesmo ser identificadas, submetidas à execração pública e punidas. Infelizmente, os suspeitos geralmente integram a coligação da presidente. Os mais notórios escondem-se nas fileiras do PT e do PMDB, os dois sócios majoritários do empreendimento governista. Os mais ousados presidem as duas Casas do Legislativo.

Nesta terça-feira, enquanto o ministro da Justiça exibia o pacote anticorrupção aos presidentes investigados da Câmara e do Senado, a Justiça informava no Paraná que a empresa de consultoria do mensaleiro José Dirceu faturou R$ 29 milhões em oito anos —uma parte proveniente das empresas provedoras do petrolão. O PT reafirmava que seu tesoureiro João Vaccari Neto só amealhou “doações legais”. E o delator Paulo Roberto Costa declarou aos procuradores da Lava Jato que “doação legal é uma balela.”

Simultaneamente, Lula combinou com Dilma os detalhes de uma reforma da equipe ministerial que tomou posse não faz 80 dias. A ideia central é reforçar a presença do PMDB na Esplanada. O mesmo partido que sustentou na Petrobras o ex-diretor Jorge Zelada, que acaba de sofrer o bloqueio de R$ 40 milhões que entesourara em contas no principado de Mônaco.

Toda essa lama escorre contra um fundo de progressivo embrutecimento dos brasileiros saqueados. As redes sociais já anunciam para abril um novo ‘asfaltaço’. Se tudo correr como planejado pelo Planalto, dessa vez os manifestantes vão às ruas para gargalhar da penúltima da Dilma. Até lá a presidente talvez já tenha bolado um novo número —como desfritar um ovo, por exemplo.

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Ressaca!



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Pesquisa Datafolha: Reprovação de Dilma aumenta em todas as regiões e segmentos sociais do país e atinge 62%
Ricardo Noblat


Para não dizer que não, tem uma notícia boa, sim, para a presidente Dilma Rousseff na pesquisa do instituto Datafolha publicada, hoje, pelo jornal Folha de S. Paulo: a aprovação do Congresso é menor do que a dela.

Ouvidos 2.842 eleitores em todo o país nas últimas 48 horas, apenas 9% consideram ótimo ou bom o desempenho do Congresso. Para 50% deles, o desempenho é ruim e péssimo. Quanto a Dilma...

No terceiro mês do seu segundo mandato, 62% dos brasileiros classificam como ruim ou péssima a gestão de Dilma. Somente há 22 anos, quando Collor estava perto de ser deposto, houve uma desaprovação maior. A dele chegou a 68%.

A impopularidade de Dilma subiu de fevereiro para cá 18 pontos se comparada à pesquisa anterior do próprio Datafolha. Somam 13% os que consideram o governo de Dilma ótimo ou bom.

A mais baixa taxa de aprovação de Lula nos seus dois governos foi de 28% em dezembro de 2005, ainda por efeito do escândalo do mensalão – o pagamento de propina a deputados federais para que votassem como o presidente queria.

A de Itamar Franco foi de 12% antes do lançamento do Plano Real, em 1993. Em 1999, depois da desvalorização do real como moeda, a aprovação de Fernando Henrique Cardoso desabou para 13%.

A popularidade de Dilma está indo para o buraco em todas as regiões do país e em todos os segmentos sociais.

As taxas mais altas de rejeição dela estão nas regiões “Centro-oeste (75%) e Sudeste (66%), nos municípios com mais de 200 mil habitantes (66%), entre os eleitores com escolaridade média (66%) e no grupo dos que têm renda mensal familiar de 2 a 5 salários mínimos (66%)”, segundo a Folha.

A maior taxa de aprovação está na região menos populosa do país – o Norte, com 21%. No Nordeste, que ajudou a eleger e reeleger Dilma no ano passado, agora só 16% dos seus habitantes aprovam o governo de Dilma. ¨

De 0 a 10, Dilma obteve nota 3,7.

“Com exceção dos simpatizantes do PT e de seus próprios eleitores, todos os demais segmentos socioeconômicos, políticos ou demográficos reprovam majoritariamente o desempenho de Dilma. Mesmo nos estratos mais beneficiados pelas políticas sociais do governo, a rejeição disparou”, escrevem Mauro Paulino, Diretor-Geral do Datafolha, e Alessandro Janoni, Diretor de Pesquisas.

De 55% em fevereiro, passou para 60% o índice de pessimismo dos brasileiros com o futuro próximo da economia. É o índice mais alto desde 1997, no governo Fernando Henrique.

O desemprego tende a aumentar (69%). Bem como a inflação (77%).


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Blog do Coronel

Cai por terra tese do PT. Em depoimento explosivo, empreiteiro revela que Vaccari exigiu que propina de R$ 10 milhões fosse transformada em doação oficial.

Se a PGR conseguir comprovar que propinas eram transformadas em doações oficiais, como revelado pelo vice-presidente da Camargo Correa, cai o governo Dilma Rousseff.

(Folha) O vice-presidente da Camargo Corrêa, Eduardo Leite, disse em depoimento prestado no âmbito de um acordo de delação premiada que o tesoureiro do PT, João Vaccari, pediu que a empreiteira pagasse uma propina de cerca de R$ 10 milhões em forma de doação oficial ao partido. O episódio, segundo Leite, ocorreu "por volta de 2010".

O executivo relata que Vaccari "tinha conhecimento" do esquema de suborno que existia na diretoria de Serviços, ocupada por Renato Duque, que foi indicado ao cargo pelo PT, segundo os procuradores da Operação Lava Jato –o partido e Duque negam que tenha havido a indicação. Duque foi preso nesta segunda-feira (16) novamente.

Leite relata no depoimento que Vaccari abordou-o cobrando propinas que a Camargo Corrêa atrasara o pagamento e sugeriu que a situação fosse acertada por meio de doações ao PT. A delação do vice-presidente da Camargo Corrêa ainda não foi homologada pela Justiça, mas o uso da parte referente a Vaccari foi autorizado pelo advogado dele, Marlus Arns, segundo procuradores da Lava Jato. Leite encerrou seus depoimentos na delação na última sexta-feira (13).

O presidente da empreiteira, Dalton Avancini, também fez um acordo de delação, mas continua depondo. Os procuradores da Lava Jato dizem que as doações legais eram uma das formas de pagamento de suborno e é ilegal porque se trata de uma maneira de lavagem: "Eram repasses de propina disfarçados de doações eleitorais", disse o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força tarefa do Ministério Público Federal que atua na Lava Jato.

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Oposição quer diálogo com as ruas, não com Dilma.

(Estadão) Embalada pelas manifestações contra a presidente Dilma Rousseff no domingo, a oposição rechaçou a tentativa do governo de abrir um diálogo para fazer com que as promessas de promover a reforma política, aprovar o pacote anticorrupção e realizar o ajuste fiscal saiam do papel.

Uma análise de conjuntura pós-manifestação produzida pelo Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB, afirma que a “pauta da cidadania” das ruas inclui a defesa “intransigente” dos direitos dos trabalhadores “impedindo que o arrocho proposto pela presidente avance no Congresso”. O texto diz, ainda, que não será cortando benefícios e aumentando impostos que o País sairá da crise.

O diálogo é rechaçado pelos principais líderes da oposição. “Não há clima para dialogar com o governo, especialmente do discurso da presidente em cadeia nacional. Eles estão no mundo da lua”, disse o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), candidato à vice-presidente na chapa de Aécio Neves em 2014.

“Seria ir na contramão das manifestações”, reforçou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Para o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, o governo não merece “a mínima confiança”. “Esse discurso (de diálogo) é surrado. Se a presidente quer ajuda, ela precisa dar sinais, como a redução de ministérios e cargos comissionados”, diz.

Para o presidente nacional do DEM, senador José Agripino (RN), a proposta do governo foi motivada “pelo grito das multidões”. “Fazem isso para dizer que, de repente, viraram conciliadores. A reforma não depende de entendimento com a oposição. Ela vai acontecer naturalmente”, diz o senador.

“Vale a declaração chamando ao diálogo, ou a de guerra, atribuindo as manifestações aos eleitores de Aécio”, completa o deputado Mendonça Filho (PE), líder do DEM.

Dilema.Apesar da multidão que tomou as ruas no domingo, a oposição se dividiu sobre sua participação nos próximos atos. Enquanto parte dos dirigentes partidários e parlamentares defende uma aproximação “lenta e gradual” com os organizadores, outros advogam a tese de que não há necessidade de colocar os políticos em cima do palanque. Pelo contrário: isso poderia gerar antipatia dos manifestantes.

“Na manifestação (de domingo) os organizadores estavam receosos com a participação de políticos nos carros de som. Poderia parecer oportunismo. Mas acho que, se o movimento continuar com essa força, será inevitável a nossa presença”, diz o senador Álvaro Dias.

O próximo ato contra Dilma está marcado para o dia 12, em São Paulo. Mas não há consenso entre os grupos. O maior deles, o Vem pra Rua, resiste a aceitar a data, marcada pelos grupos Revoltados On Line e Movimento Brasil Livre. “Não queremos proximidade com partidos. O PSDB não é oposição, é ocasião”, diz Marcello Reis, líder do Revoltados On Line.

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A ENTREVISTA – Dilma não precisa de confissão, mas de um ato de contrição política. E terá de apelar à tolerância da população. Se vai obtê-la, aí não sei…

Um bom governo acorda uma década antes. E, portanto, já estava claro às pessoas que lidam com critérios como qualidade, eficiência nos gastos e crescimento sustentável que o petismo não faria um… bom governo. Mas, caso se dê a esse governo um prazo de 48 horas, espera-se que acorde 24 horas antes, não 24 horas depois. Parece — mas nunca é bom apostar o mindinho — que, 24 horas depois da megamanifestação de domingo, a presidente Dilma Rousseff saiu de seu sono, despertando para o pesadelo em curso. Melhor isso do que a alienação.

Depois da desastrosa entrevista concedida por seus dois trapalhões no domingo — refiro-me a José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, e a Miguel Rossetto, secretário-geral da Presidência —, Dilma decidiu fazer o que ela própria deveria ter feito já no fim daquela tarde: reconhecer o caráter pacífico dos protestos, seu teor democrático, prometendo pôr as coisas nos eixos. Tudo em, no máximo, dois minutos. Para que não houvesse tempo de escolher que panela amaçar.

Foi o que ela procurou fazer com a sua entrevista/pronunciamento, concedida meio de surpresa nesta segunda. As palavras mais repetidas foram “diálogo” e “humildade”. Pesquisas encomendadas pelo Planalto apontam que a população considera o governo “arrogante”. Quando isso se mistura à incompetência, aos números ruins da economia — com consequência na vida das pessoas — e à percepção clara de que o país estava sob o ataque de uma quadrilha, o resultado são dois milhões de pessoas nas ruas gritando “Fora PT” e “Fora Dilma”.

É claro que  governanta não é, assim, um Cícero da retórica. Ao juntar os dois vocábulos dessa nova postura numa quase unidade semântica, espichou assim o raciocínio:

“Atitude de humildade é que você só pode abrir diálogo com quem quer diálogo. Porque quem não quer abrir diálogo com você, você não tem como abrir diálogo. Eu procurarei ter diálogo seja com quem for, é uma atitude de abertura. Agora eu não tô aqui fazendo nenhuma confissão. Não tem nenhum confessionário. Se alguém achar que eu não fui humilde em algum diálogo, me diz qual, e aí eu tomo providência para mudar. Me diz onde, aí tudo bem. Quem sabe eu não fui mesmo. Me diz aonde, eu vou avaliar. Caso contrário, seria um absoluto fingimento da minha parte.”

Como se vê, a presidente mistura certa subjetividade fora de hora — “fingimento de minha parte” — com uma óbvia dificuldade de dizer o que quer. E de assumir também os erros. No máximo, ela admitiu que, no passado, o governo pode ter errado na dose nos estímulos artificiais e destrambelhados aplicados à economia, mas garantiu, e eis o desconsolo para quem aposta numa mudança de postura, que era para o bem do Brasil.

Se, no domingo, os dois trapalhões defenderam como resposta às ruas uma reforma política à qual o PMDB se opõe, nesta segunda, na presença do condestável José Sarney, acenou para o partido e disse que a reforma é necessária, sim, mas é obra do Congresso. Se, no domingo, Rossetto deu mais ênfase ao “protesto a favor” organizado pelo PT no dia 13, nesta segunda, Dilma ao menos admitiu a legitimidade dos reclamos dos que protestaram contra.

A presidente disse ainda que a “corrupção é uma velha senhora no Brasil”, argumentando que não começou com a chegada do PT ao poder. É claro que não! Nunca li ou ouvi alguém sustentar esse ponto de vista. Mas ou se admite que só no petismo a corrupção se transformou num sistema, numa categoria política e numa categoria de pensamento, ou não se vai sair do lugar. Essa percepção chegou às ruas e é crescente.

E há, ainda, um nervo exposto que vai doer por muito tempo. E que só tende a piorar com a efetividade do ajuste fiscal: a Dilma que governa não é aquela que ganhou as eleições. Nesta segunda, ela disse que não estava num confessionário. Ninguém está interessado em suas dúvidas de consciência, matéria para confissões. Ela terá de fazer, sim, uma contrição política, pedir desculpas pelas promessas que não pode cumprir e apelar à tolerância da população. Se vai ou não obtê-la, aí não sei.

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Oposição tem de cobrar uma posição de Zavascki sobre recurso do PPS que pede que Dilma seja investigada, ao contrário do que decidiram Janot e o ministro

Não sei, não, mas tenho pra mim que a oposição está cochilando sobre a importância de um Agravo Regimental, assinado pelo PPS, que chegou ao Supremo Tribunal Federal por intermédio do deputado Raul Jungmann (PE), na sexta-feira. Tratei do assunto num post escrito no sábado. O que é um “Agravo Regimental”? É um pedido para que a corte reveja a sua própria decisão. O que se pede ali? Que a atuação de Dilma no escândalo do petrolão seja investigada, ainda que ela não possa, de fato, ser processada por atos anteriores à sua condição de presidente. Bem, a primeira falha dessa tese é supor que tudo o que diz respeito a Dilma, nesse caso, vai até 2010. Mas não vou me ater a isso agora.

O que interessa nesse agravo do PPS é outra coisa. Há uma sólida jurisprudência no Supremo — e o partido pede que Teori Zavascki se manifeste a respeito — sustentando que um presidente pode, sim, ser investigado. Nem que seja para que o processo ocorra só depois do término de seu mandato. Noto: a argumentação de Rodrigo Janot, acatada por Zavascki, para não investigar Dilma foi justamente esta: sustentar que ela não poderia ser processada por atos estranhos ao mandato. Mas quem está falando de processo?

Vamos ver o que escreveu o ministro Celso de Mello no Inquérito nº 672/6:
[...] De outro lado, impõe-se advertir que, mesmo na esfera penal, a imunidade constitucional em questão [aquela do Presidente da República] somente incide sobre os atos inerentes à persecutio criminis in judicio. Não impede, portanto, que, por iniciativa do Ministério Público, sejam ordenadas e praticadas, na fase pré-processual do procedimento investigatório, diligências de caráter instrutório destinadas a ensejar a informatio delicti e a viabilizar, no momento constitucionalmente oportuno, o ajuizamento da ação penal”

Fora do juridiquês, quer dizer o seguinte: investigar pode; não pode é processar. Até porque vamos pensar:
a: como se vai processar alguém depois de encerrado o mandato sem a investigação?;
b: é preciso que se investigue, então, agora, mesmo as questões anteriores ao mandato (como quer Janot) para saber se elas não têm desdobramentos já na fase do mandato.

Há uma possibilidade de que Zavascki considere que o PPS não tem legitimidade para entrar com Agravo Regimental porque não é uma parte no caso. O partido diz que sim. Por via das dúvidas, já se antecipou e pediu que, eventualmente negado o agravo, a solicitação seja levada ao pleno do Supremo como questão de ordem.

Embora eu entenda, e já expus aqui tantas vezes, que existem razões para a denúncia de impeachment, com base no que dispõe a Lei 1.079, sei que a tese é polêmica. Ocorre que a Lei do Impeachment é matéria a ser tratada na Câmara dos Deputados. No que respeita à Procuradoria-Geral da República e ao Supremo, nada mais vai acontecer se não houver ao menos a investigação. É só questão de bom senso. Mesmo um defensor fanático do impeachment via Congresso não tem por que contestar o caminho adotado pelo PPS. Nesse caso, o que abunda não prejudica.

É chegada a hora de os oposicionistas cobrarem uma posição de Zavascki.

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Carvalho, homem de Lula, critica o governo Dilma e diz sentir “vergonha”. Ele quer ver a presidente errando ainda mais!

Gilberto Carvalho, ex-ministro da secretaria-geral da Presidência, olhos, ouvidos e braço esquerdo de Lula, resolveu sair da toca política para, ainda que com modos de sacristão, atacar o governo que ele integrava até outro dia. Agora com um empregão no Sesi — presidente do Conselho de Administração —, ele falou nesta segunda à noite, em Fortaleza, a uma plateia de 500 pessoas ligadas a sindicatos.

O chefão petista deixou clara a sua ideia de governo e a que ele resume a sociedade brasileira. Disse, segundo o Estadão: “Eu tenho vergonha de dizer: nós erramos. Nós tivemos uma eleição que só foi ganha pela luta de vocês, pela luta da nossa militância. Aqueles três milhões de votos que nos salvaram, nós sabemos que foram graças à luta da militância. E a gente, quando acabou a eleição, em vez de chamar o pessoal para discutir — ‘olha pessoal, vamos fazer um programa para valer, popular’ —, nós esquecemos”.

Um dia depois de o país ter assistido à maior manifestação de sua história, com um repúdio claro ao PT e às suas táticas, Carvalho considerou:

“Levou um mês para ser chamada a CUT lá no Palácio (do Planalto). Um mês para o MST ser chamado lá no Palácio. E viemos com um pacote que só penalizou o lado dos trabalhadores, sem nenhuma comunicação. Devo dizer que fiquei muito triste com isso. Esse foi um erro imperdoável que nós cometemos. Não tem como negar. Porque assim você não faz alianças estratégicas”.

Esse “nós” é só uma forma de esconder a esculhambada que está dando em Dilma. E, como ele é Gilberto Carvalho, está, obviamente, dizendo uma bobagem gigantesca. Por ele, a presidente erraria ainda mais do que está errando. Notem: a única pauta que interessa a este senhor é aquela levada pelos petistas no dia 13. Na fala de Carvalho, o dia 15 não existiu.

Esse foi o caminho que levou Dilma à ruína. Este senhor tentou transformar a presidente da República numa chefe de facção.

Black blocs
Uma das páginas de black blocs anunciava ontem que eles vão tentar botar pra quebrar nas próximas manifestações. Os bravos chamam pessoas que não depredam nem incendeiam nada de “golpistas”. Pois é… Acho que o assunto interessa à Polícia Federal. Sugiro à PF que fale com Gilberto Carvalho. Ele afirmou em entrevista que fez várias reuniões com aqueles patriotas. Deve conhecer seus líderes, não é mesmo?

Só para registro: Carvalho não existe. Quem existe é Lula, o principal fator de desestabilização de Dilma.

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A questão: como é que Dilma se livra de Lula para tentar salvar a própria cabeça?

Pensa que é fácil ser Dilma Rousseff? Nesta segunda, duas, digamos assim, entidades a cercaram: José Sarney, ele mesmo!!!, estava presente à solenidade em que foi sancionado o novo Código de Processo Civil. Mais tarde, a coitada teve de discutir a crise política com um chefe que anda bastante amuado: Luiz Inácio Lula da Silva.

Para todos os efeitos, Lula seria defensor de uma maior “peemedebização” do governo… Não é bem assim. Quem está buscando caminhos para se livrar da tutela do PT e de seu chefão é Dilma. É que o PMDB, até agora, não se mostra um caminho assim tão seguro. Que vai crescer a importância da legenda no governo, ah, estejam certos disso. Mas basta? Acho que não!

Lula, por sua vez, até pode achar que o entendimento com os peemedebistas se faz necessário — afinal, o governo está na pindaíba —, mas a sua luta no momento é outra: ele se mexe para sobreviver como candidato viável em 2018, o que o PMDB também já percebeu. E não está disposto a lhe rechear a empada com azeitona. Ou por outra: o partido não quer ser a garantia da estabilidade de Dilma e preparar o colchão para a volta do demiurgo. E Lula quer a garantia de que jamais será atingido por uma investigação. Mas como?

Esse não é o único descontentamento do ainda Poderoso Chefão. O lulismo teme que a o avanço da Operação Lava-Jato chegue mesmo ao topo do partido. Nos bastidores, há uma cobrança quase sanguinolenta para que Dilma faça alguma coisa. Mas, a esta altura, fazer o quê? A presidente admitiu, na entrevista desta segunda, a corrupção em sucessivos governos. Num determinado momento, com alguma irritação, disse: “O governo não sou eu”. Não ficou muito claro o sentido da frase. Ou será que ficou? Quem, então, é o governo?

O ex-presidente acha, sim, que é preciso dar mais espaço ao PMDB, mas apenas como alternativa para esfriar a crise política. Não aceita, por outro lado, a despetização. Os lulistas consideram que Dilma tem sido pouco enfática na defesa do partido. Convenham: o que ela poderia fazer?

Um dos principais problemas da governanta hoje é como tirar Lula do seu cangote. Leiam os ataques feitos ontem por Gilberto Carvalho ao governo. Acabam colocando os tais movimentos sociais em pé de guerra contra uma presidente que está sitiada em seu palácio.

É espantoso que um ex-presidente da República baixe em Brasília não para uma visita de cortesia à atual mandatária, mas com uma pauta debaixo de braço. Isso infantiliza Dilma, atinge a sua reputação e faz dela uma espécie de fantoche entre senhores da guerra.

Ou Dilma começa a se organizar para se livrar de Lula, ou será ele a inviabilizar de vez o seu governo.

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Crise expõe a inutilidade dos partidos políticos

A crise que levou centenas de milhares de brasileiros às ruas no domingo pode matar uma curiosidade que atormenta a nação desde a primeira missa: quando começa o caos? Não adianta mais tapar o sol com a peneira. Na democracia brasileira, projeto político que sai pelo ladrão, os partidos perderam a função. Costumavam representar grupos ou corporações. Hoje, representam apenas a si próprios. Compõem uma superestrutura 100% financiada pelo déficit público. Muitos tornaram-se organizações criminosas.

“A corrupção não nasceu hoje”, disse Dilma Rousseff em sua primeira manifestação pública depois do ‘asfaltaço’ de 15 de março. “Ela não só é uma senhora bastante idosa nesse país como não poupa ninguém. Pode estar em tudo quanto é área, inclusive no setor privado. O dinheiro tem esse poder corruptor… Não vamos achar que tenha qualquer segmento acima de qualquer suspeita. Isso não existe.” Dilma tem razão. Sempre houve grande confusão entre o público e o privado no Brasil. A diferença é que agora há uma radicalização.

O PT ilustra o fenômeno de forma paradigmática. Noutros tempos, a legenda de Dilma e Lula fazia pose de freira em porta de bordel. Hoje, administra uma pornocoligação. O que a presidente declarou, com outras palavras, foi que seus apoiadores roubam. Mas a oposição, que não está acima de qualquer suspeita, não é imune à sedução da 'velha senhora'. Dilma disse essas coisas em resposta a uma pergunta sobre comentário que o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, fizera horas antes.

“É bom deixar claro que a corrupção não está no Poder Legislativo”, afirmara Cunha. “A corrupção está no Executivo. Se eventualmente alguém no Poder Legislativo se aproveitou da situação para dar suporte político em troca de benefícios indevidos é porque esses benefícios existiram pela falta de governança do Poder Executivo, que permitiu que a corrupção avançasse.” Nessa surpreendente formulação, os cofres desprotegidos da República são meras oportunidades que os congressistas aproveitam.

Considerando-se que o STF abriu inquéritos contra 34 parlamentares por suspeita de recebimento de propinas na Petrobras —entre eles o próprio Eduardo Cunha— a plateia fica autorizada a perguntar para os seus botões: “O caos já começou?” O quadro é de uma simplicidade estarrecedora. O que o presidente da Câmara afirmou, à sua maneira, foi o seguinte: os parlamentares podem ter assaltado o Tesouro. Mas a culpa é do governo, que deu mole. Ou, por outra: não é que o crime não compensa. É que, quando compensa, muda de nome. Chama-se descuido do assaltado.

Suprema maldade: a perversão partidária disseminou-se de tal maneira que roubaram do brasileiro até a delicadeza da dissimulação, do cinismo. A atmosfera de beco-sem-saída sonega ao contribuinte o direito à mentira. É como se, corrupção a pino, os partidos quisessem apressar a chegada ao caos. Logo, logo, quando o último filiado do derradeiro partido roubar a luz na saída, será possível construir um Brasil inteiramente novo. Caos não vai faltar.

Dilma disse que sua geração deu a vida para que o povo pudesse manifestar suas opiniões livremente nas ruas. Verdade. Mas não precisava fornecer a matéria-prima que enche as ruas! Irado, o asfalto faz as vezes de oposição. E fica boiando na atmosfera uma pergunta: quem vai dar vazão às demandas?

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Estratofera!



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E logo Dilma, sempre atenta a tudo, não percebeu a companhia da Velha Senhora, a corrupção
Ricardo Noblat

A corrupção, esta velha senhora que circula por toda parte como disse a presidente Dilma Rousseff...

Não importa que Dilma tenha se limitado a repetir o que ouviu de um assessor inteligente – a imagem da corrupção como uma velha senhora.

Fez bem em usá-la. É uma imagem feliz.

Só não sei por que os coleguinhas não aproveitaram para perguntar a Dilma, em sua versão o mais próxima possível da humildade, se ela, desde que ligou sua vida à Petrobras, nunca se deu conta da presença por ali da velha senhora.

Sim, porque na versão “dona da verdade” ou “a última palavra é minha”, Dilma jamais deixou que alguém se aproximasse da Petrobras sem a sua licença.

Foi assim como ministra das Minas e Energia. Como chefe da Casa Civil da presidência da República. Como presidente do Conselho de Administração da Petrobras. E como presidente da República.

Dilma nomeou Graça Foster presidente da Petrobras para que nem uma folha de papel mudasse de lugar, ali, sem que ela soubesse.

A “velha senhora” fez da Petrobras a sua morada preferencial. Roubou algo como 2 bilhões de reais. E Dilma não se deu conta da presença dela em seus domínios.

É possível?

Possível, é. Mas isso caracteriza negligência, desleixo, irresponsabilidade.

Depenaram uma das maiores empresas do mundo, a maior do Brasil, e dois presidentes da República de um mesmo partido, aliados, portanto, não perceberam.

Contem-me outra!

Por que Dilma não confessa pelo menos que errou?

Está bem: ela não gosta de confissões como disse ontem. Troquemos a palavra.

Por que Dilma não admite pelo menos que errou?

Isso não lhe arrancará nenhum pedaço.

Quantos aos coleguinhas que se deslumbram com o Poder e que temem perder informações se parecerem incômodos...

Jornalista que não incomoda não é jornalista – é assessor.


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Blog do Coronel

Ontem, os políticos foram poupados pelo povo e massacrados pelo PT e por Dilma.

As manifestações de ontem, que reuniram mais de dois milhões de pessoas nas ruas de todo o Brasil, atacaram Lula, Dilma e o PT. O tema corrupção, abordado de forma ampla, não foi dirigido diretamente aos políticos, nem quando os manifestantes lotaram o gramado em frente ao Congresso Nacional. Citaram Renan Calheiros ou Eduardo Cunha? Não. Mas citaram Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, ministros do STF que, segundo os manifestantes, tem uma ligação além do desejável com o governo petista. Os políticos foram poupados pelo povo.

À noite, ao contrário, Dilma Rousseff, sitiada e assustada, mandou os seus ministros jogar a culpa de todas as mazelas para cima dos políticos. Atirou para cima de deputados e senadores a responsabilidade pela corrupção, tendo em vista o financiamento privado de campanhas. Ficou muito nítido no discurso de José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Miguel Rossetto, da Secretaria da Presidência. A culpa é dos políticos e por isso o caminho para acabar com a corrupção começa pela reforma política. Para eles, a corrupção não está dentro do Governo, mas sim no Congresso Nacional. Como se o PT não fosse o partido que instalou uma verdadeira quadrilha que extorque empresas privadas e empresas públicas há 12 anos, para sustentar os mensalões e petrolões.

A partir de hoje, o Congresso Nacional tem a obrigação de retribuir esta espécie de trégua que o povo concedeu aos políticos no dia de ontem não aceitando as artimanhas do PT, que só tem um objetivo: salvar a própria pele, dando sustentação a um governo desesperado e falido. Que as investigações na CPI da Petrobras sejam sérias. Que as reformas de qualquer natureza sejam conduzidas pelo Legislativo. Que o Congresso Nacional assuma o comando deste país desgovernado. Façam isso ou o próximo protesto, que terá proporções ainda maiores, será contra deputados e senadores, sem exceção.

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"15 do Basta!": dois milhões vão às ruas e Dilma ainda ganha panelaço durante entrevista de ministros.

(O Globo) Mais de 2 milhões de pessoas, segundo estimativas da Polícia Militar (PM), participaram de protestos neste domingo contra a administração da presidente Dilma Rousseff e pelo combate à corrupção. As manifestações acontecem em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Ao todo, manifestantes foram às ruas em 147 cidades. 

Jornais e sites estrangeiros noticiaram as manifestações, que também aconteceram fora do país: em Nova York, cerca de 100 pessoas estiveram na Union Square e em Paris, 20 pessoas se encontraram na praça da Reine Astrid, a poucos metros da embaixada brasileira.

Pouco antes das 19h, os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) foram designados pela presidente Dilma Rousseff a darem uma entrevista coletiva para fazer uma avaliação das manifestações e anunciaram um pacote anticorrupção "em breve". Durante pronunciamento de ministro, moradores de várias cidades brasileiras fizeram panelaços.

O verde e amarelo deu o tom dos protestos, com manifestantes vestindo camisetas da seleção e carregando a bandeira brasileira. Por todo o país, se viu faixas pedindo o fim da corrupção, o impeachment da presidente Dilma e até mesmo a intervenção das Forças Armadas, mas de maneira geral o público gritava palavras de ordem contra a situação política e econômica do país. Em vários momentos eles cantaram o Hino Nacional.

Apenas em São Paulo, um milhão de manifestantes fecharam a Avenida Paulista, segundo números da Polícia Militar às 15h05m. Foi o maior do país. Muitos manifestantes seguraram bandeiras, vuvuzelas, cartazes e faixas de repúdio à corrupção com as palavras "Basta", "Vem pra Rua", "Fora Dilma", "Vamos dar um basta nisso". Alguns usavam nariz de palhaço. O ato seguiu pacífico, reunindo jovens, idosos e famílias com crianças. Uma manifestante chegou a fazer topless e chamou atenção no meio da multidão. A PM informou que ao menos 24 pessoas foram detidas durante o protesto na cidade.

No Rio, cerca de 25 mil pessoas, segundo a PM, e 100 mil, de acordo com os organizadores, tomaram a Praia de Copacabana, na Zona Sul, para protestar contra o governo, nesta manhã. Cerca de 800 policiais militares fizeram o policiamento da orla do bairro. Os integrantes do protesto levavam cartazes em apoio ao juiz Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Lava-Jato.

O trânsito foi totalmente impedido na Avenida Atlântica. Algumas agências bancárias colocaram tapumes por precaução, alguns comerciantes também fecharam suas lojas. Em Niterói, um grupo de 300 manifestantes também participou de uma passeata na Praia de Icaraí. No interior do estado, a cidade de Volta Redonda também foi palco de um protesto.

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), que participou do ato no Rio, foi impedido de subir em um carro de som. O político havia sido convidado por um dos líderes do movimento a falar no microfone, mas foi vaiado pelos manifestantes. — Eu disse que não queria falar, mas eles insistiram. Não posso ser unanimidade — afirmou o deputado, que apesar da vaia, foi tietado e fez selfies com manifestantes.

Durante o protesto, um homem de 56 anos, morador de Copacabana, afirmou ter sido agredido com socos por manifestantes. Sergio Moura, que é fiscal da Fazenda, passeava com seu cachorro quando disse aos participantes do ato que fossem fazer protesto em Miami. Moura, que é filiado ao PSOL, só conseguiu sair do local após ser escoltado pela Polícia Militar.

— Na verdade, o que estão tentando fazer é criar condições para um golpe militar. Não estão defendendo a democracia coisa nenhuma— disse Moura. Um petroleiro também precisou de escolta para sair do ato, após ser hostilizado por defender a Petrobras e o Governo Federal.

Em Brasília, logo no início da manhã, as pessoas já se concentravam em frente ao Museu da República. Antes de chegarem ao local, os manifestantes eram revistados pela Polícia Militar. Às 10h30m, iniciaram uma caminhada em direção ao Congresso Nacional. De acordo a PM, cerca de 45 mil pessoas participaram do ato. Para os organizadores, esse número chegou a 150 mil. Boa parte da manifestação ocorreu em frente ao Congresso. Um grupo entrou dentro do espelho d’água e começou a balançar uma faixa verde e amarela. Outras pessoas carregavam cartazes com frases como “chega de tanto roubo” e “queremos o Brasil livre da corrupção”. A PM fez um cordão de isolamento no local e a manifestação seguiu pacífica.

Apesar de alguns dos presentes pedirem o impeachment da presidente, o coordenador do movimento “Limpa Brasil” e um dos principais organizadores da manifestação, Paulo Pagani, diz ser contra essa pauta: — Não somos a favor (do impeachment). Agora o momento é de eles reavaliem os valores que eles perderam, como ética, como respeito, e principalmente cuidar da coisa pública, que é pra isso que eles foram eleitos — afirmou.

Uma jaula foi montada durante a concentração para colocar as fotos e os nomes dos investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento nas denúncias da Operação Lava-Jato. O juiz Sérgio Moro e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foram homenageados pelos manifestantes, que afirmaram que eles mereciam ser lembrados pela coragem que tiveram de denunciar os escândalos de corrupção na Petrobras. Alguns ministros do STF, porém, não foram poupados das críticas. Do alto de um dos trios elétricos, organizadores gritaram palavras de ordem contra Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli.

O trânsito na Esplanada dos Ministérios foi bloqueado, assim como as ruas laterais que dão acesso ao Palácio do Planalto. Por volta das 13h, os organizadores do evento distribuíram três mil rosas brancas, que foram deixadas no espelho d’água. Alguns manifestantes entregaram as flores para os policiais. A manifestação se dispersou e as pessoas começaram a voltar para a Rodoviária do Plano Piloto, onde cantaram mais uma vez o Hino Nacional e encerraram o protesto.

Em Belo Horizonte, a Praça da Liberdade, tradicional ponto na Zona Sul da cidade, foi tomada por milhares de manifestantes na manhã deste domingo. Segundo estimativas da PM, cerca de 24 mil pessoas estiveram no local para reivindicações, contra 40 mil segundo os organizadores. Em um movimento pacífico, com perfil familiar, o ato começou a ganhar grandes proporções a partir das 10h. Apoiados por um carro de som, além de pandeiros, apitos e buzinas, palavras de ordem foram entoadas diversas vezes, como "Fora, PT", "Fora, Dilma", e "1, 2, 3, 4, 5 mil, ou para a roubalheira, ou paramos o Brasil". Também foram tocadas canções, como "Que País é Esse", do Legião Urbana, e o Hino Nacional.

— O movimento está muito bacana, quando que essas pessoas sairíam de casa no domingo de manhã para protestar por um Brasil melhor? Lutamos pelo fim da corrupção e, consequentemente, da Dilma. Se for preciso, já temos argumentos para impeachment, baseado no dolo, na responsabilidade por esses escândalos. Mesmo assim, nenhum partido nos representa, precisaríamos de uma grande reforma política, mas não neste momento — afirmou um dos líderes do ato, o empresário Paulo De Mingo.

A Polícia Militar estima em 8 mil pessoas o número de manifestantes que estiveram presentes na praia de Boa Viagem, cartão postal do Recife. O grupo caminhou por pouco mais de um quilômetro. Na manifestação em defesa de Dilma e da Petrobras, ocorrida dois dias antes, no Centro da cidade, a PM informou que foram 1.500 presentes. Os manifestantes cantaram o Hino Nacional e de Pernambuco. Três trios elétricos foram colocados na avenida, que por mais de uma década foi palco do carnaval fora de época Recifolia. Diferentemente do axé daquela época, a trilha sonora tinha “Indignação”, do Skank e “Caminhando”, de Geraldo Vandré, considerada um hino das manifestações petistas de outrora.

Em São Luís, no Maranhão, aproximadamente 3 mil pessoas, segundo estimativa da PM, participaram dos protestos. Os organizadores calcularam 4 mil pessoas no ato. A concentração começou às 9h, na praia de São Marcos, na orla da avenida Litorânea. Às 10h30m, os manifestantes começaram a passeata de 6 quilômetros em direção à lagoa da Jansen, no bairro São Francisco, ocupando apenas uma das pistas da Litorânea até chegar à praia da Ponta d’Areia e à Lagoa, onde os manifestantes se dispersaram, pouco depois das 12h.

O "Fora Dilma", em Belém, reuniu mais de 10 mil pessoas. Servidores públicos, empresários, maçons e estudantes participaram do ato. Sindicatos também aproveitaram para cobrar melhores condições de trabalho, controle da inflação e dos impostos. Tudo isso motivou mais de três horas de manifestação pelas ruas do centro da capital paraense. Panelaços, apitaços, vaias e cartazes criticavam o governo e a corrupção. davam a diversidade de ideologias e interesses. Havia apoios isolados à volta do regime militar.

Centenas de pessoas protestaram no Farol da Barra, em Salvador. A concentração no local começou por volta das 9 horas, e os manifestantes seguiram em direção à estátua do Cristo, em Ondina. A PM estima que cerca de 4 mil pessoas estejam no evento. Já os organizadores acreditam que foram 5 mil.

Em Vitória, no Espírito Santo, o protesto reuniu 100 mil pessoas, de acordo com a secretaria estadual.
de segurança pública do Estado. Já em Natal 5.500 pessoas segundo contagem da PM. Três mil e 800 pessoas, segundo os organizadores, e 3 mil, segundo a PM participaram da manifestação no Piauí. Os manifestantes fizeram o enterro de um boneco. de Dilma Rousseff.

No Rio Grande do Sul, a concentração começou no Parque Moinhos de Vento, um reduto de classe média alta da cidade, e percorreu várias ruas centrais até chegar ao Parque da Redenção. Segundo os organizadores, entre 50 mil e 60 mil pessoas marcharam contra o governo pelas ruas de Porto Alegre. O Centro de Comando Integrado (Ceic) estimou o público em 30 mil pessoas. A Brigada Militar (BM), entretanto, avaliou que o público envolvido na manifestação superou as 100 mil pessoas.
Em várias cidades do interior do Rio Grande do Sul também houve manifestações.

Em Novo Hamburgo, na região metropolitana, cerca de 10 mil pessoas segundo os organizadores e 2 mil de acordo com a BM interromperam o trânsito da BR 116 por quase uma hora no final da tarde. O congestionamento chegou a 3 quilômetros. Em Caxias do Sul, o protesto reuniu cerca de 60 mil pessoas. Em Santa Maria, 5 mil manifestantes marcharam pelas principais ruas da cidade para protestar contra o governo e pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O protesto em Campo Grande (MS) reuniu 10 mil pessoas e em foram 12 mil, segundo dados da PM.

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As lições do dia em que o PT perdeu o controle das ruas e o povo insultou Lula como jamais o fizera
Ricardo Noblat

Lição número um do domingo histórico de 15 de março de 2015, quando o Brasil celebrou com maturidade, coragem e alegria os 30 anos do fim da ditadura de 1964 e do início da redemocratização: o PT perdeu o controle das ruas.

De fato começara a perder desde que a corrupção passou a corroê-lo por dentro em 2005 – portanto, há exatos 10 anos –, tão logo o escândalo do mensalão fez o primeiro governo Lula tremer. Não caiu, é verdade. Mas perdeu a pose e nunca mais a recuperou.

Lição número 2 de um domingo histórico: Lula deixou de ser intocável. Em nenhum ato público de grande porte até aqui, manifestantes haviam ousado, em coro e por muito tempo, ofender Lula com palavras de ordem.

Os que tentaram em outras ocasiões não foram bem-sucedidos. Mas ontem foram sim. “Lula cachaceiro, devolve meu dinheiro” foi uma das agressivas palavras de ordem. Estamos longe da cultura nórdica que cobra boa educação a qualquer hora.

Infelizmente é assim e sempre será neste país abençoado por Deus e bonito por natureza. Não foi  assim quando Dilma acabou insultada no jogo de abertura da Copa do Mundo, no ano passado? Não devemos nos julgar inferiores por isso.

Quantos países, de pouca experiência democrática como o nosso, seriam capazes de pôr mais de dois milhões de pessoas nas ruas pacificamente? Isso é quase metade da população da Noruega. É sete vezes mais do que a população da Islândia.

Atravessamos apenas 30 anos ininterruptos de Estado Democrático de Direito. A democracia por aqui está mais no papel do que na realidade das pessoas. Temos liberdade. Não temos rede de esgoto. E liberdade sem rede de esgoto não melhora a vida de ninguém.

Agravou-se a situação da presidente Dilma. Ela não pode falar ao país por meio de rede nacional de rádio e de televisão porque seria recepcionada por um panelaço. Não pode circular por aí para não ser vaiada. Muito menos confraternizar com seu povo sem medo.

À crise econômica somou-se a crise política. Roguemos para que disso não resulte uma crise institucional. No momento, Dilma nada tem a dizer aos brasileiros – nada de novo, nada que mude sua situação. E os brasileiros não desejam ouvi-la. Simples.

Como restabelecer o diálogo sem o qual o país entrará em uma das fases mais delicadas de sua história recente? O governo carece de líderes. Os partidos, idem. Por espontâneas e desorganizadas, as manifestações não têm quem as guie. E não admitem ser guiadas.

A solução não está no impeachment. Presidente só pode ser deposto se cometer um dos oito crimes de responsabilidades previstos na Constituição. Dilma não cometeu nenhum deles. O que fazer então? Eu não sei. De outras vezes pensei que sabia. Desta, não.

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O 15 DE MARÇO 1 – Dois milhões saem às ruas de verde e amarelo contra a roubalheira. Em paz, manifestantes protestam contra o PT, pedem a punição dos culpados e o impeachment de Dilma. Ou: O movimento das pessoas direitas

Quem mesmo estava nas ruas? Eram as pessoas direitas
Quem mesmo estava nas ruas? Eram as pessoas direitas, o que parece insuportável aos “companheiros”
Dois milhões de pessoas foram às ruas nos 26 Estados do Brasil e no Distrito Federal — um milhão só em São Paulo. O número decorre da soma de estimativas feitas pelas PMs locais. O Datafolha, que vive sendo malhado pelos blogs sujos, agora mereceu testemunho de fé da companheirada porque assegura que 210 mil passaram pela Avenida Paulista. Considerada só a área dessa via, talvez. Fui ao topo de um prédio muito alto. Todas as perpendiculares estavam tomadas por uma massa compacta. A Rua da Consolação também. A PM diz ter levado em conta essas áreas adjacentes, considerando cinco pessoas por metro quadrado, mesmo critério empregado para chegar aos 12 mil petistas que se concentraram na região no dia 13.

Quantos estiveram nas ruas na cidade de São Paulo, afinal, neste domingo? Participei ativamente dos comícios das Diretas e estive presente a algumas manifestações pelo impeachment de Collor. É experiência pessoal e memória, sei disto, mas nunca vi nada igual a este 15 de março. Se, no lendário comício das Diretas do dia 17 de abril de 1984, no Anhangabaú, havia 400 mil pessoas, parece-me difícil supor que, neste domingo, o contingente se resumisse à metade daquele.

Mas digamos, para efeito de pensamento, que o instituto esteja certo. Ainda assim, quase um milhão de pessoas teriam marchado em protesto contra o governo Dilma. Seja um número ou outro, já é a maior manifestação política da história. Até porque os comícios das Diretas ocorriam em uma determinada capital e pronto. Desta feita, houve protesto em todas elas e em 185 outras cidades.

Uma imensidão verde e amarela
Este 15 de março marca ainda outro fato inédito. Nas campanhas das Diretas e em favor do impeachment de Collor, as esquerdas davam o tom do discurso — aliás, assim tem sido desde a redemocratização do Brasil. Nas ruas, os petistas passavam a impressão de ser a força hegemônica. O vermelho disputava o espaço com o verde e amarelo. Neste domingo, não! O PT não estava presente. Ainda que Dilma tenha mobilizado boa parte das palavras de ordem, a maioria delas, no tempo em que acompanhei a manifestação — e foi bastante — tinha o PT como alvo principal. Horas depois, ficaria claro, uma vez mais, por quê.

Ódio? Qual? Violência? Onde?
Desde que começou a ficar claro que o país poderia assistir à maior manifestação de sua história, o PT, ministros de Estado e a própria presidente evocaram a palavra “golpe”, como se o vocabulário terrorista fosse afastar as pessoas das ruas. Não funcionou. Perdidos, mudaram, então, a estratégia e passaram a fazer estranhas advertências sobre o risco de violência e a política do ódio.

Nem uma coisa nem outra. Hostilidade ao petismo? Ah, havia, sim. Ou os petistas trataram com afeto, em suas pequenas manifestações do dia 13, os que hoje se opõem ao governo Dilma? Violência? Exceção feita a algumas escaramuças aqui e ali — especialmente no Distrito Federal e depois de encerrado o protesto —, nunca se viu povo tão ordeiro. Em São Paulo, a Polícia Militar, em trabalho exemplar, prendeu um grupo de autointitulados “Carecas do Subúrbio”. Carregavam bombas caseiras e soco- inglês. Um deles conseguiu escapar e se escondeu no meio da multidão. Acompanhei o momento em que foi identificado. As pessoas se agacharam, colocaram-no em evidência e chamaram a Polícia. Funcionou.

Sem black blocs
As manifestações deste domingo provaram uma tese antiga deste blog. Os “black blocs” nunca foram um fenômeno urbano, uma estética, uma ética — ou seja lá que outro lixo subintelectual se tenha tentado inventar. Eram e são bandidos tolerados e protegidos por movimentos de ultraesquerda. Onde estavam no dia de ontem? Sabiam que não seriam nem abrigados nem protegidos. Sabiam que seriam expulsos da rua pela massa de, estes sim, trabalhadores!

Como esquecer que Gilberto Carvalho, em entrevista histórica concedida à Folha, confessou ter se reunido várias vezes com lideranças da canalha mascarada?

Eram poucas as faixas porque praticamente não havia movimento organizado. Também não se permitiu que o protesto fosse aparelhado por partidos políticos — e, com isso, não estou rejeitando a política, não! Ao contrário! Vi nas ruas um momento de tomada de consciência de pessoas que já não aguentam mais a conversa mole e vigarista, segundo a qual, na prática, uma suposta justiça social serve de compensação à roubalheira descarada.

O Brasil está mudando. Os reacionários do PT e suas franjas fascistoides na subimprensa optam, agora, por atacar a população de trabalhadores que vai às ruas. Perderam o eixo e a noção de tudo. Com satisfação, vi uma frase de um texto deste blog estendida na Paulista: “Não somos de direita. Somos brasileiros direitos”.

Atenção! A democracia nos reserva, sim, o direito de ser de direita. Mas, neste domingo, as pessoas direitas é que estavam nas ruas, de direita ou não.

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O 15 DE MARÇO 2 – A entrevista de um descontrolado e de um deprimido. E tome novo panelaço Brasil afora! PT nunca esteve tão perdido

Vejam esta foto, que me foi enviada por um amigo. Desconheço o autor. Se quiser se identificar, é só mandar uma mensagem para o blog.



Não poderia haver retrato maior da perdição em que se meteu o petismo. Desde que o partido foi criado, nunca o vi cometer tantos erros em série. Com essa tropa de trapalhões, Dilma está lascada. Mas como ignorar que é ela a chefe? Como vocês veem acima, um grupo de negros — tudo indica se tratar de uma família — faz troça da máxima veiculada nas redes sociais pelo PT e por seus asseclas no subjornalismo: só a elite branca teria disposição para ir às ruas. Bem, como eles são obviamente negros e como estão protestando contra Dilma, então passam a ser, segundo critérios petistas, elite branca.

O PT e o governo demonstraram, mais uma vez, na noite de ontem, que não estão entendendo nada. Isso, sim, é perigoso, não a população pacífica nas ruas. Mal os protestos haviam terminado, os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, e Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência, concederam uma entrevista coletiva. Não foi veiculada em rede nacional. Mesmo assim, ouviu-se um várias cidades do país um panelaço semelhante àquele do dia 8 de março, quando Dilma foi a TV sob o pretexto de homenagear as mulheres.

Com ar deprimido, visivelmente perdido, Cardozo anunciou que o governo pensa num pacote de medidas contra a corrupção. Dilma prometeu o mesmo em 2013. Mas não ficou por aí: apontou a reforma política como a cura dos males. Segundo os ministros, é preciso acabar com a doação de empresas privadas a campanhas políticas — talvez a ideia mais estúpida e malandra do petismo.

O tom de Cardozo em relação às manifestações mudou. Segundo disse, não viu golpismo, não. Aí foi a vez de Miguel Rossetto barbarizar. Para o ministro, “os protestos ocorridos hoje são de setores críticos ao governo, e seguramente essa participação parece ser de eleitores que não votaram na presidente Dilma”. É a tese cretina do terceiro turno. Rossetto, que certamente não estava nas ruas, chamou de golpista, sim, a defesa do impeachment de Dilma. Membro de uma corrente de esquerda do PT chamada “Democracia Socialista”, o ministro certamente nunca viu o povo de verdade, sem o pedigree ideológico da sua turma.

Dia desses, Renan Calheiros disse que o governo tinha envelhecido precocemente. Pode ser. Mas velho mesmo, de verdade, é o PT. Nas ruas, havia pobres, ricos, gente de classe média. Lá estavam negros, brancos, mestiços. Protestavam mulheres e homens, homo e heterossexuais, adultos, jovens e muitas crianças acompanhando os país. O repúdio ao governo petista os unia a todos.

A entrevista, que deveria servir como uma bandeira branca, uma tentativa de aproximação, teve efeito contrário: panelaço, buzinaço, gritos de “Foraaa!”. Ou por outra: Dilma ajudou a convocar a manifestação deste domingo com o seu desastrado pronunciamento do dia 8. Os dois ministros praticamente marcaram um novo protesto.

Pior: a tese da reforma que os dois abraçaram na entrevista não conta com o apoio do PMDB, seu maior aliado. Eu me pergunto que espírito soprou aos ouvidos de Dilma e de seus homens fortes que a entrevista coletiva era uma boa ideia. O bom senso estaria a indicar que o governo deveria, no máximo, ter lido uma nota curta, parabenizando os brasileiros pela manifestação ordeira e pacífica, reiterando que está empenhado em combater a corrupção e reconhecendo que existem motivos para descontentamento. E pronto.

para piorar um pouco as relações com a população e também com o PMDB. Obra de gênios. Não é fácil fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Seria um sinal de humildade no dia em que dois milhões tomaram as ruas, segundo dados das Polícias Militares. Mas não! O que se viu foi um atestado de prepotência e de hostilidade com os manifestantes — refiro-me a Rossetto nesse particular. Pior: o governo, que também é do PMDB, oferece como resposta uma saída que não conta — e ainda bem que não! — com o apoio do… PMDB!

A Folha informa que Dilma desabafou com um assessor: “Eu não contribuí para isso tudo e levo a culpa”. Pois é… Digamos que assim fosse. Quem, então, contribuiu, presidente? De quem é a culpa?

Está tudo errado! Mas é evidente que a presidente não tem motivos para seguir os meus conselhos, não é mesmo? Para piorar, a rede petralha, incluindo os blogs sujos, faz uma pregação abjeta e odienta na Internet, como se isso fosse resolver alguma coisa. Piora tudo.

O PT não entendeu nada. Perdeu o discurso. Perdeu as ruas. Perdeu a hegemonia nas redes sociais. Perdeu o rumo. Isso, sim, é um tanto perigoso. Nessas condições, tende a fazer ainda mais bobagens. A entrevista da dupla serviu para piorar um pouco mais a relação do governo com a população e com o PMDB. É obra de gênios. Não é fácil fazer as duas coisas ao mesmo tempo.

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O 15 DE MARÇO 3 – “A nossa bandeira jamais será vermelha”

Na Avenida Paulista, venezuelanos seguravam uma faixa com o seguinte mensagem: “O PT apoia a ditadura na Venezuela. Sou venezuelano. Vim desfrutar da liberdade de expressão que ainda existe no Brasil. Cuidem muito das suas liberdades”.

Eis aí. A Venezuela é uma tirania, agora oficializada, já que a Assembleia, de maioria bolivariana, concedeu a Nicolás Maduro o poder de governar com o porrete na mão, sem precisar prestar contas nem ao próprio Parlamento nem à Justiça.

No protesto deste domingo, um dos refrãos mais repetidos era este: “A nossa bandeira/ jamais será vermelha”. É claro que isso deixa arrepiados de espanto alguns ideólogos de meia-tigela, que veem aí a prova definitiva de que havia dois milhões de reacionários nas ruas neste domingo.

Reacionário é justificar o mal. Reacionário é justificar a ditadura. Reacionário é apoiar um governo que assassina seu próprio povo. Reacionário é se calar, como faz Dilma, diante das barbaridades em curso na Venezuela.

E como é que aquele país chegou à ditadura? Com tanques nas ruas? Não exatamente! Foi com eleições. E isso significa que elas, por si, não asseguram a democracia. As instituições sólidas é que são a garantia da liberdade.

A população brasileira demonstrou, neste 15 de março, que está viva e pronta a defender os seus direitos, conquistados com muito esforço. É isto: a nossa bandeira jamais será vermelha.


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Blog do Josias

Cinco pecados que levam Dilma a temer as ruas

Poucos brasileiros são capazes de entender a situação político-econômica em que o país foi metido. Mas basta entrar num salão de cabeleireiro ou num boteco que ela está lá. Dilma Rousseff tem feito de tudo —de viagens a pronunciamentos— para reverter a onda de descrédito que engolfa sua gestão. Mas parece que tudo não quer nada com a presidente.

O panelaço de domingo passado e as vaias que passaram a perseguir Dilma soaram como prenúncios de uma deterioração do cenário. Um pedaço do país passou a avaliar que o desespero é uma alternativa melhor do que a esperança. Daí os protestos que se converteram na trilha sonora da presidente na semana passada.

Dilma é 100% responsável pela deterioração das expectativas. Ela usufrui do privilégio de escolher seu próprio caminho para o inferno. Vai abaixo uma lista com os cinco pecados que levaram a presidente da República até o purgatório em apenas 74 dias de existência de sua segunda gestão.

1. Diálogo: as unas de 2014 deram um aviso muito nítido. Após prevalecer sobre Aécio Neves por uma diferença de pouco mais de 3 milhões de votos, Dilma presidiria um país rachado ao meio. No discurso da vitória, a presidente reeleita soou como se tivesse captado a mensagem: “Essa presidente está disposta ao diálogo, e esse é meu primeiro compromisso no segundo mandato: o diálogo.”

Dilma acrescentara: “Em lugar de ampliar divergências, de criar um fosso, tenho forte esperança que a energia mobilizadora tenha preparado um bom terreno para a construção e pontes. O calor liberado no fragor da disputa pode e deve agora ser transformado em energia construtiva de um novo momento no Brasil.”

Isso foi há quatro meses e meio. E Dilma não conseguiu dialogar nem com as forças políticas que integram a sua coalizão, que dirá com a oposição. Na definição de um aliado, “a presidente considera que o bom diálogo é quando ela obriga o outro a calar a boca”.

2. Cavalo de pau: numa campanha baseada no marketing, é inevitável que a disputa eleitoral tenha um quê de teatro. Dilma, porém, exagerou na cenografia. Num vale-tudo que fez lembrar os golpes baixos desferidos por Fernando Collor contra Lula na sucessão de 1989, ela desconstruiu Marina Silva e Aécio Neves. E vendeu ao eleitorado o passaporte para uma Pasárgada que sabia inexistir.

Empossada, Dilma realizou manobra muito parecida com um cavalo de pau. Deu uma freada brusca na fantasia, fez uma guinada na direção do realismo fiscal e derrapou até dar meia volta e parar o seu governo em posição invertida. Tudo isso com um eleitor de Aécio ao volante: o ministro Joaquim Levy (Fazenda). Verificou-se que aquilo que Dilma vendia como o caminho certo era, na verdade, a contramão. E a presidente achou que não devia nada aos brasileiros, muito menos explicações.

Consolidou-se no imaginário da plateia a sensação de que o Brasil elegeu no ano passado a melhor encenação, não o melhor projeto para o país. O estrago foi detectado pelo Datafolha em pesquisa divulgada no início de fevereiro. A grossa maioria dos entrevistados disse acreditar na alta da inflação (81%) e do desemprego (60%). De cada dez pessoas, seis avaliam que Dilma mentiu durante a campanha eleitoral. Metade do país enxerga a presidente recém-reeleita como falsa (54%), indecisa (50%) e até desonesta (47%). A taxa de aprovacão de Dilma despencou de 42% para 23%.

3. Déficit estético: em dezembro, ao ser diplomada no Tribunal Superior Eleitoral, Dilma discusou por 16 minutos e 17 segundos. Pronunciou a palavra Petrobras oito vezes. Repetiu o vocábulo corrupção seis vezes.

Doze anos depois da chegada do PT ao poder federal, Dilma estufou o peito e bradou: “Chegou a hora de firmarmos um grande pacto nacional contra a corrupção, envolvendo todos os setores da sociedade e todas as esferas de governo. Esse pacto vai desaguar na grande reforma política que o Brasil precisa promover a partir do próximo ano.”

Dilma deixou claro que os brasileiros poderiam contar com ela: “O que mais quero oferecer ao meu país é a luta renovada…”. Reiterou seu “compromisso com a ética”. Jactou-se de ser um “exemplo de integridade e de honestidade pessoal.” E realçou sua inabalável “determinação de apurar e punir todo tipo de irregularidades e malfeitos.”

Quem tem dois neurônios ativos percebe que o discurso ético da presidente não faz nexo. Excetuando-se o tucano Antonio Anastasia, os 48 políticos engolfados pelo petrolão são governistas. Com todo o seu “compromisso com a ética” e sua “honestidade pessoal”, Dilma não farejou a petrorroubalheira nem quando foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

De duas, uma, raciocinam os brasileiros: ou Dilma é cínica ou é incompetente. Em nenhum dos casos ela é a supergerente que Lula vende desde 2010. Quando a economia vai bem, o déficit estético dos governos tende a ser ignorado. Num ambiente que combina inflação alta com estagnação econômica, sobrando mês no fim do salário, fica difícil conter a revolta das praças ao assistir um Pedro Barusco confessando diante das câmeras da CPI da Petrobras que entesourou propinas de US$ 97 milhões em bancos na Suíça.

O Datafolha verificou que a maioria dos brasileiros acredita que Dilma sabia da corrupção na Petrobras (77%). E permitiu que a roubalheira corresse solta (52%). Quer dizer: o grande problema de Dilma nessa matéria é que um pedaço do país é incapaz de reconhecer a serventia da propalada honestidade da presidente. E a madame é incapaz de demonstrá-la. O pacto nacional anticorrupção de que falava há três meses sumiu do discurso oficial.

4. Renandependência: nunca um presidente começou tão por baixo quanto Dilma nesse início de segundo mandato. Vem daí que a presidente compôs uma equipe ministerial loteada e convencional. A despeito disso, coleciona derrotas no Legislativo. Os ministros partidários não conseguem retribuir as respectivas nomeações com os votos de suas legendas no Congresso.

Para complicar, Dilma e os conselheiros petistas que a rodeiam decidiram fustigar o PMDB. Converteram o vice Michel Temer em versa. E encomendaram aos ministros Gilberto Kassab (Cidades) e Cid Gomes (Educação) a costura de uma nova maioria congressual que não fosse tão dependente do PMDB. Faltou combinar com os russos.

O PMDB reelegeu Renan Calheiros para a presidência do Senado. Na Câmara, atravessou no caminho do governo o deputado Eduardo Cunha. Abalroada pelo petrolão, a dupla tornou-se uma usina de maquinações contra o Planalto. Em condições normais, Dilma reagiria como Dilma. Enfraquecida, ela adotou como estratégia engolir todos os sapos que o PMDB lhe serve.

Dilma afaga Temer, digere Cunha e corre atrás de Renan. Sofreu um rebaixamento político. No primeiro mandato, era lulodependente. Hoje, convive também com a renandependência

5. Apagão retórico: não bastasse a sucessão de manobras desastradas, Dilma decidiu cutucar com vara curta o saco cheio nacional. No domingo passado, invadiu os lares dos brasileiros. Entrou pela porta da televisão e despejou sobre o tapete da sala-de-estar 15 minutos de empulhação. Atribuiu as “dificuldades momentâneas” impostas aos brasileiros à crise internacional e a São Pedro, que manda pouca chuva. Autocrítica? Só a favor. Resultado: o pronunciamento de madame foi esquecido. O que entrou para a história da presidência dela foi o panelaço —uma espécie de prévia para este domingo de protestos. Mesmo sem saber qual seria o tamanho do rugido, Dilma passou a semana com medo do asfalto.

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Súplica!



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Blog do Noblat

Da democracia formal à democracia com rede de esgoto
15/03/2015 - 03h00
Ricardo Noblat

Da sacada do Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, na manhã radiante de sua posse no dia 15 de março de 1983, o governador eleito Tancredo Neves (PMDB), com a voz um pouco rouca, disse para delírio da multidão que o escutava:

- O primeiro compromisso de Minas é com a liberdade.

Antes do fim da leitura do discurso, insistiu:

- Liberdade é o outro nome de Minas.

Ao seu lado, Ronaldo Costa Couto, escolhido para Secretário de Planejamento do Estado, futuro ministro do Interior, disfarçou a emoção.

Em meados de abril de 1985, na condição de presidente eleito do Brasil, mas não empossado devido a uma infecção generalizada no intestino grosso, Tancredo comentou com o neto Aécio Neto, a caminho da sétima e última operação antes de morrer:

- Eu não merecia isso.

Faz 30 anos que José Sarney, o vice, assumiu a presidência da República menos de 12 horas depois de Tancredo ter sido internado às pressas no Hospital de Base, em Brasília.

Dali, depois de operado duas vezes, seria transferido para o Instituto do Coração, em São Paulo, aonde foi operado mais cinco vezes, agonizou e morreu na noite do domingo 21 de abril.

Parte da culpa pela morte de Tancredo foi dos médicos que o atenderam em Brasília – alguns da própria cidade, outros de fora, mas todos esmagados pelo peso da responsabilidade de salvar o homem que livrara o país de uma ditadura militar de 21 anos, encerrada com a eleição dele em 15 de janeiro daquele ano.

A outra parte da culpa pela morte de Tancredo foi dele próprio. Tancredo escondeu sua doença até de parentes próximos como sua mulher Risoleta, e Aécio.

Não queria abortar sua ascensão à presidência da República. De resto, e com razão, temia que os militares não devolvessem o poder aos civis se soubessem que ele estava gravemente enfermo.

João Figueiredo, o último general-presidente da ditadura, saiu pela porta lateral do Palácio do Planalto para não ter que passar a faixa presidencial a Sarney.

Presidente do partido de apoio à ditadura até o segundo semestre de 1984, Sarney trocara de lado e se tornara vice de Tancredo. Figueiredo jamais o perdoou.

A posse de Sarney e a morte de Tancredo foram os dois primeiros testes de resistência da democracia recém-restaurada no país. De lá para cá, eles se sucederam com o mesmo resultado positivo.

E não se limitaram às sete eleições presidenciais pelo voto popular - 1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014. Houve testes mais duros e perigosos.

Ainda no seu governo, Sarney congelou preços e salários para manietar a inflação. Virou Deus.

Em seu nome, e eufóricas, pessoas fecharam supermercados que remarcavam preços. Vencida pelo PMDB a eleição de governadores de 1986, Sarney acabou com o congelamento.

Sentindo-se enganadas, pessoas em desespero apedrejaram Sarney no Rio.

Não por isso, mas para garantir um mandato de cinco anos, Sarney ameaçou “chamar o Pires”. O ministro do Exército dele atendia pelo nome de Leônidas Pires Gonçalves.

Durante a Assembleia Constituinte de 1988, a oposição e parte do PMDB queriam que Sarney só governasse por quatro anos. Pires fez cara de mau. Sarney governou por cinco anos.

Mesmo assim a democracia saiu mais forte. E mais forte ficou depois de atravessar sem arranhões o processo de impeachment de Fernando Collor, em 1992, acusado de corrupção.

Foi a primeira vez na história do país que um presidente acabou deposto pelo Congresso sem desrespeito à lei. O Congresso agiu empurrado pelo povo, que ocupou as ruas.

Em 1989, empresários paulistas haviam ameaçado deixar o país se o ex-líder operário Luiz Inácio Lula da Silva se elegesse presidente. Ele perdeu três eleições seguidas para finalmente ganhar a quarta e a quinta, eleger Dilma e reelegê-la.

No ano passado, os mais importantes empresários paulistas bateram à porta de Lula e lhe pediram para que fosse candidato.

O mensalão foi ou não um ponto fora da curva do regime de impunidade que ainda é uma marca indelével da democracia brasileira?

Saberemos daqui a quatro ou cinco anos quando forem julgados os envolvidos com a roubalheira da Petrobras.

A impunidade é de fato uma fraqueza de apenas 30 anos ininterruptos de experiência democrática. Não é a única.

A democracia formal avançou por aqui a uma velocidade bem mais rápida do que a democracia substantiva. Vivemos sob um indiscutível Estado Democrático de Direito.

Mas a democracia como império da lei e da ordem jurídica está longe de se realizar em sua plenitude. Há muitas e até boas leis. O problema é fazê-las funcionar e produzir resultados.

“Nossa Nação é pela democracia e rede de esgoto em condições”, escreveu o poeta e jornalista inglês John Betjeman (1906-1984), e anotou o ex-secretário da Receita Federal do governo Fernando Henrique Cardoso, Everardo Maciel, colecionador de frases instigantes.

Sem uma rede de esgoto eficiente de que serve a democracia puramente formal?

Cabe ao Estado proteger a vida das pessoas.  Pois o Brasil tem o maior número absoluto de homicídios do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Foram mais de 64 mil em 2012.

De cada 100 assassinatos no mundo, 13 são no Brasil. O total de mortos é maior do que o número de mortos em todas as guerras declaradas no planeta.

A estabilidade monetária foi conquistada em 1994, último ano do governo do presidente Itamar Franco, sucedido por Fernando Henrique um ano depois. No primeiro governo Dilma, ela foi posta em risco.

Admitiu-se um pouco mais de inflação com o objetivo de não impedir o país de crescer. A inflação quase saiu de controle. O país parou de crescer.

A generosidade com os mais pobres deu um salto expressivo nos últimos 12 anos de governos do PT. Mas generosidade não quer dizer emancipação.

Antes, no Nordeste, por exemplo, distribuía-se água em caminhões. Hoje, distribui-se dinheiro com o programa Bolsa-Família. Menos mal. Embora distante de ser uma solução.

Nos anos 50 do século passado, dois terços dos brasileiros moravam no campo. Agora, 85% moram nas cidades. O Estado não soube enfrentar a nova realidade urbana.

Falta rede de esgoto na maioria das grandes cidades. Falta planejamento – e por isso elas se expandem de forma anárquica. Falta mobilidade.

Da redemocratização do país para cá, o exercício da política perdeu qualidade se comparado com o que havia antes do período da ditadura de 64.

O loteamento de cargos públicos se expandiu em nome da governabilidade. O sistema eleitoral corrompeu-se avassaladoramente. Aumentou a justiça social, é verdade. Mas a desigualdade não diminuiu.

O desafio está posto: ou a democracia real apressa o passo para se equiparar à democracia do papel ou o Brasil ficará ainda mais para trás na competição com outros países.


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Blog do Reinaldo Azevedo

PPS recorre ao Supremo para que decisão de Janot e Zavascki seja revista e Dilma possa ser investigada. Jurisprudência do tribunal garante essa possibilidade, ao contrário do que se diz por aí. Ou: Coragem, Janot! Coragem, Zavascki! Coragem, Supremo!

Atenção, leitor, o tema pede que se preste atenção a algumas minudências jurídicas. Mas é importante o bastante para que nos dediquemos a ele. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu, como vocês sabem, NÃO PEDIR abertura de inquérito sobre a atuação da presidente Dilma Rousseff, com o que concordou o ministro do Supremo Teori Zavascki, relator do caso do petrolão no tribunal. O ministro, aliás, foi até um pouco mais entusiasmado do que o procurador-geral. Escreveu ele (em vermelho):

“Dessa narrativa fática, constata-se que o procedimento foi instaurado exclusivamente em relação a Antonio Palocci Filho, porquanto, em relação a “referência a envolvimento indireto” (fl. 68) da campanha da Presidente da República, o próprio Procurador-Geral da República já adiantava excluir, dos elementos à vista, conclusão que conduzisse a procedimento voltado à Chefe do Poder Executivo. Portanto, a rigor, nada há a arquivar em relação à Presidente da República. Aliás, ainda que assim não fosse, é certo que, nos termos da Constituição Federal, “o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções” (CF, art. 86, § 4º).  [...]”

Notei, desde o princípio, que há algo de estranho nessa decisão de Janot e Zavscki. Parte-se do princípio de que as questões que dizem respeito a Dilma nesse imbróglio se esgotam em 2010, quando ela ainda não era presidente. Mas não é disso que vou tratar agora. O PPS, por intermédio do deputado Raul Jungmann (PE), deu entrada no STF com um Agravo Regimental, ANCORADO EM SÓLIDA JURISPRUDÊNCIA, sustentando que A PRESIDENTE PODE, SIM, SER INVESTIGADA, na vigência de seu mandato, mesmo por atos anteriores à sua chegada à Presidência. ELA NÃO PODE É SER PROCESSADA POR ISSO (Íntegra do agravo aqui).

O que é um “Agravo Regimental”? É um pedido para que a corte reveja a sua própria decisão. Se for aceito como instrumento válido, o plenário do Supremo terá de se manifestar a respeito. Ocorre que Zavascki, ou a segunda turma, pode alegar, que o partido não é parte legítima para fazer essa solicitação. No Artigo 317 do Regimento Interno do Supremo está escrito:
“Ressalvadas as exceções previstas neste Regimento, caberá agravo regimental, no prazo de cinco dias de decisão do Presidente do Tribunal, de Presidente de Turma ou do Relator, que causar prejuízo ao direito da parte”

O PPS sustenta que é, sim, parte legítima, mas faz um segundo pedido caso o agravo não seja acolhido: que a questão seja examinada pelo pleno do Supremo como “questão de ordem”. Especifica o Artigo 21 do Regimento Interno da Corte:
Art. 21. São atribuições do Relator:
III – submeter ao Plenário, à Turma, ou aos Presidentes, conforme a competência, questões de ordem para o bom andamento dos processos;

E, aí, todos os ministros têm de se manifestar. A questão é pertinente, sim. Afirma Jungmann: “Investigar pode. O que não pode é processar. E é dever do Ministério Público investigar a presidente da República nesse caso de repercussão nacional. Dilma é citada 11 vezes na investigação da Operação Lava Jato, e é preciso que se apure isso, Até porque as denúncias remetem para o abastecimento de sua campanha com dinheiro desviado da Petrobras”.

Mas pode ou não pode?
Vamos ver o que disse o ministro Celso de Mello no Inquérito nº 672/6:
[...] De outro lado, impõe-se advertir que, mesmo na esfera penal, a imunidade constitucional em questão [aquela do Presidente da República] somente incide sobre os atos inerentes à persecutio criminis in judicio. Não impede, portanto, que, por iniciativa do Ministério Público, sejam ordenadas e praticadas, na fase pré-processual do procedimento investigatório, diligências de caráter instrutório destinadas a ensejar a informatio delicti e a viabilizar, no momento constitucionalmente oportuno, o ajuizamento da ação penal”

Não há, pois, nenhuma invenção. Cuida-se aqui da jurisprudência da Corte. Ora, até para que se saiba se Dilma será ou não processada depois que terminar o seu mandato, é preciso que se investigue, não é mesmo? A abertura de inquérito é, por isso, uma fase pré-processual.

Ora, se a ação de Dilma não for investigada, dada a acusação de que Antonio Palocci pediu R$ 2 milhões ao esquema corrupto da Petrobras para financiar a sua campanha, como saber se ela esteve pessoalmente envolvida na operação ou não? Como saber se práticas como aquela não se repetiram? Ricardo Pessoa, o dono da UTC, não custa lembrar, está disposto a contar em delação premiada que doou R$ 30 milhões, pelo caixa dois, ao PT em 2014 — R$ 10 milhões teriam ido para a campanha de… Dilma! Em um de seus depoimentos, Alberto Youssef expressa a convicção de que Lula e a agora presidente sempre souberam de tudo.

No agravo, o PPS nota algo importante: o procurador-geral da República não alegou que faltam provas para abrir uma investigação sobre a ação de Dilma, tanto que “agasalha sua omissão na imunidade”.  O agravo é longo. Se e quando tiverem um tempinho, vale a pena ler. A questão resta mais do que demonstrada.

Assim, meus caros, com base na jurisprudência do Supremo, ainda que os eventuais delitos de Dilma tivessem sido cometidos até 2010, quando ainda não era presidente, Janot poderia, sim, ter pedido que ela fosse investigada. A Constituição só a torna imune, enquanto for presidente, ao processo. MAS ABERTURA DE INQUÉRITO É UMA FASE PRÉ-PROCESSUAL, LEMBRAM-SE?.

Vamos lá! Coragem, Janot! Coragem, Zavascki! Coragem, Supremo!

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O LOCAL E A HORA DAS MANIFESTAÇÕES BRASIL AFORA E EM VÁRIAS CIDADES DO MUNDO

Vejam o local e a hora das manifestações país afora e no exterior O balanço me foi fornecido pelo movimento “Vem pra Rua”. Ajude a divulgar nas redes sociais e entre seus amigos.

CIDADES EM QUE HÁ REPRESENTANTES DO VEM PRA RUA
Aracaju/SE – 9h30 – Arcos da Orla

Araraquara/SP – 15h00 – Parque Infantil

Belém/PA – 9h30 – Praça da República

Belo Horizonte/MG – 9h30 – Praça da Liberdade

Botucatu/SP – 15h00 – Largo da Catedral Metropolitana de Botucatu

Bragança Paulista/SP – 16h00 – Praça Raul Leme (Praça da Igreja Matriz) – Centro

Brasília/DF – 9h30 – Museu da República

Caratinga/MG – 09h00 – Praça Getúlio Vargas (em frente ao fórum)

Curitiba/PR – 14h00 – Praça Santos Andrade

Curvelo/MG – 10h00 – Praça Central do Brasil

Florestal/MG – 09h30 – comboio de Florestal e região vira para BH – Praça da Liberdade

Florianópolis/SC – 16h00 – TICEN (Av. Paulo Fontes, 701)

Fortaleza/CE – 10h00 – Praça Portugal

Goiânia/GO – 14h00 – Praça Tamandaré

Ipatinga/MG – 09h00 – em frente a prefeitura de Ipatinga

João Pessoa/PB – 15h00 – Busto de Tamandaré

Joinville/SC – 16h00 – Praça da Bandeira

Juiz de Fora/MG – 10h00 – Parque Halfeld

Jundiaí/SP – 9h30 – Av. 9 de Julho

Natal/RN – 15h00 – Avenida Roberto Freire

Porto Alegre/RS – 14h00 – Parcão

Presidente Prudente/SP – 09h00 – Parque do Povo (Próximo ao colégio Poliedro)

Presidente Prudente/SP – 9h00 – Parque do Povo

Recife/PE – 9h30 – Av. Boa Viagem (em frente a Padaria Boa Viagem)

Ribeirão Preto/SP – 10h – Praça Carlos Gomes (Teatro Pedro II)

Salvador/BA – 16h00 – Farol da Barra

São Carlos/SP – 10h00 – Praça do Mercado (R. Comendador Alfredo Maffei, 2522)

São Luiz/MA – 15h00 – Av. Litorânea

São Paulo/SP – 14h00 – Metrô Trianon MASP (Av. Paulista, 1.370)

Sete Lagoas/MG – 16h00 – Lagoa Paulino

Teresina/PI – 16h00 – Av. Marechal Castelo Branco (em frente à Alepi)

Uberaba/MG – 16h00 – Calçadão de Uberaba

Uberlândia/MG – 9h30 – Praça Tubal Vilela

Viçosa/MG – 10h00 – 4 Pilastras

Vitória/ES – 16h00 – Praça do Papa

CIDADES EM QUE NÃO HÁ REPRESENTANTES DO VEM PRA RUA
(Estas cidades não possuem representantes do Vem Pra Rua, mas fomos informados por e-mail de que vão se manifestar nestes locais e horários)

Água Boa/MT – 15h – Bairro Universitário, próx. Caixa de Água

Águas de Lindóia/SP – 14h – Centro

Alegrete/RS – 17h – Centro Cultural com ato de abertura, caminhada e ato de encerramento na Praça dos Patinhos.

Americana/SP – 16h – Praça do Trabalhador

Anápolis/GO – 14h – Praça Dom Emanuel

Apucarana/PR – 15h – Catedral N. Sra. de Lourdes

Araçatuba/SP – 9h30 – Rotatória da Av. Brasília x Av. Pompeu de Toledo

Araguaína/TO – 9h – Praça do Galo

Arapiraca/AL – 16h – Praça Luiz Pereira Lima

Arapiraca/AL – 9h30 – Praça Marques

Arapongas/PR – 15h – Praça Mauá

Araras/SP – 15h – Defronte a Basílica N. S. do Patrocínio, Praça Central

Ariquemes/RO – 15h – Praça da Vitória (Av. Jamari)

Artur Nogueira/SP – 16h – Praça do Coreto – Av. Fernando Arena, esquina com a Rua Duque de Caxias.

Arujá/SP – 14h – Praça do Correto

Assai/PR – 16h – Av. Rio de Janeiro, em frente à Igreja Matriz São José – Centro

Assis/SP – 17h – São Francisco de Assis

Atibaia/SP – 9h30 – Igreja da Matriz

Avaré/SP – 14h – Concha Acústica

Bagé/RS – 15h – Praça da Estação

Balneário Camboriú/SC – 16h – Praça Almirante, Tamandaré

Barbacena/MG – 9h30 – Praça das Andradas, em frente à Câmara dos Vereadores

Barra dos Garças/MT – 17h – Praça dos Garimpeiros

Barreirinhas/MA – 15h – Praça do Trabalhador

Batatais/SP – 16h – Praça da Matriz

Bauru/SP – 9h30 – Praça da Copaíba (Av. Getúlio Vargas)

Bento Gonçalves/RS – 16h – Em frente à Prefeitura

Bento Gonçalves/RS – 16h – Na frente da Prefeitura

Bertioga/SP – 9h30 – Av. 19 de Maio

Betim/MG – 15h – Praça Tiradentes

Betim/MG – 9h30 – Praça Milton Campos – Centro

Birigui/SP – 9h – Praça Central Doutor Gama

Blumenau/SC – 16h – Prefeitura Municipal

Boa Vista/RR – 17h – Praça do Centro Cívico

Cáceres/MT – 15h – Serraria Cáceres até a Praça Barão do Rio Branco

Cachoeira do Sul/RS – 16h – Praça da Matriz

Caldas Novas/GO – 14h – Praça Central

Camaçari/BA – 9h30 – Praça Desembargador Monte Negro

Campina Grande/PB – 14h – Praça da Bandeira

Campinas/SP – 13h – Igreja Matriz 

Campinas/SP – 9h30 – Largo do Rosário

Campo Grande/MS – 14h – Praça do Rádio

Campos de Goytacazes/RJ – 10h – Praça São Salvador

Canoinhas/SC – 9h30 – Praça do Centenário

Capão Bonito/SP – 14h – Av. Plácido Batista da Silveira

Capão da Canoa/RS – 14h – Antigo Largo do Baronda.

Capinópolis/MG – 9h30 – João Moreira de Souza

Capivari/SP – 16h – Praça Central

Cascavel/PR – 15h – Em frente à Igreja Matriz

Castelo/ES – 16h – Praça Três Irmãos

Castro/PR – 15h – Praça Nossa Sra. do Rosário

Catanduva/SP – 9h30 – Praça Matriz

Caxias do Sul/RS – 16h – Praça Dante Alighieri

Caxias/MA – 9h – Praça da Matriz

Cianorte/PR – 15h – Prefeitura de Cianorte

Cidade de Goiás/GO – 14h – Praça dos Eventos

Concórdia/SC – 15h – Posto Lamonato, em direção à Praça

Correntina/BA – 10h – Praça Raimundo Salles

Criciúma/SC – 15h – Parque das Nações

Cruzeiro/SP – 16h – Na Praça em frente à Prefeitura Municipal

Cubatão/SP – 10h – Praça da Independência, Jd Casqueiro

Cubatão/SP – 16h – Praça da Bíblica, em frente ao Senai

Cuiabá/MT – 13h – Praça da República, Centro

Cuiabá/MT – 16h – Praça da Rádio

Curitiba/PR – 14h – Praça Santos Andrade

Curitiba/PR – 9h30 – Centro Cívico

Divinópolis/MG – 9h – Praça do Santuário

Dois Vizinhos/PR – 14h – Praça da Igreja Santo Antonio

Dourados/MS – 14h – Praça Antônio João

Dourados/MS – 14h – Praça Antônio João

Embu-Guaçu/SP – 14h – Praça do Coreto

Entre Rios do Oeste/PR – 14h – Praça João Natalio Stein

Espírito Santo do Pinhal/SP – 15h – Em frente ao Coreto (agência do Banco do Brasil)

Farroupilha/RS – 16h – Praça da Bandeira Farroupilha

Fernandópolis/SP – 9h – Praça da Matriz

Foz do Iguaçu/PR – 9h30 – Praça do Mitre

Franca/SP – 9h30 – Praça Nossa Sra. da Conceição (Concha Acústica)

Francisco Beltrão/PR – 15h – Calçadão Central

Garibaldi/RS – 9h30 – Av. Independência

Governador Valadares/MG – 16h – Praça dos Pioneiros

Gravataí/RS – 15h – Parcão

Guarapari/ES – 16h – Radium Hotel

Guarapuava/PR – 14h – Praça Cleve

Guaratinguetá/SP – 16h – Av. Presidente Getúlio Vargas, próximo à Ponte Nova

Guarulhos/SP – 11h – Bosque Maia, Avenida Paulo Faccini

Imperatriz/MA – 9h30 – Praça de Fátima

Indaiatuba/SP – 10h – Parque Ecológico, próx. Pastel de Feira

Itabuna/BA – 15h – Jardim do Ó

Itajaí/SC – 15h – Av. Beira Rio

Itajobi/SP – 15h – Praça 09 de Julho

Itatiba/SP – 14h – Praça das Bandeiras

Itú/SP – 9h30 – Praça da Matriz

Jales/SP – 9h30 – Praça João Mariano de Freitas

Jaraguá do Sul/SC – 15h – Praça Angelo Plazera

Jataí/GO – 14h – Câmara dos Vereadores

Ji-Paraná/RO – 9h – BR364 – Ponte sobre o Rio Machado

Jundiaí/SP – 16h – Em frente à Prefeitura Municipal

Lages/SC – 10h – Estatua Correia Pinto

Lagoa Vermelha/RS – 15h – Igreja Matriz São Paulo

Lajeado/RS – 15h – Parque Prof. Theobaldo Dick

Limeira/SP – 9h30 – Praça Toledo Barros (Rua Doutor Trajano Barros de Camargo, 13480)

Linhares/ES – 16h – Atrás da TV Norte

Lins/SP – 9h30 – Praça Dom Bosco

Londrina/PR – 13h – Zerão

Londrina/PR – 15h – Em frente ao colégio Vicente Rijo (Av. Jk com Av. Higienópolis)

Macaé/RJ – 16h – Paróquia Nossa Senhora da Glória, Cavaleiros

Macapá/AP – 16h – Praça da Bandeira

Maceió/AL – 9h30 – Corredor Vera Arruda

Manaus/AM – 14h – Posto 300 (Av. Djama Batista)

Manaus/AM – 9h30 – Av. Eduardo Ribeiro, em Frente à Feirinha

Marabá/PA – 16h – Praça Duque de Caxias

Maringá/PR – 14h – Catedral

Mogi das Cruzes/SP – 9h30 – Praça Oswaldo Cruz

Mogi Guaçu/SP – 15h – Campo da Brahma

Monitividiu/GO – 14h – Praça das Mães

Montes Claros/MG – 14h – Em frente ao Shoping Center Popular

Mossoró/RN – 15h – Colégio Diocesano

Niterói/RJ – 9h30 – Praia de Icaraí, em frente à Uff:

Novo Hamburgo/RS – 14h – Praça Punta Del Este, em frente ao Shopping Bourbon

Novo Hamburgo/RS – 16h – Vale dos Sinos

Ouro Fino/MG – 9h – Em frente à prefeitura municipal

Palmas/TO – 16h – Palácio Araguaia, Praça dos Girassóis

Paragominas/PA – 16h – Praça Celio Miranda

Paraíba do Sul/RJ – 14h – Praça Garcia

Paraisópolis/MG – 14h – Praça do Centro

Paranaguá/PR – 10h – Em frente à Ferroviária

Paraopeba/MG – 14h – Praça da Matriz

Paroapeba/MG – 14h – Praça da Matriz

Passo Fundo/RS – 14h – Praça da Mãe, Av. Brasil

Pato Branco/PR – 9h30 – Posto Tigrão em direção a Praça Pres. Getúlio Vargas

Patos de Minas/MG – 14h – Praça do Fórum, Centro.

Pelotas/RS – 15h – Praça Cel. Pedro Osório

Peruíbe/SP – 14h – Praça da Matriz

Peruíbe/SP – 16h – Calçadão do Centro, em frente ao prédio Redondo

Petrolina/PB – 9h – Praça Ma. Auxiliadora (Prefeitura)

Petrópolis/RJ – 16h – Praça D.Pedro II , Centro

Piracanjuba/GO – 14h – Praça do Relógio

Piracicaba/SP – 9h30 – Praça José Bonifácio

Piraju/SP – 14h – Praça Ataliba Leonel

Pitanga/PR – 9h – Praça da Pitanguinha

Poços de Caldas/MG – 10h – Praça Pedro Sanches

Poços de Caldas/MG – 15h – Praça Doutor Pedro Sanches

Ponta Grossa/PR – 9h – Praça entre as Rua Balduíno Taques e Av Vicente Machado

Porto Alegre/RS – 9h30 – Redenção

Porto Seguro/BA – 9h30 – Trevo do Cabral

Porto Velho/RO – 14h – Praça das 3 Caixas D’Água, Centro

Pouso Alegre/MG – 9h – Em frente à Catedral Metropolitana

Resende/RJ – 16h – Av. Albino de Almenida, em frente Caixa Eco. Federal

Ribeirão Preto/SP – 10h – Praça. Carlos Gomes

Rio Branco/AC – 14h – Palácio do Governo

Rio de Janeiro/RJ – 14h – Candelária

Rio do Sul/SC – 16h – Em frente ao antigo Ceola

Rio Grande/RS – 15h – Largo Dr. Pio

Rio Verde/GO – 11h – Praça Matriz

Rio Verde/GO – 14h – Praça Matriz

Rondonópolis/MT – 16h – Em frente ao Rondon Plaza Shopping

Salto/SP – 16h – Praça XV

Santa Cruz do Sul/RS – 16h – Praça da Bandeira

Santa Fé do Sul/RS – 9h30 – Praça da Matriz

Santa Fé do Sul/SP – 15h – Praça da Matriz.

Santa Maria/RS – 14h – Praça Saldanha Marinho

Santarém/PA – 16h30 – Praça São Sebastião

Santo André/sp – 10h – Paço Municipal

Santo Antônio de Jesus/BA – 9h30 – Praça Dr. Renato Machado, Centro

Santos/SP – 14h – Trajeto: Praça do Surfista / Posto 2 14h, Avenida da Praia sentido Ana Costa 15h,  Ana Costa sentido Praça da Independência 16h Praça da Independência 18h,

São Bernardo do Campo/SP – 14h – Paço Municipal

São Borja/RS – 14h – PARCÃO (Parque General Vargas)

São Caetano do Sul/SP – 15h – Câmara dos Vereadores

São João da Boa Vista/SP – 9h – Praça Coronel Joaquim José, Centro

São José do Rio Pardo/SP – 14h – Praça da Matriz

São José do Rio Preto/SP – 9h30 – Mercado Municipal

São José dos Campos/SP – 15h – Praça Afonso Pena

São José dos Pinhais/SP – 14h – Em frente à Catedral

São Leopoldo/RS – 15h – Em frente à Prefeitura

São Lourenço do Sul/RS – 14h – Prefeitura Municipal

São Sebastião/SP – 15h – Praça do Correto

Sertãozinho/SP – 9h – Praça 21 de Abril

Sorocaba/SP – 16h – Praça do Canhão

Taubaté/SP – 15h – Praça do Batalhão da PM (Av. Independência)

Teixeira de Freitas/BA – 9h – Supermercado Praia Grande

Teófilo Otoni/MG – 9h – Praça da Radio Imigrantes

Timbó/SC – 9h30 – Parque Central de Timbó

Torres/RS – 9h30 – Praça XV de Novembro, Centro

Tubarão/SC – 16h – Prefeitura Municipal

Tupã/SP – 9h30 – Praça da Bandeira

Ubá/MG – 14h – Praça São Januário

União da Vitória/PR – 14h – Praça Cel Amazonas

Umuarama/PR – 16h – Praça Miguel Rossafa

Uruguaiana/RS – 14h – Praça do Barão do Rio Branco

Viçosa/MG – 10h – 4 Pilastras

Vinhedo/SP – 15h – Portal

Vitória da Conquista/BA – 9h30 – Praça da Guadalajara (IEED)

Vitória/ES – 15h – Em frente à UFES

Vitória/ES – 16h – Sede da Petrobras

Volta Redonda/RJ – 9h – Praça Brasil

Votuporanga/SP – 9h30 – Praça da Matriz, em frente à Concha Acústica

LISTA DE CIDADES NO EXTERIOR (horário local)
Bruxelas/Bélgica – 9h – Rue du Trône n 108 Bruxelles 1050

Lisboa/Portugal – 15h – Praça Luís de Camões

Londres/Inglaterra – 12h – Trafalgar Square

Miami/Flórida, Estados Unidos – 12h – TorchofFriendship – Bayside, Downtown Miami

New York/EUA – 11AM – Union Square – SW corner

Orlando/Flórida, Estados Unidos – 13h – 5403 Internacional Dr – Banco do Brasil

Santa Cruz de la Sierra/Santa Cruz, Bolívia – 15h – Plaza del estudiante

São Francisco/Califórnia, Estados Unidos – 11h – 1 Market St, Just Herman Plaza

Sidney/Nova Gales do Sul, Austrália – 16h – Martin Place

MINHA CIDADE NÃO ESTÁ NA LISTA, E AGORA?
Se sua cidade não está na lista, entre em contato com o e-mail “vempraruabrasilorg@gmail.com” informando Cidade, Nome do Responsável, Telefone de Contato, Local e Horário. Nós entraremos em contato com você.

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Barusco para presidente da Petrobras? Acho que não iria dar certo…

 Piada excelente que está na rede e que me foi enviada pela querida jornalista Maria Helena Amaral:
“Pedro Barusco foi o melhor investimento da Petrobras nos últimos cinco anos. Roubou US$ 97 milhões a R$ 1,70 e devolveu a R$ 3,10”.

É isso aí! Se esses caras fossem tão eficientes para governar quanto eles são para roubar, o Brasil já seria uma superpotência!

Ocorre que, para que possam governar com a mesma eficiência com que roubam, a ética do partido teria de ser outra. E outra haveria de ser a moral de seus integrantes.

Daí se deduz, então, que a eficiência não é um bem em si, não é? Ela só faz sentido e se define quando aplicada.

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Fiasco em escala nacional: esquerdas reúnem, no máximo, 33 mil em todo o país. Ainda assim, com lanchinho, camiseta, bonés, ônibus, bolsa-protesto…

Um fiasco em escala nacional. O protesto organizado por entidades e partidos de esquerda “em defesa da Petrobras” e contra um golpismo que nunca existiu mobilizou, na ponta do lápis, 33 mil pessoas. Os organizadores, claro!, falam em 156 mil. Se for assim, nessa escala, a gente poderá falar em 10 milhões no domingo… Tenham paciência! E olhem que essa conta, feita pelo Globo, já está superestimada porque considera que 12 mil compareceram ao ato em São Paulo. Duvido.

Quase havia mais entidades promovendo a patuscada do que pessoas. Em Florianópolis, havia… 300. Em Salvador, entre 600 e 800. Como cara de pau é cara de pau e pronto, José Sérgio Gabrielli, que presidiu a Petrobras no período da lambança, compareceu à manifestação. E no Distrito Federal? Eram só 500!

O objetivo da turma era mesmo promover uma megamanifestação em São Paulo. Não deu certo. E olhem que houve farta distribuição de camisetas, de marmitas, de bonés e, como ninguém é de ferro, uma bolsa-protesto que variou de R$ 35 a R$ 50. Já vou avisando: quem comparecer ao protesto de domingo também vai ganhar um kit: o “Kit Vergonha na Cara”.

Leio na VEJA.com:
Há apenas três meses no Brasil, o africano Muhamed Dukurek, de 44 anos, aceitou vestir a camiseta da CUT e carregar um dos balões da central sindical pelo dinheiro. “Disseram que eu ia receber um pagamento de 40 reais a 50 reais”, afirmou ao site de VEJA. Falando poucas palavras em português, ele disse que um ônibus foi buscá-lo em sua casa no bairro do Brás, pela manhã. Foi liberado às 17 horas do trabalho na Paulista, quando a CUT recolheu os balões.

Também havia muitos haitianos engrossando, ora vejam, o coro de defesa da Petrobras e o “fica Dilma”. Nas redes sociais, os companheiros asseguram que o sucesso foi retumbante. Sabem que não enganam os outros. E, hoje em dia, já não enganam nem mais a si mesmos.

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A boa vida de João Pedro Stedile, o burguesão do capital alheio

João Pedro Stedile no "protesto a favor" do Rio: libre da maldição bíblica de suar para ganhar o pão, ele ri à-toa
João Pedro Stedile no “protesto a favor” do Rio: livre da maldição bíblica de suar  o rosto para ganhar o pão, o burguês do capital alheio ri à-toa
Eita! Sob certo ponto de vista, deve ser bom ser João Pedro Stedile — eu, com meus três empregos, não suportaria… Mas ele, visivelmente, adora. Stedile pertence àquele seleto grupo de homens que se livraram a maldição bíblica, que está no Gênesis: “Comerás o teu pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra de que foste tirado; porque és pó, e pó te hás de tornar.”

Pois é… Um monte de gente não sua o rosto para comer o pão: os bandidos, os corruptos (que são bandidos), os preguiçosos (que ainda se tornarão bandidos) e os… militantes políticos de esquerda. Digam-me: qual é o trabalho de Stedile? Quando ele acorda, qual é a sua agenda? Quando ele vai dormir e faz o balanço do dia, o que produziu para o país? Que contabilidade ele faz? Quantas propriedades ele invadiu? A quantas pessoas ele causou prejuízo? Que atraso teve a ciência naquele dia em razão da ação de seus seguidores?

Por que falo dele? O rapaz discursou no ato de “protesto a favor” no Rio, que reuniu, no máximo e com boa vontade, 1.500 pessoas. Ainda assim, uma boa parcela tinha vindo de outros Estados, trazidos em ônibus do MST. Em sua fala, esse gênio da raça afirmou o seguinte, segundo a Folha:
“Já chega de infiltração de capitalista no governo. Não aceitamos a infiltração de um tal de [Joaquim] Levy. Não podemos fazer ajuste às custas do trabalhador. A crise que o Brasil vive é culpa dos capitalistas. Não aceitamos a redução do direito da classe trabalhadora. Dilma, saia do palácio e venha para rua ouvir os trabalhadores”.

Alguém que fala em nome dos trabalhadores num protesto numa sexta à tarde é certamente um cínico. Alguém que é considerado um líder nacional sem que se conheça exatamente a sua atividade é um folgazão. Alguém que é tido como uma voz influente, cujos sequazes invadiram há dias um laboratório, destruindo anos de pesquisa científica, tem absoluta confiança na impunidade.

Como? Stedile é contra o capitalismo? O que capitalismo que gera o dinheiro que irriga o MST? O capitalismo que gera as cestas básicas distribuídas ao MST? O capitalismo que permite que a este senhor transitar por aí, como líder do maior latifúndio improdutivo do mundo, que são as terras sob o controle direto ou indireto do MST?

Stedile é aquele que foi instado por Lula a botar seu “exército” na rua. Junto com a CUT, a UNE, uma penca de organizações de esquerda e movimentos sociais — todos vivendo, de algum modo, de dinheiro público, gerado por quem trabalha —, a gente viu do que são capazes. E são capazes de muito pouco. De resto, se Stedile acha mesmo que Levy é um infiltrado, e dada a centralidade do ministro no governo, qual seria a sua única atitude decente: romper com Dilma! Mas ele não vai fazer isso, é claro! Sem o capilé oficial, o MST não existe — já que, por óbvio, os sem-terra não existem. E não existem mais há muito tempo.

Para encerrar, noto: as esquerdas fizeram um belo trabalho de propaganda das manifestações de domingo.

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Asfalto se divide: chapa quente X chapa branca

Dilma Rousseff dividiu o asfalto em duas faixas. Numa, promete desfilar neste domingo a rapaziada da ala chapa quente. Noutra, trafegou nesta sexta-feira a pelegada do bloco chapa branca. É grande a diferença entre os dois grupos. Um é a sociedade civil. Outro, a sociedade organizada. Um é o público. Outro, a coisa pública. Um faz pressão popular. Outro, lobby. Um é grito. Outro, resmungo. Um é explosão. Outro, flatulência.

Custeada pelo déficit público e pelo imposto sindical, a infantaria desta sexta contou com uma rica intendência —balões e faixas profissionais, bandeiras e camisetas vermelhas, carros de som, ônibus, um kit-manifestação e até  vale-protesto. Lideradas por entidades como CUT, MST e UNE, três aparelhos capturados pelo Estado petista, essas manifestações serviram para sinalizar que Dilma ainda encontra algum apoio nas ruas. Mesmo que tenha que procurar um pouco.

Dentro de poucas horas, descerá ao meio-fio a turma do ambiente virtual das redes sociais. Nas suas últimas aparições, essa gente fez roncar as praças em junho de 2013 e crispou o cenho defronte dos estádios durante a Copa. Ninguém espera para este domingo nada tão grandioso. Mas Dilma está apreensiva. Dependendo da temperatura do asfalto, o derretimento do que lhe resta de imagem será mais rápido.

Há dois anos, Dilma e Lula esgrimiram a tese segundo a qual a onda de protestos era consequência dos êxitos do poder petista. Nessa versão, as ruas exigiam mais do Estado porque os governos do PT produziram um Brasil inteiramente novo. Atendida nas suas necessidades fundamentais, a sociedade exigia mais.

Hoje, Dilma não tem o que dizer. Com o alarme da impopularidade a lhe soar nos ouvidos, tornou-se gestora de uma agenda de tópico único: consertar os erros do primeiro mandato. Dilma é movida pelo pior tipo de ilusão que pode acometer um presidente na sua situação. A ilusão de que preside. Resta-lhe rezar para que os protestos sejam mixurucas.

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Conar manda Petrobras modificar propaganda

Se tudo continuar como está, a Petrobras vai acabar tendo que apelar para a competência. Na escala de decisões desastradas, a estatal já atingiu o ápice. A penúltima mandracaria foi desmontada pelo Conar, o Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária. A entidade mandou a Petrobras alterar o conteúdo de um comercial que vem sendo exibido na tevê desde o mês passado.

Na peça, a Petrobras se vangloria de ter superado vários obstáculos ao longo de sua história de 61 anos —desde a dúvida inicial quanto à existência de petróleo no Brasil até a descoberta do pré-sal. E iguala os seus feitos históricos ao esforço atual para apagar de sua logomarca a mancha da corrupção.

“Hoje os desafios são outros e, por isso, estamos aprimorando a governança e a conformidade na gestão”, diz o locutor do comercial a certa altura. “Seja qual for o desafio, nossa resposta será aquela que nos acompanha desde sempre: superação''. O deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA) achou que os idealizadores da mensagem exageraram na pantomima.

Para o deputado, a petrorroubalheira não é um desafio a ser superado, mas um crime a ser punido. “É criminoso fazer uma propaganda dessa. Em nada condiz com a verdade, ainda mais diante de um escândalo desses. É jogar dinheiro público fora'', disse Aleluia.

Em defesa da plateia, o deputado protocolou uma representação no Conselho de Ética do Conar para tirar a peça do ar. Aleluia escorou sua petição no artigo 23 do Código Brasileiro de Autorregulação Publicitária. Anota o seguinte: “Os anúncios devem ser realizados de forma a não abusar da confiança do consumidor, não explorar sua falta de experiência ou de conhecimento e não se beneficiar de sua credulidade.”

Por maioria de votos, os conselheiros do Conar entenderam que, de fato, a propaganda da Petrobras precisa ser modificada. Em decisão tomada na última quinta-feira, determinaram que a propaganda deixe de ser exibida até que seu conteúdo seja alterado. A Petrobras dispõe de dez dias para recorrer, se quiser. Mas o recurso não tem efeito suspensivo. A decisão precisa ser cumprida imediatamente.

Melhor assim. Quem assistia ao comercial ficava com a impressão de que o comando da Petrobras está dividido entre dois tipos de pessoas: os abertamente cínicos e os que não conseguem se conter.

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Riciclagem!



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Resta ao governo torcer para que chuva muito amanhã
Ricardo Noblat

O governo estava certo. Do ponto de vista dele, é claro.

Se seu objetivo inicial fosse ajudar a presidente Dilma Rousseff, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o MST, a UNE e outros movimentos sociais não deveriam ter chamado o povo para as ruas, ontem.

Primeiro porque seu apelo certamente não seria atendido – não na dimensão desejada pelos promotores do ato. Como não foi.

Segundo porque a realização do ato daria ensejo à sua comparação com o ato de amanhã, contra Dilma. E, salvo uma surpresa, o ato de amanhã atrairá muito mais gente.

O ato de ontem foi planejado para mostrar ao governo a insatisfação dos movimentos sociais com o ajuste fiscal do ministro da Fazenda Joaquim Levy – o “infiltrado no governo”, como o acusou João Pedro Stédilli, coordenador nacional do MST.

Dado que o ato contra Dilma ganhou expressão, os promotores do ato de ontem resolveram também defendê-la. Assim como à Petrobras.

Então o ato ficou com vários focos – o que na maioria das vezes significa ficar sem nenhum.

Ir às ruas contra o ajuste fiscal até poderia dar certo. Mas a favor de Dilma, aprovada por menos de 10% dos brasileiros? Nunquinha.

Resta ao governo torcer para que tenhamos amanhã um domingo de chuva. De muita chuva, de preferência. Do contrário...


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Blog do Reinaldo Azevedo

As falas irresponsáveis dos petistas e o “medo do confronto de rua”.

Leio na Folha que o governo teme que haja confrontos nas ruas nesta sexta. Entidades paragovernamentais como MST, CUT e UNE marcaram manifestações em 23 Estados em defesa do, deixem-me ver como escrever, statu quo. Elas estão no poder e enxergam nas manifestações marcadas para o dia 15 uma ameaça à sua hegemonia. E qual a razão do temor? Eventuais escaramuças serviriam como combustível adicional para o protesto do dia 15. Tomara que não aconteça nada de excepcional nesta sexta. Os petistas — incluindo o Palácio do Planalto — serão os principais responsáveis por eventuais escaramuças. Já chego lá.

Oficialmente, os manifestantes pró-governo vão marchar em defesa da Petrobras. Que pena que eles não tenham conseguido, no passado, defendê-la dos ladrões que foram postos lá pelo petismo, não é? O que querem mesmo é criar uma rede proteção para Dilma, o que se mostra a cada dia mais difícil. A presidente iria, por exemplo, nesta sexta a Belo Horizonte. Desistiu da viagem para ficar longe das vaias. Volto ao ponto.

Apostam na violência os que insistem em acusar os organizadores e apoiadores da manifestação de domingo de incitadores do ódio. Apostam na violência os que chamam de golpe uma mera petição ao poder público — impeachment ou qualquer outra coisa. Apostam na violência os que tentam deslegitimar os que protestam, pespegando-lhes a pecha de “elitistas” e de “reacionários”. Apostam na violência os que reivindicam para si o monopólio da representação popular e não reconhecem como legítimas forças que não formem com suas fileiras. A propósito: a única manifestação violenta nessa fase de declínio do PT e de Dilma foi protagonizada por brutamontes à porta da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Apostam na violência aqueles que convocam exércitos, ou que prometem botá-los na rua, para combater adversários políticos, a exemplo do que fizeram, respectivamente, Luiz Inácio Lula da Silva e João Pedro Stedile.

Pepe Vargas, este inefável ministro das Relações Institucionais, espalha por aí que sente cheiro da “elite golpista”… Ah, entendo! Elite progressista era aquela parceria entre petistas e empreiteiras, não é mesmo?, para o bem geral do… partido!

Num vídeo meio esquizofrênico, Rui Falcão, presidente do PT, defende o direito à livre manifestação (que bom que ele respeita a Constituição!), desde que, segundo diz, não se atinja a autoridade constituída. Ah…  Collor, em 1992, era autoridade constituída, pois não? E o PT foi pra rua. Parece que Rui Falcão tem a ambição de ditar a pauta da oposição. Compreendo: definir a do PT deve estar um inferno.

Ah, sim: repetindo Lula, Falcão afirmou que os petistas não devem “abaixar a cabeça”. Entendo! É preciso, no entanto, um motivo para erguê-la, não é? Qual o presidente do PT oferece? Essa gente, definitivamente, perdeu o eixo e o que lhe restava de juízo.

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AS DICAS QUE CIRCULAM NA REDE PARA O DOMINGO FELIZ. OU: SE CHOVER, VOCÊ NÃO É FEITO DE AÇÚCAR!

Caros leitores,

circula nas redes sociais um conjunto de recomendações para a grande manifestação de domingo, que pode tomar o país inteiro. Não sei exatamente quem as elaborou, mas elas me parecem de bom senso e de consenso. Por isso eu as divulgo aqui. Há dias tenho insistido que as ruas têm de abrigar a alegria de quem reivindica, não o rancor de quem briga.

Vamos a elas:
1 – Bandeiras de partidos políticos e outras organizações ligadas aos mesmos não são bem-vindas.

2 – A marcha é do povo, e ninguém a utilizará para autopromoção.

3 – Se você vir qualquer movimento ou atitude suspeitos, utilize a melhor arma que tem para isso: seu celular. Filme tudo e entregue o arquivo para a organização do ato, a fim de que providências legais sejam tomadas.

4 – Se surgir qualquer foco de violência ou vandalismo contra o patrimônio público ou privado, todos deverão sentar-se até que os policiais que farão a escolta, fardados ou à paisana, capturem o meliante.

5 – Se houver provocações oriundas de qualquer grupo estranho ao ato, apenas ignore. Eles estão desesperados, pois tudo o que construíram está ruindo. Nós somos a ameaça aos seus interesses escusos. Somos o golpe de misericórdia contra o PT.

6 – Atenção às mensagens que serão enviadas do carro de som!

7 – Evite roupas vermelhas ou pretas. Elas lembram o PT e os black blocs. Não compareça ao evento com camisetas que façam alusão a partidos políticos.

8 – Verde e amarelo são as cores ideais para o dia de indignação. Pinte o rosto!

9 – Confeccione faixas e cartazes. Leve bandeiras do Brasil, nariz de palhaço, cornetas, apitos, faça barulho! Leve também balões azuis, amarelos e verdes. Vamos chamar atenção para nossa causa.

10 – Durante a marcha, fique atento às palavras de ordem que serão estimuladas pela organização! Nada de coros que não são pertinentes ao ato. Lembre-se: você está nas ruas para reivindicar direitos.

11 – A Polícia é nossa amiga. Gente ordeira e trabalhadora não teme aqueles que nos protegem. Eles estarão presentes para garantir que tudo corra bem. Não trate esses bravos servidores públicos de forma hostil.

12 – Convide amigos e vizinhos. Vá com sua família ao ato! Ensine seus filhos desde pequenos que política é algo bom e deve ter à frente pessoas de bem. Estimule-os a fazer parte da história e não apenas a vê-la passar. Um povo que luta por seus direitos e participa é respeitado por seu governo.

13 – Respeite os veículos que se aproximarem da marcha. Não bata nos vidros, tampouco na lataria dos carros. Não jogue lixo no chão. Recolha papéis e outros objetos e deposite em lixeiras. Somos civilizados.

14 – Permaneça no roteiro da marcha. A intenção é mostrar nossa força, não travar o trânsito.

15 – Se chover, vá mesmo assim! Leve seu guarda-chuva, mas não deixe de comparecer. Não somos feitos de açúcar. Temos força e raça! Nada impedirá nossa luta pelo Brasil que queremos!

16 – Caso alguém passe mal no evento, forneça ajuda e contate a organização.

17 – Qualquer crítica ou sugestão serão bem-recebidas por aqueles que organizam o ato.

18 – Leve água para se hidratar durante o percurso. Respeite crianças e idosos.

19-  Desejamos uma ótima marcha a todos!!

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Que vocação têm os petralhas para defender ladrões e assassinos, não é mesmo? Ou: Decisão da juíza de deportar Battisti é impecável; terrorista já está solto

O texto que escrevi ontem à noite sobre a prisão de Cesare Battisti, que já está solto, tinha o seguinte título: “Decisão da juíza de deportar Battisti é impecável; a prisão imediata pode render um bom debate jurídico”. Muito bem. O desembargador Cândido Ribeiro, do Tribunal Regional Federal da 1º região, concedeu liminar que garante a liberdade provisória ao terrorista italiano. Não conheço os termos do texto. O advogado de Battisti, Igor Sant’Anna Tamasauskas, afirmou o seguinte: “Basicamente, o presidente do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região compreendeu que a decisão da juíza de primeiro grau estava subvertendo a ordem jurídica, na medida em que ela estava passando por cima da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Presidência da República quando determinou a permanência do senhor Cesare Battisti aqui no Brasil”.

É mesmo, é? Tamasauskas não deveria tratar uma liminar como se fosse um juízo de mérito. Se o princípio que inspira o documento é mesmo esse, pior para o direito. Pela simples e óbvia razão de que a juíza Adverci Rates Mendes de Abreu não afrontou nem o Supremo nem a decisão do então presidente Lula. Vamos entender o imbróglio.

A juíza cometeu alguma arbitrariedade ao determinar a deportação do terrorista? Resposta inequívoca: não! O Inciso IV do Artigo 7º do Estatuto do Estrangeiro — lei 6.815 — é explicito a mais não poder. Reproduzo:
Art. 7º Não se concederá visto ao estrangeiro:
IV – condenado ou processado em outro país por crime doloso, passível de extradição segundo a lei brasileira.

Acabou! Cesse tudo o que as antigas musas vermelhas cantavam. A concessão de visto a Cesare Battisti pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg) foi escancaradamente ilegal. Ou alguém tente provar o contrário. Ou alguém tente demonstrar que o que está escrito na lei não está escrito na lei. Ou alguém tente demonstrar por que o CNIg tem competência para jogar no lixo a Lei 6.815.

Aí alguém pergunta: “Mas Luiz Inácio Lula da Silva não havia recusado a extradição de Battisti para a Itália?” Resposta: sim! A decisão da juíza contesta a de Lula? Resposta: não! O então presidente se recusou a devolver, como seria o decente, Battisti para a Itália — e a juíza, por óbvio, não decidiu extraditá-lo para aquele país. Nem poderia. Logo, a decisão de Lula continua a ser respeitada.

O que Adverci está dizendo é que Battisti não pode ficar no Brasil. Ela sugere que volte ou para o país de onde saiu, quando migrou para cá — no caso, a França —, ou para outro qualquer que queira recebê-lo. Nota: a França já havia decidido extraditá-lo; por isso, ele correu para Banânia. Acrescente-se a isso o fato de que o próprio STF considerou ilegal a concessão de refúgio. Mas reafirmou que cabia a Lula extraditá-lo ou não. E Lula decidiu que não, num desdobramento realmente surpreendente. O Supremo, então, na prática, deu ao presidente a licença de atuar fora da lei.

O que dava para debater?
O que não era uma decisão hígida na juíza era a prisão imediata. Ela determinou a deportação provocada por uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público. Ela argumenta que, segundo a Lei 7.347/85, os recursos contra ações civis públicas não comportam efeitos suspensivos, embora o juiz possa concedê-lo “para evitar dano irreparável à parte”.  O fato de o juiz “poder” conceder o efeito suspensivo não quer dizer que ele “deva” concedê-lo. A juíza disse não ver na prisão imediata “dano irreparável” a Battisti, e isso certamente é matéria controversa. Só para ficar claro: ela não determinou a imediata deportação até porque sabe que cabe recurso. O que ela havia decidido era a “prisão administrativa por 60 dias” ou até que se ultimasse a deportação.

Temos assim que:
1: a juíza tomou uma decisão impecável, ancorada na lei. Ilegal, isto, sim, foi a concessão de refúgio e de visto;
2: a decisão da juíza não afronta a de Lula; ele se negou a extraditar Battisti para a Itália. A magistrada decidiu apenas que o assassino não pode ficar no Brasil;
3: a juíza não determinou a deportação imediata. Tanto que, ao determinar a prisão, disse que seria por 60 dias “ou até que se ultime a deportação do requerido”.

Ah, sim: os petralhas, que andam assanhadinhos — o partido mandou! — já vieram ao blog com as delicadezas de sempre, agora que Battisti foi solto. Que vocação tem essa gente para defender ladrões e assassinos, não é mesmo?

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Gabrielli, gênio da raça petista, inventa a corrupção orgânica e a corrupção a valores de mercado. É nojento!

Estejam certos: nunca antes na história “destepaiz” se viu ou ouviu algo parecido. Não! Erro! Nunca antes na história deste mundo! José Sérgio Gabrielli, o petista que presidiu a Petrobras no período em que a empresa foi dominada por uma quadrilha, fez uma declaração que só não chega a ser surpreendente porque vem de quem vem. Segundo ele:
1: é impossível detectar corrupção na Petrobras;
2: ainda que tenha havido sobrepreço — leia-se: corrupção —, ele estava dentro dos parâmetros de mercado.

Assim, Gabrielli acaba de dar duas contribuições fundamentais à área de produção, administração e negócios. Aprendemos que:
1: existe uma corrupção que é orgânica. Se o mundo das empresas fosse um corpo, haveria o apêndice dos canalhas, que fazem parte do processo;
2: existe a corrupção de mercado.

Gabrielli é um cínico. Não é de hoje. Ele tem um profundo desprezo pela inteligência alheia e costuma argumentar com a mão no coldre, como se o fato de ser agressivo o tornasse certo ou uma pessoa séria. Foi assim que arrancou risos de escárnio quando insistiu que a compra da refinaria de Pasadena foi um bom negócio, o que já foi negado por Graça Foster, ex-presidente da estatal. Segundo o TCU, a operação rendeu um prejuízo à estatal de quase US$ 800 milhões.

Com arrogância característica, Gabrielli atribuiu a impossibilidade de detectar corrupção ao gigantismo da empresa. Assim, temos uma terceira lição: a corrupção é diretamente proporcional ao tamanho do empreendimento. Uma birosca da esquina sempre terá uma contabilidade honesta; já a Apple ou a Microsoft mereciam figurar num dos círculos do inferno.

Mas há mais: se, dado o tamanho da Petrobras, é impossível detectar corrupção, então corrupta a Petrobras era e… continua a ser. Como se trata de uma empresa pública e como não será privatizada, Gabrielli disse aos deputados que continuaremos a ser roubados.

Que grande contribuição a deste petista! É de tal sorte maldita sua herança na Petrobras que a atual direção não consegue nem fechar um balanço. Aliás, fico imaginando o que estão a pensar os investidores mundo afora depois das declarações de Gabrielli. Qual deve ser o rating de uma empresa que não tem como saber se alguns bilhões foram ou não para o ralo da corrupção?

De resto, como esquecer? Em 2009, instalou-se uma CPI para investigar irregularidades na Petrobras, inclusive na refinaria Abreu e Lima. Gabrielli e Dilma vieram a público para detonar a comissão. Diziam que nada havia a apurar. Dilma chamou a contabilidade da empresa de exemplar. Orçada originalmente em US$ 2,5 bilhões, a refinaria de Pernambuco já custou em torno de US$ 20 bilhões.

Mas sabem como é… Não dava para saber. Era a corrupção orgânica. Era, segundo Gabrielli, a corrupção de mercado.

Que nojo!

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Dinheiro que delator afirma ser propina transformou-se em doação com recibo



O recibo acima foi repassado ao blog pelo governador petista do Acre, Tião Viana. Refere-se a uma doação de R$ 300 mil da empresa Iesa Óleo e Gás à sua campanha para governador, em 2010. Contabilizada pelo comitê do então candidato e aprovada pela Justiça Eleitoral, a operação acaba de render a Viana a abertura de um inquérito no STJ. A Procuradoria da República acusa-o de receber propina proveniente de contratos ilícitos firmados pela Iesa com a Petrobras.

Dois executivos da Iesa —o diretor-presidente Valdir Lima Carreiro e o diretor de Operações Otto Garrido Sparenberg— dormem nos colchonetes da carceragem da Polícia Federal em Curitiba desde novembro do ano passado. O nome de Tião Viana foi anotado, de forma cifrada, numa agenda do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, hoje um corrupto confesso e colaborador da Justiça. Está escrito: “0,3 TVian”.

Numa batida policial no escritório de Paulo Roberto, agentes da PF recolheram a agenda. Posteriormente, ao ser inquirido, o delator decodificou seu escrito. Tratava-se, segundo disse, de uma menção ao repasse de R$ 300 mil à campanha de Tião Viana. Na sua versão, o doleiro Alberto Youssef realizara a entrega. O governador petista sustenta que a verba lhe chegou por outra via: transferência eletrônica de uma conta da Iesa no Banco de Brasília para a conta do seu comitê eleitoral no Banco do Brasil. o governdor exibiu o documento (abaixo).



Tião Viana sustenta que jamais conversou com Paulo Roberto nem com Youssef. Afirma que um representante da Iesa telefonou para o seu comitê eleitoral, em 2010, informando que tinha uma doação a fazer. Assim, do nada? “Presumi que alguém do diretório nacional do PT tinha pedido uma ajuda para minha campanha.” Por quê? “Eu tinha procurado o Rui Falcão [presidente do PT federal] para pedir que me ajudasse. Por isso imaginei que seria dele a iniciativa, nem perguntei.”

O governador acrescentou: “A Iesa nunca teve qualquer relação comercial ou institucional com o Estado do Acre. Ninguém da empresa me telefonou. Eu também não liguei para ninguém.”

O episódio dá uma ideia da complicação que está por vir no julgamento de alguns dos processos resultantes da Operação Lava Jato. Conforme já comentado aqui, o escândalo revelou uma excentricidade: a Justiça Eleitoral foi utilizada como uma espécie de lavanderia de verbas sujas.

Na época do mensalão, o então tesoureiro petista Delúbio Soares admitira o manuseio de “verbas não contabilizadas”. Hoje, o tesoureiro João Vaccari e o presidente Rui Falcão alegam que só transitam pela caixa registradora do PT verbas legalmente registradas.

O problema é que a Operação Lava Jato converte a alegação em pantomima ao revelar que parte do dinheiro foi ilegalmente obtido por meio de fraudes praticadas contra a Petrobras.

Resta saber como os magistrados responsáveis pelo julgamento dos processos no STJ e no STF irão tratar as “doações” já analisadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Nesta quinta-feira, além do pedido de inquérito contra Tião Viana, a Procuradoria pediu a abertura de investigação contra o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão e o antecessor dele, Sérgio Cabral, ambos do PMDB.

Tião Viana, que havia protocolado uma interpelação judicial contra o delator Paulo Roberto em janeiro, decidiu mover contra ele uma ação cívil por danos morais e uma ação penal por denunciação caluniosa. “Estou muito longe dessa podridão”, diz ele. “Essa podridão está muito longe de mim.”

O governo diz esperar que o inquérito aberto contra ele corra sem o manto do segredo judicial. “Prefiro a publicidade de tudo que envplva o meu nome. Para mim, quanto mais investigação, melhor”.

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Conselheiro!



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Governo teme o fracasso das manifestações em favor de Dilma marcadas para hoje
Ricardo Noblat

Para evitar vaias e xingamentos, a presidente Dilma Rousseff cancelou a visita que faria, hoje, a Belo Horizonte. Melhor ficar reclusa no Palácio do Alvorada. Não sair por aí se exibindo.

Providenciou-se um motivo mais nobre para justificar o cancelamento da viagem. A mãe de Dilma não estaria bem de saúde. Nada grave. Mas filha amorosa se comporta assim.

Em quase todos os Estados, hoje é dia de manifestações em favor de Dilma, do governo, da Petrobras e do PT, convocadas pela Central Única dos Trabalhadores.

O PT afundou a Petrobras. Agora, sai em seu socorro.

Não há previsão de conflitos de rua entre manifestantes pro e contra o governo. Quando nada porque serão no domingo as manifestações favoráveis ao impeachment de Dilma.

Mas o governo tudo fez, sem sucesso, para que a CUT suspendesse as manifestações. Teme que elas sejam comparadas com as do próximo domingo. E que percam de goleada.

De resto, manifestações expressivas, hoje, poderão estimular os promotores das manifestações do domingo a tentar fazê-las ainda mais gigantescas.

Em resumo: o governo pouco teria a lucrar com o que se passará hoje. E tudo a perder.

Mas como não faltam estrategistas políticos de primeira a serviço do governo, eles devem saber o que fazem.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Solidariedade anuncia campanha pró-impeachment de Dilma

Por Marcela Mattos, na VEJA.com:
A três dias da manifestação contra a presidente Dilma Rousseff, o Solidariedade vai anunciar nesta quinta-feira a criação de uma campanha pelo impeachment da petista. No ato, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, apresentará um sistema disponibilizado no site do partido para a coleta de assinaturas e argumentos que sustentem que ela perdeu as condições de governar. O Solidariedade é a primeira legenda que anuncia publicamente a campanha pelo afastamento de Dilma.

Nos últimos dias, integrantes do partido montaram uma força-tarefa para a produção de embasamentos jurídicos que justifiquem o impeachment da presidente. Foram ouvidos juristas como Cássio Mesquita Barros, Modesto Carvalhosa e Ives Gandra Martins para a elaboração de parecer que sustente a tese de que Dilma foi omissa no escândalo de corrupção que atingiu a Petrobras e, somado à irresponsabilidade na gestão das contas públicas, a deixou sem condições de governar.

“Hoje as pessoas têm ódio da Dilma. Ela foi vaiada ontem (terça-feira) não pela elite paulistana, mas sim por pessoas que trabalham em feira. Dilma perdeu a condição política de governar, amarga uma crise profunda e não tem força para resolver. Ao contrário: ela ajudou a aumentar a crise política, o que inviabiliza as chances de tirar o país dessa situação. Com a Dilma no governo, o país vai sofrer por muito tempo”, disse Paulinho, presidente do Solidariedade, ao site de VEJA.

A expectativa do partido é reunir pelo menos dez pareceres para apresentar um embasamento amplo e profundo sobre a hipótese do impeachment.

Em busca de difundir a campanha entre outros partidos, o Solidariedade vai fazer uma reunião também nesta quinta com lideranças do bloco formado para a eleição da Câmara. Fazem parte do grupo o PSB, PPS e o PV. “Todo mundo quer falar e dar ideias sobre o impeachment. Muitos acham uma boa ideia”, disse Paulo Pereira. Em outra frente para pressionar a Câmara a receber o pedido de impedimento de Dilma, o partido oposicionista vai fazer a coleta de assinaturas online e nas ruas.

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Dilma terá agora 8 ministros na desarticulação política. É o samba-da-presidenta-doida. Não há o menor perigo de dar certo!

Não! Dilma Rousseff decidiu não ouvir Reinaldo Azevedo. Mais uma vez! E vai se dar mal de novo, eu acho. E não porque não tenha me ouvido. Mas porque eu vocalizava o óbvio. A mulher resolveu meter mais três ministros na coordenação política do governo: Gilberto Kassab (Cidades), Eliseu Padilha (Aviação Civil) e Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia). E os outros continuam lá. Não há o menor perigo de isso dar certo. Vamos ver.

Quando a presidente nomeou Aloizio Mercadante para a Casa Civil, podem procurar em arquivo, alertei para o erro. Sua tarefa era a articulação política, Jesus! “Articular” é uma palavra de emprego curioso. O verbo “articulo”, em latim, quer dizer “dividir”, “separar”. O braço articulado de um robô, por exemplo, é composto de partes — dividido, pois — que, no entanto, unidas, permitem o movimento. O que são as articulações do nosso corpo senão isto: partes distintas, que ganham mobilidade com as junções? Um “articulador” reconhece as especificadas de cada parte, mas as torna, uma vez unidas, funcionais. É tudo o que Mercadante não sabe fazer. Ele é excelente para desarticular…

Formam ainda o Quarteto da Desarticulação Política os ministros Pepe Vargas (Relações Institucionais), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral) e Jaques Wagner (Defesa). Ah, sim: também Ricardo Berzoini (Comunicações) faz o meio de campo com os políticos. A turma tem feitos notáveis em sua biografia: uma derrota humilhante na disputa pela Presidência da Câmara; a devolução, pelo Senado, da MP da (re)oneração da folha de salários; a certeza da derrubada do veto da presidente à correção da tabela do IR caso não houvesse negociação; a instalação da CPI da Petrobras; a humilhação na tramitação da PEC da reforma política. E vai por aí…

Nunca se viu nada igual. É claro que era preciso mudar. E Dilma fez o quê? Meteu mais três ministros na tal coordenação: Kassab, Padilha e Rebelo. Pronto! Agora haverá nada menos do que oito para cuidar de tanta… desarticulação. Na única vez em que a tartaruga e o peixe aqui de casa passaram fome, eu e a empregada julgamos que o outro estava alimentando esses animais de sangue frio, com expressões muito econômicas de afeto e que não sabem pedir. Pois é… Tartaruga e peixe de muitos donos morrem de fome. A tarefa ficou pra mim. Eu sou o Coordenador da Ração da Fauna Pecilotérmica. E pronto! Ela cuida dos homeotérmicos. Como Scarlett O’Hara, fome nunca mais!

Dilma, está na cara, nunca cuidou de uma tartaruga. Não é possível que essa multidão de oito ministros — quase 20% de seu já gigantesco ministério — possa fazer a coordenação política. Fico cá a pensar nas diferenças de estilo e de argumentos de cada um. Como aqueles fundamentos profundos da governabilidade, que costumam embalar as preocupações de um comunista como Aldo Rebello, se coadunam com o pragmatismo sempre muito raso de Gilberto Kassab? Que bons argumentos terá um ministro da Aviação Civil, como Padilha? Como tudo isso vai se combinar com o exasperante nada de Pepe Vargas?

Dilma disse nesta quarta, depois da entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida, no Acre, com um claque organizada para aplaudi-la, que esse sistema de coordenação é “muito flexível, é um sistema de governo”.

Lamento presidente, isso não é nada! É só uma grande confusão!

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Governo consegue manter sua nova proposta de correção da tabela do Imposto de Renda, mas foi por pouco; no placar, Dilma perdeu de novo

Vou explicar. Depois de sucessivas derrotas, o governo cravou o que poderia ser um pequeno tento no Congresso. Um conjunto de vetos da presidente Dilma Rousseff foi mantido. O mais importante era o que negava a correção da tabela do Imposto de Renda em 6,5% para todas as faixas salariais. Para derrubá-lo, eram necessários 257 votos — metade mais um do total de deputados. Faltaram, no entanto, 18. Votaram para derrubar o veto, contra a presidente, 239 deputados, bem mais do que os 208 que optaram por mantê-lo, alinhando-se com Dilma. Ou seja: nos números, o Planalto perdeu de novo. É que não se atingiu a marca necessária de metade mais um. Não dá para comemorar ainda o começo do fim da crise com o Congresso.

E que se note: isso aconteceu depois de o governo ter mudado a sua proposta, que previa correção única de 4,5%. Medida Provisória enviada nesta quarta criou quatro grupos: com a mudança, a isenção do IR vale para quem ganha até R$ 1.903,98 mensais. Na faixa entre R$ 1.903,99 e R$ 2.826,65, a alíquota será de 7,5%. Quem ganha entre R$ 2.826,66 e R$ 3.751,05 pagará 22%. Para quem recebe entre R$ 3.751,06 e R$ 4.664,68, a alíquota será de 22%. A maior é a de 27,5% e será cobrada de quem ganha a partir de R$ 4.664,69.

Joaquim Levy, ministro da Fazenda, teve de ir ao Congresso para, digamos, implorar que o veto não fosse derrubado. Mas vejam como são as coisas. Parece que Renan Calheiros e Eduardo Cunha, presidentes, respectivamente, do Senado e da Câmara, têm menos influência sobre o antigovernismo da base do que eles mesmos supunham. É certo que, sem a ajuda da dupla, Dilma teria sofrido outra derrota vexaminosa. Mas, mesmo com o apoio da dupla, o resultado foi magro. Reitere-se: mais deputados votaram contra Dilma do que com ela.

A síntese, então, é a seguinte: sim, se o governo não quiser tomar uma pancada atrás da outra, terá de conversar com o comando do Congresso, que está com o PMDB. Mesmo esse comando, no entanto, hoje em dia, não garante maioria folgada para Dilma. A presidente respirou um pouquinho, mas com a ajuda de aparelho.

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Tesoureiro da campanha de Dilma que empreiteiro diz estar “preocupadíssimo” escreve carta aberta cobrando que o PT reaja à… direita golpista!!!

Ah, Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma Rousseff em 2014 está inconformado com o que considera passividade de seu partido. Ele até redigiu uma carta aberta expressando esse seu inconformismo. Sim, claro, quer que os responsáveis pela roubalheira sejam punidos. Afinal, vocês sabem, ele é um homem honrado. Só não se conforma com o que considera a paralisia da legenda.

Erros? Ele até admite alguns. Mas não os que vocês possam eventualmente estar pensado. O principal, segundo diz, é este: “Nunca na nossa história assimilamos com tanta facilidade o discurso oportunista de uma direita golpista e nunca estivemos tão paralisados”. Onde estaria a direita golpista brasileira? Certamente não são os empreiteiros, por exemplo. Boa parte está na cadeia, incapaz de dar um golpe, não é mesmo?

Edinho cobra uma reação do binômio PT/governo. Faz sentido. Ao longo de sua história, essa gente nunca distinguiu o aparelho partidário da máquina do estado. Para eles, tudo é uma coisa só. Devem-se somar à equação também as entidades sindicais e os ditos movimentos sociais — aqueles que formam, em suma, a nova elite patrimonialista brasileira. Como um aprendiz de Zé Dirceu, ele conclama: “É hora de pegarmos nossa história nas mãos e irmos para a luta política”. É o mesmo vocabulário.

Que coisa! A carta de Edinho vem a público dois dias depois de Pedro Barusco ter dito na CPI que a roubalheira institucionalizada na Petrobras começou mesmo em 2003, com a chegada do PT ao poder, e que, em 2010, a campanha de Dilma recebeu R$ 300 mil do esquema.

Edinho é um homem que enxerga conspirações continentais. Ele indaga: “Achávamos que a elite brasileira, insuflada por uma retomada das mobilizações da direita no continente, iria ficar assistindo nós nos sucedermos na presidência da República? (…) Achávamos que aqueles que hoje nos acusam, que também são os mesmos que armam trincheiras contra reformas estruturais, seriam benevolentes conosco?”.

Como? Direita no continente? Edinho deve achar que, sem o concurso de reacionários, o povo venezuelano não estaria cobrando nem comida nem papel higiênico. A propósito: gostaria que este senhor enviasse uma carta ao blog — também quero divulgar no meu programa de rádio — revelando qual reforma estrutural o PT tentou fazer, malogrando em seu intento por obra de reacionários…

Edinho Silva, Edinho Silva… Ah, lembrei. Em seus manuscritos, o empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC, ex-amigão de Lula e que está preso na PF de Curitiba desde novembro, registra: “Edinho Silva está preocupadíssimo. Todas as empreiteiras acusadas de esquema criminoso da Operação Lava-Jato doaram para a campanha de Dilma. Será que falarão sobre vinculação campanha x obras da Petrobras?”.

Pois é… Pessoa tentou fazer um acordo de delação premiada, que não foi adiante. Estava disposto a contar que doou R$ 30 milhões, pelo caixa dois, a campanhas eleitorais do PT, R$ 10 milhões dos quais teriam ido para a reeleição de Dilma. O tesoureiro era Edinho Silva, o homem que quer fazer a guerra do “nós” contra “eles”.

Definitivamente, Edinho é um deles, não um de nós.

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CUT pede proteção policial para ato nesta sexta

Em ofício endereçado ao secretario de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, a CUT e as outras centrais sindicais que marcaram uma manifestação para esta sexta-feira (13) pediram proteção policial. “Temos informações de que grupos conservadores decidiram confrontar nossas posições, chamando um ato para o mesmo dia, horário e local”, anota o documento, datado desta quarta-feira (11).

O ofício endereçado ao secretário pode ser lido aqui. Não menciona os nomes dos supostos grupos rivais. Limita-se a solicitar “total segurança aos participantes do ato da classe trabalhadora.” São quatro os objetivos declarados da manifestação: defender os “direitos da classe trabalhadora”, a Petrobras, a democracia e a reforma política.

O ponto de encontro será o prédio da Petrobras, na Avenida Paulista. O ato ocorre dois dias antes dos protestos contra o governo Dilma Rousseff, convocados por meio das redes sociais para domingo (15).

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Principal problema do governo tem nome: Dilma

O problema do governo tem nome e sobrenome. Alguns aliados do Planalto o chamam de Aloizio Mercadante. Outros o tratam por Pepe Vargas. Se estivessem certos, a solução seria simples. Bastariam dois golpes de esferográfica. Mas estão enganados. Chama-se Dilma Rousseff o problema do governo. Nunca um governante começara sua gestão tão por baixo. E as pessoas se perguntam sobre o que está havendo, afinal, com a Dilma, que não reage.

Hoje, a estratégia de Dilma é clara como a gema. Resume-se a três lances: 1) para não potencializar seu isolamento político, engole todos os sapos que os investigados Renan Calheiros e Eduardo Cunha conseguem lhe servir. 2) para evitar o aprofundamento da crise econômica que herdou de si mesma, tolera Joaquim Levy, o ministro da Fazenda que as circunstâncias lhe enfiaram goela abaixo. 3) para disfarçar seu déficit de iniciativa, reúne-se regularmente com Lula, o ventríloquo que regula as doses de cinismo que lhe escorrem pelos lábios.

Dilma esteve com Lula na noite de terça-feira, em Brasília. Ouviu basicamente três conselhos: faça política, faça política e faça política. Em vez de ceder às pressões pela entrega do escalpo dos “articuladores'' Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Pepe Vargas (Relações Institucionais), Dilma optou por adicionar mais três cabeças ao seu núcleo de (des)coordenação política: os ministros Gilberto Kassab (Cidades) Aldo Rebelo (Ciência e Tecnologia) e Eliseu Padilha (Aviação Civil).

Com esses ajustes, a coordenação política do governo Dilma ficará muito parecida com a das gestões de Lula. Com uma diferença: hoje, há um excesso de cabeças e carência de miolos. Ontem, havia a mesma carência, mas com uma cabeça só.

Nas últimas 48 horas, para livrar-se da humilhação de ver derrubado no Congresso o veto que apôs à proposta de reajustar em 6,5% a tabela do Imposto de Renda, Dilma deu ouvidos a Lula. Primeiro, peemedebizou-se, redescobrindo o vice Michel Temer, que vinha tratando como versa. Com a ajuda de Temer, Dilma promoveu uma engenharia política.

Abre parágrafo: no Brasil de hoje, “engenharia política” é eufemismo para acerto com o Renan. Fecha parênteses. Ainda assim, entregando os aneis para perder poucos dedos, o Planalto prevaleceu raspando na trave. O veto presidencial foi mantido com uma diferença de escassos 18 votos.

Doravante, será sempre assim: para aprovar o que deseja no Legislativo, essa Dilma debilitada terá de ajoelhar no milho. Ela já prepara os meniscos para a tortura que será a negociação das medidas provisórias que restringem o acesso dos trabalhadores a benefícios trabalhistas e previdenciários.

Se depender dos seus aliados, bastará a Dilma permanecer ajoelhada para ser considerada uma gestora de grande altivez. E o segundo governo da ex-supergerente, nunca é demasiado recordar, tem apenas 71 dias de vida.

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Travessia!



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Dilma pode entrar no livro dos recordes com uma avaliação negativa. Por que não?
Ricardo Noblat

Será tão difícil assim para a presidente Dilma, seus principais auxiliares, o ex-presidente Lula e o PT admitirem que a insatisfação generalizada dos brasileiros se deva acima de tudo ao fato de que se sentem enganados?

Acreditaram no que ouviram principalmente de Dilma – que o país ia bem; que ela não deixaria que ele se desviasse do rumo seguro do crescimento; e que votar na oposição seria pôr tudo a perder. Tudo que fora conquistado nos últimos 12 anos.

E deu no que deu. A perda do poder dos salários só fez aumentar. Assim como aumentaram preços que estavam sendo “administrados pelo governo”.

Isso quer dizer: preços que o governo segurou para Dilma poder se eleger. Soltou depois.

É só o que basta para entender o que se passa. O resto é firula. E, no caso do PT que se esgoela para negar o inegável, o resto é mais uma tentativa de se enganar e de enganar o distinto público. Não aprende. Mente para justificar mentiras.

Anotem o que o PT e sua turma dirão se as manifestações contra o governo no próximo domingo forem um sucesso: bem, pior não poderá ficar. Daqui para frente, Dilma irá se recuperar na avaliação dos brasileiros. Esperem para ver.

A seis meses de sua queda, Fernando Collor tinha 15% de ótimo e bom. E havia metido a mão na poupança dos brasileiros, congelando-a.

Há menos de três meses de empossada, Dilma tem 7% de ótimo ou bom, segundo Merval Pereira, de O Globo.

Corre o risco de entrar para o livro dos recordes como o primeiro presidente a exibir uma avaliação negativa. Faria algum sentido.

Se o crescimento do país no ano passado foi negativo, por exemplo, por que a avaliação de Dilma também não poderia ser?


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Blog do Josias

Barbosa: depoimento de Barusco foi ‘chocante’

O ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa, ex-relator do julgamento do mensalão, assistiu pela tevê à inquirição de Pedro Barusco na CPI da Petrobras. Na madrugada desta quarta-feira, ele se plugou à internet para veicular um lote de notas sobre o tema. Sem mencionar o nome do ex-gerente da Petrobras, classificou de “chocante” seu depoimento. E insinuou que a história pode pregar uma “peça” no PT e em Dilma Rousseff.

“Como milhões de brasileiros, vi a programação da TV Câmara ontem”, anotou Barbosa em sua conta no Twitter. “Chocante”, ele definiu. Numa alusão indireta ao embate que PT e PSDB travaram durante a sessão, o ex-ministro criticou:

“Muitos vêem o que se passou ontem na Câmara dos Deputados sob ótica puramente partidária. É um tremendo erro. Por quê? Partidos são meros instrumentos. Nossa nação não se construiu e tampouco se define à luz de momentâneos interesses partidários.”

Barbosa empilhou três mensagens historiográficas. Quem lê fica com a impressão de que o autor não exclui a possibilidade de o mandato de Dilma Rousseff terminar mal. Eis o que escreveu o ex-presidente do STF:

“1) quem diria em maio de 1789 que aquele convescote estranho realizado em Versalhes iria desembocar na terrível revolucão francesa?; 2) em 15/11/1889, nem mesmo o general Deodoro da Fonseca tinha em mente derrubar o regime imperial sob o qual o Brasil vivia. Aconteceu; 3) nem o mais radical bolchevique imaginaria lá pelos idos de 1914 que a 1ª guerra mundial facilitaria a queda do regime czarista da Rússia”.

Barbosa arrematou: “Por que fiz esses três últimos posts sobre História? Porque no Brasil pouca gente pensa nas ‘voltas’ e nas ‘peças’ que a história dá e aplica.”

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Brasil tem muito a desaprender com o Barusco

O delator Pedro Barusco não disse na CPI da Petrobras nada que já não tivesse declarado à força-tarefa da Lava Jato. Mas a frieza com que discorreu sobre a roubalheira diante das câmeras foi desconcertante. Num instante em que todos os políticos da ‘lista de Janot’ fazem pose de limpinhos e injustiçados, foi reconfortante assistir ao depoimento de um corrupto sem qualquer atenuante, um bandido acima de qualquer suspeita, um picareta sem o benefício da dúvida.

Ao contar que entesourou na Suíça US$ 97 milhões em propinas amealhadas ao longo de 18 anos de desonestidades, Barusco ressuscitou um velho debate sobre a influência do ambiente na formação de um criminoso. Se há alguém que pode ser considerado um produto do meio é Barusco. Como qualquer pivete aliciado por traficantes, Barusco é o resultado da ilicitocracia que fez da Petrobras uma ‘boca’ de propinas, um ponto do tráfico de interesses e vantagens.

“Eu iniciei a receber a propina em 97 ou 98”, disse Barusco. “Foi uma iniciativa pessoal, minha, junto com o representante da empresa.” Culpa da permissividade nacional, que lhe ofereceu todas as facilidades para roubar, garantindo-lhe a impunidade. “De uma forma mais institucionalizada, foi a partir de 2003, 2004. Não sei precisar exatamente a data, mas foi a partir dali”, prosseguiu Barusco, como que denunciando a cumplicidade que lhe garantiu o sucesso monetário.

Não fosse pela teimosia do juiz Sérgio Moro e dos procuradores de Curitiba, talvez tivesse continuado como antes. Gente como Barusco não poderia esperar senão mais tolerância e estímulo à delinquência. Sobretudo depois que o PT, partido do Poder longevo, mordeu “entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões.”

Os inquisidores petistas exigiram provas. E Barusco: “O que eu disse foi que eu estimava. Estimava que, por eu ter recebido a quantia que está divulgada, como o PT, na divisão da propina, tinha —ou cabia a ele receber o dobro ou um pouco mais—, que eu estimava que ele poderia ter recebido o dobro. Se eu recebi, por que que os outros não teriam recebido?”

Barusco se apropriava de 0,5% da propina de cada contrato firmado na sua área. O PT abocanhava 1%. Coisa acertada entre o então diretor de Serviços Renato Duque e o tesoureiro do PT João Vaccari. “Existia, vamos dizer, uma reserva de propina, uma reserva para o PT receber. Se ele [Vaccari] recebeu, da forma que recebeu, eu não sei.”

Súbito, Renato Duque, o superior hierárquico de Barusco, pediu à empresa holandesa SBM R$ 300 mil para as arcas eleitorais da campanha de Dilma. “Aqueles 300 mil que eu disse, na área de reforço de campanha, foi na campanha presidencial de 2010”.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) perguntou ao delator se ele conhecia o mentor da petrorroubalheira. E Barusco: “A cabeça do negócio, eu também não sei dizer. Eu sei as pessoas que eu citei. Não havia um único, vamos dizer assim, responsável.” Fabuloso! Só havia beneficiários, não responsáveis.

Perguntou-se a Barusco se as empreiteiras eram achacadas, como alegam seus executivos? “Fico procurando na minha mente, na minha memória e não encontro caso nenhum”, declarou o delator. “Era uma relação normal, que se acordavam. Nunca vi extorsão.” Tanta normalidade só poderia resultar no meio apodrecido que fez da Petrobras essa jazida de Baruscos.

O Brasil tem muito a desaprender com Barusco antes de deixar de deixar de ser uma gigantesca caverna de Ali-Babá. Para se tornar sério, o país terá de desaprender como construiu essa promiscuidade que mistura dinheiro fácil e poder farto. Terá de desaprender como formou as alianças do banditismo empresarial com o amoralismo político. Quer dizer: terá de recomeçar do zero.

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Dilma já sofre pressões para reformar ministério

Apenas 70 dias depois de assumir o seu segundo mandato, Dilma Rousseff já começa a sofrer pressões para reformar o ministério. As articulações envolvem pedaços do PT e do PMDB, os dois maiores acionistas do governo. Encontram-se na alça de mira os ministros petistas Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Pepe Vargas (Relações Institucionais).

Uma ala do PT deseja acomodar na poltrona de Mercadante o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, hoje à frente do Ministério da Defesa. Antigo desafeto de Mercadante, o peemedebista Renan Calheiros, presidente do Senado, observa com interesse o formação do pelotão anti-Mercadante. Recebeu Wagner em sua residência oficial há quatro dias.

Um pedaço do PMDB sonha em transferir para a cadeira de Pepe Vargas o ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves. Os defensores da ideia argumentam que Pepe não é reconhecido no Congresso como articulador político de Dilma. Vende-se a tese de que Henrique, amigo do vice-presidente Michel Temer e do presidente da Câmara Eduardo Cunha, seria mais talhado para a função.

As duas pretensões esbarram numa característica da personalidade de Dilma: ela abomina a ideia de modificar a equipe sob pressão. Um auxiliar da presidente ironiza: movimentos para a derrubada de ministros costumam funcionar em sentido inverso, diz ele. Os alvejados acabam ganhando certa estabilidade no emprego.

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Ombro amigo!



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IR: Melhor o recuo que a derrota humilhante. Ou: A próxima bomba no colo de Dilma

Entre o recuo e a derrota humilhante, a primeira alternativa é sempre melhor. Aliás, se o governo tivesse seguido essa máxima em outras circunstâncias, talvez estivesse vivendo dias mais tranquilos. Não faz tempo, Dilma deu a entender que a proposta do governo para a correção da tabela do Imposto de Renda era 4,5% e ponto. Por isso ela havia vetado o reajuste de 6,5%. Ocorre que o veto seria certamente derrubado.

E aí alguém se lembrou de fazer política, uma coisa que há tempos não frequenta o Palácio do Planalto. Joaquim Levy, ministro da Fazenda, reuniu-se com Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e anunciou que o governo está disposto a criar quatro faixas para a correção de tabela, indo dos 4,5%, como queria Dilma, aos 6,5% como aprovou o Congresso. Renan aquiesceu.

Coube a Levy, um tanto fora de seu figurino, falar como se fosse um coordenador político: “O importante é que houve uma construção junto ao Congresso, dentro da capacidade fiscal do país neste momento de ajuste fiscal. Concluímos com um valor que é suportável”. Ah, bem! Dilma percebeu que, a ferro e fogo, quebraria a cara mais uma vez. A oposição diz que vai insistir nos 6,5%.

Não pensem, no entanto, que o estresse acabou.

Governistas ligados ao Palácio do Planalto tentaram impedir ontem, por exemplo, a votação de um projeto de lei dos deputados Paulinho da Força (SDD) e Antônio Imbassahy (PSDB-BA), que estende até 2019 a regra em vigência de reajuste do mínimo: inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior mais o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) registrado dois anos antes.

Lembrem-se: esse projeto foi apresentado em meio à campanha eleitoral, quando Dilma acusava o tucano Aécio Neves de, se eleito, pretender mudar as regras de reajuste do mínimo. O PT tentou impedir a votação, mas perdeu. Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, já havia decidido pautar a proposta em reunião com líderes de partidos que apoiaram a sua eleição.

Mas a questão explosiva nem é essa: parte da base aliada e da oposição quer aprovar uma emenda que estenda os ganhos reais aos demais benefícios previdenciários, o que o governo avalia como uma bomba contra a área. Como se nota, não resta muito tempo para respirar.

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Petrobras monta força-tarefa para incluir propinas no balanço

Por Raquel Landin e Renata Agostini, na Folha:
Com pouco tempo para fechar as contas e publicar o balanço de 2014 auditado, a nova diretoria da Petrobras decidiu calcular só o prejuízo com propinas pagas a ex-funcionários e políticos e deixar de fora o sobrepreço causado pelo suposto cartel. Sob o comando de Ademir Bendine, a estatal montou uma força-tarefa para analisar todos os depoimentos dos delatores da Operação Lava Jato e cruzar com informações internas para chegar à propina a ser contabilizada. A avaliação dos diretores é que a empresa não tem meios para calcular o sobrepreço nas obras antes da conclusão das investigações do Ministério Público sobre o conluio.

O cálculo do custo da corrupção é importante para convencer a auditoria independente PwC a aprovar o balanço. Desde novembro, a auditoria têm feito ressalvas à contabilidade da estatal. O balanço do terceiro trimestre e o do resultado anual têm que ser publicados no máximo até 31 de maio. Caso contrário, os credores poderão pedir a antecipação do pagamento das dívidas. Segundo a agência de classificação de risco Moody’s, a empresa pode ser obrigada a pagar de uma vez US$ 110 bilhões, ou um terço de tudo o que deve na praça. Diante do prazo apertado, o diretor financeiro da empresa, Ivan Monteiro, foi escalado para entrar em contato com os principais credores e tranquilizá-los. A Folha apurou que, apesar de não se comprometer com uma data de divulgação do balanço, o executivo tem dito que haverá tempo hábil para apresentá-lo.
(…)
Segundo a Folha apurou, o balanço da Petrobras vai mostrar, além do pagamento de propina, quanto os principais ativos da companhia, como a Refinaria Abreu e Lima e o Comperj, valem hoje. A perda, no entanto, deve ser menor que os US$ 88,6 bilhões estimados pela gestão anterior de Graça Foster. Serão alterados parâmetros técnicos para chegar a um valor inferior.

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Toffoli será o quinto elemento da turma que vai julgar o petrolão

Vamos lá. O ministro Dias Toffoli, do Supremo, pediu para ser transferido para a segunda turma, que vai julgar os políticos envolvidos com o petrolão. Enviou de próprio punho um ofício ao presidente do STF, Ricardo Lewandowski. Antes que prosperem versões conspiratórias, vamos aos fatos e à lógica.

Aos fatos: Toffoli não tomou a iniciativa de integrar a turma. Atendeu a uma solicitação feita pelos outros quatro membros do grupo: Gilmar Mendes, Teori Zavascki, Carmen Lúcia e Celso de Mello, o que este blog confirmou de forma inequívoca com dois ministros. Ou por outra: integra a turma com o apoio unânime de seus pares.

A presidente Dilma, até agora, não indicou ninguém para a vaga aberta com a saída de Joaquim Barbosa. O risco de empate nas votações é grande. É evidente que se faz necessário preencher essa quinta vaga.

Sim, Toffoli foi advogado eleitoral do PT e assessor da Casa Civil no governo Lula. Já discordei de votos seus e já concordei com outros. Concorde eu ou não com as suas teses, no entanto, acho que tem uma atuação independente. De resto, reitero, ele não tomou a iniciativa de pedir a transferência. Atendeu a uma solicitação.

Há mais. Se alguém quer alimentar teorias conspiratórias de que ele estaria entrando lá para isso e aquilo, convém considerar: o quinto elemento da turma — e o 11º do Supremo — será necessariamente indicado por Dilma, não? Mais: seria preciso inferir que os outros quatro ministros resolveram participar da suposta armação. Isso tudo é bobagem. Goste eu ou não dos votos que ele venha a dar, não estamos no meio de uma conspirata.

Como informa Vera Magalhães, na Folha, o relator do processo, Zavascki, é também o presidente da turma. Esse mandato termina em maio. Como Celso de Mello já disse que não pretende presidir mais nada, o mais antigo do grupo e que ainda não exerceu a função é justamente Toffoli. A presidência, portanto, ficará com ele. A coisa vai demorar… Vai dar tempo de passar por todos eles…

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E agora, PT? Foi mesmo obra de quem? De branco, rico e golpista?
Ricardo Noblat

No meio do caminho do auditório do Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, onde abriria, ontem, com uma palestra, o 21º Salão Internacional da Construção, a presidente Dilma Rousseff ouviu as primeiras vaias e decidiu dar meia volta.

- Vamos voltar – ordenou de cara amarrada ao seu obediente séquito.

Foi então que as vaias se multiplicaram e aumentaram. Acompanharam Dilma durante mais de cinco minutos. Só cessaram quando ela sumiu da vista dos manifestantes.

Ninguém ali havia sido convidado para vaiar Dilma. A maioria nem sabia que ela honraria o compromisso assumido há algum tempo.

O público não era branco nem rico. Era um público jovem, de classe média baixa. Justamente aquele que na última eleição, em peso, votou em Dilma no Norte e Nordeste, de preferência.

Golpista? Talvez fosse, sim, a se acreditar no delírio do PT.

Na palestra, Dilma não comentou as vaias. Nem empresários, que a vaiaram também, comentaram.

O que ela disse?

E de fato importa?

O governo está em pânico com o risco de as manifestações contra ele marcadas para o próximo domingo levarem às ruas grandes multidões.

Até o discurso de Dilma, no último domingo, o governo apostava no fracasso das manifestações. Depois do discurso, e das vaias de ontem, teme o pior.

Se dependesse dele, a Central Única dos Trabalhadores cancelaria as manifestações que marcou para a próxima sexta-feira. Elas serviriam para protestar contra o ajuste fiscal.

Serão reorientadas para que sirvam de defesa à Petrobras e ao governo.

O governo cultiva outro temor: o de que as manifestações patrocinadas pela CUT fracassem.


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Blog do Josias

Propinas da Petrobras financiaram até advogados de dois réus do mensalão

Em depoimento prestado no último dia 11 de fevereiro, o delator premiado Alberto Yousseff revelou que, durante o julgamento do processo do mensalão, a defesa de dois dos réus, os ex-deputados José Janene (PP-PR) e Pedro Corrêa (PP-PE), foi custeada com verbas sujas obtidas em negócios ilíticos de empreiteiras com a Petrobras. O próprio Youssef intermediou os repasses, que somavam até R$ 70 mil mensais.

Suprema desaçatez: os réus pagaram os honorários do seu defensor num escândalo de corrupção embrenhando-se noutro escândalo ainda maior. Chama-se Eduardo Ferrão o advogado titular da banca que recebeu as verbas de má origem. Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato queriam saber se o doleiro Youssef tinha conhecimento dos vínculos entre o doutor Ferrão, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e o deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE).

O repórter Jailton de Carvalho conta que Youssef declarou desconhecer o relacionamento entre os três. Mas informou que conhecia o escritório de Ferrão, porque era ele quem cuidava da defesa de Janene e Corrêa. Advogava também para o diretório nacional do PP, partido que controlava a diretoria de Abastecimento da Petrobras, por meio do ex-diretor Paulo Roberto Costa.

De acordo com a transcrição do depoimento, o doleiro Youssef disse que fez “vários pagamentos em dinheiro vivo” para cobrir os honorários que Ferrão cobrava do PP e dos deputados da legenda. O dinheiro era entregue no escritório do advogado, em Brasília —“…entre 40 mil e 70 mil reais por mês'', disse o doleiro.

Ouvido, Ferrão confirmou os pagamentos. Mas disse desconhecer Youssef. “Quem me pagava era o PP, de quem eu era advogado desde 2003. Se o dinheiro vinha dele [Youssef] eu não posso saber. Eu emitia notas para o PP”. O doutor declarou que não era ele o responsevel pelos recebimentos no escritório. “Não sei se eram transferências bancárias, cheque ou dinheiro vivo. Mas não teve nenhum pagamento que não teve nota emitida para o PP.”

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Líder do DEM: ‘Corrigir o IR custa um Barusco’

Autor da proposta que corrigiu a tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas em 6,5%, o deputado Mendonça Filho afirma que o custo da medida equivale a um Pedro Barusco. Ele sugere ao governo que estabeleça o valor das propinas recebidas pelo ex-gerente da Petrobras como parâmetro para a solução do impasse. Eis o raciocínio de Mendonça:

“Pelas contas do ministro Joaquim Levy, da Fazenda, a correção da Tabela do IR em 4,5%, como quer a presidente Dilma, custaria R$ 5,5 bilhões. O índice de 6,5%, defendido por nós, custaria R$ 7 bilhões. Portanto, a diferença é de R$ 1,5 bilhão. Só que o governo já impôs aos contribuintes dois meses sem correção da tabela. Isso equivale a R$ 1,2 bilhão —R$ 600 milhões de janeiro e R$ 600 milhões de fevereiro. Ou seja: faltam só R$ 300 milhões para fechar a conta. Esse valor é igual a um Pedro Barusco. O ex-gerente da Petrobras desviou para uma conta na Suíça US$ 100 milhões. Ao virar delator, Barusco comprometeu-se em devolver o dinheiro. Com o dólar cotado a mais de R$ 3,00, a cifra é suficiente para fechar a conta da correção da tabela do IR.”

Nesta segunda-feira (9), Dilma autorizou seus ministros e o vice-presidente Michel Temer a negociar com o Congresso um meio-termo entre a proposta do líder do DEM e a oferta do governo. “Não vejo necessidade para tanta negociação”, ironiza Mendonça. “Essa conta já está paga. Não acredito que o governo vá criar caso por causa de um reles Barusco.''

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Armazém de desculpas!



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As declarações infelizes e erradas de tucanos sobre o impeachment

Ai, ai, vamos lá.

Em 2005, logo depois de Duda Mendonça confessar na CPI que o PT depositou o que lhe devia numa conta no exterior — e na vigência do mandato de Lula —, houve quem dissesse no próprio PT que um processo de impeachment seria inevitável. Um ministraço do então presidente chegou a sugerir que ele fosse a público para declarar que não se candidataria à reeleição no ano seguinte para tentar salvar o mandato.

Atribui-se a FHC, e ele nega que isso tenha acontecido, a tese do “deixar Lula sangrar no cargo” em vez de apoiar um processo de impedimento. Seria menos traumático para o país. Como o ex-presidente era, sim, contra o impeachment e segue defendendo aquela opinião até hoje, suponho que a tese do “sangramento” não seja mesmo sua. Mas foi, sim, adotada pelo PSDB. Deu no que deu. Lula foi reeleito. Elegeu sua sucessora, que se reelegeu.

Pois bem… Essa expressão infeliz voltou a ser ouvida nesta segunda num evento no Instituto FHC. Aloysio Nunes Ferreira, senador por São Paulo e vice na chapa de Aécio Neves, afirmou apoiar as manifestações de protesto marcadas para o dia 15, disse que são legítimas, mas ponderou: “Não quero que ela saia. Quero sangrar a Dilma. Não quero que o Brasil seja presidido pelo Michel Temer”.

Aloysio exerce com muita dignidade e correção o seu mandato, mas a fala é, de vários modos, infeliz. A um senador cabe defender o cumprimento da lei. Se ele acha que não há motivo legal para Dilma ser impedida, que diga. Juristas respeitáveis acham a mesma coisa, embora eu discorde. Defender o “sangramento” como estratégia quer dizer o quê? Ele acha que o custo da saída é maior do que o da permanência? Ele acha que, desse modo, os tucanos podem chegar com mais facilidade ao poder? Qual é a tese? Esse último cálculo já brinda o país com o quarto mandato consecutivo do PT.

Segundo o jornal Valor Econômico, “o senador também previu um quadro de crise política sem perspectivas de saída dada a falta de capacidade da presidente em liderar esse processo. Segundo ele, Dilma está desvinculada da realidade nacional.” Quanto tempo o senador Aloysio calcula que pode durar, então, essa sangria?

FHC também se disse contrário ao impeachment: “Não adianta nada tirar a presidente”. De fato, “não adianta nada” se os métodos continuarem os mesmos. Mas o que me pergunto é se a tarefa dos tucanos num momento como o que vivemos, é essa. E a resposta é “não”.

Em primeiro lugar, de FHC, Aloysio e de quaisquer outros defensores de um regime democrático, o que eu espero é que defendam o cumprimento da lei. Se ficar caracterizado que a presidente cometeu crime de responsabilidade, “sangrar no cargo” deixa de ser matéria de gosto, de escolha ou de estratégia política. Se a voragem não colher Michel Temer, ele será o presidente da República — e também não há “querer” quanto a isso.

Em segundo lugar, é escancaradamente evidente que os tucanos, de fato, nada têm a ver com os protestos do dia 15. Declarações como essas parecem adotar a tese mentirosa do PT de que o debate sobre o impeachment tem um viés golpista. E, obviamente, não tem. Golpe é fazer de conta que a lei não existe.

Em terceiro lugar, declarações assim parecem fazer pouco caso, embora não creio que tenha sido a intenção, da insatisfação de milhões de brasileiros. Se os tucanos defenderem o cumprimento da Constituição e das leis, estarão fazendo a coisa certa.

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DILMA E O INQUÉRITO – Youssef disse que Dilma sabia de tudo, e Janot não pediu para abrir investigação

Você tem todo o direito, leitor amigo, de achar que Rodrigo Janot, procurador-geral da República, fez bem em não pedir que se abrisse um inquérito para apurar a atuação de Dilma Rousseff. Aliás, tem o direito também de se conformar com um argumento ruim ou falso. Mas eu não lhe cassarei o direito de saber disso.

Vamos ver. A imprensa foi praticamente varrida, tomada, impregnada, pela informação, diligentemente saída da Procuradoria-Geral da República, segundo a qual Janot não poderia ter pedido abertura de inquérito sobre a atuação de Dilma por uma limitação constitucional. Afinal, tonitruou Janot, o Parágrafo 4º do Artigo 86 da Carta é explícito: “O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções.”

Pois é… O relato do depoimento do doleiro Alberto Youssef, do dia 3 de outubro do ano passado, informa: “Eram comuns as disputas de poder entre partidos relacionadas à distribuição de cargos no âmbito da Petrobras e que essas discussões eram finalmente levadas ao Palácio do Planalto para solução; [Youssef] reafirma que o alto escalão do governo tinha conhecimento”.

O doleiro, meus caros leitores,  deu os nomes: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a atual presidente, Dilma Rousseff, e os ex-ministros José Dirceu, Edison Lobão, Ideli Salvatti, Gleisi Hoffmann, Gilberto Carvalho e Antonio Palocci. EU ESTOU ENGANADO, OU GLEISI HOFFMANN SÓ PASSOU A SER PRIMEIRO ESCALÃO NO GOVERNO DILMA, QUANDO FOI PARA A CASA CIVIL?

Vamos a uma questão nível “Massinha I” de Lógica Elementar: digamos — e isto não está evidenciado — que Youssef se referisse apenas à Dilma ministra, não à Dilma presidente: quer dizer que ela sabia de tudo quando estava no Ministério e passou a esquecer tudo quando virou presidente?

Ainda se poderia objetar: “Ah, mas Youssef não apresentou provas contra Dilma…” Certo! E “provas” irrefutáveis contra todos os outros? Existem? Querem um exemplo? Paulo Roberto Costa diz que Antonio Palocci pediu, por intermédio de Youssef, R$ 2 milhões para a campanha de Dilma em 2010. O doleiro nega. E aí?

Na entrevista que concedeu em defesa de Janot, Alexandre Camanho de Assis, presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República — entidade sindical que elege o procurador-geral!!! —, afirmou o seguinte:
“Queremos apenas saber se houve crime, que provas são essas, levar as investigações adiante e, só então, haver o pedido de condenação, respeitado o devido direito de defesa e contraditório. O MP tem o dever de levar tudo ao Judiciário e, caso os indícios não sejam confirmados, até mesmo pedir a absolvição dos envolvidos. Mas está havendo muito açodamento, como se o pedido de investigação fosse a própria sentença.”

Ok. Concordo com doutor Camanho. Só quero saber por que essa regra vale para Palocci, os demais petistas, para o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ou para o também senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), mas não vale para Dilma Rousseff.

A menos, claro!, que alguém me prove que Youssef se referiu a Dilma só até 31 de dezembro de 2010. Eu lido com fatos, com lógica e com leis. Se alguém tiver instrumentos mais precisos, que os empregue. Esses são os meus.
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PS – Estou pouco me lixando se Cunha, Renan e até o petista Humberto Costa também reclamam de Janot. Eu não aplaudirei, por isso, uma decisão do procurador-geral que considero errada. Sabem por quê? Renan, Cunha e Costa não tomam decisões no meu lugar; não fazem escolhas por mim.  Eu não me obrigo a aprovar quem eles reprovam. Segue sem explicação o fato de Janot não ter pedido abertura de inquérito para Dilma Rousseff. A justificativa apresentada, lamento, não para de pé.

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DILMA E O IMPEACHMENT – Anotem: No dia 9 de março de 2015, ela teve de falar “da coisa”. Ou: golpismo é rasgar a lei. Ou: Terceiro turno uma ova!

Anotem aí: nesta segunda-feira, dia 9 de março de 2015, a presidente Dilma Rousseff foi obrigada a falar sobre a possibilidade de impeachment de seu próprio mandato. As palavras lhe saíram, como de hábito, um tanto confusas. Havia até uma coisa ou outra que faziam sentido. Já chego lá. Antes, quero aqui lembrar uma coisa importante. SABEM QUANDO DILMA ADMITIU PELA PRIMEIRA VEZ A POSSIBILIDADE DE HAVER ROUBO NA PETROBRAS? SÓ NO DIA 18 DE OUTUBRO DO ANO PASSADO, A UMA SEMANA DO SEGUNDO TURNO. A Operação Lava-Jato havia sido deflagrada em… março. E ela o fez deste modo: “Eu farei todo o meu possível para ressarcir o país. Se houve desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve, não: houve, viu?” Em cinco meses, Dilma teve de ir da quase negação da roubalheira à possibilidade do impeachment, ainda que para negá-la.

Nesta segunda, logo depois de sancionar a tal lei do “feminicídio”, ela concedeu ali uma rápida entrevista, Indagada sobre o panelaço que se fez ouvir país afora enquanto ela discursava, afirmou:
“O Brasil tem uma característica que eu julgo muito importante e que todos nós temos de valorizar, que é o fato de que aqui as pessoas podem se manifestar, e têm espaço para isso, e têm direito a isso. Eu sou de uma época que, se a gente se manifestasse, fizesse alguma coisa, acabava na cadeia, podia ser torturado ou morto. O fato de o Brasil evoluir, passar pela Constituinte de 1988, passar por processos democráticos e garantir o direito de manifestação é algo absolutamente valorizado por todos nós, que chegamos à democracia e temos de conviver com a diferença. O que nós não podemos aceitar é a violência, qualquer forma de violência não podemos aceitar, mas manifestação pacífica, elas são da regra democrática”.

Ok. À parte as questões de estilo, nada a opor. Os petistas é que saíram demonizando os que se manifestaram, acusando-os de reacionários, conservadores, coxinhas, ricos, direitistas, elite… Bem, vocês conhecem os impropérios.

Indagada sobre a manifestação em favor do impeachment, aí Dilma começou a se enrolar:
“Convocar, quem convocar, convoque do jeito que quiser, ninguém controla quem convoca. A manifestação vai ter as características que tiver seus convocadores. Ela. em si. não representa nem a legalidade nem a legitimidade de pedidos que rompem a democracia.”

Dilma está errada. A manifestação é legal — porque assentada em códigos reconhecidos pela ordem jurídica — e é legítima porque reflete uma aflição real de parcelas crescentes da população. O impedimento de um presidente da República está previsto na Constituição e é regulamentado por lei: a 1.079 — que define crimes de responsabilidade. Portanto, não há “rompimento nenhum da democracia”.

Ao fazer uma digressão sobre o mérito do impeachment, afirmou:
“Eu acho que há de caracterizar razões para o impeachment, e não o terceiro turno das eleições. O que não é possível no Brasil é a gente também não aceitar a regra do jogo democrático. A eleição acabou, houve o primeiro e o segundo turnos”.

Isso é tolice das grossas, obra de maus conselheiros — o que não falta por lá. Já expliquei o caminho aqui algumas vezes — um dos posts está aqui — e resumo: qualquer cidadão, é da lei, pode apresentar à Câmara uma denúncia por crime de responsabilidade contra a presidente. Essa denúncia deverá estar acompanhada de provas. Se recebida, será analisada por uma comissão. A tramitação é longa. Se chegar à última etapa, o plenário da Câmara decide: se a denúncia for aceita por, no mínimo, 342 deputados (dois terços), o chefe do Executivo tem de se afastar: se a acusação for de crime comum, vai para o Supremo; se for de crime de responsabilidade, vai para o Senado.

Parte, não a totalidade, é verdade, das pessoas que vão às ruas no domingo acha que Dilma infringiu a Lei 1.079. Eu, por exemplo, acho! Essas pessoas não estão pedindo que ela seja deposta por um golpe militar, mas pela lei. É mentirosa a acusação de que se trata de tentativa de terceiro turno. Não custa lembrar que Collor foi afastado pela Câmara, foi condenado pelo Senado por crime de responsabilidade, mas foi absolvido no Supremo da acusação de crime comum.

É impressionante que a presidente reúna a cúpula política do seu governo e se saia com essa conversa bisonha de “terceiro turno”. Um processo de impeachment, por definição, não é golpe. Um golpe se faz fora da lei. Um processo de impeachment, como o nome diz, é um instrumento do aparato legal.

Essa gente perdeu definitivamente o eixo. Está assustada com o som das caçarolas e sai falando qualquer coisa. Vocês não precisam acreditar em mim. Submetam este texto ao jurista de sua preferência, não importa o viés ideológico, desde que seja intelectualmente honesto.

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Branco, rico e golpista
Ricardo Noblat

Rico não pode se manifestar. A não ser por escrito. Ou dentro de casa. Ou em pequenas reuniões com amigos. Sem fazer alarde.

Caso resolva aderir a uma manifestação de massa, saiba que a desqualificará. Seu lugar não é na rua protestando.

Se for visto na rua protestando poderá ser acusado pelo PT de ser golpista. Certamente o será.

Não há nenhum dispositivo na Constituição que proíba o rico de pensar e de dizer o que pensa, mas ele que suporte as consequências.

Da mesma forma o branco. Pior ainda se ele for branco e rico.

É fato que a elite branca e rica lucrou uma enormidade com os governos de Lula e de Dilma. E que os mais ricos e brancos da elite pressionaram Lula para que ele voltasse a ser candidato no ano passado.

Não importa. A eles deve apenas ser assegurado o direito de apoiar o PT. De preferência sem condições. E de financiar o PT tirando dinheiro do seu próprio bolso ou desviando recursos públicos.

Quantos negros e pobres você vê no comando das maiores empreiteiras envolvidas com a corrupção na Petrobras?

Só vê ricos e brancos. E todos parceiros do PT. Deram mais dinheiro para o PT ganhar as eleições do ano passado do que para outros partidos.

Bem, se além de rico e de branco o cidadão morar em São Paulo, aí qualquer margem de tolerância com ele deve ser abolida.

Dilma e o PT perderam feio em São Paulo. O candidato de Lula ao governo colheu ali uma votação humilhante.

O que venha de lá, portanto, não deve ser levado em consideração. Antigamente foi a saúva. Agora, o paulista rico e branco é a praga que mais infelicita o Brasil.

Quem sabe o Congresso não aprova alguma lei que desconsidere o voto de São Paulo na hora de se contar os votos para presidente da República?

O radicalismo da proposta talvez possa ser suavizado com a restrição ao voto apenas nos bairros povoados por uma maioria branca, rica e golpista.

Burgueses!

Há quanto tempo eu não enchia a boca para chamar de “burgueses” os adversários das mudanças sociais, que só fazem enriquecer à custa dos miseráveis.

É verdade que a maior parte dos miseráveis ascendeu socialmente e compra o que os brancos e ricos lhe oferecem. E que quanto mais ascenderem e comprarem, mais os brancos e ricos se tornarão mais ricos.

Mas esse é um dilema que a esquerda corporativa, ávida por emprego público e órfã de ideologia, não sabe ainda como resolver.


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Blog do Coronel

Vem aí o "15 do Impeachment". É Fora Dilma!


(Folha) O protesto contra Dilma Rousseff, registrado em diversos centros urbanos enquanto a mandatária fazia um apelo por união nacional em rede TV, é um marco na narrativa da crise que draga o Planalto desde a reeleição. As ruas resolveram rugir, de forma aparentemente espontânea mas pelo visto com uma mãozinha do WhatsApp e outros mecanismos, uma semana antes dos protestos programados para o dia 15.

O governo vinha tratando os atos do próximo domingo com certo desdém; agora tem motivos para se preocupar. Se antes a insatisfação contra Dilma, expressa em pesquisas, não encontrava vazão fora das conversas no supermercado ou nas sempre radicalizadas redes sociais, o que se viu na noite de domingo foi uma impressionante manifestação pública de rejeição.

Comparações históricas são tentadoras, perigosas e geralmente falhas. Guardadas as proporções, o exemplo que ocorre é o do dia 16 de agosto de 1992, quando o então presidente Fernando Collor estava afundado até o pescoço em denúncias de corrupção. Buscando apoio popular, ele sugeriu que "o povo", essa entidade abstrata, vestisse verde e amarelo para honrar a bandeira naquele domingo --e, ato contínuo, apoiasse seu governo. Deu no que deu: multidões foram à rua usando preto em luto por sua gestão, que acabou impedida no Congresso pouco depois.

Não foi bem isso neste domingo. E Dilma não é Collor, ainda que ele ainda esteja aí como seu aliado e investigado na mesma Operação Lava Jato que alimenta, com a debacle econômica, a repulsa ao governo. A presidente ainda não foi acusada diretamente de malfeitos como seu antecessor, mas na era dos julgamentos online de reputações, isso parece contar pouco.

É inequívoco o sinal da noite deste domingo de 2015, estimulado ou não por correntes nos celulares. Se achava que a crise poderia ser circunscrita em negociações palacianas e no Congresso, o governo deverá preparar-se para algo maior e imprevisível.

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A ubiquidade de Cardozo, o STJ e o STF

Que coisa, né? Goste-se ou não dele, considere-se o homem habilidoso ou não — eu, por exemplo, não considero —, José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, parece estar em todas as paradas.

O PT anda de tal sorte desarticulado que ele surge como a única força mais ou menor organizada naquela barafunda. O homem tem um candidato — ou melhor, uma candidata — à vaga de Joaquim Barbosa no Supremo: Regina Helena Costa, ministra do Superior Tribunal de Justiça.

Professora da PUC, como Cardozo, ela é hoje a ministra mais identificada com, como chamarei?, os postulados intelectuais de Cardozo. A Ajufe (Associação de Juízes Federais) promove uma espécie de “eleição” entre seus pares para saber quem seria seu, digamos assim, “supremável”.

Regina Helena deixou claro que era uma “candidata” — o habitual é que os juízes sejam indicados por colegas. A parceira intelectual de Cardozo ficou apenas em quarto lugar nesse colégio, com menos de 100 votos: perdeu para Sérgio Moro, Fausto de Sanctis e um terceiro cujo nome não me lembro.

O problema de um eventual candidato de Cardozo hoje é passar pelo crivo no Senado. Do jeito que a coisa anda por lá… Por enquanto, creio, o mais prudente para Regina Helena é ficar mesmo no STJ, onde é considerada uma “eleitora” influente na confecção de listas de possíveis membros do tribunal, que depois são enviadas a Dilma, para aprovação final do Senado..

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Associação de procuradores critica Renan e sai em defesa da Janot. Ou: A corporação e a República

Vamos lá, leitores! Vamos cuidar de detalhes e nuances, como sempre. Eles fazem a diferença, não? É claro que Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, fez uma ameaça nem tão velada a Rodrigo Janot, procurador-geral da República, conforme apontei aqui no dia 5. Disse o senador: “Nós estamos agora com o procurador em processo de reeleição para sua recondução ao Ministério Público. Quem sabe se nós, mais adiante, não vamos ter também que, a exemplo ao que estamos fazendo com o Executivo, regrar esse sistema que o Ministério Público tornou eletivo”.

Pois é… Não faz sentido o presidente do Senado expressar a sua discordância sobre a forma como se escolhe o procurador-geral quando o MP decide pedir que se abra um inquérito para investigá-lo. Fica parecendo retaliação. E é retaliação! Também deixei claro aqui que, à diferença do que sugere o senador, o órgão não é obrigado a ouvi-lo para um simples pedido de investigação — em caso de denúncia, sim.

Pois bem: A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) reagiu à fala de Renan e manifestou, em nota, “irrestrito apoio ao procurador-geral da República na condução das investigações da Operação Lava Jato”. Nem poderia ser diferente, certo?

Ao Globo, Alexandre Camanho de Assis, presidente da associação, afirmou: “Não tememos absolutamente nada. Os 1,2 mil procuradores da República pelo Brasil têm uma única motivação, que é fazer cumprir a lei. Se temos uma investigação em curso sobre corrupção e lavagem de dinheiro e alguém vem propor uma CPI do MP, só podemos inferir que seja por diversionismo, em uma tentativa de desviar a ótica do país daquilo que realmente está sendo investigado.”  Que eu saiba, ninguém falou em CPI.

Atenção!
Que fique registrado de novo: Renan fez uma ameaça quando é investigado. É inaceitável, e a fala merece o repúdio de qualquer pessoa decente. Que fique registrado de novo: a reclamação do presidente do Senado, que queria ser ouvido previamente, não procede. Está claro? Está claro. Mas vamos nos aprofundar um pouco.

A ANPR se manifesta porque Janot é um dos seu. Mas se manifesta também porque essa entidade, que é de caráter sindical, se outorgou — sim, auto-outorga — o direito de eleger o procurador-geral da República. É ela que elabora a lista tríplice, com base numa eleição promovida entre seus filiados, e entrega à Presidência da República.

O Parágrafo 1º do Artigo 128 da Constituição define a forma de escolha do procurador-geral da República, a saber:
“O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República, nomeado pelo Presidente da República dentre integrantes da carreira, maiores de trinta e cinco anos, após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado Federal, para mandato de dois anos, permitida a recondução.”

Alguém leu a palavra “eleição” ou a expressão “lista tríplice” ali? Não, né? Mais: caro leitor, não se deve confundir MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO COM MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. O primeiro é mais amplo e abrange:
a) o Ministério Público Federal;
b) o Ministério Público do Trabalho;
c) o Ministério Público Militar;
d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.

O procurador-geral — no momento, Janot — é chefe de todos eles. Assim, se é para fazer uma eleição direta para escolher esse chefe, que seja feita, então, entre todos os membros do MINISTÉRIO PÚBLICO DA UNIÃO. Mas não é o que ocorre. Quem vota para elaborar a lista tríplice são só os membros do Ministério Público Federal, reunidos justamente na ANPR, que é uma entidade de caráter sindical, corporativo.

Ah, claro! Como Renan é quem é, falou o que falou, e eu poderia me dispensar de tratar do assunto de maneira tão ampla. Mas aí este blog não seria este blog. Repudio a fala do presidente do Seando e a sua súbita preocupação com a forma como se escolhe o procurador-geral. Se ele se incomoda com isso agora, eu já tratei do assunto no dia 24 de abril de 2013. E eu não tinha, como não tenho, pendenga nenhuma com o Ministério Público. Muito pelo contrário: quando abordei essa questão, eu estava criticando justamente a PEC 37, que queria tirar do órgão o poder de investigar.

Este blog tem as suas escolhas: claras, conhecidas, nunca ambíguas. Mas não abre mão de dizer tudo. Com ou sem Renan, a forma de escolher o procurador-geral da República tem de mudar. Afinal, não se trata de um problema corporativo.

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PT PERDE TAMBÉM A GUERRA VIRTUAL – Pois é, petralhas! Tirando os milhões que protestam, o resto, de fato, é silêncio!!!

Assim que as vaias ecoaram Brasil afora, os petralhas foram para as redes sociais para dizer que… não tinham ouvido nada; que, em sua cidade, reinava o silêncio. Foram adiante: começaram a atacar os que protestavam, associando-os a ricos e privilegiados — “coxinhas!”, vociferavam. Como a gente sabe, aqueles patriotas que roubavam a Petrobras estavam apenas dividindo renda, certo? Aqueles, sim, são socialistas de respeito. Que gente chulé! Mas, ora vejam!, perderam a batalha mais uma vez.

É, meus caros! A Internet já foi um ambiente mais inóspito para não-petistas. Sei bem o que falo. Lembro o quanto apanhava quando era um dos poucos que enfrentavam o que parecia ser uma maioria esmagadora. Sim, eu sei: ainda sou alvo frequente de petralhas e fascistoides. Em dezembro de 2012, o Datafolha publicou uma pesquisa segundo a qual 83% dos brasileiros consideravam o governo Lula “ótimo ou bom”; 13% diziam ser regular, e só 4% — isto mesmo: QUATRO POR CENTO — o avaliavam como “ruim ou péssimo”.

Um desses blogueiros sujos, financiado com capilé estatal, escreveu, acreditem!, que aqueles 4% deveriam ser “leitores do Reinaldo Azevedo”. Achou pouco: sugeriu que a imprensa fosse atrás deles para tentar saber, afinal de contas, quem eram. Sim, o homem considerava um exotismo alguém não gostar do governo. Seu texto sugeria que eram pessoas de algum modo doentes… Para eles, opor-se ao governo é matéria que merece trato psiquiátrico e internação.

Eram tempos bem mais difíceis. É um pouco mais tranquilo não endossar a cartilha do petismo quando há muitos outros milhões que não endossam também. Hoje, é bem provável que eu já faça parte de uma maioria.

Os companheiros já tinham perdido a guerra na rede no dia 20, quando a presidente concedeu aquela entrevista desastrada e desastrosa e acusou FHC pelos descalabros da Petrobras. Sua fala foi ridicularizada em centenas de memes. Os que saíam em defesa de Dilma eram bem poucos.

Neste domingo, depois do panelaço, a militância virtual foi à luta para tentar ridicularizar os que protestavam, para negar o que milhões viam e ouviam, para tentar pespegar-lhes a pecha de radicais de salão. Os mais afoitos, claro!, como de hábito, propunham briga de rua, mais ou menos nos moldes daqueles trogloditas que atacaram a população em frente à sede da Associação Brasileira de Imprensa, no dia 24 de fevereiro. Nesse dia, Lula conclamou João Pedro Stedile a botar seu “exército” na rua.

Pois é… O petismo comete mais um erro, dá mais um tiro no pé, faz mais uma bobagem. Não adianta fazer as vezes dos três macaquinhos: o que não vê, o que não fala e o que não ouve.

No mais, dizer o quê? Exceção feita aos milhões de descontentes, o resto, de fato, é silêncio.

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Dilma discursa, e o país vaia. A mulher “dura” deveria pôr na rua todos os “homens meigos” e incompetentes que não a impediram de fazer mais uma bobagem. Ou: Uma fala sobre o nada

Se eu fosse dar um conselho de amigo à presidente Dilma Rousseff, seria este: “Governanta, chame todos os seus auxiliares que concordaram com a forma, o tom, o conteúdo e os alvos de seu pronunciamento deste domingo, dia 8 de março, e ponha-os na rua. Sem Exceção. De A a T, de Aloizio Mercadante a Thomas Traumann.  Como perguntaria um pastor de Virgílio, “Quae te dementia, cepit, Dilma?” Que tipo de maluquice passou pela cabeça da presidente uma semana antes dos protestos que estão sendo programados país afora?

Nas redes sociais, havia, sim, um chamamento discreto para um panelaço na hora em que a presidente fizesse a sua suposta homenagem às mulheres — é “suposta” porque a petista usou o Dia Internacional da Mulher como mero pretexto. Bastou que a governanta viesse com aquele vocativo espontâneo de sempre — “Meus queridos brasileiros (…) —, e uma vaia estrepitosa uniu a cidade de São Paulo como raramente se viu. Abaixo, há um vídeo que me foi enviado pela leitora Andréia, também ouvinte da Jovem Pan. É do bairro de Perdizes.  Há centenas de outros nas redes. Houve protestos em pelo menos 12 capitais: São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, Belém, Recife, Maceió e Fortaleza.



Quem já estava disposto a vaiar e a bater panela não deve ter prestado muita atenção ao que disse Dilma, não é? A íntegra do discurso está .Só por isso, creio, os protestos não foram ainda mais contundentes. Os petistas com um todo, e Dilma Rousseff em particular, perderam a noção da realidade; perderam a leitura da política; perderam o pulso da população. E fazem, então, bobagens em penca até segundo aquele que deveria ser o seu ponto de vista.

É possível que a “Lista de Janot”, arrematada com o “nada consta contra a presidente”, de Teori Zavascki, tivesse até dado uma refreada nos ânimos. Os dois eventos não foram propriamente mobilizadores. Ora, sendo assim, com a popularidade em queda livre, cumpria a Dilma ser o mais discreta que conseguisse. Que fizesse uma fala curta em homenagem às mulheres, vá lá; que anunciasse o agravamento da pena para o chamado “feminicídio” (debate o mérito outra hora), ok. Que aproveitasse a deixa para lamentar a corrupção na Petrobras, seria aceitável também. Mas o que foi aquilo???

A íntegra de sua fala está disponível neste blog.  Dilma já largou mal sugerindo que os descontentes estão mal informados. A imprensa foi o seu primeiro alvo. Segundo a presidente, “os noticiários são úteis, mas nem sempre são suficientes”. “Muitas vezes — disse a gênia — até nos confundem mais do que nos esclarecem.” Entendi. Não é de hoje que os petistas consideram que a falta de informação é útil a seu projeto de poder. Isso explica a sua disposição para controlar e censurar a imprensa.

Com a compulsão de sempre para a mistificação, disse a governanta: “Pela primeira vez na história, o Brasil, ao enfrentar uma crise econômica internacional, não sofreu uma quebra financeira e cambial.” Bem, trata-se apenas de uma mentira. Instruída sabe-se lá por quais feiticeiros, incorporou o conceito de que governo e sociedade são polos necessariamente opostos. O primeiro teria já pagado o pato da crise; agora, teria chegado a vez do povo. Leiam isto: “Na tentativa correta de defender a população, o governo absorveu, até o ano passado, todos os efeitos negativos da crise. Ou seja: usou o seu orçamento para proteger integralmente o crescimento, o emprego e a renda das pessoas. (…) Absorvemos a carga negativa até onde podíamos e, agora, temos que dividir parte deste esforço com todos os setores da sociedade.”

Nessa fala, “sociedade” e “governo” têm matrizes distintas e interesses específicos, que podem, eventualmente, entrar em contradição e se opor. Ainda que Dilma fosse uma ultraliberal, em vez de uma esquerdista atrapalhada, a fala estaria errada.

A presidente se referiu, sim, às tais medidas amargas que, segundo ela, seriam implementadas pelo tucano Aécio Neves caso vencesse a eleição. Afirmou: “Foi por isso, que começamos cortando os gastos do governo, sem afetar fortemente os investimentos prioritários e os programas sociais. Revisamos certas distorções em alguns benefícios, preservando os direitos sagrados dos trabalhadores. E estamos implantando medidas que reduzem, parcialmente, os subsídios no crédito e também as desonerações nos impostos, dentro de limites suportáveis pelo setor produtivo.” Sei. Há pouco mais de quatro meses, essa mesma senhora fazia uma campanha eleitoral só com amanhãs sorridentes. Sabíamos, ela também, que um estelionato estava em curso.

Dilma, já escrevi isso aqui outro dia e reitero, é hoje a principal propagandista do protesto do dia 15. Mais de uma vez ela já se definiu como uma “mulher dura, cercada de homens meigos”. Bem, está na hora de seus meigos estudarem um pouco de política. Hoje, ela só é uma mulher em apuros, cercada de homens incompetentes.


Governo Dilma se arrisca a acabar mais cedo
Ricardo Nolat

Então fica combinado assim: em outubro último, mês da eleição presidencial em primeiro e segundo turno, havia crise econômica internacional, segundo Dilma Rousseff, mas crise no Brasil nunquinha.

No passado, quando um tsunami econômico varria o mundo, o então presidente Lula dizia que tudo não passava por aqui de uma “marolinha”. Nem “marolinha” havia no país da candidata à reeleição.

Inflação? Esqueça. Estava sob controle. E jamais deixaria de estar. Sem falar em pleno emprego. Lembra como Dilma enchia a boca para falar do paraíso do pleno emprego?

E do Pronatec! O Protanec viera para ficar, prometeu Dilma também de boca cheia. Como ela parecia se orgulhar do Pronatec!

Por falar nele, está suspenso. Trombou com o país da vida real.

E a obra de integração do rio São Francisco, concebida para acabar com a seca que aflige os nordestinos há tantos séculos?

Obra ambiciosa. Gigantesca. A ser entregue no final deste ano.

Pois sim. Está atrasadíssima. Somente em Pernambuco, no final do ano passado, foram demitidas 2.300 pessoas empregadas na obra. Uma tristeza. Outra mentira da propaganda.

Nada como morar no país da propaganda do PT. Na propaganda de qualquer partido.

Nem que a vaca tossisse, Dilma deixaria que mexessem nos direitos dos trabalhadores.

A vaca não tossiu. Não foi necessário. Mexeram nos direitos. Afinal, para manter o poder, Dilma disse que faria o diabo. E fez.

Agora, pede que tenhamos paciência. Porque os problemas são apenas conjunturais. Porque eles passarão em breve, muito em breve. E ao passarem deixarão um legado de soluções perenes.

Minha nossa senhora. É mentira em cima de mentira.

Minha Casa, Minha Vida era um programa estupendo. Complementado pelo programa Minha Casa Melhor, que financiava a compra do que fosse indispensável para se viver feliz dentro de casa.

Minha Casa Melhor foi interrompido. O governo culpa por isso quem se endividou além do que poderia pagar.

O calendário gregoriano não serve para balizar certas coisas. Por exemplo: este século de fato começou com os atentados do 11 de setembro de 2011 nos Estados Unidos. Antes deles nada de relevante aconteceu.

O segundo governo de Dilma deveria acabar no próximo dia 31 de dezembro de 2018. Pois bem: arrisca-se a acabar mais cedo.

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Dilma amplia vocabulário: ‘sacrifício e paciência’

O governo Dilma Rousseff continua o mesmo. Mas o vocabulário da presidente… Quanta diferença! A pretexto de celebrar o Dia Internacional da Mulher, Dilma levou ao ar seu primeiro pronunciamento em rede nacional desde a posse. Decorridos 67 dias do segundo mandato, ela finalmente restituiu ao vocabulário palavras que havia proibido seus lábios de pronunciar —“sacrifícios, problemas, aumentos, paciência…”

Dilma ainda não descobriu o significado do vocábulo autocrítica. “Nem de longe a crise é nas dimensões que dizem alguns'', declarou. Mas ela já admite, à sua maneira, que aquele Brasil róseo que vendeu na campanha presidencial era mesmo um país de fábula. A conversão da presidente à realidade foi, porém, parcial. Ela embrulha as palavras para presente. Os problemas são “conjunturais”, os aumentos são “temporários”, os sacrifícios são “suportáveis''…

Claro que madame ainda considera a gestão dela extraordinária. “Nossos fundamentos continuam sólidos”, disse. Evidentemente, a culpa pelos problemas, não é do governo. “A questão central é a seguinte: estamos na segunda etapa do combate à mais grave crise internacional desde a grande depressão de 1929”, declarou.

Na campanha, Dilma acusava o antagonista Aécio Neves de tramar “medidas impopulares”. Decorridos quatro meses desde a abertura das urnas, Dilma assiste ao derretimento da própria popularidade. “As circunstâncias mudaram”, afirma, para justificar o uso de “armas diferentes e mais duras”. De novo, a culpa não é da presidente nem do governo dela. Não, não. Absolutamente.

Não bastasse a crise mundial, o Brasil enfrenta uma conspiração de São Pedro. “Há ainda a coincidência de estarmos enfrentando a maior seca da nossa história, no Sudeste e no Nordeste”, queixou-se Dilma. “Entre muitos efeitos graves, esta seca tem trazido aumentos temporários no custo da energia e de alguns alimentos.”

“Você tem todo direito de se irritar e de se preocupar”, Dilma autorizou. Nem precisava. Pesquisa Datafolha divulgada no início de fevereiro revelou o tamanho da irritação. Por exemplo: de cada dez brasileiros, seis avaliam que Dilma mentiu durante a campanha. Dos 60% que a consideram mentirosa, 46% acham que ela disse mais mentiras do que verdades. Para 14% ela só pronunciou mentiras.

Mas a presidente pediu à plateia que tenha “paciência e compreensão porque esta situação é passageira.” Segundo ela, “o Brasil tem todas as condições de vencer estes problemas temporários.”

Antes autossuficiente, a ex-supergerente roga que você a ajude. “Peço a vocês que nos unamos e que confiem na condução deste processo pelo governo, pelo Congresso, e por todas as forças vivas do nosso país – e uma delas é você!” Ela promete proteção: “Queremos e sabemos como fazer isso, distribuindo os esforços de maneira justa e suportável para todos. Como sempre, protegendo de forma especial as classes trabalhadoras, as classes médias e os setores mais vulneráveis.”

Dilma culpa as manchetes pelo envelhecimento precoce de sua administração. “Os noticiários são úteis, mas nem sempre são suficientes. Muitas vezes até nos confundem mais do que nos esclarecem.” A presidente considera-se digna de elogios pela valentia: “…decidimos, corajosamente, mudar de método e buscar soluções mais adequadas ao atual momento. Mesmo que isso signifique alguns sacrifícios temporários para todos e críticas injustas e desmesuradas ao governo.”

Virou pó o mito da gestora infalível, que Lula criara na sucessão de 2010. Mas, que diabos, “não havia como prever que a crise internacional duraria tanto”, justificou-se Dilma, como que reconhecendo que também está sujeita à condição humana. Ninguém poderia supor também que a crise financeira “seria acompanhada de uma grave crise climática.”

Sem obras a exibir, Dilma agora faz propaganda de um empreendimento impalpável: a “construção de um novo Brasil”. Segundo disse,”esta construção não é só física, mas também espiritual, de fortalecimento moral e ético.” Curiosamente, tratou da encrenca revelada pela Operação Lava Jato de forma tão profunda que uma formiga pode atravessar esse trecho do seu discurso com água pela canela.

“Com coragem e até sofrimento, o Brasil tem aprendido a praticar a justiça social em favor dos mais pobres, como também aplicar duramente a mão da justiça contra os corruptos”, disse Dilma, abstendo-se de comentar que 99,99% dos corruptos pertencem à sua coligação. “É isso, por exemplo, que vem acontecendo na apuração ampla, livre e rigorosa nos episódios lamentáveis contra a Petrobras”, acrescentou, como se não tivesse passado pelo Ministério de Minas e Energia e até pela presidência do Conselho de Administração da estatal.

Nessa matéria, informou o Datafolha em fevereiro, a plateia não dá refresco. A maioria dos brasileiros acha que Dilma sabia da corrupção na Petrobras (77%). E permitiu que a roubalheira corresse solta (52%).

Afora o rosto murchado pela dieta, o cabelo aloirado quimicamente e o vocabulário mais rico, Dilma tinha pouco a oferecer à audiência. “Estamos fazendo tudo com equilíbrio, de forma que tenhamos o máximo possível de correção com o mínimo possível de sacrifício”, disse, antes de prever: “Este processo vai durar o tempo que for necessário para reequilibrar a nossa economia.” A julgar pelos protestos exibidos na internet, madame não agradou.


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Blog do Josias

Cardozo deseja que Dilma seja vista como tola

De tanto repetirem que Dilma Rousseff, a exemplo de Lula, não sabia de nada, a plateia começa a se questionar:

1. A Petrobras não era o habitat natural de Dilma?

2. A fama de gerentona não nasceu no Ministério de Minas e Energia?

3. Guindada à Casa Civil, a mãe do PAC não fez questão de permanecer na presidência do Conselho de Administração da Petrobras?

4. Eleita presidente da República, a soberana não entregou o comando da Petrobras para Graça Foster, pessoa da sua irrestrita confiança?

5. Se cada uma das perguntas anteriores é respondida com um retumbante “sim”, o que diabos madame fazia que não viu o conluio das maiores empreiteiras do país com os propino-diretores indicados por partidos que abrigam 47 suspeitos de chafurdar na jazida de lama da Roubobras?

Neste sábado (7), Dilma abespinhou-se com o tratamento que recebeu do noticiário. E mandou o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) reafirmar que ela não sabe de nada sobre coisa nenhuma.

Dilma foi citada em depoimentos de dois delatores da Lava Jato: o ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleito Alberto Youssef. Mas o ministro Teori Zavascki, do STF, avalizou o entendimento do procurador-geral Rodrigo Janot segundo o qual, no caso dela, não é possível abrir uma investigação.

Por quê? As menções feitas a Dilma referem-se a fatos da campanha eleitoral de 2010, antes de ser empossada no primeiro mandato, em 2011. E a Constituicão, no parágrafo 4º do artigo 86, anota que um presidente da República, no curso do mandato, não pode ser processado por atos não relacionados ao exercício das suas funções.

O procurador-geral realçou que, conforme entendimento já consolidado no STF, essa proibição para a abertura de investigação é uma imunidade temporária. Remanesce enquanto durar o mandato.

Pois bem. O que disse o delator Paulo Roberto? Contou que, em 2010, o doleiro Youssef lhe trouxe um pedido do grão-petista Antonio Palocci, então coordenador da campanha presidencial de Dilma. Queria que fossem cedidos do caixa de propinas do PP, o Partido Progressista, R$ 2 milhões para a camanha de Dilma. Youssef foi autorizado a realizar o repasse. Ouvido, o doleiro negou que tivesse feito o repasse.

Impedido pela Constituição de pedir a abertura de processo contra Dilma no Supremo, o procurador-geral Janot requereu ao ministro Teori que devolvesse à primeira instância do Judiciário esse pedaço do processo, para que seja apurada a conduta de Palocci. Foi atendido. Assim, caberá ao juiz Sérgio Moro, que cuida da Lava Jato em Curitiba, perscrutar o suposto elo entre a petrorroubalheira e a caixa registradora do comitê de Dilma-2010.

Foi nesse contexto que o ministro da Justiça travestiu-se de advogado de Dilma e veio à boca do palco para declarar, em timbre semi-exaltado, que a decisão do STF deixara claro que não havia nada de errado a apurar na conduta da presidente. Nas suas palavras, ela “não teve pedida, nem decidida qualquer autorização para investigação porque não há fatos, não há indícios que pudessem envolvê-la em absolutamente nada nesse episódio.”

Escorando-se num trecho do despacho de Teori Zavascki, Cardozo acrescentou: “Exatamente por isto, se afirma que nada em relação a ela tem que ser arquivado. Ao contrário de outros arquivamentos em que se fala ‘arquive-se’. Há fatos. Mas arquive-se. Aqui não. Não há fatos. Não há nada a ser arquivado e aí se reforça. Mesmo que houvesse fatos, a Constituição não autorizaria a investigação.”

O ministro prosseguiu: “Portanto, dizer que a presidente Dilma não foi investigada, ou não houve proposta de abertura de inquérito para que ela fosse investigada, porque seria um dispositivo constitucional que impediria, não é verdadeiro. É incorreto, diante da leitura óbvia dos termos dessa decisão. Ela não foi investigada porque não havia fatos. Não foi investigada porque não havia indícios. E se houvessem, aí sim incidiria o dispositivo constitucional.”

Num instante em que a crise econômica converte em vapor a mística da gerente infalível, Cardozo pede, com outras palavras, que, em relação à Petrobras, a plateia continue enxergado Dilma como uma reles tola. Ou cínica. Se houve repasse de verba suja para as arcas da campanha de 2010, Dilma não sabia.

Dilma foi citada também em depoimento do doleiro Youssef. A certa altura, ele afirmou que a presidência da Petrobras e o Palácio do Planalto sabiam do propinoduto que drenava verbas da estatal. Seus inquiridores perguntaram a quem se referia quando citava o Planalto. E o doleiro: Presidência da República, Casa Civil e Minas e Energia. Youssef foi aos nomes: Lula, Gilberto Carvalho, Ideli Salvatti, Gleisi Hoffman, Dilma Rousseff, Antonio Palocci, José Dirceu e Edison Lobão.

O procurador Rodrigo Janot avaliou que não há na declaração do delator Youssef indícios mínimos de que as autoridades citadas soubessem dos fatos. Na falta de evidências mais explícitas, achou que não seria o caso nem de procurar. Decerto esperava que os personagens mencionados tivessem passado procuração em cartório delegando à dupla Paulo Roberto e Youssef poderes para assaltar a Petrobras pelo bem da democracia.

Tudo resolvido, ficou entendido que, no Brasil, quem tem um olho vira diretor da Petrobras. Quem tem dois, compra os diretores da Petrobras. E o pior cego é o que não vê nada e acha só pode ser julgado pelo espelho, um magistrado que perdoa todo mundo. Inclusive os tolos. E os cínicos.

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Mini-Dilma!




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Blog do Reinaldo Azevedo

O 15 de Março: as cidades, o local e a hora dos protestos. Lembrem-se: os adversários do ato pacífico são inimigos seus e do país. Ou ainda: Legalistas em defesa da Constituição e da democracia

Vem pra rua

Membros do Vem Pra Rua, uma das comunidades que convocam o protesto do dia 15, me procuraram para alertar que os petralhas estão tentando atrapalhar a manifestação: entram nas redes sociais, fazem-se passar por apoiadores do movimento de repúdio ao governo e à bandalheira, mas, como são sabotadores, mudam os horários definidos e omitem as cidades que aderiram aos protestos.

E, ora vejam, por razões óbvias, uma das cidades que eles tentam apagar do mapa das manifestações é justamente… Brasília! A propósito: na cidade, a concentração está marcada para as 9h30, no Museu da República. De lá, os brasilienses devem seguir para o Congresso Nacional.

Você vai se quiser e se concordar, é claro! Mas tem o direito de ter acesso à informação correta.

E já sabem, não? Seja nas redes sociais, seja nas ruas, repudiem aqueles que esboçam a intenção de recorrer à violência. Não caiam nessa! É coisa de fascistoides e de agentes provocadores. Repudiem grosserias, baixo calão, gente que aposta no “quanto pior, melhor”. Os que estão dispostos a reivindicar um país mais decente apostam no “quanto melhor, melhor”.

“Impeachment” não é brincadeira; não é como tomar um picolé na esquina; não se resolve com o clique do mouse ou o gatilho rápido no teclado. Por isso mesmo, os que estão empenhados em organizar as manifestações devem deixar claro que os adversários de um ato pacífico são inimigos não dessa causa, mas da democracia.

Jornalismo também é serviço. Abaixo, vocês encontram as cidades em que deve haver manifestação, lugar do encontro e a hora. Se a sua cidade não está na lista e você quer entrar em contato com o “Vem Pra Rua”, e-mail é este: vempraruabrasilorg@gmail.com. Eu sei que esse não é o único movimento que convoca o ato. Se publico a sua lista, é porque o pessoal me procurou.

E não se esqueçam: golpistas são os que tentam tomar o Estado de assalto. Quem pede o cumprimento da Constituição e das leis é um… legalista!

LISTA DAS CIDADES EM QUE AS MANIFESTAÇÕES ESTÃO CONFIRMADAS
Aracaju/SE – 9h30 – Arcos da Orla
Araraquara/SP – 15h00 – Parque Infantil até a Prefeitura
Belo Horizonte/MG – 9h30 – Praça da Liberdade
Botucatu/SP – 15h00 – Largo da Catedral Metropolitana de Botucatu
Brasília/DF – 9h30 – Museu da República (rumo ao Congresso Nacional)
Curitiba/PR – 14h00 – Praça Santos Andrade
Curvelo/MG – 10h00 – Praça Central do Brasil
Florianópolia/SC – 16h00 – TICEN (Av. Paulo Fontes, 701)
Fortaleza/CE – 10h00 – Praça Portugal
Goiânia/GO – 14h00 – Praça Tamandaré
João Pessoa/PB – 15h00 – Busto de Tamandaré
Juiz de Fora/MG – 10h00 – Parque Halfeld
Jundiai/SP – 9h30 – Av. 9 de Julho
Porto Alegre/RS – 14h00 – Parcão
Presidente Prudente/SP – 9h00 – Praça 9 de Julho (em frente ao Chick Center)
Recife/PE – 9h00 – Av. Boa Viagem (em frente a Padaria Boa Viagem)
Rio de Janeiro/RJ – 9h30 – Copacabana, posto 5
Salvador/BA – 16h00 – Farol da Barra
São Carlos/SP – 10h00 – Praça do Mercado (Av. Com. Alfredo Maffei, 2.542)
São Paulo/SP – 14h00 – MASP (Av. Paulista, 1.578)
Sete Lagoas/MG – 10h00 – Lagoa Paulino
Teresina/PI – 16h00 – Av. Marechal Castelo Branco (em frente a Alepi)
Uberaba/MG – 16h00 – Calçadão de Uberaba
Uberlândia/MG – 9h30 – Praça Tubal Vilela

LISTA DAS CIDADES QUE AGUARDAM CONFIRMAÇÃO
Joinville/SC – a confirmar
São Luiz/MA – 15h00 – Av. Litorânea

LISTA DAS CIDADES QUE NOS ENVIARAM E-MAIL AO MOVIMENTO, MAS QUE NÃO CONTAM COM REPRESENTANTES DO “VEM PRA RUA”
Anápolis/GO – 14h – Praça Dom Emanuel
Arapiraca/AL -  – Praça da Prefeitura Ate O Parque Ceci Cunha
Ariquemes/RO – 15h – Praça da Vitória (Av. Jamari)
Artur Nogueira/SP – 16h – Praça do Coreto – Av. Fernando Arena, esquina com a Rua Duque de Caxias.
Barreirinhas/MA – 15h – Praça do Trabalhador
Belém/PA – 9H – Praça da República
Bento Gonçalves/RS – 16h – Na frente da Prefeitura
Birigui/SP – 9H – Praça Central da cidade: Doutor Gama
Bragança Paulista/SP – 16h – Praça Raul Leme
Cachoeira do Sul/RS – 16h – Praça da Matriz
Caldas Novas/GO – 14h – Praça Central
Capinópolis/MG – 9h30 – UTC-03
Capivari/SP – 16h – Praça Central
Cascavel/PR – 15h – Em frente à Igreja Matriz
Cianorte/PR – 15h – Prefeitura de Cianorte
Cidade de Goiás/GO – 14h – Praça dos Eventos
Criciuma/SC – 9h – Parque das Nações
Cáceres/MT – 15h – Serraria Cáceres até a Praça Barão do Rio Branco
Dois Vizinhos/PR – 14h – Praça da Igreja Santo Antonio
Dourados/MS – 14h – Praça Antônio João
Fernandópolis/SP – 9h – Praça da Matriz
Fortaleza/CE – 10h – Praça Portugal
Goiânia/GO – 14h – Praça dos Bandeirantes
Governador Valadares/MG – 16h – Praça dos Pioneiros
Guarapuava/PR – 14h – Praça Cleve
Itatiba/SP – 14h – Praça das Bandeiras
Jataí/GO – 14h – Câmara dos Vereadores
Jundiaí/SP – 9h30 – Av. 9 de Julho
Lages/SC – 10h – Estatua Correia Pinto
Limeira/SP – 9h30 – Praça Toledo Barros (Rua Doutor Trajano Barros de Camargo, 13480 )
Linhares/ES – 16h – Atrás da TV Norte
Londrina/PR – 13h – Zerão
Londrina/PR – 15H – Em frente ao colégio Vicente Rijo (Av. Jk com Av. Higienopolis)
Macaé/RJ – 16h – Paróquia Nossa Senhora da Glória, Cavaleiros
Manaus/AM – 14h – POSTO 300 (Av. Djama Batista)
Manaus/AM – 9h30 – Av. Eduardo Ribeiro, em Frente à Feirinha
Monitividiu/GO – 14h – Praça das Mães
Montes claros/MG -  – Em frente ao Shoping Center
Natal/RN – 15h – Avenida Roberto Freire
Paraisopolis/MG – 14h – Praça do Centro
Pelotas/RS -  – Largo do Mercado Público
Perdoes/MG -  – Praça do Berimbau
Petrópolis/RJ – 16h – Praça D.Pedro II , Centro
Piracanjuba/GO – 14h – Praça do Relógio
Porto Velho/RO -  – Praça das 3 Caixas D’Água, Centro
Presidente Prudente/SP – 9h – Parque do Povo (em frente ao Colegio Poliedro)
Ribeirão Preto/SP – 9h30 – Teatro Pedro II (Rua Álvares Cabral, 370)
Rio Branco/AC – 14h – Palácio do Governo
Rio Verde/GO – 14h – Praça Matriz
Rondonópolis/MT – 16h – Em frente ao Rondon Plaza Shopping
Santo Antônio de Jesus/BA – 9h30 – Praça Dr. Renato Machado, Centro
Sertãozinho/SP – 9h – Praça 21 de Abril
São José dos Campos/SP – 14h – Praça Afonso Pena
São José dos Campos/SP – 15h – Praça Afonso Pena
São João Del Rei/MG – 16h30 – Praça da Estação Ferroviária – Centro
Torres/RS – 9h30 – Praça XV de Novembro, Centro
Ubá/MG – 14h – Praça São Januário
Uruguaiana/RS – 14h – Praça do Barão do Rio Branco
Vitória/ES – 15h – Em frente a UFES
Vitória/ES – 16h – Praça do Papa
Vitória/ES – 16h as 20h – Sede da Petrobras
Volta Redonda/RJ – 9h – Praça Brasil

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Uma lista, uma análise e uma pergunta: Cadê o Poder Executivo?

Ah, que delícia! O segredo de aborrecer é mesmo dizer tudo, né? Quando se diz antes, então, tanto melhor. Ontem — sim, nesta quinta! —, escrevi aqui um post em que expressava, com certa ironia (para bons leitores), a minha curiosidade sobre quantas pessoas da “Lista de Janot” seria ligados ao Poder Executivo, este que é chefiado por Dilma Rousseff. Leiam trecho.

o que eu disse sobre lista

Voltem à lista no post anterior. Só há dois nomes ali que tiveram função relevante no Executivo: Edison Lobão e Gleisi Hoffmann. E apenas ele foi ministro do governo Lula, que é quando o circo de horrores prosperou na Petrobras pra valer.

Assim, vejam que coisa fantástica. Por enquanto ao menos — vamos ver o que mais virá, se vier —, o escândalo do petrolão teria sido, então, uma maquinação de empreiteiros e de funcionários corruptos da empresa para beneficiar parlamentares, na sua maioria, do PP, que, como sabemos, é o partido que comanda os destinos da República, né???

Do Poder Executivo, ora vejam, ninguém participou, com a possível exceção de duas pessoas em 54. E, ainda assim — não li os depoimentos que citam a dupla —, as citações podem dizer respeito ao período em que estavam no Parlamento.

Se alguma esperança me resta, deriva do fato de que a coisa ainda não acabou. Como depoimentos ainda estão sendo tomados, pode até ser que esse troço acabe entrando nos eixos. Por enquanto, merece o Oscar, como disse, de “Roteiro Adaptado” — adaptado, no caso, do desfecho do mensalão. “Ah, mas é que essa lista decorre basicamente dos depoimentos de Paulo Roberto Costa, que era homem do PP, e de Alberto Youssef”. Sim, eu sei. Continua estranho.

De novo: quem sabe venha mais novidade por aí. Como a coisa está, sem a participação do Poder Executivo, resta-me dizer como Padre Quevedo: “Non ecziste”.

Ah, sim: o que escrevo não impede que todos da lista sejam culpados — que se apure! — e mereçam punição. Mas digam sinceramente: vocês acham essa lista compatível com o tamanho do escândalo, que, obviamente, não se restringe à Petrobras?

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Renan, Cunha e Roseana estão na “Lista de Janot”; você ficará com a impressão, leitor, de que o PP é o partido que manda na República. Você acredita nisso? O PT fica só em 3º lugar…

Está confirmado. Os respectivos presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros (PMDB-AL) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), estão mesmo na lista, integrada também por Roseana Sarney, ex-governadora do Maranhão, e Edison Lobão (PMDB), ex-ministro das Minas e Energia. Lendo a lista, leitor, você ficará com a impressão que o partido que realmente comanda a República é o PP. O único membro de um partido de oposição é o senador Antonio Anastasia (PSDB-MG). Você acha que é? Leia a lista dos políticos que serão alvos de inquérito, reunidos por partido.

PP
– Senador Ciro Nogueira (PI)
– Senador Benedito de Lira (AL)
– Senador Gladson Cameli (AC)
– Deputado Aguinaldo Ribeiro (PB)
– Deputado Simão Sessim (RJ)
– Deputado Nelson Meurer (PR)
– Deputado Eduardo da Fonte (PE)
– Deputado Luiz Fernando Faria (MG)
– Deputado Arthur Lira (AL)
– Deputado Dilceu Sperafico (PR)
– Deputado Jeronimo Goergen (RS)
– Deputado Sandes Júnior (GO)
– Deputado Afonso Hamm (RS)
– Deputado Missionário José Olímpio (SP)
– Deputado Lázaro Botelho (TO)
– Deputado Luis Carlos Heinze (RS)
– Deputado Renato Molling (RS)
– Deputado Renato Balestra (GO)
– Deputado Lázaro Britto (BA)
– Deputado Waldir Maranhão (MA)
– Deputado José Otávio Germano (RS)
– Ex-deputado e ex-ministro Mário Negromonte (BA)
– Ex-deputado João Pizzolatti (SC)
– Ex-deputado Pedro Corrêa (PE)
– Ex-deputado Roberto Teixeira (PE)
– Ex-deputada Aline Corrêa (SP)
– Ex-deputado Carlos Magno (RO)
– Ex-deputado e ex-vice governador João Leão (BA)
– Ex-deputado Luiz Argôlo (BA) (filiado ao Solidariedade desde 2013)
– Ex-deputado José Linhares (CE)
– Ex-deputado Pedro Henry (MT)
– Ex-deputado Vilson Covatti (RS)

PMDB
– Senador Renan Calheiros (AL), presidente do Senado
– Senador Romero Jucá (RR)
– Senador Edison Lobão (MA)
– Senador Valdir Raupp (RO)
– Deputado Eduardo Cunha (RJ), presidente da Câmara
– Deputado Aníbal Gomes (CE)
– Ex-governadora Roseana Sarney (MA)

PT
– Senadora Gleisi Hoffmann (PR)
– Senador Humberto Costa (PE)
– Senador Lindbergh Farias (RJ)
– Deputado José Mentor (SP)
– Deputado Vander Loubet (MS)
– Ex-deputado Cândido Vaccarezza (SP)

PSDB
– Senador Antônio Anastasia (MG)

PTB
– Senador Fernando Collor (AL)

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Gestão Dilma é uma velha com 66 dias de vida

A isso chegamos: o país novamente à beira do precipício, uma conjunção de crise econômica com escândalo de corrupção, o Legislativo apodrecido, o Executivo carcomido e o Judiciário intimado a providenciar a necropsia. Há no noticiário cadáveres demais esperando para acontecer. Já produzem um fedor lancinante. Como em toda grande tragédia, a contagem das vítimas do petrolão será lenta. A lista, que já é imensa, vai crescer. Há novas apurações e delações em curso.

O excesso de mortos-vivos leva muita gente a passar batida pelo moribundo mais ilustre em cena: o governo Dilma Rousseff. A segunda gestão de madame é, hoje, uma velha com 66 dias de existência. Embora só tenha dois meses de idade, sua cara estampa 12 anos de biografia.

Na plenitude de sua velhice precoce, a administração de Dilma 2 não tem mais ambições, só memórias. Sem agenda, sua prioridade é consertar os erros de Dilma 1, uma ex-presidente que fez o pior o melhor que pôde. Na economia, a Dilma atual é refém de Joaquim Levy. Se o ministro da Fazenda pedir para sair, a velha de 66 dias morrerá. E, suprema desgraça, não irá para o céu.

Na política, a jovem anciã comanda uma coligação de aliados 100% feita de adversários. Na iminência de dar com os burros n’água, Dilma precisa se abraçar aos burros secos. Mas olha ao redor e não os encontra. No mês passado, ajudou a reeleger Renan Calheiros à presidência do Senado. Imaginou que vitaminava um velho faz-tudo do governo. Em verdade, alimentava o novo líder da oposição. O tucanato de Aécio Neves nunca foi tão desnecessário.

Noutros tempos, a falta de traquejo de madame era compensada pela presença de espírito de Lula. Hoje, o padrinho político de Dilma prefere exercitar a ausência de corpo. Continua falando mal. Mas só pelas costas. De raro em raro, faz um discuso para atacar a mídia golpista e a oposição pró-impeachment. Mas isso também tornou-se desnecessário.

Dilma ainda não notou, mas seu governo carrega as infecções oportunistas do poder longevo. Seu segundo mandato, como a vida, é uma doença incurável. Madame não será arrancada do Planalto. Ela terá alta.

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Petrolão deu à democracia cara de cleptocracia!


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Barata voa!



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Dilma encabeça a lista de Janot
Ricardo Noblat

O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, deixou a presidente Dilma Rousseff de fora da lista de políticos supostamente envolvidos com a roubalheira da Petrobras.

Melhor para ela – e talvez para o país. A conferir mais tarde. Mas embora fora da lista, é a presidente Dilma que a encabeça. Porque ninguém enfrentará pior situação do que ela. Ninguém.

Os porta-vozes de Dilma dizem que com a divulgação da lista de Janot, a crise atravessará a rua. Sairá do Palácio do Planalto para o prédio do Congresso, entrando pela porta dos fundos.

Era o que mais desejava a presidente antes que a crise política detonada pelo PMDB no Congresso se juntasse à crise econômica. O Congresso devolverá a crise para o Palácio do Planalto. Isso é certo.

Não tem outro jeito. De resto, pior do que a avaliação dos políticos, somente a avaliação que os brasileiros fazem de Dilma. Lembra-se da mais recente pesquisa de opinião do Datafolha?

Em dezembro último, 42% dos brasileiros adultos consideravam o governo Dilma ótimo ou bom. Em fevereiro, apenas 23%. Em dezembro, ela era sincera, segundo 73% dos entrevistados.

O índice caiu para 35% em fevereiro, enquanto subiu de 13% para 54% o índice dos que a consideram falsa. Dilma é desonesta para 47% dos brasileiros.

Apenas 14% acham que Dilma não sabia da corrupção na Petrobras. A maior parte (52%) acredita que ela sabia da corrupção na Petrobras e deixou que ocorresse.

Em resumo: a presidente falsa, desonesta, que sabia da corrupção na Petrobras e nada fez, e que toca um governo ruim, será a principal vítima do que atravessaremos daqui para frente.

Com uma crise econômica pelo meio. E cercada de maus gestores políticos – sem falar dela mesma, que não gosta do que deveria fazer, e não disfarça a arrogância.

Quem gosta de uma pessoa assim?

Governo algum gosta de marolas. Sonha sempre com um mar de almirante. No fim do seu segundo mandato, Lula batizou de “marolinha” o tsunami econômico que sacudiu o mundo.

Dilma não poderá fazer o mesmo. Até porque “marolinha” ou tsunami, isso é coisa nossa. Somente nossa. Como era o Guaraná Fratelli Vita, por exemplo. Como é a ararinha azul.

Para preservar a sua e escapar ao mensalão, Lula entregou a cabeça de José Dirceu, ex-coordenador de sua campanha presidencial vitoriosa de 2002, e ex-chefe da Casa Civil.

Dilma não tem cabeça valiosa para entregar.

A de Lula? A corrupção sistêmica na Petrobras começou no segundo governo Lula. Mas se ele perdesse a cabeça, Dilma perderia a dela. E o PT acabaria. Simples assim.

A presidente incapaz de se reinventar está sozinha. Perigosamente só.


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Blog do Reinaldo Azevedo

A Operação Tabajara do “põe Aécio, tira Aécio”, a reação do presidente do PSDB e a entrevista de Cardozo. Ou: As paredes do Palácio do Planalto têm bocas e ouvidos

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, concedeu nesta quinta uma entrevista em que se mostrou indignado. Ele respondia à acusação do senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, segundo quem o governo havia se mobilizado para incluir da “Lista de Janot” nomes de figurões da oposição. De acordo com apuração da VEJA, o ministro disse a Sérgio Renault, advogado da UTC, que a oposição também seria engolfada pelo escândalo. Mas volto.

Cardozo estava, escrevi, indignado. Ele é bom nisso, admito. Ao ouvi-lo falar, somos um tantinho — só um pouquinho — tentados a esquecer o que sabemos. Mas aí as coisas começam  a se enfileirar na memória: a carga contra a Polícia de São Paulo quando houve um recrudescimento da violência no Estado; a sua atuação espantosa nos protestos de junho de 2013; seu protagonismo não menos estupefaciente no caso do cartel de trens e do CADE; a atuação desabrida durante a campanha eleitoral de 2014 e, por esses dias, a sua saliência na reta final do petrolão… A vontade de acreditar só um pouquinho em Cardozo passa logo.

Não com estas palavras, mas com este sentido, o ministro negou que tenha tido alguma influência na lista elaborada por Rodrigo Janot — aquela que só tem pedidos de abertura de inquérito e nenhuma denúncia. Os dois vinham se falando com frequência, conforme revelei neste blog no dia 22. Aí ficamos sabendo que mantiveram um encontro fora da agenda. Teria servido para o ministro da Justiça alertar o procurador-geral para a elevação dos ricos à sua segurança. A PF não fez tal alerta. Quem terá sido?

Bem, Cardozo nega interferência na lista. Janot não se pronunciou especificamente sobre o assunto, mas, em nota, sugere que coisas assim não passam de uma espécie de conspiração contra o Ministério Público. Se só os dois participaram das conversas e se ambos negam que a lista tenha sido o tema do bate-papo, a gente não tem como provar o contrário, não é mesmo?

Mas a gente pode informar o que apura. Lá vai uma: parlamentares da situação que transitaram pelo Palácio do Planalto e cercanias políticas receberam a garantia de que a oposição iria mesmo se entubar. E, no caso, “oposição” tinha nome e sobrenome: Aécio Neves. A inclusão do presidente do PSDB na tal lista passou a ser considerada “essencial” pelos poderosos de turno. Aécio reagiu com dureza e indignação porque sabia disso, daí ter acusado a interferência do Planalto, o que levou Cardozo a conceder a entrevista desta quinta.

E não! Não é o senador mineiro a minha fonte. Não falo com ele desde a entrevista que concedeu à Jovem Pan quando ainda candidato. Quem é? Não digo! Leiam o que andei afirmando até agora e cotejem com os fatos. Se o saldo for bom… Aécio sabe que seu nome estava na tal lista até terça-feira à tarde. Só então passou para o grupo dos que não têm de ser investigados. Por que a mudança?

Eis uma parte da história que ainda tem de ser apurada no detalhe. Mas há ao menos uma razão óbvia: o que havia “contra” o senador era de tal sorte inconsistente que a inclusão acabaria desmoralizando o conjunto. A reputação do próprio Ministério Público ameaçava ser engolida pelo escândalo que este investigava. E, sim!, houve falas muito duras entre os que… falaram duro nesse caso. O nome de Aécio mudou de grupo, mas a indignação do seandor permaneceu.

Ele emitiu uma nota com uma tréplica a Cardozo. Lá se pode ler: “(…) a imprensa tem noticiado as controversas e questionáveis movimentações do ministro da Justiça nos últimos meses. Elas mostram que o senhor Cardozo tem se comportado cada vez mais como militante partidário e como advogado de defesa do PT do que como ministro da Justiça”.

Vou um pouco mais longe. Cardozo se comporta como chefe de facção.

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Zavascki pode afastar hoje sigilo dos 28 pedidos de inquérito, que envolvem 54 nomes, 45 com mandato. E uma pergunta relevante

O ministro do Supremo Teori Zavascki, relator do caso do petrolão, pode afastar nesta sexta o sigilo dos 28 pedidos de inquérito, que devem levar à investigação de 54 pessoas, 45 delas com mandato parlamentar. Não mudei de ideia no cotejo com o que escrevi ontem, anteontem, há três anos ou a há oito.

O ex-ministro do Supremo Cezar Peluso, um homem decente, sempre esteve certo: o fim de sigilo de inquérito não é a fina flor de uma sociedade democrática e de direito. Eventuais inocentes podem ficar marcados para sempre. “Ah, Reinaldo, não há inocentes no Brasil; só culpados”. É um jeito tosco de pensar. Converse com um advogado de sua confiança. Adiante.

Sejamos, no entanto, realistas: com ou sem sigilo oficial, sigilo não haverá. Em parte, já não há. Então que se libere tudo de vez! Saberemos quais sãos as reais diferenças entre pessoas que estão com o mesmo status legal: alvos de pedidos de inquérito. E se evidenciará o absurdo de não haver, entre elas, as já denunciadas.

Mas derivei um pouco. O ponto não é esse. Tão logo se divulguem os nomes dos 54, tentarei saber quantos são ligados ao Poder Executivo. Não posso crer, por um motivo simplesmente lógico, que, numa ponta, estivessem os empreiteiros, corrompendo; na outra, os políticos, levando a grana; no meio, burocratas da Petrobras que faziam o jogo dos partidos e roubavam também para si mesmos.

Você que me lê aí: acha que um esquema, dada a dimensão que esse tinha, se sustenta sem garantias politicamente mais fortes?  Como gosta de dizer o ministro Marco Aurélio, do Supremo, “a resposta, para mim, é desenganadamente negativa”.

Que o tal sigilo, então, se vá. Antes a informação completa do que os vazamentos seletivos, que sempre fazem parte da estratégia de alguém contra alguém, e nós, da imprensa, acabamos servindo de inocentes úteis de táticas de defesa e ataque. Há algo de profundamente errado, de ancestralmente deturpado, quando um procedimento como o afastamento do sigilo acaba servindo para, de algum modo, proteger a sociedade.

Dado o andamento das coisas, liberar tudo é uma forma de evitar a manipulação grotesca. Quando o ruim é a única alternativa ao pior, então, infelizmente, passa a ser o bem possível. Aguardemos, agora, a “Lista de Zavascki”.

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ENTREVISTA – CPI vai investigar Dilma e Lula, diz presidente da comissão, e convocará empreiteiros

Hugo Motta (PMDB-PB) concedeu na noite desta quinta uma entrevista a Joyce Hasselmann, da VEJA.com. O vídeo está aqui. Segundo o jovem deputado, de apenas 25 anos, a CPI não vai se deixar intimidar e vai investigar quem tiver de ser investigado, incluindo Dilma e Lula.

Aqui cabe um esclarecimento. Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República, pode ser convocado pela comissão. Não há lei que impeça. Mas a jurisprudência entende que uma CPI não pode convocar o chefe do Executivo, como já expliquei aqui no blog no dia 21 de fevereiro. O mesmo vale para os ministros do Supremo.

Faz sentido? Faz! A consciência jurídica considera que isso feriria o Artigo 2º da Constituição, que estabelece: “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”. Se uma CPI pudesse convocar o chefe do Executivo e os integrantes da mais alta corte do Judiciário, essa independência seria arranhada.

Isso não impede, no entanto, que a atuação da própria presidente seja investigada, como foi a de Collor da CPI do PC Farias.

Em sua entrevista à VEJA.com, Motta afirmou ainda que há na fila requerimentos convocando empreiteiros e que eles serão submetidos à votação. Segundo o deputado, a CPI vai, sim, ouvir os empresários.

Melhor assim! Sem o depoimento dos empreiteiros, a CPI seria uma farsa. Até porque, né?, quem sabe Ricardo Pessoa, dono da UTC, diga o quer dizer na delação premiada que ainda não aconteceu.

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Esclarecimento técnico: Lei 1.079, a do impeachment, não tem nada a ver com a “Lista de Janot”. Na 1.079, até você, leitor, pode ser o Janot… Ou melhor: o anti-Janot!

Há duas questões que merecem considerações:
a) Dilma pode ou não ser investigada como enquanto for presidente da República?;
b) ela já está livre de um processo de impeachment?

Vamos à primeira questão. Dilma não pode ser investigada, no curso de seu mandato, por eventos ocorridos antes de ser presidente da República, ainda que se encontrem as suas digitais em malfeitos. Digamos que os depoentes da Lava-Jato tenham dito coisas cabeludas sobre ela, mas só referentes a fatos até 31 de dezembro de 2010. Nesse caso, é preciso esperar 1º de janeiro de 2019 para pedir uma simples abertura de inquérito.

Ocorre que, não custa lembrar, parte do que o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, estava disposto a contar na delação-premiada-que-não-houve, segundo revelou reportagem da VEJA, aconteceu, sim, no curso do mandato: no caso, do primeiro mandato, com reflexo no segundo, uma vez que se trata do caixa da reeleição. Segundo ele, R$ 30 milhões foram doados por fora ao PT — e R$ 10 milhões desse total teriam ido para a campanha da companheira.

Quanto ao segundo tema, vamos ver. A Lei 1.079, a chamada Lei do Impeachment, não tem nada a ver com isso. Não é preciso ser procurador-geral da República para acioná-la. A rigor, qualquer cidadão pode fazê-lo, conforme estabelece os Artigos 14 a 18. Leiam (em azul). Você mesmo pode ser o Janot da hora. Ou o anti-Janot. Leiam.

Art. 14. É permitido a qualquer cidadão denunciar o Presidente da República ou Ministro de Estado por crime de responsabilidade, perante a Câmara dos Deputados.

Art. 15. A denúncia só poderá ser recebida enquanto o denunciado não tiver, por qualquer motivo, deixado definitivamente o cargo.

Art. 16. A denúncia assinada pelo denunciante e com a firma reconhecida, deve ser acompanhada dos documentos que a comprovem, ou da declaração de impossibilidade de apresentá-los, com a indicação do local onde possam ser encontrados, nos crimes de que haja prova testemunhal, a denúncia deverá conter rol das testemunhas, em número de cinco no mínimo.

Art. 17. No processo de crime de responsabilidade, servirá de escrivão um funcionário da Secretaria da Câmara dos Deputados, ou do Senado, conforme se achar o mesmo em uma ou outra casa do Congresso Nacional.

Art. 18. As testemunhas arroladas no processo deverão comparecer para prestar o seu depoimento, e a Mesa da Câmara dos Deputados ou do Senado por ordem de quem serão notificadas, tomará as providências legais que se tornarem necessárias para compeli-las à obediência.

Isso nada tem a ver, pois, com o Ministério Público abrir ou não abrir investigação. A tramitação, para o acolhimento ou não da denúncia, depende inteiramente da Câmara (veja roteiro em azul). Para que seja aceita, depois de um extenso ritual, é preciso o apoio de dois terços dos deputados, o que não é fácil: 342!

Se aceita, a presidente tem de se afastar do cargo. O processo será encaminhado ao STF, se a acusação for de crime comum, ou ao Senado se for de crime de responsabilidade. Nota à margem: quando Collor foi afastado, em 1992, o voto nº 342 foi do então deputado Oinareves (Severiano ao contrário!) Moura. Dias antes, ele tinha dado um jantar de apoio ao presidente, mas votou a favor do recebimento da denúncia. No ano seguinte, ele próprio foi… cassado!

Vejam o ritual de recebimento da denúncia na Câmara.

Art. 19. Recebida a denúncia, será lida no expediente da sessão seguinte e despachada a uma comissão especial eleita, da qual participem, observada a respectiva proporção, representantes de todos os partidos para opinar sobre a mesma.

Art. 20. A comissão a que alude o artigo anterior se reunirá dentro de 48 horas e, depois de eleger seu presidente e relator, emitirá parecer, dentro do prazo de dez dias, sobre se a denúncia deve ser ou não julgada objeto de deliberação. Dentro desse período poderá a comissão proceder às diligências que julgar necessárias ao esclarecimento da denúncia.

§ 1º O parecer da comissão especial será lido no expediente da sessão da Câmara dos Deputados e publicado integralmente no Diário do Congresso Nacional e em avulsos, juntamente com a denúncia, devendo as publicações ser distribuídas a todos os deputados.

§ 2º Quarenta e oito horas após a publicação oficial do parecer da Comissão especial, será o mesmo incluído, em primeiro lugar, na ordem do dia da Câmara dos Deputados, para uma discussão única.

Art. 21. Cinco representantes de cada partido poderão falar, durante uma hora, sobre o parecer, ressalvado ao relator da comissão especial o direito de responder a cada um.

Art. 22. Encerrada a discussão do parecer, e submetido o mesmo a votação nominal, será a denúncia, com os documentos que a instruam, arquivada, se não for considerada objeto de deliberação. No caso contrário, será remetida por cópia autêntica ao denunciado, que terá o prazo de vinte dias para contestá-la e indicar os meios de prova com que pretenda demonstrar a verdade do alegado.

§ 1º Findo esse prazo e com ou sem a contestação, a comissão especial determinará as diligências requeridas, ou que julgar convenientes, e realizará as sessões necessárias para a tomada do depoimento das testemunhas de ambas as partes, podendo ouvir o denunciante e o denunciado, que poderá assistir pessoalmente, ou por seu procurador, a todas as audiências e diligências realizadas pela comissão, interrogando e contestando as testemunhas e requerendo a reinquirição ou acareação das mesmas.

§ 2º Findas essas diligências, a comissão especial proferirá, no prazo de dez dias, parecer sobre a procedência ou improcedência da denúncia.

§ 3º Publicado e distribuído esse parecer na forma do § 1º do art. 20, será o mesmo, incluído na ordem do dia da sessão imediata para ser submetido a duas discussões, com o interregno de 48 horas entre uma e outra.

§ 4º Nas discussões do parecer sobre a procedência ou improcedência da denúncia, cada representante de partido poderá falar uma só vez e durante uma hora, ficando as questões de ordem subordinadas ao disposto no § 2º do art. 20.

Art. 23. Encerrada a discussão do parecer, será o mesmo submetido a votação nominal, não sendo permitidas, então, questões de ordem, nem encaminhamento de votação.
§ 1º Se da aprovação do parecer resultar a procedência da denúncia, considerar-se-á decretada a acusação pela Câmara dos Deputados.

§ 2º Decretada a acusação, será o denunciado intimado imediatamente pela Mesa da Câmara dos Deputados, por intermédio do 1º Secretário.

§ 3º Se o denunciado estiver ausente do Distrito Federal, a sua intimação será solicitada pela Mesa da Câmara dos Deputados, ao Presidente do Tribunal de Justiça do Estado em que ele se encontrar.

§ 4º A Câmara dos Deputados elegerá uma comissão de três membros para acompanhar o julgamento do acusado.

§ 5º São efeitos imediatos ao decreto da acusação do Presidente da República, ou de Ministro de Estado, a suspensão do exercício das funções do acusado e da metade do subsídio ou do vencimento, até sentença final.

§ 6º Conforme se trate da acusação de crime comum ou de responsabilidade, o processo será enviado ao Supremo Tribunal Federal ou ao Senado Federal.

Encerro
Não vamos, assim, misturar alhos com bugalhos. A origem da queda de Collor não foi a investigação do Ministério Público, muito malfeita naquele caso, note-se. A denúncia era tão inepta que o ex-presidente acabou inocentado no Supremo. E, para arrematar com uma ironia algo melancólica: Collor está de volta: é um dos 54 da “Lista de Janot”. Em 1992, ele era inimigo figadal do PT, que ajudou a derrubá-lo; em 2015, é um aliado fiel.

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Presidente da CPI da Petrobras diz que Lula e Dilma serão investigados. A conferir...
Ricardo Noblat

O deputado Hugo Motta (PMDB-PB), de 25 anos de idade, presidente da nova CPI da Petrobras, disse à TV VEJA que “investigará o que for necessário” para jogar luz sobre a roubalheira na Petrobras.

A entrevistadora perguntou se a investigação poderia alcançar a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. Ele respondeu que sim.

Ela quis saber se donos de empreiteiras também seriam ouvidos. Outra vez ele respondeu que sim.

Vamos devagar.

A CPI reuniu-se, ontem, pela primeira vez. E apesar de haver requerimentos para que empreiteiros sejam ouvidos em audiências públicas, nenhum deles foi votado.

Também não se votou nenhum pedido de quebra de sigilo das empreiteiras.

Sabe-se por que.

Para se elegerem no ano passado, doze dos 27 membros titulares da CPI receberam doações de dinheiro das empreiteiras. No total, algo como R$ 3 milhões.

No caso de Hugo, 60% das despesas de sua campanha foram financiados pela Andrade Gutierrez e pela Odebrecht.

Luiz Sérgio (PT-RJ), relator da CPI, recebeu 40% de sua verba de campanha das construtoras Queiroz Galvão, UTC, OAS e Toyo Setal.

O PSOL alegou que deputados financiados por empreiteiras deveriam se declarar suspeitos, caindo fora da CPI. Ocorre que nenhum outro partido concordou com ele.

O Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara considera quebra de decoro um deputado “relatar matéria submetida à apreciação da Câmara, de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento de sua campanha eleitoral”.

E daí? Daí que ninguém liga para o que diz o Código.

Recomendo menos entusiasmo ao jovem Hugo.

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Cunha atropela Dilma e pauta o salário mínimo

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, informou aos líderes partidários que incluirá na pauta de votações da próxima semana um projeto de lei sobre salário mínimo. Promove ajustes na atual política de valorização do mínimo, eternizando-a. Por ordem de Dilma Rousseff, o Planalto pediu o adiamento do debate. Cunha deu de ombros para a solicitação.

Cunha alegou que o governo terá a oportunidade de expor seu ponto de vista em plenário. Para derrotar o projeto, pode acionar sua maioria —“se a tiver”, ironizou. Há três dias, o ministro petista Pepe Vargas, suposto articulador político de Dilma, reuniu os líderes do bloco governista em sua sala, no Planalto. Pediu-lhes que retirassem o salário mínimo da pauta. Aí mesmo foi que Cunha decidiu manter.

Chama-se Jorge Boeira (PP-SC) o autor do projeto. que vai a voto. No geral, o texto mantém a sistemática atual de reajuste do mínimo: inflação mais a variação do PIB. Mas estica seu prazo de validade para os próximos dez anos. Depois disso, a fórmula de cálculo seria perene e passaria a incorporar o PIB per capita, mais vantajoso para o trabalhador. O governo receia que os deputados estendam a regra para os aposentados.

José Guimarães (PT-CE), líder do governo, rogou a Cunha que reconsiderasse a decisão de votar a proposta de Boeira. Argumentou que as regras atuais, incluídas numa lei de 2011, vigoram até janeiro. Não haveria, portanto, pressa em votar o projeto. O presidente da Câmara fez ouvidos moucos. Seu plano é enviar a proposta rapidamente ao Senado, em tempo para que o correligionário Renan Calheiros, também às turras com o governo, providencie a aprovação até 1º de Maio, o Dia do Trabalhador. Se quiser, Dilma poderá vetar, arrostando os prejuízos políticos.

Suprema ironia: ao tomar posse, em janeiro, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, dissera em entrevista que o governo enviaria uma proposta ao Congresso, fixando a fórmula de reajuste do salário mínimo que passaria a vigorar a partir de 2016. Ele antecipara que seriam feitos ajustes. Foi desautorizado por Dilma e teve de se desdizer por escrito.

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Contradança!




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Blog do Coronel

Justiça caça Paulo Bernardo.

A Justiça Federal do Paraná está à caça do petista Paulo Bernardo, ex-ministro das Comunicações. Sem imunidade parlamentar, é no seu estado natal que ele deve prestar contas sobre o seu suposto envolvimento no Petrolão. O depoimento de PB, como é conhecido pelos mais íntimos, entre os quais alguns envolvidos na Lava Jato, estava marcado para hoje, mas ele não foi encontrado pelos oficiais de Justiça. Ele sabe que deve depor hoje, pois isto acaba de ser noticiado no Bom Dia, Brasil, da Rede Globo. Sabe, mas ao que tudo indica está fugindo. Se alguém tiver alguma informação, favor entrar em contato com a Justiça Federal do Paraná, pelo fone (41) 3210-1400. Ainda não há recompensa, a não ser ajudar o Brasil a se livrar da corrupção ajudando nas investigações sobre a roubalheira na Petrobras.

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Pegaram "Mocha" Vaccari. Doleiro diz que depositou propina de R$ 400 mil na conta da mulher do super tesoureiro do PT.

(Folha) Pela primeira vez na Operação Lava Jato, as autoridades que investigam o caso obtiveram comprovantes de transações bancárias que ligam o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a suspeitos de operar no esquema de corrupção na Petrobras. A força-tarefa da Lava Jato apura se duas operações de recebimento e envio de R$ 400 mil em 2008 e 2009 com o uso de uma conta da mulher de Vaccari tiveram ligação com o suposto pagamento de propina pela Toshiba em negócios com a Petrobras.

O dinheiro foi movimentado a partir de uma conta de uma empresa controlada pelo empresário Cláudio Mente, que, segundo o doleiro Alberto Youssef, operava o pagamento de subornos na estatal de petróleo. Vaccari afirma que as transações resultaram de um empréstimo concedido a ele por Mente, seu amigo, para a aquisição de uma casa.

Os documentos fazem parte de um inquérito aberto em janeiro para investigar se a Toshiba repassou duas parcelas de propina a Vaccari, no valor de R$ 400 mil cada uma, entre 2009 e 2010, para o fechamento de um contrato no valor de R$ 117 milhões com a Petrobras para obras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Essa suspeita surgiu após Youssef apontar a realização desse crime em um dos depoimentos de sua delação premiada na Lava Jato.

Nessa investigação foi anexado o depoimento do advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, apontado como laranja de Youssef e gestor da empresa de Mente, a Comércio de Produtos Agropecuários, que tem o nome fantasia de CRA (Centro de Reproduções das Américas). Em fevereiro, Costa afirmou à PF ter providenciado uma remessa de R$ 400 mil de uma conta da CRA para uma conta de Giselda Rousie de Lima, mulher de Vaccari, em novembro de 2008. O advogado relatou que elaborou um contrato de empréstimo para justificar a transferência, mas que a CRA nunca emprestou dinheiro.

De acordo com Costa, o contrato de novembro de 2008 e um termo de quitação do empréstimo, com data de 29 de dezembro de 2009, foram elaborados no mesmo dia, o que era comum na empresa para "esquentar" transações financeiras. O advogado entregou à Polícia Federal o comprovante da transferência para Vaccari em 2008 e também um extrato que aponta uma remessa de R$ 400 mil da conta do atual tesoureiro do PT para a conta da CRA no dia 22 de dezembro de 2009.

À época, Vaccari presidia a Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo). O Ministério Público move ação penal em que acusa Vaccari de ter desviado valores da entidade para o PT --o que ele nega. Vaccari assumiu a tesouraria do PT em 2010. Em depoimentos prestados em fevereiro à força-tarefa da Operação Lava Jato, Costa e Youssef apontaram que Mente operava o pagamento de propinas para empreiteiras. A Polícia Federal agora vai buscar o depoimento de executivos da Toshiba para aprofundar as investigações.

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Contra a parede

          A presença dos presidentes do Congresso na lista Janot vai constranger a oposição. Na opinião pública, embalada pela indignação, haverá forte simpatia pelo afastamento de ambos. Os líderes da oposição avaliam que a situação será muito incômoda. Eles vão ser pressionados a cortar a cabeça de quem sequer foi indiciado. A leitura nas ruas é a de que a lista é de julgados e condenados.

Guerra nos bastidores
Os aliados dos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha, têm a convicção que o Planalto interferiu para colocar seus nomes na lista Janot. “Teve interferência sim, para colocar e tirar”, dizem. No Palácio, se afirma que a irritação se deve à crença de que o Planalto poderia excluir seus nomes. “Eles estão irados porque achavam que o ministro José Eduardo Cardozo tinha poder e caneta, e não quis tirá-los”, se repete no Palácio. Um aliado pergunta: “O que o governo ganharia ao incluir o nome de Renan?” Outro ironiza a postura do senador: “Para quem precisa de apoio no Senado, e não quer a oposição no pé, ficar contra o governo rende”.

“A investigação não é sequer um indiciamento. Não se pode punir ninguém com base num inquérito em andamento. Mas a situação dos citados é incômoda”

Aloysio Nunes Ferreira
Senador (PSDB-SP)

No encontro com os senadores
A presidente Dilma revelou que a 3ª etapa do Minha Casa Minha Vida terá prédios de até três andares. Para facilitar a mobilidade, o governo pagará os elevadores. O Planalto também estuda criar um financiamento específico para idosos.

Tiroteio
O advogado de um dos prováveis integrantes da lista de Janot está batendo duro no procurador-geral da República, Rodrigo Janot (foto). Sustenta que os procuradores anteriores (Cláudio Fonteles, Antonio Fernando e Roberto Gurgel) tinham por hábito notificar o parlamentar, para ouvir suas explicações, antes de tomar qualquer decisão.

Dieta a jato
O líder do PTB, Jovair Arantes, chamou a presidente Dilma de “magrela” na reunião de aliados no Planalto. Contam que ela respondeu dizendo que tem trabalhado muito e emendou: “Nesse clima não tem como engordar”.

Entrando no clima
Na reunião com a presidente Dilma, o senador Blairo Maggi (PR) foi direto e falou que parte do eleitorado que a conduziu à Presidência já não estava mais com ela. E relatou que em mensagens de telefone compartilhadas pela população o clima era ruim. Segundo Maggi, a presidente demonstrou surpresa com aquele relato.

Para ficar tem que sair
Os líderes dos partidos foram informados pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, que o próximo projeto de reforma eleitoral que irá a voto é o da desincompatibilização dos candidatos à reeleição para cargos do Poder Executivo.

República do Rio
Depois de eleger o presidente da Câmara e o líder da bancada, o PMDB do Rio emplacou a deputada Soraya Santos na presidência da Comissão de Finanças. E ainda tem a presidência da Fundação Ulysses Guimarães. Ciumeira.

O PSB, PV e PPS reclamam que o PSDB os deixou para trás na negociação das presidências de comissões na Câmara.

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O paradoxo de Dilma

Ao mesmo tempo em que aumentaram seus problemas políticos com a divulgação do que seria parte da lista do Procurador Rodrigo Janot, paradoxalmente a presidente Dilma foi blindada pela fragilização do Congresso, com os presidentes da Câmara e do Senado incluídos entre os investigados na Operação Lava-Jato.

Se já era precipitada a defesa do impeachment a esta altura, sem que dados concretos respaldem a suspeita, quase certeza, da população de que a presidente Dilma “tinha conhecimento da corrupção na Petrobras” (77% dos entrevistados); “sabia dos desvios e deixou continuar” (52%); “sabia e nada pôde fazer” (25%), segundo revelou a recente pesquisa Datafolha, agora com processo no STF seria politicamente inviável que uma Câmara presidida por Eduardo Cunha recebesse um pedido de impedimento da presidente, ou que o Senado presidido por Renan Calheiros desse prosseguimento ao processo, que seria presidido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal.

Essa blindagem, que estava sendo comemorada ontem por aliados mais próximos de Dilma é, no entanto, o que faz com que os dois políticos estejam convencidos de que esse foi o objetivo da inclusão de seus nomes na lista. Como é natural no ser humano, especialmente em políticos da qualidade dos dois, esquecem seus próprios pecados para transferir a outros a culpa por seus infortúnios.

E, como continuarão nos seus cargos durante a maior parte da investigação, e manterão seus mandatos até mesmo depois de eventualmente serem denunciados, ambos estarão em situação de poder para enfrentar o Palácio do Planalto e pressionar politicamente a presidente Dilma.

Se estão convencidos de que foi o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo quem levou o Procurador-Geral da República a incluí-los na lista, não acreditam mesmo na independência de Janot, e consideram, portanto, que pressionando o governo poderão contar com sua interferência no decorrer das investigações da Polícia Federal.

Tem-se então o fato de que a vida da presidente Dilma não ficará mais fácil, ao contrário, com diversos aliados governistas incluídos na lista de investigação de Janot. As dificuldades políticas somam-se às econômicas, e o clima de incerteza no Congresso retira qualquer possibilidade de o governo garantir que as medidas de equilíbrio fiscal serão aprovadas.

O ambiente político está contaminado por questões pessoais que terminam sendo fundamentais para tomadas de decisões, muitas vezes certas, mas por motivos errados. É o caso da devolução da medida provisória sobre a desoneração da folha de pagamentos, atitude tomada por Renan com uma razão formal correta e outra, subjacente e negada, mas sabidamente importante, que foi sua inclusão na lista de investigados.

Cada atitude sua, mesmo baseada em razões institucionais, guardará a partir de agora um ranço antigovernista difícil de camuflar. Também Eduardo Cunha teve aumentada sua dose de oposicionista pragmático com a inclusão de seu nome na lista de Janot.

A CPI da Petrobras será um bom palco para exercer sua “independência” do Planalto do Planalto, a base de sua eleição para a presidência da Câmara. O PMDB, como co-participe do governo, terá sempre uma atitude formal de aliado, mas à medida que sua colaboração não é requisitada pela presidente Dilma, mais distante vai ficando da co-responsabilidade do governo.

O vice Michel Temer só é convocado quando o circo está pegando fogo, como é o caso atual. Só que a esta altura do campeonato, com a presidente fragilizada pela péssima perspectiva econômica, e com a base aliada em pé de guerra, será difícil uma aproximação mais efetiva.

Será o Senado, por exemplo, que aprovará o nome indicado para a vaga do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal. Com vários senadores e deputados na lista de investigados, esse novo ministro, que participará na segunda turma que vai julgar o petrolão, terá sérias dificuldades na sabatina.

Razão primeira para o distanciamento do PMDB do governo, o PT está na berlinda mais uma vez na investigação do petrolão, e não poderá contar com a solidariedade do que seria em tese seu maior aliado no Congresso. A não ser que tudo termine em pizza, dando razão às desconfianças e certezas de Cunha e Calheiros.


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Blog do Noblat

Dilma tem mais a perder do que Renan e Eduardo
Ricardo Noblat

Os áulicos da presidente Dilma Rousseff cochicham para jornalistas que a situação dela ficará agora melhor com o pedido do Procurador-Geral da República para que Renan Calheiros, presidente do Senado, e Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, sejam processados pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento com a roubalheira da Petrobras.

Base do raciocínio dos áulicos: Renan e Eduardo escolheram se tornar adversários da presidente da República.

Passarão os próximos meses às voltas com advogados encarregados de defendê-los e jornalistas à caça de provas contra eles.

Não terão tempo nem condições de criar sérias dificuldades para o governo. Estarão mais vulneráveis, por certo.

Raciocínio torto, a meu ver. Que subestima a inteligência de Renan e de Eduardo.

Os dois já providenciaram o discurso altamente palatável de que seus nomes foram incluídos na lista do Procurador-Geral da República por empenho do governo.

Não é verdade, imagino. Mas não importa. Se não é provável, talvez fosse possível. E como a versão vale mais do que o fato em determinadas circunstâncias...

O discurso inicial de defesa de Renan e de Eduardo os obrigará daqui para frente a se distanciarem ainda mais do governo. Até por coerência.

O distanciamento resultará em novos gestos da parte deles que desagradarão ao governo.

Com a popularidade ao rés do chão, Dilma terá mais a perder do que seus novos desafetos. Elementar, meus caros.

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Eduardo Cunha diz que Planalto abriu champanhe para festejar sua desgraça

Basta olhar rapidamente para dentro do bloco de partidos governistas para descrer completamente da possibilidade de paz no Oriente Médio. O presidente da Câmara, que nunca morreu de amores por Dilma Rousseff, tornou-se uma espécie de homem-bomba.

Ele difunde entre os amigos a versão segundo a qual a notícia sobre a inclusão do seu nome na lista petrolão chegou primeiro ao Palácio do Planalto. E foi festejada antes de ser vazada. Mereceu, segundo diz, um brinde de champanhe.

Na mesma rodada de espumas, afirma o deputado, brindou-se no Planalto para celebrar o infortúnio do presidente do Senado, Renan Calheiros, e a suposta exclusão da senadora petista Gleisi Hoffmann da lista do procurador-geral da República Rodrigo Janot. Algo que ainda não foi confirmado.

Na versão contada por Eduardo Cunha, seu nome foi empurrado para dentro da lista pelo ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), que teria feito gestões junto ao procurador-geral. Para que esse enredo fique em pé será necessário que as acusações contra o deputado desmontem logo que forem divulgadas pelo relator do processo no STF, ministro Teori Zavascki.

Seja como for, os principais operadores políticos de Dilma continuam achando que Eduardo Cunha não é propriamente um exemplo. E a turma do presidente da Câmara avalia que ele se tornou um aviso.

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Sarney avalizou gesto de Renan contra Dilma

Renan Calheiros não agiu sozinho ao devolver para o Planalto a medida provisória que Dilma Rousseff editara para elevar a tributação da folha salarial. Antes de tomar a decisão, o presidente do Senado aconselhou-se com seus principais aliados no PMDB. Entre eles o ex-presidente José Sarney. Aliado do petismo desde o primeiro mandato de Lula, iniciado em 2003, o morubixaba do Maranhão avalizou o gesto.

Nas suas conversas privadas, Renan começa a conjugar a gestão de Dilma no passado. Dá a entender que a devolução da medida provisória foi apenas o início de sua trajetória rumo ao desembarque. Fala como se tivesse tomado um caminho sem volta. Parece decidido a proporcionar novas surpresas ao Planalto.

A súbita conversão de Renan e seu grupo em quase-ex-aliados do governo coincide com a propagação da notícia segundo a qual o nome dele consta da lista de políticos que devem responder a inquérito no STF por suspeita de recebimento de propinas extraídas da Petrobras. O senador diz enxergar as digitais do Planalto no vazamento do seu nome. Algo que, se confirmado, pode render-lhe algum discurso. Mas não serve de explicação para as acusações que constam dos autos.

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Lava Jato ‘chega a momento crucial’, diz Janot

Em carta endereçada aos colegas de Ministério Público nesta quarta-feira (4), o procurador-geral da República Rodrigo Janot anotou que “a Operação Lava Jato chega a um momento crucial” com o encaminhamento ao STF dos pedidos de investigação contra autoridades.

O blog obteve uma cópia do texto de Janot. Nele, o procurador-geral antevê críticas ao seu trabalho: “Não espero a unanimidade nem a terei”. Insinua que os políticos tentarão desmerecer a investigação: “Não guardo o dom de prever o futuro, mas possuo experiência bastante para compreender como a parte disfuncional do sistema político comporta-se ao enfrentar uma atuação vigorosa do Ministério Público no combate à corrupção.”

Contra esse pano de fundo, Janot dirigiu aos colegas uma espécie de apelo à unidade da corporação: “Não acredito que esses dias de turbulência política fomentarão investidas que busquem diminuir o Ministério Público brasileiro, desnaturar o seu trabalho ou desqualificar os seus membros. Mas devemos estar unidos e fortes.”

Em verdade, as críticas ao trabalho de Janot já começam a soar. Um ministro do STF diz, em privado, ter estranhado a opção da Procuradoria por encaminhar ao Supremo apenas pedidos de abertura de inquérito, sem formular nenhuma denúncia. O magistrado argumenta: o alarido em torno das delações premiadas fez supor que havia provas densas. Se todos os casos demandam investigações complementares, os inquéritos deveriam ter sido requeridos há mais tempo.

Em sua carta, Janot escreveu: “…Examinei cuidadosamente todas as particularidades que envolvem este caso e estabeleci um critério técnico e objetivo para adotar as medidas necessárias à cabal apuração dos fatos.”

O chefe do Ministério Público disse ter privilegiado a técnica em detrimento de caminhos mais fáceis: “Diante das inúmeras e naturais variáveis decorrentes de uma investigação de tamanha complexidade, fiz uma opção clara e firme pela técnica jurídica. Afastei, desde logo, qualquer outro caminho, ainda que parecesse fácil ou sedutor…”

Janot dá de barato que o STF levantará nos próximos dias o sigilo que recobre os 28 pedidos de abertura de inquérito, envolvendo 54 investigados: “Estou certo que, uma vez levantado o sigilo do caso pelo ministro Teori Zavascki, o trabalho até este momento realizado será esquadrinhado e submetido aos mais duros testes de coerência.”

Por alguma razão, Janot achou necessário informar aos colegas que realizou o seu trabalho sem reparar na graduação política dos investigados. “Desejo e confio, sim, nesse momento singular do país e, particularmente, do Ministério Público brasileiro, que cada um dos meus Colegas tenha a certeza de que realizei meu trabalho em direção aos fatos investigados, independentemente dos envolvidos, dos seus matizes partidários ou dos cargos públicos que ocupam ou ocuparam.”

Vai abaixo a íntegra da carta de Janot:

Ministério Público – compromisso e fidelidade

Colegas,

Abro uma necessária pausa em meio às tribulações próprias do cargo de Procurador-Geral para dirigir a todos os membros do Ministério Público brasileiro uma palavra de confiança.

Sou grato por ter, no inverno da minha longa carreira pública, a ocasião de servir ao meu País e, especialmente, à sociedade brasileira, na qualidade de Procurador-Geral da República. Quis o destino, também, que eu estivesse à frente do Ministério Público Federal no momento de um dos seus maiores desafios institucionais.

A chamada “Operação Lava Jato'' chega a um momento crucial. Encaminhei, na noite de ontem, pedidos de investigação e promoções de arquivamento em relação a diversas autoridades que possuem prerrogativa de foro.

Com o inestimável auxílio de Colegas do Grupo de Trabalho baseado em Brasília, da Força-Tarefa sediada em Curitiba e da assessoria do meu Gabinete, examinei cuidadosamente todas as particularidades que envolvem este caso e estabeleci um critério técnico e objetivo para adotar as medidas necessárias à cabal apuração dos fatos.

Diante das inúmeras e naturais variáveis decorrentes de uma investigação de tamanha complexidade, fiz uma opção clara e firme pela técnica jurídica. Afastei, desde logo, qualquer outro caminho, ainda que parecesse fácil ou sedutor, de modo que busquei incessantemente pautar minha conduta com o norte inafastável das missões constitucionais do Ministério Público brasileiro.

Estou certo que, uma vez levantado o sigilo do caso pelo Ministro Teori Zavascki, o trabalho até este momento realizado será esquadrinhado e submetido aos mais duros testes de coerência.

E assim ocorrerá porque é um valor central da Democracia e do Princípio Republicano a submissão de qualquer autoridade pública ao crivo dos cidadãos brasileiros. Entendo, desde sempre, que essa lição deve ser acatada, com ainda maior naturalidade, por todos os Membros da nossa Instituição.

Não espero a unanimidade nem a terei. Desejo e confio, sim, nesse momento singular do País e, particularmente, do Ministério Público brasileiro, que cada um dos meus Colegas tenha a certeza de que realizei meu trabalho em direção aos fatos investigados, independentemente dos envolvidos, dos seus matizes partidários ou dos cargos públicos que ocupam ou ocuparam.

Busco inspiração, com essas minhas breves palavras, na Unidade do Ministério Público brasileiro, sabedor que os esforços de todos os integrantes da nossa Instituição igualam-se na disposição de servir.

Não guardo o dom de prever o futuro, mas possuo experiência bastante para compreender como a parte disfuncional do sistema político comporta-se ao enfrentar uma atuação vigorosa do Ministério Público no combate à corrupção.

Não acredito que esses dias de turbulência política fomentarão investidas que busquem diminuir o Ministério Público brasileiro, desnaturar o seu trabalho ou desqualificar os seus Membros. Mas devemos estar unidos e fortes.

Ao longo de sua extraordinária história, o Ministério Público brasileiro deu mostras de sua têmpera e de sua capacidade de superar qualquer obstáculo que venha a se interpor no caminho reto a ser seguido. Guardo-me, assim, na paz de quem cumpre um dever e na certeza de que temos instituições sólidas e democráticas. Integramos uma delas.

Estejamos unidos. Sigamos o nosso caminho. Sejamos fiéis ao nosso País.''

Paciência e confiança!

Forte abraço,

Rodrigo Janot

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Assombração!



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Em primeiro discurso no Senado, Serra critica atuação do PT na economia

Por Marina Haubert, na Folha:
O senador José Serra (PSDB-SP) focou seu primeiro discurso no Senado em uma avaliação crítica da atual situação econômica do país em decorrência dos governos do PT. Para o tucano, o país enfrenta a pior crise financeira. “Estamos diante de uma crise econômica de grande tamanho. Não me lembro de uma crise tão acentuada e tão difícil quanto esta na economia brasileira. Incluam aí os anos do João Goulart, os anos do Collor, quando aquele governo recebeu a herança de 90% ao mês de inflação, fez o Plano Collor, etc. A meu ver, a situação hoje é mais difícil. Tem menos raio de manobra pela frente do que tinha nessas oportunidades”, afirmou da tribuna do plenário do Senado.

Segundo sua avaliação, o país viveu um excelente período econômico no início dos anos 2000 mas a partir do segundo mandato do ex-presidente Lula, a situação começou a piorar. “Na verdade, um pouco antes, da segunda metade da década passada. Foi nessa oportunidade que, de alguma maneira, se pôs o ovo da serpente da nossa crise. E olhem que a economia brasileira, na década passada, enfrentou ou desfrutou de uma situação de bonança externa como não houve no século XX inteiro”, ressaltou.

O tucano criticou a política de juros elevados adota por Lula durante a crise econômica internacional, o que, para ele, levou o país à desindustrialização. “O governo Lula cometeu a façanha de fazer uma política de juros em elevação, apesar da abundância de dinheiro externo. Em geral, o governo procura subir juros quando tem escassez de divisas e precisa atrair dinheiro”, disse. “O Brasil se desindustrializou sob o ímpeto dessa política, paradoxalmente, comandada, não digo nem que conscientemente, por um ex-operário industrial, que comandou a desindustrialização brasileira”, emendou.

Serra, que disputou a presidência da República por duas vezes, em 2002 e 2010, classificou o governo Dilma como “fraco”, sem capacidade para “antecipar os acontecimentos” e que teve uma “colher de chá da oposição” que foi pouco “veemente”.

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A revolta do criador contra a criatura: Lula promove ato contra o governo Dilma

Estanhou o título? Pois é. Mas é verdadeiro da primeira à última palavra. Onde parece haver ironia, leitor, há apenas linguagem referencial. Luiz Inácio Lula da Silva, o Babalorixá de Banânia, se encontrou nesta quarta com promotores de um ato do dia 13 em, pasmem!, defesa da Petrobras. Entre os organizadores estão a CUT, o MST e a UNE. Todos de esquerda. Todos patriotas. Todos petistas. Emissários de Dilma já tinham pedido que a manifestação fosse adiada porque acham que ela serve como uma espécie de estímulo para o protesto do dia 15 contra o seu governo e em favor do impeachment.

Não deram a menor bola pra ela. E preferiram se encontrar com o chefão do PT. O manifesto de convocação ataca também medidas adotadas pelo governo. Lá está escrito: “As MPs 664 e 665, que restringem o acesso ao seguro desemprego, ao abono salarial, pensão por morte e auxílio-doença, são ataques a direitos duramente conquistados pela classe trabalhadora”.

Lula, o finório, avisou a seus companheiros que não poderá comparecer ao ato porque, ora vejam!, não pega bem ser a estrela de uma patuscada que ataca também medidas do governo. Ou por outra: em vez de este senhor chamar seus comandados e ordenar a suspensão da manifestação, como pediu a presidente, ele, na pratica, a estimula.

Há muito tempo já escrevi aqui — e Dilma, consta, tem consciência disto — que Lula é hoje o principal elemento de desestabilização do governo.

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Eis aí: Janot recomenda ao STF que Dilma também não seja investigada. A propósito: por que os heróis de Curitiba não se interessaram por Lula? Ou: Segundo procurador-geral, no petrolão, Aécio e Dilma são iguais. Ou ainda: EIS AÍ A PÍZZA DO DOUTOR JANOT, CUJO MAU CHEIRO ANTECIPEI AQUI

Pronto! Rodrigo Janot, como sabem, recomendou ao Supremo Tribuna Federal que não abra inquérito para investigar o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB. E fez o mesmo com a presidente Dilma Rousseff (PT). Inventou-se uma narrativa em que, na história do petrolão, Aécio e Dilma são iguais: nada têm a ver com o peixe. Mas, por favor, não confundam Rodrigo Janot com um engavetador-geral. Eu preferiria, para ser justo, o epíteto de Absolvedor-Específico. Ou, quem sabe, de pizzaiolo-geral da República.

É bem verdade que, a qualquer momento, Janot pode encontrar motivos para, ao menos, pedir que se investigue a conduta da presidente da República. Mas vamos ser francos, não é, leitor? Nem eu nem você acreditamos que isso vá acontecer. Afinal, como você já leu neste blog, Janot é aquele que deu graças a Deus por “ter passado a régua e não ter encontrado nada contra Dilma e Lula”.

De resto, a delação premiada de Ricardo Pessoa, ex-amigo de Lula e dono da construtora baiana UTC, não saiu. Parece que ele não aceitou aderir à narrativa criada para fazer a sua delação. Não gostou do roteirista. Assim, não lhe foi dada, até agora ao menos, a vantagem. E tudo indica que não saberemos detalhes de suas doações paralelas ao PT, especialmente à campanha de Dilma, conforme revelou a revista VEJA.

Nestes tempos em que houve um barateamento da figura do herói, também devo lembrar aqui o nome do Grande Ausente de Curitiba: Luiz Inácio Lula da Silva. Nem mesmo um convite para depoimento, nada! Mais uma vez, um escândalo de dimensões pantagruélicas é revelado — e, não duvidemos, parcialmente revelado — sem que o chefe inconteste do partido seja ao menos convidado para prestar esclarecimentos.

Devemos nos contentar com a fantasia de que os empreiteiros, todos corruptos ativos, meteram o pé na porta da Petrobras, ameaçando os diretores nomeados pelo PT: “Exigimos que vocês recebam a propina que nosso cartel quer lhes pagar”. Os corruptos passivos, então, distribuíram depois parte da dinheirama suja para alguns políticos e pronto. Não havia eixo, hierarquia, relações de subordinação, nada!

Espantosamente, nem José Sérgio Gabrielli, que presidiu a Petrobras no período em que a empresa foi à lona, mereceu papel de destaque. No roteiro que se escreve em Curitiba, ele não disputaria o Oscar nem de ator-coadjuvante. Quando muito, seria um daqueles figurantes que ficam ao fundo, fora de foco.

Sim, eu senti antes o cheiro sofisticado que vinha do forno de doutor Janot. E também expressei meu descontentamento com o roteiro que se escrevia em Curitiba. Num canto, livrou-se a cara de Dilma; no outro, a de Lula.

Cqd. Como Queríamos Demonstrar.


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Blog do Josias

Até o PT recomenda derrubar um veto de Dilma

A caminho de se tornar uma presidente minoritária nas duas Casas do Congresso, Dilma Rousseff já sofre oposição até do seu próprio partido. Relatório reservado da assessoria técnica da liderança do PT na Câmara recomenda a derrubada de um veto da presidente ao projeto que fixava a jornada de trabalho dos psicólogos em 30 horas semanais.

Eis o que está anotado no documento do PT: “…Em que pese os argumentos dos ministérios do Planejamento, da Fazenda e da Saúde —sugerimos que a liderança do partido avalie a conveniência e a oportunidade de encaminhar favoravelmente à derrubada do veto.”

Foram ignorados pelo petismo os argumentos de Dilma para justificar o veto. Ela alegara que a redução da jornada dos psicólogos golpearia o orçamento de estabelecimentos que atendem pelo SUS. Elevaria também os custos do setor privado.

O parecer técnico da liderança do PT deu de ombros: “Durante a tramitação da proposição na Câmara dos Deputados, defendemos a tese de que a redução da carga horária de trabalho favorece a saúde dos trabalhadores e tende a contribuir para a melhoria na qualidade da assistência aos sistemas de saúde e de assistência social. Não houve mudança no texto do projeto que justifique o distanciamento desse ponto de vista.”

O veto à redução da jornada dos psicólogos constava da pauta do Congresso na sessão da noite de terça-feira (3). Só não foi votado porque o presidente da Casa, Renan Calheiros, manobrou para derrubar a reunião. Dilma lamuriou-se em privado, já que desejava a votação do Orçamento da União para 2015, outro item da pauta.

Seja como for, a presidente petista ganhou tempo para dirigir ao PT uma súplica à moda de Fernando Collor: “Não me deixem só”.

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Para ‘decifrar’ Renan, Planalto recorre a Temer

Não é que o Planalto não veja a solução. O que Dilma e seus operadores não enxergam é o problema. Aturdida com a decisão de Renan Calheiros de devolver ao Poder Executivo a medida provisória que eleva a tributação da folha de pagamento, Dilma Rousseff pediu ao ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) que telefonasse para o vice-presidente Michel Temer atrás de informações que decifrassem o presidente do Senado. Antes, Mercadante ligara para o próprio Renan, que não o atendeu.

Temer não foi de grande valia. Primeiro porque Renan não compartilhara com a direção do PMDB a decisão de alvejar Dilma depois de ter esnobado um convite dela para jantar no Alvorada. Segundo porque o vice-presidente da República já não parece confortável no papel de algodão entre os “cristais” do governo e do seu PMDB.

Consolidou-se no Planalto a conclusão segundo a qual Renan decidiu flertar com a oposição por considerar que o governo não moveu uma unha para livrá-lo das complicações da Operação Lava Jato. A leitura dos correligionários do PMDB é outra: ao sentir o cheiro de queimado, Renan decidiu protagonizar dois gestos.

Num, o morubixaba do PMDB alagoano acena para o pedaço da Opinião Pública que já não suporta Dilma e o PT. Noutro, ele faz média com os partidos de oposição no Senado. Tenta evitar a formação de uma maioria que, em futuro próximo, possa ameaçar-lhe o mandato.

Quanto a Dilma, que já não socorre nem a si mesma, Renan já não enxerga nela o proveito de outrora. Hoje, já não é possível extrair impunemente dividendos de “espaços'' como a Transpetro, uma jazida onde Renan manteve por 12 anos o afilhado Sérgio Machado.

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Câmara tem ‘uns 400, 300 deputados achacadores’, diz ministro Cid Gomes

O ministro Cid Gomes (Educação) afirmou que, sob o deputado Eduardo Cunha, “a direção da Câmara será um problema grave para o Brasil.” Disse que todas forças políticas que têm “compromissos sociais” se opuseram à eleição dele para a presidência da Casa. E Lamentou: “Tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais dele, aprovarem as emendas impositivas.”

Cid Gomes fez essas declarações há seis dias, na última sexta-feira (27), na cidade de Belém. A manifestação foi gravada. Deu-se durante uma visita do ministro à Universidade Federal do Pará. Ele se reuniu com professores e reitores de universidades federais paraenses. Encontrou-se também com servidores e alunos que o recepcionaram com um protesto contra o corte de verbas destinadas às instituições federais de ensino.

Num dos encontros, a pretexto de defender a gestão de Dilma Rousseff, Cid Gomes atacou o Legislativo. “A presidenta Dilma, ela é só presidente da República. Não ache que um presidente da República tem o poder de tudo, não. Tu acha que essa eleição para a presidência da Câmara aconteceu segundo a vontade dela?”, indagou o ministro a certa altura.

O próprio Cid Gomes respondeu. Antes, disse que falava em caráter pessoal, não como auxiliar da presidente —como se fosse possível distinguir um personagem do outro. “Não é o ministro que está falando”, disse. Cid suspeitava que estivesse sendo gravado. “Tem gente gravando aí. Eu sei que sempre tem gente gravando.” Mas não deteve a língua. “Eu acho que a direção da Câmara atualmente será um problema grave para o Brasil.”

Um dos presentes insinuou que Eduardo Cunha elegera-se com o aval do governo. E Cid Gomes: “Não foi não, querido, não foi não. Tudo o que é força política mais realmente comprometida, mais identificada com esse esforço que ampliou a oferta de ensino superior no Brasil e que tem compromissos sociais, que reduziu a miséria ou extinguiu a miséria, todas essas pessoas estiveram contra a eleição de quem foi eleito lá.”

O ministro prosseguiu: “Agora, as coisas são assim, tá certo? As coisas são assim. Tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais, aprovarem as emendas impositivas, para quem possa… Com todo respeito também, porque às vezes os caras querem mandar dinheiro para algum lugar, mas é uma guerra, é uma guerra…”

As declarações de Cid Gomes ecoam uma frase pronunciada por Lula em setembro de 1993. Nessa época, ele era pré-candidato à eleição presidencial de 1994. Percorria os Estados da Amazônia em campanha. Declarou o seguinte: “Há no Congresso uma minoria que se preocupa e trabalha pelo país, mas há uma maioria de uns trezentos picaretas que defendem apenas seus próprios interesses”. Eleito presidente duas eleições depois, Lula aliou-se aos que chamava de “picaretas”.

Trazidas à luz num instante em que Dilma enfrenta uma crise de relacionamento com seus aliados no Congresso, as declarações de Cid Gomes terão o efeito de um galão de gasolina derramado sobre labaredas. Primeiro porque o PMDB de Eduardo Cunha já vinha acusando o ministro da Educação de conspirar contra o PMDB em cobinação com Dilma.

Segundo porque, ao incluir entre os achacadores os adeptos das emendas orçamentárias “impositivas”, Cid Gomes atacou praticamente todo o Congresso. Inclusive os parlamentares do seu partido, o Pros, que votaram a favor da emenda constitucional que obriga o governo a executar as despesas enfiadas pelos congressistas no Orçamento da União.

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Achados e perdidos!



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Blog do Coronel

José Dirceu a um passo da Papuda.

(Valor) O presidente da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini, disse a investigadores da Operação Lava-Jato que os serviços de consultoria prestados por empresa do ex-ministro José Dirceu à empreiteira não existiram de fato. Segundo Avancini, que fechou acordo de colaboração premiada, os pagamentos feitos à empresa JD Assessoria e Consultoria tiveram origem em recursos desviados da Petrobras. Avancini assinou contratos de prestação de serviços da Camargo Corrêa com a empresa do ex- chefe da Casa Civil no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Réu por crimes de corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro, o presidente da Camargo Corrêa deverá formalizar termo de declarações específico sobre os pagamentos recebidos por José Dirceu por meio de suas empresas. Os depoimentos de Avancini no âmbito de sua delação premiada terão início entre o final desta semana e o início da próxima, apurou o Valor PRO, serviço em tempo real do Valor.

Dirceu recebeu R$ 886 mil da Camargo Corrêa entre 2010 e 2011. A Polícia Federal apreendeu na sede da empreiteira em novembro de 2014 contrato de prestação de serviços datado de 22 de abril de 2010, firmado pela construtora com a JD Assessoria e Consultoria. Os investigadores constataram que na mesma época em que Dirceu foi contratado pela Camargo Corrêa, a Petrobras fechou dois contratos com a empreiteira no valor de R$ 4,5 bilhões.

Em decisão de 8 de janeiro em que determinou a quebra do sigilo bancário da empresa de Dirceu, a juíza federal de Curitiba Gabriela Hardt ressaltou que a JD Assessoria recebeu R$ 3,7 milhões "a título de consultoria" da OAS, UTC Engenharia e Galvão Engenharia, "as quais estão sendo investigadas justamente pelo pagamento de serviços de consultoria fictícios a empresas diversas para viabilizar distribuição de recursos espoliados do Poder Público". Além de Avancini, também fechou acordo de delação premiada o vice-presidente comercial da empreiteira, Eduardo Leite.

De acordo com os advogados dos executivos, a colaboração se restringirá a fatos ocorridos dentro da construtora, e não do grupo todo. É improvável que acionistas da Camargo Corrêa sejam comprometidos pelos depoimentos, segundo Marlus Arns de Oliveira, defensor de Eduardo Leite. No sábado, a Camargo Corrêa informou que não participou dos acordos de delação de seus executivos, mas disse que "permanecerá à disposição das autoridades".

Em nota, a assessoria de Dirceu disse que o contrato com a Camargo Corrêa, assinado em 22 de abril de 2010, teve como objetivo a "prestação de serviços no exterior, com foco em Portugal". A assessoria afirmou que já foi informado à Justiça do Paraná que Dirceu viajou cinco vezes a trabalho a Portugal, entre 2010 e início de 2011 e que na Camargo Corrêa "o ex-ministro se reportava ao presidente do Conselho, Vitor Hallack, com quem se reuniu algumas vezes durante a vigência do contrato".

O vice-presidente da Engevix Engenharia, Gerson de Mello Almada, acenou com a possibilidade de fazer delação premiada ou, ao menos, contribuir com a Justiça buscando diminuir sua eventual pena. Também preso por corrupção ativa, Almada disse ter "contribuição relevante" a fazer e pediu para ser interrogado pelo juiz Sergio Moro.

Em janeiro a defesa de Almada afirmou à Justiça que a Petrobras foi usada para financiar o "custo elevado das campanhas eleitorais". Os advogados alegam que a estatal "foi escolhida para a geração desses montantes necessários à compra da base aliada do governo e aos cofres das agremiações partidárias".

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10% do Congresso na Lista de Janot.

São 54 nomes, ainda em sigilo. São 28 inquéritos. Por enquanto, somente Teori Zavascki, ministro do STF, além de Rodrigo Janot, procurador geral da República, que encaminhou a lista, sabem quem está na lista. O que choca um país é que cerca de 10% do Congresso está envolvido na roubalheira da Petrobras. Não há como não passar este país a limpo acabando, dentro da lei, com este ciclo perverso, desonesto e corrupto do PT.

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Crise política! Renan devolve para Dilma a MP do Tarifaço.

Em discurso duríssimo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) acaba de devolver à Presidência a medida provisória que revê desonerações de folha de pagamento para vários setores da economia, anunciada na semana passada pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda) como uma das medidas de ajuste da economia para atingir o superávit de 1,2% do PIB prometido pelo governo.

A MP 669/15 foi editada na última quinta-feira. A medida altera alíquota de 1% de contribuição previdenciária sobre a receita bruta, aplicada principalmente para setores da indústria, para 2,5%. Já a alíquota para empresas de serviços, como do setor hoteleiro ou de tecnologia da informação (TI), subirá de 2% para 4,5%. As novas regras valem a partir de junho, por causa da noventena, período de 90 dias para vigência a partir da publicação.

Para recusar a MP, Renan alegou que ela não cumpre um dos requisitos constitucionais, o da urgência, e que poderia tramitar por projeto de lei. Continua discursando de forma dura na Mesa do Senado.

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Como o antevisto aqui, a largada de Janot é muito ruim. Ou: As culpas de todos e de ninguém

Eu antecipei aqui, como sabem, às 6h21 do dia 25, a estratégia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de optar pelas simples aberturas de inquérito. Só estava mesmo muito encantando com a disposição do Janot os que não conhecem o funcionamento do Ministério Público e da Justiça e que não sabem a diferença entre pedir um inquérito e oferecer uma denúncia.

Olhem aqui: se há coisa que quero nessa história toda, juro!, é queimar a língua. Mas a minha está intacta, não é? Em 28 pedidos, Janot quer que 54 pessoas sejam investigadas, certo? Certo! Assim, para todos os efeitos, estão em pé de igualdade.

Depois de um ano da Operação Lava-Jato, depois de muitas dezenas de depoimentos, depois de várias delações premiadas, o procurador-geral não conseguiu enxergar uma hierarquia nas atuações? O Estado é uno, ainda que a Justiça Federal e o Ministério Público atuem independentemente. O fato é que a pretensão punitiva do ente estatal, hoje, tem a convicção de que os crimes aconteceram, tem a convicção de que os corruptores foram seus protagonistas, mas ainda não está certo de que a outra ponta tenha existido.

E EU SEMPRE ALERTEI AQUI PARA ESSE RISCO, MESMO SOB PENA DE SOFRER A DESQUALIFICAÇÃO DE QUEM NÃO TEM A MENOR IDEIA DO QUE ESTÁ FALANDO. Dado o estágio a que chegaram os já réus do petrolão sem foro por prerrogativa de função, somos levados a crer que poderia ter existido um crime monumental como aquele sem políticos.

“Calma, Reinaldo! Vamos esperar!” Sim, eu espero! Até porque, que remédio há? Mas é evidente que Janot optou, vamos dizer, pela horizontalização das atuações ao se negar a ver, em alguns casos ao menos, algo mais do que possibilidades e plausibilidades — hipóteses em que se pede, então, uma abertura de inquérito. De resto, que diabo de delações premiadas são essas que não serviram nem para formar a convicção do procurador?

Infelizmente, meus caros, vai demorar muito tempo para que vocês possam cobrar o meu eventual erro. Cinco, sete, nove anos, como no mensalão? Mais do que isso? Nem sei se, até lá, já não aderi ao meu projeto de pregar aos peixes, como Padre Vieira. Uma coisa é certa: a primeira etapa começa mal. “Mas nem o fato de haver 54 nomes o anima, Reinaldo?” E daí? Se é pedido de inquérito para todo mundo, a multiplicação de nomes só dilui a natureza do crime.

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Levy ameaça se demitir, Dilma corre e envia projeto de lei com parte do conteúdo da MP devolvida

Nunca, mas nunca mesmo!, incluindo o governo Collor, se viu tamanha incompetência na coordenação política do governo. Acreditem ou não, o Palácio do Planalto foi surpreendido com a decisão de Renan Calheiros de devolver a MP da reoneação da folha de pagamentos, embora ele próprio já tivesse dito há alguns dias que a parceria com o PT era capenga e já houvesse faltado, na segunda, a um jantar oferecido por Dilma a peemedebistas. O clima de barata-voa se instalou, e chegou à presidente o recado de Joaquim Levy: sem o ajuste fiscal, ele está fora do cargo. Vocês entenderam direito: na prática, o ministro da Fazenda se demitiu.

Dilma, então, imediatamente enviou um projeto de lei, com pedido de urgência, repetindo parte do conteúdo da MP, concentrando-se apenas no que chamo de reoneração. Vai passar pelo Congresso? O mar não anda para peixe. Como justificar a oneração da Folha com desemprego crescente e com uma recessão que já não é mais uma possibilidade, mas um fato? Eis o busílis. Será que os senhores parlamentares estão dispostos a assumir esse ônus?

O governo faz um voo cego. Por incrível que pareça, no jantar do dia 23, no Palácio do Jaburu, da equipe econômica com líderes peemedebistas, o vice-presidente da República e sete ministros do partido, ninguém tocou no assunto. O petista Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, estava presente. Cabe a pergunta: que diabo de coordenação política é essa?

Eis o ponto: não existe! Um país com crescimento de 5%, inflação de 2,5%, os juros de 4% e Petrobras como exemplo de eficiência não poderia ter no comando político o seguinte Quarteto Fantástico: Mercadante, Pepe Vargas, Jaques Wagner e Miguel Rossetto. Dilma brinca com o perigo. Até eu acho que se encontra coisa melhor no próprio petismo.

Mas a presidente não tem uma virtude que, admito, Lula tem: ele costuma se cercar de pessoas mais capazes do que ele próprio. Podemos não gostar, mas isso é fato. Dilma, ao contrário, faz questão de exercer também a liderança intelectual. E, nesse caso, amigos, a coisa pode ser mesmo explosiva.

O governo não via a hora que Janot entregasse a sua lista. Contava com ela para amenizar o peso sobre os ombros da presidente. Em vez disso, ela está com uma crise nova nas mãos.

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O problema é que o governo Dilma é chavista. Eu me refiro ao amigo do Quico e da Chiquinha. Ou: “Ai que burro, dá zero pra ele!”

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), devolveu a MP da “reoneração” da folha de pagamentos. Alegou vício legal. Disse que a elevação de tributo não podia ser feita por Medida Provisória e que ela desrespeitava o Congresso. E ainda aproveitou para discursar, lamentando não ter devolvido também as outras MPs do ajuste fiscal. Sabem por que isso acontece? Porque temos um governo chavista.

Não, caros! Não estou me referindo àquele tirano mixuruca que governou a Venezuela — mixuruca, mas cujo cadáver adiado mata pessoas. Não! Eu me refiro mesmo é ao amigo do Quico e da Chiquinha, aquela que tem um bordão muito eloquente: “O que você tem de burro, você tem de… burro!” Eu me refiro é à personagem de Roberto Bolaños! É o que me ocorre quando penso nas lambanças protagonizadas por José Eduardo Martins Cardozo, ministro da Justiça. Eu fico com vontade de dizer, como o Chávez no vídeo abaixo:



“Ai que burro! Dá zero pra ele!” Com a devida vênia, é tolice essa história de que Renan devolveu a MP por causa desse ou daquele cargos, desse ou daquele interesses contrariados. Isso tudo, como estamos carecas de saber, já estava no preço. No mês passado, não faz tanto tempo assim, Renan atropelou a oposição e a deixou fora da Mesa do Senado, o que rendeu um bate-boca com Aécio Neves (MG), presidente do PSDB — que ontem elogiou o presidente da Casa. Renan já tinha, àquela altura, agasalhado a perda dos cargos.

Se você notar, leitor, encontrará uma coisa estranha nos jornais e nas análises. Os jornalistas sustentam que a razão principal de Renan ter se insurgido contra o governo foi a inclusão de seu nome na lista dos “54 de Rodrigo Janot”. Sim, o procurador-geral da República incluiu os respectivos nomes do presidente do Senado e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), entre aqueles que devem ser alvos de inquérito.

Aí o sujeito de bom senso logo se pergunta: “Mas o que a Dilma tem com isso? A lista não é de Janot?” Pois é… Eis aí boas perguntas, que seguiram sem resposta até aqui, mas não mais.

Quando Cardozo se mobiliza para, como direi?, manter conversas informais com Janot, o que Brasília inteira leu, embora muitos não queiram vocalizar, é que a dita-cuja obedece, digamos, a uma orientação também política. Nos bastidores, o governismo sabia que alguns nomes do petismo fatalmente estariam lá. A questão era saber quais outros.

Cardozo passou a impressão — que até pode estar errada, né? — de que ele tinha poder sobre a lista. Olhem aqui: pior do que não exercer um poder que se tem é dar a impressão de ter um poder que não se tem. O fato é que Cardozo jamais poderia ter se metido nessa operação — o que inclui a conversa com advogados sobre a conveniência de delações premiadas. Ao fazê-lo, o sistema político sentiu o cheiro da armação. Verdade? Mentira? Pois é… O fato é que Cardozo faz cara de sabido, não é? E essa é outra coisa que também não convém fingir.

Como é que Dilma restabelece as pontes com o PMDB? Não tenho ideia. O discurso de Renan ao devolver a MP era quase o de líder da oposição. Ele sabe que, a partir desta quarta, a sua autoridade está arranhada. Agora, ele é um dos 54, não importa o tamanho do erro, da falha ou da falcatrua que tenha cometido. Ele até pode ser chefão de muita coisa na República, em Alagoas ou em Murici, mas, na Petrobras, nunca chegou a ser um peixão.  Enquanto durar os inquéritos, como explicar as eventuais diferenças?

Verdade ou mentira, o fato é que Cardozo passou a impressão de que a lista era feita a quatro mãos, com o concurso do Palácio do Planalto. O resultado é o que se vê. Essa é mais uma crise que a incompetência política do governo Dilma levou para dentro do Palácio.

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Renan reforça o isolamento do governo
Ricardo Noblat

Como é possível que ninguém dentro do governo soubesse que Renan Calheiros, presidente do Senado e do Congresso, devolveria a Medida Provisória assinada por Dilma que tratava do aumento da contribuição previdenciária para as empresas, anunciada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na última sexta-feira?

Renan considerou a medida inconstitucional. Sob aplausos da oposição e perplexidade do PT, ele decretou: “O Executivo, ao abusar do uso de medidas provisórias, deturpa o conceito de separação dos poderes”.

Sempre se poderá dizer que o Executivo agiu assim até agora, e que Renan nunca reclamou. E daí? Haverá sempre a primeira vez.

O presidente do Senado escolheu a hora certa para agir, conquistando o apoio da quase totalidade dos seus pares.

Chega de o governo despachar para o Congresso tudo o que lhe interessa por meio de Medidas Provisórias.

Basta de o governo prometer que governará com os partidos, ignorando-os em seguida.

Razões menos nobres podem ter movido Renan. Do tipo: ele ainda não conseguiu empregar no governo quem queria. Ou Dilma não ajudou com dinheiro Renanzinho, o novo governador de Alagoas.

Ou o governo não me mexeu para evitar que o nome de Renan fosse citado na lista de políticos envolvidos com a corrupção na Petrobras.

Assinada por Rodrigo Janot, procurador-geral da República, a lista desembarcou no Supremo Tribunal Federal.

Fazem parte dela 54 nomes – entre eles o de Renan e o de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.

Por mais que soe absurdo, Renan acha que o governo poderia, sim, ter dado um jeito de poupá-lo do vexame.

Não importa. Renan foi de um raro oportunismo. E é isso o que distingue um político arguto de um não arguto.

Se por acaso for aberto no Conselho de Ética do Senado algum processo para cassar Renan por quebra de decoro, o time de senadores capaz de derrubar a medida cresceu no rastro do episódio de ontem.

Quanto ao governo de Dilma...

Ou providencia uma nova articulação política ou continuará levando sustos. Ou muda de comportamento ou ficará cada vez mais sozinho.


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Blog do Josias

PMDB agora quer criar as subrelatorias na CPI

Com o aval do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o PMDB deve associar-se aos partidos de oposição para criar subrelatorias na CPI da Petrobras. Se funcionar como planejado, a parceria resultará no esvaziamento da função de relator, ocupada pelo petista Luiz Sérgio. Ele será forçado a dividir tarefas com os subrelatores, alguns deles da oposição.

Além de endossar a criação de relatorias auxiliares, Eduardo Cunha avisou que não dará guarida ao pedido do PT para incluir o governo FHC na pauta da CPI. O deputado realçou que o alvo da investigação consta do requerimento de convocação da CPI: varejar a Petrobras no período de 2005 e 2015. Qualquer coisa fora desse intervalo, só com outra CPI.

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Renan trata Dilma na base do morde-e-assopra

Renan Calheiros impôs a Dilma Rousseff uma vexatória desfeita. Reza a liturgia do poder que não se deve rejeitar convite de presidente da República para conversar. Chamado por Dilma para um jantar de reconciliação com o seu PMDB, Renan esnobou-a.

“Decidi abster-me do jantar entre o PMDB, a presidente da República e ministros, em que se discutirá a coalizão”, escreveu Renan numa nota. “O Presidente do Congresso Nacional deve colocar a instituição acima da condição partidária.” Hã, hã…

Depois de “morder” que sempre o afagou, Renan assoprou. Ele havia convocado para quarta-feira uma sessão do Congresso para analisar vetos presidenciais. Entre eles o que mandou ao lixo a correção da tabela do Imposto de Renda em 6,5%.

Nessa matéria, as chances de derrota de Dilma são reais. Para evitar o infortúnio, Renan antecipou a sessão de quarta para esta terça (3). E fez sumir da pauta o veto aos 6,5% de reajuste na tabela do IR. Com isso, adiou a derrota anunciada de Dilma pela segunda vez.

Com a espada do petrolão sobre sua ex-calva, Renan tornou-se uma espécie de esfinge decifrada. Ele estufa o peito como uma segunda barriga, faz pose de independente e desafia Dilma: “Devora-me ou te decifro.”

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PMDB teme que petrolão inclua Renan e Cunha

A iminência do envio ao STF da lista de políticos encrencados no petrolão deixou a cúpula do PMDB em polvorosa. Longe dos refletores, dirigentes da legenda se preparam para o pior. Receiam que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, inclua no rol de providências que requisitará ao Supremo a abertura de inquéritos contra o senador Renan Calheiros e também contra o deputado Eduardo Cunha.

Repetindo: nos subterrâneos, dirigentes do PMDB discutem a sério a hipótese de Janot levar à linha de tiro do petrolão os presidentes da Câmara e do Senado. Algo que, se confirmado, adicionará escárnio no escândalo. Se a dupla virar parte da sangria, com que isenção irá comandar as duas Casas de um Poder hemorrágico?

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Esperando Janot!



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Neocartel!


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O 15 de Março – O Planalto  conta com Janot para tirar o povo da rua

Emissários do governo Dilma decidiram ter um mínimo de juízo, coisa que o PT e a CUT, como entes, definitivamente, parecem não ter. A central sindical marcou para o dia 13 atos em defesa da Petrobras. Defesa contra quem? Só se for contra os petistas e os cutistas, não é mesmo? É uma piada. Lula já estrelou aquela patuscada no Rio, e todos viram no que deu a coisa: os tonton macoutes do petismo distribuíram porradas em meia-dúzia que protestavam contra a roubalheira e só contribuíram para acirrar ainda mais os ânimos.

Pois bem: o Planalto quer que a CUT desista do ato por alguns bons motivos. Em primeiro lugar, acha que será um fiasco, já que nem os esquerdistas andam com muito ânimo para “defender a Petrobras”. Mas a razão principal é outra: eventual manifestação do dia 13 acabaria pondo lenha da fogueira e servindo, na verdade, como um estímulo para o ato em favor do impeachment da presidente, que está marcado para o dia 15 em várias cidades do país.

É crescente a preocupação do governo com essa manifestação. A situação política se deteriorou de tal maneira que o Palácio teme uma manifestação gigante, para a qual não haveria resposta. Se vai mesmo acontecer, ninguém sabe. Em 2013, os brasileiros expressaram um sentimento difuso de mudanças. A presidente pôde então enrolar a turma com a patranha das reformas. Em 2014, os protestos tinham como alvo os gastos da Copa. Neste 2015, vai-se pedir é o impeachment da presidente. Nesse caso, ela própria não teria muito a dizer.

Alguns palacianos estão apostando todas as suas fichas na “Lista de Janot”. Avaliam que, se ela estiver recheada com alguns nomes da oposição, a pressão sobre o governo diminui, e o ânimo anti-Dilma arrefece.

O Planalto, em suma, conta com Janot para tirar o povo da rua.

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Movimento faz vigília na Procuradoria Geral; Janot promete investigação longa, mas diz que culpados pagarão. E, de novo, a questão da denúncia e do inquérito

Na noite desta segunda-feira, o movimento “Vem Pra Rua” optou pelo bom caminho e decidiu fazer uma vigília às portas da Procuradoria-Geral da República. Trata-se de um dos grupos que organizam o protesto do dia 15 de março. Sem hostilidade, sem violência, sem intimidação, o “Vem Pra Rua” foi expressar o seu “apoio” a Rodrigo Janot, o procurador-geral da República. O grupo portava cartazes como “Janot, você é a esperança do Brasil”, com o qual o próprio se deixou fotografar (ver abaixo). Muitos seguravam velas acesas.

Janot foi ao encontro dos manifestantes e fez uma curta declaração, que resultou num vídeo que está no Youtube (veja lá no alto). Afirmou: “Vamos trabalhar com tranquilidade, com equilíbrio, e quem tiver que pagar vai pagar. Nós vamos apurar, isso é um processo longo, está começando agora. A investigação começa, e nós vamos até o final desta investigação”. Os presentes gostaram do que ouviram. Animado, Janot ousou um pouco mais: “Se eu tiver que ser investigado, eu me investigo”.

O procurador-geral foi ao encontro do grupo ali pelas 20 horas, depois de revisar os pedidos de abertura de inquérito que fará ao Supremo Tribunal Federal.

Atravessando o glacê das intenções e da fala autolaudatória, há uma verdade inequívoca no que disse o procurador-geral: “Nós vamos apurar, isso é processo longo, está começando agora”. Sem dúvida, será longuíssimo.

Fiquem atentos
Foi bom o movimento ter ido à Procuradoria-Geral para que Janot saiba que muita gente, no país, está de olho no que se faz por lá. Infelizmente, tem sido fácil enganar jornalistas, que, não raro, não dão muita bola para detalhes jurídicos. Por que afirmo isso?

Janot deve mesmo só pedir a abertura de inquéritos, em vez de fazer denúncias, que seria um passo adiante. Qual é o malefício essencial dessa escolha? Igualar todos os suspeitos. Suponho que os que fizeram delação premiada apresentaram provas, não? Então os políticos serão alvos de simples inquéritos, independentemente do grau de comprometimento com o esquema? Teremos um procedimento que igualará os desiguais?

Li há pouco, num portal, uma reportagem de uma ingenuidade quase encantadora. Alguém da assessoria de Janot passou a informação furada de que as condenações por formação de quadrilha de José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino foram revertidas no julgamento dos embargos infringentes justamente porque estariam mal formuladas, em razão de Antônio Fernando de Souza, o então procurador-geral, ter optado logo pela denúncia, em vez do inquérito. Bem, a informação é falsa como nota de R$ 3. A reversão nada teve a ver com mais cuidado ou menos cuidado. Os ministros que não os condenaram simplesmente não reconheceram a existência de tal crime porque entenderam que a quadrilha supunha uma organização permanente, formada com o fim de delinquir. ELES NÃO RECONHECERAM FOI O TIPO PENAL. NADA TEVE A VER COM MAIS CUIDADO OU MENOS CUIDADO. Pesquisem para ver.

Vamos aguardar a “Lista de Janot”. Caso se confirmem os bochichos de corredor, divulgados os nomes, teremos um rol horizontal, suprapartidário, a indicar que todo o espectro político está contaminado por práticas criminosas. O governo Dilma precisa desesperadamente de uma lista assim para conseguir pôr o nariz fora d’água. E o PT também.

Torço muito para que os aplausos dispensados a Janot nesta segunda sejam merecidos. Como a lista não saiu, ele ainda tem tempo de fazer a coisa certa. E a primeira coisa certa a fazer é desigualar os desiguais. Depois de tanta investigação e de tantas delações premiadas, custo a crer que um procurador não consiga distinguir os motivos para uma denúncia dos motivos para uma simples abertura de inquérito.

Vamos lá. Vamos confiar. Janot certamente leu “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos. E lá se encontram coisas como esta: “O beijo, amigo, é a véspera do escarro,/ A mão que afaga é a mesma que apedreja.”

Que Janot ofereça motivos para novos beijos e novos afagos.

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Corrupção e gestão temerária levarão os companheiros do PT, quem diria?, a privatizar parte da Petrobras. E, DESTA VEZ, É VERDADE: A PREÇO DE BANANA!!! Os brucutus do petismo e da CUT ficarão calados? Vão se acovardar? E o meu plano para a estatal

Ah, como esquecer os brucutus do PT e da CUT nas ruas contra as privatizações de estatais, que teriam sido vendidas “a preço de banana”, o que sempre foi uma mentira escandalosa? Como esquecer as campanhas eleitorais de 2002, 2006 e 2010, quando a petezada acusava os tucanos, outra mentira suja, de querer privatizar a Petrobras? Na primeira campanha eleitoral de Dilma, José Sérgio Gabrielli, este monumento moral, concedeu uma entrevista à Folha em que assegurava que FHC tentara, sim, a privatização. Nunca aconteceu! Eis que, agora, os companheiros anunciam que vão abrir mão de ativos da Petrobras no valor de US$ 13,7 bilhões — R$ 39 bilhões pela atual cotação.

É claro que recorro aqui a uma licença. É claro que sei a diferença entre venda de ativos e venda de uma parte das ações. A diferença é de natureza jurídica, não é de essência. Mas, numa coisa, tem-se algo de essencialmente distinto: os petistas estão tendo de abrir mão de parte da Petrobras porque conduziram a empresa à lona, ao caos, à falência técnica. Só não se pode dizer que a empresa está quebrada porque o fundo de uma estatal é sempre um… buraco sem fundo.

Sim, caros, a venda dos ativos se dará na bacia das almas. Agora, sim, os ativos serão passados adiante pelo preço de banana. A razão é simples: o vendedor que está com a corda no pescoço tem menos poder de negociação. E essa é, precisamente, a situação da Petrobras.

A gestão Graça Foster previa livrar-se de US$ 3 bilhões em ativos. Depois que a Moody’s deu um tombo no rating da Petrobras, passando para o segundo nível do grau especulativo, a empresa deu adeus às captações no exterior. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários, a estatal anunciou que 40% desses ativos pertencem à área de Gás e Energia; 30%, à de Exploração e Produção, e 30%, à de Abastecimento. Excetuando-se esse último grupo, conclui-se, então, que 70% dos ativos dos quais a Petrobras abrirá mão vêm de suas duas principais atividades-fim. É a confissão de um desastre.

O objetivo do “desinvestimento”, conforme está no comunicado da empresa, “visa à redução da alavancagem, preservação do caixa e concentração nos investimentos prioritários, notadamente de produção de óleo & gás no Brasil em áreas de elevada produtividade e retorno.” Ou por outra: a Petrobras precisa cuidar do seu caixa e reduzir a sua estúpida dívida, hoje de quase R$ 262 bilhões.

Segundo apurou O Globo, a Petrobras pretende “vender campos de petróleo no pós-sal da Bacia de Campos, áreas maduras com produção em terra, participações em blocos no exterior e algumas plataformas de petróleo. Na lista, destacou uma fonte, está ainda a venda de parte das atividades na Argentina, onde a estatal tem diversos ativos, como campos de petróleo e postos de gasolina. A empresa, disse outra fonte, ainda pretende se desfazer da refinaria de Okinawa, no Japão, e de pequenas centrais hidrelétricas.”

Pois é, leitor amigo! Agora coloque nessa equação o modelo que foi aprovado para a exploração do pré-sal, que obriga a Petrobras a ser parceira da exploração, arcando com 30% dos investimentos necessários. Uma exploração que, dado o preço do barril do petróleo — que despencou para não mais subir — já é antieconômica.

Fabio Rhein, professor de finanças corporativas do Ibmec-RJ, antevê em entrevista ao Globo: ”A empresa vai ter dificuldade para vender seus ativos no momento atual, pois atravessa uma fase de falta de credibilidade. Mesmo que consiga, vai vender os ativos abaixo do preço, e isso vai prejudicar seu fluxo de caixa”.

Parte da Petrobras foi, digamos assim, privatizada pelos ladrões. Outra parte, agora, vai para o ralo para tapar os buracos provocados pelos larápios e pelos incompetentes. Os companheiros conseguiram. Agora, com efeito, a gente pode dizer: nunca antes na história deste país se viu privatização assim. O lulo-petismo, de fato, está fazendo algo inédito.

A propósito: os brucutus do PT e da CUT ficarão calados desta vez? Eu, convenham, não tenho por que protestar. Já tracei o meu plano para a Petrobras. Anunciaria a privatização de toda a empresa em 2017. As ações disparariam. Em vez da privatização petista a preço de banana, teríamos uma a peso de ouro. Mas isso é sensato demais para ser feito pelos companheiros, né?

Às ruas, brucutus!

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Dilma, a dona de casa, reaparece em Montevidéu. Simpático, não?
Ricardo Noblat

Somente o desespero com a queda de popularidade explica o lance bobo de marketing que levou a presidente Dilma Rousseff a ir às compras no supermercado Devoto, no bairro de Malvín, área nobre de Montevidéu, capital do Uruguai.

Ela chegou ali, no último sábado, para assistir à posse do novo presidente do Uruguai, Tabare Vazquez. Hospedou-se no luxuoso hotel Sofitel, a pouca distância do supermercado.

Os jornalistas brasileiros só chegaram a Montevidéu três horas depois. Livre deles, Dilma foi ao supermercado acompanhada de agentes de segurança e comprou o que quis. A saber:

• Três potes de doce de leite da marca uruguaia Conaprole;
• uma garrafa de vinho uruguaio da uva Tannat;
• um requeijão;
• e um queijo cremoso Talarcrem, da Talar, também uruguaio.

Logo ela, que estava de regime.

Naturalmente, foi reconhecida por fregueses do supermercado. E durante os 15 minutos que ficou por lá posou para fotos. Estimulou os que a fotografaram a pôr as imagens nas redes sociais.

Assim, mais tarde, os jornalistas brasileiros puderam resgatar fotos do episódio que não testemunharam. Dilma aparece nelas com uma sacola de compras e parada diante do caixa.

Dez dias antes, em discurso sobre o ajuste fiscal, em Brasília, Dilma havia dito que era preciso se comportar como uma dona de casa capaz de cortar despesas, se preciso.

A dona de casa reapareceu em Montevidéu. Que tal?

Janaína Figueiredo, repórter de O Globo, perguntou, ontem, a assessores de Dilma no Palácio do Planalto se ela trouxe para o Brasil o que comprara em Montevidéu.

Afinal, uma cartilha do Ministério da Agricultura “recomenda aos viajantes brasileiros que procurem comprar produtos importados de origem vegetal e animal, como os itens adquiridos pela presidente, em free shops no Brasil”. Alerta a cartilha:

- Se você for ao exterior, os derivados de leite, como doce de leite, queijos e iogurtes, também estão proibidos, pois necessitam de temperatura de refrigeração para uma correta conservação. Quando trazidos em bagagens do exterior, permanecem várias horas fora da temperatura adequada e podem conter bactérias e outros patógenos, causando riscos à saúde de quem os consome.

Ninguém no Palácio do Planalto respondeu à pergunta de Janaína.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Dilma está com saudade da massa e decide encontrar em supermercado do Uruguai o verdadeiro povo paraguaio…

Dilma Rousseff está com saudade do povo. E, aí, até o uruguaio serve. Não podendo mais transitar entre os nativos de sua própria pátria, tomou os do país vizinho de empréstimo. Sabem como é… Deve estar carente de um olhar admirado, embevecido, gentil… Ao ver um pau de self, seu coração certamente se contrai de melancolia. Ah, a algazarra daqueles tempos do “nunca antes na história deste país…” Eles se foram para nunca mais voltar — não ao menos enquanto durar o seu governo.

Dilma foi ao Uruguai para a posse de Tabaré Vásquez, novo presidente do país. Cansada do claustro imposto pela impopularidade, a petista decidiu, no sábado, dar uma chegadinha ao supermercado Devoto, no bairro Malvín, área nobre de Montevidéu. E foi, naturalmente, bem recebida… pelos uruguaios.

Informa o jornal uruguaio “El País”: “A mandatária brasileira comprou produtos básicos, como leite. Alguns clientes e empregados do supermercado a reconheceram de imediato e lhe pediram para tirar foto. Segundo apurou o jornal, Dilma aceitou de bom grado posar para os curiosos e os incentivou a postar as imagens nas redes sociais”.

Pouco antes, a presidente brasileira havia participado da inauguração de um parque eólico em Colônia de Sacramento, um empreendimento tocado pelo Brasil e pelo Uruguai. Como ela se deslocou para Montevidéu de helicóptero, e os jornalistas brasileiros, de ônibus, ela aproveitou uma folga de três horas longe dos brasucas para dar o seu passeio. Não teve de responder nenhuma pergunta incômoda. Ela esperou o fim da solenidade porque foi ao Rio participar das festividades dos 450 anos da cidade.

Não que Dilma tenha visitado um supermercado no Uruguai para curtir uma inflação baixa. Com uma taxa na casa dos 8%, o país não chega a nos fazer inveja nesse particular. Uma coisa é certa: a presidente não conseguiria ir a um supermercado no Brasil. Na raiz do descontentamento com o seu governo, que ficará claro nos protestos do dia 15 de março, está, sim, a roubalheira na Petrobras, mas não só: a inflação alta é hoje uma das principais fontes de desgaste de sua gestão.

Dilma, em suma, não tem como enfrentar o povo brasileiro e decidiu, então, encarar no Uruguai o povo paraguaio…

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PMDB rechaça manobra petista e quer manter o eixo da CPI da Petrobras. A propósito: chegou a hora de investigar o roubo de que a estatal foi vítima na Bolívia, durante a parceria Lula-Evo Morales

O requerimento que criou a nova CPI da Petrobras na Câmara estabelece que a finalidade da comissão é “investigar a prática de atos ilícitos e irregulares no âmbito da empresa de Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras) entre os anos de 2005 e 2015”. O petista Luiz Sérgio (RJ), no entanto, relator, já deixou claro que pretende estender a apuração ao governo FHC. Deixada por conta do PT, chegar-se-ia às capitanias hereditárias. Sabem como é… Um bom jeito de não investigar nada é propor investigar tudo.

Segundo informa a Folha na edição desta segunda, o PMDB decidiu dar um chega pra lá na estratégia petista e se organiza para concentrar a investigação no período estabelecido pelo requerimento. Afinal, foi ele que mereceu a assinatura dos deputados.

Sérgio usa como pretexto para desvirtuar a investigação o depoimento do ex-gerente Pedro Barusco, que declarou ter começado a receber propina da empresa holandesa SBM Offshore entre 1997 e 1998. A própria presidente Dilma Rousseff recorreu a esse depoimento para afirmar que a corrupção começou no governo FHC, fala que logo caiu no ridículo e que gerou uma penca de memes na Internet.

Barusco, de fato, fez essa declaração. Mas já resta mais do que evidente que, no caso, um funcionário da estatal se deixava corromper; tratava-se, digamos, de um empreendimento individual. Já abordei esse assunto aqui. Mundo afora, empresas são flagradas corrompendo quadros técnicos do Estado e de outras empresas. No Brasil — e em países marcados pelo estatismo —, as falcatruas costumam ser conduzidas por políticos, por homens públicos.

Caso o PMDB não ceda à patranha de Luiz Sérgio, a CPI começa o seu trabalho no rumo: é preciso investigar as safadezas entre 2005 e 2015 porque, nesse período, o que se viu foi a organização de uma máquina para assaltar o Estado em benefício de um projeto de poder. É aí que está o centro da questão. Ninguém duvida que tenham existido antes ladrões na Petrobras ou que outros possam existir depois. Têm de ser exemplarmente punidos. Mas não se pode usar uma CPI para tentar mudar a natureza do crime investigado.

Ainda segundo a Folha, os peemedebistas combinaram com Hugo Motta (PB), presidente da comissão, a criação de uma sub-relatoria para tentar recuperar ativos da Petrobras no exterior. Teria havido irregularidades sobretudo na África.

Bolívia
A propósito: a CPI tem de aproveitar a oportunidade para saber que fim levaram os ativos da Petrobras na Bolívia, expropriados por Evo Morales em maio de 2006. O índio de araque tomou duas refinarias da empresa de arma na mão. Ou melhor: eu sei que fim levaram os ativos; o que nunca ninguém descobriu é se a estatal brasileira foi ressarcida.

Depois do ato hostil, o BNDES andou financiando obras na Bolívia. Só para a construção da rodovia Santo Ignácio de Moxos-Villa Tunari, o banco estatal brasileiro assinou contrato de US$ 332 milhões, uma obra executada pela construtora OAS.

Em 2013, a Petrobras voltou a investir naquele país. As iniciativas fazem parte do pacote de generosidades do petismo com governantes com os quais mantém afinidade ideológica. Só que faz isso com o nosso dinheiro.

Encerro
Vamos ver. A CPI, como é sabido, foi instalada sob o signo da desconfiança em razão do fiasco das duas comissões criadas no ano passado, a do Senado e a mista. Os petistas são os primeiros a espalhar que o PMDB quer usar a investigação para pôr a faca no pescoço do governo e negociar cargos e vantagens.

Caberá basicamente ao PMDB provar que isso é mentira.

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Lula, de esperança a forte ameaça à democracia
Ricardo Noblat

O que leva Dilma, aos 67 anos de idade, a ser tão rude com seus subordinados? A pedido de quem me contou, não revelarei a fonte da história que segue.

No ano passado, ao ouvir do presidente de uma entidade financeira estatal algo que a contrariou, Dilma elevou o tom da voz e disse:

- Cale a boca. Cale a boca agora. Você tem 50 milhões de votos? Eu tenho. Quando você tiver poderá ocupar o meu lugar.

Dilma goza da fama de mal educada. Lula, da fama de amoroso. Não é bem assim. Lula é tão grosseiro quanto ela. Tão arrogante quanto.

Eleito presidente pela primeira vez, reunido em um hotel de São Paulo com os futuros ministros José Dirceu, Gilberto Carvalho e Luís Gushiken, entre outros, Lula os advertiu:

- Só quem teve voto aqui fui eu e José Alencar, meu vice. Não se esqueçam disso.

Em meados de junho de 2011, quando Dilma sequer completara seis meses como presidente da República, ouvi de Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, um diagnóstico que se revelou certeiro.

“Dilma tem ideias, cultura política. Mas seu temperamento é seu principal problema”, disse ele. “Outro problema: a falta de experiência. E mais um: tem horror à pequena política. Horror”.

Na época, Eduardo era aliado de Dilma. Nem por isso deixava de enxergar seus defeitos.

“Dilma montou um governo onde a maioria dos ministros é fraca”, observou. “Todos morrem de medo dela. No governo de Lula, não. Ministro era ministro. Agora, é serviçal obediente e temeroso. Lula não pode fingir que nada tem a ver com isso. Afinal, foi ele que inventou Dilma”.

Lula não perdoa Dilma por ela não ter cedido a vez a ele como candidato no ano passado. Mas não é por isso que opera para enfraquecê-la sempre que pode.

Procede assim por defeito de caráter. Com Dilma e com qualquer um que possa causar-lhe embaraço.

Se precisar, Lula deixa os amigos pelo meio do caminho. Como deixou José Dirceu, por exemplo. E Antonio Palocci.

Pobre de Dilma quando Lula se oferece para ajudá-la.

Na última quarta-feira, ele jantou com senadores do PT. Ouviu críticas a Dilma e a criticou. No dia seguinte, tomou café da manhã com senadores do PMDB. O pau cantou na cabeça de Dilma.

Tudo o que se disse nos dois encontros acabou se tornando público. Em momento de raro isolamento, Dilma precisa de muitas coisas, menos de briga.

Pois foi com o discurso belicoso de sempre, do nós contra eles, do PT e dos pobres contra as elites,  que Lula participou de um ato no Rio em favor da Petrobras.

Sim, da Petrobras degradada nos últimos 12 anos pelo PT e seus aliados.

Pediu que seus colegas de partido defendessem a empresa e se defendessem da acusação de que a saquearam.

E por fim acenou com a possibilidade de chamar “o exército” de João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Sem Terra, para sair às ruas e enfrentar os desafetos do PT e do governo.

Washington Quaquá, presidente do PT do Rio de Janeiro e prefeito de Maricá, atendeu de imediato ao apelo de Lula. Escreveu em sua página no Facebook:

- Contra o fascismo, a porrada. Não podemos engolir esses fascistas burguesinhos de merda. Está na hora de responder a esses filhos da puta que roubam e querem achincalhar o partido que melhorou a vida de milhões de brasileiros. Agrediu, damos porrada.

É o exemplo que vem de cima!

Para o bem ou para o mal, este país carregará na sua história a marca indelével de um ex-retirante nordestino miserável, agora um milionário lobista de empreiteiras, que disputou cinco eleições presidenciais, ganhou duas vezes e duas vezes elegeu uma sem voto, sem carisma e sem preparo para governar.

Lula já foi uma estrela que brilhava sem medo de ser feliz.

Foi também a esperança que venceu o medo.

Está se tornando uma forte ameaça à democracia.

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Pepe Vargas virou peça decorativa no Planalto

Titular da pasta das Relações Institucionais, o ministro Pepe Vargas (PT-RS) deveria ser o articulador político de Dilma Rousseff. Desde que assumiu o desafio, em 1º de janeiro, não conseguiu expor aos aliados do governo no Congresso um itinerário. Como o poder não tolera a impotência, seu colega Aloizio Mercadante (Casa Civil) assumiu o volante. E Pepe virou um articulador ornamental.

Nos dois meses iniciais do segundo mandato de Dilma, o nome de Pepe foi anotado na agenda oficial da presidente uma mísera vez, no dia 9 de janeiro. E não foi para uma conversa a sós, mas para uma reunião da qual tomaram parte também os ministros Mercadante e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência).

Lula costuma dizer que o coordenador político de um governo tem prazo de validade curto. Com Pepe, o desgaste veio na velocidade de um raio. Principal sócio do empreendimento governista, o PMDB desligou-o da tomada. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, chama-o de trapalhão. O comandante do Senado, Renan Calheiros, o ignora.

No momento, a prioridade do Planalto é azeitar no Congresso a votação das medidas provisórias que compõem o esforço fiscal do governo. Na semana passada, a equipe econômica —Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central)— jantou com o PMDB. Dilma providenciou para que Mercandate acompanhasse a troica, não Pepe.

Um emissário de Dilma foi conversar com Eduardo Cunha na residência oficial da presidência da Câmara. De novo, a missão foi confiada a Mercadante, não a Pepe. Entre todos os 39 ministros, Mercadante é o que mais vira a maçaneta da sala de Dilma.

Afora as conversas extra-oficiais, Mercadante apareceu na agenda da presidente sete vezes em dois meses. Colados nele, vêm os ministros Nelson Barbosa (Planejamento), com cinco audiências; e Joaquim Levy, com quatro.

Por ora, o vaivém do governo apenas acrescentou descoordenação ao que já estava fora de controle. O próprio Lula engrossou o coro dos críticos em duas reuniões político-gastronômicas da semana passada —um jantar com a bancada de senadores do PT e um café da manhã com os dirigentes do PMDB.

Nesta segunda-feira, empurrada por Lula, a própria Dilma receberá para jantar no Palácio da Alvorada os caciques do PMDB. Vão discutir a relação à luz do que disse o aliado Renan Calheiros: “A coligação está capenga”.

‘Onerismo’!




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Blog do Noblat

A miséria da política
Fernando Henrique Cardoso

Otimista por temperamento com os necessários freios que o realismo impõe raramente me deixo abater pelo desalento. Confesso que hoje, no entanto, quase desanimei: que dizer, que recado dar diante (valham-me os clássicos) de tanto horror perante os céus?

Na procura de alento, pensei em escrever sobre situações de outros países. Passei o carnaval em Cuba, país que visitava pela terceira vez: a primeira, na década de 1980, quando era senador. Fui jurado em um prêmio Casa de las Américas.

Voltei à Ilha como presidente da República. Vi menos do povo e dos costumes do que na vez anterior: o circuito oficial é bom para conhecer outras realidades, não as da sociedade. Agora visitei Cuba como cidadão comum, sem seguranças, nem salamaleques oficiais. Fui para descansar e para admirar Havana, antes que o novo momento econômico de relações com os Estado Unidos a modifique muito.

Não fui, portanto, para avaliar a situação política (sequer possível em sete dias) nem para me espantar com o já sabido, de bom e de mau, que lá existe. Não caberia, portanto, regressar e fazer críticas ao que não olhei com maior profundidade.

Os únicos contatos mais formais que tive foram com Roberto Retamar (poeta e diretor da referida Casa de las Américas), com o jornalista Ciro Bianchi e com o conhecido romancista Leonardo Padura.

Seu livro “El Hombre que amaba los perros”, sobre a perseguição a Trotski em seu exílio da União Soviética, é uma admirável novela histórica. Rigorosa nos detalhes, aguda nas críticas, pode ser lida como um livro policial, especialidade do autor, que, no caso, reconstitui as desventuras do líder revolucionário e o monstruoso assassinato feito a mando de Stálin.

Jantei com os três cubanos e suas companheiras. Por que ressalto o fato, de resto trivial? Porque, embora ocupando posições distintas no espectro político da Ilha, mantiveram uma conversa cordial sobre os temas políticos e sociais que iam surgindo.

A diversidade de posições políticas não tornava o diálogo impossível. Eles próprios não se classificavam, suponho, em termos de “nós” e “eles”, os bons e os maus.

Por outra parte, ainda que o cotidiano dos cubanos seja de restrições econômicas que limitam as possibilidades de bem-estar, em todos os populares com quem conversei, senti esperanças de que no futuro estariam melhores: o fim eventual do embargo, o fluxo de turistas, a liberdade maior de ir e vir, as remessas aumentadas de dinheiro dos cubanos da diáspora, tudo isso criou um horizonte mais desanuviado.

É certo que nem em todos os contatos mais recentes que tive com pessoas de nossa região senti o mesmo ânimo. Antes de viajar, recebi a ligação telefônica da mãe de Leopoldo Lopes, oposicionista venezuelano que cumpriu um ano de cadeia no dia 18 de fevereiro.

Ponderada e firme, a senhora me pediu que os brasileiros façamos algo para evitar a continuidade do arbítrio. Ainda mantém esperanças de que, ademais dos protestos no Congresso e na mídia, alguém do governo entenda nosso papel histórico e grite pela liberdade e pela democracia.

Esta semana foi a vez de Enrique Capriles me telefonar para pedir solidariedade diante de novos atos de arbítrio e truculência em seu país: o prefeito Antonio Ledezma, eleito ao governo do Distrito Metropolitano de Caracas pelo voto popular, havia sido preso dias antes em pleno exercício de suas funções.

Não bastasse, em seguida houve a invasão de vários diretórios de um partido oposicionista. Note-se, como me disse Capriles, que Ledezma não é um político exaltado, que faz propostas tresloucadas: ele, como muitos, deseja apenas manter viva a chama democrática e mudar pela pressão popular, não pelas armas, o nefasto governo de Nicolás Maduro. Esperamos todos que o desrespeito aos direitos humanos provoque reações de repúdio ao que acontece na Venezuela.

Até mesmo os colombianos, depois de meio século de luta armada, vão construindo veredas para a pacificação. As Farc e o governo vêm há meses, lenta, penosa mas esperançadamente abrindo frestas por onde possa passar um futuro melhor.

Amanhã, segunda-feira, 2 de março, o presidente Santos e outras personalidades, entre as quais Felipe González, estarão reunidos em Madri num encontro promovido por “El País” ( ao qual não comparecerei por motivos de força maior) para reafirmar a fé na paz colombiana.

Enquanto isso, nós que estamos longe de sofrer as restrições econômicas que maltratam o povo cubano ou os arbítrios de poder que machucam os venezuelanos, eles também submetidos à escassez de muitos produtos e serviços, nos afogamos em copo d’água.

Por que isso, diante de uma situação infinitamente menos complexa? Por que Lula, em lugar de se erguer ao patamar que a história requer, insiste em esbravejar, como fez ao final de fevereiro, dizendo que colocará nas ruas as hostes do MST (pior, ele falou nos “exércitos”...) para defender o que ninguém ataca, a democracia e — incrível — para salvar a Petrobras de uma privatização que tucano algum deseja?

Por que a presidente Dilma deu-se ao ridículo de fazer declarações atribuindo a mim a culpa do petrolão? Não sabem ambos que quem está arruinando a Petrobras (espero que passageiramente) é o PT que, no afã de manter o poder, criou tubulações entre os cofres da estatal e sua tesouraria?

Será que a lógica do marquetismo eleitoral continuará a guiar os passos da presidente e de seu partido? Não percebem que a situação nacional requer novos consensos, que não significam adesão ao governo, mas viabilidade para o Brasil não perder suas oportunidades históricas?

Confesso que tenho dúvidas se o sentimento nacional, o interesse popular, serão suficientes para dar maior têmpera e grandeza a tais líderes, mesmo diante das circunstâncias potencialmente dramáticas das quais nos aproximamos. Num momento que exigiria grandeza, o que se vê é a miséria da política.

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Dilma e Levy se desentendem no mesmo idioma

Com certa dose de suplício, uma pessoa pode controlar todos os barulhos do seu corpo —o pum, o arroto, o espirro… Mas o ruído do subconsciente ninguém controla. Ele fica martelando dentro da cabeça até escapar pela boca quando menos se espera. Foi o que sucedeu com Joaquim Levy na sexta-feira.

Traído pelo inconsciente, o ministro da Fazenda sofreu um incidente verbal ao se referir à política de desoneração da folha de pagamento como “um negócio muito grosseiro''. Uma “brincadeira” que, iniciada sob o antecessor Guido Mantega, impediu o governo de arrecadar R$ 25 bilhões.

O Planalto abespinhou-se instantaneamente. E Dilma torceu o nariz de Levy neste sábado, tachando de “infeliz” o sincericídio do seu ministro. Levy penitenciou-se em privado. Reconheceu que foi “infeliz” na escolha das palavras. “Fui coloquial demais”, disse. O diabo é que tudo o que a pessoa diz conscientemente nunca é tão sincero quanto o que lhe escapa inconscientemente.

O que o subconsciente de Levy declarou, com outras palavras, foi o seguinte: considerando-se a relação custo-benefício, a tática da desoneração revelou-se um fiasco. Dilma discordou. “Eu acredito que a desoneração da folha foi importantíssima e continua sendo.” Quer dizer: para a presidente, a coisa deu certo.

Dilma precisa chamar Levy, urgentemente, para uma conversa. Na semana anterior, o ministro já havia declarado que o primeiro reinado de sua chefe fora tisnado por uma “escorrecadazinha” na área fiscal. Antes que seu subconsciente vaze novas declarações tóxicas, convém combinar o que é “dar certo”.

A presidente e o ministro terão de definir índices e combinar critérios. Por exemplo: “certo” se mede pela propaganda do João Santana ou pela realidade? Que peso relativo deve ser atribuído aos juros altos, à inflação acima do teto da meta e ao PIB negativo?

Uma vez estabelecido o consenso sobre o que é “dar certo”, Dilma só precisará explicar à plateia por que diabos foi buscar Levy, um eleitor de Aécio, para dar continuidade aos “êxitos'' de Guido Mantega, cuja demissão fora anunciada com uma antecedência de três meses. Levando a busca a sério, a presidente talvez comece a falar a mesma língua do subconsciente do ministro da Fazenda. Do contrário, continuarão se desentendendo no mesmo idioma.

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Combustíveis!



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CARDOZO E AS CONVERSAS IMPRÓPRIAS – Ou: Quanto mais mexe, mais fede

Lá em Dois Córregos e, suponho, em quase todo o país, é bastante conhecida a frase, cuja origem não requer grandes voos interpretativos, que assegura: “Quanto mais mexe, mais fede”.

É o que me ocorre ao ler reportagem de Robson Bonin na VEJA desta semana. Apareceu um novo personagem nas, digamos, “conversas” que José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça  andou mantendo com advogados de empreiteiras. Leiam texto publicado na VEJA.com:
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Flagrado em conversas impróprias com advogados das empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tornou-se alvo de um processo na Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Os integrantes do órgão deram dez dias para que explique seus encontros fora da agenda com advogados de empreiteiros presos no escândalo de corrupção na Petrobras. Na edição passada, VEJA revelou que Ricardo Pessoa, dono da UTC, preso em Curitiba, ouviu de seus advogados que partiu do ministro a iniciativa de chamar os defensores para uma conversa reservada, ocasião em que foram alertados de que havia uma reviravolta no processo.

O ministro também argumentou sobre a inadequação de levar em frente o acordo de delação que Ricardo Pessoa negocia com a Justiça. O empresário é guardião de segredos letais para muitos figurões do governo. Dirigentes da empreiteira confirmaram que, apenas no ano passado, Pessoa entregou 30 milhões de reais para as campanhas do PT e da presidente Dilma Rousseff, dinheiro obtido por meio de propinas de contratos superfaturados da Petrobras.

A conversa com os advogados em Brasília criou constrangimentos ao ministro porque, se admitida, caracterizaria uma interferência ilegal de uma autoridade no processo judicial. Cardozo, primeiro, negou. Depois, admitiu o encontro, que teria sido “casual”, mas não confirmou ter falado sobre delações ou investigações da Operação Lava-Jato. Há um novo personagem nessa história. Segundo executivos da UTC, para estabelecer um canal direto e seguro com os defensores da empreiteira, o ministro Cardozo recorreu a Flávio Caetano, secretário nacional de Reforma do Judiciário, que foi coordenador jurídico da campanha de Dilma Rousseff no ano passado.

Caetano é velho conhecido dos advogados da UTC, Sérgio Renault e Sebastião Tojal, com quem chegou a trabalhar. Nos dias que antecederam o misterioso encontro de Sérgio Renault com Cardozo em Brasília, Caetano telefonou para Tojal para avisar que o ministro desejava encontrá-los. Procurado por VEJA, o secretário confirmou a ligação, mas negou que tenha repassado recados do ministro. “Flávio Caetano é amigo há mais de quinze anos do doutor Sebastião Tojal, com quem tem mantido ao longo do tempo parceria acadêmica. O telefonema em questão se deveu a um trabalho acadêmico a ser publicado que ainda está em curso”, informou o secretário por meio de uma nota.

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Dilma sai em defesa de Dilma em razão das medidas adotadas pelo governo Dilma contra medidas adotadas pelo governo Dilma. Dilma diz que Dilma está errada, mas Dilma jura que errada quem está é Dilma. Este blog decreta: as duas estão certas!

Ai, que preguiça.

Como sabem, o ministro Joaquim Levy, da Fazenda, classificou de “grosseira” a desoneração da folha de pagamentos promovida pelo governo Dilma, quando o ministro da Fazenda era Guido Mantega, e que foi revogada pelo governo Dilma, agora que o ministro da Fazenda é… Levy.

Escrevi a respeito ontem o que segue:
“Mas cadê a admissão do erro? Não há. Parece que Dilma terceirizou o governo. Cabe a Levy desfazer as bobagens perpetradas no… governo Dilma. Às vezes, a gente tem a impressão de que o ministro é uma espécie de interventor. Não que isso seja necessariamente mau. É que a presidente é a petista, e isso é mau.”

Pois é… Dona Dilma pretende estar certa fazendo uma coisa e também o seu contrário. Alguém poderia objetar: “Ora, Reinaldo, isso é possível quando há mudança de circunstâncias…” Claro que sim! Entendo que se deve desonerar a folha, por exemplo, para aliviar a carga das empresas, de modo que, entre os efeitos colaterais, esteja a manutenção de empregos. Ora, hoje, tal expediente é mais necessário do que antes… Afinal, o desemprego é crescente.

A governanta resolveu censurar a fala de seu ministro, que classificou de “infeliz”: é que Dilma se vê na contingência de defender o governo Dilma mesmo quando o governo Dilma desfaz coisas aprovadas pelo governo Dilma… Disse ela sobre Levy:
“Se não fosse importante, já teríamos eliminado e simplesmente abandonado. Acho que o ministro foi infeliz no uso do adjetivo. O ministro e todos os setores estão comprometidos com a melhoria das condições fiscais do país. A desoneração da folha de pagamento é uma realidade e nós garantimos que haja um reajuste nas condições.”

Então tá. Fico imaginando como deve ser difícil para ela manter como seu principal auxiliar alguém de quem discorda profundamente. Mas tem de engoli-lo. Dilma nomeou um ministro da Fazenda que ela não pode demitir nem que queira — não que eu defenda isso, deixo claro. Prefiro que fique lá enquanto durar essa pantomima.

Que coisa! Dilma sai em defesa de Dilma em razão das medidas adotadas pelo governo Dilma contra medidas adotadas pelo governo Dilma. Dilma diz que Dilma está errada, mas Dilma jura que errada quem está é Dilma.

Este blog decreta: as duas estão certas!


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Blog do Coronel

Camargo Correa faz delação premiada. José Dirceu pode voltar à cadeia.

 Empreiteira pagou R$ 886 mil em contratos frios para José Dirceu em 2010 e 2011 e tem contrato de R$ 4,7 bilhões apenas na Refinaria Abreu e Lima.

(O Globo) A onda de delações de réus da Operação Lava-Jato, que vem alimentando as investigações desde o ano passado, ainda não terminou. Dois executivos da construtora Camargo Corrêa - o presidente Dalton dos Santos Avancini e o vice-presidente Eduardo Leite - fecharam, na noite desta sexta-feira, acordos de colaboração com a força-tarefa que investiga fraudes em contratos de empreiteiras com a Petrobras. Já João Ribeiro Auler, presidente do Conselho Administrativo da construtora, ainda está negociando com os procuradores.

As delações podem tornar as investigações ainda mais explosivas. A Camargo Corrêa foi uma das primeiras empresas flagradas em transações financeiras com o doleiro Alberto Youssef, operador do pagamento da propina no esquema de desvios da Petrobras. A Camargo também é uma das empresas com mais doações para campanhas políticas. Os executivos teriam decidido colaborar por três motivos: prisão prolongada, dificuldade para enfrentar as investigações e risco de condenação à prisão em regime fechado.

Está sendo negociada a possibilidade de revelações de fraudes não só na Petrobras, mas também em outras áreas de atuação da Camargo Corrêa. Na mira dos procuradores estão obras e serviços em hidrelétricas, rodovias e ferrovias. Os executivos da empreiteira resistiam à ideia de falar sobre outros assuntos fora do tema principal da Lava-Jato. Mas, nos últimos dias, o ambiente mudou e as partes já se entenderam sobre os pontos principais do acordo.

BENEFÍCIOS SÃO DISCUTIDOS

Estão sendo preparados acordos individuais. Os benefícios para os delatores deverão ser estabelecidos em função da importância das informações a serem fornecidas por eles. Nesta sexta-feira, as negociações giravam em torno dos benefícios, que vão da redução de penas até a não aplicação do regime fechado.
Nesta sexta-feira, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, ouviu funcionários da Camargo Corrêa arrolados como testemunhas de defesa dos executivos Dalton dos Santos Avancini e João Ricardo Auler. Os depoimentos de Alessandra Mendes da Silva, Eduardo Maghidman, Jorge Yasbek, Enes Faria e Rodoal Schlemm foram feitos por videoconferência. Segunda-feira, serão ouvidas as testemunhas de Eduardo Leite, outro executivo da Camargo Corrêa.

Até o momento, a força-tarefa da Lava-Jato fechou 13 acordos de delação premiada, entre eles as confissões do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Os executivos das empreiteiras estão presos desde a nona fase da Lava Jato, deflagrada em 14 de novembro passado.

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" 15 do Impeachment": protestos pela saída de Dilma devem ser gigantescos.

Não é só pela organização das grandes cidades feitas pelas redes sociais que é possível antever que centenas de milhares de brasileiros, talvez mais que um milhão, dois milhões, estarão nas ruas no próximo dia 15 de março pedindo o fim deste governo perverso, mentiroso e corrupto de Dilma Rousseff. Ontem, nos confins do Rio Grande do Sul, lá no Chuí, no Extremo Sul do país, a 499 km da capital, o povo trabalhador fez barreira, invadiu um evento do governo federal, organizou apitaço e só parou de protestar reprimido pela segurança presidencial. Dilma foi lá no fim do mundo fazer politicagem com parque eólico quando a conta de luz vai subir mais 23,4% na próxima segunda-feira. O povo não aguenta mais tanta desfaçatez. O "15 do Impeachment" promete ser gigantesco.

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A história esquisita do suposto perigo que corre a vida do Procurador-Geral da República
Ricardo Noblat

Nem a presidente Dilma Rousseff – ou somente ela – seria capaz de mobilizar para uma viagem sua o aparato de segurança que ontem, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, protegeu Rodrigo Janot, o Procurador-Geral da República.

Ali, Janot participou do ato de repúdio ao atentado contra o promotor Marcus Vinícius Ribeiro Cunha, atingido nas costas por três tiros no último dia 21, na sede local da OAB.

Foram mobilizados 80 policiais militares – entre eles, atiradores de elite. Um esquadrão antibombas compareceu ao local, bem como um helicóptero da polícia mineira.

Na última quarta-feira, Janot e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, tiveram uma longa conversa em Brasília.

Janot está a poucos dias de encaminhar à Justiça a lista de políticos que deverão responder a processos por envolvimento com a corrupção na Petrobras. Ou pedirá apenas a abertura de processos contra eles ou os denunciará.

Para escapar à suspeita de que pudesse ter trocado ideias a respeito com o ministro, Janot contou que o encontro serviu apenas para que Cardoso lhe dissesse que sua vida corre perigo.

Há um mês, a casa de Janot, no Lago Sul, em Brasília, foi arrombada. E quem lá esteve permaneceu por apenas oito minutos. Foi embora levando o controle do portão, nada mais. Esquisito!

- Eu não sou uma pessoa assombrada, mas alguns fatos concretos têm me levado a adotar regras de contenção - disse. E acrescentou:

- Transformei minha casa em um presídio, até com concertina (arame farpado elétrico e espiral). De lá para cá, tenho recebido relatórios de inteligência e os últimos aumentaram um pouquinho o nível do risco, por isso, as precauções que eu tomei.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a polícia de Brasília trabalha com a hipótese de que foram ladrões comuns os invasores da casa de Janot.

A casa fica dentro de um condomínio de casas protegidas por seguranças e altos muros. Janot dispensou o trabalho da Polícia Federal para investigar o que disse ter ocorrido por lá.

O ministro da Justiça afirmou que “setores da inteligência” registraram ameaças à segurança de Janot.

O único setor de Inteligência ligado ao Ministério da Justiça é a Polícia Federal. E ela não incluiu em nenhum dos seus relatórios informações sobre ameaças contra o procurador-geral.

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Há tucano na lista? E Aécio: Pergunte ao Janot

As principais lideranças do PSDB no Senado reuniram-se ao redor de Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo. Trocaram impressões sobre uma conjuntura em que se misturam duas encrencas: a crise ética e a crise econômica. Na saída, os repórteres crivaram os presentes de perguntas sobre a Operação Lava Jato.

Sobre o zunzunzum de que haveria tucanos na lista, os entrevistados desconversaram. “Vamos aguardar a semana que vem”, disse, por exemplo, José Serra. Perguntou-se a Aécio Neves se seu nome poderia estar na relação que será enviada ao STF pelo chefe do Ministério Público.

E ele: “Pergunte ao Janot.” Hummmmm… Esse tipo de pergunta só tem uma resposta aceitável. Podendo, o entrevistado deve dizer: “Me respeite!” Não podendo, é melhor silenciar.

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Entrevista de Levy provoca irritação no Planalto

Ao utilizar vocábulos como “grosseiro” e “brincadeira” para se referir à desoneração da folha de pagamento, o ministro Joaquim Levy causou irritação no Palácio do Planalto. Um auxiliar de Dilma Rousseff definiu a entrevista do titular da Fazenda com outras duas palavras tóxicas: “desnecessária” e “desastrosa”.

Ao anunciar aos jornalistas que o governo decidira elevar a contribuição previdenciária das empresas, revendo parcialmente a política de desoneração adotada desde 2011 pelo antecessor Guido Mantega, Levy disse coisas assim:

“Você aplicou um negócio que era muito grosseiro. O problema é que essa brincadeira nos custa 25 bilhões por ano e […] não tem protegido emprego. […] O momento que a gente vive, a gente tem que pegar as coisas que são pouco menos eficientes e reduzir”,

As mudanças elevarão o custo do empregado em 59 setores da economia a partir de junho. Com isso, o governo espera voltar a arrecadar algo como R$ 13 bilhões por ano. Como a coleta será retomada somente a partir de junho, a cifra a ser amealhada em 2015 será de R$ 5,3 bilhões.

O modo como Levy anunciou a má notícia não aborreceu apenas o staff de Dilma. Parlamentares que integram partidos governistas também saltaram da cadeira. “Nós aprovamos a desoneração no Congresso porque imaginávamos que era coisa séria”, disse, por exemplo, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). “Os empresários também se reprogramaram imaginando que a coisa era séria. De repente, descobrem que não há segurança jurídica no país.''

“Quando enviar novas propostas ao Legislativo, a presidente Dilma precisa informar se é brincadeira ou se devemos levar a sério”, acrescentou Vieira Lima. “A cúpula do PMDB será recebida pela presidente num jantar marcado para segunda-feira. A primeira coisa que o partido precisa perguntar para a Dilma é se a conversa será séria ou se é mais uma brincadeirinha.”

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Feira de horrores!


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Conta de luz vai subir 23,4% para bancar repasses à CDE

Na VEJA.com. Volto em seguida.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta sexta-feira revisões extraordinárias de tarifas para 58 distribuidoras de eletricidade do país, com impacto nacional médio de 23,4%. As novas tarifas entram em vigor na próxima segunda-feira.

Para a Eletropaulo, o aumento médio das tarifas será de 31,9%, enquanto a Cemig terá elevação de 28,8%. Para a Light, o aumento será de 22,5%. O aumento foi necessário para custear o repasse da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), uma vez que o Tesouro não fará aportes na conta esse ano, e também para fazer frente ao reajuste da energia de Itaipu. A Aneel aprovou o orçamento da CDE para 2015, que exigirá repasses de 18,92 bilhões de reais.

A proposta inicial de orçamento da CDE para este ano estipulava em 21,80 bilhões de reais o repasse para todos os consumidores em 2015, mas durante a fase de consulta pública o órgão regulador reviu seus cálculos iniciais e reduziu em 2,88 bilhões de reais os valores da cotas a serem cobertas pelas contas de luz.

Além do reajuste de 23,4%, parte dos consumidores do país ainda pagará mais 3,13 bilhões referentes à primeira parcela da devolução da ajuda do Tesouro às distribuidoras em 2013. A proposta inicial previa o pagamento de apenas 1,4 bilhão de reais nessa rubrica este ano. Somente os clientes das empresas beneficiadas pagarão essa parte da tarifa.

Somando a cota a ser paga por todos os consumidores do país mais a cota a ser cobrada de quem recebeu ajuda do Tesouro há dois anos, o impacto tarifário total da CDE este ano será de 22,05 bilhões de reais — ou 1,05 bilhão menor que a previsão inicial.

O total de despesas da CDE deste ano é de 25,24 bilhões de reais e inclui 3 bilhões em despesas de anos anteriores que ficaram para 2015, ou seja, restos a pagar. A maior parte, no entanto, são gastos correntes previstos para este ano, que incluem indenizações para empresas que aderiram ao pacote de renovação antecipada das concessões, subsídios para irrigantes, produtores rurais e carvão mineral, Tarifa Social da Baixa Renda, Luz pra Todos e despesas com combustível para as térmicas da Região Norte do país. “Os valores no orçamento representam as melhores estimativas para despesas e receitas. Mas o valor final tem incertezas que dependem do próprio mercado de energia elétrica, se ele vai crescer ou não, se vai chover ou não, e das próprias atividades de fiscalização da Aneel”, afirmou o relator do processo, Tiago de Barros Correia.

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Dilma, pelo visto, terceirizou o governo; o arrendatário da hora é Joaquim Levy

Eu nunca fui fã, por motivos óbvios, de desonerações. Eu defendo é um regime tributário não confiscatório, que deixe mais dinheiro para a sociedade, que sabe geri-lo melhor do que o estado. O mal essencial da  política de desonerações é sua seletividade. Mas sigamos.

Num cenário de crescimento do desemprego e de baixa geração de postos de trabalho, o governo resolveu pôr fim a desonerações da folha de pagamento. A Fiesp, por exemplo, alerta que a medida pode gerar mais desemprego, o que parece lógico. Quando menos, desestimula novas contratações, não é mesmo?

O ministro Joaquim Levy afirma: “Você aplicou um negócio que era muito grosseiro. Essa brincadeira nos custa R$ 25 bilhões por ano, e estudos mostram que ela não tem criado nem protegido empregos”. O ministro diz que o governo gasta R$ 100 mil para manter cada emprego e que isso “não vale a pena”. E emenda: “É por isso que a gente está reduzindo, pela relativa ineficiência dela [dessa política]. Ela não tem alcançado os objetivos para que foi desenhada. É saber ajustar quando uma coisa não está dando resultado. A intenção era boa, a execução foi a melhor possível, mas temos de pegar as coisas que são menos eficientes e reduzir”.

Ah, bom! Então tá. Nem vou polemizar com o ministro. Até dou de barato que esteja falando a verdade, que o tal estudo exista, que tudo se passe como ele diz. Mas esperem: ele é hoje a principal figura do governo Dilma e está desfazendo uma política adotada pelo governo… Dilma! Um juízo convencional afirmaria que Dilma admite o erro e está voltando atrás.

Mas cadê a admissão do erro? Não há. Parece que Dilma terceirizou o governo. Cabe a Levy desfazer as bobagens perpetradas no… governo Dilma. Às vezes, a gente tem a impressão de que o ministro é uma espécie de interventor. Não que isso seja necessariamente mau. É que a presidente é a petista, e isso é mau.

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Dilma, a energia e o vento: ela não aprende nada nem esquece nada!

No dia em que se anuncia um reajuste médio na energia de 23,4% — 60% em um ano —, a presidente Dilma afirmou, durante a inauguração do Parque Eólico de Geribatu, que o aumento da tarifa é necessário, mas passageiro. E — ela nem aprende nada nem esquece nada — aproveitou para atacar o… governo FHC.

Afirmou:
“Quando a água falta no Brasil, e todo mundo tem que saber disso, aumenta o preço da energia sim, porque você passa a pagar por aquilo que não pagava, que é a água e o vento. Qualquer outra forma de energia tem que pagar. Ela funciona como uma espécie de reserva, que você só vai usar quando precisar. Nós estamos precisando. Então, eu quero explicar a vocês que os aumentos de preços da energia são passageiros. Eles estão em função do fato de que o país enfrenta a maior falta de água dos últimos cem anos. Isso não significa que nós vamos ter qualquer problema sério ou mais sério na área de energia elétrica. Não iremos ter porque temos todo um sistema de segurança. Mas isso também não significa que vamos sair por aí jogando energia pela janela e não consumindo de forma racional”.

Ah, bom! Ao menos a governanta assumiu que pode haver alguns probleminhas, né? Fez alusão ao racionamento de 2001, afirmando que, naquele caso, faltavam redes de transmissão. É verdade. Hoje, falta é energia mesmo. Dilma prefere ignorar que, quando veio o apagão de 2001, o país vinha de um crescimento de 4,2% em 2000. Mesmo com o apagão, cresceu 1,4% em 2001 e 2,7% em 2002, ano em que o PSDB perdeu a eleição. Se a economia brasileira estivesse crescendo 1,4% hoje, a energia já teria ido para o pau.

Dilma afirmou ainda que o país enfrenta a pior seca em 100 anos. Na campanha eleitoral de há quatro meses, ela afirmou que o PSDB atribuir a crise hídrica em São Paulo à falta de chuva era conversa mole. Segundo a soberana, o que falta a seus adversários era planejamento.

De resto, não vamos nos esquecer jamais de sua aparição na TV no dia 6 de setembro de 2012 (vídeo abaixo), quando disse coisas como esta:
No dia 6 de setembro de 2012, em pronunciamento (vídeo abaixo, com a íntegra), disse a governanta:
“Na próxima terça-feira (…) vou ter o prazer de anunciar a mais forte redução de que se tem notícia, neste país, nas tarifas de energia elétrica dasindústrias e dos consumidores domésticos. A medida vai entrar em vigor no início de 2013. A partir daí todos os consumidores terão sua tarifa de energia elétrica reduzida, ou seja, sua conta de luz vai ficar mais barata. Os consumidores residenciais terão uma redução média de 16,2%. A redução para o setor produtivo vai chegar a 28%, porque neste setor os custos de distribuição são menores, já que opera na alta tensão. Esta queda no custo da energia elétrica tornará o setor produtivo ainda mais competitivo. Os ganhos, sem dúvida, serão usados tanto para redução de preços para o consumidor brasileiro como para os produtos de exportação, o que vai abrir mais mercados, dentro e fora do país. A redução da tarifa de energia elétrica vai ajudar também, de forma especial, as indústrias que estejam em dificuldades, evitando as demissões de empregados.”



Encerro
Faz apenas dois anos e meio. Isso é que é um governo que sabe planejar! A propósito: a soberana anunciava ali o início de uma nova fase de desenvolvimento. Não deixa de ser. A nova fase é marcada por dois anos seguidos de recessão! Não pensem ser essa uma obra corriqueira.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Justiça só acha R$ 10 mil nas contas de Cerveró

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:

A Justiça só encontrou 9.940,21 reais nas contas bancárias brasileiras do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Investigadores suspeitam que ele tenha se antecipado às autoridades e enviado ao exterior milhões de reais obtidos na cobrança de propina durante o período em que trabalhou na estatal. Cerveró teve os bens sequestrados pela 13ª Vara Federal do Paraná para futura devolução aos cofres públicos dos valores desviados da petrolífera. Mas os quase 10 mil reais localizados estão bem longe dos 106 milhões de reais que a Justiça mandou bloquear. A quantia pretendida era equivalente aos 40 milhões de dólares recebidos de suborno por Cerveró como recompensa por favorecer a Samsung Heavy Industries na contratação de sondas, de acordo com a acusação do Ministério Público. Imóveis do ex-diretor também foram sequestrados, incluindo um apartamento de 7,5 milhões de reais cuja aquisição Cerveró tentou esconder utilizando uma offshore uruguaia.

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Governo suspende o programa “Minha Casa Melhor” para conter gastos

Por Ricardo Della Coletta e Murilo Rodrigues Alves, no Estadão:

Diante do cenário de restrição fiscal, o governo decidiu suspender o programa Minha Casa Melhor, linha de crédito especial para que os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida possam adquirir móveis, eletrodomésticos e eletrônicos a taxas de juros subsidiadas.

Para operar o programa, a Caixa Econômica Federal recebeu do governo uma capitalização de R$ 8 bilhões em junho de 2013. Do valor total, porém, R$ 3 bilhões foram direcionados para os financiamentos do programa – o restante foi usado em outra operação. O Broadcast apurou que esses R$ 3 bilhões foram desembolsados no total de financiamentos que foram concedidos pela Caixa até o fim do ano passado, 18 meses após o lançamento do programa. Não restou ao governo outra alternativa a não ser interromper a distribuição de novos cartões porque não há mais recursos para arcar com o custo financeiro dos juros mais baixos.

“Novas contratações do Minha Casa Melhor estão sendo discutidas no âmbito da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida”, informou a Caixa, em nota. “Os cartões referentes a contratos já realizados continuam operando normalmente”, completou a instituição financeira. Procurado, o Tesouro Nacional informou que somente o banco estatal comentaria o assunto.

Pelo canal oficial de comunicação entre a Caixa e os beneficiários do programa, a atendente afirmou que o Minha Casa Melhor está suspenso desde o dia 20 deste mês. “A Caixa está reavaliando o programa antes de realizar novas contratações no Brasil inteiro”, afirmou.

No lançamento do programa, o governo divulgou que a expectativa era de que 3,7 milhões de famílias fossem beneficiadas, em um total de R$ 18,7 bilhões. O Minha Casa Melhor oferece crédito a juros mais baixos que os praticados no mercado para as famílias atendidas pelo programa Minha Casa Minha Vida comprarem 14 tipos de eletrodomésticos e móveis. Os juros são de 5% ao ano contra 16,5% que o mercado cobra para financiar outros tipos de bens que não automóveis.

Impacto no varejo — O presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Honório Pinheiro, lamentou o “congelamento” do programa e o impacto da decisão para o setor varejista. “O Brasil está diante do desafio de fazer funcionar esse novo modelo econômico imposto pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda)”, afirmou. A CNDL, que representa 1,2 milhão de lojistas, estima que o programa injetou R$ 1,4 bilhão no ano passado. (…)

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Desenvoltura de Lula torna Dilma subpresidente

Nas últimas 72 horas, Lula substituiu Aécio Neves no papel de líder da oposição. Fez três aparições, uma no Rio e duas em Brasília. Em todas elas apontou para os calcanhares de vidro de Dilma Rousseff. Com isso, diminuiu um governo que já havia começado por baixo. E converteu a inquilina do Planalto numa espécie de subpresidente da República.

Numa noite, no Rio de Janeiro, Lula enfiou dentro de um discurso em “defesa” da Petrobras, uma crítica ao acanhamento de sua afilhada: “A Dilma tem de levantar a cabeça e dizer: ‘Eu ganhei as eleições’.'' Na noite seguinte, em Brasília, queixou-se aos senadores do PT da incapacidade do governo de explicar à plateia os objetivos das medidas econômicas que enviou ao Congresso.

Na manhã subsequente, ainda na Capital federal, reclamou da desarticulação política do Planalto num café da manhã com as raposas do PMDB do Senado. E tomou as dores do vice-presidente Michel Temer, excluído por Dilma do grupo de conselheiros da República, o G6, hoje 100% feito de ministros do PT.

Os políticos governistas vêem a volta de Lula à Presidência da República com grande otimismo, como se as coisas finalmente retornassem ao seu devido lugar, ainda que temporariamente. Embora sem trono, o rei do petismo exerce o poder de fato no Brasil.

Em verdade, o trono é o último lugar em que Lula deseja ser visto. Como eminência parda, ele maneja os fios de sua marionete e usufrui de todos os privilégios que o poder propicia. Com a vantagem de não ter de dar expediente no Palácio do Planalto.

Admita-se, para efeito de raciocínio, que o objetivo de Lula fosse o de socorrer Dilma. Para ficar no mais óbvio, poderia reconhecer que foi ele, não a madame, quem loteou as diretorias da Petrobras, entregando-as a prepostos corruptos de partidos com fins lucrativos.

Ao silenciar as próprias culpas, o presidente acidental deixa a impressão de que opera freneticamente para ajudar a si mesmo, escondendo suas pegadas embaixo de um discurso em que os ataques à ex-supergerente se misturam a declarações de guerra à oposição elitista e estocadas na mídia golpista. São ingredientes que não ornam com um plano de resgate da pupila. Combinam mais com uma plataforma pessoal para 2018. Como se não bastasse criticar a criatura, o criador antecipa o debate sucessório.

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Horrores!



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Depois dos políticos, Dilma se atrita com ministros do Supremo Tribunal Federal
Ricardo Noblat

Não me lembro de ter ouvido algum ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) dizer o que disse, ontem à tarde, Celso de Mello, o mais antigo deles, a respeito do presidente da República.

Celso classificou de “omissão irrazoável e abusiva” de Dilma o fato de ela ainda não ter indicado um nome para preencher a vaga aberta no tribunal há sete meses com a aposentadoria de Joaquim Barbosa.

Mais claro, direto e destemido impossível. Disse Celso:

- Essa omissão irrazoável e abusiva da presidente da República já está interferindo no resultado dos julgamentos. Novamente, adia-se um julgamento. Nós estamos realmente experimentando essas dificuldades que vão se avolumando. É lamentável que isso esteja ocorrendo.

São 11 os ministros do STF. É o presidente da República quem os indica, mas a aprovação cabe ao Senado.

Assim como sente desprezo pelos políticos, Dilma se nega a ver com simpatia os membros do Poder Judiciário. Ao fim e ao cabo, por temperamento, ela se acha superior a todos eles.

No caso da atual composição do STF, Dilma não perdoa os ministros que indicou, bem como os indicados por Lula, que não votaram no caso do processo do mensalão como ela e seu tutor queriam.

Dilma esperou que eles julgassem os mensaleiros com mão leve em agradecimento por sua indicação para o tribunal. Não foi assim.

Então Dilma resolveu castigar o STF demorando a apontar o substituto de Joaquim. Isso começou a criar problemas para o tribunal.

O número impar de ministros é justamente para evitar empates. Ontem e um dia desses houve empates e os julgamentos acabaram suspensos.

Daí a reação de Celso e, em seguida, a do ministro Marco Aurélio Mello. Que afirmou:

- Veja como é nefasto atrasar-se a indicação de quem deve ocupar a cadeira [do ministro que se aposentou].

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Resposta dos brasileiros ao terrorismo do PT.


Dia 15 de março, vamos pintar as ruas de Brasil. Aqui não é Venezuela e jamais será. Impeachment já! Fora Dilma e quadrilha do PT!


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Blog do Josias

Lula dita defesa do PT: somos iguais aos outros

Vinte e quatro horas depois de declarar-se pronto para a “guerra”, Lula desembarcou em Brasília para armar a retórica do PT. Durante jantar com a bancada de senadores do seu partido, ele escorou a defesa da tropa em dois pilares — um político e outro econômico.

No front político, contou o líder petista Humberto Costa, Lula cobrou dos correligionários energia para refutar as acusações de que recebeu verbas sujas da Petrobras por baixo da mesa. Vale a pena ouvir o porta-voz do encontro:

“Eles querem criminalizar as doações legais [feitas ao PT por fornecedores da Petrobras]. Mas por que as [doações] que eles recebem de empresas que estão envolvidas no trensalão de São Paulo e contribuíram para a campanha deles não têm nada a ver com propina e com o que aconteceu no passado e acontece no presente e no nosso caso as doações que recebemos são fruto de propinas? No nosso caso é roubo, no deles é compromisso ideológico das empreiteiras?''

Humberto Costa prosseguiu: “É preciso mostrar que o partido tem as suas contribuições de campanha, o seu financiamento exatamente igual aos demais partidos que aí estão. Essa tentativa de transformar a contribuição em propina tem objetivo claro de desacreditar o PT. E ele [Lula] estimulou a gente bastante a travar esse debate.''

Quer dizer: Lula repete no petrolão o lero-lero do mensalão. Alega que o PT não faz senão o que os outros sempre fizeram. Nessa versão, as empreiteiras da Petrobras estão para o PT assim como os fabricantes de trens e metrôs estiveram para o PSDB de São Paulo. A diferença é que, em 2005, Lula falava de caixa dois. Agora, fala de propinas convertidas em doações legais de campanha. A justificativa anterior terminou em cadeia. A atual vai no mesmo rumo.

E quanto ao ajuste fiscal? Segundo Humberto Costa, Lula deseja que sua infantaria concentre-se nos objetivos do aperto. “O que ele quis dizer é que, independentemente do conteúdo dessas medidas, elas precisam ter um objetivo. Falta dizer porque isso está sendo feito. É para conquistar que condição? Ele está correto e nós todos temos falhado um pouco nisso de mostrar que isso não é uma coisa isolada, ela tem um objetivo maior.'' Nesse ponto a coisa será simples. Basta que os petistas expliquem que Dilma arrocha corrigir a “caca” que ela mesma produziu no seu primeiro reinado.

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Renan vira símbolo do ocaso precoce de Dilma



A história, como se sabe, não é uma estenógrafa burocrática que fica sentada atrás de uma mesa organizando os fatos em fila cronológica. É uma maluca inconfiável, que adora subverter o calendário. Por exemplo: o século 19 acabou de verdade com o naufrágio do Titanic. E o século 20 começou pra valer com o ataque às Torres Gêmeas de Nova York.

Os brasileiros do futuro talvez elejam este fevereiro de 2015 como um dos períodos em que a história perverteu a folhinha. Comentarão que foi uma fase histórica porque —assim como o século 19 tinha acabado 12 anos antes do Titanic e o século 20 tinha começado nove meses antes do World Trade Center— a Era do PT no poder federal do Brasil começou a acabar numa entrevista concedida por Renan Calheiros três anos e dez meses antes da conclusão do mandato de Dilma Rousseff.

Após declarar que a coligação PT-PMDB está “capenga”, Renan afirmou que “o PMDB já tem cargos demais”. E aconselhou Dilma a “suspender a ocupação de 50% dos cargos em comissão.” Repetindo: além de refugar novos cargos, Renan pregou a suspensão de 11,5 mil das 23 mil indicações reservadas a políticos fisiológicos como ele. É como se o presidente do Senado, depois de manter por 12 anos um afilhado na comando da Transpetro, uma das mais endinheiradas subsidiária da Petrobras, cuspisse num prato em que já não pode comer.

Renan, como se sabe, é uma espécie de São Jorge que, quando se dispõe a salvar a donzela, acaba casando com o dragão. De repente, o aliado de pau oco passa a criticar a irresponsabilidade fiscal de Dilma. O que houve no primeiro mandato de madame foi um “escorregadão” econômico, disse Renan, não uma “escorregadinha” como afirmara o ministro Joaquim Levy (Fazenda).

No futuro, dirão que, ao trocar a ocupação predatória do Estado pela defesa oportunista do Tesouro, Renan decretou o fim precoce do segundo reinado de Dilma. Como o Titanic, o petismo afunda em meio à presunção de superioridade que o fez ignorar a evidência de que alianças tão heterodoxas só podiam acabar em desastre. E Renan tenta fazer pose de navio que abandona os ratos. Como as Torres Gêmeas, o petismo explode na delação dos homens-bomba que ajudou a armar. E Renan comporta-se como o filho que, depois de matar pai e mãe, roga ao júri que tenha clemência de um pobre órfão.

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Chocando Janot!



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Dilma volta a apelar ao discurso cínico, mentiroso e marqueteiro
Ricardo Noblat

Espantosa a desfaçatez da presidente Dilma Rousseff.

Embora tenha sido condenada por se valer de um discurso descaradamente marqueteiro e repleto de mentiras, ela cede à tentação e apela para o mesmo discurso quando faz sua primeira visita ao interior do país depois de ter sido reeleita.

Em Feira de Santana, na Bahia, a pretexto de entregar unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, ela disse coisas do tipo:

- Como uma mãe, como uma dona de casa, faço algumas correções...

- Precisamos fazer ajustes e faço ajuste no meu governo como a dona de casa faz na casa dela...

Tudo isso a propósito do ajuste fiscal que cortará direitos sociais. Logo ela que na campanha do ano passado garantiu que jamais cortaria direitos sociais.

- Essas correções dizem respeito ao fato que para o Brasil é muito importante focar os programas sociais. Fazer com que se beneficiem só quem precisa deles.

Quer dizer: Dilma descobriu que pessoas que não precisavam dos programas sociais se beneficiavam deles...

Tremendo cinismo.

Depois de ter dito e repetido durante a campanha que a economia estava arrumada e sob controle, ela agora justifica o ajuste fiscal como indispensável para a retomada de "um novo ciclo de desenvolvimento econômico para gerar mais emprego, mais renda e fazer com que o Brasil continue a crescer de forma acelerada".

Antes o Brasil não carecia de nenhum ajuste fiscal. Foi isso o que ela jurou para garantir a maioria dos votos capaz de reelege-la. Agora...

- Eu tenho coragem suficiente para fazer as mudanças que são necessárias. Só tenho o compromisso com a população e a cidadania desse país, com o povo pobre desse País.

O disco demagógico irrita quem o ouve. Dilma e sua turma continuam subestimando a inteligência alheia.

Uma vez pode dar certo – como deu. A segunda vez, duvido.

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Youssef pretende desvelar, em novo depoimento, a real natureza do jogo: tratava-se de servir a um esquema de poder; o centro do petrolão está na política. É coisa dos “marginais do poder” 

Alberto Youssef pode atrapalhar uma pizza bastante sofisticada que alguns estão tentando assar na Operação Lava-Jato. Ele pode agir assim por precisão, não por boniteza, como o sapo do Guimarães Rosa, mas isso não tem a menor importância. O que interessa é que se revele, já escrevi aqui tantas vezes, a natureza do jogo. Por que isso?

Youssef entrou com um pedido na Justiça para prestar um novo depoimento. Ele quer ser ouvido outra vez pelo juiz Sérgio Moro em um dos processos de que é réu, acusado de ter participado de uma organização criminosa para tirar do país R$ 444,6 milhões. A ação aguardava a homologação da delação premiada.

Aquele que é considerado peça central nas investigações da Lava-Jato deverá deixar claro — desta feita, mais do que nunca — que atuou a serviço de uma engrenagem, de uma organização de poder. Youssef pretende demonstrar como esse esquema não dependia nem mesmo de pessoas; se uma saísse, outra poderia entrar no lugar sem mudar a, escrevo de novo a expressão, “natureza do jogo”.

Youssef julga ter conhecimento e experiência o bastante para afirmar que as três últimas eleições presidenciais foram marcadas por um forte desequilíbrio econômico em razão do poder que essa “máquina” exercia. Tudo indica que o braço político do escândalo do mensalão não vai gostar do que ele tem a dizer.

Lembro aqui trechos de voto proferido pelo ministro Celso de Mell0 no julgamento do mensalão, na sessão do dia 1º de outubro de 2012. Leiam com atenção. Volto em seguida.

“Quero registrar, neste ponto, Senhor Presidente, tal como salientei em voto anteriormente proferido neste Egrégio Plenário, que o ato de corrupção constitui um gesto de perversão da ética do poder e da ordem jurídica, cuja observância se impõe a todos os cidadãos desta República que não tolera o poder que corrompe nem admite o poder que se deixa corromper. Quem transgride tais mandamentos, não importando a sua posição estamental, se patrícios ou plebeus, governantes ou governados, expõe-se à severidade das leis penais e, por tais atos, o corruptor e o corrupto devem ser punidos, exemplarmente, na forma da lei.
Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental de interesses governamentais e de desígnios pessoais.
(…)
Esses vergonhosos atos de corrupção parlamentar, profundamente lesivos à dignidade do ofício legislativo e à respeitabilidade do Congresso Nacional, alimentados por transações obscuras idealizadas e implementadas em altas esferas governamentais, com o objetivo de fortalecer a base de apoio político e de sustentação legislativa no Parlamento brasileiro, devem ser condenados e punidos com o peso e o rigor das leis desta República, porque significam tentativa imoral e ilícita de manipular, criminosamente, à margem do sistema constitucional, o processo democrático, comprometendo-lhe a integridade, conspurcando-lhe a pureza e suprimindo-lhe os índices essenciais de legitimidade, que representam atributos necessários para justificar a prática honesta e o exercício regular do poder aos olhos dos cidadãos desta Nação.
Esse quadro de anomalia, Senhor Presidente, revela as gravíssimas consequências que derivam dessa aliança profana, desse gesto infiel e indigno de agentes corruptores, públicos e privados, e de parlamentares corruptos, em comportamentos criminosos, devidamente comprovados, que só fazem desqualificar e desautorizar, perante as leis criminais do País, a atuação desses marginais do Poder.”

Retomo
Alberto Youssef deve depor de novo. E se espera, com delação premiada, que apresente as evidências de que, mais uma vez, os “marginais” atuaram no “controle do aparelho de Estado, transformando a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder”.

É essa a natureza do jogo, sem que se deixem de considerar os demais crimes, cometidos pelos agentes não-políticos.

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Governo e sindicatos de caminhoneiros chegam a acordo. Mas eles não comandam o movimento

Na VEJA.com:
O governo e representantes de sindicatos e associações de caminhoneiros chegaram a um acordo na noite desta quarta-feira para tentar encerrar os bloqueios nas estradas em todo o país. Os representantes da categoria presentes na reunião em Brasília aceitaram a proposta apresentada pelo governo, que não contempla as duas principais demandas dos grevistas: a redução no preço do diesel e o estabelecimento de um valor mínimo para o frete.

O acordo, no entanto, não garante o fim dos bloqueios, já que o movimento não é liderado por sindicatos. Com influência em mais de cem pontos de paralisação, o Comando Nacional do Transporte não aceitou a oferta do governo e prometeu continuar com a greve. “Nós estamos com lucro zero, aí o governo nos propõe de ficar tendo lucro zero mais seis meses. Eu acho que eles não regulam certo da cabeça. Devem estar com problema. Infelizmente não teve acordo, nós não aceitamos a proposta”, declarou Ivar Schmidt, o principal porta-voz da entidade, ao site de VEJA. Ivar, que dialoga com os representantes regionais do movimento pelo Whatsapp, disse qual foi a orientação enviada aos colegas na noite de quarta: “O recado é claríssimo: o movimento continua.”

Proposta
A proposta do governo aceita pelos sindicatos prevê o congelamento do preço do diesel pelos próximos seis meses, além de duas outras garantias: a primeira é uma carência de 12 meses para os caminhoneiros autônomos ou microempresas que tenham adquirido caminhões por meio de dois programas do governo, o Finame e o Procaminhoneiro. A segunda é a sanção integral da Lei do Caminhoneiro, aprovada pelo Congresso neste mês. A medida atualiza as regras sobre carga de trabalho, horas de descanso e pagamento de pedágios pelos caminhoneiros.

Um dos representantes da categoria que participou da reunião, o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, pediu o fim da greve. “Diante da gravidade que se encontra o país neste momento, nós pedimos a sensibilidade dos caminhoneiros de liberar as rodovias pelas conquistas que tiveram aqui”, disse ele. Apesar da exigência do ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, de que o acordo só será cumprido quando as estradas forem liberadas, Diumar deixou claro que não poderia “garantir que a greve vai acabar”.

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Cunha derrota Kassab e Dilma, e ministro talvez não entre no Guinness

 O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aplicou mais uma derrota às pretensões do Palácio do Planalto. Uma boa derrota, note-se. Por votação simbólica, a Casa aprovou o projeto do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que cria uma carência de cinco anos para que uma legenda possa se fundir a outras. Mas não e só isso. A proposta proíbe também que um novo partido seja aquinhoado com o tempo de TV e a fatia do Fundo Partidário correspondente aos parlamentares que mudarem para a nova sigla. O texto segue para o Senado, onde não deve enfrentar resistências.

A mudança atinge em cheio as pretensões de Gilberto Kassab (PSD), ministro das Cidades. Ele vem se movimentando freneticamente nos bastidores para criar o PL (Partido Liberal). Com a legislação ora em vigor, seria mel na sopa. O PL abrigaria parlamentares das mais diversas siglas — mas ele está de olho, mesmo, é no PMDB —, levaria tempo de TV e verba e, uma vez constituído, haveria a fusão com o PSD. Kassab sonha em ter um PMDB para chamar de seu. A pretensão não era pequena, não! Ele queria formar o maior partido da Câmara.

O texto aprovado, depois de receber emendas, acabou ficando até mais duro do que o original. Segundo a lei atual, é preciso que o correspondente a 0,5% do eleitorado que votou na eleição anterior para a Câmara apoie a criação de nova legenda. Hoje, isso significa 500 mil assinaturas. Pois bem: na proposta ora aprovada na Casa, essas pessoas não poderão ter filiação partidária. As mudanças também podem trazer dificuldades para a Rede, de Marina Silva.

O que eu acho do texto? Apoio integralmente. Não deixa de ser uma piada que o governo que diz querer fazer a reforma política se lance, ao mesmo tempo, numa patuscada  que incentiva o troca-troca partidário de maneira desavergonhada. De resto, vamos torcer para Kassab entrar para o livro dos recordes como, deixem-me ver, o político que mais contribuiu para tirar brasileiros de áreas de risco. Que tal? Ficaria bem a um ministro das Cidades. E seria um ganho aos brasileiros. O que não ficaria bem seria entrar para o Guinness como o maior criador de partidos do mundo, não é? Não parece sério. E não é sério.

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Luciano Coutinho adota o Paradigma Saddam Hussein, de Lula, e quer evitar a todo custo a CPI do BNDES. Diz temer uma derrocada semelhante à da Petrobras. É mesmo? Se isso acontecesse, seria por excesso de virtude?

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ora vejam, está se movimentando freneticamente nos bastidores, informa reportagem da Folha, para tentar impedir que se instale uma CPI para investigar contratos de financiamento do banco feitos durante a gestão petista. Segundo apurou o jornal, ele falou com pelos menos três senadores. Uma das alegações é que a investigação poderia prejudicar operações sigilosas do banco. A outra é que a instituição poderia ser colhida por uma onda de descrédito, a exemplo do que ocorreu com a Petrobras.

Eu até poderia compreender as preocupações do presidente do BNDES, não fosse a sua argumentação tão ruim. Vamos lá. É possível resguardar o sigilo de determinados documentos e operações, desde que não se trate de ilícitos e que se esteja protegendo o interesse nacional. As operações que o doutor pretende que fiquem distantes dos nossos olhos são dessa natureza? Ou o BNDES, agora, virou o braço financeiro da Abin (Agência Brasileira de Informação)?

E não fica bem, obviamente, acenar com o fantasma da derrocada da Petrobras para tentar impedir que uma CPI apure as operações feitas pelo BNDES. Afinal, a estatal está na lona porque se descobriu que estava entregue a uma quadrilha, que atuava em favor de um esquema político, gerenciado pelo PT, com benefícios também a outras legendas.

O temor de Coutinho certamente não está a indicar que quadrilha semelhante atue no BNDES, pois não? Eu nem sou adepto da frase “que não deve não teme”. Em processos de investigação, marcados, muitas vezes, por vazamentos, irresponsabilidades, populismo, demagogia, quem não deve, a depender do caso, tem, sim, de temer. Coutinho que trate, então, de melhorar a sua argumentação.

O presidente do BNDES deveria ser mais prudente. Segundo o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, a oito dias do segundo turno — quando a empreiteira buscava dinheiro no banco para obras no aeroporto de Viracopos, em Campinas — foi Coutinho quem anunciou que ele, Pessoa, seria procurado por Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma. O presidente do BNDES nega a conversa.

Ah, sim: o requerimento da oposição para a criação da CPI do BNDES cita empréstimos para empreendimentos, considerados sigilosos, em Cuba, na Venezuela, no Equador e em Angola. O documento pede ainda para que se apurem empréstimos no Brasil para a JBS e a Sete Brasil. Coutinho, pelo visto, acha que essas coisas não nos dizem respeito. Prefere que a gente se mantenha longe disso. Ou, prevê ele, o BNDES também vai para o buraco.

É mesmo? Tomara que não! Mas, se fosse, certamente não seria por excesso de virtudes. É bem verdade que Lula já deu a linha moral desse tipo de raciocínio, não é mesmo? Falando a seus milicianos, ele lembrou que o Iraque vivia em paz no tempo de Saddam Hussein. Uma paz de quase meio milhão de homicídios, claro! É isso! A turma do Saddam Hussein brasileiro não quer que a gente saiba o que se fez com os muitos bilhões do BNDES.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Janot, os pedidos de abertura de inquérito e a denúncia… É preciso cuidado para que o braço político do crime não se dê bem de novo!

Conversei ontem à noite com dois ex-ministros do Supremo. Se vocês conhecerem algum, façam o mesmo. Se não, procurem falar com advogados ou juristas. Os que acompanham os bastidores da Justiça e do Ministério Público acham estranho que, um ano depois de deflagrada a Operação Lava Jato, Rodrigo Janot, procurador-geral da República — aquele que agradeceu a Deus “ter passado a régua e não ter encontrado nada contra Lula e Dilma — anuncie a disposição de pedir aberturas de inquérito. Vamos ver quantas e para quem.

Como vocês devem saber, pedir abertura de inquérito é coisa distinta de oferecer uma denúncia. Nesse caso, ele afirma a sua convicção (na verdade, a do MP) de que houve crime; no outro, não.

Janot diz ainda que vai pedir ao Supremo que se acabe, tanto quanto possível, com os sigilos. O procedimento — tendente a ser rejeitado pelo tribunal, já digo por quê — produz mais calor do que luz.

Notem: tanto o pedido de inquérito como a denúncia ensejam investigação posterior. No primeiro caso, pode-se chegar à conclusão de que não existe material suficiente nem para fazer a denúncia; no segundo, que ela é inconsistente.

O Supremo tende, não sei se vai — que aí é ser adivinho —, a rejeitar o fim do sigilo. É evidente que inquéritos sobre pessoas públicas despertam a curiosidade, e dados parciais passam a circular na imprensa, em tom necessariamente acusatório. E se, depois de tudo, ficar demonstrado que o sujeito é inocente? Como se livrar do peso da suspeição?

Eduardo Jorge Caldas Pereira, secretário-geral da Presidência do governo FHC, sabe o peso que isso tem. Teve a reputação moída. E, no seu caso, o Ministério Público não chegou a apresentar nem sequer uma denúncia. É bem verdade que, ali, nem se tratava de quebra de sigilo do inquérito. A facção petista do Ministério Público se encarregava de orquestrar os vazamentos. Assim, se o Supremo rejeitar o pedido, não se deve confundir esse procedimento com aposta na impunidade. Trata-se apenas de matéria do Estado de Direito.

Mas voltemos ao binômio inquérito-denúncia. Para lembrar: A Folha publicou a entrevista-bomba de Roberto Jefferson a Renata Lo Prete, denunciando o mensalão, no dia 6 de junho de 2005. No dia 30 de março de 2006, nove meses depois, Antonio Fernando de Souza, o então procurador-geral, não apresentou pedidos de abertura de inquérito, mas a denúncia propriamente. Nove anos depois, do ponto de vista técnico, pode-se dizer que Ação Penal 470 ainda não chegou ao fim.

É preciso que a gente fique atento para identificar o que é cuidado e o que é procrastinação. Um ano depois de deflagrada a operação, o braço empresarial do petrolão já foi denunciado. Será que o braço político vai ser beneficiado por pedidos em penca de abertura de inquérito apenas?

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Enquanto Lula vomitava sobre a Petrobras, a história do Brasil e a democracia — fazendo, inclusive, a defesa de Saddam Hussein (!!!), Moody’s rebaixava a nota da estatal; agora, ela está no grau especulativo; ações devem voltar a derreter nesta quarta. Eis o legado do fanfarrão, que estava cercado por milicianos

Parecia roteiro de filme barato, mas era verdade. Nesta terça, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva, cercado por milicianos truculentos, comandava um ato no Rio contra a Operação Lava Jato, contra a imprensa e contra a decência, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixava uma vez mais, a exemplo do que fizera em janeiro, a nota da estatal, que já estava em Baa3, o último patamar do chamado grau de investimento. Agora, na Moody’s, a estatal está no grau especulativo — ou por outra: a agência está dizendo aos investidores do mundo inteiro que pôr dinheiro na Petrobras não é seguro. A agência está dizendo ao mundo inteiro que emprestar dinheiro para a Petrobras é arriscado.

Desta feita, não foi uma queda qualquer: a Moody’s botou a Petrobras dois degraus abaixo de uma vez só. Em vez de cair para Ba1, o que já seria catastrófico, a empresa despencou para Ba2, e a agência ainda cravou um viés negativo no caso de uma futura avaliação. Só para vocês terem uma ideia: acima dessa nota, há outras… 11. Abaixo dela, apenas 9. Na Fitch e na Standard & Poor’s, a Petrobras está também a um rebaixamento apenas de passar para o grau especulativo.

A partir de agora, tudo se torna mais difícil para a empresa. A maioria dos fundos proíbe investimento em empresas nessa categoria. Pior: em alguns casos, a ordem é se desfazer dos papéis, ainda que amargando prejuízos. Para se financiar dentro e fora do Brasil, a Petrobras terá de pagar juros mais elevados. E isso se dá num momento em que a empresa já teve de reduzir ao mínimo seus investimentos na área de exploração e refino de petróleo, suas atividades principais.

O mais impressionante é que o rebaixamento veio duas semanas depois de Dilma trocar toda a diretoria da Petrobras. Isso reflete a confiança do mercado na nova equipe. A operação foi desastrada. Com ou sem razão — e nós veremos —, o juízo unânime é que a governanta escolheu um presidente para maquiar no balanço as perdas bilionárias decorrentes da corrupção e da gestão ruinosa do PT.

E não se enganem: atrás do rebaixamento da nota da Petrobras, pode vir o rebaixamento da nota do Brasil. Na própria Moody’s, já não é grande coisa. O país é “Baa2”. Ainda é “grau de investimento”, mas bem modesto. Se o país cair mais dois, vai para a categoria dos especulativos. O mesmo acontece na Fitch (BBB): um próximo rebaixamento (BBB-) poria o país a um passo da zona vermelha. Na Standard & Poor’s, a posição do país é mais preocupante: rebaixado em março, caiu de “BBB” para “BBB-“, mesma nota da Petrobras. Nessa agência, uma próxima queda conduziria o país para “BB+”, primeiro nível do grau especulativo. Foi o que já fez a agência britânica Economist Intelligence Unit na semana retrasada:  o rebaixamento, de BBB para BB, lançou o Brasil no grupo dos potenciais caloteiros.

Não obstante, naquele espetáculo de pornografia desta segunda, Lula vituperou contra a investigação e contra a imprensa e conclamou João Pedro Stedile a pôr seu exército na rua — sim, ele empregou a palavra “exército”. Aquele que a ex-filósofa Marilena Chaui disse “iluminar o mundo” quando fala ainda encontrou tempo para especular sobre a situação no Iraque. E disparou: “Já tem gente lá com saudade do Saddam Hussein, porque no tempo dele se vivia em paz”.

Lula, este celerado, tem uma noção muito particular de paz. Pelo menos 300 mil pessoas, árabes, foram assassinadas pelo regime de Saddam. Nessa conta, não estão pelo menos 100 mil curdos, vítimas dos gases mostarda, sarin e abun. É o que Lula chama de “viver em paz”.

Foi o regime criado por esse cara que quebrou a Petrobras. Agora os brasileiros começam a pagar a conta de sua irresponsabilidade, de sua ignorância e de sua estupidez.

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Milicianos petistas partem pra porrada. Ou: Lula é um irresponsável. Lula é um aproveitador. Lula é um oportunista. Lula é um vampiro da institucionalidade. Lula é sanguessuga na nacionalidade. Ou: Marilena Chaui sentiu prazer ao ver o povo apanhando?

Quando petistas resolvem promover um ato “em defesa da Petrobras”, sabendo tudo o que sabemos sobre a roubalheira na estatal, é claro que estão procurando o confronto; é claro que estão provocando o adversário — que, no caso, é o povo brasileiro. O PT, encarnado por Luiz Inácio Lula da Silva, a CUT e a FUP (Federação Única dos Petroleiros) resolveram organizar uma patuscada nesta terça, na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio. Os valentes dizem defender a punição dos corruptos — só faltava anunciar o contrário —, mas denunciam uma suposta campanha contra a empresa. O que é, obviamente, mentira.

Pois bem. Muitos brasileiros, vítimas do assalto institucionalizado, decidiram protestar nas proximidades da ABI. E aí aconteceu o que os trogloditas estão querendo há muito tempo. Vestidos com camisetas vermelhas, com a sigla do partido, demonstrando que estão especialmente treinados para o confronto, os brutamontes partiram pra cima dos que protestavam contra a roubalheira na base da porrada.

Atenção! Vocês lerão por aí que houve troca de socos e pontapés. Sim! Mas que fique claro: quem partiu pra cima dos opositores foram os petistas, inconformados com as pessoas que gritavam “Fora PT” e que cobravam o impeachment de Dilma. Mais: os que protestavam contra o partido não passavam de duas dezenas. Os que queriam espancá-los eram mais de 300. E assim era n não porque há mais petistas do que antipetistas. É que não se tratava de militantes organizados. Os que repudiavam o petismo eram pessoas comuns, que apenas passavam por ali e viam a companheirada.

Lula é um irresponsável.

Lula é um aproveitador.

Lula é um oportunista.

Lula é um vampiro da institucionalidade.

Lula é um sanguessuga da nacionalidade.

É claro que um ato com essas características jamais poderia ter sido marcado — não a esta altura dos acontecimentos. Todo mundo sabe ser mentira que existam pessoas interessadas em prejudicar ou em vender a Petrobras.

Quem destruiu a empresa foi o PT.

Quem nomeou os ladrões foi o PT.

Quem está no comando da empresa nos últimos 13 anos é o PT.

Escrevi aqui anteontem que o partido não está se dando conta da gravidade dos problemas que se conjugam. Perdeu a leitura da realidade. É impressionante que um ex-presidente da República, líder inconteste do maior partido do país, incentive manifestações que fatalmente terminarão em confronto. E assim é porque o povo está indignado.

Com a baixaria desta terça-feira, o que Lula e seus tontons macoutes estão fazendo é incentivar as manifestações de protesto marcadas para o dia 15 de março. Dilma deveria chamar o seu antecessor e lhe passar uma descompostura. Mas, ora vejam, para tanto, seria necessário que ela fosse, no momento, a chefe política dele. Ocorre que ele a considera nada menos do que sua subordinada.

Lula está com inveja da Venezuela.

Lula está com inveja de Nicolás Maduro.

Lula acha que chegou a hora de rachar algumas cabeças.

Se Dilma não tomar cuidado, o seu mentor (ainda é? ) vai ajudar a apeá-la do Palácio. Aos brasileiros indignados, uma dica: não cedam à provocação dos reacionários, aproveitadores e bandidos vestidos de vermelho.

Ah, sim: Marinela Chaui disse que estaria lá. Estava? Ela, que tanto escreveu sobre democracia, ao ver o povo apanhando dos milicianos petistas, sentiu o quê? Vergonha? Comichão intelectual? Prazer?

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