Mural de Recados da A GAZETA DIGITAL

Deu nos Blogs


PREFEITO DE BOM CONSELHO ESTÁ FORAGIDO

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o habeas-corpus impetrado pela defesa do prefeito de Bom Conselho, Danilo Godoy (PSDB). A decisão deixou o prefeito na condição de foragido, podendo ser preso a qualquer instante.

Ele e os estudantes Jocelino Ramos de Carvalho Filho e Eduardo Cavalcante Ramos de Carvalho são acusados pelo homicídio de Rufino Gomes de Araújo Neto, dono de academia de artes marciais e professor de jiu-jitsu em João Pessoa (PB), conhecido como Morceguinho.

A decisão do relator revogou liminar anteriormente deferida que concedia direito à liberdade provisória aos três acusados. Rufino Gomes teria sido morto por conta de uma briga ocorrida durante o Fest Verão de 2011, na cidade de Cabedelo (PB), envolvendo o furto de uma garrafa de uísque. Testemunhas disseram que Morceguinho envolveu-se na briga para defender um amigo e foi morto pelos pernambucanos dias depois, em um crime premeditado.

DECISÃO

O ministro assentou em sua decisão que a Primeira Turma do STF consolidou entendimento no sentido da inadmissibilidade do uso de habeas corpus em substituição ao recurso ordinário, previsto na Constituição Federal. Contudo, salientou que o colegiado tem examinado a possibilidade da concessão da ordem de ofício. No entanto, segundo o ministro, não é o caso dos autos.

O relator observou que o decreto prisional expedido pelo juízo de origem está devidamente fundamentado na conveniência da instrução criminal, na garantia da ordem pública e na preservação de futura aplicação da lei penal.

Segundo o ministro, de acordo com a jurisprudência do STF, “a gravidade concreta dos fatos até então apurados justifica a custódia cautelar para a garantia da ordem pública”. As prisões, diz o relator, foram determinadas com base na gravidade concreta dos fatos, aferida diante do modo cruel do crime e da periculosidade dos acusados.

Origem: Blog do Magno Martins

**********


PREFEITO DE BOM CONSELHO PODE SER PRESO

Está no Blog de Magno Martins e no site Agreste Agora:

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o habeas-corpus impetrado pela defesa do prefeito de Bom Conselho, Danilo Godoy (PSDB). A decisão deixou o prefeito na condição de foragido, podendo ser preso a qualquer instante.

Ele e os estudantes Jocelino Ramos de Carvalho Filho e Eduardo Cavalcante Ramos de Carvalho são acusados pelo homicídio de Rufino Gomes de Araújo Neto, dono de academia de artes marciais e professor de jiu-jitsu em João Pessoa (PB), conhecido como Morceguinho.

A decisão do relator revogou liminar anteriormente deferida que concedia direito à liberdade provisória aos três acusados. Rufino Gomes teria sido morto por conta de uma briga ocorrida durante o Fest Verão de 2011, na cidade de Cabedelo (PB), envolvendo o furto de uma garrafa de uísque. Testemunhas disseram que Morceguinho envolveu-se na briga para defender um amigo e foi morto pelos pernambucanos dias depois, em um crime premeditado.

Decisão

O ministro assentou em sua decisão que a Primeira Turma do STF consolidou entendimento no sentido da inadmissibilidade do uso de habeas corpus em substituição ao recurso ordinário, previsto na Constituição Federal. Contudo, salientou que o colegiado tem examinado a possibilidade da concessão da ordem de ofício. No entanto, segundo o ministro, não é o caso dos autos.

O relator observou que o decreto prisional expedido pelo juízo de origem está devidamente fundamentado na conveniência da instrução criminal, na garantia da ordem pública e na preservação de futura aplicação da lei penal.

Segundo o ministro, de acordo com a jurisprudência do STF, “a gravidade concreta dos fatos até então apurados justifica a custódia cautelar para a garantia da ordem pública”. As prisões, diz o relator, foram determinadas com base na gravidade concreta dos fatos, aferida diante do modo cruel do crime e da periculosidade dos acusados.

***********


Relator petista da CPI da Petrobras muda relatório e pede a cabeça de Graça Foster.

O Palácio do Planalto foi pego de surpresa nesta quarta (17) com a declaração do relator da CPI da Petrobras, o petista Marco Maia (RS), de que Graça Foster e os demais diretores da Petrobras não têm mais condições de continuar dirigindo a empresa. Foi a primeira vez que um membro do PT defendeu publicamente a troca na diretoria da estatal após as denúncias da Operação Lava Jato.

Segundo assessores presidenciais, Dilma Rousseff se irritou com a fala de Maia, principalmente por ele ocupar função chave na CPI, e escalou o ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) para rebater o deputado. Nas últimas semanas, o papel de defesa da estatal tem sido executado por José Eduardo Cardozo (Justiça).

Em entrevista nesta quarta, Berzoini disse que o governo tem total confiança na gestão de Foster e da sua diretoria. Ele elogiou ainda os procedimentos adotados pela empresa para investigar as denúncias de corrupção. "[Falei] Em relação a uma declaração que o relator da Petrobras fez como análise política e não com juízo em relação ao seu relatório e que pode evidentemente gerar apreciações equivocadas sobre a opinião que é nossa e de todos que conhecem o desempenho, a competência e o compromisso da Graça Foster com a Petrobras", disse. Segundo ele, sempre que alguém fizer comentários sobre Graça, o governo irá se manifestar.

Marco Maia alterou seu relatório final nesta quarta para incluir o pedido de indiciamento de cerca de 50 suspeitos de participar do esquema de corrupção na estatal. Na lista há os ex-diretores da petroleira Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque, e dois ex-gerentes, Pedro Barusco e Silas Oliva. Mas nem o afastamento de Graça e dos atuais diretores, nem o seus indiciamentos constam do relatório final.

Por falta de quórum, a CPI encerrou as atividades desta quarta sem votar nenhum dos relatórios apresentados. A sessão, suspensa à tarde, recomeçou após as 21h. Reuniões de CPIs só podem ocorrer quando não há votações na Câmara e no Senado. Após confusão --alguns parlamentares diziam ainda havia votações no Senado--, a comissão deu início à apreciação do relatório de Maia. Antes que a votação fosse concluída, porém, a sessão foi encerrada por falta de quórum. Nova reunião foi marcada para esta quinta (18). Nesta quarta, a oposição apresentou relatório paralelo à CPI pedindo abertura de processo de improbidade contra Dilma e indiciamento de Graça.(Folha de São Paulo)

--------------


Os acenos da foto podem ser lidos como "tchau, Mercosul", "tchau, Foro de São Paulo"...Apesar do renitente punho cerrado do índio cocalero...

Nenhum presidente do Mercosul tinha conhecimento da reabertura de relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, durante a Cúpula encerrada ontem, em Buenos Aires. A notícia caiu com uma bomba na reunião. Sobraram discursos tortos. O fato histórico ameaça o discurso bolivariano, desmancha o já capenga Foro de São Paulo e tem mais efeito na Venezuela, que sobrevive do discurso de ódio aos americanos, do que em Cuba, neste momento. Da mesma forma, quebra as pernas da caloteira Argentina. E da Bolívia que, de quando em vez, expulsa diplomatas americanos que, agora, terão livre trânsito na ilha de Fidel. Dilma, a tresloucada, tentou tirar uma casquinha com o Porto de Mariel que, ao que tudo indica, servirá de atracadouro para navios de cruzeiro entre os dois países. Pagamos um porto para os americanos curtirem férias no Caribe. A foto do encontro é um monumento à perplexidade de um Mercosul cada vez mais isolado.


**********

Blog do Josias

Se Paulo Maluf é Ficha Limpa, tudo é permitido

As circunstâncias conspiravam a favor da lógica. Condenado por improbidade administrativa num processo sobre superfaturamento das obras de um túnel, Maluf havia sido enquadrado pelo TRE-SP na lei que exige ficha limpa dos candidatos. O TSE confirmara a sentença. Maluf recorrera. E o recurso foi a julgamento na noite passada.

Criou-se para os ministros do TSE uma versão pós-eleitoral do dilema hamletiano: barrar Maluf ou barrar Maluf?, eis a questão. E os magistrados, por 4 votos a 3, optaram pela única alternativa que a lógica tornara indisponível: liberaram o Maluf.

Desse jeito, não resta à plateia senão concordar com uma velha tese de Dostoiévski: se Deus não existe, tudo é permitido. Se Paulo Maluf não é ficha suja, extinguem-se sobre a Terra todos os valores éticos e morais.

Os 250 mil votos que São Paulo deu ao higienizado personagem serão validados. Maluf será diplomado e assumirá mais um mandato de deputado federal. Quanto a você, sinta-se à vontade para invadir um asilo e esganar meia dúzia de velhinhos. Se preferir, pode optar pelo auto-esganamento. Tudo é permitido.

--------------

Obama colhe em Cuba fruto que já apodreceu

Filhote do Muro de Berlim, o cinquentenário bloqueio econômico dos Estados Unidos a Cuba apodreceu há pelo menos 25 anos, junto com a unificação da Alemanha. Ao reativar as relações diplomáticas de Washington com Havana, Barack Obama apenas colhe o fruto podre. Sem grande esforço, empurra para dentro de sua biografia um feito histórico.

Mal comparando, Obama entrega à historiografia mundial uma passagem análoga à reaproximação com a União Soviética (Roosevelt) e à aterrissagem dos interesses americanos na China comunista (Nixon). Faz isso por pragmatismo político e econômico.

Politicamente, as providências anunciadas por Obama fazem sentido porque, como ele próprio reconheceu, “esses 50 anos mostraram que o isolamento não funcionou”. Fidel Castro aposentou-se. Vestiu agasalho Adidas. Mas não foi deposto.

Economicamente, as medidas são sensatas porque potencializam um processo que liberará o empresariado americano para usufruir da abertura econômica de Cuba, que engatinha. Algo que canadenses, europeus e até brasileiros já vêm fazendo.

O fim do embargo, disse Obama, depende de decisão do Congresso americano, que terá maioria republicana nas duas casas a partir de 2015. Pode demorar um pouco. Mas a excrescência será abolida. Pela simples e boa razão de que manter o embargo não faz o menor nexo.

-------------

Petrobrás na bacia das almas!



***********


Graça Foster se despede da Petrobras. A bola está com Dilma
Ricardo Noblat

Por três horas, Graça Foster, presidente da Petrobras, disse, ontem, o que queria dizer à imprensa e respondeu a perguntas sobre a roubalheira dentro da empresa.

Pareceu sincera ao falar sobre a maioria das coisas. Mas inocente, não.

Antes que lhe perguntassem por que ainda não pediu demissão do cargo foi logo dizendo que o pôs três vezes à disposição de Dilma. E que ela o recusou.

Não disse por quê. Compreensível que não tenha dito. Cabe a Dilma dizer se quiser.

- A coisa mais importante para esta diretoria é a Petrobras, muito mais importante do que meu emprego ou qualquer coisa – comentou.

Lugar comum. Clichê.

Se a Petrobras fosse a coisa mais importante para ela, teria sido mais cuidadosa com a empresa. E não cúmplice, no mínimo por omissão, com os desmandos ocorridos ali.

Somente com a compra da refinaria Pasadena, no Texas, a Petrobras amargou um prejuízo de R$ 1,8 bilhão, segundo a Controladoria Geral da União.

Que isentou de culpa Graça, Dilma e os demais membros do Conselho de Administração da empresa.

Nada se faz na Petrobras sem a concordância do Conselho. Nada.

Dilma presidia o Conselho quando Pasadena foi comprada. Em sua defesa, disse que se baseou num parecer “técnico falho”.

O tal parecer tinha menos de duas páginas. Dilma poderia ter tido acesso a mais de 100 páginas referentes à compra.

Não o fez. Nem ela, nem Graça, nem os outros membros do Conselho.

- Eu preciso ser investigada. Nós, diretores e gerentes, precisamos ser investigados. E isso leva tempo – disse Graça, humilde.

Para deixar claro, em seguida, que sua saída da Petrobras ou a de algum outro diretor significará a saída de toda a diretoria.

- Quanto aos diretores, eu não conseguiria trabalhar sem eles. Temos uma convivência dentro da companhia e compartilhamos as dificuldades e preocupações — afirmou Graça.

Quanto ao futuro da Petrobras, Graça contou que pediu ao governo federal uma posição sobre a situação das empresas envolvidas na corrupção.

Caso eles sejam proibidas de participar de novas licitações, Graça teme o atraso em obras e o impacto disso nas metas de crescimento da produção de petróleo.

De alguma forma, Graça saiu em defesa das maiores empreiteiras ao dizer taxativamente:

- As grandes empresas, nós precisamos delas. Ou então vamos ter de fazer licitações internacionais a toda hora.

Ora, que se faça. A corrupção é que não pode ser premiada.

A entrevista de Graça soou dentro da Petrobras como uma despedida dela e dos demais diretores.

A bola está nos pés de Dilma, redondinha, redondinha. Mas ela hesita em chutá-la.

***********


Em vez de pedir demissão, Graça força um chororô decoroso e deixa claro que balanço da Petrobras não terá credibilidade nem 700 dias. É espantoso!

Graça Foster, a presidente da Petrobras, concedeu nesta terça-feira uma entrevista patética a um grupo de jornalistas. Ele admite que a empresa não tem condições de estimar o rombo provocado pela roubalheira. Tentando afetar uma humildade decorosa, afirmou que ela própria e todos os diretores podem e devem ser investigados. Também acho. Mas, para tanto, ela tem de sair de lá. Ela e todos os parceiros de diretoria. Disse, no entanto, que seguirá no cargo enquanto contar com o apoio da presidente Dilma Rousseff. Ok. É a outra Luluzinha quem decide. Mas a confiança da amiga vale muito pouco diante da desconfiança do mercado. Enquanto isso, a Petrobras derrete.

Disse Graça: “Não há a menor segurança de que em 45 dias, 90 dias, 180 dias, 365 dias, 700 dias, de que virão todas essas informações [sobre os desvios] em sua plenitude, porque pode vir uma informação agora e, depois, três ou quatro anos… Não sei como vai ser isso”. Diga aí,  leitor, que empresa de auditoria aceitaria assinar um troço desses?

Graça concedeu a entrevista no dia em que a Controladoria Geral da União admitiu que, só na operação de compra da refinaria de Pasadena, a empresa teve um prejuízo de US$ 659 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão), menor do que os US$ 792 milhões (R$ 2,1 bilhões) apontado antes pelo TCU. Como esquecer que, há não muito tempo, a mesma Graça que fez ontem seu exercício de humildade, foi ao Congresso para defender a compra, dizendo que ela era justificada à época?

Não só isso. Também foi ela quem assegurou no fim de março que não havia sinais de pagamento de propina na relação da Petrobras com a empresa holandesa SBM Offshore, conforme havia noticiado a VEJA em fevereiro. No mês passado, ela confirmou que havia, sim, irregularidades, das quais ela saberia desde meados do ano. É mesmo? E ela contou isso pra quem?

Ah, sim: a CGU determinou que a Petrobras instaure processos para cobrar o prejuízo de 22 pessoas, apontadas como responsáveis pela compra da refinaria de Pasadena, incluindo o ex-presidente da estatal José Sérgio Gabrielli, os ex-diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Jorge Zelada.

A sangria da Petrobras parece não ter fim e tende a piorar, com os processos que começam a pipocar no exterior. Mais: se a estatal não apresentar o seu balanço devidamente auditado até o primeiro semestre do ano que vem — e quem se atreve a fazer essa auditoria?, insisto na pergunta —, aquela que já foi a maior empresa brasileira passa a figurar na “lista de inadimplentes” da Comissão de Valores Mobiliários. Essa lista reúne as empresas que não cumpre suas obrigações com a comissão e funciona como uma advertência para afastar investidores.

A Petrobras, hoje, está condenada. E Dilma parece não ter se dado conta do tamanho do problema. É espantoso!

--------------

Sabem que importância tem o acordo entre Obama e os Irmãos Castro? Nenhuma!

Cuba é um fetiche. Datado, sim, mas ainda um fetiche. Para esquerdistas e direitistas. Que importância efetiva tem no mundo? Nenhuma! De que forma pode interferir nos destinos do Planeta ou que peso político tem no Caribe ou na América Latina? Inferior a zero. Do país, restou a memória de uma revolução que seduziu esperançosos e incautos e que terminou numa ditadura feroz, ainda capaz de arreganhar os dentes ao menos aos nativos.

A chamada Crise dos Mísseis, em 1962, reforçou o simbolismo. Krushev, o líder soviético, mandou instalar mísseis nucleares em Cuba, em suposta resposta à decisão americana de instalar esse armamento na Turquia, na Itália e na Grã-Bretanha. Teve de sair com o rabo entre as pernas. O presidente Kennedy endureceu o jogo, e o mundo chegou bem perto de uma guerra nuclear. O líder soviético acabou retirando toda aquela estrovenga na ilha.

Se querem mais informações a respeito, assistam ao magnífico documentário “Sob a Névoa da Guerra: Onze Lições da Vida de Robert S. McNamara”, de Errol Morris, lançado em dezembro de 2003. McNamara foi o secretário de defesa dos EUA entre 1961 e 1968 e conta detalhes impressionantes daquela crise. Adiante.

Depois de uma troca de prisioneiros, o presidente Barack Obama decidiu normalizar, no limite do possível, as relações com a Cuba dos irmãos Castro. Haverá troca de embaixadores, as restrições para o envio de dinheiro à ilha diminuirão, poderá haver cooperação tecnológica etc. Ainda não é o fim do embargo, o que só pode ser decidido pelo Congresso dos EUA. Atenção: a divisão, nesse caso, não se dá entre democratas e republicanos. Nos dois partidos, há ferozes críticos dessa aproximação.

Dificilmente o embargo chegará ao fim enquanto Cuba não permitir eleições livres e enquanto o país funcionar em regime de partido único. O embargo, como já deixei claro aqui em outro texto, nada tem a ver com a penúria em que vivem os cubanos, mas fornece munição ideológica a Fidel e Raúl Castro. Se caísse amanhã, o país seguiria sendo uma fazendola de ditadores jecas.

O alarido que se faz por aí em razão desse acordo, mediado pelo papa Francisco, remete a um mundo que já não há, ainda que Cuba tenha deixado alguns maus resquícios na consciência latino-americana. Regimes excrescentes como o venezuelano, o equatoriano, o boliviano e o nicaraguense são filhos diletos do castrismo. São ditaduras mitigadas, mas ditaduras ainda assim.

Não deixa de ser curioso que o governo americano busque a aproximação com Cuba quando impõe sanções à Venezuela, que, bem, ainda não é um regime cubano, mas sonha ser. Obama logra um pequeno êxito, em meio a uma notável coleção de desastres em política externa, e os Castros conseguem uma folguinha e dão uma aparência mais civilizada à ditadura.

Só para constar: o regime comunista de Cuba, ainda em vigência, é um dos mais criminosos do planeta. Estimam-se em 100 mil os mortos de sua “revolução” — 17 mil fuzilados, e os demais, creiam, afogados, tentando deixar o país. Doze milhões de cubanos moram na ilha, mas os exilados passam de dois milhões. O regime castrista criou o primeiro campo de concentração da América Latina. O país ainda prende pessoas por delito de opinião e conserva presos políticos em suas masmorras.

Reitero: não tem mais importância nenhuma, mas restou, para os esquerdistas nada preocupados com os direitos humanos, como símbolo da luta anti-imperialista. Para os anticomunistas, como símbolo do horror de que são capazes as esquerdas quando chegam ao poder.

Assim, meus caros, deixo claro: sabem qual é o impacto que tem no mundo o acordo costurado entre Obama e os Irmãos Castro? Inferior a zero. Mas rende notícia que é uma barbaridade.

Só para não deixar passar: quem mantém relações especiais com Cuba, estes sim, são os petistas, aqui do Brasil. Afinal, a ilha recebe quase R$ 1 bilhão por mês em razão do programa “Mais Médicos”. Todo mundo sabe que o dinheiro sai. Se, depois, ele volta, não há como saber. Ditaduras não gostam de fornecer informações. E, não custa lembrar, o Brasil financiou a construção do porto de Muriel com verbas do BNDES. Quanto? A informação é considerada sigilosa.

Cuba não tem importância, mas pode servir a propósitos nem sempre transparentes dos países amigos.

----------

CPMI DA PETROBRAS – Nada como o eleitor para levar um político a descobrir a diferença entre a verdade e a farsa

Pois é… Que bem a democracia e a liberdade de informação fazem à verdade e até à reputação dos petistas, não é mesmo? Chega a ser comovente a rapidez e a determinação com que o deputado Marco Maia (PT-RS) mudou de ideia sobre o relatório da CPMI da Petrobras. Ele não iria pedir o indiciamento de ninguém: agora, vai pedir de 52. Ele até havia reconhecido corrupção na compra da refinaria de Pasadena, mas considerou que a operação estava adequada aos valores de mercado. Agora, não mais: admite um prejuízo de US$ 561,5 milhões — aproximadamente, R$ 1,5 bilhão. Ainda é inferior aos US$ 792 milhões apontados pelo TCU, mas já é uma montanha de dinheiro para quem achava não haver nada de muito errado até anteontem.

Entre aqueles que o relator acha que devem ser indiciados estão Renato Duque, o ex-diretor de Serviços indicado pelo PT; Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Abastecimento indicado pelo PP; Nestor Cerveró, o ex-diretor da área Internacional indicado pelo PMDB, e Pedro Barusco, ex-gerente de Serviços, braço-direito do petista Duque. Sim, Maia, inicialmente, não queria pedir o indiciamento nem de Barusco, embora este tenha aceitado devolver nada menos de US$ 97 milhões aos cofres públicos. O relator pede ainda que 20 empresas sejam investigadas, incluindo todas as empreiteiras que aparecem na Operação Lava Jato. Entre os crimes apontados por ele, estão formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, crime contra a ordem tributária e destruição de provas judiciais.

O que levou Maia a mudar de ideia? O medo das urnas. Ele percebeu que o assunto “Petrobras”, desta feita, não vai morrer logo. A empresa pode morrer primeiro. E o seu relatório restaria para a história como um símbolo da indignidade. Imaginem o Congresso Nacional, pelas suas mãos, a referendar as ações da quadrilha que tomou conta da empresa. E, vocês sabem, quem tem eleitor tem medo.

O parlamentar pernambucano Ricardo Fiuza, que já morreu, dizia que não há nada mais importante para fazer um político mudar de ideia do que o “fato novo”, tenha ou não esse fato conexão com a mudança. Maia precisava de uma desculpa para justificar a nova postura. E achou: até a auditoria da Controladoria-Geral da União aponta os descalabros. Ele só precisava de uma desculpa. E encontrou.

Muito bem: mesmo assim, a oposição decidiu apresentar um relatório paralelo, em que pede também o indiciamento de Graça Foster e aponta a proximidade de Dilma Rousseff com Paulo Roberto Costa. Como negar? O homem chegou a ser convidado para ser… ministro das Cidades!

Ainda que o relatório aprovado seja o do governista Maia, o Congresso se livra de um novo vexame. Só para lembrar: uma CPI foi instalada em 2009 para investigar irregularidades na Petrobras foi esmagada pela base governista. Eram tempos em que José Sérgio Gabrielli posava de ditador da Petrobras e recebia prêmios internacionais. De lá pra cá, a empresa perdeu R$ 602 bilhões em valor de mercado — 25 anos de Bolsa Família. Desta feita, os fatos se impuseram à determinação de nada investigar.


***********

Blog do Coronel

PSDB no TSE contra diplomação de Dilma.

Do Painel da Folha, sob o título parcial " Tapetão natalino", como se não houvesse motivos para que o partido conteste a diplomação de Dilma e como se a lei não desse esta prerrogativa ao PSDB:

O PSDB decidiu apresentar hoje ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral para pedir a cassação do próximo mandato de Dilma Rousseff por abuso de poder político na campanha. Um dos exemplos citados para justificar a representação será a suspeita de que os Correios favoreceram a entrega de material gráfico da candidatura petista. A ação precisa ser apresentada antes da diplomação da petista, que está marcada para amanhã.

3 em 1 A nova ofensiva tucana no TSE inclui ainda representação por irregularidades no financiamento de campanha e Ação de Impugnação de Mandato Eletivo.

Destinatário Esse tipo de ação é de competência do corregedor-geral eleitoral, o ministro João Otávio de Noronha, conhecido por ter boas relações com o PSDB.

Preventivo O PSDB, que vem dizendo que não incentivará movimentos pelo impeachment de Dilma, quer ter com essas ações uma carta na manga para, caso se comprove ligação das contas da campanha com o escândalo da Petrobras, pedir a cassação.

Outro front Também hoje, no relatório alternativo na CPI da Petrobras, os tucanos pedirão a responsabilização civil de todos os membros do conselho da estatal que aprovaram a compra da refinaria de Pasadena, ente eles Dilma.

***********


Após manobra fiscal, governistas ensaiam farra

Dilma Rousseff precisa chamar os líderes do seu condomínio partidário para saber de que lado estão. Num instante em que a presidente apela à ortodoxia de Joaquim Levy para tentar consertar o descalabro fiscal que legou para si mesma, seus aliados no Legislativo informam: responsabilidade fiscal é como virgindade. Perdeu, está perdido. Não tem replay.

Na madrugada de terça-feira, o Diário Oficial foi impresso com a sanção de Dilma Rousseff ao projeto de lei que alterou a meta fiscal para permitir ao governo fechar suas contas de 2014 no vermelho. À noite, em sessão que entrou pela madrugada desta quarta-feira (17), a bancada governista despejou votos na medida provisória 656, convertida numa espécie de lixão fiscal.

Enviada pelo Planalto com 38 artigos, a MP chegou ao plenário com 168. Trata de 43 temas diferentes. Carrega um entulho que inclui desde o refinanciamento das dívidas de clubes de futebol até a redução de impostos para a aquisição de armas. Da mudança na tributação de bebidas à prorrogação de vantagens fiscais para a indústria automobilística das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Uma peculiaridade une as duas iniciativas. A proposta que instituiu a manobra fiscal de 2014 e a MP que empurra um aterro para dentro das contas de 2015 tiveram um mesmo relator: o polivalente senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Durante mais de três horas, a votação da MP fluiu sob uma atmosfera de normalidade anormal. Do lado de fora, caía um temporal que fez transbordar o espelho d’água Congresso, inundando o salão da entrada do prédio de Niemeyer. Do lado de dentro, os deputados choviam na horta de diferentes lobbies.

Na versão original de Dilma, a MP 656 continha, entre outras providências: a prorrogação de benefícios fiscais às construtoras que atuam no Minha Casa, Minha Vida; estímulos ao financiamento imobiliário; e a desburocratização do processo de transferência e registro de imóveis.

Pousaram na versão turbinada vários elefantes voadores. Entre eles a liberação para a construção de um novo aeroporto na região metropolitana de São Paulo. Coisa do interesse das construtoras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Ou autorização para que o capital estrangeiros invista no setor de saúde, assumindo inclusive hospitais filantrópicos, beneficiários de vantagens tributárias.

O PT e seus aliados engoliram todos os elefantes. Até que uma emenda de autoria do deputado pernambucano Mendonça Filho, líder do DEM, atravessou uma mosca na traqueia do petismo. Propôs incorporar à MP do lixão a correção da tabela progressiva do Imposto de Renda da Pessoa Física em 6,5%. A medida beneficia o contribuinte de classe média. Ao perceber que os líderes das legendas governistas aderiram à emenda do DEM, Henrique Fontana (PT-RS), líder de Dilma na Câmara, engasgou.

“Esse pode ser um legítimo interesse do Parlamento. Mas é evidente que nós temos que fazer uma ampla negociação”, disse Fontana. Ele mencionou a manobra fiscal sancionada pela presidente. “Nós acabamos de votar uma alteração na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), que foi criticada por muitos —inclusive pela oposição, que reivindica mais cuidado com o equilíbrio orçamentário. O governo está pronto para debater, mas pede ao plenário que não apoie, neste momento, uma emenda com este teor.”

Mendonça Filho caprichou na ironia : “Quero oferecer uma contribuiçao ao líder do governo. Ele está dramatizando demais a situação. A emenda propõe apenas a correção da tabela do Imposto de Renda em 6,5%, que é a inflação desse ano.”

O líder do DEM prosseguiu: “Tenha a santa paciência. A gente vota uma medida provisória com benefícios para diversos setores da economia. Jabuti pra cá, jabuti pra lá. E tudo fica tranquilo. Quando se trata de oferecer a correção da tabela do IR, para a classe média brasileira —tão massacrada, sacrificada, com salário achatado—, vem o Partido dos Tralhadores fazer alarme. Logo o PT que, ao longo de sua história, dizia defender os trabalhadores!”

Lero vai, lero vem, os líderes de legendas governistas aderiram à oposição. Alguns haviam orientado suas bancadas a votarem contra a emenda do DEM. Mas, pressionados por seus pares, deram meia-volta. No fim das contas, apenas o PT e o PCdoB mantivefram a orientação contrária. Ficou evidente que o bloco governista, algo desgovernado, imporia uma derrota a Dilma.

A estratégia oficial era clara como a gema. Os operadores do Planalto deixaram toleraram o voo dos elefantes porque sabiam que, se eles sobrevivessem à votação no Senado, seriam vetados por Dilma. Mas o veto presidencial à correção da tabela do Imposto de Renda deixaria a presidente mal com a classe média.

O líder Fontana sentiu o golpe: “Alguns deputados aqui me apelaram: ‘deixa passar, que depois a presidenta veta’. Não é questão de deixar passar, de vetar ou sancionar. O governo vai orientar o voto ‘não’, pode ser derrotado. Mas faço um apelo para que essa emenda não seja aprovada. Vamos debater, vamos fazer uma mesa de negociações, discutir alternativas para a correção da tabela do IR. Mas não votemos agora, praticamente uma hora da madrugada.”

Ninguém mudou de posição. Sobretudo depois que o líder do DEM recordou que a própria Dilma prometara, antes das campanha eleitoral, corrigir a tabela do IR. Verdade. Mas a presedente falava em 4,5%, não em 6,5%. A emenda do DEM foi aprovada em votação simbólica. Valendo-se do regimento, o PT pediu a contagem dos presentes. A falta de quórum era evidente. E a conclusão da votação da MP 656 foi trasnferida para a sessão vespertina desta quarta-feira.

Antes, em sessão conjunta de deputados e senadores, o Congresso tentará aprovar pela manhã a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2015. A peça anota a meta de superávit fiscal ditada pelo novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy: 1,2% do PIB.

Significa dizer que vem aí um programa de cortes de despesas. Se Dilma governasse seu condomínio, os aliados não estariam subtraindo receitas e criando novas despesas no finalzinho do ano legislativo.

-------------

Escalpo!





**********

Blog do Noblat

Descanse em paz, Graça Foster
Ricardo Noblat

Pronto, a sorte de Graça Foster, presidente da Petrobras, está selada.

De Michel Temer, vice-presidente da República:

- Seja qual for a medida a ser tomada, não há nada envolvendo os critérios pessoais, a conduta, a lisura da presidente Graça Foster.

De José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça:

- É fundamental dizer, da minha parte, que qualquer ato ilícito deve ser apurado. Relativamente à presidente da Petrobras (Graça Foster) não há nenhum ato ilícito que possa implicar em qualquer juízo de valor.

Fontes do Palácio do Planalto, sob o manto do anonimato, plantaram nos jornais a informação de que Graça será mantida por Dilma a qualquer preço.

Tudo isso comprova que a presidente da Petrobras, graciosamente chamada de Graciosa por Dilma, não entrará o próximo ano no cargo.

Cabe a Graça se convencer de que dançou. E facilitar a vida da presidente da República pedindo demissão em caráter irrevogável.

Dilma então lamentará sua saída e será bem capaz de presenteá-la com algum outro cargo de prestígio, mas sem tanta importância. Em seguida indicará seu substituto.

Aos poucos, Graça acabará esquecida. E se tiver sorte, escapará do lamaçal que ameaça afogar a Petrobras. Por via das dúvidas, um dia desses, Graça pôs alguns dos seus bens em nome de parentes.

O nó da substituição de Graça só será desatado de vez quando Dilma encontrar um executivo de primeira linha que aceite o desafio de refundar a Petrobras.

Sim, porque a Petrobras precisa ser refundada.

Lula e o PT operaram o prodígio de desvalorizá-la em 80% nos últimos 10 anos. A empresa jamais voltará a ser forte e admirada no mundo como foi.

*********


FHC não quebrou o Brasil, mas o PT quebrou a Petrobras. Ou: Perda de valor de mercado corresponde a mais de 25 anos de Bolsa Família. Dilma, no entanto, brinca com Graça de Clube das Luluzinhas Enfezadas

Graça Foster escarnece dos fatos, e Dilma Rousseff escarnece da razão. Em seis anos, o valor de mercado a Petrobras foi reduzido a quase um sexto: de R$ 737 bilhões em 2008 para R$ 135 bilhões agora e dívida de R$ 330 bilhões. Ou seja: quebrou! O patrimônio público está evaporando. É a incompetência alimentando a roubalheira, e a roubalheira alimentando a incompetência. Quando nos lembramos que o PT fez terrorismo com a suposta intenção dos tucanos de privatizar a estatal em 2002, 2006 e 2010, a gente se dá conta da obra desses vigaristas. Se Dilma insistir em não fazer nada, daqui a pouco ninguém aceita a Petrobras nem de graça.  A gente não precisa fazer muitos malabarismos: houvesse um regime parlamentarista, o gabinete já teria sido dissolvido, e Dilma não se elegeria mais nem vereadora.

Não dá! As evidências de que Venina Velosa da Fonseca advertiu Graça para os procedimentos heterodoxos vigentes na Petrobras são inquestionáveis. E ela o fez em 2009, 2011 e 2014. Observem que não entro no mérito das motivações da denunciante. Se há algo contra ela, que se investigue. Que Graça dispunha de elementos para agir, que lhe foram fornecidos por uma alta executiva, isso é inquestionável. E ela não fez nada. Como não fez em fevereiro deste ano, quando VEJA trouxe à luz o escândalo envolvendo a empresa holandesa SBM Offshore. Ou melhor, fez: negou que houvesse irregularidades.

As ações da Petrobras despencaram outra vez. Há uma conjunção de fatores externos negativos, sim, mas isso não justifica a pindaíba em que se encontra. A estatal brasileira é hoje sinônimo mundial do que não se deve fazer, de má governança. É preciso ser um rematado idiota ou dotado de incrível má-fé para ignorar o que se passou por lá. E a sangria está longe do fim, uma vez que a empresa é agora investigada nos EUA, na Holanda e na Suíça. Se o descalabro continua, sem uma resposta efetiva do governo, a Petrobras, prestes a perder a classificação de “grau de investimento”, pode até ser proibida de operar na Bolsa de Nova York. Aí, meus caros, é o fim da linha.

Mas não há horror que faça o comando da empresa descer de seu pedestal de arrogância. Nesta terça, em comunicado à dócil Comissão de Valores Mobiliários, a direção da estatal veio com a história de que Graça fora advertida por Venina para eventuais desvios de conduta apenas em novembro, como se isso fizesse alguma diferença a esta altura do jogo.

Dilma está vivendo um processo de alienação da realidade. Decidiu proteger sua “amiga” Graça Foster. Deve achar que há espaço para brincar de Clube das Luluzinhas Enfezadas. Não há. A Petrobras beija a lona, e a presidente da estatal brinca de desqualificar uma funcionária. Dilma não se deu conta de que o desastre decorrente da herança maldita do lulo-petismo na estatal está só no começo. O pior ainda está por vir.

E está mesmo. Com o preço do barril do petróleo no atual patamar, a exploração do pré-sal já é antieconômica. Pior: as regras de partilha definidas pelo petismo, com o seu nacionalismo de fancaria, impõem à Petrobras um desembolso de recursos de que ela não dispõe. Dilma estuda agora mudar as regras, que eram consideradas cláusulas pétreas da visão petista de mundo. Mas como? A turma ainda não sabe.

E já que o patético não tem limites, os petralhas deram início a uma corrente na Internet estimulando a companheirada a comprar ações da Petrobras. Ocorre que não se deve confundir mau-caratismo com burrice. Parece que a campanha não vai emplacar.

É fácil Dilma fazer a Petrobras voltar a valer R$ 700 bilhões no mercado. Basta anunciar que, depois de saneada, a empresa será privatizada. O mercado lerá nisso o sinal de que os ladrões e os petistas — e também os petistas ladrões — serão definitivamente chutados de lá. Os brasileiros não mais serão roubados — não na estatal ao menos —, e o Brasil efetivamente sairá ganhando.

FHC não quebrou o Brasil nem uma, nem duas nem três vezes, à diferença do que disse Dilma na campanha eleitoral. Mas o PT quebrou a Petrobras.

Para encerrar: em 2013, o Bolsa Família repassou aos miseráveis R$ 24,5 bilhões. De fato, e uma merreca. Só o que a Petrobras perdeu em valor de mercado em seis anos corresponde a mais de 24 anos de Bolsa Família. Se a gente acrescentar o valor roubado com superfaturamento, chega-se perto da eternidade. Abreu e Lima, por exemplo, estava orçada em US$ 2,5 bilhões e, hoje, já está custando US$ 20 bilhões.

Os ladrões no Brasil perderam a modéstia e a o senso de proporção.

-------------

Caso Celso Daniel – O surrealismo da Justiça brasileira. É estupefaciente!

A esta altura, vocês sabem que o Supremo Tribunal Federal anulou um dos processos relativos à morte do prefeito Celso Daniel, ocorrida em janeiro de 2002: justamente aquele que diz respeito a Sérgio Gomes da Silva, conhecido como “Sérgio Sombra”, que foi considerado o mandante do crime pelo Ministério Público Estadual. Vou expor as razões apresentadas para a anulação e me dispensarei de entrar no mérito se acho Sombra culpado ou inocente. Até porque, vamos convir, não sou Justiça.

O que lamento aqui é uma mecânica processual — e como estamos atrasados nisso! — que permite que um dos réus de um crime ocorrido em 2002 ainda não tenha sido julgado em 2014 e que, depois de quase 13 anos, o processo seja simplesmente anulado. Vale dizer: a acusação contra Sombra volta ao primeiro estágio, ao da instrução, e será ainda analisada pelo juiz da primeira instância… Mais quantos anos? 13? 15? 20? A eternidade? Para vocês terem uma ideia, será preciso ouvir testemunhas…

Roberto Podval, advogado de Sombra, recorreu ao Supremo porque afirmou que a defesa não teve a chance de interrogar os outros réus, o que é garantido pela jurisprudência da Corte. E isso é fato. Houve empate na turma: 2 a 2. Os ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli foram sensíveis ao pleito da defesa; Rosa Weber e Roberto Barroso o recusaram por razões técnicas: acharam que o habeas corpus não era o instrumento adequado.

A decisão vale só para Sérgio Sombra. Ocorre que o processo já tem seis condenados cumprindo pena. E agora? O mais provável é que seus respectivos advogados recorram, com base no mesmo fundamento. O que vai acontecer? Ninguém tem a menor ideia. O processo de Sombra voltará à fase de instrução, e não haveria razão para ser diferente com os demais. Digamos que alguém condenado no julgamento anulado seja absolvido em novo julgamento… E a parte da pena que já foi cumprida?

Uma Justiça que permite esses surrealismos está com graves problemas, não é mesmo?, independentemente de qual seja a nossa convicção a respeito do caso. Aliás, o processo já estava parado no Supremo porque a defesa de Sombra recorrera ao tribunal alegando que o Ministério Público não tem competência para investigar. O relator é o ministro Ricardo Lewandowski, que está sentado sobre o caso há dois anos. Alegada a incompetência do MP, a defesa pedia a anulação do processo também por esse motivo.

Quer dizer que Lewandowski pode se dispensar de dar agora uma resposta? Acho que não! A eventual anulação do processo contra Sombra por incompetência do MP iria, sim, beneficiar o réu, mas seu alcance é mais geral. O que se vai definir é, afinal, qual é o arco de atribuições do Ministério Público. Se bem se lembram, a tal PEC 37 tentou tornar o poder de investigação exclusivo das polícias. Por outras vias, o tema está dormitando no Supremo. O que Lewandowski espera para tomar uma decisão. Creio que nem Deus saiba.

Fux e manobra
Pois é… Pois é… O segredo de aborrecer é dizer tudo. A turma que julgou a questão não tem apenas quatro ministros, mas cinco. Luiz Fux estava ausente. Assim, esse empate não precisaria ter existido, não é mesmo? Bastaria que alguém pedisse vista, por exemplo, aguardando uma sessão em que ele pudesse votar. “Ah, mas o réu não pode esperar”. Ora, o que parece inaceitável é que se deixe uma votação dessa importância para o último dia, com a possibilidade de se produzir um empate, como aconteceu. De resto, onde está tamanha urgência? Sombra está solto.

Mais: as turmas podem recorrer ao pleno do Supremo. Bastaria que um dos ministros tivesse levantado uma questão de ordem. O outro dado surrealista dessa história e que bastem apenas dois votos no Supremo para anular todo um processo. Nem na turma, há maioria. Com a devida vênia, o conjunto da obra ficou com cara de manobra.

------------

Conselho de Ética abre processo contra Bolsonaro. É o certo! Se ele não se desculpar com as mulheres, que seja punido. Ou: Será mesmo que eu quero a simpatia das esquerdas?

E o Conselho de Ética da Câmara abriu, nesta terça, processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Por quê? Em razão da afirmação que ele fez no dia 9 deste mês, numa altercação com a deputada Maria do Rosário (PT-RS). Disse então: “Fica aí, Maria do Rosário. Há poucos dias, tu me chamou de estuprador no Salão Verde, e eu falei que não iria estuprar você porque você não merece. Fica aqui para ouvir”. Esse “há poucos dias” se deu em… 2003! Já relatei as circunstâncias aqui com vídeo e tudo. Sim, foi a deputada quem interrompeu uma entrevista que ele concedia, acusando-o de estuprador. É grave? É! Ele que fizesse uma representação contra ela, em vez de ter disparado a resposta boçal.

Não se sabe se o processo será extinto com o fim dessa legislatura ou se será retomado na nova, no ano que vem. Se Bolsonaro não se desculpar com as mulheres, defendo que uma nova denúncia seja feita ao Conselho caso o processo se extinga. Na defesa preliminar que apresentou, Bolsonaro afirma dispor de imunidade parlamentar e ter virado alvo de alguns partidos em razão da oposição que faz ao governo Dilma. Com a devida vênia, uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Nesta terça, o deputado chegou a dizer que “o Congresso não é um convento” e que “ela [Maria do Rosário] interferiu numa entrevista e acabou se vitimizando”. De fato, convento não é — ou, vamos convir, seria um antro de religiosos pervertidos, com exceções. E, de fato, como já demonstrei aqui, foi ela quem disparou a ofensa inicial.

Mas isso não o autorizava a dizer aquela enormidade. Sim, ele está sugerindo que algumas mulheres merecem ser estupradas. Como não gosta de Maria do Rosário e sustenta que ela está entre as que não merecem, infere-se, por uma questão de lógica elementar, que, na sua fala, o estupro é uma distinção, um mérito, um prêmio, um merecimento. É inaceitável!

Na sessão da Câmara, Bolsonaro conseguiu piorar as coisas. Mandou brasa: “Eu falei que não merece [ser estuprada], e vocês estão me crucificando. Se eu falasse que ela merece, eu seria linchado. A campanha dela [Maria do Rosário] há poucos meses era ‘Eu não mereço ser estuprada’. Ela usou a frase que usei”.

Santo Deus! Para começo de conversa, se o deputado tivesse dito que uma mulher merece ser estuprada, ele não deveria ser linchado, mas preso. O artigo 53 da Constituição, que garante a imunidade parlamentar, não é um esconderijo de crimes e criminosos. De resto, reitero o desafio: EU QUERO QUE O DEPUTADO DIGA QUEM, NA SUA OPINIÃO, MERECE SER ESTUPRADA, JÁ QUE, SEGUNDO ELE, MARIA DO ROSÁRIO NÃO É DIGNA DE TAL MERECIMENTO.

Bolsonaro está, de forma deliberada, misturando alhos com bugalhos. Tenta confundir a sua militância contra o PT — que tem méritos — com suas opiniões absurdas. Nesse particular, repete o pior procedimento do esquerdista xexelento, que recorre à meritória diminuição da pobreza para justificar o assalto à Petrobras.

Para encerrar
Alguns trouxas estão sugerindo que estou usando o caso Bolsonaro para fazer um charminho para as esquerdas… É mesmo? Vai ver eu estava tentando atrair a simpatia dos comunas quando chamei a Comissão da Verdade de “farsa” ou quando republiquei a lista com as 119 pessoas assassinadas pelos esquerdistas.

Ora, ora… Desde quando esses esquerdistas são meus juízes? Ocorre que os fanáticos do bolsonarismo também não. Na verdade, no que diz respeito às minhas opiniões, o único juiz sou eu mesmo. Recebi dezenas de mensagens de pessoas dizendo que não mais lerão o meu blog. Fazer o quê? Espero que esses encontrem um que os satisfaça, que seja capaz de dar um sentido virtuoso para este lixo: “Eu falei que não iria estuprar você porque você não merece”.

Esse cara, definitivamente, não sou eu. Como também não sou o cara que apoia os babacas que vão às ruas cobrar intervenção militar. Se alguém só descobriu agora essas minhas opiniões, ou é analfabeto funcional ou é bobo. Eu sempre sou de uma clareza até desconcertante. Jamais sou ambíguo. Ninguém tente ser dono ou superintendente do meu pensamento. Eu sou o rei absoluto das minhas opiniões.

--------------

É o fim da picada o jornalismo do nariz marrom falar de Lula candidato antes do fim de 2014, enquanto a Petrobras, sua herança maldita, afunda!

Chega a ser asqueroso. Enquanto somos informados de que as ações da Petrobras caíram 25% em uma semana, temos também a notícia de que Luiz Inácio da Silva — sim, ele mesmo! — já está em franca movimentação com dois propósitos: a) interferir o máximo possível no governo Dilma e b) preparar uma nova candidatura à Presidência em 2018.

O futuro pertence mais a Deus — ou ao indeterminado, a depender das crenças de cada um — do que à vontade dos homens, isso é certo. O próprio Lula deve saber disso. Não creio, para ser franco, que, hoje, em 2014, ele próprio leve tão a sério a possibilidade de voltar a concorrer. Mesmo assim, constate-se: é de uma arrogância sem-par o grande maestro do descalabro que aí está autorizar o pré-lançamento de seu nome à Presidência como uma espécie de ameaça ao jogo político.

Lula sabe bem o que faz. Os dois primeiros anos do segundo mandato de Dilma não serão nada fáceis. Para 2015, já está contratado um crescimento inferior a 1% — e há pessoas muito racionais falando até em recessão. É claro que a oposição tende a crescer em momentos assim — ao menos é o que se espera, para o bem do país e da democracia. Ao se colocar como o grande fantasma de 2018, o imbatível, Lula pretende congelar o jogo político e desestimular os apetites. Ai das oposições se caírem nessa conversa!

Agora e nos meses e anos vindouros é hora, mais do que nunca, de apontar a nudez do rei. Dilma é, sim, corresponsável pelo colapso da Petrobras — quando menos porque não fez nada do que poderia ter feito em quatro anos de mandato para mudar a rotina de descalabros. Mas é evidente que ela não é autora da equação. O modelo que faz da estatal apenas uma franja de um partido político e instrumento da tomada do Estado por esse partido não é dela, é do PT.

Quem transformou a Petrobras numa engrenagem macabra e corrupta para conquistar a base de apoio por intermédio da compra de parlamentares foi o lulo-petismo. O homem  que “ameaça” voltar é o responsável último pela situação pré-insolvente da empresa, que só não quebrou ainda — nem vai quebrar — porque majoritariamente pública.

O jornalismo que se dedica à fofoca desse universo em que transita Lula, que o transforma numa espécie de grande pensador desse maquiavelismo de botequim e que, mesmo de forma mitigada, canta suas glórias de grande estrategista se dedica a uma variante nada edificante do culto à personalidade. Lula tem de ser visto, sim, como o maestro, mas de um modelo que entrou em falência e que tende a condenar o Brasil a mais alguns anos de atraso.

Nunca — e nunca quer dizer precisamente isto: nunca — a Petrobras se viu na situação em que está agora. E sempre cabe lembrar que essa gente tem um método, não uma tara especial por esta ou por aquela empresa. Repita-se o óbvio: a Petrobras tem um grau de profissionalização de seu corpo técnico superior ao de outras estatais e ao da administração direta — refiro-me aos ministérios, que manipulam verbas do Orçamento. Se o padrão de governança por lá é o que vemos, dá para imaginar como se passam as coisas em ambientes menos controlados.

A despeito de sua movimentação frenética, Lula deveria, isto sim, é ser visto como uma página virada da história, a não ser pela herança maldita de um modelo. Em vez disso, está sendo tomado como o grande fator da eleição de 2018.

Com a devida vênia, esse tipo de “jornalismo”, se é que assim pode ser chamado, é mesmo falta de vergonha na cara.


************

Blog do Noblat

Dilma confunde autoridade com autoritarismo
Ricardo Noblat

Dilma detesta ser pressionada a fazer alguma coisa – qualquer coisa. Até mesmo aquelas que parecem necessárias. É do temperamento dela.

Dilma confunde autoridade com autoritarismo. E na maioria das ocasiões se comporta como a autoritária que é, e não como a autoridade que deveria ser.

Até os apontadores do jogo do bicho abancados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, sabem que Graça Foster, presidente da Petrobras, já deveria ter sido demitida.

Acabará sendo, é no que apostam. Mas à custa de muito desgaste para ela mesma, a empresa que preside, e Dilma que a mantém no cargo.

Por duas vezes até aqui, Graça pôs o cargo à disposição de Dilma. E ela não o quis de volta.

A política ensina que a pessoa que põe o cargo à disposição do seu superior é porque não deseja pedir demissão. Nem ser demitido.

Quem quer sair - ou está convencido de que a saída é o melhor que lhe resta -  simplesmente sai, ora.

O cargo de Graça pertence a Dilma. E se Graça não quer deixá-lo, cabe a Dilma fazer com o que o deixe.

Entra dia e sai dia, e a Petrobras continua sangrando em praça pública. O preço de suas ações se desvalorizou 40% de janeiro para cá. Seus acionistas estão em pânico.

A roubalheira na Petrobras está sendo investigada por três países – fora o Brasil. São eles: os Estados Unidos, a Holanda e a Suíça. É o maior escândalo de corrupção da nossa história. E um dos maiores do mundo.

Não é mais a imagem da Petrobras que está sendo enlameada no mercado internacional. É a do Brasil.

E ao invés de agir, Dilma defende sua própria paralisia com a desculpa de que não age sobre pressão.

Alguns dos presidentes da ditadura militar de 64 gostavam de dizer que não agiam sob pressão. Faltava quem tivesse peito para pressioná-los, isso sim.

Sob vários aspectos, Dilma e seus carrascos se parecem mais do que ela mesma desejaria.

**********


Lula desdiz Marcos Valério em depoimento à PF

Num instante em que as manchetes já mudaram de assunto, dedicando-se agora ao petrolão, Lula teve de tratar na semana passada do escândalo anterior, o mensalão. Chamado pela Polícia Federal para depor como testemunha, o ex-presidente petista foi interrogado por cerca de uma hora e meia sobre denúncias feitas por Marcos Valério há dois anos. Denúncias que, se confirmadas, transformariam em pó o lema do “eu não sabia”. Lula, naturalmente, desdisse Valério.

Deve-se ao repórter Jailton Carvalho a apuração de parte do teor do depoimento de Lula. A existência do interrogatório havia sido noticiada na véspera pela repórter Natuza Nery. A encrenca teve origem em depoimentos prestados por Valério à PF e à Procuradoria entre o final de 2012 e o início de 2013. Nessa época, o operador do mensalão ainda sonhava em se tornar um delator para ser premiado com penas menores.

Numa das acusações, Valério dissera ter participado, no início de 2003, no Planalto, de reunião com José Dirceu, então chefe da Casa Civil. Tratou-se no encontro, segundo Valério, de um repasse de R$ 7 milhões da Portugal Telecom para o PT. Coisa feita por baixo da mesa. O ex-operador do mensalão informara que, depois da conversa com Dirceu, fora levado à presença de Lula. Que teria ajudado nas negociações com a Portugal Telecom.

Inquirido a respeito, Lula declarou que, de fato, reuniu-se duas vezes, em 2003, com executivos da Portugal Telecom e do Banco Espírito Santo, no Palácio do Planalto. Negou, porém, que tivesse tratado de repasses monetários para o PT. Nessa versão, teriam partido da empresa e do banco os pedidos de audiência. Haviam participado, sob Fernando Henrique Cardoso, dos leilões de privatização das telefônicas. E queriam saber se Lula modificaria as regras do setor.

Lula disse ter tranquilizado os empresários. Assegurou-lhes, segundo disse, que respeitaria os contratos celebrados na Era tucana. Não ficou claro por que foram necessárias duas reuniões para que Lula se fizesse entender pelos interlocutores.

Para dar consistência às suas declarações, Lula disse que as conversas com dirigentes da empresa de telefonia e do banco foram testemunhadas pelos seus ministros das Comunicações da época. No primeiro encontro, chefiava a pasta o deputado federal Miro Teixeira (Pros-RJ). Na segunda reunião, comandava o setor o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE).

A tentativas de Marcos Valério de obter o status de delator premiado frustraram-se. Ele decidiu abrir o bico numa fase em que a Procuradoria e a PF já haviam passado a régua nas investigações. Pior: já corria no STF o próprio julgamento. Que rendeu a Valério a pena mais draconiana: 37 anos e cinco meses de prisão. Em regime fechado.

A bancada petista da Papuda já migrou do regime carcerário semiaberto para a prisão domiciliar. Valério não verá o meio-fio tão cedo. Seu martírio inspirou os delatores do petrolão, que acionaram o dedo num estágio da investigação em que suas revelações fizeram toda a diferença para mapear a corrupção na Petrobras.

Embora a tentativa de delação de Valério não tenha sido homologada, seus depoimentos resultaram na abertura de oito inquéritos pela Polícia Federal. A suposta mordida na Portugal Telecom não foi a única acusação dirigida a Lula.

Valério chegou a dizer que verbas do mensalão pagaram despesas pessoais de Lula. Verificou-se à época que havia matéria-prima para uma boa investigação. É preciso conhecer a íntegra do interrogatório de Lula para saber se a PF puxou todos os fios da meada.

----------------

Dilma para Kátia: ‘mais próximas do que nunca’

Com a amizade já extremamente cansada, representantes do MST foram à presença de Dilma Rousseff, no Planalto. Queixaram-se da intenção da anfitriã de fazer da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) sua ministra da Agricultura. Horas depois, a presidente foi à posse da antagonista dos sem-terra, que acaba de ser reconduzida ao comando da Confederação Nacional da Agricultura.

“Queria aqui dar os parabéns à minha amiga Kátia por todas as suas realizações passadas e por todas as suas realizações futuras”, discursou Dilma. “Tenho certeza que estaremos muito próximas no meu segundo governo, mais próximas do que nunca.'' A ficha do MST ainda não caiu. Mas o movimento logo perceberá: quem está na cadeira de presidente tem sempre uma porção de amigos que detesta e um ou outro inimigo de que gosta bastante.

------------

Ratocentrismo!



------------

Papo cabeça!


**********


O MST, Kátia Abreu e Lula: o falso e o verdadeiro nessa equação

O MST esteve ontem com a presidente Dilma Rousseff para pressioná-la a não nomear a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura. Duas dissidências do movimento invadiram a sede da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária) para protestar contra essa possibilidade. Nesta segunda, Kátia assumiu um novo mandato na presidência da entidade, do qual deve se afastar se for mesmo para o ministério. Dilma compareceu à solenidade e deixou claro que era uma deferência à confederação, mas também “foi uma forma de homenagear uma mulher que se distingue na direção da CNA e que honra o Brasil”. Afirmou ainda que as duas estarão “mais próximas do que nunca”.

Assim como setores do mercado — e da imprensa — veem a presença de Joaquim Levy na Fazenda como uma aposta — se garantia não puder ser — de racionalidade, vejo a eventual presença da senadora no comando da Agricultura como um investimento na competência. Ela entende do riscado. Se terá ou não condições objetivas para fazer o melhor, bem, isso é o que se verá. Admiro a sua dedicação ao setor e a sua capacidade de trabalho, nunca escondi isso, e é evidente que não passarei a hostiliza-la só porque integra um governo que não é do meu agrado. Se acertar, vou elogiar. Se errar, criticar, como sempre faço — segundo os critérios com os quais opero.

Que o MST e assemelhados sejam contrários à sua eventual nomeação, eis o que eu chamaria de bom começo. Pelo meu gosto pessoal, nem Levy nem Kátia emprestariam seus respectivos talentos ao governo Dilma. Mas essas são escolhas deles, não minhas. Guilherme Boulos, o sedizente líder de sem-teto, me quer no Ministério da Cultura. Mas eu não quero, hehe. Adiante.

Na conversa com Dilma, os sem-terra foram levar o chororô à moda Gilberto Carvalho: Kátia representaria o oposto das forças que teriam realmente contribuído para eleger Dilma — os ditos “movimento sociais”. Essa é uma daquelas tolices repetidas por aí sem que a gente se dê conta do seu real significado. É mesmo? Quantos milhões de votos têm os “movimentos sociais”? Isso é conversa para boi dormir. Basta pegar o mapa de votação de Dilma e cruzá-lo com o pagamento do Bolsa Família, e se vai ter claro o que realmente fez a diferença.

Os movimentos sociais não elegeram ninguém — ou, convenham, o desempenho das esquerdas nos governos estaduais e mesmo nas eleições legislativas teria sido outro. Práticas eleitorais francamente terroristas fizeram a diferença, numa país que tem 50 milhões de pessoas — coisa de que Dilma se orgulhou na campanha eleitoral — penduradas no Bolsa Família. “Então pobre não sabe votar?” A pergunta é tola. Cada um vota segundo as suas condições. Numa democracia, essa pergunta é descabida. Mas nem por isso se deve deixar de apontar o óbvio. A propósito: se saber votar derivasse só de condições financeiras e de escolaridade, não haveria tantos eleitores de esquerda entre universitários. A elite intelectual brasileira, ou o que deveria ser a elite, vota bem pior do que o povo.

Se Dilma realmente achasse que a eventual presença de Kátia no ministério iria tirar aquela parte do eleitorado que lhe garantiu a vitória — como afirmam os MSTs e MTSTs da vida —, é claro que ela não faria essa escolha. Ocorre que a presidente sabe que a rede de apoios de que dispõe Kátia, com milhões de agricultores — estes, sim, produtores de comida, não de mistificações ideológicas — é muito maior do que os gatos-pingados e barulhentos dos senhores João Pedro Stedile e Guilherme Boulos, que apenas lideram máquinas de consumir recursos públicos.

Dilma deve levar a senadora para o governo para ampliar sua base de sustentação, não para diminuí-la. Kátia faz aumentar o apoio ao governo; quem o subtrai é gente como Stedile e Boulos.

--------------

Inação de Dilma no caso Petrobras já beira o crime de responsabilidade

A presidente Dilma Rousseff, abraçada a seus dois mandatos — o que ela já tem e o que ela ainda terá —, vê a Petrobras virar pó e não consegue sair do lugar. É impressionante! Parece estar em transe. A situação não faz senão piorar, e a presidente que há e a que haverá se estreitam num abraço insano. Os papéis preferenciais da estatal (PN, sem direito a voto) caíram 9,20%, maior queda diária desde 27 de outubro deste ano, para R$ 9,18 reais. Os ordinários (ON, com direito a voto) recuaram 9,94%, a R$ 8,52, as menores cotações, respectivamente, desde 20 de julho de 2005 e 15 de setembro de 2004. O desempenho da empresa jogou o Bovespa para baixo, frechando em queda de 2,05%, aos 47.019 pontos.

A conjuntura internacional explica parte do desastre? Explica. O preço do barril do petróleo não é nada estimulante para a petroleira; a economia americana se recupera, o que provoca uma migração de papéis dos países emergentes para os EUA, parte do movimento de aversão ao risco etc. Assim, ainda que as ações da gigante brasileira estivessem nas nuvens, é justo inferir que teriam caído um pouco — quem sabe tivessem despencado.

O problema é que as ações já estavam no fundo do poço em razão de fatores que nada têm a ver com a economia mundial. O que conduziu a Petrobras à beira do colapso foi a roubalheira. Juntam-se, assim, fatores que não dependem de escolhas feitas pelo governo brasileiro com outros que dependem, sim. Até quando Dilma pretende empurrar com a barriga a necessária substituição de toda a diretoria da empresa? A governanta tem alguma esperança de que Graça Foster, presidente da estatal, recupere a credibilidade? De que modo?

A mais recente notícia escabrosa saída daquele hospício de malfeitores informa que, ora vejam, a diretoria da estatal subscreveu um contrato em branco com a empresa holandesa SBM Offshore para a construção do navio-plataforma P-57. Isso aconteceu na sexta-feira, 1º de janeiro de 2008. O contrato de construção da P-57 (nº 0801.0000032.07.2), que chegou à CPMI da Petrobras, não contém “informação expressa sobre seu valor”, relataram os técnicos, por escrito, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Só para lembrar: mesmo assim, o relator, Marco Maia (PT-RS), não viu nada de errado.

Voltemos à Petrobras. Dilma está esperando o quê? A inação já beira o crime de responsabilidade, conforme o expresso na alínea 3 do Artigo 9º da Lei 1.079: “Não tornar efetiva a responsabilidade dos seus subordinados, quando manifesta em delitos funcionais ou na prática de atos contrários à Constituição”. A melhor maneira que Dilma tem de cobrar a responsabilidade desses subordinados é demitindo-os.

-------------

A anistia, a extrema esquerda e o crime continuado ao longo da história

José Miguel Vivanco, diretor-executivo da divisão Américas da ONG Human Rights Watch, concede um entrevista a Fernanda Godoy, na Folha desta segunda, e diz uma coisa óbvia e outra nem tanto. A óbvia: a Comissão Nacional da Verdade deveria ter-se ocupado também dos crimes cometidos pelas esquerdas, como tenho afirmando aqui há muito tempo, como como já afirmei na Folha e na Jovem Pan.

Seu raciocínio é de uma simplicidade óbvia, ululante: “Não pode haver um peso e duas medidas. Se houve abusos cometidos por grupos armados irregulares, isso deve constar de um informe dessa natureza. E também haveria servido para mostrar a magnitude dos abusos cometidos pelo Estado e a magnitude dos abusos dos grupos armados.”

Sim, é um raciocínio simples, mas vai ao âmago da questão: as esquerdas assentam a sua luta sobre uma mentira escandalosa: a de que elas foram apenas vítimas dos militares. A forma que tomou essa questão no Brasil, com indenizações e pensões que somam muitos bilhões, pede que, de um lado, existam os vilões para que, do outro, apareçam, incólumes, os mocinhos. Ocorre que alguns desse mocinhos são notórios assassinos — muitos se orgulham ainda hoje dos homicídios cometidos —, mas que, não obstante, estão sendo ressarcidos pelo estado por sua suposta… luta!

Não que eu concorde com Vivanco em tudo. Ele dá mostras de desconhecer, também ele, como se deu a anistia no Brasil. É uma mentira pilantra a história de que se tratou apenas de autoanistia. A lei que decidiu livrar agentes do estado e terroristas de ações penais foi referendada por um Congresso eleito livre e democraticamente.  Foi uma precondição da Emenda 26, que convocou a Constituinte. Logo, não pode ser revista. Hoje, com efeito, tanto tortura como terrorismo não seriam mais passíveis de graça. Aquela era a lei daqueles dias.

O discurso sobre a revisão da Lei da Anistia serve apenas à mística das esquerdas. Em São Carlos, nesta segunda, 200 ditos representantes do “Levante Popular da Juventude” — estudantes coxinhas de extrema esquerda, desocupados que nem estudam nem trabalham e são meros esbirros do MST — pararam a rodovia Washington Luís com pneus queimados para pedir punição para os crimes da ditadura. Eu peço é a punição para essa horda, que põe em risco a segurança de terceiros e fere o direito de ir e vir, garantido pela Constituição.

Longe dali, em Brasília, outro grupelho de extremistas, ligado aos sem-terra, invadiu a sede da CNA (Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil) para, dizem eles, protestar contra a posse da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) na presidência da entidade. Ela deve ser nomeada ministra da Agricultura, uma das poucas boas notícias do governo Dilma.

Por que junto esses três elementos num único comentário? Porque temos o de sempre: os extremistas de esquerda continuam a separar o mundo entre os que são maus — os outros — e os que seriam bonzinhos: eles próprios. Ocorre que hoje, a exemplo de ontem, continuam a cometer ilegalidades e violência e a chamar a sua ação truculenta de democracia.

Os esquerdistas digam o que quiserem, mas jamais conseguirão esconder o fato de que suas teses e sua história se assentam sobre a mais impressionante montanha de cadáveres que a humanidade já conseguiu produzir em nome de uma causa.


**********

Blog do Coronel

Novos documentos comprovam denúncias de Venina e os motivos para que os corruptos da Petrobras a condenassem ao exílio em Cingapura.

Documentos internos da Petrobras e mensagens encaminhadas por Venina Velosa da Fonseca, a geóloga que denunciou irregularidades, revelam que a diretoria atual não impediu um esquema de desvio de milhões de reais da companhia. Relatórios mostram que negociadores de óleo combustível de navio que atuam em Cingapura e em outros escritórios da estatal no exterior cobram comissões extras elevando os preços à Petrobras. Apesar das denúncias, esses "traders" não foram descredenciados até hoje. No entanto, a estatal afastou Venina do cargo e cortou o seu salário em aproximadamente 40% de seus vencimentos.

Documentos aos quais o Valor teve acesso mostram que foi constatada a existência de um esquema de desvios envolvendo negociadores de óleo combustível de navio que atuam em Cingapura e em outros escritórios da estatal no exterior. Os "traders" detêm privilégios na estatal e, mesmo quando constatadas as irregularidades, não sofreram as penalidades aplicadas pelas demais empresas do mercado. Em vez de serem descredenciados para não mais negociarem com a empresa, eles receberam suspensões por curtos períodos e voltaram a trabalhar.

Venina deverá depor nos próximos dias, em Curitiba, a autoridades que conduzem a Operação Lava-Jato, quando deverá apresentar detalhes dessas denúncias.

Em nota à imprensa enviada na noite de sexta-feira, a companhia informou que "após resultado do grupo de trabalho constituído em 2012, a Petrobras aprimorou os procedimentos de compra e venda de bunker (combustível de navio), com a implementação de controles e registros adicionais". "Com base no relatório final", continua a nota, "a companhia adotou as providências administrativas e negociais cabíveis". "A Petrobras possui uma área corporativa responsável pelo controle de movimentações e auditoria de perdas de óleo combustível, que não constatou nenhuma não conformidade no período de 2012 a 2014", concluiu a estatal.

Mas relatórios internos concluídos recentemente mostram que a companhia sofre perdas nas negociações em preços de combustível de navio, na contratação de afretamentos e até no momento de descarregamento de petróleo. No segmento de produtos escuros - jargão do setor para bunkers e óleo combustível - foram verificados desde descontos anormais a apenas alguns clientes privilegiados até venda abaixo do preço de mercado e recompra a preço acima do mercado, no mesmo dia.

A apuração dessas práticas foi feita por Venina no período em que ela comandou a unidade de Cingapura, entre fevereiro e novembro deste ano. A geóloga determinou a contratação de um escritório de advocacia naquele país que obteve cópias de mensagens trocadas entre os "traders". O objetivo era romper com o esquema.

Numa dessas mensagens, um negociador de uma grande trading, sob o codinome de "Coco Prontissimo", diz a outro negociador credenciado da Petrobras que só ele poderia "proteger o negócio". Em outra mensagem, esse representante da trading internacional admite que terá que pagar comissão extra ao "trader" da Petrobras, identificado como Daniel Filho. Os diálogos foram considerados pelo escritório contratado por Venina como forte evidência ("strong evidence") de que a Petrobras estava sendo prejudicada pelos "traders".

A geóloga criou comissões de apuração do esquema, chamadas de grupos de trabalho, e encaminhou relatórios sobre o assunto a seus superiores. Mesmo assim, a Petrobras manteve a atuação dos "traders" suspeitos. Ela recorreu, então, ao novo gerente executivo da área, Abílio Paulo Pinheiro Ramos. Ele é subordinado imediato de José Carlos Cosenza, o diretor de Abastecimento que preside a comissão de apuração de irregularidades e que declarou na CPI mista da Petrobras, em outubro, que nunca ouviu falar de desvios na estatal.

Em 26 de abril de 2014, a geóloga encaminhou um longo e-mail a Abílio descrevendo as irregularidades com que se deparou na companhia, a começar pelas dificuldades durante a gestão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, que foi preso na Operação Lava-Jato e resolveu delatar o esquema de desvio de dinheiro da estatal. Costa era o chefe imediato de Venina e as denúncias que ela fez de desvios na área de comunicação daquela diretoria e nos aditivos para a construção da Refinaria de Abreu e Lima fizeram com que fosse enviada para Cingapura, em fevereiro de 2010, onde pediram que não trabalhasse.

Ao voltar, dois anos depois, a geóloga ficou cinco meses "numa sala sem nenhuma atribuição". Mandada novamente para Cingapura, Venina disse a Abílio que encontrou um "escritório inchado, totalmente desorganizado e sem controle".

No e-mail, a geóloga contou que havia problemas no segmento de "escuros". "Enviei parte do material em caráter confidencial e pedi uma reunião na primeira hora." Ao chegar para a reunião, Venina disse que havia mais gente do que o previsto, inclusive potenciais envolvidos nas práticas suspeitas. "Estavam presentes todos os gerentes, coordenadores e consultores da área. Um público grande para tratar do assunto", escreveu. Ela disse que o objetivo da reunião foi o de convencê-la que estava errada. "Em vão. As evidências eram inegáveis", afirmou Venina.

A primeira comissão de apuração, em Cingapura, ouviu empregados brasileiros e locais. A geóloga percebeu que o objetivo não era solucionar os problemas apontados por ela. "Fui procurada por um dos empregados locais que se dizia constrangido pelo seu depoimento não estar formalizado e que isso o exporia perante a legislação de Cingapura", disse. As leis daquele país equiparam a pessoa que sabe de um caso de corrupção à mesma situação do criminoso responsável pelo desvio de dinheiro.

Em seguida, foi feita uma auditoria e outra comissão de apuração, sem resultados práticos. Ela contou a Abílio: "Recebemos vários e-mails nos orientando a continuar negociando com as empresas envolvidas nas fraudes. Confesso que prontamente recusei a orientação. A partir daí passei a ser chamada de inflexível".

Após ser convocada para depor nas comissões de apuração de irregularidades de Abreu e Lima, a geóloga descobriu que pessoas informadas por ela de irregularidades, no passado, faziam parte dessas comissões. Em 19 de novembro, ela foi comunicada por Abílio que seria destituída de sua função no comando da unidade de Cingapura. Venina telefonou a Cosenza e enviou um e-mail para Graça Foster, a presidente da Petrobras.

Graça respondeu que o caso dela seria tratado por Cosenza e Nilton Maia, chefe do Departamento Jurídico. A geóloga não recebeu o relatório sobre as causas de sua destituição e encaminhou uma notificação para a direção da estatal.

A Petrobras disse, em nota enviada na sexta-feira, que Venina "foi destituída da função de diretora presidente da empresa Petrobras Singapore Private Limited em 19 de novembro de 2014, após o que ameaçou seus superiores de divulgar supostas irregularidades caso não fosse mantida na função gerencial".

Na verdade, o que Venina fez, segundo demonstram documentos, foi pedir para voltar ao Brasil, pois estava em licença médica e precisava fazer exames no INSS para receber salário. Um DIP - Documento Interno da Petrobras - assinado por Abílio, em 3 de novembro de 2014, diz que a geóloga encontra-se "em missão de longa duração na Petrobras Singapore", onde exercia a função de gerente-geral. "Recentemente, a empregada manifestou interesse em antecipar o término de sua missão", continua o DIP, sublinhando que a missão estava prevista para terminar apenas em 30 de junho de 2015.

Após verificar que os problemas que apontou não seriam resolvidos, a geóloga foi diagnosticada com "transtorno de ansiedade" por uma clínica médica, em Cingapura. "Estou com meus ganhos reduzidos, meu retorno ao país impossibilitado e sofrendo claro assédio comprovado pelos atos e comunicados a mim enviados", disse a geóloga, num e-mail enviado, em 9 de dezembro de 2014, a Cosenza e a diretores da Petrobras Cingapura.

"O descumprimento dos procedimentos de meu retorno demonstram que estou sendo mantida doente no exterior por negativa dos meios de retorno ao Brasil. Se mantida essa posição, não só informarei o fato ao Ministério Público do Trabalho, ao sindicato e ao Judiciário, mas também à mídia", alertou a geóloga, que teve um corte de 40% em seu salário. (Valor Econômico)


***********

Blog do Noblat

Por uma cabeça! (Ou o escudo de Dilma)
Ricardo Noblat

O que o PT tem a dizer sobre a roubalheira na Petrobras? Afinal, ele sempre disse que a Petrobras seria privatizada se o PSDB, um dia, conseguisse voltar ao poder.

Pois a empresa foi corrompida pelo PT, desmoralizada pelo PT e empurrada buraco a baixo pelo PT.

Hoje, o PT é uma camiseta puída com cheiro de suor, uma estrela guardada no fundo de uma gaveta, uma bandeira vermelha coberta de vergonha.

Na Petrobras, é fato, o roubo existe desde meados do governo José Sarney nos anos 80 do século passado.

Atravessou os governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. Mas foi no governo Luiz Inácio Lula da Silva que alcançou uma escala gigantesca, segundo investigação da Polícia Federa.

Surpreso com a herança maldita, caberia ao governo Dilma livrar-se dela. Certo? Errado.

Você é ingênuo o bastante a ponto de acreditar que Dilma ignorasse o que se passava com a Petrobras?

Dilma foi ministra das Minas e Energia. A Petrobras era subordinada a ela.

Foi chefe da Casa Civil da presidência da República, o segundo posto mais importante do governo. Acumulou o cargo com a presidência do Conselho de Administração da Petrobras.

Nada se fez ou se faz na Petrobras sem a aprovação do Conselho. Da compra de uma refinaria, como a de Pasadena, por exemplo, a aditivos a contratos bilionários.

A Petrobras é a empresa campeã no Brasil em contratos firmados sem licitação.

Comprada a um grupo belga, Passadena representou um prejuízo enorme para a Petrobras. Para os belgas foi o “negócio do século”. Encheram as burras de dinheiro.

Uma vez eleita para suceder Lula, Dilma nomeou para o Ministério das Minas e Energia um nome indicado por Sarney – o do senador Edison Lobão. E para a presidência da Petrobras uma de suas amigas de fé, irmãs, camaradas, Graça Foster.

Lobão foi ministro de faz de conta – quem mandava no ministério era Dilma. Quanto a Graça... Mandou na Petrobras consultando Dilma para tudo.

Em depoimento à CPI da Petrobras em junho último, Graça afirmou que jamais ouvira falar antes de corrupção na empresa.

“Só com a suspeita, nós ficamos muito envergonhados”, disse, e em seguida choramingou. Comovente! Mas pura lorota como se sabe hoje.

Graça ouvira falar de corrupção, sim. E, no mínimo, três vezes. Vamos a elas.

Pouco antes de comparecer à CPI, Graça fora informada pelo Ministério Público Holandês sobre propinas pagas pela empresa holandesa SBM na venda à Petrobras de um navio-plataforma.

A SBM ainda recebeu US$ 25 milhões extras pela antecipação da entrega do navio.l Lula queria inaugurá-lo às vésperas da possível eleição de Dilma para presidente em 2010. E assim foi.

No final de 2009, em e-mail enviado a Graça, Venina Fonseca, então gerente da Petrobras, alertou-a sobre o aumento de gastos com a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

De US$ 4 bilhões, o negócio passara a custar US$ 18 bilhões.

Em outro e-mail de 2011, Venina confessou a Graça que o “imenso orgulho” que tinha de trabalhar na Petrobras dera lugar à “vergonha”. Ofereceu-se para lhe contar o que sabia. Não obteve resposta.

Demitir ou não demitir Graça?

Eis a questão que tira o sono de Dilma desde que o Procurador Geral da República cobrou a demissão da diretoria da Petrobras.

A empresa perdeu 80% do seu valor entre dezembro de 2004 e dezembro deste ano.

Graça serve à Dilma de escudo contra o mar de lama que se acumula ao pé da rampa do Palácio do Planalto.  Se ele sair do meio, Dilma ficará face a face com a lama.

Lula entregou a cabeça de José Dirceu e salvou a sua, ameaçada em 2005 pelo escândalo do mensalão. Deu certo.

Dilma acabará entregando a cabeça de Graça. Resta ver se dará certo.

***********


Na Lava Jato, poder econômico prolonga cadeia

O dinheiro, como se sabe, não traz felicidade. Mas isso jamais chegou a ser tratado pelos milionários como uma questão financeira realmente relevante. A Operação Lava Jato subverteu a ordem natural das coisas. O poder econômico é um dos fatores que esticam a hospedagem compulsória dos executivos de grandes empreiteiras nas dependências da subsidiária curitibana do PF’s Inn.

Alega-se que, soltos, os endinheirados —alguns com conta no estrangeiro— poderiam fugir. No caso de um dos presos, José Aldemário Pinheiro, vulgo Leo Pinheiro, até a mobilidade aérea foi mencionada como motivo para a permanência no xilindró. Presidente da OAS, Leo dispõe de um jatinho particular.

Na contabilidade da Polícia Federal, o mandachuva da OAS voou 11 vezes para o estrangeiro entre junho e outubro. Passou por cidades como Nova Iorque, Joanesburgo, Madri e Buenos Aires. A conta não inclui uma viagem para o Peru, que Leo fizera às vésperas de ser preso, em novembro.

Advogado de poderosos, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, foi um dos primeiros a notar que a grande jurisprudência não-escrita do país começa a ser invertida. “Antes, dizia-se que cadeia no Brasil era para pobre, preto e puta. Agora é o seguinte: fica preso quem tem dinheiro.”

No mensalão, os abastados do núcleo financeiro do Banco Rural também estão em cana. Mas só perderam a liberdade após a conclusão do julgamento. No Petrolão, o juiz Sérgio Moro como que antecipou o castigo. O pessoal das empreiteiras receia ser condenado preso, sem direito de recorrer em liberdade.

Espraiou-se pela hospedaria da PF em Curitiba uma nova moléstia: a ‘Morofobia’. Os mensaleiros sem mandato parlamentar guerrearam sem sucesso para que seus processos fossem julgados na primeira instância do Judiciário. Os petro-réus pegam em lanças para levar seus casos ao STF. Preferem enfrentar a bala de prata da última instância a esperar na cadeia por uma sentença passível de recurso.

Para desassossego dos presos, o ministro Teori Zavaski, do STF, indeferiu na semana passada 11 pedidos de liberdade. Significa dizer que os presos, habituados à vida faustosa, terão de passar o Natal nas celas coletivas de 6 m² do PF’s Inn —sem tevê, dormindo em colchonetes rentes ao chão e com apenas uma hora de banho de sol por dia.

Mantido esse ritmo, haverá uma revolução no sistema prisional brasileiro. As próprias empreiteiras terão interesse em aperfeiçoar os projetos das cadeias. Logo, logo as instalações carcerárias incorporarão facilidades própria de condomínios fechados. Naturalmente, sem superfaturamento.

----------------

Garra!




**********

Blog do Josias

Apertem os cintos, a presidenta do Brasil sumiu

A dezoito dias do recomeço, o governo enfrenta um enorme problema. A encrenca tem nome e sobrenome. Muitos chamam de Graça Foster. Se estivessem corretos, a solução exigiria um simples movimento de mão. E custaria a tinta da esferográfica e a folha do ato de exoneração. Mas estão enganados. Chama-se Dilma Rousseff o problema do governo.

Acaba de ser reconduzida à poltrona de presidente da República como solução dos 54 milhões de brasileiros que a elegeram. Porém, quando se imaginava que fosse dirigir os rumos do país nesta ou naquela direção, a Dilma resoluta da campanha, 100% feita de João Santana, sumiu. Por pressão, não por opção, Graça logo passará. O problema, não.

No futuro, quando puder falar sobre os dias atuais sem uma camada de óleo a turvar-lhe a vista, a história dirá que o Brasil atravessou mais um desses momentos de transição que fazem a nação evoluir, ainda que aos trancos. Pouca gente notou, mas estão em curso transformações profundas.

A Petrobras, como se sabe, afunda. E junto com ela podem ir a pique:

1. O presidencialismo de cooptação, que submete estatais e repartições públicas à pirataria partidária.

2. O modelo de contratação de serviços e obras públicas, baseado no critério único do ‘quanto eu levo nisso?’

3. As velhas desculpas esfarrapadas —como “eu não sabia”, “doa a quem doer” e “cortar na própria carne”.

Com dezenas de parlamentares imersos em óleo queimado, o Legislativo está prestes a virar delegacia de política. O Judiciário, já entupido de processos, se manterá ocupado tentando converter crimes em castigos. Se sua capacidade de liderança não fosse invisível a olho nu, Dilma poderia governar o processo de mudanças. Inerte, é desgovernada pelos acontecimentos.

Em 26 de outubro, depois de contados os votos do segundo turno, Dilma leu seu último discurso sob a supervisão de João Santana. “Algumas vezes na história, os resultados apertados produziram mudanças mais fortes e rápidas do que as vitórias amplas”, disse a reeleita. Hoje, Dilma conspira contra a mudança. Faz isso ao renegociar a partilha dos cofres do seu governo com os partidos de sempre. Que imaginam ser possível manter o melado escorrendo por mais quatro anos.

Aquela Dilma do dia da vitória também disse: “Essa presidente está disposta ao diálogo, e esse é meu primeiro compromisso no segundo mandato: o diálogo.” A Dilma de hoje não conversa nem com o espelho. Só fala com Lula, que já foi recebido no Alvorada três vezes em menos de dois meses. É muito mais do que os ministros, alguns há mais um ano sem uma audiência com a chefa.

“Quero ser uma presidenta muito melhor do que fui até agora”, declarou ainda a Dilma de 48 dias atrás. “Quero ser uma pessoa muito melhor. Esse sentimento de superação não deve apenas impulsionar o governo e a minha pessoa, mas toda a nação.” Na bica de tomar posse, a Dilma atual nunca foi tão Dilma. Foge da conjuntura à maneira do avestruz. Enfia a cabeça nos baixios de sua autoestima. E vira a página. Para trás.

A contragosto, Dilma cede nacos do seu poder declinante para Joaquim Levy. E reza para que a lama não impeça a ortodoxia do novo ministro da Fazenda de consertar os erros do primeiro mandato e recriar aquele ambiente de rigor fiscal de 2003, primeiro ano de Lula.

Em condições normais, o segundo reinado de Dilma seria duro. Sob atmosfera de derretimento moral, com os delatores suando o dedo; com jovens procuradores procurando; com o juiz Sérgio Moro julgando; com os aliados na fila do cadafalso; com tudo isso, Dilma 2ª tormou-se um caso único: reeleita, ficou menor do que era. Tão pequena que some no meio da crise.

-----------

Movimento pesado!




**********

Blog do Coronel

É de se perguntar o que Graça Foster faz na Petrobras. Ao que tudo indica, o seu papel é um só: acobertar Dilma Rousseff!

É impossível que tamanha roubalheira como a que ocorria na Petrobras não fosse de amplo conhecimento da presidente da estatal, Graça Foster. Foram dezenas de bilhões roubados descaradamente. Escancaradamente. Pode chegar a uma centena o número de diretores, gerentes e assessores diretamente envolvidos em falcatruas absurdas.

Bastaria que Graça Foster cuidasse de um só detalhe: os aditivos contratuais. E que tivesse uma planilha básica à sua frente, de uma folha, com cotações internacionais para não mais que vinte itens consumidos pela Petrobras. E comparar preços e prazos.

Como a presidente de uma empresa do porte da Petrobras permite que obras tripliquem, quadrupliquem, quintupliquem de preço, como o Comperj e Abreu e Lima? O que está senhora fazia na Petrobras? Como permitiu, com todo o aparato de gestão que possui, desde sofisticados softwares até profissionais de primeiríssima linha, apoiados pelas maiores auditorias e consultorias do mundo, que a empresa fosse assaltada diante dos seus olhos?

A senhora Graça Foster só pode estar cumprindo um único papel na Petrobras: blindar e acobertar Dilma Vana Rousseff, que hoje preside o Brasil mas que, antes, mandou na empresa como ministra das Minas e Energia, como presidente do Conselho de Administração e como ministra-chefe da Casa Civil.

Apenas para comprovar o que estamos postando, leiam, abaixo, matéria de O Globo publicada hoje e respondam: tem como Graça Foster não ter tido conhecimento de tão escancarada cadeia de corrupção?

Os maiores valores contratados para as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) correspondem a empresas participantes do cartel que está sendo investigado na Operação Lava Jato. Sete das 16 empresas apontadas como principais integrantes do esquema abocanharam 58% do valor contratado: Toyo Setal (13%), Construtora Norberto Odebrecht (12%), UTC (10%), Queiroz Galvão (10%), Andrade Gutierrez (8%), Iesa (4%) e Engevix (1%). Esta é a conclusão da Comissão Interna de Apuração da Petrobras que avaliou 30 contratos firmados, no valor de R$ 21,8 bilhões, que representam 77% do total já contratado.

Em nove dos 30 contratos foram identificadas sucessivas revisões de estimativa de custos e preços após abertura das propostas, com justificativas inconsistentes. De acordo com a Comissão, as contratações feitas nem sempre seguiam o cronograma da obra. Muitas licitações foram feitas antes dos próprios projetos básicos. Além disso, com a justificativa de ampliar o leque de fornecedores, foram incluídas empresas sem capacidade para entregar o serviço.

Um dos exemplos é o da construtora Delta, que liderou o Consórcio Itaboraí, teve nota 2,1 no certame, muito abaixo da nota mínima exigida pela Petrobras, que é de 6,5. O contrato teve de ser rescindido por baixo desempenho. De quatro "convites" feitos à Delta para participar de licitações, a empresa assinou dois contratos, ambos rescindidos por mau desempenho.

A Toyo-Setal assinou dois contratos - um por convite e outro por inexigibilidade de licitação. A Jaraguá assinou dois contratos. Nenhuma das duas conseguiu concluir as obras e o mesmo aconteceu com a TKK Engenharia. De acordo com a Comissão, os convites permitiam mais flexibilidade na formação de consórcios, pois apenas a líder do grupo tinha de efetivamente estar na lista de "convidadas".

A Comissão ressalta que a rescisão de contrato com o consórcio da Delta levou à paralisação das obras do HDT de Nafta. A Petrobras reestudou o projeto e concluiu que era antieconômico. Com a desistência, equipamentos no valor de R$ 32,7 milhões estão encostados e sem uso. Além disso, a Delta reduziu drasticamente o número de trabalhadores alegando que tinha "produtividade arrojada" e a MPE cortou diversas vantagens trabalhistas que tinham sido acertadas com os trabalhadores.

De 17 projetos analisados, 11 tiveram licitação feita antes do projeto básico ter sido concluído. O Consórcio TE-AG (Techint e Andrade Gutierrez), por exemplo, segundo a Comissão, foi contratado numa negociação direta. A primeira licitação ocorreu em 2008, quase dois anos antes do projeto básico.

Não bastasse isso, foram programadas unidades externas que, depois, tiveram de ser abrigadas em instalações. O custo de "hibernação" passou de R$ 1 bilhão. Segundo o gerente Marcelino Simão Tuma, ouvido pela Comissão, empresas abandonaram contratos por terem sido "mal convidadas" - não tinham condição de executar o projeto. Muitas não tinham sequer "nada a ver com o objeto a ser contratado".

Foi no Comperj que a Petrobras contratou a Pragmática, empresa de consultoria da família do então diretor de Abastecimento Paulo Roberto Cosa. O contrato foi de R$ 1,085 milhão por um ano de prestação de serviço de qualificação profissional e desenvolvimento de fornecedores. Muitas das empresas indicadas não conseguiram cumprir seus contratos.

Também nas obras do Comperj houve farra de aditivos contratuais. A Alusa obteve contrato no valor de R$ 1,460 bilhão, mas acabou recebendo 47% a mais (R$ 688,6 milhões) a mais devido a 15 aditivos. Num consórcio entre a Alusa e a MPF , o valor de R$ 235,7 milhões recebeu 10 aditivos. O prazo da obra era de 720 dias e os aditivos deram mais 1.007 dias. O preço inicial foi aumentado em R$ 6,433 milhões.

A CNEC WorleyParsons Engenharia fechou contrato de R$ 4,5 milhões e prazo de 630 dias. Os aditivos prolongaram mais 560 dias e elevaram o valor em 1,311 milhões. O contrato foi encerrado por decurso do prazo.

De acordo com as investigações internas, uma das construtoras fechou contrato de R$ 819,8 milhões por 440 dias e apresentou preço 37% menor do que o custo estimado pela estatal. Acabou assinando contrato sob alegação de "estar entre as maiores construtoras do país". Até maio passado, a empresa havia firmado 13 aditivos, que aumentaram o valor em R$ 360 milhões.

No relatório encaminhado ao Ministério Público Federal no Paraná, que centraliza as investigações da Operação Lava-Jato, são atribuídas responsabilidades por irregularidades a Carlos Frederico Trevia, gerente de relacionamento e comunicação; Francisco Pais, que foi assistente do ex-diretor Renato Duque; Heyder de Moura Carvalho Filho; Jansem Ferreira da Silva, Jairo Luis Bonet, José Eduardo Loureiro, Luiz Alberto Gaspar Domingues, Paulo Cezar Amaro Aquino e Roberto Gonçalves, além do ex-diretor Paulo Roberto Costa e do gerente Pedro Barusco Filho.

-------------

Vaccari deixa claro que dinheiro sujo pagava as ações do PT. E que com o Petrolão as fontes secaram, não há dinheiro nem para a posse da Dilma.

O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto(foto), recomendou nesta sexta-feira (12) "criatividade" ao partido para bancar a festa de posse da presidente Dilma Rousseff. Reunido com petistas, ele admitiu que a explosão da Operação Lava Jato, aliada à crise internacional, afugenta potenciais colaboradores. E, queixando-se da falta de recursos, sugeriu que os diretórios municipais do PT se cotizem para garantir público na festa de posse da presidente, no dia 1º de janeiro. "Os doadores estão com medo", disse Francisco Rocha, o "Rochinha".

De acordo com participantes, Vaccari fez questão de frisar que seu nome não está entre os denunciados pelo Ministério Público Federal por participação no esquema na Petrobras. Mais uma vez, negou irregularidades. Ele reconheceu, porém, impacto na arrecadação do partido. Informou que a redução, em cerca de 20%, provocará significativa perda de receita no ano que vem.

A crise provocada pelo escândalo na Petrobras foi o tema principal do encontro, que reuniu as correntes que compõem a chapa que controla o partido. Na reunião, Vaccari defendeu o financiamento público de campanha eleitoral como forma de combate à corrupção. Para ele, o partido arrecadaria mais caso fosse aprovada uma fórmula que mescla financiamento público e teto de contribuição de pessoa física (em R$ 100 mil).

"O problema é que todos os doadores estão presos", lamentou um dirigente petista. O anúncio de vacas magras ocorre num momento em que coordenadores das campanhas estaduais pedem socorro ao comando nacional.

O coordenador do comitê de Alexandre Padilha, derrotado na disputa ao governo de São Paulo, Emídio Souza, calcula em R$ 30 milhões a dívida da campanha. Segundo ele, o prejuízo é do partido. Vaccari discorda. Ao deixar a discussão, o presidente do PT, Rui Falcão, brincou ao comentar sua pauta. Numa menção a termos como "revitalização", afirmou: "Nunca falei tanto ré'".(Folha de São Paulo)

**********


Dilma convida Rossetto

                A presidente Dilma formalizou, na noite de quinta-feira, convite para o ministro Miguel Rossetto assumir a Secretaria-Geral da Presidência. Ela já havia tratado dessa mudança com ele durante a campanha. Na reta final, o petista acompanhava Dilma em suas andanças pelo país. O atual titular, Gilberto Carvalho, foi comunicado ontem, e a transição começa na próxima segunda-feira.

Oposição dividida
A eleição para a presidência da Câmara rachou a oposição. O Solidariedade (15 deputados) fechou com a candidatura do líder do PMDB (66), Eduardo Cunha (RJ). O DEM (22) e o PPS (10) também estão em adiantados entendimentos com Cunha. Pesa a decisão da Mesa da Casa, comandada por Henrique Alves (PMDB), de manter o número de cargos comissionados para os partidos que perderam cadeiras. O DEM conserva o mesmo número de cargos de quando se chamava PFL e era o maior da Câmara. O PSDB (54) ruma para reforçar o líder do PSB (34), Júlio Delgado (MG). A sobrevivência é o foco do DEM. O do PSDB é o da guerra permanente.

“Cadê os intelectuais do PT? Eram tantos. Eles estavam no PT porque acreditavam nos discursos que fazíamos”

Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente, em discurso na quarta-feira para plateia de petistas, reclamando da falta de utopia e do profissionalismo que tomou conta do partido

Vem aí a TV PT
A Direção Nacional petista concluiu ontem, em seminário em São Paulo, pela criação de uma TV na internet. O primeiro programa que será veiculado já está definido. Ela vai produzir e transmitir um noticiário político diário.

Troca de comando
A presidente Dilma pretende substituir os comandantes das três Forças Armadas, nomeados no governo Lula. Ela quer fortalecer o comandante do Estado Maior Conjunto, general José Carlos De Nardi, nomeado por ela. Apesar de ter a mais alta patente da hierarquia, é o mais novo no cargo, o que dificulta sua tarefa de comandar a tropa.

Tiro livre sem barreiras
Os líderes aliados mandaram um recado para o ministro Ricardo Berzoini: quem tem votos são os cartolas e não o movimento Bom Senso. Os clubes de futebol não querem dar contrapartida para renegociar uma dívida total de R$ 4 bilhões.

Quando o carnaval chegar
Os nomes dos parlamentares implicados pela Operação Lava-Jato serão enviados ao STF no ano que vem. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, só recebeu anteontem o relatório sobre o doleiro Alberto Youssef. Sua equipe diz que ele fará um “trabalho cuidadoso”. Os que perderam mandato ficam com a Justiça comum.

Mui companheiro
Em reunião do PT, o secretário-geral, Geraldo Magela, anunciou que o governador Agnelo Queiroz (DF) não poderia comparecer. Os petistas soltaram estridente vaia. Agnelo termina o mandato em ambiente de caos administrativo.

Costurando todos os lados
Minas foi o alvo, ontem, do líder do PMDB, Eduardo Cunha. Ele se reuniu com o governador eleito Fernando Pimentel (PT) e o prefeito de BH, Márcio Lacerda (PSB). Foi em busca de apoio para se eleger presidente da Câmara.

Último suspiro. O ministro Manoel Dias (Trabalho) está viajando para lançar a carteira de trabalho digital. Mas o sistema só será concluído em 2015.

***********


Começar de novo

A coisa na Petrobras está tão feia que até mesmo quando um diretor é erroneamente acusado de ter sido beneficiário do esquema de corrupção, como aconteceu com José Carlos Cosenza, ele acaba sendo envolvido em outros casos relacionados, e o pedido de desculpas da Polícia Federal acaba sendo neutralizado pelas novas descobertas.

A denúncia de que a gerente Venina Velosa da Fonseca enviou e-mails à atual presidente Graça Foster e a outros superiores, incluindo Cosenza e o seu antecessor, o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, para apontar desvios em vários setores da empresa, mostra que muito antes da Operação Lava Jato a atual diretoria já tinha conhecimento dos esquemas de corrupção.

As medidas tomadas, como a demissão do responsável pela área de comunicação, ligado ao PT baiano do ex-governador Jacques Wagner e ao ex-presidente da Petrobras José Gabrielli, devido ao pagamento de R$ 58 milhões para serviços que não foram realizados em 2008, não tiveram efeito prático, pois o funcionário saiu de licença e permaneceu mais de cinco anos na empresa.

Já naquela época a gerente denunciava superfaturamento nos custos da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e nada foi feito. Em outra ponta, a Controladoria Geral da União (CGU) anunciou que investiga o aumento do patrimônio do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque e dos ex-diretores da Área Internacional Nestor Cerveró e Jorge Zelada, em processos administrativos que apuram suposta participação dos três no esquema de pagamento de propina pela empresa holandesa SBM Offshore.

Esse caso é exemplar de como as coisas não funcionam na Petrobras. A revista Veja denunciou, e a estatal tratou de desmentir, alegando que uma comissão interna nada encontrara. Agora, que a empresa holandesa confessou ter dado o suborno, a presidente Graça Foster admitiu que soubera da confirmação dias antes. Só que, como em outras ocasiões, a questão fora abafada e a diretoria da Petrobras somente comentou o assunto por que foi confirmado na imprensa no exterior.

Essa é uma das queixas dos investidores internacionais que estão processando a Petrobras nos Estados Unidos: a empresa não respeita seus acionistas minoritários, sonegando-lhes informações sobre casos de corrupção que acabaram derrubando a cotação de suas ações no Brasil e nas bolsas internacionais. E, para culminar, quem chefia a Comissão Interna de Apuração de desvios na estatal é o mesmo José Carlos Cosenza.

Os fatos mostram que não haverá solução sem que, como sugeriu o Procurador-Geral da República e a oposição agora exige, toda a diretoria seja mudada e a estatal comece da estaca zero sua reorganização.

Comissões

.O professor Nelson Franco Jobim, especialista em política internacional, me envia um comentário com o qual concordo integralmente. Diz ele: “A verdadeira Comissão da Verdade e da Reconciliação Nacional foi a da África do Sul, onde os dois lados foram ouvidos, inclusive o presidente Nelson Mandela, interrogado pelo arcebispo Desmond Tutu.

Para ter direito a anistia, quem cometeu crimes teve de confessá-los e de pedir perdão às vítimas e seus descendentes e à sociedade sul-africana. Houve declarações como "eu acreditava que meu povo, minha cultura e modo de vida estavam ameaçados, por isso ataquei uma escola para crianças negras" ou "eu estava certo de que a libertação do meu povo exigia a morte dos brancos", seguidas de pedidos de desculpas.

No Brasil, com raras exceções, ninguém se arrependeu de nada, cada lado ainda hoje convencido de que agiu corretamente.


***********

Blog do Noblat

Uma bandeira coberta de vergonha
Ricardo Noblat

Tem cabimento tamanha desfaçatez?

Vejam o que disse Lula, na última quarta-feira, em Brasília, ao falar para uma plateia de militantes do seu partido:

- Cadê os intelectuais do PT? Eram tantos. Eles estavam no PT porque acreditavam nos discursos que fazíamos.

Se estiveram no PT e agora não estão mais...

Por que Lula não vai fundo na autocrítica apenas esboçada de leve, quase de passagem?

Ninguém mais do que ele poderá fazê-lo. Tem autoridade para tal. E conhecimento de sobra.

De pouco, contudo, adiantará se não for capaz de bater no peito três vezes e confessar seus próprios pecados.

O mais original deles foi quando chamou José Dirceu à sua presença, e cansado de ter perdido a terceira eleição presidencial consecutiva, avisou:

- Só disputarei novamente se deixaremos a vergonha de lado e usarmos as mesmas armas dos nossos adversários.

Se a frase não foi exatamente essa, o sentido foi o mesmo.

Valendo-se das armas dos adversários, Lula se elegeu em 2012. Para governar, socorreu-se do mensalão inventado por seus comparsas da mais sofisticada organização criminosa que já tentou se apoderar do aparelho de Estado.

Para realizar o projeto do PT de permanecer no poder o maior tempo possível, azeitou as engrenagens da máquina de corrupção que corroía a Petrobras pelo menos desde meados do governo Sarney. E foi assim que chegamos até aqui.

Cadê os intelectuais do PT?

Ora, eles não recepcionaram Dilma em um teatro do Rio de Janeiro para alimentar o programa de propaganda eleitoral dela?

Tudo bem: os nomes ali reunidos não eram todos do primeiro time. Mas fazer o quê? Vai longe o tempo em que artistas e intelectuais cantavam “Lula-lá”...

Lula poderia ter perguntado também pelos jovens do PT, pelos militantes que vendiam lembranças do partido para arrecadar dinheiro, e pelos líderes autênticos dos movimentos sociais que suavam a camisa à caça de votos sem esperar empregos em troca.

O PT, hoje, é um quadro velho pendurado na parede, uma estrelinha guardada no fundo de uma gaveta, uma camiseta descolorida pela ação do tempo, uma bandeira vermelha coberta de vergonha.

Foi Lula que o afundou. Não será Lula que irá refunda-lo.

************


Graça ataca autora das denúncias para continuar com o nariz fora d´água. Ou: Querem saber como seria o país comando pelo PT e sem oposição? Olhem para a Petrobras!

Graça Foster, presidente da Petrobras, tenta se manter com a cabeça fora d´água. Se conseguir, pior para a estatal. As ações voltaram a despencar nesta sexta-feira. Sim, caiu o preço do barril do petróleo, como é sabido. É a razão da hora. A questão é saber onde estava a empresa brasileira quando veio esse fator conjuntural. Resposta: no fundo do poço. A agonia parece não ter fim, e Dilma, a nefelibata, finge que não é com ela. Só que é.

Nesta sexta, o comando da estatal resolveu agir como de costume. Diante das evidências — e evidências são — de que fora advertida das lambanças como diretora e como presidente da empresa, Graça mobilizou a sua turma para desqualificar a acusadora, Venina Velosa da Fonseca — que teria até ameaçado seus chefes porque perdeu um posto importante.

A questão aí não é “de quem”, mas “do quê”. Sim, é sempre bom saber o nome do autor de uma denúncia. A pessoa pode ter interesse objetivo quando faz uma acusação. Se uma grave ilegalidade está sendo apontada, no entanto, é ainda mais relevante saber se estamos diante de uma verdade ou de uma mentira.

Fato 1: a roubalheira na Petrobras aconteceu.

Fato 2: Venina advertiu Graça (pouco importam as suas intenções).

Fato 3: Graça não tomou nenhuma providência.

Nem ela nem o presidente que a antecedeu, José Sérgio Gabrielli, que vai se agigantando, a cada dia, como o chefe de uma casa de horrores. Que ironia! A Petrobras serviu de cavalo de batalha dos petistas nas eleições de 2002, 2006 e 2010. Lá vinha, invariavelmente, a mentira em tom de ameaça: “Os tucanos querem privatizar a Petrobras…” Eis aí: essa Petrobras que temos é aquela privatizada pelo PT. O que lhes parece?

Se o preço do barril do petróleo cair mais um pouco — ou, vá lá, se vier a se estabilizar no atual patamar, a Petrobras estará ainda mais encalacrada do que hoje. Todo o chamado “Plano de Negócios” do pré-sal vai para a cucuia. Os males que o PT causou ao setor de energia no Brasil não serão corrigidos num tempo curto. O partido errou no diagnóstico, errou no prognóstico, errou na operação. E coroa a falta de competência com a evidência de que comandou, com certeza, a gestão mais corrupta da história da empresa. Procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato esperam ouvir Venina nos próximos dias.

Ainda não há uma data agendada para o depoimento.

Balanço
A situação é de tal sorte difícil para a empresa que ela teve de adiar de novo o balanço do terceiro trimestre. Estamos a 18 dias do fim do quatro trimestre. A PwC (PricewaterhouseCoopers, como se sabe, se negou a assinar os demonstrativos em razão das sem-vergonhices que vieram à luz. A empresa teria de dar baixa em seus ativos dos valores carreados para a corrupção. Mas quanto? Eis o busílis. A estatal anunciou que recorreria a outros auditores. Mas, pelo visto, a coisa não anda fácil. O novo prazo agora é 31 de janeiro.

Cabeça erguida?
Lula pede que seus “companheiros” ergam a cabeça e estufem o peito de orgulho. Mas a Petrobras não deixa. A rigor, a empresa é a síntese e o sumo da forma como esses patriotas governaram o Brasil.

Encerro com uma provocação àquela banda — ou àquele bando — do jornalismo que deu agora para demonizar políticos e eleitores de oposição. Na maior estatal brasileira, o PT foi senhor absoluto por 12 anos. O resultado é o que se vê.

Ou por outra: se vocês querem saber como é um governo petista sem resistência, olhem para a Petrobras. É o que os companheiros gostariam de fazer com o Brasil.

------------

Gerente que vai devolver US$ 97 milhões diz que seu chefe, o petista Duque, recebia propina ainda maior

Pelo visto, aconteceu uma das coisas que o PT tanto temia. Paulo Barusco, ex-gerente de serviços da Petrobras, braço-direito do petista Renato Duque, que era o diretor da área, contou tudo — ou, vá lá, contou muito do que sabia e do que fez. Barusco está bastante doente, e consta que sua família o estimulou a dizer a verdade. O fato é que, no bojo do acordo de delação premiada, ele se dispôs a devolver a fabulosa quantia de US$ 97 milhões — mais de R$ 253 milhões.

Segundo informa o Painel da Folha, o gerente afirmou que Duque tinha participação ainda maior na roubalheira — o que é, convenham, verossímil, já que era o chefe. Só Duque? Não! Segundo disse Barusco, Jorge Luiz Zelada —  diretor da área Internacional da Petrobras que substituiu Nestor Cerveró e que ficou no cargo até 2012 — também estava no esquema. Duque e Zelada negam.

Segundo Barusco, havia ordem na orgia. Escreve o Painel: “’Na divisão de propina entre o declarante e Renato Duque, em regra Duque ficava com a maior parte, isto é, 60%, e o declarante com 40%’, afirma o relatório do depoimento. ‘Quando havia a participação de um operador, Renato Duque ficava com 40%, o declarante com 30%, e o operador, com 30%’”.

Parece que Barusco decidiu mesmo ser sincero: ele contou que continuou a receber propina mesmo depois de ter saído da empresa, em 2010, quando já trabalhava na iniciativa privada.

O juiz Sérgio Moro já afirmou que Duque mantém uma fortuna em contas secretas no exterior. Em sendo verdade, sempre será preciso, no seu caso, saber se era para si ou para a organização à qual pertence: o PT. Convém não esquecer que é um homem da esfera de influência de José Dirceu.

Duque, funcionário de carreira da Petrobras, era visto pelos especialistas da estatal como um engenheiro medíocre. A chegada de seu partido ao poder lhe abriu a vereda para o topo. Ah, sim: vamos, para efeito de raciocínio, fingir que a gente acredita no homem. Então ele tem um braço direito que admite ter levado uma bolada de quase US$ 100 milhões, e ele, o chefe, nunca havia desconfiado de nada?

Tenham paciência!

-------------

Vá embora, Graça! Deixe em paz o patrimônio do povo brasileiro!

Há mais de quatro meses venho cobrando aqui, sistematicamente, a demissão de Graça Foster, presidente da Petrobras. Ainda que nenhuma suspeita houvesse contra ela; ainda que tivesse um passado impoluto como as flores; ainda que fosse um verdadeiro gênio da raça na área administrativa, esta senhora deveria ter caído no começo de agosto, quando ficou evidente que tivera acesso prévio a perguntas que lhe seriam feitas na CPI. Mais do que isso: ficou comprovado que um grupo se reuniu no gabinete da presidência da estatal para combinar a maneira de fraudar a legitimidade da Comissão Parlamentar de Inquérito. Há um vídeo a respeito. É inquestionável. Trata-se de um fato comprovado, não de uma suspeita.

De agosto a esta data, Graça tem visto minguar a sua reputação; de agosto a esta data, o passado de Graça tem sido reescrito por fatos nada abonadores; de agosto a esta data, a técnica com fama de competente e irascível tem-se mostrado apenas mais um quadro do PT na Petrobras, lá instalado não com a missão de moralizar a empresa, mas de salvar a pátria dos companheiros.

Nesta sexta, ficamos sabendo que uma executiva da Petrobras — seu nome: Venina Velosa da Fonseca — denunciou tanto à diretoria anterior da estatal como à atual a existência de um esquema de roubalheira na empresa (leia posts anteriores). E o que fez a diretoria anterior? Nada! E o que fez a atual? Nada também! De quebra, as acusações de Venina atingem, e com bastante verossimilhança, o governador da Bahia, Jaques Wagner, candidato a ser um dos homens fortes do governo Dilma.

A presidente da República não pode assistir, inerme, à desconstituição da Petrobras sem tomar uma medida drástica. É preciso, e com urgência, criar uma espécie de gabinete de crise — composto, também, de técnicos sem vinculações com a estatal — para enfrentar a turbulência.

Se o episódio da CPI não fosse grave o bastante para inviabilizar a permanência de Graça, há o caso, escandaloso por si, da empresa holandesa SMB Offshore. Em fevereiro, VEJA denunciou que a gigante havia pagado propina a intermediários na Petrobras em operações de aluguel de navios. Em março, a presidente da estatal concedeu entrevista negando quaisquer irregularidades; no mês passado, ela as admitiu, afirmando que tinha conhecimento das falcatruas desde meados do ano. Graça só se esqueceu de que a Petrobras é uma empresa de economia mista e de que seus acionistas merecem satisfação. Esse seu comportamento servirá de prova contra a empresa em ações múltiplas nos EUA contra a estatal, que pode assumir proporções bilionárias.

Não! Graça não é a moralizadora de que a Petrobras precisa. Graça é apenas a moralizadora de que o PT precisa. E, a esta altura, está muito claro que os interesses do PT e da Petrobras não se misturam. Ao contrário: a cada dia fica mais claro que o que é bom para a Petrobras é ruim para o PT e que o que é ruim para o PT é bom para a Petrobras.

Vá embora, Graça! Deixe em paz o patrimônio do povo brasileiro.

**********

Blog do Josias

Saída de Graça Foster é discutida entre aliados

— E aí, quando é que a presidenta vai começar a presidir?, perguntou um congressista do PT a um auxiliar de Dilma Rousseff.

— Calma, rapaz! O segundo mandato só começa no dia 1º de janeiro, tentou atalhar o colaborador da presidente.

— Engano seu. Isso vale pra mim e pra você. Na folhinha da Dilma, 2015 começou na noite do dia 26 de outubro. O segundo mandato tem 47 dias de idade. E a gente parece estar com o pé na cova. Quando vamos interromper a marcha fúnebre?

O diálogo transcrito acima aconteceu nesta sexta-feira. Foi relatado ao repórter pelo parlamentar autor das perguntas. Ele disse ter tocado o telefone para o auxiliar da presidente em busca de orientação. Ecoando um desalento que se espraia entre petistas e aliados, criticou a “paralisia” de Dilma diante dos problemas, sobretudo a crise que carcome a Petrobras.

Acabara de ler notícia sobre a dinamite mais recente. O repórter Juliano Basile informara que, bem antes do estouro da operação Lava Jato, uma servidora graduada da Petrobras alertara dirigentes da estatal sobre a roubalheira. Reportara-se inclusive à atual presidente companhia, Graça Foster. E nada sucedera.

A tese de que Dilma tem de promover um expurgo na diretoria da Petrobras já não é exclusividade do procurador-geral da República Rodrigo Janot nem da oposição. Cresce no próprio PT e em salas vizinhas ao gabinete presidencial a adesão à ideia. Já há inclusive um grupo defendendo internamente a saída de Graça Foster antes do Natal.

------------

Terror!




***********

Blog do Ilimar Franco

O medo do PT

          Petistas explicitaram para o ex-presidente Lula porque temem que o líder do PMDB, Eduardo Cunha, assuma a presidência da Câmara. Alegaram que um presidente da Casa tem muitos poderes sobre as CPIs, e que o mais inquietante é que cabe a ele decidir se recebe ou não os pedidos para a abertura de processos de impeachment. Um acordo com Cunha é a última alternativa do PT.

Os candidatos a contraponto
Os movimentos de trabalhadores rurais apoiam a visão daqueles que creem que o Ministério do Desenvolvimento Agrário seria um contraponto ao agronegócio, que terá Kátia Abreu à frente da pasta da Agricultura. Seus porta-vozes enviaram à presidente Dilma uma lista tríplice para o cargo. Dela, constam o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho; a ex-presidente da CEF Maria Fernanda Coelho, e o deputado federal Pedro Eugênio (PT-PE). Os defensores do parlamentar fazem lobby com o mote de ele ser representante do Nordeste e de ter sido eleito por Pernambuco, estado que deu à presidente uma de suas maiores vitórias e onde o PT ficou muito machucado.

“Na nossa última conversa, você disse que as Ongs previam aumento de 35% no desmatamento.Tenho uma boa notícia, houve uma queda de 18%”

Izabella Teixeira
Ministra do Meio Ambiente, ontem, em Lima, ao encontrar o ex-vice dos EUA e militante ambiental Al Gore

Apostando no social
Um dos carros-chefe da campanha à reeleição da presidente Dilma foi um novo programa, o Mais Especialidades. O Ministério da Saúde já desenhou suas linhas gerais e, na primeira fase, as prioridades serão oftalmologia e ortopedia.

Miss Simpatia
Uma das mais sisudas integrantes do governo Dilma fez a diversão de petistas na Esplanada. A ministra Miriam Belchior (Planejamento) abriu sua agenda ontem para receber sua equipe e subordinados. Antes, enviou um e-mail, amplamente distribuído, dizendo que ela estaria no seu gabinete à disposição para tirar fotos de despedida da pasta.

Procurando uma saída
Um petista que é contra a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), para a presidência da Câmara, faz ironia sobre a divisão da bancada do partido. E pergunta: “Se o Arlindo divide o partido, como vai unir a Câmara?”.

Abrindo portas
O ministro Ricardo Berzoini (Relações Institucionais) reuniu-se, anteontem, com os deputados Domingos Sávio (PSDB-MG), Arnaldo Jardim (PPS-SP) e Mendonça Filho (DEM-PE). Pediu para que a oposição não dificulte a aprovação da LDO de 2015. O governo teme não ter como tocar o início do próximo mandato.

Correndo atrás do prejuízo
O presidente do PSDB, Aécio Neves, reuniu-se os  tucanos de Minas. Além da oposição ferrenha ao governo, Aécio precisa se recuperar no estado. O senador Antonio Anastasia é cotado para concorrer à prefeitura de Belo Horizonte.

Decifrando o momento
Dirigentes nacionais do PT participam de seminário hoje em São Paulo. Vão debater a conjuntura econômica e política. Os palestrantes: Rui Falcão, Marco Aurélio Garcia, Ricardo Berzoini, Alberto Cantalice e Marcio Pochman.

A Operação Lava-Jato vai atingir muitos petistas, mas fortalece a tese do partido em defesa do financiamento público das campanhas eleitorais.


**********

Blog do Coronel

Surgem provas documentais, quando Dilma ainda presidia o Conselho, de que Graça Foster foi informada sobre corrupção na Petrobras. Hoje uma amiga blinda a outra.

Documentos internos da Petrobras obtidos pelo Valor mostram que a diretoria da estatal, inclusive sua presidente, Graça Foster, foram informadas das irregularidades na empresa muito antes da revelação do escândalo pela operação Lava-Jato. A geóloga Venina Velosa da Fonseca (FOTO), que foi gerente-executiva da diretoria de abastecimento, onde ocorreu a maioria dos desvios apontados pelas investigações, afirma que alertou sobre pagamentos de serviços de comunicação que não foram prestados e sobre a escalada de aditivos que elevaram os custos da refinaria Abreu e Lima de US$ 4 bilhões para US$ 18 bilhões.

A funcionária, que foi afastada da Petrobras no mês passado mesmo sem ter sido acusada pelo Ministério Público de participação no esquema de corrupção, diz ter alertado José Carlos Cosenza - que substituiu Paulo Roberto Costa, mentor e delator das irregularidades - a respeito dos desmandos, sem que nenhuma providência tenha sido tomada.

Venina sustenta, por meio de cópias de e-mails e de centenas de documentos protocolados na estatal, que notificou Graça Foster pela primeira vez em mensagem enviada no dia 3 de abril de 2009, quando a atual presidente ocupava a diretoria de gás e energia. Ela voltou a enviar mensagens depois que Graça assumiu o comando da empresa, em fevereiro de 2012.

Uma das alegações de Venina é que, por causa das denúncias que fez, teria sido destituída da gerência-executiva em outubro de 2009 e transferida para o escritório da estatal em Cingapura em fevereiro de 2010, onde, segundo ela, não exerceu nenhuma função. Ainda de acordo com Venina, em uma ocasião, após ouvir as denúncias de sua gerente, Paulo Roberto Costa teria apontado para o retrato do presidente Lula e indagado se ela queria "derrubar todo o mundo".

Procurada pelo Valor, a Petrobras não respondeu aos pedidos de esclarecimentos até o fechamento desta edição. O Ministério Público vai tomar o depoimento de Venina na próxima semana, em Curitiba. (Valor Econômico)

Observação: Dilma saiu da presidência do Conselho de Administração da Petrobras em março de 2010, um ano depois das primeiras denúncias. Dilma nomeou Graça como presidente da Petrobras em 2012.

------------

Aloysio Nunes responde para Lula: não há papel higiênico suficiente no mundo para limpar a sujeira do PT.

Os ataques a oposição feitos na noite de quarta-feira pelo ex-presidente Lula em discurso na abertura da segunda etapa do 5º Congresso do PT, foram rebatidos na tarde desta quinta-feira, na tribuna do Senado, pelo líder do PSDB , Aloysio Nunes Ferreira (SP). O tucano chamou as declarações de Lula de “pérolas” e disse que ele subestima o sentimento de indignação da grande maioria dos brasileiros do bem que não aceitam a corrupção e querem um Brasil decente.

— Não senhor ex-presidente! Não nos interessa saber a cor do papel higiênico que se usa nos palácios. Mas eu lhe digo que nem todo papel higiênico do mundo seria capaz de limpar a sujeira que fizeram na Petrobras nesses últimos 12 anos — respondeu Aloysio.

O líder admitiu que está pessimista diante da grande crise política e econômica que deve ser deflagrada quando os nomes dos envolvidos na operação Lava-Jato vierem a público. Lembrou que Lula exaltou a criação de instrumentos de controle como uma distinção dos governos do PT, três dias depois de o ex-ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, ter se despedido do cargo dizendo que os sistemas de fiscalização das estatais são extremamente frouxos e deficientes.
Depois também de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ter dito que a Petrobras - que tinha a presidente Dilma à frente do Conselho de Administração - teve uma administração desastrosa .
— E a base do governo continua agindo como se estivesse tudo bem: nada viu, nada acontece, está tudo normal. Aí vem Lula, na sua condição de totem dessa religião idólatra em que se transformou o PT, lançar suas bênçãos sobre a história recente do país — ironizou Aloysio Nunes Ferreira, completando: — Outra pérola de Lula em seu discurso foi dizer que a indignação contra a corrupção é coisa da direita. Como se fosse de esquerda roubar dinheiro público.

Sobre a declaração de Lula de que “os tucanos arrecadam dinheiro como se fosse Criança Esperança. Não tem empresário”, o líder do PSDB disse que a legislação permitindo a doação de empresas privadas foi aprovada após a CPI que levou ao impeachment do ex-presidente Collor. Segundo o tucano, essa é a legislação em vigor, mas que o problema do PT é a corrupção política, que pratica a modalidade de sujar dinheiro limpo, e limpar dinheiro sujo.

O problema, disse, não advém do financiamento de campanha, “se transformou numa modalidade de exercício do poder: compra de apoios através do mensalão e agora do petrolão”. — Em todas as formas de financiamento existem pessoas desonestas. Na análise das contas da presidente Dilma descobriram um pagamento de R$ 24 milhões a uma empresa de eventos que tinha como sócio um motorista que ganha R$ 2 mil e mora numa casa de subúrbio e tem entre os seus clientes os Correios e a Petrobras. O dono dessa empresa já tinha recebido dinheiro do celebérrimo Marcos Valério — criticou Aloysio Nunes. ( O Globo )

***********


Orgulho roubado

Para aumentar ainda mais o vexame da CPI mista do Congresso, que um dia antes divulgara o escabroso relatório do deputado petista Marcos Maia tratando com ligeireza cúmplice o escândalo da Petrobras, o Ministério Público Federal apresentou ontem as primeiras denúncias contra 35 investigados pela operação Lava Jato, sendo que desses 22 são executivos de seis empreiteiras que faziam parte de um cartel formado para lesar as licitações com o conluio de diretores da estatal.

Todos dessa primeira leva fazem parte do núcleo do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, também denunciado juntamente com o doleiro Alberto Youssef. As acusações são de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção, abrangendo o período de 2004 a 2012 da Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

As denúncias do MPF foram protocoladas na sede da Justiça Federal do Paraná, em Curitiba, e serão apreciadas pelo juiz Sergio Moro, responsável pelo caso, que decidirá se será aberto processo criminal contra os acusados. Pelas palavras duras do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, há elementos suficientes para a abertura de processo criminal: “uma aula de crime”, foi como se referiu aos fatos narrados na denúncia, e a complexidade do esquema descrito leva a que se tenha uma idéia clara da dimensão desta investigação.

Janot não se furtou nem mesmo a dar tons épicos aos acontecimentos, antecipando qual será sua linha de ação na denúncia: "Essas pessoas roubaram o orgulho dos brasileiros", afirmou, referindo-se à Petrobras, retirando dos que participaram das transações ilegais a possibilidade de usarem como escudo protetor a própria estatal que assaltaram.

Como fizeram questão de ressaltar os procuradores, este é o primeiro pacote de acusações, e outros se seguirão. Obedecendo a um esquema previamente traçado, os procuradores estão deixando para o final as denúncias contra os políticos acusados, que têm foro privilegiado e têm que ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal.

O problema político que a denúncia dos muitos parlamentares ocasionará já teve uma demonstração no relatório da CPMI, que fez questão de não citar nenhum parlamentar, mesmo que o deputado André Vargas, petista de corpo e alma que teve que abandonar a legenda, mas não foi abandonado por ela, tivesse sido cassado pelo plenário da Câmara no mesmo dia.

Várias manobras foram tentadas por companheiros petistas para inviabilizar a sessão de julgamento, mas como o voto deixou de ser secreto, quando foi impossível não votar sem se comprometer, o deputado associado ao doleiro Youssef perdeu seus direitos políticos.

Os demais envolvidos, como os da leva de ontem, serão julgados pela Justiça Federal. O Ministério Público Federal deixou claro que está trabalhando para interromper a impunidade “de poderosos grupos que têm se articulado contra o interesse do país há muitos anos", como definiu o procurador Deltan Dallagnol, que frisou que há indicações de que o esquema atinge outras obras públicas.

Para se ter a idéia do tamanho do esquema de corrupção desbaratado, que a CPI dominada pela base aliada e relatada pelo petista Marco Maia não identificou, num ato vergonhoso que achincalha o Congresso, os procuradores exigem nas ações penais a devolução de R$ 971,5 milhões apenas nesse núcleo. Outros núcleos, como o da Diretoria de Serviços, comandada por Renato Duque, preposto do PT na Petrobras, serão objeto de novas denúncias nos próximos dias.

Pela disposição dos procuradores, e pelos fatos já levantados nas investigações baseadas em diversas delações premiadas, será difícil que essas denúncias não produzam condenações exemplares. Apesar da pressão que, a exemplo do mensalão, o PT e o ex-presidente Lula já começam a fazer.


***********

Blog do Reinaldo Azevedo

OS MORTOS SEM SEPULTURA HISTÓRICA DA COMISSÃO DA FARSA 1 – Os assassinados pelas esquerdas antes do AI-5

No dia 12 de janeiro de 2010 — há quase cinco anos, portanto — publiquei a lista de todos as pessoas que foram assassinadas pelos terroristas de esquerda. Cheguei a 119. O Clube Militar fala em 120. Que fossem apenas duas, pouco importa: suas respectivas mortes e seus respectivos nomes tinham de estar na lista da Comissão da Verdade. Por que não estão? Pelo visto, essa turma não leva a sério aquela história de que a morte de qualquer homem nos diminui. Eles não se sentem diminuídos nem com mais de 100.

E que se note: entre os 434 mortos “do bem” (os assassinados pelas esquerdas, pelo visto, são “mortos do mal”), há uma pessoa que já se sabe estar, felizmente, viva. Trata-se de Dirce Machado da Silva. A relação elaborada pelas esquerdas inclui, por exemplo, os que morreram de arma na mão no Araguaia. Antes que prossiga, uma questão de princípio: não deveria ter morrido uma só pessoa depois de rendida pelo Estado. Ponto final. Não há o que discutir sobre esse particular.

Mas o que é que os livros de história, boa parte da imprensa e, agora, a Comissão da Verdade escondem de você, leitor? Apenas a… verdade! As esquerdas alegavam até outro dia que o Regime Militar, ao longo de 21 anos, havia matado 424 pessoas — número agora ampliado para 434. É um total provavelmente inflado. Mortos comprovados eram 293 (agora não sei). Os outros constavam como “desaparecidos” e se dava de barato que tenham sido eliminados por agentes do regime. Havia casos em que a vinculação com a luta política não estava comprovada. E, como já lembrei, estão na lista os mortos do Araguaia, que estavam lá para matar ou morrer. Que corpos tenham sumido, é evidente, é inaceitável. Que pessoas tenham sido executadas depois de rendidas, idem. Adiante.

O que não se diz é que o terrorismo de esquerda matou nada menos de 119 pessoas, muitas delas sem qualquer vinculação com a luta política. Quase ninguém sabe disso. Consolidou-se ainda outra brutal inverdade histórica, segundo a qual as ações armadas da esquerda só tiveram início depois do AI-5, de 13 de dezembro de 1968. É como se, antes disso, os esquerdistas tivessem se dedicado apenas à resistência pacífica.

Neste primeiro post sobre as vítimas dos terroristas de esquerda, listo apenas as pessoas mortas antes do AI-5: nada menos de 19. Em muitos casos, aparecem os nomes dos assassinos.

Se vocês forem procurar, muitos homicidas estão na lista dos indenizados do Bolsa Ditadura, beneficiados por sua suposta “luta em favor da democracia”. Ou, então, suas respectivas famílias recebem o benefício, e o terrorista é alçado ao panteão dos heróis. Os casos mais escandalosos são os facinorosos Carlos Marighella e Carlos Lamarca. Quem fez a lista dos assassinados pela esquerda é o grupo Terrorismo Nunca Mais. “Ah, lista feita pelo pessoal ligado os militares não vale!!!” E a feita pela extrema esquerda? Vale? Ademais, as mortes  estão devidamente documentadas. Seguem os nomes das 19 pessoas assassinadas antes do AI-5 e, sempre que possível, de seus algozes. Em outros posts, os outros 100 nomes.

Ah, sim: PARA AS VÍTIMAS DA ESQUERDA, NÃO HÁ INDENIZAÇÃO. Como vocês sabem, elas não têm nem mesmo direito à memória. Foram apagados da história pela Comissão da Verdade, que é de mentira.

AS VÍTIMAS DAS ESQUERDAS ANTES DO AI-5

1 – 12/11/64 – Paulo Macena,  Vigia – RJ
Explosão de bomba deixada por uma organização comunista nunca identificada, em protesto contra a aprovação da Lei Suplicy, que extinguiu a UNE e a UBES. No Cine Bruni, Flamengo, com seis feridos graves e 1 morto

2 – 27/03/65- Carlos Argemiro Camargo, Sargento do Exército – Paraná
Emboscada de um grupo de militantes da Força Armada de Libertação Nacional (FALN), chefiado pelo ex-coronel Jeffersom Cardim de Alencar Osorio. Camargo foi morto a tiros. Sua mulher estava grávida de sete meses.

3 – 25/07/66 – Edson Régis de Carvalho, Jornalista – PE
Explosão de bomba no Aeroporto Internacional de Guararapes, com 17 feridos e 2 mortos. Ver próximo nome.

4 – 25/07/66 – Nelson Gomes Fernandes, almirante – PE
Morto no mesmo atentado citado no item 3. Além das duas vítimas fatais, ficaram feridas 17 pessoas, entre elas o então coronel do Exército Sylvio Ferreira da Silva. Além de fraturas expostas, teve amputados quatro dedos da mão esquerda. Sebastião Tomaz de Aquino,  guarda civil, teve a perna direita amputada.

5 – 28/09/66 – Raimundo de Carvalho Andrade – Cabo da PM, GO
Morto durante uma tentativa de desocupação do Colégio Estadual Campinas, em Goiânia, que havia sido ocupado por estudantes de esquerda. O grupo de soldados convocado para a tarefa era formado por burocratas, cozinheiros etc. Estavam armados com balas de festim. Andrade, que era alfaiate da Polícia Militar, foi morto por uma bala de verdade disparada de dentro da escola.

6 – 24/11/67 – José Gonçalves Conceição (Zé Dico) – fazendeiro – SP
Morto por Edmur Péricles de Camargo, integrante da Ala Marighella, durante a invasão da fazenda Bandeirante, em Presidente Epitácio. Zé Dico foi trancado num quarto, torturado e, finalmente, morto com vários tiros. O filho do fazendeiro que tentara socorrer o pai foi baleado por Edmur com dois tiros nas costas.

7 – 15/12/67 – Osíris Motta Marcondes,  bancário – SP
Morto quando tentava impedir um assalto terrorista ao Banco Mercantil, do qual era o gerente.

8 – 10/01/68 – Agostinho Ferreira Lima – Marinha Mercante – Rio Negro/AM
No dia 06/12/67, a lancha da Marinha Mercante “Antônio Alberto” foi atacada por um grupo de nove terroristas, liderados  por Ricardo Alberto Aguado Gomes, “Dr. Ramon”, que, posteriormente, ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN). Neste  ataque, Agostinho Ferreira Lima foi ferido gravemente, vindo a morrer no dia 10/01/68.

9 – 31/05/68 – Ailton de Oliveira,  guarda Penitenciário – RJ
O Movimento Armado Revolucionário (MAR) montou uma ação para libertar nove de seus membros que cumpriam pena na Penitenciária Lemos de Brito (RJ) e que, uma vez libertados, deveriam seguir para a região de Conceição de Jacareí, onde o MAR pretendia estabelecer o “embrião do foco guerrilheiro”. No dia 26/05/68, o estagiário Júlio César entregou à funcionária da penitenciária Natersa Passos, num pacote, três revólveres calibre 38. Às 17h30, teve início a fuga. Os terroristas foram surpreendidos pelos guardas penitenciários Ailton de Oliveira e Jorge Félix Barbosa. Foram feridos, e Ailton morreu no dia 31/05/68. Ainda ficou gravemente ferido o funcionário da Light João Dias Pereira, que se encontrava na calçada da penitenciária. O autor dos disparos que atingiram o guarda Ailton foi o terrorista Avelino Brioni Capitani

10 – 26/06/68-  Mário Kozel Filho – Soldado do Exército – SP
No dia 26/06/68, Kozel atua como sentinela do Quartel General do II Exército. Às 4h30, um tiro é disparado por um outro soldado contra uma camioneta que, desgovernada, tenta penetrar no quartel. Seu motorista saltara dela em movimento, após acelerá-la e direcioná-la para o portão do QG. O soldado Rufino, também sentinela, dispara 6 tiros contra o mesmo veículo, que, finalmente, bate na parede externa do quartel. Kozel sai do seu posto e corre em direção ao carro para ver se havia alguém no seu interior. Havia uma carga com 50 quilos de dinamite, que, segundos depois, explode. O corpo de Kozel é dilacerado. Os soldados João Fernandes, Luiz Roberto Julião e Edson Roberto Rufino ficam muito feridos. É mais um ato terrorista da organização chefiada por Lamarca, a VPR. Participaram do crime os terroristas Diógenes José de Carvalho Oliveira, Waldir Carlos Sarapu, Wilson Egídio Fava, Onofre Pinto, Edmundo Coleen Leite, José Araújo Nóbrega, Oswaldo Antônio dos Santos, Dulce de Souza Maia, Renata Ferraz Guerra Andrade e José Ronaldo Tavares de Lima e Silva. Ah, sim: a família de Lamarca recebeu indenização. De Kozel, quase ninguém mais se lembra.

11 – 27/06/68 – Noel de Oliveira Ramos – civil – RJ
Morto com um tiro no coração em conflito na rua. Estudantes distribuíam, no Largo de São Francisco, panfletos a favor do governo e contra as agitações estudantis conduzidas por militantes comunistas. Gessé Barbosa de Souza, eletricista e militante da VPR, conhecido como “Juliano” ou “Julião”, infiltrado no movimento, tentou impedir a manifestação com uma arma. Os estudantes, em grande maioria, não se intimidaram e tentaram segurar Gessé que fugiu atirando, atingindo mortalmente Noel de Oliveira Ramos e ferindo o engraxate Olavo Siqueira.

12- 27/06/68 – Nelson de Barros – Sargento PM -  RJ
No dia 21/06/68, conhecida como a “Sexta-Feira Sangrenta”, realizou-se no Rio uma passeata contra o regime militar. Cerca de 10.000 pessoas ergueram barricadas, incendiaram carros, agrediram motoristas, saquearam lojas, atacaram a tiros a embaixada americana e as tropas da Polícia Militar. No fim da noite, pelo menos 10 mortos e centenas de feridos. Entre estes, estava o sargento da PM Nelson de Barros, que morreu no dia 27.

13 – 01/07/68 – Edward Ernest Tito Otto Maximilian Von Westernhagen – major do Exército Alemão – RJ
Morto no Rio, onde fazia o Curso da Escola de Comando e Estado Maior do Exército. Assassinado na rua Engenheiro Duarte, Gávea, por ter sido confundido com o major boliviano Gary Prado, suposto matador de Che Guevara, que também cursava a mesma escola. Autores: Severino Viana Callou, João Lucas Alves e um terceiro não-identificado. Todos pertenciam à organização terrorista COLINA- Comando de Libertação Nacional.

14 – 07/09/68 – Eduardo Custódio de Souza – Soldado PM – SP
Morto com sete tiros por terroristas de uma organização não identificada quando de sentinela no DEOPS, em São Paulo.

15 – 20/09/68 – Antônio  Carlos  Jeffery – Soldado PM – SP
Morto a tiros quando de sentinela  no quartel da então Força Pública de São Paulo (atual PM) no Barro Branco. Organização terrorista que praticou o assassinato: Vanguarda Popular Revolucionária. Assassinos: Pedro Lobo de Oliveira, Onofre Pinto, Diógenes José Carvalho de Oliveira, atualmente conhecido como “Diógenes do PT”, ex-auxiliar de Olívio Dutra no Governo do RS.

16- 12/10/68 – Charles Rodney Chandler – Cap. do Exército dos Estados Unidos – SP
Herói na guerra com o Vietnã, veio ao Brasil para fazer o Curso de Sociologia e Política, na Fundação Álvares Penteado, em São Paulo/SP. No início de outubro de 68, um “Tribunal Revolucionário”, composto pelos dirigentes da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), Onofre Pinto (Augusto, Ribeiro, Ari), João Carlos Kfouri Quartin de Morais (Maneco) e Ladislas Dowbor (Jamil), condenou o capitão Chandler à morte, porque ele “seria um agente da CIA”. Os levantamentos da rotina de vida do capitão foram realizados por Dulce de Souza Maia (Judite). Quando retirava seu carro das garagem para seguir para a Faculdade, Chandler foi assassinado com 14 tiros de metralhadora e vários tiros de revólver,  na frente da sua mulher, Joan,  e de seus 3 filhos. O grupo de execução era constituído pelos terroristas Pedro Lobo de Oliveira (Getúlio), Diógenes José de Carvalho Oliveira (Luis, Leonardo, Pedro) e Marco Antônio Bráz de Carvalho (Marquito).

17 – 24/10/68 – Luiz Carlos Augusto – civil – RJ
Morto, com 1 tiro, durante uma passeata estudantil.

18 – 25/10/68 – Wenceslau Ramalho Leite – civil – RJ
Morto, com quatro tiros de pistola Luger 9mm durante o roubo de seu carro, na avenida 28 de Setembro, Vila Isabel, RJ. Autores: Murilo Pinto da Silva (Cesar ou Miranda) e Fausto Machado Freire (Ruivo ou Wilson), ambos integrantes da organização terrorista COLINA (Comando de Libertação Nacional).

19 – 07/11/68 – Estanislau Ignácio Correia – Civil – SP
Morto pelos terroristas Ioshitame Fujimore, Oswaldo Antônio dos Santos e Pedro Lobo Oliveira, todos integrantes da Vanguarda Popular Revolucionária(VPR), quando roubavam seu automóvel na esquina das ruas Carlos Norberto Souza Aranha e Jaime Fonseca Rodrigues, em São Paulo.

--------------

OS MORTOS SEM SEPULTURA HISTÓRICA DA COMISSÃO DA FARSA 2 – Muitas das vítimas eram pessoas comuns: só tiveram a má sorte de cruzar com um esquerdista

Prossigo com a lista das pessoas assassinadas pelos terroristas de esquerda.  Seguem mais 31 nomes. Sempre que possível, identificam-se o grupo e os assassinos. Impressiona a quantidade de pessoas comuns mortas pelos esquerdistas, gente que só teve a má sorte de cruzar com um daqueles humanistas…

Quando a lista estiver completa, reparem que a ALN (Ação Libertadora Nacional) e a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) estão entre os grupos mais violentos. Seus respectivos chefões, Carlos Marighella e Carlos Lamarca, são hoje considerados “heróis”.

20 – 07/01/69 – Alzira Baltazar de Almeida  – dona de casa – Rio de Janeiro/RJ
Uma bomba jogada por terroristas embaixo de uma viatura policia, estacionada em frente à 9ª Delegacia de Polícia, ao explodir, matou Alzira, que passava pela rua

21 – 11/01/69 – Edmundo Janot  – Lavrador – Rio de Janeiro / RJ
Morto a tiros, foiçadas e facadas por um grupo de terroristas que haviam montado uma base de guerrilha nas  proximidades da sua fazenda.

22 – 29/01/69 – Cecildes Moreira de Faria  – Subinspetor de Polícia – BH/ MG

23 – 29/01/69 –  José Antunes Ferreira – guarda civil-BH/MG
Policiais chegaram a um “aparelho” do Comando de Libertação Nacional (Colina), na rua Itacarambu nº 120, bairro São Geraldo. Foram recebidos por rajadas de metralhadora, disparadas por Murilo Pinto Pezzuti da Silva , “Cesar’ ou “Miranda”, que mataram o subinspetor Cecildes Moreira da Silva (ver acima), que deixou viúva e oito filhos menores. Ferreira também morreu. Além do assassino, foram presos os seguintes terroristas:            Afonso Celso L.Leite (Ciro), Mauricio Vieira de Castro (Carlos), Nilo Sérgio Menezes Macedo, Júlio Antonio Bittencourt de Almeida (Pedro), Jorge Raimundo Nahas (Clovis ou Ismael) e                Maria José de Carvalho Nahas (Celia ou Marta). No interior do “aparelho”, foram apreendidos 1 fuzil FAL, 5 pistolas, 3 revólveres, 2 metralhadoras, 2 carabinas, 2 granadas de mão, 702 bananas de dinamite, fardas da PM e dinheiro de assaltos.

24 – 14/04/69 – Francisco Bento da Silva – motorista – SP
Morto durante um assalto, praticado pela Ala Vermelha do PC do B ao carro pagador (uma Kombi) do Banco Francês-Italiano para a América do Sul, na Alameda Barão de Campinas, quando foram roubados vinte milhões de cruzeiros. Participaram desta ação os seguintes terroristas: Élio Cabral de Souza, Derly José de Carvalho, Daniel José de Carvalho, Devanir José de Carvalho, James Allen Luz, Aderval Alves Coqueiro, Lúcio da Costa Fonseca, Gilberto Giovanetti, Ney Jansen Ferreira Júnior, Genésio Borges de Melo e Antônio Medeiros Neto

25 – 14/04/69 – Luiz Francisco da Silva – guarda bancário -SP
Também Morto durante o assalto acima relatado.

26 – 08/05/69 – José de Carvalho – Investigador de Polícia -  SP
Atingido com um tiro na boca durante um assalto ao União de Bancos Brasileiros, em Suzano, no dia 07 de maio, vindo a falecer no dia seguinte. Nessa ação, os terroristas feriram, também, Antonio Maria Comenda Belchior e Ferdinando Eiamini. Participaram os seguintes terroristas da Ação Libertadora Nacional (ALN): Virgílio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Takao Amano, Ney da Costa Falcão, Manoel Cyrilo de Oliveira Neto e João Batista Zeferino Sales Vani.  Takao Amano foi baleado na coxa e operado, em um “aparelho médico” por Boanerges de Souza Massa, médico da ALN.

27 – 09/05/69 – Orlando Pinto da Silva – Guarda Civil – SP
Morto com dois tiros, um na nuca e outro na testa, disparados por Carlos Lamarca, durante assalto ao Banco Itaú, na rua Piratininga, Bairro da Mooca. Na ocasião também foi esfaqueado o gerente do Banco, Norberto Draconetti. Organização responsável por esse assalto: Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

28 – 27/05/69 – Naul José Montovani – Soldado PM – SP
Em 27/05/69 foi realizada uma ação contra o 15º Batalhão da Força Pública de São Paulo, atual PMESP, na Avenida Cruzeiro do Sul, SP/SP. Os terroristas Virgílio Gomes da Silva, Aton Fon Filho, Carlos Eduardo Pires Fleury, Maria Aparecida Costa, Celso Antunes Horta e Ana Maria de Cerqueira César Corbusier metralharam o soldado Naul José Montovani, que estava de sentinela e que morreu instantaneamente. O soldado Nicário Conceição Pulpo, que correu ao local ao ouvir os disparos, foi gravemente ferido na cabeça, tendo ficado paralítico.

29 -  04/06/69 – Boaventura Rodrigues da Silva – Soldado PM – SP
Morto por terroristas durante assalto ao Banco Tozan.

30 – 22/06/69 – Guido Boné – soldado PM – SP
Morto por militantes da ALN que atacaram e incendiaram a rádio-patrulha RP 416, da então Força Pública de São Paulo, hoje Polícia Militar, matando os seus dois ocupantes, os soldados Guido Bone e Natalino Amaro Teixeira, roubando suas armas.

31 – 22/06/69 – Natalino Amaro Teixeira – Soldado PM – SP
Morto por militantes da ALN na ação acima relatada.

32 – 11/07/69 – Cidelino Palmeiras do Nascimento – Motorista de táxi – RJ
Morto a tiros quando conduzia, em seu carro, policiais que perseguiam terroristas que haviam assaltado o Banco Aliança, agência Muda. Participaram deste assassinato os terroristas Chael Charles Schreier, Adilson Ferreira da Silva, Fernando Borges de Paula Ferreira, Flávio Roberto de Souza, Reinaldo José de Melo, Sônia Eliane Lafóz e o autor dos disparos Darci Rodrigues, todos pertencentes a organização terrorista VAR-Palmares.

33 – 24/07/69 – Aparecido dos Santos Oliveira – Soldado PM – SP
O Banco Bradesco, na rua Turiassu, no Bairro de Perdizes, foi assaltado por uma frente de grupos de esquerda. Foram roubados sete milhões de cruzeiros. Participaram da ação:
- Pelo Grupo de Expropriação e Operação: Devanir José de Carvalho, James Allen Luz, Raimundo Gonçalves de Figueiredo, Ney Jansen Ferreira Júnior, José Couto Leal;
- Pelo Grupo do Gaúcho: Plínio Petersen Pereira, Domingos Quintino dos Santos, Chaouky Abara;
- Pela VAR-Palmares: Chael Charles Schreier, Roberto Chagas e Silva, Carmem Monteiro dos Santos Jacomini e Eduardo Leite.
Raimundo Gonçalves Figueiredo baleou o soldado Oliveira. Já caído, ele recebeu mais quatro tiros disparados por Domingos Quintino dos Santos.

34 – 20/08/69 – José Santa Maria – Gerente de Banco – RJ
Morto por terroristas que assaltaram o Banco de Crédito Real de Minas Gerais, do qual era gerente

35 – 25/08/69 – Sulamita Campos Leite – dona de casa, PA
Parente do terrorista Flávio Augusto Neves Leão Salles. Morta na casa dos Salles, em Belém, ao detonar, por inadvertência ,uma carga de explosivos escondida pelo terrorista

36 – 31/08/69 – Mauro Celso Rodrigues – Soldado PM – MA
Morto quando procurava impedir a luta entre proprietários e posseiros, incitada por movimentos subversivos.

37 – 03/09/69 – José Getúlio Borba – Comerciário – SP
Os terroristas da Ação Libertadora Nacional (ALN) Antenor Meyer, José Wilson Lessa Sabag, Francisco José de Oliveira e Maria Augusta Tomaz resolveram comprar um gravador na loja Lutz Ferrando, na esquina da Avenida Ipiranga com a Rua São Luis. O pagamento seria feito com um cheque roubado num assalto. Descobertos, receberam voz de prisão e reagiram. Na troca de tiros, o guarda civil João Szelacsak Neto ficou ferido com um tiro na coxa, e o funcionário da loja, José Getúlio Borba, foi mortalmente ferido. Perseguidos pela polícia, o terrorista José Wilson Lessa Sabag matou a tiros o soldado da Força Pública (atual PM) João Guilherme de Brito.

38 – 03/09/69 – João Guilherme de Brito – Soldado da Força Pública/SP
Morto na ação acima narrada.

39 – 20/09/69 – Samuel Pires – Cobrador de ônibus – SP
Morto por terroristas quando assaltavam uma empresa de ônibus.

40 – 22/09/69 – Kurt Kriegel – Comerciante – Porto Alegre/RS
Comerciante Kurt Kriegel, morto pela Var-Palmates em Porto Alegre.

41 – 30/09/69 – Cláudio Ernesto Canton – Agente da Polícia Federal – SP
Após ter efetuado a prisão de um terrorista, foi atingido na coluna vertebral, vindo a falecer em conseqüência desse ferimento.

42 – 04/10/69 – Euclídes de  Paiva Cerqueira – Guarda particular – RJ
Morto por terroristas durante assalto ao carro transportador de valores do Banco Irmãos Guimarães

43 – 06/10/69 – Abelardo Rosa Lima – Soldado PM – SP
Metralhado por terroristas numa tentativa de assalto ao Mercado Peg-Pag. Autores: Devanir José de Carvalho (Henrique) , Walter Olivieri, Eduardo Leite (Bacuri), Mocide Bucherone e Ismael Andrade dos Santos. Organizações Terroristas: REDE (Resistência Democrática) e MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes).

44 – 07/10/69 – Romildo Ottenio – Soldado PM – SP
Morto quando tentava prender um terrorista.

45 – 31/10/69 – Nilson José de Azevedo Lins- civil – PE
Gerente da firma Cornélio de Souza e Silva, distribuidora da Souza Cruz, em Olinda. Foi assaltado e morto quando ia depositar, no Banco, o dinheiro da firma. Organização: PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário). Autores: Alberto Vinícius Melo do Nascimento, Rholine Sonde Cavalcante Silva, Carlos Alberto Soares e João Maurício de Andrade Baltar

46 – 04/11/69 – Estela Borges Morato – Investigadora do DOPS – SP
Morta a tiros quando participava da operação em que morreu o terrorista Carlos Marighela.

47 – 04/11/69 – Friederich Adolf Rohmann – Protético – SP
Morto durante a operação que resultou na morte do terrorista Carlos Marighela.

48 – 14/11/69 – Orlando Girolo – Bancário – SP
Morto por terroristas durante assalto ao Bradesco.

49 –  17/11/69 – Joel Nunes – Subtenente PM – RJ
Neste dia, o PCBR assaltou o Banco Sotto Maior, na Praça do Carmo, no subúrbio carioca de Brás de Pina, de onde foram roubados cerca de 80 milhões de cruzeiros. Na fuga, obstados por uma viatura policial, surgiu um violento tiroteio no qual Avelino Bioni Capitani matou o sargento da PM Joel Nunes. Na ocasião, foi preso o terrorista Paulo Sérgio Granado Paranhos.

50 – 18/12/69 – Elias dos Santos – Soldado do Exército – RJ
Havia um aparelho do PCBR na rua Baronesa de Uruguaiana nº 70, no bairro de Lins de Vasconcelos. Ali, Prestes de Paula, ao fugir pelos fundos da casa, disparou um tiro de pistola 45 contra Elias dos Santos.

-------------

OS MORTOS SEM SEPULTURA HISTÓRICA DA COMISSÃO DA FARSA 3 – Ou: A impressionante covardia de Carlos Lamarca

E continua a lista com os nomes das vítimas dos terroristas de esquerda. Neste grupo, destaca-se a impressionante covardia de Carlos Lamarca, o grande herói do panteão da mistificação. Sabe-se que era um assassino frio. Mas prestem atenção às circunstâncias da morte de Alberto Mendes Junior, a vítima nº 56. Lamarca era também perverso.

51 – 17/01/70 – José Geraldo Alves Cursino  – Sargento PM – São Paulo / SP
Morto a tiros por terroristas.

52 – 20/02/70 – Antônio  Aparecido Posso  Nogueró – Sargento PM – São Paulo
Morto pelo terrorista Antônio Raimundo de Lucena quando tentava impedir um ato terrorista no Jardim Cerejeiras, Atibaia/SP.

53 – 11/03/70 – Newton de  Oliveira Nascimento –  Soldado PM – Rio de Janeiro
No dia 11/03/70, os militantes do grupo tático armado da ALN Mário de Souza Prata, Rômulo Noronha de Albuquerque e Jorge Raimundo Júnior deslocavam-se num carro Corcel azul, roubado, dirigido pelo último, quando foram interceptados no bairro de Laranjeiras- RJ por uma patrulha da PM. Suspeitando do motorista, pela pouca idade que aparentava, e verificando que Jorge Raimundo não portava habilitação, os policiais ordenaram-lhe que entrasse no veículo policial, junto com Rômulo Noronha Albuquerque, enquanto Mauro de Souza Prata, acompanhado de um dos soldados, iria dirigindo o Corcel até a delegacia mais próxima. Aproveitando-se do descuido dos policiais, que não revistaram os detidos, Mário, ao manobrar o veículo para colocá-lo à frente da viatura policial, sacou de uma arma e atirou, matando com um tiro na testa o soldado da PM Newton Oliveira Nascimento, que o escoltava no carro roubado. O soldado Newton deixou a viúva dona Luci e duas filhas menores, de quatro e dois anos.

54 – 31/03/70 – Joaquim Melo – Investigador de Polícia – Pernambuco
Morto por terroristas durante ação contra um “aparelho”

55 – 02/05/70 – João Batista de Souza – Guarda de Segurança – SP
Um comando terrorista, integrado por Devanir José de Carvalho, Antonio André Camargo Guerra, Plínio Petersen Pereira, Waldemar Abreu e José Rodrigues Ângelo, pelo Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), e mais Eduardo Leite (Bacuri), pela Resistência Democrática (REDE), assaltaram a Companhia de Cigarros Souza Cruz, no Cambuci/SP. Na ocasião Bacuri assassinou o guarda de segurança João Batista de Souza.

56 –  10/05/70 – Alberto Mendes Junior- 1º Tenente PM – SP
Esta é uma das maiores expressões da covardia e da violência de que era capaz o terrorista Carlos Lamarca. No dia 08/05/70, 7 terroristas, chefiados por ele, estavam numa pick-up e pararam num posto de gasolina em Eldorado Paulista. Foram abordados por policiais e reagiram a bala, conseguindo fugir. Ciente do ocorrido, o Tenente Mendes organizou uma patrulha. Em duas viaturas, dirigiu-se de Sete Barras para Eldorado Paulista. Por volta das 21h, houve o encontro com os terroristas, que estavam armados com fuzis FAL, enquanto os PMs portavam o velho fuzil Mauser modelo 1908. Em nítida desvantagem bélica, vários PMs foram feridos, e o Tenente Mendes verificou que diversos de seus comandados estavam necessitando de urgentes socorros médicos. Julgando-se cercado, Mendes aceitou render-se desde que seus homens pudessem receber o socorro necessário. Tendo os demais componentes da patrulha permanecido como reféns, o Tenente levou os feridos para Sete Barras.

De madrugada, a pé e sozinho, Mendes buscou contato com os terroristas, preocupado que estava com o restante de seus homens. Encontrou Lamarca, que decidiu seguir com seus companheiros e com os prisioneiros para Sete Barras. Ao se aproximarem dessa localidade, foram surpreendidos por um tiroteio, ocasião em que dois terroristas – Edmauro Gopfert e José Araújo Nóbrega – desgarraram-se do grupo, e os cinco terroristas restantes embrenharam-se no mato, levando junto o Tenente Mendes. Depois de caminharem um dia e meio na mata, os terroristas e o tenente pararam para descansar. Carlos Lamarca, Yoshitame Fujimore e Diógenes Sobrosa de Souza afastaram-se e formaram um “tribunal revolucionário”, que resolveu assassinar o Tenente Mendes. Os outros  dois, Ariston Oliveira Lucena e Gilberto Faria Lima, ficaram vigiando o prisioneiro.

Poucos minutos depois, os três terroristas retornaram. Yoshitame Fujimore desfechou-lhe violentos golpes na cabeça, com a coronha de um fuzil. Caído e com a base do crânio partida, o Tenente Mendes gemia e se contorcia em dores. Diógenes Sobrosa de Souza aplicou-lhe outros golpes na cabeça, esfacelando-a. Ali mesmo, numa pequena vala e com seus coturnos ao lado da cabeça ensanguentada, o Tenente Mendes foi enterrado. Em 08/09/70, Ariston Lucena foi preso pelo DOI-CODI e apontou o local onde o tenente estava enterrado.

57 – 11/06/70 – Irlando de Moura Régis – Agente da Polícia Federal – RJ
Foi assassinado durante o sequestro do embaixador da Alemanha, Ehrendfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben. A operação foi executada pelo Comando Juarez Guimarães de Brito. Participaram Jesus Paredes Soto, José Maurício Gradel, Sônia Eliane Lafóz, José Milton Barbosa, Eduardo Coleen Leite (Bacuri), que matou Irlando, Herbert Eustáquio de Carvalho, José Roberto Gonçalves de Rezende, Alex Polari de Alverga e Roberto Chagas da Silva.

58 – 15/07/70 – Isidoro Zamboldi – segurança – SP
Morto pela terrorista Ana Bursztyn durante assalto à loja Mappin.

59 – 12/08/70 – Benedito Gomes – Capitão do Exército – SP
Morto por terroristas, no interior do seu carro, na Estrada Velha de Campinas.

60 – 19/08/70 – Vagner Lúcio Vitorino da Silva – Guarda de segurança – RJ
Morto durante assalto do Grupo Tático Armado da organização terrorista MR-8 ao Banco Nacional de Minas Gerais, no bairro de Ramos. Sônia Maria Ferreira Lima foi quem fez os disparos que o mataram. Participaram, também, dessa ação os terroristas Reinaldo Guarany Simões, Viriato Xavier de Melo Filho e Benjamim de Oliveira Torres Neto, os dois últimos recém-chegados do curso em Cuba.

61 – 29/08/70 – José Armando Rodrigues – Comerciante – CE
Proprietário da firma Ibiapaba Comércio Ltda. Após ter sido assaltado em sua loja, foi sequestrado, barbaramente torturado e morto a tiros por terroristas da ALN. Após seu assassinato, seu carro foi lançado num precipício na serra de Ibiapaba, em São Benedito, CE. Autores: Ex-seminaristas Antônio Espiridião Neto e Waldemar Rodrigues Menezes (autor dos disparos), José Sales de Oliveira, Carlos de Montenegro Medeiros, Gilberto Telmo Sidney Marques, Timochenko Soares de Sales e Francisco William.

62 – 14/09/70 – Bertolino Ferreira da Silva – Guarda de segurança – SP
Morto durante assalto praticado pelas organizações terroristas ALN e MRT ao carro pagador da empresa Brinks, no Bairro do Paraíso em são Paulo.

63 – 21/09/70 – Célio Tonelly – soldado da PM – SP
Morto em Santo André. Quando de serviço em uma rádio-patrulha, tentou deter terroristas que ocupavam um automóvel.

64 – 22/09/70 – Autair Macedo – Guarda de segurança – RJ
Morto por terroristas, durante assalto a empresa de ônibus Amigos Unidos

65 – 27/10/70 – Walder Xavier de Lima – Sargento da Aeronáutica – BA
Morto quando, ao volante de uma viatura, conduzia terroristas presos, em Salvador. O assassino, Theodomiro Romeiro dos Santos (Marcos) o atingiu com um tiro na nuca. Organização: PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário).

66 – 10/11/70 – José Marques do Nascimento – civil – SP
Morto por terroristas que trocavam tiros com a polícia.

67 – 10/11/70 – Garibaldo de Queiroz – Soldado PM – SP
Morto em confronto com terroristas da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) que faziam uma panfletagem armada na Vila Prudente, São Paulo.

68 – 10/11/70 – José Aleixo Nunes – soldado PM – SP
Também morto na ocorrência relatada acima.

69 – 10/12/70 – Hélio de Carvalho Araújo – Agente da Polícia Federal – RJ
No dia 07/12, o embaixador da Suíça no Brasil, Giovanni Enrico Bucher, foi sequestrado pela VPR. Participaram da operação os terroristas Adair Gonçalves Reis, Gerson Theodoro de Oliveira, Maurício Guilherme da Silveira, Alex Polari de Alverga, Inês Etienne Romeu, Alfredo Sirkis, Herbert Eustáquio de Carvalho e Carlos Lamarca. Após interceptar o carro que conduzia o Embaixador, Carlos Lamarca bateu com um revólver Smith-Wesson, cano longo, calibre 38, no vidro do carro. Abriu a porta traseira e, a uma distância de dois metros, atirou, duas vezes contra o agente Hélio. Os terroristas levaram o embaixador e deixaram o agente agonizando. Transferido para o hospital Miguel Couto, morreu no dia 10/12/70.

70 – 07/01/71 – Marcelo Costa Tavares – Estudante – MG
Morto por terroristas durante um assalto ao Banco Nacional de Minas Gerais.
Autor dos disparos: Newton Moraes.

71 – 12/02/71 – Américo Cassiolato – Soldado PM – São Paulo
Morto por terroristas em Pirapora do  Bom Jesus.

72 – 20/02/71 – Fernando Pereira – Comerciário – Rio de Janeiro
Morto por terroristas quando tentava impedir um assalto ao estabelecimento “Casa do Arroz”, do qual era gerente.

73 – 08/03/71 – Djalma Peluci Batista – Soldado PM – Rio de Janeiro
Morto por terroristas, durante assalto ao Banco do Estado do Rio de Janeiro.

74 – 24/03/71 – Mateus Levino dos Santos – Tenente da FAB – Pernambuco
O PCBR necessitava roubar um carro para participar do sequestro do cônsul norte-americano, em Recife.  No dia 26/06/70, o grupo decidiu roubar um Fusca, estacionado em Jaboatão dos Guararapes, na Grande Recife, nas proximidades do Hospital da Aeronáutica. Ao tentarem render o motorista, descobriram tratar-se de um tenente da Aeronáutica. Carlos Alberto disparou dois tiros contra o militar: um na cabeça e outro no pescoço. Depois de nove meses de intenso sofrimento, morreu no dia 24 de março de 1971, deixando viúva e duas filhas menores. O imprevisto levou o PCBR a desistir do sequestro.

75 – 04/04/71 – José Julio Toja Martinez – Major do Exército -  Rio de Janeiro
No início de abril, a Brigada Pára-Quedista recebeu uma denúncia de que um casal de terroristas ocupara uma casa localizada na rua Niquelândia, 23, em Campo Grande/RJ. Não desejando passar esse informe à 2ª Seção do então I Exército, sem aprofundá-lo, a 2ª Seção da Brigada, chefiada pelo major Martinez, montou um esquema de vigilância da casa. Por volta das 23h, chega um casal de táxi. A mulher ostentava uma volumosa barriga, sugerindo gravidez.

O major Martinez acabara de concluir o curso da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, onde, por três anos, exatamente o período em que a guerra revolucionária se desenvolvera, estivera afastado desses problemas em função da própria vida escolar bastante intensa. Estagiário na Brigada de Pára-Quedista, a quem também não estava afeta a missão de combate à subversão, não se havia habituado à virulência da ação terrorista.

Julgando que o casal nada tinha a ver com a subversão, Martinez iniciou a travessia da rua, a fim de solicitar-lhe que se afastasse daquela área. Ato contínuo, da barriga, formada por uma cesta para pão com uma abertura para saque da arma ali escondida, a “grávida” retirou um revólver, matando-o antes que pudesse esboçar qualquer reação. O capitão Parreira, de sua equipe, ao sair em sua defesa, foi gravemente ferido por um tiro desferido pelo terrorista. Nesse momento, os demais agentes desencadearam cerrado tiroteio, que causou a morte do casal de terroristas. Eram os militantes do MR-8 Mário de Souza Prata e Marilena Villas-Bôas Pinto, responsáveis por uma extensa lista de atos terroristas.  No “aparelho” do casal, foram encontrados explosivos, munição e armas, além de dezenas de levantamentos de bancos, de supermercados, de diplomatas estrangeiros e de generais do Exército. Martinez deixou viúva e quatro filhos, três meninas e um menino, a mais velha, à época, com 11 anos.

76 – 07/04/71 – Maria Alice Matos – Empregada doméstica – Rio de Janeiro
Morta por terroristas quando do assalto a um depósito de material de construção.

77 – 15/04/71 – Henning Albert Boilesen – (Industrial – São Paulo)
Quando da criação da Operação Bandeirante, o então comandante do II Exército, general Canavarro, reuniu-se com o governador do Estado de São Paulo, com várias autoridades federais, estaduais, municipais e com industriais paulistas para solicitar o apoio para um órgão que necessitava ser criado com rapidez, a fim de fazer frente ao crescente terrorismo que estava em curso no estado de São Paulo. Assim, vários industriais, entre eles Boilesen, se cotizaram para atender ao pedido daquela autoridade militar. Por de3cisão de Lamarca, Boilesen, um dinamarquês naturalizado brasileiro, foi assassinado. Participaram da ação os terroristas Yuri Xavier Pereira, Joaquim Alencar Seixas, José Milton Barbosa, Dimas Antonio Casimiro e Antonio Sérgio de Matos.  No relatório escrito por Yuri, e apreendido pela polícia, aparecem as frases “durante a fuga trocávamos olhares de contentamento e satisfação. Mais uma vitória da Revolução Brasileira”. Vários carros e casas foram atingidos por projéteis. Duas mulheres foram feridas. Sobre o corpo de Boilesen, atingido por 19 tiros, panfletos da ALN e do MRT, dirigidos “Ao Povo Brasileiro”, traziam a ameaça: “Como ele, existem muitos outros e sabemos quem são. Todos terão o mesmo fim, não importa quanto tempo demore; o que importa é que eles sentirão o peso da JUSTIÇA REVOLUCIONÁRIA. Olho por olho, dente por dente”.

78 – 10/05/71 -  Manoel da Silva Neto – Soldado PM – SP
Morto por terroristas durante assalto à Empresa de Transporte Tusa.

79 – 14/05/71 – Adilson Sampaio – Artesão – RJ
Morto por terroristas durante assalto às lojas Gaio Marti.

80 – 09/06/71 – Antônio Lisboa Ceres de Oliveira – Civil – RJ
Morto por terroristas durante assalto à boate Comodoro

------------

OS MORTOS SEM SEPULTURA HISTÓRICA DA COMISSÃO DA FARSA 4 – O alto grau de letalidade daqueles humanistas

Abaixo, a conclusão da lista de pessoas assassinadas por aqueles pacifistas de esquerda, que tanto lutaram pela democracia no Brasil, não é mesmo? A questão fundamental: por que o Brasil praticamente ignora essa história, mesmo existindo uma tal “Comissão da Verdade?”

O Brasil, sem dúvida, vivia uma ditadura, onde operaram grupos paramilitares. Havia milhares de agentes do estado empenhados em conter a subversão. E o número de mortos, reconhecido pelas próprias esquerdas, é 434. Os esquerdistas, na comparação, eram meia-dúzia de gatos pingados. Mesmo assim, mataram 119 pessoas. Isso indica o, digamos assim, alto grau de letalidade daqueles humanistas.

81 – 01/07/71 – Jaime Pereira da Silva – Civil – RJ
Morto por terroristas na varanda de sua casa durante tiroteio entre terroristas e policiais.

82 – 02/09/71 – Gentil Procópio de Melo -Motorista de praça – PE
A organização terrorista denominada Partido Comunista Revolucionário determinou que um carro fosse roubado para realizar um assalto. Cumprindo a ordem recebida, o terrorista José Mariano de Barros tomou um táxi em Madalena, Recife. Ao chegar ao Hospital das Clínicas, quando fingia que ia pagar a corrida, apareceram seus comparsas, Manoel Lisboa de Moura e José Emilson Ribeiro da Silva, que se aproximaram do veículo. Emilson matou Procópio com dois tiros.

83 – 02/09/71 – Jayme Cardenio Dolce – Guarda de segurança – RJ
Assassinado pelos terroristas Flávio Augusto Neves Leão Salles, Hélio Pereira Fortes, Antônio Carlos Nogueira Cabral, Aurora Maria do Nascimento Furtado, Sônia Hipólito e Isis Dias de Oliveira, durante assalto à Casa de Saúde Dr. Eiras.

84 – 02/09/71 – Silvâno Amâncio dos Santos – Guarda de segurança – RJ
Assassinado na operação relatada acima.

85 – 02/09/71 – Demerval Ferreira dos Santos – Guarda de segurança – RJ
Assassinado na operação relatada no item 83

86 – –/10/71 – Alberto da Silva Machado – Civil – RJ
Morto por terroristas durante assalto à Fábrica de Móveis Vogal Ltda, da qual era um dos proprietários.

87 – 22/10/71 – José do Amaral – Sub-oficial da reserva da Marinha – RJ
Morto por terroristas da VAR-PALMARES e do MR-8 durante assalto a um carro transportador de valores da Transfort S/A. Foram feridos o motorista Sérgio da Silva Taranto e os guardas Emílio Pereira e Adilson Caetano da Silva.
Autores: James Allen Luz (Ciro), Carlos Alberto Salles (soldado), Paulo Cesar Botelho Massa, João Carlos da Costa.

88 – 01/11/71 – Nelson Martinez Ponce – Cabo PM – SP
Metralhado por Aylton Adalberto Mortati durante um atentado praticado por cinco terroristas do MOLIPO (Movimento de Libertação Popular) contra um ônibus da Empresa de Transportes Urbano S/A, em Vila Brasilândia, São Paulo

89 – 10/11/71 – João Campos – Cabo PM – SP
Morto na estrada de Pindamonhangaba, ao interceptar um carro que conduzia terroristas armados.

90 – 22/11/71 – José Amaral Vilela – Guarda de segurança  – RJ
Neste dia os terroristas Sérgio Landulfo Furtado, Norma Sá Ferreira, Nelson Rodrigues Filho, Paulo Roberto Jabour, Thimothy William Watkin Ross e Paulo Costa Ribeiro Bastos assaltaram um carro-forte da firma Transfort, na Estrada do Portela, em Madureira.
91 – 27/11/71 – Eduardo Timóteo Filho – Soldado PM – RJ
Morto por terroristas, durante assalto contra as Lojas Caio Marti.

92 – 13/12/71 – Hélio Ferreira de Moura – Guarda de Segurança – RJ
Morto, por terroristas, durante assalto contra um carro transportador de valores da Brink’s, na Via Dutra.

93 – 18/01/72 – Tomaz Paulino de Almeida – Sargento PM – São Paulo / SP
Morto a tiros de metralhadora no bairro Cambuci quando um grupo terrorista roubava o seu carro. Autores do assassinato: João Carlos Cavalcante Reis, Lauriberto José Reyes e Márcio Beck Machado, todos integrantes do Molipo.

94 – 20/01/72 – Sylas Bispo Feche – Cabo PM São Paulo / SP
O cabo Sylas Bispo Feche integrava uma Equipe de Busca e Apreensão do DOI/CODI/II Exército. Sua equipe executava  uma ronda quando um carro VW, ocupado por duas pessoas, cruzou um sinal fechado quase atropelando uma senhora que atravessava a rua com uma criança no colo. A sua equipe saiu em perseguição ao carro suspeito, que foi interceptado. Ao tentar aproximar-se para pedir os documentos dos dois ocupantes do veículo, o cabo Feche foi metralhado. Dois terroristas, membros da ALN, morreram.

95 – 25/01/72 – Elzo Ito – Estudante – São Paulo / SP
Aluno do Centro de Formação de Pilotos Militares, foi morto por terroristas que roubaram seu carro.

96 – 01/02/72 – Iris do Amaral – Civil – Rio de Janeiro
Morto durante um tiroteio entre terroristas da ALN e policiais. Ficaram feridos nesta ação os civis Marinho Floriano Sanches, Romeu Silva e Altamiro Sinzo. Autores: Flávio Augusto Neves Leão Salles (“Rogério”, “Bibico”) e Antônio Carlos Cabral Nogueira (“Chico”, “Alfredo”.)

97 – 05/02/72 – David A. Cuthberg – Marinheiro inglês – Rio de Janeiro
A respeito desse assassinato, sob o título “REPULSA”, o jornal “O Globo” publicou:
“Tinha dezenove anos o marinheiro inglês David  A. Cuthberg que, na madrugada de sábado, tomou um táxi com um companheiro para conhecer o Rio, nos seus aspectos mais alegres. Ele aqui chegara como amigo, a bordo da flotilha que nos visita para comemorar os 150 anos de Independência do Brasil. Uma rajada de metralhadora tirou-lhe a vida, no táxi que se encontrava. Não teve tempo para perceber o que ocorria e, se percebesse, com certeza não poderia compreender. Um terrorista, de dentro de outro carro, apontara friamente a metralhadora antes de desenhar nas suas costas o fatal risco de balas, para, logo em seguida, completar a infâmia, despejando sobre o corpo, ainda palpitante, panfletos em que se mencionava a palavra liberdade. Com esse crime repulsivo, o terror quis apenas alcançar repercussão fora de nossas fronteiras para suas atividades, procurando dar-lhe significação de atentado político contra jovem inocente, em troca da publicação da notícia num jornal inglês. O terrorismo cumpre, no Brasil, com crimes como esse, o destino inevitável dos movimentos a que faltam motivação real e consentimento de qualquer parcela da opinião pública: o de não ultrapassar os limites do simples banditismo, com que se exprime o alto grau de degeneração dessas reduzidas maltas de assassinos gratuitos”.

A ação criminosa foi praticada pelos seguintes terroristas, integrantes de uma frente formada por três organizações comunistas:
– ALN – Flávio Augusto Neves Leão Salles (“Rogério”, “Bibico”), que fez os disparos com a metralhadora, Antônio Carlos Nogueira Cabral (“Chico”, “Alfredo”), Aurora Maria Nascimento Furtado (“Márcia”, “Rita”), Adair Gonçalves Reis(“Elber”, “Leônidas”, “Sorriso”);
– VAR-PALMARES – Lígia Maria Salgado da Nóbrega (“Ana”, “Célia”, “Cecília”), que jogou dentro do táxi os panfletos que falavam em vingança contra os “Imperialistas Ingleses”; Hélio Silva (“Anastácio”, “Nadinho”), Carlos Alberto Salles(“Soldado”);
– PCBR – Getúlio de Oliveira Cabral(“Gogó”, “Soares”, “Gustavo”)

98 – 15/02/72 – Luzimar Machado de Oliveira – Soldado PM – Goiás
O terrorista Arno Preiss encontrava-se na cidade de Paraiso do Norte, que estava incluída no esquema de trabalho de campo do MOLIPO. Usava o nome falso de Patrick McBundy Comick. Arno tentou entrar com sua documentação falsa no baile carnavalesco do clube social da cidade. Sua documentação levantou suspeita nos policiais, que o convidaram a comparecer à delegacia local. Ao deixar o clube, julgando-se desmascarado, Arno sacou seu revólver e disparou à queima roupa contra os policiais, matando o PM Luzimar Machado de Oliveira e ferindo gravemente o outro PM que o conduzia, Gentil Ferreira Mano. Acabou morto.

99 – 18/02/72 – Benedito Monteiro da Silva – Cabo PM – São Paulo
Morto quando tentava evitar um assalto terrorista a uma agencia bancária em Santa Cruz do Rio Pardo.

100 – 27/02/72 – Napoleão Felipe Bertolane Biscaldi – Civil – São Paulo
Morto durante um tiroteio entre os terroristas Lauriberto José Reyes e José Ibsem Veroes com policiais, na rua Serra de Botucatu, no bairro Tatuapé. Nesta ação, um policial foi ferido a tiros de metralhadoras por Lauriberto. Os dois terroristas morreram no local.

101 – 06/03/72 – Walter César Galleti – Comerciante – São Paulo
Terroristas da ALN assaltaram a firma F. Monteiro S/A. Após o assalto, fecharam a loja, fizeram um discurso subversivo e assassinaram o gerente Walter César Galetti e feriram o subgerente Maurílio Ramalho e o despachante Rosalindo Fernandes.

102 – 12/03/72  - Manoel dos Santos – Guarda de Segurança – São Paulo
Morto durante assalto terrorista à fábrica de bebidas Charel Ltda.

103 – 12/03/72  - Aníbal Figueiredo de Albuquerque – Coronel R1 do Exército – São Paulo
Morto durante assalto à fábrica de bebidas Charel Ltda., da qual era um dos proprietários

104 – 08/05/72 – Odilo Cruz Rosa – Cabo do Exército – PA
Morto na região do Araguaia quando uma equipe comandada por um tenente e composta ainda, por dois sargentos e pelo Cabo Rosa foram emboscados por terroristas comandados por Oswaldo Araújo Costa, o “Oswaldão”, na região de Grota Seca, no Vale da Gameleira. Neste tiroteio foi morto o Cabo Rosa e feridos o Tenente e um Sargento.

105 – 02/06/72 – Rosendo – Sargento PM – SP
Morto ao interceptar 04 terroristas que assaltaram um bar e um carro da Distribuidora de Cigarros Oeste LTDA.

106 – 29/06/72 – João Pereira – Mateiro-região do Araguaia – PA
“Justiçado exemplarmente” pelo PC do B por ter servido de guia para as forças legais que combatiam os guerrilheiros. A respeito, Ângelo Arroyo declarou em seu relatório: “A morte desse bate-pau causou pânico entre os demais da zona”.

107 – 09/09/72 – Mário Domingos Panzarielo – Detetive Polícia Civil – RJ
Morto ao tentar prender um terrorista da ALN.

108 – 23/09/72 – Mário Abraim da Silva – Segundo Sargento do Exército – PA
Pertencia ao 2º Batalhão de Infantaria de Selva, com sede em Belém. Sua Companhia foi deslocada para combater a guerrilha na região do Araguaia. Morto em combate, durante um ataque guerrilheiro no lugarejo de Pavão, base do 2º Batalhão de Selva.

109 – 27/09/72 – Sílvio Nunes Alves – Bancário – RJ
Assassinado em assalto ao Banco Novo Mundo, na Penha, pelas organizações terroristas PCBR – ALN – VPR – Var Palmares e MR8. Autor do assassinato: José Selton Ribeiro.

110 – –/09/72 – Osmar… – Posseiro – PA
“Justiçado” na região do Araguaia pelos guerrilheiros por ter permitido que uma tropa de paraquedistas acampasse em suas terras.

111 – 01/10/72 – Luiz Honório Correia – Civil – RJ
Morto por terroristas no assalto à empresa de Ônibus Barão de Mauá

112 – 06/10/72 – Severino Fernandes da Silva – Civil – PE
Morto por terroristas durante agitação no meio rural.

113 – 06/10/72 – José Inocêncio Barreto – Civil – PE
Morto por terroristas durante agitação no meio rural.

114 – 21/02/73 – Manoel Henrique de Oliveira – Comerciante – São Paulo
No dia 14 de junho de 1972, as equipes do DOI de São Paulo, como já faziam há vários dias, estavam seguindo quatro terroristas da ALN que resolveram almoçar no restaurante Varela, no bairro da Mooca. Quando eles saíram do restaurante, receberam voz de prisão. Reagindo, desencadearam tiroteio com os policiais. Ao final, três terroristas estavam mortos, e um conseguiu fugir. Erroneamente, a ALN atribuiu a morte de seus três companheiros à delação de um dos proprietários do restaurante e decidiu justiçá-lo. O comando “Aurora Maria do Nascimento Furtado”, constituído por Arnaldo Cardoso Rocha, Francisco Emanuel Penteado, Francisco Seiko Okama e Ronaldo Mouth Queiroz, foi encarregado da missão e assassinou, no dia 21 de fevereiro, o comerciante Manoel Henrique de Oliveira, que foi metralhado sem que pudesse esboçar um gesto de defesa. Seu corpo foi coberto por panfletos da ALN, impressos no Centro de Orientação Estudantil da USP por  interveniência do militante Paulo Frateschi.

115 – 22/02/73 – Pedro Américo Mota Garcia – Civil – Rio de Janeiro
Por vingança, foi “justiçado” por terroristas por haver impedido um assalto contra uma agência da Caixa Econômica Federal.

116 – 25/02/73 – Octávio Gonçalves Moreira Júnior – Delegado de polícia – São Paulo
Com a tentativa de intimidar os integrantes dos órgãos de repressão, um “Tribunal Popular Revolucionário” decidiu “justiçar” um membro do DOI/CODI/II Exército. O escolhido foi o delegado de polícia Octávio Gonçalves Moreira Júnior.

117 – 12/03/73 – Pedro Mineiro – Capataz da Fazenda Capingo
“Justiçado” por terroristas na Guerrilha do Araguaia.

118 – Francisco Valdir de Paula – Soldado do Exército-região do Araguaia – PA
Instalado numa posse de terra, no município de Xambioá, fazendo parte de uma rede de informações montada na área de guerrilha, foi identificado pelos terroristas e assassinado. Seu corpo nunca foi encontrado.

119 – 10/04/74 -Geraldo José Nogueira – Soldado PM – São Paulo
Morto numa operação de captura de terroristas.

-------------

O julgamento do mensalão acabou há meros nove meses. E já nasceu o novo “Bebê de Rosemary”

Pode parecer que faz tempo, leitor amigo, mas, neste sábado, amanhã, faz apenas nove meses que o julgamento do mensalão acabou no Supremo. E já temos o “Bebê de Rosemary” aí. O demónio da corrupção nos persegue.  As denúncias aquele escândalo começaram a vir a público em 2005.  Até março deste ano, quem sabe um tanto otimistas ou ingênuos, escrevíamos todos: “O mensalão é o maior escândalo político da história brasileira”. E era verdade — ao menos do que se conhecia até ali. Ocorre que o “maior escândalo político da história brasileira” se desenvolvia na Petrobras. Enquanto os mensaleiros larápios eram denunciados, processados, julgados e condenados, uma quadrilha assaltava a estatal para distribuir prebendas a políticos e a partidos e satisfazer apetites de enriquecimento.

Nesta quinta, o Ministério Público divulgou a lista dos primeiros 36 denunciados, 22 deles funcionários de seis empreiteiras: OAS, Camargo Corrêa, UTC Engenharia, Engevix, Mendes Júnior e Galvão Engenharia. Vem muito mais por aí. Esse primeiro lote é aquele que gravitava em torno de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento e, confessadamente, homem do PP no esquema — embora ele tenha dito à Polícia e ao MP que a maior parte da propina que passava pelo seu controle era mesmo remetida ao PT. Ainda faltam os denunciados dos demais núcleos. O petista Renato Duque, por exemplo, ex-diretor de Serviços, e Pedro Barusco, seu braço direito — aquele que aceitou devolver R$ 253 milhões do dinheiro roubado —, devem estar na leva seguinte.

E, ora, ora, ainda faltam os políticos para tornar esse prato bem apimentado. Os nomes foram enviados ao STF e, tudo indica, ao STJ, que é o foro especial por prerrogativa de função de governadores, por exemplo. Fico, sim, um tanto espantado com a ousadia dessa gente. Nada intimidou a canalha ou lhe conferiu um senso maior de, vá lá, prudência ao menos. O assalto aos cofres públicos era, com efeito, organizado, metódico, sistemático. Como uma orquestra.

Só nessa leva, os procuradores apontam 154 atos de corrupção e 105 operações de lavagem de dinheiro. O cálculo que fazem das propinas e danos provocados à Petrobras, até agora, chega a quase R$ 1,5 bilhão. Num encontro de petistas, na quarta, Lula voltou a espancar os fatos e o bom senso. Afirmou que só o PT é alvo de investigação. E ironizou: “Parece que os tucanos arrecadam dinheiro como se fosse Criança Esperança. Não tem empresário”. Não sei se notam: nessa fala do Apedeuta, há uma espécie de admissão das falcatruas, mas com a sugestão de que os adversários também fazem sacanagem, como se isso pudesse servir de desculpa. Não pode!

Lula gosta de vociferar pelos cotovelos contra a imprensa, acusando-a de tratar o PT como se este tivesse inventado a corrupção. Nunca ninguém disse essa tolice. Mas parece inequívoco que o centro nervoso dos dois maiores escândalos da história é mesmo o PT. Que coisa esse partido! No poder há 12 anos, parece sentir uma atração irresistível pelas sombras, Mas depois me ocorre que partidos não são pessoas e que, pois, estão livres das compulsões. Partido tem é propósito — e o dos petistas já ficou muito claro no mensalão e no petrolão.

Acho que cumpre ser mais prudente doravante e chamar o petrolão de “maior escândalo conhecido da República”. Eu nunca duvido da capacidade que têm os companheiros de nos surpreender. Ele sempre pode mais.

************


Bolsonaro repete agressão a Maria do Rosário. E só o PSDB não viu!
Ricardo Noblat

Nada impede que PT e PSDB compartilhem das mesmas posições caso haja motivo suficiente para isso. Por tal motivo entenda-se, por exemplo, a seriedade. Ou o bem comum. Ou os interesses superiores do país.

PT, PC do B, PSB e PSOL pediram ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados a abertura de processo para cassar por quebra de decoro parlamentar o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ).

Há dois dias, no plenário da Câmara, Bolsonaro ofendeu a honra de sua colega Maria do Rosário (PT-RS) ao dizer que não a estupraria “por que ela não merece”. Bolsonaro incorreu no mesmo crime, ontem.

Disse em entrevista ao jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul:

– Ela [Maria do Rosário] não merece [ser estuprada] porque é muito ruim, porque é muito feia. Não faz meu gênero. Jamais a estupraria.

A frase é clara. Por “ruim” e “feia”, Maria do Rosário não merece ser estuprada. Se fosse boa e bonita... Seria capaz de fazer o gênero do deputado mais votado nas eleições deste ano no Rio de Janeiro?

A agressão de Bolsonaro a Maria do Rosário chocou todas as pessoas de bom senso que tomaram conhecimento dela. Ninguém dentro do PSDB tomou conhecimento? Se tomou, ninguém se chocou?

Exigir a cassação de Bolsonaro, um político fascista e obsceno, mal algum faria à imagem do PSDB. Pelo contrário.

Os políticos mais conservadores do país – mas não somente eles – votaram no PSDB.  A direita, que tem o direito a existir e a disputar a preferência do distinto público, votou no PSDB - mas não somente ela.

Isso não significa que conservadores e direita fossem capazes de assinar embaixo do que Bolsonaro disse. E que para não perder o voto deles, o PSDB se visse obrigado a fingir que não viu nada e que não ouviu nada.

Há momentos, mesmo para políticos e partidos, que o mais importante não é voto a se conquistar ou a manter. Mas a decência, mercadoria cada vez mais escassa por aqui.

Se quiser, o PSDB ainda poderá despertar do seu sono pesado.

*********


Congresso vota lei que piora a vida do pedestre

Nas páginas de ‘O Espírito das Leis’, Montesquieu (1689-1755) anotou: “Quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas”. No Brasil, a quantidade de boas leis é inversamente proporcional à disposição das autoridades de executá-las. Por vezes, a pretexto de aperfeiçoar, piora-se uma lei que ainda nem foi colocada em prática.

É o que sucede no momento com o Código Nacional de Trânsito. O Senado está na bica de aprovar um projeto que piora o código no trecho que regulamenta a sempre conturbada convivência entre carros e pedestres. Se a proposta vingar, além dos pés, as pessoas terão de usar as mãos para atravessar a rua na faixa. Antes de caminhar, o pedestre será obrigado gesticular, pedindo autorização aos motoristas para percorrer uma nesga de asfalto que já lhe pertence —ou deveria pertencer.

A autora do projeto é a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC). A proposta já foi referendada pela Câmara. Enviada à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a proposta foi relatada pelo senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE). Com ajustes, foi aprovada em caráter terminativo. Se ninguém recorresse, o jogo estaria jogado. Líder do PSDB, o senador Aloysio Nunes Ferreira (SP) achou melhor recorrer. E o projeto escalou a pauta de votações do plenário do Senado. Está pronto para ser votado.

Curiosamente, o retrocesso proposto pela deputada Perpétua foi inspirado num avanço civilizatório. Os moradores de Brasília entenderam, há mais de 15 anos, o verdadeiro significado da faixa de pedestres. A mágica se estabeleceu num governo comandado pelo atual senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Decidiu-se fazer valer na época o respeito às faixas. Postaram-se agentes de trânsito ao lado delas.

Por três meses, os fiscais orientaram os motoristas. Na sequência, aplicaram-se multas aos infratores. Tudo como previsto no Código de Trânsito. Súbito, os motoristas passaram a respeitar a faixa. E a Capital tornou-se o único pedaço do mapa brasileiro onde os automóveis param defronte da faixa em respeito à preferência do pedestre.

Por mal dos pecados, o Detran brasiliense adicionou à coreografia um gesto de mão. Com isso, a pretexto de tornar a travessia mais segura, reduziu os poderes do pedestre, que passou a pedir licença aos motoristas para transitar num espaço que já havia conquistado. É esse retrocesso que a deputada Perpétua propõe que seja adotado em todo o território nacional.

Opositor ferrenho da ideia, o senador Aloysio Nunes diz que “a obrigatoriedade de executar um gesto de braço sempre que for atravessar uma faixa destinada ao seu uso corresponderia, literalmente, a uma estatização da expressão corporal do pedestre.”

Um detalhe ajuda a piorar o que já é ruim. Pela proposta da deputada, caberia ao Conselho Nacional de Trânsito, o Contran, normatizar o ‘gesto do pedestre'. “Como se dará, por exemplo, a angulação do gesto? E a altura do braço? Ou da mão?”, indaga o líder tucano, como a realçar o ridículo a que a proposta pode conduzir.

Aloysio realça também o constrangimento que a obrigatoriedade do gesticular pode impor aos “cidadãos portadores de necessidades especiais que tenham impedimento total ou parcial de cumprir a determinação da lei”. O senador não diz, mas é possível antever outros contratempos. Por exemplo: uma pessoa carregada de compras teria de depositar as sacolas no chão para gesticular diante da faixa? Ou ainda: uma mãe que estivesse conduzindo duas crianças teria de se desvencilhar de uma delas para fazer acenos ao motorista?

Não é só. Na sessão em que a proposta foi votada na Comissão de Justiça do Senado, Aloysio Nunes mencionou as implicações jurídicas da providência nos casos de acidentes de trânsito. Supondo um cenário de litígio provocado por um atropelamento, o senador questiona: “como provar que o pedestre fez o gesto e, mais, se o gesto estava de acordo com o que vier a estabelecer o Contran?”

Como se vê, uma proposta de aparência inocente pode se converter em veículo de um desastre. Corre-se o risco de atropelar um outro ensinamento borrifado por Montesquieu no seu ‘O Espírito das Leis’: “As leis inúteis abolem as leis necessárias”. Melhor desistir do gesto e insistir naquilo que deu certo em Brasília: primeiro, orientação aos motoristas. Depois, multa. O que produz o respeito às leis é a pena.

-----------

General da ativa critica a Comissão da Verdade

Membro do Alto Comando do Exército e chefe do Departamento Geral do Pessoal, o general Sérgio Etchegoyen tachou de “leviano” o relatório final que a Comissão Nacional da Verdade entregou a Dilma Rousseff na quarta-feira. É a primeira crítica pública de um oficial da ativa ao trabalho do grupo que inventariou as violações aos direitos humanos cometidos durante a ditadura

Ampliar
Comissão da Verdade investiga violações cometidas na ditadura140 fotos 136 / 140
10.dez.2014 - A presidente Dilma Rousseff chorou ao discursar nesta quarta-feira (10) em cerimônia onde recebeu o relatório final da Comissão Nacional da Verdade sobre crimes e violações de direitos humanos que ocorreram no período entre 1946 a 1988, com foco na ditadura militar (1964-1985), em Brasília. A cerimônia aconteceu no Dia Mundial dos Direitos Humanos. O documento conta com a descrição do trabalho realizado, a apresentação dos fatos examinados, as conclusões e as recomendações sobre o tema Leia mais Ed Ferreira/ Estadão Conteúdo
Deve-se a revolta do general, noticiada pela repórter Tânia Monteiro, ao fato de a comissão ter incluído seu pai, o também general Leo Guedes Etchegoyen, já morto, na lista de 376 civis e militares acusados de violar os direitos humanos. Ele se manifestou por escrito, numa nota assinada também por sua mãe e seus quatro irmãos.

Os Etchegoyen estranharam que a Comissão da Verdade não tenha especificado as violações que atribui ao patriarca da família. “Ao apresentar seu nome, […] sem qualquer vinculação a fatos ou vítimas, os integrantes da CNV deixaram clara a natureza leviana de suas investigações e explicitaram o propósito de seu trabalho, qual seja o de puramente denegrir.''

O general e sua família irritaram-se com a conversão de um morto em alvo da comissão: “Ao investirem contra um cidadão já falecido, sem qualquer possibilidade de defesa, instituíram a covardia como norma e a perversidade como técnica acusatória. No seu patético esforço para reescrever a história, a Comissão Nacional da Verdade apontou um culpado para um crime que não identifica, sem qualquer respeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.''

O Regulamento Disciplinar do Exército proíbe oficiais da ativa de emitir em público opiniões sobre temas políticos. O descumprimento da norma pode levar o infrator à prisão. Mas Sérgio Etchegoyen comunicou previamente ao Comandante do Exército, general Enzo Peri, que divulgaria uma nota junto com a família. Resta agora saber se Dilma Rousseff será também compreensiva. Abaixo, a íntegra da nota da família Etchegoyen:

A comissão nacional da verdade (CNV) divulgou ontem seu relatório final, onde relaciona 377 nomes sob a qualificação de ‘autores de graves violações de direitos humanos’. Nela consta o nome de Leo Guedes Etchegoyen.

Sobre o fato, nós, viúva e filhos, manifestamos a nossa opinião.

Jamais fomos contatados por qualquer integrante ou representante daquela comissão, nem o Exército recebeu qualquer solicitação de informações ou documentos acerca de Leo G. Etchegoyen.

Ao apresentar seu nome, acompanhado de apenas três das muitas funções que desempenhou a serviço do Brasil, sem qualquer vinculação a fatos ou vítimas, os integrantes da CNV deixaram clara a natureza leviana de suas investigações e explicitaram o propósito de seu trabalho, qual seja o de puramente denegrir.

Ao investirem contra um cidadão já falecido, sem qualquer possibilidade de defesa, instituíram a covardia como norma e a perversidade como técnica acusatória.

No seu patético esforço para reescrever a história, a CNV apontou um culpado para um crime que não identifica, sem qualquer respeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa.

Leo Guedes Etchegoyen representa a segunda geração de uma família de generais que serve o Brasil, com retidão e patriotismo, há 96 anos. Seguiremos defendendo sua honrada memória e responsabilizando os levianos que a atacarem.“

Porto Alegre, RS , 11 de dezembro de 2014

Lucia Westphalen Etchegoyen, viúva

Sergio Westphalen Etchegoyen, filho

Maria Lucia Westphalen Etchegoyen, filha

Alcides Luiz Westphalen Etchegoyen, filho

Marcos Westphalen Etchegoyen, filho

Roberto Westphalen Etchegoyen, filho

--------------

Padrão Lava Jato!




***********

Blog do Ilimar Franco

Lula: segura peão

          O ex-presidente Lula pediu aos petistas que contenham o apetite por cargos. Em reunião, explicou que a hora é de fortalecer o governo e, para isso, é preciso contar com os aliados. Lula sugeriu pisar no freio na eleição para presidir a Câmara. Ele ponderou que seria mais provável um petista perder para o líder do PMDB, Eduardo Cunha. O PT fará jogo de cena ou o governo Dilma vai pagar a conta?

Acabou-se o que era doce
Depois de arrastar correntes pelo ex-ministro José Dirceu, os petistas demonstraram ontem que não querem mais arcar com os custos dos desvios de seus “companheiros”. O PT lavou as mãos na sessão que aprovou a cassação do deputado André Vargas (PR), por envolvimento com o doleiro Alberto Youssef. O partido não pediu verificação nominal do quórum e sua liderança encaminhou o voto sim, pela cassação de Vargas. E nada mais nada menos do que 49 petistas votaram pela cassação. Essa conduta é uma avant-première do que espera petistas e aliados que forem flagrados no escândalo da hora, que envolve a Petrobras e suas ramificações.

“Depois que foi votada a lei da redução do superávit (primário), o governo é só alegria”

Henrique Fontana
Líder do governo na Câmara (PT-RS), ironizando ao receber pedido da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) pela inclusão na pauta de votação, ainda este ano, da Lei Brasileira de Inclusão, que foi relatada pela tucana

Em nome da civilização
Foi deflagrada nas redes sociais uma campanha nacional em defesa da cassação do deputado Jair Bolsonaro (PP-PR). Aquele que disse que não estupraria uma mulher porque ela não merecia. A reação ao seu gogó não tem fronteira ideológica.

Referência
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) lotou o plenário ontem em seu discurso de despedida. Numa sessão sem votação, 68 senadores foram ouvi-lo. Ele encerra uma carreira de 56 anos dedicados à democracia e à justiça social. Ex-governador do RS (1987-1990), iniciou sua trajetória se elegendo vereador pelo PTB em Caxias do Sul, em 1958.

Santo forte
A bancada do PMDB na Câmara quer ministros com mandato. O veto não atinge o presidente da Casa, Henrique Alves, derrotado para o governo (RN), porque seu nome tem como avalistas o vice Michel Temer e o líder Eduardo Cunha (RJ).

Subiu no telhado
Mesmo com o apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-RS), que ontem esteve com a presidente Dilma, os dirigentes do partido na Câmara garantem que Vinicius Lages não fica no Turismo. Os deputados querem reaver a pasta já ocupada por Pedro Novais e Gastão Vieira. Para eles, o Ministério da Previdência é um mico.

Poucos foram os convidados
Se havia alguma dúvida sobre o peso que terá o governador Jaques Wagner (BA) no segundo mandato da presidente Dilma, ela se dissipou. Ontem, no Alvorada, ele estava na mesa de almoço com a presidente e o ex-presidente Lula.

O PT quer se opor ao seu governo
Na conversa com o ex-presidente Lula, um grupo de petistas defendeu que o futuro ministro do Desenvolvimento Agrário tenha maior peso político. A ideia deles é criar um contraponto à nova ministra da Agricultura, Kátia Abreu. Pode?

O PSB está demitindo todos os assessores ligados ao seu ex-vice Roberto Amaral. Rodou até mesmo um de seus fundadores, Jocelino Menezes.

***********


Um passo adiante

A Comissão Nacional da Verdade, apesar da denunciada falta de boa vontade da área militar para dar informações, e da impossibilidade ideológica de lidar com os crimes também praticados pela esquerda revolucionária no período da ditadura militar brasileira, acabou produzindo um relatório importante, embora incompleto, denunciando como funcionava a máquina de repressão militar, definindo a responsabilidade de cada um e dando os seus nomes quando foi possível a identificação acima de quaisquer dúvidas.

A pretensão de rever a Lei da Anistia para punir os acusados de crimes contra a Humanidade, que nessa visão são imprescritíveis, esbarra na definição do Supremo Tribunal Federal (STF) a favor de sua validade para todos os lados em disputa. Resta, no momento, como lembrou o ministro do STF Luis Roberto Barroso, analisar se a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, posterior à do STF, de que o país está obrigado a investigar e punir os crimes da ditadura militar se impõe diante da Constituição brasileira e à decisão da nossa mais alta Corte.

Por enquanto, como salientou outro ministro do STF, Marco Aurélio Mello, o que vale é a decisão de 2010 de que a Lei da Anistia não pode ser revogada. Mudança de posição devido a uma alteração de componentes – só quatro dos sete ministros que votaram a favor da manutenção da anistia estão no plenário hoje – provocaria uma insegurança jurídica inaceitável numa democracia.

A retomada da questão diante do fato novo da Corte Interamericana será inevitável, mas o mais prudente será que a legislação em vigor, fruto de uma negociação política ampla na ocasião, seja mantida, e os eventuais processos civis que forem gerados pelo relato da Comissão da Verdade fiquem a cargo dos parentes e amigos das vítimas.

A Comissão da Verdade passou por crises e impasses até chegar ao relatório final, em alguns momentos promoveu uma catarse nacional em busca superação dos traumas causados pela ditadura militar, como alguns de seus membros imaginavam ser sua missão, mas soube preparar um relatório que deixará registrado para a História o que foram os tempos da ditadura, além de documentos que poderão ser consultados.

Cumpriu sua missão de levar à opinião pública o maior número possível de informações sobre as atrocidades cometidas pela repressão militar durante a ditadura, localizou desaparecidos, confirmou hipóteses oficializando crimes que eram mantidos nas sombras, e sobretudo tornou uma verdade oficial que "as graves violações de direitos humanos ocorridas entre 1964 e 1985 decorreram de modo sistemático da formulação e implementação do arcabouço normativo e repressivo idealizado pela ditadura militar com o expresso objetivo de neutralizar e eliminar indivíduos ou grupos considerados como ameaça à ordem interna".

A Comissão da Verdade identificou cadeias de comando “solidamente estruturadas”, ordenadas em escalões sucessivos, “por vínculo de autoridade, até o comando máximo da Presidência da República e dos ministérios militares". É fato que “verdades oficiais” não são nunca completas, e a busca da verdade, se limitada por questões ideológicas como foi a da Comissão da Verdade, acaba revelando apenas um dos lados em conflito. Se a verdade é, por definição inatingível, uma verdade oficial fica mais longe ainda do objetivo.

Por isso mesmo a anistia para os dois lados parece ser a solução mais harmoniosa possível, principalmente depois que parte desse relato se torna público para registro histórico, ajudando a que não se repita nunca mais. No momento em que minorias radicais vão às ruas pedindo a intervenção dos militares para interromper o jogo democrático, é saudável que os crimes cometidos naquele período sejam revelados.

Tanto o relatório da Comissão da Verdade quanto o da Comissão de Inteligência do Senado dos EUA, que detalhou os métodos bárbaros de torturas utilizados pela CIA a pretexto de combater o terrorismo depois dos ataques aos Estados Unidos de 11 de setembro, fazem parte da história dos países, e têm a função de denunciar os crimes contra a Humanidade perpetrados pelas máquinas governamentais, para que sejam rejeitadas e não se repitam.

A condenação e proibição formal da tortura por parte da presidência de Barack Obama é um passo adiante para superar esse trauma, embora ele tenha preservado seu antecessor George Bush, e a CIA como instituição do Estado. Aqui entre nós, seria uma vitória da democracia se as Forças Armadas emitissem algum sinal, mesmo que indireto, de que essas práticas não são aceitáveis em nossas instituições militares.


***********

Blog do Coronel

Milhares de demissões no país porque a Petrobras está atrasando pagamentos. Em vez de cortar custos, Graça Foster corre para debaixo da mesa de Dilma Rousseff.

A Petrobras está com sérias dificuldades financeiras. No entanto, ninguém ouviu dizer que a estatal tenha cortado algum benefício dos seus diretores. Que tenha reduzido a verba de marketing. Que tenha rescindido contratos com consultorias. Que tenha alguma estratégia de redução de custos para vencer a crise. Não tomou nenhuma medida, a não ser contratar mais serviços caríssimos para defender a empresa de acusações sérias de corrupção. Leiam abaixo matéria do Estadão. Em vez de exigir medidas da Petrobras, até mesmo demitindo uma presidente e uma diretoria incompetente e com sérios indícios de atuação desonesta, Dilma Rousseff senta na cadeira da amiga Graça Foster para resolver problemas que não são seus. É apenas mais uma prova que a presidente da República tem grande participação em tudo o que acontece na Petrobras. E que sempre soube de tudo o que se passava dentro dela.

O governo Dilma Rousseff costura um acordo com a Petrobrás e o Ministério Público Federal para fazer a estatal arcar com o dinheiro devido por fornecedoras da companhia que fizeram demissões recentes por causa das dificuldades de caixa e a insegurança jurídica após a operação Lava Jato.

A proposta em estudo é que a Petrobrás pague os direitos devidos pelas empresas fornecedoras aos trabalhadores como uma espécie de adiantamento e depois desconte esse montante dos valores que tenha de pagar às empresas. O universo de terceirizados da Petrobrás é de cerca de 300 mil trabalhadores, segundo os sindicatos.

O ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, convocou uma reunião para segunda-feira à tarde no Palácio do Planalto com a participação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, e os representantes das seis maiores centrais sindicais do País. O convite foi enviado ontem. Segundo apurou o Estado, a presidente Dilma Rousseff deu sinal verde para a discussão sobre um acordo na segunda-feira, após encontro no Planalto com os sindicalistas. 

Dilma e Mercadante foram cobrados pelo presidente da Força Sindical, Miguel Torres, sobre o caso dos mais de 10 mil demitidos em Pernambuco por empresas fornecedoras da Petrobrás e que estão sem receber as verbas previstas na legislação trabalhista. As empresas alegam que a estatal, que sofre dificuldades de caixa, atrasou pagamentos e, por isso, é a responsável.

Quando os demais líderes sindicais reforçaram o coro, citando casos semelhantes em outros Estados, como Rio Grande do Sul, Bahia e Rio de Janeiro, Mercadante afirmou que não cabia ao governo e à Petrobrás simplesmente decidir pagar - era preciso costurar um acordo envolvendo o Ministério Público Federal. Após o encontro, Dilma liberou a formulação de uma saída pelo governo.

Fogo cruzado. “A sugestão é que a Petrobrás pague, mas se ela fizer isso sem um acordo, estando sob fogo cruzado, pode caracterizar má gestão, pois ela estaria assumindo um risco que não é dela”, disse o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, também presente na reunião. “Então, é preciso buscar um acordo para o trabalhador não sair prejudicado.”

Hoje, em Salvador (BA), o sindicato que representa os 5,5 mil trabalhadores que constroem o estaleiro em Maragogipe, que servirá para formar navios-sonda para a Petrobrás, vai promover uma grande manifestação. A empresa Enseada Indústria Naval, responsável pelo empreendimento, demitiu 600 funcionários. Outros 1,1 mil trabalhadores seriam desligados ontem. A empresa não tem quitado os direitos trabalhistas, segundo o sindicato, colocando a culpa na Petrobrás, que tem atrasado pagamentos. 

Caso um acordo seja fechado pelo governo, operários de diversas obras serão beneficiados. Entre elas, a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, tocada por um conjunto de construtoras chamado de “clube VIP” por um dos delatores em depoimento à Justiça, em regime de delação premiada na operação Lava Jato. Manifestações sindicais têm sido realizadas em Pernambuco por causa da falta de pagamento.

Segundo o depoimento do executivo Augusto Mendonça, da empreiteira Toyo Setal, um grupo de 16 companhias formava um clube que fraudava as licitações para obter os contratos de obras da Petrobrás. Dentro deste clube havia um grupo ainda mais seleto - o tal “clube VIP” -, que detinha maior “poder de persuasão”.

Esse clube, que segundo Mendonça era formado por Odebrecht, Camargo Correa, UTC, Andrade Gutierrez e OAS, conseguiu os contratos da Abreu e Lima. Parte das demissões na refinaria referem-se ao andamento da obra, que está próxima de ser concluída. O problema, segundo os sindicatos, é que as empresas não pagaram a rescisão contratual e outros custos trabalhistas.

**********


A Comissão da Mentira e as bobagens ditas por um ministro do Supremo e pelo — podem rir! — “coordenador nacional da verdade”; nem o stalinismo tinha um desses!

Ai, ai… Quando eu começo assim, leitor, é porque a estupidez desperta em mim certa preguiça intelectual; é quando penso: “Contestar Fulano e Beltrano não é nem certo nem errado, é inútil”. Mas depois vem o senso do dever. Então parto pra briga, também ela intelectual. A Comissão Nacional da Verdade concluiu o seu trabalho. Aponta 434 mortos durante o regime militar, acusa a responsabilidade de 377 pessoas, cobra a revisão da Lei da Anistia e propõe a desmilitarização das PMs — seja lá o que isso signifique. De maneira indecorosa, a comissão ignorou os assassinados por grupos terroristas: há pelo menos 121. Não! Esses cadáveres não contam. Não devem entrar na categoria de carne humana. Também os atos violentos dos grupos terroristas foram banidos da “verdade”. E as besteiras a respeito já começam a vir a público.

Destaco, em primeiro lugar, a fala daquele que tem mais importância: Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo, segundo quem a validade da Lei da Anistia, a 6.683, de 1979, deve ser examinada de novo pelo tribunal. Explica-se: em 2010, o STF declarou a sua vigência plena. De acordo com o § 1º do Artigo 1º, estão anistiados todos aqueles que cometeram crimes políticos ou conexos — logo, anistiam-se todos: à esquerda e à direita; agentes do estado ou não; terroristas ou torturadores. Anistia tem a mesma raiz da palavra “amnésia”: não quer dizer perdão, mas “esquecimento” para efeitos penais. Isso não significa que fatos possam ser apagados da história — como a Comissão da Verdade tenta fazer, diga-se, com as vítimas das esquerdas. A comissão propõe frontalmente que se ignorem a lei e a decisão do Supremo.

Barroso, o mais esquerdista dos ministros da Corte, diz que o Supremo deve rever a decisão tomada pelo próprio tribunal. Sob qual pretexto? Reproduzo o que ele disse à Folha:
“O que é preciso saber é se lei [da Anistia] é compatível com Constituição e qual a posição que deve prevalecer (se do STF ou da Corte Interamericana). Esta situação de haver decisão da Corte Interamericana posterior à decisão do supremo e em sentido divergente é uma situação inusitada”.

É mesmo? Vamos ver. Em primeiro lugar, o Supremo já decidiu que a Lei da Anistia é compatível com a Constituição, sim — sempre lembrando que ela foi aprovada antes da atual Carta Magna, que é de 1988. Fosse hoje, não haveria mais como anistiar pessoas que praticaram tortura, mas também não haveria como anistiar as que recorreram ao terrorismo. As duas práticas, segundo a Constituição, não são passíveis de graça, segundo o Inciso XLIII do Artigo 5º: “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura , o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;”

Ocorre, meus caros, que a Emenda 26, que convocou a Assembleia Nacional Constituinte, tinha como pressuposto a anistia. Vale dizer: o ato fundador da nova Constituição incorporou a anistia por livre e espontânea vontade. Não foi um ato da ditadura, mas de um Congresso eleito de forma livre e soberana. Agora voltemos, então, a Barroso. Como é, ministro? Quer dizer que o Supremo brasileiro conta agora com uma instância revisora, que é a Corte Interamericana? Ora, tenha a santa paciência! Ou por outra: a instância máxima de decisão da República Federativa do Brasil não se encontra mais em solo pátrio? Só pode ser piada.

Não maior do que a contada por Pedro Dallari, que tem a simpática atribuição de “coordenador nacional da Verdade”. Uau! O Brasil não só tem uma verdade oficial como esta verdade tem um “coordenador nacional”. Nem o stalinismo teve um. Disse o rapaz: “Nós defendemos que haja a responsabilização. Se o Poder Judiciário entender que não há necessidade de rever a lei, porque já pode haver a condenação independentemente de revisão, não há necessidade de revisão. Essa decisão será do Poder Judiciário”.

Aí, então, é a jabuticaba das jabuticabas. O próprio Dallari admite que não há como jogar a lei no lixo. Não havendo, ele defende que se dê às palavras um sentido diferente daquele que elas têm.

Que coisa! A Comissão Nacional da Verdade quer nos fazer crer que só agentes do estado praticaram violência; que não houve terrorismo no Brasil; que as pessoas assassinadas pelos terroristas não eram humanas; que a emenda que convocou a Constituinte não foi aprovada por um Congresso soberano; que se pode dar a um texto legal a interpretação que lhe der na telha e que o Supremo Tribunal Federal está subordinado à Corte Interamericana.

E isso tudo, leitores, é apenas mentira!

--------------

Lula, o discurso absurdo, a cor do papel higiênico e a “zerda” que eles fazem

Meu pingo final vai para a fala indecorosa de um certo Luiz Inácio Lula da Silva, proferida nesta quarta, na abertura do 5º Congresso do PT, em Brasília. Em vez de atacar a roubalheira na Petrobras, o poderoso chefão do PT preferiu vociferar contra as elites e, ora vejam, a imprensa. Contra as elites? Santo Deus! Seu partido foi o que mais recebeu doações de banqueiros e grandes empresas, algumas delas com empréstimos bilionários feitos pelo BNDES. Referindo-se aos PSDB, disse: “Parece que os tucanos arrecadam dinheiro como se fosse Criança Esperança. Não tem empresário.” Onde ele leu isso? Quem disse isso? Os petistas têm a mania de atribuir ao jornalismo o que este não diz para que fique mais fácil defender mecanismos de censura.

A necessidade de “reagir” ao que Lula considera ataques da oposição também foi debatida num almoço no Palácio do Alvorada, que reuniu a presidente Dilma; Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, e Jaques Wagner, governador da Bahia.

Demonstrando que a impostura não tem limites, Lula resolveu estabelecer um paralelo entre o mensalão e o petrolão:
“Agora a bola da vez somos nós. O PT não pode continuar crescendo, tem que ser atacado de todos os lados, em todas as frentes, com artilharia leve e pesada. Vamos fazer guerra eletrônica contra o PT, não importa se é verdade ou mentira. Vamos tentar difamar, destruir esse partido. No processo do mensalão, os companheiros que foram julgados já estavam condenados. Esse processo da Petrobras, o que a gente está vendo é que, quando chegar à Suprema Corte, quando o Teori (Zavascki) for analisar a delação premiada, instrumento criado por nós, a imprensa já vai ter condenado. Todo o vazamento é contra o PT”

Sabem o que ele está tentando? Encabrestar Zavascki, deixando claro que só aceita um resultado: a rejeição da denúncia contra os petistas. Ontem não era mesmo o seu dia de ser decoroso. Afirmou que os adversários já estão com medo de 2018 — e foi interrompido por grito de “Lula, Lula”, mas disse em seguida que é cedo para isso é que é hora de apoiar Dilma Rousseff. Ah, bom…

Rui Facão, presidente do PT, com a elegância retórica habitual, também discursou. Afirmou: “Não podemos permitir que os coxinhas ocupem a Avenida Paulista, e a gente não mostre a nossa presença”. No seu linguajar, “coxinhas” são os que protestam contra o escândalo da Petrobras. Não ficou claro se a “presença” de que ele fala é disputando o mesmo espaço, num confronto de rua. Eis ai: num dia, um ministro chama o presidente de um partido de oposição de “playbozinho”; no outro, o presidente do PT diz que o eleitorado de oposição é “coxinha”.

Houve tempo de Lula contar ainda uma mentira escandalosa:
“Eu perdi 89, e todo mundo sabe como perdi, entretanto, não fiquei na rua protestando, fui me preparar para a outra. (…) Quando a gente perdia, a gente acatava o resultado. Eles acham que a campanha não acabou. A gente não pode ficar nessa disputa com eles. Eles fazem uma passeata um dia, e a gente no outro. Ninguém aguenta. A Dilma precisa governar. Deixa a mulher trabalhar gente, ela ganhou as eleições”.

Santo Deus! O PT fez oposição sistemática aos governos Sarney, Collor, Itamar e FHC. Sem descanso. Sem dar um dia de folga. Ocupando, sim, as ruas e a Esplanada dos Ministérios. Votou contra todas os esforços sensatos e racionais de organizar o país, incluindo o Plano Real, as privatizações e a Lei de Responsabilidade Fiscal. Este senhor não se conforma, isto sim, é que possa haver oposição no país.

Tentando ser engraçado, Lula afirmou: “Daqui a pouco vão querer saber a cor e a qualidade do papel higiênico que se usa no Palácio”. Duas coisas para encerrar: 1: nós pagamos o papel higiênico e, se for o caso, temos o direito de saber qual está sendo usado; 2: ninguém precisa saber a cor do papel higiênico para reconhecer uma zerda.

-------------

E Lula se mete agora até a articular a disputa pela presidência da Câmara! É o fim da picada!

Parece piada, mas é verdade. A bancada do PT na Câmara decidiu lançar a candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) à Presidência da Câsa para enfrentar a postulação de Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB. Até aí, tudo bem! O PT tem a maior bancada, havia um acordo informal de que os dois partidos se revezariam no cargo — hoje com um peemedebista — etc. O que impressiona é outra coisa: a decisão foi tomada depois de uma reunião de petistas com… Luiz Inácio Lula da Silva.

Sim, é isto mesmo: quem se ocupou do assunto não foi o presidente do PT. Quem se ocupou do assunto não foi o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Quem se ocupou do assunto não foi o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. O ex-presidente da República, metendo-se a articulador do governo Dilma no Congresso, resolveu arrumar um adversário para Cunha.

Pois é… Os dias que vêm pela frente não são nada suaves, não importa o ângulo pelo qual se olhe. Por que os petistas têm de atravessar a rua para comprar essa briga, a não ser pela glória do mando? Qualquer resultado será objetivamente contraproducente: se Cunha vencer, ruim para o governo; se ele ganhar, péssimo. A razão é simples: uma eventual vitória do peemedebista fica ainda mais na dependência da adesão de parlamentares que se opõem ao governo, não?

O bloco de apoio a Chinaglia seria formado por PT, Pros, PC do B, PDT, PHS e PEN, além do PSOL, que é oposição. Só com isso, não dá para vencer. Será preciso rachar o grupo que hoje apoia o líder peemedebista. Um acordo com a oposição está fora de cogitação. Duvido que esta viabilize um terceiro nome para facilitar a vida dos petistas.

Como os companheiros já estão com a boca torta pelo uso do cachimbo, houve quem defendesse na reunião que o Planalto entrasse pesado no apoio ao candidato petista, envolvendo na pressão cargos no futuro governo. Foi preciso que o próprio Chinaglia deixasse claro que não era uma boa ideia.

E, vejam vocês!, os companheiros têm um desprezo pelos aliados que chega a ser comovente. Indagado se o PT apoiaria um candidato de outro partido, afirmou o deputado José Guimarães (PT-CE): “Sacode, sacode e não surge nome melhor do que do PT”. Pois é… Os companheiros seriam capazes de propor a substituição dos membros próprio Olimpo por militantes do partido. Afinal, quem são os deuses olímpicos perto dos petistas?

------------

Mendes e os demais ministros aprovam contas da campanha de Dilma, mas não as endossam, cobrando novas investigações dos órgãos competentes

Escrevi na manhã desta terça um post em que afirmava que Gilmar Mendes, ministro do Supremo e relator das contas de campanha de Dilma Rousseff (PT) no Tribunal Superior Eleitoral, deveria votar pela aprovação da contabilidade apresentada pelo PT, fazendo algumas ressalvas. E assim se deu. Por unanimidade, o TSE endossou o texto do relator. E isso quer dizer que pelo menos um episódio terá de ser investigado bem mais a fundo. Técnicos do tribunal haviam recomendado a rejeição do balanço. Mesmo reconhecendo que existem vários erros formais na prestação de contas do partido, o ministro optou pela aprovação, mas fazendo objeções — uma delas, ao menos, com potencial para produzir um bom estrago. E nisso também ele contou com a concordância dos seus pares.

Embora tenha elogiado o trabalho dos técnicos do tribunal, Mendes considerou que alguns dos problemas constituem erro material na apresentação dos dados, que tem de ser corrigido doravante, mas que, por ora, não são dotados de força suficiente para que as contas sejam rejeitadas. Também nessa linha havia se manifestado o Ministério Público Eleitoral.

Em seu relatório, no entanto, escreveu o ministro: “Ressalte-se que essa conclusão não confere chancela a possíveis ilícitos antecedentes e/ou vinculados às doações e às despesas eleitorais, tampouco a eventuais ilícitos verificados pelos órgãos fiscalizadores no curso de investigações em andamento ou futuras. Pelo contrário, foram verificados indícios de irregularidades que merecem a devida apuração”.

O texto do relator dá destaque a um desses indícios de irregularidade. Transcrevo trecho: “Tendo em vista a publicidade conferida a esta prestação de contas, a imprensa noticiou indícios de falsidade ideológica no contrato social da Focal Confecção e Comunicação Visual, de São Bernardo do Campo, segunda maior prestadora de serviços da campanha da candidata vencedora. A Folha de São Paulo informa que o sócio gerente seria, até o ano anterior, motorista contratado pela empresa, havendo sérios indícios de que tenha sido admitido no contrato social para ocultar os verdadeiros sócios. A conduta configura, em tese, crime de falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal”. Nota:  a tal Focal, a empresa de que um motorista que ganhava R$ 2 mil até o ano passado seria sócio, teria prestado serviços de R$ 24 milhões ao PT, só perdendo para os R$ 70 milhões de João Santana.

E Mendes prossegue:
“Além disso, se de fato ocorreu, a situação é um indício sério de outros crimes. Não se pode descartar a possibilidade dos serviços não terem sido efetivamente prestados, servindo o contrato como forma de desviar recursos da campanha. Isso poderia configurar, desde logo, crimes de falsidade ideológica quanto às notas emitidas pela pessoa jurídica (art. 350 do Código Eleitoral). Se houver envolvimento de pessoas ligadas à campanha e sua prestação de contas, podem surgir falsidade ideológica quanto à própria prestação de contas (art. 350 do Código Eleitoral); apropriação indébita ou estelionato contra a campanha (arts. 168 e 171 do Código Penal); lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei 9.613/98) e sonegação fiscal (art. 1º da Lei 8.137/90)”.

Por essa razão, decidiu o ministro:
“(…) proponho a remessa de cópia desta decisão e do parecer da Asepa — que é a assessoria técnica do tribunal, que recomendou a rejeição das contas — ao Procurador-Geral da República, ao Procurador-Geral Eleitoral, à Receita Federal, à Fazenda Estadual de São Paulo, à Fazenda Municipal de São Bernardo do Campo, e ao COAF. Encaminhe-se cópia, em meio digital, desta prestação de contas à Receita Federal e ao Tribunal de Contas da União”.

Como o texto de Mendes foi acatado por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral reconhece não dispor agora de elementos suficientes para rejeitar as contas da campanha de Dilma, mas também não as endossa, deixando claro que há indícios, sim, de graves irregularidades, que têm de ser investigados. De certo modo, as contas não foram nem rejeitadas nem aprovadas.

************


Lula: ‘Dinheiro do PSDB vem do Criança Esperança, não vem dos empresários’

Lula andava meio distante dos refletores. Reapareceu na noite passada, num encontro do PT, em Brasília. Além dos holofotes, reencontrou os companheiros, a militância e, sobretudo, o microfone. Teve um surto de loquacidade. Falou por 45 minutos. Num instante em que avançam as investigações do cartel de empreiteiras suspeitas de trocar propinas por contratos na Petrobras, Lula entregou-se à ironia.

Disse que o tucanato se comporta como se o PT fosse o único partido a custear suas campanhas eleitorais com dinheiro recolhido de empresas. “Parece que os tucanos arrecadam dinheiro numa campanha como se fosse Criança Esperança. Não tem empresário.”

Pela primeira vez, Lula comparou o mensalão com o petrolão. Repetiu a tese segundo a qual o julgamento que levou a cúpula do PT para a Papuda foi político. “Os companheiros que foram julgados já estavam condenados”. Insinuou que haverá novo pré-julgamento. Quando o ministro Teori Zavascki, relator do caso da Petrobras no STF, for analisar o processo, “a imprensa já condenou os nossos companheiros”, disse.

Vão abaixo os principais trechos do pronunciamento de Lula, cuja íntegra pode ser escutada no rodapé:

*

— Bola da vez: “Agora, a bola da vez somos nós. Agora é o PT. O PT não pode continuar crescendo. O PT tem que ser atacado, de todos os lados, em todas as frentes, com artilharia leve e pesada. Vamos fazer uma guerra eletrônica contra o PT. Não importa que seja verdade ou que seja mentira. Vamos tentar difamar o PT. Vamos tentar destruir esse partido.”

— Mensalão e Petrolão: “Quando houve o processo do mensalão, os companheiros que foram julgados já estavam condenados. Esse processo da Petrobras, que está acontecendo agora, o que a gente está vendo é que, quando esse processo chegar na Suprema Corte, que o ministro Teori for analisar a delação premiada, criada por nós, a imprensa já condenou os nossos companheiros. Ou já condenou aqueles que não são companheiros e que estão sendo citados.”

— Investigações X interpretações: “Eu dizia na reunião da bancada hoje: a gente reclama das investigaçes? Não! A gente reclama é da interpretação das investigações. Não tem um instrumento nesse país que esteja servindo para investigar e para aparecer tantas denúncias de corrupção como os instrumentos que nós criamos. Nós! Ninguém! Fomos nós que criamos todos os instrumentos que permitem às pessoas compreenderem: neste país, a partir do governo do PT, ninguém será impune se não for honesto, se não for ético e se não fizer as coisas corretas. Esse partido não nasceu pra fazer igual.''

—Papel higiênico: “Eu, de vez em quando, vejo o jornal denunciar corrupção em ONG. Aonde pegou o dado? No Portal da Transparência do governo. A lei do acesso à informação é nossa, fomos nós que criamos. Daqui a pouco eles querem saber a cor e a qualidade do papel higiênico que se usa no palácio.”

— Terceiro turno: “O que nós queremos para esse país é que eles sigam o exemplo que o PT deu. Eu perdi 89. E todo mundo sabe como é que eu perdi. Entretando, eu não fiquei na rua protestando. Eu fui me preparar pra outra. Perdi a outra. [...] Cada vez que a gente perdia, a gente acatava o resultado. Nem isso eles aprenderam. Eles acham que a campanha não acabou.''

— Quinto mandato: “Eles admitiam até a nossa chegada à Presidência da República. Mas a eleição era incômoda. O terceiro mandato era muito mais incômodo ainda. E o quarto mandato mais incômodo ainda. Eles começam a ficar apavorados com a perspectiva de quinto mandato. Começam a ficar apavorados. E nós precisamos tomar muito cuidado, porque ninguém tem que pensar nesse momento em 2018. Nós temos que pensar é em 1ºde janeiro de 2015, na posse da presidenta Dilma. E no sinal que a gente vai ter que dar para esse país…”

— Guerra de passeatas: “A gente não pode, na minha opinião, ficar fazendo essa disputa com eles. Eles fazem uma passeata na quinta, a gente faz uma na sexta. Eles fzem uma na segunda e a gente faz uma na terça. Ninguém aguenta, meu filho. A Dilma tem que governar esse país. A Dilma não pode ficar atrás de passeata, não. Ela já ganhou as eleições. A Dilma precisa governar e cuidar desse país, cuidar desse povo. [...] Deixa a mulher trabalhar, gente! Ela ganhou as eleições. Ela tá montando o governo dela.”

— Corrupção na testa: “É hora de os petistas levantarem a cabeça, é hora de a gente ter orgulho de enfrentar um debate sobre a corrupção nesse país. Eu quero dizer pra vocês uma coisa, olhando na cara de cada companheiro aqui: a gente não pode aceitar a pecha que eles querem incutir na nossa testa, de corrupção.''

— O mais honesto: “Vou contar uma coisa pra vocês: eu não sou melhor do que ninguém. Mas se enfiar todos eles, um dentro do outro, eles não são mais honestos do que eu. Não são mais honestos do que eu. E quando eles, historicamente, não têm argumento pra fazer o debate político, pra discutir economia, pra discutir política social, a corrupção é o único discurso da direita em vários lugares do mundo. Se valeu pra outros, valeu. Pra mim não vale.''

— Mãe analfabeta: “Eu sou filho de uma mulher que nasceu e morreu analfabeta. O único legado que ela me deixou foi o direito de andar de cabeça erguida neste país. E não vai ser ninguém que vai fazer eu abaixar a cabeça nesse país por denúncias contra o partido.''

— Ritual ético: “Companheiros e companieras, é hora de o orgulho petista aflorar. É hora de a gente dizer pra todos os militantes do PT: esse partido nasceu pra ser diferente. E vai ser diferente. Quem não quiser cumprir o ritual ético nesse partido, ter uma relação ética na sociedade ou nas instâncias governamentais, é melhor sair do PT, porque senão a gente não vai conseguir governar esse país.”

— Bolsa alegria: “A expectativa é que a presidenta Dilma anuncie pra esse país, no dia 1º, o que serão os próximos quatro anos no Brasil do ponto de vista econômico, da sua relação com a sociedade, das políticas sociais, da política de desenvolvimento, da política de crescimento, para que a gente possa recupecar nesse país a alegria e o otimismo que nós tivemos durante muito tempo.''

— Nunca antes no planeta: “Falo com muito orgulho: não existe no mundo, e vocês têm que ter orgulho disso, não existe no mundo nenhuma experiência política mais bem sucedida do que o PT. Nao existe! Obviamente que, por termos ficado grandes, a gente também comete erros.”

— Filho problemático: “Se eu quisesse citar uma mãe como exemplo, o melhor momento da criação de um filho é quando ele está no colo da gente e que depende só da gente. A gente não pode soltar. Não senta, não come sozinho, não engatinha, não anda. Tem que estar no colo da gente. E quando o bichinho começa a crescer, que a gente pensa que vai ajudar a gente, o bichinho começa a dar problema. [...] E quando angente pecebe que ele está ficando adulto, ele quer sair de noite. A dor de cabeça aumenta. Arruma uma namorada. A dor de cabeça aumenta. Inventa de fazer coisas boas, inventa de casar. Vêm os netos. O partido é isso. o partido era um tiquinho de gente, meia dúzia de loucos que começaram com um movimento em 79. E, de repente se transforma no maior partido de esquerda —com exceção da China—, o maior partido de esquerda do mundo. Plural, democrático. E aí começam a aparecer os defeitos, porque nós somos constituídos de seres humanos.”

— Militância remunerada: “A gente começa a adquirir hábitos que não deveríamos ter adquirido, porque não nascemos para isso. Nós não nascemos para ser igual aos outros, nascemos pra ser diferentes. Nós nascemos pra fazer campanhas diferentes. Nós nascemos para não fazer campanhas baseadas nos cabos eleitorais pagos. Uma campanha baseada no gasto de muito dinheiro, aonde [sic] a militância desaparece e aparece o profissional da política. Nós não nascemos pra isso.”

— Saudade das origens: “Cada um de vocês tem uma experiência no Estado de vocês, na cidade de vocês. Como era mais gostoso quando a gente não tinha tanto voto como a gente tem hoje, mas a gente tinha muito mais orgulho e andava de cabeça erguida nesse país, querendo que as pessoas copiassem a gente.''

— Caída em si: “Eu não defendo a ideia de que o PT volte às origens, porque, coitadinho do Lula, voltar às origens aos 69 anos é impensável. Não quero isso. Quero que a gente evolua, como evolui a sociedade. [...] Mas eu acho que o PT precisa repensar o seu papel na sociedade. A palavra repensar é muito difícil, porque pensar já e muito difícil. Imagina repensar! Significa penar duas vezes. É difícil. Mas nós precisamos repensar o nosso papel. [...] A direção de um partido não é uma partilha entre tendências. A direção de um partido tem que ter os principais quadros desse partido, para se transformar em voz pública desse partido, para defender o partido. Nós, nesse momento político, precisamos ter mais representatividade. Preciamos ter mais força pública.”

— Fuga de cérebros: “Cadê os intelectuais do PT? Eram tantos! E eles sonhavam estar no PT porque acreditavam no discutso que nós fazíamos. Quantos e quantos intelectuais… A começar por duas figuras nobres: Sérgio Buarque de Holanda e Mário Pedrosa, acompanhados de Apolônio de Carvalho. Eles pareciam meninos sonhando quando a gente criou PT. Era tudo o que eles queriam na vida. Um partido de esquerda, onde os trabalhadores tivessem a maioria nesse partido.

— Sonhos e utopias: “Houve um tempo em que a gente ia pra um comício do PT e a grande maioria era de jovens de 25, 26 e até 27 anos. E nós, muitas vezes, somos pais dessa gente que taí. Quem sabe nós não estamos conseguindo convencer essa gente a ter a mesma esperança, o mesmo sonho que nos tivemos quando começamos o PT. Então, é preciso voltar a construir sonhos. É preciso voltar a construir utopias.

— Geração Twitter: “Essa meninada que não ouve mais rádio, que não ouve mais televisão, que não lê mais jornal, como é que nós vamos conversar com ela, numa linguagem de meias palavras, que eu nem entendo mais o Twitter. É tudo muito curto, muito breve. Você não consegue explicitar uma ideia. Onde é que a gente vai se comunicar com essa gente num momento em que a gente é atacado?


-------------

Lição de vida!




**********

Blog do Merval

Tiroteio

Pelo segundo dia consecutivo uma autoridade da Republica faz críticas públicas à falta de transparência e controle nas contas da Petrobras. Na segunda-feira o ministro chefe da Controladoria-Geral da União (CGU) Jorge Hage criou embaraços ao Palácio do Planalto ao despedir-se do cargo lamentando que as estatais brasileiras estejam protegidas dos controles governamentais, fora do sistema de acompanhamento de gastos das contas oficiais.

No seu discurso, Hage defendeu a ampliação do sistema de controle interno do Poder Executivo, considerado por ele como “incompleto”. O ministro fez uma crítica indireta ao governo ao qual serviu por 12 anos ao afirmar quer uma “ampliação e complementação” do sistema só acontece se houver “vontade política” de investir mais em controle e prevenção da corrupção, com uma mudança de patamar nas dimensões do sistema de controle.

Ontem foi a vez do Procurador-Geral da República, que sugeriu a demissão coletiva da diretoria da Petrobras. Na abertura da Conferência Internacional de Combate à Corrupção, Rodrigo Janot chamou o escândalo de corrupção na Petrobras de “incêndio de grandes proporções” e defendeu uma reformulação completa na estatal, com mais “rigor e transparência”.

Tendo sido acusado de estar trabalhando por uma solução que livre as empreiteiras de serem consideradas inidôneas, com pagamentos de multas sem condenações, o Procurador-Geral da República garantiu que ninguém deixará de ser punido, garantindo que os corruptores pagarão com a cadeia e terão que devolver aos cofres públicos o que desviaram.

“A resposta àqueles que assaltaram a Petrobras será firme, na Justiça brasileira e fora do país”, disse Janot, referindo-se ao fato de que o escritório de advocacia americano Wolf Popper LLP está processando a estatal brasileira por não revelar “a cultura de corrupção dentro da companhia”. Ao chamar de “cenário desastroso” a gestão da companhia, e pedir a demissão coletiva da diretoria, Janot atacou diretamente a atual presidente Graça Foster, amiga da presidente Dilma que quer mantê-la no cargo apesar de todos os problemas.

Foi por isso também que o ministro da Justiça José Eduardo Cardozo passou um vexame ontem. Ele estava presente quando o Procurador-Geral da República fez as críticas à diretoria da Petrobras, e não viu razão para contestá-lo na hora. Depois, no entanto, de conversar com a presidente Dilma, ele convocou uma coletiva de imprensa para defender a diretoria, em especial Graça Foster.

Mais uma vez o ministro da Justiça foi obrigado a sair de seu papel institucional para atuar em um campo que não diz respeito a seu cargo, defendendo diretores de uma estatal ou, como fez outro dia, defendendo o próprio Partido dos Trabalhadores das acusações de ter recebido doações com dinheiro desviado da Petrobras.

Nos dois casos, Cardozo atuou como partidário, e não como uma autoridade da República. O perigo dessa conduta é levantar a suspeição de que esteja agindo assim para se colocar como candidato a uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que transformará sua indicação pela presidente Dilma em um aparelhamento partidário semelhante ao que já aconteceu com a indicação de Dias Toffoli pelo presidente Lula.

Outro que tenta se posicionar para uma indicação ao STF é Luis Adams, advogado-geral da União, que também saiu de seus cuidados para defender a presidente Dilma, tomando as dores do PT. Segundo ele, em 2010 os petistas contavam com uma equipe jurídica que atuava para impedir ilegalidades.

O fato é que o problema político do governo só faz aumentar à medida que o caso Petrobras ganha contornos de escândalo internacional, com investidores nos Estados Unidos processando a estatal, acusando sua direção de ter escondido os graves problemas de corrupção que ocorriam na empresa.

A presidente da Petrobras Graça Foster, e a presidente Dilma, que presidia o Conselho Administrativo por ocasião da compra da refinaria de Pasadena nos Estados Unidos, podem ser responsabilizadas pessoalmente pelos eventuais prejuízos causados aos investidores.


*********

Blog do Noblat

Bolsonaro, que se diz capaz de estuprar, ofende uma deputada e merece ser cassado
Ricardo Noblat

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) não é apenas um falastrão como querem seus amigos. Nem apenas um bronco como reconhecem alguns dos seus colegas. É um sujeito indecente, obsceno e, com frequência, indecoroso.

Admiradores e desafetos dele na Câmara costumam fazer de conta que não ouvem seus insultos. Procedem assim alegando que confrontar Bolsonaro é fazer o seu jogo. Ele ganha votos quando se torna pivô de polêmicas.

Só que há limite para tudo. E Bolsonaro, na tarde de ontem, ultrapassou todos os limites. Se ainda houver um mínimo de vergonha na Câmara, será instalado um processo no Conselho de Ética para cassar o mandato de Bolsonaro.

Menos do que isso será compactuar com ele.

A deputada Maria Do Rosário (PT-RS), ex-ministra dos Direitos Humanos, foi gravemente ofendida por Bolsonaro. Mas não somente ela. Também todas as pessoas de bom senso que tomaram conhecimento do episódio.

A Câmara celebrava o Dia Internacional dos Direitos Humanos. E Maria do Rosário acabara de discursar quando Bolsonaro a sucedeu na tribuna. E disse para espanto da maioria dos que o ouviram:

- Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí. Há poucos dias você me chamou de estuprador no Salão Verde [da Câmara] e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir — disse Bolsonaro. E foi além:

- A Maria do Rosário saiu daqui agora correndo. Por que não falou da sua chefe, Dilma Rousseff, cujo primeiro marido sequestrou um avião e foi pra Cuba, participou da execução do major alemão? O segundo marido confessou publicamente que expropriava bancos, roubava bancos, pegava armas em quarteis e assaltava caminhões de carga na Baixada Fluminense. Por que não fala isso? Mentirosa, deslavada e covarde. Eu a ouvi falando aqui as asneiras dela. E fiquei aqui.

Em 2003, sem que nada tenha lhe acontecido, Bolsonaro disse a mesma frase e, e seguida, empurrou Maria do Rosário, chamando-a de vagabunda.

A reação da deputada foi enérgica, mas por si só não esgota a questão.

— Não me dirigi a esse senhor, tenho o direito de trabalhar. Peço à Mesa Diretora da Câmara que o mantenha distante e que ele não use meu nome. Não aceitarei. Talvez em alguns locais de tortura, essas palavras são típicas de quem fala em tortura.

No exercício do mandato, os parlamentares são imunes a processos. É o que determina a lei. Mas nem por isso eles podem cometer desatinos que configurem, por exemplo, a quebra do decoro parlamentar.

Luiz Estevão de Oliveira, o primeiro senador cassado da História do Congresso brasileiro, não perdeu o mandato porque embolsou dinheiro público destinado à construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo.

Perdeu porque mentiu a seus pares. Isso é quebra de decoro. Pela mesma razão, José Dirceu, ex-ministro do primeiro governo Lula, acabou cassado. Estevão está preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Dirceu saiu de lá há pouco.

Por mais horror que isso represente, Bolsonaro pode, sim, defender o uso da tortura como método para extrair confissões. Já o fez. Pode, sim, defender uma ditadura militar como o melhor dos regimes. Também já o fez.

Mas nada disso equivale ao que ele fez ontem. Bolsonaro admitiu que seria capaz de estuprar uma pessoa. E ao se dirigir à deputada Maria do Rosário, afirmou que só não a estupraria porque ela não fizera por merecer.

(Em um passado nem tão remoto assim, o então deputado Paulo Maluf cunhou uma triste frase a respeito do uso de violência contra mulheres: “Estupra, mas não mata”. Ficou impune.)

O que as organizações de Direitos Humanos esperam para sair em defesa da honra agredida da deputada Maria do Rosário?

O que falta para que os partidos entrem no Conselho de Ética da Câmara com um pedido de abertura de processo para cassar o mandato e os direitos políticos de Bolsonaro?

Por que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, não lidera essa iniciativa?

***********


Mendes deve aprovar contas de Dilma com ressalvas. Ou: Fraude na entrada e na saída

É bem possível que o ministro Gilmar Mendes, do STF, relator das contas da campanha de Dilma Rousseff no Tribunal Superior Eleitoral, faça um relatório favorável à sua aprovação, ainda que, como costuma acontecer nesses casos, possa fazer ressalvas aqui e ali.

Os técnicos do TSE apontaram erros formais, mas talvez eles não justifiquem, numa primeira mirada — dado o tempo exíguo existente para uma apuração detalhada das falhas —, a rejeição, que, de resto, estou certo, não contaria com o endosso da maioria do tribunal. Ainda que Mendes aprove as contas — como, creio, tente a acontecer —, dados que vieram à luz nos fazem pensar.

Vamos ver o caso interessantíssimo da tal “Focal”, a empresa de “montagem de eventos” que tem como sócio um motorista que, até o ano passado, recebia um salário de R$ 2 mil. Ela responde pelo segundo maior gasto do PT: R$ 24 milhões. Nesta terça, um homem chamado Carlos Cortegoso diz ser o verdadeiro dono da Focal, que também tem como clientes a Petrobras e os Correios.

Não estou dizendo que aconteceu assim. Apenas exponho aqui uma possibilidade para a reflexão dos leitores. Os tontos e os de má-fé querem pôr um fim às doações de empresas às campanhas na suposição de que isso diminuiria a corrupção. Bem, já está mais do que demonstrado que não. Aconteceria justamente o contrário: aumentaria o caixa dois.

O caso da Focal nos alerta para uma outra possibilidade — e, reitero, não estou acusando ninguém: apenas conjecturo. Não é só na receita dos partidos que pode haver fraude. Ela também pode acontecer na despesa. Ora, basta que o partido arrume uma nota fiscal de prestação de serviços de uma empresa que só existe no papel — Alberto Youssef tinha algumas — para justificar uma saída do caixa.

O serviço, de fato, nunca foi executado, mas o dinheiro está liberado para o partido usar como quiser, inclusive comprando votos mesmo, em moeda sonante. Sim, não se criam empresas fantasmas apenas para justificar a entrada de dinheiro em caixa; elas também servem para justificar a saída. Esse, aliás, é um dos métodos empregados nos cafundós do país.

Eis aí mais uma evidência de que quão tosca — e falsa! — é aquela conversa de financiamento público de campanha como forma eficaz de combater a corrupção. Se é feio comprar voto com doações privadas, com recursos do Tesouro, convenham, é um pouquinho pior.

Acho que Mendes vai, sim, se posicionar em favor da aprovação das contas. É muito provável que seja o que lhe permitem os dados de que dispõe. Mas que fique a evidência: o sistema de financiamento de campanha está corrompido na entrada do dinheiro e na saída.

------------

CPI da Petrobras chega ao fim: chanchada macabra!

E meu pingo final vai para o desfecho melancólico da CPMI da Petrobras. O deputado Marco Maia (PT-RS), relator, pode apresentar o seu texto hoje à tarde. O que ele traz de interessante? Nada! As duas comissões instaladas no Parlamento brasileiro não investigaram coisa nenhuma, blindaram os políticos, protegeram os corruptos e deram tratamento de gala aos corruptores. Só não se pode dizer que é um vexame sem par porque se trata de um par de vexames.

É uma humilhação para o Legislativo brasileiro! Hoje, a Petrobras está sendo investigada nos EUA. A Holanda puniu uma empresa por ter pagado propina inclusive no Brasil. Um grupo de acionistas recorre à Justiça americana para ser ressarcido dos danos provocados pela roubalheira. A Polícia Federal avançou na apuração, e as CPIs passaram o ridículo de cobrar acesso à investigação quando os seus membros faziam questão de não convocar ninguém.

Se faltasse um emblema do estado miserável a que foi reduzido o Congresso neste caso, bastaria lembrar que o senador Vital do Rego (PMDB-PB), presidente das duas comissões e seu diligente coveiro, teve aprovado o nome para o Tribunal de Contas da União. No TCU, vai herdar justamente as apurações de irregularidades na… Petrobras. Um desfecho de chanchada. De chanchada macabra.

---------------

Dilma ainda não se deu conta da gravidade da ação contra a Petrobras nos EUA e manda seu ministro da Justiça conceder entrevistas patéticas

A presidente Dilma Rousseff, tudo indica, não está se dando conta de que, como diria o poeta, o dano pode ser maior do que o perigo. Está começando a sapatear à beira do abismo. Nesta terça, o procurador-geral da República prometeu agir com dureza contra os desmandos na Petrobras e cobrou a substituição de toda a diretoria. Estava num seminário, a que comparecera também José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, que assegurou que nada há contra a atual direção da empresa.

A presidente achou sua defesa tímida e o fez, pateticamente, convocar uma entrevista coletiva para reiterar que Graça Foster e equipe gozam da sua confiança. É evidente que isso não é tarefa para o titular da Justiça — afinal, existem, para tanto, um ministro das Minas e Energia e um chefe da Casa Civil. Ao mandar Cardozo pagar o mico, Dilma queria emprestar certa gravidade, digamos, “judicial” à prova de confiança. Há o risco de ninguém ter explicado a ela que ministro da Justiça não é… Poder Judiciário. Adiante!

O processo movido nos EUA por investidores que detêm ações da Petrobras tem potencial para levar a empresa à lona — a uma lona pior do que aquela em que está hoje. E notem: qualquer um que tenha os papéis, negociados entre 10 de maio de 2010 a 21 de novembro deste ano pode se juntar aos reclamantes até o dia 6 de fevereiro do ano que vem.

Sim, os fundos de pensão brasileiros que compraram papéis da Petrobras — Petros, Previ e Funcef — podem aderir. O governo fará de tudo para impedi-lo, mas eles têm autonomia para fazê-lo. É possível que eles tomem a decisão política de não agir contra a Petrobras. Mas aí as respectivas direções terão de prestar contar a seus sócios. E se os demais forem bem-sucedidos?

Dois escritórios movem as ações: o americano Wolf Popper, com sede em Nova York, e o brasileiro Almeida Low Advogados. Em entrevista a Geraldo Samor, da VEJA.com, o advogado André Almeida faz uma conta simples e, ao mesmo tempo, aterradora para a estatal brasileira. O valor de mercado da Petrobras caiu R$ 104 bilhões no período compreendido pela ação. Admitindo-se que 30% do capital da Petrobras esteja na forma de ADRs (as ações), o prejuízo a ser ressarcido poderia chegar a R$ 31 bilhões. Ocorre que, nos EUA, isso não é tudo: também há uma multa pelos chamados “danos punitivos”.

Sim, investimento em ações comporta riscos. A questão é o que fazer quando os exemplos de má governança se tornam tão escandalosamente evidentes e quando fica claro que uma quadrilha operava dentro da empresa. Faltaram advertências? Ao contrário. Não nos esqueçamos. Em 2009, foi instalada uma CPI para apurar lambanças na estatal. Entre os fatos apontados no requerimento, podia-se ler:
“a) indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo, apontadas pela operação ‘Águas Profundas’ da Polícia Federal; b) graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontadas pelo Tribunal de Contas da União; c) indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União”

O governo e o comando da empresa, presidida, então, pelo petista José Sérgio Gabrielli, fizeram questão de enterrar a investigação, afirmando que se tratava apenas de “guerra política”. Foi também em 2009 que o TCU recomendou a suspensão de repasses para obras da Petrobras, medida aprovada pelo Congresso. Mas Lula vetou e mandou soltar a dinheirama. Antes ainda, em 2007, o então advogado da estatal junto ao tribunal, Claudismar Zupiroli, enviou um e-mail à então secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, advertindo para o fato de que a empresa abusava do expediente de dispensar a Lei de Licitações.

Vale dizer: advertências e razões para investigar não faltaram. Com alguma competência e bom propósito, a roubalheira teria sido estancada. A chance de a Petrobras se meter numa encalacrada bilionária é gigantesca.

Mas Dilma prefere fazer de conta que nada está acontecendo e manda seu ministro da Justiça conceder entrevistas patéticas. “Ah, mas a atual diretoria da Petrobras não tem nada com isso!” Não importa! Ninguém está pedindo que seus integrantes sejam presos. Apenas se cobra que o comando da empresa seja entregue a técnicos, sem quaisquer vinculações políticas. Ou a sangria vai continuar.

Como se tem lembrado com propriedade, a Enron e a WordCom quebraram justamente na esteira de uma ação dessa natureza. Cuidado, Dilma!

-------------

Em quatro inquéritos, PF indicia 13 na Operação Lava Jato; vem mais gente por aí. O simples indiciamento não faz de ninguém um réu

A Operação Lava Jato andou mais um pouquinho. A Polícia Federal indiciou 13 pessoas no âmbito de apenas quatro inquéritos que integram a dita operação. Eles investigam a atuação no esquema das empreiteiras OAS, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e Galvão Engenharia. Além do lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como homem do PMDB, doze executivos dessas empresas estão na lista. E as demais construtoras? E os outros investigados? Estão em outros inquéritos, e os respectivos indiciamentos devem ocorrer nos próximos dias.

Não vamos confundir as coisas. Ainda que a Petrobras tenha se convertido, e isto é inequívoco, num valhacouto — um só dos assaltantes aceita devolver US$ 97 milhões —, indiciamento não quer dizer comprovação de culpa nem condenação. O que a Polícia Federal faz nessa fase é arrolar os indícios que julga ter encontrado, remetendo-os ao Ministério Público, que vai decidir se denuncia os investigados ou não. Caso isso aconteça e caso a Justiça aceite a denúncia, então eles passam, formalmente, a ser réus.

A delegada Erika Mialik Marena afirma que as empreiteiras se organizaram num cartel, pagando propina a agentes da Petrobras. Ela aponta, por exemplo, a “abertura de contas bancárias em nome de interpostas pessoas, o fluxo mascarado do dinheiro, a celebração de contratos ‘de papel’ para esquentar a saída do dinheiro na contabilidade dos corruptores, o uso de doleiros para propiciar a disponibilização de valores fora do país aos corruptos e a falta de uma concorrência efetiva nos certames da Petrobras”.

Da OAS, foram indiciados José Ricardo Nogueira Breghirolli, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, José Aldemário Pinheiro Filho, Mateus Coutinho de Sá Oliveira e Alexandre Portela Barbosa. Desses cinco, apenas Barbosa foi solto. Da Queiroz Galvão, Othon Zanóide de Moraes Filho e Ildefonso Colares Filho foram autuados e respondem ao inquérito em liberdade. Da Galvão Engenharia, Erton Medeiros da Fonseca foi indiciado e está preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba (PR). Da Mendes Júnior, foram autuados Flavio Sá Motta Pinheiro, Rogerio Cunha de Oliveira, Angelo Alves Mendes e Sergio Cunha Mendes — apenas este último está preso.

Todos os executivos foram indiciados por lavagem de dinheiro, corrupção ativa, fraude de licitações, falsidade ideológica e uso de documento falso. Já o lobista Fernando Baiano foi indiciado por corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

E os políticos com mandato?
Bem, não cabe à Polícia Federal indiciá-los. Quem se encarrega deles é o Procurador Geral da República, que vai oferecer denúncia ao Supremo Tribunal Federal ou, a depender do caso — quando envolver governador, por exemplo —, ao Superior Tribunal de Justiça.

Se vocês acham que já houve bastante barulho, esperem até vir a público os respectivos nomes de todos os políticos.

************


Aécio rebate ministro vinculando-o a assassinato

O quase ex-ministro petista Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) despertou a ira do tucano Aécio Neves ao referir-se a ele da mesma maneira pejorativa que Lula fizera na campanha: “Playboyzinho”. Em resposta, o ex-presidenciável do PSDB reacendeu as suspeitas que rondam a biografia de Gilbertinho, como Lula o chama, no caso que resultou no assassinato do ex-prefeito petista de Santo André Celso Daniel.

Gilbertinho falou de Aécio durante a assinatura de convênios com pequenos agricultores familiares. “Eu morria de medo do playboyzinho ganhar a eleição, porque eu tinha clareza que ia acabar essa energia que está aqui nesta sala. Isso não tinha condição de continuar porque não está nesse projeto”, disse o ministro.

Ouvido pela repórter Maria Lima, Aécio foi à jugular: “Os termos que o ministro se referiu a um senador da República e presidente de um partido só confirma sua baixa estatura política. Mesmo depois de 12 anos como ministro, a principal marca da biografia do senhor Gilberto Carvalho será sempre seu envolvimento com as graves denúncias de corrupção em Santo André, que culminaram com o assassinato do prefeito Celso Daniel, ainda não esclarecido.”

Noutro trecho de sua fala aos agricultores familiares, Gilbertinho discorreu sobre as forças da oposição: “Essa gente aqui do governo tem a criatividade e o heroísmo de ficar batalhando internamente, sofrendo perseguição e discriminação por conta disso, sofrendo todo o tipo de acusação de bolivarianismo, de chavismo, de mais um monte de merda que os caras [da oposição] falam…”

E Aécio: “O ministro Gilberto Carvalho tem mesmo razões para ter medo. Temia que se eu fosse eleito, eu iria acabar com a corrupção, colocar ordem no País e acabar com as boquinhas do seu partido, em especial a dele próprio.”

Ex-candidato a vice na chapa de Aécio Neves, o senador tucano Aloysio Nunes Ferreira mirou abaixo da linha da cintura. “Trata-se de um cafajeste. O fato de um ministro de Estado se referir nesses termos a um senador e presidente de partido reflete bem o baixo nível do governo Dilma. Eu não sei de que ele tinha medo, se Aécio ganhasse. Mas ele sabe onde o rabo dele está preso. Especula-se muito sobre isso.”

Líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy muniu-se de ironia. “O medo do ministro Gilberto Carvalho é que a presidente Dilma Rousseff faça uma delação premiada.”

Tomada pela disposição que exibe nos últimos dias, a oposição reserva para Dilma Rousseff, no seu segundo mandato, uma paz de Oriente Médio.

------------

Graça Foster vai cair por excesso de inocência

Dilma Rousseff irritou-se com a sugestão do procurador-geral Rodrigo Janot de que o governo deveria promover as “reformulações cabíveis” na Petrobras, inclusive “a substituição de sua diretoria.” A presidente ordenou ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que convocasse os jornalistas.

Após cobrir de elogios a presidente da Petrobras, Graça Foster, o doutor Cardozo pontificou: “A posição do governo é de que não há nenhuma razão objetiva para que os atuais gestores da Petrobras sejam afastados do comando da empresa.” Erro. A ficha de Dilma Rousseff ainda não caiu, mas seu (des)governo fez de Graça Foster uma demissão inevitável, esperando para acontecer.

A presidente da Petrobras é uma senhora austera. Dilma enxerga nela uma honestidade incrível. E a plateia, impressionada com a petrorroubalheira, passou a ver em Graça Foster uma inocência inacreditável. Incrível e inacreditável são palavras da mesma família. Mas têm significados distintos.

A honestidade de Graça é incrível porque é difícil de acreditar que, no meio de tanta lama, ainda é possível encontrar algo tão bom quanto uma reputação inatacável. Sua inocência é inacreditável porque não dá para acreditar que uma mulher como Graça, que dedicou a vida à Petrobras, que ocupa postos de direção desde Lula, é ingênua a ponto de se transformar em mais uma nefasta ilustração do lema “eu não sabia”.

Não adianta brigar com o inevitável. Diante de um pé d’água, a primeira coisa a fazer é encontrar um guardachuva. A segunda, é abrir o guardachuva. A terceira, é tentar se molhar o mínimo possível. Alcançada por um temporal, Graça Foster está ensopada. Ela até dispunha de guardachuva. Mas teve de usá-lo para proteger Dilma.

Você deve se lembrar: a sujeira da Petrobras começou a vazar pelas bordas do tapete depois que Dilma, numa nota redigida de próprio punho, afirmou que teria reprovado a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, se não lhe tivessem sonegado informações vitais sobre o negócio. Desde então, Graça Foster perambula pelo noticiário como um exemplo de administradora inocente, usando sua respeitabilidade e sua boa reputação para justificar o injustificável.

As arcas da Petrobras vinham sendo violadas pelo PT, PMDB e PP desde Lula. Dilma, que foi ministra de Minas e Energia, presidente do Conselho de Administração da estatal, chefe da Casa Civil e mãe do PAC fingiu-se de cega e enrolou-se na bandeira da ética. E não soube de nada! Este é um governo que arrenda a Petrobras à tesouraria clandestina dos partidos e à caixa registradora cartelizada das empreiteiras corruptoras. Mas é Graça Foster quem coloca a boa estampa a serviço da preservação do disfarce.

O Brasil conhecia pouco a diretora de Gás e Energia que Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró chamavam de colega até fevereiro de 2012, quando Dilma a nomeou presidente da Petrobras. Mas o destino da Graça Foster de 2014 não lhe estranho ao país. Ela construiu uma carreira notável para acabar como uma marionete que não consegue demitir o apadrinhado que Renan Calheiros acomodou no comando da Transpetro.

As circunstâncias fizeram de Graça Foster administradora de um caos que, até prova em contrário, ela não ajudou a causar. Mas o excesso de inocência, por inacreditável, acabou grudando na presidente da Petrobras não a estampa de uma gestora eficiente, mas a aparência de uma espécie de virgem de Sodoma e Gomorra.

------------

Puxadinho!



**********


Lula acampa em Brasília para pressionar TCU, TSE, STF, PGR, PF, CGU e políticos. Vem tentar defender Dilma de acusações de crimes eleitorais, fiscais e até mesmo de corrupção ativa na Petrobras.

Presença de Lula em Brasília é uma tentativa de blindar Dilma e o seu governo das acusações de crime eleitoral e de corrupção na Petrobras. Para isso, Lula ameaça botar o PT na rua.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Brasília na semana decisiva para as articulações políticas em torno da definição do novo ministério do governo Dilma Rousseff e da escolha do candidato apoiado pelo PT na disputa pela Câmara dos Deputados. Desde esta terça-feira na capital federal, Lula tem uma agenda extensa de encontros com Dilma, com parlamentares e lideranças partidárias.

Lula deve reunir-se nesta quarta-feira pela manhã com o presidente do PT, Rui Falcão (SP), e parlamentares petistas. Durante o dia, terá encontros com parlamentares dos partidos aliados e com Dilma, em um momento em que a reforma ministerial está empacada, por causa dos impasses com a base aliada. 

O embate mais recente é o PCdoB, que já formalizou o desejo de manter o ministro Aldo Rebelo no Ministério do Esporte. Por meio do ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante  — que está na coordenação da reforma —, Dilma reivindicou a pasta ao PCdoB, oferecendo ao aliado a pasta da Cultura.

O PT também está insatisfeito com a demora na definição dos nomes e cobra mais espaço no ministério. Ontem, as queixas contaminaram a reunião da bancada do PT na Câmara, marcada para discutir o nome a ser apoiado  na disputa pela Casa. O encontro terminou sem definição e a bancada fará hoje uma nova reunião para tentar chegar a um consenso.

Uma ala do PT, próxima a Lula , tem sinalizado com um eventual acordo com Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que já oficializou sua candidatura à presidência da Câmara. O apoio , no entanto, enfrenta resistência junto ao governo e de boa parte da bancada petista.

O líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), disse ontem  que o partido pretende lançar um nome, mas afirmou que poderá recuar da candidatura própria. “Não temos dúvida: vamos apresentar nome para ser apreciado por outros partidos, mas não vamos impor um nome. Esse nome pode ser substituído até mesmo por um de outro partido", afirmou. A escolha do próximo presidente da Câmara será feita em fevereiro de 2015.

Deputados devem negociar hoje com Lula os rumos dessa eleição. Na agenda do ex-presidente existe a previsão - não confirmada oficialmente -de participar da posse do novo presidente do Tribunal de Contas da União, Aroldo Cedraz, junto com Dilma. No fim do dia, Lula comandará um ato político do PT para discutir a conjuntura política e defender o governo, em reação à onda de protestos, após a reeleição, que têm reunido milhares de pessoas nos fins de semana em São Paulo.

O evento dividirá atenções com o julgamento da prestação de contas da campanha de Dilma no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando os dirigentes petistas receiam que o ministro Gilmar Mendes, relator do processo, apresente voto pela rejeição das contas. Dilma não participará do evento.

O ato petista é uma primeira contraofensiva aos movimentos da oposição, que tem levado milhares de pessoas às ruas para protestar contra a corrupção e a reeleição de Dilma. Lula discursará na abertura dos preparativos para o 5º Congresso Nacional do PT. O evento vai reunir a cúpula partidária e centenas de militantes. O ato deflagra o processo de seis meses de debates sobre a conjuntura e o futuro do partido, até o congresso, agendado para 11 de junho de 2015, em Salvador (BA).

O secretário-geral do PT, deputado Geraldo Magela (DF), ressalta que o PT não vai mais “discutir eleição, porque está encerrado o processo eleitoral”. Mas ressalva que Lula poderá aproveitar sua fala para responder à ofensiva da oposição “conjuntural e circunstancialmente”.

A presidente Dilma não comparecerá, já que ela marcou presença na reunião do diretório nacional do PT em Fortaleza, no dia 28. Em contrapartida, ela atua em outra frente, promovendo reuniões com movimentos sociais. Lula avalia, nos bastidores, que se crescer o movimento contra a reeleição da petista, será preciso mobilizar as massas para defendê-la nas ruas. Na última segunda-feira, Dilma reuniu-se no Palácio do Planalto com lideranças do movimento sindical. Ontem, recebeu dirigentes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e lideranças do MST. (Valor Econômico)

----------

Com povo do lado de fora, base alugada da Dilma aprova PLN 36 e "anistia" presidente de crime de responsabilidade.

Após semanas de embates entre governo e oposição, o Congresso concluiu nesta terça-feira (9) a votação do projeto que permite ao governo federal fechar as contas deste ano, por meio de uma manobra fiscal. Deputados e senadores liberaram a União de cumprir a meta de economia para o pagamento de juros da dívida (o chamado superávit primário), estabelecida na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). O texto segue para sanção presidencial.

A medida impede que a presidente Dilma Rousseff eventualmente responda por crime de responsabilidade, como acusava a oposição, por descumprir a meta de economia deste ano. O projeto permite que desonerações tributárias e gastos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) sejam abatidos dessa meta de poupança. Com isso, a meta fiscal, de ao menos R$ 81 bilhões, deixa na prática de existir, e o governo fica autorizado até mesmo a apresentar um déficit em 2014.

O texto foi aprovado sob protestos da oposição, que promete recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar declarar a medida inconstitucional. "O nosso objetivo é entrar com uma ação mostrando a inconstitucionalidade desta aprovação", disse o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG). "O governo estabelece um novo padrão de quando a lei não é cumprida, as metas não são alcançadas, muda-se a lei, as metas. Isso afugenta investimentos, desaquece a economia, deixa de gerar empregos. O que nós assistimos foi a base dar uma anistia porque o crime foi cometido, o que se faz agora é modificar a lei para que ela seja anistiada", completou.

Com a aprovação da matéria, deputados e senadores garantiram um reforço de R$ 444,7 milhões em verbas para investimentos principalmente em obras em seus redutos eleitorais. Cada um dos 513 deputados e 81 senadores terá a mais R$ 748 mil em emendas individuais, totalizando R$ 11,7 milhões no ano. A liberação dos recursos foi condicionada à aprovação da proposta em um decreto assinado pela presidente no dia 28 de novembro.

Na votação desta noite, o plenário do Congresso derrubou a última emenda da oposição apresentada ao projeto, que pretendia limitar as despesas correntes discricionárias (que o governo pode escolher se executa ou não) ao montante executado no ano anterior. Em maioria no plenário, os deputados derrotaram a emenda por 55 votos favoráveis, 247 contrários e duas abstenções. A votação do Senado nem chegou a ser divulgada, já que os deputados rejeitaram a mudança no texto principal.

O Congresso aprovou o texto principal do projeto na semana passada, em sessão que durou 19 horas e se estendeu pela madrugada. O debate instalou um verdadeiro clima de guerra na Casa, com direito a troca de xingamentos entre parlamentares governistas e da oposição, e até agressões físicas envolvendo seguranças.

Na votação desta terça, congressistas da oposição voltaram a fazer sucessivos discursos com ataques à manobra do governo. Em minoria, eles não conseguiram empurrar a votação por várias horas, nem tiveram número para aprovar a emenda. A votação não foi concluída na semana passada porque aliados de Dilma esvaziaram a sessão após horas de discussão.

Nas últimas três semanas, o Planalto chegou a sofrer derrotas impostas por sua própria base aliada, que atuou para adiar a discussão diante das insatisfações com a montagem da equipe para o segundo mandato de Dilma. O desgaste foi exposto principalmente nas bancados do PMDB, PP, Pros e PR na Câmara. (Folha Poder)


***********

Blog do Coronel

Documentos apreendidos pela PF mostram Clube da Corrupção com 16 empreiteiras.

Há três semanas, ao raiar do Juízo Final – a sétima fase da Operação Lava Jato, que levou à cadeia executivos das principais empreiteiras do país –, uma equipe da Polícia Federal dirigiu-se a Santana de Parnaíba, município de São Paulo. Estavam atrás do engenheiro mecânico Cristiano Kok, de 49 anos, diretor da Engevix. A missão dos agentes era levá-lo à superintendência da Polícia Federal (PF), onde ele deveria ser interrogado sobre as suspeitas de corrupção que pesam contra a empresa. Havia um mandado para que, no jargão jurídico, os policiais o submetessem a "condução coercitiva". Acompanhado de uma advogada, Kok reivindicou seu direito de permanecer calado.

Enquanto Kok se negava a detalhar o que sabia, outra equipe da PF vasculhava a sala dele e de outros diretores da Engevix, na sede da empresa, em Barueri, na região metropolitana de São Paulo. Começava ali o Juízo Final na corrupção brasileira, de acordo com os investigadores. Na sala de Kok, dizem eles, houve a mais proveitosa de todas as buscas feitas pela PF naquele dia. Ali foram encontradas planilhas e anotações que, segundo os investigadores, corroboram fortemente a acusação de que um cartel domina há anos os contratos na Petrobras.

A papelada confirma, em parte, o que o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e dois dirigentes da empreiteira Toyo Setal revelaram em suas delações premiadas. Essas provas serão decisivas para embasar as denúncias que deverão ser apresentadas nesta semana pelo Ministério Público Federal (MPF) contra os empreiteiros presos.

ÉPOCA teve acesso ao conjunto de documentos recolhidos nas dependências da Engevix. Além de ratificar o que os delatores já disseram, os papéis revelam detalhes inéditos sobre os bastidores do que, em algumas das anotações, era chamado de “bingo” – e os investigadores chamam de "cartel". Os nomes de 16 empreiteiras – os "jogadores" do tal bingo – aparecem nas planilhas.Todas elas contêm colunas com os nomes de participantes. Estão listadas algumas das principais obras da Petrobras, como as refinarias de Abreu e Lima (Pernambuco), Presidente Getúlio Vargas (Paraná), Duque de Caxias (Rio de Janeiro) ou Paulínia (São Paulo).

Há indícios, de acordo com os investigadores, de jogo combinado entre as empresas na distribuição dos contratos. O autor dos documentos – não se sabe ainda se Kok ou outro diretor da Engevix – anotava as prioridades de cada uma das empresas. Também registrava o apoio mútuo entre elas, para que saíssem vitoriosas nas licitações de sua preferência. A Engevix é alvo de dois inquéritos para apurar seu envolvimento nas irregularidades. Um deles trata especificamente do consórcio Rnest, liderado pela Engevix para prestar serviços à Petrobras na obra da refinaria de Abreu e Lima.

A cronologia dos papéis apreendidos na Engevix oferece um roteiro para entender como os jogadores do bingo combinavam aquilo que chavam de "prêmios" – e os investigadores afirmam ser os contratos da Petrobras. O primeiro documento é uma planilha de 24 de setembro de 2007. Leva o título “Lista de Novos Negócios (Mapão)”. Trata-se de um documento que descreve as obras das Petrobras e os serviços previstos em cada uma delas. A maior parte das contratações é para serviços em refinarias, área comandada entre 2004 e 2012 por Paulo Roberto Costa. No rodapé da planilha, uma observação chamou a atenção dos investigadores: “QG, CC e CN se posicionaram na Renest em prol do restante”.

Na avaliação dos investigadores, a frase demonstra acertos futuros. As iniciais representam, segundo os investigadores e dois lobistas do setor ouvidos por ÉPOCA, as empresas Queiroz Galvão (cujas iniciais são QG), Camargo Corrêa (de iniciais CC) e Odebrecht (ou Construtora Norberto Odebrecht, de iniciais CNO, ou apenas CN, segundo os investigadores). Quatro dias após montar o tal "mapão", o autor atualizou o documento. Chamou-o de “Lista de Compromissos”. Ela foi novamente atualizada ao menos duas vezes, em 14 de março e 29 de abril de 2008. As combinações que aparecem no mapão espelham-se, na maiora das vezes, nos contratos fechados pela Petrobras.

Ao lado do "mapão" com as relações dos "prêmios", a PF apreendeu na Engevix anotações específicas sobre as obras de Abreu e Lima e do Comperj, as duas mais caras da Petrobras, e as duas contra as quais mais pesam as evidências de propina. Também apreendeu atas das reuniões. O autor das anotações chamou uma delas, datada de agosto de 2008, de “Tentativa para a ‘Fluminense’”. Uma outra leva o nome “Proposta de Fechamento do Bingo Fluminense”. "Bingo Fluminense" é, no entender da PF e do MPF, um codinome para as obras do Comperj.

Segundo os documentos, os "jogadores" do "bingo" se reuniram em São Paulo, em 14 de agosto de 2009. A ata registra: "Reunião do bingo". Nela, descrevem-se as combinações dos contratos e as empreiteiras responsáveis por fazer a "coordenação". Anotações dão detalhes das negociações. Numa delas, registra-se, segundo os investigadores, que a sueca Skanska deveria desistir de um dos acertos: "SK não ficou com nada, quer posição futura".

CLIQUE AQUI e leia na Época mais esta reportagem de Diego Escosteguy e Marcelo Rocha.

-------------

Petrobras pode ir à falência se perder ação bilionária movida contra ela nos EUA.

Aqui, em inglês, a ação movida pela Wolf Popper, um dos mais poderosos escritórios de advocacia dos Estados Unidos.

O escritório de advocacia norte-americano Wolf Popper LLP entrou com uma ação coletiva contra a Petrobras em Nova York em nome de todos os investidores que compraram ADRs (recibos que representam ações de uma empresa na Bolsa de NY) da companhia entre maio de 2010 e 21 de novembro de 2014.

De acordo com a ação, a Petrobras violou artigos a lei que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos, a Securities Exchange Act, ao emitir declaração falsas e enganosas e não revelar "a cultura de corrupção dentro da companhia, com um esquema multibilionário de lavagem de dinheiro e subornos desde 2006."

O processo afirma que a companhia exagerou ao declarar o valor de suas propriedades e equipamentos no balanço financeiro em decorrência do superfaturamento de contratos. "O preço das ações da Petrobras caiu de cerca de US$ 19,38 em 5 de setembro de 2014 para US$ 10,50 em 24 de novembro de 2014, um declínio de US$ 8,88 por ação, ou 46%", diz o documento.

Ao longo de todo o período citado pela ação, o preço dos papéis da Petrobras registrou queda de 69%, passando de US$ 34,30 em 21 de maio de 2010 para US$ 10,84 em 21 de novembro deste ano.Qualquer pessoa que tenha ADRs da companhia pode propor uma ação contra a Petrobras para recuperar os prejuízos sofridos. Para vencer o processo, os responsáveis por ele terão de provar que os esquemas de corrupção eram conhecidos pelos diretores da companhia e que a perda dos acionistas foi consequência direta do escândalo.

Na ação, os advogados da Wolf Popper afirmam que "o momento e a magnitude da queda das ações negam qualquer alegação de que as perdas sofridas tenham sido causadas por uma piora nas condições do mercado, fatores macroeconômicos ou da indústria, ou fatos específicos da companhia que não tenham relação com a conduta fraudulenta."

Em geral, casos como este terminam em acordo, com a empresa ressarcindo a maior parte dos prejuízos aos acionistas. Procurado, o advogado responsável pela ação, Robert Finkel, não retornou as ligações da reportagem. (Folha de São Paulo)

------------

Contas oficiais da campanha eleitoral de Dilma Rousseff são rejeitadas pelos técnicos do TSE. Oposição pode pedir a cassação da diplomação da presidente.

Técnicos do TSE entregaram para o ministro do STF, Gilmar Mendes, um relatório que analisou movimentações de R$ 700 milhões (sendo R$ 350,4 milhões captados e 350,2 milhões gastos ).  Foram identificadas irregularidades em 4,05% do total arrecadado e em 13,88% do total das despesas. Também foram encontradas problemas menos graves, classificados como "impropriedades" pelos técnicos, em 5,22% do total arrecadado.

Segundo esta matéria do Estadão, técnicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recomendaram ao ministro-relator Gilmar Mendes a rejeição das contas da presidente Dilma Rousseff, nas prestações da campanha de 2014. O julgamento, inicialmente previsto para esta terça-feira, 9, foi adiado para o dia seguinte, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) marcou uma sessão extraordinária.

A mudança ocorre para que a Procuradoria-Geral Eleitoral tenha tempo de emitir seu parecer sobre o pedido de desaprovação das contas elaborado por técnicos do TSE. A PGE recebeu o relatório apenas na tarde desta segunda-feira e tem 48 horas para se manifestar.

O ministro Gilmar Mendes, que é vice-presidente do TSE e relator da prestação de contas da campanha à reeleição da presidente Dilma e do comitê financeiro do PT, viu a existência de "fortes indícios" de doação acima do limite legal por parte de pelo menos cinco empresas.

Em despacho na noite de sexta-feira, 5, Mendes pede à Receita Federal com urgência dados sobre o faturamento bruto da Gerdau Aços Especiais e mais quatro empresas: Saepar Serviços e Participações, Solar.BR Participações, Ponto Veículos e Minerações Brasileiras Reunidas. Juntas, as cinco empresas doaram R$ 8,83 milhões, somando a destinação de dinheiro ao Diretório Nacional do PT com doações diretas feitas à Dilma Rousseff e ao Comitê financeiro para a Presidência da República.

Entre as cinco empresas que tiveram doações contestadas, a Gerdau foi a que enviou o maior montante à candidatura da presidente Dilma, R$ 5,01 milhões, seguida pela Minerações Brasileiras Reunidas, que doou R$ 2,80 milhões. A Solar Participações doou R$ 570 mil, a Ponto Veículos, R$ 450 mil e a Saepar, R$ 250 mil.

O advogado das contas do PT, Sávio Lobato, disse que, mesmo que as empresas tenham excedido o limite de doações, as punições recairão sob elas, e não ao partido. "Pela legislação, quem faz doação acima do limite é que deve ser punido", justifica. A resolução do TSE prevê pagamento de multa pela empresa no valor de cinco a dez vezes a quantia extrapolada. Contudo, pode também o candidato responder por abuso do poder econômico. As empresas que ultrapassam o limite de doação ficam sujeitas também à proibição de participar de licitações públicas e de firmar contratos com o poder público por até cinco anos.

Resolução do TSE em vigor nas eleições de 2014 prevê que as doações a candidatos sejam limitadas a 2% do faturamento bruto da empresa, levando em conta o ano-calendário anterior à eleição. No caso dessas contas, a porcentagem é calculada com base no faturamento de 2013. No início do mês, Mendes havia solicitado à Receita dados contábeis de empresas que fizeram doações à campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Após a resposta, o ministro pediu informações agora especificamente sobre as cinco empresas. "Considerando as informações contidas no ofício (...), que revelam fortes indícios de descumprimento do limite para doação, oficie-se, com máxima urgência, à Receita Federal para informar, com a brevidade possível, o faturamento bruto das empresas abaixo relacionadas", decidiu Mendes.

Em novembro, Mendes requisitou que as contas da presidente fossem analisadas também por técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU), da Receita Federal e do Banco Central. A análise das contas do comitê financeiro nacional do PT e da presidente Dilma está prevista para ser levada ao plenário do TSE nesta segunda, dois dias antes do prazo máximo que o Tribunal tem para julgar as prestações de contas.

Em nota, a coordenação financeira da campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff afirmou que os aspectos questionados pelos técnicos do TSE são de natureza formal e "em nada questionam a lisura da arrecadação e das despesas". Confira o texto completo:

Nota para a imprensa

Em relação à divulgação do parecer da Assessoria Técnica do TSE que opina pela desaprovação das contas de campanha do PT, esclarece-se:

1) até o presente momento, não tivemos acesso ao parecer técnico elaborado pelo TSE;
2) os aspectos questionados são de natureza formal. Em nada questionam a lisura da arrecadação e das despesas. A campanha Dilma Rousseff seguiu rigorosamente a legislação vigente, os princípios éticos e a mais absoluta transparência, seja na arrecadação como na ordenação de despesas;
3) toda a arrecadação e gastos de campanha foram rigorosamente informados à Justiça Eleitoral, não havendo questionamento que subsista a uma verificação atenta dos 245 volumes de documentos apresentados. Grande parte dos questionamentos encontram suas respostas nos documentos apresentados ao próprio TSE;
4) as questões apontadas no parecer para justificar a desaprovação, conforme divulgadas pela imprensa, são meramente formais e estão relacionadas exclusivamente às datas de lançamento das prestações de contas parciais – gastos realizados em julho informados em agosto; gastos realizados em agosto informados na prestação de contas final - ou seja, questões que não comprometem a verificação integral das contas. Importante ressaltar que a prestação de contas seguiu rigorosamente a legislação em vigor;
5) deve-se salientar ainda que o rigor da Assessoria Técnica em relação às questões formais apontadas não encontra amparo legal nem na própria jurisprudência do TSE;
6) por fim, espera o Partido dos Trabalhadores e a Coligação “Com a força do povo” que o Tribunal Superior Eleitoral, em nome da segurança jurídica, não altere deliberada e casuisticamente sua orientação anteriormente firmada.

Coordenação Financeira da Campanha Dilma Rousseff

***********


PT inventa o fantasma do golpe para posar de vítima
Ricardo Noblat

O PT encontrou um antídoto que julga eficiente para qualquer embaraço grave que a presidente Dilma Rousseff enfrente doravante: a denúncia de golpe.

Sim, há um golpe em curso contra Dilma, segundo o PT. E tudo haverá de ser feito para evitá-lo.

Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, foi sorteado para analisar as contas de campanha de Dilma. O lance, ora, faz parte do golpe.

Um lance que dependeu de sorteio – mas não importa. Até os fados, muitas vezes, favorecem o mau contra o bem.

Gilmar é ministro graças a Fernando Henrique Cardoso, que o indicou. Lula cabalou o voto dele para absolver os mensaleiros. Gilmar denunciou a cabala e desde então foi promovido pelo PT à condição de seu inimigo.

Uma equipe de 16 técnicos do Tribunal Superior Eleitoral encontrou irregularidades nas contas de campanha de Dilma.

Olhe aí! Bem que o PT avisou. É golpe. Mais um lance do golpe!

Se Gilmar propuser a desaprovação das contas de campanha de Dilma, seu voto será confrontado com os votos de outros seis ministros. Entre eles, o governo tem folgada maioria.

Mas e daí? Trata-se de um golpe e pronto!

Digamos que as contas da campanha acabem rejeitadas. Ainda assim Dilma seria empossada. E teria tempo suficiente para corrigi-las. Só perderia o cargo se não as corrigisse. É quase impossível.

Onde estaria o golpe nesse caso?

Ora, no ar, nas nuvens, no clima, em qualquer lugar.

Na verdade, a denúncia de golpe serve para vitimizar Dilma e o PT. E aumentar, se der certo, o apoio popular dos dois.

Serve, também, para disfarçar o momento delicado que Dilma atravessa. Afinal, a Justiça denunciará empreiteiros envolvidos na roubalheira da Petrobras.

E no PT se teme que a denúncia aproxime ainda mais o escândalo do gabinete de Dilma. E - quem sabe? - do gabinete do vice Michel Temer.

O doleiro preso Alberto Yousseff, em troca de delação premiada, contou coisas que até Deus duvida. E comprometeu Lula e Dilma. Disse que eles sabiam da roubalheira.

Não basta ao delator que delate. Caso minta perderá o benefício de uma pena menor.  Delação premiada não se sustenta com mentiras.

O PT decidiu organizar de última hora uma manifestação contra o golpe a se realizar amanhã, em Brasília. Se tiver certeza de que a manifestação reunirá muita gente, Lula comparecerá. Do contrário, não.

Sabe o que de fato acontece?

O PT ganhou mais quatro anos de governo, embora por pouco. Por uma diferença mínima. A menor desde que ele chegou ao poder pela primeira vez em 2002. Ainda não se recuperou do susto.

Perdeu 18 vagas na Câmara dos Deputados. E meia dúzia no Senado. Para que governe, dependerá do apoio do PMDB. Quase metade dos convencionais do PMDB, em meados deste ano, rejeitou o apoio à reeleição de Dilma.

Em fevereiro próximo, o PT completará 35 anos de vida. Nasceu à sombra de Lula. Alcançou o poder por meio de Lula. Dependerá de Lula para não ser expurgado do poder em 2018. Não é uma trajetória brilhante.

O medo instalou-se no partido. É por isso que ele não consegue sequer celebrar a vitória que colheu há coisa de mês e meio.

***********


Acionistas que processam a Petrobras têm em Graça Foster e Dilma Rousseff as suas principais testemunhas; agonia da empresa parece não ter fim! Privatize a estatal, governanta! Salve o patrimônio dos brasileiros!

 A agonia da Petrobras parece não ter fim. E não terá até que a presidente Dilma Rousseff tome uma providência drástica, que acene com alguma seriedade no trato da cadeia de descalabros que tomou a empresa. Toda a diretoria — toda, sem exceção — tem de ser demitida. É preciso também substituir, com as desculpas antecipadas aos que nada têm a ver com a bandalheira, os cargos executivos de gerência. Não custa lembrar que Pedro Barusco, o homem que fez, até agora, o maior acordo para a devolução de dinheiro, era um mero gerente. Ah, sim: estamos falando de US$ 97 milhões.E por que se cobra aqui essa atitude?

O escritório americano de advocacia Wolf Popper, em parceria com o Almeida Law, no Brasil, entrou na Justiça americana contra a petroleira brasileira. Eles representam um grupo de investidores — já falo a respeito deles — que compraram ações na Bolsa de Nova York (as chamadas ADRs) entre maio de 2010 e novembro de 2014. Pois bem: a alegação é a de que a estatal brasileira mentiu aos acionistas e omitiu dados importantes, ferindo cláusulas da“Securities Exchange Act”, legislação que regula as empresas de capital aberto dos EUA.

E quais fatos são relacionados para caracterizar a mentira e a omissão? As evidências de corrupção. E os escritórios estão com um trunfo nas mãos, dado por Graça Foster, presidente da Petrobras — e podem apresentar outro, dado por Dilma Rousseff, que preside nada menos do que a República. Vamos ver. No dia 11 de novembro deste ano, escrevi aqui um texto apontando um absurdo dito por Graça naquela terça-feira, numa conferência com investidores, quando anunciou, então, que adiaria a divulgação do balanço trimestral. E o que afirmou a mulher que preside a estatal?

Antes de reproduzir a sua fala, tenho de lembrar alguns fatos. Em fevereiro, reportagem de VEJA informou que a empresa holandesa SBM havia pagado propina a funcionários da Petrobras em operação envolvendo plataformas de petróleo. No fim de março, Graça concedeu uma entrevista em que negou solenemente que houvesse alguma irregularidade. No mês passado, eis que esta senhora diz o seguinte (reproduzo entre aspas):
“Passadas algumas semanas, alguns meses [da investigação interna da Petrobras], eu fui informada de que havia, sim, pagamentos de propina para empregado ou ex-empregado de Petrobras. Imediatamente, e imediatamente é ‘imediatamente’, informamos a SBM que ela não participaria de licitação conosco enquanto não fosse identificada a origem, o nome de pessoas que estão se deixando subornar na Petrobras. E é isso que aconteceu, tivemos uma licitação recente, para plataformas nos campos de Libra e Tartaruga Verde, e a SBM não participou.” 

Escrevi naquele dia 11: “É pouco e errado, minha senhora! Quem estava informado sobre tudo isso? A Petrobras não é patrimônio seu, mas do povo brasileiro.” Mas as coisas não param por aí. Graça se esqueceu de que a Petrobras é uma empresa de economia mista, com ações negociadas em bolsas de valores, inclusive nos EUA, onde esse negócio é levado a sério.

Atenção! Os dois escritórios, por enquanto, representam investidores institucionais, como fundos de pensão, por exemplo. E isso quer dizer que se pode estar a falar de uma montanha de dinheiro. Mas fica claro que qualquer investidor pode aderir ao processo. Só para que vocês tenham em mente: os preços das ADRs da companhia caíram de US$ 19,38 em 5 de setembro deste ano para US$ 10,50 em 24 de novembro, uma queda de 46%.

Os escritórios estão com uma penca de evidências nas mãos. Uma das maiores foi fornecida pela própria Dilma, quando afirmou que, na condição de presidente do Conselho, fora enganada pela diretoria da Petrobras na operação que resultou, por exemplo, na compra da refinaria de Pasadena. Pergunta óbvia: os acionistas foram advertidos? É claro que não!

Nesta segunda, com queda de mais de 6% na Bolsa, as ações preferenciais da Petrobras tiveram sua menor cotação em quase dez anos: R$ 11,50, pouco acima do piso de R$ 11,39 de janeiro de 2005, antes das descobertas supostamente fabulosas do pré-sal. A queda do petróleo no mercado internacional — o que começa a tornar antieconômica a exploração do óleo em águas profundas — foi o principal fator do dia. Ocorre que essa má notícia para a Petrobras colhe a empresa quando ela está no fundo do poço moral. É claro que o processo dos acionistas, nos EUA, não ajuda.

Num mundo de decisões puramente racionais, Dilma anunciaria a privatização da Petrobras, as ações disparariam, a empresa recuperaria boa parte do seu valor de mercado, e o país sairia ganhando, podendo cobrar os tubos pela exploração do petróleo, sem ter de arcar com essa estrovenga. Afinal, por determinação constitucional, tudo o que está no subsolo pertence à União. Ninguém vai roubar o nosso petróleo de canudinho.

Mas nem Dilma nem presidente nenhum farão isso. Pior para a Petrobras. Pior para o Brasil. Pior para os brasileiros. Seguiremos sendo roubados, mas cantando o Hino Nacional, cheios de orgulho.

------------

CONTAS DE DILMA – Tem um motorista no meio do caminho; no meio do caminho tem um motorista

Bem, bem, bem… Então vamos ver. Técnicos do Tribunal Superior Eleitoral que analisaram a prestação de contas da candidata do PT à Presidência em 2014, Dilma Rousseff, recomendaram a sua rejeição. O parecer foi enviado a Gilmar Mendes, ministro do STF e que é o relator do caso no TSE. Ele remeteu o parecer ao Ministério Público Eleitoral e estipulou um prazo de 48 horas para que o órgão se manifeste. Nesta quarta, o ministro deve apresentar o relatório. O gabinete de Mendes também andou encontrando coisas estranhas. Já chego lá. Antes, é preciso destacar que tem um motorista no meio do caminho. No meio do caminho tem um motorista.

Segundo informam Andréia Sadi, Ranier Bragon e Gustavo Uribe na Folha, vejam vocês, “a segunda maior fornecedora da campanha de Dilma Rousseff tem como um dos sócios administradores uma pessoa que, até o ano passado, declarava o ofício de motorista como profissão.”

É… Uma empresa chamada Focal Confecção e Comunicação Visual recebeu a bolada de R$ 24 milhões da campanha. Só o marqueteiro João Santana levou mais: R$ 70 milhões. A Focal fica em São Bernardo, e um dos seus donos, no papel ao menos, é Elias Silva de Mattos, um rapaz que é motorista e que, até o ano passado, recebia R$ 2 mil por mês. Ele se tornou sócio em novembro do ano passado, com participação de R$ 3 mil na composição da empresa. A outra sócia é Carla Regina Cortegoso, com cota de R$ 27 mil.

A reportagem da Folha falou com Mattos. Sua reação? Esta, prestem atenção:
“Eu sabia que ia virar transtorno na minha vida. Eu não posso dar entrevista, não estou preparado para falar. Eu não sou nada, vai lá conversar com eles”. Mattos se referia à empresa.

Quem falou em nome “deles” foi Carlos Cortegoso, pai de Carla Regina, que nem sócio da empresa é. Ele preferiu emprestar à coisa um sotaque sociológico, de luta de classes talvez: “Todo mundo tem o direito de ascender na escala social mediante o trabalho e competência”. Nisso, claro!, estamos de acordo, né? Em 2005, com outra composição societária, sem o motorista, a Focal foi apontada por Marcos Valério — aquele do mensalão — como uma das destinatárias de recursos do esquema, por indicação do PT.

Voltemos à prestação de contas. As notas fiscais apresentadas pela Focal, que teria atuado na área de montagem de eventos, integram o lote dos problemas apontados pelos 16 técnicos do TSE, que afirmam ter encontrado irregularidades em 4% da arrecadação de campanha (R$ 319 milhões) e em 14% das despesas — ao todo, R$ 350 milhões.

O ministro Gilmar Mendes solicitou ainda à Receita dados complementares sobre cinco empresas que colaboraram com a campanha de Dilma: a Saepar Serviços, a Solar BR, a Gerdau Aços Especiais, a Ponto Veículos e a Minerações Brasileiras Reunidas. O total doado por essas companhias ultrapassa os R$ 10,6 milhões. A lei estabelece que cada empresa pode doar, no máximo, 2% do seu faturamento. Segundo cálculo feito pelo gabinete de Mendes, o limite foi ultrapassado. Em despacho à Receita com data de sexta, o ministro cobra os números com “máxima urgência”, dados os “fortes indícios de descumprimento do limite para doação”.

E agora?
Mendes deve apresentar seu relatório na quarta. Pode acatar o parecer dos especialistas do TSE — e vamos ver o que diz o Ministério Público Eleitoral — ou rejeitá-lo. Em 2010, Lewandowski ignorou a opinião dos técnicos, que recomendavam a rejeição das contas de Dilma, e as aprovou, no que foi seguido por seus pares. Ele chegou, acreditem!, a omitir a avaliação técnica em seu texto final.

Mesmo que as contas sejam rejeitadas pelo TSE, Dilma pode ser diplomada. Mas a oposição terá em mãos um trunfo para pedir uma investigação judicial, que pode resultar até na cassação do diploma da presidente e na consequente perda do mandato. O caso do motorista que ganhava R$ 2 mil e que agora é sócio de um empreendimento que está em segundo lugar no item das despesas do PT não ajuda muito, né? Sobretudo porque, tudo indica, o rapaz não está à vontade na pele de um dos donos de uma empresa que fatura R$ 24 milhões com um único cliente.

Para arrematar: pensemos nesse caso. Alguns tontos dizem que os males do Brasil são as doações de empresas a campanhas. É mesmo? Se o financiamento fosse público, será que não existiriam mais assalariados de R$ 2 mil como sócios de empreendimentos de faturamento milionário?

Tem um motorista no meio do caminho, PT!

No meio do caminho, tem um motorista!

--------------

Antevendo recessão em 2015, setores do mercado já apostam que Levy não durará muito tempo

É incrível a velocidade com que tudo se deteriora, inclusive as expectativas. O que vai agora não é torcida, não — até porque ninguém sai ganhando se as piores previsões se concretizarem: governo, oposição, população… Ninguém! O fato é que, nos corredores do mercado financeiro, já começou a ser feita uma aposta: quanto tempo Joaquim Levy, futuro ministro da Fazenda, vai durar no cargo. E, obviamente, coisas assim não contribuem para aumentar a confiança no Brasil.

No começo do mês, o banco Morgan Stanley, por exemplo, cortou a sua projeção de crescimento para o ano que vem, que já vinha distante do magríssimo (nunca “magérrimo”!!!) 0,8% que era ventilado até dia desses pelo mercado, perspectiva agora assumida pelo governo. O Morgan transformou uma previsão de mero 0,3% positivo em 0,3% negativo. Vale dizer: para essa instituição bancária, o Brasil terá uma recessão no ano que vem.

Um conhecido que participou de recente jantar com diretores de bancos de investimento acompanhou, algo espantado, a avaliação, praticamente consensual, de que Levy não resistirá a uma recessão que também dão como certa em 2015: os otimistas falam em queda de pelo menos 0,5%; os pessimistas, de até 2,5%.

Uma coisa é produzir crescimento pífio, ou recessão mesmo, como se antevê, quando há um “companheiro” no comando da economia; outra, distinta, é ver o número negativo quando, no timão da economia, está alguém que a companheirada considera “sapo de fora”, um “tucano infiltrado”, a “direita neoliberal”.

Aguardem!

-------------

Investidores entram com ação nos EUA contra a Petrobras

Por Ana Clara Costa, na VEJA.com. Comento daqui a pouco.
Investidores protocolaram, nesta segunda-feira, uma ação civil pública contra a Petrobras nos Estados Unidos. Há mais de dez investidores envolvidos na ação, cujos nomes são mantidos em sigilo, representados pelos escritórios de advocacia Wolf Popper, com sede nos Estados Unidos, e Almeida Law, no Brasil.

Os escritórios representam apenas investidores institucionais (como fundos, por exemplo) que compraram ações da companhia na Bolsa de Nova York (a chamada ADR) entre maio de 2010 e 21 de novembro de 2014. Contudo, sugerem que qualquer investidor pessoa física ou jurídica que tenha comprado ADRs em Nova York também se junte ao processo. O prazo para a adesão é o dia 6 de fevereiro do ano que vem.

Na ação, investidores alegam que a Petrobras violou artigos da “Securities Exchange Act”, legislação que regula as empresas de capital aberto dos Estados Unidos. Segundo o processo, a Petrobras enganou os investidores ao emitir “material falso” e não informar seus acionistas sobre o esquema de corrupção que se espalhou sobre a empresa desde 2006. Um dos inúmeros fatos que embasam a ação ocorreu há cerca de duas semanas, quando a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, afirmou que foi informada pela empresa holandesa SBM que funcionários da estatal haviam recebido propina da companhia. O comunicado foi feito há cerca de 5 meses, sem que a empresa tenha informado seus acionistas. A omissão fere um dos artigos da “Securities and Exchange Act”.

Os investidores acusam a estatal de ter penalizado seus acionistas ao superfaturar o valor de propriedades e equipamentos, usando os valores excedentes para desvio. O Wolf Popper cita ainda que, após as denúncias sobre a investigação do esquema, os preços das ADRs da companhia caíram de 19,38 dólares em 5 de setembro de 2014 para 10,50 dólares em 24 de novembro, queda de 46%.

Segundo o advogado André Almeida, do escritório brasileiro que participa da ação, há clientes brasileiros e americanos envolvidos. “Os investidores que possuem ADRs têm o benefício de usar a lei americana, onde a empresa pode sofrer danos punitivos, como o pagamento de indenização aos acionistas, algo que não acontece no Brasil”, afirma.

A escolha do intervalo entre 2010 e 2014 para a compra de ações da empresa se deve, segundo Almeida, ao fato de a oscilação das ações da Petrobras ter se descolado, a partir de 2010, do restante das petroleiras. Enquanto as principais concorrentes se valorizaram, a estatal perdeu valor de mercado no período. “Isso mostra que, ou os preços das ações da Petrobras estavam inflados ou as ações poderiam ser muito mais valiosas do que realmente eram”, afirma. Nesta segunda-feira, a ação da Petrobras atingiu seu menor valor desde 18 de novembro de 2005, cotada a 11,50 reais.

Trata-se do terceiro episódio envolvendo a Justiça americana que a Petrobras protagoniza. Em novembro, a Securities and Exchange Comission (SEC), que regula o mercado de capitais, abriu uma investigação judicial para apurar irregularidades na empresa no cumprimento à legislação. Em seguida, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos deu início a uma investigação criminal para apurar fraudes em contratos da empresa.

***********


Vínculo de Dirceu com empreiteira lembra o PC

Na fase de derrocada do cleptogoverno de Fernando Collor, a Polícia Federal fez uma batida no escritório da EPC, firma de consultoria de Paulo Cesar Farias, o célebre PC. Ao varejar um dos computadores apreendidos na operação, os agentes descobriram que a nata da plutocracia nacional farejara no operador das arcas clandestinas da época um consultor de talento insuspeitado.

Contrataram os bons préstimos de PC Farias logomarcas como Odebrecht, Cetenco, Votorantim, Cimento Portland Itaú e Tratex. Até hoje, não há vestígio de nenhum trabalho realizado por PC como contrapartida do dinheiro recebido de tais empresas. Numa de suas melhores frases, o amigo de Collor declarou: “Se alguém queria me agradar com dinheiro, eu não tinha como recusar.” Deu no impeachment, uma saída que o então deputado federal José Dirceu ajudou a construir na CPI do Collorgate.

Pois bem. Há três semanas, a PF executou operações de busca e apreensão nas sedes de nove empreiteiras, nas casas de seus executivos e em escritórios de lobistas. No meio do papelório pescado nas instalações da construtora Camargo Corrêa havia um contrato firmado com a JD Assessoria. Trata-se da empresa de consultoria do grão-petista condenado José Dirceu.

Deve-se a revelação ao repórter Diego Escosteguy. Em notícia veiculada nesta segunda-feira (8), ele contou que, entre 2010 e 2011, a Camargo Corrêa pagou R$ 886 mil ao consultor Dirceu, à época acomodado no banco dos réus do STF. O dinheiro pingou em conta-gotas: R$ 75 mil mensais. Por uma dessas incríveis coincidências, no mesmo mês em que se dispôs a pagar pelos conselhos de Dirceu (abril de 2010), a construtora celebrou um par de contratos com a Petrobras para prestar serviços na refinaria pernambucana de Abreu e Lima. Negócios de R$ 4,7 bilhões.

De acordo com os depoimentos prestados pelo delator Paulo Roberto Costa, os contratos de Abreu e Lima foram azeitados por propinas a dois partidos: 1% para o PP, cujos interesses Paulo Roberto representava na diretoria de Abastecimento; e 2% para o PT, que acomodara na diretoria de Serviços, responsável pelos projetos das refinarias, Renato Duque —um apadrinhado de Dirceu, segundo contou o delator aos investigadores.

A JD Assessoria confirmou que “prestou consultoria na área internacional à Camargo Corrêa, entre maio de 2010 e fevereiro de 2011”. Mas alegou que, “por razões de confidencialidade contratual, não pode se manifestar sobre a natureza nem os resultados dos serviços prestados.'' Repudiou a vinculação do contrato com os negócios da Petrobras. A Camargo Corrêa também admitiu a “existência do contrato”. Mas preferiu se abster de fazer comentários.

Os serviços do consultor Dirceu foram enumerados na primeira cláusula do contrato (veja reprodução da peça no rodapé). São seis itens. Entre eles: “Análise dos aspectos sociológicos e políticos do Brasil”, “divulgação do nome da contratante dentro da comunidade internacional e nacional em eventos”, “palestras e conferências internacionais em assuntos de interesse da contratante…”.

No livro “Abaixo a Ditadura'' (Ed. Garamond, 1998), que escreveu em parceria com Vladimir Palmeira, o ex-líder estudantil José Dirceu anotou: “É difícil reproduzir o que foi o espírito de 68, mas posso dizer que havia uma poderosa força simbólica impulsionando a juventude [...]. O mundo parecia estar explodindo. Na política, no comportamento, nas artes, na maneira de viver e de encarar a vida, tudo precisava ser virado pelo avesso. Para nós, o movimento estudantil era um verdadeiro assalto aos céus''.

De avesso em avesso, Dirceu tornou-se personagem de um país em que a política explode em múltiplos assaltos. Transferido da cana dura para o regime semi-aberto e, depois, para a prisão domiciliar, o ex-idealista está escrevendo um novo livro. Segundo a repórter Mônica Bergamo, vai se chamar “Tempos de Papuda”. Em 2011, já havia escrito ‘Tempos de Planície’, sobre a fase posterior à sua queda do Planalto. Nesse ritmo, vai acabar escrevendo “Tempos de Consultor”, um livro de auto-ajuda, direcionado às pessoas que precisam se reinventar na vida.

----------

Gênesis!




***********

Blog do Noblat

Golpe? Jamais! Impeachment? Depende

Ouvi do prefeito de uma das capitais brasileiras mais importantes: “Foi a ação dos Black blocs que nos salvou, os governantes, quando o povo saiu às ruas em junho de 2013 cobrando melhores condições de vida”.

A ação dos baderneiros mascarados esvaziou as manifestações por passagens de ônibus mais baratas, saúde e educação eficientes, reforma agrária, lazer, contra a corrupção e contra a impunidade.

Por enquanto, os Black blocs saíram de cena. No seu lugar entraram pessoas agenciadas não se sabe por quem ou simplesmente pessoas que acreditam que a volta dos militares ao poder fará bem ao país.

Muitas entre essas pessoas pedem o fim do comunismo como se ele ainda existisse. A propósito, não vale citar a China e a Rússia. São imitações grotescas, macaqueadas de regimes comunistas.

De repente, a presidente Dilma e a sua turma ganharam aliados onde menos esperavam. Os que pedem um golpe militar, quer queiram quer não, podem contribuir para esvaziar passeatas e comícios dos insatisfeitos “com tudo isso que está aí”.

Por “tudo isso” entenda-se o grosso das mesmas reivindicações de junho de 2013, com ênfase crescente no combate à corrupção e à impunidade.

Há 15 dias, 2.500 pessoas ocuparam a avenida Paulista em protesto contra o governo Dilma. Foram cinco mil no último sábado em ato apoiado pelo PSDB e partidos da oposição.

Minoritária, a porção dos golpistas tenta se misturar com a porção dos insatisfeitos. Essa, por sua vez, tenta se distinguir da outra. Mais políticos compareceram à primeira manifestação do que à segunda.

Os principais líderes da oposição, entre eles Aécio Neves (PSDB-MG), correm o risco de se meter numa saia justa.

Por mais que digam o contrário, são acusados pelos partidários do governo de defender o golpe militar. Se não defendem o golpe, se batem pelo impeachment da presidente da República, o que militantes espertos do PT apregoam como sendo outro tipo de golpe. Não é.

Aécio está ficando rouco de tanto repetir: "Olha, eu não sou golpista, sou filho da democracia. (…) Não acho que exista nenhum fato específico que leve a impeachment. Essas manifestações [golpistas] que se misturam com as manifestações democráticas têm meu repúdio veemente".

Talvez devesse ir à próxima passeata reafirmar de público seu compromisso com a legalidade.

Impeachment não é golpe. Fernando Collor, o primeiro presidente do Brasil eleito pelo voto direto depois de 21 anos de ditadura, foi derrubado pelo Congresso via um processo de impeachment.

Fora os comparsas deles, órfãos do poder, ninguém disse que Collor foi vítima de um golpe. O impeachment está previsto na Constituição.  E nada se fez contra ela. Nada se fará contra ela.

No início do segundo governo de Fernando Henrique, deputados do PT assinaram um manifesto em defesa do impeachment dele. Tarso Genro, na época ex-prefeito de Porto Alegre, publicou artigo na Folha de S. Paulo onde pediu que Fernando Henrique renunciasse.

Aliados do presidente saíram em sua defesa, acusando Tarso e os deputados de “golpistas”. Não eram golpistas.

Por ora, carece de razão o impeachment de Dilma. Mas ela e o PT têm motivos de sobra para se preocupar com isso, sim. Afinal, Dilma soube a tempo que a roubalheira existia na Petrobras. E nada fez para abortá-la.

Dinheiro sujo financiou parte da campanha de Lula para presidente em 2002. Suspeita-se que dinheiro igualmente sujo financiou as duas campanhas de Dilma. A ver.

***********


Fim da picada! Até setores da imprensa hostilizam os que protestam contra a corrupção. Afinal, os manifestantes não carregam bandeiras vermelhas, sujas de sangue! Ou: Eles gostam de democracia desde que seja exercida só por esquerdistas

Há gente no Brasil achando que só manifestações das esquerdas são democráticas — justamente as da turma que é inimiga teórica e prática da… democracia! Mais: há espertinhos lendo pelo avesso uma pesquisa Datafolha publicada nesta segunda pela Folha. Já chego lá. Antes, algumas considerações.

O esforço para matar os protestos de rua contra a corrupção é indecente e junta, como não poderia deixar de ser, os petistas e parte expressiva da imprensa. A má vontade dos jornalistas — e não adianta tentar atribuir apenas à linha editorial dos veículos — chega a ser eticamente asquerosa. Se eu dispusesse de tempo para isso, não ficaria difícil demonstrar que os black blocs mereceram tratamento bem mais respeitoso. Façam o trabalho vocês mesmos. Recuperem as notícias sobre os mascarados, que chegaram a ser tratados até como estetas. Já os que se manifestam contra a roubalheira na Petrobras são jogados na vala dos golpistas. O mal que a petização das redações fez à inteligência é bem mais grave do que parece e será mais duradouro. Mas espero que os manifestantes não desanimem. Para tanto, não podem ficar ao relento. Já chego lá.

No sábado, cerca de 5 mil pessoas — segundo estimativas da PM — foram às ruas em São Paulo para protestar contra o assalto ao estado brasileiro. Os que organizaram a manifestação fizeram tudo certo: distinguiram-se dos idiotas que pedem intervenção militar e os isolaram, deixando claro que o impeachment de Dilma está condicionado, como não poderia deixar de ser, à comprovação de que ela sabia de tudo. Ou por outra: os que protestavam levavam à rua um discurso afinado com a democracia e com o estado de direito.

Mas quê… Os manifestantes estão sendo tratados com ironia, desprezo e sarcasmo. Chega a ser nojento. Nesta segunda, a Folha publica números de uma pesquisa Datafolha indicando que, para 66%, a democracia é sempre melhor do que qualquer outra forma de governo. Dizem não se importar com o regime 15%. Apenas 12% sustentaram que, sob certas circunstâncias, uma ditadura pode ser melhor. E 7% afirmam não saber.

Maliciosos estão querendo ver uma dissonância entre esses números e os que vão protestar. Ou por outra: os que vão às ruas contra Dilma estariam na contramão dos 66% que defendem a democracia. Na melhor das hipóteses, é uma bobagem. Na pior, uma canalhice. O que essa gente sustenta? Que a democracia é boa desde que não seja posta em prática? Ora…

É preciso tomar cuidado com ligeirezas. Em artigo na Folha de domingo, Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, e Alessandro Janoni, diretor de pesquisas, produziram um parágrafo que não honra a especialidade de ambos. Lá está escrito:
“Quanto às mobilizações populares da oposição, sua ocorrência localizada e regional — assim como o ruído em suas intenções — têm servido muito mais para fixar a ideia de provincianismo na empreitada do que propriamente para gerar fato político relevante para a população”.

Epa! Aí não! Pergunto à dupla: isso é pesquisa ou é só preconceito? Os pesquisados estão dizendo que os protestos são “provincianos”, “localizados” e “regionais”? A propósito: como é que surge uma manifestação universalista, generalizada e nacional? Assim, não, rapazes! Isso não é pesquisa, é chute; não é nem análise nem opinião técnica, mas só uma visão preconceituosa da mobilização.

Ah, sim: a pesquisa aponta também que, para a maioria, a miséria do sistema de saúde é um problema mais grave do que a corrupção. E daí? Isso quer dizer que as pessoas não se importam pouco com a roubalheira? Não! Isso apenas quer dizer que a saúde consegue ser ainda pior do que a… corrupção! Entenderam?

Para encerrar: o senador eleito por São Paulo, José Serra (PSDB), compareceu ao protesto do sábado. Fez bem! Aliás, é o que deveriam fazer todos os líderes tucanos. Nem que houvesse apenas 50 pessoas nas ruas. E tanto mais devem fazê-lo num momento em que antigos defensores das “manifestações populares” deram agora para achar que os que protestam são golpistas ou provincianos. A menos que estes carreguem a universalista bandeira vermelha nas mãos. O vermelho? Ok, serve de alusão aos milhões que morreram ao longo da história para realizar a utopia desses bananas.

----------------

Dilma e a corrupção na Petrobras: presidente viverá dias mais difíceis do que sugerem analistas do Datafolha. E quem me diz isso é o… Datafolha!

Em alguma medida, Delúbio Soares acertou. O mensalão, diante do petrolão, acabou mesmo virando, como ele previu, “piada de salão”. É claro que por motivos diferentes dos antevistos pelo ex-tesoureiro do PT. Certo da impunidade e de que estava “tudo dominado”, Delúbio fez a ironia arrogante para indicar que aquela coisa toda não daria em nada. Não foi bem assim, embora ele próprio já esteja flanando por aí. Mas houve punição. Pode-se, no entanto, afirmar que aquele crime acabou perdendo importância relativa. Uma única personagem do petrolão, Pedro Barusco, aceitou devolver aos cofres públicos US$ 97 milhões — ou R$ 253 milhões —, bem mais dos que os R$ 141 milhões que puderam ser identificados naquele escândalo. Lembrança importante: Barusco era subordinado do petista Renato Duque; não passava de personagem menor no esquema. Imaginem quanto dinheiro não foi movimentado pela organização criminosa só na estatal. Por que isso tudo? Vou falar aqui da pesquisa Datafolha divulgada neste domingo e discordar de uma afirmação feita pelos comandantes do instituto.

Neste domingo, a Folha traz os números que revelam como os brasileiros enxergam o escândalo da hora. São muito ruins para a presidente Dilma, embora alguns possam achar, por erro ou interesse político, que a coisa não é assim tão grave para a petista. Para 43% dos que responderam à pesquisa, a presidente tem “muita responsabilidade” na roubalheira; afirmam que ela tem “um pouco de responsabilidade” outros 25%. Assim, nada menos de 63% entendem que a governanta, em algum grau, tem de responder pelos desmandos. Só 20% acham que a mandatária não tem nada com isso, e 12% não souberam responder. A Folha ouviu 2.896 pessoas em 173 municípios, no dias 2 e 3 de dezembro, com margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos.

A despeito dos esforços do governo e da campanha eleitoral do PT para transformar em vilões os que apontam a ladroagem, o escândalo da Petrobras “pegou”. Dizem ter ouvido falar do assunto 84%: 28% se consideram bem informados; 42%, “mais ou menos bem informados”, e 14%, mal informados; só 16% ignoram o assunto. Sigamos. Apesar disso, o efeito negativo da sem-vergonhice na imagem do governo ainda é limitado — mas pode vir a preocupar (já chego lá). A gestão Dilma segue sendo ótima ou boa para 42%, número idêntico ao do dia 21 de outubro. Cresceram de 20% para 24% os que a tomam como ruim ou péssima, e caíram de 37% para 33% os que a veem como regular.

As coisas podem piorar para a presidente? Há sinais de que sim. No dia 21 de outubro, às vésperas do segundo turno, 44% achavam que a situação do país iria melhorar; agora, só 33%; 15% diziam que iria piorar, número que saltou para 28% em pouco mais de um mês; e permanece praticamente igual o índice dos que opinam que vai ficar na mesma: de 33% para 34%. Pois é… O caso Petrobras está longe do fim, e os dias futuros não são exatamente sorridentes para Dilma. O pessimismo, aponta a pesquisa, cresceu bastante.

Há um texto na Folha assinado por Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, e Alessandro Janoni, diretor de pesquisas, em que se afirma o seguinte, prestem atenção: “No caso de corrupção na Petrobras, apesar de a grande maioria ter ouvido falar do tema e ver a responsabilidade da presidente no episódio, efeitos mais expressivos na imagem da petista são anulados pelo reconhecimento por parte dos entrevistados de que, no seu governo, há investigação e punição dos envolvidos”.

Pois é… O que leva a dupla a afirmar que uma coisa anula a outra, o que me parece não ter fundamento nenhum? Vamos ver. Indagados em qual governo houve mais corrupção, os que responderam a pesquisa puseram o de Dilma em segundo lugar, com 20% — só perdendo para o de Collor: 29%. Mas 46% afirmam que a gestão da governanta é aquela em mais se investiga, e 40% sustentam que é aquela em que mais se pune. Será que isso anula mesmo a percepção de que Dilma é a responsável pelos desmandos na Petrobras, como querem os comandantes do Datafolha? Acho que não.

E por quê? Porque, obviamente, expressiva maioria ou não tem memória de governos passados — alguns eram bebês, crianças ou nem tinham nascido — ou simplesmente não se lembram de punições porque os casos de corrupção não eram tão presentes. Querem um exemplo? Só 1% afirmou que a gestão Itamar foi aquela em que mais se puniu; esse mesmo 1% entende que foi o governo em que mais se investigou, mas também ficou em 1% os que afirmaram que foi o governo mais corrupto.

Assim, uma coisa não anula outra. A estarem certos os números — e não entendi por que nem a Folha nem o Datafolha deram visibilidade aos dados —, no dia 21 de outubro, era de 29 pontos o saldo favorável ao governo entre os que achavam que a situação econômica do país iria melhorar (44%) e os que achavam que iria piorar: 15%. Agora, os dois grupos estão bem próximos, e o saldo caiu para 5 pontos: apenas 33% dizem que vai melhorar, mas 28%, que vai piorar. Com margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos, é quase empate técnico. Tudo o mais constante — as notícias sobre a roubalheira e o mau desempenho da economia —, é só uma questão de tempo para que os dois fatores incidam negativamente na popularidade da presidente.

Dilma viverá, fiquem certos, dias mais difíceis do que sugerem os comandantes do Datafolha.

----------

Delator defendeu aditivo que gerou prejuízo de US$ 177 milhões à Petrobras

Por Grabiel Mascarenhas e Dimmi Amora, na Folha:
Ex-gerente da Petrobras que fez acordo de delação premiada e prometeu devolver US$ 97 milhões recebidos em propina, Pedro Barusco também é apontado pelo Tribunal de Contas da União como um dos responsáveis por um prejuízo de US$ 177 milhões — o equivalente a R$ 458 milhões — à estatal. A partir de 2005, ele defendeu junto ao comando da petroleira um reajuste em favor de empresas contratadas para construir as plataformas P-52 e P-54. Uma das beneficiadas foi um braço do Grupo Setal, que está entre os integrantes do cartel que pagava suborno em troca de contratos com a Petrobras, conforme as investigações da Polícia Federal na Operação Lava Jato. Dois de seus executivos –Julio Camargo e Augusto Ribeiro, ambos da empresa Toyo Setal– firmaram acordos de delação premiada. Eles confessaram a participação no esquema, inclusive pagamento de propina a diretores da estatal e ao próprio ex-gerente Pedro Barusco.

No caso auditado pelo TCU, as prestadoras de serviço pleiteavam um acréscimo no valor dos contratos assinados entre 2003 e 2004 por um valor total de R$ 4 bilhões. Argumentavam que vinham acumulando perdas por causa da variação cambial. À época, o real atravessava um processo de valorização frente ao dólar. O negócio foi firmado em dólar, por meio da Petrobras Netherlands, uma subsidiária da estatal brasileira registrada na Holanda. Os custos das empresas, porém, eram pagos em real. Como a moeda brasileira começou a se valorizar, as companhias contratadas alegaram perdas e pediram o reajuste do valor original.

Embora ocupasse uma gerência, Barusco tinha poderes para atuar junto à diretoria. Foi ele que analisou a demanda das prestadoras de serviço e deu parecer favorável pela área de engenharia. Outros setores, como o departamento jurídico, também deram aval. A diretoria, então, aprovou a correção. No TCU, internamente, o caso é considerado um dos maiores escândalos contábeis envolvendo a Petrobras.

**********


Jefferson ironiza o triplex de Lula: ‘piada pronta’

Em texto veiculado no seu blog, o ex-deputado Roberto Jefferson, mensaleiro condenado do PTB, reagiu com ironia à notícia do repórter Germano Oliveira sobre o novo imóvel de Lula, uma cobertura de três pavimentos à beira-mar. Sob o título 'Lula, o barão das zelites', o delator do mensalão resumiu assim a novidade:

“…A Bancoop, cooperativa que deixou milhares de pessoas na mão devido às fraudes de seu diretor, o tesoureiro do PT João Vaccari (investigado na Lava Jato por atuar na quadrilha do petrolão), está entregando o triplex de Lula. A obra, fiscalizada por Lulinha, fica em área nobre do Guarujá e foi tocada pela OAS (envolvida nos escândalos da Petrobras). Então quer dizer que Lula, paladino dos pobres, recebeu triplex da Bancoop de Vaccari, reformado pela OAS, onde as elites paulistanas passam férias? É a própria ‘piada pronta’.”

O imóvel de veraneio de Lula fica na Praia das Astúrias, reduto da elite paulista no Guarujá, no litoral Sul de São Paulo. Mede 297 m². As chaves foram entregues em dezembro de 2013. Mas só na semana passada foi concluída a reforma que ajustou o apartamento ao gosto da família Silva. Antes unidos apenas por uma escada interna, os três andares foram atravessados por um elevador. O piso ganhou revestimento de porcelanato. E a cobertura foi equipada com um ‘espaço gourmet’, ao lado da piscina.

Lula adquirira o imóvel em 2006, ainda na planta, da Bancoop, a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo. Até 2010, a entidade era presidida pelo atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Que figura como réu em ação penal na qual o Ministério Público o acusa de ter praticado, junto com outros ex-diretores, os crimes de estelionato, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ainda pendente de julgamento, a ação aponta o desvio de verbas da cooperativa para o PT e para dirigentes petistas.

A Bancoop deu o calote em mais de 3 mil famílias, deixando de entregar os apartamentos que comercializara. Para conseguir terminar alguns dos seus empreendimentos, a cooperativa contratou a empreiteira OAS. Foi o caso do Edifício Solaris, onde fica o apartamento de Lula. Na campanha presidencial de 2006, Lula incluiu o triplex do Guarujá na declaração de bens à Justiça Eleitoral. Informou que, até aquele ano, pagara R$ 47,7 mil.

Para terminar a obra, a OAS cobrou de cada morador do prédio de Lula um adicional de R$ 120 mil. Hoje, o imóvel do ex-presidente está avaliado no mercado em cifras que variam entre R$ 1,5 milhão e R$ 1,8 milhão. É coisa para o bolso de um tipo de elite que Lula costuma praguejar em todos os seus discursos.

--------------

Super Zen!




***********

Blog do Josias

Tese do ‘eu não sabia’ perdeu prazo de validade

Entre as várias más notícias que o Datafolha traz para Dilma Rousseff, uma é especialmente devastadora: 68% dos brasileiros responsabilizam a presidente pela corrupção. Sete de cada dez brasileiros acham que ela tem alguma responsabilidade na petrorroubalheira.

A doutora ainda não se deu conta, mas o lero-lero do ‘eu não sabia’ é pomada vencida. Perdeu o prazo de validade. Ou Dilma muda a prescrição ou logo passará a ser vista como uma criança ingênua e inconsequente. Dessas que brincam no barro depois de tomar banho. O papel de gestora incapaz talvez seja menos pior que o de cúmplice.

Quando assumiu a Presidência pela primeira vez, em janeiro de 2011, Dilma infundia confiança na alma nacional. Questionados pelo Datafolha na ocasião, 73% dos brasileiros manifestaram a crença de que a pupila de Lula, vendida por ele como uma supergerente, faria um bom governo.

De volta às ruas na semana passada, o Datafolha repetiu a pergunta. Descobriu que Dilma prejudicou muito a imagem de sua sucessora. Hoje, 50% dos entrevistados apostam no êxito de Dilma 2ª. Decorridos quatro anos, o índice de otimismo emagreceu 23 pontos percentuais.

A 24 dias do fim, o primeiro reinado de Dilma é considerado ótimo ou bom por 42% dos brasileiros. É a mesma taxa de aprovação captada numa pesquisa feita em 21 de outubro, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial. A novidade está na taxa de desaprovação, que subiu quatro pontos, de 20% para 24%. A conjuntura indica que o ruim pode ficar bem pior.

Maus dias estão por vir. Farão de 2015 um ano duro de roer. Na economia, o arrocho de Joaquim Levy, o ortodoxo que Dilma 2ª colocou na pasta da Fazenda para tentar consertar os erros que Dilma 1ª cometeu.

Na política, o escândalo do petrolão. Já está claro que a Petrobras virou a maior produtora de lama do país. E logo se verificará que o Congresso ganhou contornos de uma delegacia de polícia hipertrofiada. Quando seus aliados forem acomodados na fila da degola, Dilma terá de explicar por que ajudou a privatizar a Petrobras na bacia das almas dos partidos.

------------

Petrogestão!



***********


Dessemelhanças

São grandes as semelhanças entre as dificuldades políticas e econômicas que o primeiro governo petista enfrentou a partir de 2003 e as que está enfrentando agora o governo da presidente reeleita Dilma Rousseff, e no entanto as condições são tão dessemelhantes que é temerário imaginar que a repetição das ações que deram certo 12 anos atrás para superar a tragédia política de então possa ser uma solução, e não simplesmente uma farsa.

A começar por que aquele seria o primeiro ano de governo petista, depois de três tentativas frustradas, e quem estava à frente era Lula, um dos maiores líderes políticos brasileiros dos últimos tempos, goste-se dele ou não. Ambos, PT e Lula, entravam no governo com a aura de salvadores da Pátria, ainda blindados pelo desejo da maioria da população de seriedade política que representavam.

Hoje, 12 anos depois, não mais. Nem o PT, nem Lula, muito menos Dilma, representam a política na sua acepção mais nobre que os cidadãos continuam almejando. Pelo contrário, para boa parte da população, são exemplos de corrupção da política, no sentido mais amplo.

Na questão econômica, bastou que o governo Lula, depois de divulgar a Carta ao Povo Brasileiro, demonstrasse com atos a disposição de tornar realidade as promessas feitas, com uma política econômica ortodoxa, para que o aperto monetário e fiscal fizesse a inflação desabar. Questões internas, como o desemprego alto na ocasião, impediram que os salários se valorizassem. E o boom das commodities, com a China em plena expansão, levou o país ao crescimento em prazo relativamente curto.

O economista da FGV do Rio Armando Castelar escreveu um belo artigo no Valor de ontem explicando esses detalhes econômicos que diferenciam o ajuste de 2003 daquele que terá que ser feito hoje. Assim como as condições econômicas são mais adversas, a situação política é completamente diferente. À frente do projeto econômico de Lula havia o petista de raiz Antônio Palocci, que tinha cacife para chamar para o Banco Central um banqueiro internacional tucano, Henrique Meirelles.

Dilma, ao contrário, chamou para comandar sua equipe econômica um tucano de carteirinha, Joaquim Levy, que trabalhava na equipe de Aécio Neves sob o comando de Armínio Fraga, demonizado pelo PT na campanha presidencial. O próprio Levy já fora alvo preferencial dos petistas quando trabalhava na equipe econômica de Palocci.

O governo Lula só teve que enfrentar a crise do mensalão dois anos depois de ter começado, quando a política econômica já estava dando resultados. Os programas sociais começavam a se fazer efetivos nas regiões mais pobres, e os movimentos sociais ainda tinham a legitimidade que já perderam hoje. E mesmo assim quase soçobrou.

Hoje, o petrolão atinge em cheio o governo Dilma ainda no estertor do primeiro mandato, e entra pelo segundo sem dar trégua. A oposição está muito mais forte no momento, depois de um resultado eleitoral excepcional, e as manifestações populares contra o governo petista, mesmo com seus altos e baixos e desvios radicais que precisam ser controlados, são a demonstração de que o país dividido que saiu das urnas não está disposto a dar ao novo governo o benefício da dúvida.

O clima político do país é instável, e o governo, mesmo reeleito, não demonstra ter condições de revertê-lo, seja pela notória dificuldade que a presidente Dilma tem de fazer política, seja pela falta de assessoria eficiente nesse ramo. O que vai definir realmente o quadro nacional é a relação dos políticos envolvidos no megaesquema de corrupção da Petrobras, que já se sabe agora que está espalhado por outros setores do governo.

A partir daí o clima político, que já está carregado, passará a ditar o ritmo da crise a partir de um Congresso sitiado, onde uma nova CPI da Petrobras será inevitável. Quando o principal suporte do governo é o presidente do Senado, Renan Calheiros, já citado entre os beneficiários do petrolão em delações premiadas, vê-se o tamanho da encrenca que o governo tem pela frente.

O governo não terá a melhoria econômica para ajudá-lo pelo menos nos dois primeiros anos, e não terá, sobretudo, um carismático líder político a liderá-lo. Mesmo por que Dilma não é Lula, e o Lula de hoje já não é o Lula de 2003, nem o PT é o partido-símbolo da ética na política. Ao contrário.

***********


Os desafios de Dilma

Para sobreviver no poder, a presidente Dilma precisa garantir a governabilidade do país. Os analistas políticos sentenciam que isso implica dar todo o apoio a Joaquim Levy para agradar ao mercado. E domar seu ministro da Fazenda para que suas medidas de contenção não gerem desemprego ou afetem programas como o Minha Casa, Minha Vida, pois atingiriam sua base social.

A encruzilhada
O futuro das grandes empresas de construção civil flagradas pela Operação Lava-Jato está nas mãos do governo Dilma. Ele terá de definir se salvará um setor industrial nacional competitivo ou o deixará quebrar. Uma administração que advoga a política do conteúdo nacional abrirá o país às empresas estrangeiras? Se as envolvidas não tiverem uma mãozinha, e forem declaradas inidôneas, serão vendidas a preço de banana. Para se salvar desse embaraço, analistas políticos creem que a presidente Dilma deve torcer para que uma ou duas grandes empreiteiras escapem da devassa para poderem participar das PPPs, que são vitais para os investimentos nos próximos anos.

“Penso que deve expulsar quem esteve e está (nos escândalos). Quem cometeu ilícitos com a coisa pública desrespeita o programa e a origem do partido”

Olívio Dutra
Ex-governador (PT-RS), ao responder na rádio Guaíba à pergunta: “Dá para pensar em expulsar quem está na atual crise sem ter expulsado Dirceu, Genoino?”

Sem freios
A derrota na eleição para o governo de Minas é um componente da atitude política do presidente do PSDB, Aécio Neves. Um governador alinhado a ele, com interesses no governo federal, segundo um serrista, poderia levá-lo à moderação.

Fora da pauta
Políticos experientes não sabem direito como será o segundo mandato da presidente Dilma. Mas, sob pressão do caso Petrobras, da economia e do aperto fiscal, eles têm lista do que ela não fará: “Regulação da mídia, Constituinte exclusiva e plebiscito da reforma política”. Os temas dividem e afetam a estabilidade da maioria no Congresso.

No tribunal
Líderes partidários preveem que o Congresso vai naufragar na cassação dos parlamentares pegos na Operação Lava-Jato. Dizem que o julgamento consumirá, praticamente, todo o ano que vem.

No mundo da lua
Petistas são contra Kátia Abreu na Agricultura e Eduardo Cunha na presidência da Câmara. Eles querem tomar o Esporte do PCdoB, Cidades do PP, não querem o PMDB na Integração nem Cid Gomes na Educação. Como diz um aliado: “O PT, precisando de apoio, marcha para o isolamento”.

Sem clima
O diretório estadual do PT do Rio se reúne hoje para definir, no voto, se participa ou não do governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB). Entre o apoio crítico e a oposição, a maioria do partido, dividido, deve optar pela independência.

Silêncio estratégico
Durante a votação da redução do superávit, na quarta-feira, a oposição bateu à vontade na proposta. Já entre os líderes da base, a orientação era não contestar. A prioridade era votar o mais rápido possível. A sessão durou quase 19 horas.

Integrante da executiva nacional petista descarta o apoio do partido à reivindicação da bancada do PT do Nordeste de fazer o ministro da Integração.


***********

Blog do Coronel

Porto em Cuba pago pelo BNDES pode ter dado R$ 3,6 milhões em propina para o PT.

Dilma festeja a inauguração do Porto de Mariel, em Cuba, aplaudindo o ditador assassino, acostumado a matar a sangue frio, Raul Castro.

Uma planilha apreendida no escritório do doleiro Alberto Youssef, que lista 747 obras de infraestrutura de 170 empresas, a maioria empreiteiras, é um dos principais indícios que levam o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, a suspeitar que o esquema criminoso que desviou recursos de obras da Petrobras alcança outros setores da administração pública. Usada pelo doleiro para acompanhar suas negociações e projetos em andamento, a planilha lista valores que, somados, chegam a R$ 11,5 bilhões — 59% das obras têm a Petrobras como cliente final.

Num despacho em que negou a revogação da prisão preventiva do executivo Erton Medeiros Fonseca, presidente da Divisão de Engenharia Industrial da Galvão Engenharia, Moro afirma que a apreensão da planilha é “perturbadora” e diz que “o esquema criminoso de fraude à licitação, sobrepreço e propina vai muito além da Petrobras”.

A lista de Youssef, a qual O GLOBO teve acesso, é formada basicamente por empreiteiras citadas e investigadas na Operação Lava-Jato por obras com a Petrobras. Os projetos pertencem a setores como aeroportos, irrigação, energia, mineração, transporte e saneamento básico, a maioria feita com recursos federais e, em muitos casos, tocada por governos estaduais. O juiz frisa que é necessária uma “profunda investigação” para que se confirmem as suspeitas de novas irregularidades.

Além de obras no Brasil, a planilha lista obras realizadas no exterior por construtoras brasileiras, incluindo o Porto de Mariel, em Cuba, que recebeu financiamento do BNDES de cerca de R$ 1 bilhão. O valor anotado em relação a esse projeto é de R$ 3,6 milhões.

O nome de uma empreiteira brasileira, investigada na Lava-Jato, também aparece vinculado a obras no Uruguai e na Argentina. Na lista há ainda outras duas empresas, uma de engenharia, associada a uma unidade de gás no Equador; e outra citada por uma obra em Angola.

A planilha não é o único documento que levanta suspeita sobre financiamentos a obras no exterior. A Polícia Federal identificou visitas do advogado Alexandre Portela Barbosa, da construtora OAS, ao escritório do doleiro Alberto Youssef logo após ter retornado de viagens a países da América Latina.

No dia 16 de setembro de 2013, Barbosa esteve no escritório do doleiro, onde ficou por cerca de 50 minutos. No dia seguinte, ele embarcou num voo com destino a Lima, a capital peruana. No dia 16 de janeiro passado, Barbosa chegou ao Brasil, vindo de Lima, e, no dia seguinte, foi até o escritório de Youssef: chegou às 14h02m e saiu às 15h31m. Preso temporariamente, Barbosa foi libertado, e não há informação de que tenha colaborado com a investigação. A suspeita é que as viagens estejam ligadas a pagamentos de propinas no exterior.(O Globo)

**********


À espera de denúncia da Procuradoria, empreiteiras já sentem o bafo da lei

Os procuradores que atuam na Operação Lava Jato farão hora extra neste final de semana. Fecharão o primeiro lote de denúncias contra executivos de empreiteiras que fraudaram concorrências na Petrobras para elevar os lucros e pagar propinas a agentes públicos. A Procuradoria planeja protocolar as peças na Justiça nos próximos dias. Dá-se de barato que serão convertidas em ações penais.

As grandes construtoras nacionais vivem dias atípicos. Com os porões invadidos pelo instituto da delação premiada, deixaram de ser logomarcas inalcançáveis. Sentem o hálito corrosivo da lei como jamais sentiram antes. Habituaram-se aos escândalos. Mas eles não costumavam render nada além dos 15 minutos de má- fama nas manchetes. Hoje, adicionou-se à encrenca algo que o repórter Elio Gaspari chamou de “efeito Papuda”.

Tentaram um acordo com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Admitiriam a formação de cartel na Petrobras e pagariam uma multa polpuda. Mas queriam que seus executivos fossem deixados em paz. Por ora, não colou. Conversando com o preposto de um dos empreiteiros encrencados, o repórter percebeu que eles se consideram fruto do meio.

No fundo, as construtoras acham que a culpa é da sociedade. Com todas as facilidades que receberam —do direito ao sobrepreço à impunidade vitalícia— foram praticamente intimados a ser o que são. E tudo continuaria assim, não fosse a indiscrição dos delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Yossef, cujos depoimentos puxaram outras delações, desorganizando o esquema.

É como se os mandachuvas das empreiteiras, pegos com a boca suja de óleo, esperassem que o Brasil sentisse remorso pelo que o juiz Sérgio Moro e os procuradores estão fazendo com eles. Tratam-nos como vilões irreversíveis, sem direito à atenuante do meio apodrecido que os produziu. Parece que ainda acreditam que a aliança com o amoralismo político os desobriga de levar em conta as próprias culpas.

-----------

Liquidação!



***********


Barusco entrega documentos contra Renato Duque, o petista que comandava a diretoria de Serviços

Por Daniel Haidar, na VEJA.com:
O ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco Filho entregou documentos que comprometem o ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque, libertado por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira. As provas foram oferecidas no acordo de delação premiada fechado com o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, em que ele admitiu ter participado do esquema de corrupção e passou a colaborar com as investigações em troca de uma punição mais branda da Justiça.

Barusco é o mais recente delator da Operação Lava Jato a identificar beneficiários do petrolão. Depois de presos, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef passaram a ajudar nas investigações, principalmente apontando políticos beneficiários do esquema. O empresário Augusto Mendonça Neto e o lobista Júlio Camargo, ambos do grupo Toyo Setal, se anteciparam a uma ação da polícia e também conseguiram acordos de delação premiada. Os executivos descreveram o funcionamento do cartel formado por algumas das maiores empreiteiras do país e entregaram documentos contra Duque e o lobista Fernando Soares, o Baiano, apontado como o operador do PMDB na Diretoria Internacional. Só Mendonça Neto e Camargo descreveram o pagamento de mais de 60 milhões de dólares em propina para Barusco e Duque.

Por ter sido subordinado a Duque, indicado pelo então ministro José Dirceu para o cargo de diretor da estatal, Barusco colaborou significativamente para apontar provas contra o antigo chefe, mas não apenas contra ele. Foram mencionados, nos depoimentos da delação premiada, novos operadores que atuavam como intermediários dos pagamentos de propina para os executivos da estatal. Barusco confirmou a participação de Shinko Nakandakari como operador do PT na Diretoria de Serviços, como apontou Erton Medeiros da Fonseca, presidente da divisão industrial da Galvão Engenharia. A colaboração de Barusco deve motivar uma nova leva de prisões desses intermediários, de acordo com investigadores.

“Barusco presenciou muitos anos de corrupção. Tem muito mais gente envolvida”, afirmou uma fonte que acompanha a investigação.

A insistência da família levou Barusco a se entregar e colaborar. A esposa chegou a acompanhá-lo em depoimentos ao Ministério Público. Ele enfrenta um câncer ósseo e tenta escapar da prisão. Já se comprometeu a devolver 97 milhões de dólares escondidos na Suíça e a devolver outros 6,5 milhões de reais, parte da propina que recebeu em espécie. Barusco disse que vai provar aos investigadores que gastou “apenas” cerca de 1,5 milhão de dólares do dinheiro desviado da Petrobras.

------------

José Eduardo Cardozo volta a meter os pés pelos pés e a se comportar como advogado do PT

José Eduardo Cardozo, como a personagem citada por Millôr, é um homem destemido e, depois de chegar ao limite, sempre dá mais um passo. É evidente que, como já destaquei aqui e como afirmou ontem o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, é um despropósito que seja Cardozo o escalado para defender o PT e a “candidata” (não a presidente!) Dilma Rousseff da acusação feita por um executivo. Luís Inácio Adams foi na mesma trilha, rebaixando um pouquinho mais as instituições, como de hábito.

Pois não é que, depois de ter incorrido no absurdo na quinta, Cardozo volta à carga nesta sexta? Afirmou:
“Não se podem fazer especulações políticas com investigações. Atrapalha as investigações e, muitas vezes, serve a um revanchismo que eu acho que perdeu espaço para a democracia brasileira. E isso afirmo como ministro da Justiça. Cabe a mim defender a democracia e a verdade dos fatos. [...] Agora, não podemos transformar isso, quando um delator fala em 11 partidos que receberam doações legais em uma disputa política eleitoral, localizando uma campanha específica”.

Dá quase para fazer o jogo de sete erros. Em primeiro lugar, especulações são livres. A Constituição garante o direito de especular. Revanchismo? Disputas políticas dentro das regras do jogo, meu senhor, não são “revanchismo”, a menos que se admita que o vencedor transgrediu as linhas da normalidade. Foi o caso? Que história é essa de “cabe a mim defender a democracia”??? Ao senhor e a todos os brasileiros! O fato de Cardozo ser ministro da Justiça não faz dele um juiz, com competência para definir o que é “democracia” e o que é “especulação”. Quanto a escolher uma “campanha específica”, o que respondo ao doutor? Só uma “campanha específica” elegeu a presidente da República.

Cardozo se mostrou a segunda figura mais deletéria do governo Dilma, só perdendo para Gilberto Carvalho. Imaginem que foi capaz de dizer o seguinte:
“Cabe ao ministro da Justiça garantir investigações, sejam na Petrobras ou no cartel do metrô em São Paulo”. Uma sutileza tão elefantina quanto tem se tornado seu perfil físico. Ao tocar no “cartel do Metrô de São Paulo” — e vou dar de barato, para efeitos de raciocínio, que ele tenha existido como diz a PF —, é claro que Cardozo tenta criar uma equivalência entre os dois casos, o que é, por si, um escândalo, seja na natureza do crime apontado, seja no volume de recursos. De resto, por que Cardozo não toca no cartel do metrô de Belo Horizonte ou de Porto Alegre?

Sigamos. Ministro da Justiça não garante nada. Quem garante é a lei. Quer dizer que, se Cardozo deixar de “garantir”, a Polícia Federal passará a ter menos prerrogativas? Tenham paciência!

Cardozo, impávido e cada vez mais colosso, foi adiante:
“O que eu disse não foi em defesa de nenhum partido, foi em defesa dos fatos que constaram de depoimentos. Porque eu ouvi inúmeras declarações que diziam textualmente que aquela situação divulgada aproximava os fatos investigados da campanha da presidente Dilma, do Palácio do Planalto etc. Mas vamos ver os fatos. [...] Quem disse que essa doação, em primeiro lugar, havia um conluio para recebê-la? Isso não está claro nesse depoimento e, por isso, está sendo investigado. Em segundo lugar, não está claro que em momento algum [o dinheiro] tenha ido para a campanha da presidente Dilma em 2010 ou para o governador A, B, C ou D”.

Ainda que assim fosse, esse não é um texto para Cardozo, mas para o presidente do PT ou para o tesoureiro. Dê-se ao respeito, meu senhor.

O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), emitiu uma nota muito oportuna. Lê-se lá:
“Os ministros, talvez pela ansiedade de se cacifarem para a vaga que está aberta no Supremo Tribunal Federal, queiram mostrar serviço e misturem as atribuições de Estado ao papel partidário. É até compreensível que ambos estejam também preocupados com a situação da presidente Dilma, que pode, lá na frente, enfrentar situações mais difíceis ainda, mas não está entre suas atribuições serem advogados do PT. Isso é inadmissível”.

É isso!

--------------

Em Quito, Dilma culpa de novo a “crise internacional” pelos problemas no Brasil

Na VEJA.com:
A presidente Dilma Rousseff voltou a culpar a crise internacional pela desaceleração da economia brasileira durante a cúpula da Unasul, em Quito, no Equador. A afirmação vem depois de a presidente fazer alterações drásticas na equipe econômica de seu segundo governo, justamente em resposta aos efeitos colaterais das decisões tomadas no primeiro mandato. A presidente disse, nesta sexta, que  a recuperação mundial ainda é “tênue”, o que exigirá mais esforços da região para garantir a manutenção dos ganhos sociais obtidos nos últimos anos.

Em discurso de 14 minutos durante a sessão plenária presidencial na Cúpula Extraordinária da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), a presidente fez questão de elogiar os processos eleitorais na região este ano, em que também foram reeleitos os presidentes Evo Morales, na Bolívia, Michele Bachelet, no Chile, Juan Manuel Santos, na Colômbia, e José Mujica, no Uruguai. Segundo Dilma, dessas eleições “saiu vitoriosa a agenda da inclusão social, do desenvolvimento com distribuição de renda e, portanto, do combate à desigualdade e da garantia de oportunidades, que caracteriza a nossa região nos últimos anos”.

O discurso da presidente derrapou até mesmo para algumas incorreções. Diz ela: “O Brasil se dispôs a, nesse período, avançar no combate à desigualdade, assegurando o crescimento com inclusão social. Nós, nessa eleição, mostramos que diante da crise, que nos afetou profundamente, defendemos sobretudo o emprego e, por isso, mantivemos uma das menores taxas de desemprego de toda a nossa história”. A última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) mostrou estagnação da desigualdade, enquanto a análise social dos dados da pesquisa, feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), evidenciou aumento no número de brasileiros abaixo da linha da pobreza. A presidente lançou mão do emprego para justificar o “sucesso” de seu governo. Mas não mencionou que a criação de vagas em 2014 teve  o pior desempenho em mais de 10 anos.

Apesar da troca de sua equipe econômica, que agora terá o economista Joaquim Levy no comando da Fazenda, Dilma voltou a defender as políticas de seu governo, afirmando que foram as mais acertadas. Em período de vacas magras, com arrecadação desacelerando e despesas subindo, o país não conseguirá cumprir o superávit primário de 2014. Mas, diz a presidente, não há o que temer. Segundo ela, o governo está disposto a ampliar o investimento em infraestrutura logística, energética, social e urbana, além de impulsionar o desenvolvimento tecnológico e a inovação.


***********

Blog do Reinaldo Azevedo

Dilma, o crescimento, os juros, a amoxicilina e o clavulanato de potássio

O governo divulgou a expectativa de crescimento da economia para o ano que vem. O número despencou de 2% para… 0,8%. Eis aí: de repente, pimba! E temos uma projeção 60% menor. É que a anterior ainda estava sob a esfera de influência — ou a metafísica — de Guido Mantega (Fazenda) e Miriam Belchior (Planejamento), que foram se tornando, com o tempo, sinônimos de piada, uma menos engraçada do que o outro. Mas a notícia importante do dia, nesse particular, nem é essa.

O governo desistiu — alvíssaras! — de fazer suas próprias projeções de crescimento e de anunciá-las para a crença de ninguém. Agora, deixa claro, ele vai apostar no que apostar o boletim Focus, que traduz o consenso de mercado. Mantega passou boa parte do tempo afirmando que as expectativas dos agentes econômicos eram muito pessimistas. Pois é…

Ocorre que eles sempre estavam certos, e ele, sempre errado. Com um pouco mais de esperteza e ginga, o ministro demitido teria feito o quê no passado? Ora, adotado o número que ele achava “pessimista”. Caso fosse surpreendido, ótimo! Caso o número se cumprisse, ele não teria passado por, digamos, ligeiro… Mas admito que é uma operação mental de alguma complexidade.

Ajustar a previsão de crescimento aos números de mercado é um dos itens da “Operação Credibilidade” que está em curso. Na parte mais substantiva desse esforço, está a elevação da taxa de juros, o que deixa muita gente pacificada, ainda que a eficácia de tal medida seja viciosa, com risco de matar o paciente (já explico). Acontece que o governo passou muito tempo fingindo que tudo ia bem e achando que poderia renunciar à alopatia, numa conversão, digamos assim, à homeopatia doidivanas. Agora, precisa mostrar seu lado de fanático alopata para parecer sério.

Só pra constar: eu não estou negando, no parágrafo anterior, que elevação de juros concorra para a queda da inflação. É um dos remédios, assim como a amoxicilina mata uma porção de bactérias, entendem? Só que há aquelas que se tornam resistentes à substância — sem que esta deixe de ser antibiótica. Aí é preciso ministrar junto o clavulanato de potássio. Vejam bem: o Brasil já vinha tomando amoxicilina em doses cavalares, né? Os juros já eram os mais altos do mundo. E a inflação resistiu. Sinal de que o paciente não precisa só de mais amoxicilina. Qual será o clavulanato para contornar a infecção?

------------

A São Paulo de Haddad sem retoques nem maquiagem ideológica

Vale a pena ler o artigo do vereador Andrea Matarazzo, publicado na Folha desta quinta. O retrato que faz cidade de São Paulo, sob a gestão Fernando Haddad, surge sem retoques.
*
Fernando Haddad é um homem de sorte. Em sua primeira campanha, foi eleito prefeito da maior cidade do país prometendo muito, contando com a popularidade de seu padrinho político e com o desgaste de seu antecessor. No cargo, contou com a complacência dos que antes eram rigorosos fiscais. Com sua gestão ideológica, conseguiu o apoio de ONGs e grupos que atazanavam os mandatários anteriores.

Deu sorte mais uma vez ao governar em um período de seca histórica –a falta de chuvas encobriu sua inexperiência e o livrou do desgaste das enchentes. Quando parecia que as finanças estavam no fundo do poço, ganhou da União a aprovação da renegociação da dívida, que lhe dará fôlego para fazer obras que possam levantar sua popularidade.

Sorte do prefeito, azar dos munícipes. São Paulo nunca esteve tão abandonada. Trancado em seu gabinete, o prefeito não vê os problemas que se acumulam. Ruas esburacadas, mato crescendo, semáforos a piscar em amarelo a cada garoa, lixo acumulado. A cidade não tem zeladoria. Essa é a realidade que a pintura de faixas vermelhas no chão não consegue esconder.

A última surpresa com que os paulistanos foram brindados foi a volta da cracolândia. Por ingenuidade ou incompetência, o prefeito imaginou que dar hospedagem e subempregos aos dependentes químicos pudesse tirá-los do vício.

Impossível dar certo pretender que os dependentes vivam e trabalhem no ambiente do tráfico. Haddad restabeleceu a cracolândia de 2004, quando os hotéis eram utilizados pelo tráfico para hospedar usuários de drogas. Hoje é o poder público que o faz.

É uma ironia o prefeito reclamar em sua conta no Twitter da falta de policiamento quando a cada intervenção da Polícia Militar no local ele é o primeiro a vociferar contra o governo do Estado.

Haddad jogou por terra todos os avanços que os antecessores promoveram no centro. A região está abandonada. Marcos da cidade, como o Pateo do Collegio, a Catedral da Sé e a Sala São Paulo, são ilhas cercadas de sujeira de dia e, à noite, transformam-se em grandes dormitórios da população de rua, hoje abandonada pela prefeitura.

Refém dos movimentos sociais desde as manifestações de 2013, Haddad deixou alguns dos prédios mais simbólicos do centro se transformarem em ocupações irregulares. Agora ele irá destinar um quinto das unidades do Minha Casa, Minha Vida aos invasores do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto.

Não que eles não tenham direito à moradia. Mas ao privilegiar os militantes de um movimento protegido por seu governo, Haddad acaba com o critério da impessoalidade e incentiva as invasões.

Na periferia, a situação também é de descaso. Do R$ 1,3 bilhão previsto para o programa Mananciais, que visa urbanizar favelas nas regiões mais carentes, a prefeitura empenhou apenas 8,1%.

As subprefeituras foram sucateadas. O Orçamento foi reduzido em 8,3% e cada um dos 32 subprefeitos terá, em média, apenas R$ 35 milhões para investir em obras essenciais, como a limpeza de córregos e a pavimentação de ruas. Dos 79 projetos de combate às enchentes, apenas 27 foram levados adiante.

O paulistano fica entre a cruz e a caldeirinha: se não chover, ele tem um problema; se chover, a cidade será inundada. A gestão é tão deficiente que a crítica vem até de aliados, como a ex-prefeita que estuda trocar de partido para enfrentá-lo nas eleições de 2016.

O prefeito, a partir do próximo ano, terá uma folga no Orçamento. Isso graças ao abusivo aumento do IPTU que ele impôs a todos os paulistanos sem se preocupar com as consequências para o bolso do cidadão e a um projeto feito sob medida pela presidente da República para tentar recuperar sua popularidade na maior cidade do país, onde foi derrotada por Aécio Neves.

Esse projeto busca resolver um problema causado pelo próprio PT, já que o serviço da dívida só aumentou porque a ex-prefeita Marta Suplicy não cumpriu o contrato. Mais dinheiro, porém, ajudará um prefeito que não consegue tirar nenhum projeto do papel? Para azar de nós, paulistanos, a resposta é não. A cidade, com Haddad no comando, não tem como melhorar. É muita promessa e pouca ação.

------------

A PROPINA E O PT – Cardozo e Adams ignoram os cargos que ocupam na República e se comportam como meros advogados do PT. É um esculacho!

Leitor, se um gênio aparecer e lhe conceder um só desejo, não caia na tentação de pedir dinheiro, felicidade, a mulher ou o homem amados. Nada disso! Considere o seguinte texto: “Não me deixe perder o senso do ridículo!”. Ou você ainda acaba se comportando como um José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Ou você ainda acaba repetindo Luís Inácio Adams, advogado-geral da União. Pense: você terá a sorte que eles não tiveram e poderá se proteger de si mesmo. Por que escrevo isso?

O ministro da Justiça — sim, ministro da Justiça! — veio a público para assegurar que é “incorreto” associar o esquema de corrupção na Petrobras à campanha de 2010 da então candidata do PT, Dilma Rousseff. Segundo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, um dos dois executivos da Toyo Setal que fizeram delação premiada, parte da propina paga pela empresa foi convertida em doações eleitorais ao PT devidamente registradas. Isso teria acontecido entre 2008 e 2011. Em 2010, reitero, Dilma disputou a Presidência da República.

Cardozo acha que há um esforço de “politizar” a questão — como se ela não fosse, afinal, política, embora também seja de polícia. O ministro, vejam que curioso!, diz ser impossível saber, a esta altura, qual candidatura foi beneficiada:
“Ha uma leitura política dos fatos que não condiz com aquilo que está dito. Cada um vai ver os fatos como lhe interessa. Por que é a [campanha] presidencial e não a dos governadores? Onde é que está dito isso? Eu não posso cair no jogo da tentativa de politizar [a acusação]. De onde se tira que isso é para a campanha da Dilma?”.

Cardozo provoca em mim vergonha alheia. É esse o homem que dizem ser candidato ao Supremo? Se ele mesmo diz que é impossível saber os beneficiados pelo esquema, como pode negar que tenha sido Dilma? Onde ele aprendeu lógica? De resto, esse não é seu papel. Que fale o presidente do PT, Rui Falcão. Que fale o tesoureiro do partido! Por que há de ser o ministro da Justiça? Mais: Cardozo foi um dos três coordenadores da campanha de Dilma em 2010 — junto com Antônio Palocci e José Eduardo Dutra. Dilma os apelidou de “Os Três Porquinhos”. Então tá.

Adams
Adams, da Família Luís Inácio, advogado-geral da União, também saiu em defesa de Dilma: “Tem de terminar a investigação, ver exatamente o que aconteceu, ver se há responsabilidade, se há dolo inclusive. Mas, em princípio, eu tenho confiança de que o trabalho de campanha foi o mais cuidadoso possível”. Segundo o advogado-geral, em 2010, os petistas contavam com uma equipe jurídica que atuava para impedir ilegalidades.

É mesmo? Adams é advogado-geral da União ou do PT? Ele é pago para defender os interesses de um órgão de estado ou de um partido? É outro candidato ao Supremo. Sim, cabe a ele defender a presidente da República contra eventuais acusações decorrentes do exercício do cargo. No caso em tela, o que está em questionamento é a candidata do PT à Presidência em 2010.

Os petistas e acólitos perderam qualquer senso de decoro ou de solenidade. Ministro da Justiça e advogado-geral da União se comportam como esbirros de um partido político e consideram isso normal e justificável. É parte da degradação do estado brasileiro promovida pelo petismo.

************