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Deu nos Blogs


Até o PT recomenda derrubar um veto de Dilma

A caminho de se tornar uma presidente minoritária nas duas Casas do Congresso, Dilma Rousseff já sofre oposição até do seu próprio partido. Relatório reservado da assessoria técnica da liderança do PT na Câmara recomenda a derrubada de um veto da presidente ao projeto que fixava a jornada de trabalho dos psicólogos em 30 horas semanais.

Eis o que está anotado no documento do PT: “…Em que pese os argumentos dos ministérios do Planejamento, da Fazenda e da Saúde —sugerimos que a liderança do partido avalie a conveniência e a oportunidade de encaminhar favoravelmente à derrubada do veto.”

Foram ignorados pelo petismo os argumentos de Dilma para justificar o veto. Ela alegara que a redução da jornada dos psicólogos golpearia o orçamento de estabelecimentos que atendem pelo SUS. Elevaria também os custos do setor privado.

O parecer técnico da liderança do PT deu de ombros: “Durante a tramitação da proposição na Câmara dos Deputados, defendemos a tese de que a redução da carga horária de trabalho favorece a saúde dos trabalhadores e tende a contribuir para a melhoria na qualidade da assistência aos sistemas de saúde e de assistência social. Não houve mudança no texto do projeto que justifique o distanciamento desse ponto de vista.”

O veto à redução da jornada dos psicólogos constava da pauta do Congresso na sessão da noite de terça-feira (3). Só não foi votado porque o presidente da Casa, Renan Calheiros, manobrou para derrubar a reunião. Dilma lamuriou-se em privado, já que desejava a votação do Orçamento da União para 2015, outro item da pauta.

Seja como for, a presidente petista ganhou tempo para dirigir ao PT uma súplica à moda de Fernando Collor: “Não me deixem só”.

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Para ‘decifrar’ Renan, Planalto recorre a Temer

Não é que o Planalto não veja a solução. O que Dilma e seus operadores não enxergam é o problema. Aturdida com a decisão de Renan Calheiros de devolver ao Poder Executivo a medida provisória que eleva a tributação da folha de pagamento, Dilma Rousseff pediu ao ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil) que telefonasse para o vice-presidente Michel Temer atrás de informações que decifrassem o presidente do Senado. Antes, Mercadante ligara para o próprio Renan, que não o atendeu.

Temer não foi de grande valia. Primeiro porque Renan não compartilhara com a direção do PMDB a decisão de alvejar Dilma depois de ter esnobado um convite dela para jantar no Alvorada. Segundo porque o vice-presidente da República já não parece confortável no papel de algodão entre os “cristais” do governo e do seu PMDB.

Consolidou-se no Planalto a conclusão segundo a qual Renan decidiu flertar com a oposição por considerar que o governo não moveu uma unha para livrá-lo das complicações da Operação Lava Jato. A leitura dos correligionários do PMDB é outra: ao sentir o cheiro de queimado, Renan decidiu protagonizar dois gestos.

Num, o morubixaba do PMDB alagoano acena para o pedaço da Opinião Pública que já não suporta Dilma e o PT. Noutro, ele faz média com os partidos de oposição no Senado. Tenta evitar a formação de uma maioria que, em futuro próximo, possa ameaçar-lhe o mandato.

Quanto a Dilma, que já não socorre nem a si mesma, Renan já não enxerga nela o proveito de outrora. Hoje, já não é possível extrair impunemente dividendos de “espaços'' como a Transpetro, uma jazida onde Renan manteve por 12 anos o afilhado Sérgio Machado.

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Câmara tem ‘uns 400, 300 deputados achacadores’, diz ministro Cid Gomes

O ministro Cid Gomes (Educação) afirmou que, sob o deputado Eduardo Cunha, “a direção da Câmara será um problema grave para o Brasil.” Disse que todas forças políticas que têm “compromissos sociais” se opuseram à eleição dele para a presidência da Casa. E Lamentou: “Tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais dele, aprovarem as emendas impositivas.”

Cid Gomes fez essas declarações há seis dias, na última sexta-feira (27), na cidade de Belém. A manifestação foi gravada. Deu-se durante uma visita do ministro à Universidade Federal do Pará. Ele se reuniu com professores e reitores de universidades federais paraenses. Encontrou-se também com servidores e alunos que o recepcionaram com um protesto contra o corte de verbas destinadas às instituições federais de ensino.

Num dos encontros, a pretexto de defender a gestão de Dilma Rousseff, Cid Gomes atacou o Legislativo. “A presidenta Dilma, ela é só presidente da República. Não ache que um presidente da República tem o poder de tudo, não. Tu acha que essa eleição para a presidência da Câmara aconteceu segundo a vontade dela?”, indagou o ministro a certa altura.

O próprio Cid Gomes respondeu. Antes, disse que falava em caráter pessoal, não como auxiliar da presidente —como se fosse possível distinguir um personagem do outro. “Não é o ministro que está falando”, disse. Cid suspeitava que estivesse sendo gravado. “Tem gente gravando aí. Eu sei que sempre tem gente gravando.” Mas não deteve a língua. “Eu acho que a direção da Câmara atualmente será um problema grave para o Brasil.”

Um dos presentes insinuou que Eduardo Cunha elegera-se com o aval do governo. E Cid Gomes: “Não foi não, querido, não foi não. Tudo o que é força política mais realmente comprometida, mais identificada com esse esforço que ampliou a oferta de ensino superior no Brasil e que tem compromissos sociais, que reduziu a miséria ou extinguiu a miséria, todas essas pessoas estiveram contra a eleição de quem foi eleito lá.”

O ministro prosseguiu: “Agora, as coisas são assim, tá certo? As coisas são assim. Tem lá uns 400 deputados, 300 deputados que quanto pior melhor para eles. Eles querem é que o governo esteja frágil porque é a forma de eles achacarem mais, tomarem mais, tirarem mais, aprovarem as emendas impositivas, para quem possa… Com todo respeito também, porque às vezes os caras querem mandar dinheiro para algum lugar, mas é uma guerra, é uma guerra…”

As declarações de Cid Gomes ecoam uma frase pronunciada por Lula em setembro de 1993. Nessa época, ele era pré-candidato à eleição presidencial de 1994. Percorria os Estados da Amazônia em campanha. Declarou o seguinte: “Há no Congresso uma minoria que se preocupa e trabalha pelo país, mas há uma maioria de uns trezentos picaretas que defendem apenas seus próprios interesses”. Eleito presidente duas eleições depois, Lula aliou-se aos que chamava de “picaretas”.

Trazidas à luz num instante em que Dilma enfrenta uma crise de relacionamento com seus aliados no Congresso, as declarações de Cid Gomes terão o efeito de um galão de gasolina derramado sobre labaredas. Primeiro porque o PMDB de Eduardo Cunha já vinha acusando o ministro da Educação de conspirar contra o PMDB em cobinação com Dilma.

Segundo porque, ao incluir entre os achacadores os adeptos das emendas orçamentárias “impositivas”, Cid Gomes atacou praticamente todo o Congresso. Inclusive os parlamentares do seu partido, o Pros, que votaram a favor da emenda constitucional que obriga o governo a executar as despesas enfiadas pelos congressistas no Orçamento da União.

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Achados e perdidos!



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Blog do Coronel

José Dirceu a um passo da Papuda.

(Valor) O presidente da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini, disse a investigadores da Operação Lava-Jato que os serviços de consultoria prestados por empresa do ex-ministro José Dirceu à empreiteira não existiram de fato. Segundo Avancini, que fechou acordo de colaboração premiada, os pagamentos feitos à empresa JD Assessoria e Consultoria tiveram origem em recursos desviados da Petrobras. Avancini assinou contratos de prestação de serviços da Camargo Corrêa com a empresa do ex- chefe da Casa Civil no governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Réu por crimes de corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro, o presidente da Camargo Corrêa deverá formalizar termo de declarações específico sobre os pagamentos recebidos por José Dirceu por meio de suas empresas. Os depoimentos de Avancini no âmbito de sua delação premiada terão início entre o final desta semana e o início da próxima, apurou o Valor PRO, serviço em tempo real do Valor.

Dirceu recebeu R$ 886 mil da Camargo Corrêa entre 2010 e 2011. A Polícia Federal apreendeu na sede da empreiteira em novembro de 2014 contrato de prestação de serviços datado de 22 de abril de 2010, firmado pela construtora com a JD Assessoria e Consultoria. Os investigadores constataram que na mesma época em que Dirceu foi contratado pela Camargo Corrêa, a Petrobras fechou dois contratos com a empreiteira no valor de R$ 4,5 bilhões.

Em decisão de 8 de janeiro em que determinou a quebra do sigilo bancário da empresa de Dirceu, a juíza federal de Curitiba Gabriela Hardt ressaltou que a JD Assessoria recebeu R$ 3,7 milhões "a título de consultoria" da OAS, UTC Engenharia e Galvão Engenharia, "as quais estão sendo investigadas justamente pelo pagamento de serviços de consultoria fictícios a empresas diversas para viabilizar distribuição de recursos espoliados do Poder Público". Além de Avancini, também fechou acordo de delação premiada o vice-presidente comercial da empreiteira, Eduardo Leite.

De acordo com os advogados dos executivos, a colaboração se restringirá a fatos ocorridos dentro da construtora, e não do grupo todo. É improvável que acionistas da Camargo Corrêa sejam comprometidos pelos depoimentos, segundo Marlus Arns de Oliveira, defensor de Eduardo Leite. No sábado, a Camargo Corrêa informou que não participou dos acordos de delação de seus executivos, mas disse que "permanecerá à disposição das autoridades".

Em nota, a assessoria de Dirceu disse que o contrato com a Camargo Corrêa, assinado em 22 de abril de 2010, teve como objetivo a "prestação de serviços no exterior, com foco em Portugal". A assessoria afirmou que já foi informado à Justiça do Paraná que Dirceu viajou cinco vezes a trabalho a Portugal, entre 2010 e início de 2011 e que na Camargo Corrêa "o ex-ministro se reportava ao presidente do Conselho, Vitor Hallack, com quem se reuniu algumas vezes durante a vigência do contrato".

O vice-presidente da Engevix Engenharia, Gerson de Mello Almada, acenou com a possibilidade de fazer delação premiada ou, ao menos, contribuir com a Justiça buscando diminuir sua eventual pena. Também preso por corrupção ativa, Almada disse ter "contribuição relevante" a fazer e pediu para ser interrogado pelo juiz Sergio Moro.

Em janeiro a defesa de Almada afirmou à Justiça que a Petrobras foi usada para financiar o "custo elevado das campanhas eleitorais". Os advogados alegam que a estatal "foi escolhida para a geração desses montantes necessários à compra da base aliada do governo e aos cofres das agremiações partidárias".

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10% do Congresso na Lista de Janot.

São 54 nomes, ainda em sigilo. São 28 inquéritos. Por enquanto, somente Teori Zavascki, ministro do STF, além de Rodrigo Janot, procurador geral da República, que encaminhou a lista, sabem quem está na lista. O que choca um país é que cerca de 10% do Congresso está envolvido na roubalheira da Petrobras. Não há como não passar este país a limpo acabando, dentro da lei, com este ciclo perverso, desonesto e corrupto do PT.

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Crise política! Renan devolve para Dilma a MP do Tarifaço.

Em discurso duríssimo, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) acaba de devolver à Presidência a medida provisória que revê desonerações de folha de pagamento para vários setores da economia, anunciada na semana passada pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda) como uma das medidas de ajuste da economia para atingir o superávit de 1,2% do PIB prometido pelo governo.

A MP 669/15 foi editada na última quinta-feira. A medida altera alíquota de 1% de contribuição previdenciária sobre a receita bruta, aplicada principalmente para setores da indústria, para 2,5%. Já a alíquota para empresas de serviços, como do setor hoteleiro ou de tecnologia da informação (TI), subirá de 2% para 4,5%. As novas regras valem a partir de junho, por causa da noventena, período de 90 dias para vigência a partir da publicação.

Para recusar a MP, Renan alegou que ela não cumpre um dos requisitos constitucionais, o da urgência, e que poderia tramitar por projeto de lei. Continua discursando de forma dura na Mesa do Senado.

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Como o antevisto aqui, a largada de Janot é muito ruim. Ou: As culpas de todos e de ninguém

Eu antecipei aqui, como sabem, às 6h21 do dia 25, a estratégia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de optar pelas simples aberturas de inquérito. Só estava mesmo muito encantando com a disposição do Janot os que não conhecem o funcionamento do Ministério Público e da Justiça e que não sabem a diferença entre pedir um inquérito e oferecer uma denúncia.

Olhem aqui: se há coisa que quero nessa história toda, juro!, é queimar a língua. Mas a minha está intacta, não é? Em 28 pedidos, Janot quer que 54 pessoas sejam investigadas, certo? Certo! Assim, para todos os efeitos, estão em pé de igualdade.

Depois de um ano da Operação Lava-Jato, depois de muitas dezenas de depoimentos, depois de várias delações premiadas, o procurador-geral não conseguiu enxergar uma hierarquia nas atuações? O Estado é uno, ainda que a Justiça Federal e o Ministério Público atuem independentemente. O fato é que a pretensão punitiva do ente estatal, hoje, tem a convicção de que os crimes aconteceram, tem a convicção de que os corruptores foram seus protagonistas, mas ainda não está certo de que a outra ponta tenha existido.

E EU SEMPRE ALERTEI AQUI PARA ESSE RISCO, MESMO SOB PENA DE SOFRER A DESQUALIFICAÇÃO DE QUEM NÃO TEM A MENOR IDEIA DO QUE ESTÁ FALANDO. Dado o estágio a que chegaram os já réus do petrolão sem foro por prerrogativa de função, somos levados a crer que poderia ter existido um crime monumental como aquele sem políticos.

“Calma, Reinaldo! Vamos esperar!” Sim, eu espero! Até porque, que remédio há? Mas é evidente que Janot optou, vamos dizer, pela horizontalização das atuações ao se negar a ver, em alguns casos ao menos, algo mais do que possibilidades e plausibilidades — hipóteses em que se pede, então, uma abertura de inquérito. De resto, que diabo de delações premiadas são essas que não serviram nem para formar a convicção do procurador?

Infelizmente, meus caros, vai demorar muito tempo para que vocês possam cobrar o meu eventual erro. Cinco, sete, nove anos, como no mensalão? Mais do que isso? Nem sei se, até lá, já não aderi ao meu projeto de pregar aos peixes, como Padre Vieira. Uma coisa é certa: a primeira etapa começa mal. “Mas nem o fato de haver 54 nomes o anima, Reinaldo?” E daí? Se é pedido de inquérito para todo mundo, a multiplicação de nomes só dilui a natureza do crime.

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Levy ameaça se demitir, Dilma corre e envia projeto de lei com parte do conteúdo da MP devolvida

Nunca, mas nunca mesmo!, incluindo o governo Collor, se viu tamanha incompetência na coordenação política do governo. Acreditem ou não, o Palácio do Planalto foi surpreendido com a decisão de Renan Calheiros de devolver a MP da reoneação da folha de pagamentos, embora ele próprio já tivesse dito há alguns dias que a parceria com o PT era capenga e já houvesse faltado, na segunda, a um jantar oferecido por Dilma a peemedebistas. O clima de barata-voa se instalou, e chegou à presidente o recado de Joaquim Levy: sem o ajuste fiscal, ele está fora do cargo. Vocês entenderam direito: na prática, o ministro da Fazenda se demitiu.

Dilma, então, imediatamente enviou um projeto de lei, com pedido de urgência, repetindo parte do conteúdo da MP, concentrando-se apenas no que chamo de reoneração. Vai passar pelo Congresso? O mar não anda para peixe. Como justificar a oneração da Folha com desemprego crescente e com uma recessão que já não é mais uma possibilidade, mas um fato? Eis o busílis. Será que os senhores parlamentares estão dispostos a assumir esse ônus?

O governo faz um voo cego. Por incrível que pareça, no jantar do dia 23, no Palácio do Jaburu, da equipe econômica com líderes peemedebistas, o vice-presidente da República e sete ministros do partido, ninguém tocou no assunto. O petista Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, estava presente. Cabe a pergunta: que diabo de coordenação política é essa?

Eis o ponto: não existe! Um país com crescimento de 5%, inflação de 2,5%, os juros de 4% e Petrobras como exemplo de eficiência não poderia ter no comando político o seguinte Quarteto Fantástico: Mercadante, Pepe Vargas, Jaques Wagner e Miguel Rossetto. Dilma brinca com o perigo. Até eu acho que se encontra coisa melhor no próprio petismo.

Mas a presidente não tem uma virtude que, admito, Lula tem: ele costuma se cercar de pessoas mais capazes do que ele próprio. Podemos não gostar, mas isso é fato. Dilma, ao contrário, faz questão de exercer também a liderança intelectual. E, nesse caso, amigos, a coisa pode ser mesmo explosiva.

O governo não via a hora que Janot entregasse a sua lista. Contava com ela para amenizar o peso sobre os ombros da presidente. Em vez disso, ela está com uma crise nova nas mãos.

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O problema é que o governo Dilma é chavista. Eu me refiro ao amigo do Quico e da Chiquinha. Ou: “Ai que burro, dá zero pra ele!”

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), devolveu a MP da “reoneração” da folha de pagamentos. Alegou vício legal. Disse que a elevação de tributo não podia ser feita por Medida Provisória e que ela desrespeitava o Congresso. E ainda aproveitou para discursar, lamentando não ter devolvido também as outras MPs do ajuste fiscal. Sabem por que isso acontece? Porque temos um governo chavista.

Não, caros! Não estou me referindo àquele tirano mixuruca que governou a Venezuela — mixuruca, mas cujo cadáver adiado mata pessoas. Não! Eu me refiro mesmo é ao amigo do Quico e da Chiquinha, aquela que tem um bordão muito eloquente: “O que você tem de burro, você tem de… burro!” Eu me refiro é à personagem de Roberto Bolaños! É o que me ocorre quando penso nas lambanças protagonizadas por José Eduardo Martins Cardozo, ministro da Justiça. Eu fico com vontade de dizer, como o Chávez no vídeo abaixo:



“Ai que burro! Dá zero pra ele!” Com a devida vênia, é tolice essa história de que Renan devolveu a MP por causa desse ou daquele cargos, desse ou daquele interesses contrariados. Isso tudo, como estamos carecas de saber, já estava no preço. No mês passado, não faz tanto tempo assim, Renan atropelou a oposição e a deixou fora da Mesa do Senado, o que rendeu um bate-boca com Aécio Neves (MG), presidente do PSDB — que ontem elogiou o presidente da Casa. Renan já tinha, àquela altura, agasalhado a perda dos cargos.

Se você notar, leitor, encontrará uma coisa estranha nos jornais e nas análises. Os jornalistas sustentam que a razão principal de Renan ter se insurgido contra o governo foi a inclusão de seu nome na lista dos “54 de Rodrigo Janot”. Sim, o procurador-geral da República incluiu os respectivos nomes do presidente do Senado e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), entre aqueles que devem ser alvos de inquérito.

Aí o sujeito de bom senso logo se pergunta: “Mas o que a Dilma tem com isso? A lista não é de Janot?” Pois é… Eis aí boas perguntas, que seguiram sem resposta até aqui, mas não mais.

Quando Cardozo se mobiliza para, como direi?, manter conversas informais com Janot, o que Brasília inteira leu, embora muitos não queiram vocalizar, é que a dita-cuja obedece, digamos, a uma orientação também política. Nos bastidores, o governismo sabia que alguns nomes do petismo fatalmente estariam lá. A questão era saber quais outros.

Cardozo passou a impressão — que até pode estar errada, né? — de que ele tinha poder sobre a lista. Olhem aqui: pior do que não exercer um poder que se tem é dar a impressão de ter um poder que não se tem. O fato é que Cardozo jamais poderia ter se metido nessa operação — o que inclui a conversa com advogados sobre a conveniência de delações premiadas. Ao fazê-lo, o sistema político sentiu o cheiro da armação. Verdade? Mentira? Pois é… O fato é que Cardozo faz cara de sabido, não é? E essa é outra coisa que também não convém fingir.

Como é que Dilma restabelece as pontes com o PMDB? Não tenho ideia. O discurso de Renan ao devolver a MP era quase o de líder da oposição. Ele sabe que, a partir desta quarta, a sua autoridade está arranhada. Agora, ele é um dos 54, não importa o tamanho do erro, da falha ou da falcatrua que tenha cometido. Ele até pode ser chefão de muita coisa na República, em Alagoas ou em Murici, mas, na Petrobras, nunca chegou a ser um peixão.  Enquanto durar os inquéritos, como explicar as eventuais diferenças?

Verdade ou mentira, o fato é que Cardozo passou a impressão de que a lista era feita a quatro mãos, com o concurso do Palácio do Planalto. O resultado é o que se vê. Essa é mais uma crise que a incompetência política do governo Dilma levou para dentro do Palácio.

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Renan reforça o isolamento do governo
Ricardo Noblat

Como é possível que ninguém dentro do governo soubesse que Renan Calheiros, presidente do Senado e do Congresso, devolveria a Medida Provisória assinada por Dilma que tratava do aumento da contribuição previdenciária para as empresas, anunciada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na última sexta-feira?

Renan considerou a medida inconstitucional. Sob aplausos da oposição e perplexidade do PT, ele decretou: “O Executivo, ao abusar do uso de medidas provisórias, deturpa o conceito de separação dos poderes”.

Sempre se poderá dizer que o Executivo agiu assim até agora, e que Renan nunca reclamou. E daí? Haverá sempre a primeira vez.

O presidente do Senado escolheu a hora certa para agir, conquistando o apoio da quase totalidade dos seus pares.

Chega de o governo despachar para o Congresso tudo o que lhe interessa por meio de Medidas Provisórias.

Basta de o governo prometer que governará com os partidos, ignorando-os em seguida.

Razões menos nobres podem ter movido Renan. Do tipo: ele ainda não conseguiu empregar no governo quem queria. Ou Dilma não ajudou com dinheiro Renanzinho, o novo governador de Alagoas.

Ou o governo não me mexeu para evitar que o nome de Renan fosse citado na lista de políticos envolvidos com a corrupção na Petrobras.

Assinada por Rodrigo Janot, procurador-geral da República, a lista desembarcou no Supremo Tribunal Federal.

Fazem parte dela 54 nomes – entre eles o de Renan e o de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.

Por mais que soe absurdo, Renan acha que o governo poderia, sim, ter dado um jeito de poupá-lo do vexame.

Não importa. Renan foi de um raro oportunismo. E é isso o que distingue um político arguto de um não arguto.

Se por acaso for aberto no Conselho de Ética do Senado algum processo para cassar Renan por quebra de decoro, o time de senadores capaz de derrubar a medida cresceu no rastro do episódio de ontem.

Quanto ao governo de Dilma...

Ou providencia uma nova articulação política ou continuará levando sustos. Ou muda de comportamento ou ficará cada vez mais sozinho.


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Blog do Josias

PMDB agora quer criar as subrelatorias na CPI

Com o aval do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, o PMDB deve associar-se aos partidos de oposição para criar subrelatorias na CPI da Petrobras. Se funcionar como planejado, a parceria resultará no esvaziamento da função de relator, ocupada pelo petista Luiz Sérgio. Ele será forçado a dividir tarefas com os subrelatores, alguns deles da oposição.

Além de endossar a criação de relatorias auxiliares, Eduardo Cunha avisou que não dará guarida ao pedido do PT para incluir o governo FHC na pauta da CPI. O deputado realçou que o alvo da investigação consta do requerimento de convocação da CPI: varejar a Petrobras no período de 2005 e 2015. Qualquer coisa fora desse intervalo, só com outra CPI.

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Renan trata Dilma na base do morde-e-assopra

Renan Calheiros impôs a Dilma Rousseff uma vexatória desfeita. Reza a liturgia do poder que não se deve rejeitar convite de presidente da República para conversar. Chamado por Dilma para um jantar de reconciliação com o seu PMDB, Renan esnobou-a.

“Decidi abster-me do jantar entre o PMDB, a presidente da República e ministros, em que se discutirá a coalizão”, escreveu Renan numa nota. “O Presidente do Congresso Nacional deve colocar a instituição acima da condição partidária.” Hã, hã…

Depois de “morder” que sempre o afagou, Renan assoprou. Ele havia convocado para quarta-feira uma sessão do Congresso para analisar vetos presidenciais. Entre eles o que mandou ao lixo a correção da tabela do Imposto de Renda em 6,5%.

Nessa matéria, as chances de derrota de Dilma são reais. Para evitar o infortúnio, Renan antecipou a sessão de quarta para esta terça (3). E fez sumir da pauta o veto aos 6,5% de reajuste na tabela do IR. Com isso, adiou a derrota anunciada de Dilma pela segunda vez.

Com a espada do petrolão sobre sua ex-calva, Renan tornou-se uma espécie de esfinge decifrada. Ele estufa o peito como uma segunda barriga, faz pose de independente e desafia Dilma: “Devora-me ou te decifro.”

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PMDB teme que petrolão inclua Renan e Cunha

A iminência do envio ao STF da lista de políticos encrencados no petrolão deixou a cúpula do PMDB em polvorosa. Longe dos refletores, dirigentes da legenda se preparam para o pior. Receiam que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, inclua no rol de providências que requisitará ao Supremo a abertura de inquéritos contra o senador Renan Calheiros e também contra o deputado Eduardo Cunha.

Repetindo: nos subterrâneos, dirigentes do PMDB discutem a sério a hipótese de Janot levar à linha de tiro do petrolão os presidentes da Câmara e do Senado. Algo que, se confirmado, adicionará escárnio no escândalo. Se a dupla virar parte da sangria, com que isenção irá comandar as duas Casas de um Poder hemorrágico?

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Esperando Janot!



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Neocartel!


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O 15 de Março – O Planalto  conta com Janot para tirar o povo da rua

Emissários do governo Dilma decidiram ter um mínimo de juízo, coisa que o PT e a CUT, como entes, definitivamente, parecem não ter. A central sindical marcou para o dia 13 atos em defesa da Petrobras. Defesa contra quem? Só se for contra os petistas e os cutistas, não é mesmo? É uma piada. Lula já estrelou aquela patuscada no Rio, e todos viram no que deu a coisa: os tonton macoutes do petismo distribuíram porradas em meia-dúzia que protestavam contra a roubalheira e só contribuíram para acirrar ainda mais os ânimos.

Pois bem: o Planalto quer que a CUT desista do ato por alguns bons motivos. Em primeiro lugar, acha que será um fiasco, já que nem os esquerdistas andam com muito ânimo para “defender a Petrobras”. Mas a razão principal é outra: eventual manifestação do dia 13 acabaria pondo lenha da fogueira e servindo, na verdade, como um estímulo para o ato em favor do impeachment da presidente, que está marcado para o dia 15 em várias cidades do país.

É crescente a preocupação do governo com essa manifestação. A situação política se deteriorou de tal maneira que o Palácio teme uma manifestação gigante, para a qual não haveria resposta. Se vai mesmo acontecer, ninguém sabe. Em 2013, os brasileiros expressaram um sentimento difuso de mudanças. A presidente pôde então enrolar a turma com a patranha das reformas. Em 2014, os protestos tinham como alvo os gastos da Copa. Neste 2015, vai-se pedir é o impeachment da presidente. Nesse caso, ela própria não teria muito a dizer.

Alguns palacianos estão apostando todas as suas fichas na “Lista de Janot”. Avaliam que, se ela estiver recheada com alguns nomes da oposição, a pressão sobre o governo diminui, e o ânimo anti-Dilma arrefece.

O Planalto, em suma, conta com Janot para tirar o povo da rua.

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Movimento faz vigília na Procuradoria Geral; Janot promete investigação longa, mas diz que culpados pagarão. E, de novo, a questão da denúncia e do inquérito

Na noite desta segunda-feira, o movimento “Vem Pra Rua” optou pelo bom caminho e decidiu fazer uma vigília às portas da Procuradoria-Geral da República. Trata-se de um dos grupos que organizam o protesto do dia 15 de março. Sem hostilidade, sem violência, sem intimidação, o “Vem Pra Rua” foi expressar o seu “apoio” a Rodrigo Janot, o procurador-geral da República. O grupo portava cartazes como “Janot, você é a esperança do Brasil”, com o qual o próprio se deixou fotografar (ver abaixo). Muitos seguravam velas acesas.

Janot foi ao encontro dos manifestantes e fez uma curta declaração, que resultou num vídeo que está no Youtube (veja lá no alto). Afirmou: “Vamos trabalhar com tranquilidade, com equilíbrio, e quem tiver que pagar vai pagar. Nós vamos apurar, isso é um processo longo, está começando agora. A investigação começa, e nós vamos até o final desta investigação”. Os presentes gostaram do que ouviram. Animado, Janot ousou um pouco mais: “Se eu tiver que ser investigado, eu me investigo”.

O procurador-geral foi ao encontro do grupo ali pelas 20 horas, depois de revisar os pedidos de abertura de inquérito que fará ao Supremo Tribunal Federal.

Atravessando o glacê das intenções e da fala autolaudatória, há uma verdade inequívoca no que disse o procurador-geral: “Nós vamos apurar, isso é processo longo, está começando agora”. Sem dúvida, será longuíssimo.

Fiquem atentos
Foi bom o movimento ter ido à Procuradoria-Geral para que Janot saiba que muita gente, no país, está de olho no que se faz por lá. Infelizmente, tem sido fácil enganar jornalistas, que, não raro, não dão muita bola para detalhes jurídicos. Por que afirmo isso?

Janot deve mesmo só pedir a abertura de inquéritos, em vez de fazer denúncias, que seria um passo adiante. Qual é o malefício essencial dessa escolha? Igualar todos os suspeitos. Suponho que os que fizeram delação premiada apresentaram provas, não? Então os políticos serão alvos de simples inquéritos, independentemente do grau de comprometimento com o esquema? Teremos um procedimento que igualará os desiguais?

Li há pouco, num portal, uma reportagem de uma ingenuidade quase encantadora. Alguém da assessoria de Janot passou a informação furada de que as condenações por formação de quadrilha de José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino foram revertidas no julgamento dos embargos infringentes justamente porque estariam mal formuladas, em razão de Antônio Fernando de Souza, o então procurador-geral, ter optado logo pela denúncia, em vez do inquérito. Bem, a informação é falsa como nota de R$ 3. A reversão nada teve a ver com mais cuidado ou menos cuidado. Os ministros que não os condenaram simplesmente não reconheceram a existência de tal crime porque entenderam que a quadrilha supunha uma organização permanente, formada com o fim de delinquir. ELES NÃO RECONHECERAM FOI O TIPO PENAL. NADA TEVE A VER COM MAIS CUIDADO OU MENOS CUIDADO. Pesquisem para ver.

Vamos aguardar a “Lista de Janot”. Caso se confirmem os bochichos de corredor, divulgados os nomes, teremos um rol horizontal, suprapartidário, a indicar que todo o espectro político está contaminado por práticas criminosas. O governo Dilma precisa desesperadamente de uma lista assim para conseguir pôr o nariz fora d’água. E o PT também.

Torço muito para que os aplausos dispensados a Janot nesta segunda sejam merecidos. Como a lista não saiu, ele ainda tem tempo de fazer a coisa certa. E a primeira coisa certa a fazer é desigualar os desiguais. Depois de tanta investigação e de tantas delações premiadas, custo a crer que um procurador não consiga distinguir os motivos para uma denúncia dos motivos para uma simples abertura de inquérito.

Vamos lá. Vamos confiar. Janot certamente leu “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos. E lá se encontram coisas como esta: “O beijo, amigo, é a véspera do escarro,/ A mão que afaga é a mesma que apedreja.”

Que Janot ofereça motivos para novos beijos e novos afagos.

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Corrupção e gestão temerária levarão os companheiros do PT, quem diria?, a privatizar parte da Petrobras. E, DESTA VEZ, É VERDADE: A PREÇO DE BANANA!!! Os brucutus do petismo e da CUT ficarão calados? Vão se acovardar? E o meu plano para a estatal

Ah, como esquecer os brucutus do PT e da CUT nas ruas contra as privatizações de estatais, que teriam sido vendidas “a preço de banana”, o que sempre foi uma mentira escandalosa? Como esquecer as campanhas eleitorais de 2002, 2006 e 2010, quando a petezada acusava os tucanos, outra mentira suja, de querer privatizar a Petrobras? Na primeira campanha eleitoral de Dilma, José Sérgio Gabrielli, este monumento moral, concedeu uma entrevista à Folha em que assegurava que FHC tentara, sim, a privatização. Nunca aconteceu! Eis que, agora, os companheiros anunciam que vão abrir mão de ativos da Petrobras no valor de US$ 13,7 bilhões — R$ 39 bilhões pela atual cotação.

É claro que recorro aqui a uma licença. É claro que sei a diferença entre venda de ativos e venda de uma parte das ações. A diferença é de natureza jurídica, não é de essência. Mas, numa coisa, tem-se algo de essencialmente distinto: os petistas estão tendo de abrir mão de parte da Petrobras porque conduziram a empresa à lona, ao caos, à falência técnica. Só não se pode dizer que a empresa está quebrada porque o fundo de uma estatal é sempre um… buraco sem fundo.

Sim, caros, a venda dos ativos se dará na bacia das almas. Agora, sim, os ativos serão passados adiante pelo preço de banana. A razão é simples: o vendedor que está com a corda no pescoço tem menos poder de negociação. E essa é, precisamente, a situação da Petrobras.

A gestão Graça Foster previa livrar-se de US$ 3 bilhões em ativos. Depois que a Moody’s deu um tombo no rating da Petrobras, passando para o segundo nível do grau especulativo, a empresa deu adeus às captações no exterior. Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários, a estatal anunciou que 40% desses ativos pertencem à área de Gás e Energia; 30%, à de Exploração e Produção, e 30%, à de Abastecimento. Excetuando-se esse último grupo, conclui-se, então, que 70% dos ativos dos quais a Petrobras abrirá mão vêm de suas duas principais atividades-fim. É a confissão de um desastre.

O objetivo do “desinvestimento”, conforme está no comunicado da empresa, “visa à redução da alavancagem, preservação do caixa e concentração nos investimentos prioritários, notadamente de produção de óleo & gás no Brasil em áreas de elevada produtividade e retorno.” Ou por outra: a Petrobras precisa cuidar do seu caixa e reduzir a sua estúpida dívida, hoje de quase R$ 262 bilhões.

Segundo apurou O Globo, a Petrobras pretende “vender campos de petróleo no pós-sal da Bacia de Campos, áreas maduras com produção em terra, participações em blocos no exterior e algumas plataformas de petróleo. Na lista, destacou uma fonte, está ainda a venda de parte das atividades na Argentina, onde a estatal tem diversos ativos, como campos de petróleo e postos de gasolina. A empresa, disse outra fonte, ainda pretende se desfazer da refinaria de Okinawa, no Japão, e de pequenas centrais hidrelétricas.”

Pois é, leitor amigo! Agora coloque nessa equação o modelo que foi aprovado para a exploração do pré-sal, que obriga a Petrobras a ser parceira da exploração, arcando com 30% dos investimentos necessários. Uma exploração que, dado o preço do barril do petróleo — que despencou para não mais subir — já é antieconômica.

Fabio Rhein, professor de finanças corporativas do Ibmec-RJ, antevê em entrevista ao Globo: ”A empresa vai ter dificuldade para vender seus ativos no momento atual, pois atravessa uma fase de falta de credibilidade. Mesmo que consiga, vai vender os ativos abaixo do preço, e isso vai prejudicar seu fluxo de caixa”.

Parte da Petrobras foi, digamos assim, privatizada pelos ladrões. Outra parte, agora, vai para o ralo para tapar os buracos provocados pelos larápios e pelos incompetentes. Os companheiros conseguiram. Agora, com efeito, a gente pode dizer: nunca antes na história deste país se viu privatização assim. O lulo-petismo, de fato, está fazendo algo inédito.

A propósito: os brucutus do PT e da CUT ficarão calados desta vez? Eu, convenham, não tenho por que protestar. Já tracei o meu plano para a Petrobras. Anunciaria a privatização de toda a empresa em 2017. As ações disparariam. Em vez da privatização petista a preço de banana, teríamos uma a peso de ouro. Mas isso é sensato demais para ser feito pelos companheiros, né?

Às ruas, brucutus!

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Dilma, a dona de casa, reaparece em Montevidéu. Simpático, não?
Ricardo Noblat

Somente o desespero com a queda de popularidade explica o lance bobo de marketing que levou a presidente Dilma Rousseff a ir às compras no supermercado Devoto, no bairro de Malvín, área nobre de Montevidéu, capital do Uruguai.

Ela chegou ali, no último sábado, para assistir à posse do novo presidente do Uruguai, Tabare Vazquez. Hospedou-se no luxuoso hotel Sofitel, a pouca distância do supermercado.

Os jornalistas brasileiros só chegaram a Montevidéu três horas depois. Livre deles, Dilma foi ao supermercado acompanhada de agentes de segurança e comprou o que quis. A saber:

• Três potes de doce de leite da marca uruguaia Conaprole;
• uma garrafa de vinho uruguaio da uva Tannat;
• um requeijão;
• e um queijo cremoso Talarcrem, da Talar, também uruguaio.

Logo ela, que estava de regime.

Naturalmente, foi reconhecida por fregueses do supermercado. E durante os 15 minutos que ficou por lá posou para fotos. Estimulou os que a fotografaram a pôr as imagens nas redes sociais.

Assim, mais tarde, os jornalistas brasileiros puderam resgatar fotos do episódio que não testemunharam. Dilma aparece nelas com uma sacola de compras e parada diante do caixa.

Dez dias antes, em discurso sobre o ajuste fiscal, em Brasília, Dilma havia dito que era preciso se comportar como uma dona de casa capaz de cortar despesas, se preciso.

A dona de casa reapareceu em Montevidéu. Que tal?

Janaína Figueiredo, repórter de O Globo, perguntou, ontem, a assessores de Dilma no Palácio do Planalto se ela trouxe para o Brasil o que comprara em Montevidéu.

Afinal, uma cartilha do Ministério da Agricultura “recomenda aos viajantes brasileiros que procurem comprar produtos importados de origem vegetal e animal, como os itens adquiridos pela presidente, em free shops no Brasil”. Alerta a cartilha:

- Se você for ao exterior, os derivados de leite, como doce de leite, queijos e iogurtes, também estão proibidos, pois necessitam de temperatura de refrigeração para uma correta conservação. Quando trazidos em bagagens do exterior, permanecem várias horas fora da temperatura adequada e podem conter bactérias e outros patógenos, causando riscos à saúde de quem os consome.

Ninguém no Palácio do Planalto respondeu à pergunta de Janaína.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Dilma está com saudade da massa e decide encontrar em supermercado do Uruguai o verdadeiro povo paraguaio…

Dilma Rousseff está com saudade do povo. E, aí, até o uruguaio serve. Não podendo mais transitar entre os nativos de sua própria pátria, tomou os do país vizinho de empréstimo. Sabem como é… Deve estar carente de um olhar admirado, embevecido, gentil… Ao ver um pau de self, seu coração certamente se contrai de melancolia. Ah, a algazarra daqueles tempos do “nunca antes na história deste país…” Eles se foram para nunca mais voltar — não ao menos enquanto durar o seu governo.

Dilma foi ao Uruguai para a posse de Tabaré Vásquez, novo presidente do país. Cansada do claustro imposto pela impopularidade, a petista decidiu, no sábado, dar uma chegadinha ao supermercado Devoto, no bairro Malvín, área nobre de Montevidéu. E foi, naturalmente, bem recebida… pelos uruguaios.

Informa o jornal uruguaio “El País”: “A mandatária brasileira comprou produtos básicos, como leite. Alguns clientes e empregados do supermercado a reconheceram de imediato e lhe pediram para tirar foto. Segundo apurou o jornal, Dilma aceitou de bom grado posar para os curiosos e os incentivou a postar as imagens nas redes sociais”.

Pouco antes, a presidente brasileira havia participado da inauguração de um parque eólico em Colônia de Sacramento, um empreendimento tocado pelo Brasil e pelo Uruguai. Como ela se deslocou para Montevidéu de helicóptero, e os jornalistas brasileiros, de ônibus, ela aproveitou uma folga de três horas longe dos brasucas para dar o seu passeio. Não teve de responder nenhuma pergunta incômoda. Ela esperou o fim da solenidade porque foi ao Rio participar das festividades dos 450 anos da cidade.

Não que Dilma tenha visitado um supermercado no Uruguai para curtir uma inflação baixa. Com uma taxa na casa dos 8%, o país não chega a nos fazer inveja nesse particular. Uma coisa é certa: a presidente não conseguiria ir a um supermercado no Brasil. Na raiz do descontentamento com o seu governo, que ficará claro nos protestos do dia 15 de março, está, sim, a roubalheira na Petrobras, mas não só: a inflação alta é hoje uma das principais fontes de desgaste de sua gestão.

Dilma, em suma, não tem como enfrentar o povo brasileiro e decidiu, então, encarar no Uruguai o povo paraguaio…

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PMDB rechaça manobra petista e quer manter o eixo da CPI da Petrobras. A propósito: chegou a hora de investigar o roubo de que a estatal foi vítima na Bolívia, durante a parceria Lula-Evo Morales

O requerimento que criou a nova CPI da Petrobras na Câmara estabelece que a finalidade da comissão é “investigar a prática de atos ilícitos e irregulares no âmbito da empresa de Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras) entre os anos de 2005 e 2015”. O petista Luiz Sérgio (RJ), no entanto, relator, já deixou claro que pretende estender a apuração ao governo FHC. Deixada por conta do PT, chegar-se-ia às capitanias hereditárias. Sabem como é… Um bom jeito de não investigar nada é propor investigar tudo.

Segundo informa a Folha na edição desta segunda, o PMDB decidiu dar um chega pra lá na estratégia petista e se organiza para concentrar a investigação no período estabelecido pelo requerimento. Afinal, foi ele que mereceu a assinatura dos deputados.

Sérgio usa como pretexto para desvirtuar a investigação o depoimento do ex-gerente Pedro Barusco, que declarou ter começado a receber propina da empresa holandesa SBM Offshore entre 1997 e 1998. A própria presidente Dilma Rousseff recorreu a esse depoimento para afirmar que a corrupção começou no governo FHC, fala que logo caiu no ridículo e que gerou uma penca de memes na Internet.

Barusco, de fato, fez essa declaração. Mas já resta mais do que evidente que, no caso, um funcionário da estatal se deixava corromper; tratava-se, digamos, de um empreendimento individual. Já abordei esse assunto aqui. Mundo afora, empresas são flagradas corrompendo quadros técnicos do Estado e de outras empresas. No Brasil — e em países marcados pelo estatismo —, as falcatruas costumam ser conduzidas por políticos, por homens públicos.

Caso o PMDB não ceda à patranha de Luiz Sérgio, a CPI começa o seu trabalho no rumo: é preciso investigar as safadezas entre 2005 e 2015 porque, nesse período, o que se viu foi a organização de uma máquina para assaltar o Estado em benefício de um projeto de poder. É aí que está o centro da questão. Ninguém duvida que tenham existido antes ladrões na Petrobras ou que outros possam existir depois. Têm de ser exemplarmente punidos. Mas não se pode usar uma CPI para tentar mudar a natureza do crime investigado.

Ainda segundo a Folha, os peemedebistas combinaram com Hugo Motta (PB), presidente da comissão, a criação de uma sub-relatoria para tentar recuperar ativos da Petrobras no exterior. Teria havido irregularidades sobretudo na África.

Bolívia
A propósito: a CPI tem de aproveitar a oportunidade para saber que fim levaram os ativos da Petrobras na Bolívia, expropriados por Evo Morales em maio de 2006. O índio de araque tomou duas refinarias da empresa de arma na mão. Ou melhor: eu sei que fim levaram os ativos; o que nunca ninguém descobriu é se a estatal brasileira foi ressarcida.

Depois do ato hostil, o BNDES andou financiando obras na Bolívia. Só para a construção da rodovia Santo Ignácio de Moxos-Villa Tunari, o banco estatal brasileiro assinou contrato de US$ 332 milhões, uma obra executada pela construtora OAS.

Em 2013, a Petrobras voltou a investir naquele país. As iniciativas fazem parte do pacote de generosidades do petismo com governantes com os quais mantém afinidade ideológica. Só que faz isso com o nosso dinheiro.

Encerro
Vamos ver. A CPI, como é sabido, foi instalada sob o signo da desconfiança em razão do fiasco das duas comissões criadas no ano passado, a do Senado e a mista. Os petistas são os primeiros a espalhar que o PMDB quer usar a investigação para pôr a faca no pescoço do governo e negociar cargos e vantagens.

Caberá basicamente ao PMDB provar que isso é mentira.

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Lula, de esperança a forte ameaça à democracia
Ricardo Noblat

O que leva Dilma, aos 67 anos de idade, a ser tão rude com seus subordinados? A pedido de quem me contou, não revelarei a fonte da história que segue.

No ano passado, ao ouvir do presidente de uma entidade financeira estatal algo que a contrariou, Dilma elevou o tom da voz e disse:

- Cale a boca. Cale a boca agora. Você tem 50 milhões de votos? Eu tenho. Quando você tiver poderá ocupar o meu lugar.

Dilma goza da fama de mal educada. Lula, da fama de amoroso. Não é bem assim. Lula é tão grosseiro quanto ela. Tão arrogante quanto.

Eleito presidente pela primeira vez, reunido em um hotel de São Paulo com os futuros ministros José Dirceu, Gilberto Carvalho e Luís Gushiken, entre outros, Lula os advertiu:

- Só quem teve voto aqui fui eu e José Alencar, meu vice. Não se esqueçam disso.

Em meados de junho de 2011, quando Dilma sequer completara seis meses como presidente da República, ouvi de Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, um diagnóstico que se revelou certeiro.

“Dilma tem ideias, cultura política. Mas seu temperamento é seu principal problema”, disse ele. “Outro problema: a falta de experiência. E mais um: tem horror à pequena política. Horror”.

Na época, Eduardo era aliado de Dilma. Nem por isso deixava de enxergar seus defeitos.

“Dilma montou um governo onde a maioria dos ministros é fraca”, observou. “Todos morrem de medo dela. No governo de Lula, não. Ministro era ministro. Agora, é serviçal obediente e temeroso. Lula não pode fingir que nada tem a ver com isso. Afinal, foi ele que inventou Dilma”.

Lula não perdoa Dilma por ela não ter cedido a vez a ele como candidato no ano passado. Mas não é por isso que opera para enfraquecê-la sempre que pode.

Procede assim por defeito de caráter. Com Dilma e com qualquer um que possa causar-lhe embaraço.

Se precisar, Lula deixa os amigos pelo meio do caminho. Como deixou José Dirceu, por exemplo. E Antonio Palocci.

Pobre de Dilma quando Lula se oferece para ajudá-la.

Na última quarta-feira, ele jantou com senadores do PT. Ouviu críticas a Dilma e a criticou. No dia seguinte, tomou café da manhã com senadores do PMDB. O pau cantou na cabeça de Dilma.

Tudo o que se disse nos dois encontros acabou se tornando público. Em momento de raro isolamento, Dilma precisa de muitas coisas, menos de briga.

Pois foi com o discurso belicoso de sempre, do nós contra eles, do PT e dos pobres contra as elites,  que Lula participou de um ato no Rio em favor da Petrobras.

Sim, da Petrobras degradada nos últimos 12 anos pelo PT e seus aliados.

Pediu que seus colegas de partido defendessem a empresa e se defendessem da acusação de que a saquearam.

E por fim acenou com a possibilidade de chamar “o exército” de João Pedro Stédile, líder do Movimento dos Sem Terra, para sair às ruas e enfrentar os desafetos do PT e do governo.

Washington Quaquá, presidente do PT do Rio de Janeiro e prefeito de Maricá, atendeu de imediato ao apelo de Lula. Escreveu em sua página no Facebook:

- Contra o fascismo, a porrada. Não podemos engolir esses fascistas burguesinhos de merda. Está na hora de responder a esses filhos da puta que roubam e querem achincalhar o partido que melhorou a vida de milhões de brasileiros. Agrediu, damos porrada.

É o exemplo que vem de cima!

Para o bem ou para o mal, este país carregará na sua história a marca indelével de um ex-retirante nordestino miserável, agora um milionário lobista de empreiteiras, que disputou cinco eleições presidenciais, ganhou duas vezes e duas vezes elegeu uma sem voto, sem carisma e sem preparo para governar.

Lula já foi uma estrela que brilhava sem medo de ser feliz.

Foi também a esperança que venceu o medo.

Está se tornando uma forte ameaça à democracia.

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Pepe Vargas virou peça decorativa no Planalto

Titular da pasta das Relações Institucionais, o ministro Pepe Vargas (PT-RS) deveria ser o articulador político de Dilma Rousseff. Desde que assumiu o desafio, em 1º de janeiro, não conseguiu expor aos aliados do governo no Congresso um itinerário. Como o poder não tolera a impotência, seu colega Aloizio Mercadante (Casa Civil) assumiu o volante. E Pepe virou um articulador ornamental.

Nos dois meses iniciais do segundo mandato de Dilma, o nome de Pepe foi anotado na agenda oficial da presidente uma mísera vez, no dia 9 de janeiro. E não foi para uma conversa a sós, mas para uma reunião da qual tomaram parte também os ministros Mercadante e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência).

Lula costuma dizer que o coordenador político de um governo tem prazo de validade curto. Com Pepe, o desgaste veio na velocidade de um raio. Principal sócio do empreendimento governista, o PMDB desligou-o da tomada. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, chama-o de trapalhão. O comandante do Senado, Renan Calheiros, o ignora.

No momento, a prioridade do Planalto é azeitar no Congresso a votação das medidas provisórias que compõem o esforço fiscal do governo. Na semana passada, a equipe econômica —Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central)— jantou com o PMDB. Dilma providenciou para que Mercandate acompanhasse a troica, não Pepe.

Um emissário de Dilma foi conversar com Eduardo Cunha na residência oficial da presidência da Câmara. De novo, a missão foi confiada a Mercadante, não a Pepe. Entre todos os 39 ministros, Mercadante é o que mais vira a maçaneta da sala de Dilma.

Afora as conversas extra-oficiais, Mercadante apareceu na agenda da presidente sete vezes em dois meses. Colados nele, vêm os ministros Nelson Barbosa (Planejamento), com cinco audiências; e Joaquim Levy, com quatro.

Por ora, o vaivém do governo apenas acrescentou descoordenação ao que já estava fora de controle. O próprio Lula engrossou o coro dos críticos em duas reuniões político-gastronômicas da semana passada —um jantar com a bancada de senadores do PT e um café da manhã com os dirigentes do PMDB.

Nesta segunda-feira, empurrada por Lula, a própria Dilma receberá para jantar no Palácio da Alvorada os caciques do PMDB. Vão discutir a relação à luz do que disse o aliado Renan Calheiros: “A coligação está capenga”.

‘Onerismo’!




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Blog do Noblat

A miséria da política
Fernando Henrique Cardoso

Otimista por temperamento com os necessários freios que o realismo impõe raramente me deixo abater pelo desalento. Confesso que hoje, no entanto, quase desanimei: que dizer, que recado dar diante (valham-me os clássicos) de tanto horror perante os céus?

Na procura de alento, pensei em escrever sobre situações de outros países. Passei o carnaval em Cuba, país que visitava pela terceira vez: a primeira, na década de 1980, quando era senador. Fui jurado em um prêmio Casa de las Américas.

Voltei à Ilha como presidente da República. Vi menos do povo e dos costumes do que na vez anterior: o circuito oficial é bom para conhecer outras realidades, não as da sociedade. Agora visitei Cuba como cidadão comum, sem seguranças, nem salamaleques oficiais. Fui para descansar e para admirar Havana, antes que o novo momento econômico de relações com os Estado Unidos a modifique muito.

Não fui, portanto, para avaliar a situação política (sequer possível em sete dias) nem para me espantar com o já sabido, de bom e de mau, que lá existe. Não caberia, portanto, regressar e fazer críticas ao que não olhei com maior profundidade.

Os únicos contatos mais formais que tive foram com Roberto Retamar (poeta e diretor da referida Casa de las Américas), com o jornalista Ciro Bianchi e com o conhecido romancista Leonardo Padura.

Seu livro “El Hombre que amaba los perros”, sobre a perseguição a Trotski em seu exílio da União Soviética, é uma admirável novela histórica. Rigorosa nos detalhes, aguda nas críticas, pode ser lida como um livro policial, especialidade do autor, que, no caso, reconstitui as desventuras do líder revolucionário e o monstruoso assassinato feito a mando de Stálin.

Jantei com os três cubanos e suas companheiras. Por que ressalto o fato, de resto trivial? Porque, embora ocupando posições distintas no espectro político da Ilha, mantiveram uma conversa cordial sobre os temas políticos e sociais que iam surgindo.

A diversidade de posições políticas não tornava o diálogo impossível. Eles próprios não se classificavam, suponho, em termos de “nós” e “eles”, os bons e os maus.

Por outra parte, ainda que o cotidiano dos cubanos seja de restrições econômicas que limitam as possibilidades de bem-estar, em todos os populares com quem conversei, senti esperanças de que no futuro estariam melhores: o fim eventual do embargo, o fluxo de turistas, a liberdade maior de ir e vir, as remessas aumentadas de dinheiro dos cubanos da diáspora, tudo isso criou um horizonte mais desanuviado.

É certo que nem em todos os contatos mais recentes que tive com pessoas de nossa região senti o mesmo ânimo. Antes de viajar, recebi a ligação telefônica da mãe de Leopoldo Lopes, oposicionista venezuelano que cumpriu um ano de cadeia no dia 18 de fevereiro.

Ponderada e firme, a senhora me pediu que os brasileiros façamos algo para evitar a continuidade do arbítrio. Ainda mantém esperanças de que, ademais dos protestos no Congresso e na mídia, alguém do governo entenda nosso papel histórico e grite pela liberdade e pela democracia.

Esta semana foi a vez de Enrique Capriles me telefonar para pedir solidariedade diante de novos atos de arbítrio e truculência em seu país: o prefeito Antonio Ledezma, eleito ao governo do Distrito Metropolitano de Caracas pelo voto popular, havia sido preso dias antes em pleno exercício de suas funções.

Não bastasse, em seguida houve a invasão de vários diretórios de um partido oposicionista. Note-se, como me disse Capriles, que Ledezma não é um político exaltado, que faz propostas tresloucadas: ele, como muitos, deseja apenas manter viva a chama democrática e mudar pela pressão popular, não pelas armas, o nefasto governo de Nicolás Maduro. Esperamos todos que o desrespeito aos direitos humanos provoque reações de repúdio ao que acontece na Venezuela.

Até mesmo os colombianos, depois de meio século de luta armada, vão construindo veredas para a pacificação. As Farc e o governo vêm há meses, lenta, penosa mas esperançadamente abrindo frestas por onde possa passar um futuro melhor.

Amanhã, segunda-feira, 2 de março, o presidente Santos e outras personalidades, entre as quais Felipe González, estarão reunidos em Madri num encontro promovido por “El País” ( ao qual não comparecerei por motivos de força maior) para reafirmar a fé na paz colombiana.

Enquanto isso, nós que estamos longe de sofrer as restrições econômicas que maltratam o povo cubano ou os arbítrios de poder que machucam os venezuelanos, eles também submetidos à escassez de muitos produtos e serviços, nos afogamos em copo d’água.

Por que isso, diante de uma situação infinitamente menos complexa? Por que Lula, em lugar de se erguer ao patamar que a história requer, insiste em esbravejar, como fez ao final de fevereiro, dizendo que colocará nas ruas as hostes do MST (pior, ele falou nos “exércitos”...) para defender o que ninguém ataca, a democracia e — incrível — para salvar a Petrobras de uma privatização que tucano algum deseja?

Por que a presidente Dilma deu-se ao ridículo de fazer declarações atribuindo a mim a culpa do petrolão? Não sabem ambos que quem está arruinando a Petrobras (espero que passageiramente) é o PT que, no afã de manter o poder, criou tubulações entre os cofres da estatal e sua tesouraria?

Será que a lógica do marquetismo eleitoral continuará a guiar os passos da presidente e de seu partido? Não percebem que a situação nacional requer novos consensos, que não significam adesão ao governo, mas viabilidade para o Brasil não perder suas oportunidades históricas?

Confesso que tenho dúvidas se o sentimento nacional, o interesse popular, serão suficientes para dar maior têmpera e grandeza a tais líderes, mesmo diante das circunstâncias potencialmente dramáticas das quais nos aproximamos. Num momento que exigiria grandeza, o que se vê é a miséria da política.

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Dilma e Levy se desentendem no mesmo idioma

Com certa dose de suplício, uma pessoa pode controlar todos os barulhos do seu corpo —o pum, o arroto, o espirro… Mas o ruído do subconsciente ninguém controla. Ele fica martelando dentro da cabeça até escapar pela boca quando menos se espera. Foi o que sucedeu com Joaquim Levy na sexta-feira.

Traído pelo inconsciente, o ministro da Fazenda sofreu um incidente verbal ao se referir à política de desoneração da folha de pagamento como “um negócio muito grosseiro''. Uma “brincadeira” que, iniciada sob o antecessor Guido Mantega, impediu o governo de arrecadar R$ 25 bilhões.

O Planalto abespinhou-se instantaneamente. E Dilma torceu o nariz de Levy neste sábado, tachando de “infeliz” o sincericídio do seu ministro. Levy penitenciou-se em privado. Reconheceu que foi “infeliz” na escolha das palavras. “Fui coloquial demais”, disse. O diabo é que tudo o que a pessoa diz conscientemente nunca é tão sincero quanto o que lhe escapa inconscientemente.

O que o subconsciente de Levy declarou, com outras palavras, foi o seguinte: considerando-se a relação custo-benefício, a tática da desoneração revelou-se um fiasco. Dilma discordou. “Eu acredito que a desoneração da folha foi importantíssima e continua sendo.” Quer dizer: para a presidente, a coisa deu certo.

Dilma precisa chamar Levy, urgentemente, para uma conversa. Na semana anterior, o ministro já havia declarado que o primeiro reinado de sua chefe fora tisnado por uma “escorrecadazinha” na área fiscal. Antes que seu subconsciente vaze novas declarações tóxicas, convém combinar o que é “dar certo”.

A presidente e o ministro terão de definir índices e combinar critérios. Por exemplo: “certo” se mede pela propaganda do João Santana ou pela realidade? Que peso relativo deve ser atribuído aos juros altos, à inflação acima do teto da meta e ao PIB negativo?

Uma vez estabelecido o consenso sobre o que é “dar certo”, Dilma só precisará explicar à plateia por que diabos foi buscar Levy, um eleitor de Aécio, para dar continuidade aos “êxitos'' de Guido Mantega, cuja demissão fora anunciada com uma antecedência de três meses. Levando a busca a sério, a presidente talvez comece a falar a mesma língua do subconsciente do ministro da Fazenda. Do contrário, continuarão se desentendendo no mesmo idioma.

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Combustíveis!



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CARDOZO E AS CONVERSAS IMPRÓPRIAS – Ou: Quanto mais mexe, mais fede

Lá em Dois Córregos e, suponho, em quase todo o país, é bastante conhecida a frase, cuja origem não requer grandes voos interpretativos, que assegura: “Quanto mais mexe, mais fede”.

É o que me ocorre ao ler reportagem de Robson Bonin na VEJA desta semana. Apareceu um novo personagem nas, digamos, “conversas” que José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça  andou mantendo com advogados de empreiteiras. Leiam texto publicado na VEJA.com:
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Flagrado em conversas impróprias com advogados das empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tornou-se alvo de um processo na Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Os integrantes do órgão deram dez dias para que explique seus encontros fora da agenda com advogados de empreiteiros presos no escândalo de corrupção na Petrobras. Na edição passada, VEJA revelou que Ricardo Pessoa, dono da UTC, preso em Curitiba, ouviu de seus advogados que partiu do ministro a iniciativa de chamar os defensores para uma conversa reservada, ocasião em que foram alertados de que havia uma reviravolta no processo.

O ministro também argumentou sobre a inadequação de levar em frente o acordo de delação que Ricardo Pessoa negocia com a Justiça. O empresário é guardião de segredos letais para muitos figurões do governo. Dirigentes da empreiteira confirmaram que, apenas no ano passado, Pessoa entregou 30 milhões de reais para as campanhas do PT e da presidente Dilma Rousseff, dinheiro obtido por meio de propinas de contratos superfaturados da Petrobras.

A conversa com os advogados em Brasília criou constrangimentos ao ministro porque, se admitida, caracterizaria uma interferência ilegal de uma autoridade no processo judicial. Cardozo, primeiro, negou. Depois, admitiu o encontro, que teria sido “casual”, mas não confirmou ter falado sobre delações ou investigações da Operação Lava-Jato. Há um novo personagem nessa história. Segundo executivos da UTC, para estabelecer um canal direto e seguro com os defensores da empreiteira, o ministro Cardozo recorreu a Flávio Caetano, secretário nacional de Reforma do Judiciário, que foi coordenador jurídico da campanha de Dilma Rousseff no ano passado.

Caetano é velho conhecido dos advogados da UTC, Sérgio Renault e Sebastião Tojal, com quem chegou a trabalhar. Nos dias que antecederam o misterioso encontro de Sérgio Renault com Cardozo em Brasília, Caetano telefonou para Tojal para avisar que o ministro desejava encontrá-los. Procurado por VEJA, o secretário confirmou a ligação, mas negou que tenha repassado recados do ministro. “Flávio Caetano é amigo há mais de quinze anos do doutor Sebastião Tojal, com quem tem mantido ao longo do tempo parceria acadêmica. O telefonema em questão se deveu a um trabalho acadêmico a ser publicado que ainda está em curso”, informou o secretário por meio de uma nota.

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Dilma sai em defesa de Dilma em razão das medidas adotadas pelo governo Dilma contra medidas adotadas pelo governo Dilma. Dilma diz que Dilma está errada, mas Dilma jura que errada quem está é Dilma. Este blog decreta: as duas estão certas!

Ai, que preguiça.

Como sabem, o ministro Joaquim Levy, da Fazenda, classificou de “grosseira” a desoneração da folha de pagamentos promovida pelo governo Dilma, quando o ministro da Fazenda era Guido Mantega, e que foi revogada pelo governo Dilma, agora que o ministro da Fazenda é… Levy.

Escrevi a respeito ontem o que segue:
“Mas cadê a admissão do erro? Não há. Parece que Dilma terceirizou o governo. Cabe a Levy desfazer as bobagens perpetradas no… governo Dilma. Às vezes, a gente tem a impressão de que o ministro é uma espécie de interventor. Não que isso seja necessariamente mau. É que a presidente é a petista, e isso é mau.”

Pois é… Dona Dilma pretende estar certa fazendo uma coisa e também o seu contrário. Alguém poderia objetar: “Ora, Reinaldo, isso é possível quando há mudança de circunstâncias…” Claro que sim! Entendo que se deve desonerar a folha, por exemplo, para aliviar a carga das empresas, de modo que, entre os efeitos colaterais, esteja a manutenção de empregos. Ora, hoje, tal expediente é mais necessário do que antes… Afinal, o desemprego é crescente.

A governanta resolveu censurar a fala de seu ministro, que classificou de “infeliz”: é que Dilma se vê na contingência de defender o governo Dilma mesmo quando o governo Dilma desfaz coisas aprovadas pelo governo Dilma… Disse ela sobre Levy:
“Se não fosse importante, já teríamos eliminado e simplesmente abandonado. Acho que o ministro foi infeliz no uso do adjetivo. O ministro e todos os setores estão comprometidos com a melhoria das condições fiscais do país. A desoneração da folha de pagamento é uma realidade e nós garantimos que haja um reajuste nas condições.”

Então tá. Fico imaginando como deve ser difícil para ela manter como seu principal auxiliar alguém de quem discorda profundamente. Mas tem de engoli-lo. Dilma nomeou um ministro da Fazenda que ela não pode demitir nem que queira — não que eu defenda isso, deixo claro. Prefiro que fique lá enquanto durar essa pantomima.

Que coisa! Dilma sai em defesa de Dilma em razão das medidas adotadas pelo governo Dilma contra medidas adotadas pelo governo Dilma. Dilma diz que Dilma está errada, mas Dilma jura que errada quem está é Dilma.

Este blog decreta: as duas estão certas!


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Blog do Coronel

Camargo Correa faz delação premiada. José Dirceu pode voltar à cadeia.

 Empreiteira pagou R$ 886 mil em contratos frios para José Dirceu em 2010 e 2011 e tem contrato de R$ 4,7 bilhões apenas na Refinaria Abreu e Lima.

(O Globo) A onda de delações de réus da Operação Lava-Jato, que vem alimentando as investigações desde o ano passado, ainda não terminou. Dois executivos da construtora Camargo Corrêa - o presidente Dalton dos Santos Avancini e o vice-presidente Eduardo Leite - fecharam, na noite desta sexta-feira, acordos de colaboração com a força-tarefa que investiga fraudes em contratos de empreiteiras com a Petrobras. Já João Ribeiro Auler, presidente do Conselho Administrativo da construtora, ainda está negociando com os procuradores.

As delações podem tornar as investigações ainda mais explosivas. A Camargo Corrêa foi uma das primeiras empresas flagradas em transações financeiras com o doleiro Alberto Youssef, operador do pagamento da propina no esquema de desvios da Petrobras. A Camargo também é uma das empresas com mais doações para campanhas políticas. Os executivos teriam decidido colaborar por três motivos: prisão prolongada, dificuldade para enfrentar as investigações e risco de condenação à prisão em regime fechado.

Está sendo negociada a possibilidade de revelações de fraudes não só na Petrobras, mas também em outras áreas de atuação da Camargo Corrêa. Na mira dos procuradores estão obras e serviços em hidrelétricas, rodovias e ferrovias. Os executivos da empreiteira resistiam à ideia de falar sobre outros assuntos fora do tema principal da Lava-Jato. Mas, nos últimos dias, o ambiente mudou e as partes já se entenderam sobre os pontos principais do acordo.

BENEFÍCIOS SÃO DISCUTIDOS

Estão sendo preparados acordos individuais. Os benefícios para os delatores deverão ser estabelecidos em função da importância das informações a serem fornecidas por eles. Nesta sexta-feira, as negociações giravam em torno dos benefícios, que vão da redução de penas até a não aplicação do regime fechado.
Nesta sexta-feira, o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, ouviu funcionários da Camargo Corrêa arrolados como testemunhas de defesa dos executivos Dalton dos Santos Avancini e João Ricardo Auler. Os depoimentos de Alessandra Mendes da Silva, Eduardo Maghidman, Jorge Yasbek, Enes Faria e Rodoal Schlemm foram feitos por videoconferência. Segunda-feira, serão ouvidas as testemunhas de Eduardo Leite, outro executivo da Camargo Corrêa.

Até o momento, a força-tarefa da Lava-Jato fechou 13 acordos de delação premiada, entre eles as confissões do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef. Os executivos das empreiteiras estão presos desde a nona fase da Lava Jato, deflagrada em 14 de novembro passado.

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" 15 do Impeachment": protestos pela saída de Dilma devem ser gigantescos.

Não é só pela organização das grandes cidades feitas pelas redes sociais que é possível antever que centenas de milhares de brasileiros, talvez mais que um milhão, dois milhões, estarão nas ruas no próximo dia 15 de março pedindo o fim deste governo perverso, mentiroso e corrupto de Dilma Rousseff. Ontem, nos confins do Rio Grande do Sul, lá no Chuí, no Extremo Sul do país, a 499 km da capital, o povo trabalhador fez barreira, invadiu um evento do governo federal, organizou apitaço e só parou de protestar reprimido pela segurança presidencial. Dilma foi lá no fim do mundo fazer politicagem com parque eólico quando a conta de luz vai subir mais 23,4% na próxima segunda-feira. O povo não aguenta mais tanta desfaçatez. O "15 do Impeachment" promete ser gigantesco.

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A história esquisita do suposto perigo que corre a vida do Procurador-Geral da República
Ricardo Noblat

Nem a presidente Dilma Rousseff – ou somente ela – seria capaz de mobilizar para uma viagem sua o aparato de segurança que ontem, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, protegeu Rodrigo Janot, o Procurador-Geral da República.

Ali, Janot participou do ato de repúdio ao atentado contra o promotor Marcus Vinícius Ribeiro Cunha, atingido nas costas por três tiros no último dia 21, na sede local da OAB.

Foram mobilizados 80 policiais militares – entre eles, atiradores de elite. Um esquadrão antibombas compareceu ao local, bem como um helicóptero da polícia mineira.

Na última quarta-feira, Janot e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, tiveram uma longa conversa em Brasília.

Janot está a poucos dias de encaminhar à Justiça a lista de políticos que deverão responder a processos por envolvimento com a corrupção na Petrobras. Ou pedirá apenas a abertura de processos contra eles ou os denunciará.

Para escapar à suspeita de que pudesse ter trocado ideias a respeito com o ministro, Janot contou que o encontro serviu apenas para que Cardoso lhe dissesse que sua vida corre perigo.

Há um mês, a casa de Janot, no Lago Sul, em Brasília, foi arrombada. E quem lá esteve permaneceu por apenas oito minutos. Foi embora levando o controle do portão, nada mais. Esquisito!

- Eu não sou uma pessoa assombrada, mas alguns fatos concretos têm me levado a adotar regras de contenção - disse. E acrescentou:

- Transformei minha casa em um presídio, até com concertina (arame farpado elétrico e espiral). De lá para cá, tenho recebido relatórios de inteligência e os últimos aumentaram um pouquinho o nível do risco, por isso, as precauções que eu tomei.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a polícia de Brasília trabalha com a hipótese de que foram ladrões comuns os invasores da casa de Janot.

A casa fica dentro de um condomínio de casas protegidas por seguranças e altos muros. Janot dispensou o trabalho da Polícia Federal para investigar o que disse ter ocorrido por lá.

O ministro da Justiça afirmou que “setores da inteligência” registraram ameaças à segurança de Janot.

O único setor de Inteligência ligado ao Ministério da Justiça é a Polícia Federal. E ela não incluiu em nenhum dos seus relatórios informações sobre ameaças contra o procurador-geral.

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Há tucano na lista? E Aécio: Pergunte ao Janot

As principais lideranças do PSDB no Senado reuniram-se ao redor de Fernando Henrique Cardoso, em São Paulo. Trocaram impressões sobre uma conjuntura em que se misturam duas encrencas: a crise ética e a crise econômica. Na saída, os repórteres crivaram os presentes de perguntas sobre a Operação Lava Jato.

Sobre o zunzunzum de que haveria tucanos na lista, os entrevistados desconversaram. “Vamos aguardar a semana que vem”, disse, por exemplo, José Serra. Perguntou-se a Aécio Neves se seu nome poderia estar na relação que será enviada ao STF pelo chefe do Ministério Público.

E ele: “Pergunte ao Janot.” Hummmmm… Esse tipo de pergunta só tem uma resposta aceitável. Podendo, o entrevistado deve dizer: “Me respeite!” Não podendo, é melhor silenciar.

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Entrevista de Levy provoca irritação no Planalto

Ao utilizar vocábulos como “grosseiro” e “brincadeira” para se referir à desoneração da folha de pagamento, o ministro Joaquim Levy causou irritação no Palácio do Planalto. Um auxiliar de Dilma Rousseff definiu a entrevista do titular da Fazenda com outras duas palavras tóxicas: “desnecessária” e “desastrosa”.

Ao anunciar aos jornalistas que o governo decidira elevar a contribuição previdenciária das empresas, revendo parcialmente a política de desoneração adotada desde 2011 pelo antecessor Guido Mantega, Levy disse coisas assim:

“Você aplicou um negócio que era muito grosseiro. O problema é que essa brincadeira nos custa 25 bilhões por ano e […] não tem protegido emprego. […] O momento que a gente vive, a gente tem que pegar as coisas que são pouco menos eficientes e reduzir”,

As mudanças elevarão o custo do empregado em 59 setores da economia a partir de junho. Com isso, o governo espera voltar a arrecadar algo como R$ 13 bilhões por ano. Como a coleta será retomada somente a partir de junho, a cifra a ser amealhada em 2015 será de R$ 5,3 bilhões.

O modo como Levy anunciou a má notícia não aborreceu apenas o staff de Dilma. Parlamentares que integram partidos governistas também saltaram da cadeira. “Nós aprovamos a desoneração no Congresso porque imaginávamos que era coisa séria”, disse, por exemplo, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). “Os empresários também se reprogramaram imaginando que a coisa era séria. De repente, descobrem que não há segurança jurídica no país.''

“Quando enviar novas propostas ao Legislativo, a presidente Dilma precisa informar se é brincadeira ou se devemos levar a sério”, acrescentou Vieira Lima. “A cúpula do PMDB será recebida pela presidente num jantar marcado para segunda-feira. A primeira coisa que o partido precisa perguntar para a Dilma é se a conversa será séria ou se é mais uma brincadeirinha.”

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Feira de horrores!


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Conta de luz vai subir 23,4% para bancar repasses à CDE

Na VEJA.com. Volto em seguida.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta sexta-feira revisões extraordinárias de tarifas para 58 distribuidoras de eletricidade do país, com impacto nacional médio de 23,4%. As novas tarifas entram em vigor na próxima segunda-feira.

Para a Eletropaulo, o aumento médio das tarifas será de 31,9%, enquanto a Cemig terá elevação de 28,8%. Para a Light, o aumento será de 22,5%. O aumento foi necessário para custear o repasse da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), uma vez que o Tesouro não fará aportes na conta esse ano, e também para fazer frente ao reajuste da energia de Itaipu. A Aneel aprovou o orçamento da CDE para 2015, que exigirá repasses de 18,92 bilhões de reais.

A proposta inicial de orçamento da CDE para este ano estipulava em 21,80 bilhões de reais o repasse para todos os consumidores em 2015, mas durante a fase de consulta pública o órgão regulador reviu seus cálculos iniciais e reduziu em 2,88 bilhões de reais os valores da cotas a serem cobertas pelas contas de luz.

Além do reajuste de 23,4%, parte dos consumidores do país ainda pagará mais 3,13 bilhões referentes à primeira parcela da devolução da ajuda do Tesouro às distribuidoras em 2013. A proposta inicial previa o pagamento de apenas 1,4 bilhão de reais nessa rubrica este ano. Somente os clientes das empresas beneficiadas pagarão essa parte da tarifa.

Somando a cota a ser paga por todos os consumidores do país mais a cota a ser cobrada de quem recebeu ajuda do Tesouro há dois anos, o impacto tarifário total da CDE este ano será de 22,05 bilhões de reais — ou 1,05 bilhão menor que a previsão inicial.

O total de despesas da CDE deste ano é de 25,24 bilhões de reais e inclui 3 bilhões em despesas de anos anteriores que ficaram para 2015, ou seja, restos a pagar. A maior parte, no entanto, são gastos correntes previstos para este ano, que incluem indenizações para empresas que aderiram ao pacote de renovação antecipada das concessões, subsídios para irrigantes, produtores rurais e carvão mineral, Tarifa Social da Baixa Renda, Luz pra Todos e despesas com combustível para as térmicas da Região Norte do país. “Os valores no orçamento representam as melhores estimativas para despesas e receitas. Mas o valor final tem incertezas que dependem do próprio mercado de energia elétrica, se ele vai crescer ou não, se vai chover ou não, e das próprias atividades de fiscalização da Aneel”, afirmou o relator do processo, Tiago de Barros Correia.

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Dilma, pelo visto, terceirizou o governo; o arrendatário da hora é Joaquim Levy

Eu nunca fui fã, por motivos óbvios, de desonerações. Eu defendo é um regime tributário não confiscatório, que deixe mais dinheiro para a sociedade, que sabe geri-lo melhor do que o estado. O mal essencial da  política de desonerações é sua seletividade. Mas sigamos.

Num cenário de crescimento do desemprego e de baixa geração de postos de trabalho, o governo resolveu pôr fim a desonerações da folha de pagamento. A Fiesp, por exemplo, alerta que a medida pode gerar mais desemprego, o que parece lógico. Quando menos, desestimula novas contratações, não é mesmo?

O ministro Joaquim Levy afirma: “Você aplicou um negócio que era muito grosseiro. Essa brincadeira nos custa R$ 25 bilhões por ano, e estudos mostram que ela não tem criado nem protegido empregos”. O ministro diz que o governo gasta R$ 100 mil para manter cada emprego e que isso “não vale a pena”. E emenda: “É por isso que a gente está reduzindo, pela relativa ineficiência dela [dessa política]. Ela não tem alcançado os objetivos para que foi desenhada. É saber ajustar quando uma coisa não está dando resultado. A intenção era boa, a execução foi a melhor possível, mas temos de pegar as coisas que são menos eficientes e reduzir”.

Ah, bom! Então tá. Nem vou polemizar com o ministro. Até dou de barato que esteja falando a verdade, que o tal estudo exista, que tudo se passe como ele diz. Mas esperem: ele é hoje a principal figura do governo Dilma e está desfazendo uma política adotada pelo governo… Dilma! Um juízo convencional afirmaria que Dilma admite o erro e está voltando atrás.

Mas cadê a admissão do erro? Não há. Parece que Dilma terceirizou o governo. Cabe a Levy desfazer as bobagens perpetradas no… governo Dilma. Às vezes, a gente tem a impressão de que o ministro é uma espécie de interventor. Não que isso seja necessariamente mau. É que a presidente é a petista, e isso é mau.

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Dilma, a energia e o vento: ela não aprende nada nem esquece nada!

No dia em que se anuncia um reajuste médio na energia de 23,4% — 60% em um ano —, a presidente Dilma afirmou, durante a inauguração do Parque Eólico de Geribatu, que o aumento da tarifa é necessário, mas passageiro. E — ela nem aprende nada nem esquece nada — aproveitou para atacar o… governo FHC.

Afirmou:
“Quando a água falta no Brasil, e todo mundo tem que saber disso, aumenta o preço da energia sim, porque você passa a pagar por aquilo que não pagava, que é a água e o vento. Qualquer outra forma de energia tem que pagar. Ela funciona como uma espécie de reserva, que você só vai usar quando precisar. Nós estamos precisando. Então, eu quero explicar a vocês que os aumentos de preços da energia são passageiros. Eles estão em função do fato de que o país enfrenta a maior falta de água dos últimos cem anos. Isso não significa que nós vamos ter qualquer problema sério ou mais sério na área de energia elétrica. Não iremos ter porque temos todo um sistema de segurança. Mas isso também não significa que vamos sair por aí jogando energia pela janela e não consumindo de forma racional”.

Ah, bom! Ao menos a governanta assumiu que pode haver alguns probleminhas, né? Fez alusão ao racionamento de 2001, afirmando que, naquele caso, faltavam redes de transmissão. É verdade. Hoje, falta é energia mesmo. Dilma prefere ignorar que, quando veio o apagão de 2001, o país vinha de um crescimento de 4,2% em 2000. Mesmo com o apagão, cresceu 1,4% em 2001 e 2,7% em 2002, ano em que o PSDB perdeu a eleição. Se a economia brasileira estivesse crescendo 1,4% hoje, a energia já teria ido para o pau.

Dilma afirmou ainda que o país enfrenta a pior seca em 100 anos. Na campanha eleitoral de há quatro meses, ela afirmou que o PSDB atribuir a crise hídrica em São Paulo à falta de chuva era conversa mole. Segundo a soberana, o que falta a seus adversários era planejamento.

De resto, não vamos nos esquecer jamais de sua aparição na TV no dia 6 de setembro de 2012 (vídeo abaixo), quando disse coisas como esta:
No dia 6 de setembro de 2012, em pronunciamento (vídeo abaixo, com a íntegra), disse a governanta:
“Na próxima terça-feira (…) vou ter o prazer de anunciar a mais forte redução de que se tem notícia, neste país, nas tarifas de energia elétrica dasindústrias e dos consumidores domésticos. A medida vai entrar em vigor no início de 2013. A partir daí todos os consumidores terão sua tarifa de energia elétrica reduzida, ou seja, sua conta de luz vai ficar mais barata. Os consumidores residenciais terão uma redução média de 16,2%. A redução para o setor produtivo vai chegar a 28%, porque neste setor os custos de distribuição são menores, já que opera na alta tensão. Esta queda no custo da energia elétrica tornará o setor produtivo ainda mais competitivo. Os ganhos, sem dúvida, serão usados tanto para redução de preços para o consumidor brasileiro como para os produtos de exportação, o que vai abrir mais mercados, dentro e fora do país. A redução da tarifa de energia elétrica vai ajudar também, de forma especial, as indústrias que estejam em dificuldades, evitando as demissões de empregados.”



Encerro
Faz apenas dois anos e meio. Isso é que é um governo que sabe planejar! A propósito: a soberana anunciava ali o início de uma nova fase de desenvolvimento. Não deixa de ser. A nova fase é marcada por dois anos seguidos de recessão! Não pensem ser essa uma obra corriqueira.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Justiça só acha R$ 10 mil nas contas de Cerveró

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:

A Justiça só encontrou 9.940,21 reais nas contas bancárias brasileiras do ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró, preso na Operação Lava Jato da Polícia Federal. Investigadores suspeitam que ele tenha se antecipado às autoridades e enviado ao exterior milhões de reais obtidos na cobrança de propina durante o período em que trabalhou na estatal. Cerveró teve os bens sequestrados pela 13ª Vara Federal do Paraná para futura devolução aos cofres públicos dos valores desviados da petrolífera. Mas os quase 10 mil reais localizados estão bem longe dos 106 milhões de reais que a Justiça mandou bloquear. A quantia pretendida era equivalente aos 40 milhões de dólares recebidos de suborno por Cerveró como recompensa por favorecer a Samsung Heavy Industries na contratação de sondas, de acordo com a acusação do Ministério Público. Imóveis do ex-diretor também foram sequestrados, incluindo um apartamento de 7,5 milhões de reais cuja aquisição Cerveró tentou esconder utilizando uma offshore uruguaia.

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Governo suspende o programa “Minha Casa Melhor” para conter gastos

Por Ricardo Della Coletta e Murilo Rodrigues Alves, no Estadão:

Diante do cenário de restrição fiscal, o governo decidiu suspender o programa Minha Casa Melhor, linha de crédito especial para que os beneficiários do Minha Casa, Minha Vida possam adquirir móveis, eletrodomésticos e eletrônicos a taxas de juros subsidiadas.

Para operar o programa, a Caixa Econômica Federal recebeu do governo uma capitalização de R$ 8 bilhões em junho de 2013. Do valor total, porém, R$ 3 bilhões foram direcionados para os financiamentos do programa – o restante foi usado em outra operação. O Broadcast apurou que esses R$ 3 bilhões foram desembolsados no total de financiamentos que foram concedidos pela Caixa até o fim do ano passado, 18 meses após o lançamento do programa. Não restou ao governo outra alternativa a não ser interromper a distribuição de novos cartões porque não há mais recursos para arcar com o custo financeiro dos juros mais baixos.

“Novas contratações do Minha Casa Melhor estão sendo discutidas no âmbito da terceira fase do programa Minha Casa Minha Vida”, informou a Caixa, em nota. “Os cartões referentes a contratos já realizados continuam operando normalmente”, completou a instituição financeira. Procurado, o Tesouro Nacional informou que somente o banco estatal comentaria o assunto.

Pelo canal oficial de comunicação entre a Caixa e os beneficiários do programa, a atendente afirmou que o Minha Casa Melhor está suspenso desde o dia 20 deste mês. “A Caixa está reavaliando o programa antes de realizar novas contratações no Brasil inteiro”, afirmou.

No lançamento do programa, o governo divulgou que a expectativa era de que 3,7 milhões de famílias fossem beneficiadas, em um total de R$ 18,7 bilhões. O Minha Casa Melhor oferece crédito a juros mais baixos que os praticados no mercado para as famílias atendidas pelo programa Minha Casa Minha Vida comprarem 14 tipos de eletrodomésticos e móveis. Os juros são de 5% ao ano contra 16,5% que o mercado cobra para financiar outros tipos de bens que não automóveis.

Impacto no varejo — O presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), Honório Pinheiro, lamentou o “congelamento” do programa e o impacto da decisão para o setor varejista. “O Brasil está diante do desafio de fazer funcionar esse novo modelo econômico imposto pelo ministro Joaquim Levy (Fazenda)”, afirmou. A CNDL, que representa 1,2 milhão de lojistas, estima que o programa injetou R$ 1,4 bilhão no ano passado. (…)

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Desenvoltura de Lula torna Dilma subpresidente

Nas últimas 72 horas, Lula substituiu Aécio Neves no papel de líder da oposição. Fez três aparições, uma no Rio e duas em Brasília. Em todas elas apontou para os calcanhares de vidro de Dilma Rousseff. Com isso, diminuiu um governo que já havia começado por baixo. E converteu a inquilina do Planalto numa espécie de subpresidente da República.

Numa noite, no Rio de Janeiro, Lula enfiou dentro de um discurso em “defesa” da Petrobras, uma crítica ao acanhamento de sua afilhada: “A Dilma tem de levantar a cabeça e dizer: ‘Eu ganhei as eleições’.'' Na noite seguinte, em Brasília, queixou-se aos senadores do PT da incapacidade do governo de explicar à plateia os objetivos das medidas econômicas que enviou ao Congresso.

Na manhã subsequente, ainda na Capital federal, reclamou da desarticulação política do Planalto num café da manhã com as raposas do PMDB do Senado. E tomou as dores do vice-presidente Michel Temer, excluído por Dilma do grupo de conselheiros da República, o G6, hoje 100% feito de ministros do PT.

Os políticos governistas vêem a volta de Lula à Presidência da República com grande otimismo, como se as coisas finalmente retornassem ao seu devido lugar, ainda que temporariamente. Embora sem trono, o rei do petismo exerce o poder de fato no Brasil.

Em verdade, o trono é o último lugar em que Lula deseja ser visto. Como eminência parda, ele maneja os fios de sua marionete e usufrui de todos os privilégios que o poder propicia. Com a vantagem de não ter de dar expediente no Palácio do Planalto.

Admita-se, para efeito de raciocínio, que o objetivo de Lula fosse o de socorrer Dilma. Para ficar no mais óbvio, poderia reconhecer que foi ele, não a madame, quem loteou as diretorias da Petrobras, entregando-as a prepostos corruptos de partidos com fins lucrativos.

Ao silenciar as próprias culpas, o presidente acidental deixa a impressão de que opera freneticamente para ajudar a si mesmo, escondendo suas pegadas embaixo de um discurso em que os ataques à ex-supergerente se misturam a declarações de guerra à oposição elitista e estocadas na mídia golpista. São ingredientes que não ornam com um plano de resgate da pupila. Combinam mais com uma plataforma pessoal para 2018. Como se não bastasse criticar a criatura, o criador antecipa o debate sucessório.

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Horrores!



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Depois dos políticos, Dilma se atrita com ministros do Supremo Tribunal Federal
Ricardo Noblat

Não me lembro de ter ouvido algum ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) dizer o que disse, ontem à tarde, Celso de Mello, o mais antigo deles, a respeito do presidente da República.

Celso classificou de “omissão irrazoável e abusiva” de Dilma o fato de ela ainda não ter indicado um nome para preencher a vaga aberta no tribunal há sete meses com a aposentadoria de Joaquim Barbosa.

Mais claro, direto e destemido impossível. Disse Celso:

- Essa omissão irrazoável e abusiva da presidente da República já está interferindo no resultado dos julgamentos. Novamente, adia-se um julgamento. Nós estamos realmente experimentando essas dificuldades que vão se avolumando. É lamentável que isso esteja ocorrendo.

São 11 os ministros do STF. É o presidente da República quem os indica, mas a aprovação cabe ao Senado.

Assim como sente desprezo pelos políticos, Dilma se nega a ver com simpatia os membros do Poder Judiciário. Ao fim e ao cabo, por temperamento, ela se acha superior a todos eles.

No caso da atual composição do STF, Dilma não perdoa os ministros que indicou, bem como os indicados por Lula, que não votaram no caso do processo do mensalão como ela e seu tutor queriam.

Dilma esperou que eles julgassem os mensaleiros com mão leve em agradecimento por sua indicação para o tribunal. Não foi assim.

Então Dilma resolveu castigar o STF demorando a apontar o substituto de Joaquim. Isso começou a criar problemas para o tribunal.

O número impar de ministros é justamente para evitar empates. Ontem e um dia desses houve empates e os julgamentos acabaram suspensos.

Daí a reação de Celso e, em seguida, a do ministro Marco Aurélio Mello. Que afirmou:

- Veja como é nefasto atrasar-se a indicação de quem deve ocupar a cadeira [do ministro que se aposentou].

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Resposta dos brasileiros ao terrorismo do PT.


Dia 15 de março, vamos pintar as ruas de Brasil. Aqui não é Venezuela e jamais será. Impeachment já! Fora Dilma e quadrilha do PT!


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Blog do Josias

Lula dita defesa do PT: somos iguais aos outros

Vinte e quatro horas depois de declarar-se pronto para a “guerra”, Lula desembarcou em Brasília para armar a retórica do PT. Durante jantar com a bancada de senadores do seu partido, ele escorou a defesa da tropa em dois pilares — um político e outro econômico.

No front político, contou o líder petista Humberto Costa, Lula cobrou dos correligionários energia para refutar as acusações de que recebeu verbas sujas da Petrobras por baixo da mesa. Vale a pena ouvir o porta-voz do encontro:

“Eles querem criminalizar as doações legais [feitas ao PT por fornecedores da Petrobras]. Mas por que as [doações] que eles recebem de empresas que estão envolvidas no trensalão de São Paulo e contribuíram para a campanha deles não têm nada a ver com propina e com o que aconteceu no passado e acontece no presente e no nosso caso as doações que recebemos são fruto de propinas? No nosso caso é roubo, no deles é compromisso ideológico das empreiteiras?''

Humberto Costa prosseguiu: “É preciso mostrar que o partido tem as suas contribuições de campanha, o seu financiamento exatamente igual aos demais partidos que aí estão. Essa tentativa de transformar a contribuição em propina tem objetivo claro de desacreditar o PT. E ele [Lula] estimulou a gente bastante a travar esse debate.''

Quer dizer: Lula repete no petrolão o lero-lero do mensalão. Alega que o PT não faz senão o que os outros sempre fizeram. Nessa versão, as empreiteiras da Petrobras estão para o PT assim como os fabricantes de trens e metrôs estiveram para o PSDB de São Paulo. A diferença é que, em 2005, Lula falava de caixa dois. Agora, fala de propinas convertidas em doações legais de campanha. A justificativa anterior terminou em cadeia. A atual vai no mesmo rumo.

E quanto ao ajuste fiscal? Segundo Humberto Costa, Lula deseja que sua infantaria concentre-se nos objetivos do aperto. “O que ele quis dizer é que, independentemente do conteúdo dessas medidas, elas precisam ter um objetivo. Falta dizer porque isso está sendo feito. É para conquistar que condição? Ele está correto e nós todos temos falhado um pouco nisso de mostrar que isso não é uma coisa isolada, ela tem um objetivo maior.'' Nesse ponto a coisa será simples. Basta que os petistas expliquem que Dilma arrocha corrigir a “caca” que ela mesma produziu no seu primeiro reinado.

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Renan vira símbolo do ocaso precoce de Dilma



A história, como se sabe, não é uma estenógrafa burocrática que fica sentada atrás de uma mesa organizando os fatos em fila cronológica. É uma maluca inconfiável, que adora subverter o calendário. Por exemplo: o século 19 acabou de verdade com o naufrágio do Titanic. E o século 20 começou pra valer com o ataque às Torres Gêmeas de Nova York.

Os brasileiros do futuro talvez elejam este fevereiro de 2015 como um dos períodos em que a história perverteu a folhinha. Comentarão que foi uma fase histórica porque —assim como o século 19 tinha acabado 12 anos antes do Titanic e o século 20 tinha começado nove meses antes do World Trade Center— a Era do PT no poder federal do Brasil começou a acabar numa entrevista concedida por Renan Calheiros três anos e dez meses antes da conclusão do mandato de Dilma Rousseff.

Após declarar que a coligação PT-PMDB está “capenga”, Renan afirmou que “o PMDB já tem cargos demais”. E aconselhou Dilma a “suspender a ocupação de 50% dos cargos em comissão.” Repetindo: além de refugar novos cargos, Renan pregou a suspensão de 11,5 mil das 23 mil indicações reservadas a políticos fisiológicos como ele. É como se o presidente do Senado, depois de manter por 12 anos um afilhado na comando da Transpetro, uma das mais endinheiradas subsidiária da Petrobras, cuspisse num prato em que já não pode comer.

Renan, como se sabe, é uma espécie de São Jorge que, quando se dispõe a salvar a donzela, acaba casando com o dragão. De repente, o aliado de pau oco passa a criticar a irresponsabilidade fiscal de Dilma. O que houve no primeiro mandato de madame foi um “escorregadão” econômico, disse Renan, não uma “escorregadinha” como afirmara o ministro Joaquim Levy (Fazenda).

No futuro, dirão que, ao trocar a ocupação predatória do Estado pela defesa oportunista do Tesouro, Renan decretou o fim precoce do segundo reinado de Dilma. Como o Titanic, o petismo afunda em meio à presunção de superioridade que o fez ignorar a evidência de que alianças tão heterodoxas só podiam acabar em desastre. E Renan tenta fazer pose de navio que abandona os ratos. Como as Torres Gêmeas, o petismo explode na delação dos homens-bomba que ajudou a armar. E Renan comporta-se como o filho que, depois de matar pai e mãe, roga ao júri que tenha clemência de um pobre órfão.

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Chocando Janot!



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Dilma volta a apelar ao discurso cínico, mentiroso e marqueteiro
Ricardo Noblat

Espantosa a desfaçatez da presidente Dilma Rousseff.

Embora tenha sido condenada por se valer de um discurso descaradamente marqueteiro e repleto de mentiras, ela cede à tentação e apela para o mesmo discurso quando faz sua primeira visita ao interior do país depois de ter sido reeleita.

Em Feira de Santana, na Bahia, a pretexto de entregar unidades do programa Minha Casa, Minha Vida, ela disse coisas do tipo:

- Como uma mãe, como uma dona de casa, faço algumas correções...

- Precisamos fazer ajustes e faço ajuste no meu governo como a dona de casa faz na casa dela...

Tudo isso a propósito do ajuste fiscal que cortará direitos sociais. Logo ela que na campanha do ano passado garantiu que jamais cortaria direitos sociais.

- Essas correções dizem respeito ao fato que para o Brasil é muito importante focar os programas sociais. Fazer com que se beneficiem só quem precisa deles.

Quer dizer: Dilma descobriu que pessoas que não precisavam dos programas sociais se beneficiavam deles...

Tremendo cinismo.

Depois de ter dito e repetido durante a campanha que a economia estava arrumada e sob controle, ela agora justifica o ajuste fiscal como indispensável para a retomada de "um novo ciclo de desenvolvimento econômico para gerar mais emprego, mais renda e fazer com que o Brasil continue a crescer de forma acelerada".

Antes o Brasil não carecia de nenhum ajuste fiscal. Foi isso o que ela jurou para garantir a maioria dos votos capaz de reelege-la. Agora...

- Eu tenho coragem suficiente para fazer as mudanças que são necessárias. Só tenho o compromisso com a população e a cidadania desse país, com o povo pobre desse País.

O disco demagógico irrita quem o ouve. Dilma e sua turma continuam subestimando a inteligência alheia.

Uma vez pode dar certo – como deu. A segunda vez, duvido.

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Youssef pretende desvelar, em novo depoimento, a real natureza do jogo: tratava-se de servir a um esquema de poder; o centro do petrolão está na política. É coisa dos “marginais do poder” 

Alberto Youssef pode atrapalhar uma pizza bastante sofisticada que alguns estão tentando assar na Operação Lava-Jato. Ele pode agir assim por precisão, não por boniteza, como o sapo do Guimarães Rosa, mas isso não tem a menor importância. O que interessa é que se revele, já escrevi aqui tantas vezes, a natureza do jogo. Por que isso?

Youssef entrou com um pedido na Justiça para prestar um novo depoimento. Ele quer ser ouvido outra vez pelo juiz Sérgio Moro em um dos processos de que é réu, acusado de ter participado de uma organização criminosa para tirar do país R$ 444,6 milhões. A ação aguardava a homologação da delação premiada.

Aquele que é considerado peça central nas investigações da Lava-Jato deverá deixar claro — desta feita, mais do que nunca — que atuou a serviço de uma engrenagem, de uma organização de poder. Youssef pretende demonstrar como esse esquema não dependia nem mesmo de pessoas; se uma saísse, outra poderia entrar no lugar sem mudar a, escrevo de novo a expressão, “natureza do jogo”.

Youssef julga ter conhecimento e experiência o bastante para afirmar que as três últimas eleições presidenciais foram marcadas por um forte desequilíbrio econômico em razão do poder que essa “máquina” exercia. Tudo indica que o braço político do escândalo do mensalão não vai gostar do que ele tem a dizer.

Lembro aqui trechos de voto proferido pelo ministro Celso de Mell0 no julgamento do mensalão, na sessão do dia 1º de outubro de 2012. Leiam com atenção. Volto em seguida.

“Quero registrar, neste ponto, Senhor Presidente, tal como salientei em voto anteriormente proferido neste Egrégio Plenário, que o ato de corrupção constitui um gesto de perversão da ética do poder e da ordem jurídica, cuja observância se impõe a todos os cidadãos desta República que não tolera o poder que corrompe nem admite o poder que se deixa corromper. Quem transgride tais mandamentos, não importando a sua posição estamental, se patrícios ou plebeus, governantes ou governados, expõe-se à severidade das leis penais e, por tais atos, o corruptor e o corrupto devem ser punidos, exemplarmente, na forma da lei.
Este processo criminal revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental de interesses governamentais e de desígnios pessoais.
(…)
Esses vergonhosos atos de corrupção parlamentar, profundamente lesivos à dignidade do ofício legislativo e à respeitabilidade do Congresso Nacional, alimentados por transações obscuras idealizadas e implementadas em altas esferas governamentais, com o objetivo de fortalecer a base de apoio político e de sustentação legislativa no Parlamento brasileiro, devem ser condenados e punidos com o peso e o rigor das leis desta República, porque significam tentativa imoral e ilícita de manipular, criminosamente, à margem do sistema constitucional, o processo democrático, comprometendo-lhe a integridade, conspurcando-lhe a pureza e suprimindo-lhe os índices essenciais de legitimidade, que representam atributos necessários para justificar a prática honesta e o exercício regular do poder aos olhos dos cidadãos desta Nação.
Esse quadro de anomalia, Senhor Presidente, revela as gravíssimas consequências que derivam dessa aliança profana, desse gesto infiel e indigno de agentes corruptores, públicos e privados, e de parlamentares corruptos, em comportamentos criminosos, devidamente comprovados, que só fazem desqualificar e desautorizar, perante as leis criminais do País, a atuação desses marginais do Poder.”

Retomo
Alberto Youssef deve depor de novo. E se espera, com delação premiada, que apresente as evidências de que, mais uma vez, os “marginais” atuaram no “controle do aparelho de Estado, transformando a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder”.

É essa a natureza do jogo, sem que se deixem de considerar os demais crimes, cometidos pelos agentes não-políticos.

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Governo e sindicatos de caminhoneiros chegam a acordo. Mas eles não comandam o movimento

Na VEJA.com:
O governo e representantes de sindicatos e associações de caminhoneiros chegaram a um acordo na noite desta quarta-feira para tentar encerrar os bloqueios nas estradas em todo o país. Os representantes da categoria presentes na reunião em Brasília aceitaram a proposta apresentada pelo governo, que não contempla as duas principais demandas dos grevistas: a redução no preço do diesel e o estabelecimento de um valor mínimo para o frete.

O acordo, no entanto, não garante o fim dos bloqueios, já que o movimento não é liderado por sindicatos. Com influência em mais de cem pontos de paralisação, o Comando Nacional do Transporte não aceitou a oferta do governo e prometeu continuar com a greve. “Nós estamos com lucro zero, aí o governo nos propõe de ficar tendo lucro zero mais seis meses. Eu acho que eles não regulam certo da cabeça. Devem estar com problema. Infelizmente não teve acordo, nós não aceitamos a proposta”, declarou Ivar Schmidt, o principal porta-voz da entidade, ao site de VEJA. Ivar, que dialoga com os representantes regionais do movimento pelo Whatsapp, disse qual foi a orientação enviada aos colegas na noite de quarta: “O recado é claríssimo: o movimento continua.”

Proposta
A proposta do governo aceita pelos sindicatos prevê o congelamento do preço do diesel pelos próximos seis meses, além de duas outras garantias: a primeira é uma carência de 12 meses para os caminhoneiros autônomos ou microempresas que tenham adquirido caminhões por meio de dois programas do governo, o Finame e o Procaminhoneiro. A segunda é a sanção integral da Lei do Caminhoneiro, aprovada pelo Congresso neste mês. A medida atualiza as regras sobre carga de trabalho, horas de descanso e pagamento de pedágios pelos caminhoneiros.

Um dos representantes da categoria que participou da reunião, o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, pediu o fim da greve. “Diante da gravidade que se encontra o país neste momento, nós pedimos a sensibilidade dos caminhoneiros de liberar as rodovias pelas conquistas que tiveram aqui”, disse ele. Apesar da exigência do ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, de que o acordo só será cumprido quando as estradas forem liberadas, Diumar deixou claro que não poderia “garantir que a greve vai acabar”.

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Cunha derrota Kassab e Dilma, e ministro talvez não entre no Guinness

 O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aplicou mais uma derrota às pretensões do Palácio do Planalto. Uma boa derrota, note-se. Por votação simbólica, a Casa aprovou o projeto do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que cria uma carência de cinco anos para que uma legenda possa se fundir a outras. Mas não e só isso. A proposta proíbe também que um novo partido seja aquinhoado com o tempo de TV e a fatia do Fundo Partidário correspondente aos parlamentares que mudarem para a nova sigla. O texto segue para o Senado, onde não deve enfrentar resistências.

A mudança atinge em cheio as pretensões de Gilberto Kassab (PSD), ministro das Cidades. Ele vem se movimentando freneticamente nos bastidores para criar o PL (Partido Liberal). Com a legislação ora em vigor, seria mel na sopa. O PL abrigaria parlamentares das mais diversas siglas — mas ele está de olho, mesmo, é no PMDB —, levaria tempo de TV e verba e, uma vez constituído, haveria a fusão com o PSD. Kassab sonha em ter um PMDB para chamar de seu. A pretensão não era pequena, não! Ele queria formar o maior partido da Câmara.

O texto aprovado, depois de receber emendas, acabou ficando até mais duro do que o original. Segundo a lei atual, é preciso que o correspondente a 0,5% do eleitorado que votou na eleição anterior para a Câmara apoie a criação de nova legenda. Hoje, isso significa 500 mil assinaturas. Pois bem: na proposta ora aprovada na Casa, essas pessoas não poderão ter filiação partidária. As mudanças também podem trazer dificuldades para a Rede, de Marina Silva.

O que eu acho do texto? Apoio integralmente. Não deixa de ser uma piada que o governo que diz querer fazer a reforma política se lance, ao mesmo tempo, numa patuscada  que incentiva o troca-troca partidário de maneira desavergonhada. De resto, vamos torcer para Kassab entrar para o livro dos recordes como, deixem-me ver, o político que mais contribuiu para tirar brasileiros de áreas de risco. Que tal? Ficaria bem a um ministro das Cidades. E seria um ganho aos brasileiros. O que não ficaria bem seria entrar para o Guinness como o maior criador de partidos do mundo, não é? Não parece sério. E não é sério.

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Luciano Coutinho adota o Paradigma Saddam Hussein, de Lula, e quer evitar a todo custo a CPI do BNDES. Diz temer uma derrocada semelhante à da Petrobras. É mesmo? Se isso acontecesse, seria por excesso de virtude?

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ora vejam, está se movimentando freneticamente nos bastidores, informa reportagem da Folha, para tentar impedir que se instale uma CPI para investigar contratos de financiamento do banco feitos durante a gestão petista. Segundo apurou o jornal, ele falou com pelos menos três senadores. Uma das alegações é que a investigação poderia prejudicar operações sigilosas do banco. A outra é que a instituição poderia ser colhida por uma onda de descrédito, a exemplo do que ocorreu com a Petrobras.

Eu até poderia compreender as preocupações do presidente do BNDES, não fosse a sua argumentação tão ruim. Vamos lá. É possível resguardar o sigilo de determinados documentos e operações, desde que não se trate de ilícitos e que se esteja protegendo o interesse nacional. As operações que o doutor pretende que fiquem distantes dos nossos olhos são dessa natureza? Ou o BNDES, agora, virou o braço financeiro da Abin (Agência Brasileira de Informação)?

E não fica bem, obviamente, acenar com o fantasma da derrocada da Petrobras para tentar impedir que uma CPI apure as operações feitas pelo BNDES. Afinal, a estatal está na lona porque se descobriu que estava entregue a uma quadrilha, que atuava em favor de um esquema político, gerenciado pelo PT, com benefícios também a outras legendas.

O temor de Coutinho certamente não está a indicar que quadrilha semelhante atue no BNDES, pois não? Eu nem sou adepto da frase “que não deve não teme”. Em processos de investigação, marcados, muitas vezes, por vazamentos, irresponsabilidades, populismo, demagogia, quem não deve, a depender do caso, tem, sim, de temer. Coutinho que trate, então, de melhorar a sua argumentação.

O presidente do BNDES deveria ser mais prudente. Segundo o empresário Ricardo Pessoa, dono da UTC, a oito dias do segundo turno — quando a empreiteira buscava dinheiro no banco para obras no aeroporto de Viracopos, em Campinas — foi Coutinho quem anunciou que ele, Pessoa, seria procurado por Edinho Silva, tesoureiro da campanha de Dilma. O presidente do BNDES nega a conversa.

Ah, sim: o requerimento da oposição para a criação da CPI do BNDES cita empréstimos para empreendimentos, considerados sigilosos, em Cuba, na Venezuela, no Equador e em Angola. O documento pede ainda para que se apurem empréstimos no Brasil para a JBS e a Sete Brasil. Coutinho, pelo visto, acha que essas coisas não nos dizem respeito. Prefere que a gente se mantenha longe disso. Ou, prevê ele, o BNDES também vai para o buraco.

É mesmo? Tomara que não! Mas, se fosse, certamente não seria por excesso de virtudes. É bem verdade que Lula já deu a linha moral desse tipo de raciocínio, não é mesmo? Falando a seus milicianos, ele lembrou que o Iraque vivia em paz no tempo de Saddam Hussein. Uma paz de quase meio milhão de homicídios, claro! É isso! A turma do Saddam Hussein brasileiro não quer que a gente saiba o que se fez com os muitos bilhões do BNDES.


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Blog do Reinaldo Azevedo

Janot, os pedidos de abertura de inquérito e a denúncia… É preciso cuidado para que o braço político do crime não se dê bem de novo!

Conversei ontem à noite com dois ex-ministros do Supremo. Se vocês conhecerem algum, façam o mesmo. Se não, procurem falar com advogados ou juristas. Os que acompanham os bastidores da Justiça e do Ministério Público acham estranho que, um ano depois de deflagrada a Operação Lava Jato, Rodrigo Janot, procurador-geral da República — aquele que agradeceu a Deus “ter passado a régua e não ter encontrado nada contra Lula e Dilma — anuncie a disposição de pedir aberturas de inquérito. Vamos ver quantas e para quem.

Como vocês devem saber, pedir abertura de inquérito é coisa distinta de oferecer uma denúncia. Nesse caso, ele afirma a sua convicção (na verdade, a do MP) de que houve crime; no outro, não.

Janot diz ainda que vai pedir ao Supremo que se acabe, tanto quanto possível, com os sigilos. O procedimento — tendente a ser rejeitado pelo tribunal, já digo por quê — produz mais calor do que luz.

Notem: tanto o pedido de inquérito como a denúncia ensejam investigação posterior. No primeiro caso, pode-se chegar à conclusão de que não existe material suficiente nem para fazer a denúncia; no segundo, que ela é inconsistente.

O Supremo tende, não sei se vai — que aí é ser adivinho —, a rejeitar o fim do sigilo. É evidente que inquéritos sobre pessoas públicas despertam a curiosidade, e dados parciais passam a circular na imprensa, em tom necessariamente acusatório. E se, depois de tudo, ficar demonstrado que o sujeito é inocente? Como se livrar do peso da suspeição?

Eduardo Jorge Caldas Pereira, secretário-geral da Presidência do governo FHC, sabe o peso que isso tem. Teve a reputação moída. E, no seu caso, o Ministério Público não chegou a apresentar nem sequer uma denúncia. É bem verdade que, ali, nem se tratava de quebra de sigilo do inquérito. A facção petista do Ministério Público se encarregava de orquestrar os vazamentos. Assim, se o Supremo rejeitar o pedido, não se deve confundir esse procedimento com aposta na impunidade. Trata-se apenas de matéria do Estado de Direito.

Mas voltemos ao binômio inquérito-denúncia. Para lembrar: A Folha publicou a entrevista-bomba de Roberto Jefferson a Renata Lo Prete, denunciando o mensalão, no dia 6 de junho de 2005. No dia 30 de março de 2006, nove meses depois, Antonio Fernando de Souza, o então procurador-geral, não apresentou pedidos de abertura de inquérito, mas a denúncia propriamente. Nove anos depois, do ponto de vista técnico, pode-se dizer que Ação Penal 470 ainda não chegou ao fim.

É preciso que a gente fique atento para identificar o que é cuidado e o que é procrastinação. Um ano depois de deflagrada a operação, o braço empresarial do petrolão já foi denunciado. Será que o braço político vai ser beneficiado por pedidos em penca de abertura de inquérito apenas?

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Enquanto Lula vomitava sobre a Petrobras, a história do Brasil e a democracia — fazendo, inclusive, a defesa de Saddam Hussein (!!!), Moody’s rebaixava a nota da estatal; agora, ela está no grau especulativo; ações devem voltar a derreter nesta quarta. Eis o legado do fanfarrão, que estava cercado por milicianos

Parecia roteiro de filme barato, mas era verdade. Nesta terça, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva, cercado por milicianos truculentos, comandava um ato no Rio contra a Operação Lava Jato, contra a imprensa e contra a decência, a agência de classificação de risco Moody’s rebaixava uma vez mais, a exemplo do que fizera em janeiro, a nota da estatal, que já estava em Baa3, o último patamar do chamado grau de investimento. Agora, na Moody’s, a estatal está no grau especulativo — ou por outra: a agência está dizendo aos investidores do mundo inteiro que pôr dinheiro na Petrobras não é seguro. A agência está dizendo ao mundo inteiro que emprestar dinheiro para a Petrobras é arriscado.

Desta feita, não foi uma queda qualquer: a Moody’s botou a Petrobras dois degraus abaixo de uma vez só. Em vez de cair para Ba1, o que já seria catastrófico, a empresa despencou para Ba2, e a agência ainda cravou um viés negativo no caso de uma futura avaliação. Só para vocês terem uma ideia: acima dessa nota, há outras… 11. Abaixo dela, apenas 9. Na Fitch e na Standard & Poor’s, a Petrobras está também a um rebaixamento apenas de passar para o grau especulativo.

A partir de agora, tudo se torna mais difícil para a empresa. A maioria dos fundos proíbe investimento em empresas nessa categoria. Pior: em alguns casos, a ordem é se desfazer dos papéis, ainda que amargando prejuízos. Para se financiar dentro e fora do Brasil, a Petrobras terá de pagar juros mais elevados. E isso se dá num momento em que a empresa já teve de reduzir ao mínimo seus investimentos na área de exploração e refino de petróleo, suas atividades principais.

O mais impressionante é que o rebaixamento veio duas semanas depois de Dilma trocar toda a diretoria da Petrobras. Isso reflete a confiança do mercado na nova equipe. A operação foi desastrada. Com ou sem razão — e nós veremos —, o juízo unânime é que a governanta escolheu um presidente para maquiar no balanço as perdas bilionárias decorrentes da corrupção e da gestão ruinosa do PT.

E não se enganem: atrás do rebaixamento da nota da Petrobras, pode vir o rebaixamento da nota do Brasil. Na própria Moody’s, já não é grande coisa. O país é “Baa2”. Ainda é “grau de investimento”, mas bem modesto. Se o país cair mais dois, vai para a categoria dos especulativos. O mesmo acontece na Fitch (BBB): um próximo rebaixamento (BBB-) poria o país a um passo da zona vermelha. Na Standard & Poor’s, a posição do país é mais preocupante: rebaixado em março, caiu de “BBB” para “BBB-“, mesma nota da Petrobras. Nessa agência, uma próxima queda conduziria o país para “BB+”, primeiro nível do grau especulativo. Foi o que já fez a agência britânica Economist Intelligence Unit na semana retrasada:  o rebaixamento, de BBB para BB, lançou o Brasil no grupo dos potenciais caloteiros.

Não obstante, naquele espetáculo de pornografia desta segunda, Lula vituperou contra a investigação e contra a imprensa e conclamou João Pedro Stedile a pôr seu exército na rua — sim, ele empregou a palavra “exército”. Aquele que a ex-filósofa Marilena Chaui disse “iluminar o mundo” quando fala ainda encontrou tempo para especular sobre a situação no Iraque. E disparou: “Já tem gente lá com saudade do Saddam Hussein, porque no tempo dele se vivia em paz”.

Lula, este celerado, tem uma noção muito particular de paz. Pelo menos 300 mil pessoas, árabes, foram assassinadas pelo regime de Saddam. Nessa conta, não estão pelo menos 100 mil curdos, vítimas dos gases mostarda, sarin e abun. É o que Lula chama de “viver em paz”.

Foi o regime criado por esse cara que quebrou a Petrobras. Agora os brasileiros começam a pagar a conta de sua irresponsabilidade, de sua ignorância e de sua estupidez.

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Milicianos petistas partem pra porrada. Ou: Lula é um irresponsável. Lula é um aproveitador. Lula é um oportunista. Lula é um vampiro da institucionalidade. Lula é sanguessuga na nacionalidade. Ou: Marilena Chaui sentiu prazer ao ver o povo apanhando?

Quando petistas resolvem promover um ato “em defesa da Petrobras”, sabendo tudo o que sabemos sobre a roubalheira na estatal, é claro que estão procurando o confronto; é claro que estão provocando o adversário — que, no caso, é o povo brasileiro. O PT, encarnado por Luiz Inácio Lula da Silva, a CUT e a FUP (Federação Única dos Petroleiros) resolveram organizar uma patuscada nesta terça, na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio. Os valentes dizem defender a punição dos corruptos — só faltava anunciar o contrário —, mas denunciam uma suposta campanha contra a empresa. O que é, obviamente, mentira.

Pois bem. Muitos brasileiros, vítimas do assalto institucionalizado, decidiram protestar nas proximidades da ABI. E aí aconteceu o que os trogloditas estão querendo há muito tempo. Vestidos com camisetas vermelhas, com a sigla do partido, demonstrando que estão especialmente treinados para o confronto, os brutamontes partiram pra cima dos que protestavam contra a roubalheira na base da porrada.

Atenção! Vocês lerão por aí que houve troca de socos e pontapés. Sim! Mas que fique claro: quem partiu pra cima dos opositores foram os petistas, inconformados com as pessoas que gritavam “Fora PT” e que cobravam o impeachment de Dilma. Mais: os que protestavam contra o partido não passavam de duas dezenas. Os que queriam espancá-los eram mais de 300. E assim era n não porque há mais petistas do que antipetistas. É que não se tratava de militantes organizados. Os que repudiavam o petismo eram pessoas comuns, que apenas passavam por ali e viam a companheirada.

Lula é um irresponsável.

Lula é um aproveitador.

Lula é um oportunista.

Lula é um vampiro da institucionalidade.

Lula é um sanguessuga da nacionalidade.

É claro que um ato com essas características jamais poderia ter sido marcado — não a esta altura dos acontecimentos. Todo mundo sabe ser mentira que existam pessoas interessadas em prejudicar ou em vender a Petrobras.

Quem destruiu a empresa foi o PT.

Quem nomeou os ladrões foi o PT.

Quem está no comando da empresa nos últimos 13 anos é o PT.

Escrevi aqui anteontem que o partido não está se dando conta da gravidade dos problemas que se conjugam. Perdeu a leitura da realidade. É impressionante que um ex-presidente da República, líder inconteste do maior partido do país, incentive manifestações que fatalmente terminarão em confronto. E assim é porque o povo está indignado.

Com a baixaria desta terça-feira, o que Lula e seus tontons macoutes estão fazendo é incentivar as manifestações de protesto marcadas para o dia 15 de março. Dilma deveria chamar o seu antecessor e lhe passar uma descompostura. Mas, ora vejam, para tanto, seria necessário que ela fosse, no momento, a chefe política dele. Ocorre que ele a considera nada menos do que sua subordinada.

Lula está com inveja da Venezuela.

Lula está com inveja de Nicolás Maduro.

Lula acha que chegou a hora de rachar algumas cabeças.

Se Dilma não tomar cuidado, o seu mentor (ainda é? ) vai ajudar a apeá-la do Palácio. Aos brasileiros indignados, uma dica: não cedam à provocação dos reacionários, aproveitadores e bandidos vestidos de vermelho.

Ah, sim: Marinela Chaui disse que estaria lá. Estava? Ela, que tanto escreveu sobre democracia, ao ver o povo apanhando dos milicianos petistas, sentiu o quê? Vergonha? Comichão intelectual? Prazer?

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Dilma e PMDB terão uma ‘DR’ semana que vem

A lavagem de roupa suja da cúpula do PMDB com o ministro petista Aloizio Mercadante (Casa Civil) produziu consequências. Dilma Rousseff e Michel Temer trocaram um dedo de prosa pelo telefone. A presidente disse ao vice que abrirá um espaço em sua agenda para travar com o PMDB o que se convencionou chamar de ‘DR’. Os sócios majoritários do empreendimento governista vão discutir a relação na semana que vem, em data a ser marcada.

No início do telefonema, Dilma agradeceu o apoio do PMDB ao ajuste fiscal. Um ajuste que, na campanha eleitoral, ela dizia ser desnecessário. Temer quis saber se Mercadante lhe relatara o pedaço político do jantar, durante o qual os caciques peemedebistas disseram cobras e lagartos do governo. Dilma respondeu afirmativamente. E disse que será um prazer debater os rumos da coalizão com o PMDB.

- Moral: Cedo ou tarde a rainha precisa provar que não tem o rei na barriga.

- Moral 2: A melhor maneira de se livrar de um problema é discuti-lo exaustivamente. Exaustos, os interlocutores não precisam resolver mais nada.

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Preparado para ‘guerra’, Lula ataca a semântica

Lula foi ao Rio de Janeiro na noite desta terça-feira para estrelar um “ato em defesa da Petrobras”. Ao discursar, fez o que os presidentes americanos costumam fazer quando precisam unir a nação em seu apoio: declarou guerra ao inimigo. “Eu quero paz e democracia, mas se eles querem guerra, eu sei lutar também.'' Provou que falava sério. Armado do microfone, fez sua primeira vítima. Fulminou a semântica.

Ao insinuar que a Petrobras virou escândalo pelas mãos de uma “elite que não se conforma com a ascensão dos mais pobres”, Lula deixou claro que o Brasil vive uma crise de significado. Mostrou que a crise é terminal ao dizer que irá às ruas para “defender a Petrobras e a reforma política”. Considerando-se que o orador avalizou as nomeações dos petrogatunos e governou por oito anos com o apoio de sarneys, renans, collors e malufs, fica claro que o vocábulo “significado” perdeu o significado.

O correto, se as palavras ainda valessem alguma coisa, seria Lula pedir perdão por ter levado a Petrobras ao balcão da baixa política. Mas como qualquer coisa quer dizer qualquer coisa, Lula chama o crime de “caca” e sai de fininho: “Que vergonha eu posso ter se, no meio de uma família de 86 mil pessoas, uma pessoa comete um erro, faz uma caca. […] Não podemos jogar a Petrobras fora por causa de meia dúzia de pessoas ou 50 pessoas.''

O razoável, se a semântica não estivesse na UTI, seria Lula expiar o pecado de ter deflagrado a sangria que levou a Petrobras a perder o grau de investimento que fazia dela um porto seguro para quem quisesse investir. Mas como nada mais quer dizer coisa nenhuma, na hora em que a agência Moody’s dava a má notícia, Lula jactava-se: “Tenho orgulho da maior capitalização do capitalismo mundial, que foi a capitalização da Petrobras, que se tornou uma das empresas mais importantes do mundo.”

Lula sustenta que “eles” —eufemismo para FHC e a mídia golpista— “continuam fazendo hoje o que sempre fizeram antes. A ideia básica é criminalizar antes, tornar bandido antes de ser investigado e julgado.” Pessoas que não sabiam de nada, como ele e Dilma, são tratadas com base na “tal da teoria do domínio do fato. […] É o pressuposto de que a mãe tem que saber que o filho é drogado ou não foi bem na escola e o boletim dele está ruim.”

Para não dizer que Lula é um cínico, deve-se deduzir que ele é apenas mais uma vítima da crise de semântica. Alguém que chama o mensalão de fábula tem imunidade para comparar ladrões a filhos desgarrados e seus padrinhos a mães relapsas. É isso ou Lula adotou para se isentar de responsabilidade o velho adágio segundo o qual não se faz omelete sem quebrar os ovos. A frase aniquila qualquer princípio ético. Mas absolve tudo, do “Paulinho” manejando contratos ao Vaccari operando a caixa registradora.

Lula aconselhou Dilma Rousseff a levantar a cabeça. Apresentou-se como exemplo: “Sou filho de uma mulher analfabeta, de um pai analfabeto. E o mais importante legado que minha mãe deixou foi o direito de eu andar de cabeça erguida. E ninguém vai fazer eu baixar a cabeça neste país. Honestidade não é mérito, é obrigação.”

É reconfortante saber que Lula não perdeu a fronte alta que traz do berço. Com alguma sorte, ainda vai cruzar com um espelho qualquer hora dessas. E talvez perceba que a crise semântica fez dele um personagem sem nexo. (abaixo, o discurso do “guerreiro'')


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Omelete à moda da chefa!



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De volta ao palco, Lula - o mistificador de sempre
Ricardo Noblat

O mistificador número 1 do país reapareceu em público – mais precisamente na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro, ontem à noite.

Lula fez o que mais gosta: falar sem ser contestado para, em seguida, colher os aplausos e louvaminhas dos admiradores que o escutam em estado de graça.

O pretexto para o encontro foi a defesa da Petrobras. Lula se disse pronto para ir às ruas em defesa da Petrobras, da reforma política e da democracia.

Como de hábito, falou muito, valeu-se dos lugares comuns que sempre pontilharam sua oratória, e abusou da credulidade de um auditório disposto a acreditar em tudo o que ele diria.

Enganou, iludiu, burlou. Lembra-se de quando ele citava a mãe analfabeta? Dessa vez citou mãe e pai:

- Sou filho de uma mulher analfabeta. de um pai analfabeto. E o mais importante legado que minha mãe deixou foi o direito de eu andar de cabeça erguida e ninguém vai me fazer baixar a cabeça neste país. Honestidade não é mérito, é obrigação. Eu quero paz e democracia, mas se eles querem guerra, eu sei lutar também.

Quais os que querem guerra? Ele não os apontou. Como no auge do escândalo do mensalão em meados de 2005, quando se disse traído, mas não disse por quem.

Valeu-se do truque manjado de afirmar uma mentira para depois responsabilizar os adversários por ela. Assim:

- No caso da Petrobras, se parte do pressuposto de que tem que acabar com ela e criminalizar a política.

Quem quer acabar com a Petrobras? Lula não disse quem. Quem quer criminalizar a política? Também não disse.

Foi ele que em 2006 nomeou diretores da Petrobras que passaram a desviar dinheiro para o Caixa 2 dos partidos e também para os bolsos de políticos. Como pode querer culpar os outros?

Por fim, s sacou da velha carta descolorida pelo tempo e pelo uso:

- Estamos vendo no Brasil a criminalização da ascensão social de uma camada da população brasileira. A elite não se conforma com a ascensão dos mais pobres.

Blablablá...

Lula terá coragem de se arriscar a uma derrota na eleição presidencial de 2018? Ou ele estará certo em apostar nos seus poderes de prestidigitador? E, porta, na ignorância alheia?

Façam suas apostas.


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Blog do Josias

Eduardo Cunha faz defesa enfática da aprovação do ‘ajuste fiscal’ de Dilma

Tratado por Dilma Rousseff como gênio do mal, o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, surpreendeu as outras 21 pessoas que participaram do jantar oferecido na noite passada pelo vice-presidente Michel Temer aos ministros que integram a equipe econômica. Cunha comportou-se como um governista de mostruário.

Guiados pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, os senadores presentes ao repasto dedicaram o grosso de suas intervenções a criticar a ruína da articulação política do governo e a alfinetar o ministro Aloizio Mercadnate (Casa Civil). Na sua vez de falar, Cunha disse concordar com os correligionários. Mas afirmou que não é hora de o PMDB faltar ao país. E fez uma defesa enfática da aprovação do pacote fiscal de Dilma no Congresso.

Escorou-se numa avaliação técnica, não política. Disse que, nessa matéria, um tropeço do governo no Congresso aprofundaria a crise de desconfiança dos investidores em relação ao Brasil. E deixaria o país a um passo de ser rebaixado pelas agências de risco, perdendo o grau de investimento.

Nessa hipótese, disse o deputado, sobreviria um cenário apocalíptico: explosão do dólar, deterioração da balança comercial, queda nas bolsas, descontrole inflacionário, fuga de investidores, elevação do desemprego, o diabo. Temos que ter responsabilidade nesse momento, afirmou esse inusitado Eduardo Cunha.

Temos que votar os ajustes, ele acrescentou. É fundamental, prosseguiu. Não podemos abrir mão de ter as contas sob controle, repisou. Mais cedo, Cunha almoçara com o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil), na residência oficial da presidência da Câmara. Nas pegadas desse encontro, vieram à luz informações sobre os planos do governo de entregar cargos de segundo escalão ao PMDB.

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PMDB apoia Levy e lava roupa suja com Mercadante em jantar na casa de Temer

Graças a um pedido de Dilma Rousseff, Michel Temer incluiu o chefe da Casa Civil Aloizio Mercadante na lista de convidados do jantar que reuniu os caciques do PMDB com a equipe econômica do governo. Aconteceu na noite desta segunda-feira, na residência oficial do vice-presidente da República. A cozinha do Palácio do Jaburu ofereceu aos comensais de Temer duas opções de prato: salmão ou filet mignon. Mas os dirigentes do PMDB cuidaram para que Mercadante experimentasse algo indigesto. Serviram-lhe o pão que o Tinhoso amassou.

O ministro Joaquim Levy (Fazenda) deixou o encontro saboreando a promessa de apoio do PMDB ao seu ajuste fiscal. Nada mal para alguém que apanha do PT sem que o Planalto o defenda. Ironicamente, coube ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, um desafeto de Dilma, fazer a mais eloquente defesa do ajuste fiscal. Temos que ter responsabilidade nesse momento, disse ele. O PMDB não pode faltar ao país, emendou.

Mercadante levou do jantar, atravessados na traqueia, os recados dos peemedebistas para Dilma. Híspido como um cacto, o presidente do Senado, Renan Calheiros, chegou mesmo a questionar a existência da coligação partidária encabeçada pelo PT. Como está, disse Renan, essa coligação já não funciona. Na prática, não existe mais, completou.

Informado com antecedência sobre a presença de Mercadante, Renan ensaiou sua coreografia com os senadores Romero Jucá e Eunício Oliveira. Para desassossego do olheiro de Dilma, os três crivaram o governo de críticas. Mercadante viu-se compelido a reconhecer a existência de problemas. Admitiu que talvez seja mesmo o caso de rediscutir o funcionamento da coligação. Mas ponderou que um jantar organizado para analisar a conjuntura econômica não seria o melhor foro para debater a ruína da articulação política. Comprometeu-se a organizar um encontro da caciquia do PMDB com Dilma. E pôs-se a discorrer sobre economia.

Na sua vez de falar, Temer reforçou a intenção do PMDB de prover apoio legislativo ao esforço do governo para sair do buraco fiscal em que está metido. E falou de política. Não pretendia tratar do tema, afirmou. Mas já que foi mencionado… Revelou que se sente desconfortável dentro dos sapatos. De um lado, é apertado pelo partido, que não se considera representado sob Dilma. Do outro, é pressionado pelo governo, que se queixa de falta de apoio, mas não aciona o gabinete do vice senão quando há incêndios a apagar no Congresso. Temer avaliou que a conversa do PMDB com Dilma, cogitada por Mercadante, é mesmo necessária. A coalizão precisa ser rediscutida.

O vice de Dilma acha que seu talento para a articulação política é subutilizado. Minutos antes, Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado, dissera que o chamado G6, grupo que reúne os conselheiros de Dilma, tornou-se um feudo do PT. A exclusão de Temer desse colegiado é vista pelos peemedebistas como um despautério.

Temer declarou que, quando o governo o aciona, colhe bons resultados. Recordou a polêmica que envolveu o projeto que Dilma enviara ao Congresso no ano passado para desobrigar o governo de cumprir as metas de superávit fiscal. Disse que, não fosse por sua interferência, pela habilidade de Jucá ao relatar a proposta e pela firmeza com que Renan toureou a oposição, o governo jamais teria prevalecido.

Eunício mencionara em sua intervenção que, na votação do projeto que liberou o governo para descumprir a meta de superávit de 2014, o Planalto não conseguia nem mesmo mobilizar sua tropa para manter o quórum no plenário do Congresso. No dia da votação, fui buscar senador para votar às duas e meia da madrugada, disse Eunício. O [José] Sarney, apesar da idade, ficou em plenário até as cinco da manhã, acrescentou Eunício. E o governo não valoriza o PMDB, lamuriou-se.

Romero Jucá, espécie de ‘pau-pra-toda-obra’ do governismo, declarou que o governo, por desarticulado, não consegue nem mesmo embrulhar adequadamente o pacote de ajustes que enviou ao Congresso. Daqui a quatro anos estarei disputando eleições, disse Jucá. E não posso ostentar um discurso baseado apenas em ajuste fiscal, acrescentou. Para ele, o mote tem de ser a retomada do crescimento econômico.

Há um quê de ressentimento nas observações dos senadores do PMDB. Eles se queixam de Dilma desde a formação do ministério do segundo mandato da presidente. De resto, enxergam em Mercadante um adversário político, não um aliado. O auxiliar de Dilma ocupa a Casa Civil como se usufruísse do segundo melhor emprego do país depois do massagista particular de Paola Oliveira. Os peemedebistas acham que uma das principais diversões de Mercadante é puxar o tapete do PMDB.

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Pas de deux!



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O vídeo que exibe amostras da repressão selvagem a opositores do regime chavista enquanto Lula bajula Maduro escancara o sonho do velho comparsa: transformar o Brasil numa Venezuela mais cafajeste



O vídeo começa com um trecho do Jornal da Globo deste 19 de fevereiro. “Agentes de segurança do governo de Nicolás Maduro na Venezuela prenderam de forma que equivale a um sequestro o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, um dos principais líderes da oposição”, informa o jornalista William Waack. “Homens fortemente armados do Serviço Boliviariano de Inteligência Nacional invadiram o gabinete do prefeito e o levaram, sem mandado judicial e sem explicar os motivos da prisão”.

Mesmo prejudicada pela distância que separa a câmera do fato, a sequência de imagens confirma a narrativa — subitamente interrompida pela aparição na tela do ex-presidente Lula. Caprichando na pose de quem contempla a olho nu um  candidato à canonização, o palanque ambulante faz uma escala na TV venezuelana para ajudar o comparsa Nicolás Maduro a manter o emprego de presidente.

“Maduro destacou-se na luta pela construção de uma América Latina mais democrática e solidária”, começa outro ataque pelas costas à decência e à verdade. O som da sabujice entra em colisão frontal com o que se vê: tropas mobilizadas pelo governo esbanjam brutalidade na missão de reprimir manifestações de rua contrárias ao regime bolivariano.

Enquanto a voz roufenha bajula o herdeiro do “nosso querido e saudoso amigo Hugo Chávez”, milícias paramilitares, bandos de policiais e pelotões do Exército protagonizam ataques selvagens a opositores de Maduro. “Os dois compartilharam as mesmas ideias sobre os destinos do nosso continente”, segue em frente o palavrório sabujo. O dinheiro do petróleo foi usado para melhorar a vida dos pobres, exemplifica Lula.

Conversa de 171, não para de berrar o escândalo do Petrolão. Lá como aqui, o dinheiro do petróleo foi usado para promover a milionários os donos do país, ampliar a fortuna dos cúmplices, bancar campanhas eleitorais, financiar a miragem do partido único, irrigar contas bancárias em paraísos fiscais e patrocinar o sonho da eternização no poder, fora o resto.

Maduro jura que anda vendo Chávez em forma de passarinho. Se Lula também for apresentado à versão alada do parceiro morto, o que parece apenas uma façanha póstuma do bolívar-de-hospício talvez seja um providencial conselho aos amigos vivos demais: cuidado com a gaiola.

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Dilma e PT têm vergonha de depender do PMDB para governar
Ricardo Noblat

Pergunta incômoda que teima em ser feita: por que não há um só ministro do PMDB no chamado “núcleo duro” do governo?

Por “núcleo duro” entenda-se o grupo de ministros com os quais a presidente Dilma Rousseff de fato governa o país.

Fazem parte do grupo: Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil; Pepe Vargas, ministro das Relações Institucionais; Jaques Wagner, ministro da Defesa; Miguel Rosseto, Secretário-Geral da presidência; José Eduardo Cardoso, ministro da Justiça, e Ricardo Berzoini, ministro das Comunicações. Todos do PT.

O PMDB é o sócio preferencial do PT no apoio a Dilma. Manda no Congresso por meio dos presidentes do Senado (Renan Calheiros) e da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha).

No primeiro mandato de Dilma, o PMDB teve cinco ministérios. No mandato atual, seis. Mas os cinco eram mais importantes do que os seis de agora. Tinham mais poder.

Sempre se pode alegar que o vice-presidente da República é do PMDB – Michel Temer. Mas, e daí?

Dilma não ouve Temer para quase nada. Este ano, por exemplo, ainda não conversou com ele.

Joaquim Levy, ministro da Fazenda, reuniu-se ontem à noite com Temer, ministros e principais líderes do PMDB para pedir apoio às medidas antipopulares do ajuste fiscal.

Dilma ficou de conversar sobre isso com Temer, Renan e Eduardo. O PT quer deixar para o PMDB o encargo de publicamente se responsabilizar pela aprovação do ajuste.

Assim não dará certo.

Dilma, a turma dela e o PT têm vergonha de ser vistos na companhia do PMDB. Como se o distinto eleitorado não soubesse que é do PMDB que eles dependem. Como se eles fossem melhores do que o PMDB.

O mais forte sinal de que o PMDB arrebitou o nariz e não quer se manter a reboque do PT será dado amanhã em programa de propaganda do partido no rádio e na televisão.

Dilma e o PT parecem esquecidos que foi por poucos votos que o PMDB manteve o apoio à reeleição de Dilma. Quase metade dele apoiou a eleição de Aécio Neves (PSDB) a presidente.

Estejam certos: haverão de beijar a cruz quantas vezes sejam necessárias se quiserem contar com a ajuda do PMDB.

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Dilma faz como o sapo e busca se aproximar do PMDB por necessidade, não por boniteza

Em vez de incentivar a criação de um novo partido para quebrar a espinha do PMDB, a presidente Dilma Rousseff resolveu se reaproximar do seu principal aliado, do qual anda distante. Michel Temer, vice-presidente da República e principal liderança da legenda, recebeu no Palácio do Jaburu, na noite desta segunda, a trinca da economia — Joaquim Levy (Fazenda), Alexandre Tombini (Banco Central) e Nelson Barbosa (Planejamento) —, o petista Aloysio Mercadante, ministro da Casa Civil; os peemedebistas Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e Renan Calheiros, presidente do Senado, e seus respectivos antecessores: Henrique Eduardo Alves e José Sarney.

Também estavam presentes os sete ministros filiados ao PMDB: Kátia Abreu (Agricultura), Edinho Araújo (Portos), Eliseu Padilha (Aviação Civil), Vinícius Lages (Turismo), Eduardo Braga (Minas e Energia), Helder Barbalho (Pesca) e Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos).

Objetivo do encontro? Selar o apoio do partido às duas Medidas Provisórias que resumem o ajuste fiscal defendido pela equipe econômica — que, obviamente, sem o apoio do PMDB, corre riscos. Segundo apuração do Estadão, Cunha — visto hoje como um das pedras na sapatilha da presidente Dilma —, fez uma defesa enfática das medidas.

Ainda de acordo com o Estadão, os líderes peemedebistas não fecharam apoio às duas MPs, mas, tudo indica, haverá um armistício nessa questão. “Falamos que eles terão nossa boa vontade”, afirmou Cunha à Agência Estado.

Os peemedebistas aproveitaram a presença de Mercadante para reclamar da articulação política do governo, que, vejam que curioso, é comandada por… Mercadante. Consta que ele concordou que os problemas existem. Então eu tenho uma saída: que Mercadante demita… Mercadante. O que lhes parece?

O pacote fiscal é considerado vital para que o governo comece a recuperar a credibilidade dos agentes econômicos. Por outro lado, algumas de suas medidas tendem a gerar confronto com entidades sindicais, especialmente as que dificultam o acesso ao seguro desemprego. Sem o apoio do PMDB, é certo que o governo naufragaria. Hoje, mesmo com Joaquim Levy na Fazenda, a desconfiança é enorme. Há justamente o temor de que ele não consiga ver aprovado o pacote.

O delírio petista de tentar quebrar as pernas do PMDB parece ter passado. Por enquanto ao menos. A presidente, tudo indica, jogou a toalha, mas é por necessidade, não por boniteza, o que também explica o pulo do sapo, segundo Guimarães Rosa.

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Teremos como saber se CPI será instrumento da democracia ou da chantagem. Até agora, Cunha teve um atitude exemplar. Vamos ver o que vem por aí

Peemedebistas jantaram na noite desta segunda com a trinca que cuida da economia e com o ministro Aloizio Mercadante, da Casa Civil. Trata-se de uma aproximação com vistas à aprovação das duas Medidas Provisórias do ajuste fiscal. Haverá algo mais do que isso? É o que se verá. Não falta quem veja com desconfiança a instalação, na próxima quinta, da nova CPI da Petrobras na Câmara. Alguns petistas inconformados acham que Eduardo Cunha, presidente da Casa, usará a investigação para enfiar a faca no pescoço do governo. Se for, a gente terá como saber. Os seus primeiros movimentos na presidência da Câmara têm sido impecáveis. O futuro dirá.

Nesta segunda, o PMDB definiu quem será o presidente da CPI: trata-se do jovem deputado Hugo Motta, da Paraíba, que tem apenas 25 anos e está em seu segundo mandato. É, sim, um aliado de Cunha. A relatoria ficará com um petista. O PSDB terá a vice-presidência. Vai ser para valer?

Em entrevista à VEJA.com, Motta afirmou (leia post): “Da nossa parte, terá disputas se o PT não quiser investigar. Vamos cumprir o regimento e o papel que a CPI terá de ter”. Como observa a reportagem do site, no comando da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, no ano passado, ele não deu mole para o governo, Motta batalhou e conseguiu aprovar as convocações de Graça Foster, então presidente da Petrobras; de Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional, investigado na Operação Lava-Jato, de Guido Mantega, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras e ministro da Fazenda; de Arthur Chioro (Saúde) e de Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência).

A partir de quinta-feira, então, teremos a chance de verificar a honestidade de propósitos. É evidente que o petismo tudo fará para que também essa comissão malogre e nada se investigue. O presidente de uma CPI não pode tudo, mas tem bastante poder, especialmente para evitar manobras que busquem transformar a comissão num circo.

Observe-se o óbvio: o PT lutou bravamente contra a instalação da comissão e, na relatoria, claro!, fará o que estiver a seu alcance para sabotá-la. Até agora, Cunha tomou decisões que, com efeito, lembram um poder realmente independente. Vamos torcer para que a boataria espalhada por petistas esteja errada, de sorte que a CPI sirva como um instrumento do Parlamento e da democracia, não da chantagem.

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Se Youssef fala a verdade, Collor prova que um rei, de fato, nunca perde a majestade: doleiro diz que impichado recebeu propina de R$ 3 milhões. Ou: É a lama, é a lama, é a lama!

Que coisa, né? Se o doleiro Alberto Youssef falou a verdade — e ele fez um acordo de delação premiada —, quem um dia foi rei nunca perde a majestade, como reza um velho clichê. Segundo informam Stelita Hass Carazzai e Flávio Ferreira, na Folha  desta terça, Youssef disse a procuradores que o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL), ex-presidente da República e hoje um dileto aliado do lulo-petismo, recebeu R$ 3 milhões de propina como resultado de um negócio da BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, com uma rede de postos de gasolina.

O intermediário da tenebrosa transação teria sido Pedro Paulo Leoni Ramos, dono da GPI Participações e Investimentos e amigão de fé, irmão, camarada de Collor. Durante seu curto governo doidivanas, Leoni Ramos foi seu secretário de Assuntos Estratégicos. Santo Deus!

O negócio envolvia a troca de bandeira de uma rede de postos. Collor teria ficado com 1% dos R$ 300 milhões em que estava avaliado o negócio. Segundo o doleiro, a grana foi arrecadada nos postos e repassada a Leoni em moeda sonante, dinheiro vivo mesmo, o que impede o rastreamento. Em depoimento anterior, Youssef afirmara que já havia mandado entregar R$ 50 mil a Collor.

Ah, sim: a BR Distribuidora também tinha sido loteada. O PTB, partido do qual Collor é líder no Senado, mantinha dois diretores na empresa: José Zonis, na área de Operações e Logística, e Luiz Claudio Caseira Sanches, na Diretoria de Rede de Postos de Serviço. O pagamento, segundo Youssef, foi feito por um de seus emissários: Rafael Ángulo Lopes.

Leoni Ramos é um dos investigados da Operação Lava-Jato justamente em razão de, digamos assim, “negócios” feitos com Youssef.

A ser verdade o que diz o doleiro — e, reitero, alguém que fez delação premiada estaria correndo um risco imenso ao mentir —, o que temos? A soma do velho patrimonialismo, de que Collor foi o último suspiro na Presidência da República, com o novo patrimonialismo, o do PT. Em 1989, Lula e Collor disputaram o segundo turno da eleição presidencial. O agora senador venceu, para ser impichado em 1992, afogado num mar de lama.

Foi lama o que se revelou no governo Lula em 2005, mas ele sobreviveu, se reelegeu, fez a sua sucessora, que, por sua vez, obteve um segundo mandato. E o Brasil está na… lama. Lula e Collor, agora, estão do mesmo lado, são aliados.

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Zavascki nega habeas corpus a executivos; até agora, o ministro só atendeu ao pedido do petista graúdo Renato Duque. Acham isso normal? Eu acho estranho

O ministro Teori Zavascki, relator do processo da Lava Jato no Supremo Tribunal, negou nesta segunda, mais uma vez, habeas corpus para a soltura de dois dos executivos presos: Dalton Avancini, diretor-presidente da Camargo Corrêa, e João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração. A minha crítica não é nova nem o meu estranhamento. E quem quiser populismo rasteiro que vá buscar em outro lugar. É espantoso que, até agora, o petista Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, seja o único dos presos graúdos que deixou a cadeia sem um acordo de delação premiada. E quem lhe concedeu habeas corpus? Zavascki! O mesmo que o nega aos empreiteiros.

O ministro alega que o pedido de prisão de Duque estava ancorado exclusivamente no risco de fuga e que a jurisprudência do Supremo não reconhece esse como um motivo eficiente para manter a prisão cautelar de alguém. Tá. Digamos, então, que a prisão de Duque não se justifique.

Mas e as prisões dos demais? A esta altura — e não estou entrando no mérito do que cada um fez ou do que é acusado —, cabe indagar: o que as justifica? Há uma lei que cuida do assunto, o Artigo 312 do Código de Processo Penal. Eu a transcrevo:
“Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).
Parágrafo único. A prisão preventiva também poderá ser decretada em caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de outras medidas cautelares (art. 282, § 4o).

Alguém poderia dizer: “Ora, Reinaldo, mas há ‘prova da existência do crime e indício suficiente de autoria’. Sim, tudo indica que sim, mas esses são motivos para manter a prisão preventiva caso ‘a aplicação da lei penal corra risco’. Se os executivos e empresários fossem soltos, onde estaria esse risco? O de fuga, já sabemos, não vale.

Todos querem que se faça justiça, e eu também. Todos querem que os responsáveis sejam punidos, e eu também. Todos querem que os corruptores paguem, e eu também. Mas eu quero — e espero que todos queiram — que isso se faça dentro do devido processo legal e de acordo com as leis.

Há um viés meio populista nessa cosia toda — e não me peçam para condescender com isso. Especialmente quando sabemos que o petista Renato Duque está solto, e os outros, presos.

Aí diz Zavascki: “Ah, mas a fundamentação do pedido de prisão preventiva de Duque era só risco de fuga; nos outros casos, há mais…”. Bem, aí caberia, então, indagar à Justiça do Paraná que mal os outros podem fazer à investigação, se estiverem soltos, que Duque não possa fazer melhor, até porque, como se sabe, é um homem de partido, não é?

É em momentos assim que a minha desconfiança sobre o andamento dessa operação cresce bastante. E, sim, escrevo o que acho que devo, não para ser aplaudido. A esta altura, não há mais razão para manter a prisão preventiva dos empreiteiros e executivos, a não ser a paixão jacobina que andou tomando conta de certas áreas da Justiça, do Ministério Público e da imprensa.

Prisão preventiva não pode ser vista como antecipação de pena. Nem pode ser usada para demonstrar a tese dos órgãos de investigação. Para arrematar: o Ministério Público vai ou não celebrar o acordo de delação premiada com Ricardo Pessoa, da UTC, o que tem uma impressionante artilharia contra o PT, denunciando a verdadeira natureza do jogo?

Lamento! As desculpas de Zavascki para manter os empresários presos e para soltar o petista graúdo Renato Duque não me convencem.


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Blog do Noblat

Anão diplomático - O Brasil de Dilma e Lula
Ricardo Noblat        

Que alma corajosa se oferece para aconselhar a presidente Dilma a renovar seu vocabulário, começando por descartar lugares comuns do tipo “Não ficará pedra sobre pedra” e “Doa em quem doer”?

Lugares comuns arranham os ouvidos. E com frequência se voltam contra os que gostam de usá-los. Um exemplo? “Não ficará pedra sobre pedra” da política externa brasileira depois da passagem de Dilma pelo poder.

Forcei a barra? Tentarei ser mais justo: não ficará pedra sobre pedra da política externa brasileira depois da passagem de Lula e Dilma pelo poder. Melhor assim?

Este gigante econômico e cultural, chamado de “anão diplomático” em julho do ano passado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Israel, sempre contou com uma das diplomacias mais respeitadas e bem-sucedidas do mundo.

Há farto conhecimento adquirido com aplicação e afinco. Relativa grandeza. E coerência política secular.

Tamanho patrimônio, infelizmente, repousa, hoje, quase esquecido nos subterrâneos do Itamaraty.

O retrato de José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, ainda enfeita paredes de gabinetes acarpetados. Mas como dói observá-lo.

Na semana passada, com muitos quilos a menos, mas sem ter perdido um grama de arrogância, Dilma emergiu do carnaval disposta a ocupar por todos os meios o espaço que a mídia costuma lhe oferecer com generosidade.

E assim foi. Sem pejo, remeteu ao governo Fernando Henrique Cardoso a origem da roubalheira na Petrobras, que só se tornou sistêmica a partir de 2003.

E como se não bastasse tal agressão à verdade, resolveu brigar com um país situado do outro lado do mundo – a República da Indonésia, um arquipélago com mais de 17 mil ilhas.

No momento, a Indonésia deveria ser o último país com quem o Brasil almejasse a arranjar briga. Ali, em 17 de janeiro último, o brasileiro Marcos Archer, um traficante de drogas, foi executado a tiros.

Archer havia sido preso há 10 anos, julgado e condenado à morte. A legislação da Indonésia contra a droga é uma mais rígidas do mundo.

Dilma empenhou-se em salvar a vida de Archer. Reagiu à sua morte chamando de volta o embaixador do Brasil por lá.

Era tudo o que não deveria ter feito – afinal, há outro brasileiro na Indonésia condenado à morte por tráfico de droga.

Se havia uma tênue esperança de que à diplomacia fosse possível evitar um segundo fuzilamento, ela se dissipou com outra decisão desastrosa tomada por Dilma na última sexta-feira.

Novos embaixadores de outros países estavam reunidos no Palácio do Planalto para apresentar suas credenciais a Dilma. Pela ordem, o primeiro deles seria o embaixador da Indonésia.

Uma vez cumprido o rito, o embaixador desceria a majestosa rampa do palácio, entraria no seu carro e iria embora. Não foi o que aconteceu.

No último minuto, o ministro das Relações Exteriores do Brasil chamou o embaixador para uma conversa a sós. Comunicou que Dilma não receberia mais suas credenciais.

O embaixador saiu humilhado pela lateral do palácio. A Indonésia foi humilhada na figura dele. E para quê? Para quê?

Para Dilma parecer forte e aguerrida aos olhos dos seus governados? Pareceu estabanada, como sempre. Imprudente. Adepta de jogadas vagabundas de marketing.

Saca o Estado Islâmico – aqueles loucos que degolam e incineram pessoas?

Pois é: Dilma já recomendou que se dialogasse com eles.

A Venezuela deixou de ser uma democracia há muito tempo. Para fazer parte do Mercosul, um pais tem que ser democrático.

Dilma faz de conta que ainda existe uma democracia na Venezuela, onde o governo prende e arrebenta a oposição e libera o Exército para que reprima manifestações à bala.

Na guerra entre judeus e palestinos, Dilma tomou partido dos últimos. E para que não restem dúvidas sobre isso, no ano passado chamou de volta o embaixador do Brasil em Israel.

O Congresso do Paraguai depôs em junto de 2012 o presidente da República Fernando Lugo. Aí o Brasil juntou-se à Argentina e à Venezuela para suspender o Paraguai do Mercosul.

Seis anos antes, na Bolívia, o presidente Evo Morales usou o exército para ocupar as instalações da Petrobras no país depois de ter nacionalizado a exploração de petróleo e gás.

Mais tarde, dobrou o preço do gás vendido ao Brasil. O então presidente Lula nada fez. "Queriam que eu invadisse a Bolívia?", debochou como de hábito.

Na Era PT, definitivamente os interesses superiores do país deixaram de orientar nossa política externa. Cederam a vez à ideologia pessoal do governante da ocasião.

Pobre barão do Rio Branco. Pobres de nós.

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Planalto dá como certo que protesto do dia 15 de março será gigante; por enquanto, a ordem dada ao PT é evitar o confronto com manifestantes. Um pouco de juízo não faz mal a ninguém!

O petismo acompanha com lupa a convocação nas redes sociais para os protestos em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, marcados para o dia 15 de março em várias cidades do país. O Planalto já dá como certo que haverá, sim, grandes manifestações, especialmente em São Paulo e Rio. Os mais pessimistas preveem que os atos possam levar até um milhão de pessoas às ruas Brasil afora. Dilma está perplexa, mas ainda não perdeu de todo o juízo, apesar da entrevista concedida na sexta-feira. Em princípio, o governo dirá que a democracia comporta manifestações de descontentamento e coisa e tal.

Caberá ao PT acusar de “golpistas” os promotores do evento. Intramuros, os petistas admitem que estão perdendo a guerra nas redes sociais e constatam que seus tradicionais propagandistas na subimprensa, reunidos sob a alcunha de “blogs sujos” — todos financiados, direta ou indiretamente, por dinheiro público —, perderam influência. Algumas páginas são hoje bastante comentadas, sim, mas porque viraram motivo de chacota. São tomadas por aquilo que são: uma caricatura de jornalismo.

Na raiz de tudo, está, é evidente, a corrupção da Petrobras. Eis um caso que pegou. E que continuará na lista de insultos ao povo brasileiro até que os responsáveis sejam punidos. O que preocupa os magos do governo é que a fase do desgaste propriamente político ainda vai começar. Mesmo que surjam nomes da oposição no rolo, como adiantou a um advogado de empreiteira o ministro José Eduardo Cardozo, o PT e o governo continuarão a ocupar o centro do palco.

O partido chegou a pensar, sim, em fazer a contramanifestação, no melhor estilo das milícias chavistas, tentando disputar espaço com os que vão às ruas cobrar o impeachment de Dilma, mas desistiu. Prevaleceu, o que não costuma ser regra por lá, o bom senso: o comando do partido percebeu que poucos estariam dispostos a fazer uma marcha que poderia se confundir com a apologia da impunidade e do crime.

Gente do próprio entorno de Dilma desestimulou a contramarcha. Alertou-se para o risco de confronto, o que, fatalmente, elevaria a temperatura da crise, que, até agora ao menos, não chegou às ruas de forma mais evidente. O partido não descarta manifestações de apoio à governanta, mas não no mesmo dia em que milhares podem ir à praça expressar seu descontentamento com o partido.

E por que os planaltinos fazem uma previsão tão pessimista para o governo? Uma fonte do Palácio diz que eles aprenderam algumas lições com as manifestações de 2013. Embora o motivo original fosse a precariedade do transporte público, outras demandas se juntaram, outros descontentamentos foram se somando. E, convenham, a realidade, então, era bem outra, bem mais favorável a Dilma.

O país crescia mais, a inflação era menor, não se conheciam os descalabros da Petrobras, e, atenção!, 84% (segundo o Datafolha) diziam que a gestão Dilma era ótima ou boa. Hoje, depois de tudo, apenas 23% afirmam a mesma coisa — espantosos 61 pontos a menos. O país começa a viver, provavelmente, o seu segundo ano de recessão, a inflação estourou o teto da meta, a tarifa de energia elétrica teve um reajuste brutal, os brasileiros não aguentam mais ouvir falar em escândalos, e é evidente que Dilma deu um beiço nos brasileiros na disputa do ano passado. Prometeu alhos e vai entregar bugalhos.

O que deixa os politicólogos de Dilma aflitos é não enxergar o fio da meada. A presidente deve voltar a viajar, tentando cair no colo das massas — de massas devidamente selecionadas e controladas, claro!, especialmente no Nordeste. Sairá por aí distribuindo algumas casinhas do “Minha Casa Minha Vida”, tentando retomar a agenda positiva. Mas, admite-se por lá, a coisa está difícil.

Resume um interlocutor: “Em 2012, a ideia da faxina foi positiva para o governo; a própria Dilma a explorou. A coisa era diferente. As denúncias vinham sobretudo da imprensa e, na maioria das vezes, não havia muito mais do que se denunciava, e a presidente podia fazer intervenções pontuais e sair ganhando politicamente. Agora, não. Esse negócio da Petrobras virou um saco sem fundo… A única coisa que a gente sabe é que hoje é pior do que ontem e melhor do que amanhã”. E ele admite: “A gente não consegue respirar”.

Bem, convém que não falte ao menos juízo onde faltam talento e competência. Tenham as pessoas a opinião que for sobre o impeachment — já que, suspeito, não ocorre a ninguém contestar o direito à livre manifestação, desde que dentro da lei e da ordem —, a tarefa número um de governantes é atuar para amenizar riscos, não para extremá-los. E, havendo alguém interessado em, digamos, desmobilizar os espíritos, é prudente que aconselhe a presidente a não conceder novas entrevistas como a de sexta-feira. Afinal, não fica bem a própria Dilma ser a principal incitadora de uma manifestação que pede o seu impeachment.

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Presidente de uma das maiores e mais influentes consultorias do mundo, que costuma ser prudente sobre o Brasil, diz que país está à beira do precipício 

Ian Bremer, presidente da Eurasia, uma das consultorias políticas mais importantes e influentes do mundo, com escritório também no Brasil, escreveu um artigo para a revista Time em que afirma que o país vive a “tempestade perfeita”. Ele elenca cinco motivos que apontam para um futuro sombrio. Titulo do texto: “Cinco razões que conduzem o Brasil à beira do precipício”. Abaixo, faço uma síntese do que ele escreve, mas, antes, quero chamar atenção para um dado importante.

A Eurasia não se deixa impressionar facilmente e não pode ser acusada de fazer análises só para deixar o PT amuado. Nada disso! Querem um exemplo? Para o seleto grupo de clientes que recebiam suas análises durante todo o processo eleitoral, a consultoria jamais deixou de apontar Dilma Rousseff como a franca favorita. E assim foi até nos momentos mais difíceis da campanha. Eu mesmo vivia torcendo para que chegasse o dia em que me diriam: “Ó, a Eurosia está dizendo que Dilma deve perder…”. Isso nunca aconteceu.

São cinco os fatores que empurram o país o país para perto do abismo, segundo Bremer:
1 – Economia: O autor destaca que o real perdeu um décimo do seu valor ante o dólar nos dez primeiros dias de fevereiro, que a inflação está em alta e que o país deverá crescer apenas 0,3% neste ano. Nota à margem: com dados mais atualizados, Bremer teria destacado que o país terá é recessão em 2015, o que já deve ter acontecido também no ano passado.

2 – Seca: O Brasil passa por uma seca histórica, que poderá acarretar racionamento de água e luz, num país em que 70% da energia derivam de matriz hídrica. A decisão do governo de cortar os subsídios do setor deve levar a um aumento de 40% na tarifa — na verdade, esse reajuste já aconteceu.

3 – Mal-estar: Bremer destaca que, desde a virada do século, milhões de pessoas passaram para a classe média, com redução considerável da pobreza extrema. Não obstante, no ano passado, o governo teve de anunciar um aumento do número de pessoas que vivem na indigência. Mais: a classe média passou a reclamar da qualidade dos serviços públicos. O autor cita os protestos de 2013 e os de 2014, contra a Copa do Mundo, lembrando que, em 2016, o Rio sedia os Jogos Olímpicos. Parece sugerir que novas ondas de descontentamento vêm por aí.

4 – Corrupção: A corrupção toma conta do país, e o escândalo da Petrobras se agiganta a cada dia. O Ministério Público aponta o pagamento de pelo menos US$ 730 milhões em propina; segundo um dos delatores, 3% dos contratos eram destinados ao PT e aliados, havendo 232 empresas sob investigação. A corrupção é endêmica no país, e pagar propina é uma prática comum entre aqueles que precisam negociar com o setor público. Bremer observa que, no país,  há 20 mil cargos federais de confiança, contra apenas 5.500 nos EUA, por exemplo.

5 – Dilma nocauteada : O presidente da Eurosia diz que esses fatos nocautearam Dilma e que, desde a eleição, ela perdeu metade da popularidade. Ele cita os números do Datafolha, segundo os quais, em três meses, os que consideram seu governo ruim ou péssimo saltaram de 24% para 44%. Nota que os brasileiros estão perdendo a fé na petista, já que 60% acreditam que ela disse mais mentiras do que verdades na campanha e que 77% acham que ela sabia da corrupção na Petrobras.

Eis aí. Esse é o presidente de uma consultoria que costuma ser bastante prudente. Dá para imaginar o que andam dizendo a seus clientes os mais afoitos

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Fraude: deputados tiram licença de seus mandatos, mas levam cargos e verbas

Não é incomum que o diâmetro do cérebro do político seja inferior ao do seu bolso. Mas às vezes exagera-se no contraste. Deputados que se licenciam dos mandatos para exercer cargos nos governos estaduais ou no federal encontraram uma forma pouco sutil de manter vínculos com a Câmara: exigem dos suplentes que lhes entreguem parte dos cargos e das verbas a que cada gabinete tem direito.

Os deputados dispõem de cerca de R$ 78 mil mensais para contratar até 25 assessores. Usufruem também de uma cota anual de R$ 16 milhões em emendas orçamentárias. O blog apurou que a fraude atinge essas duas rubricas. Antes de tomar posse, os substitutos têm de assumir o compromisso de entregar aos titulares entre 20% e 50% da folha salarial e das emendas.

Como ocorre em desvios do gênero, os acertos deveriam ser sigilosos. Mas disseminaram-se de tal modo que viraram segredos de polichinelo. Todos sabem que a transgressão existe. Mas fingem não ver. Os deputados licenciados contratam apaniguados nos Estados. E os suplentes atestam-lhes a “presença'' como se estivessem a serviço do gabinete. Os titulares destinam verbas federais para seus redutos eleitorais. E os suplentes assinam as respectivas emendas ao Orçamento como se fossem os autores. Um acinte.

No momento, há na Câmara 25 suplentes no exercício dos mandatos. Se quisesse, a administração da Casa não teria dificuldades para rastrear os fraudadores e estancar os desvios. Mas vigoram na Casa duas máximas. No setor de controle, o negócio é ouvidos moucos, boca fechada e olho vivo. Nos gabinetes, como receitava o Barão de Itararé, o negócio é viver às claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas.

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Bom de bico!




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Blog do Coronel

Odebrecht acha que é um quarto poder.

A Odebrecht acha que tem foro privilegiado. Por serviços prestados ao PT. Tanto fez a empreiteira e tanto recebeu pelo que fez que não admite ser processada no mais tenebroso e vergonhoso caso de corrupção da história deste país. A Odebrecht fez estádio para o Corinthians de Lula, fez porto em Cuba para orgulho do PT, fez metrô na Venezuela e financiou a propaganda de um certo ex-presidente que sonhava ser Nobel da Paz, abrindo escritórios e fazendo projetinhos em paisecos da África. Puro marketing para agradar os detentores do poder. A Odebrecht também foi aquinhoada com os maiores projetos de engenharia do país e por associações no estilo Braskem e outras, com dinheiro do BNDES e uma suave participação dela, a nossa Petrobras, que mais parecia a Petrobras do Norberto, do Emílio e do Marcelo. Todos Odebrecht. Gerações de Odebrecht. Foram generosos nas doações eleitorais, especialmente para o PT. E agora cobram generosidade de Lula, Dilma e do Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Querem que não haja vazamentos na Operação Lava Jato, mesmo que não sejam políticos, estes sim preservados na medida do possível. Também querem anular acordos internacionais promovidos pelo Ministério Público Federal com autoridades da Suíça, para impedir que contas secretas da corrupção venham à tona e sejam anexadas aos autos de um processo conduzido de maneira exemplar pelo Juiz Sérgio Moro, pela força-tarefa do MPF e pela Polícia Federal. A Odebrecht quer impedir o bom andamento do Poder Judiciário, já que faz a mesma coisa no Poder Executivo e no Poder Legislativo. Acha que é um quarto poder na República. Ao que tudo indica o império vai tremer, pela primeira vez. As reuniões secretas da empresa com Cardozo e a sua pressão em cima do STF caíram muito mal e geraram uma reação em cadeia no Judiciário. Pode ter sido um tiro no pé. Mas não vamos menosprezar o poder da empresa. Se eles compraram a Beija-Flor, podem querer comprar outros pássaros por aí. Estamos de olho!

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Tudo a ver

O fato de “empresas (leia-se empreiteiras) brasileiras” com negócios na Guiné Equatorial terem financiado a escola de Samba Beija-Flor, campeã do Carnaval carioca, é apenas um dos pontos de contato entre esse escândalo e aquele outro, o petrolão. Segundo delações premiadas de dirigentes de empreiteiras presos, parte do dinheiro desviado da Petrobras voltava para o PT em forma de doações legais.

Essa maneira de lavar o dinheiro foi utilizada pelas empreiteiras que atuam na Guiné Equatorial para financiar a Beija-Flor em R$ 10 milhões, na tentativa de tornar o apoio da ditadura daquele país mais palatável à opinião pública.

A Odebrecht negou que tenha participado dessa vaquinha, e informou que não tem obras na Guiné Equatorial, de onde saiu em 2014. No entanto, após a visita de Lula em 2011, como representante da presidente Dilma, a empreiteira brasileira entrou no mercado de obras públicas na Guiné Equatorial e chegou a ser considerada favorita para a construção de uma capital administrativa.

Na ocasião, Lula levou na comitiva oficial o diretor de novos negócios da Odebrecht, Alexandrino Alencar, que, (não) por acaso, também está envolvido no petrolão. O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa contou ter recebido US$ 23 milhões da Odebrecht numa conta aberta na Suíça. Alexandrino Alencar tinha contato constante com o doleiro Rafael Angulo Lopez, que trabalhava com Yousseff, e a polícia suspeita que o intermediário do suborno a Costa tenha sido Alencar.

A Operação Lava Jato está investigando as diversas empresas da Odebrecht pelo mundo e os procuradores acreditam que elas foram utilizadas para o pagamento de subornos, sem que o dinheiro possa ser traçado nos bancos brasileiros.

As estripulias da família Obiang no Brasil não são poucas. Além das festas que o filho do ditador Teodorin promove em seus apartamentos no Rio ou em São Paulo, ele parece receber tratamento especial no Brasil. Conseguiu escapar da Polícia Francesa em 2013 quando estava em Salvador e o tradicional bloco Ilê Aiyê homenageou a Guiné Equatorial, antecipando-se à Beija-Flor.

O vice-presidente Teodorin Nguema Obiang Mange teve mandado de prisão expedido pelo governo da França por lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos estrangeiros, mas fugiu no avião oficial de seu país antes que a Polícia baiana cumprisse o mandato de prisão.

O pai, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, é o ditador africano mais antigo. A riqueza em petróleo contrasta com a miséria de seu povo: sete de cada dez habitantes (600 mil) sobrevivem com renda inferior a US$ 2 por dia, segundo o Banco Mundial. A desnutrição domina 39% das crianças com menos de 5 anos, mas o ditador é dos 10 governantes mais ricos do mundo segundo a revista Forbes.

Mas o Brasil não ajudou Guiné Equatorial a montar uma espécie de Fome Zero por lá. Foi a este país que o Brasil de Dilma concedeu anistia de 80% da dívida de R$ 27 milhões. A explicação oficial é que o fluxo comercial entre o Brasil e a Guiné Equatorial saltou de US$ 3 milhões em 2003 para cerca de US$ 700 milhões atualmente. A anistia, na verdade, foi um gesto político, por que a dívida não representa grande coisa para os dois países.

Especialmente para os Obiang, cujo herdeiro Teodorin gastou o dobro dessa soma em uma única noite na Christie’s, em Paris, em 2009, durante o leilão da coleção de arte de Yves Saint Laurent e Pierre Bergé. A relação da Guiné Equatorial com o Brasil vem se estreitando tanto desde o governo Lula que o ditador Obiang deseja tornar o português língua oficial no país, que foi colonizado pela Espanha. E o Brasil apóia essa palhaçada querendo que a Guiné Equatorial faça parte da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Segundo definição do jornal espanhol El País, baseado em notícias oficiais da chancelaria espanhola, fazer negócios com o clã familiar de Teodoro Obiang é arriscado. “O pagamento de comissões é obrigatório e as disputas comerciais, muitas vezes fictícias, derivam, às vezes, em extorsão, ameaças e em perda do investimento para salvar a vida. (...) Este sistema corrupto impregna até o último rincão da administração guineana".

Com todo esse histórico de truculência com corrupção, não é de espantar que o escândalo da Guiné Equatorial tenha correlação com o do petrolão em algum momento, e que “empreiteiras brasileiras” tenham decidido homenagear ditadores tão reconhecidos internacionalmente. Sob a benção dos governos petistas.

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O PT DEVE SER LEGALMENTE AFASTADO DO PODER - RAFAEL BRASIL

Ou o PT sai legalmante do poder, ou o mesmo acaba com o Brasil republicano. Na verdade nunca passou de um partido essencialmente stalinista, que acha que pode maquiar a história conforme suas conveniências, e seu plano de se manter indefinidamente no poder.

Digo legalmente, porque os verdadeiros democratas são avessos à quebra da institucionalidade republicana. Ou seja, o que precisamos, há tempos é de um profundo ajuste na nossa combalida democracia, em poucas palavras, no aprimoramento das instituições democráticas. Tenho falado estas coisas há mais de uma década. Nunca tive dúvidas deste projeto nefasto e reacionário que, de uma certa forma, guarda os cacoetes de um projeto socialista que nunca deu certo. Simplesmente.

Todas as tentativas de estatização das chamadas forças produtivas, só redundou em genocídios. E a grande contradição do PT é que este partido sempre teve origens totalitárias, ditas revolucionárias, instado no poder para manter a ordem democrática. Ordem esta que seus integrantes, de fato, nunca respeitaram. Foram contrários à constituinte, e seus quadros sempre foram majoritariamente leninistas, ou mesmo à esquerda, trotskistas, o que dá no mesmo. Nunca passou, no mínimo de um anacronismo histórico. Como ter uma mentalidade revolucionária, ou seja, que almeja destruir o dito sistema capitalista e a sociedade cristã, e ao mesmo tempo manter a ordem constitucional?

Só que agora, com mais de uma década no poder, podemos dizer que Lula nunca foi de fato socialista, aliás ele nunca foi nada. Apenas um populista, muito inteligente, que enganou uma esquerda sempre burra e anacrônica. Burra porque anacrônica. Ademais, a respeito, segundo o velho comunista Eric Hobsbawn, a América Latina nunca produziu um mísero único pensamento socialista minimamente original. Ou seja, em outras palavras, até numa perspectiva esquerdista nunca produziram NADA. Nadica de nada. Quem quiser que vá estudar a história do marxismo, organizada pelo próprio historiador, e editada pela editora Paz e Terra, com, se não me engano doze volumes. Li todos, há pelo menos duas décadas atrás, e quem quiser ver, mostro. Ou que os procurem nos sebos do país.

Agora não passam de ladrões e nada mais. No que concerne ao aparelhamento do estado, nunca se viu corrupção, igual EM TODA A HISTÓRIA DA HUMANIDADE. E VEJAM, QUE, SE ABRIREM A CAIXA PRETA DAS OUTRAS INSTITUIÇÕES E EMPRESAS DO ESTADO, O BURACO SERÁ SEMPRE MAIOR.

Dilma hoje não passa de um zumbi político. Está sumida, e a sua grande preocupação é encobrir o descalabro, coisa praticamente impossível, dado a extensão da corrupção. Como bem disse o velho e bom Gabeira, que ninguém pode chamar de direitista, todos afundam lenta e seguramente no grande e enferrujado titanic desta visão carcomida do socialismo. Ou que estas pessoas não enxergam que estão diante de um enorme tsunami, e tentam se safar com pranchas de isopor. Lula, ainda fala de ser candidato à presidente, e a presidente, agora sumida, trata de miudezas, nomeando correligionários, dos mais corruptos do país para o preenchimento dos quase quarenta ministérios formados durante o reinado do petismo.

Pela falta do que dizer, acusam a imprensa e a oposição, ou mesmo o imperialismo americano de solapar este “maravilhoso” projeto de poder. E ainda tentam levar à população a falsa idéia de que todos são ladrões.  Eu nunca fui ladrão, assim como a grande maioria dos brasileiros.

Vivemos quase todos trancados em casa por causa da violência causada pelo verdadeiro descalabro de todas as instituições democráticas e republicanas da nação. Uma realidade que ceifará as esperanças de inúmeras gerações deste  país. OS VERDADEIROS BRASILEIROS NÃO PODERÃO FUGIR DA LUTA. TEMOS QUE TIRAR ESTA GENTE DO PODER DEMOCRATICAMENTE, PELA FORÇA DA CONSTITUIÇÃO E DOS IDEAIS REPUBLICANOS. EU NÃO SOU LADRÃO NEM CABRA SAFADO COMO ELES. E VOCÊS, CAROS LEITORES?


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Blog do Reinaldo Azevedo

A economia de supermercado no Congresso, parlamentares na gôndoloa, a sem-vergonhice e o chicabon

A gente precisa tomar cuidado com os juízos que faz, não é?, para não cair vítima do mal que denuncia. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não compõe exatamente o meu perfil de super-herói. Mas eu abandonei essa bobagem faz tempo. Os colunistas a serviço do PT agora deram para acusar o seu oportunismo. É mesmo? Não importa a proposta que faça, sempre haveria algum interesse subjacente. Bem, para que essa crítica seja válida, será preciso demonstrar que os que se opõem a ele só se preocupam, como diria o poeta, com substantivos celestes. Quem, afinal, não tem interesses a defender por ali? Então ficamos assim: entre os interesses vários, a gente escolhe o que for melhor para o país. Os pessimistas incorrigíveis ou os católicos escolham, como fundamento ético, o mal menor. Por que essa introdução escrita com alguma galhofa e melancolia, como diria aquele?

Na próxima quarta, Cunha quer pôr em votação o projeto do deputado Mendonça Filho (DEM-PE), que cria empecilhos à fusão de partidos. Ela seria permitida apenas cinco anos depois da criação das legendas. Alvo número um: o tal PL (Partido Liberal), que está em gestação no ventre do Ministério das Cidades, cujo titular é Gilberto Kassab. Quando na Prefeitura de São Paulo, ele deu à luz o PSD.

A manobra de Kassab, todo mundo sabe, interessa ao governo. Como um parlamentar corre o risco de perder o mandato se migrar de forma imotivada para outra legenda, achou-se uma saída: uma nova agremiação poderia recebê-lo. É claro que o Planalto apoia a movimentação de Kassab. O PL abrigaria parlamentares que estão hoje na oposição e outros tantos do PMDB. Fundido ao PSD, o sonho grande é se tornar, quem sabe?, a segunda sigla da Câmara, desbancando os peemedebistas. Acho a pretensão exagerada, mas a ambição existe.

É claro que ao PMDB não interessa a criação da nova legenda. O partido perderia poder de fogo e de negociação. A chance de que a restrição seja aprovada é grande. Cunha já demonstrou que tem cacife para derrotar o governo. E aí cabe a pergunta: estará o presidente da Câmara sendo oportunista? Quem sabe… Mas e Kassab? Bem, nesse caso, não cabe nem a dúvida.

Assim, se estamos numa mera disputa de interesses, cabe perguntar: o que é melhor para o país? Criar partidos com a facilidade com que se toma um Chicabon ou coibir um pouco a sem-vergonhice? Respondo: coibir um pouco a sem-vergonhice. Se Cunha apoia ou não; se é ou não do seu interesse, eis uma questão que só é relevante para os petistas e os kassabistas. E eu não sou nem uma coisa nem outra.

Logo, espero que a proposta de Mendonça Filho vá mesmo a votação e seja aprovada. Eu sou, como sabem, um fanático da economia de mercado, mas sou contra a economia de supermercado no Congresso. Esse negócio de pegar parlamentar na gôndola e passar no caixa não é bom para o país.

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Cardozo tenta jogar todos os gatos no saco para ver se ficam pardos. Ou: Advogados, não sirvam de inocentes úteis!

Então vamos combinar o seguinte: o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, enrola, e eu desenrolo. Ele, como homem público, faz o que não deve, e eu, como jornalista, o que devo. Cardozo está tentando jogar todos os gatos no mesmo saco porque lhe interessa que sejam pardos. Mais: está tentando provocar uma reação corporativa de advogados. Espero que os doutores não caiam na cilada e não se tornem coadjuvantes de uma pantomima.

Questão fundamental já abordada aqui: qualquer que seja a reclamação ou o descontentamento dos clientes dos advogados que recorreram a Cardozo, há uma confusão de fórum. Se a PF erra, exorbita ou transgride a lei, sendo ela Polícia Judiciária, deve-se apelar ao… Judiciário! No caso, ao Tribunal Regional Federal e, eventualmente, ao Conselho Nacional de Justiça. Posto isso, sigamos.

O ministro tenta confundir, de forma deliberada, a reunião que fez com advogados da Odebrecht — decorrente, de fato, de uma representação formal — de outra, esta com Sérgio Renault, defensor da UTC, e com o advogado petista Sigmaringa Seixas.

Na sua entrevista, ora vejam!, Cardozo admite o encontro com os advogados da Odebrecht — que tinha objeto definido —, mas não o havido com Renault e Seixas. Epa! Aí não! Aí fica com cheiro de truque.

Se algo de impróprio foi conversado com os advogados da Odebrecht, não se sabe — não que eu tenha lido ao menos. A outra reunião, no entanto, percorreu sinuosidades cabeludas. Tratou-se ali de oposicionistas que seriam tragados pela Lava-Jato e da entrada de Lula na parada. E, como se sabe, essa reunião não estava na agenda, não nasceu de uma representação, não está assentada em nenhuma formalidade.

O ministro pode até achar que é papel dele apostar na confusão. O nosso é destrinchar.

Com a sua retórica sempre meio balofa e pobremente condoreira, Cardozo mandou brasa: “Advogados que advogam para clientes que estão sendo investigados, pouco importa se são culpados ou não, não são membros de quadrilha por serem advogados. É repugnante”.

Quem disse que são? A quem interessa jogar advogados contra juízes? Afirmou mais: “Não aceito a criminalização de advogado. As autoridades têm sim que receber advogados, e se um advogado fizer uma proposta indevida, que tomem as medidas judiciais cabíveis.”

Criminalização uma ova! Há um jogo interessante em curso, para o qual o leitor tem de estar atento. Os empreiteiros perceberam que estavam se transformando na Geni do petrolão, assim como Marcos Valério e Kátia Rabello se tornaram os cobres de plantão do mensalão.

Alguns ameaçaram botar a boca no trombone, notadamente Ricardo Pessoa, dono da UTC, amigo —ou ex-amigo? — de Lula. Chegou o recado de que não iria silencioso para o cadafalso. Aí, então, o Planalto resolveu entrar em ação, com o concurso de Lula, para acalmar a tigrada. Foi essa a natureza da “conversa informal” de Cardozo com o advogado da UTC.

O ministro sabe muito bem que o busílis, nesse particular, não está no seu encontro com os advogados da Odebrecht, mas no “encontro informal” com os “amigos” Renault e Seixas.

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Maduro manda encapuzados prender líder da oposição. Eis o amigão de Dilma! Ela não vai propor a suspensão da Venezuela do Mercosul? Ou: O dia em que o tirano cantou as glórias revolucionárias da governanta

Vejam esta foto. Volto a ela depois.

Dilma posse de Maduro

Um dia depois de milhares de venezuelanos terem ido às ruas para protestar contra a prisão do oposicionista Leopoldo López, que completou um ano nesta quarta, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, mandou prender nesta quinta Antonio Ledezma, prefeito da área metropolitana de Caracas, outro membro destacado da oposição. Agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), a polícia política do regime, cercaram o edifício onde ele despacha, encapuzados e armados até os dentes. Maduro, o tirano, foi à TV — prerrogativa de que não dispõem seus opositores — para acusar o adversário de tramar um golpe de Estado.

A Venezuela vive uma das piores crises de sua história. No ano passado, a economia encolheu 2,8%. Filas enormes se formam em busca de produtos básicos, em razão do desabastecimento. A inflação, estima-se, passa dos 70% ao ano. Maduro é obrigado a se escorar hoje numa camarilha militar corrupta, notoriamente ligada ao narcotráfico. Restou-lhe a tática do cachorro louco: sair prendendo e, literalmente, matando. Lei aprovada no mês passado dá ao governo o direito de atirar em manifestantes para matar. Bem, no ano passado, o regime matou 43 pessoas nas ruas, mesmo sem lei.

Eles são iguais em toda parte, não é mesmo? No Brasil, os amigos de Maduro, os petistas, acusam de “golpistas” os que falam, por exemplo, que a presidente Dilma pode ou deve ser alvo de um processo de impeachment. Sonham, quem sabe?, com o dia em que poderiam mandar encapuzados sair prendendo e matando…

Falei em Dilma? Pois é… O Brasil é o suposto líder da América Latina, não é mesmo? Bolivarianos e petistas são íntimos. Pertencem todos, diga-se, ao Foro de São Paulo, a organização que reúne partidos de esquerda da América Latina e Caribe, fundada por Lula e Fidel Castro. O que Dilma teria ou tem a dizer a respeito da escalada da tirania na Venezuela? Provavelmente, nada! Temo que a endosse.

Ou não foi ela quem patrocinou em 2012, em companhia de Cristina Kirchner, um golpe no Mercosul, suspendendo o Paraguai e abrigando a Venezuela? Para lembrar: os paraguaios se opunham à entrada do novo membro.

Segundo as regras do Mercosul, a adesão de um novo país ao bloco tem de ser aprovada pelos respectivos Parlamentos dos países-membros. O senado paraguaio, num rasgo de lucidez, recusava a entrada do ditador Hugo Chávez com base no Protocolo de Ushuaia, que estabelece as cláusulas democráticas. Destaco algumas em azul. Volto em seguida:

ARTIGO 1
A plena vigência das instituições democráticas é condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração entre os Estados Partes do presente Protocolo.

ARTIGO 2
O presente Protocolo se aplicará às relações que decorram dos respectivos Acordos de Integração vigentes entre os Estados Partes do presente protocolo, no caso de ruptura da ordem democrática em algum deles.

ARTIGO 3
Toda ruptura da ordem democrática em um dos Estados Partes do presente Protocolo implicará a aplicação dos procedimentos previstos nos artigos seguintes.

ARTIGO 4
No caso de ruptura da ordem democrática em um Estado Parte do presente Protocolo, os demais Estados Partes promoverão as consultas pertinentes entre si e com o Estado afetado.

Voltei
Não há uma só que explicasse a suspensão do Paraguai em 2012. Não há uma só que permitisse a entrada da Venezuela. Sabem quem anunciou a novidade? Cristina Kirchner, outra democrata exemplar, como sabia o promotor assassinado Carlos Nizman.

É bem verdade que Cristina tinha motivos para tentar recompensar Hugo Chávez. No dia 24 de setembro de 2008 , o empresário venezuelano Guido Antonini Wilson confirmou à Justiça americana ter enviado, em agosto de 2007, US$ 6 milhões de Caracas para Buenos Aires, divididos em duas maletas. O dinheiro ilegal era destinado ao financiamento da candidatura de Cristina à Presidência. No momento, esta grande democrata está empenhada em destruir as instituições democráticas argentinas. Mas que ninguém ouse reagir, ou a safra de governantes que pretendem obter nas urnas o “direito” à ditadura gritam: “Golpe!!!”

Há, sim, uma nova modalidade de golpe na América Latina: o golpe das eleições! A safra de candidatos a ditadores do continente acredita que as urnas lhes dão o direito de solapar até as urnas!

A diplomacia de Dilma Rousseff conseguiu ir mais baixo do que a de Lula.

Tem de suspender
A Venezuela tem de ser, quando menos, suspenda do Mercosul. É o que estabelece o tratado. A ordem democrática foi rompida. Dilma ocupa a presidência rotativa do bloco e, obviamente, não vai fazer nada. Vai ver está ainda comovida com o discurso em que Maduro saúda a sua vitória na eleição do ano passado. Segundo o ditador, o triunfo da governante alimenta a “força revolucionária da América Latina”. Era uma retribuição. A presidente brasileira foi à posse de Maduro, como se vê lá no alto, em 2013, numa eleição com sinais evidentes de fraude. Ah, sim: o Itamaraty nunca emitiu um pio sobre o massacre dos venezuelanos no ano passado.

Eis aí o amigão do peito de Dilma.


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Dilma não pode jogar a crise sobre os trabalhadores, afirma dirigente do PT

Francisco Rocha, o Rochinha, é um petista de mostruário. Preside a Comissão de Ética do PT e coordena a corrente majoritária da legenda, à qual pertence Lula. Nesta quinta-feira (19), ele veiculou no site do partido um artigo que expõe o drama do petismo. No texto, ele diz que Dilma Rousseff não pode jogar o peso da crise econômica sobre os ombros dos trabalhadores.

Rochinha resumiu o que chamou de ‘X da questão’ nos seguintes termos: “O PT, que nasceu do meio das classes sociais dos pobres, operários, comunidades, não pode sair dos trilhos da esquerda. Um governo, seja ele qual for, eleito pelo Partido dos Trabalhadores e por outros partidos de esquerda, especialmente no caso da reeleição da presidenta Dilma no segundo turno, não pode, em hipótese alguma, jogar o peso da crise econômica –criada sobretudo por ganância de especuladores financeiros– nas costas do povo pobre e trabalhador.”

O artigo de Rochinha foi ao ar na internet no mesmo dia em que Dilma recebeu no Planalto, fora da agenda oficial, os ministros Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Carlos Gabas (Previdência). A presidente discutiu com os três a tramitação legislativa das medidas provisórias 664 e 665, contra as quais o PT de Rochinha se insurge. São aquelas medidas que dificultam o acesso dos trabalhadores ao seguro desemprego, ao abono salarial, à pensão por morte e ao auxílio doença.

Dilma preocupou-se em afinar o discurso com os ministros porque o governo terá de sair da toca na semana que vem para convencer seus apoiadores no Congresso a aprovar os ajustes. A presidente deseja que Levy, Gabas e especialmente Barbosa auxiliem os operadores políticos do Planalto nos encontros que terão com líderes dos partidos governistas.

Ecoando um discurso feito pelo presidente do PT, Rui Falcão, na festa de aniversário de 35 anos da legenda, Rochinha sugere que o governo lance um olhar para fora do Legislativo. “É preciso manter diálogo constante com as classes sociais, movimentos sindicais ao lado daqueles que em boa parte foram os principais responsáveis pelo crescimento do partido e sustentação dos governos Lula e Dilma.”

Dilma esgrime a tese segundo a qual seu governo não está suprimindo direitos, mas corrigido “distorções” que oneram os benefícios sociais. Espera economizar R$ 18 bilhões. Sem consultar a calculadora, Rochinha acha que dinheiro poderia ser retirado de outro lugar:

“Reconhecemos as dificuldades que o Brasil e o mundo passam em relação à economia, mas chegou a hora de nos mobilizarmos para fazer com que o preço da crise econômica do Brasil seja pago por aqueles que acumularam grandes fortunas às custas da mão de obra da classe trabalhadora.” Ele quer taxar os “ricaços do Brasil”.

De acordo com a mais recente pesquisa do Datafolha, 60% dos brasileiros acham que Dilma mentiu na campanha presidencial. Desse total, 46% avaliam que a candidata disse mais mentidas do que verdades. E 14% acham que ele vocalizou apenas mentiras. Sem fazer menção à sondagem, Rochinha toma as dores dos eleitores que deram mais quatro anos de mandato para Dilma.

Na visão do dirigente petista, Dilma foi reeleita com os votos “de esquerda e progressistas que, mesmo não fazendo parte do PT, foram para as ruas defender um projeto de inclusão social” iniciado sob Lula há 12 anos. Agora, escreve Rochinha, “doa a quem doer, o PT precisa assegurar para essa camada da população que seus esforços não foram em vão.”

Rochinha indica o caminho a seguir: “É preciso mostrar para o povo, que não haverá desvio, e que o partido e o governo se manterão nos trilhos a qualquer custo, comprometidos com os direitos sociais e orientados pela ideologia de esquerda.”

Por alguma razão que a lógica desconhece, o coordenador da corrente majoritária do PT acredita que um governo que tem em Renan Calheiros (PMDB-AL) um de seus pilares de sustentação legislativa pode se considerar “de esquerda''. Por algum outro motivo que foge à compreensão, Rochinha também ignora que toda ideologia precisa ser baseada num orçamento. O mais dramático é que Rochinha não está só. Ele traduz o pensamento médio do PT.

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Antessala de Cardozo virou casa da Mãe Joana

Não é preciso muito esforço para perceber que a “obrigação” que o ministro José Eduardo Cardoso tem de receber advogados transformou a antessala do seu gabinete numa espécie de sucursal da casa da Mãe Joana.

Graças às artimanhas da veneranda senhora, o doutor Sérgio Renault, advogado do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC e coordenador do bilionário cartel de propinas da Petrobras, materializou-se na sala de espera do titular da pasta da Justiça.

O doutor não tinha nada a tratar com o ministro. Em verdade, estava a caminho de um restaurante. Dividiria a mesa com outro advogado, o ex-deputado federal petista Sigmaringa Seixas. Que esteva no gabinete de Cardozo. Ele, sim, tinha assuntos a resolver com o ministro. Coisa “pessoal”, explicou o ministro. Nada a ver com a Lava Jato.

Sigmaringa poderia ter sugerido a Renault que o aguardasse na mesa da casa de repastos onde dividiriam o feijão com arroz. Mas, por alguma insondável razão, sugeriu que o encontrasse na antessala de Cardozo. O ministro levou Sigmaringa até a porta. E trocou um dedo de prosa com Renault. Coisa de três minutos, disse Cardozo. Nada a ver com Ricardo Pessoa, o cliente de Renault. Que dorme no colchonete da PF desde novembro de 2014.

Diretor-executivo da Transparência Brasil, Claudio Weber Abramo, avalia que o episódio pede a realização de um teste: “Sugiro a qualquer pessoa que combine encontrar-se com algum amigo no mesmo lugar [a antessala do ministro]. E, para isso, se apresente à portaria do Ministério da Justiça e informe sua intenção aos recepcionistas.”

Cético compulsivo, Abramo oferece “uma lavagem de carro grátis no posto de gasolina do Yousseff a quem conseguir entrar no elevador.” Na dúvida, dá um conselho a Cardozo: “Se encontros podem ser marcados ali, sugiro que o ministro da Justiça anuncie publicamente no Diário Oficial que coloca sua antessala à disposição do público para encontros de qualquer natureza, não se olvidando dos fortuitos —como um motel, uma sauna, uma balada.”

Sob pressão de familiares, Ricardo Pessoa negociava um acordo de delação premiada com os procuradores que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato. Autoproclamado amigo de Lula, o empreiteiro queixava-se de abandono. Generoso provedor das arcas eleitorais do PT, ameaçava chutar o balde. De repente, deu meia-volta. O ministro Cardozo, naturalmente, não tem nada a ver com isso.

Cardozo reconheceu ter recebido defensores da Odebrecht, outra empreiteira investigada na Lava Jato. Deu-se no dia 5 de fevereiro. “Está na agenda”, disse o ministro. Meia-verdade.

Estiveram no ministério três advogados: Dora Cavalcanti, Pedro Estevam Serrano e Maurício Roberto Ferro —este último é vice-presidente jurídico da Odebrecht. Foram tratar de assuntos relacionados à Lava Jato.

Na versão oficial, queixaram-se de “vazamentos” de dados sigilosos sob a guarda da PF. E reclamaram da ação do DRCI, órgão da pasta da Justiça responsável pela recuperação de dinheiro sujo enviado ao exterior. Ou à Suíça, no caso sob investigação da força-tarefa da Lava Jato.

A agenda do ministro, de fato, anotava os nomes dos visitantes. Mas não dizia que eram advogados. Tampouco mencionava que representavam a Odebrecht. Anotava: “Audiência  com os senhores Pedro Estevam Serrano, Maurício Roberto Ferro, Dora Cavalcanti e com a participação do Secretário Executivo do Ministério da Justiça, Marivaldo Pereira.”

No campo destinado ao detalhamento da “pauta” do encontro, não havia vestígio de Lava Jato. Ali, escreveu-se: “Visita institucional”. Por quê? Cardozo alega que, ao formalizar o pedido de audiência, um dos advogados da Odebrecht, Pedro Serrano, sugeriu que o encontro fosse tratado como coisa “institucional”.

Sabia-se que a agenda de Cardozo por vezes permanecera em segredo. “Falhas técnicas”, o ministro já havia explicado. Descobre-se agora que, nas ocasiões em veio à luz, a peça ostentava a transparência de um cristal Cica. Expansiva a mais não poder, Mãe Joana já não se contenta em dar expediente apenas na antessala do ministro.

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Ressaca!



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Quem se importa com o dinheiro manchado de sangue que deu à Beija-Flor o título de campeã?
Ricardo Noblat

Um Estado permissivo e uma sociedade tolerante por natureza ajudam a entender por que foi possível a uma das ditaduras mais sangrentas do mundo, a da Guiné Equatorial, se associar à escola de samba Beija-Flor de Nilópolis, 13 vezes campeã do carnaval do Rio de Janeiro, a que mais coleciona títulos na Era do Sambódromo.

Uma vez perguntaram ao prefeito Eduardo Paes o que ele achava das ligações entre as escolas de samba e os chefes do jogo do bicho, proibido por lei. Cito de memória a resposta dele:

- É chato, não é? Mas o que posso fazer? Acabar com o carnaval do Rio?

Os antecessores de Paes devem ter pensado assim, bem como ex-chefes de polícia, ex-governadores, juízes, desembargadores, empresários, socialites, artistas, e parte do distinto público acostumado a fazer sua fezinha no bicho. Se nem o Estado nem a iniciativa privada bancavam as escolas por que não os bicheiros?

Quantas vezes eles não desfilaram a frente de suas escolas, festejados por notáveis que os admiravam e tiravam vantagens de sua amizade?

Quantas vezes não foram ovacionados pelos que lotavam camarotes, frisas e arquibancadas do Sambódromo?

Quantos favores não prestaram? E a quantos não beneficiaram?

Depois que os mais importantes bicheiros foram presos em janeiro de 1993 por ordem da juíza Denise Frossard, presos novamente em 2007, dessa vez pela Polícia Federal, e condenados em 2012 pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, poucos entre eles se arriscaram a ser vistos novamente na Sapucaí. A morte tirou vários de circulação.

Mas na última segunda-feira, no desfile do Grupo Especial, uma das cabeças da máfia do jogo do bicho passeou sem constrangimento no Sambódromo pilotando um carro elétrico – o contraventor Anísio Abrahão, presidente de honra da Beija-Flor. A televisão mostrou.

Foi dele a última palavra que fechou a parceria da ditadura da Guiné Equatorial com a escola.

Mariana Sanches, em reportagem publicada, hoje, pelo O Globo, registrou a reação ao episódio de o principal defensor dos direitos humanos da Guiné Equatorial, Tutu Alicante, que vive exilado nos Estados Unidos:

- O carnaval da Beija-Flor é um insulto para o povo da Guiné Equatorial.

Alicante explicou a razão. Cerca de 75% da população de 1,6 milhão de pessoas do seu país vivem com apenas dois dólares por dia e não têm acesso à água limpa ou à saúde.

“Nada disso foi para a avenida na madrugada de terça-feira, quando a escola desfilou as “belezas” da Guiné Equatorial”, acusa.

Mônica perguntou se as pessoas por lá já sabem o que aconteceu. Resposta de Alicante:

- Não há jornais lá. Não existe imprensa livre na Guiné. As pessoas não sabem o que está acontecendo nem oficial nem extraoficialmente. Não existe nenhuma rádio ou emissora de televisão livres. O Facebook é bloqueado, assim como a maior parte dos sites de informação.

E um cidadão médio do país? Como vive? Alicante:

- Obiang [ditador há 35 anos] tem pelo menos 17 palácios. 75% da população não têm onde morar, não estuda, não têm água limpa. Se ficar doente, morre. Medicamentos básicos são inacessíveis. Há uma única universidade no país, sem alunos. Nos últimos dois ou três anos, pelo menos 60 mil pessoas foram sequestradas, executadas ou torturadas na Guiné.

Quem por aqui se importa verdadeiramente com isso?


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Blog do Reinaldo Azevedo

Efeito Haddad: Moradores começam a deixar a Vila Madalena; preço de imóveis despenca; prefeito está destruindo o bairro

Eu sou como o Pequeno Príncipe, que nunca desistia de uma pergunta. E eu não desisto de uma ideia quando os fatos evidenciam  que tenho razão.

Reportagem do Estadão conta a história da família da neuropsicóloga Cristine Franco Alves, moradora da rua Fidalga, na Vila Madalena. Depois de 70 anos no local, os Alves estão deixando seu imóvel, expulsos pela irresponsabilidade do prefeito Fernando Haddad, do PT, que decidiu transformar o bairro num laboratório da sua inexperiência administrativa, ciceroneado por seus esquerdistas que pensam que a academia é botequim e que o botequim é a academia. A casa fica perto da rua Aspicuelta, no miolo da bagunça.

O patrimônio das pessoas está virando pó, mato, pedra. Está sendo cheirado, fumado, inalado. O preço dos imóveis despenca. Um leitor pede que não dê o nome por razões óbvias. Ele tinha praticamente fechado a venda de um apartamento de alto padrão. O e-mail que recebeu da imobiliária deveria servir de lápide para o velório político de Haddad. O comprador — um executivo, mulher e filha que se mudaram recentemente para São Paulo — não desistiu apenas do seu apartamento. Não quer é saber da Vila Madalena.

Os comerciantes reclamam por razões óbvias. Vendem menos, não mais. Se a Vila continuar nessa toada, a decadência é inexorável. A questão é, antes de mais nada, econômica.

Brinquei ontem na rádio Jovem Pan que aquele velho maconheiro, meio comunista, da Vila — o estereótipo do barrigudo progressista, quase careca, de rabinho de cavalo — está desolado. Era gostoso brincar de petismo, revolução de costumes e outras imprecisões teóricas quando isso parecia, assim, uma coisa de minorias supostamente inteligentes. Aí chegou Haddad, o administrador que eles imaginavam que realizaria suas utopias.

O resultado é este: onde quer que prospere o seu modelo de cidade, o que se tem é desordem, decadência e desolação.

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Dilma não paga o Pronatec desde outubro. Ou: De como jaqueira não dá caju. OU: “Faz Pronatec, Elisabete!”

Vejam este vídeo.



Entrou para o terreno do folclore eleitoral a estupefaciente resposta que a então candidata Dilma Rousseff (PT) deu à economista Elisabete Maria no último debate eleitoral de 2014, promovido pela Rede Globo. Desempregada, com 55 anos, Elisabete quis saber que proposta tinha a soberana para as pessoas na sua condição, com qualificação profissional, mas com dificuldades para arranjar emprego em razão da idade.

Falando o dilmês castiço, um idioma derivado do javanês, a soberana não teve dúvida: mandou a mulher buscar qualificação profissional no Senai e no Pronatec. A resposta era tão absurda que nem errada era. Tratava-se apenas de dizer qualquer coisa. Elisabete olhava pra ela perplexa.

Pois bem. Reportagem de Fábio Takahashi, na Folha desta quinta, informa que as 500 escolas privadas que aderiram ao programa não recebem o repasse do governo desde outubro. Sim, senhores: o Pronatec — programa que Dilma surrupiou do seu adversário de 2010, José Serra, mas vá lá   — e o tal “Mais Especialidades”, na área de saúde, foram os dois carros-chefes da campanha da reeleição.

Informa o jornal: “Diretores de escolas ouvidos pela Folha dizem que a explicação do governo é que os recursos estão contingenciados (bloqueados). A União enfrenta situação que combina alta de gastos nos últimos anos com arrecadação abaixo do previsto em 2014. O Ministério da Educação afirmou à reportagem que o repasse de janeiro não foi feito devido ao atraso na aprovação do Orçamento de 2015. Mas não explicou o problema dos meses de 2014.”

Eis aí. Já não se trata agora de apontar apenas os estelionatos eleitorais em relação ao que Dilma disse que faria e que, certamente, não fará. Descobre-se que programas que estavam em curso começam também a ir para o vinagre. As escolas dizem que, se não receberem logo o dinheiro, sairão do programa.

Está começando a ficar tão fácil bater no governo Dilma que preciso ficar me segurando aqui para não tentar fazer o difícil — na verdade, o impossível —, que é falar bem.

Revejam o vídeo. Dilma manda dona Elisabete fazer o Pronatec alegando que falta ao Brasil mão-de-obra qualificada. A mulher é economista, Santo Deus! E assim vamos: do improviso para a falta de noção e da falta de noção para o improviso. Não é por acaso que o país terá dois anos seguidos de recessão. Por enquanto.  Jaqueira não dá caju.

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Saia daí, Cardozo! PF é Polícia Judiciária; o senhor não tem nada com isso! Ou: Advogados podem fazer o que a lei não proíbe; ministro, só o que a lei permite

Vamos botar um pouco de ordem na orgia, como diria o Marquês — o de Sade, não o de Rabicó, que nunca foi um dos Três Porquinhos. É claro que advogados, quaisquer advogados, têm o direito de falar com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ou outro. Se a República souber qual é a pauta, então, tanto melhor, não é?, já que paga o salário do ministro e todos os custos diretos e indiretos que a função enseja. Mas digamos que um advogado vá conversar com Cardozo para cuidar de uma crise existencial, para debater as últimas descobertas da medicina, para discutir se o país precisa tomar antidepressivo, ansiolítico ou um regulador de humor… Pode não ser nada disso. Selo! Isto! Vai que um ministro seja um filatelista. Fico cá imaginando as sinuosidades desse saber… Talvez seja um mundo fascinante, à espera da nossa entrega dedicada.

O que não pode — e aí não pode mesmo! — é o ministro da Justiça receber advogados de réus para debater o encaminhamento de uma ação que corre por escaninhos alheios — até onde sabe — à intervenção da autoridade em questão. A menos que os poderes tentaculares e eventualmente extraoficiais e extracurriculares do ministro consigam operar prodígios na Polícia Federal e no Ministério Público Federal.

Cardozo e alguns doutores estão tentando, vamos dizer, reagir além do razoável à retórica sempre exacerbada de Joaquim Barbosa e criar uma reação corporativa de advogados, como se alguém estivesse querendo cercear o direito de defesa. Uma ova! O fato é que VEJA informou o conteúdo de uma conversa entre Cardozo, Sérgio Renault — um dos advogados da UTC — e o petista Sigmaringa Seixas, que estava presente, até onde se sabe, porque petista e também amigo de Lula; não consta que alguém o tenha constituído como causídico. E os assuntos tratados na conversa são graves. Cardozo informou que a oposição se enrola na Lava Jato depois do Carnaval, e todos trataram da conveniência de Lula entrar na parada. Com que poder? Com que propósito? Eis o busílis.

Vamos, então, botar ordem nas coisas. A PF é uma polícia judiciária; atua sob o comando da Justiça. A sua subordinação ao ministro é meramente administrativa. Se irregularidades ou arbitrariedades estão sendo cometidas, isso é assunto para o Tribunal Regional Federal do Rio Grande do Sul, não para Cardozo. Ou será que o ministro é capaz de me dizer o que ele tem a ver com o peixe e os peixões? Se, por qualquer razão, o TRF ignorar reclamações de transgressões óbvias, o caminho é o Conselho Nacional de Justiça. Cardozo é só um atalho que conduz ao achincalhe do Estado de Direito.

O juiz Sérgio Moro se pronunciou a respeito. Escreveu: “Existe o campo próprio da Justiça e o campo próprio da política. Devem ser como óleo e água e jamais se misturarem. A prisão cautelar dos dirigentes das empreiteiras deve ser discutida, nos autos, perante as Cortes de Justiça. Intolerável, porém, que emissários dos dirigentes presos e das empreiteiras pretendam discutir o processo judicial e as decisões judiciais com autoridades políticas, em total desvirtuamento do devido processo legal e com risco à integridade da Justiça e à aplicação da lei penal”.

Nesta página, sempre se fala tudo, sem receio de a quem incomodar. Sim, acho as tais reuniões intoleráveis, mas nada há de intolerável em que um defensor busque os recursos que estiverem a seu alcance — desde que não saia cometendo crimes por aí. Incomoda-me, na reação de Moro, que toda a carga negativa se volte contra os acusados e seus defensores. Ora, quem cometeu a, como direi?, transgressão funcional foi Cardozo. É ele a autoridade. Quem não deve se entregar a certos desfrutes, convenham, é o senhor ministro. Os advogados PODEM FAZER TUDO O QUE A LEI NÃO PROÍBE, e a lei não proíbe que falem com ministros. Já CARDOZO PODE FAZER SÓ O QUE A LEI PERMITE. E eu quero saber onde está escrito que lhe é permitido manter conversas como aquela.

O PSDB decidiu abrir três frentes para tentar levar Cardozo a se explicar no Congresso. O partido pedir a sua convocação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, na CPI da Petrobras na Câmara e na eventual CPI Mista. Ainda a ser criada. O PPS, por sua vez, entrou com um requerimento para que a Comissão de Ética Pública da Presidência examine o comportamento do ministro. É o mínimo.

Para encerrar
Já deixei claro aqui o que penso. Acho uma desnecessidade, manter, a esta altura, a prisão preventiva dos réus. Os motivos previstos no Artigo 312 do Código de Processo Penal já não se aplicam mais. Não estou interessado em cortar cabeças, em demonizar pessoas, em ser justiceiro. Eu defendo que os presos passem a responder em liberdade justamente porque acho que será a melhor aplicação do Estado de Direito.

E, por isso também, cobro a demissão sumária de José Eduardo Cardozo. É evidente que este senhor perdeu a condição de ser ministro da Justiça. Para ser coerente com a minha própria análise histórica, corrijo o que acabei de escrever: ele nunca teve condição de ser ministro da Justiça. Não me parece que seja compatível com o cargo quem mereceu o carinhosa alcunha de um dos “Três Porquinhos” da então candidata Dilma, em 2010. Melhor seria convidar para o cargo, então, o Marquês — o de Rabicó, para ficar na espécie, não o de Sade.

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Sérgio Moro destrói teses governistas de Cardozo, OAB, Noblat e Kennedy em despacho pela

Além do ex-assessor do PT Kennedy Alencar, a OAB e Ricardo Noblat defenderam José Eduardo Cardozo ignorando que, em encontro secreto com advogados de empreiteiras enroladas com a Operação Lava Jato, o “ministro da Justiça” desaconselhou a delação premiada para os executivos presos, claramente a fim de evitar que eles entregassem Lula e Dilma.

Os petistas da OAB transformaram a tentativa de sabotagem das investigações em “obrigação de respeitar uma das prerrogativas do advogado”: a “de ser recebido por autoridades de quaisquer dos poderes para tratar de assuntos relativos a defesa do interesse de seus clientes”.

Noblat afirmou, nessa linha, que “um ministro de Estado é um servidor público” e “a porta do seu gabinete deve estar sempre aberta para receber quem lhe pedir audiência”. De quebra, chamou de leigo quem vê “comportamento suspeito” de Cardozo e acusou Joaquim Barbosa de “oportunismo político” por exigir sua demissão, como se a VEJA não tivesse revelado ainda que Cardozo falou em “costura de um acordo para que todos se safem”. As omissões providenciais do sermão no Globo, que termina com um bisonho “Sossegue!”, indicam apenas que Noblat nunca digeriu a representação de Barbosa contra ele por injúria, difamação e preconceito racial.

Já o próprio Cardozo disse à Folha que condenar o fato de ele ter-se reunido com advogados de empreiteiras do petrolão é coisa da ditadura, como se fosse tolerável na democracia um ministro da Justiça tentar boicotar a Justiça. Felizmente, seus encontros secretos levaram o juiz Sérgio Moro a decretar nova ordem de prisão preventiva contra o executivo da UTC Ricardo Pessoa e três da Camargo Corrêa: Eduardo Hermelino Leite, Dalton Avancini e João Auler.

O Jornal Nacional, bisonha e bovinamente, noticiou apenas a negação da liberdade dos quatro empreiteiros sem apontar os motivos nem citar o nome de Cardozo:

“O juiz Moro considerou que houve novos indícios. Eles foram incluídos no processo. E observou também que há provas de que as empresas continuaram a pagar propina mesmo depois do início da operação”, limitou-se a dizer William Bonner.

Os “novos indícios” são as tentativas das empreiteiras de interferir nas investigações por intermédio de políticos. O despacho de Moro aponta isso e, embora nem mire em outros alvos por ora, ainda destrói as teses governistas de Cardozo, Kennedy, OAB e Noblat:

1) “Existe o campo próprio da Justiça e o campo próprio da política. Devem ser como óleo e água e jamais se misturarem. A prisão cautelar dos dirigentes das empreiteiras deve ser discutida, nos autos, perante as Cortes de Justiça.”

2) “Intolerável que emissários dos dirigentes presos e das empreiteiras pretendam discutir o processo judicial e as decisões judiciais com autoridades políticas. Mais estranho ainda é que participem desse encontros, a fiar-se nas notícias, políticos e advogados sem procuração nos autos das ações penais.”

3) “Não socorre os acusados e as empreiteiras o fato da autoridade política em questão ser o ministro da Justiça. Apesar de a Polícia Federal, órgão responsável pela investigação, estar vinculada ao ministério, o ministro da Justiça não é o responsável pelas ações de investigações.”

4) Joaquim Barbosa “bem definiu a questão ao dizer que, se você é advogado em um processo, deve recorrer ao juiz, nunca a políticos”.

5) “A mera tentativa por parte dos acusados e das empreiteiras de obter interferência política em seu favor no processo judicial já é reprovável, assim como foram as aludidas tentativas de cooptação de testemunhas, indicando mais uma vez a necessidade da preventiva para garantir a instrução e a aplicação da lei penal e preservar a integridade da Justiça contra a interferência do poder econômico.”

Perfeito. Os empreiteiros têm de ser mantidos presos. Cardozo tem de ser demitido. OAB, Kennedy e Noblat têm de ser expostos para que o público saiba quem são.

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PPS quer anular ato que inclui TCU na negociação dos acordos de ‘leniência’

Vice-líder da oposição na Câmara, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) protocolará nesta quinta-feira (19) um projeto de decreto legislativo para tentar anular a resolução 74/2015 editada pelo Tribunal de Contas da União há uma semana. Regula a participação do TCU na negociação e na celebração de acordos de leniência entre empresas acusadas de corrupção e a União.

O texto da resolução foi negociado com o governo. Na prática, transforma o TCU em avalista de acordos que ele deveria fiscalizar em nome do Congresso, o Poder ao qual está constitucionalmente vinculado. Tudo isso num instante em que a Controladoria-Geral da União negocia com empreiteiras pilhadas na Operação Lava Jato a troca da confissão de crimes e do pagamento de multas pela possibilidade de se livrar da inscrição no cadastro de empresas inidôneas e poder continuar celebrando contratos com o governo e suas empresas estatais como se nada tivesse ocorrido.

Jungmann declarou-se “impressionado” com a rapidez do TCU. Segundo o deputado, a instrução normativa veio à luz em menos de quatro horas, entre a manhã e o início da tarde do dia 11 de fevereiro. “Isso deveria ter sido objeto de ampla discussão, de audiência pública'', afirmar o deputado. “O TCU, que não faz parte do sistema que acompanha os acordos de leniência, vai agora tomar parte do processo.”

O deputado acrescentou: “A gravidade é que o TCU, que deveria ser órgão de controle externo dos acordos de leniência da Operação Lava Jato, irá se envolver com a CGU em tomadas de decisões  que serão sigilosas.” Decisões como a avaliação da serventia dos dados delatados e o valor das multas a serem pagas pelas empresas corruptoras.

Além articular a votação do seu projeto de decreto legislativo no plenário da Câmara, Jungmann vai requerer a convocação do presidente do TCU, Aroldo Cedraz, e do ministro-chefe da Advocacia Geral da União, Luís Inácio Adams. Quer que a dupla explique numa audiência pública o porquê de tanta pressa para aprovar a resolução. Segundo o deputado, o advogado-geral chegou a fazer “campanha” entre os ministros do TCU para que aprovassem a tal resolução.

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Cardozo rebate as críticas do juiz da Lava Jato

O ministro José Eduardo Cardozo rebateu na noite desta quarta-feira (18) críticas feitas horas antes pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Em nota veiculada no site da pasta que comanda, Cardozo anotou que “em nenhum momento recebeu qualquer solicitação de advogados de investigados na operação Lava Jato para que atuasse no sentido de criar qualquer obstáculo ao curso das investigações em questão ou para atuar em seu favor em relação a medidas judiciais decididas pelos órgãos jurisdicionais competentes.”

Responsável pelos inquéritos que desvendam a corrupção na Petrobras, Sérgio Moro utilizara um despacho no qual renovou a ordem de prisão preventiva contra quatro executivos de empreiteiras para tachar de “intolerável” as reuniões que advogados dos detentos mantiveram com Cardozo para “obter interferência política”. Evocando o noticiário sobre as conversas com o ministro, o juiz escreveu que as questões processuais devem ser discutidas pelos advogados “nos autos”. Realçou, de resto, que recebe defensores dos investigados “quase cotidianamente”.

Em sua nota, Cardozo declarou que teria reagido à altura se lhe tivessem feito algum pedido impróprio. “Caso tivesse recebido qualquer solicitação a respeito, em face da sua imoralidade e manifesta ilegalidade, teria tomado de pronto as medidas apropriadas para punição de tais condutas indevidas”.

Sérgio Moro havia se referido às reuniões como uma “indevida, embora mal sucedida, tentativa dos acusados e das empreiteiras de obter uma interferência política''. Cuidadoso, o juiz poupara o ministro. “Sequer é crível que se dispusesse a interferir indevidamente no processo judicial e na regular e imparcial aplicação da Justiça'', anotara em seu despacho.

Na opinião de Cardozo, reiterada na nota, “é dever do Ministro da Justiça e de quaisquer servidores públicos receber advogados no regular exercício da profissão conforme determina o Estatuto da Advocacia.” Essa posição rendeu-lhe no final de semana um ataque frontal do ex-presidente do STF Joaquim Barbosa. “Você defende alguém num processo judicial. Ao invés de usar argumentos/métodos jurídicos perante o juiz, você vai recorrer à política?”, alfinetara o ex-relator do mensalão nas redes sociais.

Barbosa pedira o escalpo de Cardozo: “Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a Presidente Dilma demita imediatamente o ministro da Justiça.”

O noticiário do final de semana fez menção a três encontros do ministro com advogados de presos da Lava Jato. Cardozo repetiu na nota que “a única audiência concedida” foi aos defensores da construtora Norberto Odebrecht. Deu-se, segundo ele, “no dia 5 de fevereiro, às 15h30, conforme registrado em agenda pública e em ata.” Porém, o ministro admitira em entrevista à repórter Catia Seabra que sua agenda, que deveria ser pública, nem sempre é divulgada.

“Todos os compromissos oficiais são marcados regularmente'', dissera Cardozo, antes de admitir: “Muitas vezes, por força da dinâmica do ministério, atividades são alteradas. Percebemos agora que, por falha do sistema de registro, o agendamento alterado não foi recolocado no sistema. Há vários dias em branco. Alguns se referem a férias. Outros a essa falha.” De resto, a assessoria do ministro reconhece que ele esteve também com o advogado Sergio Renault, que defende o preso Ricardo Pessoa, dono da UTC.

Alega-se, porém, que o encontro com Renault foi fortuito e limitou-se a uma troca de cumprimentos na ante-sala do gabinete do ministro. Nessa versão, Cardozo recebera em audiência o advogado e ex-deputado petista Sigmaringa Seixas. Como Renault havia agendado um almoço com Sigmaringa, combinou de encontrá-lo no Ministério da Justiça. E o ministro o teria brindado com um aperto de mãos e um dedo de prosa banal.

Por uma dessas coincidências fatais, Ricardo Pessoa, o cliente do doutor Renault, deu meia-volta no acordo de delação premiada que negociava com o Ministério Público Federal no Paraná. Acusado de ser o coordenador do cartel que trocou propinas por negócios na Petrobras, ele teria muito a delatar.

Cardozo se nega informar de forma transparente o que diabos foram fazer na sala dele os participantes da “única audiência” que diz ter concedido a advogados de encrencados na Lava Jato. Escreveu em sua nota que “a empresa Odebrecht, na oportunidade, noticiou a ocorrência de duas eventuais irregularidades que exigiriam providências do Ministério da Justiça, não guardando nenhuma pertinência com quaisquer decisões judiciais tomadas no caso.”

O ministro acrescentou que “essas irregularidades ensejaram a apresentação formal pela empresa de duas representações que se encontram em tramitação no Ministério da Justiça.” Qual o teor dessas petições?, indagara na véspera a repórter Catia Seabra.

E Cardozo: “Não posso responder. Tenho que zelar pelo sigilo legal. Sei que o fato de estar impedido de divulgar todas as representações faz com que pessoas maldosas especulem sobre o conteúdo dessa reunião. Não teria sentido que o conteúdo não fosse estritamente o que estou dizendo, até pelas cautelas formais que foram tomadas.” Então, tá!

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Quaresma!




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Blog do Reinaldo Azevedo

“Taca-le pau, Dilma!” –  Energia elétrica para indústria sobe até 53% em março!

Parabéns, presidente Dilma Rousseff! A conta de energia elétrica da indústria pode aumentar até 53% em março. Além da elevação do preço em si, as indústrias do Sudeste terão de pagar R$ 79 por megawatt-hora, informa o Estadão, para “subsidiar programas sociais, pagar despesas do setor e custear o funcionamento das termelétricas”, que estão operando ininterruptamente para poupar água dos reservatórios do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. No fim de 2012, como vocês se lembram, por decisão da Soberaníssima Sapientíssima, a tarifa teve uma redução de 20%. O preço já está acima do patamar anterior ao da queda.

No dia 6 de setembro de 2012, em pronunciamento (vídeo abaixo, com a íntegra), disse a governanta:
“Na próxima terça-feira (…) vou ter o prazer de anunciar a mais forte redução de que se tem notícia, neste país, nas tarifas de energia elétrica das indústrias e dos consumidores domésticos. A medida vai entrar em vigor no início de 2013. A partir daí todos os consumidores terão sua tarifa de energia elétrica reduzida, ou seja, sua conta de luz vai ficar mais barata. Os consumidores residenciais terão uma redução média de 16,2%. A redução para o setor produtivo vai chegar a 28%, porque neste setor os custos de distribuição são menores, já que opera na alta tensão. Esta queda no custo da energia elétrica tornará o setor produtivo ainda mais competitivo. Os ganhos, sem dúvida, serão usados tanto para redução de preços para o consumidor brasileiro como para os produtos de exportação, o que vai abrir mais mercados, dentro e fora do país. A redução da tarifa de energia elétrica vai ajudar também, de forma especial, as indústrias que estejam em dificuldades, evitando as demissões de empregados.”

Então tá. Devemos entender que, agora, Dilma pretende provocar uma elevação dos preços, diminuir as exportações, fechar os mercados, prejudicar a indústria e causar desemprego. É isso aí. “Taca-le” pau, Dilma! Ensina os brasileiros a votar!

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José Eduardo Cardozo 1 – A demissão moralmente obrigatória de quem nunca deveria ter sido nomeado

Quem me acompanha aqui sabe que já discordei de Joaquim Barbosa, ex-ministro do Supremo, muitas vezes. E já concordei com ele também. E nem sempre o PT estava em pauta. Eu não critico ou aplaudo pessoas, mas sua atuação pública e suas opiniões. Barbosa voltou a ser alvo da fúria dos petralhas porque, há quatro dias, postou esses dois comentários em sua conta no Twitter — eu os reproduzo também em texto para facilitar a vida de quem replica meus posts.
1) “Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a Presidente Dilma demita imediatamente o Ministro da Justiça.”
2) “Ajuda à memória coletiva: pesquisem sobre 1 controvertida decisão do TCU de jun/jul 2012, pouco antes do início do julgamento da Ap 470.”

Vamos entender o que ele escreveu. Barbosa se referia à reportagem da mais recente edição da revista VEJA, informando que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, fez uma reunião, em seu gabinete, com o advogado Sérgio Renault, defensor da empreiteira UTC, que pertence ao empresário Ricardo Pessoa, preso desde novembro pela Operação Lava-Jato. O ex-deputado e advogado petista Sigmaringa Seixas também estava presente. Pessoa é visto pelo Planalto como homem-bomba. Amigo pessoal de Lula, considera que foi abandonado pelo petismo e já deixou registrado num manuscrito que a dinheirama financiou os companheiros, inclusive a candidatura de Dilma. É claro que há aí uma senda para o impeachment, daí o pânico.

Cardozo primeiro negou o encontro. Ao perceber que era inútil, admitiu o que seria uma conversa informal — parte de suas atribuições, segundo disse. O estranho é que a audiência não estava em sua agenda. Mais estranhas ainda foram as, digamos, garantias que ele passou a Renault em sua conversa. Anunciou uma reviravolta no caso da Lava-Jato logo depois do Carnaval, quando nomes graúdos da oposição também seriam tragados pela voragem. Como o ministro sabe? Eis um mistério.

Fato: depois da conversa de Cardozo com o advogado, a UTC, a OAS e a Camargo Corrêa recuaram de eventuais acordos com o Ministério Público. Segundo um advogado confidenciou à revista VEJA, também se tratou de outro assunto naquela reunião: a garantia de que Lula estava entrando pessoalmente na, digamos, “jogada”. Com que poder? Não se sabe.

É evidente que conversa dessa natureza é inaceitável. E, por isso, com justeza, Barbosa cobrou a cabeça de Cardozo — a quem, diga-se, ninguém minimamente razoável reconhece credenciais para ocupar aquele cargo. Vamos entender agora a segunda mensagem do ex-ministro do STF.  Escreveu ele: “pesquisem sobre uma controvertida decisão do TCU de jun/jul 2012, pouco antes do início do julgamento da Ap 470”. A Ação Penal 470 é a do mensalão.

Muita gente não entendeu. Refresco a memória de vocês. O caso é um pouco complicado e eu o  expliquei em detalhes aqui em meu blog no dia 20 de julho de 2012. Para entender o caso, leitor, você tem de saber o que é “bonificação por volume”. Trata-se do desconto que veículos de comunicação concedem a agências de publicidade, que costumam ficar com o dinheiro como parte de sua remuneração, em vez de devolvê-lo aos anunciantes. Segundo a lei que havia no Brasil, no caso de estatais, as agências eram obrigadas a devolver esse desconto às empresas. Pois bem: o TCU constatou que agências de publicidade, muito especialmente as de Marcos Valério, haviam embolsado, até 2005, ano em que explodiu o mensalão, R$ 106,2 milhões.

Agora, é preciso a gente se lembrar que Ana Arraes, a mãe do então lulista Eduardo Campos, foi conduzida ao TCU em setembro de 2011. E foi ela a relatora justamente desse caso do dinheiro sequestrado pelas agências. Ana contrariou o parecer técnico do tribunal e disse não ver nada de errado na retenção. E o fez com base em uma lei proposta sabem por quem? Pelo então deputado federal petista José Eduardo Cardozo, o mesmo que faz reuniões impróprias.

A “lei” inventada por Cardozo, a 12.232,  mudava a regra: as agências poderiam ficar com o dinheiro do desconto e pronto! Só foi sancionada pelo então presidente Lula em 2010. Ocorre que o texto tornava legal a retenção daquele dinheiro também para contratos já encerrados. Entenderam? Cardozo assinou um projeto, sancionado de bom grado por Dom Lulone, que, na prática, tornava legal a ilegalidade praticada por Valério. Uma lei não pode retroagir para punir ninguém, mas, para beneficiar, pode. Ao tentar legalizar parte da dinheirama do mensalão, é evidente que o deputado Cardozo procurava influenciar a decisão dos ministros do Supremo no julgamento do mensalão.

Felizmente, a operação deu errado, e a cúpula do PT foi parar atrás das grades, ainda que já tenha saído de lá. Mas a operação vergonhosa deixou sua marca. Em outro post (abaixo), trato da face cordial da truculência.

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José Eduardo Cardozo 2 – A face cordial da truculência

O ministro José Eduardo Cardozo engana com aquela aparência de urbanidade. É uma das faces cordiais da truculência do petismo. Quem o conhece de perto não se surpreende que tenha feito reunião com o advogado de uma das empreiteiras para, digamos, dar uma direção política para o caso.

A sua atuação na investigação da formação de cartel para a compra de trens em São Paulo e Brasília chegou a ser examinada pela Comissão de Ética da Presidência da República. Até ela! O caso é escabroso. Um documento apócrifo — descobriu-se depois que o autor é ex-diretor da divisão de transportes da Siemens Everton Rheinheimer — com acusações contra secretários do governo Geraldo Alckmin surgiu nas mãos do então deputado estadual do PT, Simão Pedro, hoje secretário de Serviços de Fernando Haddad. O documento, em seguida, foi parar no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), presidido pelo petista Vinicius Carvalho — que já havia sido subordinado de… Simão Pedro!

Dali, o papelucho foi parar nas mãos de Cardozo, que o repassou à Polícia Federal, que decidiu abrir um inquérito. Ou por outra: o ministro funcionou como um repassador de denúncias apócrifas. Pior: não existe protocolo de entrada do documento na PF. A coisa assumiu ares de estado policial mesmo. Nota: no dia 10, a Primeira Turma do STF arquivou o pedido feito pela Procuradoria-Geral da República para investigar o deputado federal Rodrigo Garcia (DEM-SP) e o ex-deputado federal José Aníbal (PSDB-SP), atualmente suplente de senador. Eram dois dos acusados no documento apócrifo que Cardozo passou adiante.

Já fiz um levantamento neste blog demonstrando como Cardozo colaborou, por atos e omissões, para que as jornadas de junho de 2013 degenerassem em violência. O post está aqui. Inicialmente, o governo federal apostava que a bomba dos protestos explodiria no colo de Geraldo Alckmin. Deu tudo errado. Não só isso: no Ministério da Justiça, Cardozo se comportou como um chefe de facção, hostilizando permanentemente a polícia de São Paulo.

Reportagem de setembro do ano passado da VEJA informa que, no dia 5 daquele mês, a mando de Cardozo, Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça, encontrou-se com o delegado Leandro Daiello, superintendente da Polícia Federal, para colher informações sobre o Inquérito 1209/2012, que apurou suspeitas de corrupção no Ministério do Meio Ambiente quando Marina Silva era ministra, em benefícios que teriam sido concedidos à empresa Natural Source International. Entre os investigados, estava o empresário Guilherme Leal, que apoiava a candidata do PSB à Presidência. Atenção! O inquérito já tinha sido arquivado por falta de provas, a pedido do Ministério Público. Não custa lembrar: no começo de setembro, Marina aparecia à frente de Dilma em simulações de segundo turno.

Abrão disse que estava apenas querendo saber em que pé estava a coisa porque “uma revista” — ??? — estaria fazendo uma reportagem a respeito e o havia procurado. Revista??? Abrão trabalha para a publicação? É “foca” do veículo? Está na folha de pagamentos? Se apenas quisesse informações, por que foi pessoalmente à sede da PF? Não bastava um ofício? Teve de manter um encontro que nem estava na agenda do superintendente da PF?

Leiam o farto material que a revista VEJA traz das alucinações em curso nos bastidores do governo. Com a morte de Márcio Thomaz Bastos, foi-se, de fato, o grande mago das operações para inocentar o PT. Bastos servia ao regime exemplarmente, mas tinha uma qualidade que até os adversários reconhecem: fazia a defesa de suas causas e clientes sem procurar incriminar inocentes ou fazer vítimas “do outro lado”. Está morto. Sobrou José Eduardo Cardozo. Que, obviamente, jamais será Bastos na vida não porque lhe sobrem qualidades, mas porque lhe faltam.

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Joaquim Barbosa, vítima da síndrome do esquecimento!
Ricardo Noblat

Flor do recesso é o não fato político tratado como se fosse fato político. Costuma brotar durante os recessos de meio e de fim de ano do Congresso.

É quando escasseiam as notícias. Os jornalistas ficam sem assunto e se desesperam. E os políticos mais espertos se aproveitam do vazio para se promover.

Com menos frequência, a flor do recesso também pode brotar em períodos mais curtos de recesso do Congresso. Como o do carnaval. Uma vez terminado o recesso, a flor murcha. Muda-se de assunto.

Dificilmente será diferente desta vez.

O ex-ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), postou no twitter críticas ao ministro José Eduardo Cardoso, da Justiça, por ele ter se reunido em seu gabinete com advogados de empreiteiros presos pela Operação Lava-Jato, que investiga a corrupção na Petrobras.

Barbosa escreveu:

- Nós, brasileiros honestos, temos o direito e o dever de exigir que a presidente Dilma Rousseff demita imediatamente o ministro da Justiça. Reflita: você defende alguém num processo judicial. Ao invés de usar argumentos e métodos jurídicos perante o juiz, você vai recorrer à Política?

Cardoso encontrou-se no dia 5 de fevereiro com representantes da empreiteira Odebrecht - um vice-presidente e dois advogados. O encontro constou da agenda oficial do ministério.

Deles recebeu representações denunciando supostas irregularidades em determinados procedimentos da Lava-Jato.

O ministro alegou “sigilo” para não dar detalhes das acusações feitas pelos representantes da Odebrecht.

O leigo pode enxergar comportamento suspeito onde ele não existe. Mas Barbosa, não.

Um ministro de Estado é um servidor público. A porta do seu gabinete deve estar sempre aberta para receber quem lhe pedir audiência. O assunto a ser tratado poderá ser sigiloso ou não.

O encontro poderá se tornar público ou não. É simples assim. É o que está em leis e regulamentos. É também o que dita o bom senso.

O ex-ministro Barbosa desconhece as leis? Não. Carece de bom senso? Isso fica a critério de cada um.

No STF, ele não recebia advogados das partes. Os demais ministros recebiam e recebem. Nem por isso se tornam automaticamente suspeitos de favorecer acusação ou defesa.

A oposição pegou carona com gosto na crítica do ex-ministro Barbosa e promete levar o ministro da Justiça a se explicar no Congresso.

Flor do recesso! Nada mais do que isso.

Oportunismo politico da parte do ex-ministro Barbosa, empenhado em não se deixar esquecer.

Sossegue! Não será esquecido.

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Veto de Dilma sobre IR pode cair no Congresso

Dilma Rousseff corre o risco de sofrer nova derrota no Congresso na próxima semana. A oposição se articula com governistas insatisfeitos para tentar derrubar o veto da presidente ao artigo que, aprovado por deputados e senadores, corrigia em 6,5% a tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas. O tema deve constar da pauta de votações da próxima terça-feira (24).

A correção da tabela do IR pela variação da inflação atenuaria uma injustiça fiscal. Sem ela, trabalhadores que amealham correções salariais passam a pagar alíquotas mais altas. Na prática, ocorre um aumento de imposto. Esse tipo de mordida não é exclusividade da atual gestão. Desde 1996, a inflação teve alta de 226%. E a tabela do IR foi corrigida em apenas 99%.

Aprovada no apagar das luzes da legislatura encerrada em dezembro de 2014, a correção de 6,5% aproxima-se do índice de inflação do ano passado, que foi de 6,41%. Na justificativa do veto, Dilma anotou que o texto avalizado pelos congressistas “levaria à renúncia fiscal da ordem de R$ 7 bilhões.”

No gogó, o Planalto acenara com a hipótese de baixar uma medida provisória corrigindo a tabela do IR da classe média em 4,5%. Por ora, ficou na promessa. Em privado, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, alerta o governo de que a inércia potencializa o risco de derrota.

O percentual de 6,5% havia sido empurrado para dentro de uma medida provisória de Dilma pelo líder do DEM, deputado Mendonça Filho. Ao defender sua emenda, Mendonça recordou que Dilma vinha prometendo reajustar a tabela do IR em 4,5% desde antes da campanha presidencial de 2014. Arrastou os votos dos partidos de oposição e também dos governistas, exceto os do PT e do PCdoB.

Tenta-se agora reativar essa maioria conjuntural para derrubar o veto de Dilma. Tudo isso sob a patológica desatenção dos articuladores políticos da presidente. Para alegria dos trabalhadores que pagam Imposto de Renda, o ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais) só costuma entrar nas jogadas com dois lances de atraso.

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Estação Primeira de Brasília!



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O MINISTRO DA JUSTIÇA É UM PORCO. COM TODO O RESPEITO AOS SUÍNOS - RAFAEL BRASIL

O ministro da justiça é considerado pela presidente um dos seus três porquinhos. Os outros são os ex ministros Antonio Palocci e  José Eduardo Dutra segundo palavras da presidente. Realmente a presidente tem razão. Não passam de três porcos corruptos a serviço do lulopetismo o governo mais corrupto e canalha da história da nação.

Pois é. O ministro da justiça passou a defender ABERTA E ACINTOSAMENTE os empreiteiros que, em conluio com o governo participaram do assalto à Petrobrás. Como bem disse Joaquim Barbosa, devia ser demitido, na hora. Como, num país minimamente sério um ministro da justiça se reúne com os advogados de pessoas representantes de grupos que participaram do maior caso de corrupção da história da humanidade? Ou seja com uma VERDADEIRA QUADRILHA DE ASSALTANTES? Digo e repito: Quem defende este governo não passa de um porco também, com todo o respeito aos pobres suínos, que não tem nada a ver com esta triste história. Nunca antes neste país houve bandalheira parecida.

O governo está fazendo de tudo para impedir as investigações deste verdadeiro tsunami da corrupção institucionalizada que  tomou conta do país. UMA QUADRILHA DE ASSALTANTES HÁ MAIS DE UMA DÉCADA SE ENCASTELOU NO PODER, E O PAÍS FEDE. Nenhum cidadão de bem, e minimamente informado apóia um descalabro desta magnitude. E o corrupto mor ainda fala em ser candidato à presidente, como se nada estivesse acontecendo. Porque Lula nada fala?  Não passa de um covarde, e que comanda esta quadrilha. Mostra a cara, covarde!

A OBRIGAÇÃO DE CADA BRASILEIRO HONESTO É LUTAR PARA ERRADICAR ESTA QUADRILHA PARA SERMPRE DO CENÁRIO POLÍTICO NACIONAL. Um partido que além de corrupto é assassino, vide o caso de Celso Daniel. Até quando vão se safar? Estão destruindo o país, enquanto o povo se diverte no carnaval. UMA VERGONHA. UM ACINTE AOS HOMENS DE BEM.

O POVO BRASILEIRO NÃO MERECE. Até quando esta novela macabra vai continuar? Que DEUS NOS LIVRE DESSA GENTE, MAS TODOS NÓS TEMOS A OBRIGAÇÃO DE AGIR. SE NÃO, NÃO TEMOS O DIREITO DE SERMOS UMA NAÇÃO.  E sim duzentos milhões de súditos de bandidos travestidos de salvadores da pátria.


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Blog do Josias

Oposição tentará convocar o ministro da Justiça

O ministro petista José Eduardo Cardozo (Justiça) virou alvo da oposição. Foi à alça de mira do PSDB, do DEM e do PPS depois da descoberta de que se reuniu com advogados de empreiteiros presos na Operação Lava Jato, mantendo com eles conversas amistosas. Os adversários do governo tentarão convocar o auxiliar de Dilma Rousseff para prestar esclarecimentos no Congresso. E acionarão contra ele a Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

Ecoando o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa, que pregou a demissão de Cardozo, o senador Cássio Cunha Lima, líder do PSDB, disse que o gesto do ministro da Justiça foi “absolutamente incompatível com o exercício do cargo.” Para ele, há um “conflito de interesses.” E Dilma Rousseff “precisa dizer para quem governa: se é para o PT e seu projeto de poder ou se para o país.”

O deputado Mendonça Filho, líder do DEM, manifestou-se no mesmo timbre: “Não cabe ao ministro trocar figurinhas com advogados de empresas investigadas pela Polícia Federal.” Acha que o comportamento de Cardozo segue o padrão petista. “A corrente majoritária do PT já atua há algum tempo para embolar o processo da Lava-Jato e isentar petistas e aliados.”

Cássio e Mendonça disseram que protocolarão nas comissões temáticas do Senado e da Câmara requerimentos de convocação do ministro, para que ele se explique. Em início de legislatura, essas comissões ainda não foram constituídas. Quer dizer: a apreciação dos pedidos da oposição não será automática.

O deputado Rubens Bueno, líder do PPS, anunciou que tomará uma providência adicional. Acionará a Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Deseja que o órgão cobre explicações de Cardozo e se posicione sobre o episódio. Mais severo do que Joaquim Barbosa, Bueno afirmou que o ministro da Justiça deveria pedir para sair, “já que Dilma não demite ninguém.”

“Imagine a gravidade dessa situação: o ministro da Justiça envolvido com advogados de empresas questionadas e investigadas pela Polícia Federal”, lamentou Bueno. “A que ponto chegamos, é desmoralizante para o país. Essa relação de promiscuidade do PT não tem limite para nada.”

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Ministros do Supremo já questionam a longevidade das prisões da Lava Jato

As prisões duradouras da Operação Lava Jato começam a incomodar os ministros do STF. Em privado, o relator do caso, Teori Zavascki, e outros integrantes da Segunda Turma do Supremo questionam a necessidade de manter na cadeia suspeitos detidos há mais de três meses, desde novembro do ano passado. Receiam que as detenções, por longevas, já caracterizem uma antecipação de pena. Algo vedado pelo Código de Processo Penal.

Há uma semana, a Segunda Turma do STF, à qual pertence Zavascki, confirmou por unanimidade decisão liminar do relator que havia revogado em dezembro a ordem de prisão do juiz Sérgio Moro, do Paraná, contra o ex-diretor da Petrobras Renato Duque. Advogados dos outros presos voltarão à carga para reivindicar a soltura de seus clientes —por meio da interposição de novas petições ou da apreciação de recursos que ainda não foram julgados no mérito. Não são negligenciáveis as chances de êxito.

No final do ano, o relator Zavascki indeferiu 11 pedidos de liberdade de presos da Lava Jato. Entre eles executivos de algumas das maiores empreiteiras do país: Camargo Corrêa, OAS, Galvão Engenharia, UTC e Engevix. O ministro não chegou a julgar o mérito dos recursos. Limitou-se a invocar a Súmula 691 do STF. Editada em 2003, essa súmula impede o Supremo de julgar habeas corpus contra decisão temporária (indeferimento de liminar) tomada individualmente por magistrado de outra Corte superior, exceto se houver flagrante ilegalidade.

Os empreiteiros haviam batido à porta do STF porque tiveram pedidos de liberdade indeferidos por relator do STJ. Pela Súmula 691, eles só poderiam recorrer ao Supremo depois de uma manifestação colegiada e definitiva do STJ. Do contrário, haveria o que os advogados chamam de “supressão de instâncias”.

No caso de Renato Duque, acusado de receber propinas e lavar dinheiro, Zavascki aceitou a alegação da defesa de que a improcedência da ordem de prisão expedida pelo juiz Moro, por evidente, justificava a superação da Súmula 691. De nada adiantou manifestação do procurador-geral Rodrigo Janot a favor da prisão.

Dois ministros do STF já criticaram publicamente as prisões da Operação Lava Jato: Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello. Mas eles não integram o grupo incumbido de julgar os recursos dos presos. Compõem a Segunda Turma, além de Teori Zavascki, os ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello e Cármen Lúcia.

Não são negligenciáveis as chances de prevalecer nesse colegiado, na primeira oportunidade, a tese segundo a qual as prisões preventivas decretadas em novembro pelo juiz Sérgio Moro já não se justificam. Alega-se que, pela lei, os investigados podem ser encarcerados para garantir a ordem pública e a ordem econômica, por conveniência da instrução criminal ou para resgardar a segurança da aplicação da lei penal. Dissemina-se no STF a impressão de que, decorridos mais de 90 dias, todas essas pré-condições estão, por assim dizer, com o prazo de validade vencido.

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Máscaras!



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Cardozo, um ministro fora da lei.

O ministro da Justiça José Eduardo Cardozo foi pego em flagrante fazendo reuniões secretas com os advogados das empreiteiras envolvidas na roubalheira da Petrobras. Gentalha do PT tentou justificar que é papel deste ministério ouvir advogados de corruptos. Não é! Cardozo agiu completamente fora da lei.  O seu ato é indefensável, o coloca sob suspeita e deixa apenas uma saída decente e honesta para Dilma Rousseff: a demissão sumária. Leiam, abaixo, quais as competências do ministério da Justiça, conforme o decreto-lei 6.061.

O Ministério da Justiça, órgão da administração federal direta, tem como área de competência os seguintes assuntos:

I - defesa da ordem jurídica, dos direitos políticos e das garantias constitucionais;

II - política judiciária;

III - direitos dos índios;

IV - entorpecentes, segurança pública, Polícias Federal, Rodoviária Federal e Ferroviária Federal e do Distrito Federal;

V - defesa da ordem econômica nacional e dos direitos do consumidor;

VI - planejamento, coordenação e administração da política penitenciária nacional;

VII - nacionalidade, imigração e estrangeiros;

VIII - ouvidoria-geral dos índios e do consumidor;

IX - ouvidoria das polícias federais;

X - assistência jurídica, judicial e extrajudicial, integral e gratuita, aos necessitados, assim considerados em lei;

XI - defesa dos bens e dos próprios da União e das entidades integrantes da administração pública federal indireta;

XII - articulação, integração e proposição das ações do Governo nos aspectos relacionados com as atividades de repressão ao uso indevido, do tráfico ilícito e da produção não autorizada de substâncias entorpecentes e drogas que causem dependência física ou psíquica;

XIII - coordenação e implementação dos trabalhos de consolidação dos atos normativos no âmbito do Poder Executivo; e

XIV - prevenção e repressão à lavagem de dinheiro e cooperação jurídica internacional.

XV - política nacional de arquivos

XVI - assistência ao Presidente da República em matérias não afetas a outro Ministério.

Observem, especialmente, os itens V, XI e XIV. O ministro da Justiça, além de não cumprir o ali disposto, está contribuindo para que criminosos incursos nos mesmos tenham o apoio do Governo Federal para continuarem agindo contra os cofres públicos. Roubando a Petrobras com financiamento do BNDES. A Oposição tem que parar de discutir com os bandidos do PT. E partir pra cima deste ministro que "recebe" advogados de corruptos. Chega de impunidade!


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Blog do Noblat

De promessas vãs fez-se o desengano (Ou como Dilma atravessou o samba)
Ricardo Noblat

O Grêmio Escola de Samba O Povo Unido Jamais Será Vencido saúda este mui nobre e tropical ajuntamento e pede passagem.

Não esperem um desfile de luxo, não mesmo. Afinal, foi-se o tempo do carnaval patrocinado por bicheiros, empresas privadas e estatais.

Tem ditador africano capaz de meter a mão no bolso e financiar escola que cante as belezas do seu país. Mas isso é como acertar a megasena acumulada.

A vida transcorreu confortável até meados do ano passado. Destaques, figurantes, passistas e músicos acreditaram que tudo ficaria melhor caso reelegessem a diretoria da escola.

Deu no que sentem na pele. E já não mais escondem. Agora, a palavra de ordem é austeridade.

Menos purpurina.  Menos paetê.  Menos espelhos. Menos penas de pavão. De volta à realidade ingrata.

Quarta-feira de cinzas é todo dia.

Se o carro abre-alas apresentar algum defeito, relevem, por favor. Se a comissão de frente errar o passo, não pensem em sabotagem. Poderá ser descuido.

Se a certa altura do desfile o samba atravessar, paciência. Não cobrem perfeição de quem se sente enganado.

Se faltar harmonia, perdoem. O mal estar é geral. E para escapar de hostilidades, a presidente da escola saiu de férias.

Preferiu manter distância da muvuca. Que perigo correria se fosse reconhecida na rua... Pois já não conta com a confiança dos seus súditos.

Sabia de tudo, mas finge que não. É culpada pela maioria dos malfeitos que se sucederam. Mentiu sem pudor ao acenar com desfiles superiores aos mais recentes. Fez a Nação de boba.

Quando celebrou sua reeleição, prometeu que tudo faria para doravante ser uma pessoa melhor.

Quero ser “uma pessoa ainda melhor do que tenho me esforçado para ser”, prometeu solene e modesta, ora vejam.

E na hora se impacientou com o barulho daqueles que comemoravam felizes sua vitória. Falou em diálogo pelo menos meia dúzia de vezes.

Uma delas: estou “disposta a abrir um grande espaço de diálogo com todos os setores da sociedade para encontrarmos as soluções mais rápidas para os nossos problemas”.

Papo furado! Desde então não se notou nenhuma mudança nela. Chegou a passar pouco mais de 30 dias sem dirigir uma única palavra ao seu vice. Nem mesmo por telefone.

Diz que manda na escola com a ajuda do resto da diretoria. Balela pura! Manda sozinha. Ou tenta.

Trata-se da mesma personalidade irascível de antes. Que devota um indisfarçável desprezo pelos aliados.

Entre relacionar-se com seus semelhantes, que não sabe e não gosta, e apelar para a propaganda, que vê como uma poção mágica, decidiu chamar o marqueteiro.

É postura arrogante de quem subestima a inteligência alheia. Não é a única pessoa a proceder assim. Seu antecessor na presidência também procede, embora seja simpático e bom de gogó.

Em caso de emergência, se faltar quem puxe o samba, ele puxa à vontade. Se deixarem, puxará em qualquer situação.

Na comunidade, só se comenta as broncas que ele costuma dar na sua sucessora. Comenta-se também a irritação da sucessora com a deslealdade do ex, que deixa vazar de propósito tudo o que sente e acha do comportamento dela.

O ex não engoliu o fato de ter perdido a chance de reocupar um lugar que era seu por merecimento. E teme que uma nova administração medíocre da sucessora possa aposentá-lo para sempre.

De resto, está em pânico com o risco de ser apontado como o chefe da gangue que tungou a escola em milhões de dólares. Sem que a sucessora tenha suado a camisa o bastante para defendê-lo.

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Cardozo esconde agenda e diz que foi um problema de TI. Não, ministro, o problema é de QI.

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, não é nenhum jurista brilhante. Como ministro é uma sucessão de erros e justificativas imbecis. Bem o definiu a sua agora coleguinha de ministério Kátia Abreu quando o chamou de José Eduardo Omisso Cardoso. A sua última omissão é de compromissos na agenda. Ele os escondeu por não serem republicanos? Por serem golpistas e conspiratórios? O certo é que Cardozo não teve problema algum de TI que não pudesse ter sido solucionado em 30 minutos. O seu problema é de QI por achar que o povo brasileiro é imbecil ao ponto de não entender os motivos pelos quais esconde as suas agendas. A matéria abaixo é da Folha de São Paulo.

A agenda divulgada pelo Ministério da Justiça em seu portal na internet omite boa parte dos compromissos oficiais do ministro José Eduardo Cardozo, de acordo com levantamento feito pela Folha.

Nos últimos dias, após virar alvo de críticas com a revelação de que se encontrou com advogados de empreiteiras sob investigação da Operação Lava Jato, Cardozo disse que não agiu errado e que todos os seus compromissos são divulgados na internet. Mas o levantamento da Folha mostra que sua agenda não informa quais foram suas atividades em 80 dos 217 dias de trabalho que ele teve desde a deflagração da Operação Lava Jato pela Polícia Federal, em 17 de março de 2014. Nesses 80 dias, não é possível saber onde o ministro esteve, nem se houve reuniões durante o expediente.

Na sexta-feira (13), quando os encontros de Cardozo com advogados das empreiteiras provocaram questionamentos, sua assessoria informou que audiências desse tipo são registradas na agenda oficial.O levantamento da Folha mostra que apenas três encontros com advogados foram registrados desde março do ano passado. O mais recente ocorreu no dia 5 deste mês, quando Cardozo recebeu em seu gabinete três advogados que defendem a Odebrecht, segundo o jornal "O Globo".

Além deles, a agenda mostra que foram ao gabinete de Cardozo duas advogadas, em dias diferentes do mês de julho. Nenhuma delas, porém, defende personagens ou empresas envolvidas no esquema de corrupção descoberto na Petrobras pela Lava Jato. O ministro, a quem a Polícia Federal é subordinada, diz que a lei garante a advogados o direito de ser recebido por autoridades públicas.

A Folha informou que Cardozo teve neste ano pelo menos três conversas com advogados de empreiteiras sob investigação, entre elas a UTC e a Camargo Corrêa. Elas não constam da agenda oficial.

Com relação aos 80 dias em que não existe registro das atividades de Cardozo, sua assessoria disse que houve "problemas no sistema de TI (Tecnologia da Informação)". A assessoria afirmou que na maior parte desses dias Cardozo estava em despachos no gabinete ou em reuniões internas que sofreram alterações de horários. Segundo a assessoria, o encontro com advogados da Odebrecht foi o único em que o ministro tratou da Operação Lava Jato.

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Cunha: PT tem direito a posição na mesa da CPI

Apontado como artífice de um acordo que acomodará o PT na relatoria da CPI da Petrobras, o presidente da Câmara Eduardo Cunha declara: “Não decidi nada. Até porque não cabe a mim decidir. Cabe aos líderes dos partidos.” Reconhece, porém, que o líder petista Sibá Machado reivindicou a cadeira de relator para o seu partido. E faz uma rara observação favorável ao petismo: “O PT tem direito a um posto na mesa da CPI, não se trata de uma concessão.”

Conforme noticiado aqui, o posicionamento de Eduardo Cunha em relação à divisão do poder na CPI revoltou parte dos integrantes do bloco partidário que o alçou à presidência da Câmara. Avalia-se que entregar o posto de relator da investigação a um petista equivale a colocar “um vampiro em banco de sangue”. Em conversa com o blog, Cunha disse que nenhum correligionário o procurou para reclamar.

Didático, Eduardo Cunha explicou que, no rateio dos cargos na CPI, seu bloco, por majoritário, tem o direito à primeira escolha. Maior legenda do grupo, o PMDB optou por ficar com a presidência da CPI. À frente do segundo maior bloco partidário, o PT tem o direito regimental de fazer a segunda escolha. Daí ter reivindicado a posição de relator da CPI.

Feitos os esclarecimentos, Eduardo Cunha admite que há um caminho à margem do regimento interno da Câmara. “É claro a decisão é política. A gente pode reunir a maioria da comissão e atropelar. Nada impede que se faça isso. Mas não sei se seria de bom alvitre. Não podemos ignorar que existe um segundo bloco com 160 deputados e que o PT é o maior partido desse bloco.”

O repórter recordou a Eduardo Cunha que o bloco liderado por seu partido, o PMDB, acaba de atropelar o regimento para excluir o PT dos postos de comando da comissão especial sobre a reforma política. E ele: “No caso da reforma política, o PT não estava querendo constituir a comissão. A gente atropelou mesmo. O PMDB escolheu a presidência. E cedeu a relatoria ao DEM. Não excluo a hipótese de isso acontecer outras vezes. Mas insisto: não sei se seria de bom alvitre a gente fazer isso em todas as comissões.”

Os aliados de Cunha que se opõem à presença do PT no comando da CPI recordam que a experiência revelou-se desastrosa na legislatura encerrada em dezembro. Presidida pelo então senador Vital do Rêgo, um peemedebista fiel ao Planalto, e relatada pelo deputado petista Marco Maia, a CPI mista da Petrobras resultou em fiasco. Na nova CPI, agora exclusiva de deputados, o PMDB cogita confiar a presidência a um parlamentar independente. Mas o PT, com óleo queimado pelo nariz, não indicará um relator, mas um acobertador do petrolão.

Eduardo Cunha diz concordar com a avaliação segundo a qual a CPI do ano terminou em vexame. Mas atribuiu o fiasco ao fato de a comissão não ter conseguido apalpar os depoimentos sigilosos dos delatores premiados da Operação Lava Jato. Tomado pelas palavras, o presidente da Câmara parece recear a repetição do fenômeno.

“Se o procurador-geral da República abrir inquérito contra todo mundo e não apresentar denúncia [contra os acusados que dispõem de prerrogativa de foro], as delações continuarão sigilosas”, disse Cunha. “Pela lei, as delaçoes só podem se tornar públicas depois que a denúncia da Procuradoria for aceita pelo STF.”

Cunha arrematou: “Enquanto o processo estiver no estágio de inquérito ou de denúncia não transformada em ação penal, ninguém pode conhecer as delações. E creio que será muito difícil fazer a CPI andar sem conhecer as delações. O que matou a CPI mista foi justamente a falta das delações.”

O que o presidente da Câmara declara, com outras palavras, é o seguinte: a nova CPI, como a anterior, forçará uma porta que a Operação Lava Jato já arrombou. Supervisionada pelo juiz federal Sérgio Moro, a investigação da Polícia Federal e da Procuradoria da República deu frutos. Sem apalpar os depoimentos dos delatores, os parlamentares girarão como parafusos espanados em torno do nada.

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Ritmista!




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Blog do Coronel

Por que o MPF não investiga as atas do Conselho de Administração da Petrobras sobre a refinaria Abreu e Lima?

Todos conhecem a história da construção da refinaria Abreu e Lima, tão citada na Operação Lava Jato, que vai custar oito vezes o valor inicial orçado. O projeto inicial era um sonho maluco de dois populistas irresponsáveis: Hugo Chávez e Lula da Silva. E tendo Dilma Rousseff como presidente do Conselho de Administração da Petrobras e José Sérgio Gabrielli como seu presidente.

O acordo previa que a Petrobrás teria 60% da Abreu e Lima e a Petróleos de Venezuela SA (PDVSA), 40%. Caso a Venezuela não pagasse a sua parte, a Petrobrás poderia fazer o investimento e cobrar a dívida com juros, ou receber em ações da empresa venezueaana, a preços de mercado. Essas penalidades, no entanto, só valeriam depois de assinado o contrato definitivo, de acionistas. Elas não chegaram a entrar em vigor, já que o contrato não foi assinado. Num contrato de irmão para irmão socialista o desfecho só poderia ser um: o calote cometido pela Venezuela, nunca cobrado pelo Brasil.

O imbroglio só foi decidido em dezembro de 2011. Em visita oficial a Caracas,  Dilma Rousseff tratou o assunto diretamente com Chávez, que prometeu, mais uma vez, uma solução. Nessa visita, o presidente da PDVSA, Rafael Ramírez, chegou a anunciar que "havia cumprido seus compromissos" com a empresa e entregue uma "mala de dinheiro em espécie" e negociado uma linha de crédito do Banco de Desenvolvimento da China. Esses recursos nunca se materializaram. A "mala de dinheiro em espécie" certamente foi enviada para pagar a campanha de Lula, no melhor estilo do PT.

Hoje José Sérgio Gabrielli, o ex-presidente da Petrobras envolvido na Lava Jato até o pescoço, dá uma entrevista para a Folha de São Paulo. Destacamos uma pergunta e uma resposta, sobre a Abreu e Lima.

Folha: A Petrobras iniciou a construção da refinaria Abreu e Lima sem projeto detalhado, e os custos estimados inicialmente, cerca de US$ 2,5 bilhões, foram multiplicados por dez.

Gabrielli: A última refinaria construída foi em 1980 e houve uma desmontagem da engenharia da Petrobras. Aí você inicia um projeto retomando a capacidade técnica da engenharia. Evidentemente que você vai fazer um projeto fraco. Um dos erros dessa fase preliminar foi divulgar uma estimativa de valor que não tinha nada a ver. Aí você vai para o mercado e enfrenta um cenário de aquecimento, limitação do conteúdo nacional e câmbio. Um conjunto de coisas que interfere no preço.

Em uma só resposta, este senhor que deveria estar no fundo de uma cela, confessa:

1. A Petrobras não tinha capacidade técnica para realizar o projeto;

2) O projeto da refinaria era "fraco", ou seja, não deveria ter sido implementado. Aliás, o que dizem as autoridades é que não existia projeto;

3) Foi um erro divulgar o preço da obra, como se a lei, a transparência, a ética e o bom senso não exijam que o valor que um país vai pagar por um investimento seja conhecido;

4) Por fim, Gabrielli informa, claramente, que o "conteúdo nacional" encareceu a obra, que o preço não seria tão alto se a Petrobras tivesse buscado as melhores ofertas no mercado internacional, em vez de praticar um nacionalismo que só levou à corrupção. Empresas brasileiras passaram a "nacionalizar" produtos e equipamentos, criando um propinoduto para políticos corruptos como nunca se viu na história deste país.

Urge abrir a caixa preta da refinaria Abreu e Lima. Se Pasadena nos deu um prejuízo de U$ 700 milhões, a corrupção na Abreu e Lima pode ter passado de U$ 5 bilhões. Isso sem contar a dívida que Lula e Dilma perdoaram da Venezuela.

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Eduardo Cunha tira a fantasia
Por Mary Zaidan

As sucessivas derrotas que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), impôs a Dilma Rousseff e ao PT subiram-lhe à cabeça. E, pelo jeito, de forma aguda.

De pronto, Cunha viu-se dono do Parlamento. E, ao contrário do fizera para chegar ao comando do Legislativo, desrespeitou seus pares e, mais grave, a democracia.

Comemorado por expressiva força governista e por quase a totalidade da oposição, Cunha acelerou a criação de mais uma CPI da Petrobras, antecipou-se na formação de uma nova comissão para a reforma política e conduziu a votação do orçamento impositivo.

Todo-poderoso, jogou fora os créditos que amealhou. Agradou aos evangélicos, que ele diz serem vítimas de preconceito, e incomodou todo o resto com posições absolutistas do tipo “aborto só vai a votação se passar pelo meu cadáver”, e a negativa prévia de colocar em pauta a união entre homossexuais.

Pouco criativo, remeteu-se à mesma figuração usada por Dilma na campanha para garantir que não mexeria em conquistas trabalhistas. “Aborto eu não vou pautar nem que a vaca tussa”.

A gripe entre vacas já golpeou Dilma. Cunha que se cuide. Afinal, até que se mudem as regras, não é ele quem decide o que vai a voto. É a maioria dos deputados.

Cunha agiu como Dilma. Foi tão mandão quanto ela, tão soberbo, tão imperial quanto ela se orgulha em ser. Copiou até a vaca e se lixou para o resto.

Ainda que tenham diferenças abissais – Dilma foi inventada por Lula, era e continua neófita na política, e Cunha é safo, bom de conversa e de agrado -, ambos têm a mesma forma tosca e irresponsável de lidar com o poder, e alcance zero para enxergar as necessidades do país. Só veem o próprio umbigo.

Tanto é assim que entre as dores de cabeça do Planalto, Cunha rivaliza com a enxaqueca provocada pelos sucessivos escândalos na Petrobras. O incômodo é tamanho que a turma da Dilma torce para que o nome do parlamentar fluminense conste na lista dos denunciados na roubalheira.

Na outra ponta, Cunha não para de pirraçar. A pressa em votar o orçamento impositivo é prova disso. O alvo era Dilma – incompetente para gerir qualquer coisa -, mas o canhão acerta em cheio o país, sufocado por uma crise de dificílima superação.

Comprometer milhões para satisfazer o varejo dos deputados é uma irresponsabilidade coletiva que Cunha gostou tanto de aprovar que prorrogou, de forma inédita, uma dezena de milhões a mais para que parlamentares recém-empossados possam apresentar emendas.

Ao mesmo tempo, ele negocia com o governo entregar as ovelhas ao lobo, repassando a relatoria da CPI da Petrobras para o PT.

Em pleno carnaval, rasgou a fantasia.

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Propina lavada no TSE aproxima PT do escárnio

Em setembro do ano passado, a oito dias do segundo turno da eleição presidencial, Dilma Rousseff anunciou na sua propaganda televisiva que enviaria ao Congresso um lote de cinco projetos anti-corrupção. Passaram-se quase cinco meses. E nada. Na semana passada, a presidente mandou apressar a redação das propostas. Uma delas, que sugere “transformar em crime a prática do caixa dois” de campanha, nascerá morta. Criativo, o PT já fez o caminho inverso: converteu petropropinas em doações legais, registradas na Justiça Eleitoral.

Pelo menos três delatores do petrolão —o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o executivo da empresa Toyo Setal Augusto Ribeiro de Mendonça Neto— contaram aos procuradores da Lava Jato que parte da dinheirama roubada da Petrobras foi repassada ao PT como doação oficial.

Outro delator, o ex-gerente da Petrobras Pedro ‘100 Milhões’ Barusco, estimou em até US$ 200 milhões o montante de propinas amealhado pelo PT apenas na diretoria que era comandata por Renato Duque, um preposto de José Dirceu. Abespinhado, o presidente do PT, Rui Falcão, anunciou que a legenda decidira processar judicialmente o “bandido” Barusco. E reiterou: só ingressaram nas arcas do PT verbas limpas, devidamente escrituradas na Justiça Eleitoral.

Em 2005, quando o delator não-premiado Roberto Jefferson jogou mensalão no ventilador, o PT alegara que havia cometido “apenas” o deslize do caixa dois. Que o então tesoureiro Delúbio Soares rebatizou de “verbas não contabilizadas.” O STF não engoliu a lorota. Agora, com o óleo queimado do petrolão pelo nariz, o petismo decidiu fraudar até o brocardo. Não é que o crime não compensa. É que, quando compensa, muda de nome.

Na falta de alternativa melhor, o PT flerta com o escárnio. Converteu Tribunal Superior Eleitroal em lavanderia de dinheiro sujo. A legenda sinaliza à plateia que o cinismo é o mais próximo que conseguirá chegar da honestidade. Rui Falcão diz que a contabilidade do partido é transparente. O Barão de Itararé diria que o petismo habituou-se em viver às claras, aproveitando as gemas e sem desprezar as cascas. A essa altura, Dilma deveria substituir seus cinco projetos anti-corrupção por uma proposta mais singela: trocar o lema da bandeira. No lugar de ‘Ordem e Progresso’, algo como ‘Negócio e negócio’.

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Insônia!




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Blog do Noblat

Folia: TCU e Planalto jogam juntos para furar a Lava Jato
VEJA.com

O Tribunal de Contas da União aprovou em tempo recorde uma norma que, na prática, transforma o órgão em avalista dos acordos com empreiteiras do petrolão. Para o Ministério Público a manobra pode prejudicar a Operação Lava Jato e as investigações se chegar aos chefes do propinoduto. Assista. (aqui)

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Cunha se achega ao PT e revolta seus aliados

Surgiu o primeiro movimento de contestação a Eduardo Cunha. Curiosamente, é capitaneado por seus próprios aliados. Integrantes do bloco que o alçou à presidência da Câmara estão inconformados com a intenção de Cunha de ceder a relatoria da CPI da Petrobras a um deputado do PT. Farejou-se no gesto um odor de “acordão”. Na definição de um correligionário do PMDB, partido de Cunha, um petista como relator da CPI seria “um vampiro em banco de sangue”.

Os aliados de Cunha sentiram-se traídos. Deram-lhe poder para que ele os livrasse do que chamam de “hegemonia do PT”. Súbito, numa carnavalesca Sexta-Feira 13, descobriram que Cunha abrira negociações com o petismo sem consultá-los. Fez isso num instante em que o blocão de partidos antipetistas tramava controlar os dois postos de comando da CPI, alijando o PT —exatamente como sucedeu na comissão sobre reforma política, que será relatada pelo PMDB e presidida pelo DEM.

Negociam com Eduardo Cunha os petistas Sibá Machado e José Guimarães, respectivamente líderes do PT e do governo. Em privado, dão de barato que indicarão o relator da CPI petroleira. Já buscam um nome. Numa troca de telefonemas, o pedaço insubmisso do bloco de Cunha decidiu reagir. O presidente da Câmara será convidado a dar meia-volta. Do contrário, arrisca-se a produzir a primeira fenda no seu grupo de apoiadores, que parecia monolítico.

Nas pegadas de sua eleição, o próprio Eduardo Cunha informara em plenário que seu bloco, por majoritário, teria a primazia na escolha dos cargos na Mesa diretora da Câmara e nas comissões. O regime de pão e água que excluiu o PT da Mesa e do comando da comissão da reforma política perduraria pelos quatro anos da atual legislatura.

Nessa estratégia, caberia ao PMDB indicar o presidente e o relator da CPI da Petrobras. Se o partido opta por abrir mão da relatoria, tem de ofertá-la a uma legenda do bloco, não ao PT. Com uma ponta de desalento, um dos revoltados lamuriou-se: “Queríamos nos livrar do jugo do PT e estamos caindo na hegemonia do Eduardo Cunha. Ele não pode imaginar que vai tomar uma decisão como essas sozinho.”

O tema será levantado em reunião da bancada do PMDB marcada para 24 de fevereiro, dia em que o Congresso retoma suas atividades depois do feriadão carnavalesco. Vai-se saber, então, se os insatisfeitos com Cunha têm infantaria para converter o seu flerte com o petismo numa rebelião.

Longe dos refletores, Eduardo Cunha diz que a relatoria da CPI deve ficar com o PT para que o partido arroste o inevitável desgaste que as tentativas de abafar o caso trarão. Em meio ao esforço para entender as motivações do presidente da Câmara, surgiu entre seus eleitores uma interpretação bem mais malévola: o deputado joga na inviabilização da CPI para evitar desgastes adicionais a peemedebistas enrolados no petrolão, entre eles o amigo Sérgio Cabral. No limite, Cunha estaria executando uma operação de autodefesa.

Sintomaticamente, Lula reuniu-se no Rio, na quarta-feira, com a cúpula estadual do PSDM: o ex-governador Cabral, o governador Luiz Fernando Pezão e o prefeito Eduardo Paes.

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Em baixa!



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"Porquinho" Cardozo quer arrastar Oposição para o chiqueiro em que o PT transformou a Petrobras.

Os três porquinhos que coordenaram a campanha da Dilma em 2010: paga, segundo a Operação Lava Jato, com dinheiro do propinoduto da Petrobras. Cardozo, ministro da Justiça. Dutra, diretor da Petrobras. Palocci, ex-ministro de Dilma e envolvido na roubalheira da Petrobras.

(VEJA) Desde a morte do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos no ano passado, o PT perdeu seu grande estrategista em momentos de crise. Chamado carinhosamente de “God” (Deus, em inglês) pelos amigos, o onipresente MTB foi convocado para coordenar a defesa das empreiteiras tão logo deflagrada a Operação Lava-Jato. Ele tinha uma meta clara: livrar seus clientes de penas pesadas na Justiça e, de quebra, o governo petista da acusação de patrocinar um novo esquema de corrupção para remunerar sua base aliada no Congresso.

Negociador nato, Thomaz Bastos se dedicava a convencer o Ministério Público Federal de que a roubalheira na Petrobras não passava de um cartel entre empresas -- e que, como tal, deveria ser punido e superado com o pagamento de uma multa bilionária. Nada além disso. A morte tirou o criminalista cerebral da mesa de negociação. MTB deixou um vácuo. O governo perdeu sua ponte preferencial com as empreiteiras, o diálogo entre as partes foi interrompido, e as ameaças passaram a dominar as conversas reservadas.

Foi nesse clima de ebulição que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, assumiu o papel de bombeiro. Ex-deputado pelo PT e candidato há anos a uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cardozo se lançou numa ofensiva para acalmar as construtoras acusadas de envolvimento no petrolão, que, conforme VEJA revelou, ameaçam implicar a presidente Dilma Rousseff e o antecessor Lula no caso se não forem socorridas. Há duas semanas, o ministro recebeu em seu gabinete, em Brasília, o advogado Sérgio Renault, defensor da UTC, que estava acompanhado do ex-deputado petista Sigmaringa Seixas.

O relato da conversa percorreu os gabinetes de Brasília e os escritórios de advocacia como um sopro de esperança para políticos e empresários acusados de se beneficiar do dinheiro desviado da Petrobras. Não sem razão. Na reunião, que não constou da agenda oficial, Cardozo disse a Renault que a Operação Lava-Jato mudaria de rumo radicalmente, aliviando as agruras dos suspeitos de crimes como corrupção e lavagem de dinheiro. O ministro afirmou ainda que as investigações do caso envolveriam nomes de oposicionistas, o que, segundo a tradição da política nacional, facilitaria a costura de um acordo para que todos se safem. Depois disso, Cardozo fez algumas considerações sobre os próximos passos e, concluindo, desaconselhou a UTC a fechar um acordo de delação premiada. Era tudo o que os outros convivas queriam ouvir.

Para defender a UTC, segundo documentos apreendidos pela polícia, o escritório de Renault receberá 2 milhões de reais. Além disso, se conseguir anular as provas e as delações premiadas que complicam a vida de seu cliente, amealharia mais 1,5 milhão de reais. Renault esgrime a tese de que a Lava-jato está apinhada de irregularidades, como a coação de investigados. No encontro, Cardozo disse o mesmo ao advogado, ecoando uma análise jurídica repetida como mantra pelos líderes petistas.

Depois da reunião no ministério, representantes de UTC e Camargo Corrêa recuaram nas conversas com o Ministério Público para um acordo de delação premiada. A OAS manteve-se distante da mesa de negociação. “Na quarta-feira (um dia depois do encontro em Brasília), fomos orientados a suspender as conversas com os procuradores”, confidencia um dos advogados do caso. Cardozo não operou esse milagre sozinho. “Chegou o recado de que o Lula entrará para valer no caso e assumirá a linha de frente. Isso aumentou a esperança de que o governo não deixe as empresas na mão”, diz outro advogado de uma empreiteira.

Procurados por VEJA, Cardozo, Renault e Sigmaringa tropeçaram nas próprias contradições ao tentar esclarecer a reunião no Ministério da Justiça, classificada por eles como um mero bate-papo entre amigos sobre assuntos banais. Cardozo disse inicialmente que não se reuniu com Renault. Depois, admitiu o encontro. A primeira reação de Sigmaringa também foi negar a audiência com Renault no gabinete do ministro, para, em seguida, recuar. Os amigos compartilham, como se vê, do mesmo problema de memória.

Na versão de Cardozo, a reunião teria sido obra do acaso. Sigmaringa, um “amigo de longa data”, teria ido visitá-lo. Renault, que estava em Brasília e tinha um almoço marcado com o ex-deputado, decidiu se encontrar com Sigmaringa também no ministério. Pimba! Por uma conjunção cósmica, o advogado da UTC, empresa investigada pela Polícia Federal, acabou no gabinete de José Eduardo Cardozo.

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FARSA: Padilha turbina SUS para parto da filha! Petista dispensou plantonistas e chamou médicos de sua confiança
Padilha

Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde e candidato derrotado do PT ao governo de São Paulo, disse durante a campanha eleitoral que sua esposa, então grávida, faria o parto na rede pública do Sistema Único de Saúde (SUS), defendido pelo casal.

Hoje, os portais chapa-branca dizem que o petista cumpriu a promessa, em razão do nascimento na quinta-feira (12), no Hospital Municipal Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte paulistana, de sua filha com a jornalista Thássia Alves, Melissa.

Mas o SUS de Padilha está longe de ser o SUS disponível à população pobre do Brasil. Na verdade, está bem mais próximo do Sírio Libanês de Lula e Dilma.

“É um SUS plus. Só o endereço é igual. O resto é tudo diferente”, disse indignado a este blog um médico intensivista que acompanhou os acontecimentos de perto. O parto humanizado estava programado para março, mas Thássia foi internada na terça-feira e precisou passar por uma cesárea de urgência devido a um quadro de pré-eclâmpsia, doença que se caracteriza por alterações de pressão arterial que podem levar a gestante a crises convulsivas e até à morte.

Os mortais comuns do SUS costumam dispor de um obstetra e um pediatra e, quando o parto se complica um pouco, geralmente são dois obstetras e um pediatra. Já Padilha contou com o dobro de médicos na sala: três obstetras e três pediatras. Entre os primeiros, o próprio diretor do hospital que raramente vai à linha de frente. E os outros cinco eram todos do Hospital das Clínicas, da USP, em força-tarefa especial para o parto.

Isso mesmo: o petista chamou os médicos de sua confiança para fazer o que tinha de ser feito dentro de um hospital público, cuja equipe de plantonistas e residentes foi dispensada. A recém-nascida foi levada à UTI Neonatal, onde os plantonistas também tiveram de ceder lugar a uma médica do Hospital das Clínicas, profissional do Instituto da Criança da USP.

“Os médicos locais ficaram ofendidos, revoltados. Se você trabalha num lugar e cai uma estrela que chama alguém de fora, estão falando que ‘eu sou um bosta, que eu não tenho qualidade para atender o cidadão estrelado’”, disse o intensivista. “Mas a prefeitura está nas mãos do PT. Se alguém falar, vai sofrer retaliação”, completou, explicando que é da prefeitura a maternidade onde Thássia ficou em quarto individual com ar-condicionado – outro luxo exclusivo.

Para piorar, a opção pela cesárea imediata em caso de pré-eclâmpsia, embora recomendada em outros países, é relativizada pelo Ministério de Saúde, cujo manual sugere que ainda se poderia tentar a via normal de parto se o bebê tiver condições de nascer. Ou seja: pode ter sido devidamente ignorada a própria sugestão do MS, rechaçada por muita gente da área.

“[O ministro da Saúde, Arthur] Chioro faz política para combater cesárea, dizendo que pode matar, mas o que mata é a politização de um assunto técnico como a Medicina. Quando isso é feito, o resultado é o massacre que a gente vê na saúde pública brasileira”, comentou a fonte.

O jogo de cena montado para validar a propaganda política do PT e a suposta coerência de Padilha, a quem o prefeito Fernando Haddad garantiu um emprego, também foi denunciado em nota da página Mais Médicos Fail no Facebook, segundo a qual o casal pretendia fazer a transferência do bebê para um hospital particular: Einstein ou São Luiz Morumbi.

Uma blogueira da Folha de S. Paulo, que deu a notícia do parto como um cumprimento da promessa eleitoral de Padilha, escreveu a respeito: “O post mostra ainda um bate-papo de whatsapp de algum funcionário da unidade passando informações privilegiadas sobre a paciente e seu bebê, o que fere o Código de Ética Médica.”

A informação sobre o bebê, na verdade, está no post e foi devidamente reproduzida pela blogueira. A imagem do whatsapp mostra apenas informações básicas sobre os procedimentos incomuns e privilegiados adotados dentro de um hospital da rede pública por um político defensor do SUS na hora em que sua família precisou de seus serviços. Desmentir em atitudes o próprio discurso político embusteiro, sim, fere o Código de Ética humana – e é dever moral de qualquer cidadão de bem denunciar a farsa.

De resto, desejo toda a saúde do mundo a Thássia e Melissa. Lamento apenas que o SUS turbinado – ou plus, ou VIP, ou cinco estrelas – de Padilha seja, ainda, um privilégio de poucos.

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Costa, Cardozo e a sem-vergonhice institucionalizada

Paulo Roberto Costa disse em depoimento que não foi o único diretor da Petrobras a receber propina. Taí uma coisa em que acredito. De resto, isso já está dado, não é? Todos sabemos que há outros. E eu vou mais longe, e é este o ponto que me interessa: que razão haveria para o esquema vigorar apenas na Petrobras? Não se está diante de um desvio, mas de um método.

O que me incomoda na tese do Ministério Público Federal, que sustenta a formação de cartel de empreiteiras? A suposição de que elas decidiram se unir para fraudar contratos com a Petrobras. Não! O que se viu na estatal é um modelo de relação do estado com o setor privado. E quem dá as cartas e tem o monopólio da aplicação da lei é esse estado.

Isso tem história e até resquícios de teoria política. Não duvidem de que existem alguns “magos” do pensamento que acham que é assim mesmo que se faz: eles estariam apenas usando de algumas fissuras morais do “sistema” para poder implementar a sua nova ética. Coisa, em suma, de canalhas. E, claro, em meio aos ladrões que se ancoram numa, vá lá, ideologia, há os batedores de carteira de sempre, já que a bandidagem sabe reconhecer os seus iguais, ainda que estes aleguem outros propósitos.

Reportagem da mais recente edição da VEJA, que já está nas bancas (leia post anterior), demonstra que José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça,  começou a se mexer nos bastidores para garantir às empreiteiras que tudo se acalma a partir do Carnaval. E essa garantia foi dada muito especialmente ao advogado Sérgio Renault, defensor da UTC.

O dono da UTC é Ricardo Pessoa, acusado de ser o coordenador de um certo  “Clube das Empreiteiras”. É amigo pessoal de Lula e considera que foi jogado às cobras. Num manuscrito, deixou claro que a natureza do jogo é mesmo a política e sugeriu que as empreiteiras investigadas foram francas colaboradoras da campanha de reeleição de Dilma.

A promessa de paz
Nos bastidores, corredores e porões de Brasília, afirma-se que, depois do Carnaval, sai a lista dos políticos. Segundo essa versão, passada adiante também por Cardozo (como é que ele sabe?), alguns nomes graúdos da oposição apareceriam envolvidos na lambança. Isso criaria a união necessária para que todos tentem se salvar, não fazendo virar o barco. Na conversa com Renault, Cardozo entendeu que Pessoa não está disposto a servir de boi de piranha.

O ministro da Justiça também saiu agora a botar sob suspeição a investigação, indagando por que ela não abarca os anos FHC, já que pelo menos um delator premiado, Pedro Barusco, afirma ter começado a receber propina em 1997. Bem, é possível que sim. Mas vamos ver: Barusco era um quadro técnico. Em boa parte dos países, quando as empresas decidem comprar almas, procuraram esses cargos intermediários. Parece que foi o que aconteceu com o tal gerente, lá nas priscas era. No Brasil, em razão do modelo — essa estrovenga que chamam “presidencialismo de coalizão” —, os políticos é que têm a primazia.

Notem: não serei eu a criminalizar a política. Cardozo tem todo o direito de achar que a presidente é inocente ou que defensores do impeachment padecem de “problema psicológico”. Articular, no entanto, uma linha de defesa, envolvendo os réus, bem, aí já é a esculhambação completa.

Mas eu não esperava dele nada diferente. Ninguém recebe o carinhoso apelido de um dos “Três Porquinhos”, como Dilma o chamou (os outros eram Antonio Palocci e José Eduardo Dutra), porque goste, vamos dizer, de ambientes assépticos.


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Blog do Noblat

Como chegar a Lula no escândalo da Petrobras
Ricardo Noblat

O cerco começa a se fechar em torno da Odebrecht, a maior empreiteira do país suspeita de envolvimento com a corrupção na Petrobras.

Em delação premiada ao Ministério Público Federal, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras preso em Curitiba desde o ano passado, disse que a Odebrecht lhe pagou propinas a “cada dois ou três meses” em suas contas na Suíça entre 2008 e 2013.

Por baixo, Paulo Roberto calcula que recebeu no total algo como US$ 31,5 milhões. Os pagamentos tiveram a ver, segundo ele, com uma política da empreiteira de “bom relacionamento”.

A iniciativa partiu do diretor da Odebrecht Plantas Industriais Rogério Araújo. Paulo Roberto confessa que ouviu dele:

- Você é muito tolo, você ajuda mais os outros que a si mesmo. E em relação aos políticos que você ajuda, a hora que você precisar de algum deles eles vão te virar as costas.

A empreiteira desmentiu Paulo Roberto.

Há uma força tarefa formada por representantes do Ministério Público Federal e da Polícia Federal que atua desde a fase inicial da Operação Lava-Jato investigando contratos da Odebrecht com a Petrobras e o eventual pagamento de suborno.

A empresa sabe disso. E está pronta para rebater o que lhe imputem tão logo isso ocorra. E por meio da Odebrecht que o Ministério Público e a Polícia Federal imaginam que podem chegar ao ex-presidente Lula.

Assim que largou a presidência da República, Lula passou a prestar serviços a empreiteiras com negócios no exterior. A Odebrecht é uma delas. A OAS, outra.

Lula aproveita relações que estabeleceu com governos na época em que era presidente para defender os interesses das empreiteiras.

O que ele faz não é ilegal. Imoral? Pode ser.

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“The Economist”: Petrobras deve servir ao interesse nacional, não ao PT

Na VEJA.com:
Jornalistas da revista britânica The Economist estiveram em Brasília há pouco mais de uma semana para sentir a temperatura da crise econômica e política no país com o objetivo de produzir uma série de reportagens. A primeira foi publicada na edição desta quinta-feira, que trata da crise na Petrobras. Com o título “De quem é o petróleo”, a reportagem ironiza o slogan “O petróleo é nosso”, criado no final da década de 1940 numa campanha intensa do governo para dar à Petrobras o monopólio da exploração dos campos, e questiona o leitor se o “nosso” da frase significa o povo ou os indivíduos que se beneficiaram com a corrupção na estatal.

A publicação critica a política de reestatização da Petrobras ocorrida ao longo do governo Lula e afirma que o ex-presidente viu na descoberta do pré-sal a chance de retroceder em toda a estratégia de abertura ao setor privado que vinha sendo implementada pelo governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso.

A Economist afirma que o fato de os governos petistas terem usado a Petrobras como veículo de política industrial fez com que não só ineficiências e desperdícios fossem criados, como também se abrisse um enorme ralo para escoar dinheiro da corrupção. “A política industrial do PT foi perniciosamente cara para o Brasil. Isolar a Petrobras da concorrência justamente quando a empresa embarcou num dos maiores programas de investimentos do mundo foi um convite aberto ao roubo”, afirma a reportagem. 

Outro erro crasso, diz a Economist, foi a política de conteúdo nacional, que fixou níveis altíssimos (acima de 65%) de uso de materiais e peças produzidos no país para abastecer a indústria naval. “Foi uma receita para atrasos e custos extras”, afirma a reportagem.

Segundo a Economist, o Brasil precisa de uma política que busque adequar a Petrobras aos interesses nacionais, não aos de seus gestores e do partido de situação, o PT. “Isso significa reduzir o tamanho da empresa e colocá-la na competição por mercado”, afirma. A Economist ainda recomenda que a empresa use o dinheiro do petróleo para melhorar sua competitividade, infraestrutura e pesquisa.

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Lava-Jato: Precisamos tomar cuidado para não ser enredados pelo excesso de narrativas; é bom lembrar que delatores premiados seguem tendo interesses a resguardar e contas a acertar

Acompanhar as lambanças do submundo não é fácil, especialmente porque temos de lidar com vazamentos de depoimentos. E quem vaza isso ou aquilo sempre tem lá os seus motivos, não é? Que uma safadeza das grandes, de muitos bilhões, foi perpetrada na Petrobras (e onde mais?), isso é fato. Vamos ver. O doleiro Alberto Youssef afirma que José Dirceu recebeu propina do empresário Júlio Camargo, na Toyo Setal. A exemplo do doleiro, Camargo também fez acordo de delação premiada. E, até onde se sabe, não citou Dirceu. Ainda segundo Youssef, Camargo era íntimo do ex-ministro da Casa Civil e também de Antonio Palocci. Os petistas costumavam usar, afirmou, um avião Citation Excel, de propriedade de Camargo, que ficava num hangar da TAM, em São Paulo.

O nome de Dirceu já havia aparecido no escândalo do petrolão. A sua consultoria recebeu, ao todo, R$ 4,6 milhões das empreiteiras UTC, Camargo Corrêa, Galvão Engenharia e OAS. Segundo o chefão petista, o pagamento decorre de serviços efetivamente prestados. Youssef diz ainda que Camargo tinha um testa de ferro chamado Franco Clemente Pinto, encarregado de distribuir os pagamentos. Na lista de Franco, Dirceu era identificado como “Bob”.

Em reportagem de 2005, no início do escândalo do mensalão, VEJA revelou que entre as pessoas autorizadas a sacar dinheiro das contas do publicitário Marcos Valério, no Banco Rural, estava um dos principais ajudantes de Dirceu, Roberto Marques, conhecido justamente como… “Bob”. Era ele quem cuidava da agenda do então ministro.

Então tá. A menos que estejamos perdendo alguma coisa, ou Youssef fantasia — e por que o faria? —, ou Júlio Camargo não contou toda a verdade, a não ser que já tenha implicado Dirceu em seu depoimento, e a gente não saiba. O que estou dizendo é que duas delações premiadas, que trarão benefícios a seus respetivos autores, não podem ser verdadeiras com versões tão distintas. Ou por outra: precisamos ficar atentos para não ser enredados pelo cipoal de interesses, que permanecem e remanescem, mesmo no curso das investigações.

Querem outra história estranha? Paulo Roberto Costa diz ter recebido US$ 31,5 milhões da Odebrecht no exterior, o que a empresa nega. Ninguém esperaria que confirmasse, claro! Mas aí Costa diz que esse dinheiro não teria nenhuma relação com aquele que alimentava, digamos, normalmente o esquema, irrigando o bolso dos políticos. Cabe à Polícia e ao Ministério Público investigar. Mas fico cá me perguntando por que a Odebrecht daria uma bolada dessa — e não é pouco dinheiro — “por fora” a Paulo Roberto. Segundo ele disse, não se tratava nem de comissão, mas apenas de uma política de bom relacionamento. A rigor, se o depoimento foi mesmo esse, não seria crime ainda que a empresa admitisse. Mas vocês imaginam uma gigante como a Odebrecht a premiar com mais de US$ 30 milhões um diretor da Petrobras — que não decidia nada sozinho — só como política de bom relacionamento? Se é para comprar alguém a esse preço, não seria o caso na subir na escala?

Acho que é chegada a hora de começar a divulgar, oficialmente e de forma ordenada, os depoimentos. Já sobram versões e começa a faltar sentido em toda essa sem-vergonhice.

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Tomara que Pizzolato volte para aterrorizar os pilantras mensaleiros. Ou: Roberto Barroso, o falastrão do caso Battisti. Ou: O Brasil ficou com um criminoso italiano, mas acho que a Itália não quer um criminoso brasileiro…

A Corte de Cassação da Itália, a mais alta instância da Justiça daquele país, autorizou a extradição de Henrique Pizzolato, ex-gerente de marketing do Banco do Brasil, condenado a 12 anos e sete meses de prisão por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Notem: o que fez o tribunal foi afirmar que a extradição é possível. A decisão cabe ao governo, mais especificamente ao ministro Andrea Orlando, da Justiça. A questão só chegou à alta corte do país porque Pizzolato tem dupla nacionalidade. No Brasil, quem andou a dizer sandices foi o ministro Roberto Barroso, relator do processo do mensalão no Supremo. Por que afirmo isso? Vamos lá.

Indagado a respeito do caso, Barroso afirmou o seguinte: “Se houve uma condenação, e a Itália não entregar Pizzolato para que a pena seja cumprida no Brasil, certamente haverá uma sensação de impunidade. Pior do que uma sensação de impunidade: haverá um fato real e concreto de impunidade já que há uma decisão transitada em julgado”.

Sim, eu concordo com o ministro. Mas quem é ele para falar?

Antes de chegar ao Supremo, Barroso foi advogado de Cesare Battisti, o terrorista que conseguiu refúgio no Brasil por obra do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Battisti, membro de um grupo de extrema esquerda chamado Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), foi condenado à prisão perpétua na Itália pelo assassinato de quatro pessoas. O criminoso fugiu para a França, que decidiu extraditá-lo. Seus advogados recorreram à Corte Europeia contra a extradição. Perderam. O bandido fugiu, então, para o Brasil.

Em 2009, Tarso Genro, ministro da Justiça, lhe concedeu refúgio político — embora Battisti tenha sido condenado na Itália por crime comum. Em sua justificativa, o petista escreveu uma das peças mais patéticas da história. Afirmou, o que é escandalosamente mentiroso, que Battisti tinha sido vítima de um julgamento de exceção, durante os chamados “anos de chumbo”. A expressão designa o tempo em que a Itália enfrentou tanto o terrorismo de extrema esquerda como o terrorismo de extrema direita. Ocorre que, atenção!, jamais deixou de ser uma democracia.

O governo da Itália pediu a sua extradição, e a questão chegou ao Supremo. O grande e midiático defensor de Battisti, na fase final do julgamento, foi justamente Barroso. O Supremo tomou, então, uma das mais escandalosas decisões de que se tem notícia, prestem atenção: considerou, sim, ilegal o refúgio concedido ao italiano, mas disse que caberia ao presidente da República dar a palavra final, nos termos do Tratado de Extradição. Lula fez o quê? Concedeu o refúgio — contra o tratado. O Supremo voltou a se pronunciar. Consideraram a decisão de Lula ilegal os ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Cezar Peluso. Viram a decisão do petista como ato de soberania de estado Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa e Marco Aurélio. Ou por outra: seis ministros consideraram que o presidente é soberano para tomar uma decisão ilegal.

Agora volto a Barroso. Perguntaram a ele se o caso de Pizzolato não era semelhante ao de Battisti. Ora, é claro que é! Com duas diferenças: o terrorista não tinha dupla cidadania e cometeu crime de morte. O ministro, claro, negou a semelhança: “Não há nenhum tipo de analogia possível, nem muito menos eu imaginaria que uma democracia madura como a italiana, com instituições consolidadas, teria a preocupação de retaliar numa situação como essa”.

Espero que não! Espero que o governo da Itália não decida ficar com um criminoso brasileiro, assim como o governo do Brasil decidiu ficar com um criminoso italiano. Até porque não seria retaliação, mas burrice.

Torço para que Pizzolato volte e aterrorize os pilantras mensaleiros. Quanto ao ministro Barroso, dizer o quê? Deveria ser menos falastrão.

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O menor caminho entre a Lava Jato e o Lula tem nome: Odebrecht.

 (Estadão) O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou em sua delação premiada ao Ministério Público Federal no ano passado que a empreiteira Odebrecht, que está na mira da força-tarefa da Lava Jato, fez depósitos de propinas “a cada dois ou três meses” em suas contas no exterior entre 2008 e 2013 a título de “política de bom relacionamento” da empresa com ele. Os repasses totalizaram ao menos US$ 31,5 milhões até 2012.

Segundo Costa, os pagamentos em suas contas na Suíça não tinham relação com as propinas repassadas a partidos políticos e começaram a ser realizados por sugestão do próprio diretor da Odebrecht Plantas Industriais Rogério Araújo, que por volta de 2008 ou 2009 lhe disse: “Paulo, você é muito tolo,você ajuda mais os outros que a si mesmo. E em relação aos políticos que você ajuda, a hora que você precisar de algum deles eles vão te virar as costas”, relatou Costa na delação.

O executivo da Odebrecht teria indicado, então, o operador Bernardo Freiburghaus, dono da empresa Diagonal Investimentos e que foi intimado a prestar depoimentos na nona fase da Lava Jato, mas ainda não foi encontrado pela Justiça. Freiburghaus era o responsável por abrir e operar as contas do ex-diretor de Abastecimento no exterior. A suspeita das autoridades é de que atualmente ele esteja na Suíça.

Em sua delação, Costa admitiu que possuía cerca de US$ 26 milhões em contas na Suíça vindos da Odebrecht, valor que o Ministério Público Federal está negociando a repatriação com as autoridades suíças. No depoimento, o ex-diretor da estatal detalha como era a operação das contas, que ficavam a cargo de Freiburghaus, com quem Paulo Roberto se encontrava a cada dois meses para conferir os extratos na sede da Diagonal, ou mesmo na Costa Global, empresa de consultoria aberta por Costa.

Após o encontro, os extratos eram destruídos e o ex-diretor não ficava com nenhum documento, apesar disso, ele confirmou que anotou em sua agenda apreendida pela PF que, em outubro de 2012, possuía US$ 31,5 milhões em quatro contas de offshores mantidas em diferentes bancos no exterior.

O ex-diretor relatou ainda que o operador cobrava um valor fixo para operar as contas e que Freiburghaus considerava importante, “de tempos em tempos, haver alguma mudança” nas contas mantidas no exterior, isto é, movimentar os recursos entre as contas para não deixar rastros para as autoridades.

Nesse sentido, o operador transferiu recursos mantidos nas contas de Costa no HSBC (no Julius Bank Suíça) e no Deuscthe Bank para as contas na Suíça das quais as autoridades brasileiras conseguiram repatriar. Costa relata ainda que, após as transferências, ele foi pessoalmente nas agências das quatro contas abertas na Suíça conferir os valores.


Costa admite que pode ter recebido quantias nestas contas também em 2014, mesmo após deixar a Petrobrás, “como forma de acertar valores de contratos firmado à época em que o declarante era diretor de Abastecimento”. Segundo o ex-diretor, os valores repassados pela empreiteira eram relativos aos contratos da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

 Ainda de acordo com Costa, apenas o diretor da Odebrecht Rogério Araújo, o operador e seus familiares sabiam das contas no exterior. Costa  sequer mantinha as senhas das contas, que ficavam com Freiburghaus, e que , segundo o delator, eram mantidas no exterior “para uso futuro, quando viesse a precisar” .

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PT: UMA QUADRILHA NO PODER - RAFAEL BRASIL

Quem falou que o PT era uma quadrilha encastelada no poder foi, dentre outras pessoas o ministro Celso de Mello durante o processo do mensalão. Bem antes dele Olavo de Carvalho apontava que o partido era uma quadrilha, inclusive envolvida com o narcotráfico, pelo apoio às FARC, grupo terrorista colombiano que trafica cocaína, e sequestrou e matou milhares de inocentes, inclusive com bombas, que é apontado pelo PT como uma força política beligerante, guerrilheira, ou seja, não terrorista. Em relação às FARC, o PT prega               que o governo colombiano negocie com essa gente. Assim como Dilma propôs negociações com os terroristas do grupo chamado de estado islâmico, aquele mesmo que decapita prisioneiros e os queima vivos, e ainda divulga os terríveis e covardes atos em vídeos veiculados pela internet.

Segundo o historiador Marco Antonio Villa, O PETROLÃO É O MAIOR CASO DE CORRUPÇÃO DA HISTÓRIA MUNDIAL. E olhem que ainda falta muita coisa, como abrir a caixa preta do BNDES, que deve mais de 350 bilhões ao tesouro. Na verdade toda esta roubalheira serviu como parte de um projeto de poder com raízes stalinistas. Quiseram à exaustão dividir o país entre nós ( os do PT ) e eles, o restante da população e da oposição.

A esse respeito o senador Ronaldo Caiado prometeu lutar pela convocação de uma CPI sobre o rombo do BNDES. E o resto? E o banco do Brasil, a caixa econômica e tudo o mais?  É a maior máquina de corrupção já montada e seu chefe é Lula, que precisa ser indiciado e devidamente preso por crimes dos mais diversos, dentre os quais o de lesa pátria.

Particularmente eu  sabia que os petistas eram retrógados e essencialmente reacionários, pois sempre foram prisioneiros dos dogmas do passado, e iriam afundar o país. Porém nunca pensei nesta roubalheira.

 No primeiro governo Lula, os petistas tiveram sucesso pela manutenção dos marcos macroeconômicos duramente plantados pelo governo Fernando Henrique. Depois, com a farta distribuição de benesses à população mais pobre, achavam que podiam tudo, e a esquerda passou a comandar a economia. Deu no que deu. A desorganização total e a quase falência da Petrobrás a qual acusavam os opositores de quererem privatizar. Uma lástima total. Há  quem ainda defenda essa gente. São os totalmente ainda desinformados ou os picaretas de plantão.

Quem for brasileiro que vá às ruas no dia 15 de março, pedir o impeachment da presidente, que se esconde do povo, e foi eleita com base nas maiores mentiras utilizadas numa campanha eleitoral que se tem notícia na história do país.  Mas o comandante é Lula, que anda escondido de todos e foge de jornalistas como o diabo foge da cruz. Não passa de um covarde.

A história o julgará como o presidente mais medíocre da nossa história republicana. E felizmente o PT vai ter o lugar que merece: A LATA DE LIXO DA HISTÓRIA.


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Blog do Coronel

Justiça italiana decide extraditar o mensaleiro petista Pizzolato.

(Estadão) A instância máxima da Justiça na Itália autoriza a extradição de Henrique Pizzolato ao Brasil e determina que o condenado no caso do mensalão volte para a prisão, em Modena. Nesta quinta, a Corte de Cassação em Roma reverteu a decisão de primeira instância de rejeitar o envio do brasileiro de volta ao País e aceitou as garantias dadas pelo governo brasileiro de que a integridade física de Pizzolato será assegurada.

A Interpol já foi acionada e lançou na manhã desta quinta uma operação para prender o brasileiro.  Num primeiro momento, a organização internacional informara que já sabia onde estava o acusado, mas depois de consultar a polícia italiana, se deu conta que, de fato, seu paradeiro não era desconhecido. A falta de informação pode levar uma nova caçada a Pizzolato.  A polícia de Modena confirmou que nos últimos dias ele passou a ser monitorado para evitar uma nova fuga.

O julgamento ocorreu nesta quarta, em Roma, mas a sentença foi pronunciada apenas na manhã desta quinta-feira, 12. Pela decisão da Corte, "existem condições para a extradição', numa referência à situação das prisões no Brasil, e das garantias dadas pelo governo. Ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, Pizzolato foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão. Mas, há um ano e cinco meses, fugiu do País com um passaporte falso e declarou que confiava que a Justiça italiana não faria um processo político contra ele, como acusa a Justiça brasileira de ter realizado.

Ele acabou sendo preso na cidade de Maranello e, em setembro do ano passado, a Corte de Bolonha negou sua extradição argumentando que as prisões brasileiras não têm condições de recebê-lo. Ao sair da prisão, declarou que havia fugido para "salvar sua vida". Para conseguir reverter a decisão, os advogados contratados pelo Brasil insistiram na tese de que a Itália não poderia generalizar a condição das prisões no País.

A partir de agora, o caso de Pizzolato deixa a esfera judicial e passa para o âmbito político. Caberá ao ministro da Justiça do governo de Mateo Renzi uma decisão final sobre o caso. Fontes na Itália admitem que, a partir de agora, pode pesar o atrito entre Brasil e Roma no que se refere à decisão do ex-ministro da Justiça, Tarso Genro de não extraditar Cesare Battisti, condenado na Itália por assassinato.

BATTISTI
Nesta quarta-feira, os advogados de Pizzolato introduziram pela primeira vez o tema de Battisti no debate e tentaram argumentar diante da Corte que o ex-diretor do Banco do Brasil não poderia ser extraditado por conta da recusa do governo brasileiro em cooperar no caso de Battisti. O argumento não foi acatado.

"O Brasil mostrou que não há uma reciprocidade", indicou o advogado de Pizzolato, Emmanuelle Fragasso. Para ele, a Itália também deve responder da mesma forma, rejeitando o pedido brasileiro. "O Brasil fez um julgamento político", declarou.

Miqueli Gentiloni, advogado contratado pelo Brasil, rejeita o argumento da defesa de Pizzolato. "Isso não tem nenhuma influência nesse processo", insistiu. "É a primeira vez que a defesa usa esse argumento no processo", ressaltou.

Battisti foi condenado na Itália por terrorismo. Mas, no Brasil, Tarso Genro o concedeu asilo, o que gerou fortes protestos por toda a Itália e ameaças de suspender certos acordos de cooperação. Gentiloni, porém, alega que os casos são "diferentes". Além disso, o Brasil destaca que outros dois criminosos foram extraditados ao País nos últimos meses, com o sinal verde do tribunal de Roma.

ESPECIAL
O Brasil conseguiu uma vitória judicial graças às garantias diplomáticas dadas de que Pizzolato teria sua proteção assegurada na prisão. As garantias foram apresentadas pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Para a defesa contratada pelo Brasil, isso "demonstra inequivocadamente não apenas que (Pizzolato) não corre perigo de tortura, mas é garantia de que receberá um tratamento melhor em respeito a dos demais presos".

Os advogados contratados pelo Brasil indicaram ainda ao juiz de Pizzolato faria parte, assim como os demais condenados no mesmo caso, de "uma categoria de presos aos quais está assegurado o total respeito da lei e de seu conforto".

Para dar provas disso, o Brasil explicou a estrutura do Complexo da Papuda, penitenciária para onde Pizzolato seria enviado, e deu garantias de que ele ficaria "isolado do resto da população carcerária".Fragasso, advogado de Pizzolato, criticou a postura do Brasil. "Ainda não sabemos se vão de férias para Papuda ou é uma prisão. O turista que vai para Copacabana também aproveita para visitar a Papuda?", ironizou o advogado.

PRECEDENTES
Os advogados do Brasil também usaram mais de uma dezena de casos para mostrar que países europeus já extraditaram criminosos "para países onde a situação de direitos humanos é muito pior que as do Brasil". Gentiloni mostrou que, por toda a Europa e mesmo na Corte de Estrasburgo, criminosos já foram extraditados para países como Bangladesh, México, Rússia, Cazaquistão, Índia e Turcomenistão.Para os advogados, portanto, a situação generalizada das prisões de um país não pode ser um argumento suficiente para impedir a extradição.

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Dilma e Graça Foster não escaparão da Justiça... Americana!
Ricardo Noblat

Lula está rouco de tanto repetir que o julgamento dos mensaleiros foi político e não jurídico. E que por isso eles acabaram injustamente condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Sabemos que não foi assim, mas não importa. Lula e Dilma nomearam a larga maioria dos ministros do STF. Que teria então se voltado contra eles? Foi isso o que aconteceu?

Menos, gente. Menos. Adiante.

Quando o Tribunal de Contas da União (TCU) bloqueia os bens de 10 ex-diretores da Petrobras, mas deixa de fora os de Graça Foster, ex-presidente da empresa, do que se trata?

De julgamento jurídico? Ou de um julgamento político?

O TCU também livrou Dilma, presidente do Conselho de Administração da Petrobras na época da compra da refinaria Pasadena, no Texas.

Pasadena representou um prejuízo de US$ 792,3 milhões para a Petrobras, que a comprou de um grupo belga. Os jornais de Bruxelas celebraram a venda como “o negócio do século”. Para os belgas.

Em qualquer país minimamente cumpridor de regras, e escravo do bom sem senso, seria impossível isentar a ex-presidente da empresa da compra da... Empresa.

Dá-se o mesmo com os membros do Conselho de Administração. Por ora, eles desfilam como inocentes. Mas a Petrobras já responde nos Estados Unidos a três processos.

Lá não haverá conversa. É mais do que provável que sobre para Graça, Dilma e o resto do Conselho.

Vida que seguirá.

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Lula aponta erros de Dilma e finge não ter culpa

Difícil saber o que Lula esperava quando escolheu Dilma para sucedê-lo. Mas, a julgar pelo que anda dizendo dela, deve respirar profundamente e dizer de vez em quando: “Não era nada disso!”

Marta Suplicy dissera que Lula tinha desligado Dilma da tomada. “Ela não ouve, não adianta falar”, ele lavara as mãos. Pois o criador cético e a criatura circunspecta discutirão a relação nesta quinta-feira, em São Paulo.

A dupla está condenada à conciliação. Pela simples e boa razão de que não há Dilma sem Lula. E vice-versa. Se a canoa não virar, 2018 será uma possibilidade. Do contrário… Olêêê, olêêê, olááá!

A conversa seria mais proveitosa se Dilma subvertesse a ordem. Em vez de ouvir o inventário dos seus erros —da desorientação política ao isolamento— deveria submeter Lula a meio minuto de verdades.

A Lula o que é de Lula: quem transformou a Petrobras numa megajazida de propinas foi o padrinho. A afilhada tentou apagar o fogo em 2012, livrando-se de diretores partidários. Mas era tarde. O óleo queimado roçava-lhe o bico do sapato.

É sempre mais fácil apontar culpados do que procurá-los. Se procurasse, Lula encontraria no reflexo do espelho o responsável pelo outro pedaço da crise. Quem fabricou o mito da supergerente? Pois é, depois que o gênio é retirado da garrafa, não há como fazê-lo voltar.

Graças à conversão do matrimônio em patrimônio, o PT teve dinheiro para bancar as mumunhas de João Santana. Ilude daqui, engabela dali Dilma pediu aos eleitores mais um mandato. Obteve. Agora precisa dizer para quê.

Lula ajudará de verdade se parar de fazer pose de conselheiro. Dilma já deve ter notado que o mal de discutir com gente que se faz de idiota é o pessoal não distinguir quem é quem. Segundo o Datafolha, metade do país acha que está sendo presidido por uma mulher desonesta (47%), falsa (54%) e indecisa (50%).

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PT agora luta para provar que é igual ao PSDB

Como distinguir um petista de um tucano? Noutros tempos era fácil. Petista tinha barba. Hoje, a barba não quer dizer mais nada. Até Aécio tem uma. Petista considerava-se dotado de superioridade moral. A moral também perdeu o sentido. Lula e Dilma rebaixaram-se para entrar num todo que inclui Renan, Sarney, Collor e Maluf.

Nos últimos 12 anos, o PT esforçou-se para provar que era diferente do PSDB. De repente, o petismo desencadeou um esforço para demonstrar que tem algo em comum com o tucanato. O PT escora-se no depoimento de dois delatores para alardear que o PSDB foi o precursor do ritual de emporcalhamento da Petrobras.

“Irregularidades começaram na gestão FHC”, grita o PT em notícia veiculada no seu portal na internet. No desespero para atenuar suas culpas, o PT roga à plateia que o nivele à baixeza geral que outrora atribuía aos outros partidos. Para atrair a cumplicidade do PSDB, o PT como que admite que não está imune às tentações.

Até aqui, o PT pegava em armas para defender a tese segundo a qual o Brasil foi descoberto em 2003. A estabilidade econômica é obra de Lula. FHC não fez senão quebrar o Brasil três vezes. O Bolsa Família não tem nada a ver com as bolsas tucanas. Súbito, descobre-se que, na avaliação do PT, seus governos só aproveitaram do tucanato a corrupção.

No aniversário de 35 anos do PT, Lula leu o trecho do manifesto de fundação que previa que o partido seria diferente dos demais. “Não é possível a gente imaginar que está tudo bem'', lamentou. “Não é verdade que o PT tenha se transformado num partido pior do que os outros, mais fisiológico ou mais sujeito aos desvios. O verdadeiro problema do PT é que ele vai se tornando cada vez mais, se a gente não tomar cuidado, um partido igual aos outros.”

Quer dizer: todos aqueles ataques à corrupção no governo Collor, todas aquelas críticas à privatização tucana, trançada “no limite da irresponsabilidade”, tudo aquilo vinha sempre com uma pontinha de inveja. Confirma-se agora algo que o mensalão já deixara claro: o PT era apenas a perversão que ainda não tinha chegado à chave do cofre.

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Até aqui, tudo bem!



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O PT agora tenta nos convencer de que é a grande vítima do esbulho a que foi submetida a Petrobras. Que gente!

O PT agora decidiu — e corro o risco de chegar às lágrimas antes mesmo de terminar meu post — que é a grande vítima da Operação Lava Jato. Numa resolução divulgada na sexta, o Diretório Nacional do Partido já acusou a existência de um grande camplô da direita para desestabilizar Dilma e privatizar a Petrobras. Nesta quarta, Rui Falcão, presidente do partido, anunciou a disposição de processar Pedro Barusco em razão das acusações que fez.

Segundo o ex-gerente da Petrobras, que fez acordo de delação premiada, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, levou em propina entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões. “Nós vamos fazer uma interpelação cível e criminal contra esse bandido Pedro José Barusco Filho”, disse Falcão, na sede do diretório nacional do PT, em São Paulo. Segundo o petista, o mesmo acontecerá com qualquer outro que envolver o nome do partido sem provas. Entendi.

Não custa lembrar que acordos de delação premiada só trazem os benefícios esperados se o denunciante prova o que diz. O mais curioso é que, em outra frente, petistas tentam demonstrar que tudo começou — eles adoram isso! — no governo FHC. Em um dos depoimentos, Barusco afirmou que começou a receber propina em 1997.

Sob o comando de Falcão, o líder do PT na Câmara, o folclórico Sibá Machado (AC), e um grupo de deputados do partido entregaram nesta quarta à vice-procuradora-geral da República, Ela Wiecko, um pedido para que o Ministério Público investigue casos de corrupção e o pagamento de propina na Petrobras no período em que FHC era presidente (1994-2002). Diz o texto: “Causa surpresa e estupefação que, diante da extrema gravidade dos fatos relatados pelo declarante –que revelam a origem do pagamento de propinas na Petrobras– não tenha havido qualquer indagação nem aprofundamento pelos agentes de investigação”. Os deputados acusam ainda o MP de fazer uma “investigação dirigida e ilegal”, com fins “político-partidários”. Entendi: quando Barusco diz que Vaccari recebeu até US$ 200 milhões, é um bandido; quando fala que começou a receber propina em 1997, aí se torna uma pessoa confiável.

Não conheço ninguém que acredite que a corrupção na Petrobras começou com o governo do PT. É claro que não! O que é evidente é que ela se tornou um sistema nos governos petistas.

Na entrevista, Falcão ainda voltou à ladainha da suposta campanha golpista… No fim de 2005 e 2006, à esteira do mensalão, essa bobagem ainda colou. Hoje em dia, revela-se como aquilo que é e que sempre foi: uma pantomima grotesca.

Falcão deveria ser mais econômico em sua fúria planejada. Ele concedeu a entrevista antes que se divulgasse a notícia de que Ricardo Pessoa fez acordo de delação premiada. Vai saber o que sai dali, não é mesmo, Falcão?

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Agência de classificação de risco põe Brasil no grau especulativo; PT já tem a receita para destruir Dilma de vez: uma guinada à esquerda. Vai fundo, Soberana!

As agências de classificação de risco separam os países e empresas em dois grupos: “grau de investimento” e “especulativo”. No primeiro grupo, ficam aqueles que são considerados potenciais ou reais bons pagadores, onde os investimentos correm poucos riscos; no segundo grupo, aqueles que são tidos como potenciais ou reais maus pagadores. Até esta quarta-feira, o país estava no último degrau da escala dos bons pagadores da agência britânica “Economist Intelligence Unit”. Agora não está mais. Foi rebaixado para o primeiro patamar do grau especulativo: sua nota passou de BBB para BB. A agência possui dez degraus: AAA, AA, A, BBB, BB, B, CCC, CC, C e D.

É claro que se trata de uma péssima notícia porque isso aumenta a desconfiança dos investidores estrangeiros no Brasil. Para lembrar: a Petrobras está por pouco. No dia 4, a Fitch rebaixou a nota da empresa de “BBB” para “BBB-“. No dia 30 de janeiro, a Moody’s já havia feito a mesma coisa: de “Baa2” para “Baa3”, seguindo os passos da Standard & Poor’s, que considera a estatal “BBB-“ desde 24 de março do ano passado.

Agências de classificação de risco e suas letrinhas não são a bula papal, é claro! Também elas podem errar. O diabo é que, no Brasil, como evidenciam os dados da economia e sem-vergonhice grotesca na Petrobras, elas estão certas. Ou Joaquim Levy não estaria no Ministério da Fazenda pondo todos os seus cabelos a serviço de descobrir um caminho para ajeitar as contas.

“Segundo Robert Wood, analista da EIU, a forte deterioração nas contas públicas provocou o rebaixamento”, informa a Folha. Mas e Levy? Não ajuda na reputação. Leiam o que diz Wood: “Em nossa análise qualitativa, reconhecemos que a nova equipe econômica trouxe um ganho de credibilidade para o governo, mas isso não compensou o efeito da forte piora dos dados”. Vale dizer: Levy não faz milagres.

Infelizmente, as coisas podem piorar. A base aliada do governo no Congresso já demonstrou disposição de resistir ao pacote de austeridade baixado pela presidente Dilma e coordenado pelo ministro da Fazenda. Ninguém quer segurar a alça do caixão do petismo, sobretudo porque vem recessão por aí, e os pobres sempre pagam mais caro.

Nesta quarta, como vimos, o dólar atingiu a sua mais alta cotação desde 2004, o que reflete a deterioração da confiança no Brasil. Mas o PT já teve algumas grandes ideias para resolver o problema da falta de credibilidade. Estão expressas na Resolução do Diretório Nacional, divulgada na sexta passada. A receita é a seguinte, prestem atenção:
– o governo dar uma guinada à esquerda;
– apelar a forças que estejam fora do Congresso;
– aprovar imposto sobre grandes fortunas;
– lutar por reforma política que o Congresso rejeita;
– declarar que essa história de Petrobras não passa de complô da direita para desestabilizar Dilma e privatizar a estatal.

Nem o pior inimigo da governanta lhe proporia uma agenda tão energúmena. Não tem como não dar errado. Eu, Reginaldo, ainda não mudei aquele conselho que já dei a Dilma, depois que ela decidiu transformar Lula no seu Lenin e perguntar a ele o que fazer. Qual é mesmo o meu conselho, Reginaldo?

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Petrobras na lona: roubalheira, explosão de plataforma, cadáveres, desaparecidos e desastre cambial: é a tempestade perfeita!

Diz-se de Juscelino Kubitschek que construiu 50 anos em 5. Nem concordo muito com isso, uma síntese de aduladores, mas vá lá. Representou, sem dúvida, um avanço para o país. Dilma Rousseff, já escrevi aqui, veio para inovar: como prometeu em 2014 uma porção de coisas que já havia prometido em 2010, brinquei que ela pretendia fazer quatro anos em oito. Mas isso também não vai acontecer porque a presidente herdou de si mesma uma herança maldita que não é bolinho. Se pensarmos o PT como um conjunto, aí a coisa é mais séria: os valentes provaram que é possível destruir 60 anos em 12. Eu me refiro, claro, à Petrobras.

Tudo aquilo de que a empresa não precisava agora — e está tendo de enfrenta-lo — era uma disparada do dólar. Como demonstra reportagem da Folha desta quinta, os efeitos são desastrosos para a empresa. Analistas classificam essa disparada da moeda americana como a “tempestade perfeita” para a estatal, que já enfrenta a crise provocada pela roubalheira institucionalizada e até a explosão de um navio-plataforma, com mortos e desaparecidos.

Atenção para a fórmula do desastre em razão da variação cambial: 75% das despesas estão em dólares (importação de gasolina e gás, royalties, despesas de exploração etc.), mas apenas 25% das receitas são em moeda forte (exportações de petróleo, venda de combustível de aviação). O relatório é do banco Goldman Sachs.

Em recente explanação a investidores, a estatal projetava chegar ao fim do ano com modestos US$ 8 bilhões em caixa. Ocorre que o pior cenário imaginado era um dólar a R$ 2,80. Nesta quarta, ele chegou a R$ 2,87.

E há o problema do endividamento. Informa o jornal que, “segundo dados mais recentes da empresa, a dívida líquida subiu de R$ 221,6 bilhões em dezembro de 2013 para R$ 261,4 bilhões em setembro de 2014 por causa da variação cambial. Cálculo do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura) aponta que a variação cambial pode ter elevado essa dívida para R$ 290 bilhões.”

Pode-se discutir, claro, se o desastre que a questão cambial provoca na contas da empresa é ou não culpa do governo. Basta olhar para outros países da América Latina e para outros emergentes para saber que é, sim. Colhe-se na economia o que foi diligentemente plantado. Não pensem que é tão fácil assim destruir as contas do país e lançá-lo no descrédito. É preciso ser obsessivamente incompetente — e teimosa! Adiante.

Ainda que a questão cambial fosse obra da natureza, o resto não é. A Petrobras só está na pindaíba porque, em passado recente, foi usada como instrumento porco de política econômica — para segurar a inflação — e porque foi entregue a uma quadrilha. Mesmo com o dólar num patamar mais civilizado, estaria na lona.

Mas o que é que diz mesmo aquela resolução do PT? Não se pode tocar no sacrossanto modelo de partilha, aquele que impõe à estatal desembolsos bilionários de um dinheiro que ela não tem.

Para citar Ivan Lessa, o partido insiste num modelo que tem os dois pés no chão. E as duas mãos também. Vocês sabem: é tudo culpa da direita e da elite branca de olho azul.

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Corte italiana autoriza extradição de Pizzolato e determina sua prisão imediata; petistas estão em pânico; ministro da Justiça da Itália vai decidir se ele fica ou vem

As más notícias para o PT não cessam. A Corte de Cassação da Itália decidiu extraditar o petista Henrique Pizzolato, ex-gerente de marketing do Banco do Brasil, anulando decisão da primeira instância. Os juízes determinaram ainda a sua prisão. Atenção! A decisão da Corte não implica que ele será necessariamente extraditado. A última palavra será dada pelo ministro da Justiça. No Brasil, ele está condenado a 12 anos 7 meses de prisão por peculato, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Os petistas já estão em pânico. A volta de Pizzolato seria como a saída de um zumbi do armário. Ele desmoraliza as versões fantasiosas que os petistas tentam consolidar sobre o mensalão. Se mensaleiros como José Dirceu, Delúbio Soares e José Genoino fizeram suas vaquinhas indecentes para supostamente pagar multa, Pizzolato — que, na prática, era chefiado pelo trio — deixa claro que não tinha problemas financeiros. Viveu vida de rico na Europa. Comprou nada menos de três apartamentos só no litoral da Espanha — dois deles avaliados em R$ 3 milhões. Por que será que seus chefes posam de coitadinhos?

A virtude que os petistas mais apreciam em Delúbio é a sua capacidade de aguentar tudo calado, de não denunciar ninguém, de ser um homem do partido — é, em suma, a encarnação cara de pau. Já deu para perceber que Pizzolato é de outra natureza: não aguenta o tranco. Tem queixo de vidro.


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Blog do Merval

Reforma da crise

O sentimento de confronto com o PT, e o enfraquecimento do governo em meio à dupla crise econômica e política, está levando a uma tendência majoritária no Congresso de aprovação de uma reforma política que resgate a credibilidade dos parlamentares.

Decisões polêmicas como o voto facultativo, a limitação de partidos políticos, o corte de verbas e proibição do uso de propaganda no rádio e televisão por partidos que não atingirem determinado volume de votação, a restrição ao financiamento eleitoral privado por empresas, tudo está em discussão com boa chance de resultar em uma reforma digna desse nome.

A reforma que começará a ser analisada por uma comissão controlada pela oposição vai no sentido inverso do que o PT prega, rejeitando o voto em lista e o financiamento público de campanha. É perceptível uma maioria se formando para a aprovação do voto majoritário para deputado federal, o chamado distritão, que não precisa de muita explicação para o eleitor: os mais votados são eleitos, preenchendo as vagas a que cada Estado tem direito.

O embrião do distritão já está registrado no relatório de um grupo de trabalho da Câmara que apresentou proposta em 2013. O PT, naquela ocasião, ainda tinha força para barrar propostas das quais discordava, e o projeto só agora será resgatado pela Comissão aprovada pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha. A idéia do distritão é do Vice-Presidente da República, Michel Temer, e por isso tem o apoio do PMDB.

O deputado Miro Teixeira já está apanhando assinaturas para apresentar uma emenda com a proposta do distritão, e rebate a tese de que esse sistema enfraquece os partidos políticos, tornando a eleição personalista. Segundo ele, os partidos políticos poderão se concentrar no lançamento de candidatos expressivos em todos os segmentos da população, sem a preocupação de alcançar o número máximo permitido por lei.

Com o voto proporcional hoje em vigor, os partidos buscam não apenas candidatos com potencial de votos, mas também os que podem ter 2 a 3 mil votos para se somarem ao final, em busca do quociente eleitoral, o número mínimo que elege parlamentares em cada Estado.
O voto majoritário acabaria com as injustiças de eleger deputados com votação ridícula, como quatro do Prona que foram eleitos em 2002 com pouco mais de 600 votos devido à votação de Enéas, que recebeu 1.573.642 naquela eleição. Ao contrário, a injustiça do sistema ficou exposta quando o advogado Marcelo Cerqueira foi um dos dez mais votados no Rio e não se elegeu deputado federal na Constituinte por que o Partido Socialista Brasileiro não atingiu o quorum necessário para eleger um deputado.

O caso atual é o do deputado federal Tiririca, do PR, que com pouco mais de 1 milhão de votos, elegeu sozinho dois deputados, além de si próprio. Seu caso e o de Celso Russomano, que elegeu mais quatro deputados, são exemplos de que nem mesmo o fim das coligações proporcionais resolveria essa distorção, pois seus partidos não fizeram coligação.

Com o distritão, seria possível que partidos saíssem a cata de Tiriricas, mas não existem tantos assim no mercado eleitoral, e a direção partidária terá que se preocupar com o conjunto da obra. O milhão de votos de um Tiririca só servirá a ele, enquanto que candidatos com mais peso político podem ser mais eficazes para fortalecer as teses partidárias.

A tentação de um político “bom de voto” lançar seu próprio partido e ganhar um mandato independente não tem respaldo na realidade e nem na legislação que se pretende aprovar. Um político de expressão eleitoral só vai para um partido pequeno em último caso, pois perderia o direito a voto de liderança, participar de comissões, e outras posições de prestígio parlamentar.

Além do mais, pretende-se aprovar cláusulas de desempenho que não impediriam os partidos que não as atingissem de ter representação no Congresso, mas eles não teriam direito a tempo de propaganda de rádio e televisão e nem ao fundo partidário, o que lhes tiraria o atrativo principal.

Uma ideia que cresce entre os parlamentares, apoiada pelo presidente da Comissão, deputado Rodrigo Maia, é limitar os custos das campanhas eleitorais, aprovando uma legislação que incentive o debate de idéias nos programas eleitorais, e impeça a utilização de efeitos especiais. Maia acha que o financiamento privado não deve ser proibido, mas restringido. Por exemplo, empresas que tenham vínculos com governos não poderiam fazer doações.

Quanto maior a crise, mais favorável fica o ambiente para a aprovação de uma verdadeira reforma política que melhore a imagem do Congresso, diz Rodrigo Maia.

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‘O Governo é um fingidor’ e outras seis notas de Carlos Brickmann
CARLOS BRICKMANN

Como não disse Fernando Pessoa, um Governo finge tão completamente que chega a achar que é certa qualquer história que invente.

O Governo Federal vai mal, perdendo aliados (até o fiel dos fiéis, o gaúcho Olívio Dutra!), sofrendo oposição mesmo de partidos que contemplou com boquinhas, com aliados que o amam com todo o ódio. Qual a saída? João Santana. Dilma decretou que o problema está na falta de comunicação: é preciso trazer de volta o comunicador do Brasil Cor de Rosa para restabelecer a Força Vermelha. Porque, no Brasil, quando o Governo não anda, mais verba para a propaganda.

O setor de Comunicação do Governo Federal está com problemas: João Santana escreveu o discurso de posse de Dilma, saiu de férias e ainda não voltou, Thomas Traumann não queria ficar como porta-voz mas não havia ninguém para por em seu lugar, Ricardo Berzoini não é do ramo. Mas talvez o problema não esteja apenas no que é dito, ou como é dito, mas naquilo que se sente: promessas descumpridas, alta de impostos, alta brutal da luz, Petrolão. Há quem reclame do uso do nome Petrolão. Mas, se fosse outro o nome, menor seria o escândalo?

O Governo tucano paulista tem o mesmo problema, enfrentado da mesma maneira: para reduzir o impacto da estiagem, baixou um dicionário em tucanês castiço. Volume morto virou Reserva Técnica, crise hídrica se transformou em alocação inteligente de recursos hídricos disponíveis para maximizar sua utilização. Enfrentar a falta d’água é menos importante: as eleições ainda estão longe.

Dietas já
O prefeito de São Bernardo do Campo, SP, o petista Luiz Marinho, cortou drasticamente a merenda escolar. Explicação: os alunos estavam ficando obesos. Se Dilma pode fazer dieta, por que os alunos seriam privados de passar fome?

Com gente é diferente
Lembra da propaganda de Dilma, em que os banqueiros embolsavam o dinheiro e a comida sumia da mesa da população? Dilma ganhou, os banqueiros também: em 2014, o Bradesco teve lucro líquido de R$ 15,3 bilhões, seu recorde (e, além disso, indicou um alto funcionário para ocupar o Ministério da Fazenda); o Itaú, só no último trimestre de 2014, teve lucro líquido de R$ 5,52 bilhões.

Banqueiro tem pele grossa. Nenhum ficou chateado com a propaganda.

Tinindo as espadas
A festa de transmissão do comando do Exército do general Enzo Peri para o general Eduardo Villas Boas custou R$ 48 mil, segundo levantamento da respeitada Contas Abertas. No custo entram canapés, coquetel, almoço, jantar, mesa de salgadinhos, coffee break (que antigamente se chamava lanchinho) e flores.

Quem perde ganha
Não se preocupe com o bem-estar de Luciana Genro, candidata derrotada à Presidência da República pelo PSOL, filha de Tarso Genro, candidato derrotado à reeleição pelo PT para o Governo gaúcho. Luciana Genro ganhou o cargo de Coordenadora Geral da bancada do PSOL na Assembleia gaúcha, com salário de R$ 16.900.

Quantos deputados tem a bancada que coordena? Um: Pedro Ribas.

O problema vem de longe
Ninguém pode criticar o Governo paulista, os governos de outros Estados atingidos pela seca, o Governo Federal: todos foram surpreendidos pela falta d’água (se houvesse processo, os dirigentes diriam, em coral, o famoso “eu não sabia”). Foi mesmo uma surpresa. Amélia Guida Costa, assídua leitora desta coluna, comprovou que o alerta foi recente demais. Encontrou no jornal Correio Paulistano de 9 de novembro de 1867 uma notícia sobre a falta d’água com a seguinte abertura: “É facto importantíssimo o estado de penuria em que andam os habitantes da Capital a respeito d’agua potavel. A julgar pela antiguidade e pertinácia do mal, é difficil de saber-se quando há de vir o necessario remedio. Se não falham nossas recordações, começou elle à preocupar à atenção dos governos provinciaes desde a presidencia do conselheiro Saraiva (…)”

José Antônio Saraiva governou São Paulo de 1854 a 1855. Como nossos atuais governantes poderiam trabalhar sabendo dos fatos com tão pouca antecedência, de apenas 160 anos?

Clique http://www.brickmann.com.br/index.php e veja a nota de 1867.

O problema vai longe
Mas não enfrentamos apenas as omissões do passado. Bem pertinho da represas do Sistema Cantareira, que estão quase vazias, há desmatamento de 20 mil m², em área de proteção de mananciais. O mais surpreendente é que os desmatadores têm licença para desmatar, embora a mata seja nativa, embora esteja em área de proteção de mananciais. Houve denúncia ao Ministério Público de Mairiporã, SP, que determinou à Polícia Ambiental que fizesse cessar imediatamente o desmatamento. Demorou um pouco – e, quando os policiais chegaram, a turma da motosserra já tinha ido embora.

Se o Governo estadual, preocupado com a falta d’água (ou restrição de disponibilidade hídrica, em bom tucanês), quiser tomar providências, pois a esperança é a última que morre, o endereço é Av. Belarmino Pereira de Carvalho nº 6.777, antiga Estrada da Roseira, Mairiporã, em frente ao Projeto Meu Guri – que, a propósito, é do Governo tucano de São Paulo.

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Líder do DEM: símbolo do governo Dilma é o Pinóquio.

(O Globo) O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), levou um boneco Pinóquio para ilustrar o discurso que fez contra o governo Dilma Rousseff nesta terça-feira no plenário da Casa. Segundo Mendonça Filho, não há outro mascote que simbolize o atual governo. O líder do DEM afirmou que a presidente mentiu durante a campanha presidencial, prometeu não aumentar tarifas, aumentar impostos e ferir direitos trabalhistas. E que após vencer, editou medida provisória reduzindo acesso ao seguro desemprego, houve aumento de gasolina e energia, além da taxa de juros.

- Diante de tantas medidas eu tive que recorrer a uma história infantil. Quando um pai ou uma mãe quer educar um filho para dizer quais as consequências da mentira, o simbolo da mentira é o Pinóquio. Nos meus 28 anos de vida pública nunca vi um governo mentir tanto diante do povo como o governo atual. Não há personagem que possa marcar claramente as mentiras da campanha de que não haveria aumento da energia - disse Mendonça Filho

O líder do DEM ainda acrescentou antes de mostrar, na tribuna, um boneco Pinóquio:- De acordo com as histórias das crianças, o mascote do atual governo é o Pinóquio. Infelizmente, a marca da atual mentira é a mentira do aumento de juros, gasolina, o preço da energia. E a presidente traiu a classe trabalhadora. Aqui está o mascote da mentira.

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Aécio: "não é crime falar de impeachment".

(Folha) O impeachment da presidente Dilma Rousseff "não está na pauta do PSDB", diz o senador Aécio Neves (MG), mas ele defende os tucanos que têm abordado o assunto. "Não é crime falar", afirmou à Folha. "Desconhecer que há um sentimento de tamanha indignação na sociedade é desconhecer a realidade."

A análise foi feita pelo tucano um dia depois de o líder de seu partido no Senado, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), bater boca com o petista Lindbergh Farias (RJ) no plenário. A confusão começou após Cunha Lima sustentar que a discussão sobre o impedimento de Dilma é legítima, o que provocou a irritação de Lindbergh. "Não está na pauta do nosso partido, mas não é crime falar sobre o assunto, como fez o senador Cássio Cunha Lima", defendeu Aécio.

Adversário de Dilma nas eleições de 2014, Aécio avalia que a queda abrupta e profunda da popularidade de Dilma, registrada pelo último Datafolha, é fruto de uma série de equívocos cometidos pelo próprio governo e que a oposição tem sido "cautelosa" nos posicionamentos. Ele diz, por exemplo, que Dilma "foi covarde" ao terceirizar explicações sobre as medidas que adotou na economia. "Escolheu uma pessoa de fora do seu círculo, que provavelmente nem votou nela, para assumir as decisões. Ela se escondeu. Essa covardia abriu espaço para crescer o sentimento de que a presidente mentiu na eleição", diz.

Para ele, Dilma desagradou não só aos que já não apostavam nela, como também a sua própria base social. "São dois sentimentos: indignação, de quem não a escolheu e hoje vê ela fazer o que disse que os adversários fariam; e frustração, porque quem votou nela apostou em outro projeto, não nesse."

Presidente nacional do PSDB, Aécio diz que não vê "hoje elementos jurídicos ou políticos para um pedido de impeachment". Mas avalia que a situação tende a piorar, pela instabilidade das relações no Congresso e o escândalo da Petrobras. Segundo ele, nessa toada, a equipe de articulação política do Planalto vai levar Dilma para o Guinness, o livro dos recordes. "Nunca vi em tão pouco tempo um governo errar tanto."

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PMDB decide bater de frente com Dilma.

Principal partido da base aliada, o PMDB decidiu que terá uma agenda autônoma e independente do governo neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. Além das críticas da falta de diálogo com a petista, os líderes da sigla agem motivados pelo sentimento de que o Palácio do Planalto tem colocado em prática uma estratégia para “destruir” o partido. Em contrapartida, buscam uma independência informal do governo.
(Estadão) Os peemedebistas afirmam que a relação com o PT chegou ao seu pior momento. Além disso, acreditam que o modelo político petista está em xeque e caminha para a derrota nas eleições de 2018 . A gota d'água foi a intervenção do governo na disputa pela presidência da Câmara, o que deixou sequelas.

Também complicou a relação o fato de o governo apoiar a criação do Partido Liberal, conduzido pelo ministro das Cidades, Gilberto Kassab. A ideia de Kassab era fundir o partido com o PSD para ampliar a base governista no Congresso. Na visão dos peemedebistas, essa é mais uma manobra para enfraquecer a legenda – o que já está sendo combatido com o apoio a um projeto do DEM que dificulta a fusão de siglas.

A resposta será dada na política e na economia. Em um jantar na noite de segunda, do qual participaram o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os peemedebistas afinaram o discurso e um plano de voo solo. A ideia é ter uma agenda “O PMDB chegou à fase da maioridade: teremos autonomia com responsabilidade”, diz o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Dentre os projetos que serão encampados na seara econômica, estarão, por exemplo, aquele que atenue os efeitos da Lei de Falências, para evitar que empresas fechem as portas em decorrência de investigações, e o de redução de entraves ambientais. 

Ajuste. A autonomia também se dará em relação a projetos prioritários para o governo. O PMDB não pretende se esforçar para aprovar as medidas de ajuste fiscal. Nesta terça, após encontro com sindicalistas, Renan avisou que vai buscar alternativas para que o “trabalhador não seja duramente sacrificado”.

Em outra frente, os presidentes das duas Casas atuarão em dobradinha para derrubar o veto da presidente à correção de 6,5% na tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física. A votação foi marcada para o próximo dia 24.Mas é no campo político que a autonomia será mais enfática e uma demonstração dela foi dada nesta terça. O PMDB começou a patrocinar a aprovação de uma reforma política com a cara do partido, e não do PT. 

Na Câmara, Cunha instalou uma comissão especial para discutir o tema e colocou um deputado da oposição, Mendonça Filho (DEM-PE), para presidi-la. No Senado, Renan anunciou que pretende colocar em votação, depois do carnaval, projetos sobre o tema que já estão prontos.

Cunha também anunciou nesta terça que irá aprovar um convite global para que todos os ministros compareçam na Câmara para debates e, caso eles neguem, poderão ser aprovadas suas convocações.A estratégia do PMDB também inclui a ampliação da influência sobre deputados e senadores da base aliada, em uma estratégia para afastá-los da esfera de influência do PT e do governo.

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Para PMDB, governo Dilma sofre apagão político

O relacionamento de Dilma Rousseff com o partido do vice-presidente Michel Temer atingiu um grau inédito de deterioração. O principal problema é que o PMDB é incapaz de reconhecer a lealdade da presidente da República. E ela é incapaz de demonstrá-la. Na avaliação da cúpula do principal sócio do petismo, a articulação política do governo sofre uma pane. Na noite passada, um cacique peemedebista chamou o fenômeno de “apagão político”.

Segundo esse diagnóstico, Dilma vem perdendo todas as oportunidades que a conjuntura lhe oferece para se achegar ao PMDB. Em consequência, a presidente começa a se tornar uma oportunidade que o PMDB aproveita. A animosidade do Planalto ajudou a resolver a divisão interna da legenda. Antes, havia pelo menos dois PMDBs: o da Câmara e o do Senado. Hoje, esses grupos operam juntos —em sintonia com Temer, um vice que Dilma insiste em tratar como versa.

Desde o reinício das atividades legislativas, em 1º de fevereiro, Dilma sofre uma derrota atrás da outra. Todas têm algo em comum: as digitais do PMDB. Só nesta terça-feira, foram duas, ambas na Câmara. Numa, Eduardo Cunha levou a voto, em turno final, a emenda constitucional que obriga o governo a desembolsar as verbas destinadas pelos congressistas aos seus redutos eleitorais.

Noutra, Eduardo Cunha entregou a um oposicionista, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a presidência da comissão especial que colocará em pé uma proposta de reforma política. O ponto de partida é um anteprojeto cujo conteúdo é o avesso de tudo o que o PT e Dilma gostariam de ver aprovados numa reforma do gênero. O relator da comissão será o peemedebista Marcelo de Castro (PI). Reservou-se para o PT uma insignificante vice-presidência.

Cunha faz tabelinha com Renan Calheiros, que também retira das gavetas do Senado propostas de alterações na legislação político-eleitoral. Planeja-se uma conciliação das propostas. A ideia é preparar um texto comum, para ser votado nas duas Casas legislativas ainda no primeiro semestre. Está combinado que ficarão de fora dois dogmas do PT: o fim do financiamento privado e o voto em lista. A Constituinte exclusiva do PT e o plebiscito de Dilma também irão para o beleléu. Com sorte, o Planalto obterá um referendo. Se bobear, nem isso.

Aos poucos, o espírito irritadiço do PMDB se espraia por todo o condomínio governista. A insatisfação é maior na Câmara. Mas começa a contaminar os aliados do Senado. As duas Casas tramam juntas o próximo bote. Planeja-se derrubar o veto de Dilma à correção de 6,5% na tabela do Imposto de Renda. A votação deve ocorrer em 24 de fevereiro, numa sessão do Congresso, com deputados e senadores.

O Planalto alegou que Dilma passou o percentual de 6,5% na faca porque o Tesouro só conseguiria suportar uma correção de 4,5%. Eduardo Cunha avisou: se quer corrigir a tabela do IR em percentual menor, o governo precisa enviar uma nova proposta ao Congresso, negociando sua aprovação. Do contrário, não restará aos aliados senão ressuscitar os 6,5% que a presidente vetou.

Na prática, Dilma e o PT estão sendo desligados da tomada pelos partidos que deveriam prover a propalada governabilidade. Deu-se algo inusitado: em troca da perspectiva de obter apoio congressual, Dilma formou um ministério loteado e convencional. Arrostou o desgaste. E não vem obtendo a contrapartida. No geral, as bancadas dão de ombros para os pedidos dos “seus” ministros.

Num instante em que o PT é segregado pelos demais partidos, Dilma constituiu um conselho político 100% feito de petistas. Integram o grupo cinco ministros: Aloisio Mercadante (Casa Civil), Pepe Vargas (Relações Institucionais), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência), Jaques Wagner (Defesa) e Ricardo Berzoini (Comunicações). Por que Temer foi excluído desse colegiado?, perguntam-se os peemedebistas, sem obter resposta.

Pepe e Mercadante, os dois principais operadores políticos da presidente, não são levados a sério pelos peemedebistas. “Volta e meia, alguém vai conversar com o Mercadante e não volta nunca mais”, diz um dos generais do PMDB, antes de criticar a “arrogância'' do chefe da Casa Civil. “Quanto ao Pepe, virou piada”, acrescenta. “Ele é do tipo que, para pregar um prego sem martelar o dedo, precisa segurar o martelo com as duas mãos.”

A atmosfera belicosa restituiu ao Palácio do Jaburu a aparência de Quartel General. A exemplo do que já ocorrera no primeiro mandato de Dilma, a residência oficial de Temer tornou-se ponto de encontro dos irascíveis dirigentes do PMDB. Formou-se ali um consenso. Avalia-se que Dilma precisa retomar a iniciativa política antes do final do mês. Por quê?

A deterioração do cenário tende a se aprofundar depois que a Procuradoria da República der à luz os pedidos de investigação contra políticos enroladas na Operação Lava Jato. Diante do pé d’água, Dilma pode não encontrar nenhum guarda-chuva quando olhar para os lados. Quem tiver um, vai abri-lo sobre a própria cabeça, tentando se molhar o mínimo possível.

“Quando a popularidade sorria para a presidente, até os piores defeitos dela se pareciam muito com virtudes'', ironizou um dirigente do PMDB em conversa com o repórter. “Depois que o Datafolha revelou os humores da rua, tem gente achando que Dilma não merece nem 'bom-dia'.''

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Inventário!




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Blog do Noblat

Rebela-se o PT. PMDB impõe derrotas ao governo. Cuidado, dona Dilma! Um dia a casa cai
Ricardo Noblat

No momento, pelo menos, o governo parece estar à matroca.

Enquanto Dilma ainda não se recuperou do choque causado pela mais recente pesquisa Datafolha, que reduziu drasticamente sua aprovação, segue a vida no Congresso sob o comando pouco amigável do PMDB.

Para onde olhe Dilma enxerga problemas.

Somente ontem, o PMDB lhe impingiu duas claras derrotas. Ajudou a aprovar na Câmara dos Deputados o chamado Orçamento impositivo, que obriga o governo a pagar as emendas individuais dos parlamentares ao Orçamento da União.

De sua parte, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, entregou o comando da Comissão Especial da reforma política ao seu colega Rodrigo Maia (DEM-RJ), adversário do governo. Um pau mandado de Eduardo responderá pela relatoria da Comissão.

Quer mais?

O próximo líder da bancada do PMDB na Câmara será um deputado que fez campanha para eleger Aécio Neves (PSDB-MG) presidente da República.

O PT divulgou resolução aprovada por seu Diretório Nacional no último fim de semana que cobra coerência entre o discurso adotado por Dilma durante a campanha eleitoral e a prática adotada nos primeiros dias do seu segundo governo.

O PT diz apoiar o diálogo entre governo e movimentos sociais com o objetivo de "impedir" que o ajuste fiscal anunciado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy recaia sobre direitos trabalhistas.

As Medidas Provisórias 664 e 665, que fazem parte do ajuste fiscal, criam novas regras que restringem o acesso dos trabalhadores a direitos como seguro-desemprego, abono salarial e auxílio-doença.

Se o PT se rebela e pressiona para derrubar vários pontos do ajuste fiscal, por que seus aliados no Congresso sustentarão sozinhos o desgaste de aprovar o que o governo lhes pediu?

Nem mortos, meus caros.

O PMDB avisa que é sensível à reclamação das centrais sindicais. E que fecha com o PT no propósito de revisar as medidas do ajuste. No horizonte, nuvens carregadas. Trovões e raios.

À Dilma só resta um caminho – nem dois, nem três, um apenas: vir a público dizer com todas as letras que o ajuste será para valer. E será do jeito que o ministro da Fazenda encaminhou ao Congresso com seu prévio consentimento.

A não ser que ela esteja disposta a trocar a equipe econômica do governo.

O estrago provocado pelo ajuste fiscal na imagem de Dilma já foi feito, e nada haverá de saná-lo.

O ajuste decorre de quatro anos de desajustes, principalmente o último, para que Dilma se reelegesse.

Certamente, Dilma não imaginou que pagaria um preço elevado por ter mentido tanto durante a campanha. Isso é uma prova do amadurecimento dos brasileiros.

Antes, eles eram enganados, enganados e enganados. Agora são enganados e em seguida reagem. Menos mal.

Dilma está perdidona. Não sabe direito o que fazer. Acuada, sempre se socorre de duas entidades: Lula, seu inventor, e João Santana, seu marqueteiro.

Um dia não dá certo e a casa cai.

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O “Plano Cohen” do PT golpista, mas moribundo. Será que é por isso que Lula já pensa em criar um novo partido?

O PT ainda não percebeu seu estado de penúria e acredita que pode fazer o seu próprio “Plano Cohen”. Os leitores certamente farão uma pesquisa rápida, mas sintetizo. Forças de extrema direita do entorno do já ditador Getúlio Vargas anunciaram, em 1937, a descoberta de um suposto plano comunista para tomar o poder, sintetizado num documento — que era, obviamente, uma farsa — chamado “Plano Cohen”. Vargas, o farsante, levou a denúncia à “Hora do Brasil” — hoje “Voz do Brasil” —, fez aprovar o Estado de Guerra e deu o golpe do Estado Novo no dia 10 de novembro de 1937. Governou como ditador até 1945. Matou a rodo.

Na sexta-feira, o PT assinou uma resolução, que veio a público nesta terça, em que inventa o “Plano Cohen da Direita”. Assim como Getúlio tinha propósitos golpistas ao dar curso àquela farsa, os petistas têm propósitos golpistas ao dar curso a esta. Só que há uma diferença: o ditador, em 1937, infelizmente, estava forte. O PT, felizmente, não consegue enfrentar nem seus adversários da base aliada no Congresso.

Ao ler a resolução, senti o desconforto que sinto diante das coisas ridículas, pequenas, cretinas… Ao ler o texto, senti a ojeriza que em mim provocam os farsantes, os tolos, os vigaristas. Ao ler o texto, senti a preguiça a que me conduzem a ignorância, a mentira e a arrogância sem lastro. Que ocaso patético vive esse partido!

O Diretório Nacional do PT decidiu, segundo o documento, “condenar a ofensiva e denunciar as tentativas daqueles que investem contra a Petrobrás, pois, a pretexto de denunciar a corrupção que sempre combatemos, pretendem, na verdade, revogar o regime de partilha no pré-sal, destruir a política de conteúdo nacional e, inclusive, privatizar a empresa. É nosso dever fortalecer a Petrobrás e valorizar seus trabalhadores. É nossa tarefa também defender a democracia e as conquistas do povo, denunciar as tentativas de desqualificar a atividade política e de criminalizar o PT.”

Como? O PT sempre combateu a corrupção? Inclusive nos 12 anos em que a quadrilha operou na Petrobras? A propósito: além do Reinaldo Azevedo, quem mais está querendo privatizar a estatal? Estou enganado, ou os petistas estão tentando arrastar os trabalhadores da Petrobras em sua pantomima?

Como estaria em curso um golpe de direita, então os petistas pregam a resistência. Como? Dizem ser preciso “conclamar a militância a contribuir para a criação de uma articulação permanente de partidos, organizações, entidades – uma força política capaz de ampliar nossa governabilidade para além do Parlamento e de criar condições para realizar reformas estruturais no País”. Entendi. Querem também “reforçar as campanhas pela reforma política e pela democratização da mídia.” Como se vê, eles não abrem mão da censura à imprensa.

E vão adiante: “Frente ao permanente flerte com o golpismo daquelas elites que não conseguem vencer e nem convencer pelas ideias, o PT deve tomar a iniciativa de propor a unificação das propostas democráticas pela reforma política e construir uma ampla mobilização social para formar em torno da reforma política democrática uma vontade majoritária na sociedade. Partindo da proibição do financiamento empresarial e da garantia do financiamento público, buscaremos construir uma plataforma unitária na qual seja incorporada o voto em lista preordenada e paritária em termos de gênero. Além disso, o DN apoia a declaração de inconstitucionalidade do financiamento empresarial às campanhas eleitorais em curso no Supremo Tribunal Federal.”

Esse é o partido que conseguiu reunir 136 dos 513 votos possíveis na disputa pela presidência da Câmara e que, nesta terça, sofreu duas derrotas humilhantes na Casa. O que vai acima, se pensarem bem, é um plano de resistência a Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara e uma das principais lideranças do maior partido aliado ao governo. Partido cujas pernas o PT pretendia quebrar, antes de quebrar a cara.

A propósito: o PT não deixa claro se entre as elites que não prestam estão os empreiteiros que repassavam dinheiro a operadores de partidos que estavam incrustados na Petrobras — inclusive o do PT. Que coisa asquerosa!

O Diretório Nacional recomenda ainda a Dilma uma guinada à esquerda como saída para o governo. Uau! E, claro!, como não poderia deixar de ser, o texto chega ao fim com esta pérola:
“Por fim, no curso desta celebração histórica do nosso 35o. aniversário, saudamos o heroísmo do povo cubano que, por sua resistência, começa a quebrar o bloqueio imposto durante décadas pelo imperialismo. Saudamos também a vitória do novo primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, do Syriza, derrotando a política de austeridade fiscal, a quem desejamos êxito em sua batalha contra as políticas neoliberais que vêm revogando direitos e promovendo recessão e desemprego na Europa. Congratulamo-nos, ainda, com o presidente da Bolívia, Evo Morales, que há pouco iniciou seu novo mandato presidencial – conosco irmanado na luta internacionalista, especialmente na integração latino-americana e caribenha.”

Se o PT não concluísse um documento exaltando um ditador, um maluco e um populista mixuruca, não seria o PT.

Vai ver é por isso que até Lula anda pensando em criar um novo partido… Mas falo disso outra hora. Deixo aqui apenas a semente da curiosidade.

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Orçamento impositivo: talvez surpreenda muita gente, mas eu teria votado contra. De vez em quando, deixo Dilma menos solitária, hehe…

O governo apanhou que deu gosto nesta terça-feira. Por 427 votos a 44, os deputados aprovaram em segunda votação PEC já aprovada no Senado que cria o chamado “Orçamento Impositivo” — vale dizer: o governo é obrigado a liberar os recursos das emendas parlamentares. Segundo o texto, 1,2% da Receita Corrente Líquida deve ser destinado a esse fim — e 50% das emendas têm de contemplar a área de Saúde. Neste ano, cada um dos 594 parlamentares terá uma cota de R$ 16,32 milhões para as emendas, numa total de R$ 9,7 bilhões.

Eu estou aqui para explicar, não para confundir. Procuro ponderar, não fazer torcida. Não pretendo escandalizar ninguém, mas o fato é que, se eu fosse um parlamentar, teria votado contra a proposta.

Considero respeitáveis todos os bons argumentos que estão na praça. O governo, com efeito, usa as emendas para chantagear os congressistas, e os congressistas, para chantagear o governo. Ocorre que, entendo, a liberação de emenda é apenas um dos instrumentos — e nem é o mais pernicioso — que serve a esse propósito. Caro mesmo é o loteamento do Estado brasileiro entre partidos políticos e apaniguados.

Podem até considerar que o que vou dizer agora valeria para um país ideal, mas eu não defendo o que acho errado nem em nome do país real. O que se terá, lamento, é o crescimento exponencial do desperdício e da malversação de recursos públicos. O dinheiro para uma emenda tem de ser liberado porque ela oportuna, porque necessária, porque útil à população — não porque o parlamentar tem direito a uma cota.

Há, de resto, embutido no expediente uma injustiça essencial. O Brasil ainda é um país muito desigual, e as carências não se distribuem do mesmo modo. Do ponto de vista distributivo, a ideia não é boa. Mais: haverá, sim, um aumento do clientelismo, e este é ruim, seja quando exercido pelo governo federal, seja quando exercido pelos parlamentares.

O chamado Orçamento Impositivo começou a ser aprovado em 2013 — era uma das promessas de Henrique Eduardo Alves (PMDB), então presidente da Câmara, derrotado no ano passado na disputa pelo governo do Rio Grande do Norte. Ele estava presente à votação nesta terça e foi saudado como uma espécie de pai da PEC.

Em 2014, no Senado, já acuado, o governo conseguiu negociar duas questões na PEC: a parte das emendas parlamentares que vai para a Saúde integrará o valor mínimo que o governo é obrigado a investir no setor, que deverá chegar a 15% da Receita Corrente Líquida em três anos. Inicialmente, a proposta era que esse mínimo fosse 15% da Receita Corrente Bruta.

Mesmo agora, o Planalto tentou resistir e não queria ver a emenda aprovada já. Mas qual é o poder de fogo de um governo que lança um candidato para disputar a Presidência da Câmara, faz ameaças e consegue magros 136 votos?  A coisa está feia para Dilma.

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Reforma política – PT se deixa levar pela glória de mandar e pela vã cobiça e quebra a cara. Que bom!

O PT e o governo sofreram duas derrotas importantes ontem. A primeira: Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, escolheu o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) para presidir a comissão especial da reforma política. O relator é o deputado Marcelo Castro (PMDB-PI). A instalação da comissão ocorreu na tarde desta terça-feira. Os petistas ficaram apenas com uma das vice-presidências, assim como o PSDB, outro partido de oposição.

Pois é… O Velho do Restelo, um reacionário adorável de “Os Lusíadas”, de Camões, ao criticar o excesso de ambição dos portugueses, lamentou na praia que acabou por lhe grudar no nome quando a esquadra estava pronta para se lançar ao mar: “Ó glória de mandar, ó vã cobiça/ desta vaidade a quem chamamos Fama!” Segundo o Velho, essa glória de mandar é “fonte de desamparos e adultérios,” e uma “sagaz consumidora conhecida/ de fazendas, de reinos e de impérios!”. Vale dizer: pode levar os homens à ruína. Os portugueses, em todo caso, se deram bem. Mas os petistas quebraram a cara.

Em 2013, logo depois das jornadas de junho, falou-se da necessidade de uma reforma. Dilma Rousseff lançou a sua tese estúpida dos plebiscitos. O PT deu início à pregação do fim do financiamento privado de campanha, ladainha já entoada depois do mensalão, como se essa fosse a única origem da roubalheira. Na Câmara, o então presidente Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) instituiu uma comissão para colher subsídios que resultassem numa PEC — Proposta de Emenda Constitucional — para a reforma política. O representante do PT no grupo e coordenador da comissão foi o então deputado Candido Vaccarezza, que não se reelegeu.

Muito bem. Nasceu, assim, a PEC 352/2013 — íntegra aqui —, que é, sim, um texto muito razoável, embora eu discorde de muita coisa. O PT, acreditem, desautorizou Vaccarezza e passou, nesse particular, a tratá-lo como adversário. Tudo porque ele teve, diga-se, um comportamento correto na comissão, coligindo aquela que era a vontade da maioria. De resto, uma emenda sempre pode sofrer alterações. Quais são os pontos básicos da PEC 352?

- Prevê o financiamento misto de campanha, com recursos públicos, privados ou ambos;
– remete para a lei o disciplinamento da doação das empresas;
– estabelece que toda doação é feita para partidos, não para candidatos;
– institui o voto facultativo;
– extingue a reeleição;
– partidos que se coligam nas eleições proporcionais são obrigados a manter o bloco depois;
– estabelece cláusula de barreira: só terão acesso a fundo partidário e tempo de rádio e TV as legendas que obtiverem ao menos 5% dos votos nacionais, em pelos menos um terço dos estados;
– mantém o sistema proporcional, mas exige um mínimo de votos para o deputado ser eleito;
– submete a reforma a um referendo.

Pois bem. O PT não quer essa reforma de jeito nenhum. Quer proibir a doação de empresas a campanhas — o que jogaria o processo político na clandestinidade —, instituir o financiamento público (o que o beneficiaria) e pretende que as mudanças sejam feitas por plebiscito. No referendo, a população é consultada depois e diz se aceita ou não as alterações.

Eu sou contra qualquer doação pública; defendo o voto distrital, não o proporcional, e acho que não faz sentido restringir a doações aos partidos. Mas que se vá para o debate, ora! A comissão especial é composta de 34 membros e tem um prazo de 40 sessões para concluir o trabalho.

Muito bem! O PT decidiu sabotar o texto ainda na Comissão de Constituição e Justiça. Eduardo Cunha, usando sua prerrogativa de presidente, avocou para o plenário, aprovou o início da tramitação e decidiu instituir a comissão. É que, em 2013, o PT ainda se via como o maior partido da Terra e achava que podia impor a sua vontade na porrada. Quem veio a público, então, para desautorizar Vaccarezza foi José Nobre (PT-CE), atual líder do governo na Câmara.

Não sei que destino terá a reforma. Há coisas boas ali, como o fim do voto obrigatório e o fim da reeleição para cargos executivos. O melhor caminho, claro!, é submeter o texto a referendo, que é a consulta posterior, não a plebiscitos. O texto carrega o nome de um petista, e o partido poderia ter um papel maior no debate. Agora, foi arrastado pelo furacão Cunha. Por quê? Em razão da glória de mandar, da vã cobiça. Segundo o Velho do Restelo, ela já destruiu impérios. Não sei, não… Acho que pode destruir também partidos…


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Blog do Noblat

PT convoca seus militantes a irem às ruas em defesa do mandato de Dilma. Isso é dançar com a Morte
Ricardo Noblat

O PT tira a Morte para dançar quando convoca seus militantes a vestir vermelho e a ocupar as principais avenidas de 80 cidades do país no dia 15 de março próximo em defesa do mandato da presidente Dilma Rousseff.

O ato será uma resposta aos promotores de manifestação semelhante marcada para esse mesmo dia nas mesmas 80 cidades. Com duas diferenças: essa será pelo impeachment de Dilma. E as pessoas deverão vestir verde e amarelo.

No segundo semestre de 1992, quando avançava o processo político que resultaria na cassação do seu mandato por corrupção, o então presidente Fernando Collor convocou seus simpatizantes a saírem às ruas em defesa do governo vestindo verde e amarelo.

No que deu: milhares de pessoas foram para as ruas vestidas de preto e pedindo a queda de Collor. Foi o gatilho que disparou o impeachment. Menos de quatro meses, o presidente estava no chão. Renunciou ao mandato. Mas o Congresso preferiu cassá-lo.

O batom na cueca de Collor havia sido um Fiat Elba comprado para ele por seu tesoureiro de campanha, PC Farias, com sobras de dinheiro de campanha.

PC Farias também pagou despesas da primeira dama Rosane Collor. Tudo mixaria se comparado com os bilhões de reais desviados da Petrobras.

Contudo, pelo menos uma coisa distingue a situação de Collor da atual situação de Dilma. O ex-presidente foi acusado de corrupção praticada durante o seu mandato. Se acusarem Dilma de algo parecido, será pelo que aconteceu no seu mandato anterior.

Ninguém pode ser punido por crime registrado em outro mandato. Que Dilma, porém, não se anime muito com isso.

Impeachment é um processo político, não jurídico. Como dizia o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP), quando se conta com maioria no Congresso se faz qualquer coisa – menos transformar homem em mulher ou mulher em homem.

Luiz Estevão de Oliveira perdeu seu mandato de senador em 2000 não por que desviou milhões de reais da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, mas porque mentiu ao se defender. Você imagina um político se defender de algo grave sem mentir?

No ano passado, Lula convocou a militância do PT a abraçar o prédio da Petrobras, no Rio, em defesa da empresa. Pouca gente compareceu. Não deu para dar o abraço. Agora, o PT se arrisca de fato a estar tirando a Morte para dançar. Não será por falta de aviso.

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Velhinhos americanos enganados pela Petrobras na Bolsa processam a estatal.

(O Globo) O procurador-geral do estado americano de Ohio, Mike DeWine, anunciou nesta segunda-feira que, em nome dos aposentados do setor público estadual, apresentou uma ação contra a Petrobras por violação das leis federais do mercado de capitais. A ação, iniciada na sexta-feira, alega que havia corrupção e propina na estatal brasileira há mais de uma década. A estatal brasileira é alvo, no total, de cinco ações judiciais nos Estados Unidos, movidas tanto por grandes fundos quanto por pessoas físicas.

“O escritório do procurador-geral tem a responsabilidade de avaliar se as empresas e seus executivos estão fraudando os pensionistas de Ohio”, afirmou DeWine, acrescentando que o fundo de pensão do estado perdeu mais de US$ 50 milhões devido aos escândalos na Petrobras. De acordo com DeWine, os fundos de pensão dos estados de Idaho e Havaí também se uniram à ação, apresentada à corte distrital de Nova York. A cidade americana Providence, em Rhode Island, também está acionando a petroleira brasileira na Justiça.

No total, cinco ações foram abertas por grandes fundos, pessoas físicas, a cidade de Providence e os fundos de pensão de Ohio, Idaho e Havaí. Entre os que aderiram, há desde quem perdeu US$ 5 mil até US$ 267 milhões, no caso do SkagendDanske Group.

A ação de DeWine pede à Justiça nova-iorquina que consolide as várias ações contra a Petrobras — o prazo final para apresentação das queixas e adesão a uma ação coletiva contra a estatal terminou no dia 6 — e que nomeie o Sistema de Aposentadoria Pública de Ohio como o principal litigante. Mas há nove petições para assumir a liderança da ação. A decisão, porém, cabe à corte e sua definição pode demorar. Segundo fontes, normalmente, ganha a liderança quem perdeu mais, o que costuma acontecer com fundos de pensão. Após essa definição, as audiências começam.

O juiz do caso é Jed Rakoff, da mesma corte distrital de Nova York que o juiz Thomas Griesa, que julga a briga entre os fundos abutres e a Argentina. Procurada pelo GLOBO às 21h50, a Petrobras ainda não se pronunciou.

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A presidente falsa e mentirosa convoca o marqueteiro para falsear e mentir de novo.

(Folha de São Paulo) Mergulhada na pior crise de imagem desde que o PT chegou ao poder, a presidente Dilma Rousseff vai buscar a ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do marqueteiro João Santana para afinar uma estratégia de recuperação da popularidade. Segundo a Folha apurou, Dilma e Lula ficaram de se encontrar nesta semana. A reunião, porém, depende de um espaço na agenda de ambos. No caso de João Santana, o encontro será na sexta (13).

Dilma e Lula estiveram juntos na sexta (6), na festa de 35 anos do PT, em Belo Horizonte. O encontro, o primeiro desde a posse da petista, ocorreu antes da divulgação da pesquisa do Datafolha. A presidente não ouve os dois há muito tempo. No caso de Lula, apesar do encontro recente, os dois não tiveram tempo para falar sobre os problemas do governo. Em relação a Santana, a única vez em que estiveram juntos foi no ano passado, quando ele a ajudou a produzir o discurso de posse.

O Datafolha mostrou forte deterioração da avaliação da presidente. Cerca de metade (47%) dos brasileiros a considera desonesta, falsa (54%) e indecisa (50%). Esses dados, somados à perda de apoio em estratos mais pobres, foram o que mais assustaram Dilma. A pesquisa apontou que 44% classificam o governo como ruim ou péssimo. É a mais baixa avaliação desde Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

O encontro com Lula deve colocar em marcha um conjunto de ações para uma reação. A relação entre os dois sofreu um esfriamento desde a eleição. Acostumada a consultá-lo, Dilma tem tomado decisões mais solitárias, como a que levou Aldemir Bendine ao comando da Petrobras.

Nesta segunda (9), a presidente e seus principais ministros resolveram finalizar, o mais rápido possível, o pacote de medidas anticorrupção a ser enviado ao Congresso. A ideia é tentar, com isso, reverter alguns pontos de desaprovação nas pesquisas. O pacote, porém, é promessa antiga, feita ainda na eleição. O tema corrupção, impulsionado pelos desdobramentos das investigações sobre os desvios na Petrobras, rivaliza com a saúde pública como o principal problema do país, mostrou o Datafolha --21% e 26%, respectivamente.

ESTRATÉGIA
A estratégia de reação será definida com Lula e Santana. Essa foi a principal decisão de Dilma após reunião com seus principais ministros. O governo tem um cardápio de ações com recomendações elementares de comunicação: conceder mais entrevistas, promover mais solenidades no Planalto e viajar mais.

Assim como o pacote anticorrupção, o roteiro não é novo. Há anos o PT vem batendo na tecla de que Dilma precisa correr o país e divulgar sua gestão. Ela, porém, costuma vetar agendas fora e, desde novembro, não dá entrevistas. Seu programa de rádio, "Café com Presidenta", desativado na campanha, até agora não voltou ao ar.

Auxiliares defendem que ela use a rede nacional de rádio e TV para explicar o pacote de medidas para reequilibrar as contas públicas e ações no combate a desvios éticos. A chefe, por ora, resiste, com receio de que isso acentue a percepção de crise.

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Petrobras – Por enquanto, acionistas nos EUA calculam perdas de US$ 530 milhões

Por Altamiro Silva Junior, no Estadão:
A lista de detentores de American Depositary Receipts (ADRs) da Petrobrás, nos EUA, que aderiram à ação judicial coletiva entregue na última sexta-feira à Corte de Nova York contra a estatal petrolífera, mostra que os nove maiores acionistas reclamam perdas que podem atingir, pelo menos, US$ 500 milhões. A petição entregue pelo escritório americano Wolf Popper, em conjunto com o brasileiro Almeida Advogados, foi assinada pela Union Asset Management Holding AG, Handelsbanken Fonder AB, Ohio Public Employees Retirement, Public Employee Retirement System of Idaho, Employees Retirement System of the State of Hawai, Universities Superannuation Scheme Limited, Skagen AS, Danske Invest Management A/S, Danske Invest Management Company. Eles afirmam que tiveram perdas superiores a U$ 50 milhões, cada. A ação judicial coletiva, ou Class Action, teve início no ano passado. A primeira audiência será no dia 9 de março, em Nova York.
“O esquema de lavagem de dinheiro e suborno foi estimado em R$ 10 bilhões ou cerca de US$ 4,4 bilhões. Além de altos executivos da Petrobrás, o esquema ilegal de suborno e de propina envolveu políticos e um grupo de, pelo menos, 16 empreiteiras que formaram um cartel que assegurou que os seus membros iriam ganhar grandes contratos da Petrobrás”, diz a petição.  O documento destaca que a prisão de executivos da estatal, por suspeita de corrupção, e admissões de que a empresa pode ter de ajustar suas demonstrações financeiras provocaram a queda nas ADRs da Petrobrás.

Entre os investidores com maiores prejuízos, o Universities Superannuation Scheme (USS), fundo de pensão de professores e pesquisadores do Reino Unido, argumenta que teve prejuízos de US$ 84 milhões aplicando em bônus e ADRs. Já a gestora Skagen, da Noruega, e o Danske Bank, da Dinamarca, reclamam até US$ 267 milhões. Outros dois fundos da Europa criaram um grupo, com perdas de US$ 46,2 milhões. Além dos europeus, um grupo de fundos de pensão de servidores dos Estados de Ohio, Idaho e do Havaí reclama até US$ 127 milhões.

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Testemunha-bomba afirma que ex-diretor da Petrobrás mudou métodos para favorecer empreiteiras do cartel

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt, no Estadão:
A força-tarefa da Operação Lava Jato chegou a uma nova testemunha bomba que confirma a atuação ativa do ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque nas irregularidades que beneficiaram empreiteiras do cartel, denunciado por corrupção na estatal. Por meio de alteração de normas padrão de contratação da estatal, criadas em 1999, o ex-gerente jurídico Fernando de Castro Sá detalhou como empreiteiras passaram a ditar regras, via Diretoria de Serviços, e acusa omissão e perseguição do comando da estatal quando ele e outros gerentes tentaram comunicar os desmandos internamente.

“A coisa ia num crescente tão grande que um belo dia, olha como a coisa era feita, chegou lá da (Diretoria de) Engenharia para o (Diretoria de) Abastecimento informando que tinham que aprovar os aditivos 5, 6 e 7 da terraplanagem (nas obras da Refinaria Abreu e Lima). Só que quando você lê o expediente, os aditivos já estavam assinados”, afirmou o ex-gerente jurídico da Diretoria de Abastecimento. “Como é que você vai pedir autorização para celebrar um aditivo que já está assinado?”

As irregularidades não teriam parado por aí. Em mais de duas horas de depoimentos prestado na sede da força-tarefa da Operação Lava Jato, criada pelo Ministério Público Federal, em Curitiba, Sá afirmou que a Diretoria de Serviços alterou e ignorou procedimentos internos, assinando aditivos para contratos encerrados. Sá conta que após a ex-gerente executiva de Abastecimento Venina Velosa da Fonseca se insurgir contra os aditivos e dizer que “não ia dar encaminhamento”, um parecer do jurídico da Diretoria de Serviços informou “não ter nenhum problema” por serem referentes à “prorrogação de prazos”.

Com experiência de mais de 20 anos na área jurídica da Petrobrás, Sá integrou o grupo de advogados que elaborou o Manual de Procedimento Contratual (MPC) da estatal. “Uma das regras daquele manual é que você só pode prorrogar o prazo de um contrato se ele estiver vigente. Esses aditivos foram assinados para prorrogar prazos de contratos já mortos, que estava encerrado por tempo.”

Segundo ele, o jurídico da Petrobrás desconsiderou essa norma interna. “Por incrível que parece a conclusão no jurídico foi de que: ’entendemos que tal regra é interna da Petrobrás, pois no MPC (Manual de Procedimentos Contratual) há documento aprovado pela diretoria executiva. Assim ainda que exista o risco de eventual não observância da linha A do manual, tratar-se-ia de irregularidade formal e interna.” Ao ser publicado no Diário Oficial, o manual passou a ter “característica de norma infralegal”. “Não era uma mera norma interna.”

Sá era funcionário de carreira da estatal desde 1993 e foi um dos responsáveis também pelo modelo de contratação da obra da Refinaria Abreu e Lima – um dos alvos centrais da Lava Jato -, em Pernambuco, em que teriam ocorrido “gravíssimas” irregularidades. Segundo o advogado, a Associação Brasileira de Engenharia Industrial (Abemi) – entidade que criou o grupo de empreiteiras que depois passaria a atuar em cartel na Petrobrás – passou a determinar a partir de seu contato com Duque alterações de normas contratuais da estatal, gerando a elevação de custos da obra, já constatada por órgãos oficiais e pela própria estatal.

A refinaria, iniciada em 2007, já consumiu R$ 24,7 bilhões e foi superfaturada, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU). Como responsável pelo orçamento da obra, era a Diretoria de Abastecimento quem pagava a Refinaria Abreu e Lima. À sua gerência jurídica, cabia emitir as minutas de contratação.

O ex-gerente explica que os contratos da Petrobrás, até então, seguiam as regras do Manual de Procedimentos Contratuais, publicado no Diário Oficial, em fevereiro de 1999. O jurídico era o gestor dessa norma e tinha que elaborar a minuta padrão de contratos de prestação de serviços, que também era aprovada pela diretoria. “À partir do cartel, a minuta (de contrato) que tinha que ser elaborar pelo jurídico e aprovada pela diretora passou a ter que ter o crivo da Abemi, a associação das empreiteiras”, afirmou o ex-gerente jurídico.

Isso teria sido possível, porque a Diretoria de Serviços centralizava o comando das contratações, da execução e da fiscalização de todas as obras da estatal. Segundo havia afirmado o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, em depoimento à Justiça Federal em agosto de 2014, por meio dessa diretoria o PT arrecadava até 2% em todos grandes contratos da estatal.

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Caminhe, Dilma, sorrindo para o abismo! Agora, consta, ela vai pedir socorro a Lula, que solapa a sua credibilidade. Meu conselho é que rompa com o PT

Pois é… Eu já estava aqui a esfregar os dedos para escrever um texto em que apontaria um caminho para a presidente Dilma. No programa Os Pingos nos Is, que ancoro na Jovem Pan — entre 18h e 19h —, até brinquei com aquela musiquinha de Leandro e Leonardo: “Dilma, liga pra mim, não liga pra ele”. Eu me referia precisamente a Lula. Hoje, ele é uma das peças que, nos bastidores, concorrem para solapar a credibilidade da presidente. Não custa lembrar: ele já autorizou que seu nome seja lançado para a disputa presidencial de 2018. Isso transforma Dilma, como afirmei ontem na VEJA.com (ver vídeo abaixo), numa pata manca.

E qual era a minha sugestão para Dilma, dado o desastre de opinião pública que já é o seu governo, sempre lembrando que há motivos para crer que a crise que ela enfrenta está só no começo e na sua fase mais amena? Simples: que ela pedisse a desfiliação do PT e se declarasse uma sem-partido. De tal sorte a crise que se avizinha é grave que a suprema mandatária, com os poderes quase imperiais de que dispõe um presidente no Brasil, deveria dizer, como Cazuza: “O meu partido, agora, é um coração partido”. E tentaria estabelecer uma agenda mínima para o país. Hoje, o PT é um armário muito difícil de carregar, com aquela pilha gigantesca de esqueletos. E muito mais coisa pode vir — e virá — por aí.

É inútil fazer de conta que Dilma está imune a uma denúncia por crime de responsabilidade. Sabem o que vai determinar a viabilidade disso? O tamanho e o ritmo da crise. Em vez de participar de convescotes petistas, em companhia de João Vaccari Neto, ela deveria se guardar. Deveria assumir o lugar que cabe aos magistrados em momentos como esse. Até aqui, as elites políticas do país, gostem dela ou não, podem até considerá-la omissa “no que se refere”, como ela diria, ao submundo petista. Mas poucos a veem como desonesta. A percepção do povo brasileiro, no entanto, começa a ser outra: 47% dos que responderam a pesquisa Datafolha lhe pespegaram essa pecha também.

Muito bem! Dilma deveria, então, se afastar de Lula e da marquetagem vigarista que garantiu a sua reeleição. Ninguém mais suporta aqueles truques. Está na cara que eles eram mentirosos. Desta feita, não terá farrinha de consumo para mitigar a roubalheira. Mas Dilma, a estar certa reportagem da Folha, vai fazer justamente o contrário: segundo informam Natuza Nery e Mariana Haubert, ela decidiu pedir socorro a Lula e ao marqueteiro João Santana.

Os lulistas espalham a lorota de que parte das dificuldades enfrentadas pela soberana se deve ao fato de que ela e Lula andam meio afastados, o que estaria deixando o Babalorixá de Banânia irritado. Sabem como é… O homem acredita que dar um truque no povo brasileiro é fácil. Ele vem fazendo isso há muitos anos, com sucesso. Vejam o esquema vigente na Petrobras, envolvendo empreiteiras — e por que seria diferente nos demais setores do governo? Tudo isso estava em curso enquanto Lula discursava contra as elites, contra o capital, contra o empresariado, contra os ricos… Se há pessoa “nestepaiz” que nunca perdeu nem poder nem dinheiro apostando na ignorância e na credencie alheias, essa pessoa é Luiz Inácio Lula da Silva.

Dilma sabe que é refém daquela máquina e ensaiou alguns passos de independência. Parece que se julga fraca para enfrentá-la e decide, agora, se render. Lula lançou a sua candidatura para 2018 porque quer assustar Dilma e tomar de volta o governo já em 2015, no berro.

Se Dilma ligasse pra mim, ela dava a volta por cima; declarava a sua independência; enfrentaria a máquina; passaria por turbulências, mas teria alguma chance de ver robustecer a sua biografia. A se confirmar a notícia da Folha — e ela me parece, em princípio, verossímil —, a presidente vai se conformar com o papel de boneco de mamulengo. Eis o PT: essa gente não dá a menor bola para o país. Hoje, a companheirada está empenhada em garantir o poder da máquina e resolveu engolfar a presidente em sua sanha.


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Blog do Noblat

O confisco da verdade
Ricardo Noblat

Quem disse: “[A recente campanha eleitoral foi] a mais suja. Aquela em que nossos adversários utilizaram as piores armas para tentar nos derrotar. Tentaram fraudar a vontade política da maioria, usando todos os seus recursos de comunicação para manipular, distorcer e falsear”?

Aécio Neves? Fernando Henrique Cardoso? Dilma? Lula?

Claro, Lula, no aniversário de 35 anos do PT. Quem mais ousaria tanto?

A metamorfose ambulante, como um dia Lula se apresentou, teve a cara de pau de dizer mais. Do tipo:

- O PT nasceu para ser diferente. A verdade é que foi o governo deles que tentou destruir a Petrobrás. E foi o nosso governo que a resgatou, retomou os investimentos que levaram à descoberta do pré-sal e fizeram da Petrobrás a maior produtora mundial de petróleo entre as empresas de capital aberto.

Sobre a corrupção na Petrobras, nem um pedido de desculpas.

Como a vingança veio a galope, Lula, Dilma e o PT foram obrigados a amargar, um dia depois de se reunirem em Belo Horizonte, os resultados da primeira pesquisa de opinião pública aplicada, este ano, pelo Datafolha.

Despencou a popularidade de Dilma reeleita pelo “partido que veio para repelir a mentira”, segundo Lula. Dilma alcançou a pior avaliação de um presidente desde 1999.

Tinha 42% de ótimo e bom e 24% de ruim e péssimo em dezembro último. Agora, respectivamente 23% e 44%.

Metade dos que ganham até dois salários mínimos considerava o governo Dilma ótimo ou bom. Agora, 27%.

Quer dizer: 23 pontos percentuais de queda em dois meses.

Como preocupação dos brasileiros, a corrupção subiu para o segundo lugar (21%). Só perde para a saúde (26%).

Está bom ou quer mais?

Quase 80% dos entrevistados acreditam que Dilma sabia da corrupção na Petrobras. Para 52%, sabia dos desvios de dinheiro e deixou que continuassem.

Pouco menos de 50% a consideram desonesta, além de falsa (54%) e indecisa (50%). Seis em cada 10 entrevistados acham que Dilma mentiu para vencer.

Estelionato eleitoral? É disso que se trata. Chega! Basta! Fora!

Fora? Talvez exagere.

Mas quando começou o falatório pedindo o impeachment de Fernando Collor, o PT negou que fosse golpe.  Collor caiu.

O PT negou que fosse golpe a tentativa de derrubar Fernando Henrique Cardoso quando ele se reelegeu.

Ora, o impeachment está previsto na Constituição. Outro dia, nos Estados Unidos, falou-se em impeachment de Obama. Como antes no de Bill Clinton. Ninguém rebateu dizendo que era golpe.

Collor ganhou acusando Lula de estar decidido a confiscar parte da poupança dos brasileiros se vencesse.

Fernando Henrique se reelegeu garantindo que não desvalorizaria o real.

Dilma está de volta depois de ter dito que seus adversários fariam a infelicidade do povo, adotando medidas que ela jamais adotaria.

Collor confiscou a poupança. Fernando Henrique desvalorizou o real. Dilma está fazendo o contrário do que disse.

O que eles têm em comum?

Confiscaram a verdade.

Em 1986, o então presidente José Sarney lançou o Plano Cruzado, que congelou salários e preços. Quase virou santo.

Naquele ano, o PMDB e o PFL de Sarney elegeram 23 governadores em 23 possíveis, 40 de 43 senadores e 378 de 487 deputados federais.

Alguns dias depois, Sarney acabou com o congelamento. De passagem pelo Rio de Janeiro, dentro de um ônibus com a sua comitiva, foi apedrejado por uma multidão.

Lula diz que há um golpe em marcha para depor Dilma. Bobagem!

O golpe já foi dado. Por ele, Dilma e o PT ao encenarem a farsa eleitoral do ano passado.

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Consultor apontado como operador do esquema de pagamento de propinas da Petrobras se entrega

Por Leonardo Guandeline, no  Globo:
O consultor Mário Goes, apontado como um dos operadores do esquema de pagamento de propina dentro da Petrobras, se apresentou neste domingo à Superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba. Ele teve a prisão preventiva decretada na última quinta-feira, pela Justiça do Paraná, e era considerado foragido desde então. Na ocasião, dentro da nona fase da operação Lava-Jato, a PF tentou cumprir mandado de prisão contra Goes no Rio, mas ele não foi localizado. De acordo com a assessoria de comunicação da PF em Curitiba, Mário Goes se apresentou pouco antes do meio-dia e foi encaminhado para a carceragem do órgão. Ele não havia sido ouvido até o fim da tarde deste domingo.

Segundo o delator Pedro Barusco, ex-gerente executivo da Petrobras, Goes atuava como operador das empresas UTC, MPE, OAS, Mendes Júnior, Andrade Gutierrez, Schahin, Carioca e Bueno Engenharia. Mário Goes, de acordo com Barusco, lhe entregava regularmente mochilas com valores entre R$ 300 mil e R$ 400 mil, que ele buscava pessoalmente na residência do consultor, na Estrada das Canoas, em São Conrado. Goes é um dos onze operadores citados em uma planilha de Barusco que atuaram em 87 obras da estatal. Juntas, essas obras somaram R$ 47 bilhões no Brasil e US$ 11 bilhões em contratos no exterior. Em depoimento ao Ministério Público, o ex-gerente executivo da Petrobras disse que as propinas variavam entre 1% e 2% dos valores dos contratos firmados entre 2003 e 2014 na Petrobras e eram divididas entre partidos e dirigentes da estatal.
Barusco disse que Mário Goes, seu amigo há 15 anos, tem uma empresa chamada Rio Marines há pelo menos 20 anos e é engenheiro naval. Segundo o ex-gerente executivo da Petrobras, a propina em nome de várias construtoras no Brasil e no exterior muitas vezes era paga por Goes em dinheiro vivo. O policial federal Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, que transportava dinheiro do doleiro Alberto Youssef, já havia citado um homem chamado Mário em seu depoimento e a localização da casa dele, mas não indicou o sobrenome do consultor.

O policial, na ocasião, disse: “Levei dinheiro do Youssef para uma pessoa chamada Mário, que trabalha com navios off-shore. Entreguei para ele no escritório, próximo à UTC, e na casa dele, em São Conrado. Passando pela Rocinha, antes de sair de São Conrado, pega à direita na padaria. É um condomínio que fica à esquerda, na casa 2. Fui lá umas duas vezes”. Na planilha de Barusco, é possível identificar quem em cada empresa ficou responsável por negociar o esquema de corrupção com os dirigentes da Petrobras. Parte das pessoas citadas está presa na carceragem da PF em Curitiba desde novembro. A planilha ainda detalha o percentual de propina em cada obra, e a quem o dinheiro foi destinado. O alvo da Polícia Federal na nona fase da Operação Lava-Jato é a BR Distribuidora, além da Diretoria de Serviços da Petrobras, que era comandada pelo ex-diretor Renato Duque. Em Santa Catarina foi identificada a empresa Arxo, de grande porte, fabricante de tanques de combustíveis e caminhões para abastecimento de aeronaves, que teria sido usada para distribuição de propina e lavagem de dinheiro no esquema da distribuidora.

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71% dos brasileiros não têm partido de preferência

Na Folha:
A percepção de aumento da corrupção combinada à expectativa de piora nas condições de vida deflagrou uma crise de representação no país, evidenciada pelo aumento na rejeição aos partidos políticos. A fatia dos brasileiros que dizem não ter um partido de preferência saltou de 61% em dezembro de 2014 para 71% em janeiro deste ano. Trata-se do maior patamar desde o início da série histórica do Datafolha para essa pergunta, em agosto de 1989.

A rejeição à representação política já tinha dado um salto em junho de 2013 –época dos protestos que pararam o país–, quando passou de 55% para 64%. Desde então, oscilou próxima a esse patamar, mesmo durante a eleição presidencial de 2014. O aumento registrado agora foi silencioso, sem novas manifestações abrangentes de rua, mas confirma o desalento da população brasileira. Isso se refletiu nas respostas a outras perguntas do Datafolha, como as expectativas em relação ao futuro da economia e ao da própria situação financeira de cada um. Todas indicaram um crescimento do pessimismo. O novo sentimento contrasta com o verificado até o fim do ano passado.

Três meses e meio após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, o apoio da população ao PT recuou para o patamar de dezembro de 1998, pouco antes de o partido ter conseguido tirar do PMDB a preferência do eleitorado. Isso acabou pavimentando o caminho para a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, em sua terceira tentativa. Entre dezembro de 2014 e janeiro deste ano, a parcela dos eleitores que dizem, em resposta espontânea, ter o PT como seu partido favorito caiu de 22% para 12%. Na época do mensalão, o nível mais baixo tinha sido de 15%.

Sem beneficiários
A queda de apoio ao partido não beneficiou as legendas rivais. Principal sigla de oposição, o PSDB viu sua base de apoio ir de 7% para 5%. Algumas siglas pequenas oscilaram de 0% para 1%, mas o movimento tem sido pendular. A dificuldade da oposição em capitalizar a desidratação do PT pode se explicar em parte porque, embora generalizado, o aumento do desalento em relação à sigla foi forte entre seu eleitorado mais fiel.

Na pesquisa de dezembro de 2014, entre os simpatizantes do PT, 71% consideravam o desempenho do governo ótimo ou bom. Agora, esse índice é de 52%. Na via oposta, a fatia dos petistas que avaliam a administração atual como ruim ou péssima quadruplicou, passando de 3% para 12%. A queda na avaliação de Dilma foi intensa entre a população de renda baixa e pouca escolaridade.

Embora permaneça em patamar mais elevado do que nos demais estratos, o recuo da aprovação entre os brasileiros que têm o ensino fundamental despencou de 54% para 31%. No recorte dos que têm renda familiar mensal de até dois salários mínimos, a queda foi de 50% para 27%. Regionalmente, o recuo foi mais marcante no Nordeste, com queda na aprovação de 53% para 29%. Com isso, o Norte, onde a queda foi de 51% para 34%, ultrapassou o Nordeste como região onde o PT conta com seu maior apoio.
(…)

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Lula decide dar início à campanha de… 2018!!!

Por Catia Seabra, na Folha:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avisou aos aliados que pretende concorrer à Presidência em 2018 e que cumprirá uma agenda de viagens depois do Carnaval. O ex-presidente autorizou petistas a trabalhar por sua candidatura, desde que o movimento não seja atribuído a ele.

Ele disse a governadores que, em vez de se dedicar a viagens de curta duração, planeja se fixar por um período em cada Estado para mobilizar as bases partidárias. Após o Carnaval, Lula vai se lançar nessa maratona. “Ele ficará uma temporada nos diferentes Estados”, diz o governador do Piauí, Welington Dias. O gesto expressa sua tentativa de amortizar a crise que o PT atravessa desde a explosão do escândalo da Lava Jato, em março de 2014, e debelar disputas internas no partido. Com o recado, Lula tenta desencorajar a precipitação de outras candidaturas.

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Os pobres e os nordestinos começam a se libertar em massa do governo do PT, aponta Datafolha; Dilma leva pau e hoje, certamente, não seria reeleita

Dilma Rousseff talvez se agarre a um fio de esperança. Caso alguns boatos que andam na praça se transformem em fatos, a Operação Lava Jato, que devasta o PT, causará sérios abalos em outras legendas, inclusive de oposição. Nessa hipótese, o peso sobre os ombros presidenciais diminuiria, e Dilma tentaria se apresentar como fiadora da investigação, “doa a quem doer”.  Ou por outra: se o escândalo for jogado no ventilador, todos procurarão se salvar, e ninguém vai para a guilhotina. Mas notem: isso só impediria que Dilma tivesse a cabeça cortada. Recuperar o prestígio é coisa bem distinta. A razão é simples: os nordestinos e os pobres começaram a abandonar o governo.

Para lembrar: segundo pesquisa Datafolha publicada no domingo, o brasileiro atribui à presidente nota vermelha: 4,8. Não dá para passar de ano. Hoje, não seria reeleita. Se ela não tomar cuidado, será tragada pela crise. Em dois meses, caíram de 42% para 23% os que dizem que seu governo é ótimo ou bom, e dispararam de 24% para 44% os que afirmam ser ele “ruim ou péssimo”, uma movimentação negativa de 39 pontos. Para onde quer que se olhe, o quadro é desanimador para a presidente. Acabou a condescendência: 47% dizem que ela é desonesta, e 54% a veem como falsa. Sessenta por cento acham que ela mentiu na campanha: 46% sustentam que falou mais mentiras do que verdades; para 14%, só mentiras. O escândalo da Petrobras corrói a sua credibilidade.

Nada menos de 77% dizem que ela sabia do escândalo: para 52%, sabia e deixou rolar solto; para 25%, sabia e não tinha como evitá-lo. Tomaram conhecimento das lambanças da Petrobras 86% dos entrevistados. Pois é… Eis aí um caso que, como se diz, “pegou”. Para 82%, a corrupção prejudica a estatal.

O estelionato eleitoral praticado por Dilma — aquele negado por João Santana — pesa na sua reputação. Ora, quem a viu elevar juros e tarifas, num cenário de inflação acima da meta, e botar freio no seguro-desemprego tem motivos objetivos para considera-la falsa, não é?

É o pior desempenho de Dilma, superando em muito o de junho do ano passado. Daquela vez, chegaram a 33% os que consideravam seu governo “ótimo ou bom”; agora, só 23%. Naquele mês, obteve seu recorde de “ruim e péssimo”: 28%; agora, 44%.

Avaliação por região Dilma Datafolha

O Nordeste nunca havia lhe dado menos de 41% de “ótimo e bom”; agora, caiu para 29%; também nunca lhe havia atribuído mais de 21% de ruim e péssimo; agora, esse índice chegou a 36%.

Avaliação por renda Dilma Datafolha

Entre os que recebem até dois mínimos, o auge do “ruim e péssimo” da presidente havia se verificado em julho do ano passado: 23%; agora, são 36%. Nesse grupo, a categoria “ótimo e bom” nunca havia sido inferior a 38%; agora, está em apenas 27%. O mesmo se verifica com os que recebem entre dois e cinco mínimos: o máximo atingido de “ruim/péssimo” era 30%; agora, está em 46%. O menor índice de ótimo/bom era 29%; hoje, 21%.

Em suma, a adesão dos pobres e dos nordestinos ao governo Dilma despencou. Essas sempre foram as suas fortalezas.

E aí a coisa pega, não é? A economia brasileira certamente entrará em recessão neste ano. Em momentos assim, é evidente, os pobres sempre sofrem mais. E, para o ano que vem, projeta-se um crescimento medíocre. O pessimismo é grande: 81% acham que a inflação vai aumentar; 62% acham que crescerá o desemprego, e 55% consideram que a economia vai piorar. A atuação do governo na economia é vista como ruim ou péssima por 43%, e 46% anunciam a disposição de consumir menos.

Muito bem, dados esses números, fico cá pensando naquela foto que ganhou o país, em que Dilma, Lula e Rui Falcão aparecem soprando as velinhas dos 35 anos do PT. Na plateia, estava ninguém menos do que João Vaccari Neto. Na foto, também se destaca a figura do deputado José Nobre (PT-CE), irmão do mensaleiro José Genoino e atual líder do governo na Câmara. Em 2005, no auge do escândalo do mensalão, um assessor de Nobre, um pobre diabo, foi preso transportando R$ 200 mil em dinheiro vivo numa valise e US$ 100 mil na cueca.

Ora, se, na política, cueca vira casa de câmbio, é claro que a Petrobras acaba virando a sede do crime organizado.

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Datafolha: partidos têm imagem de Cosa Nostra

Juntam salteadores, aproveitadores, fisiológicos e pilantras de toda espécie e, quando todos esperam que chamem isso de caverna de Ali-Babá, eles colocam a tabuleta na porta: “Partido Político”. Nunca foram vistos como coisa nossa. A julgar pelo resultado do Datafolha mais recente, firmaram-se como Cosa Nostra.

Nos últimos três meses e meio, saltou de 61% para 71% a quantidade de brasileiros que declaram não ter um partido político de sua preferência. É o pior resultado desde que o instituto passou a produzir esse indicador, há 26 anos. Como não consegue elevar a estatura dos seus representantes pelo voto, o brasileiro rebaixa-lhes dramaticamente o pé-direito.

É como se, em tempos de mensalões e de petrolão, as pessoas passassem a enxergar os partidos como meros paraísos fiscais —100% financiados pelo déficit público. Nessa matéria, o que já é ruim pode ficar muito pior. Há 32 partidos registrados no TSE. Outras três dezenas esperam na fila para nascer.

Em termos ideológicos, há de tudo: meia esquerda, um quarto de esquerda, três quartos de esquerda, esquerda Vaccari, direita envergonhada, direita dissimulada, direita responsável, direita Bolsonaro. Para que servem tantos partidos? A maioria dedica-se a fazer negócios.

Enquanto a reforma política não vem, só há duas providências possíveis: pelo lado dos partidos, o restabelecimento de um certo grau recato. O descaramento, quando é muito, prejudica os negócios. Pelo lado do eleitor, o aperfeiçoamento da pontaria. Educação e imprensa livre ajudam. Juntas, levam fatalmente ao à plenitude da consciência crítica.

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Ministro atribui má avaliação à agenda complexa

O ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) divulgou uma nota com comentários sobre a queda na popularidade de Dilma Rousseff. No texto, atribuiu o fenômeno à “agenda complexa” que a presidente teve de tourear depois da “eleição muito polarizada” que disputou com o antagonista tucano Aécio Neves.

Segundo o Datafolha, a taxa de aprovação de Dilma despencou de 42% para 23% desde dezembro. Rossetto incluiu na agenda o aumento da conta de luz e da gasolina. Anotou que tais “ajustes” foram “necessários para continuar programas sociais”. Acrescentou: “sempre falamos durante a campanha sobre equilíbrio fiscal e controle da inflação.”

Em verdade, Dilma dizia nos debates eleitorais que as contas do governo e a inflação estavam sob controle. E acusava seus adversários de tramar impatrióticos ajustes. Hoje, informa o Datafolha, seis de cada dez brasileiros avaliam que Dilma mentiu durante a campanha.

O ministro mencionou também a corrupção. Anotou que as denúncias “ocupam grande parte da agenda política e não há ainda julgamento e punição, o que cria um evidente descontentamento na população.” Reiterou o compromisso de Dilma “com o combate à corrupção”. E repisou a tecla segundo a qual a presidente enviará ao Congresso, como prometera na campanha, projetos “para combater os malfeitos e a impunidade.”

Nesse trecho de sua nota, Rossetto repete argumentos que, embora utilizados à exaustão pela própria Dilma, parecem já não surtir efeito. De acordo com o Datafolha, a maioria dos brasileiros acha que a presidente da República sabia da corrupção na Petrobras (77%) e permitiu que os roubos continuassem (52%). Metade dos entrevistados enxerga a presidente como falsa (54%), indecisa (50%) e até desonesta (47%).

Conforme já comentado aqui, Dilma tem um mandato pela frente para estancar a hemorragia que drena o seu prestígio. Mas terá de admitir que a sangria decorre dos seus próprios equívocos. Do contrário, talvez não seja levada a sério.

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PT – 35 anos!




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Blog do Noblat

Lula envelheceu. E com ele o PT
Ricardo Noblat

Mandava a prudência que o PT aguardasse mais algum tempo para sair ou não em defesa de João Vaccari, seu tesoureiro, acusado por três delatores da Operação Lava-Jato de ter recebido dinheiro desviado de negócios da Petrobras para encher as burras do Caixa 2 do partido.

Imaginava-se que o PT tivesse aprendido com o episódio do mensalão – o pagamento de propinas a deputados federais para que votassem na Câmara de acordo com o governo.

O PT precipitou-se e saiu em defesa de Delúbio Soares, tesoureiro na época. Depois foi obrigado a afastá-lo do cargo. Delúbio acabou condenado pela Justiça.

Lula mandou às favas a prudência. E como quem não aprendeu nada, elogiou Vaccari e aconselhou aos militantes do PT: “Na dúvida, fiquem com o companheiro”.

Como se não bastasse, convocou os militantes a saírem às ruas em defesa do tesoureiro.

Se por Vaccari o PT deve ocupar as ruas como quer Lula, se por acaso Lula acabar atingido pela roubalheira da Petrobras, o que o partido deve fazer?

Pegar em armas? Imolar-se dentro de uma jaula? Oferecer a cabeça para ser decapitado?

Pobre do político que se torna previsível. Nada é mais vulnerável do que ele. Fica fácil derrotá-lo.

Lula tornou-se previsível. Parece ter esgotado seu estoque de velhos truques e de tiradas antes espertas. Envelheceu. Como o partido que agora celebra seus 35 anos de fundação.

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Lula insinuou durante festa do PT que julgamento do petrolão será político

Em sua primeira manifestação pública sobre a Operação Lava Jato, Lula comparou o petrolão ao mensalão. Fez isso para insinuar que o novo escândalo terá um julgamento político. “Estamos assistindo à repetição de um filme com final conhecido”, disse ele na festa de 37 anos do PT.

Eis o roteiro do filme que Lula antevê: “Pessoas são acusadas por meio da imprensa, com base em vazamentos seletivos de uma investigação à qual somente alguns têm acesso. Não há contraditório, não há direito de defesa. E quando o caso chegar às instâncias finais da Justiça, certamente o julgamento já foi feito pela imprensa, os condenados já foram punidos. Restará apenas executar a sentença, como nós já vimos nesse país.”

Em abril de 2014, numa entrevista à emissora portuguesa RTP, Lula afirmara que o julgamento do mensalão pelo STF “teve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisões jurídicas.” Acrescentara que “não houve mensalão” e que “o processo foi um massacre que visava destruir o PT.”

Lula fez a analogia entre os dois escândalos que enodoam a Era petista num discurso escrito. Ao explicar à plateia que o ouvia num auditório de Belo Horizonte por que desistira de falar de improviso, o morubixaba do PT desancou a Polícia Federal e saiu em defesa do tesoureiro do PT João Vaccari Neto, que havia sido recolhido em casa na véspera, para prestar depoimento.

“Não tenho por hábito ler discurso num encontro do PT”, disse Lula. “Mas eu ontem fiquei indignado. Então, tomei muito cuidado para não repassar aqui, nessa festa de 35 anos, a indignação. Seria muito mais simples a Polícia Federal ter convidado nosso tesoureiro para se apresentar do que ir buscá-lo em casa.” Lula se absteve de recordar que os agentes federais foram à residência de Vaccari por ordem da Justiça. Executavam um mandado judicial de condução coercitiva do investigado.

Lula reiterou a comparação entre os escândalos: “Estão repetindo o mesmo ritual que eu vejo nesse Brasil desde 2005, quando começaram as denúncias que eles chamaram de mensalão. Toda quinta-feira começam a sair boatos. Na sexta-feira sai a denúncia, é publicado pelas revistas. Sai na televisão no sábado. No domingo, o massacre pela imprensa. E na segunda-feira começa um outro assunto, para na outra semana começar tudo outra vez. É um ritual. Está se repetindo.”

De fato, repete-se agora um filme velho, uma ficção estrelada por Lula. Tem um enredo fantástico, rodado num país imaginário. Um enredo bem brasileiro. Nele, um gigantesco caso de corrupção é sucedido por outro muito maior. Os suspeitos são sempre operadores amigos, correlegionários petistas, aliados políticos e servidores nomeados sob Lula. Que “não sabia de nada”. Em vez de condenar os assaltos, o ficcionista ataca os investigadores, os procuradores, os repórteres e os magistrados que ousam desvirtuar sua fábula.

Para Lula, “o critério adotado pela mídia brasileira é o da criminalização do Partido dos Trabalhadores, desde que nós chegamos no poder. Eles trabalham com a convicção de que é preciso criminalizar o nosso partido. Não importa que seja verdade ou não. O que interessa é a construção da versão, para se construir uma narrativa. Então, eu pensei: se eu for falar tudo o que eu penso, vai ser muito ruim, porque vai parecer que eu estou aqui falando com o fígado. E eu não quero prejudicar o meu fígado aos 66 anos de idade.”

Ao falar sobre a Petrobras, Lula acionou o fígado quase septuagenário para borrifar bílis na oposição. “Nossos adversários não se incomodam que essa campanha já tenha causado enormes prejuízos à Petrobras e ao país. O que eles querem, na verdade, é criminalizar o PT, paralisar o governo e continuar desgastando o nosso partido.” Nesse trecho do discurso, o patrono de Dilma flertou com a modéstia e com o egoísmo.

Lula foi modesto ao desconsiderar que “os enormes prejuízos à Petrobras” decorrem de uma realização 100% sua. A estatal desceu ao balcão no seu primeiro mandato, sob olhares inertes de Dilma, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Sobrevieram os crimes, a paralisia e o desgaste. Lula foi egoísta ao sonegar à oposição o direito de se opor. É como se desejasse exercer o monopólio da oposição a si mesmo.

A alturas tantas, Lula declarou que foi o PSDB que “tentou destruir a Petrobras” durante a gestão FHC. “E o nosso governo que a resgatou, retomou os investimentos que levaram à descoberta do pré-sal, e fizeram da Petrobras a maior produtora mundial de petróleo entre as empresas de capital aberto”, exagerou, esquecendo-se de mencionar que, na missão de resgate da Petrobras, o petismo portou-se como um São Jorge que foi salvar a donzela e acabou casando-se com o dragão.

Lula prosseguiu: “A verdade está nos autos da investigação, mas não está nos jornais nem na tevê… Havia corrupção nos contratos que a Petrobras assinou com empresas estrangeiras no tempo deles. Isso nunca foi e nem será investigado.” Referia-se ao trecho do depoimento do ex-gerente de Serviços da Petrobras, o delator Pedro Barusco, em que ele contou ter começado a receber propinas de uma empresa holandesa entre 1997 e 1998, ainda sob FHC. Lula só soube disso porque as autoridades investigam e os jornais noticiam.

Um dia depois da divulgação do depoimento em que o delator Barusco estimou em até US$ 200 milhões as propinas repassadas à tesouraria do PT, Lula inocentou integralmente a legenda: “A verdade é que apesar de todo o alarido, não há nenhuma prova contra o nosso partido nesse processo. Nenhuma doação ilegal, nenhum desvio para o partido. Nada. O que eles querem é criminalizar o dinheiro legal que o PT usou nas suas campanhas.”

Como que receoso de queimar a mão, Lula afastou-a ligeiramente das labaredas: “Se algo de concreto vier a ser encontrado, se alguém tiver traído a nossa confiança, que seja julgado e punido dentro da lei, porque o PT, ao contrário dos nossos adversários, não compactua e nem compactuará com a impunidade de quem quer que seja.” Hã, hã…

Convidada a fechar a noite de discursos, Dilma ecoou Lula num ponto. Ela também enxerga pendores golpistas na oposição. “Os que são inconformados com o resultado das urnas só têm medo de uma coisa: a mobilização da sociedade em defesa das instituições e em repúdio a qualquer tentativa de golpe contra a manifesta vontade popular.”

Dilma exibiu o muque de sua língua: os golpistas “têm medo da democracia, nós temos força. Nós temos força porque estamos juntos para enfrentar e vencer a ação dos que buscam retrocesso. Temos força para resistir ao oportunismo e ao golpismo, inclusive quando ele se manifesta de forma dissimulada. […] Estamos juntos para vencer aqueles que tentam forçar catástrofes e flertam com a aventura.'' Por ora, a descrição se encaixa como luva nos delatores que suam seus dedos-duros para obter favores da Justiça.

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É nosso!



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Dilma e Lula têm de deixar de lado a covardia e de defender a roubalheira de peito aberto. Ou: Coragem, petistas! Ganhem as ruas em defesa do assalto à Petrobras. Não se esqueçam de pedir o apoio de Marcola, do PCC!

Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva são dois covardes. Deveriam ter a coragem de defender, de peito aberto, a roubalheira na Petrobras. Deveriam deixar claro que os “nossos (deles) ladrões” são diferentes dos ladrões dos outros. Deveriam ser didáticos e explicar ao povo brasileiro que, quando o PT assalta os cofres públicos, está fazendo um bem ao país e à humanidade. Mas não! Preferem sair atacando inimigos imaginários. Nesta sexta, o partido fez em Belho Horizonte a festa dos seus 35 anos. Estava todo mundo lá, incluindo João Vaccari Neto. Um mínimo de bom senso, só um pouquinho, recomendaria que, durante o discurso da presidente ao menos, o tesoureiro do partido se retirasse do salão. Mas ele ficou. Todos al, inclusive Dilma, conhecem o trabalho de Vaccari…

Comento primeiro a fala da presidente. Segundo ela, os que erraram têm de pagar. Não me diga! Mas, em seguida, engatou a ladainha habitual: haveria um movimento golpista no país. É mesmo? Onde ele está? Quais são as forças de que dispõe? A que instrumentos recorreria? A quais armas? Não há golpismo nenhum! A presidente está é com medo.

Dilma sabe que a Lei 1.079, que define os crimes de responsabilidade — também chamada de Lei do Impeachment —, a espreita. A esta altura, se ainda faltam, se é que faltam, evidências da atuação dolosa da presidente no escândalo da Petrobras, a atuação culposa está escancarada. Nesta sexta, publiquei um vídeo de 2009, em que Dilma ataca a criação de uma CPI para investigar a Petrobras e assegura a excelência do sistema contábil da empresa. Como chefe da Casa Civil, ministra do PAC e presidente do Conselho da Petrobras, a sua obrigação funcional era mandar investigar as denúncias, parte delas nascida de relatórios do TCU que apontavam, por exemplo, superfaturamento na refinaria Abreu e Lima. Republico o vídeo:



Não é que Dilma apenas tenha deixado de atuar. Não! Já na Presidência da República, recontratou Nestor Cerveró, que havia deixado a Petrobras. Golpe, minha senhora, foi ter esmagado a CPI em 2009 e, mais duas vezes, em 2014. Para que nada fosse investigado. Golpe é dilapidar o patrimônio do povo brasileiro. Aplicar uma lei democrática é só exercício do estado de direito.

Lula
O falastrão, que andava sumido, deu as caras na festança. Contou, como de hábito, uma mentira clamorosa: disse que o PT está ficando igual aos outros partidos. Errado! Nunca houve nada igual na República. Exercitando um cinismo asqueroso, voltou seu dedo acusador contra a oposição e a imprensa. Disparou: “Não se incomodam com o prejuízo que causaram à Petrobras e ao Brasil. Eles vão prestar contas à história”.

Uau! Viram só? Não é seu amigo “Paulinho” (Paulo Roberto Costa) quem causa prejuízo à Petrobraas. Não é José Sérgio Gabrielli. Não é Renato Duque. Não é a quadrilha que se instalou na estatal em sua gestão. Segundo o Babalorixá de Banânia , prejudicam a Petrobras os que pretendem que os ladrões sejam enviados à cadeia.

E, ora, ora… Ele expressou a sua indignação com a forma como Vaccari foi levado para depor. Lula continua fiel a esta máxima: “Aos amigos tudo, menos a lei; aos inimigos, nada; nem a lei”. E conclamou que os “companheiros” saiam às ruas. É???

Coragem, petistas! Organizem uma manifestação na Avenida Paulista em defesa dos assaltantes. Convoquem uma passeata em apoio aos bandidos. Não se esqueçam de pedir apoio ao PCC. Se é que o partido do crime aceita se misturar com o partido do crime.


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Blog do Noblat

Com os aliados que tem, Dilma só irá para o buraco
Ricardo Noblat

Enquanto o mundo desabava, ontem, sobre a cabeça do PT e, por extensão, sobre a de Lula, com mais uma fase da Operação Lava-Jato que apura corrupção na Petrobras, a presidente Dilma Rousseff, uma vez apresentada ao país por seu antecessor como melhor gestora do que ele, deu posse ao filósofo Mangabeira Unger como ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos.

Por viver há muitos anos nos Estados Unidos, onde ensina, Unger é considerado o brasileiro que melhor fala o português com sotaque americano. É um espanto. Vale a pena escutá-lo.

Vale a pena também lê-lo. É autor de um artigo famoso na Folha de S. Paulo onde chamou o governo Lula de o mais corrupto da história do Brasil. Nem por isso recusou um convite de Lula para ser ministro.

De volta a Dilma: desde dezembro último ninguém mais do que ela parece estar vivendo em outro planeta depois que decidiu não responder a perguntas de jornalistas. Ontem não foi diferente.

O tesoureiro do PT foi obrigado a depor sobre a roubalheira na Petrobras. Repercutiu a delação de um ex-gerente da empresa sobre propina paga ao PT. A Petrobras continuava sem direção. E Dilma...

Bem, ela disse na posse de Unger: "Acredito que fazer do Brasil uma pátria educadora é investir muito na qualidade da nossa educação. É transformar, como sempre dissemos, o nosso passaporte do pré-sal em qualidade educacional".

E nada mais disse de relevante.

Recebeu os recém-eleitos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados. Posou para fotos com eles. Para em seguida ocupar seu tempo pensando sobre o que deveria fazer hoje.

Ela havia se comprometido a comparecer à abertura dos festejos em Belo Horizonte pelos 35 anos do PT. Ali falaria para a direção do partido e se reuniria com Lula.

Mas não seria melhor se ficasse em Brasília? Por que se misturar com o PT, seu partido, se ele está em crise e ela, não? O PT pensa o contrário. Acha que o governo de Dilma é quem está em crise, ele não. A viajar a Belo Horizonte...

A ter que viajar, o mais aconselhável seria que passasse pouco tempo entre petistas. Os mais ligados a Lula já não escondem a sua decepção com ela.

Certamente esconderiam se Lula preferisse assim, mas ele não prefere. Ou se prefere não censura quem pensa o contrário.

A verdade é que Dilma enfrenta uma tempestade quase perfeita de críticas, e seus aliados são os maiores responsáveis por ela.

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“Their way”. Ou: O fim do PT está próximo. Ou mais claramente: O PT está morto!

Não encontrei a explicação, mas deve ser boa, para Pedro Barusco chamar Renato Duque, o petista que comandava a diretoria de Serviços da Petrobras, de “My way”. Para refrescar a memória, como se preciso fosse: em depoimento prestado à Justiça Federal em novembro, Barusco afirmou que João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, deve ter amealhado em propina algo entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões só na diretoria de Duque. O acusador, como sabemos, fez acordo de delação premiada e aceitou devolver US$ 97 milhões.

Pois é. Esse é o jeito deles: “their way”.  A música “My Way”, uma versão de Paulo Anka, ganhou o mundo na voz daquele que era conhecido, metonimicamente, como “A Voz”: Frank Sinatra. A letra é eloquente e poderia servir como uma crônica do, como direi?, “jeito” petista de fazer as coisas.

Agora o fim está próximo,
e eu encaro a etapa final.
Meu amigo, eu vou falar com clareza,
vou expor meu caso. Tenho certeza
de que vivi plenamente.
Percorri cada uma e todas as estradas
e mais, muito mais:
eu fiz isso do meu jeito.

A música original é do francês (nascido no Egito) Claude François. Não tem aquele tom, digamos, existencialista da versão americana. Os franceses são mais dramáticos e desesperados tanto no amor como na revolução. Vejam aí.

Eu desperto e a procuro,
Mas você não acorda. Como de costume.
Eu estendo o lençol sobre o seu corpo.
Temo que você esteja com frio. Como de costume.
Minhas mãos acariciam seu cabelo
sem que eu perceba. Como de costume.
Mas você me dá as costas.
Como de costume.

Pois é, meus caros. O fim do PT está próximo, como na versão celebrizada por Sinatra. O partido começa a se defrontar com a sua própria história. É claro que não estou aqui a anunciar a desaparição do Partido dos Trabalhadores. Eu anuncio aqui, isto sim, a morte daquele “ente de razão” que tentou se organizar como o imperativo categórico.

Eu anuncio aqui a morte daquela legenda que ambicionou dominar todo o espectro político, da extrema direita à extrema esquerda.

Eu anuncio aqui a morte daquele partido que sonhou substituir a sociedade por um aparelho burocrático.

Eu anuncio aqui a morte daquele partido que ousou imaginar uma reforma política que o eternizasse no poder.

Eu anuncio aqui a morte daquele partido que planejava o “controle da imprensa”.

Eu anuncio aqui a morte daquele partido que, enquanto acenava com a escatologia socialista, conspirou para manter o empresariado debaixo do seu cabresto.

Eu anuncio aqui a morte daquele partido que fez da trapaça, da mentira e do estelionato eleitoral categorias de pensamento.

Eu anuncio aqui a morte da sociedade sonhada pelos petralhas.

No fim de “Comme d’habitude”, o eu-lírico diz que, como de costume, ele se deitará na cama com a parceira e até farão amor. Mas será tudo fingimento — “como de costume”.

A era do fingimento acabou. O PT se organizou para golpear a democracia. Como de costume. E estamos cansados disso.

O nosso jeito é a democracia. E isso quer dizer que o PT não tem jeito. E chegou ao fim.

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No dia dos US$ 200 milhões, eu me lembrei de que, segundo vice-presidente do PT, os verdadeiros inimigos do Brasil somos eu e mais oito

Caberá aos órgãos competentes verificar se o que diz Pedro Barusco é ou não verdade. Segundo ele, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, levou entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões de propina, decorrentes de contratos de empreiteiras com a Petrobras entre 2003 e 2013. Ele próprio, Barusco (falarei mais dele), devolverá US$ 97 milhões aos cofres públicos. Que a Petrobras tenha sido tomada por uma quadrilha, bem, creio que já não haja dúvida a respeito. Agora que o PT começou a morrer — ou, segundo certo ponto de vista, já morreu — cumpre lembrar um fato notável de sua trajetória.

No dia 16 de junho do ano passado, durante a Copa do Mundo, Alberto Cantalice, vice-presidente do partido, publicou no site da legenda um texto odiento, estimulando a caça às bruxas, e fez uma lista — sim, uma lista negra — de jornalistas e comunicadores que, segundo ele, faziam e fazem mal ao Brasil. Ele estava descontente com as críticas àquele projeto do PT que entregava parte da administração federal aos conselhos populares — que nada mais são do que esbirros do PT. Leiam o que escreveu:

“Divulgadores de uma democracia sem povo apontaram suas armas, agora, contra o decreto da Presidência da República que amplia a interlocução e a participação da população nos conselhos, para melhor direcionamento das políticas públicas.
Personificados em Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Lobão, Danilo Gentili, Marcelo Madureira, entre outros menos votados, suas pregações nas páginas dos veículos conservadores estimulam setores  reacionários e exclusivistas da sociedade brasileira a maldizer os pobres e sua presença cada vez maior nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes. Seus paroxismos odientos revelaram-se com maior clarividência na Copa do Mundo.”

É verdade! Quem gosta de pobre é o PT. Basta ver o que a gestão do partido fez com a Petrobras, que é patrimônio do povo brasileiro. Nunca ocorreu aos “companheiros” que esses nove que eles escolheram para odiar defendem que pobres e ricos tenham aeroportos decentes. Segundo o jeito petista de fazer as coisas, a verdadeira igualdade consiste em oferecer aeroportos que não prestam para todos, sem distinção entre pobres e ricos.

Em junho do ano passado, o PT enfrentava algumas dificuldades, sim, e a popularidade de Dilma não andava lá essas coisas, mas a reeleição ainda era considerada, como se verificou, a hipótese mais plausível. E os companheiros já faziam seus planos para o quarto mandato, embora fosse evidente, havia pelo menos dois anos, que o país caminhava para a lona.

Nesta quinta, ao tomar conhecimento do depoimento de Pedro Barusco e ao ser informado de que agentes federais tiveram de pular o muro da casa de Vaccari para conduzi-lo para um depoimento, eu me lembrei da lista negra de Cantalice. Eu me lembrei de que, segundo o chefão petista, somos nós, aqueles nove, os verdadeiros inimigos do Brasil. Só para registro: no dia seguinte à publicação do texto deste senhor, as ameaças de agressão e morte que habitualmente chegam a este blog de multiplicaram.

E lembro: não houve uma só entidade ligada à imprensa ou à liberdade de expressão que tenha criticado o PT. O protesto partiu da França, da entidade “Repórteres Sem Fronteiras”. Se bem que houve, sim, um jornalista que se inflamou no Brasil: Janio de Freitas. Contra o PT? Não! Contra a “Repórteres Sem Fronteiras”. Endossou, assim, o comportamento fascistoide do petismo.

Entendo pessoas como Cantalice e seus petralhas. Imaginem como seria doce a vida dessa turma se toda a imprensa se comportasse como os patriotas dos blogs sujos, que trocam uma opinião por um anúncio estatal — inclusive da Petrobras. O chato para esse partido moribundo é que, a cada dia, fica mais claro onde estão os vilões. Em breve, a lista de Cantalice dos “inimigos do Brasil” incluirá mais ou menos 200 milhões de… brasileiros!

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A vulgaridade teológica do papa Francisco é pavorosa! Ou: Três Ave, Marias” e um tapa no traseiro

Quo usque tandem abutere, Francisce, patientia nostra? Até quando abusarás, Francisco, da nossa paciência? Sim, eu estou me referindo ao papa Francisco. Sou católico, o que, é evidente, não me dá licença especial para criticar o papa, mas não resisto a pegar uma carona em Cícero para expressar meu desagrado. O que ele fez desta vez? Numa audiência semanal em que tratou de assuntos relativos à família, saiu-se com esta:
“Uma vez, ouvi um pai num encontro com casais que disse: ‘Às vezes, tenho de bater nos meus filhos, mas nunca no rosto para não humilhá-los’. Que lindo! Ele conhece o senso de dignidade. Tem de puni-los, mas o faz de modo justo e dá o assunto por encerrado”.

Não dá! “Est modus in rebus”, escreveu o grande Horácio. Há um limite nas coisas. Eu me opus severamente a uma tolice autoritária chamada “Lei da Palmada”. Fiz picadinho do texto num post publicado aqui no dia 5 de junho do ano passado.

O primeiro problema da lei é sua imprecisão. Pune-se, por exemplo, qualquer tratamento que “ridicularize ou humilhe” a criança e o adolescente, sem que se diga o que são uma coisa e outra. Mais: há uma evidente interferência no Estado em assunto de família. De resto, o Estatuto da Criança e do Adolescente já assegura direitos dessas duas categorias contra a violência familiar. E, por último, embora eu jamais tenha recorrido a tal expediente com as minhas filhas, um tapa na bunda não ameaça, digamos, os direitos humanos.

Mas eu meu pergunto: cabe ao papa tratar dessas miudezas? Cabe ao papa abordar um assunto sem dúvida delicado com essa ligeireza? Cabe ao papa ficar pensando alto, assim como quem suspira?

A cada vez que Francisco fala, sinto uma saudade imensa de Bento 16. Esse papa já concedeu uma entrevista ambígua sobre aborto. Foi vago e impreciso sobre homossexualidade. Falou uma tolice gigantesca ao comentar o atentado contra o jornal francês “Charlie Hebdo”, dizendo que ele daria um soco em quem xingasse a sua mãe. Dia desses, afirmou que os católicos não precisavam se reproduzir como coelhos… Em todas as ocasiões, o Vaticano teve de vir a público para tentar explicar o que ele quis dizer.

Não dá! Com a devida vênia, isso não é conversa para papa, mas para cura de aldeia, para padre de paróquia — sem qualquer desdouro a ambos. Nesses ambientes, sim, um líder religioso pode descer a minudências.

Cristo, é certo, falava por parábolas, recorria a exemplos, tornava viva a palavra de Deus, buscando correspondência no cotidiano dos homens. Mas voltem aos Evangelhos. Tais parábolas, como é próprio da linguagem religiosa, são de tal sorte abertas que todos nós, com as nossas respectivas histórias, nelas nos reconhecemos. Releiam a fala de Francisco: ele transforma uma história tola num fundamento moral.

Mais: um papa fala pelo Trono de Pedro, santo Deus! O cristianismo católico é a única denominação religiosa no mundo que tem “o” hierarca. É bem verdade que o Superior Geral da Ordem dos Jesuítas — e Francisco é um jesuíta — tem tal poder  sobre seus comandados que é chamado “Papa Negro”, numa alusão à batina preta. Também ele exerce cargo vitalício. O atual Superior Geral é o padre espanhol Adolfo Nicolás.

Ao falar em nome da Igreja e se entregar a essas ligeirezas, fica a suspeita de que Francisco endossa castigos físicos, dede que moderados. Não é esse o seu papel. Desde os primeiros dias, noto no papa certa vocação midiática bem distinta daquela que exibia um João Paulo II. Aquele reforçava o papel de liderança moral da Igreja e reforçava seu apelo espiritual, místico.

Francisco tem se mostrado de uma vulgaridade teológica pavorosa. Talvez seja um tiozão legal para o “churras” de domingo. Mas é fraco para chefiar a Igreja. Espero que o “Papa Negro” chame o “Papa Branco” para lhe dar um puxão de orelha.

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PT chega aos 35 com corpinho de US$ 200 mi

O pior da velhice é a amnésia. O PT, por exemplo, festeja seu aniversário de 35 anos nesta sexta-feira, em Belo Horizonte, como um velho desmemoriado. Já não é tão atraente. Mas conserva certa capacidade de sedução. Aos trancos, acaba de levar Dilma ao poder federal pela segunda vez. Só não consegue lembrar para quê.

Em maio de 2014, na convenção que aclamou Dilma como recandidata ao Planalto, Lula comparou o PT que ele fundara em fevereiro de 1980 ao ex-PT que ocupa a Presidência da República há 12 anos:

“Nós criamos um partido político foi para ser diferente de tudo o que existia”, disse o morubixaba petista. “Esse partido não nasceu para fazer tudo o que os outros fazem. Esse partido nasceu para provar que é possível fazer política de forma mais digna, fazer política com ‘P’ maiúsculo.”

Lula foi ao ponto: “Nós precisamos recuperar o orgulho que foi a razão da existência desse partido em momentos muito difíceis, porque a gente às vezes não tinha panfleto para divulgar uma campanha. Hoje, parece que o dinheiro resolve tudo. Os candidatos a deputado não têm mais cabo eleitoral gratuito. É tudo uma máquina de fazer dinheiro, que está fazendo o partido ser um partido convencional.”

Haverá novo discurso de Lula na celebração desta sexta. Será divertido ouvir o que tem a dizer sobre a revelação de que o PT mordeu até US$ 200 milhões em dez anos apenas numa das diretorias da Petrobras convertidas em “máquinas de fazer dinheiro”.

Para alguém que aperta o botão do “não sabia” sempre que estoura uma encrenca, Lula até que dispõe de um bom diagnóstico: dinheiro. O diabo é que ele não consegue aviar uma receita. Não é que não enxergue a solução. O que ele não vê é o problema.

Para Lula, “não é possível aceitar gratuitamente a tentativa da elite brasileira de destruir a imagem da Petrobras, uma empresa que durante tantos anos é motivo de orgulho para o nosso povo.” Talvez devesse pedir ao companheiro João Vaccari, outro convidado da festa, para deixar em paz as arcas da estatal.

O mensalão não ensinou nada a Lula. “Precisamos começar a nos preocupar, porque o problema não são apenas os companheiros que estão presos”, disse ele na convençao de 2014. “O problema é que a perseguição é contra o nosso partido. A perseguição é porque eles não admitem […] que a gente consiga provar que é possível fazer nesse país o que eles não fizeram durante tantas décadas.”

Torça-se para que Lula olhe no espelho antes de seguir para o local da festa do PT nesta sexta-feira. Com sorte, enxergará na imagem refletida o semblante de um culpado. Hoje, rouba-se do erário brasileiro como nunca antes na história desse planeta. E na Petrobras a tinta que nomeou os larápios saiu da caneta de Lula.

O padrinho de Dilma costuma dizer que o melhor a fazer  é “partir pra cima” dos seus adversários, endurecendo o discurso. O diabo é que falar em endurecimento na sua idade passa uma impressão menos política do que freudiana. De resto, um partido como o PT —35 anos, com corpinho de US$ 200 milhões— já perdeu muito da sua capacidade de endurecer.

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Até aqui, tudo bem!




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Blog do Josias

Após perder compostura, Senado perde o rumo

Que acontece num país de opinião pública minimamente ativa sob uma conjuntura em que se misturam inflação alta, juros salgados, paralisia econômica, aumento de impostos, elevação de tarifas e corrupção desenfreada? Simples: não se fala de outra coisa. De fato, muito se fala da crise nas filas, nas esquinas, nas residências, nos escritórios. A exceção é o Senado. Ali, o assunto é outro.

Desde que voltaram das férias, no domingo, os senadores discutiam o rateio dos cargos na Mesa diretora. A coisa terminou em confusão, como se pode notar no vídeo acima. O tetrapresidente Renan Calheiros passou o trator sobre PSDB e PSB, partidos que ousaram votar contra ele na eleição para o comando do Senado. Na surdina, Renan providenciou para que as duas legendas fossem excluídas dos assentos a que teriam direito na Mesa, privilegiando os aliados.

Em resposta, Aécio declarou: “Vossa Excelência perde a legitimidade para ser presidente dos partidos de oposição nesta Casa”. Seguiu-se uma briga em que os dois acusaram-se mutuamente de desrespeitar a democracia. Poucas pessoas —talvez meia dúzia de brasileiros em 1 milhão— são capazes de entender e traduzir a atual situação político-econômica da democracia brasileira. Mas todo mundo sente os efeitos do descalabro. E não é preciso ir muito longe para verificar que a grossa maioria da sociedade enxerga o Senado como parte do problema, não da solução.

Basta entrar em qualquer boteco —de bairro nobre ou da periferia— para perceber que a clientela não se enxerga nesta casa do Parlamento, que deveria ser a caixa de ressonância por excelência de um regime democrático. Na época em que ainda fazia pose de referência moral sem provocar risos, Lula estimou em 300 os picaretas do Legislativo. Na Era dos governos do ex-PT, descobriu-se que a banda ladra é maior. Sabe-se que nem todo mundo é bandoleiro. Mas 90% dos congressistas dão aos 10% restantes uma péssima reputação.

Contra esse pano de fundo, cabe perguntar: qual o panorama do Senado no momento? Ao reconduzir à presidência Renan Calheiros e todas as acusações que lhe pesam sobre os ombros —as antigas e as que estão por vir—, a maioria dos senadores demonstrou que o Senado perdeu de vez a compostura. Ao desperdiçar quatro dias debatendo o rateio de poltronas na Mesa, os senadores revelaram que o Senado perdeu também o rumo. Primeira e segunda vice; primeira, segunda e terceira secretarias; suplências A, B e C. Sakespeare devia estar pensando nisso quando disse: “Não há o que escolher num saco de batatas podres.”

Aécio e a tropa oposicionista fazem um bem a si mesmos ao peitar Renan e sua infantaria. O grão-tucanato fareja na movimentação do morubixaba de Alagoas a tentativa de solidificar a milícia parlamentar que lavará a jato um eventual processo de cassação por falta de decoro. Líder do DEM, o senador Ronaldo Caiado ousou dizer a Renan, do alto da tribuna, que o objetivo dele é mais ambicioso: “quer usar o Senado como parachoque para amortecer” um ainda hipotético pedido de impeachment contra Dilma Rousseff. Curiosamente, não houve governista que o contraditasse.

“Perderam a rua e querem levar tudo no tapetão”, afirmou Cássio Cunha Lima, líder do tucanato. “Vossa Excelência pode atropelar o PSDB e o PSB. Mas não irá atropelar o povo brasileiro. Não vai ultrajar nossa democracia. Não estamos mendigando cargos na Mesa. Queremos respeito à proporcionalidade construída nas urnas. Saiba Vossa Excelência que sua atitude terá consequências. O Brasil vai ver o desdobramento dessa manobra.”

Resta à plateia torcer para que venham mesmo as “consequências”. Não é de hoje que, no Senado, se briga e se fazem as pazes desavergonhadamente. Renan Calheiros já esteve na bica de ser cassado um par de vezes. Numa delas, viu-se compelido a renunciar à presidência para salvar o mandato. Suas desavenças foram sempre sucedidas de hediondas reconciliações.

Ninguém deseja para as brigas do Senado um epílogo de romance do século 19, época em que os insultos eram lavados com sangue. Mas convém não abusar da paciência dos botequins. A reiteração dos acordos, dos conchavos, das alianças potencializa a convicção, já tão disseminada, de que a política é o território da farsa. Junte-se a isso a falta de uma agenda e descobre-se o porquê de o Senado e seus protagonistas não serem levados a sério.

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‘Se Levy vier com penduricalhos, não consideraremos prioritário’, diz Aécio

Tornou-se lugar-comum a tese segundo a qual Dima Rousseff sequestrou a cartilha econômica do PSDB ao levar Joaquim Levy da diretoria do Bradesco para o comando do Ministério da Fazenda. Porém, o senador Aécio Neves, presidente do tucanato, não se reconhece nos ajustes econômicos adotados por Levy.

Em conversa com Aécio, o signatário do blog perguntou: o PSDB vai votar contra os ajustes na economia? E ele: “Essa é uma questão central para nós. Se o ministro Levy vier para o Congresso com penduricalhos, com soluções laterais, nós não consideraremos isso prioritário.”

O que o PSDB chama de penduricalhos? “Se vierem para nós medidas que combinem aumento de impostos e supressão de direitos trabalhistas, como parece ser o caso, nós estaremos à vontade para cobrar um aprofundamento das questões. Seremos coerentes com o que dizíamos na campanha.”

Aécio acrescentou: “O que eu dizia durante a campanha era que precisávamos fazer ajustes na economia. Mas faríamos isso de forma estruturante. Eles não estavam preparados para ganhar a eleição. Esqueceram que, se ganhassem, teriam que governar.”

Instado a comentar a intenção de Dilma de nomear para a presidência da Petrobras um executivo tão conceituado no mercado quanto Levy, Aécio declarou: “Não torço contra o Brasil. Mas não vamos cair nessa armadilha de achar que botar um Levy na Petrobras apaga o passado. Acontecerá o contrário. A presidente da República perderá o anteparo. Não vai ter mais a blindagem da Graça Foster. Quem assumir a Petrobras não vai querer empurrar nada pra baixo do tapete.''

“Queremos saber quem são os responsáveis por esses prejuízos todos”, disse Aécio. “Os que já foram feitos, como os roubos, e o desperdício de R$ 2,5 bilhões nas refinárias canceladas do Ceará e do Maranhão. Os pareceres técnicos eram contrários aos empreendimentos. Vem o Lula e diz que tem que fazer, para atender os governadores. E aí, vai ficar tudo por isso mesmo? Ninguém responde pelo prejuízo? Nós investigaremos tudo a fundo na nova CPI.”

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O mundo fantásticos dos unicórnios!




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Blog do Reinaldo Azevedo

Graça já era. Agora o mercado quer rir de outra coisa. E a agenda é imensa!

Como diria o petista Chico Buarque, uma pergunta, nesta quarta, andou nas cabeças e nas bocas: se a informação não confirmada de que Graça Foster deixaria a presidência da Petrobras fez disparar as ações da empresa, por que o mesmo não se deu com a confirmação de sua saída e de toda a diretoria? Porque Graça, como lembra reportagem da VEJA.com, não é o único problema da Petrobras. Na verdade, ela entrou lá para ser a solução. Quando ficou claro que não conseguiria tirar a empresa do atoleiro, o mercado pôs um preço.

E resolveu fazer a compensação na outra ponta quando ficou evidente que Graça iria sair. Mas o valor dessa expectativa positiva já havia sido definido na segunda e na terça. Na quarta, as ações acabaram andando de lado. Outras questões agora se alevantam. Quem será seu substituto? Vem para corrigir ou para alimentar os vícios? Haverá uma profissionalização para valer?

A empresa tem pepinos gigantescos a resolver, e isso é que vai determinar, de agora para diante, o comportamento dos investidores. A Petrobras vai incorporar a seu balanço uma perda de quanto? Os mais de R$ 88 bilhões, que deixaram Dilma enfurecida, não vão sair tão facilmente da cabeça do mercado. Se o valor for muito abaixo disso, o que se tem é desmoralização — e isso custará muito caro. Qualquer que seja ele, no entanto, num primeiro momento, a tendência é que a reação seja ruim. Se os números forem realistas, pode ter início um ciclo de confiança depois do estresse.

A única coisa sensata que Dilma tem a fazer é procurar estimular o otimismo indicando um nome que não seja notoriamente ligado à máquina de desmandos. A depender da escolha, haverá otimismo, mas não se enganem: ainda há espaço para o valor das ações cair bastante. A Petrobras não dispõe dos recursos necessários para ser parceira na exploração de todo o pré-sal. Ocorre que isso se tornou uma obrigação. O endividamento da empresa explodiu. A própria Graça admitiu — outro presidente dirá o contrário? — que a estatal reduzirá ao mínimo necessário a sua atuação na exploração e no refino de petróleo, suas duas atividades principais.

A confiança é muito importante, mas não existe mágica. O ciclo que vem pela frente não é nada animador. Escolham o problema:
a: o preço do barril do petróleo despencou;
b: a Petrobras não tem recursos para arcar com as despesas do pré-sal;
c: a exploração do pré-sal, dado o valor do barril, deve resultar num zero a zero, e olhem lá;
d: a Operação Lava Jato, com seus desdobramento, está longe do fim;
e: as ações judiciais contra a empresa no exterior têm desfecho imprevisível; podem ser devastadoras para as finanças da estatal;
f: agências de classificação de risco põem a empresa, hoje, no último patamar do grau de investimento; abaixo dele, é grau especulativo.

As ações se valorizaram com o boato da queda de Graça e ficaram estáveis. Isso é parte do jogo. De agora em diante, o que conta é a resposta do governo aos novos desafios, que são, ora vejam, os velhos!

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Afluência de água aos reservatórios é o menor em 84 anos; risco de falta de energia é 46% superior ao limite considerado prudente; Dilma tem de nomear Cacique Cobra Coral ministro da Chuva

Ai, ai, vamos lá. Quando, no ano passado, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que São Paulo passava pela maior seca em 84 anos — agora, já são 85 —, alguns mangaram dele. Inclusive a presidente Dilma Rousseff. Segundo a nossa governanta, a culpa pela crise hídrica do Estado era, claro!, do governo e de quem não sabia planejar. Tivesse a soberana atentado para os dados com mais prudência, teria constatado que a falta de chuva acabaria, fatalmente, afetando o setor elétrico, especialmente num país em que mais de 70% da matriz, na geração elétrica, vem da água. Dilma não é culpada, claro!, se não chove. Mas tem de responder por sua arrogância e pelo erro absurdo que cometeu ao baixar a tarifa de energia, antecipar concessões e quebrar o setor.

Vamos a alguns dados. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema), a água das chuvas que alcançou os reservatórios das usinas em janeiro foi de apenas 38,04% da média histórica, o mais baixo em 84 anos. Desde 1931, o mais baixo índice tinha sido verificado em 1953, com 44,6%. A coisa tá feia. O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) trabalha com um índice prudencial para o risco de faltar energia. O consenso é que, se chega a 5%, o abastecimento está em perigo. Pois esse limite, meus caros, já foi ultrapassado em 46% e chegou ontem a 7,3% nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Nota: o Sudeste responde por 49,21% do PIB brasileiro.

Prestem atenção a estes outros números. Segundo o ONS, os reservatórios, nesta quarta, estavam com 16,58% de sua capacidade nas regiões Sudeste e Centro-Oeste e 16,10% na região Nordeste. No Sul e Norte, a coisa está mais tranquila: 58,16% e 34,29%, respectivamente. Para comparar: quando houve o apagão, em 2001, os reservatórios do Sudeste tinham quase o dobro de água: 31,41%.

Eduardo Braga, ministro de Minas e Energia, afirmou, no dia 22, que, se os reservatórios das usinas chegassem a 10% de sua capacidade de geração, teria de haver racionamento. Nesta quarta, a situação era a seguinte: Furnas: 9,35%; Três Marias: 10,62%; Três Irmãos e Ilha Solteira: 0%. Sim, zero! Não quer dizer que a água secou de tudo, mas que não se gera energia ali.

As coisas podem se complicar. Quem conhece a área aponta um outro problema. Parte das termelétricas que estão socorrendo o país está sucateada, e outra parte em vias de. A razão é simples: não foram feitas para operar o ano inteiro. Os apagões não virão só porque faltará energia, mas porque vai dar pau no sistema.

Vejam bem: Dilma vende a si mesma, desde 2003, como uma especialista em energia. Estamos nesta pindaíba. Assim, meus caros, eu resolvi apelar ao saber não convencional e selecionei para vocês um vídeo com uma Dança da Chuva, ocorrida na Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

Como sugestão final, acho que Dilma deve nomear o Cacique Cobra Coral para ministro da chuva. Sei que ele não poderá comparecer fisicamente às reuniões. Tudo bem! Também seus assessores não serão deste mundo.

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Rui Falcão, o chefe dos reacionários, fala bobagem sobre a Petrobras e sobre golpe

Ai, Ai…  As forças da reação se organizam. Como diria Karl Marx, já citado hoje neste blog, “a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos”. De quem estou falando?  Ora, de Rui Falcão, presidente do PT, que hoje comanda a tropa dos reacionários do país. E o que é um reacionário? À diferença do conservador, que defende a preservação de instituições para que se possam fazer as mudanças, o reaça quer forçar a história andar para trás, ele quer restaurar um passado que já passou, ele quer recuperar privilégios perdidos. Faço uma pequena digressão. A imagem é de Chesterton, um conservador iluminado, sem trocadilho: os postes de luz devem ser permanentemente pintados para que continuem funcionais. Eles mudam para que, sobrevivendo, suportem a luz. Alguém poderia brincar: “Ah, mas não seria o caso de enterrar os fios, tornando obsoletos os postes?”. Se e quando isso for necessário, sim. Mas que se preserve lá, de pé, a história, como parte de um passado que fez o presente e anuncia e o futuro. A civilização se faz do acúmulo de conhecimento e de experiência, não da eliminação do passado. Num caso, temos democracia; noutro, Estado Islâmico. Mas volto ao ponto.

Rui Falcão, o presidente do PT, estava com a macaca nesta quarta. Logo depois de uma reunião com a bancada federal do partido, deu a seguinte declaração: “O mais importante é fortalecer a Petrobras e mostrar que é uma empresa que tem recursos para o futuro do país. Há uma tentativa muito grande de desmerecer a Petrobras como empresa pública”. Como é que é?

Sob o comando do PT, a estatal chega perto da insolvência, palco do maior escândalo de que se tem notícia — deve haver outros, cujo conteúdo desconhecemos — na história do país. Na gestão do petista José Sérgio Gabrielli, uma quadrilha se apoderou da empresa. Mas Rui Falcão acha que a diretriz tem de continuar a mesma.

Ele especificou o seu desejo de mesmice: “Nós temos que manter as políticas de conteúdo nacional da Petrobras, que garantem emprego e recursos para o país. Não concordamos com analistas que defendem privatizar a Petrobras, tirar dela a condição de operadora única do pré-sal e mudar o regime de partilha para o regime de concessão”.

Vamos ver. Infelizmente, são poucas as vozes que defendem a privatização da Petrobras — entre os homens públicos, ninguém até agora A chamada política de conteúdo nacional gerou uma empresa à beira da insolvência, a Sete, onde Dilma quer enfiar R$ 10 bilhões, e só serve para elevar os custos da Petrobras. O regime de partilha, da forma como imposto à estatal, exige da empresa o desembolso de um dinheiro que ela não tem.

Falcão estava animado e resolveu se pronunciar também sobre um parecer do advogado Ives Gandra Martins, segundo quem Dilma pode ser alvo de um processo de impeachment, ainda que por ações culposas. Afirmou: “Não vejo nem base jurídica nem base política para isso. A presidente Dilma foi eleita e está conduzindo o país conforme o programa vitorioso nas urnas. Essas tentativas que são aqui ou ali ensaiadas, de flerte com o golpismo, não levo a sério porque a população brasileira está muito firme com a ideia da democracia. São chuvas de verão”.

Flerte golpista uma ova! Eu nem defendo exatamente o ponto de vista de Ives Gandra, mas o que está numa lei democraticamente votada ou acolhida, golpe não é.  Golpe é organizar uma quadrilha para assaltar a Petrobras e o estado brasileiro.

O reacionário Falcão acha que o futuro do Brasil está no passado, no tempo em que os petistas davam as cartas. Levaram o país à bancarrota.

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PT e PMDB roubaram juntos a Petrobras. Não se iludam que a nova CPI terá alguma chance de prosperar, a não ser atropelada pelos fatos.

(Folha) O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), desafeto do Palácio do Planalto, vai criar nesta quinta (5), a nova CPI da Petrobras, segundo a Folha apurou.O próximo passo será a indicação dos membros pelos partidos, seguida pelo agendamento da sessão de instalação da comissão.

O governo é contrário à apuração sobre irregularidades na estatal, pois acredita que isso teria potencial para ampliar o desgaste da empresa e do Planalto, além de servir de palco para a oposição.Assistiu, porém, a 52 deputados governistas viabilizarem, ao lado da oposição, o pedido para a CPI. Ao todo, 182 deputados assinaram o requerimento. Para a comissão ser viabilizada, são necessárias 171 assinaturas.

A nova traição partiu de deputados de oito partidos com representantes no primeiro escalão da presidente Dilma Rousseff. Além dos oposicionistas, parlamentares do PDT (14), PSD (12), PMDB (10), PR (7), PP (5), PRB (2), PTB (1) e Pros (1) assinaram o requerimento.

Nesta quarta (4), Cunha afirmou que a saída da diretoria da Petrobras, acertada para a sexta (6), era necessária para a empresa passar por "oxigenação", ganhar a credibilidade do mercado e sair "das páginas policiais". O peemedebista disse ainda que a Petrobras é "um assunto hoje que precisa ser passado a limpo" e que a avaliação não se tratava especificamente da presidente da estatal, Graça Foster. "Não que se tenha nenhuma queixa ou culpa a ex-presidente Graça Foster, mas que ela [a estatal] precisava ter uma oxigenação para ganhar a credibilidade do mercado e sair das páginas policiais não há a menor dúvida", afirmou.

A CPI tende a ser um dos assuntos discutidos na reunião que o deputado deve ter nesta quinta com Dilma, seu vice, Michel Temer (PMDB), e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). A ideia é reconstruir as pontes após a ofensiva fracassada do governo para esvaziar a candidatura de Cunha.

Segundo aliados, Dilma não deve fazer um pedido explícito sobre a CPI, mas fará um aceno ao peemedebista, deixando claro uma espécie de pacto de boa convivência. Ele defende que seja instalada uma CPI mista, com deputados e senadores, mas sinalizou que vai autorizar a investigação da Câmara. Cunha foi citado por investigados na Operação Lava Jato. Ele nega qualquer envolvimento com o esquema.

MOVIMENTAÇÃO
Na eleição de Cunha para o comando na Câmara, há consenso que dissidências no PR, PDT e PSD ajudaram a impor a derrota ao Planalto. Governistas dizem que o movimento em siglas da base foi motivado para pressionar o governo sobre demandas para indicação de aliados em cargos do segundo escalão.
A criação da CPI mobilizou a nova liderança do governo na Casa. José Guimarães (PT-CE), que assumiu o posto na terça (3), reuniu oito partidos e cobrou unidade na base. De acordo com os relatos, o petista evitou enquadrar os aliados, mas reforçou a necessidade de entendimento. Isolado na Casa, o PT também decidiu reagir e apresentou outros pedidos de CPIs. A estratégia é bloquear a fila para impedir que os pedidos da oposição ganhem espaço.

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Socialismo bolivariano: camisinhas a R$ 57 na Venezuela

 Os venezuelanos já têm que enfrentar longas filas para comprar frango, açúcar, remédios e outros produtos básicos. Mas a escassez chegou a outro setor — o sexo. Preservativos são raramente encontrados nas prateleiras e quase impossíveis de pagar. Muitos consumidores recorrem a sites de leilões para achar produtos agora raros. Em um deles, por exemplo, um pacote com 36 preservativos era vendido esta semana por 4,760 bolívares ( cerca de U$755 ou R$ 2.074). A quantia exorbitante é quase o salário mínimo do país — 5,600 bolívares.

— O país está tão bagunçado que agora precisamos enfrentar fila até para fazer sexo. Chegamos muito baixo — lamentou Jonatan Montilla, um diretor de arte de 31 anos.

O colapso dos preços do petróleo acentuou a escassez de bens de consumo — de fraldas a desodorantes nesse país da Opep (Organização dos Países Produtores de Petróleo) que importa a maior parte do que consome. Como as exportações de petróleo representam cerca de 95% das receitas do governo, e o preço do barril despencou 60% nos últimos sete meses, a economia está à beira do colapso, com 75% de chances de quebrar nos próximos 12 meses se os preços do produto não se recuperarem.

IMPACTO SOCIAL
Mas esse acesso restrito aos preservativos tem um impacto muito maior que a decepção por romances frustrados. A Venezuela tem um dos maiores índices de gravidez na adolescência — 83 a cada 1.000, segundo o Banco Mundial. E tem, ainda, as maiores taxas de infecção pelo vírus HIV da América do Sul, atrás somente de Paraguai e Brasil, de acordo com dados das Nações Unidas.

— Sem camisinhas, não podemos fazer nada. Essa escassez ameaça todos os programas de prevenção que temos desenvolvido em todo o país — disse Jhonatan Rodriguez, diretor da ONG StopHIV, baseada na Ilha Margarita.

Outro temor é que, num país onde a interrupção da gravidez é ilegal, a falta de camisinhas e outros métodos contraceptivos faça crescer o número de mortes de mulheres em clínicas de aborto clandestino. E vai ainda ter um impacto econômico de longo prazo por afastar jovens mulheres das escolas e do mercado de trabalho.

— A gravidez indesejável entre as adolescentes será a marca do fracasso do governo. Fracasso econômico, fracasso na saúde pública e na política educacional — denunciou o médico ginecologista Carlos Cabrera, vice-presidente local da ONG britânica International Planned Parenthood Federation.

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Renan dá golpe com apoio da base alugada e acaba com a democracia no Senado.

 (Folha Poder) Em sessão tensa na noite desta quarta-feira (4), com direito a bate-boca e dedo em riste, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), conseguiu aprovar manobra que garantiu a seus aliados os cargos de comando da Casa. Com ajuda do PT, Renan colocou em prática uma operação costurada para deixar de fora dos postos PSDB e PSB, que fizeram oposição a sua reeleição.

Aliados do peemedebista reconhecem, nos bastidores, que o presidente da Casa quis medir forças com o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), que luta para se consolidar como líder da oposição na Casa.

Apesar de ser tradição do Senado a divisão das vagas na Mesa Diretora de acordo com o tamanho das bancadas dos partidos, o grupo de Renan conseguiu aprovar indicações de partidos que apoiaram sua recondução do presidente do Senado. Sob fortes protestos da oposição, que acusou Renan de "tratorar" a escolha em favor de seus aliados e apequenar o Senado, as duas vice-presidências, quatro secretarias da Mesa Diretora e suas respectivas suplências serão ocupados pelo PT, PMDB, PP, PDT e PR.

Com exceção do PDT, todas as siglas apoiaram a candidatura de Renan para presidir o Senado.
Com a manobra, o PSDB e o PSB, que teriam direito a dois cargos, foram excluídos da Mesa Diretora. O PDT conquistou a vaga porque indicou o senador Zezé Perrella (MG) para a terceira secretaria, que é aliado de Renan –nenhum outro pedetista foi aceito pelo grupo do presidente do Senado.

Por ser a terceira maior bancada, o PSDB teria direito a indicar o primeiro-secretário, que comanda a espécie de "prefeitura do Senado, mas abriu mão de entrar na disputa depois que os aliados de Renan indicaram o senador Vicentinho Alves (PR-TO) para o cargo.

A articulação do peemedebista provocou um forte bate-boca com Aécio. Após as negativas de Renan aos apelos dos oposicionistas para reavaliar a situação, no microfone, Aécio cobrou o peemedebista. "Vossa excelência será o presidente dos ilustres senadores que o apoiaram, mas Vossa Excelência perde a legitimidade de ser presidente da oposição. Vossa Excelência apequena essa Presidência", disparou o tucano. O tucano retrucou e indiretamente lembrou que o colega foi alvo das manifestações de rua de junho de 2013. "Perdi de cabeça erguida. Olho nos olhos do cidadão, eu falo com a população brasileira. Vossa excelência perdeu a dignidade desse cargo", soltou.

Na sessão, Aécio teve o apoio dos líderes da oposição e do PSB, que fizeram acusações a Renan. "Isso é cretinismo parlamentar. O PSB foi o partido que ousou apresentar o nome daquele que concorreria com o senador Renan", atacou Lídice da Mata (PSB-BA).

A escolha dos membros da Mesa ocorreu em reunião realizada na casa de Renan. Além do presidente do Senado, participaram da articulação os senadores Humberto Costa (PT-PE), Jorge Viana (PT-AC), Eunício Oliveira (PMDB-CE), José Pimentel (PT-CE), Romero Jucá (PMDB-RR) e Fernando Collor de Mello (PTB-AL). A chapa escolhida pelo grupo pró-Renan foi aprovada pela maioria do plenário do Senado. Sem reagir aos ataques, o peemedebista negou que tenha articulado a indicação de seus aliados para a Mesa Diretora. "Quem escreve a chapa não é o presidente, são os líderes", justificou.

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Risco de perder o mandato leva Renan Calheiros a enfrentar briga por cargos no Senado
Ricardo Noblat

Sabe por que ficou feia a briga por cargos no Senado entre Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente da Casa, e a oposição comandada pelos senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e José Agripino Maia (DEM-RN)?

O que há por trás da briga é a preocupação de Renan com a preservação do seu mandato de senador. Poderá correr perigo.

Há cargos em disputa na Mesa que comanda o Senado (exemplos: a primeira vice-presidência, a primeira secretaria, a segunda, etc e tal). E há cargos de presidentes em comissões técnicas (exemplos: Constituição e Justiça, Economia, Relações Exteriores, etc e tal).

A oposição argumenta que o preenchimento de tais cargos deve obedecer ao critério da proporcionalidade, que leva  em conta o tamanho de cada bancada no Senado.

Renan pensa o contrário: leva tudo quem ganhou a eleição para presidente do Senado. E foi ele que ganhou. Assim, Renan pretende designar aliados para os cargos.

O que de fato importa: o nome de Renan foi citado entre os envolvidos na corrupção da Petrobras. Caso isso se confirme quando os nomes de políticos forem revelados, a cassação do mandato dele será pedida pelo PSOL à Comissão de Ética do Senado.

O plenário é quem decidirá a parada. São 81 senadores. Para que ele seja cassado serão necessários 54 votos. Portanto, se ele contar com os votos de 28 senadores escapará de ser cassado.

No último domingo, Renan se elegeu com 49 votos. Mas não quer dar chance ao azar na hora da repartição dos cargos no Senado.

A vaga de vice-presidente está reservada ao PT, que apoiou Renan. O PT votou fechado para elegê-lo mediante o argumento de que ganhará a presidência caso ele venha a ser cassado.

Que tal?

No Congresso só tem serpentes traiçoeiras.


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